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6503107 #
Numero do processo: 10730.007723/2006-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente o resultado do julgado.
Numero da decisão: 9202-004.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-03.980, de 10/05/2016, alterar a decisão, que passa a ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência relativamente às apurações dos meses de fevereiro e outubro de 2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário." (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente o resultado do julgado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-03.980, de 10/05/2016, alterar a decisão, que passa a ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência relativamente às apurações dos meses de fevereiro e outubro de 2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário." (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10730.007723/2006­42  Acórdão n.º 9202­004.407  CSRF­T2  Fl. 381          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Relatório  O Acórdão  nº  9202­03.980,  da  2a  Turma  da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais,  julgado  na  sessão  plenária  de  10  de maio  de  2016,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento ao parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, na forma de ementa e decisão  a seguir (e­fls. 370 a 376):  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2002   IRPF.  DECADÊNCIA.  TRIBUTOS  LANÇADOS  POR  HOMOLOGAÇÃO.  MATÉRIA  DECIDIDA  NO  STJ  NA  SISTEMÁTICA  DO  ART.  543C  DO  CPC.  GANHO  DE  CAPITAL.  REGRA  DO  ART.  150,  §4o,  DO  CTN,  APENAS  QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL.  O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº  973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de  Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN,  só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar  o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude  ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais  situações.  Verifica­se  que,  neste  processo,  não  existiu  pagamento  parcial  do  imposto  referente  ao  ganho  de  capital  apurado  sob  litígio  para os períodos de 02/2001 e 10/2001. Assim, aplicável a  tais  períodos  a  regra  do  art.  173,  inciso  I,  do CTN,  iniciando­se  a  contagem  do  prazo  decadencial  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Desta  forma,  para  os  fatos  geradores  do  ganho  de  capital  sob  litígio ocorridos em 02/2001 e 10/2001, o prazo decadencial só  começou a  contar  em 01/01/2002,  sendo possível  o  lançamento  até  31/12/2006.  Tendo  a  ciência  do  lançamento  ocorrido  em  01/12/2006,  essa  parte  do  crédito  tributário  não  havia  sido  fulminada pela decadência.  Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial  ao  recurso  para  manter  a  decadência  relativamente  às  apurações  dos  meses  de  fevereiro  e  outubro  de  2001,  com  retorno  dos  autos  ao  colegiado  a  quo,  para  apreciação  das  demais questões trazidas no Recurso Voluntário.  Entretanto, o Conselheiro relator observou a existência de nítida contradição  a  ser  sanada  na  decisão,  constante  da  ata  da  sessão  e  reproduzida  na  parte  dispositiva  do  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10730.007723/2006­42  Acórdão n.º 9202­004.407  CSRF­T2  Fl. 382          3 Acórdão formalizado, uma vez que, enquanto o voto vencedor decide no sentido de afastar a  decadência do lançamento quanto às infrações relativas ao ganho de capital apurado nos meses  de fevereiro e outubro de 2001, a decisão constante do Acórdão, formalizado de acordo com a  versão final de ata lavrada, fala em manter a decadência relativamente às apurações realizadas  nos referidos meses.  Sendo  patente  a  contradição,  o  despacho  foi  recebido  como  embargos  de  declaração, através de despacho de e­fl. 378 e incluído em pauta para correção.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator  Pelo  que  consta  no  processo,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade e, portanto, dele conheço.  É patente a contradição no teor da decisão, no que diz respeito à divergência  entre o dispositivo constante do Acórdão embargado e aquele do voto vencedor, sendo, assim,  necessária sua correção por meio deste novo Acórdão.  Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para retificar  o  decisum  constante  do  Acórdão  no  9202­03.980,  de  10  de  maio  de  2016,  com  efeitos  infringentes, a fim de que passe a constar em sua decisão:   " (...), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao  recurso  para  afastar  a  decadência  relativamente  às  apurações  dos meses de fevereiro e outubro de 2001, com retorno dos autos  ao  colegiado  a  quo,  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas no Recurso Voluntário."  É como voto.    (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior                                Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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6497613 #
Numero do processo: 19515.002145/2003-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2001 a 31/03/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-004.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso do contribuinte. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos - Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2001 a 31/03/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso do contribuinte. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos - Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 496          1 495  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  19515.002145/2003­24  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­004.219  –  3ª Turma   Sessão de  10  de agosto de 2016  Matéria  RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS  Recorrente  ARNO S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 30/06/2001 a 31/03/2003  RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS  É condição para que o  recurso especial  seja admitido que se comprove que  colegiados  distintos,  analisando  a  mesma  legislação  aplicada  a  fatos  ao  menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a  legislação  analisada  pela  recorrida  em  confronto  com  aquela  versada  nos  pretendidos  paradigmas,  ou  opostas  as  situações  fáticas,  não  se  admite  o  recurso apresentado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por unanimidade,  em não conhecer  do  recurso do contribuinte.    Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício  Júlio César Alves Ramos ­ Relator.    EDITADO EM: 19/08/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen,  Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 45 /2 00 3- 24 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2 Relatório  O sujeito passivo acima identificado insurge­se contra decisão proferida pela  Primeira Câmara desta Seção que manteve lançamento contra ela lavrado que visa à exigência  da COFINS devida nos meses de junho de 2001 a março de 2003.  Segundo a interpretação dos fatos posta no recurso especial apresentado, este  processo  decorreria  da  glosa  de  compensações  postuladas  em  outro  processo  administrativo.  Por isso, ainda segundo a defesa, foi aqui negado o direito à rediscussão da matéria atinente à  compensação lá postulada, o que o faria semelhante ao paradigma apresentado.  Da descrição dos fatos constante do recurso colhe­se, porém:  (...)  em 23.12.1998, a RECORRENTE protocolizou na Delegacia da  Receita  Federal  em  São  Paulo —  Leste  (atual DERAT/SPO)  a  petição  que  instaurou  o  processo  administrativo  n°  10880,033502198­62,  solicitando  autorização  para  compensar  os  valores  que,  obedecendo  aos  Decretos­leis  n°s  2.445/88  e  2.449/88, bem como á Lei n° 7.691/88, que revogou o regime de  bases  de  cálculo  semestrais  previsto  no  art.  60  da  Lei  Complementar  7/70,  pagara  indevidamente  a  titulo  de  contribuição para o PIS sobre receitas auferidas nos períodos de  outubro de 1988 a fevereiro de 1996.  (...)  Em 16.08.2000, porém, o Chefe da EQPTD SIPE 17618 daquela  Delegacia da Receita Federal, invocando a competência que lhe  teria  sido  delegada  para  tal  e  afirmando  que  a  ora  RECORRENTE  não  trouxe  ao  processo  elementos  que  comprovassem  a  existência  do  seu  crédito,  deixou  de  tomar  conhecimento daquela petição, proferindo o Despacho Decisório  n°  1154,  que  já  instruiu  o  presente  feito,  assim  resumido  em  ementa.:  "PIS/PASEP  ­  Pedido  de  Anuência  ã  Proposta  de  Crédito  Restituível,  Cumulado  ao  de  Autorização  para  Compensar  Eventual Valor com Débitos Futuros dessa Contribuição.   O  esclarecimento  de  dúvidas  do  contribuinte  quanto  a  determinado  dispositivo  da  legislação  tributária  sujeita­se  às  normas  da  legislação  própria,  cujos  requisitos  deverão  ser  obrigatoriamente  atendidos,  sob  pena  de  não  produzir  efeito.  Processo de consulta regulado pelo Decreto n° 70.235/72, arts.  46 a 53 e Lei n° 9 430/96, arts. 48 a 50, e regulamentado nas IN  SRF n's 02/97 e 49/97, alteradas pela IN SRF n° 83/97.  PEDIDO INDEFERIDO.  PIS/PASEP  ­  Questões  que  Emergem  do  Processo  ou  São  Suscitadas pela Interessada:  Restituição de Pagamento Efetuados com Base nos Decretos­leis  Declarados  Inconstitucionais  e  Compensação  do  Valor  com  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002145/2003­24  Acórdão n.º 9303­004.219  CSRF­T3  Fl. 497          3 Débitos  Futuros  dessa  Contribuição  ­  Possibilidade.  A  restituição/compensação deverá ser efetuada mediante processo  administrativo,  pois  implica  a  revisão  dos  lançamentos  anteriores  do  PIS  ­  Receita  Operacional  (DL  n's  2.445/88  e  2_449/88),  respeitado  o  prazo  decadencial  de  cinco  anos  contados da data da extinção do crédito tributário.  A Lei n° 7,691/88  revogou o parágrafo único do art.  6º  da Lei  Complementar n' 7/70, não mais subsistindo a partir daí o prazo  de  seis  meses  entre  o  fato  gerador  e  o  pagamento  da  contribuição.  Eventuais  créditos  passíveis  de  restituição/compensação  são  atualizados monetariamente pela UFIR até 31.12.95, acrescidos  dos juros SELIC a partir de janeiro/96."  Como se extrai dessas passagens,  a petição original do contribuinte não  foi  apreciada como se de pedido de compensação se tratasse. É ainda ele quem descreve:  Como se vê, naquele despacho, seu autor não apreciou o mérito  da  solicitação  feita  pela  RECORRENTE,  nem  diligenciou  para  apurar o montante que ela pretendia reaver, como lhe facultava  o  parágrafo  único  do  artigo  7°  da  IN/SRF  n°  21/974,  que  regulamentava  a  matéria.  Desse  ato  a  RECORRENTE  apresentou,  em  01.11.2000,  a Manifestação  de  Inconformidade  apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de  Curitiba,  que,  em  27.03.2001,  invocando  as  mesmas  razões,  exarou o Acórdão DRJ/CTA n o 202, dela também não tomando  conhecimento e, portanto, deixando de emitir qualquer  juizo de  valor  sobre  o  mérito  do  direito  creditório  vindicado  e  seu  montante.  4.4.1.  Em  seu  veredicto,  contudo,  aquele  órgão  julgador  resguardou  acertadamente  o  direito  de  a  RECORRENTE  pleitear a recuperação dos créditos de PIS em comento pela via  adequada  prevista  á  época,  qual  seja  o  preenchimento  dos  formulários  de  Pedido  de  Compensaçãos,  observadas  as  formalidades  previstas  na  IN  SRF  n°  21/97  ,  nos  seguintes  termos:  (...)  E  essa  não  apreciação  prosseguiu  no Conselho  de Contribuintes  e  na  Câmara Superior de Recursos Fiscais, findando aquele processo sem qualquer exame da  pretendida compensação.  E tanto é assim que:  (...)  4.6. Paralelamente a essa iniciativa, a RECORRENTE deu início  à  compensação  dos  seus  créditos  com  débitos  vincendos  da  própria contribuição para o PIS e da COFINS, instaurando este  processo,  de  acordo  com  o  entendimento  daquela  autoridade  administrativa, mediante  apresentação,  à Delegacia da Receita  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4 Federal de São Paulo (sucedida pela DERAT/SPO), nos prazos  adequados:  a) dos Pedidos de Compensação de débitos próprios de COFINS  até o período de apuração referente a Agosto de 2002, e   b)  das  Declarações  de  Compensação  de  débitos  próprios  de  COFINS  dos  períodos  de  Setembro  de  2002  a Março  de  2003,  seguindo,  desse  modo  a  orientação  constante  do  Acórdão  DRJ/CTA n° 202/2001 (subitem 4.4.1)  Decorrente dessa interpretação, traz como paradigma acórdão que consigna:  PIS.  COMPENSAÇÃO.  ANÁLISE  EM  PROCESSO  ESPECÍFICO. POSSIBILIDADE DE EXAME INCIDENTAL EM  PROCESSO  NO  QUAL  SE  DISCUTE  DÉBITO  OBJETO  DE  AUTO DE  INFRAÇÃO,  INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA  ADMINISTRATIVA.  SEMESTRALIDADE. A  compensação pode  ser  examinada  em  processo  administrativo  no  qual  se  ataca  débito  inscrito  em  auto  de  infração,  não  obstante  tenha  sido  matéria  específica  de  outro  processo  administrativo.  A  semestralidade do PIS deve ser admitida pelo Fisco para efeito  de encontro de contas.  O  recurso  foi  admitido  consoante  despacho  do  Presidente  da  Câmara  Recorrida que entendeu semelhantes os fatos e sobrevieram contrarrazões.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Júlio César Alves Ramos ­ Relator  Apesar do entendimento manifestado no despacho de admissibilidade não ter  sido expressamente contestado nas contrarrazões ofertadas pela Fazenda Nacional, retomo tal  análise,  pois  concluo  dessemelhantes  as  situações  a  ponto  de  não merecer  ser  examinado  o  recurso do contribuinte, como procurei deixar claro com as  longas  transcrições que incluí no  relatório.  Espero que tenha restado claro que neste processo não houve, em momento  algum,  o  exame  do  direito  creditório  postulado  ­  prazo  prescricional,  montante,  critério  de  cálculo  e  atualização  etc  ­  já  que  desde  o  princípio  se  entendeu  não  se  tratar  de  adequado  pedido de compensação, por não cumprir as disposições da IN SRF 21/97 que à época regulava  a  figura.  Já no  paradigma  se  concluiu  que  o  crédito  foi  analisado  e  considerado  insuficiente  porque não atendido o critério da semestralidade na apuração do indébito. Ou seja, o auto de  infração  lá  sim  decorreu  de  uma  compensação  indeferida,  enquanto  aqui,  da  ausência  de  compensação, simples falta de recolhimento, portanto.  Note­se  que  foi  isso  o  que  a  DRJ  afirmou  no  outro  processo:  até  aquele  momento  (27  de março  de  2001)  inexistia  qualquer  compensação,  uma  vez  que  ela  exige  a  formalização de processo nos termos da IN.   E  sendo  aquela  decisão  anterior  à  constituição  dos  créditos  objeto  deste  processo,  que  apenas  se  deu  em  2003,  teve  o  contribuinte  aproximadamente  dois  anos  para  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002145/2003­24  Acórdão n.º 9303­004.219  CSRF­T3  Fl. 498          5 "cumpri­la", formalizando os pedidos de compensação antes de qualquer lançamento sobre os  débitos que pretendia compensar. Não o fez e sobreveio o lançamento.  Já  no  acórdão  paradigma,  depreendo,  houve  um  regular  pedido  de  compensação que foi  indeferido porque o direito creditório seria insuficiente. Assim, o que o  julgador do paradigma fez foi discordar da conclusão expressa no outro processo ­ que afastara  a  semestralidade  ­  ao  passo  que  aqui  não  há  do  que  discordar,  porquanto  não  há  nenhuma  apreciação do direito.  Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso apresentado.  Júlio  César  Alves  Ramos  ­  Relator                               Fl. 500DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Numero do processo: 10925.002677/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF-F). PRORROGAÇÃO Constatado que o MPF foi devidamente prorrogado, como revela o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação deste instrumento, não há que se cogitar de sua extinção por decurso de prazo. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelou-se inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. TAXA SELIC. A partir de 10/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administra os pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sumula Carf nº 4. PERÍCIAOUDILIGÊNCIA.INDEFERIMENTO. Indefere-seopedidodeperíciaoudiligênciaquandoasuarealizaçãorevele-se prescindível. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005 PIS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelou-se inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência dos fatos geradores de PIS e da COFINS ocorridos até a competência novembro de 2000. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que deu provimento em maior extensão por entender que a fiscalização deveria ter feito a compensação de ofício nos meses em que foi apurada base de cálculo inferior à declarada pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Esteve presente na sessão de julgamento o Dr. Alessandra Rodrigues Jordão, OAB/DF nº 41.089.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2.566          1 2.565  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.002677/2005­27  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­003.437  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de setembro de 2016  Matéria  PIS E COFINS    Recorrente  BEBBER COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005   MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF­F). PRORROGAÇÃO  Constatado  que  o  MPF  foi  devidamente  prorrogado,  como  revela  o  Demonstrativo  de Emissão  e Prorrogação  deste  instrumento,  não  há  que  se  cogitar de sua extinção por decurso de prazo.  COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO  Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente  revelou­se  inferior  à  apurada  pelo  Fisco,  não  abalada  pelo  recurso  trazido,  correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas.  DECADÊNCIA.  TRIBUTOS  SUJEITOS  AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  PRAZO  DECADENCIAL DE 05 ANOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR  Tratando­se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e desde que  tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado  pelo  contribuinte,  o  Poder  Público  dispõe  do  prazo  de  05  (cinco)  anos,  contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento,  nos termos do art. 150, §4º, do CTN.   MULTA  DE  OFÍCIO.  CABIMENTO.  Nos  lançamentos  de  ofício  para  constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados,  via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44,  inciso I, da Lei 9.430/1996.  TAXA SELIC. A partir de 10/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre  débitos  tributários  administra  os  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sumula Carf nº 4.  PERÍCIAOUDILIGÊNCIA.INDEFERIMENTO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 26 77 /2 00 5- 27 Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     2 Indefere­seopedidodeperíciaoudiligênciaquandoasuarealizaçãorevele­se  prescindível.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005   PIS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO  Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente  revelou­se  inferior  à  apurada  pelo  Fisco,  não  abalada  pelo  recurso  trazido,  correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas.  Recurso Voluntário provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário, para  reconhecer a decadência dos fatos geradores de PIS e da COFINS ocorridos  até a competência novembro de 2000. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne,  que  deu  provimento  em  maior  extensão  por  entender  que  a  fiscalização  deveria  ter  feito  a  compensação de ofício nos meses em que foi apurada base de cálculo inferior à declarada pelo  contribuinte.       (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de  Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos  Augusto Daniel Neto.   Esteve presente na sessão de julgamento o Dr. Alessandra Rodrigues Jordão,  OAB/DF nº 41.089.  Relatório  Contra  a  empresa  qualificada  nos  autos,  foi  formalizada  a  exigência  de  crédito tributário relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e  à  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS/Pasep)  decorrente  dos  fatos  geradores  ocorridos  no  período  entre  março  de  1999  e  maio  de  2005,  conforme  autos  de  infração e demonstrativos às fls. 7/21 (COFINS) e 1.215/1.219 (PIS), cuja ciência da autuada  ocorreu em 19/12/2005.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 07­8.592,  da DRJ/Florianópolis (SC), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 2.412/2.422):  "(...)  Por  meio  dos  Autos  de  Infração  às  folhas  06  a  17  e  às  fls.1.195  a  1.209,  foram  exigidas  da  contribuinte  acima  qualificada as importâncias de R$ 254.997,33 e de R$ 96.225,85  Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.567          3 a título, respectivamente, de COFIN S e de Contribuição para o  PIS,  acrescidas  de  multa  de  ofício  de  150%  e  encargos  legais  devidos  à  época  do  pagamento,  referente  a  fatos  geradores  ocorridos  em  período  compreendido  entre  31/03/1999  e  31/05/2005.  O  lançamento  referido  no  Auto  de  Infração  da  Contribuição  para o PIS estava contemplado no processo administrativo fiscal  de  n°  10925.002676/2005­82,  o  qual,  por  força  do  disposto  na  Portaria  SRF  de  n°  6.129,  de  02/12/2005,  foi  anexado  ao  presente processo, conforme despachos de fls. 1.187 a 1.189.  Assim  sendo,  o  presente  processo  contempla  e  onde  serão  analisadas as impugnações correspondentes a estas exigências.  Em  consulta  à  "Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento(s)  Legal(is)", às folhas 15/16, e ao "Relatório da Atividade Fiscal"  às  folhas 20 e fls. 40, verifica­se que no período compreendido  entre  31/03/1999  a  31/12/2004,  a  contribuinte  teve  seu  lucro  arbitrado  em  vários  anos  calendário  (processo  n°  10925.002675/2005­38.  apenso  a  este)  sendo  a  presente  autuação  se  efetivado  por  falta  e/ou  insuficiência  de  recolhimento  destas  contribuições  e,  relativamente  aos  fatos  geradores ocorridos em 2005, em procedimento de Verificações  Obrigatórias,  onde  se  apurou  divergências  entre  os  valores  declarados e escriturados (para fatos geradores de 30/04/2005 e  31/05/2005).  A  seguir  se  resume  a  constatação  dos  autuantes,  conforme  Relatório (fl.40):  [...]Neste  ponto,  cabe  observar  que,  uma  vez  definida  a  tributação via arbitramento dos lucros, não subsiste o regime de  tributação  não  cumulativo  adotado  pela  Fiscalizada  para  o  cálculo  das  contribuições  do  PIS  e  COFINS.  Especificamente  quanto  à  COFINS,  observe­se  o  contido  na  Lei  n°  10.833,  de  29/12/2003, que instituiu o regime de não cumulatividade:  Art.10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS, vigentes anteriormente a esta lei, não se lhes aplicando  as disposições dos arts. 1°a 8°:  (...)  II  ­  as  pessoas  jurídicas  tributadas pelo  imposto  de  renda com  base no lucro presumido ou arbitrado; (grifos nossos)  Assim,  teve  a  Fiscalização  que  recalcular  todos  os  valores  devidos relativos à COFINS, deduzindo­se os valores declarados  nas  DCTFs  entregues  pela  Contribuinte  à  Receita  Federal.  Nessa dedução, foram considerados os valores da última DCTF  retificadora de cada período ou da DCTF original, nos casos de  inexistência de retificadora.  As diferenças apuradas podem, então, ser assim resumidas:  Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     4 ­Diferenças  de  janeiro  de  1999  a  janeiro  de  2004:  provém  da  base de cálculo a maior apurada pela Fiscalização e/ou de erro  na apuração da contribuição por parte da Contribuinte;  ­Diferenças a partir de fevereiro de 2004: provém do cálculo da  contribuição pelo regime cumulativo realizado pela Fiscalização  em confronto com o cálculo pelo regime não­cumulativo adotado  pela Fiscalizada, podendo incluir ou não diferenças entre a base  de  cálculo  apurada  pela  Fiscalização  e  a  base  de  cálculo  declarada pela Contribuinte.  Demonstramos,  no  ANEXO  IV,  o  cálculo  das  diferenças  apuradas  e,  no quadro abaixo, apresentamos um resumo anual  dessas diferenças.  [...]  11.  DAS  VERIFICAÇÕES  OBRIGATÓRIAS  As  verificações  obrigatórias  abrangeriam  o  período  de  08/2000  a  06/2005,  conforme especificado no MPF e demais dispositivos que tratam  da  matéria.  Entretanto,  o  período  08/2000  a  12/2004  ficou  integrado ao objeto fiscalizado em razão da desclassificação da  escrita  e  da  conseqüente  autuação  pelo  regime  do  lucro  arbitrado.  O  período  residual,  de  01  a  06/2005,  foi  verificado  pela  Fiscalização,  comparando­se  a  COFINS  a  recolher  registrado  na contabilidade (fl. 1.102) com a COFINS declarada em DCTF  do período (fls. 1.103­ 1.116). A cópia da DCTF do 1º semestre  de  2005  foi  fornecida  pela  Contribuinte,  após  regularmente  intimada (fls.277­279).  Desse  exame,  emergiram algumas  diferenças,  demonstradas  no  ANEXO V.  [...]O  procedimento  relativo  à  Contribuição  para  o  PIS  segue  nesta mesma linha, conforme Relatório de fls.1.232 e 1.236.  Em preliminar, a contribuinte apresentou suas razões (fl. 1.133 e  fl .2.324) de irresignação que a seguir se resume:  Do uso irregular do MPF­F­ Espontaneidade ­ cita e transcreve  artigos  da  extinta  portaria  1.265/99,  para  concluir  que  não  houve  prorrogação  do MPF­F  inicial,  emitido  em  08/07/2005,  com  término  previsto  para  05/11/2005,  portanto  o  MPF­F  extinguiu­se  nesta  data;  a  Portaria  estabelece  que,  extinto  o  MPF­F  por  decurso  de  prazo,  os  auditores  responsáveis  pela  execução do mandado extinto não poderão ser indicados para o  novo MPF;  ­  além  do  decurso  de  prazo  do  MPF­F,  ainda  que  tenham  supostamente  havido  prorrogações,  os  mesmos  AFRFs,  responsáveis pelo MPF­F decaído, continuaram, irregularmente,  o  procedimento  fiscal  até  a  lavratura  do  Auto  de  Infração;  os  mesmos  AFRFs  foram  ambos  nomeados  no  dia  08/07/2005  e  mantiveram­se  atuando  e  ATUANDO  em  11/12/2005,  com  ciência  do  contribuinte  em  19/12/2005,  PORTANTO  COMPLETAMENTE FORA DO PRAZO e das  regras  legais de  substituição;  Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.568          5 ­  após  arrazoado  acerca  da  criação  do  MPF­F,  conclui  que  "Demonstrado  que  o  MPF­F  que  originou  o  presente  auto  de  infração  foi  irregularmente  prorrogado,  por  não  obedecer  o  disposto no § do art.16 da Port. 1.265/99, restou configurado em  favor da impugnante a figura da 'denúncia espontânea', que lhe  deveria ter sido oferecida para resgatar os tributos se existissem,  razão  pela  qual  devem  ser  excluídas  as  multas  de  oficio  aplicadas, e claro anulando todo o ato fiscal, ou no máximo que  sejam aplicadas as multas moratórias dos 20% ".  No  mérito,  na  impugnação  apresentada  (fls.1.132  a  1.167  ­  COFINS  e  fls.2.328  a  2.359­  PIS)  a  contribuinte  traz  seus  argumentos acerca de arbitramento de  lucro, da  tributação de  omissão receitas, que aqui não se resumem, tendo em vista que  estas  questões  foram  tratadas  em  outros  processos  administrativos (apensos).  Assim,  aqui  irá  se  relatoriar  os  argumentos  trazidos  pela  contribuinte naquilo que se referem apenas ao lançamento das  diferenças de COFINS (fls.1.149) e de PIS (fls.2.341):  • Na re­apuração da base de cálculo de PIS e Cofins, com o (sic)  já  consumado  no  arbitramento,  o  fisco  não  considerou  o  montante  correto  de  devoluções  de  mercadorias  em  todos  os  períodos,  por  uma  razão  óbvia:  a  fiscalização  não  dispunha  e  não solicitou os livros de entrada da empresa fiscalizada. Como  poderia  a  fiscalização  obter  tal  informação  sem  examinar  os  livros  sobre  os  quais  seriam  normalmente  extraídas  estas  informações?  Talvez  o  fisco  nem  pretendesse  efetuar  levantamentos  nos  livros  de  entrada,  visto  que  ali  somente  encontraria  créditos  de  tributos  e  custos  a  serem  deduzidos  numa efetiva apuração de lucro real.  ­  que,  "numa  planilha  absurda,  o  fisco  computa mês  a mês  as  diferenças  entre  o  apurado  em  favor  do  fisco  e  lança  em  seu  favor, mas não relaciona os valores onde o contribuinte é credor  para  deduzir  ou  compensar  nos  cálculos  finais."  ­  A  conta  Especifica  na  Planilha  Equivocada  e  a  Decadência  ­  para  demonstrar  os  valores  que  fazem  parte  do  auto  de  infração,  o  fisco  elabora  os  chamados  anexos  III  e  IV  e  neles,  talvez  por  equívoco, porque sabe perfeitamente que como foi feito não está  correto, o fisco deixa de registrar os créditos;  ­  apenas  para  citar  um  exemplo,  pois  uma  planilha  completa  será  juntada  aos  autos,  podemos  referir­nos  ao  ano  de  2004,  quando  em  fevereiro,  o  fisco  comparando  a  apuração  que  ele  mesmo  fez  na  coluna  "Valor  líquido  apurado"  um  total  de  RS  21.680,70 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do  contribuinte,  num  total  de  R$  7.902,83  lançou  na  coluna  "Tributo" o valor de R$ 13.777,87, valor este que utilizou para a  lavratura e apuração do ato fiscal;  ­  ENTRETANTO,  no  mesmo  ano,  no  mês  de  dezembro,  vamos  encontrar  na  coluna  "Valor  líquido  apurado"  um  total  de  R$  78.382,52 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do  contribuinte,  um  total  de  R$  125.299,21,  O  FISCAL  NAO  Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     6 LANÇOU  NUMA  COLUNA  DE  CRÉDITOS,  o  valor  de  R$  46.916,69.  E  ASSIM  FEZ  SUCESSIVAMENTE  NOS  CINCO  ANOS. A CONTA ESTÁ ERRADA.  ­ embora a rigor nada seja devido, porque a escrita não poderia  ser desclassificada, de qualquer forma, com certeza no presente  caso, no mínimo os Srs. Julgadores determinarão uma diligência  para  apurar  os  valores  regulares  e  constatar  que  se  dívida  houver,  será  de  valor  muitíssimo  menor.  Nossa  planilha  evidencia que entre 2000 e 2004 em vez de dever R$ 179.900,00  o contribuinte deveria R$ 68.500,00;  ­  deixamos  de  abordar  acima  o  ano  de  1999,  porque  o  entendemos  já alcançado pela decadência,  porque na  condição  de tributo, que se paga e aguarda a homologação, deve obedecer  as regras do art.173 do CTN, nunca as regras da Lei 8.212/91,  conforme já vem julgando os tribunais, inclusive o STJ; também  não  abordaremos  aqui  o  ano  de  2005,  porque  neste  caso  os  julgadores  necessitarão  determinar  que  o  fisco  reexamine  os  cálculos para apurar todos os valores que não foram deduzidos  na aplicação de alíquota não cumulativa.  Os  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo,  no  entanto,  não  foram  totalmente  acolhidos  pela  primeira  instância  de  julgamento  administrativo  fiscal,  conforme  ementa do Acórdão abaixo transcrito:   Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Mandado  de  Procedimento  Fiscal­  Fiscalização  (MPF­F).  Prorrogação da Fiscalização.  Constatado  que  o  MPF  foi  devidamente  prorrogado,  como  revela  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação  deste  instrumento, não há que se cogitar de sua extinção por decurso  de prazo.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa: Contribuições Sociais. Decadência.  O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos  relativos à COFINS e PIS  extingue­se após dez anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  crédito  poderia ter sido constituído.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa: Insuficiência de Recolhimento.  Constatado  que,  em  alguns  meses,  a  base  de  cálculo  apurada  pela  contribuinte  revelou­se  inferior  à  apurada  pela  Fiscalização,  não  abalada  pela  impugnação  trazida,  correto  o  lançamento de ofício das diferenças apontadas.  Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.569          7 Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins   Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005   Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher.  Verificado  que  os  valores  declarados  em  DCTF  diferem  para  menor  dos  valores  da  contribuição  registrada  na  escrituração  contábil,  correto  o  lançamento  de  ofício  das  diferenças  apontadas.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa: Insuficiência de Recolhimento.  Constatado  que,  em  alguns  meses,  a  base  de  cálculo  apurada  pela  contribuinte  revelou­se  inferior  à  apurada  pela  Fiscalização,  não  abalada  pela  impugnação  trazida,  correto  o  lançamento de ofício das diferenças apontadas.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005   Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher.  Verificado  que  os  valores  declarados  em  DCTF  diferem  para  menor  dos  valores  da  contribuição  registrada  na  escrituração  contábil,  correto  o  lançamento  de  ofício  das  diferenças  apontadas.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  DUPLICAÇÃO  DO  PERCENTUAL  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONDIÇÃO  INOCORRENTE.  Constatado que não ocorreram as condições previstas nos arts.  71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, incabível a duplicação do  percentual da multa de que  trata o  inciso I do art.44 da Lei n°  9.430/96  (com  a  nova  redação  do  artigo  dada  pela  Medida  Provisória n° 303, de 29/06/2006, DOU de 30/06/2006).  Lançamento Procedente em Parte   Contra essa decisão foi interposto o recurso (fls. 2.433 a 2.445), para reiterar  a preliminar de nulidade argüida na peça  impugnatória sobre irregularidades concernentes ao  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF),  trazer  alegações  relativas  à  impossibilidade  de  desclassificação  da  escrita,  reportando­se  à  peça  impugnatória  para  invocar  os  mesmos  argumentos e a jurisprudência ali citada e, quanto ao mérito, alegar, em síntese, que:  Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     8 (i) ­ há flagrantes erros na planilha da fiscalização em que se apurou o tributo  devido,  pois  não  se  utilizaram  os  valores  relativos  a  diferenças  a  favor  da  recorrente  para  deduzir  ou  compensar  com  as  diferenças  a  favor  do  Fisco  (lançadas).  Compare­se,  por  exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro  (crédito a favor da recorrente que não foi considerado);  (ii)  ­  que  deve  ser  considerado  que  o  PAF  n°  10925.002678/2005­71,  que  trata do lançamento decorrente de omissão de receita, foi anulado pela DRJ em Florianópolis;  (iii) ­ na impugnação, deixou­se de tratar do mérito da exigência relativa aos  fatos  geradores  de  1999  e  de  2000,  por  estarem  fulminados  pela  decadência,  em  conformidade com o art. 173 da Lei n° 5.172, de 1966 ­ Código Tributário Nacional  (CTN),  não sc lhes aplicando a Lei n° 8.212, de 1991, como sustentado na decisão recorrida;  (iv) ­ não foram consideradas pela instância de piso as alegações relativas ao  arbitramento do lucro e enquadramento legal.  A  recorrente  relacionou  também, os  itens da decisão da  instância  recorrida,  cujos fundamentos considerou inconsistentes, para requerer que sejam reexaminados à vista da  peça impugnatória:  a) irregularidades do MPF­F;  b) desclassificação da escrita, sobre o que não se manifestaram os julgadores;  c) equívocos na elaboração da planilha, e  d) decadência dos fatos geradores entre janeiro de 1999 a outubro de 2000.  Ao  final,  solicita  o  arquivamento  dos  autos,  em  face  do  equivocado  fundamento na desclassificação da escrita, ou que sejam refeitos os cálculos para consideração  dos  seus  créditos  na  apuração  do  tributo  para o  lançamento  ou,  nesse  ponto,  seja  autorizada  perícia para constatar que existiam na contabilidade, informações suficientes para apuração de  resultados, sem necessidade de arbitramento.  Requereu ainda redução da multa de 75% para 20% e o afastamento da taxa  do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), visto que tal acréscimo é indevido, nos  termos do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ).  Verifica­se que foram arrolados bens, conforme informação da Delegacia da  Receita  Federal  em  Joaçaba  (SC),  à  fl.  2.446/2.448,  controlado  no  PAF  nº  10925.0002680/2005­41 (informação fl. 2.449).  Pois  bem.  O  recurso  chegou  a  este  Conselho  e  em  26/04/2007,  o  então  Segundo Conselho de Contribuintes (Terceira Câmara), resolveram, por unanimidade de votos,  converter o  julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 203­00.806, nos seguintes  termos (fls. 2.451/2.455) ­ grifamos:  "(...)  Assim,  a  decisão  administrativa  no  processo  n°  10925.002675/2005­38, que  cuida do IRPJ e da CSLL,  tributos  cuja  base  imponível  é  o  lucro,  pode  refletir  na  decisão  destes  autos, conforme considerar ou não procedente o arbitramento do  lucro.  Em  face  disso,  para  a  solução  do  litígio,  entendo  necessário aguardar o julgamento do recurso n° 155.202, que se  Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.570          9 encontra  na  Quinta  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes.  Destarte,  voto  por  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência para que a unidade de origem, após  a definitividade  da  decisão  administrativa  no  processo  supracitado,  dela  anexe  cópia  a  estes  autos  e  elabore  demonstrativos  com  vista  a  segregar  os  valores  do  PIS  e  da  Cofins  de  que  cuidam  estes  autos  que  decorrem  da  exclusão  da  recorrente  do  regime  não­ cumulativo dessas contribuições.  Por  fim,  saliente­se  que  deve  ser  dada  ciência  à  recorrente  dessa  diligência  com  o  respectivo  resultado,  concedendo­lhe  prazo para sobre ela se manifestar.  Os  autos,  então,  foram  encaminhados  à  DRF/Joaçaba  (SC),  para  cumprimento da referida Resolução (fl. 2.456).  Quanto ao atendimento do solicitado no item 1 acima, a DRF de Joaçaba, em  seu despacho às fl. 2.508, cumpriu e informou o seguinte:  "(...) Informamos que foram juntadas às fls. 2.460/2.480 cópia do  Acórdão nº 105­17.154 do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  (CARF),  que  julgou  o  recurso  nº  155.202,  e,  às  fls.  2481/2490, cópia da Decisão da Câmara Superior de Recursos  Fiscais relativa ao julgamento do Recurso Especial da Fazenda  Nacional.  Também  juntamos  cópia  da  ciência  da  Fazenda  Nacional,  fl.  2.491,  e  do  contribuinte,  fls.  2.492/2.496,  em  relação a esta última decisão.  Conforme  consta  às  fls.  2.497/2.507,  o  interessado  aderiu  a  parcelamento  especial  da  lei  nº  11.941/2009,  que  foi  reaberto  pela  lei  nº  12.996/2014,  e  os  débitos  do  processo  nº  10925.002675/20005­38 poderão ser incluídos no parcelamento  pleiteado.  No  momento  o  parcelamento  especial  ainda  está  aguardando a prestação de informações para a consolidação.  Considerando  que  as  providências  desta  Seção  já  foram  tomadas,  proponho  o  encaminhamento  à  Safis  desta Delegacia  para continuidade, conforme Despacho de fl. 2.458.  No entanto, quando ao item 2 da solicitação, a DRF de Joaçaba (SC), em sua  Informação Fiscal de fls. 2.510/2.511, consignou que:  "(...)  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  para  exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social – Cofins.  Em  atendimento  ao  despacho  de  folhas  nº  2.508  a  2.509,  analisamos  o  pedido  de  diligência  requestado  pelo  Segundo  Conselho de Contribuintes, conforme Resolução nº 203­ 00.806,  Recurso  nº  137.529,  em  especial  o  contido  na  folha  nº  2.455  (folha  nº  2.428  do  volume 13,  numeração original  do  processo  físico)  que  reza  sejam  elaborados  demonstrativos  com  vista  a  segregar os valores do PIS e da COFINS de que cuidam estes  Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     10 autos  que  decorrem da  exclusão  da  recorrente  do  regime não­ cumulativo  dessas  contribuições.  Aqui,  fazemos  uma  observação:  o  pedido  de  diligência  faz  referência  ao  PIS  e  a  Cofins,  porém  o  presente  processo  trata  exclusivamente  da  Cofins (...).  Ocorre que, tanto no Relatório do acórdão recorrido (DRJ à fl. 2.414), como  na Resolução prolatada pelo 2º CC (fl. 2.452), consta claramente que nestes autos estão sendo  julgados  as  duas  Contribuições,  quais  sejam,  o  PIS  e  a  Cofins.  Veja­se  os  trechos  abaixo  reproduzidos (primeiro da DRJ, depois 2º CC):  "(...)  O  lançamento  referido  no  Auto  de  Infração  da  Contribuição  para  o  PIS  estava  contemplado  no  processo  administrativo  fiscal  de  n°  10925.002676/2005­82,  o  qual,  por  força do disposto na Portaria SRF de n° 6.129, de 02/12/2005,  foi anexado  ao  presente  processo,  conforme  despachos  de  fls.  1.187 a 1.189".  "(...)  Contra  a  pessoa  jurídica  qualificada  nos  autos  deste  processo  foi  formalizada  a  exigência  de  crédito  tributário  relativo  à  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  e  à  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  decorrente  dos  fatos  geradores  ocorridos  no  período  entre  março  de  1999  e  maio  de  2005,  conforme  autos  de  infração  e  demonstrativos  às  fls.  5  a  17  (Cofins) e 1.194 a 1.199 (PIS), cuja ciência da autuada ocorreu  em dezembro de 2005.  Ademais  disso,  o  processo  nº  10925.002676/2005­82,  referente  ao  PIS,  encontra­se  apensado  a  este,  conforme  despacho  de  fl.  2.459.  Portanto,  o  presente  processo  contempla (o Recurso Voluntário correspondente) as exigências do PIS e da Cofins.  Assim,  considerando  todas  as  informações  relatadas  acima  e  ainda  novas  informações  que  foram  trazidos  aos  autos,  como  as  cópias  do  processo  nº  10925.002675/20005­38 (referente ao IRPJ e CSLL), bem como os resultados de julgamentos  prolatados  pelo  CARF  e  pela  CSRF  (fls.  2.460/2.490),  e  também  juntada  de  documentos  informando que foi solicitado adesão ao parcelamento especial da Lei nº 11.941/2009, que foi  reaberto pela lei nº 12.996/2014 (fls. 2.497/2.507) referente ao processo do IRPJ e CSLL, este  Colegiado decidiu pelo retorno do processo em Diligência, conforme consta da Resolução nº  3402­000.778, de 27/04/2016  (fls. 2.516/2.526), determinando o  retorno dos autos  à DRF de  Joaçaba (SC), para que se proceda o seguinte:  (1) Complementar as informações solicitadas na Resolução emanada pelo 2º  CC, quanto ao PIS, qual seja, elaborar demonstrativo com vista a segregar os valores de que  cuidam estes autos, que decorrem da exclusão da recorrente do regime não­cumulativo dessa  contribuição;   (2) Analisar e elaborar parecer sobre a procedência da seguinte alegação no  recurso "(...) que há  flagrantes erros na planilha da  fiscalização em que se apurou o  tributo  devido,  pois  não  se  utilizaram os  valores  relativos  a  diferenças  a  favor  da  recorrente  para  deduzir  ou  compensar  com  as  diferenças  a  favor  do  Fisco  (lançadas).  Compare­se,  por  exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro  (crédito a favor da recorrente que não foi considerado)";  Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.571          11 (3)  Informar,  se  procede  o  argumento  da Recorrente  de  que  "(...)  deve  ser  considerado que o processo n° 10925.002678/2005­71, que trata do lançamento decorrente de  omissão de receita, foi anulado pela DRJ de Florianópolis (SC)";  (4) Outras informações que julgar pertinentes para o deslinde desta questão; e   (5)  Por  fim,  saliente­se  que  deve  ser  dada  ciência  à  recorrente  dessa  diligência com o respectivo resultado, concedendo­lhe prazo para sobre ela se manifestar.  Em  cumprimento  a  solicitação  deste  Colegiado  (CARF),  em  25/05/2016,  a  fiscalização realizou a Diligência e formalizou suas conclusões constante na Informação Fiscal  de fls. 2.529/2.533.  Cientificada  da  conclusão  da  Diligência,  a  Recorrente  manifestou­se,  conforme documento de fls. 2.546/2.547.   Após o cumprimento do disposto na Resolução nº 3402­000.778, o processo  retornou a este CARF para prosseguimento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra ­ Relator  1. Da Admissibilidade dos Recursos  Como  já  verificado  quando  da  Resolução,  o  recurso  satisfaz  os  requisitos  legais de admissibilidade, por isso dele deve ser conhecido.  2. DAS PRELIMINARES  Primeiramente, é  importante ressaltar que o PAF nº 10925.002676/2005­82,  relativo a PIS, foi unificado com este de COFINS e o Recurso se refere a ambos os casos.  O  principal  argumento  do  Fisco,  para  lavrar  o  Auto  de  Infração  contra  a  Recorrente, foram centradas em diferenças mensais da análise de bases de cálculo de PIS e da  COFINS.  A  desclassificação  da  sua  escrita  fiscal,  consta  de  processo  específico  ­  PAF  nº  10925.002675/2005­38 (desclassificação de escrita fiscal), referente ao IRPJ e CSLL, reflexos  do arbitramento, cuja cópia foram anexadas a este às fls. 2.460 e seguintes. Tal procedimento  foi  considerado  procedente  naqueles  autos  conforme  julgamento  realizado  pela  CSRF  no  Acórdão nº 9101­002.065, de 12/11/2014  (fls. 2.481/2.490). Ainda em processo próprio, que  trata sobre omissão de receitas, foi lavrado o processo nº 10925.002678/2005­71 (IRPJ, CSLL,  PIS e COFINS).  Tal  questão  encontra­se  muito  bem  esclarecida  quando  do  atendimento  ao  pedido de diligência  requestado por esta 2ª Turma Ordinária conforme  ­ Resolução nº 3402­ 000.778, de 27/04/2016, em especial o contido na folha nº 2.526, que roga especificamente:   Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     12 3) Informar, se procede o argumento da Recorrente de que “(...)  deve ser considerado que o processo nº 10925.002678/2005­71,  que  trata  do  lançamento  decorrente  de  omissão  de  receita,  foi  anulado pela DRJ de Florianópolis (SC)”:  "Não procede o argumento da recorrente de que deve ser considerado que o  processo nº 10925.002678/2005­71, que trata de omissão de receita foi anulado pela DRJ de  Florianópolis (SC).  O  lançamento  estampado  no  processo  nº  10925.002678/2005­71  trata  do  Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e os lançamentos decorrentes de PIS, COFINS e  CSLL.  Portanto,  o PIS  e a COFINS  incidentes  sobre a omissão de  receitas  foram  lançados como reflexos da infração ao IRPJ e tratados exclusivamente no âmbito do processo  nº  10925.002678/2005­71.  A  base  de  cálculo  utilizada  para  o  lançamento  da  omissão  de  receitas é distinta da base de cálculo utilizada para o lançamento agora sob análise.  Em  resumo,  a  questão  do  arbitramento  de  lucro,  da  tributação  de  omissão  receitas,  aqui  não  se  discutem,  tendo  em  vista  que  estas  questões  foram  tratadas  em  outros  processos administrativos. Assim, aqui irá se analisar os argumentos trazidos pela Recorrente  naquilo que se referem apenas ao lançamento das diferenças de PIS e da COFINS.  2.1. Da alegada irregularidade do MPF­F  Aduz  a  Recorrente  que  "demonstrou  que  existiam  irregularidades  no  que  concerne ao e MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ­ FISCALIZAÇÃO (MPF­F), com  base  nas  determinações  da  Portaria  SRF  n.°  1.265,  de  22/11/1999  e  suas  respectivas  atualizações  até  08.07.2005,  bem  como  indicou  jurisprudência  e  argumentos  fortes  em  seu  favor, no sentido de invalidade do prosseguimento da fiscalização após o prazo expirado".  Como se vê, argumenta a Recorrente a nulidade do procedimento fiscal, em  face de irregularidades, por sua ótica, quanto ao MPF e respectivas atualizações. Invocando a  Portaria SRF n° 1.265/99, afirma que, não tendo sido prorrogado o MPF originalmente emitido  em 08/07/2005, estaria extinto em 05/11/2005, e nulo seria o procedimento a partir daí.  No  Acórdão  recorrido,  a  autoridade  julgadora  demonstrou  o  equivoco  do  entendimento  esposado  pela  Recorrente,  posto  que  à  época  dos  fatos  já  estava  revogada  a  Portaria SRF n° 1265, de 1999, e em vigor a Portaria SRF n° 3.007/2001, com as alterações  introduzidas  pela  Portaria  SRF  nº  1.468/2003.  Segundo  as  disposições  então  vigentes,  a  prorrogação  do  MPF  seria  feita  por  registro  eletrônico,  à  disposição  da  interessada  pela  internet.   Às  fls.  03/06,  se  encontra  o  Demonstrativo  de  emissão  e  prorrogação  de  MPF,  mediante  o  qual  se  constata  que  a  validade  do  MPF­F  originalmente  emitido  foi  estendida até 04/01/2006. Visto que a ciência do lançamento se deu em 19/12/2005, não há que  se  falar em MPF não prorrogado, nem de  lançamento efetuado ao desamparo de  autorização  administrativa.   E mais. O ato de  lançamento, entendido como procedimento administrativo  voltado  à  constituição  do  crédito  tributário,  deve  obedecer  a  imperativos  de  forma  que  garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos.  Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.572          13 Reputo,  assim,  correta  a  decisão  a  quo,  ao  não  acolher  essa  preliminar  de  nulidade do lançamento.  2.2. DECADÊNCIA   Alega a Recorrente que  "Na  impugnação, deixamos de abordar os anos de  1999 e 2000, porque entendemos já alcançado pela decadência, pois na condição de tributo,  que se paga e aguarda a homologação, deve obedecer as regras do art.173 do CTN, nunca as  regras da Lei 8.212/91, conforme já vem julgando os tribunais, inclusive o Superior Tribunal  de Justiça".   De  fato,  quanto  a  decadência,  aplicável  ao  período  entre  janeiro  de  1999  e  dezembro 2000, da seguinte forma decidiu a DRJ/FNS (fl. 2.420):  A decadência não alcança os lançamentos de PIS e da COFINS,  uma vez que o prazo decadencial destas contribuições sociais é  de dez anos. A decadência destas exações está disciplinada, não  pelo artigo 173 do CTN, mas pelo inciso I do artigo 45 da Lei n.°  8.212,  de  24  de  julho  de  1991.  Tais  são  os  termos  deste  dispositivo" (...).  "Note­se  que,  muito  embora  a  contribuição  social  ao  PIS  não  esteja expressamente listada na Lei n.° 8.212/91 como uma das  contribuições destinadas à seguridade social, certo é que, apesar  das inúmeras discussões ainda hoje postas no âmbito doutrinário  e jurisprudencial, o prazo decadencial de dez anos também a ela  se aplica".   Portanto, entendo que, mesmo não tendo sido abordada em sua impugnação,  por  ser  questão  de  ordem  pública,  cabe  examinar  as  alegações  da  recorrente  quanto  à  decadência.   Pela ótica da Recorrente a legislação aplicável à espécie é o § 4° do art. 150  de CTN, e tem por inconstitucional o prazo decadencial de dez anos, fixado pelo art. 45 da Lei  n° 8.212/1991. Posto que a ciência do auto de infração se deu em 19/12/2005, a aplicação do  prazo  qüinqüenal  levaria  à  decadência  do  direito  da  Fazenda Nacional  de  constituir  créditos  tributários sobre todos os fatos geradores ocorridos no ano­calendário de 1999 e até 19/12/2000  para os tributos objeto deste lançamento (PIS e da COFINS).  A questão da aplicação do artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991,  adotada  pela  decisão  DRJ,  já  se  encontra  resolvida  conforme  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  consubstanciado  na  Súmula  Vinculante  n°  8,  publicada  no D.O.U.  do  dia  20/06/2008, com a seguinte redação:  Súmula vinculante nº 8 ­ São inconstitucionais o parágrafo único  do artigo 50 do Decreto­Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46  da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de  créditos tributário.  Diante do entendimento definitivo e expresso da Corte Suprema e,  ainda, à  luz do art. 103­A da Constituição Federal em vigor e, do que dispõe o Decreto n° 2.346/1997,  não se há de aplicar, em qualquer caso, o prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991.  Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     14 Resolvido essa questão, chega­se então, à seguinte regra: quando constatado  pagamento antecipado do tributo e não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação, o  prazo  decadencial  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  conta­se  a  partir  da  data  de  ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, §4º do CTN. Veja­se o contido no Acórdão  CSRF nº 9202­003.755:   DECADÊNCIA.  DECISÃO  DEFINITIVA  DO  STJ  SOBRE  A  MATÉRIA.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  STJ,  em  acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC  (Recurso  Especial nº 973.733­ SC) definiu que o prazo decadencial para o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  conta­se  do  fato  gerador,  quando  constatado  o  pagamento  antecipado  do  tributo  (artigo  150, §4º, do CTN).  Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173,  inciso I, do CTN:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  1  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  Por  outro  lado,  ao  tratar  das  modalidades  de  lançamento,  o  mesmo  CTN  estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  Parágrafo 4º. Se a lei não  fixar prazo a homologação, será ele  de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Os  tributos  exigidos  no  presente  processo  trata­se  de  PIS  e  de  COFINS,  assim, os mesmos submetem­se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da  grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário.  Então, o motivo que vislumbro para que seja deslocado o termo inicial para a  contagem do prazo decadencial da data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN),  para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art.  173,  I,  do  CTN)  é  outro,  se  há  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Nessas  situações,  retoma­se à regra geral do art. 173, I.  Ocorre  que  na  decisão  recorrida,  a  turma  julgadora  considerou  que  não  ocorreram  as  condições  previstas  nos  arts.71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  1964  e  portanto,  incabível  a  duplicação  do  percentual  da multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  n°  9.430/96, de forma que, em face do exposto, considerou inaplicável a duplicação da multa de  ofício, devendo ser considerada a multa de ofício típica, de 75%.  Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.573          15 Em face da não identificação das circunstâncias de dolo, fraude ou simulação,  e  verificando  que  tenha  havido  antecipação,  total  ou  parcial,  de  pagamento  do  tributo  (conforme Demonstrativo das Diferenças Apuradas ­ fls. 58/59 e 1.261/1.262), e também que  as DCTF (apenso aos autos) constitui uma declaração do débito e do crédito e que a autoridade  fiscal  possui  então,  todos  os  elementos  necessários  à  atividade  de  homologação.  Portanto,  o  prazo decadencial deve ser contado na forma do §4º do artigo 150 do CTN, o que  implica a  necessidade de rever decisão a quo.  Nesse  contexto,  assiste  razão  a  Recorrente  e  cumpre  esclarecer  que  foi  verificada  a  eventual  ocorrência  de  decadência  quanto  a  parte  dos  lançamentos,  especificamente quanto às competências anteriores a data de 19.12.2000.   Consta  dos  autos,  que  a  ciência  da  Recorrente  quanto  ao  lançamento  de  ofício, se deu em 19/12/2005 (às fls. 7/21, da COFINS e 1.215/1.219, do PIS), de modo que,  encontrar­se­iam decaídos os valores lançados relativos a fatos geradores do PIS e da COFINS  anteriores  a  05  (cinco)  anos,  ou  seja,  fatos  geradores  dos meses de  janeiro  a dezembro de  1999 até a competência/mês de novembro de 2000 e respectivos encargos legais.  3. Da impossibilidade de desclassificação da Escrita  Alega a Recorrente em seu recurso que "CONSIDERANDO, que os valores  aqui  apurados,  decorreram  direta  ou  indiretamente  da  desclassificação  da  escrita,  que NO  PRESENTE CASO, contêm Relatório  inicial,  igual ao de outros processos,  se  fez necessário  responder em  todos os  seus pontos,  INCLUSIVE PORQUE OS MESMOS ARGUMENTOS E  JURISPRUDÊNCIAS SERVEM AQUI. Ficou  na  impugnação  evidenciado,  que  a  construção  dos argumentos dos  fiscais,  possui  lógica, mas  são  falsas  suas premissas. Por  exemplo, que  não tendo obtido por escrito um depoimento, sobre a autenticação dos livros diz questionamos  o contabilista a esse respeito que, verbalmente, nos afiançou estarem "É o fisco  'inventando'  argumentos  baseado  em  'verbalmente'  o  que  definitivamente  não  existe  em  matéria  de  exigência fiscal".  E  finaliza,  à  fl.  2.439,  argumentando  que,  "(...)  Não  se  manifestaram  os  julgadores  na DRJ/FNS,  como dito  antes,  talvez  por  entender  que  esta matéria,  deveria  ser  tratada apenas no processo específico sobre arbitramento ou presumida sonegação fiscal. De  qualquer  forma,  um  outro  processo  que  continha  falhas  insanáveis,  foi  totalmente  anulado  pelos julgadores. (10925.002678/2005­71)".  Quanto a propalada anulação do processo acima, veja­se o que foi respondido  pelo  Fisco  (fl.  2.532),  quando  da  indagação  feita  por  este  Colegiado,  no  item  '3'  da  2ª  solicitação de Diligência (Resolução nº 3402­000.778, de 27/04/2016) ­ grifei:  "(...) 3) Não procede o argumento da recorrente de que deve ser considerado  que o processo nº 10925.002678/2005­71, que  trata de omissão de  receita  foi anulado  pela  DRJ de Florianópolis (SC).  O  lançamento  estampado  no  processo  nº  10925.002678/2005­71  trata  do  Imposto de Renda Pessoa Jurídica –  IRPJ e os  lançamentos decorrentes de PIS, COFINS e  CSLL. Portanto,  o PIS  e a COFINS  incidentes  sobre a  omissão  de  receitas  foram  lançados  como  reflexos  da  infração  ao  IRPJ  e  tratados  exclusivamente  no  âmbito  do  processo  nº  10925.002678/2005­71.  A  base  de  cálculo  utilizada  para  o  lançamento  da  omissão  de  receitas é distinta da base de cálculo utilizada para o lançamento agora sob análise.  Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     16 Como pode ser verificado, não está correta a alegação da Recorrente.  E  mais.  Entendo  que,  como  informado  na  Diligência,  essa  matéria  já  foi  discutida no processo nº 10925.002676/2005­82 (cópia anexado a este às fls. 2.459 e sgts), e  que  o  procedimento  fiscal  foi  considerado  procedente  naqueles  autos,  conforme  julgamento  realizado pela CSRF no Acórdão nº 9101­002.065, de 12/11/2014 (fls. 2.481/2.490).  Subscrevo as considerações  tecidas pelo Relator daquela decisão, adotando­ as como razão de decidir,  com  forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de  janeiro de  1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto.  "(...) Seguem nesse mesmo diapasão as diversas outras dúvidas  levantadas  no  curso  da  ação  fiscal  e  que,  em  boa  hora,  foram  trazidas pela recorrente no seu arrazoado, as quais me dispenso  de  relatar  por  se  mostrarem  repetitivas,  mas  que  poderão  ser  facilmente  consultadas  na  referida  peça  recursal  e,  se  assim  preferir, no próprio Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de  Infração.  Faço, pois, minhas as palavras declinadas pelo representante da  Fazenda Nacional no seu bem elaborado recurso, nos excertos já  transcritos no relatório e que reproduzo a seguir, verbis:  ∙ 75. As pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro  real devem possuir escrituração contábil completa e atualizada,  com  obediência  à  legislação  vigente  e  aos  princípios  e  convenções geralmente aceitos em contabilidade. A escrituração  é  imprescindível  nestes  casos  para  demonstrar  a  apuração dos  lucros ou prejuízos.  ∙  76. Por  isso, quando  intimados pelos auditores  fiscais,  devem  exibir  os  documentos  e  os  livros  comerciais  e  fiscais  que  lhes  foram solicitados, em boa ordem, escriturados e em dia.  ∙ 77. Se não o fizerem, não estiverem em condições de fazê­lo, ou  o  fizerem  com  vícios,  erros  ou  deficiências  que  tornem  a  escrituração  imprestável,  inviável,  ou  impossível  se  torna  verificar  o  verdadeiro  lucro  real,  ou  prejuízo,  e,  por  conseqüência, se pagaram ou estão pagando o tributo devido.  ∙  78. Daí  a  autorização  legal  para  o  arbitramento  do  lucro. O  arbitramento  é  sim  medida  drástica,  porém  não  punitiva.  Portanto, não é aplicado só nos casos de má fé ou em que haja  intenção  de  lesar  o  fisco.  É  o  que  se  depreende  da  leitura  do  acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF):  (..) Sendo certo que o ato administrativo de lançamento é um ato  vinculado,  exige­se  para  sua  validade  o  atendimento  de  certos  pressupostos  objetivos  (no  caso,  a  ocorrência  das  hipóteses  previstas  em  lei  para  o  arbitramento  do  lucro)  e  também  subjetivos  (competência  do  agente,  etc.).  Todavia,  uma  vez  atendidos  esses  pressupostos  objetivos  e  subjetivos,  isto  é,  regularmente  constituído  o  crédito  somente  se  modifica  ou  extingue,  ou  tem  sua  exigibilidade  suspensa  ou  excluída,  nos  casos  previstos  em  lei,  fora  dos  quais  não  podem  ser  dispensadas,  sob pena de  responsabilidade  funcional,  na  forma  da  lei,  a  sua  efetivação ou as  respectivas garantias,  segundo o  Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.574          17 art.  141  do  Código  Tributário  Nacional  (Lei  n°  5172,  de  25/10/1966 e Ato Complementar n° 36, de 13/03/1967, art. 7°).  ∙  78.  À  fiscalização  não  restou  alternativa  senão  aplicar  a  legislação  que  rege  a  matéria,  devidamente  capitulada  no  enquadramento legal, e arbitrar os lucros da empresa. Portanto,  não  há  que  se  falar  em  apresentação  de  elementos  comprobatórios  pela  autoridade,  pois  a  fiscalização  já  fez  a  prova que lhe cabia: a imprestabilidade da escrituração.  Por essas razões, voto no sentido de dar parcial provimento ao  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, para restabelecer o lançamento de ofício efetuado com  base no lucro arbitrado e que antes fora declarado insubsistente  pela  decisão  recorrida,  propugnando  pela  manutenção  do  quanto  foi  decidido  na  decisão  recorrida  em  relação  à  desqualificação  da  multa  de  ofício  e  sua  consequente  redução  para  75%,  bem  como  para  considerar  alcançado  pela  decadência  o  lançamento  de  ofício  efetuado  sobre  fatos  geradores ocorridos até o quatro trimestre de 1999, aplicando­ se  ao  caso  a  contagem do  prazo  decadencial  disciplinado pelo  art. 150, § 4º, do CTN".  4. Do alegado equívocos na elaboração das planilhas  Na  verificação  e  apuração  da  receita  bruta  da  contribuinte,  a  Fiscalização  utilizou­se, conforme  informa em seu Relatório Fiscal,  fl. 41, dos demonstrativos elaborados  pela própria Recorrente (Demonstrativo de Faturamento, fls. 328/334), do Razão e dos Livros  de  Saída  e  Apuração  de  ICMS.  Do  quadro  comparativo  entre  as  receitas  declaradas  pela  Recorrente  e  as  apuradas  pelo  Fisco,  pode­se  perceber  que  foram  consideradas  as  vendas  canceladas, devoluções e descontos incondicionais concedidos (fl. 41, coluna exclusões legais).  Das  várias  intimações  que  constam  nos  autos,  pode­se  verificar  que  a  Fiscalização, contrariamente ao alegado, teve conhecimento dos Livros de Entradas e Saídas da  Recorrente, conforme documentos de fls. 65/72.  No Anexo IV (fls. 58/63 e fls. 1.261/1.266) ­ Demonstrativo das Diferenças  Apuradas ­ encontra­se a COFINS e a Contribuição para o PIS  , respectivamente, apuradas e  ora  lançadas  de  ofício,  correspondente  ao  faturamento  do  período  de  1999  a  2004  e  o  1º  semestre de 2005.  Em complemento, veja­se o que se depreende da Informação Fiscal elaborada  pelo Fisco quando da solicitação da 2ª diligência (fl. 2.530/2.531) e nas planilhas reproduzidas  no corpo do mesmo documento:   "(...) Extrai­se dos autos, mais precisamente do Relatório da Atividade Fiscal  de folha nº 1.245 (folha nº 1.232 do volume 7, numeração original do processo físico) que os  valores do PIS de que cuidam estes autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime  não­cumulativo dessa contribuição foram apurados a partir de dezembro de 2002, ou seja de  dezembro de 2002 até dezembro de 2004, e constam demonstrados nas planilhas de folhas nº  1.264 a 1.266 (folhas nº 1.251 a 1.253 do volume 7, numeração original do processo físico),  abaixo reproduzidas: (...)".  Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     18 No mesmo sentido, quanto a COFINS, consta da Informação Fiscal elaborada  pelo Fisco quando da solicitação da 1ª diligência (fl. 2.511) e na planilha reproduzida no corpo  do mesmo documento:  (...) Extrai­se dos autos, mais precisamente do Relatório da Atividade Fiscal  de folha nº 42 (folha nº 40 do volume 1, numeração original do processo físico) que os valores  da Cofins de que cuidam estes autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime não­ cumulativo  dessa  contribuição  foram  apurados  a  partir  de  fevereiro  de  2004,  ou  seja  de  fevereiro de 2004 até dezembro de 2004, e constam demonstrados na planilha de folha nº 63  (folha  nº  61  do  volume  1,  numeração  original  do  processo  físico),  conforme  abaixo  reproduzido (...)".  E, quanto à alegação da Recorrente de que a planilha de cálculos elaboradas  pelo  Fisco  estaria  errada,  pois  não  se  considerou  eventuais  créditos  no  abatimento  das  contribuições  devidas,  de  se  dizer  que  o  procedimento  fiscal,  também  neste  aspecto,  está  correto.  Tome­se o  exemplo  trazido pela Recorrente  em  seu  recurso. Verifica­se  no  demonstrativo que no mês de dezembro de 2004, para a COFINS, tem­se a seguinte apuração,  valores em reais (fl. 63):    No caso, a Recorrente entende que possui um crédito de R$ 46.916,69 [B (­)  A], que deveria ser deduzido do total da contribuição devida. Nada mais equivocado.  No mês  em  referência,  a  Fiscalização  nada  cobrou  neste Auto  de  Infração,  uma vez que a COFINS que apurou como devida foi inferior à declarada pela contribuinte em  DCTF  e,  acertadamente,  não  tinha  mesmo  que  considerar  esta  diferença  para  deduzir  contribuições em períodos de apuração onde fosse devida, porque aí já estaria procedendo à  uma  compensação,  algo  que  deve  ser  de  iniciativa  dos  contribuintes  e  nos  termos  da  legislação que rege o instituto da compensação e da restituição.  Também, quanto aos valores apurados, quando do atendimento ao despacho  de  folhas  nº  2.528  (pedido  de  diligência  requestado  por  esta  2ª  Turma Ordinária)  conforme  Resolução  nº  3402­000.778,  de  27/04/2016,  em  especial  o  contido  na  folha  nº  2.526,  roga  especificamente:   2) Analisar e elaborar parecer sobre a procedência da seguinte  alegação no recurso “(...) que há flagrantes erros na planilha da  fiscalização  em  que  se  apurou  o  tributo  devido,  pois  não  se  utilizaram os valores relativos a diferenças a favor da recorrente  para  deduzir  ou  compensar  com as  diferenças  a  favor  do  fisco  (lançadas).  Compare­se,  por  exemplo,  na  planilha  de  2004,  os  valores  de  fevereiro  (crédito  a  favor  do  Fisco)  e  de  dezembro  (crédito a favor da recorrente que não foi considerado)”.  Veja­se o que o Fisco esclarece sobre esta questão (grifei):   "O  trabalho  realizado pela  fiscalização consistiu  em  recompor as bases de  cálculo do PIS e da COFINS para apurar eventuais faltas de declaração/recolhimento. Não se  Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.575          19 trata no âmbito da fiscalização de efetuar­se imputação de pagamentos tampouco de efetuar­ se compensação de valores eventualmente declarados a maior pela recorrente.  No exemplo apontado pela recorrente constata­se que relativamente ao mês  de  fevereiro  a  fiscalização  apurou  base  de  cálculo  maior  do  que  aquela  apurada  pela  recorrente, logo efetuou o lançamento de ofício para constituir o respectivo crédito tributário  sobre a diferença não declarada/recolhida.  Ainda  seguindo  o  exemplo  apontado  pela  recorrente,  constata­se  que  relativamente ao mês de dezembro, a fiscalização apurou base de cálculo menor do que aquela  apurada pela recorrente, logo não efetuou o lançamento para aquele período de apuração e  tampouco considerou os valores supostamente declarados/recolhidos a maior pela recorrente  para  compensar  com períodos  anteriores  ou  posteriores  por  falta  de previsão  legal  para  a  compensação de ofício em sede de procedimento fiscal de fiscalização.  Uma  vez  declarado  valor  maior  do  que  aquele  apurado  pelo  fisco,  simplesmente  o  fisco  deixa  de  efetuar  lançamento  de  ofício,  porém,  cabe  ao  contribuinte  buscar  as  retificações/compensações/restituições  que  julgar  cabíveis,  até  porque,  há  de  considerar­se a possibilidade do próprio contribuinte estar oferecendo a tributação algo que o  fisco não logrou êxito em alcançar".    Este  entendimento  é  aplicável  em  relação  às  alegações  trazidas  pela  Recorrente  em  seus  recursos,  tanto  ao  que  se  refere  à  contribuição  para  o  PIS  como  para  a  COFINS.  Assim,  as  planilhas  feitas  pela  Fiscalização  (Anexo  IV,  (fls.  58/63  e  fls.  1.261/1.266)) ­ Demonstrativo das Diferenças Apuradas ­ da COFINS e da Contribuição para o  PIS), com a utilização de dados dos registros e  livros fiscais da própria Recorrente, não  merecem reparos, à luz do que foi alegado e que ora se rebateu, de forma que os "créditos" que  a  Recorrente  reclamou  e  que  destacou  em  suas  "Planilha  de  Débitos  e  Créditos"  relativa  à  COFINS e de PIS (fls. 2.383/2.384) não podem ser, como já comentado, aproveitado no curso  do procedimento fiscal, na dedução destas contribuições, quando devidas, ora lançadas.  Eventuais pedidos de restituição ou compensação, há que ser requeridos em  procedimentos próprios que são regrados com legislação específica para o caso.   Quanto ao prazo decadencial, este  tema já foi abobadado em tópico próprio  deste voto (item 2.2).    5. Da Multa de Ofício­ redução de 75% para 20%    Conforme  já  relatado, a Recorrente  teve seu  lucro arbitrado em vários anos  calendário,  conforme  consta  em  outro  processo  administrativo  fiscal  citados,  onde  foi  constatado que ocorreram várias irregularidades, dentre as quais, algumas que deram causa ao  lançamento da multa de ofício qualificada (de 150%).  Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     20 No  caso  destes  autos,  a  decisão a  quo,  já  decidiu  pela  não  qualificação  da  multa de ofício aplicada, como ficou muito bem asseverado no voto conforme  trecho abaixo  reproduzido (fl. 2.421). Veja­se (grifei):  "Neste sentido, a Fiscalização apurou que houve diferenças em  seis anos calendários, conforme tabela a fl.40 (COFINS) e para  o PIS (tabela a fl. 1.232), onde pode­se perceber que os valores  apontados  como  devidos  (diferenças)  são  de  pouca  expressão,  considerado  o  porte  da  empresa  e  a  extensão  do  período  fiscalizado, de forma que para estas exigências, a gravidade do  ocorrido  no  lançamento  de  IRPJ  não  contamina  a  apuração  destas contribuições, de forma que, em face do exposto, entendo  inaplicável  a  duplicação  da  multa  de  ofício,  devendo  ser  considerada a multa de ofício típica, de 75%.  Nos  lançamentos  de  ofício  para  constituição  de  diferenças  de  tributos  devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%,  nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996.  Portanto, quanto a solicitação da redução da multa de ofício 75% para 20%,  não merece guarida por falta de previsão legal, uma vez que a Lei nº 9.430, de 1996, em seu  art. 44, I, determinou este percentual, e portanto entendo correta a manutenção desta multa de  ofício para o caso nos autos aqui tratados.  Quanto à pugnada inconstitucionalidade da multa no patamar de 75% por ter,  no  entender  da  recorrente,  natureza  confiscatória,  a  questão  não  comporta  dissensão.  Como  dito acima, a Lei determinou este percentual. Estando tal lei vigendo, descabe a este colegiado  manifestar­se acerca de sua constitucionalidade. Nesse sentido, a matéria encontra­se sumulada  pelo CARF, nos termos abaixo transcrito.  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  6. Do afastamento da taxa SELIC  Requereu ainda o afastamento da  taxa do Sistema Especial de Liquidação e  Custódia (Selic), visto que tal acréscimo é indevido, nos termos do que já decidiu o Superior  Tribunal de Justiça (STJ).  A Lei n° 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3°, estabelece a aplicação de juros  equivalentes  à  taxa  SELIC  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  não  pagos, nos seguintes termos:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrente:.; de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  especifica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de uni por cento no  mês do pagamento.  Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Acórdão n.º 3402­003.437  S3­C4T2  Fl. 2.576          21 O  mesmo  entendimento  utilizado  para  redução  de  multas  vale  para  a  aplicação  da  taxa  SELIC,  como  juros  moratórios,  pois  tal  matéria,  igualmente  encontra­se  sumulada pelo CARF, nos seguintes termos:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Não  acolho,  pois,  o  pedido  de  desconsideração  dos  valores  decorrentes  da  aplicação da taxa SELIC.  7. Solicitação de Diligência/perícia  Em relação ao pedido de diligência/perícia, cumpre esclarecer que apesar de  ser  facultado  ao  sujeito  passivo  o  direito  de  pleitear  a  realização  de  diligências  e  perícias,  compete  à  autoridade  julgadora  decidir  sobre  sua  efetivação,  podendo  ser  indeferidas  as  consideradas prescindíveis ou impraticáveis, conforme disposto no art.18, caput, do Decreto nº  70.235, de 1972.   Os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação  do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do fisco ao lançar  o  crédito  ou  da  Impugnação  apresentada  pela  interessada.  Tais  instrumentos  se  prestam  tão  somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio.   No  presente  caso  houve,  por  duas  vezes,  por  decisão  deste  Colegiado  a  conversão dos autos em Diligência  (Resolução nº 203­00.806 e Resolução nº 3402­000.778),  tendo  a  Recorrente  oportunidade  de  manifestar  suas  contrarazões  em  todas  essas  oportunidades.  Portanto,  relativamente  ao  pedido  de  diligência  ou  de  perícia,  entendo  que  sua  realização  revela  prescindível  para  a  formação  de  convicção  pela  autoridade  julgadora,  conforme prescreve o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972:  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessária.  Por  fim,  e  para  que  não  se  alegue  omissão  no  julgado,  com  exceção  da  material  decadencial,  ratifico  e,  supletivamente,  adoto  todos  os  fundamentos  da  decisão  recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1991).  8. Conclusão  Face ao todo acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso  voluntário, da seguinte forma:   a)  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  do  lançamento,  pelas  alegadas  irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), e  Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     22 b)  reconhecer  a  decadência  dos  fatos  geradores  de  PIS  e  da  COFINS  ocorridos até a competência novembro de 2000, e  c) manter na íntegra os demais pontos decididos pelo acórdão recorrido.  É como voto.    (Assinatura Digital)  Waldir Navarro Bezerra                             Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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Numero do processo: 10711.006533/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 3          2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da  obrigação  de  prestar  informação  sobre  veículo,  operação  realizada  ou  carga  transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal  do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi  contestado pela empresa autuada.  Da Autuação  Antes  de  adentrar  na  descrição  dos  fatos  que  ensejaram  a  autuação,  a  autoridade  lançadora  fez  longa  explanação  acerca  do  comércio  marítimo  internacional,  na  qual  esclarece  quem  são  os  intervenientes  nessa  atividade,  a  documentação  utilizada,  as  informações  a  serem  prestadas  e  seus  respectivos  prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos  sobre  a  obrigatoriedade  de  prestar  informação  pelo  transportador  e  sobre  a  importância,  para  o  controle  aduaneiro,  de  os  dados  exigidos  serem  prestados  correta  e  tempestivamente.  A  fiscalização  expôs  detalhadamente  quais  as  informações  que  devem  ser  prestadas  e  os  respectivos  prazos  estabelecidos  na  legislação regente.  Em  seguida  apresentou  dispositivo  legal  que  trata  da  denúncia  espontânea  esclarecendo  que,  depois  de  formalizada  a  entrada  do  veículo  procedente  do  exterior,  esse  instituto  não  é  mais  aplicável  para  infrações  imputadas  ao  transportador,  por  força  de  expressa  disposição  do  Regulamento  Aduaneiro  (art.  683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro  pelo  descumprimento  das  normas  referentes  à  prestação  de  informações  pelos  intervenientes no transporte internacional de cargas.  Na  sequência,  a  fiscalização  discorreu  sobre  o  tipo  de  infração  verificada,  inclusive  no  tocante  a  sua  penalização.  Depois,  passou  a  demonstrar  a  irregularidade  apurada  que,  de  acordo  com  o  relatado  no  tópico  Dos  Fatos,  consistiu  na  prestação  de  informação  intempestiva  referente  ao  conhecimento  eletrônico (CE) ali identificado.  De  acordo  com  a  autoridade  fiscal,  a  autuada  deixou  de  atender  ao  prazo  estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB  n°  800,  de  27/12/2007. Assim,  a  fiscalização  considerou  caracterizada a  infração  tipificada no art. 107, IV, "e", do Decreto­Lei n° 37/1966, com redação dada pela  Lei n° 10.833/2003,  e aplicou a multa ali  prescrita,  que entende  ser  cabível para  cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações.  Da Impugnação  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  da  exação  e,  apresentou  impugnação  na  qual aduz os seguintes argumentos.  Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput  do  art.  50  da  IN RFB n° 800/2007,  os  prazos  de  antecedência para  prestação  de  informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009,  estando  a  impugnante  dispensada  de  tal  obrigação  por  ocasião  do  fato  que  deu  ensejo ao Auto de Infração. Tratando­se de dispensa do cumprimento de obrigação  acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art.  111 do Código Tributário Nacional.  Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem  objeto  idêntico  ao  dos  processos  indicados,  em que  também  é  exigida multa  pelo  atraso  na  entrega  de  informação  referente  a  carga  transportada  na  mesma  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 4          3 embarcação  a  que  se  refere  este  processo,  não  podendo  subsistir  mais  de  uma  penalidade  para  o  mesmo  fato,  conforme  estabelece  a  legislação  de  regência.  Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez,  consoante  já  decidiu  a  própria  Receita  Federal  na  Solução  de  Consulta  Interna  (SCI) n° 8, de 14/2/2008.  Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento.  A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a  impugnação  apresentada  pela  Recorrente,  mantendo  integralmente  o  crédito  constituído.  Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso  Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­003.395, de  28  de  setembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  10711.006561/2010­30,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­003.395):  1. Tempestividade  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  2. Preliminar  2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato  gerador  Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto  idêntico ao dos processos  indicados  em  seu  recurso voluntário,  em que  também é  exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada  na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de  uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência.  Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez,  consoante  já  decidiu  a  própria  Receita  Federal  na  Solução  de  Consulta  Interna  (SCI) n° 8, de 14/2/20081."                                                              1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração  de  exportação  e  o  que  deixou  de  informar  os  dados  de  embarque  sobre  todas  as  declarações  de  exportação  cometeram  a  mesma  infração,  ou  seja,  deixaram  de  cumpri  a  obrigação  acessória  de  informar  os  dados  de  embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não  prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados.  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 5          4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela  afirma  ser  impossível  existir  mais  de  uma  penalidade  para  o  mesmo  fato,  a  Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma:  "No  caso  sob  análise  não  houve  uma  infração.  Examinando­se  as  ocorrências  citadas  pela  fiscalização,  verifica­se que as multas aplicadas  foram decorrentes de  condutas  similares,  porém,  relativas  a  fatos  distintos.  Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações  são  idênticas,  uma  vez  que  são  diferente  seus  objetos  materiais."  Já  em  relação  ao  segundo  ponto  (aplicação  da  solução  de  consulta  interna  Cosit  nº 8/2008), a  fiscalização  justificou  seu  afastamento  com base nos  seguintes  argumentos.  "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob  exame. As informações cujos atrasos na prestação deram  ensejo  ao  lançamento  são  referentes  a  importação  de  mercadorias,  enquanto  a  citada  decisão  soluciona  consulta  relativa  à  exportação. Cada um  desses  tipos  de  operações envolve peculiaridades próprias, especialmente  no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem  na legislação regente e não podem ser desprezadas.  O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas  consolidadas, as quais são acobertadas por documentação  própria,  cujos  dados  devem  ser  informados  de  forma  individualizada  para  a  geração  dos  correspondentes  conhecimentos  eletrônicos  (CE).  Esses  registros  devem  representar  fielmente  as  correspondentes  mercadorias,  a  fim  de  possibilitar  à  Aduana  definir  previamente  o  tratamento  a  ser  adotado  a  cada  caso,  de  forma  a  racionalizar  procedimentos  e  agilizar  o  despacho  aduaneiro.  Nesses  casos,  não  é  viável  estender  a  conclusão  trazida  na  citada  SCI,  conforme  se  passa  a  demonstrar.  Pois bem.  Em  que  pese  os  argumentos  explicitados  pela  Recorrente,  fato  é  que  não  houve  comprovação  da  existência  de  duplicidade  de  cobrança  por  parte  da  fiscalização,  tampouco  argumentos  capazes  de  infirmar  o  lançamento  fiscal  ou  contradizer  os  argumentos  utilizados  pela  turma  de  origem  que  afirmou  "  que  as  multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas  a fatos distintos".  Sequer  um  demonstrativo  analítico,  com  os  registros  relativos  as  operações  tratadas em cada processo apontado no  recurso  foram produzidas pela Recorrente,  em  total  desrespeito  ao  artigo  16,  inciso  III  e  §4º,  do  inciso  V  ,  do  Decreto  nº  70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil.  Nestes  termos,  considerando  que  a  Recorrente  deixou  inexplicavelmente  de  comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento  suscitado  pela  contribuinte,  restando,  assim,  prejudicado  a  análise  dos  demais  argumentos por ela suscitado.  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 6          5 3. Mérito  3.1. Ilegalidade do Auto de Infração  O  presente  processo  administrativo  diz  respeito  a  exigência  de  multa  regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada,  ou  sobre  operações  que  executar,  prevista  no  artigo  107,  inciso  IV,  alínea  "e",  do  Decreto­Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo  fato da Recorrente ter prestado  informações sobre a desconsolidação da carga fora  do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº  800/2007.  Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do  art.  50  da  IN  RFB  n°  800/2007,  os  prazos  de  antecedência  para  prestação  de  informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009,  estando  a  impugnante  dispensada  de  tal  obrigação  por  ocasião  do  fato  que  deu  ensejo ao Auto de Infração. Tratando­se de dispensa do cumprimento de obrigação  acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art.  111 do Código Tributário Nacional".  Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107,  inciso IV, alínea "e", do Decreto­Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da  Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação  dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela  Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  (...)  e)  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­ porta, ou ao agente de carga;  Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os  contribuintes  que  descumprirem  as  obrigações  acessórias,  na  forma  e  nos  prazos  instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa.   Além  disso,  a  obrigação  do  agente  de  carga  de  prestar  as  informações  à  Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do Decreto­Lei nº 37/66,  com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber:  Art.  37.  O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas,  bem  como  sobre  a  chegada  de  veículo  procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 7          6 §  1o  O  agente  de  carga,  assim  considerada  qualquer  pessoa  que,  em  nome  do  importador  ou  do  exportador,  contrate  o  transporte  de  mercadoria,  consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos,  e  o  operador  portuário,  também  devem  prestar  as  informações  sobre  as  operações  que  executem  e  respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de  29.12.2003)  Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os  artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem:  Art.  22.  São  os  seguintes  os  prazos  mínimos  para  a  prestação das informações à RFB:  I ­ as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes  da chegada da embarcação no porto; e  II ­ as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como  para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a  escala:  a) dezoito  horas  antes  da  saída  da  embarcação,  para  os  manifestos  de  cargas  estrangeiras  com  carregamento  em  porto  nacional,  exceto  quando  se  tratar  de  granel;  (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473,  de 02 de junho de 2014)   b)  cinco  horas  antes  da  saída  da  embarcação,  para  manifestos  de  cargas  estrangeiras  com  carregamento  em  porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação  dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de  junho de 2014)   c)  cinco  (Revogado(a)  pelo(a)  Instrução Normativa RFB  nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016)   d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação,  para  os  manifestos  de  cargas  estrangeiras  com  descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam  a  bordo;  e  (Redação  dada  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)   III  ­  as  relativas  à  conclusão  da  desconsolidação,  quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no  porto de destino do conhecimento genérico.  §  1o  Os  prazos  estabelecidos  neste  artigo  poderão  ser  reduzidos para rotas e prazos de exceção.   § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para  a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas  serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação­ Geral de Administração Aduaneira  (Coana), a pedido da  unidade  da  RFB  com  jurisdição  sobre  o  porto  de  atracação,  de  forma  a  garantir  a  proporcionalidade  do  prazo em relação à proximidade do porto de procedência.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 8          7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473,  de 02 de junho de 2014)   § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional  poderão ser consultados pelo transportador.  § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduz­se a cinco  horas,  no  caso  de  embarcação  que  não  esteja  transportando  mercadoria  sujeita  a  manifesto  ou  arribada.  (Redação  dada  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)   §  5º  Os  CE  de  serviço  informados  até  a  atracação  ou  registro  do  passe  de  saída  serão dispensados dos  prazos  de  antecedência  previstos  nesta  Instrução  Normativa.  (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de  02 de junho de 2014)   §  6º  Para  os  manifestos  de  cargas  nacionais,  as  informações a que se refere o inciso II do caput devem ser  prestadas  antes  da  solicitação  do  passe  de  saída.  (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de  24 de fevereiro de 2016)   ***  Art.  50.  Os  prazos  de  antecedência  previstos  no  art.  22  desta  Instrução  Normativa  somente  serão  obrigatórios  a  partir  de  1º  de  abril  de  2009.  (Redação  dada  pelo(a)  Instrução Normativa RFB nº  899,  de  29  de  dezembro  de  2008)   Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  exime  o  transportador  da  obrigação  de  prestar  informações  sobre:  I  ­  a  escala,  com  antecedência mínima  de  cinco  horas,  ressalvados  prazos  menores  estabelecidos  em  rotas  de  exceção; e  II  ­  as  cargas  transportadas,  antes  da  atracação  ou  da  desatracação da embarcação em porto no País.  Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão  não lhe assiste.  Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal  do  Brasil  (vide  artigo  22,  da  IN  800/2007  e  IN  899/2008),  passaram  a  ser  obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do  artigo  50,  a  saber:  (i)  sobre  a  escala;  e  (ii)  sobre  as  cargas  transportadas,  que  permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos.  Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos  em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais  obrigações  previstas  no  parágrafo  único  do  artigo  50,  sob  pena  de  ensejar  a  aplicação da multa em comento.  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 9          8 Assim,  considerando  que  a  obrigação  do  agente  de  cargas  de  apresentar  as  informações  antes  da  atracação  da  embarcação  era  obrigatória,  entendo  legítima  a  penalidade imposto à Recorrente.  No  mais,  destaca­se  que  o  artigo  37,  §1º,  do  Decreto­Lei  nº  37/66,  com  a  redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no  artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em  nome  do  importador  ou  do  exportador,  contrate  o  transporte  de  mercadoria,  consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos".  Ou  seja,  referido  dispositivo  equipara  o  agente  de  carga  ao  transportar  para  efeitos  de  aplicação  da  multa em comento.  Este  destaque  se  faz  necessário  na medida  em  que  a  Recorrente  suscitou  a  aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização  ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária  acessória  em  apreço  ­  que  no  seu  texto  normativo  prevê  a  obrigação  somente  ao  transportar  ­  distorce  conceitos de direito privado, o que  é expressamente vedado  pelo  referido  artigo.  Cita  a  definição  de  "transportar"  e  "agente  de  cargas"  do  Dicionário Aurélio como fonte de direito privado.  O artigo 110 do CTN prevê:  A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e  o  alcance  de  institutos,  conceitos  e  forma  de  direito  privado,  utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou  pelas  Leis  Orgânicas  do  Distrito  Federal  ou  do  Municípios,  para  definir  ou  limitar  competências  tributária.  Ao  contrário  do  que  explicitou  a  Recorrente,  suas  razões  não  merecem  respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do  Dicionário Aurélio  não  é  fonte  de direito  privado  e,  a  duas  porque  a definição de  "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas  Constituições  dos  Estados,  ou  nas  Leis  Orgânicas  do  Distrito  Federal  ou  do  Municípios.  Portanto,  considerando que  o Decreto  37/66 e  a  IN  800/2007 não  alteraram  definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a  alegação da Recorrente neste ponto.  Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha  aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de  tributo  antes  da  vigência  da  lei  que  os  instituiu,  ao  que  passo  que  no  presente  a  discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de  obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem.  O  artigo  3º,  do  Código  Tributário Nacional  é  claro  ao  definir  tributo  como  sendo  "toda  prestação  pecuniária  compulsória,  em  moeda  ou  cujo  valor  nela  se  possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada  mediante atividade administrativa plenamente vinculada."                                                              2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa define­se como:  § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa:  IV ­ o transportador classifica­se em:  e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional;  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006533/2010­12  Acórdão n.º 3302­003.399  S3­C3T2  Fl. 10          9 Como se vê, o  legislador ao estabelecer que  tributo não constitui sanção de  ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino  que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato  gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o  fato gerador proveniente de ato ilícito.  Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar  provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeita­se a preliminar de nulidade e,  no mérito, nega­se provimento ao recurso voluntário.  Ricardo Paulo Rosa                              Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA

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6467923 #
Numero do processo: 10882.900950/2008-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10882.900950/2008­77  Recurso nº  1   Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­004.020  –  3ª Turma   Sessão de  07 de junho de 2016  Matéria  PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM.  Recorrente  SHERWIN­WILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003  PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA  ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.  Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de  vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS  e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana  Midori  Migiyama,  Demes  Brito,  Érika  Costa  Camargos  Autran  e  Maria  Teresa  Martínez  López, que davam provimento.     Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 50 /2 00 8- 77 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900950/2008­77  Acórdão n.º 9303­004.020  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  contribuinte  com fulcro nos artigos 64,  inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801­005.005, que negou provimento  ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as  receitas  oriundas  de  vendas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus,  no  período  tratado neste processo.  Cientificado do mencionado acórdão o  sujeito passivo apresentou  recurso  especial suscitando divergência  jurisprudencial quanto à  isenção das contribuições sobre as  receitas  decorrentes  de  vendas  de mercadorias  e  serviços  para  empresas  com domicílio  na  Zona Franca de Manaus.   O  recurso  foi  admitido  por  intermédio  de  despacho  do  Presidente  da  Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.934, de  07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/2011­41, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­003.934):  "A matéria,  única,  posta  ao  exame do colegiado não é nova. Com efeito,  já  tivemos  oportunidade  de  nos  pronunciar  sobre  ela  em  diversas  ocasiões,  tendo  eu  firmado  convicção  pela  inaplicabilidade  de  qualquer  medida  desonerativa  (seja  isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004.  No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso:  "que:  (a)  o  Decreto­Lei  nº  288/67  equipara  os  efeitos  das  operações  de  venda  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações  para  o  estrangeiro,  sendo­lhes  aplicáveis  as  vantagens  fiscais  estabelecidas  pela  legislação  para  as  exportações, nos  termos do seu art. 4º;  (b) o Superior Tribunal  de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência  de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus;  (c)  o  Supremo  Tribunal  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900950/2008­77  Acórdão n.º 9303­004.020  CSRF­T3  Fl. 4          3 Federal,  ao  proferir  liminar  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  nº  2.348­9,  suspendeu  a  eficácia  da  expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do  §2º  do  art.  14  da MP  nº  2.037­24/00,  expressão  suprimida  do  diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a  MP nº 2.037­25/2000;  e, por  fim,  (d) não  incide o PIS para os  fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a  revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso  I,  §2º do art.  14 da MP nº 2.037­25/2000 e a equiparação dos  efeitos  fiscais  das  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  às  exportações para o exterior".  Considero­os  todos  abarcados  no  voto  que  segue,  proferido  em  sessão  de  2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido  oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno  desta Casa, peço vênia para continuar teimando.   Disse­o eu naquela ocasião:  Vale  iniciá­lo  reenunciando  o  criativo  entendimento  da  recorrente:  a)  não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da  isenção  porque  o  decreto­lei  288  e  o  Ato  Complementar  35/67 bastam;  b)  deferida  isenção  para  exportações  em  geral,  a  vendas  à  ZFM está imediata e automaticamente estendida;  c)  tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza  de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,.  nenhuma lei ordinária o poderia revogar;  d)  a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___,  sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos  anterior e posterior.  Ainda  que  criativo,  o  raciocínio  desenvolvido  na  defesa  não  merece  prosperar  cabendo  a manutenção da  decisão  recorrida  pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a  premissa  de  que  o  decreto­lei  288  teria  assegurado que  todo e  qualquer  incentivo  direcionado  a  promover  as  exportações  deveria,  imediata  e  automaticamente,  ser  estendido  à  Zona  Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos  interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade.  É  que  tal  extensão  somente  caberia  se  o  citado  decreto  tivesse  afirmado que  as  remessas  de  produtos  para  a Zona Franca  de  Manaus  são  exportação.  Nesse  caso,  a  equiparação  valeria  mesmo  para  outros  efeitos,  não  fiscais.  Poderia,  para  o  que  interessa,  restringi­la  a  “todos  os  efeitos  fiscais”.  Se  o  tivesse  feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na  legislação  que  viesse  a  afetar  as  exportações,  no  que  tange  a  tributos,  afetaria  do  mesmo  modo  e  na  mesma  medida  aquela  zona.  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900950/2008­77  Acórdão n.º 9303­004.020  CSRF­T3  Fl. 5          4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato  legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva  “constantes  da  legislação  em  vigor”.  Não  vejo  como  essa  restrição possa ser entendida de modo diverso do que  tem sido  interpretado  pela  Administração:  apenas  os  incentivos  às  exportações  que  já  vigiam  em  1  de  fevereiro  de  1967  estavam  “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando.  E  ponho  a  palavra  entre  aspas  porque  nem  mesmo  o  Poder  Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período  de  exceção,  em  que  o  Poder  executivo  quase  tudo  podia  –  pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar,  na  mesma  data,  o  Ato  Complementar  35,  cujo  artigo  7º  assegurou aquela extensão ao ICM.   Aliás,  da  interpretação  dada  pela  recorrente  a  este  último  ato  também divergimos. Deveras, pretende ela que ele  teria alçado  ao  patamar  de  lei  complementar  a  equiparação  já  prevista  no  decreto­lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior  precisão  o  que  se  entende  por  produtos  industrializados  para  efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na  Constituição  de  67.  Define­os  no  parágrafo  1º,  recorrendo  à  tabela do  então criado  imposto  sobre produtos  industrializados  (tabela  anexa  à  Lei  4.502).  No  parágrafo  segundo,  estende,  também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas  francas.  Essa  interpretação  me  parece  forçosa  quando  se  sabe  que,  segundo  a  boa  técnica  legislativa,  os  parágrafos  de  um  dado  artigo  não  acrescentam  matéria  ao  disposto  no  caput,  apenas  esclarecem  sobre  o  alcance  daquela  matéria.  E  ao  esclarecer  podem  impor  uma  definição  restritiva,  como  no  parágrafo  primeiro,  ou  extensiva,  como  no  segundo. O  que  não  pode  um  simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no  caput  e nos  seus  incisos. E não parece haver dúvida de que aí  apenas se cuida da imunidade do ICM.   Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu  ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa.   Ora,  se  a  previsão  do  decreto­lei  deveria  alcançar  “todos  os  efeitos  fiscais” e já havia previsão de  imunidade de ICM sobre  produtos  industrializados,  para  que  tal  parágrafo  no  ato  complementar?  Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade.  É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre  de  restrições  aduaneiras,  característica  das  chamadas  zonas  francas  comerciais.  O  que  se  buscou  com  a  sua  criação  foi  induzir  a  instalação  naquele  distante  rincão  nacional  de  empresas de  caráter  industrial,  que gerassem emprego e  renda  para  a  região  Norte.  Para  tanto,  definiu­se  um  conjunto  de  incentivos  fiscais que,  à  época de  sua criação,  seria  suficiente,  no entender dos seus  formuladores, para gerar aquela atração.  Tais  incentivos,  e  apenas  eles,  configuram  diferenciação  em  favor dos produtos  importados e  industrializados naquela área.  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900950/2008­77  Acórdão n.º 9303­004.020  CSRF­T3  Fl. 6          5 Foi  essa  diferença  tributária  que  induziu  a  criação  do  parque  industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada  de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de  contrato”.   A  contrário  senso,  novos  incentivos  fiscais  que  se  venham  a  instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil  o legislador por ocasião de sua instituição.   Isso  não  se  dá  automaticamente  com os  incentivos  genéricos à  exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas  imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais  durante  tanto  tempo  somente  alcançáveis  por  meio  das  exportações.  Por  óbvio,  a  ninguém  escapa  que  vendas  à  ZFM  não  geram  divisas.  Diferentes,  pois,  os  objetivos,  nenhum  automatismo se justifica.  Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da  ZFM,  inventaram  os  “legisladores  executivos”  de  então  novo  incentivo  à  exportação,  o  malsinado  “crédito  prêmio”  posteriormente  tão  combatido  nos  acordos  de  livre  comércio  a  que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona  Franca. Fê­lo,  no  entanto,  apenas  para  os  casos  em que,  após  serem  “exportados”  para  lá,  fossem  dali  efetivamente  exportados  para  o  exterior  (“reexportados”,  na  linguagem  do  dec­lei).  Em  outras  palavras,  já  em  1969  dava  o  executivo  provas  de  que  aquela  extensão  nem  era  automática,  nem  tinha  que se dar sem qualquer restrição.  Logo,  ainda  que  se  avance  na  interpretação  da  norma,  ultrapassando o método  literal  e  adentrando­se  o  histórico  e  o  teleológico,  se  chega  à  mesma  conclusão:  o  decreto­lei  288  apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação  já  existentes  e  acresceu  incentivos  específicos  voltados  a  promover  o  desenvolvimento  da  região  menos  densamente  povoada de nosso território.  Nessa  linha  de  raciocínio,  portanto,  há  de  se  buscar  na  legislação  específica  do  PIS  e  da  COFINS,  tributos  somente  instituídos  após  a  criação  da  ZFM,  dispositivo  que  preveja  alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a  não  incidência,  alíquota  zero  ou  isenção.  E  não  se  precisa  ir  longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a  edição da Medida Provisória 202.  De  fato,  a  “exclusão  das  receitas  de  exportação”  da  base  de  cálculo  do  PIS  tratada  na  Lei  7.714  e  a  isenção  da  COFINS  sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e  objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as  vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras  operações  equiparadas  a  exportação.  Um  exame  cuidadoso  dessas  extensões  vai  revelar  o  que  se  disse  acima:  todas  elas  geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais.   A  conclusão  que  se  impõe,  assim,  é  que  não  havia,  até  o  surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900950/2008­77  Acórdão n.º 9303­004.020  CSRF­T3  Fl. 7          6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a  venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que  esse  entendimento  não  era  uníssono,  muita  peleja  tendo  se  travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem  tais  vendas  amparadas  pelos  atos  legais mencionados.  E  essas  divergências  somente  se agravaram com a  edição da MP,  cuja  redação padece de diversas inconsistências.  Com  efeito,  tal  MP,  que  revogou  a  Lei  7.714  e  a  Lei  Complementar  85,  disciplinando  por  completo  a  isenção  das  duas  contribuições  nas  operações  de  exportação  trouxe  dispositivo  expresso  “excluindo”  as  vendas  à  ZFM.  Isso,  por  óbvio,  aguçou  a  interpretação  de  que  já  havia  dispositivo  isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado.  Defendo  que  não,  embora  seja  forçoso  reconhecer  que  o  dispositivo  apenas  criou  desnecessário  imbróglio.  Com  efeito,  ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no  sentido  de  que  tal  ressalva  se  destinava  apenas  aos  comandos  insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí  ventilam­se hipóteses  intrinsecamente ligadas ao objetivo que o  ato  pretende  incentivar:  vendas  para  o  exterior  que  trazem  divisas para o país. Refiro­me aos incisos VIII (vendas com o fim  de  exportação  a  trading  companies  e  demais  empresas  exportadoras)  bem  como  o  fornecimento  de  bordo  a  embarcações  em  tráfego  internacional  (ship’s  Chandler).  Além  disso,  a  interpretação  não  apenas  retira  um  incentivo,  ela  pressupõe  um  desincentivo:  qualquer  trading  do  decreto­lei  1.248/72,  exportadora  inscrita  na  SECEX  ou  ship’s  Chandler  instalada  em  outro  ponto  do  território  nacional  terá  vantagem  em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação  contra a ZFM.   A  interpretação  dada  pela  douta  PGFN  parece  buscar  um  sentido  para  o  comando do  parágrafo  de modo  a  não  torná­lo  redundante.  