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6238815 #
Numero do processo: 10803.000134/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.562
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª câmara / 1ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.653          2 O  procedimento  fiscal  decorreu  de  trabalho  desenvolvido  pelo  Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal em conjunto  com  a  Polícia Federal  onde  foi  apurada  a  logística  de  importação  e  distribuição  de  produtos  eletro­eletrônicos  e  de  telecomunicações  da  empresa norte­americana CISCO SYSTEM INC, constituído a partir de  uma  sucessão  de  empresas  exportadoras  nos  EUA,  e,  no  Brasil,  de  importadoras,  distribuidoras,  de  assessoria  comercial,  de  despacho  aduaneiro, aparentemente, distintas umas das outras, mas que, de fato,  segundo  destacou  a  fiscalização,  constituem  uma  organização  sob  comando  único,  conforme  vínculos  dos  seus  integrantes,  interagindo  em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base  de  cálculo de  tributos  federais  e  estaduais,  e,  excluindo, por meio de  interposição  fraudulenta,  conforme  exposto  ao  longo  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  739/967),  do  rol  de  contribuintes  do  IPI  a  empresa  MUDE  COMÉRCIO  E  SERVIÇOS  LTDA,  doravante  denominada MUDE, objeto do presente auto de infração e ocultando a  grande interessada na colocação de produtos no mercado brasileiro, a  CISCO SYSTEM INC. dos EUA.   Relevante destacar que somente no ano calendário de 2003, o valor do  IPI não destacado nas operações de vendas da MUDE COMÉRCIO E  SERVIÇOS  LTDA.  e  objeto  da  constituição  parcial  de  crédito  tributário montou R$ 29.057.021,80 (vinte e nove milhões, cinqüenta e  sete mil, vinte e um reais e oitenta centavos).  Baseou­se  o  Auto  de  Infração  em  distintas  fontes  de  dados,  entre  as  quais  citamos:  Provas  apreendidas  durante  a  “OPERAÇÃO  PERSONA”, realizada em 16/10/2007 pela Polícia Federal (conforme  mandado  de  busca  e  apreensão  prolatado  nos  autos  do  processo  judicial nº 2005.61.81.009285­1 do Juízo da 4ª Vara Criminal Federal  da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo),  consistindo em documentos  comerciais,  anotações,  depoimentos  consignados  em  termos  próprios,  interceptações  telefônicas,  mensagens  de  correio  eletrônico  e  documentos em meio eletrônico. Provas obtidas nas auditorias  fiscais  efetuadas pela Equipe Especial de Fiscalização Aduaneira, consistindo  em  livros  fiscais,  notas  fiscais,  documentos  societários,  extratos  bancários,  e  demais  documentos  e  esclarecimentos  apresentados  à  fiscalização.  Foi  obtida  autorização  judicial  para  a  flexibilização  dos  sigilos  telefônicos e de dados, relativamente às principais pessoas e empresa  relacionadas  à  investigação,  sendo  que  o  acesso  e  utilização  do  monitoramento  (telefônico e  telemático), documentos apreendidos nos  mandados  de  busca  e  apreensão  e  aos  interrogatórios,  foram  franqueados aos servidores designados pela Receita Federal do Brasil  no trabalho de fiscalização.  No comando do esquema operacional de importações, encontram­se os  principais dirigentes das empresas CISCO DO BRASIL LTDA e da sua  distribuidora,  MUDE,  e  ainda,  juntando­se  a  estes,  outras  pessoas  físicas  e  jurídicas  especificadas  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  notadamente no capítulo VIII do mesmo, que trata da Sujeição Passiva  Solidária, que montaram uma seqüência de operações para ocultação  do  real  importador,  simulando a  ocorrência  de  importação direta  ou  própria em nome das  terceiras pessoas  jurídicas  interpostas, quando,  Fl. 32675DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.654          3 na  verdade,  as  importações  ocorriam  por  conta  e  ordem  da  própria  MUDE.  Ressaltou a fiscalização que as fraudes visavam a ocultação dos reais  adquirentes e beneficiários das operações de comércio exterior, MUDE  COMÉRCIO  E  SERVIÇOS  LTDA  e  CISCO  DO  BRASIL  LTDA.,  através da estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de  empresas  interpostas  entre  os  extremos  da  cadeia  logística  (fabricante/real  exportador  e  real  importador/adquirente).  Obscurecendo­se ainda mais os fatos reais, o grupo optou por criar o  chamado  “duplo  grau  de  blindagem”,  ou  seja,  além  da  criação  do  importador  e  exportador  interpostos,  o  grupo  também  criou  distribuidores interpostos no Brasil e nos Estados Unidos.  Assim  ao  final  dos  trabalhos,  concluiu  a  fiscalização  que  a  empresa  acima identificada, através de ações fraudulentas e simuladas, incidiu  na  conduta  tipificada  no  artigo  29  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002,  combinado  com  o  artigo  79  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  24/08/2001, comercializando produtos de importação irregular.   Tendo  em  vista  o  disposto  no  art.  124,  I  da  Lei  nº  5.172  de  1966  (Código  Tributário  Nacional),  foi  declarada  a  responsabilidade  solidária  da  empresa  CISCO  DO  BRASIL  LTDA,  CNPJ  nº  00.028.666/0001­58  e  das  pessoas  físicas  FERNANDO  MACHADO  GRECCO,  CPF  154.002.548­96,  MARCELO  NAOKI  IKEDA,  CPF  174.047.798­71, MARCÍLIO  PALHARES  LEMOS,  CPF  455.587.956­ 20,  MOACYR  ÁLVARO  SAMPAIO,  CPF  535.257.608­68,  HÉLIO  BENETTI  PEDREIRA,  CPF  003.916.868­95, GUSTAVO HENRIQUE  CASTELLARI  PROCÓPIO,  CPF  255.873.018­50,  JOSÉ  ROBERTO  PERNOMIAN RODRIGUES, CPF 058.787.588­73, LUIZ SCARPELLI  FILHO,  CPF  007.199.328­23,  PEDRO  LUIS  ALVES  COSTA,  CPF  382.756.608­82,  REINALDO DE PAIVA GRILLO, CPF  791.743.028­ 68,  CARLOS  ROBERTO  CARNEVALI,  CPF  205.601.848­91,  CID  GUARDIA  FILHO,  CPF  037.619.008­64  e  ERNANI  BERTINO  MACIEL, CPF 239.033.847­04.  DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA MUDE COMERCIO E SERVIÇOS  LTDA   Intimada  do  Auto  de  Infração  em  12/12/2008  (fl.  967),  a  empresa  MUDE  COMÉRCIO  E  SERVIÇOS  LTDA  apresentou  impugnação  e  documentos  em  12/01/2009,  juntados  às  folhas  1152  e  seguintes,  alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  violação  ao  Princípio  da  Ampla  Defesa  e  do  Contraditório  pois  só  teve  acesso  às  cópias  do  processo  em  12/01/2009,  sendo  prejudicada  assim  a  análise  de  toda  a  documentação  que  instrui  o  auto.  Cita  jurisprudência  administrativa  sobre o tema.   Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  o  auto  baseia­se  apenas  nessas  provas.   Fl. 32676DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.655          4 Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007,  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.   Alega  preliminarmente  que  a  fiscalização  foi  superficial  e  que  não  buscou a verdade material, baseando­se em suposições. Cita doutrina e  jurisprudência sobre o tema.   Alega preliminarmente que é vedada a utilização de prova emprestada  no processo administrativo. Cita jurisprudência sobre o tema.   Alega preliminarmente que a fiscalização interpretou as interceptações  telefônicas  e demais provas de  forma a  confirmar  sua caracterização  de  fraude,  distorcendo  a  realidade.  Reafirma  a  alegação  já  feita  no  item 4 acima.   Alega  preliminarmente  que  a  fiscalização  interpretou  de  forma  incorreta as  expressões “antecipação de pagamentos” e “comissão”.  Alega  ainda  que  o modus  operandi  das  importações  decorre  de  uma  logística comum no mercado que busca maior eficiência e rapidez.   No mérito, alega que a autuação baseia­se essencialmente na suposta  antecipação de recursos a distribuidores e importadores.   Alega  que  a  fiscalização  em  seu  Termo  de  Verificação  Fiscal  apresentou apenas uma operação de aquisição de mercadorias quando  deveria  de  fato  demonstrar  a  fraude  detalhadamente  em  todas  as  operações.   Alega que a contabilidade da empresa faz prova a seu favor e que não  foram escriturados adiantamentos a fornecedores. Cita doutrina.   Alega  que  a  empresa  não  pode  ser  considerada  importadora  nos  termos  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  nº  07/2002.  Cita  doutrina e jurisprudência.   Apresenta perícia contábil que conclui que não houve antecipação de  pagamentos a fornecedores.   Alega ausência do procedimento próprio da IN/SRF 228/02. Alega que  as empresas apresentavam situação regular no cadastro do CNPJ e no  RADAR no momento das operações.   Alega  que  as  empresas  importadoras  e  distribuidoras  não  são  empresas  de  fachada.  Apresenta  documentos  relativos  a  essas  empresas.   Alega que a  fiscalização utilizou como data do  fato gerador da multa  aplicada  o  dia  31/12/2003,  em  desconformidade  com  a  legislação  tributária.   Alega  a  decadência  dos  créditos  tributários  lançados  relativos  a  operações havidas antes de 12/12/2003. O Auto de Infração foi lavrado  em  12/12/2008  (data  da  ciência  pela  Impugnante),  apenas  poderiam  ser objeto da multa regulamentar, caso ela fosse devida, as operações  Fl. 32677DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.656          5 de entrega a consumo ocorridas após 12/12/2003, e não todas as que  ocorreram no ano de 2003. Sustenta a aplicação do disposto no art. 78  da Lei nº 4.502/64.  Alega que a multa aplicada seria cabível apenas ao  importador. Cita  jurisprudência sobre o tema.   Alega  que  a  multa  não  se  aplica  a  produtos  vendidos  mas  sim  importados.   Alega a atipicidade da multa aplicada. Sustenta que essa multa só seria  cabível durante o despacho aduaneiro, após a decretação da pena de  perdimento.   Alega que ao presente caso seria aplicável a multa de 10% do valor da  operação,  nos  termos  do  art.  33  da  Lei  nº  11.488/2007.  Cita  jurisprudências administrativas.   Alega  a  inconstitucionalidade  da  multa  aplicada  por  caracterizar  confisco. Alega ainda que não houve dano ao erário, sendo aplicável a  multa do art. 67 da MP nº 2.158­35, de 24/08/2001.   Alega  que  a  fiscalização  utilizou  base  de  cálculo  errônea,  sendo  que  deveria ser utilizado o valor da mercadoria importada.   Alega a ilegalidade da utilização da taxa SELIC.   Requer,  por  fim,  que  em  preliminares  ou  no  mérito  seja  julgado  improcedente o presente auto de infração.  DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA CISCO DO BRASIL LTDA  Intimada  do  Auto  de  Infração  em  12/12/2008  (fl.  1.043),  a  empresa  CISCO DO BRASIL LTDA apresentou  impugnação  e  documentos  em  13/01/2009, juntados às folhas 1277 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  que  a  empresa  utiliza  um  modelo  de  negócios  que  não  foi  compreendido pela fiscalização. Discorre sobre esse modelo.   Alega que não participou das operações de importação e que não tinha  conhecimento de qualquer irregularidade.   Alega  que  não  teve  participação  na  produção  das  provas,  não  recebendo  qualquer  intimação,  sendo  violados  os  Princípios  do  Contraditório e da Ampla Defesa.   Alega que as provas produzidas na investigação criminal não poderiam  ser utilizadas na esfera administrativa. Alega que não há identidade de  partes. Cita doutrina e jurisprudência.   Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para  fins de investigação criminal ou instrução processual penal.   Alega que foi qualificada como comercial atacadista apenas para fins  de inscrição no SISCOMEX, não tendo por objeto social tal atividade.   Alega  que  a  CISCO  SYSTEM  INC  iniciou  investigação  interna  para  apurar denúncia de que Carlos Roberto Carnevali tinha relação com a  Fl. 32678DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.657          6 empresa  MUDE  COMÉRCIO  E  SERVIÇOS  LTDA.  Cita  o  Relatório  IPEI  BA  2008  006,  que  não  concluiu  pela  vinculação.  Alega  que  tal  relatório  não  autoriza  a  fiscalização  a  alegar  o  conhecimento  da  CISCO SYSTEM INC do suposto esquema fraudulento.   Tece  comentários  sobre  vários  documentos,  e­mails  e  conversas  telefônicas  do  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária,  fls.  979/1043,  alegando,  em  síntese,  que  tratam­se  de  contatos  comerciais  normais  dentro do modelo de negócios adotado pela impugnante.   Tece  comentários  sobre  a  escuta  telefônica,  fls.  1008  e  seguintes,  transcrita  no  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária,  acima  citado,  relativa  a  teleconferência  entre  Pedro  Ripper,  Presidente  da  CISCO  DO BRASIL LTDA e outros funcionários da mesma empresa. Alega que  tal  conversa  ocorreu  em  2007,  não  se  aplicando  a  importações  de  2003.  Alega  que  o  citado  “split”  ou  separação  entre  hardware  e  software  nas  declarações  de  importação  para  redução  da  carga  tributária seria feito pela MUDE e não por outras eventuais empresas  interpostas. Alega que em suas operações a CISCO SYSTEM INC não  segrega os valores de hardware e software em suas faturas de venda.   Tece  comentários  sobre  a  conversa  telefônica  transcrita  na  fl.  do  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária,  que  segundo  a  impugnante  apenas demonstra o modelo de negócios adotado.   Tece comentários sobre o evento realizado pela MUDE nos EUA com  representantes  da  CISCO  SYSTEM  INC.  Alega  que  não  tinha  conhecimento  da  interposição  fraudulenta  de  terceiros  de  que  é  acusada  a  MUDE.  Alega  que  a  citada  reunião  não  prova  que  a  separação entre hardware e software foi efetivamente realizada. Alega  que a CISCO SYSTEM INC não realiza exportações e que portanto não  define procedimentos a serem adotados na importação.   Alega que as  linhas de  crédito que a MUDE obtinha através de suas  controladas  nos EUA, FULFILL HOLDING  e  posteriormente MUDE  USA,  junto  às  instituições  CISCO  CAPITAL,  GE  COMERCIAL  DISTRIBUTION  FINANCE  CORPORATION  e  BANCO  CITIBANK,  eram medidas comuns na relação entre a CISCO SYSTEM INC e seus  parceiros.  Alega  que  essa  relação  não  prova  que  a  CISCO  SYSTEM  INC ou a CISCO DO BRASIL LTDA tinham conhecimento de suposto  esquema fraudulento nas importações.   Alega  que  as  provas  apresentadas  no  tópico  “PESSOAS  QUE  EFETIVAMENTE  DIRIGEM  A  EMPRESA”,  fls.  1031  e  seguintes,  demonstram  apenas  a  relação  comercial  entre  a  impugnante  e  a  MUDE,  mas  não  o  conhecimento  da  impugnante  sobre  fraudes  cometidas pela MUDE.   Alega que no presente caso não seria aplicável a multa prevista no art.  490, I do RIPI pois a prática da interposição fraudulenta não significa,  necessariamente,  que  a  importação  dos  bens  tenha  ocorrido  de  maneira  clandestina,  irregular  ou  fraudulenta.  Alega  que  a  interposição  fraudulenta  tipificada  para  a  empresa  MUDE  seria  apenada  com  a  pena  de  perdimento  do  art.  23  do  Decreto­lei  nº  1.475/76 (SIC). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Cita o  Parecer PGFN/CAT nº 202/2004.   Fl. 32679DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.658          7  Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN relativo à  responsabilidade solidária pois para tal a empresa CISCO deveria ter  relação com o  fato que deu ensejo ao nascimento da relação  jurídica  cujo  resultado  é  o  pagamento  do  tributo.  Alega  que  a  CISCO  não  figurava  no  pólo  passivo  da  relação  tributária  em  questão.  Cita  doutrina e jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema.    Alega  que  a  multa  aplicada  é  de  natureza  administrativa  e  não  tributária.  Alega  que  isso  afastaria  a  aplicação  de  qualquer  um  dos  dispositivos do CTN, incluindo aí o art. 124, I e o art. 136.   Alega  que  a  natureza  não  tributária  da  multa  aplicada  afastaria  a  incidência dos arts. 150 e 173 do CTN relativos à decadência,  sendo  esta  regida  pelo  art.  78  da  Lei  nº  4.502/64.  As  alegadas  infrações  cometidas anteriormente  a  12  de  dezembro  de  2003 não mais podem  ser penalizadas, em respeito ao art. 78 da Lei 4.502/64.   Requer,  por  fim,  que  seja  cancelado  o  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  com  a  exclusão  da  impugnante  do  rol  de  devedores  solidários.  Intimado do Auto de  Infração em 19/12/2008  (fl.  1134), FERNANDO  MACHADO  GRECCO  apresentou  impugnação  e  documentos  em  13/01/2009, juntados às folhas 1441 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  que  não  pôde  obter  cópias  do  processo,  prejudicando o exercício da ampla defesa.   Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  as  interceptações  telefônicas  só  poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução  processual penal.  Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.  Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação  ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  Cita jurisprudência.   Alega  que  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  124,  I  do  CTN  ao  impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível.  Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.   Alega  que  não  há  provas  da  antecipação  de  recursos  por  parte  do  impugnante para a realização das operações de importação. Alega que  o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada  não alcança as pessoas físicas.   Alega  que  a  responsabilidade  solidária  não  se  aplica  à  cobrança  de  penalidades.   Fl. 32680DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.659          8 Reafirma  os  argumentos  já  apresentados  na  impugnação da  empresa  MUDE.   Por  fim,  requer  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  em  19/12/2008  (fl.1135),  MARCELO  NAOKI IKEDA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009,  juntados às folhas 1550 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  que  não  pôde  obter  cópias  do  processo,  prejudicando o exercício da ampla defesa.  Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  as  interceptações  telefônicas  só  poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução  processual penal.  Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.  Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação  ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  Cita jurisprudência.  Alega  que  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  124,  I  do  CTN  ao  impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível.  Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.  Alega  que  não  há  provas  da  antecipação  de  recursos  por  parte  do  impugnante para a realização das operações de importação. Alega que  o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada  não alcança as pessoas físicas.  Alega  que  a  responsabilidade  solidária  não  se  aplica  à  cobrança  de  penalidades.  Reafirma  os  argumentos  já  apresentados  na  impugnação da  empresa  MUDE.  Por  fim,  requer  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  em  17/12/2008  (fl.1136),  MARCÍLIO  PALHARES  LEMOS  apresentou  impugnação  e  documentos  em  13/01/2009, juntados às folhas 1601 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  que  não  pôde  obter  cópias  do  processo,  prejudicando o exercício da ampla defesa.  Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  Fl. 32681DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.660          9 processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  as  interceptações  telefônicas  só  poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução  processual penal.  Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.  Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação  ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  Cita jurisprudência.  Alega  que  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  124,  I  do  CTN  ao  impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível.  Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.  Alega  que  não  há  provas  da  antecipação  de  recursos  por  parte  do  impugnante para a realização das operações de importação. Alega que  o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada  não alcança as pessoas físicas.  Alega  que  a  responsabilidade  solidária  não  se  aplica  à  cobrança  de  penalidades.  Reafirma  os  argumentos  já  apresentados  na  impugnação da  empresa  MUDE.  Por  fim,  requer  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  em  19/12/2008  (fl.  1137),  MOACYR  ÁLVARO  SAMPAIO  apresentou  impugnação  e  documentos  em  13/01/2009, juntados às folhas 1728 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  que  não  pôde  obter  cópias  do  processo,  prejudicando o exercício da ampla defesa.  Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  as  interceptações  telefônicas  só  poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução  processual penal.  Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.  Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação  ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  Cita jurisprudência.  Fl. 32682DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.661          10 Alega  que  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  124,  I  do  CTN  ao  impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível.  Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.  Alega  que  não  há  provas  da  antecipação  de  recursos  por  parte  do  impugnante para a realização das operações de importação. Alega que  o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada  não alcança as pessoas físicas.  Alega  que  a  responsabilidade  solidária  não  se  aplica  à  cobrança  de  penalidades.  Reafirma  os  argumentos  já  apresentados  na  impugnação da  empresa  MUDE.  Por  fim,  requer  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  em  19/12/2008  (fl.1138),  HÉLIO  BENETTI  PEDREIRA  apresentou  impugnação  e  documentos  em  13/01/2009, juntados às folhas 1868 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  que  não  pôde  obter  cópias  do  processo,  prejudicando o exercício da ampla defesa.  Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  as  interceptações  telefônicas  só  poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução  processual penal.  Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.  Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação  ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  Cita jurisprudência.  Alega  que  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  124,  I  do  CTN  ao  impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível.  Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.  Alega  que  não  há  provas  da  antecipação  de  recursos  por  parte  do  impugnante para a realização das operações de importação. Alega que  o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada  não alcança as pessoas físicas.  Alega  que  a  responsabilidade  solidária  não  se  aplica  à  cobrança  de  penalidades.  Reafirma  os  argumentos  já  apresentados  na  impugnação da  empresa  MUDE.  Fl. 32683DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.662          11 Por  fim,  requer  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  (fl.1139),  GUSTAVO  HENRIQUE  CASTELLARI  PROCÓPIO  apresentou  impugnação  e  documentos  em  13/01/2009, juntados às folhas 1990 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  que  não  pôde  obter  cópias  do  processo,  prejudicando o exercício da ampla defesa.  Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  as  interceptações  telefônicas  só  poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução  processual penal.  Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.  Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação  ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  Cita jurisprudência.  Alega  que  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  124,  I  do  CTN  ao  impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível.  Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.  Alega  que  não  há  provas  da  antecipação  de  recursos  por  parte  do  impugnante para a realização das operações de importação. Alega que  o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada  não alcança as pessoas físicas.  Alega  que  a  responsabilidade  solidária  não  se  aplica  à  cobrança  de  penalidades.  Reafirma  os  argumentos  já  apresentados  na  impugnação da  empresa  MUDE.  Por  fim,  requer  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  em  19/12/2009  (fl.  1141),  JOSE  ROBERTO  PERNOMIAN  RODRIGUES  apresentou  impugnação  e  documentos  em  13/01/2009,  juntados  às  folhas  2039  e  seguintes,  alegando em síntese:  Alega  preliminarmente  que  não  pôde  obter  cópias  do  processo,  prejudicando o exercício da ampla defesa.  Alega  preliminarmente  que  as  provas  obtidas  no  procedimento  de  investigação  criminal  não  poderia  ser  utilizadas  na  instrução  do  processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e  10º  da  Lei  nº  9.296/96.  Alega  que  as  interceptações  telefônicas  só  Fl. 32684DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.663          12 poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução  processual penal.  Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram  obtidas  em  2007  não  podendo  ser  usadas  como  fundamento  do  auto  que  lança  multa  relativa  ao  exercício  de  2003.  Alega  que  tal  lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita  jurisprudência  administrativa sobre o tema.  Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação  ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  Cita jurisprudência.  Alega  que  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  124,  I  do  CTN  ao  impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível.  Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.  Alega  que  não  há  provas  da  antecipação  de  recursos  por  parte  do  impugnante para a realização das operações de importação. Alega que  o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada  não alcança as pessoas físicas.  Alega  que  a  responsabilidade  solidária  não  se  aplica  à  cobrança  de  penalidades.  Reafirma  os  argumentos  já  apresentados  na  impugnação da  empresa  MUDE.  Por  fim,  requer  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  (fl.1142  ),  LUIZ  SCARPELLI  FILHO  apresentou  impugnação  e  documentos  em  14/01/2009,  juntados  às  folhas 2140 e seguintes, alegando em síntese:  A Autoridade Administrativa pretende fazer incidir a exação sobre todo  o período de 2003. Á data da  lavratura do Auto de Infração, os fatos  jurídicos  tributários havidos até 04 de dezembro de 2003,  já estavam  decaídos.  Alega que nunca teve qualquer participação em esquema fraudulento.  Alega  que  prestava  serviços  de  assessoria  nas  áreas  de  análise  de  procedimentos  internos  com  capacitação  de  profissionais  para  atuar  com produtos de informática, automação de processos, diminuição de  custos,  aumento  de  qualidade  perante  os  clientes  e  remuneração  de  funcionários  e  prestadores  de  serviços.  Alega  que  a  partir  de  2003  assumiu  participação  societária  na  empresa  MUDE  para  atuar  de  maneira mais próxima ao seu cliente.   Alega  que  não  há  qualquer  irregularidade  no  fato  de  possuir  uma  empresa offshore como sócia.   Alega  que  nunca  foi  sócio  gerente  da  empresa  autuada,  sendo  parte  ilegítima para compor o pólo passivo.   Alega  que  nos  termos  do  art.  135  do  CTN  a  responsabilização  dos  sócios só ocorre por excesso de poderes ou infração de lei. Alega que o  Fl. 32685DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.664          13 impugnante  não  foi  arrolado  na  ação  penal  que  tramita  na  Justiça  Federal  sobre o caso. Cita doutrina e jurisprudência  judicial sobre o  tema.   Alega  que  não  é  cabível  a  utilização  das  provas  emprestadas  do  processo criminal. Cita doutrina sobre o tema.   Alega  que  as  provas  apresentadas  são  posteriores  a  2003,  ano  cujos  fatos  geradores  foram  glosados.  Alega  ainda  que  vários  dos  documentos apresentados não apresentam data.  Requer,  por  fim,  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  (fl.  1144),  REINALDO  DE  PAIVA  GRILLO  apresentou  impugnação  e  documentos  em  29/01/2009,  juntados às folhas 2246 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  que  o  impugnante  nunca  participou  do  contrato  societário  da  empresa MUDE nem da respectiva administração.   Alega  que  as  provas  colhidas  “referem­se  aos  exercícios  de  2004,  2005, 2006, 2007, mas nada referente ao exercício objeto da autuação,  2003”.  Alega que o impugnante é mero prestador de serviços de assessoria em  logística e comércio exterior.   Alega  que  desconhece  os  fatos  imputados  e  que  não  teve  acesso  aos  documentos e provas, não podendo adentrar no mérito da autuação.   Apesar da alegação de que não  teve acesso às provas,  segue  tecendo  comentários  sobre  as  provas  do  processo.  Alega  que  não  há  documentos  que  provem  que  o  impugnante  teve  benefício  financeiro  nas operações autuadas.   Alega  que  as  provas  apresentadas  são  precárias,  insuficientes  para  sustentar a imputação. Cita doutrina e jurisprudência.   Requer,  por  fim,  que  seja  julgado  improcedente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  (fl.  1145),  CARLOS  ROBERTO  CARNEVALI  apresentou  impugnação  e  documentos  em  20/01/2009,  juntados às folhas 2266 e seguintes, alegando em síntese:  Houve  evidente  violação  do  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório na imposição de sujeição passiva.  Alega que não seria aplicável a responsabilidade solidária do art. 124,  I do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.   Alega que não possuía vínculos com a empresa MUDE além de laços  de amizade. Alega que não era sócio oculto da empresa MUDE.   Alega que sua relação com Hélio Pedreira é puramente profissional e  de amizade sendo incabíveis as insinuações feitas pela fiscalização de  que ambos montaram um esquema de importações fraudulentas.  Fl. 32686DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.665          14 Contesta alegações sobre as operações da empresa União Digital, que  segundo  a  fiscalização  seria  a  antecessora  da  empresa  MUDE  nas  importações de produtos CISCO.  Alega  que  a  fiscalização  baseou  a  responsabilidade  em  diálogos  que  não se referem ao impugnante. Alega que tais provas não comprovam a  participação do impugnante na administração da empresa MUDE.  Alega  que  as  planilhas  que  apresentam  pagamentos  a  membros  do  grupo  MUDE/JDTC  apenas  sugerem  mas  não  comprovam  tais  operações.   Alega ser incabível a responsabilização do impugnante pelo art. 124, I  do CTN. Alega que as provas não demonstram o  interesse comum do  impugnante nos negócios da MUDE. Cita doutrina e jurisprudência.   Alega que a fiscalização interpretou de maneira equivocada o diálogo  entre o impugnante e a CISCO SYSTEM INC.   Alega  que  a  fiscalização  tenta  vincular  sua  pessoa  às  atividades  do  grupo JDTC/MUDE através de indícios e interpretações tendenciosas.  Alega  que  os  documentos  para  contra  prova  em  seu  favor  estão  em  poder da fiscalização.   Alega  que  as  mensagens  transcritas  às  fls.  13  a  15  do  Termo  de  Sujeição  Passiva  referem­se  a  diretrizes  fornecidas  para  atuação  da  empresa TORNADO e não da MUDE.   Alega  o  impugnante  que  na  época  das  operações  de  importação  autuadas,  2003,  não  era mais  responsável  pela  CISCO DO BRASIL,  exercendo a função de Vice­Presidente da CISCO para América Latina  e  México.  Alega  que  a  partir  de  2000  começou  a  se  afastar  do  operacional  da  empresa  CISCO DO  BRASIL.  Alega  que  a  partir  de  2007  quase  que  se  afasta  definitivamente  da  CISCO  DO  BRASIL.  Alega que prestava à época consultoria a diversas empresas incluindo  a  MUDE.  Alega  que  em  função  dessa  atividade  e  do  interesse  de  executivos  da  MUDE  para  que  o  impugnante  ingressasse  em  seu  Conselho  de  Administração,  passou  a  receber  documentos  dessa  empresa  para  análise  de  sua  situação  financeira.  Alega  que  esta  é  a  razão de ter sido encontrado organograma da empresa MUDE com seu  nome no Conselho de Administração.   Segue afirmando o impugnante que não possui qualquer relação com a  administração da empresa MUDE, apresentando mensagens sobre seu  desligamento do grupo CISCO e de sua relação não profissional com  os administradores da MUDE.   Alega  violação  ao  Princípio  da  Verdade  Material.  Afirma  que  a  autuação baseou­se em suposições.   Requer, por  fim, que  sejam acolhidas as preliminares de nulidade ou  que seja cancelada a sujeição passiva solidária do impugnante.  Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1147), CID GUARDIA  FILHO apresentou impugnação e documentos em 16/01/2009, juntados  às folhas 2705 e seguintes, alegando em síntese:  Fl. 32687DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.666          15 Alega  a  nulidade  da  autuação  visto  que  esta  estaria  embasada  em  provas  emprestadas  do  procedimento  criminal.  Cita  jurisprudência  sobre  o  tema.  Alega  que  tais  provas  não  foram  submetidas  ao  contraditório no âmbito do processo criminal.   Alega  que  parte  dos  documentos  que  envolvem  o  impugnante  são  relativos a períodos posteriores ao autuado (2003).   Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não  há  interesse  comum  do  impugnante  nas  saídas  de  mercadorias  da  empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência.   Alega  que  a  fiscalização  fundamentou  a  responsabilidade  do  impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos  em sua residência são relativos a acordo de assessoria entre a 3Tech  International e a CM Guardia Org. e Planejamento. Alega o mesmo em  relação  aos  documentos  apreendidos  na  empresa  CIDER  Assessoria  Empresarial.   Alega  que  os  vários  depoimentos  de  pessoas  que  confirmam  serem  laranjas  e  que  o  real  proprietário  das  empresas  importadoras  é  o  impugnante foram alterados na esfera judicial.   Alega  que  não  é  sócio  das  pessoas  jurídicas  que  realizaram  as  importações.   Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em  questão pois esta não tem natureza tributária.  Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores  anteriores a 18/12/2003.   Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a  sua  regularidade  fiscal  comprovada  no  bojo  de  procedimento  fiscal  previsto  na  IN  nº  228/2002,  sendo  vedada  a  alteração  do  critério  jurídico do lançamento, nos termos do art. 146 do CTN.   Alega que as  importações eram “por encomenda” nos  termos do art.  11 da Lei nº 11.281/2006.   Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da  Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº  11.488/07.   Requer,  por  fim,  que  seja  julgado  insubsistente  o  presente  auto  de  infração.  Intimado  do  Auto  de  Infração  em  18/12/2008  (fl.1148),  ERNANI  BERTINO  MACIEL  apresentou  impugnação  e  documentos  em  16/01/2009, juntados às folhas 2763 e seguintes, alegando em síntese:  Alega  a  nulidade  da  autuação  visto  que  esta  estaria  embasada  em  provas  emprestadas  do  procedimento  criminal.  Cita  jurisprudência  sobre  o  tema.  Alega  que  tais  provas  não  foram  submetidas  ao  contraditório no âmbito do processo criminal.   Fl. 32688DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.667          16 Alega  que  parte  dos  documentos  que  envolvem  o  impugnante  são  relativos a períodos posteriores ao autuado (2003).   Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não  há  interesse  comum  do  impugnante  nas  saídas  de  mercadorias  da  empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência.   Alega  que  a  fiscalização  fundamentou  a  responsabilidade  do  impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos  em  sua  residência  sequer  poderiam  ser  utilizados  para  embasar  exigência fiscal, pois se destinam exclusivamente a fins penais.   Alega  que  os  vários  depoimentos  de  pessoas  que  confirmam  serem  laranjas  e  que  o  real  proprietário  das  empresas  importadoras  é  o  impugnante foram alterados na esfera judicial.  Alega  que  não  é  sócio  das  pessoas  jurídicas  que  realizaram  as  importações.   Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em  questão pois esta não tem natureza tributária.  Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores  anteriores a 18/12/2003.   Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a  sua  regularidade  fiscal  comprovada  no  bojo  de  procedimento  fiscal  previsto  na  IN  nº  228/202,  sendo  vedada  a  alteração  do  critério  jurídico do lançamento, no termos do art. 146 do CTN.  Alega que as importações eram “por encomenda” no termos do art. 11  da Lei nº 11.281/2006.  Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da  Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº  11.488/07.  Requer, por fim, que seja julga insubsistente o Auto de Infração.  Não consta do processo impugnação de PEDRO LUIS ALVES COSTA.  Consta  às  fls.  2.905  uma  IMPUGNAÇÃO  COMPLEMENTAR,  protocolizada em 26/02/2010, da interessada, MUDE, onde é citado o  seguinte:  “.../...  5.  Devidamente  intimada  do  Auto  de  Infração  ora  em  combate,  a  Impugnante  apresentou  a  competente  Impugnação,  por meio  da  qual  demonstrou cabalmente, apoiada em fartas provas e sólido Direito, que  não merece prosperar o lançamento tributário em tela.   6. Devidamente  processado  o  feito,  os  autos  foram  encaminhados  à  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP  (“DRJ”),  a  qual,  em  09  de  dezembro  de  2009,  decidiu,  por  unanimidade  de  votos,  determinar  a  realização  de  diligência  para,  surpreendentemente, mesmo reconhecendo a ofensa ao contraditório e  Fl. 32689DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.668          17 à  ampla  defesa,  reabrir  prazo  para  apresentação  de  Impugnação  Complementar.  7. Assim entenderam os I. julgadores da DRJ, haja vista que as cópias  dos autos do processo não foram disponibilizadas em tempo hábil para  elaboração  da  Impugnação,  além  de  ter  havido  o  recebimento  simultâneo de diversos autos de infração, com prazo para impugnação  praticamente idênticos, nos últimos dias do ano fiscal de 2008.  Diante  disso,  foi  expedida  a  intimação  nº  175/2010  (doc.  02),  cientificando a Impugnante da referida decisão e concedendo­lhe prazo  de  30  (trinta)  dias  para  apresentação  da  presente  Impugnação  Complementar.  Conforme já amplamente demonstrado quando da Impugnação e apelo  quanto se verá adiante, não poderá prevalecer o Auto de Infração em  comento,  seja  por  conta  dos  vícios  contidos  no  procedimento  fiscalizatório  e  no  ato  de  lançamento,  seja  pela  inaplicabilidade  da  multa  à  Impugnante  ou,  ainda,  pela  inexistência  da  alegada  importação por conta e ordem, já que a Impugnante nunca antecipou  quaisquer  recursos  aos  importadores,  devendo  essa  D.  Turma  Julgadora declarar a insubsistência do lançamento da multa isolada.  .../...”  A  interessada  continua,  nos  parágrafos  seguintes,  ratificando  as  alegações da  Impugnação anterior,  reiterando,  inclusive, o pedido de  realização de perícia contábil.  Consta, também, às fls. 3.841 o Despacho de nº 8, de 06 de dezembro  de 2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Ribeirão Preto – SP:  “Apesar do encaminhamento anterior para a delegacia de origem, no  intuito  de  permitir  vistas  ou  cópias  do  processo,  em  verificação  posterior constatou­se tratar de impugnação contra de auto de infração  de multa regulamentar capitulada no inciso I do Decreto nº 4.544/2002  (artigo 83, I, da Lei nº4.502/1994), conforme abaixo:  Art.  490.  Sem  prejuízo  de  outras  sanções  administrativas  ou  penais  cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria  ou  ao  que  lhe  for  atribuído  na  nota  fiscal,  respectivamente  (Lei  nº  4.502, de 1964, art. 83, e Decreto­lei nº 400, de 1968, artº 1º, alteração  2ª)  I  ­  os  que  entregarem  a  consumo,  ou  consumirem  produto  de  procedência  estrangeira  introduzido  clandestinamente  no  País  ou  importado  irregular  ou  fraudulentamente  ou  que  tenha  entrado  no  estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido  registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver  dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou  nota fiscal, conforme o caso (Lei n 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e  Decreto­lei nº 400, de 1968, artº1º, alteração 2ª: e (...)   § 2º A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplica­se apenas às  hipóteses  de  produtos  de  procedência  estrangeira  introduzidas  Fl. 32690DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.669          18 clandestinamente  no  País  ou  importados  irregular  ou  fraudulentamente.  Conforme  a  Portaria  nº  1.916,  de  13  de  outubro  de  2010,  Anexo  I,  abaixo  transcrita,  a Delegacia de  Julgamento  em Ribeirão Preto não  tem  competência  para  apreciar  a matéria,  já  que  diz  respeito  ao  IPI  vinculado ao mercado externo (hipótese da multa aplicada ao consumo  de mercadoria de procedência estrangeira  introduzida clandestina ou  irregularmente  no  País  –  como  é  o  cado  dos  autos). A  competência  para  julgamento  desta  matéria  é  da  Delegacia  de  julgamento  São  Paulo II.”  O processo foi, então, encaminhado a esta DRJ­II para julgamento.  É o relatório.  O  pleito  foi  indeferido,  no  julgamento  de  primeira  instância,  nos  termos  do  acórdão DRJ/SPO  II no  17­48.340, de 10/02/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, cuja ementa dispõe, verbis:  Assunto: Imposto sobre a Importação – II  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003   Ementa  PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.   Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido em tempo hábil as  cópias de todas as peças embasadoras do feito, é facultada a vista ao  processo,  na  repartição  competente,  durante  o  prazo  legal  para  a  impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa,  ainda  mais  se  a  peça  impugnatória  demonstrar  a  inércia  do  impugnante e o conhecimento integral da imputação.  DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E  SIMULAÇÃO.  INICIO  DO  PRAZO:  1°  DIA  DO  EXERCÍCIO  SEGUINTE AO FATO GERADOR.  A regra é a contagem do início do prazo de decadência, nos casos de  lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput,  do CTN. Entretanto, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de  dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do  exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN).  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PROVA  EMPRESTADA  ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE  DO ART. 5º, XII DA CF   Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo  esta  sido  obtida  originalmente  para  fins  de  investigação  criminal  ou  instrução  processual  penal,  não  há  impedimento  para  sua  posterior  utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização  por magistrado competente.  MERCADORIA  IMPORTADA  IRREGULAR  OU  FRAUDULENTAMENTE.  ENTREGA A CONSUMO. MULTA  IGUAL  AO VALOR DA MERCADORIA.  Fl. 32691DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.670          19 Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a  consumo mercadoria  de  procedência  estrangeira  importada  irregular  ou fraudulentamente.  INFRAÇÃO. MULTA. SOLIDARIEDADE.  A  pessoa,  física  ou  jurídica,  que  concorra,  de  alguma  forma,  para  a  prática  de  atos  fraudulentos  ou  deles  se  beneficie  responde  solidariamente pelo crédito tributário decorrente.   QUESTIONAMENTO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO.  A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são  oponíveis na esfera administrativa.  O  julgamento  foi  no  sentido  de  tornar  improcedente  a  impugnação  com  as  seguintes conclusões:   ­Foi  montado  um  esquema  de  importações,  com  a  participação  de  várias  empresas  e  pessoas  físicas,  com  o  intuito  de  reduzir  o  pagamento de tributos incidentes na importação e na comercialização  de  produtos  estrangeiros.  Tal  esquema  era  conduzido  pela  empresa  MUDE  COMÉRCIO  E  SERVIÇOS  LTDA  e  tinha  como  beneficiária  direta  a  empresa  CISCO  DO  BRASIL  LTDA  ­As  práticas  ilegais  incluíam a interposição fraudulenta na importação com a conseqüente  simulação de negócios jurídicos e a falsificação de faturas comerciais.  ­As  pessoas  físicas  autuadas  como  responsáveis  solidários  neste  processo tinham ciência das práticas fraudulentas e agiram de forma a  operacionalizar tais atividades ilegais.  ­Foram  postas  a  consumo  mercadorias  de  procedência  estrangeira  importadas através de tais práticas fraudulentas, tipificando­se assim a  multa aplicada.  ­Dessa forma, voto pela improcedência das impugnações apresentadas,  mantendo­se na integralidade o crédito tributário lançado.  ­O  presente  processo  deve  ser  encaminhado  à  repartição  de  origem,  para  efeito  de  ciência  da  decisão  aos  interessados,  exceto  a PEDRO  LUIZ ALVES COSTA, em razão da revelia, prosseguindo­se o presente  na forma da legislação em vigor.  Como  já  relatado,  todos  apresentaram  impugnação,  com exceção do Sr.  Pedro  Luís Alves Costa, tendo sido declarada revelia.  Cientificados, conforme folhas 3769/3782 do resultado do julgamento da DRJ, a  empresa Mude e quase todos os solidários apresentaram recursos voluntários, exceto sr. Luiz  Scarpelli Filho, que consta a informação que não mais reside no País (inclusive afixado edital  de ciência).   Consta Termo de Perempção, à fl. 3177 (Luiz Scarpelli Filho).  Fl. 32692DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.671          20 Dessa  forma,  interpuseram  a Mude  e  os  solidários,  menos  Sr.  Luiz  Scarpelli  Filho,  os  recursos  voluntários,  cujos  fundamentos,  em  grande maioria  comuns,  repisados  da  impugnação, que se passa a análise.  A PGFN apresentou as contrarrazões aos recursos voluntários apresentados.  O  processo  digitalizado  foi  distribuído  e  encaminhado  a  Conselheira  Mércia  Helena Trajano D’Amorim.  A 1ª Turma da 2ªCâmara da 3ª Seção de Julgamento, em sessão de 25/02/2013,  decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que o responsável solidário sr. Pedro  Luiz Alves Costa  fosse cientificado do acórdão proferido pela DRJ/SPO  II,  com abertura de  prazo para defesa.  Apresentou,  então  o  Sr.  Pedro  Luiz  Alves  Costa  recurso  voluntário,  no  qual  alega não ter sido intimado da lavratura do auto de infração, apenas do acórdão da DRJ/SP II, e  desta forma sustenta a nulidade da intimação do Termo de Sujeição Passiva Solidária.  A Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim  O presente processo foi então distribuído a este Conselheiro.  É o relatório.  O responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa alega não ter sido intimado  da lavratura do Auto de Infração que lhe imputa responsabilidade solidária.  O Sr. Pedro Luiz Alves Costa não apresentou impugnação ao lançamento.  Em  relação  aos  argumentos  expostos  pelo  responsável  solidário,  consta  do  presente processo Aviso de Recebimento – AR – de fls. 1141 que atesta que a  intimação do  termo de sujeição passiva solidária teria sido efetuada no endereço “Rua Gabriele D’Annunzio,  125, apto 111, Campo Belo, São Paulo/SP”, recebido pelo Sr. Agnaldo Brito.  O AR que comprova a intimação em relação ao Acórdão recorrido (fls. 32575),  contudo,  apresenta  como  endereço  do  destinatário  “Rua  Humaitá,  2101  apto  71  Centro,  Araraquara/SP”,  tendo  o  recorrente  apresentado  documento  que  comprova  ser  esta  a  sua  residência atual (fls. 32605).  Em sendo estes os  fatos, verifico não constar do presente processo informação  necessária para o julgamento da lide, qual seja o domicílio tributário declarado ao Fisco pelo  responsável  solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa na data em que  foi cientificado do auto de  infração, qual seja 18/12/2008.  Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a  unidade de origem esclareça qual o domicílio  tributário  informado ao Fisco pelo responsável  solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa na data em que foi cientificado do auto de infração, qual  seja, 18/12/2008.  Realizada a diligência, o  responsável  solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa e a  PGFN  devem  ser  intimados  de  seu  resultado,  sendo­lhes  concedido  prazo  de  30  dias  para  manifestação, se assim desejarem.  Fl. 32693DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/2008­02  Resolução nº  3201­000.562  S3­C2T1  Fl. 32.672          21 Realizados os procedimentos, devem os autos  retornar a este Conselheiro para  prosseguimento no julgamento.  Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto  Fl. 32694DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 10665.900330/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS não-cumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC). A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório.
