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Numero do processo: 10530.720029/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
RAZÕES DE RECURSO. MATÉRIAS ESTRANHAS À AUTUAÇÃO.
Não se toma conhecimento de alegações acerca de matérias estranhas à autuação.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o Dr. Carlos Leonardo Brandão Maia, OAB/BA 31353 .
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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MATÉRIAS ESTRANHAS À AUTUAÇÃO. Não se toma conhecimento de alegações acerca de matérias estranhas à autuação. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o Dr. Carlos Leonardo Brandão Maia, OAB/BA 31353 . (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 29 /2 00 8- 32 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, foi lavrada Notificação de Lançamento nº 05102/00008/2008, de fls. 01/03, emitida em 18/02/2008 intimando a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2005, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Caraíba”, cadastrado na RFB sob o nº 2.757.8208, com área declarada de 20.354,9 ha, localizado no Município de Jaguarari – BA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 242.687,82 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 28/02/2008 (R$ 76.616,54) e da multa proporcional (R$ 182.015,86), perfaz o montante de R$ 501.320,22. O Termo de Intimação Fiscal de fls. 06, foi recepcionado em 18/10/2007 (fls. 07), intimando a Contribuinte a apresentar, para comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2005, Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado o laudo de avaliação então exigido, a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, em que foi rejeitado o VTN declarado, de R$ 344.932,00 ou R$ 16,94/ha, e arbitrado o valor de R$ 1.558.371,14 ou R$ 76,56/ha, correspondente ao referido VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2005, para o citado município, com consequente aumento do VTN tributável, disto resultando imposto suplementar de R$ 242.687,82, conforme demonstrado às fls. 02/verso. Resumo da autuação: Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 19. Valor Total do Imóvel 3.262.801,12 4.476,240,26 20. Valor das benfeitorias 2.917.869,12 2.917.869,12 21. Valor das Culturas, Pastagens Cultivadas e Melhoradas e Florestas Plantadas 0,00 0,00 22. Valor da Terra Nua (19 20 21) 344.932,00 1.553.371,14 Cientificada do lançamento, em 07/04/2008 (fls. 119), a sociedade empresária interessada, por meio de advogado e procurador legalmente constituído (às fls. 33, 34/72 e 125), protocolou sua impugnação, em 06/05/2008, anexada às fls. 10/31, instruída com os documentos de fls. 74/79, 80/83, 84, 86/94, 96/106, 108, 109, 110, 111/114 e 116/117. Em síntese, alega o seguinte: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720029/200832 Acórdão n.º 2301004.785 S2C3T1 Fl. 249 3 que é notório o excesso de erros de direito e de fato, conforme fundamentado nos itens que se seguem, violando o princípio da segurança jurídica e da ampla defesa, maculando de nulidade o lançamento, como tem sido decretado pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, e pelo Judiciário; que o Judiciário tem se pautado pela nulidade quando o auto de infração não oferece segurança desde o nascedouro. O ato administrativo de lançamento deve ser formal, solene, estritamente vinculado à Lei e privativo da autoridade fiscal (art. 142 do CTN); que a exorbitância de falhas cometidas pela fiscalização, apresentadas abaixo, nunca dará a plena certeza de que a contribuinte está exercendo seu direito de defesa de forma ampla como determinou o Constituinte (LV, art. 5º da Constituição da República); que deve a Notificação ser anulada para que novo lançamento possa melhor expressar os elementos factuais do lançamento e com uma correta base jurídica, dentro das formalidades da Lei estritamente atribuídas privativamente aos agentes fiscais; que os equívocos perpetrados pelo Fisco violam os princípios da legalidade e da verdade material, alicerces de todo o Sistema Tributário, além da segurança jurídica e da ampla defesa no que se refere ao excesso de falhas, nos termos apresentados na preliminar de nulidade; que o crédito tributário decorrente de arbitramento de valor ou preço, goza de presunção de liquidez e certeza, mas por se tratar de presunção juris tantum, podem ser contraditados por avaliação administrativa ou judicial, como prescreve o art. 148 do CTN, in fine; que o valor arbitrado pode ser revisto com base em Laudo de Avaliação, ainda que tardiamente apresentado. O descumprimento da sobredita intimação não obsta a impugnação dos critérios e do valor atribuído pela Fazenda; que o VTN arbitrado, com base no SIPT, está equivocado, conforme faz prova os documentos acostados à sua impugnação, especialmente o Laudo de Avaliação da EBDA, firmado por dois Engenheiros devidamente habilitados, em consonância, inclusive, entendimento favorável do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF; que tratase de terras totalmente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, localizadas na região mais árida do Brasil e numa das mais miseráveis, pertencentes ao Polígono das Secas; que é juridicamente absurda, irrazoável e ininteligível a interpretação adotada pela Fazenda Nacional de que a presença dos dois requisitos constantes da alínea “c”, do inciso II, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96 (imprestabilidade e interesse ecológico), deva ser cumulativa para se admitir a exclusão das terras imprestáveis da área tributável do imóvel, base de cálculo do ITR; que o Conselho de Contribuinte, atual CARF, já exarou diversos Acórdãos que consagraram a imprestabilidade total das terras da Fazenda Caraíba e da Fazenda Pila que são terras contíguas utilizadas na exploração da mina de cobre. A prefeitura de Jaguarari também atesta que a exploração do minério de cobre vem ocupando a terra há décadas, o que impede sua exploração com outras atividades; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 que a interpretação do disposto na citada alínea “c” deve ser sempre coadjuvada ou complementada pelo aspecto teleológico da norma. Se a função social da propriedade é o princípio constitucional estruturante do ITR, não há razões para tributar terras imprestáveis com a alíquota máxima de 20%, só porque elas não atendem ao requisito do interesse ecológico; que a tributação nos termos efetuados fere o princípio constitucional de vedação de tributo com efeito de confisco (inciso IV, do art. 150 da CF), além do que a progressividade do ITR só é concebida constitucionalmente para desestimular a improdutividade (par. 4º, do art. 153, da CF), sendo defeso cobrar o tributo sobre terra imprestável, onde inexoravelmente é impossível tornala aproveitável nas condições atuais, como demonstra o laudo da EBDA e demais provas trazidas aos autos; que o laudo de avaliação apurou um VTN de R$ 344.932,00 ou R$ 16,94/ha, a preços de março de 2004, a RFB, arbitrou o valor de R$ 1.558.371,14, utilizando o VTN/ha apontado no SIPT (Portaria SRF nº 447/2002), de R$ 76,56 (366% superior); que servem para comprovar essas características desfavoráveis, não só o laudo de avaliação da EBDA, com informações precisas e detalhadas, mas também as fotos da citada fazenda e demais documentos acostados; que as vendas, à míngua, registradas no único Cartório existente na cidade, dão conta de que os preços são substancialmente inferiores aos adotados pela Fazenda Nacional e estão compatíveis com os constantes do laudo de avaliação da EBDA, destacando e transcrevendo parte das informações dos técnicos da EBDA, no item 4, do referido laudo; que a prevalecer o preço arbitrado pela RFB, restará caracterizada a cobrança do ITR com nítido caráter de confisco, defesa pela Magna Carta; que além de nitidamente irreal, o SIPT é impreciso, pois não conta com uma atualização sistemática e criteriosa que possa atribuirlhe maior convicção, seja por ausência de avaliadores in loco, seja pelas raras negociações de terras na região; que com base no laudo apresentado, elaborado em março de 2004, por técnicos da EBDA, está segura que o preço correto é de R$ 16,94/ha, perfazendo o montante de R$ 344.932, para a área total de 20.362,0 ha; sendo que, o valor contábil da terra nua está contabilizado há vários anos por aproximadamente R$ 9.000,00. Esse diminuto valor bem retrata os baixos preços por que foram adquiridas; que o próprio Conselho de Contribuinte já consagrou a imprestabilidade das terras contíguas correspondentes à Fazenda Caraíba (Mina) e da Fazenda Pilar (Vila Pilar de trabalhadores e suas famílias), conforme destacado nas ementas dos Acórdãos 30331.811 e Acórdão 30333.596; que por não existir área aproveitável, passível de exploração, torna impróprio e injusto, e porque não dizer jurídica e matematicamente inexistente, o percentual de aproveitamento do solo atribuído pela RFB, de até 30% de Grau de Utilização – Tabela anexa à Lei 9.393/96; que a distribuição das áreas do imóvel, devidamente classificadas, com suas respectivas dimensões, conforme item 3.2 do laudo, comprovando a utilização da terra com as atividades de mineração do cobre; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720029/200832 Acórdão n.º 2301004.785 S2C3T1 Fl. 250 5 que caso prevaleça a alíquota de cálculo de 20% sobre o VTN para cálculo do ITR, em cinco anos terseia recolhido um ITR equivalente ao preço total da Fazenda, se adotado o preço da terra nua da impugnante, numa condição em que toda a área está disponibilizada para a plena atividade de exploração mineral; que se consideradas todas as áreas de pesquisa autorizadas pelo DNPM, destinadas à extração do minério de cobre, não haveria como desenvolver quaisquer outras formas de exploração do solo, de vegetação ou pastoril; que o critério de tributar terras utilizadas com a produção mineral, como no caso da Mineração Caraíba, contraria a determinação da CF art. 153, § 4º, cujo comando autoriza onerar apenas terras improdutivas. Há que se aplicar o mandamento literalmente expresso no § 1º do art. 11, da Lei 9.393/96, isto é, grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel, cuja alíquota cai para 0,45%; que a função social da propriedade rural, citando trecho extraído da obra de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Direito Administrativo, 21ª ed., Atlas, SP, 2008, pag. 118; o ITR, previsto no art. 153, VI, da Constituição da República, é nitidamente um instrumento de política fundiária, com função extrafiscal,. Depois de discorrer sobre o assunto, citando, inclusive, Ricardo Cunha Chimenti, in Direito Tributário, Saraíva, 9ª ed. 2006, pág. 214, diz que não seria justo tributar de forma agravada, as propriedades que se dedicam a outras atividades, distintas das atividades agrícolas, pastoris e extração vegetal, como a lavra de minas em geral; que a lavra de minas de cobre nunca poderia descaracterizar a plena produtividade das terras. Caso contrário poderseia aduzir à absurda possibilidade de desapropriação de terras que se encontrassem em fase de plena exploração das jazidas minerais; que o art. 10 da Lei 8.629/93, que trata da reforma agrária, e ao art. 50 do Estatuto da Terra, com a redução dada pelo art. 1º da Lei 6.746/79, alínea “c” § 4º, diz que não se pode exigir produtividade das áreas inaproveitáveis, seja ela imprestável para qualquer tipo de exploração agrícola, pecuária, florestal ou extrativa vegetal, ou mesmo sob efetiva exploração mineral; que não há condicionamento de que a imprestabilidade deva estar cumulada com o interesse ecológico, para que a área de terra seja retirada do campo de abrangência da reforma agrária. Isto porque a simples natureza da imprestabilidade justifica completamente sua improdutividade no momento; que a interpretação dada ao disposto na alínea “c”, do inciso II, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96 (binômio imprestabilidade e interesse ecológico), como condições cumulativas. É de clareza solar que qualquer uma das situações vistas individualmente seria suficiente para impossibilitar, em absoluto, a utilização produtiva da terra e dispensála do ITR, por total inaptidão para utilização; que a tributação do imóvel com base na alíquota máxima de 20% possui efeito confiscatório, acarretando, inclusive, a perda da propriedade em poucos anos; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 que é irrazoável exigir produtividade de uma terra imprestável quando ausente o interesse ecológico, bem como é desproporcional aplicarlhe a alíquota mais gravosa de 20%, se não é viável e possível sua exploração nas atividades essencialmente rurais e, principalmente, se a atividade de exploração mineral não suporta qualquer outra; que se as terras não podem ser exploradas por imprestabilidade, não há como lhes exigir função social produtiva outra que não a exploração mineral, que é sua única vocação no momento, transcrevendo parte dos esclarecimentos constantes do item 3.3 do laudo elaborado pelos técnicos da EBDA; que o texto da Lei 9.393/96, que trata do assunto (áreas imprestáveis/interesse ecológico), diz que a falta da conjunção aditiva “e” ou da conjunção alternativa “ou”, não impede que se perquira o sentido e o alcance da norma, através de uma visão sistemática da legislação do ITR, observado o seu aspecto teleológico e principalmente o princípio social da propriedade, acrescentando: Se o legislador quisesse tributar quando não houvesse o interesse ecológico teria usado a conjunção “e”, ou expressões simples como “desde que declaradas”; que a Lei 8.847/94, que vigeu até o advento da Lei 9.393/96, não tratava de forma cumulativa as exigências de interesse ecológico e a imprestabilidade das terras, posto que as duas condições são completamente dissociadas; que as qualidades “interesse ecológico e imprestabilidade” não têm nexo entre si para determinar se o imóvel está ou não cumprindo a função social estabelecida no art. 5º, XXIII, da Constituição da República. Nem a cumulação das duas condições deve influenciar a incidência do ITR ou sua progressividade determinada pelo legislador constitucional, com o fito de desestimular as propriedades improdutivas (art. 153, § 4º da Constituição da República); que a tributação nestes termos fere o princípio constitucional de vedação de tributo com o efeito de confisco (inciso IV, do art. 150 da CF); insiste que a manutenção da alíquota de cálculo de 20% sobre o VTNt para cálculo do ITR, em cinco anos terseia recolhido um ITR equivalente ao preço total da Fazenda; e, se considerado o VTN arbitrado, supervalorizado pela RFB em 366%, a perda total do investimento ocorreria com uma única Notificação de Lançamento, isto é, pelo recolhimento de apenas um ano de ITR, caracterizando o efeito de confisco da conduta fiscal; que a função social do imóvel ao qual é atribuído interesse ecológico é ditada justamente pela sua preservação e conservação no estado natural em que se encontra a terra e seus acessórios, o que impede o exercício de qualquer atividade exploratória referida na alínea “c”, do inciso II, do § 1º, do art. 10 da Lei 9.393/96; que aplicase, in casu, a exegese do método sistemático, além do que a visão gramatical do texto da alínea “c” deve ser sempre coadjuvada ou complementada pelo aspecto teleológico da norma. Se a função social da propriedade é o princípio constitucional estruturante do ITR, não há razões jurídicas ou econômicas que possam justificar uma tributação de 20% sobre o valor da terra imprestável, só porque não atende ao interesse ecológico; que a tributação nestes termos fere o princípio constitucional de vedação de tributo com o efeito de confisco (inciso IV, do art. 150 da CF); Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720029/200832 Acórdão n.