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Numero do processo: 10980.938364/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 64 /2 01 1- 92 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905435/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 05 43 5/ 20 12 -7 8 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 35316.54130.170708.1.2.041239 a restituição de PIS (cód.8109) do período de apuração 03/2008 no valor de R$ 945,94 por recolhimento a maior que o devido através de DARF no valor de R$ 988,95 na data de 17/04/2008. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 01/10/2012, rastreamento nº 038110544 (efls.5), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/03/2008. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.5), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) “Foi apresentada DCTF RETIFICADORA n° 39.38.44.74.9990, declarando que o Pis/Pasep (8109 02) no período em questão é de R$ 43,01 (QUARENTA E TRÊS REAIS E UM CENTAVO)”; b) “A diferença de R$ 945,94 (NOVECENTOS E QUARENTA E CINCO REAIS E NOVENTA E QUATRO CENTAVOS), referese ao Pis/Pasep, calculado indevidamente, sobre a venda de Tubo de Escapamento (87.08) que conforme § 2°, I, do artigo 3°, da Lei n° 10.485, de 03.07.2002, ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/FOR, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO TOTALMENTE ALOCADO. RETIFICAÇÃO DCTF POSTERIOR À CIÊNCIA DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada a inexistência do direito creditório. A retificação da DCTF posteriormente à ciência do Despacho Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito creditório, sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração. Do Recurso Voluntário Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.41) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que no ano de 2002 foi publicada a Lei nº 10.485 que estabeleceu alíquota funcional de 0% sobre produtos sujeitos à tributação monofásica, daqueles listados em seus anexos I e II; (b) que a recorrente atua no segmento de auto peças, dentre eles o produto denominado “SILENCIOSO” classificado na posição 87.08.92.00 (NCM), listado no Anexo I da Lei nº 10.485/2002; (c) que em termos de comprovação do indébito, caso não seja suficiente os elementos de prova detalhada ora juntados, seja dado tratamento semelhante ao da Resolução nº 3803000.330 da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, determinando a realização de diligência; (d) junta relatórios e livros fiscais como elementos de provas, devendo prevalecer a verdade material sobre a formal, conforme precedente dessa casa, Acórdão 1802001.958. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou em sua manifestação de inconformidade que a origem do crédito está relacionada ao fato de não ter seguido o que fora determinado pela Lei nº 10.485/2002, que atribuiu alíquota “zero” de PIS/PASEP aos produtos submetidos à tributação monofásica, dentre eles o produto denominado “Silencioso”, classificado na posição 87.08.92.00. Apresentou DCTF Retificadora para corrigir o valor do débito anteriormente declarado, só que após ter tomado ciência do Despacho Decisório. O entendimento passado pela DRJ/FOR através do acórdão recorrido é que, “no caso de aproveitamento de crédito de pagamento indevido ou a maior em compensação, carece de provas a retificação de declaração (DCTF, por exemplo) apresentada pelo contribuinte após ter sido cientificado de que a declaração anterior não ratifica a existência do suposto crédito” Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 5 4 A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 6 5 prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.003460/2007-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
Numero da decisão: 9101-003.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 34 60 /2 00 7- 61 Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 812 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 549/557) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 110200.354 (efls. 526/532), da sessão de 15 de dezembro de 2010, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício relativa à infração "diferença de base de cálculo". A autuação fiscal, de IRPJSimples e reflexos (efls. 385/449) tipificou duas infrações, (1) presunção de omissão de receitas de depósitos bancários com origem não comprovada; (2) diferença de base de cálculo, decorrente da diferença entre receitas escrituradas e não declaradas. Ambas as infrações tiveram multa qualificada (150%). Foi apresentada impugnação (efls. 477/487) e a decisão de primeira instância (efls. 492/166) julgou o lançamento procedente. Foi interposto recurso voluntário (efl. 509/518) pela Contribuinte, cujo provimento foi parcial nos termos da ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SISTEMÁTICA. DECADÊNCIA. O que determina a natureza do lançamento, se por homologação ou declaração, é a legislação específica do tributo, e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, não sendo caso de dolo, fraude, ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador. Uma vez observada qualquer dessas condutas o marco inicial de contagem deslocase para o primeiro dia do exercício subseqüente. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 813 3 ocultar a obrigação tributária principal, o que implica na qualificação da multa de ofício. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos do SIMPLES foi colhida em livro contábil (Razão) da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. A PGFN opôs embargos de declaração (efls. 534/545) que foram rejeitados por despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 582/586). A PGFN interpôs recurso especial para tratar da matéria sobre a qualificação da multa de ofício (150%) para a infração "diferença de base de cálculo". Apresentou dois paradigmas, nº 10196.446 e 10517.034, para demonstrar a divergência. Discorre que incorreu em equívoco a decisão recorrida, vez que restou demonstrada a conduta reiterada e sistemática para omitir rendimentos tributáveis, tendo sido caracterizado o dolo. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 587/590) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 693/697). Aduz que a decisão recorrida não merece reparos em relação à desqualificação da multa da infração "diferença de base de cálculo", sendo que o fato de a empresa ter registrado suas receitas em livros próprios, permitindo ao Fisco constituir o crédito tributário a partir das informações contabilizadas não se coaduna com a conduta de quem pretende ocultar, de forma dolosa, o fato gerador da obrigação tributária. Requer pela negativa do provimento do recurso especial da PGFN. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 616/636), cujo seguimento foi negado por despacho de exame de admissibilidade (efls. 714/723). Foi apresentado agravo (e fls. 745/756), que foi rejeitado por despacho de admissibilidade de agravo (efls. 759/765). É o relatório. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 814 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 587/590, para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. A qualificação da multa de ofício relativa à infração denominada " diferença de base de cálculo" foi assim descrita pela autoridade fiscal: Em consulta ao sistema de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ, verificamos que a empresa Celson Bar e Restaurante, CNPJ 02.713.812/000100 é optante pelo SIMPLES desde sua abertura, em 22/08/1998, na condição de microempresa (fls. 336). Por meio do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 13/10/2006, intimamos a empresa a apresentar, dentre outros, os livros fiscais e contábeis referentes ao anocalendário de 2002. A partir do Livro Razão, apuramos os valores escriturados de receita auferidos pela empresa nesse período e compusemos a "Planilha de Apuração de Receitas Mensais" (fls. 05 a 08). A empresa apresentou à SRF, Declaração de Inatividade referente ao anocalendário de 2002 , onde declara que permaneceu, durante todo esse anocalendário, sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial (fls. 337 e 338), o que diverge das informações registradas em sua escrituração contábil. Em consulta ao Sistema Informatizado de Arrecadação da SRF SINAL, onde são registrados os recolhimentos de tributos federais efetuados pelo contribuinte, constatamos que não houve quaisquer recolhimentos relativos ao SIMPLES (fls. 344). Diante ao exposto, tendo em vista a não declaração e recolhimento dos valores de SIMPLES devidos pela empresa referentes à receita auferida escriturada no Livro Razão, efetuamos os respectivos lançamentos. Ora, resta clara a presença do dolo na conduta da Contribuinte. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Foi apresentada pela Contribuinte Declaração de Inatividade (efl. 337), informando ao Fisco Federal que teria permanecido durante todo o anocalendário de 2002 sem exercer qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial. No presente caso, não se trata meramente de um lançamento onde se apurou a diferença entre as receitas escrituradas e não declaradas. O que os presentes autos demonstram é a intenção da Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 815 5 empresa de se esquivar, deliberadamente, de suas obrigações tributárias, encaminhando declaração para a Receita Federal atestando a sua inatividade, com valores zerados, para todo o anocalendário de 2002, informação completamente dissociada dos fatos, vez que se comprovou o auferimento de receitas no período. O plus na conduta é evidente. Não houve apenas uma inconsistência entre valores escriturados e declarados, pelo contrário, restou caracterizada intenção de ocultar da Fiscalização Federal a percepção de receitas tributáveis. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. A presença dos elementos cognitivo e volitivo resta evidente, tendo em vista que a Contribuinte tinha conhecimento pleno dos valores apurados, escriturados em sua contabilidade, e, apesar disso, encaminhou declaração de inatividade para a Receita Federal. E a conduta não foi restrita a um fato gerador, pelo contrário, referese a fatos geradores ocorridos durante todo o ano de 2002: 28/02/2002, 314/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002 e 31/12/2002. Não foi um acidente, ou um acaso. Tratouse de conduta deliberada e consciente. Nesse contexto, mostram precisas as conclusões da autoridade autuante: 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 816 6 O fato de a empresa não ter declarado à SRF qualquer valor de receita referente ao anocalendário de 2002, omitindo, em tese intencional e conscientemente, a totalidade do faturamento na Declaração entregue à SRF, evidencia seu intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que, conforme art. 71, I, da Lei n° 4.502/64, configurase como sonegação, conduta tipificada como crime no art. 1º , I, da Lei n° 8.137/90, o que elevou a multa de ofício do presente lançamento para 150%, conforme inc. II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Cabe, portanto, ser restabelecida a qualificação da multa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 816DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727828/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009
RICARF. CUMPRIMENTO DE ACÓRDÃO. DISCORDÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. VEDAÇÃO.
Com a entrada em vigor da Portaria MF nº 152, de 2016, em 05.05.2016, que alterou o artigo 1º, §1º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -Ricarf-, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, é vedado aos Colegiados de Segunda Instância apreciar recurso interposto contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos.
Numero da decisão: 3302-005.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da peça intitulada recurso voluntário, por incompetência prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II do RICARF, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad. Designado o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) para redigir o voto vencedor
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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CUMPRIMENTO DE ACÓRDÃO. DISCORDÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. VEDAÇÃO. Com a entrada em vigor da Portaria MF nº 152, de 2016, em 05.05.2016, que alterou o artigo 1º, §1º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, é vedado aos Colegiados de Segunda Instância apreciar recurso interposto contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da peça intitulada recurso voluntário, por incompetência prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II do RICARF, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad. Designado o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) para redigir o voto vencedor (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 28 /2 01 1- 43 Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.837 2 Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 1.8091.815, interposto contra decisão de piso (acórdão nº 1059.034. fls. 1.7741.797) que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para declarar a definitividade do cancelamento da parcela do IPI de R$ 581.290,11 (quinhentos e oitenta e um mil, duzentos e noventa reais e onze centavos), e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, no âmbito da execução do Acórdão nº 3302002.673, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mantendo a parcela do IPI de R$ 72.696,03 (setenta e dois mil, seiscentos e noventa e seis reais e três centavos), acrescida de juros de mora e de multa de ofício de 75%, cujas razões da decisão peço vênia para transcrever: A ciência da Intimação da fl. 1690 ocorreu em 10 de janeiro de 2017, conforme consta na fl. 1691, e em 1º de fevereiro de 2017 foi solicitada a juntada da impugnação das fls. 1697 a 1708, com aceitação em 13 de março de 2017. Consequentemente, essa impugnação foi apresentada no prazo de trinta dias, dado pela referida intimação, e deve ser conhecida, em estrita observância do Acórdão nº 3302002.673, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Carf. Nesse sentido, cabe consignar que, do valor original do IPI, de R$ 30.205.082,87, e respectivos juros e mora e multa de ofício, inicialmente objeto deste processo, R$ 29.551.096,73, e respectivos juros de mora e multa de ofício, foram transferidos para o processo 11080.720058/201701, por se tratar de parcela mantida em caráter definitivo mediante julgamento do recurso voluntário e não conhecimento do recurso especial, remanescendo, neste processo 11080.727828/201143, a exigência do IPI passível de cancelamento em decorrência do Acórdão nº 3302002.673, no valor total máximo de R$ 653.986,14 (R$ 30.205.082,87 – R$ 29.551.096,73), conforme solução a ser proposta na sequência. O “Termo de Constatação”, das fls. 1577 a 1644 e 1647 a 1656, elaborado por KPMG Assessores Ltda., chegou a dois cenários alternativos em relação a valores a serem considerados na reconstituição da escrita decorrente do Acórdão n° 3302002.673, a saber: o primeiro cenário, constante do “Anexo 1.1.4” (fl. 1643), referese a produtos com incidência monofásica do IPI, creditados indevidamente na entrada do estabelecimento autuado, que foram oferecidos à tributação, na saída do próprio estabelecimento autuado, no momento de sua alienação a terceiros; o segundo cenário, constante do “Anexo 1.1.5” (fl. 1644), referese a produtos com incidência monofásica do IPI, creditados indevidamente na entrada do estabelecimento autuado, que foram oferecidos à tributação na saída do próprio estabelecimento autuado e de centros de distribuição, para os quais referidos produtos deram saída por transferência, com suspensão do IPI. Na Informação Fiscal das fls. 1670 a 1676, o autor do procedimento manifestase, em suma, no sentido de que a exigência a ser cancelada por força do Acórdão nº 3302002.673, das fls. 1209 a 1252, é de R$ 581.290,11, correspondente ao primeiro dos dois cenários propostos pelo impugnante, que é o do “Anexo 1.1.4” do Termo de Constatação elaborado por KPMG Assessores Ltda., segundo consta na fl. 1643. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.838 3 À vista disso, tem razão o impugnante ao dizer que o cancelamento até o limite de R$ 581.290,11 é incontroverso, restando ser declarada essa circunstância, caso o presente voto seja acolhido. Quanto à parcela realmente controvertida de R$ 72.696,03, que corresponde à diferença entre os R$ 653.986,14 remanescentes neste processo e os R$ 581.290,11 cujo cancelamento é incontroverso, seguem considerações, para que essa controvérsia seja dirimida. Com efeito, dos motivos apresentados na Informação Fiscal das fls. 1670 a 1676, para que não seja aceita a quantificação a que alude o Anexo 1.1.5 do Termo de Constatação elaborado por KPMG Assessores Ltda. (cancelamento de R$ 653.986,14), sobreleva considerar o princípio da autonomia dos estabelecimentos para fins de apuração do IPI, inclusive em sintonia com as decisões definitivas nos processos 13116.720483/201259 e 18470.731952/201169, também de interesse do impugnante neste processo. O princípio referido no item precedente é objeto do art. 313 do RIPI, de 2002, em vigor na época, transcrito na sequência [art. 384 do atual Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010]: Autonomia dos Estabelecimentos Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57). Tal redação é de clareza solar, em prejuízo da discordância do impugnante a respeito, à vista do que não se pode desconsiderar o princípio da autonomia dos estabelecimentos na solução do presente litígio, a ponto de se aceitar, para fins de quantificação do cancelamento da exigência, além das saídas de produtos do próprio estabelecimento autuado, as saídas promovidas por centros de distribuição, para os quais referidos produtos deram saída por transferência, do estabelecimento autuado, com suspensão do IPI. Por último, cabe refutar o argumento da defesa, de que, no exame dos embargos de declaração apresentados em face do Acórdão nº 3302002.673, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Carf teria determinado expressamente que fossem consideradas as saídas tributadas, promovidas pelos centros de distribuição. Ocorre que os embargos de declaração das fls. 1309 a 1314 não foram admitidos, conforme Despacho nº 3303005, de 30 de janeiro de 2015, das fls. 1389 a 1391. Além disso, não é possível admitir que o Despacho nº 3303005 teria, em última instância, determinado expressamente a inobservância do princípio da autonomia dos estabelecimentos. Vejase o excerto reproduzido pelo impugnante (fl. 1390): Por último, entende a Embargante que houve omissão no voto vencedor quanto ao estorno dos créditos relativos às transferências de produtos com suspensão para outros estabelecimentos da mesma empresa, em relação aos quais houve posterior recolhimento do IPI creditado. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.839 4 Vejase que o voto vencedor não separou os créditos decorrentes de aquisição dos créditos decorrentes de transferência. O voto fala que "a escrita, fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado". Portanto, são todos os créditos e todos os débitos escriturados indevidamente em razão do regime monofásico/especial, aí incluídos os de transferências. Os demais argumentos da defesa ficam prejudicados. Em seu arrazoado, a Recorrente pede a reforma parcial da decisão combatida, para excluir da cobrança a exigência fiscal remanescente, por entender: (i) que a fiscalização, ao rejeitar o creditamento dos valores de IPI que foram recolhidos pelos estabelecimentos receptores dos produtos transferidos pelo estabelecimento autuado não se ateve aos liames da decisão do CARF, contrariando, assim, o artigo 45, do Decreto nº 70.235/72; e (ii) os estabelecimentos da pessoa jurídica são considerados autônomos para efeito de cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao IPI, por outro, o alegado descumprimento do regime monofásico implica solidariedade dos estabelecimentos envolvidos (CTN, art. 124), de sorte que “o pagamento feito por um dos obrigados aproveita os demais” (art. 125, I, do CTN). Vale dizer, para fins de cobrança do IPI, aplicase o princípio da unidade da empresa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator A Recorrente foi intimada da decisão em 08.06.2017 (fls.1804) e, interpôs recurso voluntário em 08.07.2017 (fls.1.8071.815), dentro do prazo de 30 dias previsto na legislação. Assim, considerando que o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Oportuno registrar que este relator entende ser inaplicável a vedação prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II, da Portaria Interministerial nº 151, de 3 de maio de 2016. A uma, porque o acórdão do recurso voluntário de fls. 1.2091.252 que, gerou discussão sobre o alcança da decisão, foi proferido antes da entrada em vigor da referida Portaria, inexistindo, naquela oportunidade tal vedação. E, a duas, porque não se trata de recurso interposto diretamente contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos, mas contra decisão da DRJ que analisou a impugnação apresentada pelo contribuinte na fase de execução, ou seja, abriuse novamente o contencioso administrativo. Feito este breve comentário, passase à análise das questões postas em juízo. Conforme exposto anteriormente, o cerne do litígio visa dirimir o alcança da decisão proferida no acórdão nº 3302002.673 que, deu parcial ao recurso voluntário da Recorrente, para que fosse feita reconstituição de sua escrita fiscal, excluindo os valores de IPI indevidamente lançados nos Livros de Apuração de IPI, decorrentes das operações de revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a da Lei n° 7.798, de 1989 e o Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.840 5 regime especial da Lei n° 10.833/2003, devendo ser ajustado o lançamento de ofício, de acordo com os novos saldos devedores apurados. Para a fiscalização (o que foi confirmado pela DRJ), a decisão limitou o direito da Recorrente apenas em relação aos débitos indevidos do próprio estabelecimento, sendo indevida a inclusão na reconstituição da escrita fiscal, dos valores dos produtos saídos em transferência a outros estabelecimentos do grupo empresarial. Entendeu, ainda, que seria vedado o reconhecimento dos débitos indevidos de outros estabelecimentos da Recorrente, em razão da aplicação do “princípio da autonomia dos estabelecimentos na solução do presente litígio”. A Recorrente, por sua vez, entende que a decisão que julgou parcialmente seu recurso reconheceu seu direito em maior extensão, ou seja, restou admitido na reconstituição da escrita fiscal os valores transacionados tanto pelo próprio estabelecimento, quanto pelos outros estabelecimentos do grupo. Pois bem. Este relator já se pronunciou acerca do princípio da autonomia dos estabelecimentos, em processo envolvendo a ora Recorrente, autos 10384.720215/201360 (acórdão 3302004.4010), oportunidade na qual restringi o direito do contribuinte somente em relação aos pagamentos efetuados pelo próprio estabelecimento, a saber: Como se vê, no relatório de diligência fiscal (fls. 1.0311.036) a empresa apurou que, consideradas apenas as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado, 90,28% dos produtos foram tributados na saída. Além disso, a Recorrente apurou que as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado e também nas notas emitidas pelas filiais Belém e São Luís 95,64% dos produtos foram tributados na saída. Considerando que o entendimento deste relator foi fundamentado na decisão proferida no acórdão nº 3402002.927 e, que lá fora reconhecido o direito do crédito somente em relação aos pagamentos realizados pela Recorrente, desconsiderando os pagamentos efetuados por outras filiais, entendo que o percentual à ser aplicado neste processo é 90,28%. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para que os 90,28%, correspondentes às saídas tributadas de produtos monofásicos (que geraram os créditos básicos glosados), seja aplicado aos valores glosados sob essa rubrica em cada período de apuração, conforme discriminado na fl. 475 do Relatório de Encerramento de Procedimento Fiscal, a fim de que seja revertida a glosa nesse percentual, afastandose o bis in idem. Os saldos da escrita fiscal deverão ser reconstituídos considerandose como glosa 9,72% do valor glosado a cada período de apuração. Contudo, entendo que a questão sobre a autonomia dos estabelecimentos não pode restringir o direito do contribuinte, ao menos nesse processo, de incluir, no computo do cálculo do direito creditório, os pagamentos efetuados por outros filiais. Isto porque, no entendimento deste relator, o voto vencedor proferido o acórdão nº 3302002.673 não limitou o direito da Recorrente somente aos lançamentos do próprio estabelecimento. È o que se extrai do voto vencedor, senão vejamos: Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.841 6 Com o devido respeito às conclusões a que chegou a ilustre relatora quanto à matéria “Da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeitas ao regime monofásico”, embora concorde com os argumentos desenvolvidos, divirjo do resultado do voto. De fato, o procedimento adotado pela recorrente não se amolda ao instituto da postergação de tributo, em decorrência da inobservância do regime de competência, pois que não houve antecipação de um creditamento de IPI, nem postergação da escrituração de um débito de IPI. No caso, tratase de escrituração indevida tanto de crédito quanto de débito, em razão dos argumentos já expostos pela relatora. É de se concluir, portanto, que a escrita fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado. Ressaltase que a recorrente alegou em recurso voluntário a ocorrência de mera postergação, sendo cabível apenas a cobrança de juros e multas isolados proporcionais à perda financeira, o que implica a possibilidade de identificação do período e dos valores indevidamente escriturados a débito de IPI, decorrente das revendas de produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a Lei n° 7.798, de 1989 e o regime especial de que trata a Lei n° 10.833, de 2003. Assim, esclareçase que cabe à recorrente a demonstração destes valores indevidamente escriturados. A decisão será proferida nos termos da Solução de Consulta Interna nº 18, de 2012: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF. CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NOVO. Na execução de acórdão do Carf observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto aos valores reivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado e declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 151, III; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, §11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 66. Portanto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que se reconstitua a escrita fiscal, excluindo os valores de IPI indevidamente lançados nos Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.842 7 Livros de Apuração de IPI, decorrentes das operações de revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a da Lei n° 7.798, de 1989 e o regime especial da Lei n° 10.833/2003, devendo ser ajustado o lançamento de ofício, de acordo com os novos saldos devedores apurados. Não há, repitase, restrição ao direito pleiteado pela Recorrente. Fosse essa a intenção do julgador (redator designado), certamente teria constado o limite do direito concedido ao contribuinte. Aliás, chama a atenção que a parte adversa não embargou/recorreu da decisão, anuindo, assim, com aquilo que restou decidido. Coube, por outro lado, ao contribuinte, certamente com receio de eventual futura restrição ao seu direito, opor Embargos de Declaração para esclarecer o alcança da decisão, sendo que naquela oportunidade seus aclaratórios foram inadmitidos nos seguintes termos: Por último, entende a Embargante que houve omissão no voto vencedor quanto ao estorno dos créditos relativos às transferências de produtos com suspensão para outros estabelecimentos da mesma empresa, em relação aos quais houve posterior recolhimento do IPI creditado. Vejase que o voto vencedor não separou os créditos decorrentes de aquisição dos créditos decorrentes de transferência. O voto fala que "a escrita fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado" Portanto, são todos os créditos e todos os débitos escriturados indevidamente em razão do regime monofásico/especial, aí incluídos os de transferências. Não obstante a inadmissão dos aclaratórios, fato é que a decisão sanou a omissão suscitada pela Embargante e, esclareceu a amplitude da decisão, o que ao meu sentir, nada mais fez do que confirmar a intenção do redator daquele voto de admitir os créditos próprios e de suas filias. Portanto, não há como limitar o direito da Recorrente como o fez a fiscalização e a DRJ, devendo, assim, ser respeita a decisão proferido no acórdão nº 3302 002.673, sob pena contrariar o artigo 45, do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Com a devida licença aos argumentos do I. Conselheiro Relator e concessa venia aos meus pares que entenderam em sentido contrário, fato é que o colegiado do voto acima dissentiu, no que tange ao conhecimento do presente recurso voluntário, tendo sido eu Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.843 8 designado para sua redação. Buscarei, na sequência e de forma breve, consignar as razões que levaram a maioria do colegiado a dele não conhecer. Preâmbulo De início, reproduzo as razões pelas quais o nobre relator do voto vencido acolheu, como recurso voluntário, o expediente de efls. 1.807 a 1.815, datado de 08.07.2017, verbis: Oportuno registrar que este relator entende ser inaplicável a vedação prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II, da Portaria Interministerial nº 151, de 3 de maio de 2016. A uma, porque o acórdão do recurso voluntário de fls. 1.2091.252 que, gerou discussão sobre o alcança da decisão, foi proferido antes da entrada em vigor da referida Portaria, inexistindo, naquela oportunidade tal vedação. E, a duas, porque não se trata de recurso interposto diretamente contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos, mas contra decisão da DRJ que analisou a impugnação apresentada pelo contribuinte na fase de execução, ou seja, abriuse novamente o contencioso administrativo. Mérito Em síntese, assim entendeu o colegiado porque o expediente de efls. 1.807 a 1.815 não tem o condão de reabrir a discussão nesta instância de julgamento. Dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03.95.2016, publicada no DOU de 05.05.2016 (seção 1, página 15), verbis: (...) ANEXO II (...) TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º A competência de que trata o caput não se aplica a recurso contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. (grifei) Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.844 9 § 2º As Seções serão especializadas por matéria, na forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Da cronologia dos fatos que importam para a solução do litígio A presente 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Carf, em sessão realizada em 24.07.2014, a proferiu, pelo voto de qualidade, o Acórdão nº 3302002.673 (efls. 1.209 a 1.252), ocasião em que deu provimento parcial ao recurso voluntário (efls. 1.122 a 1.141), excluindo o valor de débitos indevidos do IPI, relativos à revenda de bebidas sujeitas à incidência única desse imposto. Colhese do voto vencedor do referido acórdão (efls. 1.251/1.252), no que toca à exclusão de débitos indevidos do IPI, relativos à revenda de bebidas sujeitas à incidência única desse imposto, o que segue transcrito, verbis: (...) De fato, o procedimento adotado pela recorrente não se amolda ao instituto da postergação de tributo, em decorrência da inobservância do regime de competência, pois que não houve antecipação de um creditamento de IPI, nem postergação da escrituração de um débito de IPI. No caso, tratase de escrituração indevida tanto de crédito quanto de débito, em razão dos argumentos já expostos pela relatora. É de se concluir, portanto, que a escrita fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado. Ressaltase que a recorrente alegou em recurso voluntário a ocorrência de mera postergação, sendo cabível apenas a cobrança de juros e multas isolados proporcionais à perda financeira, o que implica a possibilidade de identificação do período e dos valores indevidamente escriturados a débito de IPI, decorrente das revendas de produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a Lei nº 7.798, de 1989 e o regime especial de que trata a Lei nº 10.833, de 2003. Assim, esclareça se que cabe à recorrente a demonstração destes valores indevidamente escriturados. A decisão será proferida nos termos da Solução de Consulta Interna nº 18, de 2012: (...) Portanto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que se reconstitua a escrita fiscal, excluindo os valores de IPI indevidamente lançados nos Livros de Apuração de IPI, decorrentes das operações de revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a da Lei nº 7.798, de 1989 e o regime especial da Lei nº 10.833/2003, devendo ser Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.845 10 ajustado o lançamento de ofício, de acordo com os novos saldos devedores apurados. A fim de dar cumprimento ao referido acórdão, a autoridade fiscal da unidade responsável pelo lançamento de ofício emitiu diversas intimações ao sujeito passivo. Em face da resposta de uma dessas intimações, o sujeito passivo interessado informou que protocolou embargos declaratórios contra a integralidade dos termos do acórdão em comento (efl. 1.297), alegando na oportunidade a ocorrência de omissões e obscuridades detectadas nos votos dos julgadores, bem como assentando que a apreciação da referida peça poderia redundar, inclusive, na reforma do referido acórdão, e que, neste sentido, dada a não definitividade do mesmo, o reclamante considerou ainda prematuros os procedimentos tendentes à sua execução, conforme pretendeuse com a intimação de efl. 1.285. Referidos embargos de declaração (efls. 1.309 a 1.314), mas não foram admitidos, é o que depreendese do Despacho nº 3303005, de 30.01.2015 (efls. 1.389 a 1.391). Ciente da negativa de seguimento dos embargos declaratórios, o sujeito passivo/interessado interpôs Recurso Especial (efls. 1.397 a 1.418), que foi admitido em parte, nos termos do Despacho S/N, do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção do Carf (efls. 1.534 a 1.539), ratificado pelo Despacho S/N, do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 1.540 e 1.541), mas que na sequência não foi admitido pela Terceira Turma da CSRF, segundo depreendese do Acórdão nº 9303003.431, de 27.01.2016 (efls. 1.549 a 1.553), cujo ementa reproduzo, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Recurso Não Conhecido. Desta feita, conforme observase do Despacho de efl. 1.561, os presentes autos foram encaminhados aos cuidados do autor do procedimento fiscal, para "executar" o Acórdão nº 3302002.673, providência que iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal datado de 08.07.2016 (efls. 1.562/1.563). Por último, depois de diversas outras intervenções e pedidos de esclarecimento da autoridade coatora, o Termo de Constatação e de Intimação de efls. 1.657 a 1.662, solicitou que Ambev informasse, verbis: (a) se pretende ou não discutir na via administrativa os valores constantes do demonstrativo de reconstituição anexado ao referido termo, hipótese em que, segundo o Acórdão nº 3302 Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.846 11 002.673, a solução do litígio deveria observar a Solução de Consulta Interna nº 18, de 2012, com a formação de autos apartados, para imediata cobrança dos valores devidos decorrentes das demais infrações objeto do lançamento de oficio; (b) caso a resposta ao item precedente seja no sentido de que Ambev tem interesse em discutir o assunto na via administrativa, explicitar os motivos da discordância; (c) caso a resposta ao primeiro item seja no sentido de que não tem interesse em continuar a discutir o assunto na via administrativa, manifestarse sobre o interesse na juntada dos 331 arquivos digitais apresentados em resposta ao termo datado de 8 de julho de 2016. A ciência, dessa feita, ocorreu em 13 de setembro de 2016, conforme consta na fl. 1664. Desta feita, o sujeito passivo/interessado juntou pedido de reconsideração (e fls. 1.667 a 1.669), referente às conclusões deste último Termo de Constatação e de Intimação. Prosseguindo, convém trazer a baila também o teor do Despacho de Encaminhamento elaborado na Derat/SPO (efl. 1.682), que consta, verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração para cobrança de crédito tributário relativo ao IPI. A Informação Fiscal de fls. 1670 1676, incluída no eprocesso em 23/11/2016, determina em sua conclusão procedimentos baseados na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18 de 03/08/2012. (grifei) Ocorre que a citada Solução encontrase revogada pelo Parecer Normativo COSIT nº 2 de 23/08/2016, não sendo mais possível aplicar a solução apresentada, assim sendo, encaminho o presente processo à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em Porto Alegre Serviço de Fiscalização para manifestação conclusiva quanto aos valores remanescentes resultantes do julgamento. (grifei) Referido despacho deu ensejo à Informação Fiscal Complementar (efls. 1.683 e 1.684), que se colhe o seguinte, verbis: CONTEXTO (...) Sobre os despachos de folhas 1.680 e 1.681 O presente processo foi remetido para a DERAT/SPO, Unidade que tem jurisdição sobre o domicilio tributário da matriz da pessoa jurídica incorporadora. (...) Sobre o despacho de folha 1.682 No item 7 da Informação Fiscal de folhas 1.670 a 1.676, esta fiscalização registrou que, tendo em vista existirem divergências quanto aos montantes a serem incluídos na reconstituição de Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.847 12 escrita, a decisão referente à situação sob análise deveria ser proferida nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) nº 18/2012, que diz: Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. (grifo nosso) A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Em despacho de folha 1.682, a DERAT/SPO registrou: A Informação Fiscal de fls. 1670 1676, incluída no e processo em 23/11/2016, determina em sua conclusão procedimentos baseados na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18 de 03/08/2012. Ocorre que a citada Solução encontrase revogada pelo Parecer Normativo COSIT nº 2 de 23/08/2016, não sendo mais possível aplicar a solução apresentada, assim sendo, encaminho o presente processo à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em Porto Alegre Serviço de Fiscalização para manifestação conclusiva quanto aos valores remanescentes resultantes do julgamento. Ressaltamos que não foi esta fiscalização que optou por adotar os procedimentos descritos na SCI nº 18/2012. Foi o Acórdão CARF que determinou expressamente que a decisão referente à situação sob análise deveria seguir tal caminho. Realmente, a SCI nº 18/2012 foi recentemente revogada pelo Parecer Normativo COSIT nº 2 de 23/08/2016. Tal Parecer diz: "(...) cabe à autoridade preparadora a exoneração dos gravames decorrentes de litígio com decisão favorável ao sujeito passivo. Ora, é perceptível que compete a ela, nesse caso, apenas concretizar a parte da decisão tomada no processo administrativo fiscal favorável ao sujeito passivo (verificar o quantum daquele lançamento que não mais é devido). Logo, foi a autoridade julgadora que exonerou o sujeito passivo". No presente processo, esta fiscalização considerou que persiste uma controvérsia, que é a aceitação ou não da validade de demonstrativos apresentados pelo contribuinte, aspecto sobre o qual o CARF não se manifestou no Acórdão. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.848 13 Portanto, pode se interpretar que uma manifestação conclusiva da fiscalização sobre a validade dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte excederia sua competência de "apenas concretizar" a decisão do CARF. Observese, ainda, que o CARF tem autonomia para tomar decisões cujo teor não esteja de acordo com um Parecer Normativo COSIT. Desta maneira, por cautela, esta fiscalização não altera a conclusão registrada no item 9 da Informação Fiscal de folhas 1.670 a 1.676. CONCLUSÃO Ficam mantidos os entendimentos registrados na Informação Fiscal de folhas 1.670 a 1.676. Deverão ser seguidas as orientações colocadas nos itens 8 e 9 da Informação Fiscal, observandose, em relação aos itens 8.2 e 9.1, que o estabelecimento que deverá receber as intimações é o de CNPJ 07.526.557/004016, localizado em Viamão. Esclareçase, ainda, que o órgão julgador administrativo a que se refere o item 9.2 da Informação Fiscal é a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Unidade onde ocorreu o julgamento de primeira instância do presente processo. Ato contínuo, foi emitida a Intimação (efl. 1.690), com os seguintes dizeres, verbis: Encaminhamos para sua ciência, cópia do Acórdão nº 9303 003.431 3ª Turma, sessão de 27/01/2016 e da Informação Fiscal Complementar fl. 1683 e 1684 juntada ao processo em epígrafe no dia 29/12/2016. De acordo com o item 9 da Informação Fiscal, fl. 1674 do processo 11080.727828/201143, o montante do presente processo passará a abranger o valor de R$ 653.986,14 e o restante foi transferido para o processo 11080.720.058/201701. Fica o interessado intimado a extinguir o crédito tributário deste processo, no prazo de 30 dias do recebimento desta Intimação, ou impugnálo. Não se verificando a quitação dentro do prazo estipulado e nem a impugnação, darseá inicio ao prazo de 30 (trinta) dias para cobrança amigável, findo o qual, sem que ocorra o pagamento do débito, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Cientificado da respectiva intimação, em 10.01.2017 (efl. 1.691), o contribuinte/interessado solicita, em 01.02.2017 (efls. 1.694/1.695), a juntada de expediente, intitulado "impugnação" (efls. 1697 a 1.708), para demonstrar seu inconformismo quanto à liquidação do já mencionado Acórdão nº 3302002.673. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.849 14 Em face do acatamento do referido expediente, como se impugnação regular às instâncias de julgamento administrativo fosse, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA exarou o Acórdão nº 1059.034, que, na sessão de julgamento realizada em 02.06.2017 (efls. 1.774 a 1.797), julgou improcedente em parte a "impugnação" apresentada pelo contribuinte, cuja ementa colacionase, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 EXECUÇÃO DE ACÓRDÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) POR DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CÁLCULO DO VALOR EXONERADO. CONTROVÉRSIA. SOLUÇÃO. No caso concreto, em estrita observância de acórdão do Carf, é cabível pronunciamento de turma de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a respeito de discordância do sujeito passivo quanto ao valor do crédito tributário exonerado em segunda instância, sem ter havido liquidação do acórdão pelo colegiado prolator, que tampouco se manifestou no acórdão sobre os critérios de cálculo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recorrente, intimado, em 08.06.2017 (efls. 1.804), e não se conformando com a decisão proferida no supra referido o Acórdão nº 1059.034, interpôs, em 08.07.2017 (e fls. 1.807 a 1.815) o expediente intitulado "recurso voluntário". Do fundamento deste voto vencedor Notese, compulsando a cronologia dos procedimentos atinentes ao caso sob exame, notase que equivocaramse (i) a autoridade fiscal, relativamente à Intimação de efl. 1.690, quando, em razão da ciência do Acórdão nº 9303003.431, da 3ª Turma, Sessão de 27.01.2016 e da Informação Fiscal Complementar de efls. 1683/1684, juntada ao processo em epígrafe no dia 29.12.2016, facultou ao interessado/reclamante, no caso de não proceder à extinção do crédito tributário deste processo, no prazo de 30 dias do seu recebimento, impugnálo às instâncias de julgamento administrativo, nos moldes preconizados pelo Decreto nº 70.235, de 06.03.1972; e (ii) a 3ª Turma da DRJ/POA, que entendeu, por bem, acolher a "impugnação" de efls. 1697 a 1.708), apresentada em 01.02.2017, para infirmar a liquidação do Acórdão nº 3302002.673, posto que tais entendimentos e decisão contraria os preceitos do Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.850 15 Processo Administrativo Fiscal, em especial, o disposto no artigo 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que dispõe que o "julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno". Desta feita, não há como prosperar a pretensão do reclamante, no sentido de ver seu inconformismo examinado por esta Corte, pois a realidade jurídicoprocessual administrativa vigente à época em que exarado o Acórdão nº 3302002.673 (efls. 1.209 a 1.252) não mais vige desde 05.05.2016, ocasião em que ocorreu a alteração do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria MF nº 343, de 2015com a entrada em vigor da Portaria MF nº 152, de 2016, que textual e concretamente, em seu artigo 1º, §1º do Anexo II, vedou qualquer apreciação de eventual recurso interposto contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. Não obstante os supra referidos fundamentos serem mais que suficientes para sustentar o não conhecimento do "recurso voluntário" apresentado, convém subsidiariamente assentar que a Solução de Consulta Interna SCI nº 18, de 2012 (referenciada no acórdão vergastado) foi revogada pelo Parecer Normativo Cosit nº 2, de 23.08.2016. Desse modo, díspares os quadros legais/processuais em que proferida a decisão que se pretendeu confrontar, inadmissível o recurso de efls. 1.809 a 1.815. Da conclusão Com base em tais considerações, decidiu a maioria não conhecer do "recurso voluntário" apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 1850DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000136/2003-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998
MULTA. MERCADORIAS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA ENTREGUE A CONSUMO DESACOMPANHADA DE NOTA FISCAL.
