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Numero do processo: 10825.900725/2008-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2004
DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este
indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1402-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2004 DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SENDI ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA., já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 04/06/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/18, na qual alega, em síntese: a) que compensou CSLL devida por estimativa, do mês de maio de 2004, com saldo negativo de CSLL decorrente do anocalendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no anocalendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela taxa Selic; f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu um equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, anobase 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 36.843,49, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 devem ser apensadas em um único processo administrativo. Ao final, requer que seja concedido total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de nº 05423.86561.160604.1.3.044525, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 3 A decisão recorrida está assim ementada: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto de renda devido nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. No voto condutor do aludido acórdão, destacamse os seguintes fundamentos: O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de nº 05423.86561.160604.1.3.044525. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de julho de 2003, no valor de R$ 11.963,32, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de julho de 2003, no valor de R$ 11.963,32. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/8/2011(fls. 69 a 75) , no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento . É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, o contribuinte apontou na DCOMP um direito creditório relativo a recolhimento de CSLL que seria indevido. Após a DCOMP não ter sido homologada, apresentou declaração retificadora do IRPJ, dentro do prazo de 5 anos do fato gerador original, para aflorar saldo negativo de recolhimentos (SNR) e na manifestação de inconformidade alegou erro no preenchimento da DCOMP afirmando que este seria a origem do credito. Em que pese as veementes alegações da peça recursal, bem como os elementos de prova apresentados, verificase, de plano, que não se trata de erro de preenchimento da DCOMP. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). Na prática a pretensão da contribuinte equivale a um novo pedido de compensação, para que o débito seja compensado com outros créditos, até porque na data de apresentação da DCOMP o contribuinte não possuía Saldo Negativo de Recolhimentos do ano Fl. 98DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900725/200815 Acórdão n.º 140200.785 S1C4T2 Fl. 0 5 calendário 2003. Tal procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide Outrossim, registro que o contribuinte pode pleitear esse mesmo crédito em outro processo, pois, o prazo para aproveitamento do Saldo Negativo de Recolhimento dos IRPJ é de 5 anos, contado de quanto não mais possa ser utilizado, conforme vem decidindo esse colegiado, a exemplo do acórdão 140200.697 de 5/8/2011. ISSO POSTO, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 99DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904140/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.904140/200991 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.061 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 40 /2 00 9- 91 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu COFINS não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de COFINS não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de COFINS não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 16032.745. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.904140/200991 Acórdão n.º 3302005.061 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003782/2003-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF/2015. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. DIVERSIDADE DE DISCUSSÕES JURÍDICAS. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Se os contextos fáticos analisados pelos acórdãos recorrido e paradigma são distintos e as discussões jurídicas que suscitam são diversas, logicamente constata-se a inexistência da divergência jurisprudencial requerida pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (a exemplo do que já acontecia na vigência do RICARF/2009), devendo, como consequência, ser negado o conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL SÃO NICOLAU LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF/2015. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. DIVERSIDADE DE DISCUSSÕES JURÍDICAS. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Se os contextos fáticos analisados pelos acórdãos recorrido e paradigma são distintos e as discussões jurídicas que suscitam são diversas, logicamente constatase a inexistência da divergência jurisprudencial requerida pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (a exemplo do que já acontecia na vigência do RICARF/2009), devendo, como consequência, ser negado o conhecimento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 37 82 /2 00 3- 47 Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 15/05/2012, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 110300.608, por meio do qual os membros da 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida exonerou a cobrança dos créditos tributários de IRPJ e de CSLL lançados pela Fiscalização em relação ao anocalendário de 1998. O lançamento foi motivado pelo fato de a contribuinte COMERCIAL SÃO NICOLAU LTDA. (que foi posteriormente incorporada pela empresa SAINT GOBAIN VIDROS S.A., até então sua controladora) não ter adicionado às bases de cálculo dos tributos as parcelas não dedutíveis de custos relativos a aquisição de bens importados. Os produtos cujos custos foram considerados parcialmente indedutíveis foram adquiridos de empresas integrantes do grupo SAINT GOBAIN, o mesmo da contribuinte, sediadas em vários países. Assim, as exportadoras foram consideradas vinculadas à contribuinte importadora, nos termos do inciso V do art. 23 da Lei nº 9.430/1996, o que implicou na submissão das operações às regras relativas a preços de transferência. O preço parâmetro, considerado como teto de dedutibilidade dos preços dos produtos importados de empresas vinculadas estrangeiras, foi calculado pela Fiscalização pelo método do Preço de Revenda menos Lucro PLR, adotandose uma margem de lucro de 20%, nos termos então previstos no art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 38/1997. A diferença entre tal preço e aquele praticado pela contribuinte para cada item adquirido foi, então, adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. A autuação fora integralmente mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, cancelada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DECADÊNCIA Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 4 3 O fato gerador de IRPJ e de CSL ao optante do pagamento mensal por regime de estimativa se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano calendário. Não consumação de decadência inclusive à luz do art. 150, § 4º, do CTN. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO – MENOR TRIBUTAÇÃO COMPENSADA COM MAIOR TRIBUTAÇÃO NA CONTROLADORA A transferência indireta de lucros para a pessoa vinculada no exterior, evitandose sua tributação no Brasil, permanece mesmo com a menor tributação na recorrente importadora compensada por maior tributação na sua controladora no Brasil. Além disso, não vige no País a tributação em conjunto de pessoas jurídicas. TRATADOS INTERNACIONAIS – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA O Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, § 2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas somente o § 1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm’s length price. Inexistência de ofensa ao art. 9º dos Tratados celebrados pelo Brasil. PRL – APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO COM BASE EM VENDAS PRATICADAS COM PESSOA LIGADA A expressão “não vinculados” no contexto do art. 18, § 3º, da Lei 9.430/96 deve ser interpretada lógica, sistemática e teleologicamente. Nesse sentido, ela compreende a vedação da apuração do preço parâmetro pelo método PRL, com base nas vendas feitas pela importadora a pessoa ligada (situada no País). Tratase de norma de apoio, e não de norma base de preços de transferência. O contrário torna sem sentido a regra de ajuste, distorcendoa completamente, além de colidir com o princípio arm’s length concretizado através desse método. Aplicação do método PRL efetuada pelo autuante que resulta derruída. Os autos foram encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 23/03/2012 e lá recebidos em 29/03/2012, conforme consta no carimbo aposto na Relação de Movimentação do sistema Comprot encontrada à fl. 975 da versão digital do presente processo. Nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados pessoalmente intimados das decisões do contencioso administrativo em 30 (trinta) dias contados da data do recebimento do processo pela PGFN. No caso específico dos autos, a intimação presumida da Procuradora se deu, portanto, em 30/04/2012, uma vez que o dia 28/04/2012, trigésimo dia da contagem, foi um sábado, dia nãoútil. Em 15/05/2012, último dia do prazo de 15 (quinze) dias para a interposição recursal, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial tempestivo se insurgindo contra o Acórdão nº 110300.608, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da adotada em outro processo julgado no âmbito do extinto Primeiro Conselho de Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 5 4 Contribuintes, no que diz respeito ao correto conceito do termo "pessoas vinculadas" contido no art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a recorrente apontou como paradigma, que teria dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido, o Acórdão nº 10195.211, prolatado pela 1ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. A recorrente narra que o acórdão recorrido decidiu que o método PRL não poderia ser aplicado com base em preços praticados pela contribuinte autuada com empresas a ela vinculadas e situadas no Brasil, mas apenas com compradores independentes. Ao assim proceder, a decisão recorrida teria entrado em conflito com o Acórdão paradigma nº 101 95.211. A decisão paradigma apontada teria, segundo a recorrente, exposto entendimento contrário ao adotado pelo acórdão recorrido, ao defender que o conceito de pessoas vinculadas contido no art. 18 da Lei nº 9.430/1996 apenas se refere a compradores vinculados situados fora do território nacional, não obstando a utilização do método PRL quando se tratarem de empresas vinculadas situadas no Brasil. Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, a recorrente apresenta ainda uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: O legislador brasileiro, ao estabelecer na Lei nº 9.430/1996 as regras aplicáveis aos preços de transferência, determinou que, nas importações realizadas por contribuintes nacionais junto a empresas estrangeiras vinculadas, o custo de aquisição dos bens, serviços e direitos não pode ser dedutível do lucro real na parte que exceder o custo apurado com base em um dos seguintes métodos: Método dos Preços Independentes Comparados (PIC); Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL); e Método do Custo de Produção mais Lucro (CPL); Tal limitação de dedutibilidade não ofende ao conceito de renda e não representa penalidade. De acordo com o art. 6º do DecretoLei nº 1.598/1977, o lucro real é o lucro líquido do período, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Assim como ocorre no art. 18 da Lei nº 9.430/1996, a legislação prevê várias outras limitações para a dedução de custos da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL; Se o contribuinte não ajusta o preço de transferência, sem apresentar nenhuma razão plausível para tanto, ou efetua o ajuste com base em método que não poderia ser aplicado ao seu caso particular, ou não utiliza dados consistentes ou confiáveis, ou, ainda, infringe o método utilizado, cabe ao Fisco sanar o equívoco; O método PRL adotado pelo legislador brasileiro difere daquele criado pela OCDE. O método idealizado por aquela organização internacional visa à comparação de margens de lucro entre as operações controladas e as independentes, com o objetivo de se Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 6 5 estender a margem que seria de mercado às operações de revenda entre empresas vinculadas. Já o método brasileiro trabalha com a revenda dos mesmos produtos importados estabelecendo uma margem fixa de 20%, que deve ser alcançada nas operações, independentemente da natureza vinculada ou não dos compradores; A vedação contida no § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 deve ser analisada à luz do entendimento do método PRL dado pela legislação brasileira, não das normas da OCDE que sejam conflitantes com a legislação interna; Ao estabelecer que o método PRL não pode levar em conta, por ocasião dos cálculos que determina, os preços praticados pela empresa com compradores vinculados, o § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 implicitamente remete ao art. 23 do mesmo diploma legal; Todos os incisos do aludido art. 23 dispõem acerca de hipóteses de vinculação entre uma pessoa residente e outra não residente, uma vez que é a transferência de lucro para o exterior, sem a devida tributação, o cerne da política de preços de transferência. As eventuais alocações de lucro entre empresas de um mesmo grupo econômico situadas em território nacional não se enquadrariam nas regras de preços de transferência, mas sim nas aplicáveis à Distribuição Disfarçada de Lucros; Assim, resta evidente que o conceito de pessoa vinculada que impede a utilização do método PRL não compreende pessoa vinculada localizada no território nacional, mas sim e tão somente a situada fora do país; Tampouco procede a alegação de que a contribuinte poderia ser enquadrada como interposta pessoa (trading company), uma vez que existe vinculação societária entre ela e a compradora dos produtos que importa. