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Numero do processo: 10680.009588/2004-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2003
PIS. DECADÊNCIA. LEI N2 8.212/91. INAPLICABILIDADE.
SÚMULA N2 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as
previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato
gerador. Inteligências da Súmula Vinculante n2 8 do Supremo
Tribunal Federal: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de créditotributário".
TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PARA TERCEIROS. APLICAÇÃO IMEDIATA DA EXCLUSÃO PREVISTA NA LEI N2 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE.
O Egrégio Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de
que a Lei nº 9.718/98, art. 3º, § 2º, III, é norma de eficácia
limitada, do que se depreende que a ausência de regulamentação
inviabiliza a sua aplicação.
LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DE ENTENDIMENTO.
Em vista da inconstitucionalidade proclamada pelo STF acerca do
alargamento da base de cálculo da Cofins, trazido pela redação do
art. 3º da Lei nº 9.718/98, o qual equiparava faturarnento à
totalidade de receitas, inadmissível a manutenção dos autos de
infração que foram lavrados quando a norma era considerada
válida. Em primeiro lugar, porque lei nula não produz efeitos e
não constitui suporte válido para auto de infração. Em segundo
lugar, por economia processual e para evitar a posterior
sucumbência da Fazenda Nacional no âmbito judicial.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 201-81703
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos períodos até julho de 1999, inclusive, e excluir da base de cálculo a parcela das receitas financeiras, em razão da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. O Conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido de votar, em razão da matéria em relação às transferências das comissões como receitas para outras pessoas jurídicas.
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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Recorrida DRJ em Belo Horizonte - MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2003 PIS. DECADÊNCIA. LEI N2 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA N2 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligências da Súmula Vinculante n 2 8 do Supremo Tribunal Federal: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PARA TERCEIROS. APLICAÇÃO IMEDIATA DA EXCLUSÃO PREVISTA NA LEI N2 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE. O Egrégio Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que a Lei n2 9.718/98, art. 32, § 22, III, é norma de eficácia limitada, do que se depreende que a ausência de regulamentação inviabiliza a sua aplicação. LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DE ENTENDIMENTO. Em vista da inconstitucionalidade proclamada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da Cofins, trazido pela redação do art. 32 da Lei n2 9.718/98, o qual equiparava faturarnento à totalidade de receitas, inadmissível a manutenção dos autos de infração que foram lavrados quando a norma era considerada válida. Em primeiro lugar, porque lei nula não produz efeitos e não constitui suporte válido para auto de infração. Em segundo lugar, por economia processual e para evitar a posterior sucumbência da Fazenda Nacional no âmbito judicial. Recurso voluntário provido em parte. jt • MF - SEGUNDO CON3.71P0 DE CONTRIBUINTES CONFCRt":" CD . ., OR!GiNAL • Processo no 10680.009588/2004-41 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.703 Brasília, / 1 , 09 Fls. 351 d" Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos períodos até julho de 1999, inclusive, e excluir da base de cálculo a parcela das receitas financeiras, em razão da inconstitucionalidade da Lei n2 9.718/98. O Conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido de votar, em razão da matéria em relação às transferências das comissões como receitas para outras pessoas jurídicas. Esteve presente ao julgamento a advogada da recorrente, Dra. Maisa de Deus Aguiar, OAB/DF n2 20.514, e havia feito sustentação oral, em 04/12/2008, o advogado da recorrente, Dr. Tadeu Negromonte, OAB/MG n2 97.692. 1 • QIU(~/ • # ip , • 41 SEF MARIA COELHO MARQUES Presidente I ' . FAB OLA CASSIA 4 qv RAMIDAS Relatora , . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. 2 Processo n° 10680.009588/2004-41 MF RIBUINTI CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.703 (-5 --- Fls. 352 yeauX01". Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para constituir débito de PIS - ciência dada à contribuinte em 05/08/2004 -, fl. 04, devido em razão de valores considerados pela Fiscalização como indevidamente retirados da base de cálculo do tributo. A dedução foi realizada pela contribuinte em razão de esta entender possível pelas características de sua natureza financeira. Importa relatar que a recorrente, até o ano de 1999 (inclusive), dedicava-se ao ramo de corretagem de títulos e valores mobiliários, atuando sob a razão social de BMG Corretagem S/A, sendo sucedida, em 01/01/2000, pela EGL Empreendimentos Gerais Ltda., cujo objeto social é a participação em outras sociedades. Apesar de não ser mais instituição financeira, informa o Agente Fiscal - fl. 13 - que a recorrente, durante todo o período fiscalizado, utilizou a estrutura contábil da Cosif. Foram realizadas deduções nos anos de 1999 a 2003, pelas seguintes razões: a) ano de 1999: excluídos valores relativos a comissões de terceiros, pois estes valores pertenciam à BMG DTVM e foram transferidos para este. Entendeu a fiscalização que esta dedução não era legalmente permitida, em vista da impossibilidade de aplicação imediata do inciso III, § 22, art. 32, da Lei n2 9.718/98; b) ano de 2000: excluídas as perdas incorridas com ações em companhias abertas. Entendeu a Fiscalização que inexistia previsão legal para a dedução de perdas financeiras; e c) anos de 2001 a 2003: dedução decorrente de perdas incorridas com aplicação financeira em Notas do Banco Central - NBC e com operações de swap. Em relação a estes itens, concluiu a Fiscalização pela inexistência de previsão legal, bem como pela contabilização das variações cambiais (ativas/passivas) destas operações pelo regime da competência, e não caixa. Inconformada, a recorrente interpôs impugnação às fls. 199/219, vol. I, por meio da qual pleiteou o cancelamento do auto de infração: (i) em razão da decadência, para os fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a julho de 1999; (ii) no tocante ao período de fevereiro de 1999 a agosto de 1999: trata-se de intermediação de negócios financeiros, o que justifica a transferência de comissões recebidas em nome de outra empresa do grupo, nos termos do art. 6 2, c/c o art. 11, inciso II, da Instrução n2 215, de 08/06/94, da CVM. Alega a recorrente que não se trata de dedução da base de cálculo, mas ajustes contábeis comprovando, ainda, que o valor foi oferecido à tributação pela empresa DTVM; e (iii) no tocante ao período de 2001 a 2003: defende que a variação cambial não representa receita e, portanto, não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins e, em relação às 3 Cgt:J.,‘TLR22_9__IBUINTES Processo n° 10680.009588/2004-41 CCO2/C01Jrasia Acórdão n.° 201-81.703 - • I Fls. 353 • NBC, que o valor oferecido à tributação foi superior ao efetivamente auferido no rendimento do título adquirido. Após analisar as razões apresentadas, a Primeira Turma da DRJ em Belo Horizonte - MG proferiu o Acórdão n2 02-13.917 (fls. 287/308, vol. I), verbis: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PINPASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2003 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à Contribuição para o PIS decai em dez anos. Verificada a falta de recolhimento da contribuição, impõe-se o lançamento de oficio nos termos da legislação vigente. Não encontra guarida na legislação tributária a exclusão a título de 'rateio administrativo', para reduzir a base de cálculo da contribuição. A partir de 01/01/00, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, segundo o regime de caixa ou, a opção do contribuinte, segundo regime de competência. Lançamento Procedente". Inconformada com a manutenção do auto de infração, a recorrente opôs recurso voluntário às fls. 318/343, vol. II, por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. É o Relatório. )\'‘ 4 Processo n° 10680.009588/2004-41 - a"EGlicNoD,O, CCO2/C01 Acórdâo n.° 201-81.703 ,C;"°,1'...̀ 2eV,11°0 OR1G!NAL Fls. 354Brasília, ‘,04(449t Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Dos termos relatados concluo que três são os aspectos a serem analisados nos presentes autos: (i) a ocorrência de decadência; (ii) a possibilidade de dedução da base de cálculo do tributo do valor transferido a terceiros; e (iii) a possibilidade de tributação de valores decorrentes de receitas financeiras (variação cambial, NBC, swap). (i) Decadência Em sede de preliminar, reconheço ter ocorrido a decadência dos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e julho de 1999, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em agosto de 2004. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários n2s 559.664, 559.882 e 559.943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n 2 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante n2 8, verbis: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei n° 1.569/1977 e os 'artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento do presente auto de infração. Não apenas em razão de ser vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 (cinco) anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. (ii) Da dedução da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores transferidos para outra pessoa jurídica Neste item a recorrente defende a licitude de sua pretensão de deduzir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores transferidos para outra pessoa jurídica. A questão cinge-se à interpretação do inciso III, § 22, art. 32, da Lei n2 9.718/98, que determina: "Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. sç 1° - Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2° - Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2° excluem-se da receita bruta: (.) s MF - SEGUNDO r ,.:Nr..E1.HO DE CONTRIBUINTES COM O ORIGINAL Processo n° 10680.009588/2004-41 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.703 iMasilia,f9u. / / 0 Fls. 355 III (70104014"" - os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo poder executivo." (destaquei) De acordo com a interpretação emprestada da Secretaria da Receita Federal externada por meio do Ato Declaratório SRF n2 56/2000, o dispositivo acima exposto, para ser aplicado, necessita de regulamentação, e a falta de regulamentação inviabiliza a sua aplicação, a saber: "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do sç 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal .foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991-18, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 0 de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica." (destaquei) Contrariamente, entende a recorrente que a lei é auto-aplicável, provavelmente seguindo a linha de que as normas regulamentadoras jamais poderiam diminuir o beneficio fiscal concedido, posto que tais regras não têm o condão de dispor sobre a base de cálculo das contribuições. A questão já foi dirimida pelo Superior Tribunal de Justiça, órgão máximo no tocante à interpretação das normas infraconstitucionais: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9.718/91, ART. 3°, § 2°, IIL NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico-tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, 'as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.: Isto porque, 'não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem'. 6 MF - SEG:.'NDO ')N;SF1)-1:") DE CONTRIBUINTES i C3 c • Processo n° 10680.009588/2004-41 Brasília / CCO2/C01, / • Acórdão n.° 201-81.703 Fls. 356 VaZLOOtt 2. A lei 9.718/91, art. 3°, § 2°, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedou-se inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 1991- 18/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3°, § 2°, IH, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que `se o comando legal inserto no artigo 3 0, 2°, III, da Lei n.° 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 1991-18/2000'. 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer beneficio tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, 'não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COF1NS. In casu, o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência.' 6. Recurso Especial provido." (STJ - REsp n2 507.876/RS, Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ de 15/03/2004, p. 161 - destaquei) De acordo com este raciocínio, o fato de a norma fazer referência a regras regulamentadoras, a transforma em norma de eficácia contida, condicionada à regulamentação para que produza efeitos. Neste sentido, a despeito de a regra ser válida e vigente, não possuiu o requisito da eficácia, suficiente para inviabilizar a sua aplicação. Registro, ainda, que não importa que a empresa para qual foi realizada a transferência de valores seja do grupo econômico da recorrente, ou mesmo as regras da CVM que autorizam a transferência de valor a terceiros, pois, conforme confirmado pela própria recorrente, trata-se de receita decorrente de comissão que foi recebida pela recorrente como sua receita e apenas posteriormente repassada à DTVM. Importante registrar que a cumulatividade, inclusive, é de se presumir em tributos que incidem em cascata. Logo, entendo estar com razão a recorrida (Fisco), especificamente no que se refere ao mês de agosto de 1999, não decaído. (iii) Dedução de Perdas Incorridas no ano de 2000 4Nki Lit_ 7 MF - CONTRIB"1""TC'' Processo n° 10680.009588/2004-41 s., ..),:á2h.:2.1 AOSI CCO2/C0 I Acórdão n.° 201-81.703 Brasília, 05 " Fls. 357 Em relação às exclusões das perdas incorridii" -~es em companhias abertas, cumpre esclarecer que não há qualquer autorização legal ou contábil que permita a dedução destes valores da base de cálculo do PIS e da Cofins, razão pela qual a glosa procedida pela Fiscalização está correta. (iv)Tributação de Receitas Financeiras 2001 a 2002 Verifico, ainda, que, nos anos de 2001 a 2002, a Fiscalização pretende tributar valores referentes a receitas financeiras diversas (variação cambial, NBC e swap) que deixaram de ser apresentadas à tributação. Neste caso se aplica questão preliminar que o resolve de plano, referente à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, que passou de faturamento para totalidade de receitas, conforme Lei n2 9.718/98. Tal entendimento decorre do fato de, uma vez mantido o conceito originário e contábil de faturamento, inviabiliza-se a manutenção do auto de infração, lembrando que o período autuado situa-se sob a égide da cumulatividade do PIS e da Cofins. É de domínio público que, "ao julgar os RREE 346.084, _limar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf/STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal", redação esta anterior à EC n2 20/98 (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STF no Ag.Reg. no RE n2 330.226-PR, em sessão de 23/05/2006, rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 16/06/2006, pág. 17 Ement Vol-02237-03, PP- 00481; Acórdão da P Turma do STF nos Emb. de Dec. no RE n 2 368.468-PR, em sessão de 23/05/2006, rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52 Ement Vol- 02238-03, PP-00428; Acórdão da 1 2 Turma nos Emb. de Dec. no RE n2 410.691-MG, em sessão de 23/05/2006, rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, Ement Vol-02238-03, PP-00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, que inicialmente trouxe . a esta Câmara o entendimento da possibilidade de aplicação pelos tribunais administrativos de decisão do pleno do STF, cito: "Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do ss' 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o Egrégio STJ recentemente esclareceu que a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, 'embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475-L, § V', redação da Lei 11.232/05).' Afastada a incidência do § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2°), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de jr 8 'CONFERE CjIr4;090;;JIZA"12".:' I " ão ° cavaiProcesso n° 10680.009588/2004-41 Acórd n. 201-81.703 Fls. 358 ‘-yauCty-- • ti" mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF (cf. Acórdão da 12 Turma do STJ no RESP n2 828.106-SP, Reg. n2 200600690920, em sessão de 02/05/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, pubL in DJU de 15/05/2006, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inciso Ida CF/88; arts. 97 e 142 do CIN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformar-se com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimam-se todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 12 do art. 32 da Lei n2 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do Cofins e PIS/Pasep adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza." (destaquei) Desta feita, e em vista do fato de parte de o auto de infração ter como fundamento a base de cálculct ampliada trazida pelo conceito de faturamento previsto na Lei n9 9.718/98 e uma vez que a constitUcionalidade da norma vicia por completo a autuação, nem que seja apenas por este motivo, os valores autuados nos anos de 2001 a 2002 que se refiram às receitas financeiras não podem subsistir, ressalvado à Fiscalização a verificação e manutenção dos valores relativos ao faturamento. (v)Tributação de Receitas Financeiras 2003 No tocante ao ano de 2003, raciocínio diverso deve ser aplicado. É que em 2003 já vigorava o sistema não-cumulativo da contribuição ao PIS, aplicável à recorrente em virtude de este encontrar-se submetido à apuração do Imposto de Renda pelo Lucro Real. O sistema não-cumulativo não tem a si aplicado o entendimento de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do tributo, devendo as receitas financeiras serem normalmente tributadas. Ante o exposto, concluo por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, mantendo: (i) o valor autuado no mês de agosto de 1999, não decaído e decorrente da glosa da dedução de valores transferidos a terceiros da base de cálculo do tributo; (ii) a glosa realizada em relação ao ano de 2000; e (iii) a glosa das deduções procedidas quanto ao ano de 2003, em que a recorrente encontrava-se no regime não-cumulativo de apuração do PIS. É como voto. Sa das SessZ - s\- *e feverei o e 2009. )no •o• FA : IOLA CAS `t it Is KERAMIAS, • , 11,14,,v 9
