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Numero do processo: 19515.000088/2002-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
IRRF. RETENÇÃO NA FONTE INFORMADA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte informada em Declaração de Ajuste Anual, deve ser mantida a glosa da compensação efetuada a esse título.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1994 IRRF. RETENÇÃO NA FONTE INFORMADA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte informada em Declaração de Ajuste Anual, deve ser mantida a glosa da compensação efetuada a esse título. Recurso Voluntário Negado.
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RETENÇÃO NA FONTE INFORMADA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte informada em Declaração de Ajuste Anual, deve ser mantida a glosa da compensação efetuada a esse título. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 88 /2 00 2- 68 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) – DRJ/FOR, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) reduzindo o saldo de imposto a restituir de 4.796,77 para 0,01 Ufir relativamente ao anocalendário 1993, face à ausência de comprovação da retenção na fonte compensada na declaração (fls. 22/25). Em sede impugnação, o contribuinte alegou, em resumo, que: foi funcionário da empresa Sabrico S/A de 1993 a 1989, tendo sido dispensado em 1999 pela empresa, quando ingressou com a ação trabalhista nº 1.529/89 na 49ª Vara do Trabalho de São Paulo, a qual restou procedente, devendo aquela empregadora pagar lhe uma indenização no valor de CR$ 1.561.043,99; desse valor, pago em outubro de 1993, foi retido na fonte o valor de CR$ 364.075,50 como imposto de renda; é funcionário da Prefeitura de São Paulo desde 1992 e apenas preencheu errado a declaração; solicitou o desarquivamento dos autos judiciais, mas houve incineração desses dado o tempo decorrido, havendo sido expedida certidão que atesta a existência da ação. A instância de primeiro grau manteve o lançamento, sob o entendimento de que nenhum dos documentos juntados à impugnação comprovam a indigitada retenção declarada na DIRPF/1994. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/12/2008, afirmando que: No ano de 1994, foi elaborada a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, sendo que o contribuinte teve um saldo a restituir no valor de 4.796,77 Ufir, este não foi restituído pois não foi encontrado a retenção deste imposto que deveria ser feita pela empresa SABRICA S/A (doc 01). A empresa foi notificada para apresentar a declaração DIRF (Declaração de Imposto Retido na Fonte) do ano de 1993, em resposta, a empresa SABRICO S/A, informou que na DIRF/1993, não constava o sr. ADIEGONAL PEREIRA DA SILVA, uma vez que este fora desligado da empresa em 1989. Prossegue, alegando que tendo ocorrido a retenção em 1993, deveria ter a empresa efetuado o recolhimento na fonte e feito a Dirf, sendo ela responsável pelo tributo. Pede ao final, seja efetuada a revisão do processo. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.000088/200268 Acórdão n.º 2402004.714 S2C4T2 Fl. 75 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante já observado pelo aresto contestado, nenhum dos documentos acostados aos autos permite atestar que tenha ocorrido a aventada retenção no montante de 4.796,77 Ufir em outubro de 1993, a saber (fls. 6/7, 10/11 e 33/51): cópia de parte da Carteira de trabalho e cópia de planilhas sobre os valores reclamados mediante o processo judicial nº 1526/89; cópia do requerimento ao Juiz Presidente da 49ª Junta de Conciliação e Julgamento de São Paulo para expedição de Guia de Retirada no processo nº 1526/89; certidão emitida por esse órgão judicial atestando a existência da ação, julgada procedente em parte; e cópia da Rescisão de Contrato de Trabalho e da ficha de registro do contribuinte na empresa Sabrico S/A. De sua parte, essa empregadora, quando intimada pela unidade fazendária, asseverou que na Dirf do anocalendário 1993 o contribuinte não consta como beneficiário, por ter sido desligado da empresa (fl. 9). Vejase, portanto, que não há prova de que a fonte pagadora tenha realizado, sob o regime dos arts. 128 do CTN, e 7º e/ou 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, as retenções por ele informadas em sua DIRPF (fl. 4). Cumpre esclarecer que eventual falta de recolhimento ou de retenção por parte da fonte pagadora está sujeita a sanções específicas dispostas no ordenamento, forte no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, não eximindo, todavia, o contribuinte de cumprir as suas obrigações tributárias, tal como a de comprovar as retenções de imposto de renda a que se refere. Destarte, não havendo sido demonstrada nos autos a realização da retenção informada pelo recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 1993, não merece prosperar sua irresignação. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Ante o exposto, concluo o voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002257/2001-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO.
É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543-C do CPC.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS.
Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-002.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Pereira da Silva, OAB/SP nº 314200.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543-C do CPC. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Pereira da Silva, OAB/SP nº 314200. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543C do CPC. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 22 57 /2 00 1- 81 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Pereira da Silva, OAB/SP nº 314200. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "O estabelecimento acima identificado requereu ressarcimento do crédito de IPI, com base na Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n°38/97, relativo ao crédito presumido do ano de 2001, no montante de R$ 2.261.777,42 a ser aproveitado parcialmente nas compensações pleiteadas As fls. 24. O pedido foi deferido parcialmente em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 1.381.787,00 (Glosa de R$ 879.990,42). Com base no termo de informação fiscal e na decisão administrativa as glosas foram efetuadas pelos motivos que, em resumo, passo a relatar: 1. Não observância da cumulatividade dos valores incluídos na apuração do crédito presumido ao longo do anocalendário, uma vez que o incentivo é arival e,cumulativo; 2. apuração dos custos e da receita operacional bruta somente dos estabelecimentos produtores e exportadores em desacordo com a centralização na matriz; 3. exclusão da receita de exportação dos valores referentes a produtos adquiridos para revenda e, portanto, que não são de produção da empresa, 4. exclusão, na receita de exportação, das exportações de revenda de mercadorias, ou seja, de mercadorias que não foram industrializada pela empresa. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 593 3 Em razão do deferimento parcial do pedido, a autoridade da Delegacia da Receita Federal homologou parcialmente a compensação, até o valor do crédito deferido. Discordando do indeferimento parcial de seu pleito, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o que segue: Reconhece o erro formal havido na apuração do beneficio fiscal quanto aos valores acumulados; A exclusão das receitas de exportação do montante dos valores exportados referente A revenda de mercadorias e a não exclusão deste mesmo valor da receita operacional bruta equivale ao uso de dois pesos e duas medidas gerando uma absurda distorção na apuração do beneficio fiscal; Nos termos no inciso II, § 15, artigo 3 0 da Portaria MF 38/97 a receita de exportação abrange o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais independentemente da condição do produto exportado; • Solicita a aplicação da taxa selic, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, em conformidade com a Lei n° 9.250, de 1995." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: .01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. 0 valor decorrente da venda de produtos adquiridos de terceiros não integra a receita de exportação, por não se referir a produto industrializado pela empresa mas, integra a receita operacional bruta, já que esta representa o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Incabível a concessão do crédito presumido acrescido de juros de mora pela taxa SELIC. Solicitação Indeferida.” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário, repisando as alegações e os pedidos constantes da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Fl. 595DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide gira em torno da possibilidade da correção dos créditos utilizando a taxa SELIC e a possibilidade de inclusão na receita de exportação, da revenda de mercadorias, ou seja, de mercadorias que não foram industrializada pela empresa Receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros Alega a Recorrente a procedência da inclusão na receita de exportação das mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. A matéria foi enfrentada pela Câmara Superior deste Conselho no Acórdão nº 900301.606, na sessão do dia 30/08/2011, de relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, quando foi decidido pela procedência da inclusão na receita de exportação das vendas para o exterior, de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros, por concordar plenamente com os argumentos condutores desta decisão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele também minhas razões de decidir. “No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: "Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador." Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de Fl. 596DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 594 5 matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: "Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem." Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estar seia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Aquisições de pessoas físicas e correção dos créditos pela taxa Selic A matéria já foi enfrentada pelo STJ no REsp 993164, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, quando foi decidido pela ilegalidade da IN 23/97 e a possibilidade da correção dos créditos a partir do protocolo do pedido. Transcrevo abaixo a ementa da decisão. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS.LEI Fl. 597DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal.(grifo nosso) 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase Fl. 598DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 595 7 inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; Resp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI ,posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).(grifo nosso) 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 3201002.029 S3C2T1 Fl. 596 9 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial da Empresa e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques,Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Notas julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ.” O art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 determina a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC, verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, atendendo a determinação do Regimento Interno do CARF adoto o entendimento prolatado no REsp 993164, no sentido da procedência da correção dos créditos pela taxa Selic, a partir do protocolo do pedido. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Winderley Morais Pereira Fl. 602DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 15983.720334/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Exonera-se do lançamento tributário baseado em depósitos bancários, os valores para os quais o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea comprobatória de que seriam de terceiros em decorrência de ação trabalhista.
MULTA ISOLADA. São incompatíveis o lançamento de multa de ofício concomitante com o de multa isolada, pois ambas as penalidades referem-se ao mesmo fato gerador e são calculados sobre a mesma base de cálculo.
