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Numero do processo: 15586.000026/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 26 /2 01 1- 52 Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Relatório Em sessão transcorrida em 22 de outubro de 2013, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802002.120, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.521 3 legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime não há previsão legal que legitime creditamento do PIS ou da COFINS pelo pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá provimento em parte. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a questão da competência (atribuição) da Turma Especial para julgar questão envolvendo centenas de milhões de reais e, de outro lado, há também contradição, uma vez que o Relator informa que se trata de questão que ultrapassa R$ 890 milhões de reais e, ainda assim, analisou a matéria. (destaque do original) Insurgese ainda a embargante contra a utilização de prova que não consta dos autos, eis que estavam nos autos do processo nº 15586.000089/201117. Nesse sentido, Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 aduz que "[...] a Turma não teve acesso aos documentos relacionados pelo relator do processo, já que todos estão no processo nº 15586.000089/201117". Assim teria havido "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no aludido processo. Nesse sentido, ressalta, ainda, o seguinte: A nulidade poderia ter sido contornada se o pedido de unificação dos processos tivesse sido deferido, o que não ocorreu, apesar da insistência da contribuinte. Diante desta realidade, o acórdão é nulo por ausência de suporte probatório e não unificação deste processo ao de número 15586.000089/201117. Uma violação da ampla defesa e do contraditório. É crucial que tal questão seja analisada pela Turma, já que estes pontos (não unificação dos processos e não disponibilização do processo n. 15586.000089/201117 aos demais Conselheiros) não foram analisados. (grifo nosso) Na sequência, a interessada reafirma a necessidade de unificação dos processos, e aduz que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Para tanto alicerçase no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. No item 2.4 de sua petição de embargos a interessada aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". E no item 2.5 diz ter ocorrido omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". A embargante continua sua argumentação ressaltando que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. Igualmente, não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e sobre a contribuição social sobre o lucro líquido. Por todo o exposto, requer que o colegiado se manifeste acerca dos seguintes pontos: a) da incompetência da Turma julgadora para processar e julgar o pleito; b) a "nova" necessidade de unificação dos 36 processos diante do advento da Solução de Consulta COSIT nº 65/2014 e da Lei nº 12.995/2014; c) a nulidade do acórdão pelo uso de documentos apenas presentes nos autos do processo nº 15586.000089/201117; d) a existência de provas favoráveis à recorrente que nem sequer foram citadas no acórdão; Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.522 5 e) a não existência de provas sobre muitas empresas e a presunção de boafé; f) "A LIMITAÇÃO ESPACIAL, TEMPORAL E QUANTITATIVA DOS DEPOIMENTOS E DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO FISCO, já que as provas, apesar de usadas de forma generalizada pela Fiscalização, vinculamse apenas a poucos lugares, a períodos determinados e a valores reduzidos"; g) a necessidade de diligências / produção de provas; h) "a inexistência de provas que vinculem gestores da 'Custodio Forzza' a condutas de máfé a impossibilidade de imputar uma conduta de máfé a pessoa jurídica"; i) "sobre a necessidade de recalcular o IR/CSLL a pagar em razão das glosas dos créditos fiscais de PIS/COFINS ou, pelo menos, sobre a suspensão da prescrição do direito de pedir a restituição do IRPJ e CSLL recolhidos sobre os créditos glosados, visto que tal fato se consumará somente se for mantida a decisão de não homologar os créditos glosados. Registrase que os tributos compensado e cobrados nestes autos são, exatamente o IRPJ e CSLL compensados, cujos créditos compõem a base de cálculo de ambos". Formalizados os embargos, os autos foram movimentados para este conselheiro, relator originário do processo, em obediência ao disposto nos parágrafos 5º e 6º do artigo 49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. É o relatório. Voto A ciência da decisão recorrida se deu em 10/08/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 2487. Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 17/08/2015, uma segundafeira. Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. A primeira argumentação suscitada pela embargante diz respeito a suposta omissão concernente à competência (atribuição) da Turma Especial para julgar o pleito, o qual, segundo alega, ultrapassaria os 890 milhões de reais. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Tal argumento, com efeito, não merece prosperar, eis que, conforme ressaltado no relatório objeto da decisão vergastada, "a lide diz respeito a pedido de ressarcimento onde os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do segundo trimestre de 2008 (valor pleiteado: R$ 679.275,46)" (grifei). Diferentemente do que afirma a embargante, o mencionado valor de R$ 890 milhões de reais não se relaciona a crédito tributário lançado ou a direito creditório glosado, mas sim ao total das notas fiscais levantadas pela fiscalização em nome de empresas de fachada, conforme seguinte trecho extraído da decisão guerreada: Conforme relatado, a lide decorre de ação fiscal cujo procedimento e documentação estão acostados aos autos do processo n° 15586.000089/201117 (ao qual nos reportaremos com freqüência), onde a fiscalização relata a apropriação indevida de créditos pelo regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Entendeu a fiscalização que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. Segundo a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório, a análise e recomposição dos saldos desde janeiro de 2005 demonstrou que a recorrente apropriouse de créditos integrais fictos. Em face da reclamante foram levantadas notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”) em montantes que ultrapassaram o valor de R$ 890 milhões nos anos de 2005 a 2009. (grifouse) Assim, o colegiado julgador – Turma Especial – em nada ofendeu ao disposto no artigo 2o, § 2o, da então vigente Portaria MF no 256, de 22/06/2009, segundo o qual "a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância". Tal limite, a teor do disposto na Portaria MF no 3, de 03/01/2008, é de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Logo, concluise que a Turma julgadora decidiu em processo cujo valor em litígio encontrase dentro de limite estabelecido para Turma Especial. Efetivamente, a questão da incompetência de Turma Especial para o julgamento do feito não foi aduzida pela interessada em seu recurso voluntário. Esta, em homenagem aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da economia processual, dentre outros, defendeu apenas a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa, o que fez com fundamento no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, e em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Tal questão foi sim enfrentada pelo colegiado julgador, conforme seguinte trecho do voto que alicerçou sua decisão: Dos argumentos em defesa da nulidade da decisão de primeira instância Dentre os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância, o sujeito passivo defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, a fim de evitar Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.523 7 decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, bem como nos princípios que norteiam o processo administrativo elencados pela Lei nº 9.784/99. Da fundamentação legal adotada pelo sujeito passivo, a Portaria RFB nº 666/08, de fato, prevê a formalização de um único processo administrativo ou a juntada por anexação (artigo 3º), dentre outras hipóteses, relativamente a “Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas” (artigo 1º, inciso IV). Contudo, não compete a este Conselho questionar procedimento diverso adotado pela Receita Federal que não implique em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, muito embora seja nítida a conexão processual entre os pedidos de ressarcimento reportados pela recorrente, não há nada nos autos que alicerce o reclamado cerceamento ao seu direito, uma vez que os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade. Digo isso, inclusive, em relação ao processo nº 15586.000089/201117, ao qual foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente, como, aliás, está consignado na informação fiscal que subsidiou a decisão objeto dos presentes autos. Tendo a interessada irrestrito acesso aos autos, não há que se cogitar em prejuízo para sua defesa. A suplicante se socorre também no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, bem como em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Relativamente ao § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, este determina apenas a juntada das peças que tratam da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e da correspondente impugnação da multa de ofício decorrente de diferenças apuradas, dentre outras, em declaração de compensação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001). Logo, não obriga à juntada de todos os processos conexos do mesmo sujeito passivo. Já em relação aos princípios do processo administrativo reportados pela Lei nº 9.784/99, não vislumbro nos autos nada que represente ofensa ao direito de defesa da solicitante que pudesse redundar na nulidade de qualquer ato decisório contidos em suas peças, como já ressaltado. O Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009) também trata da distribuição conjunta de processos conexos. Tal preceito, contudo, não é de natureza cogente, posto que apenas faculta referenciado procedimento, como revela o verbo que integra o núcleo normativo do artigo 6o do Anexo II do Regimento em tela, abaixo transcrito e destacado: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. (grifo nosso) No mais, reiterese que a não adoção dos procedimentos perquiridos pela recorrente, por não trazerem prejuízo para a defesa, não tem o condão de dar ensejo à nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal2. No âmbito do Código de Processo Civil, dispõe o artigo 244 que, Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. A inocorrência de prejuízo para a defesa também afasta a hipótese de nulidade fundada na ausência de análise de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, posto que não demonstrado eventual prejuízo decorrente da citada conduta omissiva. [...] Vêse, pois, que o colegiado julgador, de forma fundamentada, afastou a arguída nulidade da decisão de primeira instância pela negativa de juntada dos 36 processos em nome da interessada. Na oportunidade, foi abordada a inexistência de prejuízo para sua defesa, já que "os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade". Isso vale para o alegado "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no processo nº 15586.000089/201117, processo este onde foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente. Fato é que foram efetivamente analisados todos os argumentos aduzidos pela suplicante concernente a suposto prejuízo ao seu direito defesa, razão pela qual não há que se falar em suposta omissão na decisão vergastada no que concerne a essa questão. A embargante assevera que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Ora, a própria data de expedição dos atos normativos retrocitados, ambos do ano de 2014, revela que a argumentação não merece ser acatada em sede de 2 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.524 9 embargos de declaração, eis que a decisão guerreada foi proferida anteriormente, em 22/10/2013. Logo, não se pode admitir tal argumentação em sede de embargos de declaração, eis que os mesmos são modalidade recursal destinada a sanear acórdão eivado de "[...] obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" (conf. caput do artigo 65 do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). Com efeito, não se pode alegar omissão ou contradição em relação a argumento fundado em atos normativos que nem sequer existiam à época em que fora proclamada a decisão contestada. Embargos de declaração não são via de rediscussão de direito. A embargante também aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". No item 2.5 relata haver omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". Não obstante, a leitura do extenso voto condutor da decisão embargada revela que o conjunto probatório foi detalhadamente examinado, tendo o colegiado julgador entendido haver razões suficientes para fundamentar sua decisão no sentido da caracterização do ilícito tributário. Vale ressaltar que na decisão em tela foi examinada e rechaçada suposta nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a DRJ não ter apreciado alguns argumentos do sujeito passivo, conforme trecho do voto que alicerçou a decisão embargada, que ora transcrevo: A nulidade também é reclamada pelo fato de a DRJ, segundo alega a reclamante, não ter apreciado argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. A decisão de primeira instância também teria sido omissa concernente a depoimentos segundo os quais os gestores da recorrente “[...] não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas [...]”, bem como no tocante aos lançamentos formalizados dentro da mesma operação de fiscalização, ao princípio da boafé, ao fato de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes, dentre outros. Igualmente, entendo que isso também não leva à nulidade da decisão vergastada, posto que esta se apresenta devidamente motivada em argumentos que alicerçam suficientemente a convicção a que chegou o Colegiado a quo. Com efeito, não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pelo reclamante, e isso não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a decisão deve “[...] referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (grifo nosso). Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 De fato, o Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos na impugnação, mas isso desde que a autoridade julgadora de primeira instância tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio, como ocorreu no caso presente. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/0099087 0) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Afastamse, pois, todos os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância. Como se vê, permanece a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão, pressupostos sem os quais não há como acolher os embargos de declaração da reclamante. A embargante ressalta também que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. De fato, consta do relatório objeto da decisão recorrida que a suplicante requereu diligência ou perícia para juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos vultosos de PIS e COFINS, uma vez que não é lícito à Receita Federal impor referidas contribuições duas vezes sobre a mesma cadeia produtiva; necessário também a juntada aos autos vários depoimentos mencionados no relatório fiscal, em homenagem ao direito de defesa da recorrente. Não obstante, essas questões foram devidamente apreciadas na decisão embargada, como comprova o seguinte trecho de seu correspondente voto condutor: A suplicante alega a ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais. Segundo entende, as Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3301002.727 S3C3T1 Fl. 2.525 11 autuações contra “centenas de pessoas físicas e jurídicas” representaria “dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da não cumulatividade”. Tal argumento, todavia, também não merece prosperar, pois os procedimentos de fiscalização contra cada sujeito passivo são autônomos e individualizados – ressalvada a possibilidade de responsabilização solidária –, apesar de, no caso, decorrer de uma operação para investigação de um setor econômico específico. No mais, não existe fundamento legal que legitime aduzido mecanismo compensatório proposto pelo sujeito passivo, o que também descarta a necessidade de diligência ou perícia para a juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos do PIS e da COFINS em face das outras empresas envolvidas. (grifouse) Também assevera a embargante que não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido. De fato, o colegiado recorrido não conheceu do argumento em tela, eis que o mesmo não integra o litígio, restrito à apropriação indevida de créditos pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Assim, a Turma recorrida acolheu o voto que, nessa parte, não conheceu do recurso, conforme trecho abaixo transcrito: Da admissibilidade parcial do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/04/2013 (fls. 199). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 202/277 foi apresentado em 28/05/2013, tempestivamente, portanto. Contudo, muito embora os demais requisitos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso que não podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação com a lide objeto dos autos. Digo isso em relação ao aduzido direito para recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, sob o argumento de que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos. Tal pedido, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, razão pela qual não pode ser conhecida. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Diante de tudo o que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 10 de dezembro de 2015. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10980.724003/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 574.975-PR (sob a sistemática do art. 543-B do CPC).
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antônio Alkmim Teixeira..
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 10580.005996/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS.
