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Numero do processo: 16327.000887/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO.
Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade.
CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA.
Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do CTN.
INCIDÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTA-CORRENTE.
Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem.
Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindo-lhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores em rede bancária, enquadra-se perfeitamente na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009.
Recursos Voluntário e de Ofício negados.
Numero da decisão: 3202-001.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) Em relação ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; e b) em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Antônio Mário de Abreu Pinto. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves apresentará declaração de voto. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ana Paula Lui, OAB/SP nº. 157.658.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Antônio Mário de Abreu Pinto, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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INCIDÊNCIA. Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO CBD E FAZENDA NACIONAL Recorrida COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO CBD E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do CTN. INCIDÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTACORRENTE. Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem. Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindolhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores em rede bancária, enquadrase perfeitamente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 87 /2 00 8- 59 Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.151 2 na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recursos Voluntário e de Ofício negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) Em relação ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; e b) em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Antônio Mário de Abreu Pinto. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves apresentará declaração de voto. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ana Paula Lui, OAB/SP nº. 157.658. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Antônio Mário de Abreu Pinto, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração (fls. 02/ss) com ciência em 25/06/2008, para a cobrança da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 14.945.418,53, relativos aos períodos de apuração de 02/01/2003 a 29/12/2004. Para melhor compreensão dos fatos, transcrevese parte do Relatório constante do Acórdão da DRJCampinas, verbis: No Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/40, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: Foi constatado que a CBD firmou contratos com empresas de transporte de valores para prestação de serviços de coleta de numerários e cheques. Também assinou procurações para dar poderes para essas empresas endossarem os cheques Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.152 3 recebidos. Os numerários e cheques eram entregues a bancos, contratados previamente, para efetuarem pagamentos de fornecedores da CBD, sem transitar pela sua conta corrente. Os procedimentos efetuados são: 1º O cliente paga suas compras com cheque ou dinheiro; 2° Esses valores são recolhidos por empresa de transporte de valores; 3° A empresa de transporte de valores faz o endosso dos cheques por procuração; 4° Os valores em espécie e os cheques endossados são disponibilizados para os bancos fazerem pagamentos de fornecedores. Os valores não utilizados são depositados em conta corrente. (...) A empresa ajuizou em julho de 2001, ação ordinária com pedido de antecipação de tutela n° 2001.61.00.0182053 (...), contra o Banco Central do Brasil e União Federal, requerendo (...) a concessão de Tutela Antecipada nos termos do artigo 273, inciso I do Código Processo Civil, que suspenda a aplicação da Circular BACEN n° 3.001/2000, garantindo o direito das Autoras de continuarem endossando por uma única vez os seus cheques coletados por sistema organizado, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, independentemente da obrigatoriedade de depósito bancário e da incidência da CPMF. O MM Juízo proferiu despacho postergando a apreciação da antecipação da tutela para após a vinda da contestação da União. Contra tal decisão foi interposto Agravo de Instrumento sob o n° 2001.03.00.0236540, no qual foi deferido o pedido para afastar a aplicação da Circular BACEN n°3.001/2000, garantindo o direito das empresas de continuarem endossando seus cheques coletados por sistema organizado uma única vez, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, independentemente da obrigatoriedade de depósito bancário e da incidência da CPMF. Conforme Certidão de Objeto e Pé, de 6 de setembro de 2006, constatamos que foi deferida a Tutela Antecipada, em sede de agravo, nos termos do pedido mencionado. Em 16 de abril de 2007, o MM Juiz da 2° Vara da Seção Judiciária da Capital do Estado de São Paulo julgou, sentença Tipo A, procedente o pedido (...) de afastar as determinações da Circular BACEN 3001/2000, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Em 28 de maio de 2007, acatando embargos de declaração contra a sentença proferida em 16/04/2007, MM Juiz da 2ª Vara da Seção Judiciária da Capital do Estado de São Paulo julgou, sentença Tipo M, procedente o pedido (...) estendendo seus efeitos também com relação aos numerários coletados. Diante da decisão de 26 de julho de 2001 (...), que concedeu o efeito suspensivo ao agravo de instrumento para afastar a aplicação da Circular BACEN no 3.001/2000, garantindo o direito das agravantes (...) de continuarem endossando seus cheques coletados por sistema organizado uma única vez, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, independentemente da obrigatoriedade de depósito bancário e da incidência da CPMF formulouse consulta Procuradoria Regional da Fazenda Nacional (PRFN) da 3° Região para que fosse avaliada a extensão material de tal Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.153 4 decisão, em especial quanto a exigibilidade do crédito tributário e a sujeição passiva. Analisandose a resposta da PRFN e os demais documentos referentes ação judicial verificase que os limites objetivos do pedido e da decisão exarada restringemse a não obrigatoriedade do trânsito de valores da titularidade da CBD (cheques e numerário) pelas contascorrentes de depósito, para efeito de fato gerador de CPMF, sistemática prevista na Circular BACEN no 3.001/2000. A liminar proferida concedeu o efeito suspensivo sendo que a decisão abrangia também a coleta de numerários em espécie. Dessa forma, não ocorre a hipótese prevista no art. 2°, inciso I da Lei n° 9.311/96. Em nenhum momento se discutiu judicialmente a existência de outros fatos geradores da CPMF, como aquele previsto no inciso III do art. 2° da Lei n° 9.311/96. É fato concreto que a (...) (CBD) utiliza sistema organizado para coleta de cheques e valores em espécie e instituições financeiras (bancos) para efetuar pagamentos a fornecedores sem transitar esses valores em conta corrente, evitando, dessa forma a incidência de CPMF, de acordo com o inciso I. Podese inferir então que, conforme inciso III do art. 2° da Lei 9.311/96, constitui fato gerador independente de CPMF a simples liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos I e II. Para esclarecer o alcance do dispositivo, a Secretaria da Receita Federal divulgou o Ato Declaratório SRF n° 033, de 17 de maio de 2000. (...). Conclui a autoridade fiscal: Qualquer movimentação ou transmissão de valores efetuada por um banco encontra no campo de incidência de CPMF. Num simples pagamento de cheque em dinheiro ocorrem duas movimentações, correspondentes a dois fatos geradores, o primeiro pelo débito na conta corrente do emitente, sendo o emitente do cheque o contribuinte, (art. 2°, Inciso I da lei n° 9311/96), e o segundo pelo pagamento em dinheiro ao beneficiário, neste caso o contribuinte é o beneficiário, (artigo 2°, Inciso III da Lei n° 9311/96). Nesta última não há cobrança de CPMF em razão de a alíquota ser zero (artigo 8° inciso V da Lei 9.311/96). Dessa forma, qualquer outra forma de liquidação do cheque que não seja crédito em conta corrente do beneficiário, tais como liquidação de quaisquer obrigações, tais como pagamentos de fornecedores, impostos, funcionários, financiamentos e demais obrigações, com a utilização de cheques de terceiros ocorre o fato gerador previsto no inciso III do artigo 2° da Lei n°9.311/96. Quando o legislador cria a norma tributária, cria a hipótese de incidência que é a descrição legal de um fato: é a formulação hipotética, prévia e genérica, contida na lei, de um fato', (Geraldo Ataliba, in Hipótese de Incidência Tributária). Nas operações sob análise, a ocorrência do fato gerador descrito na hipótese de incidência do artigo 2°, Inciso III da Lei n° 9.311/96, se concretiza no instante em que os bancos que a Companhia Brasileira de Distribuição firmou contrato disponibilizam recursos decorrentes de cheques de terceiros para liquidação de suas obrigações e compromissos, sem que os valores tenham sido depositados nas contas correntes da empresa. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.154 5 Considerando o exposto e o fato da Ação Judicial transitada em julgado, que deu ganho de causa a Companhia Brasileira de Distribuição, se restringir aos efeitos da Circular BACEN 3001/2000, e não tendo sido afastada judicialmente a hipótese de incidência da CPMF, de acordo com o inciso III do art. 2° da Lei 9311/96, será lavrado Auto de Infração de CPMF relativo aos pagamentos efetuados pelos bancos com quem mantinha contratos para esse fim, utilizando cheques de terceiros, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004 considerando o disposto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. O Auto de Infração será lavrado na Companhia Brasileira de Distribuição, considerando o disposto no § 3° do artigo 5° da Lei 9.311/96. (grifos no original) A Recorrente apresentou sua Impugnação, em 25/07/2008 (fls. 677/ss), onde em apertada síntese alega: I. Em preliminares: nulidade do Auto de Infração, em decorrência da incompetência da Delegacia Especial de Instituições Financeiras ("DEINF"); ilegitimidade para figurar no polo passivo da presente autuação; a decadência do direito de a fiscalização constituir o crédito tributário referente aos meses de janeiro a junho de 2003; II. Mérito erro do enquadramento legal e consequente nulidade da autuação, uma vez que a Impugnante ajuizou Ação Declaratória (Nº 2001.61.00.0182053), com pedido de tutela antecipada, para o fim de fosse reconhecido seu direito de continuar a endossar, por uma única vez, os seus cheques coletados por sistema organizado, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei no 9.311/96, reconhecendose, por consequência, a não incidência da CPMF na operação em questão, tendo em vista a manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade da Circular Bacen nº 3.001/2000. Obteve sentença favorável, restando reconhecido seu direito de continuar endossando os cheques por ela recebidos uma única vez, tal como estabelecido no artigo 17, inciso I, da Lei no 9.311/96, sem a necessidade de depósito dos valores em conta (tal como determinado pela Circular Bacen no 3.001/2000) e, consequentemente, sem a incidência da CPMF nas operações em questão. Entretanto, não obstante o reconhecimento nos autos da mencionada ação judicial da não incidência da CPMF, nas operações analisadas nos autos do presente processo administrativo, uma vez que se subsomem a hipótese de não incidência prescrita no inciso I, do artigo 17 da Lei n0 9.311/96, os Srs. Agentes Fiscais pretenderam enquadrar as operações em questão na hipótese descrita no inciso III, do artigo 2°, do mencionado dispositivo legal, ou seja, a autuação foi fundamentada em outro artigo da mencionada lei; inocorrência de pagamento por conta e ordem de Terceiros, por inexistência do "Terceiro". A Impugnante foi autuada por suposta infração ao disposto no inciso III, do artigo 2º, da Lei nº 9.311/96, uma vez que, no entendimento dos Srs. Agentes Fiscais teria ocorrido o pagamento de obrigações por conta e ordem de terceiro, apesar do fato praticado Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.155 6 pela Impugnante em obediência à decisão judicial ter sido aquele previsto no inciso I, do artigo 17, da Lei no 9.311/96 (único endosso de cheque). contratou empresas especializadas em coleta, transporte e processamento de numerários, que recolhiam e transportavam os cheques recebidos por seus estabelecimentos comerciais. Ato contínuo, por meio de procuração especifica concedida pela Impugnante, as referidas empresas endossavam os cheques (na qualidade de mandatários da Impugnante), para pagamento de fornecedores da Impugnante, configurando a hipótese de não incidência prevista no inciso I, do artigo 17 da Lei nº 9.311/96 (conforme decisão judicial já mencionada). Dessa maneira, entende que não se trata, portanto, de hipótese de pagamento por conta e ordem de terceiro, nos termos do inciso III, do artigo 20 da Lei no 9.311/96, tal como pretendido pelos Srs. Agentes Ficais, mas, sim, mero pagamento em nome da própria Impugnante por meio do endosso de cheques, realizados por seus mandatários, nos termos do inciso I, do artigo 17 do referido diploma legal. haveria incongruência da caracterização da movimentação financeira ocorrida como "pagamento por conta e ordem de terceiros", como pretenderam as Autoridades Fiscais. A hipótese de incidência prescrita no inciso III, do artigo 2º da Lei no 9.311/96 — pagamento por conta e ordem de terceiros — não pode ser confundida, tal como pretendido pelos Srs. Agentes Fiscais, à hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 17 do referido diploma legal — endosso único de cheque; a multa de oficio imputada à Impugnante deverá ser cancelada, uma vez que os valores supostamente devidos pela Impugnante a título de CPMF encontramse abrangidos pela decisão judicial proferida nos autos da mencionada ação judicial; ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas proferiu o Acórdão nº 0523.891 em 23/10/2008 (folhas 800/ss), julgando procedente parcialmente o lançamento de ofício efetuado, o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. JURISDIÇÃO. Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade. CPMF. LEGMMIDADE PASSIVA. FALTA DE RETENÇÃO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LANÇAMENTO CONTRA O CONTRIBUINTECORRENTISTA. Constatada a falta de retenção da contribuição pelas instituições financeiras, correta a lavratura do Auto de Infração contra o correntista na sua condição de contribuinte e responsável supletivo pela obrigação tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.156 7 Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem inicio na data de ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTACORRENTE. Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente em Parte Conforme consta do voto condutor da decisão de primeira instância, foram excluídos os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos de 02/01/2003 a 25/06/2003, alcançados pela decadência. Em decorrência de exclusão parcial do crédito tributário foi apresentado Recurso de Ofício. Cientificada da decisão de primeira instância administrativa, em 13/03/2009 (fl. 844), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 14/04/2009 (fls. 845/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, reforçando, ainda, a existência de ações judiciais relativas à matéria (ação ordinária processo nº 2001.61.00.0182053 e agravo de instrumento processo nº 2001.03.00.0236540 fl. 847) O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Em sessão realizada no dia 26/04/2012, esta 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 3202000.063 – folhas 943/ss) para que fossem juntadas aos autos informações completas e atualizadas sobre a Ação Ordinária nº 2001.61.00.0182053 e o Agravo de Instrumento nº 2001.03.00.0236540. A diligência foi efetuada e as informações solicitadas foram anexadas aos autos (efls 1022/1142). É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminares Da competência da autoridade fiscal A primeira preliminar trazida pela Recorrente diz respeito à alegação de incompetência das autoridades fiscais que subscreveram o auto de infração, tendo em vista Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.157 8 estarem vinculadas à Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, órgão responsável pela fiscalização das instituições financeiras, e por isso não poderiam fiscalizar outras empresas que não aquelas do setor financeiro. Conforme pontuado pela decisão recorrida, a competência para a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e não do órgão jurisdicionante. O exercício de tal competência decorre do pleno e inviolável exercício das atribuições do auditorfiscal, que tem o deverpoder atribuído pelo art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destacamos) Por sua vez, o art. 194 do CTN prescreve que a legislação tributária regulará a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização. Nesse sentido, a competência do AuditorFiscal para fiscalizar e constituir o crédito tributário foi regulamentada por diversos dispositivos legais, desde o art. 7º da Lei nº 2.354, de 29/11/1954, até o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06/12/2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, atualmente vigente. Confirase: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) (...) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados. (destacamos) Por fim, importante registrar que o § 2º, art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe sobre prevenção de jurisdição, nos seguintes termos: Art. 9º A exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo. (...) § 2º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (destacamos) Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.158 9 Destarte, o AuditorFiscal lotado em uma unidade da Receita Federal detém competência para fiscalizar e constituir o crédito tributário em relação a qualquer contribuinte domiciliado na esfera de jurisdição da União. No caso em tela, a constituição do crédito tributário por meio do ato administrativo de lançamento tributário foi efetuada por autoridade fiscal competente, no exercício regular de suas funções, logo não há que falar em incompetência da autoridade autuante. Acerca da questão já foi editada, inclusive, Súmula nº. 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: SÚMULA CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade por incompetência arguida pela Recorrente. Da ilegitimidade passiva A segunda preliminar levantada diz respeito à suposta ilegitimidade passiva da Recorrente, quando argumenta que a responsabilidade pelo recolhimento da CPMF é das instituições financeiras e não daquele que eventualmente praticou o fato jurídico tributário. Mais uma vez, não assiste razão à Recorrente. A Lei nº 9.311, de 1996, prescrevia em seus artigos 4º (os contribuintes) e 5º (os responsáveis) as pessoas aptas a figurarem no polo passivo da contribuição. Confiramse: Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2°, ainda que movimentadas por terceiros; II o beneficiário referido no inciso III do art. 2°; III as instituições referidas no inciso IV do art. 2°; IV os comitentes das operações referidas no inciso V do art. 2°; V aqueles que realizarem a movimentação ou a transmissão referida no inciso VI do art. 2°. Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2°; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2°; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2°. (...) §3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.159 10 (destacamos) No caso em litígio, muito embora o artigo 5º tenha atribuído a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição às instituições financeiras (incisos I, II e III), caso não o façam, o contribuinte deve fazêlo, em caráter supletivo, como dispõe expressamente o §3°, do art. 5º da Lei nº 9.311, de 1996. A questão não demanda maiores divagações. O dispositivo legal é extremamente claro e direto: caso o tributo não tenha sido retido e recolhido pela instituição financeira, o Fisco pode proceder ao lançamento e, consequentemente, a cobrança diretamente do contribuinte, que ao fim é quem efetivamente arca com o ônus financeiro do tributo. O art. 128 do CTN prescreve que a lei pode atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a ao contribuinte em caráter supletivo. A Lei nº 9.311/1996 optou pela segunda alternativa: atribuiu às instituições financeiras a responsabilidade pela retenção/recolhimento da CPMF e, caso estas não o façam, deve o contribuinte, supletivamente, responder pelo pagamento do tributo. O responsável pela retenção do tributo, por determinação legal, é verdadeiro longa manus do Estado, mero facilitador da atividade de arrecadação, de modo que o descumprimento da sua atribuição não ilide a obrigação do contribuinte pelo tributo devido. Neste sentido já está pacificada a jurisprudência do CARF, assim como estava a do antigo Conselho de Contribuintes. Confiramse os seguintes Acórdãos: nº 3403 01.623, de 23/05/2012; 340300.134, de 19/10/2009; 340100.235, de 17/09/2009; 3402 00.468, de 04/02/2010; nº 20181.392, de 03/09/2008; 29300.021, de 29/10/2008. Destarte, não tendo sido feita a retenção/recolhimento da CPMF pelas instituições financeiras, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento tributário para exigir do contribuinte, devedor principal (art. 121, inciso I, CTN), o pagamento do tributo. Mérito Da incidência da CPMF O cerne do litígio referese à incidência da CPMF sobre as operações efetuadas pela empresa consistentes nos seguintes procedimentos: (a) os clientes da Recorrente pagam suas compras com cheque ou dinheiro; (b) esses valores são recolhidos por empresa de transporte de valores; (c) a empresa de transporte de valores faz o endosso dos cheques por procuração; (d) os valores em espécie e os cheques endossados são disponibilizados para os bancos fazerem pagamentos de fornecedores; (e) os valores não utilizados são depositados em conta corrente. Inicialmente transcrevo as hipóteses de incidência da CPMF previstas na Lei nº 9.311, 24/10/1996, vigentes à época da ocorrência dos fatos, verbis: Art. 2° O fato gerador da contribuição é: I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.160 11 parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; II o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; IV o lançamento, e qualquer outra forma de movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, não relacionados nos incisos anteriores, efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas; V a liquidação de operação contratadas nos mercados organizados de liquidação futura; VI qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características que permitam presumir a existência de sistema organizado para efetivála, produza os mesmos efeitos previstos nos incisos anteriores, independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizados para realizála. (...) Pois bem. A Lei nº 9.311/1996 estabelecia diversas hipóteses de incidência para a CPMF, dentre as quais interessam no caso em tela aquelas previstas no inciso I e III do art. 2º. A primeira hipótese (inciso I) prescrevia a incidência da contribuição no caso de lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, de empréstimo ou de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento; a segunda (inciso III) estabelecia a incidência sobre a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores. A meu ver, não restam dúvidas que o objeto de discussão nos autos dos processos judiciais (Ação Ordinária nº 2001.61.00.0182053 e o Agravo de Instrumento nº 2001.03.00.0236540), conforme consta da Petição Inicial apresentada pela interessada, foi “ver afastada norma editada pelo Banco Central do Brasil, qual seja, a Circular nº 3.001, de 24.08.2000, que revogou dispositivo da Lei nº 9.311/96” (vide efolha 1.042), norma esta que determinava “a revogação do disposto no artigo 17 da Lei nº 9.311/96, em nítida extrapolação de competência, (...)” (vide efolha 1.048). Isto pode ser confirmado pela simples leitura dos pedidos feitos pela interessada em sua Petição Inicial, abaixo transcritos (efolha 1.051): (i) seja reconhecido o direito das Autoras de continuarem a endossar por uma única vez os seus cheques coletados por sistema organizado, tal como assegurado pelo artigo 17 da Lei nº 9.311/96; (ii) seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade da Circular BACEN nº 3.001/2000, por ter o Banco Central do Brasil invadido esfera de competência exclusiva do legislador federal, revogando a norma contida no artigo 17 da Lei nº 9.311/96 por meio de simples Circular; (iii) sejam definitivamente afastados os efeitos da aplicação da Circular BACEN nº 3.001/2000, a fim de que as instituições financeiras que recebem os cheques Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.161 12 das Autoras coletados por sistema organizado fiquem autorizadas a aceitar um único endosso nestes títulos, conforme assegurado pelo artigo 17 da Lei nº 9.311/96. A empresa fez ainda aditamento a Inicial, requerendo a antecipação de tutela “também para o fim de assegurar o destino desejado ao numerário coletado por sistema organizado, independentemente da obrigação de depósito bancário e da incidência da CPMF, até o julgamento final da lide, para o que igualmente requerem as Autoras seja afastadas definitivamente a aplicação da aludida Circular (...)” (efl. 1057). Consta da Certidão de Objeto e Pé nº 2376321 – UTU3, emitida em 30/08/2012 pela Subsecretaria da Terceira Turma do TRF da 3ª. Região, que foi proferida sentença julgando procedente o pedido feito pela autora da ação e que foi feita apelação no agravo de instrumento pelo Banco Central do Brasil, a qual aguarda julgamento pelo Tribunal. É de concluise, portanto, que a discussão judicial, ao fim e ao cabo, tratou de questões relativas à ilegalidade da Circular BACEN nº 3.001/2000, de modo a permitir que a empresa continuasse a endossar por uma única vez os seus cheques coletados por sistema organizado, nos termos previstos pelo artigo 17 da Lei nº 9.311/96. Deste modo, em face da decisão judicial proferida a empresa não estaria obrigada a efetuar depósitos em suas contas correntes dos cheques e numerário recolhidos pela empresa de transporte de valores. Por conseguinte, não haveria como se dar a incidência da CPMF com base no inciso I do artigo 2º da Lei nº 9.311/96, pois não houve o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito. É fato que a Recorrente conseguiu contornar um dos aspectos materiais da hipótese de incidência (inciso I), ao não depositar em suas contas correntes os cheques e numerários recebidos de seus clientes. Afastada, assim, a aplicação dessa hipótese de incidência ao caso em tela. Contudo, o provimento judicial não abrangeu as demais hipóteses, que em momento algum foram objeto de discussão nos autos da Ação Ordinária nº 2001.61.00.0182053 e no Agravo de Instrumento nº 2001.03.00.023654. Resta, então, analisar se a operação efetuada pela Recorrente subsumese a hipótese de incidência prevista no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. O legislador, no meu entender sabiamente, previu outras hipóteses de incidência para a CPMF, justamente para evitar a utilização de estratagemas diversos que resultassem em não recolhimento do tributo, ferindose, com isso, o princípio da isonomia e da capacidade contributiva. Fazendose uma interpretação teleológica do dispositivo legal, percebese claramente que o legislador teve a intenção de alcançar as movimentações realizadas no âmbito do sistema financeiro, em suas diversas modalidades. Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindolhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores (da CBD) em rede bancária, a meu juízo, enquadrase perfeitamente na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. Vejam: É fato incontroverso que houve o “pagamento”, por “instituição financeira”, de “valores” devidos aos fornecedores da Recorrente, por intermédio das empresas de transporte de valores, utilizandose cheques endossados, valores esses que não Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.162 13 foram “creditados”, em “nome do beneficiário” (a Recorrente, uma vez que era em sua conta correntes que deveriam, via de regra, transitar os cheques/numerários recebidos de seus clientes), em suas “contas correntes”, ou seja, “nas contas correntes referidas nos incisos anteriores” (incisos I e II). Os fatos acima descritos subsumemse perfeitamente à hipótese de incidência prescrita no inciso III, abaixo transcrito. Confiramse: III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; Em relação à expressão “por conta e ordem de terceiros” constante do dispositivo normativo, objeto de extensa argumentação por parte da Recorrente, transcrevemse trechos do elucidativo voto condutor da decisão recorrida, com os quais concordo inteiramente e utilizo também para fundamentar o meu voto, nos termos do que dispõe o §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, verbis: Sob outra perspectiva, a impugnante pretende demonstrar que os fatos ocorridos não se subsumem a hipótese de incidência que é o fundamento da autuação. Numa das suas vertentes, questiona a ocorrência de pagamento por conta e ordem de terceiros, na dicção do dispositivo legal, alegando que se trata de pagamento em seu próprio nome por meio de seus mandatários pelo que não haveria a figura do terceiro. Reconhecendo a redação truncada daquele dispositivo, a interpretação sistemática da Lei nº 9.311, de 1996, permite definir o alcance do inciso III, do art. 2°. Com efeito, o art. 4º, II, que trata dos contribuintes, define: “Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2°, ainda que movimentadas por terceiros; II o beneficiário referido no inciso III do art. 2º”; Em correspondência com os fatos geradores, o inciso I define como contribuintes os titulares das contas que sofreram os lançamentos a débito. Assim, quando a lei elege como contribuinte o beneficiário envolvido no fato gerador descrito no inciso III do art. 2°, depreendese que "beneficiário" é o titular da conta corrente na qual deveriam ter transitado os valores de seus créditos e direitos a serem utilizados para pagamento de suas obrigações, trânsito este que geraria a incidência da contribuição. Aqui vale a pena voltar ao texto do inciso III do art. 2° para que se consolide o seu entendimento: (...) Ainda nessa atividade de construção normativa, resta tratar do termo "terceiros", por conta e ordem de quem são feitos os pagamentos e liquidações, que é o ponto central da argumentação da defesa. Todo o contexto normativo que já foi explicitado aqui só permite que se chegue conclusão de que o legislador usa a expressão "terceiros" para se referir ao mesmo correntista, em nome e por conta do qual a instituição financeira realiza o pagamento. No caso especifico sob análise, o "terceiro" é a própria autuada, a qual, por intermédio de instituição financeira, deu a ordem de pagamento a seus credores, utilizandose dos recursos representados pelos cheques endossados. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.163 14 Ao explorar a expressão "terceiros" da dicção legal, a contribuinte omite a participação da instituição financeira no pagamento de seus fornecedores, fato essencial na caracterização do fato gerador. Com efeito, como surge da interpretação sistemática aqui exposta, a condição de terceiro é aferida em relação à instituição financeira que intervém na operação. E aqui, em consonância com a argumentação da defesa, são idênticos os efeitos no caso de a autuada aparecer diretamente na operação ou de ser representada nela por seus mandatários. Assim, a norma contida no inciso III diz que ocorre o fato gerador da contribuição toda a vez que a instituição financeira realiza movimentações e/ou transmissões financeiras em nome de seus correntistas, utilizandose de recursos destes, os quais estão disposição da instituição sem que tenha havido o regular lançamento a crédito em conta corrente. Os pagamentos feitos dessa maneira, sem a correspondente formalização de lançamento a débito, são considerados também fatos geradores. Não há, portanto, como concordar com o argumento da Recorrente quando afirma que “as instituições financeiras se utilizavam dos cheques endossados pela Recorrente (devidamente representadas por seus mandatários constituídos para tal fim, i.e., empresas de coleta, transporte e processamento de numerários), para quitação de dívidas/fornecedores em nome da Recorrente (com recursos próprios da Recorrente), e não por sua conta e ordem, (,...)”