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Numero do processo: 10840.000313/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INOBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não deve ser conhecido o recurso especial que descumpre os requisitos dispostos no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
A despeito de terem julgado questões semelhantes de formas distintas, o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotam o mesmo entendimento sobre o momento em que se aplica a isenção com base na comprovação da ocorrência de moléstia grave especificada em lei, qual seja, que o contribuinte fará jus a isenção na data em que expedido laudo médico oficial ou na data que este laudo indicar como sendo a do início da moléstia.
Numero da decisão: 9202-007.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INOBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não deve ser conhecido o recurso especial que descumpre os requisitos dispostos no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A despeito de terem julgado questões semelhantes de formas distintas, o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotam o mesmo entendimento sobre o momento em que se aplica a isenção com base na comprovação da ocorrência de moléstia grave especificada em lei, qual seja, que o contribuinte fará jus a isenção na data em que expedido laudo médico oficial ou na data que este laudo indicar como sendo a do início da moléstia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INOBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não deve ser conhecido o recurso especial que descumpre os requisitos dispostos no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A despeito de terem julgado questões semelhantes de formas distintas, o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotam o mesmo entendimento sobre o momento em que se aplica a isenção com base na comprovação da ocorrência de moléstia grave especificada em lei, qual seja, que o contribuinte fará jus a isenção na data em que expedido laudo médico oficial ou na data que este laudo indicar como sendo a do início da moléstia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 03 13 /2 00 7- 12 Fl. 195DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2801002.505 proferido pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 19 de junho de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 118: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção está condicionada ao reconhecimento da doença através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e se aplica aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos das despesas médicas questionadas, enseja a manutenção da glosa efetuada na ação fiscal, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado. Interposto o Recurso Especial anteriormente referido, fls. 133 a 162, admitido, por meio do Despacho de fls. 166 a 170, para rediscutir a questão atinente à moléstia grave retroatividade dos efeitos da isenção. Aduz o Contribuinte, em síntese, que: a) a decisão recorrida, ao manter a conclusão do auditor fiscal responsável pela análise da declaração de renda que deu origem ao auto de infração ora impugnado, considerando a omissão de receitas, os rendimentos auferidos no mês de janeiro de 2002, deu interpretação literal e fria ao texto legislativo, desconsiderando a situação jurídica e de fato demonstrada nos autos; Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10840.000313/200712 Acórdão n.º 9202007.184 CSRFT2 Fl. 3 3 b) equivocado o entendimento adotado para embasar o lançamento fiscal ora impugnado, haja vista que o contribuinte solicitou a realização da referida perícia, para constatação de que já era portador de cardiopatia grave, em 13 de dezembro de 2001, consoante requerimento encaminhado à Diretora do Departamento de Saúde da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo; e) a préexistência da doença, anteriormente ao ano de 2002, restou fartamente comprovada por documentos idôneos apresentados nestes autos, sendo ilógico que alguém apresentaria requerimento para realização de perícia médica para finde de comprovação de patologia grave, visando isenção de imposto, se não estivesse acometido de referida doença; f) uma vez reconhecida a existência da patologia grave prevista na norma de isenção, independentemente do mês em que elaborado o laudo médico, seus efeitos devem retroagir a todo ano fiscal da emissão do laudo, em razão da anualidade que norteia o imposto de renda. Intimada, a Procuradoria da Fazenda contrarrazões, fls 189 e seguintes, na qual sustenta, me síntese: a) recorrente não logrou êxito na demonstração da divergência jurisprudencial; b) despeito do acórdão paradigma e do acórdão recorrido tratarem de casos semelhantes e dos resultados dos julgamentos terem sido distintos, não existe no caso divergência na interpretação da legislação, pelo contrário, o entendimento dos colegiados é idêntico, tendo o resultado dos respectivos julgamentos sido distinto em razão de diferenças no conjunto probatório trazido aos autos; c) nos termos do art. 111, II, do CTN, a lei que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, ou seja, o benefício aqui invocado não pode ser estendido a quem não preencha os requisitos exigidos pela lei que o concede; d) conforme decidiu a turma a quo o art. 30, da Lei nº 9.250/95 exige a comprovação da moléstia grave por laudo médico oficial, entendida essa exigência inclusive quanto à comprovação da sua data de início, sendo que esse marco deve ser aposto de maneira clara e específica no referido laudo. É o relatório. Voto Fl. 197DF CARF MF 4 Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Alega a Recorrida a ausência de demonstração da divergência jurisprudencial, tendo em vista que, a despeito do acórdão paradigma e do acórdão recorrido tratarem de casos semelhantes e dos resultados dos julgamentos terem sido distintos, não existe no caso divergência na interpretação da legislação, pelo contrário, o entendimento dos colegiados é idêntico, tendo o resultado dos respectivos julgamentos sido distinto em razão de diferenças no conjunto probatório trazido aos autos. Assiste razão à Procuradoria da Fazenda em seus argumentos, pois o acórdão recorrido consignou o entendimento de que a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data de emissão do laudo oficial que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando esta for identificada no laudo, consoante se observa do seguinte fundamento: Portanto, no presente caso, não há como reconhecer o pleito formulado na peça de defesa, pois embora não perdurem dúvidas quanto à natureza dos rendimentos em destaque, tratandose de proventos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte, verificase que o Laudo emitido em 12/04/2002 por junta médica especializada da Divisão de Perícias Médicas da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, à fl. 18 dos autos, informa “18/02/2002” como data em que foi constatada a moléstia grave ali especificada (CID I 10 +I 25). Deste modo, a isenção suscitada não alberga rendimentos que tenham sido percebidos pelo recorrente anteriormente a fevereiro de 2002. Da mesma maneira, o acórdão paradigma reconheceu o direito à isenção a partir da data em que os laudos oficiais atestam que a moléstia acometeu o Contribuinte, como se extrai do trecho abaixo transcrito (Acórdão 10249.292): Assim, embora os pareceres técnicos e laudo oficial que atestaram a moléstia que acometeu o contribuinte apontem que a doença teve início em janeiro de 2001, somente a partir de 15/07/2002, o Recorrente passou a receber rendimentos na qualidade de Coronel Reformado. Portanto, diante da ausência de divergência jurisprudencial acerca do tema, não conheço do recurso especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10840.000313/200712 Acórdão n.º 9202007.184 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721065/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não cabe a interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instâncias que julgou procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido.
Numero da decisão: 2401-005.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe a interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instâncias que julgou procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ALCINDO DOMINGUES DE MIRANDA BARRETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe a interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instâncias que julgou procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 35.560,97, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 21/25), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2008, ano calendário de 2007, em virtude de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de ação judicial federal perpetrada contra o INSS para revisão de aposentadoria, no valor de R$ 157.525,03, já deduzido os honorários advocatícios. Na apuração do imposto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 10 65 /2 01 2- 61 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13819.721065/201261 Acórdão n.º 2401005.745 S2C4T1 Fl. 153 2 devido foi considerado o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos de R$ 5.863,21. Em impugnação apresentada às fls. 2/20, o contribuinte alega que não incide imposto de renda sobre benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, pois têm natureza indenizatória. Que deveriam ser aplicadas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos. A DRJ/SPO julgou procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido, conforme acórdão 1671.059 de fls. 99/105, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE DE JULGAMENTO. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais e administrativas em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. No processo administrativo fiscal, são nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades, incorreções ou omissões não implicam em nulidade do lançamento e podem ser sanadas, se o sujeito passivo restar prejudicado. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recurso Extraordinário sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade da forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente prevista no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, segundo o regime de caixa. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Cientificado do Acórdão em 7/3/16 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 108), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 6/4/16, fls. 112/116, no qual pede a restituição do IRRF no valor de R$ 5.863,21. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13819.721065/201261 Acórdão n.º 2401005.745 S2C4T1 Fl. 154 3 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE Em que pese o recurso voluntário ter sido oferecido no prazo legal, ele não pode ser conhecido. No caso, a decisão de primeira instância deu provimento à impugnação, cancelando o crédito exigido. Não foi apresentado recurso de ofício, pois o valor exonerado é inferior ao limite de alçada. Logo, transitou em julgado a decisão ora recorrida. Assim, falta interesse processual ao recorrente, já que não há mais crédito tributário em litígio. Quanto ao eventual direito à restituição, deve ser objeto de processo específico de pedido de restituição. Sendo assim, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16048.720399/2014-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto.
PRAZO PARA RECURSO VOLUNTÁRIO. OBTENÇÃO DE CÓPIA DO PROCESSO POR MANDATÁRIO. RECURSO APRESENTADO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
É perempto e não deve ser conhecido, o recurso apresentado intempestivamente, quando o mandatário obteve - pessoalmente - cópia integral do processo.