É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
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DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 59 96 /2 00 8- 85 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.005996/200885 Acórdão n.º 2302003.709 S2C3T2 Fl. 756 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 140 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratam os autos de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório nº 0719/2011 – emitido pelo Núcleo de Reembolso e Restituição Previdenciária da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador em 12/07/2011, que indeferiu o Requerimento de Restituição da Retenção – RRR, decorrente de retenção de onze por cento sobre o valor bruto da notas fiscais ou faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, em valor superior ao montante das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em epígrafe nas competências julho de 2005 a dezembro de 2007. Em 15/06/2011, o pelo SEORT da DRF de Salvador emitiu o Despacho nº nº 509/2011, fls 113, intimando a empresa a apresentar os seguintes documentos e informações: * Livro Registro de empregados. * Livro Diário devidamente registrado no órgão competente. * Folha de pagamento em meio digital . * Contabilidade em meio digital. * Talonário de Notas Fiscais (originais). * Última alteração contratual. * Nova Procuração. * Contratos de prestação de serviços relacionados às Notas Fiscais relacionadas em planilha constante do Termo de Intimação. * Esclarecimentos acerca das divergências encontradas entre o faturamento informado no processo, os rendimentos tributáveis declarados pela empresa tomadora dos serviços prestados e a receita bruta declarada pela empresa prestadora, conforme Notas fiscais relacionadas no termo. Embora tenha sido cientificado da intimação por via postal em 20/06/2011, o contribuinte não compareceu para apresentar os documentos e os esclarecimentos solicitados. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Em 12/07/2011, foi emitido o Despacho Decisório nº 0719/2011 pelo Núcleo de Reembolso e Restituição Previdenciária, fls. 125/127, indeferindo o pedido de restituição em face da não apresentação dos documentos e esclarecimentos necessários ao reconhecimento do direito creditório que o contribuinte alega possuir. O Contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 22/07/2011, por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 128. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/06/2011, na qual alega, em síntese, o que se segue: Requer a concessão de um novo prazo para a apresentação dos documentos solicitados na intimação cujo prazo expirou em 11/07/2011. A perda do prazo ocorreu pois os sócios da empresa encontramse residindo em outro estado e a pessoa que recebeu a intimação em Salvador não tinha poderes para a resolução destas questões (...) (destaques nossos) A DRJ, como afirmado anteriormente, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em razão da não apresentação da documentação solicitada na impugnação. A recorrente foi intimada da decisão, tendo apresentado o Recurso Voluntário de fls. 145 e seguintes, no qual solicita que sejam verificados os documentos anexos, que a empresa depende desses valores para sua manutenção e que todos os PER/DCOMP foram enviados e atualizados. É o relatório. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.005996/200885 Acórdão n.º 2302003.709 S2C3T2 Fl. 757 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi O recurso resumese à solicitação de que sejam verificados os documentos anexos; à alegação de que a empresa depende desses valores para sua manutenção; e à assertiva de que todos os PER/DCOMP foram enviados e atualizados. É verdade que a recorrente apresenta nova documentação, mas o fez sem motivar a não apresentação em momento processual anterior. Noto que a recorrente não apresentou a documentação pertinente: (i) nem por ocasião no requerimento de restituição; (ii) nem após ser formalmente intimada; e (iii) nem no prazo para apresentação de manifestação de inconformidade; Ou seja, a recorrente optou por trazer alguma inovação agora, na instância recursal. A inação da recorrente não encontrase justificada na peça recursal e, assim, não houve o enquadramento em qualquer exceção legal que permitisse a apresentação de provas a destempo. Como à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza (artigo 5°, II, da CF), não compete ao Auditor Fiscal que preside o procedimento fiscal ou à autoridade julgadora dilatar prazos legais se ausente exceção normativa que autorize a prática a destempo, como as situações previstas nos §§ 4° a 6° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 (força maior, fato ou direito superveniente e contraposição de fatos ou razões posteriores). Nesse sentido, a mera juntada de documentos na fase recursal não é suficiente para reabrir a fase processual probatória. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator Fl. 759DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 09/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13894.001162/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
DISCUSSÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL E TEMPESTIVO. AFASTAMENTO DA COBRANÇA DE MULTA E JUROS.
Restando comprovado que os depósitos judiciais foram efetuados de forma integral e tempestiva, descabe a cobrança de multa e juros.
Numero da decisão: 1201-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 05/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (vice-presidente) Luis Fabiano Alves Penteado e, Ester Marques Lins de Sousa
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 DISCUSSÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL E TEMPESTIVO. AFASTAMENTO DA COBRANÇA DE MULTA E JUROS. Restando comprovado que os depósitos judiciais foram efetuados de forma integral e tempestiva, descabe a cobrança de multa e juros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 05/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (vice-presidente) Luis Fabiano Alves Penteado e, Ester Marques Lins de Sousa
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DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL E TEMPESTIVO. AFASTAMENTO DA COBRANÇA DE MULTA E JUROS. Restando comprovado que os depósitos judiciais foram efetuados de forma integral e tempestiva, descabe a cobrança de multa e juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 05/01/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 11 62 /2 00 3- 41 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (vice presidente) Luis Fabiano Alves Penteado e, Ester Marques Lins de Sousa Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico que tem origem em razão do processamento da DCTF relativa ao anocalendário 1998, lavrado em 18/06/2003. Exigiuse crédito tributário no valor total de R$ 1.078.319,10, discriminado em contribuição, multa vinculada e juros de mora calculados até 30/06/2003. A referida infração decorre do argumento da não localização do pagamento vinculado a débitos de CSLL, conforme constas às fls. 08. Após ciência por meio de via postal, em 11/07/2003 (AR de fls. 164), a ora recorrente apresentou impugnação em 08/08/2003, fls. 01/04, acompanhada de documentos de fls. 05/64, alegando, em síntese que, os valores exigíveis pela fiscalização foram devidamente depositados em juízo, tendo em vista a ação judicial, confirase: "Todos os valores apontados encontramse devidamente depositados em juízo, em razão da Ação Judicial n°1997.38.00.0403119, conforme restará demonstrado a seguir. Relativamente aos períodos de apuração de 2/98; 04/98; 05/98; 7/98; 8/98; 10/98 e 11/98, os respectivos valores foram depositados integralmente, conforme comprovam as guias de depósitos em anexo (docs. 04 a 10). Quanto ao período de apuração de 1/98, foi depositado o valor total autuado, porém em guias distintas, conforme demonstram as guias de depósitos em anexo (docs. 11 —R$25.043,99 a 12R$12.686,58). Por fim, o valor relativo ao período de apuração 12/98 foi inclusive depositado em valor superior ao considerado pela autuação, conforme guia de depositado (sic) judicial em anexo (doc. 13)." Em seguida, tendo em vista o recebimento de Termo de Comunicação de Revisão do Lançamento e Cobrança, em 29/05/2006, a recorrente manifestouse nos autos (fls. 74), informando a apresentação de impugnação e pedindo a suspensão do crédito tributário, demonstrado por meio de documentos de fls. 75/91. O processo foi instruído com documentos de fls. 95/153. E, as fls. 161/163, consta o seguinte despacho da autoridade preparadora: "O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 1997.38.00.0403119, perante a 17° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, Belo Horizonte, objetivando se eximir do recolhimento da Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n°84/96 e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido instituída pela Lei n° 7.689/88 (vide folhas 20 a 40); Fl. 404DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13894.001162/200341 Acórdão n.º 1201001.230 S1C2T1 Fl. 3 3 A Liminar foi indeferida e a segurança denegada (Sentença em 11/06/1999, vide folhas 96 a 99); A apelação do contribuinte foi recebida no efeito devolutivo e também homologada a desistência do recurso em relação a Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n°84/96 (vide folha 103); Agravo de Instrumento no 2000.01.00.0231518/MG autorizou o levantamento dos valores depositados na conta n°2173716, referente a Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n° 84/96 (vide folhas 135 a 143). Os depósitos relativos a CSLL, efetivados até 30/11/1998, continuam na conta n° 2174232 (vide extrato da CEF emitido em 11/03/2008 de folhas 147 a 153); Pesquisa "online" ao site do E.TRF1° Regido verificase que não há nenhuma decisão acerca da Apelação em Mandado de Segurança interposta pelo contribuinte (vide folhas 144 a 146); O interessado apresentou impugnação tempestiva alegando em síntese que: a. Efetuou depósitos judiciais, relativos aos períodos de apuração de fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 1998; b. Quanto ao período de janeiro de 1998, efetuou dois depósitos (R$ 25.043,99 e R$ 12.686,58); e c. O período de dezembro de 1998 foi depositado a maior. Os depósitos do item "a" foram encontrados no extrato da CEF, exceção do período de novembro de 1998 que foi encontrado no SINAL08; O depósito de R$ 25.043,99 foi efetuado na conta n° 2173716 onde eram depositados os valores discutidos relativos à Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n° 84/96, depósitos estes que já foram levantados pelo contribuinte (vide guia de depósito de folha 47 e alvará de levantamento de folhas 129 a 131); O depósito de R$ 12.686,58, relativo ao débito de janeiro de 1998, mostrase insuficiente (vide relatório SICALC de folhas 155 a 157). Mesmo considerando o depósito efetuado na conta errada e já levantado pelo contribuinte, ele também se mostra insuficiente (vide relatório SICALC de folhas 158 a 160); Planilha abaixo consta o resumo dos débitos declarados nas DCTFs e controlados através dos processos administrativos. [planilha]." Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 As fls. 169, houve a revisão do lançamento, sem qualquer resultado, conforme 110 demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 166/168. A 4a Turma da DRJ em Campinas, julgou parcialmente procedente o referido recurso no sentido de reconhecer a tempestividade da impugnação e cancelar a multa vinculada aplicada sobre a CSLL dos períodos questionados, sem prejuízo da multa de mora, fls. 230 a 240, nos seguintes termos: “ESTIMATIVAS.NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Já, outros aspectos do lançamento, não submetidos à esfera judicial, são passíveis de apreciação na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Lançamento Procedente em Parte.” Sendo assim, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls 249 a 254, juntando documentos que reiteram as alegações já demonstradas. Alega ainda, não incidir os encargos moratórios mencionados da referida decisão, tendo em vista que os depósitos judiciais forem efetuados no prazo legal. A 2ª Câmara/ 2ª Turma ordinária converteu o julgamento do recurso em diligência, retornando o processo ao órgão de origem para: a. com base no Quadro anexo ao acórdão nº 0522.165 da DRJ/Campinas, fls. 240 do eprocesso, e, confrontando com a planilha e cópias dos depósitos judiciais juntados com o recurso voluntário, fls. 289 e seguintes do eprocesso, emitir despacho conclusivo a respeito da tempestividade de cada parcela estimativas mensais da CSLL depositada judicialmente (mandado de segurança nº 1997,38.00.0403119), do ano de 1998; b. cientificar o contribuinte do despacho do item anterior, para manifestação, querendo no prazo de 30 dias; c. após, retorno a esta CARF; d. na sequencia , a Secretaria desta 2ª Camara deverá proceder a PGFN do resultado da diligência proposta; e. após o transcurso do prazo regimental de ciência da PGFN, retornem os autos para julgamento do recurso voluntário. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13894.001162/200341 Acórdão n.º 1201001.230 S1C2T1 Fl. 4 5 A referida diligência foi devidamente cumprida, conforme fls. 338/339. Em 19/12/14, a recorrente protocolizou manifestação relativa ao despacho de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim, deve ser apreciado. Conforme já exposto, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para que, em síntese, fosse confirmado os depósitos judiciais que comprovariam a suspensão da exigibilidade dos créditos nos períodos de apuração de 01/98, 02/98, 04/98, 05/98, 07/98, 08/98, 10/98, 11/98 e 12/98, em razão da não localização destes pagamentos, motivo pelo qual fora fundamentado ao auto de infração. De acordo com diligência realizada, os depósitos judiciais foram todos integralmente realizados tempestivamente, o que demonstra de forma clara que os valores estão devidamente localizados e correspondem ao valor devido à época. Entretanto, no que se refere ao mês de 01/98, entendeu a análise da diligência que, a recorrente realizou 2 depósitos em períodos distintos, mas que estes não seriam suficientes para comprovar a totalidade do valor depositado naquele período de apuração. Lê se ali: “Destaca que para o período de 01/98 foram realizados 2 depósitos: R$ 25.043,99 (em 27/02/98) e R$ 12.686,58 (em 31/03/98). Uma vez comprovada a existência dos depósitos judiciais, o Acórdão nº 05 22.165 da DRJ/Campinas (fls. 230 241) julgou procedente em parte a impugnação exonerando a multa de ofício, mas mantendo a multa de mora para os débitos de CSLL pagos fora do prazo legal. Em 19/09/2008, foi apresentado recurso voluntário, no qual o contribuinte alega que o depósito realizado em 31/03/98 no valor de R$ 12.686,58, referente ao período de 01/98, foi feito com os encargos moratórios computados. Entretanto, de acordo com os cálculos do Sicalc de fls. 160162, os depósitos referentes a 01/98 são insuficientes para quitar o débito do período, uma vez que o depósito de 31/03/98, no valor de R$12.686,58, foi realizado fora do prazo de vencimento do tributo e sem os respectivos acréscimos legais. Tal fato foi objeto de análise no despacho de fls. 163165.” Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 6 Não obstante, alega a recorrente que, em 31/03/98, efetuou o depósito judicial de R$12.686,58 e o no montante de R$25.043,99, ambos referentes ao período de 01/98. De fato, nos termos o quadro descrito às fls. 339, o mês de 01/98, a totalidade do valor devido era de R$37.730,57, do mesmo modo que consta na DCTF apresentada aos documentos. Pois bem. O auto de infração foi lavrado tendo em vista que não foram localizados os depósitos judiciais efetuados pela recorrente. Após diligência, foram confirmados os devidos valores, bem como a o depósito. No que se refere ao período de apuração de janeiro de 1998, conforme consta às fls. 47 e 48, as guias de deposito judiciais relacionam ao mesmo período, bem como ao mesmo processo e código. Sendo assim, resta claro que o valor devido de R$37.730,57 foi objeto de dois depósitos distintos, sendo um deles (R$12.686,58) realizado em 31/03/98. Sendo assim, em complemento ao apresentado na diligência que reconheceu que houve deposito judicial e estes foram realizados tempestivamente, resta confirmado depósito integral relativo ao mês de 01/1998, afastandose, portanto, o entendimento de deposito insuficiente para este período. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso apresentado para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Numero do processo: 16327.003821/2002-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1989 a 31/05/1994
