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Numero do processo: 10880.723570/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. GARANTIA DA AMPLA DEFESA.
Não há ofensa ao princípio da ampla defesa em auto de infração que contém relatório fiscal descritivo da conduta praticada pelo contribuinte e em que houve intimação para esclarecimentos sobre tal conduta.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. ÔNUS DA AUTORIDADE LANÇADORA.
É ônus do Fisco a caracterização de segurado empregado. Havendo prova indiciária da relação de emprego, obtida em documentos diversos emitidos pelo sujeito passivo, e este não apresenta os documentos solicitados pela Fiscalização que comprovem tal vínculo, é lícita a presunção fiscal da caracterização do vínculo empregatício.
ELEIÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. FACULDADE DO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO NO CURSO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ILICITUDE.
Não é lícita a alteração de domicílio matriz no curso de procedimento fiscal por expressa determinação da legislação tributária.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. POSSIBILIDADE.
Comprovando o Fisco a ocorrência das práticas previstas na Lei nº 9.430/96 é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da multa de ofício qualificada e agravada.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. POSSIBILIDADE.
Tendo a Autoridade Lançadora comprovado a existência de grupo econômico de qualquer natureza é cabível a imputação da responsabilidade solidária a todas as empresas do grupo, nos termos do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2201-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. GARANTIA DA AMPLA DEFESA. Não há ofensa ao princípio da ampla defesa em auto de infração que contém relatório fiscal descritivo da conduta praticada pelo contribuinte e em que houve intimação para esclarecimentos sobre tal conduta. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. ÔNUS DA AUTORIDADE LANÇADORA. É ônus do Fisco a caracterização de segurado empregado. Havendo prova indiciária da relação de emprego, obtida em documentos diversos emitidos pelo sujeito passivo, e este não apresenta os documentos solicitados pela Fiscalização que comprovem tal vínculo, é lícita a presunção fiscal da caracterização do vínculo empregatício. ELEIÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. FACULDADE DO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO NO CURSO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ILICITUDE. Não é lícita a alteração de domicílio matriz no curso de procedimento fiscal por expressa determinação da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. POSSIBILIDADE. Comprovando o Fisco a ocorrência das práticas previstas na Lei nº 9.430/96 é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da multa de ofício qualificada e agravada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. POSSIBILIDADE. Tendo a Autoridade Lançadora comprovado a existência de grupo econômico de qualquer natureza é cabível a imputação da responsabilidade solidária a todas as empresas do grupo, nos termos do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. GARANTIA DA AMPLA DEFESA. Não há ofensa ao princípio da ampla defesa em auto de infração que contém relatório fiscal descritivo da conduta praticada pelo contribuinte e em que houve intimação para esclarecimentos sobre tal conduta. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. ÔNUS DA AUTORIDADE LANÇADORA. É ônus do Fisco a caracterização de segurado empregado. Havendo prova indiciária da relação de emprego, obtida em documentos diversos emitidos pelo sujeito passivo, e este não apresenta os documentos solicitados pela Fiscalização que comprovem tal vínculo, é lícita a presunção fiscal da caracterização do vínculo empregatício. ELEIÇÃO DE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. FACULDADE DO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO NO CURSO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ILICITUDE. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 35 70 /2 01 4- 71 Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Tendo a Autoridade Lançadora comprovado a existência de grupo econômico de qualquer natureza é cabível a imputação da responsabilidade solidária a todas as empresas do grupo, nos termos do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados e contribuintes individuais, previstas nos incisos de I a III do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 39/94 do processo digitalizado). O lançamento foi efetuado contra o devedor principal e empresas pertencentes a grupo econômico e solidárias entre si, na visão do Fisco. Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.067.0849, no valor de R$ 3.897.606,61, atualizado até setembro de 2014, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos ao professor considerado segurado empregado, contribuinte individual, valores pagos a título de férias e não recolhidos, pagamento à empregados de coligadas e contabilizados na devedora principal e prólabore. · Auto de Infração Debcad n° 51.067.0857, no valor de R$ 1.309.267,14, atualizado até setembro de 2014, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição dos segurados, supostamente retida, sobre os valores pagos aos empregados e contribuintes individuais. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 969 3 O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro a dezembro de 2011. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do devedor principal em 20 de setembro de 2014 (AR fls. 438) Inconformado, o devedor principal apresenta impugnação (fls. 560), no que foi acompanhado pelos solidários, todos tempestivamente. A 6ª Turma da DRJ Salvador, por unanimidade, por meio do Acórdão 1538.518 (fls.746), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: "Informa a Fiscalização que: Conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e o inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991, são responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal (patronal e de segurados) as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si. Nesse contexto, conforme relação de empresas comunicada à fiscalização pelo preposto do contribuinte, e em consulta aos sistemas informatizados da RFB, o sujeito passivo integra o seguinte grupo econômico: Em relação a esta empresa Gran Serviços Tecnologia da Informação Ltda – ME, o sujeito passivo contabilizou na conta contábil “1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA” o pagamento de parte da folha e de outras despesas pertencentes à referida empresa GRAN SERVIÇOS, que possui nome fantasia: GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. Este Fl. 970DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 fato caracteriza a formação do grupo econômico e, no caso, consequente vedação dessa empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME de participação no Simples. Embora em consulta ao sítio do contribuinte (http://www.grancursos.com.br/novo/portal/?/listaprofessores/1/ 65) se possa obter uma lista de professores que trabalham na empresa, em análise das GFIP e folhas de pagamentos, foi constatado que foram declarados apenas 10 professores, conforme listado no relatório fiscal. Já na DIRF não foram declarados pagamentos a nenhum beneficiário professor. Na contabilidade foi encontrada a Conta Contábil 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL: cujo histórico discrimina, por nome, o pagamento de aulas a professores. O saldo total de débito dessa Conta é de R$ 4.038.883.71, sendo que nenhum dos valores lançados nesta conta, conforme discriminado no Relatório Fiscal, foi declarado em folha de pagamento ou em GFIP. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos à citada conta, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. Sobre esses valores foi aplicada a alíquota de 11%, relativa a contribuição de contribuinte individual, haja vista a remuneração ter sido paga a pessoa física (professor) e não se ter encontrado os requisitos que caracterizem o segurado como empregado, respeitado o limite legal, conforme planilha do anexo 6. Para apuração da base de cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado. Já na apuração das contribuições sociais dos segurados professores escriturados na conta contábil 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOVIMENTO EDUCACIONAL que foram declarados em GFIP (10 professores RELAÇÃO DOS PROFESSORES DECLARADOS EM GFIP E FOLHA MENSAL, anexo 4, detalhada por mês), foi considerada a alíquota correspondente à faixa do salário de contribuição, o limite legal, e abatido o valor da contribuição do segurado já descontada em GFIP, conforme detalhada nas seguintes planilhas do ANEXO 6 (Apuração Contribuição CI José Gervásio Abrão Meireles e Apuração Contribuição Professores Segurados Empregados). Apenas foram declarados dois contribuintes individuais (José Gervásio Abrão Meireles e José Wilson Granjeiro Oliveira) em folha de pagamento e/ou em GFIP, contudo, foi escriturada na contabilidade a Conta Contábil 4210010024 – SERVIÇOS PRESTADOS – PF, sem que nenhum dos serviços ali elencados tivessem sido declarados em GFIP ou folha de pagamento. Na DIRF não foram declarados pagamentos a pessoa física contribuinte individual, código 0588 – rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos à citada conta, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado Fl. 971DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 970 5 nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. Para apuração das contribuições dos prestadores de serviços elencados na referida conta contábil, foi considerada a alíquota de 11% de contribuinte individual, respeitado o limite legal, conforme planilha do ANEXO 7. Já na apuração da base de cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP, conforme planilha do ANEXO 7. Na contabilidade foram escrituradas as contas contábeis: de ativo: 1127030001 ADIANTAMENTOS DE FÉRIAS, com valor total de débitos de R$ 106.390,77, e de despesa: 4132010003FÉRIAS, com valor total de débitos de R$ 222.294.01. Conforme confronto das bases de cálculo da folha de pagamento e da GFIP, constatouse que não era oferecida à tributação a rubrica de férias. Na folha de pagamento consta a rubrica adiantamento de férias no valor total de R$ 11.730,00, divergente do valor constante na contabilidade. Não consta na folha de pagamento a rubrica férias. As demais rubricas lançadas na folha: ABONO 1/3 FERIAS RCT, FERIAS DO AVISO IND. RCT, FERIAS PROPORCIONAI SRCT, FERIAS VENCIDAS RCT, não possuem escrituração em conta contábil específica. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos às citadas contas, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. Assim, como na conta contábil 4132010003FÉRIAS o sujeito passivo não discriminou o nome dos segurados que receberam as férias, no cálculo da contribuição previdenciária do segurado empregado incidiu sobre a remuneração de férias a alíquota mínima, sem limite, conforme planilha anexo 8. Já na apuração da Base de Cálculo da contribuição patronal relativa as férias, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP. As contas 1214010002JOSÉ WILSON GRANJEIRO OLIVEIRA e 1214010004 IVONETE A C. LIMA GRANJEIRO são contas do ativo, relativas a empréstimos e adiantamentos a diretores, sócios e administradores. O histórico dessas contas consigna como "VR.REF.DEBITO EM C/C NO BCO BANCO SANTANDER C/C 13 0000848 RECIBO ANTECIPAÇÃO DISTR. LUCRO". Foram debitados a creditado da conta 1112010030 BANCO SANTANDER C/C 130000848 (planilha anexo 9), não transitando por mais nenhuma conta em contrapartida, não tendo sido baixados, logo não há que se falar em ressarcimentos no caso de empréstimo. Tampouco há suporte para antecipação de lucros, já que na DIPJ não constam lucros Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 distribuídos. Salientese ainda que no balancete apresentado consta PREJUÍZOS DO PERÍODO de R$ 316.139,23. Considerando que esses valores pagos aos sócios não foram baixados, permanecendo a conta de crédito zerada; que, de acordo com a consolidação do contrato social da empresa, o sócio Jose Wilson Granjeiro Oliveira detém 95% das quotas e a sócia Ivonete Araújo Carvalho Lima Granjeiro detém os outros 05%; que nos atos constitutivos da empresa não existe previsão de distribuição de lucros ou dividendos ou antecipações e considerando ainda a periodicidade mensal desses pagamentos, a realidade fática deixa clara que esses valores se constituem remuneração pelo trabalho (pro labore) disfarçada, caso em que há incidência de contribuições previdenciárias. Assim, para apuração das contribuições sociais referentes ao pro labore (CONTAS: 1214010002JOSÉ WILSON GRANJEIRO OLIVEIRA e 1214010004 IVONETE A C. LIMA GRANJEIRO) foi considerada a alíquota de 11% (CI), respeitado o limite legal, e abatido o valor da contribuição do segurado já descontada em GFIP, conforme planilhas do anexo 9. Já na apuração da Base de Cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP. Além da conta contábil: 4132010002 SALÁRIOS E ORDENADOS, foi encontrada na contabilidade do contribuinte a conta contábil: 1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA, a qual consigna pagamento de salários a segurados não elencados na folha de pagamento ou na GFIP do sujeito passivo sob ação fiscal. Foram declarados pagamentos específicos feitos a alguns segurados no período mais pagamentos mensais da folha. Chamou a atenção nessa conta o fato de ser pago pró labore e adiantamento de distribuição de lucro ao segurado RODRIGO TELES CALADO. Foram solicitados documentos e esclarecimentos ao contribuinte relativos às citadas contas, através do TIF nº 02, não tendo o contribuinte entregado nenhum documento ou apresentado qualquer esclarecimento. A partir do número do NIT e do CPF dos segurados declarados nessa conta e em pesquisas aos sistemas da Previdência Social e da RFB, além de outros disponíveis na internet, temse o conhecimento de que GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA tratase da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME (CNPJ:12.467.576/000142, data de abertura: 30/08/2010. Endereço: setor de industrias gráficas quadra 01, 985 centro empresarial parque brasilia , Brasília CEP: 70.610410). O fato de o sujeito passivo efetuar a contabilização do pagamento da folha da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142 (Além do pagamento de outras despesas dessa empresa) denotam esses segurados como empregados do sujeito passivo e a caracterização de grupo econômico. Esses fatos vedam a opção ao SIMPLES NACIONAL da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA – ME (CNPJ: 12.467.576/000142 Optante pelo Simples Nacional desde 30/08/2010) e se impõe a efetuação de Representação Fiscal para exclusão do Simples. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 971 7 Os valores escriturados na contabilidade do contribuinte, na citada conta contábil, conforme demonstrados nas planilhas constantes do relatório fiscal, são uma complementação paralela da folha de pagamento da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, não oferecidos à tributação pelo sujeito passivo. Para apuração das contribuições sociais dos segurados referentes aos Pagamentos específicos contabilizados na CONTA: 1214020010GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA foi considerada a alíquota correspondente à faixa do salário de contribuição, respeitado o limite legal, e abatido o valor da contribuição do segurado já descontada em GFIP pela empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142, conforme planilha do anexo 10. Já na apuração da Base de Cálculo da contribuição patronal, foi considerado o valor total escriturado, pois nenhum desses valores foram declarados em folha ou em GFIP. Ressaltese que não foram considerados para cálculo os valores discriminados no histórico como pagamento de vale transporte, auxílio alimentação. Como a contabilidade não apresenta o valor referente ao pagamento da folha do mês 12/2011, por ser regime de caixa, enquanto a contribuição previdenciária é regime de competência, e como o contribuinte não apresentou os documentos solicitados em TIF, nessa competência repetiuse o valor do mês 11/2011. Como o próprio sujeito passivo informou em seu sitio na internet (https://www.grancursos.com.br/novo/portal/?