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Numero do processo: 13410.000081/95-57
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 1999
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Numero da decisão: 201-72830
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Recurso que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: L1D10 DE MIRANDA PARENTE. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 de junho de 1999 Wfri ti a ele te de Moraes Presid ata ra • • . koriitá Re—:tor Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rogério Gustavo Dreyer, Ana Neyle Olímpio Holanda, Serafim Fernandes Corrêa, Geber Moreira e Sérgio Gomes Vello so. Lar/mas-fclb . MINISTÉRIO DA FAZENDA ea:te SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13410.000081/95-57 Acórdão : 201-72.830 Recurso : 103.939 Recorrente : LIDIO DE MIRANDA PARENTE RELATÓRIO O contribuinte acima identificado contesta a exigência consignada na Notificação de Lançamento de fls. 03, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR194, de seu imóvel localizado no Município de Exu — PE, alegando erro no preenchimento de sua DITR/94, ao informar um Valor da Terra Nua do imóvel muito acima do valor de mercado da região. Inicialmente a reclamação foi analisado sob a forma de SRL, sendo considerada improcedente. Cientificado do indeferimento do pedido inicial, apresenta impugnação com a mesma alegação anterior, respaldado em Laudo de Avaliação fornecido pela EMATER - PE. A autoridade julgadora singular mantém o lançamento em decisão sintetizada na seguinte ementa: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Só é admissivel a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante antes de notificado o lançamento. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. A base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR é o Valor da Terra Nua — VTN constante da declaração anual apresentada pelo contribuinte. AÇÃO ADMINISTRATIVA PROCEDENTE." 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,C1.1 f5 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "-N?;.• Processo : 13410.000081/95-57 Acórdão : 201-72.830 Inconformado com o decidido pela autoridade monocrática, apresenta Recurso Voluntário a este Colegiado, reiterando suas razões de defesa já apresentadas na fase impugnatoria É o relatorio 3 G 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA ;•:C.S.Ç1 2 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘;r,;Wi• Processo : 13410.000081/95-57 Acórdão : 201-72.830 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALDEMAR LUDVIG Tomo conhecimento do recurso por tempestivo e apresentado dentro das formalidades legais. O disposto no § 1 0 do artigo 147 do Código Tributário Nacional veda a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante após a emissão da notificação. O presente caso não trata de pedido de retificação de que se refere a legislação retro citada, mas sim de impugnação do lançamento de conformidade com o que dispõe o inciso I do artigo 145 do mesmo CTN, estando portanto, apta para que seja conhecida e analisada. A partir da publicação, em 28/01/94, da Lei n.° 8.847, passou a ser facultado ao contribuinte o direito de questionar o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), a partir do comando contido no artigo 30, § 40 da citada lei, valendo a reprodução do texto legal: "Art. 3 0 - A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado em 31 de dezembro do exercício anterior. § 4° - A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional habilitada, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte." De plano fixa-se o entendimento que, uma vez possível o questionamento do VTNm, possível também se torna a impugnação do VTN declarado pelo próprio contribuinte, visando sua redução. Dispensável dizer que a impugnação deverá basear-se em documentos que comprovem o fato alegado, dado que cabe ao contribuinte descaracterizar a presunção de legitimidade de que goza o lançamento regularmente cientificado. O Laudo de Avaliação juntado aos autos fls. 15, fornecido pela EMATER-PE, em que pese ser urna entidade de reconhecida capacitação técnica, não preenche os requisitos necessários para o fim a que se propõe. 4 "f 6c5) 4- )0.::• • MINISTÉRIO DA FAZENDA tifi WS SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,rkan.1te Processo : 13410.000081/95-57 Acórdão : 201-72.830 Intimado o contribuinte, por decisão deste colegiado, a apresentar novo laudo técnico de avaliação, assinado por profissional habilitado, ou entidade de reconhecida capacitação técnica, demonstrando as reais condições do imóvel bem do como do Valor da Terra Nua — VTN, deixou de atender à intimação, informando que no seu município não existe mais representação da EMATER, nem profissional habilitado, estando portanto, impedido de atender à intimação. Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. ! É COMO voto. Sala das Sessões, em 08 de junho de 1999 /, i • tf. I ,Cii~ - 5
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001598/2002-64
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
INTEMPESTIVIDADE.
O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado e,
no caso em tela, o protocolo se deu após este lapso de tempo,
sendo, portanto, intempestivo.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 203-13211
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Fernando Marques Cleto Duarte
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Crédito Presumido do IPI. Intempestividade. Acórdão tf 203-13.211 MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Sessão de 03 de setembro de 2008 CONE RE COM O ORIGINAL Recorrente Eletro Manganês S/A Brasilia, O / Recorrida DRJ - Juiz de Fora - MG Wanda Lustaq lo 1 -eira Mu Siape 917 n ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS • IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 • INTEMPESTIVIDADE. • • O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado e, no caso em tela, o protocolo se deu após este lapso de tempo, sendo, portanto, intempestivo. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos, os presentes autos. . ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONT • a INTES, po ' idade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. #01. /14.n LSON MAC ROSEN : • LHO Presidente FERNAND MA UES CLETO DUARTE •Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda./ ., . . Processo n• 10665.001598/2002-64 CCO2JCO3 • Acórdão n.• 203-13.211 MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 167 CONFERE COMO ORIGINAL ____ Brasiba. ti) g o i / 02 Relatório Wwido 1- a ia l'et reás N. .9 'ciai 91776 Em 27.11.2002, a contribuinte Eletro Manganês S/A apresentou Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI, relativo ao primeiro trimestre de 2001, no valor total de R$ 23.092,41, findado na Lei n° 9.363/96 e na Portaria MF n° 38/97. Do total, R$ 5.041,28 são referentes à atualização pela taxa Selic, uma vez que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. Os processos de compensação vinculados ao referido pedido encontram-se às fls. 58/70 e nos Processos n° 10665.000667/2003-01 e 10665.000688/2003-19, em anexo. Dispõe o art. 1° da Lei n°9.363/96: "A ri. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n°1 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo".. . A autoridade fiscal, em verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento, constante nas fl. 56 e 57, apurou crédito diverso do requerido pela contribuinte (R$ 6.476,12), em razão das seguintes exclusões do custo de produção do período: a) consumo de energia elétrica, combustíveis (gás GLP, óleo combustível BPF e óleo diesel) e oxigênio, por não serem matéria-prima, produto intermediário e tampouco material de embalagem; _ b) consumo de sulfidrato de sódio, por tratar-se de matéria-prima importada; c) consumo de lenha, por esta ter sido adquirida de pessoa fisica; d) por fim, também foi excluída a sucata de eletrólise de grafite, por esta ser resíduo do processo. . . No Despacho decisório da fl. 77, a autoridade fiscal indeferiu parcialmente o ressarcimento pleiteado, nos termos do procedimento de fiscalização supracitado, reconhecendo apenas crédito no valor de R$ 6.476,12, sem qualquer acréscimo. Em 20.04.2006, a contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade, alegando, conforme resumo constante no relatório defis. 118 e 119, que: "Ocorre que alguns dos produtos que o fisco afirma terem sido glosados no período, quais sejam, oxigênio, sucata, de eletrodo de grafite, sulfidrato de sódio e lenha adquirida de pessoa Pica, (...) não entraram no cálculo do crédito presumido. Assim, vê-se de plano que há um erro material no Despacho Decisório, (..) razão porque o Despacho Decisório é nulo em relação ao valor de RS 11.575,01, que diz respeito a custos/gastos supostamente não \ admitidos como matérias-primas e produtos intermediários.ti `k 2 e Processo n°10665.001598/2002-64 CCO2/CO3 Acórdão n.• 20313.211 Fls. 168 - (..) como ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, e o art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95, estabelece que esta será acrescida do valor relativo à atualização pela taxa Selic, logicamente a sua espécie, no caso, o ressarcimento de crédito de IPI, também será. o (.) a maior parte da energia elétrica adquirida pela manifestante é •-z consumida no processo de produção em contato direto com o produto cb em fabricação. A manifestante produz bióxido de manganês CE-a2 eletrolítico. O produto é obtido em células eletroliticas que utilizam a Z .1= o 0 energia elétrica diretamente nas reações químicas envolvidas no ce- 1processo de produção (.). O cp00 - g \ o O entendimento de que, para dar direito ao crédito de IPI, as matérias- it oo primas e os produtos intermediários que não se integram ao novo produto devem ser consumidos em contato direito com o produto em ljçf1/4\%\ki 3fabricação é totalmente equivocado. (..) Assim, se, pelo citado § 1° do art. 25 da Lei 4.502/64, o produto o entrado dá direito a crédito quando destinado à industrialização e, se o cr, U: processo utilizado (contato fisico ou não com o produto em 3 co elaboração) é irrelevante para caracterizar a operação como industrialização, então as aquisições de energia elétrica utilizada como força motriz e de combustíveis, consumidos no processo de industrialização, dão direito a crédito de IPI e, conseqüentemente, a crédito presumido de IPI nas exportações". Por fim, a contribuinte apresentou vasta jurisprudência administrativa referente à possibilidade de atualização da taxa Selic. Em sessão realizada em 27.04.2007, a 3° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora - MG acordou, por unanimidade, em não conhecer o direito creditório no valor de R$ 16.616,29, com base nas razões abaixo: a) não procedem as alegações da contribuinte referentes à alegada nulidade do despacho decisório, uma vez que a relação de produtos excluídos refere-se a todo o período fiscalizado e não apenas ao período objeto deste pedido de ressarcimento. Para descobrir os insumos objeto de exclusão para o referido período, é necessário o confronto com as planilhas apresentadas pela empresa. Também foi observado que as notas fiscais apresentadas referem-se a aquisições, enquanto a apuração da base de cálculo do crédito presumido efetuada pela auditora fiscal tomou por base os insumos utilizados na produção. b) no que se refere à atualização pela taxa Selic, entendeu o órgão julgador que não se aplicava por ausência de previsão legal. Isso porque o art. 66 da Lei n° 8.383/91, com a redação dada pela Lei n° 9.069/95 permite a atualização monetária e incidência da taxa Selic sobre os valores passíveis de restituição, o • que não se confunde com a escrituração extemporânea de créditos de IPI. Mais ainda, a CSRF e o 2° Conselho de Contribuintes tr: admitido a incidência da taxa Selic sobre os créditos solicitados em ressarcimento desde a dat. de formalização do pedido até a data do efetivo ressarcimento ou compensação. c) os conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, conforme constam na legislação do IPI, não englobam combustíveis e energia é, 3 .- ‘.. Processo n° 10665.001598/2002-64 CCM/C:03 Acórdão o." 203-13.211 F. 169 elétrica, não devendo sua aquisição ser incluída nos custos de produção, uma vez que a ação de ambos no processo produtivo é indireta. Foram citados julgados administrativos nesse sentido. Mais ainda, deve o julgador administrativo observar os atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal. Foi apresentada também extensiva exposição referente ao papel da eletricidade no processo produtivo em questão, a fim de concluir que a empresa não detalhou nos autos seu processo produtivo (não provando, portanto, seu direito) e que a eletricidade não pode ser incluída na base de cálculo do beneficio. Em Recurso Voluntário protocolizado em 23.08.2007, limitou-se a contribuinte a repisar os argumentos constantes em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. .74,\Ir, -. COliggV•0 . I tAF - SEGUNDO CONSE% Brasilia. i T ,... 0000ERCIGONtNTARLIBUINTES Willaill EllStáqUin 1 ct-rcira Mat. Si J pe 91 (I • . ( • . . • . . 4 Processo n°10665.001598/2002-64 CO32/CO3 Acórdão n. • 203-13.211 Fls. 170 Voto Conselheiro FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Relator O recurso tem um prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado e no caso em tela, o protocolo seu deu após este lapso de tempo, sendo assim intempestivo. O contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 31.05.2007, conforme Aviso de Recebimento juntado à fl. 128 e informação constante na fl. 164, e só protocolizou o seu recurso em 23.08.2007. Note-se que a contribuinte alega ter tomado ciência da decisão em 27.07.2007, mas esta foi a data do recebimento da carta cobrança às fls. 129 e 130 e não a da decisão da DRJ. Desse modo, não conheço do recurso, por sua intempestividade. Sala das Sessões, em 03 de setembro de 2008 efr# FERN7ÓO M7UES CLETO DUARTE fAF - SEGnEtf4in 0 04NScEoLroDcERCIG ONNTAffiRLIBUINTES Brasilia, \Nandu ; • 11 / ertetra Mal Sidpe )1776 5 Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10480.001809/95-82
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 1997
Ementa: II. E I.P.I. - Inclusão do seguro na base de cálculo - inquestionável a inclusão do seguro na base de cálculo do I.I. e do I.P.I. - inexistência do BIS-IN-IDEN com o IOCCS - omissão do importador por ocasião do despacho aduaneiro, sujeita às penalidades cabíveis - inaplicável a TR e TRD como índices de indexação monetária.