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento tributário. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 17/09/2015. O aludido despacho considerou cumpridos os requisitos formais de admissibilidade e configurada a divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma indicado, conforme arguido pela recorrente. Assim, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em 09/10/2015, mesmo antes de ser oficialmente intimada acerca do teor do Acórdão nº 110300.608, da interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional e do despacho que o admitiu (em conformidade com o art. 69 do Anexo II do RICARF/2015), a contribuinte protocolou contrarrazões ao recurso fazendário. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pela contribuinte recorrida: O posicionamento da jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que "a aplicação do método PRL devese dar através de preços de revenda praticados com pessoas Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 7 6 independentes [no Brasil], sob pena de se corromper o método PRL". Assim, inexiste qualquer precedente em sentido contrário, o que por si comprova o descabimento do recurso especial fazendário, pela ausência de divergência jurisprudencial; Tanto é assim que o Acórdão nº 10195.211, indicado como paradigma no recurso especial da Fazenda Nacional, aborda situação fática que sequer é similar à tratada nos presentes autos; A decisão paradigma apenas considera que o método PRL seria aplicável para apurar ajustes de preços de transferência em relação a operações entre partes vinculadas no Brasil e no Exterior, mas em nenhum momento faz referência à possibilidade de aplicação do aludido método nas hipóteses em que as revendas de mercadorias no Brasil são feitas pela sociedade importadora a parte não independente (do mesmo grupo econômico), como acontece nos presentes autos; Assim, o recurso especial apresentado pela PGFN sequer deve ser conhecido, tendo em vista a imprestabilidade do acórdão paradigma indicado; Em conformidade com o entendimento manifestado no acórdão recorrido, o art. 18, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 estabelece que, para fins de aplicação do método PRL, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados; A mesma vedação consta do art. 241, § 3º, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999) e do art. 12, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (que repete a regra já trazida pelas Instruções Normativas SRF nº 38/1997 e nº 32/2001); A regra contida nos dispositivos mencionados é clara e não comporta discussão: o PRL não pode, em hipótese alguma, tomar como base o preço de revenda dos bens importados para empresas que não sejam independentes entre si; No caso dos autos, como a contribuinte vendia os bens e equipamentos que importava exclusivamente para sua então controladora (SAINT GOBAIN VIDROS S.A., à época denominada de COMPANHIA VIDRARIA SANTA MARINA), compradora obviamente a ela vinculada, não há que se falar na aplicação do métodos PRL, em razão do que dispõe o § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996; A interpretação dada ao termo "pessoa vinculada" não pode, como defende a recorrente, ficar restrita ao conceito do art. 23 da Lei nº 9.430/1996, aplicandose somente às pessoas vinculadas situadas fora do Brasil. O objetivo da regra que veda a aplicação do método PRL às operações de revenda a pessoas vinculadas é evitar que o preço de revenda seja influenciado pelas questões corporativas que distanciam o valor de revenda do justo valor de mercado; Assim, para que haja vinculação, pouco importa se as revendas são realizadas para compradores brasileiros ou estrangeiros. Se houver qualquer tipo de relação entre as empresas que possa ensejar a prática de preços diferentes dos de mercado, será inaplicável o método PRL; Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 8 7 A contribuinte recorrida centralizava as importações realizadas por diversas fábricas possuídas por sua controladora sediada no Brasil. Os produtos importados eram posteriormente revendidos por sua controladora a terceiros independentes e somente neste momento o justo preço de revenda era apurado. Assim, é evidente que o preço praticado na revenda dos bens importados pela recorrida à sua controladora era influenciado por outras questões comerciais relevantes, não podendo ser validamente utilizado como parâmetro para aplicação do PRL; Embora o Brasil não faça parte da OCDE, a Exposição de Motivos da Lei nº 9.430/1996 afirma expressamente que as regras de preços de transferência foram propostas em conformidade com as regras adotadas nos países integrantes da OCDE. Assim, as orientações da OCDE servem como importante guia de interpretação das regras de preços de transferência adotadas no Brasil, inclusive aquela contida no item 2.14 do Relatório de 1995 da OCDE, que dispõe que "o método do preço de revenda iniciase com o preço pelo qual o produto foi adquirido de uma empresa vinculada e revendido para uma empresa independente"; Assim, de acordo com o disposto no acórdão recorrido, a interpretação lógica, sistemática e teleológica do § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 leva à conclusão de que é vedado o cálculo do preço parâmetro do método PRL com base em vendas a pessoa ligada no Brasil; Como a aplicação do método PRL era inviável (por conta da vedação do § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996) e também seriam inaplicáveis no caso concreto da contribuinte recorrida, conforme reconhecido pela decisão de primeira instância, os métodos PIC ou CPL, os preços efetivamente praticados nas operações de importação devem prevalecer para fins de dedutibilidade dos resultados tributáveis; Ainda que não houvesse tais impedimentos à utilização do PRL no caso analisado pelo acórdão recorrido, mesmo assim não poderiam ser realizados ajustes relativos a preços de transferência por força de tratados firmados pelo Brasil com vários países (Argentina, Espanha, França, Itália, Japão, Países Baixos, Suécia, entre outros) para fins de evitar a dupla tributação em matéria de imposto de renda; De acordo com estes tratados bilaterais internacionais, somente podem ser realizados ajustes nas bases de cálculo dos tributos quanto ficar comprovada a transferência de resultados para o exterior (mediante a manipulação de preços), sendo vedada a adoção de presunções desprovidas de comprovação técnica, como ocorreu no caso dos presentes autos; A multa de ofício aplicada contra a contribuinte recorrida, no percentual de 75% do crédito tributário lançado, é abusiva, extorsiva, expropriatória e confiscatória, em total confronto com o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; No que diz respeito aos juros de mora, a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que a lei não criou tal taxa para este fim; Os juros de mora à taxa SELIC não podem incidir sobre a multa de ofício, já que esta configura penalidade e não tem natureza tributária. A multa não configura débito decorrente de tributos e contribuições e, por isso, não se submete à regra legal que determina a correção pela aplicação de juros de mora. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 9 8 Por conta de tudo que expôs, a contribuinte recorrida pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial fazendário, mantendose os termos do Acórdão nº 110300.608 e, consequentemente, o cancelamento das exigências de IRPJ e de CSLL veiculadas nos autos de infração. Os autos seguiram então para a CSRF para julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme foi relatado, a contribuinte trouxe, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, arguição preliminar de não conhecimento recursal fundamentada na alegação de que inexistiria divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma. Inicio meu voto pelo exame de tal tese. Vencida tal etapa, passarei ao exame da única matéria de mérito que foi objeto de recurso especial, atinente à interpretação a ser dada ao termo "compradores não vinculados" presente no § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Conhecimento do recurso especial A contribuinte recorrida defende que o Acórdão nº 10195.211, único paradigma elencado no recurso especial da Fazenda Nacional, não aborda situação fática sequer similar à tratada nos presentes autos. Ainda nas palavras da recorrida, a decisão paradigma somente analisa a aplicabilidade do método PRL para apurar ajustes de preços de transferência em operações realizadas entre partes vinculadas situadas no Brasil e no exterior. Em nenhum momento o acórdão paradigma teria se referido à possibilidade de aplicação do aludido método em situações como a analisada nos presentes autos, em que as revendas de mercadorias no Brasil são feitas pela sociedade importadora a parte não independente. A análise das alegações trazidas pela contribuinte recorrida demanda, inicialmente, que sejam identificados o contexto fático examinado e a controvérsia jurídica desenvolvida no Acórdão nº 10195.211. Com este intuito, transcrevemse as seguintes passagens de interesse: "EMENTA (...) IRPJ — PREÇO DE TRANSFERÊNCIA — IMPORTAÇÃO — LIMITE DA DEDUTIBILIDADE DOS CUSTOS — ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDOS DOS EXCESSOS APURADOS — Os custos constantes dos documentos de importação em operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos estabelecidos na legislação de regência. Correta a tributação de ofício sobre as diferenças dos preços praticados na importação que superam o preço parâmetro, apurado conforme determinação legal, quando na apuração do lucro real a empresa deixa de fazer a adição ao lucro líquido do exercício dos excessos verificados. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 11 10 MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS O LUCRO — PRL — APLICABILIDADE — REVENDA DE EQUIPAMENTOS — Sendo perfeitamente aplicável à situação da empresa fiscalizada o Preço de Revenda menos o Lucro (PRL), tornase insubsistente a contestação acerca da viabilidade do método adotado na apuração do preço parâmetro, sobretudo quando nos autos foi mantido o método antes adotado pela autuada. (...) RELATÓRIO (...) Cientificada da decisão de primeiro grau em 07/01/2004, conforme AR às fls. 894, a contribuinte protocolizou, no dia 30/01/2004, o recurso voluntário, no qual apresenta em síntese, os seguintes argumentos: a) que a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 18, ao estabelecer regras fixas e percentuais específicos de margem de lucro, engessa a procura pelo equilíbrio nas transações, pois deixa de analisar aspectos econômicos, sociais e transacionais existentes, capazes de interferir nos negócios jurídicos ou econômicos da pessoa jurídica, não podendo, portanto, a fiscalização e os ilustres julgadores de primeira instância afirmarem que o referido dispositivo legal respeita regras da OCDE, quando na verdade, as leis brasileiras empregam métodos inflexíveis; (...) c) que, conforme entendimento manifestado no acórdão, não está enquadrada na situação de venda atípica relacionada pelo art. 29 da citada instrução normativa. A legislação não define, mas apenas exemplifica o que vem a ser "operação atípica", aliás cabendo outras operações que não apenas as citadas ao longo do transcrito artigo 29 do IN SRF 38/97. Assim, nada impede que seja adotado o entendimento de considerar atípica toda atividade que de alguma forma não seja normalmente realizada pela empresa, como foi o caso da extraordinariedade das operações com os equipamentos relacionados; d) que, através dos esclarecimentos prestados pela recorrente, verificase que as máquinas foram adquiridas principalmente com o objetivo de demonstrar a existência de um novo produto para comercialização no País. Portanto, apesar de não serem especificamente máquinas que devem ter estoque eliminado, nos encerramentos de atividades ou nas vendas com subsídio governamental, são máquinas adquiridas com uma finalidade distinta, vale dizer, para abertura de um mercado e, como tais, com preços ainda sob análise. Portanto, devem referidas operações serem enquadradas nas regras do art. 29 da IN 38/97, por serem operações atípicas e, conseqüentemente, não devem servir como parâmetro de preço para apuração do preço de transferência; (...) Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 12 11 k) que a Lei n° 9.430/96, em especial seu artigo 18, possui legalidade e constitucionalidade duvidosa, devendo os argumentos expostos na impugnação serem considerados, pois certamente será afastada a incidência da lei do preço de transferência. (...) VOTO (...) Como visto do relatório, tratam os autos de lançamento de ofício, decorrente da ação fiscal relativa aos preços de transferência praticados pela recorrente em relação à comercialização dos produtos importados no ano calendário de 1997, provenientes de empresas vinculadas e de países com tributação favorecida. (...) A recorrente insurgese contra o lançamento, suscitando inicialmente, preliminar de inconstitucionalidade da Lei n° 9.430/96, a qual rejeito de pronto, pois cabe esclarecer que inexiste na norma citada, qualquer impossibilidade da sua aplicação no caso ora em discussão e ainda mais, tampouco o STF declarou a sua inconstitucionalidade. Não obstante, com relação à aplicação dos dispositivos legais supedâneos da exigência fiscal objeto deste processo, é de se ratificar que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se alega a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, competência reservada com exclusividade ao Poder Judiciário pelo ordenamento jurídico pátrio (Constituição Federal, art. 102, I "a" e III "b"). (...) Insiste a recorrente em afirmar que as máquinas que foram adquiridas com o objetivo de demonstrar a existência de um novo produto para comercialização no País, apesar de não serem especificamente máquinas que devem ter estoque eliminado no caso de encerramento de atividades ou nas vendas com subsídio governamental, são máquinas adquiridas com uma finalidade distinta, para abertura de um mercado e com preços ainda sob análise. Com relação às operações atípicas, a IN SRF n° 38/97, em suas disposições gerais, prevê: Disposições Gerais Subseção IV Operações Atípicas Art. 29. Em nenhuma hipótese será admitido o uso, como parâmetro, de preço de bens, serviços e direitos praticados em operações de compra e venda atípicas, tais como nas liquidações de estoques, nos encerramentos de atividades ou nas vendas com subsídios governamentais. Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 13 12 A esse respeito, a contribuinte informou à fiscalização (fls. 299), quando intimada a prestar esclarecimentos, o que segue: Exceção Esclarecemos que em nossos cálculos identificamos a venda de 2 tipos de máquinas que apresentaram valores de custo de importação em valor superior ao método arbitrado — PRL (no total foram 4 máquinas vendidas). A nosso ver, estas máquinas devem ser enquadradas no conceito de operações atípicas, uma vez que a quantidade e os valores são irrelevantes em relação ao total de importações e ao número de unidades vendidas. (...) Não obstante, as operações mencionadas pela recorrente não se enquadram naquelas situações identificadas pela instrução normativa como sendo operações atípicas. Ora, a definição de operações atípicas não tem qualquer vínculo com a quantidade de produtos comercializados, tampouco com a habitualidade das operações realizadas no mercado, pois o que a norma prevê são situações anormais ocorridas no mercado, capazes de provocar uma redução extraordinária do preço de produtos em decorrência de liquidação de estoque com o intuito de lançar novos produtos, ou ainda, a ocorrência de preços subsidiados. Caso fossem considerados os preços praticados na comercialização dos produtos em situações atípicas, com o objetivo de apurar a média dos preços de comercialização, nesse caso, a margem de lucro da empresa seria substancialmente reduzida, e o resultado alterado de forma imprópria, decorrendo daí, que o preço parâmetro redundaria em valor artificialmente reduzido, majorando, dessa forma, a parcela não dedutível, obrigando a empresa a oferecer à tributação valores fictícios que não representariam resultado positivo na comercialização. Diante disso, a norma legal estabelece a exclusão das operações realizadas em caráter extraordinário que não demonstrem a real situação do mercado, contudo, não se encaixam nesse caso, aquelas operações efetuadas com objetivo de estratégia mercadológica, as quais são consideradas como operações normais, independentemente da natureza e da quantidade comercializada. Assim, tratandose de tática mercadológica da empresa, com o objetivo de incrementar sua participação no mercado, não é aceitável que tal estratégia possa influenciar no parâmetro de dedutibilidade dos custos. Com relação ao preço de transferência a que a recorrente alega não ter sido devidamente utilizado pela fiscalização, a legislação brasileira exige que os contribuintes demonstrem, nas operações de importação ou exportação praticadas com a matriz, uma filial ou subsidiária localizada no exterior, que o preço praticado seja o preço de mercado. Com isso, objetivase evitar o subfaturamento ou superfaturamento nessas operações. São adotados métodos de demonstração do preço de transferência, conforme dispuser a legislação de cada país. Cabe ao contribuinte comprovar que o preço por Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 14 13 ele efetuado está em conformidade com o preço de mercado, ou o preço praticado com um terceiro não relacionado. Para a transferência, considerando uma empresa brasileira com a sua vinculada localizada no exterior, cujas operações objetivam a realização de maior lucro possível fora do Brasil, o valor da importação seria o maior possível para aumentar o lucro no exterior e reduzir o lucro no Brasil. O objetivo da legislação brasileira foi o de tributar no Brasil os lucros das empresas internacionais aqui localizadas, os quais poderiam estar sendo transferidos para o exterior através dos preços de transferências das operações de importação ou exportação para empresas vinculadas, localizadas em países com tributação favorecida ou naqueles que foram eleitos para recepcionar esses resultados, causando prejuízos para o erário brasileiro. Na Exposição de Motivos apresentada pelo Ministro da Fazenda ao Projeto de Lei convertido na Lei n° 9.430 de 27.12.96, em conformidade com as regras adotadas nos países integrantes da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), são propostas normas que possibilitam o controle do Preço de Transferência, de forma a evitar a prática lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações e exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior. (...) Necessário também se faz o registro da impropriedade da defesa em relação à afirmativa de que o método adotado pela fiscalização não teria validade por não terem sido considerados produtos similares no estabelecimento do preço parâmetro. A própria recorrente prestou a informação, por ocasião dos trabalhos de fiscalização, que o mercado não dispunha de equipamentos similares aos produtos da empresa, razão pela qual não poderia ser aplicado o método PIC. Além disso, com a utilização do método PRL, não há que se cogitar em produtos similares, pois o preço parâmetro é obtido nas operações de venda da própria empresa com outras não vinculadas. (...)" (grifouse) Pois bem. A partir da análise do acórdão indicado como paradigma e de sua comparação com o acórdão recorrido, concluo que cabe razão à contribuinte em sua alegação de que inexiste a divergência jurisprudencial exigida regimentalmente para fins de conhecimento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. O Acórdão paradigma nº 10195.211 descreve as alegações trazidas pelo recurso voluntário julgado naqueles autos. Entre outros argumentos (que não interessam à presente análise), a contribuinte que figura no pólo passivo daquela lide aduz que: a) o art. 18 da Lei nº 9.430/1996 (que trata das regras de preços de transferência e dos métodos de cálculo das parcelas dedutíveis dos custos, despesas e encargos de bens, serviços e direitos importados de pessoa vinculada) é inflexível, pois "engessa a Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 15 14 procura pelo equilíbrio nas transações" e "deixa de analisar aspectos econômicos, sociais e transacionais existentes, capazes de interferir nos negócios jurídicos ou econômicos da pessoa jurídica"; b) o mesmo art. 18 da Lei nº 9.430/1996 possuiria legalidade e constitucionalidade duvidosas; c) o método de cálculo utilizado pela Fiscalização para fins de quantificação da parcela dedutível dos preços de importação praticados, Preço de Recenda menos Lucro PRL, não tem validade por não levar em conta produtos similares no estabelecimento do preço parâmetro; d) Algumas das operações que a Fiscalização considerou para fins de fixação do preço de revenda (base da aplicação do método PRL) são atípicas e não poderiam, segundo o disposto no art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 38/1997, servir como parâmetro de preço para apuração de preço de transferência. Verificase, portanto, que o acórdão paradigma sequer menciona o ponto caracterizador da controvérsia discutida nos presentes autos: o alcance da vedação contida no § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 ("Para efeito do disposto no inciso II (método PRL), somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados"). Como se sabe, discutese no presente processo se o referido dispositivo veda que sejam utilizados como parâmetro para apuração do preço de transferência (pela aplicação do método PRL) somente os preços praticados com compradores vinculados domiciliados no exterior (como defendem a Fiscalização e a PGFN, apontando o conceito de "pessoa vinculada" trazido pelo art. 23 da Lei nº 9.430/1996) ou também aqueles praticados com compradores vinculados sediados em território brasileiro (como entende a contribuinte). As discussões jurídicas desenvolvidas em cada um dos acórdãos, recorrido e paradigma, são diversas inclusive porque são distintos os contextos fáticos analisados em cada caso: enquanto no acórdão recorrido os produtos importados foram integralmente revendidos à então controladora da contribuinte, localizada no Brasil, no acórdão paradigma sequer é mencionado se alguma operação de revenda teria envolvido comprador vinculado, fosse ele nacional ou estrangeiro. O acórdão paradigma, apreciando a alegação do sujeito passivo de que algumas operações atípicas estariam servindo de parâmetro para apuração de preço de transferência, o que seria vedado pelo art. 29 da IN SRF nº 38/1997, discorda da atipicidade de tais operações, afastando a aplicação do dispositivo infralegal. Já o acórdão recorrido, ao se pronunciar sobre o argumento da contribuinte de que o § 3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 vedaria a utilização, para fins do cálculo inerente ao método PRL, de operações de venda a pessoa vinculada no Brasil, discorda da interpretação que a defesa deu ao dispositivo legal, defendendo que a vedação ali estabelecida somente aplicarseia a pessoas vinculadas domiciliadas no exterior, conforme a inteligência do art. 23 daquela mesma lei. Em outras palavras, no paradigma há discussão acerca da subsunção de uma situação concreta a uma hipótese estabelecida pela IN SRF nº 38/1997. Já no acórdão recorrido, não existe controvérsia a respeito da natureza das operações, mas apenas acerca da Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 16 15 interpretação jurídica mais adequada a ser dada à vedação do §3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. As discussões travadas nos dois processos apresentam ainda outra diferença fundamental: a aplicação do art. 29 da IN SRF nº 38/1997, defendida pelo sujeito passivo que figura no acórdão paradigma, independe de o comprador dos produtos importados ser vinculado ao importador ou não. Da mesma forma, independe de o comprador estar sediado em território brasileiro ou no exterior. Como se vê, aspectos fundamentais à lide objeto do presente processo são totalmente ignorados no acórdão paradigma, por serem irrelevantes para aquela discussão. O trecho do acórdão paradigma que a PGFN reproduz em seu recurso especial, para fins de comprovação da existência de divergência jurisprudencial frente ao acórdão recorrido, efetivamente traz algumas passagens em que sempre se associa uma empresa vinculada ao fato de ela estar localizada no exterior. É o que se verifica, por exemplo, em "sua vinculada localizada no exterior" ou em "empresas vinculadas, localizadas em países com tributação favorecida ou naqueles que foram eleitos para recepcionar esses resultados" ou ainda em "operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior". Ocorre que o Acórdão nº 10195.211, na parte transcrita pela recorrente, está apenas desenvolvendo uma explanação genérica a respeito dos preços de transferência. Para tanto, começa expondo a própria razão da existência da legislação que trata do tema: tributar no Brasil os lucros que empresas aqui sediadas tentam transferir para outro país por meio da manipulação dos preços pactuados nas operações de importação e exportação de bens, serviços e direitos. É neste contexto que são mencionadas as empresas vinculadas localizadas no exterior: são aquelas envolvidas no processo de importação ou de exportação em que, em tese, poderia haver manipulação de preços. Tratase obviamente de contexto diverso daquele que importa para a controvérsia verificada no presente processo. No acórdão recorrido, as empresas vinculadas que têm sua nacionalidade levada em consideração não são as empresas estrangeiras que vendem bens à importadora brasileira, mas sim àquelas que compram de tal importadora os bens anteriormente importados. A discussão gira em torno da eventual repercussão da nacionalidade da compradora vinculada na aplicabilidade da vedação estabelecida pelo §3º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Quanto a este tema, restou patente que o Acórdão paradigma nº 10195.211 sequer faz menção. Tal fato, por si só, já é suficiente para que se conclua pela imprestabilidade do acórdão para fins de caracterização de dissenso jurisprudencial frente ao acórdão recorrido. Diante de todo o exposto, concluo que não restou configurada a divergência jurisprudencial requerida pelo art . 67 do Anexo II do RICARF/2009 (e também pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015) para fins de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional quanto à única matéria contestada, razão pela qual voto por NÃO CONHECER do aludido recurso. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 16327.003782/200347 Acórdão n.º 9101003.370 CSRFT1 Fl. 17 16 Fl. 1203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908983/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.358
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(Assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
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(Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 08 98 3/ 20 12 -0 1 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10380.908983/201201 Resolução nº 3401001.358 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu tratarse de recolhimento indevido de Cofins e atribuiu a não homologação da compensação a erro no preenchimento na DCTF. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP, DCTF e DACON. A DRJ Brasília/DF julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” O recurso voluntário asseverou que o indébito tem origem em erro no recolhimento da contribuição, oportunidade que juntou planilhas de apuração, balancete e demonstrativos para comprovação da alegação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.352, de 20 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10380.908971/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10380.908983/201201 Resolução nº 3401001.358 S3C4T1 Fl. 5 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.352 "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe planilhas e demonstrativos, além de extrato do balancete, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10380.908983/201201 Resolução nº 3401001.358 S3C4T1 Fl. 6 4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.907551/2009-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento.
IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL.
Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 75 51 /2 00 9- 82 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 19/12/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 12364.07040.191206.1.1.015085 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 2º Trimestre de 2005, no valor de R$ 5.430,53 vinculando cinco pedidos de compensação de débitos PER/DCOMP 02842.98099.180108.1.3.010057, 35509.11567.201207.1.3.015163, 08546.03788.280509.1.7.010964, 01723.85678.250509.1.7.013375, e 05066.91315.280509.1.7.010556. Do Despacho Decisório A DRF de Divinópolis, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.5), pela homologação parcial do crédito, considerando parte do crédito indevido, por se tratar de aquisição de empresa do Simples e de empresa com o CNPJ cancelado. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando que: a) a parte do crédito glosado relacionado a aquisição de produtos de empresa optante do Simples, foi incluído em processo de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009; b) e a parte do crédito correspondente a Notas Fiscais de aquisição de empresa com o CNPJ cancelado é válido, porque essa empresa foi sucedida e a empresa sucessora obteve junto a SEF/MG autorização para uso de notas fiscais da empresa sucedida, cujo IPI destacado foi registrado nos livros fiscais da empresa sucessora. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta colocou sob suspeita o direito ao crédito pleiteado, em função das saídas (pedra britada) enquadraremse na tabela do IPI como N/T. Determinou, então, o retorno dos autos à DRF de origem para que verifique a legitimidade dos créditos alegados pelo Contribuinte: “Comprovada a legalidade de tais créditos, o processo deverá retornar à DRJ/JFA/MG para prosseguimento. Se comprovada a ilegalidade da petição, a DRF/DIV/MG deverá avaliar a possibilidade de revisar o despacho decisório e promover todos os ajustes necessários para consecução de tal objetivo. Nesse caso, se revisado o despacho decisório, os autos só retornarão à DRJ/JFA/MG diante de eventual contestação do contribuinte em face da emissão de novo despacho decisório”. Retornando os autos à unidade de origem foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal (Efls.86), foi intimado o contribuinte a apresentar relação de produtos de sua fabricação no período relacionado e o Livro de Apuração do IPI. Às Fls. 88 foi feita a junta das informações e documentos solicitados pela autoridade fiscal, sendo que a empresa produz apenas “Pedra Britada”, imune ao IPI e possui classificação fiscal 25171000. Às fls.108 foi apresentado o Termo de Verificação Fiscal – TVF elaborado pelo Auditor Fiscal responsável pela averiguação dos créditos de IPI identificados no PER/DCOMP, concluindo pela improcedência em face de não haver tributação nas saídas do Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 4 3 produto fabricado pela contribuinte interessada, conforme previsto no Regulamento do IPI (Decreto 4.544/2002). A DRF de origem (fls.119), com base no TVF decidiu pelo cancelamento do Despacho Decisório eletrônico anteriormente emitido, revisando de ofício, desconsiderando a totalidade do crédito pleiteado. Emitiu novo Despacho Decisório com a seguinte conclusão: “A compensação requer segurança quanto aos créditos envolvidos. No caso em tela, o valor apurado pelo contribuinte a título de saldo credor de IPI no 2º trimestre de 2005 não lhe confere certeza (quanto à existência) nem liquidez (quanto ao valor), elementos essenciais ao crédito que se pretende seja compensado, razão pela qual proponho que não sejam homologadas as declarações de compensação analisadas neste processo (discriminadas na tabela acima apresentada), prosseguindose com a cobrança dos débitos não compensados”. O sujeito passivo da obrigação tributária foi cientificado do novo Despacho Decisório e apresentou nova manifestação de inconformidade (fls.128). Aborda em primeiro plano a decadência, pela inercia do Ente Público, devendo ser decretada a decadência e a homologação tácita do crédito apresentado, em benefício dos princípios da segurança jurídica e da paz social (CTN art.156 e 150, § 4º e art. 74 da Lei 9.430/96); que o prazo para a RFB analisar o pedido de crédito é de 05 (cinco) anos contado da data da entrega dos PER/DCOMP’s, 19 de dezembro de 2006, a intimação do despacho decisório ocorreu em 17/05/2012, quando a decadência se efetivou na data de 19/12/2011; No mérito defende o direito ao crédito de IPI pela característica própria atinente ao seu processo de produção, de onde se retira que o minério denominado “pedra britada” é produto industrializado (beneficiado), nos termos do RIPI/02; Que tratandose de produto mineral está imune à incidência do IPI por previsão Constitucional (art.155) e que a TIPI/02 aprovada pelo Decreto 4.542/02 não utiliza o termo imunidade para descrever o produto desonerado do imposto, mas tão somente à alíquota zero ou N/T (não tributado); Que a partir da vigência da Lei nº 9.779/99 ficou assegurado a recuperação e manutenção dos créditos de IPI, mesmo que o produto saído fosse isento ou tributado à alíquota zero desse imposto, desde que mantidas três características, quais sejam: que as aquisições sejam matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; que esses produtos sejam utilizados no processo de industrialização; e que o produto industrializado seja isento ou tributado à alíquota zero de IPI; Quanto ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, entende a manifestante que essa norma não alcança os créditos escriturados de IPI, por ser de data posterior ao aproveitamento; Que exigir o crédito da forma como pretendido pela RFB é interferir na livre concorrência entre empresas do mesmo ramo de atividade, pois várias empresas mineradoras obtiveram solução de consulta favorável ao aproveitamento do crédito de IPI na aquisição de MP, PI e ME adquiridos para serem empregados na industrialização de minério; Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 5 4 Por fim, elenca vasta jurisprudência de tribunais superiores, julgando de forma favorável ao aproveitamento do crédito de IPI, na forma como procedido pela Manifestante e pugna pela homologação das compensações requeridas. Voltando os autos à DRJ/JFA – 3ª Turma, foi julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconhecido o direito creditório, com fundamentos sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECADÊNCIA/HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/PEDIDO DE RESSARCIMENTO Não há disposição legal que estabeleça prazo de decadência ou de homologação tácita para Pedidos de Ressarcimento, existindo tal instituto apenas em relação à declaração de compensação, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos a que a pessoa jurídica dá saída estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). IN SRF nº 33/99. Art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. IMUNIDADE. ALCANCE A imunidade prevista no art. 4º da Instrução Normativa nº 33/99, bem como o benefício instituído pelo art. 5º do Decreto nº 491, de 1969, regulam apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, §3º, do art.153 da Constituição Federal. Destacase do voto: “No caso em tela, o interessado exerce a atividade de extração e comercialização de pedras (pedra britada), classificada no Código 25171000, da Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2002, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28/12/2001, com notação NT. Esse fato ratifica que em sendo produto imune pela própria natureza, como é o caso da energia elétrica, dos derivados de petróleo, dos combustíveis e minerais do país, nos termos do art. 155, §3º, da Constituição da República (CR), independentemente da operação a que se submetam (se exportados para o exterior ou destinados ao mercado interno), jamais se sujeitam à tributação do IPI. Assim, os estabelecimentos que os processam ou elaboram não se configuram como industriais. Situamse, pois, tais produtos como “imunes”, fora do campo de incidência do IPI, sendo justamente por isso que todos eles são classificados na TIPI como nãotributados (NT). É este o caso da pedra britada”. Do Recurso Voluntário Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 6 5 Em grau de recurso voluntário a recorrente limitase a repisar literalmente todos os argumentos e teses de sua Manifestação de Inconformidade, com o qual espera ver reformada a decisão recorrida em prol da homologação do crédito pretendido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Discutese no presente processo preliminar de decadência por inércia do Ente Público de não se manifestar no prazo estabelecido por lei, nos casos de pedidos de compensação. De acordo com o entendimento da Recorrente teria ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos da data de transmissão da PER/DCOMP (19/12/2006) e a data de cientificação do despacho decisório (17/05/2012). Primeiramente cabe aqui destacar que o presente processo reúne uma PER/DCOMP nº 12364.07040.191206.1.1.015085 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI, vinculando cinco pedidos de compensação de débitos PER/DCOMP 02842.98099.180108.1.3.010057, 35509.11567.201207.1.3.015163, 08546.03788.280509.1.7.010964, 01723.85678.250509.1.7.013375, e 05066.91315.280509.1.7.010556. Vêse que os pedidos de compensação são de data distinta do pedido de ressarcimento. Nesse sentido convém reproduzir excertos da decisão de piso, pela clareza de exposição do tema: O contribuinte apresenta argumento preliminar acusando a decadência do Pedido de Ressarcimento. A interpretação é de que há um paralelo entre o exame do lançamento por homologação e o exame de Pedido de Ressarcimento. Para ambos, foi estipulado o prazo de cinco anos. Para o lançamento por homologação, no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, CTN. Para o pedido de Ressarcimento, no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. O ato foi redigido com o seguinte teor: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Da leitura do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é fácil deduzir a confusão feita pelo contribuinte. O prazo de que trata o Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 7 6 referido dispositivo é para a homologação da compensação, a que se dá o nome de homologação tácita, isto é, homologação pelo decurso do prazo de cinco anos da apresentação da declaração de compensação, sem que sobre ela tenha havido a oportuna manifestação da autoridade competente. Não trata o dispositivo legal de prazo para o exame do Pedido de Ressarcimento, que obviamente é objetivo distinto da compensação, não obstante a declaração de compensação ser precedida de análise de crédito, no caso presente, saldo credor de IPI. Só se dispensará o exame de Pedido de Ressarcimento, ou melhor, do saldo credor, se coincidirem em seus montantes crédito requerido e débitos a compensar. Contrário senso, o pedido de ressarcimento sempre será examinado, independentemente do momento em que o faça a autoridade competente, o que não ocorre com a declaração de compensação que poderá ser homologada tacitamente. Se o interesse do contribuinte é de que seja declarada a homologação tácita, há de se verificar a ocorrência do instituto previsto na Lei nº 9.430, de 1996, ainda mais porque é questão de ordem pública e deve sempre ser apreciada pela autoridade administrativa, ainda que não mencionada pelo contribuinte. No caso presente, estão em litígio todas as compensações declaradas, vinculadas ao saldo credor do 1º trimestre de 2005, tendo em vista que o Despacho Decisório de fls. 05 foi anulado e o substituiu, no tocante às compensações declaradas, o Despacho Decisório de fls. 240/241. Assim as Declarações de Compensação em litígio são: DCOMP EM LITÍGIOATIVA DCOMP RETIFICADA TOTAL DÉBITO/ VALOR PER DATA DA TRANSMISSÃO 35509.11567.201207.1.3.015163 4.747,76 20/12/2007 02842.98099.180108.1.3.010057 169,46 18/01/2008 01723.85678.250509.1.7.013375 35427.63104.080208.1.3.011488 10,50 25/05/2009 05066.91315.280509.1.7.010556 34504.76887.100108.1.3.017070 367,37 28/05/2009 08546.03788.280509.1.7.010964 06659.63756.200208.1.3.018670 135,44 28/05/2009 No quadro acima é possível verificar que as DCOMP em litígio foram transmitidas pelo contribuinte, respectivamente, em 20/12/2007, 18/01/2008, 25/05/2009, 28/05/2009 e 28/05/2009. Já o Despacho Decisório foi entregue ao contribuinte em 17/05/2012, conforme Aviso de RecebimentoAR, à fl. 126. Confrontandose as datas de transmissão das DCOMP ativas e do recebimento do Despacho Decisório, é patente que não ocorreu homologação tácita em relação a nenhuma das Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 8 7 declarações de compensação. Ainda que o contribuinte viesse a questionar a homologação tácita das declarações em razão daquela que foi retificada, o que seria afastado prontamente no presente voto, é bom esclarecer que foi originalmente apresentada já em 2008. Assim sendo, se não há previsão legal para a homologação tácita de pedidos de ressarcimento e provado que não houve homologação tácita em relação a nenhuma das compensações declaradas, válido é o Despacho Decisório que, em tempo hábil, não as homologou. DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI Em questão de mérito, a discussão gira em torno do direito a manutenção do crédito de IPI incidente nas aquisições de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagens (ME), utilizados na produção (beneficiamento) de produtos que possui anotação N/T na TIPI, no caso dos autos “pedra britada” classificada na posição 2517.10.00.00 da TIPI. A recorrente apurou crédito de IPI sobre aquisições de MP, PI e ME ocorridas no 2º trimestre de 2005 e buscou a compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99, cuja redação assim se apresenta: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. Importante destacar que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5/2006 veio consignar que: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9. 779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10665.907551/200982 Acórdão n.º 3001000.285 S3C0T1 Fl. 9 8 III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." A muito que o entendimento firmado em nível de CARF é no sentido contrário ao interesse do contribuinte, tanto que a matéria veio a ser simulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, pelo não reconhecimento do crédito pleiteado na PER/DCOMP (ressarcimento) e por consequência a não homologação das PER/DCOMP’s (compensação) a ela atreladas. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900288/2009-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP.
É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega.
Numero da decisão: 3001-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega.
