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Numero do processo: 10580.733921/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Fernando Goedert Leite, OAB/SC 32.930.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Fernando Goedert Leite, OAB/SC 32.930. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 33 92 1/ 20 11 -9 3 Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.850 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal decorrente da desconsideração do auto enquadramento da recorrente como entidade beneficente de assistência social para o período de 01/01/2007 a 31/12/2008. A discussão principal no processo é o direito à imunidade tributária do §7° do artigo 195 da Constituição Federal em razão de dois requisitos supostamente descumpridos pela recorrente: o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social foi concedido para a entidade mantenedora Associação Universitária e Cultural da Bahia CNPJ 13.970.322/0001 05 e não para a mantida ora recorrente; e que foram constatados na folha de pagamento valores de remuneração aos dirigentes. Após desconsiderála como imune, a fiscalização realizou lançamento tributário sobre várias parcelas pagas aos seguradoras: remunerações direta e indireta. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: II. 1 Do Total Desrespeito ao Devido Processo Legal. A legislação não condicionou o gozo da isenção tributária ao reconhecimento formal deste direito pela Administração. Não se discorda que é do Fisco o dever de apurar o cumprimento dos requisitos legais necessários ao gozo da isenção, porém, acaso constate o descumprimento de algum, deve cancelar o benefício lastreado num devido e respectivo processo legal. Conforme se verifica, para os casos em que há provas do não atendimento dos requisitos legais para o gozo da isenção tributária, a autoridade administrativa DEVE emitir "Informação Fiscal", na qual deverão estar descritos os fatos que justificariam a perda da isenção, abrindo prazo para apresentação de defesa e produção de provas. ... II.2 Da Injustificada Descontextualização do Caráter Assistencial da Impugnante Afastamento do Princípio da Legalidade e da Finalidade do Ato Administrativo A Realidade em detrimento da Presunção. A essência do "negócio jurídico" da Impugnante com a sociedade por ela assistida foi desprezada, dado que interpretada em desprezo ao contexto jurídico, o que não se pode admitir. Prestigiouse a forma em detrimento da essência. E, nesse sentido, a fim de se combater as alegações articuladas pelo Sr. Agente Fiscal que fundamentam a autuação fiscal impugnada, cumpre apresentar, de antemão, o conceito legal de assistência social, bem como demonstrar as inúmeras atividades assistenciais da Impugnante (que são desempenhadas por ela e pela Associação Universitária e Cultural da Bahia), em prol das comunidades carentes da Bahia atividades essas que foram absoluta e integralmente desconsideradas pelo Sr. Agente Fiscal. II.2.1 Da Assistência Social. Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.851 3 Em perfeita sintonia com a caracterização constitucional da assistência social, como política pública social, de defesa de direitos e garantia de acesso aos direitos sociais, a Impugnante oferece à população de Salvador, em especial de baixa renda, além da concessão de Bolsas de Estudos para seus cursos universitários, diversos projetos e atividades que proporcionam condições de desenvolvimento social, formação da cidadania, acesso à justiça, à habitação, à saúde, além de promover o abrandamento da aguda desigualdade sócioeconômica da região. II.2.2 Das Ações Desenvolvidas pela Impugnante. A Impugnante oferece 4.600 vagas por ano em 26 cursos de graduação, todos reconhecidos pelo MEC, e dentre essas vagas disponibiliza em média 2.473 Bolsas de Estudo, além de desenvolver cerca de quatorze projetos de ação comunitária, em benefício dos membros de diversas comunidades carentes na região de Salvador. Demonstrandose a inequívoca condição de entidade beneficente de assistência social da impugnante, é imperioso ressaltar que nenhum dos programas descritos na impugnação foi levado em consideração quando da autuação da Impugnante. É certo que esses indicadores demonstram claramente que a Associação Universitária e Cultural da Bahia, por meio de sua mantida, Universidade Católica do Salvador, desenvolve as suas atividades em consonância com o disposto no artigo 203 da Constituição Federal de 1988, bem cumprindo a sua missão institucional. Dentre os programas desenvolvidos pela Impugnante, que foram ignorados pelo Sr. Agente Fiscal, citamse, entre outros, os seguintes: Programa de Bolsas de Estudos; Programa de Orientação para a Saúde; Programa de Integração UniversidadeComunidade; Projeto de Assessoria Jurídica Popular; Projeto de Educação para a Saúde; Projeto de Educação Sanitária; Projeto Criança do Amanhã; Programa Educação e Cidadania; Programa UCSAL nos Bairros; Projeto Economia dos Setores Populares; Projeto Atenção Família e Escola Diante de todo o exposto, se evidencia que a Impugnante é entidade voltada à assistência social. Além disso, os serviços acima relacionados são prestados pela Impugnante, conjuntamente com a Associação Cultural da Bahia, do que se pode extrair, desde já, que a personalidade jurídica de uma está compreendida na outra (conforme será melhor abordado mais adiante). II.3. – Da Falta de Individualização da Contribuição dos Empregados. No entanto, ao deixar de proceder à individualização da contribuição previdenciária supostamente devida por cada um dos empregados do Impugnante, a Fiscalização acabou por desrespeitar a norma contida no artigo 20 da Lei n.° 8.212/91 e o §5° do artigo 28 da Lei n° Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.852 4 8.212/91, que definem qual é a base de cálculo da contribuição devida pelos empregados e o seu limite máximo, respectivamente. Da simples leitura dos supramencionados dispositivos legais, depreendese que a contribuição devida pelos empregados deve sempre ser calculada mediante a aplicação de dois parâmetros: o primeiro relativo à alíquota aplicável a cada um dos empregados, variável de acordo com a sua faixa salarial; o segundo, mediante a limitação da base de cálculo ao valor máximo do salário de contribuição fixado pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. ... III DO DIREITO. III. 1 Da condição de Mantida/Mantenedora verificada entre a UCSAL e a Associação Universitária e Cultural da Bahia. A Associação Universitária e Cultural da Bahia e a Impugnante representam, na sua essência, uma única entidade jurídica. Em primeiro lugar, vale frisar que no Brasil é obrigatório que as Instituições de Ensino Superior (IES) do setor privado tenham uma entidade mantenedora, que, atualmente, poderá ser constituída sob qualquer forma prevista no Código Civil, com ou sem finalidade lucrativa. As Mantenedoras serão então as responsáveis pelas IES, possuindo personalidade jurídica adquirida com o registro de seus atos constitutivos nos competentes Cartórios de Registro de Pessoas Jurídicas. Caberá à Mantenedora, por sua vez, realizar o credenciamento para o funcionamento, bem como os pedidos de autorização de cursos da IES perante o Ministério da Educação MEC. Dessa forma, é imprescindível a existência de uma mantenedora para que exista uma IES. Nesse sentido, é importante ainda esclarecer que o próprio MEC, entidade responsável pela análise da documentação, autorização de funcionamento de IES e criação de cursos, em documentação oficial disponibilizada à consulta pública em seu site, reconhece a condição de Mantenedora à Associação Universitária e Cultural da Bahia, em face da Mantida UCSAL. Outrossim, vale relembrar que o CNAS sempre considerou as entidades como mantida/mantenedora, como se pode verificar dos Certificados da Impugnante, nos quais sempre contou que a UCSAL era a entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia e que os benefícios dos respectivos certificados seriam extensivos a ela. Nesse ponto, é preciso retomar o contexto histórico, que gerou as interpretações distorcidas propostas pelo Sr. Agente Fiscal. De fato, em 1961, quando foi constituída a UCSAL, entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia, o sistema era totalmente diferente do atual. Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.853 5 Notese, pois, que, em 1961, para que as Universidades fossem regulares perante o Ministério da Educação, elas deveriam ser constituídas em forma de associação ou fundação e era obrigatório o registro de seus estatutos, os quais disciplinariam apenas e tão somente a sua organização e funcionamento. No caso da Impugnante, esse Estatuto, que existia somente para fins da legislação educacional, sofreu duas alterações, uma em 1985 e outra em 1994, as quais foram devidamente registradas somente no Ministério da Educação, através da Sesu Secretaria de Educação Superior, (órgão competente para credenciar, recredenciar, autorizar, reconhecer e fiscalizar as entidades de ensino superior), já que não era mais preciso que os Estatutos, bem como suas alterações fossem registradas em Cartório. Todavia, a Associação Universitária e Cultural da Bahia não cancelou o Estatuto de sua mantida, registrado em 1961, pois entendeu que a sua existência era parte do processo de regularidade de criação da UCSAL. Obviamente que o Estatuto consolidado em 1985 não está registrado em cartório. Ora, o registro feito em 1961 somente ocorreu para os fins da legislação educacional; uma vez que, para tais fins, não era mais necessário registrar as alterações, esse ato não foi realizado, ratificando a inexistência de personalidade jurídica autônoma. Todavia, o referido Estatuto Social de 1961, de fato registrado, não tem mais qualquer validade perante terceiros, e o documento que efetivamente o substituiu foi, após a referida mudança legislativa, registrado somente no órgão regulatório do ensino no Brasil (o MEC), demonstrando a ausência de personalidade jurídica da Impugnante (a UCSAL). Assim sendo, a conclusão óbvia é: a Associação Universitária e Cultural da Bahia e a UCSAL são uma única unidade econômica, sendo a primeira a mantenedora e a segunda a mantida. E tal conclusão já foi alcançada pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Nesse sentido, transcreve paralelo entre os dois estatutos e conclusão formulada em processo julgado pela 8ª CaJ. Ainda que suficientes as alegações acima mencionadas, existem outras provas da patente relação de dependência (mantida/mantenedora) verificada entre a Associação Universitária e Cultural da Bahia e a Impugnante. De fato, um dos atributos da personalidade jurídica é o domicílio civil da entidade. No caso em tela, pode ser facilmente verificado que as duas entidades (mantenedora e mantida) possuem o mesmo domicílio civil, ou seja, a sede de ambas é a mesma. Corroborando ainda mais a alegação, notese que o imóvel onde funciona a UCSAL é de propriedade da Associação, conforme se verifica na matrícula do imóvel n° 44.775, registrada no 3º Ofício do Registro de Imóveis e Ato Constitutivo. Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.854 6 Além disso, a unicidade das duas entidades é tamanha que a Impugnante assumiu a responsabilidade de administrar o patrimônio da Associação Universitária e Cultural da Bahia. De fato, toda a contabilidade da Requerida é feita regularmente na UCSAL, vez que se trata, na prática, de uma universalidade, atuando com as funções de entidade mantenedora e mantida. Outra prova da existência da relação mantida/mantenedora das duas entidades, é o fato de que a Associação Universitária e Cultural da Bahia é a entidade inscrita no Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior FIES, conforme se verifica do extrato atualizado de conta FIES nos exatos termos do art. 1º. da Portaria n° 480 da Secretaria de educação Superior, de 5 de abril de 2000. Frisese novamente que, perante o MEC, as duas entidades são efetivamente reconhecidas como mantenedora/mantida, sendo certo que todas as requisições, registros, autorizações, reconhecimentos, renovações e credenciamentos são realizados pela Associação Universitária e Cultura da Bahia, mantenedora, em nome da UCSAL mantida. Portanto, diante dos argumentos acima, é inegável a afirmação de que a Impugnante e a Associação Universitária e Cultural da Bahia são de fato entidade mantida e entidade mantenedora, sendo reconhecidas desta forma pelo MEC . Ministério responsável pela regulamentação e fiscalização das IES. A identidade estrutural e civil entre a Impugnante e a Associação também vem sendo reconhecida por diversos órgãos da Administração Pública Federal, inclusive o próprio Conselho Nacional de Assistência Social CNAS ao conceder o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social à Associação, pois consignou expressamente que os efeitos do certificado seriam estendidos à Impugnante, na condição de mantida da Associação. Conclusivamente, não há como prosperar a alegação do Sr. Agente Fiscal de que a Impugnante deveria possuir um Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social em nome próprio. III.2 Do Cabimento da Remuneração Decorrente do Exercício do cargo de Dirigente. De fato, presumiu o Sr. Agente Fiscal que determinados pagamentos realizados pela Impugnante aos seus dirigentes tratariam de remuneração decorrente do exercício do cargo de gestão na entidade. Todavia, além de inexistir qualquer prova nesse sentido (o que, por si só, basta para refutar a pretensão do Sr. Agente Fiscal), a verdade é a de que os valores pagos pela Impugnante se prestavam a retribuir os trabalhadores da entidade, assim como os demais empregados e contribuintes individuais, mas que cumulavam suas atividades com o cargo de direção. A Impugnante não remunerou seus dirigentes apenas pelo fato de serem dirigentes. A remuneração decorre dos serviços (diversos da direção da entidade) que tais trabalhadores lhe prestam. Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.855 7 Nesse sentido, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é lídimo que os trabalhadores de uma entidade beneficente sejam remunerados, desde que dentro dos parâmetros de mercado. É esse também o entendimento do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse sentido, transcreve diversas ementas. Logo, não há como prosperar a pretensão do Sr. Agente Fiscal, razão pela qual se conclui que a Impugnante atende todos os requisitos previstos na legislação para gozo da isenção tributária. III. 3 Hipótese de Incidência das Contribuições Previdenciárias. Se determinado pagamento não possuir as características de retributividade e/ou habitualidade, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias. Esta conclusão não está vinculada ao fato de determinado pagamento estar ou não arrolado em uma das hipóteses de isenção do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n.° 8.212/91. mas sim à verificação da subsunção de determinado fato àquele descrito na hipótese de incidência tributária. Diferença entre remuneração de segurados contribuintes individuais declarada em GFIP e encontrada na folha de pagamento (item 7); Com relação às supostas divergências, a Impugnante informa que os valores declarados em Folha de Pagamento estão vinculados a trabalhadores que possuíam mais de uma inscrição no PIS/PASEP perante a Caixa Econômica Federal. Para esses trabalhadores, o número de inscrição do trabalhador ("NIT") utilizado pela Impugnante era diferente daquele que constava perante a Caixa Econômica Federal, gestora do SEFIPGFIP. No que diz respeito aos supostos valores declarados a menor pela Impugnante, cumpre esclarecer que decorrem de descontos indevidos realizados sobre pagamentos realizados aos trabalhadores, que não integravam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Com efeito, tratamse de retenções de contribuição previdenciária sobre a remuneração de 2 (dois) trabalhadores quando, de fato, eles já teriam sofrido retenção no limite máximo de contribuição. Dessa forma, tais montantes indevidamente retidos (informação que pode ser facilmente verificada nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil) foram posteriormente devolvidos aos contribuintes individuais. Portanto, insta observar que descabe a pretensão creditória quanto a estes valores. Recolhimento a menor da multa de mora em Guias da Previdência Social das competências 08/2007 e 05/2008 (item 8). Em relação a este levantamento, a Impugnante informa que os recolhimentos por ela efetuados atendem as disposições legais em vigor, não existindo qualquer diferença passível de exigência (até porque, ressaltese, o Sr. Agente Fiscal não apresentou qualquer justificativa capaz de fundamentar tal entendimento). Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.856 8 Ainda assim, caso se entenda em favor dos argumentos da fiscalização, fato é que pelo instituto da denúncia espontânea, a exigência de multa de mora não poderá prosperar, conforme entendimento proferido pelo antigo Conselho de Contribuintes. Nesse sentido, transcreve diversas ementas. Com efeito, ainda que não sejam cancelados integralmente os lançamentos em questão, o que se admite apenas a título argumentativo, deverá esta d. Delegacia de Julgamento cancelar a multa de mora calculada em razão dos pagamentos realizados espontaneamente pelo Impugnante, com relação às competências de 08/2007 e 05/2008. Diferença entre remuneração de segurados empregados declarada em GFIP e encontrada na folha de pagamento (item 9). De início, parte das diferenças apontadas pela Fiscalização decorre da desconsideração do procedimento adotado pela Impugnante em relação aos recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores percebidos pelos empregados em atenção às respectivas admissões e rescisões dos contratos "retroativa". Isto é, as admissões retroativas eram feitas por circunstâncias em que o empregado iniciava suas atividades para a Impugnante e a "autorização para admissão" (ou, "Ato de Admissão") era emitida apenas após finalizados todos os trâmites burocráticos de contratação (o que ocorria em período posterior). Assim, enquanto a admissão não era "autorizada", o empregado exercia suas atividades regularmente, contudo, sem que sua remuneração pudesse ser declarada em folha de pagamento e GFIP. Em decorrência disso, quando liberada a autorização para admissão, a Impugnante retificava as GFIP dos períodos anteriores para que a remuneração devida em cada mês fosse devidamente alocada. Em relação às rescisões, o procedimento é semelhante. Isso porque, o pagamento dos valores devidos aos empregados ocorre somente depois do da data de desligamento, o que gera um recolhimento em atraso (com os respectivos encargos legais). Noutro passo, parte das divergências apontadas pelo Agente Fiscal decorrem, assim como exposto no tópico anterior, a empregados que possuíam mais de uma inscrição no PIS/PASEP perante a Caixa Econômica Federal. Para esses empregados, o número de inscrição do trabalhador ("NIT") utilizado pela Impugnante era diferente daquele que constava perante a Caixa Econômica Federal, gestora do SEFIP GFIP. Tal fato poderá ser facilmente verificado por esta D. Turma Julgadora, por meio das justificativas contidas nas planilhas anexas sobre cada empregado. Diferença entre o valor descontado pela Impugnante a título de Vale transporte (4,2%) e o valor previsto na legislação (6%) (item 10). Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.857 9 O desconto do valetransporte efetuado sobre o salário dos empregados da Impugnante é de 4,2%. Tal percentual foi aplicado a partir de julho/1989, após determinação de Fiscal do Trabalho da DRT Delegacia Regional do Trabalho, conforme Termo de Registro de Inspeção. Segundo o referido Termo de Registro, a Impugnante deveria: "... passar a descontar os 6% sobre o salário dos dias trabalhados e não os dos 30 dias (salário mensal: 30 x dias trabalhados x6%)" Veja que a determinação da Fiscalização do Trabalho não alterou a previsão contida na legislação (efetuar o desconto de 6%), mas tão somente explicitou o seu alcance (6% sobre os dias trabalhados). O raciocínio é lógico e pertinente, já que a concessão de valetransporte se restringe aos dias trabalhados e não aos 30 dias do mês. Assim, seguindo a determinação da autoridade administrativa, a Impugnante adotou como dias úteis a média mensal de 21 dias, chegando ao percentual de 4,2% (21 dias x 6% : 30 dias). Vale esclarecer: o desconto realizado pela Impugnante nunca deixou de ser de 6%; o que se alterou foi a base de cálculo do referido desconto. Valores desembolsados em favor da empresa Bradesco Previdência e Seguros S/A (item 11). A pretensão do Sr. Agente Fiscal não se coaduna com a legislação em vigor. Em primeiro lugar porque, na legislação em vigor, não há qualquer disposição que vede a negativa de novas adesões de participantes por força da "extinção" do plano de previdência complementar. Portanto, já se evidencia que o entendimento do Sr.Agente Fiscal carece de fundamento legal. Em segundo lugar porque, mesmo que existisse uma vedação à extinção do plano de previdência privada (o que se alega apenas a título de argumentação), o fato da Impugnante não estender o benefício a todos os seus empregados e dirigentes jamais justificaria a incidência de contribuições previdenciárias. O artigo 69 da Lei Complementar n.° 109/2001 não condiciona a exclusão das contribuições vertidas a planos privados de previdência complementar, da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isso quer dizer que, independente da Impugnante disponibilizar um plano de previdência privada a todos os seus empregados e dirigentes, os valores a ele relacionado estão excluídos de tributação. Ao se confrontar a norma acima citada e aquela contida no artigo 28, §9°, "p" da Lei n.° 8.212/91 se conclui que esta última: (i) permanece válida, vigente e eficaz, mas apenas em relação aos planos de benefícios de entidades FECHADAS de previdência complementar. Isso porque, nos termos do artigo 16 da Lei Complementar n.° 109/2001, apenas os planos de benefícios mantidos por entidades de previdência fechadas devem ser extensível a todos os trabalhadores. Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.858 10 (ii) foi revogada tacitamente pelo artigo 69, §1° da Lei Complementar n.° 109/2001, por incompatibilidade, em relação aos planos de benefícios de entidades ABERTAS de previdência complementar, como é o caso dos autos e como já foi decidido pelo E. CARF no acórdão 230100.571. Valores desembolsados a título de Plano de Saúde (item 12). De acordo com as alegações do Sr. Agente Fiscal, o fato do plano de saúde custeado pela Impugnante não ser extensível a todos os empregados e dirigentes, razão pela qual as despesas a ele relacionadas integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O levantamento do Sr. Agente Fiscal não pode prosperar. Isso porque, em primeiro lugar, os benefícios de saúde concedidos gratuitamente aos empregados da Impugnante não podem ser considerados "habituais", eis que dependem de acontecimento futuro e incerto, podendo, até mesmo, nem serem usufruídos, caso não ocorram os episódios que justifiquem a demanda pelos mesmos, ou então, caso optem por serviços médicos diversos daqueles que lhe são disponibilizados pela administradora do plano de saúde. Confirase, a este respeito, a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que, ao reconhecer a ausência de habitualidade da oferta patronal de planos de saúde, afasta a incidência de contribuições previdenciárias sobre a mesma. Notase que até a jurisprudência reconhece que, diante da ausência de habitualidade, a oferta gratuita de planos de saúde não se insere no âmbito conceitual de remuneração, de modo que não se pode fazer incidir a contribuição previdenciária sobre ela, independente de ser ou não extensível a todos os empregados e dirigentes. Resta, portanto, vislumbrada a hipótese de isenção previstas no artigo 28, §9°, "e", 7 da Lei n.° 8.212/91. Ademais, conforme visto anteriormente, para que qualquer valor integre a base de cálculo de contribuições previdenciárias é necessário que possua natureza retributiva, o que não ocorre no presente caso. A retributividade somente estaria presente in casu acaso tal benefício fosse proporcional à remuneração dos beneficiários, ao trabalho desempenhado por estes, à sua produtividade, ou a qualquer outra medida que indicasse uma retribuição da empresa pelos feitos individuais de seus empregados. Efetivamente, o pagamento de planos de saúde possui natureza iminentemente assistencial, cuja finalidade é a de resguardar a saúde dos empregados da Impugnante, razão pela qual jamais poderiam compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias ou representar um ganho econômico para o empregado. Glosa das deduções de saláriofamília procedidas pela Impugnante (item 13). Não se pode olvidar que toda e qualquer verba de benefício previdenciário, incluindo o saláriofamília, não integra a base de Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.859 11 cálculo da contribuição previdenciária, pois não se está remunerando o trabalho. Ressaltese que o benefício do saláriofamília é pago aos segurados empregados e trabalhadores avulsos por seus empregadores, juntamente com o respectivo salário, para tão somente auxiliar no sustento dos filhos, e não em contraprestação pelos serviços prestados. Pagamentos realizados a fiscais nos concursos vestibulares da Impugnante (item 14); Entendeu o Sr. Agente Fiscal que os pagamentos realizados pela Impugnante aos fiscais de vestibular representariam remuneração por serviços prestados. Ocorre que, tais pagamentos são exclusivamente eventuais, o que os enquadra na hipótese de exclusão prevista no artigo 28, §9°, "e", 7 da Lei n.° 8.212/91. Valores pagos a título de bolsas de monitoria (item 15); A Monitoria é compreendida como uma atividade discente, de natureza acadêmica, direcionada ao currículo de cada curso e à formação do aluno. Caracterizase pelo aproveitamento do aluno em atividades acadêmicas de ensino, de pesquisa e de extensão, de natureza auxiliar e não substitutiva do professor. Logo, não há como classificar ou equiparar o valor da bolsa de monitoria à remuneração (o que é suficiente para refutar a pretensão do Sr. Agente Fiscal). Ademais, os pagamentos realizados pela Impugnante são eventuais (nos termos do artigo 28, §9°, "e", 7 da Lei n.° 8.212/91), razão pela qual não podem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Valores pagos a título de "jeton"(item 16); A Impugnante expressamente esclareceu que o "Jeton" se presta a estimular a participação de representantes do corpo discente nos órgãos e comissões da instituição, em conformidade com o que estabelece o seu estatuto social. Deste modo, os pagamentos eventualmente realizados pela Impugnante estão condicionados e vinculados ao comparecimento nas reuniões por ela organizadas, razão pela qual não há que se falar em prestação de serviços. Assim, também não há como classificar os alunos que eventualmente receberam o "Jeton" como contribuintes individuais, porque jamais prestaram serviços à Impugnante. Valores pagos aos denominados estudantes facilitadores (item 17); Criouse a figura do estudante facilitador para informar e orientar o alunado quanto ao uso de nova ferramenta de matrícula, via internet, com vistas a desenvolver o espírito de solidariedade e de participação do alunado nos objetivos da comunidade acadêmica, como forma de consolidar a conduta participativa na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.860 12 A duração deste tipo de atividade não excede 45 dias por semestre. O principal benefício do aluno é o cômputo do tempo dedicado à Impugnante na carga horária da graduação, inclusive para efeito de equivalência a atividades complementares, ensejando a emissão de certificado. Não há contraprestação pecuniária pelo exercício da "função" de estudante facilitador. Há a possibilidade, em reconhecimento do tempo despendido pelo aluno, de se conceder eventual compensação/desconto no valor das mensalidades por ele devida, em valor simbólico. Por isso é que, para os alunos que possuem bolsa integral (ou outro benefício que lhe seja correspondente) nada lhes é concedido pelo fato de serem estudantes facilitadores (o que demonstra a natureza não salarial dos descontos eventualmente praticados pela Impugnante). Deste modo, os descontos praticados pela Impugnante são totalmente carentes de natureza remuneratória, assim como de habitualidade, razão pela qual não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Valores pagos a título de bolsas de estudos concedidos aos empregados e parentes dos empregados (item 18). A pretensão do Sr. Agente Fiscal é ilógica e ilegal. Em primeiro lugar porque, conforme definido anteriormente, apenas os valores pagos com habitualidade e em contraprestação pelos serviços prestados compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. No presente caso, contudo, as bolsas de estudos concedidas pela Impugnante JAMAIS se prestaram a retribuir o trabalho desempenhado pelos seus empregados, tampouco complementar/substituir a remuneração por eles percebida. Ademais, ressaltese que a aplicação ao caso do artigo 111 do Código Tributário Nacional é completamente equivocada, uma vez que não se está diante de norma de isenção, não se podendo, assim, justificar o uso da interpretação meramente literal. Logo, a alínea "t", do § 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, não pode ser considerada como norma de isenção, já que apenas torna expresso o que decorre implicitamente da cláusula mais genérica contida no artigo 22 da Lei n° 8.212/91. E, ainda que se compreendesse que o artigo 28, § 9o, alínea "t", da Lei n.° 8.212/91, fosse regra de isenção, o mesmo não poderia ser interpretado de maneira meramente literal. Isto porque, as regras de isenção possuem um alto teor teleológico, já que são instrumentos das mais variadas políticas extrafiscais, as quais formam um substrato que não se pode ignorar no momento de interpretação. Transcreve decisões administrativas e judiciais nesse sentido. Ademais, o requisito isencional do presente caso referese apenas ao pagamento de bolsas de estudo à totalidade dos empregados e diretores das empresas, de modo que, cumprida esta única Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.861 13 determinação, não há que se falar em cobrança de contribuição previdenciária. Não há dúvidas de que, no caso em tela, a Impugnante cumpre perfeitamente esta determinação, concedendo as bolsas de estudos a todos os seus empregados e diretores, de modo que a regra de isenção não lhe pode ser afastada. O fato de a Impugnante estender as bolsas de estudos aos dependentes de seus empregados não representa descumprimento do requisito isencional, mas, muito pelo contrário, fortalece a demonstração de que ela vem preenchendo a hipótese que lhe permite o usufruto da isenção. O Sr. Agente Fiscal não pode estabelecer mais requisitos do que aqueles previstos em lei para o gozo de isenção. Ora, se existem pessoas dependentes de outras, presumese que os gastos com as necessidades básicas de tais dependentes serão suportados pelos seus responsáveis. Logo, falar em bolsa de estudo concedida ao dependente do trabalhador é a mesma coisa que falar em bolsa de estudo concedido ao próprio trabalhador. Outrossim, caso não se entenda pelo exposto acima, o que se afirma ad argumentandum, não há que se falar em contribuição previdenciária incidente sobre as bolsa de estudos concedidas aos empregados da entidade, em razão da finalidade alcançada com estes estudos, qual seja, o aperfeiçoamento profissional. Isto porque, diferentemente do equivocado entendimento do Sr. Agente Fiscal, para um adequado desenvolvimento profissional de qualquer trabalhador é imprescindível que este indivíduo possua formação acadêmica de nível superior. Com efeito, para que o indivíduo trabalhador tenha facilidade e condições de praticar as tarefas e atividades rotineiras, importante que ele tenha conhecimento técnico sobre determinada área e função. Para ilustrar, citese o funcionário que trabalha na área administrativa da instituição de ensino da Impugnante o auxiliar administrativo. Este funcionário, por óbvio, precisa ser alfabetizado e familiarizado na seara em que atua. No entanto, o simples: "ler e escrever"; "ser organizado"; "inteligente", etc. são insuficientes para que ele atenda as necessidades do empregador para ser promovido, por exemplo, ao cargo de Gerente. Para tanto, não basta apenas que ele seja alfabetizado, ele, necessariamente, para suprir as necessidades desta atividade, precisa ser graduado (graduação tecnológica) em Gestão Comercial curso este oferecido pela Impugnante. Por outro lado, não é apenas o indivíduo que se beneficia com o desenvolvimento profissional. Com efeito, ao se investir na educação dos empregados, bem assim promovendo o acesso deles à formação em nível superior, há uma série de vantagens diretas e indiretas para o empregador no curto, médio e longo prazo, tais como: (i) aumento da motivação dos funcionários, (ii) aumento da produtividade e da fidelidade dos funcionários, (iii) descoberta de novos talentos, (iv) vantagens no recrutamento de novos funcionários, pela preferência dada às empresas que incentivam o desenvolvimento pessoal e profissional por meio do incentivo à educação, etc. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.862 14 Dessa forma, a concessão de bolsas de estudos de primeira graduação universitária aos empregados, exatamente como ocorrido no presente caso, constitui, de fato, investimento na qualificação profissional, razão pela qual não subsistem elementos para manutenção da autuação fiscal. III.4 – Da Ilegalidade da Majoração da Multa pelo Decurso de Tempo. Sob outro aspecto, não há motivo legal que permita que a cobrança da multa de mora seja majorada no tempo. Isso porque, ao determinar a progressão do percentual da multa de mora lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude in casu, a mora e a prática de atos administrativos ao longo do tempo (tais quais a apresentação de defesa ou recurso administrativo, o pagamento parcial ou integral do tributo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal e etc.) o artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 acabou por fazer com que a multa de ofício assumisse a função compensatória que é própria e exclusiva dos juros de mora, o que acaba por configurar o malfadado bis in idem. Em outras palavras, não existe justificativa legal capaz de fundamentar a onerosidade do percentual da multa de mora em razão do simples transcorrer do tempo ou em virtude da prática de determinados atos administrativos, já que tais expedientes se prestam a configurar uma nova infração ou a modificar a infração, tornandoa mais lesiva. E, nem se alegue que a aplicação do artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 se justificaria pelo fato de se tratar de ato vinculado da Administração (oriundo do princípio da legalidade), pois a aplicação de um princípio (no caso, o da legalidade) deve ser ponderada em relação à aplicação de princípios como o da razoabilidade e, principalmente, o da proporcionalidade. Em outro giro verbal, apontese que a cobrança da multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n.° 8.212/91) restou revogada com a edição da Medida Provisória n.° 449/08. Tais disposições, atreladas à norma contida no artigo 106, inciso II, alínea V do Código Tributário Nacional, conduz à conclusão de que a multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. III.5 DA ILEGAL IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Noutro passo, à Impugnante incumbe refutar a imputação de responsabilidade solidária aos seus dirigentes. Isso porque, de acordo com a legislação em vigor, as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias (principal ou acessória) estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, hipóteses estas que não ocorreram no caso presente e, insistase, não podem ser presumidas. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.863 15 Por fim, ressaltese que de acordo com o artigo 13, parágrafo único da Lei n.° 8.620/93, a responsabilidade solidária dos sócios ou gerentes darseá somente quando provado pelo Fisco a inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados. III.6 DO NÃO CABIMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Necessário ressaltar, por derradeiro, que a notória ausência de infração (ilícito) por parte da Impugnante afasta a possibilidade de prosseguimento da representação fiscal para fins penais (tal como previsto no item 20 do Relatório Fiscal do Auto de Infração). Além disso, enquanto não vier a ser encerrado o presente processo administrativo, não pode prosseguir a representação fiscal para fins penais instaurada, nos termos do que reconhece a uníssona jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal. Assim, a Impugnante requer à Colenda Turma Julgadora seja determinada a suspensão do andamento da representação fiscal para fins penais instaurada, diante da ausência de fundamento legal e jurídico para tanto. Em sessão plenária de 09/12/2015, o julgamento foi convertido em diligência através da Resolução nº 2301000.547 para que se esclarecesse, independentemente da emissão do CEBAS em nome e CNPJ da mantenedora (essa informação está clara nos autos), sobre a possibilidade de extensão desse reconhecimento como entidade beneficente à mantida, ora recorrente. Esse indício resultou do fato de que em outros triênios o CEBAS constara a extensão de efeitos à mantida e da alegação que perante o MEC formam um agregado de duas entidades com personalidades jurídicas para consecução de uma única unidade econômica: a mantenedora com as atribuições de representação junto ao MEC e coordenação/administração/supervisão de atividades da mantida (atividadesmeio) e esta, com a atividade propriamente dita de ensino (atividadefim): 2. Constatase que alguns CEBAS emitidos para períodos anteriores aos fatos geradores constava a extensão de seus efeitos à recorrente, fls. 246/248 e que a mantenedora obteve a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2009, fls. 254/255. ... Para a convicção deste colegiado é necessário que se esclareça sobre a execução efetiva de atividades de ensino por parte da mantenedora a justificar o CEBAS obtido por ela ou se apenas é uma entidade cujo objeto estatutário é a coordenação/administração/supervisão de atividades de ensino executadas através de outra entidade, no caso a recorrente. A diligência também buscou informações sobre a remuneração dos dirigentes da entidade: Quanto a remuneração de dirigentes, seja trazida aos autos alguma das folhas de pagamento analítica ou outro documento que comprove o descumprimento do artigo 29 inciso I da Lei nº 12.101, de 27 de Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.864 16 novembro de 2009, ou seja, tratase de remuneração como contraprestação pelo cargo de dirigente, membro de conselho administrativo ou outra atividade atribuída pelos atos constitutivos: Como resposta à diligência, a fiscalização afirma que no local não funciona qualquer atividade e que segundo relatos de empresas próximas, a mantenedora funciona no mesmo endereço que a mantida. Após intimação para apresentação de documentos a fim de se identificarem as atividades desenvolvidas pela mantenedora a justificar o CEBAS obtido, foram apresentados, dentre outros, o estatuto e o relatório de atividades da mantenedora e folhas de pagamento da mantida com as remunerações aos dirigentes, fls. 2682 e s. A recorrente, no cumprimento da intimação, também apresentou respostas aos questionamentos feitos pela fiscalização. Reitera que, na verdade, mantenedora e mantida funcionam como uma entidade única de ensino, a primeira na atividademeio e a segunda na atividadefim, independentemente da constituição formal de duas pessoas jurídicas com distintos CNPJ, fls. 2727 e s. Em manifestação após o relatório de diligência, o recorrente sustenta que a diligência não fora cumprida, limitandose a fiscalização a trazer informações acerca de ausência de atividades da mantenedora no endereço de cadastro e outras colocações, fls. 2813 e s. É o Relatório. Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.865 17 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator A decisão recorrida se sustenta no fundamento de que sendo ambas pessoas jurídicas regularmente constituídas e com CNPJ próprio, o reconhecimento da recorrente como entidade beneficente seria vedado pelo artigo 55, §2º da Lei 8.212/91, atual artigo 30 da Lei 12.101/2009: Em relação às alegações supratranscritas, cumpre inicialmente registrar que independentemente do fato da Impugnante e da Associação Universitária e Cultural da Bahia serem ou não entidade mantida e entidade mantenedora, a UCSAL não tem direito à isenção, em razão de não cumprir os requisitos necessários para tanto. A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva a outra empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja por aquela mantida ou controlada, conforme redação do §2º do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, atualmente substituído pelo art. 30 da Lei 12.101/2009. Assim, a Impugnante não pode querer se valer do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da Associação Universitária e Cultural da Bahia para que seja reconhecido seu direito à isenção. A polêmica central discorre sobre a UCSAL possuir ou não personalidade jurídica própria. ... Lei nº 8.212/91: artigo 55 (...) §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) ... Lei nº 12.101/2009 Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Pareceme que tal dispositivo legal é até mesmo desnecessário. Por óbvio que uma entidade não pode se apropriar da imunidade/isenção concedida a outra entidade, ainda que entre elas exista uma relação entre mantenedora/mantida. Quando a mantenedora é reconhecida como entidade beneficente de assistência social em razão das atividades que desempenha diretamente não se estende seu CEBAS às entidades ensino por ela mantidas, que não necessariamente estarão cumprindo os mesmos requisitos legais: percentual mínimo de gratuidades, não remuneração de dirigentes etc. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.866 18 Mas o caso que ora se examina não é tão simples assim. A diligência não soluciona a dúvida quanto à possibilidade de que a mantenedora não desenvolva diretamente atividade de ensino, mas somente indiretamente, e justamente através da mantida, ora recorrente. As respostas prestadas pela recorrente à intimação reiteram o que fora alegado desde a impugnação sobre a rígida divisão de atribuições: mantenedora com as atividades meio, dentre as quais a representação junto ao MEC, e a mantida com as atividadesfim na área de ensino. Apesar das informações trazidas pela fiscalização e pelo recorrente, ressaltandose que não foram examinados os registros contábeis e outros documentos da mantenedora, ainda não se tem certeza razoável se as atividadesfim de ensino são, de fato, desempenhadas somente pela entidade mantida. O compartilhamento do mesmo estabelecimentosede, fls. 2682, ou a alegação de que mantenedora e mantida desempenham suas atividades conjuntamente, como se formassem uma unidade econômica, não são informações suficientes para se esclarecer se a mantenedora também executa diretamente atividades de ensino a justificar a concessão de CEBAS. Com efeito, examinando o artigo 2º do estatuto da entidade mantenedora, constatase que a entidade mantenedora também pode manter e dirigir outras organizações de caráter cultural e social além da Universidade Católica de Salvador, fls. 2718. E na resposta à intimação durante a diligência, a recorrente apresentou várias atividades que poderiam estar sendo executadas direta ou indiretamente pela mantenedora, fls 2733. Não é vedado pelo MEC que entidades mantenedoras mantenham mais de uma entidade ou mesmo que desenvolvam diretamente atividades e ensino. Assim, as dúvidas permanecem: caso a mantenedora, de fato, somente cuide das atividadesmeio e não mantenha outra entidade que não a recorrente, como poderia ela ser reconhecida como entidade beneficente de assistência social e não seja extensivo esse direito à mantida, aquela que efetivamente desempenha atividadesfim na área de ensino? Em relação à atividade de ensino, como o contribuinte é a entidade que contrata segurados empregados e os remunera e não a entidade mantenedora (considerando que seus segurados desempenham apenas atividadesmeio), comprovada a situação acima, reconhecer a imunidade/isenção apenas para a mantenedora resultaria que os efeitos somente seriam em relação aos segurados das atividadesmeio, ficando de fora justamente o corpo docente da instituição de ensino. Será essa uma discussão de mérito após o esclarecimento principal: abstendose da tese levantada pelo recorrente de que comporiam uma unidade econômica de fato, a entidade mantenedora desenvolve ou não diretamente atividadefim de ensino, ou seja, concorrentemente à atividade da mantida? Retornando, então, ao fundamento adotado pela fiscalização, bastaria que o CEBAS tenha sido emitido em nome da mantenedora e a mantida tenha personalidade jurídica própria para não se admitir a possibilidade de que, na verdade, o CEBAS se refira às atividades da mantida, ou seja, segundo esse entendimento coincidiriam emissão e concessão, ainda que se tratem de entidades dentro de uma relação mantenedora/mantida. Dessa forma, a emissão em nome da mantenedora excluiria qualquer possibilidade de a concessão ser para a mantida, mesmo que na avaliação realizada pelo MEC que levou à concessão do CEBAS tenham sido analisados apenas os requisitos legais cumpridos pela mantida. Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.867 19 Quantos aos requisitos legais previstos na Lei nº 12.101/2009, na página mantida na internet, o MEC os apresenta de forma prática: Documentos Para comprovar o atendimento aos requisitos definidos pela Lei nº 12.101/2009, e suas alterações, a entidade deve apresentar documentos e informações relativos à entidade mantenedora, assim como a todas as suas mantidas. São eles: Entidade mantenedora: comprovante de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ); cópia da ata de eleição dos atuais dirigentes e do instrumento comprobatório de representação legal, quando for o caso; cópia autenticada do ato constitutivo registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, na forma da lei, com identificação do Cartório em todas as folhas e transcrição dos dados de registro no próprio documento ou em certidão (Art. 3º, III, do Decreto nº 7.237, de 20/7/2010), comprovando que a entidade foi constituída e está em funcionamento há, no mínimo, doze meses. Em se tratando de fundações, deverá ser atendido o art. 62 do Código Civil Brasileiro – escritura pública do ato constitutivo; relatório de atividades desempenhadas no exercício fiscal anterior ao requerimento, destacando informações sobre o público atendido e os recursos envolvidos; plano de atendimento com concessão de bolsas, bem como as ações assistenciais e programas de apoio aos alunos bolsistas; demonstrações contábeis e financeiras do exercício anterior ao do requerimento, compreendendo: Balanço Patrimonial assinado pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no Conselho Regional de Contabilidade (CRC); Demonstração do Resultado do Exercício assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Notas Explicativas do exercício anterior ao requerimento assinadas pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Demonstração dos Fluxos de Caixa do exercício anterior ao requerimento assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC. Obs.1: Se a receita bruta anual do exercício anterior ao do requerimento for superior ao limite máximo estabelecido no inciso II, do art. 3º, da Lei Complementar nº 123/2006 , deverá ser encaminhado um parecer de auditoria independente do exercício anterior ao requerimento. Obs.2: Com relação aos demonstrativos contábeis, é importante que se observe as Normas Brasileiras de Contabilidade, em especial a Interpretação Técnica Geral (ITG2002). Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.868 20 Entidade mantida (instituição de educação): ato de credenciamento da instituição de educação regularmente expedido pelo órgão normativo do sistema de ensino; relação de bolsas de estudo e demais ações assistenciais e programas de apoio a alunos bolsistas, com identificação precisa dos beneficiários (documentos protocolados a partir de 2011); documentos relativos ao processo de seleção de bolsistas e à análise do perfil socioeconômico; plano de atendimento, com indicação das bolsas de estudo e ações assistenciais, além dos programas de apoio a alunos bolsistas, durante o período pretendido de vigência da certificação; regimento ou estatuto; identificação dos integrantes do corpo dirigente, destacando a experiência acadêmica e administrativa de cada um; caso a entidade atue concomitantemente na área de assistência social, deve ser também apresentado o comprovante de inscrição das ações assistenciais desenvolvidas junto aos conselhos municipais ou do Distrito Federal e o comprovante de que as referidas ações são realizadas de forma gratuita, continuada e planejada; se o requerimento for de renovação, deverá ser apresentado o relatório de atendimento às metas definidas no plano de atendimento precedente. Como se vê, são exigidos comprovantes de ambos, mantenedora e mantidas, destacandose que os documentos exigidos para as mantidas são justamente relativos à atividadefim e, especialmente, à concessão de bolsas de ensino e gratuidades em geral. Por fim, oportuno mencionar que há acórdãos desse CARF em outros processos do mesmo recorrente que adotou o mesmo entendimento da fiscalização; porém, sem apreciação da questão a que se refere a diligência: Acórdão nº 2301003.537 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária E o CEBAS da mantenedora não é extensivo à mantida, assim como a isenção. Portanto, não há a necessidade de se cancelar o CEBAS da mantenedora. Quanto o argumento de ausência de personalidade jurídica própria, os documentos juntados aos autos contradizem tal afirmação. O próprio estatuto da UCSAL dispõe, no art. 3o, que ela é dotada de autonomia didáticocientífica, financeira, administrativa e disciplinar. Acórdão nº 2401002.884 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DIREITO A ISENÇÃO ENTIDADE MANTENEDORA EXTENSÃO DA ISENÇÃO A MANTIDA APLICAÇÃO APENAS A ENTES DESPERSONALIZADOS. Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.869 21 Existindo personalidade jurídica, não prospera o argumento de que a entidade poderia valerse da condição de isenta de sua mantenedora. Os termos do Parecer 509 do MPAS são aplicados apenas a entes despersonalizados. ... Conforme bem destacado pelo auditor, e reforçado perante a Decisão do CRPS transcrita no relatório fiscal complementar, a UCSAL possui personalidade jurídica, devendo ela própria cumprir os requisitos do art, 55 da lei 8212/91, quanto ao gozo de isenção. Assim, ao não ter requerido a isenção, ou mesmo possuir os documentos que possibilitariam a realização do pedido, não há de fazer jus a isenção pretendida, considerando que também não requereu, perante o INSS o direito a isenção. ... A informação sobre a execução direta de atividades de ensino pode ser obtida dos registros contábeis e os respectivos documentos de caixa da entidade mantenedora. Caso, de fato, ela preste diretamente atividades de ensino, independentemente da entidade mantida, haverá registros das receitas auferidas de seus alunos. Acrescentase nessa diligência um pedido de outra informação: a recorrente seria a única entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia? E quanto à remuneração de dirigentes, que se esclareça sobre a origem dos pagamentos: decorreriam da condição de diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores ou, de outra forma, seria uma contraprestação pela atividade docente, coordenação pedagógica ou outra atividadefim do ensino? Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos acima e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 2874DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.901376/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. O CARF não tem
competência para analisar pedido de cancelamento de PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1301-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. O CARF não tem competência para analisar pedido de cancelamento de PER/DCOMP.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. O CARF não tem competência para analisar pedido de cancelamento de PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 13 76 /2 00 8- 95 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 161 2 Relatório Por bem sintetizar a lide, adoto o relatório do Acórdão nº 0827.323 da 3ª Turma da DRJ/FOR (fls. 69/76): O processo foi digitalizado posteriormente à sua formalização, de sorte que há uma pequena diferença entre a numeração original das folhas e a nova numeração atribuída automaticamente pelo sistema eprocesso, que está sendo adotada na presente decisão. Tratase de manifestação de inconformidade, fls. 02/19, apresentada em decorrência da não homologação do pedido de compensação (DCOMP nº 39875.59797.310304.1.3.030025), conforme despacho decisório emitido eletronicamente, fls. 20. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 52.483,92 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 45.356,76 O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 10/09/2008, fls. 21, tendo apresentado a contestação em 24/09/2008, fls. 02/19, contrapondose ao despacho decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados. A requerente ingressou com duas PER/DCOMPs, cópias acostadas nos autos, sendo a primeira apresentada em 31/03/2004, preenchida de forma incorreta, a qual deve ser cancelada, requerendo a compensação do IRPJ código 2430, ajuste anual de 31/12/2003, no valor principal de R$ 16.845,53 (dezesseis mil oitocentos e quarenta e cinco reais e cinqüenta e três centavos). O valor foi objeto de autuação por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil e devidamente quitado, conforme se comprova com cópia de DARF que segue em anexo. A segunda foi apresentada em 03/02/2007, requerendo a compensação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ devido por estimativas nos meses de Junho, Julho, Agosto, Setembro e Outubro de 2005 no valor total de R$ 66.497,36 (sessenta e seis mil quatrocentos e noventa e sete reais e trinta e seis centavos), com saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurada em 31/12/2003 no montante de R$ 45.536,76 (quarenta e cinco mil quinhentos e trinta e seis reais e setenta e seis centavos), desta feita preenchida de forma correta, inclusive com o demonstrativo detalhado do crédito, sendo esta declaração que deve prevalecer para efeito de homologação da compensação requerida. O referido crédito consta da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, apresentada a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cópias acostados nos autos. No fundamento da decisão a autoridade administrativa informa que não foi possível confirmar a apuração do crédito, tendo em vista que o montante do crédito informado na DIPJ não corresponde ao valor do saldo negativo informado nos Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 162 3 PER/DCOMPs, afirmação que não corresponde à verdade material dos fatos, conforme comprova a documentação ora acostada nos autos. Não procedem os argumentos apontados pelo autor do despacho decisório para não homologar as compensações declaradas na DCOMP, apresentada em 03/02/2007, sob a alegação de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, o que não é verdade. A defesa transcreve os dispositivos legais relacionados à compensação e faz um breve comentário sobre o lançamento tributário para concluir que ficou demonstrado e provado que o lançamento objeto da presente lide não pode prosperar, tendo em vista que a exigência do crédito tributário está embasada em premissas fora dos parâmetros que foram legalmente fixados pela Lei. Assim, requer o seu cancelamento. Conclui afirmando que fica demonstrado e provado que é indevido o crédito tributário exigido através do despacho decisório no valor total de R$ 64.087,68 (sessenta e quatro mil oitenta e sete reais e sessenta e oito centavos), em razão da não homologação dos PER/DCOMPs apresentadas pelo requerente, tendo em vista que a referida cobrança foi objeto de compensação, conforme devidamente comprovado nos autos, e a outra parte foi objeto de lançamento de ofício e devidamente quitado. Assim, requer o seu cancelamento. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, não conhecendo do pedido de cancelamento do PER/DCOMP nº 39875.59797.310304.1.3.030025, por se tratar de matéria fora de seu campo de competência e homologando a compensação de que trata o PER/DCOMP nº 29156.58355.030207.1.3.031881 até o limite do saldo negativo da CSLL disponível, relativo ao exercício 2004, anocalendário 2003. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 110/121), alegando, em síntese, que o despacho decisório é improcedente, tendo em vista que o débito compensado não existe, devendo ser desconsiderada a compensação efetuada e cancelada a declaração de compensação. Por não atingir os valores estipulados na Portaria/MF nº 3/2008, não foi interposto Recurso de Ofício. Eis a síntese do necessário. Passase ao voto. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Cuida o presente processo da não homologação das compensações tratadas nos PER/DCOMPs nº 39875.59797.310304.1.3.030025 e 29156.58355.030207.1.3.031881. O crédito é decorrente de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2003, exercício de 2004. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 163 4 Nos termos do despacho decisório (fl. 20), não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo negativo informado no PER/DCOMP. Em relação ao PER/DCOMP nº 39875.59797.310304.1.3.030025, a DRJ decidiu que não possui competência para apreciar pedido de cancelamento de PER/DCOMP, não havendo como acolher a solicitação da defesa nesse sentido. Já no que tange ao PER/DCOMP nº 29156.58355.030207.1.3.031881, homologou a compensação até o limite do saldo negativo da CSLL disponível, entendendo que os documentos acostados aos autos e as informações registradas nos sistemas da Receita Federal corroboram com o alegado pela defesa. Em sede recursal, o contribuinte alega que o PER/DCOMP ora discutido, que trata de compensação do IRPJ código 2430, ajuste anual de 31/12/2003, no valor principal de R$ 16.845,53, foi preenchido de forma incorreta. Contudo, esse valor foi objeto de autuação por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (processo administrativo nº 10384.005694/200823), sendo devidamente quitado, conforme comprovado por DARF acostado à impugnação. Ocorre que, como bem demonstrou a decisão da DRJ, o cancelamento da PER/DCOMP deve ser requerido pelo contribuinte em procedimento próprio e não por meio do presente processo administrativo. Confirase: De acordo com o art. 62 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, vigente à época da ciência do despacho decisório e da apresentação da manifestação de inconformidade, a desistência do PER/DCOMP deve ser formulada pela interessada a partir do programa PER/DCOMP, nos seguintes termos: “Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação.” O mesmo regramento é mantido no art. 93 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012, atualmente em vigor. Adoto, pois, os fundamentos exarados pela DRJ em decisão de 1ª instância. Logo, este Colegiado não é competente para apreciar pedido de cancelamento de PER/DCOMP devido à inexistência do débito, não devendo ser acolhidas as pretensões do contribuinte neste sentido. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGARlhe provimento. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 164 5 É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016904/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de atividades próprias de pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS.