Numero da decisão: 301-28356
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para excluir a TRD e multa do art. 4° inciso I da Lei 8.218/91, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ISALBERTO ZAVÃO LIMA
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F. . MINISTÉRIO DA FAZENDA.. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10480-001809/95-82 SESSÃO DE : 24 de abril de 1997 ACÓRDÃO N° : 301-28.356 RECURSO N' : 118.168 RECORRENTE : IMPERIAL DIESEL S/A RECORRIDA : DRJ - RECIFE - PE II. E I.P.I. - Inclusão do seguro na base de cálculo - inquestionável a inclusão do seguro na base de cálculo do I.I. e do I.P.I. - inexistência do BIS-IN-IDEN com o IOCCS - omissão do importador por ocasião do despacho aduaneiro, sujeita às penalidades cabíveis - inaplicável a TR e TRD como índices de indexação monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para excluir a TRD e multa do art. 4° inciso I da Lei 8.218/91, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 24 de abril de 1997 e- MOAC i • Y à MEDEIROS —.15: tSai,.---tuoZ ISALBERTO ZAVÃO LIMA Relator • o DORIA-G i DA FAZINI"A NACIO'' d enfio-Geral Ir repreten!eçao aitt•I ai e/z nclo reei- 1 i / Cm_ I . _4,, V.. t _ .. ; Lii) / t I i sM/ id - '2'4 • CORIEZ RORIZ f# "-,mi/ l" Haio da fama Noticiai Participaram, ainda, do presente , julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RlUIZ DAMASCENO e MARIA HELENA DE ANDRADE (suplente). Ausente o Conselheiro LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. Intrác118168 . ; • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.168 ACÓRDÃO N° : 301-28.356 RECORRENTE : IMPERIAL DIESEL S/A. RECORRIDA : DRJ - RECIFE - PE RELATOR(A) : ISALBERTO ZAVÃO LIMA RELATÓRIO O auto de Infração s/n°, datado de 01/03/95, contra IMPERIAL DIESEL S/A, correspondente ao 1.1. e I.P.I. incidentes sobre as diferenças constatadas nos valores declarados em diversas D.I., motivadas pela omissão nas bases de cálculo do • I.I. e I.P.I., dos valores dos seguros das mercadorias importadas. Multas capituladas nos art. 40, I e II, da Lei 8.218/91, 530 do R.A., combinado com o art. 59 da Lei 8.383/91, e a art. 364, H, do RIM182, 100% para o I.I. e I.P.I. Embora sem provas, fundamenta o Atuante que os valores do seguro foram contabilizados como despesa, abatidos do Lucro Líquido e Real da empresa. Em sua impugnação, às fls. 368 a 373, a Autuada argüi que a configuração de um "tri-in-idem" com a cobrança do I.I., I.P.I. e IOCCS sobre os valores dos prêmios de seguros. Alega, que a decadência para cobrança de tributos opera nos 5 dias a que se refere o art. 447 do R.A./85, combinado com o art. 150 do CTN, pois neste prazo ocorre a homologação do I.I. Com base nas inúmeras importações, sem que o fisco tenha detectado a base de cálculo menor, em decorrência da não inclusão do valor do seguro, alega a impugnante ter se caracterizado a "prática reiterada" normalizada pelo art. 100, III, do CTN, que implicaria, também, a dispensa da multa e da correção monetária. Além do mais, argüi a mudança de critério jurídico ao efetivar a Autuação, pois fere o artigo 146 do CTN. Utiliza as regras do art. 112, do CTN, para fundamentar a inexigibilidade de penalidade. • A Autoridade Julgadora considerou o Auto parcialmente procedente, assentando-se no Decreto 92.830/86, Acordo de Valoração Aduaneira, artigo 80, 2, "c", e legislação complementar, propugnando pela aplicação das normas do art. 526 do R.A./85. Que o desembaraço aduaneiro não convalida as irregularidades praticadas pelo Importador, muito menos sua prática reiterada. Acresceu a multa por subfaturamento prevista no artigo 69 do DL 37/66, abrindo novo prazo para impugnar a matéria inovada. Na impugnação do agravamento da penalidade, a Autuada reitera todos os argumentos de sua inicial. Cancelada a intimação da Decisão Monocrática (fls. 403/9), visando segregar o agravamento da penalidade para formar novo processo (n° 10480- 003.887/96-48), foi novamente intimada a Autuada às fls. 445 a 452. 2 : • MINISTÉRIO DA FAZENDA.• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.168 ACÓRDÃO N' : 301-28.356 Apresentado Recurso ao Conselho de Contribuintes a Autuada reitera toda a argüição de sua exordial, acrescentando apenas a inaplicabilidade da TR e TRD como índices indexadores. É o relatório. ---CN° 411 3 . . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 118.168 ACÓRDÃO N° : 301-28.356 VOTO Embora não comprovada as alegações do Autuante quanto aos lançamentos contábeis dos prêmios de seguro pagos pelo Importador, a título de despesa dedutível para formação da Base de Cálculo do IR, Lucro Real, os outros elementos trazidos aos Autos são suficientes à constatação quanto à contratação das seguradoras para cada uma das importações objeto do Auto. Todas as averbações estão encartadas no processo e a Defendente não questionou a matéria de fato em qualquer momento do processo. A inclusão do Frete, na Base de Cálculo do I.I. e do I.P.I., está devidamente prevista na legislação tributária aplicável. Carece de fundamentação jurídica a alegação do "bis-in-idem" sobre a mesma operação, eis que são fatos geradores distintos, bases de cálculo distintos, que dispensam maiores discussões, haja visto tese repelida no judiciário. A homologação dos tributos em comento é quinquenal, quando não previsto outro prazo na legislação (art. 150, par. 4° do C.T.N.). Desta forma, os 05 dias previstos no art. 447 do R.A./85, a partir do término da conferência aduaneira, não operam a homologação, mas se destinam a limitar o prazo do despacho aduaneiro, dando ao contribuinte a oportunidade de complementar o recolhimento dos créditos tributários sem a formação de processo e a exigência de as Autoridades autorizarem a entrega das mercadorias antes do desembaraço. É uma norma procedimental visando agilizar o desembaraço aduaneiro a favor do Importador. • Muito menos se pode falar de prática reiterada, com dispensa de multas e correção monetária, pois o Fisco, em nenhum momento orientou para a exclusão do valor do seguro da base de cálculo dos tributos, muito pelo contrário, sempre os cobrou em todas as ocasiões. O Importador simplesmente omitiu o valor de seguro, indicando sua inexistência, o que subentenderia, inicialmente, que a contratação teria sido noutra modalidade que não a FOB (C&I), na qual o seguro já estivesse embutido no valor das mercadorias. As regras de Interpretação do art. 112, do C.T.N., também, em nada modificaria a apreciação da questão. Está provado que houve omissão deliberada do valor do frete nas D.I., como se eles não tivessem sido contratados pelo Importador. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.168 ACÓRDÃO N° : 301-28.356 Todavia, procede a arguição da Recorrente quanto à inaceitável aplicação da TR e TRD como índices de indexação, visando reconstruir os valores dos créditos tributários corroídos pela inflação. Tais índices já foram declarados inconstitucionais pela Suprema Corte. Dou provimento parcial ao Recurso para excluir os efeitos da utilização da TR e TRD como índices de atualização monetária dos créditos tributários, assim como a multa capitulada no inciso I, no art. 40 da Lei 8.218/91, por estar indefinida sua tipicidade, "vis a vis" as hipóteses possíveis nela elencadas. Sala das Sessões, em 24 de abril de 1997 • ISALBERTO ZAVÃO LIMA - RELATOR 0 A7.m, . • •••• MINISTÉRIO DA FAZENDA "?!.--ii-nr- PROCURADOR1A-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. _ Ilmo. Sr. Presidente da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Processo n°: 10480-001809/95-82 A Fazenda Nacional, por sua procuradora, vem requerer, com base no art. 25 do Regimento Interno do Terceiro Conselho de Contribuintes aprovado • pela Portaria n° 539, de 17/07/92, esclarecimentos desta Câmara acerca de obscuridade no Acórdão n° 301-28.356, uma vez que a Câmara, ao excluir a cobrança da TRD do montante do débito, o fez de forma abrangente, sem especificar o período em que o índice deveria ser afastado. A decisão de excluir a TRD foi justificada tomando-se como fundamento o fato de o Supremo Tribunal Federal já ter declarado inconstitucional a cobrança do referido índice. No entanto, a jurisprudência daquela E.Corte e deste E.Conselho de Contribuintes é no sentido de excluir tão somente a cobrança da TRD no período anterior a 1° de agosto de 1991. Desta forma, a Fazenda Nacional requer seja esclarecido se de fato toda a cobrança da TRD foi excluída ou se a Câmara pretendia decidir nos mesmos moldes da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STF. N. termos P. deferimento Brasília, de de 1997. • kia01 ik-NYekkt LUCIANA C RTEZ RORIZ PONTES Procuradora da Fazenda Nacional Ao )fl. I?thi 7o 2 A V AO É. itn Pr Moacyr "I ; _ • rol é PROCESSO n° : 10480-001809/95-82 RECURSO n° : 118.168 limo Sr. Presidente da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda DESPACHO 110 Atendendo ao Despacho do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, acerca da obscuridade do Acórdão n° 301-28-356, esclareço que a Decisão desta Primeira Câmara, em consonância com voto prolatado por mim, obstou apenas a alegação da TR ou TRD como índice de correção monetária, "in verbis": 'Dou provimento parcial ao Recurso para excluir os efeitos da utilização da TR ou TRD como índices de atualização monetária dos créditos tributários (... )"(grifo meu) Desta forma, segundo as decisões de nossa Corte Suprema, a 1RD foi considerada como taxa de juros, conforme julgamento na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 493/600. Nesta o Ministro Sepúlveda Pertence emanou: "Não posso aceitar, "data vertia", que a mesma lei que define os • critérios de apuração desta taxa de remuneração, sem nada ter a ver com a variação do poder aquisitivo da moeda, tome-o, ela mesma, como índices legais anteriores que, mal ou bem, pretendiam medir, ai sim, a desvalorização do padrão monetário nominal. Não se destinando, segundo a sua definição legal, a dimensionar esta desvalorização, a TRD não pode servir de índice de co&eção da expressão nonfinal de moeda do negócio, objeto de ato jurídico perfeito."(grifei) Neste mesmo sentid_o_determinou o Secretário da Receita Federal na Instrução Normativa n° 32 de 09/04/97- Portanto, o sentido e alcance do Acórdão "sub examine"não poderia ser diferente. Exclui os efeitos da aplicação das TR ou TRD no período anterior a agosto/91, como bem enfatizou o Sr. Procurador, mesmo porque a partir daquela data é abe • ' • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA PROCESSO n° : 10480-001809/95-82 RECURSO n° :118.168 que foi reconhecido a legalidade da TRD como taxa juros "EX 'Vr'do art. 30 da Lei n° 8.218/91, subtraída qualquer pretensa retroatividade. Portanto, a TRD só pode ser aplicada pela Receita Federal como taxa de juros e não como índice de correção monetária como prescrevia o artigo 9° da Lei n° 8.177/91, em seu texto original, declarado inconstitucional. Destarte, o Acórdão obsta a aplicação da TRD em período anterior a agosto/91. 110 1 ISALBERTO ZAVÃO LIMA - Relator AeoisDa MF • 11. , Conselho -do- ,eintos -- Jo'Cocillookiairr, deito* RESIDESTIF 111 - ; 2
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Numero do processo: 10805.002552/91-98
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 1996
Ementa: Aduaneiro. Avaria de mercadorias importadas postas sob responsabilidade da depositária. Comprovada a força maior na forma do art. 480 do R.A.