SIGILO BANCÁRIO. Com base no art. 6o. da LC 105/2001, a autoridade fiscal pode requisitar, justificadamente, informações de movimentação bancária de contribuinte sob procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares e em dar provimento parcial ao recurso para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por referir-se a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnê-leão.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa E Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares e em dar provimento parcial ao recurso para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por referir-se a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnê-leão. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa E Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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Exonerase do lançamento tributário baseado em depósitos bancários, os valores para os quais o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea comprobatória de que seriam de terceiros em decorrência de ação trabalhista. MULTA ISOLADA. São incompatíveis o lançamento de multa de ofício concomitante com o de multa isolada, pois ambas as penalidades referemse ao mesmo fato gerador e são calculados sobre a mesma base de cálculo. SIGILO BANCÁRIO. Com base no art. 6o. da LC 105/2001, a autoridade fiscal pode requisitar, justificadamente, informações de movimentação bancária de contribuinte sob procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 34 /2 01 1- 15 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares e em dar provimento parcial ao recurso para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por referirse a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnêleão. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa E Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 15/07/2013 pelo contribuinte em face do Acórdão 1647.069 20ª Turma da DRJ/SP1 que considerou parcialmente procedente a impugnação ao lançamento tributário deste processo. O contribuinte teve ciência do Acórdão recorrido em 17/06/2013. A decisão recorrida está assim ementada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não havendo o impugnante apresentado argumentos capazes de descaracterizar a omissão de rendimentos advindos de pessoas jurídicas, deve ser mantido o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Apurada a omissão de rendimentos advindos de pessoas físicas e não havendo o impugnante apresentado argumentos capazes descaracterizála, deve ser mantido o lançamento correspondente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ LEÃO. Cabível a aplicação da multa isolada nos casos em que há a obrigatoriedade do recolhimento mensal do imposto, conforme dispõe o artigo 44 e § 1º, III, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original e artigo 44, II, a, da mesma Lei, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude. Desta forma, se a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada. Não se justifica a qualificação da multa, quando Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 não comprovado nos autos o evidente intuito de fraude e materialização do ilícito. O lançamento fiscal (AI às efls. 704718) decorreu das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas 2. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas físicas (sujeitos a carnêleão) 3. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada 4. Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão Em suma, alega o que segue como razões de recorrer: 1. Nulidade da ação fiscal por quebra do sigilo bancário. A matéria foi reconhecida de repercussão geral no RE 601.314. 2. Houve confusão nas informações prestadas pela gerência do Banco do Brasil S.A. Num primeiro momento informou que não havia movimentação em nome do recorrente no banco Nossa Caixa S.A. (do Banco do Brasil) e, posteriormente a movimentação confirmou com os extratos. 3. Argumenta que os documentos de fls. 978, 983, 1039 e 1133, vistos conjuntamente dariam a dimensão exata do ocorrido na realização da transferência no dia 21/08/2007, no valor de R$ 761.635,29 para a agência do banco Itaú S/A. 4. A conta de poupança junto à Caixa Econômica Federal (fls. 978 e 1115), no valor de R$ 695.197,79 visou atender aos reclamantes que não foram identificados naquela data e que seriam pagos posteriormente, à medida que fossem localizados, ou seus herdeiros. O extrato da conta de poupança à fl. 981 mostraria o esgotamento dos pagamentos aos reclamantes na ação trabalhista. Os valores depositados nessa conta em 21/08/2007 referemse aos recursos da ação trabalhista e que deveriam ser excluídos da tributação do contribuinte, pois pertencem a terceiros. 5. Não foi excluído do lançamento a transferência do dia 17/07/2007, no valor de R$ 22.119,01, crédito junto ao Banco Itaú, oriundo de TED 151.000 Luiz Gonçag, conforme consta na fls. 70. Teria incorrido em erro ao explicar que o banco código 151 era o banco Nossa Caixa, incorporado pelo Banco do Brasil S.A. Esse valor deve ser excluído do lançamento. 6. Comprovados os valores do item 3, 4 e 5, os créditos passíveis de lançamento restantes seriam de R$ 180.816,91. 7. No caso de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas foi relacionado no auto de infração os valores recebidos de clientes do escritório de advocacia que são beneficiários da ação trabalhista que gerou o levantamento de numerário em 21/08/2007. Afirma que os nomes mencionados pela autoridade fiscal à folha 698 (beneficiários da ação trabalhista e o percentual a que fizeram jus e o valor efetivamente transferido para as respectivas contas bancárias) estão relacionados na tabela que apresentou na fl. 11 do recurso voluntário. Entende que, da forma como foi feito o lançamento tributário, a mesma matéria sofreu tributação de ofício na forma dos rendimentos omitidos pela pessoa física, e na forma dos depósitos bancários de origem não comprovada. Neste caso deveria ser exonerado o total de R$ 470.651,75. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 4 5 8. Não houve verificação da variação patrimonial do contribuinte e ademais, o patrimônio é inexpressivo em face do que foi exigido pela tributação. Desta forma, entende que não se beneficiou da matéria tributável que lhe foi atribuída no valor de R$ 2.158.130,85. 9. Com relação aos rendimentos declarados, não estariam submetidos à legislação do carnêleão. A base de cálculo para a aplicação da multa isolada de 50% foi constituída pelas duas espécies de rendimentos. Cita jurisprudência deste Conselho na qual ficou reconhecida a improcedência da tributação dos rendimentos omitidos recebidos de pessoas físicas, sujeitos à multa de ofício de 75%, se subordinariam também à multa isolada de 50%. Apresenta tabela em que deveriam ser exonerados do lançamento tributário de multa isolada multa 50% do Carnê Leão o valor de R$ 64.714,62, por terem sido já submetidos à multa de 75%. 10. Reconhece o lançamento relativo a recebimentos do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas de Cubatão e Região SinterCub e Sindicato dos Servidores Públicos de São Vicente, no valor de R$ 27.710,00. Informa que já estaria recolhendo os valores incontroversos. 11. Com a manutenção da redução da multa qualificada para 75%, teria ficado descaracterizada a sonegação e, portanto, solicita o arquivamento da Representação Fiscal para Fins Penais n. 15983.720327/201168. É o relatório. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. O contribuinte questiona a quebra do sigilo fiscal. Contudo, a busca de informações confiáveis passíveis de análise pela autoridade tributária considera, de forma legal, a utilização da movimentação bancária, conforme art. 6 da Lei Complementar 105/2001. O assunto encontrase em análise na máxima corte do País, em sede de Repercussão Geral, no processo RE 601314. Contudo, ainda não existe decisão transitada em julgado e, portanto, há que se obedecer os ditames legais vigentes relativamente ao assunto, que considera legal a utilização de tais dados pela autoridade fiscal. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O recorrente alega que o valor de R$ 22.119,01 teria sido originado de uma transferência eletrônica feita pelo mesmo, de outro banco. A indicação do recorrente não foi precisa e, mesmo analisando os extratos bancários acostados ao processo, não foi possível identificar de qual conta bancária teria sido originada tal transferência e, portanto, não se pode exonerar o crédito. O valor foi devidamente relacionado para justificativas no termo à efl. 70 e a justificativa da origem deveria ser mais concisa. Observo ainda que tal fato não fora objeto de impugnação específica e por este motivo, a matéria estaria preclusa. A seguir os dados da transferência bancária sob análise e cuja explicação do recorrente não fora comprovada. Grande parte do lançamento relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada referese aos depósitos efetuados no mês agosto/2007, no valor de R$ 1.475.350,89. O recorrente alega que esses depósitos seriam originários da ação judicial 663/87 e estão analisados nos itens seguintes. Conta de poupança junto à Caixa Econômica Federal (fls. 978 e 1115), no valor de R$ 695.197,79. Conforme a defesa, o extrato da conta de poupança à fl. 981 mostraria o esgotamento dos pagamentos aos reclamantes na ação trabalhista. Os valores depositados Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 5 7 nessa conta em 21/08/2007 referemse aos recursos da ação trabalhista e deveriam ser excluídos da tributação do contribuinte, pois pertencem a terceiros. O ofício n. 214/2011/PAB JUSTIÇA TRABALHO SANTOS/SP, efl. 1111, anexado à impugnação informa, no item 3, que o valor de R$ 695.197,79 depositado na conta 2875.013.7493 com o histórico "DEP.DINH.", em 21/08/2007, teve origem no levantamento do saldo da conta judicial 2875.042.15168939. Ação SABESP processo 663/87 Termo de Audiência à efl. 969 e seguintes. Conforme documento à efl. 959, os valores da ação da SABESP estão atrelados à conta judicial 042/015168939. O valor está relacionado no Termo de Verificação Fiscal. O comprovante de depósito à efl. 1120, no valor de R$ 695.197,79 contém informação de que teria sido depositado valor "em dinheiro", pelo próprio recorrente. A efl. 981 contém o demonstrativo do destino do valor, que, teria sido para pagamento de beneficiários da ação judicial. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Analisando o extrato da conta acima em comparação com o documento à efl. 1006, o pagamento feito à Humberto Barbosa, no dia 27/08/2007, no valor de R$ 31.844,62 e com custo de transferência de R$ 14,00. Exatamente o que consta no extrato acima. Similarmente o depósito relativo ao dia 23/08/2007, no valor de R$ 88.798,60, efl.1067. Documento de depósito à efl. 1068, no valor de R$ 81.754,89. valor comprovação 88.798,60 comprovado efl.. 1067 transferência para Jefferson Dias De Andrade 61.681,26 comprovado efl. 1059 transferência para Clemente Rosa de Jesus 31.844,62 comprovado efl. 1066 transferência para Humberto Barbosa 93.846,90 comprovado efl. 1060 transferência para Antonio Vicente dos Santos 81.754,89 comprovado efl. 1068 transferência para Silas Barreto Dias 30.000,00 não encontrei qualquer recibo 67.852,19 comprovado efl. 1061 transferência Jildete Santos viúva de Ednaldo dos Santos 425.778,46 total comprovado Ao total considerado comprovado, devese ainda incluir as despesas com as respectivas transferências, que, no total, importam em R$ 1.646,01 (R$ 571,81+R$14,00 + R$788,37+ R$14,00 + R$ 257,83). Desta forma, entendo que devem ser exonerados do lançamento tributário R$ 427.424,47 referente ao lançamento feito no mês agosto/2007. O recorrente argumenta que os documentos de fls. 978, 983, 1039 e 1133, vistos conjuntamente dariam a dimensão exata do ocorrido na realização da transferência no dia 21/08/2007, no valor de R$ 761.635,29 para a agência do banco Itaú S/A. Foram anexados ao ofício (efl. 1113) comprovante de TED no valor de R$ 761.635,28 para a conta 024359 no Banco Itaú, ag. 3746, no dia 21/08/2007. O documento contém informação de que a finalidade da transferência é "00033 Levantamento Depósito Judicial", que teria sido remetido pela ag. 2875 SP conta 2875/042/15168939. Assim, não há dúvidas de que esse valor teria sido proveniente da conta judicial da ação da SABESP. Contudo, no extrato da conta para o ano 2007, não foi possível identificar quais dos débitos seriam relativos à pagamento referente à ação judicial da SABESP. Na verdade, o extrato dessa conta se parece com a movimentação de uma conta corrente normal, com diferentes valores, tipos de saques, e depósitos. O recorrente alega que o documento à efl. 1039 juntamente com outros poderia esclarecer o ocorrido. Tal documento referese a uma ordem que teria passado a sra. Rosângela, Gerente da Caixa Econômica Federal relativamente à destinação de valores recebidos: a) do total a ser dividido separar 12% para ele próprio a título de honorários, b) dos 12%, depositar R$100.000,00 na conta corrente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas, e c) o que restar deve ser transferido para a conta do contribuinte no banco Itaú, ag. 3746.1, cc 024359. A tabela a seguir (efl. 983) referese a algumas das retiradas de valores da conta bancária. O extrato completo dessa conta no Banco Itaú está às efl. 5065. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 6 9 Observo que as retiradas são de pequeno valor, exceto dois dos valores R$ 50.000,00 29/08/2007 cheque 00616; R$ 8.300,00, dia 03/09/2007, cheque 163; e cheque 619 no valor de R$ 3.000,00 em 28/08/2007. Desta forma, não foi possível verificar no extrato bancário da conta, anexado aos autos, os valores que teriam sido utilizados para pagamentos à beneficiários da ação 663/87. No caso do item 7 do Relatório acima, omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, a autoridade fiscal relacionou no auto Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 de infração os valores recebidos de clientes do escritório de advocacia que são beneficiários da ação trabalhista que gerou o levantamento de numerário em 21/08/2007. Alguns dos nomes mencionados realmente referemse aos beneficiários da ação trabalhista 663/87, que receberam os direitos diretamente da conta do contribuinte em decorrência deste ter transferido R$ 695.197,79 para a conta particular. Nesse caso, os valores comprovadamente transferidos aos beneficiários da ação (R$ 427.424,47) estão sendo exonerados do lançamento tributário. Convém salientar que, conforme o entendimento sumulado deste Conselho (a seguir transcrito) o lançamento tributário decorrente de depósitos bancários com origem não justificada ou recebimentos não declarados não dependem da comprovação, pelo fisco, do consumo da renda ou de variação patrimonial positiva. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a seguir transcrito, a aplicação de multa isolada sobre o não recolhimento de IRPF devido a título de carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre a mesma base de cálculo. RECURSO ESPECIAL Nº 1.496.354 PR (2014/02967297) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : LIN WING HO ADVOGADO : ALEXANDRE MAURIOS KUHN EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata ". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 2401004.052 S2C4T1 Fl. 7 11 No mesmo sentido, também a seguinte decisão deste Conselho: Acórdão nº 9202003.552 – 2ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. Desta forma, entendo que deve ser exonerado do lançamento o valor relativo à multa isolada aplicada pelo não recolhimento do carnêleão. O fato da autoridade fiscal ter elaborado Representação Fiscal para Fins Penais não necessariamente decorre da qualificação da multa de ofício. Mais ainda, este Conselho não tem competência para analisar Representação Fiscal para Fins Penais. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e por dar provimento parcial ao recurso para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por referirse a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnê leão. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10380.011870/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
FINOR. INCENTIVO FISCAL. PRAZO E REQUISITOS.
