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Numero do processo: 10880.911034/2006-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 42912.40884.250703.l.3.037609 em 25.07.2003, fls. 0918, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do ano calendário de 2000 no valor total original de R$4.306,61, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 10 34 /2 00 6- 11 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.911034/200611 Acórdão n.º 1003000.176 S1C0T3 Fl. 94 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 01, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 4.306,61 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 1626.349, de 19.08.2010, fls. 7173: SALDO NEGATIVO DE IMPOsTo APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo da CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 15.09.2010, fl. 75, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.10.2010, fls. 7680, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: II. 1 PRELIMINAR A RECORRENTE além de ter apurado a base de calculo negativa da? contribuição social sobre o lucro liquido conforme linha 34, da ficha 17, da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, Exercício 2001, AnoCalendário 2000, período de 01/01/2000 a 31/12/2000, conforme copia anexa nos autos, recolheu, indevidamente, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, durante o anocalendário de 2000, os seguintes valores: Data Arrecadação Banco/Agência Arrecadadora Nº do Pagamento Período de Apuração Data de Vencimento Código de Receita Valor Total Doc 29/02/2000 409/0890 24370890482 29/02/2000 29/02/2000 2372 138,50 1 31/03/2000 409/0890 24704054784 29/02/2000 31/03/2000 2372 1.856,84 2 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.911034/200611 Acórdão n.º 1003000.176 S1C0T3 Fl. 95 3 28/04/2000 409/0890 25029581082 31/03/2000 28/04/2000 2372 2.167,80 3 31/08/2000 409/0890 2652772985 31/07/2000 31/08/2000 2372 320,31 4 28/12/2000 409/0890 27984821980 30/11/2000 28/12/2000 2372 1.000,00 5 Total Geral 5.483,45 Em razão disso, a RECORRENTE procedeu regularmente a compensação da CSLL apurada no mês 10/2002, Código da Receita 24841, Vencimento 29/11/2000, no Valor de R$ 4.306,61, utilizando os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados indevidamente, conforme inclusas cópias anexas dos comprovantes de arrecadação (Docs. 1 a 5). II. 2 MÉRITO Com fulcro no artigo 74, da Lei 9.4930, de 27.12.1996 DOU 30.12.1996, a RECORRENTE procedeu regularmente a compensação da CSLL apurada no mês 10/2002, Código da Receita 24841, Vencimento 29/11/2000, no Valor de R$ 4.306,61, utilizando os créditos decorrentes dos recolhimentos indevido a título de CSLL, conforme cópias inclusas anexas dos comprovantes de arrecadação (Docs. 1 a 5). Nesse sentido, é sobremodo importante ressaltar que a RECORRENTE além de ter apurado a base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido conforme linha 34, da ficha 17, da DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, Exercício 2001, AnoCalendário 2000, período de 01/01/2000 a 31/12/2000, conforme cópia anexa nos autos, recolheu, indevidamente, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, durante o anocalendário de 2000, conforme cópias inclusas anexas dos comprovantes de arrecadação (Docs. 1 a 5). Concernente ao pedido expõe que: III. A CONCLUSÃO Diante do exposto, a RECORRENTE requer que o presente recurso seja inicialmente admitido e no mérito provido, cancelandose o débito fiscal reclamado, como medida de imperiosa JUSTIÇA. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.911034/200611 Acórdão n.º 1003000.176 S1C0T3 Fl. 96 4 compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal3. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.911034/200611 Acórdão n.º 1003000.176 S1C0T3 Fl. 97 5 A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente recebeu o Termo de Intimação Irregularidade no Preenchimento de Per/DComp, fl. 0408, no seguinte sentido: Não foi apurado saldo negativo na DIPJ e o(s) débito(s) por estimativa informado(s) na DIPJ é(são) diferente(s) do(s) valor(es) declarado(s) na(s) DCTF correspondente(s). A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: Exercício 2001 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 0,00 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 4.306,61 Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 0,00(Somatório dos valores da FICHA 17, LINHAS 38 A 41) Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 4.306,61 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, CSLL Retida na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Estimativas compensadas com outros trib. Estimativas anocalendário: 2000 ESTIMATIVAS DIVERGENTES PERÍODO DE APURAÇÃO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL MAIO JUNHO VALOR DIPJ (R$) 96,95 1.995,34 1.517,46 199,42 VALOR DCTF (R$) 0,00 0,00 0,00 0,00 PERÍODO DE APURAÇÃO JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO VALOR DIPJ (R$) 943,31 0,00 VALOR DCTF (R$) 0,00 1.000,00 Em relação ao valor do saldo negativo, solicita›se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Quanto aos débitos por estimativa, solicitase retificar a DIPJ e/ou DCTF tornando coerentes as informações prestadas nestas 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.911034/200611 Acórdão n.º 1003000.176 S1C0T3 Fl. 98 6 declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras. Base legal: Art. 6°, Parágrafo 1°, inciso II e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4° e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. O processo não foi instruído com as solicitadas DIPJ e DCTF retificadoras. Em sede de recurso voluntário foram apresentadas cópias dos comprovantes de arrecadação como a seguir discriminados: Data Arrecadação Banco/Agência Arrecadadora Nº do Pagamento Período de Apuração Data de Vencimento Código de Receita Valor Total Doc 29/02/2000 409/0890 24370890482 29/02/2000 29/02/2000 2372 138,50 1 31/03/2000 409/0890 24704054784 29/02/2000 31/03/2000 2372 1.856,84 2 28/04/2000 409/0890 25029581082 31/03/2000 28/04/2000 2372 2.167,80 3 31/08/2000 409/0890 2652772985 31/07/2000 31/08/2000 2372 320,31 4 28/12/2000 409/0890 27984821980 30/11/2000 28/12/2000 2372 1.000,00 5 Total Geral 5.483,45 Em conformidade com a DIPJ original do anocalendário de 2000, fls. 2461, a Recorrente dotou o regime de tributação com base no lucro real anual. Para tanto, a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada mensal deveria ter sido recolhida pelo código de receita 2484. Contudo, a Recorrente apresenta os recolhimentos pelo código de arrecadação 2372 de CSLL para as pessoas jurídicas que optaram pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Também não constam nos autos procedimento de retificação de Darf (Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006, Instrução Normativa SRF no 403, de 11 de março de 2004, Instrução Normativa SRF nº 284, de 14 de janeiro de 2003 e Instrução Normativa SRF nº 48, de 18 de outubro de 1995). As informações não estão congruentes de modo a formar o convencimento de que o valor pleiteado deve ser reconhecido, uma vez que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 1626.349, de 19.08.2010, fls. 7173, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Em relação ao anocalendário de 2000, a requerente levou em consideração os seguintes valores para a apuração do saldo negativo da CSLL: DIPJ Discriminação Valor em R$ CSLL [Base de Cálculo] (66.602,52) CSLL Estimativa 0,00 CSLL Retida de Órgão Público 0,00 CSLL a Pagar 0,00 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.911034/200611 Acórdão n.º 1003000.176 S1C0T3 Fl. 99 7 Como se observa na DIPJ da contribuinte de fl.40, não houve apuração de saldo negativo, tendo em vista que o montante de R$ 66.602,52 referese à base de cálculo da CSLL e não de saldo negativo (linha 42 da Ficha 17). No presente caso, a contribuinte deveria ter apresentado um demonstrativo da composição do saldo negativo respaldada na escrituração fiscal, a qual comprovasse a veracidade de suas alegações. Ademais, apenas os créditos líquidos e certos, conforme determina o art.170 do CTN podem ser deferidos pela autoridade fiscal, não cabendo qualquer acréscimo no direito creditório sem a prova inequívoca de sua existência. [...] Apenas a DIPJ não comprova a existência de saldo negativo, e, mesmo assim, o documento citado não apurou qualquer crédito a favor da contribuinte, conforme já exposto. Dessa forma, pelos motivos já ventilados anteriormente, mantémse a decisão dos presentes autos. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900125/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2003
DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO
Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
Numero da decisão: 1402-003.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2003 DESISTÊNCIA DCOMP INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 25 /2 00 8- 12 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13984.900125/200812 Acórdão n.º 1402003.185 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de DCOMP transmitida pela contribuinte ante pagamento indevido ou a maior um Darf Simples que, no entanto, não foi homologada sob o fundamento de que o pagamento encontrase completamente utilizado, vinculado a débito também de código de receita 6106 e mesmo período de apuração, tornandoo indisponível para qualquer outra utilização. Cientificada do feito fiscal a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que apresentou a declaração de compensação indevidamente, uma vez que era optante pelo Simples no período a que se referem os débitos incluídos na DComp. Nesse sentido, afirma que não existe valor a ser compensado, e nem motivo para apresentar a declaração de compensação, "uma vez que os tributos que ali se pedia compensação não eram devidos". Com base nessas alegações, a contribuinte requer o cancelamento da DComp apresentada, "por tratarse apenas de um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral tem para cumprimento com o Fisco". Em julgamento a DRJ julgou por improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que o pagamento indevido já fora integralmente utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.180, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900120/2008 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.180): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade ao que merece ser processado. 2. DO MÉRITO: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13984.900125/200812 Acórdão n.º 1402003.185 S1C4T2 Fl. 4 3 Conforme consta da decisão da DRJ o pagamento levado como crédito na DCOMP foi totalmente utilizado em face de vinculação a débito declarado pela contribuinte. E contra esse fato a contribuinte não apresenta qualquer oposição. Em sede da manifestação de inconformidade a contribuinte apenas alega que a apresentação da DComp em exame decorreu de engano, razão pela qual requer seu cancelamento. A legislação tributária então regente não respalda o requerimento da contribuinte com destaque para o que previa Instrução Normativa SRF n 600, de 28 de dezembro de 2005, que, em seu art. 62 assim estabelecia: Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo ,mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMY ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituicdo, o Pedido de Ressarcimento ou a compensacdo se encontre pendente de decisão administrativa ti data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. 0 pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (destaques acrescidos) Há que se ressaltar que, na Instrução Normativa RFB n. 1717, de 30 de dezembro de 2017, atualmente em plena vigência, há disposição idêntica. Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13984.900125/200812 Acórdão n.º 1402003.185 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse cenário, a principio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores A data de inicio dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. Diante do exposto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, voto por manter a decisão proferida pela DRJ. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721351/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
AUTO DE INFRAÇÃO HÍGIDO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DRJ. QUESTÕES DE MÉRITO NÃO APRECIADA INTEGRALMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO NULA PARA EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Constatada omissão na decisão de 1ª instância quanto a matérias não apreciadas no julgamento, importa a devolução dos autos ao órgão julgador a quo para que se pronuncie quanto ao mérito, evitandose a supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa.
Há de ser reconhecida a nulidade da referida decisão e dos atos subsequentes, em atendimento ao disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, para que nova seja proferida enfrentando todas as matérias suscitadas em impugnação.
Numero da decisão: 1302-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO HÍGIDO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DRJ. QUESTÕES DE MÉRITO NÃO APRECIADA INTEGRALMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO NULA PARA EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Constatada omissão na decisão de 1ª instância quanto a matérias não apreciadas no julgamento, importa a devolução dos autos ao órgão julgador a quo para que se pronuncie quanto ao mérito, evitandose a supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa. Há de ser reconhecida a nulidade da referida decisão e dos atos subsequentes, em atendimento ao disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, para que nova seja proferida enfrentando todas as matérias suscitadas em impugnação.
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IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DRJ. QUESTÕES DE MÉRITO NÃO APRECIADA INTEGRALMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO NULA PARA EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Constatada omissão na decisão de 1ª instância quanto a matérias não apreciadas no julgamento, importa a devolução dos autos ao órgão julgador a quo para que se pronuncie quanto ao mérito, evitandose a supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa. Há de ser reconhecida a nulidade da referida decisão e dos atos subsequentes, em atendimento ao disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, para que nova seja proferida enfrentando todas as matérias suscitadas em impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 51 /2 01 4- 19 Fl. 12755DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.756 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/FNS, complementandoo ao final: “Por meio do Auto de Infração às folhas 05 a 19, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 21.865.563,32 a título Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, acrescida de multa de ofício de 75% e encargos legais devidos à época do pagamento, referentes ao fato gerador ocorrido em 31/12/2011. Em consulta à " Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (is) IRPJ", verificase que a autuação se deu em razão de: 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS — DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÕES Despesas não comprovadas apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/201 8.400.267,05 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011 Art.3° da Lei n°9.249/95 Arts.247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 do RIR/99 0002 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AU7'ORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 12756DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.757 3 EXCLUSÕES INDEVIDAS — PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período na determinação do Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2011 663.666,91 75,00 31/12/2011 115.882.142,11 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011 Art.3° da Lei n°9.249/95 Arts.247 e 250 do RIR/99 do RIR/99 Arts.340 e 343 RIR/99 do RIR/99 Em decorrência deste lançamento, foi ainda lavrado o Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, exigindose da Interessada o cumprimento de ajuste na base da CSLL, uma vez que o valor tributável apurado no lançamento de IRPJ foi totalmente absorvido pela base de cálculo negativa de CSLL, conforme consta no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO LUCRO REAL: Base de Cálculo das Atividades em Geral R$ 745.410.978,79 Infrações Sujeitas à Compensação de Base Negativa R$ 124, 946.076,07 Base Negativa do Período Compensada R$ 124, 946.076,07 Valor Tributável após Compensação O Do Termo de Verificação Fiscal (fls.20 a 99), extraise que a Contribuinte foi, inicialmente, intimada a apresentar informações e documentos relativos a diversas matérias tributárias, sendo selecionada para "auditoria dos valores de perdas no recebimento de créditos que foram deduzidos pela pessoa jurídica na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano calendário de 2011." Consta no Termo que na linha 09B/04 (DIPJ apuração do lucro real) foi informada a importância de R$ 3.719.952.854,28 a título de perdas dedutíveis no recebimento de créditos, com base no art. 9° da Lei n° 9.430/96. Após uma explanação acerca da legislação que norteia a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, a autoridade autuante apontou, em seu entendimento, as seguintes irregularidades, que ora se reproduz excertos do Fl. 12757DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.758 4 Termo Fiscal: 3.3. Auditoria e Fundamentação 3.3.1. Arquivos de Perdas e Outros Elementos Probatórios Referente à Linha 62 (Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito) da Ficha 09B (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ do anocalendário 2011, no valor de R$ 3.719.952.854,28, o item 3 do TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL intimou o sujeito passivo a apresentar arquivo digital contendo um demonstrativo analítico completo destas perdas, conforme um leiaute padronizado fornecido em anexo àquele termo. O leiaute contém orientações sobre a "Forma de Apresentação do Arquivo de Perdas em Operações de Crédito", definindo que cada registro de perda (linha do arquivo) deve ser preenchido com campos (colunas) contendo informações sobre: contrato (n°, valor total, data, tipo de garantia, etc.), cliente (nome, CNPJ ou CPF), perda (data de vencimento, data do registro como perda, valor da perda, procedimento de cobrança, etc.), n° da ação judicial de cobrança (se houver), classificação da condição de dedutibilidade conforme o art. 90 da Lei n° 9.430/96, dentre outros. A resposta à solicitação se deu por etapas, com inúmeros pedidos de dilação de prazo atendidos pela fiscalização durante o andamento dos trabalhos: a primeira versão do arquivo de perdas foi entregue pelo sujeito passivo em 02/04/2014, mas sem as informações sobre as ações judiciais de cobrança; em 13/05/2014 foi apresentado nova versão do arquivo de perdas, mas ainda com informações incompletas sobre as ações judiciais; esta fiscalização lavrou então o TERMO DE INTIMAÇÃO E DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL datado de 21/05/2013, solicitando a correção de algumas inconsistências encontradas no arquivo enviado, além de informações adicionais sobre algumas operações de crédito e também sobre despesas de descontos concedidos (este último assunto será tratado no item 4 deste Termo de Verificação Fiscal); em 11/06/2014 foi apresentada uma terceira versão do arquivo de perdas, mais uma vez com informações incompletas sobre as ações judiciais, e com solicitação de prazo adicional para o atendimento completo do que fora solicitado; esta fiscalização enviou novo TERMO DE INTIMAÇÃO E DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL lavrado em 17/07/2014, apontando inconsistências e/ou omissões no arquivo de perdas apresentado em 11/06/2014; [...] em 01/12/2014, foi apresentada uma quinta e última versão do arquivo digital contendo o demonstrativo analítico de perdas; 3.3.3. Perda Não Demonstrada O TERMO DE INTIMAÇÃO E DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL lavrado em 21/05/2014 apontou inconsistências nos arquivos de perdas entregues em 02/04/2014 e Fl. 12758DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.759 5 13/05/2014, incluindo a seguinte: "g. a DIPJ informa uma exclusão total no valor de R$ 3.719.952.854,28, ao passo que o arquivo entregue pelo sujeito passivo em 02/04/2014 totaliza R$ 3.719.289.187,37 na coluna "Valor da perda dedutível". Esclarecer a diferença entre tais valores;" Em sua resposta de 11/06/2014, o sujeito passivo afirmou que: "Informamos que realmente existe a referida diferença, diferença esta ocasionada por erro operacional no momento da apuração do lucro real e na base de cálculo da contribuição social." É importante ressaltar que esta mesma diferença se manteve nas outras versões do arquivo de perdas entregues posteriormente, de forma que é possível concluir que a seguinte diferença restou não demonstrada: R$ 3.719.952.854,28 R$ 3.719.289.187,37 = R$ 663.666,91 Portanto, deve ser glosado o valor de R$ 663.666,91, por ser considerada uma exclusão indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, uma vez que a ocorrência desta perda não foi demonstrada analiticamente pelo sujeito passivo e assim esta não pode ser dedutível. 3.3.4. Glosas do ANEXO 1: Perdas Acima de R$ 5 Mil, 2011 O Anexo 1 relaciona as perdas com valores entre R$ 5 mil e R$ 30 mil para as quais o sujeito passivo realizou a baixa fiscal antes de o crédito superar 1 ano de vencido, em desacordo com o critério temporal do art. 9°, sç 1°, II, b da Lei n° 9.430/96 (acima de cinco mil reais até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa). Notase que todos os créditos deste anexo tiveram a data de vencimento dentro do próprio ano de 2011. Aplicase neste caso o instituto da postergação de pagamento, pois os créditos superariam o prazo de 1 ano de vencidos no anocalendário 2012. A Tabela 3 consolida o resultado desta etapa da auditoria, mostrando que foram glosadas 27 perdas no valor total de R$ 295.907,61. 3 . 3 . 5 . G Glosas do ANEXO 2: Perdas Acima de R$ 30 mil, 2011 O Anexo 2 relaciona as perdas com valores superiores a R$ 30 mil para as quais o sujeito passivo não informou o procedimento judicial de cobrança, em desacordo com o art. 9°, § 1°, II, c da Lei n.