Numero da decisão: 3401-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ROBSON JOSE BAYERL - Presidente. RELATOR - AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS não-cumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC). A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ROBSON JOSE BAYERL - Presidente. RELATOR - AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L     2   NOME DO REDATOR ­ Redator designado.  EDITADO EM: 03/03/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Robson  Jose Bayerl  (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo  Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e  Elias Fernandes Eufrásio.    Relatório  Cuidam  os  autos  de  Declaração  de  Compensação  apresentada  pela  ora  Recorrente em 15 de fevereiro de 2005, na qual alegou possuir direito de crédito decorrente de  pagamento indevido ou a maior, efetuado por Documento de Arrecadação de Receitas Federais  (DARF) referente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) não­cumulativa.   Em 18 de fevereiro de 2009,  foi emitido despacho decisório cientificando a  Recorrente  da  não  homologação  da  compensação  declarada,  sob  o  fundamento  de  que  inexistiria o direito de crédito pleiteado, e intimando a Recorrente para pagamento dos "débitos  indevidamente  compensados"  lançados,  nas quantias históricas de R$ 15.983,17  (quinze mil,  novecentos e oitenta e três reais e dezessete centavos), a título de principal, R$ 3.196.63 (três  mil, cento e noventa e seis  reais e sessenta e  três centavos), a  título de multa, e R$ 8.664,43  (oito mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e quarenta e três centavos), a título de juros.   Em  02  de  abril  de  2009,  a  Recorrente  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade (fls.02­04 dos autos), defendendo a existência de crédito, pela exposição dos  seguintes  esclarecimentos:  "Após o pagamento descrito  foi  constatado que a  importância do  respectivo DARF, foi paga indevidamente. A empresa supra citada declarou através da DCTF  que recolheu a importância descrita acima, dando a como devida. Entretanto a empresa não  efetuou  a  retificação  da  DCTF  referente  ao  4º  Trimestre  de  2004,  onde  foi  declarado  o  recolhimento indevido. Por este motivo Secretaria da Receita Federal do Brasil esta alegando  que  o  crédito  é  improcedente.  Então  a  empresa Organizações  Francap  S/A  providenciou  a  retificação da DCTF referente ao 4º Trimestre de 2004, como consta cópia em anexo. O valor  descrito  acima  foi  utilizado  através  de PER/DCOMP para  efetuar  compensações  de  débitos  posteriores,  conforme  consta  nas  PER/DCOMPs  anexas  a  esta  manifestação  de  inconformidade" (grifos nossos).  A DCTF retificadora mencionada pela Recorrente foi apresentada na mesma  data  do  protocolo  da  Manifestação  de  Inconformidade,  dia  02  de  abril  de  2009,  como  se  verifica às fls. 42 dos autos.   Em  sessão  de  julgamento  do  dia  24  de  maio  de  2012,  a  DRJ/BHE  não  reconheceu  o  direito  creditório,  julgando  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  pelos  seguintes  motivos:  "Em  essência,  a  interessada  limita­se  a  alegar  que  seu  direito  creditório contra o Fisco da União estaria assegurado pela mera retificação de Declaração de  Débitos  e Créditos  Tributários  Federais  – DCTF,  sem  se  dar  ao  trabalho  de  demonstrar  a  efetiva ocorrência de erro que houvesse redundado em pagamento indevido ou a maior. Ora,  só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e  Fl. 458DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/2009­83  Acórdão n.º 3401­003.053  S3­C4T1  Fl. 458          3 certeza, o que não ocorre no caso presente. O ônus da prova recai sobre quem afirma: se a  interessada alega haver realizado pagamento excessivo, incumbe­lhe apresentar um conjunto  probatório  robusto  desta  alegação,  como  determina  o  artigo  16  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972 (...)" (fls. 75).  Contra  essa  decisão,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  em  19  de  julho de 2012, no qual alegou que o crédito decorreria de pagamento indevido de PIS do mês  de dezembro de 2004 e estaria demonstrado pelo conjunto de documentos acostados aos autos.   Esse  recurso  foi  distribuído  à  1ª  Câmara,  2ª  Turma Ordinária,  da  Terceira  Seção  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  que,  em  sessão  de  julgamento do dia 24 de abril de 2014, resolveu converter o julgamento do Recurso Voluntário  em diligência, nos termos do voto da relatora.   Naquela  oportunidade,  entendeu  o  colegiado  que  "a  alegação  de  erro  na  DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III,  do  PAF,  não  podendo  ser  considerada  como  sem  efeito  jurídico  a  transmissão  de  DCTF  retificadora após o despacho decisório" (fls. 241­242). Diante disso, "verificando a existência  nos  autos  de  indícios  de  que  efetivamente  ocorreu  um  erro  na  apuração  do  tributo,  o  que  possivelmente motivou a apresentação de DCTF retificadora, e considerando o que dispõe o  art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para  suprir  deficiências  do  processo",  foi  proposta  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  à  repartição  de origem,  "para  que  verifique  se  está  correto  o  valor  indicados  pela Recorrente  como de saldo credor de PIS relativo ao mês de dezembro de 2004 (R$ 84.044,43)" (fls. 242).  Em  seguida,  os  autos  foram  encaminhados  à  origem,  a  Recorrente  foi  intimada  e  apresentou  a  documentação  exigida,  sendo  após  elaborado  o  "Relatório  Saort/DRF/DIV, de 1º de dezembro de 2014" (fls. 426­440).  Em 11 de dezembro de 2014, a Recorrente foi cientificada do relatório fiscal  e da oportunidade de se manifestar a respeito do resultado da diligência ali relatado dentro de  30  (trinta)  dias,  conforme  fls.  441­433.  Porém,  transcorrido  tal  prazo  sem  qualquer  manifestação,  como  atestado  no  "Despacho  de  Encaminhamento"  constante  às  fls.  443,  os  autos retornaram ao CARF, para julgamento.  É o relatório.          Voto             Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA  Fl. 459DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L     4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de  modo que dele tomo conhecimento.   Para  elaboração  do  relatório  fiscal  de  fls.  141­428,  o  i.  Fiscal  solicitou  à  Recorrente: "a) memórias de cálculo da apuração de COFINS e PIS/PASEP, relativas ao 4º  trimestre de 2004, com detalhamento mensal da base de cálculo da contribuição e dos créditos  apurados, indicação das contas contábeis analíticas envolvidas (código contábil e descrição),  citação  das  bases  legais  utilizadas  para  isenção,  alíquota  zero  ou  diferenciada  e  aproveitamento de demais créditos  incentivados; b)  livros Diário e Razão do ano­calendário  2004"  e  realizou  o  cotejo  dessa  documentação  com  "os  valores  constantes  das  declarações  apresentadas  ao  Fisco,  especificamente  as  DCTF  original  e  retificadora  e  o  DACON  referentes ao 4º trimestre de 2004".  Nesse  trabalho,  verificou  que  a  Recorrente  apurou  créditos  em  relação  aos  montantes  integrais  das  rubricas  “Custo  da  Fazenda”,  "Custo  do  Incubatório”,  “Custo  do  Abatedouro”,  “Custo  de  Belo  Horizonte”,  “Custo  de  Brasília”  e  “Custo  de  Contagem”.  O  detalhamento de cada uma dessas rubricas, com as respectivas contas contábeis se encontra no  Anexo I do relatório fiscal, às fls. 434­435.   Então, seguindo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º,  § 4º c/c o § 9º, inciso II, e partindo do conceito mais restrito de insumos para fins de desconto  de  créditos  da  PIS  e  COFINS  não­cumulativa,  entendeu  o  i.  Fiscal  que  haveria  "evidente  alargamento da base de cálculo do crédito pelo sujeito passivo, que enquadrou todos os custos  no conceito de insumo utilizado na prestação de serviço ou na fabricação ou produção de bens  para venda".  Assim,  pela  análise  das  contas  contábeis  utilizadas  pela  Recorrente  como  insumos, identificou o i. Fiscal o seguinte: "a) se enquadram no conceito de insumo, como por  exemplo  combustíveis  e  lubrificantes;  b)  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo,  como  telefone;  c)  não  é  possível  determinar  o  enquadramento  ou  não  no  conceito  somente  pela  descrição da conta, porque a descrição é genérica, como, por exemplo, manutenção de aves; e  d) não é possível determinar o enquadramento ou não no conceito somente pela descrição da  conta, como fretes e carretos, porque depende do que está sendo transportado e da origem e  do destino do serviço de transporte" (fls. 430). Em seguida, explicitou a metodologia adotada  em  seu  relatório  fiscal,  ao  afirmar  que  "será  levantado  o  montante  do  crédito  apurado  em  relação aos encargos que não se enquadram no conceito de insumo."  Portanto,  para  verificar  se  o  saldo  credor  apontado  pela  Recorrente  para  o  mês de dezembro de 2004 estaria correto, o i. Fiscal inicialmente se limitaria a conferir e glosar  os  valores  de  créditos  referentes  às  aquisições  que,  de  plano,  a  partir  do  conceito  por  ele  adotado, não pudessem se enquadrar como insumos, pois, na hipótese de a glosa nessa parte ser  igual ou superior ao saldo credor afirmado pela Recorrente, restariam desnecessárias maiores  investigações  em  relação às outras  categorias por  ele  identificadas,  tais  como  as  contas  com  descrição  genérica e  aquelas  em que  faltava  informação para  se  aferir  a  qualificação ou não  como insumo.  Nesse  sentido,  dentre  as  6  (seis)  rubricas  acima  mencionadas,  o  i.  Fiscal  glosou  todos os  custos  computados  como  insumos  referentes  aos  centros de custo  "Custo de  Brasília"  e  "Custo  de  Contagem",  pois  seriam  relativos  a  estabelecimentos  comerciais  (fls.  431).  E, com relação aos demais centros de custo, “Custo da Fazenda”, "Custo do  Incubatório”,  “Custo do Abatedouro”,  “Custo de Belo Horizonte”,  a partir  da  relação com a  Fl. 460DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/2009­83  Acórdão n.º 3401­003.053  S3­C4T1  Fl. 459          5 descrição de contas contábeis e respectivos valores, o i. Fiscal indicou no Anexo II do relatório  fiscal cada uma das contas que entendeu não se enquadrarem como insumos (fls. 436­440).   Com isso, o i. Fiscal demonstrou o saldo de crédito no mês de dezembro de  2004,  ajustando a apuração dos  créditos de PIS/PASEP e COFINS  apresentada no DACON,  com as glosas de créditos calculadas, contemplando,  inclusive, o saldo de crédito  transferido  para  o  mês  de  janeiro  de  2005,  tendo  em  vista  o  seu  aproveitamento  naquele  mês,  como  informado na DACON do 1º trimestre de 2005.   Ao final, conclui o relatório fiscal:   "1)  o  sujeito  passivo  creditou­se  indevidamente  de  encargos  enquadrados  incorretamente como insumos;  2) o Fisco calculou os créditos indevidos em relação aos encargos registrados  em contas contábeis cuja própria descrição permite determinar se enquadra­ se ou não no conceito de  insumo. Os valores  apurados de  crédito  indevido  foram R$ 20.820,44  (vinte mil, oitocentos e vinte  reais  e quarenta e quatro  centavos)  e  R$  95.900,23,  relativos  a  PIS/PASEP  e  COFINS,  respectivamente;  3) constatou­se que esses valores de crédito indevido apurados são superiores  aos valores pagos, objeto da discussão administrativa;   4) adicionalmente, apurou­se o saldo de crédito do mês de dezembro de 2004  corrigido  conforme  as  glosas  de  crédito  indevido  e  constatou­se  saldo  devedor nos montantes de R$ 20.820,44 (vinte mil, oitocentos e vinte reais e  quarenta  e  quatro  centavos)  e  R$  95.900,23,  relativos  a  PIS/PASEP  e  COFINS, respectivamente;  5) dessa forma, conclui­se que os pagamentos realizados nos valores de R$  20.078,51  (vinte mil,  setenta  e  oito  reais  e  cinqüenta  e  um  centavos)  e  R$  84.044,43  (oitenta  e  quatro  mil,  quarenta  e  quatro  reais  e  quarenta  e  três  centavos),  referentes  a  PIS/PASEP  e  COFINS,  respectivamente,  são  devidos".  Como  se  verifica,  a  questão  que  se  coloca  nos  autos  é  se  a  declaração  de  compensação  apresentada  pela  Recorrente,  com  direito  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  PIS  do  mês  de  dezembro  de  2004,  deve  ser  homologada,  devendo­se, para tanto, proceder ao exame da existência de saldo credor de PIS que justificaria  o alegado pagamento indevido no mês em referência.   Nos termos do artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional ­  CTN),  "a  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a  Fazenda pública". (grifos nossos)  Na esfera  federal,  o  instituto da  compensação está previsto no  artigo 74  da  Lei  nº  9.430/1996,  atualmente  regulamentado  pela  Instrução Normativa RFB nº  1300/  2012,  sendo essencial para a homologação da compensação, com a conseqüente extinção do débito  Fl. 461DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L     6 apontado na declaração de compensação, na forma do artigo 156, II, do CTN1, a existência de  crédito líquido e certo a ser compensado.   Assim,  no  exame  da  declaração  de  compensação  apresentada  pelo  contribuinte,  a  autoridade  administrativa,  caso  entenda  que  não  está  presente  o  direito  creditório, seja por ausência de certeza ou de liquidez, deverá não homologar a compensação e  lançar os valores referentes aos tributos indevidamente compensados, como previsto no artigo  74, §7º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: "§ 7o Não homologada a compensação, a autoridade  administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá­lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta)  dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente  compensados".  A  decisão  de  não­homologação  deverá  ser  sempre  fundamentada,  com  a  descrição  dos  motivos  pelos  quais  o  pedido  do  contribuinte  é  indeferido  e  respectivo  enquadramento  legal,  sendo possível  ao  contribuinte  impugnar  a decisão,  com o  objetivo  de  demonstrar o seu direito à compensação, instaurando­se a fase litigiosa do procedimento, que  seguirá  o  rito  do  Decreto  70.235/1972.  É  o  que  dispõe  o  artigo  74,  §§9º  a  11º,  da  Lei  nº  9.430/1996, abaixo transcrito:   "§ 9o É  facultado  ao  sujeito passivo, no prazo  referido no § 7o,  apresentar  manifestação de inconformidade contra a não­homologação da compensação.  § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade  caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.  § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e  10  obedecerão  ao  rito  processual  do Decreto  no  70.235,  de  6  de março  de  1972, e enquadram­se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário  Nacional,  relativamente  ao  débito objeto da compensação".  Dessa forma, optando por desafiar a decisão da autoridade administrativa, o  contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade, na qual deverá constar, dentre  outros  requisitos,  "os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância e as razões e provas que possuir" (Artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972).   Quanto à produção de prova, determina o Artigo 16, §4º, alíneas a, b e c, do  Decreto 70.235/1972: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  "a)  fique  demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente trazidas aos autos".  Com  isso,  se  de  um  lado,  a  autoridade  administrativa  deve  fundamentar  a  exigência fiscal, com a descrição do fato, a determinação exigida e o fundamento legal para o  lançamento (artigo 142 do CTN), de outro, o contribuinte, nas oportunidades de audiência no  curso  do  processo,  deve  apresentar  as  razões  de  fato  e  de  direito  que  demonstrem  o  descabimento do lançamento, produzindo as provas necessárias para tanto.   Como  bem  observa  a  doutrina,  "direito  à  produção  da  prova,  direito  à  apreciação  da  prova  e  direito  à  impugnação  da  prova,  desenvolvem­se,  assim,  paritária  e  dialeticamente, ocupando ambas as partes (contribuinte e Administração fiscal) uma posição                                                              1 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II ­ a compensação;  Fl. 462DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/2009­83  Acórdão n.º 3401­003.053  S3­C4T1  Fl. 460          7 igual  na  instrução  do  processo  e  apresentando  as  suas  razões  em  termos  de  controvérsia  formal, mediante atos obrigatoriamente fundamentados, que ensejam a exposição do ponto de  vista contrário".2 (grifos nossos)  Além  disso,  segundo  o  artigo  333  do  Código  de  Processo  Civil,  aplicável  subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito,  e  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  do  autor. A  respeito,  comenta  a  doutrina:  "compete,  em  regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato  que  fizer.  A  parte  que  alega  deve  buscar  os  meios  necessários  para  convencer  o  juiz  da  veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada  no seu reconhecimento e acolhimento".3  No que se refere à aplicação dessa regra ao processo administrativo fiscal, a  doutrina afirma:   "Como regra geral, cabe àquele que pleiteia um direito provar os fatos, sendo  facultada  a  outra  parte  reagir  à  pretensão  e  infirmá­la  com  novas  provas.  Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, se quer saber quem cabe a  obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do  convencimento do julgador.   (...)  Para  o  exercício  desses  direitos  e  garantias  fundamentais,  é  necessário  assegurar  o  acesso  aos  interessados  à  informação  dos  atos  processuais  e  possibilitar  a  reação  contra  os  desfavoráveis,  ou  seja,  uma  vez  informada  sobre o ato  lesivo a  seu  interesse, é  facultado à parte  contrária o direito  ao  contraditório.   No processo  administrativo  fiscal,  tem­se  como  regra  que  o  ônus  da  prova  recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  deverá  apresentar  a  prova  de  sua  ocorrência.  Se,  por  outro  lado,  o  contribuinte  aduz  a  inexistência  da  ocorrência  do  fato  gerador,  igualmente,  terá  que  provar  a  falta  dos  pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes"4.  No  presente  caso,  como  já  relatado,  a  decisão  recorrida  entendeu  que  a  compensação  não  poderia  ser  homologada,  em  razão  da  ausência  de  liquidez  e  certeza  do  direito de crédito, pois, segundo a decisão recorrida, a Recorrente teria deixado de apresentar  um conjunto probatório robusto do alegado direito.   Essa  apontada  ausência  de  direito  de  crédito  foi  corroborada  pelo  relatório  fiscal que, realizando uma série de glosas em créditos apurados pela Recorrente sob o regime  não­cumulativo da PIS/COFINS, concluiu que o saldo credor considerado pela Recorrente, na  realidade, era menor, sendo devido o pagamento realizado pela Recorrente a  título de PIS no                                                              2 Xavier. Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. 2ª Edição. Rio de  Janeiro. Forense. 2001. p. 319.  3  Curso  de Direito  Processual Civil.  Vol.  02.  Fredie Didier  Jr.,  Paula Braga, Rafael  de Oliveira.  Edição  2013.  Editora Juspodivm. p. 81­85.  4  "Aspectos  Formais  e  Materiais  no  Direito  Probatório".  Marcos  Vinicius  Neder.  In  "A  Prova  no  processo  tributário". São Paulo. Ed. Dialética. 2010. p. 19.  Fl. 463DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L     8 mês de dezembro de 2004, o que fulminaria sua alegação de pagamento indevido e o direito de  crédito.  Contra tais conclusões, a Recorrente não teceu qualquer comentário.   Mesmo tendo sido intimada do relatório fiscal e do prazo de 30 (trinta) dias  para apresentar manifestação a respeito, a Recorrente permaneceu silente, não aproveitando a  oportunidade de audiência para expor o fundamento legal do seu direito de crédito e de fazer  prova a seu favor.   Nesse  cenário,  tendo  a  autoridade  fiscal  demonstrado  os  motivos  e  fundamentos da exigência fiscal, entendo que caberia à Recorrente apresentar as razões de fato  e de direito que dessem suporte à utilização dos créditos glosados, com o detalhamento de cada  uma das contas contábeis glosadas, as notas  fiscais correspondentes,  a descrição do processo  produtivo  de  cada  estabelecimento,  a  vinculação  entre  as  aquisições  de  bens  e  serviços  e  o  respectivo processo produtivo de cada estabelecimento, para fins de demonstração de eventual  pertinência/essencialidade  do  insumo  em  relação  ao  respectivo  processo  produtivo  (REsp  1246317/MG,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em  19/05/2015),  o  fundamento  legal  para  a  utilização  do  crédito  em  cada  caso,  dentre  outras  informações e documentos que lhe fossem úteis para infirmar as conclusões do relatório fiscal.  Em caso similar ao aqui tratado, este Conselho manifestou entendimento, no  sentido de que é "do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os  elementos  defensórios  por  ele  alegados,  não  podendo  a  administração  substituí­lo  em  tal  papel", como se confere pela ementa e voto a seguir transcritos.   Ementa:  "(...) Na realidade em exame, em que pese a designação de alguns serviços  indicar a possibilidade de adequação de sua natureza à de insumo segundo o  regime  da  nãocumulatividade,  a  interessada,  repetindo  a  mesma  conduta  adotada  na  primeira  instância,  não  pontuou  nos  autos  os  documentos  que  porventura  poderiam  comprovar  a  utilização  do  produto  ou  do  serviço  no  processo  industrial,  muito  menos  apresentou  qualquer  levantamento  de  cálculo  ou  documentação  de  caráter  técnico,  fato  que  impossibilitou  a  aceitação como insumo dos itens reclamados. (...)"  Trecho do Voto do Relator:  "Com efeito, os autos carecem de indicativo quanto às correspondentes notas  fiscais de aquisição dos serviços ou eventuais elementos de conteúdo técnico  suficientes para  subsidiar  a  análise no que  concerne  à  sua quantificação  ou  mesmo  à  subsunção  ao  conceito  de  insumo,  ou  seja,  o  bem  ou  serviço  necessário ao processo produtivo da  recorrente. Com efeito, diferentemente  da  fiscalização,  que  elencou  os  serviços  glosados  (anexo  I  fls.  301/304),  o  sujeito  passivo  não  cuidou  de  indicar  as  correspondentes  notas  fiscais  alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na  apuração  do  crédito,  cuja  descrição  da  transação  poderia  trazer  elementos  mais  esclarecedores  para  a  sua  eventual  consideração  como  insumo. Muito  menos  laborou  em  trazer  um  demonstrativo  que  quantificasse  o  correspondente montante,  necessário  para  um  exame  pontual  dos  itens  nos  quais se baseara.   Fl. 464DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/2009­83  Acórdão n.º 3401­003.053  S3­C4T1  Fl. 461          9 Tais  elementos,  com  efeito,  deveriam  ter  sido  colacionadas  aos  autos  pela  interessada,  o  que  afirmo  com  esteio  no  inciso  II  do  artigo  333  do  CPC,  aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus  da  prova  incumbe  “ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a  obrigação  de  apresentar  as  provas  que  alicerçam  os  elementos  defensórios  por ele alegados, não podendo a administração substituí­lo em tal papel.  Assim,  diante da  imprecisão  da  peça  de  defesa  e  da  deficiência  probatória,  não vejo outra saída senão rejeitar os argumentos da suplicante". (Processo nº  13971.001498/200513;  Acórdão  nº  3802004.257;  2ª  Turma  Especial  da  3ª  Sessão  de  Julgamento;  Sessão  de  19/03/2015;  Recorrente:  Buettner  S.A.  Indústria e Comércio; Recorrida Fazenda Nacional; Relator: Francisco José  Barroso Rios)  Portanto,  ante  o  exposto,  a  ausência  de  manifestação  da  Recorrente,  impugnando  o  relatório  de  diligência  fiscal,  somada  à  inexistência  de  outras  informações  e  documentos nos autos que porventura pudessem justificar a utilização dos créditos, implicam a  impossibilidade  do  reconhecimento  do  direito  creditório,  motivo  pelo  qual  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário interposto.    Relator  AUGUSTO  FIEL  JORGE  D'  OLIVEIRA                                Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L

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Numero do processo: 10980.724662/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF tem competência para apreciar procedimentos compensatórios efetuados pelos contribuintes, desde que esta matéria tenha sido tratada em primeira instância no bojo de processo de pedido de compensação ou em lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 413          1  412  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.724662/2011­05  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.899  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de janeiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  INEPAR ADMINISTRACAO E PARTICIPACOES S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  POR  FORÇA  DE  AJUIZAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA.  Não  ocorreu  na  espécie  a  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições  lançadas  em  razão  do  sujeito  passivo  haver  ingressado  em  juízo  com  o  propósito  de  afastar  os  lançamentos  decorrentes  de  glosa  de  compensação,  posto que nem houve decisão liminar acolhendo seu pleito, nem depósito do  valor integral do crédito discutido judicialmente.  COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE TÍTULOS  DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA.  INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO  FALSA  NA  GFIP.  APLICAÇÃO  DE  MULTA  ISOLADA.  PROCEDÊNCIA.  O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente  sobre  as  quantias  indevidamente  compensadas,  quando  insere  informação  falsa  na GFIP,  declarando  créditos  que  sabidamente  não  eram  passíveis  de  compensação  com  contribuições  sociais,  como  é  o  caso  dos  valores  decorrentes de apólices da dívida externa.  MULTA  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.  Não  pode  a  autoridade  fiscal  ou  mesmo  os  órgãos  de  julgamento  administrativo  afastar  a  aplicação  da  multa  legalmente  prevista,  sob  a  justificativa de que tem caráter confiscatório.  JUROS  SELIC.  INCIDÊNCIA  SOBRE  OS  DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS  ADMINISTRADOS PELA RFB.   A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 62 /2 01 1- 05 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  APRECIAÇÃO  DE  PROCEDIMENTOS  DE  COMPENSAÇÃO.  COMPETÊNCIA DO CARF.  O  CARF  tem  competência  para  apreciar  procedimentos  compensatórios  efetuados pelos  contribuintes,  desde que  esta matéria  tenha  sido  tratada  em  primeira  instância  no  bojo  de  processo  de  pedido  de  compensação  ou  em  lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas.  PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer  em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF  e, no mérito, negar provimento ao recurso.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie  Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/2011­05  Acórdão n.º 2402­004.899  S2­C4T2  Fl. 414          3    Relatório  Trata­se de recurso  interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 06­ 41.055 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ  em Curitiba  (PR),  que  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  para  desconstituir  os  Autos de Infração – AI a seguir:  a) AI n.º 51.002.427­0: exigência das contribuições patronais decorrentes de  glosas de compensação;  b) AI n.º 51.002.430­0: aplicação de multa em razão de declaração indevida  de créditos compensáveis, no patamar de 150% sobre os valores indevidamente compensados.  Nos  termos  do  Relato  Fiscal,  a  INEPAR  efetuou  compensação  de  contribuições  previdenciárias  devidas  nas  competências  01/2007  a  13/2009  diretamente  com  títulos da dívida pública do Estado do Rio de Janeiro, emitidos em 1927.  Afirma que é de conhecimento notório que esses títulos não se prestam para  compensação de tributos federais, tendo ficado caracterizado o caráter doloso do procedimento  adotado pela empresa para deixar de recolher as contribuições lançadas.  O  fisco  afirma  ainda  que  após  o  início  do  procedimento  fiscal  a  empresa  ajuizou  ação  judicial  objetivando  a  suspensão  da  exigibilidade  de  créditos  decorrentes  de  glosas  de  compensação  no  período  de  12/2008  a  03/2011,  a  qual  teve  o  pedido  de  liminar  indeferido.  Menciona­se ainda que a empresa informou haver desistido da compensação  para  o  período  de  01/2007  a  11/2008,  para  inclusão  dos  valores  devidos  em  parcelamento  especial,  todavia,  não  houve  a  comprovação  da  consolidação  dessa  parcela  na  moratória  mencionada.  Cientificada  do  lançamento,  a  empresa  apresentou  impugnação  na  qual  postula  a  nulidade  das  lavraturas,  haja  vista  que  a  empresa  não  cometeu  as  ilicitudes  ali  apontadas.  Advoga  que  o  fisco  partiu  de  premissas  equivocadas  para  construir  o  seu  raciocínio acerca do suposto ilícito tributário apontado nos AI.  Assevera que ajuizou ação visando à declaração da justeza do procedimento  compensatório  levado  a  efeito,  onde  relaciona  todos  os  tributos  confessados  e  extintos  pela  compensação. Nesse sentido, enquanto pendente de julgamento a referida ação,  falta ao fisco  interesse de agir, uma vez que a discussão dos débitos já se encontra em juízo.   Sustenta  que  o  art.  374  do  Código  Civil  autoriza  a  possibilidade  de  pagamento de quaisquer tributos através de ativos financeiros oriundos da dívida pública.  Defende  que  a  multa  por  declaração  falsa  de  compensação  é  arbitrária,  configurando­se em penalidade contra ato lícito praticado por contribuinte de boa fé, que busca  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4  o reconhecimento do seu direito de compensação perante demanda administrativa e também na  esfera judicial.  Pede  que  se  reconheça  a  inconstitucionalidade  das  multas  exorbitantes  e  aplicadas  de  forma  cumulativa  e  ainda  que  se  reduzam  os  juros  aplicados,  posto  que  a  taxa  Selic não se presta para fins tributários.  Aduz que os agentes do fisco não podem exigir tributos que sabem que não  são devidos, sob pena de sofrerem as sanção prevista no § 1.º do art. 316 do Código Penal.  Defende  que  a  compensação  foi  efetuada  com  base  em Apólice  da Dívida  Externa  representativa de empréstimo contraído pelo Estado, que  tem contornos de certeza e  liquidez, sendo possível sua compensação com tributos.  Advoga que a taxa de juros Selic não pode ser utilizada para fins tributários.  Ao final, requereu a declaração de improcedência as lavraturas.  Na decisão de primeira instância, os lançamentos foram mantidos na íntegra.  Acerca  da  compensação  realizada  nas  competências  12  e  13/2008,  a  DRJ  entendeu  que  não  caberia  apreciar  os  argumentos  defensórios  em  razão  da  concomitância  destes  com  as  questões  levadas  ao  judiciário  pelo  sujeito  passivo  na  ação  n.º  33158.80.2011.4.01.3400.   Não se acatou a afirmação de que a exigibilidade dessas duas competências  estaria suspensa em razão da ação  judicial proposta. Entendeu­se que a mera  interposição de  ação ordinária, desacompanhada de depósito judicial do montante integral do débito lançado ou  sem a concessão de liminar/tutela antecipada, não tem o condão de suspender a exigibilidade  do crédito tributário,  Passa­se,  então,  a  analisar  apenas  a  discussão  acerca  da  validade  do  lançamento para as competências de 01/2007 a 11/2008.  Foi  afastado  o  argumento  de  que  a  compensação  das  contribuições  com  títulos  da  dívida  pública  teria  amparo  no  art.  374  do  Código  Civil.  Segundo  a  decisão  este  dispositivo encontra­se revogado e a compensação tributária deve observar as normas do CTN  e a legislação previdenciária.  Conclui  que  não  há  permissivo  legal  para  que  eventual  crédito  oriundo  de  título  da  dívida  pública  pertencente  à  impugnante  possa  ser  utilizado  na  compensação  de  contribuições previdenciárias devidas pela empresa, já que não se trata de crédito de natureza  previdenciária recolhido indevidamente, aliás, nem ao menos se trata de crédito tributário.  De outra banda, afirma­se que as contribuições lançadas, por não terem sido  declaradas  em GFIP  até  a  data  limite para  sua  inclusão  no  parcelamento  especial  da Lei  n.º  11.941/2009, podem sim ser exigidas, não havendo causa de suspensão da sua exigibilidade.  Conclui­se ainda que de fato a empresa incorreu em falsidade ao declarar na  GFIP  créditos  que  sabidamente  não  são  passíveis  de  compensação  com  contribuições  previdenciárias.  Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/2011­05  Acórdão n.º 2402­004.899  S2­C4T2  Fl. 415          5  Não foi enfrentado o argumento de inconstitucionalidade da taxa Selic e das  multas aplicadas, por  se entender que esta matéria não estaria na competência dos órgãos de  julgamento administrativo.  Inconformado  com  essa  decisão,  o  sujeito  passivo  apresentou  recurso,  no  qual requer a reforma da decisão do órgão de julgamento da RFB.   Além das  teses  apresentadas  na  defesa,  o  sujeito  passivo  suscita,  com  base  em  jurisprudência  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  a  incompetência  do  CARF  para  apreciar pedido de compensação tributária com apólices da dívida pública.  É relatório.  Fl. 417DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6    Voto               Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator    Admissibilidade  O  recurso  merece  conhecimento,  posto  que  atende  aos  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  Compensação ­ incompetência do CARF  Baseado  em  decisão  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  a  recorrente  busca  demonstrar  que  o  CARF  não  teria  competência  para  se  pronunciar  acerca  de  compensação de tributos com títulos da dívida pública.  Essa  afirmação  é  em  parte  verdadeira,  mas  não  aplicável  ao  caso  sob  apreciação. Explico.  Quando  durante  o  procedimento  fiscal  a  autoridade  lançadora  verifica  a  existência de contribuições não recolhidas, sem que o sujeito passivo tenha declarado qualquer  compensação com créditos de sua propriedade, o fundamento do lançamento será obviamente a  infração de não recolher os tributos devidos no prazo legal.  Nesses  casos,  quando o  contribuinte,  em  seu  recurso,  alega  a  existência  de  créditos  para  com  a  Fazenda  para  liquidar  a  dívida,  verifica­se  que  nasce  ali  um  pedido  de  compensação,  o  qual  induvidosamente  não  deve  ser  apreciado  pelo  tribunal  de  segunda  instância,  posto  que  não  se  encontra  em  sua  competência  a  apreciação  desse  tipo  de  pleito,  antes que seja levado à Secretaria da Receita Federal do Brasil ­ RFB.  Existindo  créditos  compensáveis,  o  sujeito  passivo  deve  inicialmente  submeter  o  pedido  de  compensação  a  unidade  da  RFB  que  lhe  jurisdiciona  e,  em  caso  de  negativa,  tem  a  faculdade  de  provocar  o  contencioso  fiscal  mediante  manifestação  de  inconformidade, a qual  será apreciada em primeira  instância pela DRJ, com possibilidade de  recurso ao CARF.  Todavia,  quando  o  lançamento  já  tem  como  fundamento  glosas  de  compensações  que  o  fisco  entendeu  indevidas,  caso  à  discussão  chegue  ao CARF,  este  tem  autorização  legal  para  apreciar  as  razões  do  contribuinte,  inclusive  sobre  a  justeza  de  seu  procedimento compensatório, posto que aí, como é o caso dos autos, na verdade o tribunal vai  decidir  sobre  recurso  tratando  de  lavratura  efetuada  em  razão  de  suposta  compensação  indevida, cuja discussão sobre o procedimento compensatório decorre do próprio  lançamento  questionado na peça recursal.  De  se  concluir  que  o  CARF  não  tem  competência  para  tratar  de  pedido  inaugural de compensação, mas dispõe de autorização legal para julgar em segunda instância  demandas decorrentes de negativa da administração sobre esse  tipo de pedido, bem como os  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/2011­05  Acórdão n.º 2402­004.899  S2­C4T2  Fl. 416          7  recursos  contra decisões das DRJ que mantenham  lançamentos  fundamentados  em glosas de  compensação.  Essas conclusões têm como base legal o Regimento Interno do CARF, inserto  no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 :  Art.  1°  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  órgão  colegiado,  paritário,  integrante  da  estrutura  do  Ministério  da  Fazenda,  tem  por  finalidade  julgar  recursos  de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância,  bem  como  os  recursos  de  natureza  especial,  que  versem  sobre  a  aplicação  da  legislação  referente  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil.   Verifica­se  assim  que  cabe  ao CARF  o  julgamento  de  recursos  voluntários  contra decisões que envolvam compensação, todavia, refoge a sua competência a apreciação de  pedidos inaugurais de encontro de contas entre o contribuinte e o fisco.  Concomitância   Embora tenha concluído que o CARF tem competência para julgar a presente  lide,  não  devo  avançar  na  apreciação  da  compensação.  É  que  o  sujeito  passivo,  como  ele  próprio admite em seu recurso, renunciou à discussão administrativa dessa questão, posto que  ingressou  logo  após  o  início  do  procedimento  fiscal  com  ação  judicial  contendo  o  mesmo  objeto.   Nesse sentido, abstenho­me de lançar pronunciamento sobre esses pontos do  recurso,  uma  vez  que  é  matéria  que  já  está  sendo  discutida  no  âmbito  do  Poder  Judiciário.  Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis:  Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.   Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o  sujeito passivo renunciou ao direito de vê­las apreciadas nas instâncias administrativas.  Por  outro  lado,  verifica­se  que  inexiste  qualquer  provimento  judicial  no  sentido  de  suspender  a  exigibilidade  das  contribuições  para  as  competências  envolvidas  no  lançamento, nem se observa a existência de depósitos judiciais dos tributos. De se concluir que  as contribuições correspondentes são claramente exigíveis.  Falsidade na declaração de compensação ­ multa  A recorrente contrapôs­se às conclusões do fisco acerca da existência de sua  suposta  conduta  fraudulenta,  por  entender  que  a  compensação  indevida,  por  si  só,  não  caracteriza  a  fraude,  principalmente  tendo­se  em  conta  que  a  empresa  declarou  os  fatos  geradores na GFIP. Pelo  seu  raciocínio  somente  caberia  a aplicação da multa  isolada caso o  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  fisco demonstrasse que a empresa houvera lançado mão de documentos ou declarações falsos  com intuito de ludibriar o fisco.  Conforme relatado, a empresa afirmou que os valores compensados referem­ se a apólices da dívida pública, os quais  teriam os atributos de certeza e  liquidez necessários  para efetuar as compensações com as contribuições sociais.  Diferentemente, pelo raciocínio da autoridade lançadora, os Títulos da Dívida  Pública Externa Brasileira, emitidos no início do século passado, não podem ser utilizados para  compensação de contribuições previdenciárias, visto que tais créditos têm natureza financeira,  não podendo ser considerados  tributos nem contribuições e  tampouco são administrados pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  de  modo  que  tal  compensação  vai  de  encontro  às  previsões constantes na Lei nº 9.430/96 e, em especial, ao disposto na Lei nº 8.212/91.   O  órgão  de  primeira  instância  manteve  o  entendimento  da  auditoria,  concluindo que os supostos créditos mencionados na impugnação não eram compensáveis com  contribuições  sociais  e  que  a  empresa  teria  praticado  a  conduta  dolosa  de  declarar  na  compensação créditos que sabidamente não se prestavam para este fim.  Tentando afastar a multa isolada, a empresa alegou em seu recurso que não se  trata de ilícito, posto que tais compensações foram realizadas de forma legal, aduzindo ainda  que não há dolo no fato de ter postulado judicialmente o direito à compensação, além de que  declarou os créditos na GFIP.  Iniciemos  pela  análise  do  dispositivo  legal  utilizado  pelo  fisco  para  imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991:  Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b  e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  as  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  as  contribuições  devidas  a  terceiros  somente  poderão  ser  restituídas  ou  compensadas  nas  hipóteses  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido  ou  maior  que  o  devido,  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.(Redação  dada  pela  Lei  nº  11.941, de 2009).  (...)  §  10.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  o  contribuinte  estará  sujeito  à  multa  isolada  aplicada  no  percentual  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicado  em dobro,  e  terá  como base  de  cálculo  o  valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  Verifica­se de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa  isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o  fisco  possa  impor  a  penalidade  de  150%  sobre  os  valores  indevidamente  compensados,  é  imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento  do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social ­ GFIP contém  falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante.  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/2011­05  Acórdão n.º 2402­004.899  S2­C4T2  Fl. 417          9  Pesquisando  o  significado  do  termo  falsidade  em  http://www.dicionariodoaurelio.com, obtém­se o seguinte resultado:  “s.f.  Propriedade  do  que  é  falso.  /  Mentira,  calúnia.  /  Hipocrisia;  perfídia.  /  Delito  que  comete  aquele  que  conscientemente esconde ou altera a verdade.”  Inserindo  esse  vocábulo  no  contexto  da  compensação  indevida  é  de  se  concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que saiba não se prestarem  a  compensar  contribuições  previdenciárias,  evidentemente  cometeu  falsidade,  haja  vista  ter  inserido no sistema da Administração Tributária  informação inverídica no intuito de se livrar  do pagamento dos tributos.  Vale  ressaltar  que  legislador  foi  bastante  feliz  na  redação  do  dispositivo  encimado,  posto  que  utilizou­se  do  art.  44  da  Lei  n.  9.430/1996  apenas  para  balizar  o  percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das  condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da  Lei n. 4.502/1964.  Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de  que  a  mera  compensação  indevida  não  representaria  os  ilícitos  acima,  nos  casos  em  que  o  sujeito  passivo  tivesse  declarado  corretamente  os  fatos  geradores,  posto  que  não  se  poderia  falar em sonegação ou fraude fiscal.  Observa­se que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual  do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não  homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo:  Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da  Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001,  limitar­se­á  à  imposição  de  multa  isolada  em  razão  de  não­homologação  da  compensação  quando  se  comprove  falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007)  (...)  § 2º A multa  isolada a que se refere o caput deste artigo  será aplicada no percentual previsto no  inciso I do caput  do  art.  44  da  Lei  nº9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicado  em  dobro,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total do débito indevidamente compensado. (Redação dada  pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)  (...)  Veja­se que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários  tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é  invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre  os valores indevidamente compensados.  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10  De  se  concluir  que  na  imposição  da multa  isolada,  relativa  à  compensação  indevida  de  contribuições  previdenciárias,  a  única  demonstração  que  se  exige  do  fisco  é  a  ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo.  Pois bem, no caso sob apreciação, mesmo tendo­se em conta que a empresa  apresentou a declaração dos fatos geradores, é clara a ocorrência de falsidade de declaração no  campo  compensação,  posto  que  o  sujeito  passivo  inseriu  valores  que  sabidamente  não  se  prestavam para quitar as contribuições devidas.  Penso  que  tem  razão  a  Delegacia  de  Julgamento  da RFB.  Enxergo motivo  para  concluir  que  a  empresa  valeu­se  de  ardil  para  tentar  livrar­se  do  pagamento  das  contribuições. É esse entendimento que tem prevalecido na jurisprudência do CARF, como se  pode ver do Acórdão n.º 2401­003.787, de 03/12/2014, dessa  turma de julgamento, onde por  unanimidade negou­se provimento ao recurso do contribuinte.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2012   FALTA  DE  INTIMAÇÃO  NO  ENDEREÇO  DO  ADVOGADO  CONSTITUÍDO.  CAUSA  DE  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  O  indeferimento  de  pedido  de  intimação  dos  atos  processuais  no  endereço  do  advogado  constituído  não  representa  causa  de  nulidade,  posto  que  inexiste  na  legislação  processual  aplicável  aos  tributos  federais  previsão neste sentido.  REQUERIMENTO PARA JUNTADA DE NOVAS PROVAS  E  PARA  REALIZAÇÃO  DE  PERÍCIA.  PRESCINDIBILIDADE PARA O DESLINDE DA CAUSA.  INDEFERIMENTO.  Será  indeferido  o  requerimento  para  a  realização  de  perícia  técnica  e  para  juntada  de  outros  documentos  quando  as  providências  não  se  mostrarem  úteis  para  a  solução da lide.  CORREÇÃO  DA  INFRAÇÃO  APÓS  O  INÍCIO  DO  PROCEDIMENTO  FISCAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  A  denúncia  espontânea  somente  pode  ser  acolhida  se  o  sujeito  passivo  saneou  a  infração  antes  de  qualquer  procedimento  fiscalizatório  relacionado  ao  ilícito  administrativo praticado.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2012  COMPENSAÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  COM  CRÉDITOS  DE  TÍTULOS  DA  DÍVIDA  EXTERNA  BRASILEIRA E COM CRÉDITOS DE RETENÇÕES NÃO  COMPROVADAS.  IMPOSIÇÃO  DE  MULTA  ISOLADA.  CABIMENTO.  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/2011­05  Acórdão n.º 2402­004.899  S2­C4T2  Fl. 418          11  O sujeito passivo deve  sofrer  imposição de multa  isolada  de  150%,  incidente  sobre  as  quantias  indevidamente  compensadas,  quando  insere  informação  falsa  na  GFIP,  declarando  créditos  que  sabidamente  não  eram  passíveis  de compensação com contribuições sociais ou inexistentes,  como é o caso dos valores decorrentes de títulos da dívida  externa  brasileira  e  de  créditos  de  retenções  não  comprovadas.  MULTA  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECLARAÇÃO  PELA  ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.  Não  pode  a  autoridade  fiscal  ou  mesmo  os  órgãos  de  julgamento  administrativo  afastar  a  aplicação  da  multa  legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter  confiscatório.  Recurso Voluntário Negado.  Neste  sentido,  sinto­me plenamente confortável para concluir com base nos  elementos constantes nos autos que a empresa utilizou­se do artifício de inserir declaração falsa  na GFIP para deixar de recolher as contribuições lançadas.  Justifica­se,  assim,  a  imposição  da multa  isolada  no  patamar  de  150%  das  contribuições indevidamente compensadas.  Inconstitucionalidade das multas  Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade das multas aplicadas, em face do  seu  caráter  confiscatório.  Na  análise  dessa  razão,  não  se  pode  perder  de  vista  que  os  lançamentos das multas por descumprimento de obrigação de pagar o tributo e por declaração  falsa de compensação são operações vinculadas, que não comportam emissão de juízo de valor  quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido  o  patamar  da  suas  quantificações  pelo  legislador,  fica  vedado  ao  aplicador  da  lei  ponderar  quanto  a  sua  justeza,  restando­lhe  apenas  aplicar  as  multas  no  quantum  previsto  pela  legislação.  Cumprindo  essa  determinação  a  autoridade  fiscal,  diante  da  ocorrência  da  falta  de  pagamento  do  tributo  e  de  declaração  de  compensação  falsa  aplicou  as multas  nos  patamares fixados na legislação, conforme muito bem demonstrado no relatório fiscal e anexos.  Além  do  mais,  salvo  casos  excepcionais,  é  vedado  a  órgão  administrativo  declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe  o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106,  de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009):  Súmula CARF Nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     12  Essa súmula é de observância obrigatória, nos  termos do “caput” do art. 72  do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se  pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco  tão­somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha.  Juros SELIC  Quanto  à  inaplicabilidade  da  taxa  de  juros  SELIC  para  fins  tributários,  é  matéria  que  também  já  se  encontra  sumulada  nesse  Tribunal Administrativo,  nos  termos  da  Súmula CARF n. 04:  Súmula CARF nº  4: A partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para títulos federais.  Por  outro  lado,  o Superior Tribunal  de  Justiça  – STJ,  decidiu  com base  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do CPC)  que  é  legítima  a  aplicação  da  taxa  SELIC  aos  débitos  tributários,  o  que  faz  com  que  essa  discussão  torne­se,  até  certo  ponto,  desnecessária. Eis a ementa do julgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  SUBMETIDO  À  SISTEMÁTICA  PREVISTA  NO ART. 543­C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO  CPC. NÃO­OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.  JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA  LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE.  1.  Não  viola  o  art.  535  do  CPC,  tampouco  nega  a  prestação  jurisdicional,  o  acórdão  que  adota  fundamentação suficiente para decidir de modo integral a  controvérsia.  2.  Aplica­se  a  taxa  SELIC,  a  partir  de  1º.1.1996,  na  atualização monetária do indébito tributário, não podendo  ser cumulada, porém, com qualquer outro  índice, seja de  juros ou atualização monetária.  3.  Se  os  pagamentos  foram  efetuados  após  1º.1.1996,  o  termo  inicial  para  a  incidência  do  acréscimo  será  o  do  pagamento  indevido;  no  entanto,  havendo  pagamentos  indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a  incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de  vigência  do  diploma  legal  em  tela,  ou  seja,  janeiro  de  1996.  Esse  entendimento  prevaleceu  na  Primeira  Seção  desta  Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC,  399.497/SC e 425.709/SC.                                                              1  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF.  (...)  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/2011­05  Acórdão n.º 2402­004.899  S2­C4T2  Fl. 419          13  4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito  à  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  c/c  a  Resolução 8/2008 ­ Presidência/STJ.  (REsp  1111175  /  SP,  Relatora  Ministra  Denise  Arruda,  DJe. 01/07/2009)   Devem, portanto, ser mantidos os juros aplicados no lançamento.  Conclusão  Voto  por  conhecer  em  parte  do  recurso,  para  na  parte  conhecida  afastar  a  preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, por negar­lhe provimento.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 15504.721118/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real.
