Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11634.720212/2016-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2011, 2012
IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
PRODUTOS IMPORTADOR. REVENDA. IPI. INCIDÊNCIA.
Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos à incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo.
ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA.
A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO.
Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo.
Numero da decisão: 1302-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2011, 2012 IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PRODUTOS IMPORTADOR. REVENDA. IPI. INCIDÊNCIA. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos à incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo. ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO. Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11634.720212/2016-42
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900854
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.015
nome_arquivo_s : Decisao_11634720212201642.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 11634720212201642_5900854.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7419685
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870098165760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 7.833 1 7.832 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720212/201642 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.015 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria IPI OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente MARLON BONILHA EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011, 2012 IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PRODUTOS IMPORTADOR. REVENDA. IPI. INCIDÊNCIA. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos à incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo. ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 12 /2 01 6- 42 Fl. 7833DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.834 2 A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO. Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1466.965, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 7.774 a 7.796), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Fl. 7834DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.835 3 Tratandose de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito, bem como dos mesmos elementos probantes. IPI. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS. A contagem do prazo decadencial do IPI deve ser realizada considerandose a apuração mensal, sendo que, havendo pagamento espontâneo, o prazo é de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador; do contrário, contase os 5 anos do primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado." O presente processo decorre de procedimento fiscal realizado junto à MARLON BONILHA EIRELI, em relação aos anoscalendários de 2011 e 2012, tendo sido, conforme descrição contida do Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.495 a 7.517, constatadas as seguintes infrações: 1. Omissão de Receitas: 1.1 Saldo credor de Caixa Da verificação por amostragem da escrituração contábil do sujeito passivo, constatouse a existência de inúmeros lançamentos a débito e crédito da conta contábil nº 1031(Caixa Tesouraria) que não corresponderiam à realidade dos fatos e que ensejaram a ocorrência de saldo credor na própria contabilidade da fiscalizada. Constatouse, por exemplo, o lançamento de algumas vendas realizado de forma genérica na conta Títulos a Receber (enquanto havia o controle contábil individualizado para cada cliente), o lançamento na referida conta de recebimentos e pagamentos de fornecedores realizados por via bancária, e a contabilização a débito de cheques emitidos pela pessoa jurídica. A conclusão da autoridade fiscal foi que "a conta Caixa mantida pela empresa em sua escrituração contábil é uma ficção criada com o objetivo de ocultar movimentações efetuadas à margem daquela escrituração". E prossegue: "Como a quantidade de lançamentos a débito e crédito são muito numerosos se tornou impraticável reconstituir os saldos daquela conta. Assim consideramos os valores constantes da própria escrituração contábil da conta Caixa que apresentou saldos credores em alguns períodos (razão de fls. 859 a 2.142)". Assim, para a constituição do crédito tributário, foi considerado para o IRPJ/CSLL, o maior saldo credor do período e, para o PIS/COFINS/IPI, o maior saldo credor de cada mês. 1.2 Passivo Fictício A empresa fiscalizada apresentou saldos em contas do passivo (fornecedores) identificados nos razões contábeis de fls. 2.140 a 2.144 e Balanço patrimonial de fls. 489 a 759, Fl. 7835DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.836 4 obtidos mediante arquivos contábeis transmitidos ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED contábil), mas que já teriam sido pagos, conforme cópias de documentos de pagamento requisitados diretamente às instituições financeiras (fls. 2.145 a 2.155). 1.3 Pagamentos não contabilizados Por meio de verificação efetuada por amostragem na escrituração contábil da empresa fiscalizada transmitida ao SPED contábil, a autoridade fiscal constatou a falta de registro de inúmeros pagamentos realizados (fornecedores, doação eleitoral, patrocínio de clube, etc.), conforme documentos bancários requisitados mediante RMF aos Bancos Bradesco e Banco do Brasil (fls. 2.156 a 2.354). "Intimada (fls. 2.355) a apresentar ou identificar os registros contábeis relativos aos documentos da relação anexa à intimação (2.356 a 2.359), a empresa apresentou (fls. 2.360 a 2.381) apenas os registros referentes aos pagamentos efetuados ao fornecedor de serviços Dhuan Comissária de Desp. Aduaneiros Ltda no anocalendário de 2001, que foram contabilizados como adiantamento de importações (conta 1.01.02.02.010)". Isto posto, a autoridade fiscal realizou, com base no art. 281, incisos I a III, do RIR/99, o lançamento por omissão de receitas relativo às três constatações anteriores. Os lançamentos referentes ao IRPJ/CSLL e ao PIS/Cofins foram realizados em processos fiscais diversos (11634.720210/201653 e 11634.720211/201606, respectivamente). 1.4 Diferença entre os valores registrados na escrituração contábil e na escrituração fiscal Foram constatadas, ainda, em relação a todos os meses do anocalendário de 2011, diferenças entre os valores de receitas de vendas de mercadorias e produtos registrados nos livros fiscais da pessoa jurídica fiscalizada (fls. 2.384 a 3.967) e os valores constantes de sua escrituração contábil (fl. 481), representando valores que não foram considerados pelo sujeito passivo nas bases de cálculo mensais do IPI (fl. 5.865). Todos os valores apurados nas infrações anteriores foram acrescidos às bases de cálculo do IPI, conforme previsão do art. 522, §§1º e 2º, do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, considerando as alíquotas mais elevadas para cada período de apuração. 1.5 Saídas de produtos sem destaque de IPI Contatouse que a empresa fiscalizada não efetuou o destaque do IPI devido em relação a algumas operações e a alguns produtos, conforme consolidação de fls. 7.493 e 7.494. Cientificado do lançamento (fls. 7.530 e 7.531), o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 7.534 a 7.767), por meio da qual: a) alega a existência de decadência em relação aos valores devidos de janeiro a abril de 2011; Fl. 7836DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.837 5 b) invoca a aplicação do princípio da verdade material, para requerer a realização de perícia técnica a fim de comprovar a inexistência das infrações apuradas, uma vez que existiria complexidade nas questões apontadas na autuação, que teria, ainda, sido realizada por meio de amostragem; b) sustenta que inexistiriam documentos que comprovassem as infrações apontadas pela autoridade fiscal, e que o próprio auditor fiscal teria apontado que "a contabilidade da autuada foi má elaborada, apresenta diversas inconsistências, divergências, irregularidades", de modo que defende que a apuração deveria ter sido realizada por meio de arbitramento; c) defende que não existiram as omissões de receitas evidenciadas por meio de saldo credor de caixa, passivo fictício e pagamentos não contabilizados, mas falta de atenção da autoridade responsável pelo lançamento em relação aos valores lançados na contabilidade, bem como "erro contábil de preenchimento de obrigações acessórias"; d) argui que optou por centralizar os lançamentos na Conta Caixa, sendo que a autoridade fiscal não teria atentado para a existência dos lançamentos complementares, razão pela qual invoca, mais uma vez, a necessidade de perícia técnica; e) em relação às diferenças entre as escriturações contábil e fiscal, sustenta a inaplicabilidade do art. 522, §§ 1º e 2º, do RIPI, posto que não teria se trataria de vendas não registradas, mas da desconsideração de lançamentos contábeis; o citado §2º seria inconstitucional, por não refletir o caráter material do IPI; e o §1º seria inaplicável, pois seria possível a separação dos produtos com base na escrituração contábil; h) quanto a tal ponto suscita, ainda, a imprescindibilidade de avaliação contraditória, conforme previsto no art. 197 do RIPI; e argumenta que não foram deduzidos pela autoridade fiscal os crédito de IPI sobre as receitas consideradas na base de cálculo do tributo; i) no que diz respeito à infração de saídas de produtos sem destaque do IPI, alega que não haveria "incidência de IPI sobre a revenda de produtos importados quando da comercialização interna, uma vez que este processo não envolve industrialização, apenas remessa"; j) alega ainda que o Brasil é signatário do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que traria o princípio da não discriminação entre o produto importado e aquele produzido em território nacional; k) novamente, argumenta que foram desconsiderados os créditos do IPI na base de cálculo considerada; l) finalmente, argumenta que o produto revendido sobre a NCM 2926.90.90 se trata de máscara de proteção, sujeito à alíquota zero do IPI; j) ao final, apresenta os quesitos que pretende ver respondidos por meio de perícia contábil e junta alguns documentos comprobatórios. A decisão de primeira instância (fls. 7.774 a 7.796) rejeitou o pedido de perícia técnica e produção extemporânea de provas, tendo em vista que esta não pode ser Fl. 7837DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.838 6 utilizada para suprir a impugnação do sujeito passivo, que a Impugnante não comprovou a impossibilidade de justificar as irregularidades apuradas pelo Fisco e que, decorrido mais de dois anos desde a interposição da Impugnação, nenhuma nova prova foi juntada aos autos. Manteve os lançamentos baseados em presunção legais, tendo em vista que os saldos credores de caixa foram constatados na própria escrituração contábil do sujeito passivo; que, que quanto aos pagamentos não contabilizados, o simples fato de apresentar saldo na conta não autoriza a conclusão de que determinado pagamento foi realizado; e que nada foi alegado quanto ao passivo fictício. Quanto à diferença entre as escriturações contábil e fiscal do sujeito passivo, a decisão recorrida, manteve o lançamento uma vez que as divergências invocadas pela Impugnante, com base nas constatações da autoridade fiscal, se referem exclusivamente à Conta Caixa, e que o valor total das receitas foi apurado com base nas notas fiscais de saídas de produtos por venda. Rebateu, ainda, as quatro considerações realizadas na Impugnação. Em primeiro lugar, seria dever do sujeito passivo ter apresentado as provas da alegação de que não haveria vendas não registradas, mas lançamentos não considerados. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, não caberia ao julgador apreciar tal tipo de alegação. No que diz respeito à aplicação do §1º do art. 522, caberia à Impugnante haver apontado precisamente os equívocos existentes. Por fim, quanto ao aproveitamento de créditos, apontou que a Fiscalização não glosou créditos de IPI no auto de infração e não há a geração de créditos nas saídas tributadas. Com relação à alegação de decadência, reconheceu que houve o pagamento antecipado em relação aos períodos de janeiro a abril de 2011, de modo que julgou procedente a Impugnação quanto a tal ponto. Quanto à infração de saídas de produtos sem destaque de IPI, manteve integralmente o lançamento, refutando as quatro considerações apresentadas. Em primeiro lugar, a equiparação de estabelecimento importador a industrial decorre de lei plenamente em vigor, não podendo, portanto, ser afastada. Na mesma linha, o entendimento de que deve ser aplicado o GATT, para afastar a referida equiparação, não é acatada pelo Ministério da fazenda e pela Receita Federal. Quanto ao suposto não aproveitamento de créditos, mais uma vez não houve nenhum glosa por parte da autoridade fiscal. Por fim, entendeu não ser possível a classificação de viseiras como máscaras de proteção, uma vez que compõem e devem ser utilizadas com capacetes, não sendo possível o uso autônomo. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto (fl. 7.801), interpondo o Recurso Voluntário de fls. 7.804 a 7.807, no qual: a) repete o pedido de realização de perícia técnica, invocando "falhas e inseguranças" que permeariam o trabalho fiscal; b) quanto à infração de nãocontabilização de pagamentos, alega ter apresentado as notas fiscais emitidas pelos fornecedores e que a apresentação de comprovantes de pagamento, como exigida pela autoridade fiscal, não seria medida indispensável e necessária para a validação da escrituração contábil, posto que as empresa não emitiriam notas fiscais (cuja idoneidade não teria sido contestada) sem o correspondente pagamento; Fl. 7838DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.839 7 c) em relação à infração de saídas sem destaque de IPI, alega que as saídas dos produtos de NCM 3926.90.90 não foram tributadas ante a inconstitucionalidade da incidência de IPI sobre revenda, passando a repetir os argumentos já trazidos na Impugnação, pleiteando o direito de abatimento do valor pago no desembaraço aduaneiro e reiterando que as viseiras se enquadram como máscaras de proteção; d) quanto aos produtos sob as NCM 8711.20.10 e 8714, mais uma vez, alega a inconstitucionalidade da equiparação do importador e a não incidência no caso de revenda; e) especificamente, quanto aos produtos classificados na NCM 8714, alega que há produtos sujeitos a alíquotas inferiores à alíquota de 12% aplicada no lançamento; f) solicita que os valores de multa e juros tenham o mesmo destino dos valores principais; j) por fim, pede a intimação de todos os atos em nome do contribuinte e do seu procurador, bem como a intimação deste para fins de sustentação oral perante o CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 11 de julho de 2017 (fl. 7.801), tendo apresentado Recurso Voluntário em 10 de agosto de 2017, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído às fls. 7.768. A matéria objeto do Recurso está parcialmente contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Às matérias que não são, originariamente, de competência da 1º Seção, ante a indissociabilidade do lançamento, aplicase, por analogia, o disposto no art. 8º, inciso I, do RI/CARF. "Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e" O Recurso veicula matérias não abordadas na Impugnação, no que diz respeito à tributação dos produtos sob as NCM 8711.20.10 e 8714, e, em relação a este último, de suposto erro na alíquota aplicada. Fl. 7839DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.840 8 Plenamente aplicável ao caso o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo que as matérias devem ser consideradas não submetidas ao contencioso administrativo. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, à exceção das matérias ressalvadas. II. Do saldo credor de caixa, do passivo fictício e dos pagamentos não contabilizados Parte dos créditos tributários constituídos decorrem da presunção legal de omissão de receitas face à constatação das hipóteses previstas nos incisos do art. 281, inciso I, do RIR/99: "Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): Ia indicação na escrituração de saldo credor de caixa; IIa falta de escrituração de pagamentos efetuados; IIIa manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." O lançamento de que trata o presente processo, como já dito, é reflexo daquele efetuado no âmbito do processo administrativo nº 11643.720210/201653, que tratou do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de modo que o decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de IPI que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Passo, portanto, a transcrever a decisão quanto a tais temas, conforme o Acórdão nº 1302003.014, lavrado naqueles autos: "II. Do saldo credor de caixa Parte dos créditos tributários constituídos decorrem da presunção de omissão de receitas face à constatação de saldos credores de caixa, conforme previsão do art. 281, inciso I, do RIR/99: "Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): Ia indicação na escrituração de saldo credor de caixa; IIa falta de escrituração de pagamentos efetuados; IIIa manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." Fl. 7840DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.841 9 Os saldos credores que embasaram a autuação foram constatados pela autoridade fiscal diretamente a partir dos valores constantes na escrituração contábil da Recorrente, conforme cópia do Livro Razão de fls. 858 a 2.141, tendo sido, para a apuração do IRPJ e da CSLL, utilizado o maior saldo credor no ano, já que o sujeito passivo adotou a apuração anual de tais tributos. Para o anocalendário de 2011, R$ 125.551,78 (fl. 1.236) e para o de 2012, R$ 544.400,20 (fl. 1.958). A decisão de primeira instância manteve o lançamento quanto a tal tópico exatamente porque a negação genérica apresentada pelo sujeito passivo na Impugnação, e o pleito de realização de perícia técnica desacompanhada de qualquer elemento de comprovação ou justificativa não elidiram a presunção legal comprovada a partir de sua própria contabilidade. A situação em nada se alterou com o Recurso Voluntário apresentado. A Recorrente primeiro suscita insegurança do auditorfiscal, o que justificaria a realização de perícia técnica: "O próprio auditor fiscal responsável pela lavratura do presente medida fiscal afirmou: “Como a quantidade de lançamentos a débito e crédito são muito numerosos se tornou impraticável reconstituir os saldos daquela conta. Assim consideramos os valores constantes da própria escrituração contábil da conta caixa que apresentou saldos credores". (...) Enfim, são consideráveis as falhas e inseguranças que permeiam a medida fiscal, sendo certo que a realização de perícia técnica poderia corroborar para o esclarecimento dos pontos levantados." Após isso, ataca a autuação com uma negativa genérica: "Ao contrário do defendido pelo auditor fiscal não houve omissão de receitas através de saldo credor em caixa, passivo fictício, pagamentos não contabilizados e receitas de exportação não escrituradas. Pelo contrário, muitas das transações bancária foram lançadas pela contabilidade, mas o auditor fiscal não fez atenção a este fato." De fato, no item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal, o responsável pelo lançamento, ao tratar da constatação de saldo credor de caixa, principia evidenciando a conduta do sujeito passivo de realizar os lançamentos de pagamentos e recebimentos ocorridos por via bancária mediante a utilização da conta 1031 (Caixa Tesouraria). A constatação da autoridade fiscal, contudo, não impacta a infração em análise, uma vez que, como já repetido, levouse em consideração, para a realização do lançamento, os valores de Fl. 7841DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.842 10 saldo credor evidenciados na própria escrituração contábil do sujeito passivo. Como bem decidido pela autoridade julgadora a quo, a Recorrente não traz qualquer elemento de prova capaz de afastar os saldos credores registrados na sua contabilidade, não sendo possível se acatar que se valha da realização da perícia técnica para buscar as provas que a ele incumbia apresentar, conforme dever tratado no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não tendo sido afastada a presunção legal, deve ser negado provimento ao Recurso, quanto a este item. III. Do passivo fictício Outra parcela dos créditos tributários foi constituída com base na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 281, inciso III, do RIR/99, ou seja "a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". A constatação foi realizada nos seguintes termos: "A empresa fiscalizada apresentou os seguintes saldos em contas do passivo (fornecedores) identificados nos razões contábeis de fls. 2.142 a 2.146 e Balanço Patrimonial (fls. 489 a 759) , obtidos mediante arquivos contábeis transmitidos ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED contábil,mas que todavia já haviam sido pagas conforme cópias de documentos de pagamentos requisitados diretamente às instituições financeiras (fls. 2.147 a 2.157): MÊS/ANO FORNECEDOR DATA PAGTO VALOR R$ Ago/2011 Copel Distribuição S/A 05.08.2011 138.521,08 Jun/2012 Ford Motor Company Brasil Ltda 12.06.2012 98.500,00 Set/2012 Man Latim América Ind. Com. Veículos 19.09.2012 195.000,00 Nov/2012 Man Latim América Ind. Com. Veículos 26.11.2012 195.000,00 Out/2012 Marafon Ind. Imp. E Exp. De Máq. Ltda 02.10.2012 283.088,98 Out/2012 Marafon Ind. Imp. E Exp. De Máq. Ltda 17.10.2012 166.911,02 Out/2012 Schulz S/A 25.10.2012 74.000,00 " Além da negativa genérica e do pedido de perícia, nos mesmos moldes acima tratados, o sujeito passivo nada alegou Fl. 7842DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.843 11 especificamente acerca da infração em pauta, razão pela qual o lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância. No Recurso Voluntário, apesar de destinar tópico específico para se contrapor a esta infração, ao lado da constatação de pagamentos não contabilizados (Tópico III. a), a Recorrente se limita a afirmar que a constatação fiscal se deu "pela desconsideração, pelo auditor fiscal, da conta caixa escriturada pela Recorrente". Ora, como se observa da transcrição acima, em nenhum momento a infração decorreu de desconsideração da conta Caixa (que sequer foi desconsiderada no procedimento fiscal), mas do confronto entre as provas obtidas junto à instituições financeiras, que demonstram que a Recorrente pagou obrigações junto a Fornecedores, e a sua escrituração contábil, na qual tais obrigações foram mantidas em conta do Passivo, amoldandose a situação, então, perfeitamente, à presunção legal. Não tendo sido apresentado qualquer prova pelo sujeito passivo que se contraponha à constatação da autoridade fiscal, deve ser mantido o lançamento quanto a tal item. IV. Dos pagamentos não contabilizados Uma terceira infração apurada teve por base o art. 281, do RIR/99. Desta feita, a constatação se enquadra no inciso II do dispositivo, com a comprovação de que o sujeito passivo não escriturou pagamentos realizados. Mais uma vez, a constatação decorreu do confronto entre a escrituração contábil do sujeito passivo e documentos obtidos junto a instituições financeiras (fls. 2.158 a 2.356). Os pagamentos estão relacionados às fls. 2.384 e 2.385, e se referem aos meses de janeiro a dezembro de 2012, em relação aos quais o sujeito passivo foi intimado e não apresentou qualquer comprovação. No Acórdão recorrido, as alegações do sujeito passivo em relação a tal tópico foram rejeitadas pelos julgadores, do seguinte modo: "Quanto aos pagamentos não contabilizados, os saldos iniciais e finais das contas contábeis são irrelevantes. Isso porque, o simples fato de apresentar saldo na conta não autoriza concluir que o determinado pagamento foi feito com o recurso que supostamente estava no “Caixa” físico ou escritural da empresa. Caberia a impugnante fazer prova de que tais pagamentos foram realizados com recursos oriundos de receitas contabilizadas e tributadas,, afinal tais valores efetivamente saíram das contas correntes, mediante cheques compensados ou sacados e não da conta caixa. Alem disso, o Fisco constatou que se tratam de despesas ou custos não Fl. 7843DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.844 12 contabilizados, pelo que é inevitável a conclusão de que os recursos utilizados para esse fim também não foram.Vejamos o facsimile parcial dos pagamentos não contbilizados apurados pela Fiscalização (fls. 2384 dos autos): (...) E mais: os lançamentos exemplificados à Fl. 11 da peça impugnatória sequer relacionamse com os valores autuados. Evidenciase que a Impugnante buscou justificar os mesmos exemplos apontados na Fl. 12 do TVF, mas deixou de observar que não faziam parte da autuação." No Recurso Voluntário apresentado, o sujeito passivo funda a sua contraposição ao lançamento na suposta existência de lançamentos que não teriam sido considerados pelo responsável pela autuação. A exemplo do que já havia realizado na Impugnação, contudo, a Recorrente não traz a comprovação de que realizou o registro contábil dos pagamentos que embasaram o lançamento, mas se limita a citar pagamentos relativos ao anocalendário de 2011, os quais não foram objeto de autuação. No mais, repete a alegação já rechaçada acima de que o lançamento se basearia na desconsideração da conta caixa e o pedido de perícia técnica, sendo que, como já afirmado, no caso tal pedido não serviria para comprovar provas trazidas pelo Recorrente, mas para o levantamento das provas que ele deveria ter trazido aos autos e não o fez. A Recorrente traz, ainda, a estranha alegação de que ao apresentar as notas fiscais emitidas pelos fornecedores estava dispensado da apresentação do comprovante de pagamento, uma vez que a própria nota já teria o condão de comprovar o pagamento. Ora, a alegação é totalmente estranha à autuação, posto que a presunção legal não se baseia na ausência de comprovação do pagamento, mas não ausência de registro contábil de tal pagamento. Tornase, portanto, despiciendo rechaçar com maiores detalhes a alegação do sujeito passivo, que, por si só, é absolutamente infundada. A mera nota fiscal não atesta a realização de um pagamento, devendo estar acompanhada da comprovação do meio pelo qual o pagamento foi realizado. Finalmente, a Recorrente sustenta que há na sua contabilidade lançamentos que complementariam os encontrados pela autoridade fiscal e que afastariam a presunção de ausência de escrituração de pagamentos. Cita, como exemplos, os seguintes lançamentos: "31.01.2012 Fl. 7844DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.845 13 Débito: Folha de Pagamento (ordenados e salários) R$ 122.492,74 Crédito: Caixa R$ 122.492,74 Histórico: Valor ref. Diversos relativo as folha de pgto. 31.05.2012 Débito: Combustíveis e lubrificantes R$ 63.807,67 Crédito: Caixa R$ 63.807,67 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos 31.10.2012 Débito: Combustíveis e lubrificantes R$ 86.424,98 Crédito: Caixa R$ 86.424,98 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos 30.11.2012 Debito: Combustíveis e lubrificantes R$ 85.534,64 Crédito: Caixa R$ 85.534,64 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos" A análise do Razão da Conta Caixa (fls. 1.495 a 2.141), contudo, revela que não é verídica a afirmação do sujeito passivo. Nenhum dos referidos lançamentos se encontra em sua escrituração contábil. Deve ser improvido o Recurso Voluntário, em relação a mais este tópico." No caso de apuração de omissão de receitas, estas serão consideradas na determinação da base de cálculo para o lançamento do IPI, por expressa disposição do art. 522, §2º, do Decreto nº 7.212, de 2010 (RIPI), cuja matriz legal é o art. 108, §2º, da Lei nº 4.502, de 1964. Deste modo, tendo sido considerado procedente o lançamento do IRPJ referente às omissões de receita apuradas com base nos referidos dispositivos, deve ser improvido o Recurso Voluntário, em relação a estas matérias. III. Diferença apurada entre os valores registrados na escrituração contábil e na escrituração fiscal e da realização de perícia técnica Fl. 7845DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.846 14 O responsável pelo procedimento fiscal apontou, em relação ao ano calendário de 2011, a existência de divergências entre os valores de receitas de vendas de mercadorias e produtos resultante da totalização das notas fiscais eletrônicas emitidas pelo sujeito passivo (fls. 2.384 a 3.967, totalizadas à fl. 5.864) e os valores constantes de sua escrituração contábil (conforme Demonstração do Resultado do Exercício de fl. 481). No TVF, foi apresentado o seguinte demonstrativo das referidas divergências: O Acórdão recorrido manteve o lançamento, ao rejeitar os argumentos de defesa apresentados pelo sujeito passivo, no sentido de que "as divergências e inconsistências dos dados manifestados na contabilidade impediram a verificação real dos valores a serem considerados para fins de autuação", e de que os totais considerados pela autoridade fiscal incluiriam saídas que não configurariam faturamento, tais como as remessas para conserto, devoluções de compras e simples remessas. Bem como, de exigir a realização de perícia. Eis os fundamentos dos julgadores: "As justificativas da Impugnante são inaceitáveis. Em primeiro lugar, as “incontáveis divergências” foram apontandas (sic) na conta Caixa e somente impediriam a reconstituição fiscal dos saldos diários. Por sua vez, o valor total das receitas foi apurado com base nas notas fiscais de saídas de vendas de produtos, cujos códigos são específicos. A Fiscalização sabe muito bem distinguir uma saída de produto em devolução de um produto vendido. Os demonstrativos fiscais são precisos e apontam os valores mensais das receitas tributáveis da empresa. Vejamos facsimile parcial dos quadros de fl. 5867: (...) Fl. 7846DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.847 15 Ao invés de simplesmente requer perícia, caberia à Impugnante fazer prova de que o Fisco errou na apuração de ao menos um desses valores mensais. Em verdade, o trabalho fiscal nessa parte não merece reparos, pelo que a tributação deve ser confirmada." O Recurso Voluntário não traz qualquer refutação diretamente relacionada com a infração em pauta, limitandose a pleitear a realização de perícia que, supostamente, afastaria a infração. Em primeiro lugar, como apontado pelo julgado a quo, os vícios apontados pela autoridade fiscal na escrituração contábil do sujeito passivo se restringem às dificuldades produzidas pela centralização na conta Caixa de operações realizadas por via bancária, não possuindo nenhuma relação com a infração em pauta. Além disso, a análise da relação de notas fiscais discriminadas às fls. 2.384 a 3.967 atesta que todas as saídas ali discriminadas se referem a vendas de produtos e mercadorias, não existindo qualquer saída por remessa ou devolução, como alegado na Impugnação. O que se constata, portanto, é que a Recorrente busca se valer da realização de perícia técnica para construir provas que teria o ônus de apresentar. Na verdade, cabe neste posto, rechaçar expressamente o pedido de perícia formulado pela Recorrente e apresentado como preliminar de mérito. Em relação a várias matérias incluídas no auto de infração, há o apelo à realização de perícia técnica que, no entender da Recorrente, viria a comprovar as suas alegações. O exame das matérias, contudo, revela não haver qualquer razão para a realização de diligências ou perícias, posto que a autoridade fiscal reuniu provas cabais das infrações e o sujeito passivo não apresentou qualquer elemento comprobatório capaz de suscitar dúvidas que demandassem a necessidade de esclarecimento. A própria razão suscitada pela Recorrente ("para fins de conferir maior segurança jurídica à medida fiscal impugnada"), frente às sólidas provas trazidas pelo responsável pela constituição do crédito tributário, já revela a desnecessidade da medida. Ademais, em relação às hipóteses de omissão de receita por presunção legal, a realização da perícia já foi rechaçada, quando do julgamento processo administrativo nº 11643.720210/201653, que, como já dito, teve os seus efeitos estendidos para os presentes autos. Assim, à luz do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, considero prescindível a realização de perícia e indefiro o pedido formulado pela Recorrente, bem como mantenho o lançamento quanto às diferenças abordadas neste tópico. IV. Das saídas de produtos sem destaque de IPI Fl. 7847DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.848 16 O responsável pela constituição do crédito tributário imputou à Recorrente a infração de haver deixado, em relação a algumas operações e produtos, de destacar o IPI devido. Os argumentos trazidos na Impugnação e repetidos no Recurso Voluntário foram rechaçados pelo julgador de primeira instância na forma já relatada. Passemos à reanálise do tema. Em primeiro lugar, a autuação é baseada no fato de que a Recorrente está inserida no conceito de estabelecimento industrial, em razão de exercer operações de industrialização, bem como no de equiparada a estabelecimento industrial, em razão de efetuar operações de importação, conforme arts. 4º, 8º e 9º, incisos I e IX, do Decreto nº 7.212, de 2010 (RIPI). In verbis: "Art.4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): Ia que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); IIa que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); IIIa que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IVa que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Va que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Art.8o Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no 4.502, de 1964, art. 3o). Art.9o Equiparamse a estabelecimento industrial: Fl. 7848DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.849 17 I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (...) IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora;" No curso do procedimento fiscal, contudo, a partir da relação de notas fiscais eletrônicas obtidas a partir do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), ficou constatado que o sujeito passivo deixou de destacar o IPI devido em relação a algumas operações relacionadas a produtos sob a classificação NCM 3926.90.90, 8711.20.10 e 8714, conforme discriminação a seguir, obtida do TVF: Em relação aos produtos sob NCM 3926.90.90, a Recorrente justifica a ausência de destaque do IPI em suposta inconstitucionalidade da incidência de IPI sobre a revenda de produtos importados. É sabido que o CARF não possui competência para analisar as alegações de caráter constitucional de norma legal, por força da Súmula CARF nº 2 (de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do Art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), que dispõe que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Fl. 7849DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.850 18 Também não é possível ao julgador do CARF deixar de aplicar norma legal por conta de inconstitucionalidade, uma vez que o Art. 62 do Anexo II do RI/CARF expressamente veda tal possibilidade: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." O descumprimento do referido preceito, inclusive, constitui causa de perda do mandato de Conselheiro junto ao CARF, conforme Art. 45, inciso VI, do RI/CARF. No caso em apreço, ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu pela incidência do IPI em tais situações, conforme julgamento do EResp n° 1.403.532/SC (Rel. Min. Napoleão Nunes Mais Filho, Rel. p/ Acórdão Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015), julgado sob a sistemática do artigo 543C, do antigo CPC (e de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), cuja ementa se transcreve: "EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira Fl. 7850DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.851 19 tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." Neste sentido, não há como se afastar a incidência da norma sob exame. De nada auxilia à Recorrente o fato de que a matéria será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática da repercussão geral, no âmbito do RE nº 946.648/SC. A Recorrente, confessadamente, não destacou o IPI sobre a revenda dos produtos importados, de modo que procedente a autuação. Quanto à pretensão da Recorrente de deduzir do valor a ser recolhido na saída dos produtos importados o valor pago por ocasião da importação, a decisão judicial transcrita no Recurso não lhe favorece, posto não ser parte no processo judicial. Entretanto, a matéria não comporta discordância, uma vez que não houve, por parte da autoridade fiscal, a glosa de qualquer crédito apropriado pelo sujeito passivo, sendo que, no Registro de Apuração do IPI (fls. 7.456 a 7.491), há expressamente a indicação do crédito de IPI sobre compras do exterior (CFOP 3.101 e 3.102). Não é apresentada a comprovação de qualquer valor de crédito que não tenha sido considerado na autuação. Fl. 7851DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.852 20 A Recorrente, ainda, repete tese sustentada na Impugnação de que os produtos revendidos sob a NCM 3926.90.90 não se referem a viseiras, mas a "máscaras de proteção", enquadradas na Ex 02 da referida posição da TIPI e submetida à alíquota zero do IPI. A matéria foi adequadamente enfrentada pela decisão a quo, conforme se observa a seguir: "Por fim, é equivocada a alegação no sentido de que as viseiras (código NCM 3926.90.90) devem ser classificadas como máscaras de proteção (Ex 02 da posição 3926.90.90), que compõe os capacetes revendidos. Isso porque Realmente, as viseiras destinação (sic) a proteção do rosto, especialmente dos olhos. Todavia, apesar de poderem ser vendidas em separado, para substituição de uma peça gasta ou quebrada, esse artefato só pode ser utilizado com o capacete. Logo, não pode ser classificada como mascara de proteção, haja vista a impossibilidade de uso autônomo. Correta portanto a classificação fiscal realizada no auto de infração." Os elementos adicionais de prova trazidos pela Recorrente (imagens dos produtos revendidos) somente confirmam o acerto da decisão contestada. Conforme se observa, todos os produtos, de fato, não são passíveis de uso autônomo, sendo, apenas, peças de reposição para uso acopladas a um capacete, de modo que não podem ser enquadrados como "máscaras de proteção". Deve ser improvido, portanto o Recurso Voluntário quanto a este tópico. V. Da aplicação de juros e multas A Recorrente traz o esdrúxulo pedido para que os valores de juros e multas tenham o mesmo tratamento concedido aos valores principais. Em especial, que tendo sido reconhecida pela DRJ a decadência referente aos créditos relativos ao meses de janeiro a abril de 2011, haja o afastamento dos acréscimos legais. Ora, embora o Acórdão recorrido seja silente em relação a tal fato, o que se pede é decorrência lógica, em relação à qual inexiste qualquer matéria controversa. Para todos os valores mantidos no contencioso administrativo, deverá haver a cobrança de multas e juros fixadas na legislação. Afastada a tributação sobre alguma parte do crédito tributário constituída, a mesma sorte seguirão os respectivas parcelas de acréscimos legais. VI. Das intimações Fl. 7852DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.853 21 Em relação aos pedidos da Recorrente relacionados com a intimação ao procurador para os atos processuais e, em especial, para a realização de sustentação oral perante o CARF, cabe apenas registrar que não há previsão legal para tais práticas, sendo as intimações dirigidas ao sujeito passivo, nas formas reguladas pelo art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e a pauta de reunião publicada no Diário Oficial da União, conforme art. 55 do RI/CARF, quando caberá ao eventual procurador, por ocasião do julgamento, solicitar a realização de sustentação oral, conforme art. 68, inciso II, do RI/CARF. Cabe registrar o que dispõe o § 4º do citado art. 23, que estabelece: "Art. 23 (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)" Descabidos, portanto, os pedidos formulados. VII. Conclusão Por todo o exposto, voto por indeferir o pedido de perícia e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 7853DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001865/2004-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
BASE DE CÁLCULO DO IRPJ
O lucro real, base de cálculo do IRPJ, é definido pelo confronto entre elementos positivos (as receitas), que o incrementam, com elementos negativos, dentre os quais, as despesas, que o reduzem. Enquanto o ônus da prova dos positivos é do Fisco, o dos negativos é do sujeito passivo. Do contrário, seria impor à Administração Pública a “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Em razão disso, o mero registro contábil ou a
informação na DIPJ justamente por serem atos exclusivos do sujeito passivo não fazem prova a seu favor dos elementos negativos.
IRPJ RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO
A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto nº 1.598/1977, art. 5º) restringe-se aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, trata-se de um passivo da
sociedade incorporada, assumido pela sucessora.