° Postergação 2012 ANEXO 1: Justificativa Dados Valor Quantidade registros 27 Perda acima R$ 5 mil, não superou 1 ano de vencido Valor Glosado (R$) 295.907,61 Fl. 12759DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.760 6 9.430/96 (créditos vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento). Conforme já comentado no item 3.3.1, o sujeito passivo foi intimado e reintimado a prestar informações referentes a ação judicial para os registros obrigatórios (créditos com valor da perda superior a R$ 30.000,00, ou com garantia real), mas tais informações foram prestadas apenas para uma parte destas perdas. A Tabela 4 consolida o resultado desta etapa da auditoria para perdas acima de R$ 30 mil. As glosas deste relatório foram efetuadas pela ausência de informações sobre procedimentos judiciais para recebimento do crédito ou arresto das garantias, conforme informado pelo sujeito passivo no arquivo de perdas. Este fato impossibilita a aplicação do princípio da postergação de pagamento, pois estas perdas não passariam a ser dedutíveis com o simples transcurso do tempo. ANEXO 2: Justificativa Dados Valor Quantidade registros 236Perda acima R$ 30 mil, ação judicial não informada Valor Glosado (R$) 11.883.438,55 3.3.6. Glosas do ANEXO 3: Perdas em Créditos Garantidos, 2011 O Anexo 3 relaciona as perdas informadas como dedutíveis pelo critério do art. 9°, § 1°, III da Lei n.º 9.430/96 (créditos com garantia), que não atendem a pelo menos uma das duas condições legais (créditos vencidos há mais de dois anos / iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias). A Tabela 5 consolida o resultado desta etapa da auditoria. Valem as observações: o beneficio da postergação é concedido nos casos em que apenas o aspecto temporal é descumprido; foram localizados 105 casos de sobreposição com perdas do relatório do Anexo 2, de forma que estas glosas foram zeradas neste anexo para evitar duplicidade de glosa. Estes casos estão claramente indicados no relatório deste Anexo 3. Fl. 12760DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.761 7 3.3.7. Glosas do ANEXO 4: Perdas com Ação Judicial Informada, 2011 Desde o início da ação fiscal, pelo TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL com ciência em 04/02/2014, e através de outros termos lavrados em 21/05/2014, 17/07/2014, 15/09/2014 e 06/11/2014, o sujeito passivo foi intimado e reintimado diversas vezes a prestar informações referentes a ação judicial para os registros obrigatórios conforme os dois critérios de dedutibilidade a seguir: lei n°9.430/96, art. 9°, § 1°, II, c (créditos sem garantia, de valor superior a R$ 30.000,00, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento); Em ambas situações o sujeito passivo foi intimado a apresentar informações sobre a ação judicial de cobrança para todas as perdas envolvidas, além de documentação comprobatória para uma amostragem destas perdas. É importante observar a necessidade de que a ação judicial estivesse em andamento na data da baixa da perda, após um ano do vencimento (sem garantia) ou após dois anos do vencimento (com garantia). Entretanto, o sujeito passivo não logrou comprovar os procedimentos judiciais para parte das perdas, pois as informações prestadas se mostraram inconsistente ou incompleta para justificar a dedutibilidade dos valores envolvidos. Apenas para explicar o que Fl. 12761DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.762 8 deveria ter sido informado, ao início da fiscalização foi apresentado ao sujeito passivo um leiaute a ser utilizado como a "Forma de Apresentação do Arquivo de Perdas no Recebimento de Créditos", incluindo os campos do arquivo de perdas referentes a ação judicial reproduzidos na Tabela 6 abaixo. Os campos de 11 a 13 foram preenchidos pelo sujeito passivo nas 18.304 perdas acima citadas, enquanto que o campo 14 (desistência) não foi preenchido para nenhum registro. [...] O Anexo 4 relaciona as perdas que foram objeto de glosa pela falta de informações e/ou documentação comprobatória sobre os procedimentos judiciais necessários, e a Tabela 7 resume o resultado desta etapa da auditoria. As glosas deste relatório podem ser subdividas em duas categorias, no que se refere à aplicação do instituto da postergação de pagamento (vide item 3.3.9 deste termo): sem postergação, nos casos em que não houve a devida comprovação da existência de procedimento judicial adequado para suportar a dedutibilidade, pois estas perdas não passariam a ser dedutíveis com o simples transcurso do tempo; com postergação, quando houve a devida comprovação do procedimento judicial, mas este foi proposto em período de apuração posterior ao da dedução (após o ano de 2011). A coluna "Justificativa" do Anexo 4 é autoexplicativa para justificar cada uma das Glosas. Tabela 7 ANEXO 4: Perdas com Ação Judicial Informada, 2011 Postergação Quantidade registros Valor glosado (R$) 2012 188 6.684.991,22 2013 179 6.579.298,83 2014 67 2.344.752,46 Sem postergação 556 73.573.441,75 Valor Total 990 89.182.484,26 3.3.8. Consolidação das Glosas Perdas no Recebimento de Créditos — Resumo das Glosas — AC 2011 Anexo Relatório Valor Glosado (R$) Postergaçã o Fl. 12762DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.763 9 Item 3.3.3 Perda Não Demonstrada 663.666,91 Sem postergação 1 Perdas Acima de R$ 5 Mil 295.907,61 2012 2 Perdas Acima de R$ 30 Mil 11.883.438,5 5 Sem postergação 1.374.352,53 2012 3 Perdas em Créditos Garantidos 13.145.959,1 6 Sem postergação 6.684.991,22 2012 6.579.298,83 2013 2.344.752,46 2014 4 Perdas Com Ação Judicial Informada 73.573.441,7 5 Sem postergação Valor Total 116.545.809, 02 Em vista do exposto, os valores glosados não poderiam ter sido excluídos pela empresa autuada na apuração do lucro real do ano calendário 2011, acarretando o lançamento de oficio. Vale observar que o ônus da prova da dedutibilidade cabe ao contribuinte. 3.3.9. Postergação no Recolhimento do Ajuste Anual Conforme já explicado neste Termo de Verificação Fiscal, há casos em que as perdas glosadas em determinado anocalendário passariam a ser dedutíveis em períodos posteriores, no que se refere aos critérios dos artigos 9° a 12 da Lei n° 9.430/96. Portanto, sempre que possível será utilizado o instituto da postergação de pagamento do IRPJ e CSLL, pela antecipação de despesa, aplicável quando deduções são escriturados em período anterior ao devido, gerando tributo pago a menor no ano anterior e pago a maior no ano posterior. Entretanto, este benefício da postergação somente poderá ser oferecido ao sujeito passivo nos casos em que houve efetivamente tributo pago no ano posterior, correspondente ao valor da despesa postergada. Na presente situação, a Tabela 9 apresenta o cálculo dos valores de IRPJ e CSLL pagos de forma postergada pela aplicação das alíquotas então vigentes para estes tributos. Os valores resultantes são computados nos autos de infração de IRPJ e CSLL gerados pelo programa e Safira da RFB, entrando como deduções dos valores devidos destes tributos após serem trazidos a valores de 2011 pelo desconto de juros e multa de mora, conforme demonstrativo do próprio eSafira. Valem as seguintes observações: não será possível aplicar o instituto da postergação de pagamento para as despesas referentes ao ano posterior 2014, uma vez que a apuração de IRPJ e CSLL do anocalendário 2014 ainda não está disponível na data da lavratura dos presentes autos de infração, de forma que não há como se confirmar se teria havido o efetivo pagamento destes tributos em tal período de apuração; pela análise do lucro real e da base de cálculo da CSLL antes da Fl. 12763DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.764 10 compensação de períodos anteriores declarados em DIPJ nos anos calendário 2012 a 2013 (juntadas aos autos), notase que apenas o lucro real do anocalendário 2012 suporta o efeito postergatório, sendo superior ao respectivo valor da despesa antecipada mostrada na Tabela 9. Para os outros campos da Tabela 9, a base de cálculo em DIPJ é negativa, de forma que não é possível considerar que os valores das despesas antecipadas foram efetivamente tributados nos anos posteriores; o enquadramento legal da postergação é o art.845, §4° combinado com o art.273, ambos do RIR/99. Cálculo dos valores Pagos Postergados Consolidados Conforme Anexos (R$) Ano Posterior Despesa Antecipada IRPJ (25%) CSLL (15%) 2012 8.355.251,36 2.088.812,84 2013 6.579.298,83 4. Descontos Concedidos em Renegociações 4.1. Descrição dos Fatos e Fundamentação O sujeito passivo declarou "Outras Despesas Operacionais", na linha 05B/30 da DIPJ/2012 (anocalendário 2011), no valor de R$ 32.650.989.361,45, sendo que a parcela de R$ 11.234.053.583,22 foi declarada como não dedutível. Em consulta à ECD do Sped, esta fiscalização localizou uma despesa total de R$ 538.829.257,71 a título de DESPESAS DE DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÕES (conta Cosif cód. 8.1.9.52.005), conforme balancete gerado pelo programa Contágil da RFB juntado aos autos em "Descontos Concedidos Balancete" e reproduzido na Tabela 10 a seguir. Neste balancete foram excluídos os valores de encerramento informados pelo sujeito passivo no Sped, e encontramse detalhadas inclusive subcontas de uso interno. Despesa de Descontos Concedidos — Balancete AC 2011 Nível Código Conta Valor (R$) 5 8.1.9.52.005 Despesas de descontos concedidos em renegociações 538.829.257,71 6 8.1.9.52.108 Operações de crédito 530.429.225,68 7 8195200200 Oper de crédito – Prejuízo com acordos amigáveis 457.326.063,46 Fl. 12764DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.765 11 7 8195210100 Oper de CrédPrej com acordos homolog nos autos 73.103.162,22 6 8.1.9.52.201 Operações de arrendamento mercantil 8.400.032,03 7 8195220200 Operações Arrend. MercantilDesc. Conc Judicial 8.400.032,03 Com vistas à auditoria destes valores, o TERMO DE INTIMAÇÃO E DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL lavrado 21/05/2014 intimou o sujeito passivo a apresentar: composição da referida linha de "Outras Despesas Operacionais", no valor de R$ 32.650.989.361,45, indicando as contas contábeis envolvidas e os respectivos valores; informações sobre as contas de "Despesas de descontos concedidos em renegociações", incluindo a. razões contábeis, critérios de contabilização e arquivo digital contendo a composição analítica dos descontos dedutíveis, de forma individualizada. Após ser reintimado em 15/09/2014 o sujeito passivo apresentou, em 06/10/2014, a composição da referida linha 05B/30 da DIPJ/2011, acostada aos autos no documento "Outras Despesas Operacionais". Encontrase ali incluídas várias linhas referentes a prejuízos com operações de créditos que totalizam exatamente o valor de R$ 538.829.257,71 encontrado no Sped a título de "Despesas de descontos concedidos em renegociações". Este montante foi informado como despesa dedutível na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Também em 06/10/2014, o sujeito passivo apresentou cinco planilhas em formato MS MS Excel (xlsx) com a composição analítica de descontos concedidos em diversos tipos de acordos amigáveis e homologados em juízo, totalizando R$ 530.428.990,66 — conforme tabela encontrada na própria resposta do sujeito passivo apresentada naquela data. Estas planilhas se encontram juntadas aos autos no documento intitulado "Arquivos de Descontos Concedidos" permitindo que o arquivo seja baixado sob a forma compactada (zip). Pelo que já foi visto até aqui, a seguinte diferença restou não demonstrada: R$ 538.829.257,71 R$ 530.428.990,66 = R$ 8.400.267,05 Por todo o exposto, concluise que deve ser glosado o valor de R$ 8.400.267,05 a título de DESPESAS DE DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÕES na apuração do ajuste anual de IRPJ e CSLL do anocalendário 2011, uma vez que a ocorrência deste montante de descontos concedidos não foi demonstrada analiticamente pelo sujeito passivo e, portanto, não pode ser considerado uma despesa dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL — gerando lançamento de oficio. Há que se deixar claro que o sujeito passivo foi devidamente intimado e reintimado pela fiscalização, contou com prazos dilatados, mas as informações apresentadas foram incompletas, de forma que parte das despesas em tela restou sem comprovação de efetividade e dedutibilidade. Fl. 12765DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.766 12 4.2. Enquadramento Legal [...] 5. Autos de Infração [...] Os autos de infração do eSafira apresentam planilhas que detalham as compensações realizadas de oficio com o aproveitamento de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL do próprio período de apuração e/ou de períodos anteriores (nos termos dos arts. 42 e 58 da Lei n°8.981/95). Assim, o sujeito passivo deverá RETIFICAR os saldos acumulados de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, na parte B do Lalur e do Lacs, com base nos valores da Tabela 12 a seguir. Outros ajustes contábeis e/ou fiscais decorrentes destas alterações também deverão ser realizados. Períodos anteriores Próprio períodoValores compensados na presente autuação (R$) 2011 2011 IRPJ (operacional) 37.483.822,82 CSLL 124.946.076,07 6 . Anexo (s) ANEXO 1: Perdas Acima de R$ 5 MIL, 2011 ANEXO 2: Perdas Acima de R$ 30 MIL, 2011 ANEXO 3: Perdas Em Créditos Garantidos, 2011 ANEXO 4: Perdas com Ação Judicial Informada, 2011 DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos Autos de Infração, a Interessada apresentou a sua Impugnação, onde, após transcrever todo o Termo Fiscal, alegou, em resumo: 2) No item 4 do Termo de Verificação Fiscal, relativo a "Descontos Concedidos em Negociação", concluiu que deve ser glosado o Valor de R$ 8.400.267,05, porque a ocorrência deste montante de descontos concedidos não foi demonstrada analiticamente pelo sujeito passivo e, portanto, não pode ser considerado uma despesa dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; contudo, "data máxima vênia", no que diz respeito ao item 3 do termo de Verificação Fiscal não pode prosperar o lançamento fiscal posto que é inconteste o direito do Impugnante à dedução das perdas em questão, uma vez que efetivamente atendidas as condições legais previstas no artigo 9° da Lei n. 9.430/96, para fins de dedutibilidade, conforme se comprova pelos documentos ora apresentados em complemento àqueles já juntados aos autos quando da fiscalização; ainda que se admitisse, porém, apenas para argumentar, que estão corretas as glosas efetuadas quanto ao item 3 do Termo de Verificação Fiscal, e em Fl. 12766DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.767 13 qualquer hipótese quanto ao item 4, de qualquer modo no caso concreto o lançamento fiscal não pode prevalecer, dentre outras razões porque, mesmo se remanescesse algum valor que se entenda devido no caso, deveria ter se limitado a reduzir o saldo negativo do anobase, considerando a existência de pagamentos antecipados realizados pelo Impugnante em valor superior ao tributo lançado, o que não foi considerado pela fiscalização; II. QUANTO AOS DEPÓSITOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÕES ITEM 4 DO TVF; [...] contudo, ainda que se entenda ter efetivamente ocorrido a infração apontada no item 4 do Termo de Verificação Fiscal, de qualquer modo não pode prevalecer o lançamento também quanto a este item pelas razões que abaixo se passa a expor, ...[...] [ Nota do Relator: Então, a Interessada expõe que o próprio auditor fiscal no TVF reconheceu que houve pagamento postergado de imposto, mas que entretanto, não foram computados no auto de infração. Realmente, isto aconteceu, e foi objeto de diligências por parte desta Delegacia de Julgamento, ocasião em que os autos foram enviados à Unidade de Origem, tendo sido constatado o equívoco apontado, e feito a devida correção (dedução) no imposto lançado inicialmente, como no Voto adiante se comentará.] I Quanto às perdas no recebimento de crédito Item 3 do TVF; que, quando da fiscalização, foi intimado a separar as perdas por tipo nos termos do art.9° da Lei n.9.430/96 e para as perdas que exigiam processo, a informar o número da medida judicial ajuizada; a partir das informações prestadas porém, em relação a várias operações concluiu o ilustre fiscal autuante que o Impugnante não havia ajuizado medida judicial, glosando a perda respectiva, aparentemente porque em suas pesquisas considerou como número do processo o número de ordem da operação (número interno) ou o número de ordem do processo e não o seu número eletrônico, o que permitiria a identificação correta da ação judicial; assim, por meio da presente impugnação o Impugnante apresenta agora documentação e esclarecimentos complementares, com a comprovação reclamada nos autos de infração lavrados; I.1 — Glosas do Anexo 2: Perdas acima de 30 mil, 2011; quanto às perdas em questão a fiscalização justifica a glosa ao argumento de que "As glosas deste relatório foram efetuadas pela ausência de informações sobre procedimentos judiciais para recebimento do crédito ou arresto das garantias." Apresenta agora documentos que demonstram que o "Impugnante ajuizou, em face dos devedores apontados, medidas judiciais com vistas ao recebimento do respectivo crédito, restando assim comprovada a propositura da ação judicial, não Fl. 12767DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.768 14 restando dúvida quanto ao direito do Impugnante à dedutibilidade das perdas." I.2 — Glosas do Anexo 3: Perdas em Créditos Garantidos, 2011; Apresenta agora documentos (doc. 03) que demonstram que o "Impugnante ajuizou sim em face dos devedores apontados medidas judiciais com vistas ao recebimento do crédito que deu origem a perda, restando assim comprovada a propositura da ação judicial, não restando dúvida quanto ao direito do Impugnante à dedutibilidade, improcedendo a glosa realizada." I.3 Glosas do Anexo 4: Perdas Com Ação Judicial Não Informada, 2011; que o ilustre fiscal somente não localizou as medidas judiciais ajuizadas pelo Impugnante com vistas ao recebimento do crédito relativo às perdas porque em suas pesquisas aparentemente considerou como número do processo o número de ordem da operação (número interno) ou o número de ordem do processo e não o número eletrônico, procedendo assim à glosa das perdas; outrossim, se entendeu que as informações prestadas pelo Impugnante "se mostraram inconsistente ou incompleta para justificar a dedutibilidade dos valores envolvidos", como afirma, deveria então ter intimado o Impugnante a complementar a documentação; Apresenta agora documentos (doc. 0413) que demonstram "a correlação das operações de crédito com as medidas judiciais ajuizadas com o objetivo de cobrar as dívidas, bem como a manutenção das ações, não restando dúvida quanto ao direito do Impugnante de proceder à dedução da respectiva perda nos termos do artigo 9° da Lei 9.430/96, improcedendo a justificativa da fiscalização." apenas a título exemplificativo, tendo em vista o volume dos documentos apresentados, o Impugnante cita os documentos relativos à perda concernente ao número de ordem 141859, pelos quais é possível comprovar que o Impugnante habilitou seu crédito nos autos do processo de Falência do devedor CALÇADOS MAJOLO LTDA., não restando dúvida quanto ao direito de deduzir a respectiva perda em face do inciso IV do parágrafo 1° do art.9° da Lei 9.430/96; de se ressaltar que na hipótese de crédito contra devedor que teve sua falência decretada ou estava em recuperação judicial, o tratamento aplicável é do item IV do parágrafo 1° do art.9° da Lei 9.430/96, independentemente de o crédito ser classificado como garantido ou não; outrossim, os documentos apresentados (docs.05 e 06) comprovam também que diversos contratos de alienação fiduciária de bens imóveis foram devidamente averbados nas respectivas matrículas dos imóveis dados em garantia, sendo que em tais matrículas há a descrição dos dados essenciais do contrato firmado entre as partes, bem como aponta o impugnante como credor fiduciário; tais documentos (docs.05 e 06) comprovam ainda que em face do inadimplemento do contrato, o Impugnante adotou as medidas cabíveis com o objetivo de receber a dívida, notificando extrajudicialmente o devedor para purgar a mora, e Fl. 12768DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.769 15 diante da não quitação do débito, adotou as providências necessárias com o objetivo de transferir ao Impugnante a propriedade da garantia prestada; vale salientar que, para os créditos com garantia de valor superior a R$ 30.000,00, a Lei 9.430/96 exige no inciso III do §1° do art 9°: “ III. com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias," ou seja, o efetivo ajuizamento de ação judicial não é necessário se houver modo mais célere e simples de execução da garantia, como é o caso da alienação fiduciária, em que o procedimento cabível é de fato cartorial; apresenta também extratos de consultas feitas junto ao SPC (doc.07) que comprovam que em face dos devedores apontados o Impugnante adotou medidas objetivando o recebimento dos créditos; como se demonstra, portanto, em relação a tais contratos o Impugnante do mesmo modo empreendeu todos os esforços para cobrar o devedor e ter o crédito satisfeito, devendo tal circunstância ser levada em consideração pela fiscalização, na medida em que tais procedimentos se equiparam ao ajuizamento de medida judicial para cobrança da dívida, restando atendido o espírito da norma, sendo esta a forma de se executar a garantia real; por todo o exposto, não resta dúvida quanto à regularidade das deduções em relação às perdas apontadas, não podendo prevalecer os autos de infração lavrados; DAS DILIGÊNCIAS DEMANDADAS POR ESTA DELEGACIA DE JULGAMENTO Tendo em vista que não havia no auto de infração a dedução mencionada no Termo Fiscal, por conta da postergação de imposto de renda, diligências foram demandadas para que a autoridade fiscal autuante se pronunciasse a respeito. Eis o teor das diligências: A Interessada, em sua Impugnação Item III — Postergação no Recolhimento do Ajuste Anual, alega que a autoridade autuante em seu Termo de Verificação Fiscal (item 3.3.9) informou que o imposto postergado (apurado na Tabela 09) seria deduzido, com ajustes de juros e multa de mora, do valor do IRPJ e da CSLL ora devidos e lançados no Auto de Infração, mas que, entretanto, tais deduções não teriam sido efetivadas. De fato, no Demonstrativo de Apuração do IRPJ e da CSLL, dos Autos de Infração, não há este tipo de dedução. No Termo de Verificação Fiscal, item 3.3.9, consta que: “Na presente situação, a Tabela 9 apresenta o cálculo dos valores de IRPJ e CSLL pagos de forma postergada pela aplicação das alíquotas então vigentes para estes tributos. Os valores resultantes são Fl. 12769DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.770 16 computados nos autos de infração de IRPJ e CSLL gerados pelo programa eSafira da RFB, entrando como deduções dos valores devidos destes tributos após serem trazidos a valores de 2011 pelo desconto de juros e multa de mora, conforme demonstrativo do próprio eSafira. Valem as seguintes observações: [...] pela análise do lucro real e da base de cálculo da CSLL antes da compensação de períodos anteriores declarados em DIPJ nos anos calendário 2012 a 2013 (juntadas aos autos), notase que apenas o lucro real do anocalendário 2012 suporta o efeito postergatório, sendo superior ao respectivo valor da despesa antecipada mostrada na Tabela 9. [...]" Encaminhese, portanto, o presente processo para a DEINF São Paulo, para que a unidade de origem se pronuncie acerca do alegado, ou seja, (i) se os valores lançados de IRPJ e de CSLL devem, de fato, sofrer a dedução anunciada no Termo Fiscal (caso positivo, mostrar o efeito no crédito tributário), além de (ii) prestar quaisquer outros esclarecimentos que entender necessários e (iii) anexar o alegado demonstrativo do próprio esafira supra mencionado Após, deve o processo retornar a esta Delegacia de Julgamento, cumprindo lembrar que deve a Interessada tomar ciência do resultado destas diligências, reabrindolhe o prazo legal de impugnação para eventual aditamento, pertinente, evidentemente, somente à matéria objeto da diligência ora demandada. DO RESULTADO DAS DILIGÊNCIAS Em atendimento ao demandado por esta Delegacia de Julgamento, a autoridade diligenciadora se pronunciou por meio do Relatório de Diligência Fiscal, do qual se extrai alguns excertos: 2.1. Postergação no Recolhimento do Ajuste Anual [...] 