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Numero do processo: 10880.915935/2008-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA
O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo.
VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO
Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus.
Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3802-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado.
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 35 /2 00 8- 43 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 105), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1630.846, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra a referida Recorrente. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1, por falta de crédito no DARF da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 31/10/2000). O Valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito compensado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 8.744,53 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e no art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915935/200843 Acórdão n.º 3802001.949 S3TE02 Fl. 107 3 prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base de compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer a emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. Não acatando as razões aduzidas pela Recorrente na instância a quo, a 9ª Turma da DRJ/SP1, resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência do direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. A alegação de existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÕES SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 61 e seguintes) pleiteando a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a decisão foi construída com base em premissas confusas e obscuras, bem como enfatizando o direito que ampara seu pedido, consubstanciado na equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações – o que explicita ter ocorrido recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre as receitas daí oriundas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar o Acórdão (fl. 105), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega haver indevidamente submetido à tributação por PIS e COFINS as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. Preliminar Como questão preliminar aduzse a nulidade do Acórdão recorrido, por haver sido “construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto”. O art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo tributário administrativo em âmbito federal, traz como uma das causas de nulidade a preterição do direito de defesa. No entanto não vislumbro no caso nulidade do Acórdão, especialmente porque a decisão recorrida traz um argumento escalonado para não acolher o pleito do contribuinte, a saber: a) a impossibilidade de se reconhecer o direito de crédito à Recorrente, diante da Solução de Divergência Cosit nº 07, que limitaria as isenções a apenas alguns produtos, não sendo genérica para qualquer venda realizada para a Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 14 da MP 203725; b) ultrapassada a questão acima, a inexistência de comprovação da materialidade do crédito em termos concretos. O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso (ou mesmo, ao seu ver, lacônico), não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915935/200843 Acórdão n.º 3802001.949 S3TE02 Fl. 108 5 Tanto assim que a Recorrente não só identificou os fundamentos do Acórdão, como o presente Recurso ataca o ponto que parece mais sensível ao contribuinte – a existência, ao seu ver, de exoneração de PIS e COFINS sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Desse modo, não acolho o argumento de nulidade do Acórdão. Vale o aforismo jurídico: pas de nullité sans grief. Mérito Quanto ao mérito, o ponto nodal referese à existência, ou não, de exoneração de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. A celeuma tem origem no fato de o art. 40 do ADCT/88 (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) ter estendido para o ordenamento constitucional de 1988 o regime tributário da Zona Franca em Manaus, nos seguintes termos: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Esse regime tributário, como cediço, teve início por intermédio do Decretolei nº 288/67, porém seguramente a determinação constitucional estende toda a exoneração fiscal existente no ordenamento anterior para o Sistema Tributário atual. Esse é o comando expresso do art. 40 do ADCT, cujo prazo veio a ser prorrogado por mais 10 anos por força do art. 92 das mesmas Disposições Constitucionais. A discussão que pode ser travada é quanto à interpretação da expressão das características “de exportação” sobre a Zona Franca de Manaus, especialmente diante da imunidade constitucional que as exportações possuem sobre as contribuições especiais. De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF, que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº. 2, do CARF, impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e da COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória nº 2.037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADIMC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 quinta reedição da MP nº 2.037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP nº 2.037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP nº 2.03725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP nº 2.03725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP n° 2.037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADIMC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP nº 2.037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP nº 2.037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Conclusão Destarte, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915935/200843 Acórdão n.º 3802001.949 S3TE02 Fl. 109 7 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 12466.002280/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos.
2. Se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo as questões preliminares e as de mérito, não cabe a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
Recursos Voluntários Negado.
Numero da decisão: 3302-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. CABIMENTO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação, configura interposição fraudulenta presumida na importação, infração por dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. INFRAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO. DOCUMENTO FALSIFICADO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. PENA DE PERDIMENTO. CABIMENTO. O uso de documentos falsificado ou adulterado, necessário ao desembaraço, é considerado dano ao Erário, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. FRAUDE NO PREÇO DA MERCADORIA. ARBITRAMENTO COM BASE NO PREÇO DE COTAÇÃO EM BOLSA DE MERCADORIA. POSSIBILIDADE. No caso de fraude preço de modo que não seja possível a apuração do valor de transação efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria apurado em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 22 80 /2 00 8- 68 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo as questões preliminares e as de mérito, não cabe a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recursos Voluntários Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 9.827.681,77, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração: Fl. 897DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 897 3 Que a interessada promoveu importações de mercadorias, nos anos de 2004 e 2005, amparadas por Declarações de Importação nas quais se declarava como importadora e adquirente das mercadorias. Submetida a procedimento especial de fiscalização, previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, se constatou que a interessada foi interposta pessoa nas operações de importação, ocultando as reais adquirentes das mercadorias, as quais repassavam recursos para o pagamento dos custos das importações e figuravam como destinatárias das mercadorias nas Licenças de Importação. As mercadorias importadas se tratavam de “naftas”, classificadas na NCM 2710.11.49, sujeitas a licenciamento não automático, consideradas como “solventes” pela ANP. Da análise dos documentos da interessada se concluiu que essa não possuía capacidade financeira para realizar as operações de comércio exterior, cujas importações no período remontaram a U$ 10.449.759,00, declaradas como “em nome próprio”, ou seja, como se fosse a real adquirente das mercadorias. Alterações do capital social declaradas pela interessada, nunca foram comprovadas e sua sede foi transferida de Vitória/ES para São Paulo/SP, no curso da ação fiscal. Correspondências entre a interessada e a exportadora estrangeira deixam clara a ocultação das reais adquirentes das mercadorias. Nessas correspondências a interessada orienta a exportadora estrangeira em relação à emissão de documentos fiscais e de transporte, de forma a burlar os controles da Aduana, seja no aspecto relativo à identificação da adquirente das mercadorias, seja relativo aos preços declarados. Com relação aos preços declarados ficou comprovada a prática de subfaturamento, com a emissão de faturas com valores aproximados de 50% do valor efetivamente pago. As faturas eram emitidas por empresa situada nas Ilhas Virgens, considerada paraíso fiscal. Em diversas Declarações de Importação o modus operandi era o de declarar a diferença de valores como “frete no mercado interno”, fato que distorcia os valores pagos de tal modo que o frete interno chegava ao absurdo de ser equivalente ao valor das mercadorias mais o frete internacional. Essa prática reduziu substancialmente a base de cálculo e conseqüente recolhimento dos tributos devidos nas importações. Configurouse, assim, a utilização, na importação, de documentos ideologicamente falsos. A comparação dos preços declarados com os preços praticados nas bolsas internacionais de mercadorias, considerando que se tratava de mercadoria dita “comodity”, ou seja, negociada com base em cotações diárias de preços, revelou diferenças substanciais entre os mesmos. Da mesma forma, o confronto dos valores declarados nas importações pela interessada com os declarados nas exportações da Argentina, país exportador, Fl. 898DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 evidenciaram a prática de fraude no valor aduaneiro. Também a comparação com outras importações realizadas por outros importadores nacionais, do mesmo produto e exportador estrangeiros, demonstra as diferenças entre os preços declarados. Assim, com base no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158/35/2001, os valores praticados nas importações foram arbitrados. Em razão da caracterização de dano ao Erário, prevista nos incisos IV e V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, e considerando a não localização ou consumo das mercadorias, foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme previsto nos parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23 do Decreto lei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Registra ainda o auto de infração, a constatação das seguintes irregularidades: Triangulação comercial ilícita, com o fim de fraudar o valor praticado ou declarado, refaturando indevidamente as mercadorias por preço inferior ao real. Não apresentação de documentação comprobatória da regularidade das operações realizadas. Não comprovação da origem lícita dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Envolvimento da empresa “Central Petroquímica Brasileira Ltda”, identificada nas licenças de importação como distribuidora da nafta, que deveria ser utilizada para fins não energéticos, em denúncias de adulteração de combustíveis. A empresa “Braspontex Comércio Exterior Ltda” foi autuada na condição de “contribuinte” e a empresa “Central Petroquímica Brasileira Ltda” na condição de “responsável solidário”, com base no artigo 124 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/1966, e nos artigos 32 e 95 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. A Braspontex foi cientificada pela via pessoal (ciência fl. 01) e apresentou a impugnação tempestiva de folhas 449 a 481, com os documentos de folhas 482 a 592 e 595 a 790, anexados. A impugnante alega preliminar de nulidade, por entender que no auto de infração não se cumpriu formalidade essencial, “eis que não apresenta em seu corpo a descrição dos fatos que pretendeu alcançar” e que “no campo reservado à descrição dos fatos, não há qualquer informação dos fatos alcançados, remetendo sempre aos famigerados ‘anexos’ para fugir da narrativa minuciosa dos eventos.” (sic) Alega que houve cerceamento de seu direito de defesa, pois, na forma como procedido, não sabe exatamente do que é acusada. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 898 5 Defende a nulidade do auto de infração pois a fiscalização foi realizada no prazo superior a 3 anos, quando a norma, Instrução Normativa SRF nº 228/2002, determina que o procedimento deve ser encerrado em, no máximo, 180 dias do seu início. Alega irregularidades nas intimações pelo fato de a pessoa cientificada não possuir poderes de representação e porque a mudança de endereço da sede para São Paulo ocorreu em 03/11/2005, conforme cópia cartão do CNPJ anexada, e não em janeiro de 2007 como alega a fiscalização, não podendo ser responsabilizada por falta de atendimento a intimação. Defende que não houve ocultação do real importador, porque as importações foram realizadas sob sua responsabilidade e risco, pois a mercadoria em questão foi importada para revenda a encomendante predeterminado. Afirma que “depois de confirmado o pedido de compra pelo encomendante, esse pagava antecipadamente parte do valor da compra”, de forma a se garantir a venda, prática comum no comércio. Alega que não se caracterizou importação por conta e ordem de terceiros que é operação realizada com recursos do adquirente/terceiro, responsável, inclusive, pelo fechamento de câmbio. Defende que os demais requisitos para se realizar operação por conta e ordem de terceiro, conforme artigos 86 e 87 da IN SRF nº 247/2002, não foram atendidos e, portanto, não podem ser entendidas como operações desse gênero. Alega que, exemplificadamente, atendendo ao disposto no artigo 3º da IN SRF nº 634/2006, que estabelece requisitos e condições para atuação em operações procedidas para revenda a encomendante predeterminado, na DI nº 04/12508391 foi cadastrada a empresa Central Petroquímica Brasileira Ltda como adquirente final da carga – encomendante, como se vê ás fls. 268/275. Defende que as conclusões da fiscalização também foram no sentido de que as operações foram realizadas por encomenda. Discorda da conclusão da fiscalização sobre ausência de capacidade financeira baseada nas Declarações de Imposto de Renda – DIPJ, anos 2002, 2003 e 2004, com movimentação financeira igual a zero. Argumenta que o simples fato de uma empresa declarar receita zero, não quer dizer que a mesma não tenha capacidade econômica e financeira para o comércio, pois essa deve ser analisada em relação a sua movimentação bancária. Defende que utilizou recursos próprios e de financeiras, nas operações de importação, e que durante muito tempo foi considerada um dos maiores contribuintes do ICMS do Estado do Espírito Santo. Alega que, em 09/06/2005, antes do encerramento do MPF, retificou as DIPJ dos exercícios de 2003 e 2004. Alega que não há legislação que obrigue a utilização de preços cotados em bolsa de mercadoria e que os preços praticados são condizentes com os levantados pela fiscalização. Com relação a essas inconformidades de preço de que é acusada, alega que as Fl. 900DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 Declarações de Importação foram desembaraçadas, inclusive no canal amarelo, e, portanto, foram verificadas e consideradas corretas, não se podendo alegar, posteriormente, que os preços estavam subfaturados. Requer a produção de provas periciais para fins de prova dos fatos impugnados. Anexa cópias de Resoluções Ministeriais do Governo da Bolívia que autorizam a exportação de nafta ao preço de U$ 180,00 o metro cúbico, ou U$ 0,18/l ou kg. Requer diligência ao Governo da Bolívia a fim de se confirmar a veracidade de referidas Resoluções. Anexa cópia de contrato no qual o preço da nafta foi negociado ao preço de U$ 0,18/litro. Contesta a alegação da fiscalização de falta de “marcador” na mercadoria importada, argumentando que sua presença é obrigatória na nafta solvente, condição para o desembaraço ou liberação na alfândega. Alega que a fiscalização a acusa de falsificação e adulteração de documentos, baseandose em indícios e presunções. Requer a produção de prova pericial e documental. Em razão da alteração de endereço de sua sede, entende que deveria ser fiscalizada pela unidade da Receita Federal de sua jurisdição. Assim, requer que o julgamento de sua defesa seja realizado por aquela unidade. Requer a anulação do auto de infração. Em caso contrário, requer a produção de prova pericial, documental e diligencial. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração e improcedente a ação fiscal. Requer sejam remetidos os autos para julgamento na jurisdição fiscal da impugnante. Requer ainda sejam as intimações e/ou informações de estilo realizadas em nome do patrono, que denomina e registra o endereço. A responsável solidária, Central Petroquímica Brasileira Ltda, foi cientificada por via postal em 29/08/2008 (AR fls.448v). Decorrido o prazo legal sem apresentação de impugnação foi lavrado o termo de revelia de folhas 792. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 821/837), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/12/2004 a 18/01/2005 OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo ou do responsável pela importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor aduaneiro Fl. 901DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 899 7 da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. USO DE DOCUMENTO FALSIFICADO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. O uso de documentos falsificado ou adulterado, necessário ao desembaraço, é considerado dano ao Erário, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. TRIBUTOS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria.Em 8/4/2013 (fl. 8.139), a autuada foi cientificada da referida decisão. Em 26/4/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 8.141/8.202. em que reformou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. A responsável solidária Central Petroquímica Brasileira Ltda. foi cientificada da referida decisão em 8/9/2009 (fls. 846/848), porém, não apresentou recurso voluntário. A autuada Braspontex Comércio Exterior Ltda. foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/6/2009, (fls. 842/843) e a responsável solidária Central Petroquímica Brasileira Ltda. em 8/9/2009 (fls. 846/848), que não apresentou recurso voluntário perante este Conselho. Em 21/7/2009, a interessada postou o recurso voluntário de fls. 849/873, em que (i) reafirmou parte das razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e (ii) reiterou o pedido de realização de diligência e perícia. Por sua vez, a autuada Braspontex Comércio Exterior Ltda. foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/6/2009, (fls. 842/843). Em 21/7/2009 postou o recurso voluntário de fls. 849/873, em que (i) reafirmou parte das razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e (ii) reiterou o pedido de realização de diligência e perícia. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da autuação. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 A recorrente alegou nulidade do auto de infração por descumprimento de formalidades essenciais e cerceamento do direito de defesa, com base no argumento de que não havia no campo reservado à descrição dos fatos qualquer informação "minuciosa dos fatos alcançados, nem das penalidades aplicadas, remetendo sempre aos famigerados 'anexos'". Sem procedência a alegação da recorrente, pois, no caso em tela, não houve a irregularidade por ela alegada, embora seja habitual e normal, no âmbito das autuações realizadas pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade fiscal não apresentar a descrição dos fatos encartada no espaço próprio do formulário modelo do auto de infração, mas em relatório a parte, com referência expressa que ele integra o respectivo auto de infração. Com efeito, compulsando o auto de auto de infração de fls. 2/88, verificase que, ao contrário do alegado, a descrição dos fatos consta do campo específico do formulário padrão reservado para tal descrição. No entanto, cabe ressaltar que a referida descrição dos fatos realizada em relatório fiscal a parte consiste em procedimento geralmente adotado pela fiscalização e admitido pela jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho, por não acarretar qualquer prejuízo ao contraditório e ao direito de defesa do autuada. A recorrente alegou ainda nulidade da autuação, com base no argumento de que o procedimento fiscal fora concluído após o prazo de validade do correspondente Mandado de Procedimento Fiscal, pois, no caso em apreço, o prazo inicial de120 (cento e vinte) dias expirarase em 21/7/2005 enquanto a sua prorrogação somente ocorrera em 19/9/2005. Mais uma vez, não procede a alegação da recorrente. A uma, porque não é verdade que o citado MPF tenha expirado a sua validade em 27/7/2005, como alegado pela recorrente, posto que, de acordo com as informações contidas no extrato de fls. 510/511, apresentado pela própria recorrente, no dia 19/9/2005, o referido documento ainda estava válido, em decorrência da primeira prorrogação. A duas, porque a prorrogação da validade do referido MPF fora feita com estrita observância ao disposto nos preceitos normativos vigentes, que disciplinavam a emissão e a prorrogação do citado documento (os arts. 12 e 13 da Portaria RFB n.º 4.328/2005, reproduzidos com pequenas alterações pela portarias subseqüentes, e nos artigos 9º, 11 e 12 da Portaria RFB 11.371/2007). Além disso, a simples perda de validade do MPF não constitui causa de nulidade da autuação, haja vista que o referido documento, quando ainda exigida a sua emissão, tinha por finalidade o controle e a transparência da atividade de fiscalização. E os pressupostos de validade do auto de infração de infração, sabidamente, tratamse de requisitos legais que se encontram estabelecidos no art. 142 do CTN, combinado com o disposto no art. 10 do Decreto 70.235/1972, os quais foram integralmente cumpridos no presente procedimento fiscal. Com base nessas considerações, rejeitase as referidas alegações de nulidade do auto de infração suscitadas pela recorrente. Do pedido de realização de diligência e perícia. A recorrente alegou que o pedido de diligencia e perícia, formulado na peça impugnatória, fora indeferido, sem qualquer fundamentação, o que afrontava o disposto no art. 28 do Decreto 70.235/1972. Não procede a alegação da recorrente. Com efeito, compulsando o voto condutor do julgado recorrido, verificase que foram apresentadas as razões para o Fl. 903DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 900 9 indeferimento do citado pedido, com base no argumento de que era desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento, pois a realização de perícia pressupunha que o fato a ser provado necessitasse de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não era o caso dos presentes autos. Assim, fica demonstrada que a fundamentação exigida no citado art. 28 foi devidamente apresentada no julgado recorrido e está em consonância com natureza da lide em apreço. Além disso, extraise do caput do art. 18 do PAF que a decisão acerca do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade julgadora, portanto, não cabe a este Colegiado adentrar no mérito dessa questão, sob pena de invasão indevida ao poder discricionário da autoridade julgadora de primeiro grau. No recurso em apreço, a recorrente reafirmou o referido pedido de diligência e perícia apresentado na peça impugnatória, com base no argumento de que ele era imprescindível para provar que a aplicação da multa de pena de perdimento era indevida. Para a recorrente, a referida diligencia visava intimar o Governo da Bolívia ("Ministério de Mineria e Hidrocarburos"), para confirmar a veracidade das Resoluções Ministeriais nºs 227/2004, de 14/12/2004 e 017/2005, de 25/02/2005, emitidas pelo Governo da Bolívia, que autorizavam a exportação de NAFTA ao preço de US$ 180,00 o metro cúbico, que em litros/quilos correspondia a US$ 0,18. Pelas mesmas razões aduzidas no voto condutor da decisão recorrida, este Relator também entende ser completamente dispensável para o deslinde da presente controvérsia a realização da diligência e a produção de pericial requerida pela recorrente, pois se trata de mera apresentação de prova documental que, se existente, a recorrente poderia ter colacionado aos autos na fase processual adequada. Ademais, a referida informação revelase de todo desnecessário para o deslinde da controvérsia. Não se pode olvidar que a previsão de realização de diligência ou perícia não pode ser usada indevidamente como instrumento de produção de prova em favor de qualquer das partes, assumindo a autoridade julgadora o ônus da prova que cabia à parte interessada produzir na fase processual pertinente. Se a autoridade julgadora assim proceder, certamente, por via indireta, restará violada a regra legal estabelecida no art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, segundo a qual a prova documental será apresentada na fase de impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual. Enfim, diante dos robustos elementos probatórios coligidos aos pela fiscalização, a obtenção da referida informação não teria qualquer relevância para o deslinde da controvérsia. Com base nessas considerações, deve ser indeferido o pedido de diligência e perícia formulado pela recorrente. Da análise das questões de mérito. Com base na descrição dos fatos do questionado auto de infração (fls. 3/72), cabe esclarecer que o produto importado pela recorrente foi descrito nas DI como "NAFTA PARA PROCESSAMENTO INDUSTRIAL" e classificado no código NCM 2710.11.49. Tratase de um produto derivado de petróleo normalmente utilizado para fins não energéticos. Entretanto, esses derivados de petróleo não energéticos podem vir a ser utilizados para Fl. 904DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 formulação de gasolina e diesel, desde que atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente. O citado produto é uma commodity com preços cotados diariamente no mercado internacional e divulgados pela agência de notícia PLATTS. A importação do produto nafta (solvente) em geral está sujeita a Licenciamento NãoAutomático pela Agencia Nacional de Petróleo (ANP), nos termos da legislação especifica. No caso, as operações de importação realizadas pela recorrente foram acobertadas por Licenças de Importação emitidas pela ANP. Ainda segundo a referida descrição dos fatos, o motivo da imposição da multa em apreço foi a atribuição à importadora da prática de duas infrações, a interposição fraudulenta (presumida) na operação de importação e apresentação de documento falso necessário ao processamento do despacho aduaneiro de importação, consideradas dano ao Erário nos termos do art. 23, IV e V, e §§ 1º a 3º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, com redação dada pela Lei 10.637/2002, a seguir transcritos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...] (grifos não originais) A específica infração atribuída à recorrente, capitulada no inciso IV do referido preceito legal, encontrase definida no inciso VI do art. 105 do Decretolei 37/1966, com os seguintes termos, in verbis: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] (grifos não originais) Fl. 905DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 901 11 Em relação a primeira infração, a fiscalização apurou que, embora a recorrente tenha se identificado, nos respectivos despachos aduaneiros de importação, como importadora e adquirente das mercadorias importadas, inclusive na condição de distribuidora e compradora das referidas mercadorias, de fato ela atuara como interposta pessoa, ocultando os reais adquirentes das mercadorias, pois, com base na análise dos extratos bancários fora comprovada a realização de vários depósitos nas contascorrentes da recorrente sem a comprovação da origem lícita dos recursos. E instada a comprovar a origem dos citados recursos, a recorrente não atendeu as intimações da fiscalização e ainda, na parca documentação apresentada, não foram apurados negócios lícitos com quaisquer das pessoas depositantes dos valores que justificassem a origem legítima dos recursos financeiros depositados. Assim, com base nos elementos probatórios colacionados aos autos, a fiscalização firmou o entendimento de que estava devidamente comprovado que a recorrente não tinha condições financeiras para realizar as correspondentes operações de importação, uma vez que não comprovara a origem lícita dos recursos financeiros utilizados no pagamento dos encargos assumidos nas referidas operações de importação. Ante tais fatos, devidamente corroborado com documentação adequada, chegase a conclusão de que a conduta atribuída à recorrente enquadrase perfeitamente na descrição da infração por interposição fraudulenta presumida, estabelecida no inciso V, combinado com disposto no § 2º, do art. 23, anteriormente transcrito. E com vistas a contraditar as imputações que lhe foram feitas pela fiscalização quanto ao cometimento da infração por interposição fraudulenta, no recurso em apreço, a recorrente alegou que as referidas operações de importação foram realizada sob a sua inteira responsabilidade para revenda a encomendante predeterminado. Sem razão a recorrente. A operação de importação por encomenda é aquela em que o importador adquire mercadorias no exterior com recursos próprios, promove o despacho aduaneiro em seu próprio nome e em seguida revende as mercadorias desembaraçadas ao encomendante previamente determinado em contrato. Por força dessa característica, não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. No caso em tela, além de não comprovar, com documentação adequada, a alegada operação de importação por encomenda, a recorrente confessa na peça recursal que os valores depositados em sua contacorrente bancária, pelos supostos "encomendantes" representavam "uma parte do valor da operação (compra)", o que infirma o que alegara. Em relação a falta de capacidade econômicofinanceira para realização das operações de importação em referência, a recorrente alegou que o simples fato de uma empresa declarar receita zero na Declaração de Informação da Pessoa Jurídica (DIPJ) não era suficiente para confirmar que a mesma não tivesse capacidade econômica e financeira para participar do comércio, seja nacional ou internacional, "pois para medir a capacidade econômica e financeira de uma empresa devemos levar em conta a sua movimentação bancária, que a princípio deve ser considerável". Mais uma vez não procede a alegação da recorrente, porque a movimentação bancária que, sob ponto vista jurídicotributário, serve de meio de prova da capacidade econômicofinanceira da respectiva pessoa jurídica é somente aquela proveniente de origem Fl. 906DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 lícita, ou seja, decorrentes dos recursos financeiros da sua atividade econômica legítima, devidamente comprovada com documentação contábil e fiscal hábil e idônea. No caso em tela, se a recorrente declarou nas respectivas DIPJ que não auferira receita nos correspondentes anos, obviamente, os recursos que foram depositados em suas contascorrentes não eram de origem lícita, até prova em contrário. No entanto, para justificar a referida movimentação financeira e, desta forma, tentar comprovar que o custeamento das operações de importação foram realizadas com recursos próprios lícitos, a recorrente alegou que muitas vezes precisou recorrer às instituições financeiras, que hoje "estão atentas as altas movimentações bancárias de seus clientes e oferecem a esses elevadíssimos valores como capital de giro." Tratase de alegação sem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, porque desprovida de provas de que alegada parte dos recursos financeiros movimentados nas respectivas contascorrentes bancárias foram provenientes de supostos empréstimos bancários. Nesse sentido, cabe ressaltar que, durante o procedimento fiscal, a recorrente foi intimada pela fiscalização a comprovar a origem dos depósitos realizados nas referidas contas, porém, não s edignou a apresentar qualquer documento que comprovasse a origem lícita dos elevados valores depositados, o que seria facilmente feito mediante a apresentação dos correspondentes contratos de empréstimos, se existentes. Em relação à segunda infração, ou seja, utilização de documentos falsos nos respectivos despachos aduaneiros de importação, com base em fartos elementos probatórios colacionados aos autos, a fiscalização atribuiu à recorrente as seguintes condutas infracionais: a) simulação e falsidade ideológica nas Declarações de Importação (DI), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio, omitindo os reais adquirentes e importadores de fato das mercadorias; b) simulação e falsidade ideológica nas Licenças de Importação (LI), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio, informar a pessoa jurídica Petrosilva Indústria e Comércio de Exportacão e Importacão Ltda. como destinatária das mercadorias e declarar os valores das mercadorias muito aquém daqueles praticados nas operações de venda no mercado internacional; c) falsidade material e ideológica nas faturas comerciais (Invoices), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio e declarar valores artificialmente reduzidos para as mercadorias, com o intuito de reduzir a base de cálculo dos direitos aduaneiros sobre elas incidentes; e d) falsidade ideológica nos conhecimentos internacionais de cargas (BL's e CRT's), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio. Além disso, diante da constatação da prática de subfaturamento no preço da mercadoria, a fiscalização desconsiderou o valor da transação declarado nas DI e definido no art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), internalizado pelo Decreto 1.355/1994, e, com respaldo no art. 881 da Medida Provisória 2.15835/2001, combinado com o disposto no § 1 "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; Fl. 907DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002280/200868 Acórdão n.º 3302002.935 S3C3T2 Fl. 902 13 1º do art. 144 do CTN, arbitrou o preço FOB do produto, com base no valor diário da sua cotação em bolsa, na data do embarque da mercadoria no exterior, divulgado pela agência de notícias PLATTS. Segundo a fiscalização, no caso especifico das importações objeto do auto de infração em questão, a recorrente declarou nas suas importações de nafta o valor (FOB) de cerca de US$ 0,20 a 0,18 por kg, ou de US$ 170,00 por m3, o que representava uma variação de 33% a 55%, a menor, se levado em consideração os preços indicados na cotação da bolsa, nos dia 16/08/2004 e 14/10/2004, foram de US$ 0,43 o kg e US$ 0,48 o kg, respectivamente. A fiscalização informou ainda que a nafta importada pela recorrente podia ser utilizada na formulação ou adulteração de combustíveis (conforme inúmeras ocorrências noticiadas na imprensa), por essa razão, para fim de controle era obrigatória a marcação do produto, procedimento que visava impedir que o solvente fosse utilizado como combustível. No caso vertente, todas as naftas importadas pela recorrente eram classificadas na NCM 2710.11.49, sinalizando aos órgãos governamentais de controle (ANP e RFB) que o produto não seria utilizados como combustível, em decorrência, as transações foram efetuadas sem o pagamento da CIDE. Diante de tão graves acusações, a recorrente limitouse em contestar apenas o subfaturamento no preço do produto indicado pela fiscalização, sob argumento de que os preços do produto divulgados pela agência de notícia PLATTS serviam apenas como referência e não existia nenhuma legislação ou norma de comércio exterior que obrigasse a aplicação dos preços divulgados pela referida agência. Ademais, se comparar a diferença do preço de cotação do produto no mercado internacional no dia 14/2/2004 (US$ 0,30) e o preço praticado pela recorrente (US$ 0,24), praticamente no mesmo período, a diferença era insignificante, o que era perfeitamente comum no mercado nacional ou internacional. Sem razão a recorrente. Em relação a primeira alegação, cabe ressaltar que, diferentemente do alegado, há preceito legal sim no direito positivo do País, que, diante de comprovada de fraude no preço declarado, autoriza a fiscalização a arbitrar o preço da mercadoria com base em cotação do produto em bolsa de mercadoria ou em publicação especializada. Tratase do artigo 88 da Medida Provisória 2.15835/2001. No caso, se comparado os preços declarados nas DI com aqueles cotados em bolsa de mercadoria (fls. 47/52), constatase diferença superior a 50% deste em relação àquele preço. Ainda do confronto dos valores declarados nas importações realizadas pela interessada com os declarados nas exportações da Argentina, país exportador, também fica evidenciada a prática de fraude no preço declarado (fls. 56/58). Da mesma forma, chegase a mesma conclusão a partir da comparação com outras importações realizadas por outros importadores nacionais, do mesmo produto e exportador estrangeiros, o que demonstra, de forma congruente, a diferença preço apurada pela fiscalização (fls. 53/56). Logo, não procede o argumento de que a diferença de preços era insignificante, o que era perfeitamente comum no mercado nacional ou internacional do produto. b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado." Fl. 908DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 Além disso, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento probatório que refutasse as robustas provas coligidas aos autos pela fiscalização, que comprovam que, no período de aquisição e embarque das mercadorias importadas, o valor FOB cotado no mercado internacional do produto estava acima de US$ 0,41 o kg, enquanto que a recorrente declarou nas DI o valor FOB de US$ 0,18 a 0,20 por kg. Além das irregularidades anteriormente mencionadas, a fiscalização ainda apurou que a recorrente praticou operação de triangulação comercial, com o fim de fraudar o valor praticado ou declarado nas DI, mediante refaturamento das mercadorias por preço inferior ao real praticado no mercado internacional do produto. Segundo a fiscalização a recorrente procedeu às importações de naftas solventes produzidos por empresa sediada na Argentina, embarcadas deste país com destino ao Brasil e faturadas por uma empresa chamada PETROIL TRADING CONPANY LTD, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas (Paraíso Fiscal). Na operação triangular comercial, a recorrente declara adquirir nafta da citada empresa situada por valores médios (FOB) de 0,21 US$/kg, quando a mesma mercadoria estava cotada em bolsa e comercializada por outros grandes importadores brasileiros a 0,40 US$/kg. Em suma, com base nessas considerações, chegase a conclusão que a recorrente cometeu as infrações que lhe foram imputadas pela fiscalização, portanto, é devida a cobrança da multa aplicada no presente auto de infração. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 909DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10830.917876/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 76 /2 01 1- 39 Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.738, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 58/64 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 17861.36593.110506.1.2.042532, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917876/201139 Acórdão n.º 3402002.740 S3C4T2 Fl. 2.983 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 10/12/2013 (fl. 67). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 69/89), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRF de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.211 (fls. 143/145), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.211 (fls. 143/145), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917876/201139 Acórdão n.º 3402002.740 S3C4T2 Fl. 2.984 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta de seu Despacho de Diligência às fls. 2.927/2.928 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 17861.36593.110506.1.2.042532, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 4.502,08 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 11/2003, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 9.822.868,11, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 9.555.818,49, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 136.035,96 a título das receitas que se pretende excluir. Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 136.035,96. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 4.081,08. Em sua manifestação (fls. 2.933/2.936), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.935: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 4.081,08, referente a parcela de credito das receitas indevidas da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917876/201139 Acórdão n.º 3402002.740 S3C4T2 Fl. 2.985 7 Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720489/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2401-003.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto.
Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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Diferença contribuição declarada em GFIP. Recorrente PROWSHIP SERVIÇOS NAVAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 04 89 /2 01 3- 22 Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15540.720489/201322 Acórdão n.º 2401003.948 S2C4T1 Fl. 1.087 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1450.432 (fls. 1.054/1.068): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. VALOR RECEBIDO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. Os valores pagos aos empregados a título de aviso prévio indenizado, têm natureza remuneratória, portanto integram o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DEOBRA. RETENÇÃO SOFRIDA PELA EMPRESA CONTRATADA. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. APROPRIAÇÃO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação, pela empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, de importância relativa à retenção efetuada pela contratante nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, deve operarse por meio de informação em campo próprio da GFIP, sendo, portanto, descabida a sua realização no âmbito do lançamento de ofício. PARCELAMENTO DECORRENTE DE LDCG/DCG. APROPRIAÇÃO DAS RESPECTIVAS GUIAS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS EM GFIP. IMPOSSIBILIDADE. O parcelamento decorrente de LDCG/DCG referese a contribuições declaradas em GFIP, de modo que descabe a apropriação dos respectivos recolhimentos no lançamento de ofício de contribuições que não foram inseridas pelo sujeito passivo naquele documento de informações à previdência social. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15540.720489/201322 Acórdão n.º 2401003.948 S2C4T1 Fl. 1.088 3 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 42/45, que o processo administrativo é composto por 3 (três) autos de infração (AI), relativos às competências 01/2010 a 12/2010, inclusive décimo terceiro, a saber: i) AI nº 51.003.9650, referente às contribuições previdenciárias previstas nos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais; ii) AI nº 51.003.9669, referente às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o salário de contribuição; e iii) AI nº 51.003.9677, referente às contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (FPAS 515 Terceiros 0115). 2.1. De acordo com a fiscalização, os fatos geradores e as bases de cálculo foram constatados a partir do confronto mensal entre folhas/recibos de pagamento e Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), deduzindose, para fins de constituição do crédito tributário devido, os recolhimentos efetuados espontaneamente pelo contribuinte. 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 8/10/2013, às fls. 7, 19 e 31, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 222/231). 3.1 Em sua peça vestibular, alegou: i) a inclusão indevida da parcela correspondente ao aviso prévio indenizado na base de cálculo das contribuições; ii) ausência de aproveitamento de créditos recolhidos para as competências 03/2010 e 11/2010; e iii) cobrança de contribuições, relativa às competências 01 a 03/2010, incluídas em parcelamento administrativo. 4. Intimada em 4/6/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 1.069/1.070, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 7/7/2014 (fls. 1.071/1.072). 4.1 A recorrente expõe que a fiscalização não abateu do débito um crédito correspondente a R$ 416.504,83 (quatrocentos e dezesseis mil, quinhentos e quatro reais, oitenta e três centavos), recolhido por meio de Guia da Previdência Social (GPS). Nos demais pontos, reportase à impugnação, por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15540.720489/201322 Acórdão n.º 2401003.948 S2C4T1 Fl. 1.089 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Tempestividade 5. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 6. Constatase que a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 4/6/2014, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse em 5/6, quintafeira, e finalizou no dia 4/7, sextafeira. 7. Todavia, protocolou seu recurso somente em 7/7/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 8. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 1.071/1.072 e dele não tomo conhecimento. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10882.001873/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 2000
DCTF ANTERIOR A 31/10/2003. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Antes da vigência da Medida Provisória nº 135, em 31 de outubro de 2003, somente os saldos a pagar dos débitos informados em DCTF eram considerados confessados, e poderiam ser enviados para inscrição em Dívida Ativa da União. A parte dos débitos vinculada a pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, que se mostrassem indevidos ou não comprovados, deveria ser objeto de lançamento de ofício, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001.
