Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15563.000250/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2102-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15563.000250/2007-26
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5674472
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2102-000.098
nome_arquivo_s : Decisao_15563000250200726.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 15563000250200726_5674472.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
id : 6635811
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688744464384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 2 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000250/200726 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2102000.098 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de outubro de 2012 Assunto IRPF SOBRESTAMENTO SIGILO BANCÁRIO Recorrente ARINALDO ALVES FERRAZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO E VOTO Em face do contribuinte ARINALDO ALVES FERRAZ, CPF/MF nº 581.419.87704, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 31/07/2007, auto de infração, quando lhe foi imputado um acréscimo patrimonial a descoberto nos anoscalendário 2002 e 2003, nos importes de R$ 250.470,64 e R$ 28.693,16, respectivamente. Abaixo, discriminase RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 25 0/ 20 07 -2 6 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 15563.000250/200726 Resolução nº 2102000.098 S2C1T2 Fl. 3 2 o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 76.770,00 MULTA DE OFÍCIO R$ 57.577,50 O excesso dos dispêndios sobre as receitas declaradas está demonstrado em fluxo de caixa (fl. 111), calculado em base anual. Devese anotar que o contribuinte apresentou declaração de ajuste anual no modelo simplificado, nos AC 2002 e 2003 (fls. 04 a 06 e 07 a 10), constando nelas, além da relação de bens e direitos, a informação de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física/fonte do exterior, em valor individualizado anual de R$ 36.000,00 e R$ 34.000,00, para os AC 2002 e 2003, respectivamente, valores esses que foram levados ao fluxo de caixa. Os estouros de caixa estão essencialmente associados, no AC2002, a um dispêndio de R$ 256.300,00, ocorrido em conta bancária do contribuinte na Caixa Econômica Federal, informação essa obtida a partir de Requisição de Informação de Movimentação Financeira (fls. 67 e 79 a 101), cuja documentação demonstra que o contribuinte fez uma aquisição imobiliária, por intermédio da CEF (fls. 94 a 100); no AC2003, e uma aquisição imobiliária no Estado do Maranhão (MA). Devese evidenciar que em relação às aquisições imobiliárias dos AC2002 e 2003, o contribuinte, intimado e reintimado, não comprovou a natureza e causa dessas operações ou a origem dos numerários para concretizálas (fls. 103 a 106). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0422.863, de 10 de dezembro de 2010 (fls. 144 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão acima em 25/02/2011 (fl. 152). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 25/03/2011 (fl. 153). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. no anocalendário 2002, não houve qualquer acréscimo patrimonial a descoberto, pois houve a venda de um imóvel, no montante de R$ 266.300,00 (Rua 24, Lote 03, Quadra 18, Campos Elísios, Duque de Caxias – RJ), com recebimento à vista de R$ 256.300,00, com R$ 10.000,00 postergado para 10/10/2008, como se comprova pela documentação juntada aos autos, seguido da compra de outro; II. houve um erro material no preenchimento das DIRPFs dos anos calendário 2002 e 2003, por ausência de informação da alienação e aquisição acima, e agora se pede que esse Colegiado Julgado aprecie a documentação e autorize a retificação das declarações, nas quais se Fl. 232DF CARF MF Processo nº 15563.000250/200726 Resolução nº 2102000.098 S2C1T2 Fl. 4 3 vê que não houve qualquer variação patrimonial a descoberto em ambos os anos; III. requer, ainda, a exclusão da multa de ofício de 75%, pois não houve a intenção de lesar o fisco nem uso de máfé. Para comprovar suas alegações, o contribuinte juntou aos autos um instrumento particular de compra e venda do imóvel acima referenciado, com autenticação cartorária em 05/09/2007, e a respectiva escritura de compra de venda, lavrada também em 05/09/2007, na qual se atesta que o contribuinte recebeu a importância de R$ 256.300,00, em 10/10/2002, havendo uma importância a receber em 10/10/2008 de R$ 10.000,00. É o relatório. Tempestivo o recurso, que atende os demais requisitos legais, passase a apreciálo. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15563.000250/200726 Resolução nº 2102000.098 S2C1T2 Fl. 5 4 Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No caso destes autos, vêse que a autoridade fiscal se socorreu de Requisições de Informação de Movimentação Financeira RMFs para se assenhorear dos dados bancários do contribuinte (fls. 66, 67 e 79 a 101), quando teve acesso à transação financeira no importe de R$ 256.300,00, ocorrida em conta bancária do contribuinte na Caixa Econômica Federal, principal dispêndio que implicou no acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 2002. Assim, com a fundamentação acima, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, que versa sobre o Tema 225, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Conselheiro relator Fl. 234DF CARF MF Processo nº 15563.000250/200726 Resolução nº 2102000.098 S2C1T2 Fl. 6 5 Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001014/2007-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-005.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador provido em Parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13629.001014/2007-90
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673846
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.099
nome_arquivo_s : Decisao_13629001014200790.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13629001014200790_5673846.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6623713
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688780115968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.052 1 1.051 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13629.001014/200790 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.099 – 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria 67.618.4189 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO PAGAMENTO APTO A ATRAIR O ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAIPA COMERCIAL AGRÍCOLA IPATINGA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 10 14 /2 00 7- 90 Fl. 589DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de auto de infração NFLD DEBCAD nº 35.842.2264, às efls. 15 a 159, cientificado à contribuinte em 21/10/2005 (efl. 240), com relatório fiscal às efls. 172 a 178. A notificação visa ao lançamento de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a trabalhadores, considerados pela fiscalização do INSS como segurados empregados. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 266.200,85, consolidado na data de 10/10/2005, para os períodos de apuração de 07/1998 a 07/2005. (Grifei) A NFLD foi impugnada, às efls. 243 a 249, em 03/11/2005. Após diligências para esclarecimentos dos fatos relativos ao procedimento fiscal (efls. 277 a 280), a contribuinte foi intimada do resultado desta e voltou a se manifestar às efls. 284 a 290. Àquela época, o procedimento ainda era realizado na Secretaria da Receita Previdenciária, cabendo à Delegacia em Governador Valadares a apreciação da impugnação. Em 14/12/2006, a Delegacia emitiu a DecisãoNotificação nº 11.424.4/0498/2006, às efls. 310 a 318, na qual considerou procedente o lançamento, declarando o contribuinte devedor de crédito de contribuição previdenciária no valor de R$ 226.221,83. (Grifei) Cientificada do resultado em 05/01/2007 (efl. 324), a contribuinte, em 05/02/2007, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 326 a 340, contudo, na sequência, em 20/04/2007 (efl. 357 e 358), foi constatada a existência de erro material na Decisão Notificação nº 11.424.4/0498/2006, relativo ao valor do débito nela informado Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13629.001014/200790 Acórdão n.º 9202005.099 CSRFT2 Fl. 1.053 3 (R$ 226.221,83). Houve correção do erro por despacho de Delegacia em Governador Valadares e nova ciência à contribuinte, que não se manifestou a respeito (efl. 363). Posteriormente, o procedimento de fiscalização e julgamento relativos às contribuições previdenciárias passara à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, o processo foi incluído em pauta para novo julgamento a teor do que dispunha o §1° do art. 22 da Portaria MF 58, 17 de março de 2006 e art. 37 da Portaria RFB 10.875, de 16 de agosto de 2007. Em 12/12/2007, o acórdão nº 0216.543 da 9ª Turma da DRJ/BHE, às efls 366 a 376, igualmente considerou procedente o lançamento mantendo então o crédito previdenciário no valor estipulado na NFLD. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 23/02/2010, resultando no acórdão 240200.714, às efls. 382 a 388, que decidiu pela nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento de direito de defesa, em face da ausência de provas de que a contribuinte tivesse tomado ciência de todas as diligências e de seus resultados. A DRF em Coronel Fabriciano deu ciência (efl. 394) à contribuinte do acórdão acima, bem como das diligências cuja falta de comunicação levaram à nulidade da decisão de primeira instância, em 23/07/2010 (efl. 395). Em 18/08/2010, a contribuinte se manifesta nos autos, às efls. 396 a 415, pleiteando a improcedência da NFLD. Em 14/12/2010, foi prolatado novo acórdão (efls. 449 a 461) pela 9ª Turma da DRJ/BHE, de nº 0230.035, considerando improcedente a impugnação e mantendo parcialmente o crédito lançado, em face do reconhecimento da decadência para lançamento de contribuições relativas ao período de 07/1998 a 11/1999. A contribuinte interpôs recurso voluntário ao acórdão 0230.035, às efls. 480 a 499, em 17/02/2011, argumentando, em síntese não ser aplicável ao caso o arbitramento da base de cálculo realizado pela fiscalização e requerendo a improcedência do lançamento. Em 30/09/2011, o recurso voluntário foi apreciado, agora pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, resultando no acórdão 240300.807, às efls. 01 a 12. O acórdão teve as seguintes ementas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em Fl. 591DF CARF MF 4 relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicado quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. É necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista na 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado obrigatório da previdência social. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão foi assim exarado: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência até a competência 09/2000, com base no art. 150 §4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais Fl. 592DF CARF MF Processo nº 13629.001014/200790 Acórdão n.º 9202005.099 CSRFT2 Fl. 1.054 5 benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 16/12/2011 (efl. 522), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 20/12/2011, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 525 a 538) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em duas matérias: a) decadência pela contagem disposta no § º do art. 150 do CTN, em face da presunção de existência de pagamentos antecipados de verbas não reconhecidas pela contribuinte; b) multa em face da retroatividade benigna com aplicação do recálculo da multa de mora previsto no art. 35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica à contribuinte. Traz por paradigmas os acórdãos: nº 230101.960, para a divergência do item a), e nº 240100.120, para aquela do item b). Para o item a), a Procuradora afirma que o acórdão paradigma firmou o entendimento de que, para ser considerado pagamento antecipado, o recolhimento deve se referir ao fato gerador da contribuição reconhecido pela contribuinte, e não havendo recolhimento antecipado dessas contribuições previdenciárias o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regese pelo contido no art. 173,1 do CTN. O recorrido, por sua vez, adota a tese de que houve pagamento antecipado do tributo apesar de as verbas apuradas pela fiscalização não terem sido reconhecidas pela contribuinte. No tocante ao item b), a Procuradora se posiciona, verbis: Assim, no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos as penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de oficio. A multa de oficio será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente — o que não foi o caso). Pelas razões expostas requereu a Fazenda Pública que fosse admitido o RE, bem como provido para: a) que se reforme o acórdão, aplicandose a contagem do prazo decadencial com base no disposto no art. 173, inc. I do CTN e b) que também se reforme a decisão quanto ao cálculo da multa, com a disciplina do art. 35 A da Lei IV 8.212/91, se mais benéfico. Fl. 593DF CARF MF 6 O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400086/2012, datado de 23/01/2012, às efls. 558 a 563, entendendo ele por lhe dar seguimento, para ambas as matérias, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 240300.807, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade nº 2400086/2012, por meio da Comunicação DRF/CFN/Sacat, nº 037 de 06/03/2012 (efl. 565), em 08/03/2012 (efl. 567). Manifestou se em 28/03/2012, à efl. 568, mantendo suas razões de recurso e defesa apresentadas em momentos anteriores. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O litígio aqui aceito trata de duas matérias: contagem de prazo decadencial e retroatividade benigna na aplicação de penalidade. Decadência A discussão cingese aos períodos de apuração objeto de lançamento que poderiam estar fulminados pelo efeito decadencial, ao se considerar a aplicação do art. 150, §4º, do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN. Como o lançamento foi cientificado à contribuinte em 21/10/2005, estáse discutindo a decadência apenas do período de janeiro a dezembro de 2000. A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13629.001014/200790 Acórdão n.º 9202005.099 CSRFT2 Fl. 1.055 7 lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 595DF CARF MF 8 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. A Portaria MF no 152, de 2016, deu nova redação ao § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. Para deslinde da questão, na situação sob análise, deve haver convicção de que há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). (Grifei) A Fazenda Nacional alega que a contribuinte não teria realizado pagamentos parciais relativamente aos fatos geradores lançados, pois nem mesmo reconhecia a existência desses fatos geradores. Com isso, a Fazenda Nacional conclui requerendo que a contagem do prazo decadencial observe o disposto no artigo 173, I, do Código tributário Nacional, para aquelas competências em relação às quais não haja efetiva prova de antecipação de pagamento devidamente acostada aos autos. Entretanto, a Fazenda Nacional também não aponta inexistência de qualquer recolhimento relativamente a contribuições relativas aos empregados ou prestadores de serviço, Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13629.001014/200790 Acórdão n.º 9202005.099 CSRFT2 Fl. 1.056 9 apenas relativamente ao Sr. Marco Antônio Talarico Cambraia, pois os fatos geradores vinculados aos pagamentos a ele realizados é que não foram reconhecidos pela contribuinte. Em cotejo aos autos, verifico uma importante informação, à efl. 176: As bases de cálculo das contribuições devidas são apresentadas no 'RL Relatório de Lançamentos', identificado com o número da NFLD, com o levantamento "CSM — Caracterização como segurado empregado Marco Antônio". Conclusivamente, os fatos geradores lançados são relativos a serviços prestados, caracterizados como relação de emprego pela fiscalização, haja vista a base legal citada à efl. 176 (art. 12, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Portanto, para atração da regra decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, deve haver recolhimento parcial de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos e sobre pagamentos a contribuintes individuais, no período em questão. Adicionalmente, cumpre referir que não encontrei, no Relatório de NFLD, afirmativa de ausência de recolhimentos a título de outros empregados ou prestadores de serviço pessoas físicas. Já, no relatório RDA (efls. 70 a 159), vemos informação de recolhimentos de GPS, para o estabelecimento 19.875.350/000120 (efls. 73 a 75), em todas as competências que continuam em litígio no tocante à decadência do período de janeiro a dezembro de 2000. Pelo que se encontra acima apresentado, verificase prova de pagamento antecipado de contribuição previdenciária em todos os períodos discutidos, sem que essa prova tivesse sido refutada pela recorrente. Destarte, quanto a esta matéria, pela verificação de recolhimento antecipado em todas as competências em litígio, é de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter a aplicação da regra decadencial insculpida no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, determinada pela decisão recorrida. Retroatividade benigna Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 597DF CARF MF 10 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13629.001014/200790 Acórdão n.º 9202005.099 CSRFT2 Fl. 1.057 11 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 599DF CARF MF 12 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 600DF CARF MF Processo nº 13629.001014/200790 Acórdão n.º 9202005.099 CSRFT2 Fl. 1.058 13 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 601DF CARF MF 14 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Fl. 602DF CARF MF Processo nº 13629.001014/200790 Acórdão n.º 9202005.099 CSRFT2 Fl. 1.059 15 Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 603DF CARF MF 16 Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723838/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Rocha Veiga - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.723838/2013-71
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5638952
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-000.377
nome_arquivo_s : Decisao_11080723838201371.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 11080723838201371_5638952.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator
dt_sessao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6503804