5. Conforme explicado pela autoridade administrativa lançadora no Termo de Verificação Fiscal de fls. 20/40, há casos em que as perdas que foram glosadas em determinado anocalendário passariam a ser dedutíveis em períodos posteriores com base nos critérios dos artigos 9° a 12 da Lei n° 9.430/96. Isto efetivamente ocorreu na apuração do IRPJ do AC 2011, conforme valores da Tabela 1 a seguir, de forma que foi apontada a pertinência de se aplicar o instituto da postergação de pagamento em benefício do interessado no lançamento em tela. Valor Pago Postergado Conforme Fiscalização — AC 2011 (R$) Ano Posterior Despesa Antecipada IRPJ (25%) Fl. 12770DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.771 17 2012 8.355.251,36 2.088.812,84 Tabela I 1 Em análise do Auto de Infração de IRPJ de .fls. 5/11 lavrado pelo e Safira, notase que o interessado tem razão ao alegar que a dedução relativa à postergação de pagamento não foi efetivamente considerada no cálculo final do lancamento de oficio. Embora o Termo de Verificação Fiscal tenha apontado a pertinência do instituto da postergação de pagamento em benefício do interessado, conforme já relatado nesta Informação Fiscal, a autoridade administrativa se equivocou ao deixar de lançar o respectivo valor como dedução na lavratura do Auto de Infração de IRPJ pelo e Safira. [Grifo do Relator] 2.2. Novo Cálculo do IRPJ Lançado de Oficio 8. Face ao exposto, o Anexo 1 traz um novo relatório gerado pelo e Safira com o cálculo refeito do IRPJ lançado de oficio, desta feita considerando a dedução a título de postergação de pagamento. 9. Os critérios utilizados para o cálculo da dedução da postergação de pagamento são aqueles que foram corretamente explicados no item 3.3.9 do Termo de Verificação Fiscal. O valor de IRPJ pago de forma postergada foi calculado em R$ 2.088.812,84 no curso daquela fiscalização original (vide Tabela 1 desta Informação Fiscal). 10.Este valor de R$ 2.088.812,84 considerado pago na data de vencimento do IRPJ relativo ao anocalendário 2012, ou seja, em 31/01/2013, deve sofrer desconto de juros e multa de mora antes de entrar como dedução no cálculo do IRPJ devido de 2011, conforme demonstrativo do eSafira em anexo, contrariamente ao alegado pelo interessado no mesmo item "III POSTERGAÇÃO NO RECOLHIMENTO DO AJUSTE ANUAL" da citada Impugnação de fis.1624/1663). Ou seja, não há reparo a se fazer no critério de cálculo da dedução referente à postergação de pagamento, que resultou na dedução de R$ 1.628.323,08 no lançamento de 2011. 3. Conclusão [...] O efeito tributário está demonstrado no Anexo I desta informação Fiscal, e se encontra resumido na Tabela 2 a seguir. Demonstrativo do Crédito Tributário, IRPJ – AC 2011 (R$) Rubrica Cálculo Anterior Novo Cálculo IRPJ Devido 21.865.563,32 20.237.240,22 Juros de Mora (até 12/2014) 5.606.330,44 5.188.828,39 Multa de 75% 16.399.172,49 15.177.930,16 Valor Total 43.871.066,25 40.603.998,77 Fl. 12771DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.772 18 [...] encontrase anexado a esta Informação Fiscal relatório do novo cálculo do Auto de Infração de IRPJ emitido pelo e Safira, considerada agora a dedução da postergação de pagamento em tela. [ Grifo do Relator] DA MANIFESTAÇÃO DA INTERESSADA ACERCA DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL A Interessada, após um breve resumo de sua impugnação e transcrição de excertos do Despacho de Diligência e do Relatório de Diligência Fiscal, alegou o seguinte (destaque é do original): Como se vê, a r. Informação Fiscal 11.192/11.194 aplicou o método de imputação proporcional ao descontar os valores de juros e de multa para apuração do crédito tributário devido, pois deduziu apenas o valor de R$ 1.628.323,08 a título de postergação de pagamento, e não o valor de R$ 2.088.821,84 originariamente reconhecido pelo Termo de Verificação Fiscal. Isto é, a r. Informação Fiscal de fls.11.192/11.194 deixou de aplicar a metodologia própria para o cálculo da postergação de pagamento prevista no artigo 6° do Decretolei n° 1.598/77, razão pela qual merecem ser ratificadas também os termos do item III da impugnação, nos termos do que se passa a dispor: III POSTERGAÇÃO NO RECOLHIMENTO DO AJUSTE ANUAL III.1 NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINAL NÃO PODE SER SANADA EM FASE DE DILIGÊNCL4, AINDA MAIS APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL Deixase aqui de relatoriar as alegações trazidas neste tópico, em face, já adiantando o Voto, da rejeição da preliminar de nulidade do lançamento por erro/vício material, uma vez que apenas se corrigiu um equívoco na apuração do imposto (erro material), em benefício da própria Interessada. Equívocos desta natureza não afetam a legitimidade do lançamento, basta que se proceda à sua correção, aliás, procedimento devidamente autorizado e previsto no Decreto 70.235/72. III.2 NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DO ART.6° DO DECRETOLEI N° 1.598/77 Após transcrever o art.6°, parágrafos 40 a 7° do DecretoLei n° 1.598/77, alega o seguinte, resumidamente: No caso especifico do reconhecimento antecipado de despesas, como se vê no caso concreto, para fins de determinar se houve postergação no recolhimento do tributo e se essa postergação foi total ou parcial, os agentes fiscais devem confrontar o valor do IRPJ e/ou CSL pago a Fl. 12772DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.773 19 menor no períodobase incompetente, em razão do reconhecimento das despesas, com o montante desses tributos recolhido a maior no períodobase em que as mesmas deveriam ter sido deduzidas. Na hipótese de haver diferença de IRPJ ou CSLL pagos a menor ("postergação parcial", que ocorre por exemplo caso a alíquota desses tributos no período em que ocorrida a postergação for inferior, ou se em razão dos demais resultados no exercício em que poderia ser deduzida a despesa o valor do lucro real for inferior a ela), cabe o lançamento desta diferença de IRPJ ou CSL, acrescida aí sim da multa de oficio e juros m oratórios. Ou seja, de acordo com as referidas normas, depois de efetuados os ajustes e recomposições previstos na legislação a ambos os exercícios, e se apurada eventual diferença de tributo pago a maior em exercício posterior em contrapartida ao imposto pago a menor no exercício objeto da revisão (§4°, do art.6° do DecretoLei n° 1.598/77), determina o §6° do art. 6° do DecretoLei n° 1.598/77 que o lançamento do crédito tributário seja efetuado "pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §4°.[...] Também nos termos da legislação supra citada relativamente ao valor postergado haverá tão somente "a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto" (§7°, do art.6° do Decreto Lei n°1.598/77). Como se vê, os dispositivos supra citados veiculam disciplinamento específico para a hipótese de postergação, de modo que estas normas específicas, e não aquelas relativas à imputação, são as que devem ser observadas pela fiscalização para quantificação da exigência decorrente da postergação do pagamento. E, se dúvida existia quanto à forma como poderia ser feito o lançamento em conformidade ao disposto no artigo 6° do DecretoLei n° 1.598/77, foi ela definitivamente afastada com o advento da Lei n° 9.430/96, que em seu artigo 43 expressamente previu a possibilidade de lançamento de juros de mora isolados [...] Transcreve várias ementas de julgados da CSRF e CARF, neste sentido de que com a Lei 9.430/96, não seria mais aplicável o método da imputação. III.3 DESCABIMENTO DA EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA DE 20% SOBRE PAGAMENTO DE TRIBUTO POSTERGADO [..] o §7°, do art.6° do DecretoLei n° 1.598/77 expressamente estabelece que, relativamente ao valor postergado, somente é exigível "correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto." Fl. 12773DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.774 20 Transcreve ementas de julgados da CSRF e CARF, neste sentido de que não caberia multa de mora, por falta de previsão legal.” Após análise da Impugnação, a 6ª Turma de Julgamento “a quo” julgou procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário exigido, conforme denota a ementa do Acórdão n.º 0740.184 transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 IRPJ. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Constatada a postergação de pagamento de imposto, em virtude de inobservância do regime de competência, é cabível a utilização do método de imputação proporcional para fins de apuração das diferenças devidas. O imposto tido como postergado foi devidamente deduzido do imposto de renda apurado de ofício. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DEDUTIBILIDADE Créditos sem garantia acima de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00 As perdas de créditos compreendidos entre estes valores podem ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, desde que os créditos tenham vencido há mais de um ano, mantidos os procedimentos de cobrança administrativa. Eventual baixa de crédito antes de o mesmo completar um ano de seu vencimento, não permite a sua dedutibilidade fiscal. Créditos sem garantia acima de R$ 30.000,00 As perdas de créditos até este valor podem ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, desde que os créditos tenham vencido há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Eventual baixa de crédito sem a adequada comprovação de existência de ação judicial, não permite a sua dedutibilidade fiscal. Comprovada, em sede de impugnação, a existência de medida judicial para alguns créditos que tiveram a sua baixa glosada (perda), de se restabelecer a despesa e, consequentemente, acatar a sua dedutibilidade fiscal. Fl. 12774DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.775 21 Créditos com garantia As perdas de créditos podem ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, desde que os créditos tenham vencido há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias. Eventual baixa de crédito sem a observância desses critérios, não permite a sua dedutibilidade fiscal. Comprovada, em sede de impugnação, a existência de medida judicial para alguns créditos que tiveram a sua baixa glosada (perda), de se restabelecer a despesa e, consequentemente, acatar a sua dedutibilidade fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a Interessada interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação, além de combater os argumentos que embasaram a decisão de 1ª instância, merecendo destaque os seguintes pontos: 1) O Recorrente demonstrou na defesa apresentada que muito embora tenha sido expressamente reconhecido no Termo de Verificação Fiscal que no caso ocorreu mera postergação de pagamento de tributo, os valores postergados não foram computados no auto de infração. Convertido o julgamento em diligência, a d. Autoridade fiscal autuante acertadamente reconheceu que "o interessado tem razão ao afirmar que a devida dedução [de postergação] deixou de ser considerada na lavratura do Auto de Infração", e nos termos do artigo 149 do Código Tributário Nacional procedeu à lavratura de novo auto de infração, conforme se verifica às fls. 11.195/11.202, reabrindo o prazo de defesa. Desse modo, padecendo o lançamento originalmente realizado de nulidade material, é evidente não ser possível o seu refazimento pela DRJ, como pretendeu a r. decisão recorrida, e no caso tampouco pela fiscalização, uma vez que ja decorrido o prazo decadencial de cinco anos (o ora Recorrente foi cientificado na lavratura do novo auto de infração em 15/03/2017, tendo por objeto fato gerador ocorrido em 31/12/2011), de modo que pelas razões expostas deve ser reconhecida a total insubsistência do lançamento fiscal; 2) O cálculo da postergação deve se dar em consonância com o disposto no artigo 6° do DecretoLei 1.598/77, e não mediante imputação, ainda mais com acréscimo de multa de mora de 20%. Dúvida não resta, portanto, de que no caso de postergação não poderia a fiscalização aplicar o método da imputação proporcional, desrespeitando o disposto nos §§ 4º, 6° e 7° do art. 6° do Decretolei n° 1.589/77 e art. 43 da Lei n° 9.430/96, que são claros no sentido de que a multa e os juros de mora decorrentes de crédito tributário relativo a tributo recolhido de forma postergada são exigíveis isoladamente e não através daquele método; Fl. 12775DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.776 22 3) Extraise que o art. 6° do Decretolei n° 1.598/77 contém uma regra especial que afasta a incidência da multa de mora nos casos de postergação de tributos, decorrente da inobservância quanto ao período de competência, não se aplicando, por conseguinte, a regra geral que prevê a aplicação dessa penalidade no caso de atraso no recolhimento de tributos; 4) Em relação às perdas relativas aos números de ordem 141859, 2004897, 20020302, 813020, 811078, 1599935, 1634329, 2014680, 1402874, 1758603 e 1733639, entendeu a r. decisão recorrida que tais créditos não teriam sido "considerados" no levantamento fiscal, conforme justificativa apontada às fls. 11.342/11.355. Ocorre que da simples análise da listagem do Anexo 4 (fls. 80/98) é possível identificar que todos os números de ordem supra citados foram sim considerados no levantamento fiscal, tendo sido glosadas as respectivas perdas conforme justificativas apontadas na própria listagem de fls. 80/98. Foi interposto Recurso de Ofício em virtude da exoneração parcial do crédito tributário em debate. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Quanto ao Recurso Voluntário, ele é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Antes de enfrentarmos as demais questões suscitadas em sede de recurso de ofício e em sede de recurso voluntário, analisaremos primeiramente o argumento lançado pelo contribuinte acerca das perdas relativas aos números de ordem 141859, 2004897, 20020302, 813020, 811078, 1599935, 1634329, 2014680, 1402874, 1758603 e 1733639. De acordo com a decisão recorrida tais créditos não teriam sido "considerados" no levantamento fiscal, conforme justificativa apontada às fls. 11.342/11.355. Vejamos: Glosa de Perdas no Recebimento de Créditos: Anexo 4 Conforme relatoriado, a Fiscalização efetuou a glosa de valores a título de perdas com créditos a receber, pelo motivo de que as referidas deduções estariam em Fl. 12776DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.777 23 desacordo com o art.9°, §1°, inciso II, "c" e inciso III da Lei 9.430/96: "Art. 90 As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. 1° Poderão ser registrados como perda os créditos: II — sem garantia, de valor: c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; Tendo em vista que não foram apresentadas as medidas judiciais de vários créditos que foram baixados contra resultado, os quais encontramse indicados no Anexo 4 ao Termo de Verificação Fiscal (TVF), a Fiscalização efetuou a glosa dos mesmos. A Impugnante esclareceu que a autoridade autuante teria se equivocado em sua pesquisa com relação à numeração dos processos e os respectivos números de ordem, e não teria conseguido, assim, fazer a conciliação dos valores com as ações judiciais. A Impugnante apresenta, agora, em sua impugnação, as pertinentes medidas judiciais que não foram de conhecimento na fase de fiscalização. Neste sentido, a Impugnante trouxe aos autos as ações judiciais envolvendo vários daqueles créditos que foram convertidos em perdas, indicados no Anexo 4. Por meio do NUM ORD e NOME que constam no ANEXO 4: Perdas com Ação Judicial Informada, 2011, acostado após ao TVF, foi possível identificar, quando aplicável, as pertinentes medidas judiciais trazidas aos autos e que constam em Documentos Diversos — Outros — Complemento III, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV..., XXXX, da Impugnação do dia 29012015 (fis.1.968 a 2.208), onde se identifica também pelo Número de Ordem. Assim, desta verificação, constatamos que os créditos a seguir indicados estão amparados por medidas judiciais de cobrança ou equivalente e/ou arresto de garantias, portanto, podem ser considerados como perdas dedutíveis, de acordo com o art.9°, §1°, inciso II, "c" e inciso III da Lei 9.430/96, anteriormente transcrito e única razão para a glosa fiscal. Impugnação TVF Anexo 4 Complemento III Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1665838 1665838 839.086,80 Fl. 12777DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.778 24 1719286 1719286 Ação extinta pois houve composição amigável 1807731 1807731 Processo suspenso desde 13/12/2010 por falta de bens penhoráveis 1962224 1962224 134.680,45 141859 Não considerado no levantamento fiscal 1403652 1403652 624.181,87 1403653 1403653 624.170,71 1641522 1641522 110.809,41 1663925 1663925 444.765,63 1719286 Não considerado no levantamento fiscal 1807731 1807731 378.399,20 1962224 1962224 134.680,45 Complemento V Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1986942 1986942 426.093,28 1986944 1986944 406.004,50 2004897 Não considerado no levantamento fiscal 20020302 Não considerado no levantamento fiscal 116983 116983 1.392.801,11 2018296 2018296 813.816,31 ComplementoVI Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 123158 123158 643.800,96 1892017 1892017 543.307,60 100902 100902 507.192,17 Fl. 12778DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.779 25 45626 45626 494.091,76 122211 122211 455.078,05 1405101 1405101 437.878,10 89366 89366 437.467,44 1871735 1871735 435.791,90 1680392 1680392 381.638,89 ComplementoVII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1594022 1594022 379.362,66 1832055 1832055 147.978,63 1883611 1883611 452.850,28 1883607 1883607 552.689,67 813020 Não considerado no levantamento fiscal 1761353 1761353 430.331,01 1883601 1883601 381.242,41 2028549 2028549 353.977,52 1771253 1771253 340.192,52 2028549 2028549 353.977,52 1771253 1771253 340.192,52 ComplementoVIII Número de Ordem Num Ord Valor (RS) 1771253 1771253 340.192,52 1883618 1883618 330.371,10 1916485 1916485 279.072,31 1694274 1694274 229.619,10 ComplementoIX Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 810395 810395 224.417,53 Fl. 12779DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.780 26 1742174 1742174 220.756,49 2002493 2002493 216.733,18 Complemento X Número de Ordem Num Ord Valor (RS) 193746 193746 205.842,25 1634341 1634341 201.893,69 1405075 1405075 196.845,98 1300558 1300558 190.726,20 1728779 1728779 189.748,09 68364 68364 183.001,68 1293356 1293356 178.252,15 1913579 1913579 170.738,43 ComplementoXI Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1917927 1917927 167.332,66 2028550 2028550 164.817,65 1937802 1937802 155.738,45 1313813 1313813 145.689,33 1771246 1771246 140.228,91 815880 815880 139.267,41 ComplementoXII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 814619 814619 132.913,30 819923 819923 129.062,42 48098 48098 109.929,05 1840376 1840376 105995,86 811078 Não considerado no levantamento fiscal 1924173 1924173 102.182,69 1304136 1304136 98.900,23 Fl. 12780DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.781 27 1836512 1836512 101.144,12 ComplementoXIII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1771248 1771248 90.392,46 49344 49344 97.054,90 1599969 Nomes dos executados são diferentes do considerado no levantamento fiscal ComplementoXIV Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1600128 1600128 89.618,71 1883600 1883600 82.319,60 1728719 1728719 86.123,60 1732272 1732272 88.168,82 1810627 1810627 88.371,88 ComplementoXV Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1918237 1918237 80.535,69 1720367 1720367 80.958,08 823301 823301 79.493,31 1322931 1322931 77.566,17 ComplementoXVII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1829607 1829607 69.497,32 64534 64534 68.854,18 1396728 1396728 68.326,98 1916273 1916273 67.211,39 1365550 1365550 66.965,70 1402716 1402716 66.655,62 1304140 1304140 64.497,10 Fl. 12781DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.782 28 818915 818915 64.476,10 1858835 1858835 63.714,70 ComplementoXVIII Número de Ordem Num Ord Valor (RS) 1405055 1405055 63.459,08 1599940 1599940 62.787,20 819917 819917 62.346,53 1634461 1634461 61.087,42 818880 818880 60.566,01 819253 819253 60.444,05 817521 817521 60.379,07 821675 821675 60.000,70 1829561 1829561 59.131,53 ComplementoXIX Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1402610 1402610 58.906,12 817005 817005 58.739,20 1708393 1708393 58.683,32 1810936 1810936 58.491,64 813343 813343 58.134,51 Fl. 12782DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.783 29 818942 818942 58.113,44 1264671 1264671 57.916,43 109600 109600 57.383,33 1771247 1771247 56.543,56 ComplementoXX Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1634474 1634474 56.237,39 1634573 1634573 55.697,88 821847 821847 55.299,13 812277 812277 55.255,23 1728757 1728757 55.169,45 1358102 1358102 55.165,68 815926 815926 55.132,64 ComplementoXXI Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1715952 1715952 55.088,84 1908653 1908653 55.045,17 1732284 1732284 54.565,53 1928102 1928102 54.451,06 818906 818906 53.721,75 ComplementoXXII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1358555 1358555 53.650,92 Fl. 12783DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.784 30 1728888 1728888 53.424,17 818931 818931 52.907,36 1928096 1928096 52.792,65 1969469 1969469 51.950,92 1771288 1771288 51.744,77 ComplementoXXIII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1883589 1883589 51.566,86 1728894 1728894 51.116,30 818904 818904 50.778,53 1858841 1858841 50.700,37 1771250 1771250 50.387,40 1694272 1694272 49.625,44 ComplementoXXIV Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 815927 815927 48.713,39 819912 819912 48.432,80 815577 815577 48.476,28 819921 819921 47.800,89 1600060 1600060 47.599,89 813239 813239 47.114,12 1924172 1924172 46.804,29 Complemento XXV Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1621699 1621699 46.785,18 1728895 1728895 