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Numero do processo: 10245.000582/2009-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL. NULIDADE DE DECISÃO POR FALTA DE INTIMAÇÃO DA CONTRAPARTE DE DESPACHO QUE ADMITIU EMBARGOS DA OUTRA PARTE. INOCORRÊNCIA
Inexiste nulidade no Acórdão proferido em sede de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, mesmo conferindo efeitos infringentes ao Acórdão embargado, pela simples falta de intimação do Sujeito Passivo do despacho do Presidente de Colegiado que tenha dado seguimento aos embargos.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário com as alterações decorrentes dos embargos infringentes admitidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. NULIDADE DE DECISÃO POR FALTA DE INTIMAÇÃO DA CONTRAPARTE DE DESPACHO QUE ADMITIU EMBARGOS DA OUTRA PARTE. INOCORRÊNCIA Inexiste nulidade no Acórdão proferido em sede de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, mesmo conferindo efeitos infringentes ao Acórdão embargado, pela simples falta de intimação do Sujeito Passivo do despacho do Presidente de Colegiado que tenha dado seguimento aos embargos. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário com as alterações decorrentes dos embargos infringentes admitidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 05 82 /2 00 9- 51 Fl. 1877DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Introdução Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, decorrente de pagamentos sem causa ou sem beneficiário identificado, conforme auto de infração de efls. 216 a 224, cientificado à contribuinte em 28/05/2009, por meio de edital (efl. 268). O procedimento fiscal com as razões da exigência dele decorrente está descrito no Termo de Verificação Fiscal – TVF, às efls. 228 a 244, sendo o montante do crédito tributário exigido de R$ 13.984.852,7, calculado até 30/04/2009. O auto de infração foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 25/06/2009, anexada às efls. 272 a 328 dos autos. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ em Belém que, em 22/04/2010, julgou o lançamento impugnado procedente em parte, por unanimidade, pois três pagamentos foram considerados justificados, conforme acórdão n° 0117.188, às efls. 1007 a 1027. Além disso apenas um dos julgadores considerou não estar comprovado o ânimo de fraude, que levava à qualificação de várias das multas aplicadas. Recurso voluntário Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/07/2010, às efls. 1034 a 1079. Naquele recurso, reiterou a argumentação posta em sua impugnação além de rebater pontos do acórdão recorrido. Apreciando o recurso, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento veio a prolatar, em 20/11/2012, o acórdão nº 2201001.901, às efls. 1169 a 1184, que foi assim ementado: AQUISIÇÃO/ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DOCUMENTO COM FÉPÚBLICA A Escritura de Compra e Venda é uma prova plena que goza de fé pública quando lavrada em cartório. A sua nulidade requer declaração judicial que assim a conceitue, não podendo a autoridade administrativa descartar um documento que reúna requisitos de prova plena, e muito menos desconstituir essa prova com meros argumentos. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.878 3 comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o fato gerador de 21/12/2005 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos casos em que foi aplicado o percentual de 150%. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Correia Júnior, OAB/DF 16.286. Embargos da Presidente da Turma Após analisar esse acórdão e o voto no qual se fundava, com base no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, a Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento opôs embargos de declaração (fls. 1186 e 1187) por entender haver inconsistências no afastamento da penalidade agravada, pois a ementa tratava de inexistência de comprovação de fraude o dolo quando da ocorrência do fato gerador, enquanto o voto afastaria a penalização por suposta existência de bis in idem, decorrente da tributação pela alíquota de 35% com alegado caráter punitivo. Do julgamento dos embargos, resultou o acórdão nº 2201002.262, prolatado em 15/10/2013, às fls. 1189 a 1194, que, com efeitos infringentes, alterou o decisum anterior, resultando na seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de contradição e omissão, acolhemse os embargos de declaração para suprilas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVAS. Havendo provas de que a conduta do contribuinte caracterizou evidente intuito de fraude, correta a aplicação da multa de ofício qualificada. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Embargos de Declaração acolhidos. Fl. 1879DF CARF MF 4 O acórdão teve sua redação com o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões e contradições apontadas no Acórdão 2201001.901, de 20/11/2012. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, retificar a decisão anterior quanto às penalidades, para restabelecer a qualificação das multas de ofício. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que restabeleceu parcialmente a qualificação das penalidades. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima. Embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional Ambos acórdãos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 1771), que, em 1º/07/2014 às fls. 1772 e 1773, também apresentou embargos de declaração, agora relativamente à falha na redação de um parágrafo do voto, por encontrarse inacabado. Tais embargos foram admitidos pela Presidente em 18/08/2014, conforme despacho às fls. 1776 e 1777. O julgamento desses embargos saneou os embargos sem efeitos infringentes, conforme disposto no acórdão nº 2201002.562, às fls. 1778 a 1781, prolatado em 09/10/2014, tendo a seguinte ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. AQUISIÇÃO/ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ESCRITURA. DOCUMENTO COM FÉPÚBLICA. A escritura é uma prova que goza de fé pública quando lavrada em cartório.A sua nulidade requer declaração judicial que assim a conceitue, não podendo a autoridade administrativa descartar um documento que reúna requisitos de prova plena, e muito menos desconstituir essa prova com meros argumentos. Embargos da contribuinte Cientificada do acórdão nº 2201001.901, em 07/08/2015 (fl. 1800), a contribuinte também opôs embargos de declaração (fls. 1806 a 1810), inicialmente alegando nulidade de todos os atos praticados no processo desde o julgamento dos embargos da Fazenda com efeitos infringentes que resultou no acórdão nº 2201002.262. Faz tal alegação por entender haver cerceamento ao seu direito de defesa pelos efeitos infringentes de tal acórdão, medida excepcionalíssima. Sustenta seu argumento com base em decisões tanto do STF quanto de turma da Primeira Seção do CARF. Os embargos da contribuinte não foram acolhidos pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Segunda Seção de Julgamento, por falta de previsão regimental para que se declare a nulidade nesses embargos, pois nos acórdãos inexistem omissões contradições ou obscuridades que justifiquem seus embargos, como explanado no despacho exarado em 14/09/2015, às fls. 1816 e 1817. RE da contribuinte Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.879 5 Cientificada do despacho de fls. 1816 e 1817 em 17/09/2015 (fl. 1819), a contribuinte apresentou recurso especial RE, às fls. 1824 a 1830, em 02/10/2015. No RE foram alegadas divergências quanto a duas matérias: a) nulidade do acórdão que julgou os embargos de declaração, com efeitos infringentes, em razão de a Contribuinte não ter sido intimada de sua oposição; e b) desqualificação da multa de ofício. Quanto a primeira matéria esgrime os mesmos argumentos postos nos seus embargos de declaração e apresenta como paradigma o acórdão nº 1401001.263 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento. No tocante à multa qualificada, afirma que notas fiscais comprovariam as operações e inexistiriam provas de que a recorrente teria agido com intuito fraudulento, ou que houvesse qualquer conluio seu com as empresas emissoras da referidas notas. Esgrime como paradigma da divergência o acórdão nº 1201000.761 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Em análise do recurso, a Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento emitiu despacho, de fls. 1852 a 1863, em 30/12/2015, no qual deu seguimento parcial ao RE apenas no tocante à nulidade do acórdão que julgou os embargos de declaração, com efeitos infringentes, em razão de a contribuinte não ter sido intimada de sua oposição. Quanto a desqualificação da multa, seria inviável o recurso relativamente a alegações que envolvem valoração de provas, sendo essa a situação encontrada no cotejo dos acórdãos paradigma e recorrido. Além disso, mesmo que se ultrapassasse esse óbice, a análise do teor dos julgados levou à conclusão de que inexistiria similitude fática entre eles. Em face da negativa parcial, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com base no art. 71, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, apreciou o recurso conjuntamente com o despacho da Presidente da Câmara recorrida e, em sede de reexame, confirmou as conclusões do exame de admissibilidade, vetando a reapreciação da matéria concernente à desqualificação da multa (fls. 1864 e 1865). Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do recurso e dos despachos em 11/03/2016, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao RE da contribuinte em 14/03/2016, conforme fls. 1871 a 1874. Traz duas argumentações que no seu entender afastariam o RE: (i) os fatos e a legislação analisados no paradigma seriam distintos daqueles do recorrido; e (ii) falta de previsão regimental para obrigando a intimação da recorrente relativamente aos embargos apresentados e inexistência de violação ao direito de defesa, pois, intimada do acórdão nº 2201 002.262 que manteve a multa de 150%, teve aberto prazo para questionar novamente a qualificação da penalidade. É o relatório Fl. 1881DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso apresenta uma questão quanto a sua admissibilidade que merece análise em específico. Desde logo cabe salientar que a matéria admitida no RE cingese apenas à alegada nulidade decorrente da não intimação da contribuinte relativa à apresentação de embargos de divergência apresentado, em 10/07/2013, pela Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, que participou do julgamento do acórdão de recurso voluntário. Naquela data, estava vigente o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2009, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, que em seu art. 65, do Anexo II, dispunha: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) No acórdão do recurso voluntário nº 2201001.901, alterado pelos acórdãos nº 2201002.262 e 2201002.562, não se faz presente a discussão sobre intimação ou cerceamento de defesa. Essa discussão só exsurgiu a partir dos embargos de declaração da contribuinte, às fls. 1806 a 1810; somente aí se discute a suposta nulidade por ela alegada, sem que tenha sido admitida pelo despacho sem número, de fls. 1816 e 1817. Esse despacho não se incorporou, como modificação, ao acórdão do recurso voluntário, pois não implicou deliberação da turma em face da declaração de sua improcedência. Assim, os embargos da contribuinte serviram como prequestionamento. Entretanto, conforme expressamente colocado em sede de contrarrazões, pela Fazenda Nacional, efetivamente há uma diferença fática entre os casos enfrentados pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma. Com efeito, no recorrido, não foi dada ciência ao Sujeito Passivo de embargos da de Conselheiro e da Fazenda Nacional admitidos, ao passo que, no paradigma, não foi dada ciência à Fazenda Nacional de embargos do Sujeito Passivo admitidos. É também verdade que no RICARF/2009 (aplicável ao caso em debate) somente há dispositivo obrigando a intimação da Fazenda Nacional de despachos relativos a embargos, inexistindo dispositivo nesse sentido para o Sujeito Passivo. Essa é sem dúvida uma diferença fática entre as situações enfrentadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido. De fato, há dispositivo tratando as duas situações de forma diferente. Porém, resta saber se essa diferença fática é essencial para fins de impedir a verificação de divergência jurisprudencial, ou apenas acidental, não impedindo essa verificação. No entender deste conselheiro, a diferença é apenas acidental, porque, no acórdão paradigma, a razão de decidir foi o entendimento de que "a garantia constitucional do contraditório exige que à parte contrária se assegure a possibilidade de manifestarse sobre embargos de declaração que pretendam alterar decisão que lhe tenha sido favorável", nos termos da jurisprudência judicial colacionada. Ora, essa razão de decidir se aplica a ambas as partes no processo. Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.880 7 Dessa forma, se a situação enfrentada no acórdão recorrido fosse apresentada ao colegiado responsável pelo acórdão paradigma, utilizandose sua razão de decidir, teríamos decisão diferente, o que é suficiente para comprovação a divergência jurisprudencial. Portanto conheço do recurso especial do Sujeito Passivo. Passando ao mérito, entendo não assistir razão à recorrente. Com efeito, o Anexo II do RICARF/2009 não continha qualquer dispositivo que tornasse obrigatória a ciência da contribuinte com relação aos embargos opostos às decisões anteriores. Aliás tal previsão só existia em favor da atuação dos Procuradores da Fazenda Nacional, conforme disposto no § 3º do art. 81 do mesmo anexo do RICARF: Art. 81. Atuarão junto ao CARF, em defesa dos interesses da Fazenda Nacional, os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (...) § 3° Os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados serão intimados dos despachos relativos aos embargos e à admissibilidade de recurso especial e dos acórdãos contrários à Fazenda Nacional. (Grifei.) Esclareçase que no atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, com a redação dada pela Portaria MF n° 39, de 2016, não existe mais previsão de intimação de quaisquer das contrapartes quanto a despachos relativos aos embargos da outra parte, que tenham sido admitidos. Não há que se em lacuna no tratamento da questão o RICARF então vigente determinava cientificação à Fazenda e não determinava essa cientificação ao contribuinte. Analisando sistemática e teleologicamente, entendese que os embargos não são uma via para discussão do caso em si, mas somente de esclarecimento de uma decisão que esteja viciada, por omissão, contradição ou obscuridade. Assim, um acórdão em embargos é integrativo do acórdão original, devendo ser tratado como parte de seu antecessor e não como ente de existência própria. Ora, se o vício não estivesse presente no acórdão original, sua ciência aos interessados seria suficiente para o correto seguimento do processo. De forma semelhante, na existência de vício no acórdão original, a ciência desse acórdão, conjuntamente com o acórdão em embargos, que o integra, também deve ser suficiente para o correto seguimento do processo. Portanto, não há se falar em cerceamento do direito de defesa quando o rito processual do RICARF prevê a possibilidade de recurso após as decisões dos embargos com infringências que passaram a integrar a decisão embargada e não substituíla, como salientado no despacho que não acolheu os embargos da contribuinte, à fl. 1817 in fine. Com efeito, os embargos foram julgados em sessão pública e sua apreciação foi publicada no Diário Oficial da União, garantindo a defesa da parte. Adicionalmente, os efeitos infringentes de embargos são uma decorrência da correção do vício apontado, o que não afronta o direito das partes. Fl. 1883DF CARF MF 8 Conclusão Pelos motivos acima expostos, voto por conhecer do recurso especial da contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário com as alterações decorrentes dos embargos infringentes admitidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o excelente voto do relator, discordo do encaminhamento de seu voto, seguindo meu entendimento pessoal referente a necessidade de intimação da parte contrária quando houver a interposição de Embargos de Declaração com efeitos infringentes. Sendo assim acolho o pedido do contribuinte e voto por baixar o feito em diligência para sanar vício processual que atenta contra o Devido Processo Legal: ampla defesa e contraditório. Observo que quando interpostos os Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional este tinha manifesto intuito infringente. È claro que toda interposição de Embargos de Declaração tem intuito modificativo, contudo este é diferente do intuito infringente, no qual se busca por via de uma correção de alegada omissão, contrariedade ou obscuridade modificar o mérito do julgamento. Os Tribunais Superiores já vinham de modo pacífico adotando a necessidade de intimação da parte contrária quando interpostos embargos com efeitos infringentes, o que veio agora a ser pontuado expressamente pela redação do Código de Processo Civil de 2015, artigo 1023, § 2, do CPC, com a aplicação subsidiária prevista no art. 15 deste mesmo diploma legal, demonstrando ser essa a intenção do nosso ordenamento jurídico: transparência a fim de preservar o contraditório e a ampla defesa. Ressalto que esta casa já possui, inclusive, posicionamentos a este respeito como, podese observar no despacho de admissibilidade de embargos do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que verificando o intuito infringente do recurso manejado determina de plano a citação da parte contrária, no processo N. 10930.907888/201127 da 4ª Câmara – 2ª Turma Ordinária – 3ª Seção, conforme excerto: Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 9202004.551 CSRFT2 Fl. 1.881 9 “O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual deve ser admitido. Antes, todavia, de submetêlo a julgamento, convém destacar que eventual acolhimento da pretensão externada pela recorrente tem o condão de dotar os embargos de declaração interpostos de notório efeito infringente. Em outros termos, os embargos de declaração aqui admitidos apresenta um potencial efeito infringente o que, por seu turno, implica a convocação subsidiária1 do disposto no art. 1.023, §2o do novo CPC, in verbis: Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. (...). § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. (g.n.). 9. Referido dispositivo está em perfeita sintonia com as ideias de cooperação2 e de um contraditório moderno e maximizado3, as quais, por seu turno, implicam a construção democrática das decisões de caráter judicativo. Afastase, com isso, das emboloradas ideias do iura novit curia e do mihi factum dabo tibi ius, que não cabem mais em um modelo de processo em tempo de pósmodernidade. 10. Diante de tais fundamentos e levando em consideração o potencial efeito infringente dos embargos de declaração interpostos, resolvo intimar o contribuinte para que, querendo, se manifeste a respeito do recurso interposto, manifestação essa que deverá ser externada no prazo de 5 (cinco) dias.” Considerando que nosso Regimento Interno RICARF é silente sobre o tema, e que os Tribunais já haviam pacificado a questão, aplico esta determinação mesmo para os recursos interpostos e julgados antes da vigência do Novo CPC. Faço isso com base no art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que a Administração Pública deve agir conforme a Lei e o 1 Nos exatos termos do que prevê o NCPC: "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." 2 Exatamente como prevê o art. 6o. do NCPC: "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." 3 "Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: I à tutela provisória de urgência; II às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; III à decisão prevista no art. 701. Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício." Fl. 1885DF CARF MF 10 Direito, sendo que acolho como fonte do Direito o posicionamento pacífico dos Tribunais quanto ao tema. Diante do exposto, em respeito ao Devido Processo Legal garantido na Constituição Federal de 1988 e na norma que regula o Processo Administrativo Federal Lei 9784/99, com apoio no entendimento firmado pela jurisprudência pátria, voto por baixar o feito em diligência para sanar a ilegalidade apontada nos seguintes termos: 1. intimar o contribuinte acerca dos embargos de declaração com efeitos infringentes interpostos pela parte contrária, para que, querendo, se manifeste a respeito do recurso interposto, manifestação essa que deverá ser externada no prazo de 5 (cinco) dias. Ressalto que todos os atos realizados após a admissão dos embargos e que não atenderam a esta necessidade de ciência deverão ser anulados e repetidos na forma legal. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1886DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905510/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.268
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior". Foi exarado despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 55 10 /2 00 9- 78 Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10469.905510/200978 Acórdão n.º 3402003.268 S3C4T2 Fl. 3 2 O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho, alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando, na verdade, a grande maioria de suas vendas são de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação na DCTF relativa ao período. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário, no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntando notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, por meio da Resolução 3802000.037, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal reconheceu o direito creditório do contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação declarada, assim concluindo: (...)Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.260, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903727/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.260): Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10469.905510/200978 Acórdão n.º 3402003.268 S3C4T2 Fl. 4 3 "Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório utilizado na compensação declarada. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2881DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720137/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade.