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, diante de situações análogas, tenha dado interpretação diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas que exigem conclusões distintas.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de divergência jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1989 a 31/05/1994 Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, diante de situações análogas, tenha dado interpretação diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas que exigem conclusões distintas. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 38 21 /2 00 2- 25 Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.163 2 Tratase de recurso especial de divergência, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão da terceira câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes. Com esse recurso, a recorrente busca a reforma do Acórdão nº 20310,727, cuja ementa se transcreve a seguir, na fração que interessa ao presente julgamento: CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INADMISSIBILIDADE. Transitada em julgado decisão judicial que determina sejam aplicados ao indébito tributário os índices oficiais, não se admite, na esfera administrativa, percentuais diferentes daqueles. DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. RESPEITO À COISA JULGADA. Existindo decisão judicial definindo a controvérsia mantida entre as partes, inexorável a observância de seus termos. Recurso negado. Inconformada, a autuada interpôs embargos de declaração, sob o argumento de o acórdão embargado padecer de vício de omissão no julgado, por não levar em conta o julgamento da Apelação Cível n° 98.03.0873415/SP. Informa que o Colegiado, equivocadamente, considerou que a decisão transitada em julgado seria a sentença prolatada na Ação Ordinária nº 94.00225644 (número na origem), quando na realidade foi o acórdão da Apelação. No mais, defende, em síntese, que em função do acórdão que transitou em julgado na referida Ação Ordinária a correção monetária do indébito do PIS deve contemplar os expurgos inflacionários ocorridos nos meses de março, abril e maio de 1990 (IPC de 84,32%, 44,80% e 7,87%) e deve ser utilizada a UFIR mensal (no lugar da UFIR diária,considerada nos cálculos realizados pela autoridade tributária administrativa). Requer, ao final, sejam acolhidos os Embargos e reformado o Acórdão, para que sejam computados os três índices do IPC mencionados e a UFIR mensal. É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. A turma embargada acolheu parcialmente os embargos para complementar e rerratificar o acórdão, nos termos da ementa que se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1989 a 31/05/1994 Ementa:EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada omissão no acórdão, por deixar de considerar julgamento da segunda instância em ação judicial impetrada pelo contribuinte, são admitidos os embargos de declaração para que haja a complementação. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.164 3 Para fundamentar essa decisão, o relator asseverou que: o voto vencedor referese expressamente à sentença proferida na Ação Ordinária n° 94.00225644, mas não considera a Apelação Cível n° 98.03.0873415/SP, cabe admitir os Embargos e acolhêlo parcialmente, apenas para suprir a omissão. Descabe a reforma pretendida pelo Embargante porque, data venia, o acórdão da Apelação, que transitou em julgado, não autoriza sejam aplicados os expurgos inflacionários almejados, tampouco a UFIR mensal. Nos Embargos, o contribuinte afirma que o TRF da 3ª Região "... reconheceu expressamente que deveria ser aplicado o IPC/INPC na constatação do valor a ser compensado pela ora Embargante, evidenciado pela menção, em seu corpo, (i) de julgados determinando a inclusão dos índices expurgados, (ii) do afastamento da Instrução Normativa n.° 67/92 e, até mesmo, (iii) da continuidade temporal entre tais índices." (fl. 837, item 25). Todavia, uma análise atenta do julgamento pelo TRF demonstra que o IPC não foi autorizado. O Tribunal negou provimento à apelação da Procuradoria da Fazenda Nacional e deu provimento à remessa oficial, produzindo ementa que trata da correção monetária nos itens 4 a 7, que transcrevo, verbis: 4. Cuidandose de compensação de tributos efetivada nos termos do que dispõe o art. 66 da Lei n" 8.383/91, as parcelas a serem compensadas deverão ser atualizadas monetariamente desde a data em que houve o indevido recolhimento (Súmula n° 162 do STJ) 5. A teor do que ficou decidido nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 4930/DF, descabe a utilização da Taxa Referencial (TR) com índice de correção monetária (...) 6. A correção monetária deve ser efetivada com a aplicação do índices do INPC, nos termos preconizados pelo art. 4° da Lei n° 8.383/91; 7. A partir de 1° da janeiro de 1.992, a correção monetária deverá atender os critérios preconizados pelo parágrafo 3° do art. 66 da Lei n"8.383/91. Ainda segundo o relator dos embargos: Nos fundamentos e na parte dispositiva, o acórdão do TRF cuida da correção monetária sem determinar a aplicação dos três índices do IPC defendidos pela ora Embargante (84,32%, 44,80% e 7,87%, referentes, respectivamente, aos meses de março, abril e maio de 1990). Tampouco há determinação no sentido de emprego da UFIR mensal (em substituição à UFIR diária, esta empregada no despacho decisório contestado). Regularmente intimada desse acórdão, a contribuinte apresentou recurso especial a este colegiado, repisando os argumentos expendidos nos recursos anteriormente Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.165 4 apresentados, e, em síntese requerendo a aplicação dos expurgos inflacionários ao crédito que entende serlhe devido. Para demonstrar o dissídio jurisprudencial, traz à colação os acórdãos 107 06,113 e CSRF/0201,713, juntados às fls. 1.129/1.146, cujas ementas transcrevese linhas abaixo. Acórdão nº 10706.113 COMPENSAÇÃO — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — Não pode ser considerada cumprida decisão judicial que determina a correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 pelos índices do IPC, quando utilizada a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Essa norma não contempla os índices já pacificados pela jurisprudência que são: mar/90 84,32%, abr/90 44,80% e mai/90 7,87%. COMPENSAÇÃO — JUROS — TAXA SELIC — Os juros calculados com base na Taxa SELIC incidem, a partir de 01.01.96, sobre créditos decorrentes de pagamentos a maior que o devido, nos termos do art. 39, parágrafo 4º, da Lei n° 9.250/95.” Acórdão CSRF/02‑ 01.713 CORREÇÃO MONETÁRIA — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO — PRINCÍPIO DA MORALIDADE — CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — STJ — 1990 — IPC — PRECEDENTES — Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado. Recurso provido O presidente da Câmara recorrida, após registrar que havia forte dúvida acerca da existência do dissídio jurisprudencial, nesse juízo de prelibação, onde os requisitos de admissibilidade são examinados de forma perfunctória, deu seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho de efls. 1.148/1.149. Contrarrazões apresentadas pela PGFN vieram às fls. 1.151 a 1.158, defendendo a inadmissibilidade do recurso especial do sujeito passivo por não satisfazer o requisito relativo `a divergência jurisprudencial, e, sucessivamente, o improvimento desse apelo. É o Relatório. Voto Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.166 5 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Antes de passar à análise das matérias recursais, julgo relevante revisitar o exame de admissibilidade. A admissibilidade do recurso especial está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que exigem conclusões distintas. A meu sentir esta é justamente a situação dos autos, em que os acórdãos recorridos e paradigmas retratam situações diferenciadas, no recorrido, o fundamento para se negar o aplicação dos expurgos pretendidos pela recorrente foi, no entender do colegiado, existir decisão judicial dispondo de modo diverso, isto é fixando outros índice, mais precisamente, o os mesmos índices adotados pela Receita Federal, já no primeiro paradigma, os expurgos foram concedidos, por se entender que a decisão judicial determinava que assim fosse feito. Aqui, não vejo como se afigurar o dissenso, pois o comando dos dois acórdão, recorrido e paradigma, são no mesmo sentido, no primeiro, asseverouse que não se poderia conceder os expurgos porque a decisão judicial teria fixado índice próprio, os mesmos utilizados pela Receita Federal para corrigir seus créditos. Aliás, esse foi um dos pedidos da recorrente na inicial da ação judicial, sob o fundamento de que, caso contrário, haveria enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública, e o Juiz, atende a esse pedido, determinou que o indébito fosse corrigido pelo mesmo índice aplicado pelo Fisco para corrigir seus créditos. A seu turno, no acórdão paradigma, consignouse, expressamente, que os expurgos inflacionários deveriam incidir sobre o indébito, por força da determinação judicial. Para que não paire dúvida, transcrevese excertos dos votos recorridos e paradigmas: Acórdão recorrido: (...) Entendo que nesta esfera administrativa não se pode admitir os índices pretendidos pela recorrente, já que a questão foi decidida pelo Judiciário, nos termos do provimento de primeiro grau que transitou em julgado, (fl. 319): A correção monetária dos valores a serem compensados, prevista expressamente no artigo 66 §3° da Lei n° 8.383/91, será feita pelos índices oficiais adotados pela Receita Federal na correção monetária de seus créditos — OTN BTN — BTNF UFIR, conforme, Lei n" 7.730/89, Lei n" 7.801/89, Lei n" 8.177/91, Lei nº 8.393/91 e Lei 9.065/95 (...)." Ora, os índices adotados pela Secretaria da Receita Federal são os previstos na Norma de Execução COSIT/COSAR n° 08/97, até 31/12/91, seguidos da UFIR diária no período de 01/01/92 a 31/12/95 e juros Selic desde 01/01/96. Embora certo que o Judiciário tem aplicado outros índices, reconhecendo o direito aos chamados expurgos inflacionários, no caso em tela a decisão judicial é clara, ao determinar a Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.167 6 utilização dos "índices oficiais adotados pela Receita Federal na correção monetária de seus créditos." À vista da decisão judicial neste caso concreto, descabe reexaminar nesta seara administrativa os percentuais da correção monetária, que não podem ser outros senão os definidos na sentença que transitou em julgado. Esse acórdão foi embargado, mas o colegiado, ao julgar os declaratórios reafirmou que a sentença judicial não autorizara a aplicação dos expurgos sobre a repetição do indébito, conforme se pode ver do excerto abaixo: Descabe a reforma pretendida pelo Embargante porque, data venia, o acórdão da Apelação, que transitou em julgado, não autoriza sejam aplicados os expurgos inflacionários almejados, tampouco a UFIR mensal. 1º paradigma: acórdão nº 10706.113 A sentença, acolhendo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, determina a aplicação do IPC como índice de correção monetária dos meses de janeiro (42,72%), fevereiro (10,14%), março, abril e maio de 1990. O IPC calculado pelo IBGE para aqueles meses, de fato: é o utilizado pela recorrente: ................................................................................................. Por todo o exposto e ressaltando que este colegiado nada mais está fazendo do que aplicar, ipsis litteris, a ordem emanada do Poder Judiciário, de resto acolhida em vários julgados desta casa, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, garantindo a atualização pelos índices expurgados solicitados pela Recorrente. O confronto do acórdão recorrido com esse paradigma, não deixam margem à dúvida de que, no primeiro, o fundamento para se negar o expurgo foi o comando da ordem judicial, e, no segundo, o fundamento para se conceder os expurgos, também foi o comando da ordem judicial. Nessa ordem das coisas, é cristalino o entendimento que não há divergência entre os acórdãos confrontados, em ambos, a questão dos expurgos foi decidido de acordo com a ordem emanada do Poder Judiciário. Na realidade, o dissenso está nas decisões judiciais, e não nas administrativas que tãosomente deram cumprimento às sentenças, nos exatos termos de seus comandos. No tocante ao segundo paradigma colacionado pela recorrente, com mais razão ainda, não comprova a divergência jurisprudencial, pois sequer aborda a questão judicial, cerne do litígio ora em discussão, vejamos: 2º paradigma: Acórdão CSRF/02‑ 01.713 Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.003821/200225 Acórdão n.º 9303003.359 CSRFT3 Fl. 1.168 7 CORREÇÃO MONETÁRIA — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO — PRINCÍPIO DA MORALIDADE — CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — STJ — 1990 — IPC — PRECEDENTES — Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado. Recurso provido Ora, nesse segundo acórdão, não se traz a discussão do cumprimento de decisão judicial, cerne do debate travado no acórdão recorrido. Tratandose, pois, de situação distinta, o que, de per si, afasta qualquer possibilidade de formação do dissenso jurisprudencial. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2015 Henrique Pinheiro Torres Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 10768.011773/2002-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF. RECOLHIMENTOS NÃO LOCALIZADOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Comprovado o recolhimento de IRRF lançado de ofício, cancela-se a exigência fiscal correspondente.