46.601,84 2026742 2026742 46.276,58 1322929 1322929 46.042,29 Fl. 12784DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.785 31 813341 813341 45.661,24 1842334 1842334 45.528,58 1268619 1268619 45.214,22 1404562 1404562 44.849,27 ComplementoXXVI Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1404563 1404563 44.553,55 1842323 1842323 44.542,66 818943 818943 44.483,27 50417 50417 44.217,98 1358089 1358089 44.094,78 1949445 1949445 43.705,96 1986942 1986942 423.093,28 1969492 1969492 43.543,74 815928 815928 43.454,02 1599935 Não consta no levantamento fiscal 824323 824323 43.073,21 ComplementoXXVII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1634488 1634488 42.347,17 1969470 1969470 42.083,23 819932 819932 42.045,66 817867 817867 41.702,86 819902 819902 41.586,02 1268624 1268624 41.064,44 1771270 1771270 41.033,94 1368884 1368884 40.958,27 Fl. 12785DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.786 32 1599870 1599870 40.666,99 1728803 1728803 40.561,82 1771251 1771251 40.543,19 Complemento XXVIII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1732280 1732280 39.686,58 1734477 1734477 39.585,74 1599916 1599916 39.067,91 818896 818896 38.925,00 1918251 1918251 38.771,18 812472 812472 38.642,43 1716020 1716020 38.284,63 Complemento XXIX Número de Ordem Num Ord Valor (RS) 1771259 1771259 38.006,33 1715861 1715861 37.816,65 1402439 1402439 37.278,84 1918238 1918238 37.104,03 1634395 1634395 37.037,97 1928412 1928412 36.939,62 117506 117506 36.809,35 823310 823310 36.675,30 ComplementoXXX Número de Ordem Num Ord Valor (RS) 1906919 1906919 36.493,61 42564 42564 36.378,15 824121 824121 35.812,03 820507 820507 35.620,49 Fl. 12786DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.787 33 1590152 1590152 35.617,18 1818554 1818554 35.564,08 ComplementoXXXI Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 109597 109597 35.143,95 1771264 1771264 35.067,52 824143 824143 34.755,44 1661814 1661814 34.677,74 1728775 1728775 34.664,57 1661922 1661922 34.931,49 1288520 1288520 34.833,24 1694250 1694250 34.402,86 ComplementoXXXII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1930802 1930802 34.391,05 820762 820762 34.337,35 1404523 1404523 34.327,33 1728937 1728937 34.115,50 Complemento XXXIII Número de Ordem Num Ord Valor (RS) 1728782 1728782 34.089,37 1928411 1928411 33.804,78 1590151 1590151 33.689,80 1404719 1404719 33.470,84 813918 813918 33.415,67 819648 819648 33.359,68 820775 820775 33.070,95 1937464 1937464 32.817,64 Fl. 12787DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.788 34 1629273 1629273 32.805,11 634682 634682 32.704,44 ComplementoXXXIV Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1771249 1771249 32.669,29 823316 823316 32.648,48 811330 811330 32.624,40 1928250 1928250 32.622,20 823313 823313 32.485,63 1278116 1278116 32.444,27 1715939 1715939 32.277,46 109668 109668 32.181,24 815700 815700 31.989,95 ComplementoXXXV Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1858849 1858849 31.767,59 1842382 1842382 31.763,66 1629207 1629207 31.642,25 1728722 1728722 31.476,22 1732290 1732290 31.349,27 1404287 1404287 31.257,67 1858851 1858851 31.077,02 115872 115872 30.952,00 ComplementoXXXVI Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1843296 1843296 30.657,41 819918 819918 30.468,58 823308 823308 30.330,05 1694233 1694233 30.319,85 Fl. 12788DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.789 35 1728921 1728921 30.248,81 1405025 1405025 30.061,39 1772195 1772195 20.518,71 1314050 1314050 4.138,50 Complemento XXXVII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 815525 Procedimento cartorial/não se trata de ação judicial 1643169 1643169 93.826,80 1767886 1767886 162.634,12 1938245 1938245 58.078,04 1939453 Procedimento cartorial/não se trata de ação judicial 1942206 1942206 128.740,51 1989825 1989825 201.044,59 1966483 Procedimento cartorial/não se trata de ação judicial 1992324 Procedimento cartorial/não se trata de ação judicial Complemento XXXVIII Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1924623 1879782 1832311 1826260 1801222 1740606 1737962 1737961 Procedimento cartorial/não se trata de ação judicial Fl. 12789DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.790 36 1725750 1718855 1654298 1632067 Complemento XXXIX Número de Ordem Num Ord Valor (R$) 1589630 1588102 1271128 Procedimento cartorial/não se trata de ação judicial 1634329 Não consta no levantamento fiscal 201 140 175 173 TOTAL 28.249.881,2 Ocorre que da simples análise da listagem do Anexo 4 (fls. 80/98) é possível identificar que todos os números de ordem supra citados foram sim considerados no levantamento fiscal, tendo sido glosadas as respectivas perdas conforme justificativas apontadas na própria listagem de fls. 80/98: · número de ordem 141859 — consta às fls. 94 · número de ordem 2004897 consta às fls. 98 · número de ordem 20020302 consta às fls. 94 · número de ordem 813020 consta às fls. 81 · número de ordem 811078 consta às fls. 81 · número de ordem 1599935 consta às fls. 84 · número de ordem 1634329 consta às fls. 96 · número de ordem 2014680 consta às fls. 98 · número de ordem 1402874 consta às fls. 95 · número de ordem 1758603 consta às fls. 96 · número de ordem 1733639 consta às fls. 96 Portanto, improcede a justificativa apontada pela r. decisão recorrida para não analisar a documentação apresentada pelo Recorrente relativamente aos números de ordem Fl. 12790DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.791 37 supra citados. Vêse claramente que não houve enfrentamento pelos julgadores dos documentos anexados aos autos pela recorrente. Isto é, a DRJ não analisou o mérito da autuação quanto aos documentos que, aparentemente, comprovam o preenchimento dos requisitos exigidos pelo art. 9 da Lei n. 9.430/96. O voto condutor do v. acórdão recorrido revela que os i. Julgadores "a quo", ao arrepio do ordenamento jurídico e na contramão do princípio do informalismo que norteia o processo administrativo fiscal, desconsideraram as provas produzidas pelo Recorrente com base no argumento que tais ordens não constam do levantamento fiscal. Sob esta perspectiva, mostrase parcialmente nula a decisão na forma do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72: "Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Ora, uma vez que os documentos acima aludidos não foram apreciados pela autoridade julgadora de 1ª instância, uma análise por este Conselho irá implicar verdadeira supressão de instância, o que não se pode admitir, sendo necessário o reconhecimento da nulidade parcial da decisão recorrida. O cerceamento de defesa decorre da necessidade da análise de todos os elementos probatórios apresentados pelo contribuinte que aparentemente são relevantes para o devido deslinde do presente processo, em especial à luz do princípio da verdade material, elucidado com clareza pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro em seus votos, como o abaixo transcrito do Acórdão n.º 3402003.306, de 23/08/2016, verbis: "12. Primeiramente, não é demais lembrar que em matéria de processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não é aqui empregado como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. 13. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos." (grifei) Fl. 12791DF CARF MF Processo nº 16327.721351/201419 Acórdão n.º 1302003.029 S1C3T2 Fl. 12.792 38 Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para anular parcialmente a decisão recorrida por ter deixado de enfrentar as provas apresentadas nos autos quando da apresentação da impugnação, notadamente no que diz respeito acerca das perdas relativas aos números de ordem 141859, 2004897, 20020302, 813020, 811078, 1599935, 1634329, 2014680, 1402874, 1758603 e 1733639, constantes do anexo IV do TVF. Desta forma, como exigido pelo §2º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, para o devido prosseguimento deste processo, o mesmo deve retornar à Delegacia de Julgamento competente para proferir nova decisão, enfrentando as provas juntadas aos autos, avaliando sua pertinência para afastar as glosas de despesas perpetradas pela fiscalização, inclusive com a conversão do processo em diligência, caso entenda necessário, notadamente no que diz respeito acerca das perdas relativas aos números de ordem 141859, 2004897, 20020302, 813020, 811078, 1599935, 1634329, 2014680, 1402874, 1758603 e 1733639, constantes do anexo IV do TVF. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 12792DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721481/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2011
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Trata-se de matéria não impugnada a que não foi especificamente contestada pelo recorrente.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2011
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS
BANCÁRIOS.
Comprovada a origem dos depósitos bancários, afasta-se a presunção legal.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PASSIVO FICTÍCIO.
Afasta-se a presunção legal da parte do passivo escriturado cuja veracidade
foi comprovada.
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1201-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício); ausente, justificadamente, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Tratase de matéria não impugnada a que não foi especificamente contestada pelo recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Comprovada a origem dos depósitos bancários, afastase a presunção legal. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PASSIVO FICTÍCIO. Afastase a presunção legal da parte do passivo escriturado cuja veracidade foi comprovada. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora e Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 81 /2 01 4- 22 Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício); ausente, justificadamente, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 548/580, que exigem R$17.495.353,82 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no regime lucro real anual, devido às infrações: 0001 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Passivo Fictício, fato gerador 31/12/2011; 002 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, fato gerador em 31/12/2011; R$6.306.967,37 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo das infrações 001 e 002; R$5.325.883,56 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, regime não cumulativo, reflexo das infrações 001 e 002; R$1.156.277,35 de Contribuição para o PIS, regime nãocumulativo, reflexo das infrações 001 e 002. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, págs. 543/547. 2. Cientificado em 18/12/2014, pág. 585, o contribuinte apresentou impugnações de págs. 588/605, com os documentos de págs. 606/950, cujo resumo pela DRJ se transcreve: A impugnação, apresentada em 19/01/2015 (fls. 588 a 605), acompanhada de documentos, sustenta, em linhas gerais, que: 1 os depósitos bancários foram realizados por acionistas (ou por conta e ordem destes), para fins de aumento de capital, em conformidade com os estatutos, atas de assembléia e boletins de subscrição de ações, sendo que apenas as transferências negritadas a seguir foram alvo da autuação: Quadro I (Impugnação) 2 as obrigações decorrentes da compra de imóveis (que pertenciam à Eletropaulo), realizada em 2003, aparentemente vencidas, foram repactuadas diversas vezes, tendo os respectivos pagamentos sofrido vários adiamentos, de modo que o passivo registrado na escrituração em 31/12/2011 era verdadeiro; o quadro a seguir (extraído da fl. 14 da impugnação, fl. 601 do e processo), resume os fatos referentes aos pagamentos dessa compra, que evidenciariam a veracidade da existência do saldo de RS 47.754.465,80. em 31/12/2011: Quadro II (Impugnação) 3 as obrigações decorrentes do TAC fumado junto ao Ministério Público, aparentemente vencidas, também foram objeto de repactuação (TCAC), em 15/06/2012, conforme doe. 28, que provaria que os RS 5.000.000.00 do TAC não haviam ainda sido quitados em 31/12/2011. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 4 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O TVF aponta que o contribuinte apesar de intimado, não apresentou qualquer documento que comprovasse: a) a efetiva origem dos depósitos; b) que os depósitos foram efetuados pelos sócios "Adalberto Bueno Netto ou Haite Investimentos e Paiticipações Ltda"; e que c) os depósitos tiveram origem em conta bancária lícita. Os depósitos bancários apontados no TVF são os seguintes: Quadro IH (TVF) Um quadro da impugnação (fl. 593 do eprocesso) mostra "por conta e ordem" de quem os valores foram depositados e quem foi o "remetente da TED" ou o "emissor do cheque" Quadro IV (Impugnação) Há sérias discrepâncias entre os dados do Quadro I (Impugnação) e os do Quadros Hl (TVF) e IV (Impugnação), como por exemplo: lo interessado aponta depósito de RS 10.771.231,00, em 30/06/11. no Quadro I (Impugnação), ao passo que nos Quadros Hl e IV, respectivamente, a fiscalização e o interessado apontam depósito de RS 4.105.285,00, mas no dia anterior; além disso, 2 os dados da coluna "VALOR TRANSFERIDO" do Quadro I (Impugnação) indicados pelo interessado como sendo objeto da autuação correspondem apenas em parte à autuação, havendo discrepâncias de datas e valores (nessa coluna não há o valor de RS 100.000.00. do dia 06/10/2011), sendo que os valores indicados como sendo objeto da autuação somariam apenas RS 15.901.285,00. Também há discrepâncias entre os Quadros III (TVF) e IV (Impugnação), pois: 1 a Harte Investimentos e Paiticipações Ltda., conforme o Quadro IH (TVF), teria aportado tão somente R$ 205.300.00. em 01/12/11, mas conforme o Quadros IV (Impugnação), teria aportado, além desse valor, mais RS 4.105.285,00, em 29/06/11, e RS 1.000.000,00, em 22/12/11, sendo que todos os aportes feitos por intermédio da Centaoros; 2 conforme o Quadro IV (Impugnação), foi a Bueno Netto Empreendimentos Imobiliários S/A que efetuou dois aportes em nome do Sr. Adalberto Bueno Netto, diferentemente do que consta no Quadro III (TVF), de RS 100.000.00, em 22/06/1L e de RS 5.914.000,00, em 15/12/11. O interessado traz os documentos de fls. 658 a 714 (inclusive contrato de mútuo gracioso fumado entre Harte Investimento e Centaurus) que, se verdadeiros, comprovariam a veracidade dos dados informados no Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 5 4 Quadro IV (Impugnação), com pequenos ajustes irrelevantes para o mérito de caso, como segue: (quadro pág. 912) Assim, embora a questão da licitude das contas bancárias pareça ter sido superada pelos elementos apresentados, restaria a questão da licitude da origem dos recursos objeto desses depósitos, pois informações coletadas na Internet apontam o seguinte: 1 conforme o domínio "jornal I9.com": (...) 2 – conforme o domínio”radaroficial.com.br”, a Harte Investimentos e Participações Ltda. foi objeto de Medida Cautelar de (...) 3 –o domínio da Centaurus Realty Group Investimentos Imobiliários S.A definea como uma “holding em geral”, fundada em 2010, que possui um empregado e promove a venda de imóveis em um condomínio de luxo denominado Golf Village; seu CNPJ é nº 12.514.211/000121, que os sistemas da RFB indicam tratarse de empresa do grupo Banco Banif, conforme quadro a seguir: (...) Há retificações extemporâneas de atas de reunião do Conselho de Administração (em 26/05/2011 sobre decisões de julho de 2007, item (a), conforme fls. 690 a 694, e inconsistências sobre o valor do aumento do aumento de capital registrado em ata e o registrado no boletim de subscrição de ações (fls. 697, 709 e 710), bem como o consignado na ata de 22/11/2011 (fls. 701 a 704). Esses apontamentos, todavia, não podem ser dissociados das questões referentes ao passivo fictício, que serão tratadas a seguir. PASSIVO FICTÍCIO. Quanto às obrigações decorrentes da aquisição dos imóveis (da Eletropaulo), os documentos de fls. 715 a 824 respaldariam, segundo o interessado, a veracidade do saldo do passivo existente em 31/12/2011, conforme o Quadro II (Impugnação), muito embora o saldo de RS 47.754.465,80, decorrente da compra dos imóveis, estranhamente já incorpore, em 31/12/2011, correção até 03/12/2012. sendo certo que o índice de correção ajustado entre as partes foi o IPCA/FIPE, conforme o INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE VENDA E COMPRA DE IMÓVEIS, de 24/01/2003 (fl. 723): (...) Alem disso, o interessado afirma, as fls. 596 e 597, que: Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 6 5 "Nos idos de 2003, a Impugnante celebrou o compromisso de compra de um terreno com área total de 256.703m2 de propriedade da Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S/A, composto de cinco glebas, objeto das matrículas n° 187.491, 176.790, 176.791, 199.609 e 199.610, pela importância de R$ 80.000.000,00 comprometendose a realizar o pagamento de forma parcelada (Doe. 19)." (grifouse) E à fl. 602, que: "Em relação ao passivo mantido no balanço da Impugnante em 31/12/2011 por conta dos valores decorrentes do Termo de Ajustamento de Conduta TAC (Doe. 27) firmado inicialmente pela Impugnante, cabe ressaltar que este também sofreu uma alteração em 15/06/2012, conforme se denota do Termo de Aditamento de Compromisso de Ajustamento de Conduta TCAC anexo (Doe. 28). Em referido documento é possível constatar nas cláusulas 47 e 48 que a Impugnante até a data do referido Termo Aditivo (15/06/2012) não havia quitado o valor de R$ 5.000.000,00 ... atribuído como compensação pelos danos materiais causados. Importante esclarecer que tal aditamento se deu pelo fato de que parte dos terrenos adquiridos da Eletropaulo, em especial os de matrícula n°s 187.491, 176.790 e 176.791, foram transferidos à Lille Investimentos Imobiliários Ltda.(l) e à Arconte Desenvolvimento Imobiliário Ltda.(2)." (grifouse e negritouse) As notas ao pé da 11. 602, explicam que: "1 Por conta da retirada da Sociedade da sócia Tecnisa, foi transferido o terreno de matrícula n° 187.491 como forma de reembolso pelo exercício do seu direito de retirada (Doe. 29). 2 Em Dezembro de 2010 com o intuito de obter subsídios para quitar a dívida com a Eletropaulo, a Impugnante alienou os imóveis inscritos sob a matrícula n.° 176.790 e 176.791 para a Arconte (Doe. 30)." (negritouse) A Nota 1 (pé da fl. 602) afirma que um imóvel foi transferido à Tecnisa (mais precisamente, à Lille, controlada desta) como forma de reembolso pelo exercício do seu direito de retirada. O exercício desse direito decorreria do inadimplemento da condição estabelecida para ingressar como acionista na sociedade, qual seja, obtenção do registro de incorporação até 31/12/2007. Assim, parece ter havido irregularidades no exercício do direito de recesso, pois "Conforme a Cláusula 2 do Segundo Aditamento, a TECNISA poderia se retirar da sociedade se, até 31/12/2007, não fosse registrada a incorporação do empreendimento." (fl. 205)., sendo certo que estabelecer tal condição não justifica o exercício desse direito, nos moldes da Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 7 6 Lei das S/A, como explica o domínio "portaldoinvestidor.gov.br": (...) Já a Nota 2 (pé da fl. 602) afirma que 2 imóveis foram alienados para "obter subsídios para quitar a dívida com a Eletropaulo". A venda foi de R$ 46.000.000,00 (fl. 15) e o balancete (fl. 141) de 31/12/2011 mostra que o saldo de R$ 17.000,00 no respectivo "Contas a Receber" foi pago em 13/05/2011, "zerando" o saldo dessa conta (fls. 162 e 172), de modo que quase todo esse valor foi recebido em 2010 da Arconte. No entanto, a Escritura de Venda e Compra, datada de 14/12/2010, pela qual o interessado vendeu os dois imóveis à Arconte Desenvolvimento Imobiliários Ltda. (fls. 879 a 886) relata, às fls. 881 e 882, que: (...) Assim, é de se ver que o prazo estipulado, no caso, para obter o registro de incorporação, era um prazo absolutamente irrealista, sendo de se esperar que uma longa série de exigências ambientais haveriam de ser feitas antes de se poder construir nesses imóveis, visto que os mesmos estavam (ou ainda estão?) contaminados, em virtude de terem servido como "botafora" de lodo dragado do leito do Rio Pinheiros ao longo dos anos 60 a 80, além de existir remanescentes de Mata Atlântica nesses terrenos, conforme o domínio "info. abril, com.br" %..) 15/08/2014 10h31 Mata nativa faz obra ser barrada na Marginal, em SP Estadão Conteúdo (...) Portanto, ou a escritura ou a escrituração não retrata fielmente a realidade dos fatos. Além disso, os sistemas da RFB mostram que a Arconte Desenvolvimento Imobiliário Ltda., CNPJ 10.460.896/000145, é uma empresa do "grupo Bueno Netto", conforme quadros a seguir: (...) Portanto, a venda dos 2 imóveis para a Arconte em 2010 não representou dinheiro novo" no grupo de empresas a que pertence o interessado. O interessado alega que: "Em relação ao passivo ... em 31/12/2011 por conta ... do ... TAC (Doe. 27) firmado inicialmente pela Impugnante, cabe ressaltar Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 8 7 que este também sofreu uma alteração em 15/06/2012, conforme ... Termo de Aditamento de Compromisso de Ajustamento de Conduta TCAC anexo (Doc. 28). E também que: "Importante esclarecer que tal aditamento [explicase: TCAC] se deu pelo fato de que parte dos terrenos adquiridos da Eletropaulo, em especial os de matrícula n°s 187.491, 176.790 e 176.791, foram transferidos à Lille ...(1) e à Arconte ....(2)." Ou seja: o TCAC, do qual decorreria a transferência para terceiros de metade da obrigação mantida junto ao Ministério Público teria sido firmado em 15/06/2012, ao passo que, conforme o final do Quadro II (Impugnação), as duas últimas parcelas (6a e 7a) só teriam sido pagas em 03/12/2012, quando a respectiva obrigação teria sido reduzida à metade. No entanto, os comprovantes de pagamento à Secretaria da Justiça (fls. 887 a 904) perfazem quase R$ 3.400.000,00, conforme o quadro a seguir: (...) Perguntase: como o interessado já podia calcular com exatidão a correção da dívida junto à Eletropaulo em 31/12/2011, mas não podia fazer o mesmo em relação às obrigações decorrentes do TAC? CONCLUSÃO. Encaminho o processo ao órgão de origem para que a fiscalização diligencie no sentido de obter resposta conclusiva para o seguinte quesito, dentre outros que julgar relevantes: considerando as acusações de fraude e falsificação de documentos que pesam contra o Sr. Adalberto Bueno Netto, conforme consta no domínio "jornal I9.com" transcrito, indaga se se são verdadeiros os documentos (que, apesar das discrepâncias apontadas, parecem afastar as presunções legais de omissão de receita) apresentados juntamente com a impugnação? 3. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO determinou a diligência de págs. 909/928. 4. Os documentos desta diligência se encontram às págs. 934/1.072, e o Relatório de Diligência Fiscal de págs. 1.073/1.080. 