Numero da decisão: 1201-000.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO DO IRPJ O lucro real, base de cálculo do IRPJ, é definido pelo confronto entre elementos positivos (as receitas), que o incrementam, com elementos negativos, dentre os quais, as despesas, que o reduzem. Enquanto o ônus da prova dos positivos é do Fisco, o dos negativos é do sujeito passivo. Do contrário, seria impor à Administração Pública a “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Em razão disso, o mero registro contábil ou a informação na DIPJ justamente por serem atos exclusivos do sujeito passivo não fazem prova a seu favor dos elementos negativos. IRPJ RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto nº 1.598/1977, art. 5º) restringe-se aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, trata-se de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.001865/2004-82
conteudo_id_s : 5918804
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.370
nome_arquivo_s : Decisao_16327001865200482.pdf
nome_relator_s : Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
nome_arquivo_pdf_s : 16327001865200482_5918804.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
id : 7477866
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870104457216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 304 1 303 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001865/200482 Recurso nº 157.147 Voluntário Acórdão nº 120100.370 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ e outro Recorrente Banco HSBC S/A Recorrida 3ª Turma da DRJ/RJI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO DO IRPJ O lucro real, base de cálculo do IRPJ, é definido pelo confronto entre elementos positivos (as receitas), que o incrementam, com elementos negativos, dentre os quais, as despesas, que o reduzem. Enquanto o ônus da prova dos positivos é do Fisco, o dos negativos é do sujeito passivo. Do contrário, seria impor à Administração Pública a “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Em razão disso, o mero registro contábil ou a informação na DIPJ justamente por serem atos exclusivos do sujeito passivo não fazem prova a seu favor dos elementos negativos. IRPJ RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto nº 1.598/1977, art. 5º) restringese aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 305 2 (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, Regis Magalhães Soares Queiroz. Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 78/86 (que têm como parte integrante o Termo de Verificação de Infração de fls. 72/77 e o Relatório de Auditoria Eletrônica de fls. 66/71), lavrados pela DEINF/SPO, com ciência em 23/12/2004 (fl. 89), para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$2.282.561,57, e de Contribuição Social (CSLL), no valor de R$914.427,88, ambos com multa de 75% e juros de mora. O crédito total lançado monta a R$8.257.504,02. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, ter sido apurada a infração abaixo: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Valor apurado conforme Termo de Verificação de Infração e Relatório de Auditoria Eletrônica. O enquadramento legal consta dos Autos de Infração. O interessado apresentou, em 21/01/2005, a impugnação de fls. 90/104. Na referida peça de defesa, alega, em síntese, que: o valor da provisão pode variar, pois cada empresa pode ter aspectos peculiares a respeito de seus clientes; foram estabelecidas regras específicas para a dedução das perdas (art. 9º da Lei 9.430/1996); Fl. 317DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 306 3 a fiscalização menciona genericamente que o dispositivo foi infringido, mas não indica o crédito e a situação que não foi cumprida; não pode ser penalizada sob a alegação de uma diferença que não foi demonstrada, pois é mero resultado de adição/subtração; não há valor em duplicidade; ressalta que sua escrituração está em consonância com a legislação comercial e fiscal; como se tratam de créditos de pequeno valor, as perdas apuradas se enquadram nas condições previstas na legislação para que sejam dedutíveis; a multa não pode ser exigida, por se tratar de empresa sucessora; a aplicação da taxa Selic viola o Princípio da Legalidade; à CSLL são aplicadas as mesmas alegações. Encerra solicitando o cancelamento do lançamento. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 142 a 147) negou provimento ao recurso, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Cabe ao contribuinte o ônus da prova do valor declarado como perdas no recebimento de créditos. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade dos sucessores se refere aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. JUROS DE MORA. É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 307 4 Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 155 a 179, mediante o qual reiterou – em sua maioria, literalmente – os argumentos aduzidos na impugnação. Por isso, reproduzo apenas, mas na integralidade, os seguintes trechos inéditos: 3.12. Além disso, a D. Autoridade Julgadora aludiu na r. decisão recorrida que "a fiscalização, em momento algum, apontou estar efetuando glosa em face de não atendimento de regras especificas para a dedução das perdas estabelecidas pelo art. 90 da Lei 9.430/1996. Deste modo, não produz efeito a alegação de que caberia à fiscalização indicar o crédito e a situação que não foi cumprida" Ora, data maxicima venia, não procedem as alegações da D. Autoridade Julgadora, tendo em vista que, no "Termo de Verificação de Infração", há a previsão expressa de que "pela relevância reproduzimos a seguir o artigo 9º da referida lei (9430/96)" (observação do Recorrente); e no próprio Auto de Infração, no campo referente ao enquadramento legal, apontase como fundamento da lavratura o artigo 9º da Lei 9.430/96. 3.13. Isso demonstra o total descaso da D. Autoridade Julgadora ao analisar os fatos em discussão na presente autuação fiscal. Esperarseia que pelo menos os fundamentos que embasaram o Auto de Infração tivessem sido analisados pela D. Autoridade Julgadora, antes da prolação da r. decisão recorrida. Mas não é isso que se observa no presente caso, motivo pelo qual não pode — e não deve — subsistir a exigência fiscal contida no presente Auto de Infração, objeto da r. decisão recorrida. (...) 3.15. A D. Autoridade Julgadora mais uma vez não se ateve à realidade dos fatos e aos fundamentos apontados pela própria D. Autoridade Fiscal, ao argumentar, na r. decisão recorrida, que também não se mostra sem efeito a alegação de que se tratam de créditos de pequeno valor, que se enquadram nas condições previstas na legislação — as perdas teriam que ser, principalmente, identificadas, para que, então, fosse verificado o atendimento às condições estabelecidas em lei". Esse entendimento volta a demonstrar que a D. Autoridade Julgadora sequer teve a cautela de analisar as informações apresentadas pelo Recorrente à D. Autoridade Fiscal. Quanto às demais partes exclusivas do recurso, do item 3.24 a 3.31, valendo se do argumento de que o ônus da prova é de quem alega, bem como dos princípios da ampla defesa e do contraditório, aduz que a autoridade de primeiro grau pecou pela insuficiência ao Fl. 319DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 308 5 analisar os fatos e o direito. Nos itens 4.11 e 4.12 aduz que o patamar de 75% da multa não é razoável e viola o art. 150, inciso IV da CF. Questiona também os juros Selic sobre a multa de ofício; e, em relação à CSLL, alega que, mesmo mantida a autuação em relação ao IRPJ, deve ser afastada em relação à CSLL, pois a esta contribuição não se aplicam necessariamente as regras relativas ao IRPJ, especialmente, no tocante a adições e exclusões. Tais ajustes devem ser aqueles prescritos no art. 2º da Lei 7.689/88, dentre as quais não constam as perdas no recebimento de créditos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Glosa de perdas A autuação é simples e clara, como o trecho abaixo dela reproduzido (fl. 76): Desta forma, fica constituído de oficio o crédito tributário de IRPJ e CSLL, de conformidade com o disposto no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, correspondente à somatória da diferença de R$ 9.110.212,80, verificada entre o valor das perdas declaradas na DIPJ/2000, de R$ 228.739.120,32, e a soma dos valores em aberto no arquivo fornecido pelo contribuinte, de R$ 219.628.907,52, e o valor de R$ 20.033,52 referente ao contrato 1979J baixado em duplicidade, no montante de R$ R$ 9.130.246,32, através da lavratura do competente auto de infração, do qual o presente Termo de Verificação de Infração, juntamente com o Relatório de Auditoria Eletrônica, passam a fazer parte integrante e indissociável. Por outro lado, a defesa invoca teorias mil totalmente desconectadas dos fatos; parece uma fábula. Ao apurar o IRPJ e a CSLL, na sua declaração de rendimentos, a autuada reduziu as respectivas bases de cálculo no valor de R$ 228 milhões (números arredondados) relativamente a perdas, mas apresentou justificativas para apenas R$ 219 milhões. Apesar de reiteradamente intimada, não apresentou à autoridade fiscal qualquer justificativa para essa divergência. Só restou à autoridade glosar a diferença de R$ 9 milhões. Apesar da elevada quantia, é simples assim. A base de cálculo do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro é o resultado do cotejo entre elementos positivos (basicamente, as receitas) e negativos (custos e despesas). Fl. 320DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 309 6 Mais elementos positivos implicam maior base de cálculo e, portanto, mais tributos a ser recolhidos; por outro lado, elementos negativos redundam numa menor base de cálculo e, deste modo, numa imposição tributária inferior. Em razão dessa característica substancial da tributação pelo IRPJ e pela CSLL, cabe ao Fisco comprovar os elementos positivos (as receitas); ao passo que se impõe ao sujeito passivo a prova dos negativos. O ônus da prova em relação aos elementos negativos é do sujeito passivo. O contrário implicaria impor ao Fisco a formação de “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Pois bem, o mero registro contábil ou a informação na DIPJ– justamente por ser ato exclusivo do sujeito passivo – não faz prova a seu favor dos elementos negativos. Para tal, é necessário que faça a comprovação com documentação apta para tal. A atividade de fiscalização apresenta o caráter inquisitivo. Em tese, a autuação pode ser realizada sem qualquer participação do acusado. Essa é a regra geral. Todavia, no caso de glosa de despesas e custos, a acusação é sempre de “despesas e custos não comprovados” e, deste modo, é necessário que a autoridade fiscal prove que não houve a prova. É, pois, necessário, sob pena de improcedência da acusação, que intime o sujeito passivo para comprovar os elementos negativos registrados em sua escrita. Feito isso e não tendo o sujeito passivo sido capaz de comprovar os valores registrados, a autoridade fiscal estará legitimada a efetuar a autuação. Não haverá mais nada a provar. É o que ocorreu no presente feito. Não restando comprovada a diferença apurada pela fiscalização – aliás, não havendo sequer a apresentação de qualquer justificativa –, impõese a manutenção da glosa. O mesmo entendimento deve prevalecer para o IRPJ e para a CSLL, pois a autuação é de simples não comprovação de perdas. Multa As multas só podem ser exigidas das sucessoras quando anteriormente constituídas contra a sucedida. Já se pacificou, de longa data, a jurisprudência deste Colegiado pela improcedência do lançamento de multas sobre as sucessoras, exceto no caso de haver controle comum entre as duas. Abaixo, transcrevo a título ilustrativo acórdão da Câmara Superior: Número do Recurso:101125557 Turma:PRIMEIRA TURMA Número do Processo:10920.000129/0027 Tipo do Recurso:RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria:IRPJ Recorrente:FAZENDA NACIONAL Interessado(a):TIGRE S/A TUBOS E CONEXÕES Data da Sessão:24/02/2003 09:30:00 Fl. 321DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 310 7 Relator(a):Carlos Alberto Gonçalves Nunes Acórdão:CSRF/0104.406 Decisão:NPM NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão:Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da sSilva, Mário Junqueira Franco e Manoel Antonio Gadelha Dias. Ementa:IRPJ – RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA – MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO – A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decretolei nº 1.598/77, art. 5º), restringe se aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Pois bem, foi justamente o que se caracterizou no presente feito. O início da fiscalização foi em 15/09/2003 (fl. 05) contra a sucedida – o Lloyds –, mas o lançamento foi promovido em 23/12/2004 (fl. 088), já contra a sucessora – o HSBC. Desse modo, não merece prosperar a sanção pecuniária. Ficam, assim, prejudicadas as demais razões da defesa quanto a esse ponto. Dispositivo Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 322DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901804/2006-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME.
Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo IRPJ ao final do respectivo período de apuração e a efetiva retenção do IRRF, circunstância esta que não invalida a plena dedução do IRRF no período de apuração em que ocorrer a retenção. É necessário todavia que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da Recorrente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores.
Numero da decisão: 1003-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo IRPJ ao final do respectivo período de apuração e a efetiva retenção do IRRF, circunstância esta que não invalida a plena dedução do IRRF no período de apuração em que ocorrer a retenção. É necessário todavia que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da Recorrente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.901804/2006-11
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5905794
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.165
nome_arquivo_s : Decisao_10830901804200611.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830901804200611_5905794.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7436363
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870127525888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 126 1 125 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.901804/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.165 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente INDUCTOTHERM GROUP BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo IRPJ ao final do respectivo período de apuração e a efetiva retenção do IRRF, circunstância esta que não invalida a plena dedução do IRRF no período de apuração em que ocorrer a retenção. É necessário todavia que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da Recorrente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 18 04 /2 00 6- 11 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 127 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 14164.14031.231003.1.3.020870, em 23.10.2003, fls. 3246, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 1999 no valor de R$8.506,34 decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 4043, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido tendo em vista que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 1998 o saldo negativo de IRPJ era zero: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 8.506,34. Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00. [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1° do art. 60 e art. 28 da Lei 9.430, de 1996, Art. 50 da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o direito creditório se refere ao anocalendário de 1999 ao invés de 1998. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/CPS/SP nº 05 31.421, de 18.11.2010, fls. 7677: Anocalendário: 1999 DCOMP. Erro de Preenchimento. Constatado o erro de preenchimento da DCOMP, quanto à indicação do período de apuração do saldo negativo, deve o órgão julgador prosseguir na análise da compensação do direito creditório correto e regularmente demonstrado no mesmo instrumento. Saldo Negativo. Retenções. No processamento eletrônico das DCOMP, o saldo negativo de IRPJ passível de ser reconhecido é apenas aquele composto pelas retenções, devidamente informadas pelas fontes pagadoras nas DIRF, principalmente quando a contribuinte deixa de apresentar, com a manifestação de inconformidade, os respectivos comprovantes de rendimentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] É possível inferir daí que houve de fato erro de preenchimento da DCOMP quanto ao período de apuração do saldo negativo: ao invés de Exercício 1999 (ano calendário 1998) deveria ter constado Exercício 2000 (anocalendário 1999). Impõe Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 128 3 se assim a apreciação do saldo negativo correto, qual seja: saldo negativo de IRPJ do Exercício 2000 (anocalendário 1999). [...] Diante dos fatos acima expostos, cumpre HOMOLOGAR a compensação até o limite do crédito ora reconhecido, relativo ao saldo negativo de IRPJ do Exercício 2000 (anocalendário de 1999), no valor de R$ 6.086,27, decorrente das retenções informadas na DCOMP em apreciação, e abaixo discriminadas: CNPJ da Fonte Pagadora Código Valor 48.103.014/000167 6800 5.090,04 60.701.190/000104 6800 996,23 6.086,27 Notificada em 07.01.2011, fl. 83, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.01.2011, fl. 85, esclarecendo que: Conforme previsto no Comunicado 10.830/SEORT/DRF/CPS/2.264/201 O referente processo administrativo nº 10830.901804/200611, recebido em 05 de Janeiro de 2011, apresentamos manifestação de inconformidade à cobrança nele imposta, referente à retenção procedida pelo CNPJ 61.377.677/000138, no valor de R$ 2.420,07 do anocalendário de 1999. Seguem anexo os comprovantes de rendimentos e retenção do imposto de renda na fonte da fonte pagadora CNPJ 61.377.677/000138 cód. 6800, que comprovam o crédito do valor citado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 no valor de R$2.420,07 decorrente de IRRF apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 129 4 Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 130 5 determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente4. Os rendimentos de aplicações financeiras devem ser incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, podem ser rateados pelos períodos a que competirem, ou seja, podem ser rateados segundo o regime de competência. Ademais, os rendimentos da pessoa jurídica ficam sujeitos ao IRRF quando ocorrer o pagamento ou o crédito contábil da fonte pagadora5. A pessoa jurídica está obrigada a prestar à RFB informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ das pessoas que o receberam, bem como valor do imposto de renda retido da fonte. Também a pessoas jurídica que efetuar pagamento ou crédito de rendimentos sujeitos à retenção do imposto na fonte devem fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte6. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido o código de arrecadação nº 6800 – fundo de investimento financeiro renda fixa (art. 73 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 29, art. 30, art. 31 e art. 32 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente apresenta em sede de recurso voluntário o Informe Anual de Rendimentos do anocalendário de 1999 emitido pela fonte pagadora Banco Cidade S/A, CNPJ 61.377.677/000138, código 6800, fls. 05, 8589 e 126127, e a cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo na DIPJ Retificadora nº 1228645 de 1999, fls. 4755, conforme demonstrado na Tabela 1. Tabela 1 Valor o valor retido na fonte e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do IRPJ Fonte Pagadora Código Valor do Rendimento IRRF 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal: art. 17 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 13 da Lei nº 4.154, de 28 de novembro de1962 e art. 1º da Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 131 6 Banco Cidade S/A AnoCalendário de 1999 (A) (B) R$ (C) R$ (D) Setembro 6800 3.542,45 708,49 Outubro 6800 2.549,95 509,99 Novembro 6800 1.595,50 319,10 Dezembro 6800 4.412,45 882,49 Total 12.100,35 2.420,07 Reiterese que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, que no presente caso restou demonstrado. Por essa razão, tendo em vista o princípio da verdade material, cabe reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 no valor de R$ R$2.420,07 decorrente de IRRF apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 no valor de R$ R$2.420,07 decorrente de IRRF apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos confessados no Per/DComp até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720027/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16004.720027/2013-45
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914191
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-000.699
nome_arquivo_s : Decisao_16004720027201345.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 16004720027201345_5914191.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7449728