Recurso de Ofício desprovido.
Numero da decisão: 303-28443
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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ACÓRDÃO N° : 303-28.443 RECURSO N° : 117.787 RECORRENTE : DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SANTO ANDRÉ/SP RECORRIDA : SRRF/8 a RF INTERESSADA : MULTITERMINAIS ALFANDEGADOS DO BRASIL LTDA. Aduaneiro. Avaria de mercadorias importadas postas sob responsabilidade da depositária. Comprovada a força maior na forma do art. 480 do R.A. Recurso de Ofício desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 2 de maio de 1996. JO - LANDA COSTA ESIDENTES RELATOR Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUÍS BARTOLI, LEVI DAVET ALVES E MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES. AUSENTES OS CONSELHEIROS GUINEZ ALVAREZ FERNANDES, SÉRGIO SILVEIRA MELO e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.787 ACÓRDÃO N° : 303-28.443 RECORRENTE : DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SANTO ANDRÉ/SP RECORRIDA : SRRF/8aRF RE LA TOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA INTERESSA DA : MULTITERMINAIS ALFANDEGADOS DO BRASIL LTDA. RELATÓRIO Em vistoria aduaneira, foi MULTITERMINAIS ALFANDEGADOS DO BRASIL LTDA. responsabilizado pelas avarias ocorridas em mercadorias entregues sob a sua guarda no seu Armazém sito à rua Conceição, 321 em São Caetano do Sul/SP, em regime de entreposto aduaneiro indireto. Foram lavrados quatro (4) Termos de Vistoria. O procedimento foi ori ginalmente requerido por: I: DUPONT DO BRASIL S/A. no Processo n° 10805- 002552/91-98, de 17/07/91, para nove estrados com 15 caixas com chapas de fotopolímero sólido para a confecção de clichês para impressão flexográfica; II. por MARJORIE COMERCIO IMPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES LTDA, no Processo n° 10805-001976191-07, de 03/09/91, para sete volumes com filmes planos fotográficos sensibilizados, não impressionados, para imagens monocromáticas, etc; • III. por MARJORIE COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES LTDA, no processo n° 10805-001977/91-61, para onze caixas de papelão com chapas radiográficas, sensibilizadas nas duas faces, para radiografia; IV. por DUPONT DO BRASIL S/A, no processo n° 10805-002553/91-51, de 17/07/91, para três estrados com 81 sacos de 25 Kg cada um (total de 20 Kg) com o produto de nome SURLYN '1601, um copolímero de etileno e ácido metacrilico neutralizado ionicamente por cations de sódio de zinco, etc. O fundamento do pedido de vistoria foi a avaria havida nas mercadorias armazenadas em razão da molhadura decorrente de chavas na região onde estão localizado o Armazém MULTI, em 19 de março de 1991. Realizada a vistoria conforme solicitada em cada processo, foram lavrados os correspondentes Termos, declarada a depositária responsabilizada pelas ocorrências, nos termos do Regulamento Aduaneiro, sendo-lhe exigido o ressarcimento à Fazenda Nacional. Houve laudo produzido por Engenheiro na função de Assistente Técnico: Após ter sido notificada, a empresa depositária apresentou _____ impugnação. Reafirma que as avarias resultaram de inundação provocada por fortes 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.787 ACÓRDÃO N° : 303-28.443 chuvas, do que faz prova do Decreto n° 6.484, de 19/03/91 do Prefeito Municipal de São Caetano do Sul, em que esta autoridade reconhece a força maior e decretou o estado de calamidade pública no Município. Junta outros documentos para comprovação dos fatos, e apela ainda para a constatação "in loco" feita pela própria fiscalização. Além disso, já anteriormente havia requerido a realização da vistoria como antecipação de defesa para que ficasse caracterizada a excludente de responsabilidade, na forma do art. 480 do (Processo n° 10805-001236/91-62). Por fim, faz juntar aos autos um estudo realizado por um técnico altamente qualificado, a que chama de DIAGNÓSTICO SOBRE AS CAUSAS DA INUNDAÇÃO OCORRIDA NA BACIA DO CÓRREGO DOS MENINOS em 19/03/91. O evento é classificado de excepcional e além disso, o período de retorno ou recorrência pode ser excedido ou igualado entre 100 a 300 anos. Pede seja decretada a exclusão da responsabilidade uma vez feita a comprovação da força maior (art. 480 do R.A.). Em cada um dos quatro processos, apresentados apensados sob o número do primeiro (10805-002552/91-98), a autoridade de primeira instância decidiu pelo deferimento da defesa, reconhecendo a existência de circunstâncias excludentes de responsabilidade. Aceitou que a causa das avarias foi a presença das águas da inundação que acabaram molhando e inutilizando de forma irremediável as mercadorias, fato que os próprios Auditores Fiscais autuantes reconheceram. Por tal motivo, decretou exonerado o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário e em seguida recorreu de ofício. É o relatório. a 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.787 ACÓRDÃO N° : 303-28.443 VOTO Inatacável a decisão de primeira instância que, à vista da comprovação da força maior ou caso fortuito, reconheceu a excludente de responsabilidade em favor do depositário das mercadorias. Com efeito, as avarias decorreram da inundação do armazém do depositário em razão do transbordamento do Córrego Dos Meninos, com o temporal de 19 de março de 1991, havendo o Sr. Prefeito Municipal de São Caetano do Sul, São Paulo, decretado o "estado de calamidade pública "no seu Município. Os fatos foram comprovados, no local, pela própria fiscalização da Receita Federal, tendo sido ainda juntado aos autos o Estudo feito por técnico especializado a respeito das causas da inundação ocorrida na Bacia do Córrego Dos Meninos em 19/03/91. Neste "diagnóstico", o evento foi classificado como excepcional cujo período de recorrência pode ser medido entre 100 e 300 anos. Desta forma e com apoio no art. 480 do Regulamento Aduaneiro em seu parágrafo segundo, feita a prova do caso fortuito ou força-maior por parte do indicado como responsável pelas avarias, voto para negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 22 de maio de 1996. I* • O OLANDA COSTA - RELATOR 4 Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13839.002212/2002-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 203-13736
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 1997 SÚMULA N°01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Cancela-se a multa de oficio lançada, pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN. Recurso provido em parte. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CON • IBUINTES • ir unanimidade devotos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancela )( lia de o • o tens s e vista a r; •s . ' vidade benigna. 1") e LSON MA E • ROSEN: RG 'LH* Presidente ME•SEGUNDO CONSELHO GE CONTRIBUINTE.t. CONFERE COl.1 o 011.3.:-AL Brasília, C7 1/4,3 o al o 9 MarlIcto Cu, aino da 011vdra Mat. Siam) 91650 Processo n°13839.002212/2002-91 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.736- Fls. 188 t. At ' 11 ofkii-nwte- .~. CO .i. ° O DE`MIRANDA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Cano Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, Andréia Dant. Lacerda Moneta (Suplente), José Adão Vitorino de Morais e Fernando Marques Cleto Duartvi ed7 / mr"..;;CE,Tii:5575iSia.7,767;7;-;7;WWW1:10 CONFERE COM o OR1G11-iA1. OrtrAlia,_ (C2-8 .1._ 9.41J---- 02.– MS 1u CaMi io cit; 0;1w:ira Mut Vau.) 01:3fs0 .-.._.,.... i • 2 .11 Processo n°13839.002212/2002-91 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.736 Fls. 189 Relatório Em face de Auto de Infração eletrônico, decorrente do processamento da DCTF do ano-calendário 1997, exigindo crédito tributário, correspondente à multa isolada, em razão de recolhimento promovido em atraso vinculado a débitos para com a COFINS. A interessada, em apertada síntese e em impugnação, alega que os valores foram sim recolhidos em atraso, devidamente acrescidos de juros moratórios, conforme faz prova nos autos. Entende que na hipótese em comento resta caracterizada denúncia espontânea, conforme disciplina o artigo 138 do CTN. Menciona e comprova o ajuizamento de ação declaratória objetivando o reconhecimento da aplicabilidade do aludido artigo 138 do CTN (denúncia espontânea) e, sob tal argumento, defende que a autoridade fiscalizadora deveria ter promovido a busca da verdade material quanto a existência de tal ação judicial, ajuizada anteriormente à lavratura do Auto de Infração. O acórdão ora recorrido consubstancia decisão pela procedência do lançamento levado a efeito. Inconformada, a interessada, em apelo voluntário dirigido a este Segundo Conselho de Contribuintes, r4Disa seus argumentos de impugnação, reclamando não haver renúncia à instância administ . iva. É o relatórier; N1F Ainlde CarA o do (34r/eira - tal caarre 19 3 Processo n°13839.002212/2002-91 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.736 Fls. 190 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIDU;NTS3 CONFERE COM O ORIGINAL Brasil:a. 04/ 09 Margde Curtino C19 Obeira Mat. SiaPe Me% Voto Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator Conheço do apelo por preencher os pressupostos de admissibilidade. Discussão em muito semelhante à presente já foi analisada e julgada pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, oportunidade em que assim manifestou seu entendimento: "Inicialmente, há que se verificar a efetiva incidência da denominada renúncia administrativa tácita, vez que há a discussão concomitante das mesmas matérias nas instâncias administrativa e judicial. A matéria já foi amplamente discutida e atualmente pacificada neste Egrégio Conselho, apresentando diversos precedentes que corroboram o entendimento aqui demonstrado. Vejamos: "NORMAS PROCESSUAIS PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO - Havendo conconútância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, que será decidida na esfera judicial Recurso não conhecido, quanto à matéria objeto de ação judicial." Recurso 117.324, 2° Conselho de Contribuintes, 1° Câmara, julgado em 17/10/2001. A própria Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 5°, inciso XXXV, ao consagrar o princípio da unidade de jurisdição, torna inócua a decisão administrativa que verse sobre matéria idêntica judicialmente em discussão, vez que sempre prevalecerá esta última, que possui o condão da definitividade e o efeito de coisa julgada. Por ser incabível é a discussão da mesma matéria em instâncias diversas, havendo invariavelmente que, como já dito, prevalecer a decisão soberana emanada do Poder Judiciário, descabe sua discussão na esfera administrativa. Assim, não conheço do recurso no tocante à denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do CTN, em razão de a matéria estar sendo discutida também no âmbito do Poder Judiciário. Em relação à matéria não discutida no Poder Judiciário, o recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, razão pe qual dele conheço. A multa isolada exigida no presente auto de infração foi aplicada co ON)base no art. 44 da Lei n°9.430/96, verbis: lAr 4 ,n,-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT68 COCiFERE COM O OP.IG:NAL Processo n° 13839.002212/2002-9 I Brasilla, CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.736 1 Eis. 191 Marãde Comino ao onveira Mat. Sino° 91650 "A ri. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [.]§ I° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de O art. 44 da Lei n° 9.430/96 foi alterado pelo art. 18 da Medida Provisória ri" 303, de 29 de junho de 2006, que passou a regular a matéria da seguinte forma: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8. da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a • pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica; b) na forma do art. 2. desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1. O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2. Os percentuais de multa a que se referem o inciso Ido caput e o § 10, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n08.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." mi 5 _ . -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRISIJINTITs6 CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 13839.002212/2002-91 3. f raellia CCOVCO3 Acórdão n.° 203.13.736 Martele Cunho do Oliveira Fls. 92 L_ Mat. Chau 91650 Examinando as hipóteses de imposição de multa de oficio isolada constantes do dispositivo supratranscrito, constata-se que a que fundamentou o presente lançamento não mais tem previsão legal. Assim, com fundamento no art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), a contribuinte deve ser exonerada da totalidade da multa de oficio lançada isoladamente, pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 18 da Medida Provisória n°303, de 29 de junho de 2006. Ademais disto, o art. 18 da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, dando nova redação ao art. 44 da Lei n°9.430/1996, limitou a imposição de multa isolada, em razão de não homologação da compensação, somente nos casos em que se comprove a falsidade da • declaração apresentada pelo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso: 'Art. 18. O art. 18 da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (..)4' 2' A multa isolada a que se refere o capta deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do capta do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.' (.)". Pelo acima exposto, voto por não conhecer do recurso no tocante à matéria discutida no Poder Judiciário e, na parte conhecida, voto para dar provimento." (RV 138.138, Acórdão 202-18.083) Nestes autos, o debate com relação à aplicabilidade ou não está e foi de fato submetida ao Poder Judiciário, como afirmado pela própria recorrente, inclusive em diversas passagens de seu apelo voluntário, daí que atraída para espécie a Súmula n° 01 do 2° CC. Quanto à multa isolada exigida e de acordo com a jurisprudência acima transcrita, entendo que a mesma a de ser afastada. Dai, então, prover parcialmente o apelo voluntário interposto. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2008 DALTO SA' OR uRO DE MIRAN PY,frie 11,1P 6 Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1
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Numero do processo: 18186.001281/2007-37
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1994 a 30/10/1994, 01/12/1994 a 28/02/1995, 01/03/1995 a 31/07/1995, 01/09/1995 a 30/12/1995, 01/01/1996 a 31/01/1996, 01/03/1996 a 31/03/1996, 01/05/1996 a 31/07/1996, 01/09/1996 a 31/12/1996
Ementa:
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-000.090