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2301-004.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência e, quanto às demais questões de mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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RECOLHIMENTOS NÃO LOCALIZADOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Comprovado o recolhimento de IRRF lançado de ofício, cancelase a exigência fiscal correspondente. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência e, quanto às demais questões de mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 17 73 /2 00 2- 73 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1244.419, exarado pela 2ª Turma da DRJ neo Rio de Janeiro (fls. 213 a 225, numeração dos autos eletrônicos). Pelo auto de infração (fls. 98 a 120), lavrado em 09/05/2002, foi exigido Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$35.897,41, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, além de multa paga a menor no valor de R$185,57 e juros a menor de R$38,95. A autuação decorreu da auditoria interna na DCTF dos 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1997, na qual se constatou: (a) falta de recolhimento de IRRF: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Débito declarado (DCTF) Darfs não localizados 1 0561 0507/1997 06/08/1997 38.980,83 1.676,08 2 0561 0208/1997 13/08/1997 3.394,87 1.509,37 3 0561 0408/1997 27/08/1997 350,47 152,00 4 0561 0508/1997 03/09/1997 34.587,78 13.632,99 5 0561 0209/1997 17/09/1997 129,29 129,29 6 0561 0409/1997 01/10/1997 1.922,04 1.922,04 7 0561 0509/1997 08/10/1997 48.073,71 1.951,74 8 0588 0509/1997 08/10/1997 2.275,00 2.275,00 9 1708 0509/1997 08/10/1997 385,45 361,00 10 8045 0307/1997 23/07/1997 1.542,97 19,26 11 8045 0509/1997 08/10/1997 74,74 74,74 12 0561 0510/1997 05/11/1997 42.654,31 90,96 13 0561 0511/1997 03/12/1997 39.199,16 319,92 14 0561 0312/1997 24/12/1997 33.752,66 10,28 15 1708 0112/1997 10/12/1997 2.873,65 2.380,35 16 0561 0512/1997 07/01/1998 42.858,08 3.669,65 17 0588 0412/1997 02/01/1998 3.106,67 246,67 18 1708 0410/1997 29/10/1997 255,75 12,07 19 1708 0512/1997 07/01/1998 761,69 611,06 20 8045 0510/1997 05/11/1997 1.045,03 53,92 21 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 241,72 22 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 23 8045 0412/1997 02/01/1998 778,79 322,99 24 8045 0512/1997 07/01/1998 1.917,37 336,12 (b) recolhimento após o prazo, com insuficiência dos encargos moratórios de IRRF, código de receita 8045: Período apuração Data vcnto Data pagto IRRF Multa mora devida Multa mora recolhida Multa mora a pagar Juros mora devidos Juros recolhi dos Juros a pagar 0311/97 19/11/97 03/12/97 1.049,92 186,85 1,28 185,57 39,06 0,11 38,95 Na impugnação (fls. 03 a 23) foi alegado que: 1. cópias dos correspondentes Darfs comprovam os recolhimentos dos tributos exigidos (relativamente a dois recolhimentos, requereu a juntada posterior dos respectivos Darfs); Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 290 3 2. caso não tivesse realizado os recolhimentos, seria indevido o lançamento de multa de ofício; 3. na hipótese de tributo declarado em DCTF, modalidade de confissão de dívida, não há falar em penalidade de ofício; 4. é incabível a aplicação de taxa de juros SELIC; 5. não houve recolhimento em atraso do IRRF código 8045 (sobre comissões e corretagens), apenas erro de fato no preenchimento da DCTF, na qual constou, erroneamente, o período de apuração imediatamente anterior ao real período de apuração, o que é comprovado pela comparação entre a DCTF e os recibos emitidos pelos beneficiários dos pagamentos por si realizados; 6. os tributos foram pagos integralmente, ainda que fora dos prazos de vencimento, enquadrandose no instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) conforme jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes, ac. 1086.160, de 2000); 7. os critérios de cálculo da multa de ofício isolada imputada ao interessado carecem de fundamento tanto legal quanto constitucional, existindo violação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996 e ao art. 113, § 1°, do CTN; 8. créditos tributários declarados em DCTF e não recolhidos não devem ser objeto de lançamento de ofício, devendo ser encaminhados diretamente para cobrança executiva, sendo essa a orientação da Norma Conjunta COSIT/COSAR/COFIS 535, de 23/12/1997; autos de infração contrários a referida norma vêm sendo afastados pelo Conselho de Contribuintes e pelos Tribunais Superiores; 9. sobre quantias declaradas e não recolhidas cabem unicamente a cobrança de multa moratória e juros de mora, nos termos do disposto no art. 13 da Lei 9.065, de 1995 e legislação de multa de mora; 10. o inciso IV, do art. 44, da Lei 9.430, de 1996, que autorizava o lançamento da multa de ofício para tributo lançado mas não pago, foi revogado pelo art. 7° da Lei 9.716, de 1998. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I efetuou a revisão de ofício (fl. 157), o que resultou na manutenção parcial da exigência (fls. 128 a 156), conforme os seguintes demonstrativos: (a) falta de recolhimento de IRRF: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor lançado Valor após revisão de ofício 1 0561 0507/1997 06/08/1997 1.676,08 61,68 2 0561 0508/1997 03/09/1997 13.632,99 343,90 3 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 4 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 90,96 5 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 6 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 3.669,65 7 1708 0512/1997 07/01/1998 611,06 38,87 8 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 241,72 9 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 (b) recolhimento após o prazo, com insuficiência dos encargos moratórios de IRRF, código de receita 8045: Período apuração Data vcnto Data pagto IRRF Multa mora devida Multa mora recolhida Multa mora a pagar Juros mora devidos Juros recolhi dos Juros a pagar 0311/97 19/11/97 03/12/97 1.049,92 186,85 1,28 185,57 39,06 0,11 38,95 Cientificada da revisão de lançamento em 29/08/2011, a contribuinte aditou a impugnação (fls. 165 a 186), alegando, em síntese: 1. a nulidade da revisão de lançamento, por não esclarecer os argumentos que condicionaram a autoridade fiscal a julgar em parte procedente o lançamento; 2. a não localização dos Darf não é suficiente para presumir que não foram realizados os devidos recolhimentos; 3. as datas dos efetivos pagamentos de comissões e corretagens (código 8045) demonstradas nos recibos emitidos pelos beneficiários dos pagamentos realizados pelo interessado pertencem à semana posterior da informada na DCTF para a retenção de fonte pertinente; 4. erro cometido quando do cumprimento de obrigação acessória não pode macular o seu direito; 5. impossibilidade de aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor do principal pago; 6. ser a multa aplicada confiscatória, irrazoável e desproporcional, até mesmo em relação aos acréscimos moratórios apurados. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, para (a) considerar devido o IRRF no valor de R$10.616,63, acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios e (b) Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 291 5 cancelar a exigência da multa de mora isolada (R$185,57) e juros de mora isolados (R$38,95). O acórdão da DRJ recebeu as seguintes ementas: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF. É de se manter a exigência fiscal, uma vez não confirmada a existência de pagamento vinculado a débito declarado em DCTF. ACRÉSCIMOS LEGAIS. SUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Ante a comprovação de erro no preenchimento da DCTF e do recolhimento de imposto no prazo legal, ou com o devido encargos moratórios, rejeitase o lançamento de multa e juros de mora. A ciência dessa decisão ocorreu em 18/06/2012 (aviso de recebimento EBCT, fl. 279). Em 18/07/2012, foi apresentado recurso voluntário (fls. 255 a 265), afirmandose, em síntese: (a) a decadência do direito de realizar a revisão de ofício; (b) o recolhimento, ainda que parcial, do IRRF, códigos 0561, 0588 e 1708, tendo ocorrido erro de preenchimento da DCTF; (c) impossibilidade de aplicação da multa de ofício, em face da aplicação retroativa do art. 18 da Lei 10833, de 2003. O pedido consiste no provimento do recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, cancelando a exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior QUESTÃO PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA DE EFETIVAR A REVISÃO DE OFÍCIO A recorrente alegou que foi certificada do auto de infração em 11/06/2002, que exige créditos tributário de 1997. Em 24/08/2011, foi realizada a revisão do lançamento, ou seja, oito anos depois do auto de infração e quase catorze anos da ocorrência do fato gerador. Assevera ter ocorrido a decadência do poderdever de efetivar a revisão de ofício. Penso não lhe assistir razão. A consequência que a contribuinte quer extrair da alegada decadência – a extinção do crédito tributário – é inviável, uma vez que, conforme o próprio litigante nos lembra, o crédito tributário foi constituído, pelo lançamento, em 11/06/2002, data de sua Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 ciência do auto de infração, não tendo ocorrido a decadência dos créditos que lhes estão exigidos, todos relativos ao segundo semestre de 1997. Ademais, a aludida revisão de ofício se deu em benefício da contribuinte, na qual foram reconhecidos diversos recolhimentos de IRRF que lhe estavam sendo exigidos, os quais foram cancelados. Admitir ter ocorrido a decadência de revisar o lançamento tem como consequência não reconhecer a eficácia desse ato de revisão, e, em decorrência, a voltar a exigir o crédito tributário que foi cancelado por ter sido provado o seu recolhimento. Caso fosse reconhecida a decadência do poderdever de efetivar a revisão de ofício, tal procedimento, na melhor das hipóteses, seria inútil, pois, como o crédito tributário está impugnado, caso fosse declarada a decadência da revisão de ofício, as instâncias julgadoras, se concordassem com aos termos em que ocorreu a revisão de ofício, reconheceriam a eficácia dos recolhimentos já comprovados e novamente cancelálosia, o que redundaria, se assim fosse feito, que seria exigido da contribuinte crédito tributário equivalente ao que se está exigindo presentemente. Em uma hipótese menos favorável à contribuinte, as instâncias julgadoras poderiam não se convencer das provas do recolhimento do crédito tributário já cancelado, e continuar a exigilo. Assim, não acolho a prejudicial de mérito em apreço. DO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL, DO IRRF, CÓDIGOS 0561, 0588 E 1708 Nessa questão a recorrente assevera ter realizado diversos recolhimentos, (Darfs das fls. 269 a 277), e que houve erro no preenchimento da DCTF. Porém, não há qualquer referência, sequer indireta, do qual teria sido o referido erro no preenchimento da DCTF. Não obstante, os seguintes recolhimentos restaram comprovados pelos Darfs juntados aos autos, não tendo havido alocação de seu pagamento nos demonstrativos das fls. 128 a 158, e, portanto, devem ser cancelados: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Valor confirmado Fl. 0561 0508/1997 03/09/1997 343,90 343,90 269 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 269 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 270 Quando ao seguinte recolhimento, não é indicado nos autos como teria sido alocado. Por outro lado, o exame do Darf (fl. 277), demonstra que houve erro de seu preenchimento, sendo trocadas as datas dos campos “período de apuração” e “data de vencimento”, o que teria impedido a alocação ao respectivo débito informado em DCTF. Deve, portanto, ser cancelado: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Valor confirmado Fl. 1708 0512/1997 07/01/1998 38,87 38,87 277 Os seguintes recolhimentos, que somados, correspondem ao débito de R$3.898,99, foram recolhidos tempestivamente e foram alocados, no auto de infração, ao débito 8045, período de apuração 0311/1997, vencimento 19/11/1997, de valor R$5.632,86 (fls. 112 a 115): Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 292 7 Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Alocação fl. Débito objeto da alocação 8045 0511/1997 03/12/1997 3.747,33 115 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 102,40 114 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,62 113 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,66 112 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,66 112 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 13,32 113 8045, PA 0312/1997 Na data em que foi realizado tal compensação de ofício, 09/05/2002 (fl. 98), vigia a Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997 (revogada pela IN SRF 210, de 30/09/2002, art. 46), que previa no § 2º do art. 12, que a compensação de ofício seria precedida de “notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência”: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. Não consta dos autos prova de que tal procedimento tenha sido obedecido, pelo que devem tais recolhimentos serem alocados ao débito a eles vinculado, IRRF 8045, período de apuração 0511/199, com vencimento em 03/12/1997, no valor de R$3.897,99 (DCTF à fl. 211). Não há alegação de recolhimento em relação aos seguintes débitos, que, em decorrência, devem ser mantidos: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício 0561 0507/1997 06/08/1997 61,68 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 DA MULTA DE OFÍCIO, EM FACE DA RETROAÇÃO DO ART. 18 DA LEI 10833, DE 2003 No que tange à aplicação da multa de ofício de débitos declarados em DCTF, em 1997, ano dos fatos geradores em comento, era aplicável o art. 44 da Lei 9439, de 1996. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Posteriormente, o art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 24/08/2001, regulou o lançamento de ofício das diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados: Medida Provisória 2.15835, de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal A Medida Provisória 135, de 30/10/2003, transformada na Lei 10.833, de 2003, alterou a redação do art. 90, nos seguintes termos: Medida Provisória 135, de 2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Tal redação, por sua vez, restou alterada pelo art. 18 da Lei 11.488, de 2007: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, a multa de ofício aplicável a “diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados” se restringe, a partir da entrega em vigor do art. 18 da Lei 11.488, de 2007 à “imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. No presente caso, foi lançada tãosomente a multa de ofício vinculada (art. 44, I, da Lei 9430, de 1996), aplicável à época dos fatos geradores (fls. 98 e 116). O CTN, no art. 106, II, a e c, determina a retroação de norma sancionatória que deixe de definir determinado ato como infração, bem como quando lhe comine penalidade menos severa que a vigente no tempo de sua prática: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 293 9 a) quando deixe de definilo como infração; (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Tal retroação benigna é aplicável ao caso, uma vez que não estamos diante de “nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF 920202.058 (com a ressalva de que trata da retroação do art. 18 da Lei 10.833, de 2003, e não do art. 18 da Lei 11.488, de 2007), do qual transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda sob o manto dos preceitos contidos no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Entrementes, em face de legislação posterior afastando a aplicabilidade da multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, objetos de pedido de compensação indeferido, impõese rechaçar a manutenção de referida multa, conquanto que não constatada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, em observância ao princípio da retroatividade benigna da norma, insculpida no artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Desse modo, deve ser cancelada a multa de ofício incidente sobre os débitos remanescentes, quais sejam: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício 0561 0507/1997 06/08/1997 61,68 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Voto, portanto, por julgar parcialmente procedente o auto de infração, para cancelar integralmente os créditos tributários relativos aos períodos a seguir elencados e, em relação aos demais períodos de apuração, cancelar a multa de ofício. Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor lançado Valor após revisão de ofício 0561 0508/1997 03/09/1997 13.632,99 343,90 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 1708 0512/1997 07/01/1998 611,06 38,87 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 18471.001064/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E VERDADE MATERIAL. NULIDADE INEXISTENTE.