Numero da decisão: 1102-001.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que negava provimento. O conselheiro Jackson Mitsui acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Antes da vigência da Medida Provisória nº 135, em 31 de outubro de 2003, somente os saldos a pagar dos débitos informados em DCTF eram considerados confessados, e poderiam ser enviados para inscrição em Dívida Ativa da União. A parte dos débitos vinculada a pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, que se mostrassem indevidos ou não comprovados, deveria ser objeto de lançamento de ofício, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que negava provimento. O conselheiro Jackson Mitsui acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 18 73 /2 00 7- 90 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas (SP) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 2000 COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DCTF E VINCULADA A LIMINAR EM MEDIDA CAUTELAR. MANIFESTAÇAO DE INCONFORMIDADE. CABIMENTO. LIMINAR PARCIALMENTE CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA. Tratandose de matéria submetida ao Poder Judiciário, descabe a apreciação do cabimento da manifestação de inconformidade em julgamento, devendo ser ela conhecida em obediência à ordem judicial. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PAGAMENTO EFETUADO MEDIANTE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A extinção prevista no art. 156, VII do CTN pressupõe a apuração e o pagamento do crédito tributário pelo sujeito passivo. A compensação decorrente da eficácia de uma decisão judicial precária, informada em DCTF, não atende a tais requisitos. DÉBITO DECLARADO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. COBRANÇA. Regular é a cobrança do débito declarado cuja exigibilidade foi restabelecida, na medida em que a decisão judicial que a suspendia perdeu sua eficácia e o depósito judicial efetuado para substituila revelouse insuficiente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. Com a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, restabeleceuse a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, sistemática essa que vinha sendo adotada, com espeque no art. 5° do Decretolei n° 2.124, de 1984, até a edição da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Solicitação Indeferida” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O presente processo foi formalizado em razão de representação da Equipe de Ações Judiciais EQAJU do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil DRFB em Osasco, para viabilizar o devido acompanhamento dos créditos tributários de CSLL declarados como Outras Compensações, em decorrência de medida judicial (fl. 01). Às fls. 03/07 constam cópias das DCTF apresentadas em outubro/98, março/2000, abril/2000, junho/2000, nas quais parcelas dos débitos declarados foram vinculadas a compensação com amparo em liminar em medida cautelar n" 9803082576. Na seqüência, há intimação lavrada em 31/08/2007, atendida pelo contribuinte em 02/10/2007 (fls. 08/168), bem como consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal o Brasil RFB para confirmação de depósito judicial efetuado em 21/09/2004, que foi imputado aos débitos acima referidos, vinculados ã ação judicial, e mostrouse insuficiente para liquidar parte do débito de abril/2000 e a totalidade do débito de junho/2000 (fls. 172/176), motivando a proposta de cobrança nos seguintes termos contidos no despacho de fls. 177/178: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 4 3 Trata este processo de representação aberta para acompanhamento de débitos suspensos em DCTF de CSLL e IRPJ, que foram declarados como 'Compensações Sem Darf' em função de processo judicial n° 98. 0308285 76, da 4º Vara Federal de Sao Paulo. Os débitos suspensos de CSLL foram alocados a este processo (fls. 03 a 07), e os débitos suspensos de IRPJ estão presentes no processo 10882.001873/200790. A fim de instruir o processo, o contribuinte foi intimado a trazer documentos que demonstrassem a situação atual destes débitos face a ação judicial (fl. 08 Intimação SECAT N’ 2664/2007, com AR de 05/09/2007). Os documentos entregues pela empresa estão acostados nas fls. 21 a 168. Com relação à lide judicial, sua origem se refere ao Mandado de Segurança Nº 97. 005 75 055 da 4’ Vara Federal de São Paulo, onde o contribuinte questiona a legalidade das disposições contidas no art. 1° e parágrafo único da Lei nº 9.316/96, e pleiteia a dedução da CSLL de sua própria base de cálculo, e da CSLL na base de cálculo do IRPJ Úls. 57 a 89). A liminar foi concedida por meio da Medida Cautelar n° 98. 03. 08285 76 no TRF da 3’ Região, que posteriormente perdeu sua eficácia em 18/08/2004, através da publicação de acórdão nos autos principais da ação 01. 53 e fl. 91 a 95). Para garantir a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de CSLL e IRPJ o contribuinte efetuou depósitos em juizo para ambos os tributos em 17/09/2004 Úls. 97/98). O depósito de CSLL (código 7485), no valor total de R$ 91 4. 746,38 foi localizado no sistema informatizado da Receita Federal e, como se encontrava na situação disponível, foi alocado a este processo administrativo (fls. 21 a 23 e fls. 170 a 1 71). Em 02/09/2004, a empresa entrou com duas Apelaçães Cíveis no IRF3, senda a primeira um Recurso Especial no STJ, e a segunda um Recurso Extraordinário no STF. Apenas para o STJ a tramitação desta apelação se encontra disponível para consulta em seu site na Internet (fls. 103 a 129, fls. 130 a 135, e fls. 167/168). A ação judicial, portanto, ainda não transitou em julgado. Com relação à confirmação do montante integral do depósito, utilizouse o sistema SICALC da Receita Federal. Os dados de crédito tributário e o depósito judicial foram incluídos neste sistema e o resultado encontrase presente nas fls. 172 a 177, verificandose a insuficiência do depósito. Â vista do exposto, PROPONHO o envio de Carta Cobrança ao contribuinte relativo a insuficiência do depósito com cópia anexa do Darf de fl. 177. Da Carta Cobrança, por sua vez, extraise (fl. 179): ‘EM ANÁLISE REALIZADA NO PROCESSO ACIMA IDENTIFICADO, VERIFICAMOS QUE O DEPÓSITO EM JUÍZO EFETUADO NÃO FOI SUFICIENTE PARA COBRIR O MONTANTE INTEGRAL DOS CREDITOS TRIBUTÁRIOS, REMANESCENDO UM DEBITO CONSTANTE DO DARF ANEXO COM VALOR CONSOLIDADO ATÉ O DIA 31/10/2007. FICA O CONTRIBUINTE TITULAR DO CNPJ ACIMA IDENTIFICADO, OU SEU REPRESENTANTE LEGAL, INTIMADO Fl. 478DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 5 4 NOS TERMOS DOS ARTIGOS 927, 928 E 933 DO DECRETO N’ 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999, A RECOLHER AOS COFRES DA IHVIÃO O(S) SALDO(S) DEVEDOR(ES) E RESPECTIVOS ACRÉSCIMOS LEGAIS, DENTRO DO PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS, CONTADOS A PARTIR DO RECEBIMENTO DESTA (DATA DA ASSINATURA DO ‘AR’). RESSALTAMOS QUE, CASO O PAGAMENTO SE.IA EFETUADO APÓS A DATA DE VALIDADE INDICADA NA GUIA DARF, O MONTANTE DE JUROS DEVE SER ATUALIZADO NOS TERMOS DO ARTIGO 61, PARAGRAFO 3 DA LEI 9430/96 (TAXA SELIC). NAO PAGO NO PRAZO ESTABELECIDO, O DÉBITO SERÁ INSCRITO NA DIVIDA ATIVA DA UNIÃO, PARA EFEITO DE COBRANÇA EXECUTIVA.’ Cientificado desta cobrança em 15/10/2007 (fl. 183), o contribuinte apresentou documento intitulado manifestação de inconformidade e dirigido ao Ilmo. Sr. Chefe Substituto do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SECAT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco, em 31/10/2007 (fls. 184/195). Nele, com fundamento no art. 74 §§ da Lei n° 9.430/96 c/c § 1° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, requer a sua remessa para a autoridade competente para que seja ela julgada inteiramente procedente para que seja reformada a decisão de fls. 177/178 e cancelada a Carta Cobrança de fls. 179, tendo em vista que os créditos dela objeto encontramse extintos pela homologação tácita da compensação informada pela Manifestante em sua DCTF de outubro de 1998 fls. 3), nos termos dos arts. 150, § 4° e 156, II e VII do CTN. Relata que nos autos da Medida Cautelar Incidental n° 98.03.0828576 efetuou o depósito judicial dos valores que haviam sido compensados no ano de 2000 e acrescenta: ‘Entretanto, conforme se depreende da decisão de fls. 177/178, o Ilmo. Sr. Chefe Substituto do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário deixou de homologar as compensações efetuadas pela Manifestante em 1998 e, mediante procedimento de imputação dos valores compensados em 1998 com aqueles depositados judicialmente, relativos ao ano de 2000, emitiu a ‘Carta Cobrança’ de fls. 179 contra a Manifestante, exigindo o pagamento de CSL que restou após o procedimento de imputação [...] Entretanto, a cobrança em questão não deve prevalecer, uma vez que, por se tratar de compensação efetuada em 1998, o Fisco teria o prazo de 5 (cinco) anos para não homologar o procedimento e, tendo transcorrido mais de 5 (cinco) anos desde a compensação (que ocorreu em outubro de 1998), verificase a extinção dos créditos tributários pela homologação tácita do lançamento efetuado pela Manifestante nos termos do art. 150, § 4° c/c 156, VII do Código Tributário Nacional CTN. E, ainda que pelo procedimento de imputação levado a efeito pela autoridade fiscal, se considere que a compensação não homologada refirase ao mês de novembro de 2000 (tal como consta das Guías DARF de fls. 177), ainda assim também já teria transcorrido o prazo de cinco anos para a homologação da compensação, na forma do art. 150, § 4’ do CTN, razão pela qual, também sob esse aspecto a Carta Cobrança em questão não deve prosperar, não devendo também tais créditos serem inscritos em dívida ativa.’ Fl. 479DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 6 5 Aborda o cabimento da manifestação e ínconformidade, por entender que o caso em questão não se refere a débito declarado em DCTF e não pago, mas sim a compensação informada em DCTF e não homologada, o que e' bem diferente, pois na compensação o que se confessa é PAGAMENTO (a compensação é forma de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, II do Código Tributário Nacional) e não um DÉBITO. E, como nãohomologação de compensação, é assegurado ao contribuinte o direito de apresentar tal recurso. Menciona que o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 exigia o lançamento de ofício de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes de compensação de tributos federais, razão pela qual as compensações declaradas em DCTF pelo sujeito passivo e não homologados pelas autoridades fiscais deveriam ser objeto de lançamento de ofício, sendo que a partir daí seguiriam o rito estabelecido pelo Decreto n° 70. 235/72. Com a edição do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, entende que tal lançamento tornouse desnecessário, mas como seu §1° ressalvou que aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9. 430/96, que por sua vez preveem que o sujeito passivo poderá apresentar Manifestação de Inconformidade contra a decisão que não homologar a compensação, conclui que a presente manifestação de inconforrnidade deve ser recebida a julgada, inclusive com a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados. Defende que a compensação informada pela Manifestante em outubro de 1998 em sua DCTF constituise em procedimento adotado no âmbito do lançamento por homologação, uma vez que o procedimento de apuração do imposto a pagar partiu exclusivamente da Manifestante e sujeitouse a posterior homologação pelo Fisco, que efetivamente iniciou procedimento de verificação através do presente processo, razão pela qual estaria tacitamente homologada tal providência com o decurso de 5 (cinco) anos contados a partir da data de entrega da DCTF. Reitera que não se trata de débito declarado e não pago, pois não se confessou débito, mas sim PAGAMENTO mediante COMPENSAÇÃO, o que atrai a necessidade de posterior HOMOLOGAÇÃO desse pagamento pelo Fisco no prazo de cinco anos contados desse mesmo pagamento fato gerador). Reportase a julgados do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a compensação informada em DCTF é modalidade de extinção do crédito tributário e sujeita a homologação pelo Fisco, porque na compensação declarada em DCTF ainda não há crédito tributário constituído, ao contrário da confissão de débitos e o seu subseqüente não pagamento. Cita também acórdãos do Conselho de Contribuintes no sentido de que há homologação tácita após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da entrega da respectiva declaração para reforçar seu entendimento assim consolidado: ‘Tendo o fato gerador ocorrido em 1998, seja em outubro, por conta do mês em que foi feita a compensação, seja em 31/I2/98, por conta do fato gerador da CSL, seja quando da entrega da DCTF em janeiro de 1999 ou ainda, do fato gerador indicado nas DARFs emitidas para pagamento após o procedimento de imputação (novembro de 2000) verificase que os créditos tributários objeto do presente processo encontramse extintos pela homologação tácita do lançamento efetuado pela Manifestante, uma vez que transcorridos mais de cinco anos contados sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, sejam eles contados do mês em que foi feita a compensação (outubro de 1998, extinto em outubro de 2003), do fato gerador do IRPJ (31/I2/98, extinto em 31/12/03), da data da entrega da DCTF relativa ao 4’ Fl. 480DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 7 6 trimestre de 1998 janeiro de 1999, extinto em janeiro de 2004) ou da data do fato gerador indicada nas guias DARF de fls. 177 (novembro de 2000).’ Às fls. 206/227 constam informações do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.00304525, impetrado pelo interessado com vistas ã expedição de certidão positiva de débito com efeito de negativa, no qual foi indeferida a liminar em 09/11/2007, mas em cuja decisão constou que: ‘No tocante aos processos administrativos n°s 10882001873/200790 e 10.882.001871/200709, verifico que a Impetrante apresentou, em 31/10/2007, Manifestações de Inconformidade, conforme comprovam os documentos de fls. 211/222 e 223/234, nos termos do parágrafo nono, do artigo 74, da Lei 9. 430/96, significando, pelo curso espaço de tempo que ainda não foram julgados pelo órgão competente.’ Frente a tais circunstâncias, o SECAT da DRFB/Osasco suspendeu os débitos cobrados por impugnação e enviou os autos a esta DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade (fls. 226/227). Contudo, em triagem de entrada do processo, o Serviço de Controle de Julgamento SECOJ devolveu os autos à origem sob a seguinte justificativa: ‘Assim, ausente pedido de restituição, pedido de compensação convertidos em DCOMP ou declaração de compensação, não compete a esta DRJ apreciar questionamento apresentado pelo contribuinte contra ato que apurou a insuficiência do depósito efetuado em juízo, que resultou na emissão de cobrança de débitos declarados.’ Concluindo por sua competência para apreciar o feito, a EQAJ UD do SECAT da DRFB/Osasco firmou a improcedência dos argumentos do impugnante, na medida em que não havia porque se cogitar de homologação de compensação na presença de discussão judicial sobre a matéria, bem como porque a DCTF é elemento constitutivo do crédito tributário e era desnecessário o lançamento, além de ser incabível a suspensão da exigibilidade do crédito tributário sem a complementação do depósito judicial. Propôs, assim, a revisão da imputação dos depósitos judiciais, a reativação da exigibilidade do crédito tributário, e a ciência ao contribuinte para que recolhesse os valores apurados, ou complementasse o depósito judicial, sob pena de inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União (fls. 233/241). Cientificado do despacho do EAQJU/SECAT/DRFB Osasco em 04/04/2008, e do despacho do SECOJ desta DRJ em 18/04/2008, o contribuinte comunicou em 15/05/2008 a decisão proferida em sede de Agravo de Instrumento n° 2007.03.00.1001181, deferindo os efeitos de antecipação de tutela recursal, a fim de que a empresa possa obter a Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa (fls. 246/303). Da decisão do TRF/3’ Região extraise: 1. A agravante sustenta que a cobrança relacionada aos processos administrativos n°s 10.882.001873/200790 e 10.882.001871/200709 não constitui impedimento à expedição da pretendida certidão, pois os débitos estariam com a exigibilidade suspensa, em virtude recurso administrativo (fls. 250/261 e 263/274), pendente de decisão definitiva. 2. De fato, há nos autos indicação de que referidos débitos encontramse com a exigibilidade suspensa, conforme sustentado pela recorrente. E o que se extrai da r. decisão agravada (fls. 361/363). Confirase: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 8 7 ‘No tocante aos processos administrativos n°s l0.882.00l873/200790 e 10.882.001871/200709, verifico que a Impetrante apresentou, em 31/10/2007, Manifestações de Inconformidade, conforme comprovam os documentos de fls. 211/222 e 223/234, nos termos do parágrafo nono, do artigo 74, da Lei 9.430/96, significando, pelo curso espaço de tempo que ainda não foram julgados pelo órgão competente. Dessa forma, o crédito tributário apontado acima está com a exigibilidade suspensa, a teor do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, combinado com o parágrafo décimo primeiro, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96.’ 3. Portanto, ao menos este juízo preliminar, a situação da agravante autoriza a obtenção de certidão positiva de débitos com efeito de negativa CPDEM, desde que os únicos óbices sejam os débitos relacionados aos processos supra referidos. Em 21/05/2008, concluindo que não foi determinada judicialmente a suspensão da exigibilidade dos débitos remanescentes após imputação dos depósitos judiciais (fl. 304), e ante a inação do interessado após ser intimado a efetuar a devida complementação, formalizouse o processo administrativo n° 10882.001618/2008 28 para inscrição em Dívida Ativa da União dos referidos valores, remanescendo sob oontrole neste processo apenas os débitos alcançados pelos depósitos judiciais (fls. 306/310). Todavia, em razão de ordem judicial exarada nos autos do Mandado de Segurança n° 2008.61.05 .0058022, determinando a apreciação, em 60 dias, das manifestações de inconformidade anteriormente protocoladas, os autos foram solicitados por esta DRJ e assim despachados pela EQAJU/SECAT/DRFB Osasco em 21/07/2008, com seu posterior recebimento em 28/07/2008.” O acórdão recorrido (fls. 398 a 417) julgou improcedente a manifestação de inconformidade em função inexistência de homologação tácita da compensação ou decadência do direito de lançar o crédito tributário e no, mérito, por força da superioridade hierárquica e observância obrigatória das decisões do poder judiciário, manteve o entendimento exarado pelo poder judiciário ao revogar a liminar que autorizava a compensação ora analisada. Em sede de recurso voluntário (fls.432 a 459), a Contribuinte reproduz as suas alegações da manifestação de inconformidade, especialmente no que se refere à homologação tácita da compensação, com fundamento no art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do acórdão pelo relator originário, conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 9 8 Tendo participado do julgamento em questão, observo que, na ocasião, foi disponibilizado pelo relator minuta do voto proferido. Tendo efetuado a sua revisão para fins de formalização do presente voto, verifico tratarse de reprodução fiel do quanto foi apresentado em sessão e que representa, portanto, as razões que orientaram o Colegiado a, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, com mínimos ajustes de redação que se fizeram necessários. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Aduz a Contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita das compensações declaradas em DCTFs relativas aos períodos 1998 e 2000, objeto da presente discussão, por força do disposto no art. 150, § 4º do CTN, não sendo, portanto, possível a cobrança de valores referentes aos débitos compensados. Confirase: “Sendo assim, ainda que se admita, apenas para fins de argumentação, que a homologação a que se refere o art. 150, § 4° do CTN diz respeito ao pagamento (e não à atividade de lançamento executada pelo contribuinte), verificase que, no caso concreto, também houve efetivo pagamento passível de ser homologado pelas autoridades fiscais, homologação essa que, conforme já demonstrado, não ocorreu dentro do prazo de 5 (cinco) anos previsto no § 4° do referido dispositivo legal, que assim dispõe: (...) E, não havendo homologação dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da compensação efetuada pela Recorrente (outubro de 1998), verificase que os créditos tributários objeto de cobrança no presente processo administrativo foram abrangidos pela DECADÊNCIA e, portanto, encontrase extintos na forma do art. 156, VII do CTN, in verbis: (...)” (grifouse) O acórdão atacado, por sua vez, sustenta a inaplicabilidade do art. 150, § 4º do CTN, sob a alegação de que o prazo de homologação somente se aplicaria aos casos de pagamento e de compensações informadas em DCTF desvinculadas de ações judiciais. Confirase: “Nestes termos, a homologação, como forma extintiva do crédito tributário, prevista no inciso VII do art. 156 do CTN, ocorre de forma expressa (art. 150, caput e §1° do CTN) ou tácita (art. 150, §4° do CTN), e deve estar acompanhada do pagamento antecipado, qual seja, aquele determinado em atividade do próprio sujeito passivo, e não do Fisco. Já a compensação, prevista no inciso II, em momento algum é cogitada no art. 150 do CTN, e nem mesmo com ele combinada no art. 156 do CTN. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 10 9 Isto porque a compensação, para extinguir crédito tributário, deve observar as disposições específicas para tanto, postas no mesmo diploma legal: (...) Deduzse daí que as referências a entendimento exteriorizado pelo Superior Tribunal de Justiça, contido nas ementas de acórdãos que reproduz em sua defesa, cingese a compensações informadas em DCTF sem a dependência .de decisão judicial autorizativa. Somente estas, quando realizadas entre tributos de mesma espécie e sem pedido, nos termos do art. 66 da lei n° 8.383/91, poderiam ser cogitadas como extintivas do crédito tributário. (fls. 407)” Cingese a discussão, portanto, à possibilidade de o Fisco exigir crédito tributário decorrente de compensações realizadas pelo contribuinte por meio de DCTF nos anoscalendário de 1998 e 2000, sob a égide da Lei n. 8.383/91, após o decurso do prazo de cinco anos do fato respectivo (no caso, da compensação) independentemente de auto de infração lavrado no prazo de que trata o art. 150, § 4o do CTN. Não é adequado falarse em homologação tácita da compensação em períodos anteriores à edição da Lei n. 10.833/2003, que deu redação ao § 5o, do artigo 74 da Lei n. 9.430/96. Citada homologação tácita, por decurso do prazo qüinqüenal sem qualquer manifestação da Fazenda Nacional sobre a procedência da compensação, passou a existir no ordenamento brasileiro a partir da edição de referida legislação. Releva saber se o direito de o Fisco constituir/exigir o crédito tributário (indevidamente) compensado pela Contribuinte estaria extinto pelo decurso de prazo decadencial ou prescricional, respectivamente. A própria Contribuinte certamente não discorda de tal entendimento, já que pleiteia a aplicação ao caso do disposto no art. 150, § 4o do CTN, que estabelece prazo decadencial para constituição de créditos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Como se sabe, a decadência fere de morte o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Por decorrência lógica, só há que se falar em decadência nas hipóteses em que o crédito tributário não tenha sido previamente constituído pelo contribuinte, já que não se pode atribuir efeitos à inércia ao Fisco em relação a ato (de lançamento) que já tenha sido praticado pelo contribuinte (autolançamento), na forma da lei. Já o decurso do prazo prescricional extingue o direito da Fazenda Nacional de cobrar, em sentido estrito, crédito tributário que já tenha sido constituído previamente, por ela (Fazenda) ou pelo contribuinte. Segundo o acórdão recorrido, não haveria decadência em virtude de alegado autolançamento do crédito tributário (pelo contribuinte) por meio de DCTF, a teor do disposto no art. 5o, I do Decretolei n. 2.124/1984. Nada obstante os robustos fundamentos do acórdão recorrido, em exame ao tema, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é necessário o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário decorrente de compensação indevida praticada pelo contribuinte em data anterior a 30.10.2003, ainda que o tributo cuja compensação se pretendia estivesse informado em DCTF. Tal entendimento decorre da assertiva de que a Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 11 10 confissão de dívida em DCTF não alcança os todos os débitos declarados, mas apenas o saldo devedor informado pelo sujeito passivo (o que, no caso de compensação, é zero). Verbis: “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM DCTF. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DA NOTIFICAÇÃO. PRESCRIÇÃO NÃO CARACTERIZADA. 1. Nos termos da jurisprudência do STJ, nos casos em que o contribuinte declarou os tributos via DCTF e realizou a compensação indevida nesse mesmo documento é necessário o lançamento de ofício para se cobrar a diferença apurada, caso a DCTF tenha sido apresentada antes de 31.10.2003. A partir 31.10.2003 em diante é desnecessário o lançamento de ofício, todavia os débitos decorrentes da compensação indevida só devem ser encaminhados para inscrição em dívida ativa após notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, cujo recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário. 2. Hipóteses em que as DCTFs foram entregues antes de 31.10.2003, logo indispensável o lançamento de ofício e, nesses casos, inexistindo quaisquer causas de suspensão da exigibilidade do crédito ou de interrupção da prescrição, o prazo prescricional contase da data em que o contribuinte for regularmente notificado. 3. Não decorridos mais de cinco anos entre a constituição definitiva do crédito tributário e a citação do devedor, fica afastada a prescrição. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1495435/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 12/02/2015) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada antes de 31.10.2003, onde houve compensação indevida, compreendo que havia a Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10882.001873/200790 Acórdão n.º 1102001.328 S1C1T2 Fl. 12 11 necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu. Precedentes: REsp. n. 1.240.110PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012; REsp. n. 1.205.004SC, Segunda Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, julgado em 22.03.2011; REsp. n.º 1.212.863 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.05.2012. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1332376/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2012, DJe 12/12/2012) Citado entendimento repercute também em instância administrativa. Vejase, no mesmo sentido, precedente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do CARF, em recurso interposto pela própria Fazenda Nacional, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF, VINCULADOS À COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSSIBILIDADE. É lícito o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário devido à Fazenda Nacional quando os débitos declarados em DCTF foram vinculados a compensações informadas pelo declarante, sem saldo a recolher. A confissão de dívida não alcança todos os débitos declarados, mas apenas o saldo devedor informado pelo sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. (CSRF. Acórdão nº 9303002.324. 3ª Turma. Henrique Pinheiro Torres. Julgado em 20.06.2013) Considerada a existência de ação judicial relacionada ao direito creditório alegado pela Contribuinte, seria de rigor a lavratura de auto de infração para prevenção de decadência, a teor do art. 63 da Lei n. 9.430/1996. Ausente o lançamento no prazo qüinqüenal estabelecido em lei, estará decaído o direito do Fisco de constituir o respectivo crédito tributário. Citada constituição não pode ser realizada por meio de mera “cartacobrança” e imediata inscrição do crédito respectivo em dívida ativa, tal como ocorre no caso. Diante do exposto, orientase voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 18088.720391/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando protocolizado o Recurso Voluntário depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2201-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando protocolizado o Recurso Voluntário depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 91 /2 01 1- 96 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 773 2 Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 196.859,29 (Auto de Infração de efls. 663 a 670, e Relatório de Fiscalização de efls. 685 a 693), abrangendo principal, multa de ofício e juros de mora exigidos isoladamente, decorrentes da constatação de pagamento sem causa, realizado pela contribuinte no ano calendário de 2007. O relatório da ação fiscal até a fase impugnatória foi muito propriamente concretizado pela autoridade julgadora de 1a. instância, sendo aqui adotado, verbis: (...) Informou o Relatório Fiscal: A auditoria fiscal, teve como origem a ação fiscal procedida junto à pessoa física, Sr. Joel Marciano, (MPF 08122 2011 00021), pai da sócia da fiscalizada, Sra. Maria Sonia Marciano Furlan, sendo constatado que a movimentação financeira no Banco Bradesco, agência Agência 192, Conta 0100501 era incompatível com os rendimentos por ele declarados. Sendo a citada conta corrente conjunta com Sonia Maria Marciano Furlan, e não tendo o titular da conta atendido à intimação para entregar os extratos bancários – termo 01/21/2011 de 12.01.2011 (fl. 163), e respostas às fls. 164/165, eles foram requisitados diretamente à instituição financeira através de Requisição de Movimentação Financeira – RMF (Lei Complementar 105/2001 e Decreto n° 3.724/2011, art. 3°, VII e XI) fls. 165/168. Analisando os extratos bancários (fls. 169/212), constatouse que mais de 250 depósitos (feitos em cheques e em dinheiro) cuja soma resultou em valores totais superiores a R$ 2,2 milhões – anexo 2 do termo 02/021/2011 –fls. 228/232; mais de 600 cheques compensados e/ou pagos em dinheiro, num valor total de cerca de R$ 1,7 milhões (cabe frisar que na declaração de IRPF do ano de 2007 não consta aquisição de bens pelos titulares da conta – anexo 1 do termo – fls. 215/227); constam vinte e sete (27) débitos com a rubrica “pagamento de contas” num valor total de cerca de R$ 309 mil – anexo 4 do termo 02/021/2011 – fl. 234; seiscentos e noventa e um (691) cheques depositados e posteriormente devolvidos, num total de cerca de R$ 141 mil. O Sr. Joel Marciano foi intimado (item 5.1 do termo 02/021/2011, fls.213/214) a esclarecer se tinha cedido suas contas correntes para o uso de terceiros (pessoa física ou jurídica). Em caso positivo, deveria informar o nome, CPF/CNPJ e endereço de quem, de fato, se utilizou a conta corrente. Em resposta, o Sr. Joel Marciano informou que a conta era conjunta com Maria Sonia Marciano Furlan e ainda, textualmente: não me consta a utilização da referida conta por terceiros ou em negócios alheios aos interesses da outra titular. Também devidamente intimada – termo 01/173/2011 (fls. 125/126), a sócia Maria Sonia declarou (fls. 148/150) declarou Fl. 773DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 774 3 que a movimentação da conta era exclusivamente de sua responsabilidade e que: operouse para atender a negócios relacionados com meus interesses particulares, constituindo se de descontos de cheques prédatados da empresa em que participo. Declarou, ainda, que se tratava de prática informal e continuada de operações de factoring. Porém, não apresentou quaisquer documentos que corroborassem tal assertiva. Não justificou como praticou operações de factoring da ordem de mais de R$ 2,2 milhões sem recursos declarados em sua declaração de IRPF. Informou, ainda, referido relatório que a movimentação da conta corrente é totalmente incompatível com os rendimentos declarados pelos titulares da conta e que nela foram movimentados valores referentes a “pagamento a fornecedores”, típicos de pessoa jurídica. Ressaltou que a única pessoa jurídica da qual a Sra. Sonia participa é a Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. A própria pessoa jurídica fiscalizada, devidamente intimada através do termo 03/407/2011 (fls. 85/86), também alegou (fls. 88/91) que a movimentação era de factoring, mas não logrou comprovar tais operações. Também mesmo tendo obrigatoriedade não as escriturou no Livro Caixa. Centenas de cheques da conta conjunta de Joel Marciano e Maria Sonia (fls. 246/531) foram emitidos para pagamento de fornecedores da empresa fiscalizada, conforme rol constante na planilha às fls. 216/228. Em procedimento de diligência junto aos fornecedores da contribuinte, os mesmos confirmaram os pagamentos e os vincularam às notas fiscais emitidas contra Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda, conforme informado no Relatório Fiscal. (dentre outros, exemplificando: Ponto de Dose Comercial e Distribuidora de Produtos Alimentícios – Resposta ao termo de intimação 02/428/2011 (fls. 93/94). Confirmou (fl. 107) o recebimento de 15 cheques emitidos da conta 100501 (conta corrente de Joel Marciano e Sonia), vinculandoos a 37 (trinta e sete) notas fiscais emitidas à empresa Furlan). A empresa fiscalizada, devidamente intimada, apresentou extratos relativos apenas a uma conta corrente em nome da pessoa jurídica, no Banco Bradesco, Agência 0192, conta 101966 (fls. 564/576). Nessa conta consta movimento de apenas R$ 53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte no anocalendário de 2007 ter sido de 473 mil (1° semestre – Simples Federal (fls. 576/587) e R$ 547 mil no 2º semestre de 2007 (fls. 588/593). Diante de tais fatos, o Fisco concluiu que houve cessão da conta bancária mantida no Banco Bradesco Ag. 192, conta 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan, sócia da fiscalizada, para movimentação financeira da pessoa jurídica fiscalizada (item 13 do relatório). Fl. 774DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 775 4 Conforme explicitado no item 12 do relatório fiscal, constam 27 cheques sacados da conta conjunta de Joel e Maria Sonia, num valor total de R$ 125.972,02 (fls.595/653). Os cheques estão nominais a Reginaldo Furlan, filho dos sócios da pessoa jurídica, o qual possui vínculo empregatício com a fiscalizada. Devidamente intimado (fls. 116/117), o destinatário dos cheques declarou (fls. 119/120) que, na qualidade de filho da Sra. Sonia e funcionário da empresa, fui encarregado de efetuar pagamentos por ela selecionados e também promover as retiradas em dinheiro mediante cheques por ela emitidos. Posteriormente, mediante o termo 02/458/2011 (fl. 121) foi intimado a esclarecer a quem se destinavam tais pagamentos e se os valores retirados pertenciam à Sra. Sonia ou à empresa. Em resposta, declarou: fui apenas encarregado de fazer pagamentos e retiradas... não mantive controles individuais ou quaisquer outros registros. A fiscalizada, mediante o termo 05/407/2011 de 24/10/2011 (fls. 537/541), foi intimada a comprovar com documentos hábeis e idôneos, o motivo pelo qual emitiu os cheques relacionados no demonstrativo de fl. 540 da intimação, cujo beneficiário foi o Sr. Reginaldo Furlan, filho dos sócios, conforme explicitado no item 13 da intimação. Constou dessa intimação que a falta de comprovação da causa dos pagamentos acarretaria a exigência de IRRF, incidentes sobre a base de cálculo reajustada, conforme art. 674 do RIR de 1999. Porém a fiscalizada não logrou fazêlo. Apenas alegou que negociou direitos da empresa com os titulares da conta. Diante disso, o Fisco entendeu que a contribuinte efetuou pagamentos sem causa, motivo pelo qual considerou aplicável o disposto no art. 674 do RIR de 1999. Conseqüentemente, foi lavrado o Auto de Infração (AI) de fls. 663/673, considerando líquido os valores pagos mediante aqueles cheques, sendo reajustada a base de cálculo. Foi exigido Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, e respectivos acréscimos legais, totalizando o crédito tributário no montante de R$ 196.859,29,(...) (...) Foi lavrada representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria RFB nº 2.439, de 2010, conforme informação contida no Relatório Fiscal, (...) Inicialmente, insurgiuse o contribuinte contra o lançamento através da impugnação de efls. 698 a 715, onde, novamente, na forma muito bem sintetizada pela autoridade julgadora de 1a. instância, alegava: "(...) Nulidade do lançamento. Erro na identificação do sujeito passivo. Cerceamento do direito de defesa. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 776 5 A atribuição da titularidade da conta bancária (Bradesco, ag. 192 c/c 0100501), à pessoa jurídica é conseqüência da injustificada recusa dos esclarecimentos prestados, tanto pelas pessoas físicas Maria Sonia Marciano Furlan e Reginaldo Furlan, como pela impugnante, em respostas às diversas e ameaçadoras intimações formalizadas. O erro na identificação do sujeito passivo macula o lançamento de vício insanável, impondose o reconhecimento de sua nulidade. Mesmo diante dos esclarecimentos prestados desde o início dos trabalhos, a ação fiscal preferiu ignorar o enquadramento da atividade exercida e a correta identificação do sujeito passivo de eventual obrigação tributária. O fato da empresa utilizar os cheques recebidos daquela pessoa física para quitar obrigações contraídas com fornecedores não descaracteriza a natureza dos negócios praticados, mas substancial economia de CPMF. O mesmo se diga em relação aos débitos autorizados por aquela titular com idêntico objetivo. A pretensão indisfarçável da ação fiscal era obter da empresa borderôs de descontos de cheque, como se aquelas operações fossem praticadas por instituições financeiras ou pessoas jurídicas regularmente constituídas para a prática de operações envolvendo a aquisição de direitos creditórios. Mas, tratandose de operações informais, materializadas em simples troca de cheques e títulos, esses documentos não são emitidos. Demonstrada a atividade econômica de fomento mercantil, aflora a nítida e determinante providência indispensável para a equiparação daquela pessoa física à pessoa jurídica, para tributação da atividade exercida segundo os contornos da legislação aplicável. Deixando de assim proceder, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da impugnante. Deixando de promover a tributação mediante equiparação da pessoa física à jurídica, em razão do confessado e comprovado exercício da atividade empresarial que envolveu a conta bancária assinalada, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da impugnante. Não sendo a pessoa jurídica a efetiva titular da conta bancária e emitente dos indigitados cheques, não se reveste da condição de sujeito passivo da obrigação tributária. O erro na identificação do sujeito passivo macula o lançamento de vício insanável, impondose o reconhecimento de sua nulidade. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 777 6 Outro motivo de nulidade é o fato de a fiscalização sonegar elementos indispensáveis à defesa da impugnante, o que ofende o princípio da moralidade administrativa e também afronta o contraditório e a ampla defesa assegurados na nossa Carta Magna. Os cálculos determinantes do reajustamento da base de cálculo são inerentes e indissociáveis do auto de infração, assim como os demonstrativos de apuração do imposto e dos acréscimos legais, pois contém elementos essenciais e formadores do crédito tributário. Impor ao contribuinte constrangimentos ilegais representados por agendamentos e deslocamentos desnecessários, consumo de tempo para solicitar e aguardar prazo na obtenção de cópias e documentos pertinentes à apuração do imposto devido, que por dever administrativo deveriam ser entregues juntamente com o auto de infração, configura artifício condenável para inibir fruição do prazo legalmente concedido para o exercício da defesa. Pagamento a não identificado ou sem causa. Multa de 150%. Nos termos do art. 845, § 1º do RIR de 1999, os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Instado em duas oportunidades a informar e comprovar o motivo de ter recebido o cheques nominais da referida conta, o Sr. Reginaldo Furlan esclareceu que na condição de filho da Sra. Maria Sonia Marciano Furlan é também de funcionário da empresa, foi encarregado de efetuar pagamentos por ela selecionados e promover retiradas em dinheiro mediante cheques de sua emissão. Aduziu não ser o beneficiário direto de nenhum valor, tendo seu nome constado como favorecido nos cheques apenas por exigência da instituição financeira quando da utilização dos mesmos para pagamentos de diversos títulos e saques, não mantendo controles individuais pertinente a cada cheque e os títulos a ele vinculados. Sem opor qualquer contraprova a ação fiscal descartou sumariamente aquelas informações, mesmo considerando o vínculo empregatício de Reginaldo Furlan com a autuada. Ao renunciar qualquer investigação adicional capaz de comprovar que os recursos efetivamente se destinaram ao funcionário, não laborou para a perfeita caracterização da incidência tributária de que trata o art. 674 do RIR de 1999. Dos 27 cheques nominais ao citado funcionário relacionados pelo Fisco, cerca de 50% identificam os respectivos valores como “Diversos Recebimentos” acolhidos pela instituição financeira, como se verifica do histórico por ela utilizado no próprio extrato da conta. As demais importâncias informam “Cheque Espécie”, denotando pagamento de títulos em cobrança na própria instituição financeira, e saques de valores inferiores a R$ 5.000,00, não sujeitos a taxas bancárias, como se Fl. 777DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 778 7 verifica pelo histórico por ela utilizado no próprio extrato da conta. Os recebimentos assinalados correspondem a quitação de títulos/obrigações comerciais assumidos pela emitente dos cheques, não se confundindo com pagamentos efetuados ao executor dos serviços bancários. Portanto, o que se poderia admitir, apenas para argumentar, é que o suposto beneficiário dos respectivos cheques tem vínculo com a empresa a quem foi atribuída a titularidade da conta bancária. Nesse contexto, todos os rendimentos recebidos da pessoa jurídica, tais como, salários, ordenados, vencimentos, vantagens, gratificações, interesses, prêmios, mesmo que não nominalmente identificados, configuram rendimentos do trabalho assalariado e como tal, tributáveis nos termos do art. 43 do RIR de 1999. No presente caso, tratase de beneficiário identificado e vinculado à empresa, sua única fonte de rendimentos. Assim, qualquer que seja a natureza dos rendimentos devem ser tributados conforme o disposto no art. 620 do RIR de 1999. Uma vez identificado o beneficiário, e sendo pessoa com vínculo empregatício aplicase a retenção do IRRF como antecipação do devido na declaração do beneficiário e nesse caso, conforme o Parecer Normativo 01/2002, a responsabilidade pelo pagamento do imposto e a exigência do tributo é do beneficiário dos rendimentos, não a fonte pagadora, nos termos do item 16 do referido parecer. Assim, estando perfeitamente identificado o beneficiário e incerta a ocorrência de algum pagamento a essa pessoa, desaparece o suporte fático caracterizador das hipóteses de incidência previstas no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Faltou à fiscalização investigar e comprovar que o beneficiário é terceiro não vinculado à empresa como funcionário encarregado pelos serviços bancários da empresa e que direta e efetivamente recebeu em proveito próprio o pagamento sem causa. Essa tributação tem como materialidade de incidência e base de cálculo, o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas. Mas, pagamento não é base de cálculo do imposto de renda por absoluta ausência dessa materialidade de incidência. Pagamento não traduz acréscimo patrimonial mas sim decréscimo. Por isso, não tem signo de renda como exige o art. 43 do CTN, refletindo o comando legal a instituição de uma efetiva penalidade, dissimulada como imposto de renda para punir o pagamento a beneficiário não identificado. Nesse contexto de uma efetiva penalidade, é impossível aplicar conjuntamente a multa de ofício de 75% ou de 150%, pois isso representaria um bis in idem inadmissível. Não estando presente a figura da fraude no art. 61, de forma alguma poderia ser aplicada multa no percentual de 150%. As pessoas físicas não se manifestaram sobre a responsabilidade tributária. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 779 8 (...)" A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão DRJ/RPO 14 38.226, de efls. 719 a 730, tendo se mantido, ali, assim, o crédito lançado em sua integralidade. Insurgese, agora, a autuada contra a decisão de piso através de Recurso Voluntário de efls. 736 a 750, onde reitera as alegações anteriormente trazidas em sede de impugnação, alegando, ainda, supletivamente, em síntese: a) Quanto ao erro na identificação do sujeito passivo, reclama que a decisão aqui recorrida não fez nenhuma menção à atividade empresarial de factoring, desenvolvida pela Sra. Maria Sonia Furlan e quanto à possibilidade de equiparação da pessoa física á jurídica; b) Quanto à argumentação de cerceamento de direito de defesa, reitera a falta de entrega de elemento necessário ao cálculo do tributo devido, em seu entender ponto não devidamente enfrentado pelo decisum recorrido; c) Quanto aos pagamentos sem causa, forma de tributação e responsabilidade da fonte pagadora, retoma os argumentos já tecidos em sede de impugnação, a seu ver também não devidamente enfrentados pela decisão da autoridade julgadora de 1a. instância. Propugna pela nulidade do auto de infração ou, subsidiariamente, caso não se reconheça a nulidade do lançamento, que, com o acolhimento de suas razões, seja reconhecida sua improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator Verifico que o recurso em questão foi postado somente em 17/10/12 (efl. 752), de forma intempestiva, considerada a ciência presumida da decisão de 1a. instância ocorrida em 25/08/12 (conforme termo de decurso de prazo de efl. 734, lavrado em 28/08/12). Mais especificamente, considerada tal ciência, integralmente respaldada pelo teor do inciso III, alínea "a" e §§2o, inciso III, alínea "a" e 4o., ambos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, o prazo para interposição do Recurso Voluntário se esgotou em 26/09/12. Assim, diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, considerada sua intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 779DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18088.720391/201196 Acórdão n.º 2201002.709 S2C2T1 Fl. 780 9 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 15504.726926/2013-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
COOPERATIVA DE SAÚDE. CONTRIBUIÇÃO 15%. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide 15% de contribuições previdenciárias sobre a prestação de serviço de saúde prestado por cooperativas, por não se caracterizar cooperativa de trabalho.