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688795844608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.243 1 1.242 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723838/201371 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.377 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de setembro de 2016 Assunto LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Recorrente INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 83 8/ 20 13 -7 1 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.244 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/Porto Alegre, às fls. 1.163/1.177, que julgou improcedente a impugnação apresentada por Industrial e Comercial Brasileira Ltda, para hostilizar autos de infração de IRPJ e CSLL. Pela clareza do relatório do órgão a quo, às fls. 1.164/1.169, aproveito a ocasião para reproduzilo, adotandoo, verbis: “Trata o presente processo de exigências de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro (CSLL), referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2008 e 2009, conforme autos de infração de fls. 1.0031.031 e relatório da ação fiscal de fls. 1.0321.049, onde consta que lucros auferidos no exterior não foram computados na apuração do lucro real e na base de cálculo da contribuição. Relata o autuante (fl. 1.038): “Em síntese, temse que a Industrial e Comercial Brasileira Ltda. possui, conjuntamente com os demais sócios da Incobrasa Cayman Ltd., diversas operações na área do processamento de soja no Estado do Illinois, E.U.A., cujos resultados são tributados nesse país de maneira unificada pela holding Incobrasa North America Ltd., subsidiária integral da Incobrasa Cayman Ltd., controlada pelo fiscalizado. Dado esse panorama fático, adequadamente comprovado pelo contribuinte, cabe verificar se o referido procedeu a (sic) apuração do IRPJ e da CSLL em observância da legislação pertinente à matéria [...] 3.2 Da legislação aplicável A tributação dos lucros auferidos no exterior, segundo o Princípio da Universalidade (tributação em bases mundiais) foi disciplinada pela Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, em seu artigo 25: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano.” A Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 tratou especificamente da disponibilização dos lucros em seu artigo 1º: Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; Em 10 de janeiro de 2001, a Lei Complementar n° 104 alterou o artigo 43 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), incluindo o parágrafo 2º, que assim determina: Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.245 3 [...] §2° Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Nesse passo, o artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, estabeleceu o momento da tributação dos lucros auferidos no exterior nos seguintes termos: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento.(Grifouse.) Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. No que diz respeito à CSLL, a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, prescreveu em seu artigo 2º; [...] Com o advento do art. 19 da Medida provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, passou a regrar a tributação, pela CSLL, de resultados auferidos no exterior: 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei n° 9.532, de 1997. O dispositivo continuou nas reedições dessa MP e está no art. 21 nº 2.15835/ 01, nos mesmos termos. Pela leitura dessa norma jurídica, resta evidente que a CSLL segue o regime do IRPJ no que tange à matéria em foco. Portanto, pelos preceptivos legais anteriormente transcritos, a partir de 2002 os lucros auferidos no exterior passaram a ser considerados disponibilizados na data do balanço levantado pela controlada/coligada, devendo ser nessa ocasião computados na determinação do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro líquido.(Grifou se.) A IN SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002, por sua vez, veio regulamentar a aplicação da MP 2.15835/01, dispondo em seu artigo 7º: [...] Valores apurados: a) Em 2008 – R$ 14.474.623,89 O fiscalizado apurou lucros na controlada Incobrasa Cayman Ltd, que foram integralmente reconhecidos em sua contabilidade em 31/12/2008 por meio da equivalência patrimonial (débito: conta 1.02.2.01.0001 Incobrasa Cayman Ltd. – crédito: conta 313801 equivalência patrimonial – fl.901). Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.246 4 Esse valor foi excluído na apuração do lucro real a título de equivalência patrimonial sobre resultados auferidos no exterior. Diz o autuante: [...] conforme exposto no item 3.2 supra, o art. 74 da MP 2.15835/01 e a legislação de regência consideram disponibilizados para a controladora os lucros auferidos por controlada exterior na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Assim, esses resultados positivos, além de deverem ser incluídos no cálculo de equivalência patrimonial do investimento na escrituração da controladora, não são passíveis de serem excluídos da apuração do lucro real, ao contrário do que procedeu o fiscalizado, pois dele são parte integrante. b) Em 2009 – R$ 13.588.900,02 Relata o autuante: [...] na apuração do lucro real do anocalendário 2009 o contribuinte excluiu somente a equivalência patrimonial do resultado do investimento no exterior, calculada erroneamente como sendo de R$ 13.588.900,02, devido ao uso de taxas PTAX de compra (R$ 1,7404), e não de venda (R$ 1,7412), de maneira similar ao já ocorrido no exercício anterior. Pelas mesmas razões já abordadas no exame do anocalendário 2008, tal exclusão foi indevida, por ter sido efetuada em desacordo com a legislação regente da matéria, discriminada no item 3.2 deste Relatório, motivo pelo qual deve esse valor de R$ 13.588.900,02 ser adicionado ao lucro real anual. 3.3.4. Do imposto pago no exterior O contribuinte trouxe, no curso deste procedimento, documentos comprobatórios do pagamento do imposto de renda federal e estadual no exterior sobre os resultados da Incobrasa North America, apurados em conformidade com as declarações prestadas aos Fiscos norteamericanos ver fls. 381/451 e 574/631. Sobre a compensação do IRPJ a ser pago no Brasil com os pagamentos efetuados no exterior, reza o art. 26 da Lei n° 9.249/95: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. De acordo com o dispositivo supra referenciado, c/c o art. 25 da mesma lei, mais acima transcrito, os lucros auferidos no exterior, disponibilizados ou considerados disponibilizados pela controlada para a controladora situada no Brasil, devem ser adicionados na apuração do lucro real pelo valor antes da subtração do tributo pago no exterior. Logo, o tributo pago no exterior compõe o lucro disponibilizado ou o lucro considerado disponibilizado para a controladora no Brasil, para efeito de base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse tributo pago no exterior, desde que atendida a legislação de regência, pode ser compensado com o tributo apurado no Brasil sobre o lucro. A Lei n° 9.532/97, no § 4º do seu art. 1o, estabeleceu um limite temporal para o aproveitamento, no Brasil, do imposto pago no exterior: § 4o Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.247 5 imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração. (Grifouse.) Notese que o texto é claro ao afirmar que os créditos de imposto de renda incidentes no exterior só podem ser compensados se referidos lucros forem "computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subsequente ao de sua apuração". Posteriormente, o artigo 74 da MP n° 2.15835/01 determinou que os lucros seriam considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço do ano em que foram auferidos. Considerando a mudança na legislação, primeiro concluise que, a partir de 2002, os lucros auferidos no exterior devem ser computados na base de cálculo do imposto de renda no dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário de apuração. Segundo, que a compensação com o pagamento efetuado no exterior é um direito que pode ser exercido, ou não, pela controladora/coligada sediada no Brasil. O texto do artigo 26 da Lei nº 9.249/95 é claro quando dispõe que “a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior (...)”. [...] Quando o contribuinte deixou de cumprir com seu dever de oferecer os lucros auferidos no exterior na determinação do imposto de renda devido nos dias 31/12/08 e 31/12/09, deixou, de outra parte, de exercer seu direito à compensação. Repitase, o fiscalizado não computou os lucros auferidos e apurados no exterior na base de cálculo do imposto de renda devido no Brasil, passados mais de dois anos de sua disponibilização, não havendo observado, por conseguinte, os ditames do art. 74 da MP n° 2.15835/01 c/c o art. 1º, § 4º da Lei n° 9.532/97. Muito pelo contrário, expressamente os excluiu dessa base de cálculo, conforme demonstrado no presente lançamento de ofício e atestado nos registros dos LALUR e das DIPJ dos anos calendário 2008 e 2009. Não exercido esse direito à compensação pelo fiscalizado no mencionado prazo bienal, não há permissivo legal, por outro lado, para que essa compensação seja realizada por esta fiscalização, em sede de constituição de crédito tributário via auto de infração. (Grifouse.)” Impugnação às fls. 1.059/1.155. Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicala, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.248 6 Anocalendário: 2008, 2009 IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O direito de compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre o lucro auferido por controlada com o imposto de renda incidente no país sobre os referidos lucros é condicionado a que esse direito seja exercido até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração ao dispositivo legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança de multa punitiva correspondente. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 24/09/2013, às fls. 1.182/1.183. Recurso a este Colegiado com entrada na repartição de origem no dia 23/10/2013, às fls. 1.182/1.228. Nesta oportunidade, aduz o seguinte 1) DESCRIÇÃO DOS FATOS: Após descrever as atividades desenvolvidas, declara que atendeu todas as intimações da Fiscalização, em especial as que concernem às diversas operações que mantém, em conjunto com os demais sócios da Incobrasa Cayman Ltd., na área de processamento de soja, no Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América, cujos resultados são tributados naquele pais, de maneira unificada, pela holding Incobrasa North America Ltd, subsidiária integral da Incobrasa Cayman Ltd. Em face do exposto no parágrafo anterior, manifesta que comprovou tudo o que fora solicitado pela Fiscalização, segundo o relato do próprio autuante, o qual equivocadamente entendeu, porém, que teria decaído o direito de compensar o imposto de renda pago no exterior com o tributo apurado no Brasil sobre o lucro – compensação não exercida até o final do segundo anocalendário subsequente à apuração do lucro. Assim, não obstante o imposto pago no exterior, por sua controlada Incobrasa North América Ltd, no valor de R$ 14.474.623,89, conforme prova idônea e cabal acostada aos autos (bem superior ao devido no Brasil), o autuante não admitiu a compensação dessa importância sob o inaceitável pretexto “de ter sua exclusão da base de cálculo se dado de forma errada (mera obrigação acessória) na DIPJ e/ou Lalur”. 2) A EXPOSIÇÃO DO DIREITO 2.1) Erro de interpretação na forma de cumprimento de obrigação acessória não acarreta perda do direito à compensação de imposto pago no exterior – auto de infração que viola expressos dispositivo legais é improcedente. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.249 7 O cerne de toda a controvérsia, como já debatido na impugnação, consiste no direito da Recorrente à compensação do imposto de renda pago no exterior. Como se verifica do relato fazendário, efetivamente houve erro na forma de cumprimento de obrigação acessória ou (dever administrativo, como quer uma parte da doutrina). Por exemplo, em relação ao exercício de 2009, anocalendário de 2008, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos no exterior não foram computados na base de cálculo desses tributos, no Brasil. Por isso, ao invés de lucro, apurouse prejuízo, o que inviabilizava a compensação, independentemente de prazo, dos créditos do imposto de renda de que trata o artigo 26 da Lei n.° 9.249/95. Obviamente, só poderia exercer esse direito (compensação) caso apurasse lucro, o que não aconteceu por força do erro de escrituração cometido no preenchimento da DIPJ 2009, precisamente nas Fichas 09 A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral, e 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. E, por decorrência lógica, especificamente em relação ao IRPJ, no que se refere ao preenchimento da Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral. No entanto, tal erro material não pode conduzir o Fisco a exigir da Recorrente o pagamento daqueles tributos, já que, refeita a escrituração, determinandose o lucro tributável e, daí, o IRPJ e CSLL a pagar, assomase o direito de compensar o valor do imposto de renda pago no exterior. E não poderia ser de outra forma, pois inexiste lesão aos cofres da Fazenda Nacional. Além disso, não houve dolo, fraude ou simulação, até porque todo o valor do imposto e da contribuição, apurado no País, já havia sido pago integralmente no exterior. Desse modo, não se deve considerar inadimplemento o erro cometido no preenchimento de fichas da DIPJ e no Lalur. Inconcebível, pois, pretenderse, como sustentado no auto de infração, e confirmado pelo acórdão recorrido, punir cruelmente a Recorrente, condenandoa a pagar R$ 13.198.331,94, simplesmente porque não promoveu adequadamente a escrituração de livros fiscais (mais precisamente as fichas já referidas). 2.2) Erro no cumprimento de obrigação acessória não autoriza a lavratura de auto de infração prevalência da verdade material sobre a verdade formal. Em qualquer situação, no âmbito do Direito e o Direito Tributário não é exceção a verdade material deverá prevalecer sempre sobre a verdade formal. Logo, se a lei autoriza o contribuinte a compensar, no cálculo do IRPJ devido no País, a quantia que a esse título foi paga no exterior, não há de ser um simples erro na escrituração de fichas de DIPJ e Lalur que vai impedir o exercício desse direito legítimo. Na verdade, o auditor autuante tem o dever de retificar as fichas referidas, de acordo com os critérios legais, para depois conferir se existe ou não imposto a pagar. Portanto, uma mera diligência fiscal resolve qualquer dúvida. O fundamental para o deslinde da controvérsia é a essência do direito da Recorrente e não a forma (errada) como foi exercido. Basta, pois, retificaremse os registros efetuados na DIPJ 2009. Ademais, o referido erro, ocorrido no momento do cumprimento da obrigação acessória (prestar informações no interesse da arrecadação e da fiscalização dos tributos), precisamente no preenchimento da DIPJ de 2009 e 2010, não acarretou lesão aos cofres da União, pois o IRPJ e a CSLL devidos foram integralmente pagos no exterior, inclusive em Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.250 8 valores superiores aos que, no País, são apontados no auto de infração como supostamente devidos. 2.3) Da nulidade do lançamento de ofício, em face da constatação de erro no preenchimento da DIPJ, isto é, do adequado cumprimento da obrigação acessória (dever de informar). Segundo o artigo 142 do CTN, compete privativamente à autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento. O CTN define, ainda, que o lançamento como o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por outro lado, inegável a sua acepção de ato jurídico, como produto jurídico do procedimento. Neste aspecto, destacase o conceito claramente descrito pela Professora Misabel Abreu, segundo a qual "o lançamento é ato jurídico administrativo vinculado e obrigatório de individuação e concreção da norma tributária ao caso concreto (ato aplicativo), desencadeando efeitos confirmatóriosextintivos (no caso de homologação do pagamento) ou conferindo exigibilidade ao direito de crédito que lhe é preexistente para fixar lhes os termos e possibilitar a formação do título executivo.” Entretanto, o lançamento fiscal, como qualquer outro ato administrativo, pode conter erros. Estes, por sua vez, podem decorrer da apreensão defeituosa do complexo factual (erro de fato) ou mesmo da solução jurídica equivocada do problema que esse contexto provoca (erro de direito). Independentemente da gravidade e da substância do erro, fato é que, quando este se afigura, não pode produzir efeitos. É possível a revisão do lançamento, independentemente de ter havido erro de fato ou erro de direito por parte do agente administrativo. Nesses casos, deve ser efetuado novo lançamento tributário, que derrogará o primeiro, o incorreto Assim, o lançamento eivado de nulidade deve, sempre, ser desconstituído, independentemente da possibilidade de se efetuar a revisão. Se for possível tal revisão, será imprescindível novo lançamento, desde que dentro do lapso decadencial. A edição de novo lançamento, ou seja, a alteração de ofício do lançamento fiscal, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, só é admissível nas restritas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN, dentre elas a falsidade, a omissão ou a inexatidão comprovadas; o erro ou a omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; e o fato não conhecido ou não provado, por ocasião do lançamento anterior. A errônea apuração do “saldo” do IRPJ e da CSLL a pagar, no presente processo, será determinante à decretação de sua nulidade, por certo, sendo que a exigência fiscal acertada requer a realização de um novo lançamento. Nestes autos, o autuante utilizou tão somente a totalidade dos valores oriundos do reconhecimento do registro contábil da receita da equivalência patrimonial, decorrente dos Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.251 9 investimentos detidos pela Recorrente no exterior, para base de cálculo do IRPJ e da CSLL relativamente aos períodos objeto do lançamento, deixando de considerar, todavia, os efetivos recolhimentos (pagamentos integrais dos tributos, efetuados no exterior, sobre dita receita tributável, sobejamente por ela comprovados documentalmente). Ou seja, não aproveitou o valor do que havia sido pago anteriormente para compensar o tributo devido. Clamase, no ponto, pelo apoio da verdade material. Em suma, o erro no preenchimento da DIPJ, por ocasião da determinação da base de cálculo do tributo e da contribuição social e/ou quando da apuração do "saldo" do tributo e da contribuição social a pagar, implica em nulidade do lançamento de ofício realizado. Assim, a cobrança (consubstanciada em lançamento de oficio, através de auto de infração), isto é, a pretendida exigência de recolhimento do IRPJ e da CSLL somente poderá ocorrer, em primeiro lugar, se ainda remanescer saldo desses tributos a pagar, e, em segundo lugar, se o agente fiscal efetuar novo lançamento, no prazo decadencial. No caso dos presentes autos, não se pode configurar como inadimplemento o apontado erro no cumprimento de obrigação acessória (erro no preenchimento de fichas da DIPJ/LALUR) tendo em conta que a totalidade do débito do IRPJ e da CSLL, regularmente, foi pago, na forma da lei, em valor maior que o efetivamente devido. Com efeito, inconcebível pretender, como almeja a Fiscalização, condenar a Recorrente a pagar vultosa soma de dinheiro, simplesmente porque, no cumprimento da obrigação