É cabível aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, quando mercadorias de procedência estrangeira entregue a consumo estão desacompanhadas de nota fiscal.
Numero da decisão: 9303-007.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito- Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito- Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.392 1 1.391 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10074.000136/200361 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.032 – 3ª Turma Sessão de 10 de julho de 2018 Matéria MULTA Recorrente RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998 MULTA. MERCADORIAS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA ENTREGUE A CONSUMO DESACOMPANHADA DE NOTA FISCAL. É cabível aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, quando mercadorias de procedência estrangeira entregue a consumo estão desacompanhadas de nota fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 01 36 /2 00 3- 61 Fl. 1392DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 30239.687, de 12 de agosto de 2008 (fls. 1059 a 1067 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, decisão que unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Oficio e por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração, que foi instrumento de cobrança de multa ao Contribuinte no valor de R$ 9.370.788,90. Este valor corresponde a mercadoria fiscalizada, qual seja, miniatura de veículos, que foram distribuídas pelo Contribuinte a seus clientes como brindes. A multa cobrada decorreu da imputação ao Contribuinte, ora Recorrente, da prática da conduta de introduzir tais miniaturas de carros no pais de modo regular, desacompanhadas da respectiva de nota de importação ou nota fiscal, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei n.º 4.502/1964. O Contribuinte ingressou com impugnação, no qual procurou demonstrar a razão das diferenças de estoque de mercadoria e a falta de notas fiscais. Requereu, outrossim, o reconhecimento da decadência do crédito tributário. Remetidos os autos para análise da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, o lançamento foi julgado procedente em parte, porque reconhecida a decadência do crédito tributário referente à mercadoria importada em 1997. Quanto à falta de emissão de nota fiscal das mercadorias importadas em 1998, entendeu a DRJ de Florianópolis/SC que efetivamente não foi comprovada a existência das respectivas Notas Fiscais, razão pela qual seria ainda seria devida a multa, em valor inferior ao inicialmente apurado, agora no total de R$ 672.267,18. Irresignados com a decisão contrária aos seus pleitos, a DRJ de Florianópolis/SC e o Contribuinte apresentaram respectivamente, Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos negou provimento ao Recurso de ofício e Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.393 3 por maioria de votos negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998 DECADÊNCIA MULTA PELA NÃO EMISSÃO DE NOTA FISCAL De acordo com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 463 do Decreto n° 2.637/98 (a época em vigor), o prazo decadencial para a Administração Tributária cobrar multas decorrentes, dentre outros fatos, da não emissão de Nota Fiscal, é de 5 (cinco) anos a contar da data em que essas deveriam ter sido emitidas. DA METODOLOGIA ADOTADA PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO A multa aplicada corresponde ao inadimplemento de obrigação tributária de emissão de nota fiscal, suficiente, por si só, a ensejar a aplicação de multa, nos termos do art. 83, I, da Lei n° 4.502/64 e do art. 463, I, do Decreto n° 2.637/98, independentemente do recolhimento, ou não, dos impostos correspondentes. Indiferente, portanto, a verificação da metodologia aplicada, uma vez que, ao final, se chegará a conclusão de que as Notas Fiscais não foram emitidas. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Não há que se falar em inobservância ao princípio da razoabilidade quando o cálculo da exação segue a proporção abstratamente estabelecida na norma MULTA Aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, porque importada mercadoria desacompanhada da documentação exigida pela legislação. RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO NEGADOS. A Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios às fls. 1071 a 1073, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 1074 e 1075. Fl. 1394DF CARF MF 4 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1079 a 1083) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso de ofício, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional foi a seguinte: “o v. acórdão ora recorrido, aplicando o prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, acolheu a preliminar de decadência [...] embora tenha ficado demonstrado nos autos, o comportamento doloso da recorrida que motivaria necessariamente o emprego do prazo disposto no art. 173, I do CTN.” Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 101 95.750 e 10247.432. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias dos acórdãos, documentos de fls. 1084 a 1087. O Recurso Especial da Fazenda Nacional não foi admitido, conforme despacho de fls. 1130 a 1133. Inconformada com a decisão que não admitiu o Recurso Especial, a Fazenda Nacional interpôs agravo às fls. 1136 a 1138. O agravo foi rejeitado, conforme despacho de fls. 1141 a 1148, prevalecendo a negativa de seguimento do Recurso Especial expressa pelo presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1204 a 1216) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à aplicação da multa prevista no artigo 83, I, da Lei n.º 4.502/64, pela necessidade de comprovação de que as mercadorias teriam sido introduzidas clandestinamente, conforme estabelecido no §2º do artigo 490 do RIPI/2002. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de número 20217.055. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão, documento de fls. 1361 a 1377. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 1383 e 1384. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.394 5 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1386 a 1389, manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls.1383 e 1384, senão vejamos: O acórdão recorrido fez uma interpretação literal do disposto no artigo 83, I, da Lei n.º 4.502/64, que considerava como irrelevante o fato da importação ter sido ou não regular, visto que a multa foi aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação, enquanto acórdão paradigma considerou o disposto na inovação trazida pelo parágrafo segundo do artigo 490 do RIPI/2002, que expressamente inseriu uma restrição para a aplicação da penalidade: apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país ou importados irregular ou fraudulentamente. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Fl. 1396DF CARF MF 6 Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 04 e no Termo de Constatação Anexo ao Auto de Infração, de fls. 08 a 12, o motivo da exigência foi o fato de se haver apurado, através da verificação de estoque, que a autuada havia dado entradas e saídas, sem a correspondente emissão de nota fiscal, de miniaturas de veículos distribuídas como brindes. Desta maneira, foi aplicada a multa com base no art. 83, I, da Lei n.º 4.502 de 30/11/1964, in verbis: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; (grifo meu) Em face da autuação, calcada em indícios das irregularidades supostamente verificadas e em que pese existirem alguns dos indícios mencionados pela fiscalização, não foram verossímeis e convergentes para suportar a exigência, como se demonstrará a seguir: Inicialmente cumpre destacar que nos autos, fls 922, o voto vencedor do acordão da DRJ de Florianópolis chegou à conclusão que não houve dolo por parte do Contribuinte quanto a falta de emissão de nota fiscal, senão vejamos: (...) Voto Vencedor. Ao manter o crédito tributário integral de que trata o presente lançamento o nobre julgador Iugho Ikemoto utilizouse da suposta ocorrência de fraude, transferindo a base legal da decadência do art. 150, § 4 0, para o art. 173, I, ambos do CTN. No entanto, verificarse á que tal entendimento não condiz com a realidade dos fatos trazidos aos autos. Conforme visto alhures, para que um ato seja caracterizado como fraude, na definição estabelecida pelo art. 72 da Lei n g 4.502 de 30/11/1964, deve Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.395 7 haver, indubitavelmente, uma ação dolosa por parte do sujeito passivo. Por sua vez, esta constatação deve vir especificada na descrição dos fatos e enquadramento legal, não precisamente de um modo direto, mas que esteja de certa forma demonstrada a ocorrência dolosa de determinado ato. Destarte, a constatação pela autoridade fiscal da não emissão de nota fiscal pelo contribuinte, por si só, não caracteriza a ocorrência de fraude. De fato, não se pode imputar a atitude da interessada como um ato doloso, pois inferese pela descrição dos fatos apresentada, fls. 08 a 12, corroborado pelo entendimento do nobre relator, que havia uma bela desorganização por parte da empresa autuada no que diz respeito ao controle de emissão das miniaturas de carros importados por ela, mas em hipótese alguma a prática dolosa no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador. 0 próprio lançamento fiscal vai ao encontro deste entendimento, posto que seus valores foram extraídos dos registros das operações empreendidas pela interessada, ou seja, a constatação da falta de emissão das notas fiscais decorreu da informação contida na escrituração contábil da própria empresa autuada, ai incluídos os estoques iniciais e finais do período obtidos única e exclusivamente do Livro Registro de Inventário. Diante das circunstâncias em que foram verificadas as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal e a não demonstração de ato doloso na falta de emissão das notas fiscais tornase imperativo considerar a contagem do prazo de decadência a partir da data em que as referidas notas fiscais deixaram de ser emitidas, à luz dos dispostos no art. 463, I, do Decreto n° 2.637/98 e no art. 150, § 40 do CTN. Com isso, devese excluir do crédito tributário em apreço os valores originados pela não emissão de notas fiscais no ano de 1997, posto que o lançamento ocorreu somente no dia 27/12/2002, ou seja, após os 5 (cinco) anos previsto pela legislação para que a união pudesse constituir o crédito tributário. Fl. 1398DF CARF MF 8 Quanto a multa, vejamos, o acordão recorrido inicialmente informa que: “Ressalto que é incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa é aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação. Tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64”. Ademais, depreendendose da análise dos autos do processo, expresso minha concordância com a declaração de voto da ilustre Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro constante do acórdão recorrido – o que peço vênia para transcrever: Declaração de Voto Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro Ouso discordar de minha ilustre colega — Conselheira Relatora. Isso porque, em síntese, a mesma fundamenta seu voto na seguinte premissa: "(...) é incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação. Tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64." (grifo nosso) Ora, NÃO se pode aplicar a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, correspondente ao art. 365, I, do RIPI182 (ou art. 463, do RIPI/98, Decreto n° 2.637/98 ou art. 490, I, do RIPI/02, Decreto n° 4.544/2002), no caso de importação REGULAR. A verificação dos fatos ocorridos durante a importação é informação FUNDAMENTAL para se aplicar a multa em questão. No caso vertente, a Fiscalização jamais levou em consideração as operações de importação realizadas pela contribuinte. A acusação fiscal fundamentou se em simples trabalho de auditoria de estoque (conferência entre o estoque físico nacional de miniaturas de carros Ferrari e o saldo contábil escriturado no livro de inventário). Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.396 9 A contribuinte sustenta que o saldo do estoque físico encontrado pela auditoria fiscal ao final de cada período está equivocado, posto que foi apurado a partir do somatório de todas as operações de entrada e saída de miniaturas de carros Ferrari no período de 1997 e 1998, considerando inclusive as entradas e saídas realizadas a titulo de remessa e retorno de armazenagem em depósitos de terceiros. Independente da defesa apresentada, entendo que, para a correta aplicação da multa em evidencia, mister se faz a comparação entre a documentação relativa As importações dos produtos vis a vis os estoques constantes do Livro de Inventário da contribuinte. Isso porque, a multa administrativa em evidencia visa, diferentemente do que conclui minha ilustre par, coibir a importação clandestina ou irregular de mercadorias e, por conseguinte, tem por finalidade impedir que mercadoria de procedência estrangeira seja admitida e consumida em território aduaneiro, sem o regular processo de despacho aduaneiro. Deixar de discutir a suposta clandestinidade dos produtos importados impossibilita a aplicação da norma ao fato imponível. Confirase: Art. 365 — Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial de mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n° 4.502/64, art. 83 e Decretolei n°400/68, art. I°, alt. 2`2: I — aos que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente, ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da Declaração de Importação, Declaração de Licitação ou Nota Fiscal, conforme o caso; (grifos nossos) Fl. 1400DF CARF MF 10 Diante disso, não resta dúvida que constitui requisito imprescindível para a aplicação da referida penalidade a circunstância de que a mercadoria tenha sido introduzida em território nacional de forma irregular ou clandestina. Portanto, para a aplicação da mencionada sanção, não basta a simples constatação de descumprimento de obrigações acessórias pelo importador (ou mesmo pelo adquirente da mercadoria importada), tais como a falta de emissão de Nota Fiscal, a falta de escrituração nos livros fiscais, etc. De fato, a própria gradação da penalidade atesta a total impossibilidade de tal penalidade ser aplicada As hipóteses em análise, sem que haja provas de que a importação das mercadorias se deu de forma irregular, fraudulenta ou clandestina. A confirmar tal entendimento, o POder Executivo fez publicar o RIPI/02, o qual acabou reproduzindo o "caput" e incisos dos RIPI’s anteriores que tratavam da referida penalidade, mas acresceu a norma prevista no §2°, a seu'art. 490. Confirase: §2° A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no Pais ou importados irregular ou fraudulentamente (grifamos) Vejase que, por ter caráter eminentemente interpretativo, tal regra como que se incorpora ao texto regulamentar originalmente editado e, por conseguinte, seu conteúdo tem efeitos retroativos (ex tunc), conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes em situação semelhante. Em resumo, ao reconhecer que a penalidade somente pode ser exigida quando a importação tiver sido clandestina ou irregular, o dispositivo regulamentar em questão espancou eventuais dúvidas a respeito da infração descrita no art. 365, I, do RIPI. Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.397 11 Vejase, aliás, que a norma do §2°, do art. 490, do RIPI/02 vem sendo aplicada por este Tribunal Administrativo, inclusive em relação a lançamentos realizados sob a égide do RIPI anterior, conforme demonstra a decisão abaixo transcrita: IPI. MULTA REGULAMENTAR. ART. 463, I, DO TIPI/1998. CANCELAMENTO. 0 lançamento da multa no art. 463, I, do Decreto n° 2.637/1998, só é cabível quando estiver comprovado que as mercadorias foram introduzidas clandestinamente no Pais ou importadas de forma irregular ou fraudulentamente, conforme disposto no §2° do art. 490 do RIPI/2002. Recurso de oficio negado. (Ac. 20217055, j, 26/04/06, re. Antonio Zomer) Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso da contribuinte. Segunda a declaração de voto acima, "NÃO se pode aplicar a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964 correspondente ao art. 365, I, do RIPI/82 (ou art. 463, do RIPI/98, Decreto n° 2.637/98 ou art. 490, I, do RIPI/02, Decreto n° 4.544/2002), no caso de importação REGULAR. A verificação dos fatos ocorridos durante a importação é informação FUNDAMENTAL para se aplicar a multa em questão"... "não resta dúvida que constitui requisito imprescindível para a aplicação da referida penalidade a circunstância de que a mercadoria tenha sido introduzida em território nacional de forma irregular ou Clandestina. Assim, para a aplicação da mencionada sanção, não basta a simples constatação de descumprimento de obrigações acessórias pelo importador (ou mesmo pelo adquirente da mercadoria importada), tais como a falta de emissão de nota fiscal, a falta de escrituração nos livros fiscais, etc, e necessário que se averigue, para aplicação da multa prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64, se a importação foi ou não regulamentar. Como se verifica houve uma importação regular, assim, não se pode aplicar a multa indicada no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964. Fl. 1402DF CARF MF 12 Ademais, verificase que o atual artigo 572 do Regulamento do IPI é claro ao prever que a multa aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país ou importados irregular ou fraudulentamente: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, eDecretoLei no 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a): I – os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração de importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e (...) § 2o A multa a que se refere o inciso I aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. Verificase que a multa que tem como base o inciso I, do artigo 83, da Lei n° 4.502/64 (aplicada na situação dos presentes autos), é restrita às hipóteses em que os bens foram introduzidos clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. No entanto, no caso dos autos não há tal ocorrência. Por fim, devemos destacar que art. 106, II, do Código Tributário Nacional, passar a não definir como infração ato questionado em processo não definitivamente julgado. Ainda, o inciso I do mesmo artigo 106, do CTN, determina a atenção quando é o caso de interpretação da legislação. Quanto à aplicação da legislação nova, a Eg. 3ª Turma da CSRF do CARF coaduna com o quanto aqui afirmado, in verbis: Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.398 13 "RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, nos exatos termos da alínea 'c' do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional." (Ac. 9303002.332, rel. conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, j. em 20/06/2013). Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9°—A, do art. 3° da Lei n° 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei n° 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo. (Ac. 9303 004.399, rel. conselheira Vanessa Marini Cecconello, j. em 09/11/2016) Assim é essencialmente necessário que se averigue, para aplicação da multa prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64, se a importação foi ou não regular. No caso dos autos, entendo que a importação foi regular e por tanto, deve ser afastada a multa com base no art. 83, I, da Lei n.º 4.502 de 30/11/1964. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1404DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator Designado Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de seu entendimento. Com efeito, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. A discussão que se coloca em debate tem origem de auto de infração referente mercadoria fiscalizada, qual seja, miniatura de veículos, que foram distribuídas pela Contribuinte a seus clientes como brindes. A multa cobrada decorreu da imputação da prática da conduta de introduzir tais miniaturas de carros no pais de modo regular, desacompanhadas da respectiva de nota de importação ou nota fiscal, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964. A decisão recorrida, negou provimento ao Recurso de Ofício e Voluntário, por entender que é incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa é aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação. Tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Por sua vez, a Conselheira do Voto vencido deu provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, por entender que a importação foi regular e que para a aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, com artigo 463 do Decreto n 2.637/98, há necessidade de comprovação da importação introduzida clandestinamente ou irregular ou de forma fraudulenta. Compulsando aos autos, verifico que o trabalho fiscal comprovou a divergência, em relação ao estoque contábil apurado (Ferrari Pequena — 97; Ferrari Media — 97; Ferrari Pequena — 98; Ferrari Média — 98; Ferrari Grande — 98; Ferrari F 1 — 98), o que evidenciaria a entrada no estabelecimento de mercadorias de procedência estrangeira sem comprovação de sua aquisição regular ou desacompanhadas de nota fiscal. Foi apontada divergência, a maior, do estoque contábil em relação ao estoque físico (Ferrari Grande — 97; Ferrari Fl — 97), o que manifestaria a saída do estabelecimento de mercadorias de procedência estrangeira sem a emissão de nota fiscal. Como se vê, a Contribuinte deu saída do estabelecimento de mercadorias sem emitir nota fiscal, neste sentido, discordo dos fundamentos de relatora vencida no que tange a retroatividade benigna com fundamento do artigo 106 do CTN. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.399 15 É incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa é aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação, tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Esta conduta reflete precisamente o que está disposto no artigo 83, inciso I, da Lei 4.502/64: Incorre em multa igual ao valor comercial da mercadoria quem entregar a consumo produto de procedência estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (inciso I do art. 463). Não há como corroborar com uma conduta, em minha visão ilícita de não emitir nota fiscal retroagir a norma? estaria incentivando ilegalidade. Assim sendo, não se vislumbra outra alternativa senão a manutenção da presente penalidade em razão da ocorrência da perfeita subsunção do fato à norma regulamentadora. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1406DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001378/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO.
