Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13888.003279/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES.
Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida.
COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
Numero da decisão: 3401-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.003279/2005-18
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633121
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.211
nome_arquivo_s : Decisao_13888003279200518.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
nome_arquivo_pdf_s : 13888003279200518_5633121.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6491652
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688175087616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003279/200518 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.211 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria COFINS Embargante CONSELHEIRO Interessado COSAN S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 32 79 /2 00 5- 18 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de Embargos ingressados nos termos do artigo 65 do RICARF em vigor, face o Acórdão n. 3401003.067 proferido por esta turma na sessão de 26 de janeiro de 2016, cuja Ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INTERPRETAÇÃO COMPREENSIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. O arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dá de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. Por isso, não há como Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 3 3 deixar de reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção usados na área agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte Fl. 627DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. O recurso alega que houve omissão e/ou obscuridade com relação ás seguintes matérias: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte e despesas de depreciação do ativo imobilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Este processo cuida de pedido de ressarcimento da contribuição social e das Declarações de Compensação a ele vinculadas, por meio dos quais a contribuinte requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição social em comento, do regime não cumulativo (PIS ou COFINS mercado externo nos termos do art. 3o da Lei n. 10.627/2002 e Lei n° 10.833/2003). A contribuinte alega possuir créditos no período de apuração, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. A auditoria fiscal propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa no Despacho Decisório, que, somadas, reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte DISPONÍVEL para as compensações. E concluíram não existir saldo disponível para o ressarcimento tratado neste processo. Após apreciar a manifestação de inconformidade, os Julgadores de 1º piso não acolheram as alegações da contribuinte e mantiveram as glosas fiscais. Este colegiado apreciou o recurso voluntário e, na sessão de 26 de janeiro de 2016, decidiu darlhe parcial provimento. Senhores Conselheiros, proponho que analisemos a matéria questionada nos Embargos, e dessa maneira verifiquemos a existência da omissão ou da obscuridade aventada e, se admitida, passemos à apreciação do mérito. Creio que nesse andar, conjugando a decisão de admissão do recurso com a decisão de mérito da matéria, ganharemos em eficiência e objetividade. Matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 4 5 A autoridade fiscal firmou seu entendimento de que insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, compreende “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o)”. Além desse entendimento, adotado como critério para a glosa, a autoridade fiscal glosou também as despesas relacionados a centros de custos que não estavam diretamente vinculados á produção e fabricação dos produtos vendidos. Nesse conjunto, estavam os gastos com combustíveis usados no transporte. A contribuinte trouxe ao contraditório as razões por que defende a legalidade e correção dos créditos apurados a partir desses gastos. Em resumo: sobre as despesas com combustíveis que os combustíveis foram adquiridos para o transporte do produto para exportação e que são indispensáveis à atividade agroindustrial. Argumenta que não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, equipamentos e, sobretudo, adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura. E que todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. Os julgadores de 1ºpiso, sobre combustíveis utilizados no transporte, decidiram que a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como insumos, desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, em seu entendimento, não haveria que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. A aquisição de combustíveis geraria direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. No caso, não aceitaram as alegações da contribuinte. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Essa matéria foi contraditada novamente pela contribuinte, vindo para julgamento da 2ª instância. No voto do Conselheiro relator constaram as seguintes considerações e decisões a respeito dessa matéria: Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas relacionadas aos centros de custos: "Diretoria Industrial/Administração planejamento", "Manutenção Conservação Civil" e "brigada de incêndio", "Central de ar condicionado", "Serviços Auxiliares", Funcionários afastados industrial, incentivo vale transporte industrial , não têm demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. Por falta de comprovação e previsão legal, entendo que as glosas devem ser mantidas. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atendem aos critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Como se vê, o voto tratou da matéria, propondo provimento ao recurso quanto a este ítem. Contudo, no desdobrar da sessão, faltou a apreciação dos Conselheiros sobre a seguinte parte do voto do relator, com considerações e proposição diretamente vinculadas a essa matéria. Vejamos: Glosa das despesas de transporte pagos a PJ e dos gastos relacionados a transportes a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem Fl. 630DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 5 7 ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração da contribuição em questão. Consultei os documentos que instruem este processo, as planilhas demonstrando a apuração das receitas, as despesas e os centros de custos e, nelas, vejo dois tipos de categorias de serviços de transporte: 1º) as que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou alcool); 2º) as que se referem a transporte de produtos acabados e os serviços de transporte que não se relacionam diretamente com as atividades de cultivo, colheita e tratamento da cana de açúcar e de seus subprodutos, antes da obtenção do produto final açúcar ou alcool. Nesse ponto, entendo que razão assiste à recorrente quando se trata da primeira categoria acima, de gastos e custos agrícolas, pois elas se referem a serviços e insumos necessários ao processo de produção da cana e seus derivados, e também transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardam relação direta com a produção de cana de açúcar. Mas entendo que razão não lhe assiste quanto ao segundo grupo de despesas acima indicado, pois não guardam relação direta com o processo de produção da cana, de seus derivados, e também com a fabricação de açúcar e alcool. Entendo que a glosa deve ser mantida para essa segunda categoria, pois não se trata de insumo necessário tendo em vista as especificidades do processo da colheita de cana de açúcar, nem se enquadram na previsão para obtenção de créditos a partir de despesas de transporte. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste aspecto. A meu ver, o texto do Acórdão recorrido traz obscuridade que deve ser sanada, para que fique expresso e julgado o entendimento de que os gastos com combustíveis usados no transporte podem gerar crédito nos termos que constam do voto, o que justificam dar parcial provimento ao recurso voluntário neste item. Por essas razões, proponho seja admitido, conhecido e apreciado este Embargo, e no mérito passe a constar do Acórdão recorrido o entendimento favorável ao provimento PARCIAL do recurso neste item. 2ª Matéria: despesas de depreciação do ativo imobilizado. A autoridade fiscal glosou os créditos provenientes da apuração da depreciação com o seguinte fundamento: Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 O conceito de insumo é o resultante do cruzamento do artigo 3o da Lei n.° 10.637/2002 com o artigo 8o da Instrução Normativa SRF n.° 404/2004. Em outras palavras, não serão considerados como insumos passíveis de geração de créditos, aqueles que não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. Da mesma forma, por coerência lógica, não serão admitidos com bens passíveis de gerarem créditos a título de depreciação, aqueles que, apesar de constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento. Outra restrição aos bens do Ativo Imobilizado é que estes devem ter sido adquiridos após 01/05/2004, conforme disposto no art. 31, "caput" e §1° da Lei 10.865/2004. Com isso, foram realizadas as glosas pertinentes nos valores informados como depreciação. (GRIFOS ACRESCIDOS) Os julgadores de 1º piso não acolheram as razões da contribuinte postas em sua manifestação de inconformidade, e mantiveram a glosa. A ementa da sua decisão constou: CRÉDITOS A DESCONTAR INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. A lei só autoriza o aproveitamento de créditos do PIS nãocumulativo relativo a despesas de depreciação do ativo imobilizado referentes aos bens intrinsecamente utilizados no processo produtivo, e que tenham sido adquiridos a partir de 01/05/2004. A contribuinte retoma em seu recurso voluntário as alegações apresentadas até então. Afirma ela que, quanto às glosas associadas às despesas de depreciação do ativo imobilizado, "não fez uma adequada análise a fiscalização do que ocorreu em cada uma das situações mencionadas", não bastando "observar simplesmente números de contas contábeis e concluir apressadamente pela glosa de créditos". Mais que isto. "necessário se faz verificar a atividade da Impugnante e os fatos efetivamente ocorridos". Se isto for feito, verificarseá que '"todos os itens glosados fazem parte do conceito de insumo, eis que são indispensáveis à produção dos bens comercializados pela Impugnante, c como tal integram os custos de aquisição e fabricação devem gerar créditos, para que não exista desrespeito à regra da não cumulatividade das contribuições"; O relatório fiscal explica que foram procedidas as glosas de créditos referentes a despesas de depreciação relativas a bens que não estavam "intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento", e que tenham sido adquiridos após 01/05/2004,conforme disposto no art. 31. caput e § 1° da Lei 10.865/2004". verbis: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei. o desconto de créditos apurados na forma do inciso II do § l º d o art. 3odas Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002. e 10.833. de 29 de dezembro de 2003. relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1ºdo art. 3º das Leis n°s 10.637. de 30 de dezembro de 2002, e 10.833. de 29 de dezembro de 2003. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 6 9 apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de I " de maio.(...) Lei n° 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei n" 11.196. de 2005) V I I - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa: (...) Conforme exposto em nosso voto, divergirmos da posição adotada pela autoridade fiscal e pelos julgadores de 1º piso quanto ao conceito de insumos e ao conceito das atividades de produção do empreendimento. Em nossa visão, as etapas anteriores à fabricação do açúcar e do álcool também podem ser consideradas para fins de apuração dos créditos disciplinados nas Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Nessa perspectiva, seria possível aproveitar as depreciações do ativo imobilizados aplicado nessas etapas, tais como, por exemplo, equipamentos de colheita e tratamento da cana de açúcar. Ocorre que a contribuinte não trouxe ao contraditório elementos que demonstrassem seu direito, para além das argumentações gerais ou genéricas. No caso, especificamente, a contribuinte não demonstrou quais bens do ativo imobilizado foram adquiridos após 01/05/2004, para atender o disposto no artigo da Lei n. 10.865/2004 acima transcrito, e como cada um deles se integrou ao processo de produção nessas etapas anteriores à fase fabril. Em nosso voto, no trecho que acabou não lido e apreciado pelos Conselheiros, propúnhamos não dar provimento ao recurso voluntário neste ítem por falta de elementos que provassem o direito pretendido. A meu ver, o acórdão prolatado traz omissão que deve ser sanada, para que fique expressamente julgada a matéria e dele conste o entendimento do relator. Por essas razões, proponho seja admitido, conhecido e apreciado este Embargo, e no mérito não seja dado provimento ao recurso voluntário neste item. CONCLUSÃO FINAL Seja acolhido o Embargo para dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário na matéria glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte e não seja dado provimento ao recurso voluntário no item despesas de depreciação do ativo Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 imobilizado, e que essa decisão altere o que consta como dispositivo conclusivo do Acórdão recorrido, com efeitos infringentes, cuja Ementa passa ser acrescida do seguinte: COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903593/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 07/10/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 07/10/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10930.903593/2012-62
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5671657
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.563
nome_arquivo_s : Decisao_10930903593201262.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10930903593201262_5671657.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6609684
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688180330496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903593/201262 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.563 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria COFINS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 07/10/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 93 /2 01 2- 62 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.935, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934218/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.757
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.934218/2009-73
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5675938
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.757
nome_arquivo_s : Decisao_10980934218200973.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10980934218200973_5675938.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6640115
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688196059136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.934218/200973 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.757 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 18 /2 00 9- 73 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000636/2005-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO.
Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração.
Numero da decisão: 9202-004.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos inominados, para declarar a nulidade do acórdão 920201.631, por ter sido prolatado sem a observação de lapso manifesto, por erro de fato, na decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do lapso manifesto alegado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO. Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11075.000636/2005-17
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647528
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.357
nome_arquivo_s : Decisao_11075000636200517.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 11075000636200517_5647528.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos inominados, para declarar a nulidade do acórdão 920201.631, por ter sido prolatado sem a observação de lapso manifesto, por erro de fato, na decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do lapso manifesto alegado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6540031
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688199204864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2019; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11075.000636/200517 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.357 – 2ª Turma Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDUARDO DOMINGUES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO. Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos inominados, para declarar a nulidade do acórdão 920201.631, por ter sido prolatado sem a observação de lapso manifesto, por erro de fato, na decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do lapso manifesto alegado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 36 /2 00 5- 17 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 330100.025, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 13/36 e 44/70 (respectivamente, fls. 08/31 e 39/66, numeração manual), relativo aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 144.986,75, nele compreendido imposto, multa de ofício, juros de mora e multa exigida isoladamente, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos de trabalho sem empregatícios recebidos de pessoas físicas, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas de livro caixa, dedução indevida de despesa com instrução e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carneleão, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 176/206 (fls. 156/186, numeração manual), instruindo o feito com notas fiscais de fornecedores e requerendo a dedutibilidade dos valores lançados no livro caixa. A DRJ de origem, às fls. 486/506, apreciou os documentos e concluiu que do total de 103 notas fiscais apensadas, poucas mantinham vinculação com o lançamento. As notas fiscais que efetivamente se relacionam com o auto de infração, foram consideradas documentos hábeis e ensejaram o restabelecimento da dedução no valor de R$ 2.514,45. Foi mantida a multa isolada, porém com redução de 50%, aplicando a nova legislação que alterou o artigo 44, da Lei 9430 de 1.996. A multa de oficio de 75% incidiu no lançamento e foi mantida em concomitância com a multa isolada reduzida a 50%, conforme mencionado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 515/527 (fls. 472/486, numeração manual), requerendo perícia na documentação anexada e alegando que a glosa das despesas do livro caixa foram consideradas também como omissão de rendimentos, em flagrante duplicidade de lançamento e ainda, com aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 538/544, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, entendendo, por maioria, afastar a multa isolada por aplicação concomitante. Às fls. 547/554, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que, como o contribuinte deixou de recolher tempestivamente o imposto devido a título de carneleão, cabível a aplicação da multa isolada. Assim, a decisão guerreada contrariou frontalmente a lei, especificamente o art. 44, § 1°, III, tudo da Lei n° 9.430/96, a demonstrar que a decisão nãounânime teria sido proferida do modo contrária à lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 556/557, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional, para ser processado com base no art. 70, I, do antigo Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, à luz dos arts. 40 e 70 do vigente Regimento Interno do CARF. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 9202004.357 CSRFT2 Fl. 10 3 Às fls. 560/564, o Contribuinte apresentou contrarrazões do Recurso Especial. Em 19/12/2011, o Contribuinte impugnou o lançamento, às fls. 568/572, consignando que o Auto de Lançamento desconsiderou a decisão do CARF que restabeleceu as deduções com despesas médicas e despesas do livro caixa e, por consequência, afastou a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de oficio, em verdade, afastou todas as despesas antes glosadas e tinham gerado a imputação de tributos, bem como da multa aplicada, extinguindo o alegado fato gerador de diferenças no imposto declarado. Em 22/12/2011, às fls. 566/567, a Receita Federa de Uruguaiana/RS encaminhou o Memorando n° 146/2011/DRFURA/Secat acerca do cumprimento do Acórdão n° 330100.025 da lª Turma Ordinária da 3ª Câmara, no julgamento do Recurso Voluntário, tecendo as seguintes considerações: “... 4. Como a relatora, no julgamento do recurso voluntário, não reformou a decisão de 1ª instancia quanto às glosas das despesas do Livro Caixa, foram feitas as atualizações no Sistema Profisc, quanto a essa parte da controvérsia, tomando por base os valores discriminados no acórdão da DRJ. Logo em seguida, foi enviada intimação ao contribuinte, para o pagamento dos valores não exonerados. 5. Em razão do questionamento do contribuinte, o processo foi reanalisado, quando então foi verificado um erro de fato constante do supracidado Acórdão. A decisão foi proferida com base na falsa compreensão de que teria havido duplicidade no lançamento. Isso supostamente foi decorrente da discriminação das glosas das despesas do Livro Caixa em dois itens do auto de infração (itens 3 e 5). 6. No item 3, foram discriminadas as glosas por ano e esses foram os valores efetivamente considerados no calculo do imposto no lançamento. Por sua vez, no item 5, as glosas foram enumeradas mêsamês, todavia, apenas para fins de demonstrar os valores utilizados no cálculo do imposto mensal devido e, em seguida, do imposto mensal que deixou de ser pago, com vistas a imposição da multa isolada (já afastada por esse Conselho). Cumprenos enfatizar então que esses valores constantes do item 5 não integraram a base de calculo do imposto lançado, de modo que não houve a duplicidade apontada. ...” Às fls. 987/989, a Unidade Preparadora propôs, Embargos Inominados em face da 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – por Lapso Manifesto, em virtude de alegado erro material ao considerar duplicidade de lançamento, para que o processo fosse novamente apreciado pela 2ª Turma da CARF, para que: seja verificada, a existência ou não do erro manifesto alegado; Fl. 992DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 em sendo confirmada a existência do erro, sejam determinados seus efeitos, com eventual devolução ao colegiado a quo, para retificação, ou eventual retificação pela própria 2ª Turma da CSRF, mediante a prolação de novo acórdão; em havendo eventual retificação de erro, esclarecimento quanto à validade dos atos posteriores à decisão supostamente eivada de erro. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. Os Embargos de Declaração propostos pela Unidade preparadora são tempestivos e merecem ser conhecidos. O motivo ensejador de sua interposição se refere a erro do acórdão recorrido que impediu a execução do Julgado por parte da Unidade Preparadora. Assiste razão a embargante. A decisão foi proferida com base na falsa compreensão de que teria havido duplicidade no lançamento. Isso supostamente foi decorrente da discriminação das glosas das despesas do Livro Caixa em dois itens do auto de infração (itens 3 e 5). Como bem apontado pela DRF de Uruguaiana, compulsando o relatório fiscal de fls. 08, 09, 10, 21, 24, 26, 64 e 66, temse que, no item 3, foram discriminadas as glosas por ano e esses foram os valores efetivamente considerados no calculo do imposto no lançamento. Por sua vez, no item 5, as glosas foram enumeradas mêsamês, todavia, apenas para fins de demonstrar os valores utilizados no cálculo do imposto mensal devido e, em seguida, do imposto mensal que deixou de ser pago, com vistas a imposição da multa isolada (já afastada pelo Conselho). Cumprenos enfatizar então que esses valores constantes do item 5 não integraram a base de calculo do imposto lançado, de modo que não houve a duplicidade apontada no lançamento. Assim, analisando o total do imposto cobrado, observase claramente que este esta listado nos itens 1 a 4, o item 5 embora citado de modo repetitivo serviu tão somente como base discriminada mensal para calcular o valor da multa isolada, não se referindo a infração diversa, muito menos a soma destas em duplicidade. Para se ter certeza disso, basta observar as informações das planilhas de fls 21 e 9 que cruzadas com os demonstrativos, apontam exatamente para o importe de imposto cobrado, ou seja, deduzidos o valor total das glosas de despesa medica, tem se exatamente os valores cobrados a titulo de infração. Diante do exposto, conheço dos presentes embargos de declaração para declarar a nulidade do acórdão 920201.631, por ter sido prolatado sem a observação de lapso manifesto, por erro de fato, na decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do lapso manifesto alegado. É o voto. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 9202004.357 CSRFT2 Fl. 11 5 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 994DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13686.720042/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSTO SUPLEMENTAR. Incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve a Recorrente ser eximida do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos presentes autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial ao recurso e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSTO SUPLEMENTAR. Incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve a Recorrente ser eximida do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos presentes autos. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13686.720042/2014-54