/36/1566/), o segurado Rodrigo Teles Calado como Gerente de Projetos, fato corroborado no Currículo do Sistema de Currículos Lattes pelo segurado: Gerente de Tecnologia da Informação, Carga horária: 44, Regime: Dedicação exclusiva, ele está sendo levantado como segurado empregado, pois a situação fática que se apresenta é a do art. 3º da CLT. A multa foi qualificada em 150%, por ficar configurado evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Ao entregar Recibos sem as deduções legais para serem escriturados pelo contador, que não os lançou em títulos próprios; e ao não oferecer esses fatos geradores à tributação, não os declarando em folha de pagamento, GFIP ou DIRF, o contribuinte obteve, em tese, um resultado visado, que foi a supressão de contribuição previdenciária. Outrossim, corroboram, em tese, a conduta tipificada nos arts 71, 72 e 73, da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, o fato de o sujeito passivo efetuar na conta contábil: 1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA a contabilização do pagamento da folha da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142 (Além do pagamento de outras despesas dessa empresa) o que denotam esses segurados como empregados do sujeito passivo e a caracterização de grupo econômico. O sujeito passivo faz a mudança do seu domicílio, durante a ação fiscal em andamento, com nítido caráter de dificultar ou Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 impossibilitar a fiscalização, motivo pelo qual a autoridade administrativa recusa o novo domicílio no estado de São Paulo, nos termos do art. 127 do CTN e artigos 23 e 24 da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 2014. A multa também foi agravada em 50%, em razão de não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos ou sistemas digitais, conforme art. 44, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Constatouse que o sujeito passivo deixou de oferecer à tributação contribuições sociais incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados que lhe prestaram serviços, omitindo da folha de pagamento e da GFIP da empresa segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços; bem como deixou de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que configura, em tese, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária tipificado no art. 337A do Código Penal, incluído pela Lei n° 9.983, de 14 de julho de 2000, tendo sido feita a respectiva representação fiscal para fins penais. Também foi feita Representação Administrativa para exclusão do Simples Nacional da empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/0001 42, haja vista a contabilização do pagamento da folha e outras despesas dessa empresa pelo sujeito passivo objeto da ação fiscal, o que caracteriza grupo econômico, sendo o valor da Receita auferida pelo grupo econômico bem superior ao permitidopara opção pelo Simples Nacional." ` Consta ainda da decisão de piso, a cientificação de todos os coobrigados e as datas das impugnações por eles interpostas (fls 753/754). A correspondência de cientificação da decisão de primeiro grau foi enviada pela DRF Brasília para o devedor principal e todos os solidários e as cópias dos protocolos de envio pelos Correios, se encontram das folhas 772 até 803. Em 22 de maio de 2015, o Sr. Chefe da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário, DICAT, da DRF Brasília, constatando que foram infrutíferas as tentativas de cientificação dos devedores solidários abaixo mencionados, determinou a publicação de edital para fins de intimação da decisão de primeiro grau. A desafixação do edital nº 14/2015 (fls. 804), ocorreu em 08 de junho de 2015. Mister realçar que, em 10 de junho de 2015, por meio de despacho de folhas 965, a DICAT da DRF Brasília, desapensou o processo 10880.723570/201471 do presente processo em face do trânsito em julgado, por inexistência de recurso, da decisão de piso que Fl. 975DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 972 9 considerou procedentes os créditos tributários ali inseridos, consoante o Termo de Perempção lavrado nos autos do processo desapensado. Em 27 de maio de 2015, a devedora principal, Brasília Cursos e Concursos Ltda. interpõe, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 927). As devedoras solidárias Gran Cursos Tecnologia da Informação Ltda. ME (fls. 807); Pleiade Treinamentos Cursos e Concursos (fls. 846); Gran Cursos e Concursos Ltda. (fls. 885), também apelam. As demais não apresentam recurso voluntário. Consta do recurso voluntário do devedor principal, em síntese, as seguintes alegações: · O procedimento fiscal é nulo pois foi realizado com preterição ao devido processo legal, uma vez que a Autoridade Fiscal não apontou, com clareza e detalhes, as disposições legais infringidas e que apóiam a exigência. · Houve a caracterização de vínculo empregatício com 85 pessoas jurídicas a partir da demonstração de 10 contratos tidos como típicos de vínculo empregatício, o que macula o lançamento. · Foi desconsiderado o benefício 'cotautilidade' e incluído como salário de contribuição, sem que a Fiscalização comprovasse que aquele está inserido no conceito do artigo 458 da CLT.. · Alega ainda a nulidade do lançamento, já que a Fiscalização não se ateve a busca pela verdade material, fundando o auto de infração em informações gerais e cruzamento de declarações transmitidas à Receita Federal sem a preocupação de verificação do tipo de prestação de serviço que existia. · No mérito, assevera que apenas houve transferência do ônus probatório, quanto ao vínculo de emprego, a partir da listagem de colaboradores constantes do endereço eletrônico da empresa, sem observação dos requisitos legais para que surja a relação de emprego. · Que a mudança de domicílio da empresa não foi um conduta dolosa, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Tanto assim o é que a empresa apresentou todas as declarações mensais à Receita e informou ao Fiscal tudo o que entendeu necessário. · Que a qualificadora da multa do lançamento de ofício é descabida, tem caráter confiscatório, tanto que o valor do tributo a partir da competência 12/2011 é menor que o valor da multa aplicada. · Não obstante o caráter confiscatório, a pena qualificada não merece prosperar pois não houve, por parte do Recorrente, nem a prática das condutas previstas na Lei 9.430/96, nem a comprovação dessas pelo Fisco. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 · Se insurge contra os juros de mora calculados com base na taxa SELIC. · Alega inexistir responsabilidade solidária uma vez que não existe elemento pessoal que justifique a imputação da responsabilidade aos demais coobrigados Os recursos da demais coobrigadas contêm, na essência, as mesmas alegações constantes do recurso da devedora principal. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e portanto, dele conheço e passo a analisálo na ordem das alegações formuladas. Cumpre ressaltar que os recursos das devedoras solidárias: Gran Cursos Tecnologia da Informação Ltda. ME, Pleiade Treinamentos Cursos e Concursos, Gran Cursos e Concursos Ltda. contêm em sua essência os mesmos argumentos do recurso do devedor principal e são similares entre si. São de conhecimento deste Relator e serão analisados no bojo do recurso do devedor principal, somente sendo explicitado o resultado na parte que efetivamente lhes interessa. Necessário ainda reafirmar que os devedores solidários Gran Comunicação Ltda., Taguatinga Cursos e Concursos, Ceilandia Cursos e Concursos, JW Grangeiro Consultoria e Treinamento, Veritad Corporation Cursos e Treinamentos, São Paulo Treinamento, Cursos e Concursos e JW Editora não apresentaram recurso voluntário, sendo portanto, mantidas no polo passivo do crédito tributário, por solidariedade com o devedor principal em face do trânsito em julgado administrativo ocorrido. Com essas considerações sobre a sujeição passiva, passo a apreciação do recurso. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA Segundo o recorrente o auto de infração é nulo por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, posto que, como constituído, impede que o sujeito passivo entenda a imputação fiscal. São seus argumentos (fls 930): "No processo administrativo fiscal, um dos direitos assegurados ao Contribuinte, como prérequisito à regularidade do lançamento, consiste na obrigatoriedade de o Agente Fiscal responsável apontar, com clareza e detalhes, a base legal da constituição do crédito tributário, ou seja, as disposições legais infringidas que apóiam a exigência. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 973 11 Entretanto, o que se verifica no presente processo é uma verdadeira aberração, uma afronta explícita aos princípios constitucionais e às normas de regência do processo administrativo, pois cominar genericamente imputações à legislação de regência sem destacar com clareza quais os dispositivos foram, supostamente, feridos cerceia e torna difícil a defesa da Recorrente (...) Ocorre que a d. fiscalização não logrou êxito em demonstrar adequadamente a capitulação legal à sua motivação, o que enseja a nulidade do auto. Referiuse o Sr. Agente Fiscal, de forma bastante extensa e confusa, aos dispositivos da legislação previdenciária que teriam sido violados. E, ao deixar de capitular de forma apropriada o suposto ilícito, a autoridade administrativa findou por desrespeitar o Princípio Constitucional do Contraditório e Ampla Defesa, previsto no art. 5o, LV, da CR/88, além do Princípio da Estrita Legalidade que rege todo o nosso Sistema Tributário. (...) A Fiscalização não logrou êxito na tentativa de demonstrar a subsunção dos fatos à norma, por não ser capaz de reunir e demonstrar os pressupostos de que a Lei faz depender os efeitos jurídicos preconizados, pois os documentos solicitados foram apresentados e a autuação partiu de presunção de ilegitimidade dos contratos jurídicos firmados pela Recorrente em relação ao pagamento de valores aos seus empregados e prestadores de serviços pessoa jurídica. Ao caracterizar o vínculo empregatício de supostos segurados através de interpostas pessoas para um universo de 85 (oitenta e cinco) pessoas jurídicas e indicar e demonstrar apenas genericamente 10 (dez) contratos tidos como caracterizadores do "vínculo empregatício", a d. Fiscalização não logrou êxito em provar a sua convicção quanto à infração, apenas inverte o ônus da prova para o Contribuinte e não cumpre com sua função constitucional e legal de demonstrar com clareza a situação fática que deu ensejo à imputação. Para que se dê arrimo a tal afirmação, basta verificar que no curso da fiscalização, o Auditor Fiscal não se desincumbiu da tarefa de circularizar ou diligenciar junto às pessoas jurídicas ditas "interpostas" para que se confirme o regime de prestação de serviços e a relação dos sócios de cada sociedade empresária com vistas a determinar o regime jurídico e qual a forma de contribuição à Seguridade Social desses empresários relacionados pela legislação previdenciária como Contribuintes Individuais Obrigatórios. Em relação à descaracterização dos benefícios concedidos aos empregados sob a forma de "Cota Utilidade" incluindoos como Fl. 978DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 saláriodecontribuição, também comete o mesmo equívoco, pois inverte a incumbência da Fiscalização de provar que os valores pagos não estão inseridos no contexto do art. 458, § 2o, da CLT, fazendo tal encargo recair sobre a Recorrente, ferindo o Princípio da Ampla Defesa e Contraditório" (destaques não constam do recurso) Não assiste razão ao recorrente. Voltando os olhos para o Relatório Fiscal, observamos que a Fiscalização constatou um hiato entre as informações constantes do 'site' do sujeito passivo (local onde ele, em busca da consecução de desiderato social, demonstra sua capacidade na prestação de serviços educacionais), e a mãodeobra empregado pelo Recorrente em sua atividade fim. Buscando dirimir a dúvida observada, intimou o contribuinte a que prestasse as informações necessárias. Não obteve o necessário esclarecimento. Faltou o Recorrente com seu dever de colaboração, pois, embora inicialmente, com certa demora, houvesse prestado as informações solicitadas, a partir de dado momento simplesmente cessou o atendimento à Fiscalização. Encontramos a corroboração do acima afirmado nos seguintes trechos do relatório fiscal (fls. 44 e 51 e seguintes) (...) Fl. 979DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 974 13 16. Dessa forma, foi solicitado por meio do Termo de Intimação fiscal TIF n° 2, recebido pessoalmente pelo contribuinte em 26/05/2014, entre outros, que apresentasse os: 2 Contratos de prestação de serviços e recibos de pagamento das aulas ministradas pelos professores elencados na CONTA CONTÁBIL: 4133010005 PROJETOS C/ DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL Conforme relacionados no ANEXO 1: CONTA: 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL PAGTO AULAS MINISTRADAS POR PROFESSOR ES; Especificar a forma de contratação desses professores, contribuintes individuais ou empregados, e esclarecer por que esses professores não foram incluídos em folha de pagamento nem declarados em GFIP. Apresentar comprovante da retenção e do recolhimento das contribuições previdenciárias efetuadas; Em 17 de junho de 2014, por meio de ofício encaminhado pelo SócioAdminstrador, Sr. JOSE WILSON GRANJEIRO OLIVEIRA, foi solicitada a prorrogação de 30 dias para entrega dessa documentação e esclarecimentos; sendo essa solicitação referida no próprio Ofício pela chefe de equipe fiscal Cristiane Ramiro Palhares(anexo 2). Fl. 980DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 Como após o prazo solicitado não foi apresentado nenhum documento ou esclarecimento, em 23/07/2014 foi encaminhado o TIF 03, reintimando as mesmas solicitações, no prazo de 10 dias. Por meio de via postal AR: SF 650092482 BR. O qual foi recebido por Aline Pinho (secretária do Gran Cursos), em 24/07/2014 (conforme recibo no AR, anexo2). No entanto, conquanto o AR tenha sido encaminhado para o endereço constante no sistema da RFB, onde inclusive foram entregues o TIPF e os 2 TIFs anteriores recebidos pessoalmente pelo contribuinte. E onde só funciona esse estabelecimento de ensino GRAN CURSOS, com turmas em atividade, conforme se comprova ao passar em frente dessa instituição de área bem abrangente. E ainda que tenha sido efetivamente recebido pela secretária (conforme assinatura no corpo do AR), o AR foi devolvido posteriormente sob a alegação de "mudouse". De modo que, após o recebimento do segundo TIF o contribuinte não mais entregou nenhum documento ou apresentou qualquer esclarecimento. Portanto, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, é feito o lançamento de oficio do crédito tributário não declarado pelo contribuinte." (negritos e sublinhados nossos) Ao assim proceder, o sujeito passivo não logrou êxito em afastar as constatações fiscais obtidas a partir de documentos obtidos diretamente com o Administrado. Cumpre ressaltar que, verificado a ocorrência do fato gerador in casu a remuneração de pessoas físicas pelo trabalho cabe ao Fisco a constituição de seu direito de crédito. Pela lógica processual, tão cara ao Recorrente que sobre ela discorre longamente, uma vez comprovado o direito do autor a Administração Tributária que comprova pelos documentos