A opção para usufruto do incentivo apresentada intempestivamente não produz efeitos jurídicos, razão pela qual deve ser indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC.
Numero da decisão: 1201-001.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 FINOR. INCENTIVO FISCAL. PRAZO E REQUISITOS. A opção para usufruto do incentivo apresentada intempestivamente não produz efeitos jurídicos, razão pela qual deve ser indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 FINOR. INCENTIVO FISCAL. PRAZO E REQUISITOS. A opção para usufruto do incentivo apresentada intempestivamente não produz efeitos jurídicos, razão pela qual deve ser indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 18 70 /2 00 3- 91 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 2001, que foi indeferido pela autoridade fiscal da Delegacia de Fortaleza, mediante Despacho Decisório de fls. 80. Conforme documento de fls. 58, foi emitido o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais IRPJ/2001, relativo à interessada, que alterou o valor aplicado a título de incentivo, posto que considerada sem efeito a opção exercida na DIPJ, que foi entregue depois do prazo legal, 02 de maio de 2001. Com efeito, o documento de fls. 63 atesta que houve redução do valor devido ao recolhimento incompleto do imposto, considerado sem efeito o DARF posterior a 02 de maio de 2001. Em 26 de novembro de 2003, a interessada ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, dirigido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE. O pleito, como visto, foi indeferido sob o fundamento de que a data limite para as pessoas jurídicas não enquadradas nas condições previstas no art. 9o, da Lei n. 8.167/91 usufruir do aludido benefício fiscal finalizou em 02 de maio de 2001, ao passo que a DIPJ do período foi entregue somente em 29 de junho daquele ano. Assim, não houve o recolhimento do incentivo por meio de DARF, conforme demonstrado às fls. 72/73. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 10 de março de 2005, a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido, com base nos seguintes argumentos: INSUBSISTÊNCIA DO INDEFERIMENTO Quanto às alterações trazidas pelas Medidas Provisórias n° 2.145, de 02/05/2001, 2.1565, de 24/08/2001 e 2.199, de 24/08/2001, que revogou de forma expressa a legislação que disciplina o gozo dos incentivos fiscais, verificase que tal revogação não alcança os benefícios aqui tratados. Com efeito, temse que os incentivos fiscais ora buscados, estão vinculados à regra descrita no art. 32, inciso XVIII, da Medida Provisória n° 2.1565/2001, que ressalvou o direito para as pessoas que atendessem os requisitos estabelecidos, in verbis: Art. 32. Ficam revogados: (...) XVIII o art. 18 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9o da Lei n. 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tendam exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 4 3 Em sessão de 24 de novembro de 2005, a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Fortaleza decidiu, por unanimidade de votos, indeferir o pleito da interessada. Contra a decisão foi interposto Recurso Voluntário, no qual a interessada repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Em 29 de março de 2007, a antiga 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou a Resolução n. 10800.429, com relatoria do Conselheiro Nelson Lósso Filho, pela qual decidiuse converter o julgamento em diligência, ante o argumento de que não era possível averiguar se o Recurso Voluntário fora interposto dentro do prazo legal. Após errôneo envio ao arquivo, a Delegacia de Fortaleza, em resposta à diligência formulada, informou: O presente processo foi devolvido a este Seort/DRF/FOR para que fosse informado a data de ciência pela contribuinte do Acórdão da DRJ/FOR recorrido. Informamos que, conforme lista de postagem de fls. 127, foi enviado o Acórdão para ciência ao contribuinte em 12/01/2006, no entanto, não nos foi devolvido o AR pelos correios. Desta forma, proponho o retorno do presente processo ao CARF/MF. Os autos retornaram a este Conselho e, depois de repassados a outros Conselheiros, foram finalmente sorteados para este Relator. Em março de 2015 a empresa anexou novas informações e documentos, que são recebidos a título de memoriais. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator A primeira matéria que se coloca diz respeito justamente à tempestividade do Recurso Voluntário, que foi questionada mediante Resolução deste Conselho, sendo certo que a resposta à diligência não pode ser tomada como conclusiva. Explicamos: embora a Delegacia de origem ateste, mediante despacho de fls. 142, que o processo foi encaminhado para ciência do contribuinte em 12 de janeiro de 2006, o documento que consta dos autos (fls. 127) não nos permite concluir, sem margem para dúvidas, qual seria a data em que o interessado efetivamente tomou ciência da decisão de 1a instância. Como a autoridade fiscal informa que não foi devolvido o correspondente AR entendo, em homenagem ao princípio da razoabilidade e das garantias ao contraditório e à Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 5 4 ampla defesa, que o Recurso deve ser recebido como tempestivo, até porque assim foi originalmente encaminhado a este Conselho. Resolvida esta questão preliminar, passamos à análise do mérito. Como visto, a Recorrente ingressou em 26 de novembro de 2003 com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, dirigido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, que indeferiu a pretensão sob o argumento de que o prazo para usufruto do benefício havia expirado. A matriz legal da decisão foi assim descrita: Com relação à ocorrência, impende citar o art. 50 da Medida Provisória (MP) n° 2.145, de 2 de maio de 2001, a Lei n° 8.167/1991, a Medida Provisória (MP) 2.1565, de 24 de agosto de 2001 e a Medida Provisória 2.199, de 24 de agosto de 2001, que dispõem sobre o assunto o seguinte: MP n° 2.145/2001 Art. 50. Ficam revogados: (...) XVIII o inciso I do art. 1o da Lei n. 8.167, de 16 de abril de 1991; XX o art. 18 da Lei n. 4.239, de 27 de junho de 1963, e a alínea "b" do art. 1° do DecretoLei n. 756, de 11 de agosto de 1989, ressalvado o direito previsto no art. 9o da Lei n. 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Lei n. 8.167/1991 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao períodobase de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo (Funres) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V); Art. 9o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham peio menos cinqüenta e um por cento do capital votante de empreendimento de setor da economia considerado, peio Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1°, inciso I. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 6 5 MP n. 2.199/2001 Art. 18. Revogase o art. 4o da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, ressalvado o disposto nos arts. 32, inciso XVIII, da Medida Provisória n. 2.1565 e 32, inciso IV, da Medida Provisória n. 2.1575, ambas de 24 de agosto de 2001. MP n. 2.1565/2001 Art. 32. Ficam revogados: (...) XVIII o art. 18 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9o da Lei n. 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Verificase que o benefício fiscal outrora concedido também era regulado pelo artigo 4o da Lei n. 9.532/97, posteriormente revogado pela Medida Provisória n. 2.199 14/2001. Assim, entendeu a autoridade de origem que a datalimite para usufruto do benefício seria 02 de maio de 2001, pois a MP n. 2.145/2001, publicada em 03 de maio, revogou expressamente a legislação que regia a matéria. Por seu turno, alega a Recorrente que não se enquadraria na hipótese citada pela autoridade fiscal, pois estaria amparada por situação excepcional (grupo de empresa com projeto aprovado e que destina 70% ou mais dos seus recursos em incentivos fiscais destinados ao desenvolvimento do Fundo de Investimento do Nordeste FINOR). Conquanto a interessada tenha apresentado documentos posteriormente, a título de memoriais, inclusive com decisão do STJ parcialmente favorável em Mandado de Segurança para outra empresa do Grupo (apenas para conceder a apreciação do Projeto), entendo que não lhe assiste razão. À luz dos documentos acostados aos autos penso que não está comprovada a relação de causa e efeito que vincularia a decisão mandamental em favor da holding do Grupo Queiroz Galvão e da empresa Esmalte S/A ao debate aqui travado, posto que são entidades totalmente distintas, notadamente quando à atividade, operação e objetivos. Pareceme que o entendimento jurídico esposado pela autoridade fiscal e posteriormente confirmado pela decisão de primeira instância está correto. Isso porque a interessada não fez, tempestivamente, a opção à época possível, pois entregou sua declaração de IRPJ em 29 de junho de 2001, depois do prazo previsto pela legislação. Ademais, a autoridade fiscal atesta que não houve recolhimento do incentivo mediante DARF, conforme extrato do SINAL, de fls. 72/73, circunstância não contestada pela empresa. Como também considero inaplicável, por falta de comprovação, a ressalva contida no artigo 32 da MP n. 2.1565/2001, a conclusão é que a Recorrente não faz jus à Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.011870/200391 Acórdão n.º 1201001.244 S1C2T1 Fl. 7 6 ordem de emissão adicional para o FINOR, razão pela qual mantenho integralmente a decisão recorrida. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10530.721002/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Numero da decisão: 2301-004.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
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RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 10 02 /2 01 4- 13 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0435.566, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Campo Grande (fls. 48 a 54 – numeração dos autos eletrônicos), o qual julgou improcedente impugnação contra lançamento de ofício de imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) do exercício 2011, anocalendário 2010, formalizado por notificação de lançamento (fls. 18 a 21), decorrente da revisão de declaração de ajuste anual (DAA), na qual foi apurado imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora, totalizando crédito tributário de R$14.102,56. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fl. 19), a autoridade fiscal informou, em suma, que, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras em declaração do imposto sobre a renda retido na fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$93.252,63, recebidos do Banco do Brasil S/A e da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). No resultado da solicitação de retificação de lançamento (SRL) (fl. 25), consta que houve o indeferimento do pleito, “restando não comprovados os valores informados pelo contribuinte”; em complemento, constou informação de que a legislação condiciona a isenção do IR à verificação cumulativa de três situações: (I) que o contribuinte seja portador de qualquer das doenças relacionadas na legislação; (II) que a comprovação desta condição se dê por laudo médico oficial; (III) que os rendimentos auferidos sejam da inatividade. Na impugnação (fl. 02), o interessado alegou, em síntese, que todos seus rendimentos são isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, e que o Banco do Brasil incluiu indevidamente nos rendimentos tributáveis seus proventos de aposentadoria, que deveriam ser informados como rendimentos isentos e não tributáveis. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e seu acórdão recebeu a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave especificada na legislação em vigor. Para o reconhecimento do direito à essa isenção, além da apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial que reconheça ser o contribuinte portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto e que indique expressamente a data em que essa foi contraída, há necessidade de comprovar que o rendimento auferido se refere a proventos de aposentadoria. A ciência dessa decisão ocorreu em 12/06/2014 (fl. 57). Em 11/07/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 58 a 71), no qual foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação, e foi pedido o cancelamento da notificação de lançamento e o reconhecimento da isenção por moléstia grave. O processo foi distribuído para este relator em 12/03/2015 (fl. 87). Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.721002/201413 Acórdão n.