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633173
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.457
nome_arquivo_s : Decisao_13686720042201454.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 13686720042201454_5633173.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial ao recurso e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negava-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6492909
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688210739200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13686.720042/201454 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.457 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANTONIETA RIBEIRO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSTO SUPLEMENTAR. Incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve a Recorrente ser eximida do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos presentes autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 6. 72 00 42 /2 01 4- 54 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria darlhe provimento, vencidas as conselheiras Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial ao recurso e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negavalhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13686.720042/201454 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 14/04/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2013, AnoCalendário 2012, na qual foi constatada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 120.323,21 (cento e vinte mil, trezentos e vinte três reais e vinte um centavos), recebidos pela titular. Inconformado com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação alegando tratarse de rendimentos acumuladamente recebidos por aposentadoria rural por idade. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) manteve o crédito tributário, por maioria, destacase trecho do voto vencido e do voto vencedor, com a seguinte consideração: Voto vencido: partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência, no que se enquadra o presente caso (rendimentos de aposentadoria). Aplicase a referida tributação, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal; devendo abranger tais rendimentos o décimo terceiro salário e quaisquer acréscimos e juros deles decorrentes, artigos 12 e 12A, da Lei 7.713/88. (...) Como tal opção não foi feita pelo notificado, já que omitiu o rendimento percebido de forma acumulada, deve permanecer, para fins de cálculo do montante de imposto devido, relativo à infração apurada, a regra geral, qual seja, a forma de tributação exclusiva/definitiva na fonte. Deste modo, incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve o contribuinte ser eximido do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 Haja vista o anocalendário em análise, deve o presente processo ser levado ao conhecimento do SEFIS/DRF/UBERLÂNDIA/MG, a fim de que sejam tomadas as providências necessárias para a garantia do crédito tributário nos termos acima explicados. Por oportuno, esclarecese que, salvo as vinculantes, eventuais decisões emanadas judicialmente não têm o condão de obrigar a Autoridade Julgadora. Voto Vencedor: “À vista de todos os dispositivos aqui reproduzidos e considerando o equívoco na retenção do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes da ação judicial, frente ao qual a contribuinte não demonstrou ter buscado pelos meios legais permitidos a sua correção e tampouco exerceu a faculdade de efetuar os ajustes necessários no intuito de tributar os rendimentos tidos por omitidos como exclusivos na fonte, aliás, sequer instrui os autos com documentos hábeis a alterar a tributação da omissão apurada, resta apenas ratificar o feito fiscal.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário pelo Contribuinte, o qual alegou que: · Por se tratar de indenização deveriam ser observados os valores recebidos mensalmente, com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que devidos os correspondentes valores. Assim, a tributação que divirja desse entendimento não pode prosperar, sob pena de agravamento injusto da exigência, com o consequente enriquecimento ilícito do Estado. · Seja sobrestado o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012 até o julgamento do mérito nos RE Nº 614232 e 614406. · Houve retenção do imposto retido na fonte o que é considerado antecipação do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual; É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13686.720042/201454 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 20/10/2014, conforme AR às fls. 69, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/11/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO A Recorrente foi notificada por omitir rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal que objetivou reajuste de benefícios de aposentadoria rural por idade. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Nesse sentido, será utilizada “tabela progressiva resultante da multiplicação de quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”, com o propósito de compatibilizar o regime ao entendimento pacificado pela Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS. Confirase: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 8o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Art. 12B. Os rendimentos recebidos acumuladamente, quando correspondentes ao anocalendário em curso, serão tributados, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Observase, no dispositivo acima citado, que o imposto de renda será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13686.720042/201454 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 5 7 rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Note caso a recorrente alega que houve retenção do imposto retido na fonte o que seria considerado antecipação do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual. O imposto decorrente da tributação exclusiva na fonte efetuada durante o anocalendário pela fonte pagadora é considerado antecipação do imposto devido apurado na referida DAA. Ressaltese que a referida opção deve ser marcada quando do preenchimento da DAA pelo contribuinte, no presente caso, tal opção não foi realizada pela Recorrente, e sim pela fiscalização; logo, como foi omitido o rendimento percebido de forma acumulada, deve permanecer, para fins de cálculo do montante de imposto devido, relativo à infração apurada, a regra geral, qual seja, a forma de tributação exclusiva/definitiva na fonte. Deste modo, incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve o contribuinte ser eximido do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos autos. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008358/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO.
Tratando-se de infração de natureza precipuamente formal, a multa por descumprimento de obrigação acessória prescinde tanto do elemento volitivo do agente quanto da constatação de prejuízo ao Erário para sua verificação.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS. CFL 38. PERÍODO DECAÍDO.
A multa por descumprimento da obrigação acessória de deixar de exibir livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias submete-se a lançamento de ofício, não subsistindo se os fatos geradores relativos aos documentos demandados já foram fulminados pela decadência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. Tratando-se de infração de natureza precipuamente formal, a multa por descumprimento de obrigação acessória prescinde tanto do elemento volitivo do agente quanto da constatação de prejuízo ao Erário para sua verificação. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS. CFL 38. PERÍODO DECAÍDO. A multa por descumprimento da obrigação acessória de deixar de exibir livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias submete-se a lançamento de ofício, não subsistindo se os fatos geradores relativos aos documentos demandados já foram fulminados pela decadência. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.008358/2007-35
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5649964
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.500
nome_arquivo_s : Decisao_10580008358200735.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10580008358200735_5649964.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6546773
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688218079232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 107 1 106 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.008358/200735 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.500 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2016 Matéria MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente CCB PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. Tratandose de infração de natureza precipuamente formal, a multa por descumprimento de obrigação acessória prescinde tanto do elemento volitivo do agente quanto da constatação de prejuízo ao Erário para sua verificação. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS. CFL 38. PERÍODO DECAÍDO. A multa por descumprimento da obrigação acessória de deixar de exibir livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias submetese a lançamento de ofício, não subsistindo se os fatos geradores relativos aos documentos demandados já foram fulminados pela decadência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 83 58 /2 00 7- 35 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008358/200735 Acórdão n.º 2402005.500 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 37.116.4540 (fls. 2/23), referente à obrigação tributária acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter deixado a empresa de exibir os documentos relacionados a seguir; bem como ter apresentado documentos ou livros de forma deficiente, conforme ocorrências abaixo reproduzidas. Documentos não exibidos: Contratos de Trabalho, em todo o período fiscalizado. Documentação completa relacionada ao pagamento do salário família: Termos de Responsabilidade de todos os empregados que perceberam o benefício; Certidões de nascimento: Jairo de Oliveira percebeu 2 cotas e foi apresentada apenas 1 certidão; Nilo Sérgio Rocha percebeu 1 cota e não foi apresentada certidão; Eliseu dos Santos percebeu 4 cotas e foram apresentadas 3 certidões; Raimundo Nonato Santos percebeu 4 cotas e foram apresentadas apenas 2 certidões; Marcos Alves percebeu 1 cota e não foi apresentada certidão; Carteiras de vacinação obrigatória, a partir de 29/11/ 1999, dos filhos menores de 7 anos; Comprovação da freqüência escolar, a partir de 2000, para os filhos maiores de 6 anos. Petição inicial da Reclamatória Trabalhista 012.97.l98301, movida pelo empregado Carlos Alberto Alves. Recibos de salário do empregado Adenilson Urpia. Em relação à apresentação de recibos de salário, ressaltase que a empresa arquiva estes documentos nas pastas funcionais dos empregados, sendo que não foi entregue à fiscalização a pasta de Adenilson Urpia, registrado no Livro de Empregados 01, às folhas 15. O empregado permaneceu em folha de pagamento até 06/1998. Documentos apresentados de forma deficiente (livros Diário e Razão dos exercícios 1997, 1998 e 1999): Foram encontrados recibos de pagamento de remuneração do Sr. Jair Alexandre Lopes, empregado registrado na empresa Mazana Ltda, do mesmo grupo econômico, por serviços prestados em shows na função de técnico de som e iluminação, nos Fl. 299DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 meses de 09 e 11/1997, ll e 12/1998, O3, 05 e 06/1999, não incluídos nas folhas de pagamento mensais e também não declarados nas GFIP. Foram encontrados recibos de pagamento de salário do funcionário Sérgio Nepomuceno, relativos aos meses ll/1998 e 2* parcela do 13° salário do mesmo ano, no cargo Segurança, sem inclusão em folha de pagamento. Foram encontrados recibos de pagamento de remuneração de Erivaldo da Anunciação e Antônio Fernando Neves, dos meses 03 e 06/1999, respectivamente, sendo que nos recibos assinados não há discriminação do tipo do serviço prestado. Não há inclusão em folha de pagamento da parcela paga através do cheque 656702, no mês 01/1998, no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), decorrente do Acordo entre as partes nos autos da Reclamatória Trabalhista 0l2.97.l98301, movida pelo empregado Carlos Alves. Em 26/01/1998 no livro Razão 07 da empresa Mazana Ltda, do mesmo grupo econômico, consta o registro da compensação do cheque 656702 a débito da conta Ativo l.2.01.00l.01 Chiclete com Banana crédito de coligadas e controladas. No entanto, a despesa com pagamento de indenização não foi registrada na Contabilidade da empresa CCB LTDA, tendo figurado apenas o registro da entrada de numerário na conta Caixa, como pode ser observado às folhas O2 do livro Diário 07 O contribuinte em sua impugnação alegou, em síntese (fls. 145/148): que a infração constatada não trouxe qualquer tipo de prejuízo à arrecadação e fiscalização do INSS, bem como os fatos articulados não ocorreram por culpa ou dolo da empresa na tentativa de evasão de recursos; que está apresentando todos os documentos faltantes, sanando definitivamente a irregularidade apontada, pedindo a relevação da multa. Correção da falta antes de esgotado o prazo de apresentação da defesa. que estava decaído o prazo para lançamento da infração. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 242/252), o autuado interpôs recurso voluntário em 12/3/2008 (fls. 268/272), defendendo a nulidade do julgamento contestado dada a necessidade de apreciação conjunta com Notificação de Lançamento nº 37.116.4516, referente à obrigação principal, e reiterando, no mais, os argumentos da impugnação. Em petição protocolizada em 3/7/2008 (fls. 274/277), postula o recorrente, ainda, a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF ao caso vertente. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008358/200735 Acórdão n.º 2402005.500 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A nulidade aventada pelo contribuinte inexiste. Deve ser esclarecido que a infração contestada teve por fundamento o descumprimento de obrigação acessória, e possui, no caso, completa autonomia relativamente à eventual infração relativa a obrigação principal. A não exibição dos documentos solicitados, bem como a apresentação de documentos ou livros de forma deficiente, deuse no curso do procedimento fiscal e implica no não cumprimento do dever de colaboração com a administração tributária, não estando portanto condicionada ou vinculada ao destino da NFLD nº 37.116.4516, que veiculou a obrigação principal. Melhor sorte não favorece à ilação de que não teria havido prejuízo ao Erário, pois a infração guerreada tem natureza meramente formal, independe do resultado efetivamente ocorrido, da vantagem obtida, da eventual falta de recolhimento de tributo ou da extensão da lesão ao Fisco. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo subjacente à conduta, como estabelecido no art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Destarte, a investigação, seja de antecedente elemento volitivo, seja de prejuízo verificável, tornase irrelevante tanto para a tipificação da infração como para eventual afastamento da penalidade aplicada. Constatada a conduta em desconformidade com o disposto na legislação, cabe ao Fisco, mediante atuação vinculada, constituir o respectivo crédito tributário. Despicienda, também, a cogitada necessidade de demonstração de prejuízo ao Fisco ou de intenção para a imputação do gravame, por não estarem tais requisitos previstos na norma de regência. Verificada a conduta omissiva estipulada na hipótese legal, impõese a cominação da sa Noutro giro, cabe observar que não prospera a alegação de necessidade de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Contudo, deve ser frisado que, no processo 10580.008859/200711, foi declarada a decadência do DEBCAD nº 37.116.4516, relativo à obrigação principal. Dessa maneira, quando demandados os documentos que findaram por não terem sido apresentados no curso do procedimento, em 2007, já estava decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário no que concerne aos fatos geradores a serem examinados, visto que estes referiamse a períodos compreendidos entre os anoscalendário 1997 e 1999. Nessa esteira, resta insubsistente a autuação ora combatida, pois não mais havia fundamento para a exigência de documentação, a qual era relativa a contribuições previdenciárias cuja prazo para constituição via lançamento de ofício já havia transcorrido. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001359/99-13
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-00.992
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do' recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200603
camara_s : Pleno
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10860.001359/99-13
conteudo_id_s : 5667896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 202-00.992
nome_arquivo_s : Decisao_108600013599913.pdf
nome_relator_s : Antonio Carlos Atulim
nome_arquivo_pdf_s : 108600013599913_5667896.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do' recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2006
id : 6599110
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688220176384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Resolução nº 202-00.992; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-12-27T17:20:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Resolução nº 202-00.992; xmpMM:DocumentID: uuid:79c9e7e9-cd25-480b-89d0-3bb17be6ba0c; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Resolução nº 202-00.992; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-12-27T17:20:04Z; created: 2016-12-27T17:20:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2016-12-27T17:20:04Z; pdf:charsPerPage: 932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-12-27T17:20:04Z | Conteúdo => Processo n~ Recurso n~ Ministério da Fazend'l Segundo Conselho de Contribuintes . 10860.001359/99-13- 128.263 . --- -~- ----- ~~- ---~ , I". CC-MF I. FI. . . Recorrente Recorrida CAM PEL - PAPELARIA E LIVRARIA CAMPELLO LTDA. DRJ em Campinas - SP RESOLUÇÃO N~202-00.992 J Vistos, relatados e discutidos' os presentes ..autos de recurso interposto por .CAM PEL - PAPELARIA E LIVRARIA CAMPELLO LTDA: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do' recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. . //, .. Sala ts Sessões, em 2(1de março d~ 200~. t£o~~iJ Presidente e Relator MINISTÉRIO ,DA FAZENDA Segundo Conselho d~ Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL BraslJia-DF. em -.i!1.J ") -' 1Ü{)6 C ~;f~. L- . trru/ifflkafuji Secreta"a da Segu';d~ Cam~r. \ Participaram, ainda, da 'presente resolução' os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Raimar da Silva Aguiar, Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente), Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. • .Ministério da Fazenda Segundo Co~selho de Contribuintes. Processo n~ Recurso n~ ' .10860.001359/99-13 128.263 . MINISTÉRIO DA FAZE~DA Segundo Conselho de ConlllbUlntE:s CONFERE COM,O OR1GINA'b Brasília-DF. em.-l!lJ2-/Y:Q- '~h'~LL' f ..é[ê'~zrnka UJI Sccretàroa da Segunetói C ;i~óil a ~Ld Recorrente CAM PEL - PAPELARIA E LIVRARIA CAMPELLO LTDA. • f ti RELATÓRIO .Trata-se ele recurso voluntáiío ínterposto contra o Acórdão de fls. 193/198 que manteve o, indeferimento da restituição/compensação, sob o argumento de que ocorrera a decadência e de que q art. 62, parágrafo único, da LC nQ 7/70 tratou de 'prazo de recolhímento e não de base de cálculo da contribuiçã~. . É o relatório. o 2 Processo n~ Reéurso n~ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10860.001359/99-13 128.263 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes .CONFERE COMP ORIGINAL6' Brasília-DF. em :lí'..2-.J2c{) 4~'!':k 1_' f ..éttuza7:fdk'a UJt Secretárl8 da Segunda Câmara • I"CC-MF IFI. .'! VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO CARLOS ATULIM \ /' Da leitura dos autos1verifica-se que ó pleito da recorrente restou indeferido por entender a d. instância recorrida ter-se operado a decadência do seu direito de postular a . restituição/compensação das parcelas indevidamente recolhidas a título de contribuição ao PIS exigida com fulcro nos Decretos-Leis n!!s2.445 e 2..449, ambos de 1988 . . Em que pese minha concqrdância corri os fundamentos lançados na decisão recorrida, souvot<;>vencido não só nesta Câmara, mas também .t:laCâmara Superior de.Recursos Fis"c£iis.A jurisprudência' adminis'trativaconsolidou-se no sentido de que o prazo' para pedir a restituição do PIS com base na Resolução n!!49 do Senado da República é de cinco anos, e que deve ser contado a partir de 10/10/95, data da sua publicação. També~ consolidou-se o' . ~ntendimento no sentido de que o art.' 6!!,parágrafo tinico, .da LC 0'2 7170 regula a base de cálculo do PIS e não o prazo devencim~nto. . '. . . Desse modo, para que' se possa proceder à apreciação do apelo sem proferir uma. decisão condicional, faz-se necessária sua conversão em diligência à repartição de origem para que esta verifique a eXatidão dos valores postuJados,' independentemente da data em que efetuado o recolhimento cuja. repetição ora se busca, considerando-se, ademais, que: 1) até. 29 de fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único dQ art. 6!! da LC n!! 07170, correspo~dia ao faturamento do sexto mês anterior ao de' ocorrência do fato gerador, sem correção 'monetária até a data do respe~tivo vencimento .(Primeira Seção STJ -:REsp 144.708 - RS e CSRF).' A alíquota era de 0,75%; 2) os indébitos deverão ser ahIalizados na forma da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n!!08, de 27/06/97. 3) tanto os cálculos de apuração do indébito 'quanto os cálculos ~à compçnsÇlçã9 deverão "constar de planilhas que permitam sua conferência e a autoridade administrativa deverá se manifestar expressam6l1te "sobre à homologação ou não dos pedidos de compensação; . 4) a autoridade administrativa de tudo dará ciência à contribuinte para que, querendo, apresente manifestação no prazo de 10' dias contados da' ciência (art. 44 da Lei n£! 9.430/96). . . .Concluída a diligência, os autos deverão retomar' a ~sta Câmara . para ", \ prosseguimento, Sala ~'as Sessões; em 2~ de m~rço de 2006" '.•...... " I 3 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721452/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
Não havendo o responsável solidário impugnado a exigência perante o Colegiado de primeira instância, precluso restou o seu direito de contestá-la.
