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Numero do processo: 14337.000123/2010-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 01 23 /2 01 0- 33 Fl. 465DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.268.9221, lavrado contra o contribuinte identificado acima por descumprimento de obrigação principal, consolidado em 28/05/2010, no valor de R$ 597.514,15 (Quinhentos e noventa e sete mil, quinhentos e quatorze reais, e quinze centavos), correspondente a pagamento de remuneração feito pelo interessado aos seus segurados empregados no período de 05/2005 a 12/2006 e competência 13/2006. O sujeito passivo foi cientificado do AI em questão em 31/05/2010, conforme declaração de ciência constante do rosto do AI, à fl. 01. De acordo com os diversos Relatórios que compõem o lançamento, o crédito tributário referese às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, relativa às rubricas: “Empresa” e “Sat/rat”. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 16/07/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário e negado provimento ao Recurso de Ofício, prolatandose o Acórdão nº 2402004.165 (fls. 410/418), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO. FOLHA PAGAMENTO. A base de cálculo decorre das folhas de pagamento dos segurados empregados, consubstanciada na documentação contábil da Recorrente. Assim, os valores apurados estão em conformidade com o art. 142 do CTN. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 14337.000123/201033 Acórdão n.º 9202005.973 CSRFT2 Fl. 3 3 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 19/08/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 01/10/2014, o presente Recurso Especial (419/426). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao seguinte aspecto: retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 931/2014, da 4ª Câmara, de 27/11/2014 (458/460). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2402004.165, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 467DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 458. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI Fl. 468DF CARF MF Processo nº 14337.000123/201033 Acórdão n.º 9202005.973 CSRFT2 Fl. 4 5 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 469DF CARF MF 6 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 470DF CARF MF Processo nº 14337.000123/201033 Acórdão n.º 9202005.973 CSRFT2 Fl. 5 7 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 471DF CARF MF 8 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 472DF CARF MF Processo nº 14337.000123/201033 Acórdão n.º 9202005.973 CSRFT2 Fl. 6 9 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 473DF CARF MF 10 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000282/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para ciência ao contribuinte do resultado da diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB-SP 83755, escritório Mattos Filho Advogados..
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.010396/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, e deve ser apresentado no prazo previsto na legislação.
ITR. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA. ÁREA DE TOMBAMENTO. EXIGÊNCIA DE ATO ESPECÍFICO DO ÓRGÃO AMBIENTAL
A existência de uma Área de Proteção Ambiental - APA ou de área de tombamento não implica automaticamente em reconhecimento de que se trata de área não tributável, quer seja a título de áreas de preservação permanente ou de reserva legal - posto que podem ser exploradas economicamente - , ou mesmo de interesse ecológico, uma vez que estas somente são aceitas quando declaradas mediante ato específico da autoridade competente (estadual ou federal) para área determinada do imóvel.
ITR. FLORESTAS NATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL EM EXERCÍCIO ANTERIOR AO DE INÍCIO DE VIGÊNCIA DA LEI INCLUI ESSA PERMISSÃO
A exclusão das áreas tributáveis do ITR requer base legal. A exclusão das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração não pode ser aplicada aos exercícios anteriores a 2007.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, e deve ser apresentado no prazo previsto na legislação. ITR. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA. ÁREA DE TOMBAMENTO. EXIGÊNCIA DE ATO ESPECÍFICO DO ÓRGÃO AMBIENTAL A existência de uma Área de Proteção Ambiental - APA ou de área de tombamento não implica automaticamente em reconhecimento de que se trata de área não tributável, quer seja a título de áreas de preservação permanente ou de reserva legal - posto que podem ser exploradas economicamente - , ou mesmo de interesse ecológico, uma vez que estas somente são aceitas quando declaradas mediante ato específico da autoridade competente (estadual ou federal) para área determinada do imóvel. ITR. FLORESTAS NATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL EM EXERCÍCIO ANTERIOR AO DE INÍCIO DE VIGÊNCIA DA LEI INCLUI ESSA PERMISSÃO A exclusão das áreas tributáveis do ITR requer base legal. A exclusão das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração não pode ser aplicada aos exercícios anteriores a 2007. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2180; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 130 1 129 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.010396/200826 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.350 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria ITR Recorrente HÉLCIO BUCK SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, e deve ser apresentado no prazo previsto na legislação. ITR. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. ÁREA DE TOMBAMENTO. EXIGÊNCIA DE ATO ESPECÍFICO DO ÓRGÃO AMBIENTAL A existência de uma Área de Proteção Ambiental APA ou de área de tombamento não implica automaticamente em reconhecimento de que se trata de área não tributável, quer seja a título de áreas de preservação permanente ou de reserva legal posto que podem ser exploradas economicamente , ou mesmo de interesse ecológico, uma vez que estas somente são aceitas quando declaradas mediante ato específico da autoridade competente (estadual ou federal) para área determinada do imóvel. ITR. FLORESTAS NATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL EM EXERCÍCIO ANTERIOR AO DE INÍCIO DE VIGÊNCIA DA LEI INCLUI ESSA PERMISSÃO A exclusão das áreas tributáveis do ITR requer base legal. A exclusão das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração não pode ser aplicada aos exercícios anteriores a 2007. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 96 /2 00 8- 26 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, relativo aos exercícios 2003, 2004 e 2005, incidente sobre o imóvel denominado “Pitinga do Rio Sagrado – Fazenda São José”, com Número do Imóvel na Receita Federal – NIRF 6.472.9214 e área de 274,0 ha, localizado no município de Morretes – PR (fls. 37/42). O auto de infração consiste de glosa da Áreas de Preservação Permanente declarada e de alteração do Valor da Terra Nua, com base no Sistema de Preço de Terra SIPT. A autoridade lançadora consignou que o contribuinte fora intimado a apresentar a seguinte documentação: a) cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; b) laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso existisse área de preservação permanente prevista no art. 2° da Lei n° 4.771/65, certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele estivesse inserido em área declarada como de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010396/200826 Acórdão n.º 2802003.350 S2TE02 Fl. 131 3 preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei n° 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; e c) laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com o respectivo ART. O contribuinte apresentou cópia de Ada protocolizado em 09 de outubro de 2007 e cópia de termo de acordo firmado junto ao Instituto de Terras e Cartografia do Paraná em 03 de maio de 1978, estabelecendo que a propriedade seria área de preservação permanente. A autoridade fiscal assinalou que a área foi integralmente glosada porque a documentação não atendeu ao que foi solicitado, de acordo com os art. 2º e 3º da Lei 4.771/1965 e alínea “a”, inciso II, §1º, art. 10 da Lei 9.393/1996, e o ADA foi apresentado após o prazo previsto no §3º do art. 9º da IN SRF nº 256/02. A impugnação amparouse nas alegações adiante resumidas: a) decisão do Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial Civil n° 665.123PR considerou ilegal a exigência de apresentação do ADA por meio de Instrução Normativa SRF n° 67/97; b) O IAP Instituto Ambiental do Paraná informou que a totalidade da área do imóvel é de preservação permanente porque está localizada no alto da Serra do Mar, sendo isenta de tributação; c) O Valor da Terra Nua apurado no laudo de R$68.016,00 está dentro dos limites tributáveis fiscais; d) reitera a isenção relativa à área de preservação permanente, inserida em seu imóvel. A impugnação foi deferida em parte, resultando em redução do VTN tributável para R$136.700,00, em 2003, R$265.500,00, em 2004, e R$338.100,00, em 2005. A glosa da Áreas de Preservação Permanente foi mantida sob fundamento de que: a) a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ referese à IN SRF 67/1997, porém com a edição da Lei nº 10.165, o art. 17O, que alterou o art. 1º da Lei 6.938/1981, o contribuinte deveria ter protocolado o ADA no Ibama, segundo prazos e condições fixados em ato normativo, como determinado no art. 10, §3º do Decreto nº 4.382, de 2002, e art. 9°, §3º, inciso I, da IN SRF nº 256, de 2002, ao passo que o ADA apresentado em 09/10/2007, é intempestivo para os exercícios de 2003, 2004 e 2005; b) a não obrigatoriedade da apresentação do ADA, prevista no §7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, significa, apenas, que não há necessidade de comprovação dos dados declarados quando do cálculo do imposto e entrega da DITR, mas não dispensa o contribuinte de comprovar o que declarar quando é intimado pelo Fisco; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 c) ainda que alegado que o imóvel está situado na APA Guaratuba, a exclusão de áreas da área tributável do ITR somente se aplica a áreas específicas, que tenham sido objeto de ato específico expedido pelo Ibama; d) a isenção das áreas cobertas com floresta deuse somente com a Lei nº 11.248, de 2006, portanto não se pode reconhecer isenção para áreas ocupadas com vegetação primária da Mata Atlântica nos exercícios anteriores à vigência da citada lei; e) a existência no imóvel rural de área sem exploração e que não se enquadra na definição de área isenta do ITR, quando seu proprietário a mantenha intacta, é considerada aproveitável mas não utilizada, o que, evidentemente, influencia na apuração do Grau de Utilização. A ciência do acórdão ocorreu em 13/05/2010. O recurso voluntário foi interposto no dia 11/06/2010 amparado nas razões abaixo resumidas: 1. a área em questão situase no alto da serra do Mar e certidão fornecida pelo Instituto Ambiental do Paraná – IAP e laudo de engenheiro, já juntados quando da impugnação, atestam que a área é de preservação permanente em sua totalidade, conforme o contribuinte informa desde 1992; 2. a área está totalmente inserida na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, desde 1992, conforme decreto Estadual nº 1.234/1992 e também na Área de Tombamento da Serra do Mar, criada pela Lei Estadual nº 7.389/1980; 3. precedentes desde Conselho e do STJ dispensam o ADA para fins de isenção de ITR, havendo precedentes do STJ posteriores à inserção do §7º do 10 da lei 9.393/1996, pondo fim à controvérsia; destaca RESP 587429/Al que considera a aplicação retroativa desse dispositivo, que autorizaria, inclusive, a aplicação retroativa da isenção atribuída às áreas cobertas de matas nativas, instituídas pela Lei 11.428, citada no acórdão recorrido, por ser mais benéfica ao contribuinte; 4. a multa é confiscatória; 5. o cálculo de juros de mora com base na Selic é inconstitucional, fere os princípios da legalidade, da anterioridade, da segurança jurídica e da indelegabilidade de competência tributária; na eventualidade de prevalecer o entendimento de que o débito merece subsistir, ao menos, os juros devem ser adequados a percentuais iguais ou inferiores a 1% ao mês, (§1º do art. 161 do CTN); e 6. ilegalidade da aplicação da correção monetária e juros moratórios juntamente com a incidência da Selic. Requereu prioridade de tramitação com base no Estatuto do Idoso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010396/200826 Acórdão n.º 2802003.350 S2TE02 Fl. 132 5 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Os precedentes administrativos e judiciais citados pelo recorrente não possuem efeito vinculante em relação a este julgamento. Acertadamente o acórdão recorrido assinalou que a não obrigatoriedade da prévia comprovação do ADA, prevista no §7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, limitase à desnecessidade de comprovação dos dados declarados quando da entrega da DITR, mas não dispensa o contribuinte de comprovar o que declarar quando é intimado pelo Fisco, como ocorre em todo lançamento por homologação. A apresentação de ADA de um exercício não supre a exigência de outros exercícios. A previsão, em lei, da exigência do ADA é aplicável a partir do exercício 2001. Tratase do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(grifos acrescentados) (...) Não obstante a menção ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ de que o ADA é dispensável, a matéria não foi julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, portanto não vincula os Conselheiros do CARF. Embora o STJ tenha reputado que a matéria está pacificada, uma análise dos precedentes que conduziram à tese consolidada não permite concluir que tenha sido enfrentada, especificamente, a inovação legislativa que acrescentou o art. 17O à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Os precedentes do STJ se ocuparam de analisar a “superveniência de lei mais benéfica”, que instituiu a modalidade de lançamento por homologação para o ITR (§7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/96, pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)1 e a exigência baseada em ato infralegal (IN SRF nº 67/1997)2. 1 Recurso Especial nº 1.108.019/SP. Relator Ministro Benedito Gonçalves. Brasília, 18go.2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br>. Acesso em: 28Set.2010. O julgado proferido no REsp 587.429 foi citado como precedente em vários outros julgados, tais como o REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A introdução do art. 17O não foi objeto de enfrentamento ao menos reiterado, como supõe a tese de um entendimento pacificado , posto que os julgados têm se reportado a uma consolidação construída com base em precedentes anteriores à introdução do art. 17O ou , se posteriores, que não analisaram a questão sobre esse aspecto, ao menos porque o exercício do ITR em litígio era anterior a 2001. A exigência do ADA com amparo no §1º do art. 17O justificase com amparo em outro entendimento do STJ: “o art. 111, II, do CTN prevê que a lei tributária de isenção deve ser interpretada literalmente, não comportando interpretação extensiva quanto à sua incidência ou afastamento” (Recurso Especial nº 998.727/TO). Dessa forma: “A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000”, que introduziu o art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981 (Acórdão CARF nº 2802002.704, de 18/02/2014). Para os exercícios a partir de 2001, exigese a apresentação do ADA ou a comprovação do protocolo de requerimento desse Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil. Nos exercícios em análise era de até seis meses após a entrega da DITR, conforme inciso I do §3º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 256, de 11/12/2002, que tem fundamento no art. 17O da Lei nº 6.938/1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. O precedente do STJ invocado pelo recorrente referese à aplicação retroativa de dispositivo alusivo ao dever de comprovar e não à outorga de isenção. Quando intimado a comprovar que as áreas declaradas como de preservação permanente atendiam aos requisitos dos art. 2º ou 3º do Código Florestal, o contribuinte apresentou o Termo de Acordo firmado com o Instituto Estadual de Terras e Cartografia (fls. 25), que se limita a estabelecer uma área de preservação permanente no que se refere à fauna silvestre. Não há previsão na legislação do ITR que permita exclusão da área tributável com base nessa espécie de limitação ao uso da propriedade. A necessidade de demonstração acerca de a área ser da espécie prevista no art. 2º ou 3º do Código Florestal relacionase com a exigência (art. 3º) ou não (art. 2º) de um ato específico do poder público que outorgue à área a natureza de área de especial interesse ecológico. O recorrente alega que a área em questão situase no alto da Serra do Mar e que certidão fornecida pelo Instituto Ambiental do Paraná – IAP e laudo de engenheiro, já juntados quando da impugnação, atestam que a área é de preservação permanente em sua totalidade, conforme o contribuinte informa desde 1992. Todavia, o laudo de fls. 79 (numeração digital fl. 82) indica que uma parte é mata nativa preservada (149.4501) e outra é Área de Preservação Permanente (70,0149), portanto não corrobora exatamente as alegações recursais. DJ 10/12/2007, o REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007 – foi aplicado como precedente o RESP 587.429 (retroatividade da medida provisória 2.16667, de 24/08/2001) e o REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 19/5/2009). Um exemplo de que o art. 17O não foi abordado em razão do exercício do ITR ser anterior a 2001: REsp 1.283.326/RS. Os julgados recentes restringemse a consignar que o entendimento está pacificado. 2 AgRg no REsp 1313058 / PE, Ministro OG FERNANDES, 17/12/2013; REsp1.283.326, Ministro Castro Meira, julgado em 08/11/2011; REsp 1.108.019/SP, Ministro Benedito Gonçalves, julgado em 18/08/2009. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010396/200826 Acórdão n.º 2802003.350 S2TE02 Fl. 133 7 A isenção instituída pela Lei 11.428, de 2006 (florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração) não se aplica aos exercícios anteriores a sua vigência, que teve início em 22/12/2006. Como o fato gerador do ITR ocorre no primeiro dia de cada ano, a referida exclusão somente é possível a partir do exercício 2007. O recorrente alega que o imóvel está totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, desde 1992, conforme decreto Estadual nº 1.234/1992 e também na Área de Tombamento da Serra do Mar, criada pela Lei Estadual nº 7.389/1980. A existência de uma Área de Proteção Ambiental APA ou de área de tombamento não implica automaticamente em reconhecimento de que se trata de área não tributável, quer seja a título de áreas de preservação permanente ou de reserva legal posto que podem ser exploradas economicamente , ou mesmo de interesse ecológico, uma vez que estas somente são aceitas quando declaradas mediante ato específico da autoridade competente (estadual ou federal) para área determinada do imóvel (Acórdãos CARF nº 210200.666, de 17/05/2010; nº 280100.524, de 12/05/2010; nº 220100.709, de 17/06/2010, e nº 220200.533, de 13/05/2010). No caso dos autos, o recorrente não apresentou esse ato específico para a área do imóvel. Quanto à declaração de fls. 55, anotese que: a) embora informe que há restrições ao uso do solo, não informa que existem restrições ao uso do solo que ampliem as previstas para Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, como se exige na alínea “b” do inciso II do art. 10 da Lei 9.393, de 1996; b) não obstante faça menção a áreas de preservação permanente, não afirma que seja em toda área do imóvel. Por essas razões, deve ser mantida a glosa das áreas de preservação permanente. O requerente alega que a multa é confiscatória, entrando no âmbito de aferição de constitucionalidade de lei, o que é defeso aos Órgãos administrativos. Tratase de matéria objeto da súmula nº 2 deste Conselho: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A este Conselho compete o controle da legalidade dos atos administrativos e não da constitucionalidade das leis e a multa aplicada tem previsão em lei, tal como disposto no enquadramento legal do auto de infração (fls. 42, numeração digital fl. 44). Igual sorte recai sobre a alegação de que é inconstitucional o uso da Selic. Não há ilegalidade no emprego da Selic conforme entendimento sumulado: Súmula CARF nº4 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No lançamento há cobrança de juros de mora, mas não de correção monetária, razão pela qual as alegações do recorrente sobre correção monetária não possuem interesse recursal. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13002.000765/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
Ementa:
PIS - COFINS - DECADÊNCIA.
Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplica-se a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4' do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE nº 566.621/RS).
A partir de 09/06/2005, portanto após término do vacacio legis da Lei Complementar nº 118/2005, o direito de pleitear a restituição ou realizar compensações de tributos lançados por homologação extingue-se em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, ainda que tenha sido realizado anteriormente à sua vigência.
Numero da decisão: 3301-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 Ementa: PIS - COFINS - DECADÊNCIA. Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplica-se a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4' do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE nº 566.621/RS). A partir de 09/06/2005, portanto após término do vacacio legis da Lei Complementar nº 118/2005, o direito de pleitear a restituição ou realizar compensações de tributos lançados por homologação extingue-se em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, ainda que tenha sido realizado anteriormente à sua vigência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas.
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Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4′ do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE nº 566.621/RS). A partir de 09/06/2005, portanto após término do vacacio legis da Lei Complementar nº 118/2005, o direito de pleitear a restituição ou realizar compensações de tributos lançados por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, ainda que tenha sido realizado anteriormente à sua vigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 07 65 /2 00 9- 18 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Fábia Regina Freitas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Porto Alegre (fls.137/141) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls.27/60) que contrapôs ao despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e que não homologou a compensação pleiteada, relativa a pagamento a maior de PIS e COFINS. O contribuinte solicitou em 25/11/2009 a compensação de valores que entende haver recolhido a maior/indevidamente a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, período de apuração de dezembro de 1999, com débitos da Contribuição ao Programa de Integração Social PIS e de COFINS, período de apuração de outubro de 2009, conforme Declaração de Compensação (fls. 01 e 02). De acordo com os cálculos efetuados pelo contribuinte, o valor total recolhido a maior/indevidamente, e que ora requer compensação, totaliza a importância de R$ 4.643,41 (quatro mil seiscentos e quarenta e três reais, quarenta e um centavos). Com a finalidade de instruir o processo, foram anexados a Declaração de Compensação, aprovada pela IN SRF n° 900/2008 (lis. 01 e 02), o Comprovante de Arrecadação (fl. 03), dentre outros documentos com comprovação de outorga de poderes. A DRF de origem apreciou a questão no Despacho Decisório DRF/NHO/Seort n° 1.299/2009 de fls. 32/35, ementada da seguinte forma: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. Períodos de apuração: dezembro de 1999 A utilização de formulário em papel para declarar compensações implica considerar a compensação não declarada, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP para apresentar o pleito decorra de restrição incorporada ao programa em estrito cumprimento ao disposto na legislação tributária. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Inconformado, o contribuinte apresentou contestação que denominou manifestação de inconformidade, acostando aos autos novos documentos, solicitando a aceitação da compensação efetuada, tendo como principal ponto de defesa a alegação de que “a hipótese dos autos se subsume a exceção prevista para formular o pedido de restituição por meio nãodigital, por ser notório que o sistema PER/DCOMP não aceita pedido de restituição de tributos pagos há mais de 5 anos”. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13002.000765/200918 Acórdão n.º 3301001.926 S3C3T1 Fl. 3 3 Tal ato foi apreciado, sob o rito da Lei 9.784/1999, sendo considerada improcedente pela DISIT da Superintendência da 10ª RF, conforme decisão de fls.62/63. Contestando a decisão administrativa da DISIT da Superintendência da 10ª RF na esfera judicial, concomitantemente a contribuinte obteve Decisão favorável de Antecipação de Tutela na Ação Ordinária n. 500004852.2011.404.7108, na Justiça Federal da 4º Região, no sentido de que é “lícita à apresentação dos pedidos de compensação mediante formulário de papel, a fim de garantir o direito do contribuinte, devendo ser atribuído efeito suspensivo às manifestações de inconformidade apresentadas pela parte autora, com fundamento no art. 151, inciso III do CTN”, conforme decisão de fls.67/68. Diante destes fatos, a DRF de origem substituiu o Despacho Decisório DRF/NHO/Seort n° 1.299/2009 de fls. 32/35, por um novo Despacho Decisório, de fls.62/63 no qual não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, devido à incidência do instituto da decadência. Novamente inconformado, o contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade, de fls.69/70. Neste pleito, solicitou que o prazo para a decadência fosse de 10 anos, permitindo a realização da compensação, conforme doutrina e jurisprudência. Com isso, consta às fls. 136/140 que na sessão de 29/03/2012, a 2º Turma da DRJ/POA proferiu o acórdão nº1037.631, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO PRAZOS REQUISITOS. O prazo para solicitar a restituição ou compensar valores recolhidos indevidamente ou a maior é de cinco anos da extinção do crédito tributário, nos termos do Ato Declaratório nº 96, 26 de novembro de 1999, sendo corroborado pelo art.3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, nos termos da jurisprudência do STF e STJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 148/175 por meio do qual contesta o referido Acórdão, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com a legislação pátria e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Conforme é possível perceber do relato acima, o indeferimento do crédito pleiteado pelo ora Recorrente se deu basicamente pela seguinte razão: decadência do direito à compensação relativa à DCOMP de fls. 01 e 02, anteriores a 25/11/2004; Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é uma questão complicada, que vinha dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há anos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no atual CARF, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a questão não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitivo a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13002.000765/200918 Acórdão n.º 3301001.926 S3C3T1 Fl. 4 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observando o acórdão do REsp nº 973.733/SC, verificase que essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. No mesmo sentido, temos que o Supremo Tribunal Federal, valendo se da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273). Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Devese esclarecer que o caso concreto submetido à análise enquadra se perfeitamente ao precedente acima transcrito. Afinal, tratase de pedido de restituição vinculado a declarações de compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, transmitido em 25/11/2009, ou seja, posteriormente a 09/06/2005. Neste contexto, como o pedido foi transmitido após a data fixada no referido precedente (09/06/2005) se lhe aplica o novo prazo de 5 (cinco) para repetição. Assim, não resta dúvida que, relativamente aos recolhimentos contidos na DCOMP, de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13002.000765/200918 Acórdão n.º 3301001.926 S3C3T1 Fl. 5 7 formulário papel anteriores à data de 25/11/2004 foram atingidos pela decadência, afetando o peticionário, haja vista que entre esta data e o protocolo da medida administrativa transcorreu prazo superior a cinco anos. Conclusão Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Fábia Regina Freitas Relatora Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10280.001356/2003-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/1996
PRESCRIÇÃO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI 5ANOS
Não se aplica, aos pedidos de ressarcimento de IPI, a tese do Superior Tribunal de Justiça de 5 + 5. Esta tese apenas tem guarida nos casos de pagamento indevido de tributo sujeito ao lançamento por homologação, onde existe a figura do auto lançamento tributário.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.363/96. PRAZO DE CINCO ANOS PARA EXERCER O DIREITO. APLICAÇÃO DO ART. 10 DO DECRETO N.º 20.910/32.
Ao benefício fiscal previsto na Lei n.º 9.363/96, por se tratar de dívida passiva da União, com respeito à prescrição, aplica-se o disposto no art. 1º do Decreto n.º 20.910/96, de modo que prescreve em cinco anos contatos do ato ou fato de que se originou.
CRÉDITO PRESUMIDO. TAXA SELIC.
Não se tratando de restituição de indébito tributário, não se aplica ao crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/1996 PRESCRIÇÃO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI 5ANOS Não se aplica, aos pedidos de ressarcimento de IPI, a tese do Superior Tribunal de Justiça de 5 + 5. Esta tese apenas tem guarida nos casos de pagamento indevido de tributo sujeito ao lançamento por homologação, onde existe a figura do auto lançamento tributário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.363/96. PRAZO DE CINCO ANOS PARA EXERCER O DIREITO. APLICAÇÃO DO ART. 10 DO DECRETO N.º 20.910/32. Ao benefício fiscal previsto na Lei n.º 9.363/96, por se tratar de dívida passiva da União, com respeito à prescrição, aplica-se o disposto no art. 1º do Decreto n.º 20.910/96, de modo que prescreve em cinco anos contatos do ato ou fato de que se originou. CRÉDITO PRESUMIDO. TAXA SELIC. Não se tratando de restituição de indébito tributário, não se aplica ao crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 51 1 50 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.001356/200376 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.114 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria IPI Crédito Presumido Recorrente EXPORTADORA MUTRAN LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/1996 PRESCRIÇÃO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI 5ANOS Não se aplica, aos pedidos de ressarcimento de IPI, a tese do Superior Tribunal de Justiça de 5 + 5. Esta tese apenas tem guarida nos casos de pagamento indevido de tributo sujeito ao lançamento por homologação, onde existe a figura do auto lançamento tributário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.363/96. PRAZO DE CINCO ANOS PARA EXERCER O DIREITO. APLICAÇÃO DO ART. 10 DO DECRETO N.º 20.910/32. Ao benefício fiscal previsto na Lei n.º 9.363/96, por se tratar de dívida passiva da União, com respeito à prescrição, aplicase o disposto no art. 1º do Decreto n.º 20.910/96, de modo que prescreve em cinco anos contatos do ato ou fato de que se originou. CRÉDITO PRESUMIDO. TAXA SELIC. Não se tratando de restituição de indébito tributário, não se aplica ao crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 13 56 /2 00 3- 76 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ em Belém PR (fls. 41/44 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/1996 CRÉDITO PRESUMIDO. O direito ao aproveitamento do crédito presumido nos termos da Portaria MF n° 129, de 1995, materializavase ao final do período de apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS De DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PRESCRIÇÃO. As dívidas passivas da União prescrevem em cinco anos contados do ato ou fato do qual se originarem Manifestação de Incorfomidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Para melhor compreensão de meus pares acerca dos fatos, transcrevo o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a seguir transcrito: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente ao terceiro trimestre de 1996, no valor de R$ 21.732,98, protocolado em 29.04.2003, conforme fl. 01. Em documento anexo ao pedido, a interessada requer a atualização dos valores pela taxa Selic (fls. 02/06). Em 18.01.2005 a interessada apresentou ainda memorial onde defende não haver ocorrido o transcurso do prazo para a solicitação de que trata o processo (fls. 19/21). 2. A DRF/Belém, através do parecer de fls.25/26 e despacho decisório de fl. 27, entendeu que o pedido foi apresentado fora do prazo previsto no Decreto n° 20.910, de 1932, indeferindo o pleito. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.001356/200376 Acórdão n.º 3802004.114 S3TE02 Fl. 52 3 Cientificada em 10.12.2010 (fl. 27) a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.12.2010, manifestação de inconformidade (fls. 29/31) na qual alega que “declarada a inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da, LC 118/05, que determinava a aplicação retroativa do art. 3° do mencionado diploma legal, permanece rígido o entendimento consolidado no STJ, no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é a data em que ocorrida essa, de maneira expressa ou tácita, regra que se aplica a todos os recolhimentos efetuados no período anterior à vigência da LC 18/2005”, apresentando julgados nesse sentido. Conclui requerendo a correção' do valor. `. É o relatório. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 11/02/2011 (fl. 44). Inconformada, a Recorrente apresentou, em 16/02/2011 (fl. 45), o recurso voluntário de fls. 45/49, onde ressalta o seguinte: a) reitera os fundamentos legais constantes da Manifestação de Inconformidade, repisando que foi declarada a inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC nº 118/05, que determinava a aplicação retroativa do art. 3° do mencionado diploma legal, permanece rígido o entendimento consolidado pelo STJ, no sentido de que o termo inicial do prazo prescricional, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é a data em que ocorrida essa, de maneira expressa ou tácita, regra que se aplica a todos os recolhimentos efetuados no período anterior à vigência da LC 118/2005. Colaciona julgados do STJ; b) que pelo acima exposto, verificase que o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, referente ao 3° trimestre de 1996, protocolado em 29/04/2003, encontrase não atingido pelo prazo de prescrição, cujo término se daria tão somente em 30/09/2006; c) conforme entendimento já pacificado no STJ (cita exemplos), os créditos estão sujeitos à incidência de correção monetária. Ante o exposto, a Recorrente requer o ressarcimento da importância correspondente ao crédito presumido do IPI de que tratam a Lei n° 9.363/96 e a Portaria MF n° 38/97, corrigido pela SELIC, a partir de outubro/1996 até o mês do efetivo ressarcimento, nos temos do art. 66, § 3°, da Lei n° 8.383/91, e do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da Admissibilidade do recurso Fl. 53DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A matéria é da competência da 3ª Seção de Julgamento e o valor está dentro do limite de alçada das turmas especiais. Logo, deve ser conhecido. Conforme relatado nos autos, tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, referente ao 3º trimestre de 1996, protocolado em 29.04.2003, conforme fl. 02. Em documento anexo ao pedido, a interessada requer a atualização dos valores pela taxa SELIC (fls. 04/08). Em 18.01.2005 a interessada apresentou ainda memorial onde defende não haver ocorrido o transcurso do prazo para a solicitação de que trata o processo (fls. 24/26). A DRF/Belém, através do parecer de fls. 30/31 e despacho decisório de fl. 32, entendeu que o pedido apresentado estava fora do prazo previsto no Decreto n° 20.910, de 1932, indeferindo o pleito. Cientificada do despacho em 10/12/2010 (fl. 32) a Recorrente apresentou, tempestivamente a Manifestação de Inconformidade (fls. 35/37) que foi julgada improcedente pela DRJ. Em seu recurso, em síntese, a Recorrente discorre sobre (i) a não ocorrência de prescrição, pleiteando que o cálculo do prazo seja realizado conforme o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça – STJ – qual seja, 5+5 e (ii) a possibilidade de incidência de correção monetária sobre valores a serem ressarcidos de IPI. Como se vê, o Despacho Decisório indeferiu o pleito da Recorrente por entender (i) pela ocorrência de prescrição e (ii) pela não incidência de correção monetária e/ou taxa de juros sobre o valor de ressarcimento de IPI. Por tratar de matéria preliminar e prejudicial do mérito, passo a analisar a questão relativa à prescrição, à possibilidade de a Recorrente apresentar o pedido de ressarcimento em 29/04/2003. A decisão recorrida, que validou o entendimento da autoridade administrativa, aplicou o prazo em discussão da seguinte forma: (...) 