º 2301004.370 S2C3T1 Fl. 89 3 É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÕES DE MÉRITO ISENÇÃO DO PROVENTOS DE APOSENTADORIA DOS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE A lide gira em torno de se identificar se os rendimentos do recorrente seriam isentos ou não, por se tratarem de proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave. A matéria é regulada pelo o art. 6º, XIV e XXI da Lei 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541, de 1992 e alterações da Lei 11.052, de 2004: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Grifouse.) A partir do anocalendário 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições do art. 30 da Lei 9.250, de 1995: Art. 30 A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. (Grifouse.) O assunto foi regulamentado pelos incisos XXXI e XXXIII do art. 39 do Decreto 3000, de 1999 (RIR/1999), e §§ 4º e 5º, a seguir transcritos: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo,exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão; (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (Grifouse.) Assim, verificase que a legislação, a partir de 1996, condiciona a isenção em apreço ao cumprimento cumulativo de três requisitos: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.721002/201413 Acórdão n.º 2301004.370 S2C3T1 Fl. 90 5 (1) que o contribuinte seja portador de alguma das doenças especificadas no art. 6º, XIV, da Lei 7.713, de 1988; (2) que a comprovação dessa condição se dê por laudo médico emitido por serviço médico oficial dos entes federativos (art. 30 da Lei 9.250, de 1995); e (3) que os proventos auferidos advenham da inatividade (aposentadoria, reforma ou pensão) (art. 6º, XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988). Nesse sentido, a Súmula CARF 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em apreço, o contribuinte apresentou laudo médico expedido pela Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras/BA, datado de 17/01/2014 (fl. 05). Está atendido o requisito correspondente à formalidade do laudo. Tal laudo descreve ser o contribuinte portador do seguinte quadro clínico: (a) “cardiopatia isquêmica grave CID 10125.1”; (b) “infarto agudo do miocárdio 24 de novembro de 2001” e (c) “angioplastia em 04/12/2001”. A presença de doença especificada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713, de 1988, a “cardiopatia grave” é atestada literalmente: “cardiopatia isquêmica grave”. A data de sua manifestação maior – o infarto agudo do miocárdio – também está expressa: 24/11/2001. Resta cumprido, assim, o requisito correspondente à presença de moléstia grave passível de outorgar a isenção requerida, bem como está definido o termo de início de sua manifestação. Resta estabelecer a origem dos rendimentos. Desses, somente serão isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, sendo tributados os outros. Não há quaisquer dúvidas que o contribuinte foi aposentado pelo INSS em 09/04/2007 (carta de concessão de aposentadoria concedida pelo INSS, fl. 07); não foi esclarecido, porém, se a referida aposentadoria se refere ou não à atividade exercida junto ao Banco do Brasil; ressaltese que a concessão da aposentadoria pelo INSS não impede, em tese, a continuidade da prestação de trabalho ao Banco do Brasil, uma vem que a aposentadoria pode ter sido concedida em relação a outra atividade. O próprio contribuinte afirma e reafirma, em seu recurso voluntário, que a origem dos recursos recebidos do Banco do Brasil é a prestação de salário assalariado (fls. 63, 2º parágrafo e 7071, itens 13 e 14). Segundo o recorrente, os proventos de aposentadoria se referem ao montante recebido da Caixa de Previdência dos Funcionários do Branco do Brasil (fls. 63, 1º parágrafo e 7071, item 14): Desse modo, entendo que deve ser adotada a seguinte solução: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 (1) em relação ao trabalho assalariado junto ao Banco do Brasil – não há isenção em relação a tais rendimentos, uma vez que não são rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão (art. 6º, XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988), pelo que está correta a glosa dos rendimentos tributáveis, no montante de R$65.987,91 auferidos do Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/000191; (2) atinente aos rendimentos pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Branco do Brasil (Previ), entendo ter restado comprovado serem proventos de aposentadoria a que se refere a carta de concessão de aposentadoria emitida pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) (fl. 07); em relação a tais rendimentos, estão cumpridos os requisitos para a isenção requerida. A data da aposentadoria, 09/04/2007, é comprovada pela referida carta de concessão de aposentadoria (fl. 07); os rendimentos da inatividade lhe são repassados pela Previ, como demonstra o documento pelo qual a Caixa de Assistência do Banco do Brasil (Cassi) informa que encaminha para a Previ, “em resposta a sua requisição de isenção de Imposto de Renda”, “a confirmação do enquadramento de sua patologia dentre aquelas previstas no artigo 5º inciso XII da SRF nº 15 de 06 de fevereiro de 2001 e artigo 1º da Lei 11.052 de 29 de dezembro de 2004” (fl. 44). Desse modo, ficou comprovado que os valores recebidos pela Previ em 2010, R$27.264,72, são isentos do imposto sobre a renda, sendo irrelevante, para fins da isenção, que a fonte pagadora tenha indicado, em DIRF, tais rendimentos como tributáveis. Por fim, o contribuinte declara, sem apresentar documentos comprobatórios, que pagou saldo do IRPF, relativo ao exercício em questão (apurado na DAA/2011, retificada), no total de R$6.438,06 (fl. 60). Não há registro de tais pagamentos no demonstrativo de apuração do imposto devido da notificação de lançamento (fl. 20); sua existência deve ser verificada pela unidade preparadora e, caso comprovado o pagamento, deve compor o cálculo do imposto suplementar. Voto, portanto, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar do lançamento a base de cálculo do imposto o valor correspondente aos proventos de aposentadoria recebidos da Previ, CNPJ 33.754.482/000124, no montante de R$27.264,72. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720619/2010-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 19 /2 01 0- 83 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 160), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Cofins nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010, conforme AR juntado ao processo. Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise, pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720619/201083 Acórdão n.º 3802002.305 S3TE02 Fl. 162 3 pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 131 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 160), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2009. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 91 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 131 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720619/201083 Acórdão n.º 3802002.305 S3TE02 Fl. 163 5 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720619/201083 Acórdão n.º 3802002.305 S3TE02 Fl. 164 7 pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 12448.724712/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa:
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.
A falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração contábil, autoriza o arbitramento do lucro. No caso vertente, encontram-se reunidos aos autos elementos suficientes à comprovação de que a autoridade fiscal intimou a autuada, reiterada vezes, a apresentar a sua escrituração e documentação de suporte, de modo que, afastada a possibilidade de aferição do lucro real, o arbitramento do lucro revela-se absolutamente procedente.
Numero da decisão: 1301-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PROCEDÊNCIA. A falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração contábil, autoriza o arbitramento do lucro. No caso vertente, encontramse reunidos aos autos elementos suficientes à comprovação de que a autoridade fiscal intimou a autuada, reiterada vezes, a apresentar a sua escrituração e documentação de suporte, de modo que, afastada a possibilidade de aferição do lucro real, o arbitramento do lucro revelase absolutamente procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 47 12 /2 01 4- 51 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 388 2 Relatório MAXIMOS ALIMENTOS LTDA ME, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao ano calendário de 2010, formalizadas a partir do arbitramento do lucro. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal, fls. 192/227. Sirvome de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeira instância para apresentar os argumentos trazidos pela autuada em sede de impugnação. [...] Ciente em 5 de junho de 2014, (fl. 139), a interessada apresentou, em 18 de junho de 2014, sua impugnação de fls. 192 a 227, fazendo referência expressa ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.08.002013007586 e alegando, em resumo, o que segue. Data venia, inverossímil a afirmação da ilustre fiscal firmada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, pois além dos registros eletrônicos também foram apresentados os livros físicos o que por si só, daria para a fiscal determinar o Lucro da Empresa trimestral e anual, sendo discipiendo (sic) a afirmação de que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável. Data máxima permissa vênia, mas de onde a fiscal tirou isto? No Termo de Verificação Fiscal o próprio agente do fisco informa que o ECD do anocalendário de 2010 encontravase com situação "sobexigência" obviamente por si só isto justifica que toda a escrita contábil e fiscal do contribuinte foi transmitida no tempo determinado pela legislação vigente. Informa ainda a fiscal que o contribuinte disponibilizou conforme carta em anexo a 4ª alteração contratual, LALUR e memória de cálculo da DIPJ do ano calendário de 2010, e anexo tela informando o motivo da exigência do SPED Contábil, onde Data vênia, se lê que a exigência e por problemas técnicos na JUCERJA Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, e não por culpa do contribuinte, que não pode ser prejudicado por motivo que não deu causa. [...] A página 03 do Termo de Verificação Fiscal o próprio agente fiscal informa que o contribuinte apresentou o Livro de Registro de Entradas, e os arquivos PDF Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 389 3 dos meses de Janeiro a dezembro de 2010 e ainda demonstrativo Movimentação de Estoques do Período de Janeiro a dezembro de 2010. Data vênia, tudo o que foi intimado, foi em tempo hábil apresentado ao fiscal conforme ele próprio reproduz no Termo de Verificação Fiscal, daí perguntase. Por que considerar imprestável para determinação do Lucro Real, a contabilidade da firma? Por capricho próprio da Fiscal? Por não querer perder tempo em analisar os dados apresentados? São perguntas que no esdrúxulo auto de infração não são respondidos, levando o autuado a ter o seu direito elementar da Ampla Defesa e do Contraditório consignado na nossa Constituição Federal ofendidos de forma brutal. Mais esdrúxulo ainda e o constante na Fls. 03 do Auto de Infração, onde diz: "Pela análise da ECD do anocalendário de 2010, das Nfe e Entradas, do Livro Registro de Entradas, e das respostas apresentadas, verificamos o que segue: saldo credor da conta caixa. Tal afirmação feita no auto de infração e que reproduzimos acima, constitui uma aberração, se não vejamos: A interessada faz diversas considerações sobre o tema “saldo credor de caixa” e prossegue: As fls. do Termo de Verificação Fiscal, alega a fiscal que os livros auxiliares não foram apresentados, tendo sido apresentado apenas o livro Registro de Inventário. Data vênia, mas isto não e verdade, pois o Termo de Devolução prova que todos os livros auxiliares, foram apresentados, o termo diz que foram devolvidos os seguintes livros (cópia em anexo do Termo de devolução dos livros) [...]. Exclama a impugnante: Data máxima permissa vênia, mas não age com lisura e com a verdade o ilustre fiscal autuante, pois diz em seu auto de infração que o contribuinte não apresentou os livros fiscais auxiliares [...]. Porque a falsa informação comprovada documentalmente no auto de infração, a que título isto foi feito? O que deseja a fiscal? Ainda as Fls. o fiscal afirma que o Ativo não confere com o total do Passivo, [...]