Numero da decisão: 2402-006.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. PRAZO PARA RECURSO VOLUNTÁRIO. OBTENÇÃO DE CÓPIA DO PROCESSO POR MANDATÁRIO. RECURSO APRESENTADO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É perempto e não deve ser conhecido, o recurso apresentado intempestivamente, quando o mandatário obteve - pessoalmente - cópia integral do processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
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PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. PRAZO PARA RECURSO VOLUNTÁRIO. OBTENÇÃO DE CÓPIA DO PROCESSO POR MANDATÁRIO. RECURSO APRESENTADO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É perempto e não deve ser conhecido, o recurso apresentado intempestivamente, quando o mandatário obteve pessoalmente cópia integral do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 8. 72 03 99 /2 01 4- 46 Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 16048.720399/201446 Acórdão n.º 2402006.484 S2C4T2 Fl. 5.341 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi emitido Despacho Decisório em 24.12.2014, para cobrança de débitos indevidamente compensados, a seguir resumidos. Ao longo do procedimento fiscal, conforme atesta o excerto a seguir, o sujeito passivo não apresentou qualquer prova na qual seu pretenso crédito pudesse se alicerçar. Vejamos: Fl. 5341DF CARF MF Processo nº 16048.720399/201446 Acórdão n.º 2402006.484 S2C4T2 Fl. 5.342 3 Regularmente intimado, apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 4811/4820. Em seu Recurso Voluntário às fls. 5050/5065 aduz, em apertadíssima síntese, que as unidades da RFB têm homologado o auto enquadramento do RAT à alíquota de 1%.; Prossegue, quanto ao mérito, ao fazer referência a várias "pastas", sem ser claro quanto ao que se aplicaria ao caso dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 09.03.2017, mediante obtenção de cópia do processo (fls. 4823) e apresentou intempestivamente seu Recurso Voluntário em 21.08.2017. Em 23.02.2017, o sujeito passivo propôs Ação Anulatória de Débito Fiscal com Pedido de Antecipação de Tutela, tombada sob o nº 000043714.2017.4.03.6115, acostada às fls. 4864/4951. A exposição dos fatos aponta para a coincidência da matéria com a aqui tratada. Confirase: Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 16048.720399/201446 Acórdão n.º 2402006.484 S2C4T2 Fl. 5.343 4 Dentre os pedidos, após sustentar a natureza indenizatória de determinadas verbas e seu reenquadramento na alíquota GILRAT, pugnou pela anulação dos débitos controlados nestes autos, ainda que, efetivamente, não houvesse detalhado, um a um, os pretensos créditos utilizados nas compensações que pretendeu. Confirase: Com intuito apenas de fazer constar, já houve sentença prolatada nos autos judiciais acima (em 24.11.2017), que, após analisar o mérito, julgou improcedente o pedido. 1 Sobre o tema, trago à colação a Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovada e divulgada pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010 (publicada no DOU de 23 de dezembro de 2010, Seção I, fls. 87 a 90 e retificada no DOU de 12 de janeiro de 2011, Seção I, fl. 44), de aplicação obrigatório por este colegiado: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (destaquei) Com feito, além de sua intempestividade, vejo como idêntico o objeto tratado neste procedimento e aquele levado à justiça, razão pela qual, VOTO por NÃO CONHECER do recurso apresentado. 1 http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/ Fl. 5343DF CARF MF Processo nº 16048.720399/201446 Acórdão n.º 2402006.484 S2C4T2 Fl. 5.344 5 Restituase o feito à unidade preparadora para prosseguimento da cobrança, manutenção da suspensão do crédito tributário ou sua extinção, a depender do andamento/resultado da ação proposta. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 5344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.906118/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, devese homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 61 18 /2 00 8- 02 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.906118/200802 Acórdão n.º 3401005.186 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu em parte o direito creditório, considerando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 24/11/2003, transmitiu PER/DCOMP nº 40180.98974.241103.1.3.040006 declarando a compensação de débito de COFINS no valor de R$ 100,03 mais multa de R$ 2,64 totalizando R$ 102,67 do período de apuração 10/2003, com crédito de PIS/PASEP recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 01/2003, na data de 14/02/2003. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 12/08/2008 (eFls.2), pela não homologação da compensação declarada, argumentando que: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), requerendo a extinção do crédito tributário objeto da compensação sob análise, demonstrando e comprovando que há a disponibilidade do crédito utilizado: a) que realizou o pagamento via DARF (efls.52/53) de contribuição para o PIS/PASEP cód. 8109, no valor de R$ 30.106,98 na data de 14/02/2003 do Período de Apuração 31/01/2003; b) que na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora para o período 1º Trimestre/2003 (efls.54), declarando um débito apurado de PIS – Faturamento para o Período 01/2003 no valor de R$ 19.365,59; c) na data de 07/11/2003, transmitiu Dcomp nº 10399.64671.071103.1.3.049020 vinculando o débito de valor R$ 19.365,59 com o crédito de R$ 30.106.98 o que seria desnecessário, bastando vincular o pagamento via DARF ao débito declarado; d) junta como Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.906118/200802 Acórdão n.º 3401005.186 S3C4T1 Fl. 4 3 prova, além da DCTF retificadora, demonstrativos contábeis (livro razão – efls.103 a 105) que atestam a procedência do crédito utilizado; e) pede considerações ao fato da recentíssima aprovação, à época, do programa na versão 1.1 da PER/DCOMP, através da IN SRF nº 360, de 24/09/2003, quando muitas dúvidas gravitaram em torno desse procedimento; f) tratandose de erro formal, pela desnecessária apresentação de PER/DCOMP nº 10399.64671.071103.1.3.04 9020, deve prevalecer o princípio da verdade material, como se depreende de diversos julgados do CARF e também, do Poder Judiciário. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade. Trata inicialmente, no voto, da compensação como modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, inciso II da Lei 5.172/1966 (CTN), mas somente com crédito líquido e certo do contribuinte (art.170CTN). Destacase da decisão de piso a seguinte parte: Entretanto, do exame das arguições trazidas pela interessada, e conforme pesquisa no sistema de interesse da RFB (SIEFWEB), fls. 144/148, verificase que o Despacho Decisório apresenta inconsistência, no que se refere à demonstração da utilização da importância correspondente ao DARF, como segue: Analisando a utilização do pagamento promovido através do DARF número de pagamento 3794288898, verificase que é pagamento sem alocações, ou seja, o saldo de crédito disponível, em valor originário, corresponde ao valor total do DARF, R$ 30.106,98 (data da arrecadação 13/06/2003). Verificase que o sistema bloqueou o valor de R$ 22.714,58, para a DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020, transmitida em 07/11/2003, para a qual houve a homologação total, encontrandose na situação “HOMOLOGAÇÃO TOTAL”, homologação concluída; No demonstrativo da utilização do crédito para a DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020 (fl. 146) temse que: Valor pleiteado = R$ 30.106,98 Saldo Disponível antes da utilização = R$ 30.106,98 Valor utilizado = R$ 22.714,58 Saldo disponível após utilização = R$ 7.392,40 (saldo em valor originário) Tal situação, por si só, indicava a existência de saldo remanescente, passível de aproveitamento em declarações supervenientes; Neste ponto, deve ser destacado que o Contribuinte, nos cálculos apresentados, não levou em conta que o débito declarado na DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020, com data de vencimento em 14/02/2003, deveria ser atualizado até a data de transmissão desta DCOMP (07/11/2003), com acréscimos dos juros e multa de mora; Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.906118/200802 Acórdão n.º 3401005.186 S3C4T1 Fl. 5 4 É de se destacar que o entendimento passado no voto do acórdão recorrido, teve por base os artigos 28 e 38 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/2002, com a redação dada pela IN SRF nº 323/2003. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.169) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, reforça as razões trazidas em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo que: “... considerando que o crédito da Recorrente referese ao pagamento a maior e/ou indevido de PIS (PA 01/03), afigurase irregular os acréscimos a titulo de juros e multa aos débitos declarados nos PER/ DCOMP ns. 21924.22755.141103.1.3.043614, 40180.98974.241103.1.3.040006 e 42852.66161.151203.1.3.041964, uma vez que o crédito nasceu anteriormente aos débitos compensados. Os juros indenizam a mora, enquanto a multa constitui penalidade pela mora. Mas, no caso vertente, não se encontrava a Recorrente em mora perante o Fisco, na medida em que os recursos destinados a extinção dos débitos já se encontravam na disponíveis do Erário desde fevereiro de 2003, quando foi efetivado o recolhimento do débito de PIS (PA 01/03), utilizado nas compensações”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte buscou no presente processo, através da transmissão eletrônica PER/DCOMP nº 40180.98974.241103.1.3.040006 (efls.7), com data de 24 de novembro de 2003, a compensação de débito de COFINS do período 10/2003, com crédito de PIS/PASEP do período 01/2003 (R$ 88,78) em razão do recolhimento a maior que o devido via DARF no valor de R$ 30.106,98. O Auditor Fiscal que elaborou o Despacho Decisório – Nº de Rastreamento: 781229152 (efls.2) foi parcial, quando atestou que a totalidade do DARF – R$ 30.106,98 foi utilizado no PER/DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020, sendo, inclusive, declarado inconsistente pela autoridade julgadora de primeiro grau. Com a Manifestação de Inconformidade e demais demonstrativos juntados aos autos, ficaram os fatos expostos da seguinte forma: a) houve a transmissão de DCTF original para o 1º Trimestre/2003, declarando valor devido de PIS (cód.8109) para o mês de janeiro/2003 R$ 30.106,98 cujo pagamento se deu via DARF, no vencimento, data de 14/02/2003; b) na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora alterando o valor devido de PIS do mesmo período para R$ 19.365,59; c) na data (07/11/2003), apresentou DCOMP nº 10399.64671.071103.1.3.049020 compensando o débito de R$ 19.365,59 com o valor do DARF de R$ 30.106,98; d) a diferença entre o valor do DARF (R$ 30.106,98) e o valor do Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.906118/200802 Acórdão n.º 3401005.186 S3C4T1 Fl. 6 5 débito de PIS de 01/2003, retificado (R$ 19.365,59), parte foi objeto da DCOMP 40180.98974.241103.1.3.040006, no valor de R$ 88,78 discutida no presente processo. Existem duas questões fáticas que merecem ser evidenciadas: (i) da desnecessária apresentação de DCOMP para vincular o débito retificado com o DARF de pagamento (mesmo tributo para igual período de apuração); (ii) Falha no sistema da RFB de não fazer a vinculação automática do pagamento com o débito declarado, visto que a totalidade do valor pago permanecia disponível. Isso talvez justifique a preocupação do contribuinte de apontar em seu inconformismo, dúvidas da época, relacionadas a implantação do programa eletrônico – PER/DCOMP 1.1, através da IN SRF 360/2003. No acórdão recorrido ficou evidenciado que a totalidade do pagamento R$ 30.106,98 estava disponível, portanto, atende plenamente ao pleito da recorrente em ver extinto o débito de PIS para a competência 01/2003, no valor de R$ 19.365,59 como também, o débito de COFINS do período 10/2003, de que trata o presente processo. Se atentarmos para os demonstrativos juntados as efls. 264 a 266, disponibilizados pela RFCODAC – Demonstrativo Analítico de Compensação, o saldo remanescente de compensação neste processo corresponde exatamente ao valor da multa de 20% aplicada sobre o valor do débito do PIS do período 01/2003, recolhido na data 14/02/2003. Pode até ter gerado certa confusão nos sistemas eletrônicos da SRF com a apresentação de DCOMP para compensar um débito que já havia sido recolhido no seu próprio vencimento, mas se valer, o fisco, de um ato falho ou desnecessário do contribuinte para penalizálo, entendese ser totalmente improcedente. Partindose do pressuposto, art. 156, II do CTN, que a compensação extingue o crédito tributário e o art. 170 do mesmo diploma legal, que permite à autoridade administrativa autorizar compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vejo plenamente presente essa condição, pois a própria autoridade administrativa declarou a disponibilidade do crédito pelo pagamento via DARF. Houve nesse caso a extinção do crédito tributário pelo pagamento, anterior a mencionada compensação. Os procedimentos de atualização conforme demandado pelos artigos 28 e 38 da IN SRF nº 210/2002 e IN SRF nº 323/2003, utilizados no primeiro grau de julgamento para fazer incidir penalidade no processo de compensação, não se aplicam ao caso presente, pois o pagamento realizado via DARF, que corresponde ao crédito do contribuinte, serviu para dar quitação do débito declarado de mesmo tributo e do mesmo período de apuração. A DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020 reflete exatamente esse fato, o que lhe retira os efeitos próprios de pedido de compensação tributária. Afastados os efeitos da Declaração de Compensação 10399.64671.071103.1.3.049020, resta suficiente o crédito, líquido e certo, a realização da compensação declarada na PER/DCOMP 40180.98974.241103.1.3.040006 que deu causa ao processo ora em julgamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.906118/200802 Acórdão n.º 3401005.186 S3C4T1 Fl. 7 6 Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.901397/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS IMUNES. LIMITES AO CREDITAMENTO
Com exceção das aquisições de insumos empregados em produtos industrializados destinados à exportação, os dispêndios com insumos de produtos imunes não geram créditos de IPI passíveis de ressarcimento ou compensação.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tri
butária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3201-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer De Castro Souza - Presidente.