mencionados a remuneração de pessoa física pelo trabalho cabe ao contribuinte a comprovação de fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do autor. Aqui a falta da nulidade apontada. O Recorrente abre mão de seu direito à comprovação da mitigação ou extinção do direito do Fisco na fase inquisitória do processo de fiscalização e também no bojo do processo administrativo tributário, uma vez que não traz os documentos solicitados ao conhecimento da Autoridade Lançadora, nem ao julgamento em primeira ou segunda instâncias administrativas. Mister ressaltar que o mesmo raciocínio cabe quanto a alegação, feita pelo Recorrente alhures, sobre a não integração da verba 'cota utilidade' no conceito de remuneração. A comprovação dessa alegação cabe ao sujeito passivo, pois se trata de nítido direito modificativo do direito de crédito, vez que minora a base de cálculo adotada pelo Fisco. Diante do exposto, e principalmente pelo relatado pela Autoridade Fiscal, não há ofensa ao contraditório tampouco a ampla defesa. Não se observa a nulidade arguída. Tampouco falta clareza à imputação fiscal ou ela se realizou sobre 'presunções' da autoridade fiscal. Os motivos do lançamento se encontram perfeitamente delineados e explicitados no Relatório Fiscal e foram comunicados ao Contribuinte e pedidos Fl. 981DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 975 15 os esclarecimentos necessários. O que houve de fato, como dito, foi negligência do sujeito passivo no atendimento à Fiscalização. Argumenta ainda que não houve respeito ao princípio da verdade material. Segundo a Recorrente, a Autoridade Fiscal não se ateve à busca da verdade real. Ora, havendo a constatação do fato gerador tributário pelos documentos obtidos junto ao sujeito passivo quando do atendimento das intimações fiscais, e com base nesses documentos, sendo solicitado, novamente por meio de intimações e reintimações, os esclarecimentos e comprovações necessários, se observa justamente a busca empreendida pelo Fisco da determinação da matéria tributável e do cálculo do montante devido. Busca pela verdade real. Necessário afirmar, uma vez mais, que tal procura se revela infrutífera justamente pela recusa do sujeito passivo em apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados. Inerte no processo fiscalizatório, poderia ainda, no processo administrativo inaugurado com a impugnação ao lançamento, ter o devedor principal trazido à luz esse documentos e esclarecimentos. Não é o que se observa nos autos deste processo administrativo. Não houve ofensa ao princípio da verdade material. Se esta simplesmente não emergiu, não foi por culpa da Administração Tributária. Rejeito, pelos motivos e fundamentos apresentados, a preliminar de nulidade. DA AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LABORAL Argumenta a recorrente (fls. 940): "Consta da autuação que a Recorrente deixou de pagar contribuição sob a folhas de salários de seus colaboradores, que supostamente figuram como empregados contratados sob o regime CLT, estribando o Autuante, nas informações obtidas no endereço eletrônico da empresa. Para a desconstituição de tal afirmativa que, digase de passagem, carece de fundamentação jurídica fática e formal, eis que apenas transfere o ônus da prova à Recorrente ao inferir que possuí contrato de trabalho CLT com todos os colaboradores que são listados em seu sitio eletrônico, sem, ao menos considerar a hipótese de que o endereço eletrônico possa estar desatualizado, ou ainda, o contrato entre a empresa e seus colaboradores não se assemelham a um contrato laboral regido pela CLT, sendo apenas para prestação de serviços esporádicos, sem vínculo empregatício, é necessário se ater aos conceitos e regulamentos que regem a vinculação empregatícia." (destaques não constam do recurso) Fl. 982DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Depois de discorrer sobre a teoria das relações de emprego, explicitando suas características, arremata a Recorrente (fls 942): "É fácil perceber pelos relatórios da Fiscalização que tal caracterização não foi efetuada em relação às pessoas citadas e nem sequer foi declinada a base legal para a declaração do vínculo empregatício. Concluindo, podemos afirmar que existem inúmeras prestações in natura que poderão ser concedidas pelo empregador ao empregado, entre elas, algumas são consideradas salário, outras não. O critério diferenciador reside, num primeiro plano, naquilo que dispõe expressamente a lei e, em segundo plano, na investigação da presença dos requisitos configuradores. Nesse passo, no presente caso, existe uma miscelânea de situações, onde alguns dos prestadores de serviços atuam com contrato entre pessoas jurídicas, outros com contrato de prestação de serviços de autônomos à pessoa jurídica, mas, sem vínculo empregatício. E os que de fato possuem o vínculo empregatício com carteira assinada, foram devidamente declarados à Receita Federal" Assiste razão ao recorrente. A relação de trabalho é gênero do qual a relação de emprego é espécie e tal especificidade deve ser averiguada no caso concreto. Porém, tal constatação depende da documentação apresentada pelo contribuinte, quando, cercado de fortes evidências documentais da existência do vínculo empregatício a chamada vis atrativa do direito do trabalho o Fisco intima o empregador para que apresente os contratos de trabalho vigentes no período fiscalizado. Como dito acima, isso foi realizado pela Autoridade Lançadora. Observamos às folhas 51 do relatório fiscal (item 16, acima transcrito), que por meio do TIF nº 2, entregue pessoalmente ao sujeito passivo em 26/05/15, há expresso questionamento sobre o tema: "2 Contratos de prestação de serviços e recibos de pagamento das aulas ministradas pelos professores elencados na CONTA CONTÁBIL: 4133010005 PROJETOS C/ DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL Conforme relacionados no ANEXO 1: CONTA: 4133010005 PROJETOS Cl DESENVOVI MENTO EDUCACIONAL PAGTO AULAS MINISTRADAS POR PROFESSOR ES; Especificar a forma de contratação desses professores, contribuintes individuais ou empregados, e esclarecer por que esses professores não foram incluídos em folha de pagamento nem declarados em GFIP. Apresentar comprovante da retenção e do recolhimento das contribuições previdenciárias efetuadas" Ora, como poderia o Fisco determinar o vínculo senão dessa forma? Não se pode olvidar que a fiscalização tributária se refere a fatos pretéritos, ocorridos dois ou três anos antes da ação de verificação de cumprimento das obrigações. Justamente por isso é que a legislação tributária determina que os documentos de interesse fiscal tenham determinada forma e conteúdo e seja de guarda obrigatória por determinado período, as chamadas obrigações acessórias ou deveres instrumentais nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 976 17 Não pode, no caso concreto, ou não se interessou, o sujeito passivo em comprovar suas alegações sobre as relações de trabalho que mantinha. Tal omissão não pode ser por ela aproveitada, diante do quadro fático delineado pelo Fisco. Mister ainda ressaltar que consta do lançamento os critérios usados pela Autoridade Lançadora quanto à categoria atribuída a cada segurado, seja ele empregado ou contribuinte individual (fls 53 e 54), sendo que aqueles que constavam da GFIP foram considerados empregados e os demais, constantes das contas contábeis 'Projetos com Desenvolvimento Educacional', foram considerados contribuintes individuais Recurso voluntário negado nessa parte. DA INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA FICTÍCIA DE DOMICÍLIO Segundo a Recorrente a mudança de domicílio tributário empreendida não decorre de nenhuma conduta dolosa por ela praticada. São seus argumentos (fls. 943): "A Recorrente vem demonstrando, à saciedade, a impropriedade da manutenção do lançamento. Não se sustenta, portanto, a pretensão fazendária de atribuir conduta dolosa à Recorrente, por em decorrência da mudança de domicilio. No decorrer da fiscalização, o Contribuinte forneceu todas as informações que entendeu necessárias para a fiscalização, inclusive indicou as declarações transmitidas para a Receita Federal, onde constam, de forma fidedignas, suas informações tributárias. A perseguição xiita e fundamentalista promovida pela fiscalização fiscal não se justifica, demonstra somente um anseio incoerente, através de desvirtuamento da realidade, para justificar a abusividade da atividade fiscal. Isto porque, o Auditor Fiscal possuí informações dos endereços dos sócios da empresa, sendo assim, ao se constatar mudança do endereço da empresa, porque não citar o sócio em seu domicilio??? Estranhamente o fiscal prefere inventar que a empresa mudou de endereço, fato que envolve um grande trabalho logístico, somente para "fugir da fiscalização"!!" Segundo a Autoridade Fiscal (fls 87): "Em 02/09/2014, já no encerramento do procedimento fiscal, (Termo de Início do Procedimento Fiscal recebido pessoalmente pelo contribuinte em 16/12/2013), o sujeito passivo alterou o endereço cadastral para uma sala no estado de São Paulo Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 No entanto, a atividade produtora da empresa, auias para concursos, continua a ser ministrada no mesmo endereço: SETOR DE INDUSTRIAS GRÁFICAS QUADRA 01 945. 107.As restantes das empresas do grupo econômico continuam no mesmo endereço: (...) O centro administrativo de suas atividades e a diretoria da empresa continuam sendo no mesmo endereço:SIG/SUL QUADRA 01 LOTE 945. inclusive com as mesmas secretárias. No sítio da internet "https://www.grancursos.com.br/novo/portal/?" continua a divulgar as várias turmas em atividades e as novas a serem iniciadas, nos mesmos endereços. Os sócios, José Wilson Granjeiro Oliveira e Ivonete Araújo Carvalho Lima Granjeiro, continuam residindo no mesmo endereço cadastrado na SRF:SHIS QL 10 CONJUNTO 09 CASA 07 CEP 71.630095 LAGO SUL BRASÍLIA" Novamente falta ao Recorrente a comprovação do alegado. O Fisco, diante de um fato comprovado, analisa a legislação aplicável e submete o fato à norma. O Contribuinte, ao reverso, formula diversas alegações, porém não as comprova documentalmente. A presunção da alteração fícta de domicílio seria facilmente afastada com a comprovação da efetiva mudança, do propósito de tal alteração. Nada consta dos autos nesse sentido.Não existe um só documento que rebata as alegações fiscais ou que comprove os argumentos do Recorrente. Não obstante todo o exposto, é mister não olvidar que a legislação tributária veda expressamente a alteração de domicílio do estabelecimento matriz durante o procedimento fiscal. Nego provimento ao recurso nessa parte. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 977 19 DAS PENALIDADES LANÇADAS DE OFÍCIO Se insurge o recorrente contra as multas aplicadas ao lançamento de ofício. Vê caráter confiscatório e principalmente, não entende que a Fiscalização comprovou a existência de condutas ensejadoras da qualificadora e da agravante. Cita vasta doutrina e jurisprudência no sentido de sua argumentação. Correta a visão do Recorrente. A Lei nº 9.430/96, quando versa sobre a aplicação da multa nos lançamentos de ofício expressamente assevera que a qualificadora só pode ser aplicada nos termos da Lei 4.502/64. Vejamos: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Por seu turno a Lei nº 4.502/64 explicita: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, patente no relatório fiscal que as condutas do Recorrente visavam impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou reduzir suas condições essenciais com vista a obtenção de vantagem por meio da postergação ou não pagamento do tributo devido. O relatório fiscal apresenta praticamente seis laudas de argumentos (fls 84 a 90), comprovados faticamente, sobre as praticas do contribuinte visando auferir vantagem indevida mediante não entrega ou pagamento de tributo. Sem número de situações foram comprovadas pelo Fisco quanto às condutas, as mais diversas, desde a utilização indevida de pessoas jurídicas, até a simples omissão de bens e valores de suas declarações, contribuíram para o convencimento deste julgador da ocorrência das condições legais ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Quanto ao agravamento da multa, dispõe a Lei nº 9.430, no mesmo artigo 44, agora em seu parágrafo 2º: Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 978 21 "§ 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei." Novamente o relatório fiscal (fls. 90 e 91) elenca as situações em que não houve atendimento, pelo sujeito passivo, de intimações. E o pior, na visão deste julgador, os argumentos do recurso se fundam em ataque a procedimentos adotados pelo Fisco em razão da omissão do contribuinte. Recurso negado também nessa parte. DOS JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC Consta do recurso (fls 955) "Concernente aos juros de mora, e ainda que o E. Conselho de Contribuintes tenha editado Súmula Administrativa sobre o assunto, a favor da Fazenda, cumpre apresentar as seguintes considerações em função do necessário préquestionamento da matéria. Ao proceder à determinação do "quantum" pretensamente devido pela Recorrente, conforme se constata no Auto de Infração, a d. Fiscalização aplicou como critério do cálculo dos juros moratórios a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Entretanto, esses juros aplicados na autuação representaram uma majoração extorsiva e ilegal do débito, para a qual se verificou, em certos períodos, uma variação de aproximadamente 4% (quatro por cento) ao mês. Como visto, não obstante a taxa SELIC seja determinada, pelo diploma legal enfocado, como juros moratórios que devem incidir sobre débitos tributários, isto não se coaduna com sua verdadeira natureza que, sem sombra de dúvida, é de taxa de juros remuneratórios" Como bem sabe e disse o recorrente: a incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 22 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em complemento, a Súmula CARF nº 5, assevera: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral Recurso negado também nessa parte. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Por fim, constatase a insurgência da devedora principal, e também das devedoras solidárias, quanto a inexistência de responsabilidade solidária. São argumentos da devedora principal sobre o tema (fls. 957): "Não satisfeita em exigir milhões de reais da Recorrente, a título de contribuições previdenciárias, sejam a cargo da empresa, sejam a cargo de segurados, a Fiscalização convola outras pessoas jurídicas, enquadrandoas como "responsáveis solidários", a pretexto de configurarem "grupo econômico", o que merece ser rechaçado pelo eminente CARF, em face de ser uma conclusão completamente absurda e ilegal, como veremos a seguir. Conforme dispõe o art. 121 do Código Tributário Nacional, dois podem ser os sujeitos passivos da obrigação tributária: o contribuinte propriamente dito e o responsável legal, previsão que possibilita a responsabilização de terceiros por uma obrigação tributária, utilizandose, por exemplo, do instituto da solidariedade. Prevê o art. 124 da cita Lei Complementar tributária que são solidariamente responsáveis (i) as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e (ii) as pessoas designadas por lei, sendo essa solidariedade de fato (quando diversas pessoas têm interesse em uma situação que constitua o fato gerador em questão) ou de direito (quando decorre diretamente da lei)." Logo após a correta menção sobre a legislação aplicável, a Recorrente tergiversa e traz à lume o artigo 135 do CTN que trata da responsabilidade pessoal do agente, o que não se aplica ao caso concreto. Não há uma única citação ao mencionado dispositivo codicista no Relatório Fiscal. Para que se analise a responsabilidade solidária imputada pelo Fisco, mister observar a legislação aplicável, uma vez que tal instituto de solidariedade por obrigação assumida por outrem decorre sempre de contrato ou da lei. Nesse sentido é expressa a determinação do Códex Tributário, do determinar no artigo 124 que a responsabilidade solidária existe para aquele que tem interesse comum no Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 979 23 fato gerador que não se aplica no caso em concreto ou aos designados pela lei. Lei que rege o tributo, por certo. Tal constatação nos remete à Lei nº 8.212/91, que em seu artigo 30, inciso IX, assevera: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;" Como dito no recurso, no caso em apreço, foi considerado que as empresas mencionadas formam um grupo econômico. Este é o ponto fulcral da questão. Se o Fisco pode comprovar que as empresas integram grupo econômico de qualquer natureza e, tal situação não sendo comprovadamente modificada ou extinta pelo Contribuinte, temos nos termos da lei, a solidariedade passiva. Em primeiro lugar mister realçar a amplitude do comando legal. A constituição de grupo econômico de qualquer natureza enseja a responsabilização sem benefício de ordem e por toda a obrigação de todos os integrantes deste grupo. Assim quis o legislador. Com essa constatação, se o Fisco pode comprovar a existência de um grupo econômico com base em disposições societárias, trabalhistas, consumeristas ou outra qualquer prevista pelo direito, existe a responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários de qualquer empresa do grupo. Não se pode, portanto, sob pena de ofensa à lei tributária, quererse para o caso de contribuições previdenciárias, desconsiderar a constituição de um grupo econômico com base na legislação trabalhista, seja com base na CLT, ou mesmo na vigente lei do trabalhador rural, Lei nº 5.889/73. Com essas considerações, e firmes na convicção que é ônus do Fisco a comprovação da existência de grupo econômico de qualquer natureza, analisemos o relatório fiscal. "Conforme preceitua o Inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN e o inciso IX do art. 30 da Lei de custeio previdenciário, Lei n° 8.212, de 1991, são responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal (patronal e de segurados) as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si. Nesse contexto, conforme relação de empresas comunicada à fiscalização pelo preposto do contribuinte, e em consulta aos sistemas informatizados da RFB, o sujeito passivo integra o seguinte grupo econômico: Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 24 Ressaltese que, conforme relatado no item llV deste relatório, o sujeito passivo contabilizou na conta contábil 1214020010 GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA o pagamento de parte da folha e de outras despesas pertencentes à empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME, CNPJ : 12.467.576/000142 (nome fantasia: GRAN SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA.) O que caracteriza grupo econômico (e, no caso, consequente vedação dessa empresa GRAN SERVIÇOS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA ME de participação no Simples). De acordo com as diretrizes dos arts. 116, 142, 148 e 149 do CTN, bem como o § 3o. do art. 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o § único e "caput" do art. 233 do Decreto 3.048, de 06/05/1999. Logo, faz parte do grupo econômico a empresa: Encontramos no relatório fiscal a comprovação de grupo econômico caracterizado pela existência de sócios comuns, mesma atuação dentro da atividade econômica, confusão patrimonial e ainda, utilização de meio comum para atingimento dos objetivos sociais. Importa ressaltar que, novamente, não se observa no recurso, nenhum tipo de comprovação da inexistência do grupo. Tal comprovação, caso possível, seria facilmente realizada por meio da demonstração das atividades realizadas, independência na realização dessas atividades, meio distintos para o atingimento dos objetivos sociais, etc... Fl. 991DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10880.723570/201471 Acórdão n.º 2201003.285 S2C2T1 Fl. 980 25 Mister realçar que os mesmos argumentos, sem provas, constam do recurso das devedoras solidárias acostados ao presente processo. Recurso negado também nessa parte. Solidariedade passiva mantida. CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos mencionados, voto por conhecer do recurso interposto pelo devedor principal e pelos demais coobrigados mencionados, e rejeitando a preliminar de nulidade, no mérito, negarlhes provimento, mantendo o crédito tributário em sua integralidade e a solidariedade passiva imputada aos demais coobrigados. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 992DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000547/2004-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO
Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
Numero da decisão: 9101-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.000547/200499 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101002.286 – 1ª Turma Sessão de 5 de abril de 2016 Matéria Legitimidade para opor Embargos Embargante 1ª TURMA ORDINÁRIA da 2ª CÂMARA da 1ª SEÇÃO Interessado LIONE COMERCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA (Sucessora da MG MASTER LTDA) e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 05 47 /2 00 4- 99 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório A Turma ordinária decidiu o recurso voluntário em acórdão que restou vazado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA — CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 40 do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei no 9.430/96. 0 lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos os tributos devidos pelo sucedido. 0 que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato,gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei e a evidencia de provas, onde pede que seja dado provimento ao recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. Admitido o Recurso da Fazenda Nacional, o acordão de recurso especial conheceu e lhe deu provimento, “determinando o retorno dos autos a Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente”. O acórdão da CSRF foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Consta na parte final do voto do relator: Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 Encaminhado o processo ao colegiado a quo e sorteado entre os seus membros, o relator contemplado foi o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. O referido conselheiro apresentou Embargos de Declaração abaixo transcrito: Conforme o termo de verificação de infração de fls. ..., todo um conjunto de auditorias levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRPJ e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSLL (vinte e três para cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de CSLL e seus reflexos. É, portanto, similar a várias dezenas de outros, dos quais vários nos foram distribuídos por retorno determinado pela Câmara Superior. Por meio do acórdão ..., a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário ..., sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deulhe provimento por meio do acórdão ... sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de ofício, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retorno dos autos à “Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto”. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão ..., entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém, que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 4 5 Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão ... . Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, interpomos embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão ... para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta turma. Encaminhado o processo à Primeira Turma da CSRF, os Embargos foram admitidos por despacho do Presidente da CSRF. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Preliminarmente, há uma questão a ser respondida, qual seja: se um relator de Turma Ordinária que recebeu um processo com decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) determinando o retorno a turma a quo poderia, ou não, embargar esse Acórdão, visando esclarecer os contornos e limites do retorno. O tema ganha relevância, pois estarseá a definir a autonomia da decisão da Câmara Superior, se é possível a interpretação autêntica ou se sua interpretação deverá ser avaliada pela turma ordinária que lhe dá cumprimento. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, apresenta, em seu parágrafo primeiro, o seguinte rol de legitimados para oposição de Embargos de Declaração (vale ressaltar que essa redação era a mesma existente no Regimento Interno anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. A partir dos regramentos transcritos, podese discutir o enquadramento nos incisos I e V. a.1) Ao se eleger como legitimado o ‘conselheiro do colegiado’, é defensável que o termo ‘colegiado’ acima envolva a turma de julgamento que tem interesse no que está sendo decidido; assim, poderseia defender que estariam aí os conselheiros do colegiado que julgará o retorno da decisão da CSRF. Não obstante, também é defensável que o colegiado abrange apenas a turma prolatora do acórdão (ainda mais com o acréscimo que se fez no atual regimento interno incluindo a expressão “inclusive pelo próprio relator”). Fl. 384DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 5 7 a.2) A tradição da Casa entende que a segunda alternativa é a mais apropriada, a ela me alio, sob pena de abrir um precedente que poderia evoluir no sentido de que nesse dispositivo caberiam todos os colegiados do Conselho (tendo em vista a subjetividade do que seria um colegiado que tem interesse no julgamento); o que, evidentemente, não é o que desejou o legislador do regimento interno. b.1) Em se tratando do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, poderseia interpretar que a turma a quo poderia ocupar a posição de unidade da administração tributária e que esse “titular” poderia, por analogia, ser o relator ou o Presidente (nesse caso, faleceria competência no caso concreto, pois os Embargos não foram subscritos pelo Presidente), já que é natural pensar que a turma para o qual o processo retornou está “executando” o acórdão. b.2) Mais uma vez, reconhecendo a engenhosidade da alternativa de interpretação, sigo a prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do Código Tributário Nacional) ou a tradição, sem adentrar no campo do direito administrativo que conceituaria “unidade da administração tributária”, para rejeitar a possibilidade e continuar entendendo que o inciso V do art. 65 está apenas voltado para a unidade preparadora. A Portaria MF nº 197, de 23 de abril de 2015, dispôs sobre consulta pública relativa a alterações a serem promovidas no Regimento Interno do CARF. Confiramse alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizará consulta pública com o objetivo de receber contribuições por escrito para aperfeiçoamento do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ... §2º A minuta de Regimento Interno do CARF objeto da consulta será disponibilizada no endereço eletrônico referido no § 1º, acompanhada da exposição de motivos, com indicação dos objetivos institucionais que se pretende alcançar com a nova regulamentação. §3º A apresentação das sugestões, a ser efetivada por meio de formulário próprio disponível juntamente com a consulta, deverá atender à seguinte estrutura: I redação proposta para artigo, parágrafo, inciso, alínea ou item a que se refira; e II justificativa para cada item da proposta, que demonstre a pertinência e o atendimento dos objetivos institucionais. § 4º As contribuições deverão ser enviadas por meio de correio eletrônico para o endereço ricarf_Consulta@carf.fazenda.gov.br, com anexação do formulário próprio de que trata o § 3º. Art. 2º As sugestões recebidas e que atenderem ao disposto no § 3º do art. 1º poderão ser consideradas total ou parcialmente na definição do texto do novo regimento. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 Parágrafo único. O CARF publicará em seu sítio na internet relatório com as justificativas das sugestões não acatadas. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com base nesta louvável1 iniciativa do CARF para o aperfeiçoamento de seu regimento interno, apresentei a proposta de nº 128 com quatro sugestões de mudanças, entre elas estava a seguinte inovação: Novo inciso no parágrafo 1º do art. 65: VI – por relator de turma ordinária, relativamente à decisão da CSRF com providência de retorno a turma a quo, considerandose a ciência como a indicação para o processo em pauta. Na oportunidade, motivei da seguinte forma: Há casos de acórdãos da CSRF que decidem com retorno a turma ordinária, mas não é possível identificar exatamente qual a providência que a turma ordinária deverá tomar. Assim, fazse necessário que o relator desses acórdãos nas turmas ordinárias tenha competência para embargar a decisão da CSRF. Poderia ser utilizado o inciso I, mas esse é voltado apenas ao colegiado no qual o acórdão é proferido. Também poderia ser utilizado o inciso V, entendendose o presidente de turma como titular da unidade da administração tributária para execução do acórdão, ou seja, a turma a quo estaria “executando” o acórdão, mas também essa interpretação é questionável. O CARF justificou o não acatamento afirmando que: Se, após passar por todas as autoridades que têm legitimidade para embargar, ninguém que tomou ciência desta decisão da CSRF embargou, o relator do processo nessas hipóteses irá decidir com os elementos de que dispõe nos autos. Verificase que, embora a motivação do não acatamento tenha sido bem suscinta, foi suficientemente clara em delegar ao relator o poder de interpretar a decisão da CSRF (superando omissões/contradições/obscuridades como bem entender caso não as leve a julgamento ou não sejam identificadas pelos outros Conselheiros – ou apresentando propostas de saneamento – caso decida leválas a julgamento), submetendoa a seu juízo prévio. A partir do estudo dos “anais” de elaboração do regimento interno, podese concluir que foi dada oportunidade ao legislador regimental enfrentar a disciplina da questão e, em tendo este se manifestado no sentido de não acolher a modificação proposta, me permito extrair uma interpretação histórica com a seguinte orientação: nos atuais incisos do art. 65 não há guarida para se incluir entre o rol dos legitimados o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno; estando, 1 Do que tenho notícia foi a primeira vez que um Tribunal resolveu escutar a sociedade civil ao tratar da sua lei orgânica, estão de parabéns as autoridades que assim decidiram! Fl. 386DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000547/200499 Acórdão n.º 9101002.286 CSRFT1 Fl. 6 9 portanto, afastadas as duas possíveis interpretações a que já fiz menção ao tratar dos incisos I e V. Assim, por todo o exposto, o relator deverá interpretar a decisão da Turma da CSRF que determina o retorno para determinada turma ordinária e, caso encontre omissões/contradições/obscuridades, leválaás a julgamento da turma, como foi feito no julgamento que restou no Acórdão nº 1201001.173, sessão de 04/03/2015, da qual participei, onde os contornos da decisão da Turma da CSRF foram dados pela decisão da Turma Ordinária do CARF, conforme se pode perceber da parte dispositiva do acórdão, abaixo transcrito: “... os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003.” Nesse sentido, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, e determinar o retorno dos autos a Turma a quo. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
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Numero do processo: 16682.720053/2014-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Dec 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN.