. Discordamos desse entendimento, que tenta fazer uma interpretação meramente literal do dispositivo legal, em detrimento de uma interpretação sistemática, onde se constrói o significado da norma a partir dos enunciados constantes do art. 2º conjuntamente com o art. 4º da Lei nº 9.311, de 1996. A expressão “por conta e ordem”, a meu ver, deve ser compreendida no sentido de que a instituição financeira efetua o pagamento de dívidas com fornecedores por conta e ordem de terceiro seu cliente, ou seja, de outra pessoa não integrante da relação “instituição financeira X fornecedores” – no caso, a instituição efetua os pagamentos por conta e ordem da Recorrente, justamente o beneficiário citado no inciso II, do art. 4º, que tem suas dívidas com fornecedores quitadas. Concluise, deste modo, a conduta praticada pela Recorrente está enquadrada na hipótese normativa prevista no inciso III, art. 2º, da Lei no 9.311, de 1996. Da multa de ofício Em relação a multa de ofício, aduz a Recorrente que deve ser cancelada, uma vez que os valores supostamente devidos pela Impugnante a título de CPMF encontravamse abrangidos pela decisão judicial proferida nos autos da mencionada ação judicial. Como demonstrado no tópico anterior, na decisão judicial proferida restou decidido que a empresa não estaria obrigada a efetuar depósitos em suas contas correntes dos cheques e numerário recolhidos pela empresa de transporte de valores, de modo que ficou afastada a incidência da CPMF com base no inciso I do artigo 2º da Lei nº 9.311/96. Contudo, no lançamento tributário efetuado está sendo cobrada a CPMF com base na hipótese de incidência prevista no inciso III do artigo 2º da Lei nº 9.311/96. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.164 15 Destarte, uma vez demonstrada a falta de recolhimento da contribuição, restou caracterizada a conduta descrita no artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Deste modo, praticada a conduta tipificada na norma, correta a aplicação da penalidade prevista, como determina o artigo 44, I da Lei 9.430/96. Dos juros moratórios aplicados à taxa SELIC Em relação à utilização da taxa Selic como juros moratórios, o argumento apresentado pela Recorrente também não merece ser acolhido. Vejamos. A Lei nº 9.065, de 20/06/1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, dispôs em seu art. 13, que a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata o art. 84, inciso I, e §§ 1º, 2º e 3º, da Lei nº 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. De igual modo dispõe o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Os juros de mora representam a indenização da mora. Constituem o rendimento que o credor teria se pudesse contar com o principal desde a data do vencimento da obrigação. Seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Tais juros são calculados sobre o tributo não pago, repitase, a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário. A adoção da taxa de referência SELIC como medida de percentual de juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos legais se fez via lei ordinária já reportada, conforme faculta o § 1º do art. 161 da Lei nº 5.172/1966. Convém lembrar que as Leis nº 9.065/1995 e nº 9.430/1996 foram editadas pelo Poder Legislativo e sancionadas pelo Poder Executivo, a quem compete a fiel execução das normas legais. Assim, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Ademais, cumpre reiterar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Conforme já mencionado, cabe tãosomente verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está ou não conforme a legislação tributária, Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.165 16 sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram o ato. Em última análise, não existe qualquer vedação legal à instituição da taxa referencial SELIC para fins de utilização no cálculo dos juros de mora devidos pelo contribuinte em mora. Este, inclusive, é o teor da Súmula CARF nº 4, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do recurso de ofício O recurso de ofício alcança o limite mínimo fixado pela Portaria MF nº 03/2008, motivo pelo qual deve ser conhecido. Na decisão recorrida foi exonerada parcela do crédito tributário lançado em face da decadência. A empresa foi cientificada da autuação fiscal em 25/06/2008, portanto, devem ser excluídos os valores relativos aos fatos geradores anteriores a 25/06/2003, considerandose o prazo decadencial contado de acordo com o art. 150, § 4º do CTN. Isto porque, como destacou o voto condutor da decisão recorrida, a falta de pagamento restringiuse a uma determinada natureza de operação, sem que a fiscalização houvesse se referido às demais operações da contribuinte tributadas pela CPMF. Revendo os argumentos expendidos na decisão recorrida, concluise que não merece qualquer reparo, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, notadamente em face da Súmula Vinculante nº 8, do STF, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000887/200859 Acórdão n.º 3202001.215 S3C2T2 Fl. 1.166 17 Declaração de Voto Com a devida vênia, discordo do douto voto do ilustre Relator, apenas na parte em assentou que as circunstâncias dos autos se subsomem à hipótese de incidência do CPMF, prevista no art. 2º, III, da Lei 9.311/1996, abaixo transcrita: Art. 2º O fato gerador da contribuição é: [...] III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; Isso porque, "para que ocorra a hipótese de incidência da CPMF nos termos do art. 2º, inciso III da Lei nº 9311/96 é preciso que haja a efetiva liquidação por instituição financeira de qualquer crédito, direito ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditado em nome do beneficiário em contas corrente de depósito, o que não restou configurado no caso dos autos, já que os valores objeto do endosso dos cheques permaneceram sob a titularidade do beneficiário do endosso, não servindo para liquidar qualquer obrigação do endossatário junto a terceiros, mas sim junto ao próprio beneficiário do endosso" [CARF. Processo nº 16327.000461/0086, Acórdão nº 20403.147, Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Rela. Nayra Bastos Manatta. Unânime. Julgado em 08.04.2008. Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Sílvia de Brito Oliveira, Renata Auxiliadora Maracheti (Suplente) e Leonardo Siade Manzan]. Ante o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário, julgando improcedente o lançamento. É o voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 12269.003775/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
RELATÓRIO
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 69 .0 03 77 5/ 20 09 -1 1 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.210.0686 em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES, bem como face a remuneração indireta paga a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 68 e seguintes, a empresa acima identificada foi excluída do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte, a partir da competência janeiro/2004, através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n ~ 031 de 03/06/2009 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n°036 de 08 /06/2009, a partir de 01/07/2007. Os fatos geradores da obrigação previdenciária foi levantado com base na remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, lançados nas folhas de pagamento, e nas seguintes contas contábeis: 31000 Pro Labore;31008 Vale Transporte; 31009 Vale Refeição; 31010 Assistência a Empregados; 31047 Material Aplicado. O presente Auto de infração compõese dos seguintes levantamentos para identificar a s diversas situações encontradas na empresa: I. Levantamento L01 e Zl REFEIÇÃO NAO DECLARADO GFIP • 01/2004 a 09/2006 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. A parcela "in natura" recebida pelo empregado, sob a forma de alimentação pronta, integra o saláriodecontribuição quando não existe adesão ao PAT. A multa foi agravada em 50% no levantamento Z1, uma vez que a empresa não atendeu a intimação fiscal (TIF 03), para apresentação de planilha identificando os beneficiários do vale refeição. II. L02 e Z2 VALE TRANSPORTE NAO DECLAR GFI. 01/2004 a 08/2006 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Os saláriosdecontribuição foram obtidos na conta contábil 31008 VALE TRANSPORTE. Das despesas com o vale transporte foi deduzido o valor da participação do segurado empregado, lançados nessa mesma conta. Naqueles lançamentos em que não foi possível identificar, pelo histórico, que o pagamento foi efetuado para pessoa jurídica, o vale transporte foi considerado pago em moeda corrente, para os segurados empregados e não a entrega de vales transporte. A empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória e não à s exibiu. Portanto o transporte foi fornecido em desconformidade com a legislação, uma vez que está vetado o fornecimento do vale transporte em espécie. III. L03 e Z3 ASSISTÊNCIA EMPREGADO NAO GFI 01/2004 a 12/2007 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 4 3 Remuneração dos segurados empregados não declaradas em GFIP, referente ao pagamento de assistência a empregados conforme demonstrado na "Planilha 5 Salário de Contribuição dos segurados empregados referente a assistência a empregados". Naqueles lançamentos em que não foi possível identificar, pelo histórico, que o pagamento foi efetuado para pessoa jurídica, os valores pagos a título de assistência a empregados, foram considerados como sendo pagos aos segurados empregados A empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória e não à s exibiu. Os valores foram obtidos na conta contábil 31010 ASSISTÊNCIA A EMPREGADOS. IV. L04 CONTRIB INDIVL NAO DECLAR GFI 02/2004 a 09/2004 Não declarado em GFIP parte patronal referente aos segurados contribuintes individuais. Remuneração dos contribuintes individuais e não declaradas em GFIP , conforme "Planilha 6 Salário de Contribuição dos segurados Contribuinte Individual". Os valores dos serviços prestados pelos contribuintes individuais foi obtido na conta contábil 31047 MATERIAL APLICADO. A empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória e não à s exibiu, e portanto tais lançamentos foram considerados como sendo pagamentos a beneficiários não identificados, na categoria de segurados contribuintes individuais. V. L05 PRO LABORE NAO DECLAR GFIP 03/2004 a 07/2005 Não declarado em GFIP parte patronal referente aos segurados contribuintes individuais (sócios administradores), Remuneração dos contribuintes individuais (sócios administradores), e não declaradas em GFIP, conforme "Planilha 7 Salário de Contribuição dos administradores (Pro Labore) ". Os valores da retirada de Pró labore foram obtidos na conta contábil 31000PRO LABORE. VI. L06 e Z4 CONTRIB P LABORE NAO DECL GFIP 01/2004 a 12/2007 Não declarado em GFIP parte patronal referente aos segurados contribuintes individuais (sócios administradores). Contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a Remuneração dos contribuintes individuais (sócios administradores), não declaradas em GFIP, conforme "Planilha 7 Salário de Contribuição dos administradores (Pro Labore) ". Cabe ressaltar que a s remunerações de Prólabore foram declaradas em GFIP. Os valores da retirada de Prólabore foram obtidos na conta contábil 31000PRO LABORE " L07 e Z5 FOL PAG NAO DECL GFIP 03/2004 a 09/2007 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Remuneração dos segurados empregados, e não declaradas em GFIP, conforme demonstrado na "Planilha 1 Salário de Contribuição CONSOLIDADO dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" e na "Planilha 2 Salário de Contribuição dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" . Os saláriosdecontribuição foram obtidos nas folhas de pagamentos. VII. L08 e Z6 CONTR PATRONAL NAO DEC GFIP 01/2004 a 13/2007 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a Remuneração dos segurados empregados, e não declaradas em GFIP, conforme demonstrado na "Planilha 1 Salário de Contribuição CONSOLIDADO dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" e na "Planilha 2 Salário de Contribuição dos segurados empregados da FOLHA DE PAGAMENTO" . Os saláriosde Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 5 4 contribuição foram obtidos nas folhas de pagamentos. Cabe ressaltar que a s remunerações foram declaradas em GFIP. VIII. L09 13 SALÁRIO 2004 13/2004 Não declarado em GFIP parte patronal e RAT referente aos segurados empregados. Contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre o décimo terceiro salário de 2004 dos segurados empregados e não declaradas em GFIP, conforme demonstrado na "Planilha 11 Salário de Contribuição do 13° salário de 2004". Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 11/08/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/08/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 193 a 202. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 218 a 231. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AI DEBCAD n° 37.210.0686 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. DECADÊNCIA. SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS. NULIDADE. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VERBAS SALARIAIS. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Não tendo sido esgotado o prazo decadência!, o lançamento pode ser Estando a empresa excluída do sistema SIMPLES a partir de 01/02/2004, somente é cabível o lançamento a partir desta data. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando demonstrada a matéria tributável e seus fundamentos legais. Os valores pagos pela empresa a título de Alimentação, Vale Transporte e Assistência a segurados enquadramse no conceito de salárioclecontribuiçâo quando não atendem todos os requisitos legais de isenção das contribuições previdenciárias devidas. Considerarseão não formulados os pedidos de diligência e perícia quando a empresa não apresentar os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e no caso de perícia, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 252 a 262 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, ou ainda, Princípio da Proibição de excesso que! conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, tem sua sede | material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal substantivo, surgiu com a finalidade de impedir restrições desproporcionais aos direitos fundamentais, seja por atos administrativos, seja por atos legislativos. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 6 5 2. É o que deve ser aplicado ao caso em discussão. A impugnante deve ser mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, bem como do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, Simples Nacional, pois a par da falta de registro da movimentação financeira, a mesma é uma microempresa de pequeno porte, e preenche os requisitos necessários para tanto. 3. De outra banda, ainda que o entendimento seja diverso do acima exposto, deve ser invalidade o presente auto de infração, pois é consabido que os efeitos da exclusão do SIMPLES passam a vigorar a partir do ato de exclusão. Insurgese, quanto aos efeitos do ato de exclusão, reclamando da retroatividade pois, no caso em tela, não é possível aplicar a norma que dá efeitos retroativos à exclusão do regime. Sustenta por sua vez, que o artigo 15, inciso II da Lei 9.317/96 determina que a exclusão, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°, gera efeitos no mês subsequente à ocorrência da situação excludente. 4. Aduz que a empresa está dentro do enquadramento legal que lhe permite participar do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL e que o critério utilizado pela fiscalização para a exclusão foi exclusivamente subjetivo e desproporcional. Ressalta que em nenhum momento foi detectada a falta de regularidade de suas declarações enquanto empresa integrante dos referidos sistemas. Sustenta que a movimentação bancária não é documento de obrigação principal, mas sim acessória c que por ter apresentado todos os demais documentos obrigatórios, não se pode concluir que houve a intenção de causar embaraço à fiscalização. 5. Requer, ao final, o seu reenquadramento nos sistemas SIMPLES, a suspensão do presente Auto de Infração até o trânsito em julgado do processo administrativo dc exclusão, e que seja declarada a sua nulidade, pois os atos declaratórios executivos n° 031 e 036 não devem prosperar. 