Inexiste nulidade no lançamento por ausência de motivação nos casos em que a Fiscalização demonstra as operações realizadas, apresenta o que entende estar sendo dissimulado e colaciona a fundamentação legal correspondente. Inexiste ofensa aos princípios do Contraditório e da Ampla Defesa quando a autuada demonstra conhecer os motivos da autuação. Não se pode falar em ofensa ao Princípio da Verdade Material sem a análise do mérito da acusação fiscal.
Numero da decisão: 9101-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
EDITADO EM: 08/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Adriana Gomes Rêgo - Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E VERDADE MATERIAL. NULIDADE INEXISTENTE. Inexiste nulidade no lançamento por ausência de motivação nos casos em que a Fiscalização demonstra as operações realizadas, apresenta o que entende estar sendo dissimulado e colaciona a fundamentação legal correspondente. Inexiste ofensa aos princípios do Contraditório e da Ampla Defesa quando a autuada demonstra conhecer os motivos da autuação. Não se pode falar em ofensa ao Princípio da Verdade Material sem a análise do mérito da acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Adriana Gomes Rêgo Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 64 /2 00 7- 21 Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório RAIZEN COMBUSTÍVEIS S.A., recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial interposto em 23/01/2012, contra Acórdão nº 10709.615, de 4 de fevereiro de 2009, fls. 716/727, que, após embargos do Relator, passou a ser o Acórdão nº 110300.546, fls. 741/742, o qual, assism decidiu: “NULIDADE. LANÇAMENTOS DE TRIBUTOS O motivo dos atos de lançamento, seja sob o ângulo da presença de causa, seja sob o da concreta fundamentação, não se coloca como etérea ou inexistente nos lançamentos em dissídio, embora ela não se revele encadeada da forma mais adequada. O encadeamento do motivo não interdita seu entendimento, tanto que a contribuinte pôde reagir, no mérito, contra a pretensão deduzida nos lançamentos. Não há mera suposição, no sentido de especulação, de ausência de presunção de certeza e liquidez dos lançamentos. Ainda que possa vir a se revelar equivocado, meritum causae, há . pressuposição, ou pressuposto de fato para o direito aplicável na r materialização da pretensão fiscal nos lançamentos. Inexistência de nulidade dos lançamentos dos tributos. NULIDADE. LANÇAMENTOS DE MULTAS As multas de ofício foram concretamente exigidas à alíquota de 75%, embora a acusação figurasse com a multa qualificada. Houve erro de cálculo, mas não se pode olvidar que a exigência concreta da multa se deu à alíquota de 75%, e não à alíquota de 150%. Por outro lado, tratase de vício que não fulminam os autos de infração de nulidade parcial. Não se impediu, diante do ocorrido, o exercício do direito de defesa e do contraditório pela contribuinte,que foi por ela efetivamente levado a efeito. As multas isoladas majoradas foram concretamente exigidas à alíquota de 150%o, embora a acusação tenha lançado esteio na nova redação da lei, segundo a qual a multa isolada majorada é de 100%. Erro de cálculo, cujo vício não fulmina os autos de infração de nulidade, pois não inibiu a possibilidade de reação da contribuinte contra a exigência. Efetivamente, a contribuinte exerceu o direito de defesa e do contraditório, no mérito, combatendo não só a exigência majorada das multas isoladas, como invocando a retroatividade benigna na aplicação das multas. Inexistência de nulidade dos lançamentos das multas. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os EMBARGOS e retificar a decisão adotada no Acórdão 10709.615 para "dar provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira" além de alterar a parte conclusiva do voto condutor do acórdão original para "... dou integral provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Alega a recorrente que teve que apresentar uma impugnação de 93 páginas porque, em função da grande quantia exigida e da “deficiente redação do lançamento tributário”, se viu obrigada a expor todas as razões relacionadas às operações e alterações societárias relativas à compra global da Enterprise Oil PLC pelo grupo Royal Dutch/Shell Group. Complementa que a própria DRJ reconheceu a “completa falta de inteligibilidade” das redações dos autos de infração ora discutidos, mas que, em sede de recurso de ofício, a 7ª Câmara do antigo Primeiro de Contribuintes entendeu pela inexistência de nulidade, em divergência com os Acórdãos nº 230101.001 e nº 30335.559, que foram, respectivamente, assim ementados: Acórdão nº 230101.001, de 26 de janeiro de 2010: Acórdão nº 30335.559, de 13 de agosto de 2008: Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 4 Por fim, pede pela reforma da decisão proferida pela então 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, para que seja acolhida a preliminar de nulidade do Auto de Infração “por inequívoca carência de motivação, tendo em vista que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar a dissimulação utilizada para consubstanciar o lançamento, não suprindo requisitos básicos do ato administrativo”, em flagrante ofensa aos princípios da Ampla Defesa, do Contraditório e da Verdade Material. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 110100.171, de 2/7/2012, que, em apertada síntese, concluiu: Não obstante os acórdãos confrontados tratarem de contextos empíricos distintos, podese concluir neste juizo de cognição sumária, â. luz dos votos acima transcritos, pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. Os paradigmas contemplaram a tese de que a motivação deficiente do ato administrativo levaria à declaração de sua nulidade,diferentemente do acórdão recorrido, para quem, mesmo sendo a redação do Termo de Verificação Fiscal "infeliz" e "dificultando inclusive o entendimento das operações precipitadas pela interessada", saber se a motivação ou fundamentação se encontra adequada ou suporta a pretensão fiscal é questão de mérito, a não implicar em nulidade dos lançamentos. Tal admissibilidade levou a Fazenda Nacional a apresentar Contrarrazões, para aduzir: a) impossibilidade de se conhecer deste recurso em face do disposto no art. 67, §2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, por ser contra decisão que, na apreciação de matéria preliminar, decidiu pela anulação da decisão de primeira instância; e, b) que inexiste vício capaz de anular o auto de infração, visto ser possível extrair facilmente do relatório quais foram as infrações detectadas e que deram origem à autuação e das peças de insurgência apresentadas pelo autuado, que ele “compreendeu perfeitamente” a acusação fiscal. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 4 5 A Fazenda colaciona, ainda, jurisprudência e doutrina para defender a manutenção da decisão recorrida, e pede, na “hipótese remota desse Colegiado concluir pela ocorrência de vício”, que seja declarada a nulidade por vício formal. Por meio das efls 1.748/1.910 a Recorrente apresenta “Parecer Técnico Especializado” o qual foi juntado aos autos como memoriais, conforme consignado no Despacho de efls. 1.911/1.912. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo O recurso é tempestivo. Contudo, em que pese o Despacho de Admissibilidade nº 110100.171 (fls. 1.729 a 1733) ter concluído pelo conhecimento do presente, cumpre apreciar as razões trazidas pela Fazenda Nacional que, ao oferecer contrarrazões ao recurso especial do sujeito passivo ora apreciado, defende que o mesmo não deve ser conhecido em razão do disposto no art. 67, § 2°, do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo da interposição do recurso e da apresentação das contrarrazões. O dispositivo em questão estabelecia descaber esse recurso quando o acórdão recorrido, na apreciação de matéria preliminar, decidisse pela anulação do julgado de primeira instância. Analisando, então, o acórdão recorrido, constato que, embora a parte dispositiva do voto condutor, com as correções resultantes dos embargos de declaração, tenha consignado o integral provimento ao recurso de ofício, devendo os autos "retornar ao órgão julgador de origem para que seja enfrentada a matéria de mérito, salvo na hipótese de a recorrente intentar recurso voluntário à CSRF contra o acórdão", não há que falar na "anulação da decisão de primeira instância" expressa no § 2º do art. 67 do Anexo II do RICARF. Ora, se a decisão da DRJ (fls. 698 e seguintes) anulou o auto de infração por vício (na motivação) que implica nulidade do ato, o acórdão recorrido, na sua essência, não anulou essa decisão, mas, enfrentando suas razões, reformou o juízo de nulidade do auto de infração e, como consequência lógica, comandou o retorno dos autos para a DRJ para que aquele órgão julgador pudesse prosseguir no julgamento do mérito, afastada a nulidade que obstou o enfrentamento da materialidade do lançamento fiscal. Vejase que em nenhum momento o acórdão recorrido apontou qualquer vício na decisão da DRJ, que, eivada de nulidade, devesse ser anulada pela Turma julgadora. Nenhuma referência é feita a dispositivo do Decreto nº 70.235, de 1972 ou mesmo à Lei nº 9.784, de 1999 nesse sentido. É que não houve, a toda evidência, juízo de inobservância de algum dos requisitos formais das decisões estabelecidos para o processo administrativo fiscal ou, mais genericamente, em processo administrativo em geral, como ocorreu, convém repetir, com o auto de infração, declarado nulo pela DRJ por deficiência de motivação. É dizer, se houve vício Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 6 a ensejar nulidade do ato administrativo, esse teria ocorrido no auto de infração, mas não na decisão que o anulou. A inteligência do art. 67, §2º, do então Regimento Interno, ao impedir subir para a CSRF recursos contra decisões anuladas é, sem dúvidas, devolver o processo para apreciação da primeira instância e, a partir daí, seguir todo o fluxo normal. Pensar diferente é impedir que a decisão de Câmara Ordinária do CARF possa ser revista pela CSRF. Convém destacar que o novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, deixa mais claro que o vício que torna descabido o recurso especial é o da decisão de primeira instância em si e não do ato que esta decisão venha a anular (in casu, o auto de infração). Confirase (sublinhouse): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Portanto, esta 1ª Turma da CSRF não poderia deixar de conhecer o presente recurso especial, de forma a apreciar a decisão da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que proferiu juízo contrário à anulação do auto de infração decidida pela DRJ. Ou seja, uma vez instado pela via do recurso especial, se tal recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, este colegiado não poderia se abster de enfrentar o cabimento ou não da anulação do auto de infração por deficiência de motivação. Superada a questão relativa ao conhecimento do recurso, analiso a preliminar de nulidade do lançamento e a afasto, haja vista que, pelos Autos de Infração e Termo de Verificação de fls. 118/130, é possível, sim, identificar o que a Fiscalização concluiu como ilícito tributário, ou seja, à recorrente foi facultada, sim, a ciência exata dos motivos que fundamentaram a autuação. É que nos autos de infração foram consignadas as seguintes infrações com respectivos enquadramentos legais: a) Para o IRPJ 1) Amortização – Valores Não Amortizáveis. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§2º e 4º, e 325, do RIR/99. 2) Ganhos e Perdas de Capital – Baixa de Bens do Ativo Permanente. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98; arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, e 418 e parágrafos, do RIR/99. Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 5 7 3) Multas Isoladas – Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Arts. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. b) Para a CSLL 1) CSLL – Falta de Recolhimento da CSLL. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 27 da Lei nº 10.637/02 Do Termo de Verificação Fiscal, destaco alguns trechos com grifos: 1) O foco das operações analisadas pela Fiscalização e aspectos relacionados ao procedimento fiscal, demonstrando o que foi solicitado e o que não restou comprovado: Na parte dos fatos, é de pronto esclarecido que, “em decorrência do exame das informações e documentos apresentados quanto à incorporação da empresa ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA ( EODB) pela SHELL BRASIL LTDA, foi verificado (...)” e a partir daí o fiscal apresenta um quadro com os eventos sucessórios e outro com a descrição dos documentos que lastream as operações de alteração societária. Na seqüência, o fiscal destaca os procedimentos de fiscalização que realizou para analisar a constituição do ágio na aquisição da Entreprise Oil do Brasil Ltda e ressaltou que não houve comprovação do pagamento das quotas e, por conseguinte, do ágio, nos seguintes termos: “4CONSTITUIÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA: Intimado(fls.) desde 22/nov/2006 para comprovar a aquisição da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA, o contribuinte aduziu apenas informações verbais a respeito da transação . Reintimado (fls.) a apresentar, NO PRAZO DE CINCO DIAS (úteis), os documentos e esclarecimentos abaixo elencados, com as seguintes especifidades (ano 2002): Documentos comprobatórios (inclusive do pagamento) da aquisição da Enterprise Oil do Brasil Ltda (EOB), por empresa ligada no exterior. Em caso de operação integrada, apresentar os critérios para o valor atribuído especificamente à EOB.O contribuinte ratificou (item 1 ,fls.) informação verbal que a operação em questão estava contida numa aquisição global do Grupo Enterprise OIL, alegando impossibilidade de especificar o valor atribuído às quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. Paradoxalmente e no mesmo documento, ao responder à segunda parte da mesma reintimação (reproduzida abaixo), haja vista as quotas da EOB terem sido objeto do aumento de capital (vide ata de fls. a ), o contribuinte afirma(item2, fls.) que o valor Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 8 recebido como aumento de capital foi o valor pago no exterior, pelo investimento. Justificar a valorização do aumento de capital recebido da Shell Brasil Holding BV, com quotas da Enterprise Oil do Brasil Ltda, haja vista a diferença para mais entre este e o Patrimônio Líquido da EOB, operação que decorreu na classificação em investimento e ágio, a respectiva contrapartida. Justificar também esta classificação e o fundamento do ágio registrado. O fato é que, até o momento, não foi apresentado nenhum comprovante do pagamento global nem tão pouco específico, relativo à aquisição da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA no exterior, e conseqüentemente, que o valor recebido como aumento de capital foi o valor pago no exterior, pelo investimento, conforme afirmativa desprovida de comprovação material. Estranhamente a Ata da Assembléia Geral Extraordinária de Quotistas, de 29 de novembro de 2002, determina o exame, discussão e deliberação relacionada com aumento de capital em questão em valor ESTIMADO em até R$ 2.700.000.000,00. Aprovada a AVALIAÇÃO pela empresa contratada, em R$ 2.677.029.000,00, ratificouse o aumento de capital de R$264.230.376,96 para R$2.941.259.376,00. Em sua informação contábil(fls.) denotase o item Valor atribuído à EODB após inc. d a OOG e OBSUS $743.000.000,00(R$2.677.029.000,00) A empresa considera "irrelevante e desnecessária " (fls.) a informação fundamental para justificar a classificação em Investimento e Ágio na aquisição original do investimento, ficando implícito nesta consideração que independentemente do valor da transação no exterior, o aumento de capital seria uma operação equivalente, pois a SHELL BRASIL LTDA estaria"adquirindo" as quotas, por valor superior ao do Patrimônio Líquido e classificando a diferença com o ágio(com base na rentabilidade futura), que por sua vez produziria os efeitos fiscais após a incorporação da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. Destaca, também a Fiscalização que parcela do ativo adquirido no exterior e que foi utilizado para aumento de capital foi, alguns meses depois da aquisição, baixados sem contrapartida de receita: Registrese ainda que a informação de contábil de julho de 2003(fls.), denota também as parcelas(Bloco Incorporado) do ativo adquirido no exterior, utilizado para aumento de capital e depois incorporado,com suas respectivas parcelas de ágio denominadas, como VALOR DE COMPRA, entretanto, com a informação que foram calculados "com base no fluxo de caixa descontado de cada bloco", ainda que em apenas alguns meses depois da aquisição setembro, novembro e dezembro – sete dos oito Blocos foram baixados sem produzir nenhuma receita.” 