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3402-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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(SUCESSORA DA COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 53 /2 01 4- 62 Fl. 12885DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – DEMAC/RJO, no montante de R$ 222.044,56, à data da autuação, compreendendo Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício proporcional de 75%, conforme enquadramento legal constante no referido documento. A infração apontada foi a falta de recolhimento de imposto em decorrência de utilização de créditos básicos considerados indevidos, decorrentes de aquisições de insumos empregados na elaboração de lubrificantes, produtos nãotributados (NT) na Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Também foram glosados créditos extemporâneos de IPI, por duplicidade de escrituração, ou seja, créditos que já haviam sido escriturados na época oportuna, bem como créditos extemporâneos que não tiveram sua legitimidade comprovada, mediante apresentação dos respectivos documentos fiscais. Em sua impugnação, o contribuinte aduziu que: I) industrializa e comercializa combustíveis e derivados de petróleo, como óleos lubrificantes, imunes por força do art. 153, §3º, da CRFB/88 e que em virtude da resposta favorável obtida através da decisão nº SRRF/7ª RF/DISIT 248/2000 em consulta formulada através do processo nº 13710.001070/9970, lançou em sua escrita fiscal créditos do IPI originados da aquisição de insumos tributados aplicados inclusive na industrialização de combustíveis, cuja saída é imune. II) os óleos lubrificantes produzidos seriam derivados de petróleo, estando abrangidos pela imunidade do art. 155, §3º da Constituição Federal. Sustenta que o art. 6º, inciso III, da Lei n°. 9.478/1997 Lei do Petróleo estabelece, dentre as definições técnicas utilizadas pelo setor petrolífero, que derivados de petróleo são "os produtos decorrentes da transformação do petróleo", o que não excluiria os produtos da Impugnante. Invoca as definições feitas na Portaria n° 17/2009 da Agência Nacional do Petróleo ANP, órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos biocombustíveis no Brasil. III) Argumenta que a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovada pelo Decreto n° 6.006/2006 – TIPI/2007 inclui os óleos lubrificantes “sem aditivos” (2710.19.31) e “com aditivos” (2710.19.32) dentro da Fl. 12886DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.879 3 classificação do item 2710.1, não fazendo distinção entre o óleo lubrificante obtido imediatamente após o refino (sem aditivos) ou em etapas subsequentes (com aditivos). IV) Esclarece que os óleos lubrificantes produzidos pela impugnante são compostos com mais de 70% de óleos de petróleo, conforme esclarecido nas Fichas de Informação de Segurança do Produto Químico de alguns de seus produtos. V) Que há que se distinguir o tratamento jurídico da não incidência em sentido estrito da imunidade tributária. Conclui que a vedação ao aproveitamento de créditos do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados em produtos classificados na TIPI como NT seria cabível, tão somente, nos casos de não incidência em sentido estrito, onde não há processo de industrialização. VI) Invoca a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248/2000, que entendeu pela viabilidade do aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, ainda que a saída dos produtos fosse imune, permitindo a sua compensação ou ressarcimento. VII) Alega violação ao princípio da proteção da confiança, com a alteração veiculada pelo ADI 05/2006 e que a interpretação restritiva do art.11 da lei 9.779 não pode prevalecer sob pena de ferir os princípios da nãocumulatividade do IPI e da isonomia. VIII) Afirma que não pode um ato infralegal, como o ADI nº 05/2006 possa se sobrepor a uma disposição expressa de norma hierarquicamente superior, a exemplo do Decreto n° 4.544/ 2002 – Regulamento do IPI. IX) Alega ainda que, não obstante os efeitos vinculantes da Súmula 20 do CARF, esta não seria aplicável ao caso em tela, pois nenhum de seus precedentes decorreria de hipóteses de imunidade ou isenção, mas tão somente de não incidência em sentido estrito. A DRJ/POA julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES. São imunes à incidência do IPI os derivados de petróleo, entre eles os óleos lubrificantes básicos ou aditivados, que possuem a notação de nãotributados (NT) na TIPI. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. IMUNIDADE. Não existe previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de insumos empregados na industrialização de produtos considerados ao abrigo da imunidade objetiva estabelecida no art. 155, § 3º da Constituição Federal. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. Fl. 12887DF CARF MF 4 Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. GLOSA NÃO CONTESTADA. Considerase definitiva a glosa não contestada. Impugnação Improcedente Diante da improcedência, apresentou o contribuinte Recurso Voluntário no qual aduziu, além dos argumentos já mencionados, a decadência do período de janeiro de 2009, com base na aplicação do art.150, §4º do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo portanto ser conhecido. 1. Preliminarmente 1.1. Da decadência do período de janeiro de 2009 O Recorrente alega que o período de apuração do IPI relativo a janeiro de 2009 estaria decaído pelo fato da notificação do lançamento ter ocorrido apenas em 31/01/2014, devendose aplicar a regra do art.150, §4º do CTN para fulminar os créditos decorrentes de fatos geradores anteriores a 31/01/2009. Refletindo sobre o tema, reformamos posição que assumimos preteritamente para concordar com a posição do Recorrente. O art. 124 do RIPI/02 é expresso em equiparar pagamento à compensação: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; I o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou Fl. 12888DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.880 5 III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Entendo que a melhor leitura desse dispositivo foi realizada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em seu voto vencedor no Acórdão CSRF nº 9303003.299, reproduzido abaixo: Considero que o objetivo desse dispositivo é compatibilizar as normas de apuração do imposto, em face do princípio da não cumulatividade, àquelas do Código Tributário Nacional relativas ao lançamento por homologação. Mais claramente, dispor sobre os casos em que o contribuinte nada recolhe (em Darf) simplesmente porque entende nada ter a recolher. Registro, por isso, que só estamos a julgar sob tal dispositivo o período de apuração de agosto de 1999, em que nada foi recolhido em DARF, dado que o montante dos créditos que o contribuinte entendia possuir foi suficiente para "liquidar" todo o débito do período. O mesmo não ocorreu com respeito ao mês de junho de 1999, em que houve saldo devedor, aparentemente recolhido por meio de DARF já que a fiscalização o considerou na apuração que fez (planilha de fls. 199/202 dos autos). Como se sabe, muito discutiu a doutrina acerca da necessidade de efetivo recolhimento para que a decadência se contasse na forma do art. 150. Os opositores a essa corrente sempre apontaram exatamente essa situação em que o sujeito passivo realiza todos os procedimentos que a Lei lhe exige, mas constata, ao final, nada ter a recolher. Isso não era bem resolvido nos tributos cumulativos, a exemplo do PIS e da COFINS, até porque a possibilidade de saldo zero era remota. No caso do IPI, porém, (e também do ICMS estadual) ela é bem real. Por isso, é que leio a equiparação a pagamento prevista no regulamento do IPI como sendo bastante ampla. Com efeito, pareceme que ela procura assegurar que uma vez escriturados os créditos a que o sujeito passivo entenda ter direito (ainda que erradamente) o prazo de que dispõe a Fazenda para revisar os procedimentos adotados é o do art. 150, salvo se em tais procedimentos comprovadamente tiver agido com dolo, fraude ou simulação. Essa leitura soame mais consentânea com a lógica daquele artigo, que transfere ao sujeito passivo responsabilidades que, a todo sentido, deveriam ser do sujeito ativo (porquanto de seu interesse) e apenas lhe traz como bônus a redução do prazo revisional. Assim, a menos que saiba ou deva saber não serem aproveitáveis (admitidos) os créditos que está a escriturar, hipótese em que essa escrituração seria dolosa, o sujeito passivo não pode apenas arcar com o ônus das disposições do art. 150, isto é, proceder a todos os controles e apurações ali previstos e ainda assim poder ter contra si lavrado auto de infração no prazo do art. 173, I. Fl. 12889DF CARF MF 6 Essa interpretação, aliás, o colocaria na mesma situação de quem não adotasse qualquer daqueles procedimentos, desde que, também a este, não se pudesse imputar dolo. Notese que quando de efetivo recolhimento em Darf se trata, a situação é rigorosamente a mesma: a menos que se tenha viabilizado de forma dolosa, o recolhimento, ainda que a menor que o devido, tem a força de manter o prazo decadencial contado na forma do art. 150. Desnecessário repetir, a fiscalização não fez acusação de atitude dolosa por parte do autuado e, coerentemente, não qualificou a multa aplicada. Entendo que até o poderia porque não há na legislação do IPI qualquer dispositivo que autorize o creditamento de valores a título de "tributos pagos indevidamente", mas a sua ausência implica, a meu sentir, a manutenção das disposições relativas ao lançamento por homologação. Nesses termos, voto por reconhecer a decadência do período anterior a 31/01/2009. 2. Do mérito 2.1. Da imunidade relativa aos óleos lubrificantes e sua indicação na TIPI com a notação NT A glosa referese a créditos decorrentes de insumos tributados utilizados na fabricação de óleos lubrificantes acabados, na sua maioria derivados de petróleo, apresentados na TIPI/2007 com a notação NT. Tal notação decorre do fato de tratarse de produtos imunes por força do art. 155, §3º, da Constituição Federal de 1988. Para enfrentar o enquadramento do produto produzido pela recorrente na categoria de óleos lubrificantes acabados nos socorremos da fundamentação utilizada no acórdão recorrido, a qual subscrevemos abaixo: Em síntese, se os óleos lubrificantes minerais básicos são produtos decorrentes do refino do petróleo, enquadramse no conceito de derivados de petróleo segundo as disposições do § 3º do art. 18 do RIPI/2002, e, conseqüentemente, são alcançados pela imunidade conferida pelo artigo 155, § 3º, da Carta Magna. E, por serem óleos lubrificantes derivados de petróleo, classificamse na posição 2710.1931 (quando não aditivados) ou 2710.1932 (quando acrescidos de aditivos ao óleo básico), posições essas que possuem a notação NT na TIPI/2007. A elaboração da Tabela de Incidência do IPI leva em consideração a peculiaridade dos derivados de petróleo conforme definições da legislação de regência, os quais foram nela incluídos com a notação “NT”, podendose concluir que esta decorre, sim, da imunidade prevista pelo art. 155, § 3º, da Constituição vigente, e que foi conferida porque o legislador entendeu que os óleos lubrificantes neles classificados enquadramse no conceito de derivados de petróleo adotado pela Constituição Federal. Vale ressaltar Fl. 12890DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.881 7 que, ao contrário, quando não atendessem àquela definição, foram incluídos como produtos tributados, com alíquota zero ou positiva. À vista da classificação prevista na TIPI/2007, temse que tanto o óleo lubrificante mineral básico, produzido pelas refinarias de petróleo,como os óleos lubrificantes acabados, formulados a partir dos óleos minerais básicos classificamse na posição 2710. Também não se pode dizer que o fato de a indústria de óleos lubrificantes acabados não efetuar operações de refino significa que os óleos formulados a partir dos óleos lubrificantes básicos obtidos do refino do petróleo estejam, automaticamente, excluídos do conceito de derivados de petróleo. Ao contrário, como visto, continuam tendo o mesmo tratamento na TIPI os óleos lubrificantes acabados que, por terem como constituinte principal os óleos minerais básicos empregados em sua formulação (mais de 70% em peso), mantêm as características essenciais daqueles (dos óleos básicos) e, portanto, permanecem classificados sob os códigos 2710.1931 ou 2710.1932. Observase que, adotado o entendimento da fiscalização de que os lubrificantes produzidos pela autuada não são derivados de petróleo em virtude do estabelecimento não executar operações de refino, teríamos, como consequência, produtos distintos classificados em um mesmo código da TIPI com notação NT, sendo que, para alguns produtos (óleos minerais básicos) a notação NT decorreria da imunidade conferida pelo § 3º do art. 155 da CF, e, para outros (óleos minerais acabados), decorreria de motivos outros que não a imunidade, o que denota, no mínimo, incompatibilidade com a lógica da tributação consolidada pela TIPI, antes referida. Ressaltase que para desconsiderar os produtos como derivados de petróleo o autuante partiu da premissa que os óleos lubrificantes produzidos pela empresa foram obtidos em etapas posteriores da cadeia produtiva, a partir da adição, aos óleos minerais básicos, de aditivos químicos e sua posterior embalagem (fl. 12400). Assim, tal premissa apenas reforça o entendimento de que, de um modo geral, o processo de industrialização levado a efeito pela impugnante não altera a essência dos óleos lubrificantes básicos a partir dos quais são formulados, resumindose a acrescer aditivos, tanto que a fiscalização não contestou a classificação fiscal adotada pela interessada, que se refere a derivados de petróleo. Dessa forma, concluise que os citados produtos enquadram se no conceito de derivado de petróleo de que trata o §3º, do art. 18, do RIPI/2002 e na descrição da posição 2710 da TIPI/2007 e, por esta razão, são alcançados pela imunidade Fl. 12891DF CARF MF 8 conferida pelo art. 155, § 3º, da Constituição Federal, apresentando, em decorrência disso, a notação NT. Não restam dúvidas que os óleos lubrificantes acabados se enquadram na imunidade do art.155, §3º, pelo que se passa às questões seguintes. 2.2. Da aplicabilidade do ADI SRF nº 05/2006 Pareceme que a questão principal nesse processo é a possibilidade do Fisco aplicar o disposto no ADI SRF nº 05/2006, citado abaixo: Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi).Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Naturalmente, como se trata de um ato interpretativo, há que se verificar de plano os dispositivos que pretende interpretar, nomeadamente o art.11 da lei nº 9.779/99 e o art.4º da IN SRF nº 33/99, verbis: Lei 9779/99 Art.11.O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. IN SRF 33/99 Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos Fl. 12892DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.882 9 recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Tal dispositivo fundamentou a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248, de 17/10/2000, que, em favor da Recorrente, entendeu pela viabilidade do aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados, com base no art. 11 da Lei nº. 9.779/99, ainda que a saída dos produtos fosse imune, permitindo a sua compensação ou ressarcimento. E no exato sentido atribuído ao dispositivo pela Instrução Normativa que foi reproduzido o dispositivo no RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores, que preceituava em seu art.195, §2º que: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). (...) § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Por força do art.212 do Código Tributário Nacional, cabe ao Poder Executivo consolidar a legislação sobre determinado tributo e veiculála na forma de uma regulamento próprio, como o fez nesse caso do IPI, para que sirva de orientação exclusiva para o contribuinte na assunção de suas atividades econômicas. Isso se dá pelo fato da realização de uma consolidação implicar na revogação formal das leis incorporadas à essa consolidação, nos termos do art.13, §1º da Lei Complementar 95/98, com alteração promovida pela Lei complementar nº107/01: Art. 13. As leis federais serão reunidas em codificações e consolidações, integradas por volumes contendo matérias conexas ou afins, constituindo em seu todo a Consolidação da Legislação Federal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) § 1º A consolidação consistirá na integração de todas as leis pertinentes a determinada matéria num único diploma legal, revogandose formalmente as leis incorporadas à consolidação, sem modificação do alcance nem interrupção da força normativa dos dispositivos consolidados. O dispositivo é de matemática clareza, conquanto a expressão revogação formal precise de certa explanação. O que acontece, nesses casos, é a substituição do texto legal que fundamenta determinada norma do ordenamento jurídico nesse caso, com a Fl. 12893DF CARF MF 10 substituição do art.11 da lei 9.779/99 pelo art. 195, §2º do RIPI/2002, ambas dispondo sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI. Em vista disso, ao pretender dispor