MENÇÃO PELO FISCO DE FATOS OCORRIDOS FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE.
Não representa irregularidade a menção no relato fiscal, a título ilustrativo, de fatos ocorridos fora do período fiscalizado, desde que não se inclua na apuração fatos geradores correspondentes a este lapso temporal e que o contribuinte possa se defender com amplitude contra esses fatos.
INCORREÇÃO NA INDICAÇÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE.
Os documentos que compõe os autos e as evidências verificadas no procedimento fiscal não deixam dúvida que o fisco acertou ao eleger como domicílio fiscal do contribuinte a cidade de Andradina/SP.
AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA.
É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada.
RECEITAS DE ALUGUÉIS DE AERONAVES. OMISSÃO.
É procedente a constatação de infração decorrente da omissão de receitas decorrentes de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, posto que a alegação de existência de contrato de mútuo não foi comprovada documentalmente.
RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO.
Caracterizada a omissão decorrente da falta de escrituração e declaração de receitas advindas da atividade rural, infração esta que o contribuinte não conseguiu afastar mediante a apresentação de provas convincentes.
INVESTIMENTOS NA ATIVIDADE RURAL LANÇADOS EM DUPLICIDADE. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS.
São procedentes as glosas decorrentes de duplicidades de lançamentos concernentes a investimentos na atividade rural, não servindo para afastar a imputação fiscal a alegação de que se trataram de equívocos do setor contábil.
DESPESAS COM AERONAVES NÃO UTILIZADAS EXCLUSIVAMENTE NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS.
Tendo o fisco demonstrado que as aeronaves não eram utilizados exclusivamente na atividade rural devem ser mantidas as glosas de despesas com estes meios de transporte.
APRECIAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Não cabe o pedido de reapreciação de documentos, posto que o relato de fisco e os quadros demonstrativos produzidos durante a apuração fiscal revelam que os elementos exibidos pelo sujeito passivo foram satisfatoriamente analisados.
GLOSAS DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA.
O fisco efetuou glosas de despesas não necessárias à atividade rural pautando-se pelas determinações legais, não havendo espaço para que se insinue que foi aplicado critério subjetivo para exclusão destas despesas.
PAGAMENTO RELATIVO À AMORTIZAÇÃO DE MÚTUO. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis como despesas da atividade rural os valores referentes a pagamentos de mútuos, mesmo que contraídos para investimentos nesta atividade, posto que a dedução já é efetuada quando do efetivo gasto com itens necessários à manutenção da fonte produtora.
GLOSAS DE DESPESAS COM CPMF INCIDENTES SOBRE QUANTIAS NÃO APLICADAS NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA.
Apenas a CPMF incidente sobre as quantias efetivamente dispendidas com a atividade rural podem ser deduzidas como despesas para fins de apuração seu resultado.
JUROS RELATIVOS A FINANCIAMENTOS APLICADOS EM PROJETOS DE OUTRAS EMPRESAS. INDEDUTIBILIDADE.
Os juros de financiamentos contraídos pelo sujeito passivo e aplicados em outras empresas, mesmo que atuantes na atividade rural, não são dedutíveis como despesas do contribuinte.
JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS POR OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. INDEDUTIBILIDADE.
Não há espaço para dedução de despesas referentes a juros sobre financiamentos contraídos por outras pessoas físicas.
JUROS SOBRE ADIANTAMENTOS PARA ENTREGA FUTURA DE PRODUÇÃO. GLOSA DO EXCESSO.
Devem ser glosadas despesas escrituradas como juros decorrentes de adiantamentos para entrega futura de produção na parte que excedeu ao valor dos acréscimos efetivamente pagas ao adquirente.
GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. APURAÇÃO COM BASE NO CUSTO ZERO.
Na apuração do ganho de capital na alienação de bens ou direitos, deve-se adotar o custo de aquisição como zero, quando não haja a sua comprovação.
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA.
A multa qualificada tem lugar quando o fisco consegue demonstrar a ocorrência de conduta dolosa tendente a ocultar o fato gerador do conhecimento do fisco. Na espécie, a utilização como despesa de juros sobre financiamentos desviados para outras empresas ou não aplicados na atividade rural justifica a imposição da multa exasperada.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento e, quanto ao recurso voluntário, conhecê-lo e negar conhecimento às razões apresentadas posteriormente e, no mérito, negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento e, quanto ao recurso voluntário, conhecê-lo e negar conhecimento às razões apresentadas posteriormente e, no mérito, negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. MENÇÃO PELO FISCO DE FATOS OCORRIDOS FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE. Não representa irregularidade a menção no relato fiscal, a título ilustrativo, de fatos ocorridos fora do período fiscalizado, desde que não se inclua na apuração fatos geradores correspondentes a este lapso temporal e que o contribuinte possa se defender com amplitude contra esses fatos. INCORREÇÃO NA INDICAÇÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. Os documentos que compõe os autos e as evidências verificadas no procedimento fiscal não deixam dúvida que o fisco acertou ao eleger como domicílio fiscal do contribuinte a cidade de Andradina/SP. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. RECEITAS DE ALUGUÉIS DE AERONAVES. OMISSÃO. É procedente a constatação de infração decorrente da omissão de receitas decorrentes de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, posto que a alegação de existência de contrato de mútuo não foi comprovada documentalmente. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO. Caracterizada a omissão decorrente da falta de escrituração e declaração de receitas advindas da atividade rural, infração esta que o contribuinte não conseguiu afastar mediante a apresentação de provas convincentes. INVESTIMENTOS NA ATIVIDADE RURAL LANÇADOS EM DUPLICIDADE. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. São procedentes as glosas decorrentes de duplicidades de lançamentos concernentes a investimentos na atividade rural, não servindo para afastar a imputação fiscal a alegação de que se trataram de equívocos do setor contábil. DESPESAS COM AERONAVES NÃO UTILIZADAS EXCLUSIVAMENTE NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. Tendo o fisco demonstrado que as aeronaves não eram utilizados exclusivamente na atividade rural devem ser mantidas as glosas de despesas com estes meios de transporte. APRECIAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não cabe o pedido de reapreciação de documentos, posto que o relato de fisco e os quadros demonstrativos produzidos durante a apuração fiscal revelam que os elementos exibidos pelo sujeito passivo foram satisfatoriamente analisados. GLOSAS DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. O fisco efetuou glosas de despesas não necessárias à atividade rural pautando-se pelas determinações legais, não havendo espaço para que se insinue que foi aplicado critério subjetivo para exclusão destas despesas. PAGAMENTO RELATIVO À AMORTIZAÇÃO DE MÚTUO. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis como despesas da atividade rural os valores referentes a pagamentos de mútuos, mesmo que contraídos para investimentos nesta atividade, posto que a dedução já é efetuada quando do efetivo gasto com itens necessários à manutenção da fonte produtora. GLOSAS DE DESPESAS COM CPMF INCIDENTES SOBRE QUANTIAS NÃO APLICADAS NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. Apenas a CPMF incidente sobre as quantias efetivamente dispendidas com a atividade rural podem ser deduzidas como despesas para fins de apuração seu resultado. JUROS RELATIVOS A FINANCIAMENTOS APLICADOS EM PROJETOS DE OUTRAS EMPRESAS. INDEDUTIBILIDADE. Os juros de financiamentos contraídos pelo sujeito passivo e aplicados em outras empresas, mesmo que atuantes na atividade rural, não são dedutíveis como despesas do contribuinte. JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS POR OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. INDEDUTIBILIDADE. Não há espaço para dedução de despesas referentes a juros sobre financiamentos contraídos por outras pessoas físicas. JUROS SOBRE ADIANTAMENTOS PARA ENTREGA FUTURA DE PRODUÇÃO. GLOSA DO EXCESSO. Devem ser glosadas despesas escrituradas como juros decorrentes de adiantamentos para entrega futura de produção na parte que excedeu ao valor dos acréscimos efetivamente pagas ao adquirente. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. APURAÇÃO COM BASE NO CUSTO ZERO. Na apuração do ganho de capital na alienação de bens ou direitos, deve-se adotar o custo de aquisição como zero, quando não haja a sua comprovação. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA. A multa qualificada tem lugar quando o fisco consegue demonstrar a ocorrência de conduta dolosa tendente a ocultar o fato gerador do conhecimento do fisco. Na espécie, a utilização como despesa de juros sobre financiamentos desviados para outras empresas ou não aplicados na atividade rural justifica a imposição da multa exasperada. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado.
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CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. MENÇÃO PELO FISCO DE FATOS OCORRIDOS FORA DO PERÍODO FISCALIZADO. INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE. Não representa irregularidade a menção no relato fiscal, a título ilustrativo, de fatos ocorridos fora do período fiscalizado, desde que não se inclua na apuração fatos geradores correspondentes a este lapso temporal e que o contribuinte possa se defender com amplitude contra esses fatos. INCORREÇÃO NA INDICAÇÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. Os documentos que compõe os autos e as evidências verificadas no procedimento fiscal não deixam dúvida que o fisco acertou ao eleger como domicílio fiscal do contribuinte a cidade de Andradina/SP. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. RECEITAS DE ALUGUÉIS DE AERONAVES. OMISSÃO. É procedente a constatação de infração decorrente da omissão de receitas decorrentes de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, posto que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 37 /2 01 2- 01 Fl. 18075DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 alegação de existência de contrato de mútuo não foi comprovada documentalmente. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO. Caracterizada a omissão decorrente da falta de escrituração e declaração de receitas advindas da atividade rural, infração esta que o contribuinte não conseguiu afastar mediante a apresentação de provas convincentes. INVESTIMENTOS NA ATIVIDADE RURAL LANÇADOS EM DUPLICIDADE. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. São procedentes as glosas decorrentes de duplicidades de lançamentos concernentes a investimentos na atividade rural, não servindo para afastar a imputação fiscal a alegação de que se trataram de equívocos do setor contábil. DESPESAS COM AERONAVES NÃO UTILIZADAS EXCLUSIVAMENTE NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA DAS GLOSAS. Tendo o fisco demonstrado que as aeronaves não eram utilizados exclusivamente na atividade rural devem ser mantidas as glosas de despesas com estes meios de transporte. APRECIAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não cabe o pedido de reapreciação de documentos, posto que o relato de fisco e os quadros demonstrativos produzidos durante a apuração fiscal revelam que os elementos exibidos pelo sujeito passivo foram satisfatoriamente analisados. GLOSAS DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. O fisco efetuou glosas de despesas não necessárias à atividade rural pautandose pelas determinações legais, não havendo espaço para que se insinue que foi aplicado critério subjetivo para exclusão destas despesas. PAGAMENTO RELATIVO À AMORTIZAÇÃO DE MÚTUO. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis como despesas da atividade rural os valores referentes a pagamentos de mútuos, mesmo que contraídos para investimentos nesta atividade, posto que a dedução já é efetuada quando do efetivo gasto com itens necessários à manutenção da fonte produtora. GLOSAS DE DESPESAS COM CPMF INCIDENTES SOBRE QUANTIAS NÃO APLICADAS NA ATIVIDADE RURAL. PROCEDÊNCIA. Apenas a CPMF incidente sobre as quantias efetivamente dispendidas com a atividade rural podem ser deduzidas como despesas para fins de apuração seu resultado. JUROS RELATIVOS A FINANCIAMENTOS APLICADOS EM PROJETOS DE OUTRAS EMPRESAS. INDEDUTIBILIDADE. Os juros de financiamentos contraídos pelo sujeito passivo e aplicados em outras empresas, mesmo que atuantes na atividade rural, não são dedutíveis como despesas do contribuinte. Fl. 18076DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.076 3 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS POR OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. INDEDUTIBILIDADE. Não há espaço para dedução de despesas referentes a juros sobre financiamentos contraídos por outras pessoas físicas. JUROS SOBRE ADIANTAMENTOS PARA ENTREGA FUTURA DE PRODUÇÃO. GLOSA DO EXCESSO. Devem ser glosadas despesas escrituradas como juros decorrentes de adiantamentos para entrega futura de produção na parte que excedeu ao valor dos acréscimos efetivamente pagas ao adquirente. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. APURAÇÃO COM BASE NO CUSTO ZERO. Na apuração do ganho de capital na alienação de bens ou direitos, devese adotar o custo de aquisição como zero, quando não haja a sua comprovação. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluemse da presunção apenas os valores devidamente comprovados. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA. A multa qualificada tem lugar quando o fisco consegue demonstrar a ocorrência de conduta dolosa tendente a ocultar o fato gerador do conhecimento do fisco. Na espécie, a utilização como despesa de juros sobre financiamentos desviados para outras empresas ou não aplicados na atividade rural justifica a imposição da multa exasperada. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 18077DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento e, quanto ao recurso voluntário, conhecêlo e negar conhecimento às razões apresentadas posteriormente e, no mérito, negarlhe provimento (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 18078DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.077 5 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente em parte a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. Conforme descrição da autoridade fiscal, fls. 17.655/17.660, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: a) omissão de rendimentos de aluguéis de aeronaves recebidos de pessoa jurídica, conforme item 1 do Termo de Constatação Fiscal TCF, nos anoscalendário 2008 e 2009; b) omissão de rendimentos de atividade rural, conforme subitens 2.2.1 a 2.2.8, 2.3.1 a 2.3.4 e 2.4.1 a 2.4.12, resumidos no subitem 2.5 do TCF, nos anoscalendário 2007 a 2008; c) ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, conforme item 3 do TCF, no anocalendário 2009; d) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme item 4 do TCF e Demonstrativo de Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, infração caracterizada nos anoscalendário 2007 a 2009. Cientificado do lançamento em 06/08/2012 (fl. 17.669), o autuado apresentou, em 04/09/2012, a impugnação de fls. 17.676/17.764, na qual suscitou questões preliminares, decadência e matérias de mérito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ exarou decisão de fls. 17.792/17.846, a qual afastou as questões preliminares e a decadência, no mérito, acatou em parte as razões defensórias para no mérito: a) afastar a imputação de omissão de receita da atividade rural no valor de R$ 5.250.000,00; referente ao anocalendário de 2007; b) afastar a omissão de receita da atividade rural no valor de R$ 184.101,00 no anocalendário de 2008. Eis a ementa da decisão a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007, 2008, 2009 PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Fl. 18079DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. PRELIMINAR. NULIDADE. ALTERAÇÃO DO DOMICÍLIO FISCAL. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. A alteração de ofício do domicílio fiscal do contribuinte é válida, quando amparada em farta documentação comprovando o real domicílio tributário. A exigência de crédito tributário é válida, mesmo que formalizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, haja vista que o início do procedimento fiscal previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar em nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Comprovado o pagamento de locação de aeronaves pertencentes ao contribuinte, não declarado no ajuste anual correspondente, infirmase a omissão apurada pelo Fisco. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. São tributáveis os rendimentos comprovadamente recebidos pelo contribuinte no desempenho de sua atividade rural, devendo ser mantida a glosa das despesas e dos investimentos relativos à atividade quando não for comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua dedutibilidade. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. Na ausência de valor pago, o custo de aquisição será igual a zero. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. Fl. 18080DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.078 7 A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Referente à parte do crédito exonerada, a DRJ recorreu de ofício. O contribuinte foi cientificado da decisão em 11/10/2013, fls. 17.851, tendo apresentado em 07/11/2013 o recurso de fls. 17.853/17.945, acompanhado dos documentos de fls. 17.946/18.056. Para não tornar o voto por demais enfadonho, todas as questões aventadas no recurso serão mencionadas no voto, onde serão devidamente apreciadas. É o relatório. Fl. 18081DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Também se deve conhecer do recurso de ofício, posto que o valor exonerado supera o limite fixado por ato do Ministro da Fazenda. Recurso de ofício Uma das omissões de receita da atividade rural apontadas pelo fisco diz respeito à da alienação das benfeitorias da Fazenda Santa Izabel, mediante incorporação ao capital da MCL, mencionada no TCF (fls. 17.449 a 17.652). Ali consta que o contribuinte incorporou a Fazenda Santa Izabel ao capital da MCL Empreendimentos e Negócios Ltda. pelo valor de R$ 13.717.500,00, em 01/10/2007, conforme declarado na DIRPF 2008. O fisco então tributou as benfeitorias como se fora receita da atividade rural. O contribuinte para rebater essa parte da apuração alega que adquiriu o imóvel rural pelo valor total de R$ 13.717.500,00, conforme Escritura Pública de Compra e Venda devidamente apresentada à fiscalização e que a incorporou pelo mesmo preço ao capital da MCL, não tendo auferido ganho ou receia da atividade rural com a transferência desse imóvel. Para fundamentar sua alegação, cita ainda o art. 19, §2º, I, da Instrução Normativa SRF n.º 84, de 11/10/2001, que assevera que a parcela do preço correspondente às benfeitorias só é computada como receita da atividade rural quando o seu valor houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural. O órgão de primeira instância deu provimento a esta razão do sujeito passivo, recorrendo de ofício da decisão quanto a esta parte. Desta infração, penso que o sujeito passivo deve ser exonerado. De acordo com a regra normativa invocada pelo contribuinte, somente cabe apuração da receita da atividade rural com a venda de benfeitorias, quando o alienante lança o valor das benfeitorias como despesas da atividade rural. A DRJ concordou com a tese da defesa, demonstrando que o sujeito passivo não houvera se utilizado da faculdade de deduzir as benfeitorias como despesas, por isso não caberia a tributação como receita da atividade rural, mas como ganho de capital. Por isso deu razão ao sujeito passivo, exonerandoo do pagamento do tributo e acréscimos decorrentes de omissão no anocalendário 2007, de receita da atividade rural no valor de R$ 5.250.000,00. Para ilustrar melhor essa situação vou me valer de citação extraída do Perguntas e Respostas elaborados pela RFB e mencionada na decisão a quo: Fl. 18082DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.079 9 " Sobre o tema, a pergunta 490 do Perguntas e Respostas do Exercício 2005: “490 Qual o valor de venda a ser atribuído às benfeitorias vendidas quando no instrumento de transmissão da propriedade rural não constar em separado o valor das benfeitorias? No caso de alienação de imóvel rural sem que o instrumento público de transmissão identifique separadamente o valor de alienação da terra nua e das benfeitorias, o valor de venda a ser atribuído às benfeitorias é determinado da maneira a seguir descrita. 1 Contribuinte computou como despesa da atividade rural as benfeitorias a) calculase o valor das benfeitorias que foram deduzidas como custo ou despesa na apuração do resultado da atividade rural da seguinte forma: os valores apropriados nos anoscalendário de 1990 e 1991 devem ser convertidos em Ufir pelo valor de Cr$ 597,06 e reconvertidos para reais pelo valor de R$ 0,6767; os valores apropriados no período de 01/01/1992 a 31/12/1994 em Ufir, mediante a divisão pelo seu valor no mês do pagamento da benfeitoria, devem ser reconvertidos para reais pelo valor de R$ 0,6767; os valores apropriados a partir de 01/01/1995 devem ser considerados pelo seu valor original em reais. b) determinase a relação percentual entre o valor das benfeitorias, que corresponde ao total em reais apurado conforme a alínea "a", e o custo total do imóvel rural em reais (terra nua + benfeitorias); c) aplicase o percentual apurado na alínea "b" sobre o valor de venda do imóvel rural, constante do instrumento público de transmissão. Essa quantia deve ser oferecida à tributação como receita da atividade rural. 2 Contribuinte não computou como despesa da atividade rural as benfeitorias Nesse caso, o valor correspondente às benfeitorias já integra o custo para efeito de apuração do ganho de capital na alienação do imóvel, não existindo receita da atividade rural. Em qualquer das hipóteses, o valor de venda da terra nua não constitui receita da atividade rural e sujeitase à apuração do ganho de capital. (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, § 3º; RIR/1999, arts. 61 e 117 a 142; IN SRF nº 83, de 2001, arts. 5º e 9º)” Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício quanto a esta exoneração. O outro valor excluído da base de cálculo pela DRJ diz respeito à nota fiscal n.º 1011636907, emitida em 13/08/2008, correspondente a operação do sujeito passivo com a empresa Malibú Confinamentos de Bovinos Ltda, no valor de R$ 184.101,00. A suposta omissão de receita da atividade rural foi obtida mediante informações repassadas à RFB pela Secretaria de Administração Tributária do Mato Grosso do Sul. Fl. 18083DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Na defesa, o autuado alegou que tal nota fiscal foi extraviada e que o pagamento somente foi efetuado em 14/03/2012, apresentando TED em que a Malibú transfere para o interessado o valor de R$ 184.101,00 (vide fls. 13.825 e 13.826). A DRJ acatou o argumento, sob a justificativa de que não localizou nos autos qualquer evidência de que o pagamento tivesse sido realizado no anocalendário de 2008, além de que o TED de folhas 13.825 não poderia neste anocalendário, uma vez que o pagamento somente teria ocorrido em março de 2012. Não posso deixar de concordar com a decisão quanto a esse aspecto, uma vez que uma em se tratando de imposto de renda das pessoas físicas o regime aplicado é o de caixa, ou seja, as receitas são tributadas no anocalendário de seu recebimento, devendo ser observado expressamente o disposto no artigo 63 do RIR/99: “Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei n.º 8.023, de 1990, art. 4º, e Lei n.º 8.383, de 1991, art. 14).” Nesse sentido, também nego provimento ao recurso de ofício quanto à exclusão da incidência tributária do valor de R$ 184.101,00 no anocalendário 2008. Feitas essas considerações, encaminho por negar provimento à totalidade do recurso de ofício. Recurso Voluntário a) Nulidade decorrente da quebra do sigilo bancário do contribuinte Asseverou o recorrente que a exação decorreu exclusivamente da quebra do seu sigilo bancário, conforme se constata de toda a narrativa expressa no TCF. No seu entender a quebra do sigilo bancário dos contribuintes é medida extrema que afeta a sua intimidade e que somente pode ser efetuada mediante autorização judicial. Nesse sentido o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucional os dispositivos da Lei Complementar n.º 105/2001, que no bojo do RE 389.808/PR manifestou o entendimento que apenas o Judiciário detém o poder de autorizar a quebra do sigilo bancário e, mesmo assim, somente nos casos de investigação criminal ou instrução processual penal, o que não é o caso dos autos. Cita precedentes de Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça STJ, que caminharam no mesmo sentido e conclui que se deve declarar a nulidade do lançamento por irregular quebra do sigilo bancário do sujeito passivo ou que se suspenda o julgamento até decisão pelo STF do RE 601.314, onde se reconheceu a repercussão geral sobre o tema. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos nos termos da Lei Complementar nº 105/2001. A celuma acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário estava, como afirmou o recorrente, contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, da Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi decidida no bojo do RE nº 601.314, no qual se definiu que: Fl. 18084DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.080 11 “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Nesse sentido é obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, a contrário senso do que determina o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)" Diante dessas considerações, não é possível dar provimento ao pleito do contribuinte no sentido de anular o auto de infração em razão de suposta ilegalidade na utilização de seus dados bancários pelo fisco. b) Nulidade decorrente da utilização de provas ilícitas Para o recorrente todas as provas emprestadas obtidas do processo n.º 15868.720094/201256 (ação fiscal na empresa MCL Empreendimentos e Negócios Ltda) decorreram da quebra do sigilo bancário do recorrente e, por isso, não poderiam ser utilizadas no combatido auto de infração, sob pena de nulidade, por vício insanável. Como se percebe, este argumento está fincado no pressuposto que teria havido irregular quebra do sigilo fiscal do contribuinte, todavia, como visto no tópico precedente, não ocorreu ilegalidade no procedimento fiscal quanto a essa matéria, conforme já decidido pelo STF no precedente acima. Portanto, essa preliminar também não merece acolhimento. c) Nulidade decorrente de utilização de provas relativas a exercícios fora do período fiscalizado O sujeito passivo acusa o fisco de haver mencionado na acusação fatos que teriam ocorrido em períodos não fiscalizados. Cita que malgrado a fiscalização tenha abrangido exclusivamente os exercícios de 2007, 2008 e 2009, a autoridade lançadora mencionou em seu Fl. 18085DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 relato que o contribuinte informou receitas e despesas/investimentos da atividade rural em suas declarações de imposto de renda de 2007 a 2012. Além disso, o fisco para questionar o domicílio tributário do sujeito passivo teria juntado pesquisas referentes ao período de 21/11/2005 a 22/03/2010, conforme consta à fl. 195. Tal expediente, no seu entender, teria prejudicado o seu direito de defesa, posto que o contribuinte não teria sido intimado a se defender desses fatos. Pede então que se reconheça a nulidade do lançamento por vício material. Pareceme que o recorrente não tem razão. Observase que não há qualquer fato gerador de período fora dos exercícios de 2007 a 2009 incluídos no lançamento, assim a delimitação do período fiscalizado foi inteiramente respeitada quanto à exigência dos tributos. Por outro lado, não há de se acatar a existência de cerceamento ao direito de defesa do autuado, posto que os fatos mencionados no recurso foram claramente exposto no TCF não havendo o que se falar em prejuízo ao contribuinte em razão de não haver tomado ciência das mencionadas observações. Andou bem a DRJ ao afirmar que as menções a fatos ocorridos em períodos anteriores a 2007 e posteriores a 2009 tiveram o cunho meramente ilustrativo no sentido de enfatizar discrepâncias entre os rendimentos declarados pelo contribuinte e a sua variação patrimonial, sem que, no entanto, tivesse havido apuração de tributo para o período. Na análise desta questão não se pode perder de vista que durante o procedimento fiscal tem lugar a fase inquisitória ou oficiosa que é impulsionada exclusivamente pelo fisco, onde não há espaço para o contraditório. Ali a autoridade fiscal solicita os documentos ao sujeito passivo e, de posse destes e de outras informações, conclui ou não pela necessidade de efetuar o lançamento de ofício. Em caso afirmativo, cabe ao fisco demonstrar com fatos e documentos a ocorrência das infrações praticadas pelo contribuinte, de modo que esse possa exercer amplamente o seu direito de defesa caso não concorde com o resultado da apuração fiscal. Assim, não há de se acolher a preliminar de nulidade decorrente da menção a fatos ocorridos fora do período fiscalizado, haja vista que tais circunstâncias foram claramente mencionadas na peça de acusação, possibilitando ao sujeito passivo o seu total conhecimento, com plena possibilidade de contrapor às mesmas. d) Nulidade quanto ao erro no domicílio fiscal do contribuinte O recurso inicialmente apresenta os conceitos residência e domicílio para concluir que o fisco fez confusão entre esses dois institutos do Direito Civil e acabou adotando como seu domicílio tributário a cidade de Andradina/SP, quando o domicílio eleito pelo sujeito passivo é a cidade de São Paulo, não havendo qualquer óbice a sua escolha, conforme interpretação do Regulamento do Imposto de Renda RIR, do Código Civil CC e do Código Tributário Nacional CTN. Acerca dessa questão, a DRJ pronunciouse no sentido de que todos as evidências dos autos indicam que o domicílio tributário do autuado era a Rua Mato Grosso, 661, Andradina/SP. Fl. 18086DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.081 13 Irretocáveis para mim as observações lançadas no acórdão recorrido, onde se menciona que a relação de documentos citados no TCF às fls. 17.644/17.645 dá total respaldo à escolha efetuada pelo fisco quanto ao domicílio tributário do autuado. Observese como exemplo, que todas as intimações pertinente ao procedimento fiscal foram dirigidas ao endereço em Andradina e receberam atendimento do contribuinte, o que comprova que inexistiu prejuízo ao sujeito passivo em razão da eleição do domicílio fiscal na cidade do interior de São Paulo. A própria cientificação do lavratura fiscal, foi efetuada também na cidade de Andradina, tendo o sujeito passivo apresentado sua defesa no prazo legal, inclusive contendo procuração com firma reconhecida pelo recorrente em Cartório de Ofício das Pessoas Naturais na cidade interiorana, o que nos deixa à vontade para concluir que inexistiu o apontado equívoco da autoridade fiscal quanto à fixação do domicílio tributário. e) nulidade quanto à incompetência do Auditor Fiscal Invocando o inciso I do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972, o recorrente suscita nulidade da lavratura decorrente da incompetência territorial do Auditor Fiscal lotado na Delegacia em Araçatuba, cidade distante mais de 500 km da sede do domicílio fiscal do sujeito passivo. Ainda que considerássemos que o domicílio do sujeito passivo fosse o Município de São Paulo, não teríamos como lhe dar razão nesta preliminar. Vejamos. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6.º, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado ‘Regimento Interno’, destinandose à organização interna dos trabalhos. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional, constituía, na época do lançamento, requisito para o exercício de sua atividade, que o agente esteja devidamente amparado por ordem específica, representado pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 18087DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Assim dispunha o artigo 2. do Decreto nº 3.724/01: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. No presente caso, vislumbrase a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Além disso, a Portaria RFB nº 3.014/2011 prevê de maneira expressa a possibilidade da ação fiscal ser desenvolvida em unidade de jurisdição diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo: Art. 6. (...) § 4 º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. Ainda a fundamentar a possibilidade de lavratura do auto de infração em localidade distinta do domicílio fiscal do sujeito passivo, pode ser mencionada à disposição contida no artigo 9. do Decreto nº 70.235/72: Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. A regra contida no §3.º acima transcrito demonstra de forma clara a possibilidade de formalização de exigência em unidade descentralizada diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo ao determinar a prevenção da jurisdição e prorrogação da competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Superada a análise das preliminares, passemos à análise do mérito da contenda. f) Omissão de receita aluguel de aeronaves Fl. 18088DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.082 15 Alegou o contribuinte que na impugnação do lançamento que integra o PAF n.º 15868.720069/201272, em nome da empresa MCL Empreendimentos e Negócios Ltda, foi demonstrado que os depósitos efetuados ao recorrente se deram em virtude de pagamentos de mútuos existentes entre o sujeito passivo e a citada empresa. Sustenta que os documentos exibidos foram desprezados pelo fisco, que se apoiando apenas na falta de identificação dos depósitos constantes nos extratos bancários, classificou os valores envolvidos como omissão de rendimentos. Frisa que o próprio fisco reconhece a existência de diversos contratos de mútuo firmados entre o contribuinte e a empresa em questão, da qual é sócio controlador. No acórdão recorrido, afirma, não houve justificativa para o não acatamento da documentação hábil e idônea apresentada pelo sujeito passivo. Cita a Súmula CARF n.º 67, a qual dispõe acerca da impossibilidade de glosa em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, quando o fisco não demonstra a aplicação dos recursos. Traz a colação texto doutrinário da lavra do Tributarista Hugo de Brito Machado, a Súmula n.º 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, além de precedentes judiciais e administrativos, onde se manifesta o entendimento quanto à improcedência de lançamentos do IRPF, quando aferido apenas com base em depósitos bancários. Advoga que não sendo o contribuinte obrigado a produzir prova negativa, este deve se defender apontado que a falta de demonstração clara e precisa da ocorrência do fato gerador é causa de nulidade do lançamento. Segundo o recorrente todas as operações que supostamente representam omissão de receita foram devidamente declaradas e comprovadas por meio de documentação idônea, o que permitiu, inclusive que o fisco elaborasse planilha demonstrativa das notas fiscais vinculadas ao lançamento. Caberia ao fisco apreciar os documentos e acatálos ou apresentar provas de que não seriam hábeis a afastar o lançamento. Por outro lado, sustenta, o fisco não teria demonstrado que as transações bancárias em questão teriam sido destinadas a investimentos ou consumos pelo sujeito passivo. Assim o lançamento baseado em suposto acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação do consumo da renda, não pode prosperar, conforme se vê do entendimento expresso na jurisprudência apresentada. O órgão recorrido concluiu que tendo o fisco identificado pagamentos da empresa Florestal Brasil S.A. relativos à locações de aeronaves comprovadamente registradas em nome do sujeito passivo e não tendo tais valores sido oferecidos à tributação, houve de fato a infração de omissão de rendimentos. Quanto à alegação de que tais valores seriam provenientes de contrato de mútuo, esta foi afastada em razão da falta de comprovação mediante apresentação do instrumento de contrato. Fl. 18089DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Pareceme que razão não assiste ao recorrente. O fisco se desincumbiu satisfatoriamente do seu ônus de provar a ocorrência do fato gerador, ou seja indicou o recebimento de valores pelo sujeito passivo decorrentes de aluguel de aeronaves a este pertencente. Essa questão é incontroversa. Assim, restou demonstrado que se concretizou a hipótese de incidência prevista no inciso art. 43 do CTN, qual seja a aquisição de disponibilidade econômica decorrente do rendimento do capital. O autuado para desconstituir a pretensão fiscal argumentou que os valores mencionados pelo fisco se referem a pagamentos relativos a contrato de mútuo firmado com empresa da qual é controlador. Ocorre que o recorrente limitouse a apresentar a razão desconstitutiva dessa infração, todavia não se desincumbiu do onus probandi . O Código de Processo Civil (Lei 13.105/2005), aplicado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, estipula que é o encargo de provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito autor é do réu, que no caso da acusação fiscal é o sujeito passivo. Eis o dispositivo: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." A jurisprudência e doutrina invocadas no recurso não se prestam a afastar esta infração, posto que referentes a acréscimo patrimonial a descoberto (Súmula n.