Numero da decisão: 2803-004.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pela conclusões.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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CONTRIBUIÇÃO 15%. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide 15% de contribuições previdenciárias sobre a prestação de serviço de saúde prestado por cooperativas, por não se caracterizar cooperativa de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pela conclusões. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 69 26 /2 01 3- 58 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário que manteve o Auto de Infração de Obrigação Acessória que manteve o crédito lançado referente à incidência do disposto no art. 22, IV, da Lei n.8.212/1991, com a redação da Lei 9876/1999, da contribuição previdenciária de 15% sobre o pagamento de cooperativas de serviços médicos (UNIMED). O período do lançamento do crédito engloba diversas competências de 01/2005 a 12/2007. A intimação inicial deuse em 16.07.2013. O Recurso Voluntário alega ser improcedente o lançamento em razão dos seguintes motivos: ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição cobrada. Vieram os autos para apreciação nesta turma especial. É o relatório. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Primeiramente, devese atentar para o entendimento inaugural de Turma Especial, que já havia reconhecido que a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n.8.212/1991, com a redação da Lei 9876/1999, não incidiria sobre a contratação de cooperativas de serviços médicos. No caso presente, reforça o meu entendimento em razão de que a Recorrente comprova nos autos de que os reais beneficiários e tomadores dos serviços da Cooperativa de Serviço Médico (Unimed)são os empregados e diretores, bem com são deles integralmente os com tal prestação de serviço, como se verifica mediante comparação do boleto/fatura e os recibos de pagamento de vencimentos dos empregados. Ou seja, a empresa além de não se beneficiar de tais serviços, ela também não é a real contratante, mas seus empregados. Peço vênia e paciência aos demais conselheiros e contribuintes para transcrever o voto vista do Cons. Amílcar Teixeira, proferido e lido no dia 21.11.2013, nos autos do processo n. 10660.721971/201138, mas que ainda está em apreciação desta turma na sessão de janeiro de 2014: Solicitei vistas destes autos objetivando realizar um estudo mais aprofundado sobre a matéria, tendo em conta que o assunto, desde a sua implementação pela Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, vem sendo motivo de calorosos debates entre o Fisco Federal, tomadores de serviços das cooperativas de trabalho e também das próprias cooperativas do referido ramo. Os debates referidos no parágrafo anterior ocorreram e ocorrem tanto no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, como também no âmbito do contencioso judicial. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 6 5 A propósito, a discussão sobre a obrigatoriedade de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, já chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF, e é objeto de ADIN, bem como de Repercussão Geral, estando as duas situações ainda pendentes de julgamento. Em seu recurso, o contribuinte demonstra indignação em face do resultado obtido no julgamento de sua impugnação. De acordo com o relatório elaborado pelo relator originário, o Conselheiro Oseas Coimbra Júnior, “tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. O DEBCAD 37.286.2454 se refere às contribuições de 15% da empresa sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços por cooperativas, no período de 05/2006 a 12/2010, compreendendo os levantamentos CT, CT1 e CT2”. Como se pode observar, a autoridade lançadora realizou seu trabalho sem qualquer investigação sobre o fenômeno da prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, e sequer cogitou de a prestação de serviços ter sido realizada em atividade exclusiva de assistência à saúde, situação que mereceu especial atenção do próprio legislador ao elaborar a lei que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e que instituiu o Plano de Custeio, ou seja, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Do mesmo modo, entendeu o ilustre relator quando afirma em seu voto que “demonstrada a contratação com cooperativa de trabalho, para a prestação de serviços prestados por cooperados, devida a contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91”. Notase, pois, que a exemplo da autoridade lançadora, o relator Oseas Coimbra Júnior também dispensou qualquer analise mais acurada dos fatos e entendeu pela manutenção do lançamento, aplicando diretamente a regra do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. No ponto, alerto mais uma vez, que a prestação de serviços em questão diz respeito exclusivamente à assistência à saúde, matéria que, como já mencionado, mereceu especial atenção do legislador. Mais adiante, cuidaremos da explicitação a respeito da tal atenção especial do legislador quando o assunto versar sobre assistência à saúde. Seguindo em frente, com a manutenção do lançamento pelo acórdão recorrido, o contribuinte alega, dentre vários argumentos, o seguinte: A Recorrente é simplesmente mandatária dos seus associados, não contratando diretamente os serviços da cooperativa de Fl. 476DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 7 6 médicos, mas, sim, viabilizando a contratação dos serviços, diretamente por cada um dos seus associados, consumidores finais, e, portanto, tomadores daqueles serviços. A contribuição previdenciária de que se trata é legal sob a justificativa de que sua incidência se reporta ao rendimento pago à pessoa física que se insere numa cooperativa, mas presta serviço diretamente à empresa, a Recorrente não pode ser contribuinte da exação, pois, quem se beneficia do serviço prestado é a pessoa física associada à entidade, sendo aquela pessoa física que efetivamente paga a contraprestação financeira ao cooperado. Inexiste relação jurídico tributária entre a Recorrente e a União Federal. (grifouse e destacouse) Os argumentos do contribuinte, com se vê, estão em perfeita sintonia com a vontade do legislador, conforme se pode inferir de parte da exposição de motivos da Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Proposta Propõese que a contribuição previdenciária a cargo à empresa, quando da contratação de contribuintes individuais, mesmo que por intermédio de cooperativas de trabalho, seja a mesma que aquela existente quando da contratação de segurados empregados. Notese que, no caso de autônomos com baixo valor de remuneração sujeita a contribuição, esta medida significa uma redução da carga global de contribuição (a redução da parcela do contribuinte individual mais do que compensa o aumento da parcela a cargo da empresa), estimulando a filiação do contribuinte à Previdência Social. Com isso, haverá a equalização do custo previdenciário da mão deobra para as empresas no que se refere à contratação dos contribuintes individuais e empregados, eliminandose o atual viés favorável à redução de empregos formais, exercido pela estrutura de alíquotas previdenciárias em vigor. Na proposta está prevista a majoração da alíquota patronal quando da contratação de contribuintes individuais, concomitantemente à instituição de mecanismo de compensação na contribuição do segurado. Este poderá deduzir de sua contribuição até 9 pontos percentuais da alíquota que incide sobre o seu saláriodecontribuição, de forma a neutralizar a elevação da contribuição da empresa. O referido mecanismo de compensação também inibe fraudes no sistema, pois o contribuinte individual tornase fiscal das contribuições da empresa, devido à necessidade de comproválas para obter a redução em sua própria contribuição. Além disso, há o incentivo à formalização do vínculo entre contribuinte individual e empresa, porque a prestação de serviços a empresas implica redução da carga contributiva para o contribuinte individual. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 8 7 No caso da intermediação das cooperativas de trabalho, a atual sistemática de contribuição, em que cabe à cooperativa a contribuição patronal de quinze por cento sobre os valores distribuídos aos cooperados, temse revelado frágil diante dos diferentes artifícios legais criados para evadir a contribuição previdenciária, tais como: a inclusão de pessoas jurídicas na condição de cooperadas ao lado de pessoas físicas, a criação de uma série de fundos estatutários como forma de diminuir a distribuição da retribuição pelos serviços prestados, o reinvestimento dessa retribuição e outras. Proposta Propõese estabelecer que a contribuição da empresa contratante dos serviços por intermédio de cooperativas de trabalho incida sobre o valor bruto da nota fiscal', ou fatura, cuja base de cálculo é de imediato conhecida. Tratase de uma sistemática de fácil operacionalização e que propiciará um controle efetivo sobre a contribuição desse segmento. A medida proposta encontra similitude naquela já adotada para outros segmentos econômicos, a exemplo do que ocorre com os clubes de futebol profissional, cuja contribuição incide sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. O percentual proposto de quinze por cento decorre do fato de que o valor pago pelo tomador de serviços do cooperado, contratado mediante a interposição de cooperativa de trabalho, não é totalmente distribuído a ele. Parte do pagamento é destinada a despesas administrativas, tributárias e constituição de fundos de reserva. Assim, o valor distribuído ao cooperado corresponde ao valor bruto da nota fiscal ou fatura, deduzidas as parcelas antes referidas, diferentemente do que ocorre quando a empresa contrata um contribuinte individual que não é cooperado, onde a remuneração não sofre qualquer abatimento. Neste último caso, a contribuição pretendida é de vinte por cento sobre a totalidade da remuneração. Logo, o percentual proposto, quando há a intermediação da cooperativa de trabalho, a incidir sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, deve ser tal que produza a mesma contribuição que o percentual de vinte por cento sobre a parcela destinada ao cooperado, em igualdade de condições a um contribuinte individual que não é cooperado. Partindo deste pressuposto, e analisando diversas planilhas de custos e distribuição de remunerações a cooperados em diferentes cooperativas, de segmentos variados, verificase que, em média, os valores correspondentes a despesas administrativas, tributárias e fundos de reservas correspondem a vinte e cinco por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, destinandose, o restante – setenta e cinco por cento – à retribuição do cooperado. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 9 8 Assim, buscando a isonomia de tratamento entre as diferentes formas de contratação, o percentual a incidir sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços é aquele correspondente a vinte por cento sobre os setenta e cinco por cento distribuídos ao cooperado, o que resulta em um percentual de quinze por cento, conforme proposto. Em outras palavras, é um percentual que mantém constante a contribuição previdenciária, independentemente de a empresa contratar um cooperado ou outro contribuinte individual. Não cabe aqui o argumento de que se estaria instituindo uma nova modalidade de custeio, diferente daquelas autorizadas pelo art. 195 da Constituição, para o que seria necessária a edição de Lei complementar. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviço a terceiros, senão aos próprios cooperados. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. O terceiro que contrata a cooperativa é, na verdade, tomador dos serviços do cooperado, em igualdade de condições com aquele que contrata qualquer outro contribuinte individual. Um trabalhador, seja ele empregado ou contribuinte individual, seja diretamente ou por intermédio de cooperativa de trabalho, de tal forma a, mais uma vez, resguardarse o caráter de neutralidade da Previdência Social diante das diversas formas e possibilidades de contratação de mãodeobra. (grifouse e destacouse) Da leitura dos argumentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com a vontade do legislador, nomeadamente nos pontos em destaque, é possível concluir que a norma impositiva (Inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91) diz respeito somente à situação em que a empresa se beneficia de forma direta dos serviços que lhes são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que definitivamente não é o caso dos autos. Neste contexto, numa clara evolução do julgador administrativo, considerando a similitude das situações, os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, na sessão de 20 de janeiro de 2012, no julgamento do Processo 11444.000189/200984, Acórdão nº 240102.243, assim decidiram por unanimidade de votos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO Fl. 479DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 10 9 RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. (grifouse e negritouse) Ao tratar especificamente do fato gerador e a sua previsão legal, o Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo teve o seguinte posicionamento: Assim dispõe o art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991: Art 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestado por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Da norma acima, podese extrair que o fato gerador da contribuição em questão é a prestação de serviços à empresa pelos cooperados, os quais tenham sido intermediados por cooperativa de trabalho. Assim, somente configurase a hipótese de incidência se: A destinatária da prestação de serviços for a empresa; Os serviços forem prestados por pessoa física; e A contratação tenha se dado por intermédio de cooperativa de trabalho (...) De acordo com a norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, dos requisitos a justificar a exação é a prestação de serviço ao sujeito passivo, o que não se verifica para o Sindicato, uma vez que os serviços não foram prestados aos funcionários do mesmo. O que ocorreu foi a disponibilização dos serviços médicos a filiados de sua base, porém, o custeio da parcela que foi faturada em nome da entidade sindical foi o valor integral descontado dos trabalhadores. Não se vê na espécie o Sindicato custeando qualquer parcela pelos serviços executados, mas apenas figurando como intermediário no repasse da quantia de responsabilidade dos beneficiários, seus filiados. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 11 10 Situação diversa ocorreria se o Sindicato estivesse suportando todo o ônus do contrato, ou mesmo se as faturas tivessem sido integramente emitidas em seu nome, Verificase, no caso em tela, que deve ser aplicada a norma do art. 293 da Instrução Normativa – IN nº 03/2005 (vigente no período do lançamento), a qual prevê que, nos contratos de plano de saúde coletivo, havendo uma fatura correspondente à parte do empregador no custeio do plano e outra vinculada ao encargo dos beneficiários, apenas deve incidir contribuição sobre o valor faturado contra a empresa, verbis: Art. 293. Na celebração de contrato coletivo de plano de saúde da cooperativa médica ou odontológica com empresa, em que o pagamento do valor seja rateado entre a contratante e seus beneficiários, deverão ser consideradas, para efeito da apuração da base de cálculo da contribuição, nos termos dos arts. 291 e 292, as faturas emitidas contra a empresa. Parágrafo único. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. A situação que ora se analisa pode ser equiparada à hipótese tratada na norma acima, uma vez que o valor da fatura destinada ao Sindicato é exatamente o montante descontado dos beneficiários do plano de saúde. Nesse sentido, sou forçado a admitir que, na espécie, somente caberia tributação sobre o valor arcado pela SANTA CRUZ, sendo improcedentes as contribuições lançadas contra o Sindicato da categoria profissional a que pertencem os beneficiários da prestação de serviços médicos realizada pela UNIMED DE OURINHOS. (grifouse e negritouse) A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. De qualquer modo, o que se deve observar, em casos como o em discussão, é a verdade material, assunto que será tratado adiante. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, in verbis: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 12 11 Art. 1º. A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde complementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, quando entrou em vigor a Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, in verbis: Art.1oSubmetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a Fl. 482DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 13 12 sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IPlano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IIOperadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IIICarteira:o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o §1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §1oEstá subordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS qualquer modalidade de produto, serviço e contrato que apresente, além da garantia de cobertura financeira de riscos de assistência médica, hospitalar e odontológica, outras características que o diferencie de atividade exclusivamente financeira, tais como: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) a)custeio de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) b)oferecimento de rede credenciada ou referenciada; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) c)reembolso de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) d)mecanismos de regulação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) e)qualquer restrição contratual, técnica ou operacional para a cobertura de procedimentos solicitados por prestador escolhido pelo consumidor; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177 44, de 2001) Fl. 483DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 14 13 f)vinculação de cobertura financeira à aplicação de conceitos ou critérios médicoassistenciais. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §2oIncluemse na abrangência desta Lei as cooperativas que operem os produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, bem assim as entidades ou empresas que mantêm sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §3oAs pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior podem constituir ou participar do capital, ou do aumento do capital, de pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob as leis brasileiras para operar planos privados de assistência à saúde. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §4oÉ vedada às pessoas físicas a operação dos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 5o É vedada às pessoas físicas a operação de plano ou seguro privado de assistência à saúde. Com efeito, não há qualquer sombra de dúvida a respeito da natureza jurídica das cooperativas que atuam na área da saúde suplementar, ou seja, tais cooperativas há muito tempo já não são consideradas como cooperativas de trabalho pelo Poder Público. Nesse compasso, considerando a forma em que a fiscalização foi realizada, nomeadamente no que concerne à descrição do fato gerador da exação discutida, bem como em relação à análise do relator originário, podese afirmar com absoluta segurança que a verdade material não foi perseguida por aqueles que me antecederam. A verdade material, como é do conhecimento dos operadores do direito, constituise num dos princípios específicos do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dela ninguém pode imiscuirse. Sobre o assunto, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (In Processo Administrativo Fiscal Feral Comentado. – 2. Ed. – São Paulo : Dialética, 2004. p. 74) asseveram: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou Fl. 484DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 15 14 verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos”. Vêse, portanto, que determinar o fato gerador sob a alegação de que se trata de cooperativa de trabalho e, por isso, devese aplicar diretamente o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sem buscar a verdade material exposta pelos doutrinadores acima citados, data máxima vênia, é prova cabal de que a constituição do crédito tributário não atendeu às exigências previstas no CTN, em especial aquelas descritas no art. 142 do referido diploma legal. Ademais, no caso destes autos, tanto a autoridade administrativa lançadora, os julgadores de primeira instância administrativa, com também o ilustre relator originário deixaram de observar que a prestação de serviços foi realizada em atividade exclusiva de assistência a saúde, mediante convênio saúde firmado por uma cooperativa operadora de plano de assistência à saúde com a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região. Não observando importante detalhe envolvendo a prestação de serviços na área da saúde suplementar, entendo que aqueles que me antecederam falharam em seus julgamentos, pois deixaram de observar o comando inserto no § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, que remetendo o assunto para o § 9º do art. 28 do 28 do mesmo diploma legal, criou uma regra de não incidência tributária condicionada. Os dispositivos legais citados contém a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empesa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º. Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras Fl. 485DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 16 15 similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ora, se não integram o saláriodecontribuição os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, como é o caso dos autos, a única maneira para efetuar o lançamento em discussão, seria o enquadramento da relação contratual às disposições contidas na parte final da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na hipótese de a cobertura não abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Obviamente que os associados aposentados, pensionistas e idosos de Varginha e região não se enquadram na figura de empregados da associação. Contudo, entendo que eles se equiparam à dirigentes da empresa, tendo em vista que constituíram a associação para que ela cuide dos seus interesses associativos. Apesar de nem todos ocuparem posições diretivas ou fiscalizatórias na entidade, não existe nenhum impedimento legal para que aqueles que interessarem pela condução direta da entidade, candidate aos referidos postos. Destarte, por se tratar expressamente de regra de não incidência de tributos, concordo parcialmente com os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, quando eles por unanimidade deram provimento ao recurso voluntário do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia de Ipauçu, de acordo com o que consta no Acórdão 240102.243, originário da Sessão de 20 de janeiro de 2012, que julgou o Processo 11444.000189/200984. A concordância parcial, explico, se dá pelo simples motivo de os membros da citada Turma não terem estendido o provimento também à empresa Santa Cruz. O fato de a empresa ter arcado às suas expensas com parte do custo com o plano de saúde firmado com a Unimed de Ourinhos, sem a estrita observância da verdade material c/c as regras da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para mim não atendeu os regramentos dispostos na legislação de regência. Como já referido anteriormente, no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento, situação que, objetivamente, não foi observada nestes autos. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 17 16 Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contração de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência prevista na Lei de Custeio da Previdência Social. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Ao voto transcrito acima, filiome integralmente de forma a tornálo parte integrante do presente voto. Ainda, mesmo com o aprofundado estudo do Cons. Amílcar Teixeira, entendo apenas que deve ser acrescentado um ponto: a impossibilidade da legislação tributária, em especial a infralegal, alterar conteúdo e alcances das instituições e conceitos do direito privado. Ao caso ficou claro que a legislação privada que regula as atividades das cooperativas separa cooperativas de trabalho e cooperativas de serviços médicos, como plenamente já explanado. Inclusive cada um dos tipos tem especificações, conteúdos e regimes jurídicos próprios e diversos. Ou seja, não pode a legislação tributária, sem previsão legal específica, ser amalgamada para fins de incidência tributária, sob ofensa ao princípio da legalidade e de interpretação restritiva dos institutos de direito privado (art. 150, da CF/1988, arts. 97, 110 e 111 do CTN). “As empresas que operacionalizam planos de saúde repassam a remuneração do profissional médico que foi contratado pelo plano e age como substituta dos planos de saúde negociados por ela, sem qualquer outra intermediação entre cliente e serviços médicohospitalares. Nesse caso, não incide a contribuição previdenciária" (REsp 633134/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 16.9.2008). Outros precedentes: EDcl nos EDcl no REsp 442829/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 25.2.2004; EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 442829/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.5.2004). De fato, estamos perante a mais um caso de nãoincidência, pois as cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regramatríz de imposição tributária obtida do inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91. III De qualquer forma, como argumento suplementar, devese também observar que em recente julgamento do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n. 595838, no dia 23.04.2013, sob os auspícios de efeitos de repercussão geral, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei n. 8.212/1991, justamente o fundamento principal da exação em questão: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 18 17 EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.(RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 0810 2014) Em recente apreciação dos embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional, em 19 de dezembro de 2015, os mesmos foram rejeitados pelo STF, mantendo integralmente a decisão supra, sem qualquer modulação de efeitos. Até a finalização do presente voto, não ocorrera a publicação da decisão de rejeição dos embargos. Entendimento esse acima, após o trânsito em julgado de tal julgamento, será cogente perante o presente Conselho (art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF). IV – Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, no sentido de reformar a decisão recorrida e cancelar o crédito lançado. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.726926/201358 Acórdão n.º 2803004.049 S2TE03 Fl. 19 18 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 489DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.932852/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente e Relator
documento assinado digitalmente
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator “documento assinado digitalmente” Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 32 85 2/ 20 09 -5 6 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 209 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), relativamente ao período de apuração de abril de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, unidade administrativa que primeiro apreciou o pedido formulado pela contribuinte, decidiu pela não homologação da compensação (Despacho Decisório nº 848544198, de 07/10/2009 – fls. 30). No Despacho Decisório acima mencionado resta consignado: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 09), momento em que argumentou: que apurou o IRPJ Estimativa Mensal no mês de abril/2005 no montante de R$ 5.882.244,10, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente, mas, posteriormente, constatou erro na referida apuração; que apurou uma nova estimativa de IRPJ para o período em referência no valor de R$5.568.688,47, gerando, assim, um recolhimento indevido no montante de R$ 313.555,63; que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ; que o indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP; que o entendimento esposado no Despacho Decisório destoa dos pronunciamentos do então Conselho de Contribuintes sobre a matéria; que não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada; que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria Receita Federal em relação ao tema em questão. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 210 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0226.058, de 17 de março de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 77/97, em que, em apertada síntese, sustentou a nulidade do acórdão recorrido, em razão de uma suposta confusão sobre o período de ocorrência do fato gerador do tributo e erro na indicação da fundamentação; e a necessidade de reforma da decisão de primeira instância e o conseqüente cancelamento da cobrança, haja vista a regularidade da compensação efetuada. Esclarece que fez um pedido alternativo em sua manifestação de inconformidade com o intuito de preservar o seu direito à restituição do indébito, caso a compensação não fosse homologada, e que, por meio da peça recursal, reitera tal pedido. Em uma primeira apreciação, esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem, tomando por base documentos colhidos junto à contribuinte, informasse se efetivamente estarseia diante de erro na apuração da antecipação obrigatória recolhida. Em caso positivo, que fosse informado o montante que deveria ser considerado como PAGAMENTO INDEVIDO (Resolução nº 1301 000.224, de 24/09/2014). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte aportou ao processo a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 194/196, da qual releva reproduzir os seguintes fragmentos: [...] para cumprir estas determinações exaradas pelo colegiado, o contribuinte foi, pelo Termo de intimação datado de 14/05/2015, com ciência via postal em 18/05/2015, intimado a: Apresentar cópia dos Balanços/Balancetes de suspensão/redução transcritos nos Livros fiscais, que demonstrem a apuração dos resultados do ano calendário de 2005, em especial o do mês de abril de 2005, cujo resultado serviu de base para a empresa considerar a maior o valor de R$ 313.555,63, efetuado a título de pagamento da estimativa deste mês, com recolhimento original de R$ 5.568.688,47. (GRIFO DO ORIGINAL) Em 29/05/2015 o contribuinte apresentou sua resposta e juntou os documentos probatórios abaixo relacionados, que passaram a fazer parte integrante do presente processo: Cópia do Termo de Intimação Fiscal (doc 01); Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 211 4 Balancete do mês de abril de 2005 (doc 02); Cópia do Livro de Apuração do Lucro real – Lalur do ano calendário de 2005 (doc 03), sendo anexadas somente as fls. referentes a apuração do mês de abril; Memória de cálculo e ficha 11 da DIPJ/2006 retificadora – Cálculo do Imposto de renda Mensal por estimativa, anocalendário 2005 (doc 04); Darf do valor de R$ 5.882.244,10, referente ao mês de abril de 2005 (doc 05); DCTF retificadora e original referente a informação do IRPJ, código 2362, (doc 06). Diante de todo o exposto e das informações e documentação apresentadas, procedi a análise das mesmas e cheguei ao seguinte entendimento: O contribuinte, como documentação comprobatória de seus argumentos, apresentou o balanço CEMIG – Geral – Tributos do mês de abril de 2005, onde está demonstrado que o fechamento do lucro líquido até este mês totalizava R$ 204.039.546,97. Ainda, pela cópia do Lalur – Livro de Apuração do Lucro Real do ano calendário de 2005 apresentada, constou registrado como Lucro Real, no fechamento de 30 de abril de 2005, após os ajustes das adições e exclusões, o montante de R$ 248.957.826,25. Este lucro resulta no IRPJ apurado de R$ 37.343.673,94 e adicional de R$ 24.887.782,63. Também, na memória de cálculo das apurações do anocalendário de 2005 apresentada, que espelha fielmente a transcrição das fichas 11 e 12A da DIPJ/2006, cópia anexa, foi assinalado como valor devido da estimativa do IRPJ do mês de abril, após as deduções permitidas, o montante de R$ 5.568.688,47. Cabe ressaltar que o contribuinte, na apuração do ajuste anual, incluiu somente como pagamento de estimativa deste mês de abril de 2005 o valor considerado devido em suas apurações ajustadas de R$ 5.568.688,47, valor este integralmente recolhido. Assim, ficou justificado o pedido de compensação realizado pelo contribuinte através do PerDcomp sob apreciação, onde o crédito pleiteado de R$ 313.555,63, teve origem no recolhimento da estimativa do mês de abril de 2005, no montante de R$ 5.882.244,10, efetuado de forma equivocada a maior, cuja apuração demonstrada no presente processo traduziu em um valor a recolher de R$ 5.568.688,47. De forma acertada, a empresa transmitiu a DIPJ/2006 com as apurações de estimativas e resultado final atualizados, pois já havia ajustado as informações das estimativas prestadas à RFB, via entrega de DCTF mensais retificadoras. A DCTF referente ao mês de abril/2005, transmitida em 07/06/2005, arquivada sob o nº 100.0000.2005.1850003910, que continha como valor devido da estimativa de abril do IRPJ o montante de R$ 5.882.244,10, foi retificada em 02/10/2008, arquivada sob o nº 100.0000.2008.1810400981, registrando o valor devido de IRPJ de R$ 5.568.688,47. Finalizando, após a análise da documentação e sistemas da RFB necessárias à conclusão da solicitação do colegiado, restou comprovado que o contribuinte efetuou recolhimento a maior de forma indevida. Houve, portanto, incorreção na apuração inicial da estimativa do IRPJ do mês de abril de 2005. Assim, deve ter seu direito de crédito reconhecido pelo valor da diferença recolhida a maior, no montante de R$ 313.555,63. (GRIFEI) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 212 5 Seguindo as orientações do Acórdão nº 1402001.903 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 03/02/2015, o contribuinte deverá ser cientificado do teor deste relatório fiscal e, reaberto o prazo para manifestação para, se assim desejar, aditar razões. Embora cientificada do resultado da diligência, conforme aviso de recebimento de fls. 200, não identifico pronunciamento da contribuinte acerca do resultado da diligência realizada. É o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 213 6 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Durante a discussão na sessão de julgamento a maioria do colegiado concluiu pela necessidade conversão do julgamento em diligência, com vistas à oportunizar à recorrente a apresentação de elementos que possam comprovar, efetivamente, a ocorrência do erro de fato na apuração da base de cálculo das estimativas recolhidas, que deram ensejo ao presente pedido de restituição/compensação. Tendo sido designado para redigir o voto vencedor, passo a análise dos fatos. O ilustre relator, Conselheiro Wilson Guimarães, apresentou em seu voto (vencido) uma breve contextualização da querela, da qual me valho por bem retratar a discussão que levou o colegiado a decidir converter o julgamento em diligências, verbis: Cuida o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), relativamente ao período de apuração de abril de 2005. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude do entendimento nas instâncias precedentes de que o aproveitamento de antecipações obrigatórias só pode ser feito na apuração final do resultado fiscal, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, PAGAMENTO A MAIOR ou INDEVIDO. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na RECEITA BRUTA. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida. Obviamente, se, exemplificadamente, o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado ou para um montante inferior ao que foi recolhido, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 214 7 legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO). No caso vertente, embora a decisão de primeira instância tenha assinalado que "o contribuinte apurou o IR a antecipar, a titulo de "estimativa mensal" através do levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução", tendo encontrado "no mês de abril/2005 um IRPJ a pagar no valor de R$ 5.882.244,10", não foram identificados elementos capazes de confirmar essa assertiva, isto é, não foram reunidos ao processo elementos capazes de indicar que o pagamento de R$ 5.882.244,10 foi efetuado com base em balanço de suspensão ou redução. Não custa ressaltar que o registro feito na decisão a quo no sentido de que a regra geral na determinação da estimativa é a aplicação de percentual sobre a receita bruta e de que a apuração com base em balanços/balancetes de suspensão deve ser efetuada até a data do vencimento da obrigação, em um primeiro momento, conduz à conclusão de que efetivamente não estaríamos diante de PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO, mas, sim, de reapuração de estimativa, promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Diante dessas circunstâncias, na sessão realizada em 24 de setembro de 2014 esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1301000.224) para que a unidade administrativa de origem informasse, com base no acervo contábil e fiscal da contribuinte, se efetivamente houve ERRO na apuração da antecipação obrigatória recolhida. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte aportou ao processo Relatório Fiscal, no qual afirma ter havido erro por parte da contribuinte no recolhimento da estimativa de IRPJ correspondente ao mês de abril de 2005. Tal conclusão foi, nos termos do referido relatório, amparada na análise empreendida nos seguintes documentos: balancete do mês de abril de 2005; cópia do Livro de Apuração do Lucro real – Lalur do ano calendário de 2005 (mês de abril); memória de cálculo e ficha 11 da DIPJ/2006 retificadora – Cálculo do Imposto de renda Mensal por estimativa, anocalendário 2005; DCTF retificadora e original referente a informação do IRPJ, código 2362. A diligência requerida objetivou aclarar se, de fato, houve pagamento a maior, ou, ao contrário disso, a contribuinte refez os cálculos de modo a igualar os recolhimentos por estimativa ao efetivamente devido, de modo que os valores recolhidos a maior, mas efetivamente devidos, ao invés de constituírem saldo negativo, passaram a representar pagamentos indevidos. Tais valores, ao serem considerados como tal (pagamento indevido), passam a render juros a partir do mês seguinte ao que foram recolhidos. O resultado da diligência retratado no documento de fls. 194/196, entretanto, a meu ver, embora conclua pela existência de pagamento indevido, não aponta o suposto erro cometido na determinação do valor que foi objeto de recolhimento e nem indica documentos que poderiam comprovar tal ocorrência. O referido documento, inclusive, faz referência à "incorreção na apuração inicial da estimativa do IRPJ do mês de abril de 2005", porém, não traz um único documento que permita conhecer essa "apuração inicial", de modo a evidenciar o "erro" alegado pela Recorrente. Do ponto de vista documental, seria essencial a apresentação da DIPJ original, devidamente acompanhada da memória de cálculo da estimativa de abril de 2005. Se o recolhimento foi efetuado, com o alegado "erro", com base em balanço de suspensão ou redução, teria sido fundamental, também, a comprovação de que a já referenciada Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 215 8 apuração inicial foi, nos termos da legislação de regência, retratada em balanços ou balancetes devidamente transcritos no Livro Diário até a data fixada para o pagamento do imposto. A diligência foi requisitada dentro do contexto de que, em termos fáticos, efetivamente poderia ter havido ERRO capaz de caracterizar a ocorrência de PAGAMENTO INDEVIDO, embora, como se verá adiante, os elementos reunidos ao processo, considerados na situação em que nem mesmo por meio de diligência fiscal houve comprovação de "erro", possam levar à convicção de que não estamos diante de pagamento indevido. [...] Como bem retratado pelo d. relator, as instâncias administrativas precedentes haviam rejeitado a homologação da compensação pleiteada sob o fundamento de que a legislação somente admitia a compensação de estimativas ao final do período de apuração (compondo eventual saldo negativo). As decisões proferidas, portanto, não examinaram o mérito da existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Em assentada anterior, este colegiado, superou o entendimento quanto a impossibilidade de compensação de estimativas pagas a maior e houve por bem determinar a conversão do julgamento em diligências para que a unidade de origem verificasse a comprovação do suposto erro de apuração da estimativa que originou o pedido de compensação. A autoridade fiscal responsável pela diligência, intimou a interessada (efls. 142) a apresentar "cópia dos Balanços/Balancetes de suspensão/redução transcritos nos Livros fiscais, que demonstrem a apuração dos resultados do anocalendário de 2005, em especial o do mês de abril de 2005, cujo resultado serviu de base para a empresa considerar a maior o valor de R$ 313.555,63, efetuado a título de pagamento da estimativa deste mês, com recolhimento original de R$ 5.568.688,47". Ao concluir a diligência (efls. 176/177), a autoridade fiscal considerou satisfatórios os elementos apresentados para comprovar o pagamento a maior e reconhecer a diferença dele advinda como pagamento indevido. Ocorre que não foram trazidos aos autos elementos que demonstrassem o alegado erro de fato que deu origem à diferença, com indicação dos valores da apuração original que foram retificados e demonstração de que a revisão do valor não decorre da mudança critério de apuração utilizado inicialmente (estimativas com base na receita bruta x balanço/balancete de suspensão ou redução). Diante deste quadro, o d. relator entendeu não existirem nos autos os necessários elementos de comprovação do erro de fato cometido que justificaria a restituição de indébito de estimativa e não de eventual saldo negativo ao final do período. Desta feita, a maioria do colegiado, divergindo do encaminhamento do voto do relator, considerou que, como a discussão original se restringira à possibilidade legal de reconhecimento de indébito de estimativas, sem examinar os fatos, e que, diante dos elementos apresentados pela recorrente em sede de diligência, a autoridade fiscal manifestouse pela existência do indébito, seria razoável oportunizar à interessada a trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar cabalmente o erro alegado. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 216 9 Ante ao exposto, resolveu o colegiado, converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) junte aos autos cópia integral da DIPJ, original, do anocalendário 2005 apresentada pela recorrente; b) intime a recorrente a: b.1) informar o método de apuração da estimativa mensal (Receita Bruta x Balanço de Suspensão/Redução) do mês de 04/2005, utilizado nos cálculos dos valores originalmente declarados e dos valores retificados; b.2) demonstrar e comprovar o erro de fato cometido na apuração do valor devido a título de estimativas no período de apuração 04/2005, com precisa indicação nos elementos documentais apresentados; b.3) apresentar outros elementos que entender cabíveis com vistas a comprovação do erro de fato alegado. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os novos elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal conclusivo, do qual deve ser cientificada a recorrente para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. É como voto. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. "documento assinado digitalmente" Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.287 S1C3T1 Fl. 217 10 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 11060.002877/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RETROATIVIDADE. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURÍDICO QUANTO À ISENÇÃO.