RECURSO DE OFÍCIO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO
Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, conforme entendimento da administração tributária.
PARCELAMENTO DO DÉBITO PELO SUJEITO PASSIVO. CONHECIMENTO DOS RECURSOS DOS COOBRIGADOS.
Não obstante o crédito tributário tenha sido objeto de parcelamento, persiste o interesse a legitimar a interposição de recurso voluntário pelos responsáveis solidários.
PARCELAS COMPLEMENTARES AO PREÇO DE ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
As parcelas complementares ao preço de alienação do bem, cujo pagamento está sujeito a condições que podem ou não se verificarem, não sofrem a incidência do imposto sobre ganho de capital, devendo ser tributadas nos termos dos arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 7º da Lei nº 7.713/88.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, impedir ou retardar a apuração do crédito tributário por meios de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados.
VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. CONSTATAÇÃO.
A responsabilidade é pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular da administração, mandato função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa por quem de direito, e são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, por não conhecer do recurso voluntário interposto por Marcelo Alberto Costa e por dar provimento parcial aos recursos voluntários interpostos por Amauri Antônio Alves Pereira, Mauro Alves Pereira e Eduardo Antonio Pires Cardoso, para fins de reduzir o imposto apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa do ano-calendário 2007 para o valor de R$9.617.132,15, e cancelar as demais exigências.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Não havendo o responsável solidário impugnado a exigência perante o Colegiado de primeira instância, precluso restou o seu direito de contestá-la. RECURSO DE OFÍCIO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, conforme entendimento da administração tributária. PARCELAMENTO DO DÉBITO PELO SUJEITO PASSIVO. CONHECIMENTO DOS RECURSOS DOS COOBRIGADOS. Não obstante o crédito tributário tenha sido objeto de parcelamento, persiste o interesse a legitimar a interposição de recurso voluntário pelos responsáveis solidários. PARCELAS COMPLEMENTARES AO PREÇO DE ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. As parcelas complementares ao preço de alienação do bem, cujo pagamento está sujeito a condições que podem ou não se verificarem, não sofrem a incidência do imposto sobre ganho de capital, devendo ser tributadas nos termos dos arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 7º da Lei nº 7.713/88. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, impedir ou retardar a apuração do crédito tributário por meios de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. CONSTATAÇÃO. A responsabilidade é pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular da administração, mandato função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa por quem de direito, e são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13896.721452/2012-85
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5618594
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.385
nome_arquivo_s : Decisao_13896721452201285.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 13896721452201285_5618594.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, por não conhecer do recurso voluntário interposto por Marcelo Alberto Costa e por dar provimento parcial aos recursos voluntários interpostos por Amauri Antônio Alves Pereira, Mauro Alves Pereira e Eduardo Antonio Pires Cardoso, para fins de reduzir o imposto apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa do ano-calendário 2007 para o valor de R$9.617.132,15, e cancelar as demais exigências. Kleber Ferreira de Araújo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6463373
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688261070848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 41 1 40 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.721452/201285 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402005.385 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrentes THEREZA COELHO PEREIRA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Não havendo o responsável solidário impugnado a exigência perante o Colegiado de primeira instância, precluso restou o seu direito de contestála. RECURSO DE OFÍCIO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, conforme entendimento da administração tributária. PARCELAMENTO DO DÉBITO PELO SUJEITO PASSIVO. CONHECIMENTO DOS RECURSOS DOS COOBRIGADOS. Não obstante o crédito tributário tenha sido objeto de parcelamento, persiste o interesse a legitimar a interposição de recurso voluntário pelos responsáveis solidários. PARCELAS COMPLEMENTARES AO PREÇO DE ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. As parcelas complementares ao preço de alienação do bem, cujo pagamento está sujeito a condições que podem ou não se verificarem, não sofrem a incidência do imposto sobre ganho de capital, devendo ser tributadas nos termos dos arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 7º da Lei nº 7.713/88. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 52 /2 01 2- 85 Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, impedir ou retardar a apuração do crédito tributário por meios de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. CONSTATAÇÃO. A responsabilidade é pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular da administração, mandato função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa por quem de direito, e são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, por não conhecer do recurso voluntário interposto por Marcelo Alberto Costa e por dar provimento parcial aos recursos voluntários interpostos por Amauri Antônio Alves Pereira, Mauro Alves Pereira e Eduardo Antonio Pires Cardoso, para fins de reduzir o imposto apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa do anocalendário 2007 para o valor de R$9.617.132,15, e cancelar as demais exigências. Kleber Ferreira de Araújo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 43.212.458,58 relativo aos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010 (fls. 1688/1769), sendo o objeto da inconformidade o lançamento referente à infração omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa de valores. Em 13/7/2007 a contribuinte adquiriu, pelo preço total de R$ 3.920.000,00, 3.920.000 ações ordinárias, sem valor nominal, da sociedade anônima de capital fechado Cientificalab Produtos Laboratoriais e Sistemas S.A., doravante denominada "Cientificalab". A transação, envolvendo 98% (noventa e oito por cento) do capital social da empresa, foi formalizada por meio do "Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Ações de Sociedade Anônima", celebrado entre as partes contratantes. Constaram como "cedentes" das ações os sócios Eduardo Antonio Pires Cardoso, doravante denominado "Eduardo", e Marcelo Alberto Costa, doravante denominado "Marcelo". Nos termos da cláusula 2.1 do referido instrumento particular, foi acordado que a contribuinte pagaria o valor de R$ 3.920.000,00 por meio de uma nota promissória, em caráter "pró soluto", no prazo máximo de 180 dias a contar da data da assinatura do instrumento, ou seja, até a data de 9/1/2008. Em 16/7/2007 a contribuinte recebeu uma bonificação em ações da Cientificalab, correspondente a 6.860.000 novas ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, resultantes de sua participação no aumento do capital social da empresa, mediante a incorporação de lucros acumulados. O montante total de lucros acumulados capitalizado foi de R$ 7.000.000,00, cabendo ao sujeito passivo 98% (noventa e oito por cento) desse valor, correspondente a R$ 6.860.000,00. O aumento de capital foi aprovado pela Ata da Assembléia Geral Extraordinária dos acionistas da Cientificalab realizada na data de 16/7/2007. Em decorrência dessa bonificação a contribuinte tornouse proprietária de 10.780.000 ações ordinárias nominativas da Cientificalab (3.920.000 + 6.860.000 = 10.780.000), representando 98% (noventa e oito por cento) da totalidade do capital da empresa. Em 19/7/2007 a contribuinte alienou a totalidade das ações da Cientificalab que possuía para a Diagnósticos da América S.A., doravante denominada "DASA", conforme "Instrumento de Compra e Venda", complementado por sete instrumentos aditivos, sem a apuração de ganho de capital na operação. De acordo com o disposto na cláusula 2.1 do Instrumento de Compra e Venda o preço da transação seria pago em 8 (oito) parcelas, sendo que a primeira, descontada da parcela retida, foi paga em 19/07/2007, cabendo à contribuinte, conforme letra "i" da cláusula 2.1, o valor de R$ 74.490.780,00. Ainda, conforme dispõe a cláusula 3.1 do Instrumento de Compra e Venda, o valor total da parcela retida foi fixado em R$ 3.000.000,00, cabendo à autuada o montante retido de R$ 2.940.000,00, correspondente à sua participação de 98% (noventa e oito por cento) na quantidade total de ações alienadas. Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 As demais sete parcelas do preço de aquisição seriam pagas anualmente, a partir do anocalendário de 2008, desde que as condições contratualmente acordadas para sua implementação viessem a ocorrer, conforme disposto nas cláusulas 2.2 a 2.11 do Instrumento de Compra e Venda. Ou seja, o pagamento das parcelas 2ª a 8ª do preço de aquisição era condicional, subordinandose a eventos futuros e incertos, que poderiam vir a ocorrer ou não. As parcelas 2ª a 7ª dependiam de a receita bruta recebida pela Cientificalab, nos períodos de apuração determinados, atingirem certos montantes. Caso estes não fossem alcançados, nada seria devido pela DASA aos vendedores, como estabelecem as cláusulas 2.2 a 2.4.2 do Instrumento de Compra e Venda. A parcela 8ª do preço de aquisição estava condicionada à celebração de novo contrato de prestação de serviços, ou renovação do atual, entre a Cientificalab e a Prefeitura Municipal de São Paulo, por período de 60 (sessenta) meses, como estabelece a cláusula 2.5 do Instrumento de Compra e Venda Em 27/8/2007 a compradora pagou R$ 799.740,85, por liberalidade, a título de adiantamento da segunda parcela do preço de aquisição, que pelas cláusulas 2.2.1 e 2.2.2 do contrato, poderia ser paga até 30/9/98, caso as condições para tanto se implementassem. Foram pagos a título de complementação da primeira parcela do preço de aquisição R$ 4.617.760,00 e R$ 2.597.000,00, respectivamente em 3/9/2007 e 18/9/2007, totalizando R$ 7.214.760,00 As segundas e terceiras parcelas do preço de aquisição, nos valores de R$ 18.065.250,39 e 962.091,69 foram quitadas por meio de transferências bancárias efetuadas em 15/10/2008 e 15/4/2009, respectivamente. Já a quarta parcela foi paga por meio das remessas de R$ 1.297.631,56, em 15/4/2010, e R$ 621.014,38, em 30/9/2010. O ganho de capital relativo à primeira parcela considerou que, quanto ao preço de aquisição, seu valor total foi determinado em R$ 79.011.000,00, sendo composto pelo valor de R$ 76.011.000,00, pago em 19/07/07, e pela parcela retida, no valor de R$ 3.000.000,00, a ser paga em 19/7/2013, ou à medida em que forem pagas pela compradora as contingências exigidas. À contribuinte coube a proporção de 98% (noventa e oito por cento) desses montantes, correspondente à sua participação na quantidade total de ações alienadas, ou seja, o valor total de R$ 77.430.780,00, formado pela quantia de R$ 74.490.780,00, recebida em 19/7/07, e R$ 2.940.000,00 a receber. Pela aplicação do disposto no art. 31 da IN SRF n° 84/01, o ganho de capital relativo ao montante recebido da primeira parcela de aquisição apurado pela fiscalização foi o seguinte: Ganho de Capital Total = Valor Total da Alienação Custo de Aquisição, portanto corresponde a R$ 77.430.780,00 R$ 6.860.000,00 = R$ 70.570.780,00. A partir desse valor, foi calculado o imposto devido conforme a fórmula Ganho de Capital Total / Valor Total da Alienação X Valor Recebido X 15%, totalizando R$ 10.183.634,53. No tocante à complementação da primeira parcela do preço, bem como às parcelas segunda, terceira e quarta, a fiscalização entendeu que eles não correspondiam ao recebimento de parcelas a prazo desse preço, como definido no art. 31 da IN SRF n° 84/01, uma vez que seu recebimento era condicional, podendo ocorrer ou não, como já relatado. Correspondiam ao próprio valor do ganho de capital adicional recebido pelo sujeito passivo e sobre esses valores aplicarseia a alíquota de 15% (quinze por cento), diretamente. Com base nesse pressuposto, foi calculado o imposto devido relativo aos demais recebimentos, a saber: R$ 692.664,00 em 3/9/2007 e R$ 389.550,00 em 18/9/2007, no que se refere à complementação da primeira parcela; R$ 2.829.748,68 em 15/10/2008, Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 43 5 atinentes à segunda parcela; R$ 144.313,75 à terceira; e R$ 194.644,73, em 15/4/2010 e 93.152,16 em 30/9/2010, relativos à quarta parcela. A multa de ofício foi qualificada, dado que o acréscimo patrimonial ocasionado pelo ganho de capital foi ocultado mediante a sucessiva inserção em DIRPF de dívidas inexistentes, sendo tal acréscimo justificado posteriormente pela "criação de falsos rendimentos isentos e nãotributáveis na DIRPF do anocalendário 2009". Como relatado no subitem 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, intitulado "Das Demais Fraudes e do Conluio para as Fraudes", apresentouse o conjunto de elementos comprobatórios de que o sujeito passivo, Eduardo, Marcelo, Mauro Alves Pereira (doravante Mauro) e Amauri Antônio Alves Pereira (doravante Amauri), estes dois últimos filhos da autuada, atuaram dolosamente, e em conluio, na prática de fraudes: a) simularam que os reais proprietários das ações da Cientificalab alienadas ao sujeito passivo, num primeiro momento, e posteriormente à DASA, seriam os sócios Eduardo e Marcelo quando, na realidade, os reais proprietários eram Mauro e Amauri. A alienação das ações à DASA resultou em vultuoso ganho de capital, cujo efeito tributário não alcançou Mauro e Amauri e b) simularam que Eduardo e Marcelo alienaram onerosamente as ações da Cientificalab à autuada quando, na realidade, foi uma alienação sem ônus, ou seja, uma doação, de maneira a reduzir ilicitamente o ganho de capital obtido com a subsequente alienação das ações para a DASA. Com base no exposto, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Pessoal e Solidária em nome de Mauro, Amauri, Eduardo e Marcelo, relativamente aos créditos constituídos decorrentes do imposto de renda sobre os ganhos de capital obtidos pelo sujeito passivo com a alienação de ações da Cientificalab para a DASA. A contribuinte em epígrafe impugnou o lançamento às fls. 1932/2043, e os responsáveis Mauro, Amauri e Eduardo o fizeram às fls. 1855/1929, 2016/2113, 1802/1852, respectivamente. A decisão a quo (fls. 2122/2171), destacou inicialmente não ter sido contestada a infração de omissão do ganho de capital obtido na alienação de equipamentos e veículos à DASA, que foi objeto, inclusive, de parcelamento. Já no que se refere à omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa de valores, foi mantida a exigência, com exceção do cálculo do custo de aquisição relativo à primeira parcela recebida. Tal cálculo foi tido por incorreto, levando à exoneração de R$ 1.416.255,94 no anocalendário 2007, o que ensejou a interposição de recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/3/2013 (fls. 2428/2485), entretanto apresentou petição em 17/12/2013 (fls. 2489/2493), informando que, nos termos da Lei nº 11.941/09, bem como de acordo com a Lei nº 10.522/02, realizou o parcelamento dos débitos em comento, desistindo do recurso voluntário. Salientou, contudo, que não desistiu nem renunciou à matéria tratada no recurso de ofício, relativa à parte do auto de infração cancelada pelo acórdão da DRJ/RJ1. Os responsáveis Amauri e Mauro apresentaram seus recursos voluntários em 18/3/2013 (fls. 2194/2254 e 2367/2427), trazendo as mesmas razões, as quais principiam por atacar a responsabilidade solidária imputada, não havendo provas de que seriam efetivos beneficiários dos recursos recebidos pela Sra. Thereza, na venda da alienação das ações da Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Cientificalab, nem que eles tenham praticado atos ou negócios que tenham afetado, negativamente, a obrigação tributária da qual aquela pessoa seria o sujeito passivo, razão pela qual não se verifica a presença dos requisitos que justificariam a suas responsabilidades. Alegam que não deram ensejo "direta" e "pessoalmente" ao fato gerador, nem figuraram na relação jurídico material correspondente à venda das ações, seja como comprador, seja como vendedor, não possuindo, portanto, "interesse comum" nessa operação, inexistindo, outrossim evidente intuito de fraude. Acrescentam que, caso ocorrida a suposta fraude, a