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Numero do processo: 10855.002486/2003-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/12/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO INFORMADA EM DCTF E NEM HOMOLOGADA.
Não tendo sido comprovado o pagamento informado em DCTF, nem tendo sido homologada compensação sequer informada na DCTF, cabível a exigência do crédito tributário via auto de infração.
Numero da decisão: 3403-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/12/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO INFORMADA EM DCTF E NEM HOMOLOGADA. Não tendo sido comprovado o pagamento informado em DCTF, nem tendo sido homologada compensação sequer informada na DCTF, cabível a exigência do crédito tributário via auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 24 86 /2 00 3- 74 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração eletrônico (lavrado em 16/06/2003 fls. 23 a 291) para exigência de créditos tributários referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao segundo e ao terceiro decêndios de dezembro de 1998, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75%), em total de R$ 109.440,01. A motivação expressa na descrição dos fatos da autuação é “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”, sendo que nos anexos se especifica que há dois pagamentos não localizados (fl. 25), nos valores de R$ 17.028,61 e R$ 25.544,79. Cientificada da autuação, a empresa apresenta sua impugnação em 07/07/2003 (fls. 2 a 21), alegando, em síntese, que: (a) houve ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), e a empresa não foi intimada a prestar esclarecimentos (cf. art. 3o da IN SRF no 94/1997); (b) não houve indicação dos dispositivos legais infringidos, ocasionando cerceamento de defesa; (c) os valores foram recolhidos, mas, por erro no preenchimento da DCTF, que deveria ter indicado que a quitação dos débitos se deu mediante compensação com o próprio IPI, efetuada no processo administrativo no 13804.003503/9829 (valores de R$ 17.000,00 e R$ 25.000,00) e pagamento (nos valores de R$ 28,61 e R$ 544,79); e (d) a multa é confiscatória e desproporcional ao erro cometido. No julgamento de primeira instância, efetuado em 30/08/2012 (fls. 135 a 141), acordase unanimemente pela parcial procedência da impugnação, excluindose dos valores lançados os montantes comprovadamente pagos (R$ 28,61 e R$ 544,79) e a totalidade da multa de ofício, sob os fundamentos de que: (a) não foram identificadas situações ensejadoras de nulidade; (b) a multa de ofício deve ser excluída em função da retroatividade benigna do art. 18 da Lei no 10.833/2003; e (c) o processo administrativo no 13804.003503/98 29 se refere a crédito de CSLL e IRPJ da matriz com reconhecimento parcial, sendo insuficiente o valor reconhecido para saldar os débitos de IPI da filial, de R$ 17.000,00 e R$ 25.000,00. Cientificada do resultado do julgamento em 14/10/2013 (cf. AR de fl. 144), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 13/11/2013 (fls. 146 a 158), dispondo que: (a) apresentou DCTF relativa ao quarto trimestre de 1998, na qual constava a prática de compensação efetuada no processo administrativo no 13804.003503/9829; e (b) assim, os tributos exigidos na autuação já haviam sido compensados, e, portanto extintos na forma do art. 156, II do CTN. Seguese, no recurso, discutindo o direito creditório, matéria afeta ao processo administrativo no 13804.003503/9829. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10855.002486/200374 Acórdão n.º 3403003.113 S3C4T3 Fl. 226 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há que se delimitar, de início, o que resta de contencioso no presente processo. Como a DRJ afastou a multa de ofício e os montantes comprovadamente pagos (R$ 28,61 e R$ 544,79) passam a ser devidos a título de principal somente os valores indicados como compensados (R$ 17.000,00 e R$ 25.000,00). E a recorrente renova totalmente a sua linha de defesa no recurso voluntário, não mais trazendo as alegações de nulidade aventadas na impugnação, e passando a afirmar que já declarava em sua DCTF as compensações. A linha de defesa apresentada no recurso voluntário, no que se refere às compensações, representa uma regressão em relação à adotada na impugnação. Enquanto na peça impugnatória se reconhecia erro de preenchimento na DCTF, no recurso voluntário se afirma já de início que: “A recorrente entregou suas Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais – DCTFs referente (sic) ao Quarto Trimestre de 1998, na qual constava a prática de compensação tributária com indébito tributário oriundo do Processo Administrativo no 13804.003503/9829”. Verificando as DCTF transmitidas, no que se refere ao segundo e ao terceiro decêndios de dezembro de 1998 (fls. 76 e 77), indicamse, respectivamente, pagamentos de R$ 17.028,61 e R$ 25,544,79, em DARF, não havendo qualquer menção a compensação. Contudo, em que pese ser equivocada a informação prestada já ao início do recurso voluntário, passase aqui, em nome da verdade material, a considerar o que efetivamente ocorreu: um erro no preenchimento da DCTF como já se reconhecia na peça impugnatória, ao não se informar que havia compensações solicitadas no processo administrativo no 13804.003503/9829 (cópias dos pedidos de compensação às fls. 78 e 79). Por óbvio, não cabe no presente processo a discussão (ou rediscussão) sobre o direito creditório, mas tão somente sobre o aproveitamento do direito creditório eventualmente assegurado no processo administrativo no 13804.003503/9829. Assim, afasta se desde já nos presentes autos qualquer tentativa em rediscutir a matéria afeta ao processo diverso. Informase ainda no recurso voluntário que o processo de compensação “está sendo discutido em sede de embargos à execução fiscal”, ou seja, já no âmbito judicial, esgotadas as instâncias administrativas. A compensação presente no processo administrativo no 13804.003503/9829 teve o desfecho apontado pela DRJ: os valores reconhecidos são insuficientes para saldar os débitos de IPI da filial, de R$ 17.000,00 e R$ 25.000,00. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Em consulta ao sítio web da Justiça Federal em São Paulo, percebese que não foi revertida judicialmente a decisão exarada no processo administrativo no 13804.003503/9829: “Processo: 000593813.2007.4.03.6110 Tratase de embargos opostos em face da Execução Fiscal n. 000389574.2005.403.6110 (num. ant. 2005.61.10.0038954), movida contra a embargante pela União, representada pela Fazenda Nacional, em decorrência de cobrança dos créditos tributários inscritos na Dívida Ativa da União (DAU) sob n. 80.7.05.01019094. Na inicial, a embargante sustenta a inexigibilidade do crédito tributário, uma vez que efetuou a compensação, no Processo Administrativo n. 13804.003503/98 29, dos tributos em cobrança com os créditos que possuía decorrentes de recolhimentos a maior de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.Juntou documentos a fls. 13/274. A Fazenda Nacional, impugnando os embargos a fls. 289/296, refuta as alegações do embargante. Juntou documentos a fls. 297/304. A embargada apresentou cópia integral do Processo Administrativo n. 13804.003503/9829, que foi apensada aos autos dos Embargos à Execução Fiscal n. 000594165.2007.403.6110 e da Execução Fiscal n. 0003359 63.2005.403.6110, que tramitam em conjunto com estes autos. Deferida a produção de prova pericial contábil requerida pela embargante nos autos dos Embargos à Execução Fiscal n. 000594165.2007.403.6110, o Perito Judicial apresentou seu laudo a fls. 408/455, complementado a fls. 508/562 daquele processo.É o relatório. Decido.Conheço diretamente do pedido, ante a desnecessidade de produção de qualquer prova em audiência, a teor do parágrafo único do artigo 17 da Lei nº 6.830/80. DA COMPENSAÇÃO. Os embargos à execução fiscal não são a via adequada para a declaração e apuração de créditos do contribuinte com vistas à compensação de tributos recolhidos indevidamente, consoante expressa vedação contida no art. 16, 3º, da Lei n. 6.830/1980. Nesse sentido tem decidido a Jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, exemplificada no seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL APELAÇÃO PREPARO APELAÇÃO NÃO CONHECIMENTO INOVAÇÃO DO PEDIDO PRESCRIÇÃO INOCORRÊNCIA ACESSÓRIOS DA DÍVIDA CUMULAÇÃO POSSIBILIDADE INSTITUTOS DE NATUREZA JURÍDICA DIVERSA ENCARGO DO DL 1.025/69 COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE MULTA MORATÓRIA DE 30% REDUÇÃO POSSIBILIDADE LEI MAIS BENIGNA CDA PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA.1. Os embargos à execução não se sujeitam ao pagamento de custas. Inteligência do art. 7º da Lei n.º 9.289/96. Preliminar de deserção da apelação rejeitada .2. Ao aduzir matéria não ventilada na inicial dos embargos, a apelante inova em sede recursal. Recurso não conhecido nesta parte. 3. Não ocorre a prescrição se o período que medeia a constituição definitiva do crédito tributário e a citação do executado for inferior a cinco anos. 4. Os acessórios da dívida, previstos no art. 2º, 2º, da Lei n.º 6.830/80, são devidos, cumulativamente, em razão de serem institutos de natureza jurídica diversa. Integram Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10855.002486/200374 Acórdão n.º 3403003.113 S3C4T3 Fl. 227 5 a Dívida Ativa sem prejuízo de sua liquidez, pois é perfeitamente determinável o "quantum debeatur" mediante simples cálculo aritmético. 5. O encargo de 20% previsto no Decretolei n.º 1.025/69 é devido nas execuções fiscais em substituição aos honorários advocatícios. Precedentes do C. STJ. 6. Os embargos à execução não constituem meio processual idôneo para a declaração ou apuração de crédito em favor do contribuinte para os efeitos da compensação, haja vista vedação expressa contida no artigo 16, 3º, da Lei nº 6.830/80. Precedentes do STJ. 7. A multa moratória pode ter seu percentual reduzido a 20%, nos termos do art. 61, 2º da Lei n.º 9.430/96 c.c. art. 106, II, "c" do CTN. 8. A inicial da execução fiscal deve estar instruída com a Certidão da Dívida Ativa, documento suficiente para comprovar o título executivo fiscal. 9. A Certidão da Dívida Ativa, formalmente em ordem, constitui título executivo extrajudicial revestido de presunção "júris tantum" de liquidez e certeza.(AC APELAÇÃO CIVEL 866357 UF: SP 6ª TURMA DJU 10/10/2003 v.u. Relator Des. MAIRAN MAIA)Por outro lado, sendo a compensação uma forma de extinção do crédito tributário, dentre aquelas previstas no art. 156 do CTN, é possível a arguição, como neste caso, de que o crédito tributário inscrito na dívida ativa foi extinto pela compensação realizada pelo sujeito passivo, com créditos que possuía relativos ao recolhimento indevido de tributos.O Código Tributário Nacional, em seu art. 170, dispõe que: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública."Assim, o CTN elege, como condição essencial para o exercício da compensação, que os créditos apurados pelo sujeito passivo frente ao Fisco sejam "líquidos e certos". Nesse passo, é importante frisar que a compensação de tributos recolhidos indevidamente ou a maior está sujeita à homologação do respectivo procedimento compensatório por parte da autoridade administrativa. No caso dos autos, a embargante pleiteou, em 16/12/1998, a restituição dos valores recolhidos a maior referentes ao IRRF nos anos de 1993, 1996 e 1997 e à CSLL do ano de 1995, bem como passou a apresentar diversos pedidos de compensação desse crédito que alegava possuir, com créditos tributários constituídos posteriormente. O requerimento em questão deu origem ao Processo Administrativo n. 13804.003503/9829, no qual foi homologada parcialmente a compensação pretendida pela executada/embargante, sendo que os saldos remanescentes da não homologação integral da compensação deram origem às inscrições na Dívida Ativa da União, cuja desconstituição se pretende com estes embargos. A perícia contábil realizada nos autos dos Embargos à Execução Fiscal n. 0005941 65.2007.403.6110 evidencia que de fato a executada/embargante detinha crédito de IRRF e CSLL passível de compensação, mas que o saldo desse crédito, após a dedução dos valores homologados pela administração tributária, é insuficiente para extinção dos valores remanescentes inscritos na Dívida Ativa da Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 União. Tal constatação, entretanto, mostrase irrelevante em face da análise do Processo Administrativo n. 13804.003503/98 29, que se encontra apensado aos Embargos à Execução Fiscal n. 000594165.2007.403.6110 e no qual foram apreciadas as compensações requeridas. Do exame do referido processo administrativo, mais especificamente do teor de fls. 460/470 (3º volume) e do esclarecedor despacho proferido no âmbito da Seção de Orientação e Análise Tributária SAORT da DRF em Sorocaba, cuja cópia encontrase a fls. 695/709 (4º volume), constatase que o contribuinte foi intimado para apresentar diversos documentos necessários à apuração do seu direito creditório, mas não o fez. A não apresentação de documentos por parte da executada/embargante, ensejou o deferimento apenas parcial de sua pretensão compensatória, uma vez que o órgão fazendário não dispunha de elementos suficientes para aferir a exatidão do crédito apontado pelo contribuinte, que inclusive havia passado por um processo de cisão em julho de 1996, sem que se pudesse estabelecer a porcentagem do crédito que a empresa cindida teria direito. Também não foram apresentados os comprovantes dos