No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação.
Numero da decisão: 2202-004.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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MORGAN S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO. No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 78 /2 01 0- 68 Fl. 464DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte (fls. 233/234), em face do Acórdão nº 2403002.094 (fls. 225/232). Para conhecimento dos autos, reproduzo o relatório do Acórdão embargado, o qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento: Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, prevista no artigo 32, inciso IV e §§ 3o e 5o, da Lei 8.212/1991, consiste em entregar GFIP com dados não correspondentes de todas as contribuições previdenciárias no período de 01/2005 a 01/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls 07/1 Ia empresa não incluiu nas GFlP's os valores correspondentes a: a) Vale Transporte e b) pagamento de Participação nos Lucros. informa ainda que foi efetuado o comparativo da multa mais benéfica conforme previsto na Lei 11.941/09. Inconformada com Decisão de primeira instância (fls. 123/136), a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Em sede preliminar argüiu a nulidade da decisão de primeira instância ante a ausência de análise de todos os argumentos apresentados na defesa, em especial, a alegação de nulidade da autuação em face da extrapolação dos limites temporais do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, uma vez que este tinha como objeto a fiscalização de contribuições do período de 01/2005 a 01/2007 e exigiu documentação relativa a 2002 e 2004, ou seja, em período decaído. Entende que, uma vez decaído o direito do Fisco questionar a legalidade dos planos de PLR celebrados em 2002 e 2004, não poderia lançar os valores relativos aos pagamentos realizados em 2005, posto que estes se originaram daqueles planos. Que deve ser aplicada a decadência qüinqüenal das parcelas relativas às competências anteriores a 10/2005, com base no art. 150, § 4o do CTN. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 465 3 Do Mérito Sobre os valores pagos a título de vale transporte, a recorrente defende a não incidência de contribuições, traçando um histórico da legislação que trata do assunto citando ainda jurisprudência sobre a matéria. Afirma que o TST autorizou aos bancos, como a recorrente, o pagamento do vale transporte em dinheiro ante sua natureza jurídica eminentemente indenizatória, razões pela qual jamais poderia compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Que tais verbas não se consubstanciam retribuição pelo trabalho, MS sim, para o trabalho pois se destinam unicamente a possibilitar o deslocamento residênciaemprego e emprego residência. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema para afastar o caráter retributivo de tais verbas. Com relação â PLR, afirma que a ausência do Sindicato nos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados — PLR, não encontra respaldo na Lei 10.101/00 que não estabelece a adoção de qualquer procedimento nos casos em que o Sindicato se negue a participar da negociação, portanto, não deve proceder a pretensão fiscal. Defende que, no caso em apreço, não devem ser aplicadas as disposições contidas nos arts. 616 e 617 da CLT, pois, eles apenas regulamentam as relações jurídicas vinculadas a Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, que são instrumentos de negociação que não se assemelham ao Acordo Próprio entre a empresa e os seus trabalhadores. Entende estar diante de uma obrigação impossível de ser cumprida já que a recorrente não possuía qualquer subsídio legal capaz de obrigar o Sindicato a participar das negociações de PLR. No que tange a alegação da decisão de primeira instância deu que não constavam regras claras e objetivas e mecanismo de aferição, a recorrente se insurge aduzindo que a decisão recorrida se calcou em duas premissas equivocadas. Afirma que os mecanismos de aferição previstos nos Acordos de PLR são as avaliações de desempenho relacionadas a três critérios de resultados: Resultados Coorporativos; Resultados das Areais e Resultados Individuais. Informa que nos Anexos que integram os Acordos de PLR estão expressa, clara e objetivamente descritos todos os critérios utilizados na distribuição das PLR, em conformidade com o que foi negociado com os trabalhadores. Transcreve os trechos do :Anexo para corroborar suas afirmações. Mantém este raciocínio argumentando que todos os elementos objetivos necessários à configuração do merecimento ou não do Fl. 466DF CARF MF 4 PLR são claros e respeitaram o tratamento isonômico dispensado a todos os trabalhadores. Conclui que, o fato das avaliações de desempenho terem sido efetuadas pelos gerentes ou supervisores não afronta a Lei 10.101/00 e questiona " a quem a DRJ esperava ver outorgada a competência para a definição de metas e resultados que fundamentam a PLR e a atividade empresarial da Recorrente?" Defende que a Lei 10101/00 não exige que os acordos prevejam metas ou valores de forma detalhada ou numérica e que, o art. 2o, § Io, inciso II da referida lei trata dc mera faculdade arrolada pelo legislador que apontou alguns critérios que poderiam ser utilizados na elaboração de um acordo de PLR. Cita o art. 7o, inciso XI da Constituição Federal para defender a não incidência de contribuição social sobre o pagamento de valores à título de participação nos lucros, sendo o requisito essencial, a existência de lucros e resultados a serem compartilhados com o empregado e que qualquer outra condição decorrente de legislação ordinária, que torne impeditivo o gozo de direito garantido pela Constituição Federal deve ser entendida como inconstitucional. Colaciona jurisprudência deste conselho para sustentar suas alegações; Sobre a ausência de negociação prévia das metas que fundamentam os pagamentos de PLR, afirma que qualquer acordo somente pode ser assinado após o encerramento dc um período prévio de negociações e que muitas vezes este período pode ser bastante extenso. Que as negociações entre a recorrente, a comissão de empregados e o Sindicato ocorreram antes do período ao qual o desempenho dos empregados seria analisado para a verificação de alcance de resultados para fins de direito ao recebimento de PLR e ainda que o Acordo tenha sido assinado próximo ao final do período no qual houve essa análise, as negociações e a própria fixação de tais critérios ocorreram em período anterior, ou seja em tempo hábil para que os empregados soubessem qual a performance era esperada pela empresa. Ademais os acordos de PLR em nada inovaram, quando comparados com os programas que vinham sendo utilizados desde 1999 e aos quais os empregados já estavam bastante familiarizados. Insurgese contra a cobrança da Contribuição Adicional de 2,5% e pugna pela revisão da multa plicada para a aplicação da Lei 11.941/09, à fim de se adequar à legislação em vigor na época dos fatos. Considera ilegal a majoração da multa pelo decurso de tempo por ter sido revogado o art. 35 da Lei 8212/91 após a edição da MP 449/2008. A decisão do colegiado da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento foi assim resumida (fls. 225/232): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Acolher parcialmente a preliminar de decadência para excluir do lançamento as contribuições lançadas até a Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 466 5 competência 09/2005. No mérito, por unanimidade de votos dar Provimento Parcial ao recurso para excluir do levantamento os valores referentes ao vale transporte e a PLR 2006 pagos após 12/2006; e determinar o recalculo da multa nos termos do art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. O Contribuinte foi intimado da decisão em 11/11/2016, em seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB (fl. 280/281) e apresentou embargos de declaração (fls. 283/287) em 17/11/2016, em função da identificação de omissão no acórdão CARF nº 2403002.094, de 18/06/2013, uma vez que: Diante da existência de omissão quanto à alegação da recusa do Sindicato em participar dos acordos de 2004 e 2005 que ocasionaram a alegação por parte da Autoridade Fiscal de que esses acordos não atendem às exigências da Lei n° 10.101/00 em razão da ausência do Sindicato o ora Embargante opôs tempestivamente embargos de declaração contra aqueles acórdãos. Por coerência, tendo em vista que a fundamentação do acórdão n° 2403002.094 é unicamente o resultado nos outros dois processos/acórdãos, entende o Embargante que o eventual acolhimento dos embargos naqueles deve implicar na reforma do presente acórdão. Os embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 461/463, para que fosse sanada a omissão apontada. O processo foi sorteado para minha relatoria, por se tratar de Embargos de Declaração de Turma extinta e o Conselheiro não mais integrar o colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora Acolho os Embargos por preencherem os requisitos de admissibilidade. Considerando que este processo é reflexo dos processos nº 16327.001376/201079 e 16327.001377/201013, e que todos estão sendo julgados na mesma sessão, transcrevo voto por mim exarado no processo nº 16327.001376/201079 (que também foi o mesmo no processo nº 16327.001377/201013), por sua aplicabilidade à matéria aqui debatida: Analisando o acórdão Embargado, percebese que existe, efetivamente, a omissão indicada pelo Embargante: falta de pronunciamento em relação à recusa do Sindicato em participar das negociações, nos termos do despacho às fls. 897/901. Fl. 468DF CARF MF 6 Diante de tal omissão, passo a examinar os argumentos esposados no Recurso Voluntário, especificamente em relação à PLR: [...] a Lei n.º 10.101/2000 não estabelece a adoção de qualquer procedimento nos casos em que o Sindicato se nega a participar das negociações de PLR. Na verdade, apenas nos casos em que as negociações resultem em impasse (o que pressupõe a participação do Sindicato) a Lei n.º 10.101/2000 prevê que deve ser utilizado o mecanismo da mediação ou da arbitragem. Sendo assim, face à ausência de previsão legal a respeito dos procedimentos que devem ser adotados pela empresa e/ou comissão de empregados em caso de omissão por parte do Sindicato, bem como à ausência de previsão dos efeitos jurídicos que tal omissão geram, o negócio jurídico em questão (Acordo de PLR) foi desconsiderado pelo Fisco com base em ato de sua vontade e por mero inconformismo, o que é juridicamente inaceitável. E, nesse mesmo sentido, nem se alegue que seriam aplicáveis ao presente caso as disposições contidas nos artigos 616 e 617 da CLT, pois eles apenas regulamentam as relações jurídicas vinculadas a Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, que são instrumentos de negociação que não se assemelham por sua forma, alcance e finalidade ao Acordo Próprio que fundamentou os pagamentos de PLR no presente caso. O até aqui exposto converge para a conclusão de que se está diante de uma verdadeira obrigação impossível de ser cumprida pelo Recorrente, já que não possuía qualquer subsídio legal capaz de obrigar o Sindicato a participar das negociações de PLR. O argumento da recorrente já foi objeto de debate neste Conselho, nos autos do processo nº 36624.000688/200631, em que ela figurou como parte. E, por concordar com os fundamentos do voto vencedor daquele julgamento, exarado no acórdão nº 9202005.211, de 21/12/2017, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, adotoos como razões de decidir: Da participação do representante do sindicato. Conforme descrito acima, ao tratar das negociações entre empregador e empregados para o pagamento da PLR o legislador colocou à disposição das partes dois instrumentos negociais, quais sejam: convenção coletiva/acordo coletivo ou comissão formada por representantes da empresa e dos trabalhadores, esta obrigatoriamente com participação do ente sindical. Eis a disposição legal: Art.2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 467 7 II convenção ou acordo coletivo. Importante destacar que o referido dispositivo foi, inclusive, alterado recentemente, passando o inciso I a exigir que a comissão formada para negociar a PLR seja paritária, mantendo se inalterada a obrigatoriedade de participação do sindicato. Eis o texto alterado: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei n" 12.832, de 20 de junho de 2013) Concluise, que ao negociar o pagamento da PLR sem a participação da entidade sindical, a recorrente descumpriu o art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Portanto, é de se reconhecer que o pagamento foi efetuado em dissonância com a lei que rege a matéria. Não há de se acatar qualquer argumentação de que a participação do sindicato é mera formalidade e que o descumprimento desse requisito não pode acarretar na desconsideração da natureza jurídica do pagamento. A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a qual se reporta ao sindicato como legítimo representante dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a qual se reporta ao sindicato como legítimo representante dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Por outro lado, mesmo que não explicitamente provada, a alegação de que mesmo convocado para participar das negociações, o sindicato não comparaceu (sic) não serve como fundamento para descumprir o preceito legal. Embora plausível esta alegação da empresa, não serve de escusa para descumprimento da exigência legal de participação de representante sindical nas negociações para pagamento da PLR. E que, primeiro a empresa teria outro instrumento para formalizar o pagamento de PLR em conformidade com a lei 10.101/2000, no caso acordos os (sic) convenções coletivas. Fl. 470DF CARF MF 8 E nem se venha argumentar que se já fora difícil a participação do sindicado na comissão, tão difícil quanto, será exigir do sindicato firmar acordos coletivos. O ordenamento pátrio prevê remédio para esses tipos de situação. Quanto aos acordos e conveções (sic) coletivas assim, prevê a Consolidação das Leis do Trabalho — CLT: Nos termos do art. 616 da CLT: "Art. 616. Os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. § 1° Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2°No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. Assim, diante da recusa do ente sindical em participar das negociações coletivas, tem a empresa ao seu dispor de instrumento legal para suscitar ao Ministério do Trabalho a sua convocação compulsória. Para os que entendem que essa possibilidade de convocação compulsória não seria aplicável, no caso de recusa de participação do representante sindical na comissão da empresa, a própria lei 10.101/2000 estabelece remédio em seu art. 4o, razão pela qual não há que se mitigar a participação do sindicato, conforme defende o recorrente. Art. 4º—Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos da Lei n 9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei n° 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1ºConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2ºO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3ºFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 468 9 §4º0 laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Não tendo a recorrente adotado quaisquer dessas providências, resta caracterizado o descumprimento do requisito obrigatório previsto no art. 2o. da Lei n. 10.101/2000. E de se concluir que a falta de participação do representante sindical nas negociações para pagamento da PLR constitui afronta a lei específica, estando em perfeita consonância com a lei a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas título de participações nos lucros e resultados, face não restar atendida a norma constante na alínea "j" do § 9. do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991. [...]. Portanto, diante da recusa de participação do Sindicato apontada pela embargante, não vislumbro nos autos que a empresa tenha se utilizado de outros instrumentos oferecidos pela Lei para que essa participação fosse efetivada. Ressalto que, ao contrário do que afirma a embargante, os artigos 616 e 617 da CLT são plenamente aplicados ao caso, pois se a Lei nº 10.101/00 disponibilizou à empresa dois instrumentos para a negociação com seus empregados sobre a participação nos lucros ou resultados, na impossibilidade de que um dos instrumentos não pudesse ser concretizado, por falta de um dos requisitos, como a efetiva participação do sindicato, a empresa disporia do outro, como convenção ou acordo coletivo, com todas as garantias que regem esses instrumentos, inclusive os dispostos nos artigos citados. Nesse sentido, quando a Lei nº 10.101/00 relaciona como um dos instrumentos para a negociação da PLR a convenção ou acordo coletivo, não tira deles a carga de requisitos que lhes dão validade, conforme estipulado na CLT. Por isso, essa Lei não deve ser interpretada isoladamente, mas com toda a integração jurídica que lhe é própria. Assim, não se tratava de "obrigação impossível de ser cumprida pelo Recorrente", mas de obrigação com todas as garantias legais para seu efetivo cumprimento. Dessa forma, deve permanecer inalterada a conclusão exposta no acórdão embargado. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os Embargos, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 472DF CARF MF 10 Fl. 473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015285/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2008
Ementa.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA.
A apresentação da Declaração de Informações Econômico-Fiscais
da Pessoa Jurídica, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Numero da decisão: 1302-000.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 Ementa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. A apresentação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatório Fl. 42DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 43 2 Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 16, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao exercício de 2008, anobase de 2007, no valor total de R$ 500,00 (quinhentos reais). Como enquadramento legal foram citados: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Em 27/11/2008, foi apresentada a impugnação de fls. 01, onde, resumidamente, que entregou indevidamente a declaração 2007, sendo que deveria entregar somente o período de 01/01/2007 a 12/02/2007, que foi a data de extinção da empresa. Requer o cancelamento do debito fiscal reclamado. A DRJ decidiu: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. A apresentação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Juridica, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 11/10/2011 e apresentou recurso em 09/11/2011. Em seu recurso alega que não teve atividade em 2007 e que deveria ter entregue declaração de inatividade e extinção e não DIPJ, como fez. Voto Fl. 43DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 44 3 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Não merecem acolhida os argumentos da recorrente. O disposto no IN RFB 696/2006, tem como fundamento de validade os artigos de Lei abaixo transcritos. IN 696/2006: Prazo de entrega Art. 2º A DIPJ 2007, relativa ao anocalendário de 2006, deverá ser entregue no período de 2 de maio a 29 de junho de 2007. § 1º As declarações relativas a eventos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação deverão ser entregues pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e incorporadoras até o último dia útil: I do mês de maio de 2007, para os eventos ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março desse ano; II do mês subseqüente ao do evento, para os eventos ocorridos no período de 1º de abril a 31 de dezembro de 2007. § 2º A obrigatoriedade de entrega, na forma prevista no § 1º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. § 3º O serviço de recepção das declarações de que trata o caput será encerrado às 20 horas (horário de Brasília) de 29 de junho de 2007. Multas relativas à apresentação da DIPJ Art. 3º A nãoapresentação ou apresentação da declaração após o prazo fixado no art. 2º, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, sujeita o contribuinte às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00 (quinhentos reais). Lei 9779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Lei 10426: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Fl. 44DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 45 4 Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Lei 11051: Art. 19. O art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: ............................................................................ III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. Tendo a recorrente entregue a DIPJ fora do prazo, e isso é matéria incontestada, cabe a aplicação da multa, que foi aplicada no valor mínimo estabelecido em lei, ou seja, R$ 500,00. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 46 5 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000068/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 68 /2 01 0- 24 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 326DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 4 A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 5 não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 6 Sobreveio Acórdão nº 10046.567, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 7 europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 8 De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 9 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens Fl. 333DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 10 destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 335DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 338DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 339DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 12585.000068/201024 Acórdão n.º 3401004.877 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903280/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.616
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 80 /2 01 2- 30 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 048.988. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903280/201230 Acórdão n.º 3302005.616 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.004767/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Não viola direito de defesa a decisão que indefere pedido de produção de provas, demonstradas procrastinatórias.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
Não viola direito de defesa a consulta pelo relator a sistema informatizado da Receita Federal do Brasil na busca da verdade material, desde que dela não resulte agravamento da exigência, e que tenha sido regularmente intimado o sujeito passivo a se manifestar acerca dos fatos que influíram na formação da convicção.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. RECEITA BRUTA OMITIDA. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não viola a legalidade nem a vinculação necessária ao lançamento prevista no art. 142 a apuração das receitas omitidas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. ARBITRAMENTO DA RECEITA OMITIDA.