6. Afirma que as cobranças e multas aplicadas neste Auto de Infração não são válidas eis que retroagiram em data pretérita à data de exclusão, o que é ilegal. 7. Quanto ao mérito, aduz que conforme verificase do auto acima referido destinase a cobrança de créditos previdenciários relativo as contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados e dos contribuintes individuais, e das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de jincapacidade laborativa decorrente dos ricos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas ao [segurados empregados. 8. A cobrança é feita sobre as rubricas pagas a título de vale transporte, vale refeição, assistência médica e assistência a empregados, considerados pela fiscalização "in natura". 9. Ocorre que totalmente equivocado o entendimento do fisco, eis que não são parcelas salariais e não possuem natureza de salários os benefícios concedidos por liberalidade aos empregados. O fornecimento de vale transporte, vale refeição, assistência médica e assistência a empregados não possuem natureza salarial e sim indenizatória e como tal não está sujeita a tributação. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 7 6 10. De outra banda, o auto de infração deve ser anulado tendo em vista que não está regularmente formado, consoante determina a lei tributária pertinente a validade dos autos de lançamento. Analisandose o referido auto, observase claramente que não consta a correta disposição legal infringida pela impugnante. No mesmo sentido, o ato de infração não é preciso quanto à irregularidade constatada por ventura da inspeção. Omite se relativa ou parcialmente, ou seja , o fundamento legal da infração supostamente cometida pela autuada, de forma direta, o que inviabiliza, ou no mínimo, torna difícil o exercício pleno do direito de defesa. 11. Caso não seja este o entendimento, o que admite apenas para argumentar alega que deve ser declarada a prescrição dos créditos relativos às competências anteriores a 03/06/2005, eis que ultrapassados cinco anos da data do fato gerador. Cita a Súmula Vinculante n° 08 do STF para ratificar o entendimento do prazo decadencial qüinqüenal. 12. A recorrente requer seja dado provimento ao seu recurso no sentido de ser totalmente julgada procedente a impugnação ora apresentada, declarandose a nulidade do auto de infração ora impugnado, primeiro por conter vícios insanáveis relativos a sua válida constituição , uma vez que não consta a indicação do dispositivo legal infringido, caracterizandose cerceamento de defesa, e segundo, por estar em total desrespeito a lei, não preenchendo os requisitos mínimos para |sua validade, tal como [exigidos pela disposição legal pertinente, e por conseguinte, ver desconstituído o crédito tributário apurado. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 251 a 252. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi o fato da empresa ter sido excluída do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte, a partir da competência janeiro/2004, através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n ~ 031 de 03/06/2009 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n°036 de 08 /06/2009, a partir de 01/07/2007. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando a impossibilidade de suspensão do presente processo, face a existência de recurso nos processos em que se discute a procedência da exclusão do SIMPLES e seus efeitos retroativos. Assim, pronunciouse aquela autoridade: Do Pedido de Suspensão do Auto de Infração Uma das características do chamado efeito suspensivo é a necessidade de previsão expressa na lei que criou o recurso; era outros termos, o efeito suspensivo não se presume, ele só existe quando o legislador manifesta a intenção de conferir esse efeito. É o que ensina Maria Sylvia Zanella Dl PIETRO, em seu "Direito Administrativo, São Paulo: Atlas. 19a ed., 2006, p. 697: O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso: ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. Esse princípio foi positivado na legislação do processo administrativo federal, através da Lei n° 9.784/99, que assim dispõe em seu artigo 61: Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Todavia, aplicase a suspensão da exigibilidade às exigências fiscais formalizadas nos presentes autos, em razão desta própria impugnação apresentada, nos termos do art. 151, III do CTN, in verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) ¡11 as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003775/200911 Resolução nº 2401000.349 S2C4T1 Fl. 9 8 Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito szjii suspenso, ou dela consequentes, (g. n.) Não há, igualmente, previsão de efeito suspensivo em eventual recurso contra a exclusão, na própria Lei n.° 9.317/96. Donde se conclui não haver previsão legal para o efeito suspensivo no recurso cabível contra o ato de exclusão do Simples, em relação à constituição dos créditos tributários previdenciários decorrentes. Não bá razão para sobrestar o presente julgamento. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo os autosdeinfração ficarem sobrestados aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925 sejam julgados no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF, com cópia das referidas decisões para que seja dado prosseguimento ao julgamento. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processos n. 12269.001984/200921 e 12269.002258/200925. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 14041.000218/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 18 /2 00 9- 39 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 240203.920 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na parte dispositiva o seguinte: “[...] Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição ou omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”, nos seguintes termos: “[...] A) OMISSÃO NO EXAME DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE As peças de insurgência da contribuinte revelam não apenas o pleno conhecimento do teor dos acórdãos prolatados pelo CRPS que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087, denotando a ciência das decisões, mas confirmam a ocorrência da intimação a que se referiu a fiscalização, inclusive trazendo seu teor à colação na peça recursal (CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, em 18 de fevereiro de 2004). O julgamento sobre (i) a comprovação da intimação da contribuinte e (ii) sobre a expedição da carta de intimação deve necessariamente se debruçar sobre as manifestações da própria contribuinte acerca de tais fatos, seja para acatar suas alegações, seja para rejeitálas fundamentadamente. Assim, cumpre que o acórdão embargado seja suprido com manifestação sobre as alegações da contribuinte acerca de sua efetiva intimação. B) OMISSÃO SOBRE O ART. 334, II E III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Com efeito, seja em sede de impugnação ou recurso voluntário, a Embargada nunca arguiu que aquela intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco 18 de fevereiro de 2004 ou mesmo que não havia sido intimada das referidas decisões. De modo inverso, afirmou expressamente que foi intimada. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 3 3 A contribuinte nada opôs àquele fato, pois centra sua defesa na tese de que a decadência, na forma do disposto no CTN, art. 173, inciso II, deveria ser contada a partir da prolação dos r. acórdãos do CRPS que anularam o lançamento originário em 31/10/2003. Portanto, a teor do disposto no art. 334 do Código de Processo Civil, a efetiva ocorrência e a data da intimação, por configurarem fatos incontroversos, não dependem de prova, In verbis: (...) C) OMISSÃO QUANTO AO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72 Repisase que a defesa da interessada, no tocante à decadência, baseouse tãosó em questão de direito qual o termo a quo para contagem do prazo decadencial insculpido no art. 173, II, do CTN – restando incontroversas as premissas fáticas sobre as quais se assentou o lançamento. Destarte, por mais este motivo, merecem estes Embargos acolhimento, para que seja suprida omissão do julgamento com a indicação das razões pelas quais deixou o Colegiado de aplicar a previsão do art. 17 da Lei do PAF. D) OMISSÃO QUANTO À EXISTÊNCIA DE CARTA DE INTIMAÇÃO SOB OS CUIDADOS DA CONTRIBUINTE – VERDADE MATERIAL O órgão Colegiado determinou que fosse promovida diligência para localização do aviso de recebimento relativo à carta por meio da qual fora a contribuinte intimada da decisão que anulou os lançamentos originários. Em virtude da ausência de registros da intimação postal na Delegacia de origem, o Colegiado, a despeito das alegações em sentido contrário por parte da própria contribuinte, julgou que não era possível determinar se transcorrera o prazo decadencial antes da intimação do novo lançamento. Ao assim decidir, o julgado desprezou por completo a carta que se encontra sob os cuidados da contribuinte e foi por ela reproduzida em sua impugnação. Antes de concluir pela impossibilidade de precisar se decorrera o prazo decadencial, caberia examinar o documento reproduzido nos autos, uma vez que referido documento compõe o arcabouço probatório que instrui o presente feito. Poderia, inclusive, chamar a contribuinte a colacionálo ao feito, caso reputasse necessário o exame do documento original para afastar eventuais dúvidas acerca das informações nele veiculadas. Dado que há uma carta, documento oficial, sob os cuidados da contribuinte, que a ela teve acesso após a data de 18 de fevereiro de 2004 (visto ser essa a data de redação da carta), o que basta Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 para conclusão no sentido da inocorrência de decadência, necessariamente dito documento deve ser analisado na apreciação da questão do decurso do prazo decadencial, sob pena de manifesta ofensa ao princípio da verdade material. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição ou omissão apontada tanto na análise da nulidade por vício material como na análise de que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”. O vício apontado no lançamento referese à falta de provas inequívocas da data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Assim, o voto condutor entendeu que a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). O acórdão ora embargado registrou o seguinte: “[...] Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. (...) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. (...) Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. [...]” (g.n.) Nesse passo, a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 5 7 passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo. Assim, verificase que não há contradição ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente a matéria concernente à nulidade por vício material, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Registrase que, além de ser matéria de ordem pública, não se trata de fato incontroverso a análise da decadência tributária, já que a Recorrente postulou o fato tanto na peça de impugnação quanto na peça recursal. Apenas a título de realce, no âmbito da matéria submetida à apreciação deste Conselho, o grau de devolutividade é definido pela Recorrente nas razões de seu recurso. Tratase da aplicação do princípio tantum devoluntum quantum appellatum. Assim, a matéria a ser apreciada pelo CARF estaria delimitada pelas razões apresentadas nos recurso. Para tanto, foi nesse sentido que foi proferido o conteúdo do voto ora embargado com a apreciação e julgamento de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a decisão de primeira instância não as tenha julgado por inteiro (art. 515, §1o, do CPC), encaminhando para a nulidade, por vício material, em decorrência do Fisco não demonstrar a data da ciência do sujeito passivo da decisão definitiva dos processos referentes às NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Em se tratando de matéria de ordem pública, como é o caso da decadência tributária, e revelandose patente que se tratava de lançamento substitutivo, pode o julgador averiguar se o Fisco observou ou não o lapso qüinqüenal da decadência prevista no art. 173, inciso II, do CTN, ainda que não tenha sido alvo direto da matéria registrada na peça recursal o marco temporal do dia 18/02/2009 (data da ciência do sujeito passivo do presente lançamento fiscal). Portanto, a simples alegação da Embargante de que a averiguação da decadência é fato incontroverso não pode aniquilar o conteúdo do acórdão ora embargado, e a presunção de que o Fisco comprovou o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento substitutivo não pode ceder diante da falta de provas insofismáveis constatadas nos autos. Ou seja, não constam dos autos os elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Na seara de quem deverá produzir os elementos informativos da cientificação do sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087), entendese que tal atribuição compete ao Fisco, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações da nulidade, por vício formal, do lançamento anterior e dos termos de ciência do sujeito passivo deverão permanecer nos autos dos processos originais. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que se tratava de lançamento fiscal substitutivo, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não há espaço fático nem jurídico para aplicação da regra prevista nos incisos III e IV do art. 334 do Código de Processo Civil, como pretende a Embargante. E deixo consignado que o entendimento, manifestado no acórdão ora embargado, de que a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) é o marco inicial para a contagem de cinco anos do prazo decadencial do lançamento substitutivo está consubstanciado no princípio da legalidade (art. 173, parágrafo único, do CTN: ... contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ...), no princípio do paralelismo de forma (se o termo final é o dia da ciência do lançamento substitutivo, no caso em tela o dia 18/02/2009, não restará dúvida que o termo inicial será o dia da ciência ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores) e no princípio da actio nata (princípio universal em que a decadência só começa a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas conseqüências). De mais a mais, em condições de normalidade, que é o caso dos autos, a comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) deverá ser lastreada em um elemento idôneo que evidencie tal fato, e não por meio de afirmações ou alegações do Fisco, nem por meio de conjecturas da Embargante. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que, para determinadas questões, no caso em dela a decadência, o lançamento fiscal não comporta a incerteza, nem uma ideia com fundamento incerto, já que não consta nos autos qualquer elemento material apontando a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores. Assim, o cômputo do prazo decadencial deverá ser aferível por meio de elemento eminentemente objetivo (elemento material), não comportando juízo eminentemente subjetivo, eis que o reconhecimento do termo inicial da decadência requer a comprovação por meio de documento hábil, fato este não evidenciado nos autos. A falta de comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores é tão evidente nos autos, que a Embargante sugere: “(...) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação”. Neste particular, entendese que não há espaço jurídico nem fático para se adotar a tese de que o sujeito passivo foi intimado quinze dias após a expedição da intimação, eis que tal tese somente poderia ser aplicada se houvesse a comprovação nos autos do envio da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e se essa data de recebimento estivesse omissa na documentação, fatos estes não evidenciados nos autos, a teor do art. 23, inciso II, §2o e inciso II, do Decreto 70.235/19972. Decreto 70.235/19972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000218/200939 Acórdão n.º 2402004.134 S2C4T2 Fl. 6 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (g.n.) Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904388/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 88 /2 01 2- 21 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 30/06/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904388/201221 Acórdão n.º 3801003.202 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13884.004152/2003-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os Embargos de Declaração, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma.