10. Dessa forma, concluise que o direito a pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI, tem sua prescrição regida pelo art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, ocorrendo em cinco anos contados a partir "da data em que se materializou, gerando a possibilidade de sua utilização por parte da empresa, no caso, em 31.l2.1996 (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente defende a incidência da tese defendida pelo Superior Tribunal de Justiça que computa 10 anos para a restituição de tributos recolhidos sob a sistemática do lançamento por homologação. Não assiste razão a recorrente. O benefício fiscal concedido pela Lei n.º 9.363/96, não se trata de restituição de indébito tributário, pois não decorre de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Tratase de despesa pública do Estado com vistas a tornar as exportações de produtos brasileiros mais competitivas no mercado internacional, que, após satisfeitas as condições para seu recebimento, tornase direito do produtor exportador e dívida passiva da Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.001356/200376 Acórdão n.º 3802004.114 S3TE02 Fl. 53 5 União, motivo pelo qual deve atender ao disposto no art. 1.º do Decreto n.º 20.910/32, que dispõe ser de cinco anos o prazo prescricional para das dívidas passivas da União. É cediço que a tese do STJ é aplicável à restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, isso porque o contribuinte declara o valor que seria devido a título do tributo, “constitui” o crédito tributário e a fiscalização tem, pelos termos da Lei, 5 (cinco) anos para “validar” este lançamento. Somente a partir desta “validação do lançamento” é que ele se tornaria definitivo, então apenas neste instante é que seria possível pedir o valor pago indevidamente de volta. Por isso é que o prazo de restituição tornase de 10 anos, porque o início da contagem dos 5 anos é postergada para começar após 5 anos, quando o lançamento tornase definitivo. Neste aspecto, não se admite a aplicação do prazo de 5+5 para pedidos de ressarcimento de IPI. É que aqui não se trata de lançamento de tributos sujeitos à homologação, mas de créditos fiscais. No caso, não há a “postergação” do início da contagem do prazo prescricional porque o “lançamento ainda não se tornou definitivo”. Em consonância com este entendimento, o STJ, 1ª Seção, no Recurso Especial nº 1.129.971/BA, representativo de controvérsia, decidiu que o prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do crédito prêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. O entendimento de que o ressarcimento não é espécie de restituição e que deve se submeter às disposições do Decreto nº 20.910, de 1932, foi adotado também por várias câmaras do extinto 2º Conselho de Contribuintes (2ºCC), conforme números respectivos a seguir nominados: Acórdão 20402.945, de 22/11/2007, da 4ª Câmara do 2º CC, Acórdão nº 20311.582, de 05/12/2006, da 3ª Câmara do 2º CC, Acórdão nº 20179.490, de 27/07/2006, da 1ª Câmara do 2º CC e Acórdão nº 20311.449, de 07/11/2006, da 3ª Câmara do 2º CC. Com fundamento nos precedentes administrativos e judiciais acima expostos, e no disposto do Parecer Normativo CST nº 515, de 10 de agosto de 1971, ao presente caso, aplica se o Decreto nº 20.910, de 1932, que possui as seguintes disposições: “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Assim, e como para os créditos de IPI, o início do prazo de restituição se identifica com a data limite para formulação do pedido de ressarcimento, e o pedido formulado, referente aos produtos exportados no 3° trimestre de 1996, cujo prazo se inicia em 01/10/96, encontravase prescrito/decaídos quando da apresentação do presente pedido de ressarcimento em 29/04/2003. Sobre a atualização monetária do ressarcimento. Quanto a esta questão, repitase que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Não se tratando de restituição de indébito tributário, não se aplica ao crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96, o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Da conclusão Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO mantendo, assim, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16682.900662/2011-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 66 2/ 20 11 -5 1 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900662/201151 Resolução nº 1802000.636 S1TE02 Fl. 190 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que manteve a homologação apenas parcial de declaração de compensação apresentada pela Contribuinte e a negativa de pedido de restituição do crédito remanescente da compensação, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DEMAC Rio de Janeiro/RJ). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1242.518, às fls. 136 a 141: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – DCOMP nº 02660.91774.310806.1.3.038759, e do PER nº 38656.72304.211010. 1.2.038500, cujo crédito referese a saldo negativo de CSLL, do ano calendário de 2005, no valor de R$ 373.282,14. O Despacho Decisório (fl. 8) reconheceu o direito creditório no valor de R$ 313.240,57 e homologou parcialmente a dcomp nº 02660.91774.310806.1.3.038759, e indeferiu o PER nº 38656.72304.211010.1.2.038500. De acordo com o despacho, não foi confirmada a retenção na fonte no valor de R$ 60.041,57, código 6188, CNPJ da fonte pagadora: 00.530.279/000115. A interessada foi cientificada em 11/04/2011 (fl. 14) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 95/103) em 11/05/2011 alegando em síntese: 1 nulidade do despacho decisório, uma vez que o despacho não justifica claramente o motivo pelo qual o saldo negativo da CSLL não foi totalmente reconhecido; 2 decadência do direito do Fisco de contestar o saldo negativo de CSLL apurado em 2005; 3 Em relação a retenção informada, caso o Senado não houvesse efetuado a retenção estaria descumprindo o art. 64 da Lei nº 9.430/96; 4 Apresenta cópia do razão para comprovar a retenção. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ manteve o acolhimento apenas parcial do pleito da Contribuinte, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE CSLL. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900662/201151 Resolução nº 1802000.636 S1TE02 Fl. 191 3 A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de contribuição social apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA APURAÇÃO EFETUADA PELA CONTRIBUINTE. DECADÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros, inclusive a apuração de eventual saldo negativo do IRPJ, indicado pela contribuinte na declaração de rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/05/2012 (sexta feira), a Contribuinte, em 26/06/2012, postou nos correios o recurso voluntário de fls. 147 a 153, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900662/201151 Resolução nº 1802000.636 S1TE02 Fl. 192 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que homologou apenas parcialmente a Declaração de Compensação nº 02660.91774.310806.1.3.038759 e indeferiu o Pedido de Restituição nº 38656.72304.211010.1.2.038500, ambos amparados em um alegado crédito proveniente de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2005, no valor de R$ 373.282,14. A razão do acolhimento parcial do pleito da Contribuinte é que a Delegacia de origem não confirmou a retenção na fonte no valor de R$ 60.041,57, código 6188, que teria sido realizada pela fonte pagadora de CNPJ nº 00.530.279/000115 (Senado Federal, segundo a Contribuinte). Em razão disso, o saldo negativo de CSLL foi reduzido de R$ 373.282,14 para R$ 313.240,57. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade que buscava reverter essa glosa no saldo negativo de CSLL, e a Contribuinte ingressou com o recurso voluntário ora em exame, reiterando os mesmos argumentos apresentados na primeira instância administrativa. Quanto às alegações de nulidade do despacho decisório e de decadência do direito do Fisco reduzir o saldo negativo de CSLL apurado em 2005, sigo a mesma linha de interpretação adotada pela Delegacia de Julgamento. Está bastante claro no despacho decisório, às fls. 09, que a redução do saldo negativo foi ocasionada pela não confirmação da retenção na fonte no valor de R$ 60.041,57, retenção que, aliás, a própria Contribuinte já tinha especificado em seu PER/DCOMP, no quadro que indica as origens do crédito reivindicado. De acordo com o PER/DCOMP, o saldo negativo de CSLL era composto por pagamentos de estimativa no montante de R$ 313.240,57, e por retenções de uma única fonte pagadora, com o CNPJ nº 00.530.279/000115, no valor de R$ 60.041,57, exatamente a retenção que não restou confirmada. Portanto, não se sustenta a alegação de que o despacho decisório não justificou claramente o motivo pelo qual o saldo negativo da CSLL foi reduzido. Da mesma forma, não procede a alegação de que teria havido decadência do direito do Fisco reduzir o saldo negativo de CSLL apurado em 2005. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900662/201151 Resolução nº 1802000.636 S1TE02 Fl. 193 5 O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Desse modo, transcorrido o prazo decadencial, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram. No plano da verificação da “existência” de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste ou na estimativa, a retenção na fonte, ou mesmo a compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. Com efeito, a fluência do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito etc., mas não tem o condão de fazer existir o que não aconteceu. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela Recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório, sem uma análise de sua efetiva existência. O argumento que defende a impossibilidade de verificação da existência do crédito, em razão de decadência, realmente não pode prosperar. Nesse passo, divirjo da Delegacia de Julgamento apenas quanto à medida de atribuição do ônus probatório a cargo da Contribuinte. Especificamente em relação à comprovação do alegado crédito, a decisão de primeira instância administrativa fez as seguintes considerações: [...] Quanto à retenção na fonte informada, verificase que a interessada não apresentou o comprovante de rendimentos e de retenção na fonte, em descumprimento ao exigido pelo artigo 815 do Decreto 3.000/99 que dispõe: [...] A interessada apresenta trechos do razão com lançamentos do valores de retenção informados na PER/DCOMP. Contudo a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis de acordo com o previsto no art. 26 do Decreto nº 7.574/2011, abaixo transcrito: [...] Assim, cabe à interessada apresentar o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte e comprovar a tributação da receita respectiva para confirmar a dedução informada. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900662/201151 Resolução nº 1802000.636 S1TE02 Fl. 194 6 [...] A legislação tributária realmente prevê que as retenções na fonte poderão ser aproveitadas “se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora” (RIR/99, art. 815 e art. 943, § 2º), mas, por outro lado, os contribuintes beneficiários dos rendimentos não podem ser prejudicados por uma eventual falha da fonte pagadora, quando essa deixa de prestar as devidas informações em DIRF. Se isso ocorrer, os contribuintes tem outras formas de comprovar a retenção, por meio dos lançamentos contábeis, das notas fiscais, dos extratos bancários, de diligência à fonte pagadora, etc. Nesse sentido, registro que as cópias parciais do livro Razão juntadas aos autos não são por si só suficientes para a comprovação das alegadas retenções, mas observo também que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada ou provocada a apresentar qualquer documento que não fosse o referido comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora. É importante perceber que nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida no curso do processo administrativo. Também cabe destacar que não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. O fato é que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Nesse contexto, entendo que o julgamento do processo demanda uma instrução complementar. É necessário que a Delegacia de origem intime a Contribuinte a comprovar que as retenções realmente ocorreram, e também que as receitas a elas correspondentes foram computadas na base de cálculo da contribuição, mediante a apresentação dos elementos relacionados abaixo: livros contábeis e fiscais onde estão registradas tanto as retenções quanto as receitas a elas correspondentes; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900662/201151 Resolução nº 1802000.636 S1TE02 Fl. 195 7 notas fiscais referentes às operações que geraram as retenções; documentos bancários que indiquem os valores líquidos recebidos, após o desconto das retenções; outros documentos que se entenda relevantes para o bom esclarecimento dos fatos (p/ ex.: extratos do sistema SIAFI, que controla a execução orçamentária e financeira da União). A Delegacia de origem deverá registrar suas constatações em relatório circunstanciado, indicando precisamente o valor das retenções a título de CSLL (caso elas sejam confirmadas). Deverá também dar ciência deste relatório à Contribuinte para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se for do seu interesse. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DEMAC Rio de Janeiro/RJ atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 13896.910134/2012-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 13 4/ 20 12 -9 7 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910134/201297 Resolução nº 3801000.911 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 282DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910134/201297 Resolução nº 3801000.911 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910134/201297 Resolução nº 3801000.911 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 284DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910134/201297 Resolução nº 3801000.911 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 285DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910134/201297 Resolução nº 3801000.911 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 286DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13629.720023/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
MULTA DE 150%. DOLO. SONEGAÇÃO.