É correto o arbitramento realizado com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo titular se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com
base em operações por conta alheia.
MULTA QUALIFICADA.
A conduta de prestar declaração de rendimentos com vultosas diferenças entre os valores declarados e apurados, sendo um dos exercícios objeto de declaração de inatividade, autoriza a exasperação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-000.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Não viola direito de defesa a decisão que indefere pedido de produção de provas, demonstradas procrastinatórias. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Não viola direito de defesa a consulta pelo relator a sistema informatizado da Receita Federal do Brasil na busca da verdade material, desde que dela não resulte agravamento da exigência, e que tenha sido regularmente intimado o sujeito passivo a se manifestar acerca dos fatos que influíram na formação da convicção. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. RECEITA BRUTA OMITIDA. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não viola a legalidade nem a vinculação necessária ao lançamento prevista no art. 142 a apuração das receitas omitidas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL NÃO DEMONSTRADO. ARBITRAMENTO DA RECEITA OMITIDA. É correto o arbitramento realizado com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo titular se o sujeito passivo não comprova o exercício da atividade de representação comercial e os créditos não foram Fl. 2117DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.987 2 justificados, mediante provas hábeis e idôneas, comprovando atuação com base em operações por conta alheia. MULTA QUALIFICADA. A conduta de prestar declaração de rendimentos com vultosas diferenças entre os valores declarados e apurados, sendo um dos exercícios objeto de declaração de inatividade, autoriza a exasperação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Cristiane Silva Costa, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez e Márcio Rodrigo Frizzo. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2118DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.988 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/CTA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTOS RETIDOS PARA INSTRUIR INQUERITO E PROCESSO CRIME. Descabe o argumento de impossibilidade de defesa por terem sido retidos documentos pela polícia e integrarem processo crime, dado que aos litigantes em processo judicial ou administrativo e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, o que implica em que têm direito ao acesso às provas, bastando fazer o devido requerimento, e porque a autuada já havia requerido e obtido documentos junto ao órgão. ATIVIDADE DE REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. A execução de compra, pagamento, retirada, carregamento, venda, distribuição, cobrança das vendas e recebimento das receitas em suas próprias contas bancárias repassando a outras empresas, emissoras das notas fiscais, uma margem de lucro prefixada independente da liquidez dos títulos de cobrança emitidos ou da apuração de lucros ou prejuízos, conseqüentemente assumindo os riscos da atividade, caracterizam a atividade de revenda ou distribuição de combustíveis, mesmo a empresa não estando autorizada para tal pelo órgão competente. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Indeferese a realização de perícia requerida, quando evidentemente desnecessária e meramente procrastinatória. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 2119DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.989 4 A Lei nº 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto devido trimestralmente no decorrer do ano calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte, optante pelo lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa no qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, Cofins e CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Mantémse a multa qualificada relativa a lançamento fiscal que exige impostos e contribuições arbitrados com base em receitas omitidas, identificadas a partir de depósitos/créditos em contas bancárias de titularidade da contribuinte, cuja origem esta não consegue comprovar serem relativas a somente comissões de representação, conforme alega, e não da atividade clandestina de distribuição de álcool combustível, como se evidencia dos documentos acostados e contexto em que ocorreu a autuação, e para a qual a empresa que não tem a necessária autorização. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o processo dos autos de infração de fls. 1.492/1.555, no qual foi efetuado o arbitramento do lucro, com base legal nº art. 530, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), porque a contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos que compunham a sua escrituração, mesmo intimada; exigemse: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, R$ 355.529,22 devido às infrações: a. omissão de receitas de revenda de álcool etílico hidratado para fins carburantes AEHC, relativamente aos fatos geradores assinalados, sendo a base Fl. 2120DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.990 5 legal os arts. 532 e 537 do RIR de 1999, c/c o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; b. diferenças de imposto relativas a receitas declaradas como de representação comercial, sendo que, na realidade, tratamse de receitas de revenda de álcool combustível, relativamente aos mesmos fatos geradores, sendo a base legal o art. 532 do RIR de 1999 c/c o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; b) contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, R$ 245.929,93, devido às infrações: a. omissão de receitas de revenda de álcool e insuficiência de recolhimento pelo fato de a contribuição devida sobre revenda de álcool carburante ser devida com alíquotas diferenciadas, em relação ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004, com base legal nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2º, I e 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 art. 2º, 5º, I e 6º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000; arts. 2º, I, a e parágrafo único, 3º, 10, 22, 39 e 53, I do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; c) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, R$ 1.135.320,97, devido às infrações: a. insuficiência de recolhimento, pelo fato de a Cofins sobre revenda de álcool carburante ser devida com alíquotas diferenciadas, em relação ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004, e em relação à omissão de receitas de revenda de álcool, com base legal nos art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000; arts. 2º, II, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 53, I do Decreto nº 4.524, de 2002; d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, R$ 181.920,83, devido às infrações: a. diferenças relativas a receitas declaradas como de representação comercial, sendo que, na realidade, tratamse de receitas de revenda de álcool combustível, relativamente aos mesmos fatos geradores, sendo a base legal os art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 19 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 29 de junho de 1999, e reedições; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; b. omissão de receitas de revenda de álcool combustível, relativamente aos fatos geradores assinalados, sendo a base legal os art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; arts. 19 e 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 6º da MP nº 1.858, de 1999, e reedições; art. 37 da Lei nº 10.637 de 2002; e) foi aplicada a multa de ofício de 150% (qualificada) do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996, sobre as exigências, porque a empresa, cadastrada como representante comercial, na realidade atuava como distribuidora de combustíveis, praticando atos lesivos ao fisco caracterizados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 2. Às fls. 1.492/1.501, o Termo de Verificação Fiscal descreve os procedimentos e detalha as infrações autuadas e, às fls.1.502/1.503, estão demonstradas as bases de cálculo dos lançamentos. Fl. 2121DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.991 6 3. Foi formalizado, em decorrência da presente autuação o processo nº 10950.004768/200751 de Representação Fiscal p/ Fins Penais IRPJ . 4. Cientificada em 27/09/2007, fls. 1.501, 1.512, 1.525, 1.537 e 1.550, a interessada apresentou, tempestivamente, em 26/10/2007, a impugnação de fls. 1.559/1599 e 1.602/1.614, por meio de seu procurador, fls. 1.616/1.617, acompanhada dos documentos de fls. 1.618/1.730. 5. Ressalta que entregou espontaneamente os extratos de movimentação bancária de sua titularidade e, intimada a esclarecer a origem dos recursos, informou que atuava na representação comercial de combustíveis e que agenciava álcool combustível vendido por inúmeras distribuidoras habilitadas no mercado, principalmente a Petrotiba Petróleo Ltda e a Camacuã Transportes de Petróleo Ltda, entre 2002 e 2004, na sua zona de atuação, conforme contratos que entregou à fiscalização onde, conforme cláusula quarta e parágrafo primeiro, cabia à autuada gerir os recursos advindos das vendas promovidas em nome das distribuidoras, executando a cobrança junto aos postos revendedores; que, como esses pagamentos eram recebidos pela autuada, também os depósitos eram realizados na conta corrente de titularidade desta, conforme expressa autorização contratual; que, para evitar dupla incidência da CPMF (dado que a margem de lucro operacional das distribuidoras é notoriamente pequena), boa parte dos valores que recebia dos postos de combustíveis era utilizada para pagar a fornecedora de álcool Usina Goioerê (que remetia o produto para as distribuidoras), mas tais pagamentos eram realizados em nome e por conta das distribuidoras representadas, com expressa autorização destas; o saldo remanescente era repassado mensalmente às distribuidoras, havendo somente a retenção das comissões a que tinha direito. 6. Em suma, afirma que a movimentação financeira da acusada decorre de vendas que agenciou e de pagamentos à usina fornecedora em nome e por conta das distribuidoras contratantes, sendo tais operações estritamente de acordo com a atividade de representação comercial, nos termos do Código Civil Brasileiro e da legislação que rege a matéria. 7. Reclama que a fiscalização concluiu que a litigante atua como distribuidora de combustível com base na identificação da empresa como Lexus Combustíveis no sistema CNPJ e com base em parte dos documentos que o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos Nurse da Secretaria de Segurança Pública do Paraná apreendeu e que foram encaminhados à RFB, para exame pela fiscalização e, em conseqüência, autuou a interessada exigindolhe impostos e contribuições devidos como distribuidora de combustíveis, aplicandolhe ainda multa qualificada, em face da presença dos requisitos inseridos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. 8. Afirma que a autuação é improcedente e pleiteia preliminarmente a nulidade ao argumento de enquadramento jurídico diverso da atividade comercial da contribuinte, carecendo de provas a classificação da empresa como distribuidora de álcool combustível em vez de representante comercial e prestadora de serviços. 9. Reclama que, ante a inexistência de escrituração regular da autuada, os fiscais não se limitaram a arbitrar a receita omitida pela empresa com base nos depósitos bancários, mas lhe imputaram atividade estranha ao seu objeto social, dessa forma alterando a base de cálculo, que eram as comissões sobre vendas intermediadas, para as receitas de vendas dos combustíveis. 10. Assevera que tal alteração é ilegal, fulcrada somente em elementos de prova circunstanciais e contrária a todas as evidências colhidas pela própria fiscalização nos autos; transcreve os arts. 532 e 537 do RIR de 1999 c/c o art. 42 da Fl. 2122DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.992 7 Lei nº 9.430, de 1996, e destaca que nenhum desses comandos autoriza a qualificação discricionária das operações e atividades da empresa autuada, portanto, sendo a atividade administrativa subordinada aos princípios da tipicidade e legalidade, o auto de infração extrapolou os limites da discricionariedade delegados ao fiscal autuante. 11. Argumenta que todos os registros da real atividade desenvolvida pela empresa, CNPJ, declarações, evidenciam a atividade de agenciamento. 12. Portanto deve ser declarada nula a autuação por falta de descrição da matéria tributável e de capitulação legal, conforme arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. 13. A par da ilegalidade, impugna também o critério de arbitramento utilizado, alegando falta de motivação e prova da atividade que lhe foi imputada, resumida pelo fiscal da seguinte forma: “elementos constantes desta Relação (Alfa) que foram numerados e rubricados pela auditoria da DRF/MaringáPr, que também os agrupou em pastas, demonstram de maneira inequívoca que a empresa em tela, de fato, funcionava como distribuidora de combustível...”, estando ausentes qualquer menção à prova ou provas que demonstrem a atividade, ou o nexo causal entre a prova e o fato imputado à contribuinte, qualquer exposição que concilie os documentos e a qualificação imputada, apesar da extensão dos documentos carreados aos autos. 14. Portanto, inequívoca a ausência de fundamentação, de descrição do fato e da indicação da disposição legal infringida e da penalidade aplicável. 15. Para respaldar seus argumentos, descreve que as atividades de distribuição e de agenciamento são muito semelhantes, portanto, a desqualificação da empresa como representante deveria ter sido precedida de todas as cautelas necessárias, dado que a tributação é completamente distinta. 16. Sobre as atividades de distribuição e de agenciamento (representação comercial), informa serem reguladas pelo art. 710 do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e Lei nº 4.886, de 1965, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada; transcreve autor que afirma que o distribuidor é comerciante autônomo negociando por sua conta e risco, que compra o produto e o comercializa com exclusividade, auferindo lucro na atividade; já o agente ou representante comercial, mesmo exclusivo, vende a mercadoria de outrem, por conta e no interesse deste, ou seja, é um representante. 17. Em resumo, o distribuidor compra e vende os bens por conta própria, ou seja, de sua própria titularidade, aufere lucro decorrente da diferença entre o preço de aquisição e o de revenda, a propriedade do bem passa do fabricante ao distribuidor e, depois, ao terceiro adquirente; o representante comercial intermedeia negócios, seu faturamento consiste na comissão (percentual) sobre o valor do negócio agenciado e vende bem de propriedade de terceiros; o representante exerce atividades atinentes à venda e a atividade pode incluir os poderes de mandato mercantil, porém não assume o risco do negócio, ocorrendo toda sua atuação em nome e por conta do representado. 18. Ressalta que, sendo o representante comercial um vendedor dos produtos, participa diretamente dos negócios de compra e venda, sendolhe delegados poderes de mandato e gestão, portanto, a mera participação da autuada na compra e venda de combustíveis não a caracteriza uma distribuidora de combustíveis, sendo necessário Fl. 2123DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.993 8 que a fiscalização demonstrasse que a contribuinte adquiriu os combustíveis e os revendeu aos postos revendedores. 19. Aduz que a afirmativa fiscal de que a litigante atuou na venda de álcool é incontroversa, dado que atuou na qualidade de representante comercial das distribuidoras, residindo aí o erro da fiscalização ao presumir que tais vendas caracterizam a distribuição. 20. Complementa que não seria possível ser praticada pela autuada a atividade de distribuição porque, do ponto de vista jurídico, nenhuma empresa poderia exercêla sem a autorização da Agência Nacional de Petróleo – ANP (conforme determinou a Lei nº 9.478, de 1997), que homologa o registro de distribuidoras e tem autoridade para cancelar a autorização, nos termos da Portaria ANP nº 202, de 1999; assevera que se trata de setor intensamente fiscalizado e nenhuma empresa pode atuar como distribuidora sem o dito registro, o que a impediria de sequer obter inscrições cadastrais perante os Fiscos Estadual e Federal; e questiona de que forma poderia a autuada operar como distribuidora se é expressamente vedado às usinas e refinarias, que são os fornecedores, vender combustíveis sem a autorização da ANP e inscrição estadual. 21. Conclui que os documentos da “relação Alfa”, citados pelo fiscal como comprobatórios da prática pela interessada da atividade de revenda, na realidade, evidenciam que a autuada intermediou a compra do produto junto às usinas, bem como as vendas aos postos revendedores, em nome e por conta das distribuidoras, sendo evidente que a fiscalização não logrou demonstrar que a autuada exerceu a atividade que lhe é imputada, ou seja, que tenha comprado o álcool das usinas e o revendido aos postos por sua própria conta e risco; em síntese, a conclusão fiscal carece de provas. 22. Reconhece que o fato de a autuada não ter contabilidade autoriza o arbitramento, mas não a desclassificação da atividade de representante comercial que exerce; e o arbitramento visa a fixação da base de cálculo sobre o qual incidirá a exação tributária, não podendo servir como penalidade, ao alterar a base imponível – comissões, para uma base maior – receitas de venda; cita jurisprudência, o Parecer Normativo nº 23, de 1978 e o art. 539, I do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1994 (Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994). 23. Aduz que está pacificado que qualquer lançamento baseado pura e simplesmente na movimentação bruta da conta corrente é nulo, dado que deve ser vinculado à verdade material, não bastando ao fisco meramente somar os depósitos para apurar a base tributável, sem estabelecer nexo entre os depósitos e a receita supostamente auferida, e cita acórdão de 1995. 24. Afirma que a fiscalização dispunha de documentos que lhe permitiam aprofundarse na análise sem precisar recorrer à presunção legal dos depósitos bancários; que a fiscalização efetuou somente uma análise superficial dos documentos da “relação Alfa”, sem fundamentar porque desclassificou a atividade da autuada; que o fato de os documentos se reportarem ao sócio da autuada não pode servir de prova de que a empresa exerceu a distribuição e nenhum dos documentos mencionados evidencia que a Lexxon tenha adquirido álcool combustível, mas sim que intermediou: a) todos os documentos da “relação Alfa” indicam que a autuada atuou sempre em nome e por conta de distribuidoras habilitadas pela ANP, que as operações de compra e venda foram devidamente contabilizadas por quem é devido, ou seja, pela usina fornecedora e pelas distribuidoras: Fl. 2124DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.994 9 a. na Pasta 01: em cada operação contida nos relatórios de clientes/produtos consta menção à operação fiscal atinente ao produto, vinculando cada venda às notas fiscais das distribuidoras representadas, o que prova que a titularidade do produto não é da contribuinte; b. na Pasta 02: constam comprovantes de pagamentos e pedidos de álcool, relações de retirada e correspondências da DCP Distribuidora e Com de Petróleo Ltda e da Petrotiba Petróleo Ltda; a venda efetuada pela usina foi destinada às distribuidoras pois em cada correspondência consta “estamos enviando comprovante de DEPÓSITO no banco (...) referente a pagamento de álcool hidratado no valor (...) em nome da distribuidora (...)”, o que evidencia que o álcool foi adquirido pelas distribuidoras, atuando a interessada como mera intermediária; na mesma pasta, inúmeras solicitações de venda emitidas pela Central Paranaense de Álcool Ltda, onde constam expressamente os dados dos compradores: DCP e Petrotiba; c. na Pasta 03: em todas as relações de retirada de álcool observase o vínculo da operação de retirada com as distribuidoras Camacuã, Petrotiba, TicPetro (outro nome da Sercom); e também as relações de carregamento; na fl. 34, relação de vendas de álcool hidratado pela Usina Goioerê em favor e por conta das distribuidoras Petrotiba, TicPetro (Sercom), Camacuã e Sercom (TicPetro); d. na Pasta 04: idem; e. na Pasta 05: relatórios de carregamento direcionados às distribuidoras e nenhum documento acusando a compra de álcool, da usina, pela Lexxon; f. na Pasta 06: às fls. 2/10, no relatório de estoque dos postos revendedores, para cada operação, consta a expressa menção à operação fiscal atinente a cada produto, documentos esses que retratam a contabilização pelas distribuidoras representadas e evidenciam que as operações de vendas realizadas com a intermediação da Lexxon foram devidamente registradas por aquelas e, inevitavelmente e obrigatoriamente, prestadas à fiscalização estadual e federal; às fls. 11/42, os boletins de entrega de álcool pelas usinas às distribuidoras não exteriorizam que a Lexxon adquirisse o produto; g. na Pasta 07: um pedido de compra intermediado pela Lexxon; h. na Pasta 08: nos relatórios de movimento de estoques, destacamse os postos combustíveis e as notas fiscais de vendas, todas das empresas distribuidoras; i. na Pasta 09: fluxo de caixa de vendas das usinas para as distribuidoras Ocidental, Oil Petro e Idasa Distribuidora de Petróleo Ltda, depósitos para aquisição de álcool em nome e por conta da distribuidora Petrotiba; o projeto de representação junto a uma distribuidora de Manaus, não implementado, de 1999, é irrelevante para a presente apuração; j. na Pasta 10: relação de devedores por cliente e produto, estando todos esses valores a receber atrelados às notas fiscais de fornecimento das distribuidoras; k. na Pasta 11: correspondências da Nurce e a relação dos documentos retidos. 