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Numero do processo: 10803.000134/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.562
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª câmara / 1ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto A contribuinte supracitada recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 969/978, integrado pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 739/967, por meio do qual se exige a multa prevista no Artigo. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), no valor de R$ 198.493.758,28 (cento e noventa e oito milhões, quatrocentos e noventa e três mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e vinte e oito centavos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .0 00 13 4/ 20 08 -0 2 Fl. 32674DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.653 2 O procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal onde foi apurada a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO SYSTEM INC, constituído a partir de uma sucessão de empresas exportadoras nos EUA, e, no Brasil, de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial, de despacho aduaneiro, aparentemente, distintas umas das outras, mas que, de fato, segundo destacou a fiscalização, constituem uma organização sob comando único, conforme vínculos dos seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais, e, excluindo, por meio de interposição fraudulenta, conforme exposto ao longo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 739/967), do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, doravante denominada MUDE, objeto do presente auto de infração e ocultando a grande interessada na colocação de produtos no mercado brasileiro, a CISCO SYSTEM INC. dos EUA. Relevante destacar que somente no ano calendário de 2003, o valor do IPI não destacado nas operações de vendas da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. e objeto da constituição parcial de crédito tributário montou R$ 29.057.021,80 (vinte e nove milhões, cinqüenta e sete mil, vinte e um reais e oitenta centavos). Baseouse o Auto de Infração em distintas fontes de dados, entre as quais citamos: Provas apreendidas durante a “OPERAÇÃO PERSONA”, realizada em 16/10/2007 pela Polícia Federal (conforme mandado de busca e apreensão prolatado nos autos do processo judicial nº 2005.61.81.0092851 do Juízo da 4ª Vara Criminal Federal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo), consistindo em documentos comerciais, anotações, depoimentos consignados em termos próprios, interceptações telefônicas, mensagens de correio eletrônico e documentos em meio eletrônico. Provas obtidas nas auditorias fiscais efetuadas pela Equipe Especial de Fiscalização Aduaneira, consistindo em livros fiscais, notas fiscais, documentos societários, extratos bancários, e demais documentos e esclarecimentos apresentados à fiscalização. Foi obtida autorização judicial para a flexibilização dos sigilos telefônicos e de dados, relativamente às principais pessoas e empresa relacionadas à investigação, sendo que o acesso e utilização do monitoramento (telefônico e telemático), documentos apreendidos nos mandados de busca e apreensão e aos interrogatórios, foram franqueados aos servidores designados pela Receita Federal do Brasil no trabalho de fiscalização. No comando do esquema operacional de importações, encontramse os principais dirigentes das empresas CISCO DO BRASIL LTDA e da sua distribuidora, MUDE, e ainda, juntandose a estes, outras pessoas físicas e jurídicas especificadas no Termo de Verificação Fiscal, notadamente no capítulo VIII do mesmo, que trata da Sujeição Passiva Solidária, que montaram uma seqüência de operações para ocultação do real importador, simulando a ocorrência de importação direta ou própria em nome das terceiras pessoas jurídicas interpostas, quando, Fl. 32675DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.654 3 na verdade, as importações ocorriam por conta e ordem da própria MUDE. Ressaltou a fiscalização que as fraudes visavam a ocultação dos reais adquirentes e beneficiários das operações de comércio exterior, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e CISCO DO BRASIL LTDA., através da estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de empresas interpostas entre os extremos da cadeia logística (fabricante/real exportador e real importador/adquirente). Obscurecendose ainda mais os fatos reais, o grupo optou por criar o chamado “duplo grau de blindagem”, ou seja, além da criação do importador e exportador interpostos, o grupo também criou distribuidores interpostos no Brasil e nos Estados Unidos. Assim ao final dos trabalhos, concluiu a fiscalização que a empresa acima identificada, através de ações fraudulentas e simuladas, incidiu na conduta tipificada no artigo 29 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, combinado com o artigo 79 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, comercializando produtos de importação irregular. Tendo em vista o disposto no art. 124, I da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), foi declarada a responsabilidade solidária da empresa CISCO DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 00.028.666/000158 e das pessoas físicas FERNANDO MACHADO GRECCO, CPF 154.002.54896, MARCELO NAOKI IKEDA, CPF 174.047.79871, MARCÍLIO PALHARES LEMOS, CPF 455.587.956 20, MOACYR ÁLVARO SAMPAIO, CPF 535.257.60868, HÉLIO BENETTI PEDREIRA, CPF 003.916.86895, GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO, CPF 255.873.01850, JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, CPF 058.787.58873, LUIZ SCARPELLI FILHO, CPF 007.199.32823, PEDRO LUIS ALVES COSTA, CPF 382.756.60882, REINALDO DE PAIVA GRILLO, CPF 791.743.028 68, CARLOS ROBERTO CARNEVALI, CPF 205.601.84891, CID GUARDIA FILHO, CPF 037.619.00864 e ERNANI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA Intimada do Auto de Infração em 12/12/2008 (fl. 967), a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA apresentou impugnação e documentos em 12/01/2009, juntados às folhas 1152 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente violação ao Princípio da Ampla Defesa e do Contraditório pois só teve acesso às cópias do processo em 12/01/2009, sendo prejudicada assim a análise de toda a documentação que instrui o auto. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que o auto baseiase apenas nessas provas. Fl. 32676DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.655 4 Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007, não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega preliminarmente que a fiscalização foi superficial e que não buscou a verdade material, baseandose em suposições. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega preliminarmente que é vedada a utilização de prova emprestada no processo administrativo. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega preliminarmente que a fiscalização interpretou as interceptações telefônicas e demais provas de forma a confirmar sua caracterização de fraude, distorcendo a realidade. Reafirma a alegação já feita no item 4 acima. Alega preliminarmente que a fiscalização interpretou de forma incorreta as expressões “antecipação de pagamentos” e “comissão”. Alega ainda que o modus operandi das importações decorre de uma logística comum no mercado que busca maior eficiência e rapidez. No mérito, alega que a autuação baseiase essencialmente na suposta antecipação de recursos a distribuidores e importadores. Alega que a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal apresentou apenas uma operação de aquisição de mercadorias quando deveria de fato demonstrar a fraude detalhadamente em todas as operações. Alega que a contabilidade da empresa faz prova a seu favor e que não foram escriturados adiantamentos a fornecedores. Cita doutrina. Alega que a empresa não pode ser considerada importadora nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07/2002. Cita doutrina e jurisprudência. Apresenta perícia contábil que conclui que não houve antecipação de pagamentos a fornecedores. Alega ausência do procedimento próprio da IN/SRF 228/02. Alega que as empresas apresentavam situação regular no cadastro do CNPJ e no RADAR no momento das operações. Alega que as empresas importadoras e distribuidoras não são empresas de fachada. Apresenta documentos relativos a essas empresas. Alega que a fiscalização utilizou como data do fato gerador da multa aplicada o dia 31/12/2003, em desconformidade com a legislação tributária. Alega a decadência dos créditos tributários lançados relativos a operações havidas antes de 12/12/2003. O Auto de Infração foi lavrado em 12/12/2008 (data da ciência pela Impugnante), apenas poderiam ser objeto da multa regulamentar, caso ela fosse devida, as operações Fl. 32677DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.656 5 de entrega a consumo ocorridas após 12/12/2003, e não todas as que ocorreram no ano de 2003. Sustenta a aplicação do disposto no art. 78 da Lei nº 4.502/64. Alega que a multa aplicada seria cabível apenas ao importador. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que a multa não se aplica a produtos vendidos mas sim importados. Alega a atipicidade da multa aplicada. Sustenta que essa multa só seria cabível durante o despacho aduaneiro, após a decretação da pena de perdimento. Alega que ao presente caso seria aplicável a multa de 10% do valor da operação, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Cita jurisprudências administrativas. Alega a inconstitucionalidade da multa aplicada por caracterizar confisco. Alega ainda que não houve dano ao erário, sendo aplicável a multa do art. 67 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001. Alega que a fiscalização utilizou base de cálculo errônea, sendo que deveria ser utilizado o valor da mercadoria importada. Alega a ilegalidade da utilização da taxa SELIC. Requer, por fim, que em preliminares ou no mérito seja julgado improcedente o presente auto de infração. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA CISCO DO BRASIL LTDA Intimada do Auto de Infração em 12/12/2008 (fl. 1.043), a empresa CISCO DO BRASIL LTDA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1277 e seguintes, alegando em síntese: Alega que a empresa utiliza um modelo de negócios que não foi compreendido pela fiscalização. Discorre sobre esse modelo. Alega que não participou das operações de importação e que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade. Alega que não teve participação na produção das provas, não recebendo qualquer intimação, sendo violados os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Alega que as provas produzidas na investigação criminal não poderiam ser utilizadas na esfera administrativa. Alega que não há identidade de partes. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega que foi qualificada como comercial atacadista apenas para fins de inscrição no SISCOMEX, não tendo por objeto social tal atividade. Alega que a CISCO SYSTEM INC iniciou investigação interna para apurar denúncia de que Carlos Roberto Carnevali tinha relação com a Fl. 32678DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.657 6 empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Cita o Relatório IPEI BA 2008 006, que não concluiu pela vinculação. Alega que tal relatório não autoriza a fiscalização a alegar o conhecimento da CISCO SYSTEM INC do suposto esquema fraudulento. Tece comentários sobre vários documentos, emails e conversas telefônicas do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 979/1043, alegando, em síntese, que tratamse de contatos comerciais normais dentro do modelo de negócios adotado pela impugnante. Tece comentários sobre a escuta telefônica, fls. 1008 e seguintes, transcrita no Termo de Sujeição Passiva Solidária, acima citado, relativa a teleconferência entre Pedro Ripper, Presidente da CISCO DO BRASIL LTDA e outros funcionários da mesma empresa. Alega que tal conversa ocorreu em 2007, não se aplicando a importações de 2003. Alega que o citado “split” ou separação entre hardware e software nas declarações de importação para redução da carga tributária seria feito pela MUDE e não por outras eventuais empresas interpostas. Alega que em suas operações a CISCO SYSTEM INC não segrega os valores de hardware e software em suas faturas de venda. Tece comentários sobre a conversa telefônica transcrita na fl. do Termo de Sujeição Passiva Solidária, que segundo a impugnante apenas demonstra o modelo de negócios adotado. Tece comentários sobre o evento realizado pela MUDE nos EUA com representantes da CISCO SYSTEM INC. Alega que não tinha conhecimento da interposição fraudulenta de terceiros de que é acusada a MUDE. Alega que a citada reunião não prova que a separação entre hardware e software foi efetivamente realizada. Alega que a CISCO SYSTEM INC não realiza exportações e que portanto não define procedimentos a serem adotados na importação. Alega que as linhas de crédito que a MUDE obtinha através de suas controladas nos EUA, FULFILL HOLDING e posteriormente MUDE USA, junto às instituições CISCO CAPITAL, GE COMERCIAL DISTRIBUTION FINANCE CORPORATION e BANCO CITIBANK, eram medidas comuns na relação entre a CISCO SYSTEM INC e seus parceiros. Alega que essa relação não prova que a CISCO SYSTEM INC ou a CISCO DO BRASIL LTDA tinham conhecimento de suposto esquema fraudulento nas importações. Alega que as provas apresentadas no tópico “PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A EMPRESA”, fls. 1031 e seguintes, demonstram apenas a relação comercial entre a impugnante e a MUDE, mas não o conhecimento da impugnante sobre fraudes cometidas pela MUDE. Alega que no presente caso não seria aplicável a multa prevista no art. 490, I do RIPI pois a prática da interposição fraudulenta não significa, necessariamente, que a importação dos bens tenha ocorrido de maneira clandestina, irregular ou fraudulenta. Alega que a interposição fraudulenta tipificada para a empresa MUDE seria apenada com a pena de perdimento do art. 23 do Decretolei nº 1.475/76 (SIC). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Cita o Parecer PGFN/CAT nº 202/2004. Fl. 32679DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.658 7 Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN relativo à responsabilidade solidária pois para tal a empresa CISCO deveria ter relação com o fato que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica cujo resultado é o pagamento do tributo. Alega que a CISCO não figurava no pólo passivo da relação tributária em questão. Cita doutrina e jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Alega que a multa aplicada é de natureza administrativa e não tributária. Alega que isso afastaria a aplicação de qualquer um dos dispositivos do CTN, incluindo aí o art. 124, I e o art. 136. Alega que a natureza não tributária da multa aplicada afastaria a incidência dos arts. 150 e 173 do CTN relativos à decadência, sendo esta regida pelo art. 78 da Lei nº 4.502/64. As alegadas infrações cometidas anteriormente a 12 de dezembro de 2003 não mais podem ser penalizadas, em respeito ao art. 78 da Lei 4.502/64. Requer, por fim, que seja cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária com a exclusão da impugnante do rol de devedores solidários. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl. 1134), FERNANDO MACHADO GRECCO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1441 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Fl. 32680DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.659 8 Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1135), MARCELO NAOKI IKEDA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1550 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 17/12/2008 (fl.1136), MARCÍLIO PALHARES LEMOS apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1601 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do Fl. 32681DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.660 9 processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl. 1137), MOACYR ÁLVARO SAMPAIO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1728 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Fl. 32682DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.661 10 Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1138), HÉLIO BENETTI PEDREIRA apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1868 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Fl. 32683DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.662 11 Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl.1139), GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 1990 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2009 (fl. 1141), JOSE ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES apresentou impugnação e documentos em 13/01/2009, juntados às folhas 2039 e seguintes, alegando em síntese: Alega preliminarmente que não pôde obter cópias do processo, prejudicando o exercício da ampla defesa. Alega preliminarmente que as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderia ser utilizadas na instrução do processo administrativo. Cita o art. 5º, X, XI e XII da CF e o art. 1º e 10º da Lei nº 9.296/96. Alega que as interceptações telefônicas só Fl. 32684DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.663 12 poderiam ser utilizadas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Alega preliminarmente que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007 não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa ao exercício de 2003. Alega que tal lançamento estaria baseado assim em suposições. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que não houve procedimento fiscalizatório específico em relação ao impugnante, lastreado em MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Cita jurisprudência. Alega que não é cabível a aplicação do art. 124, I do CTN ao impugnante pois este não teria relação jurídica com o fato imponível. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não há provas da antecipação de recursos por parte do impugnante para a realização das operações de importação. Alega que o impugnante não realiza importações. Alega que a infração cominada não alcança as pessoas físicas. Alega que a responsabilidade solidária não se aplica à cobrança de penalidades. Reafirma os argumentos já apresentados na impugnação da empresa MUDE. Por fim, requer que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl.1142 ), LUIZ SCARPELLI FILHO apresentou impugnação e documentos em 14/01/2009, juntados às folhas 2140 e seguintes, alegando em síntese: A Autoridade Administrativa pretende fazer incidir a exação sobre todo o período de 2003. Á data da lavratura do Auto de Infração, os fatos jurídicos tributários havidos até 04 de dezembro de 2003, já estavam decaídos. Alega que nunca teve qualquer participação em esquema fraudulento. Alega que prestava serviços de assessoria nas áreas de análise de procedimentos internos com capacitação de profissionais para atuar com produtos de informática, automação de processos, diminuição de custos, aumento de qualidade perante os clientes e remuneração de funcionários e prestadores de serviços. Alega que a partir de 2003 assumiu participação societária na empresa MUDE para atuar de maneira mais próxima ao seu cliente. Alega que não há qualquer irregularidade no fato de possuir uma empresa offshore como sócia. Alega que nunca foi sócio gerente da empresa autuada, sendo parte ilegítima para compor o pólo passivo. Alega que nos termos do art. 135 do CTN a responsabilização dos sócios só ocorre por excesso de poderes ou infração de lei. Alega que o Fl. 32685DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.664 13 impugnante não foi arrolado na ação penal que tramita na Justiça Federal sobre o caso. Cita doutrina e jurisprudência judicial sobre o tema. Alega que não é cabível a utilização das provas emprestadas do processo criminal. Cita doutrina sobre o tema. Alega que as provas apresentadas são posteriores a 2003, ano cujos fatos geradores foram glosados. Alega ainda que vários dos documentos apresentados não apresentam data. Requer, por fim, que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl. 1144), REINALDO DE PAIVA GRILLO apresentou impugnação e documentos em 29/01/2009, juntados às folhas 2246 e seguintes, alegando em síntese: Alega que o impugnante nunca participou do contrato societário da empresa MUDE nem da respectiva administração. Alega que as provas colhidas “referemse aos exercícios de 2004, 2005, 2006, 2007, mas nada referente ao exercício objeto da autuação, 2003”. Alega que o impugnante é mero prestador de serviços de assessoria em logística e comércio exterior. Alega que desconhece os fatos imputados e que não teve acesso aos documentos e provas, não podendo adentrar no mérito da autuação. Apesar da alegação de que não teve acesso às provas, segue tecendo comentários sobre as provas do processo. Alega que não há documentos que provem que o impugnante teve benefício financeiro nas operações autuadas. Alega que as provas apresentadas são precárias, insuficientes para sustentar a imputação. Cita doutrina e jurisprudência. Requer, por fim, que seja julgado improcedente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração (fl. 1145), CARLOS ROBERTO CARNEVALI apresentou impugnação e documentos em 20/01/2009, juntados às folhas 2266 e seguintes, alegando em síntese: Houve evidente violação do princípio da ampla defesa e do contraditório na imposição de sujeição passiva. Alega que não seria aplicável a responsabilidade solidária do art. 124, I do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que não possuía vínculos com a empresa MUDE além de laços de amizade. Alega que não era sócio oculto da empresa MUDE. Alega que sua relação com Hélio Pedreira é puramente profissional e de amizade sendo incabíveis as insinuações feitas pela fiscalização de que ambos montaram um esquema de importações fraudulentas. Fl. 32686DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.665 14 Contesta alegações sobre as operações da empresa União Digital, que segundo a fiscalização seria a antecessora da empresa MUDE nas importações de produtos CISCO. Alega que a fiscalização baseou a responsabilidade em diálogos que não se referem ao impugnante. Alega que tais provas não comprovam a participação do impugnante na administração da empresa MUDE. Alega que as planilhas que apresentam pagamentos a membros do grupo MUDE/JDTC apenas sugerem mas não comprovam tais operações. Alega ser incabível a responsabilização do impugnante pelo art. 124, I do CTN. Alega que as provas não demonstram o interesse comum do impugnante nos negócios da MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a fiscalização interpretou de maneira equivocada o diálogo entre o impugnante e a CISCO SYSTEM INC. Alega que a fiscalização tenta vincular sua pessoa às atividades do grupo JDTC/MUDE através de indícios e interpretações tendenciosas. Alega que os documentos para contra prova em seu favor estão em poder da fiscalização. Alega que as mensagens transcritas às fls. 13 a 15 do Termo de Sujeição Passiva referemse a diretrizes fornecidas para atuação da empresa TORNADO e não da MUDE. Alega o impugnante que na época das operações de importação autuadas, 2003, não era mais responsável pela CISCO DO BRASIL, exercendo a função de VicePresidente da CISCO para América Latina e México. Alega que a partir de 2000 começou a se afastar do operacional da empresa CISCO DO BRASIL. Alega que a partir de 2007 quase que se afasta definitivamente da CISCO DO BRASIL. Alega que prestava à época consultoria a diversas empresas incluindo a MUDE. Alega que em função dessa atividade e do interesse de executivos da MUDE para que o impugnante ingressasse em seu Conselho de Administração, passou a receber documentos dessa empresa para análise de sua situação financeira. Alega que esta é a razão de ter sido encontrado organograma da empresa MUDE com seu nome no Conselho de Administração. Segue afirmando o impugnante que não possui qualquer relação com a administração da empresa MUDE, apresentando mensagens sobre seu desligamento do grupo CISCO e de sua relação não profissional com os administradores da MUDE. Alega violação ao Princípio da Verdade Material. Afirma que a autuação baseouse em suposições. Requer, por fim, que sejam acolhidas as preliminares de nulidade ou que seja cancelada a sujeição passiva solidária do impugnante. Intimado do Auto de Infração em 19/12/2008 (fl.1147), CID GUARDIA FILHO apresentou impugnação e documentos em 16/01/2009, juntados às folhas 2705 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 32687DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.666 15 Alega a nulidade da autuação visto que esta estaria embasada em provas emprestadas do procedimento criminal. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que tais provas não foram submetidas ao contraditório no âmbito do processo criminal. Alega que parte dos documentos que envolvem o impugnante são relativos a períodos posteriores ao autuado (2003). Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não há interesse comum do impugnante nas saídas de mercadorias da empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a fiscalização fundamentou a responsabilidade do impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos em sua residência são relativos a acordo de assessoria entre a 3Tech International e a CM Guardia Org. e Planejamento. Alega o mesmo em relação aos documentos apreendidos na empresa CIDER Assessoria Empresarial. Alega que os vários depoimentos de pessoas que confirmam serem laranjas e que o real proprietário das empresas importadoras é o impugnante foram alterados na esfera judicial. Alega que não é sócio das pessoas jurídicas que realizaram as importações. Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em questão pois esta não tem natureza tributária. Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores anteriores a 18/12/2003. Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a sua regularidade fiscal comprovada no bojo de procedimento fiscal previsto na IN nº 228/2002, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, nos termos do art. 146 do CTN. Alega que as importações eram “por encomenda” nos termos do art. 11 da Lei nº 11.281/2006. Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Requer, por fim, que seja julgado insubsistente o presente auto de infração. Intimado do Auto de Infração em 18/12/2008 (fl.1148), ERNANI BERTINO MACIEL apresentou impugnação e documentos em 16/01/2009, juntados às folhas 2763 e seguintes, alegando em síntese: Alega a nulidade da autuação visto que esta estaria embasada em provas emprestadas do procedimento criminal. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega que tais provas não foram submetidas ao contraditório no âmbito do processo criminal. Fl. 32688DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.667 16 Alega que parte dos documentos que envolvem o impugnante são relativos a períodos posteriores ao autuado (2003). Alega ser incabível a aplicação do art. 124, I do CTN. Alega que não há interesse comum do impugnante nas saídas de mercadorias da empresa MUDE. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a fiscalização fundamentou a responsabilidade do impugnante em meros indícios. Alega que os documentos apreendidos em sua residência sequer poderiam ser utilizados para embasar exigência fiscal, pois se destinam exclusivamente a fins penais. Alega que os vários depoimentos de pessoas que confirmam serem laranjas e que o real proprietário das empresas importadoras é o impugnante foram alterados na esfera judicial. Alega que não é sócio das pessoas jurídicas que realizaram as importações. Alega que a responsabilidade do art. 124, I não se aplica à multa em questão pois esta não tem natureza tributária. Alega decadência dos créditos tributários em relação a fatos geradores anteriores a 18/12/2003. Alega que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve a sua regularidade fiscal comprovada no bojo de procedimento fiscal previsto na IN nº 228/202, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, no termos do art. 146 do CTN. Alega que as importações eram “por encomenda” no termos do art. 11 da Lei nº 11.281/2006. Alega que houve erro na capitulação legal. Alega ainda o Princípio da Retroatividade Tributária Benigna para aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Requer, por fim, que seja julga insubsistente o Auto de Infração. Não consta do processo impugnação de PEDRO LUIS ALVES COSTA. Consta às fls. 2.905 uma IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR, protocolizada em 26/02/2010, da interessada, MUDE, onde é citado o seguinte: “.../... 5. Devidamente intimada do Auto de Infração ora em combate, a Impugnante apresentou a competente Impugnação, por meio da qual demonstrou cabalmente, apoiada em fartas provas e sólido Direito, que não merece prosperar o lançamento tributário em tela. 6. Devidamente processado o feito, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP (“DRJ”), a qual, em 09 de dezembro de 2009, decidiu, por unanimidade de votos, determinar a realização de diligência para, surpreendentemente, mesmo reconhecendo a ofensa ao contraditório e Fl. 32689DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.668 17 à ampla defesa, reabrir prazo para apresentação de Impugnação Complementar. 7. Assim entenderam os I. julgadores da DRJ, haja vista que as cópias dos autos do processo não foram disponibilizadas em tempo hábil para elaboração da Impugnação, além de ter havido o recebimento simultâneo de diversos autos de infração, com prazo para impugnação praticamente idênticos, nos últimos dias do ano fiscal de 2008. Diante disso, foi expedida a intimação nº 175/2010 (doc. 02), cientificando a Impugnante da referida decisão e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da presente Impugnação Complementar. Conforme já amplamente demonstrado quando da Impugnação e apelo quanto se verá adiante, não poderá prevalecer o Auto de Infração em comento, seja por conta dos vícios contidos no procedimento fiscalizatório e no ato de lançamento, seja pela inaplicabilidade da multa à Impugnante ou, ainda, pela inexistência da alegada importação por conta e ordem, já que a Impugnante nunca antecipou quaisquer recursos aos importadores, devendo essa D. Turma Julgadora declarar a insubsistência do lançamento da multa isolada. .../...” A interessada continua, nos parágrafos seguintes, ratificando as alegações da Impugnação anterior, reiterando, inclusive, o pedido de realização de perícia contábil. Consta, também, às fls. 3.841 o Despacho de nº 8, de 06 de dezembro de 2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP: “Apesar do encaminhamento anterior para a delegacia de origem, no intuito de permitir vistas ou cópias do processo, em verificação posterior constatouse tratar de impugnação contra de auto de infração de multa regulamentar capitulada no inciso I do Decreto nº 4.544/2002 (artigo 83, I, da Lei nº4.502/1994), conforme abaixo: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, artº 1º, alteração 2ª) I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, artº1º, alteração 2ª: e (...) § 2º A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidas Fl. 32690DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.669 18 clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. Conforme a Portaria nº 1.916, de 13 de outubro de 2010, Anexo I, abaixo transcrita, a Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto não tem competência para apreciar a matéria, já que diz respeito ao IPI vinculado ao mercado externo (hipótese da multa aplicada ao consumo de mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestina ou irregularmente no País – como é o cado dos autos). A competência para julgamento desta matéria é da Delegacia de julgamento São Paulo II.” O processo foi, então, encaminhado a esta DRJII para julgamento. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1748.340, de 10/02/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido em tempo hábil as cópias de todas as peças embasadoras do feito, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa, ainda mais se a peça impugnatória demonstrar a inércia do impugnante e o conhecimento integral da imputação. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E SIMULAÇÃO. INICIO DO PRAZO: 1° DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. A regra é a contagem do início do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput, do CTN. Entretanto, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5º, XII DA CF Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Fl. 32691DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.670 19 Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. INFRAÇÃO. MULTA. SOLIDARIEDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a impugnação com as seguintes conclusões: Foi montado um esquema de importações, com a participação de várias empresas e pessoas físicas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos incidentes na importação e na comercialização de produtos estrangeiros. Tal esquema era conduzido pela empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e tinha como beneficiária direta a empresa CISCO DO BRASIL LTDA As práticas ilegais incluíam a interposição fraudulenta na importação com a conseqüente simulação de negócios jurídicos e a falsificação de faturas comerciais. As pessoas físicas autuadas como responsáveis solidários neste processo tinham ciência das práticas fraudulentas e agiram de forma a operacionalizar tais atividades ilegais. Foram postas a consumo mercadorias de procedência estrangeira importadas através de tais práticas fraudulentas, tipificandose assim a multa aplicada. Dessa forma, voto pela improcedência das impugnações apresentadas, mantendose na integralidade o crédito tributário lançado. O presente processo deve ser encaminhado à repartição de origem, para efeito de ciência da decisão aos interessados, exceto a PEDRO LUIZ ALVES COSTA, em razão da revelia, prosseguindose o presente na forma da legislação em vigor. Como já relatado, todos apresentaram impugnação, com exceção do Sr. Pedro Luís Alves Costa, tendo sido declarada revelia. Cientificados, conforme folhas 3769/3782 do resultado do julgamento da DRJ, a empresa Mude e quase todos os solidários apresentaram recursos voluntários, exceto sr. Luiz Scarpelli Filho, que consta a informação que não mais reside no País (inclusive afixado edital de ciência). Consta Termo de Perempção, à fl. 3177 (Luiz Scarpelli Filho). Fl. 32692DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.671 20 Dessa forma, interpuseram a Mude e os solidários, menos Sr. Luiz Scarpelli Filho, os recursos voluntários, cujos fundamentos, em grande maioria comuns, repisados da impugnação, que se passa a análise. A PGFN apresentou as contrarrazões aos recursos voluntários apresentados. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. A 1ª Turma da 2ªCâmara da 3ª Seção de Julgamento, em sessão de 25/02/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que o responsável solidário sr. Pedro Luiz Alves Costa fosse cientificado do acórdão proferido pela DRJ/SPO II, com abertura de prazo para defesa. Apresentou, então o Sr. Pedro Luiz Alves Costa recurso voluntário, no qual alega não ter sido intimado da lavratura do auto de infração, apenas do acórdão da DRJ/SP II, e desta forma sustenta a nulidade da intimação do Termo de Sujeição Passiva Solidária. A Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim O presente processo foi então distribuído a este Conselheiro. É o relatório. O responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa alega não ter sido intimado da lavratura do Auto de Infração que lhe imputa responsabilidade solidária. O Sr. Pedro Luiz Alves Costa não apresentou impugnação ao lançamento. Em relação aos argumentos expostos pelo responsável solidário, consta do presente processo Aviso de Recebimento – AR – de fls. 1141 que atesta que a intimação do termo de sujeição passiva solidária teria sido efetuada no endereço “Rua Gabriele D’Annunzio, 125, apto 111, Campo Belo, São Paulo/SP”, recebido pelo Sr. Agnaldo Brito. O AR que comprova a intimação em relação ao Acórdão recorrido (fls. 32575), contudo, apresenta como endereço do destinatário “Rua Humaitá, 2101 apto 71 Centro, Araraquara/SP”, tendo o recorrente apresentado documento que comprova ser esta a sua residência atual (fls. 32605). Em sendo estes os fatos, verifico não constar do presente processo informação necessária para o julgamento da lide, qual seja o domicílio tributário declarado ao Fisco pelo responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa na data em que foi cientificado do auto de infração, qual seja 18/12/2008. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem esclareça qual o domicílio tributário informado ao Fisco pelo responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa na data em que foi cientificado do auto de infração, qual seja, 18/12/2008. Realizada a diligência, o responsável solidário Sr. Pedro Luiz Alves Costa e a PGFN devem ser intimados de seu resultado, sendolhes concedido prazo de 30 dias para manifestação, se assim desejarem. Fl. 32693DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10803.000134/200802 Resolução nº 3201000.562 S3C2T1 Fl. 32.672 21 Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 32694DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10665.900330/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA.