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COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 02 88 /2 00 9- 91 Fl. 106DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 821065689 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 23828.05083.300905.1.3.042331, o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13851.900288/200991 Acórdão n.º 3001000.155 S3C0T1 Fl. 104 3 Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que houve erro no recolhimento da COFINS, em valor superior ao devido. diante deste crédito, protocolizou pedido de compensação via formulário, com débitos da COFINS, em especial, da competência janeiro de 2003. Ao solicitar certidão de regularidade fiscal, reparou na restrição apontada para a competência janeiro de 2003, alvo da compensação acima mencionada. Isto porque, havia sido informado, erroneamente, o período de janeiro de 2002, quando o correto, seria, janeiro de 2003. Em 2004, outro Dcomp teria sido preenchido equivocadamente, pois o débito discutido, já seria objeto de outra DCOMP. DRJ/BSB. A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0366.400 4ª Turma ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode Fl. 108DF CARF MF 4 ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 23828.05083.300905.1.3.042331, transmitida eletronicamente em 30/09/2005, com base em suposto crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, oriundo de pagamento indevido ou a maior, A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 47510,52. Em 18/02/2009 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança dos débitos confessados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, que o crédito pleiteado é proveniente de pagamento a maior de Cofins, período de apuração 29/02/2004. Enfatiza que teria direito ao crédito pleiteado conforme DCTF retificadora apresentada para o período. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Diante do exposto e tudo mais que consta dos autos, VOTO no sentido da improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13851.900288/200991 Acórdão n.º 3001000.155 S3C0T1 Fl. 105 5 A recorrente realizou breve relato no qual ressaltou que, em que pese o débito não ter sido compensado sob o n 37337.56987.210704.1.3.044478, teria sido extinto em razão da compensação efetivada no processo 13804.002810/200348. Homologação tácita Outro ponto alegado foi a respeito de ter permanecido inerte o processo entre junho de 2003 a janeiro de 2015, portanto, superado o prazo de cinco anos, o que, na tese da recorrente, caberia a decretação de homologação tácita. É o relatório Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário no qual busca ver o direito ao crédito legitimado por este CARF, vez que sucedeu a seqüência de equívocos no preenchimento de Dcomp. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de Fl. 110DF CARF MF 6 licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13851.900288/200991 Acórdão n.º 3001000.155 S3C0T1 Fl. 106 7 documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os Fl. 112DF CARF MF 8 fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, além de intempestivos os documentos trazidos no Recurso Voluntário, seriam, caso apreciados, insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13851.900288/200991 Acórdão n.º 3001000.155 S3C0T1 Fl. 107 9 O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em Fl. 114DF CARF MF 10 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13851.900288/200991 Acórdão n.º 3001000.155 S3C0T1 Fl. 108 11 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendo se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima Todavia, consoante se verá adiante, descuidouse a recorrente de observar o adequado momento processual para instrução probatória. Da Homologação Tácita Por outro lado, solicitou o reconhecimento da Homologação tácita havendo estado inerte o processo entre junho de 2003 a janeiro de 2015, portanto, superado o prazo de cinco anos previsto na legislação. Desta forma, teria transcorridos mais de 05 anos, e, por via de consequência, operado em seu favor a homologação tácita da compensação. Não assiste razão ao entendimento esposado acima. Ocorre, que a data para início da contagem do prazo da homologação tácita tem seu termo inicial na data de sua entrega, no caso presente, em 21 de julho de 2004, tendo sido o despacho decisório prolatado em 25 desetembro de 2008, não transcorrendo, por fim, os cinco anos entre a entrega da DCOMP e o despacho decisório, portanto, tendo agido a fazenda dentro do prazo para sua análise. 3801001.986–1ª Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. Fl. 116DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721630/2012-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 16 30 /2 01 2- 92 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 18470.721630/201292 Acórdão n.º 1001000.362 S1C0T1 Fl. 42 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1246.906, de 28/05/2012 (efls. 19/23), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade (processo digital) ante o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (TI) nº 00.04.89.85.11, de 15/02/2012 (fls.11). 2. O indeferimento deuse, em virtude da(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Estabelecimento CNPJ: 09.628.156/000196 Atividade econômica vedada: 46184/99 Outros representantes comerciais e agentes do comércio especializado em produtos não especificados anteriormente. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. Atividade econômica vedada: 46184/01 Representantes comerciais e agentes do comércio de medicamentos, cosméticos e produtos de perfumaria. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. Atividade econômica vedada: 46184/02 Representantes comerciais e agentes do comércio de instrumentos e materiais odontomédicohospitalares. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. Atividade econômica vedada: 46184/03 Representantes comerciais e agentes do comércio de jornais, revistas e outras publicações. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. 3. Na manifestação de inconformidade (fls.2/3), de 24.02.2012 , o interessado alega que promoveu alteração contratual, registrado na Junta Comercial em 18.01.2012, e que deu entrada no DBE junto à RFB em 26.01.2012, todavia, o sistema da Receita somente em 08.02.2012, acusou o recebimento dos documentos enviados. Por fim, requer seja reconsiderada a sua opção pelo Simples Nacional. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois "não restou demonstrado que o interessado elidiou de seu objeto social as atividades econômicas vedadas ao ingresso no Simples Nacional". O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 TERMO DE INDEFERIMENTO. ATIVIDADE ECONÔMICA. CNAE. Mantémse o termo de indeferimento se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 42DF CARF MF Processo nº 18470.721630/201292 Acórdão n.º 1001000.362 S1C0T1 Fl. 43 3 Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 18/06/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 25, a recorrente apresentou recurso voluntário em 27/07/2012 (efls. 27/28), conforme carimbo aposto à efl. 27. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Isto posto, como a data de ciência foi no dia 18/06/2012 (segundafeira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na terçafeira, dia 19/06/2012. Tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de trinta dias, em 18/07/2012 (quartafeira), e o recurso voluntário foi apresentado em 27/07/2012, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO Fl. 43DF CARF MF Processo nº 18470.721630/201292 Acórdão n.º 1001000.362 S1C0T1 Fl. 44 4 CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.720063/2013-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.
Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço-parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que, neste, estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.
RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
Numero da decisão: 9101-003.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que, neste, estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 63 /2 01 3- 83 Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 3 2 regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência tempestivamente interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), com fulcro no art. 64, inciso II (Anexo II), do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF) aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 1401001.594, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de julgamento de 6 de abril de 2016, e que foram, ambos, integralmente admitidos pela presidência da mesma Câmara. Referido acórdão está assim ementado, no que aqui interessa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 4 3 Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda” no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02. FRETE. SOMA AO PREÇO PRATICADO. FOB. ILEGALIDADE. O § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 determina que os valores dos fretes e seguros sejam acrescidos ao preço praticado para efeito de dedutibilidade, o que significa que eles podem não estar inclusos no preço praticado. Ao impor à Recorrente o acréscimo do frete ao preço praticado, não estava realizando uma equalização necessária, mas ferindo diretamente a lei, de modo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário quanto a este item. Em seu Recurso Especial relativo à segunda ementa acima (inclusão de fretes, seguros e tributos no preço praticado), a Fazenda Nacional argumentou, em síntese: a) que, para viabilizar a comparação com o preço parâmetro influenciado pelos valores do frete, seguro e imposto de importação, é imprescindível que esses valores também integrem os custos constantes no documento de importação, ou seja, tais parcelas devem ser incluídas no preço praticado pelas partes associadas, sob pena de a comparabilidade restar prejudicada; e b) que a inclusão de frete, seguro e tributos aduaneiros no preço praticado, para fins de comparação com o preço parâmetro apurado pelo PRL, não implica qualquer limitação à dedutibilidade dessas parcelas, traduzindose em técnica de neutralização voltada para possibilitar a comparação entre grandezas equivalentes. Devidamente cientificado, o sujeito passivo, oportunamente, apresentou Contrarrazões, a seguir resumidas: a) que, preliminarmente, não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional; e b) que, no mérito, deve ser desprovido o Recurso Especial e mantido o acórdão recorrido. Em seu Recurso Especial, correspondente à primeira ementa retro (ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002), o sujeito passivo alegou, em suma: a) que é obrigatória a aplicação do “PRL 60” segundo os critérios da Lei nº 9.430, de 1996; e b) que é ilegal a Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002. Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 5 4 Devidamente comunicada, a Fazenda Nacional, no prazo, ofereceu Contrarrazões, a seguir sintetizadas: a) que, no mérito, a metodologia de cálculo exposta na IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador: evitar a transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços dos bens importados; e b) que essa é a orientação que vem sendo adotada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. É o Relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator As matérias postas à apreciação desta Câmara Superior referemse à: a) inclusão de fretes, seguros e tributos no preço praticado (Fazenda Nacional); e b) ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 (sujeito passivo). Procedo, inicialmente, ao reexame dos pressupostos de admissibilidade de ambos os Recursos Especiais interpostos. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Para caracterizar a divergência jurisprudencial apta à admissão do Recurso Especial (alínea “a” supra), a Fazenda Nacional apontou os seguintes acórdãos paradigmas: Acórdão paradigma nº 1302001.588, de 2014: FRETE, SEGURO E TRIBUTOS SOBRE IMPORTAÇÃO. A norma aplicável à época do lançamento expressamente determinava que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o preço praticado (§ 6º do art. 18 da Lei 9.430/96). Sendo o PRL um método facultativo e presuntivo, é lógico que cabe ao contribuinte analisar quando é vantajosa a sua aplicação. Acórdão paradigma nº 1402001.342, de 2013: PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 6 5 parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. Considero comprovado o correspondente dissenso jurisprudencial na interpretação da legislação tributária (alínea “a” supra), pelo que conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Em sede de Contrarrazões, o sujeito passivo argúi preliminar de não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, sob os seguintes fundamentos: a) ausência de similitude jurídica e fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido; e b) não ter sido possível localizar o acórdão paradigma nº 1402001.342, de 2013, no site do CARF e confirmar se este foi reformado na data da interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Com relação à ausência de similitude jurídica e fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, o sujeito passivo apresenta as seguintes alegações: Inicialmente, devese registrar que os acórdãos apontados como paradigmas não apresentam similitude fática com o acórdão recorrido, conforme exige o art. 67 do RICARF. Isso porque o presente caso cuida da equivalência entre os preços parâmetro e praticado – é dizer, tratase de definir se o mesmo critério de definição do preço parâmetro deve ser adotado para o preço praticado, ainda que este ou aquele sejam FOB ou CIF –, de modo que a Recorrida sustentou, no que foi acolhida pelo acórdão recorrido, que, ou bem os valores de frete e seguro devem ser excluídos dos preços parâmetro e praticado (caso em que se adotará o valor FOB das mercadorias importadas), ou bem devem ser agregados a ambos os preços calculados (hipótese em que se adotará o valor CIF acrescido dos tributos aduaneiros). Assim, a tese acolhida pelo acórdão recorrido é de que a Fiscalização não poderia adotar o valor CIF apenas para o preço praticado e manter o preço FOB para o computo do preço parâmetro, do que decorreu, tendo em vista que o preço parâmetro, in casu, considerou o valor FOB, a não inclusão no preço praticado dos custos de frete e seguro. Noutros termos, o presente processo não trata de saber se é devido o acréscimo do frete e do seguro ao preço parâmetro ou ao preço praticado – conforme entendimento dos paradigmas –, mas de definir, na hipótese de se considerar o valor FOB ou o valor CIF para um deles, qual deve ser o critério a ser adotado para o outro. O acórdão recorrido decidiu, em linha – digase – com o que a própria Fazenda defende, que é preciso manter a equalização entre o preço parâmetro e o preço praticado, de modo a preservar a comparabilidade entre ambos. Fundada Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 7 6 nessa premissa e uma vez que no caso concreto o preço parâmetro considerou o valor FOB, a Turma a quo decidiu que “Ao impor à Recorrente [ora Recorrida] o acréscimo do frete ao preço praticado, [a fiscalização] não estava realizando uma equalização necessária, mas ferindo diretamente a lei, de modo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário quanto a este item”. Não só a questão jurídica discutida é distinta, mas o acórdão n. 1302001.588 partiu de situação fática diversa daquela encontrada pelo acórdão recorrido. Enquanto, no presente caso, o preço parâmetro é FOB, nos precedentes citados pela Fazenda, o contribuinte utilizou o preço CIF, de modo que não é possível aplicar as conclusões alcançadas pelos paradigmas ao presente caso, sob pena de se ter um valor FOB comparado a um valor CIF – o que é impróprio, conforme entendimento dos próprios paradigmas e segundo consigna o Recurso Especial em tela. Com efeito, a questão debatida nos autos – se o preço praticado deve ser FOB quando o preço parâmetro for FOB – nunca foi abordada por aqueles precedentes, nos quais, coerente com o decidido pelo acórdão recorrido, entendeuse pela inclusão dos valores de frete e seguro no preço praticado. Ademais, o acórdão n. 1402001.342 trata da definição do preço parâmetro e não do preço praticado – objeto do acórdão recorrido –, conforme facilmente se aduz da ementa transcrita pela Fazenda: [...] (grifos acrescidos) Não procede essa primeira linha de argumentação. É o sujeito passivo quem diz que a Fiscalização adotou o valor CIF para o preço praticado e manteve o preço FOB para o cômputo do preço parâmetro, mas esse não é o fundamento do acórdão recorrido. O acórdão recorrido nem mesmo chancelou essa alegação do sujeito passivo. Na primeira fase processual, a Delegacia de Julgamento, enfrentando esse mesmo argumento, já tinha esclarecido que era improcedente a alegação de que a autoridade fiscal teria cometido equívoco ao não utilizar um método uniforme para o cálculo dos preços praticado e parâmetro. A Delegacia de Julgamento, inclusive, explicitou a metodologia de cálculo prevista na IN SRF nº 243/2002, para evidenciar que no cálculo da participação do custo do componente importado sobre o custo total do produto produzido (que é um dos passos