Cabível a aplicação de multa de 150% quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1401-001.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONHECER do recurso em parte, em face da preclusão, na parte conhecida, EM REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade, EM NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta apresentará Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Relator
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA DE 150%. DOLO. SONEGAÇÃO. Cabível a aplicação de multa de 150% quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONHECER do recurso em parte, em face da preclusão, na parte conhecida, EM REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, pelo voto de qualidade, EM NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta apresentará Declaração de Voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 00 23 /2 01 2- 41 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 949 2 (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 950 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Contra a contribuinte identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 27 a 62, referentes ao IRPJ, CSLL,PIS, e Cofins, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 3.890.220,99 (três milhões, oitocentos e noventa mil, duzentos e vinte reais e noventa e nove centavos), com juros de mora calculados até 30/12/2011, sendo: Dos Autos de Infração, há que se destacar o seguinte: (...) IRPJ (fls. 30) 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste auto de infração. Apuração pelo lucro real em consequência da exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, tendo em vista os Atos Declaratórios Executivos n°s 15 e 16, de 26 de agosto de 2011. CSLL (fls. 39) 001 CSLL OMISSÃO DE RECEITA CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste auto de infração. Apuração pelo lucro real em consequência da exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, tendo em vista os Atos Declaratórios Executivos n°s 15 e 16, de 26 de agosto de 2011. PIS (fls. 46) 001 PIS (FATURAMENTO) INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA/ INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste auto de infração. Cofins fls.55) 001 COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA Fl. 950DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 951 4 FALTA/ INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste auto de infração. Consta, em síntese, do Termo de Verificação Fiscal: a) que a fiscalização teve início em abr/2010 quando foi solicitado do contribuinte, para os anoscalendário 2006 e 2007, os livros Caixa ou Diário e Razão, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Contrato/estatuto social e suas alterações; Recibo de entrega da Declaração de rendimentos da pessoa jurídica. O contribuinte apresentou determinados elementos solicitados, em 06/05/2010, conforme o protocolo de entrega. Em 17/06/2010 e 21/07/2010, foram apresentados, respectivamente, os livros Razão e Diário dos anos 2006 e 2007; b) constatada a incompatibilidade significativa entre a movimentação financeira e a receita bruta declarada à Receita Federal do Brasil, o contribuinte foi intimado, em 22/06/2010, e reintimado, em 02/08/2010, a apresentar os seus extratos bancários. Em 20/08/2010, o interessado solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos ditos extratos, mas decorrido o prazo pedido nenhum documento foi apresentado; c) diante da não apresentação dos extratos bancários foi solicitado aos bancos Real (atual Santander), Mercantil do Brasil, Banco do Brasil e à Cooperativa de Economia e Crédito dos Comerciantes de Confecções do Vestuário de Timóteo Ltda (atual Cooperativa de Crédito de Livre Admissão do Vale do Aço Ltda), através de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras RMF, os extratos bancários de movimentação de contacorrente da empresa fiscalizada; d) a partir dos extratos apresentados pelas instituições bancárias, a equipe de fiscalização analisou e depurou todos os valores creditados excluindo os créditos que não representavam recursos provenientes de receitas obtidas; e) na seqüência, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 0002, com ciência em 10/06/2011, o contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos discriminados em seu anexo; f) em 01/07/2011, a empresa solicitou a prorrogação de prazo para apresentar resposta, que foi deferida pela fiscalização. No entanto, após decurso do prazo, nada foi apresentado; g) foram elaboradas tabelas nas quais constam os valores mensais dos depósitos bancários não justificados que foram lançados como receita omitida, nos termos do Art. 42 da Lei n° 9.430/96; h) uma vez que a movimentação financeira não justificada apresentou um volume muito alto em relação aos valores escriturados, a fiscalização caracterizou tal fato como dolo, qualificando a multa. A contribuinte apresenta a impugnação, fls. 759 a 790, resumida nos seguintes tópicos: 1) a cobrança dos autos de infração decorreu da pretensão de se excluir o impugnante do Simples Federal e Nacional, fato ainda sendo discutido no processo 13629.720578/201110; Fl. 951DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 952 5 2) Da autuação discricionária da fiscalização ausência de fundamento legal para a prática do lançamento. Sob este tópico o contribuinte pretende a nulidade do lançamento, desenvolvendo o tema amparado em doutrina e jurisprudência; 3) Da impossibilidade de se atribuir efeitos retroativos ao Ato Declaratório de Exclusão da impugnante do Simples Nacional; 4) Apreensão irregular do livro razão prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa gerando nulidade absoluta dos autos de infração; 5) Violação do sigilo fiscal das movimentações bancárias do impugnante pela fiscalização federal nulidade do lançamento sem autorização judicial; 6) Todos seus lançamentos contábeis estão corretos e que não houve omissão de receita e a comprovação se dá pela comparação de todos os dados informados nos livros fiscais já apresentados no curso da fiscalização; 7) Ausência de fundamento legal da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira; 8) Não bastassem todas as irregularidades fartamente apontadas, a fiscalização majorou a receita tributável para calcular o montante dos tributos exigidos do Impugnante no exercício de 2007, tanto no que tange a apuração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, quanto da tributação reflexa Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; Contribuição sobre o Lucro Líquido CSLL e Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Isto porque, como se depreende do relatório apresentado pela fiscalização e pelo DRE na Apuração de Resultados, a fiscalização considerou como "omissão de receitas" todas as movimentações bancárias identificadas nos extratos do período fiscalizado como "depósitos", dentre eles os saques, os saldos a liberar e as demais operações que geraram creditamento positivo. Contudo, não se deduziu desse montante os valores debitados em contacorrente, ou mesmo os valores correspondentes às demais operações de débito, que, no raciocínio torpe da fiscalização, até mesmo em decorrência do princípio da unicidade da prova, seriam despesas dedutíveis a fim de minorar a base de cálculo do IRPJ; 9) As multas impostas pela fiscalização no percentual de 150% sobre o pretenso crédito tributário tem o absurdo argumento de omissão de receitas e representam afronta aos preceitos da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco; É o relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 953 6 MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade quando o lançamento, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos formais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 907/939 a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, apenas inovando na seguinte argumentação: . Por outro lado, no que tange ao cômputo do PIS e da COFINS, a fiscalização considerou para o cálculo dessas contribuições, para efeito de apuração do montante a ser creditado, o custo das mercadorias vendidas, tal qual se verifica no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS NÃO CUMULATTVO". Entretanto, a apuração dessas contribuições sobre o custo das mercadorias vendidas o crédito a que faz jus o contribuinte, a ser apurado com base no valor total das compras realizadas no mês, não o custo das mercadorias vendidas. O processo foi sobrestado, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discutia questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG). O processo retornou foi redistribuído à minha relatoria novamente, pois a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo tornouse obrigatória a inclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. É o Relatório Fl. 953DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 954 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Não tendo sido atendidas as solicitações de entrega de extratos bancários, os mesmos foram obtidos pela fiscalização, a partir da emissão RMFs aos bancos . Com base nesses extratos lançouse IRPJ/Reflexos com base nos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Delimitação da Lide – Preclusão Em relação ao inconformismo da Recorrente em relação a suposto erro no cálculo do PIS e COFINS nãocumulativos é de se dizer que a matéria está preclusa, uma vez que não foi aventada na fase impugnatória. Portanto, tal matéria está fora da lide e suas razões recursais não serão conhecidas. Nulidade – Quebra do Sigilo Bancário – extratos bancários e outros Pleiteia a nulidade do feito fiscal alegando que os meios utilizados para a apuração dos créditos tributários ferem o sigilo bancário do contribuinte uma vez que foi feito sem a devida autorização judicial. –Alega também a ausência de fundamento legal para a prática do lançamento, bem assim prejuízo no contraditório uma vez que foi irregularmente apreendido pela fiscalização o seu livro Razão. Recordese, por oportuno, que a hipótese de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está prevista no Decreto 70.235/72, em seu artigo 59, inciso I, e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente ou de decisão com cerceamento do direito de defesa, o que, evidentemente, não é o caso. A autoridade administrativa cumpriu todos os preceitos da legislação em vigor, fazendo constar a perfeita descrição do fato e os dispositivos legais infringidos, obedecendo ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, como se verifica nos autos. Nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Receita Federal está autorizada a requisitar informações às instituições financeiras acerca da movimentação bancária dos contribuintes, independentemente de consentimento judicial, desde que, como no caso em tela, haja procedimento fiscal em curso e os exames sejam considerados indispensáveis, como foi o caso. Nesse passo, aproveito a seguinte ementa, recolhida da jurisprudência do STJ, que reproduzo: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 955 8 “TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3º da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6º dispõe: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a Jms – 21/12/05 contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o Fl. 955DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 956 9 acórdão recorrido.” (Resp nº 685.708, DJ de 20.06.2005, Relator Ministro Luiz Fux). É importante enfatizar que a Corte Superior, no julgamento acima destacado, considerou válida a aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e 1º da Lei nº 10.174/2001 inclusive a fatos ocorridos no pretérito, o que nem mesmo é o caso dos autos, pois estamos tratando de fatos geradores posteriores a 2001. Ademais, alegações de inconstitucionalidade fogem à competência das instâncias administrativas, sendo matéria inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Outrossim, como se sabe, a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase ainda pendente de análise pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP. Por fim, cabe ainda validar o que foi bem sublinhado pela decisão de piso em relação ao sigilo bancário e competência do auditor: Ao contrário do alegado pelo contribuinte, o inciso VII do art. 3° do Decreto 3.724/2001 expressamente autoriza a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nas hipóteses do art. 33 da Lei n° 9.430/1996, ao exame de informações mantidas em instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso, procedimento este devidamente autorizado pelo MPF n° 06111.00/00055/10. Não há necessidade de autorização específica no Mandado de Procedimento Fiscal. Ademais, o MPF foi emitido de acordo com a legislação que rege a matéria. Assim, correta a emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira. Rejeito assim a preliminar em relação ao sigilo bancário. A Recorrente alega ainda falta de fundamento legal. Ora, como já se colocou tratouse de omissão de receita oriunda da presunção legal obtida a partir da não demonstração da origem e comprovação desses depósitos, como se verá mais adiante no mérito. E foi embasado no art. 42 da Lei n. 9.430/96. Portanto, também rejeito essa preliminar de falta de fundamentação legal. Em relação à alegação de suposta apreensão irregular de livros contábeis, também não procede. E a decisão de piso justificou bem a questão: Quanto à assertiva do impugnante de que houve apreensão irregular do livro Razão, há um grande equívoco. Compulsando os autos não se depara com nenhum termo de apreensão do citado livro. Ao contrário, a fls. 755, no Termo de Informação Fiscal, do qual o contribuinte tomou ciência em 27/01/2012, foi informado que os livros apresentados estavam disponíveis na Receita Federal do Fl. 956DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 957 10 Brasil em Coronel Fabriciano, sob a guarda do Auditor Fiscal, Reinaldo de Souza Paula. Igualmente no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infração, foi informado que os livros apresentados estavam disponíveis para serem devolvidos ao contribuinte. Neste ponto, a Recorrente em seu recurso voluntário alega que “(...) além de não ter sido lavrado o termo de apreensão desses documentos (Livro Razão de 2006), em atenção ao art. 35 supra (Lei n.9430/96) transcrito, a autoridade fiscal fundamentou o ato arbitrário em documentos obtidos e mantidos fora do local do estabelecimento do contribuinte, sem a sua autorização, e nem tampouco por autorização judicial. O art. 35 da Lei n. 9430/96, tem o seguinte teor: "Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos". A falta de autorização judicial já foi justificada anteriormente. O fato de não haver nenhum termo específico de retenção não trouxe nenhum prejuízo à Recorrente, uma vez que a retenção foi documentada pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls.64/65) e a sua devolução através do Termo de Encerramento Fiscal (fls.757). Outrossim, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, é cediço que a presença de omissões pode ser sanáveis no curso do processo desde que não obstem a plena defesa do contribuinte. E foi o que foi feito. De outra banda, não consta dos autos nenhum documento que prove que o Contribuinte necessitasse dos livros entregues à fiscalização para se desincumbir do que lhe foi solicitado pela fiscalização. Ainda para ficar mais provada a ausência de prejuízo, desde o momento da devolução dos referidos livros até a entrega do recurso voluntário passouse um largo tempo e não foi aproveitado para sanar possível falta que o referido livro pudesse fazer, afinal não foi acrescentado uma única prova a mais desde o momento da autuação. Por fim, em relação à sua insurgência indireta quanto ao local da lavratura do auto, cabe salientar que a expressão "local da verificação da falta", contida no inciso II do art. 10 do Decreto 70.235/72 não implica que seja este entendido como o do estabelecimento do contribuinte ou do cometimento da falta, mas abrange também o local da verificação da falta, que pode ser a repartição fiscal, desde que a autoridade autuante disponha dos elementos suficientes para caracterizar a infração e formalizar o lançamento, como foi o caso. Essa matéria já foi inclusive sumulada pelo CARF: Súmula nº 6 do Carf: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, afasto as preliminares de nulidade suscitadas. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 958 11 Da Exclusão do SIMPLES ARBITRAMENTO E TRIBUTAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES A recorrente foi excluída do SIMPLES em 2006, com efeitos a partir de 2007, em virtude de ter incorrido em vedação de entrada no SIMPLES, por ter auferido receitas acima de R$ 2.400.000,00 no anocalendário de 2006. Portanto, ex vi art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, para os anos subseqüentes a exclusão passa a sujeitarse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No caso optou pela tributação do lucro real. Para tanto, foi emitido o Ato Declaratório Executivo n° 15 que determinou a exclusão do contribuinte ao Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007 e o Ato Declaratório Executivo n° 16, que determinou a exclusão do contribuinte ao Simples Federal, a partir de 01/01/2007. Delimitação da Lide Acerca da Exclusão do Simples Federal e Nacional e seus efeitos, não é objeto do presente processo. Tais assuntos foram discutidos no processo 13629.720578/201110 e culminou no Acórdão 0938.917 de 02 de fevereiro de 2012, da 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG. O referido Acórdão manteve as exclusões e seus efeitos. Defesa Alega o interessado em sua defesa que somente após o fim do julgamento do auto de infração seria possível verificar se ocorreu ou não uma das hipóteses que permite a exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional. Notese que os efeitos da exclusão foram a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite legal estabelecido. O contribuinte ainda contra a exclusão do Simples Nacional alega que não se poderia ter lançado os autos de infração em questão enquanto não se processarem os efeitos da manifestação de inconformidade à exclusão do simples que suspenderia o processo. Ora, o que se suspende é a exigibilidade do crédito tributário enquanto litígio houver. No caso, o lançamento não é impedido enquanto ainda não julgada a exclusão do Simples. Caso ocorra a reversão dessa exclusão no curso do procedimento administrativo fiscal, daí então o seu efeito será de fulminar o auto de infração que veio por conseqüência. Somente isso. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 959 12 Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, quedouse inerte. Como já se disse o mandamento da Lei é bem claro: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Como se vê, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto. Aponta outras supostas irregularidades na base de cálculo dos tributos Alega que a fiscalização considerou como "omissão de receitas" todas as movimentações bancárias identificadas nos extratos do período fiscalizado como "depósitos", dentre eles os saques, os saldos a liberar e as demais operações que geraram creditamento positivo. Contudo, não se deduziu desse montante os valores debitados em contacorrente, ou mesmo os valores correspondentes às demais operações de débito, que, no raciocínio torpe da fiscalização, até mesmo em decorrência do princípio da unicidade da prova, seriam despesas dedutíveis a fim de minorar a base de cálculo do IRPJ. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, a partir dos extratos apresentados pelas instituições bancárias, a fiscalização analisou e depurou todos os valores creditados excluindo os créditos que não representavam recursos provenientes de receitas obtidas e também as receitas já Fl. 959DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 960 13 escrituras nos livros do contribuinte. Em seguida, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes. A esse respeito, confirase o TVF: Devemos deixar claro que a fiscalização não considerou como omissão de receita a totalidade dos depósitos constantes nos extratos bancários, mas sim a totalidade dos depósitos selecionados e enviados ao sujeito passivo para que tivessem sua origem justificada. A fiscalização analisou o histórico de cada depósito e considerou como omissão de receitas apenas aqueles depósitos cujos históricos eram, por exemplo, "depósito", "depósito unificado", "desbloqueio de depósito", "real giro", "operação títulos descontados", "cobrança" etc que não estavam contabilizados nos livros fiscais. Depósitos cujos históricos claramente não demonstravam recebimento de quantia de terceiros foram desconsiderados, como por exemplo, " empréstimo", "estorno de débitos", "real giro", "financiamento". Isso explica porque nem todos os depósitos foram selecionados. Na planilha anexa Apuração de Resultados Demonstrativo de Resultado do Exercício, está demonstrada a apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Como se vê não foram tributados todos os depósitos, conforme alegado pela Recorrente. Houve um trabalho diligente por parte do fiscal de selecionar o que era ou não pertinente. Ademais, se houve algum erro em particular do autuante nesse processo de seleção caberia à Recorrente apontar especificamente que erro seria esse e não se defender de forma genérica como fez. Por fim, a pretensão da Recorrente de deduzir determinados débitos como despesa não faz sentido, uma vez que o procedimento fiscal em pauta era para apurar a omissão de receitas. As despesas foram encontradas nos livros pertinentes, no caso, no Demonstrativo de Resultados. Multa Qualificada Apesar de a Recorrente se insurgir contra a cobrança da multa qualificada de 150%. De fato, houve ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que configura fraude. Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos. No caso específico a empresa manteve conta bancária à margem de sua contabilidade, deixando de oferecer recursos auferidos à tributação, o que caracteriza a existência tanto da sonegação quanto da fraude previstas nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Portanto, em relação à multa qualificada, verificase que foi corretamente aplicada a multa de 150 %, nos termos do art. 44, II da Lei n ° 9.430, de 1996, Fl. 960DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 961 14 Nesse contexto, como nos autos está devidamente evidenciado através do TVF que o contribuinte, ao longo do ano, ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, declarando fração diminuta das receitas auferidas. No caso, no ano calendário de 2007, o interessado declarou apenas 24,25% (R$1.213.081,15) das receitas apuradas pela fiscalização (R$5.002.386,14) e sua movimentação financeira representada por muitas operações, foi efetuada em contas bancárias de mais de uma instituição financeira. Outrossim, o conceito de dolo encontrase no inciso I, do artigo 18 do Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A lei penal brasileira adotou, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isso significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Em outras palavras, podemos dizer que os elementos componentes do dolo, de acordo com a teoria da vontade são: vontade de agir ou de se omitir; consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; consciência de que esta ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). Dessa forma, a prática de omitir receitas ao longo de todo o ano de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Portanto, mantenho a qualificação da multa. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, CONHECER do recurso em parte, em face da preclusão e, na parte conhecida, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO provimento parcial ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 961DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 962 15 Declaração de voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Não obstante a coerente fundamentação contemplada no voto do Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a quem rendo as minhas homenagens, tão bem exposto à Turma, não tenho como concordar com as razões de decidir em relação à qualificação da multa constante dos autos. Neste ponto, sinto em divergir do Ilustre relator, tendo em vista que a ação de omitir receitas, sem fazêlas transitar pela apuração do resultado do exercício, caracterizando declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Isso porque, para a aplicação da Multa Qualificada deve esta configurada, de uma maneira cristalina, a prática reiterada de ações durante todo o ano calendário (ou mais de um), que tenham como objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. Isso porque, entendo que a qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo, conforme determina o art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, a seguir transcrito: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Pela leitura do dispositivo acima, fica claro que há necessidade de existência e demonstração, pois o lançamento deve ser devidamente motivado, do evidente intuito de fraude. Essa é a posição dos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/1964, “verbis”: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 963 16 Assim, não tenho duvida que cabe ao Fisco apresentar os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. Caso isso não aconteça, entendo que não pode ser imputado ao sujeito passivo da obrigação tributária a demonstração que nas suas ações ou omissões hoje intuito de fraude, nos termos e parâmetros da Lei nº. 9430/1996; isso porque, a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da aplicação da multa qualificada. E não vejo isso no presente caso! Ressaltese que a Recorrente é penalizada pelo inadimplemento do tributo devido, com uma multa de 75% (setenta e cinco pro cento) sobre o valor devido. Porém, para que seja justificada a duplicação dessa penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) deve estar provado nos autos, de forma inequívoca, a absoluta, cabal e evidente certeza, o intuito de fraude e que tais requisitos constem de forma clara na autuação. Veja que não pode o Fisco, para a qualificação da multa, deixar de comprovar as duas características que entendo serem pressupostos validadores na ação do sujeito passivo: (i) O pressuposto evidente Quando a fiscalização comprova a qualidade daquilo que não admite dúvida; e, (ii) O pressuposto intuito – Quando o propósito na realização de um ato visa esconder ou minimizar o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, pela leitura do relato do Fisco deve ficar comprovada, de forma cabal, com absoluta certeza, que o propósito da Recorrente era, ao praticar o ato, de impedir o conhecimento para reduzir o tributo devido. Esse é o entendimento Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando do julgamento consubstanciado através do Acórdão nº. 10617.015, que peço vênia para reproduzir: “(...) Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. (...) Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do Fl. 963DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 964 17 contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos consequências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. (...) Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: ‘A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo’. Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: (...) PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido”. Desta forma, entendo que a conduta da Recorrente não aponta para o intuito consciente e deliberado de reduzir a base tributável, e sim um erro que tem a sua punição prevista na norma legal. Nessas condições, a multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) por não configurar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a seguir transcrito: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 965 18 Referido entendimento encontra amplo respaldo na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme pode ser visto abaixo: “Ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão nº 920202.185 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2012) “MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos” (CSRF Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão nº 9101001.393 – 1ª Turma Sessão de 17 de julho de 2012). “Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. CONDUTA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o sujeito passivo busca, com dolo, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Somase a esse fato a relevante constatação de que a ausência de informação não prejudicou a atuação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão nº 9202002.229 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012). Diante de tudo que vimos acima e para que seja agravada a multa deve ser observado um dos princípios balizadores que lastreiam o processo administrativo fiscal: O Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. O Principio da Legalidade determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe. Já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Assim, para que seja imputada a Recorrente a multa qualificada e também a multa agravada fazse necessário que o auto de infração comprove, com uma clareza meridiana a conduta eivada de dolo, com o objetivo de dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13629.720023/201241 Acórdão n.º 1401001.144 S1C4T1 Fl. 966 19 Assim, não tendo sido comprovado que a Recorrente, deliberadamente agiu a margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável de forma reiterada não se pode manter a inclusão da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), devendo ser reformada a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Juiz de ForaMG, desta forma voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 966DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11080.728760/2011-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.308
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 28 76 0/ 20 11 -1 0 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 311 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 10 38.838 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória AIOA nº 51.010.5165 CFL 78 R$ 5.000,00. Conforme o Relatório Fiscal, os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal destinamse à Previdência Social e referemse ao descumprimento das obrigações acessórias. A empresa apresentou, após 04/12/2008, declarações em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com informações omissas/incorretas: (i) nas competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 não informou as contribuições patronais devidas por informar indevidamente código de FPAS 639 como filantrópica, sem possuir isenção junta à Receita Federal do Brasil; (ii) não informou os pagamentos à Cooperativa de Trabalho, bem como alíquotas de SAT e código de Outras Entidades. Informa o relatório Fiscal que a multa por omissão de fatos geradores na GFIP vigente atualmente é calculada conforme o disposto no art. 32A da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Medida Provisória nº. 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº. 11.941, publicada no DOU em 28/05/09. O cálculo desta multa considera campos da GFIP com informações omissas/incorretas. A multa corresponde ao valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de até dez informações omitidas na GFIP entregue, com valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), por competência. Considerando o cálculo demonstrado na Planilha anexa da Multa Calculada pela Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, resultante da conversão da Medida Provisória 449/08 – AI CFL 78, em anexo, a Fiscalização aplicou a multa de R$ 5.000,00. Nas infrações CFL 78, a ocorrência de agravante, inclusive reincidência, não produz efeitos para a gradação da multa. Segundo o Relatório Fiscal, os elementos que serviram de base para a apuração do crédito foram as folhas de pagamento apresentada em meio papel e digital, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs, enviadas e constantes no sistema GFIPWEB e notas fiscais de prestação de serviços de cooperativas de trabalho lançadas no Livro Diário. Em relação aos fundamentos do lançamento, dispõe unicamente o Relatório Fiscal: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 312 3 7. No período da constituição de crédito de 01/2008 a 12/2008, conforme se verifica nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social –GFIPs entregues e exportadas para o sistema GFIPWEB conforme planilha 1 Modelo Analítico Dinâmico da Informações gerais da GFIP anexa, houve a informação indevida pelo contribuinte no FPAS 639 – FILANTRÓPICA COM ISENÇÃO TOTAL das contribuições patronais e sem código para terceiros, sendo que a empresa não possui isenção dessas contribuições junto à Receita Federal do Brasil, bem como não informou no campo próprio das GFIPs os valores pagos à cooperativa de trabalho fato gerador de contribuição previdenciária, dessa forma o contribuinte deixou de informar o total das contribuições devidas. 8. A empresa não efetuou recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os pagamentos de remuneração de empregados e contribuintes individuais e sobre pagamentos a cooperativas de trabalho, apenas há informação na GFIP do valor devido da contribuição previdenciária dos segurados, descontada das remunerações conforme folha de pagamento, e recolhidas através de Guias da Previdência Social (GPS), de código 2305. Em relação aos acréscimos legais, dispõe o Relatório Fiscal: 10. A Medida Provisória 449, de 03/12/2008, publicada no DOU de 04/12/2008 convertida na Lei nº 11941/09 provocou efeitos tributários a todos os fatos geradores ocorridos após a sua edição. Entretanto, o Código Tributário Nacional – CTN, prevê, em seu art. 106, inciso II, a retroatividade da aplicação da lei tributaria mais benéfica ao contribuinte, abrangendo a obrigação tributária principal e também a acessória. Deste modo, diferentes procedimentos, quanto à lavratura dos autos de infração, devem ser adotados, dependendo da data da ocorrência do fato gerador da infração relacionada à GFIP (não entrega, ou entrega com omissões/incorreções relacionadas e não relacionadas a fatos geradores). Para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna, comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação atual. 10.1 Por essa razão, elaboramos o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos e pela atual, nas competências de 01/2008 a 11/2008, (período em que as GFIPs foram entregues antes da MP 449), a fim de estabelecer o valor mais benéfico ao contribuinte, para os créditos referentes às contribuições previdenciárias 10.2.1 Cálculo pela legislação à época dos fatos: a) Multa de mora prevista no inciso II do art. 35 da Lei 8212/91 (24%) incidente sobre o valor originário. b) Multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, § 5º da Lei 8212/91, acrescido pela Lei 9.528, de 10/12/1997 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048. de 06/05/1999, art 284, inc II, e art. 373, código de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 313 4 fundamentação legal – CFL 68, correspondente a multa de 100% por cento do valor da contribuição previdenciária não declarada, respeitando o limite máximo, por competência, correspondente a um multiplicador sobre e valor mínimo previsto no art.92, conforme quadro constante no parágrafo 4º do art. 32, da mesma lei, estabelecido em função do número de segurados que prestaram serviço à empresa em cada competência, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF Nº 568, DE 31/12/2010, publicada no Diário Oficial da União de 03/01/2011. d) Excepcionalmente, para período anterior a MP 449/2008, combinado com a multa da época de 24%, poderá ser lavrado auto de infração com multa pelo descumprimento de obrigação acessória, nas infrações ocorridas a partir de 04/12/2008, prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, (entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas ou não às contribuições CFL 78). 10.2.2 Cálculo a partir da Lei nº 11941/09, de 27.05.09: Nas competências em que ocorreu ausência de recolhimento e de informação da contribuição na GFIP a penalidade a ser aplicada é a multa de ofício estabelecida pelo art. 44, inciso I da Lei 9430/96 (75%). 10.3 Assim, comparadas as multas, de acordo com a Lei 8212/91, antes da alteração promovida pela Lei nº 11941/09, de 27.05.09 e a multa a ser aplicada a partir da edição dessa Lei, verificase que: a) Nas competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 a multa menos severa ao contribuinte é a multa de mora da legislação anterior (24%) e multa por descumprimento das obrigações acessórias das GFIPs entregues após a edição da MP 449/08 conforme AIOA CFL 78 DEBCAD 51.010.5165, conforme demonstrado na planilha 2 “SAFIS comparação de Multas”, em anexo. b) Na competência 10/2008 a multa menos severa ao contribuinte é a multa de mora da legislação anterior (24%) e multa por descumprimento das obrigações acessórias das GFIPs entregues antes da edição da MP 449/08 conforme AIOA CFL 68 DEBCAD 37.332.2119, conforme demonstrado na planilha 2“SAFIS comparação de Multas”, em anexo. c) As competências 12/2008 a 13/2008 são posteriores a edição da MP 448/08, estando ao abrigo da nova lei, cuja penalidade a ser aplicada é a multa de ofício de 75%. 10.4 A contribuição social devida a Outras Entidades e Fundos não entra no cálculo para a definição dos valores dos autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória pela não entrega de GFIP. Por este motivo, no Auto de Infração DEBCAD 37.332.2135 será aplicada a multa de mora de 24% até a competência 11/2008 e a multa de ofício de 75%, a partir da competência 12/2008. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 314 5 O período do débito, conforme o Relatório Fiscal é de 01/2008 a 11/2008. A Recorrente teve ciência das autuações em 29.09.2011, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Nulidade da Autuação Fiscal por cerceamento de defesa uma vez que a fiscalização aduz que a entidade não teria direito à imunidade das contribuições exigidas mas não apresenta os fundamentos legais ou fáticos pelos quais esta interpretação estaria correta (que critério a impugnante não preencheria para não ter direito à imunidade). Aponta o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/1972 onde está escrito que o auto de infração deve conter a descrição precisa dos fatos, isto é, se o AI afirma que não tem direito à isenção, deve descrever por qual razão e apresentar prova disto, assim como os fundamentos legais e jurídicos para tal conclusão. Que somente com a descrição efetiva dos fatos e fundamentos supostamente violados (identificação de qual ou quais requisitos não seriam atendidos, desde quando e até quando), nos termos do art. 14, parágrafo único do CTN (sic), é que poderá exercer seu direito ao contraditório e a ampla defesa, atacando especificamente as alegações do fisco. Alega divergência entre a descrição da infração apontada no Auto de Infração e o Relatório do Procedimento Fiscal pois no AI consta que apresentou as GFIPs com informações incorretas ou omissas enquanto o relato fiscal afirma que a empresa apresentou GFIPs com informações omissas/incorretas pois não declarou as contribuições patronais devidas por ter informado o código FPAS 639 como filantrópica, sem possuir isenção junto à RFB e não informou os pagamentos à Cooperativa de Trabalho, alíquotas de SAT e código de Outras Entidades. Afirma ter apresentado sua declaração como imune porque preenche todos os requisitos fixados na legislação para o gozo da imunidade, competindo à fiscalização apontar por qual razão não seria legítimo. Ao final requer o reconhecimento da nulidade da autuação. Anexa Procuração, Resoluções do Conselho Administrativo com eleições da Diretoria da ASCAR e Estatutos. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1038.838 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 AI Debcad nº 51.010.5165 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES EM GFIP. IMUNIDADE/ISENÇÃO. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 315 6 O direito à isenção das contribuições sociais, previsto no art. 195, § 7º da Constituição Federal está condicionado, até 29/11/2009, ao cumprimento cumulativo dos requisitos exigidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/1991. O contribuinte que não goza de isenção está obrigado a cumprir com todas as obrigações principais e acessórias previstas na legislação tributária para as empresas em geral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 06 de junho de 2012. Em relação à questão deduzida pelo sujeito passivo no sentido de falta de fundamentação da autuação fiscal para descaracterizar o direito à a isenção das contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo, a decisão de primeira instância, às fls. 351 e 352, afasta tal argumentação: A impugnante procura invalidar o lançamento fiscal ao argumento de que caberia à fiscalização comprovar os motivos por que não faz jus à isenção das contribuições sociais/previdenciárias no período de 01/01/2008 a 31/12/2008. Inicialmente há que se salientar que a isenção/imunidade não está em discussão no presente feito uma vez que não se trata de decisão acerca de pedido ou cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias nos moldes do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, e sim de crédito apurado em relação à entidade não alcançada pelos benefícios da isenção. O cerne da questão posta pela impugnante é estabelecer se a ASCAR está albergada pela imunidade tributária prevista no art. 195, parágrafo 7º da CF e se tal imunidade abrange as contribuições previdenciárias patronais objeto do lançamento fiscal. (...) Consultando os sistemas informatizados desta instituição, constato que a entidade autuada foi detentora da isenção das contribuições sociais até 11/1991 e que é de seu pleno conhecimento a existência do procedimento administrativo de cancelamento da isenção, iniciado Fl. 315DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 316 7 com o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº INSS/GRAF/041/92, de 17/11/1992, contra o qual foram apresentados Defesa e Recursos às instâncias então vigentes, sendo que os recursos não foram providos, restando definitivo o cancelamento da isenção com a ciência do último acórdão à entidade em 14/08/1995. Por força do art. 150, § 6º, da Constituição Federal, somente a Lei pode conceder anistia ou remissão relativa a impostos, taxas ou contribuições, e o art. 111, I, do CTN determina a interpretação literal da lei, ou dispositivos de lei, sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, sendo vedada interpretação extensiva ou por analogia. No período objeto desta autuação (janeiro à dezembro de 2008) o direito à isenção das contribuições sociais está restrito ao cumprimento dos requisitos legais, indispensáveis para tal, dispostos no então vigente art. 55 da Lei 8.212/1991 e nenhum direito pode persistir sem o atendimento de todos os requisitos exigidos para tanto. Ao deixar de cumprir as exigências legais para o benefício da isenção, o contribuinte não é reconhecido como entidade isenta, perdendo o benefício a partir da data do descumprimento dos requisitos. Conforme disposto no § 1º daquele diploma legal, vigente até 29/11/2009, uma vez cancelada a isenção, para ser novamente reconhecida como entidade isenta, deveria a interessada apresentar requerimento ao órgão competente da Previdência Social, comprovando preencher os requisitos legalmente exigidos. Não há nos autos qualquer prova neste sentido. Também não se tem notícia da isenção ter sido restabelecida por medida judicial. Como já explicitado anteriormente, enquanto vigente o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, se a interessada reunisse os requisitos exigidos para o benefício da isenção, deveria requerer o reconhecimento do direito. Não o fazendo não há que se falar em direito à isenção naquele período, não cabendo ao fisco, mais sim à interessada, comprovar que teve um requerimento de isenção formalmente deferido para o período em questão. Afasto, assim, a alegação de cerceamento de defesa pois a impugnante tem conhecimento dos motivos pelos quais não faz jus à isenção das contribuições ditas patronais, destinadas à seguridade social e a terceiros, perfeitamente exigíveis da autuada, conquanto no período objeto do lançamento fiscal a entidade não se encontrava em gozo de isenção. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância, em síntese: (i) Descumprimento da decisão liminar proferida na Ação Popular nº 505695304.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre A decisão recorrida dispôs que a Recorrente teve seu direito a imunidade (que denomina "isenção") cancelado, não tendo direito a usufruir da regra constitucional (chega ao ponto de afirmar que a Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 317 8 Recorrente é entidade "não alcançada pelos benefícios da isenção"). No entanto, ao fazêlo, incorreu em erro! Erro porque foi ajuizada ação popular por inúmeros cidadãos gaúchos, na qual foi proferida decisão liminar pelo Dr. Juiz Federal Leandro Paulsen, nos seguintes termos (Ação Popular n. 5056953 04.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre): Ante o exposto, forte no art. 273 do CPC, DEFIRO A MEDIDA LIMINAR, com o que determino a suspensão dos efeitos dos atos administrativos que implicaram a cassação da imunidade e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da ASCAR e, por conseguinte, suspendo a exigibilidade de todos os créditos tributários (art. 151, V, do CTN) relativos a contribuições de seguridade social constituídos contra tal associação, com o que deverão cessar as cobranças administrativas e judiciais. Ou seja, há decisão judicial que: 1o) suspendeu os efeitos dos atos administrativos que implicaram na cassação da imunidade e do CEBAS da Recorrente; e, 2o ) suspendeu expressamente a exigibilidade, determinando a paralisação de cobranças administrativas e judiciais. (ii) Inexistência de enfrentamento da impugnação: nulidade da autuação A primeira razão à reforma da decisão é que ela é omissa no enfrentamento das divergências entre o Relatório do Procedimento Fiscal e a descrição sumária do Auto de Infração. Em segundo lugar, a decisão também deve ser reformada porque, não obstante o Auto de Infração tenha descrito que o Recorrente informou "indevidamente" que seria "isento/imune", não teria direito à imunidade por que: a) o art. 150, VI, "c", da CRFB, e art. 14 do CTN, não se aplica a contribuições previdenciárias; b) os requisitos para o gozo de imunidade previdenciária são aqueles definidos pelo art. 195, §7°, da CRFB e pelo art. 55 da Lei 8.212/91; c) que a Recorrente teve seu direito "cancelado"; e, d) a Recorrente não teria demonstrado seu direito à imunidade, e que o Fisco não precisa demonstrar a inexistência deste direito.A decisão recorrida se esquiva de enfrentar a impugnação, confirmando a improcedência da mesma, e caindo em contradições insustentáveis. A decisão recorrida se esquiva de enfrentar a impugnação, confirmando a improcedência da mesma, e caindo em contradições insustentáveis. Primeiro, porque a impugnação sequer traz à baila o art. 150, VI, "c", da CRFB. Não há debate quanto a tal regra. Segundo, porque apesar de o art. 55 da Lei n. 8.212/91 conter requisitos supostamente necessários ao gozo da imunidade, o que foi Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 318 9 exposto na impugnação é ^ue o Auto de Infração não demonstra a inexistência do direito à imunidade, baseandose em mera "afirmação". (...) Como no caso dos autos o lançamento diz que a Recorrente não tem direito a isenção, mas não esclarece a razão disso, simplesmente aduz, sem apontar fundamento legal, resta inequívoca a violação da legislação, pois a atividade fazendária é vinculada (art. 5o , II, 37, caput, e 150, I, da CRFB e arts. 3o e 142 do CTN), devendo observar os limites fixados pelo ordenamento jurídico na execução de suas funções arrecadatórias, dentre os quais buscar a verdade material (princípio da verdade material ou real decorrente do princípio da legalidade), identificando a verdade dos fatos. Em Sessão de Julgamento, esta Colenda Turma de Julgamento baixou o processo em Diligência Fiscal, Resolução n° 2403000206, nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a AuditoriaFiscal responsável pelo lançamento fiscal informe: (i) se havia Ato Cancelatório de Isenção de contribuições previdenciárias em desfavor da Recorrente e, em caso positivo, qual a data de emissão e qual o período abrangido; (ii) qual a fundamentação legal utilizada para considerar a Recorrente não isenta de contribuições sociais previdenciárias; (iii) se a ciência do lançamento ocorreu em 29;09.2011 e o período objeto do lançamento foi de 01/2008 a 12/2008, se em 2006 e 2007 a Recorrente também não possuía direito à isenção de contribuição social previdenciária; (iv) se no período da autuação fiscal, 01/2008 a 12/2008, a Recorrente descumpriu o art. 55 da Lei 8.212/1991 e quais os fundamentos de tal descumprimento; (v) se no período da autuação fiscal, 01/2008 a 12/2008, a Recorrente descumpriu a Lei 12.101/2009 e quais os fundamentos de tal descumprimento; Em resposta à Resolução n° 2403000206 Diligência Fiscal, a Fiscalização assim se manifestou em Informação Fiscal às fls. 189: Em atenção a Resolução n° 2403000265 da 4a Câmara/3a Turma Ordinária de 17/10/2013 e aos quesitos solicitados, temos a informar: Item (i) Há Ato Cancelatório de Isenção de contribuições previdenciárias em desfavor da recorrente, Ato n° INSS/GRAF/041/92 emitido em 17/11/1992, para o período a partir de 11/1991; Item (ii) A recorrente deixou de gozar o benefício da isenção, através do Ato Cancelatório citado, com base no Art. 55 caput e seu inciso IV: (remunerar diretores e não exercer atividade assistencial, educacional ou saúde); Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 319 10 Item (iii) A recorrente não gozava do benefício da isenção das contribuições previdenciárias, no período de 2006 e 2007, (número do procedimento fiscal 09453692) encerrado em 16/04/2010; contribuinte individual). Itens (iv) e (v) No procedimento de auditoria fiscal, da qual originaram os autos de Infração em pauta, não teve o escopo de examinar aspectos formais de descumprimento do artigo 55 da Lei n° 8.212/1991 ou da Lei n° 12.101/2009, mas sim a finalidade de proceder ao lançamento do crédito tributário, em face da constatação da declaração indevida de isenção das contribuições previdenciárias pelo contribuinte, pois informa o código FPAS 639 nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF com Operação Autorizada para contribuições patronais para o período de 01/2008 a 12/2008 (86.602 Serviços Prestados Cooperativa de Trabalho L5%, 86.201 Contribuição de Empresa empregado e 86.202 Contribuição da Empresa contribuinte individual). O Recorrente devidamente cientificado da Informação Fiscal, atravessa Manifestação, em apertada síntese: (i) Ilícitos praticados pela "Milícia Fiscal" contra a Recorrente A Recorrente, e, mais recentemente, a população gaúcha, litigam contra a União em função dos atos de "revogação da imunidade", bem como em virtude do ato que deu provimento à representação movida pelo INSS que revogou o certificado concedido para o triênio 2001,2002 e 2003. Em razão do litígio iniciado pela população gaúcha, dentre inúmeras circunstâncias, está a prática de atos ilícitos por membros do Ministério Público Federal, juntamente com auditores do então INSS, hoje integrantes da Receita Federal do Brasil, a exemplo do exposto nas petições anexas, protocoladas em sede de apelação na ação popular n. 505695304.2011.404.7100, ajuizada pela população em defesa da ASCAR. Tal documento não foi contestado, nem pela União, nem pelo MPF, nem pelo Senhor Luiz Cláudio de Lemos Tavares. Com isto há o reconhecimento de que a ASCAR foi vítima de vários atos ilícitos praticados por integrantes de tais órgãos. (ii) Ação Popular n. 505695304.2011.404.7100 Nesta data, 16/06/2014, o Tribunal Regional Federal da 4a Região restabeleceu a liminar concedida na ação popular. Salientamos que ainda não consta acórdão, nem o resultado do julgamento, mas Vossas Senhorias poderão obtêlos quando disponibilizados através do sitio www.trf4.jus.br, informando o número da ação popular/Apelação n. 505695304.2011.404.7100. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 320 11 Com isto todos os processos administrativos e judiciais contra a ASCAR devem ser suspensos. Um dos efeitos é reconhecimento da ilegalidade, abusividade e imoralidade da revogação da imunidade da Recorrente em 1992. A informação anexa comprova que o processo foi objeto da pauta de julgamento deste dia 16/06/2014 (iii) Reconhecimento da nulidade do ato cancelatório da imunidade no julgamento da Apelação n. 502092571.2010.404.7100 pelo TRF4 Há poucos dias, também a 1a Turma do TRF4, reconheceu a imunidade da ASCAR e o preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/91, no julgamento da apelação n. 502092571.2010.404.7100, conforme comprova o acórdão anexo Consta na página 11 no voto do Relator: De tudo o que foi exposto, evidenciase a conclusão de que a ASCAR preenche todos os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Portanto, a contribuição da empresa sobre a folha de salários deve ser expungida das NFLDs n° 32.528.8313, 32.528.8321 e 32.528.8348. (iv) Considerações quanto às respostas à Diligência Quanto ao ato cancelatório de isenção; Quanto ao fundamento legal para negar direito à imunidade ao Recorrente Se a Recorrente possuía direito a isenção em 2006 e 2007 Se a Recorrente violou o art. 55 da Lei 8.212/91 em 2008, e quais seriam os fundamentos fáticos e jurídicos Se a Recorrente violou a Lei 12.101/09 em 2008, e quais seriam os fundamentos fáticos e jurídicos Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 321 12 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 10 38.838 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória AIOA nº 51.010.5165 CFL 78 R$ 5.000,00. Conforme o Relatório Fiscal, os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal destinamse à Previdência Social e referemse ao descumprimento das obrigações acessórias. A empresa apresentou, após 04/12/2008, declarações em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com informações omissas/incorretas: (i) nas competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 não informou as contribuições patronais devidas por informar indevidamente código de FPAS 639 como filantrópica, sem possuir isenção junta à Receita Federal do Brasil; (ii) não informou os pagamentos à Cooperativa de Trabalho, bem como alíquotas de SAT e código de Outras Entidades. Informa o relatório Fiscal que a multa por omissão de fatos geradores na GFIP vigente atualmente é calculada conforme o disposto no art. 32A da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Medida Provisória nº. 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº. 11.941, publicada no DOU em 28/05/09. O cálculo desta multa considera campos da GFIP com informações omissas/incorretas. A multa corresponde ao valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de até dez informações omitidas na GFIP entregue, com valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), por competência. Considerando o cálculo demonstrado na Planilha anexa da Multa Calculada pela Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, resultante da conversão da Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 322 13 Medida Provisória 449/08 – AI CFL 78, em anexo, a Fiscalização aplicou a multa de R$ 5.000,00. Nas infrações CFL 78, a ocorrência de agravante, inclusive reincidência, não produz efeitos para a gradação da multa. Segundo o Relatório Fiscal, os elementos que serviram de base para a apuração do crédito foram as folhas de pagamento apresentada em meio papel e digital, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs, enviadas e constantes no sistema GFIPWEB e notas fiscais de prestação de serviços de cooperativas de trabalho lançadas no Livro Diário. Em relação aos fundamentos do lançamento, dispõe unicamente o Relatório Fiscal: 7. No período da constituição de crédito de 01/2008 a 12/2008, conforme se verifica nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social –GFIPs entregues e exportadas para o sistema GFIPWEB conforme planilha 1 Modelo Analítico Dinâmico da Informações gerais da GFIP anexa, houve a informação indevida pelo contribuinte no FPAS 639 – FILANTRÓPICA COM ISENÇÃO TOTAL das contribuições patronais e sem código para terceiros, sendo que a empresa não possui isenção dessas contribuições junto à Receita Federal do Brasil, bem como não informou no campo próprio das GFIPs os valores pagos à cooperativa de trabalho fato gerador de contribuição previdenciária, dessa forma o contribuinte deixou de informar o total das contribuições devidas. 8. A empresa não efetuou recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os pagamentos de remuneração de empregados e contribuintes individuais e sobre pagamentos a cooperativas de trabalho, apenas há informação na GFIP do valor devido da contribuição previdenciária dos segurados, descontada das remunerações conforme folha de pagamento, e recolhidas através de Guias da Previdência Social (GPS), de código 2305. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, na qual, dentre outros pontos, questiona qual a fundamentação legal ou fático para a descaracterização da imunidade do sujeito passivo: Nulidade da Autuação Fiscal por cerceamento de defesa uma vez que a fiscalização aduz que a entidade não teria direito à imunidade das contribuições exigidas mas não apresenta os fundamentos legais ou fáticos pelos quais esta interpretação estaria correta (que critério a impugnante não preencheria para não ter direito à imunidade). Aponta o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/1972 onde está escrito que o auto de infração deve conter a descrição precisa dos fatos, isto é, se o AI afirma que não tem direito à isenção, deve descrever por qual razão e apresentar prova disto, assim como os fundamentos legais e jurídicos para tal conclusão. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1038.838 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 323 14 Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente aduz que houve descumprimento de liminar proferida na Ação Popular nº 505695304.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre: (i) Descumprimento da decisão liminar proferida na Ação Popular nº 505695304.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre A decisão recorrida dispôs que a Recorrente teve seu direito a imunidade (que denomina "isenção") cancelado, não tendo direito a usufruir da regra constitucional (chega ao ponto de afirmar que a Recorrente é entidade "não alcançada pelos benefícios da isenção"). No entanto, ao fazêlo, incorreu em erro! Erro porque foi ajuizada ação popular por inúmeros cidadãos gaúchos, na qual foi proferida decisão liminar pelo Dr. Juiz Federal Leandro Paulsen, nos seguintes termos (Ação Popular n. 5056953 04.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre): Ante o exposto, forte no art. 273 do CPC, DEFIRO A MEDIDA LIMINAR, com o que determino a suspensão dos efeitos dos atos administrativos que implicaram a cassação da imunidade e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da ASCAR e, por conseguinte, suspendo a exigibilidade de todos os créditos tributários (art. 151, V, do CTN) relativos a contribuições de seguridade social constituídos contra tal associação, com o que deverão cessar as cobranças administrativas e judiciais. Ou seja, há decisão judicial que: 1o) suspendeu os efeitos dos atos administrativos que implicaram na cassação da imunidade e do CEBAS da Recorrente; e, 2o ) suspendeu expressamente a exigibilidade, determinando a paralisação de cobranças administrativas e judiciais. Após ser cientificada da Informação Fiscal, resultante da Diligência Fiscal requerida por esta Colenda Turma de Julgamento, em sede de Manifestação a Recorrente traz a informação de que, em 16.06.2014, houve o restabelecimento da liminar anteriormente concedida em Ação Popular na qual se restabeleceria a imunidade e o direito à isenção pelo preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/1991: (ii) Ação Popular n. 505695304.2011.404.7100 Nesta data, 16/06/2014, o Tribunal Regional Federal da 4a Região restabeleceu a liminar concedida na ação popular. Salientamos que ainda não consta acórdão, nem o resultado do julgamento, mas Vossas Senhorias poderão obtêlos quando disponibilizados através do sitio www.trf4.jus.br, informando o número da ação popular/Apelação n. 505695304.2011.404.7100. Com isto todos os processos administrativos e judiciais contra a ASCAR devem ser suspensos. Um dos efeitos é reconhecimento da ilegalidade, abusividade e imoralidade da revogação da imunidade da Recorrente em 1992. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 324 15 A informação anexa comprova que o processo foi objeto da pauta de julgamento deste dia 16/06/2014. (iii) Reconhecimento da nulidade do ato cancelatório da imunidade no julgamento da Apelação n. 502092571.2010.404.7100 pelo TRF4 Há poucos dias, também a 1a Turma do TRF4, reconheceu a imunidade da ASCAR e o preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/91, no julgamento da apelação n. 502092571.2010.404.7100, conforme comprova o acórdão anexo Consta na página 11 no voto do Relator: De tudo o que foi exposto, evidenciase a conclusão de que a ASCAR preenche todos os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Portanto, a contribuição da empresa sobre a folha de salários deve ser expungida das NFLDs n° 32.528.8313, 32.528.8321 e 32.528.8348. Em consulta ao trâmite processual da Apelação Cível n o.5020925 71.2010.404.7100, realizada em 06.03.2015, ao síte do TRF4 (http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&t xtValor=50569530420114047100&selOrigem=TRF&chkMostrarBaixados=&todasfases=S&se lForma=NU&todaspartes=&hdnRefId=&txtPalavraGerada=&txtChave=), temse o extrato da sessão de 16.04.2014 na qual se reativou a tutela antecipada em relação à imunidade da Recorrente: EXTRATO DE ATA DA SESSÃO DE 16/06/2014 APELAÇÃO CÍVEL Nº 505695304.2011.404.7100/RS ORIGEM: RS 50569530420114047100 RELATOR: Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE PRESIDENTE: MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE PROCURADOR: Dr CARMEM HESSEL SUSTENTAÇÃO ORAL: Drª Patrícia Grassi Osório representante da Procuradoria da Fazenda Nacional epedido de preferência pelo Dr. Rodrigo Dalcin Rodrigues representante da ASCAR APELANTE: .(...) Certifico que o(a) 1ª TURMA, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU A) DAR PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO DA ASCAR DETERMINANDOSE O PROCESSAMENTO DA DEMANDA EM RELAÇÃO AO PRIMEIRO ATO ATACADO NA AÇÃO POPULAR (REVOGAÇÃO DA IMUNIDADE), COM A REATIVAÇÃO DA TUTELA ANTECIPADA DEFERIDA POR ESTE TRIBUNAL NOS AUTOS DO AI Nº 5000452 53.2012.404.0000; B) NÃO CONHECER DA APELAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. DETERMINADA A JUNTADA DE NOTAS TAQUIGRÁFICAS. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 325 16 Na continuação à consulta ao trâmite processual da Apelação Cível n o.5020925 71.2010.404.7100, realizada em 06.03.2015, observase que foi admitido o Recurso Especial da Advocacia Geral da União AGU em 04.02.2015: RECURSO ESPECIAL EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 5056953 04.2011.404.7100/RS RECORRENTE: UNIÃO ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO RECORRIDO: (...) Tratase de recurso especial interposto com apoio no art. 105, III,a e c,da Constituição Federal, contra acórdão proferido por Órgão Colegiado desta Corte. O recurso merece prosseguir, tendo em conta o devido prequestionamento da matéria relativa aos dispositivos supostamente contrariados. Além disso, encontramse preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. Ante o exposto,admito o recurso especial. Intimemse. Porto Alegre/RS, 04 de fevereiro de 2015. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Temse que de um lado a Recorrente questiona, desde o Recurso Voluntário, o fato de que teve a tutela antecipada, em sede de Ação Popular, o restabelecimento da imunidade e o direito à isenção pelo preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/1991. Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, para que esta Colenda Turma de Julgamento possa apreciar todos os aspectos da questão, surge a prejudicial de se determinar se o objeto da Ação Popular no.505695304.2011.404.7100/RS, em trâmite no TRF4 e com andamento processual de admissibilidade de Recurso Especial da AGU, indica que há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativofiscal. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728760/201110 Resolução nº 2403000.308 S2C4T3 Fl. 326 17 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) Conclusivamente, se o objeto da Ação Popular no.5056953 04.2011.404.7100/RS, em trâmite no TRF4 e com andamento processual de admissibilidade de Recurso Especial da AGU, indica que há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal. (ii) O trânsito em julgado da Ação Popular no.505695304.2011.404.7100/RS, com a conseqüente decisão final na esfera judicial; (iii) Se, com o trânsito em julgado da Ação Popular no.5056953 04.2011.404.7100/RS, caso favorável ao contribuinte, há a perda de objeto do presente processo administrativofiscal; É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13401.000483/2006-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004
COFINS. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA No 1 DO CARF.
Não se conhece do Recurso Voluntário em relação às matérias e períodos levados pela Recorrente ao Poder Judiciário, em razão de sua renúncia à discussão administrativa.
COFINS. SUBVENÇÕES. BENEFÍCIOS ESTADUAIS-ICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica (operacionais ou não operacionais), independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (para custeio ou operação, ou para investimento).
Numero da decisão: 3403-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com as ações judiciais e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre da Cunha Ferreira de Moura, OAB/SP no 291.470.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA No 1 DO CARF. Não se conhece do Recurso Voluntário em relação às matérias e períodos levados pela Recorrente ao Poder Judiciário, em razão de sua renúncia à discussão administrativa. COFINS. SUBVENÇÕES. BENEFÍCIOS ESTADUAISICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com as ações judiciais e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre da Cunha Ferreira de Moura, OAB/SP no 291.470. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 04 83 /2 00 6- 75 Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados contra a Terphane Ltda., ora Recorrente, veiculando cobranças da COFINS e do PIS, decorrente de diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago em DCTF, no período de 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004. As autuações decorreram de Mandado de Procedimento Fiscal, expedido em razão de inúmeros pedidos de ressarcimento formulados pela Recorrente. No Termo de Verificação Fiscal (Relatório Fiscal) a Autoridade Fazendária afirmou que foram verificados valores referentes a INCENTIVO PRODEPE, INCENTIVO SOBRE EXPORTAÇÃO, GANHO SOBRE OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL, VARIAÇÃO CAMBIAL SOBRE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS. A Autoridade Fazendária afirma ainda que a receita decorrente do incentivo fiscal estadual a título de crédito presumido do ICMS (PRODEPE) compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, ainda que contabilizada como reserva de capital. Prossegue informando que esta verba é receita operacional se for subvenção para custeio e receita não operacional se for subvenção para investimento, transcrevendo ementa do Parecer Normativo CST n. 112, de 29/12/1978. Menciona, no entanto, que a referida distinção é importante apenas para fins de apuração do IRPJ, sendo indiferente para o caso do PIS/PASEP e da Cofins, posto que a única receita não operacional que não faz parte da base de cálculo das referidas contribuições é a receita decorrente de venda de bem do ativo permanente ou imobilizado. Mesmo assim, conclui que a referida verba é classificada como subvenção para custeio ou operação. Ainda em relação à matéria (tributação de subvenções), transcreve e cita diversas decisões administrativas do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de Delegacias de Julgamento da Receita Federal (DRJ) e processos de consulta de Superintendências Regionais da Receita Federal de diversas Regiões Fiscais, com base nas quais constata que tanto as subvenções para custeio, quanto as subvenções para investimentos integram a base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.409 3 Esclarece o AuditorFiscal que, diferentemente do período de janeiro a novembro de 2001, em 2002 e em 2004, o contribuinte não computou o incentivo fiscal recebido pelo Governo do Estado de Pernambuco no resultado, mas na conta de Reserva de Subvenção, o que tornou necessário considerar na base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins os valores lançados nesta conta a título de crédito presumido de ICMS. A Recorrente apresentou Impugnação, onde alega em síntese que: Preliminarmente, que a Autoridade Fazendária deixou de considerar o pagamento da Cofins de dezembro de 2004, no valor de R$ 583.786,83, e por essa razão seria nulo todo o lançamento realizado. Aponta que a inconsistência mencionada macula o lançamento objeto do combatido auto de infração, na medida em que os fatos narrados pela autoridade tributária não correspondem à liquidez necessária a sua validade; E que o procedimento fiscal realizado pela autoridade fiscal detectou algumas divergências de valores em relação à composição da base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins, as quais referemse basicamente a valores relativos ao incentivo fiscal do PRODEPE, a receitas de incentivo sobre a exportação a título de credito presumido de IPI, e receitas correspondentes à atualização monetária do imposto de renda para reinvestimento, e por fim receitas de variação cambial positiva relativa a empréstimos e financiamentos; No mérito aponta que o procedimento fiscal realizado pela autoridade fiscal detectou algumas divergências de valores em relação à composição da base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins, as quais, basicamente, referemse a: (i) valores relativos ao incentivo fiscal do PRODEPE; (ii) receitas de incentivo sobre a exportação, a título de crédito presumido do IPI; (iii) receitas correspondentes à atualização monetária dos recursos próprios do imposto de renda para reinvestimento; (iv) receitas de variação cambial positiva relativa a empréstimos e financiamentos. Diante dos fatos relatados, a Recorrente admite ter havido pequeno equívoco quando da apuração da base de cálculo das contribuições, em relação às receitas indicadas nos itens (ii) e (iii) acima, pelo que a impugnação se restringirá à defesa dos fatos expostos nos itens (i) e (iv). No que se refere às receitas de variação cambial, alega a Recorrente impetrou em 01/09/2003 mandado de segurança perante a Justiça Federal em Pernambuco. (processo n 2003.83.00184161/02) para discutir as alterações da legislação trazidas/com a edição da Lei n£ 9.718, de 1998, em especial o pretenso alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e da Cofins, relacionandose diretamente às receitas decorrentes de variações monetárias ativas, havidas em função da taxa de câmbio. Assevera que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 5a Região reconheceu o direito de excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da variação cambial, bem como a compensação de valores já pagos a este título. Alega que a Recorrente optou por discutir judicialmente a citada matéria, o que impossibilita os julgadores administrativos de se manifestar sobre o assunto, ou mesmo pretender seja mantida a exigência em relação a eventuais débitos apurados pela fiscalização nesse sentido, até o trânsito em julgado da decisão final de mérito da aludida ação judicial proposta. Defende que o beneficio de estímulo à atividade industrial foi concedido pelo Governo do Estado de Pernambuco à empresa autuada em 29/12/2000, pelo prazo de fruição de Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 4 8 anos. Posteriormente em 09/03/2001, o Governo do Estado de Pernambuco concedeu à Recorrente o benefício de estímulo ao comércio importador atacadista de mercadorias do exterior pelo prazo de fruição de 4 anos. Esclarece que tais estímulos são conhecidos como incentivo fiscal do Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco (PRODEPE). Destaca que tais estímulos referemse apenas à atividade industrial, pois o estímulo ao comércio importador atacadista de mercadorias do exterior encontrase expirado, e advoga que o estímulo da atividade industrial, por se ser caracterizar como subvenção para investimento, deve ser registrado na conta Reserva de Capital Reserva de Subvenção. Explica que, por lapso, nos primeiros meses de 2001, a Recorrente equivocadamente contabilizou os valores relativos ao PRODEPE em conta de resultado, corrigindo o erro no mês de dezembro, mediante estorno, para reclassificar as apontadas importâncias como reserva de capital. Durante o ano de 2002, os valores relativos aos incentivos em análise foram acertadamente contabilizados como reserva de capital. Já nos meses de janeiromarço de 2003, ocorreu o mesmo erro em relação aos valores do PRODEPE. E que tais valores não consistem receitas, mas apenas valores caracterizados como subvenção para investimento, devendo ser registrados na conta reserva de capital, motivo pelo qual não se sujeitam à tributação das contribuições. Argumenta a Recorrente que a questão de mérito relacionada à matéria em discussão, como um todo, já foi reputada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal (STF), quando do julgamento do recurso Extraordinário n 357.950/RS, face à clara e evidente violação do art. 195, I, "b", da Constituição Federal, o que seria suficiente para afastar a alegada infração à legislação tributária atribuída à autuada pela autoridade fiscal, implicando a consequente e necessária anulação do auto de infração examinado. No que se refere à fruição de qualquer incentivo fiscal frisa o disposto no § 2 do art. 38 do Decretolei n 1.598, de 1977, segundo o qual "as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que registradas como reserva de capital". Indica que o incentivo fiscal estadual do PRODEPE não importa recebimento de recursos financeiros do Poder Público, afirmando que na verdade se trata de uma recuperação de custos tributários mediante sistemática de descontos concedidos pelo entidade política estadual, sustentando a incoerência da pretensão da autoridade tributária em tipificar o reconhecimento de tais valores como "receita bruta", estando sustentada na estrita literalidade de conceitos já superados do art. 44 da Lei n. 4.506, de 1964, o qual determinava o enquadramento da subvenção como " receita bruta", entendimento que não encontra amparo na legislação vigente, que cita (Lei n. 6.404, de 1976; art. 12 do Decretolei n. 1598, de 1977; arts. 274 e 279 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). A Recorrente ainda se volta contra a taxa SELIC. Em revisão de ofício a Autoridade Fazendária reconheceu o equívoco cometido, afirmando que tal apenas produziu resultado sobre os meses de abril e dezembro, tendo sido elaborado novo Demonstrativo de Apuração Fiscal. A DRJ, inicialmente, afastou a preliminar arguida pela Recorrente sob o fundamento de que todas as formas foram observadas e que, além do mais, foi revisto o lançamento com a elaboração de novo Demonstrativo de Apuração Fiscal. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.410 5 Por outro lado, observase nos Demonstrativos de Apuração de Outras Receitas), que a fiscalização apurou para o período de 2001 a 2004 as seguintes receitas: (i) Variações Monetárias Ativas; (ii) Variações Cambiais Clientes Nacionais; (iii) Variações Cambiais Clientes Estrangeiros; (iv) Variações Cambiais sobre Empréstimos e Financiamentos; (v) Juros sobre Empréstimos Mútuo; (vi) Juros sobre Clientes Nacionais; (vii) Ganho sobre Operações Renda Variável; (viii) Juros SELIC sobre Imposto de Renda e Contribuição Social; (ix) Descontos Obtidos; (x) Incentivo PRODEPE; (xi) Receita de Subvenção; (xii) incentivo sobre Exportação; e (xiii) Outras Receitas. Cumpre esclarecer que as receitas auferidas em razão de "variações monetárias ativas", "variações cambiais clientes nacionais" e "variações cambiais sobre empréstimos e financiamentos" não se inserem no contexto da ação judicial proposta pela Recorrente. É que as variações monetárias ativas são atualizações de direitos de crédito e das obrigações, em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. Já as receitas obtidas em razão de variações cambiais advindas de clientes nacionais e variações cambiais sobre empréstimos e financiamentos, embora se refiram a um ganho decorrente da taxa de câmbio, faltamlhe a característica de serem operações de exportação. Portanto, apenas estão abrangidas na ação judicial do processo n 2003.83.00184161/02 as receitas de variações cambiais de clientes estrangeiros, uma vez que representam ganhos cambiais decorrentes de exportação. Assim, concluiu a DRJ, não se deve conhecer desta parte da impugnação, devendo ser mantida a parcela do lançamento do PIS/PASEP e Cofins a este título correspondente (variações cambiais clientes estrangeiros) até o deslinde da ação judicial. Embora não suscitado, impende afirmar que deve ser mantida inclusive a multa de ofício, tendo em vista que o lançamento foi realizado em setembro de 2006 e a decisão favorável ao contribuinte somente foi concedida posteriormente no mês de novembro de 2006. Conforme explanado, a ação judicial n 2003.83.00.0173639 tem como pedido supressão da exigência da Cofins em razão do alargamento da base de cálculo promovido pela Lei n 9.718, de 1998. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 6 Por conseguinte, prossegue a DRJ, a contestação da incidência da Cofins sobre as receitas de subvenções, apurada com base na Lei n£ 9.718, de 1998, vale dizer, no regime cumulativo, está inserida na ação judicial enfocada Está claro que o reconhecimento pelo STF da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista no §12 do art. 3S da Lei n9.718, de 1998, fez com que a Cofins incidisse apenas sobre o faturamento, representado pelas receitas derivadas da venda de bens e da prestação de serviços e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Concluise, dessa maneira, que o contribuinte manifestou o seu desejo por discutir a citada matéria perante o Poder Judiciário, renunciando à instância administrativa. Conforme já afirmado, a propositura da ação judicial com o mesmo objeto impede a apreciação pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Em face disso, não se conhece da impugnação na parte que contesta a incidência da Cofins sobre as receitas de subvenções (incentivos do PRODEPE), com base no citado §12 do art. 32 da Lei n. 9.718, de 1998, ou seja, a Cofins apurada pela cumulatividade. Semelhante diretriz norteia a exigência do PIS/PASEP do presente processo, uma vez que o contribuinte, na qualidade de autor da ação judicial n 2003.83.00.0173680, pede o reconhecimento da inconstitucionalidade das alterações introduzidas pelas Leis n. 9.715, de 1998, n. 9.718, de 1998, MP n. 66, de 2002 e Lei n. 10.637, de 2002. Observase que o contribuinte invocou normas que amparam a exigência do PIS/PASEP, tanto pelo regime cumulativo, como pelo não cumulativo. No que se refere ao questionamento da cobrança do PIS/PASEP com base na ampliação da base de cálculo promovida pela Lei n. 9.718, de 1998, deverá ter o mesmo tratamento conferido à Cofins cumulativa, já analisado nos itens precedentes. Ou seja, a ação judicial n 2003.83.00.0173680 incluiu em seu objeto a exigência do PIS/PASEP apurado com esteio na Lei n. 9.718, de 1998, sobre as receitas de subvenções, posto que a constituição deste crédito tributário sobre as indigitadas verbas somente ocorreu em função do alargamento da base de cálculo já explicado. A DRJ, portanto, apenas conhece as alegações de que o PIS e a Cofins não devem incidir no enfocado incentivo fiscal estadual não abrangidas pela Ação judicial, portanto, restrita às exigências do PIS/PASEP (março de 2003 a dezembro de 2004) e da Cofins (fevereiro de 2004 a dezembro de 2004) apurados pelo regime da não cumulatividade. Conclui a DRJ que a base de cálculo das contribuições em exame é a universalidade das receitas, ou como esclarece os dispositivos supra, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante sua denominação ou sua classificação contábil. Em relação à contestação do alargamento da base de cálculo, apresentado pelo impugnante em relação ao PIS/PASEP não cumulativo, na ação judicial n. 2003.83.00.0173680, valem os mesmos argumentos para a cobrança da Cofins não cumulativa, uma vez que a Lei n 10.833, de 2003, foi editado já sob a égide da EC n. 20, de 1998, o que afasta qualquer hipótese de ilegalidade sobre a indigitada universalidade das receitas compondo a base de cálculo das contribuições. Ressalta ainda que as subvenções, sejam elas para custeio (ou operação) ou para investimento, deverão compor o resultado da empresa, operacional (subvenção para custeio ou operação) e não operacional (subvenção para investimento), o que leva à conclusão de que, invariavelmente, sua contabilização se dá a crédito de conta de receita. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.411 7 Diante de tais fatos, não se acatam os argumentos apresentados, de forma que não há qualquer reparo a ser efetuado nos lançamentos, relativamente à incidência do PIS/PASEP (março de 2003 a dezembro de 2004) e da Cofins (fevereiro de 2004 a dezembro de 2004) sobre as receitas de subvenções, provenientes dos benefícios fiscais do PRODEPE. Portanto, a DRJ: (i) não conheceu da impugnação na parte relativa à incidência do PIS/PASEP e da Cofins sobre as receitas de variação cambial, decorrentes de exportações, tendo em vista a interposição de ação judicial com o mesmo objeto, devendo ser proferida a decisão formal da definitividade do débito, segundo fundamentação contida nos itens 1935 deste Voto; (ii) não conheceu da impugnação, no que se refere ao alargamento da base de cálculo do PIS/PASEP (janeiro/2001, março/2001julho/2001, setembro/2001novembro/2002 e março/2003dezembro de 2004) e da Cofins (janeiro/2001agosto/2003 e de outubro/2003 janeiro/2004), que envolve qualquer receita que não seja faturamento, a exemplo das receitas de subvenções (incentivos fiscais do PRODEPE), tendo em vista a interposição de ação judicial com o mesmo objeto, devendo ser proferida a decisão formal da definitividade do débito, conforme se discorreu nos itens 44 e 47 deste Voto; e (iii) julgou improcedente a impugnação, no que se refere à alegação de que as receitas de subvenções (incentivos fiscais do PRODEPE) não constituiriam receita bruta, relativamente à incidência do PIS/PASEP (março de 2003 a dezembro de 2004) e da Cofins (fevereiro de 2004 a dezembro de 2004), e no tocante à alegação de ilegalidade dos juros cobrados, cabendo à unidade de origem a observância do lançamento revisado com a modificação dos meses de abril e dezembro de 2004. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações constantes em sua Impugnação. A Recorrente defende que os três Mandados de Segurança por ela ajuizados abrangeriam toda a discussão no presente processo e que deveria levar não a um não conhecimento, mas sim ao sobrestamento do feito até o julgamento do STF. Defende que caso não seja esse o posicionamento adotado pelo CARF, que seja afastada a tributação no período de vigência da Lei n. 9.718/1998, tendo em vista a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal no tocante ao alargamento da base de cálculo. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A Recorrente apenas impugnou o lançamento do PIS e da COFINS quanto aos valores relativos ao incentivo fiscal do PRODEPE e receitas classificadas pela Autoridade Fazendária como variação cambial positiva relativa a empréstimos e financiamentos. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 8 A Autoridade Fazendária relaciona as receitas da seguinte forma, para concluir que uma das Ações Judiciais proposta pela Recorrente (Mandado de Segurança n 2003.83.00.0184161) apenas abrange as variações monetárias ativas decorrentes de exportação, não se aplicada às receitas de outras rubricas: (i) Variações Monetárias Ativas; (ii) Variações Cambiais Clientes Nacionais; (iii) Variações Cambiais Clientes Estrangeiros; (iv) Variações Cambiais sobre Empréstimos e Financiamentos; (v) Juros sobre Empréstimos Mútuo; (vi) Juros sobre Clientes Nacionais; (vii) Ganho sobre Operações Renda Variável; (viii) Juros SELIC sobre Imposto de Renda e Contribuição Social; (ix) Descontos Obtidos; (x) Incentivo PRODEPE; (xi) Receita de Subvenção; (xii) incentivo sobre Exportação; e (xiii) Outras Receitas. Portanto, em princípio, as receitas decorrentes de outros títulos poderiam ser conhecidas no presente processo administrativo, pois não tocadas pelo Mandado de Segurança aludido. No entanto, inicialmente, observo que a Recorrente está parcialmente correta, quando reafirma, em seu Recurso Voluntário, a abrangência de suas discussões judiciais, pois além do referido Mandado de Segurança ela também ajuizou Ação da mesma natureza em relação ao alargamento da base de cálculo da COFINS (Mandado de Segurança n 2003.83.00.0173679) e relativamente ao PIS, a Recorrente discute tanto o alargamento da base de cálculo como a própria tributação de títulos que não compreendem o seu faturamento propriamente dito, incluindo o período posterior à entrada em vigor do regime não cumulativo (Mandado de Segurança n 2003.83.00.0173680). Dessa maneira, há que se manter intacto o julgamento da DRJ quanto ao não conhecimento das matérias alegadas, que deverão observar o quanto decidido pelo Poder Judiciário, seja no que se refere ao período de tributação exclusiva pelo regime cumulativo, sob a égide da Lei n 9.718/1998, o que vale para as Contribuições ao PIS e COFINS, seja e aqui constitui um acréscimo ao não conhecimento da DRJ , no que se refere ao período sob o regime nãocumulativo para a Contribuição ao PIS. Nesse aspecto, não posso deixar de ressaltar a incidência da Súmula no 1 do CARF, abaixo transcrita, dando conta que efetivamente não se pode conhecer de discussão administrativa, quando a Recorrente ingressou com Ação judicial sobre a mesma matéria, o que se verifica claramente no presente caso, inclusive com reconhecimento da própria Recorrente: Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.412 9 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De qualquer maneira, remanesce a análise em relação à COFINS, no período referente à sistemática nãocumulativa, mais especificamente de fevereiro de 2004 a dezembro de 2004, centrandose a discussão sobre os valores, classificados como receita pela Autoridade Fazendária, decorrentes do incentivo fiscal concedido pelo Estado de Pernambuco, por meio do PRODEPE. O parágrafo 2 , do artigo 38 do Decretolei n 1.598/1977 dispõe que não serão computadas na determinação do Lucro Real as importâncias creditadas a conta de reserva de capital a título de subvenção para investimento concedidas pelo Poder Público como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, in verbis: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (Vide) I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 10 Referido dispositivo condiciona o tratamento contábil e a sua respectiva consequência fiscal ao registro do valor em conta de reserva de capital, com a ressalva de que a utilização apenas poderá ser efetuada mediante absorção de prejuízo ou incorporação ao capital social. Ora, na subvenção para investimento, conforme estabelece o dispositivo, não há o registro de receita sequer de receita bruta, pois os valores relacionadas à subvenção devem ser necessariamente creditados em reserva de capital, o que exclui de sua tributação do Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro e, por conseguinte, as Contribuições ao PIS e à COFINS. Com efeito, o artigo 1 da Lei n 10.833/2003 utiliza conceito amplo de receita, bem como estabelece os valores que não se incluem como tal, o que, em princípio poderia levar à tributação pelo PIS e COFINS e, no presente caso, da COFINS, em razão da matéria conhecida. Contudo, não se pode perder de vista que a própria legislação, o Decretolei n 1.598/1977 expressamente dispõe que a subvenção para investimento não é registrada contabilmente como receita bruta, mas sim como reserva de capital, de modo que não pode ser tributada. A Primeira Seção do CARF, analisando a matéria e julgando lançamentos reflexos do PIS e da COFINS tem decidido pela não tributação, pelas referidas Contribuições, quando se verifica o preenchimento das condições estabelecidas pelo artigo 38 do DecretoLei n 1.598/1977, estando o valor recebido a título de subvenção para investimento registrado em conta de Reserva de Capital, conforme se verifica nas ementas dos acórdãos abaixo transcritos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. As subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL. (Acórdão 1202000.921)” Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.413 11 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS. As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77, são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Exigese perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta o “animus” de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o “dinheiro não precisa ser carimbado”. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. PIS. COFINS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. RTT. Uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratarseiam de subvenções para custeio, é de se notar que a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, da Lei nº 11.941/09, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 1102001.203).” Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 12 E no presente caso, ainda que a DRJ entenda que a diferenciação entre as diferentes subvenções não seria pertinente para a resolução da controvérsia, pois adota o entendimento de que tais valores configurariam receita não excluída pela legislação do PIS e da COFINS, a própria Autoridade Fazendária autuante reconhece o benefício como subvenção para investimento. E como se tal não bastasse os benefícios de estímulo à atividade industrial relacionados ao PRODEPE efetivamente se caracterizam como subvenção para investimento, sendo que a Recorrente os trata contabilmente de tal maneira e registra os respectivos valores em conta de reserva de capital. Dessa forma, nesse ponto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reformar o Acórdão da DRJ reconhecendo que os valores registrados em conta de reserva de capital decorrentes do benefício do PRODEPE, pela Recorrente, não podem ser alcançados pela Contribuição à COFINS no período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2004. Ante o exposto, apenas conheço do Recurso Voluntário em relação à COFINS, do período de fevereiro a dezembro de 2004, e lhe dou provimento em relação à parte conhecida para reconhecer a impossibilidade de tributação, pela COFINS, de valores registrados a título de subvenção para investimento decorrente do benefício PRODEPE. E mantenho intacto o julgamento da DRJ em relação ao não conhecimento das matérias e períodos discutidos judicialmente, acrescentando o período relativo à COFINS de março de 2003 a dezembro de 2004, abrangido por sua discussão judicial. Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.414 13 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Manifesto divergência em relação ao voto do relator, com a devida vênia, somente no que se refere à matéria conhecida (COFINS, no período de fevereiro a dezembro de 2004), entendendo que na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”). A discussão reside basicamente na inclusão ou não de valores correspondentes a benefícios fiscais de ICMS (“PRODEPE”) na base de cálculo da COFINS. É incontroverso que a empresa é beneficiária de subvenção fiscal concedida pelo Governo do Estado de Pernambuco (“PRODEPE”). Não há ainda controvérsia sobre serem os valores em análise “subvenções” concedidas pelo Poder Público estadual. A empresa sustenta que as subvenções são “para investimento”, e que seu tratamento contábil e tributário é disciplinado no art. 38, § 2o do DecretoLei no 1.598/1977 (disciplinado no art. 443 do Regulamento do Imposto de RendaDecreto no 3.000/1999): “Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” (grifo nosso) (o art. 545 e seus parágrafos impede a distribuição dos valores aos sócios Fossem as subvenções “para custeio ou operação”, não haveria dúvidas de que constituem receita bruta operacional, o que decorre de expressa disposição legal (art. 44 da Lei no 4.506/1964): “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 14 III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” (grifo nosso) E, nesse sentido, seriam inequivocamente tributadas pela COFINS, conforme art. 1o da Lei no 10.833/2003. Tal comando legal é relevante, inclusive, para afastar desde já o entendimento de que as subvenções não constituem receitas, pois isso implicaria sustentar o afastamento de comando legal vigente, o que é vedado pela Súmula CARF no 2 (sob o argumento da inconstitucionalidade). Nesse contexto, sobressai, a priori, a relevância da classificação das subvenções. Digo a priori, porque a classificação, a partir do que aqui já foi dito, é relevante para a contabilização, como “receita bruta operacional” ou até “reservas de capital”. Contudo, a questão reflexa (se tal contabilização vai ou não afetar a tributação pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS) ainda deve ser analisada, e a análise deve iniciar à luz do Parecer Normativo CST no 112/1979. Em tal parecer, concluise que: “7.1 Ante exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item I, letra "b" do Decretolei n. 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado nãooperacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desce que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; V As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou DEDUÇÕES do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 3403003.396 S3C4T3 Fl. 1.415 15 VI O § 2º do artigo 38 do Decretolei número 1598/77 aplica se a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real; e VII As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei n. 1.598/77.” (grifo nosso) Percebese, pelo texto, que a distinção entre as subvenções é indiscutivelmente importante para fins de tributação pelo IRPJ. Contudo, no que se refere à contribuição em análise no presente processo (COFINS), só seria relevante se a análise fosse referente ao período da cumulatividade, no qual a tributação das contribuições dependia do caráter operacional da receita. Mas na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a contribuição incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Assim, assiste razão ao autuante e ao julgador de piso quando estes sustentam ser irrelevante classificar as subvenções, para efeito de tributação pelas contribuições não cumulativas (como a COFINS). Diante do exposto, divirjo do relator em relação à matéria neste voto tratada (COFINS, no período de fevereiro a dezembro de 2004), e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 26/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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