5. Cientificado, o contribuinte apresentou a seguinte manifestação de págs. 1.098/1.099: Ademais, em que pese ser assunto alheio aos fatos aqui discutidos, mas que foi levantado pela Delegacia de Julgamento, a peticionária se vê obrigada a esclarecer que referidas notícias veiculadas no domínio "Jornal 19" não possuem qualquer embasamento jurídico ou fático, tanto que Sr. Adalberto Bueno Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 9 8 Netto, também citado na decisão da DRJ/SPO, ingressou com Procedimento Sumário junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e obteve deferido seu pedido de antecipação de tutela (documento anexo) para excluir as matérias veiculadas em tal portal, por representarem verdadeiro "ataque pessoal", uma vez que referido portal possui como um de seus proprietários Luiz Eduardo Auricchio Bottura (informação constante da Ação Judicial nº 103171989.2014.8.26.002), exgenro do controlador da peticionária. 6. E anexou Decisão judicial de págs. 1.113/1.114, deferindo antecipação de pedido de tutela, em 11/04/2016. 7. A DRJ/SPO proferiu o Acórdão nº 1676.689, em 21 de março de 2017, págs. 1.161/1.180, que a julgou a impugnação procedente em parte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Comprovada a origem dos depósitos bancários, afastase a presunção legal. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PASSIVO FICTÍCIO. Afastase a presunção legal da parte do passivo escriturado cuja veracidade foi comprovada. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. 8. A DRJ/SPO, recorreu de ofício, em razão da exoneração de crédito tributário superior ao limite determinado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. 9. O contribuinte foi cientificado em 17/04/2017, pág. 1.194 e não se manifestou. 10. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN não se manifestou. 11. É o relatório. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Infração mantida pela DRJ e não contestada. 12. O Acórdão da DRJ/SPO considerou procedente e manteve a autuação relativa ao passivo fictício no montante de R$5.216.364,45, págs. 1.177/1.178, que não foi contestado pela Recorrente e que corresponde ao total mantido da autuação: R$1.280.091,10 de IRPJ, Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 10 9 R$469.472,80 de CSLL, R$86.070,02 de PIS, R$396.443,70 de Cofins, e respectivos multas de ofício de 75% e juros de mora. 2 Depósitos Bancários de origem não esclarecida. 13. Às págs. 1.074/1.080, descreve o autor da diligência fiscal que o contribuinte indicou os depósitos efetuados, depositante, agência e conta de origem dos depósitos/créditos recebidos, bem como os correspondentes comprovantes de depósitos; e reuniões do Conselho de Administração deliberando o aumento de capital e confirmou a respectiva contabilização como aumento de capital; que do cadastro na Jucesp consta o registro das reuniões do Conselho de Administração, que trataram dessa questão; também analisou os documentos de depósito e extratos bancários e demais documentos de págs. 71/85, 97/100, 10/117, 118/120 e 122/127 e concluiu que não há evidência de que os documentos não sejam verdadeiros. 14. À vista desta conclusão da diligência, a DRJ cotejou os valores lançados com os documentos apresentados, no quadro de pág. 1.177, e confirmou que todos esses depósitos bancários têm origem comprovada, devendo ser afastada a presunção legal de omissão de receitas. 3 Passivo Fictício. 15. À pág. 1.080, o diligenciante descreve como examinou os documentos 19 a 31, atinentes ao passivo decorrente da compra do terreno junto à Eletropaulo e que também concluiu que não há evidência de que os documentos não sejam verdadeiros. 16. À vista desta conclusão da diligência, a DRJ cotejou os valores lançados com os documentos apresentados, no segundo quadro de pág. 1.177, e no de págs. 1277/1278, e identificou que restou não infirmado o passivo fictício no montante de R$5.216.364,45., pois os restantes R$47.754.465,80, restaram comprovados. 4 Infrações consideradas improcedentes. 17. Ambas infrações foram objeto de diligência determinada pela DRJ/SPO. 18. O Acórdão de primeira instância proferido utilizouse do resultado desta diligência, cujo resultado está consubstanciado no Relatório da Diligência Fiscal, págs. 1.073/1.080, cientificado à interessada que não o contestou, assim como não contestou o Acórdão da DRJ/SPO. 5 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício, e que se prossiga na cobrança crédito tributário mantido pela DRJ/SPO e não contestado. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 19515.721481/201422 Acórdão n.º 1201002.296 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 1239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907219/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
1.0 = *:*
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CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 72 19 /2 00 8- 54 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 29/32), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 10/03/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 23/11/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 36). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 21/12/2012 (fls. 38/44), alega ter recolhido indevidamente valores referente a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 13/18 (PER/DCOMP nº 38598.64988.170105.1.7.04 4505), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 06/03/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 16327.907219/200854 Acórdão n.º 3802003.427 S3TE02 Fl. 85 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 06/03/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Fl. 86DF CARF MF 4 Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 20/08/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000791/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
Numero da decisão: 2201-004.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
Nome do relator: Douglas Kakazu Kushiyama
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
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AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 07 91 /2 00 9- 36 Fl. 446DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 190 a 196) da decisão de fls. 174 a 183 que julgou procedente o lançamento decorrente de aferição indireta, através do Custo Unitário Básico CUB. O lançamento objeto de discussão referese às contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor da mão de obra utilizada na prestação de serviços de obra de construção civil. De acordo com a fiscalização, após o exame da escrituração contábil do Autuado constatou os seguintes fatos: a) O contribuinte lançou de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para o registro de pessoas físicas, notadamente na conta “l0l0205.0106SERVIÇO DE TERCEIRO PF”, no período de 01/2004 a 02/2005, conforme cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão/2004 e cópias das notas fiscais de serviço que ensejaram tais lançamentos; ` b) No período de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou mãodeobra sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. c) A empresa deixou de lançar na contabilidade a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme valores apurados nas folhas de pagamento. d) A empresa empregou o serviço de gesseiro e graniteiro que pode ser comprovado pela aquisição de grande quantidade de gesso e granito para o Ed. Hannover, conforme notas fiscais anexas. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esses serviços. Intimada a apresentar documentos que comprovassem o pagamento a esses profissionais, a empresa não atendeu à requisição fiscal. Assim, o fisco concluiu que a contabilidade omite informação, não reflete a realidade dos custos incorridos na obra e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. Em conseqüência, procedeu à aferição indireta do valor do saláriodecontribuição necessário à execução da obra, nos termos dos §§3°., 4°. e 6°. do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Pela infração à legislação previdenciária, foi aplicado o auto de infração n°. 37.215.7726. A aferição indireta foi feita com base no Custo Unitário Básico (CUB) divulgado pelo Sindicato da Construção Civil (SINDUSCON). A área construída, de 10.245,51m2 , foi obtida no quadro I das informações para arquivo no registro de imóveis fornecidas pelo Autuado (f. 100 do AI 37.215.7700). Como o contribuinte não discriminou as áreas passíveis de aplicação de redutores no projeto arquitetônico, foram considerados os redutores identificados pelo Autuado no mesmo quadro, chegandose a uma área construída de 8.478,50m2 (f. 100 do AI 37.215.770O). Fl. 447DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 212 3 O lançamento também levou em consideração as remunerações lançadas em GFIP dos empregados vinculados à obra. Os elementos de prova foram juntados no AI 37.215.7700, lavrado na mesma ação fiscal, ao qual os autos estão apensado. Cientificado do crédito tributário em 08/04/2010 (f. 1), o ora Recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 35/56) alegando em apertada síntese: 1. a tempestividade da impugnação; 2. cerceamento do direito de defesa, já que: 2.1. a fiscalização não demonstrou em pormenores, no relatório fiscal da infração (item 6.2, “c”) quais os trabalhadores em gozo de férias e os indenizados com os seus respectivos valores para que a impugnante os examinasse; 2.2. no item 6.2, “b” não cita o nome dos trabalhadores que supostamente eram gesseiros prestadores de serviços e suas remunerações inferidas pelo Fisco. De igual modo não foram citados os nomes dos graniteiros no item 6.2, “d”; 3. não há embasamento para a desconsideração da contabilidade para fins previdenciários; 4. que no lançamento de folha 165 e 191 no livro Razão houve equívoco na classificação dos documentos e, por conseguinte, lançado na conta de pessoa física. Constatado até mesmo pelo Fisco, este fato não acarretou qualquer prejuízo para a Previdência Social, uma vez que 0 lançamento contábil não é gerador de obrigação tributária. Houve falha, mas não omissão de registro. A impugnante não o fez por simulação para mascarar o resultado; 5. Os serviços para a aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005 foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro, sendo todos com registro profissional em carteira de trabalho, conforme documentos anexos (doc. 37/ 108). São serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra, não havendo necessidade de contratação de pessoal uma vez que a lmpugnante já possuía pessoal que deslocou para o serviço, aliás, prática essa usada durante todo o período de execução da obra. Não existem nos autos elementos de prova que justifiquem que aqueles serviços foram prestados por pessoas outras contratadas pela Impugnante. 6. Quanto aos valores supostamente não contabilizados (item 6.2, “c” do relatório fiscal): 6.1. as referencias feitas às indenizações e férias não citam os nomes dos beneficiários, o valor por eles recebido e a data do pagamento, que e' fundamental para se saber se a contabilidade registrou o pagamento na data certa; Fl. 448DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 6.2. a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos referentes àqueles documentos, com exceção do lançamento da mãodeobra na conta de materiais na competência 04/04. Mesmo assim, não houve prejuízo para a Previdência Social, uma vez que houve recolhimento sobre a totalidade da folha do mês. 6.3. Os valores foram contabilizados conforme segue: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 04/04 12.793,18 2.058,28 10.734,90 05/06 09/04 8.583,20 8.583,20 07/08 10/04 7.046,40 7.046,40 09/10 11/04 6.273,75 6.273,75 11/21 6.4. não houve indenizações/rescisões na competência 09/2004; 6.5. As férias foram corretamente contabilizadas conforme os seguintes valores: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 10/04 963,87 963,87 12/12 11/04 208,76 208,76 22/23 7. Quanto à utilização de gesseiro/graniteiros: 7.1. os serviços já se encontravam concluídos em 10/12/2004, data do habitese, em flagrante contradição com o item 8, “h” do relatório fiscal, que considera o encerramento da obra em 05/2005, ocasionando o arbitramento de mais 6 meses para determinar a área decadente; 7.2. o auditor não trouxe elementos de prova para assegurar que a houve aplicação de mãodeobra por pessoas outras, que não as registradas; 8. Quanto aos princípioscontábeis da oportunidade e competência, ambos foram seguidos à risca pela contabilidade do Impugnante, e os saldos das contas do balanço e do resultado estão corretos. Ao afirmar que os saldos das contas estão defeituosos, o Fisco deveria obrigatoriamente demonstrar essa discrepância; 9. O livro Diário não tem rasura, os lançamentos têm forma contábil, possuem termo de abertura e encerramento e cumpriu todas as formalidades internas e externas; 10. Quanto à aferição indireta: 10.1. O lançamento das contribuições previdenciárias somente poderá ser aferido indiretamente quando a fiscalização não possuir os meios necessários à valoração do fenômeno que se quer medir; Fl. 449DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 213 5 10.2. Não há que se falar em desqualificação da escrita, uma vez que os registros estão corretos e são confiáveis; 10.3. não há legalidade no emprego do CUB, criado em conseqüência da Lei 4.591/64 para fim diverso daquele determinado no instrumento legal; 10.4. O cálculo da área é feito para apuração de orçamento com auxílio do CUB. Os custos informados na NBR 12.721 são custos orçados, ainda não executados, e que, portanto, inservíveis para serem utilizados no cálculo das contribuições apuradas por aferição indireta, devendo ser utilizada a área anotada no Alvará expedido pela Prefeitura (doc. 32), cuja metragem da área é de 8.000,55m2; 10.5. o mês de conclusão da obra foi 12/2004, como afirmado pelo Fisco em algumas oportunidades do seu relatório. A prova está no alvará fornecido pela Prefeitura (doc. 24); 10.6. ao calcular o período decadente, amplia o prazo em mais 5 meses sob a alegação de que a Impugnante deveria ter consignado despesas com pessoal, de 12/2004 a 05/2005; 10.7. o inciso V do art. 480 da IN 100/2003 determina que 0 último mês a ser considerado é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra. Como o fisco não comprovou a realização de serviços e sim a existência de notas fiscais de materiais, o término efetivo da obra se deu em 12/2004; 10.8. Assim, o cálculo correto seria 9 meses nao decadentes, em lugar dos .14, o que corresponderia a 18/75% do período total de 48 meses. Ao final, apresenta jurisprudência administrativa e judicial. Com a impugnação, o Autuado apresentou cópia dos seguintes documentos: contrato social (fls. 57/61); MPF (fls. 62); documento de identificação de representante legal (fls. 63/64); Folhas de pagamento e diário (fls. 65/97); registro de empregados (fls. 98/ 108). Distribuídos os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), decidiram por julgar o Lançamento Procedente, com os seguintes fundamentos, de forma resumida: (...) Das deficiências apontadas na contabilidade A desconsideração da contabilidade para fins previdenciários, nos termos empregados pelo Fisco no seu relatório (fl. 11), teve fundamento no art. 33, §§3°., 4°. e 6°. da Lei n°. 8.212/91. Da leitura do relato fiscal, conjuntamente com os dispositivos legais indicados, vêse que o Fisco está a apontar as falhas verificadas na contabilidade do Autuado que caracterizam a sua Fl. 450DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 apresentação deficiente, nos termos do §3°., art. 33 da Lei n°. 8.212/91 c/c par. único do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99. Assim, referindose à desconsideração da contabilidade, o Fisco está a dizer que, em conseqüência da sua apresentação com vício, a contabilidade não poderia ser utilizada para apuração das contribuições devidas, porque não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em outras palavras, a contabilidade não poderá ser utilizada para fins de apuração das contribuições previdenciárias. Quanto ao lançamento de receitas de serviços prestados por pessoas jurídicas na conta de serviços prestados por pessoas físicas, a lmpugnante reconhece o equívoco apontado pelo Fisco. E o lançamento de informação diversa da realidade é circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do já citado par. único do an. 233 do RPS. Embora a hipótese não exija a verificação ou comprovação da ocorrência de prejuízo, ele de fato ocorreu, ao contrário do que afirma o Impugnante, na medida em que dificultou a fiscalização e impossibilitou a apuração das contribuições devidas com base na remuneração dos segurados, exigindo a aferição indireta das bases de cálculo. A ausência de simulação, como argúi o Impugnante, também não tem o condão de afastar a deficiência na escrituração. A empresa reconhece, ainda, o emprego de mãodeobra para aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005, mas alega que os serviços foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro. Deveria, portanto, ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na GFIP associada à obra, bem como apropriado os respectivos custos. Não havendo assim procedido, agiu com acerto a Fiscalização, ao apontar falha na contabilidade, por não apropriar o custo da mãodeobra empregada na construção do ed. Hannover no período de 12/2004 a 04/2005. Observese que, em nenhum momento, o Fisco afirmou que tais serviços não teriam sido executados por empregados da Impugnante, mas reclamou da total ausência de registro de pagamento de remuneração para a obra nesse período. Quanto às remunerações apontadas pelo Fisco como não contabilizadas (fl. 14), vejamos: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão de obra 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 Fl. 451DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 214 7 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 Férias 1.185,47 225 208,76 208,76 Consoante registrado no relatório fiscal, os valores das remunerações foram apurados pelo Fisco nas folhas de pagamentos, conforme cópias juntadas aos autos (fls.213, 222 e 225). De notarse que os valores das remunerações constantes das folhas de pagamentos trazidas com a impugnação (fls. 271/278) são inferiores àqueles registrados nos documentos fornecidos à Fiscalização (fls. 213, 222 e 225). Não havendo a Impugnante justificado a divergência, temse por corretas as remunerações apuradas nos documentos apresentados pela empresa ao Fisco, e entendese que, na impugnação, 0 sujeito passivo apenas apresentou parcialmente as folhas de pagamentos das competências indicadas. Assim, não comprovado qualquer erro nos documentos, nada há que retificar no lançamento. O Impugnante, por sua vez, reconhece que R$ 10.734,90 referente a remunerações, foram lançadas em conta de materiais, na competência 04/2004. Embora reconheça o equívoco, o Autuado não apresenta qualquer justificativa para o mesmo. A falha apontada representa o lançamento de informação diversa da realidade, sendo circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do parágrafo único do art. 233 do RPS. Ressaltese que, no caso sob exame, a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados, que foi escriturada em conta com outra destinação. A autoridade lançadora nada mencionou acerca da existência de rasuras nos livros contábeis, que os lançamentos não têm forma contábil, não possuem termo de abertura e encerramento ou de não foram cumpridas formalidades internas e externas. Não havendo controvérsia, nada há que pronunciar sobre o tema. ' Quanto às demais competências, inclusive nos lançamentos a título de férias e indenizações/rescisões, o Autuado argúi que a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos, apontando como contabilizados, os mesmos valores apurados na contabilidade pelo Fisco. No entanto, não se desincumbiu de comprovar onde estão contabilizadas as diferenças de remunerações, já que os valores apurados nos documentos Fl. 452DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 trazidos pelo Fisco (fls. 213, 222 e 225) são superiores àqueles contabilizados. Assim, não comprovada a escrituração da totalidade das remunerações constantes nas folhas de pagamentos, resta caracterizado, mais uma vez, que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em conseqüência, autorizada a aferição indireta das remunerações utilizadas na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Uma vez que a contabilidade deixou de registrar as despesas com a obra, restou violado o princípio contábil da competência que, como diz o Impugnante (fl. 253), “obriga que as receitas e despesas sejam elas, recebidas e pagas ou não, lançadas no exercício em que surgirem” (sic). Resta demonstrado, a violação aos princípios contábeis, conforme declinado pelo Fisco. Da data da conclusão da obra O impugnante pretende considerar como data de conclusão da obra, a data constante do “Habitese”, 10/12/2004. No entanto, após a expedição do Habitese, diversos serviços complementares continuaram sendo executados, inclusive pequenos reparos. O próprio Autuado reconhece, na sua impugnação (fl. 249), que se trata de “serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra”. O autuado informa que utilizou pessoal próprio. Nesse caso, deveria ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na respectiva GFIP, bem como apropriado os custos à obra, conforme determina o §9°. do art. 225 do RPS. Como o Autuado reconhece a utilização de mãodeobra própria (f. 249), e conseqüente realização de serviços após 10/2004, concluise que a obra teve seguimento após o alvará de habite se. Não houve, em conseqüência, a argüida inobservância ao disposto no inciso V do art. 480 da IN 100/2003, dado que mencionando comando determina que o último mês a ser considerado para o período decadente, é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra, sendo este último o que efetivamente se observou no caso em apreço. A continuidade da obra até 05/2005 e corroborada pela aquisição de material destinado à mesma. Acrescentese, por fim, que a escrituração contábil vai confirmar a continuidade dos serviços após a expedição do Habitese, somente encerrando a conta contábil da obra do Ed. Hannover em 07/2005, conforme cópia do Livro Diário trazida pelo Autuado na impugnação (fl. 294). Rejeitada, portanto, a reclamação quanto à data de encerramento da obra. Fl. 453DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 215 9 Em decorrência, não acatando a revisão da data de encerramento da obra, nada há que retificar no cálculo das competências decadentes. Da aferição indireta Como já dito, uma vez demonstrado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados, resta autorizada a aferição indireta da mãodeobra utilizada na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. O emprego do custo unitário básico (CUB) para a aferição indireta da jmãodeobra tem autorização