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Numero do processo: 14751.002321/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA.
Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA.
Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS EM MERCADORIAS.
As bonificações em mercadorias, quando caracterizadas como descontos incondicionais, devem ser excluídas da base de tributação do Simples, por representarem redução no custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Exige-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte.
Lançamento mantido em parte.
Numero da decisão: 1401-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial para afastar a inclusão da remessa em bonificação como receita tributável.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias, quando caracterizadas como descontos incondicionais, devem ser excluídas da base de tributação do Simples, por representarem redução no custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exige-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte. Lançamento mantido em parte.
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BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias, quando caracterizadas como descontos incondicionais, devem ser excluídas da base de tributação do Simples, por representarem redução no custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exigese através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte. Lançamento mantido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 23 21 /2 00 9- 15 Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.184 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial para afastar a inclusão da remessa em bonificação como receita tributável. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de auto de infração de Simples, decorrente da apuração de omissão de receitas no ano calendário 2005. Pela sua completude, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: Conforme descrições dos fatos, constantes dos autos de infração, fls. 04 a 06, 20 (verso) a 23, 27 a 29 (verso), 33 (verso) a 36, e 40 a 42 (verso), os autos de infração relativos ao anocalendário de 2005, foram decorrentes de: • Omissão de receitas não escrituradas, no valor das notas fiscais de "remessa em bonificação" da fornecedora Souza Cruz S.A. para a contribuinte, equivalente ao valor, ou preço, de custo, das mercadorias remetidas pela fornecedora, a título de bonificação em mercadorias em função dos volumes comercializados pela empresa J. T. de Lima, uma espécie de desconto em mercadorias, em vez de desconto em dinheiro, sendo tais mercadorias não escrituradas consideradas vendidas pelo preço de custo "tendo em vista que os preços são tabelados", e não "simplesmente repassadas aos fumantes contumazes" como forma de propaganda junto a estes, tal como alegado pela fiscalizada. Essas receitas foram relacionadas no "Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros" (fls. 1005 a 1006); • Omissão de receitas equivalentes a pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração. Compras não foram escrituradas no livro Registro de Entradas de Mercadorias (livro fiscal), também não sendo escriturados no Livro Caixa os pagamentos efetuados às empresas Chocolates Garoto S.A., Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.185 3 Souza Cruz S.A. e Refrescos Guararapes Ltda, conforme "Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados" (fls. 1007 a 1023); e Insuficiência de recolhimento, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, integrante dos Autos de Infração (fls. 1033 a 1044). 3. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 1033 a 1044, ainda é descrito que: 3.1. o crédito tributário referese ao SIMPLES, pela ausência de recolhimento relativamente ao ano base de 2005; 3.2. a empresa foi constituída em 20/07/1971 e tem como objetivo o "Comércio varejista de doces, balas, bombons e semelhantes", CNAE 4721104, e está constituída na Junta Comercial como firma individual ou empresária em nome de Jacó Tibúrcio de Lima, CNPJ 08.667.073/000143; 3.3. foi selecionada para fiscalização na operação "Clientes x Fornecedores Compras", porque efetuou compras na ordem de R$ 8.095.748,73, conforme declarações DIPJ de fornecedor, embora a fiscalizada tenha informado para a Receita Federal do Brasil RFB compras acumuladas no valor de R$ 89.893,24, conforme Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica do ano calendário 2005 (fls. 114 a 131); 3.4. a contribuinte tomou ciência do início do procedimento fiscal em 20/01/2009, sendolhe solicitados livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias, de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do ISS, livro Caixa, Registro de Termos de Ocorrências e de Documentos Fiscais e Registro de Inventário, Notas Fiscais de entradas e saídas de mercadorias e de serviços prestados em 2005, além de contrato social e alterações; 3.5. em 29/01/2009 apresentou os livros documentos solicitados, complementando o material em 04/02/2009; 3.6. também foram colhidos documentos e informações perante terceiros (fornecedores mais representativos em volume de vendas à fiscalizada, no caso: Chocolates Garoto S.A., Souza Cruz S.A. e Refrescos Guararapes Ltda); 3.6.1. o fornecedor Chocolates Garoto S.A. encaminhou cópias de notas fiscais de venda à fiscalizada, canhotos das notas fiscais e planilha com dados de seu livro Razão da conta clientes, onde consta o número de Nota Fiscal, data de emissão, vencimento e forma de pagamento, consoante fls. 182 a 218, e informou que o responsável pelas compras e pagamentos em 2005 e 2006 era o sr. Jacó Tibúrcio de Lima, além de anexar relatório com as formas de pagamentos, informando, posteriormente, a forma e data das quitações (fls. 214 a 218); 3.6.1.1. do confronto dos valores das vendas efetivamente feitas pela fornecedora Chocolates Garotos S.A. com os valores Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.186 4 escriturados no livro Caixa e no livro de Registro de Entradas de Mercadorias da fiscalizada, foram detectadas várias compras e pagamentos não escriturados, sendo lavrado Termo de Constatação Fiscal, acompanhado do Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, com ciência em 29/07/2009; 3.6.2. o fornecedor Souza Cruz S.A. apresentou relação de 792 notas fiscais emitidas em 2005 e 2006, relativas às vendas de cigarros, cartões telefônicos e remessas em bonificações, efetuadas à pessoa jurídica J. T. de Lima, enviando 697 notas fiscais localizadas, justificando que 95 notas fiscais não foram encontradas, possivelmente por arquivamento em locais diversos, mas estava apresentando todos os dados das notas fiscais obtidos de arquivos magnéticos; 3.6.2.1. explicou, a mesma Souza Cruz S.A., que a quitação da venda é dada no momento da entrega das mercadorias, mediante pagamento à vista, ou por pagamento na modalidade "RCC Recibo de Crédito em Carteira", cujo pagamento se dava de 03 a 07 dias da entrega da mercadoria, tendo juntado cópias de RCC, canhotos de entrega de mercadorias em que o sr. Jacó Tibúrcio de Lima aparece atestando o recebimento das mercadorias compradas; 3.6.2.2. no cadastro CNPJ, o nome do sr. Jacó Tibúrcio aparece como proprietário, sendo responsável pelas compras e pagamentos da empresa; 3.6.2.3. a Souza Cruz S.A. foi ainda intimada a apresentar as 95 notas fiscais restantes e para demonstrar as suas formas de pagamento, bem como solicitouse da mesma informar sobre a operação "remessa em bonificação" CFOP 5.910, em que situação se dava tal transação, e para que informasse qual o tipo de relação comercial que mantinha com a fiscalizada; 3.6.2.4. em resposta, a Souza Cruz S.A. enviou 82 notas fiscais e nova relação de notas fiscais e respondeu que a operação "remessa e bonificação" consistia em um bônus em mercadorias concedido ao cliente, em função dos volumes comercializados e ainda que mantinha relação comercial normal de venda por atacado dos produtos que comercializava e não havia qualquer vinculo contratual entre as empresas; 3.6.2.5. do confronto dos valores das vendas efetivamente realizadas pela fornecedora Souza Cruz S.A. com os valores escriturados no livro Caixa e no livro Registro de Entradas de Mercadorias da pessoa jurídica J. T. de Lima, constatouse que as compras e os pagamentos efetuados à empresa Souza Cruz S.A. não foram escrituradas no livro fiscal de Registro de Entradas de Mercadorias, nem ocorreu o registro do pagamento no livro Caixa, conforme fls. 132 a 181, sendo lavrado Termo de Constatação Fiscal, acompanhado do Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, com ciência em 29/07/2009; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.187 5 3.6.3. após intimações, a empresa Refrescos Guararapes Ltda apresentou via correio eletrônico planilha com todas as vendas realizadas à fiscalizada, e sua forma de pagamento e posteriormente entregou as 3a vias de notas fiscais e boletos das operações comerciais realizadas com a J. T. de Lima, informando o nome do sr. Jacó Tibúrcio de Lima como responsável e garantidor das operações comerciais, além de enviar mais 14 notas fiscais em resposta à pedido de complementação de informações; 3.6.3.1. foram detectadas várias compras e pagamentos não escriturados, mediante o confronto dos valores das vendas efetivamente realizadas pela fornecedora Refrescos Guararapes Ltda com os valores escriturados no livro Caixa e no livro Registro de Entradas de Mercadorias da pessoa jurídica fiscalizada, sendo lavrado Termo de Constatação Fiscal, acompanhado de Demonstrativo das Compras e Pagamentos não escriturados, com ciência em 29/07/2009; 3.7. as aquisições e os respectivos pagamentos feitos às empresas Chocolates Garoto S.A., e Refrescos Guararapes Ltda, tiveram alguns registros feitos nos mencionados livros Caixa e de Registro de Entradas de Mercadorias; 3.8. o Termo de Constatação Fiscal está acompanhado do Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados e 05 planilhas referentes às mercadorias recebidas a título de remessa de bonificação, espécie de bônus em mercadorias, ou de desconto em mercadorias, consoante o Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros, sendo que do primeiro demonstrativo constam o n° da nota fiscal, data de emissão, valor, nome do fornecedor, CNPJ e informações de pagamento (data, forma de pagamento e valor), enquanto no segundo demonstrativo constam dados da nota fiscal, fornecedor e CNPJ; 3.9. ainda no curso do procedimento fiscal, a fiscalizada apresentou suas contrarazões ao Termo de Constatação Fiscal em 12/08/2009, alegando que: 3.9.1. é comerciante há mais de 30 anos, e sempre soube que cigarros eram tributados no momento da aquisição; 3.9.2. o lucro com cigarros sempre foi pequeno, não havendo que pagar outro imposto sobre a sua venda, sendo o lucro bruto de 2% no atacado, que representam 95% das vendas, e de no máximo 8% na venda ao consumidor, sem levar em conta as perdas; 3.9.3. reconhece que em momento algum enviou notas fiscais para lançamento nos livros de entradas de mercadorias nem informou à contabilidade o montante dessas vendas, não sabendo que tais notas fiscais deveriam ser lançadas na contabilidade, bem como as suas vendas, e que estava cometendo uma infração fiscal; Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.188 6 3.9.4. reconhece como verdadeiras as compras à Souza Cruz S.A. levantadas pela fiscalização e desconhece os motivos para o não lançamento das notas fiscais de aquisição de mercadorias junto às empresas Refrescos Guararapes Ltda e Chocolates Garoto S.A., o que talvez se devesse ao extravio de tais documentos, por serem em pequeno número; 3.9.5. as mercadorias dadas pela Souza Cruz a título de bonificação ou brinde eram para serem distribuídas a título de propaganda comercial, não sendo vendidas nem delas obtinha lucro ou receita, sendo repassadas aos fumantes contumazes; 3.9.6. discorda da inclusão da nota fiscal n° 029551, de 12/12/2005, no valor de R$ 52.522,72, pois acredita haver um engano já que os valores dos brindes giravam em torno de R$ 300,00 a R$ 1.000,00; 3.9.7. solicitou que fosse tributado levandose em conta a margem de lucro bruto de 2% sobre o preço de custo e que, diante da possível autuação, seja dada maior a celeridade possível, de modo a poder participar do parcelamento previsto na Lei n° 11.941/09; 3.10. a partir das respostas da contribuinte ao Termo de Constatação Fiscal, a fiscalização concluiu e relatou, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1033 a 1044), integrante dos Autos de Infração, que: 3.10.1. assistia razão à contribuinte quanto à inclusão da nota fiscal n° 029551 como não sendo remessa em bonificação ou desconto, por se tratar, de fato, de aquisição de mercadoria, excluindo o seu valor do Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros e o incluindo no Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados; 3.10.2. do total das vendas de mercadorias em 2005, os cigarros representaram 99,30%, os refrigerantes 0,47% e chocolates 0,23%; 3.10.3. quanto à alegação da contribuinte de que o imposto era pago quando da aquisição do cigarro junto à empresa Souza Cruz S.A., a fiscalização esclarece estar correta sua afirmação no que se refere ao PIS e Cofins, uma vez que os fabricantes e importadores, na condição de contribuinte e de responsável, como substituto tributário, dos comerciantes varejistas e atacadistas, recolhem tais contribuições sociais, baseados na Lei Complementar n° 70/91, art. 3o , Lei nü 9.532/97, art. 53 e art. 81; Lei n° 9.317/96, art. 5° §5°; Lei n° 9.718/98; Decreto n° 4.524/02, arts. 4o , 37, 47 e 82 e 83; e Lei n° 10.865/04, art. 29 e 53; 3.10.4. os comerciantes varejistas optantes pelo SIMPLES Federal, entretanto, não podem excluir o PIS e a Cofins já descontada na aquisição, assim como não poderá afastar da receita bruta o valor das vendas desse produto (cigarros), Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.189 7 conforme