25. Aduz que o nome fantasia da empresa Lexus Combustíveis (alterado depois para Lexxon), mencionado pela fiscalização, não é prova de que a interessada exercesse a distribuição e os contratos de distribuição que anexa regulam perfeitamente a atividade da autuada, mormente a cláusula quarta e parágrafo único, onde se delegou à autuada a execução e gestão das vendas e dos recursos advindos das vendas agenciadas; explica que tal pacto se deu porque as distribuidoras estavam Fl. 2125DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.995 10 à época com restrições no Serasa e em outro serviço de proteção ao crédito e, dada a proximidade da Lexxon com os postos revendedores, esta tinha maior facilidade de cobrar e receber os pagamentos das faturas e, para evitar o trânsito de cheques, por questão de segurança e por causa das citadas restrições, os cheques eram depositados na conta da Lexxon, até mesmo por uma questão de terceirização de serviços, pois a Lexxon geriu os recursos das distribuidoras a quem tinha o dever de prestar contas; finalmente, para evitar dupla incidência da CPMF, por solicitação das distribuidoras, a Lexxon realizava os pagamentos do álcool retirado nas usinas, em favor das representadas. 26. Apresenta certidão do sistema fazendário estadual que atesta que a autuada não era habilitada para a compra e venda de combustíveis, sequer possuindo cadastro ICMS para tal. 27. No mérito, aponta erro na base de cálculo da receita omitida e pleiteia a correta apuração à luz dos critérios legais de arbitramento. 28. Reitera que ocorreu majoração do tributo dada a apuração da receita omitida com base nos depósitos bancários e que não reflete o faturamento da empresa; afirma que a própria fiscalização reconhece que os depósitos advém de vendas de álcool agenciadas pela autuada, resumindose o erro na quantificação dos depósitos como receita, quando, na verdade, serviriam apenas para averiguar o volume de vendas agenciadas e em relação às quais a autuada auferiu comissões. 29. Invoca o art. 42, § 5º da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de que, quando provado que os valores depositados/creditados pertencem a terceiro, a determinação da receita será efetuada em relação a esse terceiro na condição de efetivo titular da conta bancária; afirma que a movimentação financeira em exame acusa repasses às usinas e às distribuidoras, conforme restará demonstrado na apuração probatória produzida. 30. Em síntese, a receita conhecida imposta na autuação é inválida e a base de cálculo está equivocada, devendo a correta apuração ser feita com base nas comissões auferidas pela contribuinte e cabe à fiscalização utilizar a metodologia da lei conforme os arts. 284, 285, 286, 535, do RIR de 1999, relativos a critérios de arbitramento, que transcreve; e ainda que o art. 288 do RIR, de 1999, e o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, determinam que, verificada a omissão de receita, o valor do imposto deverá ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão; acresce que a correta análise da movimentação financeira disponibilizada infirma inúmeros lançamentos em débito (retiradas), além dos depósitos apurados no lançamento, destacandose as retiradas destinadas às usinas fornecedoras de álcool e às distribuidoras contratantes. 31. Acusa que ocorreu bis in idem na medida em que, diante da declaração expressa das empresas, contida em documentos fiscais, as operações foram inevitavelmente contabilizadas e sujeitas à tributação e, uma vez declaradas ao fisco, a exigência contida na presente autuação configura duplicidade de cobrança sobre os mesmos fatos geradores. 32. Explica que, conforme demonstrará a análise dos extratos, a principal cliente da autuada era Petrotiba e se esta ofereceu os resultados dessas vendas à tributação, então a exigência sobre os mesmos fatos geradores, na presente autuação, configura dupla incidência de tributos; e o mesmo se aplica em relação às empresas Camacuã, TicPetro (ou Sercom), DCP e demais distribuidoras representadas pela autuada; requer que se traga à colação as declarações de Imposto de Renda, as Fl. 2126DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.996 11 Declarações FiscoContábeis e eventuais lançamentos e autos de infração dessas empresas, a fim de que se analise o bis in idem. 33. Rechaça a aplicação da multa qualificada ao argumento de ausência de tipicidade, dada a inexistência de provas de que a autuada tivesse, deliberadamente, ocultado a ocorrência de fato gerador objeto da presente análise, afirmando que disponibilizou espontaneamente, os extratos bancários, só não entregando mais documentos por causa da ação da Nurce, em cujo poder se acham todos os documentos da empresa, o que dificultou a defesa prévia e agora a defesa administrativa. 34. Requer a produção de provas tendo em vista a verdade material, para complementar as já existentes nos autos e que evidenciam que a litigante atuou como representante e não como distribuidora: a. Requer a expedição de ofício à distribuidoras Petrotiba CNPJ 74.068.388/000107, DCP CNPJ 00.826.662/000387, Camacuã CNPJ 75.150.264/000100 e Sercom (TicPetro) CNPJ 95.954.681/000133 a fim de que confirmem as vendas realizadas aos postos relacionados nas Pastas 01, 08 e 10 da “relação Alfa”, mediante cópias das notas fiscais, dos livros Registro de Saídas ou arquivos magnéticos entregues à Receita Estadual; b. Que sejam trazidos à colação cópias da DCTF dos anos 2001 a 2004, DIPJ, ou, na inexistência destes, cópias de processos administrativos fiscais, autos de infração em relação a essas distribuidoras; c. Expedição de ofício às usinas de álcool Central Paranaense de Álcool Ltda – CPA Trading Ltda CNPJ 05.203.519/000190, Usina de Açúcar e Álcool Goioerê Ltda CNPJ 77.264.224/000216, Cooperativa Agroindustrial Nova Produtiva CNPJ 03.345.641/000338, Cocamar Cooperativa Agroindustrial CNPJ 79.114.450/0004 08 e CoopcanaCooperativa Regional de Produtores de Cana Ltda CNPJ 78.340.270/000210, para que informem à fiscalização se em algum momento procederam à venda de álcool combustível em favor da Lexxon, e que forneçam a relação dos produtos intermediados pela mesma no período objeto da presente autuação; d. Requer 120 (cento e vinte) dias para anexar ao processo as informações financeiras individualizadas atinentes aos pagamentos e transferências destinadas às usinas (para demonstrar nexo entre o pagamento e a aquisição de álcool destinado às distribuidoras) e às distribuidoras (para demonstrar que o lucro auferido na atividade de distribuição foi destinado às distribuidoras); e. Requer a expedição de ofício à ANP indagando se a autuada possuía ou possui registro e autorização para a atividade de distribuição de combustíveis; f. Requer a juntada de novos documentos que se encontram em poder do Nurce e que comprovam depósitos efetuados em favor das distribuidoras, para complementar os que já se encontram nos autos, sendo que negar essa diligência implica em nulidade da autuação, porque evidencia a falta de análise integral dos elementos de prova disponíveis; g. Requer a produção de nova prova técnica pericial dos extratos de movimentação financeira, depois da comprovação das retiradas destinadas às usinas de álcool e distribuidoras; indica os peritos, fl. 1.612, e os quesitos que relaciona à fl. 1.613. Fl. 2127DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.997 12 35. Esta DRJ/CTA solicitou a diligência de fl. 1.802, cumprida pela DRF em Maringá, fls. 1.806/1.885, cientificada à autuada em 08/07/2008, fl. 1.885, que se manifestou, tempestivamente, em 06/08/2008, afirmando que os documentos anexados em função da diligência não demonstram que tenha atuado como distribuidora, mas, pelo contrário, evidenciam que a autoridade policial sempre se dirigiu à autuada e seu sócio, como representante das distribuidoras envolvidas no inquérito policial, o que é corroborado pelos depoimentos dos sócios destas. 36. Que tal fato é comprovado pelo documento de fl. 58 (sic) do anexo (na verdade, fl. 1.863 do processo, na qual está anotado “Anexo 6”), onde consta autorização firmada pela Petrotiba Ltda ao sócio da autuada para representar, em nome da outorgante Petrotiba, os negócios referentes à trading de álcool. 37. Diz que as afirmativas das autoridades policiais e indiciados no inquérito não servem de prova contra a autuada, devido à presunção de inocência prevista em cláusula pétrea da Constituição Federal, não sendo razoável considerar como prova depoimentos de partes envolvidas dado que é notório o interesse de tais partes em afastar de si a suspeita da autoria do delito investigado. 38. Mas que, o conjunto probatório representado pelo anexo formalizado neste processo milita em favor de ser a autuada representante das distribuidoras envolvidas no inquérito e se, absolutamente nenhuma prova de que a autuada exercia a atividade de distribuidora existe, então a autuação é improcedente, em face da nulidade do fato gerador, base de cálculo e alíquota arbitrados neste processo. 39. Reitera o pedido de provas, prova pericial e diligências requeridas junto às distribuidoras, a fim de averiguar se estas foram autuadas, ou se as operações indevidamente arbitradas nos presente processo restaram contabilizadas e os impostos recolhidos pelas representadas da impugnante. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: Preliminarmente, (a) a decisão recorrida é nula (art. 59, II, Decreto nº 70.235/72) por indeferir provas requeridas pela recorrente sem justificativa aceitável. Ressalta que o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 inverteu o ônus da prova com relação aos créditos em conta e com relação à sua atividade de representante comercial e não de distribuidor (conforme autuada), restando a ela produzir provas para infirmar as conclusões da fiscalização. O indeferimento da perícia requerida cerceou a defesa da recorrente, vez que seria ela necessária para analisar as movimentações financeiras, ante os documentos carreados aos autos, bem como aqueles que adviriam das demais solicitações feitas pela recorrente e que restaram rejeitadas; (b) ao apreciar novos documentos trazidos ao processo (DCTF e DIPJ) sem prévia intimação do contribuinte para sobre eles se manifestar, o colegiado a quo provocou cerceamento do direito de defesa, pois, uma vez já instalada a fase litigiosa era obrigatória tal prévia intimação; Fl. 2128DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.998 13 (c) a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a desqualificação da atividade do contribuinte, com o conseqüente arbitramento dos créditos em conta. Afinal, o próprio julgado admite, como também consignado pela fiscalização, que a recorrente atuou como representante comercial, mas também como distribuidora, não se sabendo quais as proporções em que isso se deu. Assim, há violação à legalidade e à vinculação do ato administrativo à norma; No mérito, (d) O arbitramento qualifica a recorrente como distribuidora de combustíveis de fato, enquadrando os créditos em conta como decorrentes da venda de álcool combustível, alterando os critérios de cálculo do tributo, pois a base de cálculo é imposta sobre as vendas dos produtos e não sobre as comissões de vendas intermediadas. A base superficial em que se baseia tal fato reside na superficialidade de notícias da imprensa e documentos afetos ao procedimento policial investigatório. Quanto às notícias de imprensa, não se prestam a provar qualquer fato, vez que vinculadas a fontes e opiniões que não podem ser meramente acatadas sem antes se proceder à sua correta averiguação. Já quanto aos documentos oriundos do inquérito policial, somente podem ser adotados após trânsito em julgado no Poder Judiciário, especialmente quanto aos depoimentos prestados no inquérito, pois é óbvio que as pessoas ouvidas, envolvidas com a comercialização do álcool, também estavam sendo investigadas ou indiciadas naquele feito. É inimaginável que os sócios das distribuidoras confirmassem a sonegação de tributos, sendo aceitável crer que posicionaramse no sentido de negar autoria. Mas por outro lado, os documentos vindos do inquérito policial demonstram que a atividade exercida pela recorrente é a de agenciamento e não de distribuição, porque em todos os documentos se observa que os atos da recorrente eram realizados em nome e por conta de distribuidoras de combustíveis, devidamente habilitadas perante a ANP para o exercício da atividade. Os documentos oriundos das pastas que compõem a chamada relação Alfa demonstram que as atividades eram vinculadas às distribuidoras de combustíveis. Os contratos de representação juntados têm cláusula prevendo a delegação à autuada da gestão dos recursos advindos das vendas agenciadas. Não deteve a disposição das mercadorias negociadas, condição que diferencia a representação da distribuição, nos termos do art. 710 do Novo Código Civil e Lei nº 4.886/65. A contradição existente pela existência da cláusula del credere não invalida o raciocínio de que atuava como representante, porque é usual, mesmo ilegal, a inserção desta cláusula, impondo esta responsabilidade ao representante, face a subordinação e hipossuficiência do representante face aos representados. A listagem de vendas de fls.295/307, que contém na coluna do representante a informação “VDVenda Direta” não evidencia que atuava como distribuidora, só porque tais vendas foram diretas. Isto se dá porque o produto era vendido diretamente da usina às distribuidoras, sem intermediação dos vendedores da usina. O mercado de combustíveis é regulado pela Lei nº 9.748/97 que delegou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) poderes para regular e autorizar o exercício da atividade Fl. 2129DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 1.999 14 de distribuição de combustíveis (exercido com a Portaria nº 202/99). Sem a autorização e registro desse órgão nenhuma empresa pode operar neste ramo, pois não obteria as inscrições cadastrais perante a Fazenda Estadual e Federal. Assim, não poderia ter atuado dessa forma, pois os fornecedores não poderiamlhe vender combustíveis. (e) A recorrente alega ter disponibilizado todos os documentos e informações que dispunha, não havendo provas que ocultou deliberadamente fato gerador. Não se verificou, também, ato seu que caracterize fraude, ocultação ou atitude dolosa que configure crime contra a ordem tributária. Subiram os autos a este colegiado, que na sessão de julgamento de 30/03/2011 decidiu por unanimidade converter o julgamento em diligência, para que a recorrente pudesse se manifestar quanto às consultas de ofício efetuadas pelo relator do julgado de primeiro grau nos sistemas informatizados da Receita Federal, acolhendo argüição da defesa que entendia que ao apreciar novos documentos trazidos ao processo (DCTF e DIPJ) sem prévia intimação do contribuinte para sobre eles se manifestar, o colegiado a quo havia provocado cerceamento do direito de defesa, pois, uma vez já instalada a fase litigiosa era obrigatória tal prévia intimação. Embora não houvesse indicado a recorrente quais as DCTF e DIPJ a que se referia em sua manifestação, entendese que faz referência às consultas às DCTF e DIPJ que o próprio relator efetuou, para formar sua convicção no que diz respeito às solicitações de diligência para produção de provas junto a terceiros. Tais consultas encontramse concluídas pelo ilustre relator nos itens 50 a 53 (abaixo reproduzidos): 50. Atendendo ao requerido pela autuada, verificaramse as DIPJ da Petrotiba, fls. 1.749/1.757, empresa que a autuada indica como sua principal representada; temse que informou zero receitas de venda de álcool nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, zero compras e zero estoques; e os únicos débitos declarados em DCTF foram alguns de IRRF, conforme fls. 1.786/1.788, não se identificando declaração de quaisquer outros débitos, muito menos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, de onde se tem que a acusação de bis in idem, porque a “representada” teria declarado as mesmas receitas que ora são exigidas da Lexxon, não procede, bem como tornando dispensável que se requeira à mesma a confirmação de que vendia álcool aos postos distribuidores; quanto a autuações, não se localizou auto de infração relativo ao período, somente notificação de cobrança de IRPJ, fl. 1.894. 51. A DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, fls. 1.764/1.770, declarou zero receitas de álcool etílico em 2002, 2003 e 2004; informou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, somente nos 1º e 2º trimestres 2003; não declarou qualquer débito em DCTF para o ano de 2004, fls. 1.789/1.793. Localizaramse dois autos de infração, IRPJ, um deles objeto do acórdão DRJ 07.10481, de 2007, referente a omissão de receitas com base em depósitos bancários não esclarecidos recebidos em contas Fl. 2130DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.000 15 pertencentes à DCP e o outro não impugnado, referente ao ano calendário 2002, fls. 1.898/1.899. 52. As DIPJ da Camacuã, fls. 1.749/1.757, informam vendas de álcool etílico hidratado para fins carburantes nos anos de 2002, 2003 e 2004; declarou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em 2002 e 2003; não constam quaisquer débitos declarados em DCTF para o anocalendário 2004, fls. 1.783/1.785. Localizouse auto de infração de IRPJ referente a períodos que abrangem a presente autuação inclusive, que se encontra na Procuradoria da Fazenda Nacional em Guarapuava, fls. 1.895/1.986, não consta que tenha sido julgado por DRJ e ao que tudo indica, não foi impugnado. 