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870162128896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720027/201345 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.699 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de setembro de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). RELATÓRIO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de DEBCAD 37.374.8558 (fls. 3.524), que apurou o crédito tributário no montante de R$ 694.961,55 (seiscentos e noventa e quatro mil seiscentos e noventa e um reais e cinquenta e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 02 7/ 20 13 -4 5 Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 3 2 cinco centavos), consolidado em 10/04/2013, referente às contribuições sociais previstas no artigo 22, I, II e III da Lei nº 8.212/91 (Cota Patronal – 20%), e correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), em decorrência da exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, conforme Ato Declaratório Executivo nº 095 de 26/02/2013, relativo ao período de 01/2008 a 13/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (Termo de Constatação fls. 3.534/3.549), a Fiscalização esclarece que para apuração do crédito tributário tomou como base os valores de remunerações declaradas pelo contribuinte constantes nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, as quais foram extraídas do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e encontramse anexas ao presente processo. Considera como fatos geradores das contribuições lançadas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais discriminadas e declaradas na GFIP, em consonância com o artigo 28 da Lei nº 8.212/91, cujos valores encontramse relacionados no Relatório Fiscal, fl.3.536 e no Relatório de Lançamentos, fls. 3.532/3.533. Para o cálculo das contribuições devidas informa que aplicou as alíquotas previstas no artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Esclarece a auditoria fiscal que em virtude do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, elaborou planilha comparativa, fl. 3.550, contendo os cálculos das multas, inclusive as decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias, atendendo a legislação anterior a MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/209 e a legislação vigente a época do lançamento para de acordo com a competência levantada aplicar a situação mais benéfica ao contribuinte. DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Relata a Auditoria que os sujeitos passivos solidários foram informados quanto aos fatos que ensejaram a imputação da responsabilidade solidária e intimados a se manifestar quanto a apresentação de documentação hábil e idônea que ilidisse a responsabilidade solidária, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 27/12/2012. Informa que na resposta protocolada em 22012013, os responsáveis solidários não apresentaram documento, alegando não existir responsabilidade solidária. Diante do exposto a Auditoria lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da pessoa Jurídica Equipamentos Rodrigues Ltda, bem como Termos de Sujeição Passiva Solidária na pessoa dos sócios Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Ressalta que os documentos probatórios dos fatos que serviram de base para emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N.095, 26/02/2013, encontramse juntados ao processo administrativo digital nº 16004.720053/201292, cujo acesso se tornou extensivo aos responsáveis solidários. Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 4 3 DA SOLIDARIEDADE ENTRE EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO Da análise do quadro societário das empresas abaixo listadas a Auditoria reconhece a solidariedade entre as empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias, consoante os dispositivos legais a seguir relacionados: artigo 2º da CLT; inciso IX do artigo 30 da Lei do Custeio da Previdência Social n.° 8.212, de 24 de julho de 1.991, com redação alterada pela Lei nº 8.620/93; artigo 121, incisos I e II; artigo 124; artigo 128 e inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional; artigo 265, parágrafo primeiro e segundo e artigo 267da Lei n. 6.404, de 15/12/1976, artigo 17 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994, Revogada pela lei n.12.529, de 30 de novembro de 2011, artigo 33 da Lei nº 12.529/2011 e artigo 222 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Informa que o presente crédito tributário foi lançado em nome de Galego Implementos para Transportes Ltda EPP "E OUTROS", tendo em vista que a documentação apreendida no estabelecimento da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e os documentos apresentados na ação fiscal demonstram que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, juntamente com outras pessoas jurídicas formam um grupo econômico de fato. Aduz que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados na Representação Fiscal e juntados ao processo administrativo (nº 16004.720053/201292). DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS A Fiscalização, com amparo nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls 3.551/3.616), onde fundamenta a responsabilidade solidária dos sócios pela identificação do interesse comum no fato gerador com base nos documentos e constatações evidenciadas durante a ação fiscal que fazem parte do presente processo e que demonstram claramente, a administração comum, confusão patrimonial, socorros financeiros, ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, conduta que traduz a simulação da contratação de empregados pela Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda posto que custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda, constituída por interpostas pessoas (procuradores da Equipamentos Rodoviários Rodrigues) como optante do SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Em decorrência da conduta infracionária descrita acima conforme previsto nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64, aplicou a multa de ofício em dobro no percentual de 150% (75% x 2) a partir da competência 12/2008 com fundamento no Art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, e considerou ser irrelevante distinguir se tal conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio já que demonstra infração a tipos definidos na citada lei. DAS IMPUGNAÇÕES DAS ALEGAÇÕES DA EMPRESA GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA. Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 5 4 Cientificada do lançamento por via postal, em 29/04/2013, conforme AR fl. 3.671, a empresa apresentou em 24/05/2013, impugnação ao citado Auto de Infração às fls. 3.646/3.668, acompanhada dos documentos às fls. 3.669/3.670 alegando, em apertada síntese que: (i) Da preliminar de cerceamento ao direito de defesa e do devido processo legal. Inicialmente, argumenta que houve inobservância ao que prescreve a Constituição Federal , artigo 5º, inciso LV e o artigo 2º da Lei nº 9.781/99 uma vez que considera que lhe está sendo exigido o pagamento de contribuições previdenciárias antes mesmo de apreciada a manifestação de inconformidade pela sua exclusão do SIMPLES Nacional. Cita ainda o artigo 23, Parágrafo único da Lei Complementar nº 123/2006 para fundamentar que lhe seja assegurado o contraditório, a ampla defesa e as determinações relativas ao processo administrativo fiscal consoante ao que determina o Decreto nº 70.235/1972; Sustenta que a efetividade da exclusão do SIMPLES ocorre quando o contribuinte perde qualquer dos requisitos estabelecidos na LC 123/2006, o que no caso ainda não se concretizou pelo fato de que a Manifestação de Inconformidade aguarda julgamento, ou seja, o ADE (Retificado) não é ainda uma decisão definitiva; Defende que o presente lançamento encontrase eivado de vício insanável, haja vista que o ADE n° 095/2012 e ADE 095 (retificado) de 26/02/2013 foi objeto de manifestação de inconformidade tempestiva, motivo pelo qual não há razões legais para que surta efeitos. (ii) Do mérito da exclusão do simples inexistência de motivo a justificar a exclusão da impugnante Demonstrou a insubsistência do ADE n° 095 RETIFICADO, cujo teor inovou ao ato originário, culminando em flagrante vício material que por certo leva à nulidade do referido ato; O Relatório do Despacho Decisório que determinou a exclusão da Impugnante do Simples Nacional, não têm relação com a realidade dos fatos, conforme já demonstrado pela Impugnante em manifestação de inconformidade e aditamento à manifestação de inconformidade apresentadas nos autos do processo administrativo que trata da exclusão; (iii) Da impossibilidade de efeitos retroativos ao ato declaratório executivo n° 095/2012 e n° 095 retificado de 26/02/2013 Argumenta que mesmo admitindo a possibilidade de lavratura de auto de infração antes de concluída definitivamente apreciação do ADE que determinou a exclusão da Impugnante do SIMPLES, (pelo princípio da eventualidade), o presente lançamento não merece prosperar pelo fato de que os efeitos do ADE não podem retroagir a situações anteriores. Cita o artigo 22, § 5º da IN/SRF nº 365/2003, como fundamento do seu pleito. Que não houve mudança na atividade da Impugnante, ou outro motivo qualquer que justificasse sua exclusão do SIMPLES, portanto entende que não há razão para Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 6 5 prosperar a repercussão de efeitos retroativos do ADE para os períodos anteriores à ciência do mesmo. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça para justificar a sua tese de irretroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES Nacional. (iv) Do erro material na apuração do crédito tributário alíquota aplicável Ao proceder a lavratura do auto de infração, bem como indicação do dispositivo legal a que se refere a alíquota aplicável, a Fiscalização não se ateve ao fato de que em 2003 foi editada a Lei n° 10.666, que trouxe significativa mudança no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/999, que inseriu o artigo 216, § 26. Alega que não há motivo e/ou fundamento legal a suportar o dispositivo legal indicado pela Fiscalização para lhe exigir a responsabilização e recolhimento de 20% referente às contribuições patronais; Ademais, o lançamento ora combatido encontrase com a validade comprometida, haja vista o erro na indicação da alíquota aplicável, o que não se mostra passível mais de correção sob pena e aperfeiçoamento da quantia devida. Isto porque, a alteração na alíquota aplicável ao caso implica diretamente em alteração de um dos critérios jurídicos do lançamento, o que nesta fase processual implica direta violação ao contido no artigo 146 do CTN; Cita jurisprudência administrativa do CARF para fundamentar a sua tese de impossibilidade de aperfeiçoamento ou inovação do lançamento. (v) Da compensação entre os valores objeto do lançamento de oficio e os valores recolhidos pela impugnante no simples O presente lançamento não indica a compensação de valores, o que deveria ser realizado pela autoridade fiscal, no curso do procedimento fiscalizatório, deduzindo do débito que apurado em desfavor da Impugnante, o valor de eventuais créditos que a mesma possui contra a Fazenda Nacional; Acaso mantido o lançamento de ofício, deve ser compensado os valores recolhidos no SIMPLES com os valores objeto do presente lançamento, sob pena de cobrança de valores além dos supostamente devidos; Cita jurisprudência administrativa do CARF para justificar o pedido de compensação das contribuições recolhidas pela sistemática do SIMPLES, reduzindo assim o presente lançamento. (vi) Da inaplicabilidade de multa qualificada de 150% A multa qualificada aplicada está calcada em uma presunção abstraída em ADE n° 95/2012 e n° 095 RETIFICADO datado de 26/02/2013, o qual resta manifestamente improcedente pelas razões que se busca imputar à Impugnante, as quais foram rechaçadas em manifestação de inconformidade apresentada e pendente de apreciação; Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 7 6 Também considera indevida a aplicação da multa no seu percentual duplicado (150%) por não estar caracterizado ou demonstrado qualquer prova de ilícito penal e prática de fraude prevista nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64; De fato, para que se caracterize o vício do dolo em uma relação jurídica, não basta que uma das partes atue com a vontade de prejudicar outrem, é necessária, também, a prova cabal de que houve a malfadada intenção perniciosa; Defende que a jurisprudência administrativa já se consolidou no sentido de que a multa exacerbada de 150% somente terá lugar quando ficar comprovado e demonstrado a conduta capaz de ensejar a multa qualificada. Essa demonstração efetivamente não ficou consignada ou mesmo provada durante o procedimento de fiscalização; No caso em comento não há que se falar em qualquer fraude, conluio ou sonegação, uma vez que a Impugnante estava inserida no sistema do SIMPLES, pelo qual recolhia contribuição previdenciária juntamente com demais tributos em um único pagamento. Considera que nunca adotou conduta maliciosa a ludibriar o Fisco, tanto que defendese do ADE 95/2012 e n° 095 RETIFICADO (datado de 26/02/2013) que culminou na indicação de exclusão do SIMPLES, certa de que tal ato encontrase eivado de vícios, o que por certo espera ser corrigido a fim de manterse no SIMPLES; (vii) Da decadência. Em virtude da ciência do presente lançamento ter ocorrido por via postal em 29/04/2013 e por ter havido recolhimentos pela sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve obedecer a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Devese portanto reconhecer a decadência para os fatos geradores anteriores a competência de 04/2008. Destaca que a decadência é matéria de ordem pública e que deve ser reconhecida em qualquer momento processual. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. (viii) Do descabimento da Taxa Selic. A Taxa Selic, na forma como calculada, jamais poderia ser utilizada como "juros moratórios", uma vez que possui natureza jurídica totalmente diferente da "mora" por parte do devedor, qual seja a remuneratória. A referida Taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional. Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora, razão pela qual deverá ser cancelada por essa autoridade Julgadora. (ix) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 8 7 Ainda que se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, é certo que os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. O artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. DAS ALEGAÇÕES DA EMPRESA EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA A impugnante se insurge contra o fato de ter sido arrolada como devedora solidária no presente Auto de Infração conforme Termo de Sujeição passiva solidária de fls. 3.551/3.616. alegando resumidamente em sua impugnação às fls. 3.671/3.677, apresentada em 24/05/2013 que: Os documentos acostados aos Autos demonstram não ser verdade que exerceu a administração e realizou o custeio de despesas da autuada; Os sócios da empresa Galego ingressaram na empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues, apenas a partir de fevereiro de 2011, em razão de cessão das quotas sociais da Sra. Izabel Cajuella Rodrigues que se retirou da sociedade; Funciona em endereço distinto do da autuada, com outros sócios (até a citada alteração), não tem interesse nos resultados das vendas efetuadas pela Galego Implementos, não havendo portanto motivo para seu enquadramento nos dispositivos do artigo 124, inciso I do CTN, durante o período a que se refere a autuação; Não vislumbra no caso concreto nenhum dos requisitos presentes na legislação indicada pelo Auditor para lhe impor sujeição passiva fundamentada nos artigos 124, inciso I e 135 do CTN; No caso em questão, não se verifica nenhum fato que leve a vinculação da Impugnante aos fatos geradores do crédito tributário lançado; Não há provas do "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal; A impugnante jamais teve qualquer relação direta com a administração da autuada; A fiscalização deixou de apontar no termo qual a motivação específica para lhe imputar a solidariedade tributária; A fiscalização não provou qual seria seu "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (supostamente ocorrida). Diante do exposto requer que seja afastada sua sujeição passiva solidária. DAS ALEGAÇÕES DO SÓCIO FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 9 8 O impugnante se insurge contra o fato de ter sido arrolado como devedor solidário no presente Auto de Infração conforme Termo de Sujeição passiva solidária às fls. 3.551/3.616, alegando resumidamente em sua impugnação às fls. 3.680/3.686, apresentada em 24/05/2013 que: A Auditoria de forma arbitrária e ilegal lhe imputou responsabilidade solidária para pagamento de suposto crédito tributário; A Fiscalização parte da presunção de que as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis respondem pelo pagamento do eventual crédito, esquecendose de que as relações jurídicotributárias não se pautam por presunções, mas sim pela adequação do fato executado à norma legal vigente; Considera que não há adequação do caso concreto às hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, portanto não há que se falar em responsabilidade solidária sob pena de ilegalidade e consequente inconstitucionalidade; Cabe apenas à autuada a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão, caso for considerado devido; Segundo entendimento do STF a responsabilidade pessoal está associada a ocorrência de conduta dolosa por parte das pessoas físicas, o que considera que não ocorreu no presente caso; Diante do exposto requer que seja afastada a sua sujeição passiva tendo em vista não incidir nos artigos 124, 134 e 135 do CTN. Cita jurisprudência administrativa e judicial para corroborar a sua tese. DAS ALEGAÇÕES DO SÓCIO JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES O impugnante se insurge contra o fato de ter sido arrolado como devedor solidário no presente Auto de Infração conforme Termo de Sujeição passiva solidária às fls. 3.551/3.616, alegando resumidamente em sua impugnação às fls. 3.688/3.694, apresentada em 24/05/2013, as mesmas argumentações apresentadas pelo Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, anteriormente transcritas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0829.407 da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.700/3.723, julgando improcedentes as Impugnações apresentadas em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 10 9 Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os fatos descritos nos relatórios do Auto de Infração permitem a exata compreensão dos elementos que o compõem e dos valores apurados no cômputo da multa. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA A ocorrência de dolo, fraude ou simulação afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I do mesmo diploma legal, tendo seu início no exercício seguinte àquele em que tenha havido a ciência pela autoridade tributária da ocorrência dos fatos geradores omitidos pelo sujeito passivo AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. Quando o Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, de modo a encobrir quem são os verdadeiros sócios administradores. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. Tendo a empresa remunerado segurados empregados e contribuintes individuais com verbas integrantes do saláriodecontribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre tais valores, conforme determina o art. 22, I, II e III, da Lei 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação) ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, Fl. 3766DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 11 10 até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF/DAS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o SIMPLES. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente Galego Implemento para Transportes Ltda. EPP interpôs Recurso Voluntário às fls. 3.731/3.755, resumidamente nos seguintes termos: (i) Cerceamento de Defesa – Sustenta que a Constituição Federal de 1988 e a Lei nº 9.784/99 garantem além da obrigatoriedade de observância de um procedimento administrativo regular, garantem, igualmente, que durante o procedimento seja conferido aos administrados o contraditório e a ampla defesa, o que não teria sido observado na espécie, uma vez que, antes mesmo de decisão definitiva quanto ao ADE 095/2012 (original) e ADE 095 retificado de 26/02/2013, já foram lavrados autos de infrações em desfavor da recorrente, pelo qual se exigem contribuição previdenciária. Todavia, entende que a efetividade da exclusão do SIMPLES somente ocorre quando o contribuinte perde qualquer dos requisitos estabelecidos na Lei Complementar 123/2006, o que não ocorre no caso presente, pelo fato de que não se tem julgamento em definitivo do ADE retificado. Dessa forma entende que o presente lançamento se encontrase maculado de vício insanável, porquanto a premissa a que se vale não encontrase devidamente e legalmente constituída, uma vez que o ADE não definitivamente julgado. (ii) Inexistência de motivo a justificar a exclusão da recorrente. Alega que a Fiscalização deturpou a real situação fática da Recorrente, buscando maliciosamente unir duas empresas distintas, administradas por pessoas diferentes, com quadro de funcionários próprios. Argumenta que em nenhum momento os irmãos Florindo Rodrigues e José Antonio Rodrigues, sócios da Recorrente, participaram e/ou administraram a empresa Equipamentos Rodrigues. Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 12 11 Defende que conforme demonstrado, o Sr. Florindo somente passou a ser sócio da empresa Equipamento Rodrigues em 2011, após o falecimento do seu genitor, ocasião em que a Recorrente deixou de integrar o Simples Nacional e passou a apurar lucro tributável através do Lucro Presumido. Finaliza argumentando que não incorreu em prática que justifique a atitude de sua exclusão do Simples Nacional. (iii) Da impossibilidade de efeitos retroativos ao Ato Declaratório Executivoº 095/2012. Sustenta que o lançamento não merece prosperar, uma vez que os efeitos do ADE não podem retroagir a situações anteriores. Nesse passo, defende que o entendimento adotado pela DRJ de origem vai na contramão do quanto dispõe o artigo 22, § 5º da Instrução Normativa SRF nº 355, de 2003. Colaciona jurisprudência do STJ para corroborar a sua tese. (iv) Da compensação entre os valores objeto do lançamento de ofício e os valores recolhidos pela Recorrente no SIMPLES. Caso mantido os valores do lançamento de ofício, estes devem ser compensados com os valores recolhidos pela Recorrente quando do sistema do Simples Nacional, sob pena de cobrança de valores além dos supostamente devidos. (v) Da inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. Defende que jamais se utilizou de conduta maliciosa de modo a ludibriar o Fisco, e que não há nos autos elementos que justifiquem a aplicação da multa de 150%. Assim, requer seja determinada a exclusão da multa qualificada imposta, ou, caso não seja o entendimento, a sua redução ao patamar de 75%. (vi) Da decadência. Em virtude da ciência do presente lançamento ter ocorrido por via postal em 29/04/2013 e por ter havido recolhimentos pela sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve obedecer a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Devese portanto reconhecer a decadência para os fatos geradores anteriores a competência de 04/2008. Destaca que a decadência é matéria de ordem pública e que deve ser reconhecida em qualquer momento processual. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. (vii) Do descabimento da Taxa Selic. Sustenta a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic, em razão da sua natureza remuneratória. (viii) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. É o relatório. VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 05/06/2014 (fls. 3.729) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 02/07/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 3768DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 13 12 2. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência De proêmio, resta incontroverso no caso presente, que a discussão travada no Auto de Infração em debate referese a exclusão da Recorrente, da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições federais de que trata o artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, denominada Simples Nacional, uma vez que estaria configurada a hipótese de exclusão pela constituição de empresa por interpostas pessoas, nos termos do artigo 29, inciso IV da referida lei, com todos os consectários daí emergentes. Compulsando os autos, verificase o Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 3.534), arrolou como sujeito passivo nº 1: a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, CNPJ nº 45.164.753/000170, nº 2: o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, inscrito no CPF nº 824.792.24872 e nº 3: o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, inscrito no CPF nº 452.585.89820, cujos endereços encontramse informados pela Fiscalização às fls.3.497. Observase, ainda, que as pessoas acima referidas foram devidamente intimadas conforme a seguir: Folha 3.634 Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Folha 3.632 Florindo Miguel Cajuela Rodrigues. Folha 3.633 José Antonio Cajuela Rodrigues. Na sequência, vislumbrase que ambos apresentaram Impugnação em separado, tendo a Recorrente Galego Implemento para Transportes Ltda EPP juntado sua defesa às fls. 3.646/3.668; Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. às fls. 3.671/3.677; Florindo Miguel Cajuela Rodrigues às fls. 3.680/3.686 e José Antonio Cajuela Rodrigues às fls. 3.688/3.694. Contudo, não obstante a cautela da egrégia 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza de determinar a intimação de “todos os interessados” (fls. 3.702), verifico que, do teor do Acórdão nº 0829.407, somente a empresa GALEGO IMPLEMENTO PARA TRANSPORTES LTDA EPP foi devidamente cientificada (fls. 3.729), não havendo notícia de intimação dos demais interessados. Ocorre que, nos termos do artigo 56, § 3º do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, “No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação”, estendendose aos recursos pertinentes. Assim, com o objetivo de cumprir o que anteriormente havia sido decidido, devem os autos retornar à origem para determinar a intimação/ciência dos demais interessados (sujeitos passivos), para, querendo, manifestemse, no prazo legal, sobre o teor do Acórdão nº 0829.406. Após, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 14 13 É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002142/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS.