A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado.
Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS não-cumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC).
A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório.
Numero da decisão: 3401-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
RELATOR - AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 03/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS não-cumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC). A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório.
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DILIGÊNCIA FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A homologação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Concluído em relatório de diligência fiscal a ausência de direito creditório, pela glosa de créditos decorrentes da PIS nãocumulativa, é ônus do contribuinte apresentar as razões de fato e de direito que dão suporte à utilização dos créditos glosados, para fins de demonstração do direito de crédito alegado (artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972; c/c artigo 333 do CPC). A ausência de manifestação do contribuinte, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. RELATOR AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 03 30 /2 00 9- 83 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Cuidam os autos de Declaração de Compensação apresentada pela ora Recorrente em 15 de fevereiro de 2005, na qual alegou possuir direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, efetuado por Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) referente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) nãocumulativa. Em 18 de fevereiro de 2009, foi emitido despacho decisório cientificando a Recorrente da não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que inexistiria o direito de crédito pleiteado, e intimando a Recorrente para pagamento dos "débitos indevidamente compensados" lançados, nas quantias históricas de R$ 15.983,17 (quinze mil, novecentos e oitenta e três reais e dezessete centavos), a título de principal, R$ 3.196.63 (três mil, cento e noventa e seis reais e sessenta e três centavos), a título de multa, e R$ 8.664,43 (oito mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e quarenta e três centavos), a título de juros. Em 02 de abril de 2009, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.0204 dos autos), defendendo a existência de crédito, pela exposição dos seguintes esclarecimentos: "Após o pagamento descrito foi constatado que a importância do respectivo DARF, foi paga indevidamente. A empresa supra citada declarou através da DCTF que recolheu a importância descrita acima, dando a como devida. Entretanto a empresa não efetuou a retificação da DCTF referente ao 4º Trimestre de 2004, onde foi declarado o recolhimento indevido. Por este motivo Secretaria da Receita Federal do Brasil esta alegando que o crédito é improcedente. Então a empresa Organizações Francap S/A providenciou a retificação da DCTF referente ao 4º Trimestre de 2004, como consta cópia em anexo. O valor descrito acima foi utilizado através de PER/DCOMP para efetuar compensações de débitos posteriores, conforme consta nas PER/DCOMPs anexas a esta manifestação de inconformidade" (grifos nossos). A DCTF retificadora mencionada pela Recorrente foi apresentada na mesma data do protocolo da Manifestação de Inconformidade, dia 02 de abril de 2009, como se verifica às fls. 42 dos autos. Em sessão de julgamento do dia 24 de maio de 2012, a DRJ/BHE não reconheceu o direito creditório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, pelos seguintes motivos: "Em essência, a interessada limitase a alegar que seu direito creditório contra o Fisco da União estaria assegurado pela mera retificação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, sem se dar ao trabalho de demonstrar a efetiva ocorrência de erro que houvesse redundado em pagamento indevido ou a maior. Ora, só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e Fl. 458DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 458 3 certeza, o que não ocorre no caso presente. O ônus da prova recai sobre quem afirma: se a interessada alega haver realizado pagamento excessivo, incumbelhe apresentar um conjunto probatório robusto desta alegação, como determina o artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (...)" (fls. 75). Contra essa decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19 de julho de 2012, no qual alegou que o crédito decorreria de pagamento indevido de PIS do mês de dezembro de 2004 e estaria demonstrado pelo conjunto de documentos acostados aos autos. Esse recurso foi distribuído à 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que, em sessão de julgamento do dia 24 de abril de 2014, resolveu converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da relatora. Naquela oportunidade, entendeu o colegiado que "a alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório" (fls. 241242). Diante disso, "verificando a existência nos autos de indícios de que efetivamente ocorreu um erro na apuração do tributo, o que possivelmente motivou a apresentação de DCTF retificadora, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo", foi proposta a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, "para que verifique se está correto o valor indicados pela Recorrente como de saldo credor de PIS relativo ao mês de dezembro de 2004 (R$ 84.044,43)" (fls. 242). Em seguida, os autos foram encaminhados à origem, a Recorrente foi intimada e apresentou a documentação exigida, sendo após elaborado o "Relatório Saort/DRF/DIV, de 1º de dezembro de 2014" (fls. 426440). Em 11 de dezembro de 2014, a Recorrente foi cientificada do relatório fiscal e da oportunidade de se manifestar a respeito do resultado da diligência ali relatado dentro de 30 (trinta) dias, conforme fls. 441433. Porém, transcorrido tal prazo sem qualquer manifestação, como atestado no "Despacho de Encaminhamento" constante às fls. 443, os autos retornaram ao CARF, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Fl. 459DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Para elaboração do relatório fiscal de fls. 141428, o i. Fiscal solicitou à Recorrente: "a) memórias de cálculo da apuração de COFINS e PIS/PASEP, relativas ao 4º trimestre de 2004, com detalhamento mensal da base de cálculo da contribuição e dos créditos apurados, indicação das contas contábeis analíticas envolvidas (código contábil e descrição), citação das bases legais utilizadas para isenção, alíquota zero ou diferenciada e aproveitamento de demais créditos incentivados; b) livros Diário e Razão do anocalendário 2004" e realizou o cotejo dessa documentação com "os valores constantes das declarações apresentadas ao Fisco, especificamente as DCTF original e retificadora e o DACON referentes ao 4º trimestre de 2004". Nesse trabalho, verificou que a Recorrente apurou créditos em relação aos montantes integrais das rubricas “Custo da Fazenda”, "Custo do Incubatório”, “Custo do Abatedouro”, “Custo de Belo Horizonte”, “Custo de Brasília” e “Custo de Contagem”. O detalhamento de cada uma dessas rubricas, com as respectivas contas contábeis se encontra no Anexo I do relatório fiscal, às fls. 434435. Então, seguindo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 4º c/c o § 9º, inciso II, e partindo do conceito mais restrito de insumos para fins de desconto de créditos da PIS e COFINS nãocumulativa, entendeu o i. Fiscal que haveria "evidente alargamento da base de cálculo do crédito pelo sujeito passivo, que enquadrou todos os custos no conceito de insumo utilizado na prestação de serviço ou na fabricação ou produção de bens para venda". Assim, pela análise das contas contábeis utilizadas pela Recorrente como insumos, identificou o i. Fiscal o seguinte: "a) se enquadram no conceito de insumo, como por exemplo combustíveis e lubrificantes; b) não se enquadram no conceito de insumo, como telefone; c) não é possível determinar o enquadramento ou não no conceito somente pela descrição da conta, porque a descrição é genérica, como, por exemplo, manutenção de aves; e d) não é possível determinar o enquadramento ou não no conceito somente pela descrição da conta, como fretes e carretos, porque depende do que está sendo transportado e da origem e do destino do serviço de transporte" (fls. 430). Em seguida, explicitou a metodologia adotada em seu relatório fiscal, ao afirmar que "será levantado o montante do crédito apurado em relação aos encargos que não se enquadram no conceito de insumo." Portanto, para verificar se o saldo credor apontado pela Recorrente para o mês de dezembro de 2004 estaria correto, o i. Fiscal inicialmente se limitaria a conferir e glosar os valores de créditos referentes às aquisições que, de plano, a partir do conceito por ele adotado, não pudessem se enquadrar como insumos, pois, na hipótese de a glosa nessa parte ser igual ou superior ao saldo credor afirmado pela Recorrente, restariam desnecessárias maiores investigações em relação às outras categorias por ele identificadas, tais como as contas com descrição genérica e aquelas em que faltava informação para se aferir a qualificação ou não como insumo. Nesse sentido, dentre as 6 (seis) rubricas acima mencionadas, o i. Fiscal glosou todos os custos computados como insumos referentes aos centros de custo "Custo de Brasília" e "Custo de Contagem", pois seriam relativos a estabelecimentos comerciais (fls. 431). E, com relação aos demais centros de custo, “Custo da Fazenda”, "Custo do Incubatório”, “Custo do Abatedouro”, “Custo de Belo Horizonte”, a partir da relação com a Fl. 460DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 459 5 descrição de contas contábeis e respectivos valores, o i. Fiscal indicou no Anexo II do relatório fiscal cada uma das contas que entendeu não se enquadrarem como insumos (fls. 436440). Com isso, o i. Fiscal demonstrou o saldo de crédito no mês de dezembro de 2004, ajustando a apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS apresentada no DACON, com as glosas de créditos calculadas, contemplando, inclusive, o saldo de crédito transferido para o mês de janeiro de 2005, tendo em vista o seu aproveitamento naquele mês, como informado na DACON do 1º trimestre de 2005. Ao final, conclui o relatório fiscal: "1) o sujeito passivo creditouse indevidamente de encargos enquadrados incorretamente como insumos; 2) o Fisco calculou os créditos indevidos em relação aos encargos registrados em contas contábeis cuja própria descrição permite determinar se enquadra se ou não no conceito de insumo. Os valores apurados de crédito indevido foram R$ 20.820,44 (vinte mil, oitocentos e vinte reais e quarenta e quatro centavos) e R$ 95.900,23, relativos a PIS/PASEP e COFINS, respectivamente; 3) constatouse que esses valores de crédito indevido apurados são superiores aos valores pagos, objeto da discussão administrativa; 4) adicionalmente, apurouse o saldo de crédito do mês de dezembro de 2004 corrigido conforme as glosas de crédito indevido e constatouse saldo devedor nos montantes de R$ 20.820,44 (vinte mil, oitocentos e vinte reais e quarenta e quatro centavos) e R$ 95.900,23, relativos a PIS/PASEP e COFINS, respectivamente; 5) dessa forma, concluise que os pagamentos realizados nos valores de R$ 20.078,51 (vinte mil, setenta e oito reais e cinqüenta e um centavos) e R$ 84.044,43 (oitenta e quatro mil, quarenta e quatro reais e quarenta e três centavos), referentes a PIS/PASEP e COFINS, respectivamente, são devidos". Como se verifica, a questão que se coloca nos autos é se a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, com direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de PIS do mês de dezembro de 2004, deve ser homologada, devendose, para tanto, proceder ao exame da existência de saldo credor de PIS que justificaria o alegado pagamento indevido no mês em referência. Nos termos do artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". (grifos nossos) Na esfera federal, o instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, atualmente regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 1300/ 2012, sendo essencial para a homologação da compensação, com a conseqüente extinção do débito Fl. 461DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 6 apontado na declaração de compensação, na forma do artigo 156, II, do CTN1, a existência de crédito líquido e certo a ser compensado. Assim, no exame da declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, a autoridade administrativa, caso entenda que não está presente o direito creditório, seja por ausência de certeza ou de liquidez, deverá não homologar a compensação e lançar os valores referentes aos tributos indevidamente compensados, como previsto no artigo 74, §7º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: "§ 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados". A decisão de nãohomologação deverá ser sempre fundamentada, com a descrição dos motivos pelos quais o pedido do contribuinte é indeferido e respectivo enquadramento legal, sendo possível ao contribuinte impugnar a decisão, com o objetivo de demonstrar o seu direito à compensação, instaurandose a fase litigiosa do procedimento, que seguirá o rito do Decreto 70.235/1972. É o que dispõe o artigo 74, §§9º a 11º, da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito: "§ 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação". Dessa forma, optando por desafiar a decisão da autoridade administrativa, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade, na qual deverá constar, dentre outros requisitos, "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir" (Artigo 16, inciso III, Decreto 70.235/1972). Quanto à produção de prova, determina o Artigo 16, §4º, alíneas a, b e c, do Decreto 70.235/1972: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos". Com isso, se de um lado, a autoridade administrativa deve fundamentar a exigência fiscal, com a descrição do fato, a determinação exigida e o fundamento legal para o lançamento (artigo 142 do CTN), de outro, o contribuinte, nas oportunidades de audiência no curso do processo, deve apresentar as razões de fato e de direito que demonstrem o descabimento do lançamento, produzindo as provas necessárias para tanto. Como bem observa a doutrina, "direito à produção da prova, direito à apreciação da prova e direito à impugnação da prova, desenvolvemse, assim, paritária e dialeticamente, ocupando ambas as partes (contribuinte e Administração fiscal) uma posição 1 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 460 7 igual na instrução do processo e apresentando as suas razões em termos de controvérsia formal, mediante atos obrigatoriamente fundamentados, que ensejam a exposição do ponto de vista contrário".2 (grifos nossos) Além disso, segundo o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".3 No que se refere à aplicação dessa regra ao processo administrativo fiscal, a doutrina afirma: "Como regra geral, cabe àquele que pleiteia um direito provar os fatos, sendo facultada a outra parte reagir à pretensão e infirmála com novas provas. Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, se quer saber quem cabe a obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento do julgador. (...) Para o exercício desses direitos e garantias fundamentais, é necessário assegurar o acesso aos interessados à informação dos atos processuais e possibilitar a reação contra os desfavoráveis, ou seja, uma vez informada sobre o ato lesivo a seu interesse, é facultado à parte contrária o direito ao contraditório. No processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes"4. No presente caso, como já relatado, a decisão recorrida entendeu que a compensação não poderia ser homologada, em razão da ausência de liquidez e certeza do direito de crédito, pois, segundo a decisão recorrida, a Recorrente teria deixado de apresentar um conjunto probatório robusto do alegado direito. Essa apontada ausência de direito de crédito foi corroborada pelo relatório fiscal que, realizando uma série de glosas em créditos apurados pela Recorrente sob o regime nãocumulativo da PIS/COFINS, concluiu que o saldo credor considerado pela Recorrente, na realidade, era menor, sendo devido o pagamento realizado pela Recorrente a título de PIS no 2 Xavier. Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. 2ª Edição. Rio de Janeiro. Forense. 2001. p. 319. 3 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. 4 "Aspectos Formais e Materiais no Direito Probatório". Marcos Vinicius Neder. In "A Prova no processo tributário". São Paulo. Ed. Dialética. 2010. p. 19. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 8 mês de dezembro de 2004, o que fulminaria sua alegação de pagamento indevido e o direito de crédito. Contra tais conclusões, a Recorrente não teceu qualquer comentário. Mesmo tendo sido intimada do relatório fiscal e do prazo de 30 (trinta) dias para apresentar manifestação a respeito, a Recorrente permaneceu silente, não aproveitando a oportunidade de audiência para expor o fundamento legal do seu direito de crédito e de fazer prova a seu favor. Nesse cenário, tendo a autoridade fiscal demonstrado os motivos e fundamentos da exigência fiscal, entendo que caberia à Recorrente apresentar as razões de fato e de direito que dessem suporte à utilização dos créditos glosados, com o detalhamento de cada uma das contas contábeis glosadas, as notas fiscais correspondentes, a descrição do processo produtivo de cada estabelecimento, a vinculação entre as aquisições de bens e serviços e o respectivo processo produtivo de cada estabelecimento, para fins de demonstração de eventual pertinência/essencialidade do insumo em relação ao respectivo processo produtivo (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19/05/2015), o fundamento legal para a utilização do crédito em cada caso, dentre outras informações e documentos que lhe fossem úteis para infirmar as conclusões do relatório fiscal. Em caso similar ao aqui tratado, este Conselho manifestou entendimento, no sentido de que é "do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel", como se confere pela ementa e voto a seguir transcritos. Ementa: "(...) Na realidade em exame, em que pese a designação de alguns serviços indicar a possibilidade de adequação de sua natureza à de insumo segundo o regime da nãocumulatividade, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. (...)" Trecho do Voto do Relator: "Com efeito, os autos carecem de indicativo quanto às correspondentes notas fiscais de aquisição dos serviços ou eventuais elementos de conteúdo técnico suficientes para subsidiar a análise no que concerne à sua quantificação ou mesmo à subsunção ao conceito de insumo, ou seja, o bem ou serviço necessário ao processo produtivo da recorrente. Com efeito, diferentemente da fiscalização, que elencou os serviços glosados (anexo I fls. 301/304), o sujeito passivo não cuidou de indicar as correspondentes notas fiscais alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na apuração do crédito, cuja descrição da transação poderia trazer elementos mais esclarecedores para a sua eventual consideração como insumo. Muito menos laborou em trazer um demonstrativo que quantificasse o correspondente montante, necessário para um exame pontual dos itens nos quais se baseara. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10665.900330/200983 Acórdão n.º 3401003.053 S3C4T1 Fl. 461 9 Tais elementos, com efeito, deveriam ter sido colacionadas aos autos pela interessada, o que afirmo com esteio no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, diante da imprecisão da peça de defesa e da deficiência probatória, não vejo outra saída senão rejeitar os argumentos da suplicante". (Processo nº 13971.001498/200513; Acórdão nº 3802004.257; 2ª Turma Especial da 3ª Sessão de Julgamento; Sessão de 19/03/2015; Recorrente: Buettner S.A. Indústria e Comércio; Recorrida Fazenda Nacional; Relator: Francisco José Barroso Rios) Portanto, ante o exposto, a ausência de manifestação da Recorrente, impugnando o relatório de diligência fiscal, somada à inexistência de outras informações e documentos nos autos que porventura pudessem justificar a utilização dos créditos, implicam a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Relator AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03 /03/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 10980.724662/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
APRECIAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF tem competência para apreciar procedimentos compensatórios efetuados pelos contribuintes, desde que esta matéria tenha sido tratada em primeira instância no bojo de processo de pedido de compensação ou em lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF tem competência para apreciar procedimentos compensatórios efetuados pelos contribuintes, desde que esta matéria tenha sido tratada em primeira instância no bojo de processo de pedido de compensação ou em lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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INEXISTÊNCIA. Não ocorreu na espécie a suspensão da exigibilidade das contribuições lançadas em razão do sujeito passivo haver ingressado em juízo com o propósito de afastar os lançamentos decorrentes de glosa de compensação, posto que nem houve decisão liminar acolhendo seu pleito, nem depósito do valor integral do crédito discutido judicialmente. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE TÍTULOS DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais, como é o caso dos valores decorrentes de apólices da dívida externa. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 62 /2 01 1- 05 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF tem competência para apreciar procedimentos compensatórios efetuados pelos contribuintes, desde que esta matéria tenha sido tratada em primeira instância no bojo de processo de pedido de compensação ou em lançamento decorrente de glosas de compensações indevidas. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 414 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 06 41.055 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Curitiba (PR), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração – AI a seguir: a) AI n.º 51.002.4270: exigência das contribuições patronais decorrentes de glosas de compensação; b) AI n.º 51.002.4300: aplicação de multa em razão de declaração indevida de créditos compensáveis, no patamar de 150% sobre os valores indevidamente compensados. Nos termos do Relato Fiscal, a INEPAR efetuou compensação de contribuições previdenciárias devidas nas competências 01/2007 a 13/2009 diretamente com títulos da dívida pública do Estado do Rio de Janeiro, emitidos em 1927. Afirma que é de conhecimento notório que esses títulos não se prestam para compensação de tributos federais, tendo ficado caracterizado o caráter doloso do procedimento adotado pela empresa para deixar de recolher as contribuições lançadas. O fisco afirma ainda que após o início do procedimento fiscal a empresa ajuizou ação judicial objetivando a suspensão da exigibilidade de créditos decorrentes de glosas de compensação no período de 12/2008 a 03/2011, a qual teve o pedido de liminar indeferido. Mencionase ainda que a empresa informou haver desistido da compensação para o período de 01/2007 a 11/2008, para inclusão dos valores devidos em parcelamento especial, todavia, não houve a comprovação da consolidação dessa parcela na moratória mencionada. Cientificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação na qual postula a nulidade das lavraturas, haja vista que a empresa não cometeu as ilicitudes ali apontadas. Advoga que o fisco partiu de premissas equivocadas para construir o seu raciocínio acerca do suposto ilícito tributário apontado nos AI. Assevera que ajuizou ação visando à declaração da justeza do procedimento compensatório levado a efeito, onde relaciona todos os tributos confessados e extintos pela compensação. Nesse sentido, enquanto pendente de julgamento a referida ação, falta ao fisco interesse de agir, uma vez que a discussão dos débitos já se encontra em juízo. Sustenta que o art. 374 do Código Civil autoriza a possibilidade de pagamento de quaisquer tributos através de ativos financeiros oriundos da dívida pública. Defende que a multa por declaração falsa de compensação é arbitrária, configurandose em penalidade contra ato lícito praticado por contribuinte de boa fé, que busca Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 o reconhecimento do seu direito de compensação perante demanda administrativa e também na esfera judicial. Pede que se reconheça a inconstitucionalidade das multas exorbitantes e aplicadas de forma cumulativa e ainda que se reduzam os juros aplicados, posto que a taxa Selic não se presta para fins tributários. Aduz que os agentes do fisco não podem exigir tributos que sabem que não são devidos, sob pena de sofrerem as sanção prevista no § 1.º do art. 316 do Código Penal. Defende que a compensação foi efetuada com base em Apólice da Dívida Externa representativa de empréstimo contraído pelo Estado, que tem contornos de certeza e liquidez, sendo possível sua compensação com tributos. Advoga que a taxa de juros Selic não pode ser utilizada para fins tributários. Ao final, requereu a declaração de improcedência as lavraturas. Na decisão de primeira instância, os lançamentos foram mantidos na íntegra. Acerca da compensação realizada nas competências 12 e 13/2008, a DRJ entendeu que não caberia apreciar os argumentos defensórios em razão da concomitância destes com as questões levadas ao judiciário pelo sujeito passivo na ação n.º 33158.80.2011.4.01.3400. Não se acatou a afirmação de que a exigibilidade dessas duas competências estaria suspensa em razão da ação judicial proposta. Entendeuse que a mera interposição de ação ordinária, desacompanhada de depósito judicial do montante integral do débito lançado ou sem a concessão de liminar/tutela antecipada, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, Passase, então, a analisar apenas a discussão acerca da validade do lançamento para as competências de 01/2007 a 11/2008. Foi afastado o argumento de que a compensação das contribuições com títulos da dívida pública teria amparo no art. 374 do Código Civil. Segundo a decisão este dispositivo encontrase revogado e a compensação tributária deve observar as normas do CTN e a legislação previdenciária. Conclui que não há permissivo legal para que eventual crédito oriundo de título da dívida pública pertencente à impugnante possa ser utilizado na compensação de contribuições previdenciárias devidas pela empresa, já que não se trata de crédito de natureza previdenciária recolhido indevidamente, aliás, nem ao menos se trata de crédito tributário. De outra banda, afirmase que as contribuições lançadas, por não terem sido declaradas em GFIP até a data limite para sua inclusão no parcelamento especial da Lei n.º 11.941/2009, podem sim ser exigidas, não havendo causa de suspensão da sua exigibilidade. Concluise ainda que de fato a empresa incorreu em falsidade ao declarar na GFIP créditos que sabidamente não são passíveis de compensação com contribuições previdenciárias. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 415 5 Não foi enfrentado o argumento de inconstitucionalidade da taxa Selic e das multas aplicadas, por se entender que esta matéria não estaria na competência dos órgãos de julgamento administrativo. Inconformado com essa decisão, o sujeito passivo apresentou recurso, no qual requer a reforma da decisão do órgão de julgamento da RFB. Além das teses apresentadas na defesa, o sujeito passivo suscita, com base em jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, a incompetência do CARF para apreciar pedido de compensação tributária com apólices da dívida pública. É relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Compensação incompetência do CARF Baseado em decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes, a recorrente busca demonstrar que o CARF não teria competência para se pronunciar acerca de compensação de tributos com títulos da dívida pública. Essa afirmação é em parte verdadeira, mas não aplicável ao caso sob apreciação. Explico. Quando durante o procedimento fiscal a autoridade lançadora verifica a existência de contribuições não recolhidas, sem que o sujeito passivo tenha declarado qualquer compensação com créditos de sua propriedade, o fundamento do lançamento será obviamente a infração de não recolher os tributos devidos no prazo legal. Nesses casos, quando o contribuinte, em seu recurso, alega a existência de créditos para com a Fazenda para liquidar a dívida, verificase que nasce ali um pedido de compensação, o qual induvidosamente não deve ser apreciado pelo tribunal de segunda instância, posto que não se encontra em sua competência a apreciação desse tipo de pleito, antes que seja levado à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Existindo créditos compensáveis, o sujeito passivo deve inicialmente submeter o pedido de compensação a unidade da RFB que lhe jurisdiciona e, em caso de negativa, tem a faculdade de provocar o contencioso fiscal mediante manifestação de inconformidade, a qual será apreciada em primeira instância pela DRJ, com possibilidade de recurso ao CARF. Todavia, quando o lançamento já tem como fundamento glosas de compensações que o fisco entendeu indevidas, caso à discussão chegue ao CARF, este tem autorização legal para apreciar as razões do contribuinte, inclusive sobre a justeza de seu procedimento compensatório, posto que aí, como é o caso dos autos, na verdade o tribunal vai decidir sobre recurso tratando de lavratura efetuada em razão de suposta compensação indevida, cuja discussão sobre o procedimento compensatório decorre do próprio lançamento questionado na peça recursal. De se concluir que o CARF não tem competência para tratar de pedido inaugural de compensação, mas dispõe de autorização legal para julgar em segunda instância demandas decorrentes de negativa da administração sobre esse tipo de pedido, bem como os Fl. 418DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 416 7 recursos contra decisões das DRJ que mantenham lançamentos fundamentados em glosas de compensação. Essas conclusões têm como base legal o Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 : Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verificase assim que cabe ao CARF o julgamento de recursos voluntários contra decisões que envolvam compensação, todavia, refoge a sua competência a apreciação de pedidos inaugurais de encontro de contas entre o contribuinte e o fisco. Concomitância Embora tenha concluído que o CARF tem competência para julgar a presente lide, não devo avançar na apreciação da compensação. É que o sujeito passivo, como ele próprio admite em seu recurso, renunciou à discussão administrativa dessa questão, posto que ingressou logo após o início do procedimento fiscal com ação judicial contendo o mesmo objeto. Nesse sentido, abstenhome de lançar pronunciamento sobre esses pontos do recurso, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Por outro lado, verificase que inexiste qualquer provimento judicial no sentido de suspender a exigibilidade das contribuições para as competências envolvidas no lançamento, nem se observa a existência de depósitos judiciais dos tributos. De se concluir que as contribuições correspondentes são claramente exigíveis. Falsidade na declaração de compensação multa A recorrente contrapôsse às conclusões do fisco acerca da existência de sua suposta conduta fraudulenta, por entender que a compensação indevida, por si só, não caracteriza a fraude, principalmente tendose em conta que a empresa declarou os fatos geradores na GFIP. Pelo seu raciocínio somente caberia a aplicação da multa isolada caso o Fl. 419DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 fisco demonstrasse que a empresa houvera lançado mão de documentos ou declarações falsos com intuito de ludibriar o fisco. Conforme relatado, a empresa afirmou que os valores compensados referem se a apólices da dívida pública, os quais teriam os atributos de certeza e liquidez necessários para efetuar as compensações com as contribuições sociais. Diferentemente, pelo raciocínio da autoridade lançadora, os Títulos da Dívida Pública Externa Brasileira, emitidos no início do século passado, não podem ser utilizados para compensação de contribuições previdenciárias, visto que tais créditos têm natureza financeira, não podendo ser considerados tributos nem contribuições e tampouco são administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo que tal compensação vai de encontro às previsões constantes na Lei nº 9.430/96 e, em especial, ao disposto na Lei nº 8.212/91. O órgão de primeira instância manteve o entendimento da auditoria, concluindo que os supostos créditos mencionados na impugnação não eram compensáveis com contribuições sociais e que a empresa teria praticado a conduta dolosa de declarar na compensação créditos que sabidamente não se prestavam para este fim. Tentando afastar a multa isolada, a empresa alegou em seu recurso que não se trata de ilícito, posto que tais compensações foram realizadas de forma legal, aduzindo ainda que não há dolo no fato de ter postulado judicialmente o direito à compensação, além de que declarou os créditos na GFIP. Iniciemos pela análise do dispositivo legal utilizado pelo fisco para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 417 9 Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que saiba não se prestarem a compensar contribuições previdenciárias, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Vejase que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre os valores indevidamente compensados. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo. Pois bem, no caso sob apreciação, mesmo tendose em conta que a empresa apresentou a declaração dos fatos geradores, é clara a ocorrência de falsidade de declaração no campo compensação, posto que o sujeito passivo inseriu valores que sabidamente não se prestavam para quitar as contribuições devidas. Penso que tem razão a Delegacia de Julgamento da RFB. Enxergo motivo para concluir que a empresa valeuse de ardil para tentar livrarse do pagamento das contribuições. É esse entendimento que tem prevalecido na jurisprudência do CARF, como se pode ver do Acórdão n.º 2401003.787, de 03/12/2014, dessa turma de julgamento, onde por unanimidade negouse provimento ao recurso do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2012 FALTA DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO CONSTITUÍDO. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O indeferimento de pedido de intimação dos atos processuais no endereço do advogado constituído não representa causa de nulidade, posto que inexiste na legislação processual aplicável aos tributos federais previsão neste sentido. REQUERIMENTO PARA JUNTADA DE NOVAS PROVAS E PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA O DESLINDE DA CAUSA. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento para a realização de perícia técnica e para juntada de outros documentos quando as providências não se mostrarem úteis para a solução da lide. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea somente pode ser acolhida se o sujeito passivo saneou a infração antes de qualquer procedimento fiscalizatório relacionado ao ilícito administrativo praticado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2012 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE TÍTULOS DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA E COM CRÉDITOS DE RETENÇÕES NÃO COMPROVADAS. IMPOSIÇÃO DE MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 418 11 O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais ou inexistentes, como é o caso dos valores decorrentes de títulos da dívida externa brasileira e de créditos de retenções não comprovadas. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. Recurso Voluntário Negado. Neste sentido, sintome plenamente confortável para concluir com base nos elementos constantes nos autos que a empresa utilizouse do artifício de inserir declaração falsa na GFIP para deixar de recolher as contribuições lançadas. Justificase, assim, a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. Inconstitucionalidade das multas Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade das multas aplicadas, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que os lançamentos das multas por descumprimento de obrigação de pagar o tributo e por declaração falsa de compensação são operações vinculadas, que não comportam emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da suas quantificações pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar as multas no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo e de declaração de compensação falsa aplicou as multas nos patamares fixados na legislação, conforme muito bem demonstrado no relatório fiscal e anexos. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que também já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724662/201105 Acórdão n.º 2402004.899 S2C4T2 Fl. 419 13 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Devem, portanto, ser mantidos os juros aplicados no lançamento. Conclusão Voto por conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida afastar a preliminar de incompetência do CARF e, no mérito, por negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721118/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO.
Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real.
Numero da decisão: 1201-001.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum (Vice-presidente).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum (Vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0244.242, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte MG. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 393 e ss.): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 11 18 /2 01 3- 02 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 3 2 I Dos Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante os autos de infração de fls. 3 a 46, foi lançado o valor de R$ 14.345.460,25, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributos decorrentes, sob o seguinte fundamento: “Arbitramento que se faz tendo em vista que a escrituração apresentada pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que a ECD (Escrituração Contábil Digital) foi transmitida via SPED e autenticada na Junta Comercial com diversas inconsistências, conforme declaração prestada pela própria empresa.” O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 48 a 53, acompanhado dos anexos de fls. 54 a 125, apresenta histórico dos procedimentos fiscais, considerações sobre os fatos constatados e legislação aplicável. II Da Impugnação A empresa apresenta sua impugnação, de fls. 236 a 275, acompanhada dos documentos de fls. 276 a 358, argumentando: “Improcedência dos autos de infração: o arbitramento é medida extrema e mais gravosa. Inexistência de pressupostos para a sua aplicação no caso analisado. A autoridade fiscal não empreendeu todos os seus esforços na busca do lucro real efetivamente auferido pela impugnante. O arbitramento não pode ser utilizado como penalidade pelo fato de o SPED apresentar irregularidades. A não apresentação da escrituração digital (na forma e prazos previstos na legislação) deixou de ser causa direta de arbitramento do lucro. A entrega do SPED em desconformidade com a legislação enseja a aplicação de multa e não, necessariamente, o arbitramento. Argumento sucessivo: na eventualidade de se admitir o SPED como único parâmetro para a apuração do lucro tributável da impugnante, as inconsistências nele apontadas não são suficientes para respaldar o arbitramento. Nulidade dos autos de infração de PIS e COFINS: as receitas de venda de motocicletas, peças e acessórios estão submetidas à substituição tributária e/ou regime monofásico.” Complementa que foi apresentada à fiscalização toda a documentação solicitada, que, no seu entendimento, possibilitaria a apuração correta do Lucro Real. Entende ainda que a fiscalização não apontou ausência de registro de eventos relevantes, e sim mera inobservância das “regras técnicas” de tributação. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 4 3 Assinala, ainda, que, sob qualquer hipótese, deveria terlhe sido concedido prazo para saneamento das incorreções ou proceder à apuração do crédito tributário com esteio nos documentos/livros/arquivos apresentados. Com relação aos valores utilizados como base de cálculo, argumenta que não teve acesso à resposta entregue pelo Banco Itaucard S.A e que tal resposta não consta dos autos. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 415 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme informado no termo de verificação fiscal (TVF), a autoridade tributária inicialmente intimou a fiscalizada a apresentar o “demonstrativo mensal de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ e informações contábeis em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital MANAD Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRR n° 12 de 20/06/2006”. A fiscalizada apresentou, de pronto, o demonstrativo de apuração mensal do IRPJ e, após, as informações contábeis em meio digital. Durante a ação fiscal a fiscalizada informou haver apresentado a escrituração contábil digital (ECD) via sistema público de escrituração digital (SPED). Posteriormente, solicitou à autoridade fiscal que considerasse em seus trabalhos de auditoria a escrituração a ele apresentada, uma vez que os arquivos enviados ao SPED não representariam corretamente a escrituração contábil da empresa. A autoridade, entretanto, não atendeu a solicitação da contribuinte. Argumentou que a escrituração enviada ao SPED e regularmente autenticada pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, é aquela que produz efeitos legais. A fiscalização concluiu, então, pelo arbitramento do lucro, conforme trecho do TVF a seguir transcrito (fl. 50): Dessa forma, desde o início da fiscalização em 01/02/12, a empresa poderia ter retificado ou substituído sua contabilidade transmitida via SPED, pela apresentada no formato instituído Fl. 520DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 5 4 pela Instrução Normativa SRP número 12//2006 (MANAD), mas não o fez; ao contrário, a que foi autenticada em 09/08/12 é aquela que a empresa diz que apresenta inconsistências e que afirma não representar corretamente a escrituração contábil da empresa à época (grifo nosso). Pelo exposto, uma vez que a própria empresa afirmou que a contabilidade transmitida via SPED não representa corretamente a sua escrituração contábil, concluise que a forma correta de se proceder à apuração do lucro da empresa no período não pode ser evidentemente a adoção de uma contabilidade paralela, e sim o arbitramento do lucro da empresa conforme previsto no artigo 530, inciso II, do Decreto n° 3000, de 26/03/99, in verbis:” Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (...) Pois bem, compulsandose os autos do processo é possível verificar que a fiscalizada afirmou o seguinte acerca da escrituração transmitida ao SPED (fl. 151): Em atendimento ao referido Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte vem solicitar que sejam desconsiderados os arquivos transmitidos via SPED Sistema Público de Escrituração Digital, em 09/07/2009, tendo em vista que estes arquivos não representam corretamente a escrituração contábil da empresa à época. Tendo em vista que foi o primeiro ano que a empresa enviou a escrituração digital naquele formato, houve diversas inconsistências devido aos problemas técnicos do sistema e a dificuldade na conversão dos arquivos contábeis. Pelo exposto, a contribuinte solicita que os procedimentos de fiscalização sejam realizados nos arquivos contábeis já apresentados em 30/03/2012. (...) Ocorre que a confissão de que os arquivos transmitidos ao SPED não representam corretamente a escrituração da empresa não autoriza concluirse que, Fl. 521DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 6 5 necessariamente, essa escrituração seja imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou para determinar o lucro real. Em outras palavras, não há uma relação necessária entre os vícios, erros ou deficiências genericamente confessados pela fiscalizada, e a imprestabilidade da escrita. Em assim sendo, caberia ao auditor comprovar esta relação, demonstrando assim a imprestabilidade da escrituração do sujeito passivo. A autoridade, entretanto, não o fez. Realmente, sobre a suposta imprestabilidade da escrita enviada ao SPED o auditor afirma apenas o seguinte em seu TVF (fls. 49/50): Analisando os referidos arquivos, foram verificados alguns lançamentos feitos em desacordo com as normas contábeis. Constatouse, por exemplo, que a conta Duplicatas a Receber, código 1121107001, de natureza devedora, apresentou saldo credor (grifo nosso) no período de 26/08/08 a 25/09/08. Em 26/09/08, foi efetuado um lançamento de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), a débito da conta duplicata a receber e a crédito de diversas outras contas, ao que tudo indica para que a conta voltasse a ter saldo devedor. Por meio do Termo de Intimação Fiscal de nº 08, datado de 24/09/12, com ciência do contribuinte em 25/09/12, foram solicitados esclarecimentos relacionados a alguns lançamentos contábeis, dentre os quais o acima referido. Em resposta, o contribuinte solicitou que fossem desconsiderados os arquivos transmitidos via SPED, em 09/07/09, tendo em vista que estes arquivos não representam corretamente a escrituração contábil da empresa à época (grifo nosso). Informou, também, que a escrituração enviada no formato SPED apresentou diversas inconsistências devido a problemas técnicos do sistema e à dificuldade na conversão dos arquivos contábeis. Por fim, solicitou que os procedimentos de fiscalização fossem realizados nos arquivos contábeis apresentados em 30/30/2012. (sic) Todavia, a falta de explicação por parte da contribuinte sobre o lançamento contábil acima referido, bem como sobre os demais lançamentos contábeis indicados no citado termo de intimação fiscal nº 08, de forma alguma ensejaria, por si só, a conclusão de imprestabilidade da escrita. Aliás, nenhum desses registros contábeis foi considerado pela fiscalização como omissão de receita ou qualquer outra infração sujeita a lançamento de ofício. De fato, o arbitramento levou em conta apenas a receita informada pela contribuinte. Assim, não comprovada a imprestabilidade da escrita enviada ao SPED, cai por terra o arbitramento do lucro. 3) DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS O que foi dito no item anterior sobre o IRPJ vale igualmente para a CSLL. Em relação à contribuição para o PIS e à Cofins, como não foi apurada omissão de receita, Fl. 522DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.227 S1C2T1 Fl. 7 6 nada há o que se exigir. Ademais, afastado o arbitramento, a exigência, acaso existente, deveria observar o sistema nãocumulativo. 4) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 523DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11251.000057/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2003
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT
É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito pacificada do STJ.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE.
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ.
FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.424/96
O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91.
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula nº 732- 26/11/2003 -DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de 10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito pacificada do STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.424/96 O SalárioEducação previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 57 /2 00 9- 10 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 9.424/96. STF Súmula nº 732 26/11/2003 DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de 10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 277 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 156 e seguintes). A NFLD corresponde às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e aos "Terceiros", incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e de contribuintes individuais. Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso de fls. 164 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: a empresa não apresentou lucros no período, de sorte que não podem incidir contribuições que exigem a ocorrência de lucro; ilegalidade e inconstitucionalidade da fixação do grau de risco para fins de apuração do SAT por Decreto; inconstitucionalidade da contribuição para o salárioeducação. Referidas vedações constitucionais também se estendem ao INCRA, ao SEBRAE e demais contribuições para terceiros; há incidência de juros e multas acima do permissivo legal. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Contribuições sobre o lucro. Alega a recorrente que a empresa não apresentou lucros no período, de sorte que não podem incidir contribuições que exigem a ocorrência de lucro. Ocorre que, como visto, a NFLD corresponde às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e aos "Terceiros", incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e de contrbuintes individuais. Portanto, o inconformismo da recorrente não encontra respaldo na realidade dos autos. Inconstitucionalidade e ilegalidade das exações e dos acréscimos legais. Todas as demais alegações da recorrente baseiamse em aspectos de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das disposições legais relativas às exações e respectivos aspectos legais (SAT por Decreto; contribuição para o salárioeducação, INCRA, SEBRAE e demais terceiros; além da há incidência de juros e multas acima do permissivo legal). Cumpre ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 278 5 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária (vide ainda artigo 62 do RICARF). Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, apenas para não que não pairem dúvida quanto à legitimidade do lançamento e mesmo para que se tenha uma abordagem da questão levantada pela recorrente, mas sob a ótica da legalidade, o tema será tratado no presente voto. SAT. Quanto ao argumento da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho, cumpre ressaltar que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II, da Lei n° 8.212/91, alterada pela Lei no. 9.732/1998. Portanto, não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade estrita (artigo 97 do CTN e artigo 150, I, da CF), como alega a recorrente Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. O art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, por sua vez, regulamenta o dispositivo acima transcrito Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 279 7 correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3o e 5o. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Não há qualquer ilegalidade pelo fato de o Decreto definir os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", pois a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. O Superior Tribunal de Justiça, há tempos, já pacificou a questão: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." (REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira) Portanto, não merece prosperar o inconformismo da recorrente. INCRA. Alega ainda a recorrente a ilegitimidade da cobrança da contribuição ao INCRA. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 280 9 efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. SalárioEducação. Também alega a recorrente a ilegalidade da cobrança do salárioeducação. Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, o salárioeducação é uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. A contribuição social do salárioeducação está prevista no artigo 212, § 5º da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos) Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 281 11 São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tal qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, sociedade de economia mista, empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo poder público, nos termos do § 2º, art. 173 da Constituição, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999. Art.1o A contribuição social do salárioeducação obedecerá aos mesmos prazos, condições e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE sobre a matéria. Parágrafo único. O contribuinte do salárioeducação sujeitar seá às mesmas sanções administrativas e penais previstas na legislação previdenciária, nos moldes do caput deste artigo. Art.2o A contribuição social do salárioeducação, prevista no art. 212, §5o, da Constituição e devida pelas empresas, será calculada com base na alíquota de dois inteiros e cinco décimos por cento, incidente sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, ressalvadas as exceções legais. §1o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do salárioeducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. §2o Considerase entidade pública, para os efeitos deste Decreto, a sociedade de economia mista, a empresa pública, bem assim as demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2o, da Constituição. §3o Para fins da contribuição social do salárioeducação, são considerados como empregados os seguintes segurados obrigatórios da Seguridade Social: I Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; II Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; III O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; IV Aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o nãobrasileiro sem residência permanente no Brasil Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; V O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. §4o A alíquota reduzida da contribuição social do salário educação, incidente sobre a remuneração dos empregados contratados por prazo determinado, nos termos do inciso I do art. 2o da Lei no 9.601, de 21 de janeiro de 1998, é de um inteiro e vinte e cinco centésimos por cento. Art.3o Estão isentas do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, inclusive no que se refere à remuneração paga aos servidores públicos ocupantes de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, autarquias, inclusive em regime especial, e fundações públicas federais; II As instituições públicas de ensino de qualquer grau, conforme norma regulamentar expedida pelo Ministério da Educação; III As escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, que sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IV As organizações de fins culturais, que tenham sido reconhecidas nos termos dos Decretos no76.923, de 26 de dezembro de 1975, e no87.043, de 22 de março de 1982; V As organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) sejam reconhecidas como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; c) promovam, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, ao órgão do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Parágrafo único. A pessoa jurídica optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES está isenta do pagamento da contribuição social do salário educação, nos termos do art. 3o, §4o, da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 282 13 Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2º, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; Reiteradas alegações de inconstitucionalidade impeliram o Procurador Geral da Republica a ajuizar, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário da Justiça de 10/12/1999, pautou pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. ADC 3 / UF UNIÃO FEDERAL AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 01/12/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação : DJ 09052003 PP EMENTA: CONSTITUCIONAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, LEI 9.424/96. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO. DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. FORMAL: LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212 DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA DE REDAÇÃO PELO SENADO. EMENDA QUE Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 14 NÃO ALTEROU A PROPOSIÇÃO JURÍDICA. FOLHA DE SALÁRIOS REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES. QUESTÃO INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO. CABIMENTO DA ANÁLISE PELO TRIBUNAL EM FACE DA NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE IMPOSTOS. NÃO SE TRATA DE OUTRA FONTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO DEFINE A FINALIDADE: FINANCIAMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E O SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIIÇÃO: AS EMPRESAS. NÃO RESTA DÚVIDA. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI AMPLAMENTE DEMONSTRADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE QUE SE JULGA PROCEDENTE, COM EFEITOS EXTUNC. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação revelase, pois, perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, nocauteando de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse ser suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante. SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. O Verbete da Sumula nº 732 do STF atira a última pá de cal sobre qualquer ainda possível alegação de inconstitucionalidade da contribuição social do Salário Educação, fechando definitivamente o esquife. Nesse contexto, estando as entidades públicas ou privadas, com fins lucrativos ou não, arroladas no art. 15 da Lei nº 9.424/96, na forma de seu Regulamento e não expressamente excluídas da hipótese de incidência neste prevista, impõese reconhecer que tais entidades são contribuintes da contribuição social a ser vertida ao Salário Educação. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11251.000057/200910 Acórdão n.º 2401003.950 S2C4T1 Fl. 283 15 Multa. Alega a recorrente que as multas encontramse acima do permissivo legal. Todavia, do anexo FLD (Fundamentos Legais do Débito (fls. 29 e seguintes), constato o devido equandramento na legislação vigente à época dos fatos geradores (artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99), não assistindo razão, portanto, à recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10980.720277/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego.
CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA.
A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988.
Numero da decisão: 2101-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no contexto da rescisão da relação de trabalho. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por dar provimento em parte ao recurso, em maior extensão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(assinatura digital)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinatura digital)
MARIA CLECI COTI MARTINS- Relatora.
(assinatura digital)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator ad hoc.designado.
EDITADO EM: 18/08/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEAO).
Nome do relator: Rodrigo Santos Masset Lacombe
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no contexto da rescisão da relação de trabalho. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por dar provimento em parte ao recurso, em maior extensão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinatura digital) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinatura digital) MARIA CLECI COTI MARTINS- Relatora. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator ad hoc.designado. EDITADO EM: 18/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEAO).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 95 1 94 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.720277/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.547 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2014 Matéria IRPF Recorrente MYRON MIGUEL STOROZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exigese desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda, eis que não excepcionadas pelo artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no contexto da rescisão da relação de trabalho. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por dar provimento em parte ao recurso, em maior extensão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 02 77 /2 00 8- 85 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinatura digital) MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator ad hoc.designado. EDITADO EM: 18/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEAO). Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão de Impugnação 06.31.344 da 4a. Turma da DRJ/CTA que manteve em parte o crédito tributário devido, no valor de R$ 59.279,92 mais os acréscimos legais. O contribuinte foi cientificado do Acórdão de Impugnação em 20/05/2012. Apresentou Recurso Voluntário em 22/06/2012. Em sua fundamentação o contribuinte apresenta um resumo geral dos cálculos, da forma como entende, e repisa os argumentos da impugnação no que concerne a revisão da classificação dos valores lançados em tributáveis/isentos/não tributáveis. Argumenta que a orientação jurisprudencial majoritária assevera que o imposto de renda não incide sobre juros de mora e correção monetária, aviso prévio, FGTS, multa devida pela despedida involuntária. Requer a revisão do julgado no que concerne a verbas não tributáveis recebidas; isenção das multas e a reforma da decisão, considerando totalmente improcedente o lançamento. Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. No acórdão de impugnação foram discriminadas todas as verbas recebidas da forma como solicitado pelo contribuinte. Convém esclarecer que o valor final repassado ao reclamante na ação trabalhista é a quantia líquida após todos os descontos. Entretanto, indiretamente, outros valores foram pagos ao contribuinte, como por exemplo, IRRF, INSS. Esses valores também fazem parte do quantum recebido na ação judicial e devem ser considerados para efeitos de tributação. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Acórdão n.º 2101002.547 S2C1T1 Fl. 96 3 Tendo em vista tratarse de reclamatória trabalhista em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, entendo que devese fazer a tributação dos rendimentos acumulados recebidos de acordo com o regime de competência, conforme jurisprudência do STJ a seguir. RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.429 SP (2009/00557226) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : VALDIR FLORENTINO DOS SANTOS ADVOGADO : DAZIO VASCONCELOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Observase que, muito embora o recurso acima se refira a benefícios previdenciários, não há razão para que se faça diferença entre benefícios previdenciários recebidos acumuladamente e rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista. Conforme informação de fls.23, a ação trabalhista envolve verbas rescisórias, e, portanto, aplicável a decisão do REsp Nº 1.227.133 RS, que exclui da tributação os juros moratórios . EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133 RS (2010/02302098) RELATOR : MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMBARGADO : ROGIS MARQUES REIS ADVOGADOS : CARLOS PAIVA GOLGO E OUTRO(S) EGÍDIO LUCCA FILHO E OUTRO(S) EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. – Havendo erro material na ementa do acórdão embargado,devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.– Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido."Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (grifei) Desta forma, voto por reconhecer que os valores recebidos acumuladamente na reclamatória trabalhista sejam tributados pelo regime de competência (conforme a jurisprudência do STJ acima) e também para excluir da base de cálculo do imposto o valor dos juros. Recurso parcialmente procedente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Acórdão n.º 2101002.547 S2C1T1 Fl. 97 5 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator AdHoc Fui designado, na forma de efl. 94, como Redator ad hoc para formalizar a presente decisão, uma vez que o então Redator designado, o exConselheiro Alexandre Naoki Nishioka, já não faz parte do Colegiado. A recorrente argumenta que os juros moratórios bem como a atualização monetária recebida não podem sofrer a incidência do imposto sobre a renda. Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no sentido de que tais rendimentos, a princípio, deveriam seguir a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...] Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros incidentes sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF. Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento de verbas no âmbito de rescisão do contrato de trabalho, consoante posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa da decisão cujo teor aqui se adota : PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não (grifei). Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...] Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Acórdão n.º 2101002.547 S2C1T1 Fl. 98 7 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...] 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (g.n.) Sendo assim, uma vez que o recebimento dos juros sob análise se deu no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, entendo, com fulcro na exceção acima disposta, que não há qualquer reparo a ser feito no que tange à necessidade de exclusão dos referidos juros da base de cálculo do lançamento, na forma já proposta pelo voto da Conselheira relatora. Todavia, divirjo aqui, com a devida vênia à Relatora, no que diz respeito à mencionada necessidade de aplicação do "regime de competência" mantendo, assim, meu posicionamento, já externado em outras ocasiões, no sentido de necessidade de aplicação do artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1988, que estipula que, no caso dos rendimentos recebidos de forma acumulada, o imposto sobre a renda incide, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos somente do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Afasto, aqui, a necessidade de observância mandatória ao disposto no REsp 1.118.429 com fulcro no art. 62A do Anexo II ao Regimento Interno deste CARF, por entender que se está, neste último Recurso Especial, a se tratar de recebimento de benefícios previdenciários de forma acumulada, situação que não guarda identidade fática com a situação sob análise, onde se está a tratar de percepção de rendimentos trabalhistas, ainda que também de forma acumulada. Finalmente, ressalto, a propósito, que a atualização monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas pelo contribuinte deve ser tributada pelo imposto sobre a renda, eis que não foi excepcionada pelo mesmo artigo 12 da Lei no. 7.713, de 1988,. Assim, ante o acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, no sentido de excluir da tributação tão somente os juros de mora recebidos, isentos, uma vez que recebidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, sendo de se respeitar o art. 12 da Lei n° 7.713, de 1988 para fins de definição do momento de tributação, definição de tabelas e alíquotas aplicáveis. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior – Redator ad hoc Designado Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 08/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13361.000136/92-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR — LANÇAMENTO — NULIDADE.
