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Numero do processo: 10580.726255/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 55 /2 00 9- 12 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10580.726255/200912 Acórdão n.º 9202006.379 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.730162/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO.
Conforme previsão expressa em lei, a apuração do lucro deve ser feita na sistemática do arbitramento quando não são apresentados os elementos da escrituração comercial e fiscal.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2011
PIS, COFINS e CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
Numero da decisão: 1401-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. Conforme previsão expressa em lei, a apuração do lucro deve ser feita na sistemática do arbitramento quando não são apresentados os elementos da escrituração comercial e fiscal. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2011 PIS, COFINS e CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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CABIMENTO. Conforme previsão expressa em lei, a apuração do lucro deve ser feita na sistemática do arbitramento quando não são apresentados os elementos da escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 PIS, COFINS e CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 01 62 /2 01 4- 17 Fl. 247DF CARF MF 2 de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 18470.730162/201417 Acórdão n.º 1401002.202 S1C4T1 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (v. efls. 228/241) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE (v. efls. 209/213) que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo integralmente as autuações lavradas contra a Recorrente, referentes ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2011. Segundo o Termo de Constatação Fiscal de efls. 45/46, a Recorrente é optante pela sistemática de apuração do Lucro Presumido para o anocalendário 2011. A Fiscalização aponta que a mesma teria escriturado o Livro Diário pelo regime de competência e apresentado a DIPJ pelo regime de caixa, "sem que fossem adotados, entretanto, em sua escrituração, critérios que permitissem a identificação da receita recebida, de forma a permitir a comprovação da receita bruta constante de sua DIPJ, em desacordo, portanto, com o estabelecido na Instrução Normativa nº 104, de 24/08/1998, alterada pela IN SRF nº 247, de 21/11/2002, tendo sido tais normas mantidas pela IN nº 1.515, de 24/11/2014" (v. efls. 46). Também consta do Termo de Constatação Fiscal que, até o momento em que iniciada a auditoria, a Contribuinte não havia apresentado a DCTF relativamente ao ano calendário de 2011, vindo a fazêlo somente após o início do procedimento fiscal. Não apresentou nenhum comprovante de pagamento dos tributos declarados na DCTF apresentada a destempo. Assim, e diante da não apresentação do Livro Razão e de documentação que desse suporte aos lançamentos efetuados no Livro Diário, a Fiscalização realizou o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, apurada através dos Livros Diário relativos ao ano calendário de 2011. Impugnado o lançamento, sobreveio o Acórdão nº 1154.565 3ª Turma da DRJ/Recife, em sessão realizada no dia 24 de janeiro de 2017, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Fl. 249DF CARF MF 4 O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 13/02/2017, v. efls. 224, apresentando o seu Recurso Voluntário em 15/03/2017, v. efls. 228/241. Suas alegações no Recurso Voluntário são as mesmas já expendidas quando da impugnação e resumemse a arguir o não cabimento do arbitramento realizado pela autoridade fiscal, haja vista a inexistência de justo motivo para tal, eis que o lançamento teria se pautado nas informações prestadas por ela própria e constantes da escrituração firmada no Livro Diário. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 18470.730162/201417 Acórdão n.º 1401002.202 S1C4T1 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A Recorrente se insurge contra o arbitramento levado a efeito pela Fiscalização para a apuração dos tributos devidos. A alegação principal da Recorrente é de que não haveria motivo justificado a ensejar o arbitramento, pois a própria receita bruta adotada pela Fiscalização para a apuração do lucro teria sido extraída do Livro Diário disponibilizado pela Contribuinte. Alega que a Fiscalização disporia de todos os elementos para aferir e conferir as receitas levadas à tributação pela Recorrente. Também argui que "a simples falta da apresentação de algum documento, ante à apresentação de outros documentos fiscais e contábeis que comprovam a legitimidade das receitas submetidas à tributação, não tem o condão, por si só, de ensejar a adoção do lucro arbitrado". Discordo das alegações da Recorrente. Analisando o processo desde a instauração do procedimento fiscal, podese facilmente verificar que a Contribuinte foi intimada e reintimada em mais de uma oportunidade para apresentar toda a documentação contábil e fiscal. Entretanto, apresentou tão somente o Livro Diário, ainda assim, desacompanhado dos documentos fiscais que lhe dariam suporte. Mesmo apresentando o Livro Diário, verificouse que sua escrituração é deficiente, pois nos lançamentos nele escriturados, majoritariamente, não há menção sequer às notas fiscais relativas às receitas auferidas. Também consta do Termo de Constatação Fiscal que, até o momento em que iniciada a auditoria, a Contribuinte não havia apresentado a DCTF relativamente ao ano calendário de 2011, vindo a fazêlo somente após o início do procedimento fiscal. Também não foram apresentados nenhum comprovante de pagamento dos tributos declarados na DCTF apresentada a destempo. Assim, forçoso à Autoridade Fiscal constituir o crédito tributário mediante o lançamento. Pelo que podemos observar, ao analisar os autos, procedeu corretamente a Fiscalização ao arbitrar o lucro. A legislação é claríssima em determinar o arbitramento do lucro nos casos em que o sujeito passivo deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração (art. 530, III, do RIR/99), independentemente dos motivos, sejam eles justificáveis ou não. Aliás, não há nenhuma linha escrita pela Recorrente em seu Recurso Voluntário que esclareça o porque da não apresentação dos livros e documentos fiscais. Vejamos o que determina a legislação de regência: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Fl. 251DF CARF MF 6 I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. De tudo o que se depreende ao se analisar o processo, verificase facilmente que a situação de fato com que se deparou a Fiscalização não autorizava outra atitude senão Fl. 252DF CARF MF Processo nº 18470.730162/201417 Acórdão n.º 1401002.202 S1C4T1 Fl. 250 7 promover o arbitramento do lucro com base nas informações disponíveis (sobretudo conforme o disposto no art. 532 do RIR/99). Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Assim procedeu a Fiscalização que, utilizando as informações que tinha à disposição, tão somente o Livro Diário, conseguiu aferir a base de cálculo muito próxima à real, diminuindo, dessa forma, o grau de subjetividade do lançamento, e evitando a utilização dos critérios estabelecidos pelo art. 535, muito mais imprecisos e, não raras vezes, mais onerosos aos contribuintes, dependendo do ramo de atividade econômica a que se dedicam. Art. 535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): I um inteiro e cinco décimos do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais; II quatro centésimos da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido; III sete centésimos do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade; IV cinco centésimos do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido; V quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI quatro décimos da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII oito décimos da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII nove décimos do valor mensal do aluguel devido. O demonstrativo de efls. 47/51, que reflete a receita bruta conhecida, foi obtido a partir dos lançamentos efetuados no Livro Diário. Cabe ressaltar que a utilização do Livro Diário para apurar as bases de cálculo não desqualifica o método do arbitramento adotado para obter o lucro tributável. Os respectivos valores são próximos, inclusive, daqueles que foram informados na DIPJ. Tais valores sequer foram contestados pela Recorrente, que limitouse a questionar apenas a forma de apuração adotada (lucro arbitrado). Fl. 253DF CARF MF 8 Ora, a falta de lastro na escrituração ou, no caso, a sua inexistência/deficiência, obriga a Autoridade Fiscal a realizar o arbitramento do lucro a partir das informações de que dispõe. É inevitável. Neste sentido, os reclamos da recorrente se mostram fragilizados diante dos fatos concretos presentes nos autos. Ademais, não se deve esquecer que “arbitramento” não é uma penalização, como bem coloca a recorrente e, muito menos, um instrumento de tortura de que disporia a Autoridade Fiscal para massacrar os contribuintes. Ao contrário, é remédio com previsão legal e de adoção indeclinável pelo Fisco quando a escrituração da pessoa jurídica não atender aos ditames que a legislação lhe impõe. Neste trilho, a jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – órgão colegiado administrativo de julgamento em instância definitiva: “ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE – O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro” (Ac. CSRF/010.123/81). Por tudo o que se expôs e o que consta dos autos, é de se manter o arbitramento nos moldes em que foi realizado pela Autoridade Fiscal. Tudo o que foi dito em relação ao IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS, dada à relação de causa e efeito que existe entre os referidos tributos Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721100/2014-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS.
A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS.
A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação.
Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721100/201468 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302005.098 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VEGA DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 11 00 /2 01 4- 68 Fl. 13183DF CARF MF 2 (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Belém, fls. 13140 e seguintes1: Tratase o processo de Auto de Infração de Contribuição para o PIS e Auto de Infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009 e janeiro a dezembro de 2010, que exige o recolhimento de R$ 5.881.364,70 (contribuição + multa de ofício + juros calculados até março/2014) de contribuição para o PIS e R$ 27.052.409,24 (contribuição + multa de ofício + juros calculados até março/2014) de COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 24/44, extraímos os seguintes excertos: a) O contribuinte tem como objeto social "Comércio de óleos, graxas, lubrificantes e fluidos de freio; distribuição no atacado de derivados de petróleo e álcool e o transporte rodoviário de produtos perigosos”. b) Tratase de Distribuidora de Combustíveis. c) Conforme recibos apresentados pela empresa, foram entregues DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON para os exercícios de 2009 e 2010. Em consulta a esses DACON diretamente nos sistemas da RFB, constatamos que referente ao período de 01/2009 a 06/2009 foram parcialmente preenchidas, ou seja, constam informações apenas nas fichas 05 A, 10A, 15A 20A e 25A. Para o período de 07/2009 a 12/2010 foram entregues os referidos DEMONSTRATIVOS em branco. As Fichas 06A e 16A que informam as bases de cálculo dos créditos, de acordo com a sua origem e apuram os respectivos créditos a serem aproveitados para o cálculo do PIS e da COFINS devidos estavam sem informações, ou seja, em branco em todo o período fiscalizado. d) a fiscalizada deixou de apurar e comprovar documentalmente a existência de créditos da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a COFINS. e) passamos a apuração do PIS e COFINS a pagar no período de fevereiro de 2009 a dezembro de 2010, sem levar em 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 13184DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 3 3 consideração a existência de créditos a deduzir, por não ter a empresa fiscalizada prestado as informações necessárias e a documentação correlata. f) As bases de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) foram determinadas a partir da análise da seguinte documentação: das Notas Fiscais Eletrônicas NFe armazenadas no ambiente SPED; dos arquivos SINTEGRA fornecidos pela fiscalizada; da resposta da ANP Agência Nacional do Petróleo, através do Ofício 1238/2013/SAB; da resposta da Petrobrás Petróleo Brasileiro S.A. ao Ofício 10.199/2013 SEFIS/DRF/CPS, em confronto com a contabilidade da fiscalizada. g) Conforme exposto nos itens 31 e 32, a fiscalizada não comprovou a existência de créditos, por não ter apresentado as planilhas demonstrativas de sua apuração, passíveis de aproveitamento para dedução dos valores devidos, com a respectiva documentação comprobatória, referentes as contribuições de PIS/COFINS, e não retransmitiu os DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON do período fiscalizado, com o preenchimento principalmente das fichas 05A, 06A, 07A, 10A, 15A, 16 A, 17 A, 20 A e 25 A. h) As Contribuições apuradas da empresa fiscalizada para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e o Programa de Integração Social (PIS), relativos aos períodos de apuração 2009 e 2010 foram determinadas levandose em consideração as Notas Fiscais Eletrônicas – Nfe (SPED); os arquivos SINTEGRA; informações obtidas da ANP Agência Nacional do Petróleo e da Petrobrás Petróleo Brasileiro S.A., dos valores considerados e confirmados pela fiscalizada (planilhas do item 17) em confronto com a sua contabilidade. i) Dos valores apurados, procedemos mensalmente, a dedução das contribuições, para o Pis e para a Cofins, já declarados em DCTF, exceto em relação às competências outubro/2009 e janeiro/2010, as quais não foram objetos de declaração Regularmente intimada, com ciência pessoal em 21 de março de 2014, a interessada apresentou, em 22 de abril de 2014, a impugnação de fls. 188/201, e argumenta: “foram abertos prazos para a autuada apresentar documentos comprobatórios de eventuais direitos a créditos, os quais não foram atendidos por mera dificuldade de localização no arquivamento de tais documentos” “também foi alvo da fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, referentes aos mesmos períodos, com exigência de apresentação das notas fiscais de aquisição do produto álcool. Diante disso, houve uma enorme dificuldade na localização dos documentos comprobatórios do direito aos créditos às contribuições da COFINS e do PIS, o que levou à sua Fl. 13185DF CARF MF 4 não apresentação dentro do período solicitado pelo Sr. Agente Fiscal” “tendo a Defendente localizado neste momento, pelo menos parte dos documentos comprobatórios dos seus créditos, juntados em anexo, de rigor o recebimento e análise por V.Sa., tendo em vista trataremse de documentos comprobatórios do direito ao crédito da Defendente, em estrito cumprimento à regra da NÃO CUMULATIVIDADE do PIS e da COFINS” (grifo no original) Requer, posteriormente, a juntada dos documentos comprobatórios da aquisição do combustível álcool hidratado, nos anos de 2009 e 2010, representados pelos pedidos de nº 2203/09 até nº 3153/10 correspondentes aos contratos de compra e venda efetuados com as usinas e seus respectivos comprovantes de pagamento, bem como, as Notas Fiscais, devidamente planilhadas com a indicação dos volumes de produto adquiridos. Assevera ser incompreensível a ausência de requisição do Sr. Agente Fiscal à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, solicitando as informações quanto ao volume de compra do combustível álcool hidratado informado pela defendente para aquele período, para possibilitar a verificação de existência ou não de créditos, com relação ao PIS e a COFINS. Aduz ser ilegal a multa de ofício aplicada. Carreia aos autos jurisprudências administrativas e judiciais. (...) Foi requerida a realização de diligência, fls. 13016/13019, no sentido de solicitar à Unidade proceder a análise dos documentos anexados aos autos e a apuração das contribuições devidas. Em resposta, a DRF/Campinas expediu a Informação de fls. 13041/13127, onde inicia informando: “A presente Diligência Fiscal foi determinada na Resolução N° 368, de 22/07/2014, pela 3a Turma da DRJ/BEL (Delegacia da RFB de Julgamento de Belém/PA), com a finalidade de verificar a documentação juntada pela fiscalizada, à impugnação do Auto de Infração objeto do processo 10803.721100/201468 e revisar os valores lançados, à medida que os créditos alegados pela impugnante sejam confirmados por esta fiscalização” “Durante o procedimento fiscal original de MPF n° 0810400.2011.011816, que durou mais que dois anos, o atendimento à essa fiscalização foi precário, razão pela qual a fiscalização foi concluída no início de 2014, sem que fossem apresentados documentos que comprovassem possíveis créditos de PIS e COFINS” “Surpreendentemente, no pequeno prazo de trinta dias para impugnação, a empresa apresentou milhares de notas fiscais de aquisição de álcool combustível do período de 2009 e 2010, Fl. 13186DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 4 5 digitalizadas uma a uma em PDF. Acompanhou o material uma planilha também em PDF com a apuração do suposto crédito considerado na aquisição de álcool combustível de usinas e distribuidoras em 2009. Não acompanhou planilha similar referente a 2010. Observando a referida planilha, notamos que faltam informações importantes como a inclusão o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações), o CNPJ do fornecedor e sua qualificação como usina produtora ou distribuidora de combustível, pois as tributações são diferenciadas, consequentemente as bases de cálculo do crédito também” “Foram entregues termos de intimação, conforme cópias anexas, 01/09/2014, 03/11/2014 e 27/01/2015, diretamente ao advogado da empresa, pois a mesma já se encontrava suspensa de suas atividades pela fiscalização estadual. Além dessas intimações, foram feitas inúmeras cobranças por telefone e por email diretamente ao advogado Dr. Fábio Martins Bonilha Curi, mas os atendimentos às intimações também foram precários. Chegaram a ser preparadas planilhas em excel, que mesmo com inúmeras falhas, representavam apenas cerca de 20% do trabalho a ser feito, isso após quase seis meses de insistentes cobranças por parte dessa fiscalização” “Emitido novo termo de intimação em 27/02/2015 dando prazo final improrrogável até 16/03/2015.Terminado esse prazo o advogado declarouse sem estrutura para preparar a listagem digital das notas fiscais apresentadas na impugnação. Diante dessa situação, em que mesmo sendo a interessada, a empresa não conseguiu fazer em seis meses a listagem digital, a própria fiscalização fez a devida tabulação das notas fiscais, para a apuração da correta base de cálculo dos créditos alegados. Em noventa dias foi preparada a planilha "bruta", depurada com a exclusão de notas fiscais repetidas, impróprias e com CFOP indevidos” E prossegue com a análise das Notas Fiscais apresentadas mês a mês, e por fim, conclui: Apuração dos novos valores de PIS devidos, a serem considerada no Al Auto de Infração: Período de PIS devido conforme Crédito de Aquisição Crédito de aquisição de PIS devido considerando NF Apuração Al 10830.721100//201468 de Álcool do Produtor Álcool do Distribuidor apresentadas na impugnação MAR/09 165.803,91 10.038,43 62.054,35 93.711,13 ABR/09 82.144,02 7.911,89 63.587,70 10.644,43 MAI/09 61.418,44 26.841,10 7.801,35 26.775,99 JUN/09 120.542,66 43.121,99 4.885,20 72.535,47 JUIJ09 124.946,47 34.849,61 400,87 89.695,99 AGO/09 116.276,12 48.541,72 68.533,74 799,34 SET/09 97.893,35 0,00 0,00 97.893,35 OUT/09 68.125,97 19.853,62 21.943,32 26.329,03 NOV/09 47.922,61 12.415,95 14.183,30 21.323,36 DEZ/09 114.255,22 37.736,21 24.173,58 52.345,43 J AN/10 79.526,73 27.734,60 340,20 51.451,93 FEV/10 86.871,19 29.192,39 2.036,92 55.641,88 MAR/10 141.497,91 55.335,38 6.258,85 79.903,68 ABR/10 149.761,45 20.848,52 4.758,36 124.154,57 M Al/10 130.372,74 53.578,88 144,22 76.649,64 Fl. 13187DF CARF MF 6 JUN/10 148.288,65 61.573,43 534,64 86.180,58 JUL/10 161.230,93 60.073,17 5.339,35 95.818,41 AGO/10 154.333,38 64.949,97 639,92 88.743,49 SET/10 173.613,72 60.865,74 638,40 112.109,58 OUT/10 160.652,67 0,00 0,00 160.652,67 NOV/10 194.219,78 0,00 0,00 194.219,78 DEZ/10 205.774,74 0,00 0,00 205.774,74 2.785.472,66 675.462,60 288.254,27 1.821.755,79 Apuração dos novos valores de COFINS a serem considerados no Al Auto de Infração: Período de Apuração COFINS devida conforme Al 10830.721100//201468 Crédito de Aquisição de Álcool do Produtor Crédito de aquisição de Álcool do Distribuidor COFINS devido considerando NF apresentadas na impugnação MAR/09 762.636,09 46.187,31 299.228,00 417.220,78 ABR/09 377.876,86 36.403,03 292.480,71 48.993,12 MAI/09 282.501,62 123.497,90 35.885,73 123.117,99 JUN/09 554.455,68 198.405,23 22.470,12 333.580,33 JUL/09 574.713,83 160.340,71 1.844,18 412.528,94 AGO/09 534.832,33 223.337,24 315.229,62 3.734,53 SET/09 450.278,42 0,00 1.897,72 448.380,70 OUT/09 313.354,03 91.345,19 100.932,84 121.076,00 NOV/09 220.428,83 57.124,96 65.237,86 98.066,01 DEZ/09 525.538,89 173.621,80 111.189,42 240.727,67 JAN/10 365.793,27 127.605,05 1.564,80 236.623,42 FEV/10 399.578,97 134.312,26 9.369,08 255.897,63 MAR/10 650.844,16 254.594,39 28.788,35 367.461,42 ABR/10 688.853,80 95.922,66 21.886,68 571.044,46 MAI/10 599.672,08 246.512,85 6.696,06 346.463,17 JUN/10 682.081,28 283.295,24 2.459,12 396.326,92 JUL/10 741.609,09 276.392,67 24.559,01 440.657,41 AGO/10 709.884,05 298.830,49 2.943,40 408.110,16 SET/10 798.565,89 280.039,23 2.936,40 515.590,26 OUT/10 738.948,99 0,00 0,00 738.948,99 NOV/10 893.345,84 0,00 0,00 893.345,84 DEZ/10 946.494,18 0,00 0,00 946.494,18 12.812.288,18 3.107.768,21 1.347.599,10 8.356.920,87 “Diante da análise da contabilidade, das planilhas da ANP (Agência Nacional do Petróleo), documentos correlatos e planilhas auditadas, esta fiscalização confirmou e considerou as notas fiscais relacionadas nas planilhas acima, mês a mês, ora como aquisição diretamente de produtora de álcool, ora de distribuidora de combustível, ora álcool anidro, ora álcool hidratado” “Conclui também, da mesma análise, que a fiscalizada atuava na época exclusivamente no ramo da distribuição de combustíveis, agindo entre as refinarias de petróleo e usinas de álcool e os postos de abastecimento do consumidor final. Entre os fornecedores (Petrobrás, Usinas e outras Distribuidoras) e os adquirentes (Postos de Gasolina e outras Distribuidoras) era utilizada uma Base de Distribuição localizada em Paulínia/SP, que recebia os combustíveis gasolina e diesel