sobre a aplicação "do art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999", o ADC SRF Nº5/2006 está dispondo, em rigor, sobre o RIPI/2002, nos termos da Lei Complementar 95/98. É preciso que o comando do art.13, §1º da LC 95/98 reste bem compreendido: ao pugnar o reconhecimento do direito à utilização dos créditos, a Recorrente não está a pretender uma interpretação extensiva do art.11 da lei 9.799/99, mas sim uma interpretação literal do RIPI/2002 que, por força da lei complementar mencionada é a fonte formal reconhecida pelo ordenamento para a matéria. Cotejando os dispositivos do ADI e do RIPI, verificase que enquanto este autoriza expressamente a tomada de créditos de insumos aplicados na produção de produtos imunes, aquela veda expressamente, configurando um conflito normativo meramente aparente. A aparência de conflito decorre da simples solução que o mesmo comporta com a aplicação do critério hierárquico, haja vista que enquanto o RIPI tem força de lei ordinária, conforme os dispositivos supracitados, o ADI tem natureza infralegal, consistindo em ato administrativo de caráter normativo, nos termos do art.230, III da Portaria MF nº30/2005. Poderseia também discutir a natureza interpretativa do ADI nº5/2006, todavia, diferentemente do que a interpretação autêntica poderia operar, atuando de forma inaugural no sistema jurídico, as disposições interpretativas exaradas do Executivo somente tem força nos estritos limites semânticos da lei (o texto normativo que o valha) que pretenda interpretar. Como já nos manifestamos no Processo 10925.003204/200890, acerca dos atos normativos de natureza interpretativa há que se observar algumas coisas, frisando que na ocasião tratávamos de LEIS interpretativas: Em primeiro lugar, acerca do conteúdo do ato, podese aduzir que ele assumirá (seguindo a tipologia de Guastini) forma declarativa, decisória ou criativa o que nos parece poder ser reduzido a três possibilidades (GUASTINI, Ricardo. Interpretare e Argomentare. Milano: Giuffré, 2011, p.84): i) Em primeiro lugar, pode ser o caso de existir uma moldura (para usar o léxico kelseniano) de múltiplos sentidos interpretativos possíveis para determinado texto de lei, sejam eles gramaticais, jurisprudenciais ou de qualquer outra fonte, cabendo ao legislador escolher um dentre eles. ii) Em segundo lugar, pode suceder que exista a moldura citada acima, mas que o legislador escolha um significado além desse marco preexistente. iii) Em terceiro lugar, pode ser o caso de que não haja, em absoluto, uma multiplicidade de interpretações divergentes, mas uma interpretação determinada e consolidada (jurisprudencialmente, por exemplo), e que o legislador imponha significado distinto do usualmente aceito. Fl. 12894DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.883 11 Como precisamente colocado por Gustavo Zagrebelsky2, apenas no primeiro caso estaremos diante de uma lei interpretativa que constitua genuína interpretação, isto é, que atue de forma decisória, sem inovar no conteúdo do Direito vigente. Nos demais casos, o que há é inovação, criação de norma nova, não suportada semanticamente pela lei interpretada. (ZAGREBELSKY, Gustavo. Il sistema delle fonti del diritto. Torino: UTET, 1984. P.91.) No caso de atos administrativos de caráter interpretativo, além da restrição semântica há um segundo constrangimento, estritamente relacionado à sua força normativa, qual seja, o fato de ser destinado apenas aos agentes administrativos vinculados ao prolator da ordem. Prova material da discrepância entre o conteúdo do RIPI/2002 e do ADI mencionado é que o RIPI/2010 alterou a redação do dispositivo para adequálo à interpretação pretendida pela Fazenda Pública, em seu art.256, §2º: Art.256.Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos §2oO saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Como se vê, o que há é uma clara retração da amplitude do direito à utilização de créditos de IPI após 2010, mas que não estava presente à época da vigência do RIPI 2002, salvo pela malfadada tentativa de "interpretar" o dispositivo de forma absolutamente contrária à sua literalidade. Entender desta forma representaria uma radical subversão da ordem jurídica, pois um ato infralegal, como o ADI nº. 05/2006, jamais poderá se sobrepor a uma disposição expressa de uma norma hierarquicamente superior. Mais do que isso, o ADI nº. 5/06, poderia escolher uma das interpretações possíveis dentre aquelas oferecidas pelas normas hierarquicamente superiores, mas não inovar no ordenamento jurídico, criando uma distinção artificiosa entre saídas imunes destinadas à exportação e saídas imunes voltadas para o mercado interno. Sobre a distinção pretendida pelo administradorintérprete, sempre válida a lição milenar: Ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir, é dizer, devese cumprir a norma tal qual é, sem pretender acrescentar condições novas, nem tampouco dispensar qualquer das expressas (Cf. FALCONE, Giuseppe. Regulae juris: esposizione sistematica in confronto al Codice Civile italiano. 2. ed.. Fl. 12895DF CARF MF 12 Palermo: Alberto Reber, 1906. P.50; No mesmo sentido, MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito, 18ªed. Rio de Janeiro: Forense, 1998. P.246247). Desse modo, resta claro que o administrador andou mal ao proferir o ADI nº05/06, distinguindo indevidamente onde o RIPI/02 não diferençou, sendo portanto francamente inválido nesse ponto. Pelo texto literal do RIPI/2002, tem direito à utilização dos crédito de insumos aquele que utilizálos para a produção de produtos imunes. 2.3. Da (não) aplicação da Súmula CARF nº20 No Acordão da DRJ, a 3ª Turma reconhece que o produto da Recorrente é imune, na maneira como dispõe o §3º do art. 155 da Constituição Federal. Afirma, ainda, que os produtos são enquadrados como NT, pela impossibilidade de denominar os produtos de outra forma. Em respeito ao princípio da legalidade tributária, o IPI está previsto na Lei nº. 4.502/1964 que, em seu art. 1º, previu a incidência do imposto sobre os produtos industrializados descritos na TIPI. Contudo, é importante destacar que a TIPI adota a classificação NT para três situações distintas: imunidades, isenções e não incidências em sentido estrito. Delimitado o campo da competência tributária, tem o legislador ampla liberdade para definir, abstratamente, a hipótese tributária. Fazendoo, delimita o campo de incidência do tributo e, por exclusão por força do princípio da legalidade do art.150, I da CF , determina o campo da não incidência em sentido estrito (Cf. SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário, 5ªed. São Paulo: Saraiva, 2015, p.242243). Especificamente em relação ao IPI, corrobora essa distinção a abalizada doutrina de Ricardo Lodi Ribeiro: “Embora os produtos que estão fora do campo de incidência do IPI por não sofrerem processo de industrialização (não incidência em sentido estrito) sejam corretamente classificados pela Tabela do IPI como não tributados (NT), não sendo suscetíveis, como vimos, ao regime de creditamento, é forçoso reconhecer que a adoção da referida sigla pela tabela não adota o critério técnicojurídico adequado, uma vez que elenca como NT produtos que sofreram processo de industrialização, sendo sua intributabilidade derivada de imunidade ou isenção, e não de não incidência em sentido estrito. Entre tantos outros é o caso, por exemplo, do gesso (código 2520.20.90 na TIPI), material obtido por meio do processo de industrialização a partir da transformação da gipsita (código 2520.10.1). Na TIPI consta como NT, mas tratase de verdadeira não incidência determinada pelo legislador (isenção). O mesmo fenômeno é encontrado em operações imunes, como os combustíveis e derivados de petróleo, imunizados pelo art. 155, parágrafo 3º, CF, mas que constam na tabela como sendo NT, como é o caso da gasolina (código 2710.11.59). Evidentemente, se os itens classificados como NT na TIPI não derivam de não incidência em sentido estrito, mas de imunidade ou isenção, o direito de crédito deve ser reconhecido nos termos do art. 11 da Lei nº. Fl. 12896DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.884 13 9.779/99”. (Ribeiro, Ricardo Lodi. “Não Cumulatividade do IPI, Insumos Imunes, Isentos e Não Tributados e o Novo RIPI”, In.: Revista Dialética de Direito Tributário nº. 183, 2010, p. 116.) Tal distinção não assume foro somente doutrinário, mas gozando de respaldo jurisprudencial do próprio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Ordinário em Mandado de Segurança de nº 13.947/SP tratou disso. A ementa do julgado é a seguinte: Isenção e não incidência de impostos. A revogação do favor legal restaura para o Fisco a faculdade de exigir tributo preexistente, não se deparando assim a hipótese do art. 141 § 34 da Constituição. Desprovimento do apêlo extremo.(RMS 13947, Relator(a): Min. PRADO KELLY, Terceira Turma, julgado em 17/05/1966, DJ 16111966) No acórdão, julgado por unanimidade, o Ministro traz o seguinte exemplo de caso típico de não incidência: "o caso de não incidência do imposto de consumo sobre máquinas de costura, pois, adotando o legislador federal a técnica da enumeração nominal das máquinas sujeitas à tributação, deixou de mencionar a máquina de costura, ao passo que arrolou a máquina de cortar papel, concluindose, daí, que as máquinas de costura escapam à incidência do imposto do consumo" (Cf. SCHOUERI. Ob.Cit. P.244) Tal distinção é relevante quando se analisa a incidência ou não da Súmula CARF nº20 ("Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.") no caso em tela. É preciso, para definir a aplicabilidade ou não da mesma, a análise dos seus fundamentos determinantes, consubstanciados nos acórdãos paradigmas de sua elaboração, procedimento este imposto pelo art.489, §1º, V do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2016), que se aplica ao procedimento administrativo, verbis: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; No caso da súmula em comento, os acórdãos em questão são os seguintes, conforme pesquisa no sítio virtual do CARF: Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003; Acórdão Fl. 12897DF CARF MF 14 nº 20215366, de 03/12/2003; Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004; Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005; Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. 1) Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003 O primeiro acórdão indicado sequer trata do tema do IPI, tampouco da notação NT, versando sobre a exigência de PIC, conforme se depreende de sua ementa: NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/prescrição para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mas com o da resolução do Senado da República que suspendeu do ordenamento jurídico a lei declarada inconstitucional. Pedido acolhido para afastar a decadência. COMPENSAÇÃO. Os indébitos, oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte. 2) Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 e Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004 Quanto ao segundo e terceiro acórdão, a ementa é basicamente a mesma, pelo que reproduzo a do primeiro deles: IPI CRÉDITOS BÁSICOS RESSARCIMENTO INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT na TIPI). Com a entrada em vigor da Lei nº 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Recurso ao qual se nega provimento. De pronto, verificase que não há opção de download do acórdão no sitio virtual do CARF, o que nos obriga a especular de que insumo se trata. Felizmente, o contribuinte de ambos os processos é denominado "INDUSTRIA DE CAL SN LTDA", provavelmente versando a discussão sobre o mesmo produto: concreto usinado. Nesse caso, tratase de produto sujeito à não incidência em sentido estrito, e não à imunidade tributária. 3) Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Fl. 12898DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.885 15 O presente acórdão, por sua vez, versa sobre a tomada de créditos de insumos utilizados na produção de águas minerais, gaseificadas ou não, que estão, conforme reconhecido na própria decisão do eminente Conselheiro Jorge Freire, fora do campo de incidência do IPI, caracterizando não incidência em sentido estrito e sujeita à notação NT na TIPI. 4) Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Por fim, o último acórdão versa sobre os insumos utilizados na produção de manga e uva frescas, que estão fora do campo de incidência do IPI, recebendo a notação NT por se tratar de não incidência em sentido estrito. Essa minuciosa análise dos acórdãos paradigmas que embasaram a súmula CARF nº20 bastam para demonstrar que ela não pode ser aplicada em casos outros que não sejam de não incidência em sentido estrito, sob pena de considerarse não fundamentada a decisão proferida com base nela, com fulcro no art.489, §1º, V do Novo CPC. Dessa forma, não cabe a aplicação da súmula mencionada ao caso em tela. 3. Conclusão Por todo o exposto, dou provimento à preliminar de decadência e, no mérito, dou provimento integral ao Recurso Voluntário, para o reconhecimento dos créditos decorrentes de insumos utilizados na produção de produtos imunes. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Voto Vencedor Com a devida vênia divirjo do ilustre relator. Primeiramente, como bem pontuado na r. decisão, a autuada não se insurgiu contra as glosas dos créditos extemporâneos, pelo que inconteste tal glosa. DECADÊNCIA Quanto à decadência ao direito da Fazenda constituir o crédito tributário, embora não alegada em sede de impugnação, entendeu o nobre relator, tratandose de matéria de ordem pública, de enfrentála, inclusive modificando seu posicionamento em relação a outros arestos em que se julgou matéria análoga, acerca da decadência envolvendo a contra gráfica do IPI. Divirjo. De forma alguma o saldo credor da contra gráfica pode ser equiparado a pagamento, mesmo com todo o esforço possível, quando houve glosa de créditos ilegítimos, o que, em consequência, tornou o saldo devedor, como in casu. Pois tratandose de créditos ilegítimos, como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não pode Fl. 12899DF CARF MF 16 operar, uma vez esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a extração dos créditos ilegítimos da escrita do contribuinte os saldos credores passaram a ser devedores, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I do CTN. Assim, tendo a recorrente tendo sido cientificada do lançamento em 31/01/2014 (fl. 12418) e referindo o período de apuração mais antigo janeiro 2019, não há que se falar em dacadência, uma vez que o termo ad quem foi 01/01/2010 e o termo a quo seria 31/12/2014. Dessarte, afastase a pugnada, em sede recursal, decadência. MÉRITO A questão de fundo cingese à análise se é possível o creditamento de insumos que foram utilizados em produtos como notação NT na TIPI, objeto da glosa, com consequente refazimento da escrita fiscal e, na hipótese vertente, tendo sido constatado saldo devedor, com a exigência do IPI então devido. Tenho máxime convicção que não pode haver tal creditamento porque os produtos com notação NT da TIPI estão fora do campo de incidência do IPI, seja por serem imunes, seja por outra causa que o legislador assim entenda. Preliminarmente, registrese que não há qualquer controvérsia envolvendo a liquidez dos valores glosados e o refazimento da escrita do IPI, que deram azo à cobrança deste imposto e a não homologação das compensações. O Fisco utilizou de rateio em função do contribuinte não disponibilizar o Livro Registro de Controle de Estoque. O núcleo da questão a ser solvida é se produtos classificados na TIPI com notação NT (Não Tributado), como aqueles objeto da lide, permitem creditamento dos valores de seus insumos. Em consequência, não entendo como prejudicial ao deslinde da quaestio saber se os produtos que a recorrente dá saída (óleos lubrificantes sem aditivos 2710.19.31 e óleos lubrificantes com aditivos 2710.19.32) são imunes ou não (uma vez que notados na TIPI como NT), pelo que não adentro nesse mérito. Fl. 12900DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.886 17 Sendo assim, o que resta a ser decidido é se produtos com notação na TIPI NT, imunes ou não, podem dar ensejo ao creditamento dos valores dos insumos neles aplicados. O art. 45 do mesmo Regimento ao elencar as hipóteses de perda de mandato dos Conselheiro, estatui em seu inciso VI uma delas: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62. Portanto, se a matéria já tiver sido objeto de enunciado de Súmula CARF, descabe a discussão do mérito, mas de simples aplicação da mesma. A referida Súmula tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. A transcrita Súmula é clara, hialina, no sentido de que, independentemente de serem os produtos imunes, descabe crédito de valores de insumos que serão aplicados em produtos cuja notação seja NT. Assim, descabe, inclusive, a discussão se os produtos NT estejam no campo de incidência do IPI ou não porque os Conselheiros, que devem lealdade ao RICARF, deverão aplicar a Súmula de forma objetiva. E nela que fundo a conclusão deste voto. Com a devida vênia, a leitura que o relator faz da Súmula e seus precedentes é um exercício de sofisma. Contudo, teço alguns comentários a