É nulo o lançamento, devendo assim ser declarado, que contenha
vício de forma, caracterizado pela ausência dos requisitos
estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.
Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Preliminar de nulidade acolhida.
Numero da decisão: CS RF/03-03.198
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, Declarar a nulidade do lançamento por vicio formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará declaração de voto.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
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'4> TERCEIRA TURMA Processo n° :13361.000136/92-18 Recurso n° : RP/201-0.357 Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Matéria I.T.R. Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : EXPEDITO ALVES DA SILVA Sessão de :20 DE AGOSTO DE 2001 Acórdão n° : CS RF/03-03.198 ITR — LANÇAMENTO — NULIDADE. É nulo o lançamento, devendo assim ser declarado, que contenha vício de forma, caracterizado pela ausência dos requisitos estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Preliminar de nulidade acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Fazenda Nacional ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, Declarar a nulidade do lançamento por vicio formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará declaração de voto. ON PEREs‘.- ifirr ' UES PRESIDENT./ PAULO ser: - - O CUCO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: 28 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELO'! DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLI. . • t • Processo n° : 13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Recurso n° : RP/201-0.357 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : EXPEDITO ALVES DA SILVA RELATÓRIO E VOTO Versa o presente litígio sobre a cobrança do ITR e Contribuições Sindicais, do exercício de 1992, sobre o imóvel denominado "LAGOA SECA", localizado no município de CAMPO MAIOR — Pl. A exigência em questão constitui-se pela Notificação de Lançamento acostada às fls. 02, a qual foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do chefe do órgão expedidor, nem tampouco de outro servidor autorizado a emitir tal documento. Levando em consideração o entendimento que já se tomou assente nesta Câmara Superior, com relação às Notificações emitidas em tais circunstâncias, passo diretamente à análise preliminar desta questão, sem me ater às razões de mérito que integram o Recurso Especial interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão n° 201-71.020, de 15/09/97, prolatado pela Colenda Primeira Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes. Em casos da mesma espécie, com relação à forma do lançamento efetuado, assim tenho me pronunciado em outros julgados: O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 11, determina: `Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV — a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único — Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." .01(110 2 • • Processo n° : 13361.000136192-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Percebe-se, portanto, que embora o parágrafo único do mencionado dispositivo legal dispense a assinatura da notificação de lançamento, quando emitida por processo eletrônico, é certo que não dispensa, contudo, a identificação do chefe do órgão ou do servidor autorizado, nem a indicação de seu cargo ou função e o número da respectiva matricula. Acompanho entendimento do nobre colega, Conselheiro lrineu Bianchi, da D. Terceira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, assentado em vários julgados da mesma natureza, que assim se manifesta: "A ausência de tal requisito essencial vulnera o ato, primeiro porque esbarra nas prescrições contidas no art. 142 e seu parágrafo, do Código Tributário Nacional e, segundo, porque revela a existência de vício formal, motivos estes que autorizam a decretação de nulidade da notificação em exame. Com efeito, segundo o art. 142, parágrafo único, do C77V, 'a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória...', entendendo-se que esta vincula ção refere-se não apenas aos fatos e seu enquadramento legal, mas também às normas procedimentais. Assim, o "ato deverá ser presidido pelo princípio da legalidade e ser praticado nos termos, forma, conteúdo e critérios determinados pela lei..." (MAIA, Man, Elbe Gomes Queiroz. Do lançamento tributário : Execução e controle. São Paulo : Dialética, 1999, p. 20). Para Paulo de Barros Carvalho, 'a vincula ção do ato administrativo, que, no fundo, é a vincula ção do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, imediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 372). Ou seja, o ato de lançamento deve ser executado nas hipóteses previstas em lei, por agente cuja competência foi nela estabelecida, em cumprimento às prescrições legais sobre a forma e o modo de como deverá revestir-se a exteriorização do ato, para a exigência de obrigação tributária expressa na lei. Assim sendo, a notificação de lançamento em análise, por não conter um dos requisitos essenciais, passa à margem do princípio da estrita legalidade e escapa dos rígidos limites da atividade vinculada, ficando ela passível de anulação. Outrossim, como ato administrativo que é, o lançamento deve apresentar-se revestido de todos os requisitos exigidos para os atos jurídicos em geral, quais sejam, ser praticado por agente capaz, referir-se a objeto lícito e ser praticado consoante forma prescrita ou não defesa em lei (art. 82, Código Civil), enquanto que o art. 145, 11, do mesmo diploma legal diz que é nulo o ato jurídico quando não revestir a forma prescrita em lei. 3 • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : C SRF/03-03.198 Para os casos de lançamento realizado por Auto de Infração, a SRF, através da Instrução Normativa n°94, de 24/12/97, determinou no art. 5°, inciso VI, que 'em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1996 (Código Tributário Nacional — CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante". Na seqüência, o art. 6° da mesma IN prescreve que `sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5°.° Posteriormente e em sintonia com os dispositivos legais apontados, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, em 3 de fevereiro de 1999, expediu o ADN COSIT n°2, que "dispõe sobre a nulidade de lançamentos que contiverem vício formal e sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto de lançamento declarado nulo por essa razão", assim dispondo em sua letra «a": 'Os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN SRF n°94, de 1997 — devem ser declarados nulos, de oficio, pela autoridade competente:" Infere-se dos termos dos diplomas retro citados, mas principalmente do ADN COSIT n° 2, que trata do lançamento, englobando o Auto de Infração e a Notificação, que é imperativa a declaração de nulidade do lançamento que contiver vício formal." Acrescento, outrossim, que tal entendimento encontra-se ratificado por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, que em recentes sessões, de 07/08 de maio do corrente ano, proferiu diversas decisões de igual sentido, como se pode constatar pela leitura dos Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de declarar, de oficio, a nulidade do referido lançamento e, conseqüentemente, todos os atos dele decorrentes. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2001 Pifita'ROE: CUCO ANTUNES 4 , , • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 - - DECLARAÇÃO DE VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA e. Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições a. acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... II - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de oficio, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto Processo n° : 13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matricula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 6 - • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. 7 • Processo n° :13361.000136(92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, toma-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matricula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 8 Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CS RF/03-03.198 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco - ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso — consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado." É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. 9 . - - Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n°70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 10 _ . Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. 11 Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. 12 - . • • • Processo n° :13361.000136/92-18 Acórdão n° : CSRF/03-03.198 Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 20 de agosto de 2001. - HENRIQU RADO MEGDA 13 Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1 _0051900.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.000480/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
REVISÃO DO LANÇAMENTO.
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.
Numero da decisão: 1401-001.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, REJEITAR a proposta de realização de diligência para certificar-se a respeito da falta de ciência de Termo de Intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários de forma individualizada. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. No mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é formalizada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015 na condição de Redator.
Participaram do julgamento os conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.420 1 3.419 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000480/200999 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1401001.407 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2015 Matéria LUCRO ARBITRADO Recorrente MONTE VERDE MERCANTIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 REVISÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, REJEITAR a proposta de realização de diligência para certificarse a respeito da falta de ciência de Termo de Intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários de forma individualizada. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. No mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é formalizada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015 na condição de Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 80 /2 00 9- 99 Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.421 2 Participaram do julgamento os conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso ofício interposto pelo presidente da 8ª Turma da DRJ/RJ1 contra acórdão que julgou procedente a Impugnação apresentada. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl 939 a 979 e Termo de Verificação Fiscal (fl. 889 a 938) foram apurados os fatos abaixo descritos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ARBITRAMENTO O Termo de Início foi enviado ao endereço da empresa, mas como houve mudança de endereço o referido termo foi devolvido.Então,os sócios Luiz Cláudio Ferreira Lima e Daniel Miguel Apolinaro, foram cientificados do mesmo. Eles informaram que não possuíamdocumentossolicitadosequenãoparticipavamdaadminist raçãodaempresa. Com base na Lei Complementar n° 105 e Decreto n° 3.724, de 10/01/2001 requereu se as instituições financeiras, documentos relativos às movimentações nas contas bancárias. FoisolicitadoocomparecimentodoSr.NicolauResstel,citado porLuizCláudio e Daniel como verdadeiro sócio da empresa. TambémfoisolicitadoocomparecimentodoSr.ChristianSilva Rupf,contadordacontribuinteinformadoemsuaDIPJ/04,anocalend ário2003(fl.41/42e90/125). Em03/04/2008foiafixadooEditaln°28/2008paraciênciadoM PFedoTermo de Início. A empresa, apesar de ser atacadista de café, ocupava somente imóveis administrativos e não possuía armazéns. Segundo seus procuradores (funcionários da Cafeeira Stockl), a fiscalizada fazia uso das instalações da Comercial de Café Stockl (Cafeeira Stockl) e dos Armazéns Gerais Stockl. Foram outorgadas procurações atribuindo plenos poderes aos outorgados para representaçãodacontribuinteMonteVerde,inclusive,permitindoab erturadecontasbancáriasesualivremovimentação financeira. Chama a atenção que os procuradores são pessoas com vínculos empregatícios com as empresas STOCKL, sendo um dos procuradores, a Sra. Eunice, cônjuge do Sr.Miguel Stockl um dos sócios das empresasS TOCKL. Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.422 3 As contas abertas e os responsáveis perante as instituições financeiras estão discriminados no quadro 02 (fl.894). No quadro 03 estão relacionados os procuradores e algumas referências a situação profissional e pessoal. Dos procuradores da Monte Verde perante as instituições financeiras, 2 (dois) são empregados da Cafeeira Stockl e 1 (um) é cônjuge de Miguel Stockl (sócio da Cafeeira Stockl), só Renata Resstel, a princípio, não tem relação com a Cafeeira Stockl. Os Sr. Nicolau, Luiz Cláudio e Daniel são pessoas de modesta situação econômica e passaram da condição de cidadão simples para grandes empresários, movimentando a quantia aproximada de R$70.000.000,00. Foram nomeados procuradores com vínculos trabalhistas e pessoais com seus concorrentes, sendo um deles cônjuge de concorrente. Utilizam se das instalações dosconcorrentes,patrõesecônjugedeseusprocuradoresparaarmaz enagemdecafé.MesmocomamovimentaçãofinanceiraemtornodeR$ 70.000.000,00elucratividadede8,0%,aempresaencerrousuasativid ades. Da análise das alterações contratuais constatam se indícios de falsidades nas informaçõesconstantesdocontratosocialnoqueserefereaoquadros ocietário,aocapitalealocalizaçãodesuasede. Em 19/02/2001 foram alterados os objetivos sociais e houve um aumento do capital social para R$ 120.000,00, integralizado em moeda corrente do país, ficando aparticipaçãosocietáriadistribuídadaseguinteforma:NicolauResst el–105cotasnovalor de R$ 105.000,00 e Luiz Cláudio Ferreira Lima15.000cotasnovalordeR$15.000,00. A empresa sempre foi instável na sua localização, objeto, quadro social e capital. Constituída em 24/10/2000, já em 19/02/2001 alterou seu objeto, acrescentando ao de Comércio de Produtos Agropecuários o Comércio Atacadista e de Exportação de Café em Grão, e junto altera também o capital, que antes era de R$ 30.000,00, agora passa para R$ 120.000,00, sendo a sociedade agora gerenciada por ambos os sócios, só de fachada, pois Luiz Cláudio em depoimento disse que não participava da administração, e que também não integralizou o capital. Nicolau não tinha capacidade financeira para integralizar o capital subscrito. Em 23/04/2001 sai Nicolau entra Daniel com aquisição de 15.000 cotas (R$ 15.000,00) e Luiz Cláudio passa a ter 105.000 cotas (R$ 105.000,00). Em 04/10/2002, a operaçãoseinverteentreLuizCláudioeNicolau,agorasaiLuizCláudi oeentraNicolaucom105.000cotas (R$105.000,00). As alterações continuam, em10/01/2005, faz o jogo inverso, sai Nicolau e entra Luiz Cláudio. As alterações são pura ficção, a aquisições entre Nicolau, Daniele Luiz Cláudio de fato não ocorreram por falta de capacidade financeira dos envolvidos. Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.423 4 O endereço da empresa é fictício,pois no local indicado no sistema CNPJencontraseaempresaSITRALServiçosdeConservação,Tran sporteeConstrução. Diligências realizadas nos contribuintes Luiz Cláudio Ferreira Lima, Daniel,Miguel Apolinário e Nicolau Resstel comprovam que a capacidade econômica dessescontribuinteseraincompatívelcomaintegralizaçãodecapital doempreendimento,confirmadoemdepoimentoporDanieleLuizClá udio. Houve interposição de pessoas na composição do quadro social, ocultando os verdadeiros beneficiários do empreendimento e seus gestores. No período compreendido do exercício 2001 a 2007, Luiz Cláudio recebeu modestos rendimentos como gerente de empresa, conforme DIRPF e quadro 4 (fl. 902). As informações prestadas pelo Sr. Luiz Cláudio e as constatações verificadas nas DIRPF fazem prova de sua incapacidade para integralizar os R$ 105.000,00 de sua participação societária, e revela que as alterações societárias são pura "SIMULAÇÃO" com intuito doloso de lesar o Fisco. Apesar de informar que não participou da gerência da empresa e não dispor de recursos para integralização do capital subscrito, a sua responsabilidade decorre da contribuição com cessão pessoal e espontânea dos dados para que se constituísse a empresa com fins de sonegar Tributos. Emdepoimento,oSrDanielafirmaquetrabalhacomopedreiro, queécunhadodoSr.Nicolau,que trabalhou na construção de uma fábrica de doces e na residência do Sr.Nicolau,que desconhece a empresa Monte Verde, que nunca foi à empresa Monte Verde,que desconhece as dívidas tributárias da Monte Verde. Na DIRPF, ano calendário 2000, consta que o diligenciado possuía uma casa no valor de R$ 5.000,00 e um lote de R$ 1.500,00. Em 2002 informou o capital na Monte Verde no valor de R$ 5.000,00, correspondente a 15.000 cotas como se verifica no contrato social. Constatase a intenção dolosa do Sr. Daniel, pois consta a integralização de capital de R$ 15.000,00. Entre 2001 e 2007,o Sr. Daniel recebeu quantias modestas (quadro5 fl. 903), mas exercia a gerência da Monte Verde. As informações prestadas pelo Sr. Daniel e as constatações verificadas nas DIRPF fazem prova da incapacidade de Daniel para integralizar os R$ 15.000,00 de sua participação societária, e revela que as alterações societárias não passam de pura "SIMULAÇÃO"com intuito doloso de lesar o fisco. Apesardeinformarquenãoparticipoudagerênciadaempresae nãodispordecapacidadefinanceiraparaintegralização do capital subscrito,a sua responsabilidade decorre Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.424 5 dacontribuiçãocomcessãopessoaleespontâneadosdadosparaques econstituísseaempresa com fins de sonegar tributos. O Sr. Nicolau Resstel não foi localizado no endereço de cadastro da SRF.Seus bens estão listados nas fls. 904 a 906 Entre 2001 a 2007, o Sr. Nicolau recebeu modestos rendimentos, tendo recebido em 2000 o valor de R$ 13.500,00 sem informar a fonte pagadora, e no ano 2001 recebeu R$ 900,00 da Multi Grãos, R$ 3.700,00 da Monte Verde e R$ 11.000,00 como rendimentos diversos, sem especificar. De 2002 a 2004 informou rendimentos recebidos da Monte verde e rendimentos, diversos, sem especificar, todos de pequenos valores. Nos anos de 2005 e 2006 informou rendimentos somente da Monte Verde, mesmo tendo alienado sua participação societária em 10/01/2005. A partir do ano calendário 2002 sempre informa a função de dirigente de empresa. Os rendimentos estão demonstrados no quadro 06 (fl. 906).As integralizações de capital Monte Verde, no período 2001 a 2007, foram de R$ 5.000,00, conforme DIRPF(fl. 1048/1066). O Sr. Christian Silva Rupf afirmou que efetuou a contabilidade da empresa desde sua fundação até outubro de 2004, a convite do Sr. Nicolau, com quem tratava sobre o interesse da empresa e de quem recebia os honorários. Tinha conhecimento da alteração societária para Luiz Cláudio e Daniel, no entanto, sua relação sempre foi com o Sr.Nicolau. Além disso, prestava serviços à Aracê Mercantil e Montreal Produtos Alimentícios, de propriedade do Sr. Wladimir Resstel, e à Comercial de Café Stockl e na data do depoimento estava prestando serviço de auxiliar contábil à Comercial de Café Stockl, cumprindo aviso prévio. Informou que a apuração dos tributos e contribuições federais devidos pela Monte Verde eram efetuados pelo próprio Nicolau, pela Renata e por funcionária tratada por "RO" e que era procurador da Monte Verde à título de favor. O contrato de prestação de serviço não está registrado. Apesar do Sr. Christian informar que presta serviços a empresa desde sua criação em 24/10/2000, o contrato foi redigido em 02/01/2001 e teve reconhecida as firmas em 29/04/2004, indicando que a sua redação foi posterior, sendo confeccionado para atender circunstâncias da época (Operação Profilaxia). O documento de entrega de documentos e rescisão não tem reconhecimento de firma e também não consta nenhum ato de registro. Aparentemente foi confeccionado a posteriori também para atender fatos à época (12/01/2005), a chamada "Operação Profilaxia". Os poderes outorgados pelas procurações conferem ao mandatário amplos e ilimitados poderes para total e irrestrita gerência da empresa, inclusive sobre sua movimentação financeira, que no período de 2003 a 2005 atingiu aproximadamente a R$ 70.000.000,00. Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.425 6 O Sr. Christian é empregado da Café Stockl empresa concorrente da Monte Verde. Desta forma, a outorga de poderes tão amplos tem como objetivo o controle das atividades da Monte Verde pela Comercial de Café Stockl. A Sra Renata Resstel não foi localizada no endereço de cadastro da SRF, sendo casada com Luiz Cláudio e filha do Sr. Nicolau. Também é procuradora com plenos poderes para administração financeira da empresa Monte Verde. O Sr. José Augusto Mayer afirmou que trabalhou na Cafeeira Stockl durante dez anos, se desligando no início de 2007. Exerceu a função de escriturário e contador. Informou que conheceu o Sr. Nicolau Resstel ou em Marechal Floriano ou na Cafeeira Stockl. Afirmou que desconhece Luiz Cláudio e Daniel, e que não recebia por serviços prestados à Monte Verde. Questionado sobre a condição de procurador da Monte Verde, disse tratar de prestação de favor na busca de cheque da empresa no Palácio do Café, local sede de empresas com as quais a Monte Verde transacionava. A causa de tanta gentileza é o objetivo da Comercial de Café Stockl manter sobre controle seus interesses sobre a Monte Verde. Ninguém outorga poderes totais de gestão sobre uma, empresa, com a movimentação financeira aproximada R$ 70.000.000,00 a um funcionário de uma empresa concorrente, para um simples ato de "Office Boy". O que se verifica é que os procuradores da Monte Verde, exceto Renata Resstel, são, de fato, representantes de interesses da Comercial de Café Stockl, através dos quais mantém o controle de seus interesses. Maria Lucinda Módolo afirmou que trabalha na Cafeeira Stockl há mais de 20 anos, que conheceu o Sr. Nicolau Resstel na Cafeeira Stockl e sua filha Renata Resstel em Marechal Floriano em função dos mesmos serem locatários das instalações de armazenagem da Cafeeira Stockl. Informou que desconhece Luiz Cláudio e Daniel e que não recebia por serviços prestados à Monte Verde. Questionada sobre a condição de procurador da Monte Verde, disse tratar de prestação de favor na busca de cheque da empresa no Palácio do Café, local sede de empresas com as quais a Monte Verde transacionava. A Sra Maria Lucinda foi citada pelo Sr. José Wellington, que trabalhava para a Monte Verde em Marechal Floriano. Também a Sra Edna Assis confirmou que era constante a sua presença na sede Monte Verde. O Sr. Laudeci Stockl foi categórico "Que trabalhava no escritório da Monte Verde a senhora Maria Lucinda, secretária do Sr. Miguel Stockl". Portanto, está afastada a alegação de procurador a título de prestação de favor. Assim, se consumam osfatos de que os procuradores da Monte Verde são representantes dos interesses da Comercial de Café Stockl. Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.426 7 Eunice Maria Sant' Anna na sede afirmou que é casada com Miguel Stockl e que exerce somente atividades do lar. Informa que tem conhecimento da empresa Monte Verde, que conheceu Nicolau Resstel em Marechal Floriano, que recebeu procuração do Sr. Nicolau para realizar serviços bancários da Monte Verde na agência SICOOB de Marechal Floriano.Alegou que nada recebia pelos serviços. A empresa MONTE VERDE MERCANTIL LTDA, teve como titulares de direito os senhores Luiz Cláudio Ferreira Lima, Daniel Miguel Apolinário e Nicolau Resstel. como procuradores com poder de gestão atuaram Renata Resstel representando os interesses da família Resstel e Christian Silva Rupf. José Augusto Mayer. Maria Lucinda Módolo Mayer e Eunice Maria Sant' Anna Stockl representando os interesses da família Stockl, com objetivo de lesar o fisco. Foram abertas as contas bancárias movimentadas pelo Sr. Nicolau Resstel e Renata Resstel. Em alguns dos cheques emitidos pelo contribuinte e assinados pelo.Sr. Nicolau constam o endosso da Sra. Renata. As contas abertas e movimentadas foram relacionadas no quadro 02. As diversas contas bancárias receberam créditos totais, durante os anos de 2003 a 2005, superiores a R$ 70.000.000,00 estão demonstradas no quadro07 (fl. 914). As contas do SICOOB (contas 10.386/1 e 10.482/5) concentraram a quase totalidade da movimentação bancária da contribuinte Monte Verde, nos anos de 2003 a 2005. Dos R$ 70.669.614,23 movimentados em instituições bancárias, R$ 70.331.226,22 foram movimentados na agência do SICOOB de Marechal Floriano. Os cheques emitidos, de valores acima de R$ 5.000,00 foram assinados por Nicolau Resstel, e nominalmente destinados à própria emitente Monte Verde, ora endossado pelo próprio Nicolau e ora endossado por Renata Resstel – procuradora. Foram requisitados à Cooperativa de Crédito Sul Serrana do Espírito Santo através da RMF n° 0720100.2008.002770, cópias de alguns cheques emitidos pela Monte Verde. Das cópias dos cheques enviadas foram identificados os beneficiários (Laudeci Stockl ME, Iverlízia Bungesnstaba Stockl e Laudeci Stockl). Os mesmos intimados a prestarem depoimentos (fl.535/868). O Sr. Laudeci Stockl e sua esposa, a Sra Iverlizia Bungenstab Stockl, confirmaram que receberam os cheques da Monte Verde em seus nomes e em nome da empresa Laudeci Stockl ME; que são seus conhecidos a empresa Monte Verde e seu sócio Nicolau Resstel e sua filha Renata Resstel; que o escritório de sua empresa Laudeci Stockl ME ficava ao lado da sede da Monte Verde, local onde recebia os produtores rurais para comercialização de café e classificação, e em seguida ofertava os para a Monte Verde; que são produtores rurais na região de Marechal Floriano e que os cheques recebidos foram Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.427 8 em pagamentos pela venda de café como produtor rural, pela corretagem de café efetuada para a Monte Verde e em pagamentos pela prestação de serviços de transportes realizados pela firma Laudeci Stockl ME, que também trabalhava no escritório da Monte Verde a Sra Maria Lucinda, secretária do Sr. Miguel Stockl. Eles disseram que os recursos eram provenientes da atividade de produtor rural, corretagem e prestação de serviços de transporte da empresa Laudeci Stockl Me, porém não apresentaram qualquer comprovação. As notas de produtor rural, os conhecimentos de transporte e os recibos apresentados são aleatórios e não guardam nenhuma correspondência com data e valores recebidos. Também não apresentaram nenhuma escrituração a respeito. O próprio Laudeci disse que recebia os produtores para venda de café e classificação, o que contradiz o exercício de corretagem. O Sr. Laudeci Stockl, conforme depoimento do Sr. José Wellington, era o representante de Miguel Stockl na Monte Verde, e atuava junto com o Sr. Reinaldo na compra de café dos produtores rurais, onde também trabalhavam a Sra Iverlizia e a Sra Édina Assis. A relação do Sr. Laudeci Stockl com Comercial de Café Stockl também é confirmada pelo Sr. Walmir Rego em depoimento, no qual confirma que recebeu o cheque da Monte Verde em pagamento pela venda de café efetuada a Comercial de Café Stockl, negociado com o Sr. Laudeci Stockl, a quem conhecia como proprietário da Comercial de Café Stockl em Marechal Floriano. A Sra Edna Assis, funcionária da empresa Laudeci Stockl Me, recebeu recursos originários da Monte Verde e depositou em seu nome, na conta n° 10.0358 em conjunto com Laudeci e Iverlizia no SICCOB de Marechal Floriano, a quantia R$ 274.848,32 pertencente a Laudeci. Nesta mesma conta foi depositado em nome da Sra Iverlizia a quantia de R$ 689.261,60, e em do Sr. Laudeci a quantia de R$ 106.186,00, todos recursos originários da Monte Verde. A veracidade de que a conta é conjunta é confirmada pelo n° da conta (10.0358) aposto no verso dos cheques nominais Edna Assis, Iverlizia Bungenstab Stockl e Laudeci Stockl. Da amostragem de R$ 1.241.267,02 em que foram identificados os destinatários dos cheques, somente a conta n° 10.0358 recebeu depósitos no valor de R$ 1.070.295,92, conta esta que recebeu os, cheques nominais a Laudeci Stockl, Edna Assis e Iverlizia Bungenstab Stockl. A empresa Laudeci Stockl Me recebeu depósitos no valor R$ 34.625,00. O Sr. Laudeci e Sra Iverlizia movimentaram, originários da Monte Verde, dos recursos identificados os destinatários, R$ 1.104.920,92 de um total de R$ 1.241.267,02. A Sra Maria Lucinda secretária do Sr. Miguel Stockl aqui citada como funcionária da Monte Verde pelo Sr. Laudeci é a procuradora da Monte Verde Mercantil Ltda. Não resta qualquer dúvida de que o Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.428 9 Sr. Laudeci participava da administração e gerência da Monte Verde Mercantil Ltda pelo acima exposto. Nas fl.864/865, o Sr. Almir Schneider informou que é produtor de café em Domingos Martins e que recebeu os cheques emitidos pela Monte Verde em pagamento pela venda de café. Disse que na época em que recebeu os cheques, negociava dentre outros com o Sr. Miguel Stockl (Cafeeira Stockl) e que quando a negociação era com a Cafeeira Stockl negociava com Edmilson ou Jaime. O Sr. Almir