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Numero do processo: 10480.723412/2011-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
CISÃO PARCIAL. INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL.
Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados.
A partir do ano-calendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anos-calendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias.
Numero da decisão: 1802-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa , Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 CISÃO PARCIAL. INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL. Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. A partir do ano-calendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anos-calendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias.
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INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL. Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. A partir do anocalendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anoscalendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 34 12 /2 01 1- 81 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 105 2 As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa , Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 106 3 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 107 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 74/84 contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 65/68) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF mensal do PA Agosto/2008 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fl. 19) que a Contribuinte, em 16/05/2011, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA Agosto/2008, com atraso de 32 (trinta e dois) meses ou fração de mês calendário. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 07/10/2008; b) data de entrega: 16/05/2011; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 33.203,96; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF, limitada a 20%; cálculo da multa: 20% x R$ 33.203,96 = R$ 6.640,79; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF, ou seja, antes da ciência de início do procedimento de ofício) = R$ 6.640,79 x 50% = R$ 3.320,39 (multa a pagar). Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 108 5 A Contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Notificação de Lançamento em 31/05/2011 (fl. 60), e apresentou defesa Manifestação de Inconformidade em 24/05/2011 (fls.02/08), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que em 2005 efetuou alteração cadastral, para fins de aumento de capital; que incorporou bens oriundos do ativo da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA no valor de R$ 1.241.189,96, empresa do mesmo grupo econômico, conforme 14ª Alteração Contratual – Consolidação, de 10/01/2005 (fls.32/44 ); que, no caso, houve cisão parcial da MARDISA VEÍCULOS LTDA; que o PL remanescente da sociedade cindida (após a cisão parcial) totaliza R$ 16.732,624,35, conforme 17ª Alteração do Contrato Social de 10/01/2005 (fls. 23/31); que a RFB entendeu, equivocadamente, ter havido sucessão empresarial pura e simples da empresa apenas cindida, em parte; que, diversamente, a empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA continua existindo, ou seja, permanece, persiste com suas atividades normalmente e com respectivo CNPJ, com sede em Nossa Senhora do Socorro/SE; que, não obstante, a RFB passou, equivocadamente, a exigir da Impugnante a apresentação de DCTF mensal, e não mais semestral, em decorrência da referida incorporação de parte dos bens da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA, como se tivesse havido sucessão pura e simples da empresa cindida; que o fisco bloqueou eletronicamente a possibilidade de entrega, transmisão eletrônica da DCTF semestral; que na DRF/PE protocolizou: a) pedido, em 06/10/2008, para continuar apresentando DCTF semestral quanto ao 2º semestre de 2007 e quanto ao 1º semestre de 2008, até que fosse solucionada consulta processo de consulta nº 19647.016179/200813, gerando o processo administrativo nº 19647.017324/200875, no qual anexou formulários preenchidos das DCTF semestrais, fornecendo, apresentando ainda explicação ao fisco da citada operação de cisão parcial; que, ao final, seu pleito foi denegado nesse processo, tendo tomado ciência da decisão em 04/05/2011, cujas cópias das peças juntou aos presentes autos (fls. 48/55); b) pedido, em 06/04/2009, para continuar apresentando DCTF semestral quanto ao 2º semestre de 2008, até que fosse solucionada consulta processo de consulta nº 19647.016179/200813, gerando o processo administrativo nº 19647.004279/200970, no qual anexou formulário preenchido da DCTF semestral, fornecendo, apresentando ainda explicação ao fisco da citada operação de cisão parcial; que, ao final, seu pleito foi denegado nesse processo, tendo tomado ciência da decisão em 04/05/2011, cujas cópias das peças juntou aos presentes autos (fls. 48/55); que, ante a negativa de aceitação das DCTF semestrais pelo fisco, entregou, então, em 16/05/2011 as DCTF mensais quanto aos 1º e 2º semestres de 2008; que, entretanto, imediatamente foram lavradas pelo fisco as respectivas Notificações de Lançamento para exigência de multa, por entrega das DCTF mensais em atraso; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 109 6 que as Notificações de Lançamento foram emitidas, expedidas, sem levar em conta a existência do processo de consulta com efeito suspensivo, o qual estava em curso, na época, sem manifestação ou apreciação (processo nº 19647.016179/200813); que para o fisco federal, ainda, a Impugnante, como empresa sucessora por cisão parcial, é responsável – solidariedade passiva – pelas obrigações tributárias da empresa cindida quanto a fatos geradores ocorridos anteriores à data da operação, cuja responsabilidade não se restringe, portanto, apenas aos bens incorporados pela sucessora; que o fisco federal está exigindo da empresa sucessora por cisão parcial débitos da empresa cindida anteriores à operação de cisão parcial (processo nº 13401.000234/200_56); que não tem sentido o CNPJ de uma empresa ativa, que sofreu cisão parcial, estar atrelado a outro CNPJ, ou seja, da empresa que incorporou ou absorveu apenas parte da patrimônio da empresa objeto da cisão parcial; que discute judicialmente, nos autos do processo da Ação de Mandado de Segurança (processo nº 000098252.2009.4.05.8300), negando, rechaçando, a pretensão do fisco federal de responsabilização por sucessão (solidariedade passiva) por débitos tributários da empresa cindida anteriores à data da operação de cisão de que tratra o processo administrativo 13401.000234/200_56; que o Mandamus foi ajuizado e distribuído em 16/01/2009 (fls. 56/57); que, em relação à lide objeto destes autos, não tendo ocorrido sucessão total (incorporação integral de empresa), a Impugnante não pode ser abrigada a apresentar DCTF mensal, mas sim semestralmente; que inexiste obrigatoriedade da Impugnante apresentar DCTF mensal em decorrência da incorporação de parcela dos bens da empresa cindida parcialmente, pois pertence ao mesmo controle societário da empresa cindida parcialmente (Lei nº 9.959/00, art. 5º; Lei nº 9.249/95, art. 21, § 4º; Lei nº 9.430/96, art. 1º, § 1º e IN SRF 903/2008, art. 7º). Por todas essas razões, a Impugnante pediu a improcedência do lançamento fiscal e que seja permitida a apresentação de DCTF semestral. A DRJ/Recife, à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 22/11/2012 (fls.65/68), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 110 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2008 PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 25/02/2013 (fl. 72), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/03/2013 (fls. 74/84), reiterando, em síntese, as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, na primeira instância. Por fim, a Recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, ou seja, a improcedência do lançamento fiscal e apresentação da DCTF semestral, para o período objeto dos autos. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 111 8 Voto Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF do PA Agosto/2008, ou seja, pela inobservância de prazo limite no cumprimento de obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF era 07/10/2008. Entretanto, a Contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 16/05/2011. Por isso da imposição em concreto da multa pecuniária objeto dos autos. Nas razões do recurso a Recorrente reconhece, admite o fato imputado pelo fisco, ou seja, “entrega de DCTF mensal em atraso do PA Agosto 2008”; porém nega efeito jurídico a esse fato, aduzindo: a) que o fisco federal passou a exigir a apresentação de DCTF mensal para o período objeto da autuação, em face da incorporação pela Recorrente de parte do ativo da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA no valor de R$ 1.241.189,96, empresa do mesmo grupo econômico. Operação de cisão parcial, conforme 14ª Alteração Contratual – Consolidação, de 10/01/2005 (fls.32/44); b) que, até então, estava obrigada à apresentação de DCTF semestral; c) que, a partir da incorporação de bens do ativo da empresa cindida parcialmente, a RFB bloqueou a entrega ou transmissão eletrônica da DCTF semestral, por parte da Recorrente; d) que, no caso, como já dito, houve apenas cisão parcial da MARDISA VEÍCULOS LTDA, empresa do mesmo grupo econômico; e) que o PL remanescente da sociedade cindida (PL após a cisão parcial) totaliza R$ 16.732,624,35, conforme 17ª Alteração do Contrato Social de 10/01/2005 (fls. 23/31); f) que a RFB, diversamente, entendeu ter havido sucessão empresarial pura e simples da empresa cindida parcialmente; g) que a empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA continua existindo, ou seja, persiste com suas atividades normalmente e com respectivo CNPJ; h) que pleiteou na DRF/PE, muito tempo antes da Notificação de Lançamento, a continuidade de apresentação de DCTF semestralmente para os 1º e 2º Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 112 9 semestres/2008, juntando cópias das DCTF semestrais, preenchidas em formulário papel, mas foi denegado o seu pedido (processos 19647.017324/200875 e 19647.004279/200970); i) que ante a negativa da RFB nesses processos, com ciência das decisões em 04/05/2011, entregou, então, as DCTF mensais em 16/05/2011 (fls. 48/55); j) que logo, na sequência, recebeu Notificação de Lançamento, onde o fisco exige o valor da multa pecuniária por descumprimento de o obrigação acessória autônoma (entrega em atraso da DCTF mensal); k) que a aplicação de ofício da multa pecuniária pela RFB, ocorreu antes da apreciação ou ter o resultado da consulta formulada, a qual teria efeito suspensivo. A consulta foi protocolada em 2008 (processo nº 19647.016179/200813). l) que, por fim, a Recorrente (empresa sucessora em face da operação de cisão parcial) informou, nos autos, que trava discussão na Justiça Federal, em sede de Ação de Mandado de Segurança (processo nº 000098252.2009.4.05.8300) para livrarse da exigência de débitos da empresa cindida parcialmente, alegando inaplicabilidade de responsabilidade por sucessão (solidária passiva); que o Mandamus foi ajuizado e distribuído em 16/01/2009 (fls. 56/57); Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito da lide. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. MATÉRIA NÃO IDÊNTICA. CONCOMITÂNCIA NÃO CONFIGURADA. Primeiro, convém frisar, desde o início, que, no caso, não existe e não restou caracterizada a concomitância de processos administrativo e judicial. Vale dizer, o processo judicial tem por objeto lide diversa do presente processo administrativo (não há identidade de objeto). O litígio objeto deste processo administrativo referese à exigência de multa pecuniária aplicada, em concreto, por entrega de DCTF mensal em atraso, quanto ao PA Agosto/2008. Notificação de Lançamento da multa com ciência em 31/05/2011. A Recorrente discute, nas razões do recurso objeto deste processo, a questão da obrigação acessória autônoma, se estava ou não obrigada a apresentar a DCTF mensal, quanto ao período de apuração em tela. Como visto, a Recorrente, nos presentes autos, rebelase contra a exigência de débito lançado de ofício – multa pecuniária em maio de 2011 (fl. 60), ciência em 31/05/2011 (fl. 61). Débito decorrente de descumprimento de obrigação acessória autônoma (entrega em atraso de DCTF). Portanto, débito próprio, e não de terceiros. Já no referido processo judicial, Ação de Mandado de Segurança ajuízado e distribuído em 16/01/2009, a Contribuinte (Sucessora por cisão parcial), por ter incorporado bens do ativo da empresa sucedida Mardisa Veículos Ltda (cisão parcial), discute débito tributário da empresa sucedida (débitos de terceiros) de que trata o processo administrativo 13401.000234/200_56. Portanto, débito de terceiros (débitos da empresa cindida), em face da Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 113 10 aplicação pelo fisco da responsabilidade do sucessor (solidariedade passiva) (CTN, arts. 129, 132 e 133). A propósito, transcrevo o relatório da decisão judicial publicada em 23/01/2009 que descreve, narra, com precisão, o objeto do litígio deduzido em juízo (fl. 57), in verbis: (...) Vistos, etc. Cuidase de mandado de segurança. Alega a parte autora que houve uma cisão parcial da empresa Mardisa Veículos Ltda, com incorporação de bens por parte da impetrante. Relata, ainda, que lhe vem sendo cobrados débitos tributários que não seriam de sua responsabilidade, e, sim, da empresa cindida. Alega, ainda, que não existem os débitos que vêm sendo cobrados, tendo em vista compensação ocorrida. Requer, diante do que relata, que lhe seja garantido o direito de expedição de Certidão Negativa de Débito. Há pedido de liminar. Inicialmente, foi proferida decisão em que se determinou a ouvida da autoridade coatora (fl. 157). A impetrante, posteriormente, vem informar que depositou em juízo o valor cobrado, pelo que reitera o pedido de expedição de Certidão Negativa de Débito. É o relatório. DECIDO. A concessão de liminar em mandado de segurança exige a conjunção de dois requisitos: o fumus boni júris e o periculum in mora. No caso dos autos, entendo presentes ambos os requisitos. O crédito tributário, nos termos do art. 151, II do CTN, tem sua exigibilidade suspensa, com o depósito do montante integral. Tendo em vista o comprovante do depósito do valor de R$ 245.729,72 (duzentos e quarenta e cinco mil, setecentos e vinte e nove reais e setenta e dois centavos) fl. 165, cristalino que o crédito em nome da parte autora, relativo a este montante, está suspenso. Assim, ante a suspensão do crédito tributário, faz jus a parte autora à emissão da CND, in casu, certidão positiva com efeitos de negativa, caso o débito apontado nesta ação, com o valor depositado sendo integral (Súmula 112 do STJ), seja o único óbice à emissão da mesma. O periculum in mora em situações como tais se presume, tendo em vista a necessidade das empresas de certificados de regularidade fiscal para diversas operações. Assim, presentes ambos os requisitos, concedo a liminar solicitada. Determino, portanto, a expedição de Certidão Positiva com efeitos de negativa, caso esta seja a única pendência que impede a expedição da mesma, e uma vez comprovado que o depósito se deu no valor integral do crédito tributário (súmula 112 do STJ) questionado na presente ação, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 114 11 referente ao Processo Administrativo 13401.000234/200_56. Oficiese à autoridade coatora, com urgência. Intimese a autoridade coatora para prestar informações, no prazo legal. Após, vista ao MPF, com ulterior conclusão para sentença. (...) Conforme demonstrado, o lançamento fiscal objeto dos presentes autos (exigência de ofício de multa pecuniária, por descumprimento de obrigação acessória autônoma = entrega de DCTF intempestivamente) não é objeto da lide deduzida judicialmente. Portanto, não restou caracterizada renúncia da Recorrente à discussão na órbita administrativa da matéria obrigatoriedade, ou não, de apresentação da DCTF mensalmente, a partir da incorporação de parte do ativo da empresa Mardisa Veículos Ltda (empresa objeto da cisão parcial) e exigência de multa pecuniária de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma (entrega em atraso da DCTF). OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA DCTF MENSAL PELO SUJEITO PASSIVO, A PARTIR DA INCORPORAÇÃO DE PARTE DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA PARCIALMENTE. INCLUSIVE, MATÉRIA ENFRENTADA, DE FORMA REITERADA E CABAL, NA ESFERA ADMINISTRATIVA, EM DIVERSOS PROCESSOS ANTES DA AUTUAÇÃO. A Recorrente, de forma veemente, rechaça o entendimento da RFB de que, a partir da operação de incorporação de parte do ativo da empresa cindida Mardisa Veículos Ltda, empresa do mesmo grupo econômico, passou a estar obrigada à apresentação de DCTF mensal, e não DCTF semestral, alegando, para tanto, que inexistiu, no caso, sucessão pura e simples de empresas (incorporação total), mas apenas cisão parcial; que a empresa objeto da cisão parcial nunca foi extinta; que continua existindo normalmente e exercitando suas atividades operacionais, sendo empresa ativa nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Não merece guarida a argumentação da Recorrente. Em momento algum, o fisco federal tratou a questão da incorporação, pela Recorrente, de bens do ativo da Mardisa Veículos Ltda como sendo incorporação total (não houve imputação de tal situação). Pelo contrário, tratase sim de cisão parcial; porém, essa incorporação de bens do ativo pela Recorrente determinou, juridicamente, alguns efeitos tributários para a Recorrente, como: a) responsabilidade tributária do sucessor na cisão parcial, por débitos da empresa cindida em relação a fatos geradores dos tributos ocorridos até a data da operação de cisão (CTN, arts. 129, 132 e 133).; b) obrigatoriedade de cumprimento de obrigação acessória autônoma pela sucessora do mesmo modo e forma a que estava sujeita a empresa objeto da cisão, antes da operação de cisão; A responsabilidade do sucessor pelos tributos da empresa cindida parcialmente não é objeto dos presentes autos, mas sim da referida ação judicial, como já demonstrado no tópico anterior. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 115 12 Por outro lado, é objeto dos presentes autos a questão da obrigatoriedade de apresentação de DCTF pela Recorrente (de sua atividade), a partir da operação de cisão, do mesmo modo e forma vigentes à empresa objeto da cisão (desde antes da operação de cisão). A cisão parcial ocorreu em 10/05/2005, conforme 14ª e 17ª Alterações do Contrato Social (fls. 32/44 e 23/31). Por força da legislação tributária, quanto à apresentação de DCTF (obrigação acessória autônoma), a empresa sucessora (no caso a Recorrente) segue o mesmo tratamento aplicado à cindida, quanto a essa obrigação acessória. Vale dizer: como a empresa cindida, na época da cisão parcial (10/01/2005), já estava obrigada à apresentação de DCTF mensal, então doravante a empresa sucessora da cindida por operação de cisão parcial ficou, do mesmo modo e forma, obrigada à apresentação de DCTF mensal. Tratase de aplicação da inteligência da Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007 (art. 3º, III, § 1º e art. 7º), vigente quando da ocorrência do fato gerador da obrigação acessória autônoma (obrigatoriedade de entrega da DCTF do PA Agosto/2008 em 07/10/2008, em decorrência da operação de cisão parcial ocorrida em 10/01/2005, in verbis: Art. 3ºFicam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I – (...) II – (...) III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. § 1º A partir do anocalendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anoscalendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. (grifei) (...) Art. 7ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a: I DCTF Mensal até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; ou II – (...) § 1º No caso de extinção, incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, a DCTF Mensal ou (...) deve ser apresentada pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 116 13 ou cindida, até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subseqüente ao da realização do evento. § 2º A obrigatoriedade de apresentação na forma prevista no § 1º não se aplica, para a incorporadora, nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. (Grifei) Como visto, em face da incorporação de parte do patrimônio da empresa cindida do mesmo grupo econômico, a Recorrente ficou dispensada de apresentação de DCTF especial (IN RFB nº 786/2007, art. 7º, § 2º), mas ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, seguindo o mesmo tratamento dado à empresa cindida que, na época da cisão parcial, estava obrigada à apresentação de DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º). No caso, a empresa cindida estava, sim, obrigada à apresentação de DCTF mensal na data da cisão parcial (10/01/2005), conforme consta, de forma expressa, nas decisões de 29/04/2011, nos processos administrativos nºs 19647.017324/200875 e 19647.004279/200970. A propósito, transcrevo a decisão constante do processo nº 19647.004279/200970, de 29/04/2011, in verbis: (...) A empresa em epígrafe apresentou, em 06/04/2009, requerimento de fls. 01 e 02 solicitando, referentemente ao 2o semestre de 2008, o recebimento do DACON e da DCTF semestral até que fosse decidida a CONSULTA formulada através do processo 19647.016179/200813. Em 31/08/2009 tomou ciência da INFORMAÇÃO FISCAL (fls. 232 e 233) que lhe negou o pleito, verbis: "Pelas Instruções Normativas n°s. 786/2007 e 903/2008 acima citada, a empresa está obrigada a apresentar a DCTF mensal, pelo fato da Cisão Parcial da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA, CNPJ N° 63.411.623/000177, que estava obrigada a entrega da DCTF/DACON mensal. (...) “ Em 17/12/2008, foi cientificada (cópia do AR fl. 262) da solução da CONSULTA (cópia às fls. 244/251) formulada no processo 19647.016179/200813, cuja conclusão reproduzimos: "16. Frente ao exposto, é forçoso concluir que a Mardisa Veículos Ltda. é responsável pelos tributos devidos pela Cruzeiro do Sul Veículos e Peças S/A, relativos a fatos geradores ocorridos até a data da incorporação desta por aquela. Outrossim, a sociedade cindida (no caso, a Mardisa Veículos Ltda.) e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio (Plus Car Veículos Ltda.) respondem solidariamente pelo total das obrigações tributárias da primeira, surgidas até a data da sucessão, e não proporcionalmente ao patrimônio vertido, não importando a Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 117 14 data em que tenha sido ou venha a ser feito o lançamento do tributo. 