º 2301004.785 S2C3T1 Fl. 251 7 que a manutenção da alíquota de cálculo de 20% sobre o VTN para cálculo do ITR, em cinco anos terseia recolhido um ITR equivalente ao preço total da Fazenda; e, se considerado o VTN arbitrado, supervalorizado pela RFB em 366%, a perda total do investimento ocorreria com uma única Notificação de Lançamento, isto é, pelo recolhimento de apenas um ano de ITR, caracterizando o efeito de confisco da conduta fiscal; que o ITR é um imposto real, ao contrário dos impostos pessoais, não é dosado pela capacidade contributiva pessoal, pouco importando, no caso, se a atividade de exploração de cobre dote a empresa de condições econômicas que viabilizem o recolhimento do tributo. O importante é que as terras são improdutivas para as atividades elencadas na Lei 9.393/96, e que, na moldura desta acepção, é inviável e impossível reverter essa situação natural do imóvel, o que classifica a ilegalidade da cobrança impugnada. E por fim, requer: 1. a nulidade do lançamento, por erro de direito caracterizado pelo excesso de equívocos de aplicação dos critérios jurídicos de apuração do imposto, e na apuração dos fatos, especialmente a falha quanto a fixação do Grau de Utilização previsto no item VI, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96, a errônea interpretação da alínea “c”, do inciso II, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96, ao exigir a cumulatividade dos dois requisitos (imprestabilidade e interesse ecológico), não sendo excluída, para efeito de apuração da área tributada do imóvel, as áreas que efetivamente se destinam à exploração mineral (cobre), além de o erro implicar na aplicação da alíquota de 20%, ao invés de, na hipótese, 0,45%, determinada expressamente pelo par. 1º do art. 11 da Lei 9.393/96; 2. caso seja rejeitada a preliminar de nulidade, que se dê provimento à impugnação pela improcedência do lançamento, devido ao direito da impugnante ao enquadramento da área total do imóvel no conceito da alínea “c”, do inciso II, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96, por ser imprestável para a exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, e 3. não acatado o pedido antecedente, que seja dado provimento parcial à impugnação, por considerar inexistente o Grau de Utilização, previsto no item VI, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96, por imprestabilidade das terras da Fazenda Caraíba, inaproveitável de exploração (item IV, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96), aplicandose a alíquota de cálculo de 0,45% (par. 1º, do art. 11, da Lei 9.393/96), sobre o VTN apurado por meio do laudo técnico de avaliação da EBDA, apenas sobre as áreas não utilizadas diretamente para a exploração mineral do cobre (4.200,0ha + 6.962,0ha = 11.162,0 ha). A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO PROCEDIMENTO FISCAL E DA APURAÇÃO DO IMPOSTO O procedimento fiscal foi instaurado e realizado em conformidade com as normas vigentes, além de não ter sido Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 constatada qualquer irregularidade na apuração do imposto suplementar lançado pela fiscalização, que pudesse implicar na nulidade da correspondente Notificação de Lançamento. DECLARAÇÃO RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. ÁREA DESTINADA À MINERAÇÃO Por ausência de disposição legal, as áreas destinadas à mineração não podem ser excluídas de tributação, a não ser que seja comprovado nos autos a existência de ato específico do órgão ambiental federal ou estadual reconhecendo tais áreas como de interesse ambiental, além de comprovada a exigência relativa ao ADA. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, correspondente ao VTN/ha médio, constante do SIPT, para o município de localização do imóvel, exigese a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir Grau II de fundamentação e precisão, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2005), observadas as suas características particulares. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão 0352.007 1ª Turma da DRJ/BSB em 14/06/2013 (fl. 157). Sobreveio recurso voluntário em 17/07/2013 (fls. 158/189). Em suas razões alega: que a terra é imprestável para exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, segundo laudo expedido pela EBDA, reforçando as razões da impugnação; o VTN por ha adotado pelo SIPT está equivocado, pelo fato de contemplar terras localizadas no entorno do Município de Jaguarari, com melhor qualidade e de maior Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720029/200832 Acórdão n.º 2301004.785 S2C3T1 Fl. 252 9 valor, anexando aos autos, documentos dos registros do Cartório de Imóveis, para sanar quaisquer dúvidas sobre os preços praticados na região; enfatiza que “as constatações dos peritos, a título de contribuição, eis que o Laudo é suficiente como prova” demonstrando o valor do Laudo técnico questionado pela DRJ; demonstra que no item 6 do Laudo técnico apresentado, os peritos realizam analogia da evolução/involução dos preços do VTN de 1993 até 2005, chegando no valor de R$ 16,94/ha, o que completa R$ 344.932,00, como valor da área total da Fazenda, indicando que houve uma queda nos preços; Por fim, protocolou petição em 22/10/2013 (fl. 216) que, em suma, requer: “Ex positis, pleiteia a V.Sa. que seja fornecido todos os valores individuais que formaram a média do preço de mercado de R$ 78,97/ha, bem assim, a localização geográfica e tamanho de cada propriedade registrado no SIPT, no exercício de 2005, oportunizando à autuada, contraditalo, com dados concretos, produzindo provas da impertinência dos referidos valores.” (fls. 218/219). É o relatório. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Primeiramente, a fim de esclarecer e delimitar a controvérsia, frisase que a autuação se deu por entender a autoridade fiscalizadora que o Valor da Terra Nua VTN, atribuído para o exercício em questão, estava subavaliado. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Lei n° 9.393/96, artigos 8 0 ,§1 0 e 2°, 10, 11 e 14. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Portaria SRF no 447/2002. Quanto as demais matérias alegadas pelo contribuinte em sede recursal, deixo de enfrentálas por serem objeto estranho à autuação. No que se refere tão somente à autuação, a autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação do VTN, rejeitando o valor declarado de R$ 344.932,00 ou R$ 16,94/ha, arbitrando o valor de R$ 1.558.371,14 ou R$ 76,56/ha, correspondente ao referido VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2005, para o citado município, com consequente aumento do VTN tributável. A Turma Julgadora de Primeira Instância, entendeu que o laudo técnico apresentado não preenchia os requisitos da NBR 14.6533 da ABNT, mantendo a tributação do imóvel com base no VTN apontado na SIPT. Com efeito, o parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A auto avaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720029/200832 Acórdão n.º 2301004.785 S2C3T1 Fl. 253 11 V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. Ainda que conste à fl. 14 (Tela SIPT CONSULTA) não há como saber se foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN, de modo que não pode ser utilizada a SIPT para proceder o arbitramento do valor da terra nua. No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. Ora, se a fixação do VTN não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTN adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo. O VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. ____________________________________________________ Processo nº 10218.721049/200792 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.993 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720029/200832 Acórdão n.º 2301004.785 S2C3T1 Fl. 254 13 Sessão de 10 de março de 2016 Matéria ITR Recorrente COMPANHIA AGRO PASTORIL DO RIO TIRAXIMIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência. Ademais, a contribuinte acostou o Laudo de Avaliação, doc. de fls. 80/89 e anexos, elaborado pela EBDA, sob a responsabilidade técnica dos Engenheiros Agrônomos Airton Jose de Souza e Solange Brito da Silva, com ART devidamente anotada no CREA/BA (fl. 90), em que consta que o VTN é de (R$ 16,94/ha) fl. 83. Apenas a título de argumentação, consta do referido Laudo, informações acerca das características peculiares do imóvel, de modo que servem a corroborar o entendimento de que não é possível o arbitramento em VTN tão somente com base na SIPT Sistema de Preços de Terra da SRF , pois essa reflete somente o preço médio das terras, não considerando características específicas de cada área. Observamos que as características do regime de chuva a deficiência hídrica, acidez, solos rasos com afloramento rochosos, torna o desenvolvimento da atividade agrícola, granjeira, aquícola, pecuária e florestal inviável devido imprestabilidade da terra; pois para tornálo explorável haveria necessidade de irrigação, o que e descartado devido a distancia do rio São Francisco, e a necessidade de implementação de técnicas muito avançadas alem de uma grande quantidade de fertilizantes tornando a exploração inviável. Ainda, o próprio Conselho de Contribuintes decidiu de forma favorável à contribuinte em processos envolvendo a mesma área rural e mesma matéria, conforme destacado nas ementas dos Acórdãos 30331.811 e Acórdão 30333.596. PROCESSO N° : 13530.000057/9811 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 SESSÃO DE : 27 de janeiro de 2005 ACÓRDÃO N° : 30331.811 RECURSO N° : 127.192 RECORRENTE : MINERAÇÃO CARAíBA LTDA. RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE ITR/1995. PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO. Em face do disposto no art.59,§3°, do Decreto 70.235/72, deixa se de considerar a preliminar de nulidade. IMPRESTABILIDADE DA ÁREA RURAL. Os laudos elaborados por engenheiro agrônomo credenciado e pela ( Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola — EBDA vinculada à Secretaria de Agricultura da Bahia, concluem pela imprestabilidade da terra para a exploração agrícola, pecuária, aqüícola, granjeira e florestal. Os laudos técnicos apresentados, com suporte em dados da região e fotografias específicas do imóvel são idôneos para atestar a impossibilidade de aproveitamento produtivo do imóvel, bem como para confirmar a utilização da Fazenda Pilar como suporte de infraestrutura à atividade de mineração, servindo de residência para os administradores e empregados na atividade de mineração desenvolvida pelo mesmo proprietário na Fazenda vizinha, cujo registro e autorização de lavra para o período examinado foram confirmados pelo DNPM vinculado ao Ministério das Minas e Energia. A notificação de lançamento que aponta 0% de utilização é improcedente. Recurso Voluntário Provido. ____________________________________________________ Processo n° : 13530.000060/0012 Recurso n° : 132.322 Acórdão n° : 30333.596 Sessão de : 18 de outubro de 2006 Recorrente : MINERAÇÃO CARAÍBA S/A. Recorrida : DRJ/RECIFE/PE ITR196. LAUDO TÉCNICO COMPETENTE. GRAU DE UTILIZAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ALIQUOTA APLICÁVEL. A sucessão de indícios representados pelo laudo técnico do Eng Agrônomo, pelo Laudo da EBDA, pela Certidão do DNPM, pela declaração da Prefeitura de Jaguari/BA e o novo laudo técnico apresentado, no seu conjunto, constituem prova suficiente e Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720029/200832 Acórdão n.º 2301004.785 S2C3T1 Fl. 255 15 satisfazem em grande medida às exigências deste processo. O Laudo elaborado pela EBDA leva à conclusão de que a exploração mineral de superficie praticada no caso é atividade produtiva que inviabiliza a utilização para qualquer finalidade agrícola, pecuária, aquicola, granjeira e florestal. A área utilizada em mineração de superfície, neste caso, deve ser considerada imprestável, sendo passível de exclusão da base de cálculo do ITR. Sobre a área do imóvel passível de tributação pelo ITR deverá incidir o VTN de RS 22,17/hectare demonstrado tecnicamente pela EBDA. O grau de utilização da propriedade, considerada a sua dedicação quase integral à atividade mineral de superficie é de aproximadamente 94,74%, e a área total do imóvel é de 20.362,0 hectares, o que leva à alíquota a ser aplicada indicada na Tabela anexa à Lei 8.847/94 não agravada. Recurso voluntário provido. Assim, tendo em vista que o valor informado pela contribuinte foi de R$ 344.932,00 , deve ser restabelecido. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado. (assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10845.720372/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PARQUE ESTADUAL SERRA DO MAR. INTERESSE ECOLÓGICO MANIFESTO.
Hipótese em que laudo do perito judicial foi acatado pelo Poder Judiciário; tendo decidido o mesmo, com transito em julgado, que a Recorrente teria direito a indenização em razão da existência da área Preservação Permanente de 2.481,32 ha dentro do Parque Estadual Serra do Mar.
A decisão do Poder Judiciário é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública e é suficiente para a comprovação da existência de parte da APP declarada.
VALOR DA TERRA NUA
Não havendo comprovação do valor da terra nua declarado, a apuração de ofício do imposto deve considerar informações sobre preços de terra levantadas junto às Secretarias de Agriculturas e controladas em sistema desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim, não sendo possível utilizar laudo que atesta valores de mercado em data incompatível com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 2.481,32 ha. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF 41.765.
Assinado Digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado Digitalmente
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Assinado Digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Redator designado.