recebeu os cheques da Monte Verde em pagamento pela venda de café efetuada à Cafeeira Stockl. Na fl.838, o Sr. José Wellington, sobre os cheques recebidos, emitidos pela Monte Verde, confirmam seu recebimento face a comercialização de café produzida em sua propriedade. A negociação da venda de café era feita com Miguel Stockl, através de Reinaldo e Laudeci Stockl na empresa Monte Verde. Apesar de negociar na sede Monte Verde a descarga era efetuada nos Armazéns Gerais Stockl, conforme notas fiscais anexas. Informa que atendiam na Monte Verde em Marechal Floriano a Sra. Iverlizia e a Sra, Édina Assis, e o Sr. Vladimir Resstel na Estrada Velha de Paraju. Nas fl. 826/827 o Sr. Lastene informou que seu pai Jorge João Stockl, José Stockl, Gabriel Stockl e Miguel Stockl eram sócios das empresas Comercial de Café Stockl Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda e Stockl Café Industrial e Comercial Ltda. Na sociedade a decisão final era sempre de Miguel Stockl. Foi confirmado o recebimento do cheque, proveniente da venda de café e que a época exercia a atividade de produtor rural como arrendatário, conforme contrato anexo. Disse que prestava assessoria contábil, como autônomo. Fazia também corretagem de café. Informou que não possui relacionamento comercial com as empresas da família. Afirmou que nas empresas a decisão em todas as instâncias era sempre de Miguel Stockl, o que contradiz a informação sobre a sociedade do pai, e de quais empresas o pai era ou é sócio. Nas fl.672/673, a Sra Edna informou que no período de 02/2000 a 03/2008 trabalhou nas empresas Laudeci Stockl Me e Café Rio, ambas de propriedade de Laudeci Stockl. Que os cheques recebidos da empresa Monte Verde, nominais a ela, pertenciam a Laudeci Stockl PJ ou a Laudeci Stockl PF, eram originários da venda de café, corretagem de café e serviços de frete da empresa Laudeci Stockl Me, sendo os mesmos depositados em conta corrente conjunta com Laudeci Stockl, Iverlizia Bungehstab Stockl e Édina Assis (conta SICOOB n° 10.0358, ag. 3010). O motivo dos cheques estarem nominais a ela era facilitar a administração da empresa na ausência de Iverlizia e Laudeci. A empresa Laudeci Stockl Me situava ao lado do escritório da MonteVerde, onde era constante a presença da Sra Maria Lucinda. Que o Sr. "Reinaldo" era funcionário da empresa de transporte Laudeci Stockl ME. Que tinha Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.429 10 conhecimento do Sr. Nicolau e da Sra Renata na empresa Monte Verde Mercantil, porém não tratava com os mesmos. Nas fl.851/852, o Sr. Walmir informou que é comerciante, e produtor rural em parceria com seu irmão Vital Hermínio Rego, no município de Viana/ES; que recebeu o cheque da Monte Verde Mercantil Ltda em pagamento pela venda de café efetuada a Comercial de Café Stockl, operação negociada com o Sr. Laudeci Stockl, em Marechal Floriano. Algumas vezes ele entregava o café em Marechal Floriano, no endereço da empresa Café Rio, mas, na maioria das vezes o adquirente Comercial de Café Stockl retiravao café na propriedade. Alegou que conhecia o Sr. Laudeci Stockl como proprietário da Comercial de Café Stockl. O Sr. Walmir recebeu o cheque da Monte Verde em pagamento pela venda de café feita a Comercial de Café Stockl, negociado com Laudeci Stockl, a quem conhecia como proprietário da Comercial de Café Stockl. O Sr. José Del Armi informou (fl. 857) que é produtor rural em Castelinho, distrito de Vargem Alta/ES. Quanto ao cheque recebido da Monte Verde não se lembra a razão pela qual recebeu, porém confirma o depósito em sua conta no SICOOB agência de São José de Fruteiras. Informa que sempre vendia sua produção de café para os Stockl em Santa Maria, município de Marechal Floriano, com emissão da nota fiscal para a empresa Monte Verde Mercantil Ltda, conforme notas fiscais de produtor rural (fl. 77 e 78). A negociação do café sempre era feita com o funcionário da Stockl de nome "MARCOS". A conta no BANCO ITAU AGÊNCIA CARIACICA (1424) nº 19.148/2 foi aberta em 05/05/2004, tendo como representante o Sr. Nicolau Resstel. Tratase de uma conta com pouca movimentação, a maioria correspondente a transferência de mesma titularidade, ou seja, valores transferido da conta da Monte Verde no SICOOB de Marechal Floriano, em especial da conta 10.386/1. A conta no BRADESCO AGÊNCIA MARECHAL FLORIANO nº 7.162/5 foi aberta em 20/02/2002, tendo como representantes Luiz Cláudio Ferreira Lima e Nicolau Resstel. Trata se de uma conta com pouca movimentação financeira, a maioria correspondente a transferência de mesma titularidade, ou seja, valores transferido da conta da Monte Verde no SICOOB de Marechal Floriano, em especial da conta 10.386/1. Para movimentação da referida conta foi outorgada procuração pelo Sr.Luiz Cláudio Ferreira Lima a José Augusto Mayer, Christian Silva Rupf, Maria Lucinda Módolo Mayer e Eunice Maria Santanna Stockl. Pelo Sr. Nicolau Resstel foi outorgada procuração a Renata Resstel. Os poucos cheques de valores acima de R$ 5.000,00 foram emitidos pela procuradora Renata Resstel. As receitas auferidas pela empresa Monte Verde Mercantil Ltda, são decorrentes da atividade comercial de compra e venda Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.430 11 de café e correspondentes aos depósitos efetivos relacionados no quadro 08. A confirmação de que os depósitos bancários correspondem a receitas da comercialização de café está nos documentos anexados às fl.458/581. Essas receitas constam nos "Demonstrativos Apuração Crédito Conta Corrente" (fls.870/888). Dos extratos de movimentação bancária, totalizando os créditos relacionados no quadro 07, foram excluídos os créditos que não representavam receitas da empresa, como: transferências bancárias oriundas de contas de mesma titularidade, créditos como: cheques emitidos contra a própria conta e devolvidos, empréstimos/financiamentos e estornos.Os créditos assim "depurados" foram denominados depósitos efetivos e decorrentes da atividade comercial da contribuinte Monte Verde com a comercialização de café, constituindo a Receita Operacional. No quadro 08 (fl.923) estão demonstrados, de forma sintética e por período mensal, o total dos créditos efetivos. Nestes autos estão sendo apurados e exigidos os tributos devidos nos anos calendário 2004 e 2005, com lançamento parcial através de Auto de Infração. Para efeito de tributação, foram considerados como Receita Tributável os valores mensais correspondentes aos depósitos bancários apurados no "Quadro08Demonstrativo de Depósitos Efetivos”. amparado no art.42 da lei 9.430/96, considerando somente os valores das colunas para período de apuração anoscalendário 2004 e 2005. O contribuinte, para o período em análise, anos calendário 2004 e 2005, não apresentou DIPJ. As DCTF apresentadas são relativas apenas ao ano calendário 2004. Os impostos e contribuições declarados em DCTF, e aqueles recolhidos pela contribuinte estão demonstrados no quadro 09 Do Arbitramento (fl. 924). Devidamente intimada a apresentar o Livro Diário e Razão, ou os Livros Caixa, referentes aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, o contribuinte não foi localizado no endereço de cadastro no CNPJ da Receita Federal, sendo então intimados seus sócios constantes do quadro societário no CNPJ, que informaram não possuírem tais Livros/Documentos. A legislação vigente a época exige para os contribuintes optantes pela tributação com base no lucro presumido, dentre outras obrigações acessórias, a regular escrituração do Livro Caixa (RIR/1999, art. 527, parágrafo único). Em decorrência da exigência inserta no art. 527, parág. único do RIR/1999, e da inexistência da documentação fiscal então prescrita, exigir se á o imposto referente aos anoscalendário 2004 e 2005 com base no lucro arbitrado, forma de tributação, prevista, neste caso, nos artigos 529 e 530. O imposto e as contribuições declarados e/ou pagos foram levados em consideração na apuração do imposto com base nas receitas decorrentes de depósitos bancários. O lucro arbitrado Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.431 12 foi apurado pela aplicação da alíquota de 9,6 % sobre a receita tributável apurada (Lei 9.249/95, art. 15 e 16). Os valores apurados nos quadros 10 a 13, correspondentes ao imposto de renda e contribuições devidos nos anos calendários 2004 e 2005, após as devidas exclusões dos valores declarados (DIPJ e DCTF) e/ou pagos (DARF), demonstrados na coluna Receita Declarada (quadro 10 a 13 – fl. 926 a 929), serão exigidos através de autos de infração específicos. Além, do imposto de renda e contribuições, cabe lançamento de multa, correspondente a 150% do imposto e contribuições, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, face ao previstos nos artigos 71 e 73, sonegação e conluio. O empreendimento sempre foi marcado pelo conluio, simulação e sonegação fiscal. No seu ato constitutivo já se constata a interposição de pessoas como se infere dos depoimentos prestados por Luiz Cláudio Ferreira Lima e Daniel Miguel Apolinário. O contribuinte informou à Receita Federal (DIPJ) e recolheu nos anos calendários de 2004 e 2005, imposto de renda e contribuições sociais em valores que somados totalizam, a quantia de R$ 7.646,63, enquanto que os valores apurados alcançam, em valores originários, a soma de R$ 3.557.042,80. Isto corresponde a aproximadamente 0,21 % dos valores devidos, ou seja, os valores devidos são 465 vezes superiores aos valores declarados (quadros 10 a 13). O contribuinte omitiu e prestou informações falsas à Receita Federal, não apresentou DIPJ para os anoscalendário 2004 e 2005, sendo apresentada DCTF somente para o ano calendário 2004. As receitas informadas nas DCTF são muito inferiores àquelas apuradas. Para o ano de 2005 a contribuinte Monte Verde sequer apresentou DIPJ e DCTF. O conluio fica caracterizado pela participação de várias pessoas, incluindo sócios, procuradores e sócios de outras empresas por interpostas pessoas e pessoas alheias ao quadro societário da Monte Verde, na realização de fatos de gestão com objetivo de fraudar o fisco. Fica patente o caráter doloso dos atos praticados, o objetivo de sonegação almejado pelo empreendimento e o conluio entre as diversas pessoas participantes da atividade comercial com o nome de "Monte Verde Mercantil Ltda". São responsáveis solidários aqueles com relação direta e/ou indireta na operação empresarial do Monte Verde Mercantil Ltda, estando caracterizado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do inciso I do art. 124 da Lei n°5.172/66 (código Tributário Nacional). Conforme inciso I do artigo 124 e artigo 135, todos do Código Tributário Nacional, serão arrolados como responsáveis Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.432 13 solidários todas as pessoas com relação direta e/ou indireta na operação empresarial do contribuinte. Foram arrolados como responsáveis solidários na gestão fraudulenta da Monte Verde os sócios, procuradores,(representantes) e representados (com interesses comercial sobre a Monte Verde), cujas evidências e provas permitiram constatar serem mandatários de plenos poderes sobre a expressiva movimentação financeira da empresa, independente de terem tido participação efetiva ou não na movimentação desses recursos, aqueles que mantinham seus interesses sobre a Monte Verde através de prepostos (Empresas Stockl e Sócios, em especial Comercial de Café Stockl Ltda) e aqueles que negociaram e movimentaram recursos diretamente em nome da Monte Verde Laudeci Stockl e Iverlizia Bungenstab Stockl, conforme apurado nos depoimentos. SÓCIOS: Luiz Cláudio Ferreira Lima. CPF 007.766.627/59. Não dispõe de capacidade financeira para integralização do capital subscrito. A sua responsabilidade decorre da contribuição com cessão pessoal e espontânea dos dados para que se constituísse a empresa. Embora possa não ter participado da gestão empresarial, contribuiu com a cessão voluntária de seus dados para figurar como um dos sócios do empreendimento, e a prática dos atos fraudulentos praticado pela Monte Verde Mercantil Ltda, pois, como se vê, consta sua assinatura nas alterações contratuais (fl.982/983). Daniel Miguel Apolinário, CPF 007.766.627/ 59. Não dispõe de capacidade financeira para integralização do capital subscrito, a sua responsabilidade decorre da contribuição com cessão pessoal e espontânea dos dados para se constituísse a empresa com fins de sonegar tributos. Embora possa não ter participado da gestão empresarial, contribuiu com a cessão voluntária de seus dados para figurar como um dos sócios do empreendimento, e a prática dos atos fraudulentos praticado pela Monte Verde Mercantil Ltda, pois, como se vê, consta sua assinatura nas alterações contratuais anexas as fl.982/983. Nicolau Resstel. CPF 157.344.987/34. A sua participação na fraude é a mais contundente. Além de figurar como sócio e procurador da contribuinte Monte Verde, por períodos alternados, exerceu a gestão empresarial como se verifica na cópia dos cheques emitidos e ficha autógrafos para movimentação de conta bancária. Constituiu e exerceu a atividade empresarial da Monte Verde com objetivos claros de fraudar a Fazenda, conforme constatado pela omissão Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.433 14 de receita, fato este de prática reiterada nos anos calendário de 2004 e 2005. Ocorrência também verificada no ano calendário de 2003. PROCURADORES: Renata Resstel, CPF 045.938.967/ 03. A procuradora Renata Resstel é filha de Nicolau Resstel e casada com o sócio Luiz Cláudio Ferreira Lima. Também investida como procuradora com plenos poderes para gestão da empresa Monte Verde. Emitiu e endossou cheques. Na movimentação da empresa é quem efetuava os pagamentos do cotidiano da empresa. Christian Silva Rupf, CPF 015.305.297/00. O Sr. Christian é procurador da Monte Verde com poderes totais de gestão e ao mesmo tempo é funcionário da Comercial de Café Stockl. Também prestava serviços contábeis à Aracê Mercantil e Montreal Produtos Alimentícios, esta de propriedade do Sr. Wladimir Resstel. E também contador da Monte Verde (fl.041/46). José Augusto Mayer. CPF 317.774.577/34. O procurador José Augusto era funcionário da Comercial de Café Stockl até o início de 2007, quando se desligou. Exerceu as funções de escriturário e contador, conforme depoimento as fl.531/534. Maria Lucinda Módolo Mayer, CPF 909.995.507/30. Tratase de uma funcionária da Comercial de Café Stockl há mais de 20 anos. Exerceu as atividades de serviços gerais e atualmente é faturista (fl.524/526). A Sra Maria Lucinda foi citada pelo Sr. José Wellington que trabalhava na Monte Verde em Marechal Floriano. Também a Sra Edna Assis disse que era constante a sua presença na sede Monte Verde em'Marechal Floriano. Já o Sr. Laudeci Stockl disse que trabalhava no escritório da Monte Verde a senhora Maria Lucinda era secretária do Sr. Miguel Stockl. Portanto, não cabe a alegação de prestação de favor. Eunice Maria Santanna Stockl. CPF 841.139.447/68. Eunice Stockl é casada com Miguel Stockl, proprietário da Cafeeira Stockl, sendo grande produtor de café e proprietário de terras. A senhora Eunice é representante com poderes totais para movimentação financeira da Monte Verde, empresa concorrente das empresas de seu marido. Deve ser destacado que, para os atos de favor para os quais disse ter recebido o mandato como realizar depósitos e pagamentos de contas em nenhum deles é necessário procuração. Agora, endossar cheque é atividade de quem tem responsabilidade pela empresa perante a instituição financeira. Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.434 15 TERCEIROS INTERESSADOS. Laudeci Stockl. CPF 020.042.557/ 90 e 9.3.2 Iverlízia Bungenstab Stockl. CPF 008.010.957/86. O Sr. Laudeci e a Sra. Iverlizia movimentaram em contas pessoais, recursos oriundos da Monte Verde Mercantil Ltda, sem comprovação de origem, o valor de R$ 1.070.295,92 e na empresa Laudeci Stockl Me R$ 34.625,00, perfazendo o total de R$ R$ 1.104.920,92. Isto numa amostragem de R$ 1.241.268,02. Eles não apresentaram nenhum documento que comprovasse os recebimentos da Monte Verde, com as atividades que dizem exercer.Todos os beneficiários dos cheques ouvidos informaram que efetuaram a venda de café para a Comercial de Café Stockl e que negociaram com Laudeci Stockl, na sede da Monte Verde em Marechal Floriano e que o conheciam como proprietário da Comercial de Café Stockl, exceto o Sr. Lastene Stockl, seu irmão. Ambos atuaram e negociaram usando a Monte Verde para negociaram em nome Comercial de Café Stockl. Comercial de Café Stockl, CNPJ 39.319.033/000134. Conforme ficou apurado no decorrer dos depoimentos, a negociação era em nome da empresa acima nomeada. Miguel Stockl, CPF 364.469.987/ 91 Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Stockl Café Industrial e Comercial Ltda; Armazéns Gerais Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda. 9.3.5 Gabriel Stockl, CPF 525.603.687/49. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda. Fabiano Stockl, CPF 045.653.947/ 66. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda. Jorge João Stockl. CPF 086.507.567/00. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Stockl Café Industrial e Comercial Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda. José Stockl, CPF 364.489.237/72. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Stockl Café Industrial e Comercial Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda. Leandro Stockl CPF 088.606.847/90. Sócio da Stockl Café Industrial e Comercial Ltda. Os sócios Miguel, Gabriel, Fabiano, Jorge, José e Leandro são responsáveis solidários pelos interesses que mantinham sobre a Monte Verde, pois mantiveram como representante de seus interesses os procuradores da Monte Verde. Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.435 16 A procuradora Maria Lucinda foi citada pelo Sr. Laudeci Stockl como secretária do Sr. Miguel Stockl e que trabalhava na Monte Verde. A Sra. Edna Assis confirmou que era constante a presença da Maria Lucinda na Monte Verde,o que comprova que os procuradores da Monte Verde representavam os interesses das empresas Stockl e seus sócios. O interesse que as empresas Stockl mantinham sobre Monte Verde está demonstrado nos depoimentos prestados pelos beneficiários dos cheques. Todos os produtores rurais ouvidos informaram que negociaram com a Comercial de Café Stockl, e receberam o cheque da Monte Verde Mercantil Ltda, exceto o Sr. Lastene Stockl. Pelas notas fiscais anexas verifica se que tem como destinatário a MonteVerde Mercantil Ltda e local de descarga Armazéns Gerais Stockl Ltda. Apurados os tributos, lavrados os devidos autos de infração e Representação Fiscal para Fins Penais. Em 20/08/2009, Laudeci Stockl e Iverlízia Bugenstab se manifestaram contra o disposto no Auto de Infração, através de impugnação (fl. 1090 a 1138). Em 21/08/2009, Jorge João Stockl (fl.1451 a 1479). Eunice Stockl apresenta impugnação em 21/08/2008 às fl. 1480 a 1516). Maria Lucinda Mondolo apresenta impugnação em 21/08/2009 nas fl. 1522 a 1559. José Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 1564 a 1603. Christian Rupf apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 1869 a 1907. Em 21/08/2009 a Comercial de Café Stockl apresenta impugnação (fl. 1920 a 1961). Fabiano Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 2154 a 2190 . Miguel Stockl apresenta impugnação em 21/04/2009 (fl. 2413 a 2451). Gabriel Stockl apresenta impugnação às fl 2714 a 2750) em 21/08//2009. Leandro Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl 3016 a 3050. José Augusto Mayer apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl 3265 a 3297. A ciência ocorreu através dos Editais de nº 226/2009, 227/2009, 229/2009 e 247/2009 (fl. 1085 a 1088), afixados em : 04/08/2009 e18/08/2009 e desafixados em: 19/08/2009 e 02/09/2009, sendo apresentados os argumentos que se seguem: Laudeci Stockl e Iverlízia Bugenstab • Os impugnantes residem em Marechal Floriano, logo, não é demais assentar que os laços de amizade e parentesco são estreitos entre as pessoas que lidam como essa atividade. • Simplesmente por terem realizado atos lícitos de comércio com a sociedade fiscalizada, os ora impugnantes foram arrolados como responsáveis solidários pelo débito da Monte Verde. • A sede da empresa LAUDECI STOCKL ME se localizava ao lado da MONTE VERDE e, que de fato, os ora impugnantes realizavam negócios de corretagem e transporte de café para a MONTE VERDE. Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.436 17 • A quebra de sigilo bancário no presente caso afigura se inconstitucional, sendo nula por completo a autuação. • Há a impossibilidade jurídica da administração fiscal, sem ordem jurisdicional, monitorar as movimentações financeiras dos administrados para fins de fiscalização e apuração do Imposto sobre a Renda, por: ser o sigilo bancário direito subjetivo constitucional do contribuinte; ser o sigilo bancário valor jurídico de alta tutela constitucional, sendo ilegal a quebra do sigilo bancário, pois inexiste qualquer embaraço à fiscalização. • A Lei n° 10.174/01 é inconstitucional. • Fazer necessário destacar o direito ao sigilo bancário na Carta Magna em seu artigo 5, inciso X . • Os Auditores Fiscais insistem em negar a sua oponibilidade ao Fisco, alegando que o parágrafo único do artigo 145 da Lei Máxima legitima tal interpretação. • Não existem direitos absolutos contra o interesse público. Ninguém discute que os órgãos públicos não só podem como devem fazer valer o seu dever/poder fiscalizatório sobre os cidadãos, inclusive identificando patrimônio, rendimento e atividades econômicas, mas isso não os desobriga de respeitar os direitos individuais deles. • Não se pode dispensar a demonstração de circunstâncias fundamentadas e concretas, em cada caso, que denotem um interesse público prevalente no desvendamento das operações financeiras das pessoas físicas ou jurídicas, nem tampouco que a presença efetiva desses elementos seja apreciada por um Poder, independente e autônomo, que é o Judiciário. • Abstraindose todas as inconstitucionalidades que envolvem a quebra do sigilo bancário, verifica se que a quebra atacou ainda todos os dispositivos infralegais que disciplinam a matéria. • Foi considerado que a ausência de prestação de informações relativas à movimentação financeira dos impugnantes, em decorrência do direito ao sigilo bancário, constituiu embaraço à fiscalização nos termos do art.33 da Lei 9430/96. • Em principio, poderia ser dizer que os Auditores Fiscais agiram corretamente, pois o inciso I, do artigo 33 da Lei 9430/96 caracteriza como embaraço à fiscalização o não fornecimento pelo contribuinte de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade próprios ou de terceiros, quando intimado a fazêlo. • Ocorre que, sob pena de inconstitucionalidade, deve ser dada interpretação conforme a Constituição. O contribuinte só é obrigado a fornecer dados relativos a sua movimentação Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.437 18 financeira quando o Fisco tiver o direito subjetivo de acesso a esses dados. • A Carta Magna confere ao contribuinte o direito individual ao sigilo bancário, bem como o artigo 6º da Lei Complementar n°105/2001, hierarquicamente superior e posterior à Lei n° 9.430/96. Foram contrariados os incisos X e XII do artigo 5° da Constituição Federal . • O conteúdo mínimo do direito ao sigilo bancário só pode ser quebrado diante de circunstâncias graves, fundadas, concretas e contemporâneas à quebra. • Erigir em fundamentação idônea para a quebrar o próprio exercício regular do direito ao sigilo é esvaziar completamente esse conteúdo, tornarseia o primeiro caso de exercício regular de direito punido pelo sistema jurídico. • Também a dicção do artigo 6º da Lei Complementar 105/01 invalida as pretensões da Autoridade no sentido de caracterizar embaraço à fiscalização mediante o exercício regular do direito . • As autoridades e agentes fiscais tributários só poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras quando,cumulativamente, houver processo administrativo em curso e tais documentos sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa ompetente • O direito do Fisco a acessar o sigilo bancário do contribuinte só nasce quando os dados forem indispensáveis. Quando os Auditores Fiscais solicitaram AS informações acerca de sua movimentação financeira ela ainda não tinha esse direito, pois sua solicitação não foi validamente fundamentada, em observância ao art.11,§ 2º da Lei 9.311/96. A recusa dos impugnantes, face à ilegalidade da solicitação foi licita e não poderia ser qualificada como embaraço à fiscalização. • Por tudo isso, não cabe ou cabia à defendente responder qualquer coisa acerca de dados financeiros apurados pela Secretaria da Receita Federal, com fundamento na interpretação sistemática do art. 11, §3°, da mesma lei, alterado pela Lei n° 10.174/2001, e do art. 144, § 1°, do CTN. • Não obstante, tanto a Lei Complementar n° 105/01 quanto o Decreto n° 3.724/01 são posteriores à Lei n° 10.174, de 09 de janeiro de 2001, já que foram publicadas em 10 de janeiro de 2001, pelo que prevalecem em relação a ela no que dispuserem em contrário, por força do artº2º,§ 1º da Lei de Introdução ao Código Civil. • Aplicar a Lei 10.174/2001 em detrimento de lei posterior hierarquicamente superior é incorrer em ilegalidade. • Inexiste solidariedade entre a sociedade Monte Verde e os impugnantes. crédito tributário constituído a partir de meras presunções. Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.438 19 • Os impugnantes não se subsumem às hipóteses dos art. 124, I e 135, I, II e III. • Os impugnantes somente realizavam operações de transporte e corretagem de café para a sociedade empresária MONTE VERDE. Os documentos anexos à prestação desses serviços de corretagem transporte de café. Ressalta se que os produtores de café não têm pleno conhecimento do desenho mercantil do negócio, e de que se tratam de empresas com funções e quadros completamente autônomos. Logo, os depoimentos prestados pelos impugnantes são verídicos. • Os impugnantes não têm qualquer relação de emprego, coordenação, gerência ou mandato com a sociedade MONTE VERDE. • As Autoridades Fiscais lançaram o IRPJ tendo como base os depósitos efetuados nas contas mantidas pelos impugnantes. O conceito constitucional de renda pressupõe que ela seja originada no patrimônio preexistente da própria pessoa, sendo obtida com a aplicação de um patrimônio material ou imaterial, numa determinada atividade, pelo próprio indivíduo que irá pagar o tributo. O conceito de renda não abrange meras transferências de capital, seja a qual título for, somente aquelas que decorrem da exploração ou uso direto ou indireto do patrimônio da empresa.Caberia aos AFRF provar que os valores movimentados nas contas representam renda para que os pudessem tributar, o que não se desincumbiram de fazer, preferindo utilizar presunções para caracterizar como matéria. • O lançamento efetuado com suporte na movimentação bancaria, não caracteriza disponibilidade econômica de renda e proventos. • O Fisco ao lançar o IRPJ sobre os depósitos efetuados nas contas correntes ignorou as operações nas quais ocorreram apenas transferência de quantia de uma conta para outra para pagamento dos produtores rurais. • A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS foi instituída pelo art.195 da Carta de 1988. • A Lei Ordinária n° 9.718/98 que, entre outras disposições, ampliou a base de cálculo da COFINS (art. 3º,§ 1º). • O legislador ordinário identificou os conceitos de faturamento e receita bruta através da mencionada lei ordinária. Ocorre que faturamento e receita bruta,embora utilizados no direito tributário, possuem conceitos definidos pelo direito privado, que devem ser respeitados (artigo 110 do CTN). • Faturamento significa a soma das quantias constantes em faturas emitidas.Tal conceito abrange somente a soma dos valores de venda das mercadorias ou de prestação de serviços. Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.439 20 • Receita bruta é receita total advinda das operações fins de determinada pessoa jurídica, abrangendo não só a receita com comercialização ou prestação de serviços, mas também as receitas financeiras e não operacionais. • Receita bruta quer dizer mais que faturamento e que por conta disso a Lei 9718/98 ampliou a base de cálculo da COFINS ferindo o art.110 do CTN. • Tal ampliação é vedada ao legislador ordinário, conforme o art.195, § 4º da Constituição. • O art. 154,I da CRFB prevê a necessidade de lei Complementar para instituição de outras fontes para custeio da Seguridade Social. • O STF declarou inconstitucional o § 1º do art. 3ºda Lei 9718/98, sendo impossível invocar uma constitucionalidade superveniente do dispositivo alegando que a EC 20 de 15/12/1998 incluiu receita como possível base de cálculo. A emenda é posterior à lei e não pode convalidada, e mesmo que houvesse a convalidação, a primeira, ainda assim, é de inconstitucionalidade induvidosa diante do art.246 da CRFB, pois o citado diploma germinou se da Medida Provisória 1724/98. • A EC/20 não pode ser considerada meramente expletiva, pois os conceitos de faturamento e receita bruta são diversos. • A monta devida pela defendente deve incidir sobre o faturamento e não sobre a receita como quer o Fisco, sendo improcedente a cobrança da COFINS. Se não for este o entendimento, que se determine o faturamento. • Ficou constitucionalmente estabelecido que a base de cálculo do PIS é o faturamento, mas os AFRF invocam o art. 2º do Decreto 4524/2002. • Ocorre os mesmos problemas conceituais na COFINS. • Por mais este motivo o auto deve ser anulado. • A multa é inconstitucional por ter efeito de confisco, conforme julgado pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511, que julgou inconstitucional, com eficácia erga omnes, a fixação de penalidade tem montante desproporcional ao tributo exigido. • Foram feridos os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. • Este princípio encontra respaldo no art. 15, IV da CRFB/88. totalidade da renda. • A multa não pode destruir a atividade econômica do contribuinte. Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.440 21 • A dependente afirmam que os documentos solicitados estavam em poder do SEFAZ ES.Não houve omissão de receitas. • Deve ser anulado o auto por ser afronta ao princípio do não confisco. • Há necessidade de constituição do crédito tributário para a ocorrência da ação penal, falta justa causa. • Nos crimes contra a ordem tributária, a justa causa só restará caracterizada quando o crédito estiver constituído definitivamente, conforme posicionamento do STJ. • O lançamento carece de alicerces legais, logo, qualquer discussão na esfera penal seria prematura e carente de justa causa. JORGE JOÃO STOCKL • As imputações advém de ilações imprecisas e constitui injustiça. • Jamais imaginou que seu irmão Miguel incorria em delitos, mas nunca se beneficiou dos mesmos. • Se houve infração quem tem de responder são as pessoas que eram azo. • Não houve culpa nem dolo. • Nem a Café Stockl, nem Jorge se beneficiaram das irregularidades. • Nenhum dos empregados da Comercial Stockl foi contratado pelo impugnante. • Falta elemento substancial a autuação. Enquanto Miguel Stockl foi enriquecendo, Jorge foi empobrecendo. • Falta prova de culpa. Não é plausível se imputar ao sócio não gerente a vampirangem da estrutura da empresa. • No rol dos solidário houve desvio valorativo e não há prova suficiente á imputação. Não houve proveito ou utilidade para o impugnante, que não se beneficiou de nada. • Requer que seja novamente as pessoas envolvidas. Formula quesitos para prova pericial na fl.1459. • O impugnante não se manifesta sobre o teor valorativo das multas porque não tem condição de entender. Eunice Stockl, Maria Lucinda Mondolo, José Stcockl, Christian Rupf, José Stockl, Comercial de Café Stockl Ltda , Fabiano Stockl, Miguel Stockl Gabriel Stock, Leandro Stockl e José Augusto Mayer. • Há nulidade pela ausência de inclusão do sujeito passivo no auto. Diante do exposto no art. 121 do CTN, verifica se que a Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.441 22 fiscalização desatendeu o art. 142 do CTN. Portanto a impugnante não pode ser responsabilizada, conforme raciocínio análogo da cartularidade no Direito Comercial. Há nulidade pela ausência pela inexistência de descrição do fato e do dispositivo legal para justificar a responsabilidade solidária. • Há nulidade por falta de notificação prévia, contrariando ao art.7º,I do PAF. • A imperfeição no enquadramento legal conduz á nulidade do auto. Inexiste enquadramento legal da solidariedade pretendida. • Faltou a discrição precisa dos fatos omitidos no auto imputados à impugnante, constituindo se cerceamento do direito de defesa., que assegurado pelo art. 5º da CRFB. • Foi infringido requisito formal, pois a impugnante não foi identificada ou qualificada no auto descumprindo o art. 10 do PAF. A impugnante não foi identificada nem qualificada no auto. • Houve cerceamento do direito de defesa por falta de descrição dos fatos omitido no auto imputados aos impugnantes. • Do mérito. No relatório da Polícia Federal sobre a operação profilaxia não há elementos capazes de caracterizar algum ilícito, não podendo se impor ônus tributário por mera imaginação.São infundados os comentários da fiscalização. Não há provas. • É ilegal a aplicação de responsabilidade de terceiros. Os auditores desprezaram o art.134 do CTN que afasta a responsabilidade da impugnante. Não há simulação • É impossível o reconhecimento da responsabilidade solidária, sendo impossível a responsabilização do mandatário. Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 8ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, declarar nulo o lançamento por vício material, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004,2005 DA OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITO BANCÁRIOS FALTA DE REQUISITO NULIDADE A falta de intimação à interessada solicitando a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários, devidamente individualizado, acarreta vício material, tendo como consequência a nulidade do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.442 23 Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a 8ª Turma de julgamento da DRJ/RJ1 interpôs Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O presente Recurso de Ofício pois as formalidades necessários, motivo pelo qual dele conheço. Do Recurso de Oficio Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para cobrança de autos de infração para exigir da interessada o IRPJ, o PIS, a CSLL e a COFINS, sobre fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2004 e 2005. A matéria principal do caso é pertinente ao arbitramento e omissão de receitas relativas aos anos calendário de 2004 e 2005, devido a não comprovação da origem de depósitos junto a diversas instituições financeiras, tendo por base os extratos bancários. Ocorre que, como bem posto pela DRJ, o ponto nodal do presente caso é vertente a falta de intimação solicitando a comprovação, por meio de documentação hábil, a origem dos depósitos bancários devidamente individualizados, motivo pelo qual a primeira instancia entendeu que o lançamento estava maculado por vício material. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Dispõe o artigo 42, parágrafo 3º da Lei 9430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.443 24 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratando se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Segundo o que consta no feito, os demonstrativos de fls. 869 a 888 não foram apresentados ao contribuinte durante a fiscalização, como prevê o artigo 42, parágrafo 3º da Lei 943/96. Conforme exposto pela DRJ, não basta a apresentação de valores totais por bancos, há que se especificar depósito por depósito, o que foi feito, mas não foi apresentado ao contribuinte e responsáveis. Na verdade os demonstrativos de fl.869 a 888 deveriam ter sido apresentados aos interessados através de termo antes do término da fiscalização. Também de maneira correta, a DRJ enfrentou o ponto de que na impossibilidade de encontrar o contribuinte, deveria ter sido feito um edital mencionando que em anexo constaria uma planilha com os depósitos bancários individualizados, solicitando a comprovação da origem dos mesmos. Os Editais de nº 226/2009, 227/2009, 229/2009 e 247/2009 (fl. 1085 a 1088), somente dão ciência aos sócios da autuação. O contribuinte e todos os arrolados no processo deveriam receber uma intimação com os depósitos bancários devidamente individualizados, para que fosse comprovado, através de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos, de modo que o fiscal pudesse vislumbrar o que é receita tributável ou não, verificando se as receitas estavam ou não tributadas. Se eles não fizessem tal comprovação poderia se considerar, por presunção legal, que todos os depósitos seriam receitas. Portanto, há que se fazer tal ato, o contribuinte tem que ter a oportunidade de informar a origem desses depósito, é um requisito previsto na lei. Conforme já é pacífico neste Egrégio Conselho de Recursos Fiscais – CARF, bem como no antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, a ausência da Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.444 25 intimação para a comprovação dos depósitos bancários desvirtuou a finalidade do procedimento administrativo, motivo pelo qual este encontrase eivado de vício insanável e de natureza material, como bem reconhecida pela DRJ. Como se sabe durante o procedimento administrativo do lançamento, há que se realizar diversos atos, sendo alguns deles obrigatórios. No caso em comento, a intimação prevista no dispositivo supracitado é um ato obrigatório, essencial, posto que, está previsto na lei que rege o tema. Ressaltese que no lançamento tributário há total vinculação a lei, a falta da referida intimação vicia o procedimento. No presente caso a norma violada foi de natureza imperativa, cogente, portanto, o vício é essencial, acarretando a nulidade absoluta do lançamento, uma vez que foi praticado em desconformidade com a ordem jurídica. Dizse que o vício é material porque sua ocorrência está ligada à questão substancial de saber se a obrigação tributária correspondente efetivamente existe e de se ter o seu dimensionamento econômico. A presente nulidade é de natureza material, o vício apurado é essencial, não foi cumprido um requisito essencial, absolutamente necessário para conferir a legalidade do lançamento. O art.149 do CTN dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.445 26 IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O inciso IX do dispositivo informa que é dever da autoridade rever o lançamento quando houver omissão de ato essencial. Assim, mantenho a posição da DRJ quanto ao reconhecimento da nulidade por vício material e nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10580.721995/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2011 a 31/10/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Correto o lançamento fiscal para exigência do PIS e Cofins não declarados em DCTF e Dcomp e que teriam sido objeto de compensação, somente na escrita contábil, com supostos créditos decorrentes de títulos públicos, sem amparo em qualquer decisão judicial.
OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Constitui evidente intuito de fraude a omissão de informações relativas a compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da legislação tributária. O procedimento adotado revela a nítida intenção de evitar ou retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações realizadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2011 a 31/10/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Correto o lançamento fiscal para exigência do PIS e Cofins não declarados em DCTF e Dcomp e que teriam sido objeto de compensação, somente na escrita contábil, com supostos créditos decorrentes de títulos públicos, sem amparo em qualquer decisão judicial. OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Constitui evidente intuito de fraude a omissão de informações relativas a compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da legislação tributária. O procedimento adotado revela a nítida intenção de evitar ou retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações realizadas. Recurso Voluntário Negado
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Correto o lançamento fiscal para exigência do PIS e Cofins não declarados em DCTF e Dcomp e que teriam sido objeto de compensação, somente na escrita contábil, com supostos créditos decorrentes de títulos públicos, sem amparo em qualquer decisão judicial. OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Constitui evidente intuito de fraude a omissão de informações relativas a compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da legislação tributária. O procedimento adotado revela a nítida intenção de evitar ou retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações realizadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 95 /2 01 4- 20 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 443 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 444 3 Relatório Tratase de autos de infração de PIS e Cofins referentes aos fatos geradores de maio a outubro de 2011, no valor original total de R$ 6.989.474,90 incluídas o valor do principal, juros e multa de ofício qualificada em 150%. De acordo com a fiscalização o contribuinte efetuou compensações em sua escrituração contábil digital dos valores de PIS e Cofins cumulativos a recolher com créditos escriturados na conta de "Tít. Div. Pública PROC 05810623201040134" que seriam decorrentes da compra de crédito fiscal oriundos de apólices de D. PÚBLICA PROC JUD 00581062320104013400 1ª VARA TRF/DF, os quais teriam um valor total de R$ 22.000.000,00 e foram adquiridos com deságio de R$ 9.900.000,00. Relata a fiscalização que a empresa foi intimada, por meio de 4 termos de intimação (nº 4, 5, 6 e 7) a prestar esclarecimentos sobre as compensações e o referido processo judicial, nada tendo respondido a esse respeito. Esclarece que efetuou consulta ao site do TRF/DF e verificou que o processo referese a execução de título extrajudicial, objetivando cobrança de dívida oriunda de título da dívida externa brasileira, emitido no ano de 1904 pela Prefeitura do Distrito Federal, sendo que, na sentença proferida em 05/07/2012, o Juiz reconhece que a exigibilidade do título resta fulminada pela prescrição e extingue a execução, mandando comunicar a RFB da decisão. Ante a proibição de compensação tributária com títulos públicos expressa no art. 74, § 12, alínea "c" da Lei nº 9.430/96 e a decisão judicial definitiva, foram efetuados os lançamentos para exigência do PIS e Cofins. Foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 pois a fiscalização entendeu que houve fraude, art. 72 da Lei nº 4.502/64, na medida em que o contribuinte tinha pleno conhecimento da impossibilidade legal das referidas compensações, pois as compensações foram efetivadas antes da decisão proferida no processo judicial, sendo que o contribuinte já vinha sendo cobrado, relativamente a outros tributos, por meio dos processos administrativos referenciados nos itens 8 e 9 do Termo de Verificação Fiscal, por ações decorrentes do mesmo procedimento. Com base no art. 135, inc. III do CTN a fiscalização inseriu como responsável solidário o Sr. Remco Drosten, holandês, CPF 838.314.28549, administrador não sócio da sociedade conforme cláusula quinta, parágrafo único do Contrato Social, e representante legal das duas empresas sócias estrangeiras. Tanto o contribuinte quanto o responsável solidário apresentaram impugnações de semelhante conteúdo, cujas alegações foram assim resumidas pelo acórdão recorrido: a) Em preliminar, reclama que não lhe foi conferido tempo hábil para prestar os esclarecimentos relativos às compensações realizadas. Entende que se não fosse esse fato tudo estaria esclarecido, uma vez que possui direito creditório contra a União, o que lhe permite o encontro de contas. Assim, estaria nulo o lançamento por preterição do direito de defesa; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 445 4 b) Outra nulidade apontada seria relativa ao reexame de período já fiscalizado sem que tivesse sido pedida autorização expressa ao Delegado da Receita Federal, uma vez que os referidos períodos de apuração já teriam sido objeto de análise nos processos 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103; c) No mérito, com relação aos lançamentos de Cofins e PIS/Pasep, objeto do presente processo, apresenta apenas o trecho abaixo: “Por seu turno, no que toca a cobrança pretendida, a título de PIS, padece do vício da inconstitucionalidade, estando por merecer apurada análise dos dispositivos que tratam das contribuições sociais a serem cobradas das empresas. O artigo 194, da Carta Magna estabeleceu as seguintes, normas gerais sobre a seguridade social: (...) Além disso, o artigo 195 do mesmo diploma constitucional, estabelece as formas de financiamento da seguridade social, a saber: (...) Não há nenhuma dúvida que, em atendimento ao disposto nos artigos já transcritos, verifica:se que tal ‘conjunto de ações destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à.previdência e assistência social (artigo 194) será financiado apenas pelas contribuições, que se encontram enumeradas nos incisos I a III do artigo 195, ou seja: (...) Assim sendo, já existindo a contribuição a cargo das empresas incidentes sobre, o faturamento mensal, qual seja a contribuição para o PIS, a pretensão de nova contribuição sobre a mesma base de cálculo e mesma natureza não tem como prosperar, vez que viola o.art.195 da Constituição Federal e ainda o art. 154, J da Carta Magna que estabelece: (...) Não há como negar que a contribuição ora pretendida pela Lei Complementar n° 70/91, não pode ser cobrada da impetrante, que, entretanto, não tem outra alternativa senão a da propositura da presente ação para garantia de seus direitos. ......... Concluise que, determinando a Constituição Federal que as contribuições incidirão sobre o faturamento, o lucro e a folha de salários, ou seja, estabelecendo as hipóteses sobre as quais é possível a. cobrança, e já existindo tais bases de cálculo gravadas respectivamente com o PIS, a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. e a CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA, a incidência de mais uma contribuição (Social sobre o Faturamento) acarretará, como já exposto, violação ao próprio artigo 195, I, que somente admite as contribuições sobre as hipóteses que enumera.” d) Com referência à qualificação da multa de ofício, defende que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 “não é aplicável ao fato descrito pelo Auditor, pois em momento Fl. 445DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 446 5 algum a Empresa impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições”. Acrescenta: “Tampouco diferiu ou evitou o pagamento, não havendo como concluir que houve dolo. O que houve foi apenas a utilização de um credito, existente e válido para compensálo”. Ao julgar referidas impugnações, a 3ª Turma da DRJ/Belém proferiu o Acórdão nº 0130.000, de 08/09/2014, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2014 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 72 da mesma lei. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Comprovada a inexistência de cerceamento do direito de defesa da impugnante, descabe falar em nulidade do lançamento. PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão para acompanhamento ou sustentação oral por representante do contribuinte na sessão de julgamento administrativo em primeira instância. Impugnação Improcedente O contribuinte foi regularmente intimado da referida decisão e não apresentou recurso voluntário. Por sua vez o responsável solidário, Sr. Remco Drosten, tendo sido intimado por Edital, apresentou recurso voluntário, por meio do qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: nulidade por cerceamento do direito de defesa, vez que "não é oportunizado tempo hábil para a apresentação de documentos relativos aos esclarecimentos a Autarquia". Afirma ser possuidor de crédito contra a União e que ajuizou ação monitória para ver reconhecido seu crédito. Que não há como afastar a compensação, pois o art. 368 do CC prevê o encontro de contas entre credor e devedor. E que houve nulidade nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72; nulidade do procedimento pois o contribuinte foi alvo de um segundo exame fiscal relativo aos períodos já auditados e que teriam sido objetos dos processos Fl. 446DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 447 6 administrativos nº 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103, sem no entanto ter havido a ordem expressa prevista no art. 906 do RIR/99; no mérito repete exatamente as mesmas razões da impugnação, acima transcritas, e que se resumem à alegação da inconstitucionalidade da Cofins exigida por meio da Lei Complementar nº 70/91. Nada alega a respeito do PIS e nem a respeito da apuração das bases de cálculo e outros elementos do auto de infração; por fim, quanto à qualificação da multa, também repete a impugnação para dizer que em momento algum ficou demonstrada a prática de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64 e que a multa de 150% fere a legislação em frontal desrespeito ao princípio do confisco. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 448 7 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Nulidade do Lançamento Esclareço que não vislumbrei no auto de infração constante do presente processo, qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; No presente caso o recorrente alega afronta ao art. 59, inc. II, acima transcrito, mas não especifica e nem traz elementos para corroborar a sua tese. Sem razão, pois todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 449 8 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. O recorrente alega nulidade por cerceamento do direito de defesa, vez que "não é oportunizado tempo hábil para a apresentação de documentos relativos aos esclarecimentos a Autarquia". Vêse que esta afirmação não é verdadeira. Conforme item 10 do Termo de Verificação Fiscal, efl. 16, o contribuinte foi intimado quatros vezes, por meio dos termos de intimação fiscal nº 4, 5, 6 e 7 e nada apresentou a respeito das compensações efetuadas e do referido processo judicial. Pois bem, o Termo de Intimação Fiscal TIF nº 4, e fls. 90/91, foi recebido pelo contribuinte em 05/10/2013, o TIF nº 5, efls. 115/116, foi recebido em 11/11/2013, o TIF nº 6, efls. 126/127, foi recebido em 23/12/2013, e o TIF nº 7, efls. 134/135, foi recebido em 13/02/2014, ou seja, somente nestas intimações o contribuinte teve mais de quatro meses para apresentar os esclarecimentos que ele diz ser necessário para comprovar a regularidade das compensações e nada apresentou. A fiscalização teve início em 11/03/2013 e foi encerrada em 25/04/2014, ou seja, durou mais de um ano e o contribuinte alega falta de tempo hábil para apresentação de esclarecimentos. Evidente que ele está sem razão e sem argumentos, pois os esclarecimentos de que tanto fala poderiam então ser apresentados por meio de sua impugnação ou até mesmo no presente recurso voluntário. O contribuinte alega ainda nulidade do procedimento, pois tratava se de reexame do mesmo período já fiscalizado e necessitaria de ordem expressa do Delegado da Receita Federal, nos termos do art. 906 do RIR/99. Esta mesma questão foi apresentada na impugnação e foi assim enfrentada pelo Acórdão recorrido: (...) Nulidade 2. Reexame de escrita. 11. A impugnante requer a nulidade do lançamento por entender que houve um reexame de períodos já fiscalizados, sem autorização do Delegado local, uma vez que os referidos períodos de apuração já teriam sido objeto de análise nos processos 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103. 12. Novamente não tem razão a interessada. Compulsando os processos citados vêse que os mesmos são processos de cobrança de débitos confessados em DCTF e vinculados indevidamente a créditos inexistentes, não se referindo a ação fiscal. Ademais, a presente ação fiscal foi autorizada pelo MPF 05101002013001340, conforme constante do Termo de Início de Ação Fiscal, do qual tomou ciência a interessada em 11.03.2013 (AR fl. 27). Dessa forma deve ser afastada a nulidade proposta. Em outras palavras, o acordão recorrido afirma que verificou os processos 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103, os quais seriam a prova de que o contribuinte estaria sendo submetido a uma segunda fiscalização referente ao mesmo período e concluiu que neles discutese a exigência de débitos confessados pelo contribuinte em DCTF, não se tratando portanto de processos com lançamento fiscal, ou melhor, o seu objeto não decorre de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 450 9 fiscalização, mas sim de cobrança de débitos já declarados. Em seu recurso voluntário o recorrente não traz qualquer contestação à conclusão da DRJ. Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Mérito No mérito, o recorrente repete exatamente as mesmas razões da impugnação, que se resumem à alegação da inconstitucionalidade da Cofins exigida por meio da Lei Complementar nº 70/91. Nada alega a respeito do PIS e nem a respeito da apuração das bases de cálculo e outros elementos do auto de infração. Como é sabido, não cabe a este órgão julgador apreciar alegações de constitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto à qualificação da multa, também repete a impugnação para dizer que em momento algum ficou demonstrada a prática de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64 e que a multa de 150% fere a legislação em frontal desrespeito ao princípio do confisco. Quanto ao desrespeito ao princípio constitucional do não confisco, há que se repetir que analisar a imposição da multa, regularmente instituída pela lei tributária, resulta em apreciar a sua inconstitucionalidade o que não é permitido ao julgador administrativo nos termos da Súmula CARF nº 2, acima transcrita. Quanto à existência do intuito de fraude, creio que ela está perfeitamente demonstrada pela fiscalização. Veja em que termos está a acusação fiscal: (...) 13 Diante da falta de previsão legal e decisão judicial definitiva e que parte das compensações efetuadas não foram efetivadas por meio de DCOMP e nem declaradas em DCTF, elaboramos Demonstrativo de Apuração do PIS, e Demonstrativo de Apuração da COF1NS onde se constatam diferenças passíveis de lançamento de ofício por falta de recolhimento tendo em vista o confronto dos valores apurados das contribuições com os valores declarados em DCTF. (...) 17 No presente caso, o contribuinte tinha pleno conhecimento de que o procedimento adotado, a compensação do PIS e da COFINS com créditos de Títulos Públicos levada a efeito em sua contabilidade, não estava amparado na legislação tributária ou em ação judicial com decisão definitiva, posto que ainda não tinha sido ainda proferida a sentença da 18a Vara do TRD/DF posterior as compensações efetuadas na contabilidade, e contrária a sua pretensão. Além disso, tinha conhecimento também do entendimento da Receita Federal do Brasil da não possibilidade de compensações das contribuições do PIS e da COFINS com títulos da dívida pública, através das várias decisões e cobranças efetuadas nos processos administrativos citados nos itens 08 e 09 deste Termo de Verificação Fiscal. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 451 10 18 A conduta fraudulenta adotada pelo contribuinte relatada no item anterior, autoriza a qualificação da multa de lançamento de ofício que passa a ser de 150% Fraude, art.72 da Lei n° 4.502/1964. Os enquadramentos legais da multa de lançamento de ofício constam no Auto de Infração do PIS e do Auto de Infração da COFINS, ambos lavrados nesta mesma data. 19 Ocorre ainda que quando contabilizou na ECD 2011 Livro Diário Digital nº 90 com Termo de Autenticação nº 130309796, créditos na conta 1.01.003.002.01.001 "TIT DIV PUBLICA PROC 05810623201040134 oriundo de Títulos Públicos e proceder contabilmente compensações com o PIS a recolher conta 20100300101007 e COFINS a recolher conta 20100300101008, ou seja, efetuar a compensação de tributos federais com créditos inexistentes pois representados por título de autenticidade duvidosa, incerto e prescrito, com tributos federais sem autorização legal ou judicial, o contribuinte manteve em tese uma conduta em fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal, além de omitir informações e prestar declaração falsa às autoridades tributárias, enseja Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, tendo em vista o disposto no art. 1º da Portaria RFB nº 2.439/2010. (...) Ao analisar o presente processo concluo que tenho que concordar com a acusação fiscal pois o contribuinte, de maneira intencional, efetuou compensação contábil de valores de PIS e Cofins por ele devidos, tendo como suporte supostos créditos de Títulos Públicos emitidos em 1904, cujos créditos seriam objetos de ação judicial. Estas compensações tem proibição expressa na legislação tributária, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 452 11 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) (Destaquei) Vejam que as formas de proceder as compensações e as suas restrições estão devidamente estabelecidos na lei tributária desde idos de 2004, na melhor das hipóteses. Observase que para realizar a compensação tributária o contribuinte tem que apresentar uma Declaração de Compensação Dcomp, informando os seus créditos, sua origem, e os correspondentes débitos objeto da compensação. Como havia uma proibição legal expressa de se compensar créditos oriundos de títulos públicos e também decorrentes de ação judicial sem o correspondente trânsito em julgado, optou o contribuinte em efetuar a compensação em sua escrituração contábil, de forma nitidamente irregular, à medida em que ele omitiu estas informações em declarações de cunho obrigatório à RFB. Comprovado está que ele efetuou as compensações, mas omitiuas de forma intencional em suas DCTF e Dcomp. Ressaltese que, mesmo intimado e reintimado, o contribuinte jamais apresentou as cópias das decisões judiciais que amparariam o seu pedido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 452DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 13312.000331/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir.
NEGATIVA DE PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o pedido de perícia fundamentadamente indeferido pela Autoridade Julgadora em primeira instância, por considerar tal procedimento prescindível à solução do litígio, não há qualquer nulidade a ser reconhecida na decisão recorrida.