utilização de interpostas pessoas não teria implicada a redução do imposto sobre ganhos de capital. Pleiteiam, ainda, que as razões do recurso voluntário apresentado pela autuada, o qual colacionam, sejam consideradas parte integrante de suas defesas. Tais razões são abaixo sintetizadas: No momento em que foi firmado o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, o valor de alienação das ações da contribuinte não se encontrava determinado, na medida em que parte desse valor correspondia a percentual da receita bruta dessa sociedade, relativa a períodos futuros; Em situações como esta, de acordo com as orientações do próprio Fisco, a apuração do ganho de capital deve ser feita quando restar determinado o preço efetivo e integral de alienação das ações, que no caso, coincidirá com o pagamento da oitava e última parcela; Por conseguinte, não se pode acusar a autuada de ter descumprido as suas obrigações fiscais, tendentes ao recolhimento do imposto sobre ganhos de capital, sendo improcedente o auto de infração; Tendo agido a contribuinte de acordo com a orientação fiscal constante de decisão proferida em processo de consulta e de ato interpretativo baixado pelas autoridades fiscais, não lhe pode ser imposta qualquer penalidade, devendo a multa de ofício ser integralmente afastada, nos termos do art. 76, inciso II, alíneas "a" e "c", da Lei n° 4.502/64; Mas, ainda que não se entenda dessa forma, o que se admite apenas para argumentar, no caso dos autos, não restou caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto sobre ganhos de capital ou a reduzir o correspondente valor, visto que os atos praticados foram amplamente divulgados pelas partes envolvidas, além de ter sido comunicado pela impugnante, em suas DIRPF, os fundamentos pelos quais não estaria sendo pago o imposto, razão pela qual é indevida a qualificação da multa; e Por absoluta ausência de previsão legal, não se pode aplicar os juros de mora sobre a multa de ofício. Por sua vez, os responsáveis Eduardo e Marcelo (fls. 2255/2310 e 2311/2366) vertem seus recursos voluntários também em 18/3/2013, não contestando o vínculo de responsabilidade, mas requerendo sejam consideradas os argumentos recursais da autuada parte integrante de sua postulação pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 44 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, à exceção do recurso voluntário interposto por Marcelo Alberto Costa, CPF nº 077.859.70831. Isso porque o referido, ainda que devidamente cientificado da autuação (fl. 1782), não impugnoua perante o colegiado de primeira instância, havendo restado precluso o direito de recorrer de seus termos, consoante regra o art. 15 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art. 223 do Código de Processo Civil (CPC). Do recurso de ofício. A fiscalização considerou que as ações da Cientificalab não foram efetivamente adquiridas pela contribuinte, mas sim a ela doadas pelos seus filhos Amauri e Mauro, mediante as interpostas pessoas Marcelo e Eduardo, sócios formais daquela empresa. E, nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88, a doação é operação que importa alienação de bens ou direitos. Nessa toada, e tendo em vista a apuração do ganho de capital da ulterior alienação das ações da Cientificalab, de propriedade da contribuinte, à DASA, foi realizado pela autoridade fiscal o cômputo do custo de aquisição dessas participações societárias. No que tange às ações recebidas em bonificação derivada da capitalização de lucros ocorrida em 16/7/2007, o aresto vergastado entendeu correto o custo de aquisição no montante de R$ 6.860.000,00, atribuído no lançamento com base no § 2º do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 84/01, dispositivo que tem por supedâneo legal o art. 10 da Lei nº 9.249/95. Já no atinente ao custo de aquisição das ações de Cientificalab em decorrência da doação constatada, a autoridade lançadora aplicou a prescrição contida no parágrafo único do art. 5º da Lei nº 10.451/02, considerandoo igual a zero: Art. 5o Na hipótese de doação de livros, objetos fonográficos ou iconográficos, obras audiovisuais e obras de arte, para os quais seja atribuído valor de mercado, efetuada por pessoa física a órgãos públicos, autarquias, fundações públicas ou entidades civis sem fins lucrativos, desde que os bens doados sejam incorporados ao acervo de museus, bibliotecas ou centros de pesquisa ou ensino, no Brasil, com acesso franqueado ao público em geral: (...) Parágrafo único. No caso de alienação dos bens recebidos em doação, será considerado, para efeito de apuração de ganho de capital, custo de aquisição igual a zero. Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Sem embargo, tal disposição não se aplica ao particular, pois deve ser lembrado, como regra básica de hermenêutica, que o parágrafo de um artigo de lei, contém exceções ou especificações relativas ao caput, tendose no caso norma específica para o cômputo do custo de aquisição na hipótese de doação de livros, objetos fonográficos e demais discriminados a órgãos públicos e afins. Para os casos genéricos de transferência de propriedade envolvendo doação, o diploma sobre custo de aquisição que prevalece, ainda que trate de doação em adiantamento da legítima, é o art. 23 da Lei nº 9.532/97 o esteio do posicionamento da própria administração tributária sobre a matéria, expresso nas disposições do art. 20 da IN SRF nº 84/01: Art. 20. Na transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários; por doação, inclusive em adiantamento da legítima, ao donatário; bem assim na atribuição de bens e direitos a cada excônjuge ou ex convivente, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou união estável, os bens e direitos são avaliados a valor de mercado ou considerados pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, doador, excônjuge ou ex convivente declarante, antes da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. (...) § 2o O valor relativo à opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: (...) II do doador e donatário, correspondente ao anocalendário do recebimento da doação; (...) § 3o Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual referida no caput, ou do custo de aquisição referido no § 1o, a diferença a maior constitui ganho de capital tributável.(grifei) Assim sendo, com razão a decisão da DRJ/RJ1 ao utilizar o § 2º do art. 20 da IN SRF nº 84/01 para a aferição do custo de aquisição no caso em comento, conforme descrito nas fls. 2156/2157, resultando no valor de R$ 9.617,132,15 como imposto devido sobre o ganho de capital relativo ao montante recebido na primeira parcela de aquisição, motivo pelo qual não merece prosperar o recurso de ofício. Dos recursos voluntários. A autuada, como relatado, parcelou o crédito tributário veiculado no presente processo, desistindo do recurso interposto. Não obstante, perseveraram em sua irresignação os responsáveis solidários Amauri, Mauro e Eduardo, devendo ser enfrentadas as razões recursais por eles vertidas, até mesmo porque o parcelamento firmado pela contribuinte epigrafada pode ser rescindido, e a responsabilização patrimonial dos referidos, persistir. Nesse sentido, Acórdão nº 3202001.588 (j. 26/2/2015), do qual transcrevo o seguinte trecho da ementa: Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 45 9 PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/2009. ADESÃO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. O pedido de desistência do recurso voluntário, realizado pela COTIA, TRADING deve ser homologado, uma vez que essa empresa aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, na modalidade de dívidas não parceladas anteriormente art.1° demais débitos no âmbito da RFB. Quanto aos demais recursos voluntários, interpostos pelas pessoas jurídica e físicas apontadas como responsáveis solidárias, persiste o interesse desses de vêlos julgados, não podendo a adesão ao parcelamento da COTIA TRADING interferir no justo empenho dos mencionados particulares de ver apreciadas as questões de fato e de direito trazidas por eles para o CARF, em grau recursal. O recurso interposto por um dos autuados a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Nesse rumo, devem ser acolhidos e devidamente analisados os recursos em questão, a despeito do parcelamento do débito pelo sujeito passivo. Passando à legislação de regência, temse que o art. 2º da Lei nº 7.713/88 determina que o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Por seu turno, o § 3º do art. 3º desse diploma legal estabelece que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Nesse diapasão, regra o art. 117 e § 2º do Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza devendo os ganhos serem apurados no mês em que forem auferidos. O caso trata de alienação realizada pela contribuinte mediante do Instrumento de Compra e Venda datado de 19/7/2007 (fls. 48/80), cuja cláusula 2.1 regrava que o preço da transação será pago em 8 (oito) parcelas, sendo que a primeira parcela, descontada da parcela retida, foi paga em 19/07/2007, sendo retida uma parcela para pagamento posterior. As sete parcelas restantes da aquisição seriam pagas anualmente, a partir do anocalendário de 2008, desde que as condições contratualmente acordadas para sua implementação viessem a ocorrer, conforme dispõem as cláusulas 2.2 a 2.11 do Instrumento de Compra e Venda. Ou seja, o pagamento das parcelas 2ª a 8ª do preço de aquisição era condicional, subordinandose a eventos futuros e incertos, podendo vir a ocorrer ou não. As parcelas 2ª a 7ª dependiam de a receita bruta recebida pela Cientificalab, nos períodos de apuração determinados, atingirem certos montantes. Caso estes não fossem alcançados, nada seria devido pela DASA aos vendedores, como estabelecem as cláusulas 2.2 a 2.4.2 do Instrumento de Compra e Venda. Por exemplo, o pagamento da segunda parcela seria Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 equivalente a 85% (oitenta e cinco por cento) vezes o resultado da diferença entre a receita bruta recebida pela sociedade no período de 1º/7/2007 a 30/6/2008 e o montante de R$ 97.000.000,00 (noventa e sete milhões de reais); observese a existência de aditivos a tais cláusulas, mas, não houve alteração da essência da avença. Já a parcela 8ª do preço de aquisição estava condicionada à celebração de novo contrato de prestação de serviços, ou renovação do atual, entre a Cientificalab e a Prefeitura Municipal de São Paulo, por período de 60 (sessenta) meses, como estabelecido na cláusula 2.5 do Instrumento de Compra e Venda. Impende, neste átimo, trazer à colação o regramento da apuração do ganho de capital nas alienações a prazo, sendo que a Lei nº 7.713/1988 assim dispõe: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver.(grifei) E o art. 140 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99), detalha: Art.140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). §1ºPara efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. §2ºO valor pago a título de corretagem poderá ser deduzido do valor da parcela recebida no mês do seu pagamento. (grifei) Ora, tendo em vista tais disposições, não há como tratar a situação abordada como venda a prazo, em que se pressupõe a existência de parcelas determinadas do preço às quais, então, se pode atribuir, proporcionalmente, parcelas do custo de aquisição, em cálculo efetuado como sendo venda à vista. De fato, a venda à prazo se caracteriza pela determinação dos valores envolvidos na operação, ainda que eles possam variar, por exemplo, em função da correção por determinado índice de preços ou ainda, sendo o contrato estabelecido em dólar, pela flutuação da cotação dessa moeda. No particular, o que houve foi o recebimento do preço de aquisição em 19/7/2007, parte em dinheiro (R$ 74.490.780,00) e parte retida e aplicada em fundo de investimento de renda fixa no Banco Alfa em nome da contribuinte (R$ 2.940,000,00), fl. 58. As demais parcelas, ainda que denominadas no contrato de "parcela do preço de aquisição", são na verdade parcelas complementares desse preço, sendo pagas nas datas acordadas tãosomente se implementadas as condições previstas contratualmente. Mister notar que, não sendo verificada a ocorrência dessas condições, poderia não ser paga quantia alguma como "parcela do preço". Ilustrando, se a receita bruta da empresa alienada não alcançasse, entre de 1º/7/2007 a 30/6/2008, cifra superior a R$ 97 milhões, nada ia ser pago a título de 2ª parcela do preço. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 46 11 Ainda assim, a venda da Cientificalab já estava devidamente perfectibilizada, não sendo exigível qualquer direito de regresso ou reparação caso a performance de vendas da companhia não viesse a atender às expectativas existentes no momento da avença. Vale ponderar, como seria calculado o ganho de capital, sendo este a diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição (§ 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/88), referente a uma parcela que, no momento dessa alienação, além de não estar definida, tem a sua própria existência sujeita a substanciais incertezas? Ganhos de capital são mensurados a partir do cotejo entre o valor da alienação e o custo de aquisição de um ativo, cômputo que não foi realizado pela autoridade lançadora no que se refere às parcelas em relevo. Com efeito, o quadro que se descortina é que tais parcelas se caracterizavam como complementos ao preço de venda, cujo pagamento estava condicionado, como visto, ao desempenho das receitas e da geração de negócios da empresa nos períodos subsequentes à alienação. Caso atendidas tais expectativas, decerto bastante relevantes para o acerto do negócio jurídico firmado, a compradora desembolsaria quantias adicionais, tendo em vista os resultados alcançados pela companhia adquirida. Não atendidas, o único risco concreto do vendedor era não receber esse "plus" no preço. Sob esse prisma, não socorre as pretensões da recorrente a ilação de que teria pautado sua conduta com base nas orientações constantes no item nº 530 do Perguntas e Respostas IRPF relativo ano anocalendário 2007, exercício 2008, pois as prescrições ali constantes dizem respeito àquelas situações em que o preço de alienação não pode ser determinado, a saber, "Quando não houver valor determinado, por impossibilidade absoluta de quantificálo de imediato", do que não se trata. E, relativamente à Decisão Disit SRRF 8ª Região nº 75/1998, não serve ela de escusa para qualquer procedimento adotado pela contribuinte, por referirse a terceiros e não lhe sendo concedido, normativamente, nenhum efeito vinculante que alcançasse outros contribuintes. Na espécie, o preço de venda foi perfeitamente estabelecido e pactuado entre as partes, não se confundindo os montantes auferidos pela contribuinte posteriormente a alienação com prestações ou frações desse preço, por se constituírem, como visto à saciedade, em parcelas a ele complementares. Esses acréscimos no valor do preço pactuado deveriam ter sido tributados em separado do ganho de capital, na fonte, em razão de a alienação ter se realizada para pessoa jurídica, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao ano de seu recebimento, conforme gizam os arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 7º da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei:(Vide Lei nº 8.134, de 1990)(Vide Lei nº 8.383, de 1991)(Vide Lei nº 8.848, de 1994)(Vide Lei nº 9.250, de 1995)) (...) II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. A par disso, vale registrar que o § 3º do art. 19 da IN SRF nº 84/01 determina: Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) § 3o Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. O raciocínio veiculado no dispositivo supra guarda similaridades com a questão ora enfrentada, pois também versa sobre ajustes (ou "reajustes") no preço de alienação; na IN, realizados sobre as parcelas da venda a prazo; no caso dos autos, via recebimentos adicionais do comprador, sopesadas certas condições a serem preenchidas, ou não, ulteriormente. O tratamento, em ambos os casos, dada a necessidade de coerência normativa, deve ser o mesmo, a saber, a tributação efetivandose na medida da percepção dos valores adicionais, quer se consubstanciem em reajustes em parcelas préestabelecidas, quer sejam parcelas complementares ao preço de venda. Nesse contexto, resta patente o equívoco da fiscalização em considerar as 2ª a 8ª parcelas adicionais ao preço ajustado no contrato em comento, bem como os complementos da primeira parcela recebidos em 3/9/2007 e 18/9/2007, como "correspondentes ao próprio valor do ganho de capital adicional recebido pelo sujeito passivo". Esses valores deveriam ter sido tributados como complementações ao preço de alienação quando de sua percepção, forte nos arts. 3º, §§ 1º e 4, e 7º da Lei nº 7.713/88. Destarte, restam insubsistentes os lançamentos efetuados a título de ganho de capital relativos às aludidas complementações de preço da primeira parcela verificadas em set/2007 (fl. 2129 imposto devido de R$ 692.664,00 + R$ 389.550,00, total de R$ 1.082.214,00), e às parcelas subsequentes. Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 47 13 Em síntese, deve ser dado parcial provimento aos recursos voluntários interpostos por Eduardo, Amauri e Mauro, para fins de reformar o acórdão guerreado para que conste, como imposto mantido no anocalendário 2007, o valor de R$ 9.617,132,15, sendo exonerados os lançamentos atinentes aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. Da qualificação da multa de ofício. Não divergindo meu entendimento sobre a matéria do manifestado pelo Colegiado de primeira instância, peço a devida vênia para transcrevêlo, de modo que passe a integrar esta fundamentação: Sobre o imposto correspondente, foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 4º, inciso II, da Lei nº 8.218/1991 e no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, caracterizando a sonegação e a fraude, definidos nos ats. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício aplicável nos casos em que restar evidenciado o intuito de fraude é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, transcrito abaixo: (...) Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo 44, da Lei 9.430/96. Excepciona a regra a comprovação pela autoridade lançadora da conduta dolosa do contribuinte no cometimento da infração segundo as definições da Lei 4.502/64. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decretolei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, que dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A doutrina decompõe, ainda, o dolo em dois elementos: o cognitivo, que é o conhecimento do agente do ato ilícito; e o volitivo, que é a vontade de atingir determinado resultado ou em assumir o risco de produzilo. A correta identificação do elemento subjetivo, intencional quando do cometimento do fato típico, é indispensável à configuração tanto da fraude quanto da sonegação e tratase de elemento que deve restar plenamente comprovado nos autos. Por seu turno, o impugnante argumenta que agiu de acordo com o entendimento das autoridades fiscais, refletido na pergunta n° 530 do Perguntas e Respostas IRPF, relativo ao anocalendário 2007, exercício 2008, e reafirmado pela Decisão n° 75, de 28/04/1998, da Divisão de Tributação da 8a "legião Fiscal. Explica, é fato incontroverso que a impugnante deixou de recolher o imposto em decorrência da interpretação fiscal constante do Perguntas e Respostas e de decisão administrativa, proferida em processo de consulta. Prossegue o impugnante dizendo que, em situações como esta, não cabe a aplicação de penalidade, mas apenas a exigência da exação devida, acrescida dos juros moratórios. É o que determina o inciso II do art. 76 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. A redação desse dispositivo legal é inequívoca. O sujeito passivo que age seguindo a interpretação fiscal, consubstanciada em decisões definitivas de processos administrativos fiscais, inclusive de consulta, seja ou não parte, bem como em atos interpretativos baixados por autoridades fiscais, não pode ser penalizado, razão pela qual não se lhe aplicam as penalidades previstas na legislação tributária. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Sendo assim, conclui, deve ser integralmente cancelada a multa de ofício, pois a sua cobrança contraria a norma inserta no art. 76, inciso II, alíneas "a" e "c", da Lei n° 4.502/64. Pelo acima exposto, vêse que o impugnante contesta a multa de ofício sob o argumento de que agiu em cumprimento a orientação da Secretaria da Receita Federal consignada na pergunta n° 530 do Perguntas e Respostas IRPF, relativo ao anocalendário 2007, exercício 2008, e reafirmado pela Decisão n° 75, de 28/04/1998, em sendo assim, em caso de lançamento de ofício, defende incabível exigência de multa. No tocante a orientação exarada pela Secretaria da Receita Federal consignada na resposta à pergunta n° 530 do Perguntas e Respostas IRPF, anocalendário 2007, e pela Decisão n° 75, de 28/04/1998, tratase de aspecto já analisado neste voto, sendo que o conteúdo da Decisão nº 75/1998 não é passível de análise uma vez tratarse de processo de consulta de terceiros, cuja decisão não tem efeito “erga omnes”, já quanto ao conteúdo da resposta à pergunta nº 530, constatouse que a orientação é exatamente no sentido contrário àquele que o contribuinte adotou para si. A orientação exarada no Perguntas e Respostas IRPF é a de que na alienação de participações societárias quando não houver valor determinado, o ganho de capital deve ser tributado à medida em que o preço for determinado e as parcelas pagas, sendo cada etapa tratada como única1 . Dessa forma, o comportamento do contribuinte não está alcançado pelo prescrito no art. 100, inciso II, combinado com o parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tampouco pela Lei 4.502/64, art. 76, II, alíneas “a” e “c”, citada pelo impugnante. Adicionalmente, o impugnante questiona a qualificação da multa de ofício aplicada, defende que a conduta do sujeito passivo que expõe à fiscalização os atos por ele praticados não se amolda aos conceitos de simulação, fraude e conluio, previstos nos art. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, os quais trazem ínsita a idéia de ações ou omissões dolosas tendentes a ocultar, esconder, elidir a ocorrência do fato gerador. No que tange a identificação do elemento subjetivo, intencional quando do cometimento do fato típico, temse que, o fato de o contribuinte inserir no campo “Discriminação de Bens e Direitos”, de suas Declarações de Ajuste Anuais, suposta justificativa totalmente desvinculada do fato jurídico concreto, torna evidente a intenção do contribuinte camuflar a ocorrência do fato gerador do imposto, com o objetivo de passar despercebido ao controle do Fisco e ter uma “desculpa” em caso de ser questionado pela autoridade fiscal. Ainda, sob o aparente ponto de vista do contribuinte, tal procedimento não seria suficiente para desviar a atenção do Fisco, necessário seria justificar aritmeticamente o alto valor acrescido ao seu patrimônio com a venda das ações da Cientificalab, assim, o contribuinte, com o propósito de justificar a nova disponibilidade financeira, nos anos de 2007 e 2008 inseriu em suas Declarações de Ajuste a falsa informação de contração de “Dívidas e ônus Reais”, sendo que em 2007 registrou R$ 82.068.841,29 a esse título e em 2008 R$ 101.388.790,39. 1 Registro, quanto a esse ponto específio, que o entendimento exposto no presente voto em julgamento de recurso voluntário é, como mais acima explicado, que a indigitada orientação constante no Perguntas e Respostas trata de situações em que o preço não é determinável, não de casos similares aos dos autos, em que o preço de alienação é conhecido e as posteriores complementações de preço é que podem vir ou não a serem pagas, dependendo de certas condições. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 48 15 Questionado através do Termo de Início da Ação Fiscal a respeito do valor declarado na DIRPF/2008 a título de dívidas e ônus reais em 31/12/2007, em especial, quanto ao valor devido a Diagnósticos da América S/A em 31/12/2007, em resposta, o contribuinte em epígrafe informou que “Esse valor foi informado erroneamente na declaração para que fosse identificada a origem dos recursos da evolução patrimonial”. A intenção dolosa do contribuinte tornase indisfarçável ao se constatar que ele, com o objetivo de camuflar os rendimentos obtidos da Diagnósticos da América S/A e consequente acréscimo patrimonial em 2007, compensaos declarando uma falsa dívida para com a própria Diagnósticos da América S/A quando da DIRPF/2008, ou seja, uma entrada real de recursos foi compensada com uma falsa dívida contraída. Mas não parou por aí a estratégia do contribuinte para encobrir o ganho de capital pela alienação das ações da Cientificalab, pois, nos recebimentos das parcelas seguintes, que estavam sujeitas a condição suspensiva, à medida que a condição era implementada e os valores pagos, as Declarações de Ajuste correspondentes eram apresentadas, sempre, com alguma forma aritmética astuciosa visando encobrir o ganho de capital. Assim ocorreu no ano seguinte, 2008, que em decorrência das disposições do 3º aditivo do Instrumento de Cessão e Transferência de Ações, a Diagnósticos da América S/A pagou ao sujeito passivo, em 15/10/2008, a quantia de R$ 18.065.250,39, mediante Transferência Eletrônica Disponível – TED, creditada na contacorrente de sua titularidade. O contribuinte, por sua vez, a exemplo do que ocorreu no ano de 2007 (DIRPF/2008), consignou um acréscimo da falsa “Dívida e ônus Reais”, sendo que o total declarado foi de R$ 101.388.790,39, ou seja, a falsa dívida junto à Diagnósticos da América S/A foi aumentada do valor de R$ 82.048.540,00, informado em 31/12/2007, para a quantia de R$ 100.113.790, resultando acréscimo de dívida inexistente de R$ 18.065.250,30, valor este equivalente ao ganho de capital obtido no ano. No ano de 2009 se deu o recebimento da terceira parcela do preço relativo à alienação das ações da Cientificalab, a partir da implementação da condição suspensiva, no valor de R$ 962.091,69, em 15/04/2009, mediante Transferência Eletrônica Disponível – TED, creditada na contacorrente de sua titularidade. Na Declaração de Ajuste de 2010 (referente ao ano de 2009) o contribuinte decidiu modificar a forma pela qual maquiaria o ganho de capital, pois, criou uma fonte de recursos fictícia no quadro Rendimentos Isentos e Não Tributáveis no valor de R$ 101.075.882,08, informado na linha "Outros" e com o seguinte complemento descritivo: "CORREÇÃO DO LANÇAMENTO REF QDO DIVIDAS". O montante de R$ 101.075.882,08 corresponde ao valor da falsa dívida junto à Diagnósticos da América S/A em 31/12/08, total de R$ 100.113.790,39, “zerada” em 31/12/2009, adicionado do valor recebido em 2009 a título de pagamento da terceira parcela do preço de alienação, correspondente a R$ 962.091,69 (R$ 100.113.790,39 + R$ 962.091,69 = R$ 101.075.882,08). Conforme se observa, o contribuinte, primeiramente, informa falsa contração de dívida para justificar o aumento patrimonial, resultante de ganho de capital na alienação das ações da Cientificalab, com o propósito de suprimir a exigência do imposto sobre ganho de capital devido; num segundo momento, visando “zerar” a dívida fictícia e ocultar recebimento de ganho de capital com a 3ª parcela do preço de alienação, informa falso recebimento de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, deixando tudo “acertado”, aritmeticamente falando. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 No ano de 2010 constatouse o recebimento da quarta parcela do preço de alienação das ações, tendo ocorrido de forma fracionada. Do extrato bancário consta que a Diagnósticos da América S/A pagou ao sujeito passivo, mediante Transferência Eletrônica Disponível TED, creditada na contacorrente de sua titularidade, a quantia de R$ 1.297.631,56 em 15/04/10, e a quantia de R$ 621.014,38 em 30/09/10, totalizando o montante de R$ 1.918.645,94. O recibo de quitação do pagamento da quarta parcela do preço de aquisição, firmado pelo sujeito passivo em 30/09/10, também confirma o recebimento desses valores. Entretanto, o contribuinte não declarou, sob modalidade alguma de rendimento, os valores correspondentes à quarta parcela, no valor de R$ 1.918.645,94. Enfim, nesse ano de 2010 o contribuinte assumiu que deveria omitir totalmente os rendimentos recebidos já que tinha “acertado” as suas pendências contidas nas Declarações de Ajuste dos anos de 2007 e 2008, ou seja, não havia mais dívidas e ônus reais pendentes e não havia mais indícios do suposto “diferimento do ganho de capital”. Pelo exposto, não há como mitigar o dolo escancarado em cada etapa acima relatada. Ao eliminar da DIRPF do anocalendário 2009 o falso passivo declarado de R$ 100.113.790,39 e, simultaneamente, atribuir como rendimentos isentos e não tributáveis os valores recebidos pela alienação da Cientificalab, de 101.075.882,08 (R$ 100.113.790,39 + R$ 962.091,69), o contribuinte afastou qualquer possibilidade de ter ocorrido interpretação errônea da legislação tributária quanto ao tratamento tributário que ele deveria adotar em relação aos rendimentos recebidos em 2007 e 2008. Não se tratou, obviamente, de simples erro. Ao informar dívida e ônus inexistente (anos de 2007 e 2008), classificar os valores recebidos em 2009 (R$ 962.091,69) como rendimentos isentos e não tributáveis, sem amparo ou fundamento legal para tanto, adicionando a tal classificação outro valor fictício (R$ 100.113.790,39), e omitir os valores recebidos em 2010 (R$ 1.918.645,94), o contribuinte demonstrou o intuito doloso, pois tratam de ações planejadas visando, nitidamente, impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores do tributo. A forma falseada como as informações foram declaradas nas Declarações de Ajuste impedia a constatação por parte do Fisco de que o contribuinte obteve rendimentos de ganho de capital tributáveis, só tendo sido possível essa constatação a partir de diligências junto a Diagnósticos da América S/A. Por fim, concluise que o sujeito passivo agiu com real intenção de sonegar o tributo, conforme definido no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, pois, sonegou quando omitiu dolosamente a ocorrência dos ganhos de capital na alienação de ações da Cientificalab. Acrescentese, o sujeito passivo também cometeu fraude ao inserir falsas informações, reiteradamente, nas DIRPF para descaracterizar a ocorrência dos ganhos de capital na alienação de ações da Cientificalab, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Portanto, em face de todo o exposto, correta a aplicação da multa qualificada no presente lançamento. Acrescentese, ainda, que não possuem qualquer substância os argumentos recursais no sentido de que a suposta utilização da epigrafada como laranja pelos seus filhos não implicou em redução do imposto sobre ganhos de capital. Esse gravame não foi pago, assim como os demais rendimentos sujeitos à tributação, por consequência direta da conduta dolosa da contribuinte, verificada no preenchimento sucessivo de DIRPFs em total dissonância com a realidade dos fatos, sequer escoradas nas orientações administrativas aludidas, consoante explicado à minúcia na decisão de primeiro grau, linhas acima reproduzida. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 49 17 O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/1995 reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp nº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Da sujeição passiva solidária. O responsável solidário Eduardo cingiuse a reportarse às razões da epigrafada como fundamentação de sua inconformidade, havendo sido dado provimento parcial ao recurso voluntário por ele interposto, nos termos da fundamentação parágrafos acima. No que tange aos responsáveis Amauri e Mauro, filhos da autuada, foram por eles manejados argumentos atinentes ao vínculo de responsabilização propriamente dito. Então, ainda que na questão de mérito seus recursos tenham parcialmente prosperado, devem ser eles ser eles analisados conjuntamente, visto que são em tudo semelhantes nos respectivos recursos. Faço, de início, a ressalva de que a conclusão deste voto no sentido de que a operação examinada não se trata de venda parcelada, mas sim envolve complementações do preço acordado, permanece coerente frente à análise da responsabilidade tributária levada a efeito pela decisão atacada. Nessa esteira, e novamente não dissentindo das percucientes razões ventiladas naquele julgado quanto ao assunto, passo a reproduzilas de modo a que façam parte do corpo desta fundamentação: O impugnante, entretanto, acrescenta que, ainda que fosse cabível a constituição do crédito tributário em questão, não se verifica, no caso dos autos, os elementos que autorizariam a pretendida alegação fiscal de que ao impugnante deve ser imputada a responsabilidade solidária pelo recolhimento do Imposto em discussão, nestes autos. Diz que o Sr. Auditor Fiscal não demonstrou que o impugnante participou, direta ou indiretamente, da situação de fato descrita em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do imposto sobre ganhos de capital. Afirma que não há qualquer indício, muito menos elementos de prova, de que o impugnante seria o efetivo beneficiário dos recursos recebidos pela Sra. Thereza, na venda da alienação das ações da Cientificalab, nem que ele tenha praticado atos ou negócios que tenham afetado, negativamente, a obrigação tributária da qual aquela pessoa seria o sujeito passivo, razão pela qual não se verifica a presença dos requisitos que justificariam a sua responsabilidade solidária. Prossegue o impugnante alegando que não deu ensejo "direta" e "pessoalmente" ao fato gerador, nem figurou na relação jurídico material correspondente à venda das ações, seja como comprador, seja como vendedor, não possuindo, portanto, "interesse comum" nessa operação. Destaca que no caso dos