EDITADO EM: 17/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PARQUE ESTADUAL SERRA DO MAR. INTERESSE ECOLÓGICO MANIFESTO. Hipótese em que laudo do perito judicial foi acatado pelo Poder Judiciário; tendo decidido o mesmo, com transito em julgado, que a Recorrente teria direito a indenização em razão da existência da área Preservação Permanente de 2.481,32 ha dentro do Parque Estadual Serra do Mar. A decisão do Poder Judiciário é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública e é suficiente para a comprovação da existência de parte da APP declarada. VALOR DA TERRA NUA Não havendo comprovação do valor da terra nua declarado, a apuração de ofício do imposto deve considerar informações sobre preços de terra levantadas junto às Secretarias de Agriculturas e controladas em sistema desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim, não sendo possível utilizar laudo que atesta valores de mercado em data incompatível com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 2.481,32 ha. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 03 72 /2 01 0- 58 Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.132 2 Quadros Pierre. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF 41.765. Assinado Digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado Digitalmente Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Assinado Digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator designado. EDITADO EM: 17/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 08106/00008/2010 (fl. 4 a 9), pela qual a autoridade administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$2.232.866,13, com Multa de Ofício de R$ 1.674.649,59 e juros de mora de R$ 989.159,69 (calculados até 13/11/2010), perfazendo o total apurado de R$ 4.896.675,41. O lançamento é relativo ao exercício de 2006 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 3.052.4512. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente, tendo a mesma sido reclassificada como área tributável para fins de apuração do imposto devido, fl 05. Ademais, por falta de comprovação do valor da terra nua declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, a Fiscalização arbitrou tal montante com base nas informações do Sistema de Preços de Terra Sipt, fl. 5/7. Embora não tenha sido juntado aos autos a imagem do Aviso de Recebimento relativo à ciência do lançamento, a tela de fl. 104 aponta que tal ciência ocorreu em 22 de novembro de 2010, o que se mostra compatível com a afirmação exposta pelo próprio contribuinte em fl. 107. Inconformado com a imputação fiscal, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 106 a 120, na qual apresenta suas razões ordenadas nos seguintes termos: Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.133 3 1. DOS FATOS: que a sociedade era proprietária do imóvel denominado Fazenda Itutinga, que compreendia 2.974,33 hectares, resultante do somatório das glebas Itutinga (2.521,02 ha) e Água Fria (453,31 ha), a qual passou a ser considerada área de preservação permanente, a partir da criação do Parque Estadual da Serra do Mar, nos termos do Decreto nº 10.251/77, fl. 107; que com tais características o imóvel foi devidamente informado no Documento de Informação e Apuração do ITR transmitido para o exercício de 2006 (DIAT 08.68321.84), informação desconsiderada pelo Agente Fiscal, por entender que a mesma não foi regulamente comprovada pelo sujeito passivo, fl. 107/108; que também pela falta de comprovação, a fiscalização desconsiderou o valor da terra nua declarado, fl. 109; que a exigência fiscal não pode prosperar já que o Poder Judiciário declarou, em decisão transitada em julgado, que a Fazenda Itutinga está compreendida no Parque da Serra do Mar, fl. 109; 2. DO DIREITO 2.1 Da força probatória da Decisão Judicial e a exclusão do imóvel do campo de incidência do ITR, fl. 109: que não há dúvidas com relação à exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do imposto territorial rural, restando a controvérsia administrativa exclusivamente à comprovação de que a Fazenda Itutinga está inserida no Parque da Serra do Mar, fl. 110; que o contribuinte não estaria obrigado à comprovação que o imóvel em comento está inserido em área de preservação permanente, sendo da Administração Fazendária tal ônus, nos termos do § 7º do art. 10º da Lei 9.393/96, fl. 110/111; que mesmo que se pudesse exigir do particular a comprovação de que o imóvel está inserido em área de preservação permanente, ainda assim imporiase a anulação do lançamento, já que tal condição foi reconhecida em decisão judicial já transitada em julgado, fl 112; que ajuizou Ação de Desapropriação Indireta contra o Estado de São Paulo (157.01.1987.0000409/000000000), em cujo curso foi levada a termo perícia técnica de engenharia que concluiu que 2.183,98 ha da gleba Itutinga e 453,31 ha da gleba Água Fria, totalizando 2.637,29 ha estão abrangidos pelo Parque da Serra do Mar, fl. 112/113; que o mesmo laudo pericial atestou que o valor da terra nua de ambas as glebas, em outubro de 1989, correspondia a Ncz$ 28.460.354,00, fl. 114; que após sentença judicial e acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, restou transitado em julgado que o imóvel está compreendido nos limites do Parque da Serra do mar e que o valor da terra nua, em março de 1996, era de R$ 9.707.951,03, fl. 114 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.134 4 que não poderia a Administração Fazendária se furtar a reconhecer tal circunstância, sob pena de esvaziar a força probatória de uma decisão judicial transitada em julgado, fl. 114; que há precedentes neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que reconheceu a suficiência probatória da decisão judicial para fins de exclusão da área protegida da base de incidência do ITR, em particular quando amparada por laudo técnico que lhe dá arrimo, ainda que presentes nos autos administrativos outros elementos de prova, como laudos e ADA, fl. 115 a 117. 2.2 Da Decisão Judicial e a Impugnação ao arbitramento do valor da terra nua: que o valor da terra nua corresponde ao valor de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 10 da lei 9.393/96 c/c o § 2º do art. 32 da IN RFB 256/2002, fl. 117; que apurou valor de mercado de R$ 14.057.333,02 em 01/01/2006, mas que a Fiscalização fixou o valor de R$ 25.953.675,96 sob amparo nos dados do Sistema de Preços de Terras SIPT, valor incompatível com os preços de mercado à época, fl. 118; que considerando o valor apurado no processo judicial para março de 1996, atualizado com base na Tabela Prática de Atualização Monetária editada pelo TJ/SP, em janeiro de 2006 o valor em comento estaria em torno de R$ 19.555.851,09. Ainda assim, ressalta que o imóvel sofreu forte desvalorização por fatores preexistentes à instituição do Parque Estadual da Serra do Mar, fl.118; que tais circunstâncias revelam inadequação do valor arbitrado pela Fiscalização, cuja revisão se impõe para prestigiar o valor declarado de R$ 14.057.333,02 ou, se muito, para adotar o valor reconhecido na Decisão Judicial sustentada em lauto técnico, atualizado, de R$ 19.555.851,09, fl. 119. Conclui sua peça impugnatória com os seguintes pedidos, fl. 120: (a) que seja julgada a improcedência da ação fiscal sobre a Fazenda Itutinga em razão do reconhecimento judicial de que a mesma está inserida em área de preservação Permanente (Parque Estadual da Serra do Mar); (b) que seja reduzido o valor da terra nua para R$ 14.057.033,02 (valor declarado) ou para R$ 19.555.851,09 (nos termos da ação judicial); (c) subsidiariamente, caso necessário, que seja o feito convertido em diligência fiscal a fim de que seja novamente arbitrado o valor da terra nua, com base em laudo técnico que leve em consideração as reais condições do imóvel rural para fixação do seu preço de mercado. Analisando os argumentos acima expostos, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande MS concluiu: Da Perícia, fl. 1092/1093 Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.135 5 Antes da análise da impugnação será tratada a questão da realização de perícia. Neste aspecto, verificase, antes de tudo, a intenção de se reverter o ônus da prova. Pois, para comprovar os dados declarados o Fisco procedeu à intimação para apresentação de laudos e demais documentos, cuja guarda é de responsabilidade do contribuinte que, além de não haver atendido à intimação, pede para que o Fisco produza prova que já deveria ser apresentada desde o início do procedimento fiscal e/ou com sua impugnação. Desta forma, não há razão para tal procedimento, sendo indeferido o pedido, com base no Art. 18, do Decreto nº 70.235/1972(...) Da Área de Preservação Permanente, fl 1093/1094 (...) Com relação à APP existem dois tipos: a) áreas que em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos são definidas por lei como APP e b) áreas que pela destinação são declaradas como APP por Ato do Poder Público. (...) Neste aspecto, a documentação apresentada, embasada no processo de Ação de Desapropriação Indireta contra o Estado de São Paulo, faz referência à área total, de forma genérica, porque estaria inserida no referido Parque. Não há especificação, dimensão definida e nem se localizam as áreas enquadráveis no referido dispositivo legal como APP. (...) Do Ato Declaratório Ambiental, fl. 1096 (...) Para o direito à isenção do imposto, além da comprovação de existência da APP, seja através de laudo técnico, seja através de Ato específico do Poder Público, ou da existência e averbação da ARL, entre outras, é necessário comprovar, também, a regularização dessas áreas junto ao IBAMA, com a apresentação do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício fiscalizado. Das Razões das Glosas – Do mérito do pedido, fl. 1097/1098: (...) Na impugnação o argumento principal é o fato de o imóvel estar localizado em Parque Estadual, matéria superada, e a documentação apresentada não comprovou a existência de APP, demonstrando seu enquadramento no Código Florestal e, finalmente, não foi apresentado ADA, entregue ao IBAMA no prazo regulamentar para o exercício e pauta. Em razão disso, a área em pauta não deveria estar declarada como isenta, pois, não foram cumpridos os requisitos legais para tal; não estava amparada para essa concessão e; assim, sua informação como isenta configura declaração incorreta. (...) Desta forma, não comprovada a existência de áreas de preservação de acordo com o Código Florestal ou não atendido demais requisitos legais, as pretensas áreas de Preservação Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.136 6 Permanente ou de Utilização Limitada ficarão sujeitas à tributação, enquadradas como áreas aproveitáveis e não explorada pela atividade rural, afetando, assim, o grau de utilização e alíquota de cálculo. (...) Do Valor da Terra Nua, fl. 1098 (...) Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam a caracterização do imóvel, as fontes idôneas de pesquisa, a similitude da propriedade em relação às amostras levantadas no município, entre outros. Como já visto, tendo em vista o não atendimento à intimação, consequentemente, não apresentação de laudo de avaliação que fora solicitado, o VTN foi modificado pelo Fisco, sendo utilizadas as informações do SIPT. (...) Do Laudo Técnico, fl 1098/1099 (...) O sujeito passivo pretende seja considerado o VTN apurado no laudo técnico constante do processo judicial, com a devida atualização. Porém, este documento não se mostra eficaz para comprovar o VTN, pois, foi elaborado com base em normas já sem vigor para o exercício fiscalizado, não está de acordo com a norma 14.653 da ABNT, e nem poderia ser diferente, pois, a referida norma, relativa à avaliação de imóveis rurais, foi editada posteriormente ao laudo. (...) Inconteste, portanto, o fato de que o laudo trazido aos Autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, aceitarse levantamento precário, inapto a alterar o VTN. (...) Firme em seus argumentos, o julgador de primeira instância decidiu pela manutenção do crédito tributário em tela, nos seguintes termos, fl. 1099: Finalmente, considerando que não houve apresentação de documentação que comprove a existência da APP, conforme enquadramento definido no Código Florestal, e de sua regularização por meio de ADA e, considerando, ainda, não haver sido apresentado Laudo Técnico de Avaliação da Terra Nua eficaz, concluise não haver como desconstituir o crédito tributário em discussão. Ciente do Acórdão da DRJ em 04/07/2012, fl. 1104, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 1106/1118, em 02 de agosto de 2012, no qual reeditou os argumentos expostos em sede de impugnação para, ao fim, requerer unicamente o cancelamento completo do lançamento fiscal em todos os seus efeitos.. É o relatório necessário. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.137 7 Voto Vencido Conselheiro CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Da força probatória da Decisão Judicial e a exclusão do imóvel do campo de incidência do ITR Inicialmente, entendo relevante destacar que não me parece procedente a afirmação da recorrente no sentido de que não há dúvidas com relação à exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do imposto territorial rural, restando a controvérsia administrativa exclusivamente à comprovação de que a Fazenda Itutinga está inserida no Parque da Serra do Mar. Tal afirmação até poderia robustecer suas razões sobre a força probatória de uma decisão judicial transitada em julgado, já que o único argumento de que dispõe é o laudo elaborado por perito designado pelo juízo no curso do processo judicial nº 157.01.1987.0000409/000000000 e acostado ao presente processo a partir de fl. 220. Contudo, avalio o cenário posto de modo diverso, por considerar que o cerne da celeuma administrativa está na comprovação do cumprimento pelo contribuinte dos requisitos fixados pela legislação para fazer jus ao favor fiscal. A decisão de 1ª instância socorreuse dos termos do art. 2º da lei nº 4.771/65 (Código Florestal), então em vigor, para afirmar que, em razão do conteúdo genérico do laudo emitido nos autos judiciais, tal documento não se prestou a identificar as situações especificadas em tal artigo. Por outro lado, agora já lastreada no art. 3º do mesmo diploma, concluiu que seria necessária a apresentação de ato do Poder Público declarando a existência de área de preservação permanente. Por fim, fica expresso no decidido em 1ª instância a não comprovação da apresentação do Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama. Analisando as informações contidas nos autos, constatase que o contribuinte informou em DITR toda a propriedade como sendo Área de Preservação Permanente. Contudo, o laudo apresentado, em fl. 226, demonstra a exclusão da pretensão judicial de desapropriação indireta de uma área de 64 ha, nos quais está instalado seu complexo industrial. Mais à frente, em fl. 239, o mesmo perito afirma a existência de uma área não abrangida pelo Decreto Estadual de 337,04 ha, além de atestar, em fl 241, a exclusão do estudo de uma área de 102,46 ha, por falta de matrícula no Cartório de Registro Imobiliário. Em fl. 240, atesta o perito que o parque industrial da autora está inserido na Gleba Água Fria. A partir de fl. 749, foi juntado aos autos um excerto de laudo técnico diverso, de autoria de outro profissional habilitado, no qual, em fl. 751, consta a afirmação de que a Gleba Água Fria não teve sua situação alterada pela criação do Parque da Serra do Mar, posto que já reservada pelo Decreto 12.753/42. Só por tais considerações verificase que as conclusões periciais não justificam integralmente a regularidade das informações declaradas, ficando claro, ainda, que o fato de um imóvel rural estar inserido em uma área de preservação permanente, por si só, não Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.138 8 garante a integridade da vegetação nela contida. Veja, por exemplo, que a Gleba Água Fria já era protegida desde 1942, o que não evitou que, em seu interior, fosse construído um parque industrial em uma área de 64 ha. Assim, seria absurdo aceitar que um proprietário de imóvel que, desrespeitando a legislação ambiental, promovesse a supressão da vegetação de uma área de preservação permanente e, ainda assim, exclusivamente por conta da localização de sua propriedade, tivesse reconhecimento o direito à isenção do ITR. Neste sentido, importante ressaltar os termos da legislação que rege a isenção relativa às áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, naturalmente em vigência na época da ocorrência do fato gerador em discussão: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior Grifouse. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.139 9 Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifouse. IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; (...) V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; Grifouse Mister consignar que o tributo não se presta apenas a prover o Estado de recursos para financiar suas atividades, sendo rotineiramente utilizado com função diversa, seja objetivando melhor distribuição de renda, seja atuando na defesa da indústria nacional, seja fomentando o desenvolvimento de uma região ou seguimento econômico, seja desestimulando o consumo de produtos nocivos, etc. No caso do ITR, é evidente a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, ao mesmo tempo em que desonera o contribuinte, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, ainda que de acordo com a natureza de cada tributo a atividade fiscal precise se valer de conceitos e princípios contidos fora do âmbito restrito do Direito Tributário, é fato que, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à Autoridade Fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação para definição do correto valor do tributo. O que interessa ao Fisco, como dito acima, é a verificação do cumprimento da legislação tributária, em particular para identificar infrações que justifiquem a necessidade de constituição do crédito tributário, de ofício, e para, indiretamente, fomentar o cumprimento espontâneo da legislação tributária, seja pela geração de um sentimento de risco de ser fiscalizado, seja pelo estímulo à consciência da importância da função social do tributo. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.140 10 Assim, entendo que os termos do Decreto nº. 10.251, de 30 de agosto de 1977, que criou o Parque Estadual da Serra do Mar, analisado em conjunto com o laudo pericial de fl. 220, seriam, ainda, insuficientes à comprovação de área de preservação permanente ou de interesse ecológico capaz de gerar reflexos na apuração do Imposto Rural, já que o contribuinte, mesmo intimado, não juntou aos autos declaração do órgão competente Federal ou Estadual sobre o efetivo interesse ecológico nas áreas de sua propriedade. Tampouco comprovou o protocolo do Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, tratase de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeitase à vistoria técnica do IBAMA e, portanto, a mera alegação de que uma área de utilização limitada efetivamente exista, ainda que atestada por laudo técnico particular, não é suficiente, por si só, para afastar a incidência do tributo rural, já que, sem o protocolo do ADA, a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento de controle que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. Quanto à alegação do contribuinte de que, por conta do que previa o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, não estaria obrigado a comprovar as informações declaradas, comprovação esta que caberia ao Agente Fiscal, entendo tratase de claro equívoco na interpretação da norma, pois o que se esperava de tal comando normativo, atualmente revogado, seria deixar clara a desnecessidade de apresentação de documentos juntamente com a declaração. Há de se ressaltar que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas aproveita. Assim, o ônus da prova da regularidade das exclusões da área tributável é do contribuinte. Portanto, não tendo sido cumpridas as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 (CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a decisão de primeira instância que manteve o lançamento em relação à tributação sobre as áreas originalmente declaradas como de preservação permanente. Sendo certo que decisões pretéritas adotadas neste Conselho não têm o condão de vincular a presente análise, em particular por se referirem a momentos, situações ou composição de Turma diversos. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário neste item. Da Decisão Judicial e a Impugnação ao arbitramento do valor da terra nua: Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.141 11 Utilizandose do mesmo laudo emitido no processo judicial citado alhures, o qual, dentre outros, objetivou atestar o valor da terra nua da propriedade e respectiva cobertura natural para fins de indenização pleiteada judicialmente do Governo do Estado de São Paulo, o contribuinte espera ver reflexos no lançamento ora em discussão. Na época, o perito atestou que o valor da terra nua de ambas as glebas que compõem a Fazenda Itutinga, em outubro de 1989, correspondia a Ncz$ 28.460.354,00. Valor este que foi atualizado até março de 1996, quando montou a cifra de R$ 9.707.951,03. A partir daí, a recorrente entende que se tal montante fosse atualizado com base na Tabela Prática de Atualização Monetária editada pelo TJ/SP, em janeiro de 2006 o valor em comento estaria em torno de R$ 19.555.851,09. Ainda assim, ressalta que o imóvel sofreu forte desvalorização por fatores preexistentes à instituição do Parque Estadual da Serra do Mar. Não temos como nos afastar dos comandos normativos relacionados. Nos termos do § 2º do art. 8º da lei 9.393/96, o "VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado". Tal definição está ainda mais clara no texto da IN 256/02, que previu que "o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Ora, se estamos tratando de valores de mercado correntes em 01/01/2006, considerando ainda a própria alegação do contribuinte sobre a desvalorização sofrida pelo imóvel, nada mais inadequado do que considerarmos para este fim o valor calculado para o ano de 1989, ainda que sobre o qual incida os efeitos de correção de algum índice de atualização. É de elementar conhecimento que as variações sofridas nos últimos anos pelos bens imóveis não guardaram relação com os demais seguimentos da economia, repousando, ainda, sobre o imóvel em questão, as particularidades relacionadas às limitações impostas pela legislação ambiental. Vejamos a fundamentação legal para desconsideração do valor da terra nua declarado pelo contribuinte: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Grifouse. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.142 12 A partir de tal previsão legal expressa, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras SIPT, o qual é alimentado com os valores médias de terras recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas ou, ainda, pela média dos valores informados em DITR por outros proprietários da região. Naturalmente, tratandose de valores médios, pode ocorrer alguma divergência, para mais ou para menos, de acordo com as peculiaridades de cada propriedade. Contudo, a comprovação dos valores declarados ou a adequação dos valores lançados pelo fisco ao valor considerado adequado pelo proprietário do imóvel considerado dependerá de apresentação de laudo devidamente formalizado para este fim, o qual deve considerar os requisitos mínimos para documentos dessa natureza, não se mostrando adequada a utilização do laudo emitido nos autos judiciais, em particular por não espelhar o valor de mercado da propriedade na data da ocorrência do fato gerador. Portanto, o procedimento utilizado pela autoridade lançadora está absolutamente alinhado ao que prevê a legislação, não havendo justificativa para conversão do presente julgamento em diligência fiscal para novo arbitramento do VTN. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário neste item. Pelo exposto, considerando a não comprovação do cumprimento dos requisitos previstos na legislação para exclusão de APP do campo de incidência do ITR e da não apresentação de Laudo de Avaliação que pudesse contrapor o arbitramento do VTN na data da ocorrência do fato gerador, voto pela manutenção do lançamento em sua integralidade. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão da comprovação da existência de parte da APP declarada pela Recorrente. Disse o Ilustre Relator: Assim, entendo que os termos do Decreto nº. 10.251, de 30 de agosto de 1977, que criou o Parque Estadual da Serra do Mar, analisado em conjunto com o laudo pericial de fl. 220, seriam, ainda, insuficientes à comprovação de área de preservação permanente ou de interesse ecológico capaz de gerar reflexos na apuração do Imposto Rural, já que o contribuinte, mesmo intimado, não juntou aos autos declaração do órgão competente Federal ou Estadual sobre o efetivo interesse ecológico nas Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.143 13 áreas de sua propriedade. Tampouco comprovou o protocolo do Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama. Ressalto, contudo, conforme se verifica nas páginas 05 e seguintes dos autos, que a suposta falta de protocolo do ADA não integrou a motivação do lançamento. No caso dos autos, verificase que a APP não foi aceita unicamente em razão da falta de comprovação da sua existência. Por este motivo, não é o caso de se requerer, no presente momento, a análise do caso sob o aspecto da efetividade do protocolo do ADA; mas sim sob a ótica da existência ou não da APP declarada. Não se poderia inovar o lançamento, exigindo a comprovação do protocolo do ADA. Bastando, para afastar a glosa realizada pela fiscalização, a apresentação de documento que comprove a existência da APP. Assim, na presente situação, entendo que a documentação apresentada pela recorrente supre a prova requerida pela fiscalização, e é suficiente para reverter, em parte, a glosa relacionada. É que, no caso dos autos, foi realizada perícia judicial, cujas conclusões foram claras no sentido de que quase todo o imóvel está inserido nos domínios do Parque Estadual Serra do Mar. Realmente, como se observa nas páginas 239 e 241 dos autos, o perito judicial atestou que a área total de 2.481,32 ha se encontrava inserida dentro do Parque Estadual Serra do Mar. Observo que o laudo do perito judicial foi acatado pelo Poder Judiciário; tendo decidido o mesmo, com transito em julgado, que a Recorrente teria direito a indenização em razão da existência da área de 2.481,32 ha de APP dentro do Parque Estadual Serra do Mar. Assim, temos que o entendimento do poder judiciário deve ser acatado pela administração pública. A decisão da ação judicial é soberana devendo ser cumprida pela administração nos seus exatos termos, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da hierarquia das normas, bem como ofensa à moralidade administrativa. É imperativo que a administração pública acate as ordens judiciais e cumpra a norma individual e concreta emanada do Poder Judiciário; pois a este poder foi outorgada a competência para interpretar a lei e dirimir as lides instauradas. Impende salientar que toda decisão judicial transitada em julgado é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Aliás, pela sistemática constitucional, todo ato jurídico, inclusive o administrativo, está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este, em relação à esfera administrativa, instância superior e autônoma. Superior, porque tem competência para revisar, cassar, anular ou confirmar o ato administrativo; e autônoma, porque o contribuinte não está obrigado a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10845.720372/201058 Acórdão n.º 2201003.348 S2C2T1 Fl. 1.144 14 Assim, a decisão do Poder Judiciário é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Deste modo, inobstante a inexistência nos autos de declaração do órgão competente, a declaração judicial de que a área total de 2.481,32 ha se encontra inserida dentro do Parque Estadual Serra do Mar é suficiente para a comprovação da existência de parte da APP declarada. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a área de preservação permanente de 2.481,32 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905456/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.371
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 54 56 /2 01 2- 93 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905456/201293 Acórdão n.º 3201002.371 S3C2T1 Fl. 0 2 Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 02055.301. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905456/201293 Acórdão n.º 3201002.371 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905456/201293 Acórdão n.º 3201002.371 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905456/201293 Acórdão n.º 3201002.371 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905456/201293 Acórdão n.º 3201002.371 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905456/201293 Acórdão n.º 3201002.371 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905456/201293 Acórdão n.º 3201002.371 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001173/2006-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. RESERVA LEGAL - INTEMPESTIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO.
A Intempestividade do ADA pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9202-004.589
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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ÁREA TRIBUTÁVEL. RESERVA LEGAL INTEMPESTIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A Intempestividade do ADA pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 11 73 /2 00 6- 00 Fl. 420DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280100.792, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração, fls. 04/09, para exigir crédito tributário de ITR, exercício de 2002, no montante de R$ 582.929,33, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Hiroshima I”, localizado no Município de Juara/MT, com área total de 13.877,8 ha. A autuação decorreu do fato de que constou averbação na matrícula do imóvel de 50% da área total do imóvel referente a reserva legal, entretanto, o contribuinte não apresentou comprovação da solicitação de emissão de ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA, conforme Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 5°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, protocolizado em data anterior a 31 de março de 2003, conforme art. 17, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 60/2001 (n° 73/2000) (10, § 4°, inciso II da Instrução Normativa SRF n° 43/1997, com redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 67/1997), sendo, por isso, desconsiderado o valor declarado. Também, o contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, conforme NBR 14653 da ABNT, com grau de fundamentação 2, por isso está sendo, conforme art. 14, § 1° da Lei 9.393/96, substituído o Valor da Terra Nua VTN por Hectare declarado pelo VTN por Hectare constante no SIPT (Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal). O Contribuinte impugnou, às fls. 76/101, consistindo, como ponto relevante para o relatório nessa instância recursal, a indevida exigência do ADA e a indevida valoreação de ofício da Terra Nua. O Acórdão de Primeira Instância foi decidido pelos membros da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, que acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento. A Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, fls. 166/179, arguindo, em síntese: a inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; o erro de direito; cerceamento de defesa; levantamento fiscal precário; inexistência de infração; a multa simples depende de notificação anterior. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 352/361, deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Ordinário, para restabelecer a área de 6.938,9 hectares de reserva legal averbada após o fato gerador e antes do procedimento fiscal e o VTN averbado. Às fls. 364/373, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, apresentando acórdão paradigma com entendimento divergente à decisão recorrida, no sentido de ser Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10183.001173/200600 Acórdão n.º 9202004.589 CSRFT2 Fl. 10 3 indispensável que a averbação junto a cartório de registro de imóveis seja feita antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para validação das áreas de reserva legal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 375/376, DEU seguimento ao Recurso Especial do Procurador, considerando se tratar da mesma matéria fática e devido a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referirse a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a necessidade de apresentação do ADA para fins de isenção do ITR sobre as áreas de utilização limitada. Ou seja, o acórdão recorrido entende ser possível a averbação junto a cartório de registro de imóveis depois da ocorrência do fato gerador, para validação das áreas de reserva legal, ao passo que o acórdão paradigma entende ser indispensável que tal averbação seja feita antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Às fls. 385/388, a Contribuinte apresentou Recurso Especial, requerendo a reforma do Acórdão recorrido, por considerar a multa confiscatória. Às fls. 394/397, a Contribuinte apresentou Contrarrazões. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 407/408, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU seguimento ao Recurso Especial da Contribuinte, sob a justificativa de que a Contribuinte não apresentou acórdão paradigma, limitandose a alegar questão probatória, sem comprovar o cabimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração, fls. 04/09, para exigir crédito tributário de ITR, exercício de 2002, no montante de R$ 582.929,33, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Hiroshima I”, localizado no Município de Juara/MT, com área total de 13.877,8 ha. Na decisão recorrida, deuse parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer a área de 6.938,9 hectares de reserva legal averbada após o fato gerador e antes do procedimento fiscal e o VTN averbado. O Recurso Especial, apresentado trouxe para análise a divergência jurisprudencial no necessidade de apresentação do ADA para fins de isenção do ITR sobre as áreas de utilização limitada. Fl. 422DF CARF MF 4 A questão controvertida diz respeito ao aceite da averbação da reserva legal para suprir a ausência de ADA a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10183.001173/200600 Acórdão n.º 9202004.589 CSRFT2 Fl. 11 5 A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região CentroOeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. O acórdão recorrido assim dispôs: "Assim, no exame do caso concreto, sempre investigo se o sujeito passivo, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das Áreas de interesse ecológico incluídas na DITR e se tais divas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. No caso, o interessado declarou Area de Utilização Limitada no montante de 7.917,7 ha (fls. 12 a 14) em um imóvel de 13.877,8 ha. A autoridade lançadora registrou as fls. 06 que o contribuinte comprovou a averbação de 50% da área total do imóvel, porém não apresentou cópia de ADA protocolizado em data anterior a 31 de março de 2003. De fato, examinandose os documentos de fls. 24 a 27, constatase que antes da data de ocorrência do Fato Gerador dos autos em apreço (01/01/2002) já estava averbada a Area de Reserva Legal equivalente a 50% do imóvel (ou seja, 6.938,9 ha), sempre em decorrência de Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta firmado com o IBAMA. Ora, o Termo de Responsabilidade em questão so é assinado pela autoridade ambiental depois de anuência técnica e jurídica, portanto, entendo que supre a exigência do ADA." Fl. 424DF CARF MF 6 O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. No caso dos autos, observo que a averbação do termo de responsabilidade foi realizada em 24.04.1995, tendo havido a averbação da reserva legal nas datas 27.10.1998, fls 23, cujas ares contíguas foram unificadas em março de 2001 trazendo suas respectivas averbações do ano 98 o qual tomo como documento hábil para comprovação necessária requerida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Registro que a ação fiscal teve início em 23.02.2006. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese, portanto, o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, vez que já havia a proteção legal sobre tal área. Assim entendo, inclusive, que a averbação da área de reserva legal feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de ITR. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado não compartilha desse entendimento, mas apenas das conclusões, devendo deixar consignado, que o entendimento da maioria é de que a averbação da área discutida antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA para fins de comprovação da Reserva Legal. Por todo o exposto, deve ser mantido o acórdão recorrido, por entender que a averbação da área de reserva legal é suficiente para suprir a ausência do ADA, e Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10183.001173/200600 Acórdão n.º 9202004.589 CSRFT2 Fl. 12 7 assim conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 426DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.000036/2008-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 36 /2 00 8- 19 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11634.000036/200819 Acórdão n.º 9202004.696 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724232/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves.
João Bellini Júnior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves. João Bellini Júnior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 42 32 /2 00 9- 22 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2007, em razão da glosa de dedução de despesas médicas e com previdência privada. Algumas despesas médicas foram consideradas comprovadas. O recorrente não impugnou a glosa de dedução com despesa em previdência privada. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação idônea que atenda aos requisitos legais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... No presente caso, foi apresentado o documento “Reembolso Pago”, fls. 17, emitido pelo plano de saúde Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda, onde fica comprovada parte das despesas médicas declaradas pelo Contribuinte, como segue: Luciana B. B. Heil Luiz F. M. Neto Ricardo R. Padilha Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Insurge se contra a glosa relativa aos serviços médicos desconsiderados pela decisão recorrida, fls. 93 e s. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15374.724232/200922 Acórdão n.º 2301004.807 S2C3T1 Fl. 107 3 Voto Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos: a) prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº 9.520, de 26/12/1995; e b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de 26/12/1995. Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo do documento se possa conferir legitimidade. Assim, a lei exigiu, em regra, a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ressaltase que o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso sob exame, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo recorrente em sua declaração de ajuste anual, e posteriormente entendeu que houve comprovação de parte dessas despesas. Em relação aos valores que Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 remanesceram no lançamento, o recorrente em seu recurso voluntário trouxe comprovantes de tais despesas, fls. 93 e s. Assim, juntou documentos com informações sobre o serviço médico e do profissional, com o registro no órgão de classe e demais informações. Todos foram ratificados pela Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda, que somente em 14/07/2014 forneceu cópias de tais documentos ao recorrente. Ressaltase que o recorrente é portador de moléstia grave atestada pelo serviço médico oficial: neoplasia maligna e alienação mental, com isenção do imposto de renda desde 26/11/2007, fls. 29. Assim, entendo que o recorrente tem direito à dedução das despesas médicas a que se referem os comprovantes juntados no recurso voluntário. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13819.900004/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RESSARCIMENTO DO IPI. ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL
O ressarcimento do IPI aplica-se exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento.
ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2.