valores retidos na fonte declarados na DIRPJ/96, DIRPJ/97 e DIRPJ/98 e as planilhas em que constassem a composição dos saldos credores de IRPJ e CSLL, acompanhadas dos comprovantes dos recolhimentos e compensações efetuadas, relativas àquelas declarações. Em face da decisão que homologou parcialmente a compensação, proferida em 06/05/2003, a ora embargante não apresentou qualquer recurso ou manifestação de inconformidade. Somente em 24/11/2005, a executada apresentou requerimento à Administração Tributária, no qual sustenta o encerramento indevido do Processo Administrativo n. 13804.003503/9829, uma vez que não apresentou os documentos solicitados porque não recebeu as respectivas intimações, que foram realizadas em endereço incorreto. Alegou que havia informado a alteração de seu endereço à Receita Federal, que não atualizou os seus cadastros, ensejando a nulidade da decisão proferida naquele procedimento administrativo. Tais alegações não foram acolhidas pela Receita Federal, que manteve a decisão anterior quanto à homologação parcial da restituição/compensação pleiteada. Destaquese que, ainda que não se discuta essa questão nestes autos, eis que nada foi alegado pela executada/embargante nesse sentido, não merece reparos a conduta do órgão fazendário, considerando que o contribuinte não manteve atualizados os seus dados cadastrais, deixando de informar na época própria a incorporação da Grace Brasil S/A (CNPJ 43.249.408/000104) pela Grace Brasil Ltda. (CNPJ 00.981.451/000157). Assim, concluise que a executada/embargante não instruiu corretamente o seu pedido de restituição/compensação e tampouco supriu essas deficiências quando lhe foi oportunizado, não se constatando, portanto, qualquer irregularidade no procedimento administrativo em questão. Destarte, a embargante não logrou demonstrar a extinção dos créditos tributários pela compensação realizada na esfera administrativa, devendo subsistir as certidões da Dívida ativa da União que embasam a execução fiscal em apenso, eis que vedada a possibilidade de realizar a compensação nestes autos, nos termos do já citado art. 16, 3º da Lei n. 6.830/1980. DISPOSITIVO. Ante o exposto, Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10855.002486/200374 Acórdão n.º 3403003.113 S3C4T3 Fl. 228 7 JULGO IMPROCEDENTE o pedido dos embargos, com resolução do mérito, nos termos do art. 269, inciso I do Código de Processo Civil. A embargante arcará com o pagamento das custas devidas na execução e da verba honorária advocatícia, esta incluída no valor do débito exeqüendo (Súmula 168 do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR). Determino o traslado de cópia desta sentença para os autos da Execução Fiscal n. 000389574.2005.403.6110, em apenso. Após o trânsito em julgado, desapensemse e arquivemse estes autos independentemente de nova deliberação, prosseguindose na execução. Publiquese. Registrese. Intimese. Disponibilização D.Eletrônico de sentença em 06/12/2011 ,pag 283/305” (grifo nosso) Não há, no caso, concomitância, porque nos presentes autos não se discute o direito creditório, como se discutia no processo administrativo no 13804.003503/9829, findo. Em síntese, além de não ter sido comprovado o pagamento indicado nas DCTF apresentadas pela empresa, as compensações (que, destaquese, sequer constam nas DCTF) não foram homologadas, por ausência de direito creditório da recorrente, matéria definitivamente apreciada na via administrativa. E os débitos discutidos no presente processo não constam como inscritos em dívida ativa, nem estão relacionados na Carta Cobrança de fls 100/101. Ademais, a própria unidade local informa (fl. 82) que: “Os seguintes valores, anteriormente controlados no processo 10855.000498/200101, foram excluídos do Profisc, para evitar cobrança em duplicidade com o Auto de Infração impugnado através do processo 10855.002486/200374: Tributo PA Vencimento Valor IPI 12/1998 30/12/1998 RS 17.000,00 IPI 12/1998 08/01/1999 R$25.000,00” Assim, são efetivamente devidos os montantes (principais) de R$ 17.000,00 e R$ 25.000,00, devendo ser mantida a decisão de piso, inclusive no que se refere à aplicação da Taxa SELIC (matéria já sumulada no âmbito deste CARF Súmula no 4). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000174/2004-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade no dispositivo do acórdão embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, mantendo, contudo, o provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente momentaneamente a conselheira Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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OBSCURIDADE. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade no dispositivo do acórdão embargado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, mantendo, contudo, o provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente momentaneamente a conselheira Fábia Regina Freitas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 01 74 /2 00 4- 88 Fl. 946DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 330100.425, proferido por esta Turma Ordinária, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do interessado. Segundo a embargante, o dispositivo do resultado do acórdão embargado está obscuro, em relação às matérias apreciadas e julgadas, conforme se verifica do seu conteúdo, transcrito a seguir: “Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte por unanimidade em relação ao cerceamento de defesa. Recurso provido por unanimidade em relação ao frete integrado ao custo do produto. Gera direito ao crédito. Recurso provido, por maioria em relação, aos produtos destinados a Zona Franca de Manaus. Vencidos os conselheiros Mauricio Taveira e Silva e Rodrigo da Costa Possas. Designado o redator do voto vencedor, neste quesito, o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Negado provimento por unanimidade em relação ao direito ao crédito em relação aos produtos adquiridos de pessoa física. Vedado o seu aproveitamento por expressa disposição legal. Negado provimento ao recurso, pelo voto de qualidade do presidente, em relação ao aproveitamento do crédito referente aos descontos incondicionais. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Tereza Martinez Lopez.” Assim, requereu a sua retificação a fim de esclarecer os pontos nos quais a União e o interessado foram sucumbentes. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Os embargos de declaração interpostos atendem aos requisitos de admissibilidade. Assim, deles conheço. O resultado do acórdão embargado realmente contém obscuridades que prejudicam o seu entendimento. As matérias, em discussão, decididas nos votos vencidos e vencedor foram: a) exclusão das receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus da base de cálculo da contribuição; b) exclusão dos descontos/abatimentos concedidos da base de cálculo da contribuição; c) glosas de créditos apurados sobre custos/despesas com: c.1) aquisições de peças, máquinas e material de transporte; c.2) insumos comercializados e aquisições de pessoas físicas e cooperativas; c.3) serviços de manutenção do ativo imobilizado (máquinas, veículos, geradores, serviços de pintura, etc.), c.4) serviços prestados por pessoas físicas, tratamento de esgotos industriais, gráfica, cópias, e dedetização; f) restrição do crédito apenas aos encargos de depreciação do ativo imobilizado; g) glosa de crédito sobre depreciação Fl. 947DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.000174/200488 Acórdão n.º 3301002.217 S3C3T1 Fl. 947 3 de reavaliação de bens do ativo permanente; h) glosas de créditos sobre fretes de transferência de matérias primas, material de embalagem e serviços, entre filiais ou parceiros integrados, bem como sobe vendas para o exterior; i) glosas sobre despesas financeiras (variação cambial e juros); e, j) glosas de crédito presumido do estoque referente às matérias primas importadas, às compras de pessoas física, aos gastos gerais de fabricação (mão de obra, depreciação, à luz, à água, etc.). No voto vencido, o relator deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reconhecer o direito de o interessado apurar créditos sobre os custos/despesas incorridos com “serviços de fretes, prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados (criadores de aves e suínos) e as filiais do contribuinte, os quais compõem o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3°, II, das Leis n° 10.637/02, e n° 10.833/03, o que não se confunde com atividades de transporte do produto acabado entre estabelecimentos. Devem, ainda, ser homologadas as compensações efetuadas nestes autos, até o limite do crédito ora reconhecido. No mais, mantémse a decisão recorrida”, no que foi acompanhado, por unanimidade de votos do Colegiado. Já no voto vencedor, a matéria se restringiu apenas à exclusão da base de cálculo do PIS das receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. O redator designado reconheceu o direito de o interessado excluir tais receitas da base de cálculo dessa contribuição, em relação às receitas decorrentes de vendas realizadas a partir de 22 de dezembro de 2000, sendo acompanhado pela maioria do Colegiado, vencidos os conselheiros Maurício Taveira e Silva (relator) e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Assim, quanto às demais matérias suscitadas no recurso voluntário, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso, sendo que, em relação aos descontos, o improvimento foi pelo voto de qualidade, vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Dessa forma devem ser retificadas as ementas do acórdão e seu dispositivo, e resultado, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há prejuízo à defesa quando as razões de decidir o direito creditório e a homologação das compensações no Despacho Decisório encontramse em Relatório de Atividade Fiscal único, do qual a interessada teve ciência com a antecedência devida. ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas a partir de 22 de dezembro de 2000, estão isentas da contribuição para o PIS. INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei n° 10.637/02 e normatizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5 0, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS nãocumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A Lei n° 10.637/02 que instituiu o PIS nãocumulativo, em seu art. 3°, § 3°, inciso I, de modo expresso, como regra geral, vedou o aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas. FRETE. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS não cumulativo o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda, bem assim o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de o contribuinte: i) excluir da base de cálculo do PIS não cumulativo as receitas de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus; e, ii) aproveitar créditos desta contribuição sobre os custos/despesas incorridos com: serviços de fretes, prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sobre transferências de matérias primas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados (criadores de aves e suínos) e as filiais do contribuinte, os quais compõe o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3°, II, das Leis n° 10.637/02, e n° 10.833/03, o que não se confunde com atividades de transporte do produto acabado entre estabelecimentos. Em relação à exclusão das receitas de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus da base de cálculo da contribuição, foram vencidos os conselheiros Maurício Taveira e Silva (Relator) e Rodrigo da Costa Possas. O conselheiro José Adão Vitorino de Morais foi designado para redigir o voto vencedor, neste quesito. Já em relação exclusão dos descontos da base de cálculo da contribuição, o improvimento foi pelo voto de qualidade, vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Francisco Maurício Rabelo Albuquerque e Maria Teresa Martinez López. Em face do exposto, acolho os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar as ementas do acórdão embargado, seu dispositivo e resultado, nos termos em que foram reproduzidos, anteriormente, neste voto, mantendo o provimento parcial do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 949DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.000174/200488 Acórdão n.º 3301002.217 S3C3T1 Fl. 948 5 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 950DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10073.902061/2009-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 122 1 121 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902061/200950 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.119 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003: COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 61 /2 00 9- 50 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902061/200950 Acórdão n.º 3802003.119 S3TE02 Fl. 123 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902061/200950 Acórdão n.º 3802003.119 S3TE02 Fl. 124 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907385/2011-80
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 85 /2 01 1- 80 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 56 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 65), interpondo recurso tempestivo em 11/11/2013 (fls. 56). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907385/201180 Acórdão n.º 3802002.905 S3TE02 Fl. 68 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723543/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
PRAZO.