brutos, canalizados diretamente da REPLAN (Refinaria de Paulínia PETROBRÁS) e os álcoois anidro e hidratado diretamente das Usinas Alcooleiras ou de Distribuidoras, em sua grande maioria situadas no próprio Estado de São Paulo, transportados por caminhões. Na Base, o álcool anidro era adicionado à gasolina pura e o álcool hidratado e o óleo diesel apenas estocados. Esta Base bem como todas existentes nas cercanias da REPLAN, atendem a diversas pequenas e médias distribuidoras em condomínio, como é o caso da fiscalizada, sendo o estoque de uso comum. Essa característica de funcionamento é que Fl. 13188DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 5 7 determina a aquisição de álcool diretamente de Usina ou de outra Distribuidora. Grandes distribuidoras como a Ipiranga, Petrobrás, Esso, Shell, etc, possuem Bases exclusivas” “A Fiscalizada, em sua impugnação procedeu a juntada, de NF (notas fiscais), não consideradas como base de cálculo de crédito de PIS e COFINS, por essa fiscalização. Não foram consideradas: notas fiscais de aquisição de álcool, de simples faturamento: CFOP 5922 Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, ou de simples transferência: CFOP 5659 Transferência de combustível ou lubrificante adquirido ou recebido de terceiro, CFOP 5664 Retorno de combustível ou lubrificante recebido para armazenagem, CFOP 5665 Retorno simbólico de combustível ou lubrificante recebido para armazenagem” “Ainda sobre o CFOP 5922, constatamos que a aquisição de álcool de algumas usinas produtoras ocorria em dois momentos, a do simples faturamento para entrega futura, utilizando o CFOP 5922, quando a mercadoria ainda não foi produzida, não faz parte do estoque da fornecedora, razão pela qual será entregue futuramente ainda que seja em várias etapas, conforme a concretização da produção. Quando a mercadoria era entregue, eram utilizados os CFOP: 1o) 5655 Venda de combustível adquirido ou recebido de terceiros destinado à comercialização, 2o) 5651 Venda de combustível ou lubrificante de produção do estabelecimento destinado à industrialização subsequente, 3o) 5652 Venda de combustível ou lubrificante de produção do estabelecimento destinado à comercialização e 4o) 6116 Venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura” “Para comprovar o crédito alegado de PIS COFINS a fiscalizada procedeu a juntada de notas fiscais no código CFOP 5922 (simples faturamento de venda para entrega futura), bem como nos códigos CFOP 5655 (Venda de combustível adquirido ou recebido de terceiros destinado à comercialização), CFOP 5651 (Venda de combustível produzido destinado à industrialização), 5652 (Venda de produção do estabelecimento), CFOP 6116 (Venda de produção encomendada) das fornecedoras: Copersucar Cooperativa de Produtores de Cana deAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, Zambianco Açúcar e Álcool Ltda., Rio Vermelho Açúcar e Álcool Ltda., Decasa Destilaria de Álcool Caiuá S.A., Cia. Brasileira de Açúcar e Álcool e Usina Campestre Companhia Açucareira de Penápolis. Através da análise da contabilidade da fiscalizada constatamos que não houve o pagamento de todas as notas juntadas, que ocorreu uma duplicidade em sua apresentação (simples faturamento/venda). Diante do exposto, após o batimento de valores constantes em sua contabilidade e as notas fiscais juntadas, concluímos pela utilização, para apuração da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS, das notas fiscais do momento da entrega do produto. Essa conclusão foi consequência da análise da planilha apresentada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Através da planilha, Fl. 13189DF CARF MF 8 apresentada mediante solicitação dessa fiscalização, a qual foi alimentada por dados fornecidos pelas usinas e distribuidoras de combustíveis, onde consta a fiscalizada como adquirente, o momento consideração e informado é o da entrega do produto” “Foram desconsideradas por essa fiscalização, as notas fiscais juntadas em duplicidade, bem como as de aquisição de outros combustíveis, as quais de acordo com a legislação vigente não é base de cálculo de crédito de PIS/COFINS, pois os demais tipos de combustíveis sofrem tributação monofásica nas refinarias de petróleo” Cientificada do despacho proferido pela DRF/Campinas, em 07 de agosto de 2015, a empresa apresenta a seguinte manifestação: “VEGA DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA., já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem respeitosamente perante Vossa Senhoria, informar que concorda com os valores apurados pela fiscalização, na diligência determinada pelo douto relator do presente processo” (grifo no original) A DRJ/Belém considerou parcialmente procedente a impugnação e a ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação, e à aquisição de álcool anidro para adição à gasolina em valores estabelecidos em ato do poder Executivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITOS NO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISTRIBUIDOR DE COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, possibilitou ao distribuidor sujeito à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, calculados de acordo com o valor devido pelo vendedor na operação, e à aquisição de álcool anidro para adição à gasolina em valores estabelecidos em ato do poder Executivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Fl. 13190DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 6 9 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Em se tratando de lançamento de ofício, será aplicada a multa de ofício de 75% sobre a diferença da contribuição que deixou de ser recolhida/declarada, sendo irrelevante a existência de boafé na conduta da pessoa jurídica e independentemente da intenção, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Há Recurso de Ofício por ter sido exonerado crédito tributário em montante superior ao limite estabelecido na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, contudo, não houve apresentação de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto 1. Dos requisitos de admissibilidade Tratase de recurso de ofício, interposto conforme artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 e atendendo à atual Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. A contribuinte foi cientificada em 29 de dezembro de 2015 por decurso de prazo, fls. 13157, mas não apresentou Recurso Voluntário, o que torna definitiva a decisão administrativa naquilo em que ela foi sucumbente. 2. Do Recurso de Ofício A contribuinte tem como objeto social o comércio de óleos, graxas, lubrificantes e fluidos de freio; distribuição no atacado de derivados de petróleo e álcool e o transporte rodoviário de produtos perigosos” e o cerne da controvérsia ocorre em razão do aproveitamento de créditos sem a documentação probatória, o que foi solucionado em fase de impugnação. Quanto à tributação do PIS e da Cofins sobre a receita bruta de venda de álcool, inclusive para fins carburantes, assim, estabeleceu a legislação após algumas alterações: Lei nº 9.718, de 1998 Art. 5o A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) e 6,9% (seis inteiros e nove décimos por cento), no caso de produtor ou importador; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e 17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), no caso de distribuidor. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 13191DF CARF MF 10 § 1o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda de álcool, inclusive para fins carburantes, quando auferida: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – por distribuidor, no caso de venda de álcool anidro adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – por comerciante varejista, em qualquer caso; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) III – nas operações realizadas em bolsa de mercadorias e futuros. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 2o A redução a 0 (zero) das alíquotas previstas no inciso III do § 1o deste artigo não se aplica às operações em que ocorra liquidação física do contrato. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (...) § 4o O produtor, o importador e o distribuidor de que trata o caput deste artigo poderão optar por regime especial de apuração e pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no qual as alíquotas específicas das contribuições são fixadas, respectivamente, em: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – R$ 23,38 (vinte e três reais e trinta e oito centavos) e R$ 107,52 (cento e sete reais e cinqüenta e dois centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – R$ 58,45 (cinqüenta e oito reais e quarenta e cinco centavos) e R$ 268,80 (duzentos e sessenta e oito reais e oitenta centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 5o A opção prevista no § 4o deste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, até o último dia útil do mês de novembro de cada anocalendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o anocalendário subseqüente ao da opção. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (...) § 8o Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas no caput e no § 4o deste artigo, as quais poderão ser alteradas, para mais ou para menos, em relação a classe de produtores, produtos ou sua utilização. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (...) Fl. 13192DF CARF MF Processo nº 10830.721100/201468 Acórdão n.º 3302005.098 S3C3T2 Fl. 7 11 § 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. (Redação dada pela Lei nº 12.859, de 2013) § 14. Os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 15. O disposto no § 14 deste artigo não se aplica às aquisições de álcool anidro para adição à gasolina, hipótese em que os valores dos créditos serão estabelecidos por ato do Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Pela leitura dos artigos, observase que o contribuinte, no caso distribuidor, deve pagar pelas contribuições em apreço sob alíquotas definidas na lei ou pode optar por regime especial de apuração. Ademais, os parágrafos que seguem o artigo 5º, da Lei nº 9.718, de 1998, prevêem a possibilidade ao distribuidor sujeito à não cumulatividade dessas contribuições, o desconto de créditos relativos à aquisição de álcool para revenda, inclusive para fins carburantes, de um importador ou produtor, ou mesmo de outro distribuidor, correspondendo aos mesmos valores do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo fornecedor que lhe fez a venda. A exceção ocorre quanto à aquisição de álcool anidro para adição à gasolina. Com fundamento no artigo 5º, § 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, houve a edição do Decreto nº 6.573, de 19 de setembro de 2008, pelo Poder Executivo, estabelecendo as seguintes alíquotas, aplicáveis ao período de autuação do caso em análise: Decreto nº 6.573, de 2008 Art. 2º As alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, com a utilização do coeficiente fixado no art. 1º, ficam reduzidas, respectivamente, para: (Redação dada pelo Decreto nº 7.997, de 2013) I R$ 8,57 (oito reais e cinqüenta e sete centavos) e R$ 39,43 (trinta e nove reais e quarenta e três centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; e II R$ 21,43 (vinte e um reais e quarenta e três centavos) e R$ 98,57 (noventa e oito reais e cinqüenta e sete centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. Fl. 13193DF CARF MF 12 Art. 3º No caso da aquisição de álcool anidro para adição à gasolina, os valores dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o § 15 do art. 5o da Lei no 9.718, de 1998, ficam estabelecidos, respectivamente, em: I R$ 3,21 (três reais e vinte e um centavos) e R$ 14,79 (quatorze reais e setenta e nove centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; e II R$ 16,07 (dezesseis reais e sete centavos) e R$ 73,93 (setenta e três reais e noventa e três centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. Houve a realização de diligência, que efetuou uma revisão dos valores inicialmente lançados devido ao aproveitamento de créditos na aquisição de álcool combustíveis nos termos do Decreto nº 6.573, de 19 de setembro de 2008, informação fiscal, fls. 13041/13127. A contribuinte, à época, disse que não tinha oposição aos referidos cálculos, fls. 13136. A decisão da DRJ/Belém foi no sentindo de adotar o resultado da diligência, o que não merece reparos. Quanto à multa de ofício no percentual 75% aplicada ao crédito restante, mantémse em face da coisa julgada administrativa. 3. Conclusão Pelo exposto, conheço o recurso de ofício, mas nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 13194DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000365/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE
Demonstrando ser improfícua a intimação via postal ressai regular a intimação por edital.
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Preliminar de tempestividade rejeitada.