Fê­lo,  todavia,  da  pior  forma,  a  meu  sentir,  pois  fixou­se no método literal esquecendo­se de considerar o motivo  da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite  ler  o  artigo,  com  o  respectivo  parágrafo  segundo,  da  seguinte  forma:  há  isenção  quando  se  vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  desde  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na  ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende  com  o  fim  específico  de  exportação,  mesmo  que  a  empresa  compradora  (trading  ou  simples  exportadora  inscrita  na  SECEX) esteja situada na ZFM.  Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a  ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a  atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que  se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à  ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado.  Foi  isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o  que o Parecer da PGFN consegue nele ler.   Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900950/2008­77  Acórdão n.º 9303­004.020  CSRF­T3  Fl. 8          7 Em conseqüência  desse  parecer,  surgem  decisões  como  as  que  ora  se  examinam:  o  pedido  tinha  a  ver  com  venda  a  ZFM.  A  decisão  abre  a  possibilidade  de  que  tenha  mesmo  havido  recolhimento  indevido, mas  por motivo  completamente  diverso.  E  mais,  atribui  ao  contribuinte  a  prova  dessa  outra  circunstância,  que  não  motivara  o  seu  pedido.  Nonsense  completo.  Esse  meu  reconhecimento  implica  aceitar  que  o  malsinado  parágrafo  estava  sim  se  referindo,  genericamente,  às  vendas  à  ZFM, ou, mais  claramente,  está  ele a dizer que, para  efeito do  incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na  ZFM não se equipara à exportação de que cuida o  inciso II do  ato  legal  em  discussão.  Mas,  ao  fazê­lo,  não  está  revogando  dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu  papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter  tentado esclarecer...  Aliás,  idêntico  dispositivo  esclarecedor  poderia  ter  estado  presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decreto­lei  491.  Com  isso,  muita  discussão  travada  administrativamente  teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência  de  tal  dispositivo  e  sua  presença  na  nova  lei  que  cria  o  imbróglio.  Ele  não  leva,  contudo,  em  minha  opinião,  à  interpretação  simplória  de  que  tal  ausência  implicasse  haver  isenção.  Para  isso,  primeiro,  se  tem  de  admitir  que  basta  o  Decreto­lei 288.   Essa interpretação, parece­me, está em maior consonância com  o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma  norma  que  procura  incentivar  as  exportações  tenha  instituído  uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre  se  procurou  incentivar)  em  operações  que  produzem  o  mesmo  resultado: a geração de divisas internacionais.  A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro  de  1999  e  31  de  dezembro  de  2000  há,  sim,  isenção  das  contribuições  naquelas  hipóteses,  ainda  que  a  empresa  esteja  situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa  não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que  cumprido o que está previsto naqueles incisos.   Mas  tampouco  há  isenção  APENAS  PORQUE  A  COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse  foi o fundamento do pedido e a ele deveria  ter­se  restringido a  DRJ.  Nesses  termos,  só  causa  mais  imbróglio  a  afirmação  constante  no  acórdão  recorrido  de  que  “haveria  direito”  no  período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava  ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito  na forma requerida.  E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a  Administração  adapte  o  seu  pedido  fazendo  as  pesquisas  internas  que  permitam apurar  se  alguma das  empresas  por  ele  listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições.   Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900950/2008­77  Acórdão n.º 9303­004.020  CSRF­T3  Fl. 9          8 O máximo que se poderia admitir,  dado o  teor da decisão,  era  que, em grau de recurso,  trouxesse a empresa tal prova. Não o  fez, porém, limitando­se a postular a nulidade da decisão porque  não determinou aquelas diligências.  Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe  (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade  da decisão proferida por quem legalmente competente para tal.  Cabe  sim  manter  aquela  decisão  dado  que  o  contribuinte  não  comprovou o  seu  direito  como  lhe  exigem o Decreto  70.235,  a  Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333).  Com  tais  considerações,  nego  provimento  ao  recurso  do  contribuinte.  Com essas mesmas considerações, votei,  também aqui, pelo não provimento  do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do  RICARF, nega­se provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das  contribuições  sobre  as  receitas  oriundas  de  vendas  efetuadas  a  empresas  sediadas  na  Zona  Franca de Manaus, no período tratado neste processo.     Carlos Alberto Freitas Barreto                              Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 16004.720511/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PIS - OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE APURAÇÃO - Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 10          1 9  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.720511/2013­74  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3302­003.339  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de agosto de 2016  Matéria  COFINS/PIS  Recorrente  HB SAÚDE S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012  PIS ­ OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE   APURAÇÃO ­   Para  efeito  de  interpretação,  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art.  9º da Lei nº 9.718/98 entende­se o  total dos custos assistenciais decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos  de  saúde, incluindo­se neste total os custos de beneficiários da própria operadora  e os beneficiários de outra operadora atendidos  Recurso de Ofício Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  votos,  negar  provimento ao Recurso de Ofício.  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.   Domingos de Sá Filho ­ Relator.    Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa  (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro  Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares  de Araujo e Walker Araujo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 11 /2 01 3- 74 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     2   Relatório  Cuida­se de Recurso de Ofício visando modificar a decisão de piso referente  lançamento de contribuição para o PIS e a COFINS, período de 01.10.2010 a 31.12.2012.  O  lançamento  decorre  de  deduções  da  base de  cálculo  com  fundamento  no  artigo 3º, parágrafo 9º, inciso I, II e III da Lei de nº 9.718/98.  A  fiscalização  após  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  concluiu  pela  incidência das  contribuições  sobre  as  receitas no período de  janeiro de 2010 a  dezembro de 2012, nos termos a seguir:  “Utilizando  o  Speed  contábil  elaboramos  o  razão  contábil  da  conta 58471 e 59588 do calendário de 2011 e não constatamos  diferenças nos tipos de receitas contabilizadas nessas contas nos  meses  de  março  e  abril  de  2011  e  após  abril  de  2011,  sendo  assim, concluímos que as  receitas contabilizadas nessas contas  são tributadas pelo PIS/COFINS de janeiro de 2010 a dezembro  de 2012.”  A  fiscalização  considerou  incorretas  as  deduções  da  base  de  cálculo  os  custos/despesas referentes contas do ativo, do passivo e das receitas, por não estar elencado no  rol previsto pelo inciso 9º do art. 3º, ressaltando que as operadoras de planos de saúde, que é o  caso  da  empresa  fiscalizada,  são  beneficiadas  com  fundamento  em  regras  próprias  especificadas no parágrafo 9º do art. 3º da lei nº 9.718/98. Em síntese concluiu que o inciso III  não  contempla  os  custos  e  despesas  relativos  aos  eventos  com  os  usuários  da  empresa  operadora,  entendo  que  somente  os  custos/despesas  efetivamente  pagos,  com  os  eventos  ocorridos com usuários de outras operadoras, desde que, deduzido das importâncias recebidas  das outras operadoras, a título de transferência de responsabilidade.  Transcrevo nesse diapasão o relatório da decisão recorrida por refletir bem a  situação dos autos:   “Trata  o  presente  processo  de  exigência,  mediante  autos  de  infração, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social  (COFINS),  no  valor  de  R$  7.074.945,37,  e  da  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS/Pasep),  no  valor  de  R$  1.532.904,86,  acrescidos  de  multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos ao período de  apuração de janeiro de 2010 a dezembro de 2012.  A descrição dos fatos e os dispositivos legais infringidos constam  dos respectivos autos de infração (folhas 108 a 130) e do Termo  de  Constatação  Fiscal,  integrante  dos  autos  de  infração  (folhas 131 a 164). Da leitura da Descrição dos Fatos (folhas  110 e 120)  Observa­se que o lançamento é decorrente da dedução indevida  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  –  PIS/Pasep  e  Cofins.  No Termo de Constatação Fiscal o atuante, após a descrição  do  procedimento  fiscal,  com  base  na  documentação  e  Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 11          3 declarações  apresentadas,  concluiu  que  a  contribuinte  deduziu  indevidamente  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  contas  do  ativo  e  do  passivo  e  de  despesas.  O  auditor  fundamenta  que,  de  acordo  com  a  legislação,  as  receitas  de  operadoras  de  planos  de  saúde  estão  sujeitas  a  incidência  integral  das  contribuições  e  segue  o  regime  de  apuração  cumulativo,  ou  seja,  com  base  no  faturamento  e  não  no  resultado.  Explica a autoridade fiscal que apesar de as receitas decorrentes  da  atividade  de  operadoras  de  planos  de  saúde  serem  beneficiadas  com  algumas  exclusões  específicas,  com  regras  próprias,  além  daquelas  comuns  às  demais  sociedades,  não  comporta  exclusão  pura  e  simples  de  seus  custos,  despesas,  valores do ativo e passivo e receitas.  Após a citação da legislação tributária pertinente, a autoridade  fiscal descreve as exclusões efetuadas pela contribuinte na base  de  cálculo  das  contribuições.  No  que  se  refere  às  exclusões  comuns  a  todas  as  sociedades,  o  autuante  identificou  nos  Demonstrativos das Receitas das Deduções e da Base de  Cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  elaborado  pela  contribuinte,  relativo ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, as  vendas  canceladas,  nas  contas  códigos  28955  e  29802  (contas  redutoras  das  receitas).  Já  no  que  concerne  às  exclusões  específicas  das  operadoras  de  planos  de  saúde,  o  autuante  identificou no citado demonstrativo contas de provisões técnicas  – conta código 20209 (conta de despesa) e corresponsabilidade  cedidas – conta 3.1.1.7, sendo código 30159 para o ano de 2010,  código 30053 para os anos de 2011 e 2012 (conta redutora de  receita).  A  autoridade  fiscal  esclarece,  ainda,  que,  de  acordo  com  os  demonstrativos  apresentados  pela  contribuinte,  foram  contabilizados nas contas 3.1.1.3 código 28783 e 4.1.1.5 código  47125, respectivamente, as receitas e os custos com beneficiários  de  outras  operadoras  de  planos  de  saúde,  ou  seja,  as  citadas  contas  se  referem  à  corresponsabilidade  assumida  –contas  de  outras  operadoras.  Para  os  anos  calendário  2011  e  2012,  a  contribuinte informou a conta 3.1.1.3 como 3.1.1.1.9. Assim, na  conta 3.1.1.3 (e 3.1.1.1.9) a contribuinte contabilizou as receitas  do  plano,  cuja  obrigação  do  atendimento  lhe  foi  transferida,  sendo que os valores desta conta  integraram a base de cálculo  das contribuições. Na conta 4.1.1.5, a contribuinte contabilizou  os custos do atendimento de contratos assumidos, deduzindo os  valores correspondentes da base de cálculo das contribuições.  Em relação à conta contábil 4.1.1.5 – código 47125, relativa a  deduções  de  corresponsabilidade  assumida  de  assistência  médico hospitalar, ou seja, de usuários de outras operadoras, a  autoridade fiscal afirma que a dedução é indevida, uma vez que  a legislação prevê regras próprias para operadoras de planos de  saúde,  porém,  não  comporta  exclusão  pura  e  simples  da  totalidade  de  seus  custos.  O  auditor  explica  que  somente  a  diferença  positiva  entre  (a)  o  valor  efetivamente  pago,  pela  Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     4 operadora  de  plano  de  saúde  concessionária,  aos  seus  conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente a  eventos  realizados  com  associados  de  outras  operadoras  (as  cedentes)  e  (b)  a  quantia  correspondente  às  importâncias  recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a título de  transferência de responsabilidade ou intercâmbio é que pode ser  deduzida  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  Isto  porque, se o valor for negativo, os recebimentos da cessionária  já  cobrem  os  dispêndios  com  os  eventos  praticados  com  associados das cedentes. Em outras palavras, somente os valores  positivos apurados no Demonstrativo de Eventos Realizados  com  Associados  de  Outra  Operadoras  de  Planos  de  Saúde,  podem  ser  considerados  como  dedução  na  base  de  cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.  Do mesmo modo, a autoridade  fiscal afirma que a contribuinte  deduziu  indevidamente  da  base  de  cálculo  das  contribuições  valores  registrados  nas  seguintes  contas,  os  quais  foram  expurgados da apuração da base de cálculo no lançamento:  (a)  conta  do  ativo  circulante  –  9188  –  adiantamento  a  fornecedores –eventos médicos; (b) conta do passivo circulante –  código  10761  –  provisões  técnicas  de  operação  de  assistência  médicohospitalar; (c) conta de despesa – código 20327 – eventos  conhecidos –indenização/aviso de assistência odontológica.  O autuante  fundamenta que, em relação à exclusão da base de  cálculo das contribuições prevista no inciso III do §9º do artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98  –  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pago,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  título  de  transferência de  responsabilidades a contribuinte deduziu a  soma  dos  valores  correspondentes  a  todos  os  eventos  contabilizados,  ou  seja,  contas  de  ativo,  passivo  e  despesas  decorrentes  de  prestação  de  serviços  médicos  ou  auxiliares,  relativos  aos  seus  clientes,  incorridos  ou  pagos  a  seus  fornecedores  e  associados  pela  retribuição  dos  serviços.  E,  segundo  entendimento  da  jurisprudência  administrativa,  tal  dispositivo  não  contempla  custos  e  despesas  relativos  aos  eventos  com  os  associados  da  fiscalizada,  mas  sim,  o  valor  efetivamente  pago,  correspondente  aos  eventos  ocorridos,  com  associados  de  outras  operadoras  (cessionárias),  deduzido  das  importâncias  recebidas,  das  outras  operadoras,  a  título  de  transferência de responsabilidade.  A autoridade fiscal esclarece, ainda, que a contribuinte apurou e  declarou  em  DCTF  parcialmente  os  débitos  de  PIS/Pasep  e  Cofins  sobre  o  faturamento  –  mercado  interno  no  período  de  apuração  de  janeiro  de  2010 a  dezembro  de  2012. E,  que  tais  valores  declarados,  foram  considerados  no  lançamento  em  litígio.  5 Ainda no Termo de Constatação Fiscal, a autoridade fiscal  relata que, ao confrontar os valores das receitas informadas nos  demonstrativos  apresentados  pela  contribuinte  com  os  declarados  no  Dacon,  constatou  divergências  nos  anos  calendário  2011  e  2012,  conforme  Planilha  Apuração  Diferença Dacon, às  folhas 89 a 91, sendo que a contribuinte  Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 12          5 esclareceu, em 23 de julho de 2013, que as diferenças decorrem  da  data  de  encerramento  da  contabilidade.  E,  informa  a  autoridade fiscal que a contribuinte incluiu no demonstrativo (a)  receita no valor de R$ 3.267.108,90, relativo a janeiro de 2010  ou  (b)  outras  contabilizadas  nas  contas  58471  e  59588  no  período de janeiro de 2010 a março de 2011.  Ciente do lançamento, em 15 de outubro de 2013, a contribuinte  apresentada  impugnação,  às  folhas  168  a  173,  em  06  de  novembro  de  2013,  na  qual,  após a descrição dos  fatos,  expõe  suas razões de contestação, em síntese:  1 – Das deduções legais:  A  contribuinte  alega  que  as  deduções  da  base  de  cálculo  das  contribuições sociais foram efetivadas em estrita observância ao  disposto no artigo 3º, §9º, incisos I, II e III, da Lei nº 9.718/98,  com  redação  que  lhe  foi  dada  pela  Medida  Provisória  nº  2.15735, de 2001.  Argumenta a interessada que, para uniformizar a interpretação  acerca da dedução prevista no  inciso  III,  do citado dispositivo  legal, a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, em seu artigo  19,  acrescentou  o  §9ºA  ao  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98.  Este  dispositivo,  explica  a  contribuinte,  dispõe  que,  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  é  legalmente permitida a dedução de todos os custos assistenciais,  sejam eles com beneficiários próprios ou de outras operadoras.  Prossegue  a  fiscalizada  defendendo  que,  ainda  que  a  Lei  nº  12.873/2013 tenha vigência posterior ao período autuado, por se  tratar  de  lei  interpretativa  acerca  das  deduções  da  base  de  cálculo das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – aplica­ se o seu teor ao presente caso, nos termos do inciso I, do artigo  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  A  contribuinte  ressalta  que  a  interpretação  autêntica,  oriunda  da  vontade  do  próprio  legislador  por  meio  de  lei  interpretativa,  não  admite  qualquer juízo de valor acerca do seu conteúdo. Em sua defesa,  a  contribuinte  cita  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça (STJ).  2 Da multa de ofício de 75%:  A  contribuinte  requer  que,  na  hipótese  de  que  seja  mantido  o  lançamento  de  ofício,  a  multa  de  75%,  que  tem  caráter  confiscatório seja reduzida.  3 – Dos juros de mora sobre a multa de ofício:  A contribuinte alega que não procede a  incidência de  juros de  mora sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição,  se  os  juros  remuneram  o  credor  pela  privação  do  uso  de  seu  capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido  recolhido no prazo legal e não foi, ou seja, apenas sobre o valor  do tributo.  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     6 Da  mesma  forma,  defende  a  interessada,  o  parágrafo  3º  do  artigo 61 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a incidência de juros  sobre  a multa  de  ofício,  pois  o  dispositivo  prevê  que  sobre  os  “débitos”  incidirão  juros de mora,  sendo que a  referência aos  “débitos” diz respeito ao valor principal da dívida. E, ainda, que  não  incide  neste  caso  o  artigo  113,  §3º  do  CTN,  em  que  a  obrigação  acessória  converte  se  em  obrigação  principal  pelo  simples fato de sua inobservância.”  Em  decorrência  de  a  Impugnante  ter  alegado  tão­só  que  as  deduções  praticadas encontravam albergadas pelo § 9º­A do artigo 3º da Lei 9.718/98, incluído pela Lei  nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, por ser interpretativo, além disso, questionou aplicação da  multa de 75% e, deixado de contestar a divergência apontada pela fiscalização entre os valores  informados nos demonstrativos elaborados pelo contribuinte aos valores consignados no auto  de infração, entendeu considerou para todos os efeitos aceitos os ajustes efetuados na base de  cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.  Entendeu  Autoridade  julgadora  que  o  inciso  III  contempla  os  custos  e  despesas relativos aos eventos com os usuários da empresa operadora, entendo que somente os  custos/despesas  efetivamente  pagos,  com  os  eventos  ocorridos  com  usuários  de  outras  operadoras, desde que, deduzido das importâncias recebidas das outras operadoras, a título de  transferência  de  responsabilidade,  deduções  tidas  por  indevidas  estão  incluídas  dentro  dos  limites do parágrafo 9º­A da Lei nº 9.718/1998, afastou a exigência das contribuições para o  PIS  e  a  COFINS  relativa  às  glosas  dos  valores  das  deduções  à  base  de  cálculo  dos  custos  contabilizados nos títulos:  “(a)  10761 – Prov. Técnicas de Oper. De Assist. MédicoHosp,  nos anoscalendário 2010 a 2012;  (b)  20327  –  Eventos  Conhecidos/Ind.  Avis.  De  Assist.  Odontológica, nos anoscalendário 2010 a 2012;   (c) 9188 – Adiantamentos para Fornecedores Eventos Médicos,  no ano calendário 2010.”  É o que tinha a relatar.  Voto             Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator.  Cuida­se de Recurso de Ofício, atende os  requisitos necessários, o valor do  crédito tributário exonerado é superior ao valor de alçada por essas razões deve ser conhecido.  A  contenda  centra  em  deduções  permitidas  para  as  operadoras  de  plano  de  saúde com espeque no inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, que autoriza a dedução  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  os  valores  referentes  às  indenizações  correspondentes aos eventos ocorridos, o julgado ampliou o entendimento para abarcar o total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  dos  planos  de  saúde,  incluindo  os  custos  da  própria  operadora  e  os  beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título de transferência de responsabilidade assumida.  O lançamento ocorreu em razão das deduções dos custos e despesas relativos  aos eventos com os usuários da empresa operadora.  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 13          7 Em  sendo  assim,  entendeu  a  fiscalização  de  proceder  ao  lançamento  consubstanciado  pelo  entendimento  pacificado  no  seio  da  Receita  Federal  do Brasil,  que  os  custos  relacionados  com  atendimento  dos  beneficiários  em  unidades  próprias  ou  pela  rede  credenciada, portanto, não poderia ser excluída da base de cálculo, dando ao dispositivo, inciso  III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, interpretação restritiva.  A autorização de dedução da base de cálculo na visão do Fisco se reduz as  indenizações  efetivamente  pagas  por  uma  operadora  referente  a  atendimentos  médicos  efetuados  em  beneficiários  pertencentes  à  outra  operadora,  deduzidas  das  importâncias  recebidas a mesmo título, daí decorreu as glosas objeto do lançamento.  O julgado, a meu sentir, deu contorno jurídico acertado ao caso, essa Turma  vem caminhando no sentido de assentar entendimento em relação a essa matéria, após evento  da  Lei  nº  12.995/2014,  que  novel  legislação  alterou  substancialmente  a  interpretação  dispensada ao inciso III do parágrafo 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98, passando a considerar os  custos de beneficiários da própria operadora.  Como se vê do voto brilhante do Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledé  ,  ao apreciar essa matéria nos autos do processo de nº 10380.004529/2006­22:  “...Por  fim,  em  sua  última  manifestação,  e­fls.  676/677,  a  recorrente  pugnou  novamente  pela  dedução  dos  valores  previstos  no  §9º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  em  vista  da  alteração  promovida  pelo  artigo  19  da Lei  nº  12.873/2013,  ao  incluir o §9º­A, imprimindo interpretação autêntica da expressão  "valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos", conforme transcrito abaixo:  Art.  3o  O  faturamento  a  que  se  refere  o  art.  2o  compreende  a  receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto­Lei no 1.598, de  26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de  2014) (Vigência)  [...]§  9o  Na  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  COFINS,  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde  poderão  deduzir:  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  I  ­  co­responsabilidades  cedidas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)   II  ­  a  parcela  das  contraprestações  pecuniárias  destinada  à  constituição  de  provisões  técnicas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  III  ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias  recebidas  a  título  de  transferência  de  responsabilidades.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  §  9o­A.  Para  efeito  de  interpretação,  o  valor  referente  às  indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata  o  inciso  III  do  §  9o  entende­se  o  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     8 oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidade  assumida.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.873,  de  2013.)  A  interpretação  promovida  na  lei  relativa  àquela  expressão  alterou  substancialmente  o  entendimento  da  Receita  Federal  quanto  à  base  de  cálculo  das  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde,  expressa,  por  exemplo,  na  Solução  de  Consulta Cosit nº 6/2010, cuja ementa transcreve­se:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep O disposto no inciso III  do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, não permite que as  operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de  cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos  operacionais  relacionados  com  os  atendimentos  médicos  realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de  estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de  profissionais  e  empresas  da  área  de  saúde,  visto  que  tais  contribuições  incidem  sobre  o  faturamento  (receita  bruta)  mensal e não sobre o resultado.  O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente  autoriza  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde  a  deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep  o valor correspondente às  indenizações efetivamente pagas por  uma  operadora,  referente  aos  atendimentos  médicos  efetuados  em  beneficiários  (clientes)  pertencentes  à  outra  operadora  de  plano  de  assistência  à  saúde,  deduzido  das  importâncias  recebidas a título de transferência de responsabilidade.  Dispositivos  Legais:  §§  2º  e  9º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº  2.158­35, de 2001.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei  nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória  nº 2.158­35, de 2001, não permite que as operadoras de planos  de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Cofins, as  despesas  e  custos  operacionais  relacionados  com  os  atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários  (clientes),  por  meio  de  estabelecimento  próprio  ou  pela  rede  conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de  saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento  (receita bruta) mensal e não sobre o resultado.  O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente  autoriza  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde  a  deduzirem da base de cálculo da Cofins o valor correspondente  às  indenizações  efetivamente  pagas  por  uma  operadora,  referente  aos  atendimentos médicos  efetuados  em beneficiários  (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência  à  saúde,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  título  de  transferência de responsabilidade.  Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16004.720511/2013­74  Acórdão n.º 3302­003.339  S3­C3T2  Fl. 14          9 Dispositivos  Legais:  §§  2º  e  9º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, com a redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº  2.158­35, de 2001.  Este entendimento restritivo foi modificado pela inclusão do §9º­ A, nos termos do artigo 106, inciso I do CTN1, pois enquanto este  determinava que as indenizações por eventos efetivamente pagos  se restringia aos efetuados em beneficiários de outra operadora  de  plano  de  saúde,  o  novo  parágrafo  dispôs  que  a  expressão  refere­se  ao  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos  de  beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidade  assumida,  alargando  a  possibilidade  de  deduções permitidas.”  Como  se  vê  do  texto  extraído  do  voto  acima  mencionado,  a  interpretação  trazida pela novel norma se aplica aos casos anteriores ao ingresso da lei ao mundo jurídico.  Portanto, o  julgado não merece qualquer reparo, devendo ser mantido pelos  seus próprios fundamentos jurídicos.  Assim sendo, nego provimento ao recurso.  É como voto.  Domingos de Sá Filho                                                                1 Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados; (grifei)                              Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA     10     Fl. 323DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 10930.903674/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/05/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1  1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.903674/2012­62  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3402­003.641  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de dezembro de 2016  Matéria  COFINS ­ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO  Recorrente  WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do Fato Gerador: 30/05/2006  COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.  Não  se  reconhece  o  direito  à  repetição  do  indébito  quando  o  contribuinte,  sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que  teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma  oportunidade processual para fazê­lo, não se justificando, portanto, o pedido  de diligência para produção de provas.   COFINS  ­  IMPORTAÇÃO SERVIÇOS.  PER.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO  VINCULADO  A  DÉBITO  CONFESSADO.  Correto  o  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  por  inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado  como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação  de débito confessado.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e negar­lhe provimento.  (Assinado com certificado digital)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator.   Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Antônio  Carlos  Atulim,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Maria     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 74 /2 01 2- 62 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 3          2  Aparecida Martins  de  Paula,  Diego Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz  e Waldir  Navarro Bezerra.  Relatório  Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a  Recorrente  solicita  a  restituição  do  crédito  decorrente  do  pagamento  de  COFINS  ­  IMPORTAÇÃO.  No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR,  indeferiu  o  pleito  da  interessada,  uma  vez  que  o DARF  informado  como  origem  do  crédito  estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando  crédito disponível para restituição".  Inconformada  com  a  decisão  proferida,  a  empresa  apresentou manifestação  de  inconformidade  na  qual  esclarece  tratar­se  de  pessoa  jurídica  de  direito  privado  que  tem  como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi.   Consigna  que  a  Lei  nº  10.865/2004  instituiu  as  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  a  importação  de  bens  e  serviços, mas  não  foi  clara  em  relação  à  incidência  sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre  vendas,  o  que  fez  com  que  a  Recorrente  optasse  por  recolher  as  contribuições  sobre  essas  operações.  Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita  duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a  representantes  comerciais  residentes  ou  domiciliados  no  exterior,  não  estão  sujeitas  à  incidência do PIS e da COFINS ­ Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações  não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique.   Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à  restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional  ­ CTN, devidamente  corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado  o débito em DCTF".  Sobreveio,  então,  o  Acórdão  nº  06­046.014,  da  DRJ  em  Curitiba  (PR),  negando provimento à Manifestação de Inconformidade.  Irresignada  com  a  referida  decisão,  foi  interposto  o  presente  recurso  voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes:   (i)  diferente  do  que  entendeu  a  autoridade  julgadora,  a  empresa  recorrente  comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria,  comércio e exportação de couros de boi;  (ii)  que  demonstrou  que  a  Lei  n°  10.865,  de  2004,  que  instituiu  as  contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao  determinar  a  incidência  sobre  as  quantias  pagas,  ou  remetidas  ao  exterior,  a  representantes  comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas;  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 4          3  (iii)  para  não  sofrer  sanções,  optou  por  recolher  as  contribuições  sobre  as  quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior)  incidentes sobre  comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados;  (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas  a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a  representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência  da COFINS/PIS­Importação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou  cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta.   (v)  que  o  processo  administrativo  sempre  deve  buscar  a  verdade  real  ou  material  relativa  aos  fatos  tributários,  em  decorrência  da  estrita  legalidade  tributária,  que  devem  nortear  todos  os  atos  da  administração  fiscal.  Com  isto,  não  basta  simplesmente  argumentar que "prova alguma  foi  trazida aos autos que comprovassem de que  teria havido  pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório;  (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados  de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN.  (vii)  que  seja  reconhecido  que  os  valores  indevidamente  recolhidos  a  este  título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC,  na forma da Lei n° 9.250/95;  (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a  fim  de  que  seja  oportunizada  apresentação  de  elementos  considerados  necessários  à  complementação  da  prova  ou  esclarecimento  de  dúvidas  relativas  aos  fatos  trazidos  neste  processo.  À vista do exposto, espera e requer seja  julgado  integralmente procedente o  presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição  das quantias recolhidas indevidamente.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.529, de  13  de  dezembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  10930.903656/2012­81,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.529):  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 5          4  Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem  como  fundamento  o  indébito  de  PIS/Pasep  sobre  comissão  de  venda  paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior.  No  referido Despacho Decisório  restou  consignado que,  "(...) A  partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte, não restando crédito disponível para restituição".  Consta  dos  autos  que  o  Despacho  Decisório  questionado  está  respaldado  em  informações  prestadas  pela  própria  interessada  em  DCTF, que encontra­se ativa até o momento no sistema informatizado da  Receita Federal  do Brasil. Ou  seja,  ao  que  tudo  indica,  o  contribuinte  não  retificou  a DCTF  no  que  pertine  ao  pleito  em questão,  por  isso  a  conclusão  do  despacho  decisório  vestibular  que  o  valor  sob  pedido  de  ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos  do contribuinte".   Por  outro  lado,  a  Recorrente  tenta  demonstrar  em  seu  recurso,  que não há  incidência de contribuições para o PIS  ­  Importação sobre  remessas  realizadas  para  o  exterior  para  pagamento  de  comissões  à  agentes  no  exterior  a  título  de  comissões  ali  realizadas,  por  não  configurarem hipótese  de  serviço  prestado  no Brasil  ou  cujo  resultado  aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título  são  restituíveis  e  em  montantes  devidamente  acrescidos  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  SELIC,  na  forma  da  Lei  n°  9.250/95.  Tudo  com  base  na  Lei  nº  10.865,  de  2004  e  Soluções  de  Consultas  emitidas pela RFB que cita.  Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que  "(...)  como  se  vê  uma  das  hipóteses  de  ocorrência  do  fato  gerador  das  contribuições  ao  PIS  e  a  COFINS,  sobre  importação  de  serviços,  é  a  remessa  de  valores  a  residentes  ou  domiciliados  no  exterior  como  contraprestação  pelo  serviço  prestado",  como  alega  a  peticionante,  por  outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria  da ora Recorrente, nos seguintes termos:  "(...)  Mas,  para  a  verificação  se  os  valores  remetidos  ao  exterior  atendem  às  condições  estabelecidas  em  lei  para  a  incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não  se  caracterizando  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  há,  de  fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha  em  mãos  documentos  que  demonstrem  a  real  situação  aventada,  como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de  remessa  de  valores  ao  exterior,  cópias  de  notas  fiscais,  recibos,  dentre  outros,  além  da  própria  escrituração  contábil  da  empresa  que reflita essas operações.  Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi  trazida aos  autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou  indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois  de  iniciado  qualquer  procedimento  fiscal,  que  seja  retificada  declaração  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  a  não  ser  mediante  a  comprovação  do  erro  em  que  se  funde.  É  o  que  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 6          5  determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como  visto,  o  Despacho  Decisório  questionado  está  respaldado  em  informações  prestadas  pela  própria  interessada  em  DCTF,  que  encontra­se  ativa  até  o  momento  no  sistema  informatizado  da  Receita Federal do Brasil. (sublinhei)  E conclui a decisão a quo:  "(...)  Assim,  instaurado  o  contencioso  administrativo,  as  alegações  quanto  ao  suposto  crédito  decorrente  de  recolhimento  indevido  ou  a  maior,  como  no  caso  em  análise,  devem  estar  comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido  indevidamente, mediante  a  apresentação de  documentação hábil  e  idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte.  Dessa  forma,  uma  vez  que  a  conclusão  emitida  pela  autoridade  administrativa  teve  como  pressuposto  as  informações  prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a  produzir efeitos na data da  emissão do Despacho Decisório  e não  havendo  prova  hábil  que  contrarie  as  informações  prestadas  espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é  de se manter o indeferimento da restituição pleiteada".  Portanto,  a  lide  se  resume  na  questão  de  atendimento  de  condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos,  pois  para  o  deslinde  do  litígio  é  crucial  que  se  tenha  em  mãos  documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando  o pedido versa sobre suposto pagamento indevido.   No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem  estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido  indevidamente,  mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente.   Documentação  essa,  frise­se,  de  posse  da  recorrente  por  determinação  legal,  como contratos  firmados  com  os  agentes  externos,  comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais,  recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa  que reflita essas operações.  É  de  conhecimento  que  a  regra  fundamental  do  sistema  processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova,  encontra­se  cravada  no  art.  373  do  novo Código  de Processo Civil,  in  verbis:  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II  ­  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor.  Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova  cabe a quem dela  se aproveita. E  esta  formulação  também  foi,  com as  devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto  que  a  obrigação  de  provar  está  expressamente  atribuída  para  o  Fisco  quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando  formula pedido de repetição de indébito.  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903674/2012­62  Acórdão n.º 3402­003.641  S3­C4T2  Fl. 7          6  E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos  pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou  indevido,  embora  ela  tenha  tido mais  de  uma  oportunidade  processual  para fazê­lo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais  disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a  falta de prova.   Mas,  contrariando  os  ditames  do  ônus  da  distribuição  da  prova  para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  que  seja  oportunizada  apresentação  de  elementos  considerados  necessários  à  complementação da prova".   Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está  em seu poder, deveria  ter a Recorrente produzido  tal prova quando da  manifestação  de  inconformidade,  ou  mesmo  em  sede  de  recurso  voluntário, o que não ocorreu.  Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora  de ser mantida pelos seus próprios fundamentos.  Conclusão  Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos,  ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito.   Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                                Fl. 61DF CARF MF

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Numero do processo: 13161.001939/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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3302­003.270  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de agosto de 2016  Matéria  PIS/COFINS ­ RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  COOPERATIVA AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL COOAGRI ­ "Em  Liquidação".  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007  CRÉDITO  BÁSICO.  GLOSA  POR  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  PROVA  APRESENTADA  NA  FASE  IMPUGNATÓRIA.  RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.  Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos,  que  comprovam  o  custo  de  aquisição  de  insumos  aplicados  no  processo  produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da  pessoa jurídica, restabelece­se o direito de apropriação dos créditos glosados,  devidamente comprovados.  REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE  DE  BENS  SEM  DIREITO  A  CRÉDITO  OU  DE  TRANSPORTE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE  Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  os  gastos  com  o  frete  relativo  ao  transporte  de  mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com  frete  relativo  às  operações  de  compras  de  bens  que  não  geram  direito  a  crédito das referidas contribuições.  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL.  BENEFICIAMENTO  DE  GRÃOS.  INOCORRÊNCIA.  A  atividade  de  beneficiamento  de  grãos,  consistente  na  sua  classificação,  limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade  de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.  COOPERATIVA  DE  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  APROPRIAÇÃO  DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 39 /2 00 7- 75 Fl. 330DF CARF MF     2 Por  expressa  determinação  legal,  é  vedado  às  cooperativas  de  produção  agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.  CRÉDITO  PRESUMIDO  AGROINDUSTRIAL.  UTILIZAÇÃO  MEDIANTE  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  APURADO  A  PARTIR  DO  ANO­CALENDÁRIO  2006.  SALDO  EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.  1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011  e  apurados  a  partir  ano­calendário  de  2006,  além  da  dedução  das  próprias  contribuições, pode ser utilizado  também na compensação ou  ressarcimento  em dinheiro.  2. O  saldo  apurado  antes  do  ano­calendário  de  2006,  por  falta  de  previsão  legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro,  mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.  COOPERATIVA  DE  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  RECEITA  DE  VENDA  COM  SUSPENSÃO.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Por  expressa  determinação  legal  (art.  8º,  §  4º,  II,  da  Lei  10.925/2004),  é  vedado a manutenção de créditos vinculados às  receitas de venda efetuadas  com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica  que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.  COOPERATIVA  DE  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  RECEITA  DE  VENDA  EXCLUÍDA  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Por  falta  de  previsão  legal,  não  é  permitido  à  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos  da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados  às  receitas de venda  excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.  VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO  ARTIGO 15,  INCISO  II DA MP Nº  2.158­35/2001. CARACTERIZAÇÃO  DE  ATO  COOPERATIVO.  LEI  Nº  5.764/1971,  ARTIGO  79.  NÃO  CONFIGURAÇÃO  DE  OPERAÇÃO  DE  COMPRA  E  VENDA  NEM  OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA  LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO  DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.  As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo  nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações  em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a  sistemática  de  recursos  repetitivos  e  de  observância  obrigatória  nos  julgamentos deste Conselho,  conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte  não  podem  ser  consideradas  como  vendas  sujeitas  à  alíquota  zero  ou  não  incidentes,  mas  operações  não  sujeitas  à  incidência  das  contribuições,  afastando  a  aplicação  do  artigo  17  da  Lei  11.033/2004  que  dispôs  especificamente  sobre vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações  não incidentes.  CRÉDITO  ESCRITURAL DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  PIS/PASEP  E  COFINS.  DEDUÇÃO,  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 49          3 Independentemente  da  forma  de  utilização,  se  mediante  de  dedução,  compensação ou ressarcimento, por expressa vedação  legal, não está sujeita  atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de  crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o  PIS/Pasep e Cofins.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  reconhecer  o  direito  ao  crédito  básico  correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e  o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as  notas fiscais 27643, 987063 e 541925.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos  e  nas  compras  sem  direito  a  crédito,  vencidos  os  Conselheiros  Domingos  de  Sá,  Relator,  Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir  o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os  Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria  do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o  Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos  de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o  voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação  às  glosas  referentes  ao  direito  de manutenção  dos  créditos  vinculados  às  receitas  de  vendas  com  suspensão  e  de  vendas  excluídas  da  base  de  cálculo,  vencido  o  Conselheiro  Domingos  de  Sá,  Relator,  que  dava  provimento.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em  relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos  comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo  ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os  Conselheiros  Domingos  de  Sá,  Relator,  e  o  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento.  Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido  o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para  redigir o voto  vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.  Fl. 332DF CARF MF     4 (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Domingos de Sá Filho ­ Relator  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Redator Designado.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Redator Designado.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Lenisa  Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de  Souza e Walker Araújo.  Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao  crédito  pleiteado  referente  aos  anos  calendários  de  2004,  2005,  2006  e  2007,  e,  manteve  o  indeferimento  parcial  da  pretensão  do  reconhecimento  do  direito  creditório  relativo  ao  PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto.  Em  sede  de  Embargos  Declaratórios  foram  acolhidos  os  argumentos  da  Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua  plenitude,  diante  de  omissão  quando  da  análise  procedida  que  resultou  num Acórdão  da  2ª  Turma da DRJ/CGE.   Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302­003.270.  O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal,  o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos  realizados pela contribuinte:  “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição  de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes  e aquisições do imobilizado, (Tabela 04);  II.  Glosa  integral  do  valor  referente  ao  crédito  presumido  da  atividade  agroindustrial  por  NÃO  restar  comprovado  que  a  contribuinte  exerceu  atividade  agroindustrial,  bem  como,  pela  ausência de comprovação da destinação à alimentação humana  ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela  04);  III.  Estorno  dos  créditos  decorrentes  das  saídas  com  suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins  (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 ­ Tabela 03 e  04);  Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 50          5 IV.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrente  da  proporção  de  saídas  sujeita  a  alíquota  zero,  considerando  que  as  operações  realizadas  estavam efetivamente  sujeitas à exclusão da base de  cálculo  e,  por  decorrência,  inexiste  suporte  legal  para  a  manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela  03 e 04);  V.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrentes  da  proporção  de  saídas  não  tributadas  decorrentes  de  operações  sujeitas  à  exclusão  de  base  de  cálculo,  considerando  a  matéria  circunscreve­se  a  questão  se  Recorrente  é  considerada  agroindustrial  ausência  de  suporte  legal  para  a  manutenção  de  crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04);  VI.  Deferimento  dos  créditos  básicos  vinculados  às  operações  de  exportações realizados no período.”  Do relatório fiscal constatas as razões das glosas:  1.  CRÉDITO BÁSICO   1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS   No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais  da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins  sobre  as  compras  de  pessoa  jurídica.  Através  do  Termo  de  Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias  das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo  do Dacon.   O  contribuinte  não  logrou  êxito  em apresentar  parte  das  notas  fiscais registradas (Tabela 04 e 05).  1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM   O  contribuinte  apurou  créditos  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins  sobre  os  fretes  de  operações  de  venda/armazenagem,  transferência e compras de mercadorias.  Conforme  será  demonstrado,  apenas  os  fretes  vinculados  a  operações  de  venda  geram  direito  a  apuração  de  crédito  da  contribuição para Pis e da Cofins.    1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM  Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao  crédito da não­cumulatividade das contribuições para o Pis e da  Cofins  se  for  comprovado  que  o  ônus  foi  suportado  pelo  vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso  II e art. 93)  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003  a  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar  cópia  digitalizada  dos  comprovantes  de  pagamento  a  título  de  fretes  sobre  venda/despesa  de  armazenagem as pessoas jurídicas.   Fl. 334DF CARF MF     6 Pela  análise  da  documentação  solicitada,  a  contribuinte  comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de  2007,  foi  a  responsável  pelo  pagamento  dos  serviços  de  fretes  contratados.   Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou  seja, o ônus foi suportado pela vendedora.    1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA  As  transferências  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  contribuinte  implicam  em mero  deslocamento  das  mercadorias  com  o  intuito  de  facilitar  a  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores.  