Numero da decisão: 1201-001.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum (Vice-presidente).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/2013­02  Acórdão n.º 1201­001.227  S1­C2T1  Fl. 3          2 I ­ Dos Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal  Mediante os autos de infração de fls. 3 a 46, foi lançado o valor  de  R$  14.345.460,25,  referente  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica e tributos decorrentes, sob o seguinte fundamento:  “Arbitramento que se  faz  tendo em vista que a escrituração  apresentada  pelo  contribuinte  é  imprestável  para  determinação  do  Lucro  Real,  uma  vez  que  a  ECD  (Escrituração  Contábil  Digital)  foi  transmitida  via  SPED  e  autenticada  na  Junta  Comercial  com  diversas  inconsistências,  conforme  declaração  prestada  pela  própria  empresa.”  O  Termo  de  Verificação Fiscal,  de  fls.  48  a  53,  acompanhado  dos  anexos  de  fls.  54  a  125,  apresenta  histórico  dos  procedimentos fiscais, considerações sobre os fatos constatados  e legislação aplicável.  II ­ Da Impugnação  A  empresa  apresenta  sua  impugnação,  de  fls.  236  a  275,  acompanhada dos documentos de fls. 276 a 358, argumentando:  “Improcedência  dos  autos  de  infração:  o  arbitramento  é  medida extrema e mais gravosa. Inexistência de pressupostos  para a sua aplicação no caso analisado.  A autoridade fiscal não empreendeu todos os seus esforços na  busca do lucro real efetivamente auferido pela impugnante. O  arbitramento  não  pode  ser  utilizado  como  penalidade  pelo  fato de o SPED apresentar irregularidades.  A  não  apresentação  da  escrituração  digital  (na  forma  e  prazos previstos na legislação) deixou de ser causa direta de  arbitramento  do  lucro.  A  entrega  do  SPED  em  desconformidade  com  a  legislação  enseja  a  aplicação  de  multa e não, necessariamente, o arbitramento.  Argumento sucessivo: na eventualidade de se admitir o SPED  como  único  parâmetro  para  a  apuração do  lucro  tributável  da  impugnante,  as  inconsistências  nele  apontadas  não  são  suficientes para respaldar o arbitramento.  Nulidade dos autos de infração de PIS e COFINS: as receitas  de  venda  de  motocicletas,  peças  e  acessórios  estão  submetidas  à  substituição  tributária  e/ou  regime  monofásico.”  Complementa  que  foi  apresentada  à  fiscalização  toda  a  documentação  solicitada,  que,  no  seu  entendimento,  possibilitaria a apuração correta do Lucro Real. Entende ainda  que a  fiscalização não apontou ausência de registro de eventos  relevantes,  e  sim mera  inobservância  das “regras  técnicas” de  tributação.  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/2013­02  Acórdão n.º 1201­001.227  S1­C2T1  Fl. 4          3 Assinala, ainda, que, sob qualquer hipótese, deveria ter­lhe sido  concedido prazo para saneamento das incorreções ou proceder à  apuração  do  crédito  tributário  com  esteio  nos  documentos/livros/arquivos apresentados.  Com  relação  aos  valores  utilizados  como  base  de  cálculo,  argumenta que não teve acesso à resposta entregue pelo Banco  Itaucard S.A e que tal resposta não consta dos autos.  Examinadas  as  razões  de  defesa  a  DRJ  de  origem  julgou  improcedente  a  impugnação.  Irresignada,  a  interessada  interpôs  recurso  voluntário  onde  reproduz,  em  síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 415 e ss.).  Voto             Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator.  1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO  O  recurso  atende  aos  pressupostos  processuais  de  admissibilidade  estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele deve­se tomar conhecimento.  2) DO ARBITRAMENTO DO LUCRO  Conforme  informado  no  termo  de  verificação  fiscal  (TVF),  a  autoridade  tributária inicialmente intimou a fiscalizada a apresentar o “demonstrativo mensal de apuração  do imposto de renda da pessoa jurídica ­ IRPJ e informações contábeis em meio digital com  leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital MANAD ­ Versão 1.0.0.2, aprovado  pela IN MPS/SRR n° 12 de 20/06/2006”.  A fiscalizada apresentou, de pronto, o demonstrativo de apuração mensal do  IRPJ e, após, as informações contábeis em meio digital.  Durante a ação fiscal a fiscalizada informou haver apresentado a escrituração  contábil  digital  (ECD)  via  sistema  público  de  escrituração  digital  (SPED).  Posteriormente,  solicitou à autoridade fiscal que considerasse em seus trabalhos de auditoria a escrituração a ele  apresentada,  uma vez que os  arquivos  enviados  ao SPED não  representariam corretamente a  escrituração contábil da empresa.  A  autoridade,  entretanto,  não  atendeu  a  solicitação  da  contribuinte.  Argumentou  que  a  escrituração  enviada  ao  SPED  e  regularmente  autenticada  pela  Junta  Comercial do Estado de Minas Gerais, é aquela que produz efeitos legais.  A fiscalização concluiu, então, pelo arbitramento do  lucro, conforme  trecho  do TVF a seguir transcrito (fl. 50):  Dessa  forma,  desde  o  início  da  fiscalização  em  01/02/12,  a  empresa poderia ter  retificado ou substituído sua contabilidade  transmitida  via  SPED,  pela  apresentada  no  formato  instituído  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/2013­02  Acórdão n.º 1201­001.227  S1­C2T1  Fl. 5          4 pela Instrução Normativa SRP número 12//2006 (MANAD), mas  não  o  fez;  ao  contrário,  a  que  foi  autenticada  em  09/08/12  é  aquela que a empresa diz que apresenta inconsistências e que  afirma não representar corretamente a escrituração contábil da  empresa à época (grifo nosso).  Pelo  exposto,  uma  vez  que  a  própria  empresa  afirmou  que  a  contabilidade  transmitida  via  SPED  não  representa  corretamente a sua escrituração contábil, conclui­se que a forma  correta  de  se  proceder  à  apuração  do  lucro  da  empresa  no  período  não  pode  ser  evidentemente  a  adoção  de  uma  contabilidade  paralela,  e  sim  o  arbitramento  do  lucro  da  empresa conforme previsto no artigo 530,  inciso II, do Decreto  n° 3000, de 26/03/99, in verbis:”  Art.530. O  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano­calendário, será determinado com base nos critérios do  lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei  nº 9.430, de 1996, art. 1º):  (...)  II  ­  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros  ou deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou  b) determinar o lucro real;  (...)  Pois  bem,  compulsando­se  os  autos  do  processo  é  possível  verificar  que  a  fiscalizada afirmou o seguinte acerca da escrituração transmitida ao SPED (fl. 151):  Em  atendimento  ao  referido  Termo  de  Intimação  Fiscal,  a  contribuinte  vem  solicitar  que  sejam  desconsiderados  os  arquivos  transmitidos  via  SPED  ­  Sistema  Público  de  Escrituração Digital,  em  09/07/2009,  tendo  em  vista  que  estes  arquivos não representam corretamente a escrituração contábil  da empresa à época.  Tendo em vista que  foi o primeiro ano que a empresa enviou a  escrituração  digital  naquele  formato,  houve  diversas  inconsistências  devido  aos  problemas  técnicos  do  sistema  e  a  dificuldade na conversão dos arquivos contábeis.  Pelo  exposto,  a  contribuinte  solicita  que  os  procedimentos  de  fiscalização  sejam  realizados  nos  arquivos  contábeis  já  apresentados em 30/03/2012.  (...)  Ocorre  que  a  confissão  de  que  os  arquivos  transmitidos  ao  SPED  não  representam  corretamente  a  escrituração  da  empresa  não  autoriza  concluir­se  que,  Fl. 521DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/2013­02  Acórdão n.º 1201­001.227  S1­C2T1  Fl. 6          5 necessariamente,  essa  escrituração  seja  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira ou para determinar o lucro real.  Em outras palavras, não há uma relação necessária entre os vícios, erros ou  deficiências genericamente confessados pela fiscalizada, e a imprestabilidade da escrita.  Em  assim  sendo,  caberia  ao  auditor  comprovar  esta  relação,  demonstrando  assim a imprestabilidade da escrituração do sujeito passivo. A autoridade, entretanto, não o fez.  Realmente,  sobre  a  suposta  imprestabilidade  da  escrita  enviada  ao  SPED  o  auditor  afirma  apenas o seguinte em seu TVF (fls. 49/50):  Analisando  os  referidos  arquivos,  foram  verificados  alguns  lançamentos feitos em desacordo com as normas contábeis.  Constatou­se,  por  exemplo,  que  a  conta Duplicatas  a  Receber,  código  1121107001,  de  natureza  devedora,  apresentou  saldo  credor (grifo nosso) no período de 26/08/08 a 25/09/08.  Em  26/09/08,  foi  efetuado  um  lançamento  de  R$  5.000.000,00  (cinco milhões de reais), a débito da conta duplicata a receber e  a crédito de diversas outras contas, ao que tudo indica para que  a conta voltasse a ter saldo devedor.  Por  meio  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  de  nº  08,  datado  de  24/09/12,  com  ciência  do  contribuinte  em  25/09/12,  foram  solicitados  esclarecimentos  relacionados  a  alguns  lançamentos  contábeis, dentre os quais o acima referido.  Em  resposta,  o  contribuinte  solicitou  que  fossem  desconsiderados  os  arquivos  transmitidos  via  SPED,  em  09/07/09,  tendo  em  vista  que  estes  arquivos  não  representam  corretamente a escrituração contábil da empresa à época (grifo  nosso).  Informou,  também,  que  a  escrituração  enviada  no  formato  SPED  apresentou  diversas  inconsistências  devido  a  problemas técnicos do sistema e à dificuldade na conversão dos  arquivos  contábeis. Por  fim,  solicitou  que  os  procedimentos  de  fiscalização  fossem  realizados  nos  arquivos  contábeis  apresentados em 30/30/2012. (sic)  Todavia, a  falta de explicação por parte da contribuinte sobre o  lançamento  contábil acima referido, bem como sobre os demais lançamentos contábeis indicados no citado  termo  de  intimação  fiscal  nº  08,  de  forma  alguma  ensejaria,  por  si  só,  a  conclusão  de  imprestabilidade  da  escrita.  Aliás,  nenhum  desses  registros  contábeis  foi  considerado  pela  fiscalização como omissão de receita ou qualquer outra infração sujeita a lançamento de ofício.  De fato, o arbitramento levou em conta apenas a receita informada pela contribuinte.  Assim, não comprovada a imprestabilidade da escrita enviada ao SPED, cai  por terra o arbitramento do lucro.  3) DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS  O que foi dito no  item anterior sobre o  IRPJ vale  igualmente para a CSLL.  Em  relação  à  contribuição  para o PIS  e  à Cofins,  como não  foi  apurada  omissão  de  receita,  Fl. 522DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/2013­02  Acórdão n.º 1201­001.227  S1­C2T1  Fl. 7          6 nada há o que se exigir. Ademais, afastado o arbitramento, a exigência, acaso existente, deveria  observar o sistema não­cumulativo.  4) CONCLUSÃO  Tendo  em  vista  todo  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto                                Fl. 523DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 11251.000057/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito pacificada do STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.424/96 O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula nº 732- 26/11/2003 -DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de 10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito pacificada do STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.424/96 O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula nº 732- 26/11/2003 -DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de 10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   2 9.424/96.  STF  Súmula  nº  732­  26/11/2003  ­DJ  de  9/12/2003,  p.  2;  DJ  de  10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2.  SEBRAE.  EXIGIBILIDADE.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  DE  INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.  A  contribuição  social  destinada  ao  SEBRAE  tem  natureza  jurídica  de  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico,  prescindindo  de  lei  complementar para a sua criação, revelando­se constitucional, portanto, a sua  instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis  8.154/90  e  10.668/2003,  podendo  ser  exigidas  de  todas  as  empresas  contribuintes do  sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC,  e não  somente das  microempresas  e  das  empresas  de  pequeno  porte.  Precedentes  recentes  do  STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Súmula  CARF  n°  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário e, no mérito, negar­lhe provimento, nos termos do relatório e voto.       (assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  André  Luís  Mársico  Lombardi  (Presidente),  Luciana Matos  Pereira  Barbosa  (Vice­Presidente),  Carlos  Alexandre  Tortato,  Cleberson Alex  Friess,  Theodoro Vicente Agostinho,  Rayd  Santana  Ferreira, Maria  Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.          Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/2009­10  Acórdão n.º 2401­003.950  S2­C4T1  Fl. 277          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário  lançado (fls. 156 e seguintes).  A  NFLD  corresponde  às  contribuições  devidas  pela  empresa  à  Seguridade  Social  e  aos  "Terceiros",  incidentes  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados  e  de  contribuintes individuais.  Como  afirmado,  a  impugnação  apresentada  pelo  recorrente  foi  julgada  improcedente, mantendo­se o crédito tributário lançado.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância,  a  recorrente  apresentou  o  recurso de fls. 164 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese:  ­ a empresa não apresentou lucros no período, de sorte que não podem incidir  contribuições que exigem a ocorrência de lucro;  ­ ilegalidade e inconstitucionalidade da fixação do grau de risco para fins de  apuração do SAT por Decreto;  ­  inconstitucionalidade  da  contribuição  para  o  salário­educação.  Referidas  vedações constitucionais também se estendem ao INCRA, ao SEBRAE e demais contribuições  para terceiros;  ­ há incidência de juros e multas acima do permissivo legal.    É o relatório.    Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   4 Voto             Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator    Contribuições  sobre  o  lucro.  Alega  a  recorrente  que  a  empresa  não  apresentou  lucros  no  período,  de  sorte  que  não  podem  incidir  contribuições  que  exigem  a  ocorrência de lucro.  Ocorre que, como visto, a NFLD corresponde às contribuições devidas pela  empresa à Seguridade Social e aos "Terceiros",  incidentes sobre a remuneração de segurados  empregados  e  de  contrbuintes  individuais.  Portanto,  o  inconformismo  da  recorrente  não  encontra respaldo na realidade dos autos.    Inconstitucionalidade  e  ilegalidade das  exações  e dos  acréscimos  legais.  Todas  as  demais  alegações  da  recorrente  baseiam­se  em  aspectos  de  ilegalidade  e/ou  inconstitucionalidade das disposições legais relativas às exações e  respectivos aspectos legais  (SAT por Decreto; contribuição para o salário­educação, INCRA, SEBRAE e demais terceiros;  além da há incidência de juros e multas acima do permissivo legal).  Cumpre ressaltar que o art. 26­A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  estabelece  óbice  intransponível  aos  órgãos  de  julgamento  deste  Conselho  Administrativo  para  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  normas  tributárias  inseridas  no  ordenamento  jurídico mediante  leis,  decretos,  tratado  ou  acordos  internacionais  sob fundamento de inconstitucionalidade.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  (Redação  dada  pela  Lei  nº 11.941/2009)  §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/2009­10  Acórdão n.º 2401­003.950  S2­C4T1  Fl. 278          5 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)    Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as  Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito  da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária (vide ainda artigo 62 do RICARF).  Súmula CARF nº 2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    No entanto, apenas para não que não pairem dúvida quanto à legitimidade do  lançamento e mesmo para que se tenha uma abordagem da questão levantada pela recorrente,  mas sob a ótica da legalidade, o tema será tratado no presente voto.      SAT. Quanto ao argumento da reserva à lei para estabelecer os conceitos de  atividade  preponderante  e  grau  de  risco  de  acidente  de  trabalho,  cumpre  ressaltar  que  a  exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de  incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no  art. 22, II, da Lei n° 8.212/91, alterada pela Lei no. 9.732/1998. Portanto, não há que se falar  em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF), como  alega a recorrente    Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  ...  II ­ para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58  da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei n°9.732, de 11/12/98)   a)  I%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   6 b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.  (...)  § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá  alterar,  com  base  nas  estatísticas  de  acidentes  do  trabalho,  apuradas  em  inspeção,  o  enquadramento  de  empresas  para  efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a  fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.    O art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°  3.048/1999, por sua vez, regulamenta o dispositivo acima transcrito  Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento  da aposentadoria  especial,  nos  termos dos arts.  64 a 70,  e dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  titulo,  no  decorrer  do  mês,  ao  segurado  empregado e trabalhador avulso:   I  ­  um  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  leve;  II  ­  dois  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  médio; ou  III  ­  três  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  grave.  (...)  §  3°  Considera­se  preponderante  a  atividade  que  ocupa,  na  empresa,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos.  §  4°  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação  de  Atividades  Preponderantes  e  correspondentes  Graus  de  Risco, prevista no Anexo V.   § 5o  É  de  responsabilidade  da  empresa  realizar  o  enquadramento  na  atividade  preponderante,  cabendo  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  do  Ministério  da  Previdência  Social  revê­lo  a  qualquer  tempo. (Redação  dada  pelo Decreto nº 6.042, de 2007).    § 6o Verificado  erro  no  auto­enquadramento,  a  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  adotará  as  medidas  necessárias  à  sua  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/2009­10  Acórdão n.º 2401­003.950  S2­C4T1  Fl. 279          7 correção,  orientará  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procederá  à  notificação  dos  valores  devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007).  (...)  § 13.  A  empresa  informará mensalmente,  por meio  da Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social ­ GFIP,  a  alíquota  correspondente  ao  seu  grau  de  risco,  a  respectiva  atividade  preponderante  e  a  atividade  do  estabelecimento,  apuradas  de  acordo com o disposto nos §§ 3o e 5o. (Incluído pelo Decreto nº  6.042, de 2007).    Não há  qualquer  ilegalidade  pelo  fato  de o Decreto  definir  os  conceitos  de  "atividade preponderante"  e  "grau de  risco  leve, médio ou grave",  pois  a  lei  fixou padrões  e  parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação  concreta da norma.   O Superior Tribunal de Justiça, há tempos, já pacificou a questão:    ADMINISTRATIVO.  RECURSO  ESPECIAL.  SEGURO  DE  ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO.  1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco,  com base na atividade preponderante da empresa.  2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido."   (REsp. 386.028­RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira)    Portanto, não merece prosperar o inconformismo da recorrente.    INCRA.  Alega  ainda  a  recorrente  a  ilegitimidade  da  cobrança  da  contribuição ao INCRA.  A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA  já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores  pacificaram  entendimento  no  sentido  de  que  consubstancia  contribuição  de  intervenção  no  domínio econômico:     VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO  INCRA.  NATUREZA DE  INTERVENÇÃO  NO  DOMÍNIO  ECONÔMICO.  LEIS  Nº  7.787/89  e  8.212/91.  DESTINAÇÃO  DIVERSA.  EMPRESAS  URBANAS. ENQUADRAMENTO.  I ­ A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF,  firmou  entendimento  no  sentido  de  que  não  existe  qualquer  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   8 óbice  para  a  cobrança  da  contribuição  destinada  ao  INCRA  também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no  REsp nº  716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ  de  31/08/06  e  EDcl  no  REsp  nº  780.280/MA,  Rel.  Min.  JOSÉ  DELGADO, DJ 25/05/06.  II  ­  Este  Superior  Tribunal  de  Justiça,  após  diversos  pronunciamentos,  com  base  em  ampla  discussão,  reviu  a  jurisprudência  sobre  o  assunto,  chegando  à  conclusão  que  a  contribuição destinada ao INCRA não  foi extinta, nem com a  Lei  nº  7.787/89,  nem  pela  Lei  nº  8.212/91,  ainda  estando  em  vigor.   III  ­  Tal  entendimento  foi  exarado  com o  julgamento  proferido  pela Colenda Primeira  Seção,  nos EREsp  nº  770.451/SC,  Rel.  p/ac. Min.  CASTRO MEIRA,  Sessão  de  27/09/2006.  Naquele  julgado,  restou definido  que  a  contribuição  ao  INCRA é uma  contribuição  especial  de  intervenção  no  domínio  econômico,  destinada  aos  programas  e  projetos  vinculados  à  reforma  agrária  e  suas  atividades  complementares.  Assim,  a  supressão  da  exação  para  o  FUNRURAL  pela  Lei  nº  7.787/89  e  a  unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91  não  provocaram  qualquer  alteração  na  parcela  destinada  ao  INCRA.   IV ­ Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp  894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 ­ PRIMEIRA  TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331)    (destaques nossos)      Em  aditamento  ao  voto  proferido  no  EREsp  770.451/SC;  a  Min.  Eliana  Calmon  sublinhou  os  traços  fundamentais  da  espécie  tributária  em  exame,  rememorando  magnífico  trabalho  doutrinário  contido  na  tese  apresentada  pelo  Dr.  Luciano  Dias  Bicalho  Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o  qual pedimos venia para transcrevê­lo.   “As  contribuições  interventivas  têm  como  principal  traço  característico a  finalidade eleita  e  explicitada na consequência  da norma de incidência tributária.   (...)   Assim,  para  a  perfeita  compreensão  da  norma  de  incidência  tributária  das  contribuições  de  intervenção  sobre  o  domínio  econômico,  especificamente  aquelas  que  se  prestam  à  arrecadação  de  recursos  para  o  custeio  dos  atos  interventivos,  há  de  se  prever  uma  circunstância  intermediária  a  vincular  a  hipótese  de  incidência  e  a  consequência  tributária,  sem  a  qual  não há de se falar da existência de norma de incidência válida.   Assim,  nas  contribuições  de  intervenção  sobre  o  domínio  econômico  deverá  coexistir,  para  a  sua  perfeita  incidência,  os  dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte",  relacionado  ao  domínio  econômico,  e  os  atos  interventivos  implementados pela União.   (...)   Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas  somente  se  mostram  válidas  na  medida  em  que  o  INCRA,  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/2009­10  Acórdão n.º 2401­003.950  S2­C4T1  Fl. 280          9 efetivamente,  promove  desapropriações  para  fins  de  reforma  agrária  (circunstância  intermediária),  visando  alterar  a  estrutura  fundiária  anacrônica  brasileira,  conforme  minudentemente  visto  no  capítulo  3,  aplicando­se,  assim,  os  recursos  arrecadados  na  consecução  dos  objetivos  constitucionalmente  previstos:  função  social  da  propriedade  e  diminuição das desigualdades regionais.   Saliente­se,  por  relevante,  que  as  contribuições  devidas  ao  INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo  da  exação  (empresas  urbanas  e  algumas  agroindustriais),  beneficiam  toda  a  sociedade,  por  ter  a  sua  arrecadação  destinada  a  custear  programas  de  colonização  e  reforma  agrária,  fomentam a atividade no campo, que é de  interesse de  toda  a  sociedade  (e  não  só  do  meio  rural),  tendo  em  vista  a  redução das desigualdades e a fixação do homem na terra.   Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta,  que  procura  condicionar  o  pagamento  das  contribuições  às  pessoas  que  estejam  vinculadas  diretamente  a  determinadas  atividades  e  que  venham  a  ser  beneficiárias  da  arrecadação.  Ora,  o  princípio  da  referibilidade  direta,  como  defendido  por  vários  autores,  simplesmente  não  existe  no  ordenamento  jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições  de intervenção no domínio econômico. Trata­se de mera criação  teórica  e  doutrinária,  sem  respaldo  no  texto  da  Constituição  Federal.   (...)   Com efeito,  a  exação  em  tela é  destinada  a  fomentar  atividade  agropecuária,  promovendo  a  fixação  do  homem  no  campo  e  reduzindo  as  desigualdades  na  distribuição  fundiária.  Consequentemente,  reduz­se  o  êxodo  rural  e  grande  parte  dos  problemas urbanos dele decorrentes.   Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária  é  instrumento  de  intervenção  no  domínio  econômico,  uma  vez  que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no  §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 ­ Estatuto da Terra.   Dessa  forma,  a  referibilidade  das  contribuições  devidas  ao  INCRA  é  indireta,  beneficiando,  de  forma  mediata,  o  sujeito  passivo submetido a essa responsabilidade”.     (destaques nossos)  Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de  sua natureza  jurídica, o STJ afastou  todas as argumentações  relativas  à  inconstitucionalidade  ou  à  ilegalidade  da  contribuição  ao  INCRA,  com  base  na  “referibilidade”  ou  no  “benefício  direto”,  de  sorte  a  se  considerar  que  as  empresas  urbanas  não  seriam  contribuintes  da  contribuição  ao  INCRA.  Com  efeito,  além  dos  julgados  acima  do  STJ,  cumpre  mencionar  ainda  a  orientação  do  STF  destacada  no AI  761.127­AgR, Rel. Min.  Ellen Gracie,  Segunda  Turma, DJe de 14.05.2010).  É verdade que  ainda  encontra­se pendente de análise pela Suprema Corte a  recepção  da  contribuição  ao  INCRA  no  período  posterior  ao  advento  da  Emenda  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   10 Constitucional  n°  33/2001,  que  alterou  o  artigo  149  da  Constituição  Federal  (Repercussão  Geral  no  Recurso  Extraordinário  n°  630.898,  Rel  Min.  Dias  Toffoli,  Dje  de  28/06/2012).  Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade  parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a,  destoa  da  inteligência  do  próprio  caput  do  art.  149,  não  alterado  pela EC nº  33/2001,  sendo  certo  que  o  próprio STF  já  fixou  a  constitucionalidade  da  contribuição  devida  ao SEBRAE,  qualificada  como  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico  (RE  396.266,  Relator  Min.  Carlos  Velloso),  e  da  contribuição  criada  pela  LC  nº  110/2001,  qualificada  com  contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a  folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001.   Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao  INCRA.    Salário­Educação. Também alega a recorrente a ilegalidade da cobrança do  salário­educação.  Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, o salário­educação é uma  contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o  financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde  que vinculada àquela.  A contribuição social do salário­educação está prevista no artigo 212, § 5º da  Constituição  Federal,  regulamentada  pelas  leis  nº  9.424/96  e  9.766/98  e  pelo  Decreto  nº  6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total  das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título,  aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo,  nos  dias  atuais,  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  do  Ministério  da  Fazenda  (RFB/MF).  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito,  e  os  Estados,  o Distrito Federal  e  os Municípios  vinte  e  cinco  por  cento,  no  mínimo,  da  receita  resultante  de  impostos,  compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e  desenvolvimento do ensino.  §  5º  A  educação  básica  pública  terá  como  fonte  adicional  de  financiamento  a  contribuição  social  do  salário­educação,  recolhida pelas  empresas na  forma da  lei.  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 53/2006)    Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996.  Art.  15.  O  Salário­Educação,  previsto  no  art.  212,  §5º,  da  Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que  vier  a  ser  disposto  em  regulamento,  é  calculado  com  base  na  alíquota  de  2,5%  (dois  e  meio  por  cento)  sobre  o  total  de  remunerações  pagas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados,  assim definidos  no  art.  12,  inciso  I,  da  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos)     Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/2009­10  Acórdão n.º 2401­003.950  S2­C4T1  Fl. 281          11 São  contribuintes  do  salário­educação  as  empresas  em  geral  e  as  entidades  públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendo­se como tal  qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou  rural,  com  fins  lucrativos  ou  não,  sociedade  de  economia  mista,  empresa  pública  e  demais  sociedades  instituídas  e  mantidas  pelo  poder  público,  nos  termos  do  §  2º,  art.  173  da  Constituição, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei.  Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999.  Art.1o A contribuição social do salário­educação obedecerá aos  mesmos  prazos,  condições  e  outras  normas  relativas  às  contribuições  sociais  e  demais  importâncias  devidas  à  Seguridade Social, ressalvada a competência especial do Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  ­  FNDE  sobre  a  matéria.  Parágrafo  único.  O  contribuinte  do  salário­educação  sujeitar­ se­á  às  mesmas  sanções  administrativas  e  penais  previstas  na  legislação previdenciária, nos moldes do caput deste artigo.  Art.2o  A  contribuição  social  do  salário­educação,  prevista  no  art.  212,  §5o,  da  Constituição  e  devida  pelas  empresas,  será  calculada com base na alíquota de dois inteiros e cinco décimos  por  cento,  incidente  sobre  o  total  de  remunerações  pagas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados,  ressalvadas as exceções legais.  §1o  Entende­se  por  empresa,  para  fins  de  incidência  da  contribuição  social  do  salário­educação,  qualquer  firma  individual  ou  sociedade  que  assume  o  risco  de  atividade  econômica,  urbana  ou  rural,  com  fins  lucrativos  ou  não,  bem  como  as  empresas  e  demais  entidades  públicas  ou  privadas,  vinculadas à Seguridade Social.  §2o Considera­se entidade pública, para os efeitos deste Decreto,  a sociedade de economia mista, a empresa pública, bem assim as  demais  sociedades  instituídas  e  mantidas  pelo  Poder  Público,  nos termos do art. 173, §2o, da Constituição.  §3o  Para  fins  da  contribuição  social  do  salário­educação,  são  considerados  como  empregados  os  seguintes  segurados  obrigatórios da Seguridade Social:  I­  Aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;  II­ Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário,  definida em legislação específica, presta serviço para atender a  necessidade  transitória  de  substituição  de  pessoal  regular  e  permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras  empresas;  III­  O  brasileiro  ou  estrangeiro  domiciliado  e  contratado  no  Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência  de empresa nacional no exterior;  IV­ Aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou  a  repartição consular de  carreira  estrangeira  e a órgãos a  ela  subordinados  ou  a  membros  dessas  missões  e  repartições,  excluídos o não­brasileiro sem residência permanente no Brasil  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   12 e o brasileiro amparado pela  legislação previdenciária do país  da respectiva missão diplomática ou repartição consular;  V­  O  brasileiro  ou  estrangeiro  domiciliado  e  contratado  no  Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada  no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa  brasileira de capital nacional.  §4o  A  alíquota  reduzida  da  contribuição  social  do  salário­ educação,  incidente  sobre  a  remuneração  dos  empregados  contratados  por  prazo  determinado,  nos  termos  do  inciso  I  do  art. 2o da Lei no 9.601, de 21 de janeiro de 1998, é de um inteiro  e vinte e cinco centésimos por cento.  Art.3o  Estão  isentas  do  recolhimento  da  contribuição  social  do  salário­educação:  I­ A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem  como  suas  respectivas  autarquias  e  fundações  instituídas  e  mantidas  pelo  Poder  Público,  inclusive  no  que  se  refere  à  remuneração paga aos  servidores  públicos  ocupantes  de  cargo  em  comissão,  sem  vínculo  efetivo  com  a  União,  autarquias,  inclusive em regime especial, e fundações públicas federais;  II­ As instituições públicas de ensino de qualquer grau, conforme  norma regulamentar expedida pelo Ministério da Educação;  III­  As  escolas  comunitárias,  confessionais  ou  filantrópicas,  devidamente  registradas  e  reconhecidas pelo  competente órgão  de educação, que sejam portadoras do Certificado e do Registro  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos,  fornecidos  pelo  Conselho  Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;  IV­  As  organizações  de  fins  culturais,  que  tenham  sido  reconhecidas  nos  termos  dos  Decretos  no76.923,  de  26  de  dezembro de 1975, e no87.043, de 22 de março de 1982;  V­  As  organizações  hospitalares  e  de  assistência  social,  desde  que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos:  a)  sejam  reconhecidas  como  de  utilidade  pública  federal  e  estadual ou do Distrito Federal ou municipal;  b) sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de  Fins  Filantrópicos,  fornecidos  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, renovado a cada três anos;  c)  promovam,  gratuitamente  e  em  caráter  exclusivo,  a  assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a  crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;  d)  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou benefícios a qualquer título;  e)  apliquem  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  no  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais,  apresentando,  anualmente,  ao  órgão do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS  competente,  relatório  circunstanciado de suas atividades.  Parágrafo único. A pessoa jurídica optante do Sistema Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  –  SIMPLES  está  isenta  do  pagamento  da  contribuição  social  do  salário­ educação,  nos  termos  do  art.  3o,  §4o,  da  Lei  no 9.317,  de  5  de  dezembro de 1996.    Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/2009­10  Acórdão n.º 2401­003.950  S2­C4T1  Fl. 282          13 Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006.  Art.  2º  São  contribuintes  do  salário­educação  as  empresas  em  geral e as  entidades públicas  e privadas  vinculadas ao Regime  Geral da Previdência Social, entendendo­se como tais, para fins  desta  incidência,  qualquer  firma  individual  ou  sociedade  que  assuma  o  risco  de  atividade  econômica,  urbana  ou  rural,  com  fins  lucrativos  ou  não,  bem  assim  a  sociedade  de  economia  mista,  a  empresa  pública  e  demais  sociedades  instituídas  e  mantidas  pelo  Poder  Público,  nos  termos  do  art.  173,  §2º,  da  Constituição.   Parágrafo  único.  São  isentos  do  recolhimento  da  contribuição  social do salário­educação:  I­ a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas  respectivas autarquias e fundações;  II­ as instituições públicas de ensino de qualquer grau;  III­  as  escolas  comunitárias,  confessionais  ou  filantrópicas,  devidamente  registradas  e  reconhecidas pelo  competente órgão  de educação, e que atendam ao disposto no  inciso II do art. 55  da Lei nº 8.212, de 1991;  IV­ as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a  ser definidas em regulamento;  V­  as  organizações  hospitalares  e  de  assistência  social,  desde  que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos  incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991;    Reiteradas alegações de inconstitucionalidade impeliram o Procurador Geral  da  Republica  a  ajuizar,  perante  o  Supremo  Tribunal  Federal,  a  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário  da  Justiça  de  10/12/1999,  pautou  pela  constitucionalidade  do  art.  15  da  Lei  nº  9.424/96,  atribuindo­lhe efeitos ex tunc.  ADC 3 / UF ­ UNIÃO FEDERAL   AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE  Relator(a): Min. NELSON JOBIM  Julgamento: 01/12/1999   Órgão Julgador: Tribunal Pleno  Publicação : DJ 09­05­2003 PP­    EMENTA:  ­  CONSTITUCIONAL.  AÇÃO DECLARATÓRIA DE  CONSTITUCIONALIDADE  DO  ART.  15,  LEI  9.424/96.  SALÁRIO­EDUCAÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  PARA  O  FUNDO  DE  MANUTENÇÃO  E  DESENVOLVIMENTO  DO  ENSINO  FUNDAMENTAL  E  DE  VALORIZAÇÃO  DO  MAGISTÉRIO.  DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE  INCONSTITUCIONALIDADE  FORMAL  E  MATERIAL.  FORMAL:  LEI  COMPLEMENTAR.  DESNECESSIDADE.  NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212  DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO.  EMENDA  DE  REDAÇÃO  PELO  SENADO.  EMENDA  QUE  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   14 NÃO  ALTEROU  A  PROPOSIÇÃO  JURÍDICA.  FOLHA  DE  SALÁRIOS ­ REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES.  QUESTÃO  INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO.  CABIMENTO DA  ANÁLISE  PELO  TRIBUNAL  EM  FACE DA  NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE  MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I  DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE  IMPOSTOS.  NÃO  SE  TRATA  DE  OUTRA  FONTE  PARA  A  SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE  DE  INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIO­EDUCAÇÃO  DEFINE  A  FINALIDADE:  FINANCIAMENTO  DO  ENSINO  FUNDAMENTAL  E  O  SUJEITO  PASSIVO  DA  CONTRIBUIIÇÃO:  AS  EMPRESAS.  NÃO  RESTA  DÚVIDA.  CONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  AMPLAMENTE  DEMONSTRADA.  AÇÃO  DECLARATÓRIA  DE  CONSTITUCIONALIDADE  QUE  SE  JULGA  PROCEDENTE,  COM EFEITOS EX­TUNC.    A  cobrança  das  contribuições  sociais  do  salário­educação  revela­se,  pois,  perfeitamente  compatível  com  o  ordenamento  jurídico  vigente.  Nesse  sentido,  o  Supremo  Tribunal Federal,  nocauteando de uma vez por  todas qualquer dúvida que  ainda pudesse  ser  suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante.  SÚMULA Nº 732   É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO  SALÁRIO­EDUCAÇÃO,  SEJA  SOB  A  CARTA  DE  1969,  SEJA  SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE  1988,  E NO REGIME  DA LEI 9.424/96.    O Verbete da Sumula nº 732 do STF atira a última pá de cal sobre qualquer  ainda possível alegação de  inconstitucionalidade da contribuição social do Salário Educação,  fechando definitivamente o esquife.  Nesse  contexto,  estando  as  entidades  públicas  ou  privadas,  com  fins  lucrativos ou não, arroladas no art. 15 da Lei nº 9.424/96, na forma de seu Regulamento e não  expressamente excluídas da hipótese de incidência neste prevista, impõe­se reconhecer que tais  entidades são contribuintes da contribuição social a ser vertida ao Salário Educação.    Taxa  Selic.  A  recorrente  requer  o  afastamento  da  incidência  de  juros  moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como  juros moratórios tem­se a Súmula CARF n° 4:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Portanto,  não  há  qualquer  viabilidade  jurídica  para  o  acatamento,  por  esta  instância recursal, do pleito da recorrente.  Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/2009­10  Acórdão n.º 2401­003.950  S2­C4T1  Fl. 283          15   Multa. Alega a recorrente que as multas encontram­se acima do permissivo  legal.  Todavia, do anexo FLD (Fundamentos Legais do Débito (fls. 29 e seguintes),  constato o devido equandramento na legislação vigente à época dos fatos geradores (artigo 35  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  n°  9.876/99),  não  assistindo  razão,  portanto,  à  recorrente.    Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.      (assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi ­ Relator                              Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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Numero do processo: 10980.720277/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988.