Lei n° 9.317/76, art. 5o , §5°; Decreto n° 4.524/02, art. 4 o e art. 37 e a IN SRF n° 247/02, art. 4 o e 38; 3.10.5. esclareceu também que diferentemente ocorre com o SIMPLES Nacional, conforme inciso IV, §4° do art. 18 da Lei n° 123/2003, que manda reduzir, do montante devido, as receitas decorrentes de substituição tributária, de modo que, se o SIMPLES Nacional existisse desde o exercício de 2005, essas receitas de cigarros não seriam incluídas no cálculo do imposto devido, no entanto, no SIMPLES Federal, como é o caso, não há previsão para exclusão das receitas tributárias oriundas de mercadorias adquiridas com substituição tributária; 3.10.6. no que se refere ao pedido para ser tributado de acordo com a sua margem de lucro bruto de 2% sobre a comercialização de cigarros, esclareceu ainda, a fiscalização, que não há tal previsão legal para as empresas optantes pelo SIMPLES Federal, de modo que, no caso em apreço, o sujeito passivo deveria ter optado pelo regime de tributação Lucro Real, onde é apurado o lucro contábil de receitas menos os custos e despesas operacionais; 3.10.7. diferentemente do que diz a contribuinte, a empresa Souza Cruz S.A. informou que a operação remessa em bonificação consistia de bônus em mercadorias concedido ao cliente em função dos volumes comercializados, não se tratando de mercadoria dadas para distribuição gratuita a título de propaganda conforme defende a empresa; 3.11. considerandose a informação da Souza Cruz S.A. de que a operação de remessa em bonificação, CFOP 5.910, consistia em bônus em mercadorias cedidas ao cliente em função do grande volume de vendas de cigarros, configurandose numa espécie de desconto, só que dado em mercadoria, e não doação para que a fiscalizada procedesse à distribuição gratuita aos "fumantes contumazes" como forma de propaganda do cigarro, como alegado pela defendente, foi elaborada a planilha Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros, receitas, essas, omitidas, que tiveram origem nas mercadorias cedidas pela fábrica a título de bônus ou descontos comerciais à cliente J. T. de Lima, em função do montante comercializado; 3.12. a fiscalizada foi intimada a justificar a falta de escrituração das compras no livro Registro de Entradas de Mercadorias e a falta de registro de pagamentos no livro Caixa relativamente às aquisições feitas junto às empresas Souza Cruz S.A., Chocolates Garoto S.A. e Refrescos Guararapes Ltda., todavia não comprovou a escrituração dos pagamentos, pelo que foram elaboradas as planilhas Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, considerandose a não escrituração em omissão de receitas, conforme art. 40 da Lei 9.430/96 e art. 281 do RIR/99; 3.13. assim, foram consideradas as omissões de receitas: mercadoria recebida a título de desconto e os pagamentos não escriturados no livro Caixa, cujos valores contam dos Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.190 8 demonstrativos: Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros e Demonstrativo das Compras e Pagamentos não Escriturados, apurandose a base de cálculo do SIMPLES a partir dos valores tributáveis desses demonstrativos, levandose em conta que, no caso do SIMPLES, as únicas deduções permitidas são relativas às vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo vedada qualquer outra exclusão, seja em função da alíquota incidente ou tratamento diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo e isenção, nos termos do art. 2o , §§ 2 o e 4 o da Lei 9.317/96, e art. 4 o , §1°, e art. 19, da IN SRF n° 355, de 2003; 3.14. verificouse que a empresa deixou de recolher ou recolheu a menor o SIMPLES (IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, "IPI" e INSS) para o período constante do auto de infração, anocalendário de 2005. 4. Devidamente notificada dos Autos de Infração em 15/12/2009, e não se conformando, a contribuinte apresentou, em 14/01/2010, as suas razões de defesa, fls. 1048 a 1053, argumentando, em síntese, que: 4.1. é empresário individual, representado pelo titular, sr. Jacó Tibúrcio de Lima; 4.2. consta do auto de infração que deixou de efetuar o registro no Livro de Registro de Entradas e no Livro Caixa diversas notas fiscais de entradas de mercadorias para revenda adquiridas das empresa Sousa Cruz S/A, Chocolates Garoto S/A e Refrescos Guararapes S/A, caracterizando infração fiscal conforme art. 40 da Lei 9.430/96, tendo o auto de infração o valor total de R$ 2.095.544,01, a título SIMPLES (CSLL, IRPJ, PIS, COFINS e INSS), multas e juros, relativamente ao ano base de 2005; 4.3. foi questionado pelo agente fiscal sobre a aquisição de mercadorias conforme uma relação com diversas notas fiscais de mercadorias adquiridas da empresa Sousa Cruz S/A e umas poucas das empresas Chocolates Garoto S/A e Refrescos Guararapes S/A, sendo notório que, à época, o conhecimento dos pequenos comerciantes do Mercado Central era de que cigarro sempre tivera seus impostos recolhidos na fonte, não havendo imposto posterior a ser pago, ''daí por falta de orientação deixar de lançar nos Livros de Registro de Entradas e no Livro Caixa tais aquisições", o que foi confirmado por escrito ao agente fiscalizado; 4.4. cigarro é comercializado de forma diferente das outras mercadorias (chocolates e refrigerantes), já que o cigarro tem preço tabelado, sendo vendido pelo preço que é adquirido, e a empresa Sousa Cruz S/A cede mercadorias a título de bônus ou descontos comerciais em função do volume comercializado, nos percentuais de 1%, 1,5% e 2%, de acordo com a marca do Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.191 9 cigarro, sendo o ganho pequeno, apesar do volume monetário da operação ser alto; 4.5. apresenta "alguns demonstrativos e considerações que comprovam a inaplicabilidade do valor apurado no auto de infração", sendo: 4.5.1. o "quadro demonstrativo de 'Receitas, Impostos Incidentes s/ Receitas, Custo das Mercadorias Vendidas e Lucro Bruto' de acordo com as Notas Fiscais relacionadas no referido Auto de Infração", o qual "considera que os impostos (JCMS, Cofins e PIS) incidentes nas receitas com cigarro e com refrigerantes são cobrados através de substituição tributária"; 4.5.1.1. "conforme quadro demonstrativo acima (...) o valor da Receita Bruta acrescido do valor da Bonificação totalizam um montante de R$ 9.229.076,50 (...), o Lucro Bruto é de R$ 100.039,67 (...), valor pequeno em relação à receita total, uma vez que 99,32% da Receita Bruta é representado por operações com 'cigarro' e a mesma tem um valor adicionado ínfimo, e a cobrança na fonte do PIS, Cofins e ICMS'; 4.5.1.2. apresenta um comparativo entre os valores dos tributos PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, apurados nos autos de infração (no total de R$ 468.405,77) e os valores dos mesmos tributos apurados a partir do que chama de "efetivo lucro da empresa" (com o valor total de R$ 24.455,71), encontrando uma diferença total de R$ 443.950,06; 4.5.2. "o novo Sistema Simplificado de Arrecadação 'Simples Nacional' estabelecido conforme Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, contempla que o contribuinte deverá considerar, destacadamente, para fim de pagamento as receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas a substituição tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de tributação"; 4.5.2.1. o Simples Nacional permite abater da base de cálculo do PIS, da Cofins e do ICMS o valor de receitas que já sofreram tributação na fonte, o que o Simples Federal não contemplava, tributando todas as receitas sem considerar o que já havia sofrido tributação na fonte, conforme a base de cálculo do auto de infração. Apresenta quadro demonstrativo comparativo entre o Regime de recolhimento do SIMPLES Federal e do SIMPLES Nacional, pelo qual encontra uma diferença de R$ 348.424,01 a maior no primeiro em relação ao segundo, entre os totais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a mesma base de cálculo de R$ 9.229.076,50; 4.5.3. a contribuição para o INSS no auto de infração foi calculada de acordo com as alíquotas do SIMPLES Federal, obtidas através da receita acumulada; 4.5.3.1. como o valor das operações com cigarro é alto, o percentual da contribuição para o INSS, foi "de Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.192 10 aproximadamente 4,98%'', "o que é inaplicável uma vez que o valor adicional do cigarro varia entre 1%, 1,5% e 2%>"; 4.5.3.2. explica que no seu estabelecimento são necessários em média quatro empregados e apresenta um demonstrativo com o valor dos encargos para com o INSS sobre a Folha de salários, pro labore e autônomos para o ano de 2005, encontrando um total de R$ 8.076,00, de sorte a apurar uma diferença de R$ 451.295,17 em relação ao valor constante do auto de infração a esse título, que foi de R$ 459.371,17; 4.5.4. apresenta um comparativo dos tributos apurados, conforme tenham incidido sobre o que chama de "resultado efetivo (lucro real) da empresa''' "e os apurados no auto de infração'", chegando a uma diferença total de R$ 895.245,23; 4.6. conclui que o valor dos impostos e contribuições está super avaliado em aproximadamente 2.850%, do que discorda, alegando que a penalidade deve ser proporcional ao agravo e "o acréscimo de 2.850% incide no valor dos impostos e contribuições e também sobre multas por infração fiscal e juros de mora"; 4.7. "por falta de orientação e com pouco esclarecimento que se têm os pequenos comerciantes do 'Mercado Central', e acreditando que o imposto do cigarro era totalmente recolhido na fonte e que não havia mais nada a recolher (...), o pequeno empresário tributou a atividade de bomboniere no Simples federal. Mas as operações com cigarro não podem ser tributadas pelo SIMPLES FEDERAL uma vez que o valor adicionado (1%. 1,5% e 2%) é menor que a alíquota do imposto (3% a 15,12%)"; 4.8. essa situação é agravada uma vez que 99% das receitas que compõem a base de cálculo são oriundas da venda de cigarros, conforme lista de NF apresentadas no auto de infração; 4.9. alega, por fim, que houve cerceamento ao direito de defesa pela forma de cálculo dos "impostos" no auto de infração, com valor impossível de recolhimento, considerando os bens do autuado e a realidade do período onde houve um ganho de aproximadamente R$ 100.000,00 e um auto de infração de R$ 2.095.544,01, pelo que requer o cancelamento do débito fiscal, asseverando que tal feito seria a aplicação mais lídima justiça. Posto o feito em julgamento perante a DRJ de Recife, entendeu colegiado por negar provimento à impugnação, tendo a decisão sido ementada como se segue: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.193 11 Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exigese através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em que renova as razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. É o caso de omissão de receitas constatada em procedimento fiscal, no qual a Autoridade Fiscal requisitou informações à Souza Cruz S/A e a outros fornecedores do Recorrente sobre as vendas à ela realizadas durante o anocalendário de 2005. Concluídos os trabalhos fiscais, foram apuradas três infrações distintas: 1) omissão de receitas relativas às bonificações recebidas da Souza Cruz S/A; 2) omissão de receitas relativas a pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração contábil e 3) insuficiência do valor recolhido. Em relação ao primeiro item, entendo que não deve prevalecer a exigência firmada pelo Fisco Federal. Explicome: Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1104/1105) que a empresa Souza Cruz S.A. concedia ao Recorrente uma espécie de desconto dado em mercadoria, denominado “remessa em bonificação”, consoante se infere do seguinte trecho: A partir de informações prestadas pela empresa Souza Cruz S.A. de que a operação “remessa em bonificação”, código fiscal de Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.194 12 operação e serviço – CFOP 5.910, consistia em bônus em mercadorias cedidas ao cliente, em função do grande volume de vendas de cigarros, espécie de desconto dado em mercadoria, e não doação para o cliente a título de propaganda do produto do cigarro, para distribuição gratuita (folha 259). Diante disso, elaborouse com suporte nas informações prestadas pela empresa Souza Cruz S.A., CNPJ 33.009.911/009276, a planilha contendo “Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros” (folhas 104 a 108), que tiveram origem nas mercadorias cedidas pela fábrica de cigarros a título de bônus ou descontos comerciais a cliente J T DE LIMA, em função do montante comercializado. Como visto, a Souza Cruz S.A. esclareceu que a operação de “remessa em bonificação” representa bônus em mercadorias concedidos ao cliente, em função dos volumes comercializados. Dos documentos acostados aos autos, verificase que essa bonificação é instrumentalizada por meio de nota fiscal à parte, diversa daquela na qual foi registrada a venda de mercadorias. Esse tipo de procedimento é normalmente adotado pelas empresas que, por questões comerciais, optam por emitir uma nota fiscal para venda e outra para a bonificação. Sendo assim, a própria fiscalização elaborou a planilha de fls. 104/108 (atuais fls. 152 a 156), denominada “Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros”, a fim de relacionar as notas fiscais de “remessa em bonificação”, as suas respectivas datas de emissão, valores e fornecedores envolvidos, evidenciando a habitualidade das operações. Submetida a matéria à apreciação da DRJ de Recife/PE, esta manteve integramente a autuação ao fundamento de que o Recorrente não comprovou que as mercadorias recebidas em bonificação foram repassadas aos seus clientes sem nenhum ganho: No que se refere às bonificações dadas pela Souza Cruz S.A. em mercadorias “cedidas” à contribuinte em função do volume comercializado por esta, a contribuinte, no procedimento fiscal, na resposta de fls. 109 a 112, simplesmente alega que recebia gratuitamente tal mercadoria e que distribuía ou repassava aos clientes fumantes contumazes, como forma de propaganda, e que não auferia receita de vendas com as mesmas, no entanto não comprovou esse repasse gratuito. Na impugnação, por sua vez, fl. 1049, no que se refere às mesmas bonificações, a contribuinte apenas argumenta que “o cigarro tem preço tabelado para o comerciante” e que “o produto é vendido pelo preço que é adquirido a empresa Souza Cruz S/A”, alegando que “a empresa Souza Cruz S/A cede mercadorias a título de Bônus ou Descontos comerciais em função do volume comercializado. Essa bonificação tem variação de 1%, 1,5% e 2% de acordo com as marcas dos cigarros adquiridos”. No entanto, continua sem apresentar qualquer documentação que comprove o referido repasse gratuito aos seus clientes. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.195 13 Tendo, a contribuinte, a disponibilidade de tais cigarros, referidos como bonificações, e não tendo a mesma comprovado a sua distribuição gratuita, é de se concordar com a omissão das receitas equivalente aos valores das notas fiscais de tais remessas da Souza Cruz S.A. para a J. T. de Lima, que constam dos autos e cujos valores integraram o Demonstrativo das Receitas de Vendas de Cigarros, fls. 1005 e 1006, no montante acumulado no ano de 2005 de R$ 95.723,61, tal como procedido pela fiscalização. Contudo, por discordar dos fundamentos de voto da DRJ, decido afastar a autuação no que diz respeito à incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em relação às “remessas em bonificação”. A bonificação em mercadorias é normalmente concedida na própria nota fiscal de venda e caracterizase como desconto incondicional, não se configurando como receita passível de tributação pela pessoa jurídica beneficiária. Também pode ocorrer que, por questões comerciais, os fornecedores optem por conceder essa bonificação aos seus grandes clientes emitindo uma nota fiscal para vendas e outra nota fiscal para a bonificação. Cada fornecedor é livre para definir a melhor medida a ser adotada na condução dos seus negócios, sendo indiferente o fato de a bonificação ser emitida na mesma nota fiscal da venda – ou não – para a sua configuração como desconto incondicional, pois a bonificação não se enquadra como receita bruta para fins de tributação, até porque essas bonificações servirão apenas para reduzir o custo individual das mercadorias recebidas. É importante ressaltar que o fornecedor não impôs qualquer condição para a remessa das mercadorias a título de bonificação. O fato de estas serem conseqüências de a fiscalizada comercializar bastante a mercadoria a ela remetida não se relaciona a imposição de qualquer condição pela fornecedora. Portanto, o fundamento dessas bonificações não tem o condão de atribuir condições e, conseqüentemente, impor o tratamento dado aos descontos condicionais. Compulsando os autos, verifiquei que a bonificação não está atrelada a qualquer condição que deveria ser cumprida pela Recorrente. Ao contrário, o fornecedor visa bonificar os clientes que possuem um bom desempenho de vendas sem impor qualquer condição. É importante evidenciar que a bonificação tem natureza jurídica distinta dos chamados “descontosexpurgos”, que estão atrelados ao pagamento antecipado de um valor e têm a finalidade de expurgar o montante de juros que estariam embutidos no preço a prazo da dívida. Assim, o pagamento antecipado seria a condição para usufruir daquele desconto. Lado outro, a bonificação ora analisada não impôs nenhuma condição ao cliente. Novamente, impende ressaltar que o fundamento em que se embasou o fornecedor para conceder a bonificação (bom desempenho das vendas) é divergente da imposição de condição. Desse modo, por entender que as “remessas em bonificação” não devem servir de base para tributação dos tributos acima referidos, julgo parcialmente procedente o pedido a fim de afastar o lançamento incidente sobre as “remessas em bonificação”. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.196 14 Quanto aos demais fundamentos da autuação, mantenho integralmente o lançamento, adotando inclusive os mesmos fundamentos de voto da DRJ, que tratou adequadamente da questão. O próprio Recorrente, em seu recurso voluntário, afirma que o “‘Simples Nacional’ estabelecido conforme Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, contempla que o contribuinte deverá considerar, destacadamente, para fim de pagamento as receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas a substituição tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de tributação. Com isso o Simples Nacional permite abater da base de cálculo do Pis, da Cofins e do Icms o valor que receitas que já sofreram tributação na fonte. Hipótese que o Simples Federal não contemplava, e com isso tributava todas as receitas sem considerar o que já havia sofrido tributação na fonte, conforme apresentado na base de cálculo do auto de infração.” Apesar de o Recorrente ter razão na fundamentação do seu raciocínio, ele partiu de premissa equivocada, o que ensejou o engano na aplicação das normas ao caso concreto. Isso porque, no anocalendário de 2005, que foi aquele objeto do presente lançamento, ainda estava em vigor a Lei n° 9.317/96, por meio da qual a empresa optante do Simples era tributada pela aplicação das alíquotas dos tributos integrantes desse sistema sobre a receita bruta, somente podendo ser excluídas destas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Por expressa previsão legal, não poderiam ser excluídos tributos incidentes ou descontados quando da aquisição das mercadorias, seja por meio de substituição tributária, tributação monofásica ou antecipação tributária no caso do ICMS. É o que dispõem os arts. 4º e 37 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 47 (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º , Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 53, e Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 5º ). Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto. Art. 37. Os comerciantes varejistas de cigarros, em decorrência da substituição a que estão sujeitos na forma do caput do art. 4º , para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor das vendas desse produto, desde que a substituição tenha sido efetuada na aquisição (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º , Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 5º , Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 5º , § 5º , e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 53). Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.197 15 Parágrafo único. O disposto neste artigo não alcança os comerciantes varejistas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Tributos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). No caso em tela, como já mencionado, no anocalendário de 2005 o Recorrente era optante pelo Simples Federal, de acordo com as regras aplicáveis à Lei n° 9.317/96, que estiveram em vigor até 30/06/2007, quando foi revogada pela Lei Complementar n° 123/2006, que começou a vigorar em l°/07/2007 (art. 88). Somente com as inovações trazidas pela Lei Complementar n° 123/2006 é que as empresas optantes pelo Simples Nacional puderam considerar destacadamente as receitas de vendas de mercadorias sujeitas à substituição tributária, tributação monofásica e, no caso do ICMS, à antecipação tributária com encerramento de tributação (art. 18). Desta feita, apesar das constatações do Recorrente relativas às diferenças entre a apuração de tributos nos planos do Simples Nacional (LC nº 123/2006) e do Simples Federal (Lei n° 9.317/96), é certo que para os fatos geradores do anocalendário de 2005 não poderiam ser aplicados os benefícios implementados pela Lei Complementar nº 123/2006 no que diz respeito ao destaque do PIS, da COFINS e do ICMS nos casos de mercadorias sujeitas à tributação monofásica e à substituição tributária. É importante destacar que o parágrafo único do art. 37 do Decreto nº 4.524/02 impõe restrição que não encontra amparo em lei. Assim, teria razão o contribuinte em alegar a inaplicabilidade do referido decreto vez que ausente o fundamento legal. Mesmo porque, em princípio, parece fugir da lógica da tributação no regime de substituição onde se impõe ao fabricante a condição de contribuinte substituto do comerciante varejista, atribuindolhe a base de cálculo relativa ao preço de venda no varejo, e, em direção oposta, impõe aos comerciantes varejistas (optantes pelo Simples) o novo pagamento das contribuições sobre o mesmo preço praticado no varejo. Confirase o que dispõe o art. 47 do Decreto nº 4.524/02 acerca da tributação dos fabricantes de cigarros: Seção V Regime de Substituição Art. 47. A contribuição mensal devida pelos fabricantes e importadores de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o preço de venda no varejo, multiplicado por (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º , Lei nº 9.532, de 1997, art. 53, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 5º ): I 1,38 (um vírgula trinta e oito), para o PIS/Pasep; e II 1,18 (um vírgula dezoito), para a Cofins. Repare que impõese ao fabricante a condição de contribuinte substituto dos comerciantes varejistas, com base de cálculo majorada (preço de venda no varejo multiplicado Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.198 16 pelos percentuais definidos), e, ainda, impossibilita a exclusão dos comerciantes varejistas das receitas oriundas da venda do cigarro, no caso deste ser optante pelo Simples Federal. Mesmo compreendendo as razões e concordando com o alegado pelo Recorrente, afasto esse entendimento em virtude do disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como no art. 59 do Decreto nº 7.574/11, que vedam aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de decreto. Portanto, contendo a expressa impossibilidade no Decreto nº 4.524/02 (art. 37), mantenho o lançamento nos moldes em que efetuado. Com relação às receitas submetidas à tributação e à alegação do Recorrente de que possui baixa margem de lucratividade e que, por isso, não poderia ter as suas receitas integralmente submetidas à tributação pelo Simples Federal, também entendo que os seus argumentos não devem prosperar. Ao realizar a sua opção pelo Simples Federal, único regime simplificado vigente no âmbito federal em 2005, o Recorrente escolheu submeterse às regras da Lei n° 9.317/96, pelas quais a base de tributação deve ser a receita bruta mensal auferida pelo contribuinte, nos moldes em que apuradas pela fiscalização a partir da comprovação de pagamentos com recursos estranhos à contabilização. Como bem esclareceu a DRJ, se o Recorrente pretendia fazer uso de deduções além daquelas permitidas pelo Simples Federal (Lei n° 9.317/96), deveria ter optado pela tributação na forma de Lucro Real, por meio da qual poderia excluir os custos de aquisição das mercadorias e despesas, de acordo a legislação de regência dessa forma de tributação. Por fim, quanto à autuação por insuficiência nos recolhimentos mensais, entendo que o que está sendo exigido são apenas diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pelo Recorrente. Assim, reconheço o acertamento dos trabalhos fiscais Por essas razões, entendo por caracterizada a omissão de rendimentos e decido manter o lançamento nos moldes em que efetuado. Entretanto, afasto a exigência tributária no que diz respeito à “remessa em bonificação”, por entender que essas bonificações servirão apenas para reduzir o custo individual das mercadorias recebidas, não podendo ser consideradas como receitas passíveis de tributação. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14751.002321/200915 Acórdão n.º 1401000.794 S1C4T1 Fl. 1.199 17 Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 11516.002562/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 25 62 /2 00 7- 89 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 2 SILVIO DOS SANTOS, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 491.992.508 53, com domicílio fiscal na cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, à Rua General Eurico Gaspar Dutra, nº 440, 401 B – Bairro Estreito, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 41/43, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fl. 47. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 18/06/2007, a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 05/08), com ciência por AR, em 25/06/2007 (fl. 38), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 6.719,71 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3.° e §§, da Lei n.° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n.° 8.134, de 1990; art. 33 da Lei n.° 9.250, de 1995; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; art. 7° da Medida Provisória n.° 2.15970, de 2001, art. 43, inciso XIV e XV do Decreto n.° 3.000/99 – RIR, de 1999. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através da própria Notificação de Lançamento (fls. 05/08), entre outros, os seguintes aspectos: que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual, sujeitos à tabela progressiva, no valor de RS 1.032,94 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 157, 80. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 12/07/2007, a sua peça impugnatória de fls. 01/03, instruído pelos documentos de fls. 04/40, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que não houve a omissão de rendimentos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada PGBL e Fapi, mas sim seu lançamento na declaração de Stela Marisa Coelho Thives dos Santos, CPF 422.635.73968, esposa do solicitante, conforme cópia apresentada em anexo da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 2005, ano calendário 2004, no valor de R$ 11.032,94, recebida de Bradesco Vida e Previdência; que o lançamento foi feito na declaração de Stela Marisa Coelho Thives dos Santos por se tratar de um bem comum e foi creditado na conta corrente conjunta do Banco Bradesco, agência 2476, n° 60.0350, movimentada por ambos correntistas; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11516.002562/200789 Acórdão n.