Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10680.912803/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. CABIMENTO.
Constatada a existência de omissão, obscuridade e contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar os vícios apontados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO.
O saneamento dos vícios apontados não tem necessariamente o condão de alterar o resultado do acórdão embargado, caso em que os embargos devem ser acolhidos parcialmente, sem os efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3201-001.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, sem lhe dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgamento. Houve sustentação oral pela patrona Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. CABIMENTO. Constatada a existência de omissão, obscuridade e contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar os vícios apontados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO. O saneamento dos vícios apontados não tem necessariamente o condão de alterar o resultado do acórdão embargado, caso em que os embargos devem ser acolhidos parcialmente, sem os efeitos infringentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10680.912803/2009-05
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454269
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-001.860
nome_arquivo_s : Decisao_10680912803200905.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : DANIEL MARIZ GUDINO
nome_arquivo_pdf_s : 10680912803200905_5454269.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, sem lhe dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgamento. Houve sustentação oral pela patrona Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5891307
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704532156416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 258 1 257 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912803/200905 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201001.860 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Embargante FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. CABIMENTO. Constatada a existência de omissão, obscuridade e contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar os vícios apontados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO. O saneamento dos vícios apontados não tem necessariamente o condão de alterar o resultado do acórdão embargado, caso em que os embargos devem ser acolhidos parcialmente, sem os efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, sem lhe dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgamento. Houve sustentação oral pela patrona Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 28 03 /2 00 9- 05 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912803/200905 Acórdão n.º 3201001.860 S3C2T1 Fl. 259 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por Federação Interfederativa das Cooperativas de Trabalho Médico do Estado de Minas Gerais, doravante simplesmente Embargante, contra o Acórdão nº 3201001.260, datado de 23/04/2013, proferido por este colegiado, que negou provimento ao seu recurso voluntário. O acórdão embargado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2005 COOPERATIVAS EM GERAL. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE SOBRE FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com a decisão, a Embargante recorreu na forma do art. 65, inc. II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. Em síntese, a Embargante alega o seguinte: a) A Embargante não procedeu às deduções trazidas pelo Decreto nº 4.524, de 2002, na apuração do PIS Faturamento, não havendo sequer o enquadramento na suposta exigência do PIS Folha. Portanto, o acórdão Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912803/200905 Acórdão n.º 3201001.860 S3C2T1 Fl. 260 3 foi omisso com relação aos documentos juntados (não apenas balancetes) e com relação à possibilidade de se converter o julgamento em diligência, em face da primazia da verdade real; b) Ainda que a Embargante houvesse deduzido as sobras cooperativistas previstas no inciso VI daquele Decreto, a legislação que introduziu a possibilidade de as cooperativas deduzirem da base de cálculo do PIS/Cofins os valores referentes às suas sobras não ampliou o rol de deduções do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e não há previsão na Lei nº 10.676, de 2003, para que as deduções das sobras se sujeitem à incidência do PIS Folha. Com efeito, o acórdão foi omisso com relação à base legal para a incidência do PIS Folha; foi obscuro na construção do raciocínio que levou o colegiado a decidir pela incidência de PIS Folha sobre as deduções das sobras; e foi contraditório quando mencionou que o Decreto nº 4.542, de 2002, incluiu nova hipótese de dedução àquelas contidas originariamente no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual, todavia, já era implícita; c) Ainda que o legislador ordinário houvesse optado por incluir um sexto inciso no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, permitindo a dedução das sobras (ou outras quaisquer) na base tributável do PIS/Cofins, seria inadmissível a imposição à Embargante do recolhimento do PIS Folha, haja vista o teor do vigente § 2º do mencionado dispositivo, que restringe a subsunção a essa modalidade relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput do mesmo dispositivo legal. Por fim, a Embargante pleiteia o saneamento dos vícios apontados com os efeitos infringentes cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. I – Omissões Inicialmente cumpre esclarecer que, de acordo com os arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, embora o sujeito passivo possa pleitear a realização de diligências, a sua realização é uma faculdade da autoridade julgadora, uma vez que ela precisa estar certa dos fatos sobre os quais proferirá a decisão. Quando o sujeito passivo pleiteia um direito, incumbelhe trazer provas robustas de que esse direito existe, salvo quando ele não dispuser dos meios necessários para fazer essa prova. Nestes casos, a autoridade julgadora tende a acolher o pedido de diligência, embora não esteja obrigada a fazêlo. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912803/200905 Acórdão n.º 3201001.860 S3C2T1 Fl. 261 4 De todo modo, para não restar quaisquer dúvidas acerca do acórdão embargado, convém sanear as alegadas omissões. No caso concreto, houve a relativização da preclusão material, aceitandose os documentos trazidos em fase recursal. Em suma, a Embargante trouxe o inteiro teor da Solução de Consulta nº 412, de 2004, expedida pelo Chefe da DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal – 6ª Região, com o objetivo de demonstrar que não estava sujeita ao regime de PIS Folha; e parte dos balancetes, a fim de demonstrar que não efetuou a dedução das sobras cooperativistas no cálculo do PIS Faturamento. Contudo, tais documentos não foram suficientes para formar a convicção dos julgadores na medida em que a solução de consulta apenas informou que as receitas da Embargante não estavam isentas da Cofins e sujeitas ao PIS Folha, na forma do art. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Em outras palavras, a solução de consulta não entrou no mérito da incidência do PIS Folha especificamente sobre as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ou no art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003. Desse modo, permaneceu a dúvida acerca da não sujeição da Embargante à incidência do PIS Folha no caso específico da exclusão prevista no art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003. Por outro lado, a Embargante não provou, de forma cabal, que deixou de realizar a exclusão permitida no art. 1º, § 2º, da Lei nº 10.676, de 2003, com a simples juntada parcial dos balancetes contábeis. A conduta da Embargante contrariou, pois, o comando legal previsto no art. 333, inc. I, do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Confirase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Registrese que, no caso concreto, o processo é de iniciativa da Embargante, e não da fiscalização. Tratase de um pedido de compensação. Com efeito, cabia à Embargante, no momento oportuno, demonstra a existência do seu direito creditório, o que não conseguiu com a Solução de Consulta SRRF 6ª Região nº 412, de 2004, nem com os balancetes contábeis. Para isso, bastaria que a Recorrente juntasse a memória de cálculo detalhada da apuração do PIS Faturamento, o que não foi feito em momento algum. No tocante à omissão com relação à base legal para a incidência do PIS Folha no caso das sobras cooperativistas, a Embargante está parcialmente correta. De fato, a legislação poderia e deveria ser mais clara sobre o assunto, pois não há lei strictu senso que diga expressamente que a parcela das deduções de sobras cooperativas está sujeita à incidência de PIS Folha. Essa previsão somente está contida, de forma expressa, no art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Porém, quando o legislador incluiu a hipótese das sobras cooperativistas entre as hipóteses de exclusão do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, por meio do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002, quis lhe dar o mesmo tratamento tributário aplicável Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912803/200905 Acórdão n.º 3201001.860 S3C2T1 Fl. 262 5 às demais exclusões. Após a edição da referida medida provisória, foram editados o Decreto nº 4.524, de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Contudo, no processo de conversão da Medida Provisória nº 66, o art. 36 não foi aprovado, quando, então, tanto o decreto quanto a instrução normativa ficaram sem embasamento legal. Contudo, isso ocorreu por pouco tempo, pois logo foi editada uma outra medida provisória que acabou sendo convertida na Lei nº 10.676, de 2003, saneando a falta de base legal temporária para os dispositivos infralegais citados anteriormente. Como o período em discussão no presente processo administrativo é posterior à Lei nº 10.676, de 2003, a incidência de PIS Folha sobre a exclusão de sobras cooperativistas já estava respaldada em lei strictu senso. Mesmo que a Embargante discorde desse raciocínio, não poderia ignorar a existência do Decreto nº 4.524, de 2002, sem estar protegida por decisão judicial, ainda que precária. Logo, repitase, a Embargante deveria ter comprovado, de forma cabal, que não excluiu qualquer sobra cooperativista da base de cálculo do PIS Faturamento, a fim de justificar que o recolhimento que motivou a sua declaração de compensação era realmente indevido pelo simples fato de ser recolhimento de PIS Folha. II – Obscuridade A Embargante também alega que o acórdão embargado foi obscuro na construção do raciocínio que levou o colegiado a decidir pela incidência de PIS Folha sobre as deduções das sobras. Na medida em que a Embargante não trouxe aos autos do presente processo prova (i) de que estava amparada por decisão judicial que afastasse a aplicação do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002, ou (ii) de que não excluíra as sobras cooperativistas da base de cálculo do PIS Faturamento, o colegiado partiu da premissa lógica de que o PIS Folha era devido e foi recolhido de forma acertada, assim como fizeram as autoridades integrantes das Delegacias de Fiscalização – DRF e de Julgamento – DRJ. O raciocínio é simples: a Embargante é uma cooperativa de serviços médicos e recolheu um DARF no código de PIS Folha. Logo, pressupõese que a Embargante excluiu da base de cálculo do PIS Faturamento as sobras cooperativistas, tendo recolhido, em contrapartida, o PIS Folha, nos termos do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Qualquer raciocínio diverso demandaria prova em contrário. Saneado o vício de obscuridade, fazse imperioso analisar o vício de contradição. III – Contradição O relator do acórdão embargado concorda que se expressou de forma contraditória quando mencionou que o Decreto nº 4.542, de 2002, incluiu nova hipótese de exclusão àquelas contidas originariamente no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual, todavia, já era implícita. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912803/200905 Acórdão n.º 3201001.860 S3C2T1 Fl. 263 6 Portanto, propõese a supressão da parte destacada no trecho do voto abaixo transcrito: Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, também não merece amparo a Recorrente. Com efeito, o referido decreto apenas estabelece, em seu art. 32, uma nova hipótese de exclusão de base de cálculo na apuração do PIS Faturamento, qual seja, o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. Naturalmente, se o valor das sobras poderia ser excluído da base de cálculo do PIS Faturamento, caberia a incidência cumulativa do PIS Folha, a exemplo das demais exclusões já previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, o decreto em questão apenas tratou de explicitar algo que já estava implícito na própria norma que tratava das demais exclusões de base de cálculo do PIS Faturamento. É preciso ressaltar, ainda, que a exclusão do valor das sobras referidas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, é decorrência do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Confirase o seu teor: [...] Como decorrência dessa supressão, o trecho em questão deverá integrar o acórdão embargado da seguinte maneira: Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, também não merece amparo a Recorrente. Com efeito, a exclusão do valor das sobras referidas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, é decorrência do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Confirase o seu teor: [...] Diante de todo o exposto, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos declaratórios para sanear a contradição e demais vícios do acórdão embargado, sem lhe emprestar, contudo, os efeitos infringentes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Fl. 264DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912803/200905 Acórdão n.º 3201001.860 S3C2T1 Fl. 264 7 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.004581/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004
IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE SIMILARIDADE ENTRE A ASSINATURA CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO E NO DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO PROFISSIONAL. INEXISTÊNCIA.
O simples fato de as assinaturas dos procuradores na peça impugnatória serem diferentes daquelas constantes no documento de identificação processual não implica em irregularidade de representação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE SIMILARIDADE ENTRE A ASSINATURA CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO E NO DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO PROFISSIONAL. INEXISTÊNCIA. O simples fato de as assinaturas dos procuradores na peça impugnatória serem diferentes daquelas constantes no documento de identificação processual não implica em irregularidade de representação. Decisão Recorrida Nula.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15504.004581/2008-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445094
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.552
nome_arquivo_s : Decisao_15504004581200811.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 15504004581200811_5445094.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5872696
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704555225088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.004581/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.552 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MAGLE EDICAO COMERCIO E DISTRIBUICAO DE LIVROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE SIMILARIDADE ENTRE A ASSINATURA CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO E NO DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO PROFISSIONAL. INEXISTÊNCIA. O simples fato de as assinaturas dos procuradores na peça impugnatória serem diferentes daquelas constantes no documento de identificação processual não implica em irregularidade de representação. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 45 81 /2 00 8- 11 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004581/200811 Acórdão n.º 2402004.552 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 20/12/2007 (fl. 3) para exigência de contribuições previdenciárias correspondentes à cota patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e às destinadas a terceiros, nos períodos de 04/2003 a 12/2004. A Recorrente apresentou (fls. 96/124) impugnação requerendo a total anulação do auto de infração. Em 20/02/2008, protocolou aditamento à impugnação (fls. 125/147). Em 30/04/2008 a Recorrente foi notificada (fl. 148/149) acerca da necessidade de instruir a impugnação com “Documento de Identidade dos procuradores (original e cópia) para todos os Lançamentos, com assinatura semelhante às que constem nas Impugnações.”. Tendo em vista a ausência de manifestação da Recorrente em relação à notificação supramencionada, os autos foram encaminhados à DRJ de Belo Horizonte/MG. Em julgamento, a DRJ deixou de conhecer a impugnação apresentada por irregularidade de representação das partes, com fulcro no art. 13, II, do Código de Processo Civil CPC, combinado com art. 21 do Decreto n° 70.235/72 e art. 9°, I, da Portaria RFB n° 10.875/07 (fls. 152/155). Intimada da decisão em 02/12/2009 (fls. 186), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 28/12/2009 (fls. 207/212), argumentando que a decisão de primeiro grau viola o disposto no art. 5°, XXXIV e LV da Constituição e art. 12 do CPC. Embasa seus argumentos com a transcrição de decisões do E. Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, verificase que a decisão de primeiro grau não conheceu da impugnação por suposta irregularidade processual, haja vista que não foram devidamente identificados os procuradores da Recorrente. Em relação ao advogado Gláucio Alessandro de Lima (OAB/MG 102.452), pontua a d. DRJ que a assinatura constante no seu documento de identificação profissional expedido pela OAB estaria ilegível na fotocópia apresentada no processo. Já em relação à advogada Maria Fernanda Guimarães Castro (OAB/MG 59.371), a alegação é a ausência de similaridade entre a assinatura constante na impugnação em comparação com a assinatura do documento de identificação profissional expedida pela OAB. Em sua fundamentação, a d. DRJ alega que a Recorrente incorreu em ofensa aos arts. 15, 16 e 21, inc. II do Decreto nº 70.235/72, arts. 12, inc. VI e 13 do CPC, art. 9º da Portaria RFB nº 10.875/07, abaixo transcritos: Decreto nº 70.235/72 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará (...) II a qualificação do impugnante; Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Código de Processo Civil “Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: VI as pessoas jurídicas, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não os designando, por seus diretores;” Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004581/200811 Acórdão n.º 2402004.552 S2C4T2 Fl. 4 5 “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II ao réu, reputarseá revel;” Portaria RFB nº 10.875/07 “Art. 9 º Constituem razões de não conhecimento da impugnação: I a ilegitimidade de parte;” Analisando os artigos supramencionados e os fatos apontados da r. decisão recorrida, entendo que não cabe a desconsideração da representação processual. Isto porque, eventual alegação de irregularidade processual poderia ser arguida caso inexistisse instrumento de procuração dos representantes legais da empresa aos advogados e não tivesse sido apresentada cópia do documento de identificação profissional dos advogados, o que não é o caso. A própria decisão DRJ reconhece que “os representantes legais da empresa notificada outorgaram poderes de representação no contencioso administrativo a Gláucio Alessandro Lima (...) Maria Fernanda Guimarães Castro (...) nos termos das procurações particulares de fls. 108 a 110.”, bem como reconhece a existência de “fotocópias não autenticadas dos referidos documentos de identidade emitidos pela OAB/MG de fls. 124, 125 e 145” (fl. 154). Ora, estando os advogados constituídos nos autos e tendo eles juntado seus documentos de identificação profissional, não há como desconsiderar a regularidade da representação processual. O simples fato de as assinaturas dos procuradores na peça impugnatória serem diferentes daquelas constantes no documento de identificação processual não implica em irregularidade de representação. Outrossim, o fato de o documento de identificação profissional estar ilegível no processo, como sustentado pela decisão de primeira instância, não pode ser levado a cabo a ponto de prejudicar o julgamento da causa, mormente quando tal fato pode ter sido causado pela própria Secretaria da Receita Federal, quando da digitalização do processo. Constatase, portanto, as referidas exigências representam excesso de formalismo por parte da fiscalização, visto não existir amparo legal para tal exigência. Desta forma, não há irregularidade processual no presente processo que enseje a aplicação do art. 9º, inc. I da Portaria RFB nº 10.875/07, motivo pelo qual a decisão da DRJ deve ser anulada. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, anulando a decisão proferida pela DRJ, devendo o processo retornar à origem para julgamento das razões de impugnação. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909680/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10283.909680/2009-08
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446622
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.547
nome_arquivo_s : Decisao_10283909680200908.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10283909680200908_5446622.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5877798
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704557322240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 369 1 368 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.909680/200908 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.547 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 80 /2 00 9- 08 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909680/200908 Acórdão n.º 3202001.547 S3C2T2 Fl. 370 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900007/2010-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10283.900007/2010-38
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446672
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.496
nome_arquivo_s : Decisao_10283900007201038.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10283900007201038_5446672.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5878047
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704582488064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 347 1 346 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900007/201038 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.496 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 00 07 /2 01 0- 38 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900007/201038 Acórdão n.º 3202001.496 S3C2T2 Fl. 348 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720055/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO REAL TRIMESTRAL.