Numero da decisão: 2101-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no contexto da rescisão da relação de trabalho. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por dar provimento em parte ao recurso, em maior extensão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinatura digital) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinatura digital) MARIA CLECI COTI MARTINS- Relatora. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator ad hoc.designado. EDITADO EM: 18/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEAO).
Nome do relator: Rodrigo Santos Masset Lacombe

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS ­ Presidente.   (assinatura digital)  MARIA CLECI COTI MARTINS­ Relatora.  (assinatura digital)  HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR­ Redator ad hoc.designado.  EDITADO EM: 18/08/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  LUIZ  EDUARDO  DE  OLIVEIRA  SANTOS  (Presidente),ALEXANDRE  NAOKI  NISHIOKA,  HEITOR  DE  SOUZA  LIMA  JUNIOR,  MARIA  CLECI  COTI  MARTINS,  EIVANICE  CANARIO  DA  SILVA  e  EDUARDO DE SOUZA LEAO).   Relatório  O  recurso  voluntário  visa  reverter  a  decisão  do  Acórdão  de  Impugnação  06.31.344  da  4a.  Turma  da DRJ/CTA que manteve  em  parte  o  crédito  tributário  devido,  no  valor de R$ 59.279,92 mais os acréscimos legais.   O  contribuinte  foi  cientificado  do Acórdão  de  Impugnação  em 20/05/2012.  Apresentou Recurso Voluntário em 22/06/2012.  Em  sua  fundamentação  o  contribuinte  apresenta  um  resumo  geral  dos  cálculos,  da  forma como entende,  e  repisa os  argumentos da  impugnação no que  concerne  a  revisão da classificação dos valores lançados em tributáveis/isentos/não tributáveis.  Argumenta  que  a  orientação  jurisprudencial  majoritária  assevera  que  o  imposto de renda não  incide  sobre  juros de mora e correção monetária,  aviso prévio, FGTS,  multa devida pela despedida involuntária.  Requer  a  revisão  do  julgado  no  que  concerne  a  verbas  não  tributáveis  recebidas; isenção das multas e a reforma da decisão, considerando totalmente improcedente o  lançamento.   Voto Vencido  Conselheira Maria Cleci Coti Martins, Relatora  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  atende  aos  requisitos  legais  e  dele  conheço.  No acórdão de impugnação foram discriminadas todas as verbas recebidas da  forma  como  solicitado  pelo  contribuinte.  Convém  esclarecer  que  o  valor  final  repassado  ao  reclamante  na  ação  trabalhista  é  a  quantia  líquida  após  todos  os  descontos.  Entretanto,  indiretamente,  outros  valores  foram  pagos  ao  contribuinte,  como  por  exemplo,  IRRF,  INSS.  Esses  valores  também  fazem  parte  do  quantum  recebido  na  ação  judicial  e  devem  ser  considerados para efeitos de tributação.   Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/2008­85  Acórdão n.º 2101­002.547  S2­C1T1  Fl. 96          3 Tendo  em  vista  tratar­se  de  reclamatória  trabalhista  em  decorrência  de  rescisão  de  contrato  de  trabalho,  entendo  que  deve­se  fazer  a  tributação  dos  rendimentos  acumulados  recebidos  de  acordo  com o  regime  de  competência,  conforme  jurisprudência  do  STJ a seguir.    RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.429 ­ SP (2009/0055722­6)  RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN  RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL   PROCURADOR : PROCURADORIA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL   RECORRIDO : VALDIR FLORENTINO DOS SANTOS   ADVOGADO : DAZIO VASCONCELOS E OUTRO(S)  EMENTA  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO   REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS   ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.   1. O Imposto de Renda  incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve  ser  calculado  de  acordo  com  as  tabelas  e  alíquotas  vigentes  à  época  em  que  os  valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo  segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago  extemporaneamente. Precedentes do STJ.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543­C do CPC  e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.  Observa­se  que,  muito  embora  o  recurso  acima  se  refira  a  benefícios  previdenciários,  não  há  razão  para  que  se  faça  diferença  entre  benefícios  previdenciários  recebidos  acumuladamente  e  rendimentos  recebidos  acumuladamente  em  reclamatória  trabalhista.   Conforme informação de fls.23, a ação trabalhista envolve verbas rescisórias,  e, portanto, aplicável a decisão do REsp Nº 1.227.133 ­ RS, que exclui da tributação os juros  moratórios .  EDcl  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.227.133  ­  RS  (2010/0230209­8)  RELATOR : MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA  EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL  PROCURADOR  :  PROCURADORIA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL  EMBARGADO : ROGIS MARQUES REIS  ADVOGADOS : CARLOS PAIVA GOLGO E OUTRO(S)  EGÍDIO LUCCA FILHO E OUTRO(S)  EMENTA  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA  EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO.  –  Havendo  erro  material  na  ementa  do  acórdão  embargado,deve­se  acolher  os  declaratórios  nessa  parte,  para  que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como  o  objeto  específico  do  recurso  especial,  passando  a  ter  a  seguinte redação :  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4 "RECURSO  ESPECIAL.  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  JUROS  DE  MORA  LEGAIS.  NATUREZA  INDENIZATÓRIA.  VERBAS  TRABALHISTAS.  NÃO  INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.– Não  incide  imposto  de  renda  sobre  os  juros  moratórios  legais  vinculados  a  verbas  trabalhistas  reconhecidas  em  decisão  judicial. Recurso  especial,  julgado  sob  o  rito  do  art.  543­C do  CPC,  improvido."Embargos  de  declaração  acolhidos  parcialmente. (grifei)  Desta forma, voto por reconhecer que os valores  recebidos acumuladamente  na  reclamatória  trabalhista  sejam  tributados  pelo  regime  de  competência  (conforme  a  jurisprudência do STJ acima) e também para excluir da base de cálculo do imposto o valor dos  juros.   Recurso parcialmente procedente.    MARIA CLECI COTI MARTINS ­ Relatora  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/2008­85  Acórdão n.º 2101­002.547  S2­C1T1  Fl. 97          5 Voto Vencedor  Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator Ad­Hoc  Fui designado, na forma de e­fl. 94, como Redator ad hoc para formalizar a  presente decisão, uma vez que o então Redator designado, o ex­Conselheiro Alexandre Naoki  Nishioka, já não faz parte do Colegiado.  A  recorrente  argumenta  que  os  juros  moratórios  bem  como  a  atualização  monetária recebida não podem sofrer a incidência do imposto sobre a renda.  Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no  sentido  de  que  tais  rendimentos,  a  princípio,  deveriam  seguir  a  natureza  tributável  da  verba  principal,  por  sua  característica  acessória,  escorado  no  artigo  55,  inciso XIV,  do Decreto  n°  3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros  compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e  quaisquer  outras  indenizações  por  atraso  de  pagamento,  exceto  aqueles  correspondentes  a  rendimentos isentos ou não tributáveis".  Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à  exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras  indenizações pagas  pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris:  Art.  16.  Serão  classificados  como  rendimentos  do  trabalho  assalariado  todas  as  espécies  de  remuneração por  trabalho  ou  serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções  referidos  no  artigo  5°  do  Decreto­lei  número  5.844,  de  27  de  setembro de 1943,  e no art.  16 da Lei número 4.357, de 16 de  julho de 1964, tais como:  I  ­  Salários,  ordenados,  vencimentos,  soldos,  soldadas,  vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento;    [...]  Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos  de  trabalho  assalariado  os  juros  de  mora  e  quaisquer  outras  indenizações  pelo  atraso  no  pagamento  das  remunerações  previstas neste artigo.  Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de  1988, os  juros  incidentes  sobre as verbas de natureza salarial  recebidas acumuladamente não  poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF.  Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de  Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto  de  renda  sobre  os  juros  de mora  recebidos  quando  do  recebimento  de  verbas  no  âmbito  de  rescisão do contrato de  trabalho, consoante posicionamento externado quando do  julgamento  do  REsp  no  1.089.720/RS,  em  10.10.2012  (publicado  em  16.12.2012),  cujo  relator  foi  o  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     6 Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do  anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também  explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa  da decisão cujo teor aqui se adota :  PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF.  REGRA  GERAL  DE  INCIDÊNCIA  SOBRE  JUROS  DE  MORA.  PRESERVAÇÃO  DA  TESE  JULGADA  NO  RECURSO  REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 ­ RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE  MORA  PAGOS NO  CONTEXTO DE  PERDA DO  EMPREGO.  ADOÇÃO  DE  FORMA  CUMULATIVA  DA  TESE  DO  ACCESSORIUM  SEQUITUR  SUUM  PRINCIPALE  PARA  ISENTAR DO  IR OS JUROS DE MORA  INCIDENTES SOBRE  VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO  IR.  1.  Não  merece  conhecimento  o  recurso  especial  que  aponta  violação  ao  art.  535,  do  CPC,  sem,  na  própria  peça,  individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão  ocorridas  no  acórdão  proferido  pela  Corte  de  Origem,  bem  como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada  nos autos.  Incidência da Súmula n. 284/STF: "É  inadmissível o  recurso  extraordinário,  quando  a  deficiência  na  sua  fundamentação  não  permitir  a  exata  compreensão  da  controvérsia".  2.  Regra geral:  incide o IRPF sobre os juros de mora, a  teor  do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive  quando  reconhecidos  em  reclamatórias  trabalhistas,  apesar  de  sua  natureza  indenizatória  reconhecida  pelo mesmo dispositivo  legal  (matéria  ainda  não  pacificada  em  recurso  representativo  da controvérsia).  3.  Primeira  exceção:  são  isentos  de  IRPF os  juros  de mora  quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato  de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não  (grifei). Isto  é,  quando  o  trabalhador  perde  o  emprego,  os  juros  de  mora  incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que  lhe  são  pagas  são  isentos  de  imposto  de  renda.  A  isenção  é  circunstancial  para  proteger  o  trabalhador  em  uma  situação  sócio­econômica  desfavorável  (perda  do  emprego),  daí  a  incidência  do  art.  6°,  V,  da  Lei  n.  7.713/88.  Nesse  sentido,  quando  reconhecidos  em  reclamatória  trabalhista,  não  basta  haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira  também  às  verbas  decorrentes  da  perda  do  emprego,  sejam  indenizatórias,  sejam  remuneratórias  (matéria  já  pacificada no  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp  no  1.227.133­RS,  Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão  Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011).    [...]  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/2008­85  Acórdão n.º 2101­002.547  S2­C1T1  Fl. 98          7 4.  Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros  de  mora  incidentes  sobre  verba  principal  isenta  ou  fora  do  campo  de  incidência  do  IR,  mesmo  quando  pagos  fora  do  contexto  de  despedida  ou  rescisão  do  contrato  de  trabalho  (circunstância  em que  não  há  perda do  emprego),  consoante  a  regra do "accessorium sequitur suum principale".  [...]  7.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  parcialmente provido.  (g.n.)  Sendo  assim,  uma  vez  que  o  recebimento  dos  juros  sob  análise  se  deu  no  contexto  de  despedida  ou  rescisão  do  contrato  de  trabalho,  entendo,  com  fulcro  na  exceção  acima disposta, que não há qualquer reparo a ser feito no que tange à necessidade de exclusão  dos  referidos  juros  da  base  de  cálculo  do  lançamento,  na  forma  já  proposta  pelo  voto  da  Conselheira relatora.  Todavia, divirjo aqui,  com a devida vênia à Relatora, no que diz  respeito à  mencionada  necessidade  de  aplicação  do  "regime  de  competência"  mantendo,  assim,  meu  posicionamento,  já  externado em outras ocasiões,  no  sentido de necessidade de aplicação do  artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, que estipula que, no caso dos rendimentos recebidos de  forma  acumulada,  o  imposto  sobre  a  renda  incide,  no mês  do  recebimento  ou  crédito,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  diminuídos  somente  do  valor  das  despesas  com  ação  judicial  necessárias  ao  seu  recebimento,  inclusive  de  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo  contribuinte,  sem  indenização. Afasto,  aqui,  a necessidade de observância mandatória  ao  disposto  no REsp  1.118.429  com  fulcro  no  art.  62­A  do Anexo  II  ao Regimento  Interno  deste  CARF,  por  entender  que  se  está,  neste  último  Recurso  Especial,  a  se  tratar  de  recebimento  de  benefícios  previdenciários  de  forma  acumulada,  situação  que  não  guarda  identidade fática com a situação sob análise, onde se está a tratar de percepção de rendimentos  trabalhistas, ainda que também de forma acumulada.   Finalmente, ressalto, a propósito, que a atualização monetária eventualmente  incidente sobre as verbas  recebidas pelo contribuinte deve ser  tributada pelo  imposto sobre a  renda, eis que não foi excepcionada pelo mesmo artigo 12 da Lei no. 7.713, de 1988,.  Assim, ante o acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao  Recurso  Voluntário,  no  sentido  de  excluir  da  tributação  tão  somente  os  juros  de  mora  recebidos, isentos, uma vez que recebidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de  trabalho,  sendo de  se  respeitar o  art.  12  da Lei  n°  7.713,  de  1988 para  fins  de  definição  do  momento de tributação, definição de tabelas e alíquotas aplicáveis.   É como voto.  Heitor de Souza Lima Junior – Redator ad hoc Designado                Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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6175786 #
Numero do processo: 13361.000136/92-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR — LANÇAMENTO — NULIDADE. É nulo o lançamento, devendo assim ser declarado, que contenha vício de forma, caracterizado pela ausência dos requisitos estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Preliminar de nulidade acolhida.
Numero da decisão: CS RF/03-03.198
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, Declarar a nulidade do lançamento por vicio formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará declaração de voto.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T13:21:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T13:21:55Z; Last-Modified: 2009-07-22T13:21:56Z; dcterms:modified: 2009-07-22T13:21:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T13:21:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T13:21:56Z; meta:save-date: 2009-07-22T13:21:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T13:21:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T13:21:55Z; created: 2009-07-22T13:21:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-07-22T13:21:55Z; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T13:21:55Z | Conteúdo => ••n•n•.in• • e. 1;4 , rr MINISTÉRIO DA FAZENDA wp eiz CAMAFtA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS,„1/4. '4> TERCEIRA TURMA Processo n° :13361.000136/92-18 Recurso n° : RP/201-0.357 Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Matéria I.T.R. Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : EXPEDITO ALVES DA SILVA Sessão de :20 DE AGOSTO DE 2001 Acórdão n° : CS RF/03-03.198 ITR — LANÇAMENTO — NULIDADE. É nulo o lançamento, devendo assim ser declarado, que contenha vício de forma, caracterizado pela ausência dos requisitos estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Preliminar de nulidade acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Fazenda Nacional ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, Declarar a nulidade do lançamento por vicio formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará declaração de voto. ON PEREs‘.- ifirr ' UES PRESIDENT./ PAULO ser: - - O CUCO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: 28 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELO'! DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLI. . • t • Processo n° : 13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Recurso n° : RP/201-0.357 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : EXPEDITO ALVES DA SILVA RELATÓRIO E VOTO Versa o presente litígio sobre a cobrança do ITR e Contribuições Sindicais, do exercício de 1992, sobre o imóvel denominado "LAGOA SECA", localizado no município de CAMPO MAIOR — Pl. A exigência em questão constitui-se pela Notificação de Lançamento acostada às fls. 02, a qual foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do chefe do órgão expedidor, nem tampouco de outro servidor autorizado a emitir tal documento. Levando em consideração o entendimento que já se tomou assente nesta Câmara Superior, com relação às Notificações emitidas em tais circunstâncias, passo diretamente à análise preliminar desta questão, sem me ater às razões de mérito que integram o Recurso Especial interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão n° 201-71.020, de 15/09/97, prolatado pela Colenda Primeira Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes. Em casos da mesma espécie, com relação à forma do lançamento efetuado, assim tenho me pronunciado em outros julgados: O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 11, determina: `Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV — a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único — Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." .01(110 2 • • Processo n° : 13361.000136192-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Percebe-se, portanto, que embora o parágrafo único do mencionado dispositivo legal dispense a assinatura da notificação de lançamento, quando emitida por processo eletrônico, é certo que não dispensa, contudo, a identificação do chefe do órgão ou do servidor autorizado, nem a indicação de seu cargo ou função e o número da respectiva matricula. Acompanho entendimento do nobre colega, Conselheiro lrineu Bianchi, da D. Terceira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, assentado em vários julgados da mesma natureza, que assim se manifesta: "A ausência de tal requisito essencial vulnera o ato, primeiro porque esbarra nas prescrições contidas no art. 142 e seu parágrafo, do Código Tributário Nacional e, segundo, porque revela a existência de vício formal, motivos estes que autorizam a decretação de nulidade da notificação em exame. Com efeito, segundo o art. 142, parágrafo único, do C77V, 'a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória...', entendendo-se que esta vincula ção refere-se não apenas aos fatos e seu enquadramento legal, mas também às normas procedimentais. Assim, o "ato deverá ser presidido pelo princípio da legalidade e ser praticado nos termos, forma, conteúdo e critérios determinados pela lei..." (MAIA, Man, Elbe Gomes Queiroz. Do lançamento tributário : Execução e controle. São Paulo : Dialética, 1999, p. 20). Para Paulo de Barros Carvalho, 'a vincula ção do ato administrativo, que, no fundo, é a vincula ção do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, imediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 372). Ou seja, o ato de lançamento deve ser executado nas hipóteses previstas em lei, por agente cuja competência foi nela estabelecida, em cumprimento às prescrições legais sobre a forma e o modo de como deverá revestir-se a exteriorização do ato, para a exigência de obrigação tributária expressa na lei. Assim sendo, a notificação de lançamento em análise, por não conter um dos requisitos essenciais, passa à margem do princípio da estrita legalidade e escapa dos rígidos limites da atividade vinculada, ficando ela passível de anulação. Outrossim, como ato administrativo que é, o lançamento deve apresentar-se revestido de todos os requisitos exigidos para os atos jurídicos em geral, quais sejam, ser praticado por agente capaz, referir-se a objeto lícito e ser praticado consoante forma prescrita ou não defesa em lei (art. 82, Código Civil), enquanto que o art. 145, 11, do mesmo diploma legal diz que é nulo o ato jurídico quando não revestir a forma prescrita em lei. 3 • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : C SRF/03-03.198 Para os casos de lançamento realizado por Auto de Infração, a SRF, através da Instrução Normativa n°94, de 24/12/97, determinou no art. 5°, inciso VI, que 'em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1996 (Código Tributário Nacional — CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante". Na seqüência, o art. 6° da mesma IN prescreve que `sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5°.° Posteriormente e em sintonia com os dispositivos legais apontados, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, em 3 de fevereiro de 1999, expediu o ADN COSIT n°2, que "dispõe sobre a nulidade de lançamentos que contiverem vício formal e sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto de lançamento declarado nulo por essa razão", assim dispondo em sua letra «a": 'Os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN SRF n°94, de 1997 — devem ser declarados nulos, de oficio, pela autoridade competente:" Infere-se dos termos dos diplomas retro citados, mas principalmente do ADN COSIT n° 2, que trata do lançamento, englobando o Auto de Infração e a Notificação, que é imperativa a declaração de nulidade do lançamento que contiver vício formal." Acrescento, outrossim, que tal entendimento encontra-se ratificado por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, que em recentes sessões, de 07/08 de maio do corrente ano, proferiu diversas decisões de igual sentido, como se pode constatar pela leitura dos Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de declarar, de oficio, a nulidade do referido lançamento e, conseqüentemente, todos os atos dele decorrentes. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2001 Pifita'ROE: CUCO ANTUNES 4 , , • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 - - DECLARAÇÃO DE VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA e. Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições a. acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... II - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de oficio, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto Processo n° : 13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matricula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 6 - • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. 7 • Processo n° :13361.000136(92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, toma-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matricula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 8 Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CS RF/03-03.198 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco - ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso — consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado." É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. 9 . - - Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n°70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 10 _ . Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. 11 Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. 12 - . • • • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 20 de agosto de 2001. - HENRIQU RADO MEGDA 13 Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1 _0051900.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1

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Numero do processo: 15586.000480/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 REVISÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.
