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Numero do processo: 11080.909061/2011-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Numero da decisão: 9303-004.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 13/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrgio da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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PREÇO PREDETERMINADO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS – Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 90 61 /2 01 1- 79 Fl. 576DF CARF MF 2 EDITADO EM: 13/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrgio da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Impugna a Fazenda Nacional acórdão que entendeu que a correção dos preços pelo IGPM não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pela COFINS não cumulativa incidente sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos Diversamente de outros processos já julgados neste colegiado, em que estavam em discussão autos de infração lavrados pela sistemática não cumulativa, aqui cuida se de Declaração de Compensação que utiliza como crédito pagamentos da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005, que seriam a maior porquanto apurada a contribuição na sistemática nãocumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico cujas ementas transcreve, na íntegra, no corpo do seu recurso. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11080.909061/201179 Acórdão n.º 9303004.467 CSRFT3 Fl. 3 3 Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente exmembro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 578DF CARF MF 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11080.909061/201179 Acórdão n.º 9303004.467 CSRFT3 Fl. 4 5 Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantémse o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 580DF CARF MF 6 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000261/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS - COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
Tratando-se de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep.
A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda.
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep.
A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição.
Recurso Voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3301-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS - COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Tratando-se de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição. Recurso Voluntário parcialmente provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente. VALCIR GASSEN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Tratandose de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição. Recurso Voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 02 61 /2 00 5- 07 Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 836 2 máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 415 a 455) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0930.125 (fls. 388 a 398), de 23 de junho de 2010, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade do Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase o presente das Declarações de Compensação de débitos, no valor total de R$7.205.623,91, com crédito da Cofins — regime não cumulativo, relativo ao 4° trimestre de 2005, constantes dos processos relacionados às fls. 192 e 193. Os processos acima mencionados foram apensados ao presente processo para análise em conjunto, uma vez que se referem ao mesmo crédito solicitado. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final (fls. 161 a 168), do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e álcool etílico, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e Fl. 836DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 837 3 equipamentos nos centros de custos AGU — Abastecimento e Tratamento de Água e ENE — Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004 ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, fls. 192 a 200, nos seguintes termos: Conforme os fundamentos acima e com base na Lei n210.833, de 29 de dezembro de 2003, DECIDO: 1) RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de RS1.977.219,51 referente a outubro/2005; R$2.083.823,53 a novembro/2005 e R$2.955.545,64 a dezembro/2005, perfazendo o valor de R$7.016.588,68 (Sete milhões, dezesseis mil, quinhentos e oitenta e oito reais e sessenta e oito centavos), dos créditos relativos a Cofins, 4° Trimestre/2005; 2) HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações realizadas, respeitada as vinculações dos respectivos períodos de apuração até onde as contas se encontrarem; 3) EXIGIR os débitos indevidamente nelas compensados, com base no § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e § 4° do art. 34 da IN RFB n° 900, de 2008. Fica a empresa ciente que deverá executar em seus livros fiscais e contábeis, a adequação de seus registros e de suas informações prestadas a RFB, através dos sistemas informatizados disponíveis, em decorrência dos valores apurados em diligência fiscal e da parte do crédito pleiteado que foi objeto de glosa. Nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972 com as alterações posteriores; do § 9° do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e do art. 66 da IN RFB n° 900, de 2008, cabe manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, dirigida à DRJ de Juiz de Fora/MG, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste despacho decisório. À Sarac, para cientificar a interessada, intimar o sujeito passivo a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência deste despacho decisório, na forma do § 70 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 37 da IN RFB n° 900, de 2008 e adotar as demais providências a seu cargo. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 256 a 285), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum ", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS,• (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) refazer o cálculo do percentual de rateio de créditos entre o mercado interno e externo (iv) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. 13646.00026112005 07; 13646.0002751200542; 13646.0002951200593; 13646.00030012005 68; 136460003041200546 e 13646.0003181200560; e (v) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 838 4 Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e ajuntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 63.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. Termos em que, Pede deferimento. Diante do relatório acima posto, a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pedido do Contribuinte e manteve o ressarcimento já deferido no despacho decisório da DRF, bem como homologando parcialmente as compensações declaradas. O acórdão recorrido ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e considerase não formulado o pedido de realização de perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte pleiteia (fls. 455) a reforma da decisão “(...) cancelandose as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS, determinandose a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação, bem como homologando integralmente as compensações realizadas pela recorrente, nos autos dos processos nº 13646.000261/200507; 13646.000275/200512; 13646.000295/200593; 13646.000300/200568; 13646.000304/200546, 13646.000318/2005 60 e 15253.000088/20104”. Por intermédio da Resolução nº 3101000.188 (fls. 491 a 497), da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 11 de novembro de 2011, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. A Resolução n° 3101000.188 prescreveu o seguinte (fls. 497): Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 839 5 1) intime a recorrente, para trazer aos autos, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo de perito competente, que descreva o processo produtivo da empresa, e que aponte a existência, ou não, e em que medida, da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; 2) ato contínuo à juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Após a anexação do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestigio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. O Contribuinte apresenta em laudo detalhado (fls. 508 a 601), em 11 de junho de 2012, a descrição de cada etapa do processo produtivo em análise nos autos, em resposta a Intimação nº 10/2012/ARF/AXA/MG. O Relatório de Diligência (fls. 627 e 628) é apresentado visando suprir as dúvidas levantadas pela Resolução do CARF supracitada e responde da seguinte forma: (...) 3 Dentre os diversos bens relacionados no Laudo, somente quatro constam do Relatório Fiscal. Um, no subitem 5.1, e três, no subitem 5.2. Portanto, a diligência se restringiu a estes bens, conforme a seguir. 4 Bens objetos da diligência: a) A bomba modelo Bek/16 vedação para gaxeta, imobilizado n° 6945, está relacionada no subitem 5.1 do Relatório Fiscal e no item 30, fls. 26, do Laudo. Conforme descrito no referido Laudo, alimenta de água a caldeira que gera vapor utilizado na produção; b) O armário alto fechado, imobilizado n° 6888, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 66, fls. 55, do Laudo. Localizase em sala de comando de operações e destinase a arquivo de manuais e outros documentos utilizados na planta industrial; c) O aparelho de ar condicionado Gree K7 4100, imobilizado nº 6904, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 102, fls. 77, do Laudo. Está instalado em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, destinase a reduzir a temperatura ambiente para proteger equipamentos sensíveis ao calor; d) O rádio VHF mod em 2004 canais, imobilizado nº 7058, está relacionado no subitem 5.2 do relatório Fiscal e no item 127, fls. 93, do Laudo. Situase em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, é instrumento de comunicação indispensável às operações da planta industrial. 5 – É o Relatório. O Contribuinte, por sua vez, apresentou manifestação (fls. 632 a 639) em relação ao Relatório de Diligência alegando que a análise da fiscalização foi insuficiente, pois não verificou parte dos bens constantes no laudo de funcionalidade e objeto da glosa fiscal. O Contribuinte apresentou Requerimento (fls. 669 a 671) em 15 de abril de 2013, ao Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 3ª Seção, do CARF com o seguinte teor: Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 840 6 1. Dos fatos. Tratase de recurso voluntário interposto contra o v. acórdão n. 0930125, de 23.6.2010, proferido pela l a Turma da DRJ em Juiz de Fora — MG, que manteve integralmente o despacho decisório, de 15.3.2010, por meio do qual a fiscalização homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas pela ora requerente de créditos da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS), apurada no regime nãocumulativo, relativos ao quarto trimestre de 2005, com débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O julgamento do recurso voluntário, em 11.11.2011, foi convertido em diligência pela lª Turma Ordinária, lª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos. Determinouse, na ocasião, a elaboração de laudo que atestasse a vinculação dos bens objeto da glosa fiscal ao processo produtivo da requerente, bem como uma análise in loco, por parte das autoridades fiscais, da validade das informações constantes do referido laudo. Devidamente intimada da Resolução, a requerente acostou o laudo aos autos, o qual apresenta com minúcias a funcionalidade de diversos itens não reconhecidos pela fiscalização. Ato continuo, promoveuse a diligência à unidade produtiva da requerente, a fim de validar as informações constantes do laudo. Não obstante a amplitude do laudo apresentado nos autos, a fiscalização constatou, erroneamente, e sem justificar seu comportamento, que apenas pequena parcela de itens glosada constava do laudo, mais precisamente quatro deles, o que a levou a limitar o objeto da diligência tão somente àqueles bens. É possível que a análise da fiscalização tenha se limitado a quatro itens, em razão de a descrição dos bens, no laudo e no relatório que acompanhou as glosas fiscais, às vezes, variar por conta de uma palavra, ou de um código na nomenclatura do bem. Ocorre que essas variantes não interferem na natureza dos bens, que é exatamente a mesma, conforme se verifica na planilha anexa (doc. 01). Seja como for, se dúvidas havia quanto à identidade dos bens, não deveria a fiscalização proceder à análise de apenas quatro deles, sem intimar a requerente a prestar esclarecimentos porventura necessários. Fato é que a requerente não pode, de modo algum, ser prejudicada em seu direito em razão da análise insuficiente promovida pela fiscalização. Nesse sentido, com o intuito de dirimir eventuais dúvidas, a requerente pede vênia para acostar aos autos laudo de funcionalidade complementar, o qual demonstra, de forma cabal, a intrínseca relação dos itens indevidamente glosados pela fiscalização ao seu processo produtivo (doc. 02). 2. Requerimento final Face ao que precede, e reportandose a tudo o mais que dos autos consta, a requerente postula o conhecimento e provimento de seu recurso, de modo que o acórdão recorrido seja reformado, reconhecendose a validade do creditamento da COFINS, bem assim o caráter indevido da inclusão dos ingressos derivados da cessão de credito de 1CMS na base de cálculo daquela contribuição. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a requerente postula a realização de nova diligência para verificação da verossimilhança das informações contidas no laudo apresentado, que não foram apreciadas na diligência fiscal em foco. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 841 7 A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF emitiu, em 23 de abril de 2013, a Resolução nº 3101000.273 (fls. 700 a 703) que converte, novamente, por unanimidade de votos, o julgamento em diligência, requerendo que: 1) a recorrente seja intimada a apontar de maneira taxativa a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final (do qual foram extraídas as glosas a título de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, ora sub analisis) em prazo de 60 dias. 2) Ato contínuo à manifestação da recorrente em virtude do item supra, promova nova diligência fiscal in loco, para verificar de forma ampla as conclusões do laudo pericial, levando em consideração a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final e elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Após a anexação do Relatório de Diligência aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestigio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. Em cumprimento à Resolução n° 3101000.273 o Contribuinte apresenta, em 20 de dezembro de 2013, Laudo de Funcionalidade (fls. 710 a 805) com o fito de contemplar as demonstrações e os esclarecimentos objeto da diligência fiscal. Com a apresentação por parte do Contribuinte do Laudo de Funcionalidade, a administração fiscal apresentou, em 29 de abril de 2014, o Relatório de Diligência (fls. 806 a 809) em atendimento à Resolução nº 3101000.273. Por sua vez o Contribuinte apresentou manifestação em 10 de junho de 2014 (fls. 812 a 823) em face do citado Relatório de Diligência, requerendo que sejam acolhidos os fundamentos apresentados, reconhecendose o crédito postulado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0930.125, de 23 de junho de 2010, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada 1) à discussão da possibilidade de aumentarse a base de cálculo da Cofins em pedidos de compensação e ou restituição; 2) às glosas realizadas na apuração de créditos da contribuição, e, 3) se os ingressos financeiros decorrentes da cessão de créditos de ICMS integram a base de cálculo da Contribuição. Assim, as compensações foram homologadas parcialmente em razão de glosas dos créditos apurados na Cofins. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 842 8 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição à Cofins em pedidos de restituição ou compensação. Alega o Contribuinte a impossibilidade de a administração fiscal alterar a base de cálculo de incidência da contribuição, no caso específico majorandoa, em pedidos de ressarcimento ou de declaração de compensação de créditos da Cofins. Fato ocorrido em razão do entendimento do fisco de que determinadas receitas deveriam ser computadas pelo Contribuinte e, no caso, não foram. O Contribuinte sustenta no Recurso Voluntário da impossibilidade do referido aumento da base de cálculo nestes termos (fls. 418 e 419): Contudo, equivocamse as d. autoridades julgadoras de primeira instância administrativa, que não atentaram para a totalidade do ordenamento jurídico, especialmente para as regras do Código Tributário Nacional, relativas às modalidades de lançamento. Com efeito, o inciso V do art. 149 desse Código prescreve que "o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa" quando restar comprovada a omissão ou a inexatidão do sujeito passivo, no exercício da atividade denominada de lançamento por homologação. Ou seja, de acordo com a regra inserta naquele dispositivo legal, as omissões e as inexatidões, quaisquer que sejam elas, comprovadas pela fiscalização, na verificação dos lançamentos por homologação, devem ser objeto de lançamento de ofício. Não por outra razão, o antigo 2° Conselho de Contribuintes, em situações semelhantes à destes autos, entendeu que, em pedidos de restituição, compensação e ressarcimento, não pode ser modificada a base de cálculo da COFINS, visto que, para tanto, seria necessário formalizar lançamento de ofício. Melhor dizendo, ainda que a fiscalização entendesse que a base de cálculo daquela contribuição social, no quarto trimestre de 2005, foi incorretamente apurada, pois não foram nela computadas as supostas receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS, tais equívocos não poderiam ser corrigidos neste processo administrativo, que decorre de declarações de compensação apresentadas pela recorrente, mas deveriam ser objeto de lançamento de ofício. No acórdão ora recorrido a decisão se dá no sentido da possibilidade de majoração da base de cálculo da contribuição em análise, acarretando a inclusão de receitas que deixaram de ser consideradas pelo Contribuinte na restituição ou compensação de créditos referentes à Cofins, conforme se verifica no trecho a seguir do voto (fls. 392 a 393): Necessidade de lançamento A contribuinte aduz que, ainda que a fiscalização entendesse incorreta a apuração da base de cálculo da contribuição em foco, porque não foram computadas as supostas receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS, ela não poderia, em sede de declarações de compensação, corrigir tais equívocos. Cumpre salientar, por oportuno, que, na sistemática da não cumulatividade, instituída pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no caso do PIS/Pasep, e pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no caso da Cofins, há o encontro entre o valor devido da contribuição e o crédito a descontar, sendo que somente o saldo devedor da contribuição é objeto de confissão de dívida por meio da declaração competente, ou de lançamento de oficio, nos termos da legislação de regência. No presente caso, a fiscalização constatou erro na apuração do crédito da contribuição em foco, que se deu em virtude da exclusão indevida de valores Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 843 9 relativos à cessão para terceiros de crédito de ICMS na base de cálculo da citada exação. Conforme demonstrado nas tabelas de fl. 163 e 164, a recomposição do valor total das receitas auferidas pela contribuinte, representada pela inclusão dos ingressos relativos à transferência, para terceiros, de créditos de ICMS, acarretou o aumento na receita total a ser considerada no cálculo do crédito solicitado, e a conseqüente alteração nos percentuais de rateio dos créditos do mercado interno e externo e nos valores dos respectivos créditos. O aumento da base de cálculo da contribuição, em razão da mencionada inclusão, ensejou a insuficiência de recolhimento da contribuição nos importes de R$6.264,65, R$6.748,98 e R$6.421,75, nos meses de outubro, novembro e dezembro, respectivamente, mesmo após o aproveitamento dos créditos discriminados na tabela de fl. 167, item 2.6.1, relativos ao mercado interno, apurado pela autoridade fiscal, e ao mercado externo, descontado pela: contribuinte na Dacon juntada à fl. 100verso. Para a parcela da contribuição deduzida dos créditos a descontar não cabe formalização de exigência tributária, contudo, é diferente o tratamento a ser dado à parcela do débito remanescente após a dedução, para a qual houve, inclusive, lançamento de oficio, processo n° 13646.000061/201011. É de se concluir do exposto que prescindem do lançamento de oficio os ajustes efetuados no presente processo, que cuida das Declarações de Compensação, sendo obrigatório contudo para exigência dos créditos tributários originados das verificações procedidas, objeto do processo do Auto de Infração acima mencionado. (grifouse). Percebese assim que, por um lado, a fiscalização procedeu os ajustes nas Declarações de Compensação, e, por outro lado, inclusive de acordo com o alegado pelo Contribuinte, de que os equívocos deveriam ser objeto de lançamento de ofício, realizou o lançamento de ofício em relação a parcela do débito remanescente após a dedução por intermédio do processo n° 13646.000061/201011. Por entender correta a decisão da DRJ/JFA, sem entrar no mérito dos ajustes procedidos pela autoridade fiscal acerca à cessão de créditos de ICMS, nego provimento ao Recurso Voluntário no que tange a este ponto. 2. Quanto às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição Insta observar por primeiro que há, na legislação pátria, a divisão entre tributos cumulativos e nãocumulativos. Inicialmente a não cumulatividade aplicavase apenas ao IPI e ICMS, conforme determinação constitucional constante nos artigos 153, IV, § 3º, II, e 155, II, § 2º, I, e posteriormente passou a abranger também o PIS/PASEP e a Cofins, normatizado por meio das Leis nº 10.637 de 2002 (PIS/PASEP), 10.833 de 2003 (Cofins) e 10.865 de 2004 (PIS/PASEP e CofinsImportação). Considerando como critério as fases do processo produtivo ou do ciclo comercial, e a incidência dos tributos sobre uma ou mais, podese, no caso destes últimos classificálos em cumulativos e não cumulativos. Tratase de uma classificação quanto à técnica de aplicação dos tributos multifásicos. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 844 10 Tributo cumulativo ou também denominado em cascata é aquele que incide em várias fases de circulação do bem sem, contudo, deduzirse o valor que já incidiu nas anteriores, isto é, não é permitida a dedução do tributo suportado no decorrer da atividade produtiva/comercial. Já o tributo não cumulativo é aquele que incide em várias fases do processo produtivo apenas sobre o valor que naquela se agregou, significa isto que se pode também gravar todo o valor acumulado do bem, desde que se desconte, se deduza, o valor que gravou as fases anteriores. A questão central nesta discussão reside na caracterização do que será considerado insumo na cadeia produtiva, possibilitando com isso a dedução ou não dos tributos suportados a montante nas fases anteriores do sistema produtivo. A legislação é extremamente restritiva na caracterização do insumo para crédito no caso do IPI e é ampla quando se trata do IRPJ. Quanto a aplicação à Cofins as normas e a doutrina entendem que a aplicação deve se dar de forma intermediária entre os dois extremos citados, ou seja, mais abrangente que o conceito aplicado ao IPI e menos amplo que aquele aplicado ao IRPJ. Cito aqui trecho do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, que bem elucida a questão: (...) A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 845 11 Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] Com isso, entendese que há de se aplicar o princípio da essencialidade para a caracterização do bem ou serviço como insumo, ou seja, deve ser levado em conta se tais produtos utilizados como base do creditamento das contribuições são essenciais para a produção daqueles bens em questão, com o intuito de atender o disposto na legislação pertinente sobre a não cumulatividade. Posto isso como referencial para compreender o litígio em questão passo a decidir sobre os pontos controversos acerca das glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado O ora recorrido Acórdão entende, assim como a fiscalização, que os custos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado devem ser excluídos do cálculo dos créditos das contribuições por estarem sujeitos a aplicação da alíquota zero, respeitando assim o art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833 de 2003 no que se refere a Cofins e o art. 3º, §2º, II da Lei nº 10.637 de 2002 no caso de PIS/Pasep. Cito trecho do voto para elucidar a questão (fls. 393 e 394): A fiscalização excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico sob o argumento de que as respectivas aquisições estavam sujeitas à alíquota zero, enquadrandose na hipótese do inciso II do §2° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, no caso da Cofins, e do inciso II, §2° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep. Em sua defesa aduz a requerente que as aquisições do GLP e do álcool etílico hidratado, realizadas pela requerente, estão sujeitas à alíquota zero da contribuição em exame, contudo esses produtos sofreram incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores e distribuidores. Neste ponto, vale transcrever os arts. 21 e 37 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 846 12 2004, que assim assevera: "Art. 21. Os arts, 1° 2°, 3°, 6°, 10, 12, 15, 25, 27, 32, 34, 49, 50, 51, 52, 53, 56 e 90 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 3° ............. (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa fisica; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." (grifouse) (...) Art. 37. Os arts. 1°, 2°, 3° 5°, 5°A e 11 da Lei n°10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 3°.................... (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." (grifouse) A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, determinou que esta não se daria de forma ampla e irrestrita, pois, a admissibilidade de aproveitamento de créditos, que repousa necessariamente nos custos, despesas e encargos classificados nos seus incisos, encontrou outro ponto limitador da norma, qual seja, a vedação acima transcrita, onde o legislador expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Por sua vez o Contribuinte, nas razões do ora analisado Recurso Voluntário, entende que a interpretação legal cabível ao caso permite que sejam compensados os créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, conforme se verifica em trecho do Recurso Voluntário (fls. 431 e 432): Com o advento da Lei n. 9718, de 27.11.1998, a apuração da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes das vendas de derivados de petróleo, que incluem o GLP e o álcool etílico hidratado passou a ser com base nos regimes de tributação denominados "incidência monofásica", que se caracteriza pela "concentração" do ônus tributário em determinada etapa da cadeia produtiva. No período fiscalizado os produtores e importadores deveriam recolher a COFINS, incidentes sobre as vendas de GLP e álcool etílico hidratado, com base em alíquotas mais evadas do que a "genérica", correspondentes a 47,4% e 6,74%, respectivamente. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 847 13 Ou seja, em última análise, os produtores e importadores de GLP e álcool etílico hidratado eram os responsáveis pelo recolhimento da contribuição social em foco devida na etapa seguinte da cadeia produtiva. Em compensação, e até por decorrência lógica desse regime especial de tributação, as "revendas" desses produtos não eram tributadas por aquela exação. Nesse contexto, não se pode dizer que os insumos em questão não estavam sujeitos ao pagamento da COFINS, o que inviabilizaria a apuração do crédito dessa contribuição sobre o respectivo custo de aquisição. Isso porque, muito embora as aquisições do GLP e álcool etílico hidratado, realizadas pela recorrente, estejam sujeitas à alíquota zero daquela contribuição social, esses produtos sofreram a incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores. Em relação ao entendimento diverso entre o Contribuinte e o Fisco, cabe observar que em relação à Cofins a Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3° do art. 1° desta Lei; b) nos §§ 1° e 1°A do art. 2° desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifouse) Já o disposto no mesmo artigo assim prevê em seguida: Art. 3° (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Não há no caso em exame contradição entre os dispositivos legais aplicados ao caso, visto que o Art. 3°, § 2°, é preciso no sentido de que não darseá credito a aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), desde que não sujeitos ao pagamento da contribuição, não alcançados pela contribuição. Os insumos GLP e álcool hidratado estão sujeitos à alíquota 0 (zero), mas, salientase, foram em fases anteriores sujeitos ao pagamento da contribuição. Portanto, neste caso, pelo fato de suportar tributo a montante os bens objeto da análise, pela incidência antecipada, e, também pelo fato de que os combustíveis são essenciais no processo produtivo realizado pelo Contribuinte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário afastando a glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 848 14 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica) 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água O Relatório de Diligência apresentado pela Receita Federal do Brasil (fls. 806 a 809) indica que os bens referentes a esta questão são uma bomba modelo Bek/16 e um relé de proteção do motor, os quais são utilizados para circulação de água na caldeira e para proteção do motor contra sobrecargas, respectivamente. No entendimento da Fiscalização estes bens não foram utilizados na produção de forma específica, “mas no bombeamento e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais” (fls. 808). (Grifouse). Por sua vez o Contribuinte argumenta no sentido de que os equipamentos utilizados no tratamento e bombeamento de água, assim como o abastecimento, são imprescindíveis para sua atividade produtiva, inclusive cita procedimentos em que a água se faz essencial para a produção, conforme se verifica no trecho da Manifestação ao Relatório de Diligência feito pelo Contribuinte (fls. 818): É importante dizer que, no processo produtivo do nióbio, a água é elemento fundamental, na medida em que serve de “veículo” do minério de uma fase a outra do processo produtivo. Aqui importa destacar em caráter especial o parágrafo 64 do laudo elaborado pela requerente, o qual se transcreve aqui nas partes necessárias: “Nesse sentido, observese que, na concentração, o processo de flotação ocorre essencialmente em meio aquoso, sendo as partículas de pirocloro expostas a reagentes químicos e coletadas em bolhas de ar dentro deste meio. Os processos que se valem de fornos utilizam água para resfriamento e granulação de materiais e escória. Por sua vez, a produção de óxidos de nióbio, dada a pureza do material, necessita de água desmineralizada para o seu processo, justificando os ativos relacionados à desmineralização da água.” Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade deste insumo, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na Cofins não cumulativa, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. 2.2.2. Subestação Energia Elétrica O Relatório de Diligência (fls. 806 a 809) entende que softwares de supervisão e controle da energia da subestação, módulo de protocolo que permite a comunicação entre equipamentos, sistema de medição de faturamento de energia e serviços para instalação do sistema de medição de faturamento não tem qualquer relação com o processo produtivo e que os bens do centro de custo não são utilizados na produção, mas no controle, conversão e adaptação da energia. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 849 15 Portanto, a administração fiscal, por entender que o desgaste desses bens não decorre do processo produtivo, nega ao Contribuinte o direito de creditamento da depreciação destes equipamentos e serviços no que se refere à Cofins. Já a posição do Contribuinte é diversa e desta forma argumenta às fls. 819: (...) Diante da informação constante do laudo elaborado pela requerente sobre o rateio de energia elétrica entre suas diferentes unidades no sentido de que 99% da energia é consumida nos processos produtivos, o Relatório de Diligência afirmou que tal percentual seria “parcial e insustentável, pois os fatos demonstram que várias unidades que constam do Anexo III não tem qualquer relação com o processo produtivo”. A requerente não conseguiu identificar quais centros de custo foram considerados pela fiscalização como desvinculados do processo produtivo. É que a afirmação das autoridades fiscais, neste particular, foi vaga, lacônica, não tendo havido, no Relatório de Diligência, análise de cada unidade produtiva e informação sobre quais unidades, ao ver dos agentes fiscais, não possuíram qualquer relação com o processo produtivo. Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no laudo elaborado pela requerente (fls. 710 a 805) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado O Relatório de Diligência apresentado elencou 13 itens (fl. 808) que estão instalados nas plantas industriais e que são considerados pelo Contribuinte como bens utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 850 16 Para melhor precisar a glosa efetuada de depreciação de outros itens do ativo imobilizado vejase a tabela abaixo: Nº Bens Utilização 1 Armários São utilizados para: guardar pertences pessoais do Empregados, manuais, relatórios, ferramentas, amostras, etc. 2 Ar condicionado, aparelho de ar condicionado, central de ar condicionado. Utilizados para resfriar o ambiente, protegendo pessoas, equipamentos ou ambos. 3 Serviço de montagem de ar condicionado. Serviço aplicado na instalação de ar condicionado na planta industrial. 4 Licença software MS Office STD português. Programas instalados em computadores da unidade. 5 Rádios fixos e portáteis, conjunto de rádios. Viabiliza a comunicação entre os operadores. 6 Reservatório de 2000 litros. Destinado a armazenagem de substância que atua no sistema de resfriamento de água. 7 Poltronas, cadeiras. Usadas pelos trabalhadores e visitantes das seções. 8 Tanque de água fresca, fabricado em fibra. 9 Motosserras. Cortar eletrodos utilizados na unidade. 10 Caixa d´água etc Armazena água desmineralizada utilizada nas unidades. 11 Mesas, gaveteiros. Usados nas tarefas rotineiras das unidades. 12 Detector de radiação G606/650 Separador magnético – escória produto. 13 Sistema de alta voz com corneta. Utilizado na comunicação dos operadores da unidade. Dos itens relacionados na tabela acima a autoridade administrativa fiscal reconheceu o item 12, detector de radiação G606/650, responsável pela separação da escória, como um bem que se desgasta ou danificase no processo produtivo, reconhecendo que sobre este o crédito deve ser admitido. O Contribuinte requer em sua Manifestação (fls. 822) ao Relatório de Diligência a inclusão de todos os demais itens, em especial, armários (item 1), aparelho ar condicionado (item 2) e motosserras (item 9). O Contribuinte afirma que (fls. 291): Muito embora, à primeira vista, possam surgir dúvidas acerca da utilização de alguns desses itens no processo de produção do minério, que é vendido pela recorrente, se se investigar a fundo esse processo, verificarseá que eles são, nos dizeres da norma legal, "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (..) para utilização na produção de bens destinados à venda". Entretanto, não vejo demonstrado nos autos de forma cabal a relação destes outros itens com o processo produtivo, uma vez que são bens necessários para viabilizar as atividades da maioria das empresas, não estando vinculados diretamente com o produto final da atividade do Contribuinte. Logo, voto por não admitir crédito sobre suas cotas de depreciação, negandose assim provimento ao Recurso Voluntário em relação a todos os itens com exceção do item 12 da tabela, ao qual dou provimento. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004 A decisão da DRJ/JFA, consubstanciada no acórdão ora recorrido, acabou por desconsiderar os encargos de depreciação do Forno Feixe de Elétrons II, do Forno Elétrico Túnel para Calcinação Óxido de NB e do Sistema de Briquetagem Reciclagem de Finos Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 851 17 Gerados, visto que as partes e peças desses equipamentos foram adquiridas antes de 31 de abril de 2004. A base legal que fundamentou a decisão recorrida é a Lei nº 10.865 de 2004 que assim estabelece: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. §1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1o de maio. De forma diversa entende o Contribuinte, que alega em seu Recurso Voluntário, que não se pode aplicar tal dispositivo por haver assim ofensa ao seu direito adquirido referente ao desconto dos créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado acima mencionado. Cito trecho do recurso analisado como elucidação de seus argumentos (fls. 439 e 440): Com efeito, segundo as regras previstas no art. 3º da Lei n. 10833/03, o direito ao creditamento daquela contribuição "nasce" no momento em que os bens do ativo imobilizado são adquiridos pela pessoa jurídica. Contudo, a dedução dos respectivos créditos é diferida para o momento em que forem reconhecidas as correspondentes quotas de depreciação ou amortização, nos termos do inciso III do parágrafo 1° daquele dispositivo legal. Por essa simples razão, não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10865/04 ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, que tenham sido adquiridos antes de 30.4.2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n. 2005.70.00.0005940/PR, em 26.6.2008, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA DO PIS E DA COFINS. CREDITAMENTO REFERENTE DEPRECIAÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. ART. 31, CAPUT, DA LEI 10865/2004. LIMITAÇÃO TEMPORAL. OFENSA AO DIREITO ADQUIRIDO E À IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. PRINCIPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. INCONSTITUCIONALIDADE. 1 A nãocumulatividade do PIS/COFINS depende, para sua efetivação, de um conjunto de deduções, previstas em lei, que digam respeito a determinadas operações realizadas pela empresa, que possam representar a incidência de contribuições em etapas anteriores da cadeia produtiva. 2 As deduções elencadas no art. 3° das Leis 10637/2002 e 10833/2003 não figuram na ordem tributária como benesse fiscal, mas como pressupostos da nãocumulatividade, uma contrapartida ao aumento das alíquotas de PIS e COFINS. Outra não pode ser a interpretação, pois, pretendendo a lei criar um sistema nãocumulativo, deve estabelecer as hipóteses em que o contribuinte terá direito a créditos compensáveis, como uma decorrência da regra da não cumulatividade. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 852 18 3 A ocorrência de qualquer das hipóteses mencionadas no caput do art. 30 das Leis 10637/2002 e 10833/2003 é por si suficiente para fazer surgir o direito de crédito em favor do contribuinte, que se incorpora ao patrimônio da empresa. 4 O art. 31, caput, da Lei 10865/2004 limitou temporalmente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004. 5 No entanto, os créditos decorrentes da aquisição de bens para o ativo imobilizado se tomaram parte do patrimônio da empresa antes da edição da Lei 10865/2004. Assim, as disposições do art. 31caput, da referida lei, acabaram por atingir fatos pretéritos, ofendendo o direito adquirido e a regra da irretroatividade da lei tributária. 6 A vedação do aproveitamento de créditos, instituída por lei no curso da sistemática da nãocumulatividade, quando inúmeros contribuintes já haviam realizado investimentos em maquinário, equipamentos, entre outros, ofende o Princípio da Segurança Jurídica e a regra da nãosurpresa, implícitos na Carta de 1988. 7 Declarada a inconstitucionalidade do art. 31, caput, da Lei 10865/2004." Pelas razões acima expostas, deve ser reformado o v. acórdão recorrido, também nessa parte, de modo que seja cancelada a glosa dos encargos de depreciação do Forno Feixe de Elétrons II, do Forno Elétrico Túnel para Calcinação óxido de NB e do Sistema de Briquetagem Reciclagem de Finos Gerados. Apesar dos argumentos do Contribuinte não há como negar a clareza da norma em questão quando define que é vedado o desconto de créditos relativos a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até a data de 30 de abril de 2004. Logo, não se trata de uma ofensa ao direito adquirido do Contribuinte, mas sim a simples e necessária aplicação da legislação pertinente a matéria discutida. Com isso, haja visto a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte referente a este ponto. 