2) Conclusão do Procedimento Fiscal: Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 6 9 O que se conclui finalmente é que o contribuinte : 1 –Classificou a contrapartida do aumento de capital recebido da SHELL BRAZIL HOLDING BV como : a ) INVESTIMENTO o valor patrimonial das quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. b ) ÁGIO a diferença entre o valor patrimonial das quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e o valor total do aumento de capital, resultado de avaliação própria, sem nenhum vínculo com a operação o r i g i n á r i a**, cujo pagamento não foi comprovado até o momento. **operação originária Informada como uma compra de um grupo de empresas no exterior, incluindo a ENTERPRISE OIL DO RASIL LTDA, pelo Shell (Internacional). (O que se tem de concreto é que a ENTERPRISE OIL OVERSEAS HOLDINGS cedeu e transferiu pelo valor patrimonial, as quotas à SHELL BRAZIL HOLDING BV, que por sua vez aumentou o capital da fiscalizada (SHELL BRASL LTDA) por valor superior). II –Incorporou a investida ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA mantendo a classificação (item I), entendendo que o fundamento deste seria a rentabilidade futura (fls.), passando a amortizar o ágio(itemb) assim como deduzir abaixa de alguns dos Blocos Incorporados(fls.).Registrese que as parcelas referentes ao ágio destes blocos são parte integrante do "ÁGIO"(item lb), e o valor atribuído a cada um, pelo contribuinte, foi feito"com base no fluxo de caixadescontado de cada bloco" (fls.) III Não reuniu os elementos necessários suficientes a permitir a dedução dos valores referentes à amortização e baixa do ágio: De forma preliminar, o valor da transação e a comprovação do pagamento do investimento no exterior, e de forma específica, por falta da previsão legal da, empresa SHELL BRASIL LTDA recebedora do investimento proveniente do exterior, desdobrá lo, e considerar a equivalência da contra partida do aumento de capital recebido (vide item 1 acima), como ágio com fundamento na rentabilidade futura, justificado na avaliação encomendada(vide ata da AGE Shell Brasil Ltda de 20/11/2002 fls.), após a operação originária**. A convicção da não dedutibilidade da diferença denominada como “ ágio” (iteml b), é "reforçada também pela ótica da equivalência patrimonial, haja vista(em tese)ser devedora a contrapartida do ajuste entre o valor patrimonial da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e o valor de sua avaliação via aumento de capital, que se traduziria em perda que não seria computada na determinação do lucro real. Sobre o assunto intimamos ainda( fls.) e finalmente a informação contida na 40ª ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA abaixo(fls.), apresentada em 01/08/2007,denota o valor da transação, esclarecendo definitivamente que a classificação do valor denominado como Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 10 ágio pelo contribuinte, não decorreu do desdobramento do custo de aquisição do investimento, e portanto não poderia produzir os efeitos fiscais previstos na legislação. RESOLVEM, de comum acordo ,alterar o Contrato da Sociedade, mediantes as seguintes disposições: Com a expressa anuência do sócio ALDO ANTÔNIO CASTELLI, manifestada por este instrumento, a sócia ENTERPRISSE OIL OVERSEAS HOLDINGS LIMITED , neste ato retirando – se da Sociedade, cede e transfere ,como de fato cedido e transferido tem, todas as suas 873.344.572(oitocentos e setenta e três milhões ,trezentos e quarenta e quatro mil,quinhentos e setenta e seis) quotas do capital da Sociedade, pelo valor que as mesmas representam, a Sociedade. Cedente e cessionária, por este instrumento,dão urna a outra a mais plena, geral e irrevogável quitação, para nada mais reclamarem urna do outra, a qualquer tempo, seja a que título for. 3) O que a Fiscalização entendeu como simulação: A partir desta informação, ficou claro que o objetivo dos procedimentos: A legislação permite a dedução da amortização do ágio na aquisição de quotas somente após eventos específicos, dentre eles a incorporação. As operações de aumento de capital denotam o início da implementação da estratégia de aproveitamento desta benesse legal em relação á amortização do ágio. Ainda que a empresa tivesse motivos adicionais para proceder desta forma, este foi objetivo principal sob a ótica tributária. A SHELL BRAZIL HOLDING B.V. detinha a totalidade (menos1) das 873.344.5 7 3 quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e após a incorporação passou a deter a totalidade (menos 73) das 1.114.113.400 da SHELL BRASIL LTDA. Todo o encadeamento das operações acima foi inócuo do ponto de vista da propriedade das empresas, menos do ponto de vista tributário.” (Grifei) E conclui a Fiscalização que “Ainda que válida e até mesmo operacional, a transferência dos ativos para a empresa, não houve pagamento de ágio. É explícita a dissimulação com o objetivo de ajustar a possibilidade jurídica do aumento de capital aos prérequisitos formais e legais da economia fiscal, mesmo que a operação não tenha sido feita somente com esse objetivo.” Mais adiante a Fiscalização cita o parágrafo único do art. 116 do CTN, bem como os arts. 105 e 149, inciso VII do mesmo diploma legal e acrescenta: (..) É impossível não considerar que tenha se dissimulado a reavaliação do ativo pela forma pela qual a operação foi contabilizada e depois, o tratamento fiscal dispensado à operação. Ao avaliar o patrimônio líquido de R$ 873.344.574,00 por R$ 2.677.029.000,00 antes de sua transferência (vide Ata da AGE do Aumento de Capital e 40ª ALTERAÇÃO DO Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 7 11 CONTRATO SOCIAL DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA, fls a ), como uma aquisição com ágio (ainda que a cedente fosse proprietária de ambas as empresas e a operação pudesse ter sido feita pelo valor de R$ 873.344.574,00). Ato contínuo, promoveram a incorporação, condição para a produção dos efeitos fiscais planejados. Sob este manto de ágio na contrapartida devedora e sem a figura da reavaliação na contrapartida credora, as amortizações e baixas foram deduzidas, entretanto, sem a tributação prevista na legislação para a realização desta reavaliação oculta. Vejamos então o §3º do art. 35 do DecretoLei nº 1.598/77, prevista na parte final do item 6 do Parecer Normativo CST nº 107/78 (abaixo). O art. 4º da Lei 9.950/00 determina o momento da tributação:” Ou seja, demonstra a Fiscalização que a operação normal seria computar na apuração do lucro o aumento do valor resultante da reavaliação da participação, ainda que a contrapartida constitua reserva de reavaliação. Na seqüência, destaca o §1º do art. 24 do DecretoLei nº 1.598/77, segundo o qual o ajuste do valor do patrimônio líquido correspondente à reavaliação de bens diferentes dos que serviram de fundamento ao ágio só não integra a apuração, se a contrapartida ao ajuste for registrada como reserva de reavaliação. Após transcrever a legislação retrocitada e trecho do parecer mencionado, o autuante monta uma planilha com os valores anuais das amortizações e também dos valores baixados relativos aos ágios registrados com base no fluxo de caixa descontado de cada bloco, vinculados aos Blocos baixados do ativo. Até aqui, tudo foi narrado no Termo de Verificação Fiscal como “Os fatos”. Na seqüência, o autuante descreve “O Direito” e nesta parte transcreve, dentre outros dispositivos legais, os artigos 385 (desdobramento do custo de aquisição em investimento e ágio e que o lançamento contábil do ágio deve indicar o fundamento econômico), 391 (amortização do ágio ou deságio), 426 (avaliação do patrimônio líquido), 386 (tratamento tributário do ágio ou deságio nos casos de incorporação, fusão ou cisão), 439 (contrapartida do aumento do valor de bens do ativo, na subscrição em bens de capital social) , 440 (contrapartida do aumento do valor dos bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão) e 441 do RIR/99, que dispõem sobre todo o tratamento contábil e tributário dispensado ao ágio. Acrescenta que lavra multa de ofício isolada em decorrência da falta de adição dos valores às bases de cálculo levantadas nos balancetes de suspensão/redução do IRPJ/CSLL. E conclui o Termo afirmando que a constituição do crédito tributário era imperativa e que a “complexidade na identificação da matéria tributável, visa resguardar os interesses da Fazenda Pública, de comprovações supervenientes em decorrência da falta de fornecimento de elementos por parte do contribuinte, relativos à operação que significou cerca de 80% do seu patrimônio.” Ora, não se pode dizer que os fatos não foram narrados, pois a Fiscalização descreveu todas as operações; não se pode dizer que a autuação carece de motivação, pois ela afirma que autua porque não houve prova do pagamento do ágio, porque os bens do ativo Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 12 foram baixados sem contrapartida de receita e que justifica também a cobrança da multa isolada, além de afirmar que não havia base legal para a dedutibilidade e que as baixas também não poderiam ter ocorrido e esclarecer por que considerava a operação um negócio simulado. Também não se pode afirmar que há ausência de fundamentação legal, pois a Fiscalização trouxe à tona no termo todos os dispositivos legais que regem o assunto, e no auto de infração, aqueles relativos à conseqüência tributária que estava sendo imputada à autuada em razão das infrações detectadas. O fato de o termo de verificação consignar que estava resguardando os interesses da Fazenda de eventuais comprovações supervenientes não macula o lançamento, pois, em razão da ausência de comprovação dos fatos no curso do procedimento fiscal, o autuante quis fazer um registro de que foram aquelas as conclusões a que chegou com os elementos de prova de que dispunha, até porque, em decorrência da autuação, procedeu também a uma representação fiscal para fins penais, por meio da qual se comunica ao Ministério Público Federal, crime em tese. Oportuno se faz esclarecer que a robustez ou não das provas não está sendo discutida aqui, pois seria enfrentar o mérito. Analisando ainda a impugnação de fls. 380 a 473 (volume III) dos autos, é possível verificar a que a Recorrente compreendeu e se defendeu da acusação fiscal, conforme trechos que ora destaco: A autoridade responsável pela lavratura do documento que ora se impugna adota como fundamento para a autuação, suposta prática de dissimulação por parte da Impugnante em operação de natureza societária usual e regular, pretendendo aplicar a disposição contida no parágrafo único do art. 116, do Código Tributário Nacional (CTN), introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, e com isso desconsiderála. ................................................................................................ Preliminarmente, é importante registrar que ao contrário do que pretende fazer crer a autoridade fiscal em sua descrição contida no Termo de Verificação, o qual antecedeu a lavratura do Auto de Infração, a operação em tela, em nenhum momento foi realizada com o objetivo primordial de utilizar eventual benefício tributário previsto na legislação brasileira. E a partir daí explica e detalha toda a operação, esclarece porque a realizou, destaca que tudo havia sido exaustivamente discutido com o autuante no curso do procedimento fiscal, enfrenta os dispositivos legais trazidos pela Fiscalização e destaca: (i)os atos societários de incorporação e o reconhecimento de ágio com base na lucratividade futura da empresa incorporada não foram procedimentos adotados sem cunho econômico/operacional, apenas para se aproveitar de previsão normativa que viesse a representar redução da carga tributária; ao contrário, conforme já demonstrado, tratouse meramente de um ajuste decorrente de uma operação mundial (aquisição do Grupo Enterprise pelo Grupo Shell em Londres); e Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 8 13 (ii) por sua vez, ao utilizarse da benesse tributária (amortização de ágio) a Impugnante o fez fundamentada na legislação e em laudo técnico exarado por empresa competente e idônea. Assim, da leitura desses destaques é flagrante a compreensão, por parte da então impugnante, da acusação fiscal. Mas ela ainda discorre acerca da nulidade do auto de infração por ausência de motivação da “decisão administrativa”, por equívoco no apontamento de valores, por dissociação do fundamento legal das multas e por cerceamento do direito de defesa, bem como sobre a impossibilidade de desconsideração dos negócios jurídicos e da impossibilidade de existência de cláusula geral antielisiva e acrescenta comentários sobre o ônus da prova da Fazenda. Além de todos esses argumentos, a então impugnante apresenta inúmeras laudas na defesa da dedutibilidade da amortização do ágio, enfrentando os artigos 385 e 386 do RIR/99, comentando, inclusive, as Instruções da CVM, bem como na defesa da baixa do ágio e no afastamento das multas isoladas, alegando não só a ausência de fundamentação no tocante a essas, a ensejar o cerceamento do direito de defesa, como também a aplicação da retroatividade benigna em virtude da alteração legal promovida pela Lei nº 11.488, de 2007 e a impossibilidade de concomitância de multas isoladas e proporcional. Assim, não resta a menor dúvida de que a autuação fiscal foi motivada e que a autuada teve pleno conhecimento e condições de se defender. Inexiste, portanto, qualquer ofensa aos princípios da Ampla Defesa ou Contraditório. A averiguação se a Fiscalização logrou ou não comprovar que houve simulação, para fins de qualificação ou não da multa, se as infrações estão corretamente caracterizadas, enfim, repiso, é matéria do mérito e não pode ser trazida como preliminar de nulidade. Assim, descabe também falar em ofensa ao princípio da Verdade Material sem analisar o mérito da acusação fiscal. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, determinando que os autos retornem para julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, para apreciação do mérito do lançamento, inclusive no tocante à qualificação da multa. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 11618.002648/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 26/06/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO .32,
IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n ° 8,212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3,048/1999,: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS (Incluído pela Lei
9.528, de 10.12,97)".