autos, não cabe a cominação da multa de ofício pelo Sr. AFRFB, pois inexiste efetiva e concreta comprovação do "evidente intuito de fraude", exigido para aplicação de multa desta natureza. Diante do exposto, requerse a exclusão do impugnante do pólo passivo do presente processo administrativo fiscal, uma vez que, não se configuram as hipóteses Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 50 19 legais para que ele figure como responsável solidário pelo tributo supostamente devido em razão da alienação das ações da Cientificalab. No que diz respeito à impugnação da Sra. Thereza e todos os elementos nela contidos, através do presente voto houve a devida análise e conclusão, conforme se constata da leitura do mesmo, nada mais havendo a ser adicionado. Quanto a configuração legal da sujeição passiva, constatase que do processo constam inúmeros elementos que vinculam os Srs. Amauri e Mauro aos fatos geradores aqui analisados, de pronto, podese destacar o fato de que os Srs. Amauri e Mauro são filhos do sujeito passivo, que este não detinha capacidade financeira, que os Srs. Eduardo, Marcelo, Mauro, Amauri e o sujeito passivo encontramse envolvidos em uma rede de negócios, muitos deles escusos, conforme detalhadamente levantados pela fiscalização e devidamente descritos no Termo de Verificação Fiscal, em relação aos quais destacarseão alguns itens a fim de que se deixe evidenciada a sujeição passiva questionada. Quanto a hipossuficiência financeira da Sra. Thereza, mãe de Amauri e Mauro, destaquese que, relativamente ao anocalendário de 2003, o sujeito passivo apresentou declaração anual simplificada, na qual declarou a ocupação principal com o código 120, correspondente a "Dirigente, Presidente e Diretor de Empresa Industrial, Comercial e Prestadora de Serviços". Todavia não declarou a percepção de rendimentos de qualquer espécie nesse período, conforme pode ser constatado na cópia dessa declaração, assim como constatamos que as linhas da declaração relativas a bens e direitos e dívidas e ônus reais, nas datas de 31/12/02 e 31/12/03, apresentavamse com os valores "zerados". No que concerne aos três anoscalendário imediatamente anteriores ao período inicial sob fiscalização, ou seja, no período de 2004 a 2006, o sujeito passivo declarouse isento, apresentando a declaração anual pertinente DAI, conforme extrato contendo a relação de declarações processadas do sujeito passivo, em anexo. Ainda, em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, constatase que o sujeito passivo recebe benefício de aposentadoria por idade desde 27/11/03, por ter sido filiado como autônomo, na atividade de comercial. Em 31/12/06 o sujeito passivo informou ter bens e direitos no valor de R$ 0,00 (zero reais) e sua única fonte de rendimentos declarada originavase nos proventos de aposentadoria por idade recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social. Conforme informações prestadas pelas instituições financeiras à RFB o sujeito passivo apresentou inexpressiva movimentação financeira nos anos calendário de 2004 a 2006, representada pelo volume de débitos em contas correntes bancárias sujeitos à incidência da CPMF (movimentação financeira: 2004=R$3.383,05; 2005=R$3.700,05; 2006=R$4.345,00). No anocalendário de 2007, em que completou a idade de 65 anos, o sujeito passivo informou na DIRPF ter recebido a quantia de R$ 4.820,00 a título de aposentadoria. Os dados analisados demonstram que o sujeito passivo, ainda que tivesse recorrido às disponibilidades de recursos do seu cônjuge, não possuía condições financeiras ou econômicas em 13/07/07 para adquirir a participação acionária na Cientificalab, assumindo a dívida no valor de R$ 3.920.000,00 para com os sócios alienantes Eduardo e Marcelo como se fez parecer. Fica demonstrada, portanto, a hipossuficiência financeira e econômica do sujeito passivo para empreender a Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 aquisição das ações da Cientificalab, o que corrobora a conclusão de que Eduardo e Marcelo simularam a alienação onerosa das ações para o sujeito passivo quando, na realidade, o negócio jurídico realizado correspondeu a uma doação. Da análise do emaranhado de negócios realizados por e entre Eduardo, Marcelo, Amauri, Mauro e o sujeito passivo, conforme minuciosamente descritos no Termos de Verificação Fiscal, leva à constatação de que, a alienação da Cientificalab na forma como foi realizada tinha como propósito fazer com que o produto da venda das ações para a Diagnósticos da América S.A DASA ficasse na posse do sujeito passivo, que vem a ser a mãe e interposta pessoa dos sócios ocultos da Cientificalab, os irmãos Mauro e Amauri, com o objetivo de continuar a ocultar os maiores beneficiários dos ganhos de capital obtidos e eximilos de pagar os tributos devidos sobre esses fatos geradores de tributos. A razão para a utilização dessas estratégias por parte de Amauri e Mauro está, principalmente, nos processos criminais que ambos respondem, inclusive mediante bloqueio de bens. Houve denúncia de que Mauro teria tentado subornar o ex secretário da saúde da prefeitura de São Paulo, no ano 2000, e as investigações da prática de "caixa dois" e superfaturamento nas vendas da Matmed às cooperativas do PAS/Sims, nos anos de 1998 a 2000, levaram o Ministério Público Estadual de São Paulo a solicitar e obter o bloqueio judicial de bens de Mauro e Amauri. A indisponibilidade dos seus bens, a publicidade negativa gerada pelo noticiário à época, e a mudança de governo da prefeitura de São Paulo ocorrida em 2001, em que Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores PT, sucedeu ao prefeito Celso Pitta, eleito pelo então Partido Progressista Brasileiro PPB, acarretando mudanças na gestão do sistema de saúde do município, levando Mauro e Amauri a desativar operacionalmente a Matmed, como demonstrado no subitem 4.2.5. do Termo de Verificação. Com a participação de Eduardo, com quem já possuíam relacionamento anterior na empresa Cirúrgica Ônix, conforme detalhado no Termo de Verificação FiscalTVF, subitem 4.2.7, e Marcelo, constituíram no segundo semestre de 2001 a Cientificalab, para operar no mesmo segmento em que atuava a Matmed, dando continuidade aos negócios. Todavia, Mauro e Amauri nunca figuraram como sócios ostensivos da Cientificalab, cuja propriedade pertencia formalmente apenas a Eduardo e a Marcelo. Essa providência é explicada pela necessidade de descaracterizar a Cientificalab como sucessora da Matmed, caso contrário poderia tornála responsável tributária dessa última, que se achava sob fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Da mesma forma, protegia o patrimônio de Mauro e Amauri de futuros pedidos de indisponibilidade de bens e da execução dos créditos tributários que viessem a ser constituídos contra a Matmed, a exemplo das ações mencionadas no subitem 4.2.4. do TVF. Constatouse que a Cientificalab atuava, inicialmente, no mesmo segmento de negócios da Matmed. Nos anos iniciais de funcionamento da Cientificalab a mesma empregava significativo número de funcionários egressos da desativada Matmed. Constatouse que as pessoas responsáveis pelo preenchimento das DIRPJ da Matmed e da Cientificalab, no período de 2001 a 2007 foram as mesmas, como demonstrado no subitem 4.2.9. do TVF. O sujeito passivo, mãe de Mauro e Amauri, como demonstrado no subitem 4.2.1 do TVF, simulou adquirir onerosamente a Cientificalab de Eduardo e Marcelo, como relatado no subitem 4.2.10 do TVF. Três dias após a "compra" o sujeito passivo recebe lucros retidos da Cientificalab no valor de 175% do preço de aquisição das ações, sob a forma de bonificação. E, decorridos outros três dias, o sujeito passivo aliena essas ações para a DASA por um preço inicial correspondente a 19 vezes o valor nominal de compra. Se for consideradas as parcelas complementares do preço de venda recebidos pelo sujeito passivo em 2007, verifica Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 51 21 se que o mesmo recebeu quantia superior a 21 vezes o preço de aquisição, como apontado no subitem 4.2.12. do TVF. Visto por outro ângulo, se o sujeito passivo obteve um resultado excepcional com a transação, Eduardo e Marcelo, que teriam construído a empresa ao longo de seis anos e conduzindoa para ser líder de mercado em seu setor de atuação, como demonstrado no subitem 4.2.10 do TVF, fizeram um péssimo negócio. Para se acreditar que o negócio se passou como formalmente se apresenta, é preciso acreditar que as tratativas com a DASA para alienação das ações da Cientificalab foram conduzidas pelo sujeito passivo, no intervalo de tempo inferior a uma semana, e com o desconhecimento de Eduardo e Marcelo dos valores negociados. Se não foi dessa forma, como justificar que Eduardo e Marcelo venderam 98% da participação acionária que detinham por um valor correspondente a cerca de 4% do valor que poderiam ter obtido se houvessem alienado as ações diretamente à DASA. Aliás, Eduardo e Marcelo lograram vender à Diagnósticos da América S.ADASA, nas mesmas condições de preço obtidas pelo sujeito passivo, apenas a fração correspondente a 2% do capital da Cientificalab, que, em seis dias antes, era formalmente 100% de sua propriedade. Tudo se passou como uma alienação graciosa das ações da Cientificalab de propriedade de Eduardo e Marcelo para o sujeito passivo, mãe dos sócios ocultos Mauro e Amauri, o qual não dispunha de nenhuma capacidade financeira ou econômica para adquirir as ações de Eduardo e Marcelo, conforme demonstrado anteriormente. Assim, se prestaram, nessa transação, a possibilitar que o patrimônio fosse transferido para a mãe dos reais donos da empresa, Mauro e Amauri, a qual então passou a atuar como interposta pessoa de seus filhos, papel anteriormente desempenhado por Eduardo e Marcelo. Outro indício de que Mauro e Amauri eram os reais controladores da Cientificalab é a forma como figuraram no Instrumento de Compra e Venda. Denominados de Intervenientes Anuentes, assumiram obrigações e fizeram declarações perante a Diagnósticos da América S.A.DASA, compradora da Cientificalab, em pé de igualdade com os sócios ostensivos, incompatíveis com a condição de responsáveis apenas pela implantação do denominado Projeto de Expansão da empresa, conforme detalhado no subitem 4.2.14. do TVF. Destaquese que Mauro e Amauri se responsabilizaram até por eventuais contingências da Cientificalab que porventura viessem ser apuradas. Nesse mesmo sentido, conforme informado no subitem 4.2.15 do TVF, Amauri e sua mulher foram fiadores da Cientificalab em pelo menos dois contratos de locação de imóveis, que foram utilizados em períodos distintos como sede da empresa. Ambos os contratos estavam em vigor por ocasião da alienação das ações à DASA, razão pela qual a mesma se obrigou a substituir as fianças prestadas por Amauri e sua mulher. Um dos contratos estava em vigor desde 28/02/03 e o outro desde 25/11/05, atestando o envolvimento contínuo de Amauri com a Cientificalab. Da mesma forma, conforme subitem 4.2.16 do TVF, restou comprovado que Amauri e sua mulher prestaram garantia hipotecária a favor da Cientificalab no valor inicial de R$ 4.100.000,00. A escritura da hipoteca foi lavrada em 21/08/03, mas garante um contrato celebrado em 08/01/01, ou seja, no início do funcionamento da Cientificalab. A garantia hipotecária foi novamente prestada em 31/03/06, para garantir obrigações da Cientificalab no valor de R$ 884.500,00. A prestação das fianças e garantias hipotecárias são indícios adicionais de que Amauri era um dos verdadeiros proprietários da empresa, dispondose a garantir Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 com seus bens pessoais obrigações da Cientificalab, medida que nem mesmo os sócios ostensivos Eduardo e Marcelo se dispuseram fazer. A forma como Mauro e Amauri intervieram no Instrumento de Compra e Venda é demonstrativa também de que a parte compradora, ou seja, a DASA, tinha total ciência de quem eram os reais vendedores e de quão relevante era obter as declarações e garantias prestadas pelos mesmos no referido instrumento. Não resta dúvida de que Mauro e Amauri sempre foram os reais proprietários majoritários da Cientificalab. Utilizaram as interpostas pessoas de Eduardo e Marcelo para constituir a empresa, em função do noticiário negativo que envolveu Mauro e a Matmed nas denúncias de suborno, prática de "caixa dois" e superfaturamento, no ano de 2000, e para proteger seu patrimônio do resultado das ações de iniciativa do Ministério Público Estadual de São Paulo e da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Por ocasião da alienação da Cientificalab para a DASA estruturaram uma etapa precedente, na qual Eduardo e Marcelo simularam a venda das ações para o sujeito passivo, mãe de Mauro e Amauri, que as revendeu à DASA. O sujeito passivo, atuando dolosamente como interposta pessoa de Mauro e Amauri, "adquiriu" as ações de Eduardo e Marcelo, para blindar o patrimônio dos filhos contra as execuções fiscais ainda em curso e evitar serem considerados contribuintes do imposto sobre ganho de capital na alienação subsequente, caracterizando a fraude tributária. Mauro, Amauri, Eduardo e Marcelo simularam que os únicos sócios da Cientificalab eram Eduardo e Marcelo, os quais atuaram por si próprios e como interpostas pessoas de Mauro e Amauri. Eduardo, Marcelo e o sujeito passivo agiram em conluio para simular a operação de compra e venda de ações da Cientificalab, quando na verdade a mesma consistiu numa doação. Ou seja, atuaram em conluio para modificar dolosamente as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, o que caracteriza uma fraude. Por ocasião da alienação das ações à Diagnósticos da América S.A. o sujeito passivo atuou dolosamente como interposta pessoa de Mauro e Amauri e, em conluio com ambos, aufere o produto da venda para impedir totalmente a ocorrência do fato gerador do imposto de renda sobre ganho de capital para seus filhos, o que também caracteriza fraude. Por todo o exposto, a conclusão não pode ser outra senão a de que as condutas do sujeito passivo, Eduardo, Marcelo, Mauro e Amauri não podem ser vistas como involuntárias, meros equívocos ou erros. Foram condutas conscientes, planejadas, abusivas e sistemáticas para evitar a ocorrência dos fatos geradores de obrigações tributárias e/ou reduzir seus montantes. Nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Conforme art. 137, inciso I, do CTN, a responsabilidade é pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa por quem de direito. Portanto, em decorrência, Mauro, Amauri, Eduardo e Marcelo tem responsabilidade passiva solidária com o sujeito passivo, no que se refere aos créditos tributários constituídos em função das infrações objeto de lançamento. Considerando, também, que as simulações praticadas mediante conluio pelo sujeito passivo, Eduardo, Marcelo, Mauro e Amauri constituem fraudes e que o Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 52 23 emprego de fraude para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, constitui em tese crime contra a ordem tributária, a teor do que dispõe o art. 2o, inciso I, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1.990, conseqüentemente, cabe também a responsabilização pessoal de Eduardo, Marcelo, Mauro e Amauri pelos créditos tributários constituídos no lançamento. Concluise, então, perfeita a inclusão dos Senhores Amauri Antonio Alves Pereira e Mauro Alves Pereira no pólo passivo do presente processo administrativo fiscal uma vez que configuraram as hipóteses legais para que eles figurem como responsáveis solidários pelo tributo devido em razão da alienação das ações da Cientificalab. Quanto a concreta comprovação do “evidente intuito de fraude”, restou claramente demonstrado, conforme apontado neste voto. Correta, portanto, a manutenção dos recorrentes como responsáveis solidários pelo crédito tributário objeto dos presentes autos. Ante o exposto, voto no sentido de: não conhecer do recurso interposto por Marcelo Alberto Costa; negar provimento ao recurso de ofício; e DAR PARCIAL PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos por Amauri Antônio Alves Pereira, Mauro Alves Pereira e Eduardo Antonio Pires Cardoso, para fins de reduzir o imposto apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa do ano calendário 2007 para o valor de R$ 9.617.132,15, e cancelar as demais exigências, nos termos deste voto. Ronnie Soares Anderson. Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.020662/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/01/2003 a 20/11/2007
CRÉDITO POR AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.
Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário`.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 20/01/2003 a 20/11/2007
IPI. PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DO TRIBUTO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA.
Por força do art. 62, parágrafo 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões do STJ em recurso repetitivo devem ser observadas no julgamento deste CARF.