Perda de prazo para impugnar Auto de Infração implica em não instaurar o contencioso administrativo. Implica ainda em trânsito em julgado. impugnação
Para perda de prazo não há remédio recursal, não podendo Recurso Voluntário querer que autoridade julgadora ad quem modifique o que já é coisa julgada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-003.975
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 PRAZO. Perda de prazo para impugnar Auto de Infração implica em não instaurar o contencioso administrativo. Implica ainda em trânsito em julgado. impugnação Para perda de prazo não há remédio recursal, não podendo Recurso Voluntário querer que autoridade julgadora ad quem modifique o que já é coisa julgada. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Corrêa - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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Perda de prazo para impugnar Auto de Infração implica em não instaurar o contencioso administrativo. Implica ainda em trânsito em julgado. impugnação Para perda de prazo não há remédio recursal, não podendo Recurso Voluntário querer que autoridade julgadora ‘ad quem’ modifique o que já é coisa julgada. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 35 43 /2 00 9- 19 Fl. 4064DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Relatório Auto de Infração Obrigação Principal lançado em desfavor da Recorrente, segundo o Relatório Fiscal está constituído de 6 (seis) levantamentos, separados por fatos geradores distintos, quais sejam: · COP – Contribuição patronal de 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço de cooperados prestados por intermédio da Cooperativa de Trabalho Médico UNIMED Salvador, não declarado em GFIP. O Contribuinte e responsável é a empresa tomadora, contratante do serviço, no caso a COMAP. Como não foram apresentados à fiscalização o contratos de prestação de serviço celebrado entre a UNIMED e a COMAP, nem as notas fiscais/faturas correspondentes, tampouco foram prestados os esclarecimentos solicitados através do TIF nº 01, o levantamento foi apurado com base nos valores pagos à UNIMED, constantes da DIRF, ano calendário 2005. · EDJ – Contribuição patronal Empresa e SAT (20% + 1%) incidentes sobre a remuneração paga a Empregados, não declaradas em GFIP, apuradas com base na análise e confrontação das GFIP do ano de 2005 com a DIPJ ano calendário 2005 Despesas Operacionais – ordenados, salários, gratificações e outras remunerações; · FPE – Contribuição patronal Empresa e Sat (20% + 1%) incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, não declarada em GFIP, apuradas nas folhas de pagamento; · TCC Contribuição patronal Empresa (20%) incidente sobre a remuneração paga aos cooperativados por serviço prestado à própria Cooperativa, apurada através do cruzamento dos dados da DIRF ano calendário 2005 com os da GFIP ano 2005; · TDI – Contribuição patronal empresa (20%) incidente sobre a remuneração paga a Contribuintes individuais, não declarada em GFIP, apurada através do cruzamento dos dados da DIRF ano calendário 2005 com os dados da GFIP do ano de 2005; · TDJ – Contribuição patronal empresa (20%) incidente sobre a remuneração paga a Contribuintes individuais, não declarada em GFIP, apurada através do cruzamento da DIRF ano calendário 2005 com a GFIP/2005. A ciência da autuação se deu por via postal, em 04.11.2009 (quartafeira), sendo que o prazo de impugnação, 30 (trinta) dias a contar da ciência da autuação, teve início em 05/11/2009 expirando em 04.12.2009 (sextafeira). Fl. 4065DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10530.723543/200919 Acórdão n.º 2301003.975 S2C3T1 Fl. 7 3 Entretanto, a Recorrente só veio a apresentar impugnação em 29/12/2009 protocolada junto a Agência da Receita Federal de Santo Amaro, de forma intempestiva e sem argüição de tempestividade. Decisão de piso reconheceu a intempestividade da impugnação. Noticiada da decisão singular, aviou o Recurso Voluntário. É a síntese. Fl. 4066DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário não acode as exigências dos pressupostos intrínseco e extrínseco processuais, eis que há coisa julgada por apresentar impugnação intempestiva. O fato é que A Recorrente não aviou a impugnação tempestivamente, eis que foi cientificada por via postal com aviso de recebimento em 03/11/2009 (fls. 399 e 400) e apresentou impugnação em 29/12/2009 (fl. 407), ou seja, após o prazo de 30 dias para impugnação. Como dito pela decisão de piso, reportandose ao prazo para impugnação, conforme disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, é de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ‘ verbis’: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Desta forma, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo. Não acode os pressupostos processuais o presente recurso aviado. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso Voluntário aviado NÃO SE encontra em consonância com a legislação processual administrativa, razão pela qual dele NÃO conheço. É o voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 4067DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10530.723543/200919 Acórdão n.º 2301003.975 S2C3T1 Fl. 8 5 Fl. 4068DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000427/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que seja procedido ao desmembramento do débito, frente à desistência parcial do recurso interposto.
,
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que seja procedido ao desmembramento do débito, frente à desistência parcial do recurso interposto. , Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que seja procedido ao desmembramento do débito, frente à desistência parcial do recurso interposto. , Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 40 .0 00 42 7/ 20 07 -4 2 Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13840.000427/200742 Resolução nº 2302000.316 S2C3T2 Fl. 673 2 Relatório e Voto A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 30/08/2007, vem substituir a de n.º DEBCAD 35.646.4288, emitida em 12/07/2004 e anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS , através do Acórdão n.º 1549/2006, por vício formal, uma vez que não constou da mesma a fundamentação legal que deu suporte a aferição indireta. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 197/231, o crédito lançado corresponde às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa, no período de 01/1994 a 05/2004. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1.732/1.742, julgou o lançamento procedente em parte para excluir as competências até 11/1998, frente a fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: o cerceamento de defesa, porque não está apontada a base legal da substituição, quais foram os vícios formais da notificação anterior, a origem e a natureza da contribuição; o auditor deveria descrever com clareza a infração cometida; que o valor da nova NFLD difere em R$ 150,05, o que importa em nova exação e que não está descrita no Relatório Fiscal; que embora com base na mesma documentação, temse uma nova autuação fiscal; que não é admitida revisão do lançamento quando for erro de direito; que saques de contas bancárias não podem ser computados como prolabore e que não é razoável o valor de prolabore imputado; que saque bancário não é fato gerador de contribuição previdenciária que a fiscalização anterior da Receita Federal já tinha tributado tais valores como omissão de receita, não cabendo agora outro lançamento pela Previdência dizendo que é prolabore, com base em indícios de folhas de pagamento manuscritas; que o fisco não trouxe exemplo de escrituração de Caixa 2; que pagamentos de despesas diversas não tem natureza de remuneração; que os gastos são de interesse da empresa e não dos sócios; que adiantamentos não podem ser tomados como remuneração; argúi a decadência no 150§4º, do CTN; inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91; Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13840.000427/200742 Resolução nº 2302000.316 S2C3T2 Fl. 674 3 que o lançamento é nulo porque foram tomados como se por empregados, os serviços prestados por autônomos sem qualquer justificativa. Requer que o débito seja declarado nulo. Os autos vieram à segunda instância e posteriormente, o contribuinte apresentou requerimento de fls. 1834/1846, com desistência parcial do recurso, porque aderiu ao Parcelamento Especial da Lei n.º 11.941/2009. O processo, então, foi devolvido à origem, frente à desistência do recurso, para que fosse efetuado o desmembramento do débito, separando a parte contestada da não contestada, a fim de possibilitar o prosseguimento do contencioso administrativo. Entretanto, às fls.1879/1886, despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, retorna novamente ao CARF, sem proceder ao desmembramento com a justificativa de que apesar do contribuinte manifestar a vontade de parcelar apenas parte do débito, devido a problemas no sistema informatizado, quando da consolidação do parcelamento, foi tomado o valor total da notificação em questão e as parcelas foram sendo pagas. O contribuinte, através de Mandado de Segurança interposto, insurgiuse contra a continuidade desses recolhimentos, sob a alegação de que a parte não contestada já se encontrava liquidada. Ainda de acordo com informação da SECAT, como o valor consolidado do débito confessado é de R$ 648.457,73 (seiscentos e quarenta e oito mil quatrocentos e cinquenta e sete reais e setenta e três centavos) e que o valor amortizado até 31/07/2013 é de R$ 776.115,68 (setecentos e setenta e seis mil cento e quinze reais e sessenta e oito centavos), em tese, a parte do débito não contestada já se encontra liquidada pelas parcelas pagas. Por isso, nas informações que foram prestadas em juízo, a Receita Federal se manifestou favoravelmente ao pleito do contribuinte em suspender os recolhimentos do parcelamento até que o sistema disponibilize funcionalidade que permita a revisão do débito e a nova consolidação. E, nesta esteira de raciocínio, ressaltou que caso o recurso não seja provido, não será possível a reinclusão do saldo futuramente excluído nos moldes do parcelamento originariamente concedido. Assim, entende “ser dispensável o aguardo da disponibilidade no sistema PAEX para o desmembramento do débito, haja vista a parte não contestada já estar totalmente liquidada e, caso provido o recurso interposto, bastará revisar o débito para excluir a parte contestada.” Analisando os autos e o recurso interposto, é de se ver que a recorrente em suas razões, insurgese contra todos os levantamentos constantes da notificação e posteriormente apresenta desistência parcial desse recurso, frente ao parcelamento de valores que entendeu incontestáveis. Não vejo como prosseguir com o contencioso administrativo sem o pertinente desmembramento dos valores contestados daqueles não contestados, mesmo que estes últimos já tenham sido efetivamente quitados. Não é possível que esta relatora responda as argüições da recorrente, com base na peça recursal apresentada, mas posteriormente abandonada, ainda Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13840.000427/200742 Resolução nº 2302000.316 S2C3T2 Fl. 675 4 que de forma parcial. É mister para o julgamento de recurso voluntário que se tenha evidenciado sobre o que o recorrente está se insurgindo. Ademais, a alegação por parte da Receita Federal do Brasil, que em se procedendo ao desmembramento do débito, caso o recurso não tenha provimento por parte deste Colegiado, restará impossibilitado o cadastramento de parcelamento, nos moldes como originariamente concedido, não é motivo para evitar o desmembramento, até porque, é faculdade do contribuinte desistir de discutir o crédito existente na via administrativa para incluílo em parcelamento, se assim não o fez para a totalidade do débito lançado, deverá se sujeitar às normas vigentes à época da consolidação de novo parcelamento, se for o caso. Pelo exposto, Voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à primeira instância para ser promovido o respectivo desmembramento do débito, a fim de dar continuidade ao contencioso administrativo para a parte contestada pelo recorrente. Do resultado da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, com abertura de prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10860.901136/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não há que se conhecer do recurso voluntário diante da apresentação de pedido de desistência, por perda do objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3401-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso.