acessória (dever de informar, através da declaração fiscal), por erro, não procedeu adequadamente o preenchimento das suas DIPJ de 2009 e 2010 e o Lalur. Concluise, pois, que, nos presentes autos, não há (como quer fazer crer a Fiscalização) receita tributável omitida e, por conseqüência, saldo do IRPJ e da CSLL a pagar. Ademais, não se restituiu à Recorrente o valor que fora pago a maior no Exterior, nos termos do artigo 395 do RIR/99.Também verificase que a Recorrente perdeu o direito de deduzir o prejuízo fiscal decorrente das despesas necessárias à plena consecução de seu objeto social, efetivamente pagas no País. 3) AUTO DE INFRAÇÃO INEFICAZ – OFENSA A PRINCÍPIOS E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELA LEI N° 9.784/99 –ABUSO DO DIREITO DE AUTUAR – DESRESPEITO À SEGURANÇA JURÍDICA E À MORALIDADE ADMINISTRATIVA, ENTRE OUTROS. Percebese, de forma gritante, que, no lançamento de ofício ora impugnado, o autuante não obedeceu a todos os princípios e critérios expressamente estabelecidos no artigo 2º, caput, e § único da Lei n° 9.784/1999. Nesse rumo, ao invés de orientar a Recorrente a retificar as fichas da DIPJ e do Lalur, optou pelo caminho mais cômodo e cruel, fiscalista e perverso, da autuação, por meio da qual, além do imposto de renda já pago no exterior, em valor bem mais elevado do que o devido no País, pretende cominar a multa de 75%. Em tais situações, em que se veem simples divergências de critérios interpretativos, no que concerne à escrituração de fichas da DIPJ e LALUR, a autuação implica grave oposição ao princípio da segurança jurídica. E, simetricamente, tornase manifesta a violação do princípio da moralidade objetiva do Fisco, uma vez que tal conduta surpreende o contribuinte com a lavratura de cruel auto de infração, antes da imprescindível orientação. Daí Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.252 10 a ilegalidade do auto de infração, por oposição a importantes princípios que regem a Administração Pública. É de se ressaltar que, no caso em lide, a Recorrente respondeu, pronta e tempestivamente, todos pedidos de esclarecimentos feitos pelo Fisco, apresentandolhe os documentos solicitados, sem que por este qualquer objeção tenha sido oposta à prova idônea e cabal ofertada. Nada foi omitido à Fiscalização; pelo contrário, justamente os livros, declarações, fichas e fornecidos pela Recorrente possibilitaram ao autuante a conclusão de que todo o recolhimento do tributo devido ao Erário foi realizado, inclusive aquele pago no Exterior, em montante superior ao incidente no País. É absolutamente inadmissível e repudiável, pois, que um auditor da Receita Federal do Brasil, pago com dinheiro do contribuinte, primeiro para orientálo e só depois para autuálo, não seja antes de tudo ético e defensor da moralidade. Por isso, foi com perplexidade absoluta que a Recorrente recebeu o presente auto de infração, por meio do qual se está a exigirlhe esse estratosférico, cruel e impagável crédito, no valor de R$ 13.198.331,94, lastreado apenas em divergência de interpretação ou erro no cumprimento de obrigação acessória, que consiste, no caso, na escrituração de fichas da DIPJ e do Lalur. 4) A VIOLAÇÃO AO POSTULADO DA BOA FÉ. Sempre oportuno lembrar que, em Direito Tributário, a boa fé se manifesta entre servidor público e contribuinte. Está, pois, relacionada à previsibilidade dos atos administrativos, o que significa que a Fiscalização não pode adotar atos contraditórios, que surpreendam o contribuinte, impedindoo de agir adequadamente e com segurança. A propósito, a boa fé sempre se presume a favor do contribuinte, cabendo à Fiscalização o ônus da prova em contrário. Ainda mais no caso em lide, repitase, no qual o valor do imposto de renda, comprovadamente pago no exterior pela empresa Incobrasa Ltd., foi objeto de compensação questionada pelo autuante, baseandose no fato de que determinadas fichas da DIPJ e Lalur haviam sido preenchidas segundo critérios que, pela ótica do Fisco, seriam equivocados. 5) O DESRESPEITO AO CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE. A espécie de punição que se quer impor à Recorrente, além de ilícita, não é proporcional. Isso porque há prova cabal e idônea, aceita expressamente pelo Fisco, de que o imposto de renda pago no exterior (em valor muito superior ao do mesmo tributo devido no País) foi deduzido com fundamento no § 4o, do artigo 1º da Lei n° 9.532/1997. O fato de uma obrigação acessória não ter sido, na óptica fiscal, devidamente cumprida, não pode impedir que a Recorrente exerça o seu legítimo direito à compensação, como também não pode fundamentar a aplicação de uma multa de 75%, mormente em face da constatação de que não houve prejuízo ao Erário. 6) O DESRESPEITO AO CRITÉRIO DA ADEQUAÇÃO ENTRE MEIO E FIM. Chama atenção, entre outros critérios estabelecidos pelo artigo 2º, caput e § único, da Lei n° 9784/99, a falta de adequação entre meios e fins, predominante na lavratura do auto de infração. De fato, por não concordar com a forma pela qual a obrigação acessória foi cumprida pela Recorrente (ao preencher fichas da DIPJ e do Lalur), o autuante, omitindose n Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.253 11 dever de orientála, optou pelo critério danoso e cruel de cobrar de novo o imposto já pago, acrescido da multa de 75%, agredindo assim, de forma gritante, o critério da proporcionalidade. 7) A VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO QUE VEDA O CONFISCO. Primeiramente, cumpre ressaltar, embora óbvio, que, uma vez descumprida, deixa de haver obrigação acessória, surgindo, disso, a possibilidade de constituição de um crédito tributário, com conteúdo patrimonial, sujeito a controle pelo princípio do não confisco. Tal se aplica no caso em lide, porquanto, com o alegado descumprimento da obrigação acessória, exigese da Recorrente o cumprimento da obrigação principal. 8) SÍNTESE Em qualquer situação, no âmbito do Direito, a verdade material deverá prevalecer sempre sobre a verdade formal. Logo, se a lei autoriza o contribuinte a deduzir do IRPJ e da CSLL devidos no País as quantias as esses títulos pagas no exterior, um simples erro na escrituração de fichas de DIPJ e LALUR não deve impedir o exercício desse direito legítimo, diversamente do decidido pelo acórdão recorrido. Na verdade, o autuante tem o dever de retificar as fichas referidas para, somente depois, de acordo com os critérios legais, conferir se existe ou não imposto a pagar. Diante de todo o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com vistas a ser julgado nulo o auto de infração, ou se outro o entendimento, que, em face da constatação dos erros nos preenchimentos das ditas DIPJ, seja baixado o processo em diligências para, retificadas as DIPJ dos anoscalendário de 2009 e 2008, o autuante refazer os lançamentos de ofício, caso a Recorrente, ainda assim, figure como devedora de IRPJ e CSLL. É o relatório. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.254 12 VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Conheço do Recurso, observados os requisitos de admissibilidade. Como assinala a Recorrente, o cerne de toda a controvérsia consiste no direito à compensação do imposto de renda pago no exterior. No ponto, é preciso concentrar a atenção no seguinte trecho do Relatório de Ação Fiscal, às fls. 1.046/1.048: "O contribuinte trouxe, no curso deste procedimento, documentos comprobatórios do pagamento do imposto de renda federal e estadual no exterior sobre os resultados da Incobrasa North America, apurados em conformidade com as declarações prestadas aos Fiscos norteamericanos ver fls. 381/451 e 574/631. Sobre a compensação do IRPJ a ser pago na Brasil com os pagamentos efetuados no exterior, reza o art. 26 da Lei n° 9.249/95: "Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital." De acordo com o dispositivo supra referenciado, c/c o art. 25 da mesma lei, mais acima transcrito, os lucros auferidos no exterior, disponibilizados ou considerados disponibilizados pela controlada para a controladora situada no Brasil, devem ser adicionados na apuração do lucro real pelo valor antes da subtração do tributo pago no exterior. Logo, o tributo pago no exterior compõe o lucro disponibilizado ou o lucro considerado disponibilizado para a controladora no Brasil, para efeito de base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse tributo pago no exterior, desde que atendida a legislação de regência, pode ser compensado com o tributo apurado no Brasil sobre o lucro. A Lei n° 9.532/97, no § 4o do seu art. 1º, estabeleceu um limite temporal para o aproveitamento, no Brasil, do imposto pago no exterior: "§ 4º Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração." Notese que o texto é claro ao afirmar que os créditos de imposto de renda incidentes no exterior só podem ser compensados se referidos lucros forem "computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subsequente ao de sua apuração". Posteriormente, o artigo 74 da MP n° 2.15835/01 determinou que os lucros seriam considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço do ano em que foram auferidos. Considerando a mudança na legislação, primeiro concluise que, a partir de 2002, os lucros auferidos no exterior devem ser computados na base de cálculo do imposto de renda no dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário de apuração. Segundo, que a Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.255 13 compensação com o pagamento efetuado no exterior é um direito que pode ser exercido, ou não, pela controladora/coligada sediada no Brasil. O texto do artigo 26 da Lei n° 9.249/95 é claro quando dispõe que "a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior (...)". A compensação tratada neste dispositivo não é compulsória, cabendo ressaltar que o direito ao crédito é considerado disponível, podendo ser exercido ou não por seu titular. Quando o contribuinte deixou de cumprir com seu dever de oferecer os lucros auferidos no exterior na determinação do imposto de renda devido nos dias 31/12/08 e 31/12/09, deixou, de outra parte, de exercer seu direito à compensação. Repitase, o fiscalizado não computou os lucros auferidos e apurados no exterior na base de cálculo do imposto de renda devido no Brasil, passados mais de dois anos de sua disponibilização, não havendo observado, por conseguinte, os ditames do art. 74 da MP n° 2.15835/01 c/c o art. 1º, § 4º da Lei n° 9.532/976. Muito pelo contrário, expressamente os excluiu dessa base de cálculo, conforme demonstrado no presente lançamento de ofício e atestado nos registros dos LALUR e das DIPJ dos anos calendário 2008 e 2009. Não exercido esse direito à compensação pelo fiscalizado no mencionado prazo bienal, não há permissivo legal, por outro lado, para que essa compensação seja realizada por esta fiscalização, em sede de constituição de crédito tributário via auto de infração." Censurase a conclusão equivocada do autuante, que desprezou a razão subjacente do preceito inscrito no § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997. Com efeito, a Lei nº 9.532/1997 prescreveu que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, coligadas e controladas, devem ser tributados no Brasil no períodobase em que se tornarem disponíveis à pessoa jurídica domiciliada no território nacional. Coube ao § 1º do artigo 1º da lei acima mencionada estabelecer que os lucros passaram a ser considerados disponíveis: a) às filiais e sucursais da pessoa jurídica no Brasil, na data do balanço em que ocorrer sua apuração; b) às controladas e coligadas, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da pessoa jurídica no exterior. O § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997 visava à antecipação do oferecimento à tributação sobre os lucros auferidos no exterior pelas coligadas e controladas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Isso porque a tributação a incidir sobre esses lucros, no Brasil, se subordinava à prévia ocorrência do pagamento ou do crédito dos lucros apurados. Portanto, ao se fixar um prazo para a compensação do tributo pago no exterior, incentivouse a antecipação da disponibilização e, por conseqüência, da tributação, no Brasil, sobre os lucros obtidos pelas coligadas e controladas. No entanto, esse cenário se alterou com o advento da Medida Provisória nº 2.15835, porquanto, desde então, conforme o disposto em seu artigo 74, os lucros apurados pelas coligadas e controladas no exterior são considerados disponíveis à controlada ou coligada no Brasil na data do balanço em que forem apurados. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.256 14 Como se pode inferir, a disciplina instituída com a MP nº 2.15835 eliminou a distinção entre filiais e sucursais, de um lado, e coligadas e controladas, de outro, quanto ao momento em que os lucros auferidos no exterior são considerados disponíveis à pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Em todos esses casos, os lucros são distribuídos, por ficção legal, na data do balanço de sua apuração. Nesses termos, o § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997 perdeu sua razão de ser a partir da alteração produzida pelo artigo 74 da MP nº 2.15835. Tanto é assim que os artigos 14 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 não reproduzem o lapso temporal constante do § 4 º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997. A propósito, o programa “Perguntas e Respostas” relativo ao anocalendário de 2016, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, confirma que a IN SRF nº 213/2012 manifesta o entendimento referido no parágrafo anterior, conforme resposta nº 7 do Capítulo IX – Resultados Não Operacionais: “4) O art. 1º, § 4º, da Lei nº 9.532, de 1997, dispõe que o imposto de renda incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior somente será compensado com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração. No entanto, de acordo com a MP nº 2.15835, de 2001, art. 74, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. A compensação do imposto de renda pago no exterior passou a ser disciplinada nos arts. 14 e 15 da IN SRF nº 213, de 2002.” (grifei) A mesma disciplina normativa sobre a tributação em bases universais para o imposto de renda das pessoas jurídicas foi estendida à CSSL, de acordo com o preceito do artigo 21 da MP nº 2.15835. Também o artigo 74 dessa MP fixou que, para fins de incidência da CSLL, em consonância com o citado artigo 21, os lucros auferidos por coligada ou controlada no exterior são considerados disponíveis à controladora ou coligada no Brasil na data em que forem apurados. O desaparecimento da razão de ser do § 4º do artigo 1º da Lei nº 9.532/1997, em função da disciplina normativa introduzida pelos artigos 21 e 74 da MP nº 2.15835, explica a recente revogação do indigitado dispositivo pela Lei nº 12.973/2013. Assim, não havia razão para a negativa da compensação do tributo pago no exterior. Uma vez afastado o óbice referente ao prazo para compensação do tributo pago no exterior, exsurge a questão relativa à matéria fática constante dos autos. A esse respeito, é preciso apontar para o comportamento cooperativo da fiscalizada, que, em atendimento à Fiscalização, apresentou o seguinte rol de documentos citados à fl. 1.037, devidamente traduzidos para o vernáculo aqueles escritos originalmente em Inglês: a) cópia do contrato social de constituição da Incobrasa Cayman Ltd. e demais alterações (fls. 261/369), bem como os balanços patrimoniais e demonstrações de resultado do exercício dessa sociedade referentes aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, na moeda do país de origem e em reais (fls. 370/377); Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.257 15 b) LALUR dos anoscalendário 2008 e 2009, nos quais constam registros compatíveis com as informações prestadas nas DIPJ desses anos, já mencionadas (fls. 11/42); c) cópia das Declarações de Renda da Incobrasa North America dos anos calendário 2008 e 2009, junto ao IRS (Internal Revenue Service, equivalente à Receita Federal, no Brasil) e ao IDR (Illinois Department of Revenue), equivalente à Secretaria de Fazenda Estadual (fls. 452/480 e 642/737); d) comprovantes diversos (guias de recolhimento, formulários, cheques, extratos bancários) atestando o recolhimento dos impostos de renda federal (E.U.A.) e estadual (Estado do Illinois) estadunidenses (fls. 381/451 e 574/631); e) demonstrativo de cálculo do resultado de equivalência patrimonial da Incobrasa Cayman Ltda., referente aos anoscalendário fiscalizados (fls. 257/260 e fl. 770). A Fiscalização salienta, à fl. 1.046, que os comprovantes do pagamento do imposto de renda federal e estadual estão reunidos às fls. 381/451 e 574/631. Também destaca, à fl. 1.037, que “os comprovantes de pagamento de imposto de renda nos Estados Unidos foram objeto de consularização, de acordo com o preconizado pelas normas atinentes à espécie.” A Recorrente, por sua vez, expõe que faz prova do pagamento da importância de R$ 14.474.623,89, a título de imposto de renda pago no exterior, sem especificar se tal montante se refere à soma dos impostos dos anoscalendário de 2008 e 2009, ou se é exclusivo a um só dos ditos períodos, e se essa quantia resulta da soma entre os impostos federal e estadual. Com efeito, vejo entre os documentos citados na Tradução nº 2839/0388/2012, às fls. 382/388 e 575/581, referências à “Recolhimento de Imposto de Renda estimado e Compensação de Pessoas Jurídicas”; cheque no valor de U$ 85.654,00; “Formulário para Prorrogação automática de Recolhimento”; cheque no valor de U$ 387.384,00; declaração de que os comprovantes de recolhimento de imposto de renda do Estado de Illinois anexos foram emitidos a favor da Secretaria de Fazenda dos Estado de Illinois por Incobrasa Industries Ltd.”. Assim, anoto que a Recorrente trouxe evidências de que efetivamente recolhera imposto de renda no exterior. E mais: está claro que a Fiscalização não deu a devida atenção a tal material, forte na crença de que a Recorrente não poderia aproveitar o imposto já recolhido na forma da legislação estrangeira, em razão do transcurso do prazo prescricional de dois anos de que supostamente dispunha para efetivar a compensação antedita. Em face do exposto, voto no sentido de se CONVERTER o julgamento em diligência, baixandose os autos à delegacia de origem para (i) proceder ao exame dos documentos reunidos às fls. 381/451 e 574/631 e, à vista dessa documentação, (ii) apurar o montante compensável do imposto de renda recolhido no exterior, nos anoscalendário de 2008 e 2009, discriminadamente, nos termos do disposto nos artigos 13, 14 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, apresentando as conclusões em relatório circunstanciado, dando se ciência das diligências e das conclusões à Recorrente, facultandolhe, ainda, prazo para se manifestar a tal respeito. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11080.723838/201371 Resolução nº 1301000.377 S1C3T1 Fl. 1.258 16 Flávio Franco Corrêa Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720701/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE.