. Volta a dissertar sobre a natureza da conta Caixa e sobre “contrato de Conta Garantida Cédula de Crédito Bancário”, e daí infere que seja “totalmente sem cabimento a afirmação e lógica do ilustre fiscal”. Afirma ser “absurdo flagrante [...] a afirmação as fls. de que não foi identificado recolhimento de PIS e COFINS não cumulativos”. Aduz que [...] o lucro só pode ser arbitrado na forma do art. 530, inciso I e II e este descumprimento não houve in casu, pois todos os livros auxiliares e principais foram escriturados na forma da Legislação vigente e apresentados à fiscalização como aqui ficou provado, não ensejando a desclassificação da escrituração e o arbitramento, devendo tal auto de infração ser CANCELADO. Manifesta seu inconformismo contra a quebra de sigilo bancário e maldiz o artigo 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, argumentando que Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 390 4 os procedimentos administrativos calcados neste dispositivo legal devam sobrestar até pronunciamento da Suprema Corte. Opõese à possibilidade da sujeição passiva solidária em matéria tributária. Assegura que houve afronta a preceito constitucional, por entender que a exigência haja sido formalizada em "Termo de Constatação Fiscal" e não em Auto de Infração, o que caracterizaria “abuso de autoridade” . Mais uma vez em tese, entende que seria inadequado oferecerse “representação para fins penais, antes do trânsito em julgado da matéria administrativa”, bem como se opõe à possibilidade de um contribuinte vir a ser intimado por edital publicado em Diário Oficial. A já referida 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0261.497, de 30 de outubro de 2014, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: APURAÇÃO O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa, se este for o caso. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 267/281, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 391 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao ano calendário de 2010, formalizadas a partir do arbitramento do lucro. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 128/138, temos que: i) por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal a contribuinte foi intimada a apresentar contrato social e alterações, livros contábeis e fiscais, balancetes mensais, memórias de cálculo relacionados à DIPJ/2011, DACON/2010 e a promover os ajustes necessários a afastar as exigências impeditivas da homologação dos arquivos digitais SPED e FCONT transmitidos por ela; ii) em razão da não apresentação da documentação e dos ajustes requeridos, foram lavrados outros quatro Termo de Intimação reiterando o pedido; iii) por meio do Termo de Intimação nº 5, a contribuinte foi alertada de que a falta de apresentação da escrituração devidamente validada e homologada, bem como da documentação comercial e fiscal de suporte, de modo a possibilitar a aferição do lucro real, poderia ensejar o arbitramento do lucro; iv) em resposta, a contribuinte solicitou concessão de prazo de trinta dias para apresentação dos documentos solicitados, sendo dado deferimento do prazo de quinze dias; v) diante do não atendimento por parte da contribuinte, novo Termo de Intimação foi lavrado (Termo de Intimação nº 6); vi) em resposta, a contribuinte solicitou, mais uma vez, prorrogação do prazo em trinta dias, sendo ele, novamente, deferido por quinze dias; vii) nova intimação foi lavrada, ocasião em que outros documentos foram solicitados (Termo de Intimação nº 7); viii) por meio de comparecimento de representante à repartição fiscal, a contribuinte informou que, em virtude de incongruências e equívocos na escrituração das suas operações, o SPED/ECD não foi homologado pela JUCERJA, mas que estaria providenciando as correções; ix) registra a autoridade fiscal: [...] Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 392 6 O sujeito passivo formalizou apenas uma resposta evasiva, limitandose a informar que estava providenciando junto à JUCERJA a regularização das pendências do SPED/ECD e também não entregou a documentação fiscal, apenas apresentando o contrato social com as suas posteriores alterações. Assim nenhuma resposta adicional foi apresentada pelo sujeito passivo que, ao assim proceder, deixou de apresentar: os documentos fiscais e comerciais (solicitados pela fiscalização) imprescindíveis à comprovação dos custos e despesas por ele apropriado (notas fiscais, recibos, contratos e outros comprovantes idôneos de efeito equivalente hábeis à comprovação dos custos e despesas lançados nas fichas 04 A e 05 A da DIPJ 2011/10); os documentos comprobatórios dos valores escriturados em seu passivo (ficha 37 A da DIPJ 2011/2010); e demais documentos, demonstrativos e memórias de cálculo solicitadas pela fiscalização. De se notar, ainda, que o sujeito passivo, apesar de informar que estava providenciando junto a JUCERJA a regularização das pendências do SPED/ECD, até a presente data não regularizou a situação dos seus arquivos contábeis digitais SPED ECD (AC 2010), mesmo lhe sendo concedido o prazo legalmente estabelecido para tal (Termo de Intimação 01, reiterado através dos Termos de Intimação Fiscal 02 e 03). O silêncio do sujeito passivo impediu o exame e comprovação dos custos e despesas e demais aspectos mencionados nas intimações fiscais, em face da absoluta ausência de apresentação da contabilidade social e da documentação comprobatória pertinente, terminando por inviabilizar a adequada apuração do lucro do exercício e, por consequência, a apuração da base de cálculo do IRPJ com base no lucro real (o mesmo se verificando em relação à CSLL), restando inevitável a apuração das bases de cálculo destes tributos mediante arbitramento com base na receita conhecida (declarada), nos termos da legislação de regência. O elevado valor das despesas, custos e demais itens objeto da auditoria e sua expressiva participação no conjunto de custos/despesas da fiscalizada impedem a simples glosa (por falta de adequada comprovação) de tais despesas/custos na apuração do lucro real, afastando esta modalidade de apuração, já que a base de incidência do tributo é o lucro que resulta do indispensável confronto entre as receitas e custos/despesas do período, obedecidos os ajustes (adições e exclusões) previstos na legislação. Assim, inviabilizada a comprovação de parcela substancial das despesas e custos, resta inevitável a apuração do lucro mediante arbitramento, na forma da lei. [...] Isto posto, diante da falta dos documentos fiscais e comerciais imprescindíveis à comprovação de parcela significativa das despesas e custos considerados na apuração do lucro real configurase a hipótese de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica mediante arbitramento (com base na receita conhecida), a teor do disposto nos arts. 530 III; 531; e 532, todos do Decreto n°. 3000/99 RIR/99... x) o arbitramento foi promovido com base na receita bruta conhecida, eis que declarada pela própria contribuinte na DIPJ/2011, enquanto a distribuição delas por cada um dos meses do ano foi obtida por meio da escrituração digital contábil que, embora não homologada, guardou compatibilidade com o registrado na referida DIPJ (esclareceu a autoridade fiscal que não foram utilizados os dados da DACON, vez que estes eram divergentes dos consignados na DIPJ); Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 393 7 xi) os valores lançados em DCTF foram aproveitados em benefício da fiscalizada. Na medida em que no recurso voluntário a Recorrente limitase a repisar argumentos que havia apresentado na sua peça impugnatória, penso que seja oportuno transcrever a apreciação feita em primeira instância acerca da referida argumentação. [...] A interessada afirma que a exigência teria sido formalizada em "Termo de Constatação Fiscal" e não em Auto de Infração; porém, um simples olhar às peças processuais de fls. 139 a 179 demonstra que os lançamentos de ofício ora examinados foram lavrados em Autos de Infração, em conformidade com o disposto no artigo 9º do mesmo Decreto n.º 70.235, de 1972: ... Superada esta objeção, constatase que o arrazoado de defesa pouco tem em comum com a autuação, exceto pela correta menção ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.08.002013007586 e por alguns outros poucos temas. Efetivamente, nem o Auto de Infração nem o Termo de Verificação Fiscal (TVF) abordam diversos tópicos sobre os quais a impugnante se derrama em erudição e verve, como “saldo credor de caixa”, supostas divergências entre Ativo e Passivo, “Cédula de Crédito Bancário”, quebra de sigilo bancário, sujeição passiva solidária, “representação para fins penais”, intimação por edital, etc. Uma vez que nada disto foi sequer mencionado pelo Autor do feito, não cabe seu exame, em atenção ao que reza o artigo 2º do Decreto n.º 70.235, de 1972: ... Em outros pontos, a impugnante aflora levemente a matéria da autuação, e, assim, cumpre examinálos. Demonstrando notável capacidade de enrijecer os músculos da face, chega ao absurdo de atribuir ao Autor do feito a recusa ao exame de livros e documentos aqueles mesmos que o Autor não poderia examinar, pois ela não os apresentou. Nesta linha, afirma que “todos os livros auxiliares e principais foram escriturados na forma da Legislação vigente e apresentados à fiscalização” e fantasia, sem o menor pudor, declarações que o Autor do feito jamais fez, como as abaixo transcritas e muitas outras mais: Informa ainda a fiscal que o contribuinte disponibilizou conforme carta em anexo a 4ª alteração contratual, LALUR [...] [...] o próprio agente fiscal informa que o contribuinte apresentou o Livro de Registro de Entradas, e os arquivos PDF dos meses de Janeiro a dezembro de 2010 e ainda demonstrativo Movimentação de Estoques do Período de Janeiro a dezembro de 2010. [...] o Termo de Devolução prova que todos os livros auxiliares, foram apresentados, o termo diz que foram devolvidos os seguintes livros (cópia em anexo do Termo de devolução dos livros) [...]. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 394 8 É desnecessário observar que os Autos de Infração, o Termo de Verificação Fiscal e o Termo de Encerramento de fl. 186 não contêm qualquer observação que seja vagamente semelhante a isto. Uma vez que a interessada descumpriu as reiteradas intimações a apresentar os livros e documentos necessários à ação fiscal (a qual ela que tentou obstar valendose da “absoluta ausência de apresentação da contabilidade social e da documentação comprobatória pertinente”), aplicase ao caso o disposto nos artigos 530, inciso III; 531; e 532, todos do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 RIR/1999: ... Observese, ademais, que a impugnante não contesta a base de cálculo do imposto nem os cálculos levados a efeito pela Autoridade lançadora; logo, tratase de matéria não litigiosa, a teor do artigo 17 do Decreto n.º 70.235, de 1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por fim, cabe salientar que a jurisprudência e a doutrina apresentadas pela interessada não gozam do status de legislação tributária, nos termos dos artigos 96 a 100 do CTN. Em assim sucedendo, encaminho meu voto por considerar improcedente a impugnação ora em exame. Irretocável, a meu ver, o decidido em primeira instância. De fato, a ora Recorrente, adotando idêntica argumentação da peça impugnatória, tece considerações acerca de matérias que não guardam qualquer relação com as que foram tratadas no presente processo (saldo credor de caixa; livros fiscais auxiliares; "quebra" de sigilo bancário; sujeição passiva solidária; crime tributário) e, quando tangencia questões que se aproximam das que serviram de suporte para os lançamentos tributários, faz referência a fatos que não encontram qualquer respaldo nos elementos carreados ao processo (informações em Termo de Devolução; apresentação de "livros físicos"; afirmações da autoridade autuante; registros no Termo de Verificação Fiscal; constituição do crédito tributário por meio de Termo de Constatação Fiscal). Não custa ressaltar que, diferentemente do afirmado pela Recorrente, o arbitramento do lucro se deu em virtude da ausência de apresentação de escrituração regular e respectiva documentação de suporte, não tendo havido decretação da sua imprestabilidade. Absolutamente improcedentes, a meu ver, os argumentos trazidos pela Recorrente, razão pela qual conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.724712/201451 Acórdão n.º 1301001.885 S1C3T1 Fl. 395 9 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 16682.720428/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
CSLL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995.
SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. DEDUÇÃO.
Demonstrada a existência de saldo de base de cálculo negativa de exercícios anteriores, cabe a dedução desse valor na base de cálculo da contribuição respeitado o limite legal.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. FATOS GERADORES ATÉ DEZEMBRO/2006.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 101).
Numero da decisão: 1402-002.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar por preclusão a arguição de pagamento posterior dos valores devidos apresentada em sustentação oral, vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei, que votou pelo conhecimento da matéria. No mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos para: a) reduzir a base tributável da CSLL no ano-calendário de 2006 a R$ 229.691,96; e b) cancelar a exigência da contribuição para o ano-calendário de 2007. II) por maioria de votos para: i) cancelar a exigência da multa isolada exigida no ano-calendário de 2006 até o montante da concomitância. Vencidos em primeira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a exigência dessa multa. e: ii) manter a multa isolada aplicada no ano-calendário de 2007. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que votou por cancelar a exigência.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. DEDUÇÃO. Demonstrada a existência de saldo de base de cálculo negativa de exercícios anteriores, cabe a dedução desse valor na base de cálculo da contribuição respeitado o limite legal. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. FATOS GERADORES ATÉ DEZEMBRO/2006. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 101). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar por preclusão a arguição de pagamento posterior dos valores devidos apresentada em sustentação oral, vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei, que votou pelo conhecimento da matéria. No mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos para: a) reduzir a base tributável da CSLL no anocalendário de 2006 a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 28 /2 01 1- 41 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 R$ 229.691,96; e b) cancelar a exigência da contribuição para o anocalendário de 2007. II) por maioria de votos para: i) cancelar a exigência da multa isolada exigida no anocalendário de 2006 até o montante da concomitância. Vencidos em primeira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a exigência dessa multa. e: ii) manter a multa isolada aplicada no anocalendário de 2007. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que votou por cancelar a exigência. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720428/201141 Acórdão n.º 1402002.097 S1C4T2 Fl. 417 3 Relatório Trata o presente de auto de infração para cobrança da CSLL referente aos anoscalendário de 2006 e 2007 como decorrência de exclusões na base de cálculo da contribuição dos valores correspondentes a tributos com exigibilidade suspensa, exclusões essas consideradas indevidas pela autoridade lançadora. Em função do ajuste na base de cálculo do tributo, como decorrência da irregularidade apurada, foi também formalizada exigência da multa isolada sobre valor devido e não recolhido a título de estimativas. O sujeito passivo impugnou tempestivamente o feito arguindo em prejudicial a decadência para os fatos geradores dos meses de janeiro a março de 2006. No mérito, em apertada síntese, sustenta a inexistência de previsão legal que determine a inclusão dos valores sob discussão na base de cálculo da CSLL. Defende que tais valores não tem natureza de provisão e argumenta que, pela inexistência de norma legal que determine a indedutibilidade, não caberia a cobrança das multas e dos juros e mora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ prolatou o Acórdão 1262.617 considerando a impugnação totalmente improcedente, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2006, 2007 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO. CABIMENTO Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95, combinada com artigo 28 da Lei nº 9.430/96. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória e acrescentando argumentos quanto a equívoco na base tributável, tendo em vista que a autoridade lançadora não teria levado em consideração, nos corretos termos, o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos posteriores. É o relatório Fl. 418DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimdado, motivo pelo qual dele conheço. No que se refere à decadência, a argüição do sujeito passivo não merece prosperar. A decisão recorrida bem analisou a questão. De fato, considerando que a autuada optou a tributação do imposto de renda pelo lucro real, com apuração anual, para o anocalendário de 2006 a ocorrência do fato gerador se dá em 31/12/2006. Em que pese a apuração do tributo abranger todos os meses desse anocalendário, o prazo decadencial é contado tendo como parâmetro a ocorrência do fato gerador. Assim, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, o direito só estaria decaído se a ciência tivesse ocorrido após 31/12/2011, o que não ocorreu. No mérito, por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Em julgado recente neste colegiado o Acórdão 1402001.215, de relatoria do Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar bem reforça esse entendimento. Nos termos do voto condutor a possibilidade de o exigência tributária ser considerada improcedente por decisão judicial definitiva, no futuro, tornaa incerta. Poderá ela não ser mais cobrada, já não o podendo no presente em razão da suspensão de sua exigibilidade. Prossegue o voto argumentando que na existência dessa possibilidade, não se pode dizer que tais despesas, que podem, no futuro ser declaradas inexistentes pelo judiciário, sejam incorridas. Para serem incorridas, haveriam que constituir fato certo e determinado. Nesse sentido, conclui o voto, se podem ser declaradas como inexistentes, no futuro, não há como considerálas certas, determinadas e incorridas. E o artigo 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, é expresso no sentido de obstar a dedução de provisões, inclusive na base de cálculo da CSLL. A jurisprudência desta Corte consolidase nesse sentido como são exemplos os acórdãos 1101000.122, 1102000.963 e 1301001.067. O mesmo se aplica à CSRF que se manifestou na mesma linha em julgados recentes: Acórdão 9101001.512 (sessão de 20/11/2012) em Acórdão 9101001.850 (sessão de 25/11/2014). Do exposto, voto por negar provimento ao recurso no que se refere à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSLL. No que se refere à dedução na base tributável do saldo negativo de CSLL de exercícios anteriores, pareceme que assiste razão à demandante. Registrese que esse procedimento deveria ter sido adotado pelo Fisco mesmo sem demanda específica para fazêlo Fl. 419DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720428/201141 Acórdão n.º 1402002.097 S1C4T2 Fl. 418 5 pois se refere a dados que influenciam diretamente a obtenção do valor tributável na data do fato gerador. Daí porque este relator entende que, mesmo que as razões de defesa quanto a essa matéria tenham sido trazidas apenas em sede de recurso voluntário, a questão merece análise por este colegiado. A recomposição do valor tributável deve ser feita por inteiro e não apenas a partir do valor correspondente à exclusão indevida. Juntei aos autos documentos de fls. 409/415 correspondentes ao FAPLI da interessada, extraídos do processo 16682.720432/201141 que trata da mesma irregularidade referente ao anocalendário de 2008, onde se constata a existência de saldo negativo passível de compensação e ainda não utilizado. A apuração constante da peça de defesa demonstra para os dois anos calendário: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Com a recomposição da base foram deduzidos a mais de saldo negativo os valores de R$ 1.457.263,49 (R$ 11.337.603,29 – R$ 9.880.339,80), em 2006; e R$ 1.629.811,58 ( R$ 12.112.458,52 R$ 10.482.646,94), em 2007. Em termos de utilização do saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores (BCN) temse; Saldo de BCN no início de 2006 (I).................................R$ 81.083.153,63 BCN utilizada em 2006 (II)..............................................R$ 11.337.603,29 Saldo de BCN no início de 2007 (III=III).......................R$ 69.745.550,34 BCN utilizada em 2007 (IV)............................................R$ 12.112.458,52 Saldo de BCN no início de 2008 (V=IIIIV)....................R$ 57.633.091,82 (*)BCN utilizada em 2008 (VI)....................................... R$ 8.905.316,36 BCN remanescente (VVI)...............................................R$ 48.727.775,46 (*) processo 16682.720432/201141 Vêse que existia saldo mais do que suficiente para as deduções. No ano calendário seguinte (2009) parte de valor foi usada para quitação de débitos tributários com benefícios fiscais definidos por norma exonerativa (fl. 411). Caberia aos setor responsável da Unidade Local, se for o caso, verificar eventual compensação indevida em anos posteriores de base inexistente. Em relação à multa isolada, o pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei Fl. 421DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720428/201141 Acórdão n.º 1402002.097 S1C4T2 Fl. 419 7 determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720428/201141 Acórdão n.º 1402002.097 S1C4T2 Fl. 420 9 No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual votaria por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Entretanto, ressaltando o entendimento supra exposto, é meu dever funcional nesta Corte seguir o entendimento consolidado nas Súmulas do CARF. Nessas condições, foi editada a Súmula CARF nº 101 que consolidou o posicionamento do Órgão em sentido diverso ao por mim esposado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. As discussões que culminaram da referida Súmula deixaram claro que não resta dúvida quanto à aplicação apenas a fatos geradores anteriores à mudança legislativa trazida pela MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 Sendo assim voto por cancelar a exigência da multa isolada para os fatos geradores ocorridos até dezembro/2006, inclusive, no montante abrangido pela concomitância. 2 Idem, Idem Fl. 425DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.720428/201141 Acórdão n.º 1402002.097 S1C4T2 Fl. 421 11 A base de cálculo da multa proporcional para o anocalendário de 2006 foi reduzida a R$ 229.691,96. A base de cálculo da multa isolada foi R$ 363.805,88. Nesse caso, caberia a incidência da multa isolada sobre o excedente (R$ 363.805,88 – R$ 229.691,96 = R$ 134.113,92). Mantemse a multa isolada no valor de R$ 67.056,96. Em relação ao anocalendário de 2007, cancelada a exigência da contribuição – e portanto da multa proporicional não há que se falar em concomitância e a multa isolada deve ser mantida na integralidade. Em resumo do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: De acordo com os cálculo explanados na peça recursal, que reputo como corretos, reduzir a base tributável no anocalendário de 2006 para R$ 229.691,96 e cancelar a exigência referente ao anocalendário de 2007; e: Reduzir a multa isolada aplicada no anocalendário de 2006 a R$ 134.113,92. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 426DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.003852/2010-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/07/2006 a 31/12/2006, 01/01/2007 a 31/10/2007
GFIP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DADOS NÃO RELACIONADOS A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Constitui infração a empresa apresentar GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária.