No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciou-se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 9303-004.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias de pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciou-se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos.
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RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias de pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 69 04 /2 00 5- 11 Fl. 1202DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 330201.121 (fls. 1.028 a 1.033) proferido pela 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de julgamento, em 08 de julho de 2011, provendo o recurso voluntário da Contribuinte, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.203 3 caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção da Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades, relativamente aos serviços prestados que façam parte de seu objeto social. Recurso Voluntário Provido. A controvérsia tem origem na lavratura de auto de infração em face da ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA ASSEDEF (fls. 07 a 16), e respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 17 a 40), para exigência de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em razão da falta de recolhimento quanto aos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001. O lançamento decorreu do não oferecimento à tributação pela COFINS das receitas decorrentes de mensalidades, aluguéis e aplicações financeiras. A Fiscalização verificou que a Contribuinte não efetuou o pagamento do tributo por entenderse como isenta da COFINS em relação às receitas acima elencadas, nos termos do art. 195, §7º da Constituição Federal de 1988, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, anteriormente às alterações da Lei nº 9.732/98 e do art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Cientificado da autuação em 30/11/2005, o Sujeito Passivo apresentou a respectiva impugnação (fls. 192 a 204), julgada improcedente pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que manteve o crédito tributário lançado, nos termos do Acórdão nº 0217.452 (fls. 298 a 308), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o beneficio constitucional a essas restrito. As receitas provenientes da prestação de serviços educacionais, por seu caráter contraprestacional, são tributadas pela Cofins. Lançamento Procedente Contra referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 316 a 333), alegando, em síntese, que (a) somente o CNAS pode atestar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, divergindo o entendimento da DRJ do Supremo Tribunal Federal; e (b) atende aos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, sem as alterações da Lei nº 9.732/98, fazendo jus à isenção da COFINS. Fl. 1204DF CARF MF 4 Na sessão de julgamento de 06/06/2009, por meio da Resolução nº 3302.00.002 (fls. 476 a 478), a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à repartição de origem, sendo instada a Contribuinte a comprovar o atendimento aos requisitos estabelecidos no inciso V e no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, autorizadores da concessão da isenção da COFINS. Como resultado da diligência, foram anexados aos autos pelo Sujeito Passivo (fls. 482 a 1.026): Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS expedida em 15 de junho de 2010 e com validade por seis meses atestando a inscrição da Requerente no referido conselho, o porte válido do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social até 31/1212009 e o requerimento de renovação do referido certificado formalizado tempestivamente; Relatório de atividades do ano de 2000 entregue ao INSS em 27 de abril de 2001; Relatório de atividades do ano de 2001 entregue e ao INSS em 23 de abril de 2002. Posteriormente, sobreveio julgamento do recurso voluntário, em sessão realizada em 08/07/2011, no sentido de dar provimento ao mesmo nos termos do Acórdão nº 330201.121 (fls. 1.028 a 1.033), ora combatido, para: (a) reconhecer que as receitas vinculadas à prestação de serviços educacionais estão albergadas pela isenção prevista no inciso X, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001; e (b) excluir da base de cálculo da contribuição os valores decorrentes de demais receitas provenientes de rendas e promoções, recuperações e indenizações, dividendos e descontos recebidos, aluguéis de salão, quadra, etc. e aplicações financeiras, nos termos da decisão prolatada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal nos recursos extraordinários nºs 357.950, 390.480 e 358.273, declarando incidentalmente a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Nesta oportunidade, por meio de recurso especial de divergência (fls. 1.036 a 1.049), insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão de julgamento do recurso voluntário, requerendo a sua reforma no que tange à isenção da COFINS sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços, prevista no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e à exclusão das receitas de aluguéis da base de cálculo da COFINS, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98. Aponta como paradigmas os acórdãos nºs 20178.812 e 20219.348. No mérito, sustenta que: (a) as receitas decorrentes da prestação de serviços, mesmo se relacionadas às atividades próprias da entidade, devem ser tributadas pela COFINS, pois não qualificadas como "receitas relativas às Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.204 5 atividades próprias", nos termos do §2º, art. 47 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002; (b) pela correta interpretação do art. 195, §7º da Constituição Federal, a Recorrida também não possui imunidade em relação à COFINS, por entender não fazerem parte da assistência social os serviços de educação; (c) por fim, sustentou serem as receitas de aluguel integrantes da base de cálculo da COFINS, pois se referem à atividade operacional da Contribuinte, conforme exige o STF para incidência da referida exação. O recurso especial foi admitido apenas parcialmente por meio do Despacho nº 330000.404, de 17/10/2013 (fls. 1.076 a 1.079), em razão de ter sido demonstrada a divergência jurisprudencial quanto ao conceito de atividades próprias estabelecido no art. 14, inciso X da MP nº 2.15835/2001, tão somente quanto às receitas de caráter contraprestacional. Segundo o juízo de admissibilidade, a Fazenda Nacional não logrou demonstrar a existência nos paradigmas de interpretação divergente referente ao §1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, concernente à exclusão das receitas de aluguéis da base de cálculo da COFINS. O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (fls. 1.095 a 1.111) sustentando, preliminarmente, a inadmissibilidade do apelo especial e, no mérito, requerendo a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Fl. 1206DF CARF MF 6 Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, devendo portanto ser conhecido na parte em que admitido. Importa referir que à época da interposição do recurso especial, em 02/09/2011, as teses relativas ao enquadramento das instituições de ensino como de assistência social, bem como à isenção de COFINS das receitas decorrentes de atividades contraprestacionais não se encontravam pacificadas. Ainda, conforme se verifica do resultado do acórdão nº 930301.486, a decisão deuse por maioria do Colegiado, demonstrando ainda persistir dissenso na Câmara Superior à época do ingresso do recurso, não havendo de se falar na sua inadmissibilidade com base no §10, do art. 67, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Mérito No mérito, a matéria em discussão restringese à análise da isenção da COFINS sobre as atividades próprias da Contribuinte, prevista no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, mais especificamente sobre as receitas decorrentes da prestação de serviço de ensino (mensalidades escolares e taxas), portanto, com caráter contraprestacional. Conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal (fls. 17 a 40), a Fiscalização entendeu não ter a atividade educacional desempenhada pela Contribuinte caráter assistencial, pois é propiciada mediante o pagamento de mensalidades, constituindose em uma contraprestação por vínculo contratual. Além disso, considerou como sendo atividades próprias da Recorrida tão somente aquelas elencadas no art. 47, §2º da Instrução Normativa nº 247/2002, e desde que não tenham caráter contraprestacional direto. Partindo dessa premissa, autuou a Recorrente pelo não recolhimento de COFINS sobre as receitas decorrentes do pagamento de mensalidades, pois estariam excluídas da isenção em razão do seu caráter contraprestacional: [...] 2 No período sob ação fiscal, 2000 e 2001, foi apresentada Declaração de Informações EconômicoFiscais, identificando a entidade como imune do IRPJ e desobrigada de apuração da CSLL. Foram informados valores a titulo da Contribuição para o PIS sobre folha de salários e não foram declarados valores para a COFINS. 3 Verificouse também, no mesmo período retro citado, que não constaram em DCTF — Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais, valores devidos da COFINS, bem como não foram efetuados recolhimentos em DARF, a este titulo. [...] 5 A Associação Educacional Escolápia Feminina — ASSEDEF é composta de unidades, cada uma constituída como filial e algumas com atividade econômica produtiva auferindo receitas de atividades, tais como: prestação de serviço de ensino (mensalidades escolares e taxas), venda de apostilas; aluguéis, aplicações financeiras entre outras, conforme demonstrado Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.205 7 nas planilhas apresentadas em resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização. Compõem também as receitas da entidade as contribuições espontâneas da sociedade e dos seus associados. [...] CONSIDERAÇÕES SOBRE OS FATOS CONSTATADOS E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL [...] Alternativamente, devemos considerar a imunidade prevista no § 7° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, que prevê: "Art. 195. A seguridade social semi financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. Portanto, neste contexto fazse necessário verificar se estamos tratando, com efeito, no caso da ASSEDEF, de entidade de assistência social, dentro dos contornos definidos para tais entes na Constituição Federal e na legislação especifica. A Constituição Federal de 1988, traçando os contornos da assistência social, informa, em seu artigo 203, que será ela prestada "a quem dela necessitar" e tem por objetivos: [...] Da análise dos objetivos listados acima se conclui que a assistência social tem o caráter de socorro aos desprotegidos. [...] Entretanto, verificouse que no caso da entidade fiscalizada, a educação é propiciada também mediante o pagamento de mensalidades, denotandose, então, uma contraprestação por vinculo contratual, sem nenhum caráter assistencial nestes casos. Nada impede, é verdade, que a atividade educacional faça parte da assistência social, quanto aos serviços gratuitos, porém, disso não se pode deduzir, que a atividade educacional, por si só, configure assistência social, máxime quando se verifica que, no caso concreto, é exercida mediante o pagamento de mensalidade. [...] Retornando à legislação de regência da COFINS, com a publicação da Lei n° 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição foi alterada, determinandose a incidência da contribuição sobre todas as demais receitas. Logo a seguir, foi editada a Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999 (atualmente MP n° 2.15835, de 2001), que, através de seu art. 14, X, isentou dessa contribuição, as receitas decorrentes das atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13 do mesmo diploma. Fl. 1208DF CARF MF 8 [...] Tais entidades, dessa forma, têm direito ao beneficio do art. 14, X, da Medida Provisória n° 1.8586/1999, ou seja, são isentas da COFINS as receitas relativas as suas atividades próprias. Concluise, pois, que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, sujeitamse à incidência da Cofins todas as demais receitas que não se enquadrem no conceito de receita típica ou de atividades próprias. A Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, esclarece o alcance da exclusão conferida pela expressão "receitas relativas As atividades próprias", nos termos seguintes: "Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/PASEP incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação as receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1° Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei n2 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." (grifouse) [...] Concluise serem receitas de atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, isentas da Cofins nos termos do art. 14, X, da Medida Provisória n° 18586, de 1999, (reeditada como Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001), apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Entendese assim, como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas normalmente alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, inclusive sindical e a assistencial, mensalidade e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários. Portanto, a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômicofinanceira ou empresarial. Por isso, sujeitamse à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matriculas e mensalidades, inclusive bolsas de estudos custeadas pelo poder público dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu beneficio, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.206 9 esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade e, receitas de aplicações financeiras, conforme as disposições dos art. 2° da Lei Complementar 70/91 e dos arts. 2° e 3°,§1°, da Lei n° 9.718/98. Pelo exposto, ficou claro que não obstante o preenchimento dos requisitos legais pela ASSEDEF a serem observados pelas entidades beneficentes de assistência social, seja do art. 14 do CTN, (artigo este, que a propósito, nem sequer aplicase às contribuições sociais, mas sim aos impostos sobre o patrimônio, a renda e serviços; portanto, este artigo é lembrado apenas a titulo de ilustração), seja do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, a mesma prestou serviços, que pela legislação vigente, se enquadram no campo de incidência da COFINS, ou seja, nada tem haver com a assistência social beneficente. [...] CONCLUSÃO À luz do disposto no presente termo, concluise que o contribuinte fiscalizado, sendo uma instituição sem fins lucrativos, com atividades educacionais e de assistência social, está sujeito ao pagamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, incidente sobre as receitas auferidas pelas atividades econômicas de prestação de serviços (mensalidades escolares, taxas escolares etc) por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela entidade, venda de produtos e receitas financeiras, entre outras, na forma estabelecida pela legislação aplicável. [...] (grifouse) De início, o entendimento exposto pela Fiscalização e ora defendido pela Procuradoria da Fazenda Nacional não merece prosperar, devendo restar incólume a decisão recorrida. A Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por seu artigo 1º, instituiu a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas e aquelas a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, estabelecendo como base de cálculo o faturamento mensal. A partir de fevereiro de 1999, com a superveniência da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, nos termos do seu art. 8º, a COFINS passou a incidir sobre a receita bruta à alíquota de 3% (três por cento). Referido diploma legal estabeleceu em seu art. 3º, §1º como sendo receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes a atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Pontuese que o art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal e, posteriormente, revogado pela Lei nº 11.941/2009. Em 24 de agosto de 2001, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835 (em vigor por força da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001), que tornou isentas da COFINS, a partir de fevereiro de 1999, as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação e de assistência social, nos termos do seu art. 14, inciso X: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 1210DF CARF MF 10 [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Dispõe o art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (grifouse) Nos termos da legislação, portanto, as instituições de educação e de assistência social referidas no art. 12 da Lei nº 9.532/97, com redação dada pela Lei nº 9.718/98, estão isentas da COFINS quanto às receitas decorrentes de atividades próprias. A isenção está vinculada a dois pontos: à qualidade da pessoa jurídica ("[...] instituição de educação e de assistência social que preste serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado") e à natureza da atividade como sendo própria da entidade e sem fins lucrativos. As associações são pessoas jurídicas de direito privado regidas pelo ordenamento jurídico civil e pelas disposições estatutárias no atinente à sua gestão, nos termos dos artigos 44, 53 e 54, todos do Código Civil de 2002. Assim, estando as associações sujeitas às disposições estatutárias, para enquadramento das atividades por elas exercidas como sendo próprias imprescindível a análise do seu estatuto social. Nessa linha relacional, a Associação Educacional Escolápia Feminina ASSEDEF, é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação de fins Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.207 11 não econômicos, de caráter educacional, cultural, assistencial e beneficente, e tem por finalidade a prestação de serviços educacionais, conforme consta em seu Estatuto Social (fls. 47 a 70), in verbis: Art. 1º A ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF", a seguir denominada por "ASSOCIAÇÃO", fundada em 13 de abril de 1973, na Cidade e Comarca de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de uma associação de fins não econômicos, de caráter educacional, cultural, assistencial e beneficente, com inscrição no CNPJ/MF sob o n° 22.985.832/000147, e está organizada de conformidade com a legislação vigente no Brasil e com o presente Estatuto. [...] Art. 2° A ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF" tem por finalidade: a) Oferecer e desenvolver o ensino em seus vários graus, a educação moral, cívica e religiosa; b) Dedicarse às obras de promoção humana, beneficente, assistencial e social; c) Assistir, através de convênios com outras instituições, públicas e/ou privadas, outras entidades de educação, cultura e assistência social. Art. 3° A ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF", pode firmar convênios ou contratos de prestação de serviços com outras instituições congêneres ou afins, para o melhor atendimento de suas finalidades sociais, mesmo que pertençam a outras pessoas, físicas ou jurídicas, inclusive aos poderes públicos. [...] (grifouse) Partindose do critério segundo o qual se considera própria de uma entidade a atividade desenvolvida por ela que esteja relacionada em seus atos constitutivos, certamente incluída na motivação da sua criação, indubitavelmente as receitas da prestação de serviços educacionais (mensalidades, taxas e etc), glosadas pela Fiscalização, devem ser consideradas como atividades próprias da Recorrida, pois devidamente listadas na alínea "a" do seu Estatuto Social. Por conseguinte, estão devidamente albergadas pela isenção da COFINS estabelecida no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. No caso dos autos, o posicionamento adotado pela Fiscalização, no sentido de não se enquadrarem na norma da isenção da COFINS as receitas decorrentes das atividades de prestação de serviços de educação, embasouse exclusivamente no fato de as mesmas terem caráter contraprestacional, não as descaracterizando, todavia, como sendo atividades próprias da Contribuinte. Estando a atividade desenvolvida pela ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA em harmonia com as disposições constantes do seu Estatuto Social e Fl. 1212DF CARF MF 12 com a finalidade para a qual a mesma foi criada, o fato de a mesma ser contraprestacional não a descaracteriza como atividade própria da entidade, em consonância com o disposto no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, devendo ser mantida a isenção da COFINS sobre as receitas dela decorrentes. Além disso, o art. 997 do Código Civil estabelece como um dos requisitos do contrato social firmado para exploração de negócio que vise o lucro a formalização de cláusula especificando a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. A atividade da associação está em sentido diametralmente oposto, pois mesmo havendo a cobrança pelos serviços assistenciais, próprios da entidade na finalidade a qual se destina, desde que represente receita destinada à manutenção das atividades próprias para as quais a pessoa jurídica foi instituída, não pode descaracterizar a receita como sendo de atividade própria e não empresarial. Nesse sentido são as disposições contidas nos artigos 61 a 64 do Estatuto Social da Contribuinte (fls. 60 a 61): Art. 61 Os recursos econômicos e financeiros da ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF" são os provenientes de: a)Anuidades, contribuições, taxas e emolumentos escolares; b) Rendimentos ou rendas de seus bens ou serviços; C) Receitas decorrentes de contratos ou convênios de prestação de serviços; d) Receitas decorrentes de convênios Assistenciais e filantrópicos; e) Auxílios e Subvenções dos Poderes Públicos; f) Donativos de pessoas físicas e jurídicas; g) Eventuais receitas, rendas ou rendimentos. Art. 62 A totalidade dos recursos EconômicoFinanceiros previstos no artigo anterior serão integralmente aplicados na consecução das finalidades institucionais da Associação, dentro do território Nacional. Art, 63 A ASSOCIAÇÃO aplica o eventual resultado operacional constatado em seus registros contábeis na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, e não distribui lucros, dividendos, bonificações ou parcelas de seu patrimônio a seus associados, a qualquer titulo. Art. 64 A ASSOCIAÇÃO pode, para melhor atender a seus objetivos institucionais, aplicar seus excedentes financeiros em instituições educacionais, culturais e de assistência social que objetivem promover a coletividade, mediante a assinatura de Contratos ou Convênios Filantrópicos. (grifouse) Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.208 13 Portanto, na análise em questão, ponto fundamental é verificar a natureza jurídica das receitas, se decorrentes ou não de atividades próprias da entidades. O fato de terem caráter contraprestacional não tem o condão de descaracterizálas como originárias de atividades próprias da entidade. Ainda, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional, a legislação que disponha sobre a outorga de isenção deve ser interpretada restritivamente. No caso, a interpretação restritiva do art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835/2001 conduz à conclusão de que a isenção de COFINS abrange todas as receitas relativas às atividades próprias das entidades, indistintamente, restando excluídas apenas aquelas não relacionadas com a finalidade para a qual a entidade foi constituída. Por esta razão, resta afastada a restrição perpetrada pelo art. 47, §2º da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pois não estabelecida pelo legislador originário. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, então vigente), e cuja observância é obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016. Transcrevese a ementa do julgado proferido pelo STJ no recurso especial nº 1353111/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, publicado em 18/12/2015 no Diário de Justiça Eletrônico, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158 35/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. Fl. 1214DF CARF MF 14 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 20312738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401 002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/200775, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.209 15 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1353111/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2015, DJe 18/12/2015) (grifouse) Da argumentação expendida, conclusão inarredável é o reconhecimento como decorrentes de atividades próprias da Associação as receitas da prestação de serviços educacionais (mensalidades, taxas, etc), estando, por conseguinte, abrangidas pela isenção da COFINS nos termos do art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, independente do seu caráter contraprestacional. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1216DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.003013/2004-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 COMPROVAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. É imprescindível para a exclusão do Simples que seja comprovado que a pessoa jurídica se dedique à prestação de serviços profissional impeditiva indicada no ato administrativo.