º 67 do CARF) ou a omissão de rendimentos decorrente de depósito bancário sem causa (Súmula n.º 182 do Tribunal Federal de Recursos). É de se manter a decisão da DRJ quanto à infração relativa à omissão de receitas decorrentes de aluguel de aeronaves. g) Omissão de receitas na atividade rural Alega o sujeito passivo que detinha a posse de terrenos de propriedade da empresa MCL decorrente de comodato a título gratuito e que não houve receita da atividade rural para em tais terras. Inicialmente cabe destacar que a MCL Empreendimento e Negócios Ltda é uma holding controlada pela família do recorrente, o qual declarou a Receita Federal que incorporou seus imóveis rurais à citada empresa. É de se destacar que mesmo na condição de comodatário todas as receitas advindas da atividade rural naqueles terrenos que estavam sob sua posse deveriam ter sido declaradas na DAA. A ocorrência do fato gerador foi demonstrada pela autoridade lançadora que apresentou provas da existência de rendimentos da atividade rural, sendo que as principais evidências foram obtidas de extratos fornecidos por instituições bancárias ao fisco, o que já avaliamos não representa qualquer irregularidade. Não cabe assim a alegação de ausência de fundamentação fática do fisco no tocante à infração sob questão. Fl. 18090DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.083 17 Chamo atenção, portanto, que as inúmeras alegações de mérito que se refiram à irregularidade das provas em razão da quebra do sigilo bancário do autuado não serão consideradas, pelas razões já apresentadas na análise desta matéria como preliminar ao mérito. Na sequência o autuado alega que a apontada falta de escrituração de valores recebidos da empresa Mafrig no Livro Caixa do exercício de 2007, com consequente omissão de rendimentos na DAA de 2008, não pode prosperar, posto que, da data do depósito, em 09/07/2007, até a ciência do lançamento em 06/08/2012, transcorreram mais de cinco anos, o que leva a perda do direito de lançar o tributo em razão da decadência quinquenal prevista no CTN. Mais uma vez equivocase o recorrente. Não vou me alongar sobre esse tema, posto que já é do conhecimento de todos que o imposto sobre a renda das pessoas físicas possui fato gerador complexivo anual, que só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário. Nesse particular, cabe trazer à colação a Súmula CARF nº 38: "Súmula CARF nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física,relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário." Assim, o fato gerador do anocalendário 2007 ocorreu em 31/12/2007, sendo esse o termo inicial do prazo decadencial do poderdever de efetuar o lançamento. Considerando que o prazo de cinco anos previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, o termo final na contagem do prazo decadencial seria 31/12/2012. Como o lançamento se aperfeiçoou em 06/08/2012, não ocorreu a aludida decadência. Em uma série de infrações apontadas o sujeito passivo não fez qualquer contestação meritória, limitandose a alegar a nulidade em razão da ilegalidade na quebra do sigilo bancário. Essas infrações foram assim sintetizadas no voto condutor do acórdão recorrido, do qual retiro excerto que servirá de fundamentos para esse meu voto: " omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valores recebidos de: Eduardo Calil Otoboni e Jairo Queiroz Jorge – o impugnante torna a repetir que a exação encontra seu fundamento na análise indevida das movimentações financeiras do contribuinte. Entretanto, já restou demonstrada que é plenamente válida a apuração de omissão de rendimentos com base em extratos bancários fornecidos mediante regular requisição aos bancos nos quais o contribuinte mantém contas bancárias. Conforme se vê a fl. 15.677, o Senhor Jairo Queiroz Jorge afirma que o pagamento efetuado em 05/11/2007 ao senhor Mário Celso Lopes foi a título de pagamento para confinamento de 594 bois magros. Quanto aos rendimentos pagos por Eduardo Cali Otoboni também decorrem de contrato para confinamento de bovinos, conforme Termo de Constatação Fiscal (fl. 17.465), fato não contestado pelo contribuinte, que se limitou a alegar a ilegalidade da quebra do sigilo bancário. Fl. 18091DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 omissão de registro no livro caixa 2009 e falta de declaração na DIRPF 2010, relativas a valores recebidos antecipadamente de Alberto Rodrigues da Cunha e Paulo Rodrigues da Cunha por conta de venda de máquinas agrícolas. – novamente, o contribuinte se limita a alegar que a exação encontra seu fundamento na análise indevida das movimentações financeiras, a qual já restou claramente legal e válida. omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valor recebido de Zamonaro Poços e Bombas Ltda.; omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valores recebidos de Comercial Hevea de Borrachas; omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valores recebidos da JBS Agropecuária Ltda.; omissão de registro no livro caixa 2007 e falta de declaração na DIRPF 2008 de valor recebido de Alexandre Adub Salomão – em todos esses casos, o impugnante apenas alega que a exação encontra seu fundamento na análise indevida das movimentações financeiras. Entretanto, à vista da legislação vigente, conforme já demonstrando anteriormente, inexiste ilegalidade na análise dos extratos bancários do contribuinte, ainda que fornecidos pelas instituições bancárias, mediante requisição regular." Para se contrapor as infrações decorrentes de falta de escrituração das vendas efetuadas a empresa JBS S.A., constantes nos Livros Caixa de 2007 e 2008, com omissão das receitas correspondentes nas DAA de 2008 e 2009, afirma o recorrente que, embora o lançamento esteja calcado em prova aparentemente válida, qual seja a informação prestada pela empresa adquirente, tal providência somente veio a se concretizar em razão da irregular quebra do sigilo bancário do autuado. Garante que, ao contrário do que fez supor o relato da auditoria, as notas fiscais em questão foram devidamente escrituradas e oferecidas à tributação. Aduz que para os anoscalendário de 2007 e 2008 declarou uma receita bruta de R$ 27.221.696,35, o que demonstra que o valor incluído nas DAA é superior ao apurado pelo fisco, não havendo o que se falar em omissão de receitas relativas a operações com a JBS. O fato de alguns valores provindos da JBS não coincidirem integralmente com os lançamentos do Livro Caixa não justifica a tributação, posto que uns poucos equívocos ocorridos não pode dar margem à tributação das operações como se tivessem sido omitidas na sua totalidade. Na decisão recorrida deuse entendimento diametralmente oposto, como se pode ver do seguinte excerto do voto do Relator: " Todavia, o autuante logrou demonstrar as fls. 17.473 a 17.484 que a JBS S.A pagou ao contribuinte, diretamente ou a terceiros, os valores totais de R$ 9.954.421,03 e R$ 1.015.049,70, respectivamente nos anoscalendário 2007 e 2008. O autuante ainda confrontou os totais anuais pagos pela JBS com os totais escriturados nos Livros Caixas, apurando as diferenças discriminadas no demonstrativo de fls. 17.486 a 17.492, respectivamente nos valores de R$ 3.312.093,60 e R$ 771.978,46, nos anoscalendário 2007 e 2008. Fl. 18092DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.084 19 Notase como exemplo, as notas fiscais da JBS S.A, CNPJ n. 02.916.265/005048, de n.º 26 a 30 e 37 a 46, que resultou na nota de entrada 4123 de 20/04/2007, no valor de R$ 595.571,59. Foram transferidos por TED ao contribuinte, em 30/04/2007, R$ 43.874,64 e a terceiros, os seguintes valores: R$ 119.130,00, 155.496,55 e 318.630,00, na mesma data de 30/04/2007 (fl. 17.475 – TED as fls. 16.325 a 16.327). Não há, todavia, registro no livro Caixa 2007 de tais valores (vide fl. 4.190). Também as notas fiscais 89 e 153 a 158 da filial 005048 da JBS S.A, de 12/11/2007, nos valores de R$ 6.130,72 e 238.371,88 (TED na mesma data) não foram registradas no livro caixa 2007 (fl. 17.479) comprovandose assim, a omissão de receitas da atividade rural. Ressaltase que consta a fl. 16.199 resposta da JBS S.A à intimação levada a efeito pelo Fisco, apresentando informações de todos os pagamentos realizados ao contribuinte, durante o período de 01/01/2006 a 31/12/2009 e cópia dos comprovantes de pagamentos realizados a terceiros, por ordem de Mário Celso Lopes. A análise de tais documentos resultou no quadro de fls. 17.473 a 17.484, sendo que o contribuinte em sua impugnação não comprova que os valores pagos a terceiros, credores do contribuinte, foram lançados nos livros caixa correspondentes ou que os valores pagos ao impugnante considerados omitidos pelo Fisco encontramse registrados nos livros caixa." Apreciando essa passagem da decisão hostilizada, verificase que foram apontados, a título exemplificativo diversas notas fiscais que deixaram de ser escrituradas e, evidentemente, declaradas. Observase que esses dados não são rebatidos especificamente no recurso, que também poderia ter contestado o quadro elaborado pelo fisco de fls. 17.473/17.484, o qual apresenta todas as divergências constatadas quanto às operações com a JBS. Observese que os pagamentos pelas vendas em questão foram direcionados diretamente para contas bancárias do sujeito passivo, bem como para terceiros a sua ordem, o que ficou muito bem caracterizado no relato da autoridade lançadora, não tendo o sujeito passivo conseguido demonstrar qualquer desacerto quanto às evidências probatórias e conclusões do fisco. Mantémse por isso todas as omissões relativas às vendas à JBS S.A. h) glosa de despesas e investimentos da atividade rural Para o recorrente, os motivos para as glosas mencionadas no item 2.5 do TCF não devem subsistir, posto que o fisco e também o órgão recorrido simplesmente ignoraram os documentos apresentados pelo contribuinte, os quais demonstram grande compatibilidade com os requisitos legais de dedutibilidade. Assegura que a escrituração em duplicidade de despesas/investimentos representam meros equívocos cometidos em razão de mudança na equipe contratada para confeccionar sua contabilidade. Fl. 18093DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 Voltandonos para acusação, é possível verificar o quadro demonstrativo de fls. 17.509/17.511, onde a autoridade lançadora apresenta as despesas escrituradas em duplicidade. Vejo que contra esses dados o sujeito passivo não apresentou nada de concreto que pudesse colocálos em cheque, chegando a reconhecer as duplicidades, todavia, traz como escusa a ocorrência de equívocos. A suposta falta de máfé no cometimento da infração não deve ser considerada diante da clara demonstração de sua ocorrência pelo fisco. Nos termos do art. 136 do CTN: "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". Uma outra alegação é de que o seu crédito com a empresa Agropecuária Liliana teria sido excluído do lançamento por não ser considerado receita da atividade rural, Vejo que tal fato não acarreta qualquer influência na apuração relativa às glosas em questão. Portanto, não há como se afastar as glosas decorrentes de lançamento em duplicidade de despesas e investimentos. i) despesas com aeronaves de uso não exclusivo na atividade rural Partindo da constatação de que as aeronaves de passageiros Cessnas Aircraft, um modelo 182J, prefixo PTCTS e outro modelo C500, prefixo PTLBN não foram utilizadas exclusivamente na atividade rural, conforme demonstrativo das origens de destinos dos voos, colacionado às fls. 17.512/17.519, a autoridade lançadora glosou as despesas correspondentes. De acordo com o fisco, o contribuinte teria apropriado como despesas da atividade rural gastos com combustíveis dessas aeronaves em descompasso com as regras aplicáveis, as quais somente admitem a dedução para veículos de carga ou utilitário e de emprego exclusivo na atividade rural. Conclui que as aeronaves não se enquadram neste perfil de veículo, além de que o relatório de bordo das viagens realizadas mostra claramente a ocorrência de voos entre diversas capitais brasileiras e inclusive para o exterior. Para afastar essa acusação, o recorrente alegou que essas aeronaves tem como ponto forte a versatilidade e se mostram como melhor alternativa para deslocamento rápido entre várias propriedades rurais, além da possibilidade de transporte de pequenos volumes, razão pela qual têm sido amplamente utilizadas por produtores rurais em todo o mundo. Menciona matéria publicada na Revista "Dinheiro Rural", que na edição de julho de 2010, demonstra a grande utilidade desses aviões na exploração da atividade rural. Assegura que os documentos apresentados ao fisco demonstram que os gastos com as aeronaves atenderam perfeitamente aos princípios da necessidade, compatibilidade e efetividade, motivo por que não podem prosperar as glosas de tais despesas. Argumenta que as provas baseadas em dados dos diários de bordo nada provam em relação à utilização das aeronaves, haja vista que todas as rotas voadas tiveram como objetivo a expansão de sua atividade rural. Fl. 18094DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.085 21 Advoga que a legislação aplicável (RIR, art. 62, §§ 1.º e 2.º , III e na IN SRF n.º 83/2001, arts. 7.º e 8.º , III) não vedam a dedução das despesas de combustível utilizado nestes aviões. Por fim, lembra que a Lei n.º 8.023/1990 não impõe a necessidade de emprego exclusivo do veículo na atividade rural para fins de aproveitamento das despesas, de modo que a IN SRF n.º 83/2001 extrapolou o conteúdo da referida Lei, incorrendo em ilegalidade. Vejamos. Nos termos do art. 4.º da Lei n.º 8.023/1990, o resultado da atividade rural é obtido pela diferença entre as receitas auferidas e as despesas incorridas no período de apuração. Ao tratar dos gastos com investimentos e despesas de custeio o Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, assim dispõe: "Art.62.Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§1º e 2º). §1ºAs despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. (...) A dicção do § 1.º acima não deixa margem de que a despesa para que seja dedutível deve estar vinculada inequivocamente à atividade rural e deve ser necessária à manutenção da fonte produtora. Aplicandose essa diretriz normativa aos veículos, os gastos relativos a esses bens somente podem ser utilizados para obtenção do resultado da atividade rural, base de cálculo do imposto de renda, quando os veículos tenham utilização na produção agropecuária. No caso sob testilha, observase a dedução de despesas com aeronaves de passageiros, que, conforme relatórios de viagem, trafegavam por destinos não coincidentes com as propriedades rurais do recorrente, por vezes até em cidades estrangeiras. Vejo que ainda que estes aviões pudessem ter sido utilizados para suprir necessidade da fonte produtora, não havia esse utilização com exclusividade, como exige o inciso II do § 2.º do artigo do RIR acima citado: "§2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): (...) Fl. 18095DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 III aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; (...)"(grifei) Vejase que somente há de se considerar que um veículo como item integrante da atividade rural, para fins de apuração do seu resultado, quando este seja exclusivamente destinado a manutenção da fonte produtora. A meu ver a utilização híbrida de aeronave, ora para atividade rural, ora para transporte de passageiros, não se enquadra no dispositivo acima. Isso porque, mesmo que as viagens com passageiros se destinassem a algum tipo de atividade vinculada à rural, como por exemplo, à comercialização de produtos rurais, seria impossível a segregação de quais as viagens teriam como finalidade apoiar à produção do campo. Por esse motivo, quando se refere especificamente aos gastos com aeronaves, a pergunta nº 501 do Perguntas e Respostas IRPF/2007 e mantida nos exercícios seguintes, assim esclarece: "501 — Podem ser deduzidos os gastos com aeronaves? Somente podem ser deduzidos os gastos com: 1 aquisição de aeronaves próprias para uso agrícola, desde que a utilização seja exclusiva para a atividade rural, bem assim os gastos realizados com peças de reposição, manutenção e uso da aeronave, combustíveis, óleos lubrificantes, serviços de mecânico, salários do piloto etc.; 2 aluguel das aeronaves descritas na alínea "a" ou a contratação de serviço com o uso delas (pulverização, semeadura etc.). (RIR/1999, art. 62; IN SRF nº 83, de 2001, arts. 7º e 8º, III)" (grifei) Esse entendimento está alinhado com aquele expresso no Acórdão n.