Portanto,  não  integram  a  “operação  de  venda”  referida no art. 3º,  inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o  valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para  o  consumidor  final,  desde  que  o  ônus  seja  suportado  pelo  vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins.  Cumpre  registrar  que  somente  os  valores  das  despesas  realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias  diretamente  aos  clientes  adquirentes  é  que  geram  direito  a  créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep  e da Cofins, consoante entendimento da Coordenação­Geral de  Tributação  (Cosit)  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  exarado  na  Solução  de  Divergência  nº  11,  de  27  de  setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB  na internet.  A  exclusão  das  transferências  de  mercadorias  foi  realizada  a  partir das informações prestadas através do Termo de Intimação  Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06).    1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA  Os  fretes  sobre  compras,  quando  por  conta  do  comprador,  integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito  de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra  dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens  não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará  direito ao crédito.  As  mercadorias  transportadas  nos  fretes  das  operações  de  compra  foram  fertilizantes  e  sementes,  sujeitos  à  alíquota  zero  (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto,  nos  fretes  de  operações  de  compra  não  existe  a  apuração  do  crédito.   A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada  a  partir  das  informações  prestadas  através  do  Termo  de  Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06).  1.3 ENERGIA ELÉTRICA  Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 51          7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins  contratadas  com  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  incorridas  a  partir  do  período  de  apuração de  fevereiro de 2004  (Lei nº 10.833/2003, art. 3º,  inciso  III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput).  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  foram  solicitadas  cópias  das  notas  fiscais  de  aquisição  conforme  os  registros  da  memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O  contribuinte  não  logrou  êxito  em  apresentar  parte  das  notas  fiscais registradas (Tabela 04 e 05).  1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA  É  permitida  a  apropriação  de  créditos  da  não­cumulatividade  da  contribuição  para  o Pis  e  da Cofins  sobre os  valores  relativos  as  despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Pais,  utilizados  na  atividade  da  empresa  (Lei  nº  10.833/2003, art. 3º,  inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º,  inciso  IV).  Através  do Termo  de  Intimação Fiscal  003,  foram  solicitados  todos  os  comprovantes  relativos  aos  créditos  decorrentes  de  despesa  com  aluguéis.  A  análise  da  documentação  apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados  no Dacon (ver Tabela 04)  1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO)  A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da  não  cumulatividade  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins  somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens  incorporados  ao  Ativo  Imobilizado,  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País  ou  importados,  utilizados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso  II do § 3º).  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  foram  solicitados  todos  os  comprovantes  relativos  aos  créditos  de  aquisição  de  imobilizado.   A  análise  da  documentação  apresentada  comprovou  apenas  parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04).  2.  CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA  A  luz  do  dispositivo  transcrito,  o  enquadramento  legal  para  utilização  do  crédito  presumido  decorre  das  seguintes  condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas  na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça  a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que  os  produtos  fabricados  sejam  destinados  à  alimentação  humana ou animal.  Fl. 336DF CARF MF     8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL   O  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004  estabeleceu  os  capítulos  de  classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal  que  dão  direito  ao  crédito  presumido  da  atividade  agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo  do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela  contribuinte  foram  soja  ­  NCM  1201.90.00  e  milho  ­  NMC  1005.90.10.  Assim,  referidos  produtos  estão  classificados  entre  os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º  da  Lei  10.925/2004,  com  a  regulamentação  reproduzida  na  alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660.  2.2 AGROINDÚSTRIA   A Lei nº 10.925, de 2004, não  faz nenhuma menção explícita a  atividade  de agroindústria. O art.  8º  do  referido  diploma  legal  aponta  a  necessidade  de  produção  de  mercadorias  para  apuração do crédito presumido, nos seguintes termos:  “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de  origem animal ou vegetal […]”. Grifou­se O termo agroindústria  foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito:  Art.  6º Para  os  efeitos  desta  Instrução Normativa,  entende­se  por  atividade agroindustrial:  I  ­  a  atividade  econômica  de  produção  das  mercadorias  relacionadas  no  caput  do  art.  5º,  excetuadas  as  atividades  relacionadas no art.  2º  da Lei  nº  8.023, de  1990;  e  (...) Grifou­se  Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito  de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que  produza mercadoria.  O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o  direito  de  apurar  o  crédito  presumido  nele  previsto  aplica­se  também  nas  aquisições  efetuadas  de  pessoa  de  cooperativa  de  produção agropecuária.  3.3  DESTINAÇÃO  À  ALIMENTAÇÃO  HUMANA  OU  ANIMAL  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  a  contribuinte  foi  intimada  a  comprovar  que  os  produtos  fabricados  foram  destinados à alimentação humana ou animal.  Em  resposta  a  intimação  fiscal  a  contribuinte  limitou­se  a  reproduzir  o  disposto  no  Regulamento  Técnico  Anexo  a  Instrução  Normativa  nº  11  do  Ministério  da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento,  bem  como,  a  afirmar  que  “  Como  visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura,  as  mercadorias  relacionadas  no  Caput  do  Art.  8º  da  lei  10.925/2004,  produzidas  pela  contribuinte  estão  dentro  nos  padrões  a  serem  destinadas  a  alimentação  humana  ou  animal,  atendendo  todos  os  requisitos  para  apuração  do  Crédito  Presumido de Pis e Cofins.  A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana  ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na  maior  parte  dos  casos  pode  inviabilizar  a  comprovação  de  tal  Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 52          9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no  exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit).  2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO  O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004,  arts.  8º  e  15,  somente  pode  ser  utilizado  para  dedução  da  Contribuição  para  o  PIS  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  apuradas  no  regime de incidência não cumulativa.  Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam  mercadorias  de  origem  vegetal,  classificadas  no  código  22.04,  da  NCM,  poderão  deduzir  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II  do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa  física  ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifou­se    3.  CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO  Os  créditos  relativos  ao  mercado  interno  não  tributado  estão  vinculados  as  seguintes  operações:  vendas  suspensas;  vendas  com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as  sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações  não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17  da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a  operações  não  tributadas  no  mercado  interno  foram  integralmente indeferidos.  4.1 – VENDAS SUSPENSAS  Conforme analisado  no  subitem 3.2,  a Lei 10.925/2004  excluiu  do  conceito  de  agroindústria  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos  in  natura  de  origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas  de cerealista.  Assim,  nas  operações  realizadas  no  período  a  contribuinte  faz  jus  a  suspensão  da  incidência  da  contribuição  para  Pis  e  da  Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos  créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º ­ Tabela  04).  4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO  A  partir  do  mês  de  agosto/2004  os  insumos  vendidos  pela  contribuinte  aos  associados  (adubos,  fertilizantes  e  sementes)  tiveram as alíquotas da  contribuição para o PIS  e da COFINS  reduzidas  a  zero  (art.  1º  da  Lei  10.925/2004).  Entretanto,  a  venda  de  insumos  a  associados  deve  ser  registrada  como  exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de  Fl. 338DF CARF MF     10 agosto de 2001 e não como uma venda não  tributada  sujeita à  alíquota zero.  O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  operações  com  suspensão,  isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o  Pis  e  da  Cofins.  Portanto,  ao  registrar  indevidamente  as  exclusões  de  base  de  cálculo  como  vendas  sujeitas  à  alíquota  zero,  houve  a  manutenção  indevida  dos  créditos  vinculados  a  estas operações. O valor do  crédito vinculado as operações de  venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e  04)  4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO  O  legislador  estabeleceu  tratamento  diferenciado  para  operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas  operações,  o  procedimento  previsto  é  o  de  excluir  os  valores  respectivos  das  bases  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Nesta  sistemática,  NÃO  existe  previsão  legal  para  a  manutenção  do  direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de  base de cálculo.  O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas  foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004.  No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a  contribuinte  manteve  indevidamente  o  direito  a  crédito  nas  operações  de  entradas  vinculadas  as  exclusões  de  base  de  cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 2158­35/01 e art  17  leis  10.684/03). O  valor  do  crédito  vinculado  as  operações  sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas  foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04)  O julgado encontra­se resumido a ementa:  ACÓRDÃO.  OMISSÃO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CABIMENTO.  Deve  ser  apreciada  como  embargos  de  declaração  a  manifestação  do  contribuinte  na  qual  se  alegue  omissão  quanto  a  questões  suscitadas  na  defesa  ou  impugnação,  acerca  das  quais  o  órgão  julgador  deveria  ter  se  pronunciado.  COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO  CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA.  Não se homologa compensação quando o direito creditório  não ficar comprovado.  RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de  ressarcimento  de  PIS  e  Cofins  depende  da  comprovação  documental do respectivo direito.  Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 53          11 CRÉDITO  PRESUMIDO.  COOPERATIVAS.  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL. REQUISITO.  O  crédito  presumido  destinado  às  cooperativas  agroindustriais  beneficiam  apenas  aquelas  entidades  que  realizam  algum  processo  que  possa  ser  consideração  como  industrialização,  observadas nas exclusões contidas na lei.  CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15.  COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO.  O  crédito  presumido  previsto  nos  artigos  8º  e  15  da  Lei  nº  10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins  apurados  no  regime  de  incidência  não­cumulativa,  vedada  a  compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido.  JUROS.  COMPENSAÇÃO  E  RESSARCIMENTO.  NÃO  INCIDÊNCIA.  Não  incidirão  juros  compensatórios  no  ressarcimento  de  créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação  dos referidos créditos.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.”    Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos:  1.  Créditos  de  aquisições  de  insumos,  comprovantes  das  aquisições desconsiderados pela fiscalização;  2.  Créditos  de  aquisições  de  energia  elétrica  –  comprovantes  das  aquisições  desconsiderados  pela  fiscalização;  3.  Fretes  sobre  a  transferência  de  insumos  entre  estabelecimentos;  4.  Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes;  5.  Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas,  processo produtivo;  6.  Forma de utilização do crédito presumido, restrições da  colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento;  7.  Manutenção  dos  créditos  vinculados  as  receitas  com  suspensão de incidência de PIS e Cofins;  8.  Receitas  sujeitas  a  alíquotas  zero,  reclassificação  indevidas  das  vendas  efetuadas  pela  fiscalização  considerando como venda de bens a associados;  Fl. 340DF CARF MF     12 9.  Ressarcimento  de  créditos  vinculados  as  receitas  sem  incidência  de  PIS  e  Cofins,  exclusões  permitidas  as  sociedades Cooperativas;  10.  Previsão legal para incidência da SELIC.  Inicialmente,  faz  introdução  quanto  aquisições  de  matéria  prima  e  do  processo produtivo:  “O  critério  da  não­cumulatividade  permite  a  realização  de  créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da  pessoa  jurídica,  tudo  descrito  no  Art.  3o  das  respectivas  Leis  (10.637 e 10.833).  Para  o  exercício  regular  de  suas  atividades,  dentre  os  custos,  despesas  e  encargos  suportados,  a  contribuinte  adquire  de  fornecedores  pessoas  físicas  residentes  no  país  e  jurídicas  situadas  no  mercado  interno,  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003)  para  a  produção  de  mercadorias  classificadas  na  NCM  nos  Capítulos  8  a  12,  constantes  do  Caput  do  artigo  8  o  da  lei  10.925/2004.  Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3  das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva,  onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência  das  denominadas  Contribuições  ao  Fundo  de  Participação  no  Programa de  Integração Social  ­ PIS  (Lei Complementar n° 7,  de  7.9.70)  ­,  e  Contribuição  Social  sobre  o  Faturamento  ­  COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo  diesel,  caminhões,  colhedeiras,  máquinas,  peças,  ferramentas,  etc.  Daí,  o  direito  ao  crédito  sobre  as  aquisições  de  pessoas  físicas  e  de  pessoas  jurídicas  com  suspensão,  ser  presumido,  conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art.  8 o da Lei 10.925/2004.  Os  créditos  sobre  os  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e  10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme  Inciso  I  do  parágrafo  1  o  do  art.  3o  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  combinado  com  o  parágrafo  2o  do  art.  8o  da  lei  10.925/2004,  independente  da  finalidade  que  se  dará  a  mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.”  Considerando  que  estes  56  (cinqüenta  e  seis)  processos  estão  vinculados  ao  MPF  0140200.2011.00053  e:  a)  que  possuem  igual  teor,  pois  o  mérito  discutido  é  o  mesmo  em  todos  os  processos;  b)  considerando  os  princípios  da  economia  e  celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de  recursos  (papel,  cópias,  impressões,  tempo  utilizados  pelos  agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações  apresentadas  para  cada  processo);  d)  o  tempo  utilizado  pelo  julgador  para  análise  individual  de  cada  processo;  e)  a  possibilidade de julgamento simultâneo.  Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56  vezes),  os mesmos  documentos  que  intencionam  evidenciar  seu  direito,  discorrer  longamente  em  cada  processo  em  56  Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 54          13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas  cada  uma,  sobre  os  fundamentos  que  entende  lhe  assegurar  o  direito  a  crédito  complementar;  em  ANEXAR  todos  os  documentos,  bem  assim,  EM  APRESENTAR  na  versão  estendida  da  manifestação  de  inconformidade  todos  os  fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para  todos os processos mencionados na página  inicial, no processo  n. 13161.001928/2007­95, conforme consta anexado nas  folhas  84 à 267 do referido processo”  Em síntese argumenta em suas razões que:  III ­ DAS RAZÕES DE REFORMA ­ Fundamentos legais, discorre sobre o  tema:  “DO  SISTEMA  NÃO  CUMULATIVO  DE  PIS  E  COFINS  ­  DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 ­ DAS  PREMISSAS  DO  SISTEMA  NÃO  CUMULATIVO  DE  PIS  E  COFINS  E  SUA  INTERPRETAÇÃO  Para  o  adequado  enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumpre­nos  trazer  a  baila,  as  premissas  que  nortearam  a  instituição  do  sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos  de  enunciação  do  direito  positivo,  constantes  respectivamente  das  Justificativas  dos  Senhores  Ministros  da  Fazenda,  por  ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas  Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins)  3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES  Tanto  a  lei  10.637/2002 quanto  a  lei  10.833/2003,  determinam  que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados,  créditos  calculados  sobre  os  itens  relacionados  no  Art.  3o  de  ambas  as  Leis.  Sendo  inicialmente  autorizado  o  ressarcimento  dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o  PIS no Art. 5  o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6  o da  Lei 10.833/03.  Portanto, partindo desta premissa,  estamos diante de mecânica  própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador,  que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de  forma  a  respeitar  o  Princípio  Constitucional  da  não  comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições  quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente.  Ao  contrário,  importaria  em  afirmar  que  incidem  as  referidas  contribuições  quando  da  realização  de  exportações,  pois,  não  teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que  incidiu  nas  etapas  anteriores  ao  ato  de  exportar,  o  que  representaria  custo,  ônus  tributário,  o  que  é  vedado  pelo  Legislador  Constitucional  e,  que  contraria  a  prática  internacional de não exportar tributos.  3.1.3  ­  DOS  CRÉDITOS  VINCULADOS  AS  RECEITAS  NO  MERCADO INTERNO.  Fl. 342DF CARF MF     14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo  de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento  com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser  utilizado  para  ressarcimento  ou  compensação,  a  parcela  de  créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao  que  as  Leis  (10.637  e  10.833)  denominaram  de  isenção  conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6  o  da lei 10.833/2003 para a Cofins.  Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer  dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins,  conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi  editada  a  medida  provisória  206/2004,  posteriormente  convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17.  Portanto,  resta  muito  claro  que  o  art.  17  da  lei  11.033/2004  confirmou  o  direito  a  manutenção  dos  créditos  apurados  na  forma do art. 3  o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às  receitas nele mencionadas.  Assim,  também  partindo  desta  premissa,  estamos  diante  de  mecânica  própria  do  PIS  e  COFINS,  sistemática  prevista  pelo  Legislador,  que  de modo  coerente,  assegura  a manutenção dos  créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não  cumulatividade,  evitando  o  efeito  cascata,  ou  seja,  a  cumulatividade.  Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de  manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos  (saldo  credor),  mediante  dedução,  compensação  ou  ressarcimento  do  saldo  de  créditos  decorrentes  de  saídas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  e  não  incidência  das  contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de  agosto de 2004.  3.1.4 ­ DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS  Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins,  possuiu  sistemática  de  apuração  própria,  diferente  da  sistemática adotada em outros tributos como o IPI.  No  caso,  não  estamos  tratando  de  apuração  de  créditos  IPI,  estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é  diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e  Cofins  é  mais  amplo  que  o  conceito  adotado  para  o  IPI,  não  guardando  nenhuma  relação  a  apuração  de  créditos  de  PIS  e  Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido.    IV ­ Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB  No  período  analisado,  em  conformidade  com  o  art.  3o das  Leis  10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre  insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas  e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos.  Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o  direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois  Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 55          15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado  devendo ser considerada encerrada a fase probatória.  Todavia,  não  concorda  a  contribuinte,  pois  estas  aquisições  como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas.  Ressalta­se,  que  a  fiscalização  durante  sua  análise  teve  várias  maneiras  e  oportunidades  de  efetivamente  comprovar  a  existência  destas  aquisições,  uma  vez  que  todos  os  livros  e  registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado  em  atendimento  as  diversas  intimações,  sejam  por  meio  dos  documentos físico ou digital.  Assim, considerando que para o caso em questão há documentos  que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o  crédito  deve  ser  deferido,  em  observância  ao  principio  da  verdade material.    4.1.1 ­ AQUISISÕES DE INSUMOS  Menciona­se  que  a  fiscalização  indeferiu  parte  dos  créditos  apurados  sobre  as  aquisições  de  insumos  utilizados  na  produção,  sob  o  argumento  que  parte  destas  aquisições  não  foram  comprovadas,  uma  vez  que,  segundo  seu  entendimento,  não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais  (documento físico)  relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência  tomou a  contribuinte  juntamente  com o Relatório Fiscal,  e que  ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo  ao recurso.  Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições  não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte  não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo  (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização.  Registre­se  que  estas  aquisições,  constam  registradas  na  escrituração  contábil  e  fiscal  da  contribuinte,  com  a  plena  identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante  o processo de análise do crédito.  Assim,  considerando  que  estas  Notas  Fiscais  de  aquisições  de  insumos  foram  devidamente  registradas  e  escrituradas,  a  fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas  aquisições,  uma  vez  que,  estas  informações  estão  relacionadas  em documentos,  tais como:  livros digitais de entradas e saídas,  razões  contábeis,  arquivos  contábeis,  arquivos  digitais  de  entradas  e  saídas  formato  SINTEGRA,  todos  apresentados  a  fiscalização  pela  contribuinte  em  atendimento  as  intimações  recebidas.  Para  além  disso,  todos  os  comprovantes  que  evidenciam  a  ocorrência  da  efetiva  aquisição  dos  insumos  referente  as  notas  Fl. 344DF CARF MF     16 fiscais  relacionadas  Tabela  05  elaborada  pela  fiscalização  anexa  ao  Relatório  Fiscal,  seguiram  no  ANEXO  I  da  manifestação de inconformidade então protocolada para melhor  análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n°  1395,  2948,  11242  e  7331,  bem  como  os  comprovantes  de  pagamentos de demais registros, conforme pode­se observar nos  documentos  constantes  nas  folhas  166  a  225  do  processo  13161.001928/2007­95,  e  que  ora,  para  melhor  analise  deste  colegiado,  novamente  são  apresentados  anexo  a  este  recurso,  confirmando o direito ao crédito.  Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de  insumos  anteriormente  desconsideradas  pela  fiscalização,  conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao  Relatório  Fiscal  para  ciência,  requer  a  contribuinte  a  manutenção do crédito sobre estas as aquisições.    4.1.2 ­ DA ENERGIA ELÉTRICA  Relativo  às  despesas  de  energia  elétrica,  da mesma  forma  que  manifestou  entendimento  sobre  as  aquisições  de  insumos,  entendeu  a  fiscalização  que  algumas  aquisições  não  estariam  comprovadas,  argumentando que  não  teriam  sido  apresentadas  pela  contribuinte as  faturas  relacionadas pela  fiscalização nas  Tabelas  04  e  05  cuja  ciência  tomou  a  contribuinte  juntamente  com  o  Relatório  Fiscal,  indeferindo  desta  forma,  o  crédito  apurado sobre estas faturas.  Todavia  s.m.j.,  o  argumento  da  fiscalização  está  equivocado,  pois  tais  notas  fiscais,  foram  devidamente  apresentadas  à  fiscalização,  em atendimento ao  termo de  intimação  fiscal 003,  onde  a  contribuinte  apresentou  cópia  digitalizada  destes  documentos,  e  também  em  atendimento  ao  termo  de  intimação  fiscal  004  onde  a  contribuinte  apresentou  os  originais  destes  documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder  da  fiscalização  até  a  finalização  dos  seus  trabalhos,  sendo  devolvidas  a  contribuinte  somente  após  ocorrer  a  ciência  do  Relatório Fiscal.  Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a  existência  destes  documentos,  juntamente  com manifestação  de  inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ,  contribuinte  apresentou  novamente  as  faturas  de  energia  elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05  elaborada pela  fiscalização), conforme pode  ser  verificado nos  documentos  (ANEXO  II)  constantes  nas  folhas  226  a  267  do  processo  13161.001928/2007­95,  e  que  ora,  em  virtude  de  não  terem  sido  considerados  no  julgamento  da  DRJ,  no  intuito  de  facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os  apresenta, anexo, a este recurso.    Assim,  considerando  o  principio  da  verdade material,  uma  vez  que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e,  que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de  Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 56          17 não  apresentação  da  documentação,  requer  a  contribuinte  a  manutenção  do  crédito  de  PIS  e  Cofins  apurados  sobre  a  totalidade das despesas com Energia Elétrica.    4.2 ­ DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS  DE MERCADORIAS  Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art.  3o das  Leis  10.637/02  e  10.833/03,  no  inciso  IX  do  art.  3o  estão  relacionados  ás  despesas de  armazenagem  e  frete  na  operação  de venda.  Todavia,  ao  efetuar  a  verificação  dos  créditos  apurados  pelo  contribuinte,  a  fiscalização  entendeu  que  não  seria  possível  apurar  créditos  sobre  os  fretes,  relativo  às  transferências  de  insumos,  mercadorias  entre  estabelecimentos,  entendendo  que  estas  operações  não  integrariam  as  operações  de  venda,  argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias.  Ocorre  que  este  "deslocamento"  como  denominado  pela  fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em  transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas  decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude  de diversos fatores interligados a operação de produção e venda  destas mercadorias.  O fato é que estas transferências representam custos necessários  a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma  forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados,  pois  nenhuma  empresa  almeja  ter  seus  custos  e  despesas  majorados sem que realmente seja estritamente necessário.  Portanto,  os  fretes  relativos  a  transferências  entre  estabelecimentos  também  fazem  parte  dos  custos  de  produção  necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir  todas  as  etapas  de  produção,  não  podendo  a  mercadoria  ser  comercializada, enviada para o destino.    4.3 ­ DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E  SEMENTES  A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para  revenda,  dentre  as  quais  fertilizantes  e  sementes  sujeitas  a  alíquota  0% de PIS  e Cofins.  Sobre  a  aquisição  de  sementes  e  fertilizantes  não  houve  aproveitamento  de  crédito,  pois  a  contribuinte  observou  o  disposto  no  §  2o  do  art.  3°  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que  veda  o  aproveitamento  de  crédito  sobre  as  aquisições  não  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições.  Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda,  é  necessário  que  estas  mercadorias  sejam  transportadas  do  Fl. 346DF CARF MF     18 estabelecimento  do  fornecedor  até  o  estabelecimento  do  comprador,  para  isso,  é  preciso  contratar  os  serviços  de  transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas  mercadorias  até  o  seu  destino.  Logo,  quando  o  ônus  desta  despesa  é  suportado pelo adquirente,  (caso da recorrente)  esta  despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida.  Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o  PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa  anterior,  pois  para  a  pessoa  jurídica  que  prestou  o  serviço  de  frete,  estas  operações  representam  sua  receita/faturamento,  portanto  base  de  calculo  das  contribuições  nesta  fase  da  operação.  Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão  e, sim, operação regularmente  tributada de PIS e Cofins, daí a  não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente.  Ou  seja,  uma  coisa  é  a mercadoria  outra  coisa  é  o  frete. Que  apesar  de  ser  custo  de  aquisição,  todavia,  são  operações  distintas,  de  fornecedores  igualmente  distintos, mediante  Notas  Fiscais específicas.  O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito  nas aquisições de  fretes  aplicados  no  transporte  de  mercadorias  tributadas  a  alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso  II  do  Parágrafo  2  o  do  art.  3  o  da  Lei  10.833/2003.  Neste  fundamento,  claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias  ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente,  este  não  é  o  caso.  Posto  que,  os  fretes  são  alcançados  pelas  Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota  zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o  direito  ao  crédito  nos  serviços  contratados  (fretes)  e  aplicados  no  transporte daquelas mercadorias.    4.4  ­  DO  CRÉDITO  PRESUMIDO  ­  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL  –  PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS  DE  ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS ­ 8 a  12 da NCM.  A Contribuinte  diante  da mecânica  do  PIS  e  da COFINS  não­ cumulativa,  para  o  período,  apurou  crédito  presumido  sobre  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas  e  pessoas  jurídicas  com  suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas  nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o  das  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  combinado  com o  §  10  do  Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a  partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004.  Todavia  entendeu  a  fiscalização  que  a  contribuinte  não  se  enquadraria  como  empresa  produtora,  por  conseguinte  e  não  faria jus a apuração do referido crédito.  Mas vejamos mais informações.  4.4.1  ­  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL  ­  CONCEITO  ­  PROCESSO PRODUTIVO.  Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 57          19  A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF  660  exerce  atividade  econômica  de  produção  de  mercadorias  relacionadas no artigo 5º da referida IN.  4.4.3  ­  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  UTILIZADOS  NA  PRODUÇÃO  A  Contribuinte  adquire  de  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  desempenham  atividade  rural  insumos,  utilizados  no  processo  produtivo  em  conformidade  com  o  inciso  II  do  art.3  o  das  leis  10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660.  Ressaltamos  que  os  produtos  agropecuários  resultantes  da  atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos  (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo ­  atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6),  resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da  NCM ­ Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3  o  da Lei 10.637/2002, § 5, do Art.  3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II  do  art.  3o  das  Leis  10.637  e  10.833).  Portanto,  faz  jus  a  Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes  insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas  previstas na legislação.  4.4.4  ­  DA  ATIVIDADE  ECONÔMICA  DE  PRODUÇÃO  DAS  MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da  NCM ­ NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL.   O  contribuinte  é  equiparado  a  estabelecimento  produtor  de  acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65:  Art.  4o Equiparam­se a  estabelecimento produtor,  para  todos os  efeitos desta Lei:  IV  ­  os  que  efetuem  vendas  por  atacado  de  matérias­primas,  produtos  intermediários,  embalagens,  equipamentos  e  outros  bens de produção. (Incluído pelo Decreto­Lei n° 34, de 1966)  (grifo acrescido)  Por  conseguinte,  realiza  o  beneficiamento  das  mercadorias  (grãos)  através  de  procedimentos  próprios  e  necessários  para  obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal  e,  requisito necessário para o comércio.”  Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte,  confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência  para  que  fosse  anexada  cópia  integral  dos  autos  do  processo  administrativo  13161.001928/2007­95,  ao  argumento  de  que  as  provas  capazes  de  nortear  a  decisão  teriam  sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem.  Fl. 348DF CARF MF     20     Retorna  os  autos  para  apreciação  das  matérias,  registra­se,  em  que  pese  a  diligência  determinada,  restou  esclarecido,  posteriormente,  que  os  documentos  objeto  da  determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente.  Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada.  Voto Vencido  Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator.  Cuida­se de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade,  deve ser conhecido.  O  debate  encontra  focado  em  glosas.  No  tocante  aos  créditos  básicos  oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação.  O  deferimento  parcial  dos  créditos  se  refere  aos  insumos:  ENERGIA  ELÉTRICA,  ALUGUÉIS  PAGOS  A  PESSOAS  JURÍDICAS,  FRETE  e  AQUISIÇÃO  DE  IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO,  EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC.  A  fiscalização  reconhece  o  direito  a  apropriação  de  créditos  para  as  contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições  de  insumos  aconteceu  por  meio  do  “Termo  de  Intimação  –  003”,  atendido,  o  contribuinte  apresentou  diversos  documentos,  entretanto,  insuficientes  a  comprovar  totalidade  do  crédito  almejado, cabendo glosar parte.  É  cristalino  o  direito  de  tomar  crédito  relativo  as  contribuições  a  descontar  referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal.   Em  resposta  a  Interessada  sustenta  que  os  livros  de  registros  de  entrada  estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os  documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido.  Registra­se,  na  fase  inicial  o  julgador  de  piso  determinou  diligência  no  sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa  total pelo fato da  contribuinte  deixar  de  apresentar  documentação  ao  fundamento  da  incapacidade  de  pessoal,  vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação.  Concluído  os  trabalhos  fiscais,  o  resultado mostrou  existência  de  crédito  o  que foi  reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões  advém o voluntário, o que passa­se a examinar item a item:  1.  DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS.   As  glosas  em  sua  totalidade,  como  se  vê  do  relatório  fiscal  aconteceu  por  insuficiência documental a título de comprovação.  Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados  junto com o voluntário  fazem parte do  rol  da documentação examinado pela  fiscalização em  trabalhos diligenciais, visto que, o  relatório  fiscal menciona o número das planilhas  (tabela),  entretanto, essas planilhas não encontram nos autos.  Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 58          21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das  faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes,  cujo  crédito  foi  glosado, deve­se  reconhecer o direito de descontar  crédito das  contribuições  com  ressalvas,  visto  que,  no  caso  da  energia  o  relatório  fiscal  menciona  ter  reconhecido  parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o  reconhecimento ao  direito de  apurar credito  se  restringe se  as  faturas  anexadas  aos  autos,  não  sendo as mesmas  aferidas pela fiscalização.  Assim, sou  inclinado reconhecer o direito a  tomada do crédito das notas de  aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem  pertinentes  a  atividade  da  cooperativa,  bem  como,  relacionadas  com  as  faturas  de  energia,  desde  que  não  sejam  as  mesmas  incluídas  no  rol  daquelas  que  serviram  para  deferimento  parcial pela fiscalização.  1.1 ­ DA GLOSA DOS INSUMOS.  O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição  dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a  autoridade  fiscal,  a  contribuinte  não  logrou  êxito  em  apresentar  parte  das  notas  fiscais  discriminadas  na  Tabela  05,  que  integra  o  processo  nº  10010.031.138/0413­61  (dossiê  memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida:  DATA  Nº NF  FORNECEDOR  VALOR  23/03/05  10161  EURO GRAOS LTDA  281.400,00  14/04/05  467141  AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE  493.884,30  26/04/05  7771  KAZU CEREAIS LTDA  290.000,00  26/04/05  13951  GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS  286.000,00  08/08/05  40721  GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS  269.898,44  13/10/05  288801  AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA  650.000,00  19/12/05  29481  D'OESTE CEREAIS LTDA  409.500,00  15/03/06  112421  PROCOMP AGROPECUARIA LTDA  271.238,49  20/03/06  3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA  416.800,00  14/03/07  18731  KAZU CEREAIS LTDA  273.400,00  11/04/07  73311  KASPER E CIA LTDA  1.490.000,00  20/04/07  658241  LR AGROPECUARIA LTDA  363.635,39  No recurso em apreço, a  recorrente alegou que o direito ao crédito apurado  sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter  conseguido encontrar parte das notas em seu  arquivo  (extenso e histórico), para apresentar a  fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  com  a  plena  identificação,  a  qual  a  fiscalização  teve  acesso  irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à  manifestação  de  inconformidade,  constante  dos  autos  do  processo  nº  13161.001928/2007­95  (fls.  166/225),  as  cópias  das  notas  fiscais  de  nºs  1395,  2948,  11242  e  7331,  bem  como  os  comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara  tais documentos aos presentes autos.  Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os  autos do processo nº 13161.001928/2007­95, verifica­se que foram apresentados os  referidos  documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e  7331,  as  demais  cópias  de  documentos  apresentados  não  se  prestam  para  comprovar  a  respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a  Fl. 350DF CARF MF     22 comprovar  as  supostas  operações  de  aquisição.  A  cópia  da  nota  fiscal  de  nº  2948  não  fora  localizada nos autos.  Assim, os créditos  relativos as notas  fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e  7331 devem ser restabelecidos.  1. 2 ­ GLOSA DE ENERGIA.  O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição  de  energia  elétrica  foi  a  falta  de  comprovação  com  documentação  adequada.  Segundo  a  autoridade  fiscal,  a  contribuinte  não  logrou  êxito  em  apresentar  parte  das  notas  fiscais  discriminadas  na  Tabela  05,  que  integra  o  processo  nº  10010.031138/0413­61  (dossiê  memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida:  DATA  Nº NF  CNPJ FORNECEDOR  VALOR  09/08/04  27643  15.413.826/0001­50  12.632,67  13/08/04  273527  15.413.826/0001­50  14.016,00  19/08/04  28157  15.413.826/0001­50  35.147,35  19/08/04  28159  15.413.826/0001­50  31.133,05  20/08/04  28160  15.413.826/0001­50  10.689,13  01/09/04  28444  15.413.826/0001­50  40.973,62  09/09/04  616170  15.413.826/0001­50  14.040,33  14/09/04  28948  15.413.826/0001­50  42.539,70  14/09/04  28950  15.413.826/0001­50  29.725,81  14/09/04  910115  15.413.826/0001­50  17.213,00  06/12/04  758100  15.413.826/0001­50  12.143,06  10/12/04  841834  15.413.826/0001­50  11.270,00  14/12/04  987063  15.413.826/0001­50  32.906,66  21/12/04  92633  15.413.826/0001­50  30.573,39  07/01/05  406656  15.413.826/0001­50  11.001,64  15/03/05  58958  15.413.826/0001­50  21.085,00  16/03/05  149601  15.413.826/0001­50  20.394,47  16/03/05  149599  15.413.826/0001­50  19.717,11  06/06/05  604193  15.413.826/0001­50  18.076,86  06/07/05  541925  15.413.826/0001­50  14.470,31  26/09/05  317457  15.413.826/0001­50  20.696,10  03/10/05  579804  15.413.826/0001­50  19.708,12  04/10/05  579814  15.413.826/0001­50  34.273,16  08/09/06  576517  03.747.565/0001­25  19.361,01  19/02/07  233576  15.413.826/0001­50  10.158,24  08/03/07  1924  15.413.826/0001­50  10.123,00  19/03/07  151839  15.413.826/0001­50  30.148,74  10/04/07  605375  03.747.565/0001­25  10.026,33  08/05/07  316013  15.413.826/0001­50  11.167,38  20/07/07  24102  15.413.826/0001­50  10.043,49  21/08/07  19789  15.413.826/0001­50  10.132,90  21/08/07  19928  15.413.826/0001­50  10.076,62  01/10/07  41729  15.413.826/0001­50  30.678,69    3389  15.413.826/0001­50  13.561,00  No recurso em apreço, a  recorrente alegou que o direito ao crédito apurado  sobre  valor  de  aquisição  da  energia  elétrica  acobertado  pelas  notas  fiscais  discriminadas  na  referida  Tabela  não  podia  ser  desconsiderado,  porque  tais  documentos  foram  devidamente  apresentadas  à  fiscalização,  em  atendimento  ao  termo  de  intimação  fiscal  003,  onde  a  contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento  ao  termo  de  intimação  fiscal  004,  em  que  apresentara  os  originais  dos  citados  documentos,  inclusive  as  faturas  originais  ficaram  em  poder  da  fiscalização  até  a  finalização  dos  seus  trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal.  Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 59          23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade,  constante dos autos do processo nº 13161.001928/2007­95 (fls. 226/267), as cópias das notas  fiscais  discriminadas  na  citada Tabela.  E  para melhor  análise,  anexara  tais  notas  fiscais  aos  presentes autos.  De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos  do  processo  nº  13161.001928/2007­95,  verifica­se  que,  com  exceção  das  cópias  das  notas  fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas.  Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor  das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925.  1.3 ­ FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA.  O  motivo  da  glosa  deu­se  ao  fundamento  de  que  trata­se  de  meras  transferências  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  contribuinte,  implicaria  em  mero  deslocamento  com o  intuito de  facilitar  a  entrega dos  bens  aos  futuros  compradores, motivo  pelo qual, entendeu não integrar operação de venda.  Ao  contrário  da  posição  do  fisco,  sustenta  o  contribuinte  tratar­se  de  transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos,  não há dúvida de que seriam evitados.  Não  há  como  ignorar  que  algumas  atividades  a  armazenagem dos  insumos  são  necessários,  bem  como,  o  seu  remanejamento  posterior.  É  de  conhecimento  notório,  constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento  das safras de grão.  A  imprensa,  repetidamente,  divulga  que  no  auge  da  colheita  de  grãos  os  produtores  são obrigados a estocar os  grãos em carrocerias de  caminhões e em outros  locais  muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local  adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas  por intermédio das publicações dos periódicos.  Essa  Turma  é  sensível  ao  entendimento  da  necessidade  de  estocagem  de  insumos  e  sua  transferência  posteriormente  para  outro  estabelecimento,  desde  que,  não  se  revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já  reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede  e  ou  outro  estabelecimento  industrial  da  mesma  pessoa  jurídica,  nesses  casos  os  custos  de  transferência configura insumo necessário a atividade da empresa.  Bem  afirmou  a  Recorrente,  o  frete  nesses  casos  de  transferência  possui  o  único  objetivo  é  de  concluir  todas  as  etapas  de  produção,  pois  a  soja  colhida  no  campo  e  adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo  industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação.  Não pode esquecer, que trata­se de agroindústria, cuja atividade industrial se  refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza,  padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao  consumo humano ou animal.  Fl. 352DF CARF MF     24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratar­se de  transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao  destino dos  insumos,  inclino no  sentido de  afastar  a  glosa  e  reconhecer o direito quanto  aos  valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”  que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização.  1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE  COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO.  Trata­se  de  glosa  de  crédito  oriundo  do  frete  de  transporte  de  mercadoria  pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do  transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o  direito.  O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratar­se de frete de  operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do  art. 1º da Lei nº 10.925/2004.  Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero  não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a  legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos  decorrentes  de  operações  e  prestações  adquiridas  por  parte  da Recorrente,  que,  por  sua  vez,  está sujeita ao regime não cumulativo.  Não  se  pode  perder  de  vista  que  o  inciso  I  e  III  do  art.  1º  da  Lei  nº  10.925/2004  realmente  fixa  alíquota  igual  a zero,  sendo assim, para  aqueles  insumos veda o  crédito  de  produto  adquirido  justamente  porque  essa  operação  não  é  tributada  pelo  PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g.,  frete e armazenagem,  que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o  direito ao crédito.  A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda  Turma  Ordinária,  da  Quarta  Câmara,  da  Terceira  Seção,  veiculada  no  Acórdão  no  3402­ 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio  semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte  que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008  COFINS.  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  REVENDA  DE  PRODUTOS COM  INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO  DE  CRÉDITOS  SOBRE  DESPESAS  COM  FRETES  NA  OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE.  O  distribuidor  atacadista  de  mercadorias  sujeitas  ao  regime  monofásico  de  incidência  das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e  de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos  de aquisição vinculados aos  referidos produtos, mas  como está  sujeito  ao  regime  não  cumulativo  de  apuração  das  citadas  contribuições,  tem  o  direito  de  descontar  créditos  relativos  às  despesas  com  frete  nas  operações  de  venda,  quando  por  ele  Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 60          25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX,  das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.  Direito de Crédito Reconhecido.  Recurso Voluntário Provido.   A  transferência  direcionada  a  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de  frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente  que o ônus foi da cooperativa recorrente.  Recentemente,  em  voto  impa  proferido  pela  Conselheira  Sarah  Maria  Linhares  de  Araújo  Paes  de  Souza,  2ª  T.  3ª  Câmara,  2ª  Seção,  processo  administrativo  nº  10925.720202/2014­15, afastou glosa em caso semelhante.  Considerando  à  ausência  das  “tabelas  04  e  06  nestes  autos,  confiante  na  consignação  da  fiscalização,  afasto  também  glosa,  para  reconhecer  o  direito  da  tomada  do  crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores  relativos a operações de frete.  1.5 ­ ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA.  A  glosa  procedida  decorreu  de  análise  da  documentação  apresentada  e  julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização  elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratar­se de valores inferiores ao montante declarado pela  Interessada.  Nestes  autos  não  se  enxerga  resistência  a  glosa,  sendo  assim,  mantém­se  intacta a decisão de piso nesta parte.  1.6 ­ CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO)  A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito  pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos  créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado.  Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa  glosa.  2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA.  O  crédito  presumido  apontado  pelo  contribuinte  restou  glosado  ao  fundamento  da  inexistência  de  comprovação  da  atividade  agroindustrial,  e,  pela  ausência  de  comprobação  da  destinação,  isso  é,  se  era  para  alimentação  humana  e/ou  animal,  conforme  dispõe  o  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004.  Consta  que  o  contribuinte  teria  sido  intimado  para  comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal.   Em síntese teria a recorrente sido considerada tão­só cooperativa de produção  agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigando­a proceder o estorno  dos  créditos  da  não  cumulatividade,  e,  não  podendo  apurar  crédito  presumido  nos  moldes  ocorrido.  Fl. 354DF CARF MF     26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratar­se de produtos classificados no  CAPÍTULOS  8  a  12  da NCM  ­ NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL,  por  essa  razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas  que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º  da  Lei  nº  10.825/2004,  gozam  do  direito  de  descontar  o  crédito  oriundo  das  aquisições  de  insumos,  para  tanto,  basta  produzir  as mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  desde  que  classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal.  A  Interessada  justifica  sua  condição  agroindústria,  sustentando  tratar­se  de  exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscar­se a saber se o  beneficiamento  dispensado  a  soja,  milho  e  o  trigo  enquadram  no  rol  das  mercadorias  classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM.  Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por  procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in  natura.   O beneficiamento de  grãos  e  sementes  é  realizado por máquinas projetadas  com  base  em  uma  ou  mais  características  físicas  do  produto  e  dos  contaminantes  a  serem  retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as  propriedades  físico­químicas,  permitindo  acondicionamento  e  armazenagem  resguardar  qualidade.  A  pesquisa  universitária  divulgada  notícias  que  o  beneficiamento  se  revela  etapa importante na qualidade dos grãos e sementes:  “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após  a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos,  rachados  ou  partidos;  sementes  de  ervas  daninhas,  material  inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas  e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e  qualidade.”  