Numero da decisão: 1401-001.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, REJEITAR a proposta de realização de diligência para certificar-se a respeito da falta de ciência de Termo de Intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários de forma individualizada. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. No mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é formalizada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015 na condição de Redator. Participaram do julgamento os conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 REVISÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, REJEITAR a proposta de realização de diligência para certificar-se a respeito da falta de ciência de Termo de Intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários de forma individualizada. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. No mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é formalizada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015 na condição de Redator. Participaram do julgamento os conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 3.420          1 3.419  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.000480/2009­99  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1401­001.407  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de março de 2015  Matéria  LUCRO ARBITRADO  Recorrente  MONTE VERDE MERCANTIL LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004, 2005  REVISÃO DO LANÇAMENTO.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade  administrativa  quando  se  comprove  que,  no  lançamento  anterior,  ocorreu  fraude  ou  falta  funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade,  de ato ou formalidade especial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  por  maioria  de  votos,  REJEITAR  a  proposta de realização de diligência para certificar­se a respeito da falta de ciência de Termo de  Intimação  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários  de  forma  individualizada.  Vencidos  os  Conselheiros  Fernando  Luiz  Gomes  de  Mattos  e  Antonio  Bezerra  Neto.  No  mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram  o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto  votaram pelas conclusões.    (assinado digitalmente)  Antônio Bezerra Neto ­ Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Redator para Formalização do Acórdão  Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não  compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na  data  da  formalização  da  decisão,  e  as  atribuições  dos  Presidentes  de  Câmara  previstas  no  Anexo  II  do RICARF  (Regimento  Interno do CARF),  a presente decisão  é  formalizada pelo  Presidente  da  4ª  Câmara/1ª  Seção André Mendes  de Moura  em  15.09.2015  na  condição  de  Redator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 80 /2 00 9- 99 Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.421          2 Participaram do  julgamento  os  conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna,  Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Fernando  Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício).    Relatório  Trata­se de recurso ofício interposto pelo presidente da 8ª Turma da DRJ/RJ1  contra acórdão que  julgou procedente a  Impugnação apresentada. Por bem resumir a questão  ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo:  Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de  fl 939 a 979 e Termo de Verificação Fiscal (fl. 889 a 938) foram  apurados os fatos abaixo descritos.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  –  ARBITRAMENTO  ­  O  Termo  de  Início  foi  enviado ao endereço da empresa, mas como houve mudança de  endereço  o  referido  termo  foi  devolvido.Então,os  sócios  Luiz  Cláudio  Ferreira  Lima  e  Daniel  Miguel  Apolinaro,  foram  cientificados  do  mesmo.  Eles  informaram  que  não  possuíamdocumentossolicitadosequenãoparticipavamdaadminist raçãodaempresa.  Com  base  na  Lei  Complementar  n°  105  e  Decreto  n°  3.724,  de  10/01/2001  requereu  se  as  instituições  financeiras,  documentos relativos às movimentações nas contas bancárias.  FoisolicitadoocomparecimentodoSr.NicolauResstel,citado porLuizCláudio e Daniel como verdadeiro sócio da empresa.  TambémfoisolicitadoocomparecimentodoSr.ChristianSilva Rupf,contadordacontribuinteinformadoemsuaDIPJ/04,anocalend ário2003(fl.41/42e90/125).  Em03/04/2008foiafixadooEditaln°28/2008paraciênciadoM PFedoTermo de Início.  A  empresa,  apesar  de  ser  atacadista  de  café,  ocupava  somente  imóveis  administrativos  e  não  possuía  armazéns.  Segundo seus procuradores (funcionários da Cafeeira Stockl), a  fiscalizada fazia uso das instalações da Comercial de Café Stockl  (Cafeeira Stockl) e dos Armazéns Gerais Stockl.  Foram outorgadas procurações atribuindo plenos poderes  aos  outorgados  para  representaçãodacontribuinteMonteVerde,inclusive,permitindoab erturadecontasbancáriasesualivremovimentação  financeira.  Chama a atenção que os procuradores são pessoas com vínculos  empregatícios  com  as  empresas  STOCKL,  sendo  um  dos  procuradores,  a Sra. Eunice,  cônjuge do Sr.Miguel Stockl  ­  um  dos sócios das empresasS TOCKL.  Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.422          3 As contas abertas e os responsáveis perante as instituições  financeiras  estão  discriminados  no  quadro  02  (fl.894).  No  quadro  03  estão  relacionados  os  procuradores  e  algumas  referências a situação profissional e pessoal.  Dos procuradores da Monte Verde perante as instituições  financeiras, 2 (dois) são empregados da Cafeeira Stockl e 1 (um)  é cônjuge de Miguel Stockl (sócio da Cafeeira Stockl), só Renata  Resstel, a princípio, não tem relação com a Cafeeira Stockl. Os  Sr.  Nicolau,  Luiz  Cláudio  e  Daniel  são  pessoas  de  modesta  situação econômica e passaram da condição de cidadão simples  para grandes empresários, movimentando a quantia aproximada  de R$70.000.000,00.  Foram nomeados procuradores com vínculos  trabalhistas  e  pessoais  com  seus  concorrentes,  sendo  um  deles  cônjuge  de  concorrente.  Utilizam  se  das  instalações  dosconcorrentes,patrõesecônjugedeseusprocuradoresparaarmaz enagemdecafé.MesmocomamovimentaçãofinanceiraemtornodeR$ 70.000.000,00elucratividadede8,0%,aempresaencerrousuasativid ades.  Da  análise  das  alterações  contratuais  constatam  se  indícios  de  falsidades  nas  informaçõesconstantesdocontratosocialnoqueserefereaoquadros ocietário,aocapitalealocalizaçãodesuasede.  Em  19/02/2001  foram  alterados  os  objetivos  sociais  e  houve  um  aumento  do  capital  social  para  R$  120.000,00,  integralizado  em  moeda  corrente  do  país,  ficando  aparticipaçãosocietáriadistribuídadaseguinteforma:NicolauResst el–105cotasnovalor  de  R$  105.000,00  e  Luiz  Cláudio  Ferreira  Lima­15.000cotasnovalordeR$15.000,00.  A empresa sempre foi instável na sua localização, objeto, quadro  social  e  capital.  Constituída  em  24/10/2000,  já  em  19/02/2001  alterou  seu  objeto,  acrescentando ao  de Comércio  de Produtos  Agropecuários o Comércio Atacadista e de Exportação de Café  em Grão, e  junto altera  também o capital, que antes era de R$  30.000,00, agora passa para R$ 120.000,00,  sendo a  sociedade  agora gerenciada por ambos os sócios, só de fachada, pois Luiz  Cláudio  em  depoimento  disse  que  não  participava  da  administração, e que também não integralizou o capital. Nicolau  não  tinha  capacidade  financeira  para  integralizar  o  capital  subscrito.  Em 23/04/2001 sai Nicolau entra Daniel com aquisição de  15.000 cotas (R$ 15.000,00) e Luiz Cláudio passa a ter 105.000  cotas  (R$  105.000,00).  Em  04/10/2002,  a  operaçãoseinverteentreLuizCláudioeNicolau,agorasaiLuizCláudi oeentraNicolaucom105.000cotas  (R$105.000,00).  As  alterações  continuam, em10/01/2005, faz o jogo inverso, sai Nicolau e entra  Luiz Cláudio. As alterações são pura  ficção, a aquisições entre  Nicolau, Daniele Luiz Cláudio de  fato não ocorreram por  falta  de capacidade financeira dos envolvidos.  Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.423          4 O endereço da empresa é fictício,pois no local indicado no  sistema  CNPJencontra­seaempresaSITRAL­ServiçosdeConservação,Tran sporteeConstrução.  Diligências  realizadas  nos  contribuintes  Luiz  Cláudio  Ferreira  Lima,  Daniel,Miguel  Apolinário  e  Nicolau  Resstel  comprovam  que  a  capacidade  econômica  dessescontribuinteseraincompatívelcomaintegralizaçãodecapital doempreendimento,confirmadoemdepoimentoporDanieleLuizClá udio.  Houve  interposição de pessoas na composição do quadro  social,  ocultando  os  verdadeiros  beneficiários  do  empreendimento e seus gestores.   No período compreendido do exercício 2001 a 2007, Luiz  Cláudio  recebeu  modestos  rendimentos  como  gerente  de  empresa, conforme DIRPF e quadro 4 (fl. 902).  As  informações  prestadas  pelo  Sr.  Luiz  Cláudio  e  as  constatações  verificadas  nas  DIRPF  fazem  prova  de  sua  incapacidade  para  integralizar  os  R$  105.000,00  de  sua  participação  societária,  e  revela  que  as  alterações  societárias  são  pura  "SIMULAÇÃO"  com  intuito  doloso  de  lesar  o  Fisco.  Apesar de informar que não participou da gerência da empresa e  não dispor de recursos para integralização do capital subscrito,  a  sua  responsabilidade  decorre  da  contribuição  com  cessão  pessoal  e  espontânea  dos  dados  para  que  se  constituísse  a  empresa com fins de sonegar Tributos.  Emdepoimento,oSrDanielafirmaquetrabalhacomopedreiro, queécunhadodoSr.Nicolau,que  trabalhou  na  construção  de  uma  fábrica de doces e na residência do Sr.Nicolau,que desconhece a  empresa Monte Verde, que nunca foi à empresa Monte Verde,que  desconhece as dívidas tributárias da Monte Verde.  Na  DIRPF,  ano  calendário  2000,  consta  que  o  diligenciado possuía uma casa no valor de R$ 5.000,00 e um lote  de R$ 1.500,00. Em 2002 informou o capital na Monte Verde no  valor  de  R$  5.000,00,  correspondente  a  15.000  cotas  como  se  verifica no contrato social. Constata­se a intenção dolosa do Sr.  Daniel, pois consta a integralização de capital de R$ 15.000,00.  Entre  2001  e  2007,o  Sr.  Daniel  recebeu  quantias  modestas  (quadro5 ­ fl. 903), mas exercia a gerência da Monte Verde.   As  informações  prestadas  pelo  Sr.  Daniel  e  as  constatações  verificadas  nas  DIRPF  fazem  prova  da  incapacidade de Daniel para integralizar os R$ 15.000,00 de sua  participação  societária,  e  revela  que  as  alterações  societárias  não passam de pura "SIMULAÇÃO"com intuito doloso de lesar  o fisco.  Apesardeinformarquenãoparticipoudagerênciadaempresae nãodispordecapacidadefinanceiraparaintegralização  do  capital  subscrito,a  sua  responsabilidade  decorre  Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.424          5 dacontribuiçãocomcessãopessoaleespontâneadosdadosparaques econstituísseaempresa com fins de sonegar tributos.  O  Sr.  Nicolau  Resstel  não  foi  localizado  no  endereço  de  cadastro  da  SRF.Seus  bens  estão  listados  nas  fls.  904  a  906  Entre 2001 a 2007, o Sr. Nicolau recebeu modestos rendimentos,  tendo recebido em 2000 o valor de R$ 13.500,00 sem informar a  fonte  pagadora,  e  no  ano  2001  recebeu  R$  900,00  da  Multi  Grãos,  R$  3.700,00  da  Monte  Verde  e  R$  11.000,00  como  rendimentos diversos, sem especificar. De 2002 a 2004 informou  rendimentos recebidos da Monte verde e  rendimentos, diversos,  sem especificar, todos de pequenos valores. Nos anos de 2005 e  2006  informou  rendimentos  somente  da  Monte  Verde,  mesmo  tendo  alienado  sua  participação  societária  em  10/01/2005.  A  partir  do  ano  calendário  2002  sempre  informa  a  função  de  dirigente  de  empresa.  Os  rendimentos  estão  demonstrados  no  quadro  06  (fl.  906).As  integralizações  de  capital Monte  Verde,  no  período  2001  a  2007,  foram  de  R$  5.000,00,  conforme  DIRPF(fl. 1048/1066).  O  Sr.  Christian  Silva  Rupf  afirmou  que  efetuou  a  contabilidade  da  empresa  desde  sua  fundação  até  outubro  de  2004,  a  convite  do  Sr.  Nicolau,  com  quem  tratava  sobre  o  interesse  da  empresa  e  de  quem  recebia  os  honorários.  Tinha  conhecimento  da  alteração  societária  para  Luiz  Cláudio  e  Daniel, no entanto, sua relação sempre foi com o Sr.Nicolau.  Além  disso,  prestava  serviços  à  Aracê  Mercantil  e  Montreal Produtos Alimentícios, de propriedade do Sr. Wladimir  Resstel,  e à Comercial de Café Stockl e na data do depoimento  estava  prestando  serviço  de  auxiliar  contábil  à  Comercial  de  Café Stockl, cumprindo aviso prévio.  Informou  que  a  apuração  dos  tributos  e  contribuições  federais devidos pela Monte Verde eram efetuados pelo próprio  Nicolau, pela Renata e por  funcionária tratada por "RO" e que  era procurador da Monte Verde à título de favor.  O  contrato  de  prestação  de  serviço  não  está  registrado.  Apesar do Sr. Christian informar que presta serviços a empresa  desde  sua  criação  em  24/10/2000,  o  contrato  foi  redigido  em  02/01/2001  e  teve  reconhecida  as  firmas  em  29/04/2004,  indicando que a sua redação foi posterior, sendo confeccionado  para atender circunstâncias da época (Operação Profilaxia).  O  documento  de  entrega  de  documentos  e  rescisão  não  tem reconhecimento de  firma e  também não consta nenhum ato  de  registro.  Aparentemente  foi  confeccionado  a  posteriori  também  para  atender  fatos  à  época  (12/01/2005),  a  chamada  "Operação Profilaxia".  Os  poderes  outorgados  pelas  procurações  conferem  ao  mandatário  amplos  e  ilimitados  poderes  para  total  e  irrestrita  gerência  da  empresa,  inclusive  sobre  sua  movimentação  financeira,  que  no  período  de  2003  a  2005  atingiu  aproximadamente a R$ 70.000.000,00.  Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.425          6 O  Sr.  Christian  é  empregado  da  Café  Stockl  empresa  concorrente da Monte Verde. Desta forma, a outorga de poderes  tão  amplos  tem  como  objetivo  o  controle  das  atividades  da  Monte Verde pela Comercial de Café Stockl.  A  Sra  Renata  Resstel  não  foi  localizada  no  endereço  de  cadastro da SRF, sendo casada com Luiz Cláudio e filha do Sr.  Nicolau.  Também  é  procuradora  com  plenos  poderes  para  administração financeira da empresa Monte Verde.  O  Sr.  José  Augusto  Mayer  afirmou  que  trabalhou  na  Cafeeira  Stockl  durante  dez  anos,  se  desligando  no  início  de  2007. Exerceu a função de escriturário e contador. Informou que  conheceu o Sr. Nicolau Resstel ou em Marechal Floriano ou na  Cafeeira Stockl. Afirmou que desconhece Luiz Cláudio e Daniel,  e que não recebia por serviços prestados à Monte Verde.  Questionado  sobre  a  condição  de  procurador  da  Monte  Verde, disse tratar de prestação de favor na busca de cheque da  empresa  no  Palácio  do  Café,  local  sede  de  empresas  com  as  quais a Monte Verde transacionava.  A  causa  de  tanta  gentileza  é  o  objetivo  da Comercial  de  Café Stockl manter sobre controle seus interesses sobre a Monte  Verde.  Ninguém  outorga  poderes  totais  de  gestão  sobre  uma,  empresa,  com  a  movimentação  financeira  aproximada  R$  70.000.000,00  a  um  funcionário  de  uma  empresa  concorrente,  para um simples ato de "Office Boy". O que se verifica é que os  procuradores  da  Monte  Verde,  exceto  Renata  Resstel,  são,  de  fato,  representantes  de  interesses  da Comercial de Café  Stockl,  através dos quais mantém o controle de seus interesses.  Maria Lucinda Módolo afirmou que trabalha na Cafeeira  Stockl há mais de 20 anos, que conheceu o Sr. Nicolau Resstel na  Cafeeira Stockl e sua filha Renata Resstel em Marechal Floriano  em  função  dos  mesmos  serem  locatários  das  instalações  de  armazenagem da Cafeeira Stockl. Informou que desconhece Luiz  Cláudio  e  Daniel  e  que  não  recebia  por  serviços  prestados  à  Monte Verde.  Questionada  sobre  a  condição  de  procurador  da  Monte  Verde, disse tratar de prestação de favor na busca de cheque da  empresa  no  Palácio  do  Café,  local  sede  de  empresas  com  as  quais a Monte Verde transacionava.  A Sra Maria Lucinda  foi citada pelo Sr. José Wellington,  que  trabalhava  para  a  Monte  Verde  em  Marechal  Floriano.  Também  a  Sra  Edna  Assis  confirmou  que  era  constante  a  sua  presença  na  sede  Monte  Verde.  O  Sr.  Laudeci  Stockl  foi  categórico  "Que  trabalhava  no  escritório  da  Monte  Verde  a  senhora  Maria  Lucinda,  secretária  do  Sr.  Miguel  Stockl".  Portanto,  está  afastada  a  alegação  de  procurador  a  título  de  prestação  de  favor.  Assim,  se  consumam  osfatos  de  que  os  procuradores da Monte Verde são representantes dos interesses  da Comercial de Café Stockl.  Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.426          7 Eunice Maria  Sant'  Anna  na  sede  afirmou  que  é  casada  com  Miguel  Stockl  e  que  exerce  somente  atividades  do  lar.  Informa  que  tem  conhecimento  da  empresa  Monte  Verde,  que  conheceu  Nicolau  Resstel  em  Marechal  Floriano,  que  recebeu  procuração do  Sr. Nicolau  para  realizar  serviços  bancários  da  Monte Verde na agência SICOOB de Marechal Floriano.Alegou  que nada recebia pelos serviços.  A  empresa  MONTE  VERDE  MERCANTIL  LTDA,  teve  como  titulares  de  direito  os  senhores  Luiz  Cláudio  Ferreira  Lima,  Daniel  Miguel  Apolinário  e  Nicolau  Resstel.  como  procuradores  com  poder  de  gestão  atuaram  Renata  Resstel  representando os  interesses da  família Resstel e Christian Silva  Rupf.  José  Augusto  Mayer.  Maria  Lucinda  Módolo  Mayer  e  Eunice Maria Sant' Anna Stockl  representando os  interesses da  família Stockl, com objetivo de lesar o fisco.  Foram abertas as contas bancárias movimentadas pelo Sr.  Nicolau  Resstel  e  Renata  Resstel.  Em  alguns  dos  cheques  emitidos pelo contribuinte e assinados pelo.Sr. Nicolau constam  o  endosso  da  Sra.  Renata.  As  contas  abertas  e  movimentadas  foram relacionadas no quadro 02. As diversas contas bancárias  receberam  créditos  totais,  durante  os  anos  de  2003  a  2005,  superiores a R$ 70.000.000,00 estão demonstradas no quadro07  (fl. 914).  As  contas  do  SICOOB  (contas  10.386/1  e  10.482/5)  concentraram a quase totalidade da movimentação bancária da  contribuinte  Monte  Verde,  nos  anos  de  2003  a  2005.  Dos  R$  70.669.614,23  movimentados  em  instituições  bancárias,  R$  70.331.226,22  foram movimentados  na  agência  do  SICOOB de  Marechal Floriano.  Os  cheques  emitidos,  de  valores  acima  de  R$  5.000,00  foram assinados por Nicolau Resstel, e nominalmente destinados  à  própria  emitente  Monte  Verde,  ora  endossado  pelo  próprio  Nicolau e ora endossado por Renata Resstel – procuradora.  Foram requisitados à Cooperativa de Crédito Sul Serrana  do  Espírito  Santo  através  da  RMF  n°  0720100.2008.002770,  cópias de alguns cheques emitidos pela Monte Verde. Das cópias  dos  cheques  enviadas  foram  identificados  os  beneficiários  (Laudeci  Stockl  ME,  Iverlízia  Bungesnstaba  Stockl  e  Laudeci  Stockl).  Os  mesmos  intimados  a  prestarem  depoimentos  (fl.535/868).  O  Sr.  Laudeci  Stockl  e  sua  esposa,  a  Sra  Iverlizia  Bungenstab  Stockl,  confirmaram  que  receberam  os  cheques  da  Monte  Verde  em  seus  nomes  e  em  nome  da  empresa  Laudeci  Stockl ME;  que  são  seus  conhecidos a  empresa Monte Verde  e  seu  sócio  Nicolau  Resstel  e  sua  filha  Renata  Resstel;  que  o  escritório de sua empresa Laudeci Stockl ME ficava ao lado da  sede  da Monte  Verde,  local  onde  recebia  os  produtores  rurais  para  comercialização  de  café  e  classificação,  e  em  seguida  ofertava  os  para  a Monte Verde;  que  são  produtores  rurais  na  região de Marechal Floriano e que os cheques recebidos foram  Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.427          8 em  pagamentos  pela  venda  de  café  como  produtor  rural,  pela  corretagem  de  café  efetuada  para  a  Monte  Verde  e  em  pagamentos pela prestação de serviços de transportes realizados  pela  firma  Laudeci  Stockl  ME,  que  também  trabalhava  no  escritório  da Monte Verde  a  Sra Maria  Lucinda,  secretária  do  Sr. Miguel Stockl.  Eles  disseram  que  os  recursos  eram  provenientes  da  atividade de produtor rural, corretagem e prestação de serviços  de  transporte  da  empresa  Laudeci  Stockl  Me,  porém  não  apresentaram  qualquer  comprovação.  As  notas  de  produtor  rural, os conhecimentos de transporte e os recibos apresentados  são  aleatórios  e  não  guardam  nenhuma  correspondência  com  data  e  valores  recebidos.  Também  não  apresentaram  nenhuma  escrituração a respeito.  O  próprio  Laudeci  disse  que  recebia  os  produtores  para  venda  de  café  e  classificação,  o  que  contradiz  o  exercício  de  corretagem. O  Sr.  Laudeci  Stockl,  conforme  depoimento  do  Sr.  José Wellington, era o representante de Miguel Stockl na Monte  Verde, e atuava junto com o Sr. Reinaldo na compra de café dos  produtores rurais, onde também trabalhavam a Sra Iverlizia e a  Sra Édina Assis.  A  relação  do  Sr.  Laudeci  Stockl  com Comercial  de Café  Stockl  também  é  confirmada  pelo  Sr.  Walmir  Rego  em  depoimento,  no  qual  confirma  que  recebeu  o  cheque  da Monte  Verde em pagamento pela venda de café efetuada a Comercial de  Café  Stockl,  negociado  com  o  Sr.  Laudeci  Stockl,  a  quem  conhecia  como  proprietário  da  Comercial  de  Café  Stockl  em  Marechal  Floriano.  A  Sra  Edna  Assis,  funcionária  da  empresa  Laudeci Stockl Me, recebeu recursos originários da Monte Verde  e depositou em seu nome, na conta n° 10.0358 em conjunto com  Laudeci e Iverlizia no SICCOB de Marechal Floriano, a quantia  R$ 274.848,32 pertencente a Laudeci.  Nesta  mesma  conta  foi  depositado  em  nome  da  Sra  Iverlizia  a  quantia  de  R$  689.261,60,  e  em  do  Sr.  Laudeci  a  quantia de R$ 106.186,00,  todos recursos originários da Monte  Verde. A veracidade de que a conta é conjunta é confirmada pelo  n°  da  conta  (10.0358)  aposto  no  verso  dos  cheques  nominais  Edna  Assis,  Iverlizia  Bungenstab  Stockl  e  Laudeci  Stockl.  Da  amostragem de R$ 1.241.267,02  em que  foram  identificados  os  destinatários dos  cheques,  somente a  conta n° 10.0358  recebeu  depósitos  no  valor  de R$ 1.070.295,92,  conta  esta  que  recebeu  os,  cheques  nominais  a  Laudeci  Stockl,  Edna  Assis  e  Iverlizia  Bungenstab  Stockl.  A  empresa  Laudeci  Stockl  Me  recebeu  depósitos no valor R$ 34.625,00.  O  Sr.  Laudeci  e  Sra  Iverlizia movimentaram,  originários  da Monte Verde, dos recursos identificados os destinatários, R$  1.104.920,92  de  um  total  de  R$  1.241.267,02.  A  Sra  Maria  Lucinda  secretária  do  Sr.  Miguel  Stockl  aqui  citada  como  funcionária da Monte Verde pelo Sr. Laudeci é a procuradora da  Monte Verde Mercantil Ltda. Não resta qualquer dúvida de que o  Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.428          9 Sr.  Laudeci  participava  da  administração  e  gerência  da Monte  Verde Mercantil Ltda pelo acima exposto.  Nas  fl.864/865,  o  Sr.  Almir  Schneider  informou  que  é  produtor de café em Domingos Martins e que recebeu os cheques  emitidos  pela Monte  Verde  em  pagamento  pela  venda  de  café.  Disse que na época em que recebeu os cheques, negociava dentre  outros com o Sr. Miguel Stockl (Cafeeira Stockl) e que quando a  negociação era com a Cafeeira Stockl negociava com Edmilson  ou  Jaime. O Sr. Almir  recebeu  os  cheques  da Monte Verde  em  pagamento pela venda de café efetuada à Cafeeira Stockl.  Na  fl.838,  o  Sr.  José  Wellington,  sobre  os  cheques  recebidos,  emitidos  pela  Monte  Verde,  confirmam  seu  recebimento  face  a  comercialização  de  café  produzida  em  sua  propriedade.  A  negociação  da  venda  de  café  era  feita  com  Miguel Stockl, através de Reinaldo e Laudeci Stockl na empresa  Monte  Verde.  Apesar  de  negociar  na  sede  Monte  Verde  a  descarga  era  efetuada  nos  Armazéns  Gerais  Stockl,  conforme  notas fiscais anexas. Informa que atendiam na Monte Verde em  Marechal Floriano a Sra. Iverlizia e a Sra, Édina Assis, e o Sr.  Vladimir Resstel na Estrada Velha de Paraju.  Nas fl. 826/827 o Sr. Lastene informou que seu pai Jorge  João  Stockl,  José  Stockl,  Gabriel  Stockl  e Miguel  Stockl  eram  sócios  das  empresas Comercial  de Café  Stockl  Ltda,  Armazéns  Gerais Stockl Ltda e Stockl Café Industrial e Comercial Ltda. Na  sociedade  a  decisão  final  era  sempre  de  Miguel  Stockl.  Foi  confirmado  o  recebimento  do  cheque,  proveniente  da  venda  de  café e que a  época exercia a atividade de produtor  rural  como  arrendatário,  conforme  contrato  anexo.  Disse  que  prestava  assessoria contábil, como autônomo.  Fazia  também  corretagem  de  café.  Informou  que  não  possui  relacionamento  comercial  com  as  empresas  da  família.  Afirmou que nas empresas a decisão em todas as instâncias era  sempre de Miguel Stockl, o que contradiz a informação sobre a  sociedade do pai, e de quais empresas o pai era ou é sócio.  Nas  fl.672/673,  a  Sra  Edna  informou  que  no  período  de  02/2000 a 03/2008 trabalhou nas empresas Laudeci Stockl Me e  Café  Rio,  ambas  de  propriedade  de  Laudeci  Stockl.  Que  os  cheques  recebidos  da  empresa  Monte  Verde,  nominais  a  ela,  pertenciam  a  Laudeci  Stockl  PJ  ou  a  Laudeci  Stockl  PF,  eram  originários da  venda de  café,  corretagem de  café  e  serviços de  frete  da  empresa  Laudeci  Stockl  Me,  sendo  os  mesmos  depositados  em  conta  corrente  conjunta  com  Laudeci  Stockl,  Iverlizia  Bungehstab  Stockl  e  Édina  Assis  (conta  SICOOB  n°  10.0358,  ag.  3010). O motivo  dos  cheques  estarem  nominais  a  ela  era  facilitar  a  administração  da  empresa  na  ausência  de  Iverlizia e Laudeci. A empresa Laudeci Stockl Me situava ao lado  do escritório da MonteVerde, onde era constante a presença da  Sra  Maria  Lucinda.  Que  o  Sr.  "Reinaldo"  era  funcionário  da  empresa  de  transporte  Laudeci  Stockl  ME.  Que  tinha  Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.429          10 conhecimento do Sr. Nicolau e da Sra Renata na empresa Monte  Verde Mercantil, porém não tratava com os mesmos.  Nas fl.851/852, o Sr. Walmir informou que é comerciante,  e  produtor  rural  em  parceria  com  seu  irmão  Vital  Hermínio  Rego, no município de Viana/ES; que recebeu o cheque da Monte  Verde Mercantil Ltda em pagamento pela venda de café efetuada  a  Comercial  de  Café  Stockl,  operação  negociada  com  o  Sr.  Laudeci  Stockl,  em  Marechal  Floriano.  Algumas  vezes  ele  entregava o café em Marechal Floriano, no endereço da empresa  Café Rio, mas, na maioria das vezes o adquirente Comercial de  Café Stockl retirava­o café na propriedade. Alegou que conhecia  o  Sr.  Laudeci  Stockl  como  proprietário  da  Comercial  de  Café  Stockl.  O  Sr.  Walmir  recebeu  o  cheque  da  Monte  Verde  em  pagamento pela venda de café feita a Comercial de Café Stockl,  negociado  com  Laudeci  Stockl,  a  quem  conhecia  como  proprietário da Comercial de Café Stockl.  O  Sr.  José  Del  Armi  informou  (fl.  857)  que  é  produtor  rural  em  Castelinho,  distrito  de  Vargem  Alta/ES.  Quanto  ao  cheque  recebido  da  Monte  Verde  não  se  lembra  a  razão  pela  qual  recebeu,  porém  confirma  o  depósito  em  sua  conta  no  SICOOB agência de São José de Fruteiras. Informa que sempre  vendia  sua  produção  de  café  para  os  Stockl  em  Santa  Maria,  município  de  Marechal  Floriano,  com  emissão  da  nota  fiscal  para  a  empresa  Monte  Verde  Mercantil  Ltda,  conforme  notas  fiscais  de  produtor  rural  (fl.  77  e  78).  A  negociação  do  café  sempre  era  feita  com  o  funcionário  da  Stockl  de  nome  "MARCOS".  A conta no BANCO ITAU AGÊNCIA CARIACICA (1424)  nº 19.148/2 foi aberta em 05/05/2004, tendo como representante  o  Sr.  Nicolau  Resstel.  Trata­se  de  uma  conta  com  pouca  movimentação,  a  maioria  correspondente  a  transferência  de  mesma  titularidade,  ou  seja,  valores  transferido  da  conta  da  Monte Verde no SICOOB de Marechal Floriano, em especial da  conta 10.386/1.  A  conta  no  BRADESCO  AGÊNCIA  MARECHAL  FLORIANO  nº  7.162/5  foi  aberta  em  20/02/2002,  tendo  como  representantes  Luiz  Cláudio  Ferreira  Lima  e  Nicolau  Resstel.  Trata  se  de  uma  conta  com  pouca movimentação  financeira,  a  maioria  correspondente  a  transferência  de mesma  titularidade,  ou  seja,  valores  transferido  da  conta  da  Monte  Verde  no  SICOOB de Marechal Floriano, em especial da conta 10.386/1.  Para movimentação da referida conta foi outorgada procuração  pelo  Sr.Luiz  Cláudio  Ferreira  Lima  a  José  Augusto  Mayer,  Christian  Silva  Rupf,  Maria  Lucinda  Módolo  Mayer  e  Eunice  Maria  Santanna  Stockl.  Pelo  Sr.  Nicolau  Resstel  foi  outorgada  procuração  a  Renata  Resstel.  Os  poucos  cheques  de  valores  acima de R$ 5.000,00 foram emitidos pela procuradora Renata  Resstel.  As receitas auferidas pela empresa Monte Verde Mercantil  Ltda, são decorrentes da atividade comercial de compra e venda  Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.430          11 de café e correspondentes aos depósitos efetivos relacionados no  quadro  08.  A  confirmação  de  que  os  depósitos  bancários  correspondem  a  receitas  da  comercialização  de  café  está  nos  documentos anexados às fl.458/581. Essas receitas constam nos  "Demonstrativos  Apuração  Crédito  Conta  Corrente"  (fls.870/888).  Dos  extratos  de  movimentação  bancária,  totalizando  os  créditos relacionados no quadro 07, foram excluídos os créditos  que  não  representavam  receitas  da  empresa,  como:  transferências  bancárias  oriundas  de  contas  de  mesma  titularidade,  créditos  como:  cheques  emitidos  contra  a  própria  conta  e  devolvidos,  empréstimos/financiamentos  e  estornos.Os  créditos  assim  "depurados"  foram  denominados  depósitos  efetivos  e  decorrentes  da  atividade  comercial  da  contribuinte  Monte  Verde  com  a  comercialização  de  café,  constituindo  a  Receita Operacional. No quadro 08 (fl.923) estão demonstrados,  de  forma  sintética  e  por  período  mensal,  o  total  dos  créditos  efetivos.  Nestes autos  estão  sendo apurados  e  exigidos os  tributos  devidos  nos  anos  calendário  2004  e  2005,  com  lançamento  parcial  através  de Auto  de  Infração. Para  efeito  de  tributação,  foram considerados como Receita Tributável os valores mensais  correspondentes  aos  depósitos  bancários  apurados  no  "Quadro08Demonstrativo de Depósitos Efetivos”. amparado no  art.42  da  lei  9.430/96,  considerando  somente  os  valores  das  colunas para período de apuração anos­calendário 2004 e 2005.  O  contribuinte,  para  o  período  em  análise,  anos­ calendário  2004  e  2005,  não  apresentou  DIPJ.  As  DCTF  apresentadas  são  relativas  apenas  ao  ano  calendário  2004. Os  impostos  e  contribuições  declarados  em  DCTF,  e  aqueles  recolhidos  pela  contribuinte  estão  demonstrados  no  quadro  09  Do Arbitramento (fl. 924).  Devidamente  intimada  a  apresentar  o  Livro  Diário  e  Razão,  ou  os  Livros  Caixa,  referentes  aos  anos­calendário  de  2003, 2004 e 2005, o contribuinte não foi localizado no endereço  de cadastro no CNPJ da Receita Federal, sendo então intimados  seus  sócios  constantes  do  quadro  societário  no  CNPJ,  que  informaram não possuírem tais Livros/Documentos.  A  legislação  vigente  a  época  exige  para  os  contribuintes  optantes  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  dentre  outras  obrigações  acessórias,  a  regular  escrituração  do  Livro  Caixa (RIR/1999, art. 527, parágrafo único). Em decorrência da  exigência  inserta  no  art.  527,  parág.  único  do  RIR/1999,  e  da  inexistência da documentação fiscal então prescrita, exigir se á o  imposto referente aos anos­calendário 2004 e 2005 com base no  lucro  arbitrado,  forma  de  tributação,  prevista,  neste  caso,  nos  artigos 529 e 530.  O imposto e as contribuições declarados e/ou pagos foram  levados em consideração na apuração do imposto com base nas  receitas  decorrentes  de  depósitos  bancários. O  lucro  arbitrado  Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.431          12 foi apurado pela aplicação da alíquota de 9,6 % sobre a receita  tributável apurada (Lei 9.249/95, art. 15 e 16).  Os  valores  apurados  nos  quadros  10  a  13,  correspondentes  ao  imposto  de  renda  e  contribuições  devidos  nos anos calendários 2004 e 2005, após as devidas exclusões dos  valores  declarados  (DIPJ  e  DCTF)  e/ou  pagos  (DARF),  demonstrados na coluna Receita Declarada (quadro 10 a 13 – fl.  926  a  929),  serão  exigidos  através  de  autos  de  infração  específicos.  Além,  do  imposto  de  renda  e  contribuições,  cabe  lançamento  de  multa,  correspondente  a  150%  do  imposto  e  contribuições,  nos  termos  do  inciso  II  do  artigo  44  da  Lei  9.430/96,  face  ao  previstos  nos  artigos  71  e  73,  sonegação  e  conluio.  O  empreendimento  sempre  foi  marcado  pelo  conluio,  simulação  e  sonegação  fiscal.  No  seu  ato  constitutivo  já  se  constata  a  interposição  de  pessoas  como  se  infere  dos  depoimentos prestados por Luiz Cláudio Ferreira Lima e Daniel  Miguel  Apolinário.  O  contribuinte  informou  à  Receita  Federal  (DIPJ) e recolheu nos anos calendários de 2004 e 2005, imposto  de  renda  e  contribuições  sociais  em  valores  que  somados  totalizam,  a  quantia  de  R$  7.646,63,  enquanto  que  os  valores  apurados  alcançam,  em  valores  originários,  a  soma  de  R$  3.557.042,80.  Isto  corresponde  a  aproximadamente 0,21 % dos  valores  devidos,  ou  seja,  os  valores  devidos  são  465  vezes  superiores aos valores declarados (quadros 10 a 13).  O  contribuinte  omitiu  e  prestou  informações  falsas  à  Receita Federal,  não apresentou DIPJ para os anos­calendário  2004  e  2005,  sendo  apresentada  DCTF  somente  para  o  ano  calendário  2004.  As  receitas  informadas  nas  DCTF  são  muito  inferiores àquelas apuradas. Para o ano de 2005 a contribuinte  Monte Verde sequer apresentou DIPJ e DCTF.  O  conluio  fica  caracterizado  pela  participação  de  várias  pessoas,  incluindo  sócios,  procuradores  e  sócios  de  outras  empresas  por  interpostas  pessoas  e  pessoas  alheias  ao  quadro  societário da Monte Verde, na realização de fatos de gestão com  objetivo  de  fraudar  o  fisco.  Fica  patente  o  caráter  doloso  dos  atos  praticados,  o  objetivo  de  sonegação  almejado  pelo  empreendimento  e  o  conluio  entre  as  diversas  pessoas  participantes  da  atividade  comercial  com  o  nome  de  "Monte  Verde Mercantil Ltda".  São  responsáveis  solidários  aqueles  com  relação  direta  e/ou  indireta  na  operação  empresarial  do  Monte  Verde  Mercantil  Ltda,  estando  caracterizado  o  interesse  comum  na  situação  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  124  da  Lei  n°5.172/66  (código  Tributário Nacional).  Conforme  inciso  I  do  artigo  124  e  artigo  135,  todos  do  Código Tributário Nacional, serão arrolados como responsáveis  Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.432          13 solidários  todas as pessoas com relação direta e/ou  indireta na  operação empresarial do contribuinte.  Foram arrolados como responsáveis solidários na gestão  fraudulenta  da  Monte  Verde  os  sócios,  procuradores,(representantes)  e  representados  (com  interesses  comercial  sobre  a  Monte  Verde),  cujas  evidências  e  provas  permitiram  constatar  serem  mandatários  de  plenos  poderes  sobre  a  expressiva  movimentação  financeira  da  empresa,  independente  de  terem  tido  participação  efetiva  ou  não  na  movimentação  desses  recursos,  aqueles  que  mantinham  seus  interesses sobre a Monte Verde através de prepostos (Empresas  Stockl  e  Sócios,  em  especial  Comercial  de Café  Stockl  Ltda)  e  aqueles  que  negociaram  e movimentaram  recursos  diretamente  em nome da Monte Verde Laudeci Stockl e Iverlizia Bungenstab  Stockl, conforme apurado nos depoimentos.  SÓCIOS:  Luiz Cláudio Ferreira Lima. CPF 007.766.627/59.  Não dispõe de capacidade  financeira para  integralização  do  capital  subscrito.  A  sua  responsabilidade  decorre  da  contribuição  com  cessão  pessoal  e  espontânea  dos  dados  para  que se constituísse a empresa.  Embora possa não ter participado da gestão empresarial,  contribuiu  com a  cessão  voluntária  de  seus  dados  para  figurar  como  um  dos  sócios  do  empreendimento,  e  a  prática  dos  atos  fraudulentos  praticado  pela Monte  Verde Mercantil  Ltda,  pois,  como  se  vê,  consta  sua  assinatura  nas  alterações  contratuais  (fl.982/983).  Daniel Miguel Apolinário, CPF 007.766.627/ 59.  Não dispõe de capacidade  financeira para  integralização  do  capital  subscrito,  a  sua  responsabilidade  decorre  da  contribuição com cessão pessoal e espontânea dos dados para se  constituísse a empresa com fins de sonegar tributos.  Embora possa não ter participado da gestão empresarial,  contribuiu  com a  cessão  voluntária  de  seus  dados  para  figurar  como  um  dos  sócios  do  empreendimento,  e  a  prática  dos  atos  fraudulentos  praticado  pela Monte  Verde Mercantil  Ltda,  pois,  como  se  vê,  consta  sua  assinatura  nas  alterações  contratuais  anexas as fl.982/983.  Nicolau Resstel. CPF 157.344.987/34.  A sua participação na fraude é a mais contundente. Além  de  figurar  como  sócio  e  procurador  da  contribuinte  Monte  Verde,  por  períodos  alternados,  exerceu  a  gestão  empresarial  como  se  verifica  na  cópia  dos  cheques  emitidos  e  ficha  autógrafos  para movimentação de  conta  bancária. Constituiu  e  exerceu a atividade empresarial da Monte Verde  com objetivos  claros de fraudar a Fazenda, conforme constatado pela omissão  Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.433          14 de receita, fato este de prática reiterada nos anos calendário de  2004 e 2005. Ocorrência  também verificada no ano calendário  de 2003.  PROCURADORES:  Renata Resstel, CPF 045.938.967/ 03.  A procuradora Renata Resstel é filha de Nicolau Resstel e  casada  com  o  sócio  Luiz  Cláudio  Ferreira  Lima.  Também  investida como procuradora com plenos poderes para gestão da  empresa  Monte  Verde.  Emitiu  e  endossou  cheques.  Na  movimentação  da  empresa  é  quem  efetuava  os  pagamentos  do  cotidiano da empresa.  Christian Silva Rupf, CPF 015.305.297/00.  O Sr. Christian é procurador da Monte Verde com poderes  totais de gestão e ao mesmo  tempo é  funcionário da Comercial  de  Café  Stockl.  Também  prestava  serviços  contábeis  à  Aracê  Mercantil e Montreal Produtos Alimentícios, esta de propriedade  do  Sr.  Wladimir  Resstel.  E  também  contador  da  Monte  Verde  (fl.041/46).  José Augusto Mayer. CPF 317.774.577/34.  O procurador José Augusto era funcionário da Comercial  de Café Stockl até o início de 2007, quando se desligou. Exerceu  as  funções de  escriturário  e  contador,  conforme depoimento  as  fl.531/534.   Maria Lucinda Módolo Mayer, CPF 909.995.507/30.  Trata­se de uma funcionária da Comercial de Café Stockl  há mais de 20 anos. Exerceu as atividades de  serviços gerais e  atualmente  é  faturista  (fl.524/526).  A  Sra  Maria  Lucinda  foi  citada pelo Sr. José Wellington que trabalhava na Monte Verde  em Marechal Floriano. Também a Sra Edna Assis disse que era  constante  a  sua  presença  na  sede  Monte  Verde  em'Marechal  Floriano.  Já  o  Sr.  Laudeci  Stockl  disse  que  trabalhava  no  escritório  da  Monte  Verde  a  senhora  Maria  Lucinda  era  secretária do Sr. Miguel Stockl. Portanto, não cabe a alegação  de prestação de favor.  Eunice Maria Santanna Stockl. CPF 841.139.447/68.  Eunice Stockl é casada com Miguel Stockl, proprietário da  Cafeeira Stockl, sendo grande produtor de café e proprietário de  terras.  A  senhora  Eunice  é  representante  com  poderes  totais  para  movimentação  financeira  da  Monte  Verde,  empresa  concorrente  das  empresas  de  seu  marido.  Deve  ser  destacado  que,  para  os  atos  de  favor  para  os  quais  disse  ter  recebido  o  mandato  como  realizar  depósitos  e  pagamentos  de  contas  em  nenhum deles é necessário procuração. Agora, endossar cheque  é atividade de quem tem responsabilidade pela empresa perante  a instituição financeira.  Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.434          15 TERCEIROS INTERESSADOS.  Laudeci  Stockl.  CPF  020.042.557/  90  e  9.3.2  Iverlízia  Bungenstab Stockl. CPF 008.010.957/86.  O Sr. Laudeci e a Sra. Iverlizia movimentaram em contas  pessoais, recursos oriundos da Monte Verde Mercantil Ltda, sem  comprovação  de  origem,  o  valor  de  R$  1.070.295,92  e  na  empresa Laudeci Stockl Me R$ 34.625,00, perfazendo o total de  R$ R$ 1.104.920,92. Isto numa amostragem de R$ 1.241.268,02.  Eles não apresentaram nenhum documento que comprovasse os  recebimentos  da  Monte  Verde,  com  as  atividades  que  dizem  exercer.Todos os beneficiários dos cheques ouvidos informaram  que efetuaram a venda de café para a Comercial de Café Stockl e  que negociaram com Laudeci Stockl, na sede da Monte Verde em  Marechal  Floriano  e  que  o  conheciam  como  proprietário  da  Comercial de Café Stockl, exceto o Sr. Lastene Stockl, seu irmão.  Ambos  atuaram  e  negociaram  usando  a  Monte  Verde  para  negociaram em nome Comercial de Café Stockl.  Comercial de Café Stockl, CNPJ 39.319.033/0001­34.  Conforme  ficou  apurado no  decorrer  dos  depoimentos,  a  negociação era em nome da empresa acima nomeada.  Miguel  Stockl, CPF 364.469.987/  91 Sócio  da Comercial  de  Café  Stockl  Ltda,  Stockl  Café  Industrial  e  Comercial  Ltda;  Armazéns Gerais Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda.  9.3.5 Gabriel Stockl, CPF 525.603.687/49.  Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Armazéns Gerais  Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda.  Fabiano Stockl, CPF 045.653.947/ 66.  Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda.  Jorge João Stockl. CPF 086.507.567/00.  Sócio  da  Comercial  de  Café  Stockl  Ltda,  Stockl  Café  Industrial e Comercial Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda.  José Stockl, CPF 364.489.237/72.  Sócio  da  Comercial  de  Café  Stockl  Ltda,  Stockl  Café  Industrial  e  Comercial  Ltda,  Armazéns  Gerais  Stockl  Ltda,  Cafeeira Irmãos Stockl Ltda.   Leandro Stockl CPF 088.606.847/90.  Sócio da Stockl Café Industrial e Comercial Ltda.  Os  sócios  Miguel,  Gabriel,  Fabiano,  Jorge,  José  e  Leandro  são  responsáveis  solidários  pelos  interesses  que  mantinham  sobre  a  Monte  Verde,  pois  mantiveram  como  representante  de  seus  interesses  os  procuradores  da  Monte  Verde.  Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.435          16 A procuradora Maria Lucinda foi citada pelo Sr. Laudeci  Stockl como secretária do Sr. Miguel Stockl e que trabalhava na  Monte Verde. A Sra. Edna Assis confirmou que era constante a  presença da Maria Lucinda na Monte Verde,o que comprova que  os  procuradores  da  Monte  Verde  representavam  os  interesses  das empresas Stockl e seus sócios.  O  interesse  que  as  empresas  Stockl  mantinham  sobre  Monte Verde está demonstrado nos depoimentos prestados pelos  beneficiários  dos  cheques.  Todos  os  produtores  rurais  ouvidos  informaram que negociaram com a Comercial de Café Stockl, e  receberam o cheque da Monte Verde Mercantil Ltda, exceto o Sr.  Lastene  Stockl.  Pelas  notas  fiscais  anexas  verifica  se  que  tem  como  destinatário  a  MonteVerde  Mercantil  Ltda  e  local  de  descarga Armazéns Gerais Stockl Ltda.  Apurados  os  tributos,  lavrados  os  devidos  autos  de  infração e Representação Fiscal para Fins Penais.  Em  20/08/2009,  Laudeci  Stockl  e  Iverlízia  Bugenstab  se  manifestaram contra o disposto no Auto de Infração, através de  impugnação (fl. 1090 a 1138). Em 21/08/2009, Jorge João Stockl  (fl.1451  a  1479).  Eunice  Stockl  apresenta  impugnação  em  21/08/2008  às  fl.  1480  a  1516).  Maria  Lucinda  Mondolo  apresenta impugnação em 21/08/2009 nas fl. 1522 a 1559. José  Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 1564 a 1603.  Christian Rupf apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 1869  a  1907.  Em  21/08/2009  a  Comercial  de  Café  Stockl  apresenta  impugnação  (fl.  1920  a  1961).  Fabiano  Stockl  apresenta  impugnação  em 21/08/2009  às  fl.  2154  a  2190  . Miguel  Stockl  apresenta impugnação em 21/04/2009 (fl. 2413 a 2451). Gabriel  Stockl apresenta impugnação às fl 2714 a 2750) em 21/08//2009.  Leandro Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl 3016  a  3050.  José  Augusto  Mayer  apresenta  impugnação  em  21/08/2009  às  fl  3265  a  3297.  A  ciência  ocorreu  através  dos  Editais de nº 226/2009, 227/2009, 229/2009 e 247/2009 (fl. 1085  a  1088),  afixados  em  :  04/08/2009  e18/08/2009  e  desafixados  em: 19/08/2009 e 02/09/2009, sendo apresentados os argumentos  que se seguem:  Laudeci Stockl e Iverlízia Bugenstab   •  Os  impugnantes  residem  em  Marechal  Floriano,  logo,  não é demais assentar que os laços de amizade e parentesco são  estreitos entre as pessoas que lidam como essa atividade.  •  Simplesmente  por  terem  realizado  atos  lícitos  de  comércio com a sociedade fiscalizada, os ora impugnantes foram  arrolados  como  responsáveis  solidários  pelo  débito  da  Monte  Verde.  • A sede da empresa LAUDECI STOCKL ME se localizava  ao lado da MONTE VERDE e, que de fato, os ora impugnantes  realizavam negócios de corretagem e  transporte de café para a  MONTE VERDE.  Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.436          17 • A quebra de sigilo bancário no presente caso afigura se  inconstitucional, sendo nula por completo a autuação.  •  Há  a  impossibilidade  jurídica  da  administração  fiscal,  sem  ordem  jurisdicional,  monitorar  as  movimentações  financeiras  dos  administrados  para  fins  de  fiscalização  e  apuração do Imposto sobre a Renda, por: ser o sigilo bancário  direito  subjetivo  constitucional  do  contribuinte;  ser  o  sigilo  bancário valor jurídico de alta tutela constitucional, sendo ilegal  a quebra do sigilo bancário, pois  inexiste qualquer embaraço à  fiscalização.  • A Lei n° 10.174/01 é inconstitucional.   • Fazer necessário destacar o direito ao sigilo bancário na  Carta Magna em seu artigo 5, inciso X .  •  Os  Auditores  Fiscais  insistem  em  negar  a  sua  oponibilidade  ao  Fisco,  alegando  que  o  parágrafo  único  do  artigo  145  da  Lei  Máxima  legitima  tal  interpretação.  •  Não  existem  direitos  absolutos  contra  o  interesse  público.  