º 2202 002.943 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 20/01/2015, onde nesta questão de mérito, por unanimidade, mantevese o lançamento. Vale a pena transcrever excerto do voto condutor do decisório: "A Fiscalização alega que “para a dedução como despesa a lei exige que o veículo seja de carga ou utilitário de emprego exclusivo na exploração da atividade rural” (fl. 2322 do e processo). Como se vê, o art. 62, § 2º, III, do RIR/99 estabelece que para se deduzir investimentos decorrentes de aquisição de veículos, é preciso que os mesmos sejam de carga ou utilitários e de emprego exclusivo na exploração da atividade rural. Como bem salientou a decisão de Primeira Instância, os documentos acostados aos autos comprovam que as aeronaves não eram usadas exclusivamente para a atividade rural, como impõe o art. 62, § 2º, III, do RIR/99, de modo que os investimentos decorrentes de gastos com aeronaves não podem ser deduzidos na apuração do resultado da atividade rural. Fl. 18096DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.086 23 É possível observar nos Diários de Bordo que as aeronaves deslocaramse para várias cidades do país (como Belo Horizonte – MG, Boa Vista – RR, Brasília – DF, Goiânia – GO, Porto Alegre – RS, Porto Velho – RO, Rio de Janeiro – RJ, Uberlândia – MG, dentre outras) e realizaram, inclusive, voos internacionais, dentre os quais se destaco Córdoba e Buenos Aires – Argentina. Ressalto que os imóveis rurais onde o contribuinte desenvolve suas atividades, consoante sua DIRPF, localizamse nos Municípios de Castilhos – SP e Torixoreu –MT, relativamente distantes dos locais para onde as aeronaves voaram, não podendo ser admitida, por ausência de provas, que esses veículos se prestavam exclusivamente para a atividade rural. Sendo assim, entendo que valor referente às despesas com aeronave deve mantido, uma vez que o uso das aeronaves não se destinava exclusivamente à atividade rural." Assim, diante do exposto, devemos manter o que ficou decidido pela DRJ quanto a esta questão. j) reapreciação de documentos Alegando que o fisco, bem como o órgão recorrido, fiz tábula rasa dos documentos exibidos durante o procedimento fiscal e que, por esse motivo os declarou inidôneos para fins de comprovar as despesas na atividade rural, o sujeito passivo requer a sua reapreciação de modo que lhes seja dada a força probatória que merecem. Sustenta que a apreciação dos autos demonstra que a autoridade lançadora fez análise descuidada dos elementos que lhes foram apresentados. Penso diferente. O quadro de fls. 17.523/17.525, comprova que a análise documental foi criteriosa e explicita inclusive os motivos para o não acatamento dos documentos ali enumerados. Observese que o sujeito passivo não traz oposição a estas conclusões, tampouco reforça o seu conjunto probatório, apenas se limitando a lançar a acusação desprovida de substância quanto à deficiência na apuração fiscal. Deve prevalecer, portanto, a não aceitação dos documentos pelos motivos fundamentados constantes no relato do fisco. k) gastos não necessários à atividade rural Afirma o sujeito passivo que determinados gastos foram glosados pelo fato do auditor, com base nos seus elementos pessoais de convicção, entendeu não serem necessários à manutenção da atividade rural. Sustenta que somente o produtor rural tem condições de afirmar se tal gasto é ou não necessário à manutenção de seu ramo de negócio. Nesse contexto não caberia ao fisco ditar, apenas com base em suas teorias, quais as despesas são ou não necessárias a um empreendimento rural. Fl. 18097DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 Sobre essa questão não há muito o que se falar, mas apenas reproduzir o art. 62 do RIR, qual o fisco se baseou para glosar despesas não necessárias à atividade rural. Eis o a transcrição integral do dispositivo que trata da matéria: “Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). § 1º As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. § 2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): I benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos e reparos; II culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; III aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; IV animais de trabalho, de produção e de engorda; V serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como reprodutores e matrizes, girinos e alevinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII atividades que visem especificamente a elevação sócio econômica do trabalhador rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica; X bolsas para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. § 3º As despesas relativas às aquisições a prazo somente serão consideradas no mês do pagamento de cada parcela. Fl. 18098DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.087 25 § 4º O bem adquirido por meio de financiamento rural será considerado despesa no mês do pagamento do bem e não no do pagamento do empréstimo. § 5º Os bens adquiridos por meio de consórcio ou arrendamento mercantil serão considerados despesas no momento do pagamento de cada parcela, ressalvado o disposto no parágrafo seguinte. § 6º No caso de consórcio ainda nãocontemplado, as parcelas pagas somente serão dedutíveis quando do recebimento do bem, observado o art. 798. § 7º Os bens adquiridos por meio de permuta com produtos rurais, que caracterizem pagamento parcelado, serão considerados despesas no mês do pagamento de cada parcela. § 8º Nos contratos de compra e venda de produtos agrícolas, o valor devolvido após a entrega do produto, relativo ao adiantamento computado como receita na forma do § 2º do art. 61, constitui despesa no mês da devolução. § 9º Nos contratos de compra e venda de produtos agrícolas, o valor devolvido antes da entrega do produto, relativo ao adiantamento de que trata o § 2º do art. 61, não constitui despesa, devendo ser diminuído da importância recebida por conta de venda para entrega futura. § 10. O disposto no § 8º aplicase somente às devoluções decorrentes de variação de preços de produtos sujeitos à cotação em bolsas de mercadorias ou cotação internacional. § 11. Os encargos financeiros, exceto a atualização monetária, pagos em decorrência de empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural, poderão ser deduzidos no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, § 1º). § 12. Os empréstimos destinados ao financiamento da atividade rural, comprovadamente utilizados nessa atividade, não poderão ser utilizados para justificar acréscimo patrimonial." Assim, ao contrário do que afirmou o recorrente, a autoridade lançadora não firmou sua convicção com base em critério pessoal, mas pautouse pelas regras jurídicas que regulam a matéria. Não devemos acolher, portanto esse inconformismo. k) Quitação de empréstimo escriturado no Livro Caixa de 2009 como despesa e declarado indevidamente na DAA de 2010 Segundo o recorrente, contraiu empréstimo da sociedade empresária Malibu Confinamento de Bovinos Ltda, necessário a aquisição de bens e pagamento de despesas relacionadas a sua atividade. Assim, a quitação deste empréstimo deve ser considerada como despesa/investimento, não sendo razoável a sua glosa. Fl. 18099DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 Não tem razão o sujeito passivo. Caso se pudesse deduzir como despesa/investimento da atividade rural o pagamento de mútuo, haveria uma duplicidade de dedução, posto que o contribuinte abateria da sua receita o próprio gasto na aquisição de um bem e na quitação de uma despesa e repetiria a dedução no momento da amortização do empréstimo. Isso como bem afirmou o fisco não é possível. Por esse raciocínio, deve ser mantida à glosa relativa aos pagamentos efetuados à empresa Malibu. l) despesas com CPMF Para o recorrente, a glosa de gastos relativos à CPMF revelase arbitrária, posto que se trata de despesas necessárias, usuais e normais a sua atividade, sendo que tais custos devem ser deduzidos da base de cálculo do tributo lançado. No seu entender a sua glosa somente se justificaria se o fisco comprovasse que as movimentações bancárias eram estranhas a atividade rural. Passemos à análise desta razão. O fisco entendeu que o contribuinte escriturou no Livro Caixa de 2007 despesas com CPMF em valores superiores à movimentação financeira concernente à atividade rural, isto após deduzir dos gastos totais as despesas glosadas. Nesse sentido, concluiu que o contribuinte não poderia deduzir a contribuição incidente sobre o total da movimentação financeira, mas apenas sobre aquela necessária ao desenvolvimento de suas atividades. Apurouse, então, os valores das despesas com a CPMF excedentes a 0,0038% das despesas de custeio/investimentos, conforme demonstrado no quadro de fls. 17.532 a 17.534. Vejo, então, que o quadro apresentado, contra o qual não foram apresentados argumentos específicos, é suficiente para demonstrar que é procedente a glosa da CPMF não dedutível. m) juros sobre empréstimos rurais cujos recursos foram supostamente desviados para empresas do contribuinte/outras atividades O fisco identificou vários empréstimos rurais contraídos pelo recorrente, mencionando que os recurso foram utilizados em finalidades diversas daquelas constantes nos contratos. Foram apresentados demonstrativos de transferências de recursos para contas de mesma titularidade, de empresas e de parentes do recorrente. Conclui que houve intensa movimentação de recursos financeiros entre empresas controladas e seu controlador e afirma que, numa análise global das transferências nos exercícios de 2008 e 2009, verificase sem dificuldades que as aplicações dos recursos são muito inferiores ao valor dos empréstimos, conforme detalhado na planilha de fl. 17.559. Tributouse então os juros relativos a esses empréstimos, aplicandose multa qualificada (150%). Para afastar a imposição o sujeito passivo tenta desqualificar as provas acostadas, sob a justificativa de que estariam contaminadas pela ilegalidade da quebra de seu sigilo bancário. Fl. 18100DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.088 27 Afirma que mesmo que se considerem válidas as provas o lançamento não pode subsistir, posto que os valores foram aplicados em empresas controladas pelo recorrente, as quais atuam no segmento rural, portanto, não se pode falar em desvio de finalidade. Acrescenta que os mútuos que efetuou com as empresas das quais participa foram formalizados e registrados nas respectivas contabilidades, demonstrando lisura no negócio e respeito ao princípio da entidade. Vejamos. A questão da ilegalidade das provas já foi apreciada alhures, onde concluímos que não há qualquer irregularidade na requisição de movimentação financeira às instituições bancárias, para dar suporte a procedimento fiscal contra o sujeito passivo. Por outro lado a convicção do fisco foi formada a partir de um substancioso demonstrativo de que houve aplicação indevida dos empréstimos obtidos, não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova para infirmar os dados apresentados na peça de acusação. Por outro lado não é verdade que o fato dos empréstimos terem sido utilizados em atividade rural por outras empresas afastaria a infração. Como bem se afirmou na decisão recorrida os recursos referentes a empréstimos rurais somente podem ser aplicados em finalidades previstas nos contratos e os juros não podem ser deduzidos do cômputo da atividade rural do contribuinte, posto que os recursos destinaramse a terceiros, mesmo que decorrentes de operações comprovadas mediante documentação idônea. É de se manter a glosa desses valores. n) juros sobre empréstimos não destinados a atividade rural referentes a empréstimos de terceiros Neste item do recurso, o sujeito passivo tenta demonstrar que não há vedação legal para dedução do resultado da atividade rural dos juros de empréstimos contraídos de terceiros. Argumenta que a aplicação dos recursos foi feita corretamente, conforme declaração prestada por instituição financeira. Nesse ponto, verificase completa confusão do recorrente. Ali se glosou juros deduzidos como despesas do sujeito passivo, mas que se verificou terem incidido sobre financiamentos rurais obtidos pelos filhos. Esse juros obviamente não são dedutíveis, posto que decorrentes de financiamentos tomados por parentes do recorrente. o) juros sobre adiantamentos da Usina da Barra, sucedida por Cozan e Raizen Outra despesa glosada referese aos juros incidentes sobre adiantamento para entrega futura de produção rural recebido pela Usina Barra (sucedida por Cosan/Raizen). Para o fisco o contribuinte escriturou nos Livros Caixa de 2007 e 2008 valores de juros superiores aos efetivamente pagos. Fl. 18101DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 28 Todavia, o recorrente afirma que os adiantamentos devem ser equiparados a empréstimos e, por isso, os seus encargos financeiros poderão ser deduzidos no mês do pagamento. Consta do termo de constatação fiscal que o contribuinte recebeu da pessoa jurídica Usina da Barra, sucedida pela Cosan e depois por Raizen, adiantamentos por conta de entrega futura de produtos rurais (canadeaçúcar), nos seguintes valores: R$ R$ 3.500.000,00 em 11/09/2006, R$ 1.000.000,00 em 27/03/2007, R$ 1.000.000,00 em 27/04/2007, R$ 4.600.000,00 em 20/01/2009 e R$ 1.200.000,00 em 05/08/2009. Sobre esses adiantamentos, a exceção daquele efetivado em 20/01/2009, houve a incidência de juros, os quais foram amortizados na medida em que o produto era entregue ao adquirente. Apreciando o quadro apresentado pelo fisco no item 2.4.12 do TCF é possível visualizar com clareza o saldo dos adiantamentos no início do período, o valor total amortizado mediante a entrega dos produtos e a parcela relativa aos juros. Confrontando os juros pagos calculados pela metodologia acima e os valores escriturados é fácil perceber que houve a sua escrituração em excesso, sendo procedente a glosa sobre tais valores. p) rendimentos da atividade rural omitidos No item 2.5 do TCF é apresentado resumo dos rendimentos da atividade rural omitidos, considerandose as omissões de receitas e as glosas de despesas/investimentos acima apontados. Contra esse quadro o sujeito passivo se insurge alegando a ilegalidade na quebra do seu sigilo bancário, bem como na análise insuficiente da documentação apresentada durante o procedimento fiscal. Já debatemos à exaustão esses assuntos, concluindo que há permissão legal para requisição de dados das contas bancárias às instituições financeiras quando existe procedimento fiscal em curso, o que ocorreu no presente caso e, ao contrário do alegado, os documentos por ele apresentados foram exaustivamente analisados pela fiscalização, que embasou as glosas de despesas efetuadas e demonstrou a existência de omissão de rendimentos da atividade rural. Nesse sentido, há de ser mantido o lançamento relativo ao rendimento da atividade rural, a exceção dos valores excluídos pela DRJ, os quais foram objeto de recurso de ofício. q) omissão de ganhos de capital da alienação de bens de direitos Foram tributadas como ganhos de capital as vendas de móveis à empresa MCL Empreendimentos e Negócios Ltda, conforme notas fiscais de entrada n.º 003; 004 e 006, emitidas em 02/09/2009 e que totalizaram R$ 96.700,29. Conclui a autoridade lançadora que não tendo o contribuinte comprovado os custos de aquisição, assumiuse que os bens foram adquiridos a custo zero (como ocorre com os bens depreciados) e que houve um ganho de capital igual ao preço da venda dos bens, ganho este omitido em sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2009. Fl. 18102DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.089 29 O recorrente alega que adquiriu os móveis em meados de 1992 e tendo se passado mais de 20 anos da aquisição, a loja que lhe vendeu tais móveis encerrou suas atividades e, apesar de seu empenho, não conseguiu encontrar as notas fiscais de compra, estando impossibilitado de comprovar os custos de aquisição. Sustenta que não deve prevalecer a tese do fisco sobre o ganho de capital, posto que essa se sustenta apenas na ficção de que o custo de aquisição dos bens seria zero, o que não condiz com a realidade. A alegação do sujeito passivo não encontra amparo na legislação aplicável. Sobre esse tema é importante a transcrição do art. 129 do RIR, que trata da determinação do custo de aquisição para determinação de ganho de capital: "Art. 129. Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no art. 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16 e § 4º): I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V o seu valor corrente, na data da aquisição; VI igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores.” (grifei) Assim, diante da impossibilidade de determinação do custo de aquisição pelo sujeito passivo, o fisco pautouse estritamente na legislação para fixálo em zero. De se concluir que ultrapassado o limite de isenção de R$ 35.000,00 para o anocalendário 2009, a alienação de um conjunto de bens no mesmo mês deve ser considerada pelo valor do conjunto e não havendo como se determinar o custo de aquisição, este será igual a zero, por expressa determinação legal e não por presunção do fisco. Devemos manter o que ficou decido quanto a essa matéria. r) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos e créditos bancários de origem não comprovada O fisco apresenta às fls. 17.207/17.448 demonstrativo de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, relativo aos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, nos quais foram depositados e creditados recursos financeiros em contas correntes bancárias do contribuinte sem que ele tenha demonstrado e/ou comprovada a sua origem, caracterizando a omissão de rendimentos. O total mensal tributado foi apresentado em quadro do TCF, item 4.6. O recorrente, mais uma vez, questiona a legalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Depois, afirma ser arbitrário o procedimento fiscal que Fl. 18103DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 30 tributa valores apenas com base na movimentação bancária, sem, todavia, demonstrar cabalmente que se referiam a rendimentos não oferecidos à tributação pelo sujeito passivo. Sustenta que apresentou ao fisco todos os documentos e livros fiscais e contábeis, justificando a receita da atividade rural nos exercícios de 2007 a 2009, demonstrando a plena compatibilidade com a movimentação desses valores em contas bancárias. Assevera que os auditor desprezou todos os documentos apresentados pelo recorrente, tendo se apoiado apenas na ausência de identificação dos depositantes nos extratos bancários. Conclui que se o fisco está convencido de que se tratam de rendimentos omitidos, deveria apontar os motivos de sua convicção, demonstrando que a movimentação de fato comporta omissões de rendimentos e ainda justificar a desconsideração dos elementos apresentados, os quais comprovam a origem dos recursos referentes aos depósitos. Para justificar a sua tese de que não há permissivo legal para que se considerem depósitos com rendimentos, cita a doutrina de Hugo de Brito Machado, a Súmula n.