Numero da decisão: 1301-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE DÉBITOS DA CONTA CAIXA. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, as operações bancárias do contribuinte, especialmente cheques compensados e pagamentos de despesas por meio de contacorrente bancária, lançadas a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, com a consequente recomposição da referida conta, decorrendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. Correta também a redução dos valores lançados, quando o resultado de diligência, determinada pelo Julgador em primeira instância, apurou que uma parte dos lançamentos a débito da conta Caixa, questionados pelo Fisco, possuía também lançamentos a crédito da mesma conta, em idêntico valor. Com isso ficou evidenciado que tais valores meramente transitaram pela conta Caixa, sem qualquer efeito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 03 31 /2 01 0- 58 Fl. 10155DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.156 2 ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. ELEMENTOS CONSTANTES DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. NULIDADE. DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não pode prosperar a alegação de cerceamento ao direito de defesa quando todos os elementos necessários à compreensão do lançamento se encontram nos autos e, ademais, o contribuinte não consegue demonstrar a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. NEGATIVA DE PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o pedido de perícia fundamentadamente indeferido pela Autoridade Julgadora em primeira instância, por considerar tal procedimento prescindível à solução do litígio, não há qualquer nulidade a ser reconhecida na decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007 ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Fl. 10156DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.157 3 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório ATACADÃO HIPER FRIOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 11.779.286,26, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3. O relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância descreve de forma sucinta e objetiva o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevê lo abaixo: O processo versa sobre lançamentos tributários, em face do contribuinte acima identificado, consubstanciado nos autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 540/547), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 558/563), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 548/552) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 553/557). O montante global do crédito tributário exigido é de R$11.779.286,26, já computados os juros moratórios e a multa de ofício de 75%. Fazem parte dos citados autos de infração o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 566/569), o Demonstrativo do Resumo da Glosa Diária (fls. 570/575) e o Demonstrativo do Saldo Diário da Conta Caixa Após Estornos (fls. 576/583). 2. No TVF consta que: No curso da fiscalização foi verificado que foram contabilizados vários cheques a débitos da conta caixa para tanto intimamos o contribuinte em 25/01/2010 a identificar a destinação dos cheques compensados planilha fls. 23/76, a respectiva documentação comprobatória e em 05/02/2010 solicitamos as cópias dos extratos bancários do Banco Itaú, Banco Triangulo, Banco do Brasil, Banco Bradesco, Banco do Nordeste, extratos da REDECARD todos referentes a 2006. Em 23/02/2010, através do Termo Reintimação Fiscal, ratificamos a solicitação dos documentos pedidos anteriormente. Foi solicitada prorrogação de prazo, no que foi plenamente atendido. Em 01/03/2010 recebemos uma planilha em que estão discriminados alguns cheques, Banco Itaú, e seus respectivos documentos comprobatórios, mas a informação da planilha e documentos não respondiam ao Termo de Intimação. Fl. 10157DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.158 4 Orientamos o contribuinte explicando detalhadamente o que estava sendo solicitado na intimação. O mesmo solicitou prorrogação de prazo para atendimento. Novamente foi deferida a solicitação A fiscalizada, embora tenha solicitado dilatação de prazo para o atendimento do requerido nos termos acima, apresentou a planilha (fls.93/132) onde em uma das colunas consta "destino cheques" e anexada a mesma um documento (fls. 92) onde declara que "não foi possível entregar nenhuma despesa comprobatória". Após análise dos extratos bancários e planilha apresentados pelo contribuinte, os cheques relacionados na planilha, referem se a cheques compensados, cheques depositados devolvidos, débitos autorizados, cobranças bancárias e transferências, que teriam ingressado no caixa da empresa. O contribuinte, além de não apresentar nenhum documento comprobatório dos lançamentos, não consegue justificálos minimamente, conforme se verifica na Declaração do setor Contábil da Empresa (fls. 133/136), em anexo. (...) (...) Assim sendo, não comprovada a destinação dos cheques debitados na conta Caixa e liquidados via compensação bancária, implica que estes não tiveram como objetivo suprir de moeda nacional o caixa da empresa, justificandose, assim, a exclusão dos valores contabilizados a débito na conta Caixa e a tributação do saldo credor da referida conta por presunção legal de omissão de receita. 3. Cientificado dos lançamentos, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 586/617), alegando que: (a) Das planilhas que seguem em anexo ao auto de infração, não temos qualquer elemento que nos permita sequer identificar quais os ditos cheques que tiveram sua glosa efetuada, pois são planilhas genéricas e que afetam diretamente o direito de defesa do contribuinte. (b) O impugnante entregou em tempo hábil àquela fiscalização uma relação onde vincula a saída de cheques às operações glosadas, o que por si só já impunha a nulidade da autuação, pois deveria a fiscalização haver aprofundado seus estudos, solicitando, no mínimo, a apresentação da cópia desses documentos à instituição bancária. (c) A autoridade fiscal não agiu em conformidade com os artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999), pois simplesmente glosou todos os lançamentos efetuados na conta caixa que se referiam a movimentação bancária, de forma indiscriminada, e sem considerar a escrita fiscal da empresa. (d) A conta Caixa guarda consonância com seus extratos bancários, e que tem comprovação lastreada nas próprias operações do sujeito passivo, que movimenta elevadas quantias em espécie, dado a enorme gama de produtos e Fl. 10158DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.159 5 moeda em circulação nos seus estabelecimentos, ou ainda, por prestar serviços de correspondente bancário, por devolução de cheques sem fundos de clientes, por estorno de operações bancárias efetuadas com erro pelos agentes financeiros, por pagamentos de contas através de borderô bancário, pagamentos de leasing de veículos, pagamento de empréstimos bancários, e outras operações. Tudo conforme documentos em anexo (docs. 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15). [Aduziu decisões administrativas] (e) Detectou que a ilustre fiscal utiliza dois pesos e duas medidas em várias situações, a saber: 1. Foi verificado em 25/01/06 que foi aceito o lançamento de chegue depositado e devolvido no valor R$ 139,00 na conta caixa; 2. Foi verificado em 03/02/06 que foi aceito o lançamento de cheque depositado e devolvido no valor R$ 78,00 na conta caixa; 3. Não foi possível identificar a diferença em 06/02/06 na conta caixa; 4. Foi verificado em 24/03/06 que foi aceito o lançamento de cheque depositado e devolvido no valor R$ 92,33 na conta caixa; 5. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Recebimento Loja Super Compras no valor R$ 327,58; 6. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Estorno de Lançamento no valor R$ 7.000,00 na conta caixa. Ora, porque a agente fiscal aceitou essas operações que são idênticas as que glosou? (f) Requereu perícia/diligência. 4. Em 08/02/2011, esta 4ª Turma/DRJ/Fortaleza converteu o julgamento em diligência para a Unidade Local averiguar a possibilidade de cada um dos lançamentos contábeis objeto de glosa (ou seja, a débito da conta Caixa) possuir lançamento(s) correspondente(s) a crédito da referida conta no mesmo valor, de modo a demonstrar o trânsito (apenas escritural) dos recursos pelo Caixa, sem nenhuma interferência na formação do saldo credor originalmente calculado (Resolução n° 2.081 – fls. 620/624). 5. Em resposta, a Unidade Local aduziu os documentos de efls. 5073/10084. Cientificado do resultado da diligência em 16/06/2014 (efl. 9985), não há notícia nos autos de manifestação do administrado sobre os referidos resultados. A 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0830.505, de 29/07/2014 (fls. 10087/10104), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE. VIOLAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. Não incide em nulidade do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não consegue demonstrar a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE DÉBITOS DA CONTA CAIXA. Fl. 10159DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.160 6 Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, as operações bancárias do contribuinte, especialmente cheques compensados e pagamentos de despesas por meio de contacorrente bancária, lançadas a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, com a consequente recomposição da referida conta, decorrendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2006 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. COFINS. PIS/PASEP. NULIDADE. ASPECTO QUANTITATIVO E TEMPORAL. Devese reconhecer a nulidade de lançamento com falha no critério quantitativo e temporal de apuração de Cofins e PIS/Pasep. Por relevante, esclareço que foram afastados integralmente os lançamentos de PIS e COFINS, por erro nos critérios quantitativo e temporal de apuração dessas contribuições. Ademais, foram reduzidos os lançamentos de IRPJ e CSLL, de acordo com o resultado da diligência determinada pelo Julgador em primeira instância, sendo excluídos da recomposição do Caixa os 154 valores para os quais foi possível identificar lançamentos contábeis a crédito da conta Caixa, em data e valor idênticos àqueles lançamentos a débito, objeto de questionamento pelo Fisco. Ciente da decisão de primeira instância em 07/08/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 10109, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/09/2014 conforme carimbo de recepção à folha 10114. No recurso interposto (fls. 10114/10147), a recorrente afirma a tempestividade de seu recurso, e faz breve síntese dos fatos atinentes ao lançamento, sob sua ótica. Preliminarmente, sob o título 03. PRELIMINAR DE NULIDADE – AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO, PRESUNÇÃO RELATIVA, NECESSIDADE DE PERÍCIA TÉCNICA E CERCEAMENTO DE DEFESA, a interessada sustenta a nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância. A nulidade do lançamento residiria na falta de prova da ocorrência do suposto ato infracional (omissão de receitas), prova essa cujo ônus recairia sobre o Fisco. A interessada alega que a autoridade deveria ter se utilizado de perícia técnica para constatar a materialidade da suposta omissão de receitas. Mesmo em se tratando de presunção normativa, essa presunção teria limites, descabendo autuação com base em meros indícios. Colaciona Fl. 10160DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.161 7 doutrina em favor de sua tese. Invoca o princípio da verdade material e sustenta que cabe à autoridade lançadora atestar, de modo cabal, a ocorrência do fato jurídico que lhe deu suporte. A alegada nulidade terseia estendido, também, à decisão de primeira instância, ao afastar a realização de perícia por profissional habilitado, o que “seria o único meio de constatar efetivamente a ocorrência da omissão de receita”. Tal decisão retiraria a segurança jurídica necessária para o auto de infração possuir o mínimo de validade. No mais, a recorrente repisa, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal mais multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (demonstrativo fls. 10105/10107), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de ofício permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, para maior clareza, a análise será feita em duas etapas: a primeira, cuidando da redução dos lançamentos de IRPJ e CSLL, de acordo com o resultado da diligência determinada pelo Julgador em primeira instância. A segunda, analisando o afastamento integral dos lançamentos de PIS e COFINS. · Redução dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Fl. 10161DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.162 8 No que tange a esta matéria, cumpre lembrar que o lançamento foi feito diante da constatação, pela Autoridade Lançadora, de que o contribuinte contabilizava a débito da conta Caixa diversos fatos econômicos que, por sua natureza, não representariam um ingresso de recursos no Caixa. Apenas como exemplo, cheques da emissão do próprio contribuinte, compensados pela instituição bancária. Intimado a comprovar que os valores teriam meramente transitado pela conta Caixa, apontando o correspondente crédito contábil, o contribuinte não logrou fazêlo. Assim, o Fisco procedeu à recomposição do saldo da conta Caixa, excluindo os valores não comprovados e fazendo aflorar saldos credores. Por presunção legal, a ocorrência de saldos credores autoriza o lançamento por omissão de receitas. Diante da irresignação da então impugnante, e da insuficiência de elementos nos autos que permitissem a comprovação de suas alegações, a Autoridade Julgadora em primeira instância houve por bem determinar a realização de diligência, para que fosse verificado, para cada um dos lançamentos a débito objeto de glosa, a existência (ou não) de um lançamento a crédito, de mesmo valor, na conta Caixa, com o que se evidenciaria o trânsito apenas escritural dos valores por essa conta, sem efeito para fins fiscais. Em cumprimento da diligência, o AuditorFiscal encarregado do feito se manifestou às fls. 9981/9985, tendo sido identificados 154 lançamentos contábeis a débito da conta Caixa, objeto de glosa pelo Fisco, para os quais havia lançamento a crédito da mesma conta, em idêntico valor. O Julgador em primeira instância, então, fez excluir tais valores da glosa e da recomposição do Caixa (ou, melhor dizendo, fez reincluir tais valores no saldo da conta Caixa), reduzindo, assim, os saldos credores e os lançamentos de IRPJ e CSLL. Não faço reparos ao quanto decidido. Ao restar comprovado que parte dos valores questionados pelo Fisco meramente transitaram pela conta Caixa, nela ingressando (débito) e saindo (crédito), tais valores não devem ser glosados para fins de recomposição do saldo da conta Caixa. Correta a decisão de primeira instância, e nego provimento ao recurso de ofício, quanto a este ponto. · Afastamento integral dos lançamentos de PIS e COFINS. Quanto a este ponto, a Autoridade Julgadora em primeira instância entendeu ter havido vício material nos critérios temporal e quantitativo da apuração dos tributos. O excerto do voto condutor do acórdão recorrido, a seguir transcrito, bem dá conta de seus fundamentos: 48. [...] Na espécie, a periodicidade da Cofins e do PIS/Pasep é mensal, mas foi lançado trimestralmente, à semelhança do que ocorreu, na espécie, com o IRPJ e a CSLL. 49. Por via de consequência, a metodologia de apuração mensal do saldo credor de caixa, que deveria partir de saldo inicial mais débitos, menos créditos nessa conta, também viuse violada pela apuração trimestral do tributo. Sendo assim, a base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep sofreu defeito insanável, já que se trata do critério quantitativo do tributo normatizado pelo artigo 10, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972 (“determinação da exigência”). 50. Logo, por vício material nos critérios temporal e quantitativo da apuração do tributo, devese reconhecer a nulidade dos lançamentos de Cofins e PIS/Pasep. Fl. 10162DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.163 9 Também aqui, reputo correta a decisão de primeira instância. Apenas observo que, em outras situações, tenho me manifestado no sentido da manutenção parcial do lançamento. É que, naquelas outras situações, o valor da omissão de receitas foi apurado mensalmente, e o total de cada três meses lançado no último trimestre do mês. Por exemplo, as omissões de janeiro, fevereiro e março lançadas no mês de março. Sendo os fatos geradores do PIS e da COFINS mensais, seria possível, naqueles casos, simplesmente excluir os valores atinentes a janeiro e fevereiro, e manter a parte correspondente a março. Não é o que ocorre no presente caso. Segundo o critério da Autoridade Lançadora, as omissões foram apuradas por trimestre (seguindo os fatos geradores do IRPJ e da CSLL), e não a cada mês. Assim, a segregação dos valores a manter implicaria novos cálculos e planilhas, além da aplicação de critérios outros, o que, a meu ver, constituiria inovação no lançamento, inadmissível. Também aqui, portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Em conclusão, quanto ao recurso de ofício, voto por negarlhe provimento. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instância, por afastar a realização de perícia por profissional habilitado, o que “seria o único meio de constatar efetivamente a ocorrência da omissão de receita”. Tal decisão retiraria a segurança jurídica necessária para o auto de infração possuir o mínimo de validade. Não lhe assiste razão. O pedido de perícia, feita por Contador, foi fundamentadamente indeferido pelo Julgador em primeira instância, sendo certo que as verificações pretendidas pela então impugnante foram consideradas desnecessárias ou irrelevantes para a solução do litígio, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. Não obstante, a Autoridade Julgadora em primeira instância determinou a realização de diligência para o esclarecimento de certos pontos que, a seu juízo, ainda restavam obscuros nos autos. O cumprimento da diligência recaiu sobre AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade competente para efetuar o lançamento tributário e, por certo, também para diligenciar no curso do contencioso administrativo fiscal. A competência do AuditorFiscal para esse fim é matéria pacífica na jurisprudência administrativa, conforme se verifica da Súmula CARF nº 8, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Do resultado da diligência foi dada ciência ao contribuinte, facultandolhe prazo para, se assim o quisesse, se manifestar nos autos sobre suas conclusões. A interessada optou por não fazer uso dessa faculdade. Também, por ocasião do recurso voluntário, não trouxe qualquer outro elemento de prova em favor de suas alegações. Fl. 10163DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.164 10 Em assim sendo, rejeito a alegação de nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. No que tange às alegações de nulidade do lançamento, bem assim a todas as demais alegações de mérito, são idênticas àquelas trazidas em sede de impugnação. Ao examinar o minucioso voto condutor do acórdão em primeira instância, constato que a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos. Com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/19981, adoto o trecho a seguir transcrito como razões de decidir (grifos no original, bem assim as notas de rodapé igualmente transcritas). Da Diligência/Perícia 8. Não se acolhe requerimento de diligência/perícia para produção de prova, cujo ônus é do próprio administrado, consoante artigo 12, § 2°, do Decreto Lei n° 1.598, de 1977 2 (encargo de desconstituir a presunção legal em favor do fisco) e o momento apropriado é a interposição da peça impugnatória, nos termos dos artigos 15 e 16, inciso III e § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972 3 (ônus de aduzir todas as provas juntamente com a impugnação). Do Cerceamento ao Direito de Defesa 9. O contribuinte alegou que, das planilhas anexadas ao auto de infração, não seria possível identificar quais os cheques que tiveram sua glosa efetuada, por se tratar de planilhas genéricas, o que violaria o direito de defesa do contribuinte. 10. Não se acolhe tal argumento. 11. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 570), o agente fazendário explicitou que: No curso da fiscalização foi verificado que foram contabilizados vários cheques a débitos da conta caixa para tanto intimamos o contribuinte em 25/01/2010 a identificar a destinação dos cheques compensados planilha fls. 23/76, a respectiva documentação comprobatória e em 05/02/2010 solicitamos as cópias dos extratos bancários do Banco Itaú, Banco Triangulo, Banco do Brasil, Banco Bradesco, Banco do Nordeste, extratos da REDECARD todos referentes a 2006. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2“ Art 12. (...) § 2º. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, RESSALVADA AO CONTRIBUINTE A PROVA DA IMPROCEDÊNCIA DA PRESUNÇÃO.” 3 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ... Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (destaquei) Fl. 10164DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.165 11 12. Em 23/02/2010, o contribuinte foi reintimado a apresentar as explicações e planilhas referidas no termo de 25/01/2010 (fls. 81/82). 13. Em 15/03/2010, o contribuinte foi reintimado a apresentar as explicações e planilhas referidas no termo de 25/01/2010 (fls. 90/91). 14. Como o agente fiscal entendeu que o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus probatório, concluiu o TVF da seguinte forma (fls. 568/569): Assim sendo, não comprovada a destinação dos cheques debitados na conta Caixa e liquidados via compensação bancária, implica que estes não tiveram como objetivo suprir de moeda nacional o caixa da empresa, justificandose, assim, a exclusão dos valores contabilizados a débito na conta Caixa e a tributação do saldo credor da referida conta por presunção legal de omissão de receita. (...) Procedeuse à recomposição do saldo da conta CAIXA com a retirada dos valores acima questionados, Demonstrativo do Resumo da Glosa Diária (fls. 137/142) e Demonstrativo do Saldo Diário da Conta Caixa Após Estornos, (fls. 143/150), em anexo. 15. Portanto, ao contrário da afirmação do contribuinte, a autoridade fazendária deixou claro no TVF (efl. 570) que os cheques glosados são aqueles constantes do Termo de Intimação de fls. 23/76, cujos lançamentos contábeis, no entender do agente fiscal, não foram justificados pelo administrado. 16. Logo, não se concebe a existência de qualquer cerceamento à defesa do sujeito passivo, pois o auditor fiscal descreveu com clareza os fatos que ensejaram os lançamentos fiscais, não se vislumbrando, na espécie, prejuízo concreto ao contribuinte. DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS E DO ÔNUS DA PROVA 17. A infração apontada pela autoridade fiscal encontra fundamento legal no artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977: Art 12. (...) (...) § 2º. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. 18. Tal norma encontrase reproduzida no artigo 281 do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). 19. Depreendese, pois, que o dispositivo acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento dos tributos correspondentes diante da constatação de saldo credor de caixa. 20. A regra geral é a de que a Administração Tributária deve provar a ocorrência de omissão de receitas. Todavia, com a presunção legal estabelecida pelo artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977, temse excepcionalmente a autorização para considerar ocorrido o fato gerador diante do indício relativo ao saldo credor de caixa, devendo a Administração provar apenas o fatoindício. Logo, ao contrário da argumentação do contribuinte, o fisco não tem o dever de Fl. 10165DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.166 12 aprofundar a investigação para provar a ocorrência do fato gerador (ocorrência de receitas omitidas), mas apenas do fatoindício (saldo credor de caixa). Esse é o efeito da presunção legal. 21. Apenas para argumentar, assim também reza o Código de Processo Civil, em seu artigo 334, inciso IV, ao preceituar que não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 22. Fabiana Tomé4 discorre sobre as funções da presunção no direito tributário: Convém registrar que as presunções, no âmbito tributário exercem importantes funções, servindo para (i) suprir deficiências probatórias, sendo empregadas nas hipóteses em que o Fisco se vê impossibilitado de provar certos fatos; (ii) garantir eficácia à arrecadação e (iii) preservar a estabilidade social. O emprego das presunções no direito tributário, segundo Leonardo Sperb Paola, está relacionado com a criação de mecanismos que dificultem a evasão fiscal e propiciem maior eficiência na arrecadação de tributos. São técnicas que, na visão de Misabel Abreu Machado Derzi, objetivam ‘evitar a investigação exaustiva do caso isolado, com o que reduzem os custos na aplicação da lei; dispensar a colheita de provas difíceis ou mesmo impossíveis em cada caso concreto ou aquelas que representam ingerência indevida na esfera privada do cidadão e, com isso, assegurar a satisfação do mandamento normativo’. 23. O contribuinte também asseverou que a autoridade fiscal não agiu em conformidade com os artigos 923 e 924 do RIR/1999, pois simplesmente glosou todos os lançamentos efetuados na conta caixa que se referiam a movimentação bancária, de forma indiscriminada, e sem considerar a escrita fiscal da empresa. 24. Tais artigos prescrevem que: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 9º , § 1º ). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos FATOS REGISTRADOS COM OBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NO ARTIGO ANTERIOR (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 9º , § 2º ). 25. Portanto, ao contrário da argumentação do administrado, é encargo do administrado comprovar com documentos hábeis os lançamentos contábeis (artigo 923 do RIR/1999). O ônus de demonstrar a invericidade da escrituração só seria da autoridade administrativa depois de observado o disposto no artigo 923, é dizer, quando os lançamentos contábeis possuírem lastro em documentação probante (artigo 924 do RIR/1999). Em suma, a escrituração só se traduz em prova (em favor do contribuinte) quando lastreada em documentos que a suportem. 26. O então Conselho de Contribuinte (atual CARF) também possui o mesmo entendimento: OMISSÃO DE RECEITA SALDO CREDOR DE CAIXA: Não apresentadas as contraprovas necessárias a atestar a regularidade dos registros contábeis, configurase perfeitamente procedente a reconstituição da conta caixa, mediante as exclusão dos valores cuja 4 TOMÉ, Fabiana Del Padre, “A prova no direito tributário”. São Paulo: Noeses, 2005, p. 140. Fl. 10166DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.167 13 efetividade dos ingressos não restou comprovada por instrumentos hábeis. (Acórdão n° 10194.378; 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara; j. 15/10/2003.) 27. A ausência de demonstração de determinadas operações na conta Caixa, mediante documentos hábeis, autoriza a exclusão desses lançamentos contábeis e a posterior recomposição da conta Caixa. Se tal procedimento implicar saldo credor de caixa, o comando estabelecido pelo artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977, cuida de presunção relativa de omissão de receitas, que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. 28. Provado o fatoindício referente à incidência de saldo credor de caixa, cabe ao sujeito passivo o encargo de provar que cada um dos lançamentos contábeis está fundamentado em documentação hábil. De outro lado, em caso de inatividade do impugnante em apontar fatos impeditivos/modificativos e extintivos para o lançamento fiscal, prevalece a linguagem probatória alusiva à existência de omissão presumida de receitas. 29. Já o Acórdão n° 119576 (aduzido pelo impugnante) 5 não se aplica ao presente caso, pois sua própria ementa disciplina fato tributário para o qual inexista presunção legal sobre ele incidente (pois cuida de glosa de despesas), o que não é o caso do presente autos (omissão de receitas por presunção legal). 30. Por seu turno, o Acórdão n° 164760 (aduzido pelo impugnante)6 também versa sobre tema diverso, é dizer, sobre presunção de omissão de receitas apurado mediante saldo credor em conta de despesa. Em outras palavras, não existe presunção legal a respeito da situação enfrentada pelo referido Acórdão, o que não é o caso de presente autos sobre o qual incide o artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977 (saldo credor de caixa). DO SALDO CREDOR DE CAIXA 31. Segundo o impugnante, a conta Caixa guardaria consonância com seus extratos bancários e estaria lastreada nas próprias operações do sujeito passivo, pois movimentaria elevadas quantias em espécie, devido à enorme gama de produtos e moeda em circulação nos seus estabelecimentos, ou ainda, pela prestação de serviços de correspondente bancário, por devolução de cheques sem fundos de clientes, por estorno de operações bancárias efetuadas com erro pelos agentes financeiros, por pagamentos de contas através de borderô bancário, pagamentos de leasing de veículos, pagamento de empréstimos bancários, e outras operações. E aduziu documentos (docs. 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15) juntamente com sua impugnação. 5 ACÓRDÃO Nº 119576 (DRJ/Recife). Ementa: GLOSA DE DESPESA. ÔNUS DA PROVA: Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Não tendo a fiscalização questionado a documentação comprobatória da despesa ou a efetiva prestação do serviço, revelase insubsistente a glosa efetuada posto que baseada exclusivamente em depoimento do proprietário do imóvel onde supostamente estaria instalada a sede do prestador do serviço. 