Numero da decisão: 1801-000.573
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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IMPRESCINDIBILIDADE. É imprescindível para a exclusão do Simples que seja comprovado que a pessoa jurídica se dedique à prestação de serviços profissional impeditiva indicada no ato administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 180100.573 S1TE01 Fl. 10.5 2 Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RJO/RJ nº 538.393, de 02 de agosto de 2004, fl. 03, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 01/01/2001 Situação excludente (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 92312/99 Outros serviços especializados ligados às atividades artísticas Data da ocorrência: 02/09/2000 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º , XIII; art.12; art.14, I; art.15,II, Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001: art.73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003: art.20, XII; art.21; art.23, I; art.24, II, c/c parágrafo único. A Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, com pedido de revisão do ato em rito sumário, fl. 01. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 02, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Cientificada em 25/02/2008, fl. 18verso, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20/03/2008, fl. 19, com as alegações abaixo transcritas: A empresa presta, meramente, serviços de execução de mãodeobra na confecção de roupas, sempre a pedido da contratante, não realizando nenhum trabalho de elaboração, sendo ainda a realização exclusivamente manual. Aproveitamos para informar que face a dificuldade atual, esta empresa encontrase sem movimento desde 02/2007, não tendo portanto recursos para arcar com a decisão e as cobranças advindas da exclusão e retroatividade dos débitos e obrigações acessórias por ela acarretadas. Pedimos a indulgência , tendo em vista hoje inclusive estar sendo aceita a atividade como Simples Nacional, inclusive tendo esperança de em um futuro próximo e, com a aceitação do solicitado, poder retornar as atividades e contribuir para o desenvolvimento e crescimento Nacional. A Vista de todo exposto, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o processo. Termo em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1219.855, de 04/07/2008, fls. 21/26: “Solicitação Indeferida”. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 180100.573 S1TE01 Fl. 11.5 3 Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO D IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESA E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2001 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA. Uma vez que o contrato social faz menção à atividade econômica impeditiva da opção pela Sistemática do SIMPLES, referida no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, cabe ao interessado o ônus de comprovar que não a realiza. Na falta de provas, inferese que o interessado realiza as atividades descritas no contrato social, o que o impede de estar no Simples. Notificada em 25/07/2008, fl. 25verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11/08/2008, fls. 28/36, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que cabe à Administração Pública o ônus de provar os motivos da exclusão do Simples. Suscita que as atividades constantes no contrato social não são suficientes por si sós para determinar o procedimento. Diz que não se dedica à produção de espetáculos, fato este que implica prova negativa, cuja realização é impossível. Esclarece que se dedica à confecção de vestuário por encomenda. Tendo em vista o princípio da verdade material, solicita a apreciação dos documentos ora juntados. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Pelas razões expostas nesse recurso, a Recorrente espera e confia que esse e. Conselho de Contribuintes reformará a decisão recorrida para cancelar o ato de exclusão da contribuinte da sistemática do Simples. P. deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 180100.573 S1TE01 Fl. 12.5 4 O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição da República Federativa do Brasil (CR) de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, determina: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro , arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; [...] Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: [...] II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Para a solução do litígio, cabe buscar esclarecimentos na Classificação Brasileira de Ocupações – CBO que determina (fonte: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTituloResultado.jsf, acesso em 20/03/2011): 2622 : Diretores de espetáculos e afins [...] Descrição Sumária Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de Fl. 163DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 180100.573 S1TE01 Fl. 13.5 5 filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias Compulsando os autos, verificase que no Contrato Social está registrado, fls.04/08: O objeto da sociedade será a prestação de serviços na área artística técnica, no setor de produção, realização, criação e promoção de show, teatro, cinema, televisão, rádio, enfim todos e quaisquer espetáculos artísticos em geral. As atividades objeto do contrato social podem ser um indicativo, mas não são, por si sós, determinantes da ocorrência de exclusão da pessoa jurídica do Simples. A hipótese de indeferimento da opção da Requerente pelo Simples com efeito desde 01/01/2002 fundamentada na prestação de serviço profissional de diretor ou produtor de espetáculo, pressupõe a obtenção efetiva de receita proveniente de atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Os autos estão instruídos com as cópias das Notas Fiscais, fls. 48/92, nas quais se comprova a efetiva prestação de serviços de figurinista, que também é a atividade profissional exercida pelo sóciogerente Reinaldo Elias, CPF 353.173.37704. No dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0, o verbete figurinista está assim definido: que ou aquele que, na produção artística, cuida da indumentária dos atores, projetando figurinos e acompanhandolhes a confecção. Assim o figurinista confecciona a vestimenta artística previamente identificada pelo diretor ou produtor do espetáculo. A Recorrente juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis que demonstram sua afirmativa de que presta serviço de figurinista, que, a partir dos conceitos já estabelecidos deduzse que não é assemelhada à de diretor ou produtor de espetáculo. É imprescindível para a exclusão do Simples que seja comprovado que a pessoa jurídica se dedique à prestação de serviços profissional impeditiva indicada no ato administrativo. Não constam dos autos evidências de que a Recorrente exerça a prestação de serviços profissional de diretor ou produtor de espetáculos de que trata a legislação de regência. Não restando evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal de exclusão do Simples, é admissível a manutenção no mencionado sistema. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 164DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 180100.573 S1TE01 Fl. 14.5 6 Fl. 165DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000108/2003-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
OBSERVÂNCIA A COISA JULGADA. DECISÃO JUDICIAL DEVE SER CUMPRIDA EM SEUS TERMOS.
Deve-se obedecer os efeitos da coisa julgada, a qual impõe estrita observância do que foi decidido pelo judiciário. A decisão judicial deve ser cumprida nos seus termos.
As autoridades administrativas estão obrigadas a seguir os ditames estabelecidos em sentença judicial.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas ( Presidente em Exercício), Charles Mayer de Castro Souza ( Suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran)
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício Demes Brito- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas ( Presidente em Exercício), Charles Mayer de Castro Souza ( Suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran)
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DECISÃO JUDICIAL DEVE SER CUMPRIDA EM SEUS TERMOS. Devese obedecer os efeitos da coisa julgada, a qual impõe estrita observância do que foi decidido pelo judiciário. A decisão judicial deve ser cumprida nos seus termos. As autoridades administrativas estão obrigadas a seguir os ditames estabelecidos em sentença judicial. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas ( Presidente em Exercício), Charles Mayer de Castro Souza ( Suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 01 08 /2 00 3- 06 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13973.000108/200306 Acórdão n.º 9303004.230 CSRFT3 Fl. 704 2 Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 20218.695, proferido pela 2º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que decidiu dar parcial provimento reconhecendo o direito de apurar o indébito do PIS com base na semestralidade da base de cálculo. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. É de se conhecer de embargos de declaração quando verificada a contradição na decisão embargada. PIS. SEMESTRALIDADE. A semestralidade do PIS é matéria sumulada nos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda. COMPENSAÇÃO. SUFICIÊNCIA. Apurados os indébitos do PIS, deve ser permitida a compensação com débitos do mesmo tributo. Recurso provido em parte. O julgamento decorreu dos embargos da DRF da jurisdição da Contribuinte, questionando vários itens da Resolução nº 20200.942, de fls.604/607, dentre os quais a determinação de calcular o PIS pela sistemática da semestralidade, pois este assunto já teria sido abordado na decisão judicial que fundamenta o pedido do contribuinte e não teria sido concedida. Os embargos de declaração da Fazenda Nacional foram indeferidos, de acordo com fls.657/661. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que o acórdão recorrido entendeu que decisão judicial que fundamenta o pleito da Contribuinte não se pronunciava sobre a semestralidade e sim sobre as alterações do prazo de recolhimento, que seriam assuntos diferentes, e que se poderia, então aplicar, a sistemática da semestralidade na apuração da contribuição, conforme Súmula 11 do Segundo Conselho de Contribuintes. Para comprovar o dissenso em relação à matéria foram colacionados como paradigmas do Recurso, dentre outros citados, os Acórdão nº 340101.248 e 20401.768, cuja ementa, na parte que interessa ao litígio, assim dispõe : Acórdão nº 340101.248 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13973.000108/200306 Acórdão n.º 9303004.230 CSRFT3 Fl. 705 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1999 a 31/10/2000 AÇÃO JUDICIAL. SEMESTRALIDADE DO PIS AUTO COMPENSAÇÃO REALIZADA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Acórdão 20401.768 NORMAS PROCESSUAIS. COISA JULGADA MATERIAL. EFEITOS. A decisão transitada em julgado em processo judicial é de observância obrigatória e produz efeitos até que legislação superveniente modifique a situação que foi objeto da lide.Impossibilidade de reconhecimento da aplicação da sistemática da semestralidade do PIS contra o que fora decidido em processo judicial da recorrente. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL. A Resolução do Senado Federal n° 49, que afastou a aplicação dos DecretosLeis n's 2.445 e 2.449, ambos de 1988 com efeitos erga omnes não tem força desconstitutiva de coisa julgada, somente alcançada por meio da propositura de ação rescisória própria. Recurso negado É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. Tratase de pedido de compensação visando o aproveitamento de créditos tributários decorrentes de decisão judicial, com trânsito em julgado em 01/03/1999, que reconheceu a inconstitucionalidade dos DecretosLei n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988. As compensações efetuadas pela Contribuinte foram indeferidas pela Secretária da Receita Federal do Brasil (RFB),com fundamento de que não era possível utilizar a base de cálculo do sexto mês anterior ao do fato gerador, expressando seu entendimento de que a decisão judicial transitada em julgado teria afastado a chamada “semestralidade” do PIS, e que seria esta questão, portanto, já revestida de definitividade. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13973.000108/200306 Acórdão n.º 9303004.230 CSRFT3 Fl. 706 4 Com efeito, verifico junto aos autos que a decisão judicial se pronunciou de forma clara quanto a "semestralidade" do PIS. Vejamos: "Convém salientar, por fim, que as alterações dos prazos de recolhimento ocorridas após as edições dos DecretosLeis em análise, são válidas, porquanto prazo de recolhimento não é matéria reservada à lei complementar, já que não se trata de normas gerais de direito tributário. Portanto, as alterações dos prazos de recolhimento do PIS promovidas por lei ordinária devem ser observadas. Outro fator que também deve ser observado diz respeito a indexação da contribuição para o PIS, prevista nas Leis 7.799/89, 8.012/90, 8.383/91, 8.850/94 e 8.981/95. Assim, não há de se acolher pretensão de se recolher a contribuição para o PIS seis meses após a ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, a partir das edições das leis que alteraram o prazo de recolhimento e indexaram a contribuição a recolher. (...)” Como se observa, a decisão judicial determinou que a Contribuinte recolhesse o PIS nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 7/70, com alteração promovida pela Lei Complementar 17/73, a qual determina, que a base de cálculo é o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, conforme dispõe a Súmula CARF n° 15. Além disso, devese obedecer os efeitos da coisa julgada, a qual impõe estrita observância do que foi decidido pelo judiciário, a decisão judicial deve ser cumprida nos seus termos. Quanto aos prazos de recolhimento, foram observados aqueles determinados pela legislação ordinária, bem como a indexação da contribuição a recolher. Portanto, não há qualquer divergência entre a decisão judicial e o acórdão Recorrido. Com essas considerações, voto no sentido de negar Provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13973.000108/200306 Acórdão n.º 9303004.230 CSRFT3 Fl. 707 5 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910474/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (grifaremos): O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 13/17 (PER/DCOMP n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 10 47 4/ 20 09 -6 5 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.910474/200965 Resolução nº 1201000.225 S1C2T1 Fl. 3 2 09878.67073.230806.1.3.041782), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (cód. receita 2469) relativo ao período de apuração encerrado em 31/11/2005. Pelo Despacho Decisório de fls. 11 o contribuinte foi cientificado, em 18/08/2009 (fls. 12), de que: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 310.443,62). Irresignado, o contribuinte apresentou em 17/09/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/05, alegando, em apertada síntese, que: 1) o art. 10 da IN SRF n° 600/2005 não encontra amparo na legislação, e portanto não pode ser aplicado; 2) com a edição da MP n° 449/2008, foi introduzida a vedação à compensação de débitos relativos ao pagamento mensal de estimativa de IRPJ e CSLL, mas referida MP não foi convertida em lei; e 3) além disso, ao dispor que o pagamento indevido ou a maior não poderá ser objeto de compensação, devendo compor o saldo negativo, a IN 600/2005 fere o art. 73 da Lei n° 9.532/97, que determina a atualização pela Selic a partir do mês subsequente ao pagamento indevido ou a maior. Com a ciência da decisão, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos anteriormente defendidos, com destaque para a inaplicabilidade do artigo 10 da IN 600/05. A Recorrente juntou, ainda, documentos que entende aptos para comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.910474/200965 Resolução nº 1201000.225 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. O debate relativo ao indeferimento de compensações baseado no artigo 10 da IN 600/05 normalmente engloba duas questões: a) Se a interessada efetivamente recolheu a maior o valor das estimativas mensais dos períodos em exame; b) Se é possível compensar os valores porventura recolhidos a maior imediatamente, vale dizer, a partir do próprio pagamento. Para a solução da primeira questão devemos analisar os documentos presentes nos autos. Como a Recorrente apresentou, junto com o Recurso Voluntário, documentos e informações que entende suficientes para comprovar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, considero essencial que tal documentação seja objeto de análise pela delegacia de origem, dado que o Despacho Decisório não se manifestou expressamente sobre o montante do crédito, pois fundamentou sua decisão na impossibilidade de compensação no próprio exercício, no que foi seguido pela DRJ. Por força disso, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de Jurisdição do contribuinte: a) Analise a documentação apresentada e os sistemas da Receita Federal para informar a este Conselho sobre a existência e pertinência do crédito pleiteado ou, em caso de divergência, sobre qual seria o valor passível de compensação; b) Intime a interessada acerca do resultado da diligência, para que esta se manifeste, se assim desejar, no prazo de 30 dias. Adotadas as providências acima os autos deverão retornar a este Conselho e Relator para apreciação e julgamento. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e voto por CONVERTER o julgamento em diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10882.900980/2008-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 80 /2 00 8- 83 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900980/200883 Acórdão n.º 9303004.024 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.988, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900980/200883 Acórdão n.º 9303004.024 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900980/200883 Acórdão n.º 9303004.024 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900980/200883 Acórdão n.º 9303004.024 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900980/200883 Acórdão n.º 9303004.024 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900980/200883 Acórdão n.º 9303004.024 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900980/200883 Acórdão n.º 9303004.024 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900653/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO
Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito, por perempção.