É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial para fim de resguardar direito do Erário ante eventual levantamento do valor depositado, não havendo prejuízo algum ao contribuinte.
JUROS. DEPÓSITO INTEGRAL. EXCLUSÃO
Nos termos do art. 9°, inciso IV, § 4°, da Lei n° 6.830/80, a realização depósito integral do valor débito antes do seu vencimento exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento dos juros de mora.
É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora com base na Súmula CARF nº 5. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral por considerarem que o depósito em juízo é instrumento de constituição do crédito tributário. Designado o Conselheiro Jorge Freire.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial para fim de resguardar direito do Erário ante eventual levantamento do valor depositado, não havendo prejuízo algum ao contribuinte. JUROS. DEPÓSITO INTEGRAL. EXCLUSÃO Nos termos do art. 9°, inciso IV, § 4°, da Lei n° 6.830/80, a realização depósito integral do valor débito antes do seu vencimento exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento dos juros de mora. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13502.720701/2011-11
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5635554
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.236
nome_arquivo_s : Decisao_13502720701201111.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 13502720701201111_5635554.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora com base na Súmula CARF nº 5. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral por considerarem que o depósito em juízo é instrumento de constituição do crédito tributário. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6500923
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688809476096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.720701/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.236 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de agosto de 2016 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO Recorrente OXITENO NORDETE S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial para fim de resguardar direito do Erário ante eventual levantamento do valor depositado, não havendo prejuízo algum ao contribuinte. JUROS. DEPÓSITO INTEGRAL. EXCLUSÃO Nos termos do art. 9°, inciso IV, § 4°, da Lei n° 6.830/80, a realização depósito integral do valor débito antes do seu vencimento exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento dos juros de mora. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora com base na Súmula CARF nº 5. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral por considerarem que o depósito em juízo é instrumento de constituição do crédito tributário. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 07 01 /2 01 1- 11 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 2 (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Salvador/BA, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte ao reconhecer como legítimo o lançamento de ofício da Contribuição ao PIS e da COFINS para prevenir decadência, haja vista a existência de decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário em questão. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos períodos de apuração de fevereiro, maio, junho e setembro de 2007, e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativa aos períodos de apuração de fevereiro a junho e setembro de 2007. No Termo de Verificação Fiscal o autuante informa que, nos autos do processo nº 2006.33.00.0208044, foi concedida, em parte, segurança no sentido de permitir à contribuinte o recolhimento do PIS e da Cofins com a exclusão do ICMS das bases de cálculo. Desta forma, visando prevenir a decadência, as referidas contribuições, apuradas no demonstrativo à folha 22, foram objeto do lançamento de ofício, sem incidência da multa de ofício em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresenta impugnações alegando, em síntese: 1. Incabível o lançamento de ofício de crédito tributário já devidamente constituído por meio de depósitos judiciais, que se Fl. 726DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/201111 Acórdão n.º 3402003.236 S3C4T2 Fl. 112 3 caracterizam como hipótese de auto lançamento ou lançamento por homologação, conforme prevê a Lei nº 9.703, de 1998, citando doutrina e jurisprudência que corroborariam seu entendimento; 2. O art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que alude ao lançamento para prevenir a decadência e é invocado como fundamento da autuação ora em litígio, somente se refere ao inciso IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, de modo que só se aplica às hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito decorrente de liminar, sendo, assim, incabível o lançamento de ofício para prevenir a decadência; 3. Incabível, ainda, a cobrança de juros de mora sobre os montantes integralmente depositados em processo judicial, haja vista que a instituição bancária que acolhe o depósito já remunera a quantia com juros e correção monetária; 4. Existe Súmula do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que deixa clara a possibilidade de exigência de juros moratórios apenas e tãosomente sobre crédito tributário não integralmente pago no vencimento, hipótese diversa da ora em análise, em que restaram incontroversas nos autos a integralidade e a tempestividade dos depósitos judiciais efetuados pela contribuinte. Em 22/02/2013 foi proferido o “Relatório de Acompanhamento Judicial” (fls. 609/611) informando acerca da cassação da segurança em 16/10/2012 pelo TRF da 1ª Região, ao dar provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial, e intimando a contribuinte a efetuar a complementação do depósito judicial, ante a insuficiência do valor do PIS referente a fevereiro de 2007, o que foi feito, conforme comprovante à folha 638. Em 30/07/2014 o presente processo foi encaminhado a esta turma de julgamento para análise das impugnações apresentadas. Sobreveio então o Acórdão 1536.242, da 4ª Turma da DRJ/SDR, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 30/09/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente à matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 4 JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de depósito judicial não afasta a incidência dos juros moratórios. Porém, em caso de decisão judicial final favorável à União, o depósito será transformado em pagamento definitivo considerandose a data da realização do depósito. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 691 a 699, repisando os argumentos trazidos quando da sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 18/10/2014, conforme informação de fls. 689, e apresentou em 03/11/2014 o recurso voluntário de fls. 691 a 699. O recurso, portanto, é tempestivo, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72 e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Passo então à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, na mesma ordem em que elencados em sua peça dirigida ao CARF. i. Lançamento de ofício de importâncias depositadas em juízo Primeiramente ressalto que é incontroverso que o débito ora exigido foi depositado integralmente pela Recorrente nos autos do processo judicial. O lançamento tributário ocorreu exclusivamente com o objetivo de prevenir a decadência, conforme se extrai do Termos de Verificação Fiscal (fls. 20) Pois bem. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) é pacífica a respeito do tema, no sentido de que o depósito judicial do montante integral do débito equivale ao lançamento tributário, e, por conseguinte, tornase dispensável o ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa. Nesse sentido, vejamos o conteúdo das ementas dos julgamentos abaixo colacionadas: Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/201111 Acórdão n.º 3402003.236 S3C4T2 Fl. 113 5 falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. 3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227). 4. Embargos de divergência não providos. (EREsp 898992/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ 27/08/2007) Ementa TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1216466/RS, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, DJe 04/12/2014) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. LEVANTAMENTO APENAS DA QUANTIA REFERENTE À PARCELA CONTROVERSA. MATÉRIA FÁTICA A SER AVERIGUADA NA ORIGEM. SUMULA 7/STJ. (...) 10. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa, no que se refere aos valores depositados. Decadência afastada e Recurso Especial não provido no ponto. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 6 11. A controvérsia restringese a verificar se os valores depositados correspondem ao montante do tributo devido ou somente à parcela controvertida. 12. O depósito judicial realizado para suspender a exigibilidade do crédito tributário pertence à parte vencedora e na medida do êxito de sua pretensão, que tem direito de levantar a quantia depositada após o trânsito em julgado da demanda. 13. De acordo com os elementos dos autos e o que assentado pelo Tribunal a quo, não há como afirmar nesta instância especial que os valores depositados correspondem somente às diferenças entre o que previam os DecretosLeis antes citados e o que estabelece a Lei Complementar 7/1970. A revisão desse entendimento demanda revolvimento do suporte fáticoprobatório dos autos, o que é inadmissível na estreita via do Recurso Especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 14. Para resguardar o direito de ambas as partes, deve ser provido o Recurso Especial para que o Juízo de 1º grau constate o objeto dos depósitos efetuados e libereos integralmente às ora embargantes, caso se refiram à diferença controvertida ou à totalidade do tributo, converta em renda da União a parte devida (LC 7/1970) e libere o remanescente. 15. Embargos de Declaração providos, em parte, com efeitos infringentes, para dar parcial provimento ao Recurso Especial, reconsiderando minha posição original, diante dos argumentos apresentados pelos eminentes Pares. (EDcl no AgRg no REsp 705.420/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 28/05/2012) Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. DESNECESSIDADE. AUSÊNCIA DE DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 1. Segundo a jurisprudência predominante neste STJ, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência do direito do Fisco de lançar. Precedentes da Primeira Seção: EREsp 464.343/DF, Rel. Min. José Delgado, DJ de 29.10.2007; EREsp 898.992/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 27.8.2007; EREsp. n. 671.773RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 23.6.2010. 2. Ressalva de entendimento do relator para quem o depósito judicial não tem a eficácia de constituir o crédito tributário. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1008788/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 25/10/2010) Com efeito, relativamente aos débitos constituídos pela Contribuinte, mais do que dispensado, o Fisco está proibido de realizar o lançamento, sob pena de restar configurada duplicidade de atos de constituição, o que acabaria subvertendo o regime jurídico do tributo, em especial no que diz respeito ao início da contagem do prazo de prescrição. Efetivamente, a própria Fazenda Nacional abarca a interpretação firmada pelo STJ no que tange ao prazo prescricional para o ajuizamento de execuções fiscais, em situações nas quais o contribuinte realiza o levantamento do depósito judicial, levando a Fl. 730DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/201111 Acórdão n.º 3402003.236 S3C4T2 Fl. 114 7 Autoridade Fazendária a ingressar com execução fiscal baseada na confissão de dívida via depósito judicial: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA – DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido. (REsp nº 1216466 / RS, Relatora Ministra Diva Malerbi – Desembargadora Convocada do TRF da 3ª Região, 2ª Turma, sessão de 20/11/2012, DJe de 04/12/2012) Este Conselho já se manifestou em diversas oportunidades, aquiescendo com o entendimento firmado pelo STJ, das quais destaco o seguinte caso: 1 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. AFERIÇÃO INICIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SUPERVENIENTE. MANUTENÇÃO DA SITUAÇÃO JURÍDICA CONSOLIDADA. A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada na data de sua efetivação. A transmissão de declaração de compensação em momento posterior, utilizandose de saldo negativo em cuja composição contém tributos retidos na fonte utilizados como depósito do montante integral, não tem o condão de descaracterizar a situação jurídica consolidada decorrente do depósito no montante integral do débito, exceto se já houvesse sido proferida decisão favorável ao sujeito passivo nos processos de compensação. DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito 1 1 No mesmo sentido: Acórdão1402002.193 e Acórdão 1402002.192. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 8 tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Portanto, devem ser deduzidos da exigência os valores depositados judicialmente. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. (Processo 11052.000872/201069, Acórdão 1402 001.570, Data de Publicação: 18/06/2014) Não poderia ser outro o entendimento firmado pelas Cortes Administrativa e Judicial, uma vez que a Lei n. 9.703, de 17 de novembro de 1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais, estabelece que os depósitos judiciais serão “transformados em pagamentos definitivos” em favor da Fazenda Nacional, em caso de sucumbência do contribuinte, in verbis: Faço saber que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA, adotou a Medida Provisória nº 1.721, de 1998, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Antonio Carlos Magalhães, Presidente, para os efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal, promulgo a seguinte Lei: Art. 1º Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. § 1º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. § 2º Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3º Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. (grifei) Desse modo, não existe lógica alguma no lançamento de ofício do montante depositado, haja vista que na hipótese da Fazenda Nacional se consagrar vencedora no Fl. 732DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/201111 Acórdão n.º 3402003.236 S3C4T2 Fl. 115 9 processo judicial, automaticamente o montante depositado (pagamento antecipado) será destinado aos Cofres Federais. Assim, como o entendimento pacífico do STJ é no sentido e que o depósito judicial do montante integral do débito equivale ao lançamento tributário, e que o objeto do presente auto de infração recai exclusivamente sobre débitos objeto de depósito, deve ser decretado seu cancelamento. 1 Aplicabilidade dos juros de mora nos casos de existência de depósito judicial integral Na hipótese de restar vencida a respeito do cancelamento integra do auto de infração, nos termos do tópico acima, deixo consignado que devem ser cancelados os juros de mora em face da realização de depósito judicial no valor integral do débito antes do seu vencimento. Com efeito, a presente matéria é regulada o art. 9°, inciso IV, § 4°, da Lei n° 6.830/80, nos seguintes termos: Art. 9°. Em garantia da execução, pelo valor da divida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão da Dívida Ativa, o executado poderá: 1 efetuar depósito em dinheiro, à ordem do juízo em estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização monetária; ... § 4º Somente o depósito em dinheiro, na forma do art. 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. (destacouse) Como é possível perceber da simples leitura dos enunciados normativos acima transcritos, a realização depósito integral do valor débito antes do seu vencimento exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento dos juros de mora. Dessarte, jamais poderia ser mantido o lançamento deste valor, já que, em última análise isso implica a exigência dos juros de mora do próprio contribuinte, em flagrante violação ao dispositivo legal acima transcrito. Em outras palavras, se a norma em questão transfere a responsabilidade do pagamento dos juros de mora do contribuinte para a própria instituição financeira depositária dos valores, não há qualquer fundamento jurídico para a manutenção do presente lançamento neste ponto, tendo em vista que se está justamente exigindo o pagamento desta parcela de sujeito que teve seu dever expressamente excluído por determinação legal. Não pode outra razão a questão já é pacífica no CARF, como se depreende do texto da Súmula n. 5, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 10 Como já realçada, no presente caso não restam dúvidas sobre a existência de depósito do montante integral do tributo cobrando no auto de infração em questão, razão pela qual não são devidos os juros aplicados pela autoridade fiscal. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Minha única divergência com a nobre Conselheira é quanto ao seu entendimento no sentido de que havendo depósito tempestivo do montante integral do tributo sob discussão judicial não pode ser levado a efeito o lançamento de ofício. A questão não é nova neste Colegiado. O que resta assentado, de acordo com o enunciado da Súmula 5 deste CARF, é no sentido de que descabe juros de mora em lançamento para prevenir a decadência quando comprovado o depósito tempestivo do montante integral do tributo litigado. A meu sentir, os termos da referida súmula já evidenciam a licitude do lançamento. Assevera a i. Conselheira em seu voto: Dessarte, jamais poderia ser mantido o lançamento deste valor, já que, em última análise isso implica a exigência dos juros de mora do próprio contribuinte, em flagrante violação ao dispositivo legal acima transcrito. Em outras palavras, se a norma em questão transfere a responsabilidade do pagamento dos juros de mora do contribuinte para a própria instituição financeira depositária dos valores, não há qualquer fundamento jurídico para a manutenção do presente lançamento neste ponto, tendo em vista que se está justamente exigindo o pagamento desta parcela de sujeito que teve seu dever expressamente excluído por determinação legal. Ora, uma questão é afastar a incidência dos juros de mora, no que convergimos, o que vimos fazendo com arrimo na citada súmula, outra é declarar nulo o próprio lançamento, com o que dissentimos. Entendo que o mesmo deve ser mantido hígido. A um, porque não há qualquer prejuízo ao contribuinte, pois o crédito está com sua exigibilidade suspensa e, a dois, caso venha a sucumbir no processo judicial o valor depositado será convertido em renda da União. Contudo, ad cautelam, por variadas hipóteses que podem levar o juízo a decretar o levantamento do valor depositado ainda no curso da ação judicial, não identifico qualquer ilegalidade no lançamento a ponto de fulminálo de morte. Tendo em conta que, eventualmente, este depósito possa vir a ser levantado, e caso o contribuinte, por hipótese, venha a sucumbir no processo judicial, a cobrança desse crédito tributário pode vir a ser alcançado pela decadência, o que traria desnecessário dano ao Erário. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 13502.720701/201111 Acórdão n.º 3402003.236 S3C4T2 Fl. 116 11 Assim, não havendo prejuízo algum ao contribuinte, não deve o lançamento ser cancelado, mas tãosomente excluídos os juros de mora, o que foi feito. Aliás, dessa forma julgamos no Acórdão 3402003.108, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, de 22/06/2016, cuja ementa, no que interessa ao deslinde desta quaestio, transcrevo: NULIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração na pendência de medida judicial, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, dou provimento ao recurso para o fim exclusivo de afastar a incidência dos juros de mora, mantido o lançamento em seus demais termos. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 735DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001551/2002-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/11/2001
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é, por si só, razão suficiente para que a importação seja considerada sem guia de importação, licença de importação ou documento equivalente.