Numero da decisão: 2401-005.152
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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REGULARIDADE Demonstrando ser improfícua a intimação via postal ressai regular a intimação por edital. INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Preliminar de tempestividade rejeitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 65 /2 00 5- 85 Fl. 1793DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR, que por unanimidade de votos, decidiu não conhecer da impugnação, por ser intempestiva, conforme ementa do Acórdão nº 1518.082 (fls. 1710/1711): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Demonstrandose improfícua a notificação postal, justificase a notificação por edital. Impugnação não Conhecida. O presente processo teve sua origem no MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF nº 08.1.90.002004008684 (fls. 02) emitido em 28/05/2004, que determinou a execução de procedimento fiscal do Contribuinte, com base nas movimentações financeiras, informadas pelas instituições financeiras, relativas aos anoscalendário 1999, 2000, 2001 e 2002. O Contribuinte foi intimado (AR fl. 26) em 15/06/2004 através do TERMO DE INÍCIO E INTIMAÇÃO FISCAL (fl. 25), lavrado em 01/06/2004, para apresentar documentação referente à sua movimentação financeira nos anoscalendário sob fiscalização. Em 14/07/2004 enviou para a Receita Federal os documentos de folhas 28/657; em 02/08/2004, apresentou os documentos de fls. 658/722; em 08/09/2004, apresentou os documentos de fls. 723/915; em 29/06/2004, apresentou os documentos de fls. 916/939; em 16/08/2004, juntou a documentação de fls. fl. 940/956. Foi emitido TERMO DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO (fl. 957) por não ter o contribuinte atendido integralmente a intimação de folha 25. Em 02/09/2004, o Contribuinte tomou ciência (AR fl. 958) do referido termo. Em 04/10/2004 foi expedida a Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira nº 08.1.90.002004004298 (fl. 959), com as informações apresentadas às fls. 960/1376. Em 05/11/2004 o Contribuinte foi intimado (AR fl. 1378) através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL (fl. 1377), lavrado em 04/11/2004, para “comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários em seu nome, conforme Planilhas de Conferência dos Depósitos Bancários anexas, referentes às contas bancárias mantidas junto aos bancos: BANESPA, BANRISUL, BRADESCO, BRASIL, BCN, ITAÚ (AG. 0300 e 3740), REAL e SAFRA”. Fl. 1795DF CARF MF 4 Em atendimento ao referido Termo de Intimação, o Contribuinte enviou ao Auditor Fiscal Petição (fls. 1451/1452) solicitando dilação de prazo para a coleta dos documentos, esclarecendo o motivo da demora no atendimento da intimação e anexando os documentos de folhas 1453 a 1610. Em 18/02/2015 foi expedido o TERMO DE ENCERRAMENTO da ação fiscal (fl. 1625), emitido o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls. 1611/1620), e lavrado o AUTO DE INFRAÇÃO no valor total de R$ 6.428.803,58 (fls. 1621/1624). Os documentos foram enviados ao Contribuinte pelos correios (AR fl. 1626), no entanto, não constou o correspondente recebimento. Diante da falta de intimação do contribuinte, foi publicado o EDITAL nº 069/2005 (fl. 1627), no qual constou que: não localizada no seu domicílio tributário, a pessoa física abaixo qualificada, nos termos do §1° c/c o inciso IV do §2°, todos do artigo 23 do Decreto no 70.235, de 06/03/1972, com redação dada pelo artigo 10 da Medida Provisória no 232, de 30/12/2004, por meio do presente Edital e após 15 (quinze) dias de sua publicação, fica considerada CIENTIFICADA do Auto de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Termo de Encerramento, lavrado no curso do procedimento fiscal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal de nº 08.1.90.002004 008684, datado de 28 de maio de 2004. As vias do termo encontramse em poder deste subscritor, no seguinte endereço: Av. Pacaembu, 715 — sala 225 — São Paulo/SP Telefone: 36675789. O Edital foi afixado em 08/03/2005, no térreo das dependências da Delegacia, e desafixado em 24/03/2005. No Relatório Fiscal constante às fls. 1628/1629, o Auditor Fiscal esclareceu que o contribuinte obteve na Justiça, em 16/12/2004, uma liminar suspendendo a ação fiscal por 60 (sessenta) dias, que visava dar ao contribuinte oportunidade para apresentação de documentos que julgasse conveniente. Segundo o Auditor Fiscal, decorrido o prazo de 60 dias, não houve qualquer manifestação por parte do contribuinte nesse sentido. Assim, em 18 de fevereiro de 2005, foi emitido o Auto de Infração relativo aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, no valor total de R$ 6.428.803,58. Conforme afirmado pelo Auditor Fiscal no Relatório (fl. 1629), o Auto de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Termo de Encerramento, foram enviados ao contribuinte, via correio, tendo sido a correspondência devolvida em 24 de fevereiro de 2005, sob a justificativa de mudança do contribuinte, razão porque a ciência foi dada por Edital. Através do Ofício PRFN/GAE/SP n° 67/2005 (fl. 1639), emitido pela Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da Terceira Região, foi comunicada à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, a decisão proferida nos autos do processo judicial n° 2004. 03.00.0733316, em curso perante a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, deferindo a prorrogação do prazo de suspensão do procedimento fiscal nº 08.1.190.002004008684 por mais 45 dias. Conforme consta do documento à fl. 1641, a decisão judicial foi proferida em 17/03/2005. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, em documento adunado às fls. 1647, determinou o seguinte: Decorrido o prazo de 45 dias de suspensão por medida judicial, conforme decisão proferida no processo 2004.03000733316, cuja cópia foi juntada à fl. 1460, e não havendo manifestação através de impugnação ou pagamento por parte do interessado, proponho encaminhamento à EQAMJ/DICAT/SP para providências de sua alçada. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 4 5 Em 04/12/2007, ao receber da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB uma CARTA COBRANÇA (fls. 1671/1674), o Contribuinte, em 21/12/2007, apresentou sua Impugnação (fls. 1679/1708), onde em síntese alegou que: 1. Tomou ciência da existência do Auto de Infração somente em 04/12/2007, com o recebimento da carta de cobrança; 2. É corretor de valores mobiliários e que por suas contas bancárias transitam valores de clientes; 3. O Impugnante foi intimado pela fiscalização, pelos diversos períodos, para apresentar documentação sobre sua movimentação financeira, tendo apresentado todos os documentos solicitados; 4. Apresentou contrato de mútuo, realizado em 14/01/1999, com o Sr. Moisés Lipinik, bem como justificou a razão do empréstimo; Comprovou a origem de inúmeros depósitos/créditos efetuados relativos a 2000 e 2001 nas instituições financeiras; 5. Ingressou com Mandado de Segurança, onde obteve liminar concedendo suspensão da Ação Fiscal para que conseguisse fornecer todos os elementos à fiscalização, e que, após este período, o Impugnante não recebeu qualquer outra intimação; 6. Somente em 04/12/2007 tomou ciência da cobrança decorrente ao período fiscalizado.Entretanto, em momento algum foi informado o contribuinte que estava em andamento o processo de fiscalização, e neste sentido,também não recebeu o Auto de Infração. 7. A intimação via Edital foi irregular e por isso nula e que teve seu direito de defesa cerceado; 8. O AR (fl. 1626) devolvido pelos correios à RFB não informa o motivo de sua devolução, não está datada e não tem a qualificação de quem o devolveu; 9. Não havia mudado de endereço, conforme alegado pelo Auditor fiscal, tanto que no mesmo endereço recebeu também a Carta Cobrança em 04/12/2007; 10. Houve falta de critério do órgão fiscalizador ao intimar o Contribuinte que teve seu direito de defesa cerceado por ausência de regular intimação, na forma prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972; 11. A única intimação válida seria a intimação da Carta de Cobrança recebida em 04/12/2007, iniciado o prazo para impugnação de 30 dias em 05/12/2007 e não na data prevista no Edital; 12. Sendo válida a intimação que ocorreu em 04/12/2007 e considerando que os tributos cobrados correspondem ao período de janeiro de 2000 Fl. 1797DF CARF MF 6 a dezembro de 2002, ocorreu a decadência do direito do Fisco ao lançamento; 13. A falta de indicação na declaração de IRPF do Contribuinte de que houve um empréstimo obtido de outra pessoa física não invalida a sua existência. A legislação é genérica, não indicando quais documentos seriam válidos, limitandose apenas a dizer que eles têm que ser “hábeis e idôneos”; 14. É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado apenas em extratos ou depósitos bancários, indicando a existência jurisprudências a este respeito; 15. Os depósitos bancários por si só não constituem fato gerador de Imposto de Renda; 16. A comprovação de origem dos depósitos não deve ser feita com coincidência exata de datas e horas, bastando para tal que o Contribuinte prove dispor de montante suficiente que os justifique, cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes. Finaliza sua impugnação requerendo cancelamento da Carta Cobrança e no mérito que seja decretada a improcedência do Auto de Infração lavrado, cancelandose os créditos tributários nele constantes, acatandose as razões expedidas na impugnação, ou que, no mínimo, sejam descontados da base de cálculo os valores comprovados através das Notas de Corretagem, o valor do Contrato de Mútuo e os numerários que representam reaplicação, considerando como tal as receitas tributadas em um mês como disponibilidade financeira do mês seguinte. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SDR decidiu por unanimidade não conhecer a impugnação, considerando intempestiva a sua apresentação em 21/12/2007. O contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 1518.082 em 09/03/2009 (fls. 1712/1715). Em 10/03/2009, não conformado com o teor da decisão proferida pela DRJ/SDR, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1717/1742), onde repete todos os argumentos da impugnação enfatizando os seguintes argumentos: 1. Em preliminar pleiteia a nulidade do Edital e alega cerceamento do direito de defesa por ausência de regular intimação; 2. Esclarece que tem o mesmo domicílio fiscal desde 1988 e afirma que seu domicílio tributário é o mesmo em todas as suas declarações de Imposto de Renda e que, neste mesmo endereço recebeu pelos correios todas as intimações da fiscalização, solicitações de esclarecimentos e, inclusive, a Carta de Cobrança referente a esse processo, somente não recebeu o Auto de Infração; 3. Destaca que foi intimado nesta mesma época, 27/12/2007, do Auto de Infração referente ao ano de 1999, no mesmo endereço e, tempestivamente, o contribuinte apresentou a Impugnação; 4. Neste sentido, aduz que não foi intimado na forma legal, portanto, sua ciência somente ocorreu a 04/12/2007, iniciandose o prazo para Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 5 7 Impugnação a 05/12/2007, e não na data prevista no Edital, esta já fora da vigência da MP n° 232/04; 5. Em segunda preliminar, assevera que ocorreu a decadência do direito do Fisco ao lançamento, pela aplicação do artigo 150, parágrafo 4° do CTN que fixa como termo inicial para a contagem do prazo decadencial, a data da ocorrência do fato gerador nos lançamentos por homologação; 6. No mérito, justifica a origem dos depósitos e junta contratos de empréstimo; afirma que, tendo em vista o próprio controle das corretoras em todas as suas operações na bolsa (em razão do próprio imposto recolhido na fonte em cada operação), que sempre recolheu devidamente seus impostos de cada aplicação; 7. Transcreve jurisprudência administrativa no sentido de que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda; 8. Esclarece que, sendo operador da bolsa de valores, além de trabalhar com o dinheiro de terceiros tem o mesmo valor de dinheiro entrando e saindo da conta corrente diversas vezes. Por fim requer seja recebido o recurso voluntário; seja dado provimento ao recurso tendo em vista as preliminares de irregularidade de intimação e do Edital, a Decadência e os argumentos de mérito expostos no recurso; requer ainda seja decretada a improcedência do Auto de Infração lavrado cancelandose os créditos tributários nele constantes, acatandose as razões expendidas no presente Recurso, ou, alternativamente, que seja anulada a decisão recorrida pelas razões expostas ou que seja encaminhado o processo administrativo em diligência, para autoridade julgadora de primeira instância e devolvido o prazo para Impugnação ao contribuinte. O processo foi encaminhado para julgamento tendo os membros do Colegiado, por unanimidade, convertido o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 2401000.560 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: [...] A Delegacia de Julgamento não conheceu da impugnação apresentada pelo contribuinte, afirmando categoricamente que, ao contrário do que alega o impugnante, consta carimbo dos Correios no verso do envelope da notificação postal (fls. 1445), onde o agente assina e informa que a correspondência foi devolvida em 24/02/2005, porque lhe fora informado que o contribuinte mudara de endereço. Tal fato demonstra que houve a tentativa de notificação por via postal, e que esta resultou improfícua, justificandose a intimação por edital, como dispõe o art. 23, inciso III, do Decreto 70.235/1972. Diante dos fatos acima narrados, e da incongruência entre a informação contida na decisão de piso e o documento adunado aos autos, converto o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique se o AR de fls. 1626 possui verso e Fl. 1799DF CARF MF 8 se contém alguma informação sobre a sua devolução, trazendo aos autos o documento que comprove a questão de fato. Em atendimento à Resolução mencionada, e após as diligências para a localização dos documentos mencionados, foram juntados ao processo os seguintes documentos: ENVELOPE DEVOLVIDO – FRENTE E VERSO E AR confirmando a devolução da correspondência sob a justificativa de mudança do contribuinte; TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E termo de constatação COM A INFORMAÇÃO DE MUDANÇA DE ENDEREÇO. O Relatório Fiscal de diligência consta às fls. 1775/1777. Tendo em vista o retorno de diligência o processo foi encaminhado a esta Relatora para inclusão em pauta e prosseguimento no julgamento. É o relatório. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 2401005.152 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Em preliminar aduzida na peça recursal de fls. 1717/1742, o contribuinte alega a nulidade do Edital e o cerceamento do direito de defesa em virtude da ausência de regular intimação do Auto de Infração. Como se observa dos presentes autos, no envelope da notificação postal contendo o AR devolvido em 05/04/2005, consta o carimbo do correio com a informação "mudouse" com a anotação que indica ter sido a informação prestada por Neiva Funaro (fls.1769/1773). Também é trazido aos autos Termo de Constatação Fiscal (fls. 1774), emitido em 19 de abril de 2005, onde o Auditor Fiscal relata que em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002004008684, compareceu ao endereço do contribuinte para dar ciência do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, tendo sido informado que o Sr. Lúcio Bolonha Funaro não mais residia no local e que não saberia indicar seu novo endereço. Consoante Relatório Fiscal de Diligência 1775/1777, por ocasião da conversão em digital do presente processo, não foi digitalizado o verso do envelope devolvido referente à intimação do Termo de Verificação Fiscal, Auto de Infração e Termo de Encerramento. Para a obtenção dos documentos originais foi solicitado ao Supervisor Regional do eprocesso na 8ª Região Fiscal, o que foi atendida, conforme a juntada ao processo dos seguintes documentos: ENVELOPE DEVOLVIDO FRENTE E VERSO, confirmando a devolução da correspondência sob a justificativa de mudança do contribuinte. Pela relevância das informações, foi juntada ainda documentos comprobatórios da devolução do AR do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, datado de 30/03/2005 e do Termo de Constatação lavrado em 19/04/2005, confirmando novamente a informação de que o fiscalizado havia se mudado. Notoriamente, o contexto dos fatos ora narrados, devidamente lastreados pelas provas adunadas aos autos, indica que houve sim a tentativa de notificação via postal do contribuinte, no entanto, restou improfícua a intimação via postal, razão porque a ciência foi dada por Edital, na forma do art. 23 do Decreto 70.235/72. Neste passo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por ausência de regular intimação quando os indícios indicados nos autos convergem à conclusão de que houve a tentativa de intimação via postal, no entanto, foi informado pela Senhora Neiva Funaro a mudança de endereço. Conforme informações constantes no Relatório de Diligência constatase que o contribuinte quis se furtar ao recebimento da intimação, o que se comprova através dos documentos carreados aos autos, em especial o Termo de Constatação Fiscal (fls. 1774), emitido em 19/04/2005. Fl. 1801DF CARF MF 10 Assim, não há reparos a ser feito em relação a notificação realizada por edital. Pois bem. O contribuinte não foi localizado no seu domicílio tributário e em 08/03/2005 foi afixado o Edital de intimação do Auto de Infração, do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Encerramento nº 069/2005 (fl. 1627). Transcorrido o prazo legal de 15 (quinze) dias após a publicação do Edital, bem como o prazo de 45 dias de suspensão por medida judicial, conforme decisão proferida no processo 2004.03000733316 (fl. 1460), e tendo a União sido intimada em 16/05/2005 e transcorrido o prazo de suspensão em 30/06/2005, considero efetivada a intimação do contribuinte do lançamento em 01/07/2005. Como a impugnação foi entregue apenas em 21/12/2007 (fls. 1679/1708) ela é inequivocamente intempestiva, não podendo, por isso, ser conhecida, conforme bem destacado pela decisão de piso. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1802DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.905871/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 71 /2 01 2- 16 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.907. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905871/201216 Acórdão n.º 3302005.029 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 13900.000104/2004-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 14/11/1995 a 15/03/1996
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 0. 00 01 04 /2 00 4- 54 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 330100.242, de 18 de setembro de 2009 (efolhas 317 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/11/1995 a 15/03/1996 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior de PIS para os períodos de apuração até 30/09/1995, com base nos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.455 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contados a partir da edição da Resolução nº 49 do Senado, de 10/10/1995, que se encerra em 10/10/2000. Já para o período que vai de 01/10/1995 a 28/02/1996, o prazo decadencial conta se da data da publicação do ADin nº 1.417, que ocorreu em 13/08/1999 (até 13/08/2004). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecidos créditos financeiros a favor do contribuinte, compete à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais, efetuada por ele, mediantes entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), até o limite do montante dos créditos financeiros apurados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 4 3 A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 327 e segs) referese ao dies o quo do prazo decadencial/prescricional para repetição do indébito. O recorrido considerou a data da Resolução nº 49/95 do Senado Federal e da publicação do ADin nº 1.417. Os paradigma consideraram a data do pagamento antecipado. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 338 e 339. A contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Não há reparos a fazer no exame de admissibilidade. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Mérito Discutese o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito; se a data da Resolução do Senado nº 49/1995 ou da publicação do ADin nº 1.417 ou, então, a data do pagamento antecipado. A decisão, contudo, deve ser tomada à luz de outra premissa. O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Desta forma, segundo o entendimento que prevaleceu, não há razão para discussão sobre os efeitos da Resolução n° 49/95 e do ADin nº 1.417 na contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição. O prazo contase, sempre, da data do pagamento do tributo/contribuição (ou do fato gerador, como adiante se verá). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 6 5 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. Neste mesmo sentido a Súmula CARF nº 91, abaixo transcrita: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13900.000104/200454 Acórdão n.º 9303006.535 CSRFT3 Fl. 7 6 Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. O pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 26/04/2004, como consta à efolha 220. Concluise que não está decaído/prescrito o direito à repetição do indébito dos recolhimentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos depois do dia 26/04/1994, que compreende toda matéria objeto dos autos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900224/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 02 24 /2 00 9- 57 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10120.900224/200957 Acórdão n.º 3401004.029 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.900224/200957 Acórdão n.º 3401004.029 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.001293/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/07/2003
DECADÊNCIA
O prazo decadencial em questão é de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração de importação. O artigo 667 mencionado pela recorrente em seu recurso não se aplica para fins de contagem do prazo decadencial para exigência de diferença identificada em razão de erro na classificação fiscal adotada.
MULTA ADUANEIRA. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT Nº 12/1997.
Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/1997, somente é afastada a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado.
MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SUBSUNÇÃO.