Numero da decisão: 1402-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário em parte para atestar a intempestividade e não conhecer das razões de mérito.nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito, por perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário em parte para atestar a intempestividade e não conhecer das razões de mérito.nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto– Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 06 53 /2 01 3- 21 Fl. 873DF CARF MF 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o processo de Pedido de Restituição, PER nº 22673.97596.030409.1.2.029898, e as seguintes Declarações de Compensação, na qual a interessada pretende utilizar crédito de sua sucedida, CNPJ. 04.191.257/000129, oriundo de saldo negativo de IRPJ, do período de 01/01/2008 a 30/11/2008, no valor de R$ 28.508.835,00. [...] De acordo com a decisão, o direito creditório não foi reconhecido, pois as parcelas que formam o saldo negativo não foram confirmadas, conforme quadro abaixo: [...] Com base no relatório Análise do Crédito, fls. 359/360, foi confirmado o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 28.508.835,00, incidentes sobre rendimentos de juros sobre o capital próprio, pagos pela fonte pagadora CNPJ. 15.102.288/000182. No entanto, os rendimentos correspondentes não foram oferecidos à tributação. A ciência ocorreu em 16/04/2013, conforme AR de fls. 367. A interessada apresentou manifestação de inconformidade em 15/05/2013, fls. 04/18, tempestivamente, instaurando a lide. Em sessão de 13 de dezembro de 2013, foi proferido Acórdão nº 1262.152 por esta 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO, anulando a decisão uma vez que o motivo que fundamentou o indeferimento não coadunava com a realidade dos fatos apurados pela autoridade administrativa que analisou o pedido. Isto porque foi constatado que os rendimentos de juros sobre o capital próprio foram oferecidos à tributação. No entanto, o IRRF, no valor de R$ 28.508.835,00, foi utilizado para reduzir o crédito tributário de IRPJ lançado em auto de infração, sob o processo administrativo nº 16682720286/ 201384. Em função da anulação, foi proferida pela DEMAC/RJO/DIORT, em 21 de dezembro de 2013, nova Decisão de fls. 387/388, com base no Parecer nº 308/2013, na qual a autoridade administrativa não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações, motivando o indeferimento na utilização do IRRF na compensação do crédito tributário de IRPJ lançado. A ciência da decisão ocorreu em 06/01/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, de fls. 390. A interessada apresentou manifestação de inconformidade em 03/02/2014, fls. 394/411, com as seguintes alegações: a Odebrecht Participações apurou saldo negativo de IRPJ, no período de 01/01/2008 a 30/11/2008 no valor de R$ 28.508.835,00. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16682.900653/201321 Acórdão n.º 1402002.334 S1C4T2 Fl. 874 3 em 30/11/2008 a interessada incorporou a Odebrecht Participações, em função de reestruturação societária, absorvendo todo patrimônio, inclusive ativos tributários, como o saldo negativo em tela, podendo utilizálo como bem entendesse. houve reconhecimento do direito creditório pela DRJ e DEMAC/RJ, ficando a discussão restrita à possibilidade de utilização deste crédito pela fiscalização, à revelia da interessada. o Fisco não está autorizado a utilizar como melhor aprouver o crédito tributário, ignorando o seu aproveitamento quatro anos antes pela interessada. cita o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e artigo 41 da IN SRFB nº1.300/2012, concluindo que a compensação é uma faculdade do contribuinte, que tem o direito de decidir como e quando utilizar. da mesma forma o artigo 41, §7º da IN SRFB nº 1.300/2012 determina que os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada. a compensação é um direito do contribuinte e dele apenas, não possuindo as autoridades administrativas competência para decidir, discricionariamente, o destino do direito creditório do contribuinte. assim, o motivo para o indeferimento não encontra guarida na legislação. a opção manifestada pela interessada deve ser respeitada. não existe segurança jurídica quando o procedimento de compensação adotado pela interessada, previsto em legislação, é desconsiderado pelo Fisco em momento posterior, já que utilizou os mesmos créditos para quitar outros débitos, sendo arbitrário e ilegal. traz jurisprudência administrativa do CARF em assuntos diferentes, mas mas cujas conclusões de respeito à opção do contribuinte, podem ser aplicadas ao presente caso. no momento do lançamento, o crédito já não mais existia, pois havia sido consumido para quitar os débitos informados nas DCOMP, sendo a compensação com o crédito tributário apurado totalmente descabida. quando da lavratura do auto de infração, não existia qualquer Despacho Decisório, ou seja, tanto o crédito de IRPJ quanto os débitos compensados encontravamse extintos pelo encontro de contas. ainda que existisse Despacho Decisório não homologando as compensações, o crédito não poderia ser utilizado pela fiscalização para abater o IRPJ apurado pois inexiste autorização legal. cita Acórdão nº 1242.413 no qual a própria DRJ não acatou o argumento para utilizar as antecipações para reduzir o lançamento, objeto da lide, alegando que o saldo negativo já teria sido utilizado em Declarações de Compensação, respeitando a opção do contribuinte. a compensação de ofício efetuada nos autos do processo administrativo nº 16682.720286/201384 não observou os procedimentos previstos no artigo 6º do Decreto nº 2.138/97, regulamentado no artigo 61 §2º da IN SRFB nº 1.300/2012. Fl. 875DF CARF MF 4 a fiscalização também não observou que deveria ser respeitada a ordem para compensação dos débitos, nos termos dos artigos 62, 63 e 64 da IN SRFB nº 1.300/2012. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1263.973 considerando improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2009 AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ. DEDUÇÃO COM AS ANTECIPAÇÕES. CABIMENTO. A lavratura de auto de infração, com a constituição de crédito tributário para cobrança do imposto de renda, em decorrência da reversão de prejuízo para lucro real, acarreta na utilização dos valores apurados a título de estimativa (artigo 837 do RIR/99), prejudicando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não homologação da compensação Cientificado, o sujeito passivo recorre a esta Corte ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Acrescenta a argüição de nulidade da intimação pela qual foi cientificado do acórdão da DRJ, feita diretamente por meio eletrônico, tendo em vista que a melhor interpretação do art. 23, do Decreto nº 70.235/72 seria no sentido de as intimações seguirem a ordem seqüencial estabelecida no dispositivo. É o Relatório. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16682.900653/201321 Acórdão n.º 1402002.334 S1C4T2 Fl. 875 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso foi interposto por signatário devidamente legitimado mas só merece conhecimento na parte que trata da tempestividade, como se verá a seguir. A interessada foi cientificada do acórdão de manifestação de inconformidade por meio eletrônico em 09/04/2014 por decurso de prazo. O termo final para interposição do recurso voluntário seria 09/05/2014. Tendo em vista que a peça recursal foi protocolada em 30/05/2014, caracterizouse a intempestividade. No entendimento do sujeito passivo, a intimação por meio eletrônico só poderia ser feita na impossibilidade da intimação pessoal , em primeiro lugar, e depois por via postal. Assim, haveria um benefício de ordem no art. 23, do Decreto nº 70.235/72. A alegação é improcedente. Vejase os dispositivos do Decreto nº 70.235/72 (destaque acrescido): Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 877DF CARF MF 6 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) [....] § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Não se trata, portanto, de interpretação do dispositivo mas da literalidade do texto. Inexiste ordem de preferência no presente caso. Quanto ao Termo de Abertura de Documento, indica que o sujeito passivo abriu a mensagem em 13/05/2014, após o fim do prazo recursal estabelecido pela intimação eletrônica por decurso de prazo (09/05/2014). Nos termos da parte final da alínea “b” do inciso III, do § 2º, do art, 23 supra transcrito, a data de abertura de mensagem só seria considerada se tivesse ocorrido antes desse prazo. Do exposto voto por conhecer em parte do recurso voluntário exclusivamente para atestar a intempestividade, e como decorrência, não conhecer das razões de mérito. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16682.900653/201321 Acórdão n.º 1402002.334 S1C4T2 Fl. 876 7 Fl. 879DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000878/2009-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/09/2009
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/09/2009 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 776 1 775 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11634.000878/200951 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.083 – 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria Contribuições Previdencárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE CORNÉLIO PROCÓPIO PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/09/2009 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 08 78 /2 00 9- 51 Fl. 776DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 777 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301003.189, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 20 de novembro de 2012 (efls. 657 a 672). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 30/09/2008 SAT/RAT. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A administração pública em geral, na qual se inclui as prefeituras municipais, a partir de junho/2007, enquadrase no código 8411600 de que trata o Anexo V do Decreto n° 3.048, de 1999, alterado pelo Decreto 6.042, de 2007, para fins de recolhimento da contribuição patronal destinada à cobertura dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, cuja alíquota de contribuição é de 2% incidente sobre a folha de salários dos segurados empregados. ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009 Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis acima. Contudo, o parcelamento antes aderido não foi contabilizado pela Fiscalização para efeito da autuação, uma fez que já declarado na GFIP. E, quanto as rubricas consideradas para efeito da autuação a Recorrente não provou a sua adesão, ao contrário, o documento juntado não passa de papelucho sem expressão no mundo jurídico. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 778 3 A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. Para comprovar a existência de fraude, mister que seja configurado o ‘animus fraudandi’. Não ocorrência. Também não alegado pela Fiscalização. TAXA SELIC E JUROS A aplicação da taxa SELIC nas autuações fiscais é determinação da legislação previdenciária, quando não é recolhido em tempo hábil as contribuições previdenciárias. Juros com base na taxa SELIC são autorizados pelo Artigo 34, da Lei n.º 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Esta Casa não pode avaliar inconstitucionalidade de lei, sendo o STF o Colegiado guardião da Constituição Federal. Questão já resolvida pelo CARF em seu Regimento Interno, Artigo 62. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso Voluntário Negado. Decisão: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penal idade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 779 4 Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida. mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei no 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Redator: Mauro José Silva. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 18/03/2013 (efl. 673) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 27/03/2013 (efl. 730), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 675 a 686). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 17/05/2012, no Acórdão 2401002.453, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, e, ainda, em relação ao ao decidido, em 05/07/2012, no Acórdão 9202002.193, de lavra da 2a. Turma desta CSRF, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 240102.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 780 5 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOSADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especialde Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Acórdão 920202.193 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, devendo ser excluído da penalidade os valores concernentes à Previdência Complementar Privada e Reembolso Escolar. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 781 6 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em afastar de oficio a multa aplicada em relação aos fatos geradores "Previdência Privada" e "Bolsa Escola", os quais foram excluídos do processo nº 35434.000858/200571 (Notificação Fiscal), em face da intimada relação de causa e efeito que os vincula. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à multa. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à decadência. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator). Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) A redação do art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; b) Destarte, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias, que no caso consistirão na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento Fl. 781DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 782 7 para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941, de 27 de dezembro de 2009; c) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Logo, por esse motivo, não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; d) Quanto à obrigação acessória, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; e) devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. f) Cita, ainda, a necessidade de observância ao disposto na Instrução Normativa no. 971, de 13 de novembro de 2009; g) Assim, considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa supra, conforme se vê pelo teor do Relatório Fiscal, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração. Requer, assim, que seja dado provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto impugnado, restabelecendose o cálculo da multa na forma em que lançada. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 731 a 738. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 783 8 A contribuinte apresentou, então, Recurso Especial de efls. 746 a 750 e anexos. Tendo sido constatada a ausência de ciência do contribuinte do recorrido bem como do Recurso Especial da Fazenda Nacional admitido, lavrouse o despacho de saneamento de efls. 758 a 760. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 13/10/2015 (efl. 763), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões. O Recurso Especial do Contribuinte teve sua admissibilidade negada consoante despachos de efls. 767 a 770. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 783DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 784 9 documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez Fl. 784DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 785 10 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 786 11 ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 786DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 787 12 dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 787DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 788 13 Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a este feito o seguinte recálculo: (a) até 11/2008, nas competências que a fiscalização estabeleceu a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), quando da aplicação conjunta da multa prevista no art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991 e da multa por infrações relacionadas à GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma da multa de mora limitada a 20%; e da multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator; (b) nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, se mais benéfica à Recorrente. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter, agora a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo tanto a constatação, através de procedimento de ofício, de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente Fl. 788DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 789 14 julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 790 15 O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu Fl. 790DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 791 16 descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas. Se limita, desta forma, na forma de demonstrativo de efl. 20, a soma das penalidades aplicáveis (quando aplicáveis ambas as penalidades) ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, sem que se deva falar em comparação: a) da multa de obrigação acessória com o novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991 e b) da multa sobre os débitos de obrigação principal objeto de lançamento com o novo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na forma proposta pelo vergastado. Este percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, adotada pela autoridade autuante. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 11634.000878/200951 Acórdão n.º 9202005.083 CSRFT2 Fl. 792 17 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendose manter, assim, a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 792DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721367/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS. SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Não havendo elementos a embasar a alegada simulação, uma vez que todos os atos jurídicos típicos da securitização foram devidamente juntados aos autos e comprovados, não há dúvidas de que se estava diante de uma atividade típica de securitização, razão pela qual o lançamento não pode prosperar.
Numero da decisão: 1301-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Em face de alteração na composição do Colegiado, fez nova sustentação oral pelo recorrente o Dr. Eduardo Perez Salusse, OAB/SP nº 117.614
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Corrêa e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS. SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Não havendo elementos a embasar a alegada simulação, uma vez que todos os atos jurídicos típicos da securitização foram devidamente juntados aos autos e comprovados, não há dúvidas de que se estava diante de uma atividade típica de securitização, razão pela qual o lançamento não pode prosperar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Em face de alteração na composição do Colegiado, fez nova sustentação oral pelo recorrente o Dr. Eduardo Perez Salusse, OAB/SP nº 117.614 (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 20/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Corrêa e Waldir Veiga Rocha.