17. Por último, convém esclarecer que a notificação de fl. 71 foi emitida pela DRF Recife/PE em estrita observância ao disposto no art. 3º, III, da IN SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006." Em 07/0402009 resultante da apreciação de recurso interpretativo por ela interposto contra a solução da consulta supramencionada, tomou ciência (cópia do AR fl. 263) do despacho denegatório (cópia fls. 252/254), legalmente destituído de efeito suspensivo, que assim conclui: "12. A dissidência interpretativa, para efeito de conhecimento do recurso especial, pressupõe a existência de teses jurídicas antagônicas, eliminandose, assim, as divergências internas quanto à interpretação do direito, o que não ocorreu no caso dos autos. Em virtude da falta de similitude fática e jurídica entre os casos confrontados, não há parâmetro de comparação possível entre a decisão hostilizada e os supostos paradigmas colacionados. Mercê do exposto, ressalvando sempre o muito respeito, entendemos que a vertente pretensão recursal não merece conhecimento, impondose a confirmação da decisão vergastada. A consideração superior. (...) Ordem de Intimação 14. Diante da conclusão de não haver similitude entre os quadros fáticos das matérias jurídicas tratadas nas decisões guerreada e paradigmas, não conheço do especial. Assinalese que não cabe a interposição de recurso deste despacho denegatório, nos termos do art. 16, § 2o, in fine, da sobredita IN RFB n° 740, de 2007. Remetamse os autos ao Seort da DRF Recife/PE, para ciência deste ato à aqui recorrente, com as cautelas de praxe e homenagens de estilo." Vêse, até este ponto, que a contribuinte não teve acolhida a sua pretensão de entrega das referidas declarações de forma semestral; quer pela informação fiscal, quer pela solução da consulta, quer pelo despacho que denegou o recurso interpretativo vinculado a esta última. Pois bem, no que pese já haver sido cientificada em 17/12/2008 (cópia do AR fl. 262) da decisão resultante da decisão de consulta (cópia às fls. 244/251) como também, em 07/04/2009, (cópia do AR fl. 263) do despacho denegatório (cópia às fls. 252/254) resultante da apreciação de recurso interpretativo de sua insurgência contra o resultado da consulta, formulou em 30/09/2009 manifestação de inconformidade (fls. 237 a 240) contra a informação fiscal (fls. 232 e 233). Ocorre que da informação fiscal não caberia "manifestação de inconformidade" conforme despacho da DRJ à fl. 257, excerto: "São passíveis de análise pelas DRJ as manifestações de inconformidade apresentadas pelo contribuinte contra apreciação das Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 118 15 autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e a redução de tributos e contribuições. Logo, a manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela unidade de origem não está sujeita a julgamento, falecendo competência a esta DRJ para se pronunciar acerca da matéria." Na verdade, o requerimento às fls 01 e 02 é uma solicitação ("...até que seja decidida a CONSULTA protocolada sob o n° 19647.016179/200813 ..." fl. 02); da qual, por falta de comando normativa que o preveja, não cabe recurso; e, de forma muito bem posta e clareza meridiana não poderia ser atendida, conforme a já citada informação fiscal exarada neste processo. Em 17/08/2010, não obstante, como demonstrado anteriormente, o reiterado insucesso da requerente em relação a seu pleito, tanto neste processo como no de consulta, traz aos autos (fl. 259) peça em que pede a suspensão da notificação (fl. 264) de lançamento de DCTF mensal do período de apuração de dezembro de 2008 "...até que seja resolvida a questão da forma de transmissão da DCTF, se semestral ou mensal." Ora, "...a questão da forma de transmissão da DCTF, se semestral ou mensal..." já estava perfeitamente resolvida e dela a contribuinte cientificada; a forma de transmissão, no caso, é mensal, tanto ao teor da informação fiscal quanto da decisão da consulta. Além disso, a insurgência quanto à notificação claramente deveria ser dirigida à DRJRecife, e não a esta unidade, conforme item 5 da intimação. Por tudo, finalizando, reiterase o que já está explicitado na informação fiscal (fls. 232 e 233) e na decisão da consulta: a contribuinte deve apresentar os DACONs e as DCTFs referentes ao segundo semestre de 2008 na forma mensal. (...) Pela transcrição acima, restou claro que a contribuinte, nesta instância de julgamento, mais uma vez, assim como já o fez de forma insistente naqueles processos citados, procura voltar, retornar ao mesmo assunto, ou seja, rediscutir matéria já decidida, de forma irreformável, naqueles processos administrativos, quanto à obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal para o período de apuração Agosto/2008 e seguintes. Portanto, deve ser mantida a exigência da multa pecuniária objeto dos presentes autos, pois a Recorrente, a partir da data da operação de cisão parcial, ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, seguindo o mesmo tratamento dado à empresa cindida que, na época da cisão parcial, estava obrigada à apresentação de DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º). DCTF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. Apenas para argumenar, no caso de sucessão de empresa, inclusive na hipótese de cisão parcial, há obrigação acessória decorrente dessa operação, a ser cumprida, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 119 16 adimplida pela empresa cindida e pela empresa sucessora que, no caso, incorporou parte do patrimônio da empresa que sofreu a cisão. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 120 17 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 121 18 (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Já, a multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 122 19 (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. No caso, em face da incorporação de parte do patrimônio da empresa cindida do mesmo grupo econômico, a Recorrente ficou dispensada de apresentação de DCTF especial (IN RFB nº 786/2007, art. 7º, § 2º), mas ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, pois a empresa objeto da cisão, na época, conforme já demonstrado alhures, estava sim obrigada a apresentação da DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º), aplicandose, por conseguinte, à empresa sucessora por cisão parcial, no caso a Recorrente, as mesmas condições de apresentação da DCTF aplicada à empresa cindida. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O processo de consulta está legalmente previsto nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430/96 e disciplinado, na legislação infralegal, pela Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Diversamente do alegado pela Recorrente, o processo de consulta quanto aos efeitos não suspende a obrigatoriedade de cumprimento de obrigações acessórias, mormente o prazo para entrega de declaração de rendimentos, inclusive DCTF. Logo, não configura empecilho para o lançamento de ofício (Notificação de Lançamento de Multa por descumprimento de obrigação acessória autônoma), a imputação da infração “descumprimento de obrigação acessória autônoma”, para exigência da respectiva multa pecuniária, no caso entrega intempestiva, ou seja, a destempo de DCTF. Ademais, quanto ao processo de consulta (processo nº 19647.016179/2008 13), comungo, também, do mesmo entendimento do acórdão recorrido de que a consulta não tem efeito suspensivo, não impedindo o lançamento da multa de ofício. Nesse sentido, adoto inclusive, como razão de decidir, os mesmos fundamentos constantes do voto condutor da decisão a quo (fls. 67/68), in verbis: (...) De acordo com a IN RFB nº 740, de 2 de maio de 2007, que dispõe sobre o processo de consulta relativo à interpretação da legislação tributária entre outras disposições, o § 5º, do art 14 assim determina: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723412/201181 Acórdão n.º 1802001.996 S1TE02 Fl. 123 20 § 5º A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. (...) Por último, ainda diversamente do alegado pela Recorrente, a Notificação de Lançamento, como demonstrado alhures, foi efetuada algum tempo após a ciência da decisão final em processo de consulta (decisão sujeita à instância única). Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 15586.720241/2011-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES.
Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não-cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não-cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomando-se como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CUSTO DE NAVIOS". "DESPESAS DE LIMPEZA".
Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com "custos de navios" e com "despesas de limpeza" na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afasta-se a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação.
MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS.
Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção.
DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.
Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta" e quanto aos "custos com navios" e "despesas de limpeza", identificados no ANEXO II com a rubrica "santos armaz", relativamente ao mês de fevereiro de 2007. Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado, OAB/SP nº 154.632.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomandose como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CUSTO DE NAVIOS". "DESPESAS DE LIMPEZA". Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com "custos de navios" e com "despesas de limpeza" na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afastase a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 41 /2 01 1- 73 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção. DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratandose de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta" e quanto aos "custos com navios" e "despesas de limpeza", identificados no ANEXO II com a rubrica "santos armaz", relativamente ao mês de fevereiro de 2007. Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado, OAB/SP nº 154.632. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito do PIS nãocumulativo transmitido em 30/05/2007, relativo ao 1º Trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação. Por meio do despacho decisório de fls. 307 a 318, notificado ao contribuinte em 02/12/2011, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito e homologou parcialmente a compensação. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720241/201173 Acórdão n.º 3403002.750 S3C4T3 Fl. 5 3 Foram efetuadas as seguintes glosas no cálculo do crédito: a) Bens utilizados como insumos: foram glosados do cálculo os valores dos insumos empregados no processo produtivo que não exerceram ação direta sobre o produto fabricado e também o crédito tomado com base no custo de aquisição de bens classificados no ativo imobilizado; b) Serviços considerados como insumo: foram glosados os valores dos serviços que não foram diretamente aplicados na produção dos produtos ou na prestação de serviços. Os fretes foram glosados porque se referem a deslocamentos de matériaprima entre o armazém e a fábrica. Dos créditos apropriados pela filial Santos, que atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior (atendendo a própria ADM e também a terceiros), foram glosados os créditos tomados em relação a despesas que a fiscalização não conseguiu correlacionar com serviços prestados a terceiros; c) Créditos sobre a despesa de depreciação de bens do ativo imobilizado: foram glosados os créditos tomados sobre a depreciação de vagões, pois o transporte de produtos ocorre fora da área da fábrica, em fase posterior à produção; d) Crédito presumido da agroindústria: foi glosado o crédito presumido sob a justificativa de que o contribuinte, em vez de adotar o preço consignado nas notas fiscais de aquisição de soja, utilizou como base de cálculo do crédito presumido o valor médio de compra. Também foi glosado o crédito presumido em relação à soja adquirida para revenda, pois a Lei nº 10.925/2004, só autoriza a tomada de crédito em relação às compras para industrialização. Regularmente notificado, o contribuinte apresentou em tempo hábil manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Conceito de insumo O conceito de insumo para fins de apuração de créditos das contribuições nãocumulativas é mais amplo do que aquele que foi utilizado pela autoridade administrativa. Devem ser considerados todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora porque a materialidade das contribuições é mais próxima da materialidade do IRPJ do que da do IPI, como reconheceu expressamente o próprio art. 27 da IN 900/2008. 2) Crédito sobre fretes Alegou que o transporte de matériaprima entre o armazém e a fábrica é um gasto absolutamente necessário e intrínseco à atividade de produção, pois se não houver essa transferência, não haverá produção. Assim, ao contrário do que sustenta a fiscalização, existe direito ao crédito sobre tais fretes. 3) Crédito sobre serviços portuários Alegou que para garantir que esses créditos sejam apropriados apenas sobre a parcela dos custos incorridos na prestação de serviços a terceiros, adota dois métodos dependendo da natureza dos custos ou despesas. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas (CODESP), relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado, a segregação dos serviços prestados a terceiros é feita a cada embarque. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Por outro lado, para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como almoxarifado, combustíveis, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços prestados a terceiros e aqueles prestados à própria ADM é feita com base no volume total movimentado por mês. 4) Serviços de manutenção e reparos e aquisições de partes e peças Tal como ocorre com os fretes, a despeito de os serviços de manutenções e reparos em geral (conta contábil 520018) não serem aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, não há dúvidas de que esses gastos são necessários à atividade da recorrente, garantindo a qualidade e prolongando a prestação desses serviços. Invocou a aplicação das Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e nº 309 de 29/11/2011. 5) Depreciação de itens do ativo imobilizado (vagões) Alegou que o transporte de produtos da fábrica para o porto é essencial às suas atividades fabris, de modo que a depreciação dos vagões deve ser considerada como base para tomada do crédito. Se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados, não há motivo para se negar o crédito sobre a depreciação dos vagões que fazem exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. 6) Crédito presumido da agroindústria Alegou que a autoridade administrativa não discordou do direito da recorrente ao crédito presumido, apenas discordou do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Explicou que o preço da soja registrado nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores não representa o preço da soja, pois o preço efetivo do produto só é conhecido no encerramento do contrato (contratos com preço a fixar). Existe diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no fechamento do contrato. Assim, o preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser superior ou inferior ao preço que é fixado no fechamento do contrato. Esta forma de contratação é padrão no mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. 7) Erros no registro de operações Algumas operações de aquisição de soja foram registradas com CFOP 1102 (compras para comercialização), quando o correto seria com o CFOP 1101 (compras para industrialização). O mero erro material na contabilização, não modifica o fato das aquisições terem sido feitas com o fim de industrialização. A 16ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Quanto aos insumos e serviços glosados pela fiscalização, foram aplicados os conceitos estabelecidos nos arts. 8º e 9º da IN 404/2004. Relativamente aos fretes com o transporte de materiais entre estabelecimentos da empresa, a DRJ aplicou a interpretação vertida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 e manteve a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto às despesas com serviços de manutenção e reparo e de aquisição de partes e peças (conta 520018) a glosa foi mantida, sob o argumento de que os gastos não foram incorridos diretamente na produção. No que tange aos serviços utilizados como insumo na filial Santos, a glosa foi mantida sob a justificativa de que o art. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não admitem o rateio de despesas quando a parte da despesa, encargo ou custo é vinculado à prestação de serviços a terceiros e parte é vinculada às despesas de comercialização incorridas pela própria empresa. Em resumo, entendeu a DRJ que não há Fl. 816DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720241/201173 Acórdão n.º 3403002.750 S3C4T3 Fl. 6 5 previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas comuns, quando uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. Relativamente ao crédito sobre a despesa de depreciação de vagões, entendeu a DRJ que a glosa deveria ser mantida porque os vagões não são empregados diretamente na fabricação dos produtos. No tocante ao crédito presumido, a glosa foi mantida porque a DRJ entendeu que a metodologia empregada pela recorrente afronta o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/2004, uma vez que não considera nem a vinculação com o período de apuração e nem os valores consignados nos documentos fiscais. Por fim, quanto ao erro material que teria sido cometido na contabilização de algumas notas fiscais, entendeu a DRJ que as notas fiscais de produtores rurais apresentadas não comprovam que as aquisições foram para industrialização e não para consumo. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou em preliminar a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou a recorrente a nulidade do acórdão de primeira instância por falta de motivação e por preterição do direito de defesa. Segundo a recorrente, a impugnação foi detalhada no sentido de demonstrar seu direito aos créditos pleiteados. Foi demonstrado com base na legislação aplicável e nas particularidades de suas atividades a legitimidade dos créditos, mas a DRJ simplesmente desconsiderou as alegações de defesa e proferiu sua decisão de forma desmotivada se limitando a transcrever excertos da legislação. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no argumento de que a legislação não prevê o direito de crédito em relação a insumos e serviços indiretos. A decisão recorrida apresenta entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos, serviços e os encargos de depreciação só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto aos fretes, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/991. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 No que diz respeito à filial Santos, a decisão foi motivada na ausência de previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas. E quanto à glosa do crédito presumido, a decisão de primeira instância foi fundamentada no fato de o contribuinte ter violado o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/04, pois seu procedimento não teria observado a vinculação das aquisições de insumos com o período de apuração do crédito e nem o valor consignado nas notas fiscais. Quantos aos erros materiais alegados, a decisão se fundamentou na falta de provas. Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. BBEENNSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS No que tange aos bens e aos serviços aplicados no processo produtivo da recorrente, a questão consiste em estabelecer se eles podem ou não gerar créditos da contribuição, à luz dos arts. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados (ANEXO I), a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas complementares baixadas pela Receita Federal, as quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do Fl. 818DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720241/201173 Acórdão n.º 3403002.750 S3C4T3 Fl. 7 7 que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/992. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 27 da IN 900/08, pois esse dispositivo teria encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no art. 27, caput, alude aos gastos incorridos no auferimento das receias especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados no ANEXO I se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente não integram o custo de produção, tais como bebidas, refeições de negócios, despesas de entretenimento, despesas de viagem/gasolina, despesas com hotéis, despesas com postagens, copa cozinha e suprimentos de escritório. 2 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 820DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720241/201173 Acórdão n.º 3403002.750 S3C4T3 Fl. 8 9 Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos e recipientes utilizados no laboratório, se aplicados na produção; uniformes, se utilizados pelo pessoal da produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Entretanto, a defesa não trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo, que permitisse ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no processo produtivo. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas no ANEXO I. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFRREETTEESS No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) Com relação aos fretes, foram glosados os créditos apropriados sobre as despesas relativas às transferências internas, classificadas pelo contribuinte como fretes sobre transferências e frete planta/planta. Esses fretes referemse a deslocamentos entre as unidades da própria ADM, relativos ao envio da matéria prima do armazém para a fábrica. (...)" É incontroverso que esses fretes glosados no ANEXO II se referem ao transporte da matériaprima soja dos armazéns para a fábrica. Logo, não se está diante do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos, mas sim do transporte de matéria prima para a unidade de produção a fim de ser processada. Tratandose de movimentação de matériaprima entre o "estoque" e a fábrica, os fretes incorridos no serviço de transporte, embora não vinculados à operação de compra da matériaprima e nem à operação de venda do produto acabado, enquadramse como custo de produção, nos termos do art. 290, I, do RIR/99 e devem gerar o crédito das contribuições com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFIILLIIAALL SSAANNTTOOSS É fato incontroverso nos autos que a filial localizada no Porto de Santos tem como atividade a recepção, o armazenamento e o embarque de mercadorias próprias quanto de terceiros. No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende terceiros, a unidade atua como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão Fl. 821DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade (...). Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas relativas a custos de navios e a despesas de limpeza, para as quais não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8º, § 4º, II "b", da IN SRF nº 404, de 2004, combinado com o art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002. Os dados podem ser verificados no anexo II, nas linhas com identificação "santos armaz". (...)". A leitura do texto reproduzido acima revela que a fiscalização aceitou a segregação efetuada pela recorrente para expurgar do cálculo do crédito a parcela das despesas incorridas com a comercialização de seus próprios produtos. Embora o contribuinte tenha alegado que houve glosa de créditos sobre despesas classificadas como "condomínio portuário", "movimentação", "classificação" e "água (CODESP)", no ANEXO II se pode verificar que neste processo a fiscalização só glosou os "custos com navios" e as "despesas de limpeza", pois segundo a autoridade administrativa "não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros". Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas denominadas "custos de navios" e "despesas de limpeza", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros nos meses que compõem o trimestrecalendário. Em sede de recurso o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que os documentos 3, 4 e 5, anexados com a manifestação de inconformidade, comprovariam a vinculação de parte desses gastos com a prestação de serviços a terceiros. Esses documentos permitem identificar os custos com navios e as despesas Fl. 822DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720241/201173 Acórdão n.º 3403002.750 S3C4T3 Fl. 9 11 de limpeza, os nomes dos navios envolvidos e as quantidades de cargas pertencentes à empresa ADM e a terceiros movimentadas no mês de fevereiro de 2007. Portanto, comprovada em relação ao mês de fevereiro de 2007 a vinculação de uma parte das despesas com o embarque de cargas de terceiros, deve ser revertida a glosa efetuada no ANEXO II, relativa ao mês de fevereiro de 2007, sob a rubrica "santos armaz". SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE MMAANNUUTTEENNÇÇÃÃOO EE RREEPPAARROOSS EE AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS ((CCOONNTTAA CCOONNTTÁÁBBIILL 552200001188)) Em relação à conta 520018 manutenção e reparos, verificase que foram glosados facas, espátulas, carimbos, borrachas, serviços de análises laboratoriais diversas, assistência técnica calibração de equipamentos de laboratório, combate a insetos, serviços de limpeza de pátio e jardinagem, serviço de água e esgoto, aluguel de toalhas/estopas industriais, serviço de representante junto à ANEEL, serviços de lavanderia, serviços de auditoria e consultoria, desenhos e projetos técnicos, serviços de planejamento e engenharia. Nem todos esses serviços foram glosados em todos os processos ora em julgamento. Dependendo do trimestre, um ou outro serviço está ausente da lista de glosa, mas o que se pretende ao nominálos é demonstrar que a própria denominação dos itens glosados permite ao homem médio inferir que eles não são aplicados na prestação de serviços a terceiros. O art. 290, I do RIR/99, estabelece que: "Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei n º1.598, de 1977, art. 13, §1 º ): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior;(...) " Como se vê, somente bens e serviços aplicados ou consumidos na produção é que integram o custo de produção. Se a própria recorrente reconheceu que não se tratam de gastos aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, então não há direito ao crédito. No que tange às Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e 309, de 29/11/2011, a interpretação é a mesma contida neste voto. Em outras palavras, embora esses atos administrativos reconheçam o direito ao crédito em relação à manutenção de máquinas e equipamentos e à aquisição de partes e peças para sua manutenção, é preciso que esses gastos sejam incorridos diretamente na produção. DDEEPPRREECCIIAAÇÇÃÃOO DDEE IITTEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO ((VVAAGGÕÕEESS)) A fiscalização motivou esta glosa no fato de que os vagões não são bens utilizados diretamente na produção. A recorrente alegou, em síntese, que os vagões são utilizados no transporte de produtos entre a fábrica e o porto. Alegou que se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza a tomada do crédito sobre fretes de produtos acabados, não haveria motivo para negar o crédito Fl. 823DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 sobre a depreciação dos vagões, que cumprem a mesma função de um transportador terceirizado. O problema no argumento da recorrente é que o custo com frete na operação de venda está previsto expressamente na lei como hipótese autorizadora do crédito, enquanto que em relação a bens do imobilizado esse direito só existe em relação aos bens aplicados diretamente na produção, conforme dispõem os arts. 3º, VI, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Também o art. 290, III, do RIR/99 estabelece que a despesa de depreciação só será considerada como custo de produção se estiver vinculada a bem aplicado na produção. No caso concreto, não há direito de tomar o crédito sobre a depreciação dos vagões, pois é incontroverso que os vagões não são utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços. CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO DDAA AAGGRROOIINNDDÚÚSSTTRRIIAA Relativamente à glosa do crédito presumido, apressouse a recorrente em alegar que a autoridade administrativa não discordou do seu direito ao crédito presumido, mas apenas e tãosomente do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Com isso, espera a recorrente que este colegiado se limite às alegações trazidas ao processo pelas partes, esquecendose de que o princípio "tantum devolutum quantum appellatum", albergado no art. 515 do CPC, encerra prescrição no sentido de que a extensão do recurso é determinada pelo recorrente (art. 515, caput), mas a profundidade da análise é determinada pelo tribunal (art. 515, § 2º). Nesse passo, em que pese a relevância da argumentação da recorrente e do Parecer Jurídico elaborado pelo Prof. Roque Antonio Carrazza, que foi encaminhado por e mail aos Conselheiros integrantes deste colegiado, a discussão travada acerca da natureza dos contratos de aquisição de soja e quanto à valoração dessas aquisições para o fim de se apurar o crédito presumido é impertinente a este processo de ressarcimento. Isto porque o crédito presumido de que trata a Lei nº 10.925/2004 não gera direito ao ressarcimento para compensação com outros tributos. O crédito presumido da agroindústria só pode ser utilizado para o abatimento das próprias contribuições ao PIS e Cofins devidas por operações no mercado interno. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão 3403002.057, de 24/04/2013. O problema se resume em estabelecer se o crédito presumido dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/03, quando decorrente de exportação. O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 (e também o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02) estabelecem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; e, se após essas duas formas de utilização ainda restar crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. Entretanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os Fl. 824DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720241/201173 Acórdão n.º 3403002.750 S3C4T3 Fl. 10 13 créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Acontece, que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. Percebese a nítida intenção do legislador de restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Assim, ainda que os argumentos da recorrente quanto à natureza dos contratos de aquisição de soja e respectiva valoração viessem a ser julgados procedentes por este colegiado, o resultado deste julgamento não poderia ser outro que não o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito presumido da agroindústria. EERRRROOSS NNOOSS RREEGGIISSTTRROOSS DDEE OOPPEERRAAÇÇÕÕEESS Alegou a defesa que algumas operações de aquisição de soja foram registradas com CFOP 1102 (compras para comercialização), quando o correto seria com o CFOP 1101 (compras para industrialização). O contribuinte alegou que o erro material cometido na contabilização não pode suprimir seu direito ao crédito e apresentou as notas fiscais de aquisição da soja acompanhadas dos respectivos tickets de balança. Ora, as notas fiscais de aquisição e os tickets de balança comprovam as datas, os valores e as quantidades adquiridas, mas não comprovam a destinação da soja e tampouco que houve erro na contabilização das operações. É incontroverso que existem aquisições contabilizadas como compras para comercialização. Segundo o art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77, a contabilidade do contribuinte encerra uma presunção de veracidade e de legitimidade dos fatos nela registrados, que só pode ser elidida por prova em sentido contrário produzida pela autoridade administrativa. No caso concreto, é o contribuinte quem está alegando que a operações registradas em seus livros não condizem com a realidade, pois houve erro na escrituração. Competelhe, portanto, o ônus de provar esse erro a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Não tendo produzido a prova que lhe compete só resta a este colegiado manter a glosa, levando em conta a presunção de veracidade e legitimidade da escrituração contida no art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta" e quanto aos "custos com navios" e "despesas de limpeza", identificados no ANEXO II com a rubrica "santos armaz". Fl. 825DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Antonio Carlos Atulim Fl. 826DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10882.910011/2011-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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CNPJ 92.660.604/000182) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 11 /2 01 1- 36 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido em 29 de julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca restituição de crédito de COFINS, relativo ao período de apuração dezembro de 2001, no valor de R$ 2.512,41. O pagamento foi identificado mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente, alegando que ocorreu homologação tácita do pedido de restituição, pois se passaram 5 anos desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório. O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996, assim como nos arts. 150 e 174 do Código Tributário Nacional e no art. 37 da Instrução Normativa RFB Nº 900/08. Ao final requer que se reconheça a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação, é impossível a homologação tácita nos pedidos de ressarcimento ou restituição, por falta de previsão legal. Ainda afirmou que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, que, de acordo com o art. 170 do CTN, são essenciais para que seja efetivada a restituição pela Fazenda Nacional. Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estarse outorgando à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente. Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos transcorre tanto para o contribuinte, como para o fisco e que não se pode ignorar a garantia constitucional de que todos são iguais perante a lei. Afirma que o § 4º do art. 150 do CTN dispõe que, quando a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 anos. Nesse caso, quando o contribuinte declara ser titular de crédito, o fisco teria 5 anos para se manifestar sobre esse crédito, sob pena de decadência para a glosa eventualmente cabível. Ao final requer que se proveja o recurso para, reformandose a decisão recorrida, reconhecerse a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório, e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910011/201136 Acórdão n.º 3803005.393 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do protocolo de transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, o litígio reside na caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita da compensação se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP. A Fazenda afirma que, diferentemente da declaração de compensação,o pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão legal para homologação tácita de pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações de compensação. A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, citase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Entretanto, a legislação é carente de uma norma que estabeleça período específico para que a Fazenda Nacional se posicione a respeito de pedidos de restituição ou ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade. Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910011/201136 Acórdão n.º 3803005.393 S3TE03 Fl. 12 5 AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição, não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Observase, também, que em manifestação de inconformidade, assim como em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu mão de defenderse quanto ao mérito. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, porquanto, são de naturezas distintas e portanto não se confundem. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11020.003770/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para encaminhar o presente processo para ser julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção por ser decorrente do processo nº 11020.003771/2009-83, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para encaminhar o presente processo para ser julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção por ser decorrente do processo nº 11020.003771/200983, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 03 77 0/ 20 09 -3 9 Fl. 4351DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório ARTEFATOS DE METAIS CONDOR LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 90.463.704/0001 93, com domicílio fiscal na cidade de Guaporé, Estado do Rio Grande do Sul, na Av. Alberto Pasqualini, nº 1500 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul RS, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 4165/4173, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 4231/4277. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul – RS, em 02/12/2009, Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), (fls. 17/23); com ciência através de AR, em 04/12/2009 (fl. 3968), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 8.961.558,96, a título de imposto, acrescido de multa lançamento de ofício qualificada 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto referente aos exercícios de 2005 a 2009, correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2008, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2005 a 2009, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado sem emissão de nota fiscal venda sem emissão de nota fiscal (demais casos). Falta de lançamento de imposto caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal e/ou pela emissão de notas fiscais em valores inferiores aos reais valores dos produtos constantes das notas fiscais emitidas, apurada através de confronto entre as receitas por vendas com nota fiscal declaradas no LRAIPI e os valores constantes das planilhas apreendidas que contêm o faturamento efetivo do contribuinte, conforme consta do relatório de fiscalização em anexo, parte integrante deste auto de infração. Infração capitulada nos arts. 24, inciso II, 25, inciso II, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea '"b" e inciso II, alínea "c", 127, 130, 131, inciso II, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02). O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório de Fiscalização IPI (fls. 26/85), entre outros, os seguintes aspectos: que o presente trabalho teve por origem o cumprimento, em 09/12/2008, de Mandados de Busca e Apreensão Judicial (MBA's) realizados na sede do contribuinte acima identificado e na residência do titular da empresa, Sr. João César Presotto, conforme cópia dos mandados e termos lavrados em anexo (fls. 86 a 87 e 97 a 98). Ressaltase que no mesmo prédio onde funciona o estabelecimento do contribuinte Artefatos de Metais Condor Ltda., opera a empresa Ícaro Artefatos de Metais Ltda. e na qual também foi cumprido MBA na mesma data; que o ramo de atividade do contribuinte sob fiscalização é a fabricação e venda de jóias e semijóias. Nos períodos sob fiscalização, anos de 2004 a 2008, o contribuinte fez a opção de tributação do IRPJ pelo Lucro Presumido (cópia das DIPJ's às fls. 498 a 651). 