Numero da decisão: 1803-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), rerratificando o Acórdão nº 1803-002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial, na forma do item 12 deste Acórdão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os Embargos de Declaração, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 41 52 /2 00 3- 86 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 235 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), rerratificando o Acórdão nº 1803002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial, na forma do item 12 deste Acórdão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 236 3 Relatório Os Embargos de Declaração (fls. 225 a 229verso) foram recebidos nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF. 2. A Embargante (Procuradoria da Fazenda Nacional) alega omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma, relativamente ao Acórdão nº 1803002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial (fls. 215 a 220), sob o seguinte fundamento (fls. 225verso): 3. Da análise dos autos, entendeuse estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma (fls. 232 e 233). Em mesa para julgamento. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 237 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Acolho os Embargos, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. 5. Conforme bem observado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), “o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 23/01/2008, conforme AR de fls. 117” (fls. 225verso). 6. Devese observar, porém, que foi objeto de cobrança, pela Intimação nº 29/2008, de fls. 115, apenas o débito original de R$ 7.686,45 (fls. 116), correspondente ao valor indicado na Declaração de Compensação de fls. 1. 7. Segundo tela de consulta de fls. 118, consta recolhimento, em 16/05/2008, do valor original de R$ 7.686,45, com acréscimos legais, totalizando R$ 13.973,19. 8. Um ano após esses fatos (mais precisamente em 06/04/2009), efetuou a repartição de origem levantamento de outros Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) vinculados ao presente processo (fls. 119 a 183), do que resultou a relação de débitos de fls. 184 a 189, que podese assim entender substituiu a relação anterior, de fls. 110 (Extrato de Processo), a qual apenas indicava o débito já mencionado, de R$ 7.686,45. 9. Dessa forma, procedeuse a nova intimação à Recorrente (Intimação nº 118/2009, de fls. 190) para a cobrança desses outros débitos, esta, sim, recebida em 14/04/2009 (fls. 191), como indicado no Acórdão embargado (fls. 218). 10. Por conseguinte, resulta lógico que, para todas as demais Declarações de Compensação que não a de fls. 1 (cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), resta tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente, em 30/04/2009 (fls. 194), considerandose, por economia processual, o Despacho Decisório de 11/11/2003, da DRF em São José dos CamposSP (fls. 74) e o Acórdão nº 0520.338, de 28/11/2007, da DRJ de CampinasSP (fls. 111 a 113), como alcançando, também, todas aquelas declarações. 11. Daí o conhecimento do Recurso Voluntário por parte do Acórdão embargado (fls. 219). 12. Para melhor espelhar a situação dos autos, devem ser rerratificados os seguintes trechos do Acórdão embargado, como segue (fls. 216 e 220): De: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 238 5 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, temporariamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. [...]. Considerando que, no presente caso, o pleito de compensação foi protocolado em 14/10/2003, não procede a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, inclusive, arguida pela DRF de origem. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação. Para (destacaramse as alterações procedidas): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do primeiro dia dos dez anos anteriores ao registro de cada declaração de compensação constante dos autos (excetuada a de fls. 1, cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, temporariamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. [...]. No presente caso, não procede a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do primeiro dia dos dez anos anteriores ao registro de cada declaração de compensação constante dos autos, todas anteriores a 9 de junho de 2005 (excetuada a de fls. 1, cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), arguida pela DRF de origem. Conclusão Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.215 S1TE03 Fl. 239 6 Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do primeiro dia dos dez anos anteriores ao registro de cada declaração de compensação constante dos autos (excetuada a de fls. 1, cuja não homologação já transitou administrativamente, tendo sido, inclusive, quitado o respectivo débito), seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de ACOLHER os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), rerratificando o Acórdão nº 1803002.062, de 12/02/2014, proferido por esta Terceira Turma Especial, na forma do item 12 deste Acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918343/2012-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 43 /2 01 2- 48 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918343/201248 Acórdão n.º 3801003.490 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.932849/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 49 /2 00 9- 32 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 141 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débito de IRPJ de setembro de 2005, acrescido de juros e multa, com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de maio de 2005 no valor de R$ 2.496.675,45, por meio do PER/DCOMP de fls. 45 a 50, enviado em 3/8/2007. O despacho decisório eletrônico de fl. 32, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 142 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 61 a 62): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de maio/2005 no montante de R$ 27.470.841,59, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de IRPJ no valor de R$ 24.974.166,14”, que “acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$ 2.496.675,45”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 143 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 59 a 73): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 144 5 Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 7/5/2010 (fl. 77), o contribuinte apresentou, em 7/6/2010, o recurso voluntário de fls. 80 a 100, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) confundiu, em sua ementa, a data de pagamento do tributo a maior (30/6/2005) com o período de apuração (31/5/2005); (ii) rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil; b) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 145 6 c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar o IRPJ deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício do IRPJ, desde que dentro do prazo legal; d) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas da interrupção da prescrição e do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; e) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Em 7/5/2013, o contribuinte apresentou o documento de fls. 134 a 135, onde destaca que a matéria do recurso é objeto da Súmula CARF nº 84. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 139. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de maio de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 30/6/2005, enquanto o correto é 31/5/2005; (ii) o acórdão rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) o julgado desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 146 7 De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (30/6/2005 – DARF fl. 35), quando o correto seria 31/5/2005, por se tratar da estimativa de maio de 2005. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a discussão sobre a nulidade do despacho decisório, apesar de desnecessária, não traz qualquer prejuízo à defesa. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Finalmente, a suposta nulidade indicada no item “iii” decorre do próprio entendimento da autoridade julgadora de que estimativas não podem ser restituídas, e compõe o mérito da lide. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 147 8 que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de maio de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932849/200932 Acórdão n.º 1102001.065 S1C1T2 Fl. 148 9 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 10580.902782/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.902782/200859 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.646 – 1ª Turma Especial Data 29 de janeiro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente GRAFICA SANTA HELENA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ SALVADOR/BA, abaixo transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 02 78 2/ 20 08 -5 9 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 12 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito,visto que o DARF informado em PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujo teor é sintetizado a seguir. • que os créditos efetivamente existem; através de revisão interna de sua contabilidade, a contribuinte constatou que havia recolhido valores a maior que os devidos, conforme apuração com base nos livros de ISS e ICMS; • a impugnante entende que a razão do indeferimento das compensações efetuadas por suposta inexistência de crédito decorreu do fato de que as DCTF dos aludidos períodos possuíam um equívoco, já que expressavam valores superiores aos que de fato eram devidos; • as retificações das DCTF já foram devidamente efetuadas, deixando de existir o conflito entre as declarações e os PER/DCOMP, o que enseja a reforma do despacho decisório proferido; • a Administração Pública tem como um dos princípios norteadores o da verdade material, que consiste na busca da realidade fática; • requer que o julgamento seja convertido em diligência, caso a Delegacia de Julgamento entenda que o quanto demonstrado não se encontra devidamente comprovado. Em face do despacho da DRF/SDR, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento. Analisando o litígio, a DRJ de Salvador/BA considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2004 PER/DCOMP.INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não será homologada a compensação quando constatada a inexistência do crédito pleiteado oriundo de pagamento a maior ou indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, este repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alega, em síntese, que (i) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 13 3 retificou a sua DCTF, para constituir o crédito tributário utilizado na compensação em análise; (ii) que o crédito é decorrente da indevida modificação da base de cálculo da COFINS promovida pela Lei 9.718/98. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 14 4 VOTO Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte utilizou crédito de pagamento indevido ou a maior da COFINS, tendo em vista o indevido alargamento da base de cálculo da contribuição que foi promovida pela Lei nº 9.718/98. Primeiramente, cumpre analisar a possibilidade de o contribuinte retificar suas declarações, posteriormente ao envio do pedido de compensação. É que, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentado pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Salvador (BA) alega que “ao manter o recolhimento integralmente vinculado a um débito declarado em DCTF, a própria contribuinte afasta a possibilidade de se caracterizar parte desse recolhimento como ‘pagamento indevido ou a maior’.” Ou seja, a princípio, segundo entendimento da Delegacia de Julgamento, não poderiam ser retificadas as declarações do contribuinte. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 15 5 procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) .......................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos.Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 16 6 ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido.(Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 17 7 COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, deve ser considerada, in casu, a DCTF retificada pelo Recorrente. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRJ de Salvador (BA), é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são passíveis de liquidar os débitos indicados no pedido de compensação. Como se não bastasse, na decisão recorrida, a Delegacia de Julgamento alega que, “da análise dos documentos acostados aos autos, percebese que a parcela do pagamento que a contribuinte está alegando ser indevida ou a maior referese, na verdade, à parcela que excede à contribuição devida sobre o simples faturamento, sem levar em conta as "outras receitas", como, por exemplo, as receitas financeiras, que, segundo a legislação vigente à época (Lei n° 9.718, de 1998), também integravam a base de cálculo”. Neste ponto, contudo, não devem prevalecer as conclusões da Delegacia de Julgamento de Salvador.O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao Fisco para que considerasse como base de cálculo da COFINS a receita bruta, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 18 8 bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, as autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, observar o posicionamento da Corte Suprema. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.902782/200859 Resolução nº 3801000.646 S3TE01 Fl. 19 9 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o tema, ser improcedente a exigência da COFINS sobre a receita bruta, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Desta forma, na diligência que será realizada, a Delegacia da Receita Federal em Salvador deve apontar se os créditos indicados pelo contribuinte são, de fato, decorrentes do indevido alargamento da base de cálculo da COFINS, promovido pela Lei nº 9.718/98. Tendo em vista o acima exposto e o fato de não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos indicados pelo Recorrente no pedido de compensação analisado, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/SalvadorBA para: Considerando a retificação da DCTF promovida pelo Recorrente e o posicionamento do Supremo Tribunal Federal com relação ao disposto na Lei nº 9.718/98, apurar se os valores dos créditos indicados pelo contribuinte no pedido de compensação são suficientes para liquidar os débitos; Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.002570/2004-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
Ementa:
DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE.
O prazo decadencial, no caso de ocorrência de fraude, dolo ou simulação, inicia se no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
NULIDADES.
Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade.
IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O arbitramento deve prevalecer quando demonstrado vícios ou erros na escrita fiscal, que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se omissão de receitas a prestação de serviços sem a escrituração dos valores depositados nas contas correntes dos contribuintes, que não comprovem com documentação idônea a origem dos recursos.
MULTA QUALIFICADA DE 150%.
Deve ser aplicada a multa de ofício de 150%, quando comprovada a ocorrência de sonegação, com a deliberada intenção de omitir receitas em vários anos calendários.
LANÇAMENTOS DECORRÊNCIA.
A solução dada ao lançamento principal, estende-se no que couber, aos lançamentos decorrentes.
SIMPLES. EXCLUSÃO.
É valido o ato de exclusão do SIMPLES prolatado por autoridade competente, com a descrição da motivação da exclusão. O contribuinte excluído sujeita se às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir da data de sua exclusão.