º 182 do Tribunal Federal de Recursos, além de precedentes das jurisprudências administrativa e judicial. Advoga que havendo dúvida quanto à ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal deveria ter dado a solução mais favorável ao sujeito passivo, nos termos do art. 112 do CTN, ou pelo menos, ampliar a sua investigação para provar a efetiva subsunção do fato jurídico tributário à norma. Fecha afirmando que a tributação incidente sobre depósitos bancários de origem supostamente não comprovada é ilegítima e insubsistente, devendo ser declarada nula, com a consequente extinção do crédito tributário. É cediço que a partir de 01/01/1997 a disciplina da tributação dos depósitos bancários passou a ser dada pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 (alterado pela Lei n.º 9.481/1997), que traz a seguinte redação: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem Fl. 18104DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.090 31 prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Observase assim que o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitara em nome do contribuinte, por instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Tratase assim de uma presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Todavia, a presunção legal somente é afastada quando são carreados elementos probatórios que permitam a identificação da fonte do crédito, o seu valor e a data além, principalmente, da demonstração inequívoca da causa pela qual os créditos foram efetuados na conta corrente. Cada crédito em conta corrente deve ter íntima relação com a fonte dos recursos que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não se acatando comprovações que indiquem determinado documento para justificar a existência de vários depósitos. É de se ver que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister a simples apresentação de negativa geral ou afirmações genéricas acerca da origem dos recursos. Há estrita necessidade de que as provas refiramse a documentação hábil e idônea que possua vinculação inequívoca com os depósitos/créditos bancários. Fl. 18105DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 32 Nesse sentido, as alegações recursais não merecem sucesso haja vista que não trazem a demonstração exigida pela lei para afastar a presunção de omissão de rendimento caracterizada por depósitos não comprovados, posto que, conforme vimos acima, a mera indicação de que se tratam de receitas da atividade rural não é suficiente para modificar o lançamento nesta parte. Por fim, incabível que se invoque jurisprudência firmada anteriormente a edição da Lei que instituiu a presunção da omissão de rendimentos representada por movimentação bancária não comprovada. s) ilegalidade na aplicação da multa Queixase o recorrente que a multa qualificada imposta na presente autuação viola as Súmulas do CARF n.º 14 e 25, as quais não admitem a aplicação da multa majorada quando não fique suficientemente demonstrada a conduta dolosa praticada pelo sujeito passivo. Afirma que as Súmulas do CARF tem efeito vinculante perante a Administração Pública Federal. Inicialmente cabe ressaltar que a multa qualificada não incidiu sobre todo o lançamento, mas apenas sobre o tributo apurado sobre os valores escriturados no Livro Caixa como despesas, que comprovadamente referemse a juros sobre empréstimos rurais que foram desviados para as suas empresas e/ou não aplicados na atividade rural. Acerca da qualificação da multa o fisco assim se pronunciou: (...) Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 18106DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.465 S2C4T2 Fl. 18.091 33 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera divergência entre os valores declarados e aqueles apurados pelo fisco não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Diante da acusação da ocorrência de sonegação e fraude, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Observese que os tipos acima exigem que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/postergue a ocorrência do fato gerador. Concordo com o sujeito passivo quando afirma que a mera divergência entre o declarado e o apurado pela falta de documentação hábil a comprovar uma despesa não justifica a acusação do dolo. Todavia, o conjunto probatório carreado pelo fisco para mim é a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na inclusão na escrituração e na DAA de despesas que o sujeito passivo sabia serem indedutíveis, posto que referentes a juros de financiamentos não aplicados na sua atividade rural. A meu ver essa acusação é suficiente para demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Ora, se houve escrituração dos juros como despesas da atividade rural, sem que os valores obtidos do financiamento tivessem sido utilizados nesta atividade, havendo provas contundentes de que houve desvios de recursos para empresas e para outras finalidades, fica Fl. 18107DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 34 patente a intenção de burlar o fisco, ao lançar os mencionados juros como dedução no resultado da atividade rural, numa clara ação intencional de alterar o fato gerador do tributo. Por esses fundamentos, entendo que a multa qualificada deva ser mantida, afastandose as alegações recursais de inexistência de causa para sua aplicação. Conclusão Voto por conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao recurso voluntário, por afastar as preliminares de nulidade do lançamento, e, no mérito, por lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 18108DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 12326.006748/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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Numero do processo: 13819.722111/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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GLOSA DE DEDUÇÕES. Recorrente GERALDO SANT ANNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 21 11 /2 01 4- 10 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13819.722111/201410 Acórdão n.º 2402005.470 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário 2012, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 5 a 10, em que foram apuradas as seguintes infrações: 1. dedução indevida com previdência oficial, no valor de R$ 3.331,60; 2. dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 6.784,59. Em virtude dessas infrações, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 711,83, acrescido de multa de ofício e juros de mora, num total de R$ 1.322,36. Cientificado da notificação de lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, se insurgindo contra a dedução indevida de previdência oficial de R$ 3.331,60 e contra a dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 6.784,59. Foi solicitada prioridade na análise da impugnação, com fulcro no art. 71 da Lei nº 10.471, de 2003. Em sessão realizada em 05 de março de 2015, a DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme decisão assim ementada: DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Merece ser glosada a diferença entre o valor de contribuição à previdência oficial declarado pelo Interessado e o informado pela fonte pagadora em DIRF e comprovante de rendimentos pagos. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Apenas os valores de pensão alimentícia determinados por decisão judicial e/ou escritura pública, poderão ser deduzidos a esse título na declaração de ajuste anual do alimentante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado da decisão em 19 de março de 2015 (fls. 53/54) e somente interpôs recurso em 15 de maio daquele ano (fl. 62), reproduzindo, em linhas gerais, os termos da sua impugnação. À fl. 55 já havia sido lavrado o competente "Termo de Perempção". É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é manifestamente intempestivo, vez que o contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19 de março de 2015 (fls. 53/54), tendo interposto seu recurso somente em 15 de maio daquele ano (fl. 62), quando já transcorrido o prazo legal de trinta dias para fazêlo. Essa circunstância foi inclusive corroborada pelo "Termo de Perempção" de fl. 55 e pelo "DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO" de fl. 92. Segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, o recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. Por sua vez, o seu art. 42, inc. I, preleciona que são definitivas as decisões de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Logo, o recurso não deve ser conhecido. 2 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720161/2009-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 01 61 /2 00 9- 30 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.900942/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 42 /2 00 8- 21 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.981, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914813/2012-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.274
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.813, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 13 /2 01 2- 02 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914813/201202 Acórdão n.º 9303004.274 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914813/201202 Acórdão n.º 9303004.274 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10865.002776/2010-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Numero da decisão: 9202-003.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 27 76 /2 01 0- 28 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.358 2 Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n.º 9.876/1999. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 08/2005 a 11/2007. O Relatório Fiscal (fls.19/23) informa que os valores apurados decorrem de faturas emitidas pela cooperativa Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico, relacionadas nas planilhas anexadas as fls. 21, tendo sido aplicada a alíquota de 30% sobre o valor das faturas para a determinação da base de calculo das contribuições sociais exigidas, nos termos da legislação vigente á época da prestação dos serviços. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/08/2010 (fl. 01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fl.69/75), alegando, em síntese, que: 1 O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91 é inconstitucional, esclarecendo que tramita junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° ADI 25945, com parecer favorável da Procuradoria Geral da República nesse sentido. Cita o art. 195,I, "a" da Constituição Federal (CF), que deixou claro que a base das contribuições sociais é a folha de salário ou rendimentos pagos à pessoa física. Assim, ao instituir como base de cálculo de contribuição social o valor bruto das notas fiscais ou faturas emitidas pelas cooperativas, que são pessoas jurídicas, o art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91 opõese ao que estabelece a Carta Magna, revelandose, de forma irrefutável, inconstitucional. Com efeito, a empresa não contrata com o cooperado, nem com este mantém qualquer vinculação jurídica, tampouco lhe paga ou credita rendimentos. A empresa contrata serviços com a cooperativa, que se responsabiliza pelos serviços contratados, a fatura ou nota fiscal, cujo valor é composto de várias rubricas, sendo a figura dos cooperados absolutamente estranha a esta relação. Deste modo, é patente a inconstitucionalidade do art. 22. IV da Lei n.º 8.212/91; e 2 Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e, caso não acolhido o primeiro pedido, seja. ao menos.excluída a multa de oficio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP por meio de Acórdão n.º 1431.626, da 7ª Turma da DRJ/RPO (fls.95/98) considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.359 3 A Autuada apresentou recurso voluntário (fls.102/112), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e, no mais, efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Turma responsável pelo julgamento decidiu no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP n.º 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n.º 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, nos termos do voto. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o art. 35 da Lei n.° 8.212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n.º 11.941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art.44 da Lei n.º 9.430/96. Requereu ao final a verificação, na execução do julgado, da norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art.35,II, e 32,IV, da norma revogada) ou do art. 35A da MP n.º 449/2008. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Por outro lado, o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, porém, não cumpriu com os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual nego provimento. Tratase o presente processo administrativo fiscal do Auto de Infração (AI) DEBCAB n.° 37.342.7689 (fls. 3), de acordo com o Relatório Fiscal (fls.14/33), decorreu do lançamento das contribuições sociais previdenciárias a cargo do sujeito passivo, referentes aos valores de remuneração de contribuinte individual, abrangendo o período de 01/2006 a 12/2008, não declarados em GFIP. Houve também aplicação de multa no percentual de 75%, observado o art. 106, II do CTN, que dispõe aplicação da penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A lide se concentra sobre a correta interpretação da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106 do CTN. O acórdão recorrido determinou o recálculo da multa até a competência 11/2008, pelo fundamento de que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, aplicandose, assim, apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, impõemse o cálculo com base no artigo 61 da Lei n.º 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, nos termos do art.106 do CTN. O Recorrente, por sua vez, em sede de Recurso Especial, aduziu que os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta à adotada pelo acórdão recorrido, no Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.360 4 sentido de que o art. 35 da Lei n.° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n.º 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n.º 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2°, da Lei n.º 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. O caso em tela trata da aplicação da multa do Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 Redação Lei n.º 9.876/99 Redação original recolhimento em atraso Lançamento de ofício Alterada MP n.º 449/2008 convertida Lei n.º 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débito lançados mas recolhimento de ofício) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 Redação original Redação Lei n.º 9.528/97 Alterada MP n.º 449/2008 Art. 32 sem multa Art. 32, § 5º multa 100% Insere Art. 32A multa 20% (limitada a) Deixo de transcrever aqui a redação original dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei n.° 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n.° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.361 5 Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 4°. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes ao fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas,incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4°. § 7° A multa de que trata o § 4° sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15° dias do recebimento da notificação; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.362 6 c) vinte por cento, após a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15° dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Observese que o tema tem sido amplamente debatido neste tribunal administrativo, quando se trata de aplicação das referidas multas para descumprimento de obrigações principais ou acessórias ou até mesmo de ambas conjuntamente, sendo oportuno o esclarecimento. Em casos como este, a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei n.º 8212/91, tem conteúdo material análogo,e que, portanto, a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso porque se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado "bis in idem". Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei n.º 8.212, de 1991, não contivesse a expressão "lançamento de ofício, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD. não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio "tempus regit actum" esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.363 7 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei n.º 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa. Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n.º 449/2008, que insere o artigo 35A e 32A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei n.º 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei n.º 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) §2º A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.364 8 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/09 acima citada, determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei n.º 9.430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei n.º 9.430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo n.º 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.365 9 Resta claro que, com o advento da Lei n.º 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, dispõe expressamente "nos casos do lançamento de ofício" e inciso I utiliza a expressão "nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro de uma interpretação coerente com o ordenamento jurídico no qual está inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei n.º 9.430/1996. Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguinte situações resulta mais favorável ao contribuinte: se a multa aplicada, na redação do art. 35, II, da Lei n.º 8.212, de 1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores, ou a multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, sendo que a soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória deve ser limitada a 75%. É o voto. Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.366 10 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10314.724447/2012-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 11/09/2009 a 18/04/2012
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, estão enumeradas as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. Para a sua configuração, não importa se houve o dano efetivo.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nas autuações referentes à ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 Decreto-Lei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos os elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
Recurso Especial da Procuradoria negado.