A exclusão do Simples com base no art. 15, V, da Lei 9.317/96 impõe o lançamento do IRPJ com base no lucro real trimestral, uma vez possível a sua apuração, pois essa modalidade é a regra, em caso de ausência de opção válida
Numero da decisão: 1302-001.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Guilherme Pollastri, Marcio Frizzo e Hélio Araújo, que davam provimento parcial, para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO REAL TRIMESTRAL. A exclusão do Simples com base no art. 15, V, da Lei 9.317/96 impõe o lançamento do IRPJ com base no lucro real trimestral, uma vez possível a sua apuração, pois essa modalidade é a regra, em caso de ausência de opção válida
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10215.720055/2008-33
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441142
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.675
nome_arquivo_s : Decisao_10215720055200833.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10215720055200833_5441142.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Guilherme Pollastri, Marcio Frizzo e Hélio Araújo, que davam provimento parcial, para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5859493
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704586682368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.435 1 1.434 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10215.720055/200833 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.675 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de março de 2015 Matéria IRPJ e outros tributos. Recorrente W & J Taxi Aereo Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO REAL TRIMESTRAL. A exclusão do Simples com base no art. 15, V, da Lei 9.317/96 impõe o lançamento do IRPJ com base no lucro real trimestral, uma vez possível a sua apuração, pois essa modalidade é a regra, em caso de ausência de opção válida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Guilherme Pollastri, Marcio Frizzo e Hélio Araújo, que davam provimento parcial, para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0112.549 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 55 /2 00 8- 33 Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. Ê vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz, parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. MPF. O § 1° do art. 20 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, possibilitou a emissão de novo MPF para substituir os MPF iniciados e não concluídos até 31/12/2007. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento :antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, dO CTN. SIGILO BANCÁRIO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto as instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase As contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Lançamento Procedente em Parte Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10215.720055/200833 Acórdão n.º 1302001.675 S1C3T2 Fl. 1.436 3 A decisão recorrida julgou o LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE, pois declarou extinto os créditos de PIS, CONFIS e CSLL com fatores ocorridos até 30/04/2003, assim, tais matérias não foram devolvidas a este Colegiado. A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0112.549 em 07/07/2010 (AR a fls. 1375), interpôs, em 06/08/2010, recurso voluntário (doc. a fls. 1378 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que, ainda que se pudesse admitir a ocorrência das infrações apontadas pelos agentes fiscais, o que se admite apenas a titulo de argumentação, a Recorrente, por expressa disposição legal, jamais poderia compor o polo passivo dessa ação fiscal, justamente porque a responsabilidade atribuida aos seus dirigentes pela norma tributária não é supletiva, como prevê o art. 134 do CTN, mas EXCLUSIVA, ORIGINARIA E PESSOAL, como estabelecem os artigos 135, inciso III, e 137, inciso I, do mesmo diploma, logo, por se tratar de hipótese de responsabilidade pessoal dos administradores, o lançamento deveria ter sido formalizado única e exclusivamente contra eles; b) que o lançamento tributário foi cientificado ao Recorrente no dia 29 de maio de 2008, bem como os tributos ora em análise estão sujeitos ao lançamento por homologação, cabalmente sujeitos às regras trazidas pelo §4° do artigo 150 do CTN, o que já foi demonstrado e evidenciado, tendo em vista que parte das autuações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavradas flagrantemente após o término do lapso temporal da decadência, igual sorte terão também os fatos geradores anteriores a 28 de maio de 2003, inclusive, na medida os autos de infração foram lavrados por omissão de receita, então, logicamente, os fatos geradores foram as datas dos depósitos e o inicio de contagem é o dia seguinte, na medida em que a Fiscalização poderia desde 2003 ter ciência dos supostos valores em conta de depósito; c) procedimento inteiramente ilegal a lavratura dos autos de infração com base na quebra de sigilo indevida, bem como se pode concluir que tais manifestações são contrárias aos princípios mais basilares da Constituição Federal de 1988, bem como, de um todo, percebese que tal atitude de plano é inconstitucional; d) que os autos de infração ora combatidos não merecem prosperar, uma vez que o ato administrativo que gerou o lançamento (Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES) não poderão retroagir no mundo jurídico, sob pena de afastamento do primado pela segurança jurídica, bem como pela desconsideração das limitações constitucionais ao poder de tributar e esquecimento total do conceito de ato jurídico perfeito; e) não tendo o Sr. Auditor Fiscal comprovado a efetiva omissão de receitas da Recorrente, mas, tãosomente, presumido o cometimento desse suposto evento infracional, em total afronta aos princípios da legalidade, da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, devem os autos de infração ser anulados por essa E. Turma de Julgamento; f) que o mero depósito bancário não constitui fato gerador do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, pois a existência de depósito bancário não significa, necessariamente, que a sociedade tenha auferido lucro/renda, ou seja, que a mesma tenha tido um acréscimo patrimonial, g) que o mesmo é válido para a Contribuição ao PIS e para a COFINS, que tem como fatos imponiveis as receitas (faturamento) auferidas pelos contribuintes; h) que a escrita contábil do contribuinte, lastreada em instrumento válido juridicamente (documento hábil), tem poder de prova em sua benesse, sendo dever do Fisco, caso almeje fundamentar sua decisão em considerar documentos alheios aos lançamentos contábeis devidamente realizados pela Recorrente, pois deve o Fisco, pois, comprovar a inidoneidade do documento, sob pena de ficar apenas na subjetividade da alegação, conforme restou nitidamente ocorrido em todo corpo documental juntado a presente pega inicial, onde a Fiscalização simplesmente lavrou auto de infração com base exclusiva em informações bancárias que não condizem com a realidade factual; Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 i) que, considerando a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não ha que se admitir a utilizaçãO da mesma no presente caso, com natureza jurídica de juros de mora; j) que é inaplicável a juros de mora sobre multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1275, razão pela qual dele conheço. O primeiro ponto de defesa é totalmente impertinente, pois não há que se discutir se a responsabilidade tributária insculpida nos art. 134 e 135 do CTN exclui o sujeito passivo direto do pólo passivo ou não, quando estamos diante de um lançamento cuja fundamentação não se estribou em tais dispositivos. Com relação especificamente ao art. 135, notese que não houve imputação aos sócio de qualquer conduta contrária a lei ou ao contratao social da recorrente, razão pela qual totalmente descabida a aargumentação de defesa. No segundo ponto de defesa, o equívoco da defesa não é menor, pois o fato gerador do IRPJ como da CSLL são complexivos, ou seja, decorre de somatório de fatos econômicos juridicamente relevantes que ocorrem durante um intervalo de tempo e que se aperfeiçoam ao final. Assim, o momento do auferimento de uma receita é apenas um fato econômico juridicamente relevante que irá, juntamente com todos outros que ocorram durante o período de apuração, compor, ao final desse PA a base tributável do IRPJ e da CSLL. O mesmo raciocínio vale para a Cofins e Contribuição para o PIS, cujo fatos geradores mensais têm como base tributáveis o somatório dos faturamentos mensais, com as exclusões permitidas na apuração nãocumulativa. Ressalto que agiu bem o autuante quando sustentou que a recorrente, uma vez excluída do Simples com base no art. 15, V, da Lei 9.317/96, estava sendo lançada com base no lucro real, uma vez possível a sua apuração e, assim o fez com base no lucro real trimestral, que é a regra, em caso de ausência de opção válida. O terceiro ponto de defesa extrapola as competência desse Colegiado, pois, nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, logo, esquivome de fazer qualquer juízo de constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/01 e, considero totalmente descabida qualquer alegação de ilegalidade na obtenção, pela autoridade fiscal, das movimentações financeiras da recorrente, já que expressamente permitido pelo art. 6º do referido diploma legal. Pelo mesmo motivo (Súmula CARF nº 2), esquivome de me pronunciar sobre o quarto ponto de defesa, ou seja, sobre a alegação de que o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples não poderia retroagir por ofensa a princípios constitucionais, pois se inconstitucionalidade houvesse seria do art. 15 da Lei 9.317/96 que expressamente dispõe sobre os efeitos da declaração de exclusão do Simples. O quinto ponto de defesa decorre de outro equívoco da recorrente, pois, em se tratando de presunção legal de omissão de receitas (art.42 da Lei nº 9.430/96) compete ao Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10215.720055/200833 Acórdão n.º 1302001.675 S1C3T2 Fl. 1.437 5 Fisco provar apenas o indício – depósito bancário, havendo a inversão do ônus da prova, ou seja, cabe ao contribuinte provar a origem dos valores ingressados em sua conta corrente e, quando receita, que eles foram oferecidos a tributação. Não logrando provar o que lhe cabia, fica o contribuinte sujeito ao lançamento de ofício sobre as receitas presumidamente omitidas. O sexto ponto é derivado do mesmo equívoco conceitual da recorrente, já abordado no quinto ponto de defesa, pois o depósito bancário de origem não comprovado é receita presumida e, assim sendo, irá compor a base tributável do IRPJ e da CSLL, ou seja, tornase, por presunção legal, um fato econômico juridicamente relevante que irá compor a base tributável ao final do período de apuração. Não logrando a recorrente provar que tais valores já haviam sido incluídos na base de cálculo delcarada, será esta reclaculada para que seja cobrada a diferença de tributos. Mesmo raciocínio vale para a Cofins e para a Contribuição para o PIS. O sétimo ponto de defesa é derivado ainda do mesmo equívoco da recorrente sobre o instituto da presunção legal de omissão de defesa. Ademais, quanto ao poder probrante da escrita contábil vale as seguintes observações. O art. 226 do Código Civil dispõe que: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Notese que a escrituração contábil faz prova contra o contribuinte, mas, para ser alegada em seu favor, deverá ser confirmada por outro elemento de prova, o qual, ordinariamente, é o lastro documental que suporta os lançamentos contábeis. Aliado a isso, vejamos também o art. 378 do Código de Processo Civil, o qual assim dispõe: Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Os dispositivos acima, embora bem semelhantes, são complementares, pois, da combinação deles, deduz‐se que a escrituração sempre inverte o ônus da prova, de tal sorte que caberá sempre ao contribuinte ao qual ela pertence provar que é verdadeira ou então que ela contém imprecisões quanto ao registro de fatos a que se refere, prova que deve ser feita com documentos idôneos. Ademais, como já dito, no presente caso, cabia à recorrente provar que tais depósitos de origem não comprovadas não eram receitas ou, se receitas fossem, que estavam devidamente escrituradas como receitas e oferecidas à tributação, o que não restou demonstrado. Com relação a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, a matéria já se encontra sumulada neste Colegiado, razão pela qual limitome apenas a transcrever o verbete da Súmula CARF nº 4, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 No que tange ao último ponto, questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, peço vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ................................................................................................................" Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1˚ e 3˚ do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3º do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1˚ do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n˚ 10.522/02. Para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1˚ de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ................................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10215.720055/200833 Acórdão n.º 1302001.675 S1C3T2 Fl. 1.438 7 que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720735/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
EMENTA
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: Pedro Anan Junior Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 EMENTA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10280.720735/2008-73
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442423
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-002.978
nome_arquivo_s : Decisao_10280720735200873.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Pedro Anan Junior Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10280720735200873_5442423.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5863820
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704660082688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 178 1 177 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720735/200873 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.978 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente José Arlindo Farias Balieiro Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 EMENTA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), JIMIR DONIAK AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 07 35 /2 00 8- 73 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 JUNIOR (Suplente convocado) e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente – Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.720735/200873 Acórdão n.º 2202002.978 S2C2T2 Fl. 179 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente aos exercícios 2004/2005, anoscalendário de 2003/2004, por AFRF da DRF/Belém/PA. A ciência do lançamento ocorreu em 11/11/2008, fl.109. De acordo com o Auto de Infração, fls.98/107, o motivo da autuação foi a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 11/12/2008, fls.111/125, onde contesta o lançamento efetuado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.720735/200873 Acórdão n.º 2202002.978 S2C2T2 Fl. 180 5 relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.720735/200873 Acórdão n.º 2202002.978 S2C2T2 Fl. 181 7 d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A alegação de que tais recursos seriam de duas pessoas jurídicas R. E. Sangalli e Madeiras Filter Ltda. não procedem, pois o Recorrente somente trouxe aos autos contratos de prestação de serviço, mas não trouxe prova que demonstrasse de maneira inequívoca que os valores que transitaram em sua conta corrente não eram de sua titularidade. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.720735/200873 Acórdão n.º 2202002.978 S2C2T2 Fl. 182 9 No que diz respeito ao questionamento dos valores que foram lançados pela autoridade fiscal e fizeram base de cálculo do lançamento, não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que os valores foram extraídos dos extratos bancários juntados aos autos, a própria autoridade lançadora excluiu diversos valores que foram comprovados e restou os valores que não foram demonstrados a origem por parte do Recorrente. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Diante do exposto no mérito nego provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.720735/200873 Acórdão n.º 2202002.978 S2C2T2 Fl. 183 11 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005216/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10950.005216/2009-22
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5432195
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-000.494
nome_arquivo_s : Decisao_10950005216200922.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 10950005216200922_5432195.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5828723
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704706220032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 90 1 89 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005216/200922 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.494 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 05 de novembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PAULO AFONSO DE SOUZA RAMOS TORNEIRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Tratase de Auto de Infração nº 37.242.968 8, no qual a autoridade fiscal exige as contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados. Fundamenta a autuação que o sujeito passivo e terceiras empresas configuram grupo econômico, o que ensejou a representação para exclusão do Simples, bem como o lançamento das contribuições previdências correspondentes e a exigência da escrituração contábil, como aqui exigida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 05 21 6/ 20 09 -2 2 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.005216/200922 Resolução nº 2301000.494 S2C3T1 Fl. 91 2 Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a decadência parcial, a irretroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES, a inexistência de grupo econômico, além de defender a sua permanência no regime simplificado de pagamento de tributos, sustentando, ainda, o fato de que apresentou defesa administrativa contra os atos de exclusão do citado regime. Os responsáveis solidários também apresentaram impugnações, alegando a nulidade dos termos de sujeição passiva, bem como a inexistência de grupo econômico. A DRJ de Curitiba manteve a autuação em parte, reconhecendo a decadência. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.005216/200922 Resolução nº 2301000.494 S2C3T1 Fl. 92 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que haveria a existência de grupo econômico entre o sujeito passivo e as empresas arroladas como responsáveis solidárias. Conseqüência desse entendimento resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das contribuições previdenciárias. Por outro lado, o sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão do Simples, o que fica evidente no acompanhamento processual do processo administrativo 10950.004255/200911. Entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o sujeito passivo deve permanecer no Simples, o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu cancelamento se for esse o caso. Por essa razão, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a fim de que o processo fique sobrestado na Delegacia da Receita Federal de origem até que o processo administrativo 10950.004255/200911 transite em julgado, devendo ser anexadas as decisões nele proferidas, seja de primeira, como de segunda instâncias administrativas e após o trânsito em julgado, encaminhe esse processo ao CARF para processamento e julgamento. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900087/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-004.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : null null
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10660.900087/2009-43
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5439398
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.044
nome_arquivo_s : Decisao_10660900087200943.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10660900087200943_5439398.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5850073
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704731385856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 308 1 307 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.900087/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.044 – 2ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO Recorrente AEES POWER SYSTEMS DO BRASIL SISTEMAS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. Não há como acolher o pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por falta de competência para tal. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 00 87 /2 00 9- 43 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413, transmitida em 10/01/2006, fls. 127 a 131, cujo objeto é a compensação de débito de Confins, período de apuração 12/2005, no valor total de R$ 44.278,43, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), PA 30/09/2005, no valor de R$ 173.726,08. O valor total do crédito original utilizado nesta DCOMP é de R$ 42.636,91. A DRF/Varginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 132, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 10), na qual alega, em síntese: que vendeu peças automotivas denominadas “chicote” à empresa International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda, a qual obteve da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, por meio do ADE 52, de 29/12/2004, o reconhecimento de que fazia juz à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com suspensão da incidência do PIS/Pasep e da Cofins; que, nos termos do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, as receitas auferidas pelo interessado pelas vendas efetuadas ao cliente acima mencionado não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e da Cofins; que declarou e recolheu a Cofins, PA 09/2005, considerando equivocadamente em sua base de cálculo o valor de R$ 582.610,93 oriundo de operações amparadas pela suspensão da contribuição, tendo recolhido um valor a maior de R$ 44.278,43 (correspondente a 7,6% da receita); que já retificou a DCTF relativa ao 3º Trimestre de 2005 e o DACON informando o efetivo valor devido a título de Cofins; que, além disso, o débito objeto da compensação (Cofins – PA 12/2005) é inexistente; que o pedido de compensação apresentado deve ser considerado com simples pedido de restituição; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900087/200943 Acórdão n.º 3802004.044 S3TE02 Fl. 309 3 É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0938.167, de 08/12/2011, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INEXISTENTE. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. Comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o Pedido de Restituição efetuado em desacordo com as disposições normativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2005 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Segundo os arts. 15 e 18 do Decreto n.º 70.235/72, é na fase impugnatória o momento processual próprio para que o sujeito passivo apresente as provas que respaldam seus argumentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER e cancelar a exigência do débito da Dcomp nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer em sede de preliminar, a necessidade de apensamento e julgamento com os processos de restituição, pois o que é tratado neste processo (compensação) está sendo tratado de forma reflexa nos pedidos de restituição de n°s: 13653.000170/201031, 13653.000171201086, 13653.000172201021, 13653.000173/201075, 13653.000167/2010 18, 13653.000168/201062, 13653.000169/201015, os quais se encontram (`pelo menos, à época do pedido) na Delegacia de Varginha/MG. Insiste no pedido de compensação apresentado seja considerado como pedido de restituição. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Motiva seu pedido tem como fundamento o art. 1° da Portaria RFB n° 666/2008, com alteração pela Portaria RFB n° 2.324, de 03/12/2010, que dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º daP RFB nº 2.324/2010) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; (grifos não são do original) Realizada diligência, através da Resolução de n° 3802000.273, para que fosse apensado o outro processo (de restituição) para análise deste. O processo digitalizado foi a mim redistribuído. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900087/200943 Acórdão n.º 3802004.044 S3TE02 Fl. 310 5 A recorrente pediu a retirada do processo em sessão de dezembro de 2014, retornando para análise na sessão de janeiro/2015. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de processo administrativo pelo qual a Recorrente pretende reaver valores tidos como indevidamente recolhidos a título de Cofins, relativamente ao mês de setembro de 2005 (período de apuração), por meio de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413, transmitida em 10/01/2006. A Recorrente sustenta, em síntese, que acresceu, indevidamente, à base de cálculo da citada contribuição, valores relativos às operações de venda de peças automotivas à empresa preponderantemente exportadora, qual seja, International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda. Em decisão preliminar, o pedido da Recorrente foi denegado, sob o argumento de que não teria sido constatada a existência de qualquer crédito disponível, vez que os valores recolhidos seriam idênticos àqueles declarados em Dacon e DCTF; enfim, crédito já utilizado para quitação de débito do contribuinte. Verificado o equívoco cometido (requerer compensação/restituição sem retificar as respectivas obrigações acessórias), a Recorrente retificou as respectivas Dacon e DCTF. Ademais, no intuito de evitar a prescrição do seu direito (creio eu, não analisei), a Recorrente protocolizou pedido de restituição solicitando que este ficasse suspenso até o julgamento dos presentes autos. A i. Delegacia de Julgamento, por sua vez, julgou parcialmente o pedido da Recorrente somente para cancelar o débito que seria objeto de pedido de compensação (DCOMP nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413, transmitida em 10/01/2006), pelas razões abaixo sintetizadas: Sobre a inexistência do débito, registrese que a Declaração de Compensação é confissão de dívida conforme previsão contida no §6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). E, sendo a Declaração de Compensação uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. Cabe então averiguar as alegações do requerente quanto à inexistência do débito objeto da compensação realizada, o que se faz a seguir. No que tange ao débito apontado na Declaração de Compensação (Cofins – 5856 – PA Dez/2005 – fl. 131), o reclamante alega que este é inexistente e que foi informado indevidamente quando do preenchimento da Dcomp. De fato, tanto no DACON entregue em 04/10/2006, retificado pelo DACON entregue em 26/03/2009 (fl. 107), quanto na DCTF entregue em 07/02/2006 (fl. 125), o valor a recolher da Cofins relativa ao PA Dez/2005 foi igual a zero. Nesse contexto, impõese admitir a alegação do contribuinte da inexistência do débito indicado na Dcomp em tela, devendo ser cancelada a sua cobrança. A discussão, portanto, cingese à possibilidade de a Recorrente “converter” o seu pedido de compensação em pedido de restituição, bem como, apesar das retificações da DACON e DCTF terem se dado após a ciência do Despacho Decisório, estas poderiam ser aceitas, desde que configurado erro no seu preenchimento, e comprovado. Preliminar Antes de adentrar no mérito, há que se analisar o pedido de compensação apresentado que seja considerado como pedido de restituição, inclusive motivo de apensação do respectivo processo (de restituição) para deslinde da questão, como solicita a recorrente. Observase o que preceituam o § 1º do art. 3º e o art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: Art. 3º § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900087/200943 Acórdão n.º 3802004.044 S3TE02 Fl. 311 7 mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. (grifos não são do original) Em sendo assim, e após observação no processo de restituição, falta competência para conversão do pedido de compensação em pedido de restituição. Além do mais, caracterizaria supressão de instância, pois não há nem despacho decisório. Logo, não há como acolher este pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por total incompetência na apreciação e alertese que o processo apensado deve ser desapensado para seguir o seu próprio rito. Mérito Como a Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento, devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, o que não ocorreu no caso. O §6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Neste sentido, transcrevese trecho do Despacho Decisório: (.....) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado, no DCOMP: R$ 44.278,43. A partir das características do DARF. discriminado no DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,. abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para ` compensação dos débitos informados no DCOMP: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Diante da inexistência do crédito, NÃO, HOMOLOGO a compensação declarada." Portanto, percebese que o crédito pleiteado já teria sido utilizado para compensar crédito, conforme pedido de compensação eletrônica protocolizada pela própria Recorrente. Conclusão Portanto, feitas as considerações supra, e sem maiores delongas, rejeito a preliminar e voto pelo desprovimento do recurso voluntário protocolizado pela Recorrente. Alertese mais uma vez, a necessidade de desapensamento do processo de restituição. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 315DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001506/2005-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE.