Decisão: ACORDAM os membros da 3ªcâmara / 1ª turma ordinária do Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .., 0k,40m SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ',4.1 • .4 Processo n° 18186.001281/2007-37 Recurso n° 147.153 Voluntário Acórdão n° 2301-00.090 — 3 3 Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2009 Matéria Decadência Recorrente SGS DO BRASIL LTDA. Recorrida DRP SÃO PAULO-SUL/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1994 a 30/10/1994, 01/12/1994 a 28/02/1995, 01/03/1995 a 31/07/1995, 01/09/1995 a 30/12/1995, 01/01/1996 a 31/01/1996, 01/03/1996 a 31/03/1996, 01/05/1996 a 31/07/1996, 01/09/1996 a 31/12/1996 Ementa: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. .A .. , Processo n° 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.090 Fl. 155 ACORDAM os membros da 3' câmara / P turma ordinária do Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal .companharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4' • o aTN. JULIO ' A3 4 IRA GOMES President; J., _ir'Le-4e2i,e‘ • LIEGE LACROIX THOMASI Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vida! (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). J2 -- - - — — Processo n° 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.090 Fl. 156 Relatório Trata a notificação de contribuições apuradas por responsabilidade solidária entre o tomador e a empresa ORLANDO VIANA BARBOSA FILHO ME em decorrência da execução de serviços com cessão de mão de obra, no período de 08/1994 A 12/1996. A notificação foi emitida em 14/04/2005, cientificada ao sujeito passivo através de Registro Postal em 06/05/2005 e o Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido em 14/02/2005, sem a ciência do contribuinte, fl 45. A devedora solidária também foi cientificada através de Registro Postal em 11/05/2005. O relatório fiscal de fls. 24/29, traz que esta NFLD foi lavrada para substituir a de n.° DEBCAD N.° 35.745.065-5, que o crédito foi apurado por aferição indireta com base no percentual de 40% sobre o valor mensalmente declarado na DIRF e/ou Informe de Rendimentos, para as empresas prestadoras de serviços e no percentual de 50%, para as empresas de trabalho temporário, pois não foram apresentadas todas as notas fiscais de serviço e a contabilidade não identifica o nome e o número da nota fiscal e que não houve a elisão da responsabilidade solidária. Após a apresentação da impugnação, Decisão-Notificação pugnou pela procedência do lançamento. Inconformada a notificada interpôs recurso tempestivo, onde argúi em síntese: que a decisão notificação é nula porque não intimou todos os interessados, na forma do artigo 28 da Lei n.° 9.784/99, acarretando cerceamento de defesa; que deve ser verificada a existência do crédito junto ao prestador de serviço, segundo entendimento da r CaJ/CRPS; que não foi demonstrada a cessão de mão de obra na prestação dos serviços. Requer o processamento do recurso e a insubsistência da Notificação. Acórdão proferido pela 2 CaJ /CRPS às fls. 128/130, converteu o julgamento em diligência para que o órgão previdenciário faça prova de que a tomadora foi devidamente cientificada do Mandado de Procedimento Fiscal emitido nos termos da legislação vigente, Decreto n.° 3.969/2001, sob pena de anulação da NFLD , por falta de requisito formal. Também deveria ser informado se houve recusa por parte da tomadora em apresentar os contratos de prestação de serviços, conforme solicitados no TIAD de fl. 31. E, em caso positivo, informara acerca de eventual lavratura de auto de infração e da situação processual do mesmo. Em atendimento ao Acórdão, a DRP informa às fls. 133/135: ././ 3 ~mem. _ Processo n° 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.090 Fl. 157 - que esta NFLD substituiu a de n.° DEBCAD 35.745.065-5, tomada nula por vício formal; - que a empresa recebeu Decisão-Notificação informando do cancelamento da NFLD e sua imediata substituição por outra; - que a NFLD anulada foi decorrente de ação fiscal ocorrida entre 03/03/2004 e 15/09/2004, abrangendo o período de 01/1994 a 12/1998, conforme MPF n.° 09130645 à f1.37; - que a empresa já havia tomado ciência de que a NFLD anulada seria substituída por outra; - que as empresas tomadora e prestadora tomaram ciência desta notificação; - que a tomadora apresentou recurso e inclusive efetuou o depósito recursal; - que a solidária não interpôs recurso; - que o MPF n.° 09220585 de 14/02/2005 foi emitido apenas para permitir a geração de carga de fiscalização e a alocação do procedimento fiscal no sistema informatizado da Previdência Social, sendo específico para "análise de processos de débito e emissão de Notificações Fiscais de Lançamento de Débito Substitutivas" e não para o inicio de procedimento fiscal em urna empresa ainda não fiscalizada; - que não houve deslocamento até a empresa; - que o sujeito passivo tinha plena ciência do procedimento fiscal desenvolvido, inclusive a respeito da NFLD substitutiva, considerando todas as suas manifestações perante a DRP. Por fim, aduz que a tomadora alegou não possuir os documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, inclusive o contrato de prestação de serviço e que não foi lavrado nenhum auto de infração. As empresas solidárias foram cientificadas do Acórdão e do resultado da diligência, lhes sendo concedido prazo para manifestação, o que não ocorreu. É o relatório. Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares De acordo com os elementos constantes do processo, esta NFLD lavrada em 14/04/2005 compreende o período de 08/1994 A 12/1996 e substituiu outra lavrada em ação 4 Np _ Processo n° 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.090 Fl. 158 fiscal anterior em 13/09/2004, conforme TEAF — Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 32/33. Muito embora não conste dos autos a data em que a primitiva notificação foi anulada, posso aferir que o atual lançamento se encontra dentro do prazo disposto pelo art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional, pois a NFLD lavrada em 13/09/2004, somente poderia ser anulada após esta data e o novo lançamento ocorreu em 14/04/2005: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (grifei) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, há de ser examinada de oficio matéria de ordem pública como a decadência. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CT1V. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. 5 .nn Processo n° 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.090 Fl. 159 É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei d. 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. --- Art. 2 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1" O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula V i ncul ante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o 6 - Processo n° 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.090 Fl. 160 crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, embora a presente NFLD substitua outra anulada por vício formal, é de se atentar que quando da lavratura daquela em 13/09/2004, as competências constantes do lançamento de 08/1994 a 12/1996, já estavam alcançadas pela decadência exposta no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, conforme a tese jurídica exposta na Súmula Vinculante n° 08. Conquanto a preliminar de decadência, uma vez conhecida, não comportaria maiores discussões, é de se atentar que o presente lançamento está eivado de nulidade em vista da não ciência por parte do sujeito passivo do Mandado de Procedimento Fiscal de 11.45. A resposta à diligência solicitada deixa cristalino que o MPF não foi cientificado ao sujeito passivo e não comungo das razões expostas na informação. Desta forma, quando da lavratura da NFLD em 14/04/2005, não havia Mandado de Procedimento Fiscal válido para respaldar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é ato administrativo que tem a função de dar partida ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes, como é exemplo o lançamento. Além dessa precípua finalidade, cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da Administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para início do procedimento de investigação, ao mesmo tempo em que exterioriza o conteúdo da ordem transmitida ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para a sua atuação. O MPF constitui requisito de validade do lançamento fiscal ou da autuação e sua ausência no início da fiscalização constitui-se vício gerador de nulidade. Essa nulidade decorre de ausência de requisito formal indispensável para a sua prática, qual seja, a habilitação do agente para o exercício da competência. A emissão e ciência do MPF é exigência da Legislação. Decreto 3.969/2001: Art. 2' Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciá rios serão executados por Auditores Fiscais da Previdência Social habilitados e instaurados mediante ordem especca denominada Mandado de Procedimento Fiscal - MPF Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização (MPF-F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal- Diligência (MPF-D). 7 - em e= I= ~n~• nn•n•nn••n • • Processo n" 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n." 2301-00.090 Fl. 161 Art..r Para os fins deste Decreto, entende-se por procedimento fiscal: I - de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; Art. 4 O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Portanto, resta claro que a instauração do procedimento de fiscalização e a ciência, no inicio do procedimento fiscal, da emissão do MPF são exigências da Legislação. É totalmente improcedente a alegação da fiscalização à fl. 134, de que não se trata de um novo procedimento fiscal, mas apenas uma substituição de NFLD, eis que o procedimento fiscal anterior respaldado nos MPF's de tls.37/40, com validade até 15/09/2004, foi encerrado nesta mesma data, conforme atesta o TEAF de fls. 32/33. Um novo procedimento fiscal foi instaurado com a emissão do MPF de fl. 45 visando a lavratura de notificações substitutivas, mas o contribuinte não teve ciência do mesmo tornando nulas as notificações lançadas. José Antônio Minatel, reportando-se a Celso Bandeira de Mello, afirma: "Nos procedimentos administrativos, os atos previstos como anteriores são condições indispensáveis à produção dos subseqüentes, de tal modo que estes últimos não podem validamente ser expedidos sem antes completar-se a fase precedente. Além disso, o vício jurídico de um ato anterior contamina o posterior, na medida em que haja entre ambos um relacionamento lógico incidível." Nesse sentido, o lançamento efetuado com ausência de MPF possui vício formal que acarreta sua nulidade. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 18 - — 1 1 n e Processo n° 18186.001281/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.090 Fl. 162 1°A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. ,f 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que o procedimento fiscal possui vício, onde se demonstra preterido o direito de defesa da recorrente, decidiria pela nulidade do processo, não fosse a preliminar de decadência. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 03 de março de 2009. LIEGE LACROIX THOMASI 9
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003873/91-49
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - LANÇAMENTO - É de ser afastado o relativo a exercícios em que o contribuinte comprova a quitação do tributo em nome do outro proprietário do imóvel. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-07618
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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Numero do processo: 10480.015144/92-97
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - MULTA - Suspensão da exigibilidade. Inaplicabilidade da multa moratória. Legitimidade da cobrança de juros de mora e correção monetária (Decreto-Lei nr. 1.736/79, art. 5). Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 202-07788
Nome do relator: DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO
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Inaplicabilidade da multa moratória. Legitimidade da cobrança de juros de mora e correção monetária (Decreto - Lei n° 1.736/79, art. 5°). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOEL ALBUQUERQUE QUEIROZ FILHO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa aplicada, nos termos do voto do relator. Sala das Sessões, em 25 de maio de 1995 Helvio E o edo Bar elÇlos Preside , te Daniel Corrêa Homem de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elio Rothe, Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campelo Borges e José Cabral Garofano. I MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n° : 10480.015144/92-97 Acórdão n° : 202-07.788 Recurso n° : 97.561 Recorrente : JOEL ALBUQUERQUE QUEIROZ FILHO RELATÓRIO A recorrente impugnou o lançamento do ITR192 em razão de o lançamento não considerar a isenção da Contribuição Parafiscal, e o seu enquadramento como Empresa Rural, além do não-reconhecimento total do direito ao FRE, estipulado em 12,2%, quando o percentual correto seria 38,6%. A autoridade recorrida deferiu parcialmente o pleito do recorrente para calcular os valores em função dos dados declarados pelo contribuinte na Declaração do ITR/92. Em seu recurso, o contribuinte alega que: "O Serviço de Arrecadação da DRF-PE, ao processar a emissão de nova notificação/comprovante de pagamento do ITR/92 optou por consignar nesta e no respectivo DARF a data de 4.12.92, como sendo a data de vencimento para pagamento das incidências tributárias recalculadas, expedindo a intimação de nr. 199/94, datada de 25/04/94 e só recebida pela recorrente em 2/5/94, na qual insere-se instruções que no pagamento do débito originário incidiria acréscimos de MULTA DE MORA (20%) e Juros de Mora: 16% = 80,95 UFIRs". Não se conformando com essa exigência, o recorrente procedeu, tão-somente, ao pagamento do débito originário na quantia correspondente ao número de UFIRs (506,21) estabelecido na intimação da recorrida, por entender não se aplicar, ao caso, a incidência de multa de mora e juros, pois, assim ocorrendo, estaria sendo penalizado a pagar encargos adicionais sobre tributos, cuja data para pagamento é vencida. Requer, finalmente, a extinção do crédito tributário, em face do pagamento efetuado nos termos acima descritos. É o relatório. 2 9 S • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n° : 10480.015144/92-97 Acórdão n° : 202-07.788 • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO O contribuinte insurge-se contra a pretensão da repartição fiscal de exigir-lhe os encargos moratórios relativos ao ITR/92 e acessórios incidentes sobre o imóvel. ' É descabida a multa moratória, conforme se conclui pela leitura do art. 33 do Decreto n° 72.106/73 que reza: 1 "Art. 33. Do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, 1 Contribuições e Taxas, poderá o contribuinte reclamar ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, até o final do prazo de pagamento sem multa dos tributos". Em relação aos juros de mora e correção monetária sobre débitos para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o período em que a cobrança estava suspensa, são devidos em razão do artigo 50 do Decreto - Lei n° 1.736/79. Assim sendo, dou provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa moratória. Sala das Sessões, em 25 de maio de 1995 1 2_%\ DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO 3
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Numero do processo: 10880.007975/00-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1997
FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO NÃO GOZADAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse
no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Assim, os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias não gozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e
de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licença prêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.996