3. A cessão de créditos do ICMS A decisão ora recorrida entende que a cessão do crédito referente ao ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições, conforme se demonstra nesse trecho do voto do referido Acórdão (fls. 396 e 397): Relativamente à cessão de créditos de ICMS, o artigo 1° da Lei 10.833/2003, que trata da incidência nãocumulativa da Cofins, e o mesmo artigo da Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep nãocumulativo, estabelecem, de forma clara, o fato gerador dessas contribuições, qual seja, "o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". (...) No caso, a cessão de direitos de ICMS, que o contribuinte adquire no momento da compra de um bem ou direito, é uma nova operação jurídica/contábil com este direito do contribuinte, gerando uma nova receita, que pode ou não gerar lucro. Em se tratando de receita, auferida com a cessão de créditos de ICMS admitida pela legislação estadual, cumpre analisar o cabimento ou não de sua tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. A operação de transferência dos créditos do ICMS Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 853 19 configura uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e a Unidade da Federação, o do cedido. Conforme o disposto nas Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS não cumulativo) e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (incidência nãocumulativa da Cofins), estas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Constatase que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência das contribuições em tela. Já ao tratar das hipóteses de exclusão da base de cálculo, a norma foi bastante seletiva, restringindoas a um pequeno rol, numerus clausus. Observase que o negócio jurídico ora analisado não se enquadrava em nenhuma das exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas na legislação pertinente. Tanto é assim que a hipótese de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, relativamente a receitas decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação conforme o disposto no inciso II do 12 do art. 25 da Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996, somente passou a existir a partir da edição da MP 451, de 15 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.945, de 04 de junho de 2009, que incluiu o inciso VI ao §3° do artigo 1° da Lei n° 10.833/2003 e o VII ao §3° do artigo 1° da Lei n° 10.637/2002. Destacase quanto aos efeitos da citada MP sobre a matéria, seu art. 22, que assim dispõe: Art. 22. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de janeiro de 2009, em relação ao disposto: (...) b) no art. 8°, relativamente ao inciso VII do §3°do art. 1° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2003 c) no art. 9°, relativamente ao inciso VI do §3°art. 1°, e ao art. 58J, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) (sem grifo no original). Por sua vez, o Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário, citando jurisprudência do próprio CARF, que os valores decorrentes de cessão de créditos do ICMS não podem ser considerados sob o conceito de receita passível de tributação pela Cofins, conforme se verifica no seguinte trecho retirado do Recurso ora em análise (fls. 440): Na manifestação de inconformidade, restou demonstrado que, no quarto trimestre de 2005, a recorrente efetuou, nos termos da legislação do ICMS do Estado de Minas Gerais, a cessão de seus créditos desse imposto a terceiros, sem ágio ou com deságio. Confiramse, a título meramente exemplificativo, os documentos anexados à sua manifestação de inconformidade. Ao verificar a apuração da COFINS, relativa àqueles meses, a fiscalização constatou que a recorrente emitiu "notas fiscais faturas, relativas à transferência de crédito acumulado de ICMS", sem que fossem os correspondentes valores incluídos na base Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 854 20 de cálculo dessa contribuição social. Partindo da premissa de que não há previsão legal expressa de que os valores recebidos pela recorrente nessas operações podem ser excluídos da apuração da contribuição em foco, os Srs. AFRFB adicionaram tais montantes à sua base de cálculo. Como se vê, a fiscalização e as d. autoridades julgadoras “a quo” entendem que os ingressos decorrentes das cessões de créditos do ICMS representam receitas tributáveis e, não havendo norma legal que afaste a incidência da COFINS nesses casos, os respectivos valores devem ser computados em sua base de cálculo. Mas, o raciocínio por elas desenvolvido está equivocado, na medida em que, em momento algum, aprofundaram o exame da natureza jurídica da contraprestação da cessão de créditos de ICMS, verificando se ela se amolda ao conceito de receita. Percebese, quando da leitura da Ata de Assembleia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 469): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS, cabe considerar a decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que ficou assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 855 21 COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. A decisão proferida no RE 606.107/RS, de relatoria de Rosa Weber, em sede de repercussão geral, implica no respeito ao disposto no RICARF desta forma: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e afastar da base de cálculo da contribuição o produto oriundo da cessão de créditos do ICMS. Conclusão Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 856 22 Observada a legislação e a jurisprudência aplicáveis ao caso e os laudos técnicos trazidos aos autos nas duas diligências realizadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 857 23 Voto Vencedor Conselheiro José Henrique Mauri Redator designado O presente voto vencedor referese unicamente à glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, posto que, quanto aos demais itens, o voto do Relator fora mantido pelo colegiado. Entendeu o Conselheiro Relator em Dar Provimento ao Recurso Voluntário, no pormenor ora cuidado, afastando a glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, sob fundamento de tratarse de incidência monofásica e assim sendo ocorre a incidência antecipada da contribuição, eis o dispositivo do voto vencido: "Portanto, neste caso, pelo fato de suportar tributo a montante os bens objeto da análise, pela incidência antecipada, e, também pelo fato de que os combustíveis são essenciais no processo produtivo realizado pelo Contribuinte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário." Em que pese o bem fundamentado voto, ouso divergir dele para Negar Provimento ao Recurso Voluntário, com os fundamentos a seguir explicitado. Conforme relatado, a fiscalização excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico sob o argumento de que "as respectivas aquisições estavam sujeitas à aliquota zero, enquadrandose na hipótese do inciso II do §2° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, no caso da Cofins, e do inciso II, §2° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep". Em sua defesa aduz a requerente que as aquisições do GLP e do álcool etílico hidratado estão sujeitas à alíquota zero da contribuição em exame, contudo esses produtos sofreram incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores e distribuidores. Eis o que dispõe a Lei nº 10.833, de 2003 e, em igual inciso, a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3° [...] § 2° Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." [...] Fl. 857DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 858 24 A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos, expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. A meu ver, a concentração da tributação no produtor (incidência monofásica) não descaracteriza a "alíquota 0 (zero)" para fins de enquadramento na vedação prevista nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. Ademais, Pela sistemática da tributação de incidência monofásica, o tributo recolhido pelo produtor não significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes, diferentemente do sistema de substituição tributária. Assim, a incidência das mencionadas contribuições sobre os produtores, bem como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos. Nessa mesma esteira caminha a jurisprudência1 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao consolidar entendimento segundo o qual a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. No julgamento do REsp 1.140.723/RS, a Ministra Eliana Calmon sintetizou a impossibilidade de creditamento na incidência monofásica ao dispor que "a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à nãocumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) para a concessão de qualquer benefício fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de benefício fiscal". TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL PIS COFINS INCIDÊNCIA MONOFÁSICA CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE [...]. 1. [...] 2. A Constituição Federal remeteu à lei a disciplina da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do art. 195, § 12 da CF/88. 3. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. [...] 6. Recurso especial não provido. (REsp 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.09.2010) 1 Precedentes do STJ: REsp n° 1.218.561/SC, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 15/04/2011. AgRg no REsp n° 1.219.450/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe de 15/03/2011. AgRg no REsp n° 1.224.392/RS, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe de 10/03/2011. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 859 25 Assim, tratandose de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep, bem assim porque a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Portanto correta a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Dispositivo Ante o todo exposto voto por Negar Provimento ao Recurso Voluntário para excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico. Conselheiro José Henrique Mauri Redator designado Fl. 859DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720215/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ENTIDADE BENEFICENTE. REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO.
Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA.
As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91.
A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo.
SEGURADO EMPREGADO.
É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração.
Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo.
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2401-004.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.440-3, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.441-1, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.439-0, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ENTIDADE BENEFICENTE. REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.440-3, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.441-1, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.439-0, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 15 /2 01 2- 94 Fl. 1958DF CARF MF 2 Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.959 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4403, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4411, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.4390, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1960DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1777/1911) em face do Acórdão nº. 02 51.918 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1719/1741), que restou assim ementado: ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tratase de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributário são os seguintes: · DEBCAD nº. 37.306.4403: exigência de contribuições destinadas à previdência social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, relativas às competências de 01/2008 a 13/2008, parte patronal; · DEBCAD nº. 37.306.4411: exigência de contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominados Terceiros Salário Educação Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.960 5 (FNDE), Incra, Senac, SESC e Sebrae incidentes sobre a remuneração de empregados, referente às competências de 01/2008 a 13/2008; · DEBCAD nº. 37.306.4390: exigência referente ao descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº. 8.212/91, art. 32, IV e § 5º c/c RPS, art. 225, IV e § 4º (CFL nº. 68), sendo aplicadas multas relativas à erros e omissões no preenchimento das Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP de 01/2008 a 11/2008. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 101/152), temos que a descrição dos fatos e infrações a seguir narrados, os quais são extraídos também do acórdão recorrido que pormenorizadamente discorreu item a item dos fatos que ensejaram a autuação fiscal. Em todo o período fiscalizado o sujeito passivo enviou GFIP com o código de FPAS 639, declarandose como entidade em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. Contudo, verificou a fiscalização a ocorrência de descumprimento dos requisitos previstos na legislação vigente na época de ocorrência dos fatos geradores para que o contribuinte fruísse de tal direito. Tal constatação por parte do AFRFB levou à conclusão de que o contribuinte não tinha direito ao gozo de isenção relativamente às contribuições previdenciárias. Para a análise da autoridade fiscal, foram considerados os requisitos existentes no art. 55 da Lei nº. 8.212/91 (de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009), na MP nº. 446/2008 (de 10/01/2008 a 11/02/2009) e art. 29 da Lei nº. 12.101/2009 (a partir de 30/11/2009). A partir dos documentos solicitados ao contribuinte no curso do processo de fiscalização, foram constatados fatos que representam o descumprimento dos requisitos legais acima expostos, os quais foram sintetizados no Relatório Fiscal e abaixo reproduzimos (fl. 103/104): Fl. 1962DF CARF MF 6 a) Da não apresentação de requerimento de isenção ou de comprovação de estar em gozo de direito adquirido Intimado para apresentar comprovante de requerimento à RFB para gozo de isenção das contribuições previdenciárias, o contribuinte apresentou, em resposta (fl. 852) apenas o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF de 10/12/1981. Segundo a fiscalização, a entidade foi declarada como de utilidade pública federal em 02/10/1981 (publicação em 05/10/1981), portanto, não teria direito adquirido à isenção, já que, para tanto, a declaração como de utilidade pública federal deveria ter ocorrido até 01/09/1977. A fiscalização juntou aos autos cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, conferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social _ CNAS, de 04/05/2007, com validade de 04/05/2007 a 03/05/2010 (fl. 844). Foi juntado, também, cópia do requerimento de renovação do CEBAS junto ao Ministério da Educação (fls. 845/846) e cópias de certidões exaradas pelo Ministério da Justiça que informam quando se deu o reconhecimento da entidade como de utilidade pública federal. Concluise, por fim, que não houve o cumprimento do requisito contido na Lei nº. 8.212/91, artigo 55, § 1º, aplicável de 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, pois inexistia qualquer pedido de emissão de ato declaratório reconhecendo o contribuinte como em gozo de isenção. Assim, de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009 a fiscalização considerou que não havia direto ao gozo de isenção. b) Da existência de débito exigível Nos termos do Relatório Fiscal, por meio de pesquisas aos sistemas informatizados da RFB constatouse que o contribuinte esteve em débito durante todo o período fiscalizado (01/2008 a 12/2009), sendo seus pedidos de CND repetidamente indeferidos. Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.961 7 Consta nos sistemas informatizados da RFB que a última CND, de nº. 001502005/17.022.010, foi emitida em 21/01/2005). Todos os relatórios que apontaram restrições para concessão de CND indicaram a existência de débito exigível. A fiscalização discriminou os motivos das divergências a cada pedido efetuado de 13/11/2007 a 16/12/2009 (fls. 105/109). Fez constar, assim, a existência de débitos e diferenças entre os valores declarados e os recolhidos entre 13/11/2007 a 16/09/2009. Assim, segundo a fiscalização, não foram cumpridos os requisitos do art. 55, § 6º, da Lei nº. 8.212/91 (vigente em relação ao período de 01/01/2008 a 09/11/2008 a 12/02/2009 a 29/11/2009), do art. 28, VI da MP nº. 446/2008 (em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009) e do 29, I da Lei nº. 12.101/2009 (vigente a partir de 30/11/2009). c) Dos valores pagos sob o título de arrendamento do Campus 1 ao Presidente Valdir Vilela sem lastro no contrato que trata dessa operação Segundo a fiscalização, por meio das declarações prestadas pelo contribuinte, o Sr. Valdir Vilela auferiu rendimentos de R$ 424.515,07, no ano de 2008, e R$ 342.809,25, em 2009, sob o código de receita 3208 (Alugueis e royalties pagos a pessoa física). Intimado a prestar informações, especialmente os documentos de caixa e contratos e a esclarecer a contabilização referente a esses pagamentos, o contribuinte apontou que (fl. 225): 1) tais pagamentos se referiam a valores pagos a título de arrendamento de imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela; 2) que os valores pagos correspondem, por força de dispositivo contratual, a 5% de receita de cada unidade que se utiliza do imóvel arrendado; 3) que os valores pagos são apurados com base nos relatórios de "receitas obtidas" e que tal despesa tem como contrapartida a conta de arrendamento a pagar; O contribuinte apresentou, além dos esclarecimentos acima, demonstrativos que detalhavam mês a mês, por unidade, as bases de cálculo de tais pagamentos, os valores de imposto de renda deduzidos e os valores a pagar. Também foram apresentados documentos denominados "Balancetes financeiros", os quais apontam os valores de receitas obtidos, por campus, em cada mês, e o percentual a pagar pelo arrendamento. Após a atualização dos valores previstos no contrato de arrendamento empregando os índices nele estabelecidos, entendeu a fiscalização que a soma dos valores pagos sob essa denominação ao Sr. Valdir Vilela são superiores àqueles amparados e devidos contratualmente. A diferença apontada, além de a obrigação contratual, foi de R$ 275.029,75 para o ano de 2008 e R$ 305.032,24 em 2009. Verificouse, com relação ao imóvel situado à Rua Itaiara, 301, Belford Roxo, que o instrumento contratual relativo ao arrendamento desse imóvel, onde funciona o Campus 1 da ABEU, datado de 28/4/1993, fixa o valor do arrendamento em 80 milhões de cruzeiros, reajustáveis de acordo com o índice de variação da Taxa Referencial Diária ou qualquer índice que venha a substituílo na hipótese de sua extinção. O termo de aditamento contratual de 4/2/2008 prorroga a vigência do contrato até 1/2/2023, silenciando em relação ao valor do arrendamento. Fl. 1964DF CARF MF 8 Os valores informados nos demonstrativos e nos Balancetes financeiros apresentados pelo contribuinte foram conciliados com os valores registrados na contabilidade (conta 210301 – Arrendamento a pagar) indicados no demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito da conta Arrendamento a pagar e a crédito de Caixa ou Bancos” (fl. 153). Para apuração dos valores pagos a maior relativamente ao Campus 1, foram excluídos os valores pagos relativamente ao Campus 7. Foram juntados aos autos demonstrativos com os índices aplicados e as respectivas atualizações mês a mês (fls. 154/155) e elaborada tabela às fls. 114/115, apontando, por competência: o valor devido com base no que determina o contrato e aditivo devidamente reajustado, o valor bruto efetivamente pago e a diferença paga além da obrigação contratual. Concluiuse que os pagamentos desses valores, efetuados ao presidente Valdir Vilela, sem amparo no contrato de arrendamento a que se referem os registros contábeis, configuravam remuneração desse dirigente/administrador. Tal circunstância também configurou o descumprimento do requisito previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV (vigente em relação ao período de 1/1/2008 a 9/11/2008 e de 12/2/2009 a 29/11/2009), na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II (vigente em relação ao período de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I (vigente a partir de 30/11/2009). d) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus 7 ao Sr. Valdir Vilela A entidade foi intimada (TIF nº. 02) a apresentar todos os contratos e aditivos relacionados ao arrendamento de imóveis do Sr. Valdir Vilela. Ainda, foi solicitado o contrato de arrendamento relativo ao imóvel onde funciona o Campus 7 da ABEU (referido nos demonstrativos e balancetes apresentados pelo contribuinte). O contribuinte não apresentou nenhum documento referente aos pagamentos efetuados ao presidente Sr. Valdir Vilela, que fossem relativos a arrendamento do imóvel situado na Av. Benjamim Pinto, 955, Belford Roxo (RJ), onde funciona o campus 7 (conforme consta em seus demonstrativos e balancetes). Foram apresentados apenas: escrituras de imóveis de Nilópolis, Belford Roxo e Nova Iguaçu, plantas dos imóveis, balancetes financeiros de 02/2008 e 03/2008 (que ainda não haviam sido entregues). Após ser novamente intimado, por meio do TIF nº 5, de 21/6/2012, a apresentar os contratos e aditivos referentes aos pagamentos realizados em 02/2008, e de 04/2008 a 12/2008, a título de arrendamento do imóvel do Campus 7, o sujeito passivo manifestouse em 28/6/2012, apontando que tais valores foram incluídos indevidamente nas bases de cálculo das importâncias pagas a título de arrendamento, mas que em 4/1/2011 esse erro foi corrigido pelo registro contábil na conta 11020202 como desconto dos valores a serem pagos posteriormente. Nessa ocasião, o contribuinte apresentou folha do Livro Razão que tratava dessa conta e folhas número 73 e 74 do Livro Diário nº 33, registrado no Cartório do 3º Ofício de Justiça de Belford Roxo, em 21/5/2012, sob os números 9431 e 9432, que refletiriam essas retificações. Constatouse, com base na contabilidade da entidade (conforme demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito de arrendamento e a crédito de caixa ou bancos”, fl. 153) e com base nos balancetes financeiros (apresentados pelo contribuinte), que foram efetivamente pagos valores com o título de arrendamento de imóvel do Campus 7 (filial com final do CNPJ 001373), ao presidente Valdir Vilela, nas competências 02/2008, 04/2008, Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.962 9 05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008. Esses pagamentos, com exceção dos realizados em 09/2008 e 10/2008, foram contabilizados de forma agrupada com os pagamentos/despesas de arrendamento do Campus 1. Concluiuse, por essa razão, que a retificação contábil informada pelo contribuinte referente aos pagamentos efetuados em 9/12/2008 (lançamento nº 203343 que seria referente a arrendamento em 09/2008) e em 17/2/2009 (lançamento nº 205817 que seria referente a arrendamento em 10/2008), e não atingiu a totalidade dos pagamentos realizados a Valdir Vilela, a título de arrendamento do imóvel, com base na receita do respectivo Campus 7. Além disso, constatouse que a retificação indicada foi concretizada somente após a intimação fiscal para apresentação dos documentos que embasaram tais pagamentos (termos contratuais e aditivos). Isso porque a ação fiscal se iniciou em 30/8/2011, e em 19/3/2012 o contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de arrendamento do imóvel do campus 7, bem como os aditivos contratuais, mas não apresentou nenhum desses documentos. Novamente intimado, o sujeito passivo somente teria apresentado os esclarecimentos referidos em 28/6/2012. Contudo, embora os lançamentos contábeis retificados referidos datem de 4/1/2011, o acerto financeiro com o Sr. Valdir Vilela somente ocorreu em 15/5/2012 conforme demonstrariam os documentos de caixa apresentados em 9/7/2012, sendo que o Livro Diário com tais retificações somente teria sido registrado em 21/5/2012 (data posterior à intimação). Concluiuse que os valores creditados/pagos ao presidente da instituição,Sr. Valdir Vilela, com base na receita do Campus 7, referentes aos meses 02/2008, 04/2008,05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008, não são relativos à arrendamento de imóvel onde esse campus funciona, mas à remuneração a título de prólabore. Tal fato também representa o descumprimento do requisito para gozo de isenção das contribuições previdenciárias, conforme dispõe a Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, a MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II, e a Lei nº 12.101/2009. Com relação ao ressarcimento de valores pagos ao presidente, segundo o que dispõe a IN RFB nº 971/2009, artigo 229, § 1º, inciso I, a isenção ficará suspensa desde o mês de ocorrência da remuneração até a efetiva reversão de recursos ao patrimônio da entidade (o que se deu em 21/5/2012). Tal dispositivo prevê ainda, que esse ressarcimento será reajustado com base no índice previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, artigo40, § 1º, o que não ocorreu. e) Utilização para fins particulares dos serviços prestados pela sociedade TCA TONELLI ASSESSORIA E ARQUITETURA LTDA. Segundo a fiscalização, o contribuinte, após ser intimado, apresentou notas fiscais emitidas pela sociedade TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Ltda. Pela análise dessas notas fiscais, o AFRFB constatou que todas tinham o mesmo histórico/descrição de serviços: "serviços de avaliações de imóveis". Em virtude da ausência de contrato escritos, foram emitidos os TIFs n. 08 e 09, de 17/7/2012 e 13/08/2012, respectivamente, solicitando os laudos/relatórios elaborados por empresas prestadoras de serviços, dentre as quais, a TCA Tonelli, que comprovassem a efetividade dos serviços. Em 05/09/2012 a entidade informou que a referida sociedade prestou serviços de avaliação de vários imóveis, e a título de exemplo, apresentou dois laudos, dentre eles, o Fl. 1966DF CARF MF 10 relativo ao imóvel situado na Rua Itaiara, nº. 301, Bairro das Garças, Belford Roxo/RJ )fls. 1329/1394), o qual não pertence à entidade, conforme se verificou pela análise dos registros efetuados em sua contabilidade e ativo imobilizado, pela apreciação das escrituras e das plantas (fl. 1395) e conforme relação de imóveis apresentados pelo contribuinte. Referido imóvel, que pertence ao Sr. Valdir Vilela e é arrendado para a ABEU, foi avaliado para fins de identificar o seu valor de mercado para compra e venda. Com vistas a identificar os imóveis objetos dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria, o contribuinte foi intimado, por meio do TIF nº. 12, de 02/10/2012, a apresentar cópias de todos os laudos de avaliação elaborados por essa sociedade e a apontar os custos de cada laudo, uma vez que nas notas fiscais consta a descrição genérica de "serviços de avaliação de imóveis". O sujeito passivo nada informou a respeito dos custos de cada laudo, tendo sido em razão dessa omissão, lavrado o AI DEBCAD 51.109.0979. Assim, a conclusão fiscal foi que o Sr. Valdir Vilela, presidente da ABEU, se utilizou, para atender a interesses particulares (avaliação de imóvel de sua propriedade), de serviços de avaliação de imóveis que foram custeados pelo contribuinte. Tal situação, verificada nas competências 06/2008, 07/2008, 08/2008, 03/2009, 04/2009 e 05/2009 (correspondentes aos meses de emissão das notas de serviços de avaliação pela TCA Tonelli), configura vantagem indireta a dirigente/administrador de natureza remuneratória (fato gerador de contribuições previdenciárias) e também representa o descumprimento de requisito para fruição de isenção previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 55, inciso IV. Foram juntadas aos autos cópias de algumas notas fiscais emitidas contra o contribuinte por esses serviços (fls. 1323/1328). f) Utilização, para fins particulares, de veículo do contribuinte Intimado a apresentar as apólices de seguro referentes aos registros contábeis efetuados na conta “Seguros a vencer” e relativas diversos veículos, dentre os quais, o de placa LAX 6855 (conforme descritivo de fl. 194), o contribuinte apresentou a apólice de seguros nº 531.02.363.1837 (fls. 1.396/1.403) na qual constam a marca e o modelo do veículo e a finalidade do veículo: Mercedez Benz C280 Elegance 2.8 L6, ano 1995, placa LAX 6855, uso particular. Também constam no questionário de risco, contido na apólice, informações sobre o condutor e sobre a utilização do veículo, quais sejam: que o principal condutor é o Sr. Valdir Vilela, que o veículo não é utilizado como meio de transporte para o trabalho ou estudo, e que fica na garagem da residência do condutor. Pela análise dos lançamentos contábeis efetuados na conta Seguros, código 3408, verificouse a apropriação de despesas com seguros relativas ao veículo LAX 6855 durante todo o período fiscalizado. Constatouse que o veículo de propriedade do contribuinte ficou a disposição do Sr. Valdir Vilela, presidente da instituição, para uso particular durante todo o período fiscalizado. Concluise, que tal fato caracteriza remuneração in natura (fato gerador de contribuição previdenciária) e que ocorreu descumprimento de um dos requisitos para gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. Foi juntado aos autos a cotação obtida na tabela FIPE (fl. 1.404) e a simulação efetuada no sítio na internet na empresa locadora de veículos Unidas que serviu para identificação do valor de locação de veículo modelo “econômico” (fl. 1.405). Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.963 11 g) Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU a fim de auferir valores superiores de remuneração Segundo o Relatório Fiscal, após verificado com base nas informações prestadas em DIRF, que o contribuinte, mesmo intimado não havia apresentados todos os contratos e notas fiscais de prestação de serviços no período, foi realizada a intimação por meio do TIF nº. 02, a apresentar todos os contratos/notas fiscais/faturas e laudos relativos à prestação de serviços, dentre os quais, os referentes à empresa Parc Consultoria Empresaria Ltda., CNPJ nº 09.182.971/000174. Em relação a essa sociedade teriam sido identificados pagamentos efetuados pela ABEU no montante de R$ 474.256,67, em 2008, R$ 410.674,92, em 2009. O contribuinte apresentou o contrato de prestação de serviços (fls. 996/998) e parte das notas fiscais. No dia 17/7/2012, por meio do TIF nº 08, o sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar os laudos/relatórios produzidos pela Parc Consultoria que comprovassem a efetividade dos serviços prestados e a esclarecer a contabilização de nota de número 24 emitida por essa empresa. Com relação a essa nota fiscal, teria havido o registro incorreto de uma operação que nunca existiu, o que acarretaria, também, na inexistência de despesa referente à indenização judicial cível no valor de R$ 25.727,71 que foi a contrapartida de parte do lançamento como despesa de consultoria. A Nota fiscal de nº 024 tem o valor de face de R$ 8.026,56. O contribuinte informou genericamente que, conforme contrato, essa empresa teria atuado em várias campanhas de marketing e solicitou (em 5/8/2012) a prorrogação de prazo para prestar os esclarecimentos acerca da contabilização na nota fiscal nº 24. Como o pedido de esclarecimentos e de apresentação de documentos efetuados por meio do TIF nº 08 não foi atendido, tal pedido foi reiterado por meio do TIF nº 09, de 13/8/2012. Em 20/8/2012, o contribuinte solicitou nova dilação de prazo e em 5/9/2012, manifestouse limitandose a repetir os esclarecimentos prestados em 5/8/2012 e aduzindo, com relação ao lançamento contábil relativo à contabilização da nota fiscal nº 24 por valor superior àquele constante no documento, que não teria conseguido identificar o motivo “da aparente duplicidade”, solicitando mais prazo. Assim, como o prazo para apresentação de documentos e esclarecimentos transcorreu sem o atendimento da intimação, o contribuinte foi autuado por meio do AI DEBCAD 51.019.0979 (AI CFL 35). Por meio de consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (cópia impressa à fl. 1.267) foi verificado que a Parc Consultoria iniciou suas atividades em 31/10/2007 e tinha como sede o local situado na Rua Marechal Floriano Peixoto, 1.480, sala 327. Porém, verificouse que nesse endereço não havia o desenvolvimento de atividades dessa empresa. Foi encontrada apenas uma empregado do escritório de contabilidade, que, segundo ele, era responsável pela contabilidade da Parc Consultoria. Por essa razão, a intimação para diligência realizada nessa sociedade foi enviada para o endereço de um dos sócios da Parc, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa. Intimada, a Parc Consultoria apresentou contrato social e 1ª alteração contratual, Livro Razão, Talonário de notas fiscais emitidas em 2008 e 2009 e contrato de prestação de serviço com o contribuinte (fls. 996/1.008). Pela análise desses documentos constatouse que a sociedade prestou serviços apenas para o contribuinte. Não restou comprovada a efetiva prestação de serviços por essa pessoa jurídica. Além disso, pelo fato de Fl. 1968DF CARF MF 12 não terem sido apresentados os extratos bancários (pois apesar de ter movimentado R$ 708.659,51 em 2008 e R$ 306.087,08 em 2009 foi informado conforme documento de fl. 1.263 que a Parc não possuía conta em instituição financeira) não foi possível identificar a efetividade dos ingressos financeiros e as suas aplicações no empreendimento. Por meio dessa diligência constatouse que o quadro societário da Parc Consultoria, compôsse de exempregados da ABEU, conforme segue: Carlos Alberto de Oliveira, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/4/2009), Paulo Roberto de Menezes Chaves, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/6/2009), Antônio Carlos de Santana Costa, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (readmitido em 1/4/2009, demitido em 1/3/2012 e novamente readmitido em 2/4/2012), e Célio de Oliveira Duarte, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (integrante do quadro de empregados durante todo o período fiscalizado). Constatouse, ainda, que com exceção de Célio de Oliveira Duarte, os demais sócios voltaram a ser empregados da ABEU em 2009. Nos arquivos digitais, apresentados pelo contribuinte, relativamente ao período fiscalizado, consta que: de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa foi remunerado como gestor do Campus 1, na Coordenação Administrativa; de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Carlos Alberto de Oliveira foi remunerado como Gerente de Marketing na Assessoria de Comunicação; e de 06/2009 a 12/2009, o Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como próreitor. Verificouse que o contador da sociedade Parc Consultoria, Arlindo de Oliveira Freitas, possui vínculo empregatício com o contribuinte, como Coordenador de Curso Superior, e foi remunerado como tal de 01/2008 a 06/2009; que houve o pagamento, registrado na contabilidade e declarado por meio de GFIP, de remuneração efetuada em 05/2009 no valor de R$ 10.384,02 a Paulo Roberto de Menezes Chaves como contribuinte individual; que tal consultoria foi remunerada exclusivamente pelo contribuinte (por meio de análise das DIRF da Parc); e que todos os rendimentos de pessoas físicas, declarados por ela somente se referem a pagamentos efetuados aos sócios. Por meio de pesquisa na internet localizouse o Jornal Conexão Uniabeu (cópia impressa às fls. 984/995) referente aos meses de julho e agosto de 2008 que relacionam ocupantes de cargo estratégico da ABEU, dentre eles, figuram os sócios da Parc, Antônio Carlos de Santana Costa, Carlos Alberto de Oliveira e Paulo Roberto de Menezes Chaves. Analisandose os registros contábeis do contribuinte identificouse a ocorrência de ressarcimentos de despesas a Paulo Roberto de Menezes Chaves, tendo sido elaborado o quadro à fl. 108 do relatório fiscal, discriminando esses lançamentos contábeis. Ao verificarse, por amostragem, os documentos de caixa do mês de 11/2008 (que continham comprovantes de despesas contabilizadas em 14/11/2008) constatouse que no documento de prestação de contas o Sr. Paulo Roberto Menezes Chaves se identifica (por meio de carimbo) e assina como próreitor de relações institucionais e que quase a totalidade dessas despesas é lançada em centro de custo específico da próreitoria. Em nota fiscal, emitida pelo Hotel Accor Brasil S. A. (fl. 1.019) contra o contribuinte, consta, como endereço eletrônico institucional registrado, àquele pertencente ao Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves (pmrc@abeu.com.br). O Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi responsável pelo relatório de atividades da ABEU apresentado à RFB em 30/4/2009. Em relação aos demais sócios da Parc Consultoria, foram identificados documentos de caixa nos quais constam rubricas/assinaturas e carimbos como fito de convalidar as operações efetuadas pela ABEU. Foi elaborado um quadro, às fl. 129/130, no Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.964 13 qual constam algumas despesas realizadas pelo contribuinte relativas ao fornecimento de materiais, energia elétrica, água e com telefonia em que se verificou a atuação de Célio de Oliveira Duarte, Carlos Alberto de Oliveira e Antônio Carlos de Santana Costa. Analisandose as notas fiscais emitidas pela Parc contra o contribuinte percebeuse existir uma constância nos valores faturados, sendo de R$54.512,26 até 04/2009 e de R$ 9.782,00 a partir de 05/2009. A redução nos valores faturados guarda relação com a readmissão dos sócios da Parc nos quadros do contribuinte. Constatase que houve nos pagamentos nos meses de 11/2008, 12/2008 e 12/2009 um acréscimo dos valores habituais que corresponderia ao valor de mais de um mês de serviço a semelhança de pagamento de 13º salário. Somente houve variações nos valores de despesas com Parc no mês de 01/2008, em face da contabilização de despesa sem lastro (já que a nota nº 024 emitida pela Parc referida no registro contábil não alcança a quantia faturada), e nos meses de 06/2008 e 08/2008 já que a nota fiscal nº 66, emitida em 08/2008, foi contabilizada, equivocadamente, em 06/2008. Além disso, os valores pagos não guardam relação com os devidos conforme contrato firmado em 1/10/2007 (data anterior ao registro da Parc na JUCERJA, que ocorreu em 31/10/2007), cuja cláusula 4ª prevê o pagamento de R$ 32.000,00, no dia 10 de cada mês, sendo esse valor reajustado com base no índice INPC acumulado de março a fevereiro do ano subsequente. O objeto contratual é genérico: prestação de serviços e divulgação e apoio a eventos educacionais. Em função de todos esses fatos e tendo em vista que o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade dos serviços prestados pela pessoa jurídica Parc Consultoria, concluise que a prestação de serviços se deu pelos integrantes do quadro societário dessa sociedade e que o contrato firmado entre o contribuinte e essa empresa buscou apenas formalizar uma situação que não existia. Além disso, pelo fato dos sócios da Parc, durante o todo período fiscalizado, terem prestado serviços de forma pessoal, habitual, subordinada à ABEU e com onerosidade, considerouse que eles atuaram, em relação à ABEU, como segurados empregados. Tais circunstâncias também demonstram a utilização de interposta pessoa com o fito de ocultar a remuneração de segurados empregados. No estatuto social da ABEU consta como um dos órgãos da instituição,o Conselho Técnico, composto por pessoas indicadas pelo presidente, cujas atribuições estão indicadas no mesmo instrumento (artigo 46). Intimada a informar quem eram, durante o período fiscalizado, os integrantes desse conselho, a ABEU apresentou a Portaria GP nº 04/2008 pela qual foram nomeados os conselheiros. Consta ainda nessa portaria, artigo 4º, que tal função não deve ser remunerada. Dentre os conselheiros nomeados estão Paulo Roberto de Menezes Chaves e Antônio Carlos de Santana Costa. Formalmente, a partir de 04/2009, o conselheiro Antônio Carlos de Santana Costa também passou a integrar o quadro de empregados do contribuinte e o conselheiro Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como autônomo em 05/2009 e retornou ao quadro de empregados da ABEU em 06/2009. Constatouse, com base nas folhas de pagamento apresentadas, que durante todo o período fiscalizado, os sócios da Parc Consultoria ABEU, não conselheiros, ocuparam cargos/funções na ABEU. Os conselheiros prestaram serviços, como se viu, durante parte do período fiscalizado, com interposição de pessoa jurídica. Foi elaborado demonstrativo (fl. 137) evidenciado a remuneração efetiva dos segurados apurada (coluna opção utilizada pela ABEU), considerandose os valores pagos em folha de pagamento e os valores pagos que foram formalizados por meio de emissão de nota Fl. 1970DF CARF MF 14 fiscal de serviços da Parc Consultoria. Nesse demonstrativo consta, ainda, a comparação entre opção remuneratória dos segurados sócios da Parc, efetivamente adotada pela ABEU (remuneração por meio de formalização da prestação de serviços da pessoa jurídica Parc Consultoria) e os valores de remuneração totais, caso não houvesse a formalização da prestação de serviços com a utilização de pessoa jurídica. Constatouse que com a utilização da Parc Consultoria, os segurados que integram essa sociedade, dentre os quais os conselheiros Antônio Carlos de Santana Costa e Antônio Carlos de Santana Costa, auferiram remuneração superior àquela contida nas folhas de pagamento. Para a fiscalização, tal situação configura o descumprimento de requisito para o gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. h) Valores pagos a cooperativas de trabalho não declarados em GFIP Alega a fiscalização ter sido constatado, por meio das DIRFs que o sujeito passivo efetuou pagamentos a cooperativas de trabalho. Solicitada a apresentação dos contratos e das notas fiscais de cooperativas que lhe prestaram serviços, foram apresentados os documentos referentes à Unimed Nova Iguaçu Cooperativa de Trabalhos Médicos Ltda. e Uniodonto Nova Iguaçu. Assim, constatou a fiscalização que não foram declarados valores pagos a cooperativas de