para o cálculo do preço parâmetro) são consideradas as mesmas rubricas que foram levadas em conta na apuração do preço praticado, o que eliminava a distorção mencionada pela impugnante. E também destacou que o art. 18, §6º, da Lei nº 9.430/96 (na redação vigente à época dos fatos) era claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tinha sido Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 8 7 do importador e os tributos incidentes na importação, deveriam ser computados na apuração desses preços (parâmetro e praticado). Assim, em outras palavras, por força do art. 18, §6º, da Lei nº 9.430/96, e também da metodologia de cálculo estabelecida pela IN SRF nº 243/2002, as questionadas rubricas teriam sido computadas de maneira uniforme, afetando igualmente os dois preços (parâmetro e praticado). Em síntese, foi essa a decisão da Delegacia de Julgamento. O acórdão recorrido divergiu da decisão da Delegacia de Julgamento, mas não porque constatou que a Fiscalização tinha de fato adotado o valor CIF para o preço praticado e mantido o preço FOB para o cômputo do preço parâmetro. A razão para a mudança de posicionamento se deu expressamente em torno de uma interpretação teórica do art. 18, §6º, da Lei nº 9.430/96: Com o devido respeito ao entendimento da DRJ, a Lei nº 9.430/1996, quando prescreve que os valores relativos a fretes e seguros serão incluídos no custo da empresa para efeito de dedutibilidade, está deixando claro que eles não estarão necessariamente inseridos no preço praticado entre ela e a empresa vinculada estabelecida no exterior. O §6º, do art. 18, da lei apenas faz sentido se considerarmos que o preço praticado não leva dentro dele os valores dos fretes e dos seguros. Do contrário, não haveria porque afirmar que, para efeitos de dedutibilidade, aí sim se acrescentaria tais valores ao preço praticado. Em nenhum momento, a lei determina que se faça esse acréscimo ao preço praticado para efeito de comparação com o preço parâmetro. Uma vez que os custos com frete e seguros foram arcados pela empresa importadora e são pagos a terceiros, eles não têm que estar inseridos no cálculo do preço praticado. Pareceme que essa suposta equalização defendida pela DRJ, que exigiria a inclusão dos fretes e seguros no preço praticado, para efeitos de comparação com o preço parâmetro a ser calculado, é um equívoco, pois, para efeitos de preço de transferência, é muito natural que valores não pagos pela importadora à exportadora não ingressem no preço praticado. Por outro lado, se esses valores são custos do contribuinte e ingressam no preço de revenda, não há qualquer prejuízo à Receita Federal. Uma vez que a legislação impõe a utilização do chamado Preço de Revenda que, como dito no item anterior, é um Preço de Venda do Produto Industrializado essa grandeza será utilizada no cálculo, com ou sem inclusão de fretes e seguros, a depender da forma como o contribuinte tenha formado o seu preço em operações com partes não vinculadas. [...] Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 9 8 Com efeito, o acórdão recorrido não vê na lei nenhum comando para que as questionadas rubricas sejam acrescidas ao preço praticado (o que é bem diferente do problema que vinha sendo apontado pelo sujeito passivo, e que ele destaca na sua preliminar de não conhecimento do recurso especial: alegação de que essas rubricas tinham sido incluídas apenas no preço praticado, e não no preço parâmetro). Ao afirmar que o "Preço de Venda do Produto Industrializado [...] será utilizado no cálculo do preço parâmetro, com ou sem inclusão de fretes e seguros, a depender da forma como o contribuinte tenha formado o seu preço em operações com partes não vinculadas", o acórdão recorrido aponta para uma interpretação do art. 18, §6º, da Lei 9.430/1996 mais consentânea com a redação que lhe foi dada pela Lei 12.715/2012, e que é bem diferente da que vigia no anocalendário de 2008 (ano dos fatos autuados). Mas para o que interessa nesse momento, o importante é perceber que o acórdão recorrido, mesmo diante da redação do art. 18, §6º, da Lei 9.430/1996, vigente à época dos fatos, entendeu que não havia nenhum comando legal que obrigasse a inclusão de fretes e seguros no preço praticado, que essas rubricas poderiam ser ou não incluídas no cálculo do preço de transferência, dependendo de como o contribuinte tinha formado o seu preço em operações com partes não vinculadas. E quanto a esse aspecto, ou seja, quanto à interpretação do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 — legislação tributária objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional — a divergência de entendimentos entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas é, a meu ver, indiscutível. Nesse sentido, transcrevo trecho da ementa do primeiro dos acórdãos paradigmas (Acórdão nº 1302001.588, de 2014), em clara oposição a trecho equivalente da ementa do acórdão recorrido (efls. 1.661), respectivamente (grifei): A norma aplicável à época do lançamento expressamente determinava que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o preço praticado (§ 6º do art. 18 da Lei 9.430/96). [...]. O § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 determina que os valores dos fretes e seguros sejam acrescidos ao preço praticado para efeito de dedutibilidade, o que significa que eles podem não estar inclusos no preço praticado. [...]. Aliás, é importante destacar que esse primeiro paradigma examinou lançamento relativo ao mesmo período de apuração tratado pelo acórdão recorrido (ano calendário 2008), também com aplicação do PRL60 na sistemática da proporcionalização da receita de venda conforme a proporção dos custos (nos termos da IN SRF nº 243/2002). E o entendimento foi no sentido de que "a norma aplicável à época do lançamento expressamente determinava que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o preço praticado (§ 6º do art. 18 da Lei 9.430/96)". Já o acórdão recorrido, conforme mencionado, mesmo diante da redação do art. 18, §6º, da Lei 9.430/1996, vigente no mesmo anocalendário de 2008, entendeu que não havia nenhum comando legal que obrigasse a inclusão de fretes e seguros no preço praticado, que essas rubricas poderiam ser ou não incluídas no cálculo do preço de transferência, Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 10 9 dependendo de como o contribuinte tinha formado o seu preço em operações com partes não vinculadas. Por sua vez, o segundo acórdão paradigma (Acórdão nº 1402001.342, de 2013), que cuidou de lançamento relativo ao anocalendário de 2004, também com aplicação do PRL60 na sistemática da proporcionalização da receita de venda conforme a proporção dos custos (nos termos da IN SRF nº 243/2002), ao se referir à “decorrência de disposição legal” e à “necessidade de se comparar grandezas semelhantes”, seguiu exatamente o mesmo caminho do primeiro paradigma, no sentido de que os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação devem ser computados no cálculo do preço de transferência, conforme indica sua própria ementa: Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. O fato de mencionar o preço parâmetro, em vez do preço praticado, nada altera no sentido dessa decisão. A ideia é exatamente a mesma, ou seja, de que as questionadas rubricas devem ser computadas nos dois preços (parâmetro e praticado), em "decorrência de disposição legal", especificamente o referido §6º do art. 18 da Lei 9.430/1996 (na sua redação original, que perdurou até o anocalendário de 2009). Vejase, por oportuno, que, no Acórdão CSRF nº 9101002.840, de 8 de agosto de 2017, que manteve o primeiro dos acórdãos paradigmas apontados (Acórdão nº 1302001.588, de 2014), é feita referência tanto ao preço praticado, quanto ao preço parâmetro, exigindo a inclusão, em ambos, das parcelas de frete, seguro e tributos sobre a importação (destaquei): PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Desse modo, rejeito a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo Para evidenciar os dissensos jurisprudenciais hábeis ao acatamento do Recurso Especial (alínea “b” retro), o sujeito passivo indicou os seguintes acórdãos paradigmas: Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 11 10 Acórdão paradigma nº 1202001.026, de 2013: CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243/2002 trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. Acórdão paradigma nº 1301001.262, de 2013: CONTROLE DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CÁLCULO DO PREÇOPARÂMETRO. MÉTODO PRL60. PREVISÃO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da Instrução Normativa é interpretativa do dispositivo legal, subordinandose a ele, sendolhe vedado inovar para estabelecer obrigação tributária. Considero comprovado o correspondente dissenso jurisprudencial na interpretação da legislação tributária (alínea “b” retro), pelo que conheço do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Observo, por oportuno, que ambos os acórdãos paradigmas (1202001.026, de 2013, e 1301001.262, de 2013) foram reformados, nessa parte, por esta turma da CSRF, por meio dos Acórdãos CSRF nºs 9101002.936, de 8 de junho de 2017 e 9101003.023, de 9 de agosto 2017, respectivamente. Passo ao mérito. a) inclusão de fretes, seguros e tributos no preço praticado Ao auditar os cálculos dos preços de transferência segundo o método PRL60, a autoridade fiscal verificou que o sujeito passivo não tinha considerado nesse cálculo os valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Esse é, em síntese, o motivo do lançamento objeto da presente controvérsia. Como já restou esclarecido na parte inicial deste voto, a divergência jurisprudencial a ser examinada no contexto do recurso especial da PGFN, relativa à questão sobre a inclusão das referidas rubricas no cálculo dos preços de transferência pelo método PRL60, diz respeito à interpretação do §6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação que esse dispositivo tinha no período autuado (anocalendário 2008). Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 12 11 Ao retomar questões sobre a admissibilidade do recurso especial da PGFN, também esclarecemos que é o sujeito passivo quem diz que a Fiscalização adotou o valor CIF para o preço praticado e manteve o preço FOB para o cômputo do preço parâmetro; que esse não era o fundamento do acórdão recorrido; e que o acórdão recorrido nem mesmo tinha chancelado essa alegação do sujeito passivo. De qualquer forma, no contexto desse julgamento, é importante esclarecer alguns aspectos sobre o cálculo feito pela Fiscalização. Nesse sentido, extraio do Termo de Verificação Fiscal as seguintes informações: DO MÉTODO PRL 60% PREÇO PRATICADO NA IMPORTAÇÃO As planilhas apresentadas pela empresa em 14/12/2012 e complementadas em 30/08/2013 (fls. 555/564), em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, trazem as memórias de cálculo dos produtos importados de vinculadas. No cálculo do Preço Praticado do método PRL, a empresa utilizou o valor FOB + Imposto de Importação, sem considerar os valores relativos ao Frete e ao Seguro. Esse procedimento contraria o que expressamente determina o artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 234, de 11 de novembro de 2002, que transcrevemos a seguir: “§ 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação.” O artigo 12 da IN SRF 234/2002 trata especificamente da metodologia do PRL –Preço de Revenda menos o Lucro. Portanto, na apuração do Preço Praticado dos produtos importados pelo método PRL, a empresa deveria ter adicionado ao preço FOB os valores de Frete, Seguro e Imposto de Importação. O arquivo “Importações”, entregue ao contribuinte por esta fiscalização, em 30/10/2012, relaciona as importações do ano, detalhando, dentre outras informações, o valor FOB na moeda de venda e em R$, a taxa de conversão da moeda, e cita os valores de frete, seguro e imposto de importação (II). Tais valores foram extraídos do SISCOMEX e validados pela empresa em 20/03/013 (fls. 565/816). Computaramse também os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (art. 12, § 3º). As informações sobre os estoques foram informadas pelo contribuinte no arquivo “Inventário” (fls. 849), entregue em 20/03/2013 e revalidado em 09/10/2013. Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 13 12 Elaborouse o Demonstrativo de apuração Preço Praticado PRL 60 (ANEXO 1) onde consta: o produto, o somatório dos valores FOB, o frete, o seguro, o imposto de importação e o custo total da Importação, o preço praticado (que é o resultado do custo total de importação dividido pela quantidade total). Foram computados também os valores e as quantidades do estoque inicial (art. 12, § 3º). PREÇO PARÂMETRO PRL 60% Após as análises de todas as informações prestadas, verificouse que praticamente todos os produtos importados foram utilizados como insumo na produção de equipamentos. Por isso, na apuração do preço de transferência pelo método PRL deve ser aplicada a margem de lucro de 60%, de acordo com o determinado no art. 12, inciso IV, alínea “b”, da IN SRF nº 243/2002. Está detalhado no art. 12, parágrafo 11, da IN SRF nº 243/2002, o procedimento que deverá ser adotado para cálculo do PRL com margem de lucro 60%: [...] Por meio do Termo de Intimação nº 02 (fls. 548/549), a empresa foi intimada a apresentar o custo de produção do produto acabado. A relação insumo produto anual foi solicitada por meio do Termo de Intimação nº 03 (fl. 817/818). Nas memórias de cálculo, a fiscalizada informou a relação de produção. A empresa apresentou o percentual de participação da matéria prima importada no produto acabado calculada com base no custo FOB de importação dos insumos. Desta forma, recalculouse tal percentual, utilizando o valor CIF+II, conforme apurado anteriormente no preço praticado. O demonstrativo do cálculo do percentual de participação da matériaprima importada no produto acabado está no ANEXO 2. Obtevese, assim, o Preço Parâmetro, conforme Demonstrativo de apuração Preço Parâmetro PRL 60% (ANEXO 3). [...] Nada há no Termo de Verificação Fiscal que indique a ocorrência do problema alegado pelo sujeito passivo. Ao contrário, ao tratar do cálculo do preço parâmetro, a Fiscalização registra que "a empresa apresentou o percentual de participação da matériaprima importada no produto acabado calculada com base no custo FOB de importação dos insumos", e que esse percentual foi recalculado pela Fiscalização, "utilizando o valor CIF+II, conforme apurado anteriormente no preço praticado". Ao longo do processo, o sujeito passivo também não apresentou nenhuma demonstração de que isso tenha ocorrido. Suas alegações vieram sempre desprovidas de qualquer dado numérico, pelo que elas configuram uma questão esvaziada. Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 14 13 Pois bem, retomando o exame da divergência jurisprudencial trazida pelo recurso especial da PGFN, cabe registrar que o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, assim prescrevia no anocalendário de 2008 (grifouse): Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. [...]. O art. 18, caput, estabelece que o custo sujeito a ajuste em razão da regra de preços de transferência é o preço de aquisição do produto importado junto à pessoa vinculada residente no exterior. Por sua vez, o § 6º da norma estabelece que o preço praticado é o preço de aquisição do produto acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996 expressamente estabelece que, no preço praticado, incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A decisão recorrida argumenta ser incorreta a interpretação de que o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 15 14 sobre a importação no cálculo do preço praticado. Afirma que, como os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não decorrem de operações com pessoas ligadas, não podem ser eles afetados por ajustes relativos a preços de transferência. Quanto a essa alegação, há que se dizer, em primeiro lugar, que a decisão recorrida não logrou êxito em demonstrar adequadamente o papel que, em sua interpretação, desempenha o parágrafo 6º da norma, o qual, como dito antes, expressamente estabelece que, no preço praticado, incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Dito de outro modo, a “interpretação” do art. 18, defendida pela decisão recorrida, a meu ver, não se sustenta como interpretação propriamente dita, nos exatos termos em que esse vocábulo é compreendido no âmbito da Ciência do Direito1. Mas digamos que, de fato, também seja possível interpretarse o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, do modo sustentado pela decisão recorrida, ou seja, no sentido de que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não integram o preço praticado. Nesse hipótese teríamos, então, duas interpretações possíveis da mesma norma e, em sendo assim, haveríamos de verificar qual das duas é a interpretação “correta”. E será considerada “correta” aquela que melhor atender aos métodos de hermenêutica jurídica acolhidos pelo Direito. Passemos então a examinar as duas interpretações quanto à sua correção. No que concerne à interpretação proposta pela decisão recorrida, percebese ser ela fruto de um componente finalístico, qual seja, que as normas de preço de transferência têm como finalidade regular operações realizadas entre pessoas residentes no país e pessoas a ela ligadas, residentes no exterior. Em assim sendo, não seria finalidade da norma regular operações de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação pois, via de regra, não são elas realizadas entre pessoas vinculadas. Ocorre que, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado não significa que tais operações estejam sendo submetidas às regras de preços de transferência. Mais especificamente, apesar de tais valores integrarem o preço praticado, não são eles objeto de adição ao lucro real. Não é demais lembrar que tanto o preço de aquisição do produto importado, quanto valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, são custos integralmente dedutíveis na apuração do lucro líquido do período. A adição ao lucro real, a título de preços de transferência, limitarseá à diferença positiva verificada entre o preço praticado e o preço parâmetro. Como se verá adiante, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação entram no cálculo do preço praticado apenas para fins de possibilitar sua comparação com o preçoparâmetro calculado segundo o método PRL, pois neste também estão incluídos os mesmos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. 