Ninguém  discute que os órgãos públicos não só podem como devem fazer  valer  o  seu  dever/poder  fiscalizatório  sobre  os  cidadãos,  inclusive  identificando  patrimônio,  rendimento  e  atividades  econômicas, mas  isso não os desobriga de  respeitar os direitos  individuais deles.  • Não se pode dispensar a demonstração de circunstâncias  fundamentadas  e  concretas,  em  cada  caso,  que  denotem  um  interesse  público  prevalente  no  desvendamento  das  operações  financeiras das pessoas físicas ou jurídicas, nem tampouco que a  presença efetiva desses elementos seja apreciada por um Poder,  independente e autônomo, que é o Judiciário.  •  Abstraindo­se  todas  as  inconstitucionalidades  que  envolvem a quebra do sigilo bancário, verifica se que a quebra  atacou ainda todos os dispositivos infralegais que disciplinam a  matéria.  •  Foi  considerado  que  a  ausência  de  prestação  de  informações  relativas  à  movimentação  financeira  dos  impugnantes,  em  decorrência  do  direito  ao  sigilo  bancário,  constituiu embaraço à  fiscalização nos  termos do art.33 da Lei  9430/96.  • Em principio, poderia ser dizer que os Auditores Fiscais  agiram  corretamente,  pois  o  inciso  I,  do  artigo  33  da  Lei  9430/96  caracteriza  como  embaraço  à  fiscalização  o  não  fornecimento  pelo  contribuinte  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade  próprios  ou  de  terceiros, quando intimado a fazê­lo.  • Ocorre que, sob pena de inconstitucionalidade, deve ser  dada interpretação conforme a Constituição. O contribuinte só é  obrigado  a  fornecer  dados  relativos  a  sua  movimentação  Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.437          18 financeira  quando o Fisco  tiver  o direito  subjetivo  de  acesso a  esses dados.  •  A  Carta  Magna  confere  ao  contribuinte  o  direito  individual  ao  sigilo  bancário,  bem  como  o  artigo  6º  da  Lei  Complementar  n°105/2001,  hierarquicamente  superior  e  posterior à Lei n° 9.430/96. Foram contrariados os  incisos X e  XII do artigo 5° da Constituição Federal .  • O conteúdo mínimo do direito ao sigilo bancário só pode  ser  quebrado  diante  de  circunstâncias  graves,  fundadas,  concretas  e  contemporâneas  à  quebra.  •  Erigir  em  fundamentação  idônea  para  a  quebrar  o  próprio  exercício  regular  do  direito  ao  sigilo  é  esvaziar  completamente  esse  conteúdo,  tornar­se­ia  o  primeiro  caso  de  exercício  regular  de  direito punido pelo sistema jurídico.  •  Também  a  dicção  do  artigo  6º  da  Lei  Complementar  105/01  invalida  as  pretensões  da  Autoridade  no  sentido  de  caracterizar  embaraço  à  fiscalização  mediante  o  exercício  regular do direito .  •  As  autoridades  e  agentes  fiscais  tributários  só  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras  quando,cumulativamente,  houver  processo  administrativo  em  curso  e  tais  documentos  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  ompetente  • O  direito  do Fisco  a  acessar  o  sigilo  bancário  do  contribuinte  só  nasce  quando  os  dados  forem  indispensáveis.  Quando os Auditores Fiscais solicitaram AS informações acerca  de sua movimentação financeira ela ainda não tinha esse direito,  pois  sua  solicitação  não  foi  validamente  fundamentada,  em  observância  ao  art.11,§  2º  da  Lei  9.311/96.  A  recusa  dos  impugnantes,  face  à  ilegalidade  da  solicitação  foi  licita  e  não  poderia ser qualificada como embaraço à fiscalização.  • Por tudo isso, não cabe ou cabia à defendente responder  qualquer  coisa  acerca  de  dados  financeiros  apurados  pela  Secretaria da Receita Federal, com fundamento na interpretação  sistemática  do  art.  11,  §3°,  da mesma  lei,  alterado pela Lei  n°  10.174/2001, e do art. 144, § 1°, do CTN.  •  Não  obstante,  tanto  a  Lei  Complementar  n°  105/01  quanto o Decreto n° 3.724/01 são posteriores à Lei n° 10.174, de  09 de janeiro de 2001, já que foram publicadas em 10 de janeiro  de  2001,  pelo  que  prevalecem  em  relação  a  ela  no  que  dispuserem  em  contrário,  por  força  do  artº2º,§  1º  da  Lei  de  Introdução ao Código Civil.  • Aplicar a Lei 10.174/2001 em detrimento de lei posterior  hierarquicamente superior é incorrer em ilegalidade.  •  Inexiste  solidariedade entre a sociedade Monte Verde e  os impugnantes. crédito tributário constituído a partir de meras  presunções.  Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.438          19 • Os  impugnantes não  se  subsumem às hipóteses dos art.  124, I e 135, I, II e III.  •  Os  impugnantes  somente  realizavam  operações  de  transporte  e  corretagem  de  café  para  a  sociedade  empresária  MONTE  VERDE.  Os  documentos  anexos  à  prestação  desses  serviços  de  corretagem  transporte  de  café.  Ressalta  se  que  os  produtores  de  café  não  têm  pleno  conhecimento  do  desenho  mercantil  do  negócio,  e  de  que  se  tratam  de  empresas  com  funções  e  quadros  completamente  autônomos.  Logo,  os  depoimentos prestados pelos impugnantes são verídicos.  • Os  impugnantes não  têm qualquer  relação de emprego,  coordenação,  gerência  ou  mandato  com  a  sociedade  MONTE  VERDE.   •  As  Autoridades  Fiscais  lançaram  o  IRPJ  tendo  como  base  os  depósitos  efetuados  nas  contas  mantidas  pelos  impugnantes. O conceito constitucional de renda pressupõe que  ela seja originada no patrimônio preexistente da própria pessoa,  sendo  obtida  com  a  aplicação  de  um  patrimônio  material  ou  imaterial,  numa  determinada  atividade,  pelo  próprio  indivíduo  que irá pagar o tributo. O conceito de renda não abrange meras  transferências de capital, seja a qual título for, somente aquelas  que  decorrem  da  exploração  ou  uso  direto  ou  indireto  do  patrimônio da empresa.Caberia aos AFRF provar que os valores  movimentados  nas  contas  representam  renda  para  que  os  pudessem  tributar,  o  que  não  se  desincumbiram  de  fazer,  preferindo utilizar presunções para caracterizar como matéria.  •  O  lançamento  efetuado  com  suporte  na  movimentação  bancaria, não caracteriza disponibilidade econômica de renda e  proventos.  • O Fisco ao  lançar o  IRPJ  sobre os depósitos  efetuados  nas contas correntes ignorou as operações nas quais ocorreram  apenas  transferência de quantia de uma conta para outra para  pagamento dos produtores rurais.  •  A  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social COFINS foi instituída pelo art.195 da Carta de 1988.  •  A  Lei  Ordinária  n°  9.718/98  que,  entre  outras  disposições, ampliou a base de cálculo da COFINS (art. 3º,§ 1º).  •  O  legislador  ordinário  identificou  os  conceitos  de  faturamento e receita bruta através da mencionada lei ordinária.  Ocorre  que  faturamento  e  receita  bruta,embora  utilizados  no  direito  tributário,  possuem  conceitos  definidos  pelo  direito  privado, que devem ser respeitados (artigo 110 do CTN).  •  Faturamento  significa  a  soma  das  quantias  constantes  em  faturas  emitidas.Tal  conceito  abrange  somente  a  soma  dos  valores de venda das mercadorias ou de prestação de serviços.  Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.439          20 • Receita bruta é receita total advinda das operações fins  de  determinada  pessoa  jurídica,  abrangendo  não  só  a  receita  com comercialização ou prestação de  serviços, mas  também as  receitas financeiras e não operacionais.  • Receita bruta quer dizer mais que faturamento e que por  conta disso a Lei 9718/98 ampliou a base de cálculo da COFINS  ferindo o art.110 do CTN.  •  Tal  ampliação  é  vedada  ao  legislador  ordinário,  conforme o art.195, § 4º da Constituição.   •  O  art.  154,I  da  CRFB  prevê  a  necessidade  de  lei  Complementar para instituição de outras fontes para custeio da  Seguridade Social.  • O STF declarou inconstitucional o § 1º do art. 3ºda Lei  9718/98,  sendo  impossível  invocar  uma  constitucionalidade  superveniente  do  dispositivo  alegando  que  a  EC  20  de  15/12/1998  incluiu  receita  como  possível  base  de  cálculo.  A  emenda é posterior à  lei e não pode convalidada, e mesmo que  houvesse  a  convalidação,  a  primeira,  ainda  assim,  é  de  inconstitucionalidade  induvidosa  diante  do  art.246  da  CRFB,  pois  o  citado  diploma  germinou  se  da  Medida  Provisória  1724/98.  • A EC/20 não pode ser considerada meramente expletiva,  pois os conceitos de faturamento e receita bruta são diversos.  •  A  monta  devida  pela  defendente  deve  incidir  sobre  o  faturamento  e  não  sobre  a  receita  como  quer  o  Fisco,  sendo  improcedente  a  cobrança  da  COFINS.  Se  não  for  este  o  entendimento, que se determine o faturamento.  •  Ficou  constitucionalmente  estabelecido  que  a  base  de  cálculo do PIS é o faturamento, mas os AFRF invocam o art. 2º  do Decreto 4524/2002.  • Ocorre os mesmos problemas conceituais na COFINS.   • Por mais este motivo o auto deve ser anulado.  •  A  multa  é  inconstitucional  por  ter  efeito  de  confisco,  conforme  julgado  pelo  STF  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade nº 5511, que  julgou  inconstitucional,  com  eficácia  erga  omnes,  a  fixação  de  penalidade  tem  montante  desproporcional ao tributo exigido.  • Foram feridos os princípios da capacidade contributiva e  do não confisco.  •  Este  princípio  encontra  respaldo  no  art.  15,  IV  da  CRFB/88. totalidade da renda.  •  A  multa  não  pode  destruir  a  atividade  econômica  do  contribuinte.  Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.440          21 •  A  dependente  afirmam  que  os  documentos  solicitados  estavam  em  poder  do  SEFAZ  ­  ES.Não  houve  omissão  de  receitas.  • Deve ser anulado o auto por ser afronta ao princípio do  não confisco.  •  Há  necessidade  de  constituição  do  crédito  tributário  para a ocorrência da ação penal, falta justa causa.  • Nos  crimes  contra a ordem  tributária,  a  justa  causa  só  restará  caracterizada  quando  o  crédito  estiver  constituído  definitivamente, conforme posicionamento do STJ.  • O lançamento carece de alicerces legais, logo, qualquer  discussão  na  esfera  penal  seria  prematura  e  carente  de  justa  causa. JORGE JOÃO STOCKL   •  As  imputações  advém  de  ilações  imprecisas  e  constitui  injustiça.   •  Jamais  imaginou  que  seu  irmão  Miguel  incorria  em  delitos, mas nunca se beneficiou dos mesmos.  • Se houve infração quem tem de responder são as pessoas  que eram azo.  • Não houve culpa nem dolo.  •  Nem  a  Café  Stockl,  nem  Jorge  se  beneficiaram  das  irregularidades.  •  Nenhum  dos  empregados  da  Comercial  Stockl  foi  contratado pelo impugnante.  • Falta elemento substancial a autuação. Enquanto Miguel  Stockl foi enriquecendo, Jorge foi empobrecendo.  •  Falta  prova  de  culpa.  Não  é  plausível  se  imputar  ao  sócio não gerente a vampirangem da estrutura da empresa.  •  No  rol  dos  solidário  houve  desvio  valorativo  e  não  há  prova  suficiente  á  imputação.  Não  houve  proveito  ou  utilidade  para o impugnante, que não se beneficiou de nada.  •  Requer  que  seja  novamente  as  pessoas  envolvidas.  Formula quesitos para prova pericial na fl.1459.  • O  impugnante não  se manifesta  sobre o  teor valorativo  das multas porque não tem condição de entender.  Eunice  Stockl,  Maria  Lucinda  Mondolo,  José  Stcockl,  Christian  Rupf,  José  Stockl,  Comercial  de  Café  Stockl  Ltda  ,  Fabiano  Stockl, Miguel  Stockl Gabriel  Stock,  Leandro  Stockl  e  José Augusto Mayer.  • Há nulidade pela ausência de inclusão do sujeito passivo  no auto. Diante do exposto no art. 121 do CTN, verifica se que a  Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.441          22 fiscalização  desatendeu  o  art.  142  do  CTN.  Portanto  a  impugnante não pode ser responsabilizada, conforme raciocínio  análogo  da  cartularidade  no  Direito  Comercial.  Há  nulidade  pela  ausência  pela  inexistência  de  descrição  do  fato  e  do  dispositivo legal para justificar a responsabilidade solidária.  •  Há  nulidade  por  falta  de  notificação  prévia,  contrariando ao art.7º,I do PAF.  •  A  imperfeição  no  enquadramento  legal  conduz  á  nulidade do auto. Inexiste enquadramento legal da solidariedade  pretendida.  •  Faltou  a  discrição  precisa  dos  fatos  omitidos  no  auto  imputados à impugnante, constituindo se cerceamento do direito  de defesa., que assegurado pelo art. 5º da CRFB.  •  Foi  infringido  requisito  formal,  pois  a  impugnante  não  foi identificada ou qualificada no auto descumprindo o art. 10 do  PAF. A impugnante não foi identificada nem qualificada no auto.  •  Houve  cerceamento  do  direito  de  defesa  por  falta  de  descrição dos fatos omitido no auto imputados aos impugnantes.  •  Do  mérito.  No  relatório  da  Polícia  Federal  sobre  a  operação  profilaxia  não  há  elementos  capazes  de  caracterizar  algum  ilícito,  não  podendo  se  impor  ônus  tributário  por  mera  imaginação.São infundados os comentários da fiscalização. Não  há provas.  • É ilegal a aplicação de responsabilidade de terceiros. Os  auditores  desprezaram  o  art.134  do  CTN  que  afasta  a  responsabilidade  da  impugnante.  Não  há  simulação  •  É  impossível  o  reconhecimento  da  responsabilidade  solidária,  sendo impossível a responsabilização do mandatário.  Em  face  de  tais  argumentos,  entenderam  os  membros  da  8ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  por  unanimidade  de  votos,  declarar  nulo  o  lançamento  por  vício  material,  nos  seguintes termos:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004,2005   DA  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DEPÓSITO  BANCÁRIOS  FALTA  DE  REQUISITO  NULIDADE  A  falta  de  intimação  à  interessada solicitando a comprovação, com documentação hábil  e  idônea,  da  origem  dos  depósitos  bancários,  devidamente  individualizado,  acarreta  vício  material,  tendo  como  consequência a nulidade do lançamento.  Impugnação Procedente   Crédito Tributário Exonerado  Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.442          23 Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a 8ª Turma de julgamento  da DRJ/RJ1 interpôs Recurso de Ofício.  É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura ­ Redator para Formalização do Voto   Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes  autos,  e  tendo  em  vista  que  o  relator  originário  do  processo  não  mais  integra  o  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, encontro­me na posição de Redator, nos termos dos arts.  17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF).  Informo que, na  condição de Redator,  transcrevo  literalmente  a minuta que  foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de  julgamento. Portanto, a análise do caso  concreto  reflete  a  convicção  do  relator  do  voto  na  valoração  dos  fatos.  Ou  seja,  não  me  encontro  vinculado:  (1)  ao  relato  dos  fatos  apresentado;  (2)  a  nenhum  dos  fundamentos  adotados  para  a  apreciação  das  matérias  em  discussão;  e  (3)  a  nenhuma  das  conclusões  da  decisão incluindo­se a parte dispositiva e a ementa.  A seguir, a transcrição do voto.  O presente Recurso de Ofício pois as formalidades necessários, motivo pelo  qual dele conheço.  Do Recurso de Oficio  Conforme descrito no relatório, trata­se, na origem, de Auto de Infração para  cobrança de autos de infração para exigir da interessada o IRPJ, o PIS, a CSLL e a COFINS,  sobre fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2004 e 2005.  A  matéria  principal  do  caso  é  pertinente  ao  arbitramento  e  omissão  de  receitas relativas aos anos calendário de 2004 e 2005, devido a não comprovação da origem de  depósitos junto a diversas instituições financeiras, tendo por base os extratos bancários.  Ocorre  que,  como  bem  posto  pela  DRJ,  o  ponto  nodal  do  presente  caso  é  vertente  a  falta de  intimação solicitando a comprovação, por meio de documentação hábil,  a  origem  dos  depósitos  bancários  devidamente  individualizados,  motivo  pelo  qual  a  primeira  instancia entendeu que o lançamento estava maculado por vício material.  Entendo  que  a  decisão  recorrida  não  merece  reparos.  Dispõe  o  artigo  42,  parágrafo 3º da Lei 9430/96:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.443          24 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:   I­ os decorrentes de  transferências de outras contas da própria  pessoa  física  ou  jurídica;  II  no  caso  de  pessoa  física,  sem  prejuízo  do  disposto  no  inciso  anterior,  os  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a  R$  1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de  R$ 12.000,00 (doze mil reais).  § 4º Tratando se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  Segundo o que consta no feito, os demonstrativos de fls. 869 a 888 não foram  apresentados  ao  contribuinte durante  a  fiscalização,  como prevê o  artigo 42, parágrafo 3º da  Lei 943/96.   Conforme exposto pela DRJ, não basta a apresentação de valores  totais por  bancos, há que se especificar depósito por depósito, o que foi feito, mas não foi apresentado ao  contribuinte e  responsáveis. Na verdade os demonstrativos de  fl.869 a 888 deveriam  ter  sido  apresentados aos interessados através de termo antes do término da fiscalização.  Também  de  maneira  correta,  a  DRJ  enfrentou  o  ponto  de  que  na  impossibilidade de encontrar o contribuinte, deveria ter sido feito um edital mencionando que  em  anexo  constaria  uma planilha  com  os  depósitos  bancários  individualizados,  solicitando  a  comprovação  da  origem  dos  mesmos.  Os  Editais  de  nº  226/2009,  227/2009,  229/2009  e  247/2009 (fl. 1085 a 1088), somente dão ciência aos sócios da autuação.  O  contribuinte  e  todos  os  arrolados  no  processo  deveriam  receber  uma  intimação  com  os  depósitos  bancários  devidamente  individualizados,  para  que  fosse  comprovado, através de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos, de modo que o  fiscal pudesse vislumbrar o que é receita tributável ou não, verificando se as receitas estavam  ou não tributadas. Se eles não fizessem tal comprovação poderia se considerar, por presunção  legal, que  todos os depósitos  seriam receitas. Portanto, há que se  fazer  tal ato, o contribuinte  tem que ter a oportunidade de informar a origem desses depósito, é um requisito previsto na lei.  Conforme já é pacífico neste Egrégio Conselho de Recursos Fiscais – CARF,  bem  como  no  antigo  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda,  a  ausência  da  Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.444          25 intimação  para  a  comprovação  dos  depósitos  bancários  desvirtuou  a  finalidade  do  procedimento administrativo, motivo pelo qual este encontra­se eivado de vício insanável e de  natureza material, como bem reconhecida pela DRJ.  Como se sabe durante o procedimento administrativo do lançamento, há que  se  realizar diversos  atos,  sendo  alguns deles obrigatórios. No  caso  em  comento,  a  intimação  prevista no dispositivo supracitado é um ato obrigatório, essencial, posto que, está previsto na  lei que rege o tema. Ressalte­se que no lançamento tributário há total vinculação a lei, a falta  da referida intimação vicia o procedimento.  No  presente  caso  a  norma  violada  foi  de  natureza  imperativa,  cogente,  portanto, o vício é essencial, acarretando a nulidade absoluta do lançamento, uma vez que foi  praticado em desconformidade com a ordem jurídica.  Diz­se  que  o  vício  é  material  porque  sua  ocorrência  está  ligada  à  questão  substancial de saber se a obrigação tributária correspondente efetivamente existe e de se ter o  seu dimensionamento econômico.  A presente nulidade é de natureza material, o vício apurado é essencial, não  foi  cumprido  um  requisito  essencial,  absolutamente  necessário  para  conferir  a  legalidade  do  lançamento.  O art.149 do CTN dispõe o seguinte:  Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade administrativa nos seguintes casos:  I quando a lei assim o determine;   II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito,  no prazo e na forma da legislação tributária;   III  quando  a  pessoa  legalmente  obrigada,  embora  tenha  prestado  declaração  nos  termos  do  inciso  anterior,  deixe  de  atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido  de  esclarecimento  formulado  pela  autoridade  administrativa,  recuse­se a prestá­lo ou não o preste  satisfatoriamente,  a  juízo  daquela autoridade;   IV  quando  se  comprove  falsidade,  erro  ou  omissão  quanto  a  qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo  de  declaração  obrigatória;  V  quando  se  comprove  omissão  ou  inexatidão,  por  parte  da  pessoa  legalmente  obrigada,  no  exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;   VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou  de  terceiro  legalmente  obrigado,  que  dê  lugar  à  aplicação  de  penalidade pecuniária;   VII  quando  se  comprove  que  o  sujeito  passivo,  ou  terceiro  em  benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;   VIII  quando  deva  ser  apreciado  fato  não  conhecido  ou  não  provado por ocasião do lançamento anterior;   Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/2009­99  Acórdão n.º 1401­001.407  S1­C4T1  Fl. 3.445          26 IX  quando  se  comprove  que,  no  lançamento  anterior,  ocorreu  fraude  ou  falta  funcional  da  autoridade  que  o  efetuou,  ou  omissão,  pela  mesma  autoridade,  de  ato  ou  formalidade  especial.  Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada  enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.  O  inciso  IX  do  dispositivo  informa  que  é  dever  da  autoridade  rever  o  lançamento quando houver omissão de ato essencial.  Assim, mantenho  a  posição  da DRJ quanto  ao  reconhecimento  da  nulidade  por vício material e nego provimento ao recurso de ofício.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Conselheiro André Mendes de Moura ­ Redator para Formalização do Voto                                   Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA

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Numero do processo: 10580.721995/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2011 a 31/10/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Correto o lançamento fiscal para exigência do PIS e Cofins não declarados em DCTF e Dcomp e que teriam sido objeto de compensação, somente na escrita contábil, com supostos créditos decorrentes de títulos públicos, sem amparo em qualquer decisão judicial. OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Constitui evidente intuito de fraude a omissão de informações relativas a compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da legislação tributária. O procedimento adotado revela a nítida intenção de evitar ou retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações realizadas. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 442          1 441  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.721995/2014­20  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.907  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de março de 2016  Matéria  Auto de Infração PIS e Cofins  Recorrente  GOLDEN LEAF TOBACCO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/05/2011 a 31/10/2011  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  quando  o  auto  de  infração  preenche  os  requisitos  legais,  o  processo  administrativo  proporciona  plenas  condições  à  interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação  às  determinações  contidas  no  art.  142  do  CTN  ou  nos  artigos  10  e  59  do  Decreto 70.235, de 1972.  PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE  DECISÃO JUDICIAL.  Correto o  lançamento  fiscal  para exigência do PIS  e Cofins não declarados  em DCTF  e Dcomp  e  que  teriam  sido  objeto  de  compensação,  somente  na  escrita  contábil,  com  supostos  créditos  decorrentes  de  títulos  públicos,  sem  amparo em qualquer decisão judicial.   OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA  QUALIFICADA. FRAUDE.   Constitui  evidente  intuito  de  fraude  a  omissão  de  informações  relativas  a  compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da  legislação  tributária.  O  procedimento  adotado  revela  a  nítida  intenção  de  evitar  ou  retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações  realizadas.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 95 /2 01 4- 20 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 443          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente e relator.     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco  José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 444          3 Relatório  Trata­se de autos de infração de PIS e Cofins referentes aos fatos geradores  de maio  a  outubro  de  2011,  no  valor  original  total  de R$ 6.989.474,90  incluídas  o  valor  do  principal, juros e multa de ofício qualificada em 150%.  De acordo  com a  fiscalização  o  contribuinte  efetuou  compensações  em  sua  escrituração contábil digital dos valores de PIS e Cofins cumulativos a recolher com créditos  escriturados  na  conta  de  "Tít.  Div.  Pública  PROC  05810623201040134"  que  seriam  decorrentes  da  compra  de  crédito  fiscal  oriundos  de  apólices  de  D.  PÚBLICA  PROC  JUD  00581062320104013400  1ª  VARA  TRF/DF,  os  quais  teriam  um  valor  total  de  R$  22.000.000,00 e foram adquiridos com deságio de R$ 9.900.000,00.  Relata  a  fiscalização  que  a  empresa  foi  intimada,  por meio  de  4  termos  de  intimação  (nº  4,  5,  6  e  7)  a  prestar  esclarecimentos  sobre  as  compensações  e  o  referido  processo judicial, nada tendo respondido a esse respeito. Esclarece que efetuou consulta ao site  do TRF/DF e verificou que o processo refere­se a execução de título extrajudicial, objetivando  cobrança de dívida oriunda de título da dívida externa brasileira, emitido no ano de 1904 pela  Prefeitura  do  Distrito  Federal,  sendo  que,  na  sentença  proferida  em  05/07/2012,  o  Juiz  reconhece que a exigibilidade do título resta fulminada pela prescrição e extingue a execução,  mandando comunicar a RFB da decisão.  Ante a proibição de compensação tributária com títulos públicos expressa no  art. 74, § 12, alínea "c" da Lei nº 9.430/96 e a decisão judicial definitiva, foram efetuados os  lançamentos para exigência do PIS e Cofins. Foi aplicada a multa qualificada prevista no art.  44,  § 1º da Lei nº 9.430/96 pois  a  fiscalização entendeu que houve  fraude,  art.  72 da Lei nº  4.502/64, na medida em que o contribuinte tinha pleno conhecimento da impossibilidade legal  das referidas compensações, pois as compensações foram efetivadas antes da decisão proferida  no processo judicial, sendo que o contribuinte já vinha sendo cobrado, relativamente a outros  tributos,  por meio  dos  processos  administrativos  referenciados  nos  itens  8  e  9  do Termo  de  Verificação Fiscal, por ações decorrentes do mesmo procedimento.  Com  base  no  art.  135,  inc.  III  do  CTN  a  fiscalização  inseriu  como  responsável solidário o Sr. Remco Drosten, holandês, CPF 838.314.285­49, administrador não  sócio  da  sociedade  conforme  cláusula  quinta,  parágrafo  único  do  Contrato  Social,  e  representante legal das duas empresas sócias estrangeiras.  Tanto  o  contribuinte  quanto  o  responsável  solidário  apresentaram  impugnações  de  semelhante  conteúdo,  cujas  alegações  foram  assim  resumidas  pelo  acórdão  recorrido:  a) Em preliminar, reclama que não lhe foi conferido tempo hábil para prestar  os esclarecimentos relativos às compensações realizadas. Entende que se não fosse  esse  fato  tudo  estaria  esclarecido,  uma  vez  que  possui  direito  creditório  contra  a  União, o que lhe permite o encontro de contas. Assim, estaria nulo o lançamento por  preterição do direito de defesa;  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 445          4 b) Outra nulidade apontada seria relativa ao reexame de período já fiscalizado  sem que  tivesse sido pedida autorização expressa ao Delegado da Receita Federal,  uma vez que os referidos períodos de apuração já teriam sido objeto de análise nos  processos 10580.722813/2011­95 e 10580.725883/2011­03;  c) No mérito, com relação aos lançamentos de Cofins e PIS/Pasep, objeto do  presente processo, apresenta apenas o trecho abaixo:  “Por seu turno, no que toca a cobrança pretendida, a título de PIS, padece do  vício  da  inconstitucionalidade,  estando  por  merecer  apurada  análise  dos  dispositivos  que  tratam  das  contribuições  sociais  a  serem  cobradas  das  empresas.  O artigo 194, da Carta Magna estabeleceu as seguintes, normas gerais sobre a  seguridade social:  (...)  Além  disso,  o  artigo  195  do  mesmo  diploma  constitucional,  estabelece  as  formas de financiamento da seguridade social, a saber:  (...)  Não  há  nenhuma  dúvida  que,  em  atendimento  ao  disposto  nos  artigos  já  transcritos,  verifica:se  que  tal  ‘conjunto  de  ações  destinadas  a  assegurar  os  direitos relativos à saúde, à.previdência e assistência social (artigo 194) será  financiado  apenas  pelas  contribuições,  que  se  encontram  enumeradas  nos  incisos I a III do artigo 195, ou seja:  (...)  Assim  sendo,  já  existindo  a  contribuição  a  cargo  das  empresas  incidentes  sobre, o faturamento mensal, qual seja a contribuição para o PIS, a pretensão  de nova contribuição sobre a mesma base de cálculo e mesma natureza não  tem como prosperar, vez que viola o.art.195 da Constituição Federal e ainda o  art. 154, J da Carta Magna que estabelece:  (...)  Não há como negar que a contribuição ora pretendida pela Lei Complementar  n° 70/91, não pode ser cobrada da impetrante, que, entretanto, não tem outra  alternativa  senão  a  da  propositura  da  presente  ação  para  garantia  de  seus  direitos.  .........  Conclui­se  que,  determinando  a  Constituição  Federal  que  as  contribuições  incidirão  sobre  o  faturamento,  o  lucro  e  a  folha  de  salários,  ou  seja,  estabelecendo  as  hipóteses  sobre  as  quais  é  possível  a.  cobrança,  e  já  existindo  tais  bases  de  cálculo  gravadas  respectivamente  com  o  PIS,  a  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.  e  a  CONTRIBUIÇÃO  PARA  A  PREVIDÊNCIA,  a  incidência  de  mais  uma  contribuição  (Social  sobre  o  Faturamento) acarretará, como já exposto, violação ao próprio artigo 195,  I,  que somente admite as contribuições sobre as hipóteses que enumera.”  d) Com referência à qualificação da multa de ofício, defende que o art. 72 da  Lei  nº  4.502/64  “não  é  aplicável  ao  fato  descrito  pelo Auditor,  pois  em momento  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 446          5 algum a Empresa impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador dos impostos e  contribuições”. Acrescenta: “Tampouco diferiu ou evitou o pagamento, não havendo  como concluir que houve dolo. O que houve foi apenas a utilização de um credito,  existente e válido para compensá­lo”.  Ao  julgar  referidas  impugnações,  a  3ª  Turma  da  DRJ/Belém  proferiu  o  Acórdão nº 01­30.000, de 08/09/2014, com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2014  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.  Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no  artigo  44,  inciso  II,  da  Lei  nº  9.430/96,  restando  demonstrado  que  o  procedimento  adotado  pelo  sujeito  passivo  enquadra­se,  em tese, na hipótese tipificada no art. 72 da mesma lei.  CONSTITUCIONALIDADE.  Escapa  à  competência  da  autoridade  administrativa  a  apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2014  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  Comprovada a inexistência de cerceamento do direito de defesa  da impugnante, descabe falar em nulidade do lançamento.  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO.  SUSTENTAÇÃO  ORAL. IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste previsão para acompanhamento ou sustentação oral por  representante  do  contribuinte  na  sessão  de  julgamento  administrativo em primeira instância.  Impugnação Improcedente  O  contribuinte  foi  regularmente  intimado  da  referida  decisão  e  não  apresentou recurso voluntário. Por sua vez o responsável solidário, Sr. Remco Drosten, tendo  sido  intimado  por  Edital,  apresentou  recurso  voluntário,  por  meio  do  qual  apresenta  os  seguintes argumentos, em síntese:  ­ nulidade por cerceamento do direito de defesa, vez que "não é oportunizado  tempo hábil para a apresentação de documentos relativos aos esclarecimentos a Autarquia".  Afirma  ser  possuidor  de  crédito  contra  a  União  e  que  ajuizou  ação  monitória  para  ver  reconhecido seu crédito. Que não há como afastar a compensação, pois o art. 368 do CC prevê  o encontro de contas entre credor e devedor. E que houve nulidade nos termos do art. 59, inc. II  do Decreto nº 70.235/72;  ­  nulidade  do  procedimento  pois  o  contribuinte  foi  alvo  de  um  segundo  exame  fiscal  relativo  aos  períodos  já  auditados  e  que  teriam  sido  objetos  dos  processos  Fl. 446DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 447          6 administrativos nº 10580.722813/2011­95 e 10580.725883/2011­03, sem no entanto ter havido  a ordem expressa prevista no art. 906 do RIR/99;  ­  no  mérito  repete  exatamente  as  mesmas  razões  da  impugnação,  acima  transcritas, e que se resumem à alegação da inconstitucionalidade da Cofins exigida por meio  da Lei Complementar nº 70/91. Nada alega a respeito do PIS e nem a respeito da apuração das  bases de cálculo e outros elementos do auto de infração;  ­ por fim, quanto à qualificação da multa, também repete a impugnação para  dizer que em momento algum ficou demonstrada a prática de fraude, nos termos do art. 72 da  Lei nº 4.502/64 e que a multa de 150% fere a legislação em frontal desrespeito ao princípio do  confisco.  É o relatório.  Fl. 447DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 448          7 Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  O  recurso  voluntário  apresentado  pelo  responsável  solidário  é  tempestivo  e  atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido.  Nulidade do Lançamento  Esclareço  que  não  vislumbrei  no  auto  de  infração  constante  do  presente  processo, qualquer mácula que pudesse torná­lo nulo.  Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº  8.748/93:  Art. 59 São nulos:  I­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa;  No  presente  caso  o  recorrente  alega  afronta  ao  art.  59,  inc.  II,  acima  transcrito, mas não especifica e nem traz elementos para corroborar a sua tese. Sem razão, pois  todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem  preterição do direito de defesa.  Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade  do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72:    Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  (...).  III­ a descrição do fato;  IV­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável.  Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Fl. 448DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 449          8 Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Verifica­se  que  constam  adequadamente  descritos  os  fatos  apurados  pela  autoridade,  a  fundamentação  legal,  a  matéria  tributável,  os  valores  apurados  e  os  fatos  motivadores  da  autuação,  permitindo  ao  contribuinte  conhecer  todos  os  elementos  componentes da ação fiscal e, assim, propiciando­lhe todos os meios para livre e plenamente  manifestar suas razões de defesa.  O  recorrente  alega  nulidade  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  vez  que  "não  é  oportunizado  tempo  hábil  para  a  apresentação  de  documentos  relativos  aos  esclarecimentos a Autarquia". Vê­se que esta afirmação não é verdadeira. Conforme item 10  do Termo de Verificação Fiscal, e­fl. 16, o contribuinte foi  intimado quatros vezes, por meio  dos  termos de  intimação fiscal nº 4, 5, 6 e 7 e nada apresentou a  respeito das compensações  efetuadas e do referido processo judicial. Pois bem, o Termo de Intimação Fiscal ­ TIF nº 4, e­ fls.  90/91,  foi  recebido  pelo  contribuinte  em  05/10/2013,  o  TIF  nº  5,  e­fls.  115/116,  foi  recebido em 11/11/2013, o TIF nº 6, e­fls. 126/127, foi recebido em 23/12/2013, e o TIF nº 7,  e­fls. 134/135, foi recebido em 13/02/2014, ou seja, somente nestas intimações o contribuinte  teve mais de quatro meses para apresentar os esclarecimentos que ele diz ser necessário para  comprovar a regularidade das compensações e nada apresentou. A fiscalização teve início em  11/03/2013  e  foi  encerrada  em  25/04/2014,  ou  seja,  durou mais  de  um  ano  e  o  contribuinte  alega  falta  de  tempo  hábil  para  apresentação  de  esclarecimentos.  Evidente  que  ele  está  sem  razão  e  sem  argumentos,  pois  os  esclarecimentos  de  que  tanto  fala  poderiam  então  ser  apresentados por meio de sua impugnação ou até mesmo no presente recurso voluntário.  O  contribuinte  alega  ainda  nulidade  do  procedimento,  pois  tratava  se  de  reexame  do mesmo  período  já  fiscalizado  e  necessitaria  de  ordem  expressa  do Delegado  da  Receita  Federal,  nos  termos  do  art.  906  do RIR/99.  Esta mesma  questão  foi  apresentada  na  impugnação e foi assim enfrentada pelo Acórdão recorrido:  (...)  Nulidade 2. Reexame de escrita.  11. A  impugnante  requer  a nulidade do  lançamento por  entender que houve  um  reexame  de  períodos  já  fiscalizados,  sem  autorização  do Delegado  local,  uma  vez  que  os  referidos  períodos  de  apuração  já  teriam  sido  objeto  de  análise  nos  processos 10580.722813/2011­95 e 10580.725883/2011­03.  12.  Novamente  não  tem  razão  a  interessada.  Compulsando  os  processos  citados vê­se que os mesmos são processos de cobrança de débitos confessados em  DCTF e vinculados  indevidamente a créditos  inexistentes, não se  referindo a ação  fiscal.  Ademais,  a  presente  ação  fiscal  foi  autorizada  pelo  MPF  05101002013001340,  conforme  constante  do  Termo  de  Início  de Ação  Fiscal,  do  qual tomou ciência a interessada em 11.03.2013 (AR fl. 27). Dessa forma deve ser  afastada a nulidade proposta.  Em  outras  palavras,  o  acordão  recorrido  afirma  que  verificou  os  processos  10580.722813/2011­95 e 10580.725883/2011­03, os quais seriam a prova de que o contribuinte  estaria  sendo  submetido  a  uma  segunda  fiscalização  referente  ao mesmo  período  e  concluiu  que  neles  discute­se  a  exigência  de  débitos  confessados  pelo  contribuinte  em DCTF,  não  se  tratando portanto de processos com lançamento fiscal, ou melhor, o seu objeto não decorre de  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 450          9 fiscalização,  mas  sim  de  cobrança  de  débitos  já  declarados.  Em  seu  recurso  voluntário  o  recorrente não traz qualquer contestação à conclusão da DRJ.  Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração.  Mérito  No mérito, o recorrente repete exatamente as mesmas razões da impugnação,  que  se  resumem  à  alegação  da  inconstitucionalidade  da  Cofins  exigida  por  meio  da  Lei  Complementar nº 70/91. Nada alega a respeito do PIS e nem a respeito da apuração das bases  de cálculo e outros elementos do auto de infração.  Como  é  sabido,  não  cabe  a  este  órgão  julgador  apreciar  alegações  de  constitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Por  fim, quanto à qualificação da multa,  também repete a  impugnação para  dizer que em momento algum ficou demonstrada a prática de fraude, nos termos do art. 72 da  Lei nº 4.502/64 e que a multa de 150% fere a legislação em frontal desrespeito ao princípio do  confisco.  Quanto ao desrespeito ao princípio constitucional do não confisco, há que se  repetir que analisar a imposição da multa, regularmente instituída pela lei tributária, resulta em  apreciar  a  sua  inconstitucionalidade  o  que  não  é  permitido  ao  julgador  administrativo  nos  termos da Súmula CARF nº 2, acima transcrita.  Quanto  à  existência  do  intuito  de  fraude,  creio  que  ela  está  perfeitamente  demonstrada pela fiscalização. Veja em que termos está a acusação fiscal:  (...)  13 ­ Diante da falta de previsão legal e decisão judicial definitiva e que parte  das compensações efetuadas não foram efetivadas por meio de DCOMP e nem  declaradas  em  DCTF,  elaboramos  Demonstrativo  de  Apuração  do  PIS,  e  Demonstrativo de Apuração da COF1NS onde se constatam diferenças passíveis de  lançamento  de  ofício  por  falta  de  recolhimento  tendo  em  vista  o  confronto  dos  valores apurados das contribuições com os valores declarados em DCTF.  (...)  17  ­  No  presente  caso,  o  contribuinte  tinha  pleno  conhecimento  de  que  o  procedimento adotado, a compensação do PIS e da COFINS com créditos de Títulos  Públicos  levada  a  efeito  em  sua  contabilidade,  não  estava  amparado  na  legislação  tributária ou em ação judicial com decisão definitiva, posto que ainda não tinha sido  ainda  proferida  a  sentença  da  18a Vara  do  TRD/DF  ­  posterior  as  compensações  efetuadas  na  contabilidade,  e  contrária  a  sua  pretensão.  Além  disso,  tinha  conhecimento  também  do  entendimento  da  Receita  Federal  do  Brasil  da  não  possibilidade de compensações das contribuições do PIS e da COFINS com títulos  da dívida pública, através das várias decisões e cobranças efetuadas nos processos  administrativos citados nos itens 08 e 09 deste Termo de Verificação Fiscal.  Fl. 450DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 451          10 18  ­  A  conduta  fraudulenta  adotada  pelo  contribuinte  relatada  no  item  anterior, autoriza a qualificação da multa de lançamento de ofício que passa a ser de  150% ­ Fraude, art.72 da Lei n° 4.502/1964. Os enquadramentos legais da multa de  lançamento de ofício constam no Auto de Infração do PIS e do Auto de Infração da  COFINS, ambos lavrados nesta mesma data.  19  ­  Ocorre  ainda  que  quando  contabilizou  na  ECD  ­  2011  ­  Livro Diário  Digital  nº  90  com  Termo  de  Autenticação  nº  130309796,  créditos  na  conta  1.01.003.002.01.001 ­ "TIT DIV PUBLICA PROC 05810623201040134 oriundo de  Títulos  Públicos  e  proceder  contabilmente  compensações  com  o  PIS  a  recolher  ­  conta  20100300101007  e  COFINS  a  recolher  ­  conta  20100300101008,  ou  seja,  efetuar  a  compensação  de  tributos  federais  com  créditos  inexistentes  ­  pois  representados por título de autenticidade duvidosa, incerto e prescrito, com tributos  federais  sem  autorização  legal  ou  judicial,  o  contribuinte  manteve  em  tese  uma  conduta  em  fraudar  a  fiscalização  tributária,  inserindo  elementos  inexatos,  ou  omitindo  operação  de  qualquer  natureza,  em  documento  ou  livro  exigido  pela  lei  fiscal,  além  de  omitir  informações  e  prestar  declaração  falsa  às  autoridades  tributárias, enseja Representação Fiscal para Fins Penais  ­ RFFP,  tendo em vista o  disposto no art. 1º da Portaria RFB nº 2.439/2010.  (...)  Ao  analisar  o  presente  processo  concluo  que  tenho  que  concordar  com  a  acusação fiscal pois o contribuinte, de maneira intencional, efetuou compensação contábil de  valores  de  PIS  e  Cofins  por  ele  devidos,  tendo  como  suporte  supostos  créditos  de  Títulos  Públicos emitidos em 1904, cujos créditos seriam objetos de ação judicial. Estas compensações  tem proibição  expressa  na  legislação  tributária,  nos  termos  do  art.  74  da Lei  nº  9.430/96,  in  verbis:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.   (Redação dada  pela Lei nº 10.637, de 2002)  §  1o A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual  constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos  compensados.(Redação  dada  pela  Lei  nº  10.637, de 2002)  (...)  § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833,  de 2003)  §  7o Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa deverá cientificar o  sujeito passivo e  intimá­lo a  efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato  que  não a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/2014­20  Acórdão n.º 3301­002.907  S3­C3T1  Fl. 452          11 (...)  §  12.  Será  considerada  não  declarada  a  compensação  nas  hipóteses:  (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  I ­ previstas no § 3o deste artigo;   (Incluído pela Lei nº 11.051,  de 2004)  II ­ em que o crédito:  (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  a) seja de terceiros;  (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004)  b) refira­se a "crédito­prêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto­ Lei no 491, de 5 de março de 1969;  (Incluída pela Lei nº 11.051,  de 2004)  c)  refira­se  a  título  público;    (Incluída  pela  Lei  nº  11.051,  de  2004)  d)  seja  decorrente  de  decisão  judicial  não  transitada  em  julgado; ou  (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004)  e)  não  se  refira  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal ­ SRF.   (...) (Destaquei)  Vejam que as formas de proceder as compensações e as suas restrições estão  devidamente  estabelecidos  na  lei  tributária  desde  idos  de  2004,  na  melhor  das  hipóteses.  Observa­se que para realizar a compensação tributária o contribuinte tem que apresentar uma  Declaração  de  Compensação  ­  Dcomp,  informando  os  seus  créditos,  sua  origem,  e  os  correspondentes débitos objeto da compensação. Como havia uma proibição legal expressa de  se compensar créditos oriundos de títulos públicos e também decorrentes de ação judicial sem  o correspondente trânsito em julgado, optou o contribuinte em efetuar a compensação em sua  escrituração  contábil,  de  forma  nitidamente  irregular,  à  medida  em  que  ele  omitiu  estas  informações em declarações de cunho obrigatório à RFB. Comprovado está que ele efetuou as  compensações, mas omitiu­as de forma intencional em suas DCTF e Dcomp. Ressalte­se que,  mesmo intimado e reintimado, o contribuinte jamais apresentou as cópias das decisões judiciais  que amparariam o seu pedido.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator                           Fl. 452DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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Numero do processo: 13312.000331/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2007 ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir. NEGATIVA DE PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o pedido de perícia fundamentadamente indeferido pela Autoridade Julgadora em primeira instância, por considerar tal procedimento prescindível à solução do litígio, não há qualquer nulidade a ser reconhecida na decisão recorrida.