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Charles Mayer De Castro Souza - Presidente. Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS IMUNES. LIMITES AO CREDITAMENTO Com exceção das aquisições de insumos empregados em produtos industrializados destinados à exportação, os dispêndios com insumos de produtos imunes não geram créditos de IPI passíveis de ressarcimento ou compensação. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tri butária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Charles Mayer De Castro Souza Presidente. Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 13 97 /2 01 3- 10 Fl. 262DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 204/224, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1456.765 da DRJ/RPO, efls. 192/195, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente. A recorrente realizou compensação fazendo uso de créditos de IPI de matériasprimas utilizadas em produtos industrializados imunes conforme o art. 155, §3º, da Constituição Federal, especificamente derivados de petróleo. O relatório do juízo a quo descreve os fatos descritos nos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o relatório: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconhece o direito creditório peticionado e, consequentemente, não homologou as compensações declaradas. Segundo relatório fiscal, a contribuinte, no período discriminado na ementa deste Acórdão, deixou de recolher o imposto em virtude da utilização de créditos indevidos alusivos à aquisição de mercadorias da Zona Franca de Manaus. Com a reconstituição da escrita fiscal, houve a apuração de saldos devedores. Disso decorreu a reescrituração dos créditos do IPI, resultando na redução do saldo credor que o interessado apresentou como direito creditório para compensar os débitos confessados na presente declaração de compensação. Tempestivamente, a manifestante alegou que, como contestou o lançamento de ofício (PAF 15563.720162/201473), peticiona que o presente aguarde o julgamento da impugnação contra o Auto de Infração, reportandose aos mesmos argumentos já lá articulados. A DRJ/RPO, por unanimidade de votos, proferiu o referido Acórdão, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o ressarcimento pleiteado e não homologando as compensações declaradas. O mencionado Acórdão DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 IPI. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU O SALDO CREDOR DO IPI. Mantido em primeira instância o Auto de Infração que esgotou o saldo credor do IPI, é de se manter o indeferimento do ressarcimento pleiteado e a não homologação das compensações declaradas, em razão da perda da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo interessado. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12448.901397/201310 Acórdão n.º 3201004.067 S3C2T1 Fl. 263 3 Inconformado, o contribuinte apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão a quo seja reformada, alegando, em síntese: Da decisão nos autos do processo administrativo n.º 15563.720162/201473 O contribuinte alega que a decisão final nos autos do processo administrativo n.º 15563.720162/201473 influenciará diretamente na discussão desse processo. O processo referido analisa as compensações de PIS e COFINS tomando por base supostos créditos de IPI do contribuinte. Os débitos de PIS e COFINS são objeto do presente processo. Nesse sentido, requer a suspensão do presente processo para aguardar o desfecho do processo administrativo n.º 15563.720162/201473. Crédito do IPI O contribuinte explica que utilizou créditos de IPI na compensação com débitos de PIS e COFINS. Ocorre que tais créditos, ora discutidos, seriam provenientes da aquisição de matérias primas utilizadas em produtos imunes, especificamente derivados de petróleo. Repete vários dos mesmos argumentos utilizados no processo administrativo n.º 15563.720162/201473, do qual agora já se sabe o desfecho negativo para a mesma. Defende que o princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, 3º, II, da CF), conjugado com o art. 49 do CTN, por si só, "conduz a inequívoca conclusão de que o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito, não havendo nenhuma vedação constitucional à manutenção do crédito em caso de saída subsequente não tributada". Alega que a "vedação aos créditos de IPI no particular acaba por fazer incidir este imposto em uma das etapas do ciclo produtivo dos lubrificantes derivados de petróleo que, por força do disposto no art. 155, § 3º, da Constituição, deveria estar imune à tributação". Consigna os fundamentos constitucionais do direito creditório e que a SRF exarou diversos precedentes, que colaciona, corroborando o entendimento de que o art. 11 da Lei 9.779/99 e o art. 4º da IN 33/99, eram aplicáveis, inclusive para saídas de produtos imunes. Afirma que “era incontroverso o direito à manutenção do crédito do IPI na aquisição de insumos, ainda que o produto a ser industrializado não estivesse sujeito à tributação do IPI, a exemplo dos produtos imunes produzidos pela Recorrente à época, (...)” Demonstra estar enquadrada na categoria de industrial. Alega que o Ato Declaratório 05/2006 fora contrário a legislação de regência visto que alterou a orientação que vinha sendo adotada pela própria SRF nos termos da IN SRF 33/99 e Soluções de Consulta. Em outras palavras, que as autoridades fiscais alteraram o critério jurídico que vinham adotando. Pede o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações de que trata este processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Fl. 264DF CARF MF 4 Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do recurso voluntário. Da decisão nos autos do processo administrativo n.º 15563.720162/201473 O processo administrativo n.º 15563.720162/201473 foi julgado em 26/04/2016 e resultou no Acórdão 3402003.012 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF. O julgamento foi desfavorável ao contribuinte e o Acórdão apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2009, 2010 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Diante do exposto, tendo em vista a conclusão do processo administrativo mencionado pela recorrente, o pedido de suspensão para julgamento do presente processo, ainda que pudesse ser atendido, não faz mais sentido. Crédito do IPI A entrada de matéria prima e a saída do produto precisa estar dentro do campo do IPI para que se possa falar em cumulatividade e, consequentemente, em compensação do tributo. Sobre o assunto, reproduzo o ensinamento de Leandro Pausen: Mesmo em se tratando de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem ensejadores, via de regra, de creditamento, não se tem como pretendêlo no caso de a sua entrada não ser onerada pelo IPI, seja por isenção, por alíquota zero, por imunidade ou por simples nãoincidência. Implicando, a nãocumulatividade, por força do disposto no art. 153, § 3º, II, da CF, a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, mostrase imprescindível à incidência do imposto gerando ônus tributário. Do contrário, não há que se falar em cumulatividade e, portanto, em direito a crédito para evitála. (PAUSEN, Leandro. Direito tributário. Constituição e Código Tributário Nacional comentados à luz da doutrina e da jurisprudência. 8ª. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 357) O ciclo do IPI precisa ser completado. Inconteste que o direito a crédito na entrada de matéria prima serve para evitar a cumulatividade do IPI na saída do produto final. No caso específico de matéria prima empregada em produtos imunes, aponto jurisprudência do CARF no Acórdão n.º 3102001.506, de 2012 com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12448.901397/201310 Acórdão n.º 3201004.067 S3C2T1 Fl. 264 5 INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS IMUNES. LIMITES AO CREDITAMENTO Com exceção das aquisições de insumos empregados em produtos industrializados destinados à exportação, os dispêndios com insumos de produtos imunes não geram créditos de IPI passíveis de ressarcimento ou compensação. Ora, se prevalecer a tese do contribuinte, o crédito do IPI serviria única e exclusivamente para a compensação de outras espécies de tributos, a exemplo do PIS e da COFINS. Tal tese configuraria benefício fiscal e dependeria de previsão legal. O benefício fiscal constante do art. 11 da Lei n.º 9.779/99, deve ser interpretado sob o contexto da legalidade estrita alcançando apenas o produto isento ou tributado à alíquota zero. Vejase jurisprudência do STJ de 2013 sobre o assunto: IPI. CREDITAMENTO. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. ART. 11 DA LEI N. 9.779/99. PRINCÍPIO TRIBUTÁRIO DA LEGALIDADE ESTRITA. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. 1. O STJ já se manifestou sobre o tema e pacificou o entendimento de que a interpretação do art. 11 da Lei n. 9.779/99 devese dar com a observância do princípio tributário da legalidade estrita, nos termos do art. 111 do CTN. Assim, não se pode alargar a isenção contida no art. 11 da Lei n. 9.779/99 às hipóteses de industrialização de produtos não tributados, uma vez que o benefício fiscal é vinculado às hipóteses de produto final isento ou tributado à alíquota zero. 2. Agravo regimental não provido. (Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma, AgRg no REsp 1213196 / RS) Com base na legalidade estrita para o benefício fiscal, não há como estender a aplicação do art. 11 da Lei n.º 9.779/99 para a saída de produto imune. Quanto as Soluções de Consulta apresentadas pelo contribuinte e que estendem o benefício fiscal para as indústrias de produtos imunes, cabe mencionar que as mesmas têm caráter vinculante apenas para os próprios consulentes. Por último, no tocante aos argumentos de cunho constitucional, aplicase o disposto na Súmula CARF nº. 2 que veda a este juízo o exame dos argumentos de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 266DF CARF MF 6 Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35066.000947/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO.
Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitando-se a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento.