0 sócio Fl. 4352DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 4 3 majoritário da empresa é o Sr. João César Presotto, que é também o seu único administrador (cópia do contrato social e alterações às fls. 170 a 196); que ressaltamos que este relatório tratará do lançamento de oficio do IPI incidente sobre as vendas omitidas por falta de emissão de notas fiscais. O lançamento relativo ao IRPJ e reflexos PIS, COFINS e CSLL sobre estas mesmas receitas omitidas foi tratado em outro relatório, conforme processo administrativo protocolado sob n° 11020.003771/200983; que dos documentos apreendidos, portanto, no cumprimento dos MBA's judiciais foram apreendidos diversos documentos, assim corno cópia de alguns arquivos digitais encontrados em computadores localizados na sede da empresa (fls. 99 a 135) e na residência do sócio João César Presotto (fls. 88 a 89). Todo o material apreendido foi colocado em caixas de papelão, lacradas nos locais de cumprimento dos mandados, na presença do representante do contribuinte, Sra. Lisiane Führ, ocupante do cargo de gerente comercial. O titular da empresa, Sr. João César Presotto, conforme informação prestada na ocasião, não se encontrava na cidade naquele dia (fls. 86 verso); que esta solicitação foi acatada pelo Judiciário, e de posse dos respectivos alvarás judiciais, a Fiscalização requisitou junto às instituições financeiras (fls. 446 a 476) o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária das pessoas físicas e jurídicas relacionadas no expediente dirigido ao Ministério Público; que da receita declarada, nos anos de 2004 a 2008, o faturamento declarado pela Condor à RFB em DIPJ (fls. 498 a 651), para apuração da base de cálculo pelo lucro presumido, é o constante do quadro abaixo: AAno calendário 22004 22005 FFaturamento (em R$) 55.098.757,97 44.437.299,79 55.894.071,37 que da receita apurada, nos anos de 2004 a 2008, o faturamento efetivo da condor, apurado com base nas planilhas apreendidas, é o constante do quadro abaixo: AAno calendário 22004 22005 FFaturamento (em R$) 99.587.207,44 99.388.644,49 110.264.228,31 que do subfaturamento praticado pela condor caracterização da omissão de receitas. Sendo assim, confrontandose os valores do faturamento constante das planilhas apreendidas com os valores declarados pelo contribuinte em DIPJ e escriturados em sua contabilidade, resumidas nos quadros acima, verificase de plano que a receita efetiva da Condor é muito superior à declarada à RFB, correspondendo aproximadamente ao dobro dos valores declarados e oferecidos a tributação; que entre os demais documentos examinados, destacamos os seguintes por também conterem elementos e indícios que comprovam a existência e a prática do esquema de subfaturamento detalhado no documento apreendido denominado "Manual do Representante Fl. 4353DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 5 4 Comercial" (DOCS. 4, fls. 3375 a 3446) e que servem para corroborar os valores do faturamento total constantes das planilhas apreendidas. Todos os documentos listados foram selecionados a partir do rol de documentos apreendidos, exceto os extratos bancários que foram requisitados pela Fiscalização junto às instituições financeiras a partir da concessão de autorização judicial; que os documentos relativos a apuração e pagamento de comissões, portanto, foram apreendidas diversas pastas do tipo "AZ", contendo documentos que demonstram o valor das comissões pagas. Esta documentação (a qual estavam anexados alguns outros tipos de documentos, que serão tratados na seqüência deste relatório), conforme amostras selecionadas (DOCS. 1.1, fls. 794 a 1231), é relativa aos anos de 2006, 2007 e 2008; que, desta forma, concluise, amparado na farta documentação apreendida relativa a apuração e pagamento de comissões, que não restam dúvidas da prática da venda de produtos sem' emissão de notas fiscais, e o pagamento de comissões nos valores constantes das planilhas "comparativo mensal de comissões recebidas por representante" (DOCS 1.2, fls. 1233 i1240), restando, desta forma, convalidados os valores do faturamento total constantes das diversas planilhas apreendidas, especificamente àquelas que demonstram o faturamento total por período mensal/anual do contribuinte (fls. 743 a 778); que os documentos que comprovam a emissão de NF com valores inferiores aos reais valores dos produtos constantes da NF (controles; notas fiscais; relatórios que contem o n° das NF e os valores das vendas sem notas fiscais; cópias de correspondências que tratam de vendas com documentação "50%"; relatórios de "vendas com ou sem NF"; relatório de "vendas com NF/controles" etc.); que o primeiro destes documentos (fls. 3319), no valor de R$ 392,55, referese a uma venda para o cliente Mary Comercio Varejista de Bij. Ltda., e corresponde ao valor da NF 80484 (fls. 3320. a 3321), no valor de R$ 106,71, mais a parte sem NF (3x o valor dos produtos R$ 285,84. O n° de controle 011691, informado 'neste documento "comunicação interna" ao lado do n° da NE, corresponde ao documento "controle" emitido pelo Condor na mesma data. da emissão da NF 80484 19/10/2007, e que serve de base para a cobrança do valor correspondente a venda que não está lançado na NF. Já o segundo documento "comunicação interna" apreendido (fls. 3322) traz o valor correspondente apenas ao controle 12902 (valor não constante da NF emitida), ou seja, 3x o valor dos produtos constantes da NF 82193 (fls. 3323 a 3327), de R$ 927,99, totalizando R$ 2.783,97. O n° da NF 82193 está manuscrito no documento "comunicação interna", e foi emitida em 26/02/2008 para o cliente Tainice de Souza Seubal; que do controles de ordens de pagamento, dentre os documentos apreendidos existem planilhas denominadas "Controles de ordens de pagamento" (DOCS. 03 fls. 3329 a 3353) onde constam relacionados recebimentos de clientes da Condor relativos a vendas sem cobertura de NF e que são direcionados para credores da Condor, que muitas Vezes são os próprios representantes comerciais da Condor que tem comissões a receber. Foram anexadas cópias de algumas NFs (subfaturadas ex fls.3331 a 3332, 3335, 3338, 3342, 3346 a 3347, 3351 a 3353) cujo recebimento, pelos "fornecedores" representantes comerciais, dos respectivos valores "cheios" (ex fls. 3329 e 3330, 3333 e 3334, 3336 e 3337, 3339 e 3340/3341, 3343, 3344, 3345, 3349/3350) decorrentes destas vendas comprovam as vendas sem cobertura de NF; “que em outro tipo desses controles identificados como “controle de ordens de pagamento — ordens de pagamento direcionadas fornecedores Condor” — (DOCS. 03 — fls. Fl. 4354DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 6 5 3367 a 3369) aparece na coluna” "fornecedor" o nome de Izabel Perondi, que é um dos funcionários da Condor, que mantém conta corrente para a qual foram, encontrados cheques assinados em branco no cofre da Condor. Examinandose os extratos da conta corrente 613, mantida no Bradesco, Ag. 29541, em nome de Izabel Zamban Perondi, CPF 679.862.00006 (fls. 3370 a 3373 verso), localizamse diversos créditos nos valores e datas listados no controle acima citado, oriundos de pagamento de clientes da Condor, os quais estão assinalados nos controles e nos extratos. Isto efetivamente também serve para comprovar a vinculação dessas contas correntes com as atividades comerciais da Condor; que o manual do representante comercial, durante o cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão Judicial foi apreendido, na residência do sócioadministrador da Condor, Sr. João César Presotto, um documento encadernado identificado como "Manual do Representante Comercial" (DOCS. 04, fls. 337'5 a 346), qual também traz na capa o logotipo e o nome "Jóias Condor" e a inscrição "outubro de 2006"; que outros documentos que escancaram na prática o procedimento descrito no manual são os relatórios "Relatório de Comissões — Condor — Reais" (DOCS. 1.1 fls. 794 a 1230) e "Posição dos títulos a receber — Vendedor:" (DOCS. 2.1, fls. 1556 a 1795) onde aparecem os valores das vendas por n° de nota fiscal e cliente, separados em valores lançados na NF e valores relativos aos controles que correspondem aos valores dos produtos vendidos não lançados nas NF; que dos valores das comissões e vendas contabilizadas, e os valores contabilizados pela Condor na conta comissões sobre vendas correspondem aos valores constantes dos documentos apreendidos (i) "Demonstrativos Resumo de Comissões" (DOCS. 1.1), e (ii) "Artefatos de Metais Condor Ltda. Comissões Referente Janeiro de 2007" (DOCS. 1.4 e 1.5), conforme demonstram as cópias do livro razão (fls. 1446 a 1490); que, desta forma, não restam dúvidas quanto à falta de reconhecimento na contabilidade do contribuinte dos valores decorrentes das vendas que não foram lançados nas NF e amplamente comprovados pelos documentos e controles paralelos citados e analisados neste relatório; que da apuração da receita omitida, sendo assim, tendo restado inequivocamente comprovado, conforme demonstrado neste relatório, que a Condor pratica o subfaturamento de grande parte de suas vendas, deixando de lançar nas notas fiscais emitidas grande parte dos valores dos produtos vendidos, e que o faturamento real é o que consta das planilhas apreendidas, constantes das fls. 743 e 744, vinculados aos dados das demais planilhas (fls. 745 a 778, e que os valores das receitas de vendas declarados pelo contribuinte no Livro Registro de Saídas, nas quais houve destaque de IPI, e levados ao LRAIPI para apuração do IPI devido, são muito inferiores ao faturamento efetivo, apurouse, os valores mensais das receitas omitidas, tomando por base os valores de receitas declaradas pelo contribuinte na DIPJ referente ao ano de 2004 e nos DACON's a partir de 2005 e os valores de faturamento constantes das planilhas apreendidas; que se verifica pelos livros de apuração do IPI – LRAIPI escriturados pelo contribuinte (fls. 3741 a 3958) que o contribuinte apresentou saldos devedores na escrita do LRAIPI em todo o período sob fiscalização — janeiro de 2004 a novembro de 2008. Desta forma, não foi feita a reconstituição da escrita do LRAIPI por desnecessária, visto não haver saldos credores observados no período a serem compensados, sendo desta forma exigíveis em sua integralidade todos os débitos de IPI apurados mediante aplicação das alíquotas (20% e Fl. 4355DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 7 6 12%, conforme o período de ocorrência dos fatos geradores) sobre as receitas omitidas apuradas; que, no que diz respeito a multa de ofício aplicada, é de se dizer que conforme já exaustivamente demonstrado neste relatório, o contribuinte, nos anos de 2004 a 2008, omitiu receitas mediante a prática de vender grande parte de seus produtos sem cobertura de nota fiscal, fazendo incidir o IPI sobre parcela reduzida de suas receitas; que, dessa forma, conforme previsto no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, e, para os fatos geradores ocorridos a partir de 15/06/2007, de acordo com a redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, no artigo 44, inciso I, § 1° da Lei 9.430/96, aplicase aos presentes lançamentos de oficio a multa qualificada de 150%; que do crédito tributário apurado, neste sentido, em decorrência da auditoria realizada foi apurado um crédito tributário no valor consolidado de R$ 8.961.558,96 (oito milhões, novecentos e sessenta e um mil, quinhentos e cinqüenta e oito reais e noventa e seis centavos), correspondente ao auto de infração de IPI lavrado (fls. 17 a 23), conforme processo administrativo protocolado de n° 11020.003770/200939, cujos valores, separados por tributo, relativos a principal, multa e juros estão demonstrados no demonstrativo consolidado de fls.01. É de se observar, que o presente processo tem estreita e evidente conexão com o processo administrativo nº 11020.003771/200983 (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), julgado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através do Acórdão 1302001.132, de 09/07/2013. Consta dos autos do processo 11020.003771/200983 relativamente às razões de autuação, relativo ao crédito tributário de IRPJ e tributos decorrentes – CSLL, PIS e Cofins, originado dos mesmos fatos, o qual transcrevo com as devidas alterações: 1. Razões da autuação 1.1. Introdução De acordo com o relatório da fiscalização (fls. 85) [fls. 28 deste processo], a receita declarada pela impugnante nos anos...[de 2004 a 2008]... foi de, respectivamente: R$ 5.098.757,97, R$ 4.437299,79, R$ 5.894.071,37, R$ 5.275.934,38 e R$ 6.560.935,80, enquanto a receita efetiva seria a que consta em dois relatórios (lis. 818 e 819) [fls. 743 e 744 deste processo] um denominado "Comparativo Faturamento Mensal e Anual"; outro, 'Acompanhamento Metas /2008 — até 30/11/2008", isto 6, respectivamente: 9.587.207,44, R$ 9.388.644,49, R$ 10.264.228,31, R$ 11.053.629,01 e 12.238.596,11 (sendo esse último de janeiro a novembro de 2008). Esses dois relatórios foram apreendidos, em cumprimento a mandados de busca e apreensão, na sede da impugnante e na residência do administrador, juntamente com outros documentos extracontábeis. O primeiro é urna tabela simples, com valores de faturamento dos meses janeiro de 2001 a junho de 2007. No segundo há três tabelas. A primeira tabela discrimina por vendedor os valores das vendas ocorridas no período de janeiro a novembro de 2008 e no mesmo período de 2007. A segunda tem os valores mensais de faturamento de 2007 e a terceira, os de 2008. Fl. 4356DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 8 7 A fiscalização ressalta que no período que tem em comum — janeiro a junho de 2007 — os faturamentos mensais inseridos em ambos os relatórios — "Comparativo..." e 'Acompanhamento..." — são idênticos e que os valores dos faturamentos anuais de 2006 e de 2007 são corroborados por um terceiro relatório: "Metas 2008" (valores consolidados ás fls. 831 [fls. 756 deste processo], valores discriminados por representante às. 836 a 830) [fls. 760 a 762 deste processo]. Os valores de vendas mensais se repetem em outro tipo de relatório, mais detalhado, o "Comparativo de Vendas (Representantes e Vendas de Folheados a Ouro e Prata 925)", do qual foram apreendidos três exemplares abrangendo respectivamente os anos de 2006 (fls. 832) [fls. 757 a 759 deste processo], de 2007 (fls. 823) [fls. 748 a 750 deste processo] e de 2008 (fls. 820) [fls. 745 a 747 deste processo]. 1.1.1. Codificação "Zero", "C100", "C1/4" e C*3: "vendas com NF" e "vendas sem NF" Analisando esses documentos, a fiscalização concluiu que nos mapas de vendas por representante, estão discriminadas e identificadas as vendas realizadas com emissão regular de nota fiscal (marcadas com o código "C100"), as efetuadas com nota fiscal emitida com valor a menor (código "C1/4") e as ocorridas sem emissão de nota fiscal (códigos "zero" e C*3). Tal conclusão decorre da análise no documento "Levantamento de vendas realizadas por Zeni Padilha — período (07/2003 a 05/2008)" ...[cópia anexa nas fls. 1.493 deste processo], em que há duas tabelas: uma discriminando as vendas mensais por cada um dos quatro códigos; outra discriminando as vendas do período em "vendas com NF" (R$ 251.185,54) e "vendas sem NF" (R$ 1.156.623,12) [totalizando o valor de 14$ 1.407.808,66]. Dessa análise a fiscalização constatou que o somatório das vendas de código "C100" correspondente ao valor das "vendas como NF". Adicionalmente, a fiscalização refere que os valores anuais contidos no "Ranking por representantes 2004" (11s. 839) [fls. 764 deste processo] também conferem com os valores existentes em uma planilha sem cabeçalho (fls. 840 a 853) [fls. 765 a 778 deste processo] em que os valores de vendas de janeiro de 2003 a abril de 2005 estão discriminados mensalmente por representante e por código de venda. A tabela "Metas 2008" (fls. 826) [fls. 751 a 755 deste processo] que contém os valores realizados de vendas em 2007, também foi mencionado para corroborar os valores vendas por representante. 1.1.2. Vendas com e sem notas fiscais e comissões Além dos valores de vendas por representante em 2007, essa tabela "Metas 2008" também informa os valores anuais das comissões de 2007, valores esses que se repetem no relatório "Comparativo mensal de comissões recebidas por representante" (lis. 1.307 a 1.308) [fls. 1.235 a 1.236 deste processo], totalizando R$ 827.040,93. As comissões estão segregadas em dois tipos — "P1CDR" e "P2CDR" —, montando, cada em R$ 329.723,71 e R$ 497.308,22, respectivamente (fls. 1.314) Fl. 4357DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 9 8 [fls. 1.241 a 1.242 deste processo]. De outro lado, a contabilidade registra R$ 330.183,69 (razão, fls. 1.540) [fls. 1.481 deste processo], o que leva a fiscalização a afirmar que a sigla "P1CDR" identifica comissões pelas vendas com cobertura de notas fiscais, enquanto a sigla "P2CDR" é aplicado ás comissões pelas vendas sem cobertura. 1.2. Análise detalhada da documentação O relatado até agora foi o tópico de introdução elaborado pela fiscalização na busca de demonstrar a omissão de receita. Em seguida, o relatório passa a uma abordagem mais abrangente e minuciosa. Para tanto, segregou em quatro grupos os documentos disponíveis: documentos relativos a comissões, analisados as fls. 99 a 112.[fls. 37 a 48 deste processo]; documentos relativos a notas fiscais emitidas em valor inferior ao valor real da operação e ao recebimento de pagamentos com ela relacionados, examinados as fls. 112 a 133 [fls. 48/66 deste processo]; manual do representante comercial, abordado as fls. 133 a 136 [fls. 66/68 deste processo]. 1.2.1. Documentos relativos a comissões Em pasta do tipo "AZ" foram apreendidos documentos denominados "Demonstrativos resumo de comissões" em que constam os valores das comissões referentes à vendas com cobertura de notas fiscais, com recibo do representante. Nas mesmas pastas, foram apreendidos demonstrativos semelhantes, também com espaço para recibo de representante, mas sem titulo, que a fiscalização afirma corresponderem as comissões devidas em função de vendas sem cobertura de nota fiscal. Junto com esses dois tipos de demonstrativos, foram apreendidos documentos denominados "Relatório de comissões — Condor — Reais". Um exemplo desse conjunto de documentos são as comissões pagas a Tayo Criações Ltda. ME em janeiro de 2008, referentes as vendas de dezembro de 2007, no valor bruto de R$ 1.533,31, resultando num liquido de R$ 1.510,22 após o desconto de R$ 22,99 de imposto de renda na fonte. As fls. 875 [fls. 802 deste processo] consta um resumo financeiro e um recibo desse valor e as fls. 876 [fls.803 deste processo] a discriminação das vendas efetuadas em dezembro de 2007.O valor da comissão paga esta contabilizado no livro razão (lis. 1.619) [fls. 1.545 deste processo]. Todavia, as fls. 901 [fls. 828 deste processo] foi juntado um outro demonstrativo de comissões do mesmo representante e também pagas em janeiro de 2008, no valor de R$ 2.259,54. Na folha seguinte — 902 [fls. 829 deste processo]— consta a relação das vendas de dezembro que deram origem a esse valor. Comparandose os dois demonstrativos de vendas, verificase que a nota fiscal 081289 de R$ 235,00 (fls. 903) [fls. 830 deste processo] esta no primeiro com esse mesmo valor. No entanto, também consta no segundo, dessa vez com o valor de R$ 706,50 [fls. 829 deste processo]. Além do mais, esses dois valores de comissões constam no já mencionado relatório "Comparativo mensal de comissões recebidas por representante" (fls. Fl. 4358DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 10 9 1.307) [fls. 1.236 deste processo], como tendo sido, que demonstra terem sido pagos R$ 827.040,93 de comissões em 2007, e não apenas os R$ R$ 330.183,69 contabilizados. A fiscalização lança mão de outro exemplo de valores comissões constantes nesses relatórios, dessa vez as pagas a Wellington F. dos Santos em novembro de 2008 (vendas de outubro de 2008). De acordo com o "Comparativo..." 1.305) [fls. 1.233 deste processo], os valores das comissões foram de R$ 2.789,38 para as vendas "P 1CDR" e de R$ 3.037,63, para as "P2CDR", valores que se repetem nos "Demonstrativos resumo de comissões" (lis. 1.052 a 1.061) [fls. 977 a 986 deste processo]. Por outro lado, a contacorrente bancária do representante registra um lançamento a crédito de R$ 2.789,36 em 18/11/2008, bem como diversos lançamentos a crédito entre os dias 18/11/2008 e 26/11/2008 que totalizam R$ 3.039,00 (extrato bancário, fls. 1.349) [fls. 1.277 deste processo]. O relatório da fiscalização traz ainda exemplos semelhantes para diversos representantes em diversos períodos — ver detalhes as fls. 104 a 112 [fls. 41 a 48 deste processo]. 1.2.2. Documentos relacionados com notas fiscais emitidas com valores inferiores ao da operação A fiscalização informa a apreensão dois tipos de relatórios denominados "Posição dos títulos a receber — vendedor" (fls. 1.631 a 1869) [fls. 1.556 a 1.795 deste processo]. Num dos tipos estão inscritos os valores das vendas com cobertura de notas fiscais (fls. 1.632 e 1.636, por exemplo) [fls. 1.558 a 1.562 deste processo] e noutro constam os valores de vendas de notas fiscais (fls. 1.631 e 1638, por exemplo) [fls. 1.557 a 1.564 deste processo]. 