Numero da decisão: 1302-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. O prazo decadencial, no caso de ocorrência de fraude, dolo ou simulação, inicia se no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADES. Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade. IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento deve prevalecer quando demonstrado vícios ou erros na escrita fiscal, que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido. OMISSÃO DE RECEITA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se omissão de receitas a prestação de serviços sem a escrituração dos valores depositados nas contas correntes dos contribuintes, que não comprovem com documentação idônea a origem dos recursos. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Deve ser aplicada a multa de ofício de 150%, quando comprovada a ocorrência de sonegação, com a deliberada intenção de omitir receitas em vários anos calendários. LANÇAMENTOS DECORRÊNCIA. A solução dada ao lançamento principal, estende-se no que couber, aos lançamentos decorrentes. SIMPLES. EXCLUSÃO. É valido o ato de exclusão do SIMPLES prolatado por autoridade competente, com a descrição da motivação da exclusão. O contribuinte excluído sujeita se às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir da data de sua exclusão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
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PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. O prazo decadencial, no caso de ocorrência de fraude, dolo ou simulação, inicia se no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADES. Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade. IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento deve prevalecer quando demonstrado vícios ou erros na escrita fiscal, que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido. OMISSÃO DE RECEITA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de receitas a prestação de serviços sem a escrituração dos valores depositados nas contas correntes dos contribuintes, que não comprovem com documentação idônea a origem dos recursos. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Deve ser aplicada a multa de ofício de 150%, quando comprovada a ocorrência de sonegação, com a deliberada intenção de omitir receitas em vários anos calendários. LANÇAMENTOS DECORRÊNCIA. A solução dada ao lançamento principal, estendese no que couber, aos lançamentos decorrentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 25 70 /2 00 4- 40 Fl. 9332DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 SIMPLES. EXCLUSÃO. É valido o ato de exclusão do SIMPLES prolatado por autoridade competente, com a descrição da motivação da exclusão. O contribuinte excluído sujeita se às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir da data de sua exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 9333DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.002570/200440 Acórdão n.º 1302001.403 S1C3T2 Fl. 63 3 Relatório Foram formalizados contra o Contribuinte, dois autos de infração que tomaram os nºs 11080.002570/200440 (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), e 11080.002574/200428 (Exclusão do Simples). O TVF elenca as seguintes irregularidades que o OPINIÃO TEATRO E BAR LTDA., adiante referido simplesmente como BAR OPINIÃO, apurou seus resultados pela sistemática do Lucro Presumido nos anoscalendário 1997, 1998, 1999 e 2000 e pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no anocalendário 2001. São dois os sócios da empresa: Alexandre Lopes e Cláudio Favero. Eles também são sócios da LF PRODUTORA – PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA., adiante referida como LF PRODUTORA. que segundo a Representação Fiscal o motivo da exclusão do simples, com efeitos a partir de 1997, foi a reiterada prática de infrações à legislação tributária. que a ação fiscal resultou no arbitramento do lucro em todo o período fiscalizado, anoscalendário 1997 a 2001 em razão da imprestabilidade da escrituração haja vista a existência de grande volume de irregularidades e omissão sistemática de receitas. A contribuinte também não apresentou a escrituração contábil relativa aos anoscalendário 1997 e 1998, sob alegação de que foi destruída por incêndio. que o Bar Opinião foi uma das empresas selecionadas na ação fiscal denominada operação casas noturnas, efetuada pela DRF Porto Alegre. que as fls. 637 a 673 o autuante detalha minuciosamente o desenrolar de todo o trabalho de auditoria, com as intimações enviadas para a autuada, para a LF Produtora, para os sócios Alexandre Lopes e Cláudio Favero. Faz o mesmo com relação às circularizações realizadas junto a pessoas físicas e jurídicas que transacionaram com a autuada. Informa ainda sobre a obtenção de informações acerca da movimentação financeira do Bar Opinião e demais envolvidos nas alegadas infrações. que em circularizaçâo junto aos contribuintes LF PRODUTORA PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA. ("LF PRODUTORA"), CLÁUDIO AUGUSTO FAVERO ("CLAUDIO FAVERO"), e ALEXANDRE ANTÔNIO LOPES, ("ALEXANDRE LOPES"), foram constatadas uma série de irregularidades que configuraram reiterada infração à legislação tributária. que nos anos de 1997 à 2001, ficou plenamente demonstrado à sistemática omissão de receita, com a utilização dos mais diversos artifícios, como utilização de empresas de fachada, depósitos bancários sem comprovação da origem e prestação de serviços não declaradas, dentre outras. Fl. 9334DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 que o autuado se utilizou da empresa de fachada LF PRODUTORA para movimentar e ocultar recursos seus e de seus sócios Cláudio Favero e Alexandre Lopes. que além da utilização de contascorrentes da LF Produtora, a autuada também teria feito uso de contascorrentes mantidas em nome dos sócios Alexandre Lopes e Cláudio Favero para movimentar recursos financeiros não contabilizados. O documento de fl. 491 seria o reconhecimento expresso dessa prática da empresa. Por ele, os sócios afirmam que os recursos que movimentaram pertencem às empresas de que são sócios. que as transferências bancárias entre contas da pessoa jurídica e contas das pessoas físicas, tanto em um sentido como em outro, atingiram mais de R$ 4.000.000,00 no período fiscalizado. que intimado, o autuado não entregou os extratos solicitados nem a escrita fiscal de 01/97 à 12/98, que teria sido queimada em 2 incêndios conforme certidões do Corpo de Bombeiro e ocorrências da Policia Civil. que a omissão de receitas apurada pelo Fisco foi de R$ 15.924.105,35 (conforme relatório fiscal) e encontrase detalhada na planilha de fls. 703/712. Desse montante, R$ 15.061.446,06 decorrem de depósitos bancários sem comprovação da origem e R$ 862.659,29 são decorrentes da prestação de serviços. que a omissão de receitas de prestação de serviços foi identificada a partir da circularização feita pela fiscalização, já que a autuada não apresentou documentação comprobatória. O autuante partiu dos depósitos bancários para os quais houve comprovação da origem dos recursos. Foram pagamentos oriundos de empresas relativos à utilização do local pela produção de shows, exibição de publicidade, etc. Em alguns casos houve emissão de notas fiscais pela autuada – que não foram contabilizadas – ou notas de débito, que não se caracterizam como documentos fiscais. que o autuante refere também a existência de outras fraudes na escrituração contábil do Bar Opinião, referindose à manutenção de contascorrentes bancárias não escrituradas, suprimento indevido de caixa e omissão de compras de bens e serviços. que eram cinco as contascorrentes não escrituradas pela autuada e movimentavam, com freqüência e habitualidade, expressivos valores. Na contabilidade constava apenas uma conta, sem a numeração especificada, e com apenas um único registro contábil entre janeiro de 1999 e junho de 2001. que os suprimentos indevidos de caixa ocorreram entre janeiro de 1999 e junho de 2001 e totalizaram R$ 167.859,37. Intimada para comprovar a efetividade dos mesmos, a própria empresa informou que eram fictícios e que os aportes eram efetuados por terceiros, sem qualquer documento. Para evitar bitributação os suprimentos não foram considerados na base de cálculo, sendo utilizado, tãosomente, o valor dos depósitos bancários. que a LF Produtora não mantinha escrituração contábil e fiscal regular. Apresentou ao fisco uma Relação de Faturamento e um Controle do Fluxo Mensal de Caixa. Analisando os documentos o agente do fisco constatou não existir qualquer correspondência entre a movimentação financeira apresentada e aquela havida nas contascorrentes da informante. Não foram apresentados documentos que confirmassem quaisquer das operações referidas nas planilhas apresentadas. Fl. 9335DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.002570/200440 Acórdão n.º 1302001.403 S1C3T2 Fl. 64 5 que a LF Produtora apresentou, nos anoscalendário 1997, 1998 e 2000, Declaração de Inatividade e nos anoscalendário 1999 e 2001, DIPJ pela sistemática do Lucro Presumido. que o Bar Opinião optou pela sistemática do Simples em 01/01/1997, mas as DIPJ foram apresentadas todas pelo Lucro Presumido, exceto a relativa ao anocalendário 2001, pelo SIMPLES. O autuante refere existir outras inconsistências no preenchimento da que a DIPJ, além da omissão de receitas já referida. Alude a omissão de aquisições de bens do ativo permanente, citando como exemplos a aquisição de automóveis: um GM Vectra, um Gol, um Chrysler Stratus, um Audi A4 e um Citroën Xsara Picasso. Alexandre Lopes e Cláudio Favero entregaram declarações de rendimentos nos anoscalendário de 1997 a 2001 no modelo simplificado. que o lucro da empresa foi arbitrado, como já dissemos, em virtude do grande volume de irregularidades encontradas na escrituração (nos anoscalendário 1999 a 2001) o que a tornou imprestável. O arbitramento em relação aos anoscalendário 1997 e 1998 ocorreu pela falta de apresentação da escrituração. que para fins de cálculo, foi considerada a receita bruta conhecida, ou seja, tanto aquelas contabilizadas pelo BAR OPINIÃO como aquelas omitidas. que o autuante considerou haver responsabilidade solidária aos sócios em virtude de os atos praticados caracterizarem infração à lei. que a receita bruta da Contribuinte extrapolou o limite de R$ 1.200.000,00, previsto na legislação de regência (inciso II, do art. 2º da Lei nº 9.317/96). que em razão dos atos praticados caracterizaremse infração a lei, a fiscalização considerou haver responsabilidade solidária dos sócios e aplicou a multa de 150%. Em 11/11/2004 o Contribuinte tomou ciência do Ato de Exclusão e apresentou manifestação de inconformidade, tempestiva, desconsiderada pela 5ª Turma da DRJ/POA, que manteve sua exclusão do simples. Contra esta decisão foi interposto recurso voluntário. Contra os Autos de Infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, o Contribuinte também apresentou impugnação tempestiva, julgada improcedente pela DRJ e contra esta decisão também apresentou recurso voluntário. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apreciando ambos os recursos, decidiu o seguinte: a) que os autos retornem à unidade de origem para que os processos que estão juntados por apensação sejam juntados por anexação; b) que o Contribuinte seja cientificado desta decisão para apresentar razões adicionais à exclusão do Simples, se assim o quiser; c) que posteriormente, os autos sejam encaminhados à DRJ para julgar conjuntamente ambas impugnações com eventuais razões adicionais. Fl. 9336DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Após as providências determinadas e as razões adicionais apresentadas, à 5ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, manteve a exclusão do SIMPLES e deu parcial provimento à impugnação reconhecendo a decadência parcial das exigências do IRPJ e CSLL cujos fatos geradores fossem anteriores à 30/09/1998 e as do PIS e da COFINS anteriores à 30/11/1998, desconheceu o pedido de perícia, e rejeitou às demais preliminares, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Os pedidos de perícias que não atendam aos requisitos exigidos pela legislação do processo administrativo fiscal são considerados como não formulados. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial importa em renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa. DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO NO LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Cancelase os lançamentos efetuados em relação a períodos já atingidos pela decadência. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Impõese o arbitramento do lucro quando demonstrado que a escrituração contábil contém vícios, erros ou deficiências que impossibilitem a determinação do lucro real ou presumido, ou revela indícios de fraude. IRPJ. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O arbitramento deve ter por base a receita bruta, quando conhecida, incluídos nesta os valores de receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de receitas a prestação de serviços sem escrituração dos valores correspondentes e a existência de créditos em contas correntes próprias ou em nome de terceiros, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. MULTA DE OFÍCIO DE 150%. CABIMENTO. Fl. 9337DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.002570/200440 Acórdão n.