Recurso Voluntário Negado
Direito creditório Não reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL O ressarcimento do IPI aplicase exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2. Recurso Voluntário Negado Direito creditório Não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 00 04 /2 00 9- 63 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra indeferimento de Pedido de Ressarcimento (fl. 3) de saldo credor do IPI pertencente a uma filial da empresa. O Pedido de Ressarcimento foi acompanhado de Declaração de Compensação, cujo débito é da mesma espécie tributária (fl. 146). Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 137/141) que propõe o indeferimento e foi referendado por meio de Despacho Decisório, a filial detentora do crédito não é estabelecimento industrial, mas equiparado por opção, nos termos do art. 11, I, do RIPI/2002, porque simplesmente operava na aquisição e revenda de chapas de aço. O Relatório destaca que a filial, já extinta, tinha como objeto “o comércio de bobinas de aço que não sofriam nenhum processo de industrialização, visto que eram apenas revendidas", segundo informado pela empresa, e que o exame das Notas Fiscais de Entrada demonstra se tratar de aquisições de chapas de aço adquiridas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), depois revendidas. Diante dessa atividade, a AuditoraFiscal responsável pelo Relatório considera que o ressarcimento requerido não se enquadra no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Também informa que a filial não procedia ao destaque do IPI nas saídas para a Resil Minas Indústria e Comércio Ltda, alegando suspensão baseada no art. 29, § 1º, I, “a”, da Lei nº 10.637/2002. Para a AuditoraFiscal tal suspensão é indevida, já que restrita às saídas promovidas por estabelecimento industrial. Menciona o art. 111, I, do CTN, e considera que a suspensão não beneficia a filial, por ser estabelecimento equiparado a industrial por opção e não realizar nenhum tipo de operação de industrialização. Por fim, noticia que em face das saídas sem destaque do IPI a escrita fiscal foi reconstituída, levandose em conta os débitos do Imposto (em vez da suspensão), e que foi lavrado, em processo à parte, de nº 10976.000266/200975, Auto de Infração (com cópia neste, juntamente com o Termo de Verificação Fiscal respectivo) para exigência da multa prevista noart. 80, I, da Lei nº 4.502/64 (sem exigência de IPI porque a reconstituição apresentou saldos credores). Na Manifestação de Inconformidade, tempestiva, a contribuinte inicialmente destaca que as chapas de aço eram tributadas, enquanto as vendas à Resil, não; em razão do diferimento previsto no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, foi gerado o crédito de IPI. Em seguida contesta o Despacho Decisório, afirmando não poder prosperar tal decisão, sob pena de ofensa ao princípio da nãocumulatividade que rege o IPI e ao art. 11 do RIPI/2002. Para o contribuinte referido artigo equipara, para todos os efeitos legais, a Suplicante a estabelecimento industrial. Afirma não existir na legislação nada que limite o alcance da equiparação por opção e argúi que, “ao contrário do que aduz o Despacho Decisório, a interpretação literal prelecionada pelo art. 111, inciso I do CTN conduz à conclusão segundo a Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 13 4 qual, no caso presente, o estabelecimento equiparado a industrial faz jus à suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02, uma vez que não existe qualquer menção normativa que o exclua.” (fl. 247) Assinala haver incoerência da União Federal, no que “aceita” a equiparação da filial a industrial quando é para cobrar o IPI, e transcreve o item do Parecer Normativo CST Nº 367/71 (na peça de inconformidade está escrito, erroneamente, 376, mas o correto é 367), segundo o qual a equiparação do importador se dá “de forma ampla (‘para todos os efeitos desta lei’)”referência à Lei nº 4.502, de 1964. Também menciona o Acórdão nº 20311.516, de 08/11/2006, do Segundo Conselho de Contribuintes. Mais adiante, buscando apoio na doutrina e jurisprudência que menciona, tece considerações sobre o princípio da nãocumulatividade, quando ressalta que, na entrada, o aço adquirido é tributado, mas, na saída, não, em face da suspensão; sobre o direito à restituição de tributos indevidamente pagos; e sobre o enriquecimento sem causa, princípio que quer ver observado sob pena de ofensa ao direito de propriedade estatuído no art. 5º, XXII, da Constituição Federal. Antes de finalizar, trata da vinculação deste processo com o do Auto de Infração, observando que “o crédito utilizado para a compensação que foi glosada nos presentes autos não foi considerado em referida reconstituição de escrita fiscal, conforme se comprova com cópia dos Livros Registro de Apuração”, requerendo sejam os presentes autos apensados ao processo nº 10976.000266/200975 e garantido à Suplicante o direito de ver computado na reconstituição da escrita fiscal o crédito objeto da compensação realizada nos presentes autos. Ao final requer seja deferido o direito à “restituição”, homologandose as compensações realizadas. É o relatório." Com a devida vênia, cumpre retificar uma informação contida no relatório acima transcrito. O processo, por meio do qual foi cobrada, exclusivamente, multa por IPI não lançado em notas fiscais (os créditos foram suficientes para absorver os débitos apurados pela fiscalização) era o de n° 10976.000266/200925 e não 10976.000266/200975. Neste último, houve lançamento de ofício de IPI, motivo pelo qual o contribuinte, na manifestação de inconformidade, pleiteou a apensação do presente processo ao de n° 10976.000266/200975, para que, na hipótese de o ressarcimento não ser admitido, que os créditos correspondentes sejam abatidos do IPI lançado de ofício. A DRJ no Recife (PE) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e proferiu o Acórdão n° 1143.956, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SAÍDA DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SIMPLES REVENDA. INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO. O benefício estabelecido pelo art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, que suspende o IPI nas saídas de matériasprimas, os produtos Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 14 5 intermediários e materiais de embalagem, não se aplica na simples revenda por estabelecimento equiparado a industrial, exceto quando a equiparação é de empresa comercial atacadista que adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A Recorrente apresentou a PER n° 40072.15459.170805.1.1.011886 (fl. 3), no montante de R$ 298.778,20, com o objetivo de obter ressarcimento de saldo credor de IPI, acumulado ao fim do 2° trimestre do anocalendário de 2005. Foi acompanhada da DCOMP n° 21106.81175.190805.1.3.015603 (fl. 146), para compensação daquele valor com tributo da mesma espécie. O pleito foi objeto do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 137 a 141), que instruiu Despacho Decisório (fls. 144 e 145), o qual indeferiu o pedido. A fiscalização alegou que o contribuinte não tem direito ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99, porque não realiza qualquer processo industrial, porém apenas adquire chapas de aço para revenda. É equiparado a industrial por opção (inc. I do art. 11 do Decreto n° 4.544/2002 RIPI/2002). Apesar de não ser o fundamento do indeferimento do pedido de ressarcimento, no Relatório Fiscal também é abordado o fato de o contribuinte acumular créditos, em razão de promover saídas com suspensão do IPI, fundada na alínea "a" do inc. I do § 1° do art. 29 da Lei n° 10.637/02. Classificaram o procedimento como incorreto, posto que o benefício fiscal da suspensão abrangeria exclusivamente saídas promovidas por estabelecimento industrial o contribuinte era equiparado a industrial. E indicaram que foi objeto da lavratura de auto de infração, em outro processo (n° 10976.000266/200975), em que foi reconstituída a escrita fiscal do período de outubro de 2004 a setembro de 2005 e cobrouse IPI, relativo aos períodos em que não havia créditos suficientes para absorver os débitos levantados, e, quando ocorreu o inverso, somente multa, por falta de lançamento do tributo nas notas fiscais. No recurso voluntário, foram trazidos os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, assim titulados: "a) Dos efeitos da equiparação da Recorrente a estabelecimento industrial" "b) Do atendimento ao princípio da nãocumulatividade" "c) Do direito à restituição de tributos indevidamente pagos" "d) Do enriquecimento sem causa" "e) Da vinculação do presente caso ao processo n° 10976.000266/200975" Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 16 7 Em razão de sua natureza, iniciarei pelo último tópico e, em seguida, retomo a ordem em que se apresentam no recurso voluntário. "E) DA VINCULAÇÃO DO PRESENTE CASO AO PROCESSO N° 10976.000266/200975" A Recorrente requer apensação, pois o presente processo e o em epígrafe tratam de matérias conexas. Na hipótese de não ser acatado o pedido de ressarcimento, requer que os créditos sejam computados na reconstituição da escrita fiscal que foi realizada no processo n° 10976.000266/200975. O processo n° 10976.000266/200975 trata da lavratura auto de infração (fls 209 a 220), em decorrência de saídas indevidamente cursadas com a suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02. A fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do período de outubro de 2004 a setembro de 2005 e cobrou o IPI, relativo aos períodos em que não havia créditos suficientes para absorver os débitos levantados, e, quando ocorreu o inverso, somente multa, por falta de lançamento do tributo nas notas fiscais. Na hipótese de esta turma negar provimento ao recurso voluntário, os créditos que a Recorrente estornou, por ocasião do encaminhamento do PER/DCOMP, realmente poderiam ser utilizados para abater o IPI lançado de ofício, em sede do citado processo n° 10976.000266/200975. Contudo, até a conclusão do presente voto, por meio de visita ao sítio virtual do CARF, verifiquei que o mesmo ainda não havia sido encaminhado para este colegiado. Portanto, neste momento, sequer sabemos se o processo já foi julgado em primeira instância e, naturalmente, se o crédito tributário foi mantido. Diante disto, voto por negar o pedido de apensação. Caso a decisão da DRJ relativa ao processo n° 10976.000266/200975 não lhe seja favorável, quando da interposição do recurso voluntário ao CARF, a Recorrente poderá pleitear que os créditos eventualmente não ressarcidos no presente processo sejam abatidos do IPI lançado de ofício. "A) DOS EFEITOS DA EQUIPARAÇÃO DA RECORRENTE A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL" Na qualidade de equiparada a industrial, sustenta a Recorrente que as saídas de produtos gozavam da suspensão prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02. Aduz que "o instituto jurídico da equiparação representa outorga integral do tratamento jurídico de uma pessoa a outra, de modo que, ao equiparar determinados estabelecimentos a industriais, a legislação os igualou para todos os efeitos legais tributários". Assim, é legítimo o acúmulo de créditos e o pedido de ressarcimento. No presente processo, não se discute o direito à fruição do benefício fiscal da suspensão do IPI incidente sobre as vendas da Recorrente. E tampouco a legitimidade do Fl. 423DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 17 8 acúmulo de créditos. Nesta contenda, não há que se abordar estes temas, os quais, com efeito, são objeto do já citado processo n° 10976.000266/200975. Tratase, porém, de concluir quanto à possibilidade de a Recorrente pleitear o ressarcimento do IPI, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, o que será analisado nos tópicos seguintes. Assim sendo, declino de analisar a adequação do tratamento fiscal dispensado pela Recorrente às vendas, em razão de não ser o fundamento pelo qual o pedido de ressarcimento em discussão foi indeferido. "B) DO ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE" De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 232 a 236), que instruiu o Despacho Decisório (fls. 237 e 238), o pedido de ressarcimento foi negado, porque o estabelecimento que acumulou os créditos de IPI era mero revendedor de chapas de aço e equiparado a industrial por opção, nos termos do inc. I do art. 11 do RIPI/02 (em vigor no 3° trimestre de 2004). Como não realizava processo industrial, não fazia jus ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99. A Recorrente, por seu turno, alega que as saídas que promoveu eram beneficiadas com suspensão, o que resultou em acúmulo de crédito. E que o princípio da não cumulatividade somente será atendido, caso lhe seja garantido o direito à restituição. Transcrevo os dispositivos legais adotados pela autuante e outros que julgo imprescindíveis à conclusão da questão, com as redações então vigentes: Lei n° 9.779/99 "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." Lei n° 9.430/96 "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 18 9 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. (. . .) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." RIPI/02 "Estabelecimentos Equiparados a Industrial Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (. . .) IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso III, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33ª); (. . .) Equiparados a Industrial por Opção Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; e II as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização. (. . .) Bens de Produção Art. 519. Consideramse bens de produção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I as matériasprimas; II os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; III os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; IV as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e V as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial." Fl. 425DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 19 10 IN SRF n° 33/99 "Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI Art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999 Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999." (grifos nossos) O art. 11 da Lei n° 9.779/99 dispõe que os contribuintes que adquirem MP, PI e ME e aplicam em processo industrial podem requerer ressarcimento de créditos acumulados de IPI. O art. 4 ° da IN SRF n° 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei n° 9.779/99, admitiu, expressamente, que também jaz jus ao aludido ressarcimento o estabelecimento equiparado a industrial, que adquire MP, PI e ME. E esta referência cabe àquele contribuinte, compulsoriamente equiparado a industrial (inc. IV do art. 9° do RIPI/02), que adquire insumos e os envia para estabelecimento do mesmo titular ou terceiro para industrialização, sob encomenda. A Recorrente, todavia, não se enquadra em nenhuma das duas hipóteses (executante ou encomendante de processo industrial). É equiparada a industrial por opção, operando, exclusivamente, com revenda de bens de produção. É fato que há uma imperfeição na lei. O art. 11 da Lei n° 9.779/99 deveria admitir o ressarcimento em qualquer circunstância em que houvesse acúmulo lícito de créditos de IPI. Não obstante, não podemos acatar o pleito, pois estaríamos decidindo de forma frontalmente contrária à lei de regência. Por fim, ao contrário do que aduz a Recorrente, não vejo afronta alguma ao princípio da nãocumulatividade. Não lhe foi negado o direito ao registro do crédito e tampouco à compensação com eventuais débitos de IPI derivados de saídas tributadas. Há de se destacar, inclusive, que, no primeiro tópico analisado, tratamos de pleito de apensação, cujo objeto era o de ver tais créditos compensados com os apurados pelo Fisco no processo n° 10976.000266/200975 Portanto, nego provimento à alegação contida neste tópico. "C) DO DIREITO À RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS INDEVIDAMENTE PAGOS" Em defesa de seu pleito, a Recorrente citou o art. 165 do Código tributário Nacional (Lei n° 5.172/66 CTN), que trata do direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente a saber: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 426DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 20 11 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." Não obstante o fato de que a Recorrente ter pago o IPI incidente sobre os produtos adquiridos para revenda, entendo que o fato de não ter podido compensálo com saídas tributadas não qualifica aquele pagamento como indevido ou a maior, sendo, portanto, a ele inaplicável o art. 165 do CTN. Assim, nego provimento à alegação de que há o direito ao ressarcimento, por ter havido pagamento indevido ou a maior. "D) DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA" A Recorrente reputa o indeferimento do pedido de ressarcimento "flagrante ofensa ao Princípio do Direito da Propriedade, previsto no inc. XXII do art. 5 da Constituição Federal". Em outras palavras, se é correta a interpretação da autuante acerca do art. 11 da Lei n° 9.779/99, este é inconstitucional. De acordo com a Súmula CARF n° 2, este colegiado "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Portanto, nego provimento às alegações. CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso voluntário, inadmitindo o pleito de ressarcimento de créditos acumulados de IPI. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 427DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 21 12 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11516.003332/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2005
IPI. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO
Deverá ser mantida a autuação, uma vez demonstrado pelo fiscal que se trata de hipótese de incidência de IPI (atividade de industrialização definida como montagem), e constatada a correção dos valores levantados, com base no histórico das notas fiscais de venda do produto montado.