Numero da decisão: 9303-004.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional somente quanto à necessidade de prova do dano ao erário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora) que não conheceram e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei nº 1.455/1976, estão enumeradas as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. Para a sua configuração, não importa se houve o dano efetivo. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes à ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos os elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Recurso Especial da Procuradoria negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional somente quanto à necessidade de prova do dano ao erário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora) que não conheceram e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 44 47 /2 01 2- 30 Fl. 1792DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.648 a 1.689) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3402002.362 (fls. 1.599 a 1.639) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 23 de abril de 2014, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 11/09/2007 a 18/04/2012 IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRINCÍPIO DA TIPICIDADE ATIPICIDADE DA CONDUTA. O Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas tributáveis e as respectivas obrigações e sanções tributárias delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a tributabilidade e responsabilidade de uma conduta somente se dêem quando ocorra sua exata adequação ao tipo legal, sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN), não prevista expressamente na descrição da lei tributária especifica. Para a configuração das infrações previstas no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76, que autorizam a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa (art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76), é imprescindível a comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de “artifício doloso”, bem como da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, sob pena de atipicidade da conduta. IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA DA SANÇÃO. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.792 3 Tratandose de infrações dolosas legalmente conceituadas como crimes (arts. 334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pela sanção administrativa é pessoal do agente (art. 137 do CTN), não podendo a sanção passar da pessoa do infrator (art. 5º, XLV da CF/88), nem transmitirse a pessoas alheias à infração (“nemo punitur pro alieno delicto”), sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator (art. 100 do Dec.lei nº 37/66). IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem. A discussão dos presentes autos tem origem em auto de infração (fls. 03 a 109) lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão e aplicação da pena de perdimento, decorrente de procedimento especial de fiscalização com base na Instrução Normativa RFB nº 228/2002. Foi apurado que a empresa Clarion do Brasil cedeu seu nome para a MMC Automotores do Brasil Ltda. para a realização de operações no comércio exterior, não tendo indicado o nome da MMC nos documentos de importação, na qualidade de encomendante. Cientificadas do auto de infração, a MMC Automotores do Brasil Ltda. e a Clarion do Brasil Ltda. apresentaram impugnação, julgada improcedente pela 23ª Turma da DRJ em São Paulo I (SP), nos termos do acórdão nº 1645.207, de 27 de março de 2013 (fls. 1.435 a 1.497), cujos fundamentos encontramse sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/09/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. Importação de produtos destinados à montadora, por meio de contrato. Estabelecimento de um programa de fornecimento contínuo de mercadorias. No momento da importação, já se conhece a quem se destina a carga, pois tratamse de produtos específicos para o encomendante, por força das cláusulas contratuais. O importador sequer pode vender seus produtos no mercado livremente, necessitando de autorização do encomendante para fazêlo. Configurada a aquisição de mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado importação por encomenda. Fl. 1794DF CARF MF 4 A não observância de preceitos previstos na legislação, implica na prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros, irregularidade apenada com a pena de perdimento. O fato dos produtos serem beneficiados, montados e recondicionados no mercado interno pelo importador não descaracteriza essa situação. Impugnação Improcedente As empresas MMC Automotores do Brasil Ltda. e Clarion do Brasil Ltda. interpuseram os respectivos recursos voluntários contra a decisão de primeira instância (fls. 1.517 a 1.553; e 1.555 a 1.594), postulando a sua reforma para cancelamento do auto de infração em sua totalidade. Os recursos foram julgados parcialmente procedentes, nos termos do Acórdão nº 3402002.362 (fls. 1.599 a 1.639), ora recorrido, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 23 de abril de 2014, para cancelar a multa alternativa da pena de perdimento por ter sido aplicada na ausência dos pressupostos legais. No ensejo, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra referido acórdão, alegando divergência jurisprudencial quanto aos seguintes pontos: (a) necessidade de comprovação de dano ao erário para aplicação da pena de perdimento (art. 23 do Decretolei nº 1.455/76); (b) afastamento da responsabilidade solidária; e (c) impossibilidade de cumulação das multas do art. 33 da Lei nº 11.488/07 e do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/76. Colacionou como paradigmas as ementas dos acórdãos nºs 310201.414 , 3802000.925 e 3102002.195. Para embasar a sua pretensão, a recorrente aduz na peça processual, em síntese, que: (a) caracterizase o dano ao erário em vista da presunção legal de interposição fraudulenta decorrente da ocultação do real comprador das mercadorias importadas (artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76, inciso V); (b) o importador e o real comprador devem responder, solidariamente, pela multa lançada; (c) não houve derrogação do art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455/76, sendo que tal regra convive com a disposição do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, e, portanto, cabível a aplicação de ambas as multas ao importador ostensivo que, mediante a cessão de seu nome em operação de comércio exterior, oculta, em ação fraudulenta, o real adquirente; Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho 340000.216, de 01 de outubro de 2014 (fls. 1.710 a 1.713), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.793 5 A autuada MMC Automotores do Brasil Ltda. apresentou contrarrazões (fls. 1.729 a 1.761) postulando a negativa de seguimento ao recurso especial ou, no mérito, a negativa de provimento, mantendose o acórdão recorrido em todos os seus termos. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando averiguarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A origem da presente autuação está na suposta ocultação dos verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas pela Clarion do Brasil, a qual teria efetuado importações sob encomenda da MMC Automotores do Brasil, escondendo quem seria o real comprador. Por sua vez, as pessoas jurídicas envolvidas alegam ter havido importação por encomenda de produtos semiacabados submetidos ao processo de industrialização pela Clarion do Brasil e só posteriormente vendidos à MMC Automotores do Brasil. A Fiscalização entendeu que os produtos importados pela Clarion do Brasil para a MMC Automotores do Brasil eram encomendados, em razão dos contratos de fornecimento de produtos celebrados entre ambas, com programação realizada anteriormente às importações, para o abastecimento de peças. Ainda, conforme constou do acórdão recorrido, "os produtos destinados às montadoras são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro e são sempre vendidos para a sua montagem na linha de produção. Existe ainda cláusula específica no contrato de que os mesmos não podem ser vendidos a terceiros sem autorização da MMC". O lançamento da multa prevista no §3º, art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76 deu se por ter sido informado nas declarações de importação que as operações de internação de mercadorias foram na modalidade direta e não por encomenda. Fl. 1796DF CARF MF 6 Restou caracterizado, ainda, nos presentes autos que as mercadorias importadas pela Clarion tratavamse de produtos semiacabados que foram industrializados pela mesma e somente depois revendidas à MMC Automotores do Brasil, tratandose assim de uma compra por encomenda e não importação por encomenda. No exame do recurso voluntário, partindo do contexto fático acima descrito, o acórdão recorrido deu provimento ao apelo para: (a) cancelar a multa alternativa da pena de perdimento por entender ausentes os pressupostos legais para sua aplicação; (b) afastar a responsabilidade solidária da empresa Clarion do Brasil; e (c) declarar a impossibilidade de cumulação da multa do art. 33 da Lei 11.488/07 com a multa do art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455/76. Da fundamentação do voto vencedor, pertinente a transcrição dos seguintes trechos: [...] Fixadas essas premissas necessárias ao deslinde da lide, no caso concreto verificase que a ora Recorrente foi acusada de ser a “real importadora oculta em parte das importações registradas pela empresa CLARION DO BRASIL LTDA” (CNPJ 03.697.329/000141), no período de 11/09/07 a 18/04/12, razão pela qual a d. Fiscalização entendeu configuradas supostas infrações capituladas no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76 (com a redação dada pela Lei nº 10.637/02), considerando exigível da Recorrente a multa de 100% sobre o valor aduaneiro da mercadoria (R$ 34.211.277,07), capitulada no art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76 (com a redação dada pelo art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, e pelo art. 41 da Lei nº 12.350, de 2010), com imputação de responsabilidade solidária (art. 95, inc. I do Decretolei nº 37/66) à importadora que promoveu o desembaraço das mercadorias importadas (CLARION), [...]. Inicialmente ressaltese que já por se tratar de infrações conceituadas por lei como crimes, em cuja definição o dolo específico é elementar (arts. 334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pelas infrações acusadas no Auto de Infração (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76) é imputável pessoal e individualmente a cada um dos agentes (art. 137 do CTN), aplicandose o princípio da personalidade ou intranscendência da sanção constitucionalmente assegurado (art. 5º, XLV da CF/88), que impede que sanção eventualmente aplicada ao infrator ou devedor original se transmita ou se estenda a pessoas alheias à infração, e que foi sintetizado no adágio “nemo punitur pro alieno delicto”. [...] Dos preceitos retro transcritos já de início verificase que para a configuração da infração descrita no primeiro dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66), que autorizaria a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa, a lei descreve uma conduta (desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação do pagamento em parte dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, no caso não produzida no Auto de Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.794 7 Infração, que se restringe à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. [...] Assim, ante a falta de comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado no pagamento apenas parcial dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66. Relativamente ao segundo dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76), que autorizaria a aplicação da pena de perdimento ou da multa alternativa, verificase que a lei descreve uma conduta (ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação da “ocultação” de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, “mediante fraude ou simulação”. [...] No caso inocorre quaisquer das hipóteses mencionadas no dispositivo retrotranscrito, eis que inexiste no Auto de Infração excogitado qualquer comprovação de insuficiência no pagamento dos tributos aduaneiros e muito menos em razão de artifício doloso, vez que o referido lançamento se restringe exclusivamente à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. Da mesma forma não vislumbro a ocorrência de qualquer “ocultação” “mediante simulação” que tivesse por fim prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato relevante para o controle aduaneiro ou para a arrecadação tributária, que justificasse a aplicação da pretendida pena de perdimento. Realmente, com a devida vênia dos doutos entendimentos contrários, os fatos aduzidos pela Fiscalização – no sentido de que “os produtos importados pela CLARION DO BRASIL para a MMC” seriam “fruto de encomenda, tendo em vista a existência de programação, realizada anteriormente as importações, para o fornecimento de peças” e de que “mediante a análise dos contratos com as montadoras e das respostas apresentadas pela empresa, concluise que a CLARION DO BRASIL, mesmo sabendo que só poderia cumprir suas obrigações contratuais por meio da importação de empresas coligadas localizadas no exterior, optou por não registrar essas operações de importação como sendo por encomenda” – em nada alteraram ou prejudicaram o controle aduaneiro da mercadoria importada ou a sua tributação. Em primeiro lugar porque como esclarece a própria Fiscalização a CLARION internacional é uma sociedade comercial de grande porte, controlada por multinacional japonesa com presença mundial, fabricante Fl. 1798DF CARF MF 8 de aparelhos automotivos de audio e vídeo enquanto a CLARION DO BRASIL representa a marca de som automotivo de mesmo nome, importando produtos produzidos principalmente pela fábrica do México e os revende não só para a Recorrente, mas para inúmeras outras grandes montadoras de automóveis, além de estabelecimentos atacadistas e varejistas de equipamentos de som, o que demonstra que a d. Fiscalização conhece e controla perfeitamente a procedência, o destino e a tributação das mercadorias importadas pela empresa brasileira (CLARION DO BRASIL), sendo ainda certo que o mero erro eventualmente cometido no documento aduaneiro, por si só não autoriza a aplicação da pena de perdimento, [...] Em segundo lugar, porque no caso específico dos autos onde a importação foi declarada como sendo por conta própria, quando no entender da Fiscalização, supostamente deveria ser declarada por encomenda, inexiste sequer razão para qualquer simulação ou ocultação da realidade fática retratada na operação de importação em tela, posto que os efeitos tributários e cambiais são os mesmos em ambas as modalidades de importação (conta própria e por encomenda), [...] Em terceiro lugar, ainda quanto aos efeitos tributários da operação (se por conta própria ou por encomenda), também não haveria qualquer interesse relevante para fins de simulação, o fato de ter ocorrido ou não industrialização dos produtos pela importadora (CLARION), pois nos expressos termos da legislação de regência, o fato gerador do IPI ocorre, tanto no “desembaraço aduaneiro” de produto industrializado importado (arts. 46, inc. I e 51 inc. I do CTN, art. 2º, inc. I e §§ 2º e 3º da Lei nº 4.502 de 30/11/64), quanto na subseqüente saída do produto recém nacionalizado pelo respectivo estabelecimento importador (arts. 46, inc. II e 51 inc. II do CTN, art. 2º, inc. II da Lei nº 4.502 de 30/11/64) que, nesta última hipótese equiparase a estabelecimento produtor para fins de incidência do IPI na operação interna (art. 4º incs. I e II da Lei nº 4.502 de 30/11/64), assim como suas filiais que exerçam comércio de produtos importados, e portanto estão “obrigados ao pagamento do imposto”, como contribuintes originários “em relação aos produtos tributados que, real ou fictamente, saírem de seu estabelecimento” (art. 35, inc. I, alínea “a” da Lei nº 4.502 de 30/11/64), cuja “importância “a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período (cf. art. 25 da Lei nº 4.502 de 30/11/64). Assim, ante a falta de comprovação da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, também não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76. No que toca à suposta solidariedade passiva da CLARION DO BRASIL, entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, aplicável na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.795 9 operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta – “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulála ou agravála sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator [...] Não se inserindo em nenhuma das condutas tipificadas nas normas capituladas na peça acusatória, não há como manter as pretensões fiscais, pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer), vez que “a responsabilidade pela introdução clandestina ou irregular no país de mercadoria de procedência estrangeira não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas, salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade (precedentes: Acórdãos nºs 20162.893/84 e 20200.517/85, entre outros). (...)” (Ac. nº 20166.430, de 04/07/90, da 1ª Câm. do 2º CC DOU de 08/06/95, pág. 8288), in casu incomprovada. [...] Isto posto, impetro vênia ao relator para divergir de seu brilhante voto e, em face das razões retro expostas votar no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida e cancelar a multa alternativa de perdimento porque aplicada na ausência dos pressupostos legais. Por sua vez, os paradigmas trazidos pela Fazenda Nacional não guardam similitude fática com o caso dos autos, tendo em vista que não tratam da questão da importação por encomenda no contexto de aquisição de mercadorias pelo importador para emprego no seu próprio processo de industrialização. O acórdão paradigma nº 310201.414 trata de operação de importação realizada por pessoa jurídica com emprego de recursos financeiros de terceiro, para quem as mercadorias foram remetidas logo após o desembaraço aduaneiro. A hipótese descrita gera presunção legal de interposição fraudulenta, nos termos do art. 23, §2º, do Decretolei nº 1.455/1976, situação fática totalmente diversa daquela constante nos presentes autos, em que a importação deuse pela Clarion do Brasil com recursos próprios, girando a discussão em torno de ter sido importação por encomenda ou para posterior revenda. Fl. 1800DF CARF MF 10 Seguem trechos do acórdão paradigma a evidenciar a ausência de similitude fática com o caso em apreço: [...] Nesse Relatório lavrado em 2008, no item 2 (Das irregularidades apuradas motivadoras do perdimento aqui aplicado), informase que a fiscalizada foi usada para encobrir operações da empresa TBI DO BRASIL, verdadeira adquirente dos produtos importados através das DI´s acima citadas. Essas importações teriam sido todas financiadas pela TBI DO BRASIL, sendo a ela remetidas logo após o desembaraço, conforme análise das notas fiscais de entrada e de saída da ALFA COMERCIAL, emitidas em número seqüencial e com as mesmas quantidades, conforme fls. 118 a 137, 166 a 175, e 198 a 200. [...] O recurso especial de divergência pressupõe a indicação de caso semelhante ao que se discute nos autos, e ao qual, no entanto, tenha sido atribuída solução jurídica diversa. Da análise dos casos confrontados, verificase que o acórdão nº 310201.414 não pode ser considerado como paradigma porque trata de situação fática diferente dos presentes autos. A conclusão diversa a que chegou o paradigma não se deu em razão de interpretação de lei, mas sim por estar diante de contexto fático diverso daquele aqui verificado. De outro lado, o acórdão nº 3102002.195, também indicado como paradigma pela Fazenda Nacional, traz decisão que se pauta na efetiva ocorrência de interposição fraudulenta, hipótese afastada no caso em exame, e por isso igualmente não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial. No caso do acórdão paradigma, houve a cessão do nome de pessoa jurídica para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários, in verbis: Relatório [...] CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS NO ACOBERTAMENTO DOS REAIS INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS A empresa Maraccini Comercial Exportadora e Importadora Ltda é empresa interposta em operações de comércio exterior, que atua como mera prestadora de serviços de importação para a real adquirente das mercadorias importadas, a empresa Alpunto. A Maraccini cedeu seu nome para aparecer nas declarações de importação como a adquirente das mercadorias, quando o correto seria a empresa Alpunto figurar como o real adquirente. [...] Voto [...] Sopesando os elementos trazidos pelo Fisco e os contrapontos apresentados pela defesa, sou levado a crer que, de fato, tenhase configurado a infração imputada à Recorrente. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.796 11 Desde logo, percebese flagrante omissão em relação à vinculação existente entre exportador estrangeiro, empresa Imbera, e a empresa Alpunto, adquirente das mercadorias no mercado interno, ambas pertencentes ao Grupo Femsa. Como é de sabença, a existência de vinculação entre o importador e o exportador pode ser razão impeditiva para aplicação do primeiro método de valoração aduaneira. [...] Também a capacidade econômicofinanceira da autuada remete a um dano. Como ficou claro no Relatório Fiscal, quem detém poder econômico para fazer frente às importações é a empresa Alpunto. A Recorrente, ao contrário do que afirma, tinha habilitação para importar apenas 22.000,00 dólares americanos para período de seis meses. [...] Portanto, inexistindo similitude fática entre os acórdãos recorrido e os apontados como paradigmas não há que se falar em divergência, tendo em vista que não se pode aplicar aos casos a mesma solução jurídica. Com relação ao acórdão nº 3802000.925, por tratar tão somente da responsabilidade do importador ostensivo, tem sua análise prejudicada, pois se não há discussão quanto à penalidade a ser aplicada, muito menos há de se adentrar sobre quem a mesma deverá ou não recair. Diante do exposto, pela ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e os paradigmas indicados pela Fazenda Nacional, não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador. Admitido, porém, o recurso especial, passamos à análise do mérito do recurso especial. Mérito Transposta a questão da admissibilidade deste recurso, tendo sido admitido em parte, necessário adentrarse à análise do mérito. Centrarseá a controvérsia na análise da matéria referente à necessidade de comprovação do dano ao erário para aplicação da pena de perdimento (art. 23 do DL 1.455/76). A partir da breve contextualização do litígio, passase ao exame individual das matérias objeto do recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do acórdão de total provimento do recurso voluntário. Quanto à necessidade de comprovação de dano ao erário para aplicação da pena de perdimento, o acórdão recorrido decidiu que " [...] ante a falta de comprovação da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, também não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76". Fl. 1802DF CARF MF 12 Entendese não merecer reparos a decisão recorrida. Depreendese da documentação constante nos autos, terem sido os produtos autuados importados pela Clarion na forma semiacabada e submetidos a processo de industrialização complementar em território brasileiro, para aperfeiçoamento e atendimento às especificações do contrato celebrado com a MMC Automotores do Brasil. Portanto, a Clarion vendeu para a MMC mercadorias por ela produzidas com o emprego de insumos de importação própria. Conforme entendimento da própria Receita Federal, exposto na Solução de Consulta nº 9, de 31 de março de 2010, a encomenda de mercadorias para posterior revenda, como é o caso dos autos, ainda que atendendo a especificações do encomendante, não está sujeita às regras da IN SRF 634/2006, in verbis: IMPORTAÇÃO PARA ENCOMENDANTE PREDETERMINADO. REQUISITOS. BENS IMPORTADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A importação de bens de produção destinados à atividade industrial do importador, ainda que adquiridos no exterior mediante especificações da pessoa jurídica a quem será vendido o produto final, está fora do campo de incidência da IN SRF nº 634/2006, cujos procedimentos de controle são aplicáveis à importação de mercadorias destinadas a revenda a encomendante predeterminando. (DISIT/SRRF02 Solução de Consulta nº 09, de 31 de março de 2010) Na análise de caso similar ao que ora se discute, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento proferiu o acórdão nº 3403002.842, cuja ementa e fundamentos do voto passam a integrar essa decisão, in verbis: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Sendo a prova trazida na autuação, permitindo a defesa, não há nulidade processual. A insuficiência probatória não se relaciona à nulidade, mas a eventual insubsistência da autuação. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei nº 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.797 13 Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Voto [...] Ao tempo em que se afasta a nulidade, há que acordar com as recorrentes quando afirmam que a autuação fulcrase somente no contrato e na resposta ao questionário, não constando do presente processo nenhuma consideração em relação ao processo produtivo da empresa, ou efetiva diligência realizada a seu(s) estabelecimento(s). A única parte da autuação que trata de matéria probatória é a intitulada “Da motivação da Ação Fiscal” (fls. 41 a 49). Em tal tópico, não se questiona a capacidade financeira e operacional da CLARION (nem que não tenha sido ela a efetiva pagadora das importações, o que já descarta a presunção estabelecida no § 2o do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), e não se discute o valor aduaneiro das operações (que é acatado pelo fisco na autuação, sem questionamento ao vínculo entre as empresas importadora e exportadora), nem eventual ausência de recolhimento de tributos. Limitase o autuante a afirmar que “este tipo de infração pode ser usado como artifício para afastar obrigações tributárias principais e acessórias já citadas anteriormente”, e que interfere na avaliação de risco da operação, prejudicando a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior. Sobre a interferência na avaliação de risco, parece não guardar muita coerência lógica com o caso concreto, visto que a empresa tida como ocultada (HONDA) apresenta menor grau de risco que a tida como ocultante (CLARION), por estar habilitada à Linha Azul despacho aduaneiro expresso, que garante preferência de canal verde e tempos mais céleres para o despacho. Aliás, as empresas habilitadas à Linha Azul o são exatamente por se identificar em suas operações reduzido grau de risco. Mais sentido faria se a HONDA utilizasse os benefícios da Linha Azul para tornar mais céleres importações de empresas não habilitadas (em que pese, no RECOF, regime ao qual a HONDA é habilitada, isso ser possível, podendo o fornecedor da montadora obter as vantagens do regime sem ser habilitado, desde que autorizado pela montadora, cf. art. 59 da Lei no 10.833/2003 e Instrução Normativa RFB nº 1.291/2012). Em relação ao dano ao Erário (e sua relação muitas vezes confusa com falta de recolhimento de tributos), há que se aparar arestas tanto na argumentação expendida na autuação quanto na levantada em sede recursal. A aplicação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, não demanda demonstração de qual tenha sido o dano ao Erário. Uma leitura sistemática do referido art. 23 (aqui já transcrito) afasta o equívoco, pois é cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1º) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas Fl. 1804DF CARF MF 14 afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeram se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF nº 2. Nesse sentido tem acordado unanimemente esta turma. Passemos, então, ao conjunto probatório apresentado, inicialmente analisando as cláusulas do contrato celebrado entre a CLARION e a HONDA, cabendo destacar que a íntegra do contrato (com suas 31 cláusulas) consta às fls. 99 a 112. Cabe, já de início, destacar que o contrato traz a logomarca da HONDA no cabeçalho da primeira folha, e guarda características de contratopadrão para compra de peças e/ou insumos pela montadora, visto que os campos referentes à HONDA estão prépreenchidos e os da outra contratante (CLARION) são manuscritos. E a leitura do contrato não deixa dúvidas de que a HONDA (designada como COMPRADORA) estabelece requisitos para o fornecimento de peças e insumos para veículos pela VENDEDORA (no caso, a CLARION). São no contrato disciplinados temas como preço, entrega, embalagem e transporte, avaliação, faturamento e cobrança, especificações, garantias, confidencialidade, exclusividade, prazo e rescisão, e jurisdição. A autuação fundase em 7 cláusulas do contrato: “CLÁUSULA 6.1 A entrega das Peças ou Insumos, quando ocorrer continuidade do fornecimento, será estabelecida pela PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS, que a COMPRADORA emitirá compradora emitirá automaticamente e consecutivamente, na medida de suas necessidade de suprimento. CLÁUSULA 6.2 A PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS estabelece as quantidades consideradas como encomenda, firme ou previsão estimada, e os Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.798 15 prazo e/ou datas de entrega, condições essas que fazem parte integrante da ORDEM DE COMPRA. CLÁUSULA 9.1 A fabricação e controles necessários das peças ficam vinculados às especificações e instruções entregues pela COMPRADORA, na ocasião da confirmação e envio da ORDEM DE COMPRA. CLÁUSULA 9.3 A VENDEDORA deverá entregar as Peças ou Insumos estabelecidos na ORDEM DE COMPRA e/ou na PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS, somente após a aprovação, em documento próprio da COMPRADORA, autorizando a fabricação do lote de produção. CLÁUSULA 12.1 As Peças ou Insumos entregues à COMPRADORA pela VENDEDORA, deverão estar de acordo com cada um ou mais dos seguintes elementos: desenhos, especificações, normas de qualidade ou quaisquer outras normas e informações similares a serem designadas pela COMPRADORA (doravante referidos coletivamente como “Especificações”). CLÁUSULA 13.2 No caso de alterações nas especificações efetuadas pela COMPRADORA, as Peças ou Insumos anteriormente produzidas pela VENDEDORA e cobertas pelo PROGRAMA DE COMPRAS, deverão ser absorvidos pela COMPRADORA. CLÁUSULA 20.1 A VENDEDORA não deverá vender ou transferir a terceiros, nem fazer uso das peças que entrem em qualquer das categorias seguintes, por qualquer que seja o motivo, a menos que aprovado de outras maneira, por escrito, pela COMPRADORA. I) As Peças fabricadas de acordo com as especificações fornecidas pela compradora; ou II) As Peças marcadas com denominações comerciais ou marca registrada da COMPRADORA, ou que estão embrulhadas ou contidas em tais embalagens, pacotes ou recipientes marcados com quaisquer das denominações comerciais ou marca registrada da COMPRADORA.” A partir de tais cláusulas, o fisco afirma que “fica claro que os produtos vendidos pela CLARION DO BRASIL à HONDA são resultado de prévio acordo (encomenda)”, e que “o termo ‘encomenda’, inclusive, consta expressamente dos contratos” (referindose à Cláusula 6.2). Complementa concluindo que “quem não pode vender seus produtos livremente, como a CLARION DO BRASIL não pode se intitular importador comum e fazer declarações às alfândegas como se fosse, de fato, o dono do negócio”. Em sede recursal, argumentase que o contrato foi equivocadamente interpretado pela fiscalização, pois é um contrato de fornecimento, e não para importação (no contrato consta inclusive que a CLARION presta serviços de garantia dos bens fornecidos). É de se destacar que nesse aspecto assiste razão às recorrentes, pois a presença da palavra “encomenda”, no contrato, não parece ter sido inserida para fazer referência à “importação por encomenda”, mas a fornecimento sob encomenda (aliás, sequer há menção a importação no contrato). A HONDA contratou a CLARION para fornecerlhe mormente equipamentos de som automotivo segundo as especificações que estabeleceu, adequadas a Fl. 1806DF CARF MF 16 seus veículos, sendo, pelo contrato, aparentemente irrelevante se tais aparelhos são ou não importados. Diante do modelo/padrão de contrato, não se crê que sejam diferentes as contratações com outros fornecedores da empresa (assim como não se crê que sejam diferentes as contratações de fornecimento desse e de outros fornecedores a outras montadoras). Em síntese, nada no contrato que sugira necessariamente a intenção de que alguém importe mercadorias no exterior sob encomenda da montadora, e/ou a oculte, mediante fraude ou simulação. Em sede recursal, sustentase que a CLARION importa aparelhos de som automotivos, entre outros, promove operações de industrialização, adequando tais aparelhos às especificações das montadoras (e de cada modelo de veículo), testa os equipamentos (alguns inclusive com apoio de equipamento externo, pois são aparelhos sem visor LCD, tendo em vista que os visores estarão centralizados no painel do carro ao qual serão acoplados), e depois os vende às montadoras, não podendo se falar aí que houve propriamente uma “revenda”, mas sim uma “venda”, pois o produto vendido não mais se encontra no estado em que foi importado, por ter passado por processo de industrialização. A fiscalização, ao agregar como prova o contrato e as respostas aos questionário, entendeuos suficientes, e parece não ter se preocupado em verificar se havia um processo industrial, sustentandose na autuação que a CLARION “importa produtos produzidos (sic) principalmente pela fábrica do México e revendendoos principalmente para as grandes montadoras de automóveis, como HONDA e MITSUBISH (sic), além de estabelecimentos atacadistas e varejistas de equipamentos de som”. Tal afirmação parece incongruente com a cláusula contratual 9.1, trazida na autuação, que dispõe que “a fabricação e os controles necessários das peças ficam vinculados às especificações e instruções entregues” pela HONDA, ou com a garantia de qualidade (cláusula 14, inclusive com a realização de testes em cada fase do processamento e fabricação 14.4). A documentação anexada desde a fase de impugnação (com laudos incluindo etapa a etapa de produção, acompanhados de fotos, explicações detalhadas de procedimentos, e de registros contábeis que atestam ter havido suspensão de IPI para operação de industrialização pela CLARION, no Brasil) torna inequívoca a existência de processo industrial, pela CLARION, após as importações, e antes do fornecimento do produto final à HONDA. A existência de processo industrial é inclusive acatada pelo julgador de piso, que, no entanto, a desconsidera, sob o seguinte argumento: “Os pareceres conclusivos apresentados para os diversos produtos importados já demonstram que são realizados processos industriais. (...) O fato de haver agregação física nas mercadorias objeto da autuação é irrelevante para descaracterizar a modalidade ‘importação por encomenda’. A empresa HONDA a (sic) responsável tanto pela importação, quanto pelo destino final do produto importado. A bem dizer os produtos eram beneficiados, montados e recondicionados no mercado interno pela CLARION DO BRASIL também por força de contrato, com a finalidade de atender a demanda da HONDA. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.799 17 A submissão dos bens importados a um processo de industrialização não descaracteriza o fato de ser uma importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante previamente determinado, face a legislação aplicável.” Adiciona o julgador de piso que “a dar azo à argumentação apresentada, seria muito simples e corriqueiro conseguir burlar toda construção legal de mais de uma década para a constituição de controles aduaneiros rigorosos em relação à pessoa jurídica importadora/exportadora no mercado nacional”, citando como exemplo uma operação em que o importador adquire o bem e o acondiciona em nova caixa, com sua etiqueta, “industrializando” os bens importados. Há que se aclarar que não é recomendável apreciar um comando normativo a partir de conjecturas sobre sua burla, assim como soaria extremado apresentar exemplos em que o grau de industrialização tornasse bizarro chamar a operação seguinte de “revenda”. É exatamente esse o papel da fiscalização: investigar, diligenciar, apurar, a ponto de desenquadrar o processo tido como “industrial”, mas que era somente de “maquiagem”. É preciso apurar qual é a sistemática utilizada nas contratações pelas montadoras, contextualizar os contratos, com leitura isenta. Lendo as mesmas normas sobre importação por encomenda relacionadas pelo autuante, não nos parece que palavra “revenda” possa ser empregada para uma venda de bem diverso daquele que foi importado, ou do bem importado após processo de industrialização, como sustenta o julgador de piso (que discorda da afirmação de que só há “revenda” se a mercadoria ainda estiver no estado em que foi importada). Endossese ainda que a matéria sequer é discutida na autuação, que toma a operação como “revenda” ao sequer averiguar se houve industrialização (ainda que o contrato e as respostas ao questionário para isso apontassem), e emprega indistintamente os termos “venda” (v.g. fl. 42) e “revenda” (v.g. fl. 43). Imaginar que o legislador, ao tratar de importação por encomenda, usou o termo “revenda” para abarcar também a “venda” não nos parece adequado, além de constituir alargamento do conteúdo da expressão para fins de penalização. Mas bastaria a fiscalização investigar o caso, eventualmente comprovando que de fato até a industrialização se tratava de uma simulação, para descaracterizar a operação, que seria uma efetiva “revenda”, disfarçada de “venda”. Repitase, sem embargo, que não foi essa a atitude tomada no presente processo, restando deficiente o arsenal probatório da fiscalização nesse sentido. A própria cláusula de exclusividade, que veda a revenda (ali também tratada com atecnia terminológica), largamente utilizada na autuação, foi lida de forma parcial, à luz do contrato de fornecimento. Lendo o texto da cláusula, percebese que nada impede a venda a terceiro de uma peça antes (ou fora) do atendimento das especificações (recordese que várias das especificações são cumpridas no País, durante o processo de industrialização pela CLARION), desde que não esteja marcada pela HONDA. A cláusula não ampara a “teoria do domínio do fato”, sustentada também com exclusividade no julgamento de piso (e sequer ventilada na autuação). O questionário, elaborado pela fiscalização, e que consiste nas seguintes perguntas efetuadas à CLARION, já adicionadas das respostas (excertos dos Fl. 1808DF CARF MF 18 textos de fls. 45 a 47), constitui a segunda (e última fonte probatória indicada na autuação): “1) Descrever detalhadamente como funcionam as operações de importação da Clarion, especialmente as de peças automotivas destinadas as (sic) montadoras de veículos. Resposta: (...) Periodicidade: Os pedidos (plano de embarque) são realizados através (sic) de uma planilha Excel revisada semanalmente (toda sextafeira) e enviado por email para a pessoa responsável pela programação na fábrica. Essas revisões periódicas e em um curto espaço de tempo se deve (sic) a oscilação de pedidos das montadoras). Desembaraço: todas as importações da Clarion são removidas (DTA) para um entreposto na cidade de Suzano (CRAGEA). Lá a importação é registrada através (sic) da DI e é liberada para entrega na Clarion em São Paulo. 2) Além das montadoras, a quem se destinam as mercadorias importadas pela Clarion? Resposta: Além das montadoras, alguns modelos de produtos são comercializados no setor de peças e acessórios (P&A) das próprias montadoras, aquelas que preferem que os produtos sejam montados por decisão dos seus clientes não na (sic) linha de produção. 3) As peças importadas para as montadoras são específicas para cada linha de automóvel ou são genéricas e podem ser utilizadas em qualquer veículo? As montadoras definem as especificações de cada produto que deseja (sic) adquirir? Resposta: Em relação às montadoras todos os produtos são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro que obedecem uma série de requisitos mínimos para serem homologados pelas mesmas (sic). Quanto ao mercado P&A esses produtos são mais genéricos e podem ser utilizados em quaisquer veículos. 4) Os produtos vendidos às montadoras destinamse à linha de produção de veículos novos ou ao mercado de reposição? Resposta: Em relação às montadoras, sempre vendidos para sua montagem na linha de produção. 5) Como são estabelecidos os preços dos produtos finais? Resposta: Seguem o critério de: custo do produto descarregado no Brasil adicionandose custos de produção, custos fixos, mais a margem de lucro desejada e os impostos, conhecido como ‘gross up’. 6) Como são feitos os pedidos de compras das montadoras à Clarion? Há alguma antecedência mínima ou existe um planejamento mensal com tipos e quantidades de mercadorias a serem entregues? Resposta: Forecast: Periodicamente (mensalmente ou bimestralmente) a montadora envia por email uma planilha com Excel com o Plano de Suprimentos (para o ano todo) com as alterações e variações realizadas no planejamento. Pedidos firmes são realizados semanalmente através (sic) de EDI (Electronic Data Interchange) Portal que facilita a troca (através (sic) de uma rede de dados) de documentos EDI entre parceiros comerciais. Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.800 19 (...) 7) Quando são efetuados os pagamentos dos produtos vendidos pela Clarion? Há algum adiantamento? Resposta: Por termos 90% de nossas compras centralizadas nas empresas ELECTRONICA CLARION SA DE CV e CLARION TOKYO CO, todos os pagamentos obedecem aos prazos de 120 (cento e vinte) dias e 90 (noventa) dias, respectivamente, sem a prática de adiantamentos.” (grifos no original) Lendo as respostas da empresa CLARION às perguntas elaboradas pelo fisco, parece que as partes estavam preocupadas com coisas distintas. Vejase a pergunta 7, na qual o fisco parecia querer saber se as montadoras (v.g. HONDA) adiantavam recursos para as importações da CLARION. A empresa interpretou que a pergunta se referia aos pagamentos que ela (CLARION DO BRASIL) efetuava às empresas CLARION estrangeiras, sequer mencionando a montadora. Inconclusiva, assim, a resposta, a demandar aprofundamento, para o correto enquadramento de eventual autuação. As perguntas 1 a 4, e 6, buscam aprofundar o que já derivava do contrato de fornecimento, vinculando as operações de fornecimento a importações. De fato, a CLARION recebia pedidos das montadoras (contrato de fornecimento) e importava peças, desembaraçandoas ela própria, em seu nome, levandoas para seu estabelecimento. Como se depreende da resposta à pergunta 5, em seu estabelecimento havia processo industrial (caso contrário, não haveria que se falar em custos de produção). E, conforme resta documentado no presente processo, após o processo industrial a mercadoria era vendida à HONDA (ou a outras montadoras). Novamente a resposta demandaria aprofundamento, não efetuado pela fiscalização. Não pode o fisco, diante de casos que classifica como “interposição fraudulenta”, olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. Em suma, a autuação é extremamente feliz ao expor todo o histórico das construções legislativas visando a dificultar/coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas, mas não logra êxito em encaixar em tal arcabouço o caso concreto que analisa, e peca por não compreender a dimensão do ônus probatório que lhe incumbe, acomodandose em interpretar excertos (ainda assim de forma incompleta/descontextualizada) de contrato de fornecimento e de questionário enviado a uma das autuadas. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários apresentados, sendo improcedente a autuação. Rosaldo Trevisan Fl. 1810DF CARF MF 20 (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.801 21 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Entendo que as particularidades levantadas pela il. Relatora não são suficientes para afastar a comprovação do dissídio jurisprudencial. É fato, enquanto no acórdão recorrido considerouse imprescindível, para a caracterização da infração e aplicação da penalidade, a comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de “artifício doloso”, no primeiro paradigma entendeuse que, para a aplicação da mesma legislação, a responsabilidade independeria da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A só ocultação do real adquirente constituiria dano ao Erário. A divergência, portanto, é cristalina. Forte nessas razões, entendo que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1812DF CARF MF
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