0 que diferencia o segundo tipo é a existência de um código extra junto ao número da nota fiscal e a de um número de controle, além da ausência de um número de banco, pois os pagamentos dos valores das vendas sem cobertura de nota fiscal seriam feitos mediante cheques enviados pelo correio (aqui o relatório remete a instruções existentes em controles apreendidos e ao manual do representante comercial). Entre os exemplos que a fiscalização arrola para demonstrar esse procedimento está o da nota fiscal 81.958, de 31/01/2008 (fls. 1.634 a 1.635) [fls. 1.560 a 1.561 deste processo] cujo valor total é de R$ 341,26, sendo R$ 265,10 dos produtos, R$ 39,60 de frete R$ 36,56 de IPI, a serem pagos em duas parcelas de R$ 113,75 e uma de R$ 113,76. Esses valores de parcelas conferem com os constantes na "Posição..." (fls. 1.632) [fls. 1.558 deste processo], mas mesma nota fiscal é referida em outra "Posição..." com três parcelas de R$ 265,10. Daí conclui a fiscalização que na nota fiscal foi colocado apenas 1/4 do valor dos produtos. Outros exemplos de operações registradas nos relatórios de "Posição..." silo descritos as fls. 114 a 117[fls. 49 a 52 deste processo]. A fiscalização menciona também os relatórios das fls. 2.107 e 2.158 [fls. 2.035 a 2.086 deste processo] que servem para controle de contas a receber, discriminadas por clientes, e segregadas em valores de vendas com e sem cobertura de nota fiscal. São explicados diversos Fl. 4359DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 11 10 casos de notas fiscais emitidas com apenas parte do valor real da operação Ns. 117 a 118) ...[fls. 52 a 53 deste processo]. Foram examinados também documentos com orientações para os clientes pagarem com cheques cruzados, não nominais (lis. 1.877, 1879, 2.100, 2.103) ...[fls. 1.805, 1.807, 2.028, 2.031 deste processo]. A fiscalização obteve cópias de cheques emitidos pelos clientes, identificou as notas fiscais a que se referiam e constatou que eram depositados em contascorrentes de empregados da autuada (cópias de cheques, notas fiscais [fls. 2.087 a 2.773 deste processo] e extratos bancários às fls. 2.160 a 2.956).[fls. 2.784 a 2.916 deste processo]. Além do registro nos extratos bancários, a fiscalização relata que foram apreendidos na sede da autuada cheques emitidos por clientes Ns. 3.074 a 3.112) ...[fls. 2.127, 2.256, 2.216, 2.308, 2.322, 2.412, 2.507 deste processo], nominais a pessoas vinculadas a autuada. A fiscalização noticia Ns. 124 a 125) ...[fls. 58 a 59 deste processo] ainda a apreensão de sacos plásticos, identificados para eliminação, contendo documentos bancários variados, também envolvendo cheques de clientes e contascorrentes de empregados (fls. 3.120 a 3.211).[fls. 3.048 a 3.137 deste processo]. O relatório da fiscalização segue ainda por mais nove folhas expondo fatos a respeito de vendas com "meia nota", relacionados com controle de fluxo caixa, correspondências, exportações, demonstrativos de comissões, identificação de operações com e sem cobertura de nota fiscal, agendas, controles de contas a receber. 1.2.4. Manual do representante comercial Foi apreendido um exemplar do "Manual do representante comercial" (fls. 3.449 a 3.491) [fls. 3.375 a 3.446 deste processo, em que na página que trata a questão da incidência do IPI à alíquota de 12% sobre todas as mercadorias vendidas para as quais há emissão de nota fiscal, enfatizando que este IPI não está incluído no preço das tabelas constantes do sistema de emissão de pedidos e que essa informação deve ser repassada para o cliente, e que, sendo algo que interfere diretamente no preço da mercadoria, para não haver perda de vendas a Condor criou alternativas de vendas], no qual constam orientações a respeito das diferentes modalidades de venda: nota fiscal integral, com a tabela de preços "208" e com pagamento mediante emissão de boleto bancário (fls. 3.483) [fls. 3.411 deste processo]; nota fiscal com 25% do valor dos produtos, com utilização da tabela "218", descrição dos produtos diferente da real, valor unitário constante na nota fiscal deve ser multiplicado por quatro, pagamento do valor da nota fiscal mediante boleto bancário e o restante mediante cheques encaminhados pelo correio (fls. 3.485) [fls. 3.412 deste processo]. A fiscalização ressalta que essas orientações são consistentes com os procedimentos identificados durante a análise da documentação apreendida. 1.3. Apuração das bases de cálculo Fl. 4360DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 12 11 Com base na documentação apreendida, a fiscalização calculou o montante da receita omitida, tomando o cuidado de identificar e tratar separadamente as receitas de exportação. 1.4. Multa de oficio Com base nos elementos de prova obtidos, a fiscalização considerou comprovada "a intenção e o dolo do contribuinte de praticar o subfaturamento I e conseqüentemente a omissão de receitas e a redução dos valores a recolher de PIS, Cofins, CSLL e IRPJ". Portanto, entendeu que ocorreram os fatos tipificados nos arts. 71 e 72, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964 e que seria aplicável o percentual de 150%. Esse percentual é previsto no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 23/12/1996, para os fatos geradores acorridos até 14/06/2007, e, a partir dai, com a nova redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007, no art. 44, sç 1, c/c inciso I do caput. Em sua peça impugnatória de fls. 3977/4058, instruída pelos documentos de fls. 4059/4130, apresentada, tempestivamente, em 02/12/2009, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, no que diz respeito à nulidade do auto de infração por violação ao contraditório e à ampla defesa e também a exigüidade do prazo concedido para apresentação de impugnação, é de se dizer que o legislador entendeu, ao fixar o prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, que esse interregno seria plenamente suficiente para a elaboração de defesa, o que, de fato, ocorre na grande maioria dos casos. Todavia, há que se atentar para as peculiaridades de cada caso em concreto; que restou a Impugnante a incumbência de combater uma enorme quantidade de documentos, formadores de aproximadamente três mil paginas que integram o Auto de Infração em tela, em exíguos 30 dias; que desde já postula pela concessão de prazo razoável apresentação de defesa suficiente ou, alternativamente, pela juntada de quaisquer documentos ou impugnações, a qualquer tempo, tudo sob pena de nulidade do Auto de Infração ora combatido; que o alcance da impugnação a possibilidade de aditamento da peça impugnatória de acordo com o princípio da verdade material. Portanto, o prazo para a devida impugnação da presente peça fiscal, em função de suas particularidades, mostrouse demasiadamente exíguo; que agora consoante aos princípios constitucionais, requer, novamente, sejam recebidos por este Juízo Administrativo documentos ou impugnações juntadas ou formuladas pela ora Impugnante durante o curso deste processo administrativo, sem quaisquer restrições de instancias ou fases, tudo de forma a preservar o principio constitucional e administrativo da verdade real; que a nulidade do procedimento fiscal em razão do arbitramento da base de cálculo. Sendo assim, e necessária a apuração e comprovação dos eventos que culminaram nos supostos fatos geradores de carência e motivação da imprestabilidade do auto de infração; Fl. 4361DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 13 12 que o Auto de Infração ora impugnado lastreiase basicamente no suposto subfaturamento ou na falta de declaração de faturamento da Empresa durante os anos de 2004 a 2008; que, assim, pela carência de motivação, que prejudica sobremaneira a defesa da Contribuinte, deve ser reconhecida a nulidade do procedimento fiscal em tela; que, no que diz respeito à nulidade do procedimento fiscal e a impossibilidade do arbitramento ou presunção em matéria tributária e também a regularidade da escrita fiscal e contábil da contribuinte e inexistência de subfaturamento, é de se dizer que o Agente Administrativo Fiscal somente tem prerrogativa de utilizar o Arbitramento ou a Presunção, como técnica de tributação, quando, no seu entender (poder discricionário), for descaracterizada a escrita fiscal e contabilidade de determinado contribuinte; que passar dias debruçados sobre as inúmeras presunções sem as devidas comprovações descritas pelo Fisco. Todavia, em razão da exigüidade do prazo para impugnação, bem como por questões de economia processual, de forma a não incorrer em tautologia, conclui se que, pelas razões expostas, o Auto de Infração impugnado deve ser desconstituído na sua totalidade; que a ausência de comprovação do alegado subfaturamento dever da administração de comprovar as alegações. Neste sentido, a presunção por si só não possui espaço, tampouco irradia efeitos, na esfera das relações tributárias. Por essa lógica e premissa, a obrigação tributária apenas se sustenta se comprovada de forma cabal a ocorrência do correspondente fato gerador; que também por esses motivos, impossível ser levada à frente a cobrança pretendida pela Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul no presente caso, devendo ser desconstituído o crédito tributário pretendido; que imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da suposta pratica do subfaturamento. Ou seja, de forma objetiva, porem não exaustiva, já que o presente tópico será certamente aditado, a impugnar os documentos apreendidos pela Fiscalização, que embasaram o presente Auto de Infração; que, infelizmente, de acordo com o faturamento da Contribuinte, perfeitamente demonstrado através de sua contabilidade e movimentação financeira, jamais foram atingidos; que nulidade do procedimento de arbitramento das receitas supostamente omitidas do irreal e absurdo valor arbitrado pela fiscalização. Podese observar, que a Impugnante, como já referido, não pratica ou praticou subfaturamento de seus produtos ou faturamento sem o competente documento fiscal, possuindo escrituração fiscal e contábil regular de todos os eventos e fatos que necessitam do devido registro; que vale lembrar que os apontados "laranjas" pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul jamais atingiram movimentação financeira suficiente a embasar o valor atribuído como base de cálculo arbitrada levada a tributação; que a nulidade do auto de infração impugnado de direito à avaliação contraditória e obrigatoriedade da prova pericial. Neste caso, como já demonstrado à exaustão, totalmente inaplicável o arbitramento no presente caso, eis que inexistente qualquer Fl. 4362DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 14 13 subfaturamento ou faturamento sem o documento fiscal correspondente, tudo conforme perfeitamente comprovado na contabilidade apresentada à Fiscalização; que, assim, quando este digno Juízo Administrativo oportunizar, a Impugnante indicará seu perito, bem como os pontos a serem esclarecidos pela prova pericial; que, o mérito propriamente dito e inexigibilidade dos valores lançados a título de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI, MULTA E SELIC. Portanto, a pretensão fiscal foi combatida de forma exaustiva, tendo restado claro e inequívoco a inexistência de qualquer subfaturamento e a conseqüente insubsistência do lançamento combatido; que passase nos próximos tópicos a enfrentar, na eventualidade, a própria legalidade dos créditos tributários lançados; que a possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. Neste sentido, cumpre destacar que o Órgão de julgamento do Poder Executivo, em questão tributária, ou seja, o Tribunal Administrativo Fiscal, tem a função precípua de distribuir a justiça fiscal por meio do processo administrativo, sempre respeitando a Constituição Federal. Ou seja, a hermenêutica do Órgão Administrativo Julgador deve ter suas premissas crivadas primeiramente na Constituição Federal e após nas Leis e Atos Infraconstitucionais, fazendo uma interpretação, no melhor modelo Kelsiano, de cima da pirâmide para baixo; que, por fim, destacase que a Constituição deve ser vista como Lei suprema e vinculante e, sob este ponto de vista, como suficiente para legitimar a não aplicação de leis ou atos normativos manifestamente contrários ao seu texto; que o IPI, portanto, no arbitramento de valores sem o devido desconto de créditos na compra de insumos e desrespeito ao princípio constitucional da não cumulatividade. E admitindose, alternativamente, a manutenção do Auto de Infração atacado, observase que este não respeitou um dos mais basilares princípios constitucionais/legais tributários em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados; que, requer, desde já, portanto, a realização de perícia contábil para o fim de apurar os créditos a que faz jus a Impugnante, nos termos acima declinados; que a inexigibilidade dos valores apurados a título de IPI e sendo necessário aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos isentos e nãotributados. Sendo assim, vale colacionar os dispositivos constitucionais e legais que prevêem a não cumulatividade do IPI. Assim sendo, a Emenda Constitucional n.° 18, de 1° de dezembro de 1965, estabeleceu o principio da não comutatividade ao IPI, em seu art. 11; que, assim, é de todo inexigível o montante apurado pela Fiscalização a titulo de IPI, haja vista que não foi levado e consideração o direito creditório acima exposto; que a inaplicabilidade da multa qualificada e ausência de comprovação valida de conduta dolosa pela contribuinte. Portanto, o cabimento da sanção consubstanciada na multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) passa pela comprovação da ocorrência ou não do alegado subfaturamento pela Contribuinte; Fl. 4363DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 15 14 que, diante do exposto, deve ser desconstituída a multa aplicada no percentual de 150%; que o percentual confiscatório da penalidade aplicada e a ofensa aos princípios administrativos da proporcionalidade e razoabilidade. Podese observar, outra questão onde se funda a irresignação depositada na presente impugnação baseiase no percentual dos valores exigidos a titulo de MULTA; que, assim, salvo melhor juízo, a multa aplicada é totalmente inexigível, uma vez que viola os princípios legais e constitucionais acima multireferidos trazendo como conseqüência óbvia e inafastável a nulidade do Auto de Infração ora impugnado; que a inaplicabilidade da taxa SELIC aos supostos débitos como juros de mora e também a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional. Em matéria tributária, são os juros, indiscutivelmente, uma sanção pecuniária, decorrente da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação principal, com vistas a incentivar os contribuintes a não retardar o recolhimento dos tributos, sendo devidos mesmo em caso de denúncia espontânea; que, assim, dentro desta linha de argumentação, deverão ser excluídos do débito ora combatido as correções trazidas pela taxa SELIC. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que tratase de analisar no presente processo o lançamento referente ao IPI, períodos de apuração ocorridos no período de 31/01/2004 a 15/12/2008, decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, objeto do processos administrativo n° 11020.003765/200926, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada pela prática de Subfaturamento; que, a presente autuação, como dito, é reflexo do lançamento principal, relativo ao IRPJ, no que diz respeito à infração da omissão de receitas, portanto a decisão deste processo deve seguir aquilo que já foi decidido naquele outro, em tudo aquilo que aqui se aplicar. A análise deste processo deve limitarse, enfim, aos específicos protestos trazidos pelo impugnante quanto ao tributo nele lançado (o IPI); que a constitucionalidade, ou seja, por se tratar de matéria que desborda a competência dos julgadores administrativos, é de se desconhecer das alegações de inconstitucionalidade formuladas pela impugnante. Nesse sentido a Súmula 1° CC n°2: 0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; que o prazo para impugnação e cerceamento de direito de defesa, portanto o prazo legal para impugnação é de trinta dias da data da ciência do auto de infração. Ainda assim, a unidade preparadora admitiu ao processo uma impugnação, de 05/01/2010, e um aditamento, de 01/02/2010. Verificase, portanto, que a impugnante nunca teve recusada a juntada de documentos. A vista desses fatos, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa; Fl. 4364DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 16 15 que a omissão de receitasprova e quantificação, ao contrário do que afirma a impugnante, a fiscalização não arbitrou, nem presumiu, o valor das receitas. O que ela fez foi proválas e quantificálas com base em documentação produzida pela própria impugnante, procedimento esse perfeitamente válido. Vejamos, ressaltando, inicialmente, que a impugnante não nega a autoria dos documentos apreendidos, ou contesta os valores neles constantes: ela apenas se limita a discordar tãosomente da interpretação dada pela fiscalização à documentação; que a inocorrência de arbitramento de receitas, podese observar, de acordo com a impugnante, a fiscalização, tendo desconsiderado a escrita fiscal da impugnante, deveria ter arbitrado o montante das receitas, mas optou pela 'Presunção de valores de base de cálculo de fatos geradores supostamente ocorridos". Todavia, na verdade, como já demonstrado no item anterior,a prática da omissão de receita restou comprovada. Além disso, a apuração dos valores omitidos deuse com base documental, de forma que não houve nem "arbitramento", nem "presunção" na apuração da receita; que, sendo assim, a impugnante reclama de que a fiscalização deixou de considerar por completo as possíveis deduções e o eventual direito creditório da Contribuinte oriundo do principio da nãocumulatividade que rege, excepcionalmente, o PIS e a COFINS, e de forma geral, o IPI". Todavia, a impugnante é optante da tributação pelo lucro presumido, não se enquadrando, portanto, no tocante ao PIS e à Cofins, na sistemática da não cumulatividade. Quanto ao IPI, tratase de auto de infração que não compõe este processo; que a multa qualificada, portanto, de acordo com a impugnante, não poderia ter sido aplicada a multa qualificada, uma vez que "de nenhuma maneira válida restou provado que a Contribuinte tenha praticado quaisquer condutas ilegais passíveis de penalização". Todavia, de acordo com a prova validamente efetuada existente nos autos e conforme já analisado no item 3.2 deste voto, a impugnante, de forma sistemática e intencional, omitiu receitas no período em questão — anos de 2004 a 2008 — atividade essa tipificada tanto como sonegação (art. 71, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964) como fraude (art. 72, da mesma Lei), circunstâncias que acarretam a imposição de multa de 150%. A presente decisão encontrase consubstancia nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 31/01/2004 a 15/12/2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no processo decorrente deve seguir a mesma orientação decisória prolatada no processo principal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. DIREITO A CRÉDITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito aos créditos do IPI depende da comprovação das aquisições de insumos produtivos, à vista dos Fl. 4365DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 17 16 respectivos documentos fiscais, e da conseqüente escrituração dos mesmos nos livros fiscais do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 19/01/2011, conforme Termo constante à fl. 4236, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (17/02/2011), o recurso voluntário de fls. 4231/4277, instruído pelos documentos de fls. 4278/4350, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito a decadência, é de se dizer que observese, inicialmente, que na hipótese de lançamento por homologação (art. 150 do CTN), na qual cumpre ao contribuinte recolher o tributo antes do exame do ente fiscalizador, o Fisco tem o prazo de 05 (cinco) anos para homologar, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Tal sodalício dispõe que ocorrerá a homologação tácita, não mais sendo admitida a revisão de oficio, em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento – e definitivamente extinto o crédito; que, concluise, então, que, no caso em epígrafe, não havia a possibilidade do Fisco de constituir créditos tributários em relação a fatos geradores ocorridos antes de 31 de dezembro de 2004; que, pelo exposto, merece a exclusão dos valores relativos ao ano de 2004, porque a contribuinte foi intimada do Auto de Infração apenas no ano de 2010, pela ocorrência da decadência do direito de lançar por parte do Fisco; que, no entanto, a prescrição, além da decadência do direito de lançar, concomitantemente, o débito do período de 2004 não encontra via de ser demandado pelo advento da prescrição; que, se admite apenas por amor ao debate, se Vossas Excelências entenderem que, em relação aos fatos geradores ocorridos em 2004, não havia decaído/prescrito o direito do Fisco de lavrar o Auto de Infração e de exigir o crédito tributário, com fundamento no art. 150, § 4° do CTN e 174 do CTN, resta indiscutível que o direito do Fisco lançar restou precluso também pelo preceituado no art. 173, I, do CTN visto que a contribuinte somente foi intimada do Auto de Infração no ano de 2010 através de Edital, como será demonstrado abaixo; que o Edital foi afixado dia 15 de dezembro de 2009, de forma, que a ciência da intimação começou a contar do 16° dia; que o 16° dia foi dia 31 de dezembro de 2009 visto que o Código Tributário Nacional se sobrepõe, na forma de contagem dos prazos ao edital, e que expressamente determina em seu art. 210, que na determinação dos prazos esta deve ser verificada "excluindo se na sua contagem o dia de Início e incluindose o de vencimento". E. sob esta ótica, o Edital não pode determinar a forma de contagem a revelia da Lei; Fl. 4366DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 18 17 que, neste caso, a intimação ocorreu em dia que não houve expediente normal e contase a intimação no primeiro dia útil de 2010, que foi na data de 04 de Janeiro de 2010, uma vez que o dia 1° foi na sextafeira; o dia 2° foi sábado; o 3° dia foi domingo e o primeiro dia útil foi na segundafeira, dia 04 de janeiro de 2010. Tudo em conformidade, inclusive, com os artigos 5° e 6° do Decreto n°.70.235/72, da data da intimação do auto de infração a contribuinte somente foi intimada por edital, do auto de infração, no primeiro dia útil do ano de 2010; que, dessa forma, seja com fundamento no art. 150 ou no art. 173 do CTN, impõese o reconhecimento da decadência ou mesmo da prescrição no feito em tela, declarando extinto o crédito tributário constituído, em relação as operações realizadas no ano de 2004, com fundamento nos artigos 150, § 4º, 173, I, 174 e 156, V, todos do CTN; que a questão relativa à prescrição e decadência e questão de ordem pública e deve ser declarada pelo julgador, em qualquer fase processual, mesmo de oficio. Portanto, requer seja declarado que os valores lançados referente ao ano de 2004 devem ser excluídos do débito pela decadência ou pela prescrição; que, no que diz respeito à não incidência de juros sobre a multa, é de se dizer que a multa de oficio aplicada não esta sujeita aos juros de mora pela taxa:SELIC. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre dos termos previstos no artigo 44 da lei n° 9.430/96; que a receita tributária é composta tão somente de impostos, taxas e contribuições de melhoria, não" se incluindo, as multas dela decorrentes, que SELIC declaradas como categorias autônomas. Não existindo legislação que obrigue o contribuinte a pagar juros pela taxa SELIC sobre a multa, merecendo ser declarada ilegal tal incidência; que, da nãocumulatividade do IPI, ou seja, em relação ao requerimento de deduções do IPI referente ao valor incidente nas operações anteriores, pelo principio da não cumulatividade, até mesmo como direito inafastável, uma vez que está garantido no artigo 153, § 3°, inciso II, da Constituição Federal; que a Terceira Turma do DRJ/POA, embora tenha reconhecido o direito ao crédito, como a legislação assim o prevê, no presente caso, não reconheceu o direito ao crédito do IPI, alegando que tal direito depende da comprovação das aquisições de insumos produtivos, à vista dos respectivos documentos fiscais, e da conseqüente escrituração dos mesmos nos livros fiscais do contribuinte; que o contribuinte não tem outra maneira de provar o seu direito, a não ser mediante a prova pericial requerida, no caso de não ser anulado a decisão de origem, objetivando a produção da prova pericial (o que não se acredita). Mesmo assim, o contribuinte continua com o seu direito ao creditamento de aquisições de matériasprima, produto intermediário e material de embalagem empregado na industrialização, inclusive de produtos isento ou tributado a alíquota zero. Em 19/09/2013, o contribuinte apresenta o Aditamento ao Recurso Voluntário (fls. 4326/4329, alegando, em apertada síntese, que houve decisão judicial pelo STJ (HC nº 211.393/RS) reconhecendo como sendo nula a Cautelar, ilícita a prova obtida através da referida busca e apreensão criminal que deu início ao presente processo determinando a devolução dos respectivos documentos e objetos. Fl. 4367DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 19 18 É o relatório. Fl. 4368DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 20 19 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com o julgamento do processo principal do qual este é mera decorrência. Como se depreende do relatório, o presente processo trata de Auto de Infração lavrado em 02/12/2009, fls. 17/23, referente ao período de 31/01/2004 a 15/12/2008, para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre as vendas omitidas por falta de emissão de notas fiscais, assim como os respectivos juros de mora e multa de oficio de 150%. O lançamento relativo ao IRPJ e os reflexos de CSLL, PIS e Cofins, sobre estas mesmas receitas omitidas foi objeto do Processo Administrativo n° 11020.003771/200983. É necessário observar, que o Processo Administrativo Fiscal nº 11020.003771/200983, no qual se exige o crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, da mesma forma que no presente caso, tem origem na omissão de receitas. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminares, bem como apresenta razões de mérito. É importante observar que, em 19/09/2013, o recorrente apresenta o Aditamento ao Recurso Voluntário (fls. 4326/4329, alegando, em apertada síntese, que houve decisão judicial pelo STJ (HC nº 211.393/RS) reconhecendo como sendo nula a Cautelar, ilícita a prova obtida através da referida busca e apreensão criminal que deu início ao presente processo determinando a devolução dos respectivos documentos e objetos. A presente autuação, como dito no relatório, é reflexo do lançamento principal, relativo ao IRPJ, no que diz respeito à infração da omissão de receitas, portanto a decisão deste processo deve seguir aquilo que já foi decidido naquele outro, em tudo aquilo que aqui se aplicar. A análise deste processo deve limitarse, enfim, aos específicos protestos trazidos pelo impugnante quanto ao tributo nele lançado (o IPI). Como visto o processo principal de nº 11020.003771/200983, foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Sessão de Julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 1302001.132, de 09/07/2013, cujo resultado foi: Os membros da Turma acordam: a) por unanimidade de votos, em afastar as alegações preliminares de nulidade; b) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator), Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fez sustentação oral: Dr. Cristiano Coêlho Bornéo, OAB/RS 57.093 Fl. 4369DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 21 20 Assim sendo, o referido processo originou o lançamento que ora se discute, na medida em que a presente autuação, em que se exige o crédito tributário de IPI é reflexa do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.003771/200983, Embargos de Declaração. Tendo em vista que o Processo Administrativo Fiscal nº 11020.003771/200983 foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Sessão de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 1302001.132, de 09/07/2013, atualmente em face de análise de Embargos de Declaração, é de se declinar da competência para o julgamento do presente processo para que aquela turma analise a presente questão. Diante do conteúdo dos autos, voto no sentido de não se conhecer do recurso, declinandose a competência para o seu julgamento pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 4370DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11020.003770/200939 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.236 S1C4T2 Fl. 22 21 Fl. 4371DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13963.000176/2004-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZEND NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em razão da decisão que deixou de acolher a Manifestação de Inconformidade que visa afastar o indeferimento parcial em relação à declaração de Compensação relativo a créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS nãocumulativa, relativo ao segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 e primeiro trimestre de 2004. O Despacho Decisório de fls. 289 a 292 homologou parcialmente a compensação. O mesmo documento informa as divergências encontradas entre os dados contábeis e apuração dos créditos contido no DACON, aponta as divergências constatadas no mês de junho de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 63 .0 00 17 6/ 20 04 -6 7 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13963.000176/200467 Resolução nº 3403000.540 S3C4T3 Fl. 4 2 “Na ficha de apuração de créditos do DACON os valores mais significativos foram confirmados, exceto no mês de junho/2003. nesse mês o montante das aquisições de bens utilizados como insumos (CFOP 111 E 2101) É R$ 900.341,82 (R$ 955.863,54 – IPI DE R$ 55.721,72). Os bens adquiridos para revenda é R$ 13.269,75 e não R$ 60.595,15. E o valor da energia elétrica confirmado é R$ 95.051,80 contra os R$ 336.196,11 informados no DACON. Os valores lançados no DACON em junho/2003 são bastante discrepantes dos valores informados nos outros onze meses do ano. As tabelas a seguir indicam os valores constantes da escrituração em cada mês. Com exceção de Juno/2003, esses valores coincidem com as informações prestadas nos DACON”. Em razão do apontado com base nos dados contidos nos livros fiscais foi refeito a ficha e caminhou no sentido de deferir R$ 19.969,40 e não R$ 40.545,04 conforme o solicitado. O inconformismo se dá porque a autoridade não entrou no mérito do conceito de insumo, constatando diferença entre as informações da DACON e dos livros fiscais. Diz a Interessada que teria no mês de junho de 2003 lançado crédito extemporâneo referente aos meses de dezembro/2002, janeiro/2003, fevereiro de 2003, março/2003 e abril de 2003, o que resultou na diferenças apontada pela autoridade fiscal. Disse ainda que elaborou planilhas que espelha a realidade dos livros fiscais. Aponta diversos valores como resultados da apuração dos créditos extemporâneos. O julgado de piso ignora as alegações e mantém na integra o decidido no Despacho Decisório. Em razões recursais a Interessada se mantém firme em seus argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A divergência instalada na apuração do crédito pleiteado está na informação do contribuinte que insiste em afirmar tratarse de crédito extemporâneo e a fiscalização apenas apurou divergência entre o informado e os dados constantes do DACON. O fato dos dados serem discrepante deve ser objeto de exame mais acurado com o objetivo de consubstanciar a decisão. No caso concreto vislumbro a necessidade de baixar o feito em diligência no sentido de que seja apurada com os elementos trazidos aos autos a veracidade do crédito. Em sendo assim, voto no sentido de que o feito seja baixado a origem com intuito de que a fiscalização faça exame detalhado das informações trazidas aos autos e aponte apoiada em elementos contábeis e os demonstrativos do contribuinte se a discrepância está apoiada em documentos capaz de consubstanciar o crédito extemporâneo que se deseja aproveitar. É como voto. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13963.000176/200467 Resolução nº 3403000.540 S3C4T3 Fl. 5 3 Domingos de Sá Filho Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10925.001566/2009-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3403-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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SEGREGAÇÃO NA ESCRITURAÇÃO. AUSÊNCIA. APURAÇÃO DE OFÍCIO. Não tendo segregado em sua escrituração os atos cooperativos dos não cooperativos (ou comprovado posteriormente à fiscalização especificamente o discernimento entre tais atos), cabível a ação de ofício do fisco para promover a segregação, à luz de documentos emitidos nas operações da empresa, e de dados de sistemas informatizados (não refutados objetivamente). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 66 /2 00 9- 27 Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 3 a 211) lavrado em 23/07/2009 para exigência da Contribuição para o PIS/Pasep, em virtude de falta/insuficiência de recolhimento, no período de julho de 2004 a dezembro de 2008, no valor de R$ 620.522,28 (a título de principal). No Relatório de Atividade Fiscal de fls. 729 a 762, a fiscalização sustenta que: (a) as sociedades cooperativas, com o advento da Lei no 9.715/1998, além de pagar a Contribuição para o PIS/PASEP, à alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal, passaram a recolher também a contribuição com base no faturamento do mês, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, observadas as exclusões constantes no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835/2001 e do art. 1o da Lei no 10.676/2003, disciplinadas no Decreto no 4.524/2002 e na Instrução Normativa SRF no 247/2002; (b) a revogação do inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (a partir de 30/06/1999) pelo art. 93 da Medida Provisória no 2.15835/2001, impediu à época que as sociedades cooperativas que não possuem tratamento normativo específico excluíssem da base de cálculo das contribuições os valores repassados aos associados a qualquer título; (c) em relação às cooperativas de transporte (como é o caso da fiscalizada), a normatização específica surge somente em 21/11/2005, com a Lei no 11.196/2005 (art. 46), sendo complementada pela Instrução Normativa SRF no 635/2006; (d) as cooperativas devem apurar a Contribuição para o PIS/PASEP sob o regime cumulativo, conforme o inciso X do art. 8o da Lei no 10.637/2002; (e) a empresa não possui caminhões, sendo os serviços de fretes realizados pelos cooperados e por outras pessoas físicas ou jurídicas; (f) a empresa começou a apresentar DACON somente a partir de janeiro de 2005 (para o período anterior há somente DCTF); (g) de julho a dezembro de 2004, e de janeiro a novembro de 2005, foram indevidamente abatidas das bases de cálculo as receitas tidas como de atos cooperados, motivando glosa pela fiscalização (demonstrada na planilha de fl. 22); (h) como não foram segregados na contabilidade os serviços prestados pela cooperativa de transporte realizados por cooperados e por não cooperados, a fiscalização tentou fazêlo, a partir dos CTR (Conhecimentos de Transporte Rodoviários), digitais (para os anos de 2007 e 2008) e em papel (2005 e 2006), e da lista de cooperados (do Livro de Matrículas), o que foi parcialmente possível, tendo em vista que também tais documentos, por vezes, não identificavam o prestador de serviço (nos casos em que não constava o prestador, mas havia a informação da placa do veículo, a fiscalização efetuou consulta ao sistema RENAVAM, identificando o proprietário, e cotejando com a lista de cooperados); (i) nos CTR em papel (2005 e 2006 cerca de 75 mil documentos), sem a indicação do prestador de serviço, a fiscalização aceitou ainda como prestador de serviço aquele CPF/CNPJ que constasse como 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001566/200927 Acórdão n.º 3403002.742 S3C4T3 Fl. 1.567 3 prestador em outro CTR com veículo de mesma placa; (j) a fiscalização percebeu que os CTR em arquivo digital (2007 e 2008) representavam cerca de 50% do registrado nos livros contábeis, intimando a empresa a complementar as informações, sem sucesso, pelo que foram considerados atos não cooperados os serviços registrados na contabilidade sem segregação cooperado/ não cooperado, e sem CTR; (k) ao final dos trabalhos, a fiscalização gravou duas planilhas (uma com os CTR identificados, e outra com os não identificados), intimando a empresa a se manifestar (tendo esta informado que era impossível vincular a placa do veículo ao associado); (l) a empresa apresentou “listagem paralela” de cooperados, divergente da constante do Livro de Matrículas, mas este é que foi tomado em conta, por ter validade legal (em que pese não ser substancial a diferença no resultado final da autuação); e (m) foram glosadas as exclusões indevidas no período de dezembro de 2005 a dezembro de 2008 (mantendose as exclusões de atos cooperados cf. tabela de fls. 26 a 39, ICMSsubstituição, FATES e sobras líquidas). Cientificada da autuação, a recorrente apresenta impugnação em 26/08/2009 (fls. 765 a 771), argumentando que: (a) a fiscalização invadiu a sede da empresa e desrespeitou seus funcionários, configurando abuso de poder e gerando a nulidade da autuação; e (b) todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados. A decisão de primeira instância (indeferimento unânime das pretensões da autuada) é proferida em 15/06/2012 (fls. 1367 a 1374), concluindo, em síntese, que os procedimentos de fiscalização obedeceram à legislação pertinente, e que as sociedades cooperativas têm o dever de segregar em sua contabilidade dos atos cooperados dos não cooperados, sendo ônus delas a demonstração da ocorrência dos atos cooperativos para fins de exclusão da base de cálculo dos repasses dos ingressos relativos aos cooperados. Cientificada da decisão da DRJ em 04/10/2012 (AR à fl. 1379), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 05/11//2012 (fls. 1460 a 1482), no qual argumenta que: (a) embora somente com a redação dada pela Lei no 11.196/2005 à Lei no 11.051/2004 as sociedades cooperativas de transporte tenham sido autorizadas a excluir ingressos oriundos de atos cooperados da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, a recorrente entende que esses ingressos não devem ser submetidos à tributação nem mesmo no período que antecede a vigência da referida Lei, porque não há receita bruta, ou faturamento, pela própria natureza jurídica da operação, como já entendeu o STJ, não havendo necessidade expressa de isenção em lei; (b) ainda que exista necessidade de norma isentiva, estarseia, como tratamento desigual, ferindo o princípio da isonomia, constitucionalmente assegurado; (c) a partir da Lei no 11.196/2005, a ausência de segregação contábil não é motivo para a fiscalização desconsiderar integralmente os registros, nem para tributar toda a receita operacional da recorrente; (d) registrava no Livro de Matrícula de cooperados pelo nome da pessoa física até 2008 (embora estes tivessem já constituído empresas), sendo que a informação desatualizada, nestes casos, não pode acarretar prejuízos à recorrente, e foi corrigida em novembro de 2008 (cf. lista de fls. 1477/1478), fato ignorado pela fiscalização (na época da fiscalização, o Livro de Matrículas ainda não havia sido alterado pela contribuinte); (e) a fiscalização ignorou ainda o procedimento adotado pela contribuinte no que diz respeito aos CTRC (todo frete realizado por intermédio da contribuinte é acobertado por CTRC emitido por ela, sendo que, ao final de cada mês, cada cooperado emite um CTRC para a recorrente com o valor total dos serviços por ele prestados naquele período, para lastrear a operação, o que se alega comprovar por amostragem), o que mostra que não são seguras as conclusões a que chegou o fisco; (f) a argumentação e os documentos apresentados comprovam cabalmente que as receitas operacionais da recorrente decorrem apenas de atos cooperativos, que, por expressa Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 determinação legal, não são tributados pela Contribuição para o PIS/PASEP; e (g) embora seja na motivação que devam ser expostos os motivos de fato e de direito, devese acolher a apresentação posterior em atenção aos princípios da verdade real, da oficialidade e do informalismo. Pedese, por fim, o julgamento conjunto com o processo de no 10925.001567/200971, relativo à COFINS, para o mesmo período. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. De início, é de se destacar que se acolhe a solicitação para análise do presente recurso em conjunto com o apresentado no processo de no 10925.001567/200971, relativo à COFINS lançada em relação ao mesmo período, basicamente pelas mesmas razões de fato e de direito. Compulsandose os autos do presente processo, percebese que há diametral alteração da defesa, da impugnação para o recurso voluntário. Na impugnação eram trazidos basicamente dois argumentos (abuso de poder e alegação, sem elementos de prova, de que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados). Essa matéria de defesa, apreciada pela DRJ, ensejou a decisão recorrida. No recurso voluntário, contudo, a empresa discute uma série de questões de fato e de direito que sequer havia ventilado em sede de impugnação, e, ciente da absoluta inovação argumentativa, alega (fls. 1480 a 1482) que: “A argumentação e os documentos ora apresentados e juntados pela Contribuinte comprovam cabalmente que as receitas operacionais da Recorrente decorrem apenas de atos cooperativos, que, por expressa determinação legal, (Lei no 11.051/04, na redação que lhe foi dada pela Lei no 11.196/05), não são tributadas pelo PIS. Embora seja certo que “é na impugnação que o sujeito passivo expõe os motivos de fato e de direito, em que se fundamenta, instruindoa com os documentos comprobatórios das suas alegações”, não menos correto é considerar e analisar os fatos e documentos ora apresentados, em atenção aos princípio da verdade real, da oficialidade e do informalismo”. (...) Segundo o princípio da verdade real, a Autoridade Administrativa deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro e interessante para desvelar o direito do contribuinte. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001566/200927 Acórdão n.º 3403002.742 S3C4T3 Fl. 1.568 5 (...) Assim, demonstrado que o Fisco tributou indevidamente receitas oriundas de atos cooperativos pelo PIS, o acórdão recorrido deve ser reformado, a fim de cancelar integralmente o Auto de Infração lavrado contra a recorrente.” (grifos no original) É preciso, no entanto, ter uma coerente compreensão do que se entende por verdade material. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 2 Recordese que a ação fiscal teve início em 13/02/2009, com ciência do responsável pela cooperativa, e intimação para apresentação de documentos. Analisandose a contabilidade da empresa, verificouse que não havia segregação das atividades em serviços prestados por cooperados e por não cooperados, em que pese a obrigação legal (arts. 87 e 111 da lei que rege as cooperativas Lei no 5.764/1971): “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (grifo nosso) A inexistência de segregação na escrituração contábil (ou de detalhamento, quando solicitado pelo fisco), impossibilitando a apuração efetiva do valor a ser lançado, já motivou entendimento unânime desta turma no sentido do cabimento da autuação pela totalidade do valor das receitas: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CONTESTAÇÃO GENÉRICA. CARÊNCIA DE PROVA. DISTINÇÃO ENTRE ATOS. DEDUÇÕES LEGALMENTE ADMITIDAS. Não tendo segregado em sua escrituração os atos cooperativos dos não cooperativos (ou comprovado posteriormente à fiscalização especificamente o discernimento entre tais atos), nem detalhado ou comprovado em seu recurso as deduções às quais entende fazer jus, sujeitase o contribuinte à tributação sobre a totalidade das receitas.” 3 Contudo, no presente caso, como a cooperativa é prestadora de serviços de transporte, e são emitidos conhecimentos de carga a cada operação, o Fisco, norteado pelo dever de investigar, demandou à interessada a apresentação dos conhecimentos relativos ao período fiscalizado. O objetivo era cotejar os prestadores de serviço indicados nos conhecimentos com a lista de cooperados, permitindo as exclusões para todos os conhecimentos em que o prestador fosse um cooperado. Em resposta, a fiscalizada disponibilizou caixas de documentos em papel (mais de 75.000 documentos), para os anos de 2005 e 2006 (pois informou não possuir registros digitais para o período), e, depois de reintimada, registros digitais (para os anos de 2007 e 2008) e relação de cooperados. Contudo, na investigação, a fiscalização apurou, ao digitar manualmente os conhecimentos em papel entregues pela empresa, que grande parte deles sequer se indicava o prestador do serviço ou o valor da operação. Em relação aos registros digitais, verificou ainda que correspondiam a cerca da metade das operações contabilizadas, como a própria empresa reconhece (alegando que era o início da implantação do sistema). Na hercúlea tarefa de vincular cada um dos milhares de conhecimentos, buscando tão somente a verdade material, permitindo as exclusões lícitas, o fisco intimou ainda a cooperativa a apresentar relação com os veículos dos cooperados (e respectivas placas), possibilitando a exclusão das operações em que o conhecimento de carga, apesar de não indicar o prestador do serviço, contivesse a placa do veículo. Em resposta, obteve da recorrente (fl. 704) que a solicitação: “foge completamente aos preceitos da materialidade e do bom senso. A cooperativa não tem motivo algum em ter controle de placas por associado. Essa informação é colocada no CTRC 3 Acórdão n. 3403001.987, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 20/03/2013. Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001566/200927 Acórdão n.º 3403002.742 S3C4T3 Fl. 1.569 7 para evitar multas nos postos fiscais de competência dos estados, onde os caminhões trafega, nada mais. É de costume no setor de transporte, a constante troca de veículos. O transportador seguidamente troca um veículo usado por um mais novo haja vista a necessidade de renovação de frota. Então, esses veículos que realizaram o transporte no período solicitado, certamente já mudaram de proprietário. A cooperativa não tem esse controle de placas por proprietário, por isso, é impossível fornecer essa informação”. Ainda assim, o fisco acabou por considerar as exclusões relativas às placas de veículos para as quais houvesse outros conhecimentos com idêntica placa, mas com o prestador de serviço (cooperado) identificado. E efetuou consultas individualizadas de mais de duas mil placas no sistema RENAVAM, acolhendo as exclusões em relação aos conhecimentos contendo placas para as quais o proprietário fosse um cooperado. E, por fim, concluída a análise fiscal, as planilhas resultantes foram apresentadas à cooperativa, que foi intimada a analisálas, e se pronunciar, por escrito, sobre eventuais incorreções, apresentando documentação que comprovasse o erro, em 22/06/2009 (fl. 725). Em resposta (fls. 727 e 728), há questionamentos quanto à lista de cooperados (divergências entre a lista que a cooperativa considera correta e aquela que utiliza em obediência ao art. 22 da Lei das Cooperativas / Livro de Matrículas), e informação de que é impossível vincular a placa do veículo ao associado. Se há algo que resta muito claro na leitura do processo, é a intensa atividade do fisco em seu dever de investigação, mesmo diante da deficiente conduta da empresa em seu dever de colaboração. O fisco chega a digitar manualmente milhares de documentos, e realizar consultas em sistemas informatizados como o RENAVAM, tão somente em nome da verdade material, para evitar autuar operações que eventualmente tivessem sido realizadas com cooperados. E a empresa evasivamente afirma que todas suas atividades são realizadas por cooperados, quando a própria documentação que apresenta não sustenta a afirmação. Imperioso destacar que a norma de estatura legal que rege o processo administrativo fiscal, o Decreto no 70.235/1972, dispõe, em seu artigos, 16 e 17: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Relevante aqui recordar que na impugnação apresentada a empresa limitase a discutir abuso de poder pelo Fisco (alegação rechaçada a contento pelo julgador a quo), e a afirmar (sem amparo probatório a refutar o resultado da fiscalização) que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados. Assim, os argumentos (e documentos) inovadores apresentados no recurso voluntário encontram obstáculo de ordem legal, e não logram transpor a barreira dos arts. 16 e 17 do Decreto no 70.235/1972. É de se reconhecer que este CARF, nos casos em que há evidência de exigência de tributo indevido, ou prova de não ocorrência de situação tributável, tem analisado argumentos (e documentos) de ofício, sem que constem necessariamente de peças de defesa de recorrentes (ou mesmo os extemporâneos que nelas constem). No presente processo não se encontra tal evidência ou prova. O Fisco buscou por todos os meios legalmente possíveis e permitidos discernir os atos praticados com cooperados dos praticados com não cooperados, para efeito de tributação. E o fez da melhor maneira, diante das informações prestadas pela recorrente. Nessa linha, atenta contra a credibilidade do recurso voluntário a alegação (fl. 1474) de que: “o fato de a Contribuinte não segregar em seus registros contábeis as receitas operacionais decorrentes de serviços de transporte realizados por cooperados e por não cooperados não é motivo para a Fiscalização desconsiderar integralmente tais registros e tributar a totalidade das receitas” Como visto (e revisto) aqui, a fiscalização não se contentou com o fato de a empresa não segregar as operações em sua escrituração, seguindo com numerosas tentativas de identificar a verdade real, acolhendo exclusões que a empresa sequer havia documentado, mas que o fisco, em consulta ao RENAVAM, ou em cruzamento de informações de planilhas por ele digitadas (a partir de documentos em papel fornecidos pela recorrente) apurou. Recordese ainda que foram acolhidas pelo fisco as exclusões de atos cooperados cf. tabela de fls. 26 a 39, ICMSsubstituição, FATES e sobras líquidas. Ao afirmar que a fiscalização não analisou adequadamente os registros contábeis, ou que deveria ter considerado a “lista paralela” de cooperados, e não o Livro de Matrícula estabelecido em Lei (e retificado posteriormente à fiscalização), a recorrente não produz prova, mas apresenta dados esparsos, sem conexão direta com os detalhamentos da Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001566/200927 Acórdão n.º 3403002.742 S3C4T3 Fl. 1.570 9 autuação, sem refutar o lançamento objetivamente. E a documentação anexada no Recurso Voluntário segue o mesmo destino, ao não contrapor especificamente as alegações da autuação. A simples apresentação de uma extensa lista de planilhas e documentos com extensão “pdf”, listados às fls. 1545 a 1563, está longe de refutar individualizadamente as alegações da autuação. O que parece desejar a recorrente é um reexame, tendo em vista fatos que não são novos, e só traz à tona em sede de recurso voluntário. Pelo exposto, não se vê aqui evidência de exigência de tributo indevido, ou prova de não ocorrência de situação tributável. Atenta ainda contra o lógica a argumentação de que “embora somente com a redação dada pela Lei no 11.051/04 (na redação dada pela Lei no 11.196/05) as sociedades cooperativas de transporte tenham sido autorizadas a excluir ingressos oriundos dos atos cooperativos da base de cálculo da Contribuição ao PIS, a recorrente entende que esses ingressos não devem ser submetidos à tributação nem mesmo no período que antecede a vigência da referida Lei”. A empresa faz um apanhado histórico da evolução legislativa sobre a matéria, para ao final, informar que discorda da Lei, porque não há receita bruta em tais atividades ou porque, havendo, ferese a isonomia. Percebase que ambas as linhas encontram obstáculo na Súmula no 2 deste CARF (no que se refere ao afastamento da norma de ordem legal em nome de princípios/disposições constitucionais), e que seria absolutamente avesso à lógica uma lei dispor sobre isenção a um segmento específico se o benefício fiscal fosse extensível a todos os demais. Assim, a ausência de adequada escrituração pela recorrente, nos termos da lei, acabou por dificultar (mas não impedir) o fisco de precisar o quantum relativo à base de cálculo da contribuição, e tal tarefa foi levada a cabo a partir das informações disponibilizadas pela recorrente e de ação de ofício do fisco (confeccionando planilhas e extraindo informações de sistemas). E não foi objeto de questionamento objetivo ou refutação específica pela recorrente. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720934/2011-94
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
1.0 = *:*
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INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 34 /2 01 1- 94 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto, que manteve a multa de R$ 500,00, aplicada por atraso na entrega da DCTF relativa a junho de 2010. Debateuse, na decisão recorrida, por força de questionamentos arguidos em impugnação, os efeitos suscitados pelo sujeito passivo quanto à aplicação do artigo 138 do CTN, sobre a entrega espontânea, mas extemporânea, da DCTF. A manutenção da multa foi fundamentada na alegação de que a norma inscrita no referido artigo não contempla a sanção por descumprimento de obrigação acessória. O recurso voluntário reitera as alegações veiculadas com a impugnação, adicionando precedentes desta E. Segunda Instância administrativa. Também invoca doutrina relacionada à exclusão da multa no caso de parcelamento de dívida tributária, antes de qualquer ato fiscal a ela relacionado. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator Conforme se verifica nos autos – extrato dos Correios relativo ao AR, protocolo aposto na primeira folha do recurso, e Despacho de Encaminhamento da DRF – a ciência do contribuinte se deu em 22/03/12, tendo o recurso sido interposto em 24/04/12. O recebimento ocorreu em uma quintafeira. Considerada a regra do Código Tributário Nacional (artigo 210), excluído o dia da intimação, o transcurso do prazo teve início na sextafeira, dia 23 de março. Contados os 30 dias, o prazo encerrarseia no dia 21 de abril, o qual, sendo sábado, levou o dies ad quem para 23 de abril de 2012. Houve transcurso de prazo superior aos 30 dias definidos no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (norma dotada de força de lei), revelando a intempestividade do recurso voluntário. A extemporaneidade do recurso consubstancia preclusão, a perda da chance de se insurgir contra a decisão a quo, no processo administrativo, buscando a revisão deste E. Conselho. Ademais, não há, no recurso voluntário, qualquer apontamento quanto a eventuais circunstâncias (feriado local, fechamento da repartição) que pudessem deslocar o início ou o término da contagem do prazo em comento. Nem argumentação tendente a atribuir ineficácia da cientificação operada por via postal. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10840.720934/201194 Acórdão n.º 1801001.641 S1TE01 Fl. 61 3 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000507/2007-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior Relator
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka( suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka( suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 10 1 9 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14485.000507/200757 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.033 – 2ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ORGANIZAÇÃO DE SAÚDE COM EXCELÊNCIA E CIDADANIA OSEC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 05 07 /2 00 7- 57 Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka( suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 37.111.7127 na qual a DRJ de São Paulo declarou parcialmente procedente o crédito tributário lançado pela entidade fiscalizadora (fls 927/966). O crédito em apreço está inserido no período de 02/1999 a 02/2006 e se deu pela falta de retenção pela notificada do valor correspondente a 11% do valor das notas fiscais/faturas de serviços que lhes foram prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do Relatório da Auditoria (fls. 288/291). Inconformada com o lançamento o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 970/987) contra a decisão de primeira instância. Concomitantemente, a autoridade fiscal apresentou Recurso de ofício ao reconhecer decadência parcial do credito que restou reduzido de R$ 13.484.549,66 para R$10.538.155,24. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte pleiteia que; a) o prazo decadencial deve ser aferido com esteio na norma do § 4. do art. 150 do CTN, posto que no caso temse lançamento por homologação. Nesse sentido devem ser excluídas todas as competências anteriores a 07/2002; b) nos termos do art. 24 da Lei n. 11.457/2007, todo o lançamento está decadente, uma vez que o prazo que medeia a protocolização da defesa e a ciência da decisão recorrida superou 360 dias; c) o lançamento é nulo pois faltalhe o requisito da precisão, na medida em que o Fisco não demonstrou a existência da execução de serviços por cessão de mãodeobra, que é requisito obrigatório para exigência da retenção previdenciária; d) a legislação afastava a obrigatoriedade da retenção para os serviços prestados por empresas de profissão regulamentada, como é o caso da Clinefro S/C LTDA, COPSMED SC LTDA e VISSA S/C LTDA, que prestam serviços de radiologia, anestesia entre outros serviços médicos, como ficou claro na diligência realizada; e) o Fisco, em sede de diligência fiscal, não conseguiu demonstrar a ocorrência de cessão de mãodeobra nos serviços prestados, tampouco a impossibilidade de dispensa da retenção. Ao final, requer a declaração de insubsistência do lançamento ou, alternativamente, a contagem do prazo decadencial pela norma do § 4. do art. 150 do CTN. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14485.000507/200757 Acórdão n.º 9202003.033 CSRFT2 Fl. 11 3 A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, ao apreciar os pedidos do contribuinte decidiu conhecer do Recurso e acolher a preliminar de decadência até a competência no mérito, darlhe parcial provimento, para excluir da notificação os levantamentos em que houve apresentação dos Contratos de Prestação de Serviços, mantendo, por conseguinte, aqueles que a contribuinte não ofertou à fiscalização os respectivos Contratos, na forma da planilha de fls. 292/293, conforme depreendese da ementa aqui transcrita: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006 PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11%. INEXISTÊNCIA COMPROVAÇÃO CESSÃO DE MÃODEOBRA. NULIDADE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora à prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo o fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2º, do Decreto nº 3.048/99, sob pena de nulidade do lançamento por vício material em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Fazenda Nacional inconformada com o decidido no Acórdão no 2401 01.713, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4' Câmara da 2a Seção do CARF em 16/03/2011 (fls. 1014/1024), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 1028/1057, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 256, de 22/06/2009.A Fazenda Nacional insurge se contra o acórdão que deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela regra do artigo 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09 (fls. 131/132), por entender a recorrente que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do entendimento mantido pelo CARF. na medida em que o acórdão paradigma considerou ser Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente (fls. 150/156). A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido apresenta posição divergente daquela adotada pelos paradigmas que apresenta, os Acórdãos n° 20309.332 e 206 01.026. Seguem abaixo suas ementas: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE — NULIDADE POR VÍCIO FORMAL —A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (AC 203 09.332) "(..) AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VICIO FORMAL INSAN4VEL. Na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na lavratura da NFLD acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. A inobservância dessas regras é vicio insanável, configurando a sua nulidade. (..) Recurso Voluntário Provido em Parte." (AC 20601.026) Sustenta que, segundo os paradigmas, a deficiência da fundamentação legal enseja a anulação do lançamento por vicio formal, enquanto que o acórdão recorrido, por esse motivo, anulou a NFLD em epígrafe por vicio material. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção prolatou Despacho n. 2400.493/2011 [fls. 10581062] que deu seguimento ao Recurso Especial interposto. Intimado a se manifestar, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões [fls. 10871094] que, em síntese, reiteram os argumentos colacionados no decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido apresenta posição divergente daquela adotada pelos paradigmas que apresenta, os Acórdãos n° 20309.332 e 206 01.026. Seguem abaixo suas ementas: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE — NULIDADE POR VÍCIO FORMAL —A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (AC 203 09.332) Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14485.000507/200757 Acórdão n.