A teor do artigo 25, § 2º, III, da Lei nº 9.249/1995, havendo incorporação, com a extinção da incorporada, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil no momento do referido evento, posto haver a adição compulsória dos lucros de todas as filiais, sucursais ou controladas em face da assunção da universalidade do seu ativo e passivo, com a sucessão em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica extinta.
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. BASE DE CÁLCULO. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL.
Nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 94, os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158-35, de 2001.
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL-PORTUGAL DESTINADO A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. NÃO OFENSA.
Não há incompatibilidade entre o dizeres do Tratado firmado pelo Brasil com Portugal e as disposições do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito.
CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.249/1995. ADSTRITA AO IRPJ. MP 1.858-6/99. INCIDÊNCIA PARA A CSLL. TERMO INICIAL. 1º DE OUTUBRO DE 1999.
A Lei nº 9.249, de 1995 implantou regime de universalidade de tributação dos lucros no exterior apenas para o IRPJ, razão pela qual continuou a CSLL submetida à sistemática da territorialidade, que só foi alterada para a contribuição social a partir da MP nº 1.858-6, de 1999, que passou a surtir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999.
Numero da decisão: 1402-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, i) rejeitar a preliminar de decadência; ii) no mérito, ii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar integralmente os lançamentos de CSLL; e, ii.ii) reduzir a base tributável de IRPJ, ajustando-a de acordo com a taxa de câmbio aplicável nas datas dos balanços, ou seja, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999, nos termos da Súmula CARF nº 94; iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à aplicação do Tratado Brasil/Portugal, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Breno do Carmo Moreira Vieira que davam provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS. A teor do artigo 25, § 2º, III, da Lei nº 9.249/1995, havendo incorporação, com a extinção da incorporada, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil no momento do referido evento, posto haver a adição compulsória dos lucros de todas as filiais, sucursais ou controladas em face da assunção da universalidade do seu ativo e passivo, com a sucessão em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica extinta. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. BASE DE CÁLCULO. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 94, os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158-35, de 2001. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL-PORTUGAL DESTINADO A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre o dizeres do Tratado firmado pelo Brasil com Portugal e as disposições do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.249/1995. ADSTRITA AO IRPJ. MP 1.858-6/99. INCIDÊNCIA PARA A CSLL. TERMO INICIAL. 1º DE OUTUBRO DE 1999. A Lei nº 9.249, de 1995 implantou regime de universalidade de tributação dos lucros no exterior apenas para o IRPJ, razão pela qual continuou a CSLL submetida à sistemática da territorialidade, que só foi alterada para a contribuição social a partir da MP nº 1.858-6, de 1999, que passou a surtir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.002142/2005-81
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5915306
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.341
nome_arquivo_s : Decisao_16327002142200581.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 16327002142200581_5915306.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, i) rejeitar a preliminar de decadência; ii) no mérito, ii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar integralmente os lançamentos de CSLL; e, ii.ii) reduzir a base tributável de IRPJ, ajustando-a de acordo com a taxa de câmbio aplicável nas datas dos balanços, ou seja, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999, nos termos da Súmula CARF nº 94; iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à aplicação do Tratado Brasil/Portugal, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Breno do Carmo Moreira Vieira que davam provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7464804
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870171566080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 638 1 637 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002142/200581 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.341 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria IRPJ/CSLL/LUCROS NO EXTERIOR Recorrente ALFA PARTICIPAÇÕES INTERNACIONAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS. A teor do artigo 25, § 2º, III, da Lei nº 9.249/1995, havendo incorporação, com a extinção da incorporada, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil no momento do referido evento, posto haver a adição compulsória dos lucros de todas as filiais, sucursais ou controladas em face da assunção da universalidade do seu ativo e passivo, com a sucessão em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica extinta. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. BASE DE CÁLCULO. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 94, os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASILPORTUGAL DESTINADO A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre o dizeres do Tratado firmado pelo Brasil com Portugal e as disposições do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.249/1995. ADSTRITA AO IRPJ. MP 1.8586/99. INCIDÊNCIA PARA A CSLL. TERMO INICIAL. 1º DE OUTUBRO DE 1999. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 42 /2 00 5- 81 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 639 2 A Lei nº 9.249, de 1995 implantou regime de universalidade de tributação dos lucros no exterior apenas para o IRPJ, razão pela qual continuou a CSLL submetida à sistemática da territorialidade, que só foi alterada para a contribuição social a partir da MP nº 1.8586, de 1999, que passou a surtir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, i) rejeitar a preliminar de decadência; ii) no mérito, ii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar integralmente os lançamentos de CSLL; e, ii.ii) reduzir a base tributável de IRPJ, ajustandoa de acordo com a taxa de câmbio aplicável nas datas dos balanços, ou seja, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999, nos termos da Súmula CARF nº 94; iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à aplicação do Tratado Brasil/Portugal, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Breno do Carmo Moreira Vieira que davam provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 640 3 Relatório Tratase de retorno dos autos em face de decisão exarada pela E. CSRF em 20/01/2016 (Ac. 9101002.179 – fls. 593/608) que analisou Recurso Especial manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional decidindo por ANULAR a decisão prolatada pela então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Ac. 10196.783 – sessão de 30/03/2008 (fls. 476/484) que, no mérito, por maioria, havia dado provimento ao recurso voluntário para afastar os lançamentos1, determinando a devolução do processo à Turma a quo para novo julgamento. A decisão da Câmara Superior restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2000 NULIDADE DE ACÓRDÃO DA TURMA A QUO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Com base no inciso IX do art. 93 da Constituição Republicana de 1988 e nos arts. 131, 165 e 458, II, do CPC, é nulo, por ausência de fundamentação, o Acórdão no qual a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator e não estiverem escritos os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, em declaração de voto ou por reprodução, pelo relator, no seu voto e na ementa do acórdão, desses fundamentos majoritários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: recurso conhecido por unanimidade de votos e no mérito, por maioria de votos, ANULAR a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Turma a quo para novo julgamento. Excertos do voto condutor do Conselheiro Rafael Vidal de Araujo sintetizam o cenário (destaques são do original): “Suscito, de ofício, preliminar de nulidade da decisão recorrida, por se tratar de questão de ordem pública, nos termos do art. 267, IV e §3º, do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) e com 1 IRPJ — LUCRO NO EXTERIOR — LEI N° 9.249/95 — DISPONIBILIZAÇÃO — Na vigência da Lei no 9.249/95, os lucros da controlada, ainda pendentes de deliberação para definição da sua destinação, não se incorporam ao patrimônio da controladora, inexistindo assim a disponibilidade jurídica ou econômica da controladora sobre eles. Eventual disponibilização futura deverá ser reconhecida e oferecida à tributação, no momento da sua ocorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Caio Marcos Cândido e Antonio Praga. A Conselheira Sandra Maria Faroni apresenta declaração de voto. Os conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Alexandre Lima da Fonte Filho acompanham pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 641 4 lastro em jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). (...) Observase, portanto, que, embora a conclusão do voto do relator tenha sido vencedora ("Por todo o exposto, dou provimento ao recurso"), os fundamentos do seu voto não foram vencedores. O Relator adotou o entendimento do Conselheiro que o acompanhou integralmente, conforme se percebe de trecho do seu voto ("Peço licença para me valer da lucidez do Ilustre Conselheiro Aloísio, que ao apreciar caso semelhante julgado na 3ª Câmara, proferiu entendimento a seguir exposto" ...) e do seguinte parágrafo de seu voto: (...) Assim, não são conhecidos os fundamentos vencedores, tendo em vista que não houve apresentação de declaração de voto por parte de nenhum dos Conselheiros com o entendimento que prevaleceu (os Conselheiros da terceira coluna da tabela) e que não restou gravado na ementa a conclusão vencedora, que apenas expressou o entendimento do parágrafo acima transcrito, tampouco o relator reproduziu no seu voto os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Com a devida vênia, discordo da posição do meu saudoso vice presidente, o eminente Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, manifestada na sessão na qual se iniciou este julgamento, de que não se pode dizer que não há fundamento e sim que o fundamento é errado. A meu sentir, somente seria o caso de erro nos fundamentos se houvessem (se existissem) os fundamentos vencedores e esses tratassem de outra matéria fática; o que há, apenas, são os fundamentos vencidos e certos, pois tratam da matéria fática do processo. A Constituição da República de 1988 (CR88), a Constituição Cidadã, estabeleceu, em seu art. 93, inciso IX, que todas as decisões de julgamentos serão fundamentadas sob pena de nulidade. (...) Portanto, percebese que é inevitável reconhecer que sem fundamentos a decisão não atende aos seus requisitos essenciais nem expõe os motivos que formaram o convencimento dos julgadores. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), também exige fundamentação nas decisões, assim dispondo: (...) Já os arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, obrigam à motivação, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando os atos administrativos decidirem recursos administrativos. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 642 5 (...) Por fim, o Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 63, § 9º, estabelece que na hipótese em que a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, algo que não ocorreu no caso concreto. Segue o citado dispositivo: (...) Sobre esse passo do voto, no qual, em sessão anterior, um Conselheiro observou que o presente julgamento ocorreu na vigência do Regimento Anterior da Câmara Superior e então, a princípio, a ele não se aplicaria este comando. De fato, este Conselheiro está com a razão ao dizer que o dispositivo inexistia à época, mas o meu entendimento não é que a formalização do voto se deu em desacordo com o Regimento e, portanto, a decisão é nula. Esse dispositivo do regimento não é o fundamento da minha decisão, o fundamento é a ausência de fundamentação. Na impossibilidade de conhecer dos fundamentos pelos quais foi dado provimento ao recurso voluntário, entendo que a decisão não está fundamentada; e, conseqüentemente, é nulo o Acórdão nº 10196.783, de 30/05/2008, forte no inciso IX do art. 93 da CR88 e nos arts. 131, 165 e 458, II, todos do CPC. Por fim, tudo isso que aconteceu aqui (e eventualmente pode ter ocorrido em outros casos) é conseqüência do descumprimento das disposições do art. 60 do regimento em vigor (o art. 30 do regimento anterior da CSRF apresentava mesma redação) que determina que: (...) Ressalto que a anulação que proponho pode ser declarada pela 1a Turma da CSRF, pois é a autoridade competente a julgar a legitimidade deste Acórdão, conforme o art. 61 do Decreto do PAF. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Ao caso não se aplica o § 3º do art. 59 do Decreto do PAF, tendo em vista que a subsunção a este dispositivo depende da declaração de nulidade aproveitar ao sujeito passivo e não à Fazenda Nacional, ou seja, o contrário do que ocorre aqui. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 643 6 Examino, ainda, a possibilidade de aplicação do princípio “pas de nullité sans grief” (não há nulidade sem prejuízo), encerrado no art. 563 do Código de Processo Penal, verbis: Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Por certo que não há, no processo administrativo fiscal, dispositivo específico que incorpore esse princípio, então sua adoção é objeto de julgamento. Passo a estudar a sua potencial aplicação a este processo. Por este princípio, a declaração de nulidade fica condicionada a apuração do prejuízo para ambas as partes. Costuma ser identificada com a capacidade da parte de abordar a contento os temas necessários no recurso ou nas contrarrazões (não apenas com o só fato de apresentar a peça jurídica). No presente processo podese vislumbrar que houve prejuízo na defesa da recorrente, tanto é que esta, em suas razões de recurso especial, mencionou alienação de ações de empresa sediada no exterior e não operação de incorporação de empresa brasileira realizada no Brasil, como se verifica do próprio Termo de Verificação Fiscal. Isto fez com que a recorrida levantasse uma preliminar de nãoconhecimento do recurso chamada de “efetiva operação em discussão” (esse não é o momento que examinarei esta preliminar, o farei adiante). Assim, o fato disso ter ocorrido mostra que essa nulidade gerou prejuízo à parte, o que é suficiente para deixar de aplicar o princípio francês, e, consequentemente, não convalidála. (...) Por todo o exposto, voto por ANULAR a decisão da Câmara a quo (Acórdão nº 10196.783, de 30/05/2008), determinando que os autos sejam novamente sorteados entre as Turmas Ordinárias da 1ª Seção de Julgamento (já que houve a extinção da 1ª Turma de 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), para que seja proferida nova decisão a respeito do recurso voluntário, após ser dada ciência às partes dessa decisão”. Os autos foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da anterior Turma Julgadora (fls. 619). Reproduzida a decisão da CSRF que anulou o Acórdão nº 10196.783, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, passo à narrativa dos fatos incorporados nestes autos, principiando pela acusação fiscal. DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 309/312), as irregularidades que levaram aos lançamentos de ofício estão assim resumidas: “1. A Alfa S.A. Participações Internacionais possuía duas controladas no exterior : RIHC Europa Serviços Ltda sediada na Ilha da Madeira, na qual detinha 100% de participação acionária, e a Ripar Securities Inc. sediada nas Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 644 7 Ilhas Cayman, na qual era detentora de 55,308% do capital, sendo os restantes 44,692% pertencentes à Vera Cruz S.A. Participações e Administração, antiga denominação da fiscalizada. 2. Tal situação perdurou até 24/10/2000, quando a Alfa S. A. foi incorporada pela Vera Cruz S.A. sua controladora no Brasil a qual, com base no Balanço de Encerramento da incorporada em 30/09/2000 assumiu a universalidade do seu ativo e passivo, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, conforme consta em atas das Assembléias Gerais Extraordinárias, de ambas empresas, naquela mesma data. 3. A incorporação deuse de acordo com o previsto no artigo 235, §§ 3º e 7º do Regulamento do Imposto de Renda quanto à incorporada. Enquanto que, sendo as empresas citadas pertencentes ao mesmo grupo financeiro, a empresa incorporadora, ficou dispensada da apresentação de Declaração (DIPJ) conforme prevê o artigo 5° da Lei 9.959/2000. 4. A incorporada Alfa S. A. tinha como acionistas além da Vera Cruz S. A., a Administradora Fortaleza Ltda. e Representações e Administração Orion Ltda, pertencentes ao mesmo grupo financeiro. Assim, na AGE de 24/10/2000 da Vera Cruz S.A., após cancelar suas ações na incorporada, aprovou um aumento de seu capital no valor de R$ 27.350.329,93 cujas ações foram entregues, exclusivamente, às demais acionistas respeitados o percentual, seja em ações ordinárias, seja em ações preferenciais que tais empresas possuíam na incorporada. 5. Naquela mesma AGE da incorporadora, em 24/10/2000, foi aprovada a mudança do regime societário para sociedade comercial por cotas de responsabilidade limitada sob a denominação de Vera Cruz Participações e Administração Ltda, ocasião em que foi, também, consolidado seu Contrato Social. 6. A incorporação acima citada seguiu o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da incorporada Alfa S.A. conforme balanço de encerramento em 30/09/2000, correspondente a R$ 107.393.226,76 conforme Laudo de Avaliação anexo ao Protocolo de Justificação da Incorporação. Nessa data era de R$ 105.614.516,89 o total referente à participação da empresa incorporada na RIHC e de R$ 471.460,99 na Ripar. Tais valores, lançados às folhas 177 do Diário Geral de 31/10/2000 representavam 100% do patrimônio liquido da RIHC e 55,308% da Ripar, sendo que, nesta última, os restantes 44,692% já pertenciam à incorporadora, que passou a deter, também nesta controlada, a totalidade do seu capital. 7. Tais eventos foram sucedidos, em 14/12/2000, pelo Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social da Vera Cruz Ltda., que em sua cláusula primeira decidiu pela adoção da atual razão social do contribuinte: Alfa Participações Internacionais Ltda. que, a partir daquela data, passou a ser a denominação da controladora no Brasil das empresas sediadas no exterior, as mencionadas RIHC e Ripar. 8. Ao realizar a incorporação da Alfa S.A. absorveu o total do seu patrimônio líquido, ai incluído os lucros acumulados de suas duas controladas no exterior. Este evento caracterizou a disponibilização destes mesmos lucros, até o último período encerrado em 31/12/1999, conforme previsto no art. 25, § 2°, item III Fl. 644DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 645 8 da lei 9249/95, bem como bem como no art.1°, § 2°, alínea b, item 4 da lei 9532/97. 9. Os valores apresentados a seguir representam o Resultado Liquido dos exercícios encerrados até a data da incorporação da Alfa S.A, fornecidos pelo contribuinte em suas moedas de origem estando, após a conversão de seus totais em reais, sujeitos à tributação do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido, com seus acréscimos legais. 10. Os valores acima apurados totalizam RS 47.742.488,11 e constituem a base de cálculo para o lançamento de oficio. 11. Em 31/12/2000, o contribuinte, já como Alfa Participações Internacionais Ltda, teve a sua participação na RIHC reduzida para 75,999% . Tal evento foi originado pela cisão da Itapar Europa Serviços Lda, sediada na Ilha da Madeira. Verificouse na ocasião que a Representações e Administradora Orion Ltda, possuía na cindida uma participação equivalente a 100% do patrimônio da Itapar Securities Inc. o qual foi então incorporado ao patrimônio da RIHC. Tal evento resultou em aumento de capital da RIHC no valor de US$ 18.119.926,60, correspondente, naquela data, a R$ 35.431.704,47 conforme plano de reestruturação de participações societárias do contribuinte”. Segundo o AI – IRPJ (fls. 301), a “descrição dos fatos” e o “enquadramento legal” foram assim definidos: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 646 9 DA IMPUGNAÇÃO Em 19/01/2006, a contribuinte interpôs impugnação aos lançamentos (fls. 346/360), na qual, sintetizadamente, aduziu: Ø que a exigência deve ser totalmente cancelada seja porque o fundamento legal do auto de infração (art. 25, §2°, item III da Lei n° 9.249/95) não era aplicável à data da operação em causa (24 de novembro de 2000), seja porque a incorporação da sociedade investidora brasileira não configura disponibilização dos lucros simplesmente apurados no exterior por suas controladas, nos termos da legislação aplicável à época (art. I° da Lei n° 9.532/97). Ø que, não bastasse essa razão principal, os autos também devem ser cancelados: i) por terem tributado os lucros formados por sociedade domiciliada em Portugal (RIHC Europa Serviços Ltda.) nos anos de 1996, 1997, 1998 e 1999, o que não é possível em face da vedação expressa do art. VII do Tratado de 1971 celebrado entre o Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação; ii) por terem feito incidir a CSLL sobre os lucros apurados em período anterior a outubro de 1999, ou seja, anteriormente a própria existência jurídica da tributação dos lucros no exterior pela referida contribuição; e iii) por terem cometido grave erro quanto a apuração dos valores dos lucros de 1996 a 1999, já que, nos termos da legislação, tais lucros devem ser convertidos para o Real em 31 de dezembro de cada ano, e não na data da incorporação. DA DECISÃO RECORRIDA Submetida a lide ao crivo da 3ª Turma da DRJ/SPOI, a Turma, por unanimidade, negou provimento à impugnação, em acórdão assim ementado: Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 647 10 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Os lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas devem ser adicionados ao lucro liquido para determinação do lucro real da empresa nacional, sendo o momento da adição diferido até a data em que tenham sido disponibilizados. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCRO DISPONIBILIZADO POR CONTROLADA NO EXTERIOR. PAGAMENTO DO LUCRO. EMPREGO DO LUCRO EM FAVOR DA BENEFICIÁRIA. TRANSFERÊNCIA DE CONTROLADA DIRETA NO EXTERIOR PARA PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA DIRETA NO PAÍS. A incorporação de controlada detentora de outras controladas no exterior, que auferiram lucros, com a conseqüente absorção do acervo daquela pela controladora brasileira, caracteriza pagamento de lucro disponibilizado. TRATADO BRASILPORTUGAL. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. Deverão ser computados na determinação do lucro real da empresa domiciliada no Brasil, os lucros disponibilizados por empresa controlada de qualquer parte do território de Portugal, inclusive da Ilha da Madeira. DISPONIBILIZACÃO DE LUCROS. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Inexistindo disposição de lei em contrário, a conversão para reais deve ser feita pela taxa de cambio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 2000 Ementa: TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. DATA DO FATO GERADOR. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A data do fato gerador do lucro disponibilizado não se confunde com a data do auferimento do lucro, sendo assim, na apuração da exigência fiscal, aplicase a legislação vigente à época da disponibilização dos lucros. AUTOS REFLEXOS. CSLL. Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte acostou recuso voluntário (fls. 414/438) no qual, depois de rebater a decisão recorrida, basicamente repetiu os argumentos antes expendidos na impugnação. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 648 11 Subindo ao Colegiado de 2º Grau, o recurso voluntário foi provido por maioria, conforme Ac. 10196.783 da então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – sessão de 30/03/2008 (fls. 476/484) e que acabou, posteriormente, por ser anulado pela CSRF em 20/01/2016 (Ac. 9101002.179 – fls. 593/608), determinandose um novo julgamento pela Turma a quo. Com a extinção da Turma originária, os autos foram redistribuídos a este Relator. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 649 12 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 21/08/2006 – fls. 407 – protocolização do RV em 20/09/2006 – fls. 414) a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 362/374) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Como visto, segundo a acusação fiscal, tratase de lançamentos de ofício em decorrência de “Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior por empresa incorporada pelo contribuinte envolvendo a totalidade de seu patrimônio líquido. A incorporada possuía controladas no exterior em países/dependências de tributação favorecida. Tal incorporação foi realizada pelo contribuinte em 24/10/2000, conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal o qual é parte integrante deste Auto de Infração”. Mais claramente, os eventos foram assim descritos no TVF: 1. Em 24/10/2000, a Alfa S. A. foi incorporada pela Vera Cruz S.A. sua controladora no Brasil (base Balanço de Encerramento da incorporada em 30/09/2000) quando assumiu a universalidade do seu ativo e passivo, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, conforme consta em atas das Assembléias Gerais Extraordinárias, de ambas as empresas, naquela mesma data. 2. A incorporada Alfa S. A. tinha como acionistas além da Vera Cruz S. A., a Administradora Fortaleza Ltda. e Representações e Administração Orion Ltda, pertencentes ao mesmo grupo financeiro. Assim, na AGE de 24/10/2000 da Vera Cruz S.A., após cancelar suas ações na incorporada, aprovou um aumento de seu capital no valor de R$ 27.350.329,93 cujas ações foram entregues, exclusivamente, às demais acionistas respeitados o percentual, seja em ações ordinárias, seja em ações preferenciais que tais empresas possuíam na incorporada. 3. A incorporação acima citada seguiu o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da incorporada Alfa S.A. conforme balanço de encerramento em 30/09/2000, correspondente a R$ 107.393.226,76 conforme Laudo de Avaliação anexo ao Protocolo de Justificação da Incorporação. Nessa data era de R$ 105.614.516,89 o total referente à participação da empresa incorporada na RIHC e de R$ 471.460,99 na Ripar. Tais valores, lançados às folhas 177 do Diário Geral de 31/10/2000 representavam 100% do patrimônio liquido da RIHC e 55,308% da Ripar, sendo que, nesta última, os restantes 44,692% já pertenciam à incorporadora, que passou a deter, também nesta controlada, a totalidade do seu capital. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 650 13 4. Tais eventos foram sucedidos, em 14/12/2000, pelo Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social da Vera Cruz Ltda., que em sua cláusula primeira decidiu pela adoção da atual razão social do contribuinte: Alfa Participações Internacionais Ltda. (ora recorrente) que, a partir daquela data, passou a ser a denominação da controladora no Brasil das empresas sediadas no exterior, as mencionadas RIHC e Ripar. 5. Neste processo de incorporação da Alfa S.A. foi absorvida a totalidade de seu patrimônio líquido, ai incluído os lucros acumulados de suas duas controladas no exterior. Este evento caracterizou a disponibilização destes mesmos lucros, até o último período encerrado em 31/12/1999, conforme previsto no art. 25, § 2°, item III da lei 9.249/95, bem como bem como no art.1°, § 2°, alínea b, item 4 da lei 9.532/97. Os valores citados, em moeda alienígena e em reais, estão abaixo resumidos: Com isso, a base de cálculo para os lançamentos foi de RS 47.742.488,11, conforme consta dos AI: Em resumo, cuidase, inequivocamente, de lucros disponibilizados no exterior (real ou fictamente) em períodos antecedentes a 31/12/2000, mais especificamente, 1996, 1997, 1998 e 1999 (ver tabela acima) De outra banda, igualmente incontroverso que tais lucros, mercê do evento de incorporação havido foram “disponibilizados” à recorrente em 2000, o que, de plano, afasta qualquer alusão a possível “decadência”. Situação que a Fazenda Nacional destacou no RE manejado (fls. 496): “Enfim, o aspecto temporal do fato gerador é a data da efetiva disponibilização dos lucros, que foi, in casu, a alienação de participação societária de controlada no exterior. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 651 14 Tratase, inclusive, de interpretação em conformidade ao art. 43 do CTN, na redação vigente até o advento da Lei Complementar n° 104/2001, eis que a doutrina afirma que o fato gerador do IRPJ deve ocorrer com a disponibilidade do lucro”. Que se alinha com o decidido no Ac. 10322.638, da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuinte, verbis: “Pareceme claro que o destinatário do comando contido no caput do dispositivo examinado é, no caso concreto, a pessoa jurídica controladora, no Brasil. Ela é que aufere lucros, rendimentos ou ganhos de capital aqui tributados. Assim, o momento de ocorrência do fato gerador, da tributação, é aquele em que a controladora auferir lucro originário do exterior e não o da apuração do lucro pela controlada do exterior”. Mesma tese esposada pela PGFN que com ela textualmente perfila (fls. 496/497): “No caso em análise, tendo em vista que a disponibilização dos lucros apurados no exterior em 1996 e 1997 ocorreu tão somente em 2000, com a alienação da participação societária de empresa no exterior, inferese que o fato gerador do IRPJ e CSLL apenas foi concretizado em 31/12/2000, nos termos da legislação vigente à época”. No caso concreto, a recorrente, ao incorporar a Alfa S.A. (controladora anterior das empresas sediadas no exterior), adquiriu os direitos e os lucros em 2010, isto porque, como cediço, tais lucros têmse como disponibilizados inclusive em casos de aumento de capital ou incorporação, quando o patrimônio líquido da incorporada, incluindo lucros ali existentes, passam ao domínio da incorporadora, como nos autos. Em suma, ainda que possam – eventualmente dizer respeito a períodos de 1996 a 1999, os lucros (por incorporação) foram disponibilizados à recorrente em 2010, o que, afastada a decadência, poderia levar à sua tributação. Em contraponto, não se olvide que, no intervalo temporal entre os fatos ocorridos e o presente julgamento (2018), o tema ganhou discussões nos Tribunais, sendo, após exaustivos debates, prolatada decisão pela Suprema Corte em sede da ADIN nº 2.588, acerca da constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 nos seguintes termos e que trata exatamente de “lucros no exterior”: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 652 15 VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. (destaquei) Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 653 16 inconstitucionalidade da cláusula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (sublinhei) Com essa decisão, ainda que outros pontos do questionamento levado à Suprema Corte tenham permanecido em compasso de espera de uma futura definição, inclusive no que tange ao caput do dispositivo, restou claro que o parágrafo único do artigo 74, da MP nº 2.158/2001 foi declarado INCONSTITUCIONAL, por isso não pode produzir quaisquer efeitos jurídicos. Para melhor visualização, vejase a reprodução do artigo 74 e de seu parágrafo único: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (Vide ADI nº 2588) Nesse ponto significa que, SE os lucros, independentemente de terem sido auferidos por controlada ou por coligada, com localização em países com tributação favorecida ou não, decorrentes da atividade operacional ou assumidos mediante incorporação, tais lucros, apurados até 31/12/2001 e que não tenham sido efetivamente disponibilizados, sendo, por ficção, levados a ter o fato gerador em 31/12/2002, não mais tem tal conformação, por inconstitucionalidade da norma que impunha referido regramento. No caso tratado, claramente os lucros tomados pelo Fisco para consecução dos lançamentos pertencem a anoscalendário anteriores a 2001. A propósito, vejase o quadro acima, já reproduzido (TVF fls. 311), mas novamente trazido para melhor fixação: Nesse segmento, não houvesse a ocorrência, antes desta data (31/12/2002), de “qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor” (parágrafo único, in fine, do artigo 74, da MP nº 2.158/200135), induvidosamente os lançamentos aqui Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 654 17 tratados não se sustentariam, posto que, conforme decidido pelo STF, foi decretada a “A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001”. Todavia, diversamente de outros julgamentos havidos nesta Turma, alguns deles de minha própria Relatoria, no caso concreto, HOUVE disponibilização do lucro ANTES da data limite fixada na ADIN (31/12/2002), específica e comprovadamente, a data da incorporação da Alfa S. A. pela Vera Cruz S.A, digase, 24 de outubro de 2000. Em exprimir diferente, ANTES desse evento, os lucros auferidos em 1996, 1997, 1998 e 1999 pelas subsidiárias da empresa brasileira localizadas na Ilha da Madeira não se consideravam, sob o ângulo tributário, “disponibilizados” à sua controladora no Brasil (por isso, para que não ficasse indefinidamente neste compasso de espera, o artigo 74, da MP nº 2.158/200135 seguiu por um caminho de, fictamente, dizer que tal disponibilização darseia em 31/12/2002), isto com a ressalva de que DESDE QUE não ocorrida qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Então, cabe a pergunta – QUAIS SERIAM TAIS HIPÓTESES (de disponibilização previstas na legislação)? A Lei nº 9.249/1995, responde: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; Concretamente, não há duvidas e isto é reconhecido pela própria recorrente , havia lucros desde 1996 e até 1999 nas subsidiárias no exterior, lucros estes que nem foram disponibilizados, nem foram pagos e nem foram tributados até 31/12/1999. Este ponto é incontestável. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 655 18 Com isso, inocorrendo outro evento que levasse à afetiva disponibilização, econômica ou jurídica dos lucros, a regra seria a aplicação do artigo 74, parágrafo único, da MP nº 2.158/200135, já estampado, mas novamente reproduzido para melhor fixação: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Nesse caminhar, em face da decretação de inconstitucionalidade do retro transcrito parágrafo único pela ADIN nº 2588, tais lucros estariam ao abrigo de qualquer tributação. PORÉM, e aí reside a variável que muda o quadro, houve a efetiva disponilibilização dos lucros de 1996 a 1999 quando do evento societário de incorporação (fato também inegável) em 24/10/2000. Foi neste instante, com a incorporação da Alfa pela Vera Cruz, sua controladora no Brasil (base Balanço de Encerramento da incorporada em 30/09/2000), tendo assumido a universalidade do seu ativo e passivo, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, que os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas DEVERIAM TER SIDO ADICIONADOS AO LUCRO LÍQUIDO da pessoa jurídica extinta, tudo conforme preceitos do artigo 25, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 656 19 filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; Assim, não havendo dúvidas acerca do evento incorporativo e igualmente inexistindo qualquer questionamento no sentido de que uma empresa incorporada é extinta, resta presente o nascimento do fato gerador do tributo aqui tratado. Quadro que se completa com a conjunção legislativa do artigo 1º, §§ 1º “b” e 2º, “b”, item “4”, da Lei nº 9.532/1997 (hoje parcialmente revogado, mas plenamente vigente à época dos fatos): Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: b) pago o lucro, quando ocorrer: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Em síntese final, como já tive oportunidade de relatar em casos assemelhados, não houvesse o fenômeno da incorporação presente nos autos, não seria possível levar à tributação os lucros de 1996 a 1999 porque não teriam sido disponibilizados e, assim, a regra levaria à subsunção do parágrafo único do artigo 74 da MP nº 2.158/2001, já citado, e que foi fulminado pelo Supremo. Entretanto, no momento em ocorre a incorporação retratada e a incorporada automaticamente se extingue, induvidoso que a tributação se estampou, pela compulsória adição aos seus lucros, dos lucros das suas filiais, sucursais ou controladas, impondo, neste momento, submetêlos à imposição do IRPJ e da CSLL. Assim não fosse, repitase, os lucros daquelas subsidiárias iriam ser considerados, por ficção, disponibilizados em 31/12/2002 e ali poderiam via a ser tributados, o que, como visto, acabaria por não ocorrer em razão da inconstitucionalidade do parágrafo único já referido. Em outras palavras, nada seria tributado porque esta ficção legal terminou por ser varrida do mundo jurídico pela Corte Suprema. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 657 20 Contrariamente, como o lucro foi efetivamente disponibilizado no momento da incorporação2, o fato gerador restou consumado. Excertos do voto condutor do Acórdão nº 9101003.087 da CSRF, relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura – Processo nº 16327.000823/200424, sessão de 13/09/2017, bem retrata o tema: “Por sua vez, o diploma [artigo 1 º da Lei nº 9.532, de 1997], ao tratar do aspecto temporal, discorre sobre o balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados, momento em que optou por positivar uma série de hipóteses, relacionadas nos §§ 1º e 2º do artigo em estudo. No caso de controladas e coligadas, a disponibilização ocorre na data (1) do pagamento ou (2) do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. Observase, portanto, que enquanto os lucros permanecerem na investida, sem utilização, não há que se falar em disponibilização. Utilizo o termo "utilização", vez que restou clara, pela redação dada pela norma, que a disponibilização não se restringe à remessa dos lucros para o Brasil, stricto sensu. Os termos "pagamento" ou "crédito" não foram adotados por acaso. A disponibilização, a realização do lucro, pode ser operacionalizar mediante diferentes situações. Precisamente nessa perspectiva, é fundamentar constatar que a quota ou ação da investidora (Contribuinte) na investida (FIQ) percebe uma valorização, auferida mediante o método de equivalência patrimonial (MEP), em razão do lucro auferido pela investida. E, em se tratando da data do pagamento, optou o legislador em positivar quatro hipóteses, do qual transcrevo na sequência: 1ª) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2ª) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3ª) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4ª) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora”. (destaques no original). Com isso, a tributação se impõe. DA CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E PORTUGAL 2 Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 658 21 Alega a impugnante que os lucros formados nos anos de 1996 a 1999 pela RIHC, domiciliada em Portugal, não podem ser tributados em virtude de expressa vedação do art. VII, do Tratado BrasilPortugal. O artigo VII do tratado, efetivamente, estabelece que os lucros de uma empresa pertencente a um dos estados contratantes só podem ser tributados neste estado, a não ser que parte dos lucros tenha sido obtido no outro estado contratante por meio dum estabelecimento estável. Uma vez que os lucros da controlada RIHC foram obtidos exclusivamente no território português, esses lucros poderiam ser tributados, em tese, apenas em Portugal. Contudo, o lançamento não exige nenhum tributo da empresa portuguesa, mas apenas da sociedade brasileira e na proporção do quinhão que lhe cabe por deter participação no capital de sua congênere portuguesa. O tratado veda a tributação do lucro na origem, mas não impede a tributação quando forem distribuídos ou postos à disposição dos sócios ou acionistas, ainda que estes sejam residentes do outro estado contratante. Duas outras disposições do próprio tratado revelam que não havia impedimento algum para nova tributação do lucro no destino, ainda que já tivesse havido incidência na origem (o que não se comprovou ser o caso). O item 6 do artigo VI dispõe que o fato de uma sociedade residente de um estado contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro estado contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro estado contratante, quer seja através de um estabelecimento estável, quer de algum outro modo, não por si, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento estável de outra. Ou seja, não obstante o vinculo existente entre elas, sociedades controlada e controladora devem ser tratadas como entidades independentes. DA TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL NA CONVERSÃO DOS LUCROS A matéria já se encontra consolidada neste Tribunal Administrativo, conforme Súmula CARF nº 94, verbis: Súmula CARF nº 94 Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Destaquese que, a teor do que dispõe a Portaria MF nº 277, de 07/06/20183, seus efeitos são vinculantes e de observância obrigatória pelos Conselheiros deste Colegiado. 3 PORTARIA Nº 277, DE 7 DE JUNHO DE 2018 Atribui a súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos I e II da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 75 do Anexo II a Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, resolve: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 659 22 Assim, sem mais delongas, o pleito da recorrente deve ser provido parcialmente neste aspecto, de forma que a base tributável de IRPJ se conforme às taxas de câmbio aplicáveis nas datas dos balanços, ou seja, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999, nos termos da citada Súmula. DOS LANÇAMENTOS DE CSLL Acerca da imposição de CSLL sobre os lucros auferidos no exterior, depois de inúmeros debates entre Fisco e contribuinte, a solução legislativa veio com a MP nº 1.858 6/1999 que expressamente previu tal incidência a partir de 01/10/1999. Foi nessa linha, inclusive, a decisão a quo ( DRJ. – fls. 403): “9.4. Assim, quando os lucros vieram a se tornar disponíveis, já estava plenamente em vigor a MP 1.8586/1999, a norma que previa a incidência da CSLL, visto que a data do fato gerador do lucro disponibilizado não se confunde com a data do auferimento do lucro”. Contrapondose, a recorrente assentou que, “ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a lei de regência aplicável à tributação em causa é aquela ao abrigo da qual ocorreu a apuração do lucro, ainda que a sua suposta disponibilização tenha se dado em momento posterior”; e complementou seu pensamento: “Significa dizer, tal como dito com relação ao imposto de renda (item II do presente recurso), que o elemento nuclear do fato gerador da CSLL é a apuração do lucro, razão pela qual a CSLL somente pode ser exigida sobre os lucros apurados a partir de 1° de outubro de 1999, data na qual passou a viger o art. 19 da MP n° 18586/99”. (RV – fls. 434) O tema já foi enfrentado outras vezes no CARF e a decisão estampada no Acórdão nº 9101003.087 da CSRF, relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura (antes citado) bem resume o assunto, pelo que peço vênia para reproduzir excertos do seu substancioso voto, aqui adotado como razões de decidir (destaques constam do original): “... antes do art. 25 da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, a tributação de lucros no exterior era regida pelo princípio da territorialidade, consagrado pelo art. 63 da Lei nº 4.506, de 1964: Art. 63. No caso de emprêsas cujos resultados provenham de atividades exercidas parte no País e parte no exterior, sòmente integrarão o lucro operacional os resultados produzidos no País. (...)