53. A Sercom ou TicPetro, fls. 1.771/1.776, consignou nas DIPJ dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 que não apurava Pis/Pasep e Cofins a alíquotas diferenciadas, declarando a revenda de mercadorias comuns, mas não de combustíveis; declarou débitos 6912 PIS NAO CUMULATIVO (LEI 10.637/02) e 2172 – Cofins, em 2003; não declarou 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em nenhum dos períodos analisados e não declarou quaisquer débitos em DCTF em 2004, conforme fls. 1.794/1.797. Não se localizaram autos de infração para o período, fl. 1.897. A Agência da Receita Federal em Campo Mourão enviou a intimação nº 179/2011, a qual foi, todavia, devolvida pela ECT. A intimação foi realizada, assim, por edital e o processo foi devolvido a esta turma, sem manifestação da recorrente. É o relatório. Fl. 2131DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.001 16 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Já analisados os requisitos de admissibilidade quando da primeira assentada, passo desde logo à análise das alegações recursais. Das Preliminares (a) Negativa injustificada a pedido de produção de provas Sustenta a recorrente ser nula decisão recorrida, nos termos do art. 59, II, Decreto nº 70.235/72, por indeferir provas requeridas pela recorrente sem justificativa aceitável. Ressalta que o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 inverteu o ônus da prova com relação aos créditos em conta e com relação à sua atividade de representante comercial e não de distribuidor (conforme autuada), restando a ela produzir provas para infirmar as conclusões da fiscalização. A turma de julgamento da DRJ de fato rechaçou os pedidos feitos. Quanto ao pedido para que fossem obtidos documentos apreendidos por Mandado de Busca e Apreensão junto ao Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos da Polícia Estadual do Paraná (Nurce), aduziu que cabe à interessada obter as provas do que alega, além de que, a Constituição lhe garante o acesso aos documentos se necessários à sua defesa, mediante pedido de cópia ao Nurce ou à Justiça, onde se encontra o processo crime. Salientese, todavia, que consoante fl.1490, a fiscalização havia disponibilizado, por meio de Termo de Intimação, todos os elementos e documentos apreendidos pelo Nurce/Polícia Estadual e posteriormente enviados à Receita Federal. No que tange aos pedidos para que a RFB oficiasse as usinas de álcool Central Paranaense de Álcool Ltda – CPA Trading Ltda, Usina de Açúcar e Álcool Goioerê Ltda, Cooperativa Agroindustrial Nova Produtiva, Cocamar Cooperativa Agroindustrial e CoopcanaCooperativa Regional de Produtores de Cana Ltda, para que informassem à fiscalização se em algum momento procederam à venda de álcool combustível em favor da Lexxon, e que fornecessem a relação dos produtos intermediados pela mesma, no período objeto da presente autuação, assim se posicionou: No que tange à Goioerê, temse que foi lavrada autuação exigindo IRPJ, Pis, Cofins e CSLL relativa aos anoscalendário 2001, 2002, 2003, 2004, processo nº 10950.002693/200693, por omissão de receita correspondente à saída de álcool etílico hidratado carburante sem emissão de nota fiscal, nos seguintes totais, infração essa não impugnada pela autuada, que apenas impugnou outros itens da autuação; também foram lavrados autos pelo mesmo motivo relativos a CIDE e IPI, processos nº 77.264.224/000135 e 10950.002690/200650; por isso, essa usina dificilmente poderá comprovar que não vendeu álcool carburante para a Lexxon. Fl. 2132DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.002 17 Temse à fl. 1.777, informações acerca da CPA Trading S/A, constituída em 11/07/2002, iniciando as operações em junho de 2003, com o objetivo de compra, para fim específico de exportação e compra para revenda de álcool etílico a granel, para fins carburantes entre outros, tratandose de um intermediário. Quanto às demais usinas, cabe à autuada providenciar os comprovantes, para provar o alegado. Aduzase que foi realizada diligência junto àquele órgão e obtidos novos documentos, fls. 1.806/1.885, que incluem, fl. 1.865, “Autorização” em 23/08/2006 de Luiz Fernandes Correia, para que o contador que qualifica o represente e efetue a retirada de computadores e demais documentos das empresas das quais é sócio, Terra Diesel Ltda e Lexxon Representações Comerciais Ltda, apreendidos pelo Nurce em operação realizada em, Campo Mourão em 2004, o que demonstra não haver qualquer restrição ao acesso pela Lexxus ou seu sócio, aos documentos apreendidos; também, no que se refere ao Inquérito nº 8/2004, nada impede de ter vista e mesmo obter as provas desejadas, em face do disposto no art. 5º, LV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988. Relativamente ao pedido de concessão de 120 dias para apresentação de documentos, assim se manifestou a DRJ: A data deste julgamento ocorre em agosto/2008, tendo sido a impugnação onde consta a petição supra protocolizada em 26/10/2007, já tendo decorrido o prazo requerido para a apresentação de tais documentos adicionais, mas nada foi apresentado. No que tange ao pedido feito para que as distribuidoras Petrotiba, DCP, Camacuã, Sercon, fossem intimadas a apresentar as notas fiscais de venda aos postos revendedores relacionados na documentação "Alfa" presente no processo, assim se manifestou a DRJ: Atendendo ao requerido pela autuada, verificaramse as DIPJ da Petrotiba, fls. 1.749/1.757, empresa que a autuada indica como sua principal representada; temse que informou zero receitas de venda de álcool nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, zero compras e zero estoques; e os únicos débitos declarados em DCTF foram alguns de IRRF, conforme fls. 1.786/1.788, não se identificando declaração de quaisquer outros débitos, muito menos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, de onde se tem que a acusação de bis in idem, porque a “representada” teria declarado as mesmas receitas que ora são exigidas da Lexxon, não procede, bem como tornando dispensável que se requeira à mesma a confirmação de que vendia álcool aos postos distribuidores; quanto a autuações, não se localizou auto de infração relativo ao período, somente notificação de cobrança de IRPJ, fl. 1.894. Fl. 2133DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.003 18 A DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, fls. 1.764/1.770, declarou zero receitas de álcool etílico em 2002, 2003 e 2004; informou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS, somente nos 1º e 2º trimestres 2003; não declarou qualquer débito em DCTF para o ano de 2004, fls. 1.789/1.793. Localizaramse dois autos de infração, IRPJ, um deles objeto do acórdão DRJ 07.10481, de 2007, referente a omissão de receitas com base em depósitos bancários não esclarecidos recebidos em contas pertencentes à DCP e o outro não impugnado, referente ao ano calendário 2002, fls. 1.898/1.899. As DIPJ da Camacuã, fls. 1.749/1.757, informam vendas de álcool etílico hidratado para fins carburantes nos anos de 2002, 2003 e 2004; declarou em DCTF débitos de 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, e 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em 2002 e 2003; não constam quaisquer débitos declarados em DCTF para o anocalendário 2004, fls. 1.783/1.785. Localizouse auto de infração de IRPJ referente a períodos que abrangem a presente autuação inclusive, que se encontra na Procuradoria da Fazenda Nacional em Guarapuava, fls. 1.895/1.986, não consta que tenha sido julgado por DRJ e ao que tudo indica, não foi impugnado. A Sercom ou TicPetro, fls. 1.771/1.776, consignou nas DIPJ dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 que não apurava Pis/Pasep e Cofins a alíquotas diferenciadas, declarando a revenda de mercadorias comuns, mas não de combustíveis; declarou débitos 6912 PIS NAO CUMULATIVO (LEI 10.637/02) e 2172 – Cofins, em 2003; não declarou 6824 PIS – COMBUSTIVEIS, nem 6840 COFINS – COMBUSTIVEIS em nenhum dos períodos analisados e não declarou quaisquer débitos em DCTF em 2004, conforme fls. 1.794/1.797. Não se localizaram autos de infração para o período, fl. 1.897. Assim, das distribuidoras examinadas, somente a Camacuã declarou receitas de venda de álcool combustível, e mesmo assim nenhum débito declarou em DCTF em 2004; as demais nem isso. No que tange às autuações da Camacuã e DCP citadas, temse que não consta dos presentes autos que os depósitos nas contas bancárias de titularidade da autuada tivessem sido reconhecidos como de terceiros a justificar que os mesmos valores de depósitos lastreassem lançamentos fiscais contra aquelas distribuidoras e se as distribuidoras autorizadas emitiram notas fiscais e não declararam receitas, nem tributos correspondentes como já se evidenciou, deve a interessada correlacionar cada depósitos recebido com a respectiva nota fiscal emitida pela distribuidora autuada, para respaldar a acusação de dupla cobrança de tributos sobre as mesmas receitas. A litigante requer que a RFB oficie as distribuidoras a fim de que confirmem as vendas realizadas aos postos relacionados nas Pastas 01, 08 e 10 da “relação Alfa”, mediante cópias das notas fiscais, dos livros Registro de Saídas ou arquivos magnéticos Fl. 2134DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.004 19 entregues à Receita Estadual – ora, qual o empecilho da litigante em obter esses documentos junto às suas representadas, de quem alega (e apresenta cópias de contratos) era plenipotenciária? O interesse em não ser classificada como distribuidora se deve, à parte da falta de autorização legal para a atividade, ao fato de a tributação ser concentrada nas distribuidoras; no caso do PIS e Cofins, as alíquotas são respectivamente 1,46% e 6,74%, incidentes sobre a receita bruta. Destaquemse ainda as notícias publicadas acerca da ação do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) no Estado do Paraná, relativos a sonegação de ICMS, em que a fraude consistia em vender álcool combustível direto da usina para os postos, com notas fiscais de empresas que não recolhem ICMS, nem PIS, nem Cofins nem IRPJ, sendo o produto carregado na destilaria e colocado diretamente nos postos, sem passar pelas distribuidoras, e onde se destaca que o problema é que as distribuidoras são o elo da cadeia tributária em que ocorre o recolhimento do ICMS, fls. 1.733/1.739; nesse noticiário, as distribuidoras citadas pela autuada estão destacadas, além da própria autuada e da usina Goioerê, principal fornecedora de álcool combustível retirado e transportado até os postos sem passar pela distribuidora autorizada, fl. 1.734: IMPOSTOS –Esquema que envolvia notas frias funcionava em diversas cidades do Paraná. Postos compravam álcool direto de usina, sem pagar alíquota pelo produto (...) Esquema: O suposto esquema de fraudes consiste em vender álcool hidratado (usado por veículos automotores) direto da usina para os postos, com notas fiscais de empresas que não recolhem o ICMS, além de tributos federais (PIS, Cofins e Imposto de Renda). O produto seria carregado na destilaria e colocado diretamente nos postos, sem passar pelas distribuidoras. O problema é que as distribuidoras são o elo da cadeia tributária em que ocorre o recolhimento do ICMS. Segundo especialistas do setor, as empresas pagavam R$ 0,02 a mais por cada litro de álcool comprado nesse esquema. Em troca sonegavam o imposto. (...) Segundo o delegado (...) titular do Nurce em Maringá, “a rede de sonegação de impostos no comércio varejista é formada por cinco distribuidoras e pela destilaria de Goioerê.“ As distribuidoras seriam a Distribuidora Camacuã (Guarapuava – PR) a DCP Distribuidora e Transporte de Petróleo (Itajaí – PR (sic)), a Petrotiba (Araucária – PR), a Geraes Distribuidora de Petróleo Fl. 2135DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.005 20 (Paulínia – SP), a TicPetro (Araucária – PR) e a Usina de Açúcar e Álcool Goioerê (região de Goioerê – PR. (...) Em Campo Mourão, o delegado (...) visitou seis distribuidoras, sendo que cinco funcionavam em salas comerciais de um mesmo prédio. Ele apreendeu documentos, computadores e notas fiscais em branco. Parte do material estava no escritório Lexus Combustíveis Ltda, representante da Petrotiba Petróleo Ltda.” (Grifou se.) Destaquemse também as informações de que Secretaria Adjunta de Fiscalização do Estado do Rio de Janeiro editou Portaria em 03/08/2006, declarando inidôneos notas fiscais e selos de fiscalização emitidos em nome da distribuidora Petrotiba; a Portaria SAF nº 225 de 11/11/2006, de mesmo teor; a notícia de adulteração de combustíveis pela Petrotiba no estado do Rio de Janeiro, onde foi interditada, fls. 1.736/1.741; destaquese ainda a informação veiculada no Sindicombustíveis, fl. 1.736: Mesmo banidas do mercado, várias distribuidoras continuam abordando revendedores em seus postos (...) oferecendo produtos, sempre a preço baixo. Essas empresas já tiveram o cadastro de pessoa jurídica cassado na ANP. Mas continuam agindo no mercado paralelo, adquirindo combustível irregularmente e, obviamente, sem o recolhimento dos obrigatórios 31% de ICMS. As empresas irregulares apresentam aos revendedores notas fiscais fraudulentas, nas quais aparece como registrado o pagamento do imposto aos cofres do Estado. À fl. 1.741, extrato de processo em que a Petrotiba, pleiteia normalização da sua inscrição estadual, em Santa Catarina. Às fls. 1.742/1.744, extrato do Processo Crime nº 2005.0004286 4, referente à infração sonegação fiscal, Inquérito Policial nº 008/04, onde são indiciado(s)/réu(s) os sócios da Petrotiba, Camacuã, Lexxon e Sercom ou TicPetro, entre outros. Às fls. 1.745/1.748, a relação das empresas com registro e autorização revogados de 2000 a 2007 pela Superintendência de Abastecimento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP onde está relacionada a Petrotiba Petróleo Ltda, CNPJ 74.068.388/000107, com a data de publicação do cancelamento em 26/07/2005; constam como autorizadas até 02/2008, a Camacuã, a Sercom e, atuando com autorização por força de decisão judicial em face da ANP, a DCP; o que responde ao item e requerido pela impugnante de que a RFB envie ofício à ANP indagando se a autuada possuía ou possui registro e autorização para a atividade de distribuição de combustíveis – não possui, e o registro da sua principal “representada” Petrotiba foi cancelado. Resumindo, apenas a Camacuã declarou vendas de álcool combustível (em 2002 e 2003, mas não em 2004), as demais, Fl. 2136DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.006 21 não; cabe à autuada provar que os depósitos recebidos em suas contas eram receitas das citadas distribuidoras; não há prova nos autos que aquelas compravam e vendiam o álcool retirado pela autuada das usinas, e cujos estoques controlava, e o qual vendia, recebia, depositava o produto da venda em suas próprias contas correntes bancárias e efetuava o pagamento das usinas fornecedoras, a partir dessas mesmas contas, e o fato de a autuada não ter a autorização devida não é prova da não atuação como distribuidora, como se evidencia desta análise e do contexto descrito, bem como dos elementos que se discute adiante. Analisando os longos termos da manifestação, vêse que o órgão a quo, por evidente, face aos resultados de pronto obtidos da análise dos pífios dados informados por tais distribuidoras quanto à sua movimentação comercial e reforçados pelo modus operandi da recorrente noticiados (que, como visto, laborava às escondidas, fazendo com que parecesse que a operação fosse realizada sem sua interferência) verificou que não resultariam profícuos os procedimentos, indeferindoos, assim. O pedido para realização de perícia relativa aos extratos de movimentação financeira, depois da comprovação das retiradas destinadas às usinas de álcool e distribuidoras também foi indeferido, porque, no entender do voto condutor, Não é razoável a pretensão da contribuinte de transferir para eventual perícia a função que é sua, de ter mantido a sua contabilidade em ordem e demonstrar o alegado. O que fica claro, contudo, é que, à míngua de alegações convincentes, a contribuinte está pretendendo transferir ao seu perito a atribuição – privativa deste Colegiado e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda – de julgar o lançamento. Ora, julgar se, em face da legislação vigente, a contribuinte está ou não sujeita a esse encargo é atribuição destes colegiados. Caso a impugnante entenda que seu perito tenha razões capazes de influir na formação do convencimento desta Turma, que as inclua em sua impugnação. Nada justifica, contudo, realizar uma perícia para conhecer a opinião pessoal de determinado cidadão, seja ele perito ou não. De fato, a perícia de toda a movimentação financeira de 03 anoscalendário, importa em nova fiscalização, dada a amplitude dos exames, que, aliás, a nada chegariam, especialmente por não ter oferecido a recorrente qualquer prova para as intimações que questionavam a origem dos recursos, nada levando a crer que passasse, então, a têlos. De forma geral, vejo que todas as provas requeridas destinamse a ampliar demasiadamente o procedimento, para alcançar inúmeros agentes e fatos, e decerto, a nada levariam, exceto a procrastinação indefinida, esta sim, em evidente descompasso com os princípios da eficiência e razoável duração do processo que devem nortear os julgamentos administrativos. Fl. 2137DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.007 22 Desta forma, entendo que as razões pelas quais a turma de julgamento negou seguimento aos pedidos feitos não encobre o fato de que estão analisados e seus indeferimentos motivados, o que, a meu ver, afasta o cerceamento do direito de defesa. Há um fato que merece, neste momento, toda atenção: a recorrente, durante todo procedimento fiscal, e mesmo onerada com a inversão do ônus da prova promovida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, não produziu provas. Omitiuse. Posteriormente, durante o contencioso administrativo, decidese a mobilizar a Administração em seu favor, para que esta busque terceiros, e através deles produza as provas para a defesa da recorrente, provas estas que não foram apresentadas exatamente por descumprimento de obrigação acessória de escriturar livros, guardálos, e apresentálos quando requerido, mantendo em arquivo os documentos que lhe dão suporte. Afinal, se é verdade que foi surpreendida por apreensão de documentos, lastreada em Mandado de Busca e Apreensão, também é verdade que nomeou representante para retirálos junto à autoridade policial. Porém, não acostou qualquer documento que demonstrasse pedido de obtenção de qualquer documento apreendido, bem como a recusa no atendimento da pretensão. Certo, pois, que novamente se omitiu no seu dever de produzir provas, especialmente porque onerada com a inversão do ônus da prova. Neste sentido, sou, pois pelo acerto do quanto decidido em primeira instância, posicionandome contra a preliminar de cerceamento do direito de defesa. (b) Apreciação de novos documentos e manifestação da recorrente Aduz a recorrente que ao apreciar novos documentos trazidos ao processo (DCTF e DIPJ) sem prévia intimação do contribuinte para sobre eles se manifestar, o colegiado a quo provocou cerceamento do direito de defesa, pois, uma vez já instalada a fase litigiosa era obrigatória tal prévia intimação. Embora não indique quais as DCTF e DIPJ a que se refere, é certo que se refere às consultas às DCTF e DIPJ que o próprio relator efetuou, para formar sua convicção no que diz respeito às solicitações de diligência para produção de provas junto a terceiros. Quanto a este ponto é de se ressaltar que: a) das pesquisas efetuadas não resultou qualquer agravamento da situação da recorrente, exceto pela formação de convicção do julgador quanto à sua desnecessidade. Não causaram, porém, nenhum ônus adicional ao crédito já lançado; b) a realização de pesquisas pelo julgador tem função de dar cumprimento a à busca da verdade material. Neste caso, em especial, também concorreu para a eficiência e a razoável duração do processo. Por fim, este colegiado supriu qualquer possibilidade de cerceamento de defesa, com a conversão do julgamento em diligência para obter a manifestação da recorrente quanto a tais elementos, ato logo demonstrado infrutífero dado que não pode ser encontrada no seu domicílio tributário de eleição, que é de sua livre escolha, nos termos do art.127 do CTN. Não houve, também, manifestação após intimação por edital. De se concluir, destarte, pela manutenção do quanto decidido. (c) Desqualificação da atividade do contribuinte Fl. 2138DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.008 23 Vem afirmado pela combativa manifestação da recorrente que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a desqualificação da atividade do contribuinte, com o conseqüente arbitramento dos créditos em conta. Afinal, o próprio julgado admite, como também consignado pela fiscalização, que a recorrente atuou como representante comercial, mas também como distribuidora, não se sabendo quais as proporções em que isso se deu. Assim, há violação à legalidade e à vinculação do ato administrativo à norma. A questão se verte para a análise do art. 44 da Lei nº 4.506/64, verbis: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; Desta forma, conforme entende, ao operar como representante comercial autônomo, sua receita bruta seria de serviços, e compreenderia o