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Numero do processo: 10880.954386/2008-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/07/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
Numero da decisão: 9303-008.857
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 86 /2 00 8- 22 Fl. 263DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS - Faturamento, que ultrapassaria o crédito devido. A DERAT em São Paulo emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago pela DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegadno que o valor por ela informado originariamente em DCTF, seria equivocado. Não comprova nem demonstra como foram apurados os novos valores e argumenta que a não homologação da compensação levaria ao enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. A DRJ competente exarou o acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo para manter o lançamento. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, repisando as razões da impugnação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.152, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte A contribuinte interpôs recurso especial de divergência, sustentando a divergência com relação à duas matérias: 1) possibilidade de conversão do julgamento em diligência e 2) preclusão da produção de provas em momento processual posterior à fase de impugnação. Para primeira matéria, a contribuinte toma por paradigma o acórdão nº 3301- 003.968, no qual se admitiu realização de diligência, diversamente do que ocorreu no acórdão recorrido Já no tocante à segunda matéria, o sujeito passivo esgrime os arestos paradigmas de nº 1401-001.856 e nº 101-96.829, que permitiriam a produção de provas em momento processual posterior ao da impugnação.. O recurso teve seguimento negado pelo Presidente da Câmara. Agravo da contribuinte Cientificada do resultado do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou agravo à Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF que o acolheu parcialmente para determinar o retorno dos autos à 4ª câmara da 3ª seção de julgamento, com o intuito de exame dos demais Fl. 264DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 pressupostos de admissibilidade do recurso especial, para além do prequestionamento, relativamente à matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Em face do despacho que acolheu parcialmente o agravo, foi realizada nova análise do recurso especial de divergência da contribuinte, sendo-lhe dado seguimento para que seja apreciada apenas quanto a matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.852, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.954381/2008-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.852): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Uma análise mais acurada do acórdão utilizado para paragonar a matéria leva-me á reconsideração da admissibilidade do recurso especial de divergência. Ocorre que o acórdão paradigma nº 3301-003.968, se estabeleceu sobre a seguinte matéria fática, extraída de seu relatório (e-fl. 173): Tratam-se de pedidos de ressarcimento de folhas 103 a 150, transmitidos em julho de 2008 através do sistema PER/DCOMP. Nestes o contribuinte busca o ressarcimento de créditos apurados sob o regime da não cumulatividade da COFINS, vinculados às vendas no mercado interno (artigo 17 da Lei n° 11.033/2004). (...) A DRF Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 470, amparado no Parecer/Seort nº 2127 (fls. 462 a 469) não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, uma vez que não identificou qualquer saída no mercado interno, enquadrada dentre aquelas com direito a crédito passível de ressarcimento (saídas não sujeitas à contribuição). Conseqüentemente indeferiu os pedidos de ressarcimento. Fl. 265DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 Cientificada do despacho, a interessada, inconformada, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 472 a 480, em parte transcrita a seguir: Em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2010, a empresa, ora RECORRENTE, esclareceu que os créditos apurados são vinculados a operações com mercado interno e exportação, com base na receita bruta auferida mensalmente, bem como apresentou diversos documentos solicitados pela Fiscalização, tanto em relação aos créditos de PIS quanto aos de COFINS, no período compreendido entre o 1° trimestre de 2005 e 4° trimestre de 2007. (Negritei e sublinhei.) Nesses excertos, transparece claramente que a situação fática é distinta daquela havida no acórdão recorrido, pois neste se trata de despacho decisório eletrônico, que confronta pagamentos realizados em DARF com créditos constituídos em DCTF da própria contribuinte e naquele paradigma há despacho com análise prévia da fiscalização com relação aos créditos, fundada em documentação apresentada pela contribuinte, conforme acima destacado. A discussão se estabeleceu sobre serem ou não os créditos pleiteados vinculados à receitas da exportação ou do mercado interno. Como a DRJ que apreciou a manifestação de inconformidade da contribuinte concordou com o disposto no despacho decisório, a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando (e-fl. 175): Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário em face da referida decisão alegando em síntese que o que houve foi um erro no preenchimento da PER/DCOMP, porquanto os valores pleiteados foram equivocadamente preenchidos nos PER/DCOMP's no campo dos créditos vinculados ao mercado interno quando, de fato, tratavam-se de créditos vinculados a receitas de exportação, que foi apresentada toda a documentação comprobatória do referido fato e que tratando-se de mero erro material esse não deve ser tomado como elemento para indeferir o Ressarcimento pleiteado. Que a documentação carreada aos autos demonstra com clareza a existência do crédito (Negritei) Ou seja, a discussão levada ao CARF no acórdão paradigma foi com relação a erro de preenchimento de PER/DCOMP, em face da discussão sobre documentação apresentada pela contribuinte à fiscalização, diferentemente do caso presente, em que se alega erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido, mesmo em sede de recurso voluntário. No meu entendimento, o acórdão a quo se estabeleceu sobre situação fática distinta daquela do acórdão paradigma, pois nele não havia qualquer suporte probatório que trouxesse dúvidas ao julgador para ensejar a realização de diligência, enquanto no paradigma apresentado, no procedimento anterior ao despacho decisório já se estabelecera litígio quanto às provas, o que gerou a necessidade de os julgadores terem maiores esclarecimentos. O que pretendeu o relator do voto vencido no acórdão nº 3401-004.146, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que foi fulcro para o julgamento do acórdão aqui recorrido, na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, utilizando-se de voto havido em Resolução nº 3401-000.964, a qual propôs a conversão em diligência para situação análoga à presente (esta sim, pagamento indevido ou a maior em dissonância com declaração em DCTF), foi igualmente converter aquele processo em diligência, sendo vencido pela maioria. Contudo, ainda que se pretendesse utilizar como paradigma a Resolução nº 3401- 000.964, referida pelo relator vencido no acórdão nº 3401-004.146, isso não seria possível, pois careceria de sua indicação diretamente no recurso especial de divergência da contribuinte, bem como da demonstração analítica com base nele. Concluindo, os julgadores não viram elementos probatórios que dessem razão para a conversão do julgamento do processo em diligência, sendo esta situação fática distinta, portanto, daquela do aresto paradigma nº 3301-003.968, apresentado pela contribuinte em seu recurso especial de divergência. Fl. 266DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.857 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954386/2008-22 Por essas razões, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.940370/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE DEFERIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL
Não se conhece de recurso voluntário, em processo de compensação tributária, cujo direito creditório pleiteado foi integralmente deferido pela decisão da unidade de origem da Receita Federal e nas razões do recurso as matérias agitadas estão superadas e/ou são estranhas, não afetas ao objeto do processo.
Numero da decisão: 1301-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2013 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE DEFERIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL Não se conhece de recurso voluntário, em processo de compensação tributária, cujo direito creditório pleiteado foi integralmente deferido pela decisão da unidade de origem da Receita Federal e nas razões do recurso as matérias agitadas estão superadas e/ou são estranhas, não afetas ao objeto do processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE DEFERIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL Não se conhece de recurso voluntário, em processo de compensação tributária, cujo direito creditório pleiteado foi integralmente deferido pela decisão da unidade de origem da Receita Federal e nas razões do recurso as matérias agitadas estão superadas e/ou são estranhas, não afetas ao objeto do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 03 70 /2 01 4- 81 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 87 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quantos aos fatos: que, nos autos do Processo nº 10880.939478/201421, em 24/07/2014 a contribuinte apresentou PER/DCOMP, informando compensação tributária: a) Débito confessado: R$ 2.411,38. IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado, código de receita 0561, PA junho/2014, data de vencimento 18/07/2014 , valor R$ 2.411,38. b) Crédito utilizado: R$ 2.184,62 (original) IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado, código de receita 0561, PA 31/05/2013, data de vencimento e Arrecadação 20/06/2013, valor do pagamento DARF R$ 2.374,53. Valor de pagamento indevido ou a maior: crédito na data de transmissão da DCOMP: R$ 2.184,62 (original). c) débito remanescente: que o crédito pleiteado foi totalmente deferido pela DERAT/São Paulo pelo Despacho Decisório de 08/10/2014, porém o valor do crédito deferido foi insuficiente para quitação do referido débito confessado na DCOMP. O débito remanescente, então, foi transferido para o presente processo, in verbis: (...) PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10880.939478/201421 INTERESSADO: OCTONAL COMERCIO E SERVICOS DE INFORMATICA LTDA EPP Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 88 4 DESTINO: ARQUIVO ÚNICO Arquivo DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Processo de Crédito encerrado (totalmente deferido). A Manifestação de Inconformidade respectiva está sendo tratada no Processo de Débito n° 10880940370/201481. Arquivese o presente processo. DATA DE EMISSÃO : 30/10/2014 (...) Na sessão de 22/05/2018, a 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, frisando: (...) Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o crédito utilizado no PER/DCOMP em análise, apesar de todo reconhecido no despacho decisório, não foi suficiente para quitar integralmente os débitos. A divergência entre despacho decisório e PER/DCOMP está nos acréscimos legais incidentes sobre o débito compensado. Os valores considerados pelo fisco foram expostos em documento colocado à disposição do contribuinte, intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório Detalhamento da Compensação". Demonstra se, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da homologação parcial. A exposição é clara e exaustiva. (...) ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO Como dito, o crédito utilizado no PER/DCOMP em análise já foi todo reconhecido no despacho decisório, mas foi insuficiente para quitar integralmente os débitos. A divergência entre despacho decisório e PER/DCOMP está nos acréscimos legais incidentes sobre o débito compensado. No PER/DCOMP, juntado aos autos nas fls. 31 a 35, foram informados valores de juros de mora e de multa de mora iguais a zero. No "Detalhamento da Compensação" (fl. 40), foram computados valores diferentes de zero. (...) Só parte da compensação do PER/DCOMP n.º 20191.79442.240714.1.3.048387 foi homologada. Sua operacionalização foi feita de acordo com os dispositivos legais Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 89 5 citados. As informações expostas foram colocadas à disposição do contribuinte no documento "PER/DCOMP Despacho Decisório Detalhamento da Compensação" (fl. 40). Na manifestação de inconformidade, o interessado se omite quanto a esses dados. Mantêmse, pois, as compensações, na forma demonstrada no despacho decisório em lide. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. (...) Ciente do acórdão da RFJ/Belo Horizonte no Domicílio Eletrônico em 18/07/2018, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/07/2018, cujas razões não dizem respeito à lide objeto dos presentes autos. A contribuinte suscitou: que o despacho decisório seria nulo, pois denegou integralmente o direito creditório pleiteado sem qualquer fundamentação; que o despacho decisório é um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos pela lei, ou seja, é necessário fundamentação; que é nula aplicação da multa isolada de 50% do art. 74 da Lei 9.430/96, antes da decisão definitiva no processo administrativo em que se discute o direito creditório denegado. Por fim, então, pediu a nulidade do despacho decisório, ato administrativo vinculado, que denegara, integralmente, o direito creditório demandado, por vício insanável, ou seja, por falta de fundamentação. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 90 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Não conheço do Recurso Voluntário por falta de interesse recursal. Veja. Nos autos do Processo nº 10880.939478/201421, o direito creditório pleiteado pela recorrente já foi integralmente deferido pelo despacho decisório da unidade de origem da Receita Federal DERAT/São Paulo e a compensação tributária, objeto daqueles autos, foi homologada parcialmente, por insuficiência do crédito para quitação do débito confessado, conforme já relatado. Aqui, nestes autos, está sendo controlado o débito remanescente da DCOMP objeto daqueles autos. Como visto, o direito creditório pleiteado foi integralmente deferido e sequer foi suficiente para quitação do débito confessado na DCOMP objeto do Processo nº 10880.939478/201421. Entretanto, a contribuinte, indevidamente, ainda utilizou o mesmo direito creditório (crédito) em centenas de DCOMP objeto de diversos processos, conforme consta do voto condutor da decisão recorrida que, nessa parte, transcrevo, in verbis: (...) PER/DCOMP RELACIONADOS AO MESMO DARF. O valor do DARF identificado no PER/DCOMP analisado não é suficiente para fazer frente a todas as compensações com ele pretendidas. O DARF do presente processo, com código de receita 0561, período de apuração 31/05/2013, data de arrecadação em 20/06/2013, no valor de R$ 2.374,53, foi utilizado em 247 PER/DCOMP, para compensar débitos que somam R$ 612.713,19. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 91 7 (...) (...) Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente agitou matérias superadas e/ou estranhas, não afetas aos presentes autos: que o despacho decisório seria nulo, pois teria denegado integralmente o direito creditório pleiteado sem qualquer fundamentação; que o despacho decisório é um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos pela lei, ou seja, é necessário fundamentação; que é nula aplicação da multa isolada de 50%, do art. 74 da Lei 9.430/96, antes da decisão definitiva no processo administrativo em que se discute o direito creditório denegado. Por fim, ainda, reiterou pedido de nulidade do despacho decisório, ato administrativo vinculado, que teria denegado, integralmente, o direito creditório demandado, pela existência de vício insanável, ou seja, por falta de fundamentação da decisão. Ora, como já demonstrado, o direito creditório pleiteado já foi integralmente deferido e utilizado pela DCOMP, conforme Processo nº 10880.939478/201421, em decisão devidamente fundamentada. No caso, não se conhece do recurso voluntário, em processo de compensação tributária, por falta de interesse recursal, pois : a) o direito creditório (crédito) já foi totalmente deferido e consumido pela DCOMP objeto dos autos do Processo nº 10880.939478/201421; b) nestes autos apenas há controle do débito remanescente (débito em aberto), pela insuficiência/inexistência de crédito para sua quitação; c) nas razões do recurso, a recorrente agitou matérias superadas e/ou estranhas, não afetas ao objeto do processo. Por tudo que foi exposto, voto para não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse recursal da recorrente. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.940370/201481 Acórdão n.º 1301004.023 S1C3T1 Fl. 92 8 É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.001179/2008-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao Recurso Especial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
A demonstração da divergência e o atendimento aos demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA.