trabalho, o que representaria descumprimento de obrigação acessória estabelecida na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, § 5º, combinado com o disposto no RPS, artigo 225, inciso IV, § 4º. Ainda, entendeu o AFRFB que o desatendimento de obrigação acessória (como no caso) representa o desatendimento de um dos requisitos para o gozo de isenção previsto na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso XI (vigente de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso VII (vigente a partir de 30/11/2009). i) Glosa de Bolsa Capacitação A fiscalização verificou nas folhas de pagamento a realização de pagamentos sob a rubrica "bolsa capacitação" que não foram considerados como salário contribuição. A ABEU foi intimada a esclarecer a natureza jurídica dessa rubrica, quem foram seus beneficiários e os critérios para seu pagamento. Em resposta o contribuinte apresentou a Portaria nº 200, de 2/2/2008 e um relatório com os beneficiários/valores das bolsas de 07/2008 a 12/2009. Conforme contido no artigo 1º, essa Portaria criou o Proape, que tem por objetivo fomentar a produção científica, tecnológica e as atividades de extensão universitárias docentes e discentes. No artigo 4º consta que para cada projeto aprovado, com parecer favorável pela instituição, será concedida uma bolsa no valor de R$ 1.500,00 referente à carga horária de trinta horas semanais para o desenvolvimento das atividades propostas. Para a fiscalização, como a bolsa conferida a docentes não se refere à educação profissional ou tecnológica e nem visa à educação básica dos empregados nos termos da Lei nº 9.394/1996 e sim remunerar o professor pelo acompanhamento extra dos projetos a serem desenvolvidos pelos alunos, concluise que tal valor, por ter natureza de contraprestação dependente de carga horária trabalhada, é fato gerador de contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos. Os valores de bolsas de capacitação consideradas e os respectivos beneficiários estão indicados no demonstrativo “Planilha valores pagos a título de bolsa capacitação” (fls. 156/170 e fls. 829/843). Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.965 15 j) Glosa de SalárioFamília Foram também lançados valores referentes à glosa de saláriofamília pago a maior. Cientificado por meio de demonstrativo juntado aos TIF nº 01 e nº 08, dos casos de saláriofamília pagos a maior, o contribuinte apresentou documentos e esclarecimentos que, depois de confrontados com as folhas de pagamento, resultaram na elaboração de outro demonstrativo denominado “Glosa de saláriofamília” (fls. 173/183) que indica, por trabalhador, o motivo da glosa. i) Descumprimento de obrigação acessória AI CFL 68 Por ter enviado GFIP relativas às competências de 01/2008 a 11/2008, omitindo fatos geradores e contribuições previdenciárias, foi lavrado o AI CFL 68 DEBCAD37.306.4390. Em razão da infração praticada foi aplicada a multa de R$ 355.766,40, apurada conforme determina a Lei nº 8.212/1991, artigo 32, § 5º e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II, e artigo 373. O valor da multa foi atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF nº 2, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. O cálculo da multa foi demonstrado às fls. 102/195. Em razão das alterações efetuadas pela Medida Provisória nº 449/2008 na Lei 8.212/1991, foi efetuado o comparativo (fl. 151) entre os valores apurados seguindose a legislação anterior à edição da MP e a posterior, com vistas a aplicar aquela mais favorável ao contribuinte, conforme dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c”. Por essa razão foi aplicada a multa apurada conforme a legislação de regência em todas as competências de 01/2008 a 11/2008. Intimado em 13/01/2014 (fl. 1767) do Acórdão nº. 0251.918 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1719/1741), o contribuinte apresentou tempestivamente em 10/02/2014, via postal (fls. 1952/1954), o seu recurso voluntário (fls. 1777/1911), onde alega as razões a seguir reproduzidas, visando combater os fatos alegados pelo AFRFB no Relatório Fiscal de fls. 101/152. 1) Da imunidade tributária Defenda a imunidade tributária, seus fundamentos, finalidades. Afirma que a regulamentação da imunidade, nos termos que dispõe a CF, artigo 146, se dá pelo disposto nos artigos 9 e 14 do CTN. Apresenta considerações sobre o direito constitucional à educação, sobre o papel do Estado e a participação das entidades de assistência social para viabilização desse direito. Alega que promove assistência social prestando serviços de educação, concedendo bolsas de estudos integrais. Que não recebe doações ou subvenções, que aplica integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, que aplica integralmente suas rendas e recursos no território nacional. Que não distribui lucros, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio sob alguma forma ou pretexto, que não recebem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social, que mantém escrituração contábil formalizada de acordo com a legislação específica e como os princípios fundamentais da contabilidade. Fl. 1972DF CARF MF 16 2) Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente goza de direito adquirido oriundo da declaração de isenção por atender os requisitos pretéritos sob o manto da Lei nº. 3.577/59. A não apresentação do requerimento citado não encontrase elencado nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei nº. 8.212/91 que disciplina os requisitos a serem observados. O § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, revogado pela Lei nº. 12.101/2009, não recepcionou a exigência do requerimento de isenção à previdência social. Assim, aplicase a retroatividade benigna da norma conforme preceitua o art. 106 do CTN. Por ocasião do procedimento fiscal a recorrente encontravase legitimamente detentora do CEBAS em vigor e portanto em pleno gozo da imunidade tributária. Débitos anteriores, apontados como existentes, estavam submetidos ao REFIS a ensejar a conceituação de situação regular perante às contribuições previdenciárias, conforme se comprovou pelas CND´s acostadas aos autos. No período de 01/2008 a 12/2009 a recorrente não tinha débitos, uma vez que todos os débitos desde o exercício de 2007, bem como os encargos sociais, encontramse totalmente quitados. Os encargos previdenciários referentes ao período de 2005 a 2006 foram satisfatoriamente regularizados mediante o parcelamento enfocado a culminar com as Certidão Positiva com Efeitos de Negativa colacionada (fls. 1950/1951). Ainda, destaca a imunidade tributária concedida às entidades de ensino sem fins lucrativos de caráter beneficente e assistencial revestese de uma grande troca social: o contribuinte recebe a isenção, mas em contrapartida concede bolsas de estudo à universalidade de alunos carentes. O elemento nuclear, qual seja, as bolsas de ensino, foram integralmente cumpridas pela recorrente. Não foi encontrada qualquer irregularidade a respeito. Algumas e eventuais falhas de informações e registros, sem maiores significações, não podem dar azo a tão pesadas sanções. Pagarseão multa por alguns deslizes leves sem maiores consequências. 3) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus I e Campus 7 ao presidente Valdir Vilela Ficou cabalmente demonstrado a seguinte antítese: por mais de sessenta anos, a recorrente figura como locatário dos imóveis de propriedade de Valdir Vilela. Posteriormente, após os arrendamentos, a relação jurídica evoluiu para o contrato de direito de superfície a ensejar a transferência do direito de propriedade com todos os reflexos do cânon que não pode ser amalgamado com "vantagens ou benefícios a qualquer título". As vantagens auferidos por Valdir Vilela (proprietário) foram a título de legítima contraprestação pela concessão do direito de superfície à recorrente. Os valores (crédito/débito) sofrem as mutações constantes a título de ALugueis/Alugueis a Receber. 4) Da utilização para fins particulares dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.966 17 Consiste no pagamento pelos serviços de avaliação de imóveis que foram objeto de atualização para efeitos patrimoniais, visando a lavratura de escritura pública com vistas à transferência das propriedades (direito de superfície). Quem recebeu os valores correspondentes obviamente foi aquela empresa. O dirigente Valdir Vilela que nada recebeu a respeito não pode alcançar qualquer tipo de vantagens, se essas, ao reverso, foram obtidas exclusivamente pela ABEU. 5) Da utilização para fins particulares de veículo da ABEU Não é verdadeira a firmação da fiscalização de que o Sr. Valdir Vilela é o principal condutor. O condutor do veículo é motorista profissional, funcionário da recorrente. O veículo é utilizado para transporte de diretores, professores, autoridades, palestrantes, conferencistas, congressistas, líderes políticos e, sobretudo, para a locomoção de fiscais do MEC que se deslocam funcionalmente de longínquas localidades até a Baixada Fluminense para vistoria, exame, visitas técnicas, entre outros que se operam comumente in loco em todos os campus do centro universitário por meio de comissão técnica do MEC. A declaração do principal condutor, constante da apólice de seguro, devese ao fato da redução do prêmio em virtude do perfil do responsável maior. É óbvio que a apólice reclama a designação de uma das pessoas que irá utilizar o veículo. Não pode recair sobre terceiros ou usuários de hierarquia inferior a da presidência da instituição conforme se configura lógico. A recorrente possui personalidade jurídica abstrata. É uma ficção jurídica. Ela não conduz veículos. 6) Da utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do conselho técnico da ABEU Foi comprovada a relação jurídica entre PARC e ABEU, mediante contrato social, contrato de locação, notas fiscais emitidas etc. Os sócios da prestadora de serviços específicos de marketing também são empregados da recorrente ao exercerem funções outras (gestão de unidade de ensino, pró reitoria, gerência de marketing). Os sócios da Parc e outros profissionais técnicos integram o Conselho Técnico da ABEU, sem qualquer remuneração pertinente conforme constatado pela própria auditoria fiscal. Entre os sócios da Parc e o Conselho Técnico não existem dirigentes, diretores, conselheiros, sócios, instituidores etc. A questão da simulação (art. 9º da CLT) somente poderá ser dirimida na esfera especializada judicial trabalhista, conforme competência material prevista na Constituição Federal. Há absoluta ausência de dirigentes porquanto atuaram pessoas envolvidas na qualidade de empregados; sócios da Parc e conselheiros integrantes do Conselho Técnico que não recebem remunerações correspondentes, são condições que não acarretam qualquer violação ao requisito previsto no artigo 5, IV, da Lei nº. 8.212/91. 7) Dos valores pagos às Cooperativas de trabalho Fl. 1974DF CARF MF 18 Os valores foram efetivamente pagos e, portanto, a não informação em GFIP, infringência de obrigação acessória, não pode ser migrada para a obrigação principal inexistente. Tal fato não se enquadra em momento algum em "vantagens ou benefícios a qualquer título" a diretores, conselheiros etc. Os tributos pertinentes foram satisfeitos pelos pagamentos. 8) Da bolsa capacitação A bolsa de capacitação profissional concedida aos docentes se corresponde à salário ou não cingese no âmbito do direito do trabalho e não pode ter repercussão sob qualquer pretexto envolvendo descumprimento do inciso IV da Lei nº. 8.212/91, até porque professores favorecidos não são dirigentes. A bolsa capacitação sob exame não tem natureza salarial e por isso não podia ser incluída na base de cálculo para fins de contribuição social, não sendo informada na GFIP por isso. Não se trata na espécie de salário in natura como deixa entrever a fiscalização, haja vista que os valores pagos a tais títulos tem o condão de contribuir com a formação profissional do docente. 9) Do saláriofamília A recorrente informou à fiscalização que quando o empregado tem seu labor em duas ou mais unidades para efeito de salário família devem ser somadas, visando aferir a base de cálculo. Inexistente cogitarse sobre lançamentos de diferenças pagas a maior a tal título. Assim sendo, a recorrente tivera cautela de promover o pagamento do salário família na unidade onde a remuneração atingia o valor legal, sem qualquer acréscimo, pois por intuitivo a recorrente não estaria desfrutando de qualquer vantagem. Quanto aos valores glosados, é a própria auditoria, ao admitir que o pagamento respectivo se efetivou na unidade quando atingia o valor legal e assim não há que ser mantidos os valores referentes a salário família glosados. É o relatório. Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.967 19 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Mérito 1. Do Gozo da Isenção e/ou Imunidade Tributária (vigência do art. 55 da Lei nº. 8.212/91 e da MP 446/2008) O presente lançamento reportase aos fatos geradores que abrangem as competências de 01/2008 a 13/2008, assim, os requisitos e condições para o gozo da isenção são disciplinados pelos instrumentos legais conforme já mencionado pela fiscalização no seu TVF, sendo esse o mesmo critério a ser utilizado no presente voto: Lei nº 8.212/1991 (aplicável em relação às competências de 01/2008 a 10/2008 e de 02/2009 a 10/2009) e MP nº 446/2008 (aplicável em relação às competências de 11/2008 a 01/2009). A Lei nº. 8.212/91, com vigência entre 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, cuja redação é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; [...] § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] §6 A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (grifo nosso) Já a MP 446/2008 teve sua vigência em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009), e possuía a seguinte redação: Fl. 1976DF CARF MF 20 Art. 28. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; [...] VI apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; [...] XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e [...] Art. 30 O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da sua certificação pela autoridade competente, desde que atendidas as disposições da Seção I deste Capítulo. (grifo nosso) Art.31. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. §1º O lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. (grifo nosso) Assim, pela análise preliminar da legislação vigente, teríamos que em relação ao período de 01/2008 a 10/2008, a entidade não seria isenta por sua própria natureza, mesmo que atendesse aos requisitos do artigo 55 da Lei nº. 8.212/91. O regramento vigente exigia que a entidade além de cumprir os requisitos, fizesse requerimento expresso para ser atestada tal condição, sendo que, se deferido, produziria efeitos a partir da data do protocolo do pedido. Segundo a recorrente, bastaria ser entidade beneficente de assistência social para não sofrer a incidência das contribuições previdenciárias por força da disposição constitucional (CF art. 146). Também, pela disposição do artigo 14 do CTN, também já lhe estaria conferida referida condição. Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.968 21 Nesse ponto, a análise dos argumentos apresentados pelo recorrente merece ser divida em três subtópicos, quais sejam: da sua condição de imune/isenta por expressa disposição constitucional; da exigência do requisito de requerimento de gozo da isenção (§ 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91) e do direito adquirido ao gozo da isenção por força do Decreto Lei nº. 1.572/77. Vejamos. 1.1. Da imunidade/isenção por disposição constitucional A Constituição Federal dispõe acerca da imunidade das contribuições para a seguridade social, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifei) Em que pese o texto se utilizar do termo "isenção", não há maiores discussões quanto a verdadeira natureza de imunidade do comando constitucional. Todavia, ainda que por se tratar de imunidade, não significa que haja inconstitucionalidade (do próprio texto constitucional) por sr incumbido à lei a tarefa de detalhar os requisitos a serem atendidos pelas entidades beneficentes de assistência social a fim de usufruírem do benefício. Assim, dado o comando do legislador constituinte, cabe sim ao legislador infraconstitucional dispor acerca das regras e requisitos para tal fruição, como mencionado. E, eventuais discussões acerca da medida legal cabível para tal (se lei complementar, lei ordinária) não têm o condão de produzir efeitos no presente processo administrativo, ao passo que é defeso a este Conselho, afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, como pleiteia o recorrente em seu recurso voluntário. Eis a redação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, destaquese, ainda, que o próprio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº. 636.941/RS, sob relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática da repercussão geral (art. 543B do CPC vigente à época) reafirmou o entendimento daquela Corte constitucional no sentido de que lei ordinária pode regulamentar os requisitos formais sobre a constituição e o funcionamento das entidades que postulem usufruir da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da CF. Para melhor didática, eis o excerto do referido acórdão: Fl. 1978DF CARF MF 22 15. A Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, indicia que somente se exige lei complementar para a definição dos seus limites objetivos (materiais), e não para a fixação das normas de constituição e de funcionamento das entidades imunes (aspectos formais ou subjetivos), os quais podem ser veiculados por lei ordinária, como sois ocorrer com o art. 55, da Lei nº 8.212/91, que pode estabelecer requisitos formais para o gozo da imunidade sem caracterizar ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, ex vi dos incisos I e II, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009); II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). (grifei) Assim, rejeito as alegações trazidas no recurso voluntário de que a condição de isenção/imunidade do recorrente adviria diretamente do texto constitucional sendo, assim, necessário sim o atendimento aos requisitos e condições estabelecidos pelo legislador ordinário. 1.2. Da exigência do § 1º do art. 55 da Lei n. 8.212/91 Nos termos do entendimento do AFRFB, a recorrente não faria jus a isenção por (dentre outros motivos) não ter apresentado requerimento do gozo de isenção nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Primeiramente, importante destacar que referida exigência fora revogada quando da promulgação da Lei nº. 12.101/2009, que data de 30/11/2009, e o presente processo administrativo fiscal ofereceu ciência ao contribuinte das autuações já no anocalendário de 2012 (portanto, na vigência da Lei nº. 12.101/2009). A Lei nº. 12.101/2009 revogou a disposição do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, não sendo mais exigível para as entidades de assistência social, por exemplo, que realizassem um requerimento de pedido de isenção ao INSS. No presente caso, como reconhecido pelo próprio AFRFB, a recorrente apresentou o CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, porém não atendeu a já mencionada exigência do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Como já mencionado anteriormente, a autoridade fiscal justificou a presente autuação com base nos dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores abrangidos no presente lançamento. Todavia, entendo que, na análise da exigência específica, importante a observância do disposto no art. 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.969 23 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(grifamos) No presente caso, o § 1º do art. 55 exigia a formalidade de que só poderiam gozar do benefício da isenção quem protocolasse requerimento com essa pretensão junto ao INSS. Posteriormente, tal dispositivo fora revogado, sendo inconteste que a novel legislação apresentavase mais favorável ao contribuinte, ainda que ocorridos fatos geradores na vigência da lei revogada, devendo assim ser aplicada a retroatividade benigna da nova norma. Ressaltese que a Lei nº. 12.101/2009 revogou a exigência do requerimento específico, entendolhe absolutamente dispensável, sem contudo alterar ou revogar outras exigências que continuaram previstas. Simplesmente revogouse a exigência do § 1º do art. 55 e esta não fora substituída por nenhuma outra. Assim, entendo que não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração. No mesmo sentido, demonstro o entendimento de turmas julgadoras deste Conselho, em julgados realizados pelo voto da maioria, onde restaram vencidos somente o relator em cada um dos casos abaixo relacionados: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI 8.212/1991. A Recorrente foi autuada sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei 8.212/1991, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei 12.101/2009. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Uma vez revogado o §1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, ainda que Fl. 1980DF CARF MF 24 ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. (CARF, Acórdão nº. 2402004.672, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 11/03/2015. Red. designado Ronaldo de Lima Macedo) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. (CARF, Acórdão nº. 2402 003.247, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 22/01/2013. Red. designado Thiago Taborda Simões) Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.970 25 Assim, para todo o período de apuração 1abrangido pelos lançamentos do presente processo administrativo fiscal (01/01/2008 a 13/2008), afasto o lançamento com fulcro na ausência de cumprimento do requisito do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN. Em que pese o entendimento apresentado acima, esta r. turma julgadora entendeu de forma diversa, sendo o posicionamento vencedor o de que se exige, sim, a a requisição de isenção perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, o qual poderia ser dispensado pelo entendimento deste relator, conforme razões acima. Dessa maneira, por força regimental, cabe a simples menção ao entendimento vencedor, já que para este, independentemente da apresentação ou não do requerimento de isenção, a mera dispensa deste por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN, não teria o condão de oferecer à recorrente o gozo da isenção ante o fato de serem vários os requisitos que devem ser cumpridos, de forma cumulativa. Portanto, em virtude do não cumprimento de outros requisitos, os quais serão apontados inclusive por este relator, entendeu a r. turma julgadora por afastar o entendimento apresentado no presente tópico, o qual não terá o condão de alterar o resultado do presente julgamento, nos termos do voto deste relator. 1.3. Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente alega possuir direito adquirido, nos termos do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), assim disposto: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decreto lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. (grifo nosso) A recorrente, e a própria fiscalização, reconhecem (fls. 849/851 e fl. 1.575) que a ABEU foi reconhecida como sendo de utilidade pública federal em 02/10/1981 (DOU 05/10/1981), ou seja, posterior a publicação do DecretoLei acima reproduzido. Nesse contexto, não há que se admitir o reconhecimento de isenção da recorrente por direito adquirido com base nas disposições do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), posto que a recorrente teve o seu reconhecimento como entidade de Utilidade Pública Federal somente no ano de 1981, ou seja, posterior ao referido Decreto. 2. Da existência de débitos exigíveis e a ausência de CND ou CPDEN Fl. 1982DF CARF MF 26 Nos termos da fiscalização, o contribuinte estaria em débito em todo o período fiscalizado, tendo reiteradamente indeferidos os pedidos de CND. As fls. 105/109 a fiscalização discriminou os motivos, os quais reproduzimos: Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.971 27 Assim, com base nas informações contidas, entendeu a fiscalização que estaria infringido o § 6º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, que exige a inexistência de débitos para manutenção da isenção. No tocante à MP 446/2008, estaria infringido o art. 28, VI, que exige a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa para fazer jus à isenção. Já na vigência da Lei nº. 12.101/2009, estaria infringido o disposto no art. 29, III, que exige para a isenção a apresentação de CND e CPDEN. O RPS (Decreto 3.049/1999), art. 206, VII, exige a "situação regular em relação às contribuições sociais". Pois bem. A recorrente apresentou CPDEN (fl. 1950) em seu recurso voluntário, datada de 20/01/2014, e já constava em sede de impugnação a CPDEN de fls. 1577/1580 (datada de 14/10/2009). Assim, não fora apresentada prova cabal da inexistência de débitos no período compreendido entre 01/2008 a 13/2009 (ou até o pedido de processamento da CND de fls. 1293/1297 datada de 16/03/2009), já que o recorrente afirma ter incluído eventuais débitos existentes (sem mencionar os seus períodos) no REFIS da Lei nº. 11.941/2009. O que alega o recorrente é que tal exigência seria requisito para a concessão de isenção, ao passo que faz jus à imunidade. Todavia, conforme se infere dos documentos de fls. 1278/1322, a recorrente possuía sim débitos em aberto no período abrangido pelo presente lançamento, os quais se referiam tanto a períodos anteriores quanto ao próprio anocalendário de 2008. O mesmo entendimento se aplica ao período de vigência da MP nº. 446/2008 (11/2008 a 01/2009), posto que não apresentada CND ou CPDEN referente a este período. Isto posto, ante a inexistência de provas que comprovem a ausência de débitos da entidade nos períodos em análise, verificase a infração aos dispositivos legais supramencionados e a procedência do lançamento quando ao descumprimento do requisito específico. 3. Da utilização de veículo da entidade por dirigente para fins particulares Conforme relatado, a acusação fiscal baseiase na verificação das apólices de seguro do veículo de placa LAX 6855 para determinar que tratase de uso particular por dirigente da entidade. Ora, em que pesem as razões apresentadas pela fiscalização, entendo que estas não são suficientes para atestar o uso do veículo para fins particulares pelo Sr. Vilela. Eventuais formalidades na elaboração da apólice do seguro não são provas cabais de tal afirmação, do mesmo modo que não seria caso fosse o contrário: e se não estivesse o Sr. Vilela na apólice, isto seria fundamento para afirmar que ele não era o condutor? No caso específico, entendo que a fiscalização deixou de efetivamente produzir provas a respeito de suas alegações, o que, nos parece, carece de comprovação e, via Fl. 1984DF CARF MF 28 de consequência, não deve prosperar a alegação de remuneração indireta, razão pela qual tal alegação deve ser afastada do lançamento. 4. Dos valores pagos a título de arrendamento de imóveis ao Sr. Valdir Vilela No tocante à acusação de pagamento de remuneração indireta ao Sr. Valdir Vilela, mediante a alegação de se tratar de arrendamento de imóveis utilizados pela entidade, entendo que o contribuinte apresentou suas alegações que, embora factíveis, carecem de comprovação fática e documental suficiente. Nada há de ilegal que determinada pessoa física alugue/arrende imóveis a determinada instituição de ensino, mesmo que aquela seja um dos seus fundadores ou atual presidente. Ocorre que, justamente por se tratar de uma entidade que se identifica como de assistência social, tais cuidados deveriam ser potencializados para se evitar, justamente, acusações como a presente. Entendo que no presente caso, confrontando as demonstrações da recorrente e da acusação fiscal