º 2202002.073 S2C2T2 Fl. 3 3 que o plano de Previdência Privada PGBL, realizado com um aporte único, teve origem na venda de bens comum ao casal, pois os mesmo se uniram em casamento em 01 de dezembro de 1990, em regime de comunhão parcial de bens, conforme mostram as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do solicitante dos anos de 1998/1977, 1999/1998/ 2000/1999 e 2001/2001, cujas cópias estão apresentadas em anexo; que com relação da Fundação de Estudos Superiores de Administração e Gerência realmente houve omissão dos rendimentos, pois a referida instituição entregou com atraso a informação de rendimentos e eu não fiz a declaração de retificação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que de fato, em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, verificase que a Sra. Stela Marisa Coelho Thives dos Santos, CPF n° 422.635.73968, apresentou, em 21/04/2005, DIRPF/2005, em modelo simplificado, informando rendimentos tributáveis de R$11.032,94, com IRRF de R$157,80, recebidos de Bradesco Vida e Previdência, CNPJ 51.990.695/000137, declaração arquivada sob o n° 09/12.749.904; que as contribuições realizadas a planos de previdência privada são passíveis de dedução e desta, forma, são informadas na "relação de pagamentos e doações efetuados", não sendo informadas na declaração de bens e direitos da DIRPF. O valor resgatado é rendimento tributável e deve ser somado aos rendimentos tributáveis na Declaração de ajuste anual, no ano do seu recebimento, compensandose o respectivo IRRF; que o PGBL Plano Gerador de Benefício Livre é um plano de previdência privada. Os planos de previdência não podem ser considerados bens comuns posto que se constituem num investimento individual, personalíssimo. que o objetivo do Plano é a concessão de benefícios de previdência aberta complementar, não se pode confundir com fundos de investimento de mercado financeiro. A renda ou o resgate são pagos exclusivamente ao participante; que quando o bem é comum, em caso de dissolução da sociedade conjugal, o cônjuge teria direito à meação do mesmo. A meação já pertencia ao cônjuge, eis que referente ao Direito de Família e não de Sucessão. No caso da meação não há transferência de bens, pois estes já pertenciam ao meeiro desde a constituição da união afetiva; que outro argumento de que a aplicação sob exame não pode ser considerado bem comum é o fato de que seu resgate é efetuado apenas por quem detém a titularidade, isoladamente, diferentemente, por exemplo, de um imóvel do casal, em que é necessário que os dois cônjuges assinem a alienação; que assim, sendo o resgate de previdência privada um benefício próprio, privativo/individual, e não um bem comum, deve ser incluído para o ajuste anual na declaração do aplicador/titular, estando correto o lançamento que considerou, também, a compensação do IRRF. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Anocalendário: 2004 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 04/03/2011, conforme Termo constante à fl. 46, e, com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em tempo hábil (25/03/2011), o recurso voluntário de fl. 47, instruído pelos documentos de fl. 48, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que solicita a revisão dos cálculos do imposto lançado em relação aos rendimentos recebidos de Bradesco Vida e Previdência S.A., uma vez que não houve omissão, mas declaração em nome da esposa, como consta no próprio auto; que como não houve má fé e sim um equívoco, o contribuinte solicita a retirada da multa assim como o parcelamento do débito. É o Relatório Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11516.002562/200789 Acórdão n.º 2202002.073 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. A matéria em discussão tem origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi. Inicialmente o contribuinte alega que os rendimentos não foram omitidos, mas informados pela esposa que apresenta declaração em separado, uma vez que tratase de bem comum. A decisão recorrida considerou a impugnação improcedente amparada no argumento de que na aplicação em PGBL, plano de previdência privada (aposentadoria), o benefício se reverte exclusivamente para o participante. No caso de falecimento deste, transferese, de imediato, ao beneficiário por ele nomeado, que pode ser o cônjuge ou qualquer outra pessoa com indicação exclusiva e da vontade do contratante do plano.Assim, sendo o resgate de previdência privada um benefício próprio, privativo/individual, e não um bem comum, deve ser incluído para o ajuste anual na declaração do aplicador/titular, estando correto o lançamento que considerou, também, a compensação do IRRF. Inconformado, de forma parcial, pleiteia, nesta fase recursal, a exclusão da multa de lançamento de ofício sob o argumento de que como não houve má fé e sim um equívoco, o contribuinte solicita a retirada da multa assim como o parcelamento do débito. Quanto ao parcelamento solicitado o contribuinte deve se dirigir a repartição de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil por se tratar de matéria de execução de decisão administrativa. No que diz respeito à exclusão da multa de ofício é de se dizer, que necessário se faz destacar, que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 6 suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11516.002562/200789 Acórdão n.º 2202002.073 S2C2T2 Fl. 5 7 processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN 8 De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Enfim, o que se quer dizer é que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má fé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10480.905177/2010-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 77 /2 01 0- 82 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de setembro de 2003, no valor de R$ 442,29. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 62/68). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 01/03/2012 (fls. 71). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 74/77, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905177/201082 Acórdão n.º 3802001.354 S3TE02 Fl. 81 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de setembro de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (setembro de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de setembro de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10980.002311/2008-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA ESPECIAL DE INTERESSE TURÍSTICO - AEIT
Consideram-se como áreas de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar as dunas, a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovia, a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares, a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico, a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas ou a assegurar condições de bem-estar público.
PERÍCIA. NÃO CABIMENTO.
Incabível o pedido de realização de perícia para produção de provas, no caso do ônus probatório ser de responsabilidade do contribuinte.
IMÓVEL RURAL EM CONDOMÍNIO. DITR. RESPONSABILIDADE POR DECLARAR.
O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, limitando-se ao processo administrativo fiscal em que foram proferidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausentes os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA ESPECIAL DE INTERESSE TURÍSTICO - AEIT Consideram-se como áreas de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar as dunas, a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovia, a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares, a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico, a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas ou a assegurar condições de bem-estar público. PERÍCIA. NÃO CABIMENTO. Incabível o pedido de realização de perícia para produção de provas, no caso do ônus probatório ser de responsabilidade do contribuinte. IMÓVEL RURAL EM CONDOMÍNIO. DITR. RESPONSABILIDADE POR DECLARAR. O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, limitando-se ao processo administrativo fiscal em que foram proferidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausentes os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
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ÁREA ESPECIAL DE INTERESSE TURÍSTICO AEIT Consideramse como áreas de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar as dunas, a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovia, a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares, a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico, a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas ou a assegurar condições de bemestar público. PERÍCIA. NÃO CABIMENTO. Incabível o pedido de realização de perícia para produção de provas, no caso do ônus probatório ser de responsabilidade do contribuinte. IMÓVEL RURAL EM CONDOMÍNIO. DITR. RESPONSABILIDADE POR DECLARAR. O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, limitandose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 23 11 /2 00 8- 36 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 140 2 ao processo administrativo fiscal em que foram proferidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausentes os Conselheiros Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 103), que reproduzo a seguir: “Contra a interessada supra, foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 36 a 44, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios de 2004 e 2005, acrescido de juros moratórios e multa, totalizando o crédito tributário de R$ 65.914,68, relativo ao imóvel rural denominado “Parte dos lotes rurais 02, 03, e 04 – Gl. Rib. do Tronco”, com área total de 378,0 ha, NIRF –Número do imóvel na Receita Federal – 2.959.8842, localizado no município de Antonina/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 41 a 43, a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que houve falta de recolhimento de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural dos exercícios de 2004 e 2005; que após regularmente intimada a contribuinte não comprovou a isenção das áreas declaradas a título de preservação permanente, pois os documentos enviados em sua resposta, não apresentam elementos suficientes para a efetiva caracterização das áreas de preservação permanente existentes no imóvel, tendo em vista que as informações prestadas no ofício se baseiam unicamente em documentos fornecidos pela contribuinte, sem a realização de vistoria no imóvel; quanto ao valor da terra nua, em função da Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 141 3 não apresentação de elementos de comprovação, o mesmo foi arbitrado conforme informações do SIPT para o exercício de 2005. Cientificada do lançamento em 27/02/2008, conforme AR à fl. 46, a interessada apresentou, em 27/03/2008, a impugnação de fls. 50 a 52, aduzindo, em síntese, que: A matrícula do imóvel, registro nº 7.399 do CRI, Comarca de Antonina/PR, comprova que é proprietário de uma parte ideal de 50% (cinqüenta por cento) da área e o restante pertence à Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste Ltda; O imóvel está integralmente abrangido pelo perímetro da área Especial de Interesse Turístico do Marumbi, conforme comprovado no processo 57/94, da Agência de Rendas de Medianeira, com isenção da incidência de ITR, por ser de preservação permanente; A autoridade efetuou a lavratura do auto de infração sem realizar qualquer vistoria no local para verificar a autenticidade das informações prestadas, motivo pelo qual não pode subsistir a infração; Por último, requer nulidade do auto de infração e redução da multa ao mínimo legal. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 53 a 99.” A 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS julgou a impugnação procedente em parte (fls. 101/109), nos termos da ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício:2004, 2005 Nulidade do lançamento. Não tendo sido constatada ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Prova Pericial. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, somente, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis. Área de Preservação Permanente APP em Área Especial de Interesse Turístico AEIT Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 142 4 demais formas de vegetação natural destinadas a, entre outros, proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico e asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção e esteja reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. Matéria Não Impugnada VTN Tributado. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Juros de mora. Multa de Ofício Lançada. É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Acatouse como sendo de preservação permanente a área de 98,3 ha, correspondente à área descrita como “zona primitiva”, localizada dentro da AEIT do Marumbi, criada pela Lei 7.919/84, regulamentada pelo Decreto nº 5.308/85, na qual a área do imóvel se encontra inserida, como reconhecido pelo órgão julgador de primeira instância, com base no Ofício nº 016/92, fls. 94 a 96. Cientificada do acórdão de primeira instância em 17/8/10 (fls. 114), a interessada interpôs, em 15/9/10, o recurso de fls. 115/137, alegando, em suma: a) preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, em virtude de ter sido indeferida a solicitação de perícia para verificar a área de preservação permanente existente no imóvel. Aduz que, como o Instituto Ambiental do Paraná constatou a impossibilidade de acesso ao imóvel, o Poder Público pode e deve determinar a realização de perícia e vistoria, com a elaboração do Laudo Técnico competente. b) a Agência de Rendas de Medianeira atestou, em 1994, que a área de preservação permanente em questão restou comprovada, diante da documentação apresentada, à época, àquele órgão; c) a área de preservação permanente em questão não é tributável, por estar integralmente abrangida pelo perímetro da Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi; d) a aplicação da multa (sic) levou em consideração a totalidade do imóvel, sendo que, a recorrente é proprietária de somente 50% do imóvel, conforme documentos acostados aos autos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 143 5 Diante do exposto acima requer, preliminarmente, a nulidade da decisão, e, caso assim não se entenda, que seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O indeferimento do pedido de realização de perícia, formulado na impugnação, não acarreta a nulidade do acórdão recorrido, como será demonstrado a seguir. Nos termos do disposto no art. 18, do Decreto n° 70.235/72, abaixo reproduzido, a autoridade julgadora de primeira instância poderá determinar a realização de diligência ou perícia, quando entendêla necessária. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância, determinará, de ofício, ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993). No caso em apreço, o indeferimento ocorreu por ter sido considerada dispensável a prova pericial, pelo fato de sua realização não ser prescindível na formação de convicção do julgador para a apreciação da lide. Não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida, haja vista que o ônus de comprovar a existência da área de preservação permanente, neste caso, é da recorrente. O fato de haver impossibilidade de acesso ao imóvel para a elaboração do laudo técnico solicitado, visando à comprovação da existência daquela área, não elide o ônus do contribuinte, pois caberia a ele adotar as providências necessárias a solução do problema (ações judiciais, por exemplo), não devendo ser imputado ao Fisco essa tarefa. Por tais razões rejeito a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, também não há razões para alterar o acórdão recorrido. O fato de a Agência de Rendas de Medianeira ter reconhecido, em 1994, a existência da área de preservação permanente em questão, não tem o condão de vincular o julgamento deste processo. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, limitandose ao processo administrativo fiscal em que foram proferidas. Acerca do restante da área que não foi considerada como de preservação permanente pelo órgão julgador de primeira instância, correto o entendimento exarado no acórdão recorrido, posto que, conforme o Ofício nº 016/92, fls. 94 a 96, tal área está Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 144 6 classificada como “zona de uso extensivo”, em que é permitida sua exploração, mesmo com restrições. O simples de o imóvel estar localizado na Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi (AEIT do Marumbi), criada pela Lei 7.919/84 e regulamentada pelo Decreto 5.308/85, como reconhecido naquele acórdão, não é suficiente para que toda a área do imóvel seja aceita como área de preservação permanente, mas somente aquela que atenda ao disposto no artigo 3o, da Lei nº 4.771/1965, que assim dispõe: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Segundo o Ofício nº 016/92, fls. 94 a 96, na área classificada como “zona de uso extensivo” é previsto o aproveitamento de produtos e subprodutos florestais sem que haja a remoção da cobertura vegetal, ex.: apicultura, coleta de sementes, exploração de ervas para fins ornamentais, medicinais e artesanais, alem da exploração do palmito em regime de manejo sustentado. Todas as atividades pretendidas, deverão obter a aprovação da Câmara de Apoio Técnico (instituída pelo Decreto supra citado), para então posteriormente poderem ser autorizadas pelo I.A.P”. Diante do exposto acima e da ausência de provas em sentido contrário, se conclui que a aludida área não se enquadra em quaisquer das hipóteses descritas no dispositivo legal acima reproduzido, portanto não há como considerála como sendo de preservação permanente e excluila da base de cálculo do ITR, como pretende a recorrente. Também não cabe excluir a referida área da tributação do ITR por ser caracterizada como Mata Atlântica, pelo fato de o dispositivo legal que determinou a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da tributação do ITR (Lei n° 11.428) ter sido editado em 22/12/06 e publicada no Diário Oficial da União em 26/12/06. Logo não alcança os fatos geradores relativos às DITR dos exercícios 2004 e 2005, pois não há qualquer dispositivo naquela norma que determine que os efeitos dessa exclusão da tributação são retroativos àqueles exercícios. Por fim, improcedente a alegação de que deveria responder por 50% da multa (sic), por ser proprietária somente de 50% da área do imóvel, haja vista que, neste caso, a recorrente responde solidariamente pelos outros condôminos, nos termos do disposto no art. 124, I, do Código Tributário Nacional: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.002311/200836 Acórdão n.º 2801002.718 S2TE01 Fl. 145 7 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Convém ressaltar que, conforme previsão contida no art. 39 da Instrução Normativa SRF n° 256/2002, abaixo transcrito, a responsabilidade por declarar o imóvel rural que for titulado a mais de um contribuinte, enquanto for mantido indiviso, é de somente um dos titulares. Art. 39. O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino declarante. Por tais razões voto por REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 13558.000282/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE INOVA NOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fático-jurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. Decisão de Primeira Instância Anulada
Numero da decisão: 2401-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instancia. Votou pela conclusões o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que anulava em face da preterição do direito de defesa, em virtude da ausência da análise das alegações do contribuinte Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE INOVA NOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fático-jurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. Decisão de Primeira Instância Anulada
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instancia. Votou pela conclusões o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que anulava em face da preterição do direito de defesa, em virtude da ausência da análise das alegações do contribuinte Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, a decisão de primeira instância que apresenta fundamentos fáticojurídicos ao lançamento impugnado não constantes da peça de ataque. Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instancia. Votou pela conclusões o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que anulava em face da preterição do direito de defesa, em virtude da ausência da análise das alegações do contribuinte Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 02 82 /2 01 0- 71 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13558.000282/201071 Acórdão n.º 2401002.593 S2C4T1 Fl. 135 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.233.3974, lavrado contra o contribuinte acima identificado para exigência das contribuições decorrentes de glosas de compensações, supostamente efetuadas irregularmente. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 27/32, as compensações foram efetuadas em desacordo com o que determina o art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Ressaltase que a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, no período do débito, sem declarar qualquer crédito no campo compensação, todavia, posteriormente, retificou as guias informativas, lançando as declarações dos créditos a compensar. Afirmase ainda que a Prefeitura autuada foi intimada a esclarecer a origem das compensações, porém apresentou justificativa não convincente, acompanhada de planilha relativa ao pagamento de remunerações aos detentores de cargos eletivos no período de janeiro de 1998 a junho de 2004. Às contribuições lançadas foi aplicada multa qualificada de 150%, por entender o fisco que a Prefeitura houvera incorrido em falsidade ideológica, motivo pelo qual também foi lavrada Representação para Fins Penais. A Municipalidade apresentou defesa, fls. 37/46, cujas razões foram acatadas parcialmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que manteve as contribuições lançadas, mas afastou a aplicação da multa qualificada, fls. 53/56. A justificativa da DRJ para manutenção de parte do crédito impugnado é que a autuada não houvera atendido às exigências da Instrução Normativa SRP n.º 15/2006, sendo lícitas as glosas efetuadas. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 64/71, no qual alegou, em síntese, que: a) a RFB não cuida de uniformizar suas decisões, posto que, em situação análoga, a mesma Delegacia de Julgamento prolatora da decisão recorrida, decidiu que as glosas de compensação eram improcedentes. Cita excerto da decisão que reputou divergente; b) o Município apresentou à Administração Tributária Declaração de Compensação, nos moldes determinados pela legislação aplicável, in casu, a Instrução Normativa RFB n.º 900/2008; c) a autuação ora combatida, desconsiderou o pedido de compensação efetuado pela recorrente, o que representa afronta ao devido processo legal; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 d) tendo a alínea “h”, do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, acrescentada pela Lei n.º 9.506/1997, sido declarada inconstitucional, todas as contribuições incidentes sobre os subsídios recebidos pelo Prefeito, Vice e Vereadores são indevidas; f) os recolhimentos efetuados pela Prefeitura sobre os subsídios dos exercentes de mandatos eletivos, mediante confissão de dívida ou retenção no Fundo de Participação dos Municípios – FPM, são passíveis de compensação, não se justificando as glosas efetuadas; Por fim, com arrimo nas alegações acima, pede o cancelamento do AI. Foram acostadas com o recurso cópias de comprovantes de retenção de contribuições previdenciárias no FPM e da decisão da DRJ em Salvador mencionada pela recorrente. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13558.000282/201071 Acórdão n.º 2401002.593 S2C4T1 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da afronta ao devido processo legal A DRJ motivou sua decisão pela procedência parcial do crédito no fato da entidade não haver comprovado o cumprimento dos requisitos previstos na Instrução Normativa SRP n.º 15/2006. Todavia, não encontrei no Relatório Fiscal qualquer menção a esse fato, mas apenas a informação de que a autuada houvera efetuado as compensações em desacordo com o que determina o art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. O dispositivo em questão assim prescreve: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Com base na norma acima, a Autoridade Fiscal afirmou que o fato do órgão autuado haver exibido demonstrativo de remunerações pagas aos agentes políticos não seria suficiente para comprovar o seu direito à compensação, uma vez que faltou a apresentação da prova do recolhimento. A recorrente, por seu turno, afirma que as contribuições foram retidas do seu FPM sob as rubricas “obrigações correntes” e “amortização de parcelamento”. Dos fatos acima articulados, percebese claramente que a decisão recorrida considerou procedentes as glosas, mas por fundamento diverso daquele apresentado pelo Fisco, o que, ao meu ver, fere o direito de defesa do sujeito passivo, que não pode se contrapor a motivação não apresentada na peça de ataque, qual seja, o descumprimento dos requisitos da Instrução Normativa RFB n.º 15/2006. Nos termos do Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal de exigência de tributos administrados pela RFB, é nula a decisão que incorre em preterimento do direito de defesa do contribuinte. Eis o dispositivo: Art. 59. São nulos: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)(grifei) Por esse motivo, é vedado ao órgão de julgamento inovar nos fundamentos do lançamento, posto que esse expediente acarreta em grave prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, bem como em quebra do princípio da imparcialidade, a que devem respeito os órgãos de julgamento. Posicionome, então, pela nulidade da decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, voto por declarar nula a decisão de primeira instância. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10920.908666/2009-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/08/2004