º 1302001.403 S1C3T2 Fl. 65 7 É cabível a aplicação da multa de ofício de 150% quando comprovada a ocorrência, em vários anoscalendário, de fraude e sonegação em conluio com outras pessoas e com a deliberada intenção de omitir de receitas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. COFINS. PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 SIMPLES. NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É válido o ato de exclusão do Simples prolatado por autoridade competente e que descreve a motivação da exclusão, no caso, reiterada infração à legislação tributária. A descrição pormenorizada das infrações consta de alentado relatório fiscal nos autos do processo de exclusão, que foram disponibilizados à defesa. Assim, inexiste cerceamento do direito de defesa. SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO O contribuinte excluído do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. Tendo em vista que o crédito exonerado ultrapassou o limite de alçada, o Presidente da Turma recorreu de ofício da parte exonerada, por força do art. 34, inciso I do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, combinado com o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Intimado da decisão da DRJ em 26/10/2012, o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, requereu prova pericial e alegou em síntese o seguinte: que as RMF´s não poderiam ser emitidas sem autorização judicial. decadência dos lançamentos relativos aos anoscalendário 1997 à 1999, por força do § 4º, do art. 150 do CTN, conforme jurisprudência pacífica do Conselho de Contribuintes. que seja declarado nulo o auto de infração relativamente à contribuinte LF Produtora, e demais pessoas físicas nele relacionadas (Alexandre Lopes e Cláudio Favero), em decorrência da falta de notificação do auto de infração. nulidade por obtenção de prova ilícita através da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. que a autuada e os demais envolvidos impetraram o Mandado de Segurança nº 2001.71.00.0361868, onde foi concedida liminar determinando que não fossem expedidas RMF´s. Fl. 9338DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 que a desconsideração da personalidade jurídica aplicada, não se aplica, já que na confusão patrimonial não há intenção dos sócios em fraudar terceiros e credores. que os sócios declaram expressamente que os recursos em suas contas bancárias eram provenientes das pessoas jurídicas das quais eram sócios, ficando demonstrada a ausência de intenção de fraude. que o autuado e a LF Produtora realizaram várias operações próprias dos seus escopos sociais provando que LF Produtora não era empresa de fachada. Menciona uma série de contratos com outras empresas, a existência de Livro de Funcionários, a emissão de notas fiscais, o preenchimento da RAIS e a declaração do Sr. Márcio Machado que intimado declarou ser funcionário da LF Produtora. que o sócio Cláudio Favero foi aconselhado pelos contadores a passar a Pajero para o nome da LF Produtora, sem desencaixe financeiro da empresa. que o nome fantasia OPINIÃO PRODUTORA era da LF Produtora e não do autuado, como concluiu a fiscalização. O único contrato, onde teria havido equívoco de designação foi com a TELET, no valor de R$ 247.584,00, relativa à contratação e produção do Aniversário da Claro Digital. que a informação da CIE Brasil, de que não identificou operação com a LF Produtora, ficou prejudicada já que solicitou prazo mas não prestou outras informações. que mais uma prova de que não era empresa de fachada é a participação da LF Produtora na bilheteria do evento Circo Imperial da China, como prova o Controle Mensal de Fluxo de Caixa, com os valores tendo sido repassados pelo Bar Opinião. que com relação aos depósitos bancários, diz que é comum a movimentação de importâncias de terceiros em suas contas e que eram realizados mútuos entre os envolvidos na realização dos shows, sem que isso caracterize renda. que para que possa haver a tributação sobre a renda com base em depósitos bancários é mister que haja o nexo entre estes e o acréscimo patrimonial. que as contas bancárias mantidas à margem da escrituração eram para manter depósitos de terceiros, que eram repassados. que no lucro arbitrado deve ser aplicado coeficiente distinto da receita conhecida, de acordo com o disposto no artigo 535 do RIR/1999. que a LF Produtora apresentou Relação de Faturamento, documento desconsiderado pelo autuante. que em relação às deficiências nas declarações de rendimentos dos sócios, não podem elas ser discutidas no presente processo. que uma vez que a LF Produtora não é empresa de fachada, e toda a informação foi prestada ao fisco, a multa de 150% deve ser reduzida e arquivado o processo de representação fiscal para fins penais. Fl. 9339DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.002570/200440 Acórdão n.º 1302001.403 S1C3T2 Fl. 66 9 que seja afastada a responsabilidade dos sócios gerentes, pois não foi comprovada a infração à lei. pede a realização de perícia para demonstrar que os valores que circularam nas contas da impugnante não se tratam de receitas, mas de recursos de terceiros. que seja intimada a empresa CIE Brasil Ltda. para que se manifeste sobre as contratações mantidas com a empresa LF Produtora que demonstra que a mesma atuava em seu ramo de negócio. que em nenhum momento houve ocultação de patrimônio, seja do Bar Opinião, seja da LF Produtora, seja dos seus sócios. que não há qualquer motivação para a exclusão do simples e os seus efeitos somente poderiam alcançar fatos supervenientes. É o Relatório. Fl. 9340DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Conheço do recurso voluntário e de ofício por preencherem os requisitos do Decreto nº 70.235/72. O recurso de ofício das decisões de primeira instância é disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Eis o dispositivo em comento: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes aos tributos e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite estabelecido pela norma de regência, razão porque dele conheço. Lembro que a DRJ deu parcial provimento à impugnação reconhecendo a decadência parcial das exigências do IRPJ e CSLL cujos fatos geradores fossem anteriores à 30/09/1998 e as do PIS e da COFINS anteriores à 30/11/1998. Como a ocorrência de dolo e fraude ficou cabalmente comprovada, a DRJ corretamente aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 173. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Diante deste fato e como a ciência dos autos de infração ocorreu em 30/11/2004, a DRJ corretamente decidiu que estava decaído o direito de a Fazenda lançar IRPJ e CSLL quanto aos fatos geradores de 1997 e dos três primeiros trimestres de 1998. Para os fatos geradores dos 1º, 2º e 3º trimestres de 1998, o primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ser efetuado é 01/01/1999, fazendo com que o lançamento fosse válido se efetuado até 31/12/2003 e como foram efetuados em 2004, a possibilidade da constituição da exigência estava fulminada pela decadência. Já o lançamento do quarto trimestre de 1998 obedeceu ao prazo decadencial. Como os lançamentos só podem ser efetuados depois de vencido o prazo para o pagamento espontâneo o que ocorreu em 1999, a contagem se inicia em 01/01/2000, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que se poderia lançar. Pelo mesmo raciocínio, estavam decaídas as exigências de PIS e Cofins com fatos geradores anteriores a dezembro de 1998, pois a contagem do prazo inicia em janeiro/1998 (para os fatos geradores de 1997) ou janeiro/1999 (para os fatos geradores de 1998) e assim o lançamento teria que ser efetuado, respectivamente, até 31/12/2002 e 31/12/2003. Fl. 9341DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.002570/200440 Acórdão n.º 1302001.403 S1C3T2 Fl. 67 11 Os lançamentos relativos aos fatos geradores de dezembro/1998 poderiam ser realizados em 1999 iniciando a contagem do prazo decadencial em 01/01/2000. Como foram efetuados em dezembro de 2004, obedeceram o prazo decadencial. Diante do exposto, nego provimento ao recuso de ofício já que a DRJ corretamente decidiu que as exigências de IRPJ e CSLL com fatos geradores até 30/09/1998, e as exigências de PIS e Cofins com fatos geradores até 30/11/1998 deveriam ser canceladas. Em relação ao recurso voluntário o Recorrente sustenta a nulidade do auto de infração em vista da obtenção de prova ilícita através da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Esclareço que este processo já tinha sido sobrestado por esta Turma, através da Resolução nº 1302000.251, em 06/08/13, por conta da determinação do art. 62A do RICARF, diante de recurso repetitivo sobre a matéria estar pendente de julgamento no STF. Porém com a publicação da Portaria nº 545, de 18/11/2013, o art. 62 do RICARF foi revogado e com ele o impedimento do julgamento de processos que envolvam a quebra de sigilo bancário. Com isso o processo retornou para minha relatoria para julgamento, e é o que faço. Informou o Recorrente que impetrou o Mandado de Segurança sob nº 2001.71.00.0361868, procurando impedir a expedição de RMF, ou, se tivessem sido expedidas, solicitando que elas fossem canceladas. Ou seja, o Recorrente já havia buscado pronunciamento do Poder Judiciário quanto à legalidade da utilização de informações bancárias para fins de constituição de exigência tributária, restando comprovado que o provimento judicial foi desfavorável às suas pretensões. A alegada nulidade do auto de infração em vista da obtenção de prova ilícita através da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, foi ilidida pelo próprio judiciário que ao julgar recurso especial nº 697.511 RS, interposto no Mandado de Segurança nº 2001.71000361868, proposto pelos envolvidos neste processo decidiu que o art. 144, § Io do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6o da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. A matéria foi submetida ao STF e a informação colhida no sítio do tribunal na internet, dá conta que foi negado segmento ao recurso e em 05/05/2005 houve a baixa definitiva dos autos. Por esta razão, não há que se conhecer das alegações de violação ilegal de sigilo bancário. A Recorrente também requer a nulidade dos autos por não terem sido notificadas a empresa LF Produtora e os sóciosgerentes. Fl. 9342DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Porém, examinando os autos vejo que apesar de ter o fiscal no encerrar do relatório fiscal indicado que os sócios da autuada seriam responsáveis solidários pelo crédito tributário, não houve a lavratura de termo de sujeição passiva solidária ou qualquer outro que os indicasse como sujeitos passivos no processo, nem eles foram cientificados da exigência ou tiveram aberto prazo para defesa. Entendo assim que a responsabilidade dos sócios não é objeto deste processo. Em relação a LF Produtora no entanto, nenhuma prova há de que não seja realmente uma empresa de ‘fachada’ utilizada pelo Bar Opinião para movimentar recursos estranhos à sua contabilidade. Ressaltase que LF Produtora entregou declaração de inatividade nos anoscalendário 1997, 1998 e 2000, e em 1999 e 2001, apurou os resultados pelo Lucro Presumido, mas nada declarou a título de remuneração de empregados, com ou sem vínculo empregatício, prestação de serviços por pessoa jurídica ou compra de mercadorias. Todavia as relações Anuais de Informações Sociais indicam a existência de empregados nos anosbase 1999, 2000, ficando claro que a falsa declaração na RAIS, ou na Declaração de Inatividade, relativamente ao anobase 2000. Em verdade, não há relevância, na discussão sobre a LF Produtora ser empresa de fachada ou não, mas sim se a movimentação bancária realizada em seu nome é dela ou pertence ao Bar Opinião. Está evidente que os créditos na conta de LF Produtora pertencem ao Recorrente, uma vez que a bilheteria dos shows dos Hanson’s, em 12/11/2000 e da British Sinfony, em 26/11/2000, foram depositados na conta da LF Produtora enquanto os contratos de fls. 3152/3157 e 3158/3162 para locação do Ginásio de Esportes Gigantinho para os referidos shows, mostram que o locatário foi o Bar Opinião, que a LF Produtora informou ter auferido R$ 30.000,00 de bilheteria com a realização do show do Mettalica, mas o Bar Opinião informou que R$ 354.171,00 ingressados em sua contacorrente decorriam da bilheteria de tal show, evidenciando que o Bar Opinião foi o verdadeiro promotor do evento, que a LF Produtora, pagou R$ 10.206,00 em 11/04/2001, em favor de Zero Hora Editora Jornalística S. A., para veiculação de publicidade de show de Lulu Santos, produzido pelo Bar Opinião.. Assim restou evidente que a LF PRODUTORA não atuou com negócios relacionadas ao seu objetivo social, mas que agia no interesse do Bar Opinião, recebendo e pagando valores pertencentes a ele. O Recorrente tenta mostrar qual empresa usaria o nome de fantasia Opinião Produtora, e pede que a CIE Brasil S. A. seja intimada, para se pronunciar acerca das contratações com a LF Produtora, porém são pedidos irrelevantes já que há provas consistentes da prática de omissão de receitas com origem na prestação de serviços, e nos depósitos bancários que o Recorrente não logrou identificar origem. Em relação aos valores relativos à prestação de serviços que teriam sido prestados para as empresas TELET, VONPAR e Indústria de Bebidas Polar, a omissão está comprovada pelos contratos entre as partes, recibos e notas fiscais emitidas pelo Bar Opinião. Quanto aos diversos valores recebidos da CLARO através de notas fiscais, resta mais uma vez comprovado as irregularidades de sua escrita contábil já que as mesmas sequer estão escrituradas. Fl. 9343DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.002570/200440 Acórdão n.º 1302001.403 S1C3T2 Fl. 68 13 Com relação as ditas antecipações recebidas da VONPAR, além de não previstas no contrato, são remuneração pela exclusividade na venda dos produtos que também especifica e constituiriam receita não escriturada. Quanto a receita oriunda dos pagamentos da Indústria de Bebidas Antártica Polar S. A., o próprio Recorrente confirmou sua omissão quando disse que tal verba foi repassada ao Bar Opinião a título de patrocínio do evento MUSICANTO. Comprovada a omissão de receitas a título de prestação de serviços, passemos à análise da omissão de receitas caracterizada pelos depósitos bancários. É incontroverso que a autuada movimentou CINCO contas bancárias de sua titularidade, com expressiva movimentação financeira e que, entre janeiro de 1999 e junho de 2001, constou, da contabilidade, uma única contacorrente, com apenas um lançamento no valor de R$ 11.036,00. Além das contas de titularidade da própria autuada não escrituradas, foram movimentados recursos em outras, em nome dos sócios e da LF Produtora. Quanto às contas em nome dos sócios, também não há dúvidas que nelas foram movimentados recursos do Recorrente, como se vê pela declaração deles próprios, a fl. 491 deste processo, quando afirmam expressamente “que todos os créditos oriundos de suas contas bancárias são provenientes das pessoas jurídicas as quais são sócios” exceto um aluguel de R$ 4.000,00. A alegação de que houve aporte de recursos pelos sócios, a título de mútuos, nenhuma prova foi trazida ao processo, além do que, as declarações de pessoas físicas dos sócios, demonstram que eles não tinham condições financeiras de realizar tais empréstimos. Além do mais quando intimado a comprovar a origem dos recursos depositados nas contascorrentes, próprias ou de terceiros, que utilizou, nada comprovou, o que levou o autuante a tributar a presunção de omissão de receitas constante do art. 42 da Lei nº 9.430. Em relação a alegação de que o autuante aplicou os mesmos percentuais, tanto para a receita conhecida quanto para a receita omitida, não tem fundamento uma vez que os valores de receita omitida foram quantificados, ou pela prestação de serviços, ou presumidos no caso dos depósitos bancários. Diante de todo o exposto está patente nos autos existência de dolo e fraude, comprovados pelas receitas mantidas à margem da escrituração, com utilização de contascorrentes próprias e de terceiros não escrituradas, situação que determina a aplicação da multa de 150%, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Em relação a alegação de que o fisco teria agido ao arrepio da lei ao ter oferecido representação fiscal para fins penais, não cabe no caso concreto, pois o autuante tinha o dever de formalizar representação fiscal, conforme Portaria SRF nº 2.572/2001. Fl. 9344DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 A exclusão do Simples tem efeito unicamente sobre o lançamento do crédito tributário relativo ao ano calendário 2001, pois nos demais optou pela sistemática do lucro presumido. Com isso, caso viesse a ser aceita as razões de defesa para considerar o ato de exclusão nulo, isso somente teria efeito sobre o lançamento de crédito tributário relativo ao anocalendário 2001. A exclusão do Simples foi formalizada em 5/11/2004, retroagindo seus efeitos a 1º/01/1997. A defesa apontou a falta de motivação do ato de exclusão do Simples como razão para que fosse declarado nulo. Alegou, também que a exclusão somente poderia alcançar fatos supervenientes. Em razões adicionais apresentadas após a anulação pelo Carf da decisão desta 5ª Turma, a contribuinte repetiu tais argumentos, acrescentando que o ato não poderá ser convalidado, pois nunca fez referência ao auto de infração. Não poderia o julgador legitimar ato que nasceu sem motivação. Não há base legal para a pretensão de que a exclusão do Simples somente opere efeitos a contar da edição do ato. Há norma expressa determinando que os efeitos da exclusão se operam a contar da ocorrência de prática reiterada de infração à legislação tributária. Reproduzo o art. 14, V do art. 14 da Lei nº 9.317/1996: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] V prática reiterada de infração à legislação tributária; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] E nem poderia ser diferente. Caso não pudesse haver retroação dos efeitos da exclusão, o contribuinte que se declarasse indevidamente na sistemática simplificada, ou aquele que fraudasse ou sonegasse de forma contumaz, seria beneficiado pela própria torpeza. A contribuinte foi notificada da exclusão com o envio do ato declaratório de exclusão e da notificação de fl. 2607/2608. Consta expressamente desses atos, que a exclusão decorre da prática reiterada de infrações à legislação tributária e foi resultado da análise do processo nº 11080.002574/200428, originário do Serviço de Fiscalização – SEFIS, da Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre. O ato de exclusão está motivado – prática reiterada de infrações à legislação tributária – com a minuciosa descrição dos fatos, e com os documentos que ampararam a decisão no processo administrativo correspondente referido no ato declaratório. Consta do processo de exclusão, agora juntado ao presente por anexação, a “Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples” (fls. 2169/2231) onde o agente fiscal explicita minuciosamente todas as razões que levaram a concluir pela prática reiterada de infrações à legislação tributária. A representação traz as mesmas razões que constam no relatório do trabalho fiscal no processo de exigência de IRPJ e demais tributos. A conclusão é a que segue (fls. 2230/2231). Fl. 9345DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.002570/200440 Acórdão n.