À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa.
Numero da decisão: 9202-008.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao Recurso Especial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. A demonstração da divergência e o atendimento aos demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA. À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 79 /2 00 8- 14 Fl. 797DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier. Relatório Tratase de Auto de Infração, Debcad nº 37.156.7424, relativo a contribuições sociais previdenciárias não declaradas em GFIP, parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa. Em sessão plenária de 15/02/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.852 (fls. 618/644), com o seguinte resultado: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR; b) No mérito, por unanimidade de votos, afastar a tributação sobre o auxílio alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas verbas, vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que dava provimento em menor extensão e os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que negavam provimento. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 3 3 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado à PGFN em 03/05/2016 que, em 06/06/2016, opôs, tempestivamente, embargos de declaração (fls. 646/649), alegando, em síntese, omissão, pois não teria sido “possível confirmar a informação no sentido de que há recolhimento parcial da contribuição previdenciária objeto dos autos exatamente nas competências em análise”. Tendo sido acolhidos os embargos de declaração, em sessão de 04/07/2017, foi prolatado novo Acórdão nº 2201003.737 (fls. 671/676), com o resultado a seguir descrito: Fl. 799DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontrase no arquivo nãopaginável anexado à fl. 569 do processo eletrônico. O processo foi encaminhado à PGFN para ciência do Acórdão de Embargos em 03/08/2017 que, em 14/09/2017, interpôs o Recurso Especial (fls. 678/692), no intuito de rediscutir a matéria: incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas a dependentes de segurados a serviço da empresa. À guisa de paradigmas foram apresentados os Acórdãos nº 2403001.705 e 240102.389, cujas ementas, na parte que interessa à presente análise, transcrevese a seguir: Acórdão nº 2403001.705 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 [...] PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO A DEPENDENTES DE EMPREGADOS LEGISLAÇÃO À ÉPOCA DO FATO GERADOR SALÁRIO INDIRETO O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Não integram o saláriodecontribuição apenas o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. À época do fato gerador, no período 01/2005 a 12/2006, incide contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas a dependentes de empregados. [...] Acórdão nº 240102.389 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 [...] DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 4 5 O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. [...] Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho datado de 09/10/2017 (fls. 695/704), que considerou como apto a instaurar a divergência somente o Acórdão nº 2403001.705. A representante da Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: não caberia a aplicação da Lei nº 12.513/2011, que promoveu alterações na Lei nº 8.212/91, em especial no art. 28, § 9º, alínea “t” para verificar os requisitos da não incidência tributária, uma vez que assim fazendo, estarseia aplicando retroativamente uma lei tributária a caso por ela não albergado, em contrariedade expressa ao art. 106, do Código Tributário Nacional, conforme alhures exposto, e que, no presente caso, os fatos geradores objetos do lançamento ocorreram em momento anterior ao advento da Lei nº 12.513/2011; a decisão recorrida teria achado por bem se valer de norma posterior – Lei nº 12.513/2011, ainda não vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores – aplicandoa retroativamente e, por conseqüência, afastando a norma então em vigor (art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 9.711/1998); que teria acontecido foi um “aparente” conflito temporal de normas. como regra, os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Princípio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional; tal postulado jurídico, significaria que a lei (tributária ou não) somente se aplicará fatos ocorridos após o início da sua vigência de acordo com a noção tradicional de segurança jurídica e que, esse princípio, seria regra geral do ordenamento pátrio e não se confundiria com o princípio da irretroatividade tributária, que se destinaria especificamente a “impedir”, como garantia negativa (direito fundamental de 1ª geração), a cobrança de tributo anterior à edição de lei. essa regra comportaria exceções nas mais variadas searas do direito. No âmbito tributário, haveria ressalvas ao referido princípio, pois se permitiria que a lei voltasse ao passado, se o dissesse expressamente (e não houvesse vedação constitucional ou do próprio CTN), ou nas exceções previstas no CTN. Entretanto, se nada disso ocorrer, ela vigoraria para futuro, seguindo a LICC; no presente caso, verificase que a Lei nº 12.513/2011 não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei. Pelo contrário, que o art. 21 seria claro em afirmar que a “Lei entra em vigor na data de sua Fl. 801DF CARF MF 6 publicação”. Tampouco se poderia dizer que esse diploma legal seria expressamente interpretativo para se poder falar na sua retroatividade. que, no tocante à retroação prevista no CTN, se deveria analisar seu art. 106 que excepcionaria a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permitiria a lei voltarse ao passado, o que dispensaria disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades; não haveria qualquer infração que atraísse a retroatividade de norma. O que se discute são requisitos para usufruto de um favor fiscal: isenção de contribuições previdenciárias. Pelo fato de não se preencher determinado requisito, não se poderia considerar como cometida uma infração, mas sim como devido o tributo correspondente. E tributo, na dicção do art. 3º do CTN, não seria penalidade; aqueles que cumprem os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, vêem afastada a incidência de contribuições previdenciárias; os demais recaem na previsão geral que é a exigência dos tributos devidos, nos termos do art. 28 e incisos da mesma lei. Não há previsão de sanções (decorrência lógica de eventual “infração”) para a empresa que eventualmente não cumpre as condições previstas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91; a Lei nº 12.513/2011 jamais poderia estar “deixando de definir uma infração”, pois infrações não haveria. O que teria ocorrido é que a legislação tributária, em razão de política tributáriofinanceira, alterou os requisitos para que os contribuintes pudessem usufruir da não incidência de contribuições previdenciárias; a nova redação conferida à alínea “t”, do § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/91 sequer pode ser considerada como “mais favorável” ao contribuinte, pois, se de um lado excluiria exigências e incluiria outros possíveis beneficiários dos planos educacionais eventualmente concedidos pelas empresas aos seus funcionários, de outro traria novas condições e restrições até então não existentes para que o contribuinte pudesse ver afastada a exigência das contribuições devidas; a decisão recorrida teria se pautado numa avaliação equivocada das normas. Isso porque, a análise da antiga e nova redação do art. 28, parágrafo 9º, alínea “t”, Lei nº 8.212, foi realizada de forma parcial. O acórdão recorrido passou ao largo da análise dos itens 1 e 2 que compõem a alínea “t”, com a redação conferida pela Lei nº 12.513/2011; quando se observa, na análise de um conflito temporal de normas, se caberá ou não retroatividade de uma determinada norma por se entender que é mais benéfica, é vedado ao órgão julgador proceder a uma combinação da legislação nova com a antiga; nessa linha, poderseia argumentar que ou uma norma é mais benéfica ou não é. E, para tanto, deverseia levar em consideração a sua integralidade; a doutrina e jurisprudência é vedaria a conjugação de legislações, antiga e nova, apenas com o fim de favorecer o contribuinte, ainda que a título de aplicar retroativamente a legislação mais benéfica. Seja porque uma norma assim híbrida configuraria criação de novo direito, com violação do tão caro princípio da legalidade, seja porque a montagem de uma norma com fragmentos de outras revela uma interpretação do direito positivo que afronta a lógica e a ordenação inerentes ao sistema jurídico como algo racional. Ou Fl. 802DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 5 7 até mesmo seja porque não é dado ao julgador imiscuirse no papel de legislador positivo. quanto ao art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional (CTN), o legislado colocaria uma condição para a configuração daquela hipótese: “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”; não se poderia cogitar que o art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 pudesse tratar da exigência de determinada conduta ou inação. O que viria ali prevista é uma benesse fiscal, ainda que cercada de condições, requisitos e restrições; por outro lado, ainda que se cogitasse essa tese, o fato é que não haveria lugar para a incidência dessa norma no caso, em razão da ressalva feita no fim do texto: “desde que (...) não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”. E o fato é que a Lei nº 12.513/2011, segundo a interpretação adotada pela decisão recorrida (controvertida neste recurso, conforme demonstrado acima), implica na falta de pagamento de tributo; estaríamos diante de dois sistemas (com relevantes diferenças) de isenção de contribuições previdenciárias que se sucederam no tempo ambos atendendo a razões de política tributáriofinanceira reinantes em suas respectivas épocas; “retroativadade benigna” no direito tributário faria referência às sanções e o CTN deixaria isso muito claro. Não seria qualquer tratamento benéfico da legislação que retroagiria, não seria essa a inteligência do sistema tributário. Por fim, requer a PGFN que seja conhecido e provido o Recurso Especial, restabelecendose a exigência do que tange à verba objeto de discussão. Os autos foram, então, à unidade da Receita Federal do Brasil de origem para ciência do Contribuinte, dos acórdãos de recurso voluntário e de embargos, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, o que se deu em 10/11/2017 (fl. 710), tendo sido opostos embargos de declaração, em 17/11/2017, os quais foram rejeitados, conforme despacho de fls. 773/778. Também em 17/11/2017, foram apresentadas contrarrazões ao recurso especial da PGFN (fls. 751/770), em que se alega em resumo o que segue: a PGFN não teria comprovado a similaridade entre as situações fáticas apontadas no acórdão recorrido e no paradigma utilizado (Acórdão 2401 02.389) e tampouco em que medida e por qual razão eles teriam adotado solução dissonante com a do acórdão recorrido; o acórdão recorrido teria tratado da concessão de bolsas de estudos a todos os empregados e o paradigma citado, cuidaria de situação diversa, na qual as bolsas eram concedidas não a todos os funcionários, mas apenas a uma parcela deles com determinado tempo de permanência na empresa; seriam, portanto, questões manifestamente distintas da discutida neste feito, razão pela qual incidiria a contribuição previdenciária, o que não é o caso em tela; Fl. 803DF CARF MF 8 os descontos concedidos pela Recorrida à título de bolsas de estudos a seus funcionários e a dependentes destes com finalidade eminentemente social, não integram o salário de contribuição e por essa razão não precisam ser informados em GFIP; o que estabeleceria o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, os valores que a Recorrida despende com a formação de seus empregados estariam, conforme reconhece a legislação de regência, fora do âmbito de incidência da contribuição à cota patronal (art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91), assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição do salário em espécie, fornecidas pelo empregador em prol da educação tanto de seus empregados quanto de seus dependentes, não representariam “salário”, logo, não seriam informações a serem prestadas em GFIP ou em guias de recolhimento do FGTS; o texto legal não faria qualquer diferença entre valores gastos pelo empregador com a educação e aprimoramento de seus funcionários e valores gastos pelo empregador com a educação de seus dependentes. Tanto assim o seria que a Lei nº 8.212/91 preveria a exclusão do auxílio creche da base de cálculo da contribuição em questão; tanto a Lei nº 8.212/91 quanto o RPS reconhecem que não estariam abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica e que a educação básica é na maioria das hipóteses, cursada por crianças e não, por trabalhadores; no mesmo sentido, se verificaria a redação do art. 12 da Lei nº 11.096/05, que ao possibilitar que as bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes sejam apropriadas como assistência social, acabaria por colocar fim a qualquer questionamento acerca da inclusão de tais benefícios como fato gerador de cota patronal; considerando as peculiaridades do caso concreto, em que a Recorrida é, segundo o Superior Tribunal de Justiça, entidade beneficente de assistência social, dedicada à área de educação, seria, no mínimo, um contrassenso, que lhe fosse defeso patrocinar a educação de seus próprios funcionários e respectivos dependentes, ou que fosse obrigada a oferecer tais valores à tributação; a Recorrida paga in natura o auxílio alimentação, a seus empregados, o que a teor da lei e da Jurisprudência, afastarias a incidência de contribuição previdenciária, por não se revestir esse auxílio de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT, até por que o ato administrativo é meramente declaratório, e não, constitutivo; no caso presente, arcando com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados, a Recorrida prestaria in natura auxílio alimentação, que, a teor da lei e da Jurisprudência, não sofreria a incidência de contribuição previdenciária, por não se revestir de caráter remuneratório, mas de mero estímulo a que a prestação dos serviços contratados se desenvolva em condições de maior e melhor produtividade; não integrariam a base de cálculo da contribuição em questão, independentemente de haver ou não inscrição no PAT, o fornecimento in natura da alimentação pelo empregador ao empregado, o que a PGFN teria reconhecido em parecer de 2011; considerando que a matéria objeto do presente feito já foi exaustivamente apreciada pelo STJ e pelo CARF, esperase que as mesmas conclusões sejam Fl. 804DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 6 9 aplicadas ao caso, confirmando o acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. A Contribuinte encerra suas Contrarrazões requerendo que o Recurso Especial da PGFN seja negado, mantendose o decidido no acórdão recorrido, na parte em que deu parcial provimento ao seu recurso, para exonerar o crédito tributário. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade em virtude das alegações trazidas em sede de Contrarrazões, também tempestivas. Antes de iniciar a análise quanto ao conhecimento do Recurso Especial, importa esclarecer que a matéria devolvida à apreciação deste Colegiado restringese à incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas a dependentes de segurados a serviço da empresa. Portanto, as contrarrazões não serão conhecidas na parte que trata da decadência, do auxílio educação destinado aos próprios empregados e das contribuições incidentes sobre valores pagos a título de auxílio alimentação in natura, posto que tais matérias não são objeto da presente lide. Segundo argumenta o Sujeito Passivo, o § 8º do art. 69 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, exige não somente a mera transcrição das ementas, mas, “impõe, na verdade, a transcrição do voto paradigma e seu confronto com o voto condutor do Acórdão recorrido”, o que somente poderia ser realizado a partir da elaboração de texto em que se demonstrasse a similaridade das situações postas em juízo e a disparidade das soluções encontradas para a interpretação da lei tributária. Esse cuidado não teria sido tomado, visto que não restou comprovada a similaridade entre as situações fáticas apontadas no acórdão recorrido e no paradigma utilizado, Acórdão nº 240102.389. A respeito desse assunto, dispõe o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) [...] Fl. 805DF CARF MF 10 § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. [...] § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. Da leitura dos dispositivos encimados, notase que inexiste exigência regimental para que o voto dos acórdãos indicados como paradigma sejam transcritos no corpo do recurso especial, tampouco a necessidade de seu confronto com o voto condutor do acórdão recorrido, como defende a Contribuinte. O que o Regimento Interno preconiza é a demonstração da legislação interpretada de forma divergente e que essa demonstração seja feita de forma analítica, com a indicação de até duas decisões proferidas por turmas de julgamento distintas daquela responsável pela prolação do decisum afrontado. Vejase, que alternativamente à apresentação do inteiro teor das decisões cotejadas, os §§ 9º e 10 acima possibilitam a apresentação tãosomente das ementas de tais julgados, ao revés do infere a Recorrida. Além do que, do exame da peça recursal, constatase que a Fazenda Nacional desincumbiuse do ônus imposto pela RICARF, tendo comprovado adequadamente a existência do dissídio interpretativo, sobretudo em face ao Acórdão nº 2403001.705. Senão vejamos trechos do apelo: Divergindo do entendimento sufragado na decisão atacada, os paradigmas abaixo indicados, tratando de questões fáticas similares concernentes ao cumprimento dos requisitos estampados no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para fins de não incidência das contribuições previdenciárias, adotaram tese jurídica diversa. Vejase: [...] Para demonstrar a existência do dissídio alegado, fazse necessário transcrever alguns excertos dos acórdãos indicados como paradigmas: Acórdão nº 2403001.705 “Por outro lado, a questão central da argumentação da Recorrente é a incidência ou não de contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas aos dependentes de empregados. Vejamos. A redação à época dos fatos geradores do art. 28, §9°, alínea t, Lei 8.212/1991, ou seja sem a redação dada pela Lei 12.513/2011, dispõe que não integra o salário de Fl. 806DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 7 11 contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21, da Lei 9.394/1996, bem como a cursos de capacitação e qualificação profissionais desde que não utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). No Relatório Fiscal, às fls. 01 a 35, há a comprovação de que a Recorrente concedeu bolsas de estudos a dependentes de empregados: (...) Desta forma, considero correto o lançamento efetuado pela AuditoriaFiscal posto que a concessão de bolsas de estudos para dependentes de empregados integra o salário de contribuição, posto não se enquadrar na hipótese de não incidência de contribuição social previdenciária conforme disposição expressa da redação do art. 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.” [...] Os excertos acima colhidos evidenciam que a decisão guerreada encampou o entendimento de que deverá ser aplicada a regra estampada no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 12.513/2011. Adotando posicionamento diametralmente oposto diante de situação fática similar, os órgãos de julgamento prolatores dos paradigmas entenderam que a lei a ser aplicada ao caso deve ser aquela vigente à época dos fatos geradores e como os casos discutidos referiamse a fatos ocorridos antes da vigência da Lei nº 12.513/2011, os requisitos para a isenção de contribuições previdenciárias a serem observados pelos contribuintes autuados deveriam ser aqueles estampados no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com sua redação anterior à Lei nº 12.513/2011. Fl. 807DF CARF MF 12 Anotese que ambos os arestos indicados como paradigmas foram proferidos após a publicação da Lei nº 12.513/2011. Observase que a divergência se dá em relação ao disposto no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que no caso deveria a nova redação concedida ao dispositivo em questão pela Lei nº 12.513/2011 ser aplicada retroativamente para averiguar o cumprimento dos requisitos da isenção de contribuições previdenciárias, os paradigmas sufragaram tese diversa. Os paradigmas aplicaram a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, isto é, o art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 com a redação dada pela Lei nº 9.711/1998. Concluíram, então, que tal norma não abriga interpretação que possibilite incluir o auxílioeducação pago aos dependentes dos empregados na isenção objeto de análise. Portanto, a divergência se dá em relação à interpretação do disposto no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 e à inadequada aplicação da redação advinda da Lei 12.513/2011. (Grifos do Recurso Especial) Da simples leitura desses excertos do Recurso Especial constatase que, em relação ao Acórdão nº 2403001.705, diante de contextos fáticos semelhantes, os colegiados recorrido e paradigmático chegaram a conclusões absolutamente dissonantes. E mais, a legislação interpretada de forma divergente, restou claramente evidenciada. A respeito do argumento segundo o qual não teria restado comprovada a similaridade entre as situações fáticas retratadas no Acórdão 240102.389 e na decisão recorrida, convém esclarecer que essa constatação foi feita ainda quando da análise de admissibilidade do Recurso Especial, onde se reconheceu que referido julgado não se prestava a demonstrar divergência de interpretação da legislação tributária. Contudo, para que o apelo tenha seguimento é suficiente que dissídio se instaure em relação a somente uma das decisões apresentadas à guisa de paradigma. Em virtude dessas considerações, conheço do Recurso Especial. Mérito Depreendese do Relatório Fiscal que o lançamento diz respeito a contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, que têm como fato gerador a concessão de salários indiretos, correspondentes a bolsas de estudos concedidas a empregados a serviço da pessoa jurídica, bem assim a seus dependentes. Importa ressaltar mais uma vez que a matéria em litígio restringese à incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas aos dependentes dos empregados e, em razão disso, não serão feitas quaisquer considerações sobre o auxílio educação atribuído aos próprios empregados. Entendeu o Colegiado a quo que a norma que trata da isenção não faz restrição à educação fornecida a dependentes e, uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos a eles concedidas. A Fazenda Nacional, por seu turno, entende que embora o legislador ordinário tenha excluído expressamente os valores relativos a planos educacionais da base de cálculo da contribuição, elencou critérios para o gozo desse benefício e, uma vez não comprovado o cumprimento desses critérios, os valores relativos a tais planos constituemse em parcela integrante da base de cálculo das contribuições incidentes sobre a folha de salários. Acrescenta que a isenção prevista na Lei de Custeio não alcança as bolsas de estudo fornecidas a dependentes dos segurados da Previdência Social. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 8 13 Para a Contribuinte, os valores das bolsas de estudo não integram o salário contribuição por não constituírem remuneração pelo trabalho em virtude de sua finalidade social. Destaca que, a teor do que estabelece o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, as ajudas fornecidas pelo empregador em prol da educação tanto de seus empregados quanto de seus dependentes, não representam salário e que a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade estrita (arts. 150, I da CF e 97 do CTN), a atividade do lançamento, afirma, está vinculada a essa legislação. Infere que não cabe à fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto lastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que levam a exigência de tributo inexistente. De acordo com as contrarrazões, é nítido que o texto legal não faz qualquer diferença entre valores gastos pelo empregador com a educação e aprimoramento de seus funcionários e valores gastos pelo empregador com a educação de seus dependentes. Tanto é assim que a Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do auxílio creche da base de cálculo da contribuição em questão. No entender da Recorrida, tanto a Lei nº 8.212/1991 quanto o Regulamento da Previdência Social reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica e que, a educação básica é, na maioria das hipóteses, cursada por crianças e não, por trabalhadores. A contribuinte faz referência ao art. 12 da Lei nº 11.096/2005, o qual no seu entender, ao possibilitar que as bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes sejam apropriadas como assistência social, acaba por colocar fim a qualquer questionamento acerca da inclusão de tais benefícios como fato gerador de cota patronal. Primeiramente, cumpre ressaltar que a tributação pelas contribuições previdenciárias tem regramento próprio, estabelecido pela Lei nº 8.212/1991. Assim, o art. 12 da Lei n° 11.096/05 que, digase de passagem, não faz nenhuma referência a isenção de contribuições previdenciária, não serve de amparo ao Sujeito Passivo. Além disso, o Direito Previdenciário encontra baliza na própria Constituição Federal e, com relação ao custeio do sistema de previdência, o art. 195 da CF/1988 é que estabelece as bases sobre as quais podem incidir as contribuições: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:(Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata Fl. 809DF CARF MF 14 o art. 201;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] (Grifouse) Outro dispositivo constitucional de fundamental importância à matéria em debate é o § 11 do art. 201 da Constituição que estabelece: Art. 201. [...] § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [...] Na esteira do texto constitucional os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/1991 estabeleceram as bases sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias a cargo de empregados e empregadores. Confirase: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. [...] Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 810DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 9 15 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] Reparese que a base de cálculo das contribuições abrange a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindose nessa relação os ganhos habituais percebidos sob a forma de utilidades, o que inclui, por óbvio, o auxílio educação. Donde se depreende que, em se tratando de utilidades disponibilizadas pela empresa aos obreiros que lhe prestam serviços, sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária dependerá da verificação dos seguintes requisitos: a) onerosidade; b) retributividade; e c) habitualidade. Inexistem dúvidas quanto ao caráter oneroso do benefício concedido pelo Sujeito Passivo, sendo desnecessário tecer maiores comentários a esse respeito. Do mesmo modo, tendo a vantagem sido atribuída regularmente aos empregados da empresa em benefícios de seus dependentes, resta nítido seu caráter habitual. Com relação à retribuitividade, temse benesse oferecida no contexto da relação laboral, restando caracterizada sua índole contraprestativa, pois o que motivou sua concessão foi justamente o fato de os beneficiários prestarem serviço ao Sujeito Passivo. De outra parte, como as bolsas de estudos aqui referidas ostentam natureza nitidamente remuneratória, sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias vai depender de previsão expressa em norma de caráter tributário, mormente no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que, no que se refere a isenção, relaciona exaustivamente as parcelas ao abrigo desse favor legal no âmbito da Lei de Custeio Previdenciário. Especificamente com relação a educação, à época da ocorrência dos fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, a alínea “t” do referido § 9º, na assim dispunha: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 811DF CARF MF 16 Notese que a isenção referida nos dispositivo acima abrangia: planos educacionais que visassem à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Referido plano: não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; e deveria ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Desse modo, para que a contribuinte pudesse se valer da isenção, faziase necessária a estrita observância dos critérios estabelecidos em lei. Contudo, conforme destacado no Relatório Fiscal, as bolsas de estudo objeto da autuação foram ofertadas a dependentes dos empregados do Sujeito Passivo e a norma isentiva, na redação vigente à época dos fatos geradores, não contemplava a isenção para esse tipo de benefício. Não se pode olvidar que, sendo a isenção uma modalidade de exclusão do crédito tributário, a legislação relativa a esse favor legal deve ser interpretada literalmente, a teor do que estatui o art. 111 do Código Tributário Nacional. Portanto, não há como considerar satisfeitos os critérios estabelecidos para a isenção quando se está diante, como visto acima, de flagrante desrespeito à norma de regência. Diante da obrigatoriedade de interpretação literal da norma isentiva, não vejo como razoável suscitar a isenção concedida às parcelas pagas a título de auxílio creche a pretexto de estender o benefício fiscal ao auxílio educação destinado a dependentes de empregados, pois tratamse de rubricas absolutamente diversas. Do mesmo modo, não há como acolher o argumento de que o fato de a educação básica ser cursada, na maioria das hipóteses por crianças, tenha o condão de estender a isenção aqui referida às bolsas de estudo destinada a dependentes, posto que a norma legal, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento, não conduz a esse entendimento. Quisesse o legislador estender a isenção a planos educacionais destinados a dependentes de segurados empregados, teria feito referência expressa nesse sentido no texto legal. Aliás, a Lei nº 12.513/2011 até estendeu a isenção de contribuições previdenciárias e terceiros tanto a plano educacional quanto bolsa que vise à educação básica de dependentes de empregados. Porém, essa norma não acode o Sujeito Passivo, em virtude ser posterior aos fatos geradores que suscitaram o lançamento ora examinado. É que o art. 144 do CTN preconiza que “lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Apercebase que o lançamento foi efetuado em observância ao que dispõe o Código Tributário Nacional e a Lei nº 8.212/1991, não havendo que se falar em desobediência a princípios como o da legalidade, da tipicidade estrita ou de qualquer outro. Quanto às decisões administrativas e judiciais suscitadas pelo Sujeito Passivo, essas encerram contextos fáticos específicos, com arcabouço probatório próprio, e aplicamse as partes envolvidas nos litígios respectivos e não vinculam o julgador administrativo. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 9202008.050 CSRFT2 Fl. 10 17 Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento; e conheço das parcialmente das Contrarrazões da Contribuinte. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 813DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727886/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2301-006.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 78 86 /2 01 1- 23 Fl. 88DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (notificação de lançamento fls. 28 a 33), acrescido de multa de ofício e juros de mora totalizando o valor de R$ 11.596,43, referente ao ano ano-calendário 2009. Por bem descreverem os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual transcrevo a seguir: DA NOTIFICAÇÃO O processo refere-se a Notificação de Lançamento, fl(s). 28 a 33, relativa ao(s) ano(s)calendário de 2009. Foi exigido o valor de R$ 11.598,43. O valor do imposto de renda pessoa física é de R$ 3.639,73. A notificação decorreu da Dedução Indevida de Despesa Médica. DA INFORMAÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se relatado nos autos, em síntese: • Dedução Indevida de Despesas Médicas Foi glosado o valor de R$ 13.235,40 deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação dos Fatos Despesas médicas com planos de saúde glosadas parcialmente, realizadas para não dependentes na declaração: AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL S.A. R$ 377,00 AMICO SAÚDE LTDA R$ 4.218,40 Despesa médica glosada por não se revestir das formalidades exigidas e/ou falta de identificação do beneficiário do serviço prestado: MARCELO PITANGA MIGUEL R$ 8.640,00 DA IMPUGNAÇÃO A Notificação de Lançamento foi lavrada em 02/05/2011. A ciência pelo(a) contribuinte ocorreu em 16/05/2011, fl 41. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação de fl(s) 2 a 3 em 08/06/2011, alegando, em síntese: • Venho requerer, preliminarmente, a verificação dos comprovantes das despesas médicas e do plano de saúde, citados nos fatos, para análise e ajuste do que se faz necessário. • Observando que não inclui dois comprovantes de despesas da Clivo (Centro Livre de Odontologia ) CNPJ n 02.950.719/000119 no valor de R$ 2.290,00 encontrados por Fl. 89DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 mim quando procurava os comprovantes das despesas glosadas, tendo em vista a impossibilidade de fazer Declaração Retificadora em face da lavratura da Notificação, solicito considerar tal fato. • No mérito, após a descrição do direito em que me fundamento, dos pontos de discordância e das razões e provas que possuo, os quais anexo a essa impugnação, venho requerer a apreciação dos mesmos a fim de que possa a autoridade fiscal verificar que houve o correto recolhimento do tributo, devendo, assim, ser desconstituído o débito objeto do mencionado auto de infração. Acórdão de Primeira Instância Os membros da 15 a Turma da DRJ-SP1, por unanimidade de votos, julgaram a impugnação improcedente, na forma do relatório e voto (fls. 47 a 53) conforme transcrição de ementa seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2009 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante só é admissível antes de notificado o lançamento. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os recibos emitidos devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa física. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificada dessa decisão em 07/07/2015 (fl.59), a contribuinte interpôs em 30/07/2015 recurso voluntário (fl. 62), no qual reitera os mesmos argumentos trazidos na impugnação e acrescenta que os valores inerentes as glosas da AMIL e AMICO foram apartados e parcelados pelo processo n o 12448-727887/2011-78. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora Conhecimento O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 90DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito A recorrente insurge-se contra a decisão de primeiro grau, alegando descabimento das glosas de despesas médicas apuradas na notificação de lançamento de fls. 28 a 33. No procedimento fiscal foram glosadas as seguintes deduções de despesas médicas: Cumpre esclarecer que os valores referentes às glosas dos planos de sáude AMIL e AMICO foram apartados e parcelados pelo processo no 12448-727887/2011-78. Em relação ao beneficiário MARCELO PITANGA MIGUEL, verifica-se pela leitura do relatório fiscal que as deduções foram glosadas em razão dos comprovantes apresentados estarem em desacordo com as formalidades especificadas no art. 80, § 1º, II e III do RIR Decreto nº 3.000/99. Com base nos incisos II e III do parágrafo 2º do art. 8º da Lei 9.250/95, devem constar dos recibos apresentados para comprovar as despesas médicas efetuadas a indicação do beneficiário do tratamento e do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ do profissional prestador dos serviços. Para o beneficiário MARCELO PITANGA MIGUEL, psicoterapeuta, a recorrente, durante o procedimento fiscal, apresenta declaração e recibos (fls. 5 e 6) emitidos pelo profissional, afirmando que a contribuinte foi sua paciente no ano calendário 2009, na especialidade de psicanálise, com ausência do endereço e CPF do beneficiário. Em sede de recurso, são apresentados novos recibos que suprem as irregularidades apontadas no procedimento fiscal (fls. 63 a 76). Analisando os autos também verifico que foram apresentados: - Guia de atendimento do Fundo de Assistência de Saúde do Servidor (fl. 07), que comprova a necessidade de afastamento da recorrente por problemas psiquiátricos; - Encaminhamento de médico endocrinologista para tratamento psiquiátrico de compulsão alimentar noturna, depressão e libação alimentar (fls. 8 e 9); - Cartões de marcação de consultas do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (fls. 10 a 12, 19 e 20); Fl. 91DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.344 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.727886/2011-23 - Receituários com prescrições de medicamentos para transtorno psicológico (fl. 13, 16 e 17); - Declarações que atestam tratamentos psiconeuroendocrinológicos com o uso de medicamentos controlados (fls 14, 15 e 18); Verifica-se pelos documentos supracitados que a recorrente, em função de transtornos psicológicos, necessitava de acompanhamento psicoterápico durante o ano calendário de 2009. Assim, entendo que as informações constantes dos recibos foram complementadas e ratificadas pela documentação apresentada, e, nada mais havendo nos autos que os desabone, voto por dar provimento ao recurso, para excluir a glosa no valor de R$ 8.640,00. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11051.000099/2007-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO. IRRETROATIVIDADE. ART. 103 DO CTN.
O art. 103, I do CTN determina que os atos normativos exarados pela RFB são vigência na data de publicação. Não há regra para retroatividade de norma tributária para alcançar fatos geradores consumados. Lei sujeita à condição suspensiva até regulamentação do benefício pela RFB.
Numero da decisão: 3003-000.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO. IRRETROATIVIDADE. ART. 103 DO CTN. O art. 103, I do CTN determina que os atos normativos exarados pela RFB são vigência na data de publicação. Não há regra para retroatividade de norma tributária para alcançar fatos geradores consumados. Lei sujeita à condição suspensiva até regulamentação do benefício pela RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-28T02:37:18Z; Last-Modified: 2019-08-28T02:37:18Z; dcterms:modified: 2019-08-28T02:37:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-28T02:37:18Z; meta:save-date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-28T02:37:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-28T02:37:18Z; created: 2019-08-28T02:37:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-28T02:37:18Z; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-28T02:37:18Z | Conteúdo => S3-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11051.000099/2007-45 Recurso Voluntário Acórdão nº 3003-000.373 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 16 de julho de 2019 Recorrente AGROPECUARIA CANOA MIRIM S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO. IRRETROATIVIDADE. ART. 103 DO CTN. O art. 103, I do CTN determina que os atos normativos exarados pela RFB são vigência na data de publicação. Não há regra para retroatividade de norma tributária para alcançar fatos geradores consumados. Lei sujeita à condição suspensiva até regulamentação do benefício pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre nos autos do processo de PER/DCOMP. Por bem retratar a narrativa fática, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 00 00 99 /2 00 7- 45 Fl. 317DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 Trata-se de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa analisado no período de outubro a dezembro de 2005, vide relatório fiscal, fls. 163/165 e despacho decisório, fls. 183/184. O interessado discorda da glosa parcial, pois não se conforma com o recálculo da Cofins devida no mês de dezembro de 2005 em face da constatação de operações de vendas, anteriores a 04/04/2006, nas quais o contribuinte utilizou a sistemática da suspensão da contribuição. Sustenta que teria sido desconsiderada a existência da IN SRF 636/2006, a qual admitiria a suspensão da exigibilidade das contribuições e o creditamento a partir de 1 de agosto de 2004, em respeito ao disposto no seu Art. 5°. Considera também que como a IN 636/2006 só teria sido revogada em julho de 2006, pela IN 660/2006, inexistia a limitação levantada pela fiscalização com fundamento na IN 660/2006. Isso posto, conclui que quando a empresa teria usado o benefício da suspensão nas vendas de 12/2005, estaria ao abrigo do Art. 50 da IN SRF 636/2006, que lhe deu efeitos retroativos a 08/2004. Assim, requer o acolhimento de sua inconformidade parcial, com o cancelamento da glosa referente às vendas com suspensão, pelas razões acima expostas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade lavrando a ementa transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: VENDA COM SUSPENSÃO DE PRODUTOS IN NATURA. Até 04/04/2006, não era possível a venda com a suspensão prevista no art. 90 da Lei n° 10.925/2004, por não estarem, ainda, normatizados os termos e condições requeridos no § 2° do mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente limita-se a repetir os exatos termos da manifestação de inconformidade de fl. 183/184, que de forma bastante sintética alega que a suspensão das contribuições ao PIS e COFINS, prevista no art. 9º da Lei n° 10.925/2004, que concede o benefício a empresas cerealistas (beneficiamento e secagem de grãos) que também pratica sua comercialização, nos termos a serem estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A regulamentação da suspensão das contribuições foi veiculada pela Instrução Normativa 660/2006, momento em que o benefício cumpre a condição estabelecida por Lei. Contudo, a Recorrente alega que a ausência de ato normativo da RFB, mesmo quando expressamente exigido por Lei, não é fato impeditivo para a fruição da suspensão das contribuições dentro do período de 08/2004 à 04/2006. Ainda, com a edição da IN os efeitos seriam automaticamente retroativos e, por seu turno, aptos a alcançar fatos geradores já consumados. Ao fim pede o reconhecimento do benefício desde a promulgação da Lei 10.925/2004, compreendendo o PA 10/2005 à 12/2005, e que seja dado total provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 318DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA VIGÊNCIA DA NORMA NO TEMPO Cumpre destacar que a vigência das normas tributárias veiculadas por atos administrativos segue a regra do art. 103, I do CTN, que tem por termo inicial a data da publicação. Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I - os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; Não há previsão no ordenamento jurídico pátrio, em particular nas regras especial de Direito Tributário, modalidade de retroatividade de ato normativo, lei ou qualquer outro dispositivo de caráter geral e abstrato. Tal não poderia ser diferente com as Instruções Normativas 636/2006 e 660/2006 da SRF, que têm como marco inicial de vigência a data da publicação, 04/04/2006. É bastante claro, portanto, que não deve prosperar o argumento da Recorrente que intenta fazer valer efeitos retroativos das instruções normativas para alcançar fatos geradores já consumados com a suspensão das contribuições para o PIS e COFINS às empresas cerealistas. Não nos esqueçamos, entrementes, que o próprio art. 9º da Lei 10.925/2004 condiciona o benefício à regulamentação pela RFB. Não existem dúvidas que o legislador ordinário intentou a imposição de condição suspensiva até pronunciamento do Fisco: "Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal." Sendo pelo que expressamente estabelece a letra da Lei, a suspensão das contribuições só passou a ter efeitos quando da publicação das INs 636/2006 e 660/2006, sem qualquer previsão de efeitos retroativos. Tendo em vista que são estes os únicos argumentos veiculados na manifestação de inconformidade de fls. 203/204 e no Recurso Voluntário, valho-me do artigo 57, §3º do RICARF Fl. 319DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 para adotar como razões de decidir o acórdão da DRJ/POA, pois comungo do entendimento esboçado pelos julgadores de primeira instância: “Deve-se inicialmente registrar que o interessado, em sua manifestação de inconformidade, afirma que todas as irregularidades encontradas pela fiscalização serão objeto de questionamento e a seguir listou-as, uma a uma, conforme constam nos itens 4.1 a 4.3 do relatório fiscal. Entretanto, ao desenvolver sua contestação, com argumentos devidamente fundamentados, questionou apenas a glosa referente à não inclusão, na base de cálculo da contribuição, das receitas oriundas de operações de vendas nas quais utilizou a sistemática da suspensão da contribuição. Desta forma, torna-se definitiva, na esfera administrativa, a discussão quanto às demais irregularidades autuadas. Por oportuno, cabe citar o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que assim estabelece: "Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Sobre a parcela referente à glosa relativa às vendas com suspensão de tributos anteriores a 04/04/2006, é importante frisar que tal suspensão de PIS e Cofins foi inicialmente prevista pelo art. 9° da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, que é uma norma de eficácia limitada. Isso porque esta lei condiciona a mencionada suspensão aos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, a quem cabe dar os contornos da fruição do benefício fiscal. Transcreve-se o dispositivo legal a seguir: "Art. 90 A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. " grifou-se) Portanto, trata-se de dispositivo legal de eficácia limitada, o qual pode entrar em vigor na data da sua publicação, mas somente tem eficácia após a sua regulamentação. Posteriormente, essa suspensão de PIS e Cofins prevista no inc. III do art. 9° da Lei no 10.925/2004, foi inicialmente regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 636, publicada no DOU de 04/04/2006, a qual foi revogada pela Instrução Normativa n° 660, que passou a produzir efeitos a partir de 04/04/2006, data da publicação da primeira instrução normativa, a partir de quando o assunto passou a ser regulamentado e, por consequência, a suspensão do PIS e da Cofins em tela passou a ter eficácia, ou, em outras palavras, passou e ter efeitos no mundo fático. Aliás, há que se considerar que, se as instruções normativas não dispusessem a respeito do termo inicial dos seus efeitos, esses iniciariam, salvo melhor juízo, a partir da publicação das mesmas, por se tratar, como visto acima, de regulamentação de norma de eficácia limitada. A propósito, a impetrante não poderia estar vendendo com suspensão desde a publicação da lei simplesmente por não saber quais seriam esses termos e condições que seriam estabelecidos pela SRF. Como exemplo, cite-se a condição que diz respeito ao preenchimento da nota fiscal de acordo com o disposto no art. 2°, § 2° da IN 660/2006, a qual deve conter a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins". Como poderia o contribuinte haver cumprido essa exigência antes da publicação da IN? Também se deve salientar que uma venda com suspensão das contribuições tem repercussão no restante da cadeia produtiva, o que não ocorre na Fl. 320DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.373 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11051.000099/2007-45 hipótese de crédito presumido. Esse o motivo de haver tratamento diferenciado para as duas situações, as quais não são equivalentes. Por último, deve-se também destacar que todos os pedidos do interessado foram entregues antes da vigência da primeira Instrução Normativa, IN/SRF 636, de 04/04/2006, restando-se esvaziados os seus argumentos de que seus pedidos teriam sido convalidados pela vigência da mesma e antes da vigência da segunda IN 660/2006. Portanto, até 04/04/2006, não era possível a venda com a suspensão prevista no art. 9° da Lei n° 10.925/2004, por não estarem, ainda, estabelecidos os termos e condições requeridos no § 22 do mesmo artigo. Por todo o exposto, pode-se verificar que se tratam de dispositivos de leis em vigor, regularmente aprovadas pelo Poder Legislativo, competindo exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre sua constitucionalidade, não podendo ser afastada sua aplicação no julgamento administrativo.” Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726747/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Não havendo, no caso julgado, nenhum vício no acórdão embargado, os embargos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 3201-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não havendo, no caso julgado, nenhum vício no acórdão embargado, os embargos devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, em face do Acórdão nº 3201-005.109, de 27/02/2019, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 67 47 /2 01 3- 59 Fl. 3222DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.546 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726747/2013-59 LENHA. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção tem direito ao presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Alega-se que o acórdão embargado incorreu numa omissão, qual seja, no fato de que, embora tenha reconhecido o crédito presumido sobre aquisições de lenha, não se saberia exatamente em qual estágio do processo produtivo se insere a utilização da caldeira. Ter-se-ia deixado claro, no acórdão embargado, que um dos motivos pelos quais esse crédito não fora reconhecido foi a falta de identificação do estágio da produção onde a caldeira é utilizada. O acórdão embargado, contudo, não esclareceu se houve ou não essa comprovação ou mesmo se tal prova seria irrelevante e o porquê. O despacho de admissibilidade encontra-se às fls. 3211/3212. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Embargante alega omisso o acórdão embargado, ao fundamento de que não se adentrou no tema concernente ao estágio do processo produtivo em que há a utilização da caldeira, onde a lenha, cujo crédito nele se reconheceu, é consumida. Esse tema, contudo, só foi referido no acórdão prolatado pela DRJ, visto que o único fundamento adotado pela fiscalização para promover a glosa do crédito de PIS/Cofins sobre a aquisição de lenha se deu pelo fato de terem sido realizadas a pessoas físicas. É o que se dispôs no único parágrafo do Despacho Decisório em que a matéria foi abordada: Compra de pessoa física 38. Nessa mesma linha constatamos que o interessado listou diversas aquisições de canola em grãos, jumento macho/fêmea e lenha de eucalipto realizadas de pessoa física. Tendo em vista que sobre essas aquisições não incide PIS e Cofins não cumulativos, essas operações também foram glosadas da base de cálculo do crédito. (g.n.) E sendo este o único fundamento utilizado pela fiscalização para promover a glosa do crédito correspondente, omissão não há, porquanto devidamente enfrentado no acórdão embargado: Diferentemente do que adotado no acórdão recorrido, entendemos que a Recorrente faz jus, sim, ao crédito presumido na aquisição de lenha. Observe-se a redação conferida ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004: Fl. 3223DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.546 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726747/2013-59 Art. 8 o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A Recorrente produz mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza a lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção. Portanto, embora não faça jus ao crédito básico, porquanto a aquisição se deu desonerada das contribuições, tem direito ao presumido. O que se esqueceu de dizer no acórdão embargado, aqui concordamos, é que a DRJ acresceu fundamentos ao Despacho Decisório para negar o crédito sobre a aquisição de lenha, mas o tema, aliás, sequer foi levantado no recurso voluntário. Nada mais que isso. Ante o exposto, voto por REJEITAR os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005916/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.No julgamento do REsp 1.149.022, sob a sistemática de repercussão geral, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a declaração e pagamento de débito tributário em data anterior a ato administrativo configura denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, afastando a incidência da multa moratória.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-006.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.No julgamento do REsp 1.149.022, sob a sistemática de repercussão geral, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a declaração e pagamento de débito tributário em data anterior a ato administrativo configura denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, afastando a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 59 16 /2 00 5- 00 Fl. 267DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1124.087 (e fls. 189192), proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, que por maioria de votos, julgou o lançamento procedente, conforme Ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/1,0/2000, 30/11/2000 IPI. RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO. MULTA DE MORA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração . 01/09/1995 a 31/12/1996 PEDIDOS DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E 1NCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de ilegalidade/ inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, através do qual foi constituído crédito tributário, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 50.240,48, por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 19647.005916/200500 Acórdão n.º 3402006.778 S3C4T2 Fl. 268 3 2. No campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", consta registrada a seguinte infração, ao final tipificada: "001 — MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO/RECOLHIMENTO A MENOR DA MULTA DE MORA (IPI)". Segundo a autoridade autuante, o contribuinte em tela, através do estabelecimento matriz, alegou, em denúncia espontânea, através do processo protocolizado sob n.° 10880.01880610078, que, em face de erro de classificação fiscal, deixou de recolher o IPI devido pela matriz e filiais, relativo aos terceiros decêndios dos meses de fevereiro a dezembro de 2000. Relativamente à filial de Jaboatão dos Guararapes PE, afirma terem sido feitos recolhimentos complementares de IPI e de juros, sem a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n.° 9.430/96. Alega que, como já se operou a decadência em relação aos meses de fevereiro a maio de 2000, o lançamento da multa de mora estaria restrito aos fatos geradores ocorridos entre o 30 decêndio do mês de junho ao 3° decêndio do mês de novembro de 2000. 3. Tempestivamente (vide fl. 166), o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 19/27), na qual alega que o procedimento por ele adotado configura denúncia espontânea, o que afastaria, segundo decisões prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e Câmara Superior de Recursos Fiscais, a aplicação de qualquer penalidade pecuniária, seja de caráter punitivo ou moratório. Argumenta, ademais, que pretender cobrar a multa moratória seria penalizálo em duplicidade, já que a taxa Selic tem natureza moratória e compensatória ao mesmo tempo. 4. Ao final, requer o cancelamento da exigência. Protesta, ainda, pela juntada posterior de documentos e perícia contábil, para demonstrar que se equivocou quanto à classificação das mercadorias, ensejando o recolhimento a menor do IPI. 5. Através da petição de fl. 95, o contribuinte requer a "unificação/apensamento" do processo com os de nºs 19647.007786/200451 e 19647.007839/200433. Expõe que, segundo se comprovaria através do Termo de Intimação de f1.98 (doc. 3), tais processos tratariam dos mesmos débitos exigidos através do presente auto de infração. A Contribuinte foi intimada por via postal em data de 27/11/2008, conforme Aviso de Recebimento de fls. 195. Em data de 23/12/2008 a Contribuinte apresentou por meio de protocolo físico o Recurso Voluntário de fls. 197206, pelo qual pediu o integral provimento para que sejam julgados improcedentes todos os lançamentos relacionados ao suposto débito de multa não recolhida em razão do pagamento complementar de IPI no período entre 02 e 11/2000, considerando o reconhecimento da denúncia espontânea. Para tanto, a Recorrente argumentou, em síntese, que: i) Ao perceber o recolhimento a menor de IPI entre fevereiro e novembro/2000 por equívocos na classificação fiscal de determinados produtos que industrializa, tratou de imediatamente recolher as diferenças devidas, com o acréscimo de juros moratórias em 28/12/2000, bem como formalizou comunicado à Delegacia da Receita Federal, em 29/12/200 (processo administrativo n° 10880.018806/0078), denunciando e alertando o fato tributável e comprovando o recolhimento das diferenças apuradas; e retificou as respectivas DCTFs em que houvera informado o IPI com valor a menor que o devido em 2004; Fl. 269DF CARF MF 4 ii) Aplicase a Súmula 360 do STJ: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos em destempo; iii) em se tratando de tributo identificado pelo lançamento por homologação, a espontaneidade não estaria representada no simples pagamento voluntário, mas também e isto é da essência do instituto na declaração daquilo que o Fisco não conheceria, em termos de fato, se o contribuinte não informasse. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Do mérito O auto de infração (fls. 611) originado do Mandado de Procedimento Fiscal nº 04.1.01.002005004439, foi lavrado em data de 09/06/2005 para exigência de multa de mora não recolhida por ocasião da denúncia espontânea, conforme descrição dos fatos abaixo reproduzida: A empresa RECKITT BENCKISER BRASIL LTDA, através de seu estabelecimento matriz, alega em denúncia espontânea, protocolizado sob o n° 10880.018806/0078, em 29/12/2000, que devido a erro de classificação fiscal, gerado por problemas nos sistemas de faturamento, deixou de recolher parte do Imposto sobre Produtos Industrializados devido nas saídas do estabelecimento matriz e das filiais de JaboatãoPE e de PinhaisPR, relativas aos 3° decêndios dos meses de fevereiro a novembro de 2000. Relativamente à filial de JaboatãoPE, para corrigir o erro, em 28/12/2000, foram feitos recolhimentos complementares de IPI e de juros, sem a multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27/12/96, nos seguintes valores: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 19647.005916/200500 Acórdão n.