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 26/06/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32,
IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS -
SALÁRIO - SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores,
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32,
IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II D0 RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP -
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.408
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para determinar que seja recalculado o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. deduzidos os
valores levantados a titutio de multa na NFLD correlata.
Nome do relator: Kleber Ferreira de Araujo
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/06/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO .32, IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n ° 8,212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3,048/1999,: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12,97)". ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS - SALÁRIO - SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores, PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II D0 RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n ° 8,212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3,048/1999,: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12,97)". ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5 0 E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N." 3.048/99 - NFLD CORRELATAS - SALÁRIO - SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores, PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N.' 8.212/91 C/C ARTIGO 284, J1,D0 RPS, APROVADO PELO DECRETO N.' 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para determinar que seja recalculado o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo c m disciplinado no art. 44, I da Lei if 9.430, de 1996. deduzidos os valores levantados a titutio de 6rulta na NFLD correlata. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVK VIEIRA - Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antônio Souza Corrêa, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. 2 Processo n°11618 002648/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n," 2401-01.408 El 333 Relatório Trata-se de retorno de diligência comandada por meio da Resolução n° 2401- 00.063 da Primeira Turma da 4' Câmara da 2' Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal — CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, FL. 2538 a 2546. Importante, destacar que a lavratura do AI deu-se em 23/06/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 26/06/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 04/2001 a 03/2006, conforme planilha constante fl. 06 a 29.. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata-se do Auto de Infração — AI n." 35.609.727-7, com lavratura em 23/06/2006, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A penalidade aplicada foi de R$ 51.218,65 (cinquenta e um mil, duzentos e dezoito reais e sessenta e cinco centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, J7 06, a empresa deixou de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GF1P os fatos geradores relativos às remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais relacionados em planilha anexa. A autuada apresentou impugnação, Ils, 33, na qual alega a correção da falta e requer a dispensa da multa. O órgão de primeira instância acatou parcialmente a pretensão da autuada, tendo declarado a releva ção parcial da multa, com redução da penalidade para R$ 46.105,30 (quarenta e seis mil e cento e cinco reais e trinta centavos), fls. 136/140. Não se conformando, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 145/163, no qual alega que é inconstitucional a exigência de depósito para seguimento do recurso. No mérito, afirma que houve erro na fixação da penalidade. Argumenta que no período da autuação possuía entre 16 e 50 segurados a seu serviço, portanto, o limite para aplicação da penalidade, nos termos da legislação de regência, deveria ser o dobro do valor mínimo (R$ 636,17), totalizando, por conseguinte, R$ 1,272,34, Além de que o valor previsto na Portaria MPS/GM n," 119/2006 não pode ser aplicado na espécie, posto que a multa deve ser baseada nos valores da época da ocorrência dos .fatos geradores da infração. Ao final pede a anulação da decisão a quo e a declaração de improcedência da autuação É o relatório. A autoridade fiscal emitiu informação fiscal, ti. 328 esclarecendo que no procedimento fiscal em questão foram lavrados além do AI em questão, dois outros que acabaram "baixados por liquidação" e um Lançamento de Débito Confessado — LDC. O LDC refere-se ao período de 04/2000 a 04/2006. Tendo cumprindo os termos da diligência, retornou o processo a este conselho para continuidade do julgamento. É o relatório. 4 1 Processo n° 11618.002648/2007-63 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.408 PT 334 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Em se tratando de retorno de diligência, comandada no intuito de identificar o resultado das NFLD conexas com os fatos geradores deste AI, abstenho-me de avaliar a tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente, DO MÉRITO Conforme descrito na resolução que converteu em diligência a decisão da procedência ou não do presente auto-de-infração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento„ Assim, para evitar decisões discordantes fez-se imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no mesmo procedimento. No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a improcedência da multa aplicada, considerando o número de trabalhadores e que o valor previsto na Portaria MPS/GM n.° 119/2006 não pode ser aplicado na espécie, posto que a multa deve ser baseada nos valores da época da ocorrência dos fatos geradores Contudo, não há como prosperar a alegação do recorrente, tendo em vista, ser a legislação previdenciária é clara no sentido de que os fatos geradores de contribuições devem ser devidamente informados em GFIP. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (,) IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos .fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, (Inchddo pela Lei 9,528, de 10,12,97)- (grifo nosso) O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente an-ecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa, Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art, 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 0 3.048/1999: Art. 291.. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente, § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2° O disposto no parágràfo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento, § 3" A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366, Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam-se pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. Pelo contrário, as questões trazidas aos autos fizeram-me crer ser verdadeira a alusão da autoridade previdenciária, em sua contra-razões, de tratar-se de recurso meramente protelatório, visto que a própria recorrente disserta acerta dos dispositivos que fundamentam o valor da multa aplicada. Conforme descrito no próprio art. 373 do RPS, quanto ao reajuste das multas: Art. 373, Os valores expressos em moeda corrente referidos neste regulamento, exceto aqueles referidos no art, 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos beneficias de prestação continuada da previdência social Destaca-se que o Decreto 5,443/2005 dispõe acerca dos percentuais de reajuste de benefícios e que consubstanciado nos índices estabelecidos no referido decreto foi editada a portaria 822/2005, que assim dispõe: PORTARIA MPS N" 822, DE 11 DE MAIO DE 2005 — DOU DE 12/05/2005 O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no usa da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso da Constituição Federal, CONSIDERANDO as Emendas Constitucionais n° 20, de 15 de dezembro de 1998, e n° 41, de 19 de dezembro de 2003, que nzodificaram o sistema de previdência social; CONSIDERANDO as Leis n's 8,212 e 8,213, ambas de 24 de julho de 1991, que dispõem, respectivamente, sobre a organização da Seguridade Social e institui o Plano de Custeio e as Planos de Beneficias da Previdência Social; Processo n° 11618 002648/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01.408 Fl 335 CONSIDERANDO as Medidas Provisórias e 2.187-13, de 24 de agosto de 2001, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios da Previdência Social, e n a 248, de 20 de abril de 2005, que dispõe sobre o salário mínimo a partir der' de maio de 2005; CONSIDERANDO o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048, de 6 de maio de 1999; CONSIDERANDO o Decreto n" 5.443, de 9 de maio de 2005, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios mantidos pela Previdência Social a partir de 1' de maio de 2005, resolve Art. 8°Ã partir del a de maio de 200.5: V - o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social - RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.101,7.5 (um mil cento e um reais e setenta e cinco centavos) a R$ 110.174,67 (cento e dez mil cento e setenta e quatro reais e sessenta e sete centavos); (grifo nosso) Nesse sentido, cumpre-nos, por fim, apenas apreciar a procedência da autuação a luz do resultado dos demais lançamentos realizados durante o procedimento fiscal, lavradas sobre fatos geradores de mesmo fundamento. Neste sentido a informação prestada pela autoridade fiscal, fl. 328 no sentido de que além do AI em questão, dois outros que acabaram "baixados por liquidação" e um Lançamento de Débito Confessado — LDC. O LDC refere-se ao período de 04/2000 a 04/2006, é que constituem pontos fundamentais ao julgado do AI em questão. Ou seja, em havendo o reconhecimento dos fatos geradores por meio de parcelamento de débito, outro não poderá ser o resultado, além de determinar a procedência do Auto de Infração correlato. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4°, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei„ A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: "Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do capta do art 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á às seguintes multas: 1 — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e — de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3" deste artigo. § I' Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo ,fixado para entrega da declaração e como termo .final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento, § 2 Observado o disposto no § 3' deste artigo, as multas serão reduzidas: I — à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou II — a 75% (Setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3' A multa mínima a ser aplicada será de,' — R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e — R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art, 35-A que dispõe o seguinte, "Art. 35-A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art, 44 da Lei n' 9,430, de 27 de dezembro de 1996," O inciso I do art. 44 da Lei 9,430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas; I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de oficio, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de oficio, não se aplicaria o art. 32-A, sob pena de bis in idem, Considerando o principio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. 8 Processo n° 11618002648/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n '2401-01.408 Fl. 336 No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11„941/2009, No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. .32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4° do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, observada a limitação imposta pelo § 40 do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei d- 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, É corno voto, Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2010 CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatara 9 /MINISTÉRIO DA FAZENDA tp, -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11618.002648/2007-63 .-Recurso n": 144.245 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão tf 2401-01,408 Brasília, 20 d outubro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência E I Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721345/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.318.929-0 (patronal e SAT), AIOP Debcad nº 37.318.930-3 (parcela segurados) e AIOP Debcad nº 37.318.931-1 (Outras Entidades/Terceiros).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não há que se falar em nulidade.
DILIGÊNCIA. APROPRIAÇÃO VALORES NO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS REALIZADOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO.
Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou que a Recorrente realizou o recolhimento, em parte, dos valores lançados por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constatam o equívoco do Fisco, conforme Parecer Fiscal.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
JUROS(TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.928-1 (CFL 68).