(assinatura digital)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinatura digital)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. Não há que se conhecer do recurso voluntário diante da apresentação de pedido de desistência, por perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. Não há que se conhecer do recurso voluntário diante da apresentação de pedido de desistência, por perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 11 36 /2 00 8- 28 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte DUBUIT COLOR TINTAS E VERNIZES LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), que, por unanimidade de votos, julgou pelo indeferimento da solicitação. Cingese a controvérsia em Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. Em oportunidade anterior, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela recorrente ao recolher a contribuição, levando em conta a escritura contábil e fiscal e as obrigações acessórias como DIPJ e DCTF. Por oportuno, transcrevo o relatório da resolução que converteu o julgamento em diligência (ff. 144/153), verbis: “Em 30.11.04, a contribuinte Dubuit Paint Tintas e Vernizes Ltda. (CNPJ 61.520.045/000181) transmitiu via internet Declaração de Compensação de PIS no montante de R$ 5.028,01 , referente ao período de apuração de 30.9.01. Em 16.6.08, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté emitiu Despacho Decisório no qual não homologou a compensação declarada. Segundo o despacho, o DARF apresentado pela contribuinte foi localizado, mas seu valor foi inteiramente utilizado para quitar os débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em 18.7.08, a contribuinte protocolou complementação de suas razões de inconformidade, apontando que realizou vendas para a Zona Franca de Manaus, as quais são isentas da incidência de PIS, pois são equiparadas à exportação. Pelo fato de terem sido tributadas sem que essas vendas tivessem sido excluídas da base de cálculo, a contribuinte tem direito à compensação do que foi pago a maior. Em sessão de 16.8.10, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP acordou, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade. Segundo o voto: a) a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informado pela própria contribuinte; b) a contribuinte não juntou qualquer documento da ação judicial, não demonstrou qual seria a base de cálculo entendida como inconstitucional, e qual seria a base de cálculo correta. Ademais, não informou o valor da contribuição devida em contrapartida do valor recolhido, não juntou cópia dos documentos da referida ação judicial, como certidão de objeto e pé, cópia da sentença que lhe garantiu o direito e, por fim, não demonstrou que procedeu ao pedido de habilitação ao crédito oriundo de ação judicial, exigência prescrita na legislação que trata de crédito oriundo de decisão judicial; c) em Solução de Divergência Cosit nº 7, de 2006, que discute se as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus teriam o mesmo Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10860.901136/200828 Acórdão n.º 3401002.600 S3C4T1 Fl. 216 3 tratamento fiscal dado às exportações, foi concluído que estão isentas apenas as receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da MP nº 2.15835/01, abaixo transcritos: “IV) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VIII) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor ás empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, destinada ao fim especifico de exportação; e IX) receitas de vendas efetuadas com fim especifico de exportação para o exterior, ás empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior” d) apenas a partir de 26.7.04, com a edição da MP nº 202, convertida na Lei nº 10.996/04, as alíquotas de PIS e COFINS sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou a industrialização na Zona Franca de Manaus, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, foram reduzidas a zero; Em 11.10.10, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário no qual alegou, em síntese, que: a) a decisão não levou em conta os valores declarados na DIPJ dos respectivos períodos base, todos estes informados pela contribuinte acerca do valor da receita bruta no período. Não se pode deixar de considerar a legitimidade do indébito apenas pelo fato de não ter retificado as declarações anteriores; b) reitera os argumentos de que as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus seriam equiparadas à exportação e, por isso, seriam isentas de PIS e COFINS. Transcreve jurisprudência sobre o assunto. É o relatório.” Em atendimento à diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP apresentou informação fiscal (ff. 161/205). A contribuinte tomou ciência da informação fiscal (f. 209), em seguida apresentou pedido de desistência do recurso voluntário (f. 211). Após a manifestação da contribuinte, os autos regressaram a este Conselho para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório Voto Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo peticionou pedido de desistência para fins de adesão ao parcelamento estabelecido na Lei nº 11.941/2009 e Lei 12.865/2013 (f. 2011), nos seguintes termos: “...vem respeitosamente, a presença se Vossa Senhoria, em cumprimento ao disposto no art. 14 da aludida Portaria Conjunta nº 07/2013, para desistir expressamente e em caráter irrevogável das defesas e recursos apresentados no presente feito, bem como renunciar ao direito sobre o qual se fundamentam os mesmos para que possa realizar o parcelamento de todos os débitos em aberto até a competência de 11/2008 nos termos das Leis 11.941/2009 e 12.865/13 (regulamento pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07/2013)”. Assim, não há qualquer lide a ser dirimida, razão pela qual não conheço do recurso voluntário do contribuinte. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10783.916737/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 16 73 7/ 20 09 -8 6 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 158 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.78/81 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 65/69) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 23/12/2008, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 28605.48213.231208.1.3.047708 (efls. 57/62), informando compensação tributária: débitos informados no valor de R$ 5.192,68 assim discriminados: a) – CSRF, código de receita 5952, período de apuração 1ª quinzena/dezembro/2008, data de vencimento 30/12/2008, valor R$ 345,45; b) – PIS/PASEP, código de receita 8109, PA novembro/2008, data de vencimento 24/12/2008, valor R$ 863,21. c) – Cofins, código de receita 2172, PA novembro/2008, data de vencimento 24/12/2008, valor R$ 3.984,02. crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 4.880,80: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/03/2008 (1º trimestre/2008/3ª cota), código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 30/06/2008, valor R$ 52.726,96. Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 05, pela DRF/Vitória, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 52.726,96. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitagão de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 159 3 (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 20/10/2009 (efl. 63), a Contribuinte, em 17/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/04), juntando ainda documentos de efls. 05/62, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou pagamento do IRPJ/3ª cota, no valor de R$ 52.726,96, do PA 31/03/2008 (1º trimestre/2008), data de recolhimento 30/06/2008, código de receita 2089; que em 06/10/2008 confessou na DCTF débito do IRPJ/1º trimestre/2008, no valor de R$ 155.261,95 (efls. 39/45); que o pagamento restou totalmente vinculado ao débito confessado na referida DCTF primitiva; que, em 15/07/2009, transmitiu a DIPJ 2009, anocalendário 2008, com IRPJ a pagar/1º trimestre, no valor de R$ 8.309,76, e não R$ 155.261,95 (efls. 46/52); que em 23/10/2009 transmitiu a DCTF retificadora do 1º trimestre/2008, reduzindo o IRPJ a pagar de R$ 155.261,95 para R$ 8.309,76, ajustando o valor em conformidade com a DIPJ (efls. 53/56); que, destarte, houve pagamento indevido do IRPJ/3º cota do 1º trimestre/2008; que o crédito pleiteado, por conseguinte, existe. Em relação ao débito CSRF, código de receita 5952, período de apuração 1ª quinzena/dezembro/2008, data de vencimento 30/12/2008, valor R$ 345,45, a Contribuinte alegou que, conforme MP 449, de 03/12/2008, para o perído 04/12/2008 a 27/05/2009, estava vedada a compensação de débitos inferiores a R$ 500,00. Por isso, pediu a exclusão desse débito da DCOMP. Por fim, com base nessas razões, a Contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado e a extinção dos demais débitos pela homologação da compensação. A 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, não acatando a DCTF retificadora que reduziu o débito confessado na DCTF primitiva, julgou a manifestação de inconformidade improcedente (não reconheceu o crédito pleiteado e ainda manteve a exigência de todos os débitos confessados na DCOMP), conforme Acórdão, de 18/08/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 65), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 160 4 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR NÃO COMPROVADO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não tendo sido demonstrada pelo interessado a causa do erro do débito confessado na DCTF, nem tampouco comprovado, com documentação hábil e idônea, o verdadeiro valor do tributo devido, deixase de reconhecer a existência de qualquer direito creditório decorrente do alegado pagamento indevido ou a maior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS VALORES DOS DÉBITOS APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração dos débitos informados na Declaração de Compensação somente poderá ser efetuada pelo sujeito passivo, caso a referida declaração ainda se encontre pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 17/10/2011 (efl. 77), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/11/2011 (efls. 78/81), juntando ainda os documentos de e fls.82/152, aduzindo as sequintes razões: que houve erro de fato na apuração do débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva: que foi calculado o IRPJ com coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre a receita bruta de serviços em geral, quando o correto seria aplicação do coeficiente de 8%; que para comprovar a base tributável – receita bruta – juntou: a) cópia do livro Diário e Livro de Registro de Prestação de Serviços (ISS), onde consta registrado o balancete acumulado de janeiromarço/2008, receita bruta de prestação de serviços de R$ 2.551,905,17 (efls. 115/120); que, porém, a base de cálculo seria de apenas R$ 2.487.417,35; que a diferença de R$ 64.487,82 seria decorrente: (a1) R$ 56.170,39 – NF nº 7987, de 14/01/2008, cujo valor foi recebido em 20/11/2007 – cópia do livro Razão (efl. 124); (a2) R$ 8.317,43 – NF nº 8046, de 15/02/2008, cujo valor foi recebido em 20/12/2007 – cópia do livro Razão (efl. 125) (a3)) que esses valores excluídos da base de cálculo do IRPJ/1º trimestre/2008 foram oferecidos à tributação do imposto 4º trimestre/2007 – planilha (efl.128) e cópia do Razão (efls. 126/129); b) planilha de cálculo do IRPJ com coeficiente de 32% e 8% (efl. 121); Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 161 5 c) constituição de Provisão do IRPJ – 1º trimestre/2008, no valor de R$ 46.144,36 em face da aplicação do coeficiente de 8%, conforme cópia do livro Diário (efl. 122); d) IRRF de R$ 35.263,88 Serv. Pessoas Jurídicas e R$ 2.570,73 – Órgãos Públicos, conforme cópia Balancete Analítico (efl.123). Ainda, pediu a exclusão do débito CSRF da DCOMP, por ser inferior a R$ 500,00. Por fim, antes essas razões, a Recorrente pediu o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a extinção dos débitos pela homologação da compensação. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 162 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Logo, dele conheço. Os autos tratam de processo de compensação tributária. A questão central é apurar se o direito creditório pleiteado tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN, para quitação dos débitos informados/confessados na DCOMP objeto dos autos. A propósito, transcrevo o disposto no art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (grifei) No mesmo sentido dispõe o art. 268 do Decreto nº 7212, de 15/06/2010: Art.268.O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais(Lei nº 5.172, de 1966, art. 170,Lei nº 9.430, de 1996, art. 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de 2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o). §1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados(Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º,e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). §2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, eLei nº 10.637, de 2002, art. 49). No caso, a Recorrente busca o reconhecimento do direito creditório relativo ao PA 31/03/2008 (1º trimestre/2008), uma vez que teria pago a maior o IRPJ relativo a esse período de apuração, no regime do Lucro Presumido. Para a Contribuinte, o imposto a pagar do 1º trimestre/2008 seria de R$ 8.309,76, cujo débito já foi extinto quando do pagamento da 1ª cota. Porém, efetuou ainda recolhimento do IRPJ em DARF – 3ª cota/1º trimestre/2008 no valor de R$ 52.726,96; que esse recolhimento foi totalmente indevido. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 163 7 Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, denegou o direito creditório pleiteado por inexistência do crédito pleiteado, pois a Recorrente: a) confessara na DCTF imposto a pagar do PA – 1º trimestre/2008 no valor de R$ 155.261,95 (crédito alegado inexistente, ou seja, valor do pagamento restou consumido integralmente pelo débito confessado); b) além disso, transmitira, eletronicamente, a DCTF retificadora, reduzindo imposto do PA – 1º trimestre/2008 de R$ 155.261,95 para R$ 8.309,76 somente após ciência do despacho decisório, ou seja, após intimação para recolhimento dos débitos confessados na DCOMP, a qual restou não homologada por inexistência do direito creditório alegado; c) ademais, não comprovou eventual erro de fato que pudesse justificar a redução do imposto pela DCTF retificadora, uma vez que não juntou cópia dos livros contábeis e fiscais de sua escrituração; que, após intimação fiscal para recolhimento dos débitos, a apresentação de DCTF retificadora por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo que denegou o direito creditório, alegando: a) que ocorreu erro de fato em relação ao débito do imposto confessado na DCTF primitiva, relativo ao PA – 1º trimestre/2008, pois confessara o imposto pagar na DCTF primitiva pela aplicação de coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre as receitas de prestação de serviços, quando o correto é apuração do imposto com coeficiente de presunção do lucro de 8%, conforme DIPJ respectiva; b) que a DCTF retificadora foi apresentada em conformidade com a DIPJ; c) que, para comprovar o alegado erro de fato, juntou cópia dos livros de sua escrituração contábil/fiscal. Compulsando os autos, observase que a Recorrente, em momento algum, justificou a razão pela qual busca, pretende, a aplicação do coeficiente de 8% para as receitas de prestação de serviços, e não 32%. Sem comprovação do alegado erro de fato não há como admitir como válida a DCTF retificadora. Em regra, no regime de apuração do Lucro Presumido para a prestação de serviços a legislação tributária do IRPJ e da CSLL impõem a aplicação do coeficiente de 32% e 12%, respectivamente. Nesse sentido, transcrevo o art. 15 da Lei nº 9.249/1995, com redação atualizada pela legislação posterior, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 164 8 I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere oinciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Frisese que a Lei nº 11.727 (art. 29), de 23/06/2008, que deu nova redação à alínea “a” do inciso III § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, permite a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% para serviços hospitalares e atividades inerentes, in verbis: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; ..................................................................” (NR) Desde antes da edição dessa Lei nº 11.727/2008 (art. 29), a jurisprudência do STJ e administrativa deste CAF já admitiam a aplicação de coeficientes de presunção do lucro reduzidos a essas atividades elencadas, desde que fossem comprovadas a exploração de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 165 9 atividade organizada sob a forma de sociedade empresária e com observância de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Entretanto, a Recorrente, em momento algum nos presentes autos, fez alusão que as receitas de prestação de serviços do anocalendário 2008 decorreram de prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas. Compulsando os atos constitutivos da pessoa jurídica (Recorrente) – 8ª Alteração Contratual – Consolidação do Contrato Social, de 27/10/2008 (Cláusula Terceira) (e fls. 08/20), observa que ela tem o seguinte objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA: A Sociedade tem por Objeto Social: A Prestação de Serviços Médicos Hospitalares, principalmente na especialização em Oncologia Clinica e Cirúrgica, e Quimioterapia, para Apoio ao Diagnóstico e Terapia de seus pacientes, tendo como responsável técnico perante aos órgãos de saúde o médico ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA; O direito creditório pleiteado é anterior a essa Alteração Contratual nº 08, de 27/10/2008. Logo, quanto as receitas de serviços dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do ano calendário 2008, a Contribuinte não comprou nos autos que elas decorreram de prestação de serviços hospitalares e inerentes, ou se decorreram de serviços de meras consultas médicas. Inclusive não consta dos autos que no anocalendário 2008 a Recorrente, desde o início do ano, já estaria organizada sob a forma de sociedade empresária e que atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Há dúvida plausível e insuperável, por conseguinte, se a Recorrente faz jus, ou não, à apuração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2008, com coeficientes reduzidos de presunção do lucro para essas exações fiscais, respectivamente. Nessa situação dos autos, está prejudicada a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como visto, para formação da convicção do julgador, e de acordo com o princípio da verdade material, tornase necessário a realização de instrução processual complementar, para complementação das provas pela Recorrente quanto ao direito creditório pleiteado, relativo ao PA – 1º trimestre/2008 – pagamento da 3ª cota (30/06/2008). Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Vitória para que a fiscalização: a) intime a Recorrente a comprovar a natureza da receitas de prestação de serviços, se decorreram de prestação de serviços hospitalares de que trata o art. 29 da Lei nº 11.727/2008 ou se decorreram de consultas médicas; b) intime a Recorrente a comprovar para comprovar se, desde o início do ano calendário 2008, estava organizada sob a forma de sociedade empresária e se atendia às normas Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916737/200986 Resolução nº 1802000.525 S1TE02 Fl. 166 10 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (juntar cópia de contrato social abarcando todo o anocalendário 2008 e documentos emitidos pela Anvisa que autorizaram o funcionamento do estabelecimento da Recorrente para todo o período do anocalendário 2008); c) intimar a Recorrente para à luz da legislação de regência e da escrituração contábil e fiscal a comprovar o direito creditório pleiteado; d) intimar a Recorrrente a comprovar o valor exato dos débitos objeto da DCOMP; e) elabore, ao final da diligência fiscal, relatório minucioso, circunstânciado, conclusivo, se a Recorrente nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos, demonstrando o valor do crédito apurado, caso reste comprovado que as receitas decorreram de prestação de serviços hospitalares (Obs: as receitas de consultas médicas e outras fontes não implicam apuração do IRPJ e CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos), e se disponível para utilização para a compensação dos débitos confessados na DCOMP; f) intime a Recorrente do resultado da diligência para, em querendo, apresentar razões, abrindo prazo de trinta dias a partir da ciência. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10293.720141/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do inciso I do §1º do art. 44 da Lei nº 9430 de 1996, por expressa determinação legal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM.
Comprovada a origem de parte dos depósitos bancários, deve ser afastada a presunção do art. 42 da lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2201-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 302.025,02.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 18/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do inciso I do §1º do art. 44 da Lei nº 9430 de 1996, por expressa determinação legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM. Comprovada a origem de parte dos depósitos bancários, deve ser afastada a presunção do art. 42 da lei nº 9.430/1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 302.025,02. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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VIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do inciso I do §1º do art. 44 da Lei nº 9430 de 1996, por expressa determinação legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM. Comprovada a origem de parte dos depósitos bancários, deve ser afastada a presunção do art. 42 da lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 01 41 /2 01 1- 19 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 302.025,02. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 85/94, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.000.983,31. A fiscalização apurou omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos meses de janeiro a dezembro de 2008. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) Que a conta corrente nº 050448, mantida na Agência 0772 do HSBC, embora em nome da impugnante, é utilizada exclusivamente para a movimentação financeira do Espólio de Mauro Moreira Braga, do qual é inventariante; b) que foi entregue à Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil os comprovantes da movimentação bancária, notas fiscais de frigoríficos onde caracteriza os depósitos da conta corrente do espólio referente à declaração anual de ajuste, onde esses valores já haviam sido tributados, para esclarecer que seus valores não são de sua propriedade, mesmo sendo de sua titularidade por decisão judicial, conforme Termo de Compromisso anexo; c) que isso fica claro pelo seu nome nas notas fiscais, nos contratos, junto a parceiros do espólio, como José Marcelo de Moura, Domício da Rocha Fernandes e Rubens Alves da Silva, valores que podem ser reconhecidos nos depósitos da conta corrente do espólio, que mesmo assim a Auditora novamente tributou esses valores considerando como se fossem seus, como omissão de receita por depósito bancário não justificado, descaracterizando totalmente a origem dos rendimentos; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10293.720141/201119 Acórdão n.º 2201002.418 S2C2T1 Fl. 3 3 d) que como essa movimentação não é de sua propriedade, os possíveis lucros ou prejuízos são creditados ao espólio que no momento correto foi devidamente apresentado, tributado e já pago, e não há que se cobrar de sua pessoa física o imposto referente a esta movimentação bancária, como ainda o atenuante de ser oriundo de Atividade Rural, o que levaria a outro tratamento fiscal, em conformidade com o art. 5º da Lei nº 8.023, de 1990, que orienta aplicar o percentual de 20% sobre a Receita Bruta, o que demonstrou falta de uma maior profundidade na análise da documentação apresentada; e) Afirma que não possui qualquer propriedade rural em seu nome, bem como qualquer bem vinculado à produção pecuária e até os valores movimentados em sua conta pessoal no HSBC, Agência 0772, c/c nº 0939710, são valores de origem de rendas do espólio, como demonstrado por documentação probatória de imóveis rurais pertencentes ao espólio; f) que fica convicta que a vasta documentação comprova a propriedade dos depósitos bancários, oriundos da Receita da Atividade Rural, que já foi apresentada à autoridade fiscal e já informado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física do espólio, que as provas documentais são reais, concluindo que é injusta a tributação dos valores pelo simples fato de terem sido depositados em conta corrente de sua titularidade; g) requereu o acolhimento da impugnação e a improcedência da ação fiscal. A 2ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou parcialmente procedente a Impugnação, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Impugnação Procedente em Parte Intimada da decisão de primeira instância em 31/07/2012 (fl. 211), Ussula de Oliveira Braga apresenta Recurso Voluntário em 29/08/2012 (fls. 214 e seguintes), portanto, Fl. 336DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 tempestivamente, sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: (...) Se o lançamento narra fatos que não digam respeito o contribuinte, o qual não tem relação pessoal e direta com o fato imponível, ele não é o sujeito passivo da obrigação tributária, não lhe sendo, pois, imputável a obrigação de pagar tributo. (...) Não obstante estaco ora sendo apresentadas provas hábeis e idôneas que dirimem qualquer questionamento. Provas estas, como declarações (em anexo) dos parceiros do Espólio reconhecendo que os valores foram negociados conforme demonstrado na impugnação, bem como também as notas fiscais constantes no relatório do frigorífico Agropastoril Estevam Ltda. emitidas no período de 01.01.08 a 31.12.08 em seu nome e dos parceiros, mesmo hoje não estando estas disponíveis por terem sido extraviadas, sua citação em documento formal da agropecuária prova sua existência bem como a verdade dos dados sobre elas informados e citados na impugnação, levando assim a exclusão desses valores da cobrança fiscal. (...) Fica aqui a convicção de que vasta documentação, comprova, evidentemente, a propriedade dos depósitos bancários, oriundos de Receita de Atividade Rural, o que já foi amplamente apresentado a autoridade fiscal e parte deste já informado na Declaração de Ajuste Anual Imposto de Renda Pessoa Física do Espólio. Lembrando da existência das provas que são reais e documentais. (...) É imperioso esclarecer que diante da documentação apresentada e já reconhecida pela autoridade fiscal na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio Branco e também pela 2a Turma da DRJ/BEL toda a movimentação financeira em contacorrente fica evidente que ocorreu pela Atividade Rural do Espolio do Sr. Mauro Moreira Braga, o que por si só já torna injusto o lançamento de 27,5 % em todo o montante e por isso deveria ter o tratamento fiscal em conformidade como art. 5o da Lei 8.023 de 1990 que orienta a Percentual de 20% Sobre Receita Bruta Escrituração Contábil. H1 DOS DEPÓSITOS EM CONTACORRENTE NÃO CARACTERIZAÇÃO DE RENDA VIOLAÇÃO DO ARTIGO 43 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: (...) Neste exemplo resta evidenciado que quem efetivamente paga pela mercadoria não é o titular da conta, servindo o cheque apenas como meio de circulação. Notese que o titular da conta corrente não teve acréscimo patrimonial ou disponibilidade do numerário. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10293.720141/201119 Acórdão n.º 2201002.418 S2C2T1 Fl. 4 5 (...) Observese que o próprio legislador definiu renda e os proventos como sendo espécies do gênero acréscimo patrimonial. Portanto, o que é tributável é o acréscimo patrimonial, assim entendido como a riqueza nova gerada. Pretender a tributação do depósito bancário (que como se demonstrou não é indicativo de acréscimo patrimonial) tão somente porque o contribuinte não logrou demonstrar documentalmente sua origem (ainda que os recursos movimentados constem na declaração do contribuinte) é confisco. (...) Em última análise, o contribuinte esta sendo penalizado por não manter contabilidade pessoal, QUANDO EM REALIDADE AS PESSOAS FÍSICAS NÃO TEM OBRIGAÇÃO LEGAL DE MANTER ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OU DE ARQUIVAR DOCUMENTOS PELO PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. (...) V Nulidade do lançamento inadmissível confusão, entre omissão de rendimentos e renda: Por último, se não bastassem os fundamentos já expostos, o lançamento tributário vergastado deve ser declarado nulo de pleno direito eis que, com base na odiosa presunção do artigo 42 da Lei n. 8.430/96, considerou todos os depósitos realizados em contacorrente do Contribuinte como receita omitida, para então considerálos renda e sujeitálos à exação. Ao assim proceder a Autoridade Fiscal confundiu os conceitos jurídicos de omissão de receitas do artigo 42 da Lei n. 8.430/96 com o de renda do artigo 43 do Código Tributário Nacional, isto porque, o fato gerador do IRPF é a renda disponível/consumida (...) V. Da inconstitucionalidade da multa imposta: (...) À Administração, portanto, compete demonstrar que os depósitos bancários questionados realmente constituem rendimentos tributáveis, como o exige o princípio da verdade material, entre nós plenamente adotado. (...) Depósitos bancários por si só não revelam a existência de rendimentos tributáveis. A presença dos depósitos bancários é um fato que em si mesmo não tem outra significação senão a de abrir ensanchas ao Fisco de averiguar se traduzem rendimentos tributáveis omitidos não revelam, contudo, rendimentos tributáveis. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 (...) Ante a jurisprudência iterativa do TFR editouse a Súmula 182, de 7.10.85, com referência expressa dos julgados transcritos, fixandose definitivamente que: É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Com visto do relatório, cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos meses de janeiro a dezembro de 2008. Em seu apelo, alega a recorrente que toda movimentação efetuada na conta da recorrente é procedente da atividade rural, razão pela qual deveria a fiscalização tributar em 20%, consoante determina art. 5o da Lei n° 8.023/1990. Assevera ainda que o Auto de Infração deve ser declarado nulo “... eis que, com base na odiosa presunção do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, considerou todos os depósitos realizados em contacorrente do Contribuinte como receita omitida, para então considerálos renda e sujeitálos à exação”. Por fim, alega que a multa imposta é inconstitucional. Pois bem, quanto à alegação de nulidade do lançamento, em razão da aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verifico, pois, que a matéria suscitada em preliminar se confunde com o mérito, portanto, com ele será tratada. No mérito, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 2002, assim dispõe, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10293.720141/201119 Acórdão n.º 2201002.418 S2C2T1 Fl. 5 7 Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional1. Portanto, diferentemente do que defende a contribuinte, na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não há qualquer violação ao art. 43 do CTN. Passando às questões pontuais de mérito, alega a recorrente que a vasta documentação apresentada comprova que os depósitos bancários são oriundos de receita de atividade rural do Espólio de Mauro Moreira Braga. Assevera ainda que as declarações dos parceiros rurais do Espólio, bem como as notas fiscais constantes no relatório do Frigorífico Agropastoril Estevam Ltda., demonstram que os valores foram negociados em nome do espólio e dos parceiros, apesar do extravio de alguns documentos. Portanto, conclui a suplicante que todos os créditos bancários são oriundos da atividade rural. No que tange à alegação supra, cumpre esclarecer que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Assim, deve a recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. Como abordado neste voto, o ônus dessa prova recai exclusivamente sobre a contribuinte. Ainda há de se levar em conta que o § 5° do art. 61 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, determina que as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas negociações, uma vez que se trata de tributação mais benéfica ao contribuinte. Art. 61 (...) § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Dito isso, compulsandose os autos, verificase que as notas fiscais abaixo relacionadas, em confronto com os créditos existentes na conta corrente da contribuinte, mostraramse hábeis a comprovar a origem dos depósitos bancários listados abaixo: DATA DÉPOSITOS C/C 939710 DÉPOSITOS C/C 504438 Total Nº da NF Valor Fl nº Parceiro 25/02/2008 89.422,00 89.422,00 NF 002994 89.432,00 172 Jose Marcelo 03/03/2008 56.527,60 56.527,60 NF 003069 56.537,60 182 Rubens 03/03/2008 19.214,00 19.214,00 NF 003070 19.224,00 183 Rubens 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 15/12/2008 136.861,42 136.861,42 NF 000051 136.875,42 175 Domício TOTAL 302.025,02 Assim, ante a proximidade de datas e valores das notas fiscais, bem como as declarações dos parceiros, fls. 272/272; fls. 264/266 e fls. 279/281, penso que restou comprovada a origem e, portanto, deve ser afastada a presunção do art. 42 da lei nº 9.430/1996. Isso posto, devese excluir da base de cálculo o montante de R$ 302.025,02. No que toca às demais notas fiscais juntadas em seu apelo, fls. 262/298, cotejando com a relação dos créditos de origem não comprovada, não foi possível identificar qualquer coincidência e/ou proximidade em datas e valores. Exemplificando, o valor relativo à nota fiscal 3558 de 28/04/2008, no valor de R$ 116.473,23, fl. 288, não consta da relação dos créditos de origem não comprovada (fls. 102/106). O valor relativo à nota fiscal 2743 de 11/01/2008, no valor de R$ 103.292,27, fl. 287, não consta da relação dos créditos de origem não comprovada (fls. 102/106). O valor relativo à nota fiscal 4884 de 05/09/2008, no valor de R$ 71.807,00, fl. 284, não consta da relação dos créditos de origem não comprovada (fls. 102/106). O valor relativo à nota fiscal 4247 de 01/07/2008, no valor R$ 147.479,89, fls. 274, não consta da relação dos créditos de origem não comprovada (fls. 102/106). O valor relativo à nota fiscal 4292 de 04/07/2008, no valor R$ 186.312,00, fls. 295, não consta da relação dos créditos de origem não comprovada (fls. 102/106). Assim, penso que as notas fiscais e/ou documentos carreados não são hábeis a comprovar a origem dos créditos bancários. Quanto à obrigatoriedade de manter registros contábeis para a comprovação dos depósitos feitos em suas contas, esclareçase que a partir da edição da Lei nº 9.430/1996, o sujeito passivo da obrigação tributária estava ciente de que deveria manter em seu poder, pelo prazo em que a Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB pudesse exercer o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento, as informações e os documentos necessários a comprovar a origem dos depósitos feitos em suas contas bancárias. O que não significa manter escrituração contábil tal qual as pessoas jurídicas, mas sim o mínimo de organização que lhe permita informar e comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que circulam pelas suas contas bancárias. Frisese que a inexistência de acréscimo patrimonial e/ou riqueza nova, não tem o condão de refutar a presunção legal de omissão de rendimentos, ora analisada. No que se refere à aplicação da multa de ofício, já é de amplo domínio que as instâncias julgadoras administrativas não podem estender suas apreciações para o campo das arguições relacionadas com a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. É uma limitação de competência que nasce da própria natureza da atividade administrativa. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar as multas de lançamento de ofício, previstas no art. 44 da Lei no 9.430/1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Dessarte, correta, a imposição da multa de ofício. Por fim, a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, bem como as inúmeras jurisprudências colacionadas em sua peça recursal, são absolutamente inaplicáveis, visto que a matéria foi inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que Fl. 341DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10293.720141/201119 Acórdão n.º 2201002.418 S2C2T1 Fl. 6 9 tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Ante a todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o montante de R$ 302.025,02. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 342DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10293.720141/201119 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.418. Brasília/DF, 15 de maio de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 343DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10293.720141/201119 Acórdão n.º 2201002.418 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16327.001816/2008-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS - OMISSÃO
Reconhece-se a omissão do acórdão embargado. O enchimento do vazio, porém, não gera efeitos infringentes, pois a ação indenizatória foi aforada em agosto de 2005 e a dedução de perdas glosada é de 2003.
Numero da decisão: 1103-001.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para suprir omissão no Acórdão nº 1103-00.380 e ratificar a decisão nele contida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Interessado 3ª TURMA ORDINÁRIA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 EMBARGOS OMISSÃO Reconhecese a omissão do acórdão embargado. O enchimento do vazio, porém, não gera efeitos infringentes, pois a ação indenizatória foi aforada em agosto de 2005 e a dedução de perdas glosada é de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para suprir omissão no Acórdão nº 110300.380 e ratificar a decisão nele contida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 16 /2 00 8- 73 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 433 2 Relatório A empresa Bradesco Vida e Saúde S.A., CNPJ n° 51.990.695/000137, que tem por objeto "a instituição e operação de seguros de vida, compreendendo todas as modalidades dos seguros de pessoas e excluídas quaisquer espécies de seguros de dano, bem como a instituição e operação de planos previdenciários nas modalidades de pecúlio e de renda" (fl. 18), veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela 10ª Turma da DRJ de São Paulo, que confirmou pelo Acórdão 1620.647, de 09 de março de 2009, o lançamento de ofício, de IRPJ e CSL, efetuado pela fiscalização da Deinf/SP, por constatadas supostas divergências na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, relativamente ao ano calendário de 2003. Compulsando os autos, verificase que a interessada, com apuração pelo lucro real anual em 2003, levou para os resultados fiscais perdas no recebimento de créditos, tidas pelo Fisco como indedutíveis. As referidas perdas decorreram de baixa contábil de ativo financeiro representado por 35.000 Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Santa Catarina (LFTs/SC) que haviam sido adquiridas em 12/3/1998 pelo valor de R$ 50.651.174,75 (fl. 31). Ainda, para fins de perdas, ao referido valor de compra foi acrescido o estorno de