Numero da decisão: 2402-006.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO. Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitando-se a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1500; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.298 1 1.297 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35066.000947/200391 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.591 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL Recorrente ALCON COMPANHIA DE ÁLCOOL CONCEIÇÃO DA BARRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO. Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitandose a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 06 6. 00 09 47 /2 00 3- 91 Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.299 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório constante do Acordão nº 1226.115, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I (RJ), fls. 1.264 a 1.272: Tratase de Manifestação de Inconformidade oposta pelo contribuinte acima qualificado contra a decisão de indeferimento do Pedido de Compensação de valores recolhidos indevidamente, nas competências 01/07/1999 a 31/07/2003, no montante de R$ 75.048,68. 2. O Requerimento indeferido foi protocolizado em 06/11/2003, constando do mesmo que no período indicado o responsável pelo departamento de pessoal, visando vantagens pessoais, cadastrou de forma indevida funcionários que não faziam parte do quadro da empresa, resultando na inclusão dos mesmos nas folhas de pagamento e GFIP de tal forma que foram recolhidas as contribuições incidentes sobre as respectivas bases de cálculo. 3. Instada a se pronunciar sobre o direito creditório da Interessada, a seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Previdenciária em Vitória — ES, decidiu pelo indeferimento do pleito, conforme Parecer de fls. 18/20, sob o fundamento de que a Interessada não tomou nenhuma providência no âmbito penal e não efetuou os estornos dos valores devidos sobre a folha de pagamento nem as retificações nas GFIP. 4. Notificada da referida decisão em 03/07/2007, a interessada peticionou ao Conselho de Recursos da Previdência Social, em 27/07/2007, fls. 23/28, requerendo o cancelamento e revisão do indeferimento de seu pedido de compensação, sob a alegação de que a retificação da contabilidade e das GFIP só poderia ser feito após a confirmação do seu direito de compensar os recolhimentos indevidos, e que os fatos narrados estariam suficientemente comprovados. Anexa cópias de RAIS, GFIP, CAGED, recibos de pagamento, folhas de pagamento, declarações, cheques, correspondências do Ministério do Trabalho, documentos da Receita Federal, relações de funcionários inexistentes levantadas pela empresa e outros, todos relativos à época dos acontecimentos relatados. 5. Em seguida, o processo tramitou, sucessivamente, pela DRJ/RJO II/SECOJ, • pelo SECAT/DRJ/VITÓRIA e pelo SEORT/DRF/VITÓRIA, de onde foi reenviado ao SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO da DRF/VITÓRIA — SEFIS. 6. Às fls. 618, após diligência à empresa, o Serviço de Fiscalização ratificou a decisão de indeferimento, enfatizando que a retificação das GFIP e da escrituração contábil seria necessária para a verificação da base de cálculo correta e para o confronto com os valores efetivamente recolhidos. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.300 3 7. Informado pela SEFIS, fls. 620, de que teria o prazo de 10 dias para manifestar sua inconformidade, a interessada reiterou as razões anteriormente expendidas às fls. 622/625. Ao julgar a impugnação, a 13ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, conforme decisão a seguir transcrita: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de reconhecimento do direito creditório, nos termos do relatório e voto que este “decisum” passam a integrar. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa consignada no Acordão nº 1226.115: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitandose a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento. Cientificado da decisão, em 5/10/09, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.276, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.278 a 1.292, em 3/11/09, no qual repete as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade e complementa com as seguintes alegações articuladas contra a decisão ora recorrida: E, mais uma vez houve o indeferimento sob o argumento de "Carece de interesse jurídico o pedido de autorização para compensar valores recolhidos indevidamente, uma vez que a compensação é facultada ao contribuinte, independente de prévio exame, sujeitandose a posterior homologação o recolhimento correspondente a essa modalidade de ressarcimento". Ora, insiste mais uma vez a empresa contribuinte em não concordar com os termos do indeferimento, visto que em 31/12/1991, o art. 66 da Lei 8.383 (redação alterada pelo art. 58 da Lei 9.069195), atendendo à condição prevista no CTN, determinou expressamente a possibilidade de compensação de tributos da mesma espécie, [...]. [...] Por outro lado, o simples fato de fazer a compensação desses valores via SEFIP, deverá ser alterada todas as informações da GEFIP, RAIZ, CAGED, todo lançamento contábil e por conseqüência o Balanço Social da Empresa. Devemos Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.301 4 considerar ainda que o sistema do SEFIP nos anos que ocorreram o ilícito era DOS e atualmente é o GRAFICO. Dessa forma, entendemos ser impossível a compensação via sistema. [...] O que se pede, em nome da sensatez e da Justiça é o reconhecimento dos valores lançados indevidamente para que possamos requerer a restituição/compensação administrativamente. Sabendo que via sistema SEFIP os valores e lançamentos de 1999 e 2000, não conseguem ser lançados, atualizados e compensadorestituídos em 2.009, sem que possam modificar os lançamentos contábeis, o balanço social da empresa, o CAGED, a RAIZ, etc. Em face do exposto, e com base nas razões acima e documentos já anexado, é que se interpõe o presente recurso, para o fim de que seja revisto o indeferimento dos pedidos de compensação/restituição na forma acima, dando integral DEFERIMENTO a esta solicitação. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Do pedido de reconhecimento de valores supostamente recolhidos indevidamente Conforme relatado acima, a decisão de primeira instância negou provimento à manifestação de inconformidade, por carecer de interesse jurídico, uma vez que a compensação é uma faculdade do contribuinte e não depende de autorização. Segundo se extrai do recurso voluntário, o Recorrente alega que a simples compensação dos valores em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempos de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) importaria na alteração de todas as informações constantes em GFIP, RAIZ, CAGED, bem como a alteração do balanço contábil e, por consequência, do Balanço Social da empresa, sem contar o fato de que o SEFIP mudou do ambiente DOS para o GRÁFICO. Diante desse quadro, entende o Recorrente ser impossível a compensação via sistema e pede o reconhecimento dos valores supostamente recolhidos indevidamente, para que possa requerer a restituição/compensação administrativamente. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 35066.000947/200391 Acórdão n.º 2402006.591 S2C4T2 Fl. 1.302 5 Pois bem, segundo consta nos autos (fls. 33, 34 e 1240), em dois momentos (em 2004 e em 2007), a fiscalização informou que a empresa não teria promovido a necessária retificação dos documentos contábeis para efetuar a compensação, e agora, com o recurso, o Recorrente alega que será impossível a compensação, caso a retificação precise ser realizada. Primeiramente, há que se destacar, como bem apontado pela decisão a quo, que a administração, em regra, não emite decisões declaratórias, como o faz o Judiciário, sendo que a única exceção diz respeito às consultas formuladas de acordo com o disposto no Decreto 70.235, de 6/3/72, as quais buscam esclarecimentos sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a determinados fatos, que não é o caso que ora se examina. Em segundo lugar, tanto em face da compensação realizada diretamente em GFIP quanto em face de pedido de restituição, é imprescindível a retificação das GFIPs, da folha de pagamento e da contabilidade da empresa, em que pese as dificuldades apontadas pelo Recorrente. Não há como a Administração Tributária reconhecer que determinados valores foram recolhidos indevidamente, se as GFIPs, a contabilidade e os demais documentos da empresa atestam o contrário. Também não se pode admitir a manutenção, na base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), de informações prestadas por meio de GFIP, sem o correspondente recolhimento. Por fim, como todas as informações contábeis da empresa, seguramente, compõem uma base de dados informatizada, não vemos como ter sido impossível a retificação das GFIPs e dos demais documentos contábeis da empresa, quando a fiscalização apontou a necessidade de tal providência. De fato, é certo que essa retificação acarretaria uma despesa e um trabalho extra para a empresa, contudo, esse é um custo que, inevitavelmente, a empresa teria que arcar por ter permitido que um empregado informasse dados inexistentes em GFIP. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1302DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.001565/2001-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação de fls. 334/335, no valor de R$400.00,00. Segundo discriminado no pedido de fl. 334, que retificou o formulário de fl. 212, tratase de crédito presumido do IPI com amparo na Lei nº 9.363, de 1996, e Portaria MF nº 38, de 1997, relativamente ao 3º trimestre de 2001. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 01 56 5/ 20 01 -3 4 Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 3 2 Inicialmente, o Pedido de Ressarcimento foi formulado em nome do estabelecimento filial, detentor do CNPJ nº 42.105.890/000901, localizado no Município de São Luís, Maranhão, enquanto a matriz localizavase no estado do Rio de Janeiro. Por essa razão, diversos entendimentos sobre a competência para análise do pleito do contribuinte foram então expressos, determinando o fato a expedição de 3 (três) despachos decisórios, 3 (três) acórdãos, ultimados pelo Acórdão nº 28.667, às fls. 815/832, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MGDRJ/JFA/MG, em de 19/03/2010. Nesse contexto, seguiram se os encaminhamentos abaixo relatados. Definida a competência para a apreciação do pleito do contribuinte, a Diort/Derat/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls. 258/261), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato de a empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulandose as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação do contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 334), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 370/377, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz. No mesmo Despacho Decisório, embora a retificação tenha sido acatada, o direito creditório foi denegado e, conseqüentemente, a compensação não foi homologada. Contra esse último Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 388/393. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação expressa da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Com as manifestações do contribuinte, o processo foi remetido à DRJ/JFA/MG, para julgamento. Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de 436/438, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegouse que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363, de 1996), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas/MG, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 4 3 Ao tomar ciência da informação fiscal, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 590/605. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, como integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de Diligência de fls. 646/650, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à segunda solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pelo contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 782. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificado da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 789/796. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação, incluído nessa a solicitação de perícia. Encerrado o preparo do processo, os autos retornaram a DRJ/JFA/MG para apreciação. Foi então emitido o já mencionado Acórdão nº 09 28.667, em 19/03/2010, às fls. 815/932. Por maioria de votos, o crédito presumido foi indeferido e a compensação não homologada. A relatora do voto naquele acórdão foi vencida. Foi emitido voto vencedor, tendo como redatora a presente relatora, que entendeu que o manifestante não preenchia os requisitos para a fruição do benefício, em face da descaracterização do consórcio do qual era participante. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, às fls. 841/859, tendo este resultado na emissão do Acórdão nº 310100.904, de 07/10/2011, às fls. 192/207. Decidiu o colegiado “por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar regular a constituição do consórcio e devolver os autos do processo para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo.” Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 5 4 O contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido no CARF. Os autos retornaram à DRJ/JFA/MG para novo julgamento. A DRJ/Juiz de Fora/MG – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0955.888, de 05/12/2014, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e não reconheceu direito créditório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. A energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz às condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de “um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 1) CONSUMO DE CRÉDITOS MEDIANTE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PRESUMIDO PARA A FILIAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. 1)Ainda que reconhecido em parte o direito creditório do contribuinte sobre o crédito requerido para o trimestre, a transferência de créditos para estabelecimentos filiais resultam no indeferimento do montante de direito creditório pleiteado, pois o crédito presumido transferido deverá ser utilizado unicamente na dedução de débitos escriturais do estabelecimento beneficiário da transferência. 2) COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. A solicitação de perícia requer além da exposição motivos que a justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ausentes tais requisitos, é de se inferir a perícia requerida ((Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inc. IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde pede: Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 6 5 o reconhecimento do direito ao crédito presumido relativo a energia elétrica, em função de sua utilização como insumo na eletrólise para fabricação do alumínio; colaciona precedente da CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; afirma a possibilidade de aferir a energia elétrica consumida no processo de eletrólise na produção de alumínio; a validação de seu saldo credor de crédito presumido no segundo trimestre de 2001, independentemente do resultado do processo 10320.001220/200695; que, ainda depois das transferências às filiais, restaria saldo suficiente para o ressarcimento; solicita diligência para comprovação das alegações, em caso de dúvida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. A súmula Carf 19 estabelece que a energia elétrica não compõe o crédito presumido de IPI sob a metodologia prevista na Lei 9.363/96: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, no caso da produção de alumínio, a energia elétrica também funciona como insumo direto, porque um dos processos industriais é a eletrólise da alumina (Al2O3). Nesse caso, não se trata de energia para funcionamento de equipamento ou iluminação, mas de processo físicoquímico em que a eletricidade participa como elemento intrínseco e essencial, em contato físico com a matériaprima. No mesmo sentido o Acórdão CSRF/2001.292, e o Acórdão 3403002.960, dentre outros. A recorrente trouxe, no Recurso Voluntário, diversas faturas de energia elétrica, as quais alega que distinguem a energia utilizada no processo de eletrólise da alumina. Em vista da apresentação de prova exigida pela decisão recorrida, dentro da dialética processual – art. 16, §4º, “b” que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em julgamento, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, em especial, sobre a alegada possibilidade de que haja comprovação da energia elétrica utilizada apenas no processo físico de eletrólise da alumina, em separado de outros processos industriais, tais como aquecimento, iluminação, funcionamento de máquinas, etc, procedendo às verificações que entender cabíveis. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao Carf para continuidade do julgamento . (assinatura digital) Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 10320.001565/200134 Resolução nº 3201001.419 S3C2T1 Fl. 7 6 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1581DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.006598/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE
REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS.