IRREGULARIDADE NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Tendo o Fisco demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Presidente (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
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OUTROS DADOS Recorrente MALHARIA E TINTURARIA PAULISTANA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/07/2006 a 31/12/2006, 01/01/2007 a 31/10/2007 GFIP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DADOS NÃO RELACIONADOS A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração a empresa apresentar GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária. IRREGULARIDADE NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Tendo o Fisco demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 52 /2 01 0- 67 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003852/201067 Acórdão n.º 2403002.413 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 6º, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela Lei 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 03/2006, 07/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 10/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 40/43), a empresa preencheu incorretamente a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), consignando informações equivocadas para os campos FPAS e TERCEIROS/OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/12/2010 (fls. 01 e 55). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 63/73) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: 1. cometeu erro no preenchimento das guias, tratandose de erro de fato escusável, ou seja, excludente de dolo e culpa e que o CTN permite a remissão do crédito tributário atendendo ao erro ou ignorância escusáveis quanto à matéria de fato (art. 172, III, do CTN); 2. não constam dos autos os demonstrativos da multa imputada. Assim, ficou impossibilitado o seu direito de ampla defesa; 3. o princípio da legalidade não foi observado em todo o processo administrativo, acarretando o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, razão pela qual o presente auto de infração deve ser declarado nulo; 4. por fim, a Impugnante requer a produção de prova pericial contábil, a fim de expurgar os valores indevidamente cobrados, de forma a evitar o confisco, vedado constitucionalmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão no 1636.257 da 13a Turma da DRJ/SP1 – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A DRF em São Paulo/SP encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003852/201067 Acórdão n.º 2403002.413 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencido. Pelo fato de o ConselheiroRelator Marcelo Freitas de Souza Costa ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que sou apenas redator adhoc para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do Colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro RedatorDesignado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Com isso, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo erros formais e, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador da infração imputada à Recorrente, decorrente do preenchimento incorreto da GFIP para os campos FPAS e TERCEIROS/OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/73) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 40/43) e seus anexos (fls. 01/39) são claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de fls. 01/02, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Esse Relatório informa que: “1. Em procedimento fiscal na empresa supra identificada, constatouse que a mesma apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP das competências 01 a 03/2006, 07/2006 a 12/2006, 01/2007 a 10/2007 com incorreções. A empresa apresentou GFIP com dois campos incorretos em cada competência: o campo FPAS preenchido 515 (comércio), quando o correto seria 507 (Indústria) e também com o código relativo a Outras Entidades e Fundos preenchido 0115, quando o correto seria 0079, por exercer a atividade preponderantemente na área industrial. Este enquadramento encontrase no art. 148 da INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 100, de 18/12/2003 alterado pelo art 139 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP No 3, DE 14/07/2005. Em anexo ao Auto de Infração relativo à contribuição da empresa no 37.251.8672 estão as GFIP entregues com as incorreções” (fl. 40). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 42/43) informa que a multa aplicada é a prevista no art. 284, inciso III e art. 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS) e art. 32, inciso IV e parágrafo 6º, da Lei nº 8.212/91. Foi aplicada a multa prevista na época dos fatos geradores da obrigação acessória, em vez daquela prevista na legislação atual, por ser mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Os cálculos comparativos entre as multas aplicáveis de acordo com a legislação da época da infração e as multas aplicáveis de acordo com a legislação atualmente vigente estão resumidos no Anexo II (fls. 47) e no Anexo III (fls. 48), ambos do processo 19515.003850/201078 Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.251.8664 (Código de Fundamentação Legal 68). Tais documentos demonstram como foi apurado o valor da multa aplicada na presente autuação: R$ 2.720,42 (dois mil, setecentos e vinte reais e quarenta e dois centavos), conforme Folha de Rosto do Auto de Infração (fls. 4). Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da infração imputada e a informação de que o sujeito passivo Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003852/201067 Acórdão n.º 2403002.413 S2C4T3 Fl. 5 7 recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 40/43. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/84) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Quanto à alegação de que inexiste a infração imputada pela auditoria fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente apresentou ao Fisco as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) com informações inexatas no código FPAS e no campo de Terceiros, pois informou: (i) no campo FPAS, o código 515 (comércio) quando o correto seria 507 (Indústria) e (ii) Outras Entidades e Fundos preenchido com 0115 em vez de 0079; em virtude do contribuinte exercer a atividade preponderantemente na área industrial. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV, § 6º, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV, § 4º, do Decreto 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), transcritos abaixo: Lei 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4°. (redação dada pela Lei n° 9.528/97). (g.n.) Decreto no 3.048/1999 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 3o A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4o O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente estava obrigada a apresentar ao Fisco a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações corretas no campo do FPAS e de Terceiros, para as competências 01/2006 a 03/2006, 07/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 10/2007. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003852/201067 Acórdão n.º 2403002.413 S2C4T3 Fl. 6 9 As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Logo, constatase que a Recorrente apresentou as GFIP’s com informações incorretas no campo do FPAS e de Terceiros, para as competências 01/2006 a 03/2006, 07/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 10/2007. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 6º, da Lei 8.212/1991. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/85) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, o Conselheiro redator adhoc, designado para formalização do voto, CONHECE DO RECURSO e NEGA PROVIMENTO, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13116.722752/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE.
Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão.
Numero da decisão: 1402-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a contradição suscitada retificando tão-somente a conclusão e o dispositivo do Acórdão n° 1402-001.944, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o conselheiro Demetrius Nichele Macei que manifestou-se pela necessidade de apreciação do mérito da exigência com vista ao controle de legalidade do lançamento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhemse os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a contradição suscitada retificando tãosomente a conclusão e o dispositivo do Acórdão n° 1402001.944, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o conselheiro Demetrius Nichele Macei que manifestouse pela necessidade de apreciação do mérito da exigência com vista ao controle de legalidade do lançamento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 27 52 /2 01 2- 11 Fl. 5498DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.499 2 Relatório Trata o presente de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO interpostos pela empresa autuada, CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S.A, contra o Acórdão 1402001.944, proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que não conheceu do recurso voluntário por intempestivo. A interessada teve ciência do acórdão do recurso voluntário em 02/06/2015 (termo de fl. 5.356) e apresentou embargos de declaração em 05/06/2015 (fls. 5.359/5.424). Os embargos se mostram tempestivos e preenchem os demais requisitos para seu conhecimento. Designado para pronunciarme sobre a admissibilidade dos embargos, assim o fiz: DOS EMBARGOS Sustenta a embargante haver diversas contradições e omissões no acórdão embargado que necessitariam ser sanadas pela turma de julgamento. Analisoas na ordem apresentada nos embargos. a) Da contradição quanto ao conhecimento do recurso voluntário Alega a embargante contradição entre os fundamentos do voto e suas conclusões, já que nos fundamentos se aponta para o conhecimento do recurso voluntário enquanto a conclusão é por não conhecer do recurso por intempestivo. De fato, há que se dar razão à embargante quanto a essa matéria. Existe a contradição aventada, que precisa ser sanada, vejase: Consta do trecho final do relatório do acórdão embargado que a recorrente discute a tempestividade do recurso voluntário. Nesse sentido, constatase que a recorrente trazia em seu recurso voluntário às fls. 5.186/5.192 argumentos preliminares quanto à tempestividade do recurso voluntário apresentado. Nessa mesma esteira, o início do voto condutor do acórdão embargado, fl. 5.334, admite que o recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, dele tomando conhecimento. Além disso, constatase da leitura da análise no voto condutor do acórdão embargado que a tempestividade do recurso voluntária é matéria apreciada em preliminar. Ocorre que a conclusão expressa naquele acórdão, fl. 5.338, assim como em seu dispositivo, fl. 5.322, foi no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Entendo, smj, caracterizada a contradição aventada neste tópico. b) Da contradição quanto aos procedimentos de intimação da interessada Fl. 5499DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.500 3 Aduz a embargante que o acórdão embargado, ao sustentar que "no presente caso a intimação postal foi a forma utilizada em toda tramitação do presente processo", é contraditório com a realidade dos fatos exposta nos autos. Argumenta que foi intimada do termo de perempção (fl. 5.183) e do acórdão embargado por meio eletrônico. Conclui que a intimação postal não foi utilizada de maneira uniforme durante a tramitação do processo, como alegado no acórdão embargado, o que caracterizaria a contradição. Com a devida vênia, os argumentos da embargante quanto à matéria discutida neste tópico não procedem. A contradição aventada sequer existiu, e, ainda que se considerasse existente, não teria se dado entre a decisão e os fundamentos do acórdão, conforme estabelecido no art. 65 do Regimento Interno do CARF. Considerando a realidade dos fatos exposta nos autos, não se encontra no processo a ciência da interessada quanto ao termo de perempção. Ademais, por decorrência lógica, não seria possível no momento da confecção do acórdão embargado (ou no momento do julgamento do recurso voluntário) terse notícia da modalidade de ciência daquele acórdão à recorrente. Assim, os exemplos trazidos pela embargante como representativos de que teria havido outra modalidade de ciência além da pessoal, fundamentais para a caracterização da contradição aventada, não existiam nos autos à época do julgamento do recurso voluntário. Vazia, pois, a fundamentação utilizada como supedânea da contradição aventada, já que a informação constante do acórdão embargado de que "a intimação postal foi a forma utilizada em toda tramitação do presente processo" condizia com a realidade dos fatos exposta nos autos até o momento do julgamento do recurso voluntário. Ademais, ainda que se considerasse existente a contradição conforme aventada pela embargante, esta não teria o condão de tornar cabíveis os embargos apresentados nesse tópico. Isso porque a contradição conforme posta não se daria entre a decisão e os fundamentos do acórdão, conforme estabelecido no art. 65 do Regimento Interno do CARF. Com efeito, a conclusão a que se chegou no acórdão embargado, quanto aos procedimentos de intimação da empresa autuada, foi a de que não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica, conforme ementa e trecho do voto, transcritos abaixo. Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 INTIMAÇÃO. ORDEM DE PREFERÊNCIA. Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica. Voto: ... Fl. 5500DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.501 4 Pelo dispositivo acima, depreendese que entre as intimações pessoal, postal e eletrônica não existe ordem de preferência, podendose, assim, utilizar se de uma ou outra forma indistintamente. Apenas a intimação por edital é que só deve ser empregada quando resultar improfícua qualquer uma das outras modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico). O trecho do acórdão, citado nos embargos como argumento para caracterizar a contradição, não é o centro dos fundamentos apresentados e foi trazido fora do contexto. Vejase o mesmo trecho, no contexto em que foi redigido: Pelo dispositivo acima, depreendese que entre as intimações pessoal, postal e eletrônica não existe ordem de preferência, podendose, assim, utilizarse de uma ou outra forma indistintamente. Apenas a intimação por edital é que só deve ser empregada quando resultar improfícua qualquer uma das outras modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico). Além disso, “para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo [...] o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária” (art. 23, §4º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972). Cabe salientar que no presente caso a intimação postal foi a forma utilizada em toda tramitação do presente processo (vide fls.5068 a 5069, 5070 a 5072, 5182), tendo inclusive a empresa apresentado sua impugnação após sua devida intimação na modalidade postal. ... (grifei). Como se vê, a informação de que "a intimação postal foi a forma utilizada em toda tramitação do presente processo" se presta, tãosomente, para destacar que a empresa sempre era intimada naquela modalidade de intimação (fato que, conforme se demonstrou acima, era verdade à época do julgamento do recurso voluntário). Antes disso, conforme expresso no primeiro parágrafo transcrito acima, já concluía o acórdão embargado que não há ordem de preferência entre as modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico). Esse foi o fundamento no qual se baseou o acórdão embargado para concluir pela intempestividade do recurso apresentado. E tal fundamento é perfeitamente consonante com a decisão naquele acórdão, expressa na ementa acima transcrita. Pelos motivos acima expostos, entendo, smj, não caracterizada a contradição aventada neste tópico. c) Da contradição quanto à não apresentação de impugnação pelos devedores solidários Argumenta que no relatório do acórdão embargado afirmouse que "Cientificados dos referidos Termos de Sujeição Passiva Solidária, conforme AR de fls. 5.070/5.072, os mencionados diretores não apresentaram impugnação." E que, ao Fl. 5501DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.502 5 transcrever a própria ementa da decisão proferida pela DRJ, fez constar daquele relatório a análise da impugnação apresentada pelos devedores solidários, uma contradição com a afirmação anterior de que os solidários não apresentaram impugnação. Com efeito, não vislumbro a contradição aventada. De fato, consta do relatório do acórdão embargado que os responsáveis solidários não apresentaram impugnação, apesar de cientificados dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, conforme AR de fls. 5.070/5.072. Também consta do aludido relatório transcrição da ementa da decisão proferida pela DRJ sobre a matéria, transcrita a seguir. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, em que o lançamento é constituído em face da pessoa jurídica na condição de contribuinte e dos administradores na condição de responsáveis, a irresignação quanto à responsabilidade solidária dos administradores deve ser apresentada por meio de (1) petição conjunta da contribuinte com os responsáveis; (2) petição própria de iniciativa de cada um dos administradores da pessoa jurídica; ou (3) petição conjunta dos referidos administradores. A impugnação apresentada pela pessoa jurídica, em que sustenta a ilegitimidade da inclusão dos seus administradores no polo passivo da relação jurídica tributária, não merece ser conhecida, por lhe faltar legitimidade. (grifei). Não vejo na ementa acima qualquer implicação em análise de impugnações apresentadas pelos devedores solidários (impugnações essas que sequer existiram), até porque aquela ementa se refere à matéria trazida na impugnação da pessoa jurídica, e não dos responsáveis solidários. Assim, não se vislumbra a contradição aventada. Ademais, constatase que a embargante fundamenta as razões de embargo quanto a esse item em pretensas contradições entre informações contidas no relatório do acórdão embargado. De se esclarecer que tais informações estão consignadas no relatório do acórdão como parte da descrição dos atos e fatos constantes do processo, relatados ali simplesmente para um entendimento mais detalhado da situação a ser analisada, nunca como fundamentos da análise procedida no voto condutor do acórdão embargado. Nesse sentido, como já analisado no item (b), ainda que se considerasse existente a contradição conforme aventada pela embargante, esta não teria o condão de tornar cabíveis os embargos apresentados nesse tópico. Isso porque a contradição conforme posta não se daria entre a decisão e os fundamentos do acórdão, conforme Fl. 5502DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.503 6 estabelecido no art. 65 do Regimento Interno do CARF, mas sim entre meras informações constantes do relatório daquele acórdão. Pelos motivos acima expostos, entendo, smj, não caracterizada a contradição aventada neste tópico. d) Da omissão quanto ao exame de argumentos apresentados para a análise da tempestividade do recurso voluntário Considera ter havido omissão no acórdão embargado ao analisar a tempestividade do recurso voluntário à luz, apenas, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, sem se pronunciar acerca das Portarias SRF nº 259/2006 e MF nº 527/2010, referidas no recurso voluntário e, a seu sentir, indispensáveis à adequada verificação da tempestividade do recurso apresentado. Em resumo, argumenta que possui domicílio tributário eletrônico expressamente autorizado por Termo de Opção o que, a teor do §3º do art. 4º da Portaria MF nº 527/2010, lhe garantiria preferência pela intimação eletrônica, impedindo o fisco de realizar intimações por meio postal em tais circunstâncias. Com a devida vênia, entendo de forma diversa. Considero que as citadas portarias, apesar de referidas pela recorrente, eram prescindíveis à análise de ordem de preferência entre as intimações e, consequentemente, à verificação da tempestividade do recurso apresentado, não se configurando em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado a turma, a teor do art. 65 do Regimento Interno do CARF. De fato, o acórdão embargado fundamentou a inexistência de ordem de preferência entre as intimações (pessoal, postal e eletrônica), e a consequente intempestividade do recurso apresentado, com base no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, atualizado pela Lei nº 11.196/2005 que inseriu o §3º no referido artigo. A meu sentir, tal fundamentação era condição necessária e suficiente para o deslinde da matéria, já que rebateu de forma adequada todos os aspectos aventados pela então recorrente quanto ao fato de possuir domicílio tributário eletrônico expressamente autorizado por Termo de Opção e sua implicação na ordem de preferência das intimações. Vejase os excertos da decisão embargada quanto a esse ponto. "... Alega a recorrente que, por se tratar de “processo administrativo digital” e por possuir Termo de Opção, assinado e validado para a utilização do Domicilio Tributário Eletrônico, a intimação quanto ao resultado da decisão de primeira instância somente poderia se dar por meio eletrônico. Nesse sentido, defende a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado, já que dentro do interstício legal, quando contado a partir da ciência por meio eletrônico. Com efeito, entendo que o argumento da recorrente não tem fôlego para inquinar o julgamento em seu favor. Consta dos autos a intimação, por via postal, com ciência da parte interessada em 24/05/2013 (A.R. de fl. 5.182), conforme atesta a própria defendente em seu recurso voluntário à fl. 5.186, in verbis. Fl. 5503DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.504 7 ... Como se vê, quanto à ciência da interessada, ocorrida em 24/05/2013, não há qualquer dúvida ou discussão. Resta, para o deslinde do caso, a análise quanto a possível benefício de ordem das intimações. Sobre o tema, vale notar que a partir da edição da Lei nº. 11.196/2005, que inseriu o § 3º no artigo 23 do Decreto 70235/1972, os meios de intimação não mais comportam benefício de ordem. Vejase os dizeres do artigo 23 do referido Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: ... § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos à ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) ... (grifo nosso) Pelo dispositivo acima, depreendese que entre as intimações pessoal, postal e eletrônica não existe ordem de preferência, podendo se, assim, utilizarse de uma ou outra forma indistintamente. Apenas a intimação por edital é que só deve ser empregada quando resultar improfícua qualquer uma das outras modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico). ... Nesse sentido a jurisprudência uníssona deste CARF, vejamos: Acórdão nº 2202002.253, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/2ª Seção INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica e, portanto, resultando improfícua qualquer uma dessas modalidades de intimação, a autoridade administrativa está autorizada a fazer uso de edital para notificar o contribuinte. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972. Acórdão nº 1402001.411, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/1ªSeção VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. INEXISTÊNCIA DE PREFERÊNCIA ENTRE OS MEIOS Fl. 5504DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.505 8 DE CIÊNCIA. DESNECESSIDADE DE ESGOTAMENTO DOS MEIOS DE INTIMAÇÃO. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita pela via pessoal, postal ou eletrônica, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Ademais, conforme redação do artigo 23, parágrafo 1º do Decreto nº. 70.235, de 1972, é válida e eficaz a intimação por edital, quando resultarem improfícuos um dos meios de intimação pessoal, postal e eletrônica. ... Recurso Voluntário não conhecido. ..." Como se constata dos excertos da decisão embargada acima transcritos, o aludido §3º, introduzido no art. 23 do Decreto nº 70.235/72 pela Lei nº 11.196/2005, fulmina a lógica apresentada pela embargante, porquanto traz na literalidade a inexistência de ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica. Assim, há que se reafirmar que a fundamentação trazida no acórdão embargado era condição necessária e suficiente para a conclusão pela inexistência de ordem de preferência entre as intimações (pessoal, postal e eletrônica) e a consequente intempestividade do recurso voluntário. Consequentemente, as citadas portarias, apesar de referidas pela recorrente, eram prescindíveis à verificação da tempestividade do recurso apresentado, não se configurando em ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma, a teor do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Assim, smj, não vislumbro a omissão aventada como condição motivadora da oposição de embargos quanto a esse ponto. e) Da omissão quanto ao exame da tempestividade do recurso voluntário para os embargantes devedores solidários Argumenta a embargante, quanto a esse tópico, que não consta dos autos qualquer intimação para os devedores solidários acerca da decisão da DRJ. Assim, considera que a ciência dos solidários se deu apenas quando do momento da interposição do recurso voluntário, razão pela qual teriam sido incluídos em seu recurso voluntário os argumentos do tópico III.f, fls. 5.238/5.245, "Da ausência de responsabilidade pessoal dos diretores da pessoa jurídica recorrente". Aduz que esse fato (a ciência dos devedores solidários apenas com o protocolo do recurso voluntário) não foi abordado no acórdão embargado, caracterizando a omissão quanto a esse ponto. Com a devida vênia, entendo de forma diversa também quanto a esse ponto. Em primeiro lugar, não há que se falar em intimação aos responsáveis solidários acerca da decisão da DRJ vez que esses, apesar de regularmente cientificados dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, sequer apresentaram impugnação, conforme já abordado no item (c) acima. Irrelevante, portanto, a conclusão da embargante de que a ciência daqueles responsáveis solidários, quanto à decisão da DRJ, se dera apenas quando do momento da interposição do recurso voluntário. Fl. 5505DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.506 9 Além disso, há que se observar que apenas a autuada apresentou recurso voluntário, e que nele não há questionamento sobre exame de tempestividade de recurso voluntário dos responsáveis solidários. A matéria a que se refere a embargante, tópico III.f, fls. 5.238/5.245, "Da ausência de responsabilidade pessoal dos diretores da pessoa jurídica recorrente", trata tãosomente de questões relativas ao mérito da responsabilização solidária. Assim, não poderia o acórdão embargado abordar ponto que não foi sequer aventado no recurso voluntário. Pelo exposto, smj, não vislumbro a omissão aventada nos embargos quanto a esse ponto. Conclusão Por todo o exposto, com base no art. 65, § 2°, do Regimento Interno do CARF, entendo que os embargos de declaração opostos devem ser admitidos tão somente quanto à análise da contradição entre o fundamento do voto e sua conclusão, relativa ao conhecimento do recurso voluntário, referenciada no item (a) acima mencionado. O I. Presidente desta turma aprovou o despacho, admitindo parcialmente os embargos na forma apresentada acima, retornando os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 5506DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.507 10 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Conforme relatado, os embargos de declaração opostos foram admitidos tão somente quanto à análise da contradição entre o fundamento do voto e sua conclusão, relativa ao conhecimento do recurso voluntário, referenciada no item (a) acima mencionado. A questão diz respeito contradição entre os fundamentos do voto e suas conclusões, já que nos fundamentos se aponta para o conhecimento do recurso voluntário enquanto a conclusão é por não conhecer do recurso por intempestivo. De fato, da análise do acórdão embargado, há que se dar razão à embargante quanto a essa questão: existe a contradição aventada, que precisa ser sanada. Consta do trecho final do relatório do acórdão embargado que a recorrente discute a tempestividade do recurso voluntário. De fato, constatase que a recorrente trazia em seu recurso voluntário às fls. 5.186/5.192 argumentos preliminares quanto à tempestividade do recurso voluntário apresentado. Nessa mesma esteira, o início do voto condutor do acórdão embargado, fl. 5.334, admite que o recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, dele tomando conhecimento. Além disso, constatase da leitura da análise no voto condutor do acórdão embargado que a tempestividade do recurso voluntária é matéria apreciada em preliminar. Ocorre que a conclusão expressa naquele acórdão, fl. 5.338, assim como em seu dispositivo, fl. 5.322, foi, contraditoriamente, no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Caracterizada a contradição aventada. Voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração, na parte admitida, para, tãosomente, sanar a contradição entre a conclusão e o dispositivo do Acórdão n° 1402001.944, que passam a vigorar na forma apresentada a seguir. Conclusão: Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado, para rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada, considerandoo intempestivo. Dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado, para rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada, considerandoo intempestivo. O Conselheiro Paulo Roberto Cortez acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 5507DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.959 S1C4T2 Fl. 5.508 11 Fl. 5508DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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