título de ilustração acerca do mérito. No que tange ao princípio da nãocumulatividade, por ser matéria de índole constitucional, descabe a este Colegiado decidir sobre seu mérito. Entretanto, certo que o próprio STF no REsp 398.365, dentre outros, julgado pelo Plenário em repercussão geral julgado em 27/08/2015, ao não admitir o creditamento de insumos não tributados, sujeitos à alíquota zero e isentos modulou os efeitos desse princípio. Só este fato já é suficiente para afastar a afirmação que o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito, não havendo nenhuma vedação constitucional à manutenção do crédito em caso de saída subsequente não tributada. Essa leitura, com a devida vênia, é velha é quer fazer renascer tese moribunda. Quanto à Lei 9.779/99, seu artigo 11, não faz menção à produtos imunes. Vejase: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 12901DF CARF MF 18 Salientese que esta legislação mudou radicalmente a sistemática do IPI, que tinha por fundamento a nãocumulatividade, consubstanciada na possibilidade de compensação do "que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Ou seja, os valores passíveis de creditamento somente era possível em relação ao que a doutrina veio a chamar de créditos básicos, pois não havia que se falar em crédito quando este era zero, ou não havia incidência da norma impositiva (isenção). Contudo, esta norma inovadora não fez menção a produtos imunes, que tem tratamento diverso. No caso do IPI, há imunidade especificamente em relação a ele, quando se tratar da imunidade objetiva, qual seja, produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, § 3º, III). O fato dessa novel Lei não se referir a insumos imunes, é esquecido pela recorrente. De outro turno, ao referirse ao IPI, a Carta estatui que: “Art. 21 (...) § 3º O imposto sobre produtos industrializados será seletivo em função da essencialidade dos produtos, e não cumulativo, abatendose, em cada operação, o montante cobrado nas anteriores”. Assim, dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, eram deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Restando valor a crédito, era transferido para o período seguinte. Pois bem, até a edição da 9.779, o que tínhamos eram os referidos créditos básicos, antes referidos, e aqueles apelidados de incentivados. Estes eram, e são, créditos que fogem à natureza do IPI, mas que têm por escopo incentivo fiscal, como aqueles, v. g., da DL 411/99 (incentivo à política de exportação), dos produtos egressos da Amazônia ocidental (DL 1.435/75 (política de incentivo à economia e povoamento dessa região do Brasil), e tantos outros visando algum tipo de política governamental. A IN SRF 33/99, foi editada especificamente para regulamentar o art. 11 da Lei 9.779. Essa IN ao fazer menção, em seu art. 4º, ao aproveitamento dos insumos, a que se refere a Lei, aplicados em produtos imunes, ipso facto, não reconheceu que se referia a todo e qualquer produto industrializado imune. Não teceu a recorrente qualquer comentário quanto ao fato de que o art. 11 da Lei 9.779/99 não fazer menção a produtos imunes, desta feita apegandose à norma administrativa. Mas será que frente a este fato a Administração não extrapolou seu poder regulamentar? Certamente, não, e não poderia! Os créditos em relação a produtos imunes são aqueles que decorrem de lei específica do favor legal (benefício/incentivo fiscal), onde é criado, por mandamento legal strictu sensu, um crédito ficto de natureza incentivada ( a lei garante a manutenção e utilização dos créditos, mesmo que não haja cobrança do IPI na saída). Esse é o caso do DecretoLei 411/69 em relação a produtos industrializados exportados. Mas para isso, antes, o produto exportado deve ser industrializado. A esses casos que se aplica o art. 4º da IN 33/99. Vale dizer, a imunidade a que se refere o artigo 4º da IN SRF nº 33/99 é tão somente aquela relativa a produtos tributados (portanto, presentes no campo de incidência do IPI) destinados ao exterior (sobre os quais se aplica a imunidade constitucional em razão da destinação à exportação), cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às Fl. 12902DF CARF MF Processo nº 16682.720053/201462 Acórdão n.º 3402003.658 S3C4T2 Fl. 12.887 19 matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na industrialização, como visto, é assegurado pelo art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. Contudo, a mesma Normativa, disso se esqueceu de fazer referência a peça recursal, no § 3º do art. 2º, dispôs que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". Mas, em qualquer hipótese, a legislação lato sensu, sempre fez menção a produtos industrializados. Pois bem, justamente em função dessa leitura desvirtuada, a meu sentir, da recorrente é que veio a Receita Federal expedir ato no sentido de esclarecer esse eventual conflito entre o que dispôs o § 3º do art. 2º, a respeito do qual a recorrente silencia, e o artigo 4º da IN 33/99. Assim, para mais aclarar o já aclarado, a RF editou o ADI nº 5, de 17/04/2006, que prescreve: “Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior”. Ora, não houve mudança alguma de critério jurídico pela Administração. Ao contrário, ela foi de toda coerente. O que houve foi distorção do entendimento da administração tributária para "fazer nascer" crédito indevido, e, como de costume, sair a compensarse desarrazoadamente com débitos indiscutíveis, pois certos e líquidos. Não se olvide que o procedimento fiscalizatório teve por escopo inicial a verificação da legitimidade de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI, relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2009, objeto de Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Por fim, o fato é que em todos os casos aludidos sempre a legislação fez menção a produtos industrializados. E, indubitavelmente, os produtos com notação NT, independentemente de sua causa, estão fora do campo de incidência do IPI. Assim sendo, em relação a esses produtos, mesmo que por hipótese seu insumo sofra alguma modificação, como Fl. 12903DF CARF MF 20 alegado, não incide a legislação do IPI. E uma vez não incidindo a legislação do IPI, não há, em consequência, direito a crédito algum. Disso decorre o mandamento a que se refere o citado no § 3º do art. 2º, ao estatuir que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". E para que não mais pairasse discussão em torno do tema o art. 6º da Lei 10.451/2002, prescreveu o seguinte: Art. 6o O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Diante do exposto, nos termos da Súmula CARF nº 20, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 12904DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901407/2014-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.341
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 07 /2 01 4- 73 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901407/201473 Acórdão n.º 3402003.341 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908670/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.291
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 70 /2 01 2- 16 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.564, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908670/201216 Acórdão n.º 3201002.291 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914827/2012-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.288
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.827, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 27 /2 01 2- 18 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914827/201218 Acórdão n.º 9303004.288 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914827/201218 Acórdão n.º 9303004.288 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10930.903571/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 29/08/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 71 /2 01 2- 01 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.914, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10930.903571/201201 Acórdão n.º 3402003.543 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725754/2009-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 415 1 414 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.725754/200992 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.155 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente RAILDA RODRIGUES SUZART Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 54 /2 00 9- 92 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 9202004.155 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 9202004.155 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 9202004.155 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 9202004.155 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.720518/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 51 8/ 20 13 -1 4 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720518/201314 Resolução nº 2301000.620 S2C3T1 Fl. 987 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de supostas omissões de rendimentos. Foram excluídos do lançamento os valores devidamente comprovados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF A Anocalendário: 2008 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Existindo nos autos elementos que identificam o beneficiário de depósitos bancários, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano calendário, expirando o prazo decadencial em 5 (cinco) anos, a contar desta data, nos casos de lançamento por homologação. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter os rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondentes a rendimentos recebidos de pessoas jurídicas pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter os rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondentes a rendimentos recebidos de pessoas físicas pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou Fl. 987DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720518/201314 Resolução nº 2301000.620 S2C3T1 Fl. 988 3 jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Face aos elementos constantes dos autos, excluemse os créditos originários de transferências entre contas de mesma titularidade e os resultantes de venda de ações de propriedade do interessado. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. No lançamento de ofício a multa a ser aplicada é de 75%, conforme estabelece a legislação vigente. Outrossim, refoge à competência da autoridade administrativa a análise de aspectos constitucionais atinentes ao confisco. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. A legislação vigente determinou a cobrança de juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza decorrentes tributos e contribuições, não pagos nos prazos previstos, inclusive sobre a multa de ofício, não estando, portanto caracterizado o bis in idem na cobrança dos juros de mora quando aplicada multa de ofício. Correta a exigência dos juros sobre o crédito tributário constituído, escoado o prazo para pagamento. SOBRESTAMENTO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Uma vez instaurado o procedimento administrativo, compete ao Poder Público o seu impulsionamento até o ato fim, em obediência ao Princípio da Oficialidade, não existindo, por outro lado, qualquer previsão normativa para a sua suspensão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações em impugnação: a) em primeiro lugar, afirma que o interessado teria cumprido todas as suas obrigações perante a Fazenda Pública Federal e como o autuado não apresentou acréscimo patrimonial a descoberto, não lhe restaria alternativa, mas propor a impugnação; b) preliminarmente, argumenta que teria havido erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e que não estaria caracterizada a existência de acréscimo patrimonial a descoberto, pois não seria ele o real beneficiário dos valores apurados pela fiscalização, mas sim o escritório do qual é sócio e que o representa nesse instrumento, Braga Nascimento e Zílio Advogados Associados. Tal afirmação seria comprovada pelos contratos de prestação de serviços, acostados aos autos. O interessado seria apenas o representante legal daquela pessoa jurídica, o que teria sido feito em obediência às normas do poder judiciário e comprovado pelas guias e alvarás que estariam acostados aos autos; Fl. 988DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720518/201314 Resolução nº 2301000.620 S2C3T1 Fl. 989 4 Nesta parte, afirma que as receitas seriam decorrentes de comercialização de produtos alimentícios; portanto, deveria ser equiparado a pessoa jurídica, fls. 956. c) argumenta que o instituto da presunção não seria admitido na legislação tributária brasileira para constituir crédito tributário em favor do fisco (fl. 568) e cita o art. 122, II, do CTN (in dúbio pro reo). Afirma que na constituição do crédito tributário, caberia ao fisco comprovar a infração, coletar todas a provas, sob pena de nulidade do ato que constituiu o lançamento. Assim, pede pela nulidade do auto de infração; d) o Auto de Infração, no que tange aos meses de janeiro e fevereiro de 2008, estaria fulminado pela decadência, conforme estabelecem o Código Tributário Nacional (art. 150, § 4º do CTN) e a pacífica jurisprudência a respeito, uma vez transcorridos mais de 5 (cinco) anos do seu fato gerador, pois o interessado foi notificado em 18/03/2013; e) a planilha elaborada pela fiscalização não teria considerado resgates de ativos financeiros, em especial da Bolsa de Valores (venda de ações) e transferências entre contas correntes de titularidade do próprio interessado (fls. 572 a 574); f) não teria ocorrido a hipótese de incidência do imposto de renda da pessoa física, por não ter se caracterizado o aumento do patrimônio equivalente; g) a quebra de sigilo bancário seria inconstitucional, conforme a jurisprudência e a doutrina (cita ambas), ferindo o art. 5º, X (sigilo de dados, direito à privacidade) e o preceito da separação de poderes (art. 2º), o que acarretaria a nulidade do auto de infração; h) a mera existência de depósitos bancários não justificados não caracterizaria omissão de rendimentos (fl. 595); i) haveria despesas dedutíveis que não foram levadas em conta pela fiscalização, decorrentes dos processos judiciais (fls. 601 e 602); j) a multa de 75% teria caráter confiscatório e seria desproporcional (fl. 604) – cita doutrina e jurisprudência; k) a existência de cobrança concomitante de multa de ofício e juros de mora caracterizaria bis in idem, e seriam ambas sanções ressarcitórias; Acrescenta e comprova que a Sra Regina Araújo Nogueira Braga é cotitular das contas bancárias mantidas no Banco Nossa Caixa (017577398), Banco Safra (007.2544) e Banco Santander (010004810), fls. 979 e s. Constam nos autos que contas bancárias mantidas no Banco Real foram migradas para o Banco Santander, fls. 243 e s. É o Relatório. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720518/201314 Resolução nº 2301000.620 S2C3T1 Fl. 990 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, verifico que a fiscalização constituiu crédito tributário pela presunção legal de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada para as seguintes contas bancárias, fls. 536 e 543: a) Banco Nossa Caixa (7577398) b) Banco Safra (219512, 72544 e 9238194) c) Banco Real (conta poupança) Compulsando os autos, também constatase que a Sra Regina Araújo Nogueira Braga não é informada na DAA do recorrente como sua dependente, fls. 54. Na intimação às fls. 15 é solicitado ao recorrente que emita declaração sobre os responsáveis pela movimentação bancária e no caso de omissão seria considerada a responsabilidade compartilhada com a Sra Regina Araújo Nogueira Braga. Após, foram solicitados os extratos bancários. Constam nos autos documentos comprovando a titularidade desde a época do procedimento de fiscalização, fls. 252. Assim, considerando o entendimento no acórdão 9202003.742 da 2ª Turma da CSRF, acompanhado por esta turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária, que não apresentem declaração em conjunto, devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, na fase que precede à lavratura do Auto de Infração com base na presunção legal de omissão de rendimentos, sob pena de exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da exigência (Súmula CARF Vinculante nº 29, de 2009). Recurso Especial do Procurador negado Faz necessário antes da apreciação de mérito que sejam esclarecidos: a) a Sra Regina Araújo Nogueira Braga apresentou declaração de ajuste anual separadamente para o período dos supostos depósitos de origem não comprovada? b) a conta bancária conjunta mantida no Santander, fls. 982, foi objeto do lançamento? Fl. 990DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720518/201314 Resolução nº 2301000.620 S2C3T1 Fl. 991 6 c) o recorrente e a Sra Regina Araújo Nogueira Braga possuem o mesmo domicílio fiscal e residência? Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre as respostas no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 991DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16327.003751/2003-96
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ANO-CALENDÁRIO: 2000
INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9 069/1995.