Numero da decisão: 1301-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.

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1301­001.838  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  8 de dezembro de 2015  Matéria  IRPJ ­ Omissão de receitas  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              ATACADÃO HIPER FRIOS LTDA.    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2007  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA.  RECOMPOSIÇÃO  PELA  EXCLUSÃO  DE  DÉBITOS  DA  CONTA  CAIXA.  Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, as operações bancárias  do  contribuinte,  especialmente  cheques  compensados  e  pagamentos  de  despesas  por  meio  de  conta­corrente  bancária,  lançadas  a  débito  da  conta  Caixa,  deverão  ter  correspondente  registro  a  crédito dessa  conta,  pela  saída  para a  efetivação de pagamentos. A  falta desse  registro  legitima a exclusão  dos  valores  indevidamente  registrados  como  ingressos,  com  a  consequente  recomposição da  referida conta, decorrendo que  a apuração de  saldo credor  de caixa evidencia omissão de receitas.  Correta  também  a  redução  dos  valores  lançados,  quando  o  resultado  de  diligência, determinada pelo Julgador em primeira instância, apurou que uma  parte  dos  lançamentos  a  débito  da  conta  Caixa,  questionados  pelo  Fisco,  possuía  também  lançamentos  a  crédito  da mesma conta,  em  idêntico  valor.  Com  isso  ficou  evidenciado  que  tais  valores  meramente  transitaram  pela  conta Caixa, sem qualquer efeito tributário.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 2007  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.   Tratando­se da mesma matéria  fática,  e não havendo aspectos específicos a  serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica­se a mesma decisão do  principal.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2007     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 03 31 /2 01 0- 58 Fl. 10155DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.156          2 ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. ELEMENTOS  CONSTANTES DOS AUTOS.  AUSÊNCIA DE  PREJUÍZO CONCRETO.  NULIDADE. DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.  Não pode prosperar a alegação de cerceamento ao direito de defesa quando  todos os elementos necessários à compreensão do  lançamento se encontram  nos autos e, ademais, o contribuinte não consegue demonstrar a existência de  prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação.  NEGATIVA  DE  PEDIDO  DE  PERÍCIA.  NULIDADE  DA  DECISÃO  RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.  Tendo  sido  o  pedido  de  perícia  fundamentadamente  indeferido  pela  Autoridade Julgadora em primeira instância, por considerar tal procedimento  prescindível à solução do litígio, não há qualquer nulidade a ser reconhecida  na decisão recorrida.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Exercício: 2007  ERRO  NOS  ASPECTOS  QUANTITATIVO  E  TEMPORAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  SEGREGAÇÃO  DOS  VALORES  CORRETOS.  IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.  Havendo  erro  nos  critérios  quantitativo  e  temporal  do  lançamento,  e  sendo  impossível,  no  caso  concreto,  a  segregação  dos  valores  corretos,  sem  a  elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao  lançamento, este não pode subsistir.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Exercício: 2007  ERRO  NOS  ASPECTOS  QUANTITATIVO  E  TEMPORAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  SEGREGAÇÃO  DOS  VALORES  CORRETOS.  IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.  Havendo  erro  nos  critérios  quantitativo  e  temporal  do  lançamento,  e  sendo  impossível,  no  caso  concreto,  a  segregação  dos  valores  corretos,  sem  a  elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao  lançamento, este não pode subsistir.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento aos recursos de ofício e voluntário.  (assinado digitalmente)  Wilson Fernandes Guimarães ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Fl. 10156DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.157          3 Waldir Veiga Rocha ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Waldir Veiga Rocha,  Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado,  Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.    Relatório  ATACADÃO HIPER FRIOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada  e  intimada  a  recolher  crédito  tributário  no  valor  total  de R$ 11.779.286,26,  discriminado no  Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3.  O  relatório  elaborado  por  ocasião  do  julgamento  do  processo  em  primeira  instância descreve de forma sucinta e objetiva o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevê­ lo abaixo:  O  processo  versa  sobre  lançamentos  tributários,  em  face  do  contribuinte  acima identificado, consubstanciado nos autos de infração de Imposto sobre a Renda  da  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  (fls.  540/547),  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido ­ CSLL (fls. 558/563), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 548/552) e da  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins (fls. 553/557). O  montante global do crédito tributário exigido é de R$11.779.286,26, já computados  os  juros moratórios e a multa de ofício de 75%. Fazem parte dos citados autos de  infração o Termo de Verificação Fiscal – TVF  (fls. 566/569), o Demonstrativo do  Resumo da Glosa Diária (fls. 570/575) e o Demonstrativo do Saldo Diário da Conta  Caixa Após Estornos (fls. 576/583).  2.  No TVF consta que:  No curso da fiscalização foi verificado que foram contabilizados  vários cheques a débitos da conta caixa para tanto intimamos o  contribuinte  em  25/01/2010  a  identificar  a  destinação  dos  cheques  compensados  ­  planilha  ­  fls.  23/76,  a  respectiva  documentação  comprobatória  e  em  05/02/2010  solicitamos  as  cópias dos extratos bancários do Banco Itaú, Banco Triangulo,  Banco do Brasil, Banco Bradesco, Banco do Nordeste, extratos  da REDECARD todos referentes a 2006.  Em  23/02/2010,  através  do  Termo  Reintimação  Fiscal,  ratificamos a solicitação dos documentos pedidos anteriormente.  Foi  solicitada  prorrogação  de  prazo,  no  que  foi  plenamente  atendido.  Em  01/03/2010  recebemos  uma  planilha  em  que  estão  discriminados  alguns  cheques,  Banco  Itaú,  e  seus  respectivos  documentos  comprobatórios,  mas  a  informação  da  planilha  e  documentos não respondiam ao Termo de Intimação.  Fl. 10157DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.158          4 Orientamos  o  contribuinte  explicando  detalhadamente  o  que  estava  sendo  solicitado  na  intimação.  O  mesmo  solicitou  prorrogação de prazo para atendimento. Novamente foi deferida  a solicitação  A fiscalizada, embora tenha solicitado dilatação de prazo para o  atendimento  do  requerido  nos  termos  acima,  apresentou  a  planilha  (fls.93/132)  onde  em uma das  colunas  consta  "destino  cheques"  e  anexada  a  mesma  um  documento  (fls.  92)  onde  declara  que  "não  foi  possível  entregar  nenhuma  despesa  comprobatória".  Após  análise  dos  extratos  bancários  e  planilha  apresentados  pelo contribuinte, os cheques relacionados na planilha, referem­ se  a  cheques  compensados,  cheques  depositados  devolvidos,  débitos  autorizados,  cobranças  bancárias  e  transferências,  que  teriam ingressado no caixa da empresa.  O  contribuinte,  além  de  não  apresentar  nenhum  documento  comprobatório  dos  lançamentos,  não  consegue  justificá­los  minimamente,  conforme  se  verifica  na  Declaração  do  setor  Contábil da Empresa (fls. 133/136), em anexo. (...)  (...)  Assim  sendo,  não  comprovada  a  destinação  dos  cheques  debitados  na  conta  Caixa  e  liquidados  via  compensação  bancária, implica que estes não tiveram como objetivo suprir de  moeda  nacional  o  caixa  da  empresa,  justificando­se,  assim,  a  exclusão dos valores contabilizados a débito na conta Caixa e a  tributação do saldo credor da referida conta por presunção legal  de omissão de receita.  3.  Cientificado dos lançamentos, o sujeito passivo apresentou impugnação  (fls. 586/617), alegando que:  (a) Das planilhas que seguem em anexo ao auto de  infração, não  temos qualquer  elemento que nos permita sequer identificar quais os ditos cheques que tiveram  sua  glosa  efetuada,  pois  são  planilhas  genéricas  e  que  afetam  diretamente  o  direito de defesa do contribuinte.  (b) O  impugnante entregou em tempo hábil àquela  fiscalização uma  relação onde  vincula a saída de cheques às operações glosadas, o que por si só já impunha a  nulidade  da  autuação,  pois  deveria  a  fiscalização  haver  aprofundado  seus  estudos, solicitando, no mínimo, a apresentação da cópia desses documentos à  instituição bancária.  (c) A  autoridade  fiscal  não  agiu  em  conformidade  com  os  artigos  923  e  924  do  Regulamento  do  Imposto  de Renda  de  1999  (RIR/1999),  pois  simplesmente  glosou  todos  os  lançamentos  efetuados  na  conta  caixa  que  se  referiam  a  movimentação  bancária,  de  forma  indiscriminada,  e  sem  considerar  a  escrita  fiscal da empresa.   (d) A  conta  Caixa  guarda  consonância  com  seus  extratos  bancários,  e  que  tem  comprovação  lastreada  nas  próprias  operações  do  sujeito  passivo,  que  movimenta elevadas quantias em espécie, dado a enorme gama de produtos e  Fl. 10158DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.159          5 moeda em circulação nos seus estabelecimentos, ou ainda, por prestar serviços  de correspondente bancário, por devolução de cheques sem fundos de clientes,  por  estorno  de  operações  bancárias  efetuadas  com  erro  pelos  agentes  financeiros,  por  pagamentos  de  contas  através  de  borderô  bancário,  pagamentos  de  leasing  de  veículos,  pagamento  de  empréstimos  bancários,  e  outras operações. Tudo conforme documentos em anexo (docs. 04, 05, 06, 07,  08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15). [Aduziu decisões administrativas]  (e) Detectou  que  a  ilustre  fiscal  utiliza  dois  pesos  e  duas  medidas  em  várias  situações, a saber: 1. Foi verificado em 25/01/06 que foi aceito o lançamento  de chegue depositado e devolvido no valor R$ 139,00 na conta caixa; 2. Foi  verificado  em  03/02/06  que  foi  aceito  o  lançamento  de  cheque  depositado  e  devolvido no valor R$ 78,00 na conta caixa; 3. Não foi possível identificar a  diferença em 06/02/06 na conta caixa; 4. Foi verificado em 24/03/06 que foi  aceito o  lançamento de cheque depositado e devolvido no valor R$ 92,33 na  conta  caixa;  5.  Foi  verificado  em  18/05/06  que  foi  aceito  o  lançamento  de  Recebimento Loja Super Compras no valor R$ 327,58;  6. Foi verificado em  18/05/06 que foi aceito o lançamento de Estorno de Lançamento no valor R$  7.000,00 na conta  caixa. Ora,  porque  a  agente  fiscal  aceitou  essas operações  que são idênticas as que glosou?  (f)  Requereu perícia/diligência.  4.  Em 08/02/2011,  esta  4ª Turma/DRJ/Fortaleza  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  a  Unidade  Local  averiguar  a  possibilidade  de  cada  um  dos  lançamentos  contábeis  objeto  de  glosa  (ou  seja,  a  débito  da  conta  Caixa)  possuir  lançamento(s)  correspondente(s)  a  crédito  da  referida  conta  no  mesmo  valor,  de  modo  a  demonstrar  o  trânsito  (apenas  escritural)  dos  recursos  pelo  Caixa,  sem  nenhuma  interferência  na  formação  do  saldo  credor  originalmente  calculado  (Resolução n° 2.081 – fls. 620/624).  5.  Em  resposta,  a  Unidade  Local  aduziu  os  documentos  de  e­fls.  5073/10084. Cientificado do resultado da diligência em 16/06/2014 (e­fl. 9985), não  há notícia nos autos de manifestação do administrado sobre os referidos resultados.  A 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE analisou a impugnação apresentada pela  contribuinte e, por via do Acórdão nº 08­30.505, de 29/07/2014 (fls. 10087/10104), considerou  procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  NULIDADE.  VIOLAÇÃO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  PREJUÍZO CONCRETO.   Não  incide  em  nulidade  do  lançamento  tributário  devido  a  alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte  não consegue demonstrar a existência de prejuízo concreto para  a elaboração de sua impugnação.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA.  RECOMPOSIÇÃO  PELA  EXCLUSÃO  DE  DÉBITOS  DA  CONTA CAIXA.  Fl. 10159DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.160          6 Para  que  se  opere  a  neutralidade  da  escrita  contábil,  as  operações  bancárias  do  contribuinte,  especialmente  cheques  compensados  e  pagamentos  de  despesas  por  meio  de  contacorrente  bancária,  lançadas  a  débito  da  conta  Caixa,  deverão  ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela  saída  para  a  efetivação  de  pagamentos.  A  falta  desse  registro  legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como  ingressos,  com  a  consequente  recomposição  da  referida  conta,  decorrendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia  omissão de receitas.  Assunto: Outros Tributos ou Contribuições  Ano­calendário: 2006  CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.   Tratando­se  da mesma matéria  fática,  e  não  havendo  aspectos  específicos  a  serem  apreciados,  aos  lançamentos  decorrentes  aplica­se a mesma decisão do principal.  COFINS. PIS/PASEP. NULIDADE. ASPECTO QUANTITATIVO  E TEMPORAL.  Deve­se  reconhecer  a  nulidade  de  lançamento  com  falha  no  critério  quantitativo  e  temporal  de  apuração  de  Cofins  e  PIS/Pasep.  Por relevante, esclareço que foram afastados integralmente os lançamentos de  PIS e COFINS, por erro nos critérios quantitativo e temporal de apuração dessas contribuições.  Ademais,  foram  reduzidos  os  lançamentos  de  IRPJ  e  CSLL,  de  acordo  com  o  resultado  da  diligência determinada pelo Julgador em primeira instância, sendo excluídos da recomposição  do Caixa os 154 valores para os quais foi possível identificar lançamentos contábeis a crédito  da  conta  Caixa,  em  data  e  valor  idênticos  àqueles  lançamentos  a  débito,  objeto  de  questionamento pelo Fisco.   Ciente da decisão de primeira  instância em 07/08/2014, conforme Aviso de  Recebimento  à  fl.  10109,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  08/09/2014  conforme carimbo de recepção à folha 10114.  No  recurso  interposto  (fls.  10114/10147),  a  recorrente  afirma  a  tempestividade de seu recurso, e faz breve síntese dos fatos atinentes ao  lançamento, sob sua  ótica.  Preliminarmente, sob o título 03. PRELIMINAR DE NULIDADE – AUSÊNCIA DE  FUNDAMENTAÇÃO,  PRESUNÇÃO  RELATIVA,  NECESSIDADE  DE  PERÍCIA  TÉCNICA  E  CERCEAMENTO DE DEFESA, a interessada sustenta a nulidade do lançamento e da decisão de  primeira instância.  A  nulidade  do  lançamento  residiria  na  falta  de  prova  da  ocorrência  do  suposto  ato  infracional  (omissão de  receitas),  prova  essa cujo ônus  recairia  sobre o Fisco. A  interessada  alega que  a autoridade deveria  ter  se utilizado de perícia  técnica para constatar a  materialidade da suposta omissão de receitas. Mesmo em se tratando de presunção normativa,  essa  presunção  teria  limites,  descabendo  autuação  com  base  em  meros  indícios.  Colaciona  Fl. 10160DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.161          7 doutrina  em  favor de  sua  tese.  Invoca o princípio da verdade material  e  sustenta que cabe  à  autoridade lançadora atestar, de modo cabal, a ocorrência do fato jurídico que lhe deu suporte.  A  alegada  nulidade  ter­se­ia  estendido,  também,  à  decisão  de  primeira  instância,  ao  afastar  a  realização  de  perícia  por profissional  habilitado,  o  que  “seria  o  único  meio  de  constatar  efetivamente  a  ocorrência  da  omissão  de  receita”.  Tal  decisão  retiraria  a  segurança jurídica necessária para o auto de infração possuir o mínimo de validade.  No  mais,  a  recorrente  repisa,  com  as  mesmas  palavras,  os  argumentos  anteriormente trazidos em sede de impugnação.  Como  o  sujeito  passivo  foi  exonerado  de  crédito  tributário  (principal mais  multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também  recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34  do Decreto nº 70.235/1972,  com as  alterações  introduzidas pela Lei nº 9.532/1997,  e,  ainda,  pela Portaria MF nº 3/2008.   É o Relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  RECURSO DE OFÍCIO  Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, deve­se ressaltar o teor do art.  1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  No  caso  em  tela,  ao  somar  os  valores  correspondentes  a  tributo  e  multa  afastados  em  primeira  instância  (demonstrativo  fls.  10105/10107),  verifico  que  superam  o  limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência.  Portanto,  mesmo  com  a  alteração  do  limite  de  alçada,  o  recurso  de  ofício  permanece cabível, e dele conheço.  Quanto ao mérito, para maior clareza, a análise será feita em duas etapas: a  primeira, cuidando da redução dos lançamentos de IRPJ e CSLL, de acordo com o resultado da  diligência  determinada  pelo  Julgador  em  primeira  instância.  A  segunda,  analisando  o  afastamento integral dos lançamentos de PIS e COFINS.  · Redução dos lançamentos de IRPJ e CSLL.  Fl. 10161DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.162          8 No  que  tange  a  esta  matéria,  cumpre  lembrar  que  o  lançamento  foi  feito  diante da constatação, pela Autoridade Lançadora, de que o contribuinte contabilizava a débito  da  conta  Caixa  diversos  fatos  econômicos  que,  por  sua  natureza,  não  representariam  um  ingresso  de  recursos  no  Caixa.  Apenas  como  exemplo,  cheques  da  emissão  do  próprio  contribuinte,  compensados  pela  instituição  bancária.  Intimado  a  comprovar  que  os  valores  teriam meramente transitado pela conta Caixa, apontando o correspondente crédito contábil, o  contribuinte  não  logrou  fazê­lo. Assim,  o  Fisco  procedeu  à  recomposição  do  saldo  da  conta  Caixa, excluindo os valores não comprovados e fazendo aflorar saldos credores. Por presunção  legal, a ocorrência de saldos credores autoriza o lançamento por omissão de receitas.  Diante da irresignação da então impugnante, e da insuficiência de elementos  nos  autos  que  permitissem  a  comprovação  de  suas  alegações,  a  Autoridade  Julgadora  em  primeira  instância  houve  por  bem  determinar  a  realização  de  diligência,  para  que  fosse  verificado, para cada um dos lançamentos a débito objeto de glosa, a existência (ou não) de um  lançamento  a crédito,  de mesmo valor,  na  conta Caixa,  com o que  se  evidenciaria o  trânsito  apenas escritural dos valores por essa conta, sem efeito para fins fiscais.  Em  cumprimento  da  diligência,  o  Auditor­Fiscal  encarregado  do  feito  se  manifestou às fls. 9981/9985, tendo sido identificados 154 lançamentos contábeis a débito da  conta Caixa, objeto de glosa pelo Fisco, para os quais havia  lançamento a crédito da mesma  conta, em idêntico valor. O Julgador em primeira  instância, então,  fez excluir  tais valores da  glosa e da recomposição do Caixa (ou, melhor dizendo, fez reincluir  tais valores no saldo da  conta Caixa), reduzindo, assim, os saldos credores e os lançamentos de IRPJ e CSLL.  Não  faço  reparos  ao  quanto  decidido. Ao  restar  comprovado que  parte  dos  valores  questionados  pelo  Fisco  meramente  transitaram  pela  conta  Caixa,  nela  ingressando  (débito) e saindo (crédito), tais valores não devem ser glosados para fins de recomposição do  saldo da conta Caixa. Correta a decisão de primeira instância, e nego provimento ao recurso de  ofício, quanto a este ponto.  · Afastamento integral dos lançamentos de PIS e COFINS.  Quanto a este ponto, a Autoridade Julgadora em primeira instância entendeu  ter  havido  vício  material  nos  critérios  temporal  e  quantitativo  da  apuração  dos  tributos.  O  excerto  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  a  seguir  transcrito,  bem  dá  conta  de  seus  fundamentos:  48.  [...]  Na  espécie,  a  periodicidade  da  Cofins  e  do  PIS/Pasep  é mensal,  mas  foi  lançado  trimestralmente,  à  semelhança do que ocorreu, na espécie,  com o  IRPJ e a CSLL.   49.  Por via de  consequência,  a metodologia de  apuração mensal do  saldo  credor  de  caixa,  que  deveria  partir  de  saldo  inicial  mais  débitos,  menos  créditos  nessa conta, também viu­se violada pela apuração trimestral do tributo. Sendo assim,  a base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep sofreu defeito insanável, já que se trata  do critério quantitativo do tributo normatizado pelo artigo 10, inciso I, do Decreto nº  70.235/1972 (“determinação da exigência”).  50.  Logo,  por  vício  material  nos  critérios  temporal  e  quantitativo  da  apuração  do  tributo,  deve­se  reconhecer  a  nulidade  dos  lançamentos  de  Cofins  e  PIS/Pasep.  Fl. 10162DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.163          9 Também aqui, reputo correta a decisão de primeira instância.   Apenas observo que, em outras situações,  tenho me manifestado no sentido  da manutenção parcial do lançamento. É que, naquelas outras situações, o valor da omissão de  receitas foi apurado mensalmente, e o total de cada três meses lançado no último trimestre do  mês. Por exemplo, as omissões de janeiro, fevereiro e março lançadas no mês de março. Sendo  os fatos geradores do PIS e da COFINS mensais, seria possível, naqueles casos, simplesmente  excluir os valores atinentes a janeiro e fevereiro, e manter a parte correspondente a março.  Não  é  o  que  ocorre  no  presente  caso.  Segundo  o  critério  da  Autoridade  Lançadora, as omissões foram apuradas por  trimestre (seguindo os  fatos geradores do IRPJ e  da  CSLL),  e  não  a  cada  mês.  Assim,  a  segregação  dos  valores  a  manter  implicaria  novos  cálculos  e  planilhas,  além  da  aplicação  de  critérios  outros,  o  que,  a  meu  ver,  constituiria  inovação no lançamento, inadmissível.  Também aqui, portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício.  Em conclusão, quanto ao recurso de ofício, voto por negar­lhe provimento.  RECURSO VOLUNTÁRIO  O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço.  Preliminarmente,  a  recorrente  alega  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por afastar a  realização de perícia por profissional habilitado, o que “seria o único  meio  de  constatar  efetivamente  a  ocorrência  da  omissão  de  receita”.  Tal  decisão  retiraria  a  segurança jurídica necessária para o auto de infração possuir o mínimo de validade.  Não lhe assiste razão.  O pedido  de perícia,  feita  por Contador,  foi  fundamentadamente  indeferido  pelo  Julgador  em  primeira  instância,  sendo  certo  que  as  verificações  pretendidas  pela  então  impugnante foram consideradas desnecessárias ou irrelevantes para a solução do litígio, a teor  do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972.  Não  obstante,  a  Autoridade  Julgadora  em  primeira  instância  determinou  a  realização de diligência para o esclarecimento de certos pontos que, a seu juízo, ainda restavam  obscuros  nos  autos.  O  cumprimento  da  diligência  recaiu  sobre  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  autoridade  competente  para  efetuar  o  lançamento  tributário  e,  por  certo,  também  para  diligenciar  no  curso  do  contencioso  administrativo  fiscal.  A  competência  do  Auditor­Fiscal para esse fim é matéria pacífica na jurisprudência administrativa, conforme se  verifica da Súmula CARF nº 8, a seguir transcrita:  Súmula  CARF  nº  8:  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  é  competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa  jurídica,  não  lhe  sendo  exigida  a  habilitação  profissional  de  contador.  Do  resultado  da  diligência  foi  dada  ciência  ao  contribuinte,  facultando­lhe  prazo para, se assim o quisesse, se manifestar nos autos sobre suas conclusões. A interessada  optou  por  não  fazer  uso  dessa  faculdade.  Também,  por  ocasião  do  recurso  voluntário,  não  trouxe qualquer outro elemento de prova em favor de suas alegações.  Fl. 10163DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.164          10 Em  assim  sendo,  rejeito  a  alegação  de  nulidade  do  acórdão  recorrido,  por  cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório.  No que tange às alegações de nulidade do lançamento, bem assim a todas as  demais alegações de mérito, são idênticas àquelas trazidas em sede de impugnação.  Ao examinar o minucioso voto  condutor do  acórdão em primeira  instância,  constato que a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos. Com base no § 1º  do  art.  50  da  Lei  nº  9.784/19981,  adoto  o  trecho  a  seguir  transcrito  como  razões  de  decidir  (grifos no original, bem assim as notas de rodapé igualmente transcritas).  Da Diligência/Perícia  8.  Não  se  acolhe  requerimento  de  diligência/perícia  para  produção  de  prova, cujo ônus é do próprio administrado, consoante artigo 12, § 2°, do Decreto­ Lei  n°  1.598,  de  1977  2  (encargo  de  desconstituir  a  presunção  legal  em  favor  do  fisco) e o momento  apropriado é a  interposição da peça  impugnatória,  nos  termos  dos  artigos  15  e  16,  inciso  III  e  §  4°,  do Decreto  n°  70.235,  de  1972  3  (ônus  de  aduzir todas as provas juntamente com a impugnação).    Do Cerceamento ao Direito de Defesa  9.  O contribuinte alegou que, das planilhas anexadas ao auto de infração,  não seria possível identificar quais os cheques que tiveram sua glosa efetuada, por se  tratar de planilhas genéricas, o que violaria o direito de defesa do contribuinte.  10.  Não se acolhe tal argumento.  11.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fl.  570),  o  agente  fazendário  explicitou que:  No curso da fiscalização foi verificado que foram contabilizados  vários  cheques  a  débitos  da  conta  caixa  para  tanto  intimamos  o  contribuinte  em  25/01/2010  a  identificar  a  destinação  dos  cheques  compensados  ­  planilha  ­  fls.  23/76,  a  respectiva  documentação  comprobatória  e  em  05/02/2010  solicitamos  as  cópias  dos  extratos  bancários  do  Banco  Itaú,  Banco  Triangulo,  Banco  do  Brasil,  Banco  Bradesco,  Banco  do  Nordeste,  extratos  da  REDECARD  todos  referentes a 2006.                                                              1   Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos,  quando:  [...]          § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações,  decisões  ou  propostas,  que,  neste  caso,  serão  parte  integrante do ato.  2“ Art 12.  (...) § 2º. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já  pagas,  autoriza  presunção  de  omissão  no  registro  de  receita,  RESSALVADA  AO  CONTRIBUINTE  A  PROVA  DA  IMPROCEDÊNCIA DA PRESUNÇÃO.”  3 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao  órgão  preparador  no  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  em  que  for  feita  a  intimação  da  exigência.  ... Art.  16.  A  impugnação mencionará:  ...  III  ­  os motivos de  fato  e de direito  em que  se  fundamenta, os  pontos  de discordância  e as  razões  e  provas  que  possuir;  ...  §  4º.  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira­se a fato ou a direito superveniente; c) destine­se a contrapor  fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (destaquei)  Fl. 10164DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.165          11 12.  Em  23/02/2010,  o  contribuinte  foi  reintimado  a  apresentar  as  explicações e planilhas referidas no termo de 25/01/2010 (fls. 81/82).  13.  Em  15/03/2010,  o  contribuinte  foi  reintimado  a  apresentar  as  explicações e planilhas referidas no termo de 25/01/2010 (fls. 90/91).  14.  Como o agente fiscal entendeu que o contribuinte não se desincumbiu  de seu ônus probatório, concluiu o TVF da seguinte forma (fls. 568/569):  Assim  sendo,  não  comprovada  a  destinação  dos  cheques  debitados  na  conta  Caixa  e  liquidados  via  compensação  bancária,  implica que estes não tiveram como objetivo suprir de moeda nacional  o  caixa  da  empresa,  justificando­se,  assim,  a  exclusão  dos  valores  contabilizados a débito na conta Caixa e a tributação do saldo credor  da referida conta por presunção legal de omissão de receita.  (...)  Procedeu­se  à  recomposição  do  saldo  da  conta  CAIXA  com  a  retirada dos valores acima questionados, Demonstrativo do Resumo da  Glosa Diária (fls. 137/142) e Demonstrativo do Saldo Diário da Conta  Caixa Após Estornos, (fls. 143/150), em anexo.  15.  Portanto,  ao  contrário  da  afirmação  do  contribuinte,  a  autoridade  fazendária  deixou  claro  no  TVF  (e­fl.  570)  que  os  cheques  glosados  são  aqueles  constantes  do Termo  de  Intimação  de  fls.  23/76,  cujos  lançamentos  contábeis,  no  entender do agente fiscal, não foram justificados pelo administrado.  16.  Logo, não se concebe a existência de qualquer cerceamento à defesa do  sujeito passivo, pois o auditor fiscal descreveu com clareza os fatos que ensejaram  os  lançamentos  fiscais,  não  se  vislumbrando,  na  espécie,  prejuízo  concreto  ao  contribuinte.    DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS E DO ÔNUS DA PROVA   17.  A  infração apontada pela  autoridade  fiscal  encontra  fundamento  legal  no artigo 12, § 2°, do Decreto­Lei n° 1.598, de 1977:  Art 12. (...)  (...)  §  2º.  O  fato  de  a  escrituração  indicar  saldo  credor  de  caixa  ou  a  manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de  omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da  improcedência da presunção.  18.  Tal norma encontra­se reproduzida no artigo 281 do Decreto n° 3.000,  de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/1999).   19.  Depreende­se, pois, que o dispositivo acima estabeleceu uma presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  dos  tributos  correspondentes diante da constatação de saldo credor de caixa.  20.  A  regra  geral  é  a  de  que  a  Administração  Tributária  deve  provar  a  ocorrência de omissão de receitas. Todavia, com a presunção legal estabelecida pelo  artigo  12,  §  2°,  do  Decreto­Lei  n°  1.598,  de  1977,  tem­se  excepcionalmente  a  autorização para  considerar ocorrido o  fato gerador diante do  indício relativo  ao  saldo  credor  de  caixa, devendo  a Administração  provar  apenas  o  fato­indício.  Logo,  ao  contrário  da  argumentação  do  contribuinte,  o  fisco  não  tem  o  dever  de  Fl. 10165DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.166          12 aprofundar  a  investigação para provar  a ocorrência do  fato gerador  (ocorrência de  receitas omitidas), mas apenas do fato­indício (saldo credor de caixa). Esse é o efeito  da presunção legal.  21.  Apenas  para  argumentar,  assim  também  reza  o  Código  de  Processo  Civil,  em  seu  artigo  334,  inciso  IV,  ao  preceituar  que  não  dependem de  prova  os  fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.  22.  Fabiana  Tomé4  discorre  sobre  as  funções  da  presunção  no  direito  tributário:  Convém  registrar  que  as  presunções,  no  âmbito  tributário  exercem  importantes  funções,  servindo  para  (i)  suprir  deficiências  probatórias,  sendo  empregadas  nas  hipóteses  em  que  o  Fisco  se  vê  impossibilitado  de  provar  certos  fatos;  (ii)  garantir  eficácia  à  arrecadação  e  (iii)  preservar  a  estabilidade  social.  O  emprego  das  presunções no direito  tributário, segundo Leonardo Sperb Paola, está  relacionado  com  a  criação  de  mecanismos  que  dificultem  a  evasão  fiscal  e  propiciem  maior  eficiência  na  arrecadação  de  tributos.  São  técnicas  que,  na  visão  de  Misabel  Abreu  Machado  Derzi,  objetivam  ‘evitar a investigação exaustiva do caso isolado, com o que reduzem os  custos na aplicação da  lei; dispensar a colheita de provas difíceis ou  mesmo impossíveis em cada caso concreto ou aquelas que representam  ingerência  indevida  na  esfera  privada  do  cidadão  e,  com  isso,  assegurar a satisfação do mandamento normativo’.  23.  O contribuinte  também asseverou que a autoridade fiscal não agiu em  conformidade  com  os  artigos  923  e  924  do  RIR/1999,  pois  simplesmente  glosou  todos  os  lançamentos  efetuados  na  conta  caixa  que  se  referiam  a  movimentação  bancária, de forma indiscriminada, e sem considerar a escrita fiscal da empresa.  24.  Tais artigos prescrevem que:  Art. 923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  COMPROVADOS  POR  DOCUMENTOS  HÁBEIS,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto­Lei n º 1.598,  de 1977, art. 9º , § 1º ).  Art. 924.  Cabe  à  autoridade  administrativa  a  prova  da  inveracidade  dos FATOS REGISTRADOS COM OBSERVÂNCIA DO DISPOSTO  NO  ARTIGO  ANTERIOR  (Decreto­Lei  n º 1.598,  de  1977,  art.  9º ,  § 2º ).  25.  Portanto, ao contrário da argumentação do administrado, é encargo do  administrado  comprovar  com  documentos  hábeis  os  lançamentos  contábeis  (artigo  923 do RIR/1999). O ônus de demonstrar a  invericidade da escrituração só  seria da  autoridade  administrativa  depois  de  observado  o  disposto  no  artigo  923,  é  dizer,  quando  os  lançamentos  contábeis  possuírem  lastro  em  documentação  probante  (artigo 924 do RIR/1999). Em suma, a escrituração só se traduz em prova (em favor do  contribuinte) quando lastreada em documentos que a suportem.  26.  O  então  Conselho  de  Contribuinte  (atual  CARF)  também  possui  o  mesmo entendimento:  OMISSÃO DE RECEITA ­ SALDO CREDOR DE CAIXA:  Não apresentadas as contraprovas necessárias a atestar a regularidade  dos  registros  contábeis,  configura­se  perfeitamente  procedente  a  reconstituição  da  conta  caixa, mediante  as  exclusão  dos  valores  cuja                                                              4 TOMÉ, Fabiana Del Padre, “A prova no direito tributário”. São Paulo: Noeses, 2005, p. 140.  Fl. 10166DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.167          13 efetividade  dos  ingressos  não  restou  comprovada  por  instrumentos  hábeis.  (Acórdão  n° 101­94.378;  1° Conselho  de Contribuintes,  1ª Câmara;  j.  15/10/2003.)  27.  A ausência de demonstração de determinadas operações na conta Caixa,  mediante documentos hábeis, autoriza a exclusão desses lançamentos contábeis e a  posterior recomposição da conta Caixa. Se tal procedimento implicar saldo credor de  caixa,  o  comando  estabelecido  pelo  artigo  12,  §  2°,  do Decreto­Lei  n°  1.598,  de  1977,  cuida  de  presunção  relativa  de  omissão  de  receitas,  que  admite  prova  em  contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção.  28.  Provado o fato­indício referente à incidência de saldo credor de caixa,  cabe ao sujeito passivo o encargo de provar que cada um dos lançamentos contábeis  está fundamentado em documentação hábil. De outro  lado, em caso de inatividade  do  impugnante  em  apontar  fatos  impeditivos/modificativos  e  extintivos  para  o  lançamento fiscal, prevalece a linguagem probatória alusiva à existência de omissão  presumida de receitas.  29.  Já o Acórdão n° 11­9576 (aduzido pelo impugnante) 5 não se aplica ao  presente caso, pois sua própria ementa disciplina fato tributário para o qual inexista  presunção legal sobre ele incidente (pois cuida de glosa de despesas), o que não é o  caso do presente autos (omissão de receitas por presunção legal).  30.  Por  seu  turno,  o  Acórdão  n°  16­4760  (aduzido  pelo  impugnante)6  também versa sobre tema diverso, é dizer,  sobre presunção de omissão de receitas  apurado mediante saldo credor em conta de despesa. Em outras palavras, não existe  presunção legal a respeito da situação enfrentada pelo referido Acórdão, o que não é  o  caso  de presente  autos  sobre o  qual  incide o  artigo  12,  § 2°,  do Decreto­Lei  n°  1.598, de 1977 (saldo credor de caixa).    DO SALDO CREDOR DE CAIXA  31.  Segundo o impugnante, a conta Caixa guardaria consonância com seus  extratos bancários e estaria lastreada nas próprias operações do sujeito passivo, pois  movimentaria  elevadas quantias em espécie,  devido à  enorme gama de produtos  e  moeda em circulação nos seus estabelecimentos, ou ainda, pela prestação de serviços  de correspondente bancário, por devolução de cheques sem fundos de clientes, por  estorno  de  operações  bancárias  efetuadas  com  erro  pelos  agentes  financeiros,  por  pagamentos  de  contas  através  de  borderô  bancário,  pagamentos  de  leasing  de  veículos,  pagamento  de  empréstimos  bancários,  e  outras  operações.  E  aduziu  documentos (docs. 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15) juntamente com  sua impugnação.                                                              5 ACÓRDÃO Nº 11­9576 (DRJ/Recife). Ementa: GLOSA DE DESPESA. ÔNUS DA PROVA: Na relação jurídico­tributária o  ônus probandi incumbit ei qui dicit. Salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e  provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à  legislação  tributária, no  sentido de  realizar a  legalidade, o  devido processo  legal, a  verdade material,  o  contraditório  e a  ampla defesa. Não  tendo a  fiscalização questionado a documentação comprobatória da  despesa ou a  efetiva  prestação do  serviço, revela­se insubsistente a glosa efetuada posto que baseada exclusivamente em depoimento do proprietário do imóvel  onde supostamente estaria instalada a sede do prestador do serviço.  6 Acórdão n° 16­470 (DRJ/São Paulo). Ementa: Omissão de Receitas ­ A existência de saldo credor em conta de despesas não  pode acarretar a presunção de omissão de receitas sem que haja o aprofundamento da ação fiscal. Omissão de Receitas ­ A  falta de comprovação do recebimento de contas a receber não pode, por si só, levar à presunção da ocorrência de omissão de  receitas, sem que a fiscalização demonstre de forma cabal a falta do pagamento de tributo. PIS, IRFON, COFINS e CSLL­ O  decidido quanto ao lança mento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes.  