resultado auferido nas operações de conta alheia e não o produto da venda de bens. E embora seja bem possível que o resultado, acaso considerada a modalidade que melhor lhe apraz, sejalhe desfavorável, posto que o coeficiente a ser aplicado saltaria de 9,6% para 38,4%, questiona a legalidade de tal agir, posto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 equipara os créditos em conta cuja origem não foi justificada pelo seu titular a receitas omitidas e não ao resultado auferido nas operações de conta alheia. Contudo, analisando o caso vertente à luz das normas acima, vêse que: a) o resultado auferido nas operações de conta alheia é denominado receita (bruta operacional) pelo caput do art. 44 da Lei nº 4.506/64; b) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estipula tratamento diferenciado para o caso de operações em conta alheia no seu §2º (abaixo transcrito); porém, para que ele tenha aplicabilidade, é necessário que o sujeito passivo cumpra com seu dever de prestar informações sobre a origem dos recursos, o que não se verificou neste caso, senão se veja: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. c) conseqüentemente, concluo que embora os créditos que foram objeto de autuação acaso fosse procedente a fundamentação da recorrente (o que não logrou provar) possam não corresponder aos resultados auferidos nas operações de conta alheia, ela não cumpriu com o dever que a Lei lhe atribuiu para desonerarse da imputação integral, não restando outra alternativa à autoridade senão considerar os créditos como receita omitida. Conforme bem asseverado no acórdão recorrido, sendo o ônus da prova da recorrente, prescinde de produzir provas adicionais a autoridade para concluir pela omissão de receita, nos termos dos art. 333 e 334 do CPC, abaixo reproduzidos, uma vez demonstrado o fato indiciário (em favor do qual milita presunção legal de veracidade): Fl. 2139DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.009 24 Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Houvesse no caso vertente certeza quanto à situação alegada pelo sujeito passivo – de que atuou como representante comercial e não como distribuidor – entendo que seria possível inibir a eficácia do art. 42 da Lei nº 9.430/96 com base na violação ao conceito de renda, pela evidente tributação de quantum excedente ao acréscimo patrimonial auferido. No entanto, ela não existe nestes autos, sendo que tal caminho é truncado pelas regras do próprio direito. Afinal, alegar sem provar equivale a não alegar. E a alegação da recorrente, quanto à sua atividade não restou demonstrada. Assim, na dúvida, o art. 42 oferece caminho seguro para a tributação da omissão constatada, estando a prova bem constituída (fato indiciário demonstrado e não infirmado). Vejamos alguns elementos dos autos que nos permitem assim sentenciar: a) as declarações da recorrente são pífias frente a sua movimentação financeira, havendo, inclusive, declaração de inatividade relativa ao anocalendário de 2004, em que sua movimentação financeira aproximase de R$3,5 milhões de reais (fl. 1500); b) a recorrente executava a cobrança das vendas aos clientes finais (postos de combustível), sendo, inclusive, responsável pelo inadimplemento, vez que, contrariamente ao que dispõe a Lei nº 4.886/65 (que regula a atividade de representante comercial autônomo), era estipulada a cláusula del credere nos contratos firmados por ela; c) a Lexxon (ela própria) retirava o álcool das usinas e o entregava aos postos revendedores para consumo, operando com veículos de carga; d) Relativamente a seus representados: sua principal representada (segundo ela própria), a Petrotiba, informou zero receitas de venda de álcool nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, zero compras e zero estoques; A DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, fls. 1.764/1.770, declarou zero receitas de álcool etílico em 2002, 2003 e 2004; quanto à Camacuã, não constam quaisquer débitos declarados em DCTF para o anocalendário 2004; A Sercom ou TicPetro, consignou nas DIPJ dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 que não apurava Pis/Pasep e Cofins a alíquotas diferenciadas, declarando a revenda de mercadorias comuns, mas não de combustíveis (conforme itens 50 a 53 do acórdão recorrido); e) No que tange às autuações da Camacuã e DCP citadas, temse que não consta dos presentes autos que os depósitos nas contas bancárias de titularidade da autuada tivessem sido reconhecidos como de terceiros a justificar que os mesmos valores de depósitos lastreassem lançamentos fiscais contra aquelas distribuidoras e se as distribuidoras autorizadas emitiram notas fiscais e não declararam receitas, nem tributos correspondentes como já se evidenciou, deve a interessada correlacionar cada depósitos recebido com a respectiva nota fiscal emitida pela distribuidora autuada, para respaldar a acusação de dupla cobrança de tributos sobre as mesmas receitas (item 55 do acórdão recorrido); Fl. 2140DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.010 25 f) A Secretaria Adjunta de Fiscalização do Estado do Rio de Janeiro editou Portaria em 03/08/2006, declarando inidôneas notas fiscais e selos de fiscalização emitidos em nome da distribuidora Petrotiba. Adicionado a isto está o fato de que foram apreendidos notas fiscais em branco da Petrotiba na Lexxon (fl.822). Segundo relatório elaborado pelo delegado de polícia do Nurce, Francisco Catita, as notas eram preenchidas se exigidas pelo posto de combustível, cliente final (registrese aqui, por oportuno, que não podiam ser de emissão da recorrente, que não possuía registro na ANP. É importante ressaltar este fato porque o sustentáculo da defesa é a inexistência de comprovante de aquisição das mercadorias. Mas, se não há materialização da aquisição das mercadorias, também é de se dizer que assim o foi porque não seria possível realizar metade da operação nos termos da lei e a outra metade à sua margem. Ou seja, se a Lexxon não formalizava a compra de mercadorias é porque não as poderia vender, tudo levando a crer que adquiria as mercadorias e as revendia ou sem documentação ou com documentação de favor); g) Afirmase no voto condutor que os elementos de prova apreendidos pelo Nurce comprovam a emissão de pedidos, a aquisição de álcool e pagamento às usinas, a venda de álcool a postos de combustíveis, com equipe de vendedores comissionados, a retirada com veículos próprios ou contratados (já que pagava a transportadoras e controlava os carregamentos, os veículos e os motoristas), carregamento, distribuição e cobrança do álcool vendido aos postos e, finalmente, o depósito dos recebimentos nas contas bancárias em exame, o que, digase de passagem, não é negado pela autuada; evidenciase que realizava a emissão das notas de pelos menos algumas das distribuidoras, como a Petrotiba e Camacuã e que a Terra Diesel (e que não é distribuidora autorizada), da qual Luiz Fernandes Correia também é sócio, já que estavam em poder da autuada blocos de notas fiscais em branco dessas empresas. h) o documento de fls.889 que retrata fluxo de caixa da recorrente indica na coluna “compra” aqueles de quem se efetuou a compra e na coluna “venda” para quem ela foi feita, sendo mais um elemento de convicção de que controlava toda a cadeia; i) no contrato de fl. 827, a Lexxon consta como vendedora, sendo comprador “Sebastião Gil”, e devendo a mercadoria ser retirada na usina Goioerê Ltda; j) os contratos de representação comercial apresentados pela recorrente demonstram um acordo de vontades, acaso considerados; porém nada dizem do relacionamento comercial contínuo e prolongado que se deu no decorrer dos anoscalendário de 2002 a 2004, uma vez que os documentos comerciais e fiscais não foram carreados aos autos, os quais, se harmonizados, poderiam fornecer indicativo mais seguro no sentido do que alega. Consoante acima alertado, tais elementos não os colijo para efeito de provar que a recorrente não exercia a representação comercial e sim a distribuição de fato dos combustíveis, mas para demonstrar que há fortes indícios de que agia como distribuidor, e que não restou demonstrado o contrário, o que, a meu ver, basta para endossar a legalidade do procedimento e sua conformidade com o art. 142 do CTN. Fl. 2141DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.011 26 Do mérito (d) Depósitos bancários de origem não comprovada – lançamento insubsistente Sustenta a recorrente que o arbitramento qualifica a recorrente como distribuidora de combustíveis de fato, enquadrando os créditos em conta como decorrentes da venda de álcool combustível, alterando os critérios de cálculo do tributo, pois a base de cálculo é imposta sobre as vendas dos produtos e não sobre as comissões de vendas intermediadas. A base superficial em que se baseia tal fato reside na superficialidade de notícias da imprensa e documentos afetos ao procedimento policial investigatório. Neste ponto, verte seus argumentos no sentido de demonstrar a insubsistência do auto de infração, uma vez que, segundo aduz, está o lançamento calcado sobre o fato de que atuou como distribuidor e não como representante comercial. Em seu favor cita que os documentos oriundos das pastas que compõem a chamada relação Alfa demonstram que as atividades eram vinculadas às distribuidoras de combustíveis; os contratos de representação juntados têm cláusula prevendo a delegação à autuada da gestão dos recursos advindos das vendas agenciadas; não deteve a disposição das mercadorias negociadas, condição que diferencia a representação da distribuição, nos termos do art. 710 do Novo Código Civil e Lei nº 4.886/65; a contradição existente pela existência da cláusula del credere não invalida o raciocínio de que atuava como representante, porque é usual, mesmo ilegal, a inserção desta cláusula, impondo esta responsabilidade ao representante, face a subordinação e hipossuficiência do representante face aos representados; a listagem de vendas de fls.295/307, que contém na coluna do representante a informação “VDVenda Direta” não evidencia que atuava como distribuidora, só porque tais vendas foram diretas. Isto se dá porque o produto era vendido diretamente da usina às distribuidoras, sem intermediação dos vendedores da usina; o mercado de combustíveis é regulado pela Lei nº 9.748/97 que delegou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) poderes para regular e autorizar o exercício da atividade de distribuição de combustíveis (exercido com a Portaria nº 202/99). Sem a autorização e registro desse órgão nenhuma empresa pode operar neste ramo, pois não obteria as inscrições cadastrais perante a Fazenda Estadual e Federal. Assim, não poderia ter atuado dessa forma, pois os fornecedores não poderiamlhe vender combustíveis. Para não ser repetitivo, em vista do quanto analisado no item anterior, apenas ressalto a conclusão a que cheguei, de que em vista dos elementos em sentido contrário, que não são poucos, não é possível chegarse à conclusão de que, conforme afirma, agiu como representante comercial, havendo fortes indícios que militam em sentido oposto. Desta forma, como não infirmou o fato indiciário, demonstrando a origem dos créditos em conta corrente, não é possível ser albergado pela regra do §2º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Também não fica mitigado o conceito de renda, exatamente por não ter logrado provar que praticava de fato o objeto social de representação comercial, ônus que lhe cabia. Assim, conforme concluí acima, inexiste violação à legalidade ou à vinculação necessária do ato de lançamento. Com base nas receitas omitidas, foi efetuado o lançamento com base no critério do lucro arbitrado, baseado na alíquota mais favorável de 9,6%, concernente à revenda de mercadorias. Fl. 2142DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.012 27 Tal procedimento foi executado porque a recorrente, durante o procedimento fiscal não apresentou livros e documentos que compunham sua escrituração, mesmo intimada, nos termos do art. 530, III, do RIR/99, o que está de acordo com o preceito legal. Com efeito, no caso concreto não havia qualquer outra possibilidade de aferimento do resultado, senão com base no método empregado. Sou, portanto, pela manutenção do lançamento. (e) Multa qualificada A recorrente alega ter disponibilizado todos os documentos e informações que dispunha, não havendo provas que ocultou deliberadamente fato gerador. Não se verificou, também, ato seu que caracterize fraude, ocultação ou atitude dolosa que configure crime contra a ordem tributária. Não foi esse o entendimento do colegiado a quo, baseado no voto condutor que decidiu pelo acerto da multa exasperada diante do fato de que a Lexxon participava de um esquema para sonegação de impostos, o que torna forçoso a aplicação da multa qualificada Compulsando os autos verifiquei, ainda, os seguintes elementos: a) o esquema do qual tomava parte a recorrente foi assim descrito na imprensa, após a deflagração da operação policial que desarticulou o esquema: O Nurce (Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos), em parceria com a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) do Ministério Público Estadual, fez uma megaoperação para cumprir mais de quarenta mandados de prisão e busca e apreensão na região Noroeste do Paraná, na manhã desta terça feira (19). O trabalho reuniu cerca de 50 policiais civis e militares, além de representantes da PIC, que prenderam 12 pessoas acusadas de envolvimento com adulteração de combustíveis e sonegação fiscal, entre outros. Há cinco meses, a equipe investigava crimes de sonegação de impostos, adulteração de combustíveis, formação de quadrilha, falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro entre postos de combustíveis, distribuidoras e usinas de álcool. Postos de gasolina, escritórios e residências de empresários foram revistados para encontrar notas fiscais e extratos bancários que comprovassem os crimes. Computadores, caixas e pacotes com diversos documentos foram apreendidos. As buscas e apreensões foram realizadas em Maringá, no escritório autorizado da distribuidora Camacuã Transportes de Petróleo Ltda., no escritório autorizado da DCP Distribuidora e Comércio de Petróleo Ltda, em escritório de vendedores varejistas. Em Campo Mourão foi investigado o escritório Lexus Combustíveis Ltda, representante da Petrotiba Petróleo Ltda. Em Moreira Sales, próximo à cidade de Goiocerê foi vistoriada a usina de Açúcar e Álcool Goiocerê Ltda. e em Londrina, Fl. 2143DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.013 28 alguns escritórios de distribuidoras, inclusive de São Paulo.Todo material apreendido foi encaminhado à Receita Estadual. Fraude — De acordo com as denúncias as distribuidoras de combustíveis da região de Maringá comprariam o álcool das usinas com nota fiscais subfaturadas, ou seja, declaravam valores inferiores, para pagar menor impostos. Além disso elas manteriam escritórios regionais, que compravam o combustível das usinas e enviavam diretamente para os postos, sem passar pela base da distribuidora, onde o combustível deveria passar pelo controle de qualidade. Com o bloco de notas fiscais em mãos, os representantes das distribuidoras fariam a venda do álcool diretamente para os postos, muitas vezes subfaturando a venda, para, assim, conseguir lucro maior. b) às fls. 1812, o relatório elaborado pelo Nurce, demonstra que o sócio da recorrente, Luiz Fernandes, não só tinha conhecimento de que participava de ilícito como também agia para obstar a produção de provas. Vejase o trecho relatado: A concorrência da Usina: As interceptações telefônicas ainda remetem a uma outra situação. Algumas compras de álcool são feitas sem que a Usina emita nota fiscal para a distribuidora. Neste trabalho somente foi possível identificar que a Usina de Açúcar e Álcool Goioerê Ltda, localizada na cidade de Goioerê PR participa ativamente do esquema noticiado, em conluio com a distribuidora PETROTIBA, em estreitas e escusas parcerias para a prática da sonegação fiscal. Numa das ligações telefônicas interceptadas Luiz Fernandes lembrou Sueli, funcionária de seu escritório, que deveria fazer o cruzamento das informações dos relatórios da usina com o deles, já que, segundo ele, a segurança do negocio dependeria da conformidade das informações, a fim de que o esquema não seja detectado. c) às fls. 1817, prossegue o relatório, com as conclusões finais obtidas: A SAGAE PERON REPRESENTAÇAO COMERCIAL LTDA, LEXUS COMBUSTIVEIS LTDA, PETROTIBA DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA, e a USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL GOIOERÊ LTDA representam nessa estrutura uma quadrilha estável e sólida, formada para o cometimento de ilícitos penais contra a ordem tributária e econômica na seara de combustíveis; d) às fls. 1835, no depoimento de Afonso Seiji Sagae, é por ele afirmado que no escritório de Campo Mourão ligados a distribuidora PETROTIBA, além do escritório de representação LEXUS, o proprietário Luiz Fernandes Correia também possui a TERRADIESEL, que é uma TRR, tendo como sócio nesta empresa Jorge Farina; quando contacta com este escritório sempre fala com a pessoa de Francisco que é funcionário da empresa e só essa com quem negocia; enfim, todos que participam deste processo são cientes das irregularidades, nelas incluindo as distribuidoras PETROTIBA, o escritório LEXUS, a Fl. 2144DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.014 29 distribuidora CAMACUÃ e seu escritório de representação em Maringá, a DCP e seu escritório de representação em Maringá e os donos de postos revendedores, os quais se beneficiam financeiramente desta prática; dentre as usinas, a única que sabe apontar como vendedora de álcool sem nota fiscal é a usina GOIOERÊ, que tem acordo com o escritório LEXUS; quanto as notas fiscais, pode dizer que estas são expedidas pelo escritório LEXUS, quando se refere a PETROTIBA e quanto às demais distribuidoras referidas não sabe por onde as notas são emitidas. Este depoimento foi confirmado pelo de Paulo Guilherme Paes Perón, às fls. 1839/1840. Às fls. 1487, o depoente Francisco Carlos Teodoro, auxiliar administrativo, afirma que todas as Distribuidoras representadas por Luiz Fernandes passavam uma tabela escalonada de preços que variava desde a venda a ser feita com nota cheia (mais cara) até a venda sem nota (mais barata) Por fim, às fls.1861, relata o investigador Marcos Assis Gonçalves Concluise que, apesar de responder a Inquérito Policial n.008/2004 junto ao Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos, LUIZ FERNANDO e as empresas TERRA DIESEL e PETROTIBA continuam a atuar de forma desleal, irregular, clandestina e ilícita junto ao comércio de derivados de Petróleo e Álcool, causando transtorno e prejuízo a empresas devidamente constituídas e "recolhedoras" de impostos. Não fosse bastante tal enxurrada de elementos em sentido único, verificouse neste caso a prestação de declarações de rendimentos em diversos anoscalendário com valores bastante inferiores àqueles efetivamente lançados. Num dos anoscalendário inclusive, conforme já se mencionou, foi prestada declaração de inatividade. A prestação de declaração de rendimentos com valores inferiores àqueles efetivamente percebidos denota intenção de subtrair do conhecimento da Administração fatos geradores ocorridos, autorizando a qualificação da multa de ofício. Correta, assim, aplicação da multa qualificada ao caso. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 04 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 2145DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.004767/200715 Acórdão n.º 130200.935 S1C3T2 Fl. 2.015 30 Fl. 2146DF CARF MF Excluído Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.09282.P8XC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE ANDRADE em 30/07/2012 12:09:50. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE ANDRADE em 30/07/2012. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 07/08/2012 e EDUARDO DE ANDRADE em 30/07/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.1018.09282.P8XC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C2C396DC56130A1B3763BD0D7C02C0998A681A11 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10950.004767/2007-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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