Já a multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória 2.158-35/2001, de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, deve ser aplicada de forma objetiva. Uma vez identificado o erro na classificação fiscal adotada, haverá subsunção do fato à norma.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.189
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
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O artigo 667 mencionado pela recorrente em seu recurso não se aplica para fins de contagem do prazo decadencial para exigência de diferença identificada em razão de erro na classificação fiscal adotada. MULTA ADUANEIRA. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT Nº 12/1997. Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/1997, somente é afastada a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SUBSUNÇÃO. Já a multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, deve ser aplicada de forma objetiva. Uma vez identificado o erro na classificação fiscal adotada, haverá subsunção do fato à norma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 93 /2 00 7- 15 Fl. 190DF CARF MF 2 José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 200 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 126/136 dos autos: A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro por meio da DI de nº 03/05532930, de 01/07/2003, as seguintes mercadorias: Adição 001 mercadoria descrita como “NISINA – BACTERICIDA PARA FABRICAÇÃO DE QUEIJOS, Nome Comercial: “NISAPLIN BRAND NISIN”, classificandoa no código NCM 2941.90.99 OUTROS ANTIBIÓTICOS (alíquotas de II e IPI de 0 (zero) % ; Adição 002 mercadoria descrita como “OUTRAS CERAS ARTIFICIAIS: Nome Comercial DIMODAN U/J (DISTILLED MONOGLYCERIDE), classificandoa no Código NCM 3404.90.19 OUTRAS CERAS ARTIFICIAIS (alíquota para o II de 15,50% e para o IPI 15%). O Laudo de análise da FUNCAMP de nº 3354.01 para Adição 01, fls. 32/33, concluiu que: “não se trata somente de um Antibiótico. Tratase de Preparação à base de Composto Aminado, Caseína, Lactoalbumina e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto de Sódio, uma Preparação a ser utilizada como preservativo em alimentos, na forma de pó”. Já para a Adição 002 o laudo de nº 3354.02, fls. 37/38, concluiu que “não se trata de Cera Artificial. Tratase de Mistura de Ésteres de Glicerol de Ácidos Graxos (gordos), com predominância em Oleato de Glicerila, um Outro Derivado de Ácido Graxo (gordo) Industrial, Um Produto Diverso das Indústrias Químicas não especificado e nem compreendido em Outras Posições, na forma de pasta. Concluiu a fiscalização que, de acordo com os Laudos de Análises, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 e n ° 6, e com a Regra Geral Complementar n ° 1, a mercadoria submetida a despacho, na Adição 001, classificase na posição da NCM 3808.90.29 e se sujeita à incidência de alíquota de 8 % para o I.I. e de 0% (zero) para o I.P.I., e a mercadoria submetida a despacho, na Adição 2, classificase na posição da NCM 3824.90.29 com alíquota de 15,50 % para o I.I. e de 10 % para o I.P.I. Em decorrência da reclassificação fiscal, foi lavrado, em 23/02/2007, o Auto de Infração ora impugnado, formalizando a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 82.646,41 (oitenta e dois mil seiscentos e quarenta e seis reais e quarenta e um centavos), por: Item 001 – DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA; Item 002 – IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE; Item 003 – MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. Fl. 192DF CARF MF 4 Ciente do Auto de Infração em 20/03/2007, fls. 51, a interessada apresentou a impugnação de fls. 51/67 alegando: as exigências constantes dos autos de infração em combate são insubsistentes, motivo pelo qual impõemse o cancelamento dos mesmos, conforme se demonstrará a seguir; as exigências consubstanciadas no item 001 (diferença de II sobre adição 001/NISINA da Declaração de Importação n° 03/05532930) e parte do item 003 (multa de 1% sobre o valor aduaneiro Adição 001/NISINA da mesma DI dos presentes autos, foram objeto de autuação anterior por parte da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, que deu origem ao Processo n° 10314.007858/200457. Juntou folhas do processo citado; requer, com base no que dispõe os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, na redação atualmente vigente, que seja expedida notificação à Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, para que referida autoridade ateste a veracidade das afirmações ora realizadas; relativamente ao Auto de Infração relacionado ao Processo n° 10314.007858/200457, a IMPUGNANTE apresentou Defesa em 08/11/2004 (Doc. 08), estando o respectivo crédito tributário com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172/66; requer a Impugnante que seja cancelada a exigência contida no item 001 (diferença de II sobre adição 001/NISINA da Declaração de Importação n° 03/05532930) e parte do item 003 (multa de 1%) sobre o valor aduaneiro adição 001/NISINA da Declaração de Importação n° 03/05532930) dos presentes autos, vez que sua manutenção acarretará duplicidade de exigência na medida em que as respectivas matérias estão sendo discutidas nos autos relacionados ao Processo n° 10314.007858/200457; a revisão do lançamento do crédito tributário da forma como realizada pelas autoridades fazendárias não pode prevalecer; isso porque na vigência do atual Regulamento Aduaneiro RA/2.002 (que revogou o RA/85 e cuja vigência se deu a partir de 27/12/2.002, portanto, após o registro da Declaração de Importação n° 03/05532930), o direito de reclamação por classificação indevida extinguese em um ano, a partir do pagamento do tributo, para a pessoa que submeter a mercadoria a despacho aduaneiro. Cita os art.s 511 e 667 do Regulamento Aduaneiro; é indiscutível que a regra esculpida no art. 667 do Regulamento Aduaneiro se aplica tanto aos casos de cobrança de impostos (item 001 dos presentes autos), como na exigência de multas regulamentares (itens 002 e 003 dos presentes autos); a multa imposta com base no art. 633, II, "a", do RA, deve ser cancelada, vez que: (i) a própria Coordenação do Sistema de Tributação já se manifestou nesse sentido; e (ii) não existe tipicidade entre o tipo legal tido como infringido e a conduta praticada pela Impugnante; todos os produtos foram corretamente declarados na Declaração de Importação n° 03/05532930, inclusive com indicação de que se tratava de produtos com "NOME COMERCIAL: NISAPLIN" e "NOME COMERCIAL: DIMODAN"; no caso da Adição 002, da Declaração de Importação n° 03/05532930, relacionada com o produto DIMODAN, a Impugnante recolheu o Imposto de Importação mediante aplicação da alíquota de 15%, enquanto que para a classificação tida como correta pela fiscalização federal a alíquota desse imposto é Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 201 5 de 10%. Ora, a ausência de dolo ou máfé é cristalina, tanto que a alíquota do Imposto de Importação adotada pela Impugnante é 50% superior aquela tida como correta pela fiscalização, enquanto para o IPI houve identidade de alíquotas; em casos similares e até mais graves do que aqueles constantes dos presentes autos, como por exemplo, solicitação indevida de isenção ou extarifário, a orientação da Secretaria da Receita Federal é no sentido de que não se admite a aplicação da multa de oficio de 75%, conforme orientação constante do Ato Declaratório Interpretativo SRF 13/2.002; no caso discutido nos presentes autos houve a obtenção da Licença de Importação para a Adição 001 e a não obtenção desse documento para a Adição 002, vez que essa última importação se sujeitava ao licenciamento automático (dispensa de Licença de Importação); a fiscalização federal entendeu que em razão da aplicação das novas classificações fiscais, as importações relacionadas com as Adições 001 e 002, ambas da Declaração de Importação n° 03/05532930, devem ser tidas como não submetidas ao licenciamento, seja automático ou não automático; a multa prevista no artigo 84, da Medida Provisória n° 2.158/01 relativamente à Adição 001, da Declaração de Importação n° 03/05532930, deve ser cancelada de plano. Isso porque, conforme alegado em preliminar, essa exigência já consta do Processo n° 10314.007858/200457; à exigência relacionada com a Adição 002/DIMODAN, a multa igualmente merece ser cancelada. Isso porque, por óbvio, somente se pode cogitar da sua exigência nos casos em que ocorra dolo, fraude ou simulação, com intenção de causar prejuízo ao erário; no caso dos presentes autos existe razoável dúvida acerca da classificação fiscal a ser adotada, tanto que foi necessária a realização de laudo técnico para se definir se o produto DIMODAN (Adição 002) se enquadra na posição3404 ou na posição 3824; se existe essa dúvida acerca da correta classificação fiscal da mercadoria, não se pode cogitar da aplicação da multa de sobre o valor aduaneiro, mas apenas e tão somente cobrar eventual diferença de Imposto de Importação e IPI, conforme Ato Declaratório (Normativo) CST no 29, de 22 de dezembro de 1.980, Ato Declaratório (Normativo) n° 10, de 16 de janeiro de 1.997 e"Ato Declaratório Normativo n° 12, de 21 de janeiro de 1997; não houve qualquer prejuízo ao erário, tendo a Impugnante , inclusive, pago IPI mediante utilização de uma alíquota 50% superior aquela tida como correta pela fiscalização; se não houve falta de pagamento de imposto ao revés, houve pagamento a maior do IPI, em 50% tornase indevida a aplicação de qualquer multa relativamente ao desembaraço aduaneiro da mercadoria importada através da Adição 002, da Declaração de Importação n° 03/05532930 (DIMODAN), devendo, nesse contexto, ser cancelado o item 003 do auto de infração em combate; requer, no mérito, o cancelamento integral do auto de infração, para o fim de nada lhe ser exigido a titulo de imposto, multa e juros (item 001) e das multas ao controle administrativo das importações (itens 002 e 003). Fl. 194DF CARF MF 6 Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/07/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO O produto identificado por Laudo Técnico Oficial como sendo uma Mistura de Ésteres de Glicerol de Ácidos Graxos (Gordos), com predominância em Oleato de Glicerila, um Outro Derivado de Ácido Graxo (gordo) Industrial, encontra correta classificação tarifária no código NCM 3824.90.29, nos termos deste processo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO ADUANEIRA Não se considera alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, para os efeitos do art. 146 e 149 do CTN, a reclassificação fiscal do produto importado, com alteração da NCM informada na declaração de importação desembaraçada. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros, pelo importador no registro da declaração de importação, cabe o lançamento de ofício. DecretoLei nº 37/66, art. 54. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT Nº 12/1997. Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/1997, somente é afastada a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O mero erro de classificação fiscal já torna aplicável a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades administrativas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 21/12/2012 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 142 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 18/01/2013 Recurso Voluntário (fls. 143/163), através do qual requereu: (i) o cancelamento da exigência da multa prevista no art. 705, I, "a", do Decreto 6.759/2009 (item 002 importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente); (ii) o cancelamento da multa remanescente prevista no art. 84 da Medida Provisória n. 2.15835/01 (item 003 mercadoria classificada incorretamente na nomenclatura comum do mercosul). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 202 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 143/163), através do qual requereu: (i) o cancelamento da exigência da multa prevista no art. 705, I, "a", do Decreto 6.759/2009 (item 002 importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente); (ii) o cancelamento da multa remanescente prevista no art. 84 da Medida Provisória n. 2.15835/01 (item 003 mercadoria classificada incorretamente na nomenclatura comum do mercosul). Ou seja, não se insurgiu o contribuinte acerca da classificação fiscal em si, a qual restou incontroversa nos presentes autos. Os únicos pleitos apresentados em seu Recurso Voluntário, portanto, referiramse às multas aplicadas, cujos fundamentos de combate serão devidamente abordados a seguir. 