É legítima a suspensão da isenção de IRPJ e CSLL quando caracterizado que a entidade aplicou recursos em atividades diversas da manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, prestou serviços dissociados das finalidades para as quais foi instituída, e, ainda, remunerou dirigentes por serviços prestados. O ato declaratório que suspende a isenção tem eficácia meramente declaratória, e não constitutiva, e possui expressa previsão legal, de modo que sua expedição não representa alteração de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento.
ISENÇÃO. SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O delegado da Receita Federal do Brasil que tem jurisdição sobre o domicílio do contribuinte é competente para suspender isenção tributária de IRPJ e CSLL.
LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
No lucro presumido e arbitrado, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é apurada mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta auferida. O preço dos serviços prestados corresponde ao montante da responsabilidade contratualmente assumida.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS E COFINS.
No lucro presumido e arbitrado, as contribuições para o PIS e a COFINS são apuradas na forma cumulativa. Na ausência de argumentos específicos, aplica-se a esses tributos o quanto decidido com relação ao IRPJ.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
JUROS E MULTA ISOLADOS - FALTA DE RETENÇÃO E PAGAMENTO DO IRRF SOBRE BOLSAS
A falta de retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF que tiver a natureza de antecipação do devido, quando constatada após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, enseja a cobrança, da fonte pagadora, de multa isolada e de juros isolados, calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. No caso, as bolsas de estudo não eram isentas porque demonstrado pela fiscalização que configuravam contraprestação por serviços prestados ou, ainda, produziam resultados econômicos quer para o doador direto (a fundação), quer para o doador indireto (financiador dos recursos e tomador dos serviços contratados à fundação). Afasta-se a cobrança dos consectários no caso de decisão judicial transitada em julgado que reconheça a isenção de determinada bolsa auferida.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. No caso, restou demonstrado que a fundação, valendo-se de sua condição de entidade isenta, contratou irregularmente (com burla à legislação que prevê a dispensa de licitação) com entidades públicas para a prestação de serviços comuns, em completo desvirtuamento das finalidades e objetivos institucionais que justificariam a própria concessão de isenção, efetuando ainda o pagamento de vultosos valores a terceiras empresas por serviços que não foram prestados, de modo a possibilitar o ilegal desvio de dinheiro público.
Numero da decisão: 1201-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para: (i) cancelar os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas às pessoas de Melania de Melo Casarin e de Andre Krusser Dalmazzo; (ii) cancelar a imputação fiscal de responsabilidade solidária em nome de Ronaldo Etchechury Morales.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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SUSPENSÃO DA ISENÇÃO E LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Recorrente FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA E CIÊNCIA FATEC E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF no 72) FUNDAÇÕES. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. As fundações podem ser sujeitos passivos de obrigações tributárias, e respondem por exigências tributárias decorrentes de atos praticados pelos seus administradores, prepostos e empregados, no exercício de suas funções. A eventual responsabilização solidária desses agentes não afasta a contribuinte do polo passivo da relação jurídica tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. DOLO. BENEFÍCIO ECONÔMICO. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. A responsabilidade das referidas pessoas é subjetiva e decorre da prática de ato ilícito e da caracterização do dolo, as quais devem ser provadas pelo Fisco. Afastase a imputação de responsabilidade à pessoa cuja participação dolosa nos atos ilícitos, assim como o suposto benefício econômico direto advindo daqueles atos, não restaram comprovados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 28 77 /2 00 8- 11 Fl. 5548DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 3 2 Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INCORREÇÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções neste instrumento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. O ato administrativo de lançamento é plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. No caso, o MPF sequer continha qualquer incorreção, tendo sido regularmente prorrogado, nos termos das normas infralegais de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE PARTICIPAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS NO PROCEDIMENTO FISCAL E NA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. Somente o contribuinte é parte legítima para contestar o ato declaratório que suspendeu o benefício fiscal de isenção tributária. Nos termos da legislação processual tributária, a garantia do contraditório, para os responsáveis tributários, se inicia somente com a apresentação da impugnação tempestiva ao lançamento do qual tenha sido regularmente cientificado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RETROATIVIDADE. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURÍDICO QUANTO À ISENÇÃO. É legítima a suspensão da isenção de IRPJ e CSLL quando caracterizado que a entidade aplicou recursos em atividades diversas da manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, prestou serviços dissociados das finalidades para as quais foi instituída, e, ainda, remunerou dirigentes por serviços prestados. O ato declaratório que suspende a isenção tem eficácia meramente declaratória, e não constitutiva, e possui expressa previsão legal, de modo que sua expedição não representa alteração de “critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento”. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O delegado da Receita Federal do Brasil que tem jurisdição sobre o domicílio do contribuinte é competente para suspender isenção tributária de IRPJ e CSLL. LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. No lucro presumido e arbitrado, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é apurada mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta auferida. O preço dos serviços prestados corresponde ao montante da responsabilidade contratualmente assumida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS E COFINS. Fl. 5549DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 4 3 No lucro presumido e arbitrado, as contribuições para o PIS e a COFINS são apuradas na forma cumulativa. Na ausência de argumentos específicos, aplicase a esses tributos o quanto decidido com relação ao IRPJ. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. JUROS E MULTA ISOLADOS FALTA DE RETENÇÃO E PAGAMENTO DO IRRF SOBRE BOLSAS A falta de retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF que tiver a natureza de antecipação do devido, quando constatada após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, enseja a cobrança, da fonte pagadora, de multa isolada e de juros isolados, calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. No caso, as bolsas de estudo não eram isentas porque demonstrado pela fiscalização que configuravam contraprestação por serviços prestados ou, ainda, produziam resultados econômicos quer para o “doador direto” (a fundação), quer para o “doador indireto” (financiador dos recursos e tomador dos serviços contratados à fundação). Afastase a cobrança dos consectários no caso de decisão judicial transitada em julgado que reconheça a isenção de determinada bolsa auferida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. No caso, restou demonstrado que a fundação, valendose de sua condição de entidade isenta, contratou irregularmente (com burla à legislação que prevê a dispensa de licitação) com entidades públicas para a prestação de serviços comuns, em completo desvirtuamento das finalidades e objetivos institucionais que justificariam a própria concessão de isenção, efetuando ainda o pagamento de vultosos valores a terceiras empresas por serviços que não foram prestados, de modo a possibilitar o ilegal desvio de dinheiro público. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para: (i) cancelar os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas às pessoas de Melania de Melo Casarin e de Andre Krusser Dalmazzo; (ii) cancelar a imputação fiscal de responsabilidade solidária em nome de Ronaldo Etchechury Morales. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Fl. 5550DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 5 4 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos pelo contribuinte em epígrafe e pelos responsáveis solidários pelo crédito tributário, conforme a seguir se especificará, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto AlegreRS, que, por unanimidade de votos, afastou as preliminares de nulidade da decisão que suspendeu a isenção de IRPJ e CSLL no período de 2003 a 2007, indeferiu a impugnação contra a mesma decisão, indeferiu as solicitações de perícia e diligências, afastou as preliminares e julgou improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo integralmente os créditos tributários exigidos, bem como a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos elencados pela fiscalização. O caso foi assim relatado pela instância a quo: “Esta decisão analisará as impugnações apresentadas pela interessada a ato declaratório de suspensão de isenção tributária (fls. 1393 e 1398/1415) e a autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/Pasep (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de multa e juros isolados por falta de retenção de IRRF (fls. 2830/3060). Julga também as ímpugnações às sujeições passivas solidárias imputadas a Ronaldo Etchechury Morales, Luiz Carlos de Pellegrini e Silvestre Selhorst (fls. 4061/4083, 4097/4123 e 4288/4407), ocupantes dos seguintes cargos na contribuinte: o primeiro, diretorpresidente, no período de 1/1/03 a 21/1/04; o segundo, diretor financeiro, de 4/1/06 a 26/5/06, e diretorpresidente, de 26/5/06 a 20/12/07; e o terceiro, secretário executivo, de 1/1/03 a 12/12/07. A isenção tributária objeto da suspensão está prevista no art. 15 da Lei 9.532/97. É direcionada às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e para as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. É exclusiva para IRPJ e CSLL (Lei 9.532/97, art. 15, § 1°). A exigência dos autos de infração é a seguinte: [...segue demonstrativo dos valores lançados, totalizando R$165.730.332,52] O processo administrativo tem suas raízes em trabalho conjunto de investigação promovido pelo Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Polícia Federal e Secretaria da Receita Federal do Brasil em operação denominada Rodin. Os investigadores constataram diversos ilícitos penais, cíveis e tributários, os quais teriam como modelo e foco central uma fraude envolvendo a Fl. 5551DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 6 5 autarquia gaúcha Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e duas fundações vinculadas à universidade: a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec, ou Fateciens, como posteriormente designada) e a Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae). Segundo consta, o Detran/RS contratava as fundações, mediante dispensa de licitação, supostamente amparado no art. 24, XIII, da Lei 8.666/93 e no artigo 1 ° da Lei 8.958/94, ora transcritos: Lei 8.666/93: Art. 24. É dispensável a licitação: XIII — na contratação de instituição nacional sem fins lucrativos, incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, científico ou tecnológico, desde que a pretensa contratada detenha inquestionável reputação ético profissional; Lei 8.958/94; Art. 1o As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei n° 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. A fiscalização entendeu que a contratação da Fatec pelo Detran/RS teria ocorrido com burla à legislação (fl. 2536): A dispensa de licitação promovida pelo artigo 1° da Lei n°. 8.958/94, nos termos do artigo 24, inciso XIII da Lei n °. 8.666/93, veio no sentido de viabilizar a mobilização mais facilitada de recursos públicos e privados destinados ao fomento e ao financiamento das atividades de pesquisa, ensino e extensão junto às universidades, regra que JAMAIS poderia ser interpretada de maneira aberta, de modo a albergar situações fáticas nãodecorrentes, estritamente, das precipitas modalidades de "ensino, pesquisa e extensão". Entretanto, através de um ajuste prévio, pessoas com grande influência política (lobistas) conseguiram fazer com que o DETRAN/RS contratasse a FATEC e a FUNDAE para a execução de serviços diversos, cuja realização acabou sendo atribuída a terceiros, aos quais era repassada em torno de 40% da remuneração percebida, urna vez que no preço dos serviços eram embutidos, além do próprio serviço, a "remuneração" dos lobistas, pela obtenção do contrato, bem como a 'propina" destinada a corromper funcionários públicos. Segundo documentos juntados ao processo — inclusive a decisão judicial que recebeu denúncia contra diversas pessoas, na ação penal no 2007.71.02.0078728, promovida junto à 3a Vara da Justiça Federal de Santa Maria (fls. 2806/2869) —, a Fatec subcontratava com terceiros a realização de diversas atividades, a quem repassava expressiva parcela da remuneração recebida, em contrapartida de serviços reputados como pífios, a indicar superfaturamento. Tais repasses beneficiavam os responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos públicos) e pela subcontratação (integrantes das fundações de apoio), além dos lobistas que conseguiam captar os negócios. Fl. 5552DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 7 6 Os terceiros subcontratados eram sociedades empresariais, que receberam a alcunha de sistemistas. Destacamse entre elas: 1. Carlos Rosa Advogados Associados; 2, Newmark Tecnologia da Informação, Logística e Marketing Ltda.; 3. Pensant Consultores Ltda.; 4. Rio del Sur Auditoria & Consultoria Ltda.; S. Doctus Consultores Ltda.; 6. Geplan/Getplan — Gestão, Capacitação e Planejamento Ltda.; 7. Hoher & Cioccari Advogados S/S; 8. IGPL — Inteligência Em Gestão Pública Ltda.; 9. Laboratório Nacional de Perícias Documentoscópicas Oto Rodrigues Lida; 10. Nachtigall Luz Advogados Associados; e 11. Pakt Excelência Em Projetos SIS Ltda. Em 24/7/08, a fiscalização da DRF Santa Maria expediu termo de notificação fiscal e relatório de fiscalização (fls. 01/37), por meio dos quais descreveu as irregularidades praticadas pela contribuinte que ensejariam suspensão do benefício de isenção fiscal de IRPJ e CSLL nos períodos relativos de 2003 a 2007. As regras básicas da legislação e as infrações apontadas são consolidadas no quadro seguinte: Fl. 5553DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 8 7 Na sequência, em 25/8/08, em oportunidade prevista para apresentação de alegações e provas, nos termos do art. 32, § 2º, da Lei 9.430/96 (fls. 1315/1338), a fundação se defendeu. Eis o resumo de seus argumentos: a) é nulo o ato fiscalizatório que motiva a suspensão da isenção já que o mandado de procedimento fiscal (MPF) não estipula lapso temporal para sua validade; b) é nula a utilização de documentos cujo acesso não foi permitido à interessada; c) inexiste legislação substantiva que permita a suspensão do benefício de isenção fiscal a que a fundação faz jus; d) ausência de portaria atribuindo competência à autoridade que determinou a suspensão da isenção; e) prejudicialidade externa: a suspensão da isenção somente poderia ser apreciada após a solução de três processos de matéria previdenciária, pendentes de decisão administrativa, e de controvérsias judiciais, eis que há provas e matéria de fato envolvidas que estão sendo discutidas nessas searas; f) a Fatec é vítima e não pode ser responsabilizada pelos atos ilegais, abusivos e contra seus próprios interesses, praticados por gestores e prepostos, mancomunados com terceiros, pois haveria que se considerar a condição jurídica especial das fundações, a inexistência de dispositivo legal que lhe atribua responsabilidade e a nulidade ou anulabilidade dos atos referidos, por conterem vício de consentimento ou fraude criminal – a responsabilidade é exclusiva dos infratores, sem qualquer solidariedade da fundação; Fl. 5554DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 9 8 g) os pagamentos diretos ou indiretos realizados a diretores administrativos não decorreram da atividade diretiva, mas de bolsas de estudo e pesquisa ou do trabalho para desenvolvimento de softwares; h) José Fernandes nunca teve competência para obrigar a fundação perante terceiros, ainda que eventualmente tivesse poderes administrativos na gestão de um dos projetos, o Trabalhando pela Vida, ao qual vinculouse o acordo com o Detran/RS; i) as fundações não têm objetivos sociais; por isso não se aplica à Fatec a prescrição do art. 12, § 2% b, da Lei 9.532/97; j) o caput do art. 15 da Lei 9.532/97 não exclui a possibilidade da isenção para entidades que, além de prestarem serviços sem fins lucrativos para os quais foram instituídas, realizem outros, ainda que rendosos (rendoso é diferente de lucrativo — as fundações não tem objetivo de lucro, pois não têm sócios a remunerar); k) a Fatec não terceirizou a prestação de serviços ao Detran/RS, o que foi terceirizado aos sistemistas — sem a responsabilidade da Fatec — era uma parte do resultado financeiro; 1) a fraude que lesou a fundação em razão do contrato com o Detran/RS não tem o condão de contaminar a validade desse instrumento; m) se pagamentos sem causa houve, é porque foram realizados mediante fraude contra a interessada, que foi vítima; n) não há provas de que a interessada tenha aplicado seus recursos, por ato válido, em atividades que não fossem relacionadas aos seus fins, salvo quanto a atividadesmeios efetuadas para aumentar seus recursos — o que é lícito; o) a fundação cumpriu a exigência de manter a escrituração completa de suas receitas e despesas em livros fiscais revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão pois até mesmo a fraude foi adequadamente contabilizada; p) a concessão de bolsas de ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica, ainda que o estudo desenvolvido venha a irradiar efeitos práticos em benefício da Fatec ou de seus tomadores de serviços não constitui remuneração tributável; os casos das bolsas ilegais ou fraudulentas não podem gerar efeitos fiscais sobre a interessada. Os fatos e as alegações contidos no processo foram analisados pelo Parecer DRF/STM/Saort 1046, de 29/9/08 (fls. 1381/1397). Inicialmente, foram afastadas as questões preliminares, sendo consignada a regularidade do procedimento fiscal no que se refere ao MPF e suas prorrogações, à aplicabilidade da legislação invocada e à inexistência de prejudicialidade externa. Relativamente às exceções indiretas de mérito, o parecer ressaltou a existência de responsabilidade da Fatec, uma vez que era contribuinte e porque efetivamente beneficiouse do contrato com o Detran/RS. No mérito, não foram acatadas as alegações da fundação, salvo quanto à questão da remuneração indireta a dirigente de fato, entendendo inexistirem provas suficientes para tal constatação. Diante do analisado, os pareceristas opinaram pela suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL. Em 30/9/08, o Delegado da Receita Federal em Santa Maria expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/STM 25, suspendendo o benefício da isenção tributária de IRPJ e CSLL da Fatec, relativamente ao período de jan/2003 a dez/2007, conforme o art. 32, § 3°, da Lei 9.430/96 (fl. 1393). Fl. 5555DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 10 9 O ato declaratório foi cientificado à contribuinte em 3/10/08 (fl. 1394), sendo a respectiva impugnação apresentada em 24/10/08 (fls. 1398/1415). Neste documento, a contribuinte reforça as teses anteriormente apresentadas, acrescentando: a) inexistência de legislação que embase a suspensão da imunidade: o STF suspendeu a vigência do art. 14 da Lei 9.532/97 e, com isso, impossibilitou a aplicação da norma processual regulamentadora da suspensão, conferida pelo art. 32 da Lei 9.430/96; b) validade do contrato com o Detran/RS: a contratação está de acordo com a legislação, inclusive conforme apreciação do Poder Judiciário; toda a renda que a fundação recebe não é revertida para o enriquecimento de seus diretores, mas para o investimento em projetos que visem ao bemestar da sociedade; o Estado do Rio Grande do Sul manifestouse pela validade e legalidade do contrato; c) inexistência de desvirtuamento do objetivo da fundação: o contrato com o Detran/RS possui vínculos com atividades regulares da fundação, gerando renda inclusive para outros projetos desenvolvidos em benefício à comunidade; d) não houve responsabilidade da fundação (culpa in vigilando e in elegendo): o princípio constitucional da presunção da inocência impede falarse em culpa antes do trânsito em julgado da ação de improbidade administrativa, que corre na 3' Vara da Justiça Federal de Santa Maria; a Fatec sequer é ré no processo, atua como colaboradora na coleta de provas e peticionou para ser assistente da condenação; as fundações são entes abstratos, ficções jurídicas; os diretores da Fatec não foram escolhidos por ela, mas pelo conselho da fundação e as pessoas envolvidas com o projeto Detran/RS foram indicadas pelo coordenador do projeto; e) remuneração aos diretores: bolsas de estudo e pesquisa consistem em doação civil, com caráter de incentivo e não de remuneração; a lei não impede que diretores exerçam ministério profissional diverso da função diretiva e não proíbe que recebam remuneração por isso; f) sobre suposta aplicação de recursos em desacordo aos objetivos da fundação: • a Fatec prestou serviços de alta qualidade e a contraprestação pecuniária foi lhe subtraída por pessoas que tinham o dever de zelar pela fundação — a Fatec foi vítima e não artífice das irregularidades; • os documentos apreendidos e os depoimentos prestados à Polícia Federal não apontam para culpa ou qualquer vantagem auferida pela fundação; • as informações técnicas do Ministério Público de Contas sobre a subcontratação dos sistemistas e os pagamentos a eles realizados não podem ser utilizadas contra a fundação, que foi vítima; os contratos são nulos de pleno direito pois decorrentes de ilícito/fraude; • as notas fiscais entendidas como "frias" são perfeitas dentro do plano jurídico da validade; entretanto, não adentram no plano da eficácia, pois os contratos seriam nulos; • os recursos aplicados pela Fatec, oriundos de atos válidos, foram investidos em atividades relacionadas aos seus objetivos: o apoio a projetos de pesquisa, extensão, etc. Fl. 5556DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 11 10 Além de pedir a nulidade e revogação do ato declaratório, com o acolhimento das razões da defesa prévia, a impugnante solicita o recebimento do recurso nos efeitos devolutivo e suspensivo, com o respectivo despacho ocorrendo antes que se esgote o prazo de opção do regime de tributação, e concessão do prazo de mais vinte dias para complementar sua impugnação. Os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IRRF e de multa e juros isolados foram lavrados em 8/6/09 (fls. 2684/2758), sendo acompanhados do relatório de fiscalização (fls. 2506/2551), onde constam os critérios adotados para a tributação com base no lucro presumido nos anoscalendários 2003 e 2004 e no lucro arbitrado nos períodos seguintes. A utilização do lucro presumido deveuse à opção da contribuinte e a do lucro arbitrado, à sua omissão em apresentar Lalur com apurações trimestrais, balanços patrimoniais, demonstrações de resultados trimestrais e demonstrações de lucros e prejuízos acumulados, necessários para a apuração do lucro real, consoante arts. 260, I11, e 274 do RIR/99. O lucro real é o regime exigido pelo art. 14, I, da Lei 9.718/99 (alterada pelo art. 46 da Lei 10.637/02). O relatório fiscal tece considerações acerca das bases de cálculo adotadas para os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins exigidos pela insuficiência de recolhimentos, de IRRF incidente sobre pagamentos sem causa aos sistemistas e de multa e juros isolados aplicados pela falta de retenção de IRRF sobre bolsas de pesquisas concedidas. A fiscalização identificou a existência de fraude nas ações dos sujeitos passivos e, por isso, lavrou os autos de infração com a multa de 150%. Os autos de infração foram cientificados à Fatec em 17/6/09 (fls. 2685, 2692, 2700, 2711, 2722 e 2749). Os responsáveis solidários indicados no processo foram intimados por meio de termos de sujeição passiva solidária: Ronaldo Etchechury Morales e Luiz Carlos de Pelegrini, em 17/6/09 (fls. 2761/2762); Silvestre Selhorst, em 18/6/09 (fl. 2763). Todos os sujeitos passivos impugnaram: os que foram intimados em 17/6 09 apresentaram suas impugnações em 17/7/09 (fls. 2830/3060, 4061/4083 e 4097/4123); quem intimado em 18/6/03 protocolou sua defesa em 20/7/09 (fls. 4288/4407). Em sua impugnação (fls. 2830/3060), a Fatec pede a nulidade dos autos de infração em razão de: a) pendência de eficácia do ato declaratório de suspensão da isenção em virtude de impugnação (infração ao princípio da irretroatividade); b) responsabilização indevida da fundação em razão de supostas irregularidades cometidas pelos exdirigentes; c) arbitramento ilegal de lucro; e d) alteração do entendimento jurídico da RFB quanto à isenção da impugnante, aplicada com efeitos retroativos. No caso de não serem aceitas as nulidades, a contribuinte postula o julgamento da suspensão da isenção antes dos autos de infração. No mérito, além da prejudicial de decadência dos créditos anteriores a 17/6/04, a fundação pleiteia a total improcedência dos autos de infração. Na defesa, tece considerações sobre a própria entidade, suas finalidades e funcionamento; sobre Fl. 5557DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 12 11 as espécies de projetos realizados, seus registros e pagamento de bolsas; sobre os regimes jurídicos das leis 8.958/94 e 10.973/04 e as bolsas de inovação tecnológica; sobre as limitações ao poder de tributar, conceituação da base de cálculo e do lucro; sobre sua versão a respeito do caso Detran; sobre o lucro das fundações; e sobre a ilegalidade da majoração da multa. No caso do IRRF, a contribuinte aduz: a) o auto de infração baseouse em MPF inválido, extinto pelo tempo e/ou encerrado; b) a autuação teve como fundamento, segundo o relatório de fiscalização, irregularidades cometidas pelos exdirigentes, os quais devem ser responsabilizados por substituição; c) as bolsas de estudo e pesquisa pagas pela fundação não se sujeitam à incidência do imposto; e d) a base de cálculo não considerou a exclusão das contribuições previdenciárias e a dedução por dependente. Na hipótese de serem mantidos os autos de infração, a contribuinte pede que eles sejam considerados parcialmente procedentes, de modo a: a) excluir sua responsabilidade pela multa (mediante a responsabilização dos exdirigentes) ou reduzir o percentual para 75%, tendo em vista que a fundação não cometeu fraude, conluio ou sonegação; b) afastar o arbitramento do lucro, c) excluir os créditos decaídos; d) reduzir as bases de cálculo dos tributos federais a zero, por inexistir o conceito de lucro em seu âmbito, caso não acatado, que as bases de cálculo sejam reduzidas ao valor das taxas de administração já declaradas, com dedução dos valores pertencentes a terceiros, notadamente os valores imunes, definidos como públicos de acordo com os critérios do Acórdão 2731/2008 do Plenário do TCU; e supletivamente, que a tributação se realize com base no lucro real, expresso nos superavits declarados e reconhecidos no anexo 1 do relatório de fiscalização. e) recalcularse a multa sobre o IRRF, considerando a exclusão das contribuições previdenciárias e dedução por dependente na base de cálculo do tributo; f) afastar a taxa Selic no auto de multa e juros isolados, por ausência de previsão legal. A Fatec pede também a produção de provas, como a juntada de documentos, tal como um índice de referência a provas que já constam nos autos, a ser apresentado no prazo de 30 dias da entrega da impugnação. Além disso, requer (1) a realização de perícia ou diligência para exame de todos os 696 contratos firmados de jan/03 a dez/07 e comprovação ou não da utilização de recursos humanos da UFSM, ou de outra instituição federal de ensino superior, e (2) a confirmação de a contratações terem ocorrido sob a égide das leis 8.958/94 ou 10.973/04. Solicita ainda sejam juntados todos os documentos relativos à colaboração da Receita Federal do Brasil com a forçatarefa da Operação Rodin, especialmente os Fl. 5558DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 13 12 requerimentos do Ministério Público Federal sugerindo ou requisitando a atividade fiscal. O expresidente da fundação no período de 1/1/03 a 21/1/04 (ou 13/1/04), Ronaldo Etchechury Morales, apresentou sua impugnação em 17/7/09 (fls. 4097/4123). Morales requer a improcedência dos autos de infração como um todo, defendendo a insubsistência do feito fiscal. A impugnação destaca os antecedentes, a forma de atuação da Fatec e sua versão para os fatos que fundamentaram a conclusão fiscal, sustentando, em síntese: a) as garantias do devido processo foram concedidas apenas ao devedor principal, deixando de lado aqueles que poderiam e deveriam alcançar informações e razões indispensáveis à correta fiscalização; b) o presidente da fundação exerceria apenas caráter representativo institucional ao assinar contratos vinculados a projetos de prestação de serviços especializados — tais acertos, ajustes e consertos seriam realizados anteriormente pela reitoria da UFSM e as instituições públicas ou privadas; c) a decadência em relação ao exercício de 2003; d) a falta de definição do período em que a sujeição passiva solidária lhe é imputada; e) a inclusão de valores diferentes das taxas de administração no montante de receitas operacionais da Fatec, ocasionando o arbitramento do lucro; f) o arbitramento só se justifica em circunstâncias especiais, enquanto a Fatec mantém a escrituração contábil ampla e consistente em todos os aspectos; g) as contratações com sistemistas eram exigências do Detran/RS no que respeita à segurança do cumprimento contratual; h) os pagamentos aos sistemistas não poderiam ensejar exigência além da glosa de sua dedutibilidade como custos operacionais; i) os preços constantes do contrato com o Detran/RS foram definidos pelo órgão estatal e aceitos pela UFSM, sendo estabelecidos por unidade de serviço prestado ou objeto de prestação: eram mais baratos, à época, do que os ajustados e pagos a outra fundação; e j) a inexistência de dolo em suas ações e nas da Fatec: sendo isenta a fundação, não haveria motivação para ocultamento e dissimulação das receitas operacionais; além do mais, o impugnante foi excluído da denúncia na ação penal, por inexistência de indícios suficientes de autoria. A impugnação de Luiz Carlos de Pellegrini foi apresentada em 17/7/09 (fls. 4061/4083). Pellegrini foi diretor financeiro da Fatec, de 4/1/06 a 26/5/06, e diretor presidente, de 26/5/06 a 20/12/07 e, por isso, contesta a atribuição de responsabilidade solidária por atos praticados de jan/03 a dez/05. Reclama por não ter tido participação e oportunidade de defesa quanto à suspensão da isenção da fundação. Pede a insubsistência do termo de sujeição passiva solidária que o inclui no polo passivo das exigências tributárias, desobrigandoo das infrações que lhe foram imputadas. Aduz ainda que: a) a fundação sempre manteve seu propósito inicial, não visando a lucro, não distribuindo patrimônio e não remunerando seus dirigentes; Fl. 5559DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 14 13 b) sempre agiu com zelo e decoro enquanto dirigente da fundação, observando a legislação, os estatutos e os acordos firmados pela entidade; c) a própria fiscalização declara que os administradores da fundação não praticaram atos com excesso de poderes e não constituíram vícios de consentimento (fl. 2548); d) não haveria motivos para o impugnante deixar de cumprir contratos que foram assinados por administrações anteriores, de acordo com as regras estatutárias; e) a legislação civil é clara quando estabelece que a responsabilidade solidária não pode ser presumida: ou decorre da lei ou é definida em contrato — não se pode atribuir ao impugnante responsabilidade solidária por atos legais, perfeitos e legítimos, praticados nos períodos em que foi diretor financeiro ou diretor presidente; f) o impugnante não tinha vínculo com a fundação à época do nascedouro dos contratos atacados pela Fiscalização: não exercia cargo diretivo e não era conselheiro; portanto, não pode vir a ser responsabilizado por débitos fiscais daí decorrentes; g) não há decisão que declare o requerente culpado por ato seu praticado como dirigente da Fatec, nem insinuação de que tenha abusado da personalidade jurídica da fundação; h) a Fatec gozava de isenção fiscal no período fiscalizado; assim, a falta de recolhimento dos tributos lançados não caracteriza irregularidade que possa ser atribuída aos dirigentes; i) a Fatec trabalha basicamente como administradora ou gestora de recursos de terceiros que transitam por sua contabilidade — esses valores não são ganhos da fundação, mas depósitos transitórios que permanecem sob sua administração durante a execução dos projetos; j) o rendimento da Fatec decorre exclusivamente de taxas de administração que cobra pela gestão dos projetos, e sobre esses rendimentos é que calcula e recolhe seus tributos; k) os valores lançados não têm a certeza e liquidez exigida pela legislação, porque não houve distinção da origem dos recursos ou diferenciação entre as fontes de projetos administrados pela fundação e as provenientes de atos sobre os quais exista incidência de tributos; 1) a má fé não se presume, há de ser provada; m) a sujeição de alguém a processo sem provas da condução irregular da instituição que dirigia viola os princípios constitucionais do devido processo legal e da dignidade da pessoa humana; n) os cargos de diretor financeiro e de diretorpresidente da fundação constituem serviços voluntários e não são remunerados. A última impugnação foi apresentada pelo secretário executivo Silvestre Selhorst em 20/7/09 (fls. 4288/4407). Com o documento, Selhorst apresenta esclarecimentos sobre a fundação, suas origens e constituição, natureza jurídica, finalidades estatutárias, atuação como fundação de apoio da UFSM, organograma, Fl. 5560DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 15 14 competências, gestão e responsabilidades dos coordenadores nos projetos. Requer e alega, em síntese, além da juntada da impugnação: a) preliminarmente, a nulidade do processo administrativo fiscal, tendo em vista o descumprimento sistemático de disposições legais formais, como as preconizadas no art. 196 do CTN, art. 7°, I e art. 8° do Decreto 70.235/72 e art. 21 da Portaria RFB 11.371/07, decorrentes de ilegitimidade na representação das pessoas que atuaram como representantes da fundação (os diretores anteriores foram impedidos de exercer seus mandatos), intimações realizadas no processo recebidas por quem não teria poderes de representação, falta de notificação do requerente quanto a coleta de informações e documentos a seu respeito e apuração dos débitos fiscais com base em ilações sobre a conduta moral dos dirigentes da Fatec; b) no mérito, o reconhecimento da improcedência de sua sujeição passiva solidária, sob a alegação de que não se enquadra nas disposições legais que