PER/DCOMP.COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 86 66 /2 00 9- 26 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908666/200926 Acórdão n.º 3801001.516 S3TE01 Fl. 70 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida em 25/09/2006, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville verificou que o crédito consignado na DCOMP já havia sido utilizado parcialmente para a quitação de débitos da contribuinte, restando saldo inferior ao pretendido. A contribuinte apresentou a presente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a SRF não efetuou a precisa conferência dos dados no período; que a DCTF de julho/2004 aponta um saldo devedor de Cofins diferente da DIPJ 2005, sendo que este retrata a realidade da empresa; que, na DIPJ 2005, o valor da contribuição a pagar é de R$ 14.100,17, já na DCTF era de R$ 14.931,30; e que o valor correto (R$ 14.100,17), descontado do DARF com vencimento em 13/08/2004 resulta no crédito informado no PER/DCOMP, apto a compensar o débito em cobrança. Argumenta, ainda, que conforme orientações gerais no site da Receita Federal do Brasil, nas divergências constatadas em pedidos de compensação, deve ser oportunizado ao contribuinte que retifique eventuais erros de declaração. Transcreve trecho do site acerca do Termo de Intimação, onde trata das “orientações gerais”, e remete a ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, bem como de processos judiciais. Requer o deferimento da compensação”. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Dada a natureza própria da Declaração de Compensação, a qual extingue o débito tributário, não é lícito, em sede de manifestação de inconformidade alterar a natureza ou o montante do crédito tributário nela declarado para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 37 a 43, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Em 16 de fevereiro de 2012, por meio da Resolução 3801000.305, da Primeira Turma Especial da Terceira Seção, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informar a data da apresentação da DIPJ 2005. 2. juntar ao processo uma cópia do Dacon referente ao período de apuração 07/2004, onde consta a apuração da Cofins regime não cumulativo, bem como informar a data da apresentação do referido demonstrativo. 3. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL”, fls. 64, onde consta: · a data da apresentação da DIPJ/2005 ativa é 29/09/2006; · a data da apresentação do Dacon ativo referente ao período de apuração 07/2004 é 29/09/2006. · Outrossim, foi juntada ao processo cópia do Dacon ativo referente ao período de apuração 07/2004, em que consta a apuração da Cofins. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908666/200926 Acórdão n.º 3801001.516 S3TE01 Fl. 71 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a interessada apresentou o PER/DCOMP nº 33515.69447.250906.1.3.047631, em 25/09/2006, por meio do qual informa um pagamento indevido ou a maior de Cofins – Não Cumulativa, referente ao período de apuração 07/2004, recolhido em 13/08/2004, no valor original de R$ 36.518,63. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville homologou parcialmente a compensação pretendida, sob o fundamento de que o crédito consignado na DCOMP já havia sido utilizado parcialmente para a quitação de débitos da contribuinte, restando saldo inferior ao pretendido. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: A DCTF de julho/2004 aponta um saldo devedor de Cofins diferente da DIPJ 2005, sendo que este retrata a realidade da empresa; Que na DIPJ 2005 o valor da contribuição a pagar é de R$ 14.100,17, já na DCTF era de R$ 14.931, 30; Que o valor correto (R$ 14.100,17), descontado do DARF com vencimento em 13/08/2004 resulta no crédito informado no PER/DCOMP, apto a compensar o débito em cobrança. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 A DRJ/FNS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme ementa acima colacionada. Discordando da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, a interessada apresentou o recurso de fls. 37/43, reafirmando os argumentos trazidos anteriormente, acrescentando que os dados informados no Per/Dcomp estavam de acordo com àqueles constantes na DIPJ e no Dacon. Convém aclarar que a lide posta se refere ao valor efetivamente devido da COFINS nãocumulativa do PA 07/2004. Compulsandose as peças que compõem o presente processo, em especial aquelas resultantes da diligência requerida por esse Colegiado, verificase que a recorrente informou na DCTF do 3º/trimestre/2007 (fls. 03), referente ao mês de julho, a importância de R$ 14.931,30 a título de Cofins nãocumulativa e efetuou o pagamento de R$ 50.618,80 em 13/08/2004. Também, que apurou como devido, no mesmo período, o montante de R$ 14.100,17, conforme DIPJ 2005, fls. 26 e Dacon, fls. 62. Registrase que tanto a DIPJ 2005 quanto o Dacon 03/2004 foram transmitidos em 29/06/2006 e a ciência do Despacho Decisório se deu em 01/07/2009. Por conseguinte, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, entendo que efetivamente restou comprovada a ocorrência de pagamento da Cofins nãocumulativa em valor superior ao devido relativamente ao PA 07/2004, sendo declarado o valor de R$ 14.931,30 e devido o valor de R$ 14.100,17, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 831,30. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 831,30, na data de 13/08/2004, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10242.000354/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DACON - ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DACON - ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado.
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LTDA.ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DACON ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 03 54 /2 01 0- 45 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico lavrado para constituição de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Contribuições Sociais (DACON) (fl. 02/06), relativas aos meses de janeiro a abril de 2010 e de junho de 2010. Em sua Impugnação (fls. 01/07) a Recorrente reconhece que entregou a DACON em data diversa daquela a que estaria obrigada à entrega, e reconhece que a partir da entrada em vigor da Instrução Normativa nº 974/09, que extinguiu a DCTF semestral, obrigando todos os contribuintes à entrega mensal da Declaração, foi extinta, também, a DACON Semestral (que seguia o mesmo regime de entrega da DCTF). Argumenta que encontrou dificuldades em promover a entrega da DACON com assinatura digital e que a Receita Federal não teria orientado os contribuintes sobre como promover a entrega do demonstrativo, sem assinatura digital. Requer o cancelamento da multa aplicada, dada a ausência de orientação da Receita Federal sobre a entrega e a impossibilidade de estabelecimento de multa por Instrução Normativa, por ofensa à legalidade. Alega, ainda, haver imposição de multa em cascata e confisco na aplicação da penalidade. A DRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 36/40) e manteve o lançamento sob o fundamento de que, como observou a Recorrente, a DACONSemestral foi extinta por meio da Instrução Normativa nº 974/09, tornandose obrigatória a entrega mensal. No que tange às eventuais dificuldades encontradas pelos contribuintes para operacionalizar a entrega a Receita Federal teria sido clara ao estabelecer, por meio da Instrução Normativa nº 1.015/10, que enquanto não disponibilizado novo programa gerador da DACON, que deveria ser utilizado o programa DACONSemestral/Mensal. O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 46/55) insurgese contra a decisão da DRJ, reiterando os argumentos anteriormente apresentados. Informa ainda que a demora na entrega dos demonstrativos se deu em virtude de problemas no sistema da própria Receita Federal que teria ficado congestionado em razão da entrega de muitas declarações e demonstrativos no mesmo período. Questiona, ainda, a razoabilidade da norma que afastou a aplicação de penalidade em relação a atraso de um dia na entrega da DCTF, mas não contemplou atrasos de mais dias, ou de mês. Alega, ainda, ilegalidade da decisão por não ter se referido expressamente aos fatos e provas apresentados. Os autos foram inicialmente distribuídos à Primeira Seção, porém constatada a competência desta Terceira Seção para tratar da matéria em discussão, foram redistribuídos (fls. 67/68). Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 12 3 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Os autos tratam de imposição de multa por atraso na entrega da DACON, nos períodos de janeiro a abril e junho de 2010. Primeiramente, de se destacar que a Recorrente admite que no período em questão, após alterações legislativas diversas, estabeleceuse a necessidade de entrega mensal da DACON. Portanto, desnecessário traçar maiores comentários a respeito da evolução normativa que acarretou a obrigatoriedade da entrega mensal do demonstrativo, visto que tanto Fisco como contribuinte concordam que no período as empresas estavam obrigadas à entrega mensal. A Recorrente alega, contudo, que não haveria orientação clara da Receita Federal quanto aos demonstrativos a serem apresentados, diante da alteração normativa que obrigou os contribuintes à sua entrega mensal. Entretanto, como bem demonstrou a DRJ em sua decisão, a Receita Federal orientou os contribuintes no sentido de que, enquanto não fosse disponibilizado novo programa – contemplando apenas o demonstrativo mensal – deveria ser utilizado o programa eletrônico até então existente, qual seja, o DACONSemestral/Mensal. Neste sentido, destaco a clara redação da Instrução Normativa nº 1.015/10, verbis: Art. 13. Enquanto não disponibilizado novo programa gerador, o Dacon deverá ser elaborado mediante a utilização do programa Dacon MensalSemestral. Parágrafo único. O Dacon será considerado apresentado na periodicidade mensal, qualquer que seja a marcação no quadro " Periodicidade de Entrega" da ficha " Novo Demonstrativo" . Ainda em relação à formalização da entrega da DACON a Recorrente alega que a Instrução Normativa nº 955/09 estabeleceu a necessidade de assinatura digital do demonstrativo, para transmissão à Receita Federal, para declarações cujo prazo de entrega seria a partir de 30/06/10, mas que, no entanto, o prazo para entrega da DACON e DCTF seria 07 e 22 de junho de 2010, portanto anterior ao prazo a partir do qual a IN exigia a assinatura digital. Em primeiro lugar esclareço que a multa foi aplicada pelo atraso na entrega dos demonstrativos, e em sua defesa a Recorrente não elucida porque trouxe à baila a questão da certificação digital. De todo modo, a Instrução Normativa nº 955/09, ao contrário do que alega a Recorrente, não estabeleceu a exigência da assinatura digital apenas para declarações cujo prazo de entrega seria a partir de 30/06/10, mas referiuse, no caso da DACON especificamente, ao demonstrativo que tratasse dos fatos geradores ocorridos a partir de abril/2010. Ou seja, em janeiro, a exigência da certificação digital foi estabelecida em relação aos demonstrativos que se referissem aos fatos ocorrido a partir de abril/2010. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 13 4 Considerando, ainda, que o prazo de entrega da DACON, estabelecido pela Instrução Normativa nº 1.015/10 é o quinto dia útil do 2º mês subsequente ao de referência, a exigência se daria a partir da entrega da DACON de abril/10, a ser transmitida no 5º dia útil de junho. Vale destacar, ainda, que a redação da norma veio a ser alterada novamente, por meio da Instrução Normativa nº 1.036/10, que adiou a entrada em vigor da exigência de assinatura digital apenas para a DACON relativa aos fatos geradores de maio/10. Ou seja, a rigor, em relação aos períodos autuados a exigência de assinatura digital apresentouse apenas em relação a DACON dos fatos geradores de junho/10. No entanto, dado o atraso ocorrido, e o fato de a transmissão dos demonstrativos só ter ocorrido em setembro/10, naquele momento já vigorava a exigência da certificação digital, em relação à qual não há nenhuma ilegalidade – afinal, estabelecida com a devida antecedência pela legislação. Vale também notar que a Recorrente alega que o atraso na entrega dos demonstrativos se deu em função do sistema da Receita Federal ter ficado indisponível para transmissão dos demonstrativos, por estar congestionado em função dos prazos de entrega referiremse a um grande número de Declarações. No entanto, o que se constata dos autos é que o atraso em questão correspondeu, em alguns casos, a quatro meses (DACON relativa a janeiro/10). Isto porque, conforme se constata dos demonstrativos (fls. 08/17) todos (objeto da autuação em comento) foram transmitidos apenas em 03/09/10. Ou seja, não se trata de atraso de alguns dias, enquanto o sistema da Receita Federal estivesse indisponível. O atraso foi de meses. Não há como admitirse, portanto, o argumento da Recorrente de que o atraso se deu em razão de congestionamento do sistema, pois não fosse improvável (senão impossível) que o sistema da Receita Federal permanecesse congestionado, e sem processamento de declarações, por meses, não há nos autos prova de que assim ocorreu. A este respeito, destaco que a Recorrente anexou a tela de apenas uma tentativa de transmissão de demonstrativo, na qual foi apontado “serviço indisponível”. Não há no documento, contudo, data que permita constatar quando foi feita a tentativa infrutífera de transmissão. De todo modo, como mencionado acima, a alegação de que o atraso se deu por indisponibilidade do sistema não se sustenta, na medida em que o atraso se deu por meses, e não apenas alguns dias. Não procedem, também, as alegações de que não há razoabilidade no perdão da multa por atraso concedido pela Receita Federal para transmissões ocorridas apenas no dia seguinte ao do prazo final. Inclusive porque o perdão em questão se coaduna com a questão de ter havido indisponibilidade no sistema, na data limite de transmissão dos demonstrativos. Entendo que, ao contrário, o que não seria razoável é que a norma afastasse a penalidade para atrasos de meses, como pretendeu a Recorrente, justamente porque não me parece crível que o sistema do órgão tenha permanecido indisponível por tantos meses. No que se refere à penalidade aplicada, aspectos constitucionais como o confisco não são alegações passíveis de análise neste tribunal administrativo. E, por fim, quanto à alegação de que a cobrança e regulamentação de multas por descumprimento de obrigações acessórias não poderia ser estabelecida por meio de Instruções Normativas, por ausência de Lei que as instituísse, o DecretoLei nº 2.124/83 autoriza que as normas a respeito do tema sejam exaradas pelo Ministério da Fazenda (e, por conseguinte, pela Receita Federal), verbis: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10242.000354/201045 Acórdão n.º 3302001.771 S3C3T2 Fl. 14 5 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904657/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 46 57 /2 00 9- 81 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 41468.80768.161205.1.7.044448, transmitida eletronicamente em 16/12/2005, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 14/05/2004 6912 4.216,74 14/05/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1602440541 4.216,74 DB: cód 6912 – PA 14/05/204 4.216,74 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 749,50. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 28), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904657/200981 Acórdão n.º 3801001.541 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13975.000246/96-21