CRÉDITOS DE IPI - INSUMOS
Não há que se cogitar de direito a crédito de insumos, sem que tenha o contribuinte trazido aos autos qualquer elemento comprobatório dos supostos créditos alegados.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE
Face à súmula CARF nº 02, não cabe a este Conselho analisar argumentos de inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
É legal a aplicação da taxa SELIC para fixação de juros moratórios para recolhimento de crédito tributário em atraso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2005 IPI. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO Deverá ser mantida a autuação, uma vez demonstrado pelo fiscal que se trata de hipótese de incidência de IPI (atividade de industrialização definida como montagem), e constatada a correção dos valores levantados, com base no histórico das notas fiscais de venda do produto montado. CRÉDITOS DE IPI - INSUMOS Não há que se cogitar de direito a crédito de insumos, sem que tenha o contribuinte trazido aos autos qualquer elemento comprobatório dos supostos créditos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Face à súmula CARF nº 02, não cabe a este Conselho analisar argumentos de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É legal a aplicação da taxa SELIC para fixação de juros moratórios para recolhimento de crédito tributário em atraso. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2005 IPI. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO Deverá ser mantida a autuação, uma vez demonstrado pelo fiscal que se trata de hipótese de incidência de IPI (atividade de industrialização definida como montagem), e constatada a correção dos valores levantados, com base no histórico das notas fiscais de venda do produto montado. CRÉDITOS DE IPI INSUMOS Não há que se cogitar de direito a crédito de insumos, sem que tenha o contribuinte trazido aos autos qualquer elemento comprobatório dos supostos créditos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Face à súmula CARF nº 02, não cabe a este Conselho analisar argumentos de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É legal a aplicação da taxa SELIC para fixação de juros moratórios para recolhimento de crédito tributário em atraso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 32 /2 00 5- 75 Fl. 1303DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 11 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão da DRJ, de fls. 659/668 dos autos: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 1.137/1.176, através do qual foi constituído o crédito tributário no valor total de R$ 3.557.700,90, sendo R$ 1.729.900,64 de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, R$ 530.375,29 de juros de mora calculados até 30/11/2005 e R$ 1.297.424,97 de multa proporcional (75%), por este falta de lançamento de imposto nas saídas de produtos tributados do estabelecimento, por não considerar sua atividade como de industrialização. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1.177/ 1.181 a descrição completa dos fatos, na qual destaca que a empresa além da comercialização de bens de informática, tais como: impressoras, monitores de vídeo, mouse, placamãe, placa de vídeo, memória, dentre outros produtos, a empresa efetua processo de industrialização, na modalidade de montagem de microcomputadores, classificados na TIPI no código 8471.49.l 1, sujeitos à tributação do IPI. Caracterizada a industrialização/montagem de microcomputadores, a fiscalização lançou de oficio através de auto de infração os valores apurados no Demonstrativo de Cálculo do IPI a Lançar de fls. 434/1.136, por falta de destaque de IPI nas notas fiscais de saída. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.183/1.222, na qual aduz, em síntese, que: 1. A autoridade administrativa, no processo administrativo fiscal, pode deixar de aplicar a lei, por considerá1a inconstitucional, devendo, sempre que solicitado, examinar questões de constitucionalidade; 2. Preliminarmente, alega que o lançamento se valeu de mera presunção da autoridade fiscal, o que viola o principio da legalidade, bem como, há a necessidade de comprovação dos débitos lançados, ônus não cumprido pelo agente fiscal; 3. No mérito, alega que a autoridade fiscal deixou de observar o princípio da nãocumulatividade, desconsiderando completamente o IPI que seria cobrado na aquisição de matériaprima, cujo montante deixou de ser pago face a isenção tributária existente, pois é inviolável o direito ao credito em operações isentas, não tributadas, com aplicação de alíquota zero; 4. Sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da cobrança de juros moratórios sobre o débito cobrado, bem como de juros capitalizados. A taxa SELIC a partir de 1996 passou a incidir na forma de juros remuneratórios, disfarçados e contrários à determinação legal que determina apenas a inclusão de juros moratórios; 5. Especificamente em relação à multa aplicada que diz ser abusiva. Discorre sobre o ato vinculado, os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, da vedação ao confisco, da capacidade contributiva. Diz que a autoridade fazendária deve obediência aos preceitos constitucionais, acima dos Fl. 1305DF CARF MF 4 legais; que as legislações que estabelecem multas em patamares superiores aos limiares da razoabilidade padecem de inconstitucionalidade; que a pelo princípio da autotutela, a autoridade administrativa pode rever o lançamento da multa de oficio para adequação aos postulados constitucionais; e que a multa imposta acresceu substancialmente os valores eventualmente devidos pelo contribuinte, razão pela qual entende que devem ser revistos; 6. Por fim, requer o recebimento e processamento da presente impugnação, com a sua procedência; a revisão dos valores lançados, expurgandose a multa aplicada em valores exacerbados; e que todas as intimações/notificações sejam feitas em nome de um dos procuradores signatários. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2005 CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A reunião de componentes, adquiridos de forma independente e com classiticações fiscais distintas, que resulta em um novo produto (computador) com classificação fiscal específica, caracteriza a atividade de industrialização definida como montagem. IPI. BASE DE CÁLCULO. O histórico das notas fiscais de venda do produto montado constitui prova material suficiente para que se identifique a ocorrência do fato gerador do tributo em questão. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS Á ALIQUOTA ZERO. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não se prestam para exame em sede administrativa alegações acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas plenamente vigentes. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa SELIC para flxação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MULTA DE OFICIO. FALTA DE LANÇAMENTO. LEGALIDADE. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 12 5 A multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e aplicada no percentual determinado expressamente em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado da referida decisão em 31/01/2011 (vide fl. 1.271) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 24/02/2011 Recurso Voluntário (fls. 1.263 e seguintes), através do qual repisou os argumentos trazidos em sua impugnação. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise deste Recurso. É o relatório. Fl. 1307DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1. Alegações de inconstitucionalidade Consoante se extrai do relato acima e da leitura do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, este se insurge alegando, em inúmeros tópicos, a suposta "inconstitucionalidade" da cobrança realizada pela Fiscalização, defendendo que o Julgador de primeira instância deveria reconhecer as supostas "inconstitucionalidades" apontadas. É cediço, contudo, que este Conselho não é competente para apreciar tal matéria, com fulcro no que dispõe a súmula CARF nº 2, cuja aplicação é imperativa aos Julgadores que a compõem: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida apresentase escorreita ao afastar os argumentos trazidos pelo contribuinte no que concerne às alegadas inconstitucionalidades, constantes em inúmeras passagens da sua impugnação e reproduzidas no recurso voluntário aqui analisado, nos termos da decisão cujo teor transcrevo a seguir: Alegações de Inconstitucionalidade e Ilegalidade Em que pesem os argumentos da impugnante quanto a possibilidade de afastamento da aplicação de lei por inconstitucional, devese ressaltar que a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Ressaltese que o art. 26A, do Decreto 70.235, de 1972, acrescentado pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 2009), introduziu limitações aos órgãos de julgamento administrativo, vedando a estes afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo sob o fundamento de inconstitucionalidade, assim não declarados por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art.26A .No âmbito do processo administrativo fiscal; fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §6º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: “ ' Ique já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; IIque fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 13 7 a) dispensa legal de constituiçao ou de ato declaratória do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei rd 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n'' 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da Uniao aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar na 73, de J 993. " (NR) Em face dessa limitação, não se prestam para exame em sede administrativa as alegações produzidas pela impugnação acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas plenamente vigentes. Ademais, há que se acrescentar que o princípio da estrita legalidade é o paradigma da atividade administrativa estatal, sendo assim, a apreciação de questionamentos de jaez constitucional ou doutrinário não é província da atividade de julgamento administrativo empreendida pelo órgão competente no seio da Administração Pública, competindolhe tão somente aplicar o direito tributário positivo. Ademais, é oportuno acrescentar que o julgamento administrativo de 1° grau é coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal consoante preceitua a Portaria MF n° 58, de agosto de 2001, art. 7° (atual Portaria MF n° 58, de março de 2006). De fato, não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei ou a ilegalidade de ato normativo, pois essa copmetência foi atribu~ida em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal (CF), art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pela impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. 2. Saída de produtos industrializados do estabelecimento sem o destaque do IPI (operação de montagem) Quanto ao mérito, importante salientar que o contribuinte não se insurgiu quanto à incidência do IPI nas operações em relevo. Limitouse a alegar que o agente fiscal não teria comprovado os débitos lançados. Alega, de forma genérica, que a autuação teria se embasado em meras suposições e indícios, em afronta a princípios constitucionalmente assegurados pela Constituição Federal. Fl. 1309DF CARF MF 8 Da análise dos autos, contudo, extraise que os argumentos trazidos pelo contribuinte encontramse despidos de qualquer fundamento. Consoante bem analisou a decisão recorrida, a autuação embasouse em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, o qual insurgese com argumentos genéricos, sem indicar de forma objetiva qualquer razão que pudesse levar ao questionamento dos valores apontados no auto de infração objeto da presente demanda. No intuito de demonstrar o que aqui se expõe, transcrevese a seguir o teor da decisão recorrida, que bem analisou o tópico em questão: Como se sabe, a operação de montagem, definida como a reunião de produtos, peças ou partes de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, é considerada como industrialização nos termos do artigo 4°, inciso III, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 ( RIPI/2002). A definição legal adequase perfeitamente à reunião de componentes para a obtenção de um microcomputador. Ou seja, reunir e conectar unidades eletrônicas é, sem qualquer sombra de dúvida, operação de montagem. Neste ponto, não se insurge a interessada contra o conceito de montagem, tendo sido este, por conseguinte, aceito de forma tácita. Antes de proceder ao lançamento, a fiscalizaçao tratou de definir com precisão a atividade, de fato, a que se dedicava a autuada, estando tudo relatado no Termo de Constatação e Declaração de fls. 31 e no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1.177/ 1 .181, e concluindo, resumidamente, que a empresa compra todos os componentes necessários à montagem de computadores (gabinete, memória, processador, HD, drive, placa de rede, placamãe, placa de vídeo, leitor de CD, programas windows e Office, etc.) e vende os computadores prontos e acabados. Ressaltese que o citado Termo de Constatação e Declaração apresenta declaração assinada pelo sóciogerente Neocir Zulian confirmando que a empresa realiza operação de montagem de microcomputadores, conforme transcrição abaixo: “MILA INFORMÁTICA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNPJ Nº 85.249.779/000135, neste ato, representada pelo seu Sócio Gerente, Neocir Zulian, CPF n” 449.991.27920, e abaixo assinado, declara para os devidos fins, que da relação de notas fiscais que foi entregue, nesta data, em meio magnético, com 29.588 registros (itens de notas fiscais de saidas no periodo de janeiro de 2001 a janeiro de 2005), as quais contém o mesmo número de itens na nota fiscal (exemplo: 10 gabinetes, 10 monitores, 10 HD, 10 processadores, etc), referemse a saídas de microcomputadores montados em unm gabinete, salvo exceções, que poderão ser comprovadas, a posteriori, numa análise mais minuciosa da relação apresentada" _ Além desta constatação, as evidências de que a empresa industrializa microcomputadores na modalidade de montagem também são demonstradas no site da própria empresa, conforme cópias juntadas às fls. 427/432, onde aparece o catálogo dos que: “Em 1992, a RZ montou os primeiros micros computadores em laboratório próprío. A empresa passou então, a participar do mercado de integradores, ou seja, passou a comprar todos os componentes e montar os equipamentos de acordo com as necessidades dos clientes”. Assim, ao contrário do que afirma a impugnante, não se trata de mera presunção, pois o fato é que a montagem de microcomputadores realizada pela interessada está muito bem caracteriza nos autos. Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 14 9 3. Princípio da nãocumulatividade créditos de IPI insumos. Segue dispondo que a fiscalização teria se equivocado ao desconsiderar completamente o IPI pago quando da aquisição das mercadorias (notas fiscais de entrada). Contudo, apesar de alegar que o IPI teria sido supostamente "pago", fundamenta o seu pleito na decisão do STF proferida em relação ao ICMS, em que se considerou legítimo o crédito tanto em caso de isenção quanto em caso de não incidência. Alega que o entendimento deveria ser aplicado in totum ao IPI, "face à identidade entre os dois impostos". Novamente, percebese que os argumentos apresentados pelo contribuinte, além de apresentar uma série de inconsistências, encontramse despidos de um mínimo de objetividade. Não indicou o contribuinte, por exemplo, quais os valores que teria direito a crédito, tampouco indicou qual a situação que se enquadrava (isenção, incidência, alíquota zero), ou mesmo apresentou qualquer planilha/documento tendente a comprovar os argumentos apresentados. Não há, portanto, como se garantir direito a crédito não comprovado. Novamente, por relevante à solução da presente demanda, transcrevo a seguir passagem da decisão recorrida que tratou deste assunto: Existência de créditos do IPI a serem apurados A esse respeito, a empresa foi intimada (fls. 36/37) a apresentar planilha dos créditos do IPI de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, em relação aos itens e quantitativos de insumos aplicados na industrialização de microcomputadores, que deram saída através das notas fiscais especificadas no anexo de fls. 38/384. Em reposta, conforme documento de fl. 385, afirma que irá apresentar o demonstrativo de créditos “ juntamente com o recurso”. Pelo que se vê na impugnação apresentada, além de não ter especificado e demonstrado os supostos valores, a empresa apenas alega a desconsideração completa do IPI que seria cobrado na aquisição de matériaprima, expondo argumentos quanto a possibilidade de creditamento do montante do IPI que deixou de ser pago face a isenção tributária existente, sendo inviolável o direito ao crédito em operações isentas, não tributadas, com aplicação de alíquota zero. Discorreu ainda a decisão recorrida no sentido de que, ainda que tivesse trazido aos autos elementos probatórios, apenas conferiria direito a crédito os insumos cujo IPI tivesse sido efetivamente recolhido, não sendo admitido tal creditamento no caso de isenção ou não incidência. Neste ponto, entendo que, diante da ausência de comprovação dos créditos pleiteados, tornase despiciendo adentrar no mérito atinente ao direito ou não do contribuinte ao creditamento de IPI de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, pois ainda que tal pleito fosse procedente, esbarraria no óbice fático de que na hipótese dos autos, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento tendente a comprovar o seu direito. Portanto, correta a conclusão disposta na decisão recorrida no sentido de que: Fl. 1311DF CARF MF 10 Se houve alguma omissão no cômputo dos créditos, deveria esta ter sido identificada de forma inequívoca, e isso não foi feito. Assim, constatada a irregularidade descrita no auto de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências relativas ao IPI. Há de se ressaltar, inclusive, que o contribuinte não anexou aos autos qualquer documento adicional em seu recurso voluntário, tornando inabalável a conclusão acima indicada. 1. Da ilegalidade da cobrança de juros capitalizados da ilegalidade da imposição da taxa SELIC Alega, ainda, o contribuinte ilegalidade da cobrança de juros capitalizados e da imposição da taxa SELIC sobre o débito cobrado. Novamente, não merece guarida os argumentos levantados pelo contribuinte, pois, ao contrário do que alega, o débito objeto do presente processo fora atualizado pela fiscalização em estrito atendimento à legislação de regência. 5. Multa de ofício (75%) Por fim, alega o contribuinte que a multa de ofício aplicada in casu, no percentual de 75%, seria abusiva e inconstitucional, visto que afrontaria os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, do não confisco e da capacidade contributiva. Consoante analisado em tópico anterior, a análise da constitucionalidade da exação imposta ao contribuinte encontra óbice na súmula CARF nº 02. Logo, uma vez que a aplicação da referida multa encontra previsão legal, a qual se enquadra na hipótese descrita no auto de infração, não há como se afastar a sua imposição. 1. Da conclusão Sendo assim, com fundamento nas razões acima transcritas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 1312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.014639/2008-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 39 /2 00 8- 34 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 280DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 282DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000615/2001-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano calendário: 1996
Ementa: LUCRO REAL. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE
RECEITA. Tributa-se como omissão de receita os aportes de capital dito efetuados por sócios à empresa, quando a origem e a efetiva entrega dos suprimentos não forem comprovadas com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores.