propiciam o reconhecimento da sujeição passiva solidária na forma dos arts. 124, I, e 135 do CTN, haja vista a inexistência de interesse comum nos fatos geradores, bem como de excesso de mandato, infração de lei, contrato ou estatuto por parte do impugnante em todo o tempo que exerceu a função de Secretário Executivo da Fatec e considerando que: • sempre exerceu suas funções nos limites legais e estatutários; • não há comprovação no procedimento fiscal de fato que caracterize ilícito fiscal de sua responsabilidade; • não há falar em excesso de mandato, pois o secretário executivo não detém poderes de representação e nunca lhe foram delegados poderes; • a alegação de excesso de mandato e/ou ilegalidade embasouse apenas em informações da atual direção da FATEC e de seu advogado, sem a comprovação documental necessária e sem a coleta da palavra daqueles que participaram, na época, do Conselho Superior, da Diretoria Executiva e da Secretaria Executiva; • em nenhum momento foi apontado prejuízo patrimonial à fundação; • as contas da entidade foram aprovadas pelo Ministério Público Estadual mesmo após o alarido na imprensa da operação Rodin em 2007; c) ainda no mérito, caso admitida a sua sujeição passiva solidária, requer: • seja reconhecido o cerceamento do direito de defesa, por não ter sido devidamente notificado do processo administrativo fiscal e não lhe ter sido oportunizada manifestação; • a concessão do prazo mínimo de 120 dias para impugnação integral ao relatório fiscal — basicamente quanto à obrigação solidária em cada tributo exigido — visando ao contraditório e à ampla defesa; • sejam fornecidos planilhas e arquivos eletrônicos de texto utilizados pelos auditores fiscais que participaram das autuações e demais fases do processo administrativo fiscal; • a devolução do valor cobrado pelo fornecimento de cópia do processo ao requerente por afrontar o direito constitucional de ampla defesa; d) protesta pela produção de provas admitidas em direito, em especial: Fl. 5561DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 16 15 • que se oficie à UFSM para que informe como ocorrem as concessões de bolsas isentas aos seus servidores no âmbito dos projetos apoiados pela Fatec, com base na Lei 8.958/94 (prova considerada relevante, já que a irregularidade na concessão de bolsas seria um dos fundamentos das autuações); • todos os registros contábeis originais da FATEC que foram objeto de análise da fiscalização para formalização dos autos de infração, para que se demonstre o tratamento fiscal e contábil dado aos diferentes projetos na fundação; • seja oficiado ao Ministério Público Estadual para que se manifeste quanto à irregularidade da posse dos diretores que compõem a atual direção da fundação — a direção de 2007 não foi regularmente destituída, o que geraria a nulidade de todos os atos praticados pela atual direção (a prova é absolutamente relevante para estabelecer a abrangência e as consequências institucionais dos atos irregulares praticados no âmbito da fundação, para posterior apreciação da repercussão dos mesmos no âmbito do processo administrativo fiscal); e) solicita a concessão de prazo para que sejam juntados os documentos mencionados. A impugnação de Silvestre Selhorst ainda traz ponderações sobre a suspensão da isenção. Ataca alegações da fiscalização e da atual direção da Fatec. Diz serem temerárias afirmativas de fiscalização utilizadas para suspender a isenção: que a Fatec não pode prestar serviços técnicocientíficos, que seria ilegal a dispensa de licitação para contratação da Fatec pelo Detran/RS, que seria ilegal a contratação de sistemistas para o projeto Detran e que os serviços dos sistemistas seriam superfaturados. Além do mais, considera que certas questões preliminares não foram levadas em conta na fundamentação da suspensão da isenção por não apresentarem lastro fático e por carecerem de diligências para o conhecimento da verdade, em oposição aos argumentos impróprios apresentados pela direção ilegal da Fatec ou pela fiscalização. Selhorst redargúi sobre as premissas de que a suspensão da isenção fundamentarseia essencialmente em ilegalidades na relação entre a Fatec e o Detran/RS, alegando: • a Procuradoria Geral do Estado já atestou em juízo no processo Rodin a inexistência de irregularidades nos contratos firmados entre o Detran e as fundações; • a contratação de serviços para execução de projetos da Fatec é de responsabilidade do coordenador, como definido em Resolução da UFSM, Regimento Interno e Manual de Gestão da Fundação; • nenhum procedimento formal foi promovido pela direção ilegal para que fosse ouvido o coordenador do projeto Detran, tendo a direção atual se pronunciado açodadamente e sem conhecimento de causa sobre a legalidade, utilidade e pertinência dos serviços contratados; • há evidente parcialidade na argumentação sobre eventuais ilícitos apontados no âmbito da operação Rodin: de um lado, se aceita como fato julgado algumas imputações; de outro, se nega outras imputações no mesmo âmbito; • estando pendente de decisão judicial, nenhum argumento pode fundamentar se nos fatos apurados na operação Rodin; • a utilização para qualquer fim de tal fundamentação constitui violação de direito constitucional assegurado a todas as pessoas de que ninguém será Fl. 5562DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 17 16 considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória (art; 5o, LVII, da Constituição Federal); • todo o material da operação Rodin usado pela fiscalização constitui peça da acusação apresentada pelo Ministério Público a partir de investigação policial sem contraditório em defesa dos acusados (art. 5o, LV, da Constituição Federal) Selhorst também traz esclarecimentos e alegações pertinentes ao pagamento de bolsas, defendendo serem objeto de isenção. Em suma, afirma que os projetos envolvidos sempre são de ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento institucional da Universidade Federal de Santa Maria, conforme previsto na Lei 8.958/98, sendo executados nos moldes de planos de trabalhos estruturados de acordo com as normas da Secretaria do Tesouro Nacional (IN STN 1/97). Os planos de trabalho indicariam as equipes técnicas atuantes nos projetos, sempre constituídas por servidores da UFSM, com funções e cargas horárias definidas, dentro do horário normal do servidor em decorrência do cargo público. Pela participação em projeto, o servidor poderia receber uma bolsa isenta, cujo montante constaria no plano de trabalho. As bolsas seriam pagas pela Fatec, por determinação dos coordenadores dos projetos, supervisionados por gestor, sendo ambos da UFSM. No entanto, a Fatec não teria ingerência sobre os projetos desenvolvidos no ambiente da UFSM, não definiria os valores das bolsas, não teria controles sobre a prestação de serviços de servidores a terceiros, se os serviços seriam inerentes às atividades de extensão, graduação ou pósgraduação da universidade ou se seriam necessários ao desenvolvimento de pesquisas científicas da universidade. Finalmente, diz que a Fatec não auferiria vantagens pelo pagamento das bolsas. Os fundamentos que conduziram a 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto AlegreRS, a julgar improcedentes as impugnações estão sinteticamente apresentados na ementa do Acórdão 1027.068, de 31 de agosto de 2010, que a seguir se transcreve: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Como regra geral, a apresentação da prova documental deve ocorrer junto com a impugnação, sob pena de preclusão. PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIAS. Indeferese o pedido de perícia ou diligências quando ele se demonstrar desnecessário ao deslinde do processo. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. NULIDADE. FALTA DE CONHECIMENTO DE PROVAS ACESSADAS PELA FISCALIZAÇÃO. O procedimento de fiscalização tem caráter inquisitorial. As provas válidas para o processo administrativo devem estar nele documentadas. O acesso da fiscalização a documentos que não foram incluídos nos autos não apresenta interesse processual e não implica cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO E FALTA DE PARTICIPAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS NO PROCEDIMENTO FISCAL E NA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A Constituição Federal não assegura o contraditório para o procedimento de fiscalização. É o contribuinte quem tem a Fl. 5563DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 18 17 legitimidade para participar do processo administrativo que suspende isenção tributária, apresentando alegações, provas e impugnando. NULIDADE. INAPLICABILIDADE DA LEI 9.532/97. SUSPENSÃO DE VIGÊNCIA PELO STF. A suspensão da vigência de alguns dispositivos da Lei 9.532/97 pelo Supremo Tribunal Federal não afastou a possibilidade de a administração pública suspender isenção tributária condicionada. NULIDADE. INTIMAÇÕES. TEORIA DA APARÊNCIA. É válida a intimação pessoal provada pela assinatura de preposto ou mandatário da pessoa jurídica, assim como por quem se encontrava em seu domicílio fiscal e se apresentou como seu representante, recebendo a citação sem qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representála. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA. O delegado da Receita Federal do Brasil que tem jurisdição sobre o domicílio do contribuinte é competente para suspender isenção tributária de IRPJ e CSLL. NULIDADE. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PROCESSUAL. Os processos judiciais e os administrativos de cunho previdenciário não são prejudiciais à análise da suspensão da isenção, nem autorizam sobrestar o julgamento desta. A autonomia dos processos administrativos afasta a necessidade da juntada aos processos previdenciários. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de tributo sujeito a homologação extinguese após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, se houve pagamento do tributo. No caso de inexistência de pagamento ou de dolo fraude ou simulação, aplicase o mesmo prazo, mas contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEITO PASSIVO. FUNDAÇÕES. As fundações podem ser sujeitos passivos de obrigações tributárias, têm capacidade plena e podem responder por exigências tributárias. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. O descumprimento de uma das exigências legais é suficiente para a suspensão de isenção condicionada. E legítima a suspensão da isenção de IRPJ e CSLL quando caracterizado que a entidade remunerou dirigentes por serviços prestados, aplicou recursos em atividades diversas da manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais e prestou serviços dissociados das finalidades para as quais foi instituída. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É legítima a exigência tributária, sem benefício de ordem, de contribuinte e de terceiros que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. FATO GERADOR. VALIDADE E EFICÁCIA DOS ATOS JURÍDICOS. O nascimento da obrigação tributária independe da validade ou eficácia do ato jurídico, bastandolhe a existência do fato previsto na hipótese de incidência. BOLSA DE ESTUDOS, PESQUISA, EXTENSÃO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. ISENÇÃO. As bolsas de estudos, pesquisa, extensão e de incentivo à inovação não são isentas quando representarem pagamento de contraprestação por serviços prestados ou produzirem resultados econômicos para o doador (direto ou indireto). Fl. 5564DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 19 18 IRPJ E CSLL. LUCRO ARBITRADO. Justificase o arbitramento do lucro quando o contribuinte, obrigado à tributação pelo lucro real em razão do volume da receita bruta, opta pelo lucro presumido e deixa de apresentar os livros e a documentação exigida pelo lucro real. IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. O lucro presumido é calculado com base no resultado da aplicação de percentuais determinados sobre a receita bruta, adicionado a outros valores especificados em lei, auferidos no mesmo período. O lucro arbitrado pode ser calculado sobre base idêntica. A receita bruta das vendas e serviços consiste no produto da venda nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, consideradas ainda algumas exclusões previstas na lei. O preço dos serviços prestados pela contribuinte corresponde ao montante da responsabilidade contratualmente assumida. PIS E COFINS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A suspensão da isenção relativa ao imposto de renda sujeita a pessoa jurídica ao recolhimento de PIS e Cofins com base no faturamento, devendo o lançamento de ofício considerar os valores já recolhidos. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas cuja operação ou causa não for comprovada está sujeito à incidência de IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, cabendo reajustamento do respectivo rendimento bruto. IRRF. TABELA PROGRESSIVA. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de recolhimento de IRRF no prazo determinado pela lei enseja a cobrança de juros de mora sobre o período compreendido entre o vencimento da obrigação e a data prevista para a entrega da declaração da pessoa física ou jurídica. Os juros de mora são calculados com base na Selic e aplicáveis sobre o valor do tributo. MULTA MAJORADA. É devida a multa de 150% quando identificado o dolo na fraude tributária descrita no art. 72 da Lei 4.502/64. A identificação de prejuízo ao fisco basta à majoração, independentemente da configuração de benefício próprio ao contribuinte ou responsáveis solidários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS, Cofins e IR Fonte. As considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicamse aos demais tributos no que for pertinente. Devidamente cientificados da referida decisão, o contribuinte e os responsáveis tributários interpuseram tempestivamente recurso voluntário, cujos fundamentos são a seguir sintetizados. O recurso do contribuinte (FATEC), em síntese, reprisa os argumentos expendidos na impugnação, à exceção de alguns pontos com relação aos quais não houve mais contestação específica, a saber: ilegalidade do arbitramento, alegações específicas relativas ao PIS e à COFINS (isenção da COFINS, tratamento diferenciado quanto ao PIS, exclusão de determinadas receitas das bases de cálculo), ilegalidade da Selic. Por outro lado, agrega uma alegação de nulidade da decisão recorrida ao fundamento de que nenhuma das preliminares formuladas na impugnação foram conhecidas pelo órgão julgador de primeira instância, que sequer se deu ao trabalho de apreciálas com o devido afinco, detendose um pouco mais apenas na questão da existência de irregularidade no MPF. Fl. 5565DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 20 19 Os responsáveis tributários também reprisaram, em linhas gerais, os argumentos esposados nas respectivas impugnações, em especial no que toca às suas respectivas exclusões do polo passivo da autuação. O processo foi originalmente sorteado a este relator na sessão de março de 2014, contudo, nem todas as suas peças haviam sido digitalizadas. Após a completa digitalização e anexação das peças faltantes ao sistema eprocesso, já em 2015, este retornou a este relator, sendo ora incluído em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Inicialmente, observo que o contribuinte, no início do contencioso, apresentara impugnação específica ao Ato Declaratório Executivo DRF/STM no 25, de 30 de setembro de 2008, que determinara a suspensão da isenção (fls. 1399 e seguintes), bem como impugnações específicas para cada um dos tributos ou consectários exigidos nos autos (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, e multa isolada) conforme se verifica às fls. 2830 e seguintes, fls. 2867 e seguintes, fls. 2906 e seguintes, fls. 2952 e seguintes, fls. 2998 e seguintes, e fls. 3025 e seguintes, respectivamente. Contudo, por ocasião do recurso apresentou uma única peça de defesa, a qual, a julgar pelo quanto contido no seu preâmbulo, abordaria exclusivamente o IRRF, verbis: “A autuação sob análise tem como objeto a cobrança de IRRF — Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre pagamentos sem causa ou operações não comprovadas, nos moldes do art. 61, § 1o, da Lei 8.981/95. Após exaustivo trabalho de fiscalização, o qual beira a abusividade, a fiscalização entendeu que pagamentos feitos a supostos prestadores de serviços, vinculados ao trabalho desenvolvido junto ao DETRAN/RS, não encontram justificativa, de modo que ficam sujeitos ao recolhimento na fonte de Imposto de Renda, à alíquota de 35%.” De toda sorte, entremeado nas razões de defesa, assim como no pedido ao final formulado, encontramse referências aos demais tributos e, em alguns casos, a argumentos expendidos na(s) impugnação(ões), motivo pelo qual entendemos por considerar como reprisados os pontos (matérias) de defesa, à exceção daqueles expressamente referidos no relatório ao norte. Dito isto, passase à análise das preliminares invocadas pelos recorrentes. Fl. 5566DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 21 20 Preliminares Responsabilidade da Fundação A Fundação sustenta que não seria responsável pelos ilícitos praticados. Afirma que as suas manifestações volitivas são severamente limitadas em face de sua natureza jurídica, sendo ela incapaz de dolo, forma refinada de manifestação volitiva maligna somente atribuível a quem não sofre qualquer limitação no seu poder de decidir, ou seja, os seus administradores. Diz que foi vítima de seus dirigentes. Assim, toda a responsabilidade pelos atos ilícitos deve recair sobre os administradores da Fundação, com a sua consequente exclusão do polo passivo. O argumento não se sustenta. As fundações, nos termos da legislação civil pátria, são pessoas jurídicas de direito privado com plena capacidade para os atos da vida civil, e os atos dos seus administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo, a obrigam (Código Civil, arts. 44 a 52, e 62 a 69). Ademais, há de se ressaltar que, nos termos do art. 126 do Código Tributário Nacional – CTN, a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil, verbis: Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I da capacidade civil das pessoas naturais; II de acharse a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Ademais, a tese da responsabilidade exclusiva dos administradores ou representantes (em substituição à pessoa jurídica), quando estes ferem a lei ou o estatuto, defendida pela recorrente, vai na contramão do que determina o art. 128 do CTN, que exige expressa previsão legal para que seja excluída a responsabilidade do contribuinte. Ora, o art. 135 do CTN, referido e transcrito pela recorrente, não contém tal disposição. Além disto, a interpretação conferida por esta tese da recorrente viria de encontro ao próprio sentido da norma, ao diminuir a garantia do crédito tributário, em vez de aumentála. Logo, não há qualquer fundamento para a exclusão da Fatec do polo passivo, pois ela é a própria entidade fiscalizada, a contribuinte de praticamente todos os impostos aqui exigidos. Apenas com relação ao IRRF é que sua condição não é de contribuinte, mas sim de responsável, mas, no caso, a sua responsabilidade decorre diretamente da lei, pois, sendo a fonte pagadora, é responsável pela retenção e recolhimento do tributo, quando devido. Decadência Fl. 5567DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 22 21 A Fatec suscita a decadência dos créditos anteriores a 17/06/2004, em face da aplicação da regra do art. 150, § 4o, do CTN. Afirma ainda que a decisão de primeira instância simplesmente ignorou o argumento apresentado na impugnação referente à decadência, de tal sorte que a decisão seria nula, ou, no mínimo, revelaria uma conduta incompatível com os deveres do julgador de apreciar todas as matérias que lhe são apresentadas. Diz que a autuação tem como origem a divergência entre o entendimento do fiscal e os valores declarados pelo contribuinte como devidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e IRRF, e que houve, portanto, declaração do contribuinte, a qual é agora revista de ofício pela auditoria fiscal, motivo pelo qual devese aplicar a regra do art. 150, § 4o, do CTN. Em primeiro lugar, registrese a desnecessidade de que o julgador enfrente, um a um, todos os argumentos apresentados pela parte. O que não pode haver é omissão sobre ponto (matéria) a ser decidida, e nem tampouco ausência de fundamentação. No caso, a instância a quo apreciou a matéria trazida ao debate de forma suficiente e completa, apresentando os fundamentos utilizados para a tomada de decisão, motivo pelo qual inexiste qualquer vício, neste sentido, naquela decisão. Em síntese, esclareceu a autoridade julgadora a quo que, no caso de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contase o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, em sendo mantida a multa qualificada lançada (ponto cuja apreciação se fará mais adiante), de fato não ocorreu a decadência com relação a quaisquer dos tributos aqui discutidos. Os fatos geradores mais antigos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, ocorreram em 31/12/2003; do IRRF, em 07/01/2004; e da multa isolada, na última semana de 2003. Assim, todos seriam passíveis de lançamento apenas em 2004, deslocandose a contagem do prazo para o dia 01/01/2005. A ciência dos lançamentos ocorreu em 17/06/2009. Vícios relativos ao MPF A Fundação alega a nulidade da autuação por não ter sido informada sobre o prazo do procedimento fiscal, e, ainda, por ter sido lavrado auto de infração com objeto diverso daquele constante do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal. Não lhe assiste razão. Conforme bem pontuou a decisão recorrida, o MPF que respaldou o procedimento de fiscalização foi regularmente emitido em 24/01/2008, e cientificado à contribuinte. A data originária para encerramento (23/05/2008) sofreu alterações que preservaram a continuidade do procedimento, sem interrupções, todas as quais observaram as normas internas expedidas pelo órgão fiscalizador (Portaria RFB 11.371/07). De posse do número do MPF e do código de acesso, informado no próprio Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte pode consultar todas as alterações e Fl. 5568DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 23 22 prorrogações do MPF no sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal, sendo esta uma garantia que lhe é dada no sentido de que está sendo efetivamente fiscalizada por agentes competentes. Com relação à inclusão do IRRF, feita na alteração promovida em 08/10/2008, conforme esclareceu a decisão recorrida, tal procedimento (inclusão expressa do tributo no MPF) sequer era necessária, nos termos da citada Portaria. Portanto, inexistentes quaisquer vícios no MPF. Ademais, o MPF, instituído originariamente pela Portaria SRF nº 3.007, de 2001, constitui mero instrumento de controle da administração tributária, de sorte que eventuais falhas ou irregularidades que porventura tivessem ocorrido quanto à observância das regras estabelecidas na regulamentação interna do órgão fiscalizador poderiam, quando muito, suscitar responsabilidade administrativa do AuditorFiscal da Receita Federal; nunca, porém, teriam força para retirar daquela autoridade a competência para efetuar o lançamento, que lhe é assegurada por lei (art. 6o da Lei no 10.593, de 2002). Esta é, também, a posição majoritária do CARF, conforme se verifica no seguinte precedente (decisão unânime) da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferida na sessão de 15 de agosto de 2012: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. (Acórdão nº 9101001.457, relator Valmir Sandri, sessão de 15 de agosto de 2012) Alteração de entendimento jurídico relativo à isenção Entre os pedidos ao final formulados na peça recursal, requer ainda a Fundação “que seja o Auto de Infração anulado, por estar entre suas causas determinantes a alteração de entendimento jurídico da RFB com efeitos retroativos quanto à isenção da Impugnante”. Tal pleito não veio acompanhado de nenhuma exposição ao longo da peça recursal, provavelmente fruto da já mencionada circunstância de que o recurso interposto, à toda evidência, estava intimamente ligado à peça de impugnação apresentada especificamente contra o IRRF lançado. De qualquer sorte, a questão da suposta “alteração de entendimento jurídico da RFB” foi adequadamente resolvida pela decisão de piso, no excerto que a seguir transcrevo, onde também fica claro qual era o argumento que estava por trás da referida alegação: “A fundação alega a mudança do entendimento jurídico sobre o direito da isenção, uma vez que fora intimada em 31/5/01, nos termos do MPF 1010300 2001 000714, para verificação do cumprimento das obrigações fiscais e sequer foi Fl. 5569DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 24 23 autuada. Sustenta ter havido fiscalização sobre os mesmos fatos analisados pela presente autuação, sem que fosse apontada a suposta irregularidade ora lançada. Equivocase a autuada quanto ao propósito do procedimento fiscal mencionado, eis que ele não se direcionava à verificação do cumprimento de suas obrigações fiscais, mas à realização de diligência (fl. 4500). A natureza do mandado de procedimento fiscal para diligência é diferente do mandado de procedimento fiscal para fiscalização, conforme se comprova pela Portaria SRF 1.265/99 (...) Não é possível criar ilação de que uma não autuação em período anterior consista em prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa capaz de criar norma complementar à lei.(...) No presente caso, não há falar em revisão de lançamento, porquanto não houve lançamento; nem é o caso de revisão.” Quanto à retroatividade dos efeitos relativos à suspensão da isenção, tratase de expressa disposição legal, contida no art. 32 da Lei no 9.430/96. O ato declaratório que suspende a isenção tem eficácia meramente declaratória, e não constitutiva, ou seja, apenas reconhece que determinado contribuinte não poderia aproveitarse do benefício fiscal, desde a data da prática da infração, porque descumpriu condições exigidas pela lei. Cerceamento de defesa Luiz Carlos de Pellegrini, Silvestre Selhorst, e Ronaldo Etchechury Morales reclamam por não ter tido participação e oportunidade de defesa quanto à suspensão da isenção da fundação, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa e/ou violação a princípios constitucionais, notadamente o do devido processo legal. Não lhes assiste razão. No âmbito da legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, o direito ao contraditório está assegurado a partir da ciência, pelo contribuinte, da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Neste sentido, é claro o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, que assim determina: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” No caso do procedimento de suspensão da isenção, é apenas a Fundação, na condição de titular do benefício fiscal, quem possui legitimidade para contestar o ato declaratório que suspendeu o benefício, assim como os fatos e os fundamentos nos quais o referido ato se amparou. E o direito ao contraditório nesta fase encontrase expressamente previsto em lei (art. 32 da Lei no 9.430/96), contudo, somente para a própria entidade interessada. Portanto, no caso dos responsáveis tributários, a sua garantia de contraditório somente se inicia com a impugnação tempestiva ao lançamento do qual tenha sido regularmente cientificado, não havendo, portanto, qualquer violação ao princípio do devido processo legal ou cerceamento do direito de defesa. Fl. 5570DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 25 24 Incompetência da Receita Federal Silvestre Selhorst alega a nulidade do procedimento fiscal por incompetência da Receita Federal do Brasil. Afirma que quem tem a competência para verificar se a atividade executada pela Fundação é adequada aos seus fins, é exclusivamente o Ministério Público do Estado onde está situada. Assim, caso os auditores tenham a presunção de que alguma atividade da Fundação tenha contrariado os seus fins, poderiam, apenas, ingressar com uma ação junto ao Ministério Público Estadual para que tal atividade fosse, em procedimento com o devido contraditório, declarada contrária aos seus fins, abstendose, até lá, de emitir qualquer juízo de valor a esse respeito, por não ser de sua competência. Não lhe assiste razão. A Receita Federal do Brasil é o órgão responsável pela fiscalização do imposto de renda da pessoa jurídica, assim como de diversos outros tributos federais, e o Auditor Fiscal da Receita Federal é a autoridade competente para executar os procedimentos de fiscalização e lavrar, quando o caso, os autos de infração. A legislação tributária aplicase indistintamente a todas as pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal, nos termos do art. 194 do CTN. No caso das pessoas jurídicas que gozem da isenção de tributos condicionada ao cumprimento de determinados requisitos, o art. 32 da Lei no 9.430/96 estabelece o competente rito para a suspensão da isenção, reforçando a competência da Receita Federal, verbis (grifei): “Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. (...) § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. (...) § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, Fl. 5571DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 26 25 quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência.” Mérito Isenção e forma de atuação da Fundação No mérito, defende a Fundação ser ela uma entidade sem fins lucrativos, que tem como objetivo básico apoiar o desenvolvimento da tecnologia, das ciências e das artes, pelo apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade Federal de Santa Maria — UFSM, pelo assessoramento à elaboração de projetos e administração dos recursos obtidos. Discorre acerca de seus objetivos estatutários, para afirmar que os desempenha principalmente através da celebração de convênios, contratos , ajustes e acordos, com entidades públicas ou privadas, sempre com atuação dentro dos estritos limites da lei, e que, na consecução dos seus projetos, está prevista a participação de servidores da UFSM mediante o pagamento de bolsas, conforme autoriza a Lei no 8.958/94. Diz que o resultado das pesquisas e estudos assim desenvolvidos não reverte para a Fundação, que funciona como mera gestora dos recursos necessários para a execução do estudo e da pesquisa, não havendo qualquer contraprestação de serviço para a Fundação. O objetivo da bolsa não é a prestação de um serviço, mas sim o aprimoramento profissional dos participantes, em benefício próprio e da instituição da qual é funcionário, ou a realização de projetos de pesquisa científica e tecnológica. Luiz Carlos de Pellegrini afirma que a fundação sempre manteve seu propósito inicial, não visando a lucro, não distribuindo patrimônio e não remunerando seus dirigentes. Também endossa o argumento de que a Fatec trabalha basicamente como administradora ou gestora de recursos de terceiros necessários à execução dos projetos, e que o rendimento da Fatec decorre exclusivamente de taxas de administração que cobra pela gestão desses projetos. Silvestre Selhorst afirma que o lançamento fiscal tem por fundamento quatro supostos fatos: “a) a contratação por dispensa de licitação entre o DETRAN/RS e a FATEC teria sido ilegal; b) a FATEC não poderia prestar serviços que não sejam de ensino, pesquisa, extensão ou desenvolvimento institucional; c) a FATEC teria pago por serviços não prestados, ditos pelos auditores como "serviços de papel"; e d) a FATEC teria deixado de recolher tributos sobre bolsas não isentas.” Contesta os fundamentos acima, sustentando que os contratos firmados pela Fundação dispensam licitação, que a RFB não seria competente para avaliar o tipo de serviço Fl. 5572DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 27 26 que a Fatec poderia prestar (argumento já analisado), que os serviços foram efetivamente prestados, que a Fatec teve suas contas aprovadas, mesmo após o alarido na imprensa acerca da “operação Rodin” (envolvendo o Detran/RS), e que as bolsas foram regularmente concedidas e são isentas, não representando tampouco qualquer vantagem para a Fatec. Ronaldo Etchechury Morales reforça que as receitas operacionais próprias da Fatec estão restritas às taxas de administração cobradas, e, nesta conformidade, alega que a base de cálculo do lucro presumido relativas aos anoscalendários de 2003 e 2004, a prosperarem, devem ter por base o regime do lucro presumido, segundo opção que a entidade, na condição de contribuinte, fez ao ser intimada a se manifestar a respeito. Especificamente com relação ao caso tratado pela “operação Rodin”, esclarece que o Detran/RS “já vinha de um contrato sob o mesmo estilo com a Fundação Carlos Chagas e que teve no episódio da contratação da FATEC a aprovação da situação de dispensa de licitação por parte da Procuradoria Geral do Estado, como está estampado no processo”. E que a Fatec não subcontratou terceiros para realizar, por delegação, os fins dos contratos que assumiu, pois os objetos estipulados nos instrumentos não se confundia com o objeto dos serviços contratados com o Detran/RS. Para confrontar todos os argumentos acima, há que se reprisar alguns dos pilares centrais da acusação fiscal, também endossados pela decisão recorrida, e, nesta oportunidade, pelo presente voto. Com relação à irregular participação da fundação em contratos com dispensa de licitações, a autoridade julgadora a quo fez minuciosa exposição, a qual, pela sua clareza e precisão, peço vênia para transcrever: “Os tribunais de conta são os principais órgãos de controle das contas do Estado. Eles é que são responsáveis pelas diretrizes e orientações quanto à contratação pública. A jurisprudência assente do Tribunal de Contas da União, aplicável para outros casos, evidencia que a Fatec participava irregularmente de processos licitatórios, uma vez que: a) não tinha capacidade de executar objetos contratuais com estrutura própria estrutura e de acordo com sua competência: ... observe nas dispensas de licitação, com base no inciso XIII do art. 24, da Lei n° 8,666/93, a necessidade de ficar demonstrado nos autos que a entidade contratada, além de ser brasileira, sem fins lucrativos, detentora de inquestionável reputação éticoprofissional e incumbida regimental e estatutariamente do ensino, da pesquisa ou do desenvolvimento institucional, tem capacidade de executar. com sua própria estrutura e de acordo com suas competências, o objeto do contrato. (TCU Processo n ° 017.5371967. Decisão n ° 88111997. Plenário) ... se abstenha de dispensar licitação com fundamento no art. 24, inciso XIII, da Lei 8.666/93, quando restar comprovado que a instituição de que trata o referido dispositivo não tem condições de desempenhar as atribuições para qual foi contratada, uma vez que nesse caso é inadmissível a subcontratação. (TCU. Processo n° 019.3651950. Decisão n° 13811998 — Plenário) (Sublinhei); Fl. 5573DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 28 27 b) objetos licitados não se relacionavam claramente com a natureza e os objetivos da instituição: ... evite contratar, sem licitação, entidades de natureza privada para a realização de concurso vestibular, inclusive fundação de apoio (art. 3° da Lei n.o 8.666/93);... (TCU. Acórdão 1388/2006. Plenário) ... esclarecer que a dispensa de licitação com fundamento no art. 24 da Lei n° 8.666/93 só pode ser aplicada para execução de serviços, desde que os objetivos da pessoa jurídica a sei, contratada guardem estreita correlação com o objeto... (TCU. Processo n° 004.265120039. Acórdão n ° 506/2004. Plenário) ... a dispensa de que trata o inciso apenas é admitida quando, excepcionalmente, houver nexo entre este dispositivo, a natureza da instituição e o objeto a ser contratado. (TCU. Processo n° 018.021/20000. Acórdão n° 61/2003. Plenário) Enfim, a contratação direta com base no art. 24, XIII, da Lei de Licitações, para ser considerada regular, não basta que a instituição contratada preencha os requisitos contidos no citado dispositivo legal, ou seja, ser brasileira, não possuir fins lucrativos, deter inquestionável reputação ético profissional e ter como objetivo estatutárioregimental a pesquisa, o ensino ou o desenvolvimento institucional, há que observar também que o objeto do correspondente contrato guarde estrita correlação com o ensino a pesquisa ou o desenvolvimento institucional, além de deter reputação ético profissional na estrita área para a qual está sendo contratada." (TCU, Processo n° 018743/960, Decisão 908/99, DOU de 17/12/99,p. 70) ...a dispensa de que trata o inciso apenas é admitida quando, excepcionalmente, houver nexo entre este dispositivo, a natureza da instituição e o objeto a ser contratado. (TCU. Processo n° 018.021/20000. Acórdão n° 61/2003 Plenário) ... a dispensa do procedimento licitatório só seria devida caso o objeto do contrato fosse compatível com os objetivos fins da Fundação de Apoio. Interpretar diferente seria permitir que as Fundações de Apoio e Pesquisa prestassem todo e qualquer serviço em detrimento dos concorrentes privados. O objetivo do dispositivo legal foi ementar e divulgar a pesquisa e não desvirtuar sua área de atuação o que por certo ocorreria caso essas entidades passassem a ser fornecedoras de serviços diversos para as entidades públicas que pretendessem se esquivar do certame licitatório (TCU Decisão 414/99, Ata 29/99. Plenário; Voto do MinistroRelator Adhemar Ghisi, item 2); c) a finalidade desenvolvimento institucional, prevista no art. 1° da Lei 8.958/94 como requisito para as entidades de apoio às instituições federais de ensino superior (IFES) e no art. 24, XIII, da Lei 8.666/93 para possibilitar a dispensa de licitação, foi aplicada contrariamente à lei: “... o desenvolvimento institucional não pode significar, simplesmente, ao menos no contexto do inciso XIII, melhoria ou aperfeiçoamento das organizações políticas (cf voto condutor da Decisão n. 830/1998). Segundo ali registrado, uma interpretação larga da lei, nesse ponto, conduziria, necessariamente, à inconstitucionalidade do dispositivo, uma vez que os valores fundamentais da isonomia, da moralidade e da impessoalidade, Fl. 5574DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 29 28 expressamente salvaguardados pela Constituição, estariam sendo, por força de norma de hierarquia inferior, relegados..." (TCU. Processo n. 017.029/20012. Decisão n, 655/2002. Plenário.) ... É de se destacar, por fim, que a jurisprudência desta Corte vem repudiando a utilização de dispensa de licitação, fundada no art. 24, inciso XIII, da Lei n° 8.666/93, quando o objeto licitado não se encontra claramente relacionado com o desenvolvimento cientifico e tecnológico da instituição sendo esses últimos termos as reais acepções da expressão desenvolvimento institucional. A titulo exemplificativo, citemse decisões n°s 657/1997, 612/1998, 830/1998, 252/1999 e 316/1999, todas do Plenário, relativas a prestação de serviços de informática e, com maior pertinência ao presente caso, o Acórdão 1306/2003 — Primeira Câmara. Esta deliberação decidiu pela impossibilidade de contratação de fundação de apoio para que a entidade gerencie a realização de obras de ampliação em hospital vinculado à Universidade... (TCU. Processo n° 005.023/20016. Acórdão n° 1.481/2004. Plenário); O Tribunal de Contas da União (TCU) revela, em diversas decisões, a participação específica da Fatec em atividades que não representavam sua finalidade institucional. A Decisão 1140/2002, prolatada pelo Plenário em sessão de 4/9/02 (fls. 2428/2438), já consignou que a UFSM contratava a Fatec para atividades que não podem ser consideradas típicas de ensino, pesquisa e extensão, ou essenciais ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico. Na oportunidade, o tribunal determinou a rescisão do contrato firmado entre a universidade e a fundação para prestação de serviços de elaboração e publicação de livros, revistas técnico científicas, cadernos didáticos, com recursos gráficos e computacionais, visto que, na prática, tratavamse de pontos de xerox. Na mesma decisão, proibiu a subcontratação ou execução indireta de serviços nos contratos com a Fatec firmados com base em dispensa de licitação, nos termos do art. 24, XIII, da Lei 8.666/93. Em outra decisão do TCU, no Acórdão 1273/2006 da Segunda Câmara, julgado em 30/5/06, no julgamento de agravo proposto pela UFSM em processo de 2005, constou no voto do ministro relator (fl. 2445): 5. Ora, a UFSM tenta rediscutir o mérito da questão e, com isso, defender a necessidade de insubsistência da determinação contida no subitem 8.1.18 da Decisão n° 1.140/2002 — Plenário, por meio da subversão do instituto da dispensa prevista no mencionado dispositivo da Lei de Licitações. Destaco que o inciso XIII do art. 24 da Lei n° 8.666/1993 prevê que a contratada — a fundação de apoio, no caso — esteja, ela própria, investida de todos os condicionantes que tornam legal o afastamento da licitação (existência de nexo entre o dispositivo, a natureza da instituição contratada e o objeto contratual, este necessariamente relativo a ensino, a pesquisa ou a desenvolvimento institucional), A Decisão n° 30/2000 — Plenário deixou claro esse entendimento no âmbito da Corte de Contas. 