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449 quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir: (a) o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.929-0 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e (b) o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.930-3 e pertinente ao item lF-Contrib Indiv.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.318.929-0 (patronal e SAT), AIOP Debcad nº 37.318.930-3 (parcela segurados) e AIOP Debcad nº 37.318.931-1 (Outras Entidades/Terceiros). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não há que se falar em nulidade. DILIGÊNCIA. APROPRIAÇÃO VALORES NO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS REALIZADOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO. Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou que a Recorrente realizou o recolhimento, em parte, dos valores lançados por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constatam o equívoco do Fisco, conforme Parecer Fiscal. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). JUROS(TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.928-1 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449 quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não há que se falar em nulidade. DILIGÊNCIA. APROPRIAÇÃO VALORES NO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS REALIZADOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO. Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou que a Recorrente realizou o recolhimento, em parte, dos valores lançados por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constatam o equívoco do Fisco, conforme Parecer Fiscal. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 13 45 /2 01 1- 61 Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.9281 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449 quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir: (a) o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9290 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e (b) o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9303 e pertinente ao item lFContrib Indiv. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições desses segurados não descontadas em época própria e parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, bem como diferenças de acréscimos legais decorrentes de Guia de Recolhimento da Previdência (GPS) recolhida em atraso, para as competências 01/2007 a 12/2007. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória. O Relatório Fiscal (fls. 150/164) informa que o fato gerador decorre de diferença de remuneração apurada quando do confronto entre as informações prestadas em folhas de pagamentos, Livros Diários e Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS). Esclarece que o lançamento foi apurado com base nas folhas de pagamento apresentadas e Livros Razões e Diários nºs. 54 a 57, e recibos de pagamentos efetuados a autônomos. Esse Relatório Fiscal informa ainda que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.318.9290 à parcela patronal, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT); 2. DEBCAD 37.318.9303 à referese às contribuições relativas à parcela dos segurados não descontada em época própria; 3. DEBCAD 37.318.9311–à referese às contribuições destinadas aos terceiros (FNDE, INCRA, SENAT, SEST, SEBRAE); 4. DEBCAD 37.318.9281 à referese à aplicação da multa no Código de Fundamento Legal CFL 68 (descumprimento de obrigação acessória). Quanto à multa aplicada, houve comparação entre as multas cabíveis antes da Medida Provisória (MP) 449/08 (multa anterior + AIOA 68) e após esta MP (multa atual) que foi convertida na Lei 11.941/09 e, portanto, a multa aplicada e discriminada no DD decorreu da observância do princípio da retroatividade benigna (art.106, II, alínea “c”, do CTN), conforme discriminado nas planilhas de comparação de multas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/11/2011 (fls. 01 e 658), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 660/1083) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 1. Da Nulidade. Como o Auditor Fiscal considerou que as cestas básicas possuem natureza salarial no lançamento da obrigação acessória, este deve ser declarado nulo; 2. Do Mérito. Alega que, após uma análise complexa (já que os autos de infração são confusos) tanto o motivo como a motivação utilizados pelo Auditor correspondem à realidade fática do presente caso. Como exemplo especifica a competência 06/2007, que teve lançada a quantia de R$132,00 e R$240,00, correspondente a contribuição de segurados e patronal, respectivamente, incidente sobre o total dos valores pagos ou creditados, no decorrer do mês aos Contribuintes Individuais, além dos valores de juros e multa de ofício de 75%. Elabora uma tabela com os valores devidos à Previdência Social na competência 06/2007, concluindo que o valor devido à Previdência é R$53.216,27, sendo certo que nesta quantia já está incluso o valor de R$132,00 (11% de R$1.200,00) e o valor de R$240,00 (20% de R$ 1.200,00), lançados equivocadamente nos AI, pois que estes constam das GFIP enviadas pelo contribuinte em 04/07/2007. Assim, afirma que o valor devido de R$53.216,27 foi quitado através das GPS mencionadas (R$5.950,11 e R$47.266,16), não existindo nenhum valor a ser cobrado na referida competência nem nas demais; 3. Das Diferenças Acréscimos Legais (DAL). Alega que o Auditor novamente não informa o motivo e a motivação dos lançamentos a título de acréscimos legais, além de não informar os índices utilizados para o cálculo da multa e dos juros; 4. Da Falta de abatimento dos Créditos recolhidos pelo Contribuinte. Argumenta que os valores recolhidos por meio das DCG 36.225.8350, 36.225.8341 e 36.101.1768 não foram considerados para o abatimento dos valores lançados pela fiscalização, sendo mais um motivo para a nulidade A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ– por meio do Acórdão no 1246.819 da 14a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 1685/1703) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que, em relação ao AIOA DEBCAD nº. 37.318.9281, houve a exclusão dos valores de multa correspondentes ao fornecimento de alimentos in natura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Agência da DRF em Barra do Piraí/RJ encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. Posteriormente, o CARF determinou a realização de diligência fiscal para averiguar as matérias fáticas registradas na peça recursal. A informação fiscal (diligência, Parecer Fiscal) apontou que o Fisco cometeu um equívoco na apuração da contribuição previdenciária e sugere a sua retificação. É o relatório. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à parcela dos segurados e parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, bem como diferenças de acréscimos legais decorrentes de Guia de Recolhimento da Previdência (GPS) recolhida em atraso, para as competências 01/2007 a 12/2007. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória (CFL 68). Os valores das contribuições sociais decorrem da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e no Parecer Fiscal. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado está em conformidade aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/45) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 150/164) e seus anexos (fls. 01/149), complementados pelos documentos acostados pela Recorrente (fls. 660/1083), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); diligência fiscal (parecer fiscal); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 6150/164. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/1083) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 5 7 DO MÉRITO: I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.318.9290 (patronal e SAT), AIOP Debcad nº 37.318.9303 (parcela segurados) e AIOP Debcad nº 37.318.9311 (Outras Entidades/Terceiros). Com relação aos recolhimentos realizados pela Recorrente, constatase que os documentos juntados aos autos comprovam, em parte, a efetividade dos pagamentos da contribuição previdenciária lançada pelo Fisco. Na espécie, diante da alegação de que o lançamento estaria equivocado, já que os valores apurados pelo Fisco teriam abarcados cifras já devidamente recolhidas ao Erário por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS), os autos foram baixados em diligência para manifestação do Fisco sobre a possível necessidade de retificação do lançamento, conforme Resolução nº 2402000.357 do CARF. Em Informação Fiscal, consubstanciada pelo Parecer Fiscal (diligência fiscal), consta que as alegações da Recorrente, em parte, são pertinentes, e o Fisco concluiu que os valores inicialmente apurados deverão ser retificados, nos seguintes termos: “[...] 6. Da análise pormenorizada dos valores encontrados, em confronto com os valores dos Autos de Infração em questão, podemos chegar às seguintes conclusões: 6.1 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9290, que corresponde à parcela patronal, no levantamento FP Folha de Pagamento Empregados, que abrange as competências 01 a 04/2007, nada há a ser alterado, uma vez que os recolhimentos em GPS nessas competências foram todas aproveitados no levantamento referente aos segurados e os créditos constituídos em DCG referemse às outras entidades e fundos ("terceiros"). Já no Levantamento FC/FC1 Folha de Pagamento Contribuintes Individuais, observase que, nas competências 05 a 12/2007 os recolhimentos em GPS não foram integralmente aproveitados, sendo que o valor referente ao Prolabore (item "Salário de Contribuição Prolabore" das Folhas de Pagamento) foram recolhidos; sendo assim, devem ser mantidos nesse levantamento os valores das competências 01 a 04/2007, (nessas competências não foram efetuados recolhimentos suficientes, conforme explicado acima), e os valores de 421,41 na competência 08/2007, 258,01 na competência 10/2007 e 86,42 na competência 11/2007, os quais se referem a contribuição incidente sobre o pagamento a autônomos, não declaradas em GFIP e recolhidas. O levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais, integrante do mesmo Auto de Infração, será tratado em item próprio abaixo. 6.2No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9303, que se refere às contribuições relativas à parcela dos segurados, observase que os valores do item "11 Segurados" originaramse do item "INSS Retidos dos Funcionários" das Folhas de Pagamento, os quais já incluem os valores descontados referente ao pagamento Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 do Prolabore. Sendo assim o item ÍFContrib Indiv (valor de 132,00 por mês) está em duplicidade, devendo ser excluído. 6.3 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9311, que se refere às contribuições destinadas aos terceiros (FNDE, INCRA, SENAT, SEST, SEBRAE), e que abrange as competências 01 a 04/2007 e 07/2007, nada há a ser alterado, uma vez que os recolhimentos em GPS nessas competências foram todas aproveitadas no levantamento referente aos segurados e os créditos constituídos em DCG foram devidamente abatidos, conforme demonstrado na coluna crédito do relatório "DD Demonstrativo do Débito", integrante do citado Auto de Infração. 6.4 Quanto à afirmação de que os valores recolhidos por meio dasDCG 36.101.1768, 36.225.8350 e 36.225.8341 não foram considerados para o abatimento dos valores lançados pela fiscalização, constatamos que: a) Os valores do DCG 36.101.1768 foram corretamente abatidos nas competências 01 a 04/2007, conforme descrito no item 6.3 acima; b) Os DCGs 36.225.8350 e 36.225.8341 abrangem competências não abrangidas pelos Autos de Infração aqui tratados, lembrando que na competência 12/2007 não está sendo constituído crédito. c) Para maior clareza, juntamos a esse Parecer extratos de valores originais por competência dos DCGs citado nos itens anteriores. (...) 8 Em resumo, nosso parecer é pelas seguintes alterações nos Autos de Infração aqui analisados: 8.1 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9290 Levantamento FC/FC1: nas competências 05 a 12/2007 deve ser excluído o valor de R$ 240,00 em cada competência, pelos motivos descritos no item 6.1 acima, mantendose nesse levantamento inalterados os valores lançados nas competências 01 a 04/2007 e permanecendo os valores de 421,41 na competência 08/2007, 258,01 na competência 10/2007 e 86,42 na competência 11/2007. 8.2 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9303, deve ser deve ser excluído o valor de R$ 132,00 em cada competência (Item IFContrib Indiv) pelos motivos descritos no item 6.2 acima. 8.3 Considerando as retificações propostas acima, concluímos que assiste razão ao contribuinte quanto ao seu cálculo referente à competência 06/2007. 8.4 Ressalvado o exposto nos itens anteriores, todos os demais créditos do contribuinte, seja oriundos de recolhimentos em GPS, seja constituídos por meio de DCG, foram corretamente considerados pela Fiscalização. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 6 9 8.5 Os recolhimentos em atraso que deram origem aos lançamentos a título de acréscimos legais estão detalhadamente relacionados no Relatório "DAL Diferença de Acréscimos Legais", que é parte integrante do Auto de Infração, onde estão discriminadas todas as GPS recolhidas em atraso, com as competências, datas de recolhimento, valores recolhidos e cálculo individualizado das atualizações monetárias, juros e multas. Os fundamentos legais, os índices de correção, os juros e as multas estão detalhadamente explicitados no Relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, que é parte integrante do Auto de Infração. [...]” (itens “6 e 8” do Parecer Fiscal, Diligência Fiscal) Em relação a este ponto, simplesmente acato a proposta de retificação feita pelo próprio Fisco, conforme subitens “8.1” e “8.2” do Parecer Fiscal, Diligência Fiscal. Diante disso, acatase a alegação da Recorrente de que é indevida, em parte, a contribuição previdenciária, já que ela apresentou documentos para se eximir dos valores lançados, fato este admitido, posteriormente, pelo próprio Fisco, consoante Parecer Fiscal. Assim, deverá ser excluída da contribuição previdenciária inicialmente apurada: (i) o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9290 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e (ii) o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9303 e pertinente ao item lFContrib Indiv (subitens “8.1” e “8.2” do Parecer Fiscal). No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 353 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 3 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 7 11 época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Na espécie, o Fisco aplicou a norma mais benéfica, a teor do art. 106, II, alínea “c”, do CTN, na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (não declaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.9281 (CFL 68). Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência de a Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos AIOP’s Debcad nº 37.318.9290 (patronal e SAT) e Debcad nº 37.318.9303 (parcela dos segurados). a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 8 13 § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Cumpre esclarecer que a Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, alterou o artigo 35 e incluiu os artigos 32A e 35A nessa mesma lei, e, com isso, houve modificação nas regras para aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP, que é o caso dos autos. Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449 nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao contribuinte, conforme previsão do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante desse quadro, somente houve a aplicação da multa oriunda da obrigação acessória, AIOA Debcad nº 37.318.9281 (CFL 68), para as competências 01/2007 a 04/2007 e 12/2007, e de forma simultânea a aplicação da multa de mora pelo não cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. Para as demais competências (05/2007 a 11/2007), aplicouse a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, além do lançamento do valor relativo às contribuições devidas. Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada pelo Fisco, no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (item 68 do Acórdão 1246.819 da 14a Turma da DRJ/RJ1, fls. 1685/1703), representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente embasado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não se verificou a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para excluir dos valores inicialmente apurados: 1. o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9290 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e 2. o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9303 e pertinente ao item lFContrib Indiv, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10315.900426/2011-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado.
Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3802-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
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PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 26 /2 01 1- 36 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 342), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1442.417, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que não acolheu sua Manifestação de Inconformidade, na qual afirma ter direito a ressarcimento de IPI nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem explicitar as questões de fato pertinentes ao caso, adotase o quanto consta da Informação Fiscal apresentada pela SARAC de Fortaleza/CE (fls. 4/16): (...) 2 – DO OBJETO SOCIAL No ato constitutivo original da São Geraldo Águas Minerais Ltda, datado de 13/01/1995, consta como objetivo social a extração, beneficiamento e comercialização de bens minerais. Através do 6.° Aditivo contratual datado de 01/06/2009, o objeto social foi alterado para: Extração, Engarrafamento e Gaseificação de Águas Minerais. 3 – DOS PRODUTOS FABRICADOS No item 2 da Descrição do Processo Produtivo apresentado a fiscalização, a São Geraldo Águas Minerais Ltda indica a fabricação dos seguintes produtos:ProdutoRegistro MS Código de Barra Garrafão 20L6.0980.000200137898193940202 Garrafão 10L6.0980.000200137898193940103 Garrafas 500 ML6.0980.000200137898193940226 Garrafas 1.500 ML 6.0980.000200137898193940219 No subitem 2.1, a fiscalizada enquadra os produtos por ela fabricados no Código NCM 2201.10.00 EX 01 e EX 02, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Os rótulos dos produtos fabricados pela São Geraldo Águas Minerais Ltda, as cópias das Notas Fiscais de Vendas mais relevantes dos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2006, bem como as informações colhidas nos livros fiscais e nos arquivos digitais de notas fiscais (Convênio 57/95 – SINTEGRA) apresentados mediante autenticação através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, demonstram que a citada empresa atua na fabricação e comercialização de ÁGUA Fl. 344DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900426/201136 Acórdão n.º 3802004.082 S3TE02 Fl. 344 3 MINERAL NATURAL (SEM GÁS), conforme definido no item 2.1 do Anexo do Regulamento Técnico para Águas Envasadas e Gelo, aprovado pela Resolução RDC N.° 274, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA. (...)Temos, portanto, que a São Geraldo Águas Minerais Ltda não pode se creditar do IPI referente a aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS), tendo em vista que tal produto além de ser classificado como nãotributável (NT) impede o enquadramento da fiscalizada como “estabelecimento industrial” para estas operações, ficando impossibilitada de utilizar eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96. (...) (grifo nosso). Referida Informação Fiscal embasou o Despacho Decisório, nos termos abaixo (fls. 247/248): "(...) 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassificação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matéria prima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Dec laratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. 5. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 21197.86221.141209.1.1.016664 e considerada nãohomologada a compensação declarada no documento 34103.02755.151209.1.3.017353. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) o processamento do recurso sem efetivação de depósito recursal ou arrolamento de bens; (ii) da adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (iii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iv) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 342), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. De início friso que o relatório da DRJ contém erro quanto às premissas fáticas, pois aduz serem os produtos finais do Recorrente tratarse de livros. Segue transcrito abaixo o sucinto relatório: "(...) O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900426/201136 Acórdão n.º 3802004.082 S3TE02 Fl. 345 5 A autoridade competente indeferiu o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem livros classificados como NT (não tributado) na TIPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. (grifei) O Recurso Voluntário não suscita esse vício, e a rigor a questão de mérito poderia ser facilmente resolvível ante a Súmula CARF nº 20. Veja se: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, como se trata de questão de fato, a premissa inicial da DRJ pode ser considerada como tendente a promover cerceamento de defesa – causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse vício pode levar, portanto, a uma anulação de todo o processo administrativo, desde o julgamento pela DRJ, estendendose todos os demais atos posteriores. E tal pode ser suscitado inclusive judicialmente, nada obstante a conclusão me parecer ser a mesma – pois tanto o livro quanto a água mineral são considerados produtos NT pela legislação. Conclusão Dessa forma, para assegurar a higidez processual e, em última análise, o próprio crédito tributário em si, conheço do Recurso Voluntário e, de ofício, voto pela anulação da decisão recorrida, a fim de que profira novo julgamento considerando o efetivo produto final do Recorrente – água mineral natural (sem gás). Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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