º 3402006.778 S3C4T2 Fl. 269 5 A Divisão de Tributação da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, em despacho decisório proferido em 18/05/2001, anexo às folhas 2.2 a /6 , não acolheu o procedimento adotado pelo contribuinte e determinou que fossem tomadas as devidas providências para a constituição do crédito tributário referente à multa de mora não recolhida. Cópias da denúncia espontânea e do despacho decisório foram encaminhadas à DRF/RECIFE, que em 06/05/2005 determinou a abertura da Mandado de Procedimento Fiscal n° 2005004439, para lançamento da multa de mora não recolhida pelo contribuinte por ocasião da apresentação da referida denúncia espontânea. A autuação considerou os seguintes fatos geradores: Da análise dos autos, verifico que a Denúncia Espontânea de fls. 1214 foi protocolada em data de 29 de dezembro de 2000, com recolhimento complementar do IPI (Código 1097), acrescido de juros de mora (Taxa Selic). O Despacho Decisório de fls. 1518, datado de 17/01/2001, desconsiderou o instituto da denúncia espontânea por concluir que não há possibilidade de o contribuinte eximirse do pagamento da multa de mora, uma vez ser esta inerente ao pagamento de forma espontânea, mas após o prazo legal para cumprimento da obrigação tributária. O v. Acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ de Recife/PE manteve o entendimento adotado em Despacho Decisório, acrescentando que: "Antes da edição da Medida Provisória n.° 351,de 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei n.° 11.488, de 15/06/2007, o recolhimento intempestivo de tributo federal, sem o devido acréscimo da multa moratória, ainda que efetuado espontaneamente, sujeitava o contribuinte à aplicação da multa de oficio, prevista no art. 44 da Lei n.° 9.430/96, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Agora, porém, o pagamento do tributo, desacompanhado da penalidade pelo recolhimento intempestivo, submete o contribuinte, exclusivamente, à cobrança, ex officio, da multa moratória não recolhida, que, assim, deve ser objeto de lançamento para tanto formalizado." Fl. 271DF CARF MF 6 Como já mencionado, em data de 29/12/2000 a Contribuinte apresentou a Denúncia Espontânea referente ao recolhimento parcial do IPI, acrescido de juros moratórios, uma vez que havia aplicado incorretamente a classificação fiscal, momento em que comprovou o recolhimento realizado em data de 28/12/2000 (efls. 89), o que foi reconhecido pelo Auditor Fiscal. O instituto da denúncia espontânea é caracterizado pela conduta do contribuinte antecipada a qualquer ato administrativo por parte da autoridade competente, resultando no benefício do recolhimento apenas do montante principal, acrescido de juros de mora e sem incidência da multa. O artigo 138 do Código Tributário Nacional assim prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração . Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração . Destaco o posicionamento do ilustre Doutrinador Paulo de Barros Carvalho1: Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade”(art. 138, parágrafo único). Outrossim, em sentido contrário ao entendimento apresentado em Despacho Decisório, mantido pela Colenda Turma Julgadora a quo, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional proferiu o ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 04/2011, originado de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça2, o que fez nos seguintes termos: “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional”. Ademais, a matéria em análise foi pacificada perante o Superior Tribunal de Justiça em julgamento ao Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/0134142 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 1999, p.473 2 REsp 922.206, rel. min. Mauro Campbell Marques; REsp 1062139, rel. min. Benedito Gonçalves; REsp 922842, rel. min. Eliana Calmon; REsp 774058, rel. min. Teori Albino Zavascki e AGRESP 200700164263, rel. min. Humberto Martins. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 19647.005916/200500 Acórdão n.º 3402006.778 S3C4T2 Fl. 270 7 4), de relatoria do Eminente Ministro Luis Fux, transitado em julgado em data de 30/08/2010, proferido em regime de repercussão geral com a seguinte Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do Fl. 273DF CARF MF 8 tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com relação a análise sobre a configuração do instituto da denúncia espontânea, colaciono o v. Acórdão nº 1401001.716, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado por unanimidade nos termos do voto do Ilustre Conselheiro Relator Ricardo Marozzi Gregorio: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. HIPÓTESE CONFIGURADORA. Conforme decidido no REsp nº 1.149.022/SP, na sistemática dos recursos repetitivos, (i) quando o contribuinte declara o tributo e não efetua o pagamento no vencimento, mas o faz (acompanhado dos juros de mora) antes de iniciado o procedimento fiscal, não se trata de denúncia espontânea, sendo exigível, portanto, a multa de mora (cf. Súmula nº 360 do STJ); e (ii) quando o contribuinte declara o tributo de forma parcial e subsequentemente (antes de iniciado o procedimento fiscal) retifica a declaração, noticiando e quitando concomitantemente a diferença informada (acompanhada dos juros de mora), configurase a denúncia espontânea em relação à correspondente infração, sendo, portanto, descabível a exigência de qualquer multa (de mora ou de ofício). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. QUITAÇÃO. Para efeitos do que foi decidido no REsp nº 1.149.022/SP, na sistemática dos recursos repetitivos, caracterizase a quitação, que dá ensejo à denúncia espontânea, nos casos de compensação declarada até a apresentação da correspondente declaração retificadora. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 274DF CARF MF Processo nº 19647.005916/200500 Acórdão n.º 3402006.778 S3C4T2 Fl. 271 9 No mesmo sentido se posiciona a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do v. Acórdão 9303008.423, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, proferido com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Portanto, nos termos do artigo 62, inciso II, alínea "a" do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, aplicase a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento ao Resp nº 1.149.022 SP, motivo pelo qual deve ser dado provimento ao recurso para exonerar o crédito tributário lançado a título de multa de mora. 3. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002588/2010-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
NULIDADE. VICIO FORMAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS SECUNDÁRIOS À CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR.
Ocorrendo simulação por meio da criação de pessoa jurídica interposta com o intuito exclusivo de reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias, está caracterizado o motivo do lançamento e a existência real de fato gerador do tributo não adimplido pelo contribuinte, razão pela qual eventuais falhas do lançamento devem ser classificadas como vícios de natureza formal.
Numero da decisão: 9202-008.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício concernente à demonstração do vínculo de emprego e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento para declarar o vício formal em relação aos levantamentos SR, SR1, AM e AM1., vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício concernente à demonstração do vínculo de emprego e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento para declarar o vício formal em relação aos levantamentos SR, SR1, AM e AM1., vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. NULIDADE. VICIO FORMAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS SECUNDÁRIOS À CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR. Ocorrendo simulação por meio da criação de pessoa jurídica interposta com o intuito exclusivo de reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias, está caracterizado o motivo do lançamento e a existência real de fato gerador do tributo não adimplido pelo contribuinte, razão pela qual eventuais falhas do lançamento devem ser classificadas como vícios de natureza formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício concernente à demonstração do vínculo de emprego e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento para declarar o vício formal em relação aos levantamentos SR, SR1, AM e AM1., vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 88 /2 01 0- 98 Fl. 1123DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier. Relatório Trata-se de Auto de Infração por meio do qual são exigidas contribuições previdenciárias, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (DEBCAD: 37.281.419-0), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2006 a 10/2009. Conforme Relatório Fiscal de fls. 58/83, constata a prática de simulação empresarial pela utilização de pessoa jurídica inscrita no Simples no intuito de camuflar fato gerador de Contribuição Previdenciária, foram feitos os seguintes levantamentos: 1) FP Folha de Pagamento – Remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, a título de pró-labore e serviços prestados, constantes das folhas de pagamentos, recibos e notas fiscais de serviços, não declaradas em GFIP’s, no período de 03/2009 a 04/2009; 07/2009 a 08/2009 e 10/2009; 2) CT e CT1 Contabilidade Remunerações pagas e/ou creditadas aos sócios gerentes através de faturas de cartões de crédito, consideradas indevidamente pela empresa como sendo despesas de viagens lançadas na Contabilidade, "conta 03060018", e atribuídas pela fiscalização aos sócios a título de pró-labore, no período de 01/2006 a 01/2008; 03/2008 e 04/2008, por se tratar de despesas pessoais dos mesmos, não declaradas em GFIP’s; 3) SR e SR 1 – Arbitrados Oxiplasma Serviços Remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, a título de pró-labore e serviços prestados, constantes das folhas de pagamentos, recibos e notas fiscais de serviços, formalmente registrados na OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO AS INDÚSTRIAS, CNPJ 01.972.765/000156, que efetivamente laboraram na ora autuada, caracterizados, por esta fiscalização, para fins previdenciários, como vinculados a empresa OXIPLASMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 75.455.873/000198, no período de 01/2006 a 08/2008, não declaradas em GFIP’s; 4) AM e AM1 – Salários Antônio Morini Remunerações arbitradas e atribuídas ao segurado empregado ANTONIO MORINI, formalmente registrado na OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO AS INDÚSTRIAS LTDA, que efetivamente laborou na ora autuada, caracterizado, por esta fiscalização, para fins previdenciários, como segurado da empresa OXIPLASMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 75.455.873/000198, apurado com base em informações da Ação Trabalhista 0545/2010, não declarado em GFIP, no período de 01/2006 a 08/2008; Após o trâmite processual a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a preliminar de nulidade do lançamento por vício formal, e no mérito determinar a exclusão das exigências relativas aos levantamentos SR, SR1, AM, AM1, CT e CT1. No entendimento do Colegiado, a mera desconsideração da pessoa jurídica inscrita no Simples sob a fundamentação de simulação não é suficiente para gerar uma automática vinculação entre os segurados empregados e contribuintes individuais dessa com a Fl. 1124DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 empresa autuada, devendo haver provas acerca dos elementos que compõem a relação de emprego e ainda da prestação do serviço no caso da mão de obra contratada sob outro vínculo. Foi ainda destacado que quanto ao levantamento CT e CT1, deveria a fiscalização ter demonstrado que as despesas com viagens não estriam abrangidas pela regra excepcional do art. 28, § 9°, alínea “h”, da Lei n° 8.212/91. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. EXIGÊNCIA DEMONSTRAÇÃO/COMPROVAÇÃO PRESSUPOSTOS RELAÇÃO LABORAL. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. PESSOA JURÍDICA DESCONSIDERADA. VINCULAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A OUTRA EMPRESA. NECESSIDADE COMPROVAÇÃO RELAÇÃO. A vinculação dos segurados empregados e contribuintes individuais registrados formalmente na pessoa jurídica desconsiderada a outra empresa, depende, necessariamente, da comprovação dos requisitos do vínculo laboral, no caso de empregados, e da efetiva relação entre o prestador de serviço, contribuinte individual, e a empresa que será responsável pelo recolhimento dos tributos eventualmente devidos, incidentes sobre as remunerações daqueles funcionários. No mínimo, mesmo admitindo-se uma demonstração genérica da relação empregatícia, impõe-se listar os segurados empregados e contribuintes individuais que estão sendo vinculados de ofício à terceira pessoa jurídica, informando os serviços que foram prestados, sobretudo de maneira a oferecer condições ao exercício pleno da ampla defesa e do contraditório. VERBA DENOMINADA DESPESAS DE VIAGENS. AUSÊNCIA MOTIVAÇÃO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 1125DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 De conformidade com o disposto no artigo 28, § 9°, alínea “h”, da Lei n° 8.212/91, os valores concedidos aos segurados a título de despesas com viagens, conquanto que não excedam a 50% da remuneração mensal, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não tendo a autoridade lançadora se desincumbido do ônus de comprovar que a verba intitulada despesa de viagens se reveste da natureza remuneratória, a partir de esclarecimentos solicitados à contribuinte, na forma que exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional, impõe-se reconhecer a improcedência de aludida rubrica, em face de vício de motivação. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimada da decisão a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial devolvendo a discussão dos seguintes temas: 1) Da divergência quanto à caracterização de segurados da empresa fiscalizada diante da constatação de simulação na criação da empresa em que formalmente registrados: Esclarece a recorrente que o Colegiado a quo ao decidir pela exclusão dos levantamentos SR, SR1, AM, AM1, sob o entendimento de que a fiscalização não demonstrou vínculo empregatício dos segurados da prestadora de serviços, criada de forma simulada para redução de encargos tributários por meio de sua inscrição no SIMPLES, contrariou entendimento externado no acórdão paradigma nº 2302-003.215, segundo o qual a simulação na utilização de empresa interposta, criada com o intuito de se beneficiar do sistema de tributação menos oneroso do SIMPLES, por si só, basta para vincular os segurados nela registrados à tomadora de serviços. 