6. A aplicação do art. 24, inciso XIII, da Lei n° 8.666/1993 exige que a própria fundação de apoio desincumbase das tarefas contratadas junto a ela pela instituição apoiada. Especialmente a partir da prolação da Decisão n° 138/1998 – Plenário, firmouse entendimento que a subcontratação pretendida pela Universidade não encontra amparo na legislação vigente. 7. Além disso, vem o Tribunal se posicionando quanto à correta atuação das fundações de apoio em diversos aspectos para que não seja extrapolada a inteligência da Lei n° 8.958/1994 e do Decreto n° 5.205/2004, que a Fl. 5575DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 30 29 regulamenta, quando confrontadas tais normas com os mandamentos da Lei de Licitações. (Sublinhei) O Acórdão 2259/2007, resultante de sessão plenária do TCU, apontou que a Fatec estava sendo utilizada indevidamente para serviços que não poderiam ser executados em caráter personalíssimo e que não eram compatíveis com a sua área de atuação ou que resultariam em subcontratação de terceiros, configurando mera intermediação da fundação, a exemplo das contratações para aquisição de equipamentos e contratação de obras (fl. 2446). A propósito de contratação de obras, verificase que foi exatamente o que a Fatec fez nos projetos que envolveram a construção de unidades administrativas e laboratórios, aquisição de mobiliário, equipamentos e materiais permanentes e implementação de bibliotecas para o Centro de Educação Superior NorteRS/UFSM (Cesnors) e cinco campi da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) (fls. 1682 a 1698). No plano de aplicação referente ao projeto do Cesnors, verificase a estimativa de 32% do total aplicado no projeto, e na construção dos cinco campi, 29% (fl. 1696). Daí exsurge o questionamento: onde está o elo dessas atividades com o objeto da fundação, que é o desenvolvimento da tecnologia, da ciência e das artes? O Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (MPC), examinando possíveis irregularidades em contrato firmado entre o Município de Pelotas e a Fatec, relativamente à contratação por dispensa de licitação para prestação de apoio tecnológico para o desenvolvimento e implantação do software denominado SIM — Sistema de Informação Municipal, revelou que a fundação subcontratou parte ou a integralidade do objeto a outras empresas, dentre as quais a SIG Soluções em Informática e Gestão. Nesta eram sócios diversos servidores da UFSM, como Jornandes Almeida, que também foi diretor administrativo da Fatec (fls. 2493/2505). Os pagamentos efetuados pela Fatec à SIG referiamse a cessão de direito de uso do software e prestação de serviços de implantação, manutenção e suporte do programa, o que era o próprio objeto do contrato. Apesar de não ter elaborado ou produzido o software, a SIG detinha seus direitos autorais e propriedade, estando esta registrada em seu nome no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) (fls. 411 e 451). A informação técnica do MPC indica a utilização da FATEC como viabilizadora da contratação indireta da SIG pelas municipalidades, com indícios de que as negociações tenham sido realizadas diretamente pela SIG. Serviços do SIM também foram fornecidos a outras prefeituras mediante dispensa de licitação, com base no art. 24, XIII, da Lei 8.666/93, tais como as dos municípios de Santa Maria (RS), Uruguaiana (RS), Sorocaba (SP), Campinas (SP) e Anápolis (GO) (fls. 2016/2026). Os relatórios de fiscalização destacam diversos outros projetos em que a Fatec participou irregularmente para propiciar a burla de licitações. É o caso da Anvisa, Anatel e Detran/RS.” Pelo acima exposto, resta claro que houve a irregular participação da Fundação em contratos firmados com entidades públicas com dispensa de licitação, e não somente com relação ao caso mais emblemático (Detran/RS, no âmbito da “Operação Rodin”), mas em diversas situações, conforme restou acima sucintamente delineado. A Fundação buscou utilizarse, de forma deturpada e contrária à lei, dos dispositivos legais que preveem a possibilidade de dispensa de licitação, na verdade subvertendo o instituto da dispensa prevista na Lei de Licitações (Lei n° 8.666/1993), conforme destacou o relator do Acórdão TCU Fl. 5576DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 31 30 1273/2006, da Segunda Câmara (fls. 2445), em caso que se analisava justamente a irregular subcontratação ou execução indireta de serviços pela Fatec nos contratos firmados entre esta e a UFSM com dispensa de licitação. A jurisprudência do TCU, portanto, é muito clara no sentido de que as Fundações de Apoio devem ter capacidade de executar, com sua própria estrutura e de acordo com suas competências, o objeto do contrato, sendo vedada a subcontratação, e que, ademais, o objeto do correspondente contrato deve guardar estrita correlação com o ensino, a pesquisa, ou o desenvolvimento institucional, não sendo admissível que referidas Fundações prestem todo e qualquer tipo de serviço, em detrimento dos concorrentes privados. Além de clara, a mencionada jurisprudência do TCU é anterior aos eventos alcançados pela autuação em litígio, e sequer poderia ser tida por desconhecida pela Fundação, pois ela própria, conforme visto, já havia sido alertada a respeito, pelo menos desde 2002 (vide Decisão 1140/2002, acima mencionada). Com relação especificamente à denominada “Operação Rodin”, caso mais emblemático que permeou todo o procedimento de fiscalização, é conveniente transcrever partes da decisão judicial (fls. 28062869):que recebeu as denúncias na ação penal n° 2007.71.02.0078728, promovida junto à 3a Vara da Justiça Federal de Santa Maria, para melhor compreender os fatos: “A presente ação penal, resultado da denominada "Operação Rodin" tem como foco central supostos ilícitos penais verificados no âmbito das relações contratuais entabuladas entre a FATEC, e posteriormente a FUNDAE – ambas fundações de apoio à UFSM –, e o DETRAN/RS, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul. As condutas ilícitas verificadas giram em torno de uma fraude central, qual seja a da contratação, por órgãos públicos, mediante dispensa de licitação, das Fundações de Apoio vinculadas a Universidade Federal de Santa Maria, supostamente amparada no art. 24, XIII, da Lei 8.666, para a realização de atividades diversas, cuja realização, todavia, é incumbida a terceiros, aos quais se repassa praticamente toda a remuneração percebida (muitas vezes valores expressivos, em contrapartida por serviços pífios, a indicar superfaturamento), repasse este que beneficia financeiramente, de forma direta ou indireta, os próprios responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos públicos) e subcontratação (integrantes das Fundações de Apoio) e, ainda, lobistas que conseguem obter o contrato. Em outras palavras, ocorre um ajuste prévio, no qual pessoas com grande influência política (lobistas) conseguem obter junto a órgãos públicos, para as Fundações de Apoio, contratos para prestação de determinados serviços. Contratadas, sem licitação, as Fundações subcontratam empresas e pessoas para realização dos serviços, superfaturados, de forma a beneficiar, primeiramente, os próprios lobistas, e, ainda, também os dirigentes do órgão contratador e das fundações. É evidente o mecanismo de burla à regra geral de licitação para as contratações a serem estabelecidas pelo Poder Público, especialmente quando se vê a criação de mecanismos de triangulação do dinheiro público obtido nas relações contratuais em questão de forma a acabar nas mãos dos próprios responsáveis pela Fl. 5577DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 32 31 mesma. Verificase que o "lobby" se vale do recurso à reputação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), irradiada sobre suas Fundações de Apoio, para obtenção dos contratos públicos, em cujo preço são embutidos, além do valor do próprio serviço, a "remuneração" dos lobistas, pela obtenção do contrato, e, em muitas situações, o superfaturamento, também destinado a corromper funcionários públicos. Notase, por outro lado, que após a contratação das fundações de apoio, e direcionamento da atividade para a subcontratação e empresas privadas, poucas eram as atividades por estas desempenhadas, não obstante absorvessem parcela substancial dos recursos. Há fortes indícios de que ditas empresas destinavam os recursos para a manutenção do esquema criminoso, com pagamento de valores a título de "propina" para servidores públicos estaduais e federais responsáveis pela efetivação e operacionalização do esquema, no âmbito do DETRAN/RS e da Universidade Federal de Santa Maria, bem como para o locupletamento ilícito dos demais envolvidos. Registrase, ainda, a grande ingerência das empresas subcontratadas dentro das próprias Fundações de Apoio, revelandose nítida sobreposição de interesses privados sobre o interesse público, chegando mesmo a ditar a forma de sua contratação e os valores de sua remuneração. A partir de tal ilicilude central (crimes contra licitações), diversas outras se irradiam, tangenciando especialmente crimes contra a administração pública e contra o patrimônio. A primeira fase da operação do esquema iniciase, assim, com a contratação, sem licitação, da Fatec para a prestação de serviços ao Detran/RS. Conforme deflui dos autos, até o ano de 2003, o Detran Rio Grande do Sul efetuava seus exames por intermédio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratada para prestar serviços de "exames práticos e teóricos de direção veicular". Todavia, mesmo na iminência do término do contrato, e dispondo de tempo suficiente para licitar o serviços, a autarquia, na época presidida por Carlos Ubiratan dos Santos, e tendo como diretor administrativofinanceiro Hermínio Gomes Júnior, deixou de efetivar o devido procedimento licitatório. Foi contratada, então, sem licitação (com base no art. 24, IV, da Lei 8.666/93 – "casos de emergência ou calamidade pública"), a Fatec (hoje Fateciens), fundação de apoio à UFSM, em cuja administração a Reitoria de tal instituição universitária tinha grande relevo, especialmente por intermédio de seu Reitor, na época Paulo Jorge Sarkis. Obtido o contrato, assume como seu coordenador, na FATEC, Dario de Almeida Trevisan, que desenvolveu o projeto intitulado "Trabalhando pela Vida", junto à UFSM, que dá suporte ao Projeto Detran. Esgotado o prazo para a contratação emergencial, de 180 dias, foi firmado novo contrato entre o DETRAN e a FATEC, também com dispensa de licitação, desta vez amparada no art. 24, XIII da Lei 8.666, que a possibilita quando em favor de instituição brasileira incumbida regimental e estatutariamente da pesquisa, do ensino, ou do desenvolvimento institucional. Constam nos autos elementos que indicam que, por detrás dessa contratação, estaria desenhada a seguinte situação: 1) A família Fernandes (sob a liderança de José Antônio Fernandes, diretamente assessorado por seus filhos Ferdinando Francisco Fernandes, além da Fl. 5578DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 33 32 participação ativa de sua nora Denise Nachtigall Luz, esposa de Ferdinando, e ciência e participação de sua filha Francene Fernandes, de sua esposa Lenir Beatriz da Luz Fernandes), valendose de seus contatos políticos, oferecia vantagem ilícita a gestores públicos responsáveis pela contratação de serviços mediante dispensa de licitação, com a condição de que a contratação realizasse em favor da fundação de apoio à UFSM. 2) Os contatos iniciais, para tanto, deramse com Lair Antônio Fersi, empresário lobista que tinha grande poder junto ao DETRAN/RS, por conta de sua vinculação a seu diretorpresidente, Carlos Ubiratan dos Santos. Lair também mantinha vinculação com Carlos Dahlem da Rosa. 3) A proposta de contratação, nos moldes relatados, envolvia a subcontratação dos serviços das empresas vinculadas, direta ou indiretamente, aos envolvidos (que faziam parte da estrutura criminosa). 4) A atividade contava com a participação do então Reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Jorge Sarkis, que apresentava a instituição como parceira da Fatec na prestação dos serviços, a garantirlhe assim credibilidade técnica para a contratação. 5) À frente da participação da Fatec, situavase seu Secretário Executivo, Silvestre Selhorst, que mantinha vinculação de amizade com Paulo Jorge Sarkis e José Antônio Fernandes, contando com o apoio dos servidores públicos da UFSM que atuaram, no período, como presidentes e diretores da fundação, Ronaldo Etchechury Morales e Luís Carlos de Pelegrini. Estabelecido o modus operandi, a efetivação do esquema criminoso, iniciada em meados do ano de 2003, teria envolvido a oferta, por José Antônio Fernandes, unido a Lair Ferst, de vantagem ilícita a Paulo Jorge Sarkis e Dario Trevisan de Almeida, para que praticassem atos administrativos necessários a que a UFSM pudesse dar suporte e participar da contratação da Fatec pelo Detran. Em seguimento, prometeram vantagem indevida a Carlos Ubiratan dos Santos e Hermínio Gomes Júnior, para a obtenção da contratação. Contratada a Fatec, em julho de 2003, a fundação terceirizou boa parte da execução do Projeto, subcontratando quatro empresas chamadas sistemistas, que juntas perceberam em torno de 40% dos valores brutos obtidos no contrato entabulado com o Detran, quais sejam: 1) A empresa Pensant Consultores, pertencente à família Fernandes, tendo como sócios José Antônio Fernandes e seus filhos Ferdinando Fernandes e Fernando Fernandes. Percebia 9,59% dos recursos. 2) A empresa Rio del Sur, que tem como sócias, dentre outros, Rosana Cristina Ferst e Cenira Maria Fersi Ferreira, irmãs de Lair Ferst. Percebia 9,45% dos recursos. 3) A empresa Newmark Tecnologia da Informação, Logística Marketing que tem dentre seus sócios Elci Terezinha Ferst, irmão de Lair Ferst, e Alfredo Pinto Telles, seu cunhado (companheiro de Elci). Percebia 13,77% dos recursos. 4) A empresa Carlos Rosa Advogados Associados, que tem como sócio Carlos Dahlem da Rosa, e que tinha vinculação com Luiz Paulo R. Germano (conhecido como Buti), dentre outros (escritório de advocacia e pessoas que, como Fl. 5579DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 34 33 indicam os documentos e áudios, mantinham grande vinculação com o antigo diretor do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos. Percebia 5,67% dos recursos. A despeito, todavia, da contratação das sistemistas para execução do contrato, sua efetiva operação foi atribuída à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição com estrutura para suportar adequadamente o objeto do contrato. De fato, a Fatec contratou a UFSM para, por intermédio de um projeto institucional, vinculado à Reitoria, fornecer o suporte necessário para a realização de atividades que o Detran havia exigido na contratação (conforme dois contratos, contemporâneos ao primeiro contrato emergencial do Detran com a Fatec, em julho de 2003, e ao segundo, em dezembro de 2003). Relevante sinalar que valores expressivos foram revertidos, pela FATEC, às empresas sistemistas. Segundo dados fornecidos pela Receita Federal, entre os anos de 2002 a 2006, os valores foram os seguintes: SISTEMISTA REPASSE R$ NEW MARK TECNOLOGIA 10.083.905,75 PENSANT 8.996.867,12 RIO DEL SUR ENGENHARIA 8.241.975,67 CARLOS ROSA ADVOGADOS 4.146.626,67 Valores similares são apontados pela Informação Técnica MP/TC n° 74, onde constam tabelas descritivas dos valores pagos pela Fatec às sistemistas. Cabe destacar: 1) que todas as empresas sistemistas tiveram uma expressiva participação nos recursos vinculados à contratação em questão, sendo que entre 2003 e 2006 receberam, em conjunto, R$ 31 milhões. 2) a UFSM teria gastos, entre 01/2005 e 12/2008, da ordem de R$ 953.664,00 para desenvolver o projeto em questão, portanto valores extremamente menores que os percebidos pelas quatro sistemistas. 3) nada obstante tendo recebido muito menos que as sistemistas, as atribuições da UFSM eram sobremaneira mais importantes que as das primeiras (já que os serviços destas, de consultoria e supervisão, eram acessórios). Afigurase, pois, extremamente alta a probabilidade de que tais empresas somente tenham sido contratadas pela FATEC para a "execução" do Projeto DETRAN para alimentar um esquema de pagamentos aos lobistas (família Fernandes e Lair Ferst) e, ainda, de propinas (pela via do escritório de advocacia com vínculos com o então presidente do DETRAN, Carlos Ubiratan, e ainda por triangulação de valores cruzando por empresa sistemista). (...)” Todo o quanto acima exposto desconstitui de forma cabal o argumento de que não teria havido desvio de finalidade na atuação da Fatec. Consoante bem observou a decisão recorrida, não há qualquer relação entre o desenvolvimento das ciências e da tecnologia, que a Fundação deveria promover (e razão de ser da isenção tributária que lhe era concedida), e a prestação de serviços para a aplicação de provas práticas destinadas à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação para condução de veículos automotores, serviço absolutamente comum, e que poderia ser prestado por qualquer entidade de natureza privada, desde que, contudo, mediante a devida licitação. Fl. 5580DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 35 34 É fato, entretanto, que, especificamente com relação ao mencionado contrato assinado com o Detran/RS, a dispensa de licitação foi aprovada por parte da Procuradoria Geral do Estado, conforme mencionou o recorrente Ronaldo Etchechury Morales. Porém, diante de todo o exposto na retromencionada jurisprudência do TCU, só resta considerar desconexo da realidade o entendimento manifestado por aquele órgão. De qualquer sorte, ressaltese que a PGE, no caso, apenas atestou a possibilidade da dispensa de licitação segundo o critério do art. 24, XIII, da Lei 8.666/93, por entender ser o objeto do contrato com o Detran/RS compatível com os objetivos da fundação. Mas não se pronunciou expressamente sobre o contrato em si, consoante destacou em um de seus parágrafos finais, verbis (fls. 4441/4444): “Deixo de examinar, por ora, a minuta de contrato em face de, não ter acompanhado o expediente”. Ainda sobre o mencionado contrato celebrado com o Detran/RS, esclarece o relatório fiscal que, verbis: “Assim que foi assinado o contrato com o DETRAN/RS, em 01/07/03, a direção da.FATEC já tinha conhecimento de que deveria compensar os lobistas LAIR FERST, e JOSÉ FERNANDES por seu tráfico de influência com a subcontratação das empresas por eles designadas, o. que demonstra que a contratação da FATEC pelo DETRAN/RS foi "casada" com a subcontratação, por parte da referida Fundação, das empresas denominadas "sistemistas"; cujos contratos foram celebrados em 30/06/03, um dia antes da assinatura do Contrato no 34/2003 entre a FATEC e o DETRAN/RS, tamanha a pressa em malversar os recursos públicos.” Neste contexto, as alegações de que os serviços “terceirizados” não correspondiam ao núcleoobjeto do contrato firmado com o Detran/RS, tornamse irrelevantes, pois o que sobressai é a obrigatoriedade da subcontratação das empresas ditas “sistemistas”, que servem aos interesses pecuniários escusos. A propósito dos “serviços terceirizados” em si, a alegação recursal de que tais serviços não seriam meramente “de papel”, isto é, não prestados ou simplesmente inexistentes, não se faz acompanhada de nenhuma prova concreta, enquanto que os elementos contidos nos autos, em sentido contrário, ratificam inteiramente a acusação fiscal. Peço vênia para transcrever excerto do voto condutor da decisão recorrida, que bem sintetiza a questão: “(...) há evidências suficientes no processo para se concluir que os serviços prestados pelos sistemistas não ocorreram de fato ou, se ocorreram, geraram resultados pífios e desconexos com os preços praticados. Não houve comprovação de sua efetividade. Os relatórios apresentados continham prestações que não foram comprovadas. Nesse sentido, são contundentes as informações técnicas do Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul ao detalhar sobre os relatórios de serviços de quatro sistemistas, revelando que os acordos produziram remunerações irreais, abusivas e desproporcionais e demonstrando que (fls. 727/763): a) o contrato da Fatec com a Pensant Consultores previa a prestação de serviços técnicos de supervisão e gerência das obrigações decorrentes do contrato Fl. 5581DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 36 35 firmado entre o Detran/RS e a Fatec, mas os relatórios mensais do fornecimento dos serviços, que consistiam basicamente em reprodução das informações contidas nos relatórios de outros sistemistas e da equipe da Fatec responsável pela aplicação do exames, sequer correspondiam efetivamente ao objeto contratual; sequer foram utilizados como ferramentas de apoio à gestão (fls. 734/739); b) o contrato da Fatee com a Carlos Rosa Advogados previa a prestação de consultoria jurídica nas relações decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec; entretanto, os relatórios dos serviços e atividades prestados praticamente não tinham respaldo em documentação (fls. 748/753); c) o contrato da Fatec com a Rio del Sur — Auditoria e Consultoria previa a prestação de auditoria das obrigações e procedimentos decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec revelou remuneração elevadíssima considerando que consistia basicamente em serviços contábeis (fls. 727/733); d) o contrato da Fatec com a Newmark — Tecnologia da Informação, Logística e Marketing previa a prestação de serviços técnicos especializados de apoio às atividades de inteligência no âmbito dos Centros de Formação de Condutores, Ciretrans e postos do Detran, com o objetivo de obter e analisar informações para garantir integridade e segurança no desenvolvimento dos trabalhos de aplicação de provas práticas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação para condução de veículos automotores no Estado do Rio Grande do Sul de acordo com o contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec; inexplicavelmente sequer previa a periodicidade da realização dos trabalhos, que ficavam a critério exclusivo da prestadora (fls. 740/747).” Portanto, fica evidente que não apenas a obtenção, mas também a aplicação dos recursos obtidos pela fundação se deu em finalidades diversas daquelas para as quais foi instituída, não se podendo acatar o argumento de que não tenha distribuído patrimônio. Ao contrário, diante da falta de comprovação da prestação dos serviços (fato que motivou ainda o lançamento do IRRF por pagamentos sem causa, os quais representaram o desvio de cerca de 40% dos valores recebidos), fica evidenciada a não aplicação integral dos recursos da fundação na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Enfim, apenas pelo quanto até aqui exposto, já não haveria que se falar em “atuação dentro dos estritos limites da lei”, posto que completamente desvirtuada a sua condição privilegiada de instituição sem fins lucrativos. A fiscalização demonstrou ainda, contudo, que a Fundação remunerava seus dirigentes por serviços prestados, o que ocorria, em alguns casos, mediante o pagamento de bolsas de pesquisas e/ou estudos. Assim constou na decisão recorrida: “Nilza Luiza Venturini Zampieri foi diretora administrativa da Fatec de 27/4/95 a 24/5/04 e Jornandes Oliveira Almeida exerceu o mesmo cargo de 24/5/04 a 26/5/06. Ambos receberam pagamentos da entidade a título de bolsas de pesquisa nos períodos em que ocupavam seus cargos (fls. 38 e 340/405). (...) Uma análise preliminar dos documentos relativos aos projetos dos quais os dois diretores administrativos constariam como participantes sugere dúvidas quanto Fl. 5582DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 37 36 à vinculação do pagamento das bolsas aos respectivos projetos. A diretora Nilza Zampieri participa de dois projetos no período compreendido pela suspensão da isenção (fls. 346/351). Um termina um ano antes do outro e, mesmo assim, a bolsa mensal percebida sempre foi de R$ 2.700,00 (fls. 340/341). Os pagamentos para ela encerraramse um mês antes da transmissão do cargo para o sucessor. O diretor Jornandes Almeida já vinha recebendo valores mensais de R$ 1.500,00 em todo o ano de 2003 e continuou recebendo até julho de 2004. De agosto/2004 a dezembro/2006 passa a receber R$ 1.350,00 (fls. 342/345), valor que corresponderia à bolsa pelo projeto SIEIFES (fls. 380 e 389), cujo contrato somente foi assinado em 28/1/05 (fl. 373). Em outro documento, a universidade informa sua participação no projeto pelo período de 1/10/04 a 17/1/08 (fl. 404).” A este respeito não constatei contestação expressa nos recursos manejados, à exceção de esparsas manifestações, de cunho genérico, no sentido de que os serviços de dirigentes seriam voluntários e não remunerados, ou então específicas, no caso dos responsáveis elencados pela fiscalização, acerca da não remuneração pelos serviços por eles próprios (recorrentes) prestados, na condição de dirigentes. Assim, tomo por corretas as observações feitas pela decisão recorrida quanto a este aspecto, ao menos no que toca à remuneração dos dois citados dirigentes (Nilza Luiza Venturini Zampieri e Jornandes Oliveira Almeida). Tendo sido suspensa a isenção da Fundação, por meio do competente ato declaratório expedido pela autoridade fiscal com jurisdição sobre o contribuinte, a sua tributação se fez de acordo com as regras a que são submetidas as demais pessoas jurídicas em geral. Apuração dos tributos devidos – IRPJ, CSLL, PIS e COFINS Conforme já antes relatado, nos anos de 2003 e 2004 foi adotado o lucro presumido, em face da opção da contribuinte, quando intimada a se manifestar a respeito. Já nos anos seguintes a tributação se deu pelo lucro arbitrado, pois o contribuinte não apresentou a escrituração necessária para a tributação pelo lucro real, e havia excedido o limite para permanecer no lucro presumido. A Fundação alega ser mera gestora dos recursos de terceiros necessários à execução dos projetos. Luiz Carlos de Pellegrini e Ronaldo Etchechury Morales endossam o argumento, e sustentam que o rendimento da Fatec decorreria, portanto, exclusivamente das taxas de administração que cobra pela gestão desses projetos. Este argumento já foi devidamente enfrentado pela decisão de piso, cujos fundamentos aqui subscrevo: “Não se pode aceitar que somente as comissões integrem a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O lucro presumido ou o lucro arbitrado são calculados com base no resultado da aplicação de percentuais determinados sobre a receita bruta, adicionado a outros valores especificados em lei, auferidos no mesmo período (arts. 25 e 27 da Lei 9.430/96). A receita bruta das vendas e serviços consiste no produto da venda nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, consideradas ainda algumas exclusões previstas na lei (art. 31 da Lei 8.981/95). Fl. 5583DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 38 37 Os contratos de prestação de serviços da Fatec demonstram que ela não operava como agenciadora de serviços de terceiros, mediante pagamento de uma comissão (operação de conta alheia). O preço cobrado correspondia ao montante da responsabilidade da prestação de bens e serviços que contratou. A operação era toda desenvolvida e consumada em nome e por conta da fundação. Era a Fatec que responderia por eventual inadimplência.” Nenhum reparo merece portanto, a autuação, no que toca às exigências de IRPJ e seus reflexos CSLL, PIS e COFINS. No caso do PIS e da COFINS, conforme antes relatado, não foram constatadas quaisquer alegações específicas relativas a esses tributos, tais quais haviam sido feitas na impugnação. A apuração destas contribuições, tanto no lucro presumido quanto no lucro arbitrado, se faz pela apuração cumulativa. IRRF – pagamentos sem causa No que toca à autuação relativa ao IRRF sobre os pagamentos tidos por sem causa, o lançamento se fez sob a égide do art. 61, § 1o, da Lei 8.981/95: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Os serviços, no caso, não foram efetivamente prestados, conforme já aqui se disse; já os pagamentos, por outro lado, foram comprovados. Assim, materializouse a hipótese prevista em lei (pagamento sem causa). Consoante já exposto no presente voto ao norte, tratase de hipótese de responsabilidade por substituição expressamente prevista em lei, cabendo à fonte pagadora a retenção e recolhimento do imposto de renda devido, com o reajustamento da base de cálculo sobre a qual deve incidir o imposto, nos moldes do § 3o acima transcrito. Portanto, não tem procedência o argumento manejado pela Fundação, no sentido de que os pagamentos foram identificados e devidamente contabilizados, e que, portanto, não teria efetuado pagamentos sem causa. A contabilização ou não dos pagamentos é irrelevante para a caracterização do pagamento sem causa, consoante expressamente consta do § 1o acima transcrito. Fl. 5584DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 39 38 Tampouco cabe, pelos motivos já expostos, a alegação de que não teria sido a entidade que agiu fora da lei ou com excesso de poderes, mas sim, supostamente, os seus ex dirigentes em nome próprio, de modo que a Fatec não poderia ser por isso responsabilizada. Juros e multa isolados – IRRF sobre bolsas No que toca à autuação relativa aos consectários legais sobre a falta de retenção do IRRF devido sobre as bolsas de estudo, esta tem por pressuposto o entendimento do fisco de que determinadas bolsas pagas pela Fatec, as quais a fiscalização discriminou nos anexos 30 a 32, e a respeito das quais discorreu no seu relatório, não fariam jus à isenção de imposto de renda que a Fundação entendeu aplicável. Assim, a par do eventual lançamento de ofício que a fiscalização efetivamente tenha feito ou venha a fazer, para cobrar o imposto de renda devido sobre essas bolsas, diretamente dos seus beneficiários, foram lançados de ofício, no presente processo, os juros e multas isolados, calculados sobre a falta de retenção do imposto, que incumbia à fonte pagadora fazer. Tal procedimento tem amparo na lei, notadamente no art. 9° da Lei n° 10.426/2002, art. 43 da Lei n° 9.430/96, e no Parecer Normativo, Cosit n° 1, de 24/09/2002. Este último (PN Cosit 1/2002), estabelece que, quando constatada, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, a falta de retenção do imposto de renda, que tiver a natureza de antecipação do devido, devem ser exigidos da fonte pagadora tão somente a multa isolada e os juros isolados, calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. A Fundação, contudo, em entendimento endossado por outros recorrentes, sustenta que o resultado das pesquisas e estudos desenvolvidos não reverte para a Fundação, e que as bolsas pagas pela Fatec, portanto, são isentas do imposto de renda, pelo que descabe falar em falta de retenção, e, consequentemente, de multa e juros isolados, no