No  processo  de  beneficiamento  surge  a  padronização  e  classificação,  essa  última  configura  prática  obrigatória  em  todos  os  segmentos  de  marcado,  seja  interno  ou  externo.  A  comercialização  do  produto  depende  do  tratamento  após  colheita,  tornando  indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as  transações.  Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto.  Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO  DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância:  “Nos  países  desenvolvidos,  os  problemas  de  colheita,  armazenamento  e  manuseio  (secagem,  limpeza,  movimentação,  etc.)de grãos, constituem objeto de  estudo permanente,  visando  prolongar  a  vida  comercial  dos  produtos. Uma  prioridade  das  nações mais  pobres  deve  ser  a  redução  do  trágico  desperdício  que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados,  secagem  mal  processada,  transporte  inadequado,  controle  de  qualidade, etc. ...”  Recentemente  foi  noticiado  pela  imprensa  a  união  das  duas  maiores  indústrias  de  beneficiamento  da América  Latina,  Camil Alimentos,  beneficiadora  de  arroz  e  Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 61          27 feijão  e  Cosan  Alimentos,  dona  das  marcas  de  varejo  de  açúcar  união  e  da  Barra,  e,  capitaneadas pela Gávea Investimentos.  O  destaque  dá­se  em  razão  da  união  de  duas  maiores  indústrias  de  beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente  os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim,  não  dúvida  alguma  de  as  atividades  desenvolvidas  pela  Recorrente  enquadra­a  na  qualidade  agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004.  As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos  a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura  uma  etapa  da  industrialização,  motivo  pelo  qual  deve  a  interessada  ser  considerada  agroindústria.  De modo que resta assegurado pelo  legislador ordinário o direito ao crédito  presumido  da  Contribuição  ao  PIS  e  a  COFINS  em  favor  agroindústria,  que  realizar  exportações,  podendo  compensar  os  referidos  créditos  com  os  débitos  das  contribuições  ou  com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal.  Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o  direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante  o CARF.  Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITOS  DE  AQUISIÇÕES  VINCULADO  VENDA COM SUSPENSÃO,  ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO  INCIDÊNCIA  DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS.  Outro  ponto  de  discórdia  se  refere  ao  direito  a  manutenção  do  crédito  previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004.  A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do  conceito  de  agroindústria  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista.  Sustenta  a  Interessada,  passado  apenas  cinco  dias  do  inicio  da  vigência  do  parágrafo  4º  do  art.  8º  da  lei  10.925/2004,  dispositivo  que  vedava  às  pessoas  jurídicas  o  aproveitamento do crédito,  foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de  2004, publicada em 09.08.2004.  É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206,  convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17:  “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota  0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP  e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos  créditos vinculados a essas operações”  Em  sendo,  assim,  inexiste  óbice  a  manutenção  de  crédito  proveniente  de  aquisições  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  de  contribuição  para  o  PIS/Pasep e COFINS.  Fl. 356DF CARF MF     28 Assim,  impõe  restabelecer  esse  direito  de  manutenção  de  crédito  a  Recorrente.  DIREITO  DE  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO  VENDA  A  ASSOCIADOS ­ INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO  No  que  tange  a  manutenção  do  crédito  vinculado  as  operações  sujeitas  à  exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos  associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito  ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa.  É de  conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.158­35 de  2001, a  sociedades cooperativas passaram a  ser  tributadas  sobre a  totalidade de  suas  receitas  conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº  9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens.   Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar  respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que  se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da  Contribuição Social  para  o PIS/PASEP  e  a COFINS,  são  explícitas  em  relação  aos  créditos,  não  deixam  dúvida  que  só  podem  ser  utilizados  para  desconto  dos  valores  da  contribuição  apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa.  Todas  as  vezes  que  a  intenção  do  legislador  foi  no  sentido  de  se manter  o  crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição,  salvo  expressa  disposição  legal.  O  exemplo mais  comum  é  o  crédito  apurado  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação, manifestamente  a  legislação  pertinente autoriza.  No caso específico trata­se negócio com o associado da cooperativa, também  possui caráter de alienação, assim  sendo,  encontra  respaldo  legal na norma prevista pelo art.  17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda:  “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações”  Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos  nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de  créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a  possibilidade  legal  do  respectivo  crédito,  é  vedado  quando  não  se  verificando  esses  pressupostos.  Assim,  dou  provimento  para  modificar  a  decisão  recorrida  e  assegurar  o  direito de manutenção do crédito.  APLICAÇÃO  DA  TAXA  SELIC  DECORRENTE  DE  ÓBICE  DA  ADMINISTRAÇÃO.  No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o  ingresso do  pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  meio  do  Recurso  Especial  no  1.037.847­RS,  julgado  na  Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 62          29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543­C do CPC), reconheceu a correção monetária  dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  IP.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1.  A  correção  monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização direto de crédito oriundo da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele o contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direto  pleiteado,  dada a tramitação normal dos feitos judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  consequente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  lídima necessidade de atualizá­los monetariamente, sob pena de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.09205,  DJ  10.205;  REsp  613.97/RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09206,  DJ  23.10206;  REsp  52.796/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.1206,  DJ  24.09207;  REsp  430.498/RS,  Rel.  Ministro  Humberto Martins,  julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp  605.921/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavscki,  julgado  em  12.1208, DJe 24.1208).  5.  Recurso  especial  da Fazenda Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido  a  regime do  artigo  543­C,  do CPC,  e  da Resolução  STJ 08/208.  Desse  modo,  tendo  havido  oposição  do  Fisco  à  compensação,  sendo  que  houve  o  reconhecimento  de  um  item  controverso  em  favor  da Recorrente,  deve­se  aplicar  a  correção  monetária  sobre  os  créditos  da  Recorrente,  em  conformidade  com  o  julgado  cuja  ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está  obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno.  Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para:  1 ­ em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos  valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas  Fl. 358DF CARF MF     30 fiscais  de  nºs  112421,  13951,  40721  e  7331,  e  (ii)  da  energia  de  elétrica,  exceto  das  notas  fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925;   2  ­  afastar,  também,  glosa  dos  valores  pagos  a  título  de  frete  tomados  de  pessoas  jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se  refere à exclusão de transferência  entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização;  3 ­ reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante  da  tabela  que  serviu  de  base  para  exclusão  dos  valores  relativos  a  operações  de  frete,  cujos  insumos adquiridos não geram créditos;  4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratar­se de agroindústria;  5  ­  afastar  glosa  e manter  o  crédito  proveniente  de  aquisições  vinculado  a  venda  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  de  contribuição  para  o  PIS/Pasep e COFINS;  6  –  tornar  sem  efeito  glosa  dos  créditos  das  aquisições  de  mercadorias  vendidas aos associados da cooperativa;  7 –  reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic  tendo em razão  ter havido  oposição do Fisco à compensação/restituição.  Domingos de Sá Filho  Voto Vencedor  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado.  Inicialmente,  cabe  consignar  que  a  controvérsia  cinge­se  (i)  a  glosa  de  créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições  quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa  Selic sobre a parcela do crédito pleiteado.  A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS  As  glosas  dos  créditos  básicos  foram motivadas  por  falta  de  comprovação,  falta  de  cumprimento  de  requisitos  legais  e  por  falta  de  amparo  legal,  conforme  a  seguir  demonstrado.  De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos  autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por:  I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de  insumos,  energia  elétrica,  aluguéis  de  pessoa  jurídica,  fretes  e  aquisições do imobilizado, (Tabela 04);  II.  Glosa  integral  do  valor  referente  ao  crédito  presumido  da  atividade  agroindustrial  por  NÃO  restar  comprovado  que  a  contribuinte  exerceu  atividade  agroindustrial,  bem  como,  pela  ausência de comprovação da destinação à alimentação humana  ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela  04);  Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 63          31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão  da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, §  4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 ­ Tabela 03 e 04);  IV.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrente  da  proporção  de  saídas  sujeita  a  alíquota  zero,  considerando  que  as  operações  realizadas  estavam efetivamente  sujeitas à exclusão da base de  cálculo  e,  por  decorrência,  inexiste  suporte  legal  para  a  manutenção de crédito  (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela  03 e 04);  V.  Glosa  integral  dos  créditos  decorrentes  da  proporção  de  saídas  não  tributadas  decorrentes  de  operações  sujeitas  à  exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte  legal  para  a  manutenção  de  crédito  (art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004 ­ Tabela 03 e 04);  [...].  O  órgão  colegiado  de  primeiro  grau  manteve,  integralmente,  as  referidas  glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório  fiscal.  Inconformada  com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a  manutenção das referidas glosas.  Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão  apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator,  a  saber:  a)  em  relação  aos  créditos  básicos,  a  totalidade  da  glosa  das  despesas  com  fretes  relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota  zero; b ) crédito presumido agroindustrial.  I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS.  A  glosa  parcial  dos  créditos  básicos  realizada  pela  fiscalização  está  relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens  destinados  à venda não  comprovadas;  b) parte do  custo de  aquisição de  energia  elétrica não  comprovada;  c)  parte  das  despesas  com  aluguéis  da  pessoa  jurídica  não  comprovada;  d)  a  totalidade das despesas  com  fretes  relativos  às operações de  transferência  e de  compras,  por  falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não  comprovada.  Aqui  será  analisada  apenas  a  questão  referente  à  totalidade  da  glosa  das  despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos  da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas  contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero).  De  acordo  com  citado  relatório  fiscal,  por  falta  de  amparo  legal,  a  fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de  transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº  10010.031138/0413­61 (dossiê memorial), a este processo apensado.  No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para  o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias  diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor,  Fl. 360DF CARF MF     32 bem  como  os  gastos  com  frete  sobre  as  operações  de  compras  de  bens  que  geram  direito  a  crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição  dos bens.  De outra parte,  não  gera  direito  a  crédito  os  gastos  com  frete  relativos  aos  serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos  da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores;  e  b)  nas  compras  de mercadorias  que  não  geram  direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e  sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004.  O  entendimento  da  fiscalização  está  em  consonância  com  o  entendimento  deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302­003.207, de onde se extrai os  excertos pertinentes, que seguem transcritos:  No  âmbito  da  atividade  comercial  (revenda  de  bens),  embora  não  exista  expressa  previsão  legal,  a  partir  da  interpretação  combinada  do  art.  3°,  I  e  §  1°,  I,  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/20031,  com  o  art.  289  do  Decreto  3.000/1999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  de  1999  ­  RIR/1999),  é  possível  extrair  o  fundamento  jurídico  para  a  apropriação  dos  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  calculados  sobre  o  valor  dos  gastos  com  os  serviços  de  transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos  relevantes  dos  referidos  preceitos  normativos,  a  seguir  transcritos:  Lei 10.833/2003:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica poderá descontar créditos calculados em relação  a:  I ­ bens adquiridos para revenda, [...];  [...]§  1o  Observado  o  disposto  no  §  15  deste  artigo,  o  crédito  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre  o  valor:  I  ­  dos  itens  mencionados  nos  incisos  I  e  II  do  caput,  adquiridos no mês;  [...] (grifos não originais)  RIR/1999:  Art.  289.  O  custo  das  mercadorias  revendidas  e  das  matérias­primas utilizadas será determinado com base em  registro permanente de estoques ou no valor dos estoques  existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do  período de apuração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art.  14).                                                              1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei  10.833/2003, por  ser mais completa e,  em relação aos dispositivos específicos, haver  remissão  expressa no seu   art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002.  Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 64          33 §1º O  custo  de  aquisição  de  mercadorias  destinadas  à  revenda  compreenderá  os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento  do  contribuinte  e  os  tributos  devidos  na  aquisição ou  importação  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  art. 13).  [...] (grifos não originais)  Com base no teor dos referidos preceitos legais, pode­se afirmar  que  o  valor  do  frete,  relativo  ao  transporte  de  bens  para  revenda,  integra  o  custo  de  aquisição  dos  referidos  bens  e  somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das  mencionadas  contribuições.  Assim,  somente  se  o  custo  de  aquisição  dos  bens  para  revenda  propiciar  a  apropriação  dos  referidos  créditos,  o  valor  do  frete  no  transporte  dos  correspondentes  bens,  sob  a  forma  de  custo  de  aquisição,  também  integrará  a  base  de  cálculo  dos  créditos  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.  Em  contraposição,  se  sobre  o  valor  do  custo  de  aquisição  dos  bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das  citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com  fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base  cálculo,  também  sobre  o  valor  do  frete  integrante  do  custo  de  aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados  créditos. Neste  caso,  apropriação  de  créditos  sobre  o  valor  do  frete  somente  seria  permitida  se  houvesse  expressa  previsão  legal  que  autorizasse  a  dedução  de  créditos  sobre  o  valor  do  frete  na  operação  de  compra  de  bens  para  revenda,  o  que,  sabidamente, não existe.  [...]  Em  suma,  chega­se  a  conclusão  que  o  direito  de  dedução  dos  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  calculados  sobre  valor  dos  gastos  com  frete,  são  assegurados  somente para os serviços de transporte:  a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito  a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo  dos  créditos  sob  forma  de  custo  de  aquisição  dos  bens  transportados  (art.  3º,  I,  da  Lei  10;637/2002,  c/c  art.  289  do  RIR/1999);  b) de bens utilizados  como  insumos na prestação de  serviços  e  produção ou  fabricação de bens destinados à venda, cujo valor  de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do  frete  integra  base  de  cálculo  dos  créditos  como  custo  de  aquisição  dos  insumos  transportados  (art.  3º,  II,  da  Lei  10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999);  c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris  do  próprio  contribuinte  ou  não,  caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  a  base  de  cálculo  do  crédito  da  contribuição  como  serviço  de  transporte  utilizado  como  insumo  na  produção  ou  Fl. 362DF CARF MF     34 fabricação  de  bens  destinados  à  venda  (art.  3º,  II,  da  Lei  10;637/2002); e  d)  de  bens  ou  produtos  acabados,  com  ônus  suportado  do  vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo  do  crédito da  contribuição como despesa de venda  (art. 3º,  IX,  da Lei 10.637/2002).  Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor  do  frete  no  transporte  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  (entre  matriz  e  filiais,  ou  entre  filiais,  por  exemplo),  não  geram  direito  a  apropriação de crédito das  referidas contribuições, porque  tais  operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de  transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de  bens destinados à venda, uma vez que  foram realizadas após o  término  do  ciclo  de  produção  ou  fabricação  do  bem  transportado,  e  (ii)  nem  como  operação  de  venda,  mas  mera  operação  de  movimentação  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos,  com  intuito  de  facilitar  a  futura  comercialização  e  a  logística  de  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores.  O  mesmo  entendimento,  também  se  aplica  às  transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou  armazéns gerais. 2  Com base  nesse  entendimento,  rejeita­se  as  alegações  da  recorrente  de  que  gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo  a:  a)  transferências  das  mercadorias  entre  estabelecimentos,  porque  representava  uma  etapa  intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas  pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega  da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque  os  fretes  sobres  essas  compras  estavam  oneradas  pelas  citadas  contribuições,  estando  desta  forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo  com fretes sobre tais aquisições.  Por  essas  considerações,  por  falta  de  amparo  legal,  deve  ser  mantida  integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização.  II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL.  A  falta  de  amparo  legal  foi  o motivo  da  glosa  do  valor  integral  do  crédito  presumido  agroindustrial  apropriado  pela  recorrente  no  período  fiscalizado.  Segundo  a  fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e  não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou  animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito:  Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,                                                              2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302­003.207, Rel. Cons. José Fernandes  do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016.  Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 65          35 2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no  inciso  II do caput do art. 3º das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,  todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §  1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o  do  art.  3o  das  Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]   Da leitura do referido preceito legal, extrai­se que não são todos os produtos  de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de  crédito  presumido  agroindustrial,  mas  apenas  aqueles  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal.  Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de  produção  agroindustrial,  mas  de  cooperativa  de  produção  agropecuária,  uma  vez  que  a  sua  atividade econômica limitava­se a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos  in  natura”,  atividade  típica  de  cerealista,  que  a  própria  Lei  10.925/2004  havia  excluído  do  conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcreve­se os excertos pertinentes extraídos  do relatório fiscal:  Através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  003,  a  contribuinte  foi  intimada a  comprovar que  exerceu a atividade de produção de  mercadorias  (agroindústria). Em  resposta  a  intimação  fiscal,  a  contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode                                                              3  A  atual  redação  do  inciso  é  a  seguinte:  "I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar, armazenar e comercializar os produtos  in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01,  10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01,  todos da Nomenclatura Comum do Mercosul  (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013)  Fl. 364DF CARF MF     36 ser  sintetizado nas  seguintes  etapas: 1º ETAPA: Recebimento e  Classificação;  2º  ETAPA  –  Descarga  das  Mercadorias;  3º  ETAPA  –  Pré­limpeza  dos  Grãos;  4º  ETAPA  –  Secagem;  5º  ETAPA  –  Pós­limpeza;  6º  Armazenagem  e  Controle  de  Qualidade; 7º ETAPA ­ Expedição.  As  etapas  produtivas  descritas  subsumem­se  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos  in  natura.  A  própria  Lei  10.925/2004  excluiu  do  conceito  de  agroindústria as atividades de  limpar, padronizar, armazenar e  comercializar  produtos  in  natura  de  origem  vegetal.  Referidas  atividades  foram  consideradas  típicas  de  cerealista,  sendo­lhe  vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da  Lei 10.925/2004).  Para  a  fiscalização,  para  que  fosse  considerada  cooperativa  de  produção  agroindustrial,  a  recorrente  deveria  receber  a  produção  de  seu  cooperado,  industrializá­la  e  vender o produto industrializado, o que não fora feito.  De  outra  parte,  a  contribuinte  alegou  que  desenvolve  o  processo  produtivo/atividade  econômica  de  beneficiamento,  por  meio  do  qual  eram  alteradas  as  características  originais  e  obtidos  os  grãos  aperfeiçoados/beneficiados  a  serem  comercializados/exportados.  Nos  excertos  a  seguir  transcritos,  a  recorrente  expõe  as  razões  pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão:  As  aquisições  de  matérias­primas  (produtos  resultantes  da  atividade  rural)  realizadas  junto  a  pessoas  físicas  ou  jurídicas  com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das  mercadorias  ­  soja  beneficiada,  trigo  beneficiado,  e  milho  beneficiado,  classificados  na  NCM  respectivamente  nos  capítulos  12  e  10.  Não  há  que  se  falar  em  mercadorias  classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que  tenhamos  as  matérias­primas  provenientes  da  atividade  rural,  que  são  o  principal "insumo" destas mercadorias.  Como  se  vê,  as  mercadorias  comercializadas/exportadas  pela  recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS  e da COFINS não­cumulativa, tem fundamento para apuração o  crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002  e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º  da lei 10.925/2004.  Do  cotejo  entre  o  entendimento  da  fiscalização  e  o  da  recorrente,  fica  evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou  seja,  se  a  atividade  por  ela  exercida  era  de  produção  agroindustrial  ou,  simplesmente,  de  produção agropecuária.  A  Lei  10.925/2004  não  contém  a  definição  da  atividade  de  produção  agroindustrial  nem  da  atividade  de  cooperativa  de  produção  agropecuária,  no  entanto,  nos  termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base  nessa  competência,  por  meio  da  Instrução  Normativa  SRF  660/2006,  o  Secretário  da  RFB  definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a  seguir transcrito:  Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entende­se por  atividade agroindustrial:  Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 66          37 I  ­  a  atividade  econômica  de  produção  das  mercadorias  relacionadas  no  caput  do  art.  5º,  excetuadas  as  atividades  relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e  [...]  As atividades de produção de que  trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990,  são as  atividades  rurais  típicas,  não  exercidas  pela  recorrente,  conforme  se  infere  dos  elementos  coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontram­se  mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos  créditos, tinha a seguinte redação:  Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na  determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins  a  pagar  no  regime  de  não­cumulatividade,  pode  descontar  créditos  presumidos  calculados  sobre  o  valor  dos  produtos agropecuários utilizados como  insumos na fabricação  de produtos:  I ­ destinados à alimentação humana ou animal, classificados na  NCM:  [...]  d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5  [...](grifos não originais)  No  período  de  apuração  dos  créditos  presumidos  em  apreço,  os  produtos  exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e  grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos  pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM.  Além disso,  inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram  submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai  da descrição do processo produtivo  apresentada pela própria  recorrente.  Porém,  embora  esse  processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de  industrialização,  denominada  de  beneficiamento,  que  se  encontra  definida  no  art.  4º,  II,  do  Decreto  7.212/2010  (RIPI/2010),  porque,  apesar  de  serem  submetidos  ao  citado  processo  de  “beneficiamento”,  os  grãos  de  milho  e  soja  exportados  pela  recorrente  permanecerem  na                                                              4 "Art. 2º Considera­se atividade rural:  I ­ a agricultura;  II ­ a pecuária;  III ­ a extração e a exploração vegetal e animal;  IV ­ a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas  animais;  V  ­  a  transformação  de  produtos  decorrentes  da  atividade  rural,  sem  que  sejam  alteradas  a  composição  e  as  características  do  produto  in  natura,  feita  pelo  próprio  agricultor  ou  criador,  com  equipamentos  e  utensílios  usualmente  empregados  nas  atividades  rurais,  utilizando  exclusivamente matéria­prima  produzida  na  área  rural  explorada,  tais  como  a  pasteurização  e  o  acondicionamento  do  leite,  assim  como  o  mel  e  o  suco  de  laranja,  acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995)  Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas."  (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995)  5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e  1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011)  Fl. 366DF CARF MF     38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de  Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto,  fora  do  campo  de  incidência  do  imposto,  nos  termos  do  parágrafo  único  do  art.  2º  do  RIPI/2010.  Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos  utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº  20,  que  tem  o  seguinte  teor,  in  verbis:  “Não  há  direito  aos  créditos  de  IPI  em  relação  às  aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.”  Assim,  por  se  tratar  de  comercialização/exportação  de produto  in  natura,  a  atividade de produção realizada pela  recorrente  representa  típica atividade de beneficiamento  de  produtos  agropecuários,  que  não  se  caracteriza  como  operação  de  industrialização,  conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura  de  origem vegetal  (grãos),  conforme definição  estabelecida  no  art.  3º,  § 1º,  III,  da  Instrução  Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito:  Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma  do  art.  2º,  alcança  somente  as  vendas  efetuadas  por  pessoa  jurídica:  I ­ cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art.  2º;  II  ­  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  transporte,  resfriamento  e  venda a  granel,  no  caso  do  produto  referido  no  inciso II do art. 2º; e  III  ­  que  exerça  atividade  agropecuária  ou por  cooperativa  de  produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os  incisos III e IV do art. 2º.  § 1º Para os efeitos deste artigo, entende­se por:  I  ­ cerealista, a pessoa  jurídica que exerça cumulativamente as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do  art. 2º;  II ­ atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da  terra  e/ou  de  criação  de  peixes,  aves  e  outros  animais,  nos  termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e  III  ­  cooperativa  de  produção  agropecuária,  a  sociedade  cooperativa  que  exerça  a  atividade  de  comercialização  da  produção  de  seus  associados,  podendo  também  realizar  o  beneficiamento dessa produção.  [...] (grifos não originais)  Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da  recorrente  limita­se a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chega­se a  conclusão  de  que  a  recorrente  não  exerce  a  atividade  de  cooperativa  de  produção  agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária.  E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a  atividade  de  beneficiamento  e  atividade  de  industrialização  encontra­se  nitidamente  Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 67          39 evidenciada,  por  exemplo,  no  art.  15,  IV,  da  Medida  Provisória  2.158­35/2001,  a  seguir  reproduzido:  Art.  15.  As  sociedades  cooperativas  poderão,  observado  o  disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base  de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP:  [...]  IV ­ as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento  e industrialização de produção do associado;  [...] (grifos não originais)  Outro dado  relevante que ratifica a conclusão de que a  recorrente exercia a  atividade de produção agropecuária,  em vez da atividade de produção agroindustrial,  está no  fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado  processo  nº  10010.031138/0413­61),  as  receitas  de  venda  no mercado  interno  dos  referidos  produtos de origem vegetal  sob  regime de suspensão6,  regime de  tributação não aplicável  às  cooperativas  de  produção  agroindustrial, mas  às  cooperativas  de  produção  agropecuária,  nos  termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito:  Art.  9º  A  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  I ­ de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei,  quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado  inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  II  ­  de  leite  in  natura,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  mencionada  no  inciso  II  do  §  1odo  art.  8odesta  Lei;  e(Incluído  pela Lei nº 11.051, de 2004)  III  ­  de  insumos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8º  desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do  mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...] (grifos não originais)  Assim,  se  acatada  a  pretensão  da  recorrente,  o  que  se  admite  apenas  por  hipótese,  ela  seria  duplamente  beneficiada,  pois,  além  de  não  submeter  a  tributação  das  referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no  mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às  referidas  receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º,  II, da Lei 10.925/2004,  a  seguir analisado.  Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às  cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com                                                              6  Os  valores  e  o  percentual  de  participação  da  receita  submetida  ao  regime  de  suspensão  encontram­se  discriminados  na  Tabelas  de  nº  03  (fls.  644/645),  integrante  do  processo  nº  10010.031138/0413­61  (dossiê  memorial), apenso a este processo.  Fl. 368DF CARF MF     40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitam­se ao regime de tributação  normal das citadas contribuições.  Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de  grãos encontrava­se disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007  e pelas  Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois,  diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo  de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada  essa  finalidade  específica,  certamente,  tais preceitos normativos não  têm qualquer  relevância  para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição  da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de  alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço.  Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária,  independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou  não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito  presumido  em  apreço,  conforme  determina  o  art.  8º,  §  4º,  I,  da  Lei  10.925/2004,  a  seguir  transcrito:  Art. 8º [...]  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  [...]  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  [...]  § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1º deste artigo o aproveitamento:  I ­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;  II  ­ de crédito  em  relação às  receitas de vendas  efetuadas com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  (grifos não originais)  Com  base  nessas  considerações,  deve  ser  mantida  a  glosa  integral  dos  créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente.  III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO  TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO.  De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03  e  04  (fls.  643/653),  integrantes  do  processo  nº  10010.031.138/0413­61  (dossiê memorial),  a  fiscalização  propôs  o  deferimento  apenas  dos  valores  dos  créditos  básicos  vinculados  às  receitas de exportação.  No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas  no mercado interno, a fiscalização manifestou­se pelo indeferimento integral, sob o argumento  de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno  não  sujeitas  à  tributação,  especificamente,  as  receitas  de  venda  com  suspensão  e  sujeitas  à  Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 68          41 alíquota  zero,  bem  como  as  exclusões  da  base  de  cálculo  permitidas,  exclusivamente,  às  sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas.  Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas  com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo.  III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas  Com Suspensão.  Segundo  a  fiscalização,  na  condição  de  cooperativa  agropecuária  de  produção,  as  operações  de  venda  realizadas  pela  recorrente  no  mercado  interno  estavam  amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins,  nos  termos  do  art.  9º  da  Lei  10.925/2004,  em  decorrência,  ela  deveria  ter  providenciado  o  estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do  art. 8º do citado diploma legal.  Art. 8º [...]  § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1º deste artigo o aproveitamento:  I ­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;  II ­ de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  [...] (grifos não originais)  Por  sua  vez,  a  recorrente  alegou  que  a  restrição  contida  no  citado  preceito  legal  fora  revogada  pelo  art.  17  da  Lei  11.033/2004,  nos  termos  do  §  1º  do  art.  2º  da  Lei  4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito:  Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor  até que outra a modifique ou revogue.  § 1º A  lei  posterior  revoga a anterior quando expressamente o  declare,  quando  seja  com  ela  incompatível  ou  quando  regule  inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.  § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a  par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.  §  3º  Salvo  disposição  em  contrário,  a  lei  revogada  não  se  restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.  Sem  razão  a  recorrente,  porque,  embora  tenha  entrado  em  vigor  posteriormente,  o  novo  preceito  legal  não  é  incompatível  e  tampouco  regula  inteiramente  a  matéria  disciplinada  no  art.  8º  da  Lei  10.925/2004,  que  instituiu  o  crédito  presumido  agroindustrial  e  as vedações  às manutenções  tanto do  referido  crédito presumido quanto dos  créditos  vinculados  as  receitas  de  venda  efetuadas  com  suspensão  por  pessoa  jurídica  que  exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária.  Diferentemente  do  alegado,  como  o  citado  art.  17  da  Lei  11.033/2004  instituiu  norma  de  nítido  caráter  geral  sobre  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  Fl. 370DF CARF MF     42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  ao  caso  em  apreço,  aplica­se  o  disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a  lei nova não revoga nem  modifica a lei anterior.  Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei  10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda  se  encontra  em  vigor,  por  força  do  disposto  no  art.  26­A  do  Decreto  70.235/1972  e  em  cumprimento  ao  que  determina o  art.  62  do Anexo  II  do Regimento  Interno  deste Conselho  (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento  deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal.  Com  base  nessas  considerações  e  tendo  em  conta  que  ficou  anteriormente  demonstrado  que  a  recorrente,  no  período  de  apuração  dos  créditos,  exercia  atividade  de  cooperativa  de  produção  agropecuária,  com  respaldo  no  inciso  II  do  §  4º  do  art.  8º  da  Lei  10.925/2004,  deve  ser mantida  a  glosa  integral  dos  créditos  vinculados  as  receitas  de  venda  com suspensão.  III.2) Do  Indeferimento  dos Créditos Vinculados  às Receitas  de Venda  Excluídas da Base de Cálculo.  De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou  exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15  da Medida Provisória 2.158­35/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não  lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o  ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado,  nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas  com suspensão,  isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da  COFINS”,  conforme  estabelece  o  art.  17  da  Lei  11.033/2004.  Por  decorrência,  não  havia  suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão  de base de cálculo decorrente de ato cooperativo.  Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79  da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que  tanto  a  base  de  cálculo  e  o  fato  gerador  destas  contribuições  correspondiam  ao  faturamento  total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º   das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004.  Para  a  recorrente,  posteriormente  ao  advento  da Medida  Provisória  1.858­ 6/1999,  cuja  redação  definitiva  foi mantida  na  vigente Medida  Provisória  2.158­35/2001,  os  dispositivos  que  asseguravam  isenção  das  citadas  contribuições  foram  revogados,  passando  desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da  mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998.  Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo  da  não  incidência,  logo  o  resultado  obtido  das  exclusões  da  base  de  cálculo  permitidas  às  sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência  das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável.  Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas  contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência  das  referidas contribuições, ou em razão das  respectivas operações de venda estarem fora do  campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato  Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 69          43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões,  especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção  agropecuária.  E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente,  não  se  enquadra  em  nenhuma  das  hipóteses  de  manutenção  do  crédito  das  referidas  contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004.  Com  base  nessas  considerações,  deve  ser  mantida  a  glosa  integral  dos  créditos  vinculados  à  base  cálculo  zerada,  em  razão  das  exclusões  da  base  de  cálculo  das  referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.158­35/2001 e no art 17  da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos  glosados.  IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC  Em  relação  aos  créditos  escriturais  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  decorrentes  da  aplicação  do  regime  da  não­cumulatividade,  cabe  consignar  que,  independentemente  da  forma  de  aproveitamento  (dedução,  compensação  ou  ressarcimento),  existe  vedação  expressa  a  qualquer  forma  de  atualização  ou  incidência  de  juros,  conforme  expressamente  consignada  no  artigo  13,  combinado  com o  disposto  no  inciso VI  do  art.  15,  ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos:  Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e  dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art.  12,  não  ensejará  atualização  monetária  ou  incidência  de  juros  sobre  os  respectivos valores.  [...]  Art. 15. Aplica­se à contribuição para o PIS/PASEP não­cumulativa de que  trata  a  Lei  no  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  o  disposto:  (Redação  dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  [...]  VI ­ no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no  art. 26­A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II  RICARF/2015,  os membros  das  turmas  de  julgamento  deste  Conselho  não  podem  afastar  a  aplicação do mencionado preceito legal.  Cabe  consignar  ainda  que,  no  caso  em  tela,  não  se  aplica  o  entendimento  exarado  no  acórdão  proferido  no  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  nº  1.035.847/RS,  submetido  ao  regime do  recurso  repetitivo,  previsto  no  artigo  543­C do CPC,  transitado  em  julgado  em  3/3/2010,  por  duas  razões:  a)  o  referido  julgado  trata  da  atualização  de  crédito  escritural  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não  cumulatividade  do  IPI  e  não  de  crédito  escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep  e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no  art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como  se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do  RICARF/2015.  Para melhor  compreensão,  transcreve­se  a  seguir  o  enunciado  da  ementa  do  mencionado acórdão:  Fl. 372DF CARF MF     44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1.  A  correção  monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes do princípio constitucional da não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo  da aplicação do princípio da não­cumulatividade, descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil.   3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele o contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  dada a tramitação normal dos feitos judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima a necessidade de atualizá­los monetariamente, sob pena  de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira  Seção: EREsp  490.547∕PR,  Rel. Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.09.2005,  DJ  10.10.2005;  EREsp  613.977∕RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953∕PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796∕PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em  26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro  Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso  especial  da Fazenda Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08∕2008.7 (grifos não originais)  Com  base  nessas  considerações,  fica  demonstrada  a  impossibilidade  de  acolher  a  sua  pretensão  da  recorrente,  com  vistas  à  atualização  dos  valores  dos  créditos  em  apreço com base na variação da taxa Selic.  VI) DA CONCLUSÃO  Por  todo  o  exposto,  em  relação  às  questões  aqui  analisadas,  vota­se  por  NEGAR PROVIMENTO ao recurso.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                                                              7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe  03/08/2009.  Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 70          45   Voto Vencedor 2  Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado.  Com  o  devido  respeito  aos  argumentos  do  ilustre  relator,  divirjo  de  seu  entendimento  quanto  à  reversão  total  da  glosa  relativa  aos  créditos  vinculados  às  vendas  de  adubos,  fertilizantes  e  sementes  pela  recorrente  aos  seus  associados,  as  quais  tiveram  as  alíquotas  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS  reduzidas  a  zero  pelo  art.  1º  da  Lei  10.925/2004.  Salienta­se  que  tais  créditos  foram  glosados  originalmente  por  falta  de  apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência  requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em  razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos  do artigo 15 da MP nº 2.158­35/2001:  Art. 15.  As  sociedades  cooperativas  poderão,  observado  o  disposto  nos arts.  2o  e 3o  da  Lei  no  9.718,  de  1998,  excluir  da  base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP:  [...]  II ­ as receitas de venda de bens e mercadorias a associados;  [...]  No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade  fiscal  justificou  a  glosa  dos  créditos  vinculados  a  exclusões  do  artigo  15  da MP  nº  2.158­ 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base  de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito:  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0  (zero)  ou  não  incidência  da Contribuição  para  o PIS/PASEP e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.  Acrescentou  ainda  que  tais  operações  são  atos  cooperativos  conforme  definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações  de compra e venda, conforme extrai­se do excerto abaixo do relatório fiscal:  "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71  (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e  institui o  regime jurídico das sociedades cooperativas”):   Art.  79.  Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre  as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas  entre  si  quando  associados,  para  a  consecução  dos  objetivos sociais.   Parágrafo  único.  O  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria. Grifou­se.   Fl. 374DF CARF MF     46 A  luz  do  dispositivo  legal,  o  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas  com suspensão,  isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da  Contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS  (art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Por  decorrência,  não  há  suporte  legal  para  manutenção do  direito  ao  crédito  em operações  não  tributadas  pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo."   Verifica­se, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos,  fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos  do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido,  impende8  reproduzir a  recente decisão do  STJ  no  REsp  nº  1.164.716/MG,  transitado  em  julgado  em  22/06/2016  e  submetido  à  sistemática  de  recursos  repetitivos,  na  qual  restou  decidido  que  os  atos  cooperativos  não  implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita:  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  NÃO  INCIDÊNCIA  DO  PIS  E  DA  COFINS  NOS  ATOS  COOPERATIVOS  TÍPICOS.  APLICAÇÃO  DO  RITO  DO  ART.  543­C  DO  CPC  E  DA  RESOLUÇÃO  8/2008  DO  STJ.  RECURSO  ESPECIAL  DESPROVIDO.  1.  Os  RREE  599.362  e  598.085  trataram  da  hipótese  de  incidência  do  PIS/COFINS  sobre  os  atos  (negócios  jurídicos)  praticados  com  terceiros  tomadores  de  serviço;  portanto,  não  guardam  relação  estrita  com  a matéria  discutida  nestes  autos,  que  trata  dos  atos  típicos  realizados  pelas  cooperativas.  Da  mesma  forma,  os  RREE  672.215  e  597.315,  com  repercussão  geral,  mas  sem  mérito  julgado,  tratam  de  hipótese  diversa  da  destes autos.  2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos  são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre  estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados,  para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág.  único,  alerta  que  o  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria.   3. No caso dos autos, colhe­se da decisão em análise que se trata  de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza  operações entre seus próprios associados (fls. 126), de  forma a  autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e  a COFINS.   4.  O  parecer  do  douto  Ministério  Público  Federal  é  pelo  desprovimento do Recurso Especial.   5. Recurso Especial desprovido.                                                              8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional, lei  ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  [...]  § 2º As decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo Supremo Tribunal   Federal  e pelo Superior Tribunal de  Justiça em matéria infraconstitucional, na  sistemática prevista pelos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973  ­ Código de Processo  Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no  âmbito do CARF.   Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13161.001939/2007­75  Acórdão n.º 3302­003.270  S3­C3T2  Fl. 71          47 6.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC  e  da  Resolução  STJ  8/2008  do  STJ,  fixando­se  a  tese:  não  incide  a  contribuição  destinada  ao  PIS/COFINS  sobre  os  atos  cooperativos típicos realizados pelas cooperativas.  ACÓRDÃO  Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros  da  PRIMEIRA  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  conformidade dos votos e das notas  taquigráficas a  seguir, por  unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos  do voto do Sr. Ministro Relator.   Os  Srs.  Ministros  Benedito  Gonçalves,  Assusete  Magalhães,  Sérgio  Kukina,  Regina  Helena  Costa,  Gurgel  de  Faria,  Diva  Malerbi  (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e  Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator.   Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin.  Sustentaram,  oralmente,  a  Dra.  HERTA  RANI  TELES,  pela  recorrente,  e  o  Dr.  JOÃO  CAETANO  MUZZI  FILHO,  pela  interessada:  ORGANIZAÇÃO  DAS  COOPERATIVAS  BRASILEIRAS ­ OCB  Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento).  NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO  MINISTRO RELATOR  Assim,  tais  operações  não  podem  ser  consideradas  como  mercantis,  e,  portanto,  não  se  tratam  de  vendas,  configurando  operações  não  incidentes  e  não  receitas  de  vendas não incidentes. Salienta­se que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente  sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não  genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.  Destarte,  entendo ser  inaplicável o  referido artigo para  efeito de vinculação  de  créditos  a  estas  parcelas.  Porém,  a  glosa  pura  e  simples  dos  créditos  vinculados  a  estas  operações,  conforme  realizada  pela  autoridade  fiscal,  parece­me  equivocada.  É  que  tais  créditos  referem­se  a  custos,  despesas  e  encargos  comuns  que  foram  vinculados  a  estas  parcelas mediante rateio entre receitas.  Assim,  não  sendo  tais  operações  receitas  de  vendas,  também  não  podem  compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns  (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu  denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas,  devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo  com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento.  Frise­se  que  a  decisão  não  se  refere  às  aquisições  específicas  de  adubos,  sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaram­se à alíquota zero,  como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral.  É como voto.  Fl. 376DF CARF MF     48         (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                Fl. 377DF CARF MF