RECURSO ESPECIAL DA PGFN NEGADO.
Numero da decisão: 9303-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento..
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/11/2001 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é, por si só, razão suficiente para que a importação seja considerada sem guia de importação, licença de importação ou documento equivalente. RECURSO ESPECIAL DA PGFN NEGADO.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11128.001551/2002-41
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5619722
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.194
nome_arquivo_s : Decisao_11128001551200241.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11128001551200241_5619722.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6466105
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688834641920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 713 1 712 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.001551/200241 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.194 – 3ª Turma Sessão de 7 de julho de 2016 Matéria IPI Classificação Fiscal multa por falta de licença de importação Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRUPAR QUÍMICA LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/11/2001 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é, por si só, razão suficiente para que a importação seja considerada sem guia de importação, licença de importação ou documento equivalente. RECURSO ESPECIAL DA PGFN NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator e Presidente Interino Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 15 51 /2 00 2- 41 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), em face do Acórdão nº 320100.307, por meio do qual, por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro/85, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 19/11/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORRETA. LANÇAMENTO. A importação de produtos com classificação fiscal equivocada enseja a aplicação das penalidades previstas em lei. bem como a cobrança dos tributos devidos. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela PGFN, relativamente à multa administrativa ao controle das importações exonerada. A recorrida quedouse silente. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Em primeiro plano, cumpre registrar que a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma apontado está cabalmente evidenciada, na medida em que a mesma matéria multa administrativa ao controle das importações por falta de LI foi discutida em ambos os contenciosos administrativos e as soluções dadas pelos colegiados deste segundo grau são totalmente opostas. O despacho de admissibilidade do Especial faz um comparativo entre as razões de julgar do acórdão recorrido e do paradigma: No primeiro, o julgado recorrido, a decisão de afastar a aplicação da multa prevista no art. 526, II, do RA decorreu do Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/200241 Acórdão n.º 9303004.194 CSRFT3 Fl. 714 3 entendimento de que a legislação de regência ADN Cosit n° 12/97 determina que se deve verificar, caso a caso, se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria teria descaracterizado, ou não, a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseqüência, novo licenciamento automático ou não automático. Não havendo a exigência de novo licenciamento, não há que ser aplicada a multa. (...) No segundo, o acórdão paradigma, afastouse a aplicação da ADN Cosit n° 12/97, posto que o produto, além de não estar corretamente descrito, não possuía todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, o que demandou a reclassificação para outro código diferente do adotado pela importadora. O importador limitouse a indicar o nome comercial do produto e, após análise, concluiu se que a mercadoria importada não condizia com a constante na licença de importação. Embora o nome constante da LI estivesse correto, o exame laboratorial constatou que se tratava de produto diverso e que não se estava diante apenas de erro de classificação fiscal. Notase que as situações fáticas são bem semelhantes, uma vez que os importadores, em ambos os casos, descreveram as mercadorias pelo nome comercial enquanto os laudos técnicos demonstraram ser mercadorias diversas das respectivamente classificadas e que tinham sido licenciadas. A legislação interpretada diversamente foi o ADN Cosit nº12/97, que diz não constituir infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. O acórdão combatido, com apoio no raciocínio de que o ADN Cosit n° 12/97 determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas, mas não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificação tarifário importará em que se considere ocorrida a infração chega à conclusão plasmada na sua ementa: a mercadoria mal enquadrada na NCM e não corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação. De outra banda, o acórdão paradigma apóiase na necessidade de serem prestadas todas as informações tendentes a assegurar à administração o completo conhecimento da mercadoria submetida a despacho de importação para ser afastada a infração de falta de licenciamento em relação à mercadoria efetivamente importada, de acordo com o Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 ADN Cosit n° 12/97. Sendo que para fins de perfeita identificação e definição da classificação fiscal, não é suficiente o bastante apenas o nome comercial da mercadoria. Inaplicável o ADN, resta na Licença de Importação menção a produto diverso do que foi apurado pelo exame laboratorial, consubstanciando carência de LI, e não apenas erro de classificação fiscal. Ao meu sentir, o ADN Cosit n° 12/97 não pode ser interpretado e aplicado como a auditoriafiscal vem fazendo. Nesse sentido, gostaria de buscar minhas razões de direito para fundamentar este voto nas sábias palavras do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado no acórdão nº 9303003.099: (...) O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/974 excluiu o erro de classificação fiscal de mercadoria importada das hipóteses de ocorrência da infração por importação de mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente, desde que a mercadoria esteja corretamente descrita na declaração de importação e com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Assim fazendo, o ADN Cosit nº 12/97 determinou que uma circunstância (além das outras nele especificadas), o erro de classificação fiscal, não constituía a infração capitulada hoje como importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, sob a condição de que fossem observadas as condições descritas no parágrafo anterior. O problema é que, segundo a leitura que se tem feito do Ato Normativo editado pela então Secretaria da Receita Federal, não se encontrando presentes as circunstâncias especificados no seu texto, estaria implícita a determinação de que o erro de classificação tarifária constituiria, por si só e necessariamente, uma importação sem licenciamento, materializando, por conseguinte, a situação fática prevista na norma legal que coibi a conduta. Ou seja, em obediência ao ADN Cosit 12/97, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, ao constatar o erro de classificação fiscal, considera que não ocorre a infração por importação sem licenciamento quando a mercadoria está correta e suficientemente descrita na declaração de importação e que, contrario sensu, a infração ocorre se a mercadoria estiver descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos essenciais à sua identificação ou pela ausência de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Contudo, peço vênia, para dizer que não me parece que essa seja a forma correta de interpretar o Ato Normativo nº 12/97. Com efeito, já da interpretação literal de suas disposições, é possível perceber que o ADN apenas define uma ocorrência que não constitui infração, sem em nenhum momento referir uma situação que constitua infração. E as disposições subsequentes extraídas do texto da Norma corroboram esse entendimento. Ao especificar a necessidade de que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, o comando normativo deixa claro, ainda que apenas implicitamente, que o erro de classificação pode não exigir novo licenciamento. Depreendese disso que, uma vez que ocorra erro Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/200241 Acórdão n.º 9303004.194 CSRFT3 Fl. 715 5 de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. E, de fato, não é somente da intelecção literal do comando normativo, mas, principalmente, das características próprias do assunto sub examine, que se revela obrigatória a incursão em uma análise mais profunda do processo de licenciamento das importações para que se chegue a uma conclusão precisa a respeito das ocorrências nas quais uma importação deve ser considera como tendo sido realizada sem licenciamento. É o que passo a fazer. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 706 do atual Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/09, diz respeito ao controle que a Administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação, e que se completa no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença são cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Ele é exercido em dois momentos distintos: primeiro, quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações contidas na licença de importação e, segundo, quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e documentação que lhes descrevem estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal. Respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as constatadas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão consideraremse as importações como tendo sido realizada sem licença de importação. Isso acontecerá quando umas e outras sejam de tal forma discrepantes, que a licença apresentada pelo importador deva ser considerada inapta a amparar a operação a que se destinava. Quanto a isso, temse que a Portaria Secex nº 21/96 trouxe a seu tempo algumas considerações relevantes a respeito do tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 7º da Portaria assim especificavam. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento.” Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003; que revogou a Portaria Secex nº 21/96, as normas de regulamentação do procedimento licenciatório deixaram de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex nº 21/96, caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Quais fossem, as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, de se notar que, mesmo não mencionando os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex nº 17/03 confirmou que, nas importações sujeitas a licenciamento, o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex nº 21/96 ao referirse às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal, que, como se disse, caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias subsequentes da Secex. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Na prática, a edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação. Elas permanecem sendo aquelas das quais o Órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo esses os dados que serão analisados pela Administração no processo de concessão do licenciamento pleiteado. São eles: Importador, País de procedência, URF de despacho, URF de entrada no País, Exportador, Fabricante ou produtor, Classificação fiscal da mercadoria na NCM, Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na medida estatística, Peso líquido em Kg, INCOTERM, Número “commoditie”, Moeda na condição de venda, Valor total da operação na moeda negociada, Destaque NCM, Processo anuente, Indicativos da condição da mercadoria, Descrição detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada, Quantidade na unidade comercializada, Valor unitário da Fl. 326DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/200241 Acórdão n.º 9303004.194 CSRFT3 Fl. 716 7 mercadoria na condição de venda, Acordo tarifário, Regime de tributação para o Imposto de Importação, Fundamentação legal, Ato Concessório Drawback, Natureza cambial, Cobertura cambial, Modalidade de pagamento, Instituição financiadora, Código, Denominação, Motivo da importação sem cobertura cambial, Quantidade de dias para limite de pagamento, Substituição de LI, Informações complementares. A relação acima não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Elas abrangem a especificação das mercadorias, seu enquadramento tarifário, esclarecimentos relacionados à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda a gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 deve ser considerada como de interesse da Administração e deverá ser prestada de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/03 especificam qual procedimento será observado pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior Decex no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § 1o... § 2.°... Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifos meus) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou do tipo de mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento Fl. 327DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 original desde que a alteração não descaracterize a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 1º A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2º Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico. A conclusão insofismável a que se chega de todo o exposto é que será sempre necessário decidir, caso a caso, se o erro cometido pelo importador descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. Por certo, nos casos de erro de classificação fiscal, haverá de ser investigado, necessariamente, dentre outros aspectos que se revelem importantes para o caso concreto, se para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar, em obediência à exclusão decorrente da interpretação determinada no ADN Cosit nº 12/97, se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Na vertente lide, a leitura que se faz dos fatos relatados pela Fiscalização Federal leva à conclusão de que esse aspecto sequer foi investigado, restando ausente uma condição essencial à configuração de evento apto a materializar a infração especificada na norma jurídica. (...) Posto isso, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.001551/200241 Acórdão n.º 9303004.194 CSRFT3 Fl. 717 9 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721055/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10283.721055/2008-47
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633108
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.774
nome_arquivo_s : Decisao_10283721055200847.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 10283721055200847_5633108.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6491560
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688838836224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 144 1 143 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.721055/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.774 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria ITR Recorrente AGROPECUARIA M A L P ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 55 /2 00 8- 47 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra a recorrente acima qualificada, foi lavrada notificação de lançamento de fls. 19/25, emitida em 03/11/2008, intimando a contribuinte a recolher o crédito tributário, no montante de R$ 453.075,65, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2003, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Redentor”, cadastrado na RFB sob o nº 5.859.0480, com área declarada de 39.500,0 ha, localizado no Município de Canutama/AM. Resultante dos trabalhos de revisão das DITR/2003 incidentes em malha valor, a ação fiscal iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02201/00019/2008 de fls. 13/16, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos: 1º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º matrícula do registro imobiliário, com a averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal; 5º em caso de posse, Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 6º Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico e comprovadamente imprestável para a atividade rural; 7º justificativa, devidamente comprovada por documentos hábeis e idôneos, que tenha permitido a alteração dos dados calculados pelo programa gerador da declaração do ITR na coluna “Área Calculada” da ficha “Atividade Extrativa”; 8º Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou. Municipais, assim como aquelas efetuadas Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721055/200847 Acórdão n.º 2301004.774 S2C3T1 Fl. 145 3 pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2003, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2003 no valor de R$23,30. Pelo fato de não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2003, a fiscalização glosou a área de preservação permanente de 3.950,0 ha, de reserva legal de 31.600,0 ha e a área declarada como utilizada na exploração extrativa de 2.150,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 195.520,00 (R$4,95/ha), arbitrando o valor de R$ 920.350,00 (R$23,30/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequente aumento da área tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$ 183.483,44, conforme demonstrado a fl. 24. Resumo da autuação: A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 19/20 e 22. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Em 19/11/2008 foi notificada do lançamento, conforme fl. 25. A contribuinte apresentou em 05/12/2008( fl. 29), impugnação de fls. 29/55, instruída com os documentos de fls. 56/80, alegando e solicitando o seguinte, em síntese que: a Administração Pública ao praticar atos administrativos deve indicar expressamente os motivos do ato para possibilitar a apreciação, em cada caso concreto, do efetivo cumprimento das normas legais respectivas, a motivação deve consistir na indicação do texto legal de lei que autoriza a edição do ato, bem como no pressuposto de fato que permite a sua prática, tornando possível o controle da legalidade do ato, no caso o lançamento tributário, e essa exigência é decorrência do princípio da legalidade previsto no art. 5º, II, da Constituição da República; o Fisco utilizou de bases legais genéricas, que não podem nem devem ser tidas como suficientes para sustentar a pretensa infração e que a descrição fática não é suficiente para fornecer ao impugnante condições mínimas de defesa, vez que genérica e abstrata e cita jurisprudência para sustentar sua tese; o procedimento utilizado (baseado em descrições genéricas) é expediente tendencioso, eivado de ilegalidades, que só faz por conduzir o lançamento à nulidade e cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, para referendar seu argumento; disserta abundantemente sobre as figuras das presunções (comum e legal relativa e absoluta) dentro do ordenamento jurídicotributário; o uso da presunção depende de autorização legal e salienta que não há qualquer dispositivo legal que autorize o uso da presunção para as situações descritas pela fiscalização; embora sejam imaginariamente possíveis, as insinuações fiscais necessitam de materialidade fiscal, tratandose de meros indícios (ou presunção comum), passíveis de investigação adicional; o Fisco usou equivocadamente da presunção e em função do lançamento precário, pede que seja a Notificação de Lançamento julgada nula em sede de preliminar, senão improcedente em seu mérito pela ausência de materialidade; o art. 10, § 1º, II, “a” da Lei nº 9.393/1996 faz remição à Lei nº 4.771/65, ao tratar das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório ambiental (ADA) do IBAMA; considera a exigência do ADA por meio da IN/SRF nº 256/02 não está prevista em Lei, ou seja, a referida IN extrapolou de certa forma, os limites da Lei; considera, ainda, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na letra “a”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96, aquelas estipuladas no art. 2º da Lei nº 4.771/65, não precisam ser previamente reconhecidas pelo Poder Público para que ocorra a dedução do ITR, havendo tal exigência apenas quanto àquelas previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65, bem como das alíneas “b” e “c”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/1996; enfatiza o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/1996, cuja edição encontra respaldo no art. 106 do CTN, diz que a declaração do contribuinte não está sujeita à prévia comprovação, ou seja, cabe ao Fisco desconstituir a declaração do contribuinte no caso de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721055/200847 Acórdão n.º 2301004.774 S2C3T1 Fl. 146 5 falsidade da mesma e que tal entendimento pautase no Princípio da Verdade Material, que deve informar a atuação da Receita Federal nos procedimentos de lançamento e do processo administrativo, em todas as instâncias; ressalta a ilegalidade da exigência feita pela IN/SRF nº 256/02, quanto à apresentação do ADA para comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, como condição para dedução da base de cálculo do ITR, tendo em vista que a previsão legal não generaliza tal exigência para todas as áreas, tãosomente para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal e cita Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes sobre o tema; a multa aplicada de 75% é confiscatória, gerando a inconstitucionalidade referida no art. 150, IV, da Constituição da República, além de ferir os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; Requer: que seja reconhecida (i) a nulidade do lançamento pela falta de motivação, mormente que não traz a verificação correta da realidade fática; (ii) utilização equivocada da presunção, para ter sido utilizado zelo usual para analisar cada ponto elencado pela fiscalização em consonância coma legislação e jurisprudência e não conforme unicamente interesses fiscais; quanto ao mérito: seja (i) julgada improcedente a Notificação de Lançamento face a inexigibilidade da apresentação do ADA para efeitos de comprovação de isenção da área de preservação permanente; (ii) o afastamento da multa aplicada no percentual de 75%, por ser de caráter confiscatório; protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial perícia técnicocontábil, a ser designada para apuração dos fatos questionados, pleiteando, ainda, a posterior juntada de documentos. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da averbação tempestiva das áreas de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicala, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi notificada do Acórdão 0351.298 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/09/2013 (fl. 111), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 29/10/2013, sobreveio recurso voluntário (fl. 114). Alega em síntese: que o fato do ato administrativo padece de vício de nulidade, ocorrendo pelo fato de inexistir autorização legal, tendo o ato sido emanado sem fundamento. Completa ainda que, o fisco utilizou de bases legais genéricas, não podendo ou devendo serem tidas como suficientes para sustentar a infração em questão; que a descrição fática não é suficiente para fornecer a recorrente as mínimas condições de defesa, por serem genéricas e abstratas; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721055/200847 Acórdão n.º 2301004.774 S2C3T1 Fl. 147 7 que a fiscalização excedeu os limites legais para o uso da presunção na caracterização da infração cometida contra a Lei 9393/96. Considerando a como uma prova indireta, partindo de fatos secundários; justifica que, após a revogação da Instrução Normativa n° 60/2001 pela Instrução Normativa n° 256/01, tratando do fato em questão em seu art. 9, § 2°, I que para a exclusão da área tributável do ITR dos imóveis, não é mais obrigatório ao contribuinte a apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental); reforça a nãoobrigatoriedade do ADA, citando a Lei 4.771/65 e Lei 7803/89 tratando das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório do IBAMA; questiona que além da cobrança de crédito tributário indevido, ainda se exige a cobrança de multa moratória no patamar de 75%, alegando ser desproporcional a arrecadação do valor de “praticamente outro crédito tributário” (fl. 134); esclarece que a contribuinte “tem plena ciência que as multas administrativas são penalidades pecuniárias para compensar o possível dano causado pelo contribuinte ao erário. Contudo, o fato é que, na situação em epigrafe, a exigência se faz totalmente irrazoável”(fl. 135) pela proporção da multa moratória; salienta que as áreas supracitadas não são mais de propriedade da Recorrente, sendo, portanto, inconcebível a incidência do ITR nesse caso. Cita jurisprudência a seu favor, art. 29 do Código Tributário Nacional. É o relatório Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/09/2013, conforme Aviso de Recebimento, fl. 111. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Já o recurso foi apresentado em 29/10/2013 (fl. 114). Temse, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. Conforme acentua o despacho de encaminhamento da RFB (fl. 139), a recorrente teria até a data de 21/10/2013 para apresentar recurso, todavia somente apresentou sua defesa em 29/10/2013. Nesse sentido, é forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. Alice Grecchi Relatora (Assinado digitalmente) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10650.902442/2011-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10650.902442/2011-52
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5621178
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.945
nome_arquivo_s : Decisao_10650902442201152.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10650902442201152_5621178.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6468486
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688851419136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10650.902442/201152 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.945 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 42 /2 01 1- 52 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3803003.935, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902442/201152 Acórdão n.º 9303003.945 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000050/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos (art. 65 do RICARF).
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los com efeitos integrativos, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13896.000050/2010-81
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5645812
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.483
nome_arquivo_s : Decisao_13896000050201081.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 13896000050201081_5645812.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los com efeitos integrativos, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6522975
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688882876416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000050/201081 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402005.483 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2016 Matéria IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BERENICE DE SOUZA RODRIGUEZ DEL RIEGO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 50 /2 01 0- 81 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos com efeitos integrativos, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.000050/201081 Acórdão n.º 2402005.483 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face de acórdão desta Turma, cuja ementa e resultado são os seguintes: IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso voluntário Provido. A União Fazenda Nacional opôs embargos de declaração afirmando ter havido contradição. No seu entender: a) com base na leitura da ementa, temse a impressão que o colegiado deu provimento à totalidade do recurso interposto pelo contribuinte, revertendo a integralidade das glosas efetuadas pela fiscalização; b) todavia, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, é possível perceber que a conclusão alcançada, ao contrário do que antes consignado, foi a de que deveria ser dado provimento parcial ao recurso, uma vez que as glosas das despesas médicas incorridas junto aos profissionais Alcides Pereira de Souza Filho e de Jaime Anger foi mantida. Nesses termos, requereu a embargante o conhecimento e o acolhimento dos embargos, para sanar o suposto vício. Sem impugnação. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Admissibilidade Os embargos são tempestivos e foi apontada, objetivamente, a suposta contradição da decisão embargada. Sendo assim, e presentes os demais requisitos legais, os embargos devem ser conhecidos. 2 Da contradição Segundo a embargante, deveria ser dado provimento parcial ao recurso, uma vez que as glosas das despesas médicas incorridas junto aos profissionais Alcides Pereira de Souza Filho e de Jaime Anger foi mantida. Tem razão a parte, pois o acórdão embargado manteve a glosa das despesas relativas a esses profissionais, como se observa no seguinte trecho: [...], os recibos comprobatórios dos pagamentos supostamente realizados em favor de Alcides Pereira de Souza Filho (fls.19) e de Jaime Anger (fl. 20) estão em desacordo com os ditames do Regulamento, mormente com o seu art. 80, § 1º, inc. III. A olho nu, percebese que o endereço dos profissionais foi serodiamente preenchido, o que foi levado a cabo pela mesma pessoa (provavelmente a própria contribuinte), o que se conclui pelo tipo de letra cursiva ali constante. No meu modo de ver, essa circunstância não só retira a fidedignidade dos citados documentos, como também os torna irregular para fins de comprovação. Expressandose de outra forma, a decisão da DRJ é incensurável neste ponto. Portanto, e considerandose que o acórdão contém contradição entre a decisão e os seus fundamentos (art. 65 do RICARF), entendese que os embargos devem ser acolhidos, conforme conclusão abaixo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.000050/201081 Acórdão n.º 2402005.483 S2C4T2 Fl. 4 5 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração, a fim de que corrigir a ementa e o dispositivo do acórdão embargado, para neles constar o parcial provimento do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003435/2003-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA POSTERIOR AO JULGAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DA PARTE DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO.
Havendo desistência total do recurso voluntário após o seu julgamento, torna-se insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao sujeito passivo, por força do §5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, e em razão de estar configurada renúncia do contribuinte ao direito sobre o qual se fundou o recurso voluntário e que foi parcialmente concedido ao contribuinte pelo mesmo Acórdão.
Numero da decisão: 9101-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA POSTERIOR AO JULGAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DA PARTE DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Havendo desistência total do recurso voluntário após o seu julgamento, torna-se insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao sujeito passivo, por força do §5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, e em razão de estar configurada renúncia do contribuinte ao direito sobre o qual se fundou o recurso voluntário e que foi parcialmente concedido ao contribuinte pelo mesmo Acórdão.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.003435/2003-14
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643847
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.439
nome_arquivo_s : Decisao_16327003435200314.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16327003435200314_5643847.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6515193
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688888119296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.003435/200314 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.439 – 1ª Turma Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria Lançamento com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAÚ PREVIDÊNCIA E SEGUROS S.A. (ATUAL DENOMINAÇÃO: ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S.A.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA POSTERIOR AO JULGAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DA PARTE DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Havendo desistência total do recurso voluntário após o seu julgamento, torna se insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao sujeito passivo, por força do §5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, e em razão de estar configurada renúncia do contribuinte ao direito sobre o qual se fundou o recurso voluntário e que foi parcialmente concedido ao contribuinte pelo mesmo Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 34 35 /2 00 3- 14 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao afastamento da multa de ofício que estava sendo exigida juntamente com tributo lançado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 110200.014, de 28/07/2009, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, cancelar a multa de ofício que incidia sobre o débito de CSLL referente ao mês de julho/1998, e determinar que esse débito fosse exigido apenas com o acréscimo de multa de mora e juros de mora. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO NÃO EXTINTO LANÇAMENTO COM BASE NO ART. 90 DA MP 2.158 35. Não tendo sido extinto o débito pela ausência de certeza do crédito, cabível exigilo. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO Cabe cancelar a exigência no que se refere a parcelas que já integraram lançamento anterior. MULTA DE OFÍCIO Não se tratando de hipótese que envolva dolo ou fraude, nem de casos de a compensação ser considerada não declarada, nos termos previstos na lei, a multa de oficio deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, devendo o debito relativo à compensação não homologada ser exigido apenas com os acréscimos moratórios (multa e juros de mora). JUROS DE MORA EXIGÊNCIA O credito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Itaú Previdência e Seguros S.A. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência as parcelas de R$ 139.227,73 e RS 115.909,68 e cancelar a multa por lançamento de oficio, declarando que a parcela de RS 101.447,68, referente ao mês de julho de 2008, objeto da compensação não homologada, deverá ser exigida acrescida de multa de mora e dos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 4 3 A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quando afastou a multa de ofício que estava sendo exigida juntamente com tributo lançado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO. DA DIVERGÊNCIA À MULTA DE OFÍCIO. o acórdão recorrido proferido pela Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF determinou a exclusão da multa de oficio no caso em questão em razão da retroatividade benéfica do artigo 18 da Lei 10.833/2003; diferentemente, o acórdão paradigma dispõe que não se aplica a suposta retroatividade benigna do art. 18 da Lei 10.833/2003 c/c art. 90 da MP n° 2.15835, pois havendo lançamento de oficio, com formalização de auto de infração, temse a cobrança do tributo e da multa de oficio; com o intuito de comprovar a divergência, segue transcrito o acórdão paradigma: Acórdão nº 20402.808 COFINS/PIS. MULTA DE OFÍCIO ART. 90 MP 2.15835 ART. 18, LEI 10.833. A redação do artigo 18 da Lei 10.833 não excluiu a multa de oficio quando o lançamento desta natureza tenha como causa a ilegitimidade da compensação (artigo 90 da MP 2.15835), mas sim que, nas hipóteses graves arroladas pela norma, o lançamento será da multa isolada, sendo então indevido o lançamento de oficio do principal. Recurso de oficio provido. DA EVIDENTE CONTRARIEDADE A DISPOSITIVOS DE LEI AOS ARTS. 90 DA MEDIDA PROVISÓRIA DE N° 2.15835/2001 E ART. 