caso. Acrescenta no recurso que as pessoas que receberam bolsas da Fatec, e que foram cobradas pela Receita Federal pelo não recolhimento do IRPF, socorreramse do Poder Judiciário, tendo como resultado que “todas as ações judiciárias acerca de bolsas concedidas pela Fatec já julgadas anularam o auto de infração lançado”. Referese, no caso, a três decisões judiciais que anexa ao recurso, das quais, à época, uma já fora confirmada em segunda instância (esclareço que, no presente momento, as outras duas já foram também confirmadas pela 1ª. Turma Recursal dos Juizados Especiais da Seção do Estado do Rio Grande Do Sul). Faz referência também a uma decisão do Conselho de Contribuintes (Processo n° 10840.0001111200258, julgado em 13 de junho de 2007, Acórdão n° 104 22.488), relativa a contribuinte e fonte pagadora diversos, em que também foi reconhecida a existência dessa modalidade de doação para fins tributários e sua inatingibilidade no que tange ao imposto de renda (com relação a esta, contudo, observo que a mesma foi objeto de reforma pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n° 920200687, de 13 de abril de 2010, para decidir pela tributação da bolsa em questão pelo imposto de renda). Há que se definir, portanto, em que circunstâncias uma bolsa é (ou não) tributável. É o que se passa a fazer. Fl. 5585DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 40 39 As bolsas, mesmo as de estudo e pesquisa, são, em regra, tributáveis, conforme estabelecido no art. 43 do RIR/99, que consolida a legislação até então editada (grifei): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769, de 1998, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários;” As condições que determinam a não tributação das bolsas de estudo e de pesquisa, ou seja, a exceção à regra, constam, por sua vez, do art. 39 do mesmo RIR: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei n° 9.250, de 1995, art. 26);” Após alentado estudo sobre toda a legislação anterior e posterior ao RIR/99 acerca da matéria, feito pela autoridade julgadora a quo, e o qual inclui a legislação citada pela recorrente na peça de defesa, conclui aquela autoridade que, em síntese, foram preservadas, ao longo do tempo, as mesmas exigências que constam nos artigos acima transcritos, ou seja, para que uma bolsa (de estudo, pesquisa, extensão ou estímulo à inovação) seja isenta, é necessário o cumprimento cumulativo de três condições: (a) a bolsa deve ser caracterizada como doação; (b) a bolsa deve ser recebida exclusivamente para proceder a estudos, pesquisa, extensão ou inovação; e (c) os resultados das atividades não podem representar vantagens para o doador, nem importar contraprestação de serviços. Por concordar com a análise jurídica feita pela DRJ acerca da matéria, transcrevo a seguir a síntese feita pela DRJ do quanto contido na acusação fiscal, adotandoo como razões de decidir: “A fiscalização relacionou 31 projetos em que foram pagas bolsas isentas de IRRF (anexo 30 — fls. 2671/2672). Os autuantes analisaram as situações e concluíram que as bolsas pagas não constituíam doação civil porque seus valores foram cotados nos custos dos projetos, sem ônus ao patrimônio da UFSM ou da Fatec, demonstrando a perda do caráter de liberalidade, essencial à doação civil. As bolsas seriam utilizadas para o pagamento de mãodeobra especializada e necessária ao cumprimento dos compromissos avençados com os financiadores dos projetos, o que caracteriza contraprestação de serviços. Os projetos não cumpriam condição para o gozo do benefício fiscal ou porque representavam pagamento de contraprestação por serviços prestados ou porque produziam resultados econômicos quer para o "doador direto" (fundação), quer para o "doador indireto" (financiador dos recursos e tomador dos serviços). Fl. 5586DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 41 40 O processo contempla partes ou a integralidade textual de quase todos os contratos vinculados aos projetos listados no anexo 30 (fls. 3125, 3530, 3532, 3547, 3549, 3552, 3559, 3563, 3568/3569, 3571/3572, 3574, 3578, 3580, 3603, 3616/3617, 3636, 3640, 3664, 3669, 3673/3675, 3743, 3752, 3803, 3840, 3914/3923). Verificase invariavelmente que a Fatec se obriga à "prestação de serviços necessários para a execução" ou, simplesmente, à execução de serviço. Ora, isso demonstra a exigência de contraprestação a cargo da fundação, que utiliza servidor da UFSM para a execução do serviço a ser adimplido, ou ainda terceiriza, descaracterizando o caráter de liberalidade de qualquer bolsa vinculada. A fiscalização faz uma análise mais detida sobre o projeto 95934, referente à criação do Centro de Educação Superior NorteRS/UFSM (Cesnors), cujas considerações também são válidas para o projeto 95955, destinado à criação da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), já que ambos previam a construção de unidades administrativas e laboratórios, aquisição de mobiliário, equipamentos e materiais permanentes, e implementação de bibliotecas. A execução e o plano de aplicação dos projetos explicitam evidente caráter contraprestacional: não há o objetivo de produzir estudos, pesquisas, extensão ou inovação, mas mera administração e execução de obras (fls. 1710/1714 e 1729/1731). O Acórdão 2259/2007 do TCU respalda essa constatação ao entender que a UFSM estaria transferindo à Fatec atos de competência exclusiva da universidade, relativos a serviços que não poderiam ser executados em caráter personalíssimo pela fundação, que configurassem mera intermediação, que resultassem em subcontratação de terceiros ou que não fossem compatíveis com a área de atuação da fundação (fl. 2446). Outros exemplos enfatizados no relatório fiscal foram os projetos 81410 e 95355, vinculados a contratos em que houve financiamento de empresas de engenharia civil e indústrias alimentícias, interessadas na prestação de serviços de consultoria e geotecnia e nos resultados de estudos sobre o efeito da adição da fitase na alimentação de frangos de corte. Também aqui há forte conteúdo contraprestacional, com ganhos econômicas ao financiador. Com as mesmas características, destaco os projetos 20106, 95516, 95809, 95815, cujos financiadores e beneficiários dos resultados são a Cia. Energética Rio das Antas (fls. 3914/3923), Ralfe Oliveira Romero (fl. 3125) e a Companhia Estadual de Energia Elétrica (fls. 3568 e 3574). Os projetos 95355, 95357, 95801 e 95819 fazem constar em seus contratos que a fonte de recursos seria resultante da arrecadação que a Fatec faria diretamente de clientes ou de inscrições realizadas (fls 3616, 3636, 3572 e 3840). Mais uma vez há evidências de retributividade.” Diante do exposto, concluo que a fiscalização reuniu elementos suficientes de prova de que as bolsas relacionadas pela fiscalização nos anexos 30 a 32 deveriam ter sofrido a retenção do imposto de renda na fonte, motivo pelo qual está correto o lançamento efetuado pelo fisco, que, no caso, exigiu da Fatec tão somente os juros e multa isolados decorrentes da falta de retenção. O Anexo 30 (fls. 2671 e seguintes) discrimina as bolsas de estudo e pesquisa por projeto da Fatec, o Anexo 31 (fls. 2673 e seguintes) discrimina as bolsas pagas por beneficiário, e o Anexo 32 (fls. 2680 e seguintes) apresenta o cálculo da multa isolada e dos juros isolados pela falta de retenção do IRRF. Fl. 5587DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 42 41 Analisando o Anexo 31, verifico que dele constam os nomes das três pessoas referidas nas decisões judiciais antes mencionadas. Nos casos de Melania de Melo Casarin (processo no 2010.71.52.0012237) e de Andre Krusser Dalmazzo (processo no 2010.71.52.0012249), já houve o trânsito em julgado favorável aos autores. Neste caso, por força da prevalência da decisão judicial, devem ser cancelados, no presente processo, os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas a estas pessoas. No caso de Andrea Tonini (processo no 500306029.2010.4.04.7102), nada obstante a decisão a ela favorável na segunda instância, o processo encontrase atualmente no STJ, com agravo em recurso especial da Fazenda Nacional, ainda sem decisão até o presente momento (consulta ao sítio www.stj.jus.br efetuada em 21/08/2015), motivo pelo qual mantenho a posição defendida no presente voto, ou seja, pela manutenção, no caso, dos juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas a ela pagas. Multa qualificada A Fundação argumenta que as ilegalidades foram supostamente cometidas pelos exdirigentes, motivo pelo qual sobre eles deveria recair a multa, mas que, acaso seja mantida a sua cobrança, deveria ao menos ser reduzida para o percentual de 75%, pois a Fundação apenas interpretou a legislação tributária de modo diverso ao que fez o fisco, não tendo ela cometido, como pessoa jurídica de direito privado, nenhum ato criminoso. A tentativa de eximirse de toda e qualquer responsabilidade, não apenas da multa, mas de fato, de toda a exigência fiscal que lhe foi feita, já foi aqui enfrentada, e não pode ser acolhida. Ademais, por tudo o quanto já exposto no presente voto, resta claro que o caso não é de mera inadimplência, ou de divergência quanto à interpretação da legislação tributária em tese. Tratase de toda uma forma de se autoorganizar e de agir, com o intuito de fraude, conforme definida no art. 72 da Lei no 4.502/64: “Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Consoante restou aqui demonstrado, a Fundação valeuse de sua condição de entidade isenta para, com isto, agindo de forma deturpada e contrária à lei, subvertendo o instituto da dispensa de licitações, previsto na Lei n° 8.666/1993, obter contratos para a prestação de serviços, junto ao poder público, serviços os quais, em muitos casos, em nada se assemelham ao tipo de atividades das quais uma Fundação de Apoio a uma Universidade Federal deveria se ocupar. Fl. 5588DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 43 42 Houve, portanto, o completo desvirtuamento das finalidades e objetivos institucionais que justificariam a concessão de isenção. Ao prestar serviços comuns, e que poderiam ser prestados, em tese, por qualquer entidade de natureza privada, a Fundação, além de burlar a exigência de prévia licitação, ainda se beneficiou indevidamente pela sua condição de isenta, em detrimento dos concorrentes privados, que não gozam deste benefício. E, para macular de vez a sua forma de agir, temse ainda que celebrou contrato com órgão público por meio do qual houve o desvio de dinheiro público para fins ilícitos, por meio de contratação “casada” de diversas empresas que abocanhavam substancial parte do contrato celebrado com o órgão público, sem que sequer tenham efetivamente prestado qualquer serviço que justificasse os pagamentos feitos em tamanha proporção. Deve ser mantida, portanto, a multa qualificada. Responsabilidade solidária dos dirigentes Todos as três pessoas físicas imputadas como responsáveis pelo crédito tributário lançado (Silvestre Selhorst, Luiz Carlos de Pellegrini e Ronaldo Etchechury Morales) contestam a imputação que lhes foi feita. Analisarseá cada uma separadamente. Silvestre Selhorst Silvestre Selhorst afirma que em nenhum momento foi apresentada qualquer prova de que tenha participado de algum ilícito fiscal, e que não preenche os requisitos legais necessários à sujeição passiva solidária, fixada no art. 124 CTN. Diz ainda que exercia na FATEC apenas a função de Secretário Executivo, e que, nesta condição, não houve qualquer excesso de mandato ou infração da lei, do contrato ou do estatuto em todo o tempo que exerceu esta função, não podendo ser responsabilizado nos termos do art. 135 do CTN. Não lhe assiste razão quanto aos argumentos manejados. No que toca à ausência de mandato, há que se observar que o art. 135 do CTN prevê a responsabilização não apenas dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, mas também dos seus mandatários, prepostos e empregados. O que importa, no caso, para que se verifique a condição de responsável, é a constatação da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo certo que não é qualquer infração à lei que enseja a coresponsabilidade dessas pessoas. Nos termos da reiterada jurisprudência do STJ, de cujo teor é exemplo a ementa abaixo transcrita, é necessário provar que houve o dolo, que houve fraude: Fl. 5589DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 44 43 “PROCESSUAL. CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SÓCIOGERENTE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. NATUREZA SUBJETIVA. É dominante no STJ a tese de que o nãorecolhimento do tributo, por si só, não constitui infração à lei suficiente a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios, ainda que exerçam gerência, sendo necessário provar que agiram os mesmos dolosamente, com fraude ou excesso de poderes.” (Resp 898168, Rel. Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ 05.03.08) Por tudo o quanto já exposto no presente voto, a fraude restou plenamente configurada no caso concreto, motivo pelo qual, aliás, mantevese a multa qualificada. E, no caso, o Sr. Silvestre Selhorst, na condição de Secretário Executivo, foi identificado como um dos principais responsáveis pelas fraudes praticadas pela Fatec. Peço vênia para mais uma vez transcrever excerto do voto proferido no âmbito da decisão recorrida, pela síntese e clareza de sua exposição: “Silvestre Selhorst foi o secretário executivo da Fatec durante todo o período correspondente aos fatos geradores dos lançamentos efetuados. Foi reconhecido como réu nos processos judiciais de crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, corrupção ativa, peculatodesvio e locupletamento em dispensa de licitação, acrescidos da agravante de direção da atividade criminosa dos demais agentes (fls. 2806/2869). Segundo revela a decisão da denúncia criminal e diversos testemunhos (fls. 642/647 e 650/670), foi um dos principais responsáveis pela articulação das operações irregulares vinculadas ao contrato como Detran/RS e a outras avenças. Uma das evidência das participação consciente e dolosa de Selhorst foi representada pelas planilhas que produziu para pagamento às empresas sistemistas, demonstrando o quanto elas iriam receber, independentemente da efetividade da prestação de serviços. Seu depoimento à Polícia Federal também demonstrou seu conhecimento acerca da subcontratação aos sistemistas, bem como de seu reconhecimento quanto à impossibilidade de aferição da qualificação e justeza da remuneração à sistemista Pensant, ainda que houvesse relatórios formais de prestação de serviços (fls. 618/636). A decisão da denúncia criminal consignou sobre Silvestre Selhorst: ‘Tratase de funcionário contratado pela FATEC. No curso das investigações, revelouse como um dos envolvidos com maior destaque na organização criminosa, articulando as formas de atuação dos agentes (conhecedor do funcionamento das fundações, tendo assessorado todos os diretores que por ela passaram, inclusive, em alguns casos, o sentido de realizar, omitir ou encobrir irregularidades ou crimes). Nos áudios resultantes das interceptações telefônicas, exsurgem indícios de sua ciência e voluntária participação no esquema. O mesmo pode ser extraído de provas documentais e, ainda, de seu próprio depoimento perante a Polícia Federal.’ ” Portanto, a atuação do Sr. Silvestre Selhorst na prática dos condenáveis ilícitos praticados restou suficientemente caracterizada, sendo procedente a sua imputação como responsável pelo crédito tributário lançado. Fl. 5590DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 45 44 Já se disse, no presente voto, que não encontra guarida na lei a tese (defendida pela Fatec) de que a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN fosse entendida como sendo por substituição, ou seja, pessoal e exclusiva, das pessoas listadas no referido artigo. Contudo, há ainda duas outras correntes de pensamento, que qualificam a referida responsabilidade como sendo subsidiária, ou então solidária. Conforme já em diversas outras oportunidades me manifestei, entendo que a responsabilidade prevista no referido artigo deva ser tratada como solidária. Neste sentido, também manifestouse a PGFN, no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, verbis: “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio.” De fato, a tese da responsabilidade subsidiária peca por trazer implícita no art. 135 do CTN a condição de “impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte”, condição esta que só está expressa no art. 134 do CTN, mas não no art. 135. Assim, a responsabilidade solidária é de fato a mais consentânea com o texto legal, além de atender perfeitamente ao objetivo da norma, que é conferir uma maior garantia ao crédito tributário constituído. Pelo exposto, deve ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Silvestre Selhorst. Luiz Carlos de Pellegrini Luiz Carlos de Pellegrini afirma que sempre agiu com zelo e decoro enquanto dirigente da fundação, observando a legislação, os estatutos e os acordos firmados pela entidade, e que a própria fiscalização declara que os administradores da fundação não praticaram atos com excesso de poderes e não constituíram vícios de consentimento. Afirma ainda que não tinha vínculo com a fundação à época do nascedouro dos contratos atacados pela Fiscalização, não exercia cargo diretivo e não era conselheiro, portanto, não pode vir a ser responsabilizado pelos débitos fiscais daí decorrentes. Fl. 5591DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 46 45 Os elementos trazidos aos autos, contudo, desmentem completamente suas alegações no sentido de não participação nos atos ilícitos. Neste sentido, mais uma vez, peço vênia para transcrever excerto do acórdão recorrido, que bem sintetiza os fatos: “Luiz Carlos de Pelegrini foi diretorpresidente da Fatec. Foi responsável pela assinatura de diversos contratos em detrimento da lei de licitações e do objeto da fundação, como é o caso do contrato com a Prefeitura Municipal de Torres para a elaboração de base cartográfica do município, firmado em 4/10/06 (fls. 3392/3395). Pelegrini foi admitido como réu nos processos judiciais por crime de formação de quadrilha, corrupção passiva, corrupção ativa, falsidade ideológica, peculatodesvio, supressão de documento e locupletamento em dispensa de licitação (fls. 2806/2869). Ficou evidenciado que Pelegrini tinha ciência dos fatos e contribuiu positivamente para sua perpetração, omitindose no dever de fazer cessar as ilicitudes. Teria firmado diversos documentos que sabia ideologicamente falsos no período de transição do contrato do Detran/RS com a Fatec para a Fundae e endossado documentos que deram suporte à criação da empresa de fachada Pakt Excelência em Projetos S/S Ltda. Transcrevo a parte da decisão que admitiu a denúncia criminal de Pelegrini: ‘Foi DiretorPresidente da Fatec, em momento contemporâneo ao da ocorrência dos supostos fatos criminosos, sendo também servidor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ao longo das investigações, elementos demonstram ter potencialmente contribuído para a perpetração dos crimes, omitindose no dever de fazer cessar as práticas criminosas. Nos áudios resultantes das interceptações telefônicas exsurgem elementos que indicam sua ciência e voluntária participação no esquema. Outrossim, firmou diversos documentos relativos aos contratos em questão, também havendo possibilidade de que tenha endossado documentos que deram suporte à criação da empresa Pakt.’ ” Portanto, pelos elementos coligidos, em conjugação com o quanto exposto acerca do instituto da responsabilidade tributária no subitem precedente, deve ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Luiz Carlos de Pellegrini. Ronaldo Etchechury Morales Ronaldo Etchechury Morales afirma que foi denunciado sem qualquer prova ou menção de culpa, que teve a denúncia rejeitada e que, na reiteração desta, por decisão em grau superior, foi julgado e absolvido, o que cristaliza e reafirma que não agiu no interesse comum e muito menos se beneficiou financeiramente durante o curto espaço de tempo em que presidiu a Fatec, enquanto esta gestou o contrato com o DetranRS. Diz ainda que não teve qualquer acréscimo patrimonial no período, ou movimentação financeira estranha aos seus proventos, conforme restou comprovado na quebra de sigilo bancário e financeiro a que se expôs voluntariamente perante a Justiça Federal. Fl. 5592DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 47 46 A decisão recorrida manteve a responsabilidade do Sr. Ronaldo Etchechury Morales ao fundamento de serem independentes as instâncias administrativa e judicial, e que, no caso, a despeito da decisão judicial que o absolvera da acusação criminal, haveria nos autos provas suficientes de sua responsabilidade. Neste sentido, assim constou da decisão recorrida: “Ronaldo Morales foi diretorpresidente da Fatec. Foi responsável pela assinatura de diversos contratos em detrimento da lei de licitações e/ou do objeto da fundação, como é o caso do contrato com a Anatel, firmado em 18/12/03, para execução de serviços de apoio a atividades de fiscalização, onde Fernando Fernandes, um dos principais lobistas e beneficiário no caso Detran, aparece como testemunha (fls. 2124/2135); do contrato com o Município de Canoas, firmado em 7/3/01, para elaborar projeto, capacitar e emitir recomendações visando à modernização administrativa; de contratos firmados em 25/2/03 e 10/3/03 para análise de produtos farmacêuticos e verificação de equivalência de medicamentos genéricos, cujas fontes seriam provenientes de empresas da indústria farmacêutica interessadas nos serviços específicos (fls. 2197/2203 e 2224/2238); e do contrato com o Detran/RS e com os sistemistas (fls. 467/482 e 533/562). Em sua gestão também foram pagas bolsas de estudos e pesquisa sem a devida retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte. (...) Apesar do decisão penal favorável a Morales, pareceume evidente sua responsabilidade no caso do Detran/RS. A assinatura em duas oportunidades, como diretorpresidente, afasta eventual possibilidade de erro e demonstra a existência de consciência e vontade na execução dos atos. Não é crível que uma pessoa com a formação elevada de um professor de administração da UFSM não soubesse o nível de sua responsabilidade ao apor assinatura em dois contratos com o Detran e em quatro contratos casados com empresas sistemistas, confortandose com a justificativa de que o "pacote já estava pronto" e que sequer haveria irregularidade. O vulto do negócio jurídico com a Fatec já seria suficiente para que despertasse em Morales o devido interesse pela operação. (...)” De se observar que, quando da prolação do acórdão recorrido, o processo judicial em que se apurava a prática de ilícitos penais por parte do referido aguardava ainda o julgamento da apelação submetida ao Tribunal. Contudo, em 12/12/2012, o tribunal, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso interposto pelo Ministério Público Federal, mantendo a sentença proferida em 14/10/2009 que absolvera sumariamente o réu nos termos do artigo 397, III, do CPP. Ronaldo fora acusado de associação em quadrilha ou bando (art. 288 do Código Penal), locupletamento em dispensa de licitação (art. 89, parágrafo único da Lei nº 8.666/93), e peculatodesvio (art. 312 do Código Penal). Transcrevo a seguir excertos do acórdão proferido no âmbito da Apelação Criminal nº 000184977.2009.404.7102/RS (disponível em www.trf4.jus.br/): “Consoante bem referido na sentença, do farto acervo probatório constante dos autos não se afere a existência de conduta dolosa de Ronaldo, quer de maneira Fl. 5593DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 48 47 direta, quer em participação no cometimento dos graves crimes cometidos em detrimento do erário estadual. Vejase a bemlançada sentença: Deflui, da leitura de tais excertos, que ao réu, em síntese, foi imputado o fato de ser Presidente da Fatec em parte do período no qual ocorreram os fatos narrados na denúncia, e, nesta condição, ter assinado o contrato entabulado entre Detran/Fatec e entre a Fatec e as empresas chamadas de "sistemistas". De fato, Ronaldo Etchechury Morales era Presidente da Fatec na época de sua primeira contratação pelo DETRAN. Em tal condição, firmou referido contrato. Não obstante, revendo os autos, considero que nada foi apresentado, à exceção do próprio contrato, que pudesse indicar que, de fato, tenha tido participação direta e consciente sobre os fatos delituosos aqui versados. Efetivamente, seu nome não figura em trechos das escutas telefônicas, tampouco é referido nos depoimentos dos indiciados e denunciados em relação aos quais há indícios de autoria. Outrossim, não era o ordenador de despesas do Projeto, tampouco dava operacionalidade aos comandos a ele relativos. Vejase que, em seu depoimento à Polícia Federal, o denunciado em questão foi bastante claro, dando conta de que, na condição de presidente da Fatec, simplesmente firmou o contrato com o DETRAN e com as chamadas "sistemistas", não tendo, todavia, participação decisiva, seja nas negociações, seja no desenrolar posterior, relativo ao seu cumprimento: (...) Tal conduta (assinatura dos contratos Fatec/Detran e Fatec/empresas prestadoras de serviço), contudo, evidentemente não constitui crime, pois ausente um dos elementos dos tipos imputados ao denunciado, qual seja, o dolo. Vale lembrar que nenhum dos delitos pelos quais o réu foi denunciado é punido a título de culpa. Portanto, estando ausente o dolo, excluise o tipo penal, impondose a absolvição sumária do réu. Cabe registrar que não há, nos autos, elementos que possam infirmar a versão que o réu atribui aos fatos e, assim, permita o prosseguimento da pretensão acusatória contra o denunciado. Nessa linha, inexistente liame subjetivos mínimos, descabe a invocação do princípio in dubio pro societate. Seguem precedentes do STF e STJ: (...) a) Do locupletamento em dispensa de licitação e do peculatodesvio: (...) Em verdade, o único indício de que Ronaldo Etchechury Morales teria concorrido para a consecução de tais delitos seria sua condição de Presidente da Fatec. Não há, na investigação que embasou a denúncia, qualquer outro elemento (seja decorrente das interceptações telemáticas e telefônicas, ou de documentos apreendidos e depoimentos Fl. 5594DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 49 48 prestados) que corrobore, de forma mais densa, a tese de que teria concorrido no desvio de recursos públicos e na dispensa indevida de licitação, beneficiandose posteriormente deste ato. Sua simples condição de membro da presidência da Fatec não é suficiente para se reconhecer, de forma objetiva, sua potencial participação nos delitos, especialmente quando dos autos defluem outros indícios probatórios dando conta da possível existência de outras pessoas que teriam conduzido as negociações com o Detran e, ainda, seriam responsáveis por sua operação após a contratação. Outrossim, devese gizar que não foi colhido nenhum elemento, em dados bancários ou fiscais, que possa indicar algum tipo de vantagem financeira indevida que lhe tenha sido repassada. (...) b) Da formação de quadrilha: No caso, todavia, considero, pelos mesmos motivos expendidos nos tópicos anteriores, que efetivamente não existem elementos probatórios mínimos que indiquem que o réu tivesse ciência da potencial existência de reunião consciente de pessoas para a finalidade da prática de crimes determinados. Não se pode presumir, de sua condição de Presidente da Fatec, tivesse ciência de que a fundação poderia estar sendo utilizada, em projeto supostamente levado a cabo por uma série de pessoas, com finalidade criminosa, para fins ilícitos, envolvendo o contrato Detran. Não havendo prova da vinculação subjetiva entre o réu Ronaldo Etchechury Morales e os demais réus para a prática voluntária de delitos, bem como de sua ciência de que supostamente seriam praticados ilícitos penais, descabe buscar, ao menos neste momento, via ação penal, qualquer consequência em âmbito criminal. (...) Como bem expendido, inexistem elementos robustos e contundentes dando conta de que, primeiramente, Ronaldo integrava quadrilha formada com o específico fim de apropriação indevida de recursos públicos; de que se beneficiou de dispensa irregular de licitação, bem como de que tenha agido de forma a cometer quer diretamente, em coautoria ou em participação, o crime de peculatodesvio. (...) In casu, a peça acusatória parte do pressuposto de que a conduta de Ronaldo era de cumplicidade e conivência com as dos demais réus, tendo se locupletado e possibilitado a ocorrência da fraude que resultou em grave prejuízo ao erário. (...) Do exame minudente da resposta à acusação e da grande quantidade de documentos colacionados nos 39 volumes dos autos, inferese que embora Ronaldo Morales exercesse o cargo de Presidente da FATEC, não se envolvia diretamente na administração da fundação, principalmente, na parte executiva. Este encargo ficava sob a responsabilidade do Diretor (Secretário) Executivo, que à época de sua gestão, bem como nas anteriores e na posterior, era Silvestre Selhorst que tendo larga experiência e recebendo total confiança do Conselho Superior da Fundação, bem Fl. 5595DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 50 49 como da própria Universidade se encarregava de levar os documentos prontos para o Presidente da FATEC assinálos. (...) A propósito, da investigação levada a cabo pela Polícia Federal, não há indicação (ainda que de forma minguada) de que estivesse Ronaldo mancomunado com os demais diretores da entidade que presidia (FATEC), com a reitoria da UFSM, com o pessoal do DETRAN ou mesmo com os representantes legais da empresas prestamistas, para o fim de cometimento de delitos. (...) Releva apontar, ainda, que ao tempo de seu mandato na FATEC, Ronaldo Morales dirigia o Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM, reservando a quase totalidade de seu laboro para esta atividade. Sua ida à FATEC ocorria, basicamente, para assinar documentação providenciada pelos outros dirigentes da entidade. Sobre este ponto, trago à colação excerto de algumas declarações prestadas no Inquérito Administrativo realizado pela UFSM, verbis: (...) Igualmente, consoante bem elencado na sentença, não exsurgiram da investigação, quaisquer dados bancários ou fiscais, filmagens ou interceptações telefônicas que apontassem alguma ligação de Ronaldo com os fatos criminosos narrados na denúncia. Tampouco há notícia de ter ele recebido qualquer vantagem financeira, quer a título de propina, ou mesmo em bônus pelas assinaturas dos contratos. Outro dado que permite concluir não ter Ronaldo agido com dolo, foi o de que, espontaneamente, se colocou à disposição das autoridades públicas (Polícia Federal, Ministério Público e também da Assembléia Legislativa CPI do DETRAN) para colaborar no sentido de que fossem apurados os fatos e identificados os verdadeiros responsáveis pela usurpação do dinheiro público, em tese ocorrida. Aliás, perante tais órgãos, o recorrido prontamente abriu mão de suas garantias constitucionais, tais como os sigilos bancários, fiscal, telefônicos e outros. Embora as esferas cíveis e penais sejam independentes, é importante ressaltar que na condição de réu na Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa tombada sob nº 20098.71.02.0025467/RS, Ronaldo Etchechury Morales teve rejeitadas as imputações a si feitas na inicial, em razão da ausência do elemento subjetivo a caracterizar seus atos, na condição de Presidente da FATEC, como ímprobos. Tal decisão, inclusive, foi mantida por esta Corte quando do julgamento do Agravo de Instrumento nº 001164405.2011.404.0000/RS, ajuizado pelo Estado do Rio Grande do Sul e DETRAN/RS. Desse modo, diante da correta análise efetuada pela magistrada a quo, é perfeitamente possível afirmar, com base nos fatos descritos na denúncia e nos elementos existentes nos autos de plano que a conduta de Ronaldo não foi dolosa, o que descaracteriza a tipificação dos delitos a si imputados. (...)” Analisandose o teor da acusação fiscal contra o imputado Ronaldo Etchechury Morales, corroborada pela decisão recorrida, consoante o resumo contido no Fl. 5596DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 51 50 excerto do voto da referida decisão – ao norte transcrito – vêse que esta nada acresce em relação ao quanto foi constatado no âmbito da ação penal ajuizada contra esta mesma pessoa. A acusação gira basicamente em torno da atuação do imputado como diretorpresidente da Fatec ao apor sua assinatura, em duas ocasiões, nos contratos celebrados com o Detran/RS, bem como nos contratos “casados” com as empresas sistemistas. E, apesar de a fiscalização afirmar, ainda, que tanto a Fatec quanto os seus exgestores, dentre eles Ronaldo Etchechury Morales, teriam interesse comum nos resultados econômicos advindos dos fatos geradores debatidos nos autos, na medida em que todos se beneficiariam com a lucratividade da contribuinte, o fato é que não há nos autos um único elemento, sequer indiciário, que aponte o benefício econômico direto do imputado em decorrência dos referidos contratos. Por outro lado, temse que a apuração feita na ação penal foi bastante abrangente, ao levar em consideração todo o conjunto de filmagens, interceptações telefônicas, investigações bancárias e fiscais, e depoimentos de terceiros, entre outros, de modo a se poder concluir, com segurança, que, ao menos com base nos elementos até então coletados (a sentença é de 12/12/2012), não há qualquer indício de dolo, por parte de Ronaldo Etchechury Morales, nos atos por ele praticados na condição de diretorpresidente da Fatec, e, ainda, não há qualquer indício de seu proveito econômico próprio em razão da fraude detectada na operação dos contratos com o Detran/RS e as empresas sistemistas. A decisão judicial faz ainda referência à Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa nº 2008.71.02.002546 7/RS, na qual Ronaldo Etchechury Morales teve “rejeitadas as imputações a si feitas na inicial, em razão da ausência do elemento subjetivo a caracterizar seus atos, na condição de Presidente da FATEC, como ímprobos”. Nada obstante seja possível debaterse acerca da independência das instâncias, entendo que a manifestação exarada pelo Poder Judiciário é suficientemente clara no sentido da inexistência de dolo, bem como de interesse comum, por parte de Ronaldo Etchechury Morales. E não há nenhum elemento nos presentes autos, que porventura não tivesse sido objeto de análise no âmbito da ação penal, e que possa conduzir a entendimento diverso. Pelo exposto, deve ser cancelada a imputação fiscal de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, em nome de Ronaldo Etchechury Morales, ressalvandose a competência e a possibilidade de a Procuradoria da Fazenda Nacional futuramente vir a redirecionar a execução contra o mesmo, se o caso, em razão de novos fatos que porventura venham a ser apurados. Conclusão Pelo exposto, dou parcial provimento aos recursos voluntários apresentados para: (i) cancelar os lançamentos relativos à cobrança de juros e multa isolados relativos à falta de retenção do IRRF sobre as bolsas pagas às pessoas de Melania de Melo Casarin e de Andre Krusser Dalmazzo; (ii) cancelar a imputação fiscal de responsabilidade solidária em nome de Ronaldo Etchechury Morales. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5597DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11060.002877/200811 Acórdão n.º 1201001.290 S1C2T1 Fl. 52 51 Fl. 5598DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15540.720199/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26.
Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários.
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO.
Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, em especial os livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real - LALUR, e entregou Livro Diário registrado em partidas mensais, e não diárias.
LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS E COFINS. MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática.