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO NÃO GOZADAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Assim, os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias não gozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licença prêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.007975/0073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220200.996 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente DALVA DE SOUZA CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO NÃO GOZADAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Assim, os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias nãogozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licençaprêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 2 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antônio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório Fl. 151DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 2 3 DALVA DE SOUZA CRUZ, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o n. º 159.390.22804, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Acutiranha, nº 45, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 128/131, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 134/141. A requerente apresentou, em 10/05/2000, Pedido de Retificação de Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício de 1996, cumulado com Pedido de Restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre valores pagos por pessoa jurídica (Caixa Econômica Federal), no ano de 1996 sob o entendimento que os mesmos foram pagos a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e a título de verbas rescisórias não sujeitas a incidência de imposto de renda. Em 21 de novembro de 2005, cuja ciência foi em 17 de janeiro de 2006, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, através da Divisão de Orientação e Análise Tributária — Equipe de Análise de Processos de Imposto de Renda – PF exarou o Despacho Decisório nº 1073/05 (fls. 59/60), reconhecendo de forma parcial o pedido de restituição, amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que se trata de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos pela interessada no ano calendário 1996, sob a alegação de que seriam verbas indenizatórias relativas às férias e licenças não gozadas, e a título de incentivo à adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV), que teria sido instituído pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL nos termos da Instrução Normativa SRF n.° 165/98, Ato Declaratório SRF n.° 03/99, Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 07/99, e Norma de Execução 10ª RF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n.° 02/99; que, inicialmente, cabe esclarecer que, por força do artigo 39XX do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR), não compõem o rendimento bruto a indenização paga por rescisão do contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho. Excetuamse a esse comando as férias e a licença prêmio não gozadas — por necessidade do serviço — pelo servidor público, em face dos Pareceres PGFN/CRJ/N° 921/99 e PGFN/CRJ/N° 1.458/99, respectivamente; que se observa, portanto, que a exceção à regra geral trata apenas das férias e licençaprêmio não gozadas exclusivamente na situação "por necessidade do serviço", e não de forma genérica como pretende a interessada; que com relação ao PDV verificase que os autos contêm termo de rescisão de contrato de trabalho (fl. 38), comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 16), declaração retificadora (fls. 26/28), recibo de entrega da declaração de ajuste anual do IRPF/97 (fl. 17), cópias do termo de adesão e do plano de PDV adotado pelo exempregador (fls. 06/11), declaração da fonte pagadora (fl. 12) e declaração de que o (a) interessado (a) não acorreu ao Poder Judiciário pelo mesmo motivo do presente (fl. 37); Fl. 152DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 4 que estando, portanto, o processo devidamente instruído com relação ao PDV, excluise somente a indenização paga a título de PDV no valor de R$ 34.272,16 (fl. 12), por estar amparada pelo disposto na Instrução Normativa SRF n.° 165/98, do total dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, sendo alterado de R$ 96.477,57 (fl. 54) para R$ 62.205,41 (fl. 58); que diante do exposto, PROPONHO, s.m.j., a revisão de ofício do Lançamento espelhado à fl. 54, conforme a Minuta de Cálculo à fl. 58, bem como, o reconhecimento em favor da interessada do direito creditório contra a Fazenda Nacional na importância discriminada como saldo de imposto de renda a restituir no demonstrativo que segue: Imposto de Renda a Restituir Calculado 10.125,87 () Imposto de Renda já restituído 1.557 83 = Saldo de Imposto de Renda a Restituir 8.568,04. Irresignada com a decisão da autoridade administrativa singular, a requerente apresenta, tempestivamente, em 31/01/06, a sua manifestação de incoformidade de fls. 78/85, solicitando que seja revista à decisão para que seja declarado procedente a totalidade o pedido de restituição com base em síntese, nos seguintes argumentos: que todas as vantagens recebidas pelo contribuinte estão vinculadas à dispensa "sem justa causa", as quais se inserem no computo geral da indenização do "PDV Programa de Demissão Voluntária", cujo programa criou as "verbas especiais indenizatórias recebidas a título de adesão ao 'Programa de Demissão Voluntária" (PDV) e não poderia ser de diferente, mesmo por que os pagamentos efetuados por pessoa jurídica, a título de incentivo à adesão ao "Programa de Demissão Voluntária" — PDV, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na declaração de ajuste anual; que face às reiteradas decisões judiciais e administrativas, o Fisco acabou por reconhecer a isenção na fonte e na declaração de ajuste anual dos valores recebidos como indenização pela participação de empregados nos Programas de Demissão Voluntária, conforme Ato Declaratório SRF n° 3/99, Instrução Normativa SRF n° 165/98 e Instrução Normativa SRF n° 4/99, além das "decisões judiciais e administrativas a seguir transcritas"; que não se permite, portanto, interpretação restritiva com base em pareceres da PGFNProcuradoria da Fazenda Nacional que "não dizem respeito à matéria versada nos presentes autos", pois é mansa e pacífica a jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos de que "todas as verbas recebidas no Programa de Demissão Voluntária PDV" não sofrem a incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física, seja na Fonte seja na Declaração de Ajuste Anual, as quais, portanto, se inserem no âmbito do chamado "efeito vinculante administrativo". Após resumir os fatos constantes do pedido de restituição e as razões de inconformidade apresentadas pela requerente, a Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra a DIORT da DERAT em São Paulo SP, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a alegação formulada pela interessada de que as verbas relativas a férias e licença prêmio não gozadas são isentas, não pode ser acolhida, uma vez que elas integram o montante de rendimentos tributáveis. Tais verbas somente estariam abrangidas com o beneficio da isenção se as referidas rubricas estivessem comprovadas nos autos de que ocorram por necessidade do serviço, nos termos exigidos nos Pareceres PGFN/CRJ/N° 921/99 e PGFN/CRJ/N° 1.458/99, consubstanciados no Despacho Decisório prolatado (fls. 59/60). Além Fl. 153DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 3 5 do mais, a própria fonte pagadora não demonstrou se as verbas rescisórias foram recebidas por necessidade de serviço, conforme se verifica da rescisão contratual, sem justa causa (fl. 38); que, nesse sentido, é o entendimento do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 5 de 27.04.2005, publicado no DOU de 28/04/2005, que dispõe sobre a revisão de crédito tributário relativo ao imposto sobre a renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de licençaprêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidores públicos quando tal exigência estiver comprovada nos autos, o que não ocorreu na presente situação; que, no caso em tela, depreendese dos documentos constantes dos autos, notadamente dos valores discriminados pelas fontes pagadoras às fls. 35 e 38, corroboradas pelas informações prestadas em DIRFs (fls. 1241125), que os rendimentos tributáveis perfazem o montante de R$ 96.477,57, resultado do importe de R$ 89.363,64 (R$ 64.123,11 proveniente da rescisão contratual e R$ 25.240,53 correspondente a salários recebidos), ambos oriundos da Caixa Econômica Federal S/A, além do valor de R$ 7.112.93 proveniente da FUNCEP Fundação dos Economiários Federais. Ademais, a própria Caixa Econômica Federal e forneceu a declaração de fl. 12, afirmando textualmente que foi pago a interessada "a título de incentivo o valor bruto de R$ 34.274,16". Portanto, esta quantia coincide exatamente com a exclusão já reconhecida pelo Despacho Decisório prolatado às fls. 59/60; que, conforme se verifica, as indenizações isentas são aquelas decorrentes de acidente de trabalho e aquelas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, mais especificamente nos artigos 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9° da Lei n° 7.238, de 29 de outubro de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei n° 5.107, de 13 de setembro de 1966, alterada pela Lei n° 8.036, de 11 de maio de 1990; que, assim sendo, quaisquer outros rendimentos, mesmo remunerados a título de verbas indenizatórias, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos do art. 111 do CIN; que, dessa forma, as verbas recebidas a título de licençaprêmio ainda que denominadas de indenizações pela fonte pagadora, não está literalmente alcançadas pelo beneficio fiscal da isenção, devendo, portanto, sujeitarse à incidência do imposto, não havendo nenhum reparo ser feito na decisão prolatada. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996 VERBAS INDENIZATÓRIAS. PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 6 Estão incluídas do conceito de Programa de Demissão Voluntária (PDV), as verbas rescisórias obtidas em decorrência de férias e licençaprêmio recebidas em pecúnia, por não restarem comprovadas se foram recebidas por necessidade de serviço, sujeitandose, pois, à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/04/2008, conforme Termo constante às fls. 132/133, a recorrente interpôs, tempestivamente (22/04/2008), o recurso voluntário de fls. 134/141, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório Voto Fl. 155DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 4 7 Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há arguição de qualquer preliminar. A matéria em discussão, conforme visto do relatório, versa sobre pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos pela interessada no ano calendário 1996, sob a alegação de que seriam verbas indenizatórias relativas às férias e licenças não gozadas e razão do Programa de Demissão Voluntária (PDV), que teria sido instituído pela Caixa Econômica Federal. Observase, que o pedido, inicialmente, foi apreciado pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (SP), que proferiu o Despacho Decisório de fls. 59/60, deferindo, parcialmente, o pleito por considerar que "Estando, portanto, o processo devidamente instruído com relação ao PDV, excluise somente a indenização paga a título de PDV no valor de R$ 34.272,16 (fl. 12), por estar amparada pelo disposto na Instrução Normativa SRF n° 165/98, do total dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, sendo alterado de R$ 96.477,57 (fl. 54) para R$ 62.205,41 (fl. 58)". Sendo que a decisão de Primeira Instância indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela requerente. Por seu turno, alega a recorrente, que o gozo de férias, ou de licença, tem finalidade específica no campo do Direito do Trabalho, qual seja, a recuperação física e psicológica do empregado, proporcionandolhe melhor rendimento laborativo após o seu retorno. Por isso a jurisprudência judiciária tem entendido que férias e licenças de trabalho constituem um bem da vida, insuscetível de ser suprimido da classe trabalhadora e suscetível de reparação, ou indenização, no caso de não serem concedidas, nas rescisões de contratos de trabalho. Da análise preliminar da matéria em litígio como um todo, observase que a discussão está centrada na diferença de verbas recebidas quando da realização do PDV, por esta razão é que a recorrente retificou a sua Declaração de Juste Anual relativo ao exercício de 1997, posto que na Declaração de Ajuste Anual original (fls. 17/21) declarou rendimentos tributáveis na ordem de R$ 96.477,57 e da Declaração de Ajuste Anual retificadora (fls. 25/28) declarou rendimentos tributáveis na ordem de R$ 32.353,66, gerando uma discussão de tributação sobre a diferença de R$ 64.123,91, que é o valor bruto da totalidade das verbas rescisórias mais o PDV realizado em junho/1996 (fls. 124). Sendo que deste valor de R$ 64.123,91, a autoridade administrativa reconheceu de ofício o valor de R$ 34.272,16, relativo ao valor do PDV, conforme Despacho decisório (fls. 59/60), restando a discussão, nesta fase recursal, do valor de R$ 29.851,75, relativo as seguintes verbas: Indenização de Licença Prêmio: 182 dias 23.103,20; 13° salário indenizado 6/12 avos: 1.904,11; Férias vencidas indenizadas 30 dias: 3.808,22 e 1/3 salário sobre férias: 1.273,88. Desta forma, para que haja melhor compreensão no julgamento deste feito, será adotada uma metodologia didática para a apreciação das contestações interpostas pela Recorrente, cuja abordagem será desenvolvida em função dos prismas a seguir descritos: Fl. 156DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 8 – da não tributação da licença prêmio indenizada; e (b) da não tributação dos valores recebidos, através de acordo judicial trabalhista, a título de indenização de férias em dobro, simples, proporcionais e 1/3 constitucional. Quanto passivos trabalhistas recebidos pela recorrente, é de se observar, que o art. 39, incisos XVI a XXIV, do RIR/99 discrimina quais verbas não entram no cômputo do rendimento bruto, e lá se encontram listadas as seguintes indenizações: reparatória por danos físicos, ou por bem material danificado ou destruído, em decorrência de acidente; por acidente de trabalho; destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato; por desligamento voluntário de servidores públicos civis; por rescisão de contrato de trabalho e FGTS; em virtude de desapropriação para fins de reforma agrária; recebida por liquidação de sinistro, furto ou roubo, relativa ao objeto segurado; reparatória a desaparecidos políticos, paga a seus beneficiários diretos; e de transporte a servidor publico da União. Sendo, que as indenizações salariais isentas são aquelas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, mais especificamente nos arts 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9º da Lei nº 7.238, de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, Lei nº 5.107, de 1966, alterada pela Lei nº 8.036, de 1990. De conformidade com o prescrito no art. 176 do Código Tributário Nacional, a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e, a lei, deve ser interpretada literalmente. Neste processo se faz necessário fazer uma ressalva no que se refere as verbas pagas a título de férias em dobro, férias simples, férias proporcionais e o 1/3 de férias e licençaprêmio não gozada transformada em pecúnia. Inicialmente, se faz necessário responder, o que seria, para o Direito do Trabalho, verba indenizatória? E verba remuneratória? A grosso modo, pelos estudos desenvolvidos, é de se observar, que verba remuneratória, para efeitos trabalhistas, é todo título jurídico com característica de contraprestação pelos serviços. Tratase do pagamento pelo trabalho executado. Exemplos: salário, horas extras, adicional de insalubridade e verba indenizatória, por sua vez, tem o condão de compensar dano, contratual ou extracontratual, sofrido pela trabalhador. Exemplos clássicos: indenização por danos morais e multa de 40% sobre o montante do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (art. 10, I, do ADCT, c/c Lei 8.036/90). No caso do FGTS, o dano é a demissão sem justa causa. Como visto, a princípio, as verbas pagas a título de indenização por férias não gozadas não seria uma verba indenizatória clássica, entretanto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece que em certos casos estas verbas estariam isentas do imposto de renda, conforme se verifica nas soluções de consultas e pareceres de divergências editadas, abaixo transcritas. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 4, DE 7 DE FEVEREIRO DE 2007 Fl. 157DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 5 9 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF EMENTA: FÉRIAS NÃO GOZADAS Os valores pagos a título de férias integrais não gozadas por necessidade do serviço, quando ocorrerem na rescisão de contrato de trabalho ou exoneração, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, permanecendo as demais formas de pagamento em pecúnia a título de férias não gozadas sujeitas à incidência do imposto. ABONO ASSIDUIDADE.Os valores pagos a título de abono assiduidade não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. DISPOSITIVOS LEGAIS: ADI SRF n° 5, de 2005; ADISRF nº 14, de 2005; ADU SRF n° 9, de 2004. NELSON KLAUTAU GUERREIRO DA SILVA.Chefe. Parecer da Receita Federal Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/205 DOU 02.12.2005 Dispõe sobre as hipóteses em que se aplica o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de 2005, no caso de revisão de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de férias integrais e de licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidores públicos O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e o que consta no processo nº 10168.004133/200519, declara: Art. 1º O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de 2005, editado em decorrência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1905/2004, de 29 de novembro de 2004, tratou da não incidência do imposto de renda somente nas hipóteses de pagamento de valores a título de férias integrais e de licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço quando da aposentadoria, rescisão de contrato de trabalho ou exoneração, previstas nas Súmulas nos 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a trabalhadores em geral ou a servidores públicos. Art. 2º Sofrem a incidência do imposto de renda, prevista no art. 3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, e no art. 43, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), as demais formas de pagamento em pecúnia a título de férias e de licençaprêmio não gozadas. Contudo a legislação estabelece que deverá haver a obrigação do desconto conforme na RIR/99, art. 43: Art.43.São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, Fl. 158DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 10 e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; Parecer PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL PGFN nº 1905 de 12.08.2004 D.O.U.: 18.02.2005 I Tributário. Não incidência de imposto de renda sobre as verbas recebidas por trabalhadores em geral a título de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço. Extensão a estes do mesmo tratamento dispensado aos recursos judiciais atinentes aos servidores públicos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto nº 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões que afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de licença prêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, na hipótese do empregado não ser servidor público. 2. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas da Primeira e da Segunda Turmas do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no sentido de considerar que a conversão em dinheiro das referidas rubricas têm caráter indenizatório, a impedir a incidência do imposto de renda. 3. De se notar que com relação aos servidores públicos já há atos declaratórios do Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e despachos do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, dispensando a interposição de recursos e permitindo a desistência dos já interpostos, acerca dessas matérias. São eles o Ato Declaratório nº 4, de 12/08/2002, aprovando o Parecer PGFN/CRJ/Nº 921/99, e o respectivo despacho do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, publicado no D.O.U. de 06/08/1999 Seção I pág 36, no que tange às férias, e o Ato Declaratório nº 8, de 12/08/2002, aprovando o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1458/99, e o respectivo despacho do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, publicado no D.O.U. de 31/03/2000 Seção I pág. 13, no que tange à licençaprêmio. 4. Assim, nesse momento, devese verificar se o mesmo tratamento deve ser dispensado aos recursos judiciais atinentes aos trabalhadores em geral que se encontram na mesma situação dos servidores públicos, a qual foi objeto dos aludidos Pareceres. II Fl. 159DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 6 11 5. Várias ações foram propostas por pessoas físicas, servidores públicos e empregados, contra a União (Fazenda Nacional), com o objetivo de que o Poder Judiciário declarasse a não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de férias e licençaprêmio, não gozadas por necessidade do serviço. 6. Nas instâncias inferiores sucederamse as decisões favoráveis às pessoas físicas, até que essas questões chegaram ao Egrégio Superior Tribunal de Justiça, onde concluiuse pelo caráter indenizatório dos valores recebidos a título de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço, não devendo, ao ver daquela Egrégia Casa, ser exigido o imposto de renda. 7. Com efeito, relativamente à licençaprêmio e às férias, foram editadas, respectivamente, as Súmulas nºs 136 e 125 do Superior Tribunal de Justiça, assim vazadas: Súmula nº 125: "O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do imposto de renda." Súmula nº 136: "O pagamento de licençaprêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda." 8. O entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que é de natureza indenizatória os valores relativos ao não gozo das férias e da licençaprêmio, e como tal, violaria o art. 43 do Código Tributário Nacional a incidência do imposto de renda. 9. Tal entendimento é aplicado por aquele Egrégio Tribunal Superior indistintamente, seja para servidor público, seja para empregado ou trabalhador. 10. Assim, a restrição feita anteriormente aos servidores públicos nos Pareceres citados desta CoordenaçãoGeral, não encontra respaldo na jurisprudência pacífica das Turmas de direito público do STJ. 11. Vejase as seguintes decisões colegiadas proferidas na Primeira e Segunda Turmas do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, acerca da não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de férias e licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA. VERBAS INDENIZATÓRIAS (13º SALÁRIO). IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULAS NºS 125 E 136/STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que proveu o recurso especial da parte agravada. 2. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do Fl. 160DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 12 capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43, do CTN). 3. As verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato de trabalho, em face de plano de incentivo à aposentadoria voluntária, não ensejam acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda. Disso decorre a impossibilidade da incidência do imposto de renda sobre as mesmas, incluídos o 13º salário e as férias nãogozadas. Incidência das Súmulas nºs 125, 136 e 215/STJ. 4. A indenização especial, o 13º salário, as férias e o abono pecuniário nãogozados não configuram acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda e, portanto, não são fatos imponíveis à hipótese de incidência do IR, tipificada pelo art. 43, do CTN. A referida indenização não é renda nem proventos. 5. Inteligência das Súmulas nºs 125 e 136/STJ. Vastidão de precedentes desta Corte Superior. 6. Paradigmas dissonantes citados, não obstante o respeito a eles reverenciado, que não transmitem a posição deste Relator. A convicção sobre o assunto continua a mesma e intensa. 7. Agravo regimental não provido." (STJ, AGRESP Nº 611984/RS, Primeira Turma, rel. Min. José Delgado, DJ 31/05/2004, p. 233). "TRIBUTÁRIO. IRPF. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. SÚMULAS 125 E 136 DO STJ. 1. As verbas pagas pelo empregador a título de abono antiguidade, férias e licençasprêmio, quando da aposentadoria do empregado por tempo de serviço, que não usufruiu desses benefícios, têm natureza indenizatória não incidindo sobre elas o imposto de renda. Jurisprudência consolidada da Corte. 2. Recurso especial conhecido e provido." (STJ, RESP nº 296597/SP, Segunda Turma, rel. Min. Francisco Peçanha Matins, DJ 02/09/2003, p. 293). "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. VERBAS INDENIZATÓRIAS. FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO NÃO GOZADAS. DISPENSA INCENTIVADA. 1. As verbas rescisórias percebidas a título de férias e licença prêmio não gozadas, bem como pela dispensa incentivada, não estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda. Aplicação das Súmulas 125, 136 e 215 do STJ. 2. O fato de as fériasprêmio não terem sido usufruídas por opção do servidor, não lhes retira o caráter indenizatório, razão pela qual não incide, sobre elas, o imposto de renda. (Precedentes) 3. No mesmo sentido, a incidência do Enunciado 136 da Corte não depende da comprovação da necessidade de serviço, Fl. 161DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 7 13 porquanto o nãousufruto de tal benefício estabelece uma presunção em favor do empregado. 4. Agravo regimental a que se nega provimento." (STJ, AGA nº 468683/MG, Primeira Turma, rel. Min. Luiz Fux, DJ 29/09/2003, p. 152). "TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO PAGAMENTO EM DECORRÊNCIA DE ADESÃO A PROGRAMA DE APOSENTADORIA INCENTIVADA. 1. O décimo terceiro salário, ao contrário das férias, abonos assiduidade e licençasprêmio quando indenizadas, tem natureza salarial e representa acréscimo patrimonial para o trabalhador, sendo, portanto, passível de incidência do Imposto de Renda. 2. Recurso especial improvido." (STJ, RESP nº 476178/RS, Segunda Turma, rel. Min. Eliana Calmon, DJ 02/06/2003, p. 286). "TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA DEMISSÃO VOLUNTÁRIA INDENIZAÇÃO ESPECIAL LICENÇA PRÊMIO E FÉRIAS CONVERSÃO EM PECÚNIA PRESUNÇÃO DE QUE NÃO FORAM GOZADAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO CARÁTER INDENIZATÓRIO SÚMULAS 125, 136 E 215 STJ PRECEDENTES. A eg. 1ª Seção deste Tribunal pacificou entendimento no sentido de que a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária, assim como a licençaprêmio e as férias não gozadas não estão sujeitas à incidência do imposto de renda, seguindo a orientação de não constituírem tais verbas, acréscimos patrimoniais subsumidos na hipótese do art. 43 do CTN. A aplicação do enunciado nº 136 STJ não depende da comprovação da necessidade do serviço, por isso que o não usufruto de tais benefícios estabelece uma presunção em favor do empregado. Recurso especial conhecido e provido." (STJ, RESP nº 286750/SP, Segunda Turma, rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 26/05/2003, p. 304). 12. Constatase que as decisões fazem expressa referência a empregados, trabalhadores e servidores, a comprovar a igualdade de tratamento que o Egrégio STJ tem dado a todos, independente de se tratar de contrato de trabalho ou de regime jurídico. III 13. Dimana da leitura das decisões acima transcritas a firme posição do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, contrárias ao Fl. 162DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 14 entendimento da Fazenda Nacional acerca da matéria, que é pela incidência do imposto de renda sobre as verbas aludidas, sejam as pessoas físicas servidores públicos ou trabalhadores em geral. 14. De se notar que a questão é exclusivamente de índole infraconstitucional, não cabendo ao Egrégio Supremo Tribunal Federal manifestarse sobre a mesma. Nesse sentido os seguintes julgados do Pretório Excelso: 1. RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Férias e licença prêmio pagos em pecúnia. de renda. Não incidência. Matéria infraconstitucional. Agravo regimental não provido. Precedentes. Não cabe RE que teria por objeto alegação de ofensa que, irradiandose de má interpretação, aplicação, ou até, inobservância de legislação subalterna, seria apenas indireta à Constituição da República." (STF, AI 239378 AgR/MG, Primeira Turma, rel. Min. Cezar Peluso, DJ 05/03/2004, p. 16). "RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO CONTRA ACÓRDÃO QUE DEFERIU PRETENSÃO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES RETIDOS A TÍTULO DE FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO PAGOS EM PECÚNIA. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AOS ARTS. 150, I; 153, III, e § 2º, II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Questão insuscetível de ser apreciada senão por via da legislação infraconstitucional reguladora da matéria, procedimento inviável em sede de recurso extraordinário, onde não tem guarida alegação de afronta reflexa e indireta à Constituição Federal. Inexistência, ademais, de ofensa ao princípio relativo à competência tributária da União, em face da norma inserta no art. 157, I, da CF. Recurso extraordinário não conhecido." (STF, RE nº 229461/SP, Primeira Turma, rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 16/04/99, p. 27). 15. Por essa razão, impõese reconhecer que todos os argumentos que poderiam ser levantados em defesa dos interesses da União vem sendo reiteradamente afastados pelas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, circunstância que conduz à conclusão acerca da impossibilidade de modificação do seu entendimento, sejam as pessoas físicas servidores públicos ou trabalhadores em geral. 