(grifei) Com a edição do art. art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, restou clara que a incidência dos lucros restringiuse ao IRPJ, vez que foi feita menção expressa ao lucro real. Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) (Grifei) Art. 1º Fica atribuído às sumulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 660 23 Na realidade, a partir da edição da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, restaram, para fins de apuração de lucros no exterior, regimes distintos para o IRPJ e para a CSLL: (a), para o IRPJ, sob a égide do princípio da universalidade, os lucros das sucursais/filiais passaram a compor o resultado do lucro líquido em razão do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995; (b) para a CSLL, sob a égide do princípio da territorialidade, continuou a se submeter à sistemática prevista nos arts. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.598, de 1977 e 63 da Lei nº 4.506, de 1964, qual seja, primeiro reduzindo o lucro operacional e posteriormente, sendo adicionados ao lucro operacional, de modo a evitar a repercussão dos resultados no exterior (das sucursais ou filiais) na matriz do Brasil. A situação para a CSLL só veio ser alterada com a edição do art. 19 da MP nº 1.8586, de 1999 (publicada no DOU de 30/06/1999): Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei no 9.532, de 1997. (grifei) Ou seja, para a CSLL, passou a ser adotado o mesmo mecanismo para inclusão dos lucros no exterior na base tributável, com base no princípio da universalidade, nos mesmos moldes do IRPJ. Contudo, a incidência passa a valer apenas para os lucros no exterior auferidos a partir de 1º de outubro de 1999 (mediante aplicação da anterioridade nonagesimal). Não há que se falar que, como o fato gerador da CSLL aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro, toda a materialidade ocorrida no decorrer do ano calendário estaria abrangida. Não é bem assim. A incidência diz respeito ao suporte fático, aos eventos qualificados como tributáveis, e a lei que passou a qualificálos passou a exercer efeitos no ordenamento jurídico apenas a partir de 1º de outubro de 1999. Ou seja, apenas as situações (auferimento de lucros no exterior) ocorridas a partir de 1º de outubro de 1999 passaram a ser qualificadas como fatos jurídicotributários. Não se deve confundir o regime de tributação, em que se estabelece um marco temporal (um mês, um trimestre, um ano), com termo inicial e final, dentro do qual se consolidam as ocorrências qualificadas pelo ordenamento jurídico, no qual se delimita o aspecto temporal, com a incidência do tributo, aspecto material. Uma coisa é lei dispondo sobre a hipótese de incidência do tributo, outra é o regime de tributação sobre o qual o tributo deve ser apurado. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 661 24 Assim, se a Contribuinte é optante do lucro real anual, tal opção obriga a apuração da CSLL pelo regime anual, ou seja, cabe ao sujeito passivo verificar se as situações no decorrer do ano são qualificadas como fatos jurídico tributário. Por sua vez, se a lei que qualifica situações como fatos jurídico tributários passa a surtir efeitos apenas a partir de 1º de outubro, a materialidade alcançada diz respeito apenas aos lucros auferidos nos três últimos meses do ano”. Trazendo para o caso concreto aqui tratado, temse a seguinte posição fática: 1. os lucros auferidos em 1996, 1997 e 1998 estariam fora do alcance da tributação de CSLL, por falta de previsão legal; e, 2. os lucros apurados em 1999, pelo mesmo motivo, mas em ordem inversa, estariam submissos à imposição da contribuição. Entretanto, como bem salientado no voto acima reproduzido, “Não há que se falar que, como o fato gerador da CSLL aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro, toda a materialidade ocorrida no decorrer do anocalendário estaria abrangida. Não é bem assim. A incidência diz respeito ao suporte fático, aos eventos qualificados como tributáveis, e a lei que passou a qualificálos passou a exercer efeitos no ordenamento jurídico apenas a partir de 1º de outubro de 1999 (...). Não se deve confundir o regime de tributação, em que se estabelece um marco temporal (um mês, um trimestre, um ano), com termo inicial e final, dentro do qual se consolidam as ocorrências qualificadas pelo ordenamento jurídico, no qual se delimita o aspecto temporal, com a incidência do tributo, aspecto material. (...) Por sua vez, se a lei que qualifica situações como fatos jurídicotributários passa a surtir efeitos apenas a partir de 1º de outubro, a materialidade alcançada diz respeito apenas aos lucros auferidos nos três últimos meses do ano”. (sublinhei). Ou seja, para o ano de 1999 haveria tributação de CSLL sobre os lucros auferidos no exterior por subsidiária de empresa brasileira somente em relação “aos lucros auferidos nos três últimos meses do ano”. Como o Fisco não fez este talho na contabilidade da recorrente, assumindo todo o lucro do ano, os lançamentos não se revestem da necessária consistência, posto se estar diante de tributo que se subsume ao chamado “fato gerador complexo”, digase, aperfeiçoase no interregno temporal de um ano, não sendo possível deslocar e concentrar em apenas um trimestre o resultado de um período inteiro. Cabe uma palavra final acerca do porquê da manutenção dos lançamentos de IRPJ (com os ajustes de base de cálculo referidos no tópico “da taxa de câmbio aplicável na conversão dos lucros”) e a não manutenção dos lançamentos de CSLL do mesmo período. É que, no caso do IRPJ, já havia previsão legal para a tributação dos lucros (Leis nºs 9.249/1995 e 9.532/1997, conforme longamente discorrido neste voto em tópico próprio), ficando tais resultados positivos apenas em “compasso de espera” até que um evento viesse a permitir sua tributação, o que, no caso, foi a incorporação da Alfa S. A. pela Vera Cruz S.A e que depois de uma sucessão de alterações societárias, terminou por assumir a denominação social de Alfa Participações Internacionais Ltda. (ora recorrente). Em outro exprimir, os lucros já tinham sido apurados e havia previsão legal para sua tributação, apenas aguardando sua “disponibilização” a favor da controladora brasileira para sua materialização, isso porque, enquanto os lucros permanecerem na investida, sem utilização, não há que se falar em disponibilização. Já no caso da CSLL, inexistia previsão legal para tal incidência, ou seja, os “lucros” apurados, disponibilizados ou não, não estavam sujeitos à imposição tributária, pouco importando que tal “disponibilização” se fizesse no ato da apuração do lucro ou depois Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 662 25 (como aqui se vê). Digase, quer no dia de sua apuração quer quando fossem – se fossem disponibilizados, os lucros estariam albergados da tributação pela CSLL, restando tributáveis apenas os três últimos meses de 1999 (tema já visto acima). Assim, voto por, i) afastar a preliminar de decadência e, ii) no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para, ii.i) afastar os lançamentos de CSLL; ii.ii) determinar que os montantes das bases de cálculo dos lançamentos IRPJ, aqui mantidos, sejam apurados de acordo com as taxas de câmbio aplicáveis para venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, nos termos da Súmula CARF nº 94. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720167/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento.
Numero da decisão: 3302-006.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.720167/2007-00
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921344
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-006.027
nome_arquivo_s : Decisao_10380720167200700.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10380720167200700_5921344.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7483644
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870192537600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 513 1 512 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.720167/200700 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.027 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente CASCAVEL COUROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 01 67 /2 00 7- 00 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 514 2 Relatório Por bem descrever e retratar os fatos, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 330200.245 de fls. 469473: No dia 12/05/2004 a empresa Recorrente, já qualificada nos autos, transmitiu PERDCOMP declarando compensações e pleiteando o ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), relativo ao 3º trimestre de 2003. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Fortaleza CE reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 376/377. A autoridade competente efetuou as seguintes glosas, nas suas palavras: A análise do pedido foi feita por amostragem nas notas fiscais de aquisição de insumo, utilizados na industrialização dos produtos mencionados no parágrafo terceiro desta informação, e as notas fiscais examinadas não apresentaram infrações aos dispositivos legais objeto deste processo. Entretanto, os valores glosados são decorrentes da inclusão na base de cálculo do crédito presumido de insumos adquiridos no mercado externo e das transferências recebidas das filiais de Maracanaú e Sobral, tendo em vista que tais procedimentos contrariam dispositivo legais, ou seja, o artigo 1° da Lei 9.363, transcrito anteriormente e o artigo 9° da IN SRF 315, de 3 de abril de 2003 que determina que o pedido de ressarcimento seja centralizado na matriz. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade pleiteando: (i) o ressarcimento dos valores com o acréscimo da Taxa SELIC, contada a partir da data de geração do direito ao crédito presumido, ou, ao menos, sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento; (ii) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos às compras de insumos de não contribuintes da COFINS e da Contribuição para o PIS, especialmente aquelas realizadas de pessoas físicas e cooperativas; (iii) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos as compras de matériaprima importada, não adquirida no mercado interno, de energia elétrica, sistema de comunicação e óleo combustível; (iv) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido considerando as notas fiscais de transferências de matériaprima, produtos químicos e material de embalagem para as filiais de Maracanaú e Sobral, bem como as que acobertaram devoluções de compras. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0112.535, de 18/11/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 515 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão, na forma do artigo 100 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃOCONTRIBUINTES. Incabível o ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins em relação a insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e importadores, que não suportaram o pagamento dessas contribuições. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo do beneficio fiscal as aquisições que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à Cofins. IPI. DIREITO AO CRÉDITO. AÇÃO DIRETAMENTE EXERCIDA SOBRE 0 PRODUTO. Geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, "strict° senso", e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam ser incluídos no ativo permanente. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 31/12/2008, conforme AR de fl. 426, e, no dia 03/02/2009, ingressou com o recurso voluntário de fls. 427/443, no qual está pleiteando: (i) o ressarcimento dos valores com o acréscimo da Taxa SELIC, contada a partir da data de geração do direito ao crédito presumido, ou, ao menos, sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento; (ii) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos às compras de insumos de não contribuintes da COFINS e da Contribuição para o PIS, especialmente aquelas realizadas de pessoas físicas e cooperativas; Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Referida resolução foi motivada da seguinte forma: Como relatado, trata o presente processo de declaração de compensação vinculada a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI do 3º trimestre de 2003, deferido parcialmente em face da glosa de créditos relativos a insumos importados e transferência de insumos recebidos de filiais da Recorrente. Na manifestação de inconformidade apresentada junto à DRJ a empresa Recorrente protesta: (i) pelo reconhecimento da incidência da taxa Selic no ressarcimento pleiteado; (ii) pela manutenção do crédito nas aquisições de insumos Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 516 4 junto a pessoas físicas e cooperativas, nas aquisições de insumos no mercado externo e nas transferências de insumos recebidos de filiais suas. A decisão recorrida indeferiu o pleito da empresa Recorrente que veio a este Colegiado pleiteando somente o reconhecimento da incidência da taxa Selic no ressarcimento pleiteado e a manutenção do crédito nas aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, transcrito no Relatório acima, foram efetuadas duas glosas: insumos recebidos por transferência de filiais e insumos adquiridos no mercado externo. Nenhuma dessas matérias foi objeto de contestação no Recurso Voluntário do contribuinte. No entretanto, a matéria “aquisição de insumos junto a pessoas físicas e cooperativa”, constante da manifestação de inconformidade, foi exaustivamente analisada pela decisão recorrida, embora não tenha sido expressamente citada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 367/373. Isto posto, e: Considerando que mesmo não tendo sido citada no referido Termo de Verificação Fiscal, pode ter havido glosa de crédito relativo a insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; Considerando que a empresa Recorrente não indicou quais insumos, e respectivos valores, foram adquiridos de pessoas físicas; Considerando que na Relação de Notas Fiscais de fls. 306/312 não consta aquisições de pessoas físicas. Considero imprescindível para o deslinde da questão que a empresa Recorrente identifique as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas que não foram consideradas pela Fiscalização no cálculo do crédito presumido pleiteado. VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF em Fortaleza para as seguintes providências: 1) intimar a Recorrente a demonstrar as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas no período objeto do pedido, informando os mesmos dados constantes da Relação de Notas Fiscais de fls. 306/312, substituindo o CNPJ pelo CPF. 2)atendido a intimação acima e existindo aquisições de pessoas físicas ou de cooperativas, informar se as aquisições são de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem empregados pela Recorrente na sua produção e se as notas fiscais foram regularmente escrituras; 3)atendido a intimação acima, refazer o cálculo do crédito presumido considerando o valor das aquisições acima referidas; 4) dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. 5) conclusos, retornem os autos do processo a este CARF para prosseguir no julgamento do recurso voluntário. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 517 5 A Recorrente, após sua intimação, forneceu os documentos e prestou esclarecimentos propostas na resolução, conforme se verifica na petição e documentos de fls. 493498. Por sua vez, a fiscalização apresentou Relatório de Diligência Fiscal (fls.499502), com as seguintes informações: (...) 2. A diligência fiscal teve por objetivo recalcular o crédito presumido a que o interessado faz jus, relativamente ao 3º trimestre de 2003, sem excluir da base de cálculo do crédito as aquisições de insumos, utilizados no processo produtivo de bens exportados, sem incidência de PIS/PASEP e COFINS, conforme determinação da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sua Resolução nº 3302 000.245 — 3a Câmara/2a Turma Ordinária (fls. 469/473). 3. Inicialmente, intimamos o interessado, através do Termo de Início de Diligência Fiscal de fls. 490/492, de 18/07/2014, a apresentar informações e documentos diversos necessários ao desenvolvimento do trabalho. 4. A documentação apresentada em resposta ao Termo de Início de Diligência Fiscal comprova (verificação por amostragem) as aquisições de insumos sem incidência de PIS/PASEP e COFINS nos montantes de R$ 874.467,09, R$ 929.203,40 e R$ 1.603.953,30, relativamente aos meses de julho, agosto e setembro de 2003, respectivamente. 5. Registrese, por oportuno, que os valores citados no item 4 retro não foram objeto de glosa pela fiscalização, conforme se infere da leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 368/373. Na verdade, o contribuinte deixou de incluir tais valores na apuração do crédito presumido do 3° trimestre de 2003 por motivação própria, tendo informado ao fisco que "A origem de todos os créditos pleiteados, foram originários de aquisições de Pessoa Jurídica" (sic), como atesta o documento de fl. 262. 6. Apesar disso, cumprindo determinação da Resolução nº 3302000.245 — 3ª Câmara/2a Turma Ordinária, refizemos os QUADROS 2 e 5 de fls. 365 e 366, respectivamente. Para tanto, na coluna "CUSTO ACUMULADO" do QUADRO 2, adicionamos as importâncias acumuladas de R$ 874.467,09, R$ 1.803.670,49 (874.467,09 + 929.203,40) e R$ 3.407.623,79 (874.467,09 + 929.203,40 + 1.603.953,30), nos meses de julho, agosto e setembro, respectivamente. O CUSTO ACUMULADO em setembro (base de cálculo), no valor de R$ 194.652.191,23, foi então lançado no QUADRO 5, onde restou apurado um crédito presumido de R$ 8.590.506,98 relativo ao 3° trimestre de 2003. Os quadros refeitos foram acostados ao presente Relatório. 7. Comparando os quadros de fls. 365/366 com os anexos a este Relatório, observase que o crédito presumido do contribuinte, referente ao 3º trimestre de 2003, passa de R$ 8.115.179,59 para R$ 8.590.506,98, por força da já citada Resolução nQ. 3302000.245 — 3a Câmara/2a Turma Ordinária. Ou seja, uma diferença em favor do interessado de R$ 475.327,39 (8.590.506,98— 8.115.179,59). Intimada do citado relatório fiscal (fls.509), a Recorrente permaneceu silente, retornando, assim, os autos à este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 518 6 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Recursal O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do Recurso Voluntário Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em suas razões recursais dois pleitos, um em relação ao direito de incidir taxa Selic no ressarcimento formulado e outro quanto a manutenção do crédito nas aquisições de insumos junto à pessoas físicas e cooperativas. No que diz respeito a questão envolvendo a manutenção do crédito nas aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas, entendo que referida matéria é estranha aos autos, considerando que os valores glosados são decorrentes da inclusão na base de cálculo do crédito presumido de insumos adquiridos no mercado externo e das transferências recebidas das filiais de Maracanaú e Sobral. É o que se extrai do TVF (fls. 368 372) e do despacho decisório de fls.376377: A análise do pedido foi feita por amostragem nas notas fiscais de aquisição de insumo, utilizados na industrialização dos produtos mencionados no parágrafo terceiro desta informação, e as notas fiscais examinadas não apresentaram infrações aos dispositivos legais objeto deste processo. Entretanto, os valores glosados são decorrentes da inclusão na base de cálculo do crédito presumido de insumos adquiridos no mercado externo e das transferências recebidas das filiais de Maracanaú e Sobral, tendo em vista que tais procedimentos contrariam dispositivo legais, ou seja, o artigo 1° da Lei 9.363, transcrito anteriormente e o artigo 9° da IN SRF 315, de 3 de abril de 2003 que determina que o pedido de ressarcimento seja centralizado na matriz. O Relatório de Diligência também ressaltou inexistir nos autos discussão sobre glosa de crédito relacionado as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas. No presente caso, ao vez de analisar a matéria concernente ao crédito nas aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas, entendo que DRJ deveria ter não conhecido da referida matéria. Contudo, tal fato não gera nulidade da decisão recorrida, considerando que houve análise da glosa motivada no despacho decisório, questão esta, que não foi trazida no recurso voluntário. Neste cenário, entendo que o não conhecimento da matéria sobre a glosa de crédito relacionado as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas é medida que se impõe. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 519 7 Em relação a incidência da Taxa Selix, empresto o voto vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, da 3ª Turma da CSRF para solução do litígio, a saber: A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 520 8 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C,do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 521 9 No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; Resp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, Dje 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. MinistraMARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, Dje 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 522 10 de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 523 11 vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 524 12 faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. Considerando o entendimento esposado anteriormente, incumbe saber se houve oposição ilegítima estatal. No presente caso, o crédito glosado parcialmente pela unidade de origem não foi reconhecido/revertido pelas instâncias de julgamentos, inexistindo, assim, razão para aplicar a atualização monetária sobre essa parcela. No que diz respeito à parcela que foi eventualmente reconhecida logo de início (vide despacho decisório), sobre ela não cabe atualização monetária, por ausência de previsão legal e por total ausência de oposição estatal. III Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000934/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2004
SIMPLES. ANULAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO. EFEITOS.