Recurso Conhecido em Parte.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1401-001.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26. Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, em especial os livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real - LALUR, e entregou Livro Diário registrado em partidas mensais, e não diárias. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS E COFINS. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Recurso Conhecido em Parte. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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COFINS. Omissão de receitas. Multa qualificada. Recorrente M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 LIMITES DA LIDE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Como o contribuinte não discutiu, em sua impugnação, a qualificação da multa de ofício, tal matéria deixou de compor a lide, não podendo ser conhecida em sede de recurso voluntário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO PELO FISCO. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, está prevista no art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, dispositivo em plena vigência, apto a embasar procedimento fiscal. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil CPC, pois somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62A do anexo II do RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que seguiu todas a determinações legais, fundamentando corretamente o arbitramento dos lucros e compensando os tributos já pagos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 01 99 /2 01 2- 06 Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.098 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF nº 26. Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, em especial os livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real LALUR, e entregou Livro Diário registrado em partidas mensais, e não diárias. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS E COFINS. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Recurso Conhecido em Parte. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.099 3 Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/Rio de Janeiro I) que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), relativos ao ano de 2009, que totalizaram, respectivamente, R$ 6.194.432,71 e R$ 1.341.999,16, incluindo principal, multa de 150% e juros de mora calculados até maio de 2012 (fls. 5, 6 e 31 a 50). Nessas autuações, constatouse a infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Esclareçase que os lançamentos constantes do presente processo são reflexos e complementares daqueles contidos no processo nº 15540.720195/201210, o qual, a partir dos mesmos fatos, consubstanciou os lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, bem como da COFINS e do PIS referentes aos anos de 2007 e 2008. Por isso, sua distribuição para esta 1ª Seção do CARF. Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 2033 a 2040): Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.100 4 a) A ação fiscal originouse em seleção interna da SAPAC da DRF/Niterói, inicialmente para o anocalendário de 2007, tendo em vista a expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29) confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando, assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40; b) Ademais, apenas os valores de compras da empresa informados por terceiros eram da ordem de R$ 9.257.185,55 equivalente a 5,4 vezes a receita bruta declarada, tendo ainda a contribuinte apresentado a DCTF tomando como base a reduzida receita bruta declarada e aprasentando sua DIPJ na modalidade Lucro Presumido; c) No decorrer da ação fiscal, foi recebida na DRF denúncia realizada pelo Sr. Antonio da Silva Duarte, CPF 034.602.74700 e seu filho Cláudio Lopes Duarte, CPF 397.570.05720, contra Hugo G. de Carvalho, CPF nº 397.570.05720, cuja acusação versava sobre diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA, com a utilização de outras empresas, dentre elas a M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA.; d) Conforme constatado pela Sapac desta DRF diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM); e) Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros, etc.; f) Na denúncia constam empresas de diversos ramos de atuação, entre os quais distribuidoras de carnes e alimentos, administração e serviços de transporte de cargas, revenda de combustíveis, locadora de veículos e comércio de gás; g) Tendo em vista a existência à época, de ação fiscal já iniciada para o anocalendário de 2007, foram analisadas pela SAPAC, no que se refere à MJ LAGOS, as informações relativas aos anos calendário de 2008 e 2009; h) Das análises realizadas verificouse que a empresa apresentou DIPJ relativa ao anocalendário de 2008 na modalidade lucro presumido, com receita bruta declarada de R$ 3.858.912,34, totalmente discrepante da movimentação financeira constante na DIMOF – crédito (R$ 91.152.624,65) e as compras declaradas (R$ 75.301.188,53); Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.101 5 i) Quanto ao anocalendário de 2009, a empresa apresentou DIPJ de Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), aparentemente compatível com a movimentação financeira constante na DIMOFCRÉDITO (R$ 93.689.813,12) e as compras declaradas (R$ 74.973.327,84); j) Assim, foi proposta a ampliação da ação fiscal já em andamento, incluindo os anoscalendário de 2008 (movimentação financeira incompatível com a Receita Declarada) e 2009 (LR – Comércio – Compras); k) Em face das inúmeras tentativas em obter os extratos bancários e de várias respostas, onde a interessada informara que apresentaria em breve os respectivos documentos solicitados, sem que o fizesse a contento, foi emitida pelo Fisco a RMF (Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira) ao UNIBANCO e BRADESCO; l) Também foi intimada a prestar esclarecimentos sobre diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS; GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009; m) O fisco intimou ainda o sócio destas empresas, Sr. Antonio da Silva Duarte, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a elas; n) A contribuinte, representada por seus sócios, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco, em resposta à intimação, informou que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. referemse a distribuição de lucros da fiscalizada MJ LAGOS, depositados a ordem do Sr. Antonio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ LAGOS. Afirmaram ainda que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos Srs. Antonio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém os reais donos são eles”. Quanto aos pagamentos efetuados a favor do Sr. Peter Malheiros Maciokas, informa que o “mesmo era funcionário dos Srs. Antonio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte e os depósitos feitos por ordem destes; o) Já o Sr. Antonio Silva Duarte informara que não teria qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa MJ LAGOS; p) Constatouse ainda que a contribuinte não apresentou quaisquer elementos, livros e/ou documentos solicitados através do Termo de Intimação Fiscal, de 02/02/2012, ou seja: com relação ao ano de 2009, livros Diário, Razão, Apuração do Lucro Real, Registro de Inventário e livros auxiliares da escrituração, declaração de rendimentos do titular, administradores e dirigentes; demonstrativo da composição do passivo referente à conta Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.102 6 fornecedores, devidamente preenchido e acompanhado da documentação comprobatória; q) Com referência ao anocalendário de 2008, os extratos bancários do Banco Bradesco; r) Com referência ao ano de 2007, a comprovação da origem dos recursos creditados nas contas 549347 do Bradesco e 1229672 do Unibanco; s) De posse dos extratos bancários a fiscalização, após exame dos documentos, elaborou Termo de Intimação Fiscal, no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para fins de serem apuradas as origens dos recursos que possibilitaram os referidos depósitos; t) Em 18/04/2012, o fisco retornou ao estabelecimento da interessada e entregou a intimação fiscal, no qual foi solicitada a apresentação, no prazo de 10 dias, da comprovação dos recursos vinculados às operações bancárias efetuadas a crédito nas contas correntes nºs. 1229672 – UNIBANCO e 54.9347 – BRADESCO, realizadas no ano de 2007, conforme relação de 125 páginas rubricadas e anexas ao referido Termo. u) Os créditos relacionados foram os que efetivamente deveriam representar a receita da empresa, eis que se excluiu os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque; v) Ficou constatado ainda que a fiscalizada se sujeitava ao arbitramento dos lucros, uma vez que não cumpriu até aquela data e continua não cumprindo até esta, as intimações lavradas em 02/02/2012, 18/04/2012 e inclusive a intimação lavrada em 17/05/2012; w) A seguir, demonstrase os valores dos créditos bancários, as receitas declaradas e a correspondente omissão de receitas, lançadas mês a mês, com base nos extratos bancários, nas DIPJ, DCTF e DACONs apresentadas pela fiscalizada; x) A seguir, demonstrase os valores dos créditos bancários, as receitas declaradas e a correspondente omissão de receitas, lançadas mês a mês, com base nos extratos bancários, nas DIPJ, DCTF e DACONs apresentadas pela fiscalizada; MÊS/ANO RECEITA APURADA RECEITA DECLARADA RECEITA OMITIDA MAIO/2007 2.016.745,26 212.460,18 1.804.285,08 JUNHO/2007 4.478.776,24 215.412,87 4.263.363,37 JULHO/2007 5.680.912,81 210.718,40 5.470.194,41 AGOSTO/2007 6.021.116,94 205.415,49 5.815.701,45 SETEMBRO/2007 5.336.888,19 208.363,00 5.128.525,19 OUTUBRO/2007 6.990.911,76 214.386,00 6.776.525,76 Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.103 7 NOVEMBRO/2007 6.546.020,88 225.487,69 6.320.533,19 DEZEMBRO/2007 7.384.409,73 230.612,00 7.153.797,73 JANEIRO/2008 10.221.838,49 228.488,00 9.993.350,49 FEVEREIRO/2008 7.875.529,61 226.981,93 7.648.547,68 MARÇO/2008 6.257.505,49 242.987,61 6.014.517,88 ABRIL/2008 6.540.286,14 268.286,37 6.271.999,77 MAIO/2008 6.741.188,87 294.283.16 6.446.905,71 JUNHO/2008 6.585.383,25 307.964,08 6.277.419,17 JULHO/2008 7.349.095,53 7.349.095,53 AGOSTO/2008 6.968.031,44 6.968.031,44 SETEMBRO/2008 8.298.088,75 8.298.088,75 OUTUBRO/2008 7.981.788,45 7.981.788,45 NOVEMBRO/2008 6.901.166,61 6.901.166,61 DESEMBRO/2008 9.600.292,92 9.600.292,92 TOTAIS 135.775.977,36 3.291.846,78 132.484.130,58 y) Conforme demonstrativo acima, apurouse o total de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificase omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Para o período de janeiro a dezembro de 2008, apurouse o total de R$ 91.320.195,55, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor declarado de R$ 1.568.991,15, verificase omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. Toda a omissão apurada será lançada de ofício, através do presente auto de infração. z) Oportuna se toma a explanação de que, como de conhecimento, a regra geral é a de que cabe à fiscalização comprovar os fatos que sustentam a acusação fiscal. Por sua vez, a presunção legal em favor do Fisco, prevista na Lei 9.430/96, em seu art. 42, cuida de inverter o ônus da prova quanto à descaracterização do fato presumido omissão de rendimentos, que é do sujeito passivo. Assim, em tendo havido a intimação ao contribuinte, como de fato houve, para comprovar a origem dos créditos em conta de depósito mantida junto às instituições financeiras, perfeita está a situação fática que se subsume ao antecedente da norma presuntiva, que, por sua vez, autoriza a afirmar que os depósitos se originam de recursos próprios gerados pela atividade da empresa; aa) As denúncias, contradenuncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. CNPJ 32.245.888/000119, onde encontram se instaladas várias outras empresas, dentre elas a Empresa M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., objeto desta fiscalização, estão formalizadas, oficialmente, nos processos n°s. 001515868.2011.8.19.0014 (inquérito policial), 1.30.009.000160/201064 (procedimento investigatório na 2a Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goytacazes ) em andamento nas esferas do Ministério Público, Polícia e Justiça e 10730.011316/201016 (Receita Federal do Brasil), estando os volumes, por cópias, anexados ao presente auto de infração, nos Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.104 8 quais se encontram relatos, documentos e identificação de pessoas, supostamente responsáveis e/ou beneficiárias dos valores sonegados, cuja imputação às pessoas denunciadas somente poderá ser confirmada através dos órgãos citados, dada a necessidade de investigações policiais, acareações, buscas e apreensões, que, neste caso fogem à alçada da fiscalização, mormente quando já existem tais procedimentos em andamento em outros órgãos públicos competentes. A seguir se relacionam as pessoas sócias da fiscalizada, procuradores, denunciadas e acusadas através dos processos mencionados: Nome : M J LAGOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. MANOEL GONÇALVES COSTA MOREIRA 188.415.03734 CARLOS JORGE DA SILVA FRANCISCO 003.056.06751 CLAUDIO LOPES DUARTE 905.396.48787 ANTÔNIO SILVA DUARTE 034.602.74700 HUGO CECÍLIO DE CARVALHO 397.570.05720 MARIA NILZA M. C. DE CARVALHO 580.709.23768 LUIZ FELIPE DA C. RODRIGUES 286.175.09791 OSNILDO DAGOBERTO BIGHI 357.496.44987 MIGUEL LOPES FILHO 003.494.35871 MARIANA NEVES PEREZ 083.309.32745 DEMERVAL BUSQUET BASTOS 452.706.19768 FRANCISCO CARLOS MACHADO AIROSO 426.275.24704 ELUANA PEREIRA TERRA DE CASTRO 056.218.26752 ANA PAULA DE CARVALHO LEITÃO 047.682.00737 JULIO DA SILVA DE JESUS 099.116.25796 MARCOS ANDRÉ NASCIMENTO VIANNA 004.898.74762 JOELMO PEREIRA RODRIGUES 789.902.03791 PETER MALHEIROS MACIOKAS 285.964.55787 LUIZ CLÁUDIO MONTEIRO DOS SANTOS 522.837.20753 PAOLA MARTINS PEREIRA DE MIRA 511.703.02220 Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.105 9 MÁRCIA VALÉRIA VIEIRA CEZÁRIO 001.940.46702 ROGÉRIO LOURENÇO DA SILVA 015.116.48783 CARLOS DOMINGOS DE OLIVEIRA 477.369.41734 Do arbitramento do Lucro Tendo em vista que a fiscalizada apresentou para o anocalendário de 2009 declaração com opção pelo lucro real e, devidamente intimado e reintimado não logrou apresentar à fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, Razão, de Inventário, Apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda, apresentando elevados saldos de caixa sem registro, e diante da omissão da Empresa quanto à entrega dos livros e documentação contábil e fiscal que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada, ensejou assim, a tributação com base nos critérios do lucro arbitrado, em conformidade com o artigo 530, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, considerada para efeito de cálculo a receita bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON, apurandose a base de cálculo para a cobrança do Imposto de Renda, Contribuição Social, trimestralmente e para a cobrança mensal do PIS e COFINS, de acordo como a seguir demonstrado. Demonstrativo das Receitas de 2009 MESES VENDAS DEVOLUÇÕES VENDAS LÍQ. VEND LÍQ/TRIM. JAN 8.805.566,13 185.790,18 8.619.775,95 FEV 7.794.033,07 237.380,73 7.556.652,34 MAR 6.084.228,04 44.951,59 6.039.276,45 22.215.704,74 ABR 6.623.968,13 50.027,35 6.573.940,78 MAI 5.893.051,17 78.146,68 5.814.904,49 JUN 6.153.140,91 97.635,58 6.055.505,33 18.444.350,60 JUL 6.197.908,70 94.846,80 6.103.061,90 AGO 5.320.952,49 65.730,80 5.255.221,69 SET 5.888.965,01 88.978,76 5.799.986,25 17.158.269,84 OUT 6.507.489,77 139.061,82 6.368.427,95 NOV 5.587.496,88 88.876,40 5.498.620,48 DEZ 8.936.509,88 325.301,84 8.611.208,04 20.478.256,47 TOTAL 79.793.310,18 1.496.728,53 78.296.581,65 78.296.581,65 Demonstrativo dos débitos lançados em DCTF MESES IR DECL. CSLL DECL. PIS DECL. COFINS DECL. JAN 2.837,36 13.095,48 FEV 3.147,20 14.496,18 MAR 23.121,80 13.873,08 3.447,27 15.878,33 ABR 3.497,44 16.109,44 MAI 3.180,70 14.650,50 JUN 43.246,39 17.728,70 JUL 3.213,38 14.801,03 AGO 3.050,66 14.051,52 Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.106 10 SET OUT NOV 3.199,72 14.738,10 DEZ TOTAL 66.368,19 31.601,78 25.573,73 117.820,58 Do Crime Fiscal Por essas ações e/ou omissões e tudo mais constante deste Termo, bem como dos processos aqui relacionados, caracterizada está a transgressão aos artigos 71 inciso I e 73, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Através dos fatos aqui relatados, ficam claros os indícios da sonegação e do conluio, crimes contra a ordem tributária que se caracteriza pelo ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando os efeitos da sonegação e da fraude fiscal, de que trata a Lei n° 4.502, de 30/11/1964 art. 73, que, neste caso, indiciam serem os agentes os efetivos donos do negócio, ocultos até o momento atual, e as interpostas pessoas, os supostos sócios da empresa, conforme declarados por eles próprios, em documento assinado e anexo ao presente. Concluindo, tendo em vista a existência do Inquérito Policial n° 0015158 68.2011.8.19.0014 e do procedimento investigatório criminal n° 1.30.009.000160/201064 e que a ação fiscal se ampliou conforme solicitação do Ministério Público Federal, através do Ofício n° 510/2010MPF/PRMSPA/GAB02, e, em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remetera todo o material disponível ao Ministério Público Federal, para as providências que o caso requer, dispensada a formalização de processo específico, nos termos do § 3o do art. 3o, da Portaria RFB n° 2439, de 21/12/2010. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1957 a 1976), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desse recurso (fls. 2040 a 2043): Da Preliminar – Nulidade da Notificação a) A notificação resta eivada de nulidades, pois em conformidade com o que preconiza o ordenamento jurídico, o auto de infração relata que o arbitramento se faz, tendo em vista que o contribuinte não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este inverídico, visto que a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram devidamente e tempestivamente entregues ao fiscal, como podese verificar do termo de informação fiscal datado de 12/04/2012 (documento 01; 03; 04 e 05), o que faz cair por terra a informação de que a interessada, à época da fiscalização, não havia apresentado livros e documentos; Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.107 11 b) O próprio Termo de Devolução de Livros e Documentos desmente a afirmação do auto de infração, no que tange ao arbritramento do lucro; c) Verificase que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado redundaram em erro do fisco, conforme demonstrativo apresentado no auto de infração; d) A igualdade constitucional que previsiona a Ampla Defesa, faz ver que os lançamentos devem contar com a devida clareza o que não ocorreu neste caso, restando, assim, nula a notificação aqui objeto, dado que deixa de informar os valores corretos da pretensa infração e que geraram o valor cobrado por arbitramento, cerceando a plena defesa; Do Mérito Termo Complementar à Descrição dos Fatos – Anexo ao Auto de Infração a) A presunção legal a favor do Fisco resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos e a não consideração de tais provas, configurando, assim, a nulidade do auto de infração; b) O artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui uma presunção legal a favor do Fisco; entretanto, esta não é absoluta; c) É comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.; d) Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento, para fins de cobrança do imposto de renda; e) É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração; f) O fato meramente alegado de cuja ocorrência não é demonstrada, não tem o condão de obrigar o contribuinte; g) A quebra do sigilo bancário pelo Fisco sem autorização judicial deve ser reconhecida à ilicitude da prova; Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.108 12 h) Ao contrário do que afirma o fisco, todos os documentos estavam a sua disposição e mesmo assim o fiscal alega não ter recebido sem nenhuma explicação, quebrando ainda o sigilo bancário do impugnante sem mandado judicial a respaldalo; i) Entende a fiscalizada que a comprovação mais idônea, mais perfeita, mais regular da origem dos depósitos é certificada pela própria fiscalização ao cotejar os extratos e livros contábeis, não cabendo, destarte, qualquer exigência por falta de comprovação de sua origem ou desacordo com o que foi declarado, visto que, como já demonstrou e a própria fiscalização o certificou, a mesma não se deu ao trabalho de ver os livros e documentos, conforme descrito no próprio auto de infração; j) O conflito entre os poderes da fiscalização (necessários à efetividade dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva) e os direitos individuais do contribuinte fiscalizado (intimidade, privacidade, propriedade, livre iniciativa etc.) questão de grande relevo diz respeito ao sigilo bancário e à sua quebra por autoridades administrativas asseguradas pela LC nº 105/2001; k) Se for certo que o direito ao sigilo não é absoluto, devendo ser conciliado com as atribuições de uma fiscalização a fim de prestigiar os princípios da capacidade contributiva e da isonomia, é igualmente certo que as atribuições dessa fiscalização também não são absolutos, e não podem suprimir o direito ao sigilo de que se cuida; l) A regra é o respeito ao sigilo, sendo exceção a sua quebra, em face de circunstâncias que justifiquem a atribuição de maior peso aos princípios que justificam a fiscalização que os protegem a intimidade do fiscalizado; m) É inconstitucional o dispositivo que praticamente torna esse sigilo inexistente, ao determinar que o poder Executivo disciplinar (Por Decreto) a periodicidade e os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços (LC n° 105/2001, art. 5°); n) Com efeito, citado artigo não apenas relativisa o direito ao sigilo, possibilitando sua conciliação com outros à luz do caso concreto. O citado artigo transforma a "quebra" do sigilo em uma regra sem exceções; o) E, mesmo que assim não fosse, o artigo padeceria de outra inconstitucionalidade (que também vicia o art. 6° da mesma lei complementar) porquanto deixa nas mãos da administração, parte interessada e não do poder judiciário, em tese imparcial, o juízo acerca da presença das circunstâncias que justificam a quebra; p) Não se venha invocar, ainda na defesa dos dispositivos da LC n° 105/2001, o chamado "sigilo fiscal" que procedeu a alterações no art 198 do CTN que praticamente aboliram o dever de sigilo fiscal Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.109 13 autorizando a "divulgação" de informações relativas a uma série de situações que enumera; q) Esses fatos podem justificar, no todo ou parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como "rendimento", para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido; r) A interpretação integrada do art. 197 do Código Tributário Nacional com o art. 38, § 5°, da Lei n° 4.595/64, conduz à conclusão de que os Auditores Fiscais somente poderão ter acesso às informações sobre a movimentação bancária de qualquer pessoa física ou jurídica quando houver processo instaurado e as mesmas forem consideradas indispensáveis pela autoridade competente, desde que haja autorização judicial nesse sentido; s) Não pode simplesmente o Fisco arbitrar o lucro da empresa e cobrar as contribuições e impostos com base meramente nos extratos bancários não só por sua inconstitucionalidade como também por não ter esgotado todos os meios persecutórios para obtenção dos livros e documentos da empresa. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 2031 a 2051): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 DELIMITAÇÃO DA LIDE. MULTA QUALIFICADA. A interessada, ao deixar de trazer argumentos acerca da aplicação da multa qualificada à época impugnatória, faz com que o assunto fique excluído dos limites da lide. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontra se perfeita e dentro das exigências legais. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. EXAME DE EXTRATOS. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não se configura quebra de sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.110 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu artigo 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS E DOCUMENTOS FISCAIS. Para o ano que se pretende conferir as informações prestadas pelo contribuinte na sua declaração de rendimentos, necessário se torna a apresentação para aquele ano específico dos livros da contabilidade e dos documentos que lhes dão suporte, de forma tal, que seja possível a apuração do lucro conforme devidamente declarado. Caso contrário, não restará alternativa ao fisco senão o arbitramento do lucro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu artigo 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS E DOCUMENTOS FISCAIS. Para o ano que se pretende conferir as informações prestadas pelo contribuinte na sua declaração de rendimentos, necessário se torna a apresentação para aquele ano específico dos livros da contabilidade e dos documentos que lhes dão suporte, de forma tal, que seja possível a apuração do lucro conforme devidamente declarado. Caso contrário, não restará alternativa ao fisco senão o arbitramento do lucro. Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) correto o arbitramento do lucro em 2009, pois o Livro Diário apresentado estava em partidas mensais, e não diárias, e não foi apresentado Livro Razão do período, tendo o contribuinte sido intimado e reintimado por diversas vezes a apresentálos; b) correto o lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo sido cumpridos todos os requisitos da lei, sendo que os argumentos de defesa são vagos e genéricos, não servindo para comprovar a origem da movimentação bancária; Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.111 15 c) impossível se descontar da tributação os tributos já recolhidos, já que o contribuinte não demonstrou quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam as apuradas durante o procedimento fiscal; d) o direito à quebra do sigilo bancário pelo Fisco decorre de lei, não cabendo a apreciação sobre a inconstitucionalidade arguida na esfera administrativa; e) quanto às demais bases da autuação, até mesmo sobre a aplicação da multa qualificada, o contribuinte não se manifestou em sua impugnação. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância em 14/1/2013 (fl. 2055), o contribuinte apresentou, em 4/2/2013, o recurso voluntário de fls. 2058 a 2089, onde afirma que: a) o lançamento é nulo, pois (i) o auto de infração relata que o arbitramento se fez tendo em vista que o contribuinte não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato esse inverídico, visto que a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização, que foram devidamente e tempestivamente entregues ao fiscal, conforme comprovam termos de intimação e de devolução de documentos; (ii) os impostos já pagos não foram deduzidos; b) o Sr. Antonio Silva Duarte, um dos denuciantes do esquema ao Fisco, e o Sr. Claudio Lopes Duarte eram os verdadeiros sócios ocultos da empresa autuada, devendo o lançamento ser a eles redirecionado. Já os denunciados, os Srs. Manoel Gonçalves Cota Moreira e Hugo Cecílio de Carvalho, eram seus empregados; c) a presunção legal em favor do Fisco, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, não é absoluta; d) é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores à conta correspondente e etc. Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a Fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração; e) o Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula 182, e a Câmara superior de Recursos Fiscais não admitem a tributação com base em depósitos bancários. É necessário demonstrar os sinais exteriores de riqueza; f) não é possível a quebra do sigilo bancário sem ordem judicial; g) o arbitramento de lucro mediante desclassificação da escrita contábil é uma medida extrema a ser adotada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.112 16 imposto. Quando as receitas omitidas podem ser identificadas e quantificadas não servem como fundamento para o arbitramento de lucro; h) o 1° C.C. tem decidido que, estando os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registros em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento dos lucros (ac. 10322.409/2006 no DOU de 06.06.06); i) improcede o abandono da escrita quando a escrituração do Diário é feita de forma global em partidas mensais, mas a prova acostada aos autos nos dá conta de que, embora realizadas no final de cada mês, os lançamentos contábeis são feitos a débito e a crédito, com destaque, documento a documento, operação a operação, indicação de números de cheques, com existência de balancetes analíticos, permitindo a identificação da conta utilizada no lançamento, com sua nomenclatura (ac. n° 101.10192.946/00 do C.C. no DOU de 140300); j) quando a Fiscalização glosa a totalidade dos custos e das despesas operacionais e mantém a tributação com base no lucro real, as Delegacias de Julgamento têm dado provimento para as impugnações e o 1° C.C., por unanimidade de votos, tem negado provimento aos recursos de ofício; k) no arbitramento de lucro da empresa, deveria terse aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita bruta; l) para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita; m) o art. 538 do RIR/99 dispõe que o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis, o que significa que é uma forma ou regime de tributação, não constituindo em penalidade. Com isso, se a iniciativa do arbitramento for do Fisco, sobre o imposto de renda devido será aplicada a multa de ofício de 75%, o que se contesta a aplicação da multa de 150% prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/96; n) não houve a comprovação de interposição de pessoa, devendose desqualificar a multa de ofício; o) o 1o C.C. tem decidido que não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. p) não é lícita a majoração da multa de ofício de 75% para 150% em face da previsão legal estatuída no artigo 47 da Lei nº 9.430/96, a qual prevê a possibilidade de pagamento espontâneo de tributos e contribuições no prazo de vinte dias após iniciado o procedimento fiscal, porque a redação daquele dispositivo dizia “tributos e contribuições já lançados ou declarados”, enquanto que a redação atual diz “tributos e contribuições já declarados”. É o relatório. Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.113 17 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, os lançamentos contidos no presente processo são reflexos e complementares daqueles contidos no processo nº 15540.720195/201210. Enquanto que este processo abriga a COFINS e o PIS do ano de 2009, aquele outro possuiu uma amplitude maior, qual seja, atinge o IRPJ e a CSLL dos anos de 2007, 2008 e 2009, bem como a COFINS e o PIS dos anos de 2007 e 2008. Nada obstante, ambos os processos tratam dos mesmos fatos, possuem idênticas acusações (mesma autoridade fiscal e mesmo “Termo Complementar à Descrição dos Fatos – Anexo do Auto de Infração”), acórdãos de primeira instância (mesma relatora e turma julgadora) e impugnações/recursos voluntários (mesmo patrono). Com efeito, aquele processo foi objeto de julgamento pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção, mediante o Acórdão nº 1102001.255, de 26 de novembro de 2014, com relatoria do Conselheiro José Evande Carvalho Araújo. Na ocasião, decidiuse, por maioria de votos, em não conhecer do recurso na parte em que se pleiteava a desqualificação da multa de ofício, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que conhecia desta matéria e prosseguia no exame do mérito, e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Considerando a plena conexão entre os processos, peço vênia para adotar as razões do voto que inspirou aquela decisão (alertese que, no voto, as referências sobre folhas tratam daquele processo, apesar disso, os elementos de prova são idênticos aos do presente caso, estando apenas contidos em folhas distintas neste processo): Os lançamentos sob análise tratam de: a) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a qualificação da multa pela prática de sonegação e conluio, nos anos de 2007 e 2008. b) arbitramento do lucro com base na receita conhecida, nos termos do art. 530, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, com a qualificação da multa pela prática de sonegação e conluio, no ano de 2009. Em sua defesa, o recorrente levanta diversas preliminares de nulidade do lançamento, bem como ataca o mérito da autuação. Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.114 18 1 – PRELIMINARES DE NULIDADES DO LANÇAMENTO O recorrente defende que o lançamento é nulo, pois (i) o auto de infração relata que o arbitramento se fez tendo em vista que o contribuinte não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato esse inverídico, visto que a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização, que foram devidamente e tempestivamente entregues ao fiscal, conforme comprovam termos de intimação e de devolução de documentos; e (ii) os impostos já pagos não foram deduzidos. O primeiro vício diz respeito ao próprio fundamento utilizado para se arbitrar os lucros da empresa, e, nesse sentido, confundese com o mérito da autuação, devendo ser junto a ele analisado, não sendo possível seu enfrentamento em sede preliminar. Já o segundo vício apontado, caso constatado, não levaria à anulação do lançamento como um todo, mas apenas ao provimento parcial do recurso para a dedução dos valores não aproveitados. Contudo, uma simples análise das autuações revela que, de fato, a Fiscalização aproveitou os tributos já pagos. Para a infração de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada, a tabela de fl. 514, no Termo Complementar à Descrição dos Fatos, demonstra que a autoridade fiscal descontou, das receitas apuradas, os rendimentos declarados nas DIPJs, DCTFs e DACONs, e tributou apenas a diferença (fls. 33 e 34, para o IRPJ). Assim, apesar de correto o argumento da decisão recorrida de que não seria necessário descontar os valores declarados se o contribuinte não fizesse uma relação direta com a movimentação bancária, a Fiscalização optou por fazer a dedução, o que significa que excluiu do lançamento as receitas já oferecidas à tributação. Já para o auto de infração relativo ao arbitramento dos lucros, os demonstrativos de fls. 81 a 82 e 88 a 89 comprovam que foram deduzidos tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL, os tributos já pagos. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade. 2 – DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 2.1 – A Previsão Legal O lançamento tributou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Transcrevo o dispositivo legal que embasou o lançamento: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.115 19 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Nesse sentido, sem razão a defesa quando afirma que seria Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.116 20 ônus da Fiscalização a demonstração de que cada depósito correspondia a uma receita omitida. Para afastar a presunção legal, não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas, como os trazidos pela defesa, que afirma ser normal que valores sejam sacados da contacorrente para realização de negócios, mas novamente depositados quando o negócio não se concretiza, sem apresentar quaisquer provas de que situações semelhantes ocorreram. No caso, verifico que o procedimento fiscal atendeu os termos da lei, pois o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários; com a não apresentação eles foram obtidos diretamente dos bancos; depois da totalização dos créditos, intimouse o sujeito passivo a justificar sua origem; e só após foi lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. 2.2 – Necessidade de Comprovação do Consuma da Renda O recorrente defende a impossibilidade de tributação de extratos bancários, e afirma que a movimentação bancária não é receita, sendo necessário que se faça comprovação da utilização dos valores depositados, de forma a evidenciar os chamados “sinais exteriores de riqueza”. Contudo, a jurisprudência e argumentos citados se referiam à legislação anterior ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que o novo regramento tem sua aplicação pacificamente aceita nos moldes acima exposto. De qualquer modo, a matéria não comporta mais discussão administrativa desde a publicação da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 2.3 – Quebra do Sigilo Bancário pelo Fisco O recorrente afirma não ser possível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF. Inicio com a transcrição do dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6o da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.117 21 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este CARF competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil – CPC. Isso porque apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Acrescentese que a Portaria GMF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do anexo II do RICARF, acabando assim com a possibilidade de sobrestamento de julgamentos no CARF até a decisão definitiva do STF. Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. 3 – ARBITRAMENTO DOS LUCROS A Fiscalização também arbitrou os lucros do ano de 2009 pela não apresentação dos livros contábeis e fiscais, tais como Diário, Razão, de Inventário, Apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, nos termos do art. 530, inciso I, do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) O recorrente afirma que tal acusação é inverídica, pois os termos de intimação e devolução de documentos comprovam que apresentou seus livros à Fiscalização. A decisão recorrida considerou correto o arbitramento, pois o Livro Diário apresentado estava em partidas mensais, e não diárias, e não foi entregue Livro Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.118 22 Razão do período, tendo o contribuinte sido intimado e reintimado por diversas vezes a apresentálos. Antes de prosseguir na análise desses argumentos, devese verificar quais são os documentos que a legislação aponta como necessários para considerar que a escrituração se deu na forma das leis comerciais e fiscais. Tais disposições se encontram nos arts. 251 a 263 do RIR/99, que listam a obrigatoriedade dos Livros Diário e Razão, bem como dos livros para registro de inventário, para registro de entradas (compras) e de Apuração do Lucro Real – LALUR. Com relação ao Livro Razão, o § 2o do art. 259 é explícito ao afirmar que a sua ausência implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. Ora, o próprio documento apresentado pela defesa indica que não foi apresentado o Livro Razão do ano de 2009, fato que, por si só, autoriza o arbitramento do lucro. Já o documento de fl. 608, atesta a apresentação do Livro Diário de 2009 em 18/5/2011. Mas, no Termo de Intimação Fiscal nº 0003, cientificado em 14/6/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão de acordo com o art. 258 do RIR/99, contendo lançamentos dia a dia (fl. 628). Assim, mesmo o Livro Diário apresentado não atendia à legislação, pois estava registrado em partidas mensais, e não diárias, sendo, portando, considerado imprestável. Não localizei, nos autos, cópias do citado Livro Diário, nem o contribuinte as trouxe no recurso, não sendo possível verificar se a ele se aplicam as jurisprudências citadas pela defesa, que admitem a escrituração mensal desde que seja possível se identificar os lançamentos diários. De qualquer modo, a ausência dos livros Razão, para registro de inventário e de Apuração do Lucro Real – LALUR já justifica o arbitramento, que deve ser considerado como corretamente motivado. Além disso, o contribuinte foi por diversas vezes intimado a apresentar seus livros contábeis e fiscais, com tempo razoável para tanto, não sendo possível se furtar da obrigação com a alegação de que deveria ter sido previamente intimado a providenciar a regularização da escrita. Finalmente, não procede o argumento de que o art. 538 do RIR/99, ao afirmar que o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis, estaria obrigando a aplicação da multa de ofício de 75%, e não a de 150%, já que a lei simplesmente determina a aplicação das penalidades cabíveis, não excluindo quaisquer de suas modalidades. A defesa trouxe também algumas alegações que não se aplicam ao caso. Isso aconteceu quando afirmou que as receitas omitidas não servem como fundamento para o arbitramento de lucro quando puderem ser identificadas e quantificadas, pois o arbitramento não se deu em decorrência da omissão de rendimentos, mas pela não apresentação da escrituração. Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.119 23 Do mesmo modo, não há sentido quando se postulou que deveria ter sido aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita bruta, pois foi justamente esse o percentual de arbitramento utilizado (fl. 80). Não procede, também, o argumento de impossibilidade de glosa da totalidade dos custos e das despesas operacionais, ou de concomitância das multas de ofício e isolada, já que tais infrações não constam dos autos de infração. Por fim, vale ressaltar que não alteram o lançamento as alegações de que as pessoas que fizeram a denúncia ao Fisco são, de fato, os verdadeiros proprietários da pessoa jurídica autuada, devendose redirecionar a autuação para elas. Como relatado pela autoridade fiscal, não foi possível se firmar convicção sobre quais pessoas realmente participavam da sonegação fiscal, e por isso se optou por incluir como sujeito passivo apenas a pessoa jurídica, deixando para que as autoridades policiais e judiciais apurassem a participação de cada envolvido. Observase, inclusive, que os nomes dos denunciantes também foram incluídos entre aqueles que deveriam ser investigados. Por todo o exposto, mantenho o arbitramento dos lucros do ano de 2009. 4 – MULTA QUALIFICADA O recorrente alega que não é possível a qualificação da multa, porque não foi comprovada a interposição de pessoas. Contudo, como atestado pela decisão recorrida, tal matéria não constou da impugnação (fls. 2.963 a 2.982), e por isso deixou de compor a lide, restando consolidada na esfera administrativa. Nesse sentido, não conheço do recurso quanto a essa matéria. 5 CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Voltando ao presente voto, cumpre apenas alertar que o recurso voluntário apresentado para este processo possuiu apenas uma alegação a mais do que o do processo nº 15540.720195/201210. Tratase, justamente, do que foi suscitado no item “p” do relatório acima, qual seja, a alegação de que não é lícita a majoração da multa de ofício de 75% para 150% em face da previsão legal estatuída no artigo 47 da Lei nº 9.430/96, a qual prevê a possibilidade de pagamento espontâneo de tributos e contribuições no prazo de vinte dias após iniciado o procedimento fiscal, porque a redação daquele dispositivo dizia “tributos e contribuições já lançados ou declarados”, enquanto que a redação atual diz “tributos e contribuições já declarados”. Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720199/201206 Acórdão n.º 1401001.514 S1C4T1 Fl. 2.120 24 Nada obstante, não há qualquer relação entre as hipóteses de qualificação da multa de ofício e a de pagamento espontâneo no prazo de vinte dias após iniciado o procedimento fiscal. São situações absolutamente independentes. Portanto, não há o menor cabimento no quanto alegado. Assim, diante de todo o exposto, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso na parte em que se pleiteia a desqualificação da multa de ofício, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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