2) Da divergência quanto à natureza do vício concernente à demonstração do vínculo de emprego: para Recorrente o encaminhamento pela improcedência dos levantamentos SR/SR1, AM/AM1 pelo fato da autoridade fiscal não ter demonstrado suficientemente o vínculo de emprego dos segurados com o contribuinte, como se o motivo da autuação nunca tivesse existido, é contrária ao entendimento do acórdão paradigma nº 2302-00.308, o qual concluiu pela caracterização de vício formal nestes casos. 3) Dos levantamentos CT e CT1: O colegiado a quo decidiu excluir os levantamentos CT e CT1 do lançamento, por entender que o fato gerador não estaria demonstrado neste ponto, entendimento que para Recorrente é divergente daquele descrito no acórdão paradigma nº 2302-01.621, o qual esclarece que a ausência de evidenciação do fato gerador implica em nulidade por vício formal. O despacho de admissibilidade (fls. 1084/1090) deu seguimento parcial ao Recurso Especial, admitindo a rediscussão das matérias descritas nos itens 2 e 3. O contribuinte foi cientificado do Acordão e do Recurso Especial interposto pela Procuradoria Nacional e esgotado o prazo o mesmo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1126DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Do Conhecimento: Antes de entrarmos no mérito, julgo pertinente reavaliar o cumprimento dos requisitos essenciais ao conhecimento do recuso. Conforme exposto, trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra parte da decisão recorrida que julgou improcedente o lançamento por ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador. O recurso devolve a este Colegiado a discussão sob dois prismas. No primeiro caso, o qual envolve a divergência acerca da ausência de comprovação do fato gerador relacionada a não comprovação do vinculo entre os segurados e a empresa autuada (levantamentos SR/SR1, AM/AM1), defende a recorrente que auto de infração padece de vício formal, condição que permitira novo lançamento, e para tanto foi citado como paradigma o acórdão 2302-00.308. Quanto a segunda matéria do recurso, novamente defende a recorrente haver vício formal quando inexiste comprovação do fato gerador. Para o acórdão recorrido os levantamentos CT e CT1 do lançamento deveriam ser excluídos porque o auditor não demonstrou o descumprimento ao art. 28, § 9°, alínea “h”, da Lei n° 8.212/91. Cita como paradigma o acórdão paradigma nº 2302-01.621. O recurso é baseado no art. 67 do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Trata-se de recurso com cognição restrita, não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Assim, para caracterização de divergência interpretativa exige-se como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. No caso da segunda divergência essa formalidade não foi observada. Da leitura do inteiro teor do citado acórdão paradigma 2302-01.621, considerando os termos do voto vencedor, é possível perceber que o vício motivador da decretação da nulidade por vício formal está ligado a ausência de comprovação dos requisitos ensejadores à adoção da regra do arbitramento para fixação da base de cálculo. Naquele caso concreto é exigido do Contribuinte diferença de contribuições apuradas em razão de o auditor fiscal ter entendido que a Fl. 1127DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 mão de obra constante das folhas de pagamento da notificada não espelhava a realidade. Com este cenário, o voto vencedor assim se manifestou: O fisco diz ser impossível a execução do serviço contratado utilizando a mão de obra constante da folha de pagamento, informada em GFIP e contabilizada, e, como elemento de convencimento, se baseou na divisão do valor do salário dos empregados pelo valor das notas de prestação de serviço, o que resultou num percentual de 10%. ... Todavia, peço vênia para discordar do voto proferido pelo Conselheiro Relator, porque entendo que não restou demonstrado no relatório fiscal os motivos que ensejaram a aferição indireta. O relatório bem explicita quando pode e deve ser utilizada a aferição indireta para a apuração do crédito tributário, mas não restou demonstrado quais os vícios existentes na contabilidade da recorrente para que a mesma fosse desconsiderada e o débito lançado indiretamente. Ainda é de se notar que os serviços prestados se referem a manutenção de equipamentos, quando o relatório fiscal refere-se a serviços prestados em obra de construção civil, inclusive embasando a aferição no artigo 427, da Instrução Normativa SRP n.º 03/2005, que trata dos percentuais a serem utilizados em obra de construção civil. Entendo que não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da imprestabilidade da contabilidade do contribuinte. ... A recorrente comprova com folhas e recibos de pagamento de salário a mão de obra utilizada e o fisco não demonstrou de forma efetiva e convincente a necessidade ou a existência de mais obreiros não registrados ou contabilizados para efetivar a prestação de serviço. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da escrita contábil possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração dos tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a real situação da empresa no período analisado. Da forma, com base nos elementos trazidos pelo fisco para proceder à aferição indireta, não restou demonstrado que a contabilidade da recorrente fosse imprestável e merecesse ser desconsiderada como elemento de prova a seu favor. Observamos, portanto, que o ponto fulcral do entendimento do Colegiado pela existência de vício formal foi o fato do auditor não ter motivado e explicado o porquê da aplicação do arbitramento, afinal inexistiu qualquer apontamento que desabonasse a contabilidade da empresa. Já, no acórdão recorrido a improcedência do lançamento foi motivada pela ausência de comprovação pelo auditor fiscal de que os valores pagos aos segurados a título de diárias de viagens excederiam o percentual de 50% fixados pelo art. 28, §9º, alínea ‘h’ da Lei nº 8.212/91. Assim consta do voto ora enfrentado: Fl. 1128DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 Como se observa, as importâncias concedidas aos funcionários da empresa tendentes a cobrir despesas de viagens, desde que não excedam a 50% da remuneração mensal, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Neste sentido, por ocasião da ação fiscal, uma vez constatando o pagamento de verbas dessa natureza aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa, cabe à fiscalização intimar à contribuinte a explicitar a razão de tais pagamentos, impondo, ainda, a demonstração de que o valor concedido àquele título, de fato, ultrapassa a limitação legal de 50% da remuneração, o que afastaria a hipótese de não incidência acima elencada. In casu, o fiscal autuante em seu Relatório Fiscal, notadamente no item 72.3, de fl. 80, limitou-se a fundamentar a tributação de tais valores nos seguintes termos: “[...] 72.3 As remunerações pagas e/ou creditadas aos sócios gerentes Henrique Carlos Kohler e Maria Augusta Medeiros, através de faturas de cartões de crédito, consideradas indevidamente pela empresa como sendo despesas de viagens lançadas na Contabilidade, "conta 03060018", e atribuídas pela fiscalização aos sócios a título de prólabore, no período de 01/2006 a 01/2008; 03/2008 e 04/2008, por se tratar de despesas pessoais dos mesmos, não declaradas em GFÍP"s, constantes dos Levantamentos de débito denominado" CT e CT1 Contabilidade [...]”. ... Dessa forma, com a devida vênia, o nobre fiscal autuante não logrou comprovar que as verbas pagas a título de Despesas com Viagens têm efetivamente natureza salarial. Não se verifica em nenhuma linha do Relatório Fiscal indagação a respeito da razão para o pagamento de aludida rubrica, os valores, etc. Neste ponto, aliás, convém registrar que a contribuinte em nenhum momento se furtou de apresentar suas justificativas quando instada pela fiscalização para tanto, como se extrai do bojo do Relatório Fiscal. Ora, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos analisados são bem distintas, não permitindo afirmar que o Colegiado paradigmático classificaria o vício apontado no acórdão recorrido como vício de natureza formal. Diane do exposto, conheço em parte do recurso da Fazenda Nacional, apenas quanto a divergência intitulada “divergência quanto à natureza do vício concernente à demonstração do vínculo de emprego”. Do mérito: Analisando o mérito da parte conhecida, acolho as razões recursais para entender pela existência de vício formal para os levantamentos SR/SR1 e AM/AM1, e o faço adotando como razões de decidir entendimento externado na declaração de voto apresentada pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, juntada às fls. 1028/1030: O objetivo dessa declaração de voto, é deixar clara a posição desta relatora, quanto ao entendimento de que a ausência de descrição eficaz dos elementos que descrevem a ocorrência do fato gerador, do sujeito passivo, ou mesmo da descrição que levam a formação do vínculo de emprego com a empresa tomadora dos serviços, sempre que a Fl. 1129DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 contratação mediante empresas interpostas face de forma indevida não leva a improcedência da autuação, mas a sua nulidade por vício formal, como passo a explicar. A autoridade fiscal em seu relatório assim, descreveu o fato gerador, conforme descrito no relatório desse voto: “De acordo com o Relatório Fiscal, relativamente aos Levantamentos SR, SR1, AM e AM1, a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., considerando os seus segurados empregados e contribuintes individuais como, de fato, vinculados à autuada, diante da constatação de simulação, evasão e elisão fiscal na constituição da pessoa jurídica desconsiderada, com propósito exclusivo de se beneficiar de sistema de tributação menos oneroso – SIMPLES (até 31/08/2008), não possuindo endereço ou estrutura própria, ocupando o mesmo domicílio da autuada, cujos sócios também compõe o seu quadro societário. Ressalta que a empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., ora desconsiderada, não possui em sua contabilidade nenhum pagamento a título de despesas de manutenção, tais como aluguel e condomínio, água, energia elétrica, telefone, honorários, etc. Informa, ainda, que após a exclusão do SIMPLES, a OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA. transferiu todo seu quadro de empregados para a autuada, reforçando a tese que, de fato, sempre estiveram vinculados a esta. Conclui que os fatos narrados pelo Sr. Antonio Morini, nos autos da Reclamatória Trabalhista n° 0545/2010, associados ao acordo formalizado entre as partes, demonstram que a contabilidade das empresas sob análise não espelha a realidade econômica e financeira da autuada, o que ensejou a desconsideração de sua escrita contábil e o levantamento das contribuições previdenciárias por arbitramento, nos termos do artigo 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91.” Ou seja, para que se vincule os segurados de terceira empresa que supostamente preste serviços a autuada, deverá o auditor valer-se de diversos elementos que demonstrem não apenas a ausência de autonomia financeira e administrativa, como a ingerência da tomadora sob os trabalhadores da contratada. Estando presente, por exemplo a ausência de autonomia, como evidente no presente caso, compete a autoridade fiscal, intimar a empresa, ou mesmo valer-se de outros elementos que corroborem a sua conclusão, trazendo esses elementos para o relatório fiscal. No presente caso, entendo que falhou ao auditor melhor elucidar a questão, para que o presente Auto de infração, consubstanciado em fatos concretos, indicasse da forma devida a ocorrência do fato gerador. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento em relação aos levantamentos que envolveram a contratação de empresa interposta de forma indevida. Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria a exclusão dos levantamentos por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Fl. 1130DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. Na verdade, entendo, que o vício material, acima descrito, que é a não comprovação do fato gerador confunde-se com a própria improcedência do lançamento, o que não se aplicaria num primeiro momento ao presente caso, onde , observa-se que houve efetivamente a contratação indevida mediante empresa interposta, mas falhou o auditor ao elucidar como se deu a contratação, ou mesma a ingerência da autuada sobre os empregados. Assim, considerando não ser mais objeto de discussão a existência de simulação por meio da criação de pessoa jurídica interposta com o intuito exclusivo de reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias, está caracterizado o motivo do lançamento e a existência real de fato gerador do tributo não adimplido pelo contribuinte, razão pela qual eventuais falhas do lançamento devem ser classificadas como vícios de natureza formal. Conclusão: Diante do exposto conheço em parte do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe provimento para declarar o vício formal em relação aos levantamentos SR, SR1, AM e AM1. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1131DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-008.058 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10920.002588/2010-98 Fl. 1132DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903698/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2011
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.552
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 36 98 /2 01 4- 17 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11020.903698/201417 Acórdão n.º 3401006.552 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.007408/2007-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se a necessária similitude fática, é de se estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DIREITO DE USO E EXPLORAÇÃO DE FLORESTAS. ATIVO IMOBILIZADO. AMORTIZAÇÃO. PAGAMENTO DO CONTRATO. NÃO CONFUSÃO COM COMPRA DE MATÉRIAS-PRIMAS. CARACTERIZAÇÃO PELO CONTRATO DE CESSÃO DE DIREITOS E PELA NOTA FISCAL DE SAÍDA E ENTRADA EM NOME DO CONTRIBUINTE.
A aquisição do uso e exploração de florestas deve ser classificada no Ativo Imobilizado, sofrendo a incidência da perda de valor no tempo pela amortização, tendo em vista que o contrato de cessão tem prazo determinado e valores pré-definidos, que prevê hipótese de pagamento independentemente da quantidade das madeiras colhidas, em respeito ao princípio contábil da competência. Por isso, o pagamento da cessão de direitos não pode ser confundido com aquisição de matérias-primas, as quais já estavam incluídas no contrato de uso e exploração de florestas, demonstrado pela operação jurídica e pela emissão de nota fiscal de produtor, de saída das madeiras das florestas, e de entrada no estabelecimento industrial em nome e CNPJ do contribuinte.