º 9202003.033 CSRFT2 Fl. 12 5 "(..) AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VICIO FORMAL INSANÁVEL. Na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na lavratura da NFLD acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. A inobservância dessas regras é vicio insanável, configurando a sua nulidade. (..) Recurso Voluntário Provido em Parte." (AC 20601.026) Sustenta que, segundo os paradigmas, a deficiência da fundamentação legal enseja a anulação do lançamento por vicio formal, enquanto que o acórdão recorrido, por esse motivo, anulou a NFLD em epígrafe por vicio material.Em sua peça recursal, a fazenda busca reformar a decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara para que seja convertido o entendimento de que o fato de não ter sido demonstrado pela autoridade fiscal elementos suficientes para o lançamento, declarado pela colenda turma a quo como vício material, em vício de natureza formal. Antes de proceder ao exame dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, com similitude fática, verificase a adoção de soluções diversas. Destarte, é de fundamental importância a análise das situações constantes dos julgados recorridos e paradigma, com o escopo de aferir acerca da sua eventual identidade. Da análise do decisum recorrido, percebese que a Turma a quo deu provimento ao Recurso Voluntário, pois não restou devidamente comprovada pela autoridade lançadora à prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, conforme dispõe o art. 31 da Lei n° 8.212/91, devendo o fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2º, do Decreto nº 3.048/99, sob pena de nulidade do lançamento por vício material em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo. Já os tidos paradigmas, tratam de matérias distinta e não possuem similitude fáticas: Ac. n. 20309.332 [...] Compulsando os autos, verifico que a fundamentação no artigo 32 da Lei n° 9.430/96 não diz respeito à COFINS, objeto do presente processo administrativo, ainda que a suspensão da imunidade, operada por ato administrativo, possa servir como subsidio para aplicabilidade do direito. Ac. n. 206 01.026 [...] AUT: Autônomos período anterior GFIP — representando valores pagos pela empresa a segurados contribuintes individuais (autóno9mos),apurados da análise dos Livros e documentos contábeis da empresa,conforme discriminado no relatório de fatos geradores.Os valores lançados Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 englobadamente, estão discriminados no demonstrativo anexo. BEM: Bento Antônio de Borba período anterior GFIP (desconsideração da pessoa jurídica), representando pagamentos de comissões efetuadas a bento de Borba —firma individual (CNN n° 76.540.780/000124). Empresa foi contratada como agente (representante) na contratação de servfgos de carga e descarga junto ao porto de Itajai/SC. Os pagamentos eram feitos na conta do titular da empresa (Bento) e de seu filho,Roberto Bento de Borba, que foi empregado da contratada no período de 10/1994 a 11/1997. FP2: Pagamentos fora da folha de pagamento período anterior à GFIP —Representando os valores pagos a segurados empregados sem a inclusão na folha de pagamento (complemento da rescisão de Lorena Bolner, Km rodado e telefone de Jose Roberto Weis, aluguel de Leilson I de oliveira). GL: Glosa abatimento SAT, representando valor abatido indevidamente do campo 17 da Guia de Recolhimento da Previdência Social na competência 10/1998, referente ao pagamento de despesas hospitalares com acidente do trabalho do empregado Rogério Vilmar Hartman. NAD: Nadir da Silva Passos período anterior a GFIP, representando os pagamentos de km rodado, telefone e comissões a Nadir da Silva Passos de 04/1998 a 12/1998. Nadir da Silva Passos foi contratado pela empresa como agente na contratação de serviços de carga e descarga no Porto de Rio Grande,conforme proposta de terceirização da dita filial. VAL: Valdemir Pellenz — arbitramento salarial período anterior GFIP. Valdemir Balduino Pellenz foi registrado como empregado em 05/06/2002, na filial de Taboão da Serra ,porém exercia as funções de gerente na filial de Guarulhos/Embu, desde,no minimoanarço de 1998,periodo em que foram localizados documentos assinados por ele (relatório de caixa, recibos de pagamentos,cheques etc). [...] Entretanto, em ambos os casos há que se observar o disposto na legislação: no primeiro caso, o arbitramento somente será autorizado se verificada a ocorrência da situação descrita no citado parágrafo e, ainda, que a autoridade lançadora fundamente seu ato, informando, seja no Relatório de Fundamentos Legais do Debito ou no Relatório Fiscal da Notificação. O que no presente caso não ocorreu. Acrescente que além de verificada a situação fática, ou seja, de demonstrar os motivos que levaram à adoção de tal medida, que ensejaria o Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14485.000507/200757 Acórdão n.º 9202003.033 CSRFT2 Fl. 13 7 lançamento por arbitramento 6, também, imprescindível a indicação do dispositivo legal que autoriza o procedimento, no caso o art. 33 § 3° e/ou 6° da Lei n° 8212/91 [...] No segundo caso, a teor do disposto no referido art. 229 não basta a autoridade lançadora afirmar, como consta do relatório, a presença de elementos formadores da relação empregatícia, é necessário demonstrar, no relatório fiscal, de forma inconteste, a existência, não um, mas todos os elementos caracterizad9res da citada relação. No caso vertente, autoridade fiscal não se preocupou em demonstrar a existência dos referidos elementos. Assim, o lançamento da maneira como foi efetuado não pode prevalecer, uma vez que não houve por parte da autoridade notificante a quem compete motivar o ato administrativo do lançamento, demonstrar com clareza a existência do fato gerador, o que permeia o ato de vicio material insanável, ensejando a decretação de sua nulidade, na parte relativa aos levantamentos: BEN: BENTO Antônio de Borba e NAD: Nadir da Silva Passos. [Grifo nosso] Portanto, o acórdão e a divergência baseiamse em dispositivos legais distintos, assim, não há que se falar em divergência, pois para sua existência a interpretação deve se basear no mesmo dispositivo legal. Além disso, o segundo paradigma declarou o vício como material. Peço vênia para adotar, como razões de decidir, os fundamentos do Conselheiro Elias Sampaio Freire, manifestados em voto na CSRF, referente ao processo 11065.005916/200379: Como se vê, no acórdão paradigma, a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 decorre da aplicação do artigo 44, § 1, inciso IV do mesmo diploma legal, aplicável, no caso, pela falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido. Por seu turno, no acórdão recorrido, a aplicação da multa isolada decorre da ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnêleão), com fundamento no art. 44, § 1, inciso III da Lei nº 9.430/96. Inicialmente há de se salientar que a divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 MORAL. FIXAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA. 1. A majoração do quantum indenizatório a título de dano moral é medida excepcional e sujeita a casos específicos em que for constatada condenação ao pagamento de valor irrisório, o que não ocorre nos autos. Precedentes. 2. A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram, o que não ocorre in casu. (GRIFEI) 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1092014 / RSAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02006846, Relator Desembargador convocado do TJ/AP HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO, DJe 02/09/2009) DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSTRIÇÃO PATRIMONIAL. REQUISITOS AUTORIZADORES DA MEDIDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I Hipótese em que os agravantes tiveram constrição patrimonial decretada em face de pedido do Ministério Público em Ação Civil Pública tendente a apurar irregularidades em certames licitatórios. II Alegam os recorrentes que existem discrepâncias entre o acórdão recorrido, que reconheceu a possibilidade da constrição patrimonial, e decisão deste Tribunal Superior sobre matéria similar. III A escorreita demonstração de dissídio jurisprudencial requer não apenas o apontamento de decisões díspares prolatadas por Tribunais diversos, mas antes de tudo que se verifique que as decisões conflitantes se deram ante a interpretação do mesmo dispositivo de lei federal. (GRIFEI) IV Se, como no caso dos autos, Tribunais diversos divergem apenas quanto a quais fatos configurariam o fumus boni iuris e o periculum in mora, não há interpretação divergente de dispositivos legais. V Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1120568 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02422717, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 10/06/2009) Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. Só se configura a divergência entre julgados quando existem interpretações diferentes do mesmo dispositivo legal aplicado a situações semelhantes. Recurso especial não conhecido (GRIFEI) Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14485.000507/200757 Acórdão n.º 9202003.033 CSRFT2 Fl. 14 9 (Acórdão CSRF/0202.128, Relator: conselheiro Antonio Carlos Atulim) Ademais, não se verifica, no precedentes citado, a perfeita similitude fática entre as hipóteses confrontadas, posto que o acórdão recorrido trata de ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnêleão), enquanto o acórdão paradigma trata de falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido. Portanto, acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática refirase a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Confirase, nesse sentido, o seguinte precedente desta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL – INEXISTÊNCIA – RECURSO NÃO CONHECIDO – É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei nº 9.430, de 1996. (Rec. Especial nº 102151.750, acórdão nº 920200.136, Relator conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2009 Elias Sampaio Freire Destarte, como está claro que a divergência e o acórdão não deram interpretação divergente a dispositivo legal idêntico, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela nobre Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11020.720388/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA.
A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE. Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido.
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Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS BASE DE CÁLCULO CRÉDITO DE ICMS NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 03 88 /2 00 7- 21 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de PIS recolhido pelo regime da não cumulatividade. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O contribuinte supracitado solicitou ressarcimento de contribuição nãocumulativa (PIS nãocumulativo), conforme pedido constante nos autos. O pedido foi deferido parcialmente, visto que o contribuinte não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das cessões de créditos de ICMS. O interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, onde discorda da glosa efetuada. Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros. Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa.” Após analisar as alegações trazidas pela Recorrente, a Segunda Turma da DRJ de Porto Alegre lavrou o acórdão nº 1024.179, por meio do qual manteve a glosa realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720388/200721 Acórdão n.º 3302002.433 S3C3T2 Fl. 11 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS, decorrente do resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela contribuinte em sua atividade, os quais foram devidamente quantificados e apresentados à fiscalização (valor positivo) e (2) na indicação do valor devido a título de PIS, regularmente declarado em DCTF (valor negativo). Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 09/10), in casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não calculou seu débito de PIS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber: “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS para terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Não obstante, o art. 10 da lei 10.637/02 determina que a base de cálculo do PIS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil ou denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°: Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2° A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (NR da lei 10.865/04). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI — não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003).” A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente , importa no auferimento de receitas. É o que dita a Resolução n° 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou o apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade: Resolução N° 774, de 16/12/94, do CFC: 2.6.3 ALGUNS DETALHES SOBRE AS RECEITAS E SEU RECONHECIMENTO A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis , com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazêlo num prazo qualquer.” Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720388/200721 Acórdão n.º 3302002.433 S3C3T2 Fl. 12 5 Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o PIS devido no período, deixou de considerar na base de cálculo do tributo o valor relativo ao Crédito de ICMS não cumulativo, o que gerou a conclusão de recolhimento a menor do tributo. O problema, portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de PIS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de PIS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de PIS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo do PIS (correspondente ao crédito de ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e, consequentemente, deixou de constituir este tributo. Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento. Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Tendo em vista que o julgamento é realizado por um órgão colegiado, em vista da possibilidade de meus pares não concordarem com minhas conclusões preliminares, por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa. Vejamos. De acordo com os autos, a autoridade administrativa entende que deve ser incluído na base de cálculo do PIS e Cofins o produto da venda de créditos acumulados de ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.637/02, a saber: “Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” (destaquei) Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa. Em meu entender, exatamente neste ponto que o legislador deixou de se preocupar com a forma, definindose pela essência, quando acenou que a tributação independe de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita. Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar. Inicialmente, é necessário esclarecer que o saldo credor de ICMS, no demonstrativo contábil da apuração do resultado do exercício, será sempre o valor do "débito" do ICMS, pois é o resultado negativo da conjunção dos créditos referentes aos valores de ICMS pago pela Recorrente nas aquisições (registrados na conta de passivo Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720388/200721 Acórdão n.º 3302002.433 S3C3T2 Fl. 13 7 exigível) com os débitos deste mesmo ICMS recebidos pela Recorrente nas operações de venda. Em razão do princípio da não cumulatividade, nas operações de venda de mercadorias, a nota fiscal é emitida com o destaque do ICMS devido, que é pago pelo contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a recuperar. Conforme lecionado pelo ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto1, “Os créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.” A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial. Desta forma, com razão a Recorrente em não incluir na base de cálculo do PIS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS, objeto deste processo. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/200316, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 20179.964. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 13811.000737/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/02/2001 a 28/02/2001
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA.
Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de apreciação de argumento essencial decorrente de fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato.
Numero da decisão: 3201-001.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki, que negava provimento.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 21/02/2001 a 28/02/2001 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de apreciação de argumento essencial decorrente de fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 189 1 188 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.000737/200119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.578 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente SPAL INDÚSTRIA DE BEBIDAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/02/2001 a 28/02/2001 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de apreciação de argumento essencial decorrente de fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki, que negava provimento. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 07 37 /2 00 1- 19 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13811.000737/200119 Acórdão n.º 3201001.578 S3C2T1 Fl. 190 2 Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT em São Paulo que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação pleiteada. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao saldo credor de IPI, no 3° decêndio de fevereiro de 2001, no valor de R$ 22.374,70, a ser aproveitado no pedido de compensação de fl. 02 do processo n° 16349.000143/200701, em apenso. A DERAT, mediante o despacho decisório de fls. 104/111, indeferiu o pedido de ressarcimento, em razão dos créditos se referirem a períodos anteriores a janeiro de 1999, ou seja, anteriores ao advento da Lei n° 9.779/99; pela impossibilidade de transferência de créditos entre os estabelecimentos; e pelo pedido se referir a um decêndio, quando somente era admitido pedidos por trimestre. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 113/125, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Houve a homologação tácita do pedido de compensação; 2. Defende o direito ao crédito com base no principio da não cumulatividade. Por fim, requer a homologação das compensações e o reconhecimento do direito creditório. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/02/2001 a 28/02/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13811.000737/200119 Acórdão n.º 3201001.578 S3C2T1 Fl. 191 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Nesta peça, afirma que o motivo utilizado pela autoridade julgadora para não apreciar todas as questões expostas em sua peça inicial é equivocada, pois apresentou seu pedido de compensação tempestivamente. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Para auxiliar no deslinde da questão, reproduzse o trecho em litígio da decisão recorrida: Quanto à análise do crédito, a questão fica prejudicada e torna se desnecessária em decorrência da homologação tácita, já que o montante compensado absorve todo o valor solicitado a titulo de ressarcimento, não restando crédito algum para ser analisado ou ressarcido. Ressalvese entretanto, que a homologação tácita se limita ao valor do crédito requerido, sendo que o pedido de compensação de fl. 02 do processo n° 16349.000143/2007 03, em apenso, referese a imposto já vencido na data do protocolo: vencimento em 23/06/2001 e protocolo em 25/06/2001, o que pode resultar em parcela não homologada. Do exposto, constatase que o órgão a quo não analisou as questões postas pela contribuinte referentes ao seu direito creditório devido a desconsiderar a declaração de compensação protocolada em 25/06/2001, posto referirse a imposto já vencido em 23/06/2001. Em atenção ao entendimento acima citado, inicialmente já se verifica um equívoco por parte da decisão recorrida, pois, conforme demonstrado pela recorrente (Ato Declaratório Executivo Cosar nº 38/2001), a data de vencimento do IPI – bebidas do 2º decêndio do mês de junho de 2001 ocorreu em 25/06/2001, e não em 23/06/2001, como consta da decisão. Ademais, inexiste na legislação tributária a alegada vedação à utilização de declaração de compensação para tributos vencidos. Procede portanto, o protesto da recorrente com relação à falta de apreciação, por parte da autoridade recorrida, de questões relevantes expostas em sua peça inicial. Impende ressaltar que, apesar de o julgador não estar obrigado a apreciar todos os argumentos trazidos pelas partes, a decisão precisa ser explícita o suficiente para Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13811.000737/200119 Acórdão n.º 3201001.578 S3C2T1 Fl. 192 4 desfazer a lide a ponto de o argumento trazido perder sustentação, situação que não se mostra presente neste processo. Observase ainda que esta falha não pode ser suprida ou sanada nesta instância em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Desta forma, concluise que o Acórdão Recorrido é nulo por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a autoridade julgadora deveria ter apreciado os argumentos apresentados pelo contribuinte como forma de resolver a lide. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, declarando a nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja proferido com o enfrentamento das questões referentes ao direito creditório. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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