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS - PERC.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, deve ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, não cabe o indeferimento do PERC.
Numero da decisão: 1802-000.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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MINISTÉRIO DA FAZENDA . ; • : / CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , . . PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1 1 Processo n° j 6327.003751/2003-96 Recurso n° 158.387 Voluntário Acórdão n° 1802-00.336 — 2° Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente J.P. MORGAN S.A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. Recorrida 8 TURIVIA/DRJ - SÃO PAULO/SP. ANO-CALENDÁRIO: 2000 INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9 069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, deve ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, não cabe o indeferimento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termo3detelatório e voto que passam a inteigrar o presente julgado. - , - ----E --S i • . 1 Q ES q S DE S O 100' residente jp ..1 EDWAL CASONIHaidai,- .0. ERNANDES JUNIOR —Relator _.„0/11111,r EDITADO EM: ,, -- , Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente convocado), Nelso Kiehel (Suplente convocado) i Processo n16327.00375112003-96 SI -TE02 Acórdão n.° 1802-00336 Fl. 2 e Edwal Casoni de Paula Femandes Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. • 2 Processo nj6327.003751/2003 .96 SI-TE02 Acórdão s.° 1802-00.336 Fl. 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntariamente apresentado pelo contribuinte acima qualificado pretendendo reformar decisão proferida pela 8 Turma da DRJ de São Paulo/SP. Versa o feito em testilha acerca de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais — PERC — relativo ao ano calendário 2000 (fls. 01 — 02), conquanto houve ordem de emissão para o FINOR/F1NAM associada à inclusão do contribuinte no sistema IRPJOEIF (fl. 02), confirmando-se pelas informações constantes do extrato acostado à folha 3, tendo em conta os valores liberados foram inferiores aos declarados (fl. 47), situação provocada pela ocorrência 4, observada quando do processamento eletrônico da declaração em apreço, que se traduz pela redução do valor liberado em função de insuficiência de recolhimento do imposto devido no exercício, destarte, a revisão pleiteada visou a liberação dos valores representados pela diferença entre esses e aqueles declarados. De acordo com os dados constantes da Ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais — da DIPJ/2001, a recorrente destinou parcela do imposto de renda para aplicação no FINOR e no FINAM consoante demonstrativo de folha 47. Manifestou-se a autoridade administrativa nos termos do Despacho Decisório de folhas 59 a 62, indeferindo-se o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, esclarecendo-se que o recorrente apresentou uma única DIPJ/2001, tendo esta sido processada e liberada sem registro de eventos, entretanto, quando do processamento da declaração, foi apurado o percentual de pagamento do imposto igual a 91,45%, resultando assim, na liberação proporcional correspondente ao recolhimento do imposto. A par disso, e antes de apreciar-se a questão propriamente dita, a autoridade administrativa verificou se a recorrente satisfazia os requisitos formais que viabilizam a utilização do beneficio, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria, e nesse mister foram consultados o CADIN, PGFN, INSS e CEF/FGTS (fls. 51 —58). Extraindo dessa consulta que a mais recente CND de que dispunha recorrente, emitida pela SRF teria expirado em 09/0412002, bem como haveria situação de irregularidade perante a PGFN (fl. 54) e mais recente CND emitida pelo INSS teria expirado em 19/05/2004 (fl. 57) estando a recorrente inscrita no CADIN (fl. 58), com o que materializou-se no entender da autoridade administrativa, as vedações previstas nos artigos 60 da Lei n°. 9.069/95, 6°, da Lei n°. 10.522/02 e 47 da Lei n°. 8.212/91. Cientificada (fl. 64) a recorrente apresentou Recurso Administrativo (fls. 65 — 86), arguindo em síntese que não lhe foi oportunizado defender-se das irregularidades apontadas ferindo-se assim, o principio do contraditório e ampla defesa. Ademais não seria legítima a exigência de regularidade fiscal posterior à opção pelo investimento nos fluidos regionais. Esforçou-se por evidenciar a nulidade da decisão por cerceamento de defesa, visto que o Despacho Decisório não enfrentou o mérito subjetivo do direito de que dispunha a recorrente, limitando-se a mencionar dispositivos de lei estranhos ao regime do incentivo Processo 46327.003751/2003-96 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.336 Fl. 4 fiscal, citando precedentes de julgados administrativos e notas doutrinárias. Reafirma que o momento de aferição da regularidade fiscal é diverso do adotado pela autoridade administrativa, argumentando ter havido ofensa aos princípios da segurança jurídica e da legalidade, teceu outras tantas considerações e requereu o provimento de suas razões. A solicitação foi indeferida pela 8 a Turma da DRJ de São Paulo/SP (fls. 135 — 151), afastando-se na espécie a ocorrência de qualquer nulidade, e afirmando-se que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal, nos termos do artigo 60 da Lei no. 9.069/95, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais e que ausentes os documentos que comprovam a dita regularidade o PERC não haveria de ser deferido. O julgador Isidoro da Silva Leite declarou seu voto para os fins de dar parcial procedência à solicitação da recorrente, que intimada da decisão desfavorável (t1.153) apresentou Recurso Voluntário (fls. 154 — 175) afirmando haver contrariedade nas alegações do Fisco, e que o correto momento para aferir-se a regularidade fiscal é equivalente ao momento da opção pelo incentivo, insiste no cerceamento de defesa e na ilegalidade da exigência de CND como pressuposto para concessão do beneficio fiscal, pugnando por provimento. É o relatório. 4 Processo 46327.003751/2003-96 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00336 Ft 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator O recurso foi tempestivo e preenche as condições de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratamos aqui de Pedido de Revisão de Incentivos Fiscais (PERC) formulado pelo recorrente tendo em conta a negativa parcial à emissão de ordem de incentivos fiscais relativos ao ano calendário 2000, porquanto não se localizou a integralidade do recolhimento devido no período, sendo então, deferido o beneficio fiscal na proporção dos recolhimentos conhecidos. No Despacho Decisório (fls. 59 - 63), o indeferimento do pedido pela autoridade administrativa apontou como óbice, até mesmo para que se apreciasse o mérito, a existência de irregularidade fiscal da recorrente, constatando pendências no CADIN, PGFN, INSS e CEF/FGTS (fls. 51— 58). Daí porque, o indeferimento se deu com base em diversos artigos, sobressaindo a fundamentação do artigo 60 da Lei n°9.069/1995, verbis: Artigo 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. A decisão recorrida confirmou o indeferimento da emissão da ordem de incentivos fiscais, considerando que o recorrente não dispõe de regularidade fiscal, eis que ausentes as certidões negativas, e, inscrito no CADIN. Diante desse quadro, para deslindar a questão apresentada é mister verificar o momento em que a autoridade administrativa deve observar a regularidade fiscal do contribuinte, como já relatado, entendeu a decisão recorrida que tal momento é coincidente com o da análise do PERC. Com a devida vênia, desse entendimento não comungo, e anoto que razão assiste ao recorrente quando aduz ser o momento correto a tal perquirição, aquele no qual se opta pelo investimento em fundos regionais, momento esse, que se externa na apresentação da DIPJ. Entender de forma diferente, por exemplo, na data do processamento da declaração ou na data em que a autoridade administrativa proceda ao exame do pedido, impossibilitaria a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do Processo 46327.003751/2003-96 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00-336 Fl. 6 processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele ano calendário, podendo influenciar a concessão do beneficio em anos- calendário subsequentes. Veja-se a propósito disso, o entendimento adotado na 8 Turma do então Conselho de Contribuintes, em que foi relator o eminente Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca, litteris: Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 2001 - PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Na aoreciacão do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater à data da opção pelo incentivo questionado. Recurso Voluntário Provido. Número do Recurso: 160.002, Número do Processo: 16327.001281/2004-15. sessão realizada em 19/09/2008, Provimento por unanimidade. (Grifos meus) A posição do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes se consolidou no sentido de que a regularidade fiscal deve ser analisada em relação à data de apresentação da Declaração de Rendimentos, onde o contribuinte manifesta sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. E nesse propósito, colho o fundamento para este entendimento no Acórdão n° 101-96.204, proferido em 13/06/2007 pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Para a solução da lide faz-se necessário idennficar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar aprova de tal regularidade. Diferentemente do defendido pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que o momento em que se deve verificar a regularidade fiscal do sujeito passivo, quanto à quitação de tributos e contribuições federais, é a data da opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos, na declaração de rendimentos, portanto na data da apresentação de sua DIRPJ Entender de forma diferente, por exemplo na data do processamento da declaração ou na data em que a autoridade administrativa proceda ao exame do pedido, impossibilitaria a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. Processo 46327.003751/2003-96 SI-TE02 Acórdão n.°1802-00336 Fl. 7 O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à • quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair • sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele ano-calendário, podendo influenciar a concessão do beneficio em anos calendários subseqüentes." Da mesma forma, há decisões de outras Câmaras do Primeiro Conselho, nesse mesmo sentido: Terceira Câmara, Acórdão 103-23515, de 27/06/2008 "Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional Em • homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança • jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja • deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o • deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal." Quinta Câmara, Acórdão 105-16164, de 09/11/2006 • "Ementa:-PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. Descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior à opção pelo beneficio fiscalRecurso provido." Sétima Câmara, Ac. 107-0932, de 06/03/2008 "Ementa:-INCENTIVOS FISCAIS - PERC — REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. - Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. - É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento Recurso Provido." Assim sendo, dentre os elementos apurados, constato que não há nos autos comprovação de que as pendências fiscais já existiam no momento em que a contribuinte manifestou sua opção pelo incentivo fiscal, isto e, na data da entrega da Declaração de Rendimentos. Processo 46327.003751/2003-96 SI-TEM Acórdão n/' 1802-00336 Fl. 8 Traçado um panorama quanto à data da verificação de regularidade fiscal, e constatando ser aquela da opção pelo investimento regional, que como vimos refere-se à parcela do Imposto de Renda do ano calendário de 2000, a procedência do Recurso Voluntário se impõe, haja visto, que os extratos acostados pela própria autoridade administrativa dão conta que o recorrente tem contra si apontadas situações de irregularidades a partir do ano 2004, em momento ulterior, portanto,à entrega da DIPJ do ano calendário 2000. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, para os fins específicos de determinar que autoridade administrativa analise o mérito do PERC. Sala das Sessõe , em 26 de janeiro de 2010. Edwal Casoni e Pau : andes Junior 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS %. 2> Processo : 16327.003751/2003-96 Recurso : 158387 Acórdão : 1802-00336 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.336. Brasília - DF, em 10 de março de 2010 José Roberto França Secretári da r Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência • [ ] Com Recurso Especial • [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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