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SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Não havendo elementos a embasar a alegada simulação, uma vez que todos os atos jurídicos típicos da securitização foram devidamente juntados aos autos e comprovados, não há dúvidas de que se estava diante de uma atividade típica de securitização, razão pela qual o lançamento não pode prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Em face de alteração na composição do Colegiado, fez nova sustentação oral pelo recorrente o Dr. Eduardo Perez Salusse, OAB/SP nº 117.614 (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 13 67 /2 01 3- 65 Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 2 EDITADO EM: 20/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Corrêa e Waldir Veiga Rocha. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.223 3 Relatório TAIPA SECURITIZADORA S/A, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I DRJ/RJ1, que, por unanimidade/maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário lançado. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 939 a 1019, lavrado pela DRF/JOI, no qual consta a exigência de: · Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 7.535.601,22, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora; · Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 2.541.309,44, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora; · Contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, cód. 5477, no valor de R$ 2.188.774,60, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora; · Contribuição para o programa integração social – PIS, cód. 6656, no valor de R$ 475.822,50, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 1993 e do termo de verificação fiscal de fls. 1969 a 1991, os lançamentos se devem ao fato da contribuinte desenvolver a atividade de aquisição de direito creditório (factoring), o que a obrigaria a apurar o imposto de renda pelo regime do lucro real. No entanto, simulou outra atividade (securitização) e optou indevidamente pelo lucro presumido, mas manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, não sendo necessário efetuar o arbitramento. Assim foram apuradas as infrações de opção indevida pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido, com a não declaração de resultados operacionais, de insuficiência de recolhimento de COFINS e de PIS, e aplicada a multa de ofício no percentual de 150% pela prática de sonegação, fraude e conluio, resultantes da simulação da atividade de securitização de ativos empresariais desde sua constituição, quando na verdade desenvolveria a atividade de fomento mercantil (factoring). Cientificada da autuação em 02/01/2013, conforme AR de fl. 1051, a interessada apresentou em 12/06/2013 impugnação de fls. 2649 a 2681, acompanhada dos documentos de fls. 2682 e 3006, nas quais, alega, em síntese: 1) preliminarmente: a) requer a apensação ao presente do processo nº 10920.721368/201318, o qual têm a finalidade de exigir o IOF devido em decorrência das atividades Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 4 realizadas pela impugnante, originários do mesmo mandado de procedimento fiscal, diante da conexão existente entre os processos, devendo os mesmos ser julgados em conjunto; b) a nulidade da autuação pela coexistência de duas autuações, lavradas pelo mesmo agente fiscal, ao qual o autuante concluiu apenas que o percentual utilizado para a apuração do lucro presumido estaria equivocado, constatando que a impugnante exercia atividade de securitização, o que foi consubstanciado no processo nº 10920.003613/201051, por violação ao princípio da segurança jurídica, da boafé e do venire contra factum proprium, o qual importa na proibição de exercício de posição jurídica em contradição com o comportamento exercido anteriormente; 2) no mérito: a) que exerce atividade de securitização de recebíveis empresariais, por meio de aquisição de recebíveis empresariais via contratos de cessão ou endosso, aos quais são securitizados e lastreados por emissão privada de debêntures, com utilização de investimento de seus acionistas, decorrentes dos lucros disponibilizados pela atividade da própria impugnante; b) que suas atividades não caracterizam prestação de serviço, nem tampouco intermediação de negócios, não há obrigação de fazer, não se cogitando a existência de tomador de serviços, sendo que há uma cessão de créditos, pela qual qualquer atividade de gestão de créditos realizada pela securitizadora é desenvolvida em benefício próprio e não de terceiros, diferenciandose das empresas de factoring; c) insurgese, contra a aplicação da multa de oficio majorada em 150% por ausência de simulação ou dolo, uma vez que restou comprovado nos autos que a operação de securitização de fato ocorreu, que não qualquer indício de que a impugnante tenha agido de forma a simular as operações realizadas para obtivesse algum tipo de vantagem, o que caracteriza a sua boafé; Requer que seja acolhida sua preliminar de nulidade, que impõe o cancelamento do lançamento, e subsidiariamente, que seja julgado integralmente procedente o auto de infração. Por fim, requereu a dilação de prazo para apresentação em 30 dias de laudo pericial a ser elaborado pela auditoria contratada. Requereu em 12/07/2013 a juntada do Relatório Técnico Contábil e Fiscal de fls. 3024 a 3065, acompanhado dos documentos de fls. 3066 a 3085, conforme petição de fl. 3022, ao qual conclui pela ocorrência de operações de securitização, pela inexistência de simulação e pela possibilidade de opção de tributação pela sistemática do lucro presumido pela autuada. A 5ª Turma da DRJ/RJ1 analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.224 5 SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO. EFEITOS. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 SECURITIZAÇÃO DE ATIVOS EMPRESARIAIS E FACTORING. SIMULAÇÃO. A essência na atividade de securitização está na conversão de determinados créditos em lastro, suporte e garantia para a emissão de títulos ou valores mobiliários, os quais, no caso de ativos empresariais,formalizamse como debêntures. Indicando o conjunto probatório que o lastro para a emissão e a aquisição das debêntures eram apenas formais,sem substância negocial, a atividade descortinase em uma operação de fomento mercantil (factoring). FACTORING. APURAÇÃO DO LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica que explora a atividade de factoring está obrigada à apuração do imposto de renda pela forma do lucro real, baseada na escrituração contábil. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO. A simulação da prática de securitização de créditos, visando encobrir a prática de factoring, evidencia conduta dolosa e impõe o lançamento da multa de ofício de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010 PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. A pessoa jurídica obrigada à apuração do imposto de renda pela forma do lucro real, baseada na escrituração contábil, submete se à tributação das contribuições do PIS e Cofins sob a modalidade da não cumulatividade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 6 A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. A Fazenda Nacional, através de seu Procurador, apresenta contrarazões às fls. 3.178 3.213, para requerer que seja negado provimento in totum ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. É o relatório. Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.225 7 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo (melhorar e muito) A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 26/12/2013 (AR de fl. 3.175), e apresentou em 15/01/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 3.112 3.173. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. 1) DAS PRELIMINARES 1.1) DA VINCULAÇÃO Requer a recorrente a declaração de vinculação do presente, e o julgamento em conjunto, ao processo de nº 10920.721368/201318, o qual tem por finalidade exigir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), devido em decorrência das atividades realizadas pela mesma, relativa a fatos geradores do mesmo período fiscalizado, sendo os lançamentos; em ambos, originários do mesmo mandado de procedimento fiscal. Nos termos do Novo Regimento Interno deste Colegiado (RICARF), estamos diante da hipótese de processos reflexos, haja vista o que preceitua o artigo 6º do Anexo II do referido Regimento, in verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 8 § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Porém, oportuno salientar que não é de competência desta 1ª Seção de Julgamento o julgamento de recursos voluntários que versem sobre aplicação da legislação relativa ao IOF. Somente são tidos como reflexos do IRPJ, os seguintes impostos e contribuições, CSLL, IRRF, PIS e COFINS, desde que estes últimos sejam formalizados com base nos mesmos elementos de prova e um mesmo Processo Administrativo Fiscal. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições 24 das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do DistritoFederal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.226 9 VII tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Portanto, não há que se falar em competência desta Seção para os processos que versem sobre o IOF, nem mesmo quando reflexos do IRPJ, por ausência de previsão regimental. Para estes casos, processo principal e o reflexo em Seções diversas, sem que nenhuma delas tenha competência sobre ambos, nos termos do art. 6º acima transcrito, temse que o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Portanto, caso assim queira, deve a recorrente diligenciar no sentido de que o ao processo reflexo seja dado o tratamento previsto no RICARF, haja vista que este encontra se apto para julgamento, enquanto que aquele encontrase pendente de distribuição. Diante do acima exposto, acato a vinculação deste aos autos do Processo nº 10920.721368/201318, porém deixo de determinar qualquer medida, haja vista que esta 1ª Seção não é competente para processar e julgar processos que envolvem a aplicação da legislação relativa ao IOF. 1.2.) DA NULIDADE A recorrente argüiu a nulidade do lançamento em razão da alegada contradição da autoridade autuante, na medida que já tinha sido autuada pela mesma autoridade em 13/09/2010 (anos calendário 07 e 08), a qual concluiu apenas que o percentual utilizado para apuração do lucro presumido, de acordo com o seu entendimento, estaria equivocado, uma vez que desempenhava atividade de securitização de recebíveis. No entanto, em total contradição à lavratura do mencionado auto de infração, o AuditorFiscal, em 03/05/2013, lavrou o presente auto de infração (anoscalendário 09 e 10) descaracterizando toda a atividade de securitização realizada pela recorrente. Assim, teria a autoridade administrativa violado o princípio da segurança jurídica e da boafé, sendo vedado o exercício de posição jurídica em contradição com o comportamento anteriormente exercido. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do PAF. Ademais, a alegada violação aos princípios da segurança jurídica e da boafé não está presente, pois conforme se verifica da autuação, a mesma foi lavrada em função da apuração de suposta simulação. Não é irrazoável supor que a fiscalização realizada em momento anterior não teria sido capaz de coletar provas suficientes da simulação agora apurada, o que de modo algum invalida o procedimento adotado neste e noutro processo, desde que identificada e comprovada a conduta praticada pela recorrente tipificada como infração à legislação tributária, por meio de prova hábil e suficiente. Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 10 De todo modo, tais questões devem ser enfrentadas na análise do mérito da autuação e não como preliminar de nulidade, pois conforme anteriormente mencionado não se enquadram em nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas na legislação. Assim, afasto a alegada de nulidade do lançamento. 2) DO MÉRITO O centro do litígio é a definição da real atividade da autuada – securitizadora ou de fomento mercantil (factoring) – e a respectiva tributação dos resultados e das receitas. Segundo a autuação, a autoridade fiscal concluiu que a recorrente exerce a atividade de factoring, e não de securitização, em função das seguintes razões: · os acionistas da recorrente teriam sido sócios da empresa Taipa Fomento Mercantil Ltda, a qual explorava a atividade de factoring; · a partir de agosto de 2007 iniciouse a transferência das atividades da Taipa Fomento Mercantil Ltda para a fiscalizada, sendo praticamente concluída ao final do mesmo ano, caracterizada pela compra de debêntures da fiscalizada, efetuadas pelos próprios acionistas, com a origem de recursos da Taipa Fomento, via pagamento de mútuo; · a fiscalizada não emitia debêntures com freqüência, na verdade efetuou apenas uma emissão até 31/12/2010, sendo muito discrepante o saldo de títulos de crédito em poder da empresa e o saldo de debêntures em poder dos investidores, ao quais em torno de 85 % dos recursos aplicados na compra de debêntures foram provenientes da Taipa Fomento, e os 15 % restantes foram provenientes da própria fiscalizada, via pagamento de lucros ao acionista comprador da debênture; · em praticamente todas as datas em que ocorreram compras de debêntures ocorreram também pagamentos de mútuos da Fomento para o respectivo sócio, nos mesmos valores, ou pagamentos de lucros pela própria fiscalizada ao acionista comprador da debênture; · a emissão de debêntures pela fiscalizada, sem quaisquer garantias, não representava captação de recursos de investidores, mas apenas uma operação simulada de transferência de recursos da Taipa Fomento Mercantil Ltda, e representaria inexpressiva influência em sua receita operacional, aos quais eram obtidas em quase sua totalidade com operações de redesconto e duplicata garantidas; · a fiscalizada adquiria créditos mercantis com vencimentos de curto prazo para garantir a emissão de debêntures de longo prazo, ocasionando a perda de lastro quando os títulos de crédito eram liquidados, descaracterizando a atividade de securitização; · existência de pacto de recompra nos contratos de cessão de direitos creditórios firmados pela recorrente, estabelecendo a obrigação dos cedentes pelo pagamento dos recebíveis, não havendo transferência dos riscos na securitização dos cedentes para a impugnante, o que Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.227 11 demonstraria que real atividade da fiscalizada seria de aquisição de direto creditório; · os créditos adquiridos pela fiscalizada, constituídos por duplicatas, notas promissórias e cheques prédatados, emitidos por empresas comerciais, industriais ou prestadoras de serviços, possuíam alta liquidez e baixo risco, na medida que eram facilmente convertidos em recursos creditados nas contas correntes da empresa em operações regulares e freqüentes, diferentemente das debêntures emitidas, cuja liquidez era baixa, e risco maior, desvirtuando os objetivos da real atividade de securitização. Percebese, claramente, que a autoridade autuante e a DRJ/RJ1 constroem um entendimento de que a aquisição de novos recebíveis (direitos creditórios), deveria sempre ser acompanhada da emissão de novas debêntures, ou seja, que as operações de compra de lastro e emissão do valor mobiliário deveriam estar sempre "casadas": Segundo a impugnante, ela inicialmente efetuaria aquisições de ativos empresariais com vencimentos classificados como de curto prazo, com deságio (receita operacional). Após o recebimento dos valores desses ativos com a conseqüente redução do lastro, novos ativos são adquiridos e relacionados em um novo anexo, sem a necessidade de emissão de novas debêntures. O procedimento de substituição de garantias realizado de forma freqüente, mediante aquisição de novos ativos empresariais, desacompanhada da emissão de novas debêntures, cuja compra por investidores se presta justamente a financiar a aquisição dos próprios ativos empresariais que lhe servirão de lastro, equiparase à atividade de factoring, na medida que a emissão de debêntures da forma que foi realizada não tem nenhum sentido ou motivação econômica diferente da apontada pela autoridade fiscal. Ocorre que não há qualquer fundamento jurídico a suportar o entendimento tanto da fiscalização quanto da autoridade a quo. Nada impede que o título ou valor mobiliário seja de longo prazo (in casu debêntures), enquanto os lastros sejam de curto, o que ensejaria a sua substituição por novos, sob pena de se ter o vencimento antecipado das debêntures. Portanto, a substituição do lastro é condição para que as debêntures não tenham que ser pagas antecipadamente. Neste caso, a própria Lei prevê a possibilidade de substituição dos direitos creditórios por outros, a fim de manter a garantia dos títulos mobiliários, conforme se verifica do artigo 32 da Lei 11.076/04: Art. 32. O CDCA e a LCA conferem direito de penhor sobre os direitos creditórios a eles vinculados, independentemente de convenção, não se aplicando o disposto nos arts. 1.452, caput, e 1.453 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. § 1º. A substituição dos direitos creditórios vinculados ao CDCA e a LCA, mediante acordo entre o emitente e o titular, importara na extinção do penhor sobre os direitos substituídos, constituindose automaticamente novo penhor sobre os direitos creditórios dados em substituição. Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 12 § 2º. Na hipótese de emissão de CDCA em serie, o direito de penhor a que se refere o caput deste artigo incidirá sobre fração ideal do conjunto de direitos creditórios vinculados, proporcionalmente ao credito do titular dos CDCA da mesma série. Depreendese, portanto, que a Recorrente não realiza procedimento vedado pela legislação, pelo contrário, assim como previsto nos casos dos títulos mobiliários que estiverem vinculados aos direitos creditícios empresariais de curto prazo, a Recorrente realiza a substituição na medida em que forem sendo liquidados, mantendose, porém, o vínculo e o lastro de garantia havido inicialmente nos Termos de Securitização através de termos anexos de seus contratos, com a devida identificação e correlação com o recebível. Portanto, a emissão de debêntures, diferente da conclusão apresentada na decisão combatida, não deve ocorrer sempre quando ocorrer a aquisição de um novo lastro, já que com o valor da debênture é possível lastrear mais de um título, o qual é substituído assim que liquidado. Desta forma, resta infundada, para fins de se ter como provada eventual simulação perpetrada pela interessada, a afirmação no sentido de que a maior parte dos títulos não estariam securitizados, seja em razão de uma suposta falta de emissão de debênture, seja em razão de um suposto saldo de crédito maior do que o saldo de debêntures1. Nitidamente o Julgador a quo, ao corroborar com as conclusões apresentadas no Termo de Verificação Fiscal, demonstrou total desconhecimento das operações de securitização, concluindo pela descaracterização da atividade sob uma suposta proporção maior de receita advinda de redesconto, pois não observou que não há a emissão de debêntures para todo título de crédito adquirido, uma vez que estes são substituídos conforme liquidados. Também não faz qualquer sentido (nem jurídico, nem econômico) a alegação de que, por apresentarem alta liquidez e baixo risco, as aquisições de tais lastros seriam fraudulentas e/ou simuladas. Da análise da própria legislação temos que, ainda que não haja uma legislação específica quanto aos títulos relacionados a esta atividade, no artigo 23 da Lei nº 11.076/04, a qual trata da securitização no âmbito do agronegócio, é expressa a possibilidade da securitização dos títulos originados dos negócios (recebíveis empresarias no presente caso), senão vejamos: Art. 23. Ficam instituídos os seguintes títulos de crédito: I Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio CDCA; II Letra de Crédito do Agronegócio LCA; III Certificado de Recebíveis do Agronegócio CRA. Parágrafo único. Os títulos de crédito de que trata este artigo são vinculados a direitos creditórios originários de negócios realizados entre produtores rurais, ou suas cooperativas, e terceiros, inclusive financiamentos ou empréstimos, relacionados com a produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização de produtos ou insumos agropecuários ou de máquinas e implementos utilizados na atividade agropecuária. 1 Esse item do TVF será abordado em outro momento aqui mesmo dentro do tópico "Mérito" Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.228 13 Depreendese da leitura acima que os créditos mercantis do agronegócio, os quais possuem natureza semelhante com os créditos utilizados pela Recorrente, são passíveis de lastro para a emissão de títulos mobiliários, não existindo fundamento para a descaracterização da atividade da empresa em razão dos títulos utilizados. Assim esta característica é uma das formas de distinguir a securitização da atividade de factoring, e não para descaracterizála, já que a natureza ideal de recebíveis adquiridos para lastrear a emissão de debêntures é a de maior liquidez, conforme se depreende das lições abaixo: “Ainda nos anos 80, a securitização propriamente dita ganhou força com a sua regulamentação em 1993, pelo Conselho Monetário Nacional (Resolução nº 2026) e passou a ser realizada no Brasil. Neste tipo de operação, há transparência dos créditos gerados pela empresa originadora para uma Sociedade de Propósito Específico – SPE ou SPC, Special Purpose Company, Companhia Securitizadora. Nesse passo, a SPE, como instrumento da operação, realiza a emissão publica de títulos ou valores mobiliários, aplicando o produto desta emissão na aquisição dos direitos creditórios da companhia originadora. O mesmo ocorre com os Fundos de Investimento em Direito Creditório – FIDC , objeto de análise específica no presente livro. Tais títulos terão como lastro (garantia) o fluxo de recebíveis da empresa originadora que serão cedidos à SPE, sendo que a emissão dos títulos espelham o fluxo dos recebíveis. Tipicamente, um originador faz empréstimos aos consumidores para a compra de um bem, um ativo, como um computador, um fogão, um apartamento; o empréstimo e garantido pelo ativo financiado. O originador pode, pois, "empacotar" alguns ou todos os seus recebíveis (credito junto aos consumidores) em uma operação de securitização e emitir valores mobiliários lastreados pelos empréstimos feitos aos seus consumidores. Os Valores Mobiliários são quitados pelos pagamentos regulares feitos pelos investidores/consumidores. Dai, a SPE poder ser utilizada como instrumento de segregação do risco de crédito dos recebíveis. Esta é uma das diferenças entre a securitização e outras operações a ela assemelhadas, isto é, a separação dos riscos inerentes de cada negócio, e o fato de que a cessão de credito ocorre para um fim especifico: a emissão de valores mobiliários, daí a razão de ser tratada no presente livro não somente como cessão de credito, mas como de "cessão de lastro". É bom que se diga que a cessão de crédito é a que ocorre com o contrato de factoring (faturização), pois a factor não utilizara os créditos para emissões de valores mobiliários, como ocorre com a securitização que na verdade esta adquirindo lastro. Assim. não há exposição do investidorcomprador dos títulos de divida ao risco da empresa geradora dos recebíveis. Nesse contexto, um dos escopos de securitização é possibilitar que a empresa obtenha recursos sem comprometer seu limite de crédito e sem aumentar seu índice de endividamento, não comprometendo o balanço contábil. Sua premissa básica é que a empresa originadora dos ativos tenha recebíveis, em regra, de curto prazo bastante pulverizados. de modo que um crédito nunca seja representativo, ou nunca seja uma parcela significativa do total dos recebíveis. Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 14 Ora, não há nenhum impedimento legal com relação aos títulos passíveis de securitização, cabendo a empresa através de seu objeto definir quais títulos serão buscados pela companhia securitizadora, o que reforça a impossibilidade da descaracterização da atividade em razão dos títulos que são securitizados pela Recorrente. Dessa forma, resta claro que não merece prosperar o entendimento proferido no sentido de descaracterizar os títulos creditícios adquiridos pela Recorrente, apenas em razão de tratarse de títulos mercantis com vencimento de curto prazo e alta liquidez. Ou seja, não vejo razões para se descaracterizar a operação de securitização, ainda que esta possa, muito provavelmente, ter sido estruturada e implementada com o intuito de reduzir a carga tributária, pois, as empresas de factoring estariam obrigadas a apurar o seu lucro tributável pela sistemática do lucro real, enquanto as securitizadoras, poderiam, pelo menos em tese, optar pelo lucro presumido2 Portanto, a fiscalização, diante de um planejamento tributário, a priori, lícito, vêse diante da necessidade de coibir tal pratica e, para tanto, distorce e cria seus próprios conceitos caracterizadores da operação de securitização. Ocorre que toda essa engenharia engendrada pela fiscalização para desconstituir a atividade de securitização, e, com isso, impossibilitar a opção pelo lucro presumido, não se fazia necessária, pois bastava que a Fiscalização entendesse que todas as atividades de securitização estavam obrigadas à apuração pelo lucro real e não somente as sociedades securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. Ou melhor dizendo, que as securitizadoras de créditos financeiros, abarcavam as operações de créditos mercantis, pois não há razão jurídica relevante para entendimento diverso. Veja que a própria Receita Federal, mais recentemente, passa adotar este entendimento através da edição do Parecer Normativo COSIT Nº 5, de 10 de abril de 2014 (ou seja, que todas as atividades de securitização de recebíveis está sujeita à apuração do lucro pelo método conhecido como "lucro real"): Cuidase de analisar, em relação às pessoas jurídicas que exploram a atividade econômica de securitização de ativos empresariais, a configuração de sua receita bruta e o regime de tributação do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) ao qual devem se submeter. 2. Dúvidas e divergências acerca do tema têm sido suscitadas e a falta de uniformidade na interpretação da matéria em referência tem gerado insegurança jurídica, tanto para os sujeitos passivos como para a Administração Tributária, impondose a edição de ato uniformizador acerca da matéria. Fundamentos 3. O art. 14 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estabeleceu a obrigatoriedade do regime do lucro real para determinadas atividades econômicas, nos seguintes termos: Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: [...] VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, 2 Nunca me filiei à corrente que defende que as securitizadoras poderiam optar pelo lucro presumido, pois sempre entendi que estas estavam obrigadas à apuração pelo lucro real. Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.229 15 administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). [...] VII que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) 4. A Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, ao incluir, no dispositivo supracitado, o inciso VII especificando segmentos de negócio, deu margem ao entendimento de que a norma não alcançaria a securitização de créditos comerciais por falta de menção expressa. 5. Partindo dessa interpretação, algumas entidades de fomento mercantil (factorings) iniciaram um processo de reestruturação de suas atividades para operar nos moldes das companhias securitizadoras constituídas na forma da Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, que regulamentou a securitização de ativos imobiliários, optando em seguida pelo regime de tributação do lucro presumido, passando a aplicar as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas no regime de apuração cumulativa. 6. A origem etimológica da palavra crédito vem do latim creditum, que significa “coisa confiada”, portanto, está associada a qualquer relação ou transação assentada na confiança. Nesse sentido, o crédito resulta de uma relação jurídica e econômica inconclusa, e assim, com risco de insolvência ou de ser resolvida em condições menos favoráveis ao credor do que aquelas pactuadas inicialmente. 7. O título de crédito é o documento representativo dessa relação e tem caráter literal e autônomo, ao teor do art. 887 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil (CC), isto é, o crédito é constituído nos termos contidos no título (literalidade) e não se vincula ao negócio que lhe deu origem (autonomia). Pode assim ser transferido e circular na economia por meio de endosso ou cessão, onerosa ou gratuita, conforme as regras gerais previstas nos arts. 286 a 298 do CC. 8. Não obstante, a cessão onerosa é objeto de um mercado com suas próprias características, regras de funcionamento, e oportunidades econômicas, e de todo regido pelo risco de crédito decorrente da possibilidade de perdas associadas a: a) não cumprimento, pelo devedor, de suas respectivas obrigações financeiras nos termos pactuados (insolvência); b) desvalorização do título decorrente da deterioração na classificação de risco do devedor; c) redução de ganho ou remuneração estimada; d) redução de vantagens concedidas na renegociação; e) custos de recuperação elevados. 9. Além disso, o crédito pode contar com garantias oferecidas pelo devedor que, salvo disposição em contrário, acompanham o título, conforme previsto nos arts. 287 e 893 do Código Civil (CC), e visam mitigar o risco. 10. Embora o crédito e o risco sejam componentes indissociáveis do título, sob ponto de vista da titularidade de direitos são elementos distintos, uma vez que o cessionário de um título pode ou não arcar com o risco a ele inerente. As diversas Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 16 combinações de transferências do crédito e do respectivo risco compõem os elementos caracterizadores das operações típicas desse mercado. Temse portanto, como características essenciais do título de crédito, a literalidade e autonomia, e como elementos constitutivos de valor econômico, o crédito em si e o respectivo risco, que formam a base das operações. 11. As regras gerais, previstas principalmente nos arts. 287 e 295 do Código Civil (CC), estabelecem que a cessão do crédito abrange as garantias e o risco, ressalvadas disposições em contrário, isto é, qualquer efeito diverso da regra geral deve ser produzido por cláusula específica. Nesse sentido, é possível conceber diversas modalidades de operações a partir de diferentes combinações de cessão de crédito, risco e garantias. O mercado de crédito mercantil opera principalmente duas modalidades de negócio, que se distinguem exatamente pelo tratamento dado ao risco: o desconto financeiro e o desconto mercantil. 12. O desconto financeiro, efetuado em uma instituição financeira, caracterizase pela cessão onerosa de títulos de crédito mediante a transferência apenas do crédito, permanecendo o cedente com a responsabilidade pela insolvência do título, seja por meio de aval ou qualquer outra cláusula de responsabilidade pessoal, necessariamente estipulado no contrato no qual se ampara a cessão. Isso porque o contrato típico dessa modalidade de transação configurase como um mútuo de valor e vencimento coincidentes com o título, o que traduz uma operação exclusiva das instituições financeiras, sendo remunerada pelos juros incorridos entre o momento da cessão e o da liquidação do título. Os fatores de risco da operação concentramse muito mais no mútuo do que no título. 13. Já no desconto mercantil, denominado por faturização ou factoring quando operado por empresas dedicadas a essa atividade, todos os elementos do título são transferidos ao cessionário, e não admite qualquer cláusula que leve à responsabilidade do cedente pelo risco de crédito. 14. A jurisprudência tem enfatizado a neutralidade do cedente em relação ao risco de crédito de título faturizado, nos seguintes termos: AGRAVO REGIMENTAL AÇÃO DECLARATÓRIA NULIDADE DE NOTAS PROMISSÓRIAS EMPRESA DE FACTORING REALIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS E DE DESCONTO DE TÍTULOS COM GARANTIA DE DIREITO DE REGRESSO IMPOSSIBILIDADE PRÁTICA PRIVATIVA DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INTEGRANTES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL PRECEDENTES DESTA CORTE INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83 DA SÚMULA/STJ ADEMAIS, ENTENDIMENTO OBTIDO DA ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO REEXAME DE PROVAS ÓBICE DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA/STJ MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA AGRAVO IMPROVIDO. (STJ AgRg no Ag 1071538/SP, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 18/02/2009) X AGRAVO REGIMENTAL AÇÃO DECLARATÓRIA NULIDADE DE NOTAS PROMISSÓRIAS EMPRESA DE FACTORING REALIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS E DE DESCONTO DE TÍTULOS COM GARANTIA DE DIREITO DE REGRESSO IMPOSSIBILIDADE PRÁTICA PRIVATIVA DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INTEGRANTES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL PRECEDENTES DESTA CORTE INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83 DA SÚMULA/STJ ADEMAIS, ENTENDIMENTO OBTIDO DA ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO REEXAME Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.230 17 DE PROVAS ÓBICE DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA/STJ MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA AGRAVO IMPROVIDO. (Resp 773.202/RS, relator Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, DJ de 13.3.2007) X COMERCIAL “FACTORING” ATIVIDADE NÃO ABRANGIDA PELO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL INAPLICABILIDADE DOS JUROS PERMITIDOS AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. I O “FACTORING” DISTANCIASE DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA JUSTAMENTE PORQUE SEUS NEGÓCIOS NÃO SE ABRIGAM NO DIREITO DE REGRESSO E NEM NA GARANTIA REPRESENTADA PELO AVAL OU ENDOSSO. DAÍ QUE NESSE TIPO DE CONTRATO NÃO SE APLICAM OS JUROS PERMITIDOS AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. E QUE AS EMPRESAS QUE OPERAM COM O “FACTORING” NÃO SE INCLUEM NO AMBITO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL. II O EMPRÉSTIMO E O DESCONTO DE TÍTULOS, A TEOR DE ART. 17, DA LEI 4.595/64, SÃO OPERAÇÕES TÍPICAS, PRIVATIVAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DEPENDENDO SUA PRATICA DE AUTORIZAÇÃO GOVERNAMENTAL. III RECURSO NÃO CONHECIDO. (REsp nº 119.705/RS, 3ª Turma, relator Ministro Waldemar Zveiter, DJ de 29/6/98) 15. As decisões distinguem a faturização do desconto financeiro dissociando o crédito do respectivo risco, ao afirmar que é o risco que a faturizadora adquire efetivamente. Na lógica adotada pela jurisprudência, a situação do crédito e a do risco definem a natureza das operações com títulos de crédito, concluindo que o desconto financeiro pretende o crédito, mas não o risco. Já na faturização a cessão visa o risco, e não o crédito. Nessa perspectiva, o crédito e o risco, como elementos distintos, podem ter valores econômicos diferentes na cessão de títulos, sendo o crédito definido pelo valor a ser pago pelo devedor, e o risco, com preço avaliado e negociado entre cedente e cessionário. 16. Por sua vez, a securitização de títulos de crédito trata de converter o risco de crédito de uma determinada carteira em valor mobiliário, de forma a diluir o risco no mercado de capitais, e constitui um instrumento financeiro próprio desse mercado. Como tal, pressupõe supervisão dos órgãos reguladores: Banco Central do Brasil (BACEN) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM)). 17. No Brasil, a securitização de ativos surgiu em empresas não financeiras, evoluindo para as instituições financeiras com a edição de normas, tais como a Lei nº 9.514, de 1997, e Resolução CMN/BACEN nº 2.686, de 26 de janeiro de 2000, para créditos imobiliários, Lei nº 11.076, de 30 de dezembro de 2004, para créditos agrícolas, e Resolução CMN/BACEN nº 2.836, de 30 de maio de 2001, para créditos financeiros. Além de disciplinar as operações, criaram instrumentos específicos de emissão exclusiva da securitizadora regulamentada, tais como o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). Pela falta de regulamentação própria, a securitização de recebíveis comerciais adotou o uso de instrumento de captação já instituído no mercado de capitais: a debênture. Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 18 18. Dessa forma, o investidor recebe o retorno do investimento por meio de pagamentos a título de amortizações e encargos na medida em que os títulos de lastro são liquidados e/ou remunerados, compondo assim fluxos financeiros combinados, administrados pela securitizadora. Os títulos inadimplidos e considerados incobráveis são abatidos do lastro, reduzindo assim os fluxos financeiros, o que, observados os termos pactuados, resulta, a princípio, em perda tanto para o investidor quanto para a securitizadora, por diferentes motivos, melhor compreendidos mais adiante. Não obstante, a securitização oferece diversas oportunidades econômicas para o investidor, pelas possibilidades de ganhos com o risco adquirido e não materializado, e para os cedentes, pela antecipação de recebíveis e redução da pressão do risco de crédito sobre seus ativos. 19. Temse portanto que, em se tratando de direitos creditórios comerciais, tanto a securitização quanto a faturização operam a compra de direitos creditórios originados em vendas a prazo de bens e serviços, configurando modalidades distintas de fomento mercantil, que só se distinguem pela destinação dos títulos adquiridos, ou seja, a securitização se caracteriza pela formação de lastro para os títulos mobiliários emitidos, e a faturização se ocupa da formação de carteira própria. Contudo, em ambos os casos a aquisição de recebíveis comerciais é regida pelas mesmas regras, dispostas nos arts. 287 e 295 do Código Civil (CC). 20. Dessa forma, não há qualquer justificativa para conferir tratamentos tributários distintos a empresas que exerçam atividade de securitização de créditos comerciais ainda que não haja regulamentação específica estabelecida em lei comercial. 21. Por essa razão, e por se tratar de empresas dedicadas à compra de direitos creditórios originários de vendas a prazo de bens e serviços, tal como disposto no art. 14, inciso VI, da Lei nº 9.718, de 1998, as securitizadoras de direitos creditórios comerciais sujeitamse a tributação obrigatória pelo regime do lucro real, assim como as faturizadoras, cabendolhes portanto, o mesmo tratamento tributário. 22. Ademais, a exposição de motivos (EM Interministerial nº 00180/2009 MF/MDIC) da MPV nº 472, de 15 de dezembro de 2009, convertida na Lei nº 12.249, de 2010, que introduziu o inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998, já reconhecia a similaridade das atividades desenvolvidas pelas securitizadoras de ativos empresariais e pelas faturizadoras, ao afirmar que “27. As atividades das securitizadoras de recebíveis se assemelham em muito às atividades de factoring, as quais se encontram obrigadas à adoção da apuração pelo lucro real, conforme disposto no inciso VI do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998.”, o que implica concluir que as securitizadoras de ativos empresariais não foram incluídas no inciso VII porque já estavam abrangidas pelo inciso VI. [...] Conclusão Diante do exposto, concluise que: a) as pessoas jurídicas que exploram a atividade de securitização de ativos empresariais estão obrigadas ao regime de tributação do lucro real, por força do disposto no art. 14, VI, da Lei nº 9.718, de 1998, e das demais, por disposição expressa do inciso VII; b) a receita bruta das pessoas jurídicas que exploram a atividade de securitização de ativos empresariais, para fins de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é o deságio, assim entendido a diferença entre o valor de face dos títulos de crédito adquiridos e o custo de aquisição. Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10920.721367/201365 Acórdão n.º 1301002.095 S1C3T1 Fl. 3.231 19 Percebese pela leitura do Parecer Normativo acima transcrito, que a própria Receita Federal reconhece que houve um movimento neste mercado, a fim de se reestruturar as atividades de algumas entidades de fomento mercantil específico para que estas passassem a operar nos moldes das companhias securitizadoras e, desta forma, se beneficiassem da interpretação adotada por alguns de que as securitizadoras de ativos empresariais não estavam obrigadas à apuração do lucro via lucro real. Não quero aqui defender nenhum planejamento tributário, mas sim deixar claro que as atividades de factoring não se confundem com as atividades das securitizadoras. Essa atividade de securitização de crédito, que exercida na sua essência, vem crescendo muito, tanto na emissão do CRI, do CRA e das Debêntures lastreadas em fluxo de caixa de carteiras de direitos de créditos. Essa atividade (securitização) tem muito a contribuir com a oferta de crédito as empresas emergentes e, também, ao poder público, como no caso do estado de São Paulo que idealizou a CPSEC Companhia Paulista de Securitização S.A., promovendo a captação de R$ 1,9 bilhão de reais em duas emissões de debêntures, uma série subordinada integralizada pelo próprio estado, na ordem de R$ 1,3 bilhão e outra série de debêntures sêniores de R$ 600 milhões. Esclareço também que, na minha visão, as securitizadoras de créditos de qualquer natureza, inclusive as de créditos mercantis, estão obrigadas à opção pelo lucro real, portanto, a estruturação das atividades dos participantes nesse mercado (factoring ou securitização) deve ser pautada pela elemento da transferência do risco de crédito3, e não por eventual economia tributária. Portanto, ainda que se reconheça o brilhante trabalho realizado pela Fiscalização, não vejo como sustentar a fundamentação adotada, pois a mesma carece de fundamentos jurídicos. Não há elementos que embasem a alegada simulação, pois todos os atos jurídicos típicos da securitização foram devidamente juntados aos autos e não deixam dúvidas de que se estava diante de uma atividade típica de securitização. Os argumentos de alta liquidez, baixo risco e de substituição de lastro, infelizmente, não encontram qualquer respaldo legal, não podendo ser acatados. Assim, tivesse o fundamento do TVF sido aquele adotado no Parecer Normativo 5/2014, (de que todas as securitizadoras estariam obrigadas a adotar o método do lucro real) restariam mantidos os direitos creditórios lançados de ofício. Ocorre que o lançamento se baseou numa suposta simulação perpetrada pelo contribuinte, simulação esta que, modestamente, não entendo caracterizada. Desta forma, como não posso alterar o fundamento adotado no TVF, vejo na iminência de dar provimento ao recurso voluntário, em que pese tenha sempre adotado o entendimento (mesmo antes da publicação do PN 5/2014), de que as securitizadoras estavam obrigadas a adotar o regime de apuração conhecido como lucro real. Por fim, corroborando o entendimento de que a interessada deveria optar pelo lucro real, há o argumento levantado pela própria fiscalização no sentido da existência de um suposto saldo de crédito (lastro) maior do que o saldo de debêntures. 3 Haja vista que no factoring o risco é totalmente assumido pela adquirente dos direitos creditórios, enquanto que na securitização não há essa transferência. Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 20 Nos dizeres do próprio agente autuante fica consignado que havia aquisições de títulos de crédito, sem que estes fossem usados como lastro para as debêntures. Ora, entendo que se havia prova cabal de que a interessada exercia a atividade de factoring, uma vez que esta adquiria títulos de crédito mercantis com total assunção dos riscos de crédito dos mesmos e sem que estes fossem utilizados como lastro para "securitização", tal fato por si só já seria motivo suficiente para que a fiscalização fundamentasse o lançamento no sentido de que, exercendo a interessada atividades de factoring, estaria a mesma obrigada à apuração do seu lucro fiscal através do lucro real. Não vejo razão para que se crie toda um arcabouço de fundamentos em cima de uma suposta simulação por parte do contribuinte. Se este exercia ambas as atividades, como deixa claro a própria fiscalização, já existira, pelo menos a meu ver, os requisitos legais para adoção do regime do lucro real, uma vez que a atividade de factoring está claramente obrigada á tal apuração. Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 0/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA
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