legal no §4°., art. 33, da já referida lei de custeio da Seguridade Social. Vejamos: Art. 33 Omissis §4º Na falta de prova regular e formalizado, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n” 449, de 2008) Nos termos do relatório fiscal (fi. 16), a área construída de 10.245,51m2 foi obtida no Quadro I das informações para arquivo da obra no registro de imóveis (NBR 12.721/92), juntadas pelo Fisco (fls. 101). Como o contribuinte não discriminou, no projeto arquitetônico, as áreas passíveis de aplicação de redutores, foram considerados os redutores identificados no mesmo quadro, chegando à área de 8.478,50m2. O lmpugnante, por sua vez, requer que seja utilizada a área constante do Alvará de licença para construção, expedido pela prefeitura em 21/12/2000 (fl. 299). A área constante desse documento demonstra apenas a autorização para a construção, não comprovando a área efetivamente construída. Observese que não basta que o Autuado requeira que seja considerada outra área, mas é necessário que demonstre que a área utilizada pelo Fisco está errada. Em principio, a área constante nos assentos do registro de imóveis (e utilizada pelo Fisco) tem fé pública, somente merecendo revisão com a apresentação da comprovação do erro. Ademais, observese que o Alvará de licença para construção foi expedido em 21/12/2000, data anterior àquela constante do quadro para registro do imóvel (jan/2001). Assim, agiu com acerto o Fisco ao considerar a data da última declaração feita pelo Autuado. Fl. 454DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Não havendo se desincumbido do ônus da prova em contrário, nada há que revisar na área construída. Conclusão Pelas razões já expostas, rejeitadas todas as reclamações do autuado, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 190 a 196), praticamente repete os argumentos lançados em sede de impugnação,em apertada síntese alegou: ll. 1 Das Preliminares 1.1 Do Cerceamento do direito de defesa O Acórdão ora atacado não se encontra suficientemente claro, de modo a permitir o sagrado direito de defesa tendo em vista que julga procedentes os argumentos apresentados quanto aos profissionais gesseiros e graniteiros cujos nomes não foram citados,( item 62d) do relatório fiscal verbis: “A empresa empregou em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (...)que pode ser comprovado pela grande quantidade de gesso e granito” (...) o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez Persiste então o cerceamento de defesa pois a DRJ/REC não diligenciou para emitir seu julgamento considerando a aferição correta, quando nesses casos há nítida necessidade de comprovação do afirmado. Ademais vêse no corpo do relatório fiscal (item 6) DA DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS, na verdade observase que o Fisco inovou, ao criar um título ou capítulo não contemplado em nenhuma legislação tributária, pelo que se requer, in limine, a completa anulação do presente Acórdão. II.2 Do Mérito Acaso ultrapassada a preliminar suscitada, o que não se espera, no mérito alega a impugnante quanto ao Acórdão prolatado pela 7”. Turma da DRJ/REC em seus itens seguintes: Em primeiro lugar,considerando que os julgadores ao emitir o Acórdão acima epigrafado 0 fizeram sem considerar o resultado Fl. 455DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 216 11 do auto de infração (37.215.7726) aplicado em razão de suposta irregularidade na contabilidade. Considerando que a contabilidade da recorrente é merecedora de crédito e fé pública, até porque arquiva seus livros contábeis na Junta Comercial deste Estado, também comprovado. Considerado que no auto de infração aplicado em razão da contabilidade há a citação de documentos atingidos pela prescrição/decadência. Considerando que o resultado do julgamento do auto de infiação da contabilidade a favor da recorrente desencadeará a anulação de todos os demais autos dele dependente, considerando por fim o princípio da ampla defesa e da transparência, requer por absoluta cautela, sejam todos os autos, objeto de RECURSO VOLUNTÁRIO, apreciados em conjunto, requerendose a juntada dos mesmos nesta oportunidade, sendo eles: Processo 1475l.000794/200970 AI n°. 37.215.7726 “ “ 1475l.000793/200925 AI n°. 37.315.7734 “ “ l475l.000790/200991 AI n°. 37.215.7700 “ “ l475l.000789/200967 AI n°. 37.215.7696 Do direito de defesa. Este item não merece prosperar porque ao longo da impugnação (docs processo) ficou comprovado que a contabilidade efetuou os registros e todos foram devidamente apresentados inclusive com o demonstrativo elucidativo às fls. ll da defesa administrativa que não foi devidamente observada pela turma julgadora. A folha de pagamento de abril/04 foi lançada realmente na conta Materiais, mesmo assim consta do registro contábil, não podendo dizer que houve falha de omissão de registro. Quanto as remunerações apontadas pelo fisco às fls. 180, a recorrente apresentou uma relação explicativa desses lançamentos contábeis, que sequer foram considerados pelos julgadores da primeira instância. Da data da conclusão da obra A Receita Federal do Brasil não emite CND nem considera que a DISO (Declaração sobre a Obra) seja apresentada sem que a obra seja concluída, e, um documento extremamente necessário e definitivo é a carta de habitese, onde a Prefeitura local atesta a regularidade da edificação, depois de fiscalizar a obra in loco, fornecendo o referido documento. Do mesmo modo, para começo da obra a Prefeitura emite um Alvará de construção tomando por base os dados do projeto arquitetônico. Para este documento a fiscalização reconhece plenamente, para o término não aceita o constante no final na carta de habitese. São dois pesos e duas medidas que ficam exclusivamente ao sabor da auditoria fiscal, Fl. 456DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 produzindo assim sérios prejuízos ao contribuinte, pela absoluta falta de critério. A conclusão de que a obra teve seqüência após o habitese é infundada, até porque os trabalhadores são destacados de outras obras para serviços emergenciais, e relacionados em GFIP, o que aliás digase a bem da verdade nenhuma irregularidade foi observada quanto à emissão de GFIP. A aferição indireta é medida extrema que ao Fisco somente é permitido quando é absolutamente impossível e impraticável exercer a plena e completa fiscalização. Não é esse o caso telado Senhores Julgadores, pois a contabilidade da recorrente é de excelente qualidade, pelo que não se deve desconsiderála, a não ser no interesse dela utilizar para fim de cobrança previdenciária. Portanto a recorrente mantém os argumentos esposados na impugnação. A NBR 12. 721 estabelece, ao contrário do INSS que toma este valor como "definitivo e representativo" das obras , que este calculo área x custo unitário básico somente deve ser utilizado no início das incorporações, quando ainda não se dispõe de todos os projetos construtivos. Ou seja, é um orçamento simplificado que deverá ser corrigido no andamento da obra Por fim convém reafirma que o Relatório Fiscal da autuação como se observa, contém uma cadeia de citações visando incluir a recorrente em qualquer situação que se possa apresentar, não se fixando como deveria no cerne preciso da questão. Desqualificase a contabilidade e o mais será acrescentado esse entendimento do Fisco deve de pronto ser rejeitado. Os relatos fiscais são confusos, o auditor notificante procurou enquadrar a recorrente em situações que levassem a Receita Federal a ampliar seus créditos, com o uso de autuações várias, cujos relatos são semelhantes e geram dúvidas não somente para quem defende, como também para os julgadores, quer na primeira instância como nas superiores. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Rejeito as preliminares arguídas, tendo em vista que acabam por se confundir com o mérito discutido nos presentes autos. Fl. 457DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 217 13 Conforme se verifica do relatório, o lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) Fl. 458DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; Da análise dos autos, verificase que não é o caso de aferição indireta, conforme preceitua a IN SRP nº 3, de 2005, uma vez que só se aplica a casos extremos e que não se verifica nos presentes autos. A aferição indireta é uma forma presumida de apuração da base de cálculo dos tributos que só pode e deve ser adotada em casos excepcionais em que a contabilidade não registra o real movimento da remuneração dos segurados ou a receita ou o faturamento ou até mesmo o lucro; quando o contribuinte não apresenta ou se recusa a apresentar documentos, sonega informações ou mesmo apresenta documentação insuficiente, ou mesmo quando as informações prestadas não merecem fé. Somente com a constatação de uma das circunstâncias mencionadas acima é que autoriza o emprego desta medida extrema. Mesmo se identificada uma das hipóteses acima mencionada, a meu ver, deve haver uma correlação lógica que justifique a utilização deste método de aferição do tributo. Ao adotar esta atitude de forma legítima, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Do relatório (fls. 11/19) consta a seguinte afirmação para justificar a medida extrema: (...) 6.2 Assim sendo, foi analisada a escrituração contábil da empresa em todo o periodo fiscalizado,Livros Diário n° 11 e 12 referentes aos anos de 2004 e 2005 e Livros Razão de 2004 e 2005 e ainda a documentação apresentada pelo contribuinte, solicitada através de TIPF e TIF, e constatamos as seguintes impropriedades: , a. O contribuinte lançou, de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para _o registro de pessoas fisicas, notadamente na conta 10102050106 “SERVIÇO DE TECEIRO PF", Tal fato ocorreu no período de 01/2004 a 02/2005. Como prova, seguem, anexas, cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão de 2004 e Fl. 459DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 218 15 cópias de notas fiscais de serviço NFS que ensejaram tais lançamentos. b. No periodo de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, no exame dos livros contábeis, em especial os Livros Razão de 2004 e 2005, na conta 1010205.0022 "Materiais", foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. Da análise das notas fiscais que ensejaram os lançamentos, podese perceber que tratase de material que exige mãodeobra especializada para a sua aplicação tais como tomadas, tubos de pvc, luvas de pvc, lavatórios, tinta acrílica dentre tantos outros. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou de mãodeobra própria sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. Copias de notas fiscais de aquisição de material e de lançamentos no Livro Razão seguem anexas a esse relatório . c. No confronto dos lançamentos contábeis com os valores constantes das folhas de pagamento e os resumos da folhas entregues a fiscalização, foi verificado que a empresa deixou de lançar a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Copias da folhas do Livro Razão e dos resumos das folhas de pagamento, que comprovam os fatos, seguem anexas ao relatorio. Tal fato ocorreu nas competèncias e nos valores discriminados na planilha abaixo: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão de obra 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 Férias 1.185,47 225 208,76 208,76 d. A empresa empregou, em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (especialista em corte e assentamento de granito) que pode ser compravado pela aquisição de grande quantidade de gesso e de granito. Cópias de notas fiscais de compra de gesso e Fl. 460DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 granito para o Ed. Hannover encontramse anexas a esse relatório. Os serviços já se encontram concluídos desde 10 de dezembro de 2004, data do habitese. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esse serviço e não foram encontrados, em sua contabilidade, os lançamentos dos valores pagos a esses prestadores de serviços, Cabe salientar que ao contribuinte foi solicitada, através do TIF n° 5, a apresentação dos documentos que comprovassem os pagamentos a esses profissionais, assim como indicasse quais foram os lançamentos contábeis correspondentes. A empresa não atendeu a solicitação. 6.3 A prova de que os lançamentos de fatos contábeis (sejam eles permutativos ou modificativos) não foram efetuados ou foram efetuados em desrespeito aos Principios Contábeis, principalmente os da Oportunidade e da Competência, significa_que os demonstrativos contábeis não refletem a real situação patrimonial .da empresa induzindo, portanto, os usuários da contabilidade a erro na sua análise. Se, por exemplo, os saldos finais no exercício encerrado estão incorretos, evidente que os saldos iniciais do exercício subsequente também o estarão, e assim, sucessivamente em todos exercícios posteriores. Embora alguns dos fatos contábeis relacionados acima não constituam fato gerador de contribuições previdenciárias, o fato desses valores não se encontrarem registrados, reforça a evidência de que a contabilidade verdadeira, e não reflete a realidade dos custos incorridos na obra. 6.3.1 O principio contábil da Oportunidade referese, simultaneamente, à tempestividadee à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações; determina que os registros do patrimônio e de suas variações sejam feitos de imediato e com a extensão correta, Como resultado da observância desse principio, surge a necessidade de se efetuar provisões, pois o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência. Já o princípio da Competência estabelece que as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do periodo em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou de pagamento. 6.4 Todos os fatos acima expostos possibilitaram a fiscalização constatar que a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte demonstra impropriedades no tocante aos preceitos definidos na Legislação Previdenciária, mormente o previsto no inciso ll e § 13 do art. 225, do Regulamento da Previdência Social RPS (Decreto n° 3.048/99, de 06/05/99), e na Legislação Empresarial, especificamente às formalidades intrínsecas que este último ramo do direito determina, bem com não registra a totalidade dos custos envolvidos na execução da obra de construção civil e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. Fl. 461DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 219 17 6.5 De todo o relatado, verificase que não restou a fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta do valor do salário de contribuição necessário à execução .das referidas obras, conforme previsto nos §§ 3°, 4° e 6°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 473, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. (...) Neste sentido, razão assiste ao Recorrente quando diz: Ora Doutos julgadores o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez. Em outros termos, o Fiscal se utiliza da contabilidade para apontar as deficiências e ato seguinte, acaba por desconsiderálas por completo, causando dúvida quanto a legitimidade da aferição indireta utilizada. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo Fl. 462DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou Fl. 463DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000791/200936 Acórdão n.º 2201004.399 S2C2T1 Fl. 220 19 que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Os §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, é claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recursos. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado rejeitando as preliminares arguídas, para, no mérito, negarlhe provimento. Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 464DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1018.14103.5VIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA em 06/05/2018 23:48:00. Documento autenticado digitalmente por DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA em 06/05/2018. Documento assinado digitalmente por: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA em 17/05/2018 e DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA em 06/05/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.1018.14103.5VIS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 3AB095636C11F5AE49318655E45B37CD52C6B8AD0308F2D6AC3579AE5E176FC6 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 14751.000790/2009-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15940.720031/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007, devendo ser, na sequência, intimado o contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007, devendo ser, na sequência, intimado o contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 279 1 278 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.720031/201280 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.826 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 09 de agosto de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONSTRUTORA GUIMARAES CARVALHO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007, devendo ser, na sequência, intimado o contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15940.720031/201280, em face do acórdão nº 0255.583, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 29 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 03 1/ 20 12 -8 0 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Resolução nº 2202000.826 S2C2T2 Fl. 280 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de infringência a Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 2° e 3º, na redação dada pela Lei 11.941/2009, combinado com o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 232 e 233, parágrafo único, por ter o contribuinte incorrido nas seguintes irregularidades, conforme relatório fiscal, fls. 223 a 227: na escrituração das despesas deixou de observar os centros de custo por ele estipulados; omitiu lançamentos contábeis de notas fiscais de compra de mercadoria identificados às fls. 224/225; contabilizou notas fiscais em duplicidade (fl. 225); apresentou comprovantes de recebimento de materiais de construção assinados por pessoas “delegadas” pela empresa como responsáveis pelo recebimento e que não estavam registradas no Livro de Registro de Empregados; apresentou comprovantes de recebimento de materiais assinados por pessoa responsável pela empresa e que não estava registrada na data da assinatura, porém, foi registrada alguns dias depois; apresentou comprovante de recebimento de materiais de construção, assinado por pessoa responsável pela empresa, demitida em mês anterior, portanto, sem registro na data da assinatura que consta na nota fiscal; Relata a fiscalização, citando a obra executada para o Centro de Estudos Britânicos de Presidente Prudente que as notas fiscais emitidas pelo contribuinte apresentaram percentuais menores de mão deobra em relação aos serviços prestados do que os previstos na legislação previdenciária. Informa o auditor fiscal que os lançamentos contábeis verificados foram os constantes dos Livros Diários n°. 16, ano 2007, registrado sob número 705/2008 e n°.17, ano 2008, registrado sob número 391/2009. Em decorrência da infração foi aplicada multa com base na Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 283, inciso II, alínea "j", e 373, no valor de R$ 16.170,98. O contribuinte teve ciência das autuações em 5/4/2012 (quinta–feira, véspera de feriado), e apresentou impugnação em 8/5/2012, fls. 201 a 213, com as seguintes razões: Diz que apoiada em suposições dissociadas da realidade e sem fundamentação técnicajurídica, a fiscalização não considerou sua contabilidade, lavrando autuações por arbitramento, procedimento esse mais severo e punitivo ao contribuinte. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Resolução nº 2202000.826 S2C2T2 Fl. 281 3 Afirma que suas obras eram regularmente fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho sem que houvesse a constatação de "pessoas a serviço da construtora sem o devido registro como empregados". Afirma que em nenhuma das ações movidas por exempregados ficou configurada tal hipótese. Alega que as falhas, porventura, ocorridas nos seus controles administrativos não podem ser consideradas como indício de sonegação de registro de mãodeobra. Argumenta que os valores correspondentes ao período de 2006 e parte de 2007 (janeiro a março), foram atingidos pela decadência e devem ser excluídos dos lançamentos. Justifica a variação de percentuais referente a serviços prestados (3,84% a 42,46%) constante de suas notas fiscais, da seguinte forma: 1) as obras possuem características e diversidades múltiplas. Na realização de coberturas e telhados, terraplenagens, calçamentos, instalação de tubulações subterrâneas, instalações de equipamentos refrigeradores a mãodeobra empregada é mínima em relação aos equipamentos/ferramental utilizados. Na contratação para "reformas" em escolas municipais são utilizados estruturas e materiais pré existentes, que além de baratear os custos de materiais, reduzem o tempo, a quantidade da mãodeobra e os custos. 2) Os percentuais tomam como "base de cálculo" o faturamento (receita) que podem e sempre estão de acordo com o contratado (após licitação). Cita exemplos às fls. 264/265. Explica que o faturamento de obras contratadas por empreitada global é realizado sem discriminação de seus itens (materiais e mão de obra), sendo atribuídos percentuais desta composição (proporção) apenas para o cumprimento das obrigações quanto à retenção e recolhimento da contribuição previdenciária sobre os serviços faturados. Anexa os documentos 38 a 40. 