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 16 00:00:00 UTC 1998
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C irr c R.alpitc• : ta -23 (I /--fNi A,4‘..<10W...à;di '4440/ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 10.168-002.052/88-59 ITM Sestâo de 08 de juj.h.0 de 19 .8.8.. ACORDA() N.. 202701.943 Recurso n.- 79.766 Recorrente CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA Recorrido) BANCO CENTRAL DO BRASIL IOF - OPERAÇOES DE CAMBIO - NULIDADE - ERRO NA INDENTI F ICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - O contribuinte, comprado-r- de cambio, não integra a relaçáo tributaria entre o es tad:: ( .,re jo: - ) ..: e ...1,,:der .-.!:: iEr..c.F.t.o nun ,; ri inr.titui ção autorizada a operar em cãmbio, como responsável(cor) tribuinte-substituto). Anula-se o processo "ab initior, em virtude de erro na identificação do stijei to passivo. Vistos, relatados e ' discutidos os presentes autos de:: re curso interposto por CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos, preliminarmente, em anu lar o processo, "ab initio", por erro na identificação do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA, AL DE DA COSTA SANTOS JUNIOR e JOSE ALVES DA FONSECA. 7441 Sala das,Se, s3es, em 08 de julho de 1988 7-jcn? "C .çt4--e-vz-s-L_ JOSE ALVES e á , FONSECA - PRESIDENTE MARIA 4 Cid\ nrse"--c._ • . H" Á 'AIME - RELATORA \ tho! f, .11 '.1 SI, ‘ 1 4-11 V. n OS ^ .,:- c. - P PDCUR,^20 2 - PEF'RESENTANTE DA ---_ - - - FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE..-t51/4/SE T 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO FILHO, JOSE LOPES FERNANDES e SEBASTIAO BORGES TAQUARY.1-W ,23 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 10.168-002.052/88-59 Recurso n.8: 79.766 Acordão n.ip: 202-01.943 Recorrente: CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA RELATGRIO Pela notificação de lançamento de fls. 01, a ora recor rente foi intimada a recolher o IOF incidente sobre operaçOes de cãmbio, atualizado monetariamente. O referido imposto não foi pago na liquidação de con iralos de cãmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segurança contra a sua cobrança, tendo sido deferida aliminar, mediante depésito judicial ou fiança bancéria. Como foi apresenta c- - da a,fiança exigida, ficou legitimada a não-exigência do tributo na liquidação dos contratos de cãmbio: O Banco Central apelou da sentença, cuja apelação foi provida, com a conseqüente reforma da decisão e cassação da sega rança. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou- se devido o pagamento do tributo, o que, porém, não ocorreu, ra zão pela qual foi instaurada a ação fiscal. Impugnando tempestivamente a exigência fiscal (fls. 11/13 ), a empresa alega, em sua defesa, que: a) por força do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, foi compelida ao recolhimento do I0F, incidente sobre as importa çOes verificadas no exercrcio de 1980, ã alfguota de 15%, e, ngs SI s^gU- - 23,13 •SERViÇO PUBLICO FEDERAL . Processo n9 10.168-002.052/88-59 02- Acardão n9 202-01.943 exercícios posteriores, ã base de 20% e 25%, conforme o Pais de origem da mercadoria importada; b) os mais altos tribunais consideram ilegal a cobrança do IOF no mesmo exercício de sua criação (1980), em vir tude do principio da anualidade, sendo considerado devido nos exer cicios seguintes, ainda que pese a ilegalidade de sua instituição através de decreto-lei; c) não deve pagar o I0F, com os acréseimos le gais, como deseja o Banco Central, tendo em vista que a legisla ção instituidora do aludido imposto, bem como a legislação comple mentar, deixou de fazer constar, em artigo especifico, a obriga toriedade de pagamento de acréscimos legais incidentes sobre o va_ lor originãrio do tributo, quando em atraso; d) a lei especifica não pode ser omissa no parti culnr 0 " o foi, nada deve co r cobrado a título de acrésdimos legais; e) impetrou diversos mandados de segurança con tra a cobrança do imposto é, agora, está sendo compelida pelo. Banco, Central a pagã-lo com os acréscimos legais. A autoridade de primeira instância, com base no pare cer de fls.41/48, e manifestações posteriores, não acolheu a im pugnação, mantendo a exigencia em todos os seus termos ( fls. 50 )- 0 parecer de fls.41/48, que fundamenta a decisão sin guiar, ressalta que: a) o aludido imposto não foi pago na liquidação do câmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segu rança contra sua cobrança pelo Banco Central, tendo a liminar si do deferida mediante depasito judicial ou fiança bancãria. Como foi apresentada ' a fiança exigida, ficou legitimada a não-exigância do tributo na liquidação do contrato de câmbio; b) o Banco Central apelou da sentença, e, em re -egue c227 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 03- Acórdão n9 202-01.943 sultado, tendo sido dado provimento á apelação, foi a sentença re formada e cassada a segurança pelo Egrégio Tribunal Federal de Recursos. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou-se devido o pagamento do imposto pela empresa, o que, porém, só se verificou pelo depósito judicial levado a efeito; c) a empresa, apesar de contestar a exigência do imposto, mais os acréscimos legais, refuta, em sua defesa, apenas a cobrança dos encargos legais; d) a impugnante labora em erro, uma vez que, pe los artigos 99 e 149 da Lei n9 5.143, de 1966, a regulamentação da matéria ficou atribuída ao Conselho Monetário Nacional, oqual, ao fazer baixar a Resolução n9 619, de 1980, tratou, em seu Titu lo 4, Capitulo 4, Seção 8, especificamente, em seus itens 10/12 e 14/16, da exigência de juros de mora e de correção monetária; e) ao contrário do que pensa a impugnante, um tributo não é regido apenas pelas leis que lhe são especificas, mas, sim, por toda a legislação tributária, conforme dispõe o ar tigo 96 do Código Tributário Nacional; - f) a incidência de correção monetária está pre vista no artigo 79, e seu § 29,da Lei ' n9 4.357, de 1964, ratifica do pelo artigo 59 do Decreto-lei n9 1.704, de 1979, e, ainda, no artigo 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; g) quanto aos juros de mora, sua exigência está prevista tanto no artigo 161 do Cógigo Tributário Nacional, como nos artigos 29 e 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; h) os juros de mora e a correção monetária são devidos desde o dia seguinte ao do vencimento da obrigação tribu tária, considerando, inclusive, o caráter declaratório do lança mento, retroagindo á data do fato gerador. O aludido parecer cita, também, decisões do Tribunal Federal de Recursos sobre a cobrança de juros e correção monetã ria. Em seguida, a empresa recorre tempestivamente a este sue- ) 2,3t8 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 04- Acórdão n9 202-01.943 Conselho ( fls.52/56 ), oferecendo as seguintes razões de recurso: a) tendo importado mercadorias de procedência es trangeira, tornou-se necessãrio o fechamento de contrato de cãm bio para o respectivo pagamento; b) insurgiu-se, pois, contra a exigencia do IOF sobre operações de cãmbio, nos termos do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, o que motivou a impetração do mandado de segurança; c) o artigo 153, §§ 29 e 99, da Constituição Fe dera], prescreve que o tributo, em geral, deve obedecera um prin cinjo fundamental, o da reserva da lei. Em face desse principio, os tributos só podem ser exigidos através de lei, não o podendo por intermédio de decreto-lei, com amparo no artigo 55, inciso II., da Carta Magna. o relatório. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA, MARIA HELENA JAIME A matéria de que trata o presente recurso não é nova nesta Cãmara, havendo inúmeros precedentes sobre a mesma, a exem plos dos Acórdãos n9s 202-01.534, 202-01.535, 202-01.542, 202-01.543, 202-01.604, 202-01.605, 202-01.612, 202-01.613, 202-01.670 a 202-01.673,-e 202-01.676 a 202-01.679. No Recurso n9 78.710 (Acórdão n9 202-01.604), seu re lator, o ilustre Conselheiro ELIO ROTHE, assim asseverou em seu voto: "Em preliminar ao exame do mérito, enten do ter havido erro na identificação do sujeito passivo que, perante o Fisco, responde pelo reco lhimento do IOF incidente sobre as operações dg cembiio. Com efeito, dispõe o regulamento do im posto, baixado com a Resolução n9 816/83, do BaS. co Central do Brasil, em sei] item 4.4.3, ao tri tar dos contribuintes e responsãveis, que, no Cã so, são contribuintes' "os compradores de moeda estrangeira pa • ra pagamento de importação de bens (4\ eo O - 923 9 SERV;e0 PúBlt0 FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 05- AcardSo n9 202-01.943 1 serviços". (.4.4.3.1) enquanto que "os . responsãveis pela cobrança e recolhi mento ao Banco Central são: h) nns nnerFtções d n cãmhin, (.7.6es autorizadas a operar em cambio." — (4.4.3.3.b). As referidas disposiçOes regulamentares têm sua base nos artigos 29 e 39 do Decreto-lei n9 1.783/80, dos quais sio meras reproduçEes. Como se verifica, a instituição finan ceira autorizada a operar em cãmbio é a responsa vel pela cobrança e recolhimento do imposto. — A legislação criou, na hipatese, a figu ra da substituição tributãria, pela qual o primento da obrigação é atribuido a pessoa que nao o contribuinte natural ou legal. O substituto, que cobra encolhe tributo alheio, passa a ser o devedor perante o Estado,• inexistindo relação tributãria entre este e o substituido, o qual, portanto, não é devedor de nada. No caso dos autos, o contrato de cãmbio foi firmado pela recorrente como compradora da moeda estrangeira e, pelo banco, como vendedor, figurando, assim, na operação, a recorrente como contribuinte e o banco como responsãvel pela co brança e recolhimento do imposto. Cessados os efeitos da medi da judicial que sustara a cobrança do imposto, caberia ao banco proceder ã sua cobrança e recolhimento, co mo responsavél pelo mesmo, todavia, não o faze-ri do. Por isso que, a Notificação de Lançamen to, equivocadamente apontou a recorrente como sU jeito passivo da obrigação tributaria, exigindo lhe o imposto e os acréscimos de correção monet-5 ria e de juros de mora, quando da responsabilicril de do banco vendedor do cambio. Pelo exposto, em preliminar, entendoque não procede a exigência contra a recorrente uma vez que, na operaçao tributada, não participa da relação tributãria, que se verifica entre o esta SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 06- Ac6rdão n9 202-01.943 do e o banco, como responsável pelo imposto." Por concordar inteiramente com o ponto de vista, ora transcrito, voto no sentido de que, em preliminar, seja anulado o processo, "ab initio", em virtude de erro na identificação do sujeito passivo. Sala das Sessões, em 08 de julho de 1988 ne• tÀ nr"‘" M A RIA :L NeA JAIME 1.• •
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Numero do processo: 35166.000508/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
ENTIDADE ISENTA
A entidade isenta está obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, consoante determinação expressa no art. 175, § único, do CTN.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
MULTA APLICADA
Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A, da Lei n. 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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FATOS GERADORES Recorrente VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. ENTIDADE ISENTA A entidade isenta está obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, consoante determinação expressa no art. 175, § único, do CTN. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A, da Lei n. 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 05 08 /2 00 7- 84 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 467 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 23/03/2007, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91 c/c com inciso IV e § 4º, art. 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 02/03), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, todas as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, conforme constatado da análise dos diversos documentos apresentados. A autoridade autuante informa que, em razão da grande quantidade de segurados envolvidos e da não disponibilização dos arquivos em meio magnético, não foi possível discriminar cada um dos favorecidos, e que as remunerações apuradas na escrituração contábil estão relacionadas nas planilhas anexas ao AI, bem como os valores não declarados pela empresa, que correspondem à diferença entre os totais das remunerações apuradas e os valores declarados em GFIP. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 109 a 355 e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 019.619, da 4a Turma DRJ/BEL (fls. 362 a 375), julgou o lançamento procedente, indeferindo a realização de perícia requerida na impugnação. Inconformada com a decisão, notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 378 a 411), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, afirma que o julgador de 1a instância, ao considerar procedente o lançamento, não considerou a condição de associação beneficente de natureza filantrópica da recorrente e toda a titularidade da qual é possuidora. Infere que restou demonstrado, na impugnação, que a recorrente está cumprindo regularmente com todas as obrigações exigidas, motivo pelo qual não pode prosperar o argumento da fiscalização de que há excesso na administração da recorrente, bem como que a contabilidade encontrase imprestável. Ainda em preliminar, alega que o indeferimento da perícia pela autoridade julgadora de 1a instância configura cerceamento de defesa ao contribuinte e que a Lei 8.212/91 é inconstitucional em relação ao prazo legal para o fisco efetuar o lançamento, defendendo a aplicação do disposto no artigo 150 do CTN. Entende, que a multa aplicada representa afronta aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, do nãoconfisco e da capacidade contributiva, pois não existe qualquer relação lógica de causa e efeito na penalidade imposta à recorrente Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Sustenta que o auto é nulo por cerceamento de defesa, em razão da incorreta demonstração infracional, pois traz um emaranhado de leis na fundamentação legal que, em momento algum, podem ter sido todas infringidas pela recorrente. Destaca que a fundamentação do Auto é genérica e lacunosa, já que não fornece elementos suficientes para a identificação correta da origem da cobrança realizada, e que na Descrição Sumária da Infração não consta a fundamentação legal que deu origem a lavratura do auto, pois o que há são inúmeras leis que tratam sobre a organização da autarquia. Assevera que o Auto de Infração não permite, ao contribuinte, conhecer exatamente o que lhe está sendo imputado, tornando inviável o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório, motivo pelo qual é necessário admitir a nulidade do AI. No mérito, alega, em apertada síntese, que todas as GFIPs foram entregues, ressaltando que a multa imposta é absolutamente descabida, e questiona o método utilizado pelo Auditor Fiscal, perguntando como foram encontrados os números e onde o agente autuante encontrou um rol tão grande de omissões. Ressalta que caso todos os documentos disponibilizados à fiscalização pela Recorrente tivessem sido realmente analisados, certamente se constataria que todas as GFIPs foram apresentadas e que não há qualquer débito de contribuição previdenciária a recolher. Conclui que o valor indicado no Auto é improcedente, ensejando sua supressão, por ser abusiva e ilegal a sua cobrança, estando o trabalho realizado pelo Auditor Fiscal imprestável para os fins a que se destina, pelo que deve ser julgado insubsistente o Auto. Pergunta quais valores estão corretos, se os do levantamento fiscal ou os constantes da contabilidade, e conclui que certamente são os da recorrente, já que todas as GFIPs e GPS estão de acordo com os seus livros fiscais. Afirma que o Auditor Fiscal não buscou a verdade material e que não se sabe de onde a referida autoridade autuante obteve tais valores, uma vez que todas as informações existentes e disponibilizada não permitem que seja alcançado tal resultado. Argumenta que, para a inscrição na dívida ativa, o débito deve ser liquido e exato, sob pena de tornarse nulo e o procedimento adotado, eivado de falhas, não pode conduzir nem a uma certeza e nem a qualquer liquidez, e traz a jurisprudência e a doutrina para reforçar suas alegações. Reitera o pedido de perícia contábil por entender afigurarse providência fundamental ao deslinde da questão, indicando o perito e informando que os quesitos são os mesmos já especificados na impugnação. Por meio da Resolução nº 230100.029 (fls. 415 a 418), esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, por unanimidade o julgamento em diligência, solicitando ao órgão de origem informações sobre a lavratura de NFLDs correlatas ao presente AI, e para que fosse elaborado um demonstrativo com os resultados dos julgamentos de cada NFLD, contendo informações sobre as contribuições que foram mantidas em cada uma delas e os levantamentos excluídos nos casos de provimento parcial ou total dos recursos. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário de Belém baixou os autos em diligência ao Serviço de Fiscalização, nos termos do Despacho de fls. 419 e a autoridade fiscal, entendo que houve um erro de interpretação desta Relatora e que inexiste relação entre os créditos lavrados por descumprimento de obrigações principais e aqueles Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 468 5 lavrados por descumprimento de obrigações acessórias, concluiu pela não elaboração do demonstrativo com resultados dos julgamentos das notificações, conforme Informação Fiscal de fls. 422. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou (fls. 444) reiterando e ratificando os termos do recurso apresentado e este CARF, entendendo que a diligência não restou cumprida, decidiu mais uma vez, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 2301000.128, de 13/05/2011. Em cumprimento à diligência requerida, a autoridade se manifestou, por meio da Informação Fiscal de fls.452, prestando as informações solicitadas por este Conselho. Regularmente cientificada do resultado da diligência fiscal, conforme AR de fls. 456, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. Tratase de processo que retorna de diligência determinada por esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, conforme Resolução nº 2301000.128, de 13/05/2011. O julgamento havia sido convertido em diligência para que fossem trazidas, aos autos, informações quanto à existência de lançamentos de débitos relativos a contribuições cuja omissão em GFIP tenha ensejado a lavratura do presente Auto de Infração. Em Informação Fiscal de fls. 452, a autoridade lançadora informou que, correlata a este AI, foi lavrada apenas a NFLD Debcad nº 37.084.8780, abragendo o período de 04/2003 a 12/2005, referente a contribuições que deveriam ter sido retidas das remunerações pagas aos contribuintes individuais que prestaram serviços à recorrente. Esclareceu, ainda, que não foi lavrada NFLD para o período anterior a 04/2003, tendo em vista tratarse de entidade em gozo de isenção previdenciária, não sendo, portanto, devida a contribuição incidente sobre os pagamentos realizados aos contribuintes individuais, como também não era atribuição da empresa recolher a contribuição devida por tais segurados. Contudo, a empresa estava obrigada a informar, em GFIP, todos os pagamentos realizados aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, o que não foi feito, motivo pelo qual foi lavrado o AI em tela, englobando o período anterior a 04/2003. Cumpre observar que a NFLD citada acima, que lançou a contribuição dos contribuintes individuais, foi julgada procedente por este Conselho, por meio do Acórdão 230100549, de 19/08/2009. Dessa forma, diante dos esclarecimentos prestados pela autoridade lançadora, passo à análise do recurso apresentado pela recorrente. Preliminarmente, a autuada alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 12DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 469 7 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão Fl. 13DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Assim, no caso em tela, tratase de Auto de Infração, ou seja, lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 23/03/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 12/04/2007, conforme documento de fls. 359. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências 01/99 a 11/2001. Para a competência 12/2001, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito. Ainda em preliminarmente, a recorrente alega que o julgador de 1a instância, ao considerar procedente o lançamento, não considerou a condição de associação beneficente, de natureza filantrópica da recorrente, e toda a titularidade da qual é possuidora. Porém, em nenhum momento do Acórdão recorrido o Relator desconsiderou a condição de associação beneficente da autuada. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 470 9 Mesmo porque, a sua condição de entidade beneficente isenta e de ser possuidora de todos os títulos listados não a desonera do cumprimento das obrigações acessórias estabelecidas em lei. Cumpre esclarecer que a entidade isenta somente está dispensada do cumprimento da obrigação principal, ou seja, do pagamento das contribuições previdenciárias, e nunca do cumprimento das obrigações acessórias, uma vez que os fatos geradores continuam ocorrendo. O art. 175, § único do CTN, assim dispõe: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias, dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüentes. (grifei) Portanto, ao contrário do que entende a recorrente, a apresentação de GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória. Relativamente ao entendimento de que não pode prosperar o argumento da fiscalização de que há excesso na administração e de que a contabilidade encontrase imprestável, cumpre observar que a fiscalização constatou, da análise da contabilidade e demais documentos, várias irregularidades e inconsistências nos registros contábeis e expôs, nos relatórios que integram o AI, os motivos que a levaram à desconsideração da contabilidade e à conclusão de que houve excesso na administração. Registrese que a recorrente não nega a ocorrência das irregularidades relatadas pela autoridade lançadora no Relatório Fiscal. Ela apenas alega que “todas as obrigações fiscais principais e acessórias foram cumpridas conforme determina a legislação tributária”. No entanto, não comprova o alegado. Não juntou, aos autos, os documentos que pudessem dar amparo aos lançamentos registrados nas contas contábeis apontadas pela fiscalização. O art. 333 do Código de Processo Civil estatuiu que o ônus da prova cabe a quem alega, ou seja, aquele que alega um fato é quem deve provar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Assim, ao deixar de informar, por meio de GFIP, os valores pagos aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, a recorrente descumpriu determinação expressa no art. 32, inciso IV, e § 1o, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, transcrito a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 1° O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações especificas. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Portanto, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada entende, ainda, que o indeferimento da perícia pela autoridade julgadora de 1a instância configura cerceamento de defesa ao contribuinte Todavia, entendo que a perícia foi indeferida com muita propriedade pela primeira instância administrativa, que constatou a desnecessidade de realização de perícia tendo em vista que a recorrente não demonstrou que a elucidação do caso dependeria de conhecimentos técnicos especializados. Ademais, todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental pela notificada, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Portanto, rejeito as preliminares apresentadas. No mérito,a autuada afirma que todas as GFIPs foram entregues, ressaltando que a multa imposta é absolutamente descabida, e questiona o método utilizado pelo Auditor Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 471 11 Fiscal, perguntando como foram encontrados os números e onde o agente autuante encontrou um rol tão grande de omissões. No entanto, verificase que as GFIPs entregues não contemplavam todas as remunerações de todos os segurados que prestaram serviços à recorrente. A fiscalização deixou claro, no Relatório Fiscal, que os fatos geradores foram apurados basicamente na escrituração contábil, já que a recorrente não elabora folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais cujas remunerações foram omissas em GFIP. Assim, as GFIPs foram apresentadas, contudo, foram omissas relativamente à remuneração dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. A recorrente protesta, ainda, pela realização de perícia. Todavia, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, indeferese o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa aplicada. Entretanto, a fiscalização aplicou a multa em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento, que estabelecia que cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação é considerada uma ocorrência. Dessa forma, a multa imposta encontra amparo nos normativos legais citados nos Relatórios que integram o Auto de Infração, vigentes à época. No entanto, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 17DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluído do cálculo da multa aplicada, por decadência, os valores relativos às competências 01/99 a 11/01, inclusive, e para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Damião Cordeiro de Moraes 1. No que tange ao valor da multa aplicada, não posso concordar com o posicionamento adotado pela nobre relatora, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 2. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do Fl. 18DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 472 13 prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 3. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 22. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 23. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de Fl. 19DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 24. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 25. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 26. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 27. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, Fl. 20DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 473 15 devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 28. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 29. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 30. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Fl. 21DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 31. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 22DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 474 17 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 32. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 33. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 34. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. 35. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso. CONCLUSAO 36. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, neste ponto específico, DARLHE PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinado digitalemente) Damião Cordeiro de Moraes Redator Fl. 23DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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