6 Acórdão n° 16470 (DRJ/São Paulo). Ementa: Omissão de Receitas A existência de saldo credor em conta de despesas não pode acarretar a presunção de omissão de receitas sem que haja o aprofundamento da ação fiscal. Omissão de Receitas A falta de comprovação do recebimento de contas a receber não pode, por si só, levar à presunção da ocorrência de omissão de receitas, sem que a fiscalização demonstre de forma cabal a falta do pagamento de tributo. PIS, IRFON, COFINS e CSLL O decidido quanto ao lança mento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. Fl. 10167DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.168 14 32. Observese, de plano, que a glosa foi efetuada em lançamentos contábeis indevidamente escriturados a débito da conta Caixa por referiremse, segundo o agente fiscal, a cheques e outras operações bancárias ocorridas em contacorrente de titularidade do contribuinte. 33. Conforme lição de Iudícibus, Martins e Gelbcke, “há empresas que ainda efetuam toda a contabilização por meio da conta Caixa, incluindo todos os recebimentos e todos os pagamentos em cheques, gerando um grande e desnecessário volume de débitos e créditos”7. De outra banda, os cheques poderiam ter transitado pela conta Caixa convenientemente apenas para acobertar eventual saldo credor de Caixa. 34. Como o contribuinte alegou que sua conta Caixa encontrase em consonância com seus extratos bancários, então, por exemplo, em relação ao lançamento a débito da conta Caixa (tendo como contrapartida o crédito na conta contábil “Banco Brasil C/C 333417”) no valor de R$1.786,98, em 12/01/2006, o sujeito passivo alegou que se trataria de pagamento de empréstimo (fl. 99). Se tal lançamento (LANÇAMENTO 01, infra) referese, de fato, a pagamento de empréstimo com utilização da conta Caixa, deveria ter sido sucedido por outro (LANÇAMENTO 02, infra) a débito da conta “Empréstimo”, com crédito da conta Caixa, na seguinte forma: 12/01/2006 LANÇAMENTO 01 DÉBITO/CRÉDITO CONTA VALOR (R$) DÉBITO Caixa CRÉDITO Banco Brasil C/C 333417 ..................... 1.786,98 LANÇAMENTO 02 DÉBITO/CRÉDITO CONTA VALOR (R$) DÉBITO Empréstimo CRÉDITO Caixa ..................................................... 1.786,98 35. Como antes só constava dos autos os lançamentos a débito do Caixa (v. fls. 23/76), não se podia averiguar a existência do LANÇAMENTO 02 (a crédito da conta Caixa). 36. Quanto ao sistema de borderô, utilizado pelo impugnante, ele alegou que encaminhava à sua agência bancária uma relação de títulos e contas (duplicatas, documentos de arrecadação de tributos, contas de telefone e energia elétrica, e outros) que desejava efetuar o pagamento ou o depósito, e o banco se encarregava de processar o solicitado. Ao final, era feito um débito integral na contacorrente do sujeito passivo, representativo do valor total dos pagamentos efetuados. Citou como exemplo o pagamento feito na contacorrente n° 247301 do Banco Itaú S/A, em 20/01/2006, no valor de R$28.537,50. Pois bem, desenvolvendo raciocínio similar aos parágrafos anteriores, devese perquirir se foi efetuado, em seguida, um crédito na conta Caixa na mesma quantia (R$28.537,50). 37. Resumindo, havia a dúvida sobre o motivo pelo qual a conta Caixa foi usada para contabilização de operações bancárias (pagamentos de empréstimos bancários, cheques devolvidos por falta de fundos, estorno de lançamentos bancários, pagamentos de contratos de “leasing” e consórcio, pagamentos de contas através do sistema de borderô, recebimentos de contas através do sistema de correspondente bancário, 7 IUDÍCIBUS, Sergio de; MARTINS, Eliseu; e GELBCKE, Ernesto Rubens. “Manual de contabilidade das sociedades por ações – aplicável às demais sociedades”. São Paulo: Atlas, 2007, p. 70. Fl. 10168DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.169 15 tarifas bancárias, pagamento de fornecedores e TED). Isso porque, com a ausência nos autos de cópias da conta Caixa do livro Razão – em sua completude –, não se podia averiguar a metodologia de contabilização utilizada pelo contribuinte. 38. Por isso, em 08/02/2011, esta 4ª Turma converteu o julgamento em diligência para a Unidade Local averiguar a possibilidade de cada um dos lançamentos contábeis objeto de glosa (ou seja, a débito da conta Caixa) possuir lançamento(s) correspondente(s) a crédito da referida conta no mesmo valor, de modo a demonstrar o trânsito (apenas escritural) dos recursos pelo Caixa, sem nenhuma interferência na formação do saldo credor originalmente calculado (Resolução n° 2.081 – fls. 620/624). 39. Em resposta, a Unidade Local proferiu o seguinte parecer (efls. 9981/9985) com o qual concordo e adoto como razão de decidir (artigo 50, §1°, da Lei n° 9.784, de 1999)8: 4. Em 08/03/2013 foi lavrado TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA FISCAL no qual o contribuinte foi cientificado do inteiro teor da Resolução 2.081 – 4ª Turma da DRJ/FOR, de 08 de fevereiro de 2011, bem como intimado a apresentar os livros contábeis Diário e Razão referentes ao anocalendário 2006 e arquivo magnético contendo sua escrituração contábil. (...) 11. No curso da presente diligência fiscal foram analisados individualmente todos os lançamentos contábeis a débito da conta “11101.00016 CAIXA” objeto de glosa. Referida análise foi dividida em dois procedimentos, a saber: a) Verificação da possibilidade de haver lançamento concomitante a crédito da conta “11101.00016 CAIXA”. Ou seja, lançamento a crédito da conta “11101.00016 CAIXA” no mesmo valor e na mesma data do lançamento objeto de glosa. b) Análise do histórico do extrato bancário da contrapartida. 12. Todos os lançamentos glosados foram tabulados na “Planilha 1 Lançamentos a débito da conta 11101.00016 CAIXA glosados no ano calendário 2006” [efls. 9986/10073]. Referida planilha contém 86 (oitenta e seis) folhas e relaciona os dados especificados no quadro abaixo, bem como informa o total diário dos lançamentos objeto de glosa. Cabe ressaltar que nos autos do processo administrativo em 13312.000331/201058 havia falha na cópia do extrato bancário do mês de julho/2006 da conta n° 308684 mantida no Banco Triângulo (fl. 311), fato que impedia a leitura do histórico do lançamento. Bem como ausência de folha do extrato bancário do mês de outubro/2006 da conta n° 33.3417 mantida no Banco do Brasil referente ao período compreendido entre os dias 19 a 31 de outubro de 2006 (fls. 467468). Para sanar tais deficiências o contribuinte foi intimado a apresentar as cópias dos referidos extratos. (...) 13. Da analise dos 2.646 (dois mil, seiscentos e quarenta e seis) lançamentos contábeis glosados pela autoridade lançadora ficou constatado que havia 154 (cento e cinquenta e quatro) com lançamentos concomitantes a crédito da conta “11101.00016 CAIXA”. Tais lançamentos estão listados na “Planilha 2 8 Art. 50. (…) § 1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 10169DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.170 16 Lançamentos glosados com ocorrência de lançamentos concomitantes a crédito conta "11101.00016 CAIXA” [efls. 10074/10084]. Referida planilha contém 11 (onze) folhas e relaciona os dados de ambos os lançamentos (glosado e concomitante) conforme especificado na tabela abaixo. Tabela 3 Especificação dos dados contidos na “Planilha 2 Lançamentos glosados com ocorrência de lançamentos concomitantes a crédito da conta 11101.00016 CAIXA” COLUNA INFORMAÇÃO LANÇAMENTO Informação “GLOSADO” ou “CONCOMITANTE” indica que os dados (DATA, VALOR, CONTA DEBITADA, CONTRAPARTIDA, HISTÓRICO CONTÁBIL e CHAVE) são do lançamento glosado pela autoridade lançadora ou do lançamento concomitante a crédito da conta “1101.00016 CAIXA”. DATA Data de escrituração do lançamento. VALOR (RS) Valor do lançamento. CONTA DEBITADA Conta debitada na escrituração do lançamento contábil. CONTRAPARTIDA Conta contábil da contrapartida (conta creditada) do lançamento escriturado. HISTÓRICO CONTÁBIL Transcrição literal do histórico do lançamento escriturado pelo contribuinte no livro contábil Diário. CHAVE Identificador unívoco do registro do lançamento glosado conforme escriturado no livro Diário. 14. A tabela abaixo relaciona a consolidação mensal dos lançamentos glosados com ocorrência de lançamentos concomitantes a crédito na conta "11101.00016 CAIXA". Tabela 4 Consolidação mensal dos lançamentos glosados com ocorrência concomitante de lançamentos a crédito da conta “11101.00016 CAIXA” PERÍODO 2006 QUANTIDADE DE LANÇAMENTOS VALOR (R$) JANEIRO 6 18.221,20 FEVEREIRO 5 2.891,48 MARÇO 10 48.469,67 ABRIL 18 94.425,13 MAIO 14 86.778,02 JUNHO 14 30.264,76 JULHO 18 125.845,28 AGOSTO 11 51.052,14 SETEMBRO 12 108.091,47 OUTUBRO 18 149.105,75 NOVEMBRO 16 150.710,98 DEZEMBRO 12 34.568,87 TOTAL 154 893.424,75 40. Verificase que, nos lançamentos contábeis glosados, a contrapartida é uma conta contábil relativa a banco (contacorrente), consoante efls. 9986/10073. Como a autoridade diligenciadora somente constatou o lançamento invertido nos eventos referidos na “Planilha 2” [efls. 10074/10084], tais valores devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos ora julgados. Excetuando as quantias da “Planilha 2”, o contribuinte não conseguiu demonstrar, de acordo com a boa técnica contábil, o fundamento dos demais lançamentos contábeis a débito da conta Caixa e a crédito das diversas contas do gênero Bancoscontamovimento. 41. O entendimento aqui exposto é pacífico no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Como exemplo, vejase a decisão a seguir sobre caso semelhante: Fl. 10170DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.171 17 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques emitidos pela empresa, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito desta conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. (Acórdão n° 1301001.421; 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, 1ª Seção de Julgamento, CARF; j. 11/03/2014) 42. Há também outros julgados recentes como os Acórdãos n° 1102 00.491, 110300.712 e 120200.483, todos julgados no biênio 2011/2012. 43. Esclareçase ainda que os lançamentos fiscais ora julgados tratam exclusivamente sobre omissão de receitas por saldo credor de caixa. Mesmo se excluindo da conta Caixa lançamentos contábeis (débito a caixa e crédito a bancos contamovimento) indiretamente referenciados em despesas, daí NÃO decorreu qualquer glosa de despesa, que pôde ser deduzida integralmente da receita na apuração do lucro real. 44. Analisamse, a seguir, outros argumentos do contribuinte: ARGUMENTAÇÃO DO IMPUGNANTE ANÁLISE DO RELATOR DESTE PROCESSO IV. b. Cheques Depositados e Devolvidos Ora, são vários exemplos que comprovam o erro material na autuação fiscal, que não poderia glosar tais operações, simplesmente porque sua prova está inserta nos próprios extratos bancários (doc. 04) que foram entregues à agente fiscal. Mais uma vez se diga, se esta tinha alguma dúvida deveria consultar diretamente a instituição financeira a fim de confirmar as operações que já se encontravam comprovadas pelos próprios extratos bancários. Tenhase como simples exemplo, que evidencia o equívoco da agente fiscal, o lançamento no extrato bancário do Banco Triângulo S/A referente ao depósito do cheque n° 850686, que foi depositado e devolvido em 17/01/2006, e reapresentado em 18/01/2006, e devolvido novamente em 19/01/2006. Isso tudo está no extrato bancário! Qual outra prova que se quer dessa operação? [efls. 602/603] Aduziu o Acórdão nº 127061 (DRJ/Rio de Janeiro). [efls. 603/604] Documentos Anexados: Doc. 04 (efls. 694/977) O valor do cheque n° 850686 é R$778,00. Com esse valor constam dois lançamentos a débito da conta Caixa (em 17/01/20006 e 19/01/2006, cf. efls. 7910 e 7913, respectivamente). Ocorre que apenas consta um lançamento a crédito da conta Caixa com tal quantia (em 18/01/2006, cf. efl. 7913). Portanto, faltou ao contribuinte demonstrar o outro lançamento a crédito da conta Caixa, no valor de R$778,00, para se atingir a neutralidade contábil. Em resumo, como cheques depositados e devolvidos foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles (cheques), o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou informar os destinatários dos cheques ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Por fim, o Acórdão nº 127061 trata sobre “falta de comprovação de parte do saldo da conta de ativo circulante ‘Cheques Devolvidos a Recuperar’. Logo, tratase de decisão inaplicável na espécie, pois, diferentemente, o presente caso versa sobre presunção de omissão Fl. 10171DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.172 18 de receitas por saldo credor de caixa. IV.c. Estorno de Lançamentos Bancários. Identificase na planilha anexa (doc. 07) que várias operações glosadas pela autuante em verdade são caracterizadas como estornos de lançamentos efetuados equivocadamente pelos agentes bancários, em especial nas contas 247301 do Banco Itaú e 333417 do Banco do Brasil, conforme a planilha. Não podemos deixar de contestar tais glosas, pois esses registros da conta caixa se deram exclusivamente porque o agente bancário efetuou crédito indevido na conta da empresa, e ao processar seu sistema de compensação bancária efetuou os referidos estornos, o que em nada afeta o resultado final da empresa. Não podemos pagar pelo equívoco de terceiros! Se examinarmos as operações veremos que tais montam o valor de R$105.679,58, e todas são comprovadas também pelo simples exame dos extratos bancários que seguem anexos. [efls. 604/605] Documentos Anexados: Doc. 07 (efls. 1068/1070) Como lançamentos bancários (alusivos a crédito indevido na contacorrente do impugnante ou seu estorno) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. IV.d. Pagamentos de Empréstimos Bancários. Na mesma linha da defesa já apresentada acima para os demais quesitos, não conseguimos entender como a ilustre agente fiscal efetua a glosa das operações bancárias devidamente registradas na conta caixa, se estas são comprovadas em seu extrato bancário. Caso tivesse dúvidas caberia à administração requisitar informações diretamente à instituição bancária, pois esta que gerou as informações bancárias que o contribuinte utiliza para conciliação em sua contabilidade. É sabido que as empresas constantemente precisam de empréstimos bancários para suprir seu capital de giro, situação decorrente da própria operação comercial a que está submetido. Nesse diapasão a empresa impugnante não guarda diferença com as demais, mantendo conta corrente garantida com empréstimos no Banco do Brasil (n° 33.3417) e no Banco Itaú (n° 247301). Exatamente sobre esse fato não podemos também concordar com a glosa do valor de R$142.823,70, representativa de pagamentos de empréstimos através de débitos automáticos nas contas correntes do contribuinte, conforme esboçado na planilha anexa (doc. 08). [efls. 606/607) Documentos Anexados: Doc. 08 (efls. 1071/1078) Como lançamentos bancários (referentes a pagamentos de empréstimos bancários por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Fl. 10172DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.173 19 IV.e. Pagamentos de Contratos de Leasing e Consórcio. A mesma peculiaridade das situações acima é reproduzida quando nos deparamos com os valores correspondentes a R$53.569,37 referentes ao pagamento de contratos de Leasing e Consórcio contratados (doc. 09) com os Bancos Itaú e Bradesco, respectivamente nas contas 247301 e 338303. Ora, é de clareza solar que dentre os lançamentos debitados na conta caixa são identificados nos extratos bancários operações de Leasing no Banco Itaú e Consórcio no Banco Bradesco, onde podemos retirar os extratos até mesmo o código da operação, não deixando dúvidas conquanto a sua idoneidade. É de se estranhar a atitude da agente fiscal, que mesmo sendo informada de todas as operações durante a fiscalização, pois tinha em seu poder todos os extratos bancários, deixou de fazer prova sobre o que pretendia autuar à empresa, fazendo vista grossa, e impondo o lançamento sob a alcunha de movimentação não comprovada, quando em realidade todos os lançamentos na conta caixa estavam suportados pelos extratos bancários, com a identificação de cada uma das saídas. Especificamente sobre a situação em tela, cai por terra a acusação, pois estamos comprovando que as operações constantes da planilha anexa (doc. 09) são em verdade pagamentos de contratos de leasing e consórcio, debitados automaticamente pelos agentes bancários. [efl. 608] Documentos Anexados: Doc. 09 (efls. 1079/1091) Como lançamentos bancários (alusivos a pagamentos de leasing e consórcio por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. IV.f. Pagamentos de Contas Através do Sistema de Borderô. Pelo referido sistema (borderô) a empresa encaminha à sua agência bancária uma relação de títulos que deseja efetuar o pagamento ou o depósito, e o Banco se encarrega de processar o solicitado. Ao final, é feito um débito integral na conta corrente da empresa, representativo do valor total dos pagamentos efetuados. Não conseguimos entender como a ilustre agente fiscal sequer se deu ao trabalho de verificar nos extratos bancários da autuada tais lançamentos, pois de simples cruzamento entre sua conta caixa e aqueles extratos, vêse claramente que todas as saídas têm comprovação. Tomemos por exemplo o pagamento feito pelo sistema ‘borderô’ na conta corrente n° 247301 do Banco Itaú S/A, em 20/01/2006, no valor de R$28.537,50, pois bem, conta expressamente esse pagamento e sua identificação no extrato (operação pasta 000069), e nesse mesmo dia a agente fiscal glosa o valor total de R$61.730,81, ou seja, glosou indevidamente pagamento efetivamente comprovado pelo próprio extrato bancário. O exemplo acima serve de norte para a demonstração do quanto foi falho o levantamento realizado pela agente fiscal, pois efetuou a glosa de lançamentos na conta caixa, que representam pagamentos realizados através de borderô, que estão cabalmente identificados nos extratos bancários. A agente fiscal deveria ter notificado às instituições bancárias para que estas apresentassem o controle do que foi pago pelo contribuinte através de "borderô", e não glosar o lançamento na conta caixa do Livro Razão. Como lançamentos bancários (referentes a pagamentos pelo sistema de borderô por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir planilha de borderôs (ou seu requerimento) ou os extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Portanto, o pagamento de R$28.537,50 não foi glosado do extrato bancário, mas sim o lançamento a débito na Conta Caixa nesse valor, por ausência de lançamento a crédito que efetivasse a neutralidade contábil. Fl. 10173DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.174 20 Documentos Anexados: Doc. 10 (efls. 1092/1097) e Doc. 11 (efls. 1098/1104) IV.g. Recebimentos de Contas Através do Sistema de Correspondente Bancário. Também conforme provas colhidas diretamente da escrituração da empresa, mais precisamente do Livro Razão, vemos que foram inseridos nos valores glosados genericamente da conta caixa aqueles relacionados à prestação do serviço de correspondente bancário pela empresa impugnante ao Banco Triângulo S/A. A operação consiste em a empresa efetuar recebimentos a título de contas básicas (água, luz, telefone, boletos), como correspondente do referido agente financeiro, e posteriormente efetuar a transferência dos respectivos valores ao Banco. Exatamente por isso esses valores transitaram na conta caixa da empresa, mas sempre debitando e creditando. O lançamento dessa conta recebia a denominação de "Recebimento Loja S. Compras" (Recebimento Loja Super Compras), que nada mais é do que o débito direto em conta corrente da impugnante dos valores que foram recebidas em virtude do pagamento de contas básicas de terceiros. Da mesma forma que os tópicos acima, um simples confronto entre a planilha anexa (doc. 12) e os extratos da conta corrente n° 308684 do Banco Triângulo S/A, elidem a suposta ausência de comprovação apontada pela agente fiscal. Destarte, basta uma simples diligência ao Banco Triângulo S/A para que este confirmasse os referidos lançamentos, que montam o valor de R$326.490,72, conforme apontado na planilha anexa (doc. 12). Mais uma vez se diga que o presente auto de infração trata somente de lançamentos ditos “não comprovados” na conta caixa, e que as comprovações aqui estão sendo feitas através do confronto entre as genéricas glosas diárias efetuadas pela ilustre agente fiscal e os extratos bancários, confirmado a existência de procedência de cada lançamento. Documentos Anexados: Doc. 12 (efls. 1105/1114) Como lançamentos bancários (relacionados ao serviço de correspondente bancário por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Por esse motivo, de nada adianta o confronto entre a planilha de repasses de correspondente bancário (doc. 12) e os extratos de conta bancária, ou o “destino” do cheque, ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Tomese, por exemplo, o débito na conta Caixa no valor de R$1.301,41, de 10/01/2006, que foi regularmente glosado pela autoridade fiscal (e fl. 9988) por não haver o respectivo lançamento a crédito na conta Caixa no mesmo valor. Então cai por terra o argumento do contribuinte no sentido de que “esses valores transitaram na conta caixa da empresa, mas sempre debitando e creditando”. IV.h. Tarifas Bancárias. Nos causa espécie o fato de, dentre as já inúmeras situações acima apontadas, houve a glosa de até mesmo tarifas bancárias dentro das glosa diárias que foram apontadas genericamente pela agente fiscal. Se examinarmos da planilha anexa (doc. 13) veremos que devem ser excluídas das glosas efetuadas à conta caixa os valores correspondentes às tarifas bancárias, no valor global de R$4.738,63. Não há como se manter a referida glosa, pois se comprova através dos extratos e planilha anexas que tais valores estão contidos nas glosas, o que é vedado frente a sua estrita ligação com as atividades comerciais da impugnante: Aduziu trecho da ementa do Acórdão nº 1214096 de 16 de maio de 2007. Portanto, improcedente o auto de infração também nesse ponto, pois comprovadas as despesas com tarifas bancárias pelas informações dos extratos bancários, bastando um cotejo entre a planilha anexa e os extratos dos bancos ali identificados, nas respectivas datas. Documentos Anexados: Doc. 13 (efls. 1115/1118) Como lançamentos bancários (relacionados a pagamentos de tarifas bancárias por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Por esse motivo, de nada adianta o confronto entre a planilha de pagamento de tarifas bancárias (doc. 13) e os extratos de conta bancária ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Tomese, por exemplo, o débito na conta Caixa no valor de R$413,83, de 03/04/2006, que foi regularmente glosado pela autoridade fiscal (e fl. 10009), pois o contribuinte não indicou a localização do respectivo lançamento a crédito na conta Caixa no mesmo valor. Por fim, o trecho da ementa do Acórdão nº 12 14096 (efl. 613/614) trata sobre “glosa de despesas financeiras”. Logo, tratase de decisão inaplicável na espécie, pois o presente caso versa apenas e tãosomente sobre presunção de omissão de receitas por saldo credor da conta caixa. Fl. 10174DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.175 21 IV.i. Cheques pagos. Pagamentos de Fornecedores. Comprovação de Notas Fiscais. Continuando a já extensa defesa dos direitos do contribuinte impugnante, e já tendo justificado quase 50% (cinqüenta por cento) das glosas indevidas, trazemos aos autos três planilhas (doc. 14) que discriminam os cheques emitidos pela empresa, as Notas Fiscais de mercadorias compradas no período da autuação, e um resumo exemplificativo de algumas notas vinculadas aos respectivos cheques. É de se estranhar que a ilustre agente fiscal não tenha se aprofundado nesse exame, pois no diminuto tempo que nos restou, e tendo em vista que as instituições bancárias não nos forneceram as cópias de cheques em tempo hábil, fizemos exemplificativamente uma correlação entre Nota Fiscal e respectivo cheque que lastreou seu pagamento, tudo lançado na conta caixa do Livro Razão, donde retiramos que quase de R$200.000,00 em pagamentos foram identificados. Nesse trilhar, anexamos aos autos (doc. 15), para fins de perícia, todas as Notas Fiscais de compras de mercadorias que se relacionam aos cheques emitidos pela impugnante, lastreando os movimentos na conta caixa. Documentos Anexados: Doc. 14 (efls. 1119/1164) e Doc. 15 (efls. 1165/5070) Como lançamentos bancários (relacionados a pagamentos de fornecedores por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Por esse motivo, de nada adianta a planilha de conciliação entre cheque e nota fiscal (doc. 14), tampouco as cópias das notas fiscais de compra (doc. 15), pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. [Argumento Presente Em Vários Itens] Aduziu o Acórdão n° 1218452 (DRJ/Rio de Janeiro). [efl. 604 e ss.] O Acórdão nº 1218452 cuida de presunção de omissão de receitas por depósito bancário com origem não comprovada (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996). Logo, tratase de decisão inaplicável na espécie, pois, diferentemente, o presente caso versa apenas sobre presunção de omissão de receitas por saldo credor de caixa. [Argumento Presente Em Vários Itens] O Acórdão nº 1218452 [decisão analisada na linha anterior] fundamenta mais ainda o direito do presente contribuinte em ver excluídas da acusação de ausência de comprovação de destinação os valores relacionados aos cheques depositados e devolvidos apontados nas planilhas anexas (doc. 05), pois devidamente comprovados nos extratos bancários, prova suficiente para lastrear os lançamentos na conta caixa. [efl. 604] Documentos Anexados: Doc. 05 (efls. 978/1011) Repisese que como lançamentos bancários foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles (cheques), o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante comprovar a destinação dos cheques ou aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. [Argumento Presente Em Vários Itens] Ressaltese que todas as operações foram devidamente registradas no Livro Razão (doc. 06), portanto não se há como sustentar uma ilusória acusação de omissão de receitas. [efl. 604] Documentos Anexados: Doc. 06 (efls.1012/1067) Como no livro Razão, especificamente na conta Caixa, não constam lançamentos a crédito correspondentes aos débitos na conta Caixa referentes a operações bancárias, a conta Caixa foi recomposta e o saldo credor daí resultante gerou presunção de omissão de receita. Fl. 10175DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.176 22 IV.j. Fatos Controversos Pois bem, no decorrer de nosso exame, detectamos que a ilustre fiscal utiliza dois pesos e duas medidas em várias situações, a saber: 1. Foi verificado em 25/01/06 que foi aceito o lançamento de cheque depositado e devolvido no valor R$ 139,00 na conta caixa. 2. Foi verificado em 03/02/06 que foi aceito o lançamento de chegue depositado e devolvido no valor R$ 78,00 na conta caixa. 3. Não foi possível identificar a diferença em 06/02/06 na conta caixa. 4. Foi verificado em 24/03/06 que foi aceito o lançamento de chegue depositado e devolvido no valor R$ 92,33 na conta caixa. 5. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Recebimento Loja Super Compras no valor R$ 327,58. 6. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Estorno de Lançamento no valor R$ 7.000,00 na conta caixa. Ora, porque a agente fiscal aceitou essas operações que são idênticas as que glosou? Se folhearmos os autos veremos que não existe justificativa para tal situação, o que macula de dúvida todo o lançamento, colocando o contribuinte em total instabilidade e insegurança jurídica, pois podem haver mais situações como essas, além do que, se comprovou acima toda a licitude das operações registradas na conta caixa. 1. Esse débito na conta Caixa (em 25/01/06, no valor de R$139,00) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 26/01/2006 (efl. 7928). 2. Esse débito na conta Caixa (em 03/02/06, no valor R$78,00) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 03/02/2006 (efl. 7949). 3. Os valores glosados de 06/02/2006 são os constantes da planilha de efl. 30 e totalizam R$41.401,37. A autoridade fiscal apontou esse valor na efl. 573. Em procedimento de diligência, o agente diligenciante confirmou tal quantia (efl. 9995), tendo em vista que inexistiu concomitância nesse dia (efl. 10074). 4. Esse débito na conta Caixa (em 24/03/06, no valor R$92,33) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 24/03/2006 (efl. 8030). 5. Esse lançamento contábil (em 18/05/06, no valor R$327,58) foi glosado consoante fl. 47. 6. Esse débito na conta Caixa (em 18/05/06, no valor R$7.000,00) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 18/05/2006 (efl. 8508). Conclusão: Em suma, não se vislumbra disparidade nos critérios e na metodologia adotados pela autoridade fiscal nas questões levantadas pelo administrado. Apenas para argumentar, mesmo que houvesse falhas no lançamento fiscal, não implicaria sua nulidade, mas a sua correção no decorrer das diversas instâncias do processo administrativo tributário. CSLL. Tributação Reflexa 45. Quanto à CSLL (tributo considerado reflexo), como se trata da mesma matéria fática e não há outros aspectos específicos a serem apreciados (além dos aspectos analisados no tópico anterior), aplicase a mesma decisão do principal (IRPJ) ao lançamento decorrente. Liquidação 46. Em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL, a base tributável mantida neste Voto é determinada pela subtração entre a base de cálculo apurada pela autoridade autuante e o valor apurado de concomitância entre a conta Caixa e a conta Bancos (tabela 4 da efl. 9984). Essa diferença é igual ao maior saldo credor do correspondente período de apuração. Fl. 10176DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.177 23 47. Eis os valores mantidos segundo o entendimento deste relator: (A) (B) ( C ) = (A) – (B) (D) = (C) x 15% + [(C) – 60.000] x 10% (E) = 9% x (C) PERÍODO DE APURAÇÃO OMISSÃO DE RECEITA DO TRIMESTRE SEGUNDO DEMONSTRATIVO DE E FLS. 579/586, COLUNA “Saldo Final” LANÇAMENTOS GLOSADOS COM OCORRÊNCIA CONCOMITANTE DE CRÉDITO NA CONTA CAIXA, SEGUNDO TABELA 4 DA efl. 9984 BASE DE CÁLCULO MANTIDA NESTE VOTO IRPJ MANTIDO (INCLUSIVE ADICIONAL) CSLL MANTIDA 1° TRIM/2006 2.480.889,93 69.582,35 2.411.307,58 596.826,90 217.017,68 2° TRIM/2006 3.908.915,34 211.467,91 3.697.447,43 918.361,86 332.770,27 3° TRIM/2006 2.424.777,08 284.988,89 2.139.788,19 528.947,05 192.580,94 4° TRIM/2006 4.026.405,94 334.385,60 3.692.020,34 917.005,09 332.281,83 [...] Irretocável a decisão de primeira instância. Com os fundamentos acima, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 10177DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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