1. Preliminar de decadência De início, alega o contribuinte que teria se configurado no caso concreto ora analisado a decadência do direito de a Fazenda Pública reclamar eventual equívoco de classificação fiscal adotada pela recorrente. Argumenta que, na vigência do Regulamento Aduaneiro RA/2002 (cuja vigência se deu a partir de 27/12/2002, portanto, aplicável no momento do registro da DI n. 03/05532930), o direito de reclamação por classificação indevida extinguese em um ano, a partir do pagamento do tributo, para a pessoa jurídica que submeter a mercadoria a despacho aduaneiro (artigos 511 e 667 do RA/2002). Ocorre que, no caso concreto aqui analisado, o auto de infração apenas fora lavrado em 23/02/2007, quando decorridos mais de 03 anos do desembaraço aduaneiro, embora o Auditor Fiscal tivesse conhecimento do teor do laudo laboratorial realizado desde 31/12/2003. O referido art. 667 do RA/2002, assim dispunha: Art. 667. O direito de reclamação por erro, classificação indevida, ou outra qualquer irregularidade, cujas provas permanecerem em documento próprio, extinguese em um ano, a partir do pagamento do tributo, para a pessoa que submeter a mercadoria a despacho aduaneiro (Decretolei no 37, de 1966, art. 137, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o). Com base nesses fundamentos, requer que a totalidade da exigência em combate (itens 002 e 003 do Auto de Infração) seja cancelada. Sobre este ponto, a DRJ assim se manifestou: Alega a interessada que a revisão do lançamento do crédito tributário na forma como realizada não pode prevalecer, vez que já decorridos os prazos legais em que se admite referida revisão relativamente à classificação fiscal de mercadoria. Fl. 196DF CARF MF 8 Em consonância com o § 4º do artigo 150 do CTN está a Revisão Aduaneira, prevista no artigo 54 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, dispondo que a “apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração de importação.” Por sua vez, o art. 570 do Decreto nº 4.543/02, regulamentando o art. 54 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, vigente quando da ocorrência do fato gerador, definia a revisão aduaneira como sendo o “ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. Portanto, por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial de cinco anos, a partir da data do registro da declaração de importação. Neste particular, entendo que não assiste razão ao contribuinte. Consoante bem asseverou a DRJ em sua decisão, é cediço que o prazo decadencial em questão é de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração de importação. O artigo 667 mencionado pela recorrente em seu recurso reportase, na verdade, ao prazo de reclamação a ser exercido pelo próprio contribuinte, e não ao prazo decadencial para fins de exigência de tributos e multas, como pretende fazer crer a Recorrente. Tanto que no art. seguinte, o mesmo RA/2002 trata sobre o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, consoante se extrai da transcrição a seguir: Art. 668. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (Decretolei no 37, de 1966, art. 135, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o, e Lei no 5.172, de 1966, art. 173): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1o O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei no 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2o Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (Decretolei no 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o). Sendo assim, não resta dúvidas que a exigência ora analisada não restou fulminada pela decadência. Afasto, portanto, o pleito do contribuinte embasado em tal fundamento. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 203 9 2. Da multa prevista pelo art. 633, II, "a" do Decreto n. 4.543/2002 (correspondente ao art. 706, I, "a" do Decreto 6.759/2009) Item 002 do Auto de Infração A penalidade imposta pela fiscalização possuía a seguinte previsão legal: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e Alega o contribuinte que a cobrança da presente multa seria indevida, visto que: (i) a própria Coordenação do Sistema de Tributação já se manifestou nesse sentido; (ii) não existe tipicidade entre o tipo legal tido como infringido e a conduta praticada pela Recorrente; (iii) a jurisprudência da 3ª Seção do CARF já firmou entendimento no sentido de que é inaplicável a multa por exigência de novo licenciamento em decorrência de mudança de código tributário. Sobre este ponto, a DRJ assim se manifestou: A impugnante pleiteia seu afastamento em virtude do disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, que assim disciplina: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.”(grifamos) Fl. 198DF CARF MF 10 Do acima exposto, depreendese que a classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque “ex”, que exija novo licenciamento, automático ou não, não constitui infração administrativa ao controle das importações; desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, não sendo constatado intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Constatamos assim que, para se aferir a legitimidade da imposição da penalidade combatida, é preciso avaliar se a descrição da mercadoria contemplou todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. Comprovada essa adequação, a classificação errônea das mercadorias deixa de ser considerada como infração para fins de aplicação da multa discutida, a teor do ADN 12/97. Uma vez que o produto foi descrito apenas com o nome comercial, inaplicável o Ato Declaratório Normativo COSIT 12/97, relativamente à exclusão das penalidades quando a descrição da mercadoria efetuada pelo contribuinte contiver todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. Portanto, embora não se vislumbre, nos atos, elementos que demonstrem a existência de dolo ou máfé por parte da interessada, não há como afastar a conclusão de que a descrição incompleta efetuada por ela caracterizou a ocorrência da infração prevista no art. 526, inciso II, do RA/1985, entendimento que se extrai do próprio ADN COSIT nº 12/1997. Convém notar que o dispositivo reproduzido exige que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, ou seja, exclui da aplicação da multa, independentemente de se tratar de licenciamento automático ou não, apenas o produto descrito de tal forma que possa ser perfeitamente classificado no código NCM correto. Conforme já visto em detalhes, a descrição da mercadoria realizada pela importadora na DI não preenche os requisitos elencados acima, impossibilitando a classificação tarifária apropriada. Ou seja, entendeu a DRJ pela manutenção da multa aplicada pois, no seu entendimento, a condição para fins de aplicação da ADN n. 12/1997, qual seja, a correta descrição do produto, não teria sido observada. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ neste particular. Isso porque, entendo que no caso concreto aqui analisado o produto não estava corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Tanto que a correta identificação do produto só foi possível ser realizada através da realização de laudo técnico, após o que procedeu a fiscalização à reclassificação fiscal do produto em questão. Nesse contexto, ainda que não tenha sido ventilado em nenhum momento nestes autos qualquer intuito doloso ou de máfé por parte da declarante, verificase que a condição disposta na ADN em referência não foi atendida, o que afasta a sua aplicação ao caso concreto aqui analisado. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.001293/200715 Acórdão n.º 3301004.189 S3C3T1 Fl. 204 11 De outro norte, discordo do fundamento apresentado pelo contribuinte em seu recurso no sentido de que não houve tipicidade no caso concreto aqui analisado, inexistindo correção entre o tipo legal tido como infringido e a conduta praticada pela Recorrente. Isso porque, entendo que, ao ter realizado a importação das mercadorias em relevo com a indicação da classificação fiscal incorreta, furtouse o contribuinte de sujeitarse ao devido controle aduaneiro que lhe seria aplicável, incorrendo, portanto, no tipo previsto no art. 633, II, "a" do Decreto n. 4.543/2002. Ademais, importante salientar que as decisões deste Conselho que concluem pela inexistência de tipicidade nos moldes pretendidos pelo contribuinte, tratam de casos em que a descrição indicada pela fiscalização não teria implicado na alteração da classificação fiscal realizada pelo contribuinte, tendo em vista que em tais casos não teria havido alteração da forma de controle aduaneiro, o que não foi o caso dos presentes autos. Sendo assim, com base nos fundamentos supra expendidos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte neste ponto. 3. Da multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001 Item 003 do Auto de Infração Insurgese o contribuinte, ainda, quanto à aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, com fulcro no art. 84 da MP n. 2.15835 de 24 de agosto de 2001. Alegou que somente se poderia cogitar da sua exigência nos casos em que ocorra dolo, fraude ou simulação, com intenção de causar prejuízo ao erário, o que não teria ocorrido no caso concreto sob análise, visto que o erro na classificação levou à utilização de uma alíquota 50% superior para o IPI. Segue dispondo que no presente caso havia razoável dúvida acerca da classificação fiscal a ser adotada, tanto que foi necessária a realização de laudo técnico para definir se o produto DIMODAN (Adição 002) se enquadra na posição 3404 ou na posição 3824. Entendo equivocada a fundamentação apresentada pelo contribuinte em seu recurso. Isso porque, a norma em pauta não exige que se faça qualquer análise acerca de dolo, fraude, simulação, ou mesmo de intenção de causar prejuízo ao fisco, para fins de aplicação da penalidade ali elencada. É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; In casu, não resta dúvidas que a interessada classificou a mercadoria por ela importada no NCM equivocado, tanto que sequer houve questionamento acerca deste tema, o qual tornouse incontroverso nos autos. Dessa forma, resta nítido o enquadramento da hipótese fática à norma acima transcrita, cuja aplicação apresentase imperativa à autoridade fiscal, uma vez verificada a sua ocorrência. Dessa forma, no que tange à multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, não há qualquer reforma a ser feita na decisão recorrida, a qual deverá ser mantida por seus próprios fundamentos. Fl. 200DF CARF MF 12 4. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11451.720016/2016-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 45 1. 72 00 16 /2 01 6- 16 Fl. 88DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 12 a 16, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 37.940,84, gerando assim saldo de imposto de renda a restituir de R$ 64,10. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o rendimento reputado omitido é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda, primordialmente porque o segundo laudo apresentado diverge do primeiro, restando assim flagrante divergência entre as supostas doenças. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação e junta novo laudo, cumprindo mais uma vez as exigências legais e esclarece que a contribuinte não possui apenas uma doença menta isolada. Uma teria se iniciado em 2001 e outra em 2004, conforme consta dos laudos, assinados por médicos competentes, sendo o primeiro um psiquiatra, Dr. Jayme Conde FIlho e o segundo um médico neurologista, Dr. Reinaldo Haddad. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11451.720016/201616 Acórdão n.º 2001000.231 S2C0T1 Fl. 3 3 A contribuinte apresentou DOIS laudos, entretanto entende a DRJ Brasília que, diante das flagrantes divergências dos Laudos apresentados e, especialmente, da não indicação peremptória de ambos os médicos de que o quadro de saúde da impugnante é de Alienação Mental, fica materializado o desatendimento de um dos requisitos exigidos, não apresentação de Laudo Médico Pericial hábil e idôneo para comprovar a moléstia, que é razão suficiente para a denegação da isenção. Mantida a infração lavrada, por conseguinte. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Principalmente porque, em sede de recurso voluntário, explica a curadora da contribuinte que desde novembro de 2001, quando foi internada no Hospital Samaritano, em São Paulo, foi submetida a diversos exames , consultas com diferentes especialistas, tendo o psiquiatra, Dr. Jayme Conde Filho (CRM 75352) diagnosticado a contribuinte com um tipo de moléstia e o neurologista, Dr. Reinaldo Haddad ( CRM 35189) diagnosticado mais outro, em 2004. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 90DF CARF MF 4 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. Não entendo como razoável partir do pressuposto de que os médicos tenham cometido qualquer falsidade na emissão dos documentos e laudos por eles assinados. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portadora de moléstia grave. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000911/2006-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96.
Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
Numero da decisão: 9303-006.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 11 /2 00 6- 33 Fl. 369DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3101001.341, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. O conceito de receita de exportação para os fins colimados pelo art. 6º da Lei nº 9.636/96, que trata de IPI, está plasmado nas Portarias do Ministro da Fazenda nºs 38/97, 64/2003 e 93/2004, todas mencionando que os produtos devem ser destinados à exportação para o exterior. Assim é que as vendas para a Zona Franca de Manaus/ZFM, ainda que equiparadas à exportação, não se incluem na receita de exportação, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. A Constituição da República/88 quando trata do IPI, diz que o imposto não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior, consoante inciso III do § 3º do art. 153.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Tratase de Pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e a Cofins, na forma do art. 1º da Lei 9.363/96 e Lei 10.276/01 – referentes a vendas para a Zona Franca de Manaus do período de 1.1.01 a 31.12.03; Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 371 3 · Tendo realizado operações de vendas para a Zona Franca de Manaus faz jus ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e Cofins, na forma do disposto no caput do art. 1º da Lei 9.363/96; · Conforme arts. 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a Zona Franca de Manaus é área de livre comércio, de exportação e importação e de incentivos fiscais; · Como as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação até o ano de 2023, como determinado pela norma constitucional, não há que se confundir com a situação diversa de vendas para empresas comerciais exportadoras. Requer, assim, o sujeito passivo a procedência do pedido de ressarcimento ao PIS e Cofins, amparado no art. 40 do ADCT e no art. 1º da Lei 9.363/96 relativos ao crédito presumido do IPI oriundo das receitas de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, bem como seja declarado o direito à utilização de tais créditos mediante compensação com débitos do próprio do IPI e/ou outros tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive com atualização pela Selic, como medida de direito. Em Despacho às fls. 355 a 357, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O recurso especial não deve ser conhecido pois o acórdão recorrido está fundamentado em legislação diversa daquela que orientou as decisões apresentadas como paradigmas; · A equiparação estabelecida pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/1967, entre as vendas à Zona Franca de Manaus e as exportações, não deve ser vista como perpétua e irrestrita. Aquele artigo 4º havia previsto essa equiparação para os efeitos fiscais decorrentes da legislação em vigor à época de sua edição. Estímulos fiscais Fl. 371DF CARF MF 4 concedidos às exportações em momento posterior não necessariamente devem ser estendidos automaticamente às operações realizadas com as empresas situadas na Zona Franca de Manaus. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 355 a 357. Ora, é de se constatar que no acórdão recorrido houve discussão se a receita auferida na venda de produtos à Zona Franca de Manaus poderia ser considerada como “receita de exportação”, para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº. 9.363/96. Nesse ínterim, recordase que o Colegiado, pelo voto de qualidade, não entendeu que tais receitas se equivaleriam como receitas de exportação, eis que entendeu que as vendas à ZFM não se equivaleriam à destinação ao exterior. O que, para melhor elucidar, importante ressurgir novamente com a ementa consignada naquela ocasião (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. O conceito de receita de exportação para os fins colimados pelo art. 6º da Lei nº 9.636/96, que trata de IPI, está plasmado nas Portarias do Ministro da Fazenda nºs 38/97, 64/2003 e 93/2004, Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 372 5 todas mencionando que os produtos devem ser destinados à exportação para o exterior. Assim é que as vendas para a Zona Franca de Manaus/ZFM, ainda que equiparadas à exportação, não se incluem na receita de exportação, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. A Constituição da República/88 quando trata do IPI, diz que o imposto não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior, consoante inciso III do § 3º do art. 153.” Os acórdãos indicados como paradigma de nºs 3403001.929 e 3403001.930, consignaram a seguinte ementa: “COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETOLEI 288/67 E MP 2.03725/00, ARTIGO 14. O artigo 4o do Decretolei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decretolei nº. 288/67. A Medida Provisória no. 2.03725/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000. ” Sendo assim, vêse que, do confronto dos arestos, houve comprovação do dissenso de entendimento. O que, embora, os acórdãos indicados como paradigmas tenham analisado casos de isenção da Cofins, o cerne da divergência, que afeta igualmente o caso dos paradigmas e do recorrido, se resume na discussão se as receitas de vendas Fl. 373DF CARF MF 6 de produtos efetuadas para a ZFM equivalem ou não às receitas de exportação para o exterior. Vêse, assim, que as consequências do entendimento proferido após a análise da lide posta em recurso influenciaram na tomada ou não de crédito presumido do IPI quanto as contribuições ao PIS/Cofins. Tanto é assim que, no acórdão recorrido, o colegiado decidiu que as vendas efetuadas para a ZFM não equivalem às exportações para o exterior, não gerando crédito presumido de IPI. Enquanto os acórdãos indicados como os paradigmas, o colegiado entendeu que as vendas para a ZFM equivalem às exportações para o exterior para fins de fruição do benefício ora discutido à época. Proveitoso trazer ainda que em ambos os arestos – acórdão recorrido e indicado como paradigma, houve menção à MP 2.03735/00. Sendo assim, entendo que devo conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide – qual seja, se as receitas de vendas à ZFM devem ser consideradas como receitas de exportação, gerando na operação crédito presumido de IPI. No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal, nos termos da Lei 9.363/96. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 373 7 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Sendo assim, resta somente a discussão acerca da caracterização ou não da receita decorrente de vendas à Zona Franca de Manaus como receita de exportação, para fins de fruição ao crédito presumido do IPI. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer breve histórico da criação da Zona Franca de Manaus. Em junho de 1957, foi publicada a Lei 3.173/57, dispondo em seu art. 1º, que fica criada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, uma zona franca para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas. A Zona Franca de Manaus foi criada, a rigor, para fins de se incentivar o desenvolvimento daquela Região, bem como reduzir as desigualdades sociais. Posteriormente, foi publicado o Decreto 47.757/60, que regulamentou o disposto na Lei 3.173/57, trazendo, entre outros (com as alterações do Decreto 51.114/61) – Grifos Meus: “Art. V A Zona Franca de Manaus destinase a receber mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem estrangeira, para armazenamento, depósito, guarda, conservação e beneficiamento, a fim de que sejam retirados para o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de 1961) Fl. 375DF CARF MF 8 § 1º A entrada dêsses produtos na Zona Franca, independerá de licença de importação ou documento equivalente. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 2º As mercadorias de origem e procedência brasileiras, depois de terem sido objeto de um processo regular de exportação perante a Carteira de Comércio Exterior e as demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar o mesmo Tratamento outorgado às mercadorias estrangeiras e como tal serão consideradas, para efeito do presente Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)” “Art. VI. A Zona Franca de Manaus gozará de extraterritorialidade em relação ao pagamento do impôsto de importação e taxa aduaneira, bem como quanto a quaisquer outros impostos, ágios e tributos federais, estaduais e municipais que incidam sôbre as mercadorias importadas do exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.” Tais dispositivos deixam claro que as mercadorias de origem brasileira devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação de exportação como se exportação para o exterior. Continuando, posteriormente, tal Lei foi revogada pelo DecretoLei 288/67, conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus): “Art 48. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, pelo Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00 (hum milhão de cruzeiros novos) para atender as despesas de capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967. § 1º O crédito especial de que trata este artigo será registrado pelo Tribunal de Contas e distribuído automaticamente ao Tesouro Nacional. § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o Decreto nº 47.757, de 2 de fevereiro de 1960 que a regulamenta.” Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 374 9 Não obstante, tal DecretoLei ter revogado a Lei 3.173/57 e o Decreto 47.757/60, trouxe em seu art. 4º: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do DecretoLei 288/1967 c/c o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT são equiparadas às exportações, de forma que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. Ora, sendo assim, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFN são equiparadas às exportações, gozando essa operação de benefícios/incentivos fiscais, inclusive da constituição de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins. Cabe trazer quem relativamente ao art. 14 da MP 2.03724/00, tem se que, por conta das mudanças legislativas, a exclusão da expressão “Zona Franca de Manaus” do art. 14, inciso I, do § 2º, da MP 2.03724/00, não vingou, eis que, com o advento do art. 11, inciso I, da MP 1.95231/00, a Zona Franca de Manaus voltou a ser considerada exportação. Ademais, vêse que, ainda que as Portarias MF 38/97, 64/03 e 93/04 conceituem exportação, para fins de que trata a Lei 9.363/96 somente a operação que destinar bens à exportação para o exterior, entendo que a Zona Franca de Manaus se equipara à exportação para o exterior. Fl. 377DF CARF MF 10 Frisese tal entendimento a jurisprudência pacificada nos tribunais, entendimento esposado pela 2ª Turma do STJ em recente julgado de 2.8.2016 quando da apreciação do REsp 874.887/AM (Grifos Meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DECRETOLEI 288/67. ISENÇÃO. SÚMULA 568/STJ. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem da Cofins sobre tais receitas. 2. O benefício de isenção das referidas contribuições alcança, portanto, receitas oriundas de vendas efetuadas por empresa sediada na Zona Franca de Manaus a empresas situadas na mesma região. Agravo interno improvido.” Reforçamos tal jurisprudência o entendimento proferido pelo também STJ quando da apreciação do REsp 691.708 AM: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EMPRESAS QUE VENDEM PRODUTOS PARA OUTRAS NA MESMA LOCALIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. CABIMENTO. 1. À luz da interpretação conferida por esta Corte ao DecretoLei n. 288/1967, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS. 2 . "O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 375 11 para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócio regionais" (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012). 3. O recurso manifestamente improcedente atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. 4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.” Além do entendimento proferido pelos Tribunais superiores, não se pode ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s. Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016 (Grifos meus): “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA DE MANAUS. POSSIBILIDADE. ART. 4º DO DL 288/67. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DESTE REGIONAL. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉCONSTITUÍDA REJEITADA. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. (...) 2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para efeitos fiscais (art. 4º do DL 288/67), não devendo incidir sobre elas o PIS e a COFINS. Precedentes. (...)” (Apelação/Reexame Necessário nº 0001384 45.2014.4.01.3200/AM; 8ª Turma do TRF da 1ª Região; J: 19/09/2016; P: 14/10/2016) Fl. 379DF CARF MF 12 E, então, no mesmo sentido, o TRF da 2ª Região julgado em 08/04/2015: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA, PIS/COFINS. ISENÇÃO. ART. 40 DO ADCT, E ART. 4º DO DECRETOLEI Nº 288/67. EXTENDESE AOS PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRECEDENTES STJ. 1. Os arts. 4º do DL 288/67 e 40 do ADCT preservam a Zona Franca de Manaus, enquanto área de livre comércio, o que se aplica às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região, cujos benefícios fiscais compreendem as exportações ao estrangeiro. Desse modo, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. 2. 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da lei Complementar 70/91, autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS, respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Equiparandose os produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes do STJ (RESP 223.405MT) [...]” Proveitoso ainda trazer o que entende o TRF da 3ª Região “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4º DO DL 288/67). PRELIMINAR REJEITADA. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. APLICABILIDADE. REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDA. [...] Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 376 13 Cuidase de medida visando á compensação de crédito decorrente de indevido recolhimento da COFINS e do PIS, com base em legislação considerada inconstitucional pela Impetrante. O PIS e a COFINS NÃI INCDEM SOBRE AS RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA Zona Franca de Manaus, uma vez que se trata de receitas de exportação para o exterior em razão de equiparação legal, Jurisprudência, firmouse nesse mesmo sentido. [...] (Apelação/Reexame Necessário nº 001678327.2013.4.03.6100/SP; 4ª Turma)” Vêse que a jurisprudência, especificamente à discussão à caracterização das vendas à Zona Fanca de Manaus, já pacificou que se tratam de exportação PARA O EXTERIOR. O que entendo que tal discussão já se encontra pacificada. Tanto é assim, que a própria PGFN, por meio do Ato Declaratório PGFN 4/17 DECLAROU que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade. Eis: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do Fl. 381DF CARF MF 14 art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do Decreto Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER“ Tal Parecer, inclusive, já foi aprovado pelo Ministro da Fazenda. Vêse que, ainda que as decisões ora transcritas e o Ato da PGFN tratem de PIS e Cofins sobre receita de venda à aquela região, a discussão principal é a caracterização ou não da receita de vendas à Zona Franca de Manaus como receita de exportação para o exterior. Não há como entender que a equiparação às receitas de exportação somente seria aplicável ao PIS e Cofins, e não para a constituição de crédito presumido de IPI, eis que restaria instalada a insegurança jurídica – que tanto a administração tributária busca afastar. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10855.000911/200633 Acórdão n.º 9303006.356 CSRFT3 Fl. 377 15 Sendo assim, considerando também a jurisprudência pacificada quanto à caracterização da receita ora em comento como receita de exportação para o exterior, entendo que não há como invocar as Portarias 38/97, 64/03 e 93/04 para se obstar o direito ao crédito presumido do IPI. Em vista do exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 383DF CARF MF
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