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-009.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que conheceram parcialmente do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial apenas em relação à exclusão das receitas decorrentes da cessão do ICMS, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SIMILITUDE FÁTICA. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se a necessária similitude fática, é de se estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DIREITO DE USO E EXPLORAÇÃO DE FLORESTAS. ATIVO IMOBILIZADO. AMORTIZAÇÃO. PAGAMENTO DO CONTRATO. NÃO CONFUSÃO COM COMPRA DE MATÉRIAS-PRIMAS. CARACTERIZAÇÃO PELO CONTRATO DE CESSÃO DE DIREITOS E PELA NOTA FISCAL DE SAÍDA E ENTRADA EM NOME DO CONTRIBUINTE. A aquisição do uso e exploração de florestas deve ser classificada no Ativo Imobilizado, sofrendo a incidência da perda de valor no tempo pela amortização, tendo em vista que o contrato de cessão tem prazo determinado e valores pré-definidos, que prevê hipótese de pagamento independentemente da quantidade das madeiras colhidas, em respeito ao princípio contábil da competência. Por isso, o pagamento da cessão de direitos não pode ser confundido com aquisição de matérias-primas, as quais já estavam incluídas no contrato de uso e exploração de florestas, demonstrado pela operação jurídica e pela emissão de nota fiscal de produtor, de saída das madeiras das florestas, e de entrada no estabelecimento industrial em nome e CNPJ do contribuinte. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa de créditos de ICMS provenientes de exportação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 74 08 /2 00 7- 61 Fl. 960DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que conheceram parcialmente do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial apenas em relação à exclusão das receitas decorrentes da cessão do ICMS, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep não cumulativo, vinculado às receitas de exportação, referente ao segundo trimestre de 2006, no valor originário de R$ 93.883,73. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF em Porto Alegre - RS emitiu o Despacho Decisório nº 213/2008, em 12/06/2008, pelo qual reconheceu em parte o direito creditório, no valor de R$ 17.504,33, em razão de glosas por gastos indiretos na atividade agrícola de florestamento, para posterior produção industrial de compensados de madeira e de lâmina de eucalipto. Além disso, foi elaborado ajuste da base dos créditos em razão da omissão de receitas sujeitas à contribuição em face da existência de cessão de créditos do ICMS em favor de terceiros. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 25/06/2008, às e-fls. 127 a 154, requerendo o reconhecimento da totalidade dos créditos originalmente solicitados. A 2ª Turma da DRJ/POA exarou o acórdão nº 10-21.013, em 18/09/2009, no qual, por unanimidade, considerou improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo para manter o lançamento. Resumidamente, se argumenta na decisão de piso que: Fl. 961DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 a aquisição do uso e exploração de florestas deve ser classificada no imobilizado, para amortização/exaustão; o contrato de cessão tem prazo determinado e valor predefinido; a depreciação/amortização de recursos adquiridos até 01/05/2004 somente pode ser utilizada para gerar crédito das contribuições até 31/07/200; e a cessão de ICMS caracteriza receita que deve compor a base tributável do PIS. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 24/11/2009, no qual, em resumo, alega: que a floresta não é sua e que somente adquire madeira e que a cessão de ICMS não é receita. Por isso pede a reforma da decisão de primeira instância. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 08/12/2010, resultando no acórdão nº 3301-00.755, que tem as seguintes ementas: CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. AQUISIÇÕES DE PRODUTOR RURAL As aquisições de insumos de produtores rurais, não-contribuintes do PIS, não geram créditos passíveis de desconto do valor dessa contribuição com incidência não-cumulativa, apurada e devida mensalmente. RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não-cumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO O saldo credor trimestral apurado exclusivamente pelo desconto indevido de créditos decorrentes de aquisições de insumos não- onerados pelo PIS do valor a pagar e, ainda, pela exclusão indevida da base e cálculo dessa contribuição das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de JCMS para terceiros não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento e/ou de compensação. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (Relator). A Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez deu provimento em relação à cessão de créditos de ICMS. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Recurso especial da contribuinte Fl. 962DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 Intimada (e-fl. 820) para ciência do acórdão em 03/07/2012 (e-fl. 821), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência, às e-fls. 823 a 834. Afirma a divergência com relação à duas matérias: 1) gastos com aquisição de insumos utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e 2) cessão de créditos de ICMS. Para primeira matéria, a contribuinte toma por paradigma o acórdão nº 3302- 00.436, o qual admite que todo e qualquer custo e despesa vinculado à receita de exportação gera direito à credito das contribuições, em frontal contraste com o recorrido que afirma a impossibilidade de tal creditamento quando os insumos não sejam onerados pelo PIS quando de seu fornecimento. Já no tocante à segunda matéria, o sujeito passivo esgrime o aresto paradigma de nº 3201-000.901, o qual afirma não serem formadores da base de cálculo da contribuição os valores correspondentes às transferências de ICM, por não se tratar de receitas, também em total desacordo com o disposto no acórdão recorrido. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, em 12/11/2015, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, dando-lhe seguimento quanto às duas matérias. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência da contribuinte em 1º/12/2015 (e-fl. 919), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 02/12/2015, às e-fls. 920 a 923, na qual invoca jurisprudência do CARF para requerer a negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte somente com relação à cessão do ICMS como receita a compor a base de cálculo das contribuições. Com relação aos gastos da atividade agrícola, penso que as situações fáticas enfrentadas no recorrido e no paradigma têm diferenças essenciais, o que impede a caracterização da divergência jurisprudencial. No recorrido, os gastos com a transferência do direito de exploração de florestas ou produção de madeira foram considerados inaptos para creditamento, por não serem valores sujeitos ao pagamento do PIS, não havendo como se creditar de valores que não foram pagos, por inexistência de valor cumulativo do tributo. Já o acórdão trazido como paradigma, gastos com insumos para produção de celulose foram considerados aptos ao creditamento. Fl. 963DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 Assim, entendo que com discussões diferentes não se pode afirmar que o colegiado responsável pelo acórdão paradigma, ao enfrentar a discussão posta no presente processo iria se manifestar de forma divergente, por isso voto pelo não conhecimento do recurso especial nesta matéria. Caso vencido quanto ao conhecimento, na sequência analisarei o mérito da questão. Mérito No tocante ao gastos com aquisição de insumos utilizados na produção ou fabricação de produtos, comungo do entendimento do voto vencedor no acórdão recorrido, e nego provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, haja vista que os gastos não correspondem a insumos passíveis de credito. Tal entendimento já se encontrava explicitado nas razões de decidir do voto condutor do acórdão de piso da DRJ/POA, pelo que as transcrevo: No caso em concreto, a aquisição pelo contribuinte do direito de uso e exploração das florestas da UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda. ocorreu em 21/02/2001, com vigência até 31/12/2014, no valor de US$ 32.000.000,00, devido à cessão integral do contrato desta Ultima com a empresa Kablin Riocell. Então, pelo princípio contábil da competência (art.177, caput, da Lei 6.404/1976), na data da aquisição é que deveria ser contabilizado o direito de uso e exploração das florestas, devendo ser classificado no ativo imobilizado, pelas razões retrocitadas. Posteriormente, deveria ser amortizado/exaurido o direito de uso e exploração pelo tempo de validade do contrato, de 21/02/2001 até 31/12/2014 (art.183, inciso V, da Lei 6.404/1976). O pagamento pelo uso e exploração das florestas, mais especificamente as toras classe "A", não afeta a forma de contabilização e apropriação dos custos, pois o regime de apuração é o de competência, não o de caixa. Aliás, a forma do cálculo do pagamento já evidencia que os direitos de uso exploração das florestas já estavam pré-definidos antes da colheita das toras classe "A", pois já havia o valor de pagamento mínimo anual de acordo com o volume anual programado contido no plano de colheita anual, independente da colheita ou não das toras classe "A". O ato/fato que torna inequívoco a conclusão que os direitos de uso c exploração das florestas foram adquiridos em 21/02/2001, da UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda., é a forma de emissão das notas fiscais referentes às toras classe "A". O contribuinte (Boise Cascade do Brasil Ltda, atual Aracruz Riograndense Ltda), conforme informações prestadas à Fiscalização e constante dos autos (Relatório da Fiscalização), colhe as toras classe "A" nos imóveis onde se situam as florestas e as envia para a industrialização através de nota fiscal do produtor, na espécie "transferência", no qual o emitente é o próprio contribuinte, com seu respectivo CNPJ. Na fábrica do contribuinte, recebe as toras e emite nota fiscal de entrada, na espécie "transferência para industrialização", no mesmo CNPJ Fl. 964DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 que enviou as toras colhidas dos imóveis onde se encontram as florestas. Ou seja, quem envia e recebe as toras classe "A" é o próprio contribuinte. Se a UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda, fosse a titular dos direitos sobre o uso e a exploração das florestas cedidas pela Klabin Riocell, deveria haver nota fiscal de venda das toras classe "A" para o contribuinte. Ocorre que como a UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda, cedeu integralmente seus direitos de uso e exploração das florestas anteriormente cedidas pela Klabin Riocell para o contribuinte desde 21/02/2001, não há razão para haver nota fiscal de venda de toras classe "A", pois não é mais titular dos direitos de uso e exploração das florestas. Não é demais lembrar que a nota fiscal é o instrumento, por excelência, da comprovação das transações de bens comercializados entre empresas, espelhando a legalidade da operação comercial/industrial, haja vista que se fundamenta em legislação estadual e federal. Diante do quadro definido das operações referentes ao uso e exploração das florestas pelo contribuinte, vamos analisar a forma de crédito de PIS e COFINS, ambos não cumulativos, incidentes sobre bens do ativo imobilizado, contidos nas Leis n° 10.637, de 30/12/2002, n° 10.833, de 29/12/2003 e n° 10.865, de 30/04/2004, abaixo transcritas, tendo em vista que as alterações posteriores não afetam o litígio em análise: (...) Logo, com verificamos acima, o direito o direito do Crédito da contribuição pelo contribuinte deveria incidir sobre a amortização do ativo imobilizado, desde que este estivesse devidamente contabilizado, seguindo as regras de escrituração comercial/fiscal e os princípios e normas contábeis. Como o contribuinte, equivocadamente, escriturou como compra de matéria-prima os pagamentos que realizava à empresa UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda, quando na realidade eram pagamentos pela cessão do uso e exploração de florestas, anteriormente cedidas (21/02/2001) e que deviam estar contabilizadas no ativo imobilizado e sofre amortização, não se pode conceder créditos ao contribuinte, visto que não estão corretamente contabilizados e escriturados, sendo obrigação do contribuinte sua fidedignidade. Ressalta-se ainda que a partir de 01/08/2004 não é mais possível obter créditos de depreciação e amortização de bens e direitos, classificados no ativo imobilizado, adquiridos antes de 01 de maio de 2004. Como a aquisição do direito de uso e exploração das florestas ocorreu em 21/02/2001, ele é alcançado pela disposição legal, não gerando, mesmo que estivesse corretamente contabilizado, créditos da contribuição a partir da data acima citada. Observa-se que o ato/fato UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda, recolher ou não a contribuição, no momento do Fl. 965DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 pagamento do contribuinte para esta, não altera o dever do contribuinte de cumprir suas obrigações tributárias nos moldes definidos em lei, devendo cada ente jurídico ser analisado separadamente. Todavia, relativamente às receitas por cessão de créditos de ICMS, há que se dar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo, pois em razão do disposto no § 2º do art. 62 1 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, a matéria recorrida já tem definição pelo decidido no RE nº 606.107/RS, interposto pela Fazenda Nacional, julgado em 22/05/2013, com repercussão geral, no STF o qual tem a seguinte ementa no tocante a ela: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I - Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar-lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supra-legal máxima efetividade. (...) VIII - Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicando-se aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543-B, § 3º, do CPC. Por essa razão, nego provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto à matéria. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer em parte do recurso especial de divergência da contribuinte para dar-lhe provimento apenas em relação à exclusão das receitas decorrentes da cessão do ICMS. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 966DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, redatora designada. Primeiramente, peço vênia ao ilustre Conselheiro relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que tanto admiro, para expor o entendimento direcionado pela maioria do colegiado para o conhecimento integral do recurso especial interposto pelo sujeito passivo – especificamente, nesse caso, pelo direito ao creditamento de PIS não cumulativo sobre todos os custos vinculados à receita de exportação. Entendemos por conhecer nessa parte, vez que cumpridos os requisitos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. Ora, o acórdão recorrido tratou da possibilidade de creditamento sobre direitos de exploração de florestas para a obtenção de toras de madeira, entendendo tratarem de aquisições de bens não sujeitos ao pagamento do PIS, aplicando a norma prevista no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.637/02. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma versou sobre o creditamento sobre despesas de implantação, manutenção e exploração de florestas ou produção de madeira para fabricação de celulose, admitindo o creditamento vinculado à receita de exportação, desde que legalmente admitido na forma prevista do art. 3º. Ou seja, no paradigma decidiu-se que as despesas incorridas para a produção própria de madeira ou sua aquisição de terceiros geraria direito a crédito. O que, por conseguinte, sendo as situações fáticas similares, é de se entender que a divergência foi comprovada. Nesses termos, com a devida vênia, votamos por conhecer o Recurso Especial nessa parte. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 967DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-009.110 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.007408/2007-61 Fl. 968DF CARF MF
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