PRESUNÇÃO LEGAL E ÔNUS DA PROVA — Cabe ao sujeito passivo o
ônus da prova nas infrações lançadas por presunções legais de que o fato presumido não ocorreu.
LANÇAMENTOS REFLEXOS — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — CSLL,
PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que
fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-000.344
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 1996 Ementa: LUCRO REAL. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. Tributa-se como omissão de receita os aportes de capital dito efetuados por sócios à empresa, quando a origem e a efetiva entrega dos suprimentos não forem comprovadas com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. PRESUNÇÃO LEGAL E ÔNUS DA PROVA — Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunções legais de que o fato presumido não ocorreu. LANÇAMENTOS REFLEXOS — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA • • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS;. . , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10882.00061512001-09 Recurso u° 164.721 Voluntário Acórdão n° 1802-00.344 — r Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente ELMO SEGURANÇA E PRESERVAÇÃO DE VALORES S/C LTDA Recorrida 3a.Turma/DRJ/Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 1996 Ementa: LUCRO REAL. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. Tributa-se como omissão de receita os aportes de capital dito efetuados por sócios à empresa, quando a origem e a efetiva entrega dos suprimentos não forem comprovadas com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. PRESUNÇÃO LEGAL E ÔNUS DA PROVA — Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunções legais de que o fato presumido não ocorreu. LANÇAMENTOS REFLEXOS — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do,. colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos doislatoritie voto que passam a inte.Q r ente julgado. • 01‘. M 14UECNS—DE SOU A 1.13—resid • e Relatora. EDITADO EM: MAR 20 10 Participaram da sessão de lamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José De Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado), Nelso Kichel (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma). Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida 2 Processo n° 10882.000615/2001-09 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.344 Fl. 2 Relatório ELMO SEGURANÇA E PRESERVAÇÃO DE VALORES S/C LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, DRJ/Campinas/SP, que julgou procedente o lançamento constante dos Autos de Infração, fls.237/258 e por conseqüência manteve o seguinte crédito tributário, relativo ao ano calendário de 1996: - Imposto de Renda Pessoa Jurídica — 1RPJ no valor de R$ 48.158,92, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.237/241); - Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS no valor de R$ 1.280,50 acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.242 a 246); - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS no valor de R$ 3.940,00, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.247 a 250); - Contribuição Social - CSLL no valor de R$ 14.592,59, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.252 a 256). A exigência principal relativa ao IRPJ, teve como fundamento Omissão de Receita — Aumento de Capital - caracterizada pela falta de comprovação da origem e da efetiva entrega de R$ 197.000,00, contabilizados no Livro Diário, fl.121, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constante do Auto de Infração (fls.238/239), a seguir transcritos: 001— OMISSÃO DE RECEITAS Aumento de capital sem comprovação da origem e da efetiva entrega dos recursos. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal 2000- 00.327-1 e 2001-00.006-3, procedemos à fiscalização do contribuinte para verificação dos aumentos de capital efetuados no período de 1996. O contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos através do Termo de Intimação 2000.00327-1/01, de 29/09/00, anexo à folha 04. O contribuinte apresentou a carta, de 06/10/00, anexada à folha 05, justificando a falta de entrega da documentação dentro do prazo concedido. Em 18/10/00 foi lavrada a intimação 2000.00327-1/02, anexa à folha 07, reiterando a solicitação. O contribuinte apresentou carta em 07/11/00, anexa às folhas 08/09, apresentando justificativas para os aumentos de capital efetuados pela empresa. Apresentou também cópias do Contrato Social consolidado e alterações registradas em 22/02/96, 22/05/96, 26/07/96, 10/12/97, 15/12/97, 23/12/97, 15/10/99 e 21/01/00, anexas às folhas 10 a 56. O contribuinte foi novamente intimado, através do Termo de Intimação 2000.00327-1/03, de 06/12/00, anexo à fl. 57, a apresentar os documentos referentes ao aumento de capital social de R$ 850.000,00, para R$ 1.200.000,00, na parcela correspondente a R$ 197.000,00, integralizada em moeda corrente, pelos sócios, conforme consta na Alteração e Consolidação do Contrato Social de 16/05/96, registrada em 22/05/96, anexa às fls. 17 a 22. Os sócios da empresa, Gilberto Cuiabano Barbosa CPF 539.973.957-72 e Maria Paula Coelho Chierighini Barbosa, CPF 026.987.878-56, foram também intimados a apresentar a documentação relativa ao aumento de capital, conforme intimações de 06/12/00, anexas às fls. 58/59. Em 26/12/00 o contribuinte solicitou dilação do prazo para atendimento, conforme carta anexa à fl. 60. Em 18/01/01 o contribuinte apresentou a carta anexa às folhas 61 a 64, e juntou os anexos intitulados de DOC.I a DOC.7, às folhas 65 a 236, abrangendo em conjunto a pessoa jurídica e as pessoas físicas dos sócios. Em suma, o contribuinte alegou na parte Ide sua carta, relativa à origem dos recursos, que as pessoas físicas apresentaram em 1996, rendimentos compatíveis com o investimento de R$ 197.000,00 para aumento de capital da empresa. Na parte II da carta, relativa à comprovação da efetiva entrega do valor à empresa, apresentou apenas o lançamento efetuado na folha 52 do Livro Diário, em 16/05/96, conforme cópia el. 121. Consoante disposição legal, a comprovação da efetiva entrega do valor à empresa deve ser feita através de documentos hábeis e idóneos, coincidentes em datas e valores com os registros da contabilidade. O mero registro na contabilidade, sem qualquer documento externo que o lastreie, não é meio de prova. A falta de comprovação da efetiva entrega dos recursos pelos sócios, enseja a presunção legal de omissão de receitas em montante equivalente ao valor não comprovado. Por outro lado, a capacidade financeira dos supridores para investimento, alegada pelo contribuinte, não é prova para elidir a presunção de omissão de receitas na pessoa jurídica. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts.artigos 195, inc. II, 197 e parágrafo único, 226 e 229 do R1R/94; Art. 24 da Lei n°9.249/95" A empresa foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n", 8.906, de 14/03/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR), 0.401, em 17/05/2005 e p otocolizou Recurso ao Conselho de Contribuintes em 15/06/2005, fis.402/413. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega, em síntese: - que, o lançamento baseou-se na presunção de omissão de receitas, sendo que a legislação só admite tal presunção quando disso houvera "indícios na escrituração do contribuinte"; 4 Processo n° 1088200061512001-09 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00394 Fl. 3 - que, apesar de os sócios possuírem saldo resultante de rendimentos normalmente oferecidos tributação, atribuiu-se à empresa a pecha de infratora sem apontar justificativa da suspeitosa pratica de omissão de receita; - que logrou provar a efetiva entrega dos recursos, lançando nos livros caixa e diário a entrada do dinheiro, no próprio dia da alteração do contrato social; - que, os documentos contábeis comprovam todas as alegações, não considerados pela decisão recorrida pelo que deve ser a decisão anulada por cerceamento ao direito de defesa. Requerendo a reforma da decisão recorrida, ao final ratifica a inocorrência de omissão de receita por entender que provou de maneira satisfatória, o aumento de capital e seu efetivo ingresso, "com a entrega dos livros de escrituração, assinalando a chegada do dinheiro e o seu posterior dispêndio". É o relatório. Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°. 70.235/72 e alterações posteriores, dele tomo conhecimento. Questão inicial deve ser enfrentada no que pese a alegação de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa". Alega a Recorrente que a decisão deixou de fundamentar porque não seriam os documentos contábeis e a declaração de renda dos sócios da empresa meios de prova. A alegação da Recorrente é totalmente infundada. A decisão recorrida no voto condutor do acórdão demonstra à exaustão de modo explícito, claro e congruente os fundamentos de direito e de fato que motivaram sua conclusão para a sustentação da omissão de receita por presunção legal, vejamos: No que respeita ao mérito, verifica-se que a omissão de receitas que norteia o lançamento tributário teve por fundamento a insuficiência, no entender da fiscalização, da comprovação da efetiva entrega pelos sócios da pessoa jurídica, da cifra de R$ 197.000,00 contabilizada em maio de 1996 a titulo de integralização de aumento de capital O deslinde da questão demanda prévio exame dos dispositivos que regulam a matéria e que valem indistintamente para suprimentos de numerários registrados como empréstimos entre os sócios e a pessoa jurídica ou como aportes para fins de aumento de capital Observe-se, inicialmente, o que diz o art. 229 do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado no Decreto n°1.041, de 11 de janeiro de 1994 (R1R/1994): 'RIR/1994: Art. 229— Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular de empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas." Vê-se que o artigo transcrito atribuiu aos contribuintes o ônus de produzir provas cumulativas e indissociáveis sobre dois fatos: origem e efetividade dos recursos de caixa fornecidos por pessoas ligadas. Necessária a prova da efetividade da entrega do numerário a fim de reprimir lançamentos fictícios que visem legitimar, pela via do ingresso no caixa recursos que passaram à margem da tributação. Já no que diz respeito à comprovação de origem, sua inclusão na norma visou impedir que recursos em algum momento desviados da escrituração oficial, retornem, legalizados, ao patrimônio da empresa. 6 Processo e 10882.000615/2001-09 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00344 FL 4 Assim, somente a apresentação de documentos que suportem, cumulativamente, a efetividade da entrega e a origem idônea dos suprimentos de caixa, a qualquer titulo, tem a capacidade de afastar o previsto no art. 229, do RIR/1994: a consideração dos aportes não comprovados como receitas omitidas. No mesmo sentido dispõe o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação (PN CS7) n°242, de 1971: "COMPROVAÇÃO DE SUPRIMENTOS DE CAIXA. "A simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para comprovação dos suprimentos efetuados à pessoa jurídica. É necessário, para tal, a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas. A comprovação da veracidade do suprimento se faz, provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo e não com a simples alegação de que o supridor dispunha da referida importância. Da mesma forma o supridor terá que comprovar a origem dos seus saldos bancários ou do dinheiro em cofre." Ao contrário do que pretende fazer crer a impugnante, o mero registro contábil do aporte de recurso não tem força para atestar a efetiva entrega do numerário pelo sócio à pessoa jurídica. Isto porque, à luz da boa técnica contábil, não se pode conceber assentamento na contabilidade desprovido da documentação que lhe dê suporte sob pena de, se assim não fosse, estar-se a privilegiar formalidade em detrimento do aspecto fático. Assim, o assentamento contábil do aumento de capital não atesta o ingresso do aporte no domínio da pessoa jurídica. A comprovação desse fato demandaria apresentação de conjunto probatório coincidente em data e montante com os aportes de numerários. Observe-se que a exigência dessa comprovação, não comporta nenhuma restrição ao livre curso da moeda nacional. O requisito da dupla comprovação da efetividade da entrega e da origem idônea dos recursos supridos às pessoas jurídicas por pessoas ligadas apenas instrumentaliza a exigência da legislação fiscal, mais propriamente o art. 229 do RIR de 1994. Ainda que se cogitasse da efetivação do aporte mediante numerário em espécie, em que pese a operação montar a R$ 197.000,00, caberia à interessada reunir os elementos de comprovação que atestassem por exemplo, o depósito em banco ou operação de mesma envergadura em data próxima ou ainda o saque em data anterior efetuada pelos sócios supridores. A autuada finca-se no sentido de reiterar a suficiência da documentação constante dos autos para comprovar a origem e a efetividade do mencionado aporte de recursos no montante de R$ 197.000,00 realizado em maio. Não é a essa conclusão a que 7 se chega pela verificação dos documentos de fls. 61 a 236, apresentados ainda antes da lavra tura do auto de infração, em resposta a intimação do autuante. De fato, a empresa juntou aos autos a cópia do Livro Diário relativo ao ano-calendário de 1996 (/ls. 70/236). À fl. 121, identifica-se o lançamento, em 16/05/1996, do ingresso de R$ 197.000,00 sob o histórico de AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL CONF. RCRI NESTA DATA. Fia-se a defesa nesse assentamento, considerando-o como prova da efetiva entrega do numerário à empresa pelos sócios. No entanto, é preciso dizer que os lançamentos contábeis, ainda que assentados corretamente, segundo as regras extrínsecas da escrituração (data, histórico, conta de contrapartida), não prescindem do elemento intrínseco que lhe dá força: a documentação hábil e idônea que corresponda ao fato contábil registrado. Por oportuno convém observar com mais detalhe o ordenamento jurídico no que tange aos meios de prova exigidos para que os lançamentos contábeis produzam os efeitos tributários que lhes são próprios, no âmbito dos tributos federais. O artigo 197 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994, dispõe que: O artigo 197 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 1994, dispõe que: Decreto n°1.041, de 1994: "Art. 197. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. (Decreto-lei n°1.598/77, art.7°) Parágrafo único - A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, bem como os resultados apurados anualmente em suas atividades no território nacionaL" (Lei n°2.354/54, art. 2°) Já, o artigo 210 do Regulamento em apreço traz a seguinte redação: Decreto n°1.041, de 1994: "Art. 210. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, os documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos e ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimoniaL" (Decreto n°486/1969, art. 4°) Vale registrar que, não acatar os argumentos da defesa não significa deixar de minar a escrituração do contribuinte ainda que não apresentada a documentação hábil e idônea que corresponda ao fato contábil registrado.4ç Assim, demonstrada à saciedade a motivação da decisão recorrida rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada de cerceamento ao direito de defesa. 