Não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções
normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada, ao estabelecer requisito de que o prestador de serviços seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária, com vista à definição do percentual
para apuração da base de cálculo do Lucro Presumido. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO
DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS
NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS.
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplica-se
ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL,
as conclusões atinentes ao IRPJ. Não subsiste o lançamento das diferenças da contribuição decorrente da aplicação do percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, amparado em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada.
Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007.
Numero da decisão: 1302-000.885
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada, ao estabelecer requisito de que o prestador de serviços seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária, com vista à definição do percentual para apuração da base de cálculo do Lucro Presumido. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, as conclusões atinentes ao IRPJ. Não subsiste o lançamento das diferenças da contribuição decorrente da aplicação do percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, amparado em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007.
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LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada, ao estabelecer requisito de que o prestador de serviços seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária, com vista à definição do percentual para apuração da base de cálculo do Lucro Presumido. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. SERVIÇOS HOSPITALARES. DEFINIÇÃO DE REQUISITOS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. ALCANCE DE ATOS NORMATIVOS E INTERPRETATIVOS. LIMITES LEGAIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, as conclusões atinentes ao IRPJ. Não subsiste o lançamento das diferenças da contribuição decorrente da aplicação do percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, amparado em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada. Aplicação ao caso concreto o novo entendimento do Fisco, exarado por meio do ADI RFB n° 19/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 155 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Marcos Rodrigues de Mello Presidente. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2004 a 2006, no valor total de R$ 1.327.549,04, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/05/2008, efetuados por meio dos Autos de Infração lavrados em 06/06/2008 (fls. 124/142). Os lançamentos efetuados decorreram da verificação de diferenças não recolhidas de IRPJ e de CSLL em virtude da aplicação de coeficientes de presunção incorretos pelo sujeito passivo, assim descritos no acórdão recorrido: O contribuinte apurou as bases de cálculo na modalidade de lucro presumido com a utilização de coeficientes de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), por se considerar prestador de serviços hospitalares, quando deveria ter utilizado o coeficiente de 32% para ambos os tributos, já que não atendia requisito essencial para tal enquadramento, qual seja, ser empresário ou sociedade empresária. A autoridade fiscal verificou que o contribuinte adotou a forma de sociedade simples conforme contrato social e alterações arquivados no Serviço de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Porto Alegre (14 a 23). Os cálculos das diferenças dos tributos constam da planilha à f. 119, que integra o PAF. A interessada tomou ciência dos lançamentos em 09/06/2008, tendo apresentado impugnação tempestiva em 04/07/2008 (fls. 145/161), cujos argumentos foram assim resumidos no acórdão de primeiro grau: • Tem seu contrato social arquivado no Registro Civil em cumprimento a exigência imposta pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) na Resolução 133/80, bem assim em virtude da Resolução n° 1246/88, que determina que a medicina não pode ser exercida como comércio. Seus registros foram feitos de acordo com a legislação vigente à época de sua constituição; • O ADI SRF n° 18/2003 inovou, criando mandamento não previsto na Lei n° 9.249/95. A interpretação inspirada no novo Código Civil não poder prejudicar direito préexistente do contribuinte, que tinha seus atos constitutivos em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente à época; • O referido ADI extrapolou o texto legal, violando os princípios constitucionais da legalidade e hierarquia das leis; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 156 3 • A legislação infralegal vigente atualmente, IN RFB n° 791/22007 tornou o registro comercial irrelevante para caracterizar a natureza hospitalar dos serviços prestados, retornando aos limites estabelecidos em lei; • O ato normativo só pode ser explicativo ou regulamentar, mas não criador de obrigações inexistentes na lei; • O requisito exigido pelo Fisco é irrelevante para caracterizar a natureza hospitalar dos seus serviços. O próprio Fisco não teve dúvidas sobre todos os demais aspectos fáticos e jurídicos relacionados à atividade empresarial desenvolvida pela empresa, pois nada apontou em relação a isso. A Segunda Turma de Julgamento da DRJBrasília decidiu pela improcedência do lançamento, proferindo o Acórdão nº 0336.812, de 07/05/2010 (fls. 175/187), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006. SERVIÇOS HOSPITALARES. SOCIEDADE EMPRESARIA. REQUISITO INEXISTENTE. Os efeitos do ADI RFB n° 19/2007 retroagem à data em que a Lei n° 9.249/95 entrou em vigor, haja vista ser ato normativo interpretativo desta lei. Neste ADI não está presente o requisito de que o contribuinte seja sociedade empresária para que os serviços por si prestados sejam considerados hospitalares e, por conseguinte, a receita decorrente seja submetida ao coeficiente de presunção de 8%, ao invés de 32% fixado para os prestadores de serviços em geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006. SERVIÇOS HOSPITALARES. SOCIEDADE EMPRESARIA. REQUISITO INEXISTENTE. Os efeitos do ADI RFB n° 19/2007 retroagem à data em que a Lei n° 9.249/95 entrou em vigor, haja vista ser ato normativo interpretativo desta lei. Neste ADI não está presente o requisito de que o contribuinte seja sociedade empresária para que os serviços por si prestados sejam considerados hospitalares e, por conseguinte, a receita decorrente seja submetida ao coeficiente de presunção de 12%, ao invés de 32% fixado para os prestadores de serviços em geral. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 157 4 O relator do acórdão analisou uma série de atos administrativos editados pela Secretaria da Receita Federal em face do art. 15 da Lei 9.249/1995, que disciplina a matéria objeto da autuação, em especial o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19/2007, para concluir que tais atos se inserem entre aqueles previstos no art. 100, inc. I do Código Tributário Nacional. Em relação ao citado ADI nº 19/2007, o voto condutor do acórdão destacou uma característica adicional, quanto à sua aplicação no tempo, in verbis: Contudo, não obstante ser ato normativo, o ADI possui uma característica adicional que o diferencia da instrução normativa, qual seja, o caráter interpretativo, consoante a já mencionada Portaria SRF n° 001 (Anexo I): Interpreta, de forma genérica, dispositivos da legislação tributária e aduaneira atinente à competência da Secretaria da Receita Federal. Sendo atos normativos, os ADI são normas complementares às leis, entrando em vigor na data de sua publicação de acordo com o explanado acima. Mas no que se refere ao seu alcance, por serem expressamente interpretativos, conforme consta de sua própria designação, aplicamse também a fatos geradores anteriores à sua entrada em vigor. Ao interpretar a lei tributária (ou outra norma inferior), dizendo o que determinado dispositivo estabeleceu, a autoridade administrativa está indicando ao administrado que, desde sempre, ou melhor, desde que a norma entrou em vigor, a interpretação dada pela Administração é aquela expressa no ADI. O Parecer Normativo Cosit n° 5/94, ao estudar a eficácia dos Pareceres Normativos e dos Atos Declaratórios Normativos no tempo, esclareceu que ela "retroage ao momento em que a norma por eles interpretada começou a produzir efeitos". Tais atos administrativos deixaram de existir com a edição da Portaria SRF n° 001/2001 antes mencionada, sendo substituídos em sua função e alcance (erga omnes) pelo Ato Declaratório Interpretativo. Enfim, diferentemente das IN, cujos efeitos são ex nunc, há que se considerar que os ADI possuem efeitos ex tunc, ainda que sejam, ambos, atos normativos. O relator do acórdão passa então a analisar os atos normativos editados e sua aplicação no tempo, in verbis: Amparado neste entendimento, dou seguimento à análise quanto à aplicação no tempo dos atos normativos expedidos pelo Secretário da Receita Federal para tratar da expressão serviços hospitalares para fins de aplicação do art. 15, §1°, III, "a" da Lei n° 9.249/95. Com a edição de tal dispositivo legal, estabeleceuse que as receitas provenientes de serviços hospitalares estariam sujeitas ao coeficiente de presunção de 8% (12%) para fins de apuração do IRPJ sobre base de cálculo presumida (CSLL art. 20 da Lei n° 9.249/95 com redação da Lei n° 10.684/2003) (CSLL art. 20 da Lei n° 9.249/95 com redação da Lei n° 10.684/2003), excepcionando este tipo de serviço da regra geral fixada para prestação de serviços em geral, cujo percentual de presunção é de 32%. Contudo, o que seriam tais serviços hospitalares, qual o alcance desta expressão? A Receita Federal somente veio normatizar o que seriam serviços hospitalares por meio da IN SRF n° 306/2003. Até então, para aplicação da lei era Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 158 5 necessário recorrer a ao arcabouço regulamentar dos órgãos públicos com atuação na área da saúde. Com o advento do referido ato normativo, apenas as receitas provenientes dos serviços efetuados nas condições por ela detalhadas faziam jus ao coeficiente de 8%. Posteriormente, ainda no ano 2003, foi expedido o ADI SRF n° 18, que, conforme seu enunciado, visou interpretar o disposto na IN SRF n° 306, especificamente em relação ao que seria empresário e sociedade empresária. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306. de 12 de março de 2003 e o Processo n° 13819.000897/9921, declara: (grifei) Em vista disso, cabe considerar que o disposto no referido ADI teve aplicação desde a entrada em vigor da IN SRF n° 306. Posteriormente, em 15/12/2004, foi expedida a IN SRF n° 480 para definir o que seriam os serviços hospitalares previstos na lei. Esta norma revogou expressamente a IN SRF 306. Então, a partir daquele momento, ou seja, para os fatos geradores ocorridos a partir daquele momento, a aplicação do coeficiente de 8% estava sujeito às regras nela estabelecidas. Frisese que os efeitos da IN SRF n° 480 não se aplicaram retroativamente por não ser ato interpretativo. Esta instrução normativa teve sua redação alterada pela IN SRF n° 539 de 25/04/2005, passando a vigorar, a partir daquele momento, para fins de identificação do que seriam serviços hospitalares, o novo regramento estabelecido. Mais uma vez é devido ressaltar que este novo regramento não teve efeitos retroativos aos períodos abrangidos pelas IN SRF n° 306 e 480, vez que não constou de ato normativo interpretativo. Até aí, em que pese a mudança constante da normatização do que seria serviços hospitalares, não resta qualquer dúvida de que para determinar o coeficiente de presunção aplicável bastava verificar o ato normativo vigente quando da ocorrência do fato gerador, sem qualquer efeito retroativo das instruções normativas consecutivas. Como o ADI n° 18 interpretou a IN SRF nº 306, produziu efeitos relativamente ao mesmo período da IN. A dificuldade surge com a edição do ADI RFB n° 19, em 07/12/2007. Conforme já deixei claro anteriormente no voto, tal ato administrativo esclarece qual a interpretação a ser dada à norma a que faz referência desde sua origem. No caso, o referido ADI, em seu enunciado, deixa cristalino que a norma interpretada foi a própria lei. Não faz qualquer menção a instrução normativa anterior. SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 15, da Lei n" 9.249. de 26 de dezembro de 1995. e o que consta do processo n° 10168.004798/200794, declara: (grifei) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 159 6 A conseqüência disso é considerar que os serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de 8% (12% CSLL) deve ser entendido, desde a entrada em vigor da lei, na forma como indicada no referido ADI. Ou seja, o Administrador fez uma verdadeira "faxina" de toda a normatização anterior, afirmando que desde a origem o seu entendimento foi este. Logo em seguida, três dias após, foi expedida a IN RFB n° 791, de 10/12/2007, que aproveitou integralmente a definição contida no ADI RFB n° 19, para alterar a definição contida na IN SRF nº 480, que já tinha alterada pela IN SRF nº 539. Aparentemente, porque a este julgador não é possível extrair a real intenção da autoridade administrativa, o objetivo do ADI foi de "limpar" o passado, representado por diversas normas expedidas para tratar de mesmo assunto, o que tanto provocou consultas e divergências de aplicação dentro do órgão, estabelecendo um posicionamento único, aplicável desde a origem da lei. A simples expedição da IN RFB n° 791 não alcançaria o efeito produzido pelo ADI, pois teria aplicação apenas para fatos geradores posteriores à sua entrada em vigor. Diante do exposto, resta claro que os lançamentos realizados posteriormente à publicação do ADI RFB n° 19, referentes tanto a períodos de apuração anteriores à sua entrada em vigor, quanto a posteriores, devem seguir suas instruções para identificar se as atividades da empresa se enquadravam como serviços hospitalares para fins de aplicação da Lei n° 9.249/95. Em assim procedendo, o lançamento impugnado será considerado procedente se comprovado nos autos que o contribuinte não se subsume efetivamente às condições do ADI. (...) Por fim, na análise de mérito, o acórdão recorrido traz a seguinte fundamentação para a sua conclusão: Da apreciação da motivação dos lançamentos impugnados Feito o estudo da legislação tributária pertinente, imprescindível para a solução do litígio, passo a apreciar as razões do lançamento, bem assim, de defesa do contribuinte. Conforme já resumido no relatório que acompanha este voto, a autoridade fiscal autuou o sujeito passivo por considerar que ele adotou indevidamente o coeficiente de presunção de 8% (e 12% para CSLL) para a determinação da base de cálculo do IRPJ, ao invés de aplicar o coeficiente de 32%, haja vista que não atendeu, no seu entendimento, requisito estabelecido na legislação tributária para que os serviços prestados fossem considerados como serviços hospitalares: ser empresário ou sociedade empresária. A autoridade fiscal esclareceu que o contribuinte adotou a forma de sociedade simples, consoante contrato social e alterações arquivados no Serviço de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Porto Alegre (fl. 14/23), descumprindo a condição fixada no ADI SRF n° 18/2003, na IN SRF n° 480/2004, com redação da IN SRF n° 539/2005. Entre outros argumentos, o sujeito passivo argumentou que a regulamentação infralegal vigente atualmente (IN RFB n° 791/2007) não mais contempla a condição imposta pelo ADI |SRF n° 18/2003, deixando claro que a autoridade Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 160 7 administrativa revisou e corrigiu seu entendimento equivocado de exigir uma condição não estabelecida em lei para fazer jus ao coeficiente de presunção de 8% (12%). Em função das conclusões alcançadas no tópico relativo ao estudo da legislação pertinente à matéria do lançamento, tornase necessário transcrever o teor do ADI n° 19/2007, aplicável aos fatos geradores objetos dos lançamentos (anos calendário 2004 a 2006): Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1° inciso III, alínea "a", da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de, UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Extraise que a exigência de que o prestador de serviços seja empresário ou sociedade empresária, contida nos atos normativos anteriormente expedidos, não está presente na redação do ADI. Tal redação, conforme dito, foi mantida na ultima instrução emitida sobre o assunto, a IN RFB n° 791//2007. Isto significa dizer que, consoante interpretação expressa da Receita Federal, desde a entrada em vigor do art. 15, III, "a" da Lei n° 9.249/95 não havia tal condição para que o prestador de serviço hospitalar aplicasse o coeficiente de 8% (12%) na determinação do lucro presumido. Somente com o advento da Lei n° 11.727/2008 esta exigência passou a existir cumulativamente ao atendimento das condições estabelecidas na IN RFB n° 791/2007 para enquadramento como serviço hospitalar. Uma vez que a redação dada por esta lei ao art. 15 da Lei n° 9.249/95 somente entrou em vigor a' partir de 01/01/2009, há que se considerar que a exigência do prestador do serviço ser sociedade empresária não se aplica aos períodos de apuração abrangidos pelos lançamentos. Salientese que a própria inclusão em lei de que o prestador de serviço deve ser sociedade empresária demonstra que a Administração entendia que tal condição não existia anteriormente. Não fosse assim, não seria necessária esta menção expressa. Então, uma vez que a única motivação dos lançamentos foi o fato do contribuinte ser sociedade simples e não sociedade empresária, condição inexistente para caracterização dos serviços prestados como hospitalares segundo interpretação da Administração, há que se considerar que o sujeito passivo fazia jus aos Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 161 8 coeficientes de 8% e de 12% para a determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, nos períodos de apuração objetos dos autos de infração, consoante disposições contidas nos art. 15, § Io, III, "a", e 20 da Lei n° 9.249/95 (sendo o art. 20 com redação da Lei n° 10.684/2003). Os lançamentos são, pois, improcedentes. A interessada foi cientificada da decisão de primeira instância em 04/06/2010 (fls. 189). O presidente da Segunda Turma da DRJBrasília recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na mesma data do acórdão, com base no art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 162 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Passo a apreciar o recurso de ofício, nos termos do inc. I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972. Entendo que a decisão de primeira instância merece ser mantida, neste caso. Senão vejamos. 1. Dos requisitos legais para a caracterização dos Serviços Hospitalares. A tributação dos serviços hospitalares pelo lucro presumido foi estabelecida pela alínea a do inc.III do art. 15 da Lei 9.249/1995, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Em suas regulamentações a Receita Federal estabeleceu ao longo do tempo diversas condições para a tributação dos serviços hospitalares mediante apuração da base de cálculo pelo percentual base de 8%. Ocorre que a administração tributária, no caso, extrapolou ao seu poder regulamentar ao estabelecer em suas instruções normativas e atos declaratórios interpretativos condições não previstas em lei. Com efeito, além, de definir as espécies de serviços suscetíveis ao tratamento tributário específico dos serviços hospitalares (BC: 8%), a norma infralegal fixou ainda a condição de que os estabelecimentos fossem constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Ora, a exigência de tal condição exorbitou o poder regulamentar da administração tributária. As Instruções Normativas “constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 163 10 Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei a pretexto de estarem regulando... (STJ, 1ª T., REsp 1109034/PR, BENEDITO GONÇALVES, abr/09)”. 1 Por seu turno, os Atos Declaratórios Interpretativos “são normas complementares à lei, não podendo, por questão lógica, ir além desta. Visam apenas dirimir dúvida quanto a interpretação da legislação tributária, não podendo sob qualquer hipótese alterar o conteúdo e alcance da norma interpretada. Assim sendo, os Atos Declaratórios Interpretativos, previstos no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal como ato administrativo de caráter normativo (art. 230, inc. III) não possuem caráter constitutivo, ou seja, não podem criar, modificar ou extinguir obrigação tributária, a qual é passível de constituição apenas por lei. São atos hierarquicamente inferiores não só a CF e à lê (sic), mas também aos decretos executivos. (...) O Ato Declaratório Interpretativo, apesar de ter caráter meramente explicitador, representa o entendimento da Secretaria da Receita Federal (hoje Receita Federal do Brasil) sobre a aplicação da norma interpretada e tem força normativa a medida em que se trata de uma norma complementar (CTN, art. 100).” 2 Assim, não tem como prosperar o lançamento que se baseou em instruções normativas que foram além do seu poder regulamentar e de ato declaratório interpretativo que alterou o alcance da norma interpretada. Com efeito, o lançamento fiscal foi fundamentado pela autoridade lançadora, conforme seu Relatório da Ação Fiscal (fls. 122), nas disposições do ADI nº 18/2003 e das IN.SRF nº 480/2004 e 539/2005, in verbis: Por esse motivo, o contribuinte não atende ao requisito constante no artigo 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003 c no artigo 27 da Instrução Normativa SRF n° 480, de 15 de dezembro de 2004, com redação dada pelo artigo I° da Instrução Normativa SRF n° 539 de 25 de abril de 2005, uma vez que não se caracteriza como sociedade empresária, sendolhe vedada, portanto, a utilização do percentual diferenciado para apuração dos tributos na modalidade do lucro presumido. Assim sendo, resta obrigado o contribuinte a efetuar o cálculo do IRPJ e da CSLL na modalidade do lucro presumido pela mesma regra aplicável aos prestadores de serviços em geral, ou seja, aplicando o Percentual de 32% sobre a receita bruta para o IRPJ e o percentual de 32% sobre a receita bruta para a CSLL. Além disso, com bem ressaltado no voto condutor da decisão recorrido, a própria administração reviu sua interpretação por meio do ADI nº 19/2007, e modificou a sua regulamentação por meio da IN.RFB nº 791/2007, excluindo das condições exigidas a de que o estabelecimento de saúde seja constituído por empresário ou sob a forma de sociedade empresária. 1 in PAULSEN Leandro, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 13ª Ed, 2011, p. 889/890. 2 (MARTINS, Ives Gandra da Silva; MARTINS, Rogério L. Vidal Gandra da Silva; LOCATELLI, Soraya David Monteiro. O Ato Declaratório Interpretativo SRF 02/07 e as Consequências Tributárias do Rateio das Receitas Decorrentes da Utilização de Áreas Comuns de Condomínios." RDDT174/53, mar/2010), in PAULSEN Leandro, op cit, p. 890/891. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 164 11 Se a referida IN produz efeitos apenas a partir de sua edição, o ADI, como norma interpretativa, retroage seus efeitos à data de entrada em vigência do dispositivo legal. Há, ainda, que se observar que o inc. III do art. 15 da Lei nº 9.249/1995 foi modificado pela Lei nº 11.727/2008, estabelecendo novas condições para o tratamento dos serviços hospitalares, entre elas a de que a prestadora de serviços esteja organizada sob a forma de sociedade empresária, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (grifei) Tal alteração, contudo, somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, consoante art. 41 da lei que deu a nova redação, não se aplicando ao presente caso. Por fim, não há qualquer menção no Relatório de Ação Fiscal e nos autos de não atendimento a outros requisitos legais ou normativos. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, no que concerne ao lançamento do IRPJ. 2. Lançamentos Reflexos Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, as conclusões atinentes ao IRPJ, na medida em que a autoridade fiscal efetuou, indevidamente, o lançamento das diferenças da referida contribuição, aplicando o percentual de 32% para a apuração da base de cálculo, nos termos do art. 20 da Lei nº 9249/1995, in verbis: Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006598/200880 Acórdão n.º 130200.885 S1C3T2 Fl. 165 12 por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205). (grifei) Assim, nego também provimento ao recurso de ofício quanto ao cancelamento dos lançamentos da CSLL, nos termos examinados em relação ao lançamento do IRPJ. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909474/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, devese homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 94 74 /2 00 8- 70 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu em parte o direito creditório, considerando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 15/12/2003, transmitiu PER/DCOMP nº 06748.84712.151203.1.3.040730 declarando a compensação de débito de COFINS no valor de R$ 5.385,86 do período de apuração 11/2003, com crédito de PIS/PASEP recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 03/2003, na data de 15/04/2003. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 12/08/2008 (eFls.2), pela não homologação da compensação declarada, argumentando que: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), requerendo a extinção do crédito tributário objeto da compensação sob análise, demonstrando e comprovando que há a disponibilidade do crédito utilizado: a) que realizou o pagamento via DARF (efls.51/52) de contribuição para o PIS/PASEP cód. 6912, no valor de R$ 14.930,06 na data de 15/04/2003 do Período de Apuração 31/03/2003; b) que na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora para o período 1º Trimestre/2003 (efls.53), declarando um débito apurado de PIS – Faturamento para o Período 03/2003 no valor de R$ 856,22; c) na data (07/11//2003), transmitiu Dcomp nº 28896.99931.071103.1.3.040939 vinculando o débito de valor R$ 856,22 com o crédito de R$ 14.930,06 o que seria desnecessário, bastando vincular o pagamento via DARF ao débito declarado; d) junta como prova, além da DCTF retificadora, demonstrativos contábeis (livro razão – efls.103 a 107) que Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 4 3 atestam a procedência do crédito utilizado; e) pede considerações ao fato da recentíssima aprovação, à época, do programa na versão 1.1 da PER/DCOMP, através da IN SRF nº 360, de 24/09/2003, quando muitas dúvidas gravitaram em torno desse procedimento; f) tratandose de erro formal, pela desnecessária apresentação de PER/DCOMP nº 28896.99931.071103.1.3.04 0939, deve prevalecer o princípio da verdade material, como se depreende de diversos julgados do CARF e também, do Poder Judiciário. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade. Trata inicialmente, no voto, da compensação como modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, inciso II da Lei 5.172/1966 (CTN), mas somente com crédito líquido e certo do contribuinte (art.170CTN). Destacase da decisão de piso a seguinte parte: Entretanto, do exame das arguições trazidas pela interessada, e conforme pesquisa no sistema de interesse da RFB (SIEFWEB), fls. 147/154, verificase que o Despacho Decisório apresenta inconsistência, no que se refere à demonstração da utilização da importância correspondente ao DARF, como segue: Analisando a utilização do pagamento promovido através do DARF número de pagamento 3826016938, verificase que é pagamento sem alocações, ou seja, o saldo de crédito disponível, em valor originário, corresponde ao valor total do DARF, R$ 14.930,06 (data da arrecadação 15/04/2003). Verificase que o sistema bloqueou o valor de R$ 1.009,11, para a DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, transmitida em 07/11/2003, para a qual houve a homologação total, encontrandose na situação “HOMOLOGAÇÃO TOTAL”, homologação concluída; No demonstrativo da utilização do crédito para a DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939 (fl. 149) temse que: Valor pleiteado = R$ 14.930,06 Saldo Disponível antes da utilização = R$ 14.930,06 Valor utilizado = R$ 1.009,11 Saldo disponível após utilização = R$ 13.920,95 (saldo em valor originário) Tal situação, por si só, indicava a existência de saldo remanescente, passível de aproveitamento em declarações supervenientes; Neste ponto, deve ser destacado que o Contribuinte, nos cálculos apresentados, não levou em conta que o débito declarado na DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, com data de vencimento em 15/04/2003, deveria ser atualizado até a data de transmissão desta DCOMP (07/11/2003), com acréscimos dos juros e multa de mora; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 5 4 É de se destacar que o entendimento passado no voto do acórdão recorrido, teve por base os artigos 28 e 38 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/2002, com a redação dada pela IN SRF nº 323/2003. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.174) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, reforça as razões trazidas em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo que: “... considerando que o crédito da Recorrente referese ao pagamento a maior e/ou indevido de PIS (PA 03/03), afigurase irregular os acréscimos a titulo de juros e multa ao débito declarado no PER/ DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, uma vez que o crédito nasceu anteriormente ao débito compensado. Os juros indenizam a mora, enquanto a multa constitui penalidade pela mora. Mas, no caso vertente, não se encontrava a Recorrente em mora perante o Fisco, na medida em que os recursos destinados a extinção do débito já se encontravam na disponibilidade do Erário desde abril de 2003, quando foi efetivado o recolhimento do débito de PIS (PA 03/03), utilizado na compensação”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte buscou no presente processo, através da transmissão eletrônica PER/DCOMP nº 06748.84712.151203.1.3.040730 (efls.7), com data de 15 de dezembro de 2003, a compensação de débito de COFINS do período 11/2003, com crédito de PIS/PASEP do período 03/2003 (R$ 4.751,95) em razão do recolhimento a maior que o devido via DARF no valor de R$ 14.930,06. O Auditor Fiscal que elaborou o Despacho Decisório – Nº de Rastreamento: 781229170 (efls.2) foi parcial, quando atestou que a totalidade do DARF – R$ 14.930,06 foi utilizado no PER/DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939, sendo, inclusive, declarado inconsistente pela autoridade julgadora de primeiro grau. Com a Manifestação de Inconformidade e demais demonstrativos juntados aos autos, ficaram os fatos expostos da seguinte forma: a) houve a transmissão de DCTF original para o 1º Trimestre/2003, declarando valor devido de PIS (cód.6912) para o mês de março/2003 R$ 14.930,06 cujo pagamento se deu via DARF, no vencimento, na data de 15/04/2003; b) na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora alterando o valor devido de PIS do mesmo período para R$ 856,22; c) na data (07/11/2003), apresentou DCOMP nº 28896.99931.071103.1.3.040939 compensando o débito de R$ 856,22 com o valor do DARF de R$ 14.930,06; d) a diferença entre o valor do DARF (R$ 14.930,06) e o valor do débito de PIS de 03/2003, retificado (R$ 856,22), parte foi objeto da DCOMP 06748.84712.151203.1.3.040730, no valor de R$ 4.751,95 discutida no presente processo. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 6 5 Existem duas questões fáticas que merecem ser evidenciadas: (i) da desnecessária apresentação de DCOMP para vincular o débito retificado com o DARF de pagamento (mesmo tributo para igual período de apuração); (ii) Falha no sistema da RFB de não fazer a vinculação automática do pagamento com o débito declarado, visto que a totalidade do valor pago permanecia disponível. Isso talvez justifique a preocupação do contribuinte de apontar em seu inconformismo, dúvidas da época, relacionadas a implantação do programa eletrônico – PER/DCOMP 1.1, através da IN SRF 360/2003. No acórdão recorrido ficou demonstrado que a totalidade do pagamento R$ 14.930,06 estava disponível, portanto, atende plenamente ao pleito da recorrente em ver extinto o débito de PIS para a competência 03/2003, no valor de R$ 856,22 como também, o débito de COFINS do período 11/2003, de que trata o presente processo. Se atentarmos para os demonstrativos juntados as efls. 262 a 264, disponibilizados pela RFCODAC – Demonstrativo Analítico de Compensação, o saldo remanescente de compensação neste processo corresponde exatamente ao valor da multa de 20% aplicada sobre o valor do débito do PIS do período 02/2003, recolhido na data 14/03/2003. Pode até ter gerado certa confusão nos sistemas eletrônicos da SRF com a apresentação de DCOMP para compensar um débito que já havia sido recolhido no seu próprio vencimento, mas se valer, o fisco, de um ato falho ou desnecessário do contribuinte para penalizálo, entendese ser totalmente improcedente. Partindose do pressuposto, art. 156, II do CTN, que a compensação extingue o crédito tributário e o art. 170 do mesmo diploma legal, que permite à autoridade administrativa autorizar compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vejo plenamente presente essa condição, pois a própria autoridade administrativa declarou a disponibilidade do crédito pelo pagamento via DARF. Houve nesse caso a extinção do crédito tributário pelo pagamento, anterior a mencionada compensação. Os procedimentos de atualização conforme demandado pelos artigos 28 e 38 da IN SRF nº 210/2002 e IN SRF nº 323/2003, utilizados no primeiro grau de julgamento para fazer incidir penalidade no processo de compensação, não se aplica ao caso presente, pois o pagamento realizado via DARF, que corresponde ao crédito do contribuinte, serviu para dar quitação do débito declarado de mesmo tributo e do mesmo período de apuração. A DCOMP 28896.99931.071103.1.3.040939 reflete exatamente esse fato, o que lhe retira os efeitos próprios de pedido de compensação tributária. Afastados os efeitos da Declaração de Compensação 28896.99931.071103.1.3.040939, resta suficiente o crédito, líquido e certo, a realização da compensação declarada na PER/DCOMP 06748.84712.151203.1.3.040730 que deu causa ao processo ora em julgamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.909474/200870 Acórdão n.º 3401005.188 S3C4T1 Fl. 7 6 Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.000741/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação.
INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária.
Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
Numero da decisão: 2201-004.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 07 41 /2 00 7- 04 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.188 2 (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notifcação nº 26.401.4/0052/2006, da Seção do Contencioso Administrativo, da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Velho/RO. O Auto de Infração está fulcrado no art.33, §§2º e 3º, da Lei 8.212/91, lavrado contra o Frigorífico Bonsucesso Ltda, por deixar de apresentar a Fiscalização, apesar de solicitado através do Termo de Intimação para Apresentação de DocumentosTIAD, os seguintes documentos: Cartão de CNPJ de todos os estabelecimentos, DIRPJ/DIPJ e comprovantes de entrega, comprovantes de recolhimento: DARP/GRPS/GPS, comprovação de entrega de cópia autenticada do PPP ao segurado, quando das rescisões, contrato social e alterações, faturas e recibos de mãodeobra, folhas de pagamentos dos segurados, formulário DIRBEN 8030/Perfil Profissiográfico Previdenciário(PPP), GFIP/GRFP/GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações, Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho(LTCAT), Livro Caixa e Registro de Inventário, Livro Diário/Livro Razão/Plano de Contas, Notas Fiscais de Entrada, programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), inclusive Relatório Anual, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais(PPRA), Recibos de aviso prévio e de férias, Registros de Empregados, Registro de ponto, Relação Anual de Informações Sociais(RAIS), Rescisões de Contrato de Trabalho, Comunicação de Acidente de Trabalho(CAT) e demais documentos que deram suporte aos registros contábeis, todos relativos ao período de 01/1995 a 03/2005, conforme consta do Relatório Fiscal de fls.2122. De acordo com o Relatório de Grupo EconômicoRGE de fls.2350, todas as empresas em epígrafe são solidárias pelas obrigações previdenciárias, em razão de comporem um grupo econômico com administração única, exercida pelos sócios e familiares do Frigorífico Santa Elvira Ltda e Frigorífico Novo Estado S/A. A multa foi aplicada no valor de R$ 11.017,46 (onze mil, dezessete reais, quarenta e seis centavos), com fundamento no art. 283, inciso II, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e, Portaria MPS nº 822/05. O Frigorífico Bonsucesso Ltda foi regularmente intimado do Al em 26.12.2005 (fl.20). As demais empresas foram cientificadas. Em 10.01.2006, o autuado apresentou defesa tempestiva de fls. 10171022, alegando os seguintes fundamentos: Em preliminar, a insubsistência do Al em face do entendimento equivocado da Fiscalização quanto ao grupo econômico. Inexistência dos requisitos que caracterizam o grupo Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.189 3 econômico: personalidade jurídica própria, direção, controle ou administração centralizados e o exercício da mesma atividade econômica. Fragilidade das informações contidas no “Relatório de Grupo Econômico”, não restando evidenciado que a impugnante está sob o controle e administração de outra pessoa jurídica, não possuindo sequer o mesmo domicílio fiscal. Inexistência de provas do grupo econômico. Impropriedade no enquadramento realizado pela Fiscalização ao integrar o Frigorífico Bonsucesso no grupo econômico composto pelo Frigorífico Santa Elvira e Novo Estado. Inexistência de provas dos requisitos que caracterizam o grupo econômico; Nulidade da citação com fundamento no art. 588, incisos II e III, da Instrução Normativa SRP/MPS nº 03, por deixar notificar a empresa em seu domicílio fiscal e cientificar seu representante legal. Inobservância da Fiscalização quanto aos parâmetros estabelecidos no Mandado de Procedimento Fiscal, segundo o qual deveria ser realizado “ação fiscal específica por fato gerador de folha de pagamento e contribuições rurais”. Pelo exposto, requer a improcedência do Al, e, sobretudo, a pretendida formação do “grupo econômico”. Requer posterior juntadas de novas provas, se necessárias. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração ao disposto no art.33, §§2S e 3Q, da Lei 8.212, de 24.07.1991, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/04/2006 (fl.1.090), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.1.108/1.114), intempestivamente, em 26/06/2006, limitandose a arguir a tempestividade do recurso e reiterando os mesmos argumentos trazidos por ocasião do protocolo da peça defensiva. Os responsáveis solidários foram intimados pela via editalícia em 22/09/2006 (fl.1.126), não tendo apresentado recurso voluntário. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.190 4 O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que de acordo com o art. 34, III § 4º da Portaria nº 520/2004, vigente à época da ciência do lançamento, previa que no caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência do último coobrigado. Considerando que os responsáveis solidários foram intimados pela via editalícia em 22/09/2006 (fl.1.126), não resta qualquer dúvida acerca da tempestividade do recurso apresentado pelo Frigorífico Bonsucesso, o qual foi protocolizado em 26/06/2006, portanto, quase três meses antes do início da fluência do prazo recursal. Considerações iniciais De início, impende ressaltar que o sujeito passivo não apresentou impugnação ou recurso ao mérito da autuação, limitandose a apresentar defesa em relação ao procedimento fiscal e à ciência do lançamento. Da alegada nulidade da citação Alega a recorrente a nulidade da citação com fundamento no art. 583, VII, no art. 588, II, e 662 da Instrução Normativa SRP/MPS nº 03/2005, por deixar notificar a empresa em seu domicílio fiscal e cientificar seu representante legal. Pelo teor dos dispositivos normativos citados, inferese que a recorrente sustenta a irregularidade tanto na ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, quanto na ciência do próprio lançamento. Em relação à alegação de irregularidade no MPF, deixaremos a abordagem para o tópico específico seguinte, em que trataremos a questão de modo específico De acordo com a legislação citada pelo próprio recorrente (Instrução Normativa nº 03/2005): Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. Como se vê, não existe hierarquia ou ordem de preferência entre os meios de ciência pessoal ou por via postal. No caso concreto, a autoridade fiscal optou regularmente pela via postal, entretanto, esta restou infrutífera, eis que a recorrente não funcionava mais no endereço constante do cadastro da Previdência Social. Em face do desconhecimento do novo endereço da empresa, esta foi considerada como em local incerto e não sabido, o que ensejou a citação pela via editalícia, com base no art. 662, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Destarte, não há qualquer vício na citação capaz de macular o presente lançamento, eis que os procedimentos adotados encontram lastros na legislação vigente ao tempo da citação. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.191 5 Assim, afastase a preliminar de nulidade de citação arguida pelo sujeito passivo. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Argumenta o recorrente que o lançamento seria nulo por não ter sido emitido Mandado de Procedimento Fiscal – MPF específico para a fiscalização da comercialização de produção rural. Inicialmente, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Entretanto, não se vislumbra qualquer irregularidade no MPF emitido. A suposta mácula alegada pelo recorrente, constou expressamente no MPF, podendo ser observado que em sua descrição sumária: “ação fiscal específica por fato gerador de folha de pagamento e contribuições rurais”. No que pertine a ciência do MPF, de igual modo, não existe qualquer vício. Estando a empresa estabelecida em local incerto e não sabido, plenamente regular a ciência pela via editalícia, nos termos do art. 588, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, vigente à época do procedimento fiscal, verbis: Art. 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito passivo da seguinte forma: I pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II por via postal, ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos (grifouse). Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.192 6 Dessa forma, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito, pois, a nulidade arguida. Do Grupo Econômico Responsabilidade Solidária Cumpre salientar que o próprio sujeito passivo se defende da imputação de responsabilidade solidária decorrente da caracterização de grupo econômico a outras empresas. Referidos solidários não apresentaram recurso, carecendo a recorrente de interesse processual, uma vez que não pode defender interesses de outrem. Todavia, por apego ao debate, analisaremos a questão trazida pelo recorrente no que pertine à caracterização de grupo econômico. No presente caso, restou configurada a existência de grupo econômico de fato. Restou sobejamente comprovado nos autos que os sócios da autuada figuravam apenas formalmente no contrato social da empresa, mas a administração da sociedade empresarial era exercida através de procuração pelos administradores do Frigorífico Santa Elvira e Novo Estado. Destacou com propriedade a decisão de piso que referidos procuradores possuíam amplos e ilimitados poderes de gestão e o administravam simultaneamente aos Frigoríficos Santa Elvira, Porto e Novo Estado. A título de exemplo, destacase que Cláudio Marcia Sereia recebeu procuração do Sr. Roberto Demario Caldas para representálo junto a qualquer instituição financeira, gerir e administrar os bens, negócios e haveres do outorgante. Toda a operacionalização comercial do recorrente, desde a aquisição dos bovinos, abate e preparo de carne, vendas e distribuição, era realizada, de fato, pelos Frigoríficos Santa Elvira e Novo Estado que tinham toda a estrutura operacional, nome e capital para concretizar os negócios, embora as reses fossem adquiridas em nome do Frigorífico Bonsucesso, ora autuado. No tocante às contribuições devidas à Seguridade Social, a Lei 8.212/91 estabelece, em seu art. 30, inciso IX, a responsabilidade solidária das empresas integrantes de Grupo Econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.193 7 Conforme se observa no dispositivo transcrito acima, a Lei de Custeio da Seguridade Social prevê a responsabilidade solidária ex lege e objetiva das empresas integrantes de Grupo Econômico, ou seja, basta que uma empresa faça parte de um Grupo Econômico para que se tenha por configurada a sua responsabilidade solidária por débitos previdenciários das demais empresas do grupo. Destarte, correta a caracterização de grupo econômico e a consequente imputação de responsabilidade solidária às empresas coobrigadas. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para negar lhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Declaração de Voto Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Na sessão de julgamento do dia 08 de maio do ano corrente, por precaução, me declarei impedido de participar dos julgamentos dos processos em que tinham como parte o Frigorífico Santa Elvira Ltda., pois pude constatar, apenas em sessão de julgamento que, havia uma carta enviada pelo Procurador da Fazenda Nacional ao então Presidente deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fazendo menção de que esta empresa seria pertencente ao Grupo JBS. Por esta razão, havia me declarado impedido, nos termos do disposto no artigo 42, § 4º do RICARF, verbis: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Na mencionada correspondência, havia menção também ao Frigorífico Bonsucesso Ltda.. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10240.000741/200704 Acórdão n.º 2201004.580 S2C2T1 Fl. 1.194 8 Entretanto, verificando melhor os autos, pude constatar que a causa de impedimento a que estaria sujeito, não se aplicaria, tendo em vista que a única menção/documento de que o Frigorífico Bonsucesso Ltda. seria do Grupo JBS é a mencionada carta. Sendo assim, excetuando o fato de haver mencionada correspondência nos autos e o Grupo JBS não constar como sujeito passivo diretamente ou mesmo não haver nenhum patrono conhecido deste Conselheiro, não subsiste a causa de impedimento para julgamento do presente caso. Conclusão Diante de todo o exposto, deixo consignado que não estou impedido de participar do presente julgamento e acompanho o voto proferido pelo relator. (Assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Fl. 1194DF CARF MF
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