O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-004.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. Recurso ao qual se dá parcial provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13971.001506/2005-13
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454254
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.264
nome_arquivo_s : Decisao_13971001506200513.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 13971001506200513_5454254.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 5891276
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704750260224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 425 1 424 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.001506/200513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.264 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2015 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Buettner S.A. Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O julgador tem a prerrogativa de indeferir pedido de diligência, notadamente àquela cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma análise para saneamento da suposta dúvida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 06 /2 00 5- 13 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 426 3 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 339/354 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida do pedido de ressarcimento de aduzidos créditos da COFINS relativo ao quarto trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativo ao quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 278.916,52. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento de valores indevidamente incluídos na base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte, conforme informado em Dacon e confrontado com as informações e registros por ela apresentados em resposta a intimações fiscais, como segue: a) Despesas com aquisições de serviços: a autoridade fiscal glosou os valores das notas fiscais que lista em seu RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL, por se referirem a serviços que não podem ser considerados como insumos, a teor da legislação de regência, tais como: serviços na área de refrigeração, manutenção de telefones, roçada em reflorestamento, manutenção de extintores, serviços de construção civil, locação de equipamentos para terraplanagem, serviços de limpeza e conservação, tratamento de efluentes, disposição final de resíduos industriais, manutenção de jardins, varreção de corredores, limpeza de vidros externos, conservação de elevadores, serviços de guindaste, reforma e manutenção de esquadrias de alumínio, limpeza da caixa de gordura, troca de fechadura e controle de camundongos, baratas, aranhas e cupins; b) Despesas com energia elétrica: foram glosados os valores consignados nas faturas de energia cobrados a título de parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora, por consistirem de valores não relacionados ao consumo, nos termos prescritos na legislação; c) Encargos sobre bens do ativo imobilizado: dos valores informados a este título pela contribuinte, foram glosados os referentes a bens que não são diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 d) Crédito presumido de estoque de abertura: da planilha de cálculo do crédito apresentada pela contribuinte foram glosados da base de cálculo os valores informados a título de materiais de consumo e conservação bem como de produtos importados. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde, inicialmente, defende que mesmo que algum dos valores glosados pela fiscalização, não se refiram a insumos, na acepção concebida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ainda assim lhe cabe direito aos créditos pretendidos, ante o que dispõe a Constituição Federal acerca da matéria. Nesse sentido, defende que, com a edição da Emenda Constitucional n° 42/2003, a aplicabilidade do princípio da nãocumulatividade às contribuições sociais ganhou contornos constitucionais, passando a estar prevista no § 12, acrescentado ao art. 195 da CF/88. E que, em assim sendo, em que pese as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, serem anteriores à mencionada previsão constitucional, resta evidente que “toda sua regulamentação, e também alterações posteriores, deve ser harmonizada e compatibilizada com a sistemática constitucional vigente para esse instituto”. Com base na doutrina, passa então a discorrer longamente sobre a sistemática de tributação nãocumulativa, trazendo, dentre outros, os dizeres que seguem transcritos: No caso da COFINS e do PIS, tratandose de tributos incidentes sobre o faturamento e a receita, para que a nãocumulatividade seja efetivamente implementada, devese outorgar créditos sobre todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas incorridas ou pagas que se mostrem necessárias à obtenção dos recursos tributáveis por essas exações, sob pena de tornar sua incidência, ainda que parcialmente, cumulativa, e, portanto, inconstitucional. (...) Portanto, a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada. Nem se diga aqui que a nãocumulatividade inerente ao ICMS e ao IPI não se confundiria com a referente à COFINS e ao PIS, na medida em que para os primeiros teria a Constituição Federal estabelecido todos os critérios a serem observados, não procedendo dessa mesma forma em relação aos últimos, bem como na medida em que a receita (base de cálculo da COFINS e do PIS) se traduz em fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar para essas últimas exações em cadeia econômica de produção e circulação de mercadorias para efeitos de outorga de créditos sobre o valor agregado em cada etapa de comercialização ou prestação de serviços. Tal fato, ao contrário do que um exame inicial e menos acurado da matéria deixa a entrever, não autoriza o legislador ordinário a deliberar ao seu livre arbítrio sobre os créditos que poderão e que não poderão ser aproveitados pelos contribuintes, mas, muito pelo contrário, evidencia, em relação à COFINS e ao PIS, uma amplitude do princípio constitucional da nãocumulatividade mais abrangente e dilargada do que a existente em relação ao ICMS e ao IPI. (...) Portanto, o fato de o crédito do ICMS e do IPI ser apurado a partir da dedução do montante devido do imposto incidente na etapa anterior, diferentemente do que ocorre com o crédito da COFINS e do PIS, que é apurado mediante a aplicação da alíquota dessas contribuições sobre o valor dos insumos adquiridos e custos incorridos ou pagos, não retira desse último crédito a natureza jurídica de um crédito decorrente do primado da nãocumulatividade tributária. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 427 5 (...) Ademais, tendo a EC n. 42/2003, ao incluir o § 12 ao art. 195 da CF/88, atribuído ao legislador ordinário tãosomente a aptidão de estabelecer os ramos de atividade que estariam sujeitos ao princípio da nãocumulatividade, não se lhe mostra dado, dentro do campo das mercadorias, insumos, custos e demais despesas ligadas à obtenção de receitas tributáveis pela COFINS e pelo PIS, permitir a fruição de créditos em relação a uns e tolhela em relação a outros. (...) Com isto em mente, resta inquestionável o direito da empresa de ver reconhecidos os créditos pretendidos, pois a legislação ordinária assim lhe assegura, e eventuais hipóteses que não se enquadrem nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 devem ser aceitas, ante o que dispõe § 12 ao art. 195 da CF/88, nos termos acima alinhados. Em relação às glosas de valores referentes a aquisição de serviços, argumenta que muitos dos serviços glosados pela fiscalização consistem de serviços que se enquadram no campo de creditamento admitido pelas próprias Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e diz que: Entre tais hipóteses, podem ser citadas, a título exemplificativo, as seguintes (doc. n° 7): tratamento de efluentes sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais; serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos — destinado à área industrial; e equipamentos de combate a incêndios destinados à área industrial. (...) Ademais, na eventualidade de alguma operação ser afastada face à legislação ordinária, ainda assim persiste o crédito pretendido, frente à matriz constitucional do crédito perseguido, nos moldes alinhados no tópico II supra. Com relação à energia elétrica, defende: que a própria legislação ordinária permite o crédito de todas as despesas relacionadas e necessárias ao seu fornecimento e que não poderia receber energia elétrica sem pagamento das despesas em referência. Conclui que, por ser obrigada a estas despesas para ter acesso à energia elétrica, é certo o direito à inclusão do respectivo valor no cálculo do crédito presumido, da forma admitida pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. No que concerne à glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, remete aos seus argumentos iniciais em defesa do amplo direito ao crédito e assevera que “o direito aos créditos pretendidos é devido por conta das aquisições de bens ao ativo imobilizado, ainda que não diretamente vinculados às atividades produtivas da pessoa jurídica”. Por fim, em relação ao estoque de abertura, novamente remete aos seus argumentos iniciais em defesa do amplo direito ao crédito. Ao final de suas alegações pugna, com base no art 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, pela realização de diligência fiscal para que, diante do acompanhamento da atividade produtiva da empresa, reste respondida a questão “se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003?” Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Em face do exposto, requer seja recebida e julgada procedente apresente manifestação de conformidade, e concedido integralmente o crédito cujo ressarcimento foi requerido. Não obstante, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos e demais despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO DE ESTOQUE DE ABERTURA. No regime da nãocumulatividade da contribuição, somente integra a base de cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura os valores dos insumos existentes na data de início da incidência desta contribuição. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito os valores incluídos na fatura de energia em relação aos quais não há qualquer permissivo legal para tanto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 428 7 No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 10/07/2012 (fls. 357), a interessada, em 27/07/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 358/369, onde reitera alguns dos argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pela baixa dos autos em diligência. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso com o consequente reconhecimento integral do crédito cujo ressarcimento fora requerido. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do pedido de diligência Antes de adentrar no exame das questões atinentes ao direito em vista do regime da nãocumulatividade, examino o pedido de diligência da interessada. No pedido em tela a interessada ressalta que os autos não carecem de nenhuma prova documental. "Não há controvérsia quanto à existência ou não das despesas, mas sim em torno da relação destas com as atividades produtivas da empresa". 39. Salvo melhor juízo, nenhuma prova documental existe neste sentido. Como comprovar documentalmente que o tratamento de efluentes está diretamente relacionado às atividades produtivas? É simplesmente impossível. 40. Na realidade, fazse necessária uma diligência para identificar este e outros pontos, com o que se apurará que mesmo no conceito restrito adotado pelo v. acórdão recorrido há direito ao creditamento, ante a estrita relação existente entre as despesas glosadas e as hipóteses de creditamento. Com efeito, o inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) garante à reclamante o direito de pleitear as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 Porém, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93), o julgador – que também poderá determinar de ofício a realização de perícias – tem o direito de deliberar pelo indeferimento dos pedidos nesse sentido se considerálos “[...] prescindíveis ou impraticáveis [...]”. É nessa última hipótese, pois, que se enquadra o caso posto em exame, cujo pedido de diligência envolve questão demasiadamente genérica, além de estar relacionada a aspectos meramente de direito, razão pela qual não merece ser acolhida. E é essencialmente pelo caráter genérico da defesa que entendo não poderá ser dado provimento ao recurso em relação à aquisição de alguns bens e serviços os quais, aparentemente, relacionamse sim ao processo de industrialização da interessada. Essa questão será abordada com mais detalhes doravante. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento da COFINS do quarto trimestre de 2004, no montante de R$ 278.916,52, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pela DRJ Florianópolis. O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 429 9 como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, o i. conselheiro desta Tuma de julgamento, Solon Sehn2, ressalta que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução 2 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. Defende ainda que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”3. Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins4, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco5 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outras teses doutrinárias que revelam esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um 3 ob. cit., p. 315316. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 430 11 posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de serviços não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico”, CNAE 1351100, conforme consignado em seus dados junto ao CNPJ. Consta ainda do artigo 3º do Estatuto Social registrado em 17/05/2006 na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina: A sociedade tem por objeto a indústria têxtil, compreendendo todos os ramos complementares, comercialização e exportação de seus produtos, importação, atividades relacionadas ao florestamento ou reflorestamento, podendo ainda participar de outras sociedades de igual ou diversa finalidade, como acionista ou quotista, a critério do Conselho de Administração. Sem dúvida, a natureza das atividades exercidas pela interessada é relevante para a caracterização como insumo dos custos e despesas apresentados. Em seu recurso, a recorrente assevera que inúmeros serviços glosados se encontrariam no campo de creditamento objeto das leis nos 10.637/02 e 10.833/02. Cita, por exemplo, tratamento de efluentes ("sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais"); serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos ("destinado à área industrial"); e equipamentos de combate a incêndio ("destinados à área industrial"). Concernente ao tratamento de efluentes é bem verdade que tal serviço me parece essencial ao exercício do processo produtivo do sujeito passivo. Não obstante, e diferentemente de dois outros processos da interessada trazidos para julgamento nesta sessão Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 em que foram apresentados os documentos correspondentes aos serviços em tela (notas fiscais) , agora nenhum documento foi acostado. Também não há nos presentes autos, ou não foi indicado pontualmente pela empresa, documento capaz de demonstrar eventual necessidade direta dos demais serviços acima citados para o desempenho das atividades produtivas. Com efeito, os autos carecem de indicativo quanto à correspondente nota fiscal de aquisição do serviço ou eventual elemento de conteúdo técnico suficiente para subsidiar a análise no que concerne à sua quantificação ou mesmo à subsunção ao conceito de insumo, ou seja, o bem ou serviço necessário ao processo produtivo da recorrente. Com efeito, diferentemente da fiscalização, que elencou os serviços glosados, o sujeito passivo não cuidou de indicar as correspondentes notas fiscais alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na apuração do crédito, cuja descrição da transação poderia trazer elementos mais esclarecedores para a sua eventual consideração como insumo. Muito menos laborou em trazer um demonstrativo que quantificasse o correspondente montante, necessário para um exame pontual dos itens nos quais se baseara. Tais elementos, com efeito, deveriam ter sido colacionadas aos autos pela interessada, o que afirmo com esteio no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, não obstante a natureza das atividades exercidas pela reclamante, necessitarseia de mais informações para admitir os itens acima referenciados como insumos do processo produtivo. Na sua ausência, não há como reconhecer o correspondente crédito reclamado, mesmo tendose em conta as sintéticas explicações apresentadas no recurso, as quais, penso, são insuficientes para o deferimento do pleito. Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Extraise do relatório de auditoria fiscal (fls. 268/269) que a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica ("consumo, demanda e encargo de aquisição de energia elétrica, inclusive emergencial"), tendo glosado, contudo, os montantes correspondentes a "parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora". O sujeito passivo, por seu turno, defende que estas também deveriam ter sido consideradas. Com efeito, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, assim como o inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, permitem o desconto de créditos do PIS e da COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Das glosas acima citadas entendo que deverá ser admitida aquela inerente a parcelamento, em vista de este caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida. Nessa parte, portanto, dáse parcial provimento ao recurso formulado pelo sujeito passivo. Das glosas relativas a créditos sobre bens do ativo imobilizado e sobre o estoque de abertura Em relação às glosas inerentes ao estoque de abertura, em que a fiscalização excluiu os bens de uso e de consumo, aduz a recorrente que teria amplo direito aos Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 431 13 correspondentes valores à semelhança do conceito de dedutibilidade do IRPJ. O mesmo argumento é utilizado em relação às glosas atinentes aos bens do ativo imobilizado por não estarem vinculados às atividades produtivas da reclamante. Pelo que já foi exposto acima aludida tese não merece ser admitida, de sorte que são legítimas as glosas realizadas pelo Fisco, mantidas pela decisão a quo. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos da COFINS calculados unicamente sobre o parcelamento de energia elétrica. Sala de Sessões, em 19 de março de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720019/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA.
Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de revenda no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE E SEGURO e IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. Por comporem o preço de venda do produto, o valor do frete, seguro e dos impostos de importação devem ser considerados no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR.
MATÉRIA DE FATO. DEDUÇÃO DO AJUSTE REALIZADO PELO CONTRIBUINTE. Comprovado nos autos que parte do ajuste realizado pela Fiscalização já havia sido oferecido à tributação pela Contribuinte, impõe-se o cancelamento da exigência correspondente.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 1102-001.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para considerar no cálculo do lançamento o valor que já havia sido considerado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência em seu LALUR, vencidos: (i) os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), João Carlos de Figueiredo Neto e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que davam provimento em maior extensão, reconhecendo a ilegalidade da metodologia de cálculo do PRL-60 prevista na IN/SRF nº 243/02; (ii) o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que entende não ser obrigatório o acréscimo, ao preço praticado na importação, dos valores relativos ao transporte, seguro, e tributos não recuperáveis devidos na importação. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação ao tema ilegalidade da IN/SRF nº 243/02. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que vencido o relator, o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
(assinado digitalmente)
RICARDO MAROZZI GREGÓRIO Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de revenda no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE E SEGURO e IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. Por comporem o preço de venda do produto, o valor do frete, seguro e dos impostos de importação devem ser considerados no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR. MATÉRIA DE FATO. DEDUÇÃO DO AJUSTE REALIZADO PELO CONTRIBUINTE. Comprovado nos autos que parte do ajuste realizado pela Fiscalização já havia sido oferecido à tributação pela Contribuinte, impõe-se o cancelamento da exigência correspondente. Recurso voluntário provido em parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16561.720019/2011-11
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430506
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.100
nome_arquivo_s : Decisao_16561720019201111.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 16561720019201111_5430506.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para considerar no cálculo do lançamento o valor que já havia sido considerado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência em seu LALUR, vencidos: (i) os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), João Carlos de Figueiredo Neto e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que davam provimento em maior extensão, reconhecendo a ilegalidade da metodologia de cálculo do PRL-60 prevista na IN/SRF nº 243/02; (ii) o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que entende não ser obrigatório o acréscimo, ao preço praticado na importação, dos valores relativos ao transporte, seguro, e tributos não recuperáveis devidos na importação. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação ao tema ilegalidade da IN/SRF nº 243/02. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que vencido o relator, o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. (assinado digitalmente) RICARDO MAROZZI GREGÓRIO Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5825800
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704768086016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 61; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2428; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2.788 1 2.787 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720019/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.100 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria IRPJ Preços de Transferência Recorrente HUNTSMAN QUÍMICA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda” no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE E SEGURO e IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. Por comporem o preço de venda do produto, o valor do frete, seguro e dos impostos de importação devem ser considerados no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR. MATÉRIA DE FATO. DEDUÇÃO DO AJUSTE REALIZADO PELO CONTRIBUINTE. Comprovado nos autos que parte do ajuste realizado pela Fiscalização já havia sido oferecido à tributação pela Contribuinte, impõese o cancelamento da exigência correspondente. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para considerar no cálculo do lançamento o valor que já havia sido considerado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência em seu LALUR, vencidos: (i) os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), João Carlos de Figueiredo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 19 /2 01 1- 11 Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.789 2 Neto e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que davam provimento em maior extensão, reconhecendo a ilegalidade da metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/02; (ii) o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que entende não ser obrigatório o acréscimo, ao preço praticado na importação, dos valores relativos ao transporte, seguro, e tributos não recuperáveis devidos na importação. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação ao tema “ilegalidade da IN/SRF nº 243/02”. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que vencido o relator, o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. (assinado digitalmente) RICARDO MAROZZI GREGÓRIO – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SP1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL60. PREÇOSPARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.790 3 Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. AJUSTES EFETUADOS PELA CONTRIBUINTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Não comprovando a contribuinte que, na apuração da IRPJ, efetuou ajuste a título de preços de transferência, tributase a totalidade do ajuste apurado pela fiscalização, sem qualquer dedução. Exigência mantida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. AJUSTES EFETUADOS PELA CONTRIBUINTE. DEDUÇÃO. Comprovando a contribuinte, por meio da DIPJ, que, na apuração da CSLL, efetuou ajuste a título de preços de transferência, esse ajuste deve ser deduzido do ajuste apurado pela fiscalização, tributandose apenas a diferença encontrada. Exigência exonerada em parte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo: “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 2111/2138, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, no tocante à legislação dos preços de transferência na importação de bens (verificações relativas ao anocalendário de 2007), constatouse o seguinte: DA CONTRIBUINTE A contribuinte incorporou os negócios de resina e polímeros da Ciba Especialidades Químicas Ltda. em 01/06/2000. Tem por objeto a fabricação e o comércio, importação e exportação de produtos químicos em geral, bem como a prestação de serviços técnicos relacionados ao setor químico e a participação em outras sociedades. Assumiu ativos do negócio Huntsman Textile Effects (também divisão da Ciba) em julho de 2006 e incorporou, em 02/01/2007 as empresas Huntsman Brasil Ltda. e Huntsman do Brasil Participações Ltda. DAS INTIMAÇÕES REALIZADAS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.791 4 A fiscalização relata, às fls. 2112/2116, as intimações à contribuinte, as respectivas respostas e os procedimentos adotados durante a ação fiscal. DO PROCEDIMENTO ADOTADO PELA CONTRIBUINTE PARA APURAÇÃO DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA NAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO A contribuinte utilizou o programa de computador "TPS Console" para apuração dos preços de transferência na importação. Nesse programa constam os dados originais que deram suporte à apuração dos preços praticados e preçosparâmetro de todos os produtos sujeitos ao controle de preços de transferência. Desta forma, o relatório de Importações, extraído do programa aplicativo, contém todos os detalhes de todas as operações de importações realizadas pela empresa naquele ano. Já o relatório de Vendas, extraído do programa aplicativo, contém todos os detalhes de todas as operações de vendas realizadas pela empresa no ano. Relatórios gerais O programa permite a extração de 9 relatórios gerais (Clientes; Fornecedores; Produtos; Inventário; Relação de Produção; Compras; Vendas; Custo Médio; e Ajustes Totais), que contêm dados referentes a todo o ano de 2007 e correspondentes a todos os itens importados, produzidos ou vendidos pela empresa, de acordo com o tipo relatório. Esses relatórios foram devidamente extraídos do programa pela fiscalização e anexados aos autos. Relatórios individualizados Além dos supracitados relatórios gerais, o programa aplicativo permite também a visualização e exportação em formato Excel de relatórios individualizados, contendo dados individuais referentes aos itens importados. Alguns desses relatórios individuais podem ser extraídos independentemente do método de apuração do preçoparâmetro: Relatório de Ajuste Unitário; Relatório de compras (importações); Relatório de composição de saldos iniciais; Relatório de composição de saldos compras do produto no ano; Relatório de composição de saldos finais do produto; Relatório de resumo de Saldos; Relatório de Relação de produção; Resumo de saídas/vendas. Relatórios de preçosparâmetro individualizados O programa aplicativo permite a extração de relatórios individuais referentes aos preçosparâmetro, que são específicos do método de apuração adotado: Relatório de Preços parâmetros PRL cálculos individuais; Relatório de Preços parâmetros – PRL cálculos médios; Relatório de Preços parâmetros – PIC; Comparativo de Preços Parâmetros de Importação. Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.792 5 Para analisar os dados de apuração dos preços praticados e parâmetros, a fiscalização utilizou os quatro relatórios (docs. "Relatório de PRL20 do aplicativo", "Relatório de PRL60 do aplicativo", "Relatório de PIC do aplicativo" e "Relatório de Composição de Consumo do aplicativo", em anexo) que foram extraídos dos arquivos individuais dos produtos apresentados em resposta ao Termo de Intimação 01. RESUMO DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA CONTRIBUINTE E DAS CORREÇÕES REALIZADAS PELO FISCO NA APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA REALIZADA PELA CONTRIBUINTE As memórias de cálculo dos preços de transferência apresentadas pela empresa (doc. "Relatório de Ajustes Totais"), mostram que ela optou pelo método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de 20% (PRL20) para produtos com revenda exclusiva; PRL com margem de 60% (PRL60) para produtos industrializados e, para alguns produtos, optou pelo método PIC (Preços Independentes Comparados). Preço praticado na importação O preço praticado apurado pela empresa para fins de comparação com o preçoparâmetro, nos casos em que foi adotado o método PRL, foi apurado com base no valor FOB, sem considerar os valores relativos a frete e seguro internacionais e Imposto de Importação, independentemente do método de apuração do preçoparâmetro adotado. Tendo em vista que a contribuinte, intimada, negouse a corrigir este cálculo, porque entende correta a apuração do preço praticado desta forma, a fiscalização realizou a correção dos cálculos, tomando por base os próprios dados da contribuinte, de modo a não deduzir do preço praticado as parcelas de frete e seguro internacionais, bem como o Imposto de Importação. Esta metodologia de correção foi aplicada a todos os itens importados cujos preçosparâmetro foram apurados pelo método PRL, a fim de recalcular os preços praticados. Os valores originários das importações foram extraídos dos dados de "Composição do Consumo" (doc. anexo), fornecidos pela contribuinte. Destes valores foram excluídas somente as importações de fornecedores não vinculados e foram consolidados os dados de importação. Os preços praticados corrigidos foram então calculados, tendo como base os valores das importações CIF acrescido do Imposto de Importação, uma vez que a legislação que rege o assunto não permite a dedução dos valores de frete e seguro internacionais, bem como do Imposto de Importação no valor do preço praticado. Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.793 6 Foi então elaborado o demonstrativo de "Anexo I Demonstrativo de Apuração do Preço Praticado com base no valor de importação CIF+II" (doc. anexo). Os valores de preços praticados corrigidos e que constam do citado Anexo I foram também inseridos no demonstrativo "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo). Preçoparâmetro PRL20 produtos importados destinados à revenda. Para apurar o preçoparâmetro dos produtos importados destinados à revenda, a empresa optou pelo método PRL20 (doc. "Relatório de Ajustes Totais", anexo). Sobre estes valores de preçosparâmetro não foram efetuadas correções por esta fiscalização, ratificando, portanto, a apuração realizada pela contribuinte. No entanto, os correspondentes preços praticados na importação foram corrigidos, conforme já relatado no item anterior, resultando, portanto, em alterações nos valores dos ajustes. Os valores originais calculados pela contribuinte, bem como os valores corrigidos pela fiscalização, constam do demonstrativo "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo). Preçoparâmetro PRL60 produtos importados usados como insumo Para apurar o preçoparâmetro dos produtos importados utilizados como insumo na produção de outros bens, a empresa optou pelo método PRL60, utilizando a metodologia de cálculo prevista na IN SRF nº 32/2001 (artigo 12, § 11, inciso II). Ocorre que a IN SRF nº 32/2001 foi expressamente revogada pela IN SRF nº 243/2002, que prevê metodologia de cálculo do preços parâmetro para insumos aplicados na produção com margem de 60% de maneira diversa daquela prevista na IN SRF nº 32/2001. A fiscalização, então, intimou a contribuinte a refazer os cálculos, a fim de demonstrar a apuração dos valores de apuração dos preçosparâmetro PRL60 de acordo com a legislação em vigor. A contribuinte negouse a adotar tal procedimento. Esta correção foi então realizada pelo Fisco com base na metodologia de cálculo prevista no artigo 12, § 11 da IN SRF nº 243/2002. Encontrado o preçoparâmetro conforme determinado pela IN SRF nº 243/2002, a fiscalização elaborou o "Termo de Verificação Anexo IV Demonstrativo de Correção do Preço Parâmetro PRL detalhado" (doc. anexo) e "Termo de Verificação Anexo V Demonstrativo de Correção de Preço Parâmetro PRL consolidado" (doc. anexo). O Anexo IV demonstra os Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.794 7 preçosparâmetro, sendo um preçoparâmetro calculado com margem de 60% para cada produto final em que o insumo importado é utilizado e um preçoparâmetro calculado com margem de 20% para os produtos em que o item importado tenha sido aplicado na produção e também revendido. O Anexo V demonstra a média ponderada pela quantidade dos valores constantes do Anexo IV, a fim de obter um preçoparâmetro único para o método PRL, conforme previsto na legislação em vigor. Confrontados o preço praticado com o preçoparâmetro, apurase o ajuste. As diferenças a menor do preçoparâmetro, observada a margem de divergência de 5% prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, são multiplicadas pelas quantidades consumidas no ano, a fim de se obter o ajuste total ("Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco", em anexo). Preçoparâmetro PIC A planilha de preçoparâmetro PIC (doc. "Relatório de PIC", em anexo) apresenta as informações que permitiram a realização do cálculo do preço parâmetro pelo método PIC: código do produto, código do fornecedor, quantidade, valor FOB, etc. Nos produtos para os quais a contribuinte adotou o método PIC, a fiscalização não realizou quaisquer correções, nem no preço praticado, nem no preçoparâmetro. Assim sendo, os preços praticados, os preços parâmetro e os ajustes não sofreram correções conforme se pode verificar na planilha comparativa "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo). DAS VERIFICAÇÕES REALIZADAS PELO FISCO Foi realizado, por amostragem, cruzamento dos dados de importação apresentados pela contribuinte com aqueles constantes do Siscomex Importação e nenhuma irregularidade foi encontrada. Também foi verificado que o valor total dos bens importados citados na planilha de dados originais de importação é compatível com os valores totais constantes do Siscomex. Foram extraídas do programa aplicativo todas as planilhas já detalhadas neste Termo e foram realizados cruzamentos e verificações, por amostragem, dos dados apresentados pela contribuinte e não foram encontradas irregularidades. A contribuinte foi intimada a apresentar, por amostragem, cópia de Notas Fiscais escolhidas pela fiscalização que deram suporte às planilhas de vendas, que servem de base para apuração do preçoparâmetro pelo método PRL. A documentação foi apresentada e juntada aos autos (doc. "Resposta TI06 Documentos NF de Saída e de Vendas"). Dados constantes destes documentos foram confrontados com aqueles constantes das planilhas extraídas do programa aplicativo e nenhuma irregularidade foi encontrada. Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.795 8 A contribuinte foi intimada a apresentar, por amostragem, documentação de suporte ao preçoparâmetro PIC, quais sejam, faturas das operações realizadas entre empresas não vinculadas, escolhidas pela fiscalização. A documentação foi apresentada e juntada aos autos (doc “Resposta TI06 Documentos NF de compra"). Dados constantes destes documentos foram confrontados com aqueles constantes das planilhas extraídas do programa aplicativo e nenhuma irregularidade foi encontrada. DO DIREITO Do Preço Praticado Para o cálculo do preço praticado, média aritmética ponderada dos preços pelos quais a empresa efetivamente adquiriu do exterior, estabelece o § 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 que ‘Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação’. Tal entendimento é corroborado pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, aplicável ao período fiscalizado, que dispõe que “Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis devidos na importação”. O valor do frete e do seguro internacionais, bem como o Imposto de Importação, certamente não poderiam deixar de integrar o preçoparâmetro, pois, apesar de normalmente não serem valores pagos à empresa vinculada no exterior, eles são agregados ao custo da importação e compõem o preço final da mercadoria importada. Ora, para comparar dois preços, é essencial que ambos estejam no mesmo patamar de valores agregados. Assim sendo, a contribuinte procedeu incorretamente ao calcular o preço praticado para o método PRL utilizando o valor FOB. Quando do cálculo do preçoparâmetro, no caso de PRL, as únicas parcelas a serem deduzidas, de acordo com a legislação, são: descontos incondicionais, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e a margem de lucro. Se as parcelas de frete, seguro internacionais e Imposto de Importação não podem ser deduzidas do preçoparâmetro, porque não há previsão legal para tanto, então devem obrigatoriamente integrar o preço praticado; caso contrário, isto é, caso estas parcelas integrem o preçoparâmetro mas não integrem o preço praticado, estará ocorrendo uma distorção no cálculo do preçoparâmetro, pois estes valores integrando somente o preçoparâmetro estarão aumentando este valor indevidamente e irão fazer parecer que a margem de lucro do contribuinte é maior, quando na verdade a diferença entre o parâmetro e o praticado estaria sendo aumentada artificialmente através da dedução indevida de parcelas de frete e seguro internacionais e Imposto de Importação somente no preço praticado. Quando aplicado o método PIC para apuração de preçosparâmetro, este foi apurado corretamente pelo valor FOB, uma vez que o respectivo Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.796 9 preço praticado também é FOB. Este procedimento coloca ambos os preços, o praticado e o parâmetro, no mesmo patamar de valores. Do preçoparâmetro Para o cálculo do preçoparâmetro na importação (média aritmética ponderada de preços praticados em operações entre empresas independentes, coletados e ajustados conforme métodos definidos em lei, escolhidos pelo contribuinte), há que se observar o disposto nos artigos 8º e 12 da IN SRF nº 243/2002. Da jurisprudência dos temas sobre os quais divergem a contribuinte e o Fisco A fiscalização transcreve, às fls. 2134/2135, as ementas dos acórdãos nºs 1631.073 e 1634.062 da Delegacia de Julgamento SP1, que preceituam a inclusão, na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, do valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e dos tributos incidentes na importação. Com relação à aplicação da IN SRF nº 243/2002 no cálculo do PRL60, a fiscalização cita o julgamento que ocorreu em 25/08/2011, onde a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3a. Região, à unanimidade, deu integral provimento ao apelo fazendário para, nos autos do processo nº 2003.61.00.0061258, reconhecer que o cálculo da IN SRF nº 243/2002 previsto para o método de PRL60 coadunase com a redação do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96 (ementa transcrita às fls. 2135/2136). DA BASE DE CÁLCULO – CÁLCULO DOS AJUSTES TOTAIS A empresa apurou ajuste total de R$ 1.576.585,50. No entanto, este valor não foi oferecido à tributação do IRPJ nem da CSLL conforme se pode verificar da DIPJ do anocalendário 2007 (DIPJ/2008, em anexo), especificamente na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), linha 07 (Ajustes Decorr. Métodos Preços de Transferências, igual a 0,00). Na planilha comparativa "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo), os valores que não foram corrigidos pelo Fisco (preços parâmetros e praticados para os itens em que foi adotado o método PIC; e preçosparâmetro para os casos de PRL20) foram repetidos nas colunas de apuração de preços praticados e parâmetros apurados pelo Fisco. Respeitando a margem de divergência de 5% prevista na legislação, somente foi realizado ajuste quando o preço praticado resultou maior que o preçoparâmetro acrescido de 5%. Desta forma, os valores apurados na coluna ‘Total de Ajuste Corrigido (Fisco)’ correspondem ao ajuste combinado entre o ajuste apurado pela contribuinte após o início da fiscalização, com as correções efetuadas pelo Fisco. O valor total de R$ 11.126.750,12 (apurado conforme “Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.797 10 Contribuinte x Fisco") é o valor que deve ser acrescentado ao Lucro Líquido do Exercício e tributado. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2007: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 10/11/2011, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 09/12/2011, a impugnação de fls. 2331/2366, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS No entendimento da fiscalização, ao adotar o método PRL, a impugnante teria cometido duas supostas irregularidades: 1) utilizouse, para cálculo do preçoparâmetro na importação, da metodologia prevista na IN SRF nº 32/2001, que, no entanto, teria sido expressamente revogada pela IN SRF nº 243/2002; e 2) considerou, na composição do preço praticado para fins de comparação com o preçoparâmetro, o valor FOB dos produtos importados, deixando de computar no custo das operações os valores relativos a frete e seguro internacionais e de incluir o Imposto de Importação, em contrariedade com o que supostamente estabeleceria a legislação. Em razão dessas divergências, a fiscalização recalculou os preços praticados pela impugnante no anocalendário em questão, baseandose nos valores das importações CIF, acrescidos do Imposto de Importação, e realizou a correção da apuração dos preçosparâmetro pelo método PRL60 com base na IN SRF 243/2002. Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.798 11 Assim, ao confrontar os preços praticados com os preços parâmetro recalculados, constatou a existência de diferenças a menor do preçoparâmetro, obtendo o ajuste total no valor de R$ 11.126.750,12, o qual deveria ter sido oferecido à tributação. As razões apontadas pelos representantes do Fisco, entretanto, não são capazes de sustentar a autuação fiscal, eis que, conforme se demonstrará a seguir, a metodologia de cálculo adotada pela impugnante encontrase de fato em consonância com a lei, não havendo que se falar, portanto, em qualquer diferença a menor nos recolhimentos efetuados. Porém, ainda que assim não fosse, devese atentar ao fato de que, ao apurar o ajuste pela metodologia que entende correta, a fiscalização não compensou o montante do ajuste no valor de R$ 1.640.208,99, relativos a preços de transferência que a impugnante considerou no LALUR e na base de cálculo da CSLL, acarretando, assim, na exigência de valores a maior, conforme também se demonstrará a seguir. DO DIREITO Da legalidade da metodologia utilizada pela impugnante para apuração dos preços de transferência Segundo o Fisco, as regras que deveriam ter sido observadas pela impugnante para apuração do preçoparâmetro para fins de verificar a necessidade de ajustes nos preços praticados em suas importações são aquelas do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Para o Fisco, esse método coadunase com a redação do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei n° 9.959/2000. Todavia, uma breve leitura desses dispositivos permite concluir justamente o contrário do que afirma a fiscalização, ou seja, que o método previsto na Lei nº 9.430/96 não é o mesmo preceituado pela IN SRF nº 243/2002. Por outro lado, a IN SRF nº 32/2001 adotou a mesma metodologia de cálculo que a Lei nº 9.430/96, o que indica que, num primeiro momento, a Receita Federal admitiu que a disciplina prevista na Lei nº 9.430/96 para o cálculo dos preços de transferência no método PRL60 era completa e suficiente para sua aplicação. Tanto é assim que a regulamentação da matéria limitouse a reproduzir literalmente os dizeres da lei. Com a edição da IN SRF nº 243/2002, ficou evidente que houve a introdução de uma nova metodologia de cálculo dos preços de transferência no método PRL60, distinta daquela prevista na Lei nº 9.430/96. Essas alterações, realizadas à margem da Lei, acabaram provocando a redução do preçoparâmetro utilizado para fins de dedutibilidade dos custos de importação de pessoas vinculadas, com o conseqüente aumento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL para as empresas que, assim como a impugnante, adotam o método PRL60. Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.799 12 A metodologia inserida pela IN SRF nº 243/2002, além de ocasionar o aumento da carga tributária, teve um efeito perverso sobre a produção nacional, pois, ao tornar as adições fiscais proporcionais ao custo dos insumos importados, independentemente do valor agregado, contrariou um dos objetivos que se encontram implícitos na Lei nº 9.430/96, que é o incentivo à maior agregação de valor no País. Portanto, do ponto de vista do IRPJ e da CSLL, resta claro que o objetivo da lei foi incentivar as empresas internacionais a agregar valor aos produtos finais ou acabados no Brasil, transferindo seus processos de produção para o País e, por conseqüência, gerando mais emprego de mãode obra. Embora seja sabido que as normas sobre preço de transferência são estabelecidas para evitar a transferência de lucros para o exterior através da manipulação dos preços praticados por pessoas vinculadas, a adoção de uma metodologia que concilie esse objetivo com outros valores constitucionais, como a valorização do trabalho e a soberania nacional, não as torna ineficazes para aquele propósito. É inegável que as normas da Lei nº 9.430/96 cumprem com o principal desígnio para o qual foram concebidas, isto é, evitar a evasão fiscal, na medida em que estabelecem métodos objetivos que, de fato, permitem a apuração do preçoparâmetro nas importações e exportações. O fato de os métodos eleitos pelo legislador não corresponderem tão perfeitamente à melhor técnica dos preços de transferência, porque se optou por ponderar outros valores além da proteção à arrecadação tributária nacional, não autoriza a Receita Federal, por meio de instrução normativa, cuja função é a de interpretar (e não inovar) a norma legal, a alterar a metodologia escolhida pela lei. Cumpre repelir, por outro lado, a equivocada afirmação de alguns de que a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002 encontraria respaldo no próprio texto da Lei nº 9.430/96. É preciso afastar a enganosa premissa de que o artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96 comportaria diversas interpretações, o que, por sua vez, ensejaria a necessidade de regulamentação administrativa. Na realidade, a redação do dispositivo legal é clara e as normas nele contidas bastam à sua aplicação imediata, tanto assim que foram reproduzidas literalmente pela Receita Federal na IN SRF nº 32/2001, com mínimas alterações de texto. Quando nas palavras não existe ambigüidade, não se deve admitir pesquisa acerca da sua vontade ou intenção. Devese ter em mente que não cabe ao intérprete reexaminar as razões que inspiraram o legislador no estabelecimento da metodologia de cálculo dos preços de transferência, ao pretexto de uma melhor adequação da lei aos fatos verificados posteriormente, sob pena de subverter a própria regra jurídica. Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.800 13 Ainda que a Lei nº 9.430/96 fosse, de fato, lacunosa o que, no entanto, não ocorre, a adoção da interpretação ora combatida encontraria óbice no artigo 108, § 1º, do CTN, que veda o emprego da analogia para exigência de tributo não previsto em lei. Ademais, cabe ainda atentar para o fato de que a metodologia de cálculo do preçoparâmetro prevista na IN SRF nº 243/2002 em muito se assemelha à redação dada ao artigo 18 da Lei n° 9.430/96 pela MP nº 478/2009, em especial na parte que introduz o método PVL (Preço de Venda menos Lucro). Embora a referida MP tenha tido seu prazo de vigência encerrado em 01/06/2010, a sua redação é claro indicativo de que o tema tratado está além do mero poder regulamentar das instruções normativas. A essa exata conclusão chegou a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região ao julgar as alterações realizadas pela IN SRF nº 243/2002 na metodologia do PRL60, na Apelação Cível nº 003404852.2007.4.03.6100/ SP. Portanto, a IN SRF nº 243/2002, ao introduzir metodologia de cálculo do preçoparâmetro distinta daquela prevista na Lei nº 9.430/96, acabou exorbitando de seu âmbito de competência e, assim, encontrase invariavelmente maculada pelo vício de ilegalidade, mostrandose, pois, imprestável para servir de fundamento para o cálculo dos preços de transferência. Por outro lado, a metodologia utilizada pela impugnante no cálculo do preço parâmetro com base no método PRL60 encontrase absolutamente regular, eis que em estrita consonância com o artigo 18, inciso III, da Lei nº 9.430/96. Por conseguinte, não procede a autuação fiscal no tocante à exigência de IRPJ e CSLL decorrente do ajuste efetuado pela fiscalização a partir da correção do preçoparâmetro com base na IN SRF nº 243/2002, devendo ser julgada totalmente improcedente nesse ponto. Da ilegalidade da inclusão dos valores de frete, seguro e Imposto de Importação no preço praticado: A autuação fiscal baseiase, ainda, na alegação de que a impugnante não poderia ter calculado os preços praticados, para fins de comparação com os preçosparâmetro, tendo como base os valores das importações FOB, isto é, sem considerar os valores de frete e seguro, e com a exclusão do Imposto de Importação, eis que essas deduções não seriam permitidas pela legislação. Ocorre que a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 18, § 6º, diz que os valores do frete, do seguro e dos tributos na importação integram o custo que formará o preçoparâmetro, “para efeito de dedutibilidade”. Fosse a intenção do legislador incluir o valor do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação na previsão de cálculo pelos Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.801 14 métodos PIC, CPL e PRL, seria suficiente que dissesse que os respectivos preços integrariam o valor do bem para determinação do preço por qualquer um desses métodos. Portanto, a interpretação que confere sentido lógico à expressão "para efeito de dedutibilidade" é aquela que aduz estar incluído no custo dedutivo o valor do frete, do seguro e dos impostos incidentes na importação, e não que aqueles preços deverão ser adicionados ao custo de importação para efeito de comparação ou de preçoparâmetro. Devese ter em mente que o preçoparâmetro constitui uma presunção legal, e, em função disso, os elementos que devem ser considerados em sua composição dependem de expressa previsão em lei. Não pode a Receita Federal, a partir de interpretação econômica, inserir um novo elemento na composição do preçoparâmetro, sob pena de estar exigindo tributo sem base em lei. O raciocínio da fiscalização é o seguinte: como os valores a título de frete, seguro e imposto de importação devem se agregar ao preçoparâmetro, também deverão o ser em relação ao preço de comparação, sob pena de desvirtuar o cálculo do ajuste na apuração do lucro real. Ocorre que não existe disposição expressa em lei determinando a inclusão desses valores, mas sim mera previsão em instrução normativa, o artigo 4o, § 4o, da IN SRF 243/2002. A redação do §6º do artigo 18, da Lei n° 9.430/96 não permite a ilação de que os valores a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação serão incluídos no preçoparâmetro, e, menos ainda, que também o serão no preço praticado, para fins de comparação. Quem determina isso é unicamente uma instrução normativa (IN SRF nº 243/2002, artigo 4º, § 4º), sem amparo em qualquer previsão legal. Em adição, devese considerar que o objetivo do controle dos preços de transferência é monitorar as transações entre empresas vinculadas, tendo em vista que o lucro nelas pode ser eventualmente distorcido, através da conferência artificiosa de preços em operações de importação ou de exportação, em detrimento da arrecadação tributária nacional. Toda essa sistemática de controle, porém, só possui sentido se aplicada às transações entre partes vinculadas, e não em relação a operações contratadas de forma independente, como é o caso do frete e do seguro, que se sujeitam a condições normais de mercado. Não há porque se falar em verificação da adequação dos preços praticados nas operações de frete ou de seguro e muito menos na cobrança de tributos na importação eis que estes preços já são fixados de forma independente, inexistindo, portanto, o risco de serem eventualmente distorcidos pelas partes. Logo, esses valores encontramse excluídos do controle de preços de transferência e, portanto, não devem compor o preço apurado pela impugnante. Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.802 15 Ressaltese que, em recente julgamento, a Primeira Turma da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu decisão afastando a obrigatoriedade da inclusão dos serviços de frete e seguro no custo do preço do produto importado para efeito do controle fiscal de preço de transferência. Dessa forma, não restam dúvidas que, ao utilizar o preço FOB na composição dos preços praticados, sem adição dos tributos incidentes na importação, a impugnante não incorreu em qualquer irregularidade, mas sim conferiu correta interpretação ao disposto no artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual se demonstra absolutamente infundada a exigência fiscal nesse teor. Da necessária retificação do lançamento para inclusão do ajuste apurado pela impugnante ao calcular os ajustes totais aos quais a impugnante estaria sujeita, por conta da aplicação da metodologia de cálculo que entendeu ser correta, a fiscalização deixou de considerar o valor a título de ajuste apurado pela empresa, ao argumento de que não teria sido oferecido à tributação do IRPJ nem da CSLL, conforme se verificou da Ficha 9A, linha 7, da DIPJ do anocalendário de 2007. Ocorre que a informação contida na DIPJ a que teve acesso a fiscalização não está correta. Com efeito, como é possível observar das anexas cópias do LALUR, acompanhadas dos anexos comprovantes de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário de 2007, a impugnante apurou e recolheu naquele ano um ajuste total no valor de R$ 1.640.208,99. Este valor acabou não constando da DIPJ entregue à fiscalização, eis que, por ter se sujeitado a sucessivas fiscalizações, a impugnante esteve impedida de efetuar qualquer alteração naquele documento e, por um lapso, acabou entregando à autoridade autuante o documento sem a devida retificação. Referido equívoco, todavia, não impede o reconhecimento de que a impugnante de fato apurou e ofereceu à tributação o valor de R$ 1.640.208,99, a título de ajuste decorrente de preços de transferência no anocalendário de 2007, como demonstram os anexos documentos. Aliás, embora o ajuste não tenha constado da Ficha 9A da DIPJ entregue à fiscalização, o referido montante foi declarado na Ficha 17, que trata do cálculo da CSLL apurada no mesmo período. Portanto, tivesse a autoridade fiscal analisado diligentemente aquele documento, bem assim o LALUR e os comprovantes de arrecadação do período, teria chegado à conclusão de que a impugnante de fato apurou e recolheu o ajuste referente aos preços de transferência, ainda que através de metodologia com a qual não concordasse. Impõese, portanto, que, na remota hipótese de manutenção da metodologia de cálculo defendida pela fiscalização, seja ao menos abatido da base tributável o ajuste de R$ 1.640.208,99, devidamente oferecido à tributação, reduzindose, por conseqüência a base de cálculo Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.803 16 sobre a qual foi apurada a exigência fiscal de R$ 11.126.750,12 para R$ 9.486.541,12. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a impugnante que seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração. Subsidiariamente, requer seja ao menos deduzido do valor apurado pela fiscalização a título de ajuste total o montante de R$ 1.640.208,99, apurado no LALUR e oferecido pela impugnante à tributação no anocalendário de 2007, reduzindose, por conseqüência, a base de cálculo sobre a qual foi apurada a exigência fiscal de R$ 11.126.750,12 para R$ 9.486.541,12.” O acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação, exonerando parcialmente a CSLL, pelos motivos sintetizados na ementa reproduzida acima. No tocante ao ajuste a título de preços de transferência para a formação do lucro real (IRPJ) que já teria sido realizado anteriormente pela Contribuinte, o acórdão não acolheu os argumentos da Contribuinte, sob o fundamento de que “o supracitado ajuste não consta da Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), linha 07 (Ajustes Decorr. Métodos Preços de Transferências) da DIPJ/2008, apesar de constar do LALUR apresentado pela impugnante (fls. 2427/2433), Parte A (Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício), Balancete de Suspensão relativo a dezembro/2007). E conclui: Ocorre que o lucro real apurado no LALUR, de R$ 19.426.253,69 (fl. 2432), considerando esse ajuste, não pode ser validado, pois não encontra respaldo nem na DIPJ (no qual, conforme mencionado, não consta o ajuste da contribuinte), nem nas DCTFs, nem nos comprovantes de pagamento juntados pela contribuinte (fls. 2573/2598). O lucro real indicado no LALUR, de R$ 19.426.253,69, levaria à apuração de IRPJ no montante de R$ 4.832.563,42 (15% sobre a base de cálculo + 10% de adicional sobre o que excedeu R$ 240.000,00), ao passo que os pagamentos totalizam apenas R$ 4.799.159,44. Não justificando a contribuinte essa diferença, não há como identificar o que foi e o que não foi efetivamente considerado na apuração do tributo. Dessa forma, considerando que o ajuste da contribuinte (R$ 1.640.208,99) não consta da Ficha 09A da DIPJ/2008 e que o lucro real constante do LALUR não pôde ser validado, há que se concluir que a contribuinte não comprova o oferecimento à tributação do referido montante, que deve, portanto, ser desconsiderado, de modo a se entender correta, quanto ao IRPJ, a apuração da matéria tributável pela fiscalização (R$ 11.126.750,12), mantendose a autuação correspondente. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte (a) suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido, sob o fundamento de este (acórdão) não teria analisado os argumentos sobre a ilegalidade da Instrução Normativa n. 243/02; e (b) no mérito, reproduz as razões de impugnação no tocante (i) à legalidade da metodologia de cálculo do PRL60 utilizada; (ii) à legitimidade da exclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação do valor do preço praticado; e, subsidiariamente, (iii) à necessidade de que seja considerado o Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.804 17 valor do ajuste anteriormente apurado pela Contribuinte para fins de apuração do IRPJ, no valor de R$1.640.208,99. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Preliminarmente: nulidade do acórdão recorrido Insurgese a Contribuinte contra a não apreciação pela instância a quo da legalidade da metodologia de cálculo PRL60 instituída pela Instrução Normativa nº 243/02. Segundo a Contribuinte, o Colegiado a quo não poderia se furtar da análise da legalidade da Instrução Normativa nº 243/02, uma vez que somente lhe seria defeso se manifestar acerca da inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Em que pesem os argumentos da Contribuinte, o ato normativo impugnado é de observância obrigatória por parte dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 116, III, da Lei nº 8.112/901, bem como pelas Delegacias Regionais de Julgamento da RFB, conforme disposto no art. 7º da Portaria MF nº 58/062. Rejeitase, pois, a preliminar de nulidade. (ii) Mérito 1. Da legalidade da metodologia de cálculo PRL60 prevista na IN SRF 243/02 A legalidade (ou não) do método de cálculo denominado “PRL60” estabelecido pela Instrução Normativa nº 243/02, em face do art. 18, II, alínea “d”, “1”, da Lei nº 9.430/96, tem sido largamente discutida no âmbito deste Conselho, embora não haja, até a presente data, consenso a respeito do tema. Dentre as decisões proferidas pelo CARF, merece destaque o acórdão proferido nos autos do Processo Administrativo nº 16643.000070/200989 (Acórdão nº 1302 001.164), da lavra do ilustre Conselheiro Eduardo de Andrade, o qual, de forma criteriosa, analisou a questão, orientando o seu voto no sentido de que o método de cálculo do PRL60 introduzido pela Instrução Normativa SRF nº 243/02 não ocasionou majoração do tributo e não contraria o disposto no art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96. 1 “Art. 116. São deveres do servidor: (...) III observar as normas legais e regulamentares;” 2 “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos.” Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.805 18 Segundo citado acórdão, o art. 18, inciso II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96 comportaria duas interpretações possíveis, as quais, por sua vez, possibilitariam a utilização de duas metodologias de cálculo distintas, sendo a denominada “segunda interpretação” a que melhor atenderia à finalidade do controle dos preços de transferência. Nesses termos, conclui: “Assim, também pelo viés finalístico, agora nesta análise mais aprofundada, vêse que a melhor interpretação dada ao art. 18 é aquela que decorre da 2ª interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, que seguiu adotada pela IN SRF nº 243/02, na qual a expressão “diminuídos” relacionase tanto à expressão “da margem de lucro de...” quanto à expressão “ e do valor agregado no País”. Como conseqüência, a 2ª interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 é preferível à 1ª interpretação. Além disso, o preço parâmetro que se obtém da fórmula veiculada pela IN SRF nº 243/02, como visto acima, é sempre superior àquele fornecido pela 2ª interpretação da Lei nº 9.430/96, sendo, portanto, mais benéfico ao contribuinte, não dando azo, por conseqüência, à argüição de ilegalidade por violação ao princípio da legalidade tributária.” Tal voto, pela coerente metodologia de abordagem, tem sido utilizado como referência na análise da questão. Contudo, em que pese a excelência do estudo efetuado no acórdão, pedese vênia para discordar de alguns de seus fundamentos e conclusão. Não impressiona o fato de o texto de lei (no caso, art. 18 da Lei n. 9.430/96) comportar potencialmente duas ou mais interpretações. Ao contrário, são raros os textos legais que são unívocos. Prova inequívoca de tal assertiva é a constante mutação de jurisprudência sobre temas submetidos aos órgãos de julgamento e a quantidade de decisões que são proferidas “por maioria de votos” por Cortes judiciárias e administrativas, tendo cada julgador uma interpretação distinta de um mesmo texto legal. A questão relevante é saber qual é a interpretação mais adequada ao texto legal, de acordo com critérios jurídicos, que levará a resultados conformes com o ordenamento jurídico. Será essa a interpretação que, com o passar do tempo e a evolução da jurisprudência, se tornará a interpretação corrente da lei. Para se admitir uma nova interpretação do texto de lei não basta que ela seja possível, conforme demonstrado pelo Acórdão nº 1302001.164, mas é necessário que ela (nova interpretação) não produza “resultados indesejados de acordo com a realidade dos fatos e com os valores consagrados no ordenamento”. Nesse sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Verbis: “RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. EMBARGOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PRECLUSÃO. COISA JULGADA. LIQUIDAÇÃO. PERÍCIA. ATUALIZAÇÃO DO DÉBITO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. 6. Havendo duas interpretações possíveis e válidas, cabe ao Judiciário escolher, dentre elas, a que guarde maior pertinência com o sistema jurídico, afastando a que leve a resultados visivelmente indesejados de acordo com os valores consagrados no ordenamento.” (REsp 1167563/RS, Rel. Ministra Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.806 19 NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/08/2013, DJe 18/10/2013) A discussão a ser desenvolvida exige que o exegeta se valha de técnica interpretativa adequada. Para solucionar eventuais atecnias na elaboração da norma jurídica, o intérprete deve se valer primeiramente da interpretação literal mais próxima possível, buscando também, quando necessário, se valer de outras técnicas de interpretação como a ontológica e a teleológica. Por relevante, fixase uma primeira premissa: qualquer que seja a interpretação dada ao texto de lei (ou, em outros termos, qualquer correção que se faça para suprir a atecnia legislativa), esta (interpretação) jamais poderá levar a resultados “impossíveis ou absurdos”, não passíveis de confirmação empírica. Para a solução do caso, propõese tratar (i) da análise sintática do art. 18 da Lei n. 9.430/96; (ii) da intepretação ontológica da norma; (iii) da interpretação teológica do PRL60%; e (iv) do conceito de valor agregado. A. Análise sintática do art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96 e sua interpretação lógica Dispõe o art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000)” (grifouse) Por sintetizar com precisão o problema gramatical da norma, valese de trecho do Acórdão nº 1302001.164, verbis: “O dispositivo impõe como limite para a dedutibilidade de custos, despesas e encargos incorridos em operações de importação o preço determinado pelo método PRL 60. O problema surge ao se examinar a composição deste preço, determinado pelo método PRL 60. Isto porque a Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.807 20 redação da alínea “d” dada pela Lei nº 9.959/2000 propicia duas interpretações para sua composição. De forma geral, o preço determinado pelo método PRL60 será a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da margem de lucro de sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Da leitura, vêse que não há dúvida quanto ao fato de que o preço dado pelo método PRL60 é dado pela média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da margem de lucro de sessenta por cento. A questão é sobre qual base deverá ser calculada esta margem. Há duas possíveis interpretações dadas pelo dispositivo. Assim, a margem de sessenta por cento deverá ser calculada: a) sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (do preço) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (inserção e grifos meus); ou b) sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores. A primeira hipótese é a mais óbvia e é a que deriva inicialmente da leitura do dispositivo. Isto, porquanto há quatro alíneas, sendo claro que cada uma delas fornece uma rubrica a ser diminuída da média aritmética dos preços de revenda dos bens e direitos. Neste sentido, a margem de 60% seria aplicada sobre o preço líquido de revenda (deduzido dos valores referidos nas alíneas “a”, “b” e “c”) e sobre o preço do valor agregado no País. A interpretação, assim feita, envolve um primeiro aclaramento. Ou se pressupõe oculta a expressão “preço do” anteposta à expressão “valor agregado” no País, ou se reconhece erro gramatical no texto. Isto porque, caso não estivesse tal expressão oculta, a redação, então, deveria ser “sobre o preço de revenda... e (sobre) o valor agregado no País”. Mas o dispositivo manteve a partícula “do” ao invés da partícula “o”, impedindo a concordância. Por outro lado, ao se analisar o conteúdo da expressão “do preço”, como necessariamente anteposta à expressão “e (do preço) do valor agregado”, há de se concluir, finalmente, pelo erro gramatical do texto legal, já que ela, além de agregarse desnecessariamente a uma expressão simples (“valor agregado”), a qual já possui conteúdo semântico completo, em nada a altera. De fato, a expressão “preço do valor agregado” em nada dista, sob ponto de vista semântico, da expressão “valor agregado”, posto que a palavra “valor” já pressupõe uma que equivalência a parâmetros de mercado (que é justamente a função do preço). Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.808 21 Ainda assim, não se impõe abandonar esta interpretação, sem que se aprofunde nela, eis que são diversos os exemplos que temos na legislação de atecnia legislativa, impondose extrair do texto legal sua essência deôntica, uma vez compreendido o erro gramatical. Finalmente, há de se concluir que o preceito legal, adotada esta interpretação, embora envolva conceitos que não prescindem de um aclaramento conceitual (v.g., o de valor agregado no País) pode ser perfeitamente reduzido, pelo processo de formalização, a uma fórmula matemática, eis que esta foi a legítima intenção do legislador, já que do contrário teria criado uma norma estéril, impossível de ser aplicada. Assim, podese perfeitamente chegar a uma expressão que tem no seu primeiro membro o preço determinado pelo método PRL60 e no segundo membro a composição deste preço. Em linguagem matemática: PP = PLV – 60% x (PLV – VA)” (grifouse) Não há como negar que a redação do referido dispositivo está eivada de vício técnico formal ao dispor que a margem de sessenta por cento é “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. A conexão “e” e a preposição+artigo “do” não fazem sentido juntas sobre o ponto de vista sintático, pois se “valor agregado no País” fosse objeto indireto do verbo “deduzir”, não se faria necessário o conectivo “e”. Na hipótese de “valor agregado” ser objeto indireto do verbo “calcular”, não seria necessária a preposição+artigo “do”, tendo de ser ainda efetuada a inclusão preposição+artigo “sobre o” antes de “valor agregado” para alcançar este fim. A análise sintática da oração demonstra evidente erro formal na redação do dispositivo. Considerando que o art. 18 da Lei Complementar nº 95/98 determina que “eventual inexatidão formal de norma elaborada mediante processo legislativo regular não constitui escusa válida para seu descumprimento”, deve o julgador, especialmente em matéria tributária – em que prepondera o princípio da estrita legalidade – se valer de técnica adequada a fim de atribuir ao dispositivo a interpretação lógica mais próxima de sua redação, o que implica opção de leitura (interpretação) que resulte na supressão ou inclusão do menor número de elementos possíveis para que o dispositivo se torne inteligível e lógico. Aduz o Acórdão nº 1302001.164 que a interpretação “mais lógica” (mas não a melhor), a qual denominou de “primeira interpretação”, seria aquela em que “valor agregado” seria uma locução adjetiva do substantivo “preço”, o qual por sua vez seria objeto indireto do verbo “calcular”. Nesta hipótese, a lei haveria ocultado a expressão “sobre o preço” de sua redação, a qual foi incluída naquele raciocínio para que o dispositivo fizesse sentido. Desta forma, o dispositivo ficaria com a seguinte redação: “sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (sobre o preço) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção”. Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.809 22 Diante desta interpretação, o Acórdão nº 1302001.164 deduziu a seguinte fórmula matemática, onde PP é o Preço Parâmetro, PLV é o Preço Líquido de Venda e VA é o Valor Agregado no país: PP = PLV – 60% x (PLV – VA) A segunda interpretação possível sugerida no Acórdão nº 1302001.164 seria no sentido de considerar “Valor Agregado” (VA) como uma dedução direta do “Preço Líquido de Venda” (PLV), não fazendo parte do cálculo da margem dos sessenta por cento, constituindose uma quinta alínea (alínea “e”) do art. 18, II da Lei nº 9.430/96. Confirase: “A segunda interpretação que pode ser dada ao dispositivo legal em análise (inciso II, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000) parte do pressuposto de que a expressão contida na alínea “d” do inciso II, “e do valor agregado no País”, complementa a expressão “diminuídos”, que está no corpo do inciso II. Assim, a margem de lucro de 60% seria calculada tão somente sobre o preço líquido de revenda e haveria implícita uma quinta alínea (“e”), que conteria um valor (o valor agregado no País) a ser diminuído da média aritmética dos preços de revenda dos bens e direitos. De acordo com esta expressão, o preceito legal afirmaria que o preço dado pelo método PRL60 seria definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de 5 rubricas: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores; e) do valor agregado no país. Assim, utilizandose das mesmas rubricas acima definidas, esta prescrição poderia ser reduzida à seguinte expressão matemática: PP = PLV – 60% PLV VA” (grifouse) Com a devida vênia, a segunda interpretação proposta não é razoável sob o ponto de vista de técnica legislativa. A expressão “do valor agregado no país” está inserida entre duas expressões “sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores” e “na hipótese de bens importados aplicados à produção”. Ou seja, remover a expressão e atribuílo a uma nova alínea seria medida drástica, desconfigurando a metodologia de interpretação prevista na legislação complementar. Além disso, é inverossível que o legislador tenha cometido erro tão grave de redação como este, pois: (i) a alínea “d” foi alterada pela Lei nº 9.959/00, a qual criou dois itens para a referida alínea, quais sejam, o item “1” que trata dos bens importados Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.810 23 aplicados à produção e o item “2” que trata dos demais bens. Caso o erro tivesse sido de fato a não segregação da expressão “valor agregado no país” em uma nova alínea em virtude de uma atecnia legislativa, a referida expressão estaria geograficamente localizada no final do item “2”, ou ainda, em um eventual item “3” e não no meio de duas expressões do item “1”; e (ii) tratar a expressão “valor agregado no país” em um nova alínea teria duas possíveis implicações, quais sejam (a) deduzir do cálculo do preço parâmetro na simples revenda de bens o valor agregado no País, o que não faz nenhum sentido, por se tratar de revenda e não produção, ou (b) aplicar o percentual de 60% também para o caso de revenda de bens, eliminandose o percentual de 20%, previsto expressamente no item 2 da referida alínea “d” do art. 18, II do Lei nº 9.430/96. E mais. Além de imprópria do ponto de vista da técnica legislativa, a segunda interpretação proposta ao dispositivo certamente não seria a mais adequada por resultar em resultados impossíveis de serem confirmados empiricamente. Partindo da intuitiva premissa de que o VA compõe o PLV, caso o VA fosse superior a 40% do PLV, o preço parâmetro seria negativo, o que seria solução inadmissível de acordo com a própria nomenclatura do método “Preço de Revenda menos o Lucro”. Ou seja, apurar um preço parâmetro negativo seria dizer que o lucro ou, no caso, o prejuízo, foi superior a 100% do custo, o que é uma solução impossível, pois a empresa teria que pagar para o cliente para vender o seu produto, o que é ilógico. Desde já se diga que o artigo somente comporta apenas uma interpretação adequada, sendo a atecnia legislativa resolvida de forma simples e mediante a mera supressão da preposição “de”, remanescendo o artigo “o” (“do” = “de” + “o”), ou se preferir, eliminando se letra “d” que não deveria constar da redação da lei. Ou seja, com a supressão de apenas uma letra a redação faz pleno sentido, conforme se demonstrará. Suprimindose a letra “d” da expressão “do valor agregado”, terseia a expressão “o valor agregado”, restando o referido dispositivo com a seguinte redação: d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Neste caso, “o valor agregado no País” seria, assim como a expressão “os valores referidos nas alíneas anteriores”, objeto direto do verbo deduzir, o qual, no sentido de “abater, descontar, subtrair etc.” é um verbo transitivo direto ou indireto. Vejase que a simples supressão de uma letra promove sentido ao dispositivo, o que parece ser a alteração com a menor supressão/inclusão de elementos e que corresponde exatamente ao efeito que a norma pretendeu produzir. Seguindo a linha do Acórdão nº 1302001.164, a redução desta interpretação a uma fórmula matemática, resultaria na seguinte equação: Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.811 24 PP = PLV – 60% x (PLV – VA) Notese que esta equação é exatamente a mesma deduzida pelo Acórdão nº 1302001.164 no que denominou “primeira interpretação do art. 18 da Lei 9.430/96”. Diante de todo o exposto, concluise nessa parte que (i) de fato, há uma atecnia na redação do art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96; e que (ii) tal a atecnia pode ser facilmente resolvida suprimindose a letra “d” da preposição+artigo “do”, a fim de que permaneça somente o artigo “o”, sendo a expressão “o valor agregado no país” objeto direito do verbo deduzir, podendose resumir o cálculo do preço parâmetro na seguinte equação matemática: PP = PLV – 60% x (PLV – VA); (iii) citada interpretação é adequada por não apresentar, a priori, resultados “impossíveis” e por não demandar a consideração de uma nova alínea no nova alínea do art. 18, II da Lei nº 9.430/96, que desnaturaria o próprio método de aferição do preço parâmetro. B. Interpretação Ontológica do art. 18, II, “d” da Lei nº 9.430/96 Pretendese neste tópico expor e demonstrar a ratio legis da norma, no sentido de provar a razão que levou o legislador a criar uma metodologia de cálculo específica para a importação de produtos aplicados ao processo industrial. Até o advento do referido método (PRL60%), pela Lei n° 9.959, de 2000 vigia o método PRL20 para todos os casos (revenda e produção). Desta forma, utilizandose o mesmo método para os casos de produção e de revenda, os cálculos podem ser demonstrados da seguinte forma: a. Revenda Legenda A. Preço Praticado B. Preço de Venda B.1. Preço Líquido de Venda B.2. Margem 20% C. Preço Parâmetro (B.1. ‐ B.2.) D. Ajuste (A ‐ C) 100,00 140,00 120,00 40,00 96,00 4,00 Custo Importação 20 Margem de Lucro Efetiva 20 20 4 Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 100 100 100 96 24 b. Produção Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.812 25 A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.2. Margem 20% D. Preço Parâmetro (C.1 ‐ C.2) E. Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 200,00 280,00 240,00 48,00 192,00 0,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 48 40 40 100 40 100 100100 100100 192 100 Nesses exemplos, pretendese evidenciar que a utilização do método PRL 20% para ambos os casos, sem nenhuma diferenciação da metodologia de cálculo, promovia distorções. Na hipótese dos quadros acima, a empresa importou a mercadoria por R$ 100,00, ao qual se nominou como “preço praticado”. Na primeira hipótese demonstrada acima (item “a”), a empresa efetuou a importação para a simples revenda, acrescentado ao valor de venda, líquido dos tributos, o valor de R$ 20,00, o que representa uma margem de 16,67% de lucro. Assim, importou a R$ 100,00 e vendeu a R$ 120,00 (valor líquido dos descontos e tributos na venda). A aplicação do cálculo PLR20 resultou, neste caso, em um preço parâmetro de R$ 96,00 e um ajuste de R$ 4,00. Por sua vez, no segundo caso, a empresa efetuou importação de produto no valor de R$ 100,00, o qual foi utilizado como insumo na produção de outro bem, tendo sido agregado ao valor da importação o custo de produtos e serviços nacionais, no valor de R$ 100,00. Portanto, o custo da mercadoria passou a ser de R$ 200,00, composto de R$ 100,00 de produtos importados e R$ 100,00 de produtos nacionais (50% do custo total). Sobre o referido custo a empresa aplicou a mesma margem de lucro de 16,67% utilizada no primeiro exemplo. Utilizandose o método do PRL20 neste caso, o preço parâmetro calculado foi de R$ 192,00, não tendo sido apurado o ajuste, pois o preço parâmetro foi maior do que o preço praticado. A diferença entre os preços parâmetros de R$ 96,00, no primeiro caso, e R$ 192,00, no segundo, é de R$ 96,00, o representa justamente o valor de 80% (1 – margem de 20%) do custo do produto nacional acrescido da respectiva margem. No exemplo, seria 80% R$ 120,00, que é o resultado da soma do custo do produto nacional (R$ 100,00) acrescida da respectiva margem de lucro de R$ 20,00. Desta forma a diferença de R$ 96,00 pode ser composta da seguinte forma: Parcela Valor Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.813 26 80% do valor do custo nacional de R$ 100,00 R$ 80,00 80% da margem de lucro correspondente ao custo nacional (margem de lucro de 16,67%) de R$ 20,00 R$ 16,00 Total R$ 96,00 Como dito, havia evidente distorção no cálculo do PRL20, pois caso o importador apenas revendesse o produto importado, este estaria sujeito ao ajuste, enquanto que, se o produto importado fosse aplicado à produção e vendido com a mesma margem de lucro, a importação não estaria sujeita ao ajuste de preços de transferência, o que não representa o objetivo arms length, pois para um mesmo produto importado, de um mesmo fornecedor, pela mesma margem de lucro, foram atribuídos dois preços parâmetro diferentes. Diante desse injusto tratamento, o legislador decidiu alterar a metodologia de cálculo do PRL para os casos em que o produto importado fosse utilizado como insumo na indústria nacional. Para resolver tal distorção, bastaria o legislador isolar a participação do produto importado no valor de venda do produto final, mediante a aplicação do percentual do custo importado no custo total sobre o valor de venda do produto. Uma vez isolado o valor de venda apenas do produto importado, aplicarseia a mesma margem presumida de 20% sobre referido valor, resultando no preço parâmetro3. Contudo, o legislador, com a edição da Lei nº 9.959/00 optou criar um método específico para o cálculo do preço parâmetro, qual seja, a utilização de uma margem de 60% e não mais de 20% com a permissão de deduzir do preço de venda, para fins de aplicação da margem, o valor agregado no país (conforme interpretação dada acima). A expressão “valor agregado no país”, conforme será demonstrado mais adiante, corresponde tão somente ao custo dos produtos e serviços nacionais agregados ao produto final e não à respectiva margem de lucro (“Mark up”). Portanto, o caminho adotado pelo legislador foi criar uma presunção de margem de lucro específica para o caso de produção, a fim de compensar a margem de lucro do valor agregado no país, razão pela qual a referida margem passou de 20% para 60%, permitindose a dedução do valor agregado no país. No exemplo a seguir, a aplicação do PRL60 ainda não reflete com exatidão o preço parâmetro calculado no item a, acima. Confira: 3 Notese que o que seria adequado fosse considerado o percentual de 20%, tornase inadequado quando se elege o percentual de 60%, tal como procedido pela IN SRF 243/2003. Esse aspecto será melhor tratado a seguir. Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.814 27 A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.2. Valor Agregado no País C.3. Preço (‐) Valor Agregado (C.1. ‐ C.2.) C.4. Margem 60% D. Preço Parâmetro (C.1. ‐ C.4.) Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 200,00 280,00 240,00 100,00 140,00 84,00 156,00 0,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 84 100 100 156 100 100 100 40 40 40 100 100 40 100 100 Vejase que, ainda neste exemplo, a margem de lucro aplicada ao produto final (custo da importação acrescido do custo nacional) foi a mesma do primeiro exemplo (16,67%). Contudo, a aplicação do PRL60 ainda retornou um valor de preço parâmetro diferente daquele no PRL20. Esta distorção ocorre pois o legislador, para criar a presunção da margem de lucro de 60%, criou uma presunção também de quanto o custo do produto/serviço nacional representa do produto líquido de venda (PLV), variando de acordo com a margem de lucro aplicado ao produto. É possível demonstrar o ponto de equilibro entre o preço parâmetro do PRL20 com o PRL60 mediante a seguinte prova matemática: PP60 = Preço Parâmetro no PRL 60% PP20 = Preço Parâmetro no PRL 20% Podese demonstrar o PP60 de acordo com a seguinte equação: PP60 = PLV – 60% (PLV – Cp), ou PP60 = 0,4PLV + 0,6Cp, onde “PLV” é o Preço Líquido de Venda após descontados os descontos incondicionais, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e comissões e as corretagens pagas; e “Cp” é o custo do produto/serviço nacional, assumindo que “Valor Agregado no País” corresponde ao custo do produto e serviços nacionais, conforme se demonstrará mais adiante. Além disso, é possível demonstrar o PRL20 de acordo com a seguinte fórmula: PP20 = (PLV – Cp – MUp) – 20% (PLV – Cp – MUp), ou PP20 = 80% (PLV – Cp – MUp), onde MUp é a margem de lucro (“Mark up”) da produção nacional (como no PRL20 aplicase somente na revenda do produto importado, o PLV deve excluir o custo e respectiva margem do produto nacional). Outras premissas adotadas na prova: Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.815 28 Ct = Cp + Ci, onde Ct é o custo total do produto vendido e Ci é o custo do produto importado; MUt = MUp + MUi, onde MUt é o valor da margem de lucro total do produto e MUi é a margem do produto importado; PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci, considerando que o percentual de margem de lucro do produto importado é o mesmo do produto/serviço nacional. Portanto, para que o PP20 seja igual ao PP60 é necessário que o Cp seja igual a (2 PLV – 4MUp)/7, conforme demonstrado a seguir: PP20 = PP60 0,8 (PLV – Cp – MUp) = 0,4 PLV + 0,6 Cp 0,8 PLV – 0,4 PLV = 0,8 Cp + 0,8 MUp + 0,6 Cp 0,4 PLV = 1,4 Cp + 0,8 MUp 0,4 (Ct + MUt) = 1,4 Cp + 0,8 MUp 0,4 (Ct + MUp + MUi) = 1,4 Cp + 0,8 MUp 0,4 (Ct + MUi) = Cp + 0,4 MUp 0,4 [Ct + (Ci x MUp)/Cp] = Cp + 0,4 MUp 0,4 Ci [ 1+ (MUp/Cp)] = Cp + 0,4 MUp Cp = [(0,4 PLV)/1,4] – [(0,8 MUp)/1,4] Cp = [(2 PLV)/7] – [(4 MUp)/7] Cp = (2 PLV – 4MUp)/7, ou 7Cp = 2PLV – 4MUp, então PLV = (4MUp + 7Cp)/2, ou PLV = 3,5 Cp + 2MUp Vejase que a fórmula matemática acima é circular, ou seja uma das variáveis da fórmula depende do próprio resultado da equação, pois o Cp e o MUp compõe o valor do PLV. Retornando ao exemplo, para se definir o Cp temse, além da prova acima, a seguinte equação: PLV = Cp + Ci + MUp + MUi, a qual parte da premissa de que o PLV é composto pela somatória do custo do produto/serviço nacional, custo de importação, margem de lucro do produto/serviço nacional e margem de lucro do produto importado. Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.816 29 No exemplo em análise, são utilizadas duas constantes, quais sejam: custo do produto importado (R$ 100,00) e margem de lucro do produto/serviço nacional e importado de 16,67% ou 1/6. Assim, temse que: PLV = Cp + Ci + MUp + MUi PLV = Cp + 100 + MUp + 20 PLV = Cp + MUp + 120 Sabese ainda, conforme demonstrado, que na igualdade entre PP20 e PP60, o PLV é igual a 3,5 Cp + 2MUp, portanto: 3,5 Cp + 2MUp = Cp + MUp + 120 2,5 Cp + MUp = 120 É dado ainda que a margem de lucro tanto do produto/serviço nacional, como do produto importado, no exemplo analisado, é de 16,666% ou 1/6, portanto, temse que: [Cp/(1 – 1/6)] Cp = MUp [Cp/(5/6)] – Cp = MUp, portanto 1,2Cp – Cp = MUp, ou 0,2Cp = MUp, ou MUp = 0,2Cp Com efeito, retornando à equação anterior, temse que: 2,5 Cp + 0,2 Cp = 120 2,7 Cp = 120 Cp = 44,4444 Assim, concluise que dadas as duas constantes (custo de importação e margem de lucro) para que o preço parâmetro calculado na revenda (PP20) seja o mesmo do preço parâmetro apurado no PRL60 (PP60), o custo do produto/serviço nacional deve ser de R$ 44,44 e, consequentemente, o PLV de R$ 173,33 (R$144,44/10,166....). Confirase: Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.817 30 A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.2. Valor Agregado no País C.3. Preço (‐) Valor Agregado (C.1. ‐ C.2.) C.4. Margem 60% D. Preço Parâmetro (C.1. ‐ C.4.) Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 144,44 213,44 173,33 44,44 128,89 77,33 96,00 4,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 4 96 77,33 40 29 29 100 29 100 44,44 100 44,44 100 44,44 100 44,44 Pretendese demonstrar que, feito o cálculo de acordo com o prescrito na Lei nº 9.430/96 de acordo com a interpretação que se acredita ser a mais razoável, a depender do valor de custo do produto/serviço nacional agregado ao produto final, é possível se alcançar o mesmo preço parâmetro calculado para o caso de revenda (PRL20), considerando como constantes os valores de custo do produto importado (R$ 100,00) e margem de lucro final do produto de 16,67% (adotase como premissa que o percentual da margem de lucro do produto nacional e importando são os mesmos). Friseque, ao criar o PRL, o legislador não apenas presumiu uma margem de lucro, mas também o valor do custo/produto nacional, a qual pode variar a depender da margem de lucro praticada. Em contrapartida, a fórmula prescrita na Instrução Normativa nº 243/02, independentemente do custo do produtos/serviços nacionais, sempre retorna, para as constantes “custo do produto importado” e “margem de lucro”, um preço parâmetro inferior àquele calculado no PRL20 (exemplo do item a) e, por seguinte, um ajuste maior, onerando indevidamente o contribuinte. Confirase: A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.1. Participação do Custo Nacional no Preço de Venda (50%) C.2. Margem 60% D. Preço Parâmetro (C.1. ‐ C.2.) Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 200,00 280,00 240,00 120,00 72,00 48,00 52,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Participação do Custo Nacional no Preço de Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 52 100 100 100 120 72 48 40 40 100 100 100 100 40 Fl. 2822DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.818 31 No exemplo supra, notadamente, a fórmula da Instrução Normativa nº 243/02 retornou um preço parâmetro inferior àquele calculado no item “a”, mesmo aplicando a mesma margem de lucro da revenda. Enquanto que, na revenda, o preço parâmetro calculado foi de R$ 96,00, na importação para a produção o preço parâmetro foi de R$ 48,00, ou seja, uma diferença de R$ 48,00, que representa justamente 40% (diferença entre a margem de 20% e 60%) do valor do preço líquido de revenda do produto importado. Ou seja, podese afirmar que a fórmula da Instrução Normativa nº 243/02, independente do custo dos produtos e serviços agregados no país, nunca retornará um valor de preço parâmetro idêntico ao cálculo do PRL20 (considerando o mesmo custo de importação e a mesma margem de lucro). Portanto, o propósito de equalizar uma situação de injustiça que se verificava antes da edição da Lei nº 9.959/00 não é atingido se a fórmula da Instrução Normativa nº SRF 243/02 for aplicada. Dispõe o art. 108, IV do CTN que a intepretação da legislação tributária será efetuada de acordo – e nesta ordem – com: (i) a analogia; (ii) os princípio gerais do direito; (iii) princípios gerais do direito público; e (iv) a equidade. Estando impossibilitado o exegeta de aplicar a analogia, os princípios gerais do direito e os princípios gerais do direito público, este deve aplicar a equidade. A equidade exige que o cálculo do preço parâmetro calculado para o produto revendido seja o mesmo aplicado para o produto aplicado no processo produtivo, se o valor do produto importado e a margem de lucro forem as mesmas. Portanto, a fórmula mais equânime é aquela prevista no art. 18, II da Lei 9.430/96, conforme a primeira interpretação ora tratada, por possibilitar, a depender do custo do produto/serviço nacional, obterse o mesmo preço parâmetro calculado no caso de revenda, conforme demonstrado acima. C. Interpretação Teleológica da Norma A fórmula de cálculo prescrita na Instrução Normativa nº 243/02 seria equânime caso mantive a aplicação da margem de 20%, pois, considerando que a referida metodologia de cálculo isola o custo e margem de lucro do produto importado, a aplicação do referido percentual sempre estaria de acordo com o cálculo do PRL para a revenda, não gerando tratamento diferenciado entre a revenda e a produção. Considerandose ainda que as regras de preços de transferência tem por objetivo criar parâmetros de transações entre empresas independentes, corolário do princípio arms lenght, não faz sentido aplicarse margens de lucro presumidas diferentes – como pretendeu a Instrução Normativa SRF nº 243/02 – para produtos importados adquiridos pelo mesmo valor e vendidos com a mesma margem de lucro, simplesmente por que um passou por processo de industrialização e o outro não. Vejase que a metodologia de cálculo do art. 18 da Lei nº 9.430/96 não criou duas margens de lucro diferentes, mas optou por presumir não somente a margem de lucro, mas também a parcela dos produtos/serviços nacionais que comporia o produto final a ser vendido, tanto é que, se a parcela dos produtos/serviços nacionais for a mesma presumida pelo Fl. 2823DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.819 32 legislador, o cálculo do preço parâmetro no PRL60 seria o mesmo do cálculo no PRL20, conforme demonstrado anteriormente. Tanto não faz sentido criarse duas margens de lucro para a mesma situação que a metodologia de cálculo atual do PLR aplica a metodologia de cálculo prescrita na Instrução Normativa SRF nº 243/02, contudo, não há diferenciação entre margem de lucro na revenda e na produção. Confirase: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) 1. (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) 2. (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.820 33 e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) (...) § 12. As margens a que se refere a alínea d do inciso II do caput serão aplicadas de acordo com o setor da atividade econômica da pessoa jurídica brasileira sujeita aos controles de preços de transferência e incidirão, independentemente de submissão a processo produtivo ou não no Brasil, nos seguintes percentuais: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) I 40% (quarenta por cento), para os setores de: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) a) produtos farmoquímicos e farmacêuticos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) b) produtos do fumo; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) c) equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) d) máquinas, aparelhos e equipamentos para uso odontomédico hospitalar; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) e) extração de petróleo e gás natural; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) f) produtos derivados do petróleo; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) II 30% (trinta por cento) para os setores de: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) a) produtos químicos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) b) vidros e de produtos do vidro; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) c) celulose, papel e produtos de papel; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) d) metalurgia; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) III 20% (vinte por cento) para os demais setores. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) Vejase que a diferenciação das margens de lucro se dá tão somente em função da atividade desenvolvida pelo contribuinte e não em função de o produto ser revendido ou aplicado na produção. Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.821 34 Portanto, o legislador, com a edição da Lei nº 12.715/2012, optou por: (i) aplicar, a partir de sua edição, o método de cálculo da Instrução Normativa nº 243/02, no sentido de isolar o custo e a margem de lucro do produto importado para fins de cálculo do preço parâmetro; e (ii) diferentemente da referida instrução normativa, aplicar a mesma margem de lucro presumida tanto para a produção como para a revenda. Com efeito, com a devida vênia dos entendimentos em sentido contrário, a legislação atual do PRL aponta e corrobora com a tese da ilegalidade da Instrução Normativa nº 243/02. D. Conceito de “valor agregado no país” Luís Eduardo Schouri, em sua obra “Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro”, 2ª Edição, Ed. Dialética, menciona que três possíveis hipóteses podem ser atribuídas à interpretação do termo “valor agregado no país”. Confirase: “7.5 Aparentemente, o posicionamento mais adequado para a determinação do ‘quantum’ a ser considerado como valor agregado ao bem produzido no País (VA) poderia considerar três hipóteses: VA = preço líquido de venda – custo do bem importado; VA = custo total – custo do bem importado; VA = custo de fatores locais (mãodeobra, materiais secundários etc.)” Transpondose as três opções sugeridas pelo ilustre Professor nas fórmulas matemáticas, conforme as definições já utilizadas neste voto, pode se dizer que: VA (primeira opção) = Cp + MUp + MUi VA (segunda opção) = Cp VA (terceira opção) = Cp + MUp É importante destacar que o Acórdão nº 1302001.164 partiu da premissa de que “valor agregado no país” compreende (i) o custo dos bens e serviços adquiridos no país, bem como (ii) a margem de lucro (“mark up”) aplicada sobre este custo (terceira opção). Contudo, é razoável dizer que o termo “valor agregado no país” se refere à segunda hipótese supra, ou seja, o custo total do produto final subtraído do valor do custo do bem importado, o que representa o custo do produto/serviço nacional, apesar de o referido doutrinador sustentar a possibilidade de interpretação de que valor agregado se referia ao preço líquido de venda subtraído do custo do bem importado (primeira hipótese). Na legislação tributária, verificase a utilização do termo “valor agregado” pela Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir), para fins de tributação do ICMS mediante a sistemática da substituição tributária, nos seguintes termos: “Art. 8º A base de cálculo, para fins de substituição tributária, será: I em relação às operações ou prestações antecedentes ou concomitantes, o valor da operação ou prestação praticado pelo contribuinte substituído; Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.822 35 II em relação às operações ou prestações subseqüentes, obtida pelo somatório das parcelas seguintes: a) o valor da operação ou prestação própria realizada pelo substituto tributário ou pelo substituído intermediário; b) o montante dos valores de seguro, de frete e de outros encargos cobrados ou transferíveis aos adquirentes ou tomadores de serviço; c) a margem de valor agregado, inclusive lucro, relativa às operações ou prestações subseqüentes.” (grifouse) Ora, da leitura do referido artigo, é possível inferir que o conceito de “valor agregado no país” não contempla necessariamente o conceito de “lucro”. Também é possível inferir que, caso a legislação de preços de transferência desejasse incluir o lucro no conceito de valor agregado, o faria de forma expressa, tal como o fez a referida Lei Complementar, ao dizer expressamente que “inclusive o lucro” compõe a margem de valor agregado. Assim, ao mencionar “valor agregado” sem a referência ao lucro, é legítimo dizer que a Lei nº 9.430/96 desejou não incluir a margem de lucro ou seja, “valor agregado no País” diz respeito somente ao custo dos produtos e serviços nacionais. Obviamente, a referida Lei Complementar tem por objeto regulamentar o ICMS, tributo distinto daquele analisado no caso. Contudo, de acordo com o art. 146, III da Constituição Federal, compete à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Desta forma, não há como desconsiderar o conceito de valor agregado contido na referida lei complementar, embora aqui se trate de tributo distinto daquele regulamentado por aquela norma. Admitir interpretar “valor agregado no País” como “custo dos produtos/serviços nacionais + lucro” implica dizer que todo o lucro (inclusive o lucro sobre os produtos importados) deveria ser considerado com “valor agregado no País”, pois todo o lucro foi agregado no país e não somente a margem de lucro dos produtos nacionais, como a Instrução Normativa SRF nº 243/02 pretendeu fazer, o que corresponde à primeira opção de acordo com o Professor Schouri. Vejase, portanto, que a hipótese mais improvável seria considerar como valor agregado no País, o custo do produto/serviço nacional acrescido do respectivo lucro (terceira opção). Não obstante, o resultado da metodologia de cálculo determinado pela referida instrução normativa resulta justamente na hipótese mais improvável, pois conclui que o “valor agregado” seria o custo dos produtos/serviços nacionais acrescidos da respectiva margem de lucro proporcional. Segundo a referida instrução normativa, o cálculo deve ser efetuado da seguinte maneira: “§ 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.823 36 II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV.” (grifouse) Ao calcular a margem de lucro de 60% sobre a “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, excluise da base, pela lógica, a participação do bem, serviço ou direito nacional no preço de venda do bem/serviço nacional. Ou seja, podese afirmar que se deduz da base para o cálculo da margem de 60%, justamente, o custo do bem nacional acrescido da margem de lucro proporcional. Dessa forma, podese dizer que há divergência entre o cálculo prescrito na lei e o cálculo constante na Instrução Normativa nº 243/02, pois o conceito de valor agregado não é o mesmo. Confirase: Valor Agregado (Lei 9.430/96) Custo do produto/serviço nacional Valor Agregado (Instrução Normativa) Custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro proporcional Vejase que, ad argumentandum, se admitindo a “segunda interpretação” atribuída ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 pelo Acórdão nº 1302001.164, pretendese provar que somente no caso de o valor agregado ser considerado como o custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro, a fórmula da Instrução Normativa nº 243/02 resulta em um preço parâmetro superior (o que não representa majoração de tributos). Confirase: Premissas: VA = Cp+ MUp PP = Preço parâmetro calculado de acordo com a “segunda interpretação” dada pelo Conselheiro Eduardo Andrade PP = PLV – 60%PLV – (Cp + MUp) Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.824 37 PP’ = Preço parâmetro calculado de acordo com a Instrução Normativa SRF 243/02 PP’ = 40% (Ci + MUi) Outras premissas já mencionadas anteriormente: Ct = Cp + Ci MUt = MUp + MUi PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci Prova pretendida = PP – PP’ é sempre <= 0 0,4PLV – Cp – MUp – 0,4Ci – 0,4MUi = = 0,4(Ct + MUt) – Cp – MUp – 0,4(Ct – Cp) – 0,4 (MUt – MUp) = = 0,4Ct + 0,4MUt – Cp – Mup – 0,4Ct + 0,4Cp – 0,4MUt + 0,4MUp = = – 0,6Cp – 0,6MUp >= 0 – 0,6MUp >= 0,6Cp MUp <= – Cp Considerando que, a margem de lucro ou prejuízo não pode ser inferior ao custo, temse que MUp >= – Cp, o que representa uma contradição, significando que sempre a expressão – 0,6Cp – 0,6 MUp é menor ou igual a zero. Em suma, podese afirmar até aqui que (i) ainda que comporte inúmeras interpretações, o art. 18, II da Lei nº 9.430/96 não permite seja aplicada interpretação que leva a resultados não razoáveis e contrários ao ordenamento, (ii) de fato, a interpretação proposta pela IN SRF 243/2002 leva a uma fórmula que, a depender do percentual de valor agregado, resultaria em preço parâmetro negativo, o que é uma solução impossível; e (iii) considerar como valor agregado o custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro é a definição menos provável em relação às hipóteses possíveis para o termo, conforme a própria legislação tributária complementar. Pois bem. Agora, admitindose ainda a existência da “segunda interpretação” e que esta seria a mais adequada ao texto legal, pretendese provar que: (i) Diferentemente do quanto alegado no Acórdão nº 1302001.164, a fórmula da Instrução Normativa SRF nº 243/02 pode resultar em um preço parâmetro inferior quando comparada com o preço parâmetro resultante da fórmula da denominada “segunda interpretação do art. 18 da Lei n 9.430/96” referida no acórdão, especialmente se utilizado Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.825 38 o conceito de valor agregado como o custo dos produtos/serviços nacionais (Cp). Tal hipótese caracteriza o aumento de carga tributária negado pelo acórdão em referência; (ii) utilizandose o conceito de valor agregado como o custo dos produtos/serviços nacionais acrescida da totalidade da margem de lucro (nacional e importada) (Cp + MUp + MUi) (primeira opção do conceito de valor agregado), a fórmula da Instrução Normativa SRF nº 243/02 pode resultar em um preço parâmetro inferior quando comparada com o preço parâmetro resultante da denominada fórmula da “segunda interpretação do art. 18 da Lei n 9.430/96” referida no Acórdão nº 1302001.164, caracterizando também aqui a majoração de tributo e respectiva ilegalidade. Primeira Verificação (Valor agregado no país = custo dos produtos/serviços nacionais) Premissas: VA = Cp PP = Preço parâmetro calculado de acordo com a “segunda interpretação” dada pelo Conselheiro Eduardo Andrade PP = PLV – 60%PLV – Cp PP’ = Preço parâmetro calculado de acordo com a Instrução Normativa SRF 243/02 PP’ = 40% (Ci + MUi) Outras premissas já mencionadas anteriormente: Ct = Cp + Ci MUt = MUp + MUi PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci Verificação pretendida: se PP – PP’ é em alguma hipótese >= 0 0,4PLV – Cp – 0,4Ci – 0,4MUi = = 0,4(Ct + MUt) – Cp – 0,4(Ct – Cp) – 0,4 (MUt – MUp) = = 0,4Ct + 0,4MUt – Cp – 0,4Ct + 0,4Cp – 0,4MUt + 0,4MUp = = – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 Considerando que, a margem de lucro ou prejuízo não pode ser inferior ao custo, temse que MUp >= – Cp, temos como limite a seguinte expressão: = 0,6Cp + 0,4(Cp) Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.826 39 = 0,6Cp – 0,4Cp = – Cp <= 0 Como Cp é sempre >= 0, a expressão é verdadeira. É preciso, então, verificar a relação entre MUp e Cp para que PP seja maior que PP’: – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 0,4MUp >= 0,6Cp MUp >= 0,6Cp/0,4 MUp >= 1,5Cp, portanto para que PP seja maior que PP’, a margem de lucro do produto nacional (MUp) deve ser maior do que 1,5 vezes o custo do produto/serviço nacional (Cp). Segunda Verificação (Valor agregado no país = custo dos produtos/serviços nacionais acrescida da totalidade da margem de lucro) Premissas: VA = Cp + MUp + MUi PP = Preço parâmetro calculado de acordo com a “segunda interpretação” dada pelo Conselheiro Eduardo Andrade PP = PLV – 60%PLV – (Cp + MUp + MUi) PP’ = Preço parâmetro calculado de acordo com a Instrução Normativa SRF 243/02 PP’ = 40% (Ci + MUi) Outras premissas já mencionadas anteriormente: Ct = Cp + Ci MUt = MUp + MUi PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci Verificação pretendida: se PP – PP’ é em alguma hipótese >= 0 0,4PLV – Cp – MUp – MUi – 0,4Ci – 0,4MUi = = 0,4(Ct + MUt) – Cp – MUp – 1,4 (MUt – MUp) – 0,4(Ct – Cp) = = 0,4Ct + 0,4MUt – Cp – MUp – 1,4MUt + 1,4MUp – 0,4Ct + 0,4Cp = – MUt – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 – MUp – MUi – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 – 0,6Cp – 0,6MUp – MUi >=0 Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.827 40 – 0,6Cp – 0,6MUp – (Ci x MUp/Cp) >=0 – 0,6Cp – MUp (0,6 x Ci/Cp) >=0 Vejase que é possível se afirmar que a expressão (0,6 x Ci/Cp) é sempre maior ou igual a 0,6, pois o Custo do Produto Importado (Ci) e o Custo do Produto/Serviço Nacional (Cp) são sempre valores positivos. Portanto, substituirei momentaneamente a expressão (0,6 x Ci/Cp) pela constante “k”. Assim, terseá a seguinte expressão: – 0,6Cp – k x MUp >=0 k x MUp <= – 0,6Cp MUp <= – 0,6Cp/k, substituindose o k, temos MUp <= – 0,6Cp/[(0,6Cp + Ci)/Cp] MUp <= 0,6Cp2 / (0,6Cp + Ci) Portanto, se a margem de lucro do produto/serviço nacional (“Mup”) for menor do que 0,6Cp2 / (0,6Cp + Ci), o PP será maior que o PP’. Diante dessas demonstrações matemáticas é possível afirmar que, ao admitir a “segunda interpretação” do art. 18, II da Lei nº 9.430/96, somente não haveria majoração de tributo na hipótese de se considerar “valor agregado” como o custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro, o que não é o conceito mais adequado de “valor agregado no país”. Nas demais hipóteses, em determinadas circunstâncias, a metodologia de cálculo da Instrução Normativa SRF nº 243/02 acarretará majoração de tributos. Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte nessa parte. 2. Inclusão do Frete, Seguros e Impostos de Importação no Preço Praticado Cingese a discussão em saber se seria obrigatório (ou não) à Contribuinte considerar o valor do frete, seguro e dos impostos de importação no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR. O acórdão recorrido manteve o lançamento nessa parte sob a alegação de que o art. 18, § 6º da Lei nº 9.430/96 é expresso ao determinar a inclusão do frete, seguro e impostos de importação no valor do preço praticado. Além disso, entendeu que, no caso do PRL, considerandose que o cálculo do preço parâmetro tem como partida o valor de venda e, ainda, que todos os custos, inclusive o frete, seguro e impostos de importação, são considerados na formação do preço de venda do produto, não haveria sentido a exclusão de tais valores do preço praticado. Confirase: “O supra transcrito artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.828 41 Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é obvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei nº 9.430/96, supra transcrita, e do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a impugnante. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preço parâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo.” (grifei) Por seu turno, a Contribuinte alega que a determinação do art. 18, § 6º da Lei nº 9.430/96, aplicase tão somente para fins de dedutibilidade da despesa e não para fins de cálculo do preço parâmetro. Sustenta ainda que, inicialmente, a Instrução Normativa SRF nº 38/97 permitia que o contribuinte optasse pela inclusão ou não dos referidos custos no valor do preço praticado. Por fim, alega que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já analisou a questão em favor do contribuinte. Pois bem, primeiramente, cabe esclarecer que a decisão da CSRF mencionada pela Contribuinte (Acórdão nº 910101.166) analisou lançamento de IRPJ e CSLL referente ao ano de 1997, período em que ainda vigia a Instrução Normativa SRF nº 38/97. Da análise do voto da ilustre Conselheira Relatora, verificase que o fundamento utilizado para o provimento do recurso especial foi justamente a possibilidade de opção por parte do contribuinte de incluir ou não os valores de frete, seguros e impostos de importação no custo do produto importado. Neste sentido, reproduzse a seguir trecho do voto proferido na ocasião pela Ilustre Relatora Conselheira Karen Jureidini Dias: “De acordo com a Instrução Normativa SRF nº 38/97, no custo relativo ao preço praticado na importação com pessoa vinculada, é opção do contribuinte incluir os valores de transporte e seguro. É bem verdade que o artigo 4º da IN nº 38/97 aborda o preço parâmetro, que não poderia ser outro que não o da presunção legal. Pareceme também clara a leitura do § 4º do mesmo artigo, que ao tratar do preço praticado, que com aquele se compara, determina que o contribuinte pode (tem a opção) computar no custo os valores de frete e seguro. Desnecessário adentrar na extensão da obrigação determinada na Lei nº 9.430/96, porquanto é certo que as autoridades administrativas fiscalizadoras estão vinculadas aos atos normativos expedidos pela Recita Federal, nos Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.829 42 quais se incluem as Instruções Normativas. Não há que se analisar eventual antinomia entre Lei e Instrução Normativa, quando a norma, vinculante para a fiscalização, limita sua competência.” Considerando que, no caso, o período de apuração analisado referese ao ano de 2007 e que a referida Instrução Normativa SRF nº 38/97 foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32/2001, a qual, posteriormente, também foi revogada pela Instrução Normativa nº 243/02, concluise que a referida decisão da CSRF não pode ser reproduzida, pois o normativo vigente à época dos fatos era a Instrução Normativa SRF nº 243/02. A Instrução Normativa SRF nº 243/02, por sua vez, dispunha que: “Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, nãoresidente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. (...)” (grifei) Não se vislumbra ilegalidade do referido dispositivo ao analisalo sob a óptica do § 6º, art. 18 da Lei nº9.430/96, o qual se reproduz a seguir: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.830 43 (...)” (grifei) Ora, a alegação de que o frete, seguro e impostos de importação integram o custo somente para fins de dedutibilidade e não para fins de compor o valor do preço praticado é improcedente, pois a regra estabelecida pelo “caput” do artigo é que os custos “somente serão dedutíveis” até o valor do preço parâmetro. Por obvio, o preço parâmetro é apenas uma ficção, o que resulta em dizer que, de fato, o que é dedutível é o preço praticado, dedutibilidade este limitada por um parâmetro, denominado “preço parâmetro”. Com efeito, não há como desvincular o conceito de custo dedutível do conceito de preço praticado, sob a alegação de que a regra somente se aplicaria ao primeiro conceito, já que o “caput” do artigo 18, ao mencionar o custo, faz referência ao próprio preço praticado. Diante do exposto, orientase voto no sentido de manter os lançamentos nesse ponto. 3. Inclusão do Ajuste Calculado pela Contribuinte O acórdão recorrido não acatou os argumentos carreados na impugnação no sentido de que lançamento deveria ser reformado para considerar o valor de ajuste apurado pelo contribuinte no LALUR do referido ano, sob o fundamento de que (a) os valores não teriam sido informados em DIPJ e em DCTF; e (b) os recolhimentos efetuados no importe de R$ 4.799.159,44, não correspondiam ao IRPJ devido calculado de acordo com o LALUR, de R$ 4.832.563,42. Confirase: “Ocorre que o lucro real apurado no LALUR, de R$ 19.426.253,69 (fl. 2432), considerando esse ajuste, não pode ser validado, pois não encontra respaldo nem na DIPJ (no qual, conforme mencionado, não consta o ajuste da contribuinte), nem nas DCTFs, nem nos comprovantes de pagamento juntados pela contribuinte (fls. 2573/2598). O lucro real indicado no LALUR, de R$ 19.426.253,69, levaria à apuração de IRPJ no montante de R$ 4.832.563,42 (15% sobre a base de cálculo + 10% de adicional sobre o que excedeu R$ 240.000,00), ao passo que os pagamentos totalizam apenas R$ 4.799.159,44. Não justificando a contribuinte essa diferença, não há como identificar o que foi e o que não foi efetivamente considerado na apuração do tributo. Dessa forma, considerando que o ajuste da contribuinte (R$ 1.640.208,99) não consta da Ficha 09A da DIPJ/2008 e que o lucro real constante do LALUR não pôde ser validado, há que se concluir que a contribuinte não comprova o oferecimento à tributação do referido montante, que deve, portanto, ser desconsiderado, de modo a se entender correta, quanto ao IRPJ, a apuração da matéria tributável pela fiscalização (R$ 11.126.750,12), mantendose a autuação correspondente.” Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.831 44 Alega, por sua vez, a Contribuinte que tal diferença se deu em virtude do IRRF não ter sido considerado, apresentando, nesta oportunidade, os supostos comprovantes, verbis: “Por outro lado, a alegada incongruência entre o IRPJ calculado com base no lucro real apurado no LALUR e os comprovantes de pagamento apresentados devese ao fato de ser necessário também considerar nessa comparação os diversos valores a título de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras em nome da recorrente no exercício de 2007, e cujos comprovantes, por um lapso, não foram apresentados por ocasião da impugnação, mas o são neste momento. Conforme se verifica desses comprovantes, cujas cópias seguem anexadas, a recorrente teve retido naquele exercício o valor de R$ 28.556,36 a título de IR sobre rendimentos decorrentes de aplicações financeiras. Portanto, esse valor deverá também ser considerado conjuntamente com os recolhimentos efetuados por estimativa mensalmente, totalizando, assim, o montante de R$ 4.827.715,80 recolhido a título de IRPJ no exercício de 2007.” Primeiramente, verificase às fls. 2.697 a 2.769 que os comprovantes de retenção apresentados não são informes de rendimento, conforme exige a legislação, mas tão somente extratos e razões contábeis, não apresentando a Contribuinte prova de que solicitou tais informes de rendimento às respectivas fontes pagadoras. Contudo, verificase às fls. 2.322 que, no auto de infração, consta como valor declarado de base de cálculo do IRPJ, o montante de R$ 19.408.314,15, o qual é o mesmo valor constante do LALUR. Desta forma, considerando que o lançamento partiu de base de cálculo apurada pela Contribuinte via LALUR de R$ 19.408.314,15, o valor do ajuste de preços de transferência calculado pela Contribuinte e constante do LALUR deve ser abatido do ajuste calculado pela autoridade lançadora. Não bastasse, a diferença de recolhimento apontada pelo acórdão recorrido não pode ser utilizada para justificar a recusa nos ajustes previamente realizados pela Contribuinte, pois os valores em referência correspondem a montante inferior a 15% do respectivo tributo (tributo incidente sobre o ajuste e o valor do tributo tido como insuficiente pelo acórdão recorrido). Incumbiria à Fiscalização, se o caso, lançar essa diferença de imposto e não desconsiderar os ajustes previamente realizados pela Contribuinte em sua contabilidade. Com efeito, razão assiste à Contribuinte nessa parte. (iii) Conclusões Diante de todo o exposto, conheço do recurso voluntário para darlhe parcial provimento para reconhecer a ilegalidade da metodologia de cálculo da IN SRF 243/02 e a necessidade de considerar no cálculo do lançamento o valor que já havia sido considerado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência em seu LALUR. (assinado digitalmente) Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.832 45 ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Voto Vencedor Conselheiro RICARDO MAROZZI GREGORIO Não obstante a costumeira qualidade contida nas razões do voto do ilustre Relator, peço vênia para discordar de suas conclusões quanto à legalidade da metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/02. Com efeito, desde a introdução da disciplina do controle dos preços de transferência no Brasil, o tema que mais ganhou destaque na doutrina e jurisprudência que trataram do assunto foi, sem dúvida, a apuração do preço parâmetro segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro, o chamado Método PRL. Como tal método foi inspirado no resale price, que é um dos métodos que foram desenvolvidos para a apuração do padrão arm’s length, vale a pena fazer uma pequena digressão no contexto histórico do desenvolvimento da disciplina no âmbito internacional para que possamos ter uma visão mais precisa desses conceitos. O desenvolvimento do controle dos preços de transferência no âmbito internacional4: Historicamente, o arm’s length consolidouse como o critério preferido para a alocação de lucros nas transações realizadas entre empresas relacionadas. Tanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE, por meio de seu Comitê de Assuntos Fiscais, quanto a Organização das Nações Unidas ONU, por meio de seu Comitê de Especialistas para a Cooperação Internacional em Matéria Tributária, já deixaram claras suas posições favoráveis ao arm’s length ao rechaçar qualquer discussão sobre a possibilidade de adoção de iniciativas que buscavam o estabelecimento de outro padrão para o tratamento do tema, como, por exemplo, a utilização de fórmulas predeterminadas. Afora os Estados Unidos, que foram seus idealizadores, o arm’s length foi sendo paulatinamente incorporado, explícita ou implicitamente, na legislação interna dos diversos países. Internacionalmente, a definição desse padrão costuma ser fundamentada pelo que é indiretamente depreendido no que está estipulado nos parágrafos 1º dos artigos 9º das ConvençõesModelo da OCDE da ONU e dos Estados Unidos. Confirase: [Quando] ... as duas empresas [associadas], nas suas relações comerciais ou financeiras, estiverem ligadas por condições aceitas ou impostas que difiram das 4 As referências bibliográficas dos diversos aspectos do referido controle citados neste voto podem ser encontradas na seguinte obra de minha autoria: Preços de Transferência Arm’s Length e Praticabilidade. São Paulo: Quartier Latin, 2011. Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.833 46 que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, se não existissem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e tributados em conformidade. Foi justamente os Estados Unidos o primeiro país que vivenciou enormes dificuldades quando tentou implementar o controle dos preços de transferência a partir da mera enunciação de uma cláusula tão genérica para o trato da matéria. Foram necessários alguns anos de maturação para se perceber que era preciso desenvolver uma metodologia específica. Por isso, em 1968, foi editada a regulamentação da Seção 482 do Internal Revenue Code (a qual dispunha sobre o arm’s length naquele País), incorporando os chamados métodos tradicionais, para a apuração do padrão na seguinte ordem de prioridade: o comparable uncontrolled price (CUP), o resale price method e o cost plus method. Além destes, abriuse possibilidade para a utilização de qualquer outro método (quarto método), desde que ele chegasse a resultados considerados arm’s length. Os métodos apresentados eram fundamentalmente baseados na comparabilidade entre transações realizadas pelas empresas relacionadas (controlled transactions) e transações realizadas por empresas independentes (comparable transactions). O CUP comparava os preços das transações, o resale price comparava as margens brutas a partir dos preços de revenda (resale margins) e o cost plus comparava margens brutas a partir dos custos de produção (mark ups). Os métodos foram desenvolvidos para o tratamento preferencial de transações envolvendo bens tangíveis. O período entre 1968 e 1986 foi marcado pela insistência do Internal Revenue Service (IRS) e dos tribunais americanos em afirmar a consistência dos métodos estabelecidos na regulamentação da Seção 482. Contudo, os casos difíceis (hard cases) submetidos às cortes daquele País pareciam demonstrar que a ausência de comparáveis, principalmente para intangíveis, era uma realidade muito mais frequente que se poderia supor. Depois de muitas críticas e de um conjunto de propostas e regulamentações temporárias, em 1994, foi editada a regulamentação da Seção 482 que está até hoje vigente. Surgiram o comparable profits method (CPM) e o profit split. O CPM compara margens líquidas (profit level indicators) entre partes controladas e não controladas apropriadamente selecionadas. Por sua vez, o profit split deve ser aplicado quando ambas as partes controladas operam com complexas funções econômicas e expressivos riscos e intangíveis de titularidade própria. A possibilidade de utilização de métodos nãoespecificados (não mais tratada na condição de quarto método) foi também contemplada. Diante dos avanços na legislação americana, o Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE aprofundou seus estudos sobre o tema do controle de preços de transferência. Em 1995, a partir dos relatórios que havia publicado em 1979 e 1984 e das novas ideias inseridas nas propostas e na regulamentação final da Seção 482 do IRC, foi publicado o relatório Transfer Pricing Guidelines for Multinational Enterprises and Tax Administrations. Depois da sua ConvençãoModelo, os Guidelines, como ficou conhecido o relatório, transformaramse no mais importante desenvolvimento da OCDE na área tributária nos últimos 50 anos. Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.834 47 A ideia dos Guidelines é confirmar a adesão da OCDE ao padrão arm’s length estabelecido no artigo 9º da ConvençãoModelo. Sua função é ajudar as administrações tributárias (de países membros ou nãomembros da OCDE) e os grupos multinacionais a encontrar soluções mutuamente satisfatórias para o controle dos preços de transferência. Os Guidelines, no tocante aos métodos sugeridos para a apuração do arm’s length, basicamente repetem aqueles que foram desenvolvidos nos Estados Unidos. Destaquese, de forma mais relevante, a criação do transactional net margin method (TNMM) em substituição ao CPM americano. Uma questão primordial, quando se aborda o tratamento metodológico que visa a apurar o arm’s length, é o critério de escolha do método. Cada método possui um campo de aplicação típico. O CUP é tipicamente utilizado quando as características dos bens e serviços são comparáveis e, por isso, é possível a determinação direta do preço arm’s length, tais como nas hipóteses de comparação interna e nas situações que envolvem commodities e taxas de juros. O resale price, quando empresas comerciais preponderantemente distribuidoras (stripped distributors) ou agentes comissionados (comissioned agents) configuram uma das partes da transação controlada. O cost plus, quando as empresas que configuram uma das partes da transação controlada são do tipo industriais e com a produção preponderantemente vinculada a contratos de encomenda (contract manufacturers), contratos de remuneração continuada (toll manufacturers) e montagens de baixo risco (low risk assemblers) ou do tipo provedoras de serviços (service providers). Os métodos TNMM e CPM, quando as características dos bens e serviços, bem como as funções, ativos, riscos e bases de custos, não são comparáveis. Por fim, o profit split é tipicamente utilizado nas mesmas condições que o TNMM e o CPM, porém, agregamse, ainda, as exigências de que as partes controladas realizem transações intimamente relacionadas e funções complexas ou possuam intangíveis valiosos ou ativos exclusivos. Por essa razão, enquanto que a regulamentação americana, desde a sua criação, preferiu adotar a regra do melhor método (best method rule), a OCDE só recentemente alterou seus Guidelines, abandonando um critério hierárquico que veladamente reconhecia ser impossível a plena aplicabilidade dos métodos, para adotar o critério do “método mais apropriado”. Em ambos os casos, importa notar que o resultado arm’s length deve ser determinado pelo método que, diante dos fatos e circunstâncias, produza a medida mais confiável. Mais especificamente sobre o método resale price, é pertinente dispensar também algumas poucas linhas. Tal método tem como ponto de partida o preço de revenda para uma empresa independente de um bem ou serviço adquirido de uma empresa relacionada. Deste preço de revenda é deduzido um lucro bruto apropriado para se chegar ao preço arm’s length que servirá de parâmetro para a transação controlada. O lucro bruto apropriado é calculado em função da margem de lucro (margem de revenda) arm’s length. Por exemplo, se o preço de revenda de uma mercadoria é $100 e a margem de lucro arm’s length é de 20%, o lucro bruto apropriado será $20 (20% x $100) e o preço arm’s length será $80. A racionalidade do método pode ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço arm’s length = Preço de Revenda – Margem de Revenda x Preço de Revenda Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.835 48 A margem de lucro arm’s length deve ser suficiente para gerar um lucro bruto capaz de cobrir os custos e despesas operacionais da operação de revenda, considerando as funções realizadas, os ativos empregados e os riscos assumidos, e, ainda assim, conferir um lucro líquido apropriado para o revendedor. Esta margem de lucro deve ser determinada com base em margens verificadas em operações de revenda realizadas em circunstâncias comparáveis. Tratase de tomar como referência as margens praticadas quando bens e serviços adquiridos em transações não controladas são revendidos para empresas independentes. Os preços arm’s length são calculados, portanto, a partir de margens arm’s length. Estas, por sua vez, são constituídas sobre uma base de preços praticados em operações de revenda para empresas independentes. Impõese perceber a necessidade de um teste de comparabilidade envolvendo as circunstâncias das transações. As operações de revenda das transações não controladas devem ser realizadas em circunstâncias comparáveis às da operação de revenda da transação controlada. Se nenhuma das diferenças existentes entre as circunstâncias for suficiente para afetar materialmente a margem de lucro no mercado aberto ou se razoáveis ajustes puderem ser feitos para eliminar os efeitos materiais destas diferenças, considerase que há comparabilidade. As margens de lucro das transações não controladas aprovadas no teste da comparabilidade comporão uma amostra que consubstanciará o resultado arm’s length. A qualidade e o tamanho da amostra de transações aprovadas no teste da comparabilidade são importantes fatores diretamente relacionados à confiabilidade do método. A qualidade está relacionada com os ajustes efetuados. O tamanho permite empregar técnicas estatísticas capazes de refletir a distribuição das margens das transações não controladas aprovadas no teste. A confiabilidade será tanto maior quanto maior for o tamanho da amostra e mais próxima da curva normal for sua distribuição. Inferese da própria estruturação do resale price que ele é usado quando é possível constatar que uma das partes na transação controlada realiza operações de revenda. Entretanto, a confiabilidade do método é condicionada às situações em que a empresa revendedora não agrega valor significativo aos bens e serviços revendidos. Por isso, tratase de um método tipicamente usado quando empresas comerciais preponderantemente distribuidoras (stripped distributors) ou agentes comissionados (comissioned agents) configuram uma das partes da transação controlada. A OCDE admite que alguma alteração do produto pode ser feita pelo revendedor. Contudo, reconhece que a aplicação do método será bastante dificultada nas situações em que houver processamento ou incorporação do produto adquirido em produtos mais complexos e quando o revendedor contribuir substancialmente para a criação ou manutenção de intangíveis que são agregados aos produtos revendidos. Quanto maior as funções realizadas, os ativos empregados e os riscos assumidos pelo revendedor, maior deverá ser a remuneração pela margem de lucro e mais difícil de se encontrar circunstâncias comparáveis. Para a OCDE, o uso do resale price será provavelmente inapropriado em tais circunstâncias, mas, para a regulamentação americana, a confiabilidade do método estará a tal ponto comprometida que ele poderá ter que ser afastado por não atender à regra do melhor método (best method rule). Cumpre destacar que o método poderá ser utilizado no controle do preço de transferência exercido sobre a empresa que representa a parte testada (empresa revendedora importadora) ou no controle do preço de transferência exercido sobre a outra parte da transação controlada (empresa relacionada exportadora). Entretanto, o resultado arm’s length observado Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.836 49 nas margens de lucro das transações não controladas só pode ser utilizado para o cálculo do preço arm’s length a partir do preço de revenda da empresa revendedora. Por isso, só um dos lados da transação controlada corresponde à parte testada (onesided analysis). Em regra, será o lado que desempenha funções menos complexas e que configure a utilização típica do método, ou seja, operações de revenda. Além disso, as margens de lucro utilizadas para a determinação do resultado arm’s length não devem ser diretamente retiradas das demonstrações financeiras de empresas que realizam transações não controladas. Ainda que sejam margens brutas calculadas com base no lucro bruto, o qual, por definição, apenas sustenta os custos e despesas operacionais da revenda, e acrescenta uma devida remuneração ao revendedor, é sempre possível que alguns itens de custo ou de despesa sofram tratamento diferenciado nos diversos países, tornando incompatíveis as margens meramente calculadas a partir daqueles demonstrativos. Há necessidade, então, de se promover ajustes adequados para garantir consistência contábil entre as variadas fontes. O desenvolvimento do controle dos preços de transferência no Brasil: Feita essa digressão no contexto histórico do desenvolvimento da disciplina no âmbito internacional, passo, então, à descrição do tema no contexto interno, particularmente com destaque para o objeto da presente análise, qual seja, o método que foi criado no Brasil, para as operações de importação, tendo como inspiração o resale price. O item 12 da exposição de motivos que acompanhou o projeto que resultou na Lei n° 9.430/96 foi bastante claro sobre os objetivos pretendidos com a inserção da nova matéria em nosso sistema tributário. Leiase: 12. As normas contidas nos arts. 