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. DA MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. tratase de auto de infração decorrente de representação fiscal constante do Processo 16327.000187/9840. O contribuinte deixou de recolher a Contribuição sobre o Lucro Liquido CSLL, pois pretendia compensar o débito com crédito de terceiros; o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 foi introduzido no ordenamento jurídico para complementar a sistemática criada pela Lei n° 10.637/2002, que, mediante alteração do art. 74 da Lei n° 9.430/96, instituiu a Declaração de Compensação DCOMP, permitindo ao contribuinte efetuar a compensação de crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal SRF com débitos próprios de mesma natureza, sob condição resolutória de posterior homologação pela autoridade administrativa competente, substituindo assim o regime anterior, no qual a compensação só se efetivava depois de deferido requerimento apresentado pelo contribuinte perante a repartição pública respectiva; diante de tais alterações, foi editada a Lei n° 10.833/2003, que acrescentou novos dispositivos ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, atribuindo à DCOMP a natureza de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 5 4 instrumento de confissão de divida, fixando prazo para a sua homologação pelo Fisco e disciplinando o procedimento e os efeitos para o caso da nãohomologação da compensação declarada, como também no caput do seu art. 18 autorizou o lançamento da multa de oficio isolada quando fosse o caso de compensação indevida; posteriormente, a Lei n° 11.051/2004 estabeleceu regime diferenciado para as compensações ditas "nãohomologada" e "nãodeclarada", pelo que restringiu o cabimento da multa isolada prevista no caput do art. 18 agora para os casos de compensação "não homologada", em que tenha ficado caracterizada a prática das infrações dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964; recentemente, a Lei n° 11.488/2007 alterou o caput do dispositivo apontado, prevendo o cabimento da multa isolada aos casos de compensação "nãohomologada" quando se comprove falsidade da declaração do contribuinte; a sistemática introduzida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e posteriores alterações, ao considerar a DCOMP como verdadeira confissão de divida, previu, em relação à compensação "nãohomologada", o lançamento da multa de oficio, de forma isolada e desde que configurada a infração do contribuinte, dado que o principal declarado em DCOMP, nesses casos, pode ser imediatamente exigido do devedor respectivo, prescindindo de lançamento, conforme autoriza o §6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96; assim, nos casos de compensação indevida, enquanto a nova sistemática previu a imposição de multa isolada, já que prescindível o lançamento do principal, a anterior previa a exigência de multa juntamente com o principal lançado; a hipótese dos autos não se subsume à contemplada pelo art. 74 da lei n° 9.430/96 após as alterações da MP n° 135/2003, atual Lei n° 10.833/2003; o auto de infração foi lavrado em decorrência do indeferimento de requerimento de compensação apresentado pela contribuinte, e a autuação teve como base o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; o novo regime instaurado pela Lei n° 10.833/2003, que atribuiu à DCOMP os efeitos de confissão de dívida, somente passou a viger a partir de 30/10/2003. Dessa maneira, só a partir de 30/10/2003, quando não homologada a DCOMP apresentada após essa data, é que se tornou possível a cobrança imediata do principal, ao mesmo tempo em que se previu o lançamento da multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n° 10.833/2003, acaso configurados os seus pressupostos; no presente caso, primeiramente, há que se fazer a ressalva de que a autuação decorreu do indeferimento de requerimentos de compensação, apresentados pela contribuinte, antes mesmo da vigência da Lei n° 10.637/2002, que instituiu a própria DCOMP. Em hipóteses tais, exigese, como efetivamente foi feito, o lançamento do principal nos termos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, acrescido da multa de oficio, que tem por fundamento o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; assim sendo, não há que se falar em incidência do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 no caso em alusão, porquanto não há DCOMP apresentada pela contribuinte com efeito de confissão de divida, pressuposto imprescindível para incidência do referido Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 6 5 dispositivo, pelo que o lançamento da multa se faz perfeitamente possível com base na conjugação dos arts. 90 da MP n° 2.153 58/2001 e 44, I, da Lei n° 9.430/96; no caso em comento, os requerimentos de compensação apresentados pela contribuinte não produzem os efeitos de confissão de dívida de que trata o §6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, nem tampouco ocasionam o lançamento da multa isolada do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, tanto é que a referida autuação contemplou o valor do tributo devido, acrescido dos juros de mora e multa de oficio correspondente, tudo de acordo com a autorização dos arts. 90 da MP n° 2.15835/2001 c/c 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; é de se verificar que, tendo havido a autuação do principal e juros, que, inclusive, restou mantida nesse particular pela decisão recorrida, não há como se furtar à aplicação da multa de oficio, dado que aquela pressupõe esta, especialmente quando se constata a falta de recolhimento de tributo devido; é preciso realizar interpretação sistemática do art. 74 da Lei n° 9.430/96 com o art. 18 da Lei n°.10.833/2003 para entender o caráter manifesto de norma especial destes dispositivos, que só contempla as situações de DCOMP "nãohomologada", surgidas após a edição da Lei n° 10.833/2003. Nos demais casos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, especialmente de requerimentos de compensação indeferidos que tenham sido apresentados antes da edição das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme já se salientou, a multa de oficio sempre foi e continuará sendo devida, e seu fundamento é o art. 44 da Lei n° 9.430/96; não houve qualquer repercussão retroativa mais benéfica entre as normas comparadas art. 90 da MP n° 2.158 35/2001 x art. 18, caput, da MP n° 135/2003, por razões simples: (1) o art. 90 da MP aludida não regulou matéria relacionada à infração tributária, disciplinando, ao revés, hipóteses de lançamento de oficio. A matriz legal da infração discutida é mesmo o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; (2) da mesma forma, o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 apenas eliminou limitação à forma de constituição do crédito tributário das parcelas referidas no art. 90 da MP em alusão, ao passo que NÃO pretendeu disciplinar, como não o fez, a multa do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; (3) não se infere do art. 18 da MP n° 135/2003 tratamento mais benéfico em relação à penalidade imputada aos lançamentos do art. 90. da MP n° 2.15835/2001 art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, mas, ao contrário, o referido dispositivo de lei criou novas infrações tributárias, as quais também impôs penas completamente diversas daquela primeira penalidade; o citado art. 18 ingressou na ordem jurídica com 2 (dois) únicos propósitos: a) eliminar restrição ao modo de constituição do crédito tributário de que tratava o art. 90 da MP n. 2.15835/2001; b) criar hipóteses de multa isolada para casos particulares de compensação; ao assim fazer, o art. 18 da MP n° 135/2003 não repercutiu sobre o conteúdo do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; de fato, a multa do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, já à época do art. 90 da MP n° 2.15835/2001 e até os dias atuais, tem aplicação presente quando, realizado o Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 7 6 lançamento de oficio pela autoridade fiscal, restam configuradas as hipóteses de: 1) falta de pagamento ou recolhimento da totalidade ou diferença de imposto e contribuição; 2) falta de declaração ou; 3) declaração inexata; as infrações aludidas são individualizadas e independentes entre si, podendo a multa em alusão ser imposta ao sujeito passivo quando evidenciadas quaisquer daquelas situações ou mesmo mais de uma delas; nos casos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, o lançamento de oficio era formalizado para exigência das diferenças de tributos apuradas em declaração do contribuinte, vinculadas a informações declaradas pelo sujeito passivo, consideradas como indevidas ou não comprovadas pelo fiscal; o art. 18 em referência é norma pontual, que, em primeiro lugar, eliminou a vinculação do crédito tributário de que trata o art. 90 da MP ao lançamento de oficio, abrindo a possibilidade da sua constituição por outro modo, incluindo a declaração do próprio sujeito passivo nos documentos sujeitos aos efeitos dos §§ 1° e 2° do art. 5° do DL n° 2.124/84; para que tivesse havido qualquer repercussão benéfica in casu, era preciso que o art. 18 da MP n° 135/2003 pronunciasse que, a partir daquela data, aos lançamentos formalizados nas situações do art. 90 da MP n° 2.15835/2001 não mais se aplicaria a multa de ofício do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 ou se aplicaria a referida penalidade em percentual minorado, o que, entretanto, incorreu na hipótese; a redação do art. 18 da MP n° 103/2003, deveras confusa, é capaz de induzir o intérprete a erro, tendo em vista que, ao se utilizar da expressão "limitarseá", pode levar ao equivocado entendimento de que, agora, a situação do contribuinte seria melhorada porque aos lançamentos antes formalizados com base no principal devido, encargos de mora e multa de oficio, cingirseiam à imputação de multa isolada e tão somente em casos restritos; a interpretação supra é deveras teratológica. A uma, pois o dispositivo citado não vedou que as diferenças de tributo(s) fundadas em declaração do sujeito passivo continuassem sendo formalizadas via lançamento de oficio, com a imposição da multa cabível (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96), inclusive quando sujeitas aos efeitos dos §§ 1° e 2° do art. 5° do DL n° 2.124/84, tendo em vista que, quanto a estas últimas, a sua forma de constituição dependeria da disciplina da SRF no exercício da atribuição de que trata o art. 16 da Lei n° 9.779/99; a duas, porque a multa de oficio do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 em tudo difere das multas isoladas do caput do art. 18 MP n° 135/2003, não se podendo, com isso, comparálas para dizer se houve ou não minoração da situação do contribuinte; além de possuírem hipóteses de cominação diversas, as multas comparadas (multa de oficio e multa isolada) divergem também quanto ao modo de sua constituição; a primeira multa de oficio (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96) é lançada em conjunto com o tributo devido e juros de mora, porque a infração cominada em tudo pressupõe a existência de lançamento de oficio, ao passo que a segunda multa isolada (art. 18, caput, da MP n° 135/2003) , relacionandose a infração que independente da constituição do tributo devido, é constituída de forma isolada; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 8 7 tratandose, pois, de penalidades diversas, a comparação não se faz possível in casu para os efeitos do art. 106, II, do CTN; o entendimento demonstrado pelo acórdão recorrido é por demais perigoso porque afasta a aplicação da multa de oficio no presente caso, sem autorização legal e em contrariedade à lei, com o que poderá, inadvertidamente, incentivar o nãorecolhimento do tributo, porquanto, em caso de autuação, apenas seria devida a multa de mora (além dos consectários legais), penalidade em tudo mais vantajosa e que não pune o contribuinte inadimplente na forma e proporção idealizadas pelo legislador; outro não é o entendimento do CARF, no sentido do cabimento da multa de oficio, tendo em vista lavratura de auto de infração, em que se exige o tributo e a multa de oficio, por ser esta multa vinculada à exigência de tributo em lançamento de oficio (ementas transcritas); por todos esses fundamentos, requer a Unido (Fazenda Nacional) seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o r. acórdão, seja reconhecida a violação aos arts. 90 da MP n° 2.15835/2001 e 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, dandose provimento ao presente recurso especial para manter a multa de oficio, rejeitandose, por conseguinte, a retroatividade benéfica do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, por não se subsumir o caso dos autos à hipótese contemplada no referido dispositivo legal, pelo que se estará atendendo ao princípio da segurança jurídica e à necessidade de uniformização da jurisprudência do CARF. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1100 0000.077/2010, de 18/02/2010, admitiu o recurso especial, reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: No acórdão recorrido, a I. Conselheira Sandra Maria Faroni entendeu que o débito confessado em pedido de compensação e exigido por não restar confirmada a certeza do crédito, não se sujeitaria à multa de oficio, ante a retroatividade benigna do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, na qual aquela hipótese não mais ensejava a aplicação de penalidade. Já no paradigma, o I. Conselheiro Jorge Freire, acompanhado à unanimidade pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, acolheu recurso de oficio para restabelecer multa de oficio afastada em primeira instancia, ao fundamento de não se tratar de uma das hipóteses nas quais o art. 18 da Lei n ° 10.833/2003. Expressamente firmouse naquele julgado que hipóteses de compensações, embora ilegítimas mas não tipificas no artigo 18 referido, terá como objeto a cobrança de oficio da diferença impaga em virtude da ilegitimidade da compensação, o que se dá necessariamente com o acréscimo de multa de oficio, por força da vinculação à lei. Do exame dos requisitos de admissibilidade do recurso (arts. 67 e 68 do Anexo II da Portaria MF no 256, de 22/06/2009 RICARF), verificase que o recurso especial deve ser admitido, pois o acórdão paradigma apresentado como divergentes foi proferido por colegiado distinto e restou demonstrada a divergência apontada. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 9 8 Antes de ser cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, a contribuinte ingressou com uma petição em 25/02/2010, informando que tinha efetuado "o recolhimento da CSLL referente aos meses de julho a setembro de 1998 lançada no PA n° 16.327.003.435/0314, com os benefícios concedidos pela Lei n° 11.941/09 (demonstrativos de cálculo e DARF's anexos docs. 02 e 03)". Informou também que, diante do pagamento comunicado, ela desistia totalmente do recurso voluntário interposto e renunciava a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso, requerendo a baixa do processo administrativo em epígrafe. Nessa mesma petição, a contribuinte esclareceu que os pagamentos dos PA's agosto e setembro foram realizados no Processo n° 16327.002770/200303, devido à alegada duplicidade. E o pagamento do PA julho foi realizado sem a multa de oficio, nos termos da Lei nº 11.941/2009. Essa petição de desistência do recurso voluntário motivou um novo despacho por parte do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que entendeu necessária a oitiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, que era a titular do direito de seguimento do recurso especial de divergência. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, apresentou a seguinte manifestação: A UNIÃO (Fazenda Nacional), por intermédio de sua Procuradora infraassinada, instada a se manifestar nos presentes autos acerca dos documentos acostados pela contribuinte a fls. 171, vem expor e requerer o quanto se segue: Considerando a formalização, pela contribuinte, da desistência do presente processo e a renúncia aos direitos sobre os quais ele se funda, a Fazenda Nacional vem requerer seja declarado o provimento ao Recurso Especial por ela interposto. Quanto ao pagamento efetuado pela contribuinte consoante os ditames estabelecidos pela Lei n° 11.941/2009, sua regularidade deverá ser apurada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, que deverá apreciar, também, o cumprimento integral dos demais requisitos estabelecidos para a adesão ao regime previsto no diploma legal supramencionado. Pede deferimento. Na seqüência, houve novo despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, entendendo que o recurso especial da PGFN deveria mesmo ser encaminhado a julgamento, em razão dos seguintes aspectos: [...] No caso dos autos, como visto, o recurso voluntário já havia sido julgado quando da petição em comento, de sorte tal que não há cogitar na figura da desistência do mesmo. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 10 9 Noutro giro, pende o recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, admitido anteriormente à desistência trazida pela contribuinte. Com a expressa manutenção de seu interesse recursal, mesmo diante da renúncia da parte contrária, remanesce, então, a conclusão de que a Procuradoria da Fazenda Nacional entende existirem razões de ordem pública (interesse público) na definição da tese a ser adotada no caso, que pode repercutir para diversas outras hipóteses. Por fim, não haveria de ser ofertada oportunidade processual para a contribuinte manifestarse nos autos, pois, ainda que o resultado do julgamento seja desfavorável à Fazenda Nacional, este em nada lhe aproveitará diante da renúncia apresentada. Contudo, impera seu direito de ter o conhecimento destes andamentos processuais. Ante o exposto, encaminhese o processo à Secretaria desta 1ª Câmara (SECAM) para fins de remessa à unidade de origem da Receita Federal para ciência ao contribuinte deste despacho. Após, retornese ao CARF. Em 22/01/2014, a contribuinte foi considerada cientificada dos andamentos processuais, conforme determinado pelo último despacho decisório proferido nos autos, e em 24/01/2014 ela apresentou nova petição, que foi recebida pela Delegacia de origem como contrarrazões tempestivas ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nessa última petição, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: a contribuinte, por meio da petição protocolizada em 25/02/2010, comunicou o recolhimento da CSLL referente aos meses de julho a setembro de 1998, discutida nestes autos, com os benefícios concedidos pela Lei n° 11.941/09 e, por essa razão, desistiu totalmente do recurso voluntário interposto, renunciando ao direito a que se fundava referido recurso, nos termos da petição anexa (doc. 03); desta forma, não assiste razão à manutenção do interesse recursal da Fazenda Nacional e ao provimento de seu Recurso Especial, diante da evidente perda de objeto desse processo; ademais, a conclusão acima é inegável, visto que o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi interposto somente contra a exoneração da multa de ofício referente ao período de julho/1998, a qual foi anistiada, em 100%, pela própria Lei n° 11.941/2009, nas situações de pagamento à vista, como no caso em questão; assim sendo, reitera a contribuinte seja homologado o pagamento realizado, extinguindose, via de conseqüência, o processo administrativo em referência. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme relatado a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência contra o Acórdão nº 110200.014, de 28/07/2009, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, cancelar a multa de ofício que incidia sobre o débito de CSLL referente ao mês de julho/1998, e determinar que esse débito fosse exigido apenas com o acréscimo de multa de mora e juros de mora. A autuação fiscal em questão decorreu da não confirmação de vinculações informadas em DCTF. O sujeito passivo tentou quitar o referido débito mediante compensação com crédito de terceiros, cuja liquidez e certeza restaram incomprovados. Em razão do indeferimento do pedido de compensação, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do referido débito, nos termos do comando contido no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O acórdão recorrido aplicou retroativamente o art. 18 da Lei n° l0.833/2003, para fins de exonerar a multa de ofício que foi lançada juntamente com o débito, e o recurso especial da Fazenda Nacional objetiva restabelecer a exigência dessa multa. Como o provimento do Recurso Voluntário foi parcial, parte da decisão recorrida foi favorável ao sujeito passivo e parte desfavorável. O relatório acima esclarece que o pedido de desistência Total do Recurso Voluntário foi apresentado quando esse recurso já havia sido julgado. Se o pedido fosse anterior ao julgamento do Recurso Voluntário não haveria maiores problemas, pois o recurso restaria prejudicado e seria caso de mera devolução do processo à repartição de origem determinada pelo Presidente de Câmara, nos termos do inciso IX do art. 18 do Anexo II do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/96/2015. Entretanto, como o pedido de desistência do recurso voluntário foi posterior ao seu julgamento, a questão se torna mais interessante e demanda maiores considerações. É certo que a referida desistência pelo sujeito passivo não pode implicar em desistência da PGFN de seu Recurso Especial, já que somente o autor pode desistir de seu recurso (repiso, o autor do Recurso Especial sob exame é a Fazenda Nacional e não o contribuinte; o sujeito passivo não pode desistir de um recurso do qual não é o autor). Temos, portanto, uma decisão do CARF, decisão administrativa e de segunda instância, e um Recurso Especial de divergência apresentado pela PGFN, ambos devidamente formalizados. Como proceder? Não é caso do referido inciso IX do art. 18, pois não se estaria Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 12 11 apenas devolvendo um processo com um recurso desistido, mas adicionalmente uma decisão colegiada e um recurso especial válido (recurso especial da Fazenda Nacional não desistido). O artigo 78 do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/96/2015, tratou assim da questão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. ... § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. ... (Grifei) O caso se subsume ao parágrafo 5º do art. 78 do Anexo II do RICARF: a desistência foi total e havia decisão favorável ao contribuinte com recurso pendente de julgamento. Assim, como consequência dessa subsunção, impõese: a) a declaração de que a decisão favorável ao sujeito passivo tornouse insubsistente; e b) o encaminhamento dos autos para a unidade de origem para procedimentos de cobrança. O que é importante decidir é a quem cabe declarar a insubsistência da decisão favorável ao sujeito passivo. Nesse ponto o Regimento Interno é omisso. Não me parece o mais apropriado remeter os autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora torne uma decisão administrativa colegiada do CARF insubsistente. Penso que, tendo em vista a casuística das situações que podem se suceder, a solução deve ser encontrada caso a caso, sem se furtar a aplicação do referido parágrafo 5º. No caso concreto, a meu ver, a solução que proponho é bem simples, vejamos. Tradicionalmente, são duas as possibilidades de se alterar uma decisão: a anulação e a reforma. Considero improcedentes eventuais alegações de nulidade no Acórdão de Recurso Voluntário, pois não pode um evento superveniente produzir um vício retroativamente. Já relativamente à reforma, o provimento do recurso especial da Fazenda Nacional cumpre plenamente essa função. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 13 12 A reforma me parece bastante apropriada, pois tem o efeito de suprimir da jurisprudência do CARF o acórdão atacado, de forma a evitar que este venha eventualmente a servir de paradigma na interposição de recursos especiais de outros processos, fazendo com que seja oponível a estes o parágrafo 15 do art. 67 do Anexo II do atual RICARF, verbis: § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) Outra solução seria considerar uma terceira forma de alterar uma decisão: a declaração de insubsistência nos casos do mencionado parágrafo 5º, forma que extrairia a força normativa dessa decisão pelo enquadramento ao mesmo. É uma possibilidade. Ademais, nos termos do parágrafo 3º do art. 78, a desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Esse dispositivo já é bastante para que sejam desconsiderados os direitos alegados no Recurso Voluntário, acolhidos pelo Acórdão de Recurso Voluntário e, consequentemente, tornese procedente o restabelecimento dos lançamentos desonerados. Em vista dessa renúncia a direito, não considero ser possível discutir o mérito, pois o interesse da Fazenda Nacional se exaure na decisão recorrida ser reformada tanto no caso concreto, para fins de recebimento do crédito tributário, como no caso abstrato, que consiste na impossibilidade de a decisão recorrida vir a servir de paradigma para outros julgamentos. Discutir o mérito apenas para que esta Turma da CSRF manifeste o seu entendimento sobre a matéria, a meu ver, seria amor ao debate (algo que conspira contra a celeridade processual); além de resultar na formação de uma decisão, agora desta Turma; que, mais uma vez, poderia vir a servir de paradigma, independentemente do resultado, seja para a Fazenda Nacional (se o recurso fosse provido), seja para os contribuintes em geral (se não). Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por renúncia do sujeito passivo ao direito sobre o qual se fundou o Recurso Voluntário e que foi concedido pelo Acórdão de Recurso Voluntário, para declarar e tornar insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao contribuinte, forte no parágrafo 5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. O Acórdão nº 110200.014, de 28/07/2009, não poderá vir a servir de paradigma na matéria em que o direito foi renunciado. Os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para conferência do pagamento que a contribuinte alega ter feito com os benefícios da Lei nº 11.941/2009, e eventuais procedimentos de cobrança, caso não confirmada a alegada quitação do débito em pauta. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 458DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16327.003435/200314 Acórdão n.º 9101002.439 CSRFT1 Fl. 14 13 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
score : 1.0
Numero do processo: 10768.032500/97-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 105-01.275
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE
CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Irineu Biachi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200609
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10768.032500/97-06
conteudo_id_s : 5621250
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 105-01.275
nome_arquivo_s : Decisao_107680325009706.pdf
nome_relator_s : Irineu Biachi
nome_arquivo_pdf_s : 107680325009706_5621250.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
id : 6468678
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688897556480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Resolução nº 105-1.275; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-06-09T13:52:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Resolução nº 105-1.275; xmpMM:DocumentID: uuid:53c20795-6fa9-4958-b380-dd0c390e7528; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Resolução nº 105-1.275; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-06-09T13:52:08Z; created: 2016-06-09T13:52:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2016-06-09T13:52:08Z; pdf:charsPerPage: 766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-06-09T13:52:08Z | Conteúdo => 2' 6 JAN 2007 10768.032500/97 -06 143.604 IRPJ e OUTROS - EX.: 1995 ALCHIMIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. 4a TURMAlDRJ NO RIO DE JANEIRO/RJ I 20 DE SETEMBRO DE 2006 ••• FORMALIZADO EM: RESOLUÇÃO N° 105-1.275 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA :Relator Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por ALCHIMIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Processo nO. Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luís ALBERTO BACELAR VIDAL, DANIEL SAHAGOFF, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada), EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, WILSON FERNANDES GUIMARÃES e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. EJ RELATÓRIO 10768.032500/97-06 105-1.275 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: "Versa o prew,p.te processo sobre o auto de infração, lavrado pela DRF/RIO DE JANEIRO, contra o interessado acima identificado, para a exigência dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ - (fls. 125/130), no valor de R$ 87.263,48; à Contribuição para o PIS (fls. 131/136), no valor de R$ 2.624,83; à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS - (fls. 137/141), no valor de R$ 6.999,59 e à Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF - (fls. 146/151) e à Contribuição Social sobre o Lucro - CSL - (fls. 152/154), no valor de R$ 34.567,70, além da multa de oficio, aplicada a todos os tributos e contribuições, no percentual de 75%, e demais acréscimos legais. "A autuação reporta-se ao ano-base de 1994, iniciando-se 28/07/1997, conforme Termo de Início de Fiscalização (fls. 03). "À fl. 13 foi acostado aos autos Termo de Apreensão dos Livros Registro de Inventário, LALUR, Livro de Registro de Saídas nOs1 e 2 e de Entradas nO1 (fls. 14/95). "Culminou o respectivo procedimento na lavratura do auto de infração entendendo o fisco ter o interessado incorrido na seguinte infração: "Omissão de receitas, caracterizada pela omissão de vendas nos montantes abaixo relacionados, considerando que as vendas não tem o respaldo das entradas destas mesmas mercadorias em sua contabilidade. "Desta forma, foi cometida infração ao artigo 197 do RIR/1994. "Devidamente cientificada dos respectivos lançamentos em 11/12/1997, apresentou o interessado, em 06/01/1998, impugnação (fls. 156/159), onde, em síntese, alega as seguintes razões de defesa: Processo nO. Resolução n° "a) Não houve indicação ou formalização dos fundamentos legais das exigências ,. tributárias constantes do auto de infração; "b) Ressalve-se que a fiscalização, por telefone, em duas oportunidades, mandou o contribuinte acrescentar em sua cópia do auto de infração o artigo 739 do RIR/1994 e na segunda vez, mandou substituir o artigo infringido para 197 do mesmo RIR; "c) Em nenhum momento do período em que esteve sob fiscalização a empresa foi intimada a esclarecer ou comprovar eventuais divergências levantadas pela fiscalização ou sobre os quais parassem quaisquer dúvidas por parte desta última; "d) Preliminarmente, a falência da fundamenta ao I gal implica um inequívoco cerceamento do direito de defesa, haj a vista que qualquer crédi o tribu ário deve se fundamentar em dois princípios: da legalidade e da verdade materi~ 2 "e) Ainda que admitidas como corretas as alterações mandadas efetuar pelo fisco no texto das autuações, o contribuinte teria sido autuado primeiramente pelo imposto de renda na fonte da receita omitida, considerada automaticamente distribuída; "f) Em correção posterior do fundamento legal, porque a pessoa jurídica tributada com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais; "g) Pelo expoSi&,qual afinal seria o fundamento legal das exigências; "h) Ainda em preliminar, o próprio texto que formaliza os fundamentos das exigências não deixa sequer entrever a qual fato a fiscalização se referiu; "i) Assim, ou as vendas estariam registradas sem amparo em estoques, o que implicaria em omissão de custos, não de receitas e redundaria em benefício do fisco por apropriação destes a menor; 10768.032500/97 -06 105-1.275 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. Resolução nO 'j) Ou teria ocorrido omissão de registro de vendas de motores de popa Mariner, hélices de alumínio e cabeça de força para motor, todos devidamente identificados pela fiscalização, portanto, extraídos de documentário da pessoa jurídica; "k) A acusação material se apresenta carente de objetividade o que, se não dificulta, cercea (sic) sobremaneira a objetividade de qualquer manifestação em contrário; "1) No mérito, vale ressaltar que a empresa em nenhum momento foi intimada a comprovar ou esclarecer eventuais divergências levantadas ou postas em dúvida pela fiscalização; "m) O levantamento procedido pela pessoa jurídica, refletido nos mapas demonstrativos anexos há cabal demonstração da inexistência de qualquer venda das mercadorias detectadas pela fiscalização sem a emissão da respectiva nota fiscal. Menos ainda, vendas sem respaldo em estoques. Simples saídas em demonstração não traduzem nem significam vendas de mercadorias. E, se vendas houve, as notas fiscais respectivas foram todas emitidas; "n) Requer diligência a respeito do assunto, inclusive na escrituração da empresa, a qual sem sombra de dúvidas, irá corroborar os fatos constantes que ressaltam dos mapas ora submetidos a vossa consideração; "o) Requer o cancelamento das exigências. Através do Acórdão DRJ/RJOI N° 4153 (fls. 177/190), a Quarta Turma da DRJ no Rio de Janeiro (RJ), julgou procedentes os lançamentos, apresentado-se o mesmo assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DILIGÊNCIA - PRODUÇÃO DE PROVA - PRESCINDIBILIDADE - O instituto da diligência tem por fundamento a elucidação de pontos duvidosos oriundos das provas contidas nos autos. O sujeito passivo ao requerer a realização de diligência, objetivando, unicamente, a verificação de documentos que poderiam ter sido ;untados, terá por indeferido o respectivo pleito. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE IMPOSSIBILIDADE -AUSENTES OS PRESSUPOSTOS LEGA 3 10768.032500/97 -06 105-1.275 À SUA CONCREÇÃO - Inexiste cerceamento do direito de defesa quando o sujeito passivo demonstra, mesmo que indiretamente, ter entendido o teor da autuação e realiza a sua defesa neste diapasão. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - VENDAS EFETUADAS SEM A DEVIDA CONTABILIZAÇÃO DAS ENTRADAS - ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE SUSTENTAÇÃO PROBANTE - CONCRETIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO SIMPLES - AJlartjuestões meritórias concernentes às infrações fiscais que deixaram de ser abordadas pelo contribuinte, fazem ,reforçar o entendimento fiscal, na medida em que, inerte na apresentação dos motivos de fato e de direito, bem como das provas que possui, deixa de deflagrar a respectiva controvérsia. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. Resolução nO OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES - TRIBUTAÇÃO REFLEXA - PIS - COFINS - IRRF - CSL - Ao subsistir o Auto de Infração principal, igual sorte colherão os Autos de Infração reflexos. Cientificada da decisão (fls. 193vO),a interessada, tempestivamente interpôs o recurso voluntário de fls. 203/212, reafirmando os termos da impugnação, aduzindo ainda que o lançamento se deu por mera suspeita de omissão de receita e que a decisão recorrida omitiu qualquer análise acerca dos relatórios juntados com a impugnação, além de com ter a utilização da taxa Selic para a cobrança de juros. O arrolamento de bens acha-se certificado às É o Relatório. 4 ••• Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso voluntário merece ser 10768.032500/97 -06 105-1.275 Conselheiro IRINEU BIANCHI, Relator VOTO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. Resolução nO conhecido. 5 ISTO POSTO, voto no sentido de CONVERTER o julgame junto à repartição de origem, seja esclarecida a circunstância apontada, Através da Folha de Continuação n° 01 do Auto de Infração (fls. 96), a fiscalização imputou à recorrente, a prática da seguinte infração fiscal: Constatou-se uma omissão de receitas, caracterizada pela omissão de vendas, nos montantes abaixo relacionados, considerando que as vendas não têm o respaldo das entradas destas mesmas mercadorias em sua contabilidade. Aparentemente, a descrição dos fatos não guarda sintonia com o que consta dos Demonstrativos de Fluxo de Mercadoria (fls. 98/124) elaborado pela fiscalização, onde ora a omissão de receitas se dá pela indicação de vendas sem nota e outras vezes a omissão de receita indica compras sem nota. Esta circunstância levou a recorrente a pleitear a nulidade do auto de infração, por cerceamento ao direito de defesa, porquanto a imputação nos moldes apresentados tomou confusa a acusação, mesmo porque, segundo ela, a fiscalização, em nenhum momento, pediu-lhe esclarecimentos acerca dos seus registros. Outrossim, os levantamentos efetuados levaram em conta os dados obtidos junto ao Livro Registro de Inventário, acostado aos autos, e as entradas e saídas registradas através de notas fiscais nos respectivos períodos, sem que fosse elaborado qualquer demonstrativo quanto a essas entradas e saídas (fls. 98/124), mas apenas simples resumos. Com a impugnação, a recorrente trouxe os mapas de fls. 160/175, com a finalidade de demonstrar a inconsistência dos levantamentos realizados pela fiscalização, de modo especial em face da saída de mercadorias para fins de demonstração e o seu ingresso por devolução. O pleito da recorrente para converter o julgamento em diligências foi rejeitado pela Turma Julgadora, ante o argumento de que ela poderia ter apresentado os elementos de prova juntamente com a impugnação, o que não ocorreu. É cediço que o processo administrativo fiscal consagra o princípio da verdade material, com o que, é imperioso verificar se a fiscalização, ao elaborar os demonstrativos com a movimentação dos estoques, levou em conta as saídas de mercadorias para demonstração e eventuais devoluções, consoante mencionado pela recorrente. I;'.-.,,. !" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA '."! Processo n°. Resolução nO 10768.032500/97 -06 105-1.275 dass:::~o de setembro de20Y Elaborado o relatório da diligência fiscal, seja a recorrente cientificada do mesmo, abrindo-se prazo razoável para, querendo, manifestar-se sobre o mesmo. levou em conta, na elaboração dos demonstrativos de estoque, as remessas para demonstração e suas devoluções. , i 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