º 1302001.403 S1C3T2 Fl. 69 15 A presente exclusão do SIMPLES tem efeitos a partir de janeiro de 1997 (data de opção pelo regime feita pelo BAR OPINIÃO), conforme preceitua o inciso V do art. 15 da Lei n° 9.317/96. Além disso, em TODOS os anoscalendários fiscalizados (1997 a 2001), a receita bruta (contabilizada e omitida) do BAR OPINIÃO foi superior ao limite de R$ 1.200.000,00 previsto pelo inciso II, do art. 2º da Lei n° 9.317/96 (alterado pelo art. 3 o da Lei n° 9.732/98), o que, por si só, já ensejaria a exclusão com efeitos a partir de 1998, em face do disposto no inciso II, do art. 15 do referido diploma legal. A exclusão do BAR OPINIÃO do SIMPLES somente será relevante, para fins de apuração do crédito tributário objeto da presente ação fiscal, no que diz respeito ao anocalendário de 2001.”, uma vez que optou pelo regime do lucro presumido nos anos calendário de 1997 a 2000. A prática dessas infrações está sendo confirmada nesse voto, quando analiso o IRPJ e demais tributos. Como já referido, o processo estava a disposição para consulta, como constou na notificação à contribuinte, ou mesmo para cópia, faculdade que a autuada utilizou no processo relativo às exigências tributárias, como se vê na solicitação de cópias de fl. 2072. Mais ainda, com a anulação das decisões anteriores pelo Carf, novo prazo foi aberto para que a defesa trouxesse razões adicionais de defesa quanto à exclusão do Simples, e a contribuinte utilizou essa faculdade. O voto da relatora do Acórdão no Carf refere as razões de exclusão constante da representação fiscal que a motivou. Assim, não há qualquer plausibilidade no argumento de cerceamento de direito de defesa. Não havia cerceamento quando da segunda manifestação de inconformidade, em 2012. O argumento de que o ato administrativo da exclusão deveria ter feito referência ao auto de infração, se é isso o motivo determinante da exclusão é capcioso. A exclusão do Simples se deu em função da [gritante] prática de infrações à legislação tributária e assim está referido na notificação enviada à empresa. As infrações estão sobejamente descritas no processo. Então, a exclusão não decorre dos autos de infração. A exclusão do Simples e os autos de infração decorrem, como diz o autuante, dos ardilosos artifícios para suprimir ou reduzir tributos, da existência de escrituração contábil fraudenta e do auferimento de receitas superiores ao limite para enquadramento na sistemática simplificada. Em resumo, a notificação e o ato declaratório expedidos cumpriram o papel de informar à empresa (1) a existência do procedimento administrativo de exclusão do Simples, (2) a emissão do ato de exclusão; e (3) a possibilidade de defesa e de consulta/cópia dos autos do processo. Com a nulidade das decisões anteriores, novo prazo de defesa foi aberto e utilizado pela contribuinte de forma que foi oportunizada ampla defesa. A empresa tinha, portanto, perfeitas condições de, querendo, defenderse quanto ao mérito da exclusão. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Fl. 9346DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 16 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 9347DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006634/2009-96
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO OBSCURIDADE EM FACE DE SUPOSTO LAPSO CONTIDO NO ACÓRDÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não é de se conhecer dos embargos quanto a alegada obscuridade não ficar evidenciada no acórdão recorrido.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO OBSCURIDADE NO TOCANTE À EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO DA EXPRESSÃO SEM O RESTABELECIMENTO DA MULTA DE MORA.
Verificada a ausência no dispositivo do acórdão da expressão sem o restabelecimento da multa de mora, é de se retificar os fundamentos do acórdão recorrido, neste particular, para fins de sanar essa falha.
Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, nos termos do voto do relator, para complementar os fundamentos constantes do acórdão 2802-02.586, de 19 de novembro de 2013, passando o dispositivo da decisão nele expresso a figurar nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, momentaneamente, a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO OBSCURIDADE EM FACE DE SUPOSTO LAPSO CONTIDO NO ACÓRDÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não é de se conhecer dos embargos quanto a alegada obscuridade não ficar evidenciada no acórdão recorrido. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO OBSCURIDADE NO TOCANTE À EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO DA EXPRESSÃO SEM O RESTABELECIMENTO DA MULTA DE MORA. Verificada a ausência no dispositivo do acórdão da expressão sem o restabelecimento da multa de mora, é de se retificar os fundamentos do acórdão recorrido, neste particular, para fins de sanar essa falha. Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2087; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 633 1 632 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.006634/200996 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2802002.911 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IRPF Embargante GILBERTO ELMAR ECKERT Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO OBSCURIDADE EM FACE DE SUPOSTO LAPSO CONTIDO NO ACÓRDÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não é de se conhecer dos embargos quanto a alegada obscuridade não ficar evidenciada no acórdão recorrido. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO OBSCURIDADE NO TOCANTE À EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO DA EXPRESSÃO “SEM O RESTABELECIMENTO DA MULTA DE MORA”. Verificada a ausência no dispositivo do acórdão da expressão “sem o restabelecimento da multa de mora”, é de se retificar os fundamentos do acórdão recorrido, neste particular, para fins de sanar essa falha. Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, nos termos do voto do relator, para complementar os fundamentos constantes do acórdão 280202.586, de 19 de novembro de 2013, passando o dispositivo da decisão nele expresso a figurar nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 66 34 /2 00 9- 96 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, momentaneamente, a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Cientificada do Acórdão nº 2802002.586, desta 2ª Turma Especial, da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, em 17/12/2013, fls. 613, o Interessado opôs embargos de declaração, em 20/12/2013, fls. 616 a 624, nos quais alega o Embargante a existência de obscuridade e contradição entre o fundamento jurídico e a fundamentação do acórdão no que tange à isenção, e também no tocante à multa exonerada pelo acórdão recorrido Em relação ao primeiro ponto, transcreve o seguinte trecho do voto do acórdão recorrido: “Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do RGS, entidade que concedeu a bolsa, mas sim a UFSM, e logo o resultado não se daria em proveito o doador.” Segundo o embargante,“(...) verificase um pequeno lapso na motivação do acórdão, pois identifica a UFSM como beneficiária, quando ela nem sequer está envolvida na relação jurídica” Nesse aspecto, esclarece o Embargante que “As partes envolvidas são o HCPA, a FMRS e a UFRSR”. Diante disso, entende que a fundamentação utilizada no acórdão recorrido ocasionou duas possíveis interpretações: “8. A primeira interpretação possível é a de que o HCPA é o verdadeiro doador das bolsas de estudo, e, desse modo, estarse ia ignorando a estrutura utilizada, na qual existem duas relações, uma entre o HCPA e a FMRS e outra entre a UFRGS e o HCPA. Ainda estarseia inovando na descrição dos fatos do auto de infração – que põe a FMRS enquanto beneficiária e doadora – o que tornaria a decisão nula. 9. Ainda nesse ponto, é obscura a decisão, pois ao descrever que as bolsas derivam das entidades que se beneficiam diretamente dos serviços, não identifica qual o benefício que adviria para essas entidades. 10. A segunda interpretação não é mais exitosa, pois levaria a entender que o HCPA é uma interposta pessoa. Tal argumento não se sustenta, pois interposta pessoa é pessoa posta entre duas Fl. 634DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.911 S2TE02 Fl. 634 3 outras em uma relação, e (...) o HCPA não é pessoa interposta na relação de pagamento de bolsa, que é relevante à determinação da incidência ou não de IRPF.” No tocante ao segundo ponto embargado, alega “a Autoridade Administrativa incorreu em erro material, causada por interpretação incompreensível do contudo da decisão, diante da clareza solar do dispositivo do acórdão”. Nesse aspecto, aduz que, apesar de o acórdão haver claramente excluída a multa de ofício, sem substituíla por qualquer outra, bem como haver sido corretamente executada essa decisão no sistema SIEF, fls. 538, os DARF emitidos para o pagamento do crédito tributário remanescente discriminam parcela relativa à multa de mora no montante de 20% (vinte por cento). Requer o conhecimento e o acolhimento dos embargos de declaração para que sejam esclarecidas as obscuridades/contradições apontadas, com a determinação de efeitos infringentes para o cancelamento do auto de infração e, alternativamente, seja esclarecido o ponto e a ordenação do DARF a ser encaminhado ao recorrente. Finalmente, requer que as intimações sejam realizadas em nome dos procuradores em seu endereço profissional. Analisando os termos nos quais os embargos foram propostos, fls. 630, a relatora do voto do acórdão recorrido concluiu pela admissão dos embargos afirmando que “De fato houve um erro material no acórdão embargado”. Considerando essa conclusão, o Presidente desta 2ª Turma Especial submeteu os embargos à apreciação deste Colegiado e, tendo em vista que a relatora do acórdão recorrido não mais integra esta turma de julgamento, designou este Conselheiro como Relator ad hoc, nos termos do §7º do art. 49, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Os embargos de declaração foram opostos tempestivamente. Contudo, é necessário examinar sua admissibilidade em face de cada um dos fundamentos apresentados pelo recorrente e indicados no relatório supra. Nesse sentido, analisando o acórdão recorrido, do primeiro ponto contestado pelo embargante, observase, inicialmente, que o próprio embargante afirma que se verifica “um pequeno lapso na motivação do acórdão, pois identifica a UFSM como beneficiária”. Também, conforme destacou o próprio embargante, a parte do voto que conteria o mencionado lapso está relacionada justamente à decisão judicial mencionada no recurso voluntário da qual se extraiu a “ratio decidendi”, conforme a seguir se transcreve do voto proferido pela relatora do acórdão embargado: “Quanto à esfera judicial, de fato o recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Fl. 635DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do RGS, entidade que concedeu a bolsa, mas sim a UFSM, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas derivam das entidades que se beneficiaram diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6º do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos.” Percebese, pois, que a relatora do voto ao mencionar a UFSM o faz no contexto da analise das decisões judiciais proferidas pela Justiça Federal de Santa Maria/RS, que haviam sido mencionadas pelo próprio contribuinte em seu recurso voluntário. Daí nenhuma razão ao embargante nesse particular. Portanto, em face da inexistência de obscuridade e tampouco contradição relacionada à citação da UFSM, não há como conferir interpretação diferente da exposta no voto condutor do acórdão embargado. Nesse aspecto, sobressai do conteúdo expresso nos embargos apresentados pelo contribuinte que, na verdade, sua intenção é provocar a rediscussão do mérito da questão já devidamente enfrentada pelo acórdão recorrido, o que é defeso em sede de embargos de declaração, razão pela qual os embargos devem ser rejeitados neste particular. Contudo, o mesmo não se dá com relação ao fundamento da suposta obscuridade no tocante à multa. Nesse caso, entendo que a falta da indicação da expressão “sem o restabelecimento da multa de mora”, tanto na conclusão do voto como no corpo do dispositivo do acórdão, possa ter provocado, por parte da autoridade preparadora, a emissão dos DARF de fls. 611/612, com o acréscimo da referida multa de mora. Esse procedimento se deve ao fato de, tal como tem entendido esse Colegiado, a exemplo do Acórdão nº 2802001.028, julgado em 27 de setembro de 2011, a exclusão da multa de ofício não implica em exigir a multa de mora, pois exigir a multa de mora nessa circunstância seria inovar o lançamento o que seria vedado nessa fase recursal. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.911 S2TE02 Fl. 635 5 Sendo assim, em relação a esse último ponto embargado, os embargos de declaração devem se acolhidos para que o dispositivo do Acórdão nº 2802002.586 passe a figurar nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator.” Finalmente, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome dos advogados, pois o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Diante do exposto voto por acolher em parte os embargos, para complementar os fundamentos constantes do o acórdão 280202.586, de 19 de novembro de 2013, passando o dispositivo da decisão nele expresso a figurar nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator”. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 637DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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