1 Sobre o conceito de interpretação jurídica e seus limites vide, por todos, Karl Larenz in Metodologia da Ciência do Direito, 3ª ed., pg. 439 e ss. Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 16 15 Isso posto, a interpretação proposta pela decisão recorrida não se sustenta, pois a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado, de modo algum, significa que tais operações estejam sendo submetidas a controle por preços de transferência. Por outro lado, a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, albergada pelo art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, e empregada pela autoridade fiscal no caso sob exame, também é fundada em um componente finalístico, qual seja, possibilitar a comparação entre preço praticado e preçoparâmetro, conforme já adiantado acima. A questão da comparabilidade entre o preço praticado na importação de produtos junto a pessoas vinculadas, e aquele que seria praticado em operações entre pessoas não vinculadas, está no cerne do princípio do arm’s lenght. Tanto é assim que o OECD Transfer Pricing Guidelines dedica todo o seu capítulo III ao exame desta matéria. De fato, o objetivo da comparação entre o valor de uma transação realizada entre pessoas vinculadas, e o valor da mesma transação realizada entre pessoas não vinculadas, é a identificação do quanto a vinculação afetou o valor da transação sob exame. Tendo sido inspirado no princípio do arm’s lenght, o art. 18 da Lei nº 9.430,de 1996, não poderia ser corretamente interpretado acaso não fosse dada a devida importância à questão da comparabilidade entre o preço praticado e o preçoparâmetro. No caso do método PRL o preçoparâmetro inclui os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Tomemos, por exemplo, o método PRL aplicado à simples revenda de produtos importados junto a pessoas vinculadas (PRL20). As conclusões a seguir, entretanto, valem igualmente para o caso de o bem importado ser empregado na industrialização de outro produto (PRL60). Pois bem, o pressuposto para o emprego do PRL20 é que o produto seja revendido a uma pessoa não vinculada, em condições de livre mercado. Em transações entre pessoas não vinculadas e em condições de livre mercado, é lícito pressupor que o revendedor (no caso, a contribuinte) procurará obter uma remuneração por sua atividade, ou seja, procurará obter lucro. O PRL20 estipula que a margem bruta de lucro, em tais condições, é de 20%, o que, em verdade, é uma taxa bastante baixa pois implica uma margem de lucro líquido para o empresário bem inferior a 20%, haja vista a necessidade de dedução de despesas administrativas, despesas com vendas etc. A partir, então, do preço de revenda do produto, deduzido da margem bruta de lucro de 20% prevista em lei, chegase ao custo estimado de aquisição do produto numa operação entre pessoas não vinculadas, ou simplesmente preçoparâmetro PRL20. Notese que, assim calculado, esse custo (o preçoparâmetro PRL20) inclui não só o preço estimado de aquisição do produto (FOB), como também os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação deste produto. Resumindo, preçoparâmetro PRL20 é um preço CIF + Trib. s/ imp. Isso posto, a comparação direta entre o preço de aquisição do produto junto à pessoa vinculada (preço da declaração de importação FOB) e o preçoparâmetro PRL20 (CIF + Trib. s/imp), como quer a decisão recorrida, seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se o Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 17 16 sujeito passivo está, ou não, reduzindo artificialmente o lucro apurado no Brasil por meio de aquisições de produtos junto a sua vinculada no exterior a preços superiores aos de mercado. Nesse sentido, para corretamente compararse o preço de aquisição com o preçoparâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade. Para tanto, apenas para efeito dessa comparação, é necessário, adicionarse ao preço de aquisição (preço da declaração de importação FOB), os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Fazendo isso, obteremos o preço praticado de que cuida o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. O importante é ter em conta que, como dito antes, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não foram glosados pela autoridade. O que o auditor fez foi adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, a parcela do preço de aquisição do produto excedente ao preço pelo qual o produto seria adquirido em condições de mercado. Os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação integraram tanto o preço praticado como o preçoparâmetro, com vistas a possibilitar a comparação entre ambos. Poderiam, ainda, não compor nem o preço praticado nem o preço parâmetro, tal como recomendado pelo OECD Transfer Pricing Guidelines, que o resultado da adição ao lucro real seria o mesmo. O que não se admite, nem sob o ponto de vista jurídico, nem sob o ponto de vista lógico, é realizarse uma comparação entre preço praticado e preçoparâmetro em que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação estejam incluídos neste, mas não naquele, ou viceversa. Ou bem são incluídos em ambos (como prevê o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96), ou bem não são incluídos em nenhum dos dois (como sugerido no OECD Transfer Pricing Guidelines). No caso, como se trata de lançamento relativo ao anocalendário de 2008, e em cumprimento ao que determinava expressamente o §6º do art. 18 da Lei 9.430, de 1996, as referidas rubricas foram incluídas tanto no preço praticado quanto no preço parâmetro, conforme já esclarecido neste voto. Desse modo, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. b) ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 1) O PRL60 e a Lei nº 9.430, de 1996 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face da Lei nº 9.430, de 1996, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430, de 1996, acerca do PRL60. Isso porque, para verificarmos a existência, ou não, de violação da Lei nº 9.430, de 1996, pela IN SRF nº 243, de 2002, é necessário que antes determinemos exatamente o que aquela Lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 18 17 Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...]; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. No caso, duas interpretações bem distintas acerca do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, vêm sendo defendidas no presente processo. A seguir encontrase a representação matemática dessas duas interpretações: (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA (3B) PParam = 40%*PLV – VA onde: • PParam é o preço parâmetro do bem importado junto a pessoa vinculada residente no exterior • PLV é o preço líquido de venda de um determinado produto produzido no Brasil, em cuja fabricação foi empregado o bem importado. • VA é o valor agregado no país. A equação (3A) representa a interpretação defendida pelo sujeito passivo para o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto a equação (3B) representa a interpretação da Fazenda Nacional para a mesma norma. Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 19 18 A demonstração matemática das equações (3A) e (3B) encontrase, respectivamente, nos anexos 1 e 2 deste voto. No anexo 3 demonstrase matematicamente que a interpretação proposta pelo sujeito passivo (3A) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas derivadas da interpretação defendida pela Fazenda Nacional (3B). A interpretação (3A), advogada pela Recorrente, também vinha sendo adotada pelo próprio Fisco, inicialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 38, de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 113, de 2000, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001, a qual manteve o mesmo entendimento sobre o assunto. Com o advento da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, o Fisco passou a refutar essa interpretação. A interpretação (3B), sustentada pela Fazenda Nacional, é aquela que, a meu juízo, corretamente reproduz as exigências contidas no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. São ao menos dois os argumentos que sustentam essa afirmação, a saber: Argumento Linguístico Para melhor compreendermos o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, sob o ponto de vista meramente linguístico é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preço parâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 20 19 idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. [...]. O cálculo do preço parâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959, de 2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Reconheçase inicialmente que o texto legal em sua nova redação, acaso lido apressadamente, conduz à interpretação ora defendida pela Recorrente, segundo a qual o valor agregado no país compõe a margem de lucro. Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro. Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País”, contida no texto legal, deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 21 20 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. Argumento LógicoEconômico Mas se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pelo sujeito passivo só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece as regras para apuração do preço parâmetro, o qual pode ser definido como sendo o preço presumivelmente praticado na importação de um bem acaso essa operação seja realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preço parâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado produto produzido no Brasil a pessoa não vinculada, produto, esse, em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado. Em outras palavras, no preço de venda do produto produzido no país logicamente estará incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é economicamente lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60 é necessário que, do preço de venda do produto produzido no país sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como representado na equação (3B). Ocorre que no cálculo do preço parâmetro PRL60 defendido pelo sujeito passivo o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido no país, é a ele adicionado, conforme demonstra a equação (3A). Tal interpretação, evidentemente, subverte a lógica econômica, daí porque não pode ser admitida. Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430, de 1996, é aquela sustentada pela Fazenda Nacional, e representada matematicamente pela equação (3B), e não aquela defendida pelo sujeito passivo e representada matematicamente pela equação (3A). 2) Da Legalidade da IN SRF 243, de 2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 22 21 Alega a Recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, devendo, portanto, ser declarada ilegal. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243, de 2002: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. [...]. § 10. O método de que trata a alínea “b” do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a “participação do bem, serviço ou direito Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 23 22 importado no preço de venda do bem produzido”, calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A representação matemática do cálculo do preçoparâmetro PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme dito anteriormente, a questão da legalidade, ou não, do art. 12 da IN SRF 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 somente pode ser apropriadamente examinada tomandose por base a correta interpretação desta última norma, qual seja, aquela matematicamente representada na já referida equação (3B). Isso posto, em primeiro lugar, cabe destacar que o cálculo do preço parâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243, de 2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 corretamente interpretado, conforme demonstrado no anexo 6. Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243, de 2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Portanto, ainda que seja verdadeira a afirmação da Recorrente segundo a qual a fórmula para o cálculo do preço parâmetro PRL60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 é distinta daquela determinada no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, é falsa a conclusão de que os ajustes ao lucro líquido resultantes da IN são superiores àqueles resultantes da Lei, pois, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6, tais ajustes são sempre iguais ou inferiores. Por fim, poderseia alegar que o posterior advento da Medida Provisória nº 478, de 2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715, de 2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, demonstrariam a ilegalidade anterior desse ato normativo. Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 24 23 Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478, de 2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715, de 2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional. Nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por darlhe provimento, e por conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo e, no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 25 24 Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 26 25 Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação “Correta” (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 27 26 Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação “Correta” O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da “correta” interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%*VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLVenB) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação “correta” da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 28 27 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação “Correta” O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (5A), e a interpretação “correta” sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que, nos cenários D e E, a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430, de 1996 – Interp. do Contrib. – Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV VA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLV ML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430, de 1996 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 29 28 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 30 29 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243, de 2002 (1C) PParam = PartBI®PP – ML, conforme art. 12, § 10, V, da IN SRF 243, de 2002. (2C) ML = 60%* PartBI®PP, conforme art. 12, § 10, IV, da IN SRF 243, de 2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI®PP 60%*PartBI®PP (3C) PParam = 40%* PartBI®PP, onde: PartBI®PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, III, da IN SRF 243, de 2002, ou seja: (4C) PartBI®PP = %PartBI>PP*PLV, onde: %PartBI>PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, II, da IN SRF 243, de 2002, ou seja: (5C) %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 31 30 Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243, de 2002 vs. “Correta” Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da “correta” interpretação do 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243, de 2002 (7C), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação “correta” da Lei nº 9.430, de 1996 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 32 31 Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243, de 2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243, de 2002, e a aplicação do mesmo método segundo a “correta” interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243, de 2002 – Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI>PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430, de 1996 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 16643.720063/201383 Acórdão n.º 9101003.394 CSRFT1 Fl. 33 32 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 1841DF CARF MF
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Numero do processo: 13128.000366/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 27/02/1999
DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE.