8 f Processo e 10882.000615/2001-09 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00304 FE 5 No tocante à Omissão de Receita sob o fundamento de que a empresa não comprovou a origem e a entrega de R$ 197.000,00 contabilizados no Livro Diário, a recorrente afirma que comprovou a origem e a efetividade do aporte do capital à sociedade. Cotejando-se os autos, o que se busca desde o inicio da fiscalização e não se encontra nos autos é a comprovação da origem e da efetiva entrega desses recursos. Consta da descrição dos fatos, conforme relatado: Em suma, o contribuinte alegou na parte Ide sua carta, relativa à origem dos recursos, que as pessoas fisicas apresentaram em 1996, rendimentos compatíveis com o investimento de R$ 197.000,00 para aumento de capital da empresa. Na parte H da carta, relativa à comprovação da efetiva entrega do valor à empresa, apresentou apenas o lançamento efetuado na folha 52 do Livro Diário, em 16/05/96, conforme cópia à fi. 121. Consoante disposição legal, a comprovação da efetiva entrega do valor à empresa deve ser feita através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores com os registros da contabilidade. O mero registro na contabilidade, sem qualquer documento externo que o lastreie, não é meio de prova. A falta de comprovação da efetiva entrega dos recursos pelos sócios, enseja a presunção legal de omissão de receitas em montante equivalente ao valor não comprovado. Por outro lado, a capacidade financeira dos supridores para investimento, alegada pelo contribuinte, não é prova para elidir a presunção de omissão de receitas na pessoa jurídica. A recorrente apenas, de modo singelo, alega que houve a entrega do dinheiro e que os sócios possuíam capacidade financeira para promover o aporte de recursos porém não traz aos autos qualquer explicação Sou comprovação da origem dos valores consentâneos com suposta capacidade financeira dos sócios para o aludido aporte de recursos à empresa nas datas coincidentes da entrega dos recursos. Também não faz prova da efetiva entrega dos recursos. O art.229 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/94, não deixa dúvidas: Provada, por indícios da escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor de recursos de caixa fornecidos à sociedade por administradores, sócios da sociedade de pessoas, ou pela acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.(Decretos-lei yrs 1598/77, art.12, § 3°, e 1.648/78, art.1`;11) Da dicção do referido dispositivo legal depreende-se que o suprimento de numerário sem comprovação conjunta de sua origem e efetiva entrega autoriza a presunção de omissão de receita nos montantes supridos. É essa a situação fática de subtração de rendimentos tributáveis pelo Cio que o dispositivo legal em exame quer alcançar, pois, de outro modo, teríamos a possibilid 9 perene de se legalizar, sem ônus qualquer, a receita anteriormente afastada da incidência tributária. A figura do suprimento de caixa, geralmente, decorre da necessidade de a empresa honrar suas obrigações a pagar sem que deste cumprimento resulte saldo credor de caixa por possível receita omitida. No entanto é necessária a comprovação da origem e da entrega dos valores ditos supridos pelos sócios. Sabendo-se que cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunções legais de que o fato presumido não ocorreu. Por pertinência a matéria de que se cuida, vale lembrar o Acórdão n° 101- 75.653/85 (DOU de 02.10.86) a seguir ementado: Se o supridor, sócio da pessoa jurídica, não comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com o numerário suprido, a origem externa à empresa destes mesmos valores, há presunção júris tantum de que houve omissão de receitas, pois, se a origem do numerário não for externa, evidentemente a fonte do dinheiro utilizado é a própria empresa. A simples alegação de que o supridor dispunha da importância suprida em nada comprova a veracidade do suprimento esta se faz provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo. É certo como bem frisou o mencionado Acórdão a presunção é relativa e para que seja afastada, o contribuinte terá necessariamente que provar dois aspectos: a transferência de recursos para a pessoa jurídica e a origem dos valores. Qualquer um desses elementos, isoladamente comprovados, não terá o condão de descaracterizar a presunção de omissão de receitas. Nesse contexto, trago alguns excertos do voto do eminente conselheiro Amador Outerelo Femandez, então presidente da CSRF. Voto que se tomou paradigma para decisões administrativas de mesma espécie. Acórdão n° CSRF/01-0.220, de 4 de maio de 1982 Finalmente, a experiência de mais de meio século de fiscalização demonstrou ao Fisco que um dos meios de prova de apropriação, pelo titulares, sócios ou acionistas, de receitas da firma, após haver sonegado o seu ingresso na escrita da sociedade, era o registro na contabilidade da pessoa jurídica de: a) pseudo suprimento em nome dos sócios ou administradores, evitando-se desse modo, os eventuais "estouros de caixa" (..); ou ainda de b) enganosas entradas de numerário para aumento de capital. Tendo a fiscalização descoberto esse procedimento irregular, dada a completa vinculacão entre o creditado e a sociedade aquela passou a exigir a efetiva comprovação da origem dos recursos que as firmas ou sociedades creditavam aos administradores ou titulares do capital, quer nas contas de "Suprimentos", quer nas de "Capital". (Grifos do original) io Processo n° 10882.00061512001-09 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00344 Fl. 6 (.) entendia a jurisprudência do Conselho que se o Fisco ao examinar a contabilidade das pessoas jurídicas encontrava créditos a favor dos sócios com poder de gerência, sem qualquer documento hábil que amparasse tal escrituração, considerava esse fato indício de omissão de receita, intimando imediatamente a fiscalizada a que fizesse prova do real ingresso (entrada externa) e/ou da origem ou procedência dos recursos supridos. Assim, provado ter a pessoa jurídica haver levado a crédito dos seus titulares ou administradores importância cuja origem, após devidamente intimada a comprovar, não o fez, corporifica-se a circunstância ou antecedente que autoriza afundar uma opinião acerca da existência de determinado fato, ou seja, os aludidos meios de prova (indícios) (..). Efetivamente, a jurisprudência que conhecemos sempre se apoiou no exame de escrita para compulsar a legitimidade dos créditos aos sócios. Quando os documentos ou esclarecimentos não eram satisfatórios, exigia-se por escrito, a prova da efetiva entrega dos recursos contabilizados e a origem da procedência dos recursos que se indicava, sem qualquer prova, haverem sido aportados. Qualquer outra prova de omissão de receita, devidamente comprovada, tal como: subfaturamento devidamente quantificado; vendas sem nota; saldo credor de caixa; passivo fictício etc, sempre foi concomitantemente tributada quando esses fatos eram concorrentes, mas a sua existência nunca foi indispensável para a tributação da receita omitida, detectada através de créditos aos sócios, cuja origem dos recursos não ficava cabalmente demonstrado estar em negócios sociais regularmente contabilizados. Finalmente, os suprimentos nunca foram tributados como tal, mas como prova da origem de recursos omitidos na contabilidade da sociedade e desviados pelos sócios dirigentes. Quer dizer, eles não eram tributados pela sua entrada na sociedade (retorno), mas porque, à semelhança do que ocorre como o "estouro de caixa", o crédito sem origem revela ter ocorrido, em momento anterior não determinável, uma sonegação de receita da pessoa jurídica (.). Realmente a lei nova nada inovou a respeito da matéria. Isto porque, a autuação, nesses casos, já encontrava lastro jurídico na legislação que trata da "escrituração que deverá abranger todas as operações do contribuinte", consoante determina o art. 20 da Lei n°2.354, de 28.11.54. (.) A autuação que além de decorrer de indícios circunstanciais que rodeavam o caso controvertido, também já encontrava suporte no fato de que, inexistindo norma que atribua à escrituração do 1 contribuinte a presunção e veracidade, a ele cabe, naturalmente, o ônus da prova da ocorrência dos fatos contabilizados e de que eles se deram na forma objeto de registro. /V) I I Ora, se produção dessa prova é possível e se a pessoa jurídica, que tem o ônus legal de produzi-la, não o faz, porque não pode ou porque não quer, fica de meridiana forma patenteada a certeza de que os recursos supridos não tiveram a alegada origem externa à empresa, mas que são oriundos desta e configuram receita omitida. (..) a legislação nova, de uma parte, consagrou o que a jurisprudência administrativa há décadas já admitia, ou seja, a tributação por indícios; e, de outra parte, nada mais fez do que formular um critério de arbitramento da receita omitida com base no valor dos recursos de caixa supridos, nos casos em que não for comprovada a efetividade da entrega e a origem destes. A opinião da doutrina, por sua vez, anda na mesma senda, consoante os trechos abaixo: Nos termos do Decreto-lei n° 1.598/77, art. 12, § 30 (.) a presunção relativa de omissão de receitas baseia-se em indícios coletados a partir da escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, gerando à autoridade administrativa o dever de arbitrar a receita com base no valor de recursos de caixa fornecidos à sociedade por administradores, sócios, titulares da empresa individual ou acionista, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. Para que a presunção relativa seja afastada, o contribuinte terá necessariamente que provar dois aspectos: a transferência de recursos para a pessoa jurídica, o que facilmente seria provado mediante, por exemplo, cheque nominal em seu favor, e a origem dos valores, se da fonte estranha à sociedade ou, se dela, regularmente contabilizados. Qualquer um desses elementos, isoladamente comprovados, não terá o condão de descaracterizar a presunção de omissão de receitas. (Maria Rita Ferragut, "Presunções no Direito Tributário", editora Dialética, 2001, página 131) O empréstimo ou aumento de capital em dinheiro, com recurso de origem externa comprovada, deverá serfeito mediante cheque nominal cruzado em favor da pessoa jurídica afim de evitar que os suprimentos de recursos sejam considerados como receitas omitidas. Não basta, todavia, comprovar somente a efetiva entrega do dinheiro. Á comprovação da origem dos recursos supridos significa a necessidade de ser demonstrado que os recursos advenientes dos sócios foram percebidos por estes de fonte estranha á sociedade ou, se da empresa, submetidos a regular contabilização. (Hiromi Higuchi, em "Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e Prática", página 557, Atlas, 26° edição, 2001) 36. Por fim, a jurisprudência dos tribunais administrativos e judiciais ainda hoje beira a unanimidade quando trata da matéria. O que não é de surpreender, tendo em conta os enunciados declarativos de validade do § 3° do art. 12 do Decreto-Lei n° 1.598/77 proferidos pela CSRF. Aqui trago 12 Processo n° 10882.000615/2001-09 51 -TE02 Acórdão n.° 1802-00.344 Fl. 7 alguns arestos aprovados pela Justiça, pelos CC e pela própria CSRF: TRF - PRIMEIRA REGIÃO, APELAÇÃO MEL 01113487, SEGUNDA TURMA, 04/06/2002, JUIZ CÂNDIDO MORAES TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. EMPRÉSTIMO DE DINHEIRO PELO SÓCIO À SOCIEDADE. I. "O empréstimo feito pelo sócio à empresa de que faz parte, para suprimento de caixa, deve ficar cabalmente demonstrado, comprovando-se a origem do numerário e sua entrega efetiva, sob pena de se entender ser fictício para ocultar estouro de caixa." (AC 95.01.35915-8/GO, 30 Turma, Relator Juiz TOURINHO NETO, DJ 06/05/1996). 2. "No caso presente, depósitos bancários ou declaração dos sócios de que os aportes foram fornecidos em moeda corrente, sem o documento comprobatório da efetiva entrega do numerário, não são suficientes para comprovar sua origem ou a conta credora do sócio, tido como supridor." (AC 94.01.11073- 5/MG, r Turma, Relator Juiz LUIZ AIRTON DE CARVALHO). TRF -PRIMEIRA REGIÃO, APELAÇÃO CIVEL — 01000023663, SEGUNDA TURMA, 05/03/2002, JUIZA VERA CARLA NELSON DE OLIVEIRA CRUZ TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. CTN, AR?'. 148. RIR/80, AR?'. 181. (...)IV. A não comprovação da origem e da efetividade de suprimento de caixa importa na prevalência da presunção de omissão de receita, não sendo os lançamentos contábeis suficientes para afastá-la. TRF - PRIMEIRA REGIÃO APELAÇÃO CÍVEL — 01000445438, • TERCEIRA TURMA, 24/06/1999, JUIZ OLINDO MENEZES • TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA PELOS SÓCIOS. NÃO • COMPROVAÇÃO DA EFETIVA TRANSFERÉNCL4 PATRIMONIAL. (..)2. Apurada omissão presumida de receita, mediante suprimento de caixa pelos sócios, sem a devida transferência de numerário do patrimônio daqueles para o da empresa, não é esta Ultima parte ilegítima para a causa na execução do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o lucro presumidamente distribuído aos sócios. 3. A omissão de receita caracterizada pelo suprimento de caixa feito pelos sócios à empresa só é ilidida pela comprovação da efetiva transferência de numerário do patrimônio daqueles para o da empresa, não sendo suficientes, para essa comprovação, a exibição de recibos emitidos pela empresa, o lançamento contábil de tais recibos e a demonstração de capacidade financeira dos sócios para suportar o suprimento. 13 CSRF/01-04.012, 19/08/2002, rel. Cândido Rodrigues Neuber OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR ACIONISTA MAJORITÁRIO. Nos casos de suprimento de numerário por acionista majoritário da empresa, a prova da origem dos recursos alcança a fonte pela qual o supridor obteve os recursos oferecidos à companhia. OMISSÃO DE RECEITAS. Constituem omissão de receitas os valores supridos pelos sócios e empresas ligadas, quando o contribuinte não demonstra a efetividade do ingresso dos valores e o fato de que estes se originaram do patrimônio do supridor. OMISSAO DE RECEITAS. Comprovado o lançamento à débito de caixa de cheques cuja compensação se deu em favor de pessoas estranhas aos pagamentos efetuados no mesmo dia e no mesmo valor, configura-se a omissão de receitas, não na forma presuntiva, mas na concreta, no valor do suprimento inexistente. Acórdão 107-07612, 15/04/2004, re1 Octávio Campos Fischer IRPJ E OUTROS — OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE CAIXA. Mesma orientação supra, lastreada em específica jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes, no sentido de que "Á falta de comprovação pela autuada da efetividade do suprimento de caixa realizado por sócio, e de que ele dispunha, na mesma data, de recursos suficientes com a correspondente prova da origem admite a presunção de que os valores supridos têm origem em receitas omitidas do giro comercial da própria empresa" (Recurso Voluntário n°117873, 5° Câmara do 1° CC, Relatar Ivo de Lima Barboza). Acórdão 103-19322, 14/04/1998, rei Edson Menne de Brito IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMENTOS DE CAIXA - EMPRÉSTIMOS - Se, devidamente intimada, a contribuinte não logra comprovar com documentação hábil, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos utilizados na operações de empréstimos, é de se manter a tributação do valor da receita omitida, tendo em vista o disposto no art. 181 do RIR/80. Acórdão 103-20564, 18/04/2001, reL Mary Elbe Gomes Queiroz SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS - O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica sujeita-se à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da respectiva entrega dos recursos, cujas operações deverão ser coincidentes em datas e valores. Caso o sujeito passivo não consiga comprovar a efetividade do suprimento configura-se a hipótese como a presunção legal juris tantum de omissão de receitas. Acórdão 107-05598, 13/04/1999, Natanael Martins IRPJ - AUMENTO DE CAPITAL - COMPROVAÇÁO - Os suprimentos de caixa realizados por parte dos sócios da pessoa jurídica, destinados a aumento de capital, sem prova da boa origem e efetiva entrega dos mesmos, autoriza a presunção legal de omissão de receitas nos termos do disposto no artigo 181 do RIR/80." Com efeito, não havendo a recorrente trazido aos autos a comprovação da efetiva entrega e da origem externa dos suprimentos de caixa realizados pelos sócios em maio de 1996, no total de R$ 197.000,00, configura-se a situação como presunção de omissão de ec n desconstituida pelo contribuinte, razão pela qual deve ser mantida a exigência. 14 Processo n° 10882.000615/2001-09 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.344 Fl. 8 Quanto aos lançamentos reflexos, CSLL, PIS e COFINS, decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. • Pelo exposto, voto -sentido de NEGAR provimento ao recurso. atoraRS2ER Q L E-S- .• • I5
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