16. Nesses termos, não há dúvida de que futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 8 15 17. Cumpre, pois, perquirir se, em face do sobredito, e tendo por fundamento o disposto no art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, e no art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, é o caso de ser dispensada a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos. Ora, os artigos citados têm o seguinte teor: "Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre:... II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. " "Art. 5º. Nas causas em que a representação da União competir à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional havendo manifestação jurisprudencial reiterada e uniforme e decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência, fica o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional autorizado a declarar, mediante parecer fundamentado, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, as matérias em relação às quais é de ser dispensada a apresentação de recursos. " 18. Decorre dos dispositivos legais acima reproduzidos que a possibilidade de ser dispensada a interposição de recurso ou a desistência do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, pode ser exercida pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional, mediante ato declaratório, a ser aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, observados os seguintes requisitos: a) a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional tenha competência para representar, judicialmente, a União, nas respectivas causas; e b) haja decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência. 19. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, conclui se que: I) nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda, como nas hipóteses objeto deste Parecer, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, já que se trata de matéria fiscal; e II) os acórdãos, citados exemplificativamente ao longo deste Parecer, manifestam a reiterada Jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não incide imposto de renda sobre os valores recebidos a título de férias e licença prêmio, não gozados por necessidade do serviço, sejam por servidores públicos, hipótese em que já existe Parecer desta Fl. 164DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 16 CoordenaçãoGeral, Ato Declaratório do Senhor Procurador Geral da Fazenda Nacional e Despacho do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, sejam por trabalhadores em geral. 20. Destarte, há base legal para a edição de ato declaratório do Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, a ser aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que dispense a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional da interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, acerca da matéria ora abordada. 21. Por fim, duas questões merecem ser ressaltadas. A primeira de que o presente Parecer não implica, em hipótese nenhuma, no reconhecimento da correção da tese adotada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. O que se reconhece é a pacífica jurisprudência desse Tribunal Superior, a recomendar a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, eis que os mesmos se mostrarão inúteis e apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário e a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. 22. A outra questão diz respeito à desnecessidade de se fazer referência no presente Parecer aos valores convertidos em pecúnia a título de abonoassiduidade e ausências permitidas ao trabalho para trato de interesse particular APIP, eis que o PARECER PGFN/CRJ/Nº 1643/2003, que trata dos mesmos, não se restringe aos servidores públicos, abrangendo todos os trabalhadores em geral. IV 23. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pelo Senhor Procurador Geral da Fazenda Nacional a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que versem acerca da incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de conversão em pecúnia de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço, por quaisquer trabalhadores, não só por servidores públicos. É o parecer. À consideração superior. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 12 de agosto de 2004. FABRÍCIO DA SOLLER CoordenadorGeral da Representação Judicial da Fazenda Nacional De acordo. Submetase à apreciação do Sr. ProcuradorGeral da Fazenda Nacional ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 16 de novembro de 2004. FRANCISCO TADEU BARBOSA DE ALENCAR Fl. 165DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 9 17 ProcuradorGeral Adjunto da Fazenda Nacional Aprovo. Submetase à apreciação do Senhor Ministro de Estado da Fazenda para os fins da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, e do Decreto nº 2.346, de 10.10.97. Após, publiquese. Com a publicação, dêse ciência do presente Parecer ao Senhor Secretário da Receita Federal, para a finalidade prevista no § 4º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19.07.2002. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 29 de novembro de 2004. MANOEL FELIPE RÊGO BRANDÃO ProcuradorGeral da Fazenda Nacional DESPACHO DO MINISTRO Em 14 de fevereiro de 2005 ASSUNTO: Tributário. Não incidência de imposto de renda sobre as verbas recebidas por trabalhadores em geral a título de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço. Extensão a estes do mesmo tratamento dispensado aos recursos judiciais atinentes aos servidores públicos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. DESPACHO: Aprovo o Parecer/PGFN/CRJ nº 1905/2004, de 29 de novembro de 2004, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às decisões que afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de licençaprêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, na hipótese do empregado não ser servidor público. Diante de entendimentos contrários, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Solução de Divergência nº 01, de 02 de janeiro de 2009, verbis: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF EMENTA: FÉRIAS NÃOGOZADAS CONVERTIDAS EM PECÚNIA Rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria ou exoneração. As verbas referentes a férias integrais, proporcionais ou em dobro, ao adicional de um terço constitucional, e à conversão de férias em abono pecuniário compõem a base de cálculo do Fl. 166DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 18 Imposto de Renda. Por força do § 4º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos aos pagamentos efetuados por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria, ou exoneração, sob as rubricas de férias nãogozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias, observados os termos dos atos declaratórios editados pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em relação a essas matérias. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, desobriga a fonte pagadora de reter o tributo devido pelo contribuinte relativamente às matérias tratadas nesse ato declaratório. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 19, II, e § 4º, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Arts. 43, II, e 625 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Atos Declaratórios Interpretativos SRF nº 5, de 27 de abril de 2005 e nº 14, de 1º de dezembro de 2005; Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, ambos de 12 de agosto de 2002, nº 1, de 18 de fevereiro de 2005, nºs 5 e 6, ambos de 16 de novembro de 2006, nº 6, de 1º de dezembro de 2008, e nº 14, de 2 de dezembro de 2008; e Parecer PGFN/PGA/Nº 2683/2008, de 28 de novembro de 2008. Conforme podemos observar nesta solução de divergência, é entendimento pacífico de que não há incidência do imposto de renda, desde que os pagamentos sejam efetuados por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria, ou exoneração, sobre os seguintes rendimentos: férias nãogozadas integrais (mais um terço constitucional); férias nãogozadas proporcionais (mais um terço constitucional); férias nãogozadas em dobro (mais um terço constitucional) e abono pecuniário (mais um terço constitucional). Assim, de acordo com os entendimentos acima expostos, não tenho dúvidas de que as empresas estão desobrigadas da retenção do imposto de renda sobre os rendimentos acima citados, bem como o beneficiário de tais verbas deverá declarálas como isentas e não tributáveis, tãosomente, quando pagos por ocasião da rescisão contratual, aposentadoria ou exoneração. No entanto, mesmo após a publicação destes entendimentos, ainda restou dúvidas quanto a incidência do imposto sobre o pagamento destas verbas, quando efetuados na vigência do contrato de trabalho e em acordos trabalhistas, já que estes entendimentos, limita, em contraponto ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que a não incidência seria somente quando da rescisão contratual e, portanto, não se estenderia ao pagamento dos respectivos rendimentos durante a vigência do contrato ou em acordo trabalhista. Ora, com as devidas vênias, é de se observar, que quando a empresa pagar as férias do empregado que não a gozou, por acordo trabalhista ou não, assim o faz por meio de uma indenização, já que há a presunção de que o empregado foi prejudicado no seu direito de gozo. Assim, este pagamento deve ser tratado como indenização tanto na vigência do contrato quanto na rescisão contratual, pois em qualquer situação, houve o prejuízo ao empregado e por isso, está sendo indenizado. É entendimento, que as férias nãogozadas integrais, por exemplo, não deve incidir imposto de renda por não ser considerada fato gerador do tributo, não importa se este Fl. 167DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 10 19 rendimento é pago no ato da rescisão de contrato de trabalho, no acordo trabalhista ou se durante a vigência do contrato, ou seja, em qualquer situação o desconto do imposto é indevido. Na esteira dos diversos entendimentos sobre a matéria (férias indenizadas), se faz necessário transcrever alguns julgados do Superior Tribunal de Justiça, verbis: Tributário. Funcionário público. Férias não gozadas. Indenização. Incidência do imposto de renda. Impossibilidade. Consoante entendimento que se cristalizou, na jurisprudência, o pagamento (in pecunia) de férias não gozadas por necessidade do serviço ao servidor público, tem a natureza jurídica de indenização, não constituindo espécie de remuneração, mas, mera reparação do dano econômico sofrido pelo funcionário. Erigindose em reparação, a conversão, em pecúnia, das férias a que a conveniência da Administração impediu o auferimento, visa, apenas, a restabelecer a integridade patrimonial desfalcada pelo dano. A percepção dessa quantia indenizatória não induz em acréscimo patrimonial e nem em renda tributável, na definição da legislação pertinente. O tributo, na disciplina da lei, só deve incidir sobre ganhos que causem aumento de patrimônio, ou, em outras palavras: sobre numerário que se venha a somar àquele que já seja propriedade do contribuinte. Recurso a que se nega provimento, por maioria. REsp52208 / SP RECURSO ESPECIAL 1994/00239696. Data da Publicação/Fonte DJ 10/10/1994. Relator(a) Ministro DEMÓCRITO REINALDO. TRIBUTARIO. IMPOSTO DE RENDA. FERIAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA. I O IMPOSTO DE RENDA NÃO INCIDE SOBRE O PAGAMENTO DE FERIAS NÃO GOZADAS, EM RAZÃO DO SEU CARÁTER INDENIZATÓRIO. PRECEDENTES. II RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AgR no Ag 46146 / SP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 1993/00332074. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. Data da Publicação/Fonte DJ 22/08/1994. IMPOSTO DE RENDA FERIAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS NÃO INCIDÊNCIA. O PAGAMENTO EM DINHEIRO DAS FERIAS NÃO GOZADAS, PORQUE INDEFERIDAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO, NÃO E PRODUTO DO CAPITAL, DO TRABALHO OU DA COMBINAÇÃO DE AMBOS E TAMBÉM NÃO REPRESENTA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL, NÃO ESTANDO, PORTANTO, SUJEITAS A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. RECURSO IMPROVIDO. REsp 34988 / SP RECURSO ESPECIAL 1993/00131826. Relator(a) Ministro GARCIA VIEIRA. Data da Publicação/Fonte DJ 08/11/1993. Por fim, neste processo em especial, é de se ressaltar que o PDV é um procedimento de corte de empregos adotado pelas empresas para ajustar seu quadro de pessoal às necessidades provocadas por inovações tecnológicas, queda de produção ou mudanças estruturais. A todos os empregados ou a um grupo representativo destes são oferecidas Fl. 168DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 20 vantagens financeiras, adicionais às percebidas em caso de despedida segundo o figurino legal, para que adiram ao programa. Essas vantagens financeiras adicionais, que em outro contexto poderiam ser entendidas como liberalidade do empregador, a jurisprudência dos tribunais federais, seguida por este Conselho, enquadrou no conceito de indenização pela perda do emprego, isenta nos termos da disposição legal antes referida. A dicotomia conceitual indenização/liberalidade está bem presente nos acórdãos do Superior Tribunal de Justiça relatados pelo Ministro ARI PARGENDLER que se curva ao entendimento dominante (pela indenização) com ressalva de seu entendimento pessoal (pela liberalidade). Nesse sentido, é paradigmático o acórdão proferido em 18.12.97 no Recurso Especial 151.122SP, verbis: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO, INCENTIVADA, DO CONTRATO DE TRABALHO. A jurisprudência da Turma se fixou no sentido de que todo e qualquer valor recebido pelo empregado na chamada demissão voluntária está a salvo do imposto de renda. Ressalva do entendimento pessoal do relator, para quem a indenização trabalhista que está isenta do imposto de renda é aquela que compensa o empregado pela perda do emprego, e corresponde aos valores que ele pode exigir em Juízo, como direito seu, se a verba não for paga pelo empregador no momento da despedida indireta, tal como expressamente disposto no artigo 6°, V, da Lei n° 7.713, de 1988, que deixou de ser aplicado sem declaração formal de inconstitucionalidade. Recurso especial não conhecido.” Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Os acórdãos que embasam estas súmulas não vislumbram, na percepção daquelas verbas, acréscimo patrimonial e, por conseguinte, teriam elas caráter nitidamente indenizatório. Da pletora de julgados, que seguem tal linha de argumentação, destaco o seguinte voto do Ministro MILTON LUIZ PEREIRA, no acórdão prolatado no REsp nº 37.9652SP, verbis: A questão tem sido examinada nesta Corte, assentando os julgados que o pagamento de licençaprêmio não gozada, a tempo e modo requerida, por submissão ao interesse público, motivo do indeferimento, tecnicamente, não constitui acréscimo patrimonial. Deveras, guardase, isto sim, direito com a moldura de indenização Fl. 169DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 11 21 pecuniária paga ao servidor público para compensálo pelo trabalho desempenhado sem a usufruição do benefício assegurado pela lei. Esse lineamento, ao derredor de que a licençaprêmio indenizada constitui salário ou vencimento, tem o precioso apoio do pranteado Orlando Gomes a dizer: “qualquer remuneração paga ao empregado sem trabalho não é tecnicamente salário (O salário no Direito Brasileiro, p. 353, ed. 1957). Diante disso, firmo o meu posicionamento, que os pagamentos efetuados, por ocasião de acordo judicial trabalhista ou por PDV, sob as rubricas de férias nãogozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário; de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licençaprêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, sendo que o valor a ser restituído será calculado pela autoridade executora do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 170DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220200.993 Brasília/DF, 10 fevereiro de 2011 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 171DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN
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