3) se cometeu equívocos, foi porque interpretou e analisou dados parcialmente. Diz que, em anexo ao processo 15940.720029/201219, listou as obras (centros de custos levantados e discriminados no item 8 do relatório fiscal daquele processo) com as justificativas de seus custos (proporções na composição da mão de obra e materiais aplicados) e o apontamento dos subempreiteiros, dados esses não considerados pela fiscalização na apuração do salário de contribuição. Em relação aos motivos que levaram a fiscalização a não considerar a contabilidade como prova a seu favor apresenta os seguintes argumentos: a) LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE DESPESAS EM CENTROS DE CUSTOS NÃO DISCRIMINADOS POR OBRA Alega que houve apenas (se é que houve) divergência na classificação contábil e que para garantir seu direito de defesa deveria a fiscalização apontar quais despesas não obedeceram a qual centro de custo, o que não foi feito. Diz que como prova de sua alegação está anexando demonstração dos Fl. 281DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Resolução nº 2202000.826 S2C2T2 Fl. 282 4 centros de custos, valores registrados e apuração do resultado (doc. 01 a 12 e 13 a 22 juntados ao processo 15940.720029/201219). Como prova a seu favor, cita os itens 7 e 8 do relatório fiscal do processo 15940.720029/201219, onde estão discriminadas e descritas obras “centro de custos” do período analisado (2007 e 2008), com descrição das obras (matrículas), valores (faturamento, serviços, salário de contribuição, percentuais do sal. contribuição) e período das mesmas (abril/2006 a dezembro/2009). b) OMISSÃO DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE NOTAS FISCAIS DE COMPRA DE MERCADORIA. Aduz que não houve omissão de lançamentos e sim lançamento extemporâneo das notas fiscais relacionadas. Esclarece que notas não registradas e correspondentes ao exercício de 2007, foram, espontaneamente regularizadas no ano seguinte e que nove das quatorze notas levantadas (nº 27074, 27079, 27086, 27102, 27108, 27119, 27306, 27376, 27377) referemse à operação de “remessas” (envio de concreto pelo fornecedor) para entrega e faturamento. As outras cinco notas são de aquisição de concreto, contabilizadas extemporaneamente, porém, jamais omitidas, até porque referem a mercadorias/produtos recebidos/faturados no período de abril a julho/2007, no total de R$ 9.101,55, parte ínfima do total movimentado na empresa. c) CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS EM DUPLICIDADE Argui que se trata de erro escusável e sanável e que em nada se relaciona a “omissão e/ou sonegação” de tributos. d) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, EM OBRAS, RECEBIDOS POR PESSOAS, “DELEGADAS” PELA EMPRESA COMO RESPONSÁVEL PELO SEU RECEBIMENTO, E QUE NÃO SE ENCONTRAVAM REGISTRADAS EM SEU LIVRO DE REGISTRO DE EMPREGADOS. Alega que não se tratavam de empregados da recorrente. Justifica o ocorrido, no fato de que as obras contratadas são, em sua maioria, de entidades públicas, estatais ou paraestatais, sendo o acesso de pessoas a esses locais controlado rigorosamente, além de possuir sistema máximo de segurança, razão pela qual algumas das tarefas (estafetagem e/ou malotes) eram e foram realizadas através de "pessoas delegadas" para este fim. e) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS EM OBRAS SENDO RECEBIDOS POR PESSOA RESPONSÁVEL PELA EMPRESA E, QUENÃO ESTAVA REGISTRADA NA DATA DA ASSINATURA, MAS QUE FOI REGISTRADA ALGUNS DIAS DEPOIS Alega que se trata do Sr. Gabriel dos Santos Negrão, trabalhador de outra construtora até ser contratado em 1/11/2007, e que nessa época partilhavam do mesmo canteiro de obras. Afirma que as assinaturas encontradas em documentos de recebimento de mercadorias, foram realizadas nas condições justificadas no item anterior ("d"). f) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO EM SUAS OBRAS, RECEBIDAS POR PESSOA Fl. 282DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Resolução nº 2202000.826 S2C2T2 Fl. 283 5 RESPONSÁVEL PELA EMPRESA E QUE JÁ HAVIA SIDO DEMITIDA DA EMPRESA, EM MÊS ANTERIOR, NÃO ESTANDO REGISTRADA NA DATA DA ASSINATURA QUE CONSTA NA NOTA FISCAL Diz tratarse de Rodrigo Pereira, seu empregado até 19/9/2008, quando foi contratado por outra construtora que prestava serviços no mesmo canteiro de obras. As assinaturas do exempregado encontradas em documentos de recebimento de mercadorias, a exemplo da nota fiscal 123380 – Bozoli Comércio de Tintas Ltda, de 20/11/2008, foi realizada nas mesmas condições justificadas nos itens anteriores ("d" e "e"). Requer o reconhecimento da regularidade dos registros contábeis, bem como seja revisto e cancelado o presente auto de infração, por estar totalmente dissociado dos fatos, conforme impugnação apresentada, bem como por falta de fundamentação legal. Solicitação de diligência O processo retornou a DRF de origem, para que fosse juntado aos autos o relatório fiscal do AI 51.005.4110 (CFL 38), uma vez que o anexado inicialmente se referia ao AI 37.353.8812 (CFL 68). Foi solicitada também, confirmação a respeito da correta entrega ao contribuinte do relatório correspondente ao AI/CFL 38, quando cientificado do lançamento. Foi anexado aos autos (fls. 223 a 227), o relatório fiscal como solicitado pela DRJ/BH. Quanto à entrega correta do relatório ao contribuinte, informa a fiscalização, fl. 235, que tal fato é confirmado pela impugnação apresentada, pois nessa o impugnante informa os números do processo e da autuação corretamente, além de fazer menção a tal relatório no item 2 de sua defesa. Transcrevese da peça impugnatória (fl. 202): Do presente REFISC CLF 38 (item 5 fls. 2), restou consignado que: "embora a empresa tenha apresentado a contabilidade formalizada dos exercícios de 2007 e 2008, ela não escriturou corretamente seus comprovantes de despesas, conforme relatado nos itens "a" a "c" e que também incorreu no erro de manter trabalhadores a seu serviço sem o devido registro formal, conforme o relatado nos itens "d" a "f." (grifos não existentes no original).” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 259/275, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Resolução nº 2202000.826 S2C2T2 Fl. 284 6 1. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por ter sido notificada e recebido o Termo de Encerramento após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo a jurisprudência do CARF, que tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Compartilho do entendimento exarado no acórdão CARF nº 10423228 (sessão de 29/05/2008), no sentido que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Assim, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Rejeito a preliminar, portanto. 2. Decadência Em relação à decadência, o contribuinte faz referência aos períodos até 03/2007, inclusive. Isso porque só foi regularmente cientificado do lançamento em 05/04/2012. A DRJ rejeitou a alegação, porque entendeu que o contribuinte não efetuara antecipação do pagamento referente especificamente às contribuições incidentes sobre a rubrica específica, e por isso a contagem do prazo decadencial deslocarseia do § 4º do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, I, do CTN. No entanto, a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, estabelece que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifouse) Contandose o prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador, e se considerado que houve a efetiva antecipação de pagamentos de contribuições, ainda que não especificamente sobre valores pagos relativos à rubrica especificamente exigida no auto de infração, mas aplicando a inteligência da Súmula acima transcrita, é de ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência 03/2007, inclusive. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Resolução nº 2202000.826 S2C2T2 Fl. 285 7 Diante disso, entendo por converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007. Conclusão. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007, devendo ser, na sequência, intimado o contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.901192/2012-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. MULTA DE MORA. PROCEDÊNCIA.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados em DCTF, cujos débitos foram extintos, pela compensação, depois do prazo de vencimento da contribuição, ou seja, a destempo.
Numero da decisão: 3001-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. MULTA DE MORA. PROCEDÊNCIA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados em DCTF, cujos débitos foram extintos, pela compensação, depois do prazo de vencimento da contribuição, ou seja, a destempo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. MULTA DE MORA. PROCEDÊNCIA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados em DCTF, cujos débitos foram extintos, pela compensação, depois do prazo de vencimento da contribuição, ou seja, a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 38 a 58), interposto contra o Acórdão 1450.717, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 11 92 /2 01 2- 30 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10950.901192/201230 Acórdão n.º 3001000.516 S3C0T1 Fl. 61 2 Preto/SP DRJ/RPO que, na sessão de julgamento realizada em 30.05.2014 (efls. 31 a 34), julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Da ementa do acórdão recorrido A 5ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 DCOMP. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITO EM ATRASO. Correta a incidência da multa de mora sobre débitos em atraso objeto de pedido de compensação mediante DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Da síntese dos fatos Do Per/Dcomp O sujeito passivo transmitiu o Per/Dcomp 26701.39283.101209.1.7.040395, em 10.12.2009, declarando a compensação de débito da PIS/Faturamento, período de apuração de Nov./2009, com vencimento em 24.12.2009, com crédito, também, da mesma contribuição (cód. 8109), arrecadado via Darf, em 23.01.2009, referente ao período de apuração Dez./2008, valendose, para tanto, de crédito remanescente no Per/Dcomp 40593.16542.021209.1.3.04 0018. Do despacho decisório A DRF de Maringá, por meio do Despacho Decisório 020774795, emitido em 03.04.2012, apreciando o pleito do sujeito passivo, proferiu decisão (efls. 11), atestando que a “análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 2.068,14. Valor do crédito original reconhecido: 323,47. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2012”. Da manifestação de inconformidade Inconformado com a decisão supra, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 16 a 20), requerendo a revisão do despacho decisório, em virtude de que a compensação dos tributos, mesmo que fora do prazo e acompanhado de juros de mora, Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10950.901192/201230 Acórdão n.º 3001000.516 S3C0T1 Fl. 62 3 não cabe a aplicação de multa de mora, tendo em vista o disposto no artigo 138 e parágrafo único do CTN. Da decisão recorrida Ao apreciar a manifestação de inconformidade, a 5ª Turma da DRJ/RPO julgoua improcedente por concluir pela correta incidência da multa de mora sobre débitos em atraso, objeto de pedido de compensação mediante Per/Dcomp, fundamentando a decisão no fato de que os débitos já encontravamse declarados em DCTF, fato inclusive reconhecido pelo defendente. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário requerendo sua revisão, para, em síntese, alegar que: (i) a entrega do Per/Dcomp deuse de forma espontânea, como espontânea foi a denúncia dos débitos, que são de datas posteriores dos referidos créditos; (ii) o procedimento de compensação foi realizado antes de qualquer procedimento fiscalizatório por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil DRF/MARINGÁ, portanto, em conformidade com o artigo 138 e parágrafo único do CTN, o qual desobriga o contribuinte ao pagamento de multa de mora; (iii) aos débitos denunciados foram acrescidos os juros de mora taxa Selic; (iv) sendo a compensação um das formas de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156 do CTN, não há impedimento para que se aplique o instituto da denuncia espontânea, ainda que após a declaração do o débito em DCTF, conforme precedente do então 1º Conselho de Contribuintes/5ª Câmara/Acórdão 10516.561, de 14.06.2007; Do encaminhamento Em razão disso, os autos foram encaminhados ao Carf, que na forma regimental foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10950.901192/201230 Acórdão n.º 3001000.516 S3C0T1 Fl. 63 4 O recurso voluntário foi juntado em 29.07.2014, conforme depreendese do carimbo protocolizador da ARF/CMO/PR, aposto em sua "Folha de Rosto" (efl. 38), depois da ciência ocorrida em 23.10.2012, conforme observase do "Aviso de Recebimento AR" (efl. 37), que reportase à Intimação nº 481/2014 (efl. 35), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Da fundamentação De plano, esclareçase que referido tema/matéria já foi objeto de apreciação deste Colegiado, quando do exame do recurso voluntário juntado aos autos do processo nº 10950.901193/201284, tendo também como interessado o ora recorrente, na oportunidade Sessão de 25.01.2018 foi exarado o Acórdão nº 3001000.151 Turma Extraordinária / 1ª Turma. Neste sentido, por praticidade, economicidade e coerência, peço licença ao conselheiro Cássio Schappo, ilustre relator do voto condutor do referido acórdão, para adotálo, como razão de decidir no presente caso, por seus próprios fundamentos, que segue transcrito, verbis: Não assiste razão a recorrente. A decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/RPO tratou adequadamente a matéria, expondo que o benefício da denúncia espontânea para exclusão da multa de mora não atende os casos em que o débito compensado já havia sido declarado em DCTF. A recorrente não nega que os débitos compensados já tinham sido objeto de declaração em DCTF, extraindose do item 3 da manifestação de inconformidade a seguinte parte: “Referente ao pagamento a destempo de tributos, devidamente acrescido de juros de mora, ter sido efetuado depois de declarados o débito em DCTF, não impede que se aplique o instituto da denuncia espontânea,”... O precedente do STJ, Recurso Especial nº 1.149.022SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, decisão submetida ao rito do artigo 543C do CPC, trazido aos autos com a decisão singular, apresenta o caso em que não houve débito declarado em DCTF anteriormente a transmissão da PER/DCOMP, razão do cabimento da exclusão da multa moratória: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10950.901192/201230 Acórdão n.º 3001000.516 S3C0T1 Fl. 64 5 homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Para o caso da recorrente, como apresentado, cujo débito compensado já havia sido apurado e declarado ao fisco, os interesses da contribuinte chocamse com o estabelecido na Súmula 360 do STJ, citada no item 2 da ementa parcialmente transcrita no parágrafo anterior: 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Muito embora a recorrente diga que o crédito apresentado é de data anterior ao vencimento do débito regularmente declarado ao fisco, a disponibilidade desse crédito para extinção de débitos só foi efetuado com a apresentação da PER/DCOMP que deu origem ao presente processo, quando já transcorrido determinado tempo do vencimento desses débitos. Como já consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça, a não incidência de multa moratória só seria aplicável se o débito compensado fosse apurado e declarado ao fisco juntamente com a declaração de compensação. Tratandose de matéria submetida à recursos repetitivos do STJ (art. 543C, do CPC), o CARF obrigase a seguilos nos termos do Art. 62, II, letra “b” do RICARF. Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo para, no mérito, negarlhe provimento, mantendose inalterada a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10950.901192/201230 Acórdão n.º 3001000.516 S3C0T1 Fl. 65 6 Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.721107/2015-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
O prazo decadencial conta-se a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I, do CTN), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 2202-004.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, declarando a decadência do lançamento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I, do CTN), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, declarando a decadência do lançamento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 11 07 /2 01 5- 34 Fl. 128DF CARF MF 2 convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do então Conselheiro Relator Marcio Henrique Sales Parada, na Resolução 2202000.707 que converteu o julgamento em diligência: Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2010, tendo por objeto o imóvel denominado Fazenda Mangabeira, NIRF 5.074.1829, localizado no Município de Muana/PA, no importe de R$ 185.210,00, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, narra a Autoridade Fiscal competente que, após regularmente intimado, verificou inércia do sujeito passivo, que a levou ao seguinte procedimento: 1 A área de exploração extrativa informada não foi comprovada essa área foi declarada como de 480,0 hectares e glosada. Área de pastagens informada não comprovada essa área foi declarada como de 9.500,00 e glosada. Valor da Terra Nua (VTN) declarado não comprovado, tendo sido alterado (arbitramento) com base em informações constantes do sistema SIPT (sistema de preços de terras) da RFB. O contribuinte manifestouse, em impugnação (fl. 15), alegando, em suma, que apresentava Laudo Técnico de Avaliação para contradizer o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização; que realizou uma "simulação" de declaração para demonstrar que se considerado o valor do Laudo e 480,0 ha de reserva legal, 20,0 ha de benfeitorias e 9.500,0 ha de pastagem natural, o valor do ITR devido seria de R$ 2.248,08. Disse ainda que a mesma área rural havia tido a DITR de 2011 também revista resultando em imposto a pagar bem menor que 2010. Juntou Escritura Pública (fl. 43), Certidão de Domínio (fl. 48), Certidão Negativa de Ônus (fl. 50) e o Laudo Técnico de Avaliação (fl. 32). Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ em Brasília/DF entendeu, em resumo, que: a) não havia erro de fato a autorizar a revisão de ofício dos dados declarados; b) para que a área de reserva legal seja considerada isenta é necessária a averbação à margem da matrícula do imóvel e a apresentação tempestiva do ADA (Ato Declaratório Ambiental) ao IBAMA; c) que para consideração da área de pastagens declarada, seria necessário confirmar a existência de rebanho, o que não foi feito; d) a existência de área de exploração extrativa não foi comprovada com os documentos exigidos pela Autoridade Fiscal e e) caberia rever o Valor da Terra Nua arbitrado, acatandose o Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10280.721107/201534 Acórdão n.º 2202004.675 S2C2T2 Fl. 129 3 valor apresentado no Laudo Técnico, que se revestia das exigências devidas. Decidiuse por dar provimento PARCIAL à impugnação, para rever o VTN, acatandose o Laudo trazido pelo contribuinte (fl. 58). Cientificado dessa decisão em 23/09/2015 Cientificado dessa decisão em 23/09/2015 (AR na folha 72), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/10/2015, com protocolo na folha 89. O recurso é firmado por Ewerton Augusto Soares Campos, procurador, conforme procuração na folha 80 e documento de identidade na folha 86. Em sede de recurso, pede retificação "do formulário" onde constam as informações sobre o imposto em caso, dizendo que apresenta em anexo averbação à margem da matrícula do imóvel e ato declaratório ambiental ADA, junto ao IBAMA, exercício de 2015. PEDE que os documentos sejam considerados para que se efetue novo cálculo para o ITR. Em sessão de julgamento de 16 de agosto de 2016, foi proposta a conversão do processo em diligência. Isso porque, nos termos do voto do Conselheiro Relator Marcio Henrique Sales Parada: Primeiro, não localizei nos autos a cópia da DITR/2010 entregue pelo contribuinte. O que consta da folha 26 e seguintes é uma "simulação" que foi apresentada junto com a impugnação. Segundo, no demonstrativo de apuração que acompanha a Notificação de Lançamento (fl. 10), observo que o Auditor Fiscal considerou um imposto declarado de R$ 90,00. Mas esse imposto foi efetivamente "antecipado" pelo contribuinte? Se o contribuinte efetivamente efetuou o recolhimento dos R$ 90,00, quer dizer, antecipou o pagamento do imposto apurado, na sistemática do lançamento por homologação, o prazo decadencial contase de acordo com o § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, que para o ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, conforme Lei nº 9.393, de 1996. Para o exercício de 2010, ocorrido o fato gerador em 1º de janeiro, o prazo decadencial expirouse em 1º de janeiro de 2015 e este lançamento, do qual o contribuinte só foi cientificado em 19/05/2015 (fl. 12) estaria fulminado. Observo que o procedimento fiscal só se iniciou em 09/02/2015, com a lavratura do Termo de Intimação (fl. 03). Entretanto, se não houve antecipação do pagamento (não localizo a informação nos presentes autos) o prazo decadencial deve ser contado na forma do artigo 173, I, do CTN, começando a fluir em 1º de janeiro de 2011, no caso, e o lançamento cientificado ao sujeito passivo, na data supracitada, estaria correto. Fl. 130DF CARF MF 4 (...) Assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência a fim de que: a) a Unidade preparadora verifique se houve a antecipação do tributo devido, conforme declarado, para o exercício de 2010, a fim de se estabelecer a contagem do prazo decadencial, nos termos aqui especificados e também providencie a anexação de cópia da DITR/2010 objeto de revisão; b) o contribuinte seja intimado do teor desta resolução e da inexistência do ADA alegadamente apresentado ao IBAMA (recibo nº 11515151851102, exercício 2015) que mencionou em seu recurso nestes autos para, querendo, manifestarse e apresentar a cópia do referido documento, no prazo legal O contribuinte, embora devidamente intimado em 10/11/2016 (fls.105) não se manifestou. O processo foi encaminhado à DRF de Belém/PA (fls. 98/99). Todavia, conforme se verifica pelo documento de fls. 101/102, a DRF Belém se limitou a juntar o termo de intimação do contribuinte sem, contudo, responder os questionamentos a ela endereçados constantes do item "a" da Resolução. Em face do exposto, foi proferido despacho de fls. 109/100 pelo então Conselheiro Relator Marcio Henrique Salles Parada, determinando a devolução do processo à Unidade competente da RFB para cumprimento da Resolução 2202000.707. Em resposta a DRF de Belém anexou a manifestação de fls. 124 na qual declara: Anexamos a DITR 2010, bem como comprovante dos pagamentos de IRTR 2010 para que seja cumprida determinação do CARF Despacho de Devolução de Processo Diligência. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, este CARF tem se posicionado na esteira do Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC revogado e da Resolução STJ 08/2008, cuja ementa é a seguinte: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10280.721107/201534 Acórdão n.º 2202004.675 S2C2T2 Fl. 130 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). As teses dos recursos especiais repetitivos do STJ são de reprodução obrigatória nestes julgamentos administrativos, por força de disposição regimental, conforme artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Comprovado o pagamento de 2010 em 2011 (fls. 123), antes, portanto do trabalho fiscal. Conforme se verifica pelo resultado da diligência foi comprovada a realização de pagamento no exercício de 2010. Para o exercício de 2010, ocorrido o fato gerador em 1º de janeiro, o prazo decadencial expirouse em 1º de janeiro de 2015 e este lançamento, do qual o contribuinte só foi cientificado em 19/05/2015 (fl. 12) está, portanto, fulminado pela decadência. Em face do exposto, dou provimento ao recurso reconhecer a decadência do lançamento. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. . Fl. 132DF CARF MF 6 Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010151/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA.
Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial.
MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105
A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
0 entendimento adotado para o lançamento matriz estender-se-á ao lançamento reflexo, dada a íntima relação de causa e feito entre ambos.
Numero da decisão: 1201-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105 A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. 0 entendimento adotado para o lançamento matriz estenderseá ao lançamento reflexo, dada a íntima relação de causa e feito entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 01 51 /2 00 7- 83 Fl. 2780DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, para manter o IRPJ (principal) e a CSLL (principal), acrescidos de multa de oficio e juros de mora, na forma da legislação aplicável, bem como as multas e juros exigidos isoladamente, nos valores a seguir expostos: Tal crédito foi constituído por meio de autos de infração lavrados contra o contribuinte acima qualificado, correspondentes aos anoscalendário de 2001 a 2006, através dos quais se constituiu crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL e ao IRFonte, no valor total de R$ 213.023.646,73, incluídos multas de oficio e juros de mora. Nos autos de infração, foram consignadas, pelas autoridades autuantes, as seguintes irregularidades, ao final tipificadas: 1° Auto de Infração de IRPJ (fls. 10/14) — auto de infração reflexo (CSLL) às fls. 41/47 2.1. "001 — EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES N:40 AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (RECEITA DE RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA)". Houve redução indevida do lucro real em virtude da exclusão do lucro liquido de valores não Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 19647.010151/200783 Acórdão n.º 1201002.362 S1C2T1 Fl. 2.781 3 autorizados pela legislação do IRPJ, conforme detalhado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 2º Auto de Infração de IRPJ (Ils. 16/34) — auto de infração reflexo (CSLL) às fls. 48/64 2.2. "001 — GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES". Houve compensação indevida de prejuízos fiscais apurado pelo contribuinte, tendo em vista os lançamentos das infrações efetuadas pela presente fiscalização, conforme detalhado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 2.3. "002 — ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESPESA (INDEDUTÍVEL) DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO". Não se adicionou ao lucro liquido, na apuração do lucro real, despesa de amortização de ágio, conforme detalhado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 2.4. "003 — MULTAS ISOLADAS. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CALCULO ESTIMADAS MENSAL". Houve falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada ajustada, conforme detalhado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 3° Auto de Infração de IRFonte (fls. 71/77) 2.5. "001 — MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF NA DISTRIBUIÇÃO DE JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO". Multa devida pela falta de retenção e recolhimento do 1RRF sobre distribuição de juros sobre o capital próprio efetuada pela empresa, conforme detalhado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 2.6. "002 — JUROS ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE DISTRIBUIÇÃO DE JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO Á PESSOA JURÍDICA". Juros devidos pela falta de retenção e recolhimento do IRRF sobre distribuição de juros sobre o capital próprio efetuada pela empresa, conforme detalhado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal. A decisão da 5ª Turma da DRJ/RECIFE restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. INDEDUTIBILLDADE DO ÁGIO PELA INCORPORADORA. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, não permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que não se extinguiu o investimento anteriormente realizado. Fl. 2782DF CARF MF 4 O ágio pago com fundamento em expectativa futura de lucro pode ser amortizado pela investidora quando ela absorve o patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão desta última, a teor do disposto no inciso HI do art. 386 do RIR, de 1999. Também a investida pode amortizar o referido ágio quando absorver o patrimônio da investidora (incorporação às avessas), a teor do inciso II do § 6° do mesmo artigo. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. 0 não recolhimento, ou o recolhimento a menor do tributo, sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. E cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente ao IRPJ devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. 0 entendimento adotado para o lançamento matriz estenderseá ao lançamento reflexo, dada a íntima relação de causa e feito entre ambos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREIT0 TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 IRPJ. DECADÊNCIA. Na falta de pagamento antecipado do imposto, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do art. 173,1, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente em Parte Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 19647.010151/200783 Acórdão n.º 1201002.362 S1C2T1 Fl. 2.782 5 Tendo em vista que o crédito tributário exonerado excedeu o limite de alçada da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, a DRJ recorreu de ofício ao antigo Conselho de Contribuintes. Inconformada, parcialmente, com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, conforme se verifica às folhas 1.574 e seguintes do processo digital. Tal recurso foi apreciado em sessão desta Turma, com outra composição, No dia 08 de maio de 2012. A decisão desta Turma, representada pelo Acórdão nº 120100.689 (fls. 2.077 e seguintes do processo digital), restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADES. INEXISTÊNCIA. Não se constata nos autos mudança de entendimento na decisão da DRJ, adotando os mesmos fundamentos do lançamento fiscal. Não há omissão quanto à análise da concomitância da multa isolada e da multa de ofício, conforme demonstrado nos autos. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE ABUSO DE DIREITO. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que se extinguiu o investimento anteriormente realizado com a incorporação às avessas, a teor do inciso II do § 6° do artigo 386 do RIR/99. A existência de documento (demonstrativo ou laudo) que contempla por metodologia o valor dos ativos em razão de rentabilidade futura permite que a contribuinte realize o aproveitamento do ágio apurado. Inexistência de ágio interno, visto que o valor do ágio apurado na aquisição da Celpe foi transmitido às demais empresas pelo mesmo valor, conforme laudos juntados nos autos. Empresa veículo utilizada sob fundamento econômico devidamente justificado nos autos. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO REDUÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL Considerando que a dedutibilidade da despesa do ágio foi correta, o saldo de prejuízo fiscal em 2006 se mantém conforme declarado pelo Recorrente. Fl. 2784DF CARF MF 6 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. Sendo o ágio deduzido da base de cálculo reconhecido, não há que se falar em multa de oficio isolada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O entendimento adotado para o lançamento matriz estenderseá ao lançamento reflexo, dada a íntima relação de causa e feito entre ambos. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. MULTA APLICADA PELA FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. A Lei n° 11.488/2007, alterou também a redação do artigo 9º da Lei 10.426/02, revogando a aplicação de multa de ofício isolada, limitando a aplicação da multa de ofício apenas nos casos de não recolhimento do tributo. Quando da lavratura do Auto de Infração a Lei n° 11.488/2007 já havia revogado parcialmente parte do dispositivo do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, de tal forma que aquela penalidade não poderia ser mais aplicada em razão da falta de recolhimento da multa de mora. Ainda mais quando a multa de mora já havia sido recolhida pelo contribuinte. Recurso voluntário conhecido e provido. DA RECEITA DE RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA (RTE). RECURSO DE OFÍCIO. A diligência respondida pela DRF confirmou a falta de compensação dos créditos de IRPJ e CSLL declarados pela empresa em sua DIPJ quando da apuração do lançamento relativo ao período de janeiro a julho de 2001. A imputação fiscal foi reformada em decisão da DRJ, reconhecendo que a empresa registrou em sua contabilidade a receita para recomposição tarifária, permitindo, com isso, a exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Recurso conhecido e não provido. Em 03 de julho de 2012, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada da decisão prolatada pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção, tendo protocolizado recurso especial no dia 17/07/2012 (fls. 2.147 do processo digital), que restou admitido pelo despacho nº 120000.187 da Presidência da 2ª Câmara da 1ª Seção (fls. 2.249). Devidamente cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário e do Especial proposto pela Fazenda, o contribuinte apresentou, em 31/10/2013, as suas contrarrazões (fls. 2.266 e seguintes). Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 19647.010151/200783 Acórdão n.º 1201002.362 S1C2T1 Fl. 2.783 7 A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 20 de janeiro de 2016, analisando o especial da Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9101 002.186, apresentou a seguinte decisão, verbis: Decisão dos membros do colegiado: levantada a questão da distribuição por conexão do processo 10480.723383/201076, a Turma decidiu tratarse de decorrência, mantendo o despacho de redistribuição por voto de qualidade. vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, André Mendes Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, ficando prevento o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. 1) Quanto ao conhecimento, por maioria de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) votou pelas conclusões. 2) Por unanimidade de votos, declarada a nulidade da decisão referente ao Tema IRF, sendo a competência da 2ª Seção de Julgamento. 3) Quanto à decadência, por maioria de votos, anular a decisão com retorno os autos à Turma a quo, vencido o Conselheiro André Mendes Moura. 4) Quanto ao mérito do Tema Ágio, por maioria de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional provido, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, mantendo as conseqüências em relação aos ajustes no estoque de prejuízos fiscais. A Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) votou pelas conclusões. 5) Quanto às multas por estimativa, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Turma a quo para julgamento. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (Grifamos). São os argumentos do Recurso Voluntário relativamente à decadência do direito de constituir os créditos tributários de IRPJ e da CSLL do anobase de 2001 (fls 1.577 e seguintes do processo digital): Ao apreciar a matéria, devidamente alegada na impugnação, a D. Turma Julgadora afastou a ocorrência do instituto da decadência por entender que, no presente caso, não há que se falar na aplicação da decadência prevista no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional ("CTN"), mas apenas a prevista no artigo 173, inciso I, daquele Código, pois não houve o pagamento antecipado do tributo questionado. Fl. 2786DF CARF MF 8 (...) No entanto, como se sabe, para fins de determinação da regra de contagem da decadência (artigo 150, §40, ou artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional), o fator determinante não é a existência ou não de pagamento antecipado, mas, sim, a modalidade de lançamento a que está sujeito determinado tributo. Por sua vez, o que efetivamente determina a modalidade do lançamento é a legislação tributária, sobretudo, na hipótese de lançamento por homologação, se houver a previsão de que o sujeito passivo tem o dever legal de apurar o tributo devido e, se for o caso, efetuar o pagamento antecipado, conforme prevê o artigo 150 do Código Tributário Nacional. Ora, o próprio Código Tributário Nacional prevê que, para se determinar qual será a modalidade do lançamento, e por conseqüência qual será a regra para contagem da decadência, basta que a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de apurar o "quantum" devido e, se for o caso, antecipar o seu pagamento. Isso não quer dizer, por óbvio, que a ausência de pagamento antecipado desnatura a modalidade do lançamento aplicável àquele determinado tributo. Efetivamente, como ocorreu no presente caso, a Recorrente apurou o montante das bases de cálculo, nos termos da legislação aplicável, no período de 2001, mas não efetuou o pagamento antecipado dos tributos pelo fato de ter sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, o que, claramente, não desnatura a modalidade do lançamento por homologação, como equivocadamente entendeu a D. Turma Julgadora. (...) Portanto, considerandose que o termo inicial para contagem da decadência, no presente caso, é a data da ocorrência dos respectivos fatos geradores (artigo 150, § 4 0, do CTN), não há como não se reconhecer a decadência de parte dos créditos tributários em questão. A seguir, extraio do recurso voluntário as alegações do sujeito passivo no tocante à impossibilidade da cobrança de multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa (fls. 1.619 e seguintes do processo digital): No entanto, conforme demonstrado na pega impugnatória, não poderá prevalecer a cobrança da aludida multa, tendo em vista que (i) no momento da lavratura dos autos de infração já haviam se encerrado os períodos base objeto de lançamento de oficio; (ii) não há base de cálculo para a cobrança da multa em comento; e (iii) a cobrança da multa isolada cumulativamente com a multa de oficio vinculada gera duplicidade na cobrança, o que não pode ser admitido. É o relatório. Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 19647.010151/200783 Acórdão n.º 1201002.362 S1C2T1 Fl. 2.784 9 Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Em face da tempestividade verificada e presentes os demais pressupostos de admissibilidade passo a apreciar o recurso voluntário interposto. Como relatado, a presente análise abordará os argumentos constantes do recurso voluntário exclusivamente com relação à decadência e o lançamento da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, nos estritos termos do Acórdão proferido pela CSRF ao norte mencionado. DA DECADÊNCIA A recorrente argúi, em preliminar, a decadência do direito de o Fisco questionar sua apuração relativamente ao anocalendário de 2001. No presente caso, a contribuinte não apurou lucro no período fiscalizado entre 01/08/2001 a 31/12/2001, mas apresentou DIPJ informando ao Fisco a apuração de prejuízo fiscal e base negativa nesse período (fls. 147 e seguintes do processo digital). Nesse sentido e de forma objetiva, considerandose que o IRPJ e a CSLL, são tributos sujeitos ao chamado “lançamento por homologação”, entenderseia aplicável o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, uma vez que a desconstituição do prejuízo formado no presente caso não se deu fundamentada na existência de dolo, fraude ou simulação nas operações que geraram as despesas formadoras do prejuízo e da base negativa. Salientase que sobre essa matéria, adoto as razões de decidir do voto condutor do Acórdão nº 9101002.872, sessão de 06 de junho de 2017, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que trago a colação: Assim, se adota as razões de decidir da Conselheira Edeli Pereira Bessa, relatora do acórdão recorrido, para a sua manutenção: “A decisão recorrida invoca entendimento adotado por esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 1101000.863, porém naqueles autos estava em discussão a possibilidade de a autoridade lançadora, em 2009, glosar despesas registradas de 2004 a 2006, decorrentes de operações realizadas de 1997 a 2002. E a validade deste procedimento foi defendida com base nas razões expostas pelo Conselheiro Antônio José Praga de Souza no Acórdão nº 140200.993, das quais destacase: ‘A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. Fl. 2788DF CARF MF 10 [...] Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. [...] Frisese: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: (…) Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frisese, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador.’ (negritouse) Aqui, porém, a discussão não recai, apenas, sobre o art. 37 da Lei nº 9.430/96. O procedimento fiscal tem em conta a própria apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2004 e 2005, retificandoas por meio de auto de infração, consoante autoriza o Decreto nº 70.235/72 (…) Ou seja, o sujeito passivo informou ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa nos períodos em referência, e a lei autorizava a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte. Por sua vez, vejase o exato teor do art. 37 da Lei nº 9.430/96: (…) Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 19647.010151/200783 Acórdão n.º 1201002.362 S1C2T1 Fl. 2.785 11 A lei, neste caso, fala da repercussão futura de fatos contabilizados no passado. Nada menciona acerca da compensação futura de prejuízos fiscais e assim, não contradiz a autorização especial contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, acerca da retificação de prejuízos fiscais por meio de lançamento. É certo que em circunstâncias específicas, a autoridade fiscal poderia discordar da compensação futura de prejuízos fiscais ou bases negativas, ainda que não promovido lançamento anterior para retificar sua apuração. Isto porque, para além do efeito imediato da apuração de prejuízos fiscais e bases negativas, que é a demonstração da inocorrência do fato jurídico tributário (lucro) no período de sua apuração, aquela apuração tem um efeito mediato, qual seja, a redução de bases tributáveis futuras, momento em que o sujeito passivo deveria fazer a prova da existência do prejuízo fiscal e da base negativa anteriormente apurados, mesmo que já atingido pelo prazo decadencial. Assim, se tais prejuízos não foram informados em DIPJ oportunamente, e não estão demonstrados no LALUR, consoante exige o art. 262, inciso III do RIR/99, a autoridade fiscal poderia glosar sua utilização futura, ainda que ultrapassado o prazo decadencial contado a partir da apuração original. Todavia, se estas informações foram prestadas, ultrapassado o prazo decadencial o Fisco não mais pode promover o lançamento que, desde o encerramento da apuração correspondente, estava autorizado por lei a fazer. Acrescentese, ainda, que embora o CTN estipule prazo decadencial para constituição de crédito tributário, os incisos do seu art. 173 fazem referência à formalização de lançamento, sendo certo que o auto de infração destinado à redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL guarda praticamente todos os contornos do lançamento previsto no art. 142 do CTN, à exceção do cálculo do montante do tributo devido e da aplicação de penalidade cabível, ante o expresso reconhecimento da autoridade fiscal de que a apuração da contribuinte subsistiu negativa. Logo, não há como negar que o auto de infração destinado à redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL se submete aos prazos decadenciais estipulados no CTN para fins de constituição de crédito tributário. Esclareçase, ainda, que este entendimento traz implícita a premissa de que sujeitase a homologação tácita a apuração de prejuízo fiscal regularmente escriturada e declarada pelo sujeito passivo. Por esta razão, a matéria é afetada pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. (…) Fl. 2790DF CARF MF 12 Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: (…) Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Importa assim, ter em conta a peculiaridade das obrigações acessórias impostas aos contribuintes, dentre os quais se insere a recorrente, ao optarem pela apuração do lucro real anual. Cumprelhes: escriturar contabilmente suas operações, apurar mensalmente a necessidade de recolher antecipações (estimativas), apurar o resultado do exercício em seus livros contábeis, promover ajustes previstos em lei (adições, exclusões e compensações) para determinar o lucro real no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR ou a base de cálculo da CSLL em outros demonstrativos, aplicar sobre estes as alíquotas correspondentes e do resultado deduzir as parcelas previstas na legislação, recolher o tributo eventualmente apurado, declarálo em DCTF e, no exercício subsequente, informar esta apuração em DIPJ. No cumprimento destas obrigações acessórias, pode o sujeito passivo não chegar, em sua apuração, a base de cálculo sujeita à incidência tributária, não só porque seu resultado do exercício já foi negativo ou igual a zero, como também porque os ajustes Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 19647.010151/200783 Acórdão n.º 1201002.362 S1C2T1 Fl. 2.786 13 ao lucro líquido contábil geraram resultado igual a zero ou prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL. Em tais condições, é possível que apenas em razão do menor sucesso em suas atividades, o sujeito passivo não recolha tributo, nada tenha a declarar em DCTF, e apenas informe ao Fisco sua apuração no momento da entrega da DIPJ. Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. E isto porque há uma situação intermediária na qual a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas admite que ele não seja feito se a apuração do sujeito passivo disto o dispensar. E, para esta hipótese intermediária, não se pode negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aplicável. Esta, inclusive, é uma das interpretações cogitadas pela Equipe de Trabalho constituída por esta Relatora e por Daniel Monteiro Peixoto, Gleiber Menoni Martins, Maria Inês Dearo Batista, Maria Lúcia Aguilera, Vanessa Rahal Canado e Eurico Marcos Diniz de Santi, sob a coordenação deste último, e que consta do livro Decadência no Imposto sobre a Renda – Investigação eAnálise I, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2006, p. 50: Corrente 1: A contagem do prazo decadencial do direito de lançar o crédito tributário é a do art. 150, §4º do CTN, porque: 1º) tratase de lançamento por homologação – aquele no qual a Lei atribuiu ao sujeito passivo o dever de antecipar a apuração e o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa (tributos que prescindem de lançamento = ato privativo da autoridade administrativa); 2º) o sujeito passivo adotou a conduta prescrita em Lei de informar o resultado da apuração do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, apenas não tendo efetuado qualquer declaração (DCTF) ou pagamento, relativos ao imposto devido, por falta de apuração de base tributável no período; 3º) a regularidade da conduta adotada (ausência de declaração e pagamento) encontrase confirmada pela entrega da DIPJ, instrumento previsto na legislação para a demonstração da base de cálculo apurada; Nesse contexto, o dever de antecipar o pagamento, requisito previsto em Lei para a aplicação da norma decadencial do art. 150, §4º do CTN, somente se justifica quando apurado imposto devido. Após a edição do livro que orienta o julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi dirigiu os estudos sobre particularidades do tema “Decadência” que não estavam tratadas em sua tese. E um dos resultados destes trabalhos pode ser visualizado na parte “B” do livro publicado em 2006, da qual constam os fluxogramas com as possíveis soluções para as diversas Fl. 2792DF CARF MF 14 possibilidades de ocorrência da decadência no percurso da apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, e por conseqüência também da CSLL, sujeita a regras semelhantes de apuração e recolhimento. A “Situação 6”, ali constante à p. 148, destaca hipótese na qual se enquadra o caso em análise nestes autos: Considerando que a retificação do prejuízo fiscal e da base negativa apurados no anocalendário de 2001 somente seria possível a partir de seu encerramento, ou seja, em 01/01/2002, o prazo decadencial tem início nessa data, de modo que o auto de infração poderia ter sido lavrado até 31/12/2006. Como a ciência se verificou em 25/09/2007, deve ser declarada a decadência da glosa do prejuízo fiscal e da redução da base negativa da CSLL no valor de R$ 97.483.248,65 em 31/12/2001. DA MULTA ISOLADA Sobre a multa isolada, sem maiores digressões, o tema está pacificado desde a edição da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com a vigência da referida Súmula, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Sendo os lançamentos de multa isolada aqui tratados pertinentes a períodos anteriores a 31/12/2006, cabe o cancelamento dos mesmos. Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 19647.010151/200783 Acórdão n.º 1201002.362 S1C2T1 Fl. 2.787 15 Resumindo, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar as exigências imputadas. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 2794DF CARF MF
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