No RESP 973.733, restou sedimentado que, nos casos de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado do tributo, conta-se o prazo decadencial quinquenal da data do fato gerador, conforme preconiza o art. 150, parágrafo 4º do CTN.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Acerca das infrações detectadas apontadas pela fiscalização, o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizando-se, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.104
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Conhecer em Parte o Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, Dar Provimento Parcial para reconhecer a decadência relativamente ao período de janeiro de 2003 a 21/11/2003.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/01/2003 a 20/11/2007 CRÉDITO POR AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário`. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 20/01/2003 a 20/11/2007 IPI. PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DO TRIBUTO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. Por força do art. 62, parágrafo 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões do STJ em recurso repetitivo devem ser observadas no julgamento deste CARF. No RESP 973.733, restou sedimentado que, nos casos de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado do tributo, conta-se o prazo decadencial quinquenal da data do fato gerador, conforme preconiza o art. 150, parágrafo 4º do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Acerca das infrações detectadas apontadas pela fiscalização, o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizando-se, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19647.020662/2008-94
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5648982
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-003.104
nome_arquivo_s : Decisao_19647020662200894.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 19647020662200894_5648982.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Conhecer em Parte o Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, Dar Provimento Parcial para reconhecer a decadência relativamente ao período de janeiro de 2003 a 21/11/2003. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6545641
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688304062464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 15 1 14 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.020662/200894 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.104 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria IPI Lançamento Decadência Recorrente Engarrafadora Igarassu Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/01/2003 a 20/11/2007 CRÉDITO POR AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário`. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/01/2003 a 20/11/2007 IPI. PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DO TRIBUTO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. Por força do art. 62, parágrafo 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões do STJ em recurso repetitivo devem ser observadas no julgamento deste CARF. No RESP 973.733, restou sedimentado que, nos casos de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado do tributo, contase o prazo decadencial quinquenal da data do fato gerador, conforme preconiza o art. 150, parágrafo 4º do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Acerca das infrações detectadas apontadas pela fiscalização, o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizandose, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 06 62 /2 00 8- 94 Fl. 8714DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 16 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Conhecer em Parte o Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, Dar Provimento Parcial para reconhecer a decadência relativamente ao período de janeiro de 2003 a 21/11/2003. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 8715DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 17 3 Relatório José Henrique Mauri Relator. Cuidase Auto de Infração para lançamento de IPI em face de irregularidades detectada pela fiscalização em procedimento fiscal. Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório constante do Acórdão recorrido: A fiscalização registrou que a interessada, identificada em epígrafe, vem discutindo no âmbito do Judiciário o suposto direito ao creditamento ficto, por decorrência de aquisição de insumo desonerado do IPI. Tratase de tese por demais conhecida e que rendeu longas batalhas no Judiciário, porém afinal o E. STF pacificou a questão, sem modulação temporal, no sentido de não reconhecer direito de crédito na aquisição de insumos tributados á alíquota zero ou nãotributados (RE nº 353.657). Para os insumos isentos, embora a tese tenha vingado por algum tempo (RE nº 2124842/RS), as decisões mais recentes do STF, também sem modulação dos efeitos, não mais admite o creditamento nas aquisições isentas do IPI. Entretanto, a ENGARRAFADORA IGARASSU, baseandose em sentença proferida no MS – Processo nº 202.83.00.0044607 e na Apelação nº 82.188/PE, tem apresentado diversos pedidos de ressarcimento/compensação de supostos créditos do IPI que seriam decorrentes de aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou nãotributados, aos quais tem vinculado declarações de compensação com débitos tributários diversos. Além desse supostos créditos por aquisições desoneradas do IPI, a fiscalização apurou outros créditos indevidamente escriturados, oriundos da aquisição de vinho utilizado como insumo industrial. Adverte a fiscalização que o vinho quando adquirido como insumo para a fabricação de outras bebidas, deverá sair do estabelecimento produtor, atacadista ou da cooperativa de produtores, obrigatoriamente com suspensão do IPI, por força do disposto no art.43 do RIPI/2002. Constatouse que parte dos alegados créditos do IPI, objeto de diversos pedidos de ressarcimento através dos processos administrativos listados, foram aproveitados na escrita fiscal para o fim de abater débitos do IPI. Como tais créditos não são admitidos pela legislação regente, foram glosados e se encontram indicados no DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS E DAS GLOSAS [fls.214 (Vol.I), fls.1.370/1.374 (Vol.VII), do eprocesso; correspondente às fls. 1.361/1.365, no processo papel]. No procedimento fiscal de verificação do cumprimento de obrigações tributárias por parte da ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA, foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária: 1. Créditos básicos de IPI indevidos. Foram aproveitados indevidamente os supostos créditos de IPI indicados nos demonstrativos de fls. fls.1.370/1.374 (Vol. VII, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.214. Fl. 8716DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 18 4 2. IPIBebidas (diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado; Anexo II ao Termo de Informação Fiscal). Constatadas divergências entre os valores declarados como devidos em DCTF ou DCOMP e os valores escriturados no RAIPI a título de saldos devedores do IPI, conforme demonstrativo anexo às fls. 221/371 (Vol. II). Enquadramento legal descrito às fls.214. 3. IPIBebidas lançado nas notas fiscais e não escriturado (falta de escrituração fiscal). A autuada não escriturou ou escriturou a menor o imposto destacado na nota fiscal, nos valores indicados no Anexo I, às fls. 216/220 (Vol.II, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.214. 4. IPI não lançado – Bebidas Quentes. Por decorrência de erro no enquadramento dos produtos, o contribuinte não lançou ou lançou a menor o imposto devido, conforme os valores apurados no demonstrativo anexado às fls. 1.375/8.447 (Vol. II ao Vol.XXV, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.215. 5. 5. IPI não lançado – Bebidas Frias. Houve saída de refrigerantes sem lançamento ou com redução de 50% do imposto, em desacordo com as Notas Complementares 221 e 222, conforme demonstrativos anexados às fls. 1.375 e ss.(Vol. II ao Vol. XXV, e proc). Enquadramento legal descrito às fls.215. O IPI devido demonstrado pela fiscalização foi diminuído do IPI lançado nas notas fiscais. A diferença do imposto foi exigida com os acréscimos legais de multa de ofício e juros de mora no auto de infração. Em face das irregularidades constatadas, acima descritas, houve falta de recolhimento do IPI, razão para a lavratura do auto de infração objeto do presente processo, no valor total de R$ 5.682.383,81 (Cinco milhões, seiscentos e oitenta e dois mil, trezentos e oitenta e três reais re oitenta e um centavos), abrangendo o valor principal do imposto, juros de mora calculados até 31/10/2008 e multa de ofício de 75%. A título de esclarecimento registrase que as infrações constatadas resultaram em insuficiência de recolhimento de outras exações além do IPI, como PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. As exigências referentes a esses outros tributos foram objeto de auto de infração específico para cada espécie tributária. A interessada foi cientificada do lançamento em 21/11/2008, e irresignada apresentou, em 18/12/2008, a tempestiva impugnação de fls.8.452/8.477, cujos argumentos de contestação são essencialmente e resumidamente os seguintes: 1. Tratase de auto de infração lavrado por insuficiência de recolhimento do IPI nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, e segundo o TIF parece estar ancorado em dois fundamentos: (a) desconsideração dos pedidos de restituição/compensação formulados pela ora impugnante e, (b) enquadramento de ofício de produtos fabricados e comercializados pela impugnante. Da narrativa dos fatos pela autoridade lançadora, observase que desconsiderou as compensações realizadas pela interessada através de PER/DCOMP específicos (listados no TIF), assim como glosou créditos supostamente lançados (e aproveitados) diretamente na escrita fiscal. 2. Primeiramente, argúi decadência do direito de lançar em relação aos fatos imponíveis materializados até novembro/2003. O lançamento foi cientificado á interessada em 21/11/2008. Entende a impugnante que não poderia se reportar a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos anteriores à data de ciência da autuação, em face do disposto no art.150, §4º, do CTN. Transcreve às fls. 8.456/8.458 ementas de decisões do Conselho de Contribuintes que considera em apoio à sua tese. Pede, pois, a Fl. 8717DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 19 5 desconstituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a outubro de 2003. 3. Há nulidade no lançamento em relação a débitos objeto de pedidos de restituição (sic)/compensação formulados pela ora impugnante. O crédito tributário lançado decorre da glosa (desconsideração) de pedidos de compensação protocolados administrativamente, com esteio em decisão judicial específica que reconheceu créditos de IPI gerados por aquisições de insumos isentos, tributados por alíquota zero ou não tributados, os quais foram devidamente utilizados para fins de quitação de tributos administrados pela Receita Federal. 4. Ao contrário do que afirma a fiscalização, não houve aproveitamento dos créditos diretamente na escrita fiscal, visto que a impugnante formalizou pedidos de restituição(sic)/compensação em relação a todos os períodos de apuração e, diante dos créditos apurados, imputouos à quitação dos valores devidos à guisa de IPI nos períodos de apuração considerados pela autoridade lançadora. 5. A glosa das compensações, formuladas pela impugnante com esteio no art.74 da Lei 9.430/96, manifesta a impropriedade do lançamento de ofício, porque está em frontal descompasso com o disposto no art.18 da lei 10.833/03. É que nas hipóteses de formalização de pedidos de restituição/compensação pelo contribuinte, somente se admite a lavratura de auto de infração para fins de imputação de multa isolada decorrente da não homologação da compensação quando se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, sendo manifestamente ilegítima a utilização de auto de infração para proceder a glosa de compensações (objeto de processo administrativo específico), e, para exigência de tributos quitados, sob condição suspensiva, via compensação. A sistemática instituída pelo art.74 da Lei 9.430/96 torna dispensável o lançamento de ofício, posto que a declaração de compensação constitui confissão irretratável quanto à existência do débito tributário e do seu montante. Nessa linha afirma que há jurisprudência do STJ exemplificada nas ementas transcritas às fls.8.462/8.464. Nessa linha, dada a incompatibilidade do lançamento com a regra do art.18 da Lei 9.430/96 (rectius, Lei 10.833/03), assim como, por se tratar de ato administrativo sem finalidade, posto que já constituído o crédito tributário pelas declarações de compensação apresentadas, é nulo de pleno direito o lançamento. 6. Para além, a glosa (desconsideração) das compensações efetuadas pela ora impugnante, e a conseqüente exigência dos tributos indicados para compensação, esbarra na regulamentação traçada pelo art.74 da Lei 9.430/96, posto que os pedidos de compensação formalizados se encontram em tramitação aguardando julgamento das manifestações de inconformidade ou recursos voluntários interpostos pela impugnante. Enquanto não encerrados os processos administrativos instaurados para homologação das compensações efetuadas, os débitos encontramse extintos e, como corolário, não podem ser exigidos (art.74,§2º, da Lei 9.430/96). Somente quando fosse definitivamente declarada a ilegitimidade das compensações formalizadas, abrirseia ensejo à exigência dos valores compensados, na forma do §7º do art.74 da Lei 9.430/96, e não através de auto de infração. 7. Consigna a autoridade lançadora que o direito de crédito oriundo de aquisição de insumo isento, tributado por alíquota zero ou nãotributados foi reconhecido por decisão judicial exarada nos autos do processo judicial nº 2002.83.00.0044607 (Apelação em MS nº 82.188/PE). A prestação jurisdicional obtida em sede do MS garantiu à ora impugnante o direito de apropriação dos créditos do IPI decorrentes da aquisição desonerada do IPI. Tratase de questão submetida ao Poder Judiciário, vedado o seu conhecimento pela Administração Tributária, conforme jurisprudência consolidada no âmbito do Colendo Conselho de Contribuintes /MF (ver transcrição de fls.8.469). A existência de processo judicial anterior à formalização do lançamento de ofício impede a Fl. 8718DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 20 6 análise do mérito da questão pela administração tributária (face a preeminência das decisões judiciais). Nesse contexto, é nulo o lançamento por ter a autoridade lançadora, para fins de fundamentação da exigência, discorrido sobre o conteúdo do direito. 8. No caso, o lançamento de ofício agrediu o princípio da separação de poderes, ao negar eficácia à decisão judicial que concedeu à ora impugnante o direito de utilizar créditos oriundos de aquisição desonerada do IPI. Assim, feriu a autoridade do Poder Judiciário, como também o princípio da segurança jurídica, estabelecendo a possibilidade de revisão administrativa das deliberações judiciais a qualquer tempo 9. Sendo insofismável que, por decisão judicial, foi reconhecido o direito à utilização de créditos de IPI para fins de compensação de débitos tributários perante a Receita Federal, bem como que foi tal direito exercido em estrita conformidade com o art.74 da Lei 9.430/96, o lançamento de ofício guerreado poderia no máximo ser erigido para prevenir a decadência, sendo porém hipótese também absurda em face da confissão representada pela formalização das compensações. Por outro lado, se o lançamento somente poderia ser para evitar a decadência, inadmissível a imposição de multa de ofício, penalidade manifestamente incompatível com os procedimentos de constituição de créditos com exigibilidade suspensa. Nesse sentido a regra do art.63 da Lei 9.430/96. Assim, nulo o lançamento por ter imposto multa de ofício sobre débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa. [...] Ao analisar a impugnação a 6ª Turma da DRJ/REC exarou o Acórdão 11 37.273, de 14 de junho de 2012, que, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos tributários, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/01/2003 a 20/11/2007 CRÉDITO POR AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário. SALDO CREDOR DE IPI INCERTO E ILÍQUIDO. VEDADA HOMOLOGAÇÃO ADMINISTRATIVA DA COMPENSAÇÃO. O direito de ressarcimento e/ou compensação somente se aperfeiçoa quando houver apuração de saldo credor de IPI no trimestre calendário. Mesmo na hipótese de vir a transitar em julgado decisão judicial favorável à pretensão da ora impugnante, farseia necessário apurar e demonstrar, no RAIPI, a existência do eventual saldo credor de IPI que possa resultar ao final do trimestrecalendário. É rigorosamente ilegal a homologação administrativa de compensação cujo direito creditório respectivo ainda seja incerto e ilíquido, pendente de reconhecimento judicial transitado em julgado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Fl. 8719DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 21 7 Acerca das infrações detectadas quanto à insuficiência do lançamento do IPI nas notas fiscais correspondentes às operações de entrada e saída do estabelecimento industrial, sobre a insuficiente escrituração do RAIPI, como também acerca dos créditos indevidos pela aquisição de vinho como insumo industrial, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizandose, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante. PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA AFASTADA. Não houve nenhuma antecipação de IPI relacionada aos débitos no período indicado, de janeiro a novembro de 2003. Segundo o entendimento oficial, o termo a quo do prazo decadencial se encontra previsto no inciso I do art.173, do CTN, iniciandose em 01.01.2004 e somente restaria esgotado em 31.12.2008, porém o lançamento de ofício foi tempestivamente cientificado à autuada em 28.11.2008. ARGÜIÇÕES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AFASTADAS. O lançamento sob exame abrange fatos geradores ocorridos desde janeiro/2003 até novembro/2007, todos anteriores à vigência do §15 do art.74 da Lei 9.430/96, introduzido pela MP 449/08, nada havendo de irregular na conduta de se proceder ao formal lançamento de ofício dos débitos remanescentes considerados não declarados. O objeto do presente processo não abrange a multa isolada prevista no art.18 da Lei 10.833/03, não havendo sentido em evocar aquela norma para contraditar o lançamento efetuado. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do lançamento em pauta não deriva de liminar judicial em meio a processo que trate dos débitos de IPI objeto do lançamento guerreado neste processo administrativo. O processo judicial, pendente de decisão com trânsito em julgado, não se refere diretamente aos débitos de IPI objeto do lançamento sob exame. Na Lei 9.430/96, art.63, a ordem de não lançamento da multa de ofício é dirigida ao crédito tributário cuja exigibilidade tenha sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art.151 do CTN. No presente caso, quanto ao débito objeto da compensação, a suspensão da exigibilidade decorre do disposto no inciso III do art.151 do CTN. A multa de ofício proporcional foi corretamente aplicada sobre o valor do IPI devido e não recolhido, conforme hipótese infracional prevista em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte apresentou, em 10/12/2012, Recurso Voluntário, fls. 8.614 e ss, replicando os argumentos apresentados na impugnação, ressaltando que o Acórdão recorrido descumpre a decisão judicial que autorizou a recorrente a promover a compensação de créditos decorrentes de aquisição de insumos isentos, imunes, Fl. 8720DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 22 8 não tributados e tributados à alíquota zero, mediante compensação direta com os débitos do próprio IPI ou de outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Ao final requer (i) retorno do processo para que a DRJ/REC (re)analise a impugnação, desta feita sob nova premissa, qual seja, eficácia imediata da decisão que reconheceu o direito de crédito da recorrente, (ii) reconheça a decadência parcial do crédito tributário, (iii) declare a nulidade do auto de infração (lançamento de ofício) e (iv) afaste a incidência de multa de ofício (75%), nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96 Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 8721DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 23 9 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Dos pressupostos de admissibilidade e da Preclusão O presente processo cuida de Auto de Infração por falta de recolhimento de IPI, abrangendo o valor principal do imposto, juros de mora e multa de ofício de 75%., em face de irregularidades detectadas pela fiscalização, quais sejam: · 1. Créditos básicos de IPI indevidos. Foram aproveitados indevidamente os supostos créditos de IPI indicados nos demonstrativos de fls. fls.1.370/1.374 (Vol. VII). Enquadramento legal descrito às fls.214. · 2. IPIBebidas (diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado; Anexo II ao Termo de Informação Fiscal). Constatadas divergências entre os valores declarados como devidos em DCTF ou DCOMP e os valores escriturados no RAIPI a título de saldos devedores do IPI, conforme demonstrativo anexo às fls. 221/371 (Vol. II). Enquadramento legal descrito às fls.214. · 3. IPIBebidas lançado nas notas fiscais e não escriturado (falta de escrituração fiscal). A autuada não escriturou ou escriturou a menor o imposto destacado na nota fiscal, nos valores indicados no Anexo I, às fls. 216/220 (Vol.II, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.214. · 4. IPI não lançado – Bebidas Quentes. Por decorrência de erro no enquadramento dos produtos, o contribuinte não lançou ou lançou a menor o imposto devido, conforme os valores apurados no demonstrativo anexado às fls. 1.375/8.447 (Vol. II ao Vol.XXV). Enquadramento legal descrito às fls.215. · 5. IPI não lançado – Bebidas Frias. Houve saída de refrigerantes sem lançamento ou com redução de 50% do imposto, em desacordo com as Notas Complementares 221 e 222, conforme demonstrativos anexados às fls. 1.375 e ss.(Vol. II ao Vol. XXV). Enquadramento legal descrito às fls.215. Não se verifica, no Recurso Voluntário, contestação acerca de (i) as irregularidades[infrações] apontadas pela fiscalização, (ii) o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) lançado e (iii) a multa de mora, que transcorreram preclusas. Fl. 8722DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 24 10 Igual sorte há de ter a multa de ofício (75%). Isso porque, embora o recorrente tenha requerido, na parte dispositiva (das conclusões) de seu Recurso Voluntário, que "(iv) afaste a incidência de multa de ofício (75%), nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96", não apresentou qualquer fundamento ou argumento que amparasse seu intento. Não obstante, por oportuno, registrese que referida multa fora aplicada com amparo no art 80 da Lei n°4.502/64 (multa por falta de pagamento ou pagamento a menor), não guardando relação com as disposições do art. 63 da Lei nº 9.430/96 (Lançamento para prevenir decadência). Portanto, quanto à multa de ofício, não se verifica relação entre o pedido e os fundamentos e a matéria integrante do recurso, devendo, nesse pormenor, igualmente ser considerada matéria não contestada. Além das irregularidades acima descritas, a fiscalização identificou o creditamento por parte da recorrente de supostos créditos do IPI que seriam decorrentes de aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou nãotributados. Quanto a esses créditos, a fiscalização observou a decisão judicial provisória. Razão pela qual tais créditos, embora irregulares, no entender da fiscalização, não foram incluídos na autuação, sem prejuízo de seu efetivo controle por meio de processo administrativo específico de controle da ação judicial. Como se vê, a autuação deuse exclusivamente contra irregularidades apuradas pela fiscalização que não se relacionam com os supostos créditos, escriturados sob permissão judicial, ainda que provisória. Sequer há concomitância entre a matéria tratada nos autos e aquela amparada pela decisão judicial. Isso porque a fiscalização, na própria autuação, cuidou de identificála, eliminandoa do presente processo. Noutra esteira, a recorrente centra suas argumentações em alegações e divagações quanto: 1. Existência de decisão judicial que autoriza a compensação. 2. Descumprimento da decisão judicial. 3. Decadência parcial do crédito exigido. 4. Nulidade do lançamento em relação a débitos objeto de pedidos de restituição/compensação. 5. Nulidade do lançamento em face de existência de decisção judicial amparando a compensação. Temos que, com exceção do item 3, relativo a Decadência, os demais referemse a matéria estranha aos autos, posto que as compensações que dizem respeito à ação judicial não fazem parte da matéria tratada na presente autuação, conforme suso dito. Fl. 8723DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 25 11 Frisese que, contra o recorrente, tramitam diversos processos versando sobre ressarcimento/compensação, cuja matéria guarda estrita relação com a decisão judicial. Dai presumível a promiscuidade recursal. Devese portanto rejeitar os pedidos de nulidades por falta de relação entre o pedido e a matéria processual. Considerando o exposto, sendo tempestivo, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, unicamente quanto à decadência parcial requerida. Dessarte, por força das disposições do art. 17 do Decreto 70.235/72, declaro PRECLUSAS as matérias não contestadas, a saber: (i) as irregularidades [infrações] apontadas pela fiscalização, (ii) o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, exceto aquele referente ao período cuja decadência será analisada no mérito. Da decadência relativa ao período de janeiro a novembro de 2003 Resta unicamente para análise a decadência aventada. Entende a Recorrente, com fulcro no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), que o lançamento de ofício formalizado em 21 de novembro de 2008, não poderia se reportar a fatos geradores ocorridos em momento anterior a novembro de 2003, pelo que suscita preliminar de decadência do direito de lançar em relação aos fatos imponíveis materializados até novembro de 2003. Entendo que assiste razão a Recorrente. Vejamos: No caso de Imposto sobre Produtos Industrializados, o reconhecimento do débito é feito antecipadamente, sem prévio exame da autoridade fazendária, caracterizandose a modalidade lançamento por homologação. Sendo assim, é o caso de aplicação do àtgo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, o qual estabelece: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) §4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco anos), a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Fl. 8724DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 26 12 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 973.733/SC, o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN); do contrário, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e). (REsp 973733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo), Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, se o Fisco encontrar diferença de imposto (pressupõese que havendo diferença a lançar tenha havido pagamento a menor), este possui o prazo de 5 anos a contar do fato gerador, para lançar em procedimento de oficio Depreendese, do contexto, que, para fins de contagem do prazo decadencial, a aplicação do disposto no art. 150, suso transcrito, requer coexistênica Fl. 8725DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 27 13 de duas condições: (i) pagamento antecipado e (ii) inocorrência de dolo, fraude ou simulação. Segundo o Julgador a quo, não houve antecipação de IPI relacionada aos débitos de que cuida o presente processo, o que ensejaria a inaplicabilidade do art. 150, deslocandose a data inicial do prazo decadencial para o início do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento, na forma do inciso I do art.173, do CTN, eis a ementa do Acórdão recorrido, nessa parte: PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA AFASTADA. Não houve nenhuma antecipação de IPI relacionada aos débitos no período indicado, de janeiro a novembro de 2003. Segundo o entendimento oficial, o termo a quo do prazo decadencial se encontra previsto no inciso I do art.173, do CTN, iniciandose em 01.01.2004 e somente restaria esgotado em 31.12.2008, porém o lançamento de ofício foi tempestivamente cientificado à autuada em 28.11.2008. Entretanto, conforme veremos, não é o que se extrai do Relatório Fiscal de fls. 197 e ss. A fiscalização evidencia que a presente autuação referese a diferença de IPI devido, saldo resultante da diferença entre os valores pagos e os apurados pela fiscalização, vejamos excertos do Relatório 1: (...) Das conferências realizadas, constatamos as seguintes irregularidades, que resultaram em infrações à legislação do IPI: a) Divergência em diversos períodos de apuração do imposto dos anos de 2003, 2004 e 2005 entre o débito apurado e o valor lançado no RAIPI. A divergência tanto podia ser para mais como para menos, indicando que o valor do débito apurado ora era menor, ora era maior do que o lançado no RAIPI. Esta irregularidade não foi observada nos anos de 2006 e 2007. (...) Os valores não declarados em conseqüência desta irregularidade estão demonstrados no ANEXO I AO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL, folhas a 212 a 216. Neste demonstrativo, a coluna CRÉDITO APURADO inclui os créditos indevidos. A glosa é apurada à parte, em demonstrativo especifico. A coluna DÉBITO APURADO não inclui o IPI não lançado em decorrência do enquadramento/reenquadramento de oficio dos produtos, o qual é apurado parte no demonstrativo SAÍDAS COM DIFERENÇA DE DÉBITOS DE IPI REFREGERANTES OU BEBIDAS QUENTES e no demonstrativo DIFERENÇAS DE IPI APURADAS EM DECORRÊNCIA DO ENQUADRAMENTO/REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO DOS PRODUTOS (doc. de folhas 1366 a 4314 ). 1 As indicações de folhas constantes do Relatório Fiscal reportamse à numeração do processo papel. Fl. 8726DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 28 14 O contribuinte declarou em DCTF, principalmente nos anos de 2003 e 2004, saldo de IPI a pagar menor que o apurado no RAIPI. Os valores não declarados em conseqüência desta irregularidade estão demonstrados no ANEXO II AO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL, folhas 317 a 367. (...) 0 imposto devido, calculado da forma demonstrada abaixo, foi diminuido do IPI lançado. A diferença de imposto foi exigida com os acréscimos legais de multa e juros no auto de infração do IPI. (...) [Destaquei] Conforme se depreende, a própria fiscalização aponta existência de valores pagos a menor, ou a maior, conforme o caso, elaborando inclusive planilhas de apuração da diferença do imposto a pagar, fruto da presente autuação Como dantes dito, se o Fisco encontrar diferença de imposto, este possui o prazo de 5 anos a contar do fato gerador, para lançar em procedimento de oficio. Portanto, no caso em questão, considero que há decadência dos créditos tributários lançados contra a Recorrente, referente ao período de janeiro de 2003 a 21/11/2003, data do quinto ano antes do lançamento, formalizado em 21/11/2008. Desse modo, deve ser decretada a decadência do direito do Fisco de exigir parte dos créditos tributários em discussão (período de janeiro a novembro de 2003), uma vez que, havendo antecipação do pagamento, o prazo de decadência tem como termo a quo o fato gerador do tributo. Dispositivo Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, unicamente quanto à decadência suscitada e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a decadência relativamente ao período de janeiro de 2003 a 21 de novembro de 2003. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 8727DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 29 15 Fl. 8728DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000728/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM SAÚDE.
Quando exigida pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação pertinente, não bastando, no caso concreto, a apresentação de recibos dos profissionais somada à alegação de pagamento em espécie.
Numero da decisão: 2301-004.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos o conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento ao recurso voluntário.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM SAÚDE. Quando exigida pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação pertinente, não bastando, no caso concreto, a apresentação de recibos dos profissionais somada à alegação de pagamento em espécie.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11041.000728/2010-51
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633095
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.809
nome_arquivo_s : Decisao_11041000728201051.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11041000728201051_5633095.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos o conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento ao recurso voluntário. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
id : 6491518
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688329228288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 116 1 115 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11041.000728/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.809 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA Recorrente OSNI ANTONIO UBER Recorrida UNIÃO (REPRESENTADA PELA FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM SAÚDE. Quando exigida pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação pertinente, não bastando, no caso concreto, a apresentação de recibos dos profissionais somada à alegação de pagamento em espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos o conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento ao recurso voluntário. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1269.930, exarado pela 18ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro (fls. 91 a 95 – numeração dos autos eletrônicos). Por notificação de lançamento relativa ao anocalendário 2005 (fls. 30 a 35), foram apuradas deduções indevidas, por falta de comprovação, de: (a) despesas médicas, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 07 28 /2 01 0- 51 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 valor de R$18.582,30, (b) instrução, no montante de R$2.198,00 e (c) dependentes, no valor de R$1.404,00o. Em 1º/10/2010 (fl. 03), o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que contesta o lançamento, pois já apresentou os documentos probatórios. Em 18/06/14 (fl. 67), o sujeito passivo tomou ciência do Termo Circunstanciado nº 31 (fls. 56 a 58), pelo qual foi realizada revisão do lançamento que cancelou as glosas referentes às deduções com dependentes e instrução. A fiscalização aceitou a despesa de R$ 582,30 com o Instituto de Previdência e manteve a glosa atinente à dedução indevida de despesas com saúde no montante de R$18.000,00, concernente aos profissionais: Marcia, Lauri, Persio e Claudia, sendo os motivos diversos para cada documento: falta de endereço do profissional; pela filha do contribuinte estudar em localidade diversa de onde os serviços médicos teriam sido praticados; falta de assinatura e, comum a todas as glosas, não comprovação do efetivo pagamento das despesa. Em 18/07/14 foi apresentada impugnação ao termo circunstanciado (efls 68 a 75), sendo alegado, em síntese, que: (a) Milene Ferrer Uber é sua filha, nascida em 15/03/86; (b) discordar da glosa de despesas médicas, pois teria apresentado os documentos que comprovariam o efetivo pagamento em espécie; (c) não seria obrigado a apresentar doc's, cheques, transferências, entre outros documentos; (d) indaga qual seria a base legal para o Fisco ter negado os recibos; (e) os recebidos não precisariam ter endereço, mas lista na peça defensória o endereço dos profissionais; (f) a sua filha, durante as férias, realizava os tratamentos médicos na cidade onde reside o contribuinte; (g) não caberia ao Fisco saber da intimidade do autuado e nem colocar em dúvida os recibos; (h) até a presente data não conseguiu os novos recibos do profissional Lauri, já que o mesmo teria esquecido de assiná los. Assim que possível juntará ao processo. O pedido foi o cancelamento do lançamento. A DRJ julgou improcedente a impugnação, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Quando exigidos pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação que possa elucidar o feito, não bastando os recibos dos profissionais sob a alegação de pagamento em espécie. A ciência dessa decisão ocorreu em 29/12/2014 (aviso de recebimento EBCT, fl. 102). Em 26/01/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 104 a 111), no qual são reiterados, em síntese, os termos da impugnação. Foi pedido o cancelamento do débito. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 115). É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11041.000728/201051 Acórdão n.º 2301004.809 S2C3T1 Fl. 117 3 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. A previsão da comprovação dos gastos com despesas com a saúde encontra se nos arts. 73 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99) (art. 11, § 3º, do DecretoLei 5844, de 1943), no art. 8º da Lei 9.250, de 1995 e na Instrução Normativa SRF 15, de 2001, arts. 43 a 46: Artigo 73 do RIR 99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (Grifouse.) Art. 8º da lei 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifouse.) IN SRF 15, de 2001 Art. 46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (Grifouse.) Assim, caso solicitado pela fiscalização, os contribuintes têm o dever de comprovar as despesas com saúde. No caso concreto, as despesas foram glosadas pelos seguintes motivos (efl. 56): Beneficiário do pagamento Despesa glosada (R$) Motivo Marcia d Oliveira G Arrache 3.000,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada; 2) recibos se referem a sessões mensais de psicoterapia de sua filha Milene, que, conforme documentos da fl.12, estuda em Florianópolis/SC. Pérsio Azambuja Audino 2.100,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada. Lauri Bernardi 7.900,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada; 2) documento prescinde de endereço; 3) Recibos de outubro (R$ 650,00) e dezembro (R$ 480,00) prescindem de assinatura. Cláudia de Castro Soares 5.000,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada; 2) documento prescinde de endereço. TOTAL 18.000,00 Apesar de ser possível que recibos emitidos em conformidade com a legislação retrocitada sejam aceitos como meio de prova da efetividade de despesas com saúde, a autoridade tributária pode solicitar outros meios de prova quando for necessário, inclusive a comprovação do efetivo desembolso de tais despesas, como no caso em comento, de acordo com o citado art. 73 do RIR/99. Friso que as despesas objeto de intimação montam a mais de R$18.000,00; sendo o contribuinte, de acordo com sua declaração de ajuste anual (DAA) referente ao ano calendário 2006 (efl. 35 do processo 11041.000365/200911, julgado nesta mesma sessão) professor aposentado, recebendo proventos de três fontes pagadoras (INSS, Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Colégio nossa Senhora Aparecida), é usual que esse receba seus proventos por intermédio de agência bancária; bastaria juntar aos autos saques de suas contas correntes que fossem compatíveis com os pagamentos que declarou para fazer a prova de sua efetividade. Não se está aqui discutindo se a filha do interessado foi atendida pelos profissionais de saúde em local divergente daquele onde ela estudava, mas sim se há ou não prova do efetivo pagamento das despesas. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11041.000728/201051 Acórdão n.º 2301004.809 S2C3T1 Fl. 118 5 Quanto à intimidade do recorrente, frisase que em nenhum momento lhe foi solicitado que expusesse a sua vida privada; porém, “todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante” (art. 927 do RIR/99 e Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Quanto à necessidade de constar no recibo o endereço do profissional, repiso que o art. 8º, § 2º, III, da lei 9.250, de 1995, é expresso em exigilo na comprovação dos pagamentos a serem deduzidos base de cálculo do imposto devido no anocalendário. Voto, portanto, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator João Bellini Júnior Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