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6549312 #
Numero do processo: 16327.721242/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 738          1 737  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.721242/2014­00  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1301­000.386  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  04 de outubro de 2016  Assunto  CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA  Recorrente  BANCO ITAU BBA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade,  CONVERTER  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Waldir  Veiga  Rocha,  Flavio  Franco  Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Junior,  Marcos  Paulo  Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto pelo contribuinte acima  identificado  contra o acórdão 16­67.070, proferido pela 10ª Turma da DRJ/SPO, na sessão de 26 de março  de  2015,  que,  apreciando  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte,  entendeu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  contestado     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 24 2/ 20 14 -0 0 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 739          2 Por bem descrever o ocorrido, valho­me do relatório elaborado por ocasião do  julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  DA AUTUAÇÃO  O presente processo trata de dois autos de infração, a saber:  a) Auto de infração para constituição de créditos tributários referentes ao IRPJ do  ano­calendário de 2011 (fls. 587 a 592):      b) Auto de infração para constituição de créditos tributários relativos à CSLL do  ano­calendário de 2009 (fls. 593 a 597)  Crédito Tributário  Enquadramento Legal  Valor em R$  Imposto sobre a Renda de  Pessoa Jurídica (IRPJ)  Art. 3º da Lei nº 9.249/95; artigos  247, 250,  inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99    57.833.702,10    Juros de Mora  (calculados até 12/2014)  Art. 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/96.     14.828.561,22  Multa Proporcional  Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96  43.375.276,58  TOTAL    116.037.539,90  Crédito Tributário  Enquadramento Legal  Valor em R$  Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido (CSLL)  Art. 57 da Lei nº 8.981/95,  com as alteração do  art. 1º da Lei nº 9.065/95; art.  16 da Lei nº  9.065/95; art. 1º da Lei nº  9.316/96; art. 3º da Lei  nº 7.689/88, com a redação  dada pelo art. 17 da  Lei nº 11.727/2008  65.730,13    Juros de Mora  (calculados até 12/2014)  Art. 6º, § 2º, da Lei nº  9.430/96.       30.419,90  Multa Proporcional  Art.  44,  inciso  I,  da  Lei  nº  9.430/96  49.297,60  TOTAL    145.447,63  Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 740          3 No  termo  de  verificação  fiscal  (fls.  599  a  604),  a  fiscalização  relata  que  as  autuações  decorrem  de  ajustes  nos  valores  de  prejuízos  fiscais  e  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL  efetuados  de  ofício  nos  processos  administrativos  fiscais  nº  16327.720728/2012­51 e nº 16327.721031/2013­88.  Informa que, no processo administrativo fiscal nº 16327.720728/2012­51, foram  recompostas  as  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL  dos  anos­calendário  de  2007  a  2010, conforme tabelas de fls. 600, abaixo reproduzidas:  IRPJ          CSLL  Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 741          4           A  fiscalização  também  informa  que,  no  processo  administrativo  fiscal  nº  16327.721031/2013­88,  foram  constatadas  infrações  que  resultaram  na  redução  de  R$438.200,88  nos  valores  de  prejuízo  fiscal  e  de  base  negativa  de  CSLL  do  ano­ calendário de 2008.  Em relação à CSLL, a fiscalização informa que a contribuinte declarou, na DIPJ  2009, base de cálculo negativa de R$883.916.376,99, que foi alterada para negativa em  R$741.246.690,98  no  processo  nº  16327.720728/2012­51,  valor  utilizado  no  ano­ calendário de 2009 como compensação de base negativa de períodos anteriores.  Entretanto, no processo nº 16327.721031/2013­88, a base negativa de CSLL foi  reduzida em R$438.200,88, passando de R$741.246.690,98 para R$740.808.490,10, o  que  gerou  uma  insuficiência  de  saldo  de  base  negativa  de  CSLL  passível  de  compensação no ano de 2009 no valor de R$438.200,88, conforme consulta ao Sistema  Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 742          5 de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL – Sapli  (fls. 551 a 556)  Quanto ao IRPJ, a fiscalização informa que o prejuízo fiscal declarado na DIPJ  2009  foi  de  R$1.320.456.208,52,  que  foi  alterado  para  R$1.177.786.522,51  (PAF  nº  16327.720728/2012­51) e depois para R$1.177.348.321,63  (PAF 16327.721031/2013­ 88).  A fiscalização acrescenta que esse saldo de R$1.177.348.321,63 foi utilizado, no  PAF  nº  16327.720728/2012­51,  para  compensação  de  R$716.176.638,84  no  ano  de  2009 e de R$353.974.859,93 no ano de 2010, restando saldo de R$107.196.822,86.  Entretanto,  alega  a  fiscalização  que  a  contribuinte  compensou,  em  2011,  prejuízos fiscais de anos anteriores no montante de R$338.531.631,27, o que gerou um  excesso de compensação de R$231.334.808,39, conforme consulta ao Sapli (fls. 557 a  566).  Assim,  foram  efetuados  lançamentos  de  CSLL  referente  ao  ano  de  2009  e  de  IRPJ relativo ao ano de 2011, conforme discriminado no início deste relatório.  DA IMPUGNAÇÃO  Cientificada  das  autuações  em  10/12/2014  (fls.  607  e  608),  a  contribuinte  apresentou,  em  08/01/2015,  a  impugnação  de  fls.  612  a  618,  acompanhada  dos  documentos de fls. 619 a 654.  De  início,  a  impugnante  informa  que,  ainda  que  reestabelecido  o  saldo  de  prejuízos fiscais originalmente declarado nas DIPJ, houve compensação de prejuízo a  maior  no  ano  de  2011  no  montante  de  R$2.625.109,90.  Acrescenta  que  efetuou  o  pagamento do IRPJ correspondente nos termos do art. 6º da Lei nº 8.218/91 (doc. 3 –  fls. 652).  A  impugnante  informa  que  os  lançamentos  efetuados  nos  processo  administrativos  nº  16327.720728/2012­51  e  nº  16327.721031/2013­88  foram  integralmente  contestados,  estando  o  primeiro  processo  aguardando  julgamento  do  recurso voluntário e o segundo aguardando julgamento da impugnação.  Assim, ressalta que os respectivos créditos tributários estão com a exigibilidade  suspensa nos termos do art. 151, III, do CTN, não sendo ainda definitivos.  Argumenta  que  a  existência  dos  lançamentos  efetuados  no  presente  processo  depende  necessariamente  da  procedência  daquelas  autuações.  Assim,  o  julgamento  daqueles  processo  administrativos  é  manifestamente  prejudicial  ao  julgamento  dos  presentes autos.  Acrescenta que,  sobrevindo decisão  favorável à  impugnante nos autos daqueles  processos, as reduções efetuadas pela fiscalização nos saldos de prejuízos fiscais e de  bases  negativas  de CSLL  restarão  prejudicadas,  repercutindo  diretamente  nos  valores  exigidos neste processo.  Ante  o  exposto,  requer  o  cancelamento  dos  presentes  lançamentos,  face  à  inobservância do art. 142 do CTN.  Ad argumentandum, caso assim não se entenda, alega que este processo deve ser  convertido  em  diligência  para  aguardar  o  julgamento  definitivo  dos  processos  nº  16327.720728/2012­51 e nº 16327.721031/2013­88, a teor da jurisprudência do Carf.  Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 743          6 A impugnante também alega que o julgamento deve ser suspenso nos termos do  art. 265, IV, “a” do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo  administrativo fiscal.  Caso  se  entenda  pela  manutenção  dos  lançamentos,  a  impugnante  se  insurge  contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Alega que os juros de mora podem incidir somente sobre tributos e contribuições  e não sobre a multa de ofício, conforme previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Para confirmar seu entendimento, cita o acórdão CSRF nº 9101­000722.  Ad  argumentandum,  alega  que,  se  fosse  cabível  a  exigência,  seriam  aplicados  juros à taxa Selic, limitados a 1%.  Por todo o exposto, requer seja dado provimento à impugnação, cancelando­se as  autuações ou, ao menos, seja o presente julgamento sobrestado até o julgamento final  dos processos administrativos nº 16327.720728/2012­51 e nº 16327.721031/2013­88.   Encaminhados os autos para julgamento, a 10ª Turma da DRJ/SPO, em sessão  realizada em 26 de março de 2015, entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a  impugnação, mantendo  o  crédito  tributário  contestado,  cuja  ementa  do  acórdão  restou  assim  descrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  PREJUÍZOS  FISCAIS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES.  SALDO  INSUFICIENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Sendo  insuficiente  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  de  períodos  anteriores  passíveis  de  compensação,  porquanto  absorvidos  por  infrações  apuradas  em  procedimentos  de  ofício,  mantém­se  a  glosa  do  valor  indevidamente  compensado.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL  Ano­calendário: 2009  BASES  DE  CÁLCULO  NEGATIVAS  DE  CSLL  DE  PERÍODOS  ANTERIORES. SALDO INSUFICIENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Sendo  insuficiente  o  saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL  de  períodos  anteriores  passíveis  de  compensação,  porquanto  absorvidas  por  infrações  apuradas  em  procedimentos  de  ofício,  mantém­se  a  glosa  do  valor  indevidamente compensado.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2009, 2011  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 744          7 Sendo  a  multa  de  ofício  classificada  como  débito  para  com  a  União,  decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora calculados pela taxa  Selic, a partir de seu vencimento.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009, 2011  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  julgamento  de  processo  administrativo  entre  as normas  reguladoras do Processo Administrativo Fiscal.  Pelo  princípio  da  oficialidade,  a  administração  pública  tem  o  dever  de  impulsionar o processo até sua decisão final.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Ciente  do  acórdão  recorrido  em  30/03/2015,  pelo  Portal  e­CAC  (fls.  675),  e  com  ele  inconformado,  a  recorrente  apresentou  em  28/04/2015  (fls  678),  tempestivamente,  recurso voluntário, através de representante regularmente constituído (686­690) pugnando por  provimento, onde traz argumentos que serão apreciados quando do julgamento.  É o relatório.  Voto  Conselheiro  José Eduardo Dornelas Souza, Relator  O  recurso  voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido.   Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de  julgamento, pelos motivos que passo a expor.  Conforme  descrito  no  relatório,  cuida­se  de  auto  de  infração  lavrado  por  autoridade  competente,  resultante  da  glosa  da  compensação  considerada  indevida  da  base  negativa de CSLL no ano­calendário de 2009 e do prejuízo fiscal no ano­calendário de 2011,  ocasionada  pela  lavratura  dos  autos  de  infrações  nºs  16327.720728/2012­51  e  16327.721031/2013­88, que acarretaram a redução de ofício dos saldos de prejuízos fiscais e  base negativa da CSLL do recorrente.  Em  sede  recursal,  a  interessada  alega  uma  preliminar  prejudicial  à  analise  de  mérito. Passo a analisá­la.  DA ALEGAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE DE PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS ­ SOBRESTAMENTO  Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 745          8 Sustenta a recorrente, em sede de recurso voluntário, haver conexão entre o PAF  nº 16327.720728/2012­51 e o presente processo, impondo­se a suspensão deste último.  Alega que a suposta insuficiência de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo  negativa de CSLL, decorre do fato da referida autoridade fiscal ter assumido como definitivas  as  autuações  que  deram  origem  aos  processos  administrativos  nºs  16327.720728/2012­51  e  16327.721031/2013­88.  Esclarece  que  a  parcela  da  glosa  relacionada  ao  processo  administrativo  nº  16327.721031/2013­88, que determinou redução do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa  de CSLL  do  ano­calendário  de  2008,  no  valor  de R$  438.200,88,  foi  recolhida  no  prazo  do  recurso voluntário, e por  isso a prejudicialidade alega  refere­se apenas  a glosa decorrente do  processo nº 16327.720728/2012­51.  Entendo que suas razões devem ser acolhidas.  Conforme  visto,  realmente,  a  glosa  aqui  discutida  possui  origem  na  reversão,  efetuado pela fiscalização, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, discutida  nos  autos  do PAF nº  16327.720728/2012­51.  Inegável  que  o  julgamento  deste  processo  está  diretamente relacionado ao resultado do julgamento daquele processo.   Consultando  o  sitio  do  CARF,  verifico  que  aquele  processo  foi  incluído  pelo  ilustre  Relator  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  na  pauta  de  julgamento  da  sessão  de  05/10/2016.  Sendo  assim,  não  há  que  se  negar  o  pleito  da  recorrente,  neste  ponto,  pois  a  decisão que  se há de proferir  aqui depende  fundamentalmente do que vier a  ser decidido  lá,  razão  pela  qual  se  impõe  estender  o  resultado  do  julgamento  daquele  processo  ao  caso  em  análise.  Diante  do  exposto,  voto  por  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência,  para  que  os  autos  sejam  encaminhados  à  Unidade  Preparadora,  para  adotar  as  seguintes  providências:  1.  aguardar  decisão  definitiva  na  instância  administrativa  do  processo  nº  16327.720728/2012­51 e acostar aos presentes autos cópia da referida decisão;  2.  anexar  extrato  do  sistema  SAPLI,  atualizado  após  a  decisão  definitiva  no processo nº 16327.720728/2012­51?   3. manifestar sobre o valor do saldo de prejuízos  fiscais e de bases de  cálculo  negativas  de CSLL  disponíveis  para  compensação  no  ano­calendário  2008,  igualmente  após  aquela decisão.  4. confirmar a alegação de que o litígio no processo nº 16327.721031/2013­88  foi encerrado mediante pagamento da parte interessada;  5. acrescentar outras informações ou documentos que considere relevantes para  a solução do litígio dos presentes autos.    Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.721242/2014­00  Resolução nº  1301­000.386  S1­C3T1  Fl. 746          9 Concluída  a  diligência,  deve  ser  dada  ciência  à  recorrente  do  relatório  conclusivo, concedendo­lhe prazo de 30 dias para se manifestar nos autos, caso assim deseje.  Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito.  (assinado digitalmente)   José Eduardo Dornelas Souza      Fl. 746DF CARF MF

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6513671 #
Numero do processo: 10166.723933/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTOS DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIAS DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGOS 30, INCISO I, "A", E 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO O mero equívoco, somente constatado a partir da ação fiscal, no registro dos fatos geradores na contabilidade da contribuinte, em contas distintas, não tem o condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, não havendo, portanto, a subsunção do fato à norma, passível de justificar a imputação da penalidade ora aplicada, impondo seja decretada a sua improcedência. In casu, a contribuinte não deixou de informar em títulos próprios de sua contabilidade as remunerações pagas aos segurados empregados, mas, sim, assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código 0310357000. AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da pretensa inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. HIPÓTESES DE AGRAVAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DOLO. FRAUDE E/OU MÁ-FE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Uma vez não demonstradas as hipóteses de majoração das multas aplicadas, na forma contemplada pelos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99 - RPS, impõe-se afastar a gradação das penalidades impostas pela autoridade lançadora, sobretudo quando a pretensa ocorrência de dolo, fraude ou má-fe atribuída à empresa não restou devidamente/circunstanciadamente demonstrada, sendo tratada somente de maneira superficial no Relatório Fiscal. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP - Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No tocante ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à responsabilidade solidária e aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; (iii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias agravantes do auto de infração CFL 30, mantida a multa no seu valor mínimo; (iv) por unanimidade de votos, dar provimento para tornar insubsistente o auto de infração CFL 34; (v) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias agravantes do auto de infração CFL 59, mantida a multa no seu valor mínimo, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, que dava provimento para afastar integralmente a penalidade; e (vi) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Para as matérias responsabilidade solidária e juros sobre a multa, foi designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTOS DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIAS DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGOS 30, INCISO I, "A", E 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO O mero equívoco, somente constatado a partir da ação fiscal, no registro dos fatos geradores na contabilidade da contribuinte, em contas distintas, não tem o condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, não havendo, portanto, a subsunção do fato à norma, passível de justificar a imputação da penalidade ora aplicada, impondo seja decretada a sua improcedência. In casu, a contribuinte não deixou de informar em títulos próprios de sua contabilidade as remunerações pagas aos segurados empregados, mas, sim, assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código 0310357000. AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da pretensa inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. HIPÓTESES DE AGRAVAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DOLO. FRAUDE E/OU MÁ-FE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Uma vez não demonstradas as hipóteses de majoração das multas aplicadas, na forma contemplada pelos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99 - RPS, impõe-se afastar a gradação das penalidades impostas pela autoridade lançadora, sobretudo quando a pretensa ocorrência de dolo, fraude ou má-fe atribuída à empresa não restou devidamente/circunstanciadamente demonstrada, sendo tratada somente de maneira superficial no Relatório Fiscal. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     2  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  APURAÇÃO  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  POR  ARBITRAMENTO.  NECESSIDADE  MOTIVAÇÃO  NOS  TERMOS  DA  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA  E  DEMONSTRAÇÃO  IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS  PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.  De conformidade com a  legislação de regência,  especialmente artigo 33, §§  3°  e  4o,  da  Lei  n°  8.212/91,  a  constituição  do  crédito  tributário  por  arbitramento  somente  poderá  ser  levada  a  efeito  quando  devidamente  demonstrada/comprovada à ocorrência da  impossibilidade da aferição direta  da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou  esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A  simples  constatação  de  pequenos  equívocos  na  escrituração  contábil  ou  mesmo mínimas divergências nos valores  informados  em GFIP e  folhas  de  pagamento,  não  tem  o  condão  de  suportar  o  lançamento  por  arbitramento,  mormente  quando  a  documentação  ofertada  pela  autuada  no  decorrer  do  procedimento  fiscal  ou  nos  documentos  de  arrecadação  seriam  suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos  geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta.  RELATÓRIO  FISCAL  DA  NOTIFICAÇÃO.  OMISSÕES.  IMPROCEDÊNCIA  LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar,  de  forma  clara  e  precisa,  todos  os  procedimentos  e  critérios  utilizados  pela  fiscalização  na  constituição  do  crédito  previdenciário,  possibilitando  ao  contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório.  Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou  motivos  de  apuração  do  crédito  tributário  levados  a  efeito  por  ocasião  do  lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do  direito de defesa e contraditório do contribuinte,  enseja  a  improcedência da  autuação.  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29  do  Decreto  nº  70.235/72,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar diligência que entender necessária.  A  produção  de  prova  pericial  deve  ser  indeferida  se  desnecessária  e/ou  protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando  deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto nº 70.235/72.  GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas integrantes de grupo  econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para  com a Seguridade Social.  LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E  DO  CONTRADITÓRIO.  INOCORRÊNCIA.  Tendo  o  fiscal  autuante  demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento,  oportunizando  ao  contribuinte  o  direito  de  defesa  e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.  AUTOS DE  INFRAÇÃO.  INOBSERVÂNCIAS DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  ARTIGOS 30,  INCISO  I,  "A", E 32,  INCISO  I, LEI Nº 8.212/91. Constitui  fato  gerador  de  multa  preparar  o  contribuinte  folhas  de  pagamentos  das  Fl. 51507DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 3          3  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  a  seu  serviço  em  desacordo  com  os  padrões  e  normas previstas na legislação previdenciária.  De conformidade  com o artigo 30,  inciso  I,  alínea  “a”,  da Lei nº 8.212/91,  constitui  infração  deixar  a  empresa  de  arrecadar  as  contribuições  previdenciárias,  mediante  desconto  nas  remunerações  dos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  a  seu  serviço,  abrangidos  pelo  Regime Geral de Previdência Social.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  INOBSERVÂNCIA  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  ARTIGO  32,  INCISO  II,  LEI  Nº  8.212/91.  NÃO  CONFIGURAÇÃO  O  mero  equívoco,  somente  constatado  a  partir  da  ação  fiscal,  no  registro  dos  fatos  geradores  na  contabilidade  da  contribuinte,  em  contas  distintas,  não  tem  o  condão de ensejar o descumprimento da obrigação acessória sob análise, de  maneira a caracterizar a infração à norma prevista no artigo 32, inciso II, da  Lei  nº  8.212/91,  não  havendo,  portanto,  a  subsunção  do  fato  à  norma,  passível de  justificar a  imputação da penalidade ora aplicada,  impondo  seja  decretada a sua improcedência.  In  casu,  a  contribuinte  não  deixou  de  informar  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados, mas,  sim,  assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código  0310357000.  AUTOS  DE  INFRAÇÃO  DECORRENTES  DE  LANÇAMENTO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  JULGADO  IMPROCEDENTE  EM  PARTE.  AUTUAÇÃO  REFLEXA.  OBSERVÂNCIA  DECISÃO.  Impõe­se  a  exclusão  da  multa  aplicada  decorrente  da  pretensa  inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em  Autuação  Fiscal  pertinente  ao  descumprimento  de  obrigação  principal,  declarada  improcedente,  quanto  aos  fatos  geradores  vinculados  a  este  processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se  vislumbra na hipótese vertente.  MULTA  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS.  HIPÓTESES  DE  AGRAVAMENTO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  DOLO.  FRAUDE E/OU MÁ­FE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Uma vez não demonstradas  as hipóteses de majoração das multas aplicadas, na forma contemplada pelos  artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99 ­ RPS, impõe­se afastar a gradação  das  penalidades  impostas  pela  autoridade  lançadora,  sobretudo  quando  a  pretensa ocorrência de dolo, fraude ou má­fe atribuída à empresa não restou  devidamente/circunstanciadamente  demonstrada,  sendo  tratada  somente  de  maneira superficial no Relatório Fiscal.  RELATÓRIO DE VÍNCULOS.  CO­RESPONSABILIZAÇÃO  DOS  SÓCIOS DA  EMPRESA  E  DEMAIS  PESSOAS  JURÍDICAS.  A  indicação  dos  sócios  da  empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal  denominado  CORESP  ou  Relatório  de  Vínculos  não  representa  nenhuma  irregularidade  e/ou  ilegalidade,  eis  que  referida  co­responsabilização  em  relação  ao  crédito  previdenciário  constituído,  encontra  respaldo  nos  dispositivos  legais  que  regulam  a  matéria.  Mais  a  mais,  nos  termos  da  Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa,  Fl. 51508DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     4  não  comportando  discussão  na  esfera  administrativa,  mormente  por  não  atribuir, por si só, sujeição passiva.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra  o crédito tributário,  logo está sujeita à  incidência dos juros de mora a partir  do mês subsequente ao do vencimento.  Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do  recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar provimento, vencidas as conselheiras Maria  Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Por unanimidade de votos, conhecer do  recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa,  que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a  preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP ­ Folha de Pagamento não Declarada em  GFIP",  vencidos  os  conselheiros  Carlos  Alexandre  Tortato,  Cleberson  Alex  Friess,  Andréa  Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as  demais preliminares. No tocante ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar  provimento  para  excluir  o  levantamento  relativo  ao  aviso  prévio  indenizado,  vencida  a  conselheira  Miriam  Denise  Xavier  Lazarini;  (ii)  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  quanto à responsabilidade solidária e aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os  conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira  Barbosa; (iii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias  agravantes  do  auto  de  infração  CFL  30,  mantida  a  multa  no  seu  valor  mínimo;  (iv)  por  unanimidade de votos, dar provimento para tornar insubsistente o auto de infração CFL 34; (v)  por unanimidade de votos, dar parcial provimento para excluir as circunstâncias agravantes do  auto de infração CFL 59, mantida a multa no seu valor mínimo, vencida a conselheira Miriam  Denise Xavier Lazarini,  que dava provimento para  afastar  integralmente  a penalidade;  e  (vi)  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  quanto  às  demais  questões.  Para  as  matérias  responsabilidade solidária e juros sobre a multa, foi designada para redigir o voto vencedor a  conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente e Redatora Designada    (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  Lazarini,  Carlos Alexandre Tortato,  Cleberson Alex  Friess,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa,  Marcio  de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais  Egypto, Maria Cleci Coti Martins  e Rayd  Santana Ferreira.  Fl. 51509DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 4          5    Relatório  BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., contribuinte, pessoa jurídica de  direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da  decisão  da  4a  Turma da DRJ  em Campo Grande/MS, Acórdão  nº  04­034.373/2013,  às  e­fls.  1.551/1.589, que julgou procedente em parte os lançamentos fiscais  lavrados em 20/05/2013,  referente  às  contribuições  sociais  devidas  ao  INSS,  correspondentes  à  parte  da  empresa,  dos  segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos  ambientais  do  trabalho,  além  da  aplicação  de  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias, em relação ao período de 01/2009 a 31/12/2009, conforme Relatório Fiscal, às e­fls.  73/113, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração:  1) DEBCAD 51.033.252­8 ­ por meio do qual foram lançadas Contribuições  previdenciárias  a  cargo  da  empresa,  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  ­  GILRAT,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  aos  segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor total de  R$ 6.274.512,41, consolidado em 20/05/2013 (fls.03 a 53).  2) DEBCAD 51.033.253­6 ­ por meio do qual foram lançadas Contribuições  previdenciárias dos segurados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração  paga aos segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor  total de R$ 2.211.505,96, consolidado em 20/05/2013 (fls.54 a 69).  3)  DEBCAD  51.033.254­4  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, fundamento legal 30, pelo fato de a autuada deixar de preparar folhas de pagamentos  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  no  valor  de  R$  10.304,28 (fl.70);  4)  DEBCAD  51.033.255­2  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  fundamento  34,  pelo  fato  de  a  autuada  deixar  de  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos, conforme previsto na legislação, no valor total de R$ 85.867,90 (fl.71);  5)  DEBCAD  51.033.256­0  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, fundamento legal 59, pelo fato de a autuada deixar de arrecadar, mediante desconto  das  remunerações,  as  contribuições dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço, conforme previsto na legislação, no valor de R$ 10.304,28 (fl.72);  De  conformidade  com  o  Relatório  Fiscal,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  encontram­se  discriminados  nos  levantamentos  abaixo elencados:  a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP:  Fl. 51510DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     6  · Verificou­se que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que  as  rubricas  aviso  prévio  indenizado,  bônus  anual  e  auxílio  dependente  excepcional  correspondem a salário­de­contribuição, mas não foram informadas em GFIP;  · Do  confronto  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  identificaram­se  pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP.  b) Custeio de educação:  · Após  exame  da  contabilidade,  verificou­se  valores  lançados  na  conta  “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada  para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pós­graduação,  inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”;  · O  sujeito  passivo  não  atendeu  à  intimação  fiscal,  deixando  de  informar  qual  o  tipo  de  educação  (pós­graduação,  graduação,  dentre  outros)  teria  sido  objeto  de  reembolso aos segurados;  · Tratam­se de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção  prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  c)  Pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por  meio  da  Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás  · Constatou­se  na  contabilidade  pagamentos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  por  serviços  de  Call  Center,  totalizando  R$  6.357.995,77;  · Da  análise  do  estatuto  social  da  autuada  e  do  contrato  de  prestação  de  serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constata­se que esta foi contratada para realizar a  atividade  fim  daquela,  o  que  vai  de  encontro  à  jurisprudência  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho;  · As  cláusulas  contratuais  evidenciam  o  propósito  de  a  autuada  exercer  o  controle  dos  serviços  prestados  pela  ADFEGO,  com  a  subordinação  desta  às  normas  estabelecidas  pela  aquela,  as  quais  devem  ser  observadas  desde  a  seleção  e  contratação  de  pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira;  · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem  à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta;  · A  fiscalização  conclui  pela  existência  de  elementos  caracterizadores  de  vínculo  empregatício  conforme  art.  3º  da CLT  e  alínea  “a”  do  inciso  I  do  art.  12  da Lei  nº  8.212, de 1991;  · A  fiscalização  caracterizou  esses  trabalhadores  como  segurados  empregados da autuada;  · A  autoridade  lançadora  aferiu  indiretamente  os  valores  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  considerando­os  como  sendo  o  montante  dos  pagamentos  feitos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center.  Fl. 51511DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 5          7  Após regular processamento,  interposta  impugnação, contra exigência  fiscal  consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou  por  bem  julgar  procedente  em  parte  o  lançamento,  afastando  parte  do  crédito  tributário  referente  ao  pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por meio  da  associação  de  deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por  meio de aferição indireta, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 04­ 034.373/2013, sintetizados na seguinte ementa:  "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE..  EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA.  Se o auto de infração e todos os documentos que o acompanham  permitem ao autuado o perfeito conhecimento do fato tributário  imputado,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  em  razão  de  obstrução ao direito de defesa.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. LEI.  O  rol  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212,  de  1991  é  taxativo  e  somente  o  pagamento  das  rubricas  nele  incluídas  estão  isentas  da contribuição previdenciária.  AVISO PRÉVIO INDENIZADO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.  Não  há  lei  que  isente  da  contribuição  previdenciária  o  aviso  prévio indenizado.  PAGAMENTO DE BÔNUS. INCIDÊNCIA   O silencio do contribuinte durante o procedimento fiscal acerca  da  natureza  do  bônus  pago  a  seus  diretores,  e  a  não  apresentação  da  documentação  probatória  acerca  dessa  natureza  junto  à  impugnação  é  motivo  para  manter  o  lançamento  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  referida rubrica.  AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL. INCIDÊNCIA.  Não há  previsão  legal  que  isente  pagamentos  feitos  à  título  de  auxílio  dependente  excepcional  da  base  de  incidência  das  contribuições previdenciárias.  REEMBOLSO EDUCACIONAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.  Valores  pagos  a  título  de  reembolso  educacional  que  não  se  enquadrem  na  norma  de  isenção  definida  em  lei  sofrem  incidência de contribuições previdenciárias.  FOLHA  DE  PAGAMENTO.  GFIP.  DIVERGÊNCIAS.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Diferenças entre os valores informados em folha de pagamento e  em GFIP, correspondentes a salários­de­contribuição, justificam  Fl. 51512DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     8  o  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  incidentes sobre elas.  LANÇAMENTO.  IMPUGNAÇÃO.  DOCUMENTOS.  AMOSTRAGEM. RAZÕES DE DEFESA NÃO APRESENTADAS.  São  ineficazes  os  documentos  trazidos  aos  autos  por  amostragem,  sem  as  correspondentes  razões  de  defesa  que  apontem,  expressamente  e  especificamente,  eventuais  incorreções nos valores lançados.  SEGURADOS  EMPREGADOS.  TERCEIRIZAÇÃO.  SIMULAÇÃO.  Constatado  pela  fiscalização  que  os  serviços  terceirizados  da  empresa  ocorrem  de  forma  simulada,  apenas  para  burlar  o  Fisco,  correto  o  enquadramento  dos  trabalhadores  como  segurados empregados da empresa contratante.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  A  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  é  aplicável  quando  caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir  o  conhecimento da ocorrência do  fato gerador pela autoridade  fazendária e de reduzir o montante das contribuições devidas.  AFERIÇÃO  INDIRETA.  BASE DE CÁLCULO.  INFORMAÇÃO  DISPONÍVEL. DESCABIMENTO.  Se a autoridade lançadora dispõe de meios para obter os valores  de salários­de­contribuição recebidos pelos  segurados, descabe  o emprego da aferição indireta.  GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO.  CARACTERIZAÇÃO.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  O  conjunto  de  empresas  que  estão  sob  o  controle  acionário  único,  e  que  desenvolvem  de  forma  integrada  suas  atividades  econômicas, mas  que  perante  o  público  atua  como  uma  figura  singular,  sob  uma  única  denominação,  são  situações  que  caracterizam o grupo econômico de fato.  Caracterizada  a  existência  de  um  grupo  econômico  de  fato,  o  reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei  para o recolhimento da contribuição previdenciária.  PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  perícia  quando  o  fato  a  ser  provado puder sê­lo por meio de prova documental.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO. CABIMENTO.  O crédito  tributário abrange  também a multa de ofício, motivo  pelo  qual  sobre  esta,  uma  não  paga  no  vencimento,  incidem  juros de mora conforme determina a legislação tributária.  RELATÓRIO DE VÍNCULOS. PEÇA INFORMATIVA.  Fl. 51513DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 6          9  O relatório de vínculo é peça meramente informativa integrante  do  auto  de  infração  previdenciários,  a  qual  não  imputa  a  responsabilidade tributária passiva às pessoas nele indicadas.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009   OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. MULTA.  O  não  cumprimento  das  obrigações  acessórias  implica  o  lançamento de multa prevista em lei.  MULTA. SITUAÇÃO AGRAVANTE. APURAÇÃO.  A  apuração  da  multa  pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias  deve  observar  as  situações  agravantes  constatadas  pela autoridade lançadora.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte"  Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72,  c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu  de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal.  Regularmente  intimada e  inconformada com a Decisão  recorrida, a autuada  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  1.607/1.665,  procurando  demonstrar  sua  improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões.  Preliminarmente,  suscita  a  nulidade  do  lançamento  relativo  a  folha  de  pagamento não declarada em GFIP, por entender que houve manifesta ausência de motivação,  pois o fiscal não logrou produzir prova tendente a corroborar a pretensão fiscal, bem como não  analisou a fundo os documentos e fatos bases do lançamento.  Ainda  em  caráter  preliminar,  insurge­se  a  contribuinte  quanto  aos  levantamentos C1 e C2, alegando para tanto a omissão de fatos relacionados a estas rubricas,  estando presente apenas o discriminativo de débito, não constando os motivos que conduziram  o agente fiscal a apurá­los, pugnando assim pela nulidade do lançamento.  Em  relação  ao mérito,  após  breve  relato  das  fases  e  fatos  que  permeiam  o  lançamento,  insurge­se  contra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  lançadas,  esclarecendo que o fato gerador de aludidos tributos é a prestação de serviços, sendo a BC a  remuneração  paga,  devida  o  creditada  a  qualquer  pessoa  física  decorrente  de  serviços  prestados, nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.  Afirma  ser  improcedente  a  incidência  das  contribuições  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  aviso  prévio  indenizado,  por  tratar­se  de  verba  indenizatória,  não  tendo  natureza  remuneratória,  colacionando  jurisprudência,  legislação  e  posicionamentos  doutrinários corroborando a sua tese.  Contrapõe­se  ao  lançamento  fiscal,  sustentando que  os  pagamentos  feitos  a  título de bônus  anual não podem sofrer a  incidência da  contribuição previdenciária, pois  são  Fl. 51514DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     10  pagos por mera liberalidade do empregador, de forma eventual, na forma do item 7, alínea "e",  do  §9º,  do  artigo  28  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  não  havendo  a  comprovação  por  parte  da  autoridade fiscal de que tais valores estivessem vinculados a fatores de eficiência, assiduidade,  tempo de serviço e outros relacionados ao desenvolvimento do labor.  Alega  ser  insubsistente  o  lançamento  quanto  ao  auxílio  dependente  excepcional porquanto carece de natureza contra­prestativa, encaixando­se na hipótese de não  incidência apresentada pela Lei n° 8.212/91, artigo 28, § 9°, alínea "q", dada sua natureza de  assistência  médica,  sobretudo  em  razão  de  o  funcionário  dever  preencher  o  requisitos  para  receber tal auxilio. Em defesa de sua pretensão, colaciona jurisprudência deste Conselho.  Argumenta  que  foram  lançados  os  reembolsos  com  cursos  de  idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários,  palestras,  entre  outros,  estando  completamente  equivocado  o  auditor  e  a  DRJ,  uma  vez  que  tais  valores  despendidos  pela  autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus  funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo  trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias,  conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores.  Esclarece não  ter  a  autoridade  lançadora  apresentado prova de que a Brasil  Telecom Call Center tenha deixado de recolher contribuições previdenciárias, motivo pelo qual  as  diferenças  apuradas  seriam  indevidas,  mormente  quando  não  restou  comprovada  a  real  natureza  jurídica  das  diferenças  apontadas  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  o  que  impossibilita o direito de defesa. Ainda assim, por amostragem, demonstra a improcedência de  aludido  levantamento,  conforme  documentos  às  fls.  1.474  a  1.544  e  planilha  transcrita  no  recurso.  Salienta, ainda, a  impossibilidade de refazer o trabalho da autoridade fiscal,  por isso demonstrou apenas alguns casos entre os milhares da autuação, devendo ser aplicado o  entendimento  da  DRJ  que  exclui  um  dos  casos  da  amostragem,  além  da  necessidade  indispensável  de  diligência  para  comprovar  a  inexistência  de  diferenças  apontadas  pela  fiscalização.  Quanto os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias,  repisa os argumentos da impugnação, afirmando não restar a autuada obrigada a informar em  folha de pagamento importâncias que não são fatos geradores de contribuições previdenciárias,  entendimento que se presta,  igualmente, a rechaçar as penalidades em relação à obrigação de  lançar em títulos de sua contabilidade eventos dessa natureza, bem como de descontar de seus  empregados contribuições previdenciárias sobre parcelas  indenizatórias, motivo pelo qual são  indevidas as multas lançadas por meio do DEBCAD 51.033.254­4, DEBCAD 51.033.255­2 e  DEBCAD 51.033.256­0;  Ainda relativamente as obrigações acessórias, no caso de não ser acolhida a  pretensão  acima  mencionada,  requer  o  afastamento  da  circunstância  agravante  utilizada  na  valoração dessas multas, pois não houve dolo, fraude ou má­fé da autuada ao firmar contrato  com  a  ADFEGO,  cujo  objeto  era  meramente  assistencial  visando  a  garantir  a  inclusão  de  pessoas portadoras de deficiência física no mercado de trabalho.  Opõe­se  a  caracterização  de  grupo  econômico,  aduzindo  que  o  fato  das  empresas  estarem  sob  o  controle  acionário  comum  não  é  suficiente  para  caracterização  de  grupo de  fato. Assevera,  que só pode  ser considerado  grupo econômico  quando as  empresas  combinarem  recursos  financeiros,  esforços  para  realização  de  atividades  comuns  e  firmarem  convenção, o que não acontece in casu.  Fl. 51515DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 7          11  Com  o  fito  de  afastar  quaisquer  dúvidas  quanto  a  inexistência  de  grupo  econômico,  transcreve  inúmeros  entendimentos  jurisprudenciais  indicando  só  haver  a  possibilidade dessa caracterização quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou  força  laboral  e  gerencial  comum,  além  de  expor  a  relação  de  responsabilidade  solidária  constante do artigo 50 do Código Civil.  Disserta  a  respeito  da  responsabilidade  tributária  e  sujeição  passiva,  concluindo  pela  impossibilidade  de  responsabilização  dos  sócios  em  relação  ao  crédito  previdenciário  ora  lançado,  uma vez  que  não  foram  atendidos  os  requisitos  necessários  para  tanto,  inscritos  nos  artigos  134  e  135  do  Código  Tributário  Nacional,  entendimento  que  encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação.  Vindica, também, a exclusão da incidência de juros sobre a multa de ofício,  por  entender  que  essa  penalidade  não  retrata  obrigação  principal,  mas,  sim,  encargo  que  se  agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte.  Relativamente,  ao  Recurso  de  Ofício,  esclarece  que  esse  não  merece  prosperar,  esi  que,  além  da  ilegalidade  quanto  o  método  de  aferição  indireta  aplicado,  não  houve  nenhuma  comprovação  da  suposta  relação  de  emprego  entre  os  funcionários  da  ADFEGO  com  a  recorrente,  impondo  seja  mantida  a  decisão  de  piso  relativamente  a  esta  matéria.  Sustenta ser imprescindível a diligência para demonstrar a insubsistência dos  lançamentos,  uma  vez  que  atestará  a  inexistência  de  diferenças  entre  os  valores  de  base  de  cáculo apresentados em folha de pagamento e GFIP, entre demais questões já enfrentadas no  recurso.  Ressalta  o  direito  da  contribuinte  de  requerer  a  realização  de  perícia,  diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo  administrativo  fiscal,  sendo  defeso  à  autoridade  fazendária  cercear­lhe  aludida  garantia  constitucional, sob pena de nulidade do procedimento.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  preliminarmente  decretar  a  nulidade  dos  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito, sua absoluta improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 51516DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     12    Voto Vencido  Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura dos Autos de Infração  sob análise deveu­se a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte  ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios  da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  adotando  como  fatos  geradores  as  seguintes importâncias:  a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP:  · Verificou­se que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que  as  rubricas  aviso  prévio  indenizado,  bônus  anual  e  auxílio  dependente  excepcional  correspondem a salário­de­contribuição, mas não foram informadas em GFIP;  · Do  confronto  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  identificaram­se  pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP.  b) Custeio de educação:  · Após  exame  da  contabilidade,  verificou­se  valores  lançados  na  conta  “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada  para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pós­graduação,  inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”;  · O  sujeito  passivo  não  atendeu  à  intimação  fiscal,  deixando  de  informar  qual  o  tipo  de  educação  (pós­graduação,  graduação,  dentre  outros)  teria  sido  objeto  de  reembolso aos segurados;  · Tratam­se de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção  prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  c)  Pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por  meio  da  Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás  · Constatou­se  na  contabilidade  pagamentos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  por  serviços  de  Call  Center,  totalizando  R$  6.357.995,77;  · Da  análise  do  estatuto  social  da  autuada  e  do  contrato  de  prestação  de  serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constata­se que esta foi contratada para realizar a  atividade  fim  daquela,  o  que  vai  de  encontro  à  jurisprudência  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho;  · As  cláusulas  contratuais  evidenciam  o  propósito  de  a  autuada  exercer  o  controle  dos  serviços  prestados  pela  ADFEGO,  com  a  subordinação  desta  às  normas  estabelecidas  pela  aquela,  as  quais  devem  ser  observadas  desde  a  seleção  e  contratação  de  pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira;  Fl. 51517DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 8          13  · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem  à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta;  · A  fiscalização  conclui  pela  existência  de  elementos  caracterizadores  de  vínculo  empregatício  conforme  art.  3º  da CLT  e  alínea  “a”  do  inciso  I  do  art.  12  da Lei  nº  8.212, de 1991;  · A  fiscalização  caracterizou  esses  trabalhadores  como  segurados  empregados da autuada;  · A  autoridade  lançadora  aferiu  indiretamente  os  valores  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  considerando­os  como  sendo  o  montante  dos  pagamentos  feitos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center.  Ressaltados  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas, passamos a contemplam o Recurso de Ofício, bem como as razões de fato e de direito  do Recurso Voluntário, senão vejamos.  RECURSO DE OFÍCIO  Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se  encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da  matéria posta nos autos.  Após  apresentação  da  impugnação  da  autuada,  o  lançamento  fora  julgado  procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 04­034.373/2013, às e­fls. 1.551/1.589, da 4a  Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora  de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do  Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008.  Com  mais  especificidade,  a  DRJ  competente,  ora  guerreada,  em  síntese,  achou  por  bem  rechaçar  em  parte  a  pretensão  fiscal,  afastando  parte  do  crédito  tributário  referente  ao  pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por meio  da  associação  de  deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por  meio de aferição indireta, adotando os seguintes fundamentos, in verbis:  "[...]  INCORREÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  APURADA  POR  MEIO DE AFERIÇÃO INDIRETA    A  autoridade  lançadora  considerou  os  pagamentos  registrados na contabilidade  feitos à Associação de Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  como  sendo  base  de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias  decorrentes  da  caracterização do vínculo empregatício entre os empregados da  referida  associação  e  a  autuada,  utilizando­se,  portanto,  do  procedimento  chamado de aferição  indireta,  cujos  fundamentos  legais transcrevem­se abaixo:  [...]  Fl. 51518DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     14    O  arbitramento,  ou  aferição  indireta,  é  uma  medida  de  exceção, que deve ser utilizada quando a autoridade lançadora  não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para  se  chegar  aos  valores  efetivos  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  que  no  caso  seriam  os  salários­ de­contribuição  pagos  aos  empregados  que mantinham  vínculo  empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do  Estado  de Goiás  – ADFEGO,  e  o  vínculo  empregatício de  fato  com a Brasil Telecom Call Center S/A.    A  autoridade  lançadora  não  fundamentou  o motivo  pelo  qual  considerou  o  total  das  notas  fiscais  de  serviço  emitidas  pela  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  como  sendo  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias lançadas.    Convém  lembrar  que  os  valores  dos  salários  recebidos  pelos  empregados  formalmente  vinculados  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  estão  disponíveis  em  vários  tipos  de  documentos  emitidos  pela  referida  associação,  tais  como  folhas  de  pagamento,  RAIS,  GFIP e DIRF, e as  informações contidas em tais documentos  estão disponíveis nos sistemas informatizados da RFB.    