A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento.
Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG).
Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.907
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 8. 00 03 66 /2 00 7- 79 Fl. 191DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de Declarações de Compensação de fls. 01/93, a primeira formalizada em papel em 14/11/2007, e as demais transmitidas eletronicamente a partir de 15/03/2007, pelas quais a qual a contribuinte pretendeu compensar débitos de PASEP com base em supostos créditos dessa mesma contribuição referentes aos períodos de apuração janeiro/ 1997 a fevereiro/ 1999 no montante de R$ 120.763,45, conforme razões de fl. 03, e planilha de fl. 04. A DRF em Anápolis emitiu o Despacho Decisório de fls. 99/ 102, deferindo os pedidos de cancelamento de declarações de compensação transmitidas entre 15/03/2007 e 28/11/2007, e não homologando a compensação dos débitos das demais declarações (formulada em papel, em 14/11/2007, e as demais, transmitidas eletronicamente a partir de 29/11/2007). Fundamentou, em resumo, que nos termos dos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, e do artigo 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, o prazo de que dispunha o interessado para proceder à compensação era de cinco anos contados dos pagamentos indevidos. . Cientificada do indeferimento de seu pleito em 17/03/2008 (fl. 104), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 01/04/2008 (fls. 105/124), na qual alega, em síntese e fundamentalmente, que: O Superior Tribunal de Justiça acolheu com efeito erga omnes a argüição de inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13128.000366/200779 Acórdão n.º 3402004.907 S3C4T2 Fl. 112 3 Complementar n° 118, de 2005, e, portanto, o prazo de que dispõe para ingressar com pedido de repetição de indébitos é de dez anos contados do fato gerador; Tem direito aos créditos em decorrência do vácuo legislativo existente entre a publicação da Medida Provisória n° 1.212, de 1995 e a publicação da Lei n° 9.715, de 1998, em razão da intempestividade das reedições de todas as Medidas Provisórias que estabeleciam a exigência para o PIS/PASEP, _sucessoras daquela primeira; A perda da eficácia da Medida Provisória, sem a necessária regulamentação pelo Congresso Nacional, não restaura a norma legal anterior. Nesse contexto, é vedada a exigência de tributo sem lei que o estabeleça, conforme dispõe o artigo 150, inciso I, da Constituição Federal. Somente a partir de 23/02/1999 a contribuição para o PIS/PASEP passou a ser exigível, isso porque também a Lei n° 9.715, de 1998, foi publicada fora do prazo de reedição da Medida Provisória n° 1.67638, de 1998, que imediatamente a antecedeu; Caracterizado o vácuo legislativo, todos os recolhimentos efetuados evidenciamse indevidos e passível de restituição/compensação; À Administração Pública é vedado agir em desacordo com a lei. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Brasília/DF (fls 128 a 133), cuja ementa segue colacionada abaixo: Assumo: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 27/02/1999 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. PASEP. BASE LEGAL. A exigência da Contribuição ao PASEP passou a ser regulada ela Medida Provisória Federal n° 1.212, de 1995, a partir de março/ 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 193DF CARF MF 4 Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 146 a 148, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Notificada do julgamento a quo em 10 de fevereiro de 2010, conforme AR de fls 136, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário 08 de março de 2010. Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relato acima, as questões a serem aqui solucionadas são duas: i) ocorrência ou não de decadência do direito do contribuinte à restituição do indébito; ii) o direito ao crédito pleiteado, com base em declaração de inconstitucionalidade das reedições das Medidas Provisórias que sucederam a de n. 1.212/1996. Sobre a decadência, é válido lembrar que a questão do prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por algumas reviravoltas jurisprudenciais. Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) era a interpretação redacional do artigo 156, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratavase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10 jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo prescricional para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). Dessa forma, foi deliberado que, a partir de sua entrada, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13128.000366/200779 Acórdão n.º 3402004.907 S3C4T2 Fl. 113 5 que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco. Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente modificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar a matéria (RE 566.621/RS, Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011, julgado sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC), 1 que entendeu como relevante não a data dos pagamento indevidos, mas sim a dada da formulação dos pedidos de restituição, para a contagem do prazo dos contribuintes. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621, julgado por meio do rito dos recursos repetitivos. Nesse sentido, destaco a ementa do REsp n. 1.269.570/MG: Ementa CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 195DF CARF MF 6 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543 B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570 / MG, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do Julgamento 23/05/2012, Data da Publicação/Fonte, DJe 04/06/2012 RT vol. 924 p. 802.) Pois bem. No presente caso, o contribuinte indicou no Pedido de Restituição que o indébito era referente a pagamentos efetuados entre 01/1997 e 02/1999. Todavia, os pedidos de restituição da Municipalidade somente foram formalizados a partir de 15/03/2007. Uma vez que o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, 2 prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13128.000366/200779 Acórdão n.º 3402004.907 S3C4T2 Fl. 114 7 pelo Supremo Tribunal Federal com reconhecimento de repercussão geral e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, concluise que está de fato decaído o direito da Recorrente. Afinal, o pedido de restituição foi formulado em 15/06/2007, vale dizer, em data posterior a 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data para a qual já se utiliza o prazo de cinco anos para a contagem do prazo decadencial/prescricional. Como não há nenhum pagamento posterior a 15/06/2002, todo o montante requerido por meio do presente processo administrativo está decaído. Estando fulminado pela decadência o direito à restituição do indébito in casu questão preliminar de julgamento , despicienda a análise do mérito do processo administrativo, que mesmo que fosse favorável à Recorrente, não lhe daria o crédito pretendido. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.907549/2009-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento.
IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL.
Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 75 49 /2 00 9- 11 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10665.907549/200911 Acórdão n.º 3001000.283 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 20/12/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 36317.56974.201206.1.5.019527 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 2º Trimestre de 2004, no valor de R$ 3.954,22. Do Despacho Decisório A DRF de Divinópolis, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.78), pelo não reconhecimento do crédito, tendo por base o que ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (efls.71). Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.86), justificando que o não reconhecimento do crédito está embasado em premissas equivocadas, por desconsideração à legislação aplicável, além de vários princípios tributários; que está configurada a decadência, pois a transmissão da PER/DCOMP foi realizada na data de 20/12/2006 e o ciente do despacho decisório só ocorreu na data de 15/02/2012. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta decidiu pelo não reconhecimento do crédito tributário pleiteado e pela não homologação da compensação realizada, cujos fundamentos foram sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de MP, PI e ME aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, pelo que cabe indeferir o pedido de ressarcimento que se funda no citado direito creditório não reconhecido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 1. DECADÊNCIA/ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10665.907549/200911 Acórdão n.º 3001000.283 S3C0T1 Fl. 4 3 Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. 2. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as arguições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Em grau de recurso voluntário a recorrente limitase a repisar todos os argumentos e teses de sua Manifestação de Inconformidade, com o qual espera ver reformada a decisão recorrida em prol do reconhecimento do crédito pretendido e homologadas as compensações requeridas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Discutese no presente processo preliminar de decadência por inércia do Ente Público de não se manifestar no prazo estabelecido por lei, nos casos de pedidos de compensação. De acordo com o entendimento da Recorrente teria ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos da data de transmissão da PER/DCOMP (20/12/2006) e a data de cientificação do despacho decisório (15/02/2012). Primeiramente cabe aqui destacar que o presente processo trata de PER/DCOMP nº 36317.56974.201206.1.5.019527 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 2º Trimestre de 2004 e não há vinculação de compensação de débito sendo mencionada. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10665.907549/200911 Acórdão n.º 3001000.283 S3C0T1 Fl. 5 4 Sobre esse tema, decadência por homologação tácita, a 3ª Turma da DRJ/JFA vem reproduzindo decisões proferidas em processos da mesma recorrente, das quais destaco o seguinte excerto: O contribuinte apresenta argumento preliminar acusando a decadência do Pedido de Ressarcimento. A interpretação é de que há um paralelo entre o exame do lançamento por homologação e o exame de Pedido de Ressarcimento. Para ambos, foi estipulado o prazo de cinco anos. Para o lançamento por homologação, no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, CTN. Para o pedido de Ressarcimento, no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. O ato foi redigido com o seguinte teor: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Da leitura do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é fácil deduzir a confusão feita pelo contribuinte. O prazo de que trata o referido dispositivo é para a homologação da compensação, a que se dá o nome de homologação tácita, isto é, homologação pelo decurso do prazo de cinco anos da apresentação da declaração de compensação, sem que sobre ela tenha havido a oportuna manifestação da autoridade competente. Não trata o dispositivo legal de prazo para o exame do Pedido de Ressarcimento, que obviamente é objetivo distinto da compensação, não obstante a declaração de compensação ser precedida de análise de crédito, no caso presente, saldo credor de IPI. Só se dispensará o exame de Pedido de Ressarcimento, ou melhor, do saldo credor, se coincidirem em seus montantes crédito requerido e débitos a compensar. Contrário senso, o pedido de ressarcimento sempre será examinado, independentemente do momento em que o faça a autoridade competente, o que não ocorre com a declaração de compensação que poderá ser homologada tacitamente. Se o interesse do contribuinte é de que seja declarada a homologação tácita, há de se verificar a ocorrência do instituto previsto na Lei nº 9.430, de 1996, ainda mais porque é questão de ordem pública e deve sempre ser apreciada pela autoridade administrativa, ainda que não mencionada pelo contribuinte. Em não havendo previsão legal para a homologação tácita de pedidos de ressarcimento e provado que não houve homologação tácita em relação a compensação, que neste processo não foi declarada, válido é o Despacho Decisório. DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI Em questão de mérito, a discussão gira em torno do direito a manutenção do crédito de IPI incidente nas aquisições de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10665.907549/200911 Acórdão n.º 3001000.283 S3C0T1 Fl. 6 5 materiais de embalagens (ME), utilizados na produção (beneficiamento) de produtos que possui anotação N/T na TIPI, no caso dos autos “pedra britada” classificada na posição 2517.10.00.00 da TIPI. A recorrente apurou crédito de IPI sobre aquisições de MP, PI e ME ocorridas no 2º trimestre de 2004 e buscou a compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99, cuja redação assim se apresenta: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. Importante destacar que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5/2006 veio consignar que: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9. 779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." A muito que o entendimento firmado em nível de CARF é no sentido contrário ao interesse do contribuinte, tanto que a matéria veio a ser simulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10665.907549/200911 Acórdão n.º 3001000.283 S3C0T1 Fl. 7 6 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, pelo não reconhecimento do crédito pleiteado na PER/DCOMP (ressarcimento). (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 170DF CARF MF
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