Fl. 10167DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.168          14 32.  Observe­se,  de  plano,  que  a  glosa  foi  efetuada  em  lançamentos  contábeis  indevidamente  escriturados  a  débito  da  conta  Caixa  por  referirem­se,  segundo  o  agente  fiscal,  a  cheques  e  outras  operações  bancárias  ocorridas  em  contacorrente de titularidade do contribuinte.  33.  Conforme  lição  de  Iudícibus,  Martins  e  Gelbcke,  “há  empresas  que  ainda  efetuam  toda  a  contabilização  por meio  da  conta  Caixa,  incluindo  todos  os  recebimentos  e  todos  os  pagamentos  em  cheques,  gerando  um  grande  e  desnecessário volume de débitos e créditos”7. De outra banda, os cheques poderiam  ter  transitado  pela  conta  Caixa  convenientemente  apenas  para  acobertar  eventual  saldo credor de Caixa.  34.  Como  o  contribuinte  alegou  que  sua  conta  Caixa  encontra­se  em  consonância  com  seus  extratos  bancários,  então,  por  exemplo,  em  relação  ao  lançamento  a  débito  da  conta Caixa  (tendo  como  contrapartida  o  crédito na  conta  contábil  “Banco Brasil C/C 33341­7”)  no  valor  de R$1.786,98,  em 12/01/2006,  o  sujeito passivo  alegou que  se  trataria de pagamento de  empréstimo  (fl. 99). Se  tal  lançamento (LANÇAMENTO 01, infra) refere­se, de fato, a pagamento de empréstimo  com utilização da conta Caixa, deveria ter sido sucedido por outro (LANÇAMENTO  02, infra) a débito da conta “Empréstimo”, com crédito da conta Caixa, na seguinte  forma:    12/01/2006            LANÇAMENTO 01      DÉBITO/CRÉDITO  CONTA  VALOR (R$)  DÉBITO  Caixa    CRÉDITO  Banco Brasil C/C 33341­7 .....................  1.786,98        LANÇAMENTO 02      DÉBITO/CRÉDITO  CONTA  VALOR (R$)  DÉBITO  Empréstimo    CRÉDITO  Caixa .....................................................  1.786,98    35.  Como antes só constava dos autos os lançamentos a débito do Caixa (v.  fls. 23/76), não se podia averiguar a existência do LANÇAMENTO 02 (a crédito da  conta Caixa).  36.  Quanto  ao  sistema  de  borderô,  utilizado  pelo  impugnante,  ele  alegou  que encaminhava à sua agência bancária uma relação de títulos e contas (duplicatas,  documentos  de  arrecadação  de  tributos,  contas  de  telefone  e  energia  elétrica,  e  outros) que desejava efetuar o pagamento ou o depósito, e o banco se encarregava de  processar  o  solicitado.  Ao  final,  era  feito  um  débito  integral  na  contacorrente  do  sujeito passivo, representativo do valor total dos pagamentos efetuados. Citou como  exemplo  o  pagamento  feito  na  contacorrente  n°  24730­1  do  Banco  Itaú  S/A,  em  20/01/2006, no valor de R$28.537,50. Pois bem, desenvolvendo  raciocínio  similar  aos parágrafos anteriores, deve­se perquirir se foi efetuado, em seguida, um crédito  na conta Caixa na mesma quantia (R$28.537,50).  37.  Resumindo, havia a dúvida sobre o motivo pelo qual a conta Caixa foi  usada  para  contabilização  de  operações  bancárias  (pagamentos  de  empréstimos  bancários,  cheques  devolvidos  por  falta  de  fundos,  estorno  de  lançamentos  bancários,  pagamentos  de  contratos  de  “leasing”  e  consórcio,  pagamentos  de  contas  através  do  sistema de borderô, recebimentos de contas através do sistema de correspondente bancário,                                                              7  IUDÍCIBUS, Sergio de; MARTINS, Eliseu;  e GELBCKE, Ernesto Rubens.  “Manual de  contabilidade das  sociedades por  ações – aplicável às demais sociedades”. São Paulo: Atlas, 2007, p. 70.  Fl. 10168DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.169          15 tarifas bancárias, pagamento de fornecedores e TED).  Isso porque, com a ausência nos  autos de cópias da conta Caixa do livro Razão – em sua completude –, não se podia  averiguar a metodologia de contabilização utilizada pelo contribuinte.  38.  Por  isso,  em  08/02/2011,  esta  4ª  Turma  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  a  Unidade  Local  averiguar  a  possibilidade  de  cada  um  dos  lançamentos  contábeis  objeto  de  glosa  (ou  seja,  a  débito  da  conta  Caixa)  possuir  lançamento(s)  correspondente(s)  a  crédito  da  referida  conta  no  mesmo  valor,  de  modo  a  demonstrar  o  trânsito  (apenas  escritural)  dos  recursos  pelo  Caixa,  sem  nenhuma  interferência  na  formação  do  saldo  credor  originalmente  calculado  (Resolução n° 2.081 – fls. 620/624).   39.  Em  resposta,  a  Unidade  Local  proferiu  o  seguinte  parecer  (e­fls.  9981/9985) com o qual concordo e adoto como razão de decidir (artigo 50, §1°, da  Lei n° 9.784, de 1999)8:  4.    Em  08/03/2013  foi  lavrado  TERMO  DE  INÍCIO  DE  DILIGÊNCIA FISCAL no qual o contribuinte foi cientificado do inteiro  teor da Resolução 2.081 – 4ª Turma da DRJ/FOR, de 08 de fevereiro de  2011,  bem  como  intimado  a  apresentar  os  livros  contábeis  Diário  e  Razão  referentes  ao  ano­calendário  2006  e  arquivo  magnético  contendo sua escrituração contábil.  (...)  11.   No  curso  da  presente  diligência  fiscal  foram  analisados  individualmente  todos  os  lançamentos  contábeis  a  débito  da  conta  “11101.0001­6 CAIXA” objeto de glosa. Referida análise  foi dividida  em dois procedimentos, a saber:  a)  Verificação  da  possibilidade  de  haver  lançamento  concomitante  a  crédito  da  conta  “11101.0001­6  CAIXA”.  Ou  seja,  lançamento  a  crédito  da  conta  “11101.0001­6 CAIXA”  no mesmo  valor  e  na mesma  data do lançamento objeto de glosa.  b)  Análise  do  histórico  do  extrato  bancário  da  contrapartida.  12.   Todos os lançamentos glosados foram tabulados na “Planilha 1 ­  Lançamentos a débito da conta 11101.0001­6 CAIXA glosados no ano­ calendário  2006”  [e­fls.  9986/10073].  Referida  planilha  contém  86  (oitenta  e  seis)  folhas  e  relaciona  os  dados  especificados  no  quadro  abaixo,  bem  como  informa  o  total  diário  dos  lançamentos  objeto  de  glosa.  Cabe  ressaltar  que  nos  autos  do  processo  administrativo  em  13312.000331/2010­58  havia  falha  na  cópia  do  extrato  bancário  do  mês de julho/2006 da conta n° 308684 mantida no Banco Triângulo (fl.  311), fato que impedia a leitura do histórico do lançamento. Bem como  ausência de folha do extrato bancário do mês de outubro/2006 da conta  n°  33.341­7  mantida  no  Banco  do  Brasil  referente  ao  período  compreendido entre os dias 19 a 31 de outubro de 2006 (fls. 467­468).  Para sanar tais deficiências o contribuinte foi intimado a apresentar as  cópias dos referidos extratos.  (...)  13.   Da  analise  dos  2.646  (dois  mil,  seiscentos  e  quarenta  e  seis)  lançamentos  contábeis  glosados  pela  autoridade  lançadora  ficou  constatado  que  havia  154  (cento  e  cinquenta  e  quatro)  com  lançamentos  concomitantes  a  crédito  da  conta  “11101.0001­6  CAIXA”.  Tais  lançamentos  estão  listados  na  “Planilha  2  ­                                                              8 Art. 50. (…) § 1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com  fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.  Fl. 10169DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.170          16 Lançamentos glosados  com ocorrência  de  lançamentos  concomitantes  a crédito conta "11101.0001­6 CAIXA” [e­fls. 10074/10084]. Referida  planilha  contém  11  (onze)  folhas  e  relaciona  os  dados  de  ambos  os  lançamentos (glosado e concomitante) conforme especificado na tabela  abaixo.  Tabela 3 ­ Especificação dos dados contidos na “Planilha 2 ­  Lançamentos glosados com ocorrência de lançamentos  concomitantes a crédito da conta 11101.0001­6 CAIXA”   COLUNA  INFORMAÇÃO  LANÇAMENTO  Informação “GLOSADO” ou “CONCOMITANTE” indica que os  dados (DATA, VALOR, CONTA DEBITADA, CONTRAPARTIDA,  HISTÓRICO CONTÁBIL e CHAVE) são do lançamento glosado pela  autoridade lançadora ou do lançamento concomitante a crédito da  conta “1101.0001­6 CAIXA”.  DATA  Data de escrituração do lançamento.  VALOR (RS)  Valor do lançamento.  CONTA DEBITADA  Conta debitada na escrituração do lançamento contábil.  CONTRAPARTIDA  Conta contábil da contrapartida (conta creditada) do lançamento  escriturado.  HISTÓRICO CONTÁBIL  Transcrição literal do histórico do lançamento escriturado pelo  contribuinte no livro contábil Diário.  CHAVE  Identificador unívoco do registro do lançamento glosado conforme  escriturado no livro Diário.  14.   A tabela abaixo relaciona a consolidação mensal dos lançamentos  glosados  com  ocorrência  de  lançamentos  concomitantes  a  crédito  na  conta "11101.0001­6 CAIXA".  Tabela 4 ­ Consolidação mensal dos lançamentos glosados  com ocorrência concomitante de lançamentos a crédito da  conta “11101.0001­6 CAIXA”   PERÍODO 2006  QUANTIDADE DE LANÇAMENTOS  VALOR (R$)  JANEIRO  6  18.221,20  FEVEREIRO  5  2.891,48  MARÇO  10  48.469,67  ABRIL  18  94.425,13  MAIO  14  86.778,02  JUNHO  14  30.264,76  JULHO  18  125.845,28  AGOSTO  11  51.052,14  SETEMBRO  12  108.091,47  OUTUBRO  18  149.105,75  NOVEMBRO  16  150.710,98  DEZEMBRO  12  34.568,87  TOTAL  154  893.424,75    40.  Verifica­se que, nos lançamentos contábeis glosados, a contrapartida é  uma  conta  contábil  relativa  a  banco  (contacorrente),  consoante  e­fls.  9986/10073.  Como  a  autoridade  diligenciadora  somente  constatou  o  lançamento  invertido  nos  eventos  referidos  na  “Planilha  2”  [e­fls.  10074/10084],  tais  valores  devem  ser  excluídos da base de  cálculo dos  tributos ora  julgados. Excetuando as quantias da  “Planilha 2”, o contribuinte não conseguiu demonstrar, de acordo com a boa técnica  contábil, o fundamento dos demais lançamentos contábeis a débito da conta Caixa e  a crédito das diversas contas do gênero Bancos­conta­movimento.  41.  O entendimento aqui exposto é pacífico no Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  (CARF).  Como  exemplo,  veja­se  a  decisão  a  seguir  sobre  caso  semelhante:  Fl. 10170DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.171          17 OMISSÃO  DE  RECEITAS.  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA.  RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES  LANÇADOS A  DÉBITO.  Para  que  se  opere  a  neutralidade  da  escrita  contábil,  os  cheques  emitidos  pela  empresa,  compensados  por  instituição  bancária,  lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro  a crédito desta conta, pela  saída para a  efetivação de pagamentos. A  falta  desse  registro  legitima  a  exclusão  dos  valores  indevidamente  registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de  caixa evidencia omissão de receitas.  (Acórdão n° 1301­001.421; 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, 1ª Seção de  Julgamento, CARF; j. 11/03/2014)  42.  Há  também  outros  julgados  recentes  como  os  Acórdãos  n°  1102­ 00.491, 1103­00.712 e 1202­00.483, todos julgados no biênio 2011/2012.  43.  Esclareça­se  ainda  que  os  lançamentos  fiscais  ora  julgados  tratam  exclusivamente  sobre  omissão  de  receitas  por  saldo  credor  de  caixa.  Mesmo  se  excluindo da conta Caixa lançamentos contábeis (débito a caixa e crédito a bancos­ conta­movimento)  indiretamente  referenciados  em  despesas,  daí  NÃO  decorreu  qualquer  glosa  de  despesa,  que  pôde  ser  deduzida  integralmente  da  receita  na  apuração do lucro real.  44.  Analisam­se, a seguir, outros argumentos do contribuinte:    ARGUMENTAÇÃO DO IMPUGNANTE  ANÁLISE DO RELATOR DESTE  PROCESSO  IV. b. Cheques Depositados e Devolvidos  Ora, são vários exemplos que comprovam o erro material  na  autuação  fiscal,  que  não  poderia  glosar  tais  operações,  simplesmente  porque  sua  prova  está  inserta  nos  próprios  extratos  bancários  (doc.  04)  que  foram  entregues  à  agente  fiscal.  Mais  uma  vez  se  diga,  se  esta  tinha  alguma  dúvida  deveria consultar diretamente a instituição financeira a fim de  confirmar  as  operações  que  já  se  encontravam  comprovadas  pelos próprios extratos bancários.  Tenha­se  como  simples  exemplo,  que  evidencia  o  equívoco  da  agente  fiscal,  o  lançamento no  extrato bancário  do Banco Triângulo S/A  referente ao depósito do cheque n°  850686,  que  foi  depositado  e  devolvido  em  17/01/2006,  e  reapresentado  em  18/01/2006,  e  devolvido  novamente  em  19/01/2006.  Isso  tudo  está  no  extrato  bancário!  Qual  outra  prova que se quer dessa operação?  [e­fls. 602/603]  Aduziu o Acórdão nº 12­7061 (DRJ/Rio de Janeiro).  [e­fls. 603/604]  ­ Documentos Anexados: Doc. 04 (e­fls. 694/977)  O  valor  do  cheque  n°  850686  é  R$778,00.  Com  esse  valor  constam  dois  lançamentos  a  débito  da  conta  Caixa  (em  17/01/20006  e  19/01/2006,  cf.  e­fls.  7910  e  7913,  respectivamente). Ocorre que apenas consta um  lançamento  a  crédito  da  conta  Caixa  com  tal  quantia  (em  18/01/2006,  cf.  e­fl.  7913).  Portanto,  faltou  ao  contribuinte  demonstrar  o  outro  lançamento  a  crédito  da  conta Caixa,  no  valor  de  R$778,00,  para  se  atingir  a  neutralidade contábil.   Em  resumo,  como  cheques  depositados  e  devolvidos  foram  escriturados  indevidamente  a  débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter  indicado  a  localização  do  correspondente  lançamento  contábil  a  crédito,  na  conta  Caixa,  em  relação  a  cada  um  deles  (cheques),  o  que  não  o  fez.  Demais  disso,  de  nada  adianta  o  impugnante  aduzir  extratos  de  suas  contascorrentes ou informar os destinatários dos  cheques  ou  solicitar  diligência  às  instituições  bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é  a  supracitada ausência probatória do crédito na  conta  Caixa  que  deveria  estar  na  própria  escrituração do administrado.  Por  fim,  o  Acórdão  nº  12­7061  trata  sobre  “falta  de  comprovação  de  parte  do  saldo  da  conta de ativo circulante ‘Cheques Devolvidos a  Recuperar’.  Logo,  trata­se  de  decisão  inaplicável  na  espécie,  pois,  diferentemente,  o  presente caso versa sobre presunção de omissão  Fl. 10171DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.172          18 de receitas por saldo credor de caixa.    IV.c. Estorno de Lançamentos Bancários.  Identifica­se  na  planilha  anexa  (doc.  07)  que  várias  operações  glosadas  pela  autuante  em  verdade  são  caracterizadas  como  estornos  de  lançamentos  efetuados  equivocadamente  pelos  agentes  bancários,  em  especial  nas  contas 24730­1 do Banco Itaú e 33341­7 do Banco do Brasil,  conforme a planilha.  Não  podemos  deixar  de  contestar  tais  glosas,  pois  esses  registros  da  conta  caixa  se  deram  exclusivamente  porque  o  agente  bancário  efetuou  crédito  indevido  na  conta  da  empresa, e ao processar seu sistema de compensação bancária  efetuou os referidos estornos, o que em nada afeta o resultado  final  da  empresa.  Não  podemos  pagar  pelo  equívoco  de  terceiros!  Se examinarmos as operações veremos que tais montam o  valor  de  R$105.679,58,  e  todas  são  comprovadas  também  pelo  simples  exame  dos  extratos  bancários  que  seguem  anexos.  [e­fls. 604/605]  ­ Documentos Anexados: Doc. 07 (e­fls. 1068/1070)                Como  lançamentos  bancários  (alusivos  a  crédito  indevido  na  contacorrente  do  impugnante ou  seu  estorno)  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta  Caixa,  contribuinte  deveria  ter  indicado  a  localização  do  correspondente  lançamento  contábil  a  crédito,  na  conta Caixa,  em  relação  a  cada  um  deles,  o  que  não  o  fez. Demais  disso,  de  nada  adianta  o  impugnante  aduzir  extratos  de  suas  contascorrentes  ou  solicitar  diligência  às  instituições  bancárias  pois,  na  espécie,  o  cerne  da  questão  é  a  supracitada  ausência  probatória  do  crédito na  conta Caixa que deveria  estar na  própria escrituração do administrado.  IV.d. Pagamentos de Empréstimos Bancários.  Na mesma  linha  da  defesa  já  apresentada  acima  para  os  demais  quesitos,  não  conseguimos  entender  como  a  ilustre  agente  fiscal  efetua  a  glosa  das  operações  bancárias  devidamente  registradas  na  conta  caixa,  se  estas  são  comprovadas em seu extrato bancário.  Caso  tivesse  dúvidas  caberia  à  administração  requisitar  informações diretamente à  instituição bancária, pois esta que  gerou as informações bancárias que o contribuinte utiliza para  conciliação em sua contabilidade.  É  sabido  que  as  empresas  constantemente  precisam  de  empréstimos  bancários  para  suprir  seu  capital  de  giro,  situação decorrente da própria operação comercial a que está  submetido.  Nesse  diapasão  a  empresa  impugnante  não  guarda  diferença com as demais, mantendo conta corrente garantida  com  empréstimos  no  Banco  do  Brasil  (n°  33.341­7)  e  no  Banco Itaú (n° 24730­1).  Exatamente  sobre  esse  fato  não  podemos  também  concordar  com  a  glosa  do  valor  de  R$142.823,70,  representativa  de  pagamentos  de  empréstimos  através  de  débitos  automáticos  nas  contas  correntes  do  contribuinte,  conforme esboçado na planilha anexa (doc. 08).  [e­fls. 606/607)  ­ Documentos Anexados: Doc. 08 (e­fls. 1071/1078)              Como  lançamentos  bancários  (referentes  a  pagamentos de empréstimos bancários por meio  da  contacorrente  do  impugnante)  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta  Caixa,  o  contribuinte  deveria  ter  indicado  a  localização  do  correspondente  lançamento  contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a  cada um deles, o que não o  fez. Demais disso,  de nada adianta o impugnante aduzir extratos de  suas  contascorrentes  ou  solicitar  diligência  às  instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne  da  questão  é  a  supracitada  ausência  probatória  do  crédito na  conta Caixa que deveria  estar na  própria escrituração do administrado.  Fl. 10172DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.173          19     IV.e. Pagamentos de Contratos de Leasing e Consórcio.  A mesma peculiaridade das situações acima é reproduzida  quando  nos  deparamos  com  os  valores  correspondentes  a  R$53.569,37 referentes ao pagamento de contratos de Leasing  e  Consórcio  contratados  (doc.  09)  com  os  Bancos  Itaú  e  Bradesco, respectivamente nas contas 24730­1 e 33830­3.  Ora,  é  de  clareza  solar  que  dentre  os  lançamentos  debitados  na  conta  caixa  são  identificados  nos  extratos  bancários operações de Leasing no Banco Itaú e Consórcio no  Banco Bradesco, onde podemos retirar os extratos até mesmo  o código da operação, não deixando dúvidas conquanto a sua  idoneidade.  É  de  se  estranhar  a  atitude  da  agente  fiscal,  que mesmo  sendo informada de todas as operações durante a fiscalização,  pois  tinha  em  seu  poder  todos  os  extratos  bancários,  deixou  de  fazer  prova  sobre  o  que  pretendia  autuar  à  empresa,  fazendo vista grossa, e  impondo o lançamento sob a alcunha  de  movimentação  não  comprovada,  quando  em  realidade  todos  os  lançamentos  na  conta  caixa  estavam  suportados  pelos extratos bancários, com a identificação de cada uma das  saídas.  Especificamente  sobre  a  situação  em  tela,  cai  por  terra  a  acusação,  pois  estamos  comprovando  que  as  operações  constantes  da  planilha  anexa  (doc.  09)  são  em  verdade  pagamentos  de  contratos  de  leasing  e  consórcio,  debitados  automaticamente pelos agentes bancários.  [e­fl. 608]  ­ Documentos Anexados: Doc. 09 (e­fls. 1079/1091)  Como  lançamentos  bancários  (alusivos  a  pagamentos de leasing e consórcio por meio da  contacorrente  do  impugnante)  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta  Caixa,  o  contribuinte  deveria  ter  indicado  a  localização  do  correspondente  lançamento  contábil a crédito em relação a cada um deles, o  que não o fez. Demais disso, de nada adianta o  impugnante  aduzir  extratos  de  suas  contascorrentes  ou  solicitar  diligência  às  instituições  bancárias  pois,  na  espécie,  o  cerne  da  questão  é  a  supracitada  ausência  probatória  do  crédito na  conta Caixa que deveria  estar na  própria escrituração do administrado.  IV.f.  Pagamentos  de  Contas  Através  do  Sistema  de  Borderô.  Pelo  referido  sistema  (borderô)  a  empresa  encaminha  à  sua agência bancária uma relação de títulos que deseja efetuar  o  pagamento  ou  o  depósito,  e  o  Banco  se  encarrega  de  processar o solicitado. Ao final, é feito um débito integral na  conta  corrente  da  empresa,  representativo  do  valor  total  dos  pagamentos efetuados.  Não  conseguimos  entender  como  a  ilustre  agente  fiscal  sequer se deu ao  trabalho de verificar nos extratos bancários  da  autuada  tais  lançamentos,  pois  de  simples  cruzamento  entre sua conta caixa e aqueles extratos, vê­se claramente que  todas as saídas têm comprovação.  Tomemos  por  exemplo  o  pagamento  feito  pelo  sistema  ‘borderô’  na  conta  corrente  n°  24730­1  do  Banco  Itaú  S/A,  em  20/01/2006,  no  valor  de  R$28.537,50,  pois  bem,  conta  expressamente esse pagamento e sua identificação no extrato  (operação  pasta  000069),  e  nesse mesmo  dia  a  agente  fiscal  glosa  o  valor  total  de  R$61.730,81,  ou  seja,  glosou  indevidamente  pagamento  efetivamente  comprovado  pelo  próprio extrato bancário.  O exemplo acima serve de norte para a demonstração do  quanto  foi  falho o  levantamento realizado pela agente  fiscal,  pois  efetuou  a  glosa  de  lançamentos  na  conta  caixa,  que  representam  pagamentos  realizados  através  de  borderô,  que  estão cabalmente identificados nos extratos bancários.  A  agente  fiscal  deveria  ter  notificado  às  instituições  bancárias para que estas apresentassem o controle do que foi  pago  pelo  contribuinte  através  de  "borderô",  e  não  glosar  o  lançamento na conta caixa do Livro Razão.  Como  lançamentos  bancários  (referentes  a  pagamentos  pelo  sistema  de  borderô  por  meio  da  contacorrente  do  impugnante)  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta  Caixa,  o  contribuinte  deveria  ter  indicado  a  localização  do  correspondente  lançamento  contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a  cada um deles, o que não o  fez. Demais disso,  de nada adianta o impugnante aduzir planilha de  borderôs  (ou  seu  requerimento)  ou  os  extratos  de suas contascorrentes ou solicitar diligência às  instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne  da  questão  é  a  supracitada  ausência  probatória  do  crédito na  conta Caixa que deveria  estar na  própria escrituração do administrado.  Portanto,  o  pagamento  de R$28.537,50  não  foi  glosado  do  extrato  bancário,  mas  sim  o  lançamento  a  débito  na  Conta  Caixa  nesse  valor, por ausência de lançamento a crédito que  efetivasse a neutralidade contábil.  Fl. 10173DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.174          20 ­ Documentos Anexados:  Doc.  10  (e­fls.  1092/1097)  e Doc.  11 (e­fls. 1098/1104)  IV.g.  Recebimentos  de  Contas  Através  do  Sistema  de  Correspondente Bancário.  Também  conforme  provas  colhidas  diretamente  da  escrituração  da  empresa,  mais  precisamente  do  Livro  Razão,  vemos  que  foram  inseridos  nos  valores  glosados  genericamente  da  conta  caixa  aqueles  relacionados  à  prestação  do  serviço  de  correspondente  bancário  pela  empresa  impugnante  ao  Banco  Triângulo S/A.  A  operação  consiste  em  a  empresa  efetuar  recebimentos  a  título  de  contas  básicas  (água,  luz,  telefone,  boletos),  como  correspondente  do  referido  agente  financeiro,  e  posteriormente  efetuar  a  transferência  dos  respectivos  valores  ao  Banco.  Exatamente por  isso esses valores  transitaram na conta caixa da  empresa, mas sempre debitando e creditando.  O  lançamento  dessa  conta  recebia  a  denominação  de  "Recebimento  Loja  S.  Compras"  (Recebimento  Loja  Super  Compras),  que  nada  mais  é  do  que  o  débito  direto  em  conta  corrente  da  impugnante  dos  valores  que  foram  recebidas  em  virtude do pagamento de contas básicas de terceiros.  Da mesma forma que os tópicos acima, um simples confronto  entre a planilha anexa (doc. 12) e os extratos da conta corrente n°  308684 do Banco Triângulo S/A,  elidem a  suposta  ausência de  comprovação apontada pela agente fiscal.  Destarte,  basta  uma  simples  diligência  ao  Banco  Triângulo  S/A  para  que  este  confirmasse  os  referidos  lançamentos,  que  montam  o  valor  de  R$326.490,72,  conforme  apontado  na  planilha anexa (doc. 12).  Mais  uma vez  se  diga  que  o  presente  auto de  infração  trata  somente  de  lançamentos  ditos  “não  comprovados”  na  conta  caixa, e que as comprovações aqui estão sendo feitas através do  confronto entre as genéricas glosas diárias efetuadas pela ilustre  agente fiscal e os extratos bancários, confirmado a existência de  procedência de cada lançamento.  ­ Documentos Anexados: Doc. 12 (e­fls. 1105/1114)  Como lançamentos bancários (relacionados ao  serviço  de  correspondente  bancário  por  meio  da  contacorrente  do  impugnante)  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta  Caixa,  o  contribuinte deveria  ter  indicado a  localização do  correspondente  lançamento  contábil  a  crédito,  na  conta  Caixa,  em  relação  a  cada  um  deles,  o  que  não  o  fez.  Por  esse  motivo,  de  nada  adianta  o  confronto  entre  a  planilha  de  repasses  de  correspondente bancário (doc. 12) e os extratos de  conta  bancária,  ou  o  “destino”  do  cheque,  ou  solicitar  diligência  às  instituições  bancárias,  pois,  na  espécie,  o  cerne  da  questão  é  a  supracitada  ausência probatória do crédito na conta Caixa que  deveria  estar  na  própria  escrituração  do  administrado.  Tome­se,  por  exemplo,  o  débito  na  conta  Caixa no valor de R$1.301,41, de 10/01/2006, que  foi regularmente glosado pela autoridade fiscal (e­ fl. 9988) por não haver o respectivo lançamento a  crédito na conta Caixa no mesmo valor. Então cai  por  terra  o  argumento  do  contribuinte  no  sentido  de que “esses valores transitaram na conta caixa da  empresa, mas sempre debitando e creditando”.  IV.h. Tarifas Bancárias.  Nos causa espécie o fato de, dentre as  já  inúmeras situações  acima  apontadas,  houve  a  glosa  de  até mesmo  tarifas bancárias  dentro das glosa diárias que foram apontadas genericamente pela  agente fiscal.  Se  examinarmos  da  planilha  anexa  (doc.  13)  veremos  que  devem ser excluídas das glosas efetuadas à conta caixa os valores  correspondentes  às  tarifas  bancárias,  no  valor  global  de  R$4.738,63.  Não  há  como  se manter  a  referida  glosa,  pois  se  comprova  através  dos  extratos  e  planilha  anexas  que  tais  valores  estão  contidos nas glosas,  o que é vedado  frente  a  sua  estrita  ligação  com as atividades comerciais da impugnante:  Aduziu  trecho da ementa do Acórdão nº 12­14096 de 16 de  maio de 2007.  Portanto,  improcedente  o  auto  de  infração  também  nesse  ponto, pois comprovadas as despesas com tarifas bancárias pelas  informações dos  extratos bancários,  bastando um cotejo entre a  planilha  anexa  e  os  extratos  dos  bancos  ali  identificados,  nas  respectivas datas.  ­ Documentos Anexados: Doc. 13 (e­fls. 1115/1118)  Como  lançamentos  bancários  (relacionados  a  pagamentos  de  tarifas  bancárias  por  meio  da  contacorrente  do  impugnante)  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta  Caixa,  o  contribuinte deveria  ter  indicado a  localização do  correspondente  lançamento  contábil  a  crédito,  na  conta  Caixa,  em  relação  a  cada  um  deles,  o  que  não  o  fez.  Por  esse  motivo,  de  nada  adianta  o  confronto entre a planilha de pagamento de tarifas  bancárias (doc. 13) e os extratos de conta bancária  ou  solicitar  diligência  às  instituições  bancárias  pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada  ausência probatória do crédito na conta Caixa que  deveria  estar  na  própria  escrituração  do  administrado.  Tome­se,  por  exemplo,  o  débito  na  conta  Caixa  no  valor  de R$413,83,  de  03/04/2006,  que  foi regularmente glosado pela autoridade fiscal (e­ fl.  10009),  pois  o  contribuinte  não  indicou  a  localização do respectivo  lançamento a crédito na  conta Caixa no mesmo valor.  Por fim, o trecho da ementa do Acórdão nº 12­ 14096  (e­fl.  613/614)  trata  sobre  “glosa  de  despesas  financeiras”.  Logo,  trata­se  de  decisão  inaplicável na espécie, pois o presente caso versa  apenas e tão­somente sobre presunção de omissão  de receitas por saldo credor da conta caixa.  Fl. 10174DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.175          21 IV.i.  Cheques  pagos.  Pagamentos  de  Fornecedores.  Comprovação de Notas Fiscais.  Continuando  a  já  extensa  defesa  dos  direitos  do  contribuinte  impugnante,  e  já  tendo  justificado  quase  50%  (cinqüenta  por  cento)  das  glosas  indevidas,  trazemos  aos  autos  três  planilhas  (doc.  14)  que  discriminam  os  cheques  emitidos  pela  empresa,  as  Notas  Fiscais  de  mercadorias  compradas  no  período  da  autuação,  e  um  resumo  exemplificativo de algumas notas vinculadas aos  respectivos  cheques.  É de se estranhar que a  ilustre agente  fiscal  não  tenha se  aprofundado  nesse  exame,  pois  no  diminuto  tempo  que  nos  restou, e tendo em vista que as instituições bancárias não nos  forneceram  as  cópias  de  cheques  em  tempo  hábil,  fizemos  exemplificativamente  uma  correlação  entre  Nota  Fiscal  e  respectivo  cheque que  lastreou seu pagamento,  tudo  lançado  na conta caixa do Livro Razão, donde retiramos que quase de  R$200.000,00 em pagamentos foram identificados.  Nesse  trilhar,  anexamos aos  autos  (doc. 15), para  fins de  perícia, todas as Notas Fiscais de compras de mercadorias que  se  relacionam  aos  cheques  emitidos  pela  impugnante,  lastreando os movimentos na conta caixa.  ­ Documentos Anexados:  Doc.  14  (e­fls.  1119/1164)  e Doc.  15 (e­fls. 1165/5070)    Como  lançamentos bancários  (relacionados  a  pagamentos  de  fornecedores  por  meio  da  contacorrente  do  impugnante)  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta  Caixa,  o  contribuinte  deveria  ter  indicado  a  localização  do  correspondente  lançamento  contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a  cada um deles, o que não o fez. Por esse motivo,  de nada adianta a planilha de conciliação entre  cheque  e  nota  fiscal  (doc.  14),  tampouco  as  cópias  das  notas  fiscais  de  compra  (doc.  15),  pois,  na  espécie,  o  cerne  da  questão  é  a  supracitada  ausência  probatória  do  crédito  na  conta  Caixa  que  deveria  estar  na  própria  escrituração do administrado.  [Argumento Presente Em Vários Itens]  Aduziu o Acórdão n° 12­18452 (DRJ/Rio de Janeiro).  [e­fl. 604 e ss.]  O Acórdão nº 12­18452 cuida de presunção  de  omissão  de  receitas  por  depósito  bancário  com origem não comprovada (art. 42 da Lei n°  9.430,  de  1996).  Logo,  trata­se  de  decisão  inaplicável  na  espécie,  pois,  diferentemente,  o  presente  caso  versa  apenas  sobre  presunção  de  omissão de receitas por saldo credor de caixa.      [Argumento Presente Em Vários Itens]  O  Acórdão  nº  12­18452  [decisão  analisada  na  linha  anterior]  fundamenta  mais  ainda  o  direito  do  presente  contribuinte  em  ver  excluídas  da  acusação  de  ausência  de  comprovação  de  destinação  os  valores  relacionados  aos  cheques  depositados  e  devolvidos  apontados  nas  planilhas  anexas (doc. 05), pois devidamente comprovados nos extratos  bancários,  prova  suficiente  para  lastrear  os  lançamentos  na  conta caixa.  [e­fl. 604]  ­ Documentos Anexados: Doc. 05 (e­fls. 978/1011)  Repise­se  que  como  lançamentos  bancários  foram  escriturados  indevidamente  a  débito  da  conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado  a  localização  do  correspondente  lançamento  contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a  cada  um  deles  (cheques),  o  que  não  o  fez.  Demais  disso,  de  nada  adianta  o  impugnante  comprovar  a  destinação  dos  cheques  ou  aduzir  extratos  de  suas  contascorrentes  ou  solicitar  diligência  às  instituições  bancárias,  pois,  na  espécie,  o  cerne  da  questão  é  a  supracitada  ausência  probatória  do  crédito  na  conta  Caixa  que  deveria  estar  na  própria  escrituração  do  administrado.        [Argumento Presente Em Vários Itens]  Ressalte­se  que  todas  as  operações  foram  devidamente  registradas no Livro Razão (doc. 06), portanto não se há como  sustentar uma ilusória acusação de omissão de receitas.  [e­fl. 604]  ­ Documentos Anexados: Doc. 06 (e­fls.1012/1067)  Como  no  livro  Razão,  especificamente  na  conta Caixa, não constam lançamentos a crédito  correspondentes  aos  débitos  na  conta  Caixa  referentes a operações bancárias, a conta Caixa  foi  recomposta  e  o  saldo  credor  daí  resultante  gerou presunção de omissão de receita.        Fl. 10175DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.176          22 IV.j. Fatos Controversos  Pois bem, no decorrer de nosso exame, detectamos que a  ilustre  fiscal  utiliza  dois  pesos  e  duas  medidas  em  várias  situações, a saber:  1. Foi verificado em 25/01/06 que foi aceito o lançamento  de  cheque  depositado  e  devolvido  no  valor  R$  139,00  na  conta caixa.  2. Foi verificado em 03/02/06 que foi aceito o lançamento  de chegue depositado e devolvido no valor R$ 78,00 na conta  caixa.  3. Não foi possível identificar a diferença em 06/02/06 na  conta caixa.  4. Foi verificado em 24/03/06 que foi aceito o lançamento  de chegue depositado e devolvido no valor R$ 92,33 na conta  caixa.  5. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento  de Recebimento Loja Super Compras no valor R$ 327,58.  6. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento  de  Estorno  de  Lançamento  no  valor  R$  7.000,00  na  conta  caixa.  Ora,  porque  a  agente  fiscal  aceitou  essas  operações  que  são idênticas as que glosou? Se folhearmos os autos veremos  que não existe justificativa para tal situação, o que macula de  dúvida todo o lançamento, colocando o contribuinte em total  instabilidade  e  insegurança  jurídica,  pois  podem  haver  mais  situações como essas, além do que, se comprovou acima toda  a licitude das operações registradas na conta caixa.  1. Esse débito na conta Caixa (em 25/01/06, no  valor de R$139,00) foi aceito porque houve o  lançamento  invertido  (ou  seja,  a  crédito  da  conta  Caixa  e  no  mesmo  valor)  em  26/01/2006 (e­fl. 7928).  2. Esse débito na conta Caixa (em 03/02/06, no  valor  R$78,00)  foi  aceito  porque  houve  o  lançamento  invertido  (ou  seja,  a  crédito  da  conta  Caixa  e  no  mesmo  valor)  em  03/02/2006 (e­fl. 7949).  3.  Os  valores  glosados  de  06/02/2006  são  os  constantes da planilha de e­fl. 30 e totalizam  R$41.401,37.  A  autoridade  fiscal  apontou  esse valor na e­fl. 573. Em procedimento de  diligência,  o  agente  diligenciante  confirmou  tal  quantia  (e­fl.  9995),  tendo  em  vista  que  inexistiu  concomitância  nesse  dia  (e­fl.  10074).  4. Esse débito na conta Caixa (em 24/03/06, no  valor  R$92,33)  foi  aceito  porque  houve  o  lançamento  invertido  (ou  seja,  a  crédito  da  conta  Caixa  e  no  mesmo  valor)  em  24/03/2006 (e­fl. 8030).  5.  Esse  lançamento  contábil  (em  18/05/06,  no  valor R$327,58) foi glosado consoante fl. 47.  6. Esse débito na conta Caixa (em 18/05/06, no  valor R$7.000,00) foi aceito porque houve o  lançamento  invertido  (ou  seja,  a  crédito  da  conta  Caixa  e  no  mesmo  valor)  em  18/05/2006 (e­fl. 8508).  Conclusão: Em suma, não se vislumbra  disparidade nos critérios e na metodologia  adotados pela autoridade fiscal nas questões  levantadas pelo administrado. Apenas para  argumentar, mesmo que houvesse falhas no  lançamento fiscal, não implicaria sua  nulidade, mas a sua correção no decorrer  das diversas instâncias do processo  administrativo tributário.     CSLL. Tributação Reflexa  45.  Quanto à CSLL (tributo considerado reflexo), como se trata da mesma  matéria  fática  e  não  há  outros  aspectos  específicos  a  serem  apreciados  (além  dos  aspectos  analisados  no  tópico  anterior),  aplica­se  a  mesma  decisão  do  principal  (IRPJ) ao lançamento decorrente.    Liquidação  46.  Em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL, a base tributável mantida  neste  Voto  é  determinada  pela  subtração  entre  a  base  de  cálculo  apurada  pela  autoridade  autuante  e  o  valor  apurado  de  concomitância  entre  a  conta  Caixa  e  a  conta Bancos (tabela 4 da e­fl. 9984). Essa diferença é igual ao maior saldo credor  do correspondente período de apuração.  Fl. 10176DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/2010­58  Acórdão n.º 1301­001.838  S1­C3T1  Fl. 10.177          23        47.  Eis os valores mantidos segundo o entendimento deste relator:     (A)  (B)  ( C ) = (A) – (B)  (D) = (C) x 15% +  [(C) – 60.000] x 10%     (E) = 9% x (C)  PERÍODO DE  APURAÇÃO  OMISSÃO DE RECEITA  DO TRIMESTRE  SEGUNDO  DEMONSTRATIVO DE E­ FLS. 579/586, COLUNA  “Saldo Final”  LANÇAMENTOS  GLOSADOS COM  OCORRÊNCIA  CONCOMITANTE DE  CRÉDITO NA CONTA  CAIXA, SEGUNDO  TABELA 4 DA e­fl. 9984  BASE DE  CÁLCULO  MANTIDA  NESTE VOTO   IRPJ MANTIDO  (INCLUSIVE  ADICIONAL)     CSLL MANTIDA  1° TRIM/2006  2.480.889,93  69.582,35  2.411.307,58  596.826,90     217.017,68  2° TRIM/2006  3.908.915,34  211.467,91  3.697.447,43  918.361,86     332.770,27  3° TRIM/2006  2.424.777,08  284.988,89  2.139.788,19  528.947,05     192.580,94  4° TRIM/2006  4.026.405,94  334.385,60  3.692.020,34  917.005,09     332.281,83  [...]    Irretocável  a  decisão  de  primeira  instância.  Com  os  fundamentos  acima,  rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário.    CONCLUSÃO  Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de  ofício e ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                                Fl. 10177DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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