Contudo,  a  autoridade  lançadora  não  informou  se  tais  documentos  seriam  inexistentes,  ou  porque  motivos  as  informações constantes neles não mereceriam fé.    Como bem alegou as impugnantes, a autoridade lançadora  consultou  a  GFIP  apresentada  pela  Associação  de  Deficientes  Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, para relacionar o nome  de todos os empregados formalmente vinculados a esta (item 85  do relatório fiscal e anexo VII), para comprovar a pessoalidade  dos  serviços  prestados  à  autuada.  Por  qual  razão  não  teria  a  autoridade lançadora considerado os salários informados nessa  GFIP como base de cálculo?    Vê­se, portando, que autoridade  lançadora poderia dispor  dos  valores  dos  salários­de­contribuição  efetivamente  pagos  a  cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  mas  assim não o fez.    Ainda que  a  autoridade  lançadora  tivesse  apresentado os  motivos  para  desconsiderar  todas  as  informações  acerca  dos  valores  dos  salários  pagos  aos  empregados  formalmente  vinculados  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  prevê  percentuais mínimos  a  serem  considerados  como  custo  de  mão­de­obra  no  caso  de  aferição  indireta  feita  com  base em notas fiscais:  [...]    Embora a norma citada acima preveja percentuais mínimos  a  serem  considerados  como  remuneração  da  mão­de­obra,  mostra­se evidente que considerar o percentual máximo do valor  dos  serviços  informados  em  notas  fiscais  dependeria  de  Fl. 51519DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 9          15  justificativa  por  parte  da  autoridade  lançadora,  o  que  não  ocorreu no presente caso.    Esse procedimento adotado pelo  sujeito passivo ainda não  se  mostra  razoável,  pois  considera  que  todos  os  valores  constantes  em  notas  fiscais  corresponderiam  a  salários­de­ contribuição, não havendo qualquer  tipo de pagamento sobre o  qual não  incidiria contribuições previdenciárias; considera que  a empresa contratada faria a intermediação de mão­de­obra de  forma gratuita.    Em  razão  do  exposto,  devem  ser  excluídos  do  lançamento  todos  os  valores  das  contribuições  previdenciárias  objeto  dos  seguintes levantamentos:  ∙  AS  –  PAGAMENTO  À  ADFEGO  –  SEGURADOS  EMPREGADOS (EMPRESA);  ∙  CS  –  PAGAMENTOS  À  ADFEGO  –  CONTRIBUIÇÃO  SEGURADOS EMPREGADOS (SEGURADOS).  [...]" (grifamos)  Como se observa dos autos, ao constituir o crédito previdenciário pertinente  aos  pagamentos  efetuado  à Associação  de Deficientes  Físicos  do  Estado  de Goiás,  a  ilustre  autoridade lançadora entendeu por bem utilizar­se do procedimento do arbitramento, adotando  como base de cálculo dos tributos lançados o total das notas fiscais de serviços emitidas pela  ADFEGO,  sem  conquanto motivar  aludida  conduta,  sobretudo  em  razão  de  a  totalidade  dos  salários  recebidos  pelos  empregados  formalmente  vinculados  àquela  Associação  estar  disponível em vários tipos de documentos emitidos pela referida contribuinte, tais como folhas  de pagamento, RAIS, GFIP e DIRF, e as informações contidas em tais documentos.  Nesse  sentido,  estando  o  lançamento  escorado  em  uma  presunção  legal,  incumbe  à  fiscalização  demonstrar  e  comprovar  os  motivos  que  a  levaram  utilizar  deste  procedimento  excepcional  e,  conseqüentemente,  fundamentá­lo  na  legislação  de  regência,  fazendo  constar  dos  autos  do  processo,  nos  anexos  pertinentes,  a  norma  legal  esteio  da  exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito.  Inobstante  à grande  celeuma que envolve o  tema,  é  certo que  atualmente o  Fisco  dispõe  de  alguns  mecanismos  para  apuração  de  crédito  tributário  quando  constatadas  operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação,  ou mesmo quando aquele não promove a devida escrituração contábil, nos moldes mínimos das  normas específicas, ou não a oferece à fiscalização quando intimado para tanto.  Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os  requisitos  exigidos  pela  legislação  de  regência,  é  legal  e  inverte  o  ônus  da  prova  ao  contribuinte.  Trata­se,  pois,  de  presunção  legal  –  júris,  que  desdobra­se,  ensinam  os  doutrinadores,  em presunções  "juris  et  de  jure"  e  "juris  tantum". As  primeiras  não  admitem  prova em contrário; são verdades indiscutíveis por força de lei.  Fl. 51520DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     16  Por  sua  vez,  as  presunções  "juris  tantum"  (presunções  discutíveis),  fato  conhecido  induz  à  veracidade  de  outro,  até  a  prova  em  contrário.  Elas  recuam  diante  da  comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza  da  dívida  inscrita,  que  pode  ser  ilidida  por  prova  inequívoca,  nos  termos  do  artigo  204,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  As  hipóteses  inscritas  nos  §§  3º  e  6º,  do  artigo  33,  da  Lei  nº  8.212/91,  portanto, caracterizam­se como presunções  juris  tantum, albergada por lei, mas passíveis de  comprovação do contrário presumido.  Porém,  tal  procedimento  deve  estar devidamente  fundamentado  e motivado  nos  autos  do  processo,  além  da  necessidade  de  atender  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento.  Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca”  ao  agente  fiscal,  de maneira  a  possibilitar­lhe  concluir  pela  existência  de  débitos  tributários  bem  destoantes  do  que  efetivamente  devido  pelo  contribuinte,  escorados  em  parâmetros  aleatórios  e  imprecisos,  sem  o  devido  aprofundamento  no  exame  das  provas  constantes  dos  autos. Não  se  pode  admitir,  pois,  seja  praticado  o  arbítrio  em  nome  do  arbitramento.  É  um  procedimento,  portanto,  que  objetiva  aproximar, mensurar  as  remunerações  tributáveis  tanto  quanto possível daquele que seria real. Tem­se assim que a vontade abstrata da lei é gravar o  tributo  que  seria  devido  em  condições  normais,  não mais  do  que  isso,  porquanto  o  objetivo  precípuo  da  fiscalização  é  a  orientação,  com  a  finalidade de  esclarecer  aos  contribuintes  em  geral  sobre  o  indelével  dever  de  recolher  ao  fisco  os  tributos  efetivamente  devidos,  naturalmente  após  identificar  as  eventuais  irregularidades  extraídas  de  sua  atividade,  ou  contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da  lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o Fisco tem direito. Gravar tributo  não tem o mesmo sentido de agravá­lo. O agravamento se faz mediante cominação de multas,  não pela via do arbitramento.  A doutrina pátria oferece proteção ao entendimento encimado, conforme se  verifica do excerto da obra do renomado tributarista HELENO TORRES1, abaixo transcrito:  “ [...] toda a fundamentação de uma desconsideração de método  previamente  escolhido  e  aplicado  pelo  contribuinte  é,  em  si,  medida  típica  de  arbitramento  da  base  de  cálculo  dos  tributos  envolvidos  [...].  Da  Constituição,  no  seu  art.  145,  §  1°,  ao  próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese  vê­se  justificativa  para  tributação  com  base  em  presunções  absolutas;  o  que  vale  do  mesmo  modo  para  a  negativa  de  aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. [...] Ao  Direito  tributário  importa,  com  exclusividade,  só  a  verdade  material,  para  a  qual  certas  presunções  legais  somente  valem  como  hipóteses  sujeitas  a  confirmação  pela  base  natural  de  testabilidade:  a  situação  fática  tomada  como  motivo  para  a  edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha  por  ocorrido  tal  como  o  supunha a  norma,  deve  ser  aberto  ao  contribuinte  o  direito  de  demonstrar,  mediante  produção  de  prova  em  contrário,  a  efetiva  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário,  em  louvor  da  verdade  material.  Sobre  o  uso  das  presunções  legais  no  direito  tributário,  pela  circunstância  de                                                              1 TORRES, Heleno Taveira. Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções  no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites  ao Uso do PRL­60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03  Fl. 51521DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 10          17  alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis  de  serem  alcançados  para  tributação  e  pela  exigência  de  demonstração  de  provas,  por  parte  das  autoridades  administrativas,  a  cada ato  de  lançamento  tributário,  em  favor  da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais  deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de  afetar  os  princípios  de  segurança  jurídica  e  interdição  do  arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de  presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito  claros.  Primeiro,  tais  presunções  só  poderão  ser  de  ordem  probatória  (presunção  simples  ou  hominis);  e,  quando  criadas  por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a  devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade  de meios  e  formas.  Segundo,  a  Administração  deve  respeitar  o  caráter  de  sub­sidiariedade  dos  meios  presuntivos,  pois  só  de  modo  excepcional  se  deve  valer  deles,  na  função  de  típica  finalidade  aliviadora  ou  igualdade  de  armas,  nas  hipóteses  em  que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque  a  verdade  material  é  o  parâmetro  absoluto  da  tributação,  qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada  com  estrito  respeito  aos  direitos  fundamentais,  e  a  legalidade,  acompanhada de devido processo  legal e sem qualquer espécie  de discricionariedade que leve ao abuso de poder”  A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando  o  cancelamento  de  autuações  em  que  a  fiscalização  extrapolou  os  limites  impostos  pela  legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta  empreitada não estejam devidamente claros e precisos, in verbis:  “[...]  Ementa:  ARBITRAMENTO  –  POSSIBILIDADE  –  PRINCÍPIO  DA RAZOABILIDADE   Na  ocorrência  de  recusa  na  apresentação  de  livros  ou  documentos  ou  se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer outro documento da empresa, a  fiscalização constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  O  procedimento  de  arbitramento,  embora  seja  prerrogativa  legal do fisco, deve revestir­se de razoabilidade, de tal sorte que  os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do  fato  gerador.  [...]”  (1a  TO  da  4a  Câmara  da  2a  SJ  do  CARF,  Processo  n°  13963.000848/2007­87  ­  Acórdão  n°  2401­00.057,  Sessão  de  04/03/2009  –  Relatoria  Conselheiro  Ana  Maria  Bandeira) (grifamos)  “Ementa: [...]  AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO.  Fl. 51522DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     18  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE.  Na  utilização  da  aferição  o  Fisco  deve,  de  forma  clara  e  precisa,  descrever  a  fundamentação  legal,  os  fatos  geradores  ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente,  indicando  claramente  os  parâmetros  utilizados,  bem  como,  sempre que possível, os  segurados envolvidos.  [...]”  (2a TO da  4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 109.35.007634/2007­ 81 – Acórdão n° 2402­01.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria  Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos)  Ademais,  o  lançamento  –  atividade  vinculada  que  constitui  o  crédito  tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente  arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar­ se em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação.  Mesmo  porque,  o  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  ao  atribuir  a  competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa  atividade o  fiscal autuante descreva  e comprove a ocorrência do  fato gerador, determinando,  ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a  prerrogativa  do  fiscal  autuante  em  presumir  a  base  de  cálculo  do  tributo  lançado,  não  o  desobriga  de  comprovar  a ocorrência  do  fato  gerador. Ou  seja,  a  base de  cálculo  poderá  ser  presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores  não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos:  “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.”  Mais a mais, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da  Lei  n°  9.784/99,  que  regulamenta  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis:  Fl. 51523DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 11          19  “Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]  §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]”  Como se verifica dos dispositivos  legais encimados, para que o  lançamento  encontre  sustentáculo  nas  normas  jurídicas  e,  conseqüentemente,  tenha  validade,  deverá  o  fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e  determinar a matéria  tributável  (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa,  especialmente no Relatório Fiscal da Autuação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento  fiscal.  Na  mesma  linha  exposta  acima,  a  apuração  do  crédito  previdenciário  por  arbitramento  deve  vir  acompanhada  da  devida motivação,  indicando  a  autoridade  lançadora às irregularidades constatadas, as quais a impediram de apurar diretamente a  base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas.  A  doutrina  não  discrepa  deste  entendimento,  consoante  se  positiva  dos  ensinamentos da eminente jurista MARIA RITA FERRAGUT2, que assim preleciona:  “[...]  33. O  arbitramento  da  base  de  cálculo  deve  respeitar  os  princípios da finalidade da lei, razoabilidade, proporcionalidade  e  capacidade  contributiva,  razão  pela  qual  não  há  discricionariedade  total  na  escolha  das  bases  de  cálculo  alternativas,  estando  o  agente  público  sempre  vinculado,  pelo  menos,  aos  princípios  constitucionais  informadores  da  função  administrativa. 34. Não basta que algum dos fatos previstos no  artigo  148  do  CTN  tenha  ocorrido  a  fim  de  que  surja  para  o  Fisco  a  competência  de  arbitrar:  faz­se  imperioso  que  além  disso  o  resultado  da  omissão  ou  do  vício  da  documentação  implique  completa  impossibilidade  de  descoberta  direta  da  grandeza  manifestada  pelo  fato  jurídico.  34.1.  O  critério  para  determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis  de  ensejar  a  desconsideração  da  documentação  reside  no  seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de,  mediante  exercício  do  dever  de  investigação,  retificar  a  documentação  de  forma  a  garantir  o  valor  probatório  do  documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base  de  cálculo  arbitrada.  Caso  contrário,  não.  35.  Diante  de  um  lançamento por arbitramento, o sujeito passivo poderá verificar,  para  fins  de  defesa,  se  o  ato  jurídico  encontra­se  devidamente  motivado e os aspectos formais do ato foram cumpridos; se estão  indicados  na  norma  individual  e  concreta  de  constituição  do  crédito todos os dados e documentos utilizados para aferição dos  valores arbitrados, pois em caso negativo, o  lançamento estará  cerceando o exercício da ampla defesa e do contraditório; se o  critério adotado pelo Fisco para o arbitramento é muito oneroso  e desprovido de razoabilidade, considerando o capital social, o  faturamento,  o  lucro  e  a  própria  capacidade  operacional  da  empresa; se a infração cometida consistiu apenas em atraso na  escrita ou na  entrega de declarações, o que não é  considerado  antecedente  da  norma  jurídica  que  tem  como  conseqüente  o                                                              2 FERRAGUT, Maria Rita Ferragut. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161  Fl. 51524DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     20  dever do Fisco de  efetuar o  lançamento por arbitramento, mas  tão­somente daquela que prevê a aplicação de multa decorrente  de descumprimento de deveres instrumentais; se a documentação  irregular poderia ter sido desconsiderada, uma vez que os vícios  dela constantes são insignificantes se comparados ao número de  lançamentos contábeis efetuados ou documentos fiscais emitidos;  se  mesmo  diante  de  omissão  de  receitas  o  contribuinte  teve  prejuízo,  não  alterado  em  virtude  dessas  receitas,  hipótese  em  que não se faz possível exigir o pagamento de tributos incidentes  sobre  a  renda  e  o  lucro;  se  a  fiscalização  utilizou­se  de  exercícios  em  que  a  atividade  do  contribuinte  foi  atípica,  comprometendo a validade da média; e muitos outros.”  A jurisprudência do CARF que se ocupou do  tema, oferece guarida ao  entendimento  acima  esposado,  exigindo,  além  da  devida  motivação  na  utilização  do  procedimento  do  arbitramento,  a  demonstração  da  ocorrência  do  efetivo  prejuízo  da  fiscalização, senão vejamos:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006  AFERIÇÃO  INDIRETA  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  PROCEDIMENTO  EXCEPCIONAL.  CABIMENTO  APENAS  NAS  SITUAÇÃO  EM  QUE  FIQUE  DEMONSTRADA  A  IMPOSSIBILIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  TRIBUTO  COM  BASE  NA  DOCUMENTAÇÃO  EXIBIDA  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  A  mera  existência  de  irregularidades  na  escrita  contábil  do  contribuinte  não  autoriza,  por  si  só,  a  aferição  indireta  das  contribuições,  quando  o  Fisco  não  demonstra  que  houve  sonegação  de  documentos  ou  que  os  elementos  apresentados  não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço  da empresa. [...]  Recurso Voluntário Provido em Parte.” (1a TO da 4a Câmara da  2a SJ do CARF, Processo n° 35273.000238/2007­94, Acórdão n°  2401­002.161,  Sessão  de  01/12/2011  –  Relatoria  Conselheiro  Kleber Ferreira de Araújo) (grifamos)  Como se observa, em síntese, a fiscalização deve demonstrar cabalmente as  razões que a levou a promover o lançamento por arbitramento, especialmente com a finalidade  de oportunizar a ampla defesa e contraditório do contribuinte.  No  caso  sub  examine,  conclui­se  que  o  fiscal  autuante  edificou  uma  presunção  legal,  lançando crédito que entendeu devido, com base nos valores constantes das  Notas  Fiscais  de  prestação  de  serviços,  suscitando  ter  promovido  o  arbitramento  das  contribuições lançadas, invertendo, assim, o ônus da prova a contribuinte.  Entrementes,  tratando­se  de  procedimento  excepcional,  o  arbitramento  a  partir  do  permissivo  legal  inscrito  no  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da  Lei  n°  8.212/91,  deve  ser  devidamente  fundamentado em fatos e documentos  suscetíveis de comprovação. Não basta a  fiscalização  simplesmente  inferir  que  apoiou­se  no  procedimento  do  arbitramento  para  constituir o crédito tributário.  Fl. 51525DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 12          21  Para  que  o  lançamento  tivesse  o  devido  amparo  legal  e  fático,  caberia  ao  fiscal  autuante  comprovar  que  a  contabilidade  da  contribuinte  não  oferece  condições  de  demonstrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ou seja, a real movimentação  das  remunerações  de  seus  segurados,  na  forma que  exige  o  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da Lei  n°  8.212/91. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos.  Como se constata, mister se  fazer à autoridade  lançadora a observância dos  parâmetros  e  condições  básicas  previstas  na  legislação  de  regência  em  casos  de  desconsideração da contabilidade de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando  àquela  estiver  convencida  da  imprestabilidade  da  escrita  contábil,  in  casu,  para  fins  previdenciários, devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando  ao  contribuinte  a  devida  análise  da  conduta  que  lhe  está  sendo  atribuída  e,  bem  assim,  ao  julgador de analisar devidamente os autos.  Em  outras  palavras,  não  basta  à  indicação  de  erros  e/ou  vícios  na  contabilidade,  a  partir  de  meras  presunções  e/ou  subjetividades,  impondo  a  devida  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  que  os  documentos  fornecidos  pelas  contribuintes  não  se  prestam  a  demonstrar  a  real  movimentação  da  remuneração  de  seus  segurados, impossibilitando a aferição direta da base de cálculo de referidos tributos.  A  presunção  legal  inserida  no  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da  Lei  n°  8.212/91,  relativamente  ao  arbitramento,  não  tem  o  condão  de  suprimir  o  precípuo  dever  legal  da  autoridade fiscal demonstrar e comprovar a ocorrência das hipóteses legais ali inscritas, com a  finalidade de justificar aludido procedimento.  A  rigor,  em  momento  algum  o  fiscal  autuante  asseverou  que  se  viu  impossibilitado  de  apurar  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  em  face  de  equívocos  nos  registros  contábeis  vinculados  às  contribuições  previdenciárias, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foi, inexiste razão para o  arbitramento/aferição indireta adotado nos autos.  Com efeito, em nosso entender, os motivos aventados pela fiscalização, sem  que  haja  um  aprofundamento  maior  no  tema  (arbitramento),  com  provas  mais  robustas  e  indicação do efetivo prejuízo na seara do direito previdenciário, não é capaz de fazer florescer  a  hipótese  de  incidência  admitida  pela  fiscalização.  Repita­se,  o  arbitramento  não  pode  representar  uma  “carta  branca”  ao  agente  fiscal  de  maneira  a  afastar  a  necessidade  de  comprovação dos requisitos mínimos da exigência tributária.  Não bastasse isso, in casu, reitera­se, o que reforça o pleito da contribuinte é  que a fiscalização não demonstrou a impossibilidade de se aferir diretamente a base de cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  de  maneira  a  justificar  o  arbitramento  operado  na  constituição do crédito tributário. Ora, o arbitramento só faz sentido e tem fundamento legal se  a autoridade fazendária não  tiver condições de extrair a base de cálculo dos  tributos a serem  lançados nos documentos que dispõe ou ofertados pela contribuinte.  Observe­se,  por  fim,  que  o  Relatório  Fiscal  tem  por  finalidade  demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu à autoridade lançadora na constituição do  crédito  previdenciário,  devendo,  dessa  forma,  ser  claro  e  preciso  relativamente  aos  procedimentos  adotados  pela  fiscalização  ao  promover  o  lançamento,  concedendo  ao  contribuinte  conhecimento  pleno  dos  motivos  ensejadores  da  autuação,  possibilitando­lhe  o  amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratando­se de lançamento por arbitramento.  Fl. 51526DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     22  Em  face  dos  fatos  acima  delineados,  uma  vez  não  demonstrada  ou  sequer  aventada pelo fiscal autuante a  impossibilidade de apuração dos fatos geradores e/ou base de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  diretamente  nas  folhas  de  pagamento,  GFIP’s  e  contabilidade da  contribuinte,  não  se pode  admitir  a  apuração de crédito previdenciário  com  base em arbitramento, exclusivamente arrimado numa presunção legal, a qual inverte o ônus da  prova, mas deve estar devidamente motivado e comprovados seus pressupostos legais.  Na  esteira  desse  entendimento,  não  se  pode  cogitar  em  irregularidade  na  decisão  levada a efeito pelo  julgador de primeira  instância, porquanto agiu da melhor  forma,  com  estrita  observância  da  legislação  de  regência,  promovendo  a  retificação  do  crédito  previdenciário nos termos encimados.  Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância  com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  E  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  mantendo  o  decisum  recorrido,  nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais.  Consoante se positiva dos autos, a nobre autoridade lançadora achou por bem  decretar a improcedência parcial do feito, excluindo das Autuações os valores pertinentes aos  levantamentos  AS  ­  PAG  ASSOC  DEFIC  FIS  EST  GO,  FP  ­  FOLHA  DE  PAGA  NÃO  DECL  EM  GFIP,  CS  ­  CONTR  SEGURADOS  PAG  ADFEGO  e  CI  ­  CONTR  SEGURADOS, os quais foram contemplados acima por ocasião da análise do Recurso do  Ofício, razão pela qual analisaremos adiante as demais razões de recurso da contribuinte,  em  sede  de  preliminar  ou  de  mérito,  exclusivamente  no  que  tange  os  demais  levantamentos, como segue.  PRELIMINAR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA  Preliminarmente,  suscita  a  recorrente  a  improcedência  da  decisão  recorrida  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  julgadora  se  baseou  nas  informações  e  documentos  constantes  dos  autos,  mais  precisamente  Relatório  Fiscal  da  Autuação,  privilegiando  tal  documentação  em  detrimento  dos  argumentos  e  elementos  colocados  a  sua  disposição  na  impugnação,  impondo  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  produção  de  provas  indispensáveis ao deslinde da controvérsia.  Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece  acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o  lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante.  Observe­se, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte,  que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão,  tendo em vista que cabe  exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante  do  processo  serve  justamente  para  formar  a  convicção  do  julgador,  podendo  interpretá­la da  forma  que  melhor  entender,  refutá­las  ou  desconsiderá­las,  de  acordo  com  sua  convicção,  conquanto  que  de  forma  fundamentada.  Aliás,  é  o  que  determina  o  artigo  29  do  Decreto  70.235/1972, como segue:   “    Seção VI  Fl. 51527DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 13          23  Do Julgamento em Primeira Instância  [...]  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.”  Assim,  o  pleito  da  recorrente  não  tem  o  condão  de  macular  a  decisão  recorrida,  porquanto  o  julgador  monocrático  procedeu  da  melhor  forma,  exarando  decisão  fundamentada, debatendo acerca das  razões pertinentes  lançadas pela contribuinte,  formando  livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado.  Quanto  ao  indeferimento  do  pedido  de  diligência  para  produção  de  prova,  igualmente,  decidiu  acertadamente  o  ilustre  julgador  de  primeira  instância.  Além  de  a  recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV,  do Decreto  70.235/72,  a  autoridade  recorrida  já  tinha  formado  sua  convicção  no  sentido  de  manter  o  lançamento  fiscal  com  base  nos  demais  documentos  constantes  dos  autos,  sendo  despiciendo a produção de prova pericial.  Com  efeito,  a  produção  de  prova  pericial  se  faz  necessária  quando  indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o  seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, §  1º do Decreto 70.235/72, in verbis:  “Lei 9.784/99  Art. 38.  [...]  §  2º  Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando  sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.”  “Decreto 70.235/72  Art. 16.  [...]  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de  quesitos  referentes aos  exames  desejados,  assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional de seu perito;   § 1º ­ Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.”  Mais a mais, tratando­se de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a  sua  defesa  produzir  a  prova  em  contrário  através  de  documentação  hábil  e  idônea.  Não  o  fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância.  Fl. 51528DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     24  Registre­se,  por  fim,  que  a  contribuinte  em  seu  Recurso  Voluntário,  a  exemplo  das  fases  anteriores  do  processo  administrativo,  não  apresentou  nenhuma  documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade.  PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS  Ainda  em  sede  de  preliminar,  pretende  a  contribuinte  seja  decretada  a  nulidade  dos  feitos,  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  lançadora  não  logrou  motivar/fundamentar  o  ato  administrativo  do  lançamento,  de  forma  a  explicitar  clara  e  precisamente  os  motivos  e  dispositivos  legais  que  embasaram  as  autuações,  contrariando  a  legislação  de  regência,  notadamente  o  artigo  142  do  Código  Tribunal  e,  bem  assim,  os  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Em  que  pesem  as  substanciosas  razões  ofertadas  pela  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Do  exame  dos  elementos  que  instruem  o  processo,  conclui­se  que  os  lançamentos,  corroborados  pela  decisão  recorrida,  apresentam­se formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude.  De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples  leitura  dos  anexos  das  autuações,  especialmente  o  “Fundamentos Legais  do Débito  – FLD”,  Relatório Fiscal e demais  informações  fiscais, não deixa margem de dúvida  recomendando a  manutenção dos lançamentos.  Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os  lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os  fatos  geradores das  contribuições previdenciárias  e multas ora  exigidas,  não  se  cogitando na  nulidade dos procedimentos.  Melhor  elucidando,  os  cálculos  dos  valores  objetos  dos  lançamentos  foram  extraídos  das  informações  constantes  dos  sistemas  previdenciários  e  fazendários,  bem  como  das  folhas  de  pagamento,  GFIP’s,  recibos  e  demais  documentos  contábeis,  fornecidos  pela  própria  recorrente,  rechaçando  qualquer  dúvida  quanto  à  regularidade  do  procedimento  adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor  forma, com estrita observância à legislação de regência.  Destarte, é direito da contribuinte discordar com a  imputação fiscal que  lhe  está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato,  isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência.  Mais  a  mais,  a  exemplo  da  defesa  inaugural,  a  contribuinte  não  trouxe  qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram­se maculados  por  vício  em  sua  formalidade,  escorando  seu  pleito  em  simples  arrazoado  desprovido  de  demonstração do sustentado.  MÉRITO  Em  suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual  manteve  parte  substancial  da  exigência  fiscal,  dissertando  a  propósito  da  pretensa  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  Fl. 51529DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 14          25  Aviso  Prévio  Indenizado,  Bônus  Anual,  Auxílio  Dependente  Excepcional  e  Reembolso  Educacional,  além  de  se  insurgir  contra  as  penalidades  aplicadas  nas  autuações  por  descumprimento de obrigações acessória e principal, como passaremos a analisar de maneira  individualizada adiante.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  elabora  substancioso  arrazoado  contemplando  com  especificidade  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados,  acima  elencadas,  concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias.  Em  virtude  das  04  (quatro)  verbas  lançadas  na  presente  autuação  como  salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de  maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria,  senão vejamos.  Antes  de  adentrar  as  questões  de mérito,  é  de  bom  alvitre  trazer  à  baila  o  disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis:  “Art. 111.  Interpreta­se literalmente a legislação tributária que  disponha sobre:  I – suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II – outorga de isenção;  III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias””  Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.”  Extrai­se dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção  que  o  Poder  Público  pretenda  conceder  deve  decorrer  de  lei  disciplinadora,  sendo  sua  interpretação literal e não extensiva.  Por  sua  vez,  as  importâncias  que  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  estão  expressamente  listadas  no  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário­ de­contribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue:  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   Fl. 51530DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     26  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97   1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;   3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;   4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).  8.  recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   Fl. 51531DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 15          27  l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  Fl. 51532DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     28  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ”  Com  mais  especificidade,  contemplando  as  verbas  em  epígrafe,  o  Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo  214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições,  in verbis:  “Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  [...]  VI ­ a parcela recebida a título de vale­transporte, na forma da  legislação própria;  [...]    X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o  salário­de­contribuição para  todos os  fins  e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]”  Como  se  observa,  tendo  a  autoridade  lançadora  inserido  os  pagamentos  realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito  de  remuneração  (salário­de­contribuição),  nos  termos  do  artigo  28  da  Lei  n°  8.212/91,  comprovando/demonstrado  com  especificidade  a  natureza  remuneratória  das  verbas  concedidas,  impõe­se  ao  contribuinte  afastar a pretensão  fiscal  enquadrando  tais pagamentos  em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada,  observando, porém, os requisitos legais para tanto.  Em outras palavras, desincumbindo­se o Fisco do ônus de comprovar o fato  gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses  previstas  no  §  9°,  do  artigo  28,  da  Lei  n°  8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada.  Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a  tributação  de  todas  as  verbas  pagas  aos  seus  funcionários,  razão  pela  qual  passaremos  a  analisar  os  argumentos  relacionados  a  tais  rubricas  individualmente,  em  razão  de  suas  Fl. 51533DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 16          29  peculiaridades,  arrimadas  especialmente  na  jurisprudência  administrativa  e  atual  de  nossos  Tribunais Superiores, senão vejamos:  A) DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO  Consoante  se  infere do Relatório Fiscal,  aludido  levantamento se  refere aos  pagamentos  concedidos  pela  empresa  aos  empregados  a  título  Aviso  Prévio  Indenizado,  remuneração  paga  ao  empregado,  assegurada  pela  CF  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  XXI,  correspondente a, no mínimo, 30 dias de serviços prestados.  Mais precisamente,  a autoridade  lançadora utilizou como fundamento  à  sua  empreitada o fato de, com o advento do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, a alínea "f" do inciso  V  do  §  9º  do  art.  214  do  Decreto  nº  3.048//1999  foi  revogada,  portanto,  o  aviso  prévio  indenizado  passa  a  ser  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  razão  pela  qual  procedeu­se o presente lançamento adotando­se os fatos geradores ocorridos posteriormente à  12/01/2009.  Por sua vez, em sua peça recursal, afirma ser improcedente a incidência das  contribuições sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por tratar­se de verba  indenizatória,  não  tendo  natureza  remuneratória,  colacionando  jurisprudência,  legislação  e  posicionamentos doutrinários corroborando a sua tese.  Afora  os  fundamentos  da  autoridade  lançadora  ao  promover  o  lançamento,  corroborados  pelo  julgador  recorrido,  o  insurgimento  da  contribuinte  merece  acolhimento.  Destarte, não vislumbramos na verba sub examine natureza remuneratória tendente a integrar a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  É bem verdade que as hipóteses de não incidência, isenção e/ou imunidade de  contribuições  previdenciárias  encontram­se  previstas  na  legislação  de  regência,  notadamente  no  artigo  28,  §  9°,  da  Lei  n°  8.212/91,  c/c  artigo  214,  §  9°,  do  Decreto  n°  3.048/99  –  Regulamento da Previdência Social. Entrementes, a  jurisprudência deste Colegiado  já  firmou  entendimento no  sentido de que, primeiramente,  incumbe à  autoridade  lançadora demonstrar  que a verba concedida aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais encontram­se  revestidas das características básicas do salário de contribuição.  Em outras palavras, o simples fato de o benefício concedido pela contribuinte  aos seus funcionários não se encontrar elencado nos dispositivos legais encimados, por si só,  não  o  caracteriza  automaticamente  como  remuneração.  Mesmo  porque,  na  hipótese  de  o  benefício concedido ter natureza eminentemente indenizatória, por exemplo, não há se falar em  incidência dos tributos ora lançados.  Daí porque, é dever da autoridade fazendária adentrar aos aspectos peculiares  de cada verba/benefício concedido pela contribuinte aos seus empregados, se aprofundando na  questão  de  maneira  a  comprovar  que,  efetivamente,  se  apresenta  como  uma  nítida  remuneração, em razão de sua própria natureza, dos motivos e condições de pagamento, etc.  Na hipótese dos autos, não obstante a vasta discussão a propósito da matéria,  deixaremos  de  abordar  a  legislação  de  regência  ou  mesmo  adentrar  a  questão  da  natureza/conceituação  de  aludida  verba,  uma vez  que  o Superior Tribunal  de  Justiça  afastou  qualquer  dúvida  quanto  ao  tema,  reconhecendo  a  sua  natureza  indenizatória,  nos  autos  do  Fl. 51534DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     30  Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543­C, do CPC, com a  seguinte ementa:  "PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.  DISCUSSÃO  A  RESPEITO  DA  INCIDÊNCIA  OU  NÃO  SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM  O AUXÍLIO­DOENÇA.   [...]  2.2  Aviso  prévio  indenizado.  A  despeito  da  atual  moldura  legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias  pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador,  não  ensejam  a  incidência  de  contribuição  previdenciária.  A  CLT  estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo  indeterminado,  a  parte  que,  sem  justo  motivo,  quiser  a  sua  rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes  ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período  no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o  pagamento  decorrente  da  falta  de  aviso  prévio,  isto  é,  o  aviso  prévio  indenizado,  visa  a  reparar  o  dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  "se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba"  (REsp  1.221.665/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori  Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a  natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacam­se,  na doutrina, as  lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri  Mascaro  Nascimento.  Precedentes:  REsp  1.198.964/PR,  2ª  Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010;  REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de  1º.12.2010;  AgRg  no  REsp  1.205.593/PR,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  4.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de  22.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.220.119/RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011.   [...]" (grifamos)  E, de conformidade com o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF,  impõe­se  ao  julgador  deste  Colegiado  a  observância  às  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Fl. 51535DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 17          31  Justiça, tomadas em sede de Recurso Repetitivo, nos termos do artigo 543­C, do CPC, hipótese  que se amolda ao caso vertente, senão vejamos:  "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  [...]  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016."  Encampando  a  jurisprudência,  bem  como  a  disposição  regimental  supra,  a  jurisprudência  administrativa  vem  reconhecendo  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  aos  segurados  empregados  a  título  de  aviso  prévio  indenizado, como se extrai dos recentes julgados abaixo ementados:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  ABONO  DE  FÉRIAS.  INCIDÊNCIA  QUANDO  EXCEDENTE OS  LIMITES  DA  CLT.  ABONO. INCIDÊNCIA QUANDO HABITUAL.  O abono de férias previsto no artigo 143 da CLT não integra o  salário de  contribuição quando  respeitados os  limites previstos  na norma trabalhista. O abono concedido por liberalidade passa  a  integrar  o  salário  de  contribuição,  segundo  expressa  disposição constitucional (artigo 201, § 11), quando habitual.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO. INTEGRAÇÃO.  O  décimo  terceiro  salário  sofre  incidência  das  contribuições  previdenciárias  por  expressa  disposição  da  lei  tributária.  O  salário de contribuição relativo ao décimo terceiro é obtido pela  soma de todas as parcelas que o integram.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO E DÉCIMO TERCEIRO INDENIZADO. NÃO  INCIDÊNCIA.  A  incidência  da  contribuição  social  previdenciária  se  dá,  em  regra,  sobre  as  parcelas  remuneratórias.  Não  se  verifica  incidência  sobre parcelas de nítida natureza  indenizatória por  ausência de disposição legal. As parcelas pagas na rescisão do  contrato de trabalho a título de aviso prévio indenizado e férias  indenizadas  não  integram o  salário  de  contribuição  em  razão  Fl. 51536DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     32  de  seu  ínsito  caráter  indenizatório."  (1ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da 2ª SJ do CARF ­ Acórdão nº 2201­003.207, Processo  nº 10120.727291/2013­05, Sessão de 14/06/2016)  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  30/09/2009,  01/11/2009  a  31/05/2010, 01/08/2010 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/12/2011  [...]  AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA.  O Superior Tribunal de Justiça já definiu, nos autos do Recurso  Especial  nº  1230957/RS,  julgado  sob  a  sistemática  do  artigo  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  de  1973,  que  não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  aviso  prévio  indenizado.  [...]"(2ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  SJ  do  CARF  ­  Acórdão  nº  2202­003.378,  Processo  nº  16327.720438/201479,  Sessão de 10/05/2016)  Partindo  dessas  premissas,  diante  da  definitividade  da  decisão  do  STJ,  tomada  em  sede  de  Recurso  Repetitivo,  impõe­se  a  esta  Corte  Administrativa  adotar  a  jurisprudência  mansa  e  pacífica  dos  nossos  Tribunais  Superiores,  provendo  o  pleito  da  contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a  título de  Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF.  B) DO BÔNUS ANUAL E AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL  No  que  tange  aos  pagamentos  concedidos  aos  segurados  a  título  de Bônus  Anual, contrapõe­se à pretensão fiscal, sustentando que estão fora do campo de incidência das  contribuições previdenciárias, porquanto pagos por mera liberalidade do empregador, de forma  eventual, na forma do item 7, alínea "e", do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212, de 1991, não  havendo  a  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  que  tais  valores  estivessem  vinculados  a  fatores  de  eficiência,  assiduidade,  tempo  de  serviço  e  outros  relacionados  ao  desenvolvimento do labor.  Relativamente  aos  valores  concedidos  a  título  de  auxílio  dependente  excepcional, pretende seja afastada a tributação atribuída pela fiscalização, sob o argumento de  carecer de natureza contra prestativa, encaixando­se na hipótese de não incidência apresentada  pela  Lei  n°  8.212/91,  artigo  28,  §  9°,  alínea  "q",  dada  sua  natureza  de  assistência  médica,  sobretudo em razão de o funcionário dever preencher o  requisitos para  receber  tal auxilio. A  corroborar sua tese, colaciona jurisprudência deste Conselho.  Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o  entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando  pagos em desconformidade com a legislação de regência.  Isto  porque,  uma  vez  a  autoridade  fiscal  se  desincumbindo  do  ônus  de  comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte  demonstrar  que  os  pagamento  concedidos  aos  seus  segurados  não  possuem  natureza  remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente. A rigor, no decorrer da ação fiscal, a  recorrente quedou­se silente quando chamado a explicitar as condições para o pagamento de tal  rubrica.  Fl. 51537DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 18          33  Em verdade, em sede de impugnação e, posteriormente, recurso voluntária, a  contribuinte escora seu pleito no fato de o Bônus Anual ter sido pago numa única oportunidade  no ano, olvidando­se, porém, da natureza de contraprestação por  serviços prestados, ou seja,  pagos pelo trabalho, o que determina sua condição de verba remuneratória.  A propósito  da matéria,  o  julgador  de primeira  instância  foi muito  feliz  ao  rechaçar o pleito da contribuinte, como segue:  "[...]  BÔNUS ANUAL    Verifica­se que a autoridade lançadora, por meio do Termo  de  Intimação Fiscal  nº  04  (fl.126)  requisitou  esclarecimentos  à  autuada  sobre  a  rubrica  bônus  anual,  código  480.  Contudo,  a  autuada  manifestou­se  acerca  de  outros  pontos  da  referida  intimação fiscal (fls.254 a 256), mas silenciou­se em relação ao  alegado bônus.    Uma vez que o sujeito passivo preferiu não se manifestar em  relação  ao  bônus  anual,  e  de  comprovar  que  se  tratava  de  rubrica  isenta  de  contribuições  previdenciárias,  a  autoridade  fiscal procedeu ao  lançamento de contribuições previdenciárias  incidentes sobre os valores registrados a esse título na folha de  pagamento da empresa.    Agiu corretamente a autoridade lançadora nesse caso, pois  a comprovação de que o pagamento do bônus anual enquadrar­ se­ia em uma das hipóteses de isenção previstas no §9º do art. 28  da Lei  nº  8.212, de  1991,  caberia ao  sujeito  passivo,  pois  essa  prova foi requisitada a ele.    Por essa razão, não procede o argumento dos impugnantes  de que essa prova caberia à autoridade lançadora.    Poderiam  os  impugnantes  ter  trazidos  elementos  de  prova  junto á peça  impugnatória que determinassem a não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referido  bônus,  porém,  limitaram­se  apenas  a  alegar  que  tais  valores  estariam  enquadrados na norma de  isenção prevista no item 7 da alínea  e) do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.    Não exercido o ônus da prova junto à impugnação, deve ser  mantido  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  que  incidiram sobre os valores de bônus anual registrados na folha  de pagamento da empresa. [...]"  Igualmente,  quanto  ao  auxílio  dependente  excepcional,  inobstante  reconhecermos  a  louvável  conduta  da  contribuinte,  não  podemos  afastar  a  tributação  de  tais  verbas exclusivamente com base na boa fé da empresa ou mesmo por analogia a outras verbas,  especialmente quando inexiste disposição legal para tanto.  Destarte,  a  única  verba  fora  do  alcance  da  incidência  das  contribuições  previdenciária  que  o  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91  contempla,  quando  concedida/estendidas aos dependentes, encontra­se inserida na sua alínea "t", relativamente ao  Fl. 51538DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     34  auxílio educacional, não cabendo ao aplicador da lei conferir interpretação extensiva ao que o  legislador ordinário não prescreveu.  No  mesmo  sentido,  cumpre  trazer  à  baila  excerto  da  decisão  de  primeira  instância, muito elucidativo ao deslinde da controvérsia, in verbis:  "[...]    Como visto acima, não se trata de assistência prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico  da  empresa  ou  conveniados.  Também  não  se  trata  de  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos  etc,  pois  se  assim  fosse, tal fato deveria ser comprovado por meio de recibos,  notas fiscais ou outro documento que indicassem esse tipo  de gasto no exato valor ao que foi pago pelo sujeito passivo  a  seus  empregados  a  título  de  auxílio  dependente  excepcional.    E  uma  vez  que  inexiste  previsão  legal  que  afaste  a  incidência de contribuições previdenciárias sobre esse tipo  de auxílio, conforme já se comentou no presente voto, deve  ser mantido lançamento referente ao pagamento de auxílio  dependente excepcional. [...]"  Com  efeito,  ao  admitir  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  retro,  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  em  total  afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º,  e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação  tributária, como acima demonstrado.  Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  n°  8.212/91,  não  integram  o  salário  de  contribuição  às  importâncias  recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal  extensivamente,  de  forma  a  incluir  outras  verbas,  senão  aquela  (s)  constante  (s)  da  norma  disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer  amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da  empresa sem qualquer observância às normas legais.  Nessa  toada,  tendo  a  contribuinte  concedido  a  seus  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  as  verbas  encimadas,  sem  levar  em  consideração  os  preceitos  legais  que  disciplinam  o  tema,  não  há  que  se  falar  em  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referidas  importâncias,  por  se  caracterizarem  como  salário  de  contribuição, impondo a manutenção do feito.  C) CUSTEIO DE EDUCAÇÃO ­ REEMBOLSO EDUCACIONAL  Conforme  se  extrai  do  Relatório  Fiscal,  da  análise  da  contabilidade  da  contribuinte, constatou­se o pagamento aos funcionários destinado ao custeio de despesas com  educação, intitulada como "reembolso educacional" pela recorrente,   Com mais  especificidade,  o  nobre  fiscal  autuante  escorou  a  tributação  nas  seguintes razões:  "[...]  Fl. 51539DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 19          35  51  A empresa informou que referida conta é “utilizada para o  lançamento  de  diversos  tipos  de  reembolsos  como  idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários  e  palestras  entre  outros,  incluindo  o  Educacional.  Dentre  os  valores  lançados  nesta  referida  conta,  elencamos  no  demonstrativo  anexo  apenas  os  colaboradores  que  foram  contemplados com o Reembolso Educacional no ano calendário  de 2009.”  52.  Pela  informação  da  empresa  além  do  reembolso  educacional a conta 3103354000 acolhe os registros de diversos  cursos, incluindo cursos de pós­graduação e idiomas.  53.  Por meio do TIF nº 8, ciência da empresa em 13/03/2013, a  empresa  foi  instada a apresentar  relação de beneficiários,  com  Nome/NIT/Competência/Valor pago e tipo de educação.  54.  Em  resposta  apresentou  planilha  com  as  informações  solicitadas, totalizando R$ 119.536,50, e não especificou qual o  tipo  de  ensino  disponibiliza  aos  beneficiários  do  Reembolso  Educacional.  55.  Desta  forma,  como  a  empresa  deixou  claro  que  além  do  Reembolso  Educacional  (cursos  de  graduação?),  reembolsa  despesas  com  cursos  de  idiomas  e  cursos  de  pós­graduação,  sendo  que  estas  despesas,  também,  não  são  alcançadas  pela  isenção  prevista  no  §9  do  artigo  28  da  Lei  8.212/91,  esta  fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições  previdenciárias  além  do  valor  informado  pela  Brasil  Telecom  com  o  Reembolso  Educacional,  também,  àquelas  despesas  informadas  na  conta  3103354000,  não  incluídas  no Reembolso  Educacional, e cujos beneficiários são pessoas físicas.  [...]  58.  O gasto do contribuinte com o custeio de cursos de idiomas,  de pós­graduação e reembolso educacional de seus empregados  é considerado fato gerador de contribuição previdenciária, uma  vez que os  valores despendidos  com referido benefício,  embora  relativos à despesa com educação, não se encontram alcançados  pela norma de isenção de que trata a alínea “t” do § 9o do art.  28  da  Lei  nº.  8.212/91,  que  prevê  parcela  não  integrante  do  salário  de  contribuição  do  segurado.  Portanto,  deve  compor  a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  [...]  59.  De  fato,  para  que  o  valor  despendido  com  educação  não  integre o salário­de­contribuição, devem ser atendidos, de forma  cumulativa,  os  requisitos  estabelecidos  pela  legislação,  quais  sejam:  a)  plano  educacional  que  caracterize  o  oferecimento  de  educação  básica  ou  de  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissional vinculados às atividades da empresa, b) o benefício  não  pode  substituir  parcela  salarial  e,  c)  disponibilidade  de  acesso a  todos os  empregados. E,  em  se  tratando de norma de  Fl. 51540DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     36  exceção  que  confere  isenção  tributária,  deve  ser  interpretada  restritivamente.  60.  