Deve ser cancelada a exigência fiscal, quando motivada por exclusão do Simples Federal que deixou de produzir efeitos em virtude da decisão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão.
Numero da decisão: 2201-004.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2004 SIMPLES. ANULAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO. EFEITOS. Deve ser cancelada a exigência fiscal, quando motivada por exclusão do Simples Federal que deixou de produzir efeitos em virtude da decisão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15983.000934/2008-68
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911757
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.683
nome_arquivo_s : Decisao_15983000934200868.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 15983000934200868_5911757.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7438996
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870208266240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 276 1 275 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000934/200868 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.683 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MONAVI SERVICOS ADMINISTRATIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2004 SIMPLES. ANULAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO. EFEITOS. Deve ser cancelada a exigência fiscal, quando motivada por exclusão do Simples Federal que deixou de produzir efeitos em virtude da decisão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 34 /2 00 8- 68 Fl. 276DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário (fls.215/239) apresentado em face do Acórdão nº 1729.965, da 10º Turma da DRJ/SPOII (fls. 181/207), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo à contribuição previdenciária patronal e à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho Gilrat, em função da exclusão da empresa do Simples Federal. Em suas razões recursais, a empresa alega a necessidade de se aguardar a decisão definitiva em relação ao Ato Declaratório que a excluiu da sistemática favorecida de tributação, a impossibilidade de que essa exclusão opere efeitos retroativos e a prescrição de parte do crédito exigido. Neste CARF, a 3ª Turma Especial desta 2ª Seção de Julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência (Resolução nº 2803000.171, de 20 de junho de 2013 fls. 243/248) para que fossem adotadas providências no sentido de esclarecer se houve trânsito em julgado da decisão que excluiu a empresa do Simples (Processo nº 15.983.000573/200850) e, caso não tivesse ocorrido o trânsito, que o processo aguardasse esse evento. Na unidade de origem, a autoridade limitouse a juntar ao processo os documentos de fls. 251/259, com o que entendeu atendida a Resolução deste CARF (fl. 260). Retornando a este colegiado, em função da extinção do mandato da Relatora original, o processo compôs lote sorteado em sessão pública a esta Conselheira. Em uma primeira assentada, esta 1ª Turma Ordinária converteu novamente o julgamento em diligência para que a unidade de origem esclarecesse se houve trânsito em julgado do processo 15983.000573/200850, bem como se foi ou não mantida a exclusão do Simples Federal determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STS nº 38, de 02 de julho de 2008 (fls 262/263). Em resposta, foi prestado o seguinte esclarecimento pela unidade preparadora (fl. 273): O processo 15983.00573/200850 que se encontrava arquivado, e ainda era em meio papel, foi desarquivado, convertido em digital e apensado a este. Às fls. 86 a 90, a 1ª Turma da DRJ/CPS reconhece a Procedência da Manifestação de Inconformidade do contribuinte, determinando o cancelamento do ADE em questão. O interessado tomou conhecimento do acórdão em 05/04/2011, sendo posteriormente o processo arquivado. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15983.000934/200868 Acórdão n.º 2201004.683 S2C2T1 Fl. 277 3 O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. O processo em análise compreende a exigência de contribuições previdenciárias decorrentes da exclusão do sujeito passivo do Simples Federal, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STS nº 38, de 03 de julho de 2008. Ocorre porém que, conforme atesta a autoridade preparadora, o Ato Declaratório de Exclusão foi cancelado pelo Acórdão nº 0532.996, da 1ª Turma da DRJ/CPS, decisão esta proferida no âmbito do processo 15983.000573/200850. Pelas razões expostas, impõese seja dado provimento ao recurso voluntário apresentado e cancelada a exigência consubstanciada neste processo. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado e lhe dar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13205.720088/2016-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento relativas ao ano calendário de 2014, no valor total de R$52.500,00.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13205.720088/2016-09
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912306
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.647
nome_arquivo_s : Decisao_13205720088201609.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 13205720088201609_5912306.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento relativas ao ano calendário de 2014, no valor total de R$52.500,00. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7441370
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870225043456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13205.720088/201609 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.647 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente TIMOTEU LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento relativas ao ano calendário de 2014, no valor total de R$52.500,00. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 5. 72 00 88 /2 01 6- 09 Fl. 88DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 11 e ss, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 60.000,00, por falta de comprovação de pagamento. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 2 e ss, juntando documentos. Alega, em síntese, que as despesas médicas referemse a sua companheira e dependente Bendita de Lourdes Lopes, a qual necessitou de UTI Aéreo para transporte de urgência, tendo em vista a precariedade comprovada do local que estavam e do quadro gravoso de sua companheira. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Melhor dizendo, em verdade sustenta a DRJ que não se encontram nos autos documentos que comprovem que o contribuinte NÃO foi reembolsado pelo plano de saúde. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa eis que foi reconhecido na decisão que tais despesas médicas foram devidamente comprovadas pelo contribuinte. Apenas o pagamento de uma parcela de R$7.500,00 não deveria ser aceita, de fato, nesta declaração, haja vista que foi paga em janeiro de 2015. Ou seja, as despesas médicas de R$52.500,00 estariam comprovadas para o ano calendário de 2014 e seria um absurdo negar provimento utilizando o argumento de que o contribuinte NÃO comprovou que NÃO foi reembolsado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13205.720088/201609 Acórdão n.º 2001000.647 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os extratos e relatórios emitidos pelo plano, comprovação da utilização da UTI aérea, tudo devidamente assinado e detalhado. Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Aos autos, o contribuinte anexou documentos que comprovam que sua esposa e dependente Benedita de Lourdes Lopes, estava enferma precisando de atendimento médico, em hospital com suporte de UTI, não existente onde a mesma residia. O contribuinte contratou serviços médicos e de UTI para transporte aeromédico para o transporte da paciente Benedita de Lourdes Lopes da cidade de Altamira/PA para a cidade de São José do Rio Preto/SP, em 08/11/2014, fls. 23 e 27. Anexou, Registros Médicos a Bordo e Registros de Enfermagem a Bordo, fls 24/26, onde consta a transferência via aérea, em 08/11/2014, da cidade de Altamira/PA –para São José do Rio Preto/SP, com os dados da paciente. Assim, o contribuinte comprovou que o avião alugado estava equipado com uma equipe de UTI, o aluguel do táxi aéreo poderia ser considerado como despesas médicas. Fl. 90DF CARF MF 4 Contudo, além disso foi solicitado o efetivo pagamento, e aos autos, o contribuinte anexou extratos de sua conta bancária, onde consta transferência bancária e compensação de cheques no valor de R$ 45.000,00, conforme informado pelo contribuinte, contudo, para este valor, não resta comprovado que a transferência e os cheques foram para o pagamento dos serviços prestados pela empresa Brasil Vida Táxi Aéreo. Para os R$ 15.000,00, restantes, pago através de cartão de crédito, resta comprovado o valor de R$ 7.500,00 para o mês de dezembro de 2014. O valor restante de R$ 7.500,00, efetivamente foi pago em janeiro de 2015, ano diferente da lide. Por fim, observase que não se encontram nos autos documentos que comprovem que o contribuinte não foi reembolsado pelo seu plano de saúde, do valor total pago, para o transporte de sua esposa, não suprindo dessa forma, a falha apontada na Notificação de Lançamento. Logo, não merece reparo o feito fiscal. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar que o contribuinte não teve o reembolso do plano de saúde. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13205.720088/201609 Acórdão n.º 2001000.647 S2C0T1 Fl. 4 5 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Merece ser esclarecido que entendo ser absolutamente desarrazoado o argumento utilizado pela DRJ para manter a glosa da despesa médica em questão: "Por fim, observase que não se encontram nos autos documentos que comprovem que o contribuinte não foi reembolsado pelo seu plano de saúde, do valor total pago, para o transporte de sua esposa, não suprindo dessa forma, a falha apontada na Notificação de Lançamento". Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental e fática trazida pelo contribuinte para evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser dado provimento PARCIAL ao pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e portanto exonerado PARCIALMENTE o crédito fiscal lançado, mantendo a glosa apenas da parcela de R$7.500,00, a qual não se refere ai ano calendário em apreço (esta parcela foi paga apenas em janeiro do ano calendário de 2015). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento relativas ao ano calendário de 2014, no valor total de R$52.500,00. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 92DF CARF MF 6 Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001822/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.001822/2009-68
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5905214
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.267
nome_arquivo_s : Decisao_13888001822200968.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 13888001822200968_5905214.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7433510
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870231334912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.001822/200968 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.267 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ PERDCOMP Recorrente RADIOLOGIA SIDNEY DE SOUZA ALMEIDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 22 /2 00 9- 68 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720667/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720667/2012-21
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906376
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.589
nome_arquivo_s : Decisao_16327720667201221.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 16327720667201221_5906376.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7437586
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870247063552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.811 1 1.810 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720667/201221 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.589 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2018 Assunto RESOLUÇÃO LINDB Recorrente BANCO ITAUCARD S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Cuidam os autos de novo julgamento de recurso voluntário anteriormente julgado pela 2ª Turma da 1ª Câmara dessa sessão (12/02/2014) em que, por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a glosa de amortização de ágio e cancelando as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 66 7/ 20 12 -2 1 Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.812 2 Trata o processo de Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, com acréscimo de multa isolada, multa de ofício e juros. A infração principal lançada foi a de falta de adição ao lucro real, e à base de cálculo da CSLL, de despesas indedutíveis relativas à amortização de ágio, sendo que os lançamentos de janeiro a julho de 2007 se referem à empresa Banco Itaú Cartões S/A, pelos quais responde a interessada como sucessora, e os de agosto de 2007 a dezembro de 2008 se referem à própria interessada. A Fiscalização analisou os efeitos tributários relativos à reorganização societária ocorrida quando da aquisição de mais uma parte da operação de cartões de crédito da empresa Credicard pelo Grupo Itaú, que era de titularidade dos Grupos Itaú, Citibank e Unibanco. A acusação concluiu pela diferença entre um primeiro ágio, apurado em 2004 (item 3.3 do Termo de Verificação Fiscal), e um segundo, calculado em 2006 (item 3.8), apesar de serem do mesmo valor. Provas disso seriam a apuração de ganho de capital quando da capitalização da Finaustria, a impossibilidade da transferência de ágio na aquisição de investimento por realização de capital e a contratação de nova avaliação em 2006. Concluiu, também, não ser possível se admitir que o fundamento do primeiro ágio seja a rentabilidade futura, pois o laudo de avaliação que assim o classificou foi elaborado somente em 2006. Isso contrariaria “o mandamento expresso no §3° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, que determina a elaboração de uma demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração, o que não foi realizado, uma vez que esta demonstração do laudo só foi produzida 2 anos depois da operação societária analisada, deixando de ser análise de rentabilidade futura, para ser um atestado do que efetivamente ocorreu. Já o segundo ágio também não poderia ter sua dedutibilidade admitida, por ter se dado entre sociedades ligadas, todas sob o comando do Grupo ITAÚ, configurandose assim, um ágio interno. O relator do voto a quo entendeu, primeiramente, que poderiam ser aceitos novos documentos, ainda que apresentados somente por ocasião de sustentação oral em sessão de julgamento do Recurso Voluntário (efls. 1.339/1.394). Consignou que não haveria impedimentos legais de que o laudo fosse apresentado posteriormente, desde que houvesse demonstração da rentabilidade futura em demonstrações contemporâneas ao surgimento do primeiro ágio de 2004 e, com base nas provas carreadas aos autos, julgou comprovado que o ágio de 2004 estava fundamentado na rentabilidade futura, afastando a autuação relativamente a essa parte. Desfez, ainda, outro fundamento da autuação que alegava diferença entre os ágios de 2004 e 2006. Assinalou tratarse do mesmo valor transferido pela conferência de capital do investimento adquirido com ágio. Aceitou que o propósito dessas operações societárias foi o de manter segregada a base de cartões de crédito oriunda da Credicard por certo tempo, para maximizar a precisão da avaliação de sua performance, afastando o último fundamento da autuação, que afirmava que o ágio de 2006 tinha sido criado artificialmente entre empresas do mesmo grupo, tratando se de “ágio interno”. Contudo, ainda que admitindo a validade das operações que permitiram o aproveitamento do ágio pelo Itaú Cartões, não concordou com a dedução em sua integralidade, Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.813 3 pois entendeu não ser possível admitir que as operações societárias na parte em que “recriaram” o ágio de 2004 em sua integralidade, nele reincluindo a parcela já amortizada contabilmente pela Itaucard, lembrando que o ágio já amortizado contabilmente teve efeitos fiscais ao compor o custo de aquisição quando a Itaucard subscreveu o capital da Finaustria com o investimento da Tulipa evitando, assim, a ocorrência de ganho de capital tributável. Concluiu pela exclusão da parcela de R$ 132.148.674,46, chegandose a um ágio passível de amortização de R$ 564.635.245,01, em 60 parcelas mensais de R$ 9.410.587,42, reduzindo a glosa de amortização mensal de R$ 11.613.065,32 para R$ 2.202.477,90 (R$ 11.613.065,32 R$ 9.410.587,42), resultando na redução das infrações de IRPJ e CSLL. Em voto vencedor, o colegiado decidiu, ainda, pela exoneração das multas isoladas, por entender ser inaplicável a exigência concomitante de multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Em Embargos de Declaração tempestivamente apresentados, a PFN apontou omissão do Acórdão de nº 1102001.018, que teria deixado de se pronunciar sobre a supressão de instância (efls. 1.396/1.397), vez que a juntada do Projeto Triatlo, elaborado supostamente em 18/02/2004, teria contrariado o princípio do efeito devolutivo dos recursos, já que esse documento não teria sido objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, assim, também não poderia ser apreciado pela autoridade de segunda instância. Em despacho fundamentado (efls. 1.424/1.425), o Presidente da Turma rejeitou os aclaratórios, por considerar que a PFN teria apenas levantado, em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário, o argumento da preclusão, e não o da supressão de instância e, que, de forma indireta, ao fazer referência ao art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, a decisão não teria incorrido em omissão. Manejado Recurso Especial pela PFN apontando divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 130100.058, que entendeu que a reorganização societária ocorrida entre as empresas do mesmo grupo econômico teve como intenção apenas forjar a existência de um ágio para reduzir o lucro tributável. Aponta outra divergência jurisprudencial, agora em relação à possibilidade de juntada posterior de documentos, pois isso implicaria na supressão de sua análise pelo órgão de julgamento inferior e, em caso de ser admitida, o processo deve ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade. Como último tema, aponta divergência jurisprudencial em relação à aplicação concomitante de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, em concomitância com a exigência de multa de ofício, no mesmo anocalendário. E, ainda, na hipótese de não ser aceito o entendimento contido no item anterior, passa a demonstrou que o acórdão recorrido, ao cancelar a multa isolada, também divergiu da jurisprudência do Conselho, que admite a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, em relação a período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, considerando ser legítima, a partir do anocalendário 2007, a aplicação cumulativa de duas multas de ofício. Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.814 4 Pelo despacho de admissibilidade de efls. 1.520/1.529, o Recurso Especial da PFN foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em relação a todas as matérias divergentes suscitadas, com exceção da matéria multa isolada, cuja divergência restou caracterizada, apenas, em relação à aplicação da multa a partir do ano calendário 2007. O sujeito passivo apresentou contrarrazões (efls. 1.559/1.600) A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao apreciar o Recurso Especial da PFN, decidiu não conhecer do recurso no que respeita à matéria "ágio", por entender que as situações fáticas tratadas pelo acórdão do colegiado a quo e os paradigmas seriam distintas, o que impediria a caracterização da divergência jurisprudencial. Decidiu, ainda, declarar a nulidade da decisão do colegiado a quo, para que nova decisão fosse proferida, desconsiderando os documentos apresentados pelo sujeito passivo em sustentação oral. Cientificada dessa decisão e, contra ela, aviou Embargos de Declaração, imputando ao julgado o vício de omissão, pois não teria sido observado que os acórdãos, recorrido e paradigmas, tratam de situações que envolvem reorganização societária, grupo econômico, ausência de dispêndio econômico, operações realizadas sem propósito negocial. Foram rejeitados os embargos da Fazenda, retornando os autos a este colegiado para nova decisão considerando preclusa a prova apresentada por ocasião da sustentação oral. Colocado o processo em pauta nesta data, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautado na jurisprudência majoritária do CARF. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, a Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.815 5 situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Aduz a Recorrente que a autuação decorre de análise de operação de aquisição de ativo com ágio e que, sobre a matéria, jurisprudência do CARF proferida nos anos de 2007 e 2012 era majoritariamente favorável ao contribuinte, citando ementas. Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, entendo que é prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 1.805 a 1.810, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 1815DF CARF MF
score : 1.0