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização, experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE, são propostas normas que possibilitam o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior. (grifei) Como se pode observar, a intenção expressamente declarada na exposição de motivos para se introduzir os dispositivos sobre preços de transferência na Lei nº 9.430/96 foi “evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior”. Por conseguinte, fica clara a motivação antielisiva da introdução do controle de Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.837 50 preços de transferência no País. Isto corrobora o entendimento que qualifica as regras consubstanciadas pela Lei nº 9.430/96 como cláusulas específicas antielisivas. Percebese também a insinuação de que a legislação que acompanhava a exposição de motivos se apresentava “em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE”. Apesar de o Brasil não ser um país integrante daquela organização internacional, há que se notar o paradigma utilizado como pretexto pelo legislador. Como noticiado, àquela época, os Guidelines haviam sido recentemente divulgados. Eram, portanto, o instrumento mais autorizado para exprimir o pensamento dos países integrantes da OCDE em matéria de preços de transferência. Era de se esperar, então, que a lei brasileira seguisse de perto as recomendações contidas nos Guidelines. Para iniciar a análise do regime brasileiro dos preços de transferência, cumpre investigar a técnica adotada para aferir o controle dos preços praticados nas transações controladas. Nesse sentido, destacamse as ideias de “preço praticado” e “preço parâmetro”. O “preço praticado” é a média aritmética ponderada dos preços efetivamente praticados nas transações controladas no período de apuração do tributo, enquanto que o “preço parâmetro” é aquele calculado segundo um dos métodos previstos na legislação. Assim, a legislação de preços de transferência instituiu a seguinte ficção: se o “preço praticado é superior, nas importações, ou inferior, nas exportações, ao preço parâmetro”, devese “tributar a renda auferida”. Tratase do ajuste primário consagrado pela matéria em âmbito internacional. O mecanismo utilizado para operacionalizar este ajuste é a figura da adição ao lucro real prevista na legislação do imposto de renda. No que diz respeito aos métodos criados para o cálculo do chamado “preço parâmetro”, o legislador brasileiro reconhecidamente temeu trazer para o País a complexidade da metodologia internacional. Por isso, apesar de se inspirar nos trabalhos da OCDE, adotou uma variedade de mecanismos que tiveram o intuito de promover maior praticabilidade no trato da matéria. Nesse sentido, conquanto, no exterior, o enfoque dos métodos tradicionais resida na comparabilidade de preços (CUP) ou margens brutas (cost plus e resale price), no Brasil, o legislador preferiu manter a comparabilidade apenas para os métodos inspirados no CUP. Quanto aos métodos inspirados no cost plus e no resale price, o legislador inovou ao predeterminar as margens brutas que deverão ser aplicadas. Ademais, ignorou completamente a recomendação de que cada método deve ter um campo de aplicação específico ao conceder uma plena liberdade de escolha do método desde que dentre esses três tradicionais. Outrossim, não aceitou trazer para o País os métodos que foram posteriormente criados para o trato dos casos mais difíceis, como o TNMM e o profit split, e não concordou com a possibilidade de que o contribuinte apure o preço parâmetro por intermédio de outros métodos não especificados. No que tange à denominação empregada, a lei brasileira nominou de forma diferenciada os métodos caso eles se apliquem à importação ou à exportação. Assim, especificamente com base no resale price, foram criados: na importação (artigo 18, inciso II), o método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL; e na exportação (artigo 19, § 3º, incisos II e III), os métodos do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído de Lucro – PVA – e do Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído de Lucro – PVV. Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.838 51 Descrito este panorama, é conveniente agora fazer o relato dos principais aspectos que traçaram a evolução histórica do método que é o objeto da análise do presente voto, qual seja, o PRL5. 1ª Fase: Antes da Lei nº 9.959/00: Ao tratar do PRL em sua redação original, a Lei nº 9.430/96 estabelecia um único percentual, equivalente a 20%, a ser aplicado sobre o preço de revenda dos bens ou direitos importados para o cálculo da margem de lucro. O artigo 18, inciso II, desta lei dispunha da seguinte forma: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; De forma semelhante ao que foi feito para o resale price, podemos dizer que a racionalidade do método podia, então, ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,2 x Preço de Revenda Como se pode ver, estava intrínseca na racionalidade do método a ideia de que o cálculo do preço parâmetro parte de um preço de “revenda”. Nesse sentido, a margem de 20% foi predeterminada presumindose que seria suficiente para gerar um lucro bruto capaz de cobrir os custos e despesas operacionais da operação de revenda, considerando as típicas funções realizadas, ativos empregados e riscos assumidos, bem como conferindo um lucro líquido apropriado para uma empresa tipicamente revendedora. Foi por isso que a IN/SRF nº 38/97 tentou explicitar uma vedação não contida, pelo menos expressamente, no texto legal. E foi isso justamente o que causou a maior 5 Fruto de novas reflexões, as conclusões aqui expostas são um pouco distintas das que foram anteriormente apresentadas em trabalho acadêmico publicado há cerca de cinco anos (Cf. “Preços de Transferência: uma Avaliação da Sistemática do Método PRL”. In: Luís Eduardo Schoueri (coord.). Tributos e Preços de Transferência. v. 3. São Paulo: Dialética, 2009, pp. 170 a 195. Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.839 52 controvérsia desta fase histórica do método. Tratase daquilo que constou em seu artigo 4º, § 1º: § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6º e 13. (grifei) Os métodos tratados nos artigos 6º e 13 dessa instrução normativa referiam se, respectivamente, ao dos Preços Independentes Comparados – PIC, inspirado no CUP, e ao do Custo de Produção mais Lucro – CPL, inspirado no cost plus. Portanto, de forma transversa, ela pretendeu vedar a utilização do PRL nos casos em que o bem, serviço ou direito importado tivesse sido empregado na produção local. O fato de isso não constar expressamente no texto legal causou, de imediato, violenta repulsa de parte dos contribuintes, os quais decidiram não obedecer a vedação contida na regulamentação administrativa. Isso gerou uma grande quantidade de autuações que acabaram por demandar a manifestação desta Casa. Os primeiros acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes logo indicaram que a interpretação iria ser consolidada no seguinte sentido: a instrução normativa restringiu indevidamente a aplicação do método PRL6. 2ª Fase: Depois da Lei nº 9.959/00 e até a IN/SRF nº 243/02: Diante de tamanha oposição e da constatação de que alguns setores, de fato, estavam utilizando o PRL, apesar da produção local, a Administração propôs ao Governo Federal a edição da Medida Provisória nº 1.924/99, posteriormente convertida na Lei nº 9.959/00. Esses instrumentos, em seus artigos 2º, assim dispuseram: Art. 2º A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "d) da margem de lucro de: 6 Cf., entre outros, os Acórdãos 10194624, de 07/07/04; 10194628, de 07/07/04; 10194859, de 23/02/05; 101 94863, de 24/02/05; 10321859, de 24/02/05; 10195107, de 10/08/05; 10708725, de 20/09/06. Fl. 2844DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.840 53 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (grifei) Como se vê, a previsão inicial de uma margem de lucro calculada a partir de um percentual único de 20% foi abandonada e se abriu a possibilidade, desta vez explícita, da utilização do método nos casos de produção local. Entretanto, nesta hipótese, com uma margem de lucro a ser calculada aplicandose o percentual de 60% sobre o preço de “revenda” líquido. Não se tratava de um novo método, mas do mesmo método PRL com duas margens percentuais distintas, já que se uma empresa importar idênticos bens para comercialização e para produção local ela terá que apurar o preço parâmetro destas importações a partir de uma ponderação em função das quantidades utilizadas nas duas situações. Cada situação com sua margem apropriada. Notese o problema criado. O método parte do preço de “revenda” do bem importado. Mas se este é aplicado na produção e desta atividade resulta um bem substancialmente diferente daquele que havia sido importado, a rigor, não se poderia mais falar em “revenda”. Nada obstante, a lei mantém essa ideia e introduz um novo componente, o “valor agregado no País”. Esse componente, que não existe no resale price, teve a intenção de trazer alguma racionalidade para um método que, repitase, não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada (que agora pode assumir as características de uma indústria) realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora. Mas, antes de aprofundarmos na citada racionalidade, é de se destacar um importante aspecto. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. Desprendida das possíveis consequências, a regulamentação administrativa que se seguiu talvez nem tenha percebido esse erro gramatical Primeiramente, a alteração legal foi abordada pela IN/SRF nº 113/00, que se limitou a regular as mudanças no método PRL em função da nova margem. Depois, foi editada a IN/SRF nº 32/01, que regulou toda a matéria dos preços de transferência, revogando a antiga IN/SRF nº 38/97. Tanto a IN/SRF nº 113/00, quanto a IN/SRF nº 32/01, acabaram por dar idêntico tratamento à nova margem de lucro do PRL. Para resumir o que interessa em ambos os textos, reproduzemse aqui os §§ 10 e 11 do artigo 12 da IN/SRF nº 32/01: Fl. 2845DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.841 54 § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Devese notar que essas disposições normativas, mesmo que inconscientemente, assumiram a mencionada premissa do erro gramatical no texto da lei e consideraram, no cálculo da margem de lucro, que dos preços de “venda” do bem produzido deveriam ser deduzidos tanto os valores que a lei tratou como “referidos nas alíneas anteriores” quanto o valor agregado no País. A construção gramatical das instruções normativas, entretanto, foi alterada de modo que pôde ser mantida a expressão “do valor agregado” sem a incidência do mesmo erro contido na lei. Ademais, tais instruções normativas, sem os devidos cuidados, alteraram o termo “revenda” para a expressão “venda do bem produzido”. Com isso, considerouse que o valor agregado deveria ser abatido do preço de “venda” para o cálculo do lucro bruto. Tal leitura, de fato, pode até parecer que converge para uma interpretação literal mais próxima possível daquilo que estava contido no texto da lei, contudo, a essência do método sofreu um grave abalo. É que sua racionalidade mudou e passou a ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço Parâmetro = Preço de “Venda” – 0,6 x (Preço de “Venda” – Valor Agregado) Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.842 55 Ou seja, aquilo que vier a ser entendido como “valor agregado no País” assume fundamental importância para a racionalidade do método. Tratase de um conceito aberto que exige construção jurisprudencial para o seu fechamento. Diante disso, podemos assumir inicialmente as três possíveis acepções para a expressão sugeridas na obra do Professor Luís Eduardo Schoueri7, quais sejam: (i) o preço de venda menos o custo do bem importado; (ii) o custo total menos o custo do bem importado; e (iii) o custo dos fatores locais (mão de obra, materiais secundários, etc). Para avaliar a amplitude de um conceito, é sempre bom refletir com base em exemplos extremos. Nesse sentido, vamos primeiro supor que a transação controlada refirase a importação de um determinado parafuso que vai entrar na produção de um automóvel. Sabese que o preço do parafuso é infinitamente menor que o preço do automóvel. Se olharmos a fórmula acima, é fácil inferir que qualquer que seja a acepção da expressão “valor agregado no País” o preço parâmetro resultará num valor infinitamente superior ao que seria razoável esperar como preço praticado na importação de um parafuso. Se a expressão significar (i) o preço de venda menos o custo do bem importado, o preço de venda e o valor agregado serão muito próximos e a subtração no segundo termo da fórmula tenderá a zero, fazendo com que o preço parâmetro tenda para o preço de venda (do automóvel). Se a expressão significar (ii) o custo total menos o custo do bem importado, o valor agregado tenderá para o custo total, de modo que a subtração no segundo termo da fórmula até possa ter um valor relativamente inferior ao preço de venda, mas, ainda assim, o preço parâmetro resultará num valor muito superior ao que seria razoável esperar como preço praticado na importação de um parafuso. Se a expressão significar (iii) o custo dos fatores locais, o raciocínio acaba sendo idêntico ao da hipótese anterior. Portanto, estamos diante de uma interpretação na qual uma indústria automobilística que importa uma grande quantidade de um determinado parafuso para a sua produção, seja de uma empresa vinculada, seja de um paraíso fiscal, teria a permissão legal para praticar preços absurdamente superiores ao que praticam empresas independentes. Logicamente, transferindo grandes parcelas de lucros para outras jurisdições. Retornando, então, ao contexto histórico em que foi lançada a disciplina dos preços de transferência no Brasil, é de se perguntar: e onde fica a motivação antielisiva que estava estampada na exposição de motivos que acompanhou a proposta da lei? É claro que esse é um exemplo extremo e que existem muitas outras circunstâncias que poderiam desestimular um planejamento tributário tão agressivo, como, por exemplo, uma elevada carga tributária sobre a importação. No entanto, ele serve muito bem para ilustrar o descompasso dessa interpretação com a própria essência da lei. Apesar disso, alguns autores costumam justificar essa interpretação com o argumento de que o legislador teria criado uma finalidade indutora para a norma. Isso porque quanto maior o “valor agregado no País” maior seria a probabilidade de o controle dos preços de transferência não resultar em ajuste para a empresa. Teriase, assim, um incentivo para a produção nacional. Sinceramente, penso que não se deva incentivar a produção nacional por intermédio de mecanismos que possibilitem a transferência de lucros para o exterior sem a devida tributação em nosso território. Nem acredito que, se quisesse fazer isso, o legislador iria 7 Cf. Preços de transferência no direito brasileiro. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2013, p. 229. Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.843 56 se valer de uma velada fórmula inserida na legislação que deveria essencialmente cuidar do controle dos preços de transferência. No outro extremo, vamos agora supor um exemplo em que uma determinada máquina é importada, um trator por exemplo, e sofre um pequeno processo de fabricação em nosso País. Poderíamos, também como exemplo, citar um beneficiamento que torne suas pás mecânicas mais resistentes a um determinado tipo de solo. É certo que houve produção nacional. E, pelo que diz a lei, a priori, isto já seria suficiente para se deslocar a margem de lucro para o patamar de sessenta por cento. Sendo assim, qualquer que fosse a acepção utilizada para a expressão “valor agregado no País”, sua expressão monetária seria sempre bem inferior ao preço de venda (do trator). Com isso, a fórmula proposta por essa interpretação tenderia para a própria fórmula do método resale price uma vez que o preço de “venda” aproximase bastante de um verdadeiro preço de “revenda”. Neste caso, independentemente da amplitude da margem predeterminada, a fórmula teria, sim, uma racionalidade adequada. 3ª Fase: Depois da IN/SRF nº 243/02: Diante desse quadro, parece que a Receita Federal percebeu o problema criado no controle dos preços de transferência (nas situações em que havia maior agregação de valor no País) com a interpretação que ela própria havia dado pelas instruções normativas que se seguiram à edição da Lei nº 9.959/00. A título de nova regulamentação de toda a matéria dos preços de transferência foi publicada, então, a IN/SRF nº 243/02, revogando a anterior IN/SRF nº 32/01. Com essa iniciativa, a Administração alterou a interpretação que fazia do texto legal sobre o PRL aplicado nas situações em que ocorre produção local ao editar, na nova instrução normativa, os §§ 10 e 11 do artigo 12: § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.844 57 II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Seguindo estritamente o que está estipulado no texto desta nova instrução normativa, a seguinte fórmula se apresenta: Preço Parâmetro = Ci/Ct x Preço de “Venda” – 0,6 x (Ci/Ct x Preço de “Venda”) Sendo: Ci = custo do bem importado Ct = custo total do bem produzido Ci/Ct x Preço de Revenda = participação do bem importado no preço de venda do bem produzido A primeira vista, tal formulação parece em total desacordo com a hipótese de produção local prevista no texto legal. Afinal, o texto da lei não trata de percentual de participação do bem importado. Soa como uma inovação ofensiva à ideia de estrita legalidade corrente no direito tributário pátrio. Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.845 58 Nada obstante, é possível vislumbrar uma outra faceta implícita no texto legal. É o que passo a demonstrar. Avaliação da legalidade da sistemática contida na IN/SRF nº 243/02: Já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli8, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. Apesar de peculiar, parece fazer sentido. Mas, ainda assim, é forçoso reconhecer que faltou a aposição de uma vírgula antes da expressão “e do valor agregado”. 8 Cf. “Parâmetros para a Definição de Valor Agregado e Interpretações Possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao Método PRL de Preços de Transferência”. In: Revista de Direito Tributário Internacional nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006, p. 227. Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.846 59 Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,6 x Preço de Revenda – Valor Agregado Mas, sendo assim, o que é necessário para que a fórmula da IN/SRF nº 243/02 possa se ajustar a esta fórmula do texto legal segundo a premissa interpretativa da técnica redacional inapropriada? Para responder a isso, há que se ter em mente que a ideia de valor agregado surgiu no texto da lei com a intenção de fazer com que um método criado essencialmente para lidar com situações de revenda pudesse ser aplicado em casos que ocorre produção nacional. Ou seja, o valor agregado é algo que pretendia trazer alguma racionalidade para o método. Como a lei fala em “revenda” e não faz sentido falar nesse conceito quando o bem importado é inserido na produção, a Administração fez uma nova interpretação do texto legal de modo que a ideia de “revenda” possa ser utilizada quando ocorre a produção nacional. Procurou, então, encontrar no preço de venda do bem produzido qual seria a parcela que poderia ser atribuída ao bem importado. O próprio bom senso sugere que o critério mais lógico para isso seria proporcionalizar o preço de venda do bem produzido segundo a relação estabelecida entre o custo do bem importado e o custo total do bem produzido. No nosso exemplo do parafuso que é importado para entrar na produção de um automóvel, o preço de “revenda” que se considera (Ci/Ct x Preço de Venda) é o do parafuso lá dentro do automóvel. E, da mesma maneira, no caso do trator, o preço de “revenda” que se considera é o do trator importado (sem o beneficiamento) dentro do trator já com as pás mecânicas beneficiadas. E onde entra o tal do valor agregado previsto na lei? Como já foi dito, seu papel é o de trazer alguma racionalidade para o método. Mas, essa racionalidade deve ser atingida com a reconfiguração da noção de “revenda”. Por isso, o conceito de valor agregado mencionado na lei não pode ser estabelecido mediante uma fórmula matemática que tente associálo às corriqueiras conceituações econômicas que normalmente são formuladas mediante aglutinações de itens contábeis tais como aquelas três acepções anteriormente sugeridas. Tal conceito deve ser entendido apenas como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda”. Neste sentido, matematicamente, ele pode até ser dispensado uma vez que tenha cumprido sua função. Então, na fórmula acima, se for substituído o preço de “revenda” pela aludida proporcionalização, o valor agregado deverá ser zerado para que se chegue à fórmula da IN/SRF nº 243/02. Notese que com essa concepção de valor agregado a sistemática contida na interpretação administrativa fica condizente com o texto legal mesmo na premissa de que teria havido apenas um erro gramatical. É que nesse caso o texto legal teria a seguinte formulação: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,6 x (Preço de Revenda – Valor Agregado) Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.847 60 Logo, aqui também, se for substituído o preço de “revenda” pela aludida proporcionalização, o valor agregado deverá ser zerado para que se chegue à fórmula da IN/SRF nº 243/02. Cumpre ressaltar que isso não se trata de uma panaceia inventada para atestar a legalidade da Instrução Normativa. Pelo contrário, buscase fazer a interpretação mais consentânea com a teleologia da lei. A ideia de valor agregado é um conceito aberto que exige construção jurisprudencial para o seu fechamento. E a lei nada disse acerca da medida desse valor. Nada impede que outra acepção possa ser levantada com base numa interpretação que traga alguma racionalidade para um método que, enfatizese mais uma vez, não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada (que pode assumir as características de uma indústria) realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora. Como se relatou, antes da alteração da lei, o que vigia, pelo menos no sentido que a Administração pretendeu interpretar, era a possibilidade restrita de aplicação do método PRL aos casos de bens, serviços ou direitos exclusivamente revendidos, ou seja, sem produção local. Era a ideia da revenda associada ao comércio. Afinal, na própria denominação do método estava implícita esta noção. Nada obstante, quando foi aberta a hipótese de utilização do método para os casos de produção local, a ideia de que o componente importado participa do produto final e, neste sentido, será (re)vendido permanece. Então, para que o método possa continuar refletindo essa ideia é necessário isolar esse componente de tudo mais que possa aparecer no produto final. O que não se pode é querer que a racionalidade de um método que foi idealizado para situações de “revenda” seja completamente distorcida pela interpretação equivocadamente instituída na segunda fase do processo histórico acima mencionado. Afinal, aquelas primeiras instruções normativas estavam completamente dissociadas da racionalidade do método inspirador, por substituírem, sem os devidos cuidados, o termo “revenda” contido na lei pela expressão “venda do bem produzido”, bem como corromperem o próprio sentido da lei, como o exemplo do parafuso importado para a produção do automóvel pôde bem demonstrar. Admitir tal interpretação, quando combinada com a liberdade de escolha do método inadequadamente inserida em nossa legislação, seria abrir as portas (com a chancela legal) para o próprio planejamento fiscal que o controle dos preços de transferência (medida antielisiva de caráter específico) pretende evitar. Alguém poderia objetar que, sem embargo da maior racionalidade, houve exagero na dimensão da margem predeterminada (60%), o que ficaria mais evidenciado nas situações extremas em que há pouca produção nacional, como no exemplo do trator, e quando não há viabilidade para a escolha de outro método. Afinal de contas, a racionalidade impõe que o preço de “revenda” previsto na lei seja obtido mediante proporcionalização no preço de venda do bem produzido. Nada obstante, isso não seria um problema de legalidade, mas, talvez, de falta de proporcionalidade do legislador na predeterminação da margem. E, como se sabe, estaríamos no campo da investigação da constitucionalidade da lei. Fora, portanto, do âmbito de atuação deste Colegiado. Registrese, contudo, que a matéria sofrerá profundas alterações para os fatos geradores futuros com a edição da Lei nº 12.715/12. Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.848 61 Conclusão: Diante dessa abordagem interpretativa que fundamenta sua convicção nos contextos histórico e teleológico do Método PRL, impõese constatar que os enfoques adotados tanto pelo voto do ilustre Relator quanto pelo voto por este tomado como paradigma a ser confrontado, o do Conselheiro Eduardo de Andrade no Acórdão nº 1302001.164, adotam pressupostos completamente distintos. É que ambos não discutem a impropriedade de se admitir a ideia de “revenda” num método cuja racionalidade foi essencialmente destinada para situações em que a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos normalmente encontrados em empresas tipicamente revendedoras. Por isso, também não percebem a sutileza da conceituação do valor agregado apenas como algo que pode atenuar essa adversidade pela reconfiguração da noção de “revenda” e acabam por desenvolver análises que privilegiam complexas explicações matemáticas das fórmulas depreendidas do texto legal e da regulamentação administrativa. Ou, como já vi em outras decisões e trabalhos doutrinários, apegamse a exemplos numéricos para tentar refutar uma ou outra faceta interpretativa. Com a devida vênia, respeito todas essas opiniões, porém, entendo que pecam por não enfrentar a questão central que toca o tema. Esses foram os fundamentos que justificaram a negativa de provimento ao recurso voluntário no que concerne à legalidade da metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/02. (assinado digitalmente) RICARDO MAROZZI GREGORIO – Redator designado Fl. 2853DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