Assim,  valor  concedido  aos  empregados  a  título  de  ressarcimento  de  despesas  com  custeio  de  cursos  de  pós­ graduação, de idiomas e reembolso educacional não é isento de  contribuições  previdenciárias,  sendo  considerado  salário  in  natura  e,  portanto,  na  qualidade  de  salário  indireto,  integra  o  salário­de­contribuição  do  segurado  empregado  para  fins  de  incidência das contribuições previdenciárias.  [...]" (grifamos)  Como se observa, a contribuinte  instada a se manifestar sobre o pagamento  do Reembolso Educacional, muito embora tenha apresentado planilha especificando parte das  informações  solicitadas,  deixou  de  esclarecer  qual  o  tipo  de  ensino  disponibiliza  aos  beneficiários do Reembolso Educacional.  Assim, em que pese ter informado que aludida verba comporta despesas com  cursos de  idiomas e cursos de pós­graduação, não especificou quais as  condições para o  seu  pagamento, bem como quais cursos precisamente são ofertados.  Em suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  seja  afastada  a  tributação  sobre aludida verba, argumentando que foram lançados os reembolsos com cursos de idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários,  palestras,  entre  outros,  estando  completamente  equivocado  o  auditor  e  a  DRJ,  uma  vez  que  tais  valores  despendidos  pela  autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus  funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo  trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias,  conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores.  Constata­se  que  a  contribuinte,  ao  invés  de  melhor  aclarar  a  demanda,  colacionando aos autos as informações pertinentes a cada curso oferecido, com o destinatário, a  natureza do curso, etc, sobretudo objetivando subsumir o fato à norma isentiva, simplesmente  traz  à  colações  questões  de  direito  periféricas,  que  em  nada  contribuem  para  o  deslinde  da  controvérsia.  Ao contrário, ao buscar repousar sua pretensão em simples alegações de não  incidência de contribuições previdenciárias sobre o custeio educacional de seus funcionários, o  que é de conhecimento geral e consta da própria lei, deixou de proceder o mais importante, que  é a comprovação de que o auxílio educacional ofertado observa os pressupostos legais para fins  de não incidência dos tributos ora lançados.  Neste  sentido,  aliás,  fora  a  decisão  de  primeira  instância  ao  rechaçar  as  alegações da contribuinte, de onde peço vênia para transcrever parte e adotar como razões de  decidir:  "[...]    A  autoridade  lançadora  informou  que  a  autuada  apenas  apresentou planilha informando os valores pagos a cada um dos  segurados  beneficiados  a  título  de  reembolso  educacional,  deixando, contudo, de especificar, individualmente, qual seria o  tipo de curso freqüentado pelos segurados beneficiados (fl.85).  Fl. 51541DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 20          37    Os  impugnantes  também  não  trazem  documentos  que  possam comprovar que tipo de curso cada um de seus segurados  beneficiados pelo  referido reembolso  teriam  freqüentado, o que  impossibilita  saber  se  esses  pagamentos  poderiam  ser  enquadrados no dispositivo legal acima citado.    A mera alegação de que se  trataria de verba  indenizatória  também  não  é  suficiente  para  afastar  a  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  pelos  motivos  que  já  foram  apontados no presente voto.    Destarte,  deve  ser  mantido  o  lançamento  em  relação  aos  pagamentos  registrados  na  contabilidade  como  reembolso  educacional.  [...]"  Nestes termos, muito embora não compartilhe com parte da conclusão fiscal,  que  dá  a  entender  que  cursos  de  pós­graduação  e  de  idiomas  não  estariam  abarcados  pela  norma  isentiva  em  comento,  por  não  se  caracterizarem  como  educação  básica  e/ou  capacitação profissional,  entendimento que  foge  à própria  essência da verba  sub examine,  o  certo é que a contribuinte em momento algum ofereceu condições/informação para se aferir se,  de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28,  § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991.  Nessa toada e, na linha do decidido no Acórdão recorrido, impende manter a  exigência de contribuições previdenciárias sobre a verba denominada Reembolso Educacional  ofertado pela contribuinte aos seus funcionários.  D) DIVERGÊNCIAS DE FOLHAS DE PAGAMENTO X GFIP  No entender deste Conselheiro, esta matéria  foi  tratada de forma conjugada  na  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela  recorrente,  sobretudo  por  se  tratar  de  questão  de  pretenso erro na apuração de base de cálculo.  Portanto, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples  leitura  dos  anexos  das  autuações,  especialmente  o  “Fundamentos Legais  do Débito  – FLD”,  Relatório Fiscal e demais  informações  fiscais, não deixa margem de dúvida  recomendando a  manutenção dos lançamentos, especialmente quanto ao tópico ora em debate.  Dessa forma, as diferenças às quais a autoridade lançadora chamou de “folha  de pagamento não declarada em GFIP” se referem as diferenças nos valores de verbas que são  enquadradas como salário­de­contribuição.  A autuada teria todas as condições de refutar, um a um, os valores apurados  pela autoridade lançadora pois esta baseou seu trabalho na análise da folha de pagamento e da  GFIP  que  são  documentos  que  estão  sob  a  guarda  daquela,  no  entanto,  na  opinião  deste  Conselheiro,  a  falta  de  precisão  na  fundamentação  e  nos  argumentos  apresentados  pela  Fl. 51542DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     38  contribuinte,  além  de  anexar  mais  de  46  mil  laudas  de  documentos  "debandados",  não  são  suficientes para rechaçar a pretensão fiscal.  DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO  Conforme  se  depreende  dos  autos,  a  ilustre  autoridade  lançadora  entendeu  por bem caracterizar Grupo Econômico de Fato entre as empresas BRASIL TELECOM CALL  CENTER  S/A,  OI  AS,  BRASIL  TELECOM CABOS  SUBMARINOS  LTDA.,  14  BRASIL  TELECOM  CELULAR  SA,  BRT  CARD  SERVIÇOS  FINANCEIROS  LTDA.,  BRT  SERVIÇOS  DE  INTERNET  SA,  BRASIL  TELECOM  COMUNICAÇÃO  MULTIMÍDIA  LTDA. e VANT TELECOMINICAÇÕES SA., sob os seguintes fundamentos:  "[...]  13.  Entretanto,  além  dos  "grupos  de  sociedades",  constituídos  formalmente, são freqüentemente encontradas organizações com  direção, controle ou administração únicos e exercidos direta ou  indiretamente,  porém  não  formalizados  de  acordo  com  os  preceitos da Lei n. 6.404/1976. Esses grupos de empresas, neste  relatório, serão denominados "grupos econômicos de fato".  14.  A Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa  Jurídica da empresa OI S A, CNPJ: 76.535.764/0001­43, 2010,  relaciona na ficha 62 – Participação Permanente em Coligadas  e Controladas, as empresas controladas pela OI S A.  15.  Com base na informação constante da DIPJ, a fiscalização  considerou  as  empresas  a  seguir  como  componentes  do Grupo  OI  e,  portanto,  solidariamente  responsáveis  pelo  crédito  previdenciário resultante deste procedimento fiscal:  a) OI S A ­ CNPJ: 76.535.764/0001­43  b)  BRT  SERVIÇOS  DE  INTERNET  S/A  –  CNPJ:  04.714.634/0001­67  c)  14  BRASIL  TELECOM  CELULAR  S/A  –  CNPJ:  05.423.963/0001­11  d)  BRT  CARD  SERVIÇOS  FINANCEIROS  LTDA  –  CNPJ:  10.213.810/0001­80  e)  VANT  TELECOMUNICAÇÕES  S/A  –  CNPJ:  01.859.295/0001­19  f) BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS LTDA – CNPJ:  02.934.071/0001­97  g) BRASIL TELECOM COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA –  CNPJ: 02.041.460/0001­93.  16.  Dessa  forma,  tendo  ficado  evidente  a  interligação  dessas  empresas  e  sua  subordinação  a  um  comando  centralizado,  no  caso em questão o controle acionário exercido pela empresa OI  S/A,  conclui­se  que  elas  integram  Grupo  Econômico,  estando,  portanto,  solidariamente  obrigadas  entre  si,  relativamente  aos  créditos previdenciários apurados em qualquer uma delas.  Fl. 51543DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 21          39  17.  Na solidariedade tributária, a obrigação de pagar o tributo  passa  a  ser  compartilhada  pelo  sujeito  passivo  originário  ­  aquele  diretamente  relacionado  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  para  um  terceiro  ­  com  o  chamado  "responsável  tributário".  A  atribuição  da  responsabilidade  tributária  por  solidariedade,  via  legislação  ordinária,  exige­se  o  atendimento  dos  requisitos  do  CTN,  sob  pena  de  não  ser  juridicamente  possível.  Assim,  somente  pode  ser  investido  na  condição  de  devedor  solidário,  quando  presentes  os  requisitos  legais  enumerados  no  próprio  CTN,  ao  qual  se  deve  submeter  a  legislação ordinária e os atos normativos.  18.  No caso em análise, está previsto no inciso II do artigo 124  do Código Tributário, que dispõe:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  (...)  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  19.  Portanto,  tal  solidariedade  decorre  do  disposto  na  Lei  8.212/91, em seu Art. 30, inciso IX:  “as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações decorrentes desta Lei” (grifo nosso).  20.  Conforme  mencionado,  no  âmbito  da  legislação  previdenciária o conceito de "Grupo Econômico" está expresso  na Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, art. 494:  "  Art.  494.  Caracteriza­se  grupo  econômico  quando  2  (duas)  ou  mais  empresas  estiverem  sob  a  direção,  o  controle  ou  a  administração  de  uma  delas,  compondo  grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade  econômica.”  21. Os documentos referidos nas considerações acima, cadastro  do Grupo OI, compõe o conjunto de provas do Anexo V.  [...]"  Diante  de  aludida  constatação,  a  partir  da  ação  fiscal  com  a  consequente  constituição  de  créditos  previdenciários  sob  análise,  as  empresas  listadas,  na  condição  de  integrantes  do  grupo  econômico  de  fato  caracterizado  pela  fiscalização,  foram  chamadas  a  responder  por  tais  débitos,  em  face  da  responsabilidade  solidária,  insculpida  no  artigo  30,  inciso IX, da Lei nº 8.212/91.  Por  sua  vez,  em  suas  alegações  de  recurso,  a  contribuinte  opõe­se  a  caracterização de grupo econômico, aduzindo que o fato das empresas estarem sob o controle  acionário comum não é suficiente para caracterização de grupo de fato. Assevera, que só pode  ser  considerado  grupo  econômico  quando  as  empresas  combinarem  recursos  financeiros,  esforços para  realização de atividades  comuns e  firmarem convenção, o que não acontece  in  casu.  Fl. 51544DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     40  Com  o  fito  de  afastar  quaisquer  dúvidas  quanto  a  inexistência  de  grupo  econômico,  transcreve  inúmeros  entendimentos  jurisprudenciais  indicando  só  haver  a  possibilidade dessa caracterização quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou  força  laboral  e  gerencial  comum,  além  de  expor  a  relação  de  responsabilidade  solidária  constante do artigo 50 do Código Civil.  Antes mesmo  de  se  adentrar  as  questões  de mérito  propriamente  ditas,  em  relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila o conceito de grupo econômico inscrito na  legislação  de  regência,  bem  como  alguns  estudos  a  propósito  da matéria,  indispensáveis  ao  deslinde da controvérsia, senão vejamos:  Ao contemplarem o  tema, os  artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário  Nacional, assim prescrevem:  “ Art.  121  ­  Sujeito  passivo  da  obrigação principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo Único ­ O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direita  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  Art.124 ­ São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  Único  ­  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Art.128  ­  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.”  Por  sua  vez,  a  Lei  nº  6.404/76,  ao  conceituar  Grupo  Econômico  em  seus  artigos 265 e 267, estabelece o seguinte:  “ Art. 265 ­ A sociedade controladora e suas controladas podem  constituir,  nos  termos  deste  Capítulo,  grupo  de  sociedades,  mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  a  participar de atividades ou empreendimentos comuns.  § 1º ­ A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve  ser  brasileira,  e  exercer,  direta  ou  indiretamente,  e  de  modo  permanente, o controle das sociedades  filiadas, como  titular de  direitos  de  sócio  ou  acionista,  ou mediante  acordo  com  outros  sócios ou acionistas.  Fl. 51545DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 22          41  §  2º  ­  A  participação  recíproca  das  sociedades  do  grupo  obedecerá ao disposto no artigo 244.  Art.  267  ­  O  grupo  de  sociedades  terá  designação  de  que  constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo".  Parágrafo  Único  ­  Somente  os  grupos  organizados  de  acordo  com  este  Capítulo  poderão  usar  designação  com  as  palavras  "grupo" ou "grupo de sociedade".”  Em outra via, o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais  enfático ao positivar:  “Art.  2º  Considera­se  empregador  a  empresa  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  de  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.  § 1º [...]  § 2º Sempre que uma ou mais empresas,  tendo, embora, cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção,  controle  ou  administração  de  outra,  constituindo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer  outra  atividade  econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis  a  empresa  principal  e  cada  uma  das subordinadas.”  Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados  pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratar­se de  caracterização de Grupo Econômico, o  artigo 30,  inciso  IX, da Lei nº 8.212/91, determina o  que segue:  “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou  de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às  seguintes normas:  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta lei;”  Como  se  observa  dos  dispositivos  legais  encimados,  a  solidariedade  previdenciária  é  legal  e  obriga  os  sujeitos  passivos  do  fato  gerador  da  contribuição  da  seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal  regularmente conduzido.  Por  seu  turno,  especialmente  na  esfera  trabalhista,  a  doutrina  contempla  alguns  limites  e  requisitos/pressupostos  para  a  caracterização  do  grupo  econômico  de  fato,  estabelecendo  características basilares de maneira  a nortear os  trabalhos  desenvolvidos neste  sentido, senão vejamos:  “o grupo de empresas deve ser inicialmente caracterizado como  fenômeno de  concentração,  incompatível  com o  individualismo,  mas  perfeitamente  consentâneo  com  a  sociedade  pluralista,  a  Fl. 51546DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     42  que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e  da  incorporação  que  constituem  a  concentração  na  unidade,  o  grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particulariza­ se,entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades  autônomas,  submetido  o  conjunto  à  unidade  de  direção.”  (In  Magano. Otávio Bueno  – “Os Grupos  de Empresas  no Direito  do Trabalho” – São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 1979, pag.  305’) (grifamos)  Em conclusão, da soma de todas essas normas, vê­se que está configurada a  existência de um grupo econômico toda vez que duas ou mais empresas estiverem submetidas a  um mesmo poder de controle,  fato  considerado  pelo direito  como  relevante, merecendo uma  disciplina específica de modo a se coibir a manipulação das relações entre as sociedades que  tenham por escopo a contabilização de prejuízos a apenas uma delas, em detrimento dos sócios  minoritários  e  credores  da  sociedade  prejudicada,  e  a proteção  dos  verdadeiros  beneficiários  das articulações.  Verifica­se,  que  a  caracterização  de  grupo  econômico  de  fato  se  apresenta  como um procedimento excepcional, lastreado nas normas do direito privado, na condição de  instrumento  no  combate  à  evasão  fiscal  praticada  por  contribuintes  sob o manto  de  diversos  atos  comerciais  escusos,  sendo,  por  conseguinte,  plenamente  válido  e  legal,  conquanto  que  devidamente observados os requisitos para tanto e perfeitamente demonstrada à situação fática  adotada na pretensão fiscal.  Por  sua  vez,  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e,  bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização  do grupo econômico, a partir de suas especificidades conceituais, sendo defeso, igualmente, a  atribuição  de  requisitos/condições  que  não  estejam  contidos  nos  dispositivos  legais  que  regulamentam  a  matéria,  a  partir  de  meras  subjetividades,  sobretudo  quando  arrimadas  em  premissas  que  não  constam  dos  autos,  sob  pena,  inclusive,  de  afronta  ao  Princípio  da  Legalidade.  Na  hipótese  dos  autos,  inobstante  o  esforço  da  autoridade  lançadora,  não  conseguimos vislumbrar a existência de um Grupo Econômico de Fato. Pelo menos na forma  proposta pelo fiscal autuante. Explico:  Inicialmente,  inobstante destacar  a  necessidade  de um controle  central  e/ou  uníssono, a fiscalização não logrou comprovar que, no decorrer de todo período fiscalizado, a  autuada  ou  outra  empresa  integrante  do  grupo  econômico  de  fato  caracterizado  detinha  a  controle  de  TODAS  as  pessoas  físicas  no  desenvolvimento  de  suas  operações  e  atividades  comerciais.  Igualmente, não restou demonstrada a dilapidação do patrimônio da autuada  ou  outra  empresa,  com  a  transferência  a LARANJAS,  visando  afastar­se  da  responsabilidade  pelo  pagamento  dos  tributos.  Com  efeito,  não  se  vislumbra  qualquer  alteração  no  quadro  societário tendente a afastar a exigência de tributos eventualmente devidos.  Neste  ponto,  impende  esclarecer  que  não  entendemos  que  a  identidade  do  quadro  societário,  se  constatada,  isoladamente,  ou  mesmo  o  fato  de  constar  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  da  empresa OI  a  participação  em  outras  empresas coligadas e controladas, oferece proteção à tese da existência de Grupo Econômico  de Fato.  Fl. 51547DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 23          43  Concordamos que tal fato, inicialmente, seria um princípio de prova para se  caracterizar  um  grupo  econômico,  mas  não  suficientemente  capaz  para  tanto,  sem  outros  elementos probatórios. A partir  dessa  conclusão,  indaga­se:  a  constatação da participação da  empresa  OI  nas  pessoas  jurídicas  coligadas  e  controladas,  qual  outra  vinculação  comercial  existente entre  tais contribuintes, de maneira a suportar a caracterização de grupo econômico  entre  ambos?  Inexiste  nos  autos  qualquer  outro  fato  capaz  de  escorar  a  pretensão  do  Fisco,  como por exemplo, um conjunto de reclamatórias trabalhistas. Não há identidade ou correlação  no  quadro  societário,  pelo menos  declinada  pela  fiscalização,  bem  como  a  comprovação  de  ingerência  de  um  em  outro,  ou  mesmo  controle  unificado.  Não  houve  demonstração  de  confusão  societária,  contábil  ou  patrimonial  entre  tais  empresas.  Não  há,  igualmente,  comprovação de gestão única.  Com a devida vênia, o nobre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, fora por  demais superficial, somente aduzindo que a caracterização do grupo econômico de fato se dá  em  razão  de  informações  contábeis  dando  conta  da  participação  da  OI  nas  coligadas  e  controladas, sem conquanto se aprofundar na matéria de maneira a corroborar sua tese.  Neste  sentido,  não  vislumbramos  a  relação  atribuída  àquelas  pessoas  jurídicas,  pretensamente  integrante  de  grupo  econômico  de  fato,  de  maneira  a  ensejar  a  responsabilidade solidária de um pelos débitos previdenciários de outro.  Assim,  outra  alternativa  não  resta,  senão  a  desconsideração  do  Grupo  Econômico  de  Fato,  uma  vez  que  não  demonstrados  e  comprovados  os  pressupostos  legais  exigidos relativamente a todas as empresas supostamente integrantes do grupo caracterizado de  ofício pela autoridade fiscal.  A  jurisprudência  administrativa não discrepa desse entendimento,  conforme  se  extrai  do  julgado  abaixo  transcrito,  da  lavra  da  ilustre  Conselheira  Ana Maria  Bandeira,  ainda quando integrante do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, in verbis:  “PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ RETENÇÃO 11% ­ GRUPO  ECONÔMICO DE FATO ­ SUCESSÃO DE FATO   O  contratante  de  serviços  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  deverá  reter  onze  por  cento  do  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  e  recolher  a  importância em nome da prestadora   A  formação  de  grupo  econômico  de  fato  deverá  estar  plenamente  demonstrada  pela  participação  de  pessoas  físicas,  em  duas  ou  mais  empresas,  nos  mesmos  percentuais  considerados  para  a  conceituação  de  empresas  coligadas,  controladas ou controladoras, constantes da Lei nº 6.404, de  15 de dezembro 1976   A ocorrência de sucessão deve estar bem caracterizada e ainda  que assim esteja, se o sucedido continuar a exercer atividade no  mesmo ramo, não se configura a responsabilidade solidária, mas  a subsidiária   Não  pode  subsistir  o  lançamento  de  créditos  de  uma  pessoa  jurídica  contra  outra,  onde  não  esteja  demonstrada  a  vinculação para tal   Fl. 51548DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     44  CONHECIDO  ­  PARCIALMENTE  PROVIDO.”  (grifamos)  (Processo n° 35067.002367/2003­29 – NFLD n° 35.538.089­7  ­  Acórdão n° 1044/2005 – Sessão de 24/05/2005)  Como  se  observa,  é  bem  verdade  que  a  legislação  de  regência  autoriza  à  autoridade  lançadora, à  juízo próprio, caracterizar grupo econômico de fato. Entrementes,  tal  procedimento deverá ser devidamente fundamentado, indicando e comprovando a fiscalização  quais os motivos que a levaram a desconsiderar os atos realizados pelos administrados. Trata­ se, pois, de atividade fiscal excepcional, devendo, portanto, estar devidamente motivada.  Não  se  pode  inverter  o  ônus  da  prova,  quando  inexistir  dispositivo  legal  assim  contemplando,  a  partir  de  uma  presunção  legal.  In  casu,  havendo  dúvidas  quanto  a  licitude dos atos praticados pelas contribuintes, caberia a fiscalização se aprofundar no exame  das provas, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir pela  existência de grupo econômico de fato.  Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus  da  prova  cabe  a  quem  alega,  in  casu,  ao  Fisco,  especialmente  por  inexistir  disposição  legal  contemplando  a  presunção  no  caso  de  pretenso  grupo  econômico  de  fato,  incumbindo  à  fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo/devendo para tanto, inclusive,  intimar todas as partes  interessadas para confirmar a  idoneidade dos atos negociais efetuados  pelas contribuintes.  Na esteira desse raciocínio, deixando a autoridade lançadora de comprovar a  vinculação comercial, gerencial entre as empresas elencadas nos autos, não se pode cogitar na  manutenção do Grupo Econômico de Fato.  JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO  Sustenta, ainda, a recorrente que, em caso de procedência do lançamento, seja  excluída a  incidência de  juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar  obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o  contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal que  lhe dê suporte.  Relativamente à matéria,  entendo assistir  razão à Recorrente.  Isso porque o  artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre a multa de oficio, mas apenas a  da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuições.  Dessa  forma, merece  guarida  a  pretensão  da  contribuinte,  consoante  restou  muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 9202­01.806, o qual me filio, da lavra  do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, exarado pela 2a Turma CSRF nos autos do processo n°  10768.010559/2001­19, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de  decidir, in verbis:  “[...]  Assim,  no  mérito,  a  discussão  no  presente  recurso  está  limitada  à  incidência  dos  juros  moratórios  equivalente  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  —  SELIC sobre a multa de oficio.  Tal  discussão  já  foi  examinada  pelo  antigo  Conselho  de  Contribuintes,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  em  diversas  oportunidades,  sendo  que  três  Fl. 51549DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 24          45  posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais  sejam:   ­ de que é possível a  incidência de  juros  sobre a multa de  ofício  a  partir  do  vencimento  do  prazo  da  impugnação,  sendo  que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC;   ­ de que é possível a  incidência de  juros  sobre a multa de  ofício  a  partir  do  vencimento  do  prazo  da  impugnação,  sendo  que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e   ­ de que não é possível a incidência de juros sobre a multa  de ofício.   Tanto  a  primeira  quanto  a  segunda  tese  admitem  a  incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que  o  artigo  161  do  Código  Tributário  Nacional  assim  autoriza,  divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem  calculados pela SELIC (Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao  mês  nos  termos  do  enunciado  do  §1º  do  Código  Tributário  Nacional – CTN (1% ao mês).   Data  máxima  vênia,  entendo  que  nenhuma  das  duas  posições  é  a  que mais  se  coaduna  com  o  ordenamento  vigente  (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto).   Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do  CTN determina:   “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e da aplicação de quaisquer medidas  de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.   § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora  são calculados à taxa de um por cento ao mês.   § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de  consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para  pagamento do crédito.”   (original sem grifo)  O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros  sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”.   “Crédito”,  por  sua  vez,  é definido  no  artigo  139  do CTN,  que assim dispõe:   “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.”   Obrigação  tributária,  por  fim,  vem  definida  no  art.  113,verbis:   “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.   Fl. 51550DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     46  § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou  penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito dela decorrente.   § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária  e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos tributos.   §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente a penalidade pecuniária.”  A  questão  a  ser  enfrentada  é  a  possibilidade  dos  juros  de  mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade  fiscal  proporcionalmente  ao  tributo  lançado,  considerando  a  expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art.  113.   A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida  é  a  penalidade  decorrente  da  inobservância  de  determinada  obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em  obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo  113.  Tal  expressão  jamais  poderia  ser  interpretada  como  a  penalidade  pecuniária  exigida  em  conjunto  com  o  tributo  não  pago,  até  porque  ficaria  desprovida  de  sentido  no  contexto  do  dispositivo.   Se  a  penalidade  (no  caso  a  multa  do  ofício)  já  estivesse  incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de  mora  nos  termos  do  artigo  161  do  mesmo  CTN,  não  haveria  razão  alguma  para  a  ressalva  final  constante  no  referido  dispositivo  no  sentido  de  que  o  crédito  deve  ser  exigido  “sem  prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”.   Outrossim,  com base  nessa mesma  interpretação,  poderia­ se,  inclusive,  cogitar  da  possibilidade  de  incidência  de  penalidade  (multa)  sobre  crédito  tributário  que  já  englobasse  tributo  e multa,  o que obviamente  caracterizaria um non  senso  jurídico.   Ademais,  cumpre  observar  que  o  conceito  de  juros  advém  do direito privado e,  conforme preceitua o artigo 110 do CTN,  quando as categorias de direito privado estão apenas referidas  na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado  para compreendê­las.   No  âmbito  do  direito  privado  os  juros  existem  para  indenizar  o  credor  pela  inexecução  da  obrigação  no  prazo  estipulado.  Já  a  multa  não  serve  para  repor  ou  indenizar  o  capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação.   Assim,  se  os  juros  remuneram  o  credor  (no  caso  o Fisco)  pela privação do uso de seu capital devem eles  incidir somente  sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a  multa de ofício, que tem caráter punitivo.   Fl. 51551DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 25          47  A  vocação  da  multa,  já  suficiente  severa,  é  punir  o  descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não  recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é  ignorar  que  a  legislação  tributária  brasileira  extinguiu  a  correção  monetária  desde  1995,  sendo  preocupação  freqüente  das  administrações  tributárias  que  se  seguiram  evitar  a  indexação  automática  própria  dos  regimes  inflacionários  que  foram extremamente prejudiciais à economia brasileira.   Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN  não  autoriza  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  aplicada  proporcionalmente  ao  tributo,  ficando  prejudicada a discussão acerca do índice aplicável.   Por  outro  lado  e  à  guisa  de  argumentação,  ainda  que  se  entendesse  que  o CTN  autoriza  a  incidência  de  juros  de mora  sobre  a  multa  de  ofício,  mister  se  faz  analisar  a  legislação  ordinária  em  vigor  no  período  em  que  a  multa  exigida  foi  aplicada.   Nesse sentido, argumenta­se que a exigência de juros sobre  a  multa  aplicada  proporcionalmente  estaria  amparada  no  art.  61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece:   “Art.  61.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada à taxa de  trinta e  três centésimos por cento, por  dia de atraso   (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo,  incidirão  juros de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.”  Do  exame  do  dispositivo  resulta  que  os  débitos  a  que  se  refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições  mencionados no caput.   Decorrente  é  aquilo  que  se  segue,  que  é  conseqüente.  De  fato  o  não  pagamento  de  tributos  e  contribuições  nos  prazos  previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras,  o débito decorre do não pagamento de  tributos  e  contribuições  nos prazos.  A  multa  de  oficio  não  é  débito  decorrente  de  tributos  e  contribuições. Ela decorre, nos exatos  termos do art. 44 da Lei  n°9.430/96,  da  punição  aplicada  pela  fiscalização  às  seguintes  condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e  contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de  Fl. 51552DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     48  multa moratória;  e  b)  falta  de  declaração  e nos  de declaração  inexata.  Os  débitos  de  tributos  e  contribuições  e  de  multas  (penalidades)  têm  causas  diversas,  não  se  confundindo  nos  termos  do  art.  3º  do  CTN.  Enquanto  os  débitos  de  tributos  e  contribuições  decorrem  da  prática  dos  respectivos  fatos  geradores,  as multas  decorrem  de  violações  à  norma  legal,  no  caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal.   Ao  utilizar  a  expressão  “os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”  a  Lei  nº  9.430/96  somente  pode  estar  aludindo  a  débitos  não  lançados,  visto  que  está  normatizando  a  incidência  sobre  estes  da  multa  de  mora,  sendo  ilógico  entender  que  ali  se  contém  a  multa  de  ofício  lançada proporcionalmente.   Ademais,  caso  a  expressão “débitos”  constante  do art.  61  contemplasse  o  principal  e  a  multa  de  ofício,  seria  imperioso  admitir  que  a  multa  de  ofício,  caso  não  paga  no  vencimento,  sofreria também o acréscimo de multa de mora,  tendo em vista  que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos  nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de  multa de mora, calculados a  taxa de trinta e três centésimos por  cento, por dia de atraso.”   Realmente,  este  seria  o  resultado  da  interpretação  do  parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que  determina  o  “caput”.  Seguindo  este  raciocínio  ter­se­ia  que  admitir  que  também  sobre  os  juros  de mora,  que  se  incluiriam  nos  “débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”, novamente pudessem ser exigidos  juros e multa  de  mora,  o  que  indica  data  venia  a  improcedência  da  interpretação.   Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam  os dispositivos ­ literal, teleológica ou sistemática – entendo que  a  melhor  exegese  é  aquela  que  autoriza  a  incidência  de  juros  somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o  valor  da  multa  de  ofício  lançada,  até  porque  referido  artigo  disciplina os acréscimos moratórios  incidentes sobre os débitos  em atraso que ainda não foram objeto de lançamento.   O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal ­ Lei  9.430/1996  ­  é  absolutamente  coerente  com  a  interpretação  do  art.  61  desenvolvida  acima  e  corrobora  a  conclusão.  Prevê  o  referido  dispositivo  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  as  multas e os juros cobrados isoladamente, verbis:   “Art.  43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros  de mora isolada ou conjuntamente.   Parágrafo  único  –  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste artigo, não pago no respectivo vencimento,  incidirão  juros de mora, calculados à  taxa a que se refere o § 3º do  Fl. 51553DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 26          49  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento”.  Ora,  se  a  expressão  “débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”  constante  no  “caput”  do  artigo  61  contemplasse  também  a  multa  de  ofício,  não  haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do  artigo  43  supra  transcrito,  posto  que  a  incidência  dos  juros  sobre  a  multa  de  ofício  lançada  isoladamente  nos  termos  do  “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.   Em face das considerações acima, concluo que não há, seja  em  lei  complementar  (CTN)  seja  na  legislação  ordinária,  interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo  ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a  multa de ofício lançada proporcionalmente.  Os  fundamentos  acima  também  foram  adotados  pela  Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão  n.  9101­00.722,  de  08  de  novembro  de  2010,  Relatora  a  Conselheira  Karem  Jurendini  Dias,  que  concluiu  pela  não  incidência de juros de mora sobre a multa de ofício:  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  INAPLICABILIDADE –  Os  juros de mora só incidem sobre o valor do  tributo, não  alcançando o valor da multa oficio aplicada.  No  presente  caso,  os  paradigmas  apresentados  pela  Recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre  a multa de ofício, limitando­os entretanto ao patamar mensal de  1% ao mês.  Embora  o  entendimento  manifestado  no  presente  voto  resultaria  em  provimento  do  recurso  voluntário  em  maior  extensão  (exclusão  completa  da  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a multa  de  ofício),  deve  o  resultado  ater­se  ao  limite  da  pretensão  recursal  ora  examinada,  devendo  o  recurso  ser  conhecido e provido nesta extensão.”  Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõe­se afastar a  incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta  falta de previsão legal.  DA RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES  Opõe­se, ainda, a contribuinte à autuação inferindo que os administradores da  empresa não podem ser responsabilizados pelos débitos da pessoa jurídica com o fisco, face a  inexistência  dos  requisitos  necessários  para  tanto,  insculpidos  no  artigo  135,  inciso  III,  do  CTN.  Sem razão a recorrente!!  Fl. 51554DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     50  Isto  porque,  a  matéria  objeto  de  julgamento  nesta  assentada  refere­se  à  procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual  crédito  tributário  definitivamente  constituído,  após  decisão  administrativa  transitada  em  julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade.  A  questão  suscitada  pela  contribuinte  poderá  ser  objeto  de  apreciação  em  outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais  deste processo, não merecendo aqui  fazer maiores considerações  relativas a  responsabilidade  pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora  recorrente.  Ademais,  na  hipótese  contemplada  nestes  autos,  além  de  não  se  responsabilizar  diretamente,  ainda,  qualquer  outra  pessoa  pela  falta  do  recolhimento  das  contribuições  ora  lançadas,  consoante  se  infere  do  anexo  “RELATÓRIO DE VÍNCULOS”,  inexiste  atribuição  da  sujeição  passiva  pelo  crédito  tributário  em  discussão  àquelas  pessoas,  uma  vez  que  o  lançamento  fora  efetuado  contra  a  empresa  e  não  contra  eles.  Conforme  se  verifica  da  autuação,  são  os  sócios,  tão  somente  co­responsáveis  pelos  créditos  constituídos,  não  se  cogitando na  ilegalidade  de  tal  procedimento  por  encontrar  respaldo  na  legislação  de  regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na  forma ali decidida.  Aliás,  a  jurisprudência  deste Colegiado,  consagrada  pela  Súmula CARF  n°  88, é por demais enfática ao afirmar que a simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos  CORESP não implica em responsabilidade pessoal – sujeição passiva – de tais pessoas físicas,  não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, como segue:  “Súmula  CARF  nº  88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa.”  Neste sentido, inexiste razão para maiores disceptações a respeito da matéria,  mormente  em  razão  das  Súmulas  do  CARF  vincularem  seus  julgadores,  não  prosperando,  portanto, a pretensão da contribuinte.  No  que  tange  a  jurisprudência  trazida  à  colação  pela  recorrente,  mister  elucidar,  com  relação  às  decisões  exaradas  pelo  Judiciário,  que  os  entendimentos  nelas  expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão  dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha  se manifestado em definitivo a respeito do tema.  Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui  tecer maiores  considerações,  uma  vez  não  serem  capazes  de  ensejar  a  reforma  da  decisão  recorrida,  no  mérito,  especialmente quando desprovidos de qualquer amparo  legal ou  fático,  bem como  já  devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância.  DAS  AUTUAÇÕES  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  Fl. 51555DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 27          51  Conforme  se  depreende  dos  autos,  em  razão  da  constatação  do  não  recolhimento  de  contribuições  previdenciária  (obrigação  principal),  em  face  da  contribuinte  foram lavrados, igualmente, os seguintes autos de infração por descumprimento de obrigações  acessórias:  a) AI DEBCAD nº 51.033.254­4 ­ CFL 30  A presente multa fora imputada à contribuinte em razão de a empresa deixar  de  preparar  as  folhas  de  pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo  INSS, mais precisamente deixando de  incluir  os valores pagos por  intermédio da ADFEGO,  bem como os destinados ao custeio de educação aos funcionários da empresa.  Consoante se infere do Relatório Fiscal, a multa em questão sofreu majoração  por duas agravantes. Porém, para que esse procedimento seja possível, impõe­se à autoridade  lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência  em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser  levada a efeito quando  àquela  estiver  convencida  do  cometimento  do  crime  (dolo,  fraude  ou  simulação),  devendo,  ainda,  relatar  todos os  fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida  análise da conduta que  lhe  está  sendo atribuída  e,  bem assim,  ao procurador de que o delito  fora efetivamente praticado.  Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou  simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  da  intenção  pré­determinada  do  contribuinte,  demonstrada  de  modo  concreto,  sem  deixar  margem  a  qualquer  dúvida,  visando  impedir/retardar  o  recolhimento do tributo devido.  In  casu,  o  simples  fato  do  fiscal  presumir  que  a  contribuinte  usou  de  interposta pessoa (ADFEGO) para suposta contratação de mão­de­obra, não é capaz de afirmar  a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, portanto essa agravante deve ser excluída do cálculo  da multa.  Quanto  a  agravante  especifica,  reincidência,  essa  também  não  merece  prosperar  tendo  em  vista  a  falta  de  decisão  condenatória  irrecorrível  do  procedimento  fiscal  anterior.   Assim, em razão da não caracterização da reincidência aventada pelo auditor  fiscal e da comprovação de dolo, fraude ou simulação, a multa deve ser aplicada no seu valor  mínimo.  b) AI DEBCAD nº 51.033.255­2 ­ CFL 34  De conformidade com o Relatório fiscal, a multa em comento fora aplicada  uma  vez  que  a  contribuinte  teria  deixado  de  lançar mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos  no  período  fiscalizado.  Com  mais  especificidade,  informa  o  fiscal  autuante  que  as  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  não  foram  contabilizadas  em  títulos  próprios  de  forma  Fl. 51556DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     52  discriminada,  não  sendo  consideradas  como  rubricas  integrantes  da  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias e foram contabilizadas na conta Serviço de Call Center, código  0310357000.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  da  autoridade  fiscal  ao  aplicar  a  presente multa,  sua  pretensão  não merece  prosperar,  especialmente  por  incorrer  em  erro  na  capitulação legal da penalidade.  Antes  de  contemplar  a  análise  da  questão  propriamente  dita,  mister  transcrever o dispositivo legal que lastreia a exigência fiscal, como segue:  “      Lei n º 8.212/91   Art. 32. A empresa é também obrigada a:  [...]  II ­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos;”   “    Decreto nº 3.048/99 ­ RPS  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  [...]  II ­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos.  [...]"  Extrai­se das normas legais encimadas que a obrigação acessória sob análise  é  a  necessária  informação  em  contabilidade,  em  títulos  próprios,  dos  fatos  gerados  das  contribuições previdenciárias.  Na  hipótese  do  autos,  a  contribuinte  não  deixou  de  informar  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados,  mas,  sim,  assim o fez de maneira equivocada na conta Serviço de Call Center, código 0310357000.  Ou  seja,  o  mero  equívoco,  somente  constatado  a  partir  da  ação  fiscal,  no  registro dos  fatos  geradores na  contabilidade da  contribuinte,  em contas  distintas,  não  tem o  condão  de  ensejar  o  descumprimento  da  obrigação  acessória  sob  análise,  não  havendo,  portanto, a subsunção do fato à norma, de maneira a justificar a imputação da penalidade ora  aplicada.  Não bastasse isso, a autuação em epígrafe encontra lastro essencialmente nos  pagamentos  pretensamente  realizados  à  segurados  empregados  por  meio  da  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  ­  ADFEGO,  cujo  julgador  de  primeira  instância  entendeu por bem rechaçar, em razão da ocorrência de erro na apuração da base de cálculo por  aferição indireta, o que seu ensejo a interposição de recurso de ofício, o qual fora rejeitado por  esta egrégia Turma nesta sessão de julgamento.  Fl. 51557DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 28          53  Dessa  forma,  no  julgamento  do  presente  Auto  de  Infração  impõe­se  à  observância à decisão levada a efeito no levantamento retromencionado (ADFEGO), em face  da  íntima  relação  de  causa  e  efeito  que  os  vincula,  uma  vez  que  as  contribuições  que  pretensamente  deixaram  de  constar  das  folhas  de  pagamento  foram  exigidas  naquele  lançamento principal.  Na  esteira  desse  entendimento,  uma  vez  rechaçada  a  exigência  fiscal  com  esteio  nas  pretensas  remunerações  dos  segurados  empregados,  pagas  por  meio  ADFEGO,  consubstanciadas  nos  Levantamentos  AS  e  CS  que  deu  margem  à  presente  autuação,  explicitado  acima  em  se  de  RO,  aludida  decisão  deve,  igualmente,  ser  adotada  neste  julgamento,  afastando,  por  conseguinte,  a  penalidade,  na  linha  do  decidido  no  levantamento  principal, em face do nexo causal entre tais autuações.  c) AI DEBCAD nº 51.033.256­0 ­ CFL 59   Aludida  multa  por  imposta  em  virtude  de  a  contribuinte  ter  deixado  de  arrecadar, mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  devidas  por  segurados  que  lhe prestaram serviços.  Igualmente  ao  AI  DEBCAD  nº  51.033.254­4,  a  penalidade  aplicada  fora  duplamente agravada,  em  razão de pretensamente  ter agido com dolo,  fraude ou má­fé,  bem  como por se enquadrar em conduta reincidente.  E,  no  mesmo  sentido  adotado  no  AI  DEBCAD  nº  51.033.254­4,  impõe­se  afastar os agravante da multa, seja em razão da ausência da demonstração do dolo, fraude ou  má­fe,  ou  mesmo  diante  da  não  configuração  da  reincidência,  tal  qual  restou  circunstanciadamente demonstrado no Auto de Infração retromencionado.  Partindo dessas premissas, aplica­se neste caso, os mesmos fundamentos do  CFL 30 (AI DEBCAD nº 51.033.254­4), impondo a exclusão dos agravantes, restabelecendo a  multa em seu valor mínimo.  Outras  questões  de  direito/mérito  aplicadas  aos Autos  de  Infração  por  descumprimento de Obrigações acessórias:  Como  circunstanciadamente  demonstrado  acima,  no  entendimento  deste  relator, parte das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas em comento não se  sustentam, o que, associada a parcela da exigência fiscal rechaçada pelo julgador de primeira  instância  e  corroborada  nesta  oportunidade,  ensejou  a  improcedência  parcial  dos  autos  de  infrações pertinentes à obrigação principal.  Dessa  forma,  no  julgamento  dos  presentes  Autos  de  Infração  impõe­se  à  observância  à  decisão  levada  a  efeito  nas  autuações  retro­mencionadas,  em  face  da  íntima  relação de causa e efeito que os vincula.  Na esteira desse entendimento, uma vez rechaçada parte da exigência  fiscal  consubstanciada  nos  Autos  de  Infração  retro  (obrigação  principal),  aludida  decisão  deve,  igualmente, ser adotada nesta autuação, afastando, por conseguinte, a penalidade aplicada, na  linha do decidido no processo principal.  Fl. 51558DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     54  Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine parcialmente  em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE:  1)  CONHECER  DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  E  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  mantendo  o  Acórdão  de  primeira  instância,  na  parte  recorrida,  em  sua  integralidade, pelos seus próprios fundamentos;  2) CONHECER DO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade do  lançamento  e  de  realização  de  perícia  e,  no mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  para  afastar  a  tributação  do Aviso  Prévio  Indenizado,  bem  como  a  caracterização  do Grupo  Econômico de Fato, além da incidência dos juros sobre a multa de ofício, rechaçando, ainda os  agravantes  dos  Autos  de  Obrigações  Acessórias  ­  CFL  30  e  59,  reconhecendo,  por  fim,  a  improcedência do CFL 34, pelas razões de fato e de direito acima esposadas.    (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 51559DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 29          55    Voto Vencedor  Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini – Redatora Designada  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Sobre a responsabilidade solidária, o CTN determina que:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  A  responsabilidade  solidária  pelas  obrigações  perante  a  previdência  social  está prevista na Lei 8.212/91, art. 30, IX, que dispõe:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei;  Sobre  os  "grupos  econômicos",  têm­se  os  constituídos  formalmente  (de  acordo com a Lei 6.404/76)  e os denominados  "grupos  econômicos de  fato",  que podem ser  regulares ou irregulares.  A  Lei  6.404/76,  denominada  "Lei  das  Sociedades  Anônimas",  cuida  do  "grupo econômico" (que denomina "grupo de sociedade"), legalmente constituído, limitando­se  a  estabelecer  as  normas  aplicáveis  nos  casos  em  que  uma  sociedade  controladora  e  suas  controladas deliberada e formalmente constituem um grupo, que se sujeita, portanto, às devidas  exigências legais, inclusive registro público.  Além dos grupos econômicos formalmente constituídos, são frequentemente  encontrados os "grupos de empresas" com direção, controle ou administração exercida direta  ou  indiretamente  pelo  mesmo  grupo  de  pessoas.  Esses  "grupos  de  empresas"  são  os  denominados grupos econômicos de fato, que podem ser regulares ou irregulares.  Os grupos econômicos de fato regulares são aqueles que, apesar de não serem  dotados  de  formalização  legal,  não  realizam  práticas  dissuasivas  irregulares,  ao  serem  constituídos.  Fl. 51560DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     56  Os  grupos  econômicos  de  fato  e  irregulares  também  não  são  dotados  de  formalização legal, mas apresentam irregularidades ou mesmo ilegalidades na sua constituição,  com  o  objetivo,  dentro  outros,  de  se  eximir  ilegalmente  do  pagamento  de  tributos  ou  de  suprimir os meios legais de cobrança.  Apresentadas  as  definições,  resta  avaliar  se  a  empresa  autuada  integra  um  grupo econômico.  Consta no relatório fiscal, fl. 79 , que:  14.  A  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  da  empresa  OI  S  A,  CNPJ:  76.535.764/0001­43,  2010,  relaciona  na  ficha  62  –  Participação  Permanente  em  Coligadas  e  Controladas, as empresas controladas pela OI S A.  15.  Com  base  na  informação  constante  da  DIPJ,  a  fiscalização  considerou as empresas a seguir como componentes do Grupo OI e,  portanto,  solidariamente  responsáveis  pelo  crédito  previdenciário  resultante deste procedimento fiscal:  a) OI S A ­ CNPJ: 76.535.764/0001­43  b) BRT SERVIÇOS DE INTERNET S/A – CNPJ: 04.714.634/0001­67  c) 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A – CNPJ: 05.423.963/0001­ 11  d)  BRT  CARD  SERVIÇOS  FINANCEIROS  LTDA  –  CNPJ:  10.213.810/0001­80  e) VANT TELECOMUNICAÇÕES S/A – CNPJ: 01.859.295/0001­19  f)  BRASIL  TELECOM  CABOS  SUBMARINOS  LTDA  –  CNPJ:  02.934.071/0001­97  g)  BRASIL  TELECOM  COMUNICAÇÃO  MULTIMÍDIA  LTDA  –  CNPJ: 02.041.460/0001­93.  16.  Dessa  forma,  tendo  ficado  evidente  a  interligação  dessas  empresas  e  sua  subordinação  a  um  comando  centralizado,  no  caso  em  questão  o  controle  acionário  exercido  pela  empresa  OI  S/A,  conclui­se  que  elas  integram Grupo  Econômico,  estando,  portanto,  solidariamente  obrigadas  entre  si,  relativamente  aos  créditos  previdenciários apurados em qualquer uma delas  Em que pese divergir do relator no entendimento sobre os grupos econômicos  de fato, os elementos por ele avaliados não se aplicam ao presente caso.   Vê­se  que  a  situação  fática  encontrada  pela  fiscalização  foi  a  existência  de  um grupo econômico legalmente constituído, o que implica na responsabilidade solidária das  empresas  integrantes  do  grupo  pelas  obrigações  previdenciárias  que  ensejaram  a  presente  autuação, nos termos da legislação acima citada.   JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  Ao  contrário  do  que  entende  o  recorrente  e  o  relator,  incide  juros  de mora  sobre a multa de ofício.  Fl. 51561DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723933/2013­62  Acórdão n.º 2401­004.470  S2­C4T1  Fl. 30          57  O CTN, no art. 161, dispõe que:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e  da  aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou  em lei tributária.  A Lei 9.430/96, art. 61, determina:  Art. 61. Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso.  [...]  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  O  conceito  de  crédito  tributário  abrange  a  multa  de  ofício,  portanto,  não  efetuado  o  pagamento  no  prazo  legal,  incide  juros  de  mora  sobre  o  principal  e  a  multa  de  ofício.  No mesmo sentido, manifestou­se a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no  processo 10980.723322/2015­82, Acórdão 9202­004.250, de 23/6/16, com a seguinte ementa:  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício  proporcional,  e  sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a  responsabilidade solidária e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini.                Fl. 51562DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 28/09/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI

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