rendimentos de juros e variações monetárias, relativos aos anos de 1998 a 2002, no valor de R$ 81.465.829,62, oferecidos à tributação quando da apropriação contábil correspondente (fl. 32). Assim, a baixa das bases fiscais, tanto do IRPJ como da CSL, resultou num valor acumulado de RS 132.117.004,37 (fl. 32), tido pelo Fisco como indedutível, razão pela qual o adotou como infração para a apuração e lançamento do IRPJ (fl. 212) e da CSL (217). A baixa fiscal da perda foi efetivada pela recorrente em novembro de 2003, tendo em vista que naquela data, embora o vencimento das LFTs estivesse marcado para 1/8/1999, ela não mais via possibilidades de recebimento, uma vez que a legalidade da emissão das LFTs/SC havia sido questionada pela Ação Popular 2397243870.7, com decretação de nulidade, por decisão de Primeiro Grau da justiça estadual de Santa Catarina, de todo o processo de emissão dos referidos títulos. Também, mas em outra frente, a recorrente não obteve êxito com o Mandado de Segurança 99.014.8955, interposto por ela na qualidade de terceiro prejudicado pela decisão da ação popular, através do qual tencionava ver anulada aquela decisão, bem como, ver garantido direito ao recebimento dos valores originariamente ajustados. Nesse contexto, sobreveio a autuação. Segundo o Termo de Verificação Fiscal elaborado pelo autuante (fl. 200), as perdas no recebimento de créditos não seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL pelos motivos a seguir sintetizados: a) somente as perdas de créditos decorrentes das atividades próprias das pessoas jurídicas poderiam ser deduzidas; assim, no caso, considerando que os créditos em Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 434 3 foco são decorrentes de relação jurídica entre o credor e terceiro, uma vez que os títulos não foram comprados diretamente do Governo do Estado de Santa Catarina, as perdas em tela, para fins de dedutibilidade, estariam fora do alcance da Lei 9.430/96 (fl. 205), portanto, seriam indedutíveis; b) além, as perdas só poderiam ser deduzidas após o "empreendimento dos esforços para o recebimento do crédito frente ao devedor e pela imposição de atos judiciais de cobrança''' (fl. 205); no caso, como o contribuinte não havia ingressado com ação de cobrança dos títulos vencidos, as pretensas perdas ainda não seriam dedutíveis (fl. 207); ainda, a mera titularidade e posse desses títulos públicos, tidos judicialmente como nulos, seria insuficiente para garantir a dedutibilidade de pretensas perdas (fl. 207); c) por fim, ainda segundo o Fisco, os títulos públicos não se enquadrariam no conceito de "títulos e valores mobiliários", razão pela qual, para efeitos da Lei 9.430/96, a transação não seria operação de crédito e, portanto, a dedutibilidade das perdas não estaria abarcada por aquele dispositivo legal (fl. 207). Em sua impugnação a fiscalizada arguiu, de maneira geral, ser seu procedimento (de considerar as perdas dedutíveis) absolutamente legítimo, não existindo qualquer ofensa às normas legais vigentes (fl. 238), o que sustenta através dos argumentos a seguir expostos de forma resumida: a) inicialmente, no que concerne à fundamentação do Fisco de que "somente as perdas de crédito decorrentes das atividades próprias seriam dedutíveis", a interessada diz que isto constava na legislação que regulamentava a matéria antes da vigência da Lei 9.430/96; segundo a defesa, a lei ora vigente não mais fazia referência a "atividades próprias", expressão indevidamente inserida pelo Fisco no texto legal; dessa forma, a lei atual, já vigente à época dos fatos, permitia a dedutibilidade de quaisquer "perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica" (fl. 238/239), mesmo que os títulos em tela não estivessem vinculados a reservas técnicas e mesmo que adquiridos de terceiros; b) quanto à fundamentação do Fisco, de que os títulos em foco não se enquadrariam no conceito de "aplicação de recursos financeiros em títulos e valores mobiliários", a litigante arguiu em seu favor o disposto no § 2º do art. 24 da IN SRF 93/97 que regula a matéria em questão, alegando que essa IN faz referência expressa à "aplicação de recursos financeiros em operações com títulos e valores mobiliários" (fl. 240); portanto, se ajustavam ao conceito; c) no concernente à fundamentação do Fisco, pertinente à ausência de ação de cobrança, a litigante alegou que a Lei 9.430/96 não impunha "ação de cobrança", mas somente exigia a "manutenção de procedimento judicial adequado ao recebimento do crédito"; nesse contexto, diz que o ajuizamento de ação de cobrança não poderia ter sido imposta por impossível razão pela qual teria cumprido a exigência da Lei 9.430/96 mediante a interpretação do Mandado de Segurança (fl. 251); d) por fim, a então impugnante insurgiuse contra o fato do Fisco não ter dispensado tratamento diferenciado às perdas autuadas, isto é, à perda do principal e à perda, pelo estorno, dos rendimentos contabilizados e tributados quando da apropriação contábil; segundo alegou, o art. 11 da Lei 9.430/96 dispensava tratamento fiscal específico para a receita de encargos financeiros incidentes sobre o crédito principal após dois meses do vencimento, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 435 4 quando se tornariam passíveis de exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSL, independentemente de outras condições. Encaminhado o processo para o julgamento administrativo de primeiro grau, a DRJ recorrida decidiu, por unanimidade de votos, confirmar os autos de Infração, com o que declarou inteiramente improcedentes as alegações trazidas pela impugnante. O acórdão a quo fundamentou a decisão, em síntese, nos argumentos a seguir expostos (fls. 268 e seguintes). Quanto à interpretação da legislação que regia (e atualmente ainda rege) a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos, isto é, os arts. 9 a 14 da Lei 9.430/96, que segundo a impugnante teriam sido interpretados equivocadamente pelo Fisco, especialmente pela inserção da expressão "atividades próprias", a DRJ concluiu não ter havido violação ao princípio da estrita legalidade, pois a expressão teria sido "extraída do caput do art. 9 da Lei 9.430/96 (fl. 280). No que tange à discussão acerca da exclusão, do alcance do artigo 9º da Lei 9.430/96, das perdas com títulos públicos, apesar da IN SRF 93/97 que regula o citado artigo se referir expressamente "a aplicação de recursos financeiros em operações com títulos e valores mobiliários" (§ 2 o do art. 24 da IN n° 93/97), a DRJ concorda com o Fisco, que considerou "que a expressão títulos e valores mobiliários é uma locução adjetiva usada pelo legislador como sinônimo" (fl. 280) e desta feita não englobaria dois institutos distintos, conforme alegara a requerente. Diante disso, após longas análises conceituais, a DRJ rematou que "as perdas com as Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Santa Catarina não estão abrangidas na dedução de que trata o art. 9 da Lei 9.430/96, por força da Instrução Normativa n 93/97 (art. 24, §2°), cuja observância se impõe ao julgador administrativo" (fl. 283) (sublinhamos). Num outro ponto, caracterizado pela DRJ como relacionado à "exigibilidade do título público estadual, objeto da autuação" (fl. 284), o acórdão recorrido justificou a indedutibilidade das perdas em questão no fato da ação popular ter suspenso a exigibilidade dos valores das LFTs, e, "enquanto pendente a ação judicial” tais títulos pão se revestiam dos atributos de liquidez, certeza e exigibilidade, inerentes a qualquer processo de execução previsto no Código de Processo Civil" (fl. 284). Assim, também por essa razão, "a dedução efetuada pela requerente não se encontraria abrangida pela Lei 9.430/96" (fl. 286). Por fim, no tocante à dedutibilidade do estorno das receitas financeiras reconhecidas contabilmente e já tributadas nos anos da apropriação, cujas, segundo a requerente, teriam tratamento diferenciado do dispensado à perda do principal, a DRJ, por ausente o requisito "vencimento" (exigibilidade), e baseada no art. 11 da Lei n° 9.430/96, argumenta que esta dedutibilidade também estaria atrelada ao procedimento judicial, pois "pressupõe processo de execução ou cobrança" (fl. 286), razão pela qual também seria indedutível. Não conformada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 295 a 324), repisando, fundamentalmente, as alegações da impugnação, assim sintetizadas: a) inicialmente, o recurso voluntário aponta como equivocados os pretensos fundamentos do lançamento, tais como: (1) que o Fisco teria se baseado em legislação anterior à Lei 9.430/96 (fls. 305, 309 a 312, itens 1, 13 a 20 do RV); (2) que o Fisco teria adotado como premissa para a dedutibilidade das perdas, ser imprescindível que os títulos compusessem a Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 436 5 provisão técnica da recorrente "seguradora" (fl. 305, item 2 do RV); (3) que o Fisco teria introduzido no texto do art. 9º da Lei 9.430/96 a expressão "atividades próprias", que, embora ausente do texto legal, teria influído na glosa das perdas (fls. 305 e 312, itens 3, 4, 21 a 23 do RV); (4) que em função da adoção da expressão "atividades próprias", o Fisco teria concluído que as perdas se encontrariam fora do alcance da Lei 9.430/96, por ausente, na operação que gerou as discutidas perdas, relação direta entre o credor e o devedor (fls. 306 e 313, itens 6 e 26 do RV); b) depois, em decorrência das impropriedades acima, a recorrente diz que o Fisco, para não entrar em contradição com o disposto no § 2 do artigo 24 da IN 93/97, teria adotado uma nova teoria, equivocada, consistente na tese de que as letras financeiras não se enquadrariam na expressão "aplicação de recursos financeiros em títulos e valores mobiliários", referida pela IN 93/97; através disso, ainda segundo a recorrente, o Fisco pretendia comprovar que as perdas autuadas não estariam abarcadas pela dedutibilidade regulamentada pela Lei 9.430/96 (fls. 306 a 309, 312 a 317, itens 7 a 11, 24, 25, 27 a 43 do RV); c) em seguida, o recurso voluntário contesta o entendimento fiscal de que as perdas não seriam dedutíveis pelo fato da interessada não ter "cumprido requisitos da Lei 9.430/96, vez que não ajuizou a competente ação de cobrança, afirmando que o mandado de segurança não é substitutivo, da mencionada modalidade de ação"; segundo argumenta a defesa, a "legislação deixou ao arbítrio do maior interessado no recebimento do crédito a decisão pelo tipo de ação judicial mais apropriada ao caso, ou melhor, no caso específico, o caminho judicial possível" (fls. 309, 317 a 322, itens 12, 44 a 59 do RV); d) num outro ponto, a recorrente diz que a DRJ, após admitir, expressamente, a impossibilidade do ajuizamento de uma ação executiva ou de cobrança, teria inovado o lançamento "ao afirmar que 'tais títulos não se revestem dos atributos da liquidez, certeza e exigibilidade', para, em seguida [...] concluir que 'o aspecto exigibilidade (vencimento da obrigação) é requisito básico para a dedutibilidade das perdas de que trata o art. 9 da Lei 9.430/96 (fl. 318 e 319, item 51); e) por fim, a recorrente repisa o fato do Fisco não ter dispensado tratamento diferenciado às perdas autuadas, isto é, à perda do principal e à perda dos rendimentos contabilizados e tributados quando da apropriação contábil, estornados por ocasião da baixa; segundo alega, o art. 11 da Lei 9.430/96 dispensa tratamento fiscal específico para a receita de encargos financeiros incidentes sobre o crédito principal após dois meses do vencimento, quando seriam passíveis de exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSL, “independente de qualquer outra condição” (fls. 322 a 323, Itens 60 a 65 do RV). Nos pedidos, a interessada requer seja reformado o acórdão recorrido, com reconhecimento da improcedência total da ação fiscal, e pede seja determinado o arquivamento destes Autos de Infração. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 15/12/2010, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 437 6 Acórdão nº 110300.380, por maioria de votos, negou provimento ao recurso, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL Anocalendário: 2003 Ementa: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ABRANGÊNCIA. As perdas no recebimento de créditos a que se refere o caput do art. 9º da Lei nº 9.430/96 não estão limitadas, unicamente, às perdas vinculadas ao não recebimento de créditos oriundos de operações decorrentes das atividades inerentes ao objeto social da pessoa jurídica, mas sim, em relação aos créditos decorrentes de todas as atividades da pessoa jurídica, sem restrições. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS EXIGIDOS. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando de valor superior a R$ 30.000,00 por operação, sem garantia, somente poderão ser deduzidas como despesas para a determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, quando vencidos há mais de um ano, portanto, líquidos, certos e exigíveis, e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento (art. 9º, § 1°, inc. II, letra "c" e art. 11, § 1 °, ambos da Lei n° 9.430/96). PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ENCARGOS FINANCEIROS SOBRE CRÉDITOS VENCIDOS. As receitas financeiras, apropriados contabilmente a partir do terceiro mês após o vencimento de um crédito superior a RS 30.000,00, não recebido, poderão ser excluídas do lucro líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, desde que a pessoa jurídica credora houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito (art. 11, caput e § 1º da Lei n° 9.430/96). A discussão central deste processo referese à ocorrência ou não da dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos. Primeiramente, foi feito um breve relato sobre a tramitação do processo, e foi acentuado que deve ser afastada a preliminar de vício de nulidade do lançamento devido à ilegalidade, pois, mesmo tendo a fiscalização adotado uma linha de interpretação incorreta e controvertida quanto à abrangência do artigo 9º da Lei 9.430/96, não há violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária. Estabeleceu que deve também ser negada a preliminar quanto à inovação do lançamento realizada pela DRJ, pois, diferentemente do que foi afirmado pela recorrente, pela análise do Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir, em vários trechos, que as LFTs são consideradas créditos “líquidos, certos e exigíveis”, não havendo discussão no presente feito sobre isso. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 438 7 Apontou que a recorrente possui razão quanto à alegação de que a fiscalização inseriu uma palavra no texto do artigo 9º da Lei 9.430/96. Sobre a divergência do modo como é feita a análise do artigo 9º da Lei 9.430/96, foi deduzido que os créditos em discussão devem ser analisados a luz da atual regulamentação das “perdas no recebimento de créditos”, e não pela legislação anterior, que é menos abrangente do que a atual. Nesse sentido, afirmou que não há restrição legal expressa quanto a isso. Acerca da interpretação do artigo 24, § 2°, da IN 93/97, remetese ao trecho infratrancrito de fl. 359 (eprocesso): Como se vê, o referido parágrafo 2º não disciplina o disposto no caput do art. 24 da IN n° 93/97, que por sua vez reproduz o caput do art. 9º da Lei n° 9.430/96, ou seja, caracterizar o alcance e a abrangência da expressão "atividades da pessoa jurídica". Esclarece isto sim, acerca do alcance da expressão "por operação", relacionada às letras "a", “b" e "c" do inciso II do § 1º do art. 9º da Lei n° 9.430/96, para o que, entre outras operações, faz referência & "operação com títulos e valores mobiliários". Inferese daí que para enquadrar uma operação na letra "a" ou "b" ou "c", acima citadas, isto é, para quantificar a operação sem garantia, o parâmetro é "por contrato". Portanto, se a empresa possui dois contratos, mesmo que firmados com o mesmo devedor, cada crédito é tratado isoladamente. Assim, se um contrato envolve um crédito de, por exemplo, R$ 28.000,00, e o outro um crédito de R$ 4.000,00, mesmo que firmados com a mesma pessoa e na mesma data, o segundo crédito regerseá pelas condições da letra "a" e o primeiro pelas condições da letra "b", e não conjuntamente segundo as condições da letra "c", por somados ultrapassarem a R$ 30.000,00. Diante disso, pareceme inócua a discussão travada, isto é, se as LFTs se no conceito de "títulos e valores mobiliários" ou não, pois o parágrafo 2° do art. 24 da IN n° 23/97 não delimita a abrangência do que deve ser entendido por "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica", e sim, esclarece quanto à graduação da inadimplência para a vinculação desta às letras "a" ou” b” ou” c” do inciso II do § 1º do art. 9º da Lei n° 9.430/96. Por outra, o § 2º, em tela, tem como função única esclarecer o que deve ser entendido pela expressão "por operação", e não está aí para exemplificar o que são "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica". Nesse pensamento, admitindose, por hipótese, que as LFTs não estão abarcadas pela expressão "títulos e valores mobiliários" a que se refere o § 2º do art. 24 da IN 93/97, o intérprete, para fins de dedutibilidade de que trata a Lei n° 9.430/96, poderia enfrentar dificuldades para quantificálas "por operação". Porém, concluir, com base no disposto no citado parágrafo 2º, que a compra de um lote de LFTs não caracterize "créditos Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 439 8 decorrentes das atividades da pessoa jurídica" (caput do art. 9º da Lei n° 9.430/96), com a devida vênia, pareceme decisão desamparada de embasamento legal. Sendo assim, entendeu que os créditos em discussão possuem relação com o que dispõe o caput do artigo 9º da Lei 9.430/96 e que não está correto o entendimento da fiscalização no que tange ao fato de não poderem ser deduzidas as aplicações de recursos em LFTs, quando perdidas, desde que cumpridas às condições do artigo 9°, II, § 1º, “c”, da Lei 9.430/96. Quanto ao cumprimento ou descumprimento, por parte da recorrente, dos requisitos para a dedutibilidade previstas no artigo 9°, II, § 1º, “c”, da Lei 9.430/96, o presente acórdão estabeleceu 3 aspectos a serem analisados. Sobre o primeiro aspecto, que versa sobre o valor do crédito, afirmou que, de acordo com o artigo 9º, § 1º, II, “c”, da Lei 9.430/96, como esse é superior a R$ 30.000,00, ele pode ser registrado como perda. Em relação ao segundo aspecto, afirmou serem os créditos inexigíveis, devido à decisão judicial proferida em decorrência da ação popular que reconheceu a nulidade das LFTs. Apontou que essa inexigibilidade decorre também do fato de a recorrente, ao requerer, via mandado de segurança, o afastamento dos efeitos da ação popular, reconheceu que essa ação afetou os créditos. Acrescentou que, outro fator que indica que os créditos são inexigíveis, corresponde ao fato de a recorrente ter contestado o entendimento da fiscalização no sentido de que para que as perdas sejam dedutíveis, essas devem estar submetidas a procedimentos judiciais. Sendo assim, de acordo com os artigos 586 e 618, do CPC, uma vez que o crédito é inexigível, pois houve a suspensão judicial da exigibilidade dos valores das LFTs, as perdas não podem ser submetidas ao que dispõe a Lei 9.430/96. Quanto ao terceiro aspecto, que versa sobre a implementação dos procedimentos judiciais para o recebimento, entendeu que podem ser aplicadas as considerações feitas sobre o segundo aspecto, de modo a concluir que o requisito “procedimento judicial para o recebimento” não foi diretamente cumprido até a época da contabilização das perdas, por serem, naquele momento, inexigíveis os créditos tidos como perdidos. Foi deduzido que, mesmo que seja impossível cumprir o terceiro aspecto por meio de uma ação de cobrança na época do cômputo fiscal das perdas, essa ação não pode ser substituída por uma ação preparatória (o mandado de segurança no contexto colocado), para, caso seja necessário, proporse uma futura ação de execução para cobrança. Dessa forma, entendeu que o mandado de segurança não foi o remédio jurídico adequado para que houvesse o reconhecimento dos direitos legítimos da recorrente sobre os créditos em questão, e que ela deveria ter proposto uma ação requerendo a restituição do valor pago pelas cártulas e acréscimos financeiros originalmente pactuados. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 440 9 Ainda analisando o terceiro aspecto, sob a perspectiva da alegação da recorrente no sentido de que ela cumpriu os requisitos para realizar a dedutibilidade, por ter ingressado com mandado de segurança, realizou um breve histórico dos processos judiciais relacionados a esse feito, e, por meio de sua análise, da análise da Súmula 269 do STF e do artigo 884 do Código Civil, concluiu que aquele writ não perfez cumprimento da exigência do artigo 9º da Lei 9.430/96. Apontou que a recorrente tomou como base o caput do artigo 11 da Lei 9.430/97, para justificar o tratamento equivalente ao do estorno das receitas apropriadas ao resultado, diante da impossibilidade de cobrança dos créditos (para dar o efeito de dedução de R$ 50.651.174,75), o que difere do tratamento previsto para dedução como perdas. Quanto à justificação retro mencionada, evidenciou que a recorrente não analisou o § 1º do artigo supracitado, que põe por terra a sua alegação. Nesse sentido, entendeu que como esse parágrafo remete a dedutibilidade dos encargos financeiros de créditos vencidos à exigência prevista no artigo 9°, II, § 1º, “c”, da Lei 9.430/96, as duas perdas possuem a sua dedutibilidade condicionada ao mesmo requisito legal. Por fim, concluiu que, mesmo reconhecendo que as perdas mencionadas, quando efetivas, estão tuteladas pelo artigo 9º da Lei 9.430/96, devese negar provimento ao recurso voluntário, devido ao não cumprimento do artigo 9°, II, § 1º, “c”, e do artigo 11, § 1º, ambos da Lei 9.430/96. Sendo assim, votou pela manutenção integral dos autos de infração de IRPJ e CSL. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a recorrente apresentou embargos de declaração, de fls. 371 a 376, arguindo, em síntese, o que segue. Afirmou que a decisão recorrida reconheceu toda a argumentação da recorrente, com exceção à existência do procedimento judicial para o recebimento do crédito, devido ao fato de o mandando de segurança não poder servir como ação de cobrança. Portanto, entendeu que se a recorrente tivesse proposto ação indenizatória ou de cobrança, ela teria direito à dedução das perdas no recebimento do crédito em questão. Observou que, durante o julgamento do recurso voluntário, foi noticiada a existência de ação indenizatória contra o Estado de Santa Catarina, e que ela foi inclusive mencionada na sustentação oral da Procuradoria da Fazenda Nacional. Nesse sentido, alegou que a recorrente ajuizou ação indenizatória contra o Estado de Santa Catarina, tendo como objeto o ressarcimento do prejuízo sofrido por ela na aquisição das Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Santa Catarina, o que pode ser comprovado através da análise da Certidão de Objeto e Pé, anexada ao presente processo. Sendo assim, afirmou que, tendo sido proposta a ação retro mencionada, todos os requisitos previstos pelos artigos 9º e 11, da Lei 9.430/96, foram cumpridos. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 441 10 Ressaltou que deve ser buscada a verdade material, de forma a serem admitidas e analisadas as provas anexadas. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o recebimento do presente embargos de declaração e o saneamento da omissão quanto ao reconhecimento da interposição da ação indenizatória. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 442 11 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso de embargos é tempestivo (fls. 370 e 371). A indicação de fls. neste voto é a do eprocesso. Há potencialidade de omissão no acórdão objeto dos embargos, de modo que deles conheço. Conquanto não tenha sido o relator no julgamento do acórdão embargado, fui vencido, por entender que a ação mandamental contra a ação popular era requisito suficiente para dedução dos créditos (como perdas) que se revelaram incobráveis. O “incobráveis” decorreu de nulidade dos títulos que incorporam os créditos, reconhecida na decisão da ação popular. O que se põe nos presentes embargos é outra questão. A existência de ação indenizatória contra o Estado de Santa Catarina, em face da nulidade dos títulos emitidos por esse Estado, em sentença judicial transitada em julgado. A embargante junta aos autos certidão, na qual é afirmado que a ação de execução de sentença, nos autos do processo nº 023.05.0315725/003, foi ajuizada em 22/4/09 (fls. 378 e 379). Consta cópia da inicial da ação indenizatória de procedimento ordinário, datado pelo autor (sem chancela ou carimbo) para o dia 10/8/05 – fls. 385 a 429. Noto que há extrato de consulta de processos, referente aos autos do processo nº 023.05.0315725, impresso do site do Poder Judiciário de Santa Catarina, em que consta o seguinte (fls. 380 a 383). Em 18/8/05, o processo é distribuído por sorteio. Cuida da ação de rito ordinário suprarreferida. Em 17/3/06, é proferida sentença favorável ao autor. Há o retorno dos autos da segunda instância em 24/3/09, iniciandose em 22/4/09 incidente processual de execução de sentença, em que a ação de execução é apensada aos autos. Opostos os embargos e proferida a sentença, é iniciada em 13/5/09 a execução da sentença, com deliberação para requisição de pagamento por precatório. A certidão de fls. 378 e 379 acostada aos autos se refere ao incidente de execução da sentença, ao afirmar como data do ajuizamento 22/4/09. Vêse, portanto, que a ação indenizatória foi aforada em agosto de 2005. A dedução dos créditos como perdas, objeto do presente feito, deuse no ano calendário de 2003. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001816/200873 Acórdão n.º 1103001.011 S1C1T3 Fl. 443 12 Portanto, não há razão para mudança do dispositivo do acórdão objetivado pelos embargos declaratórios. Como consectário do acórdão embargado, em 2005 os créditos em questão poderiam ter sido deduzidos como perdas. Reconheço a existência de uma omissão incidental no acórdão embargado. Contudo, o enchimento do vazio não provoca efeitos modificativos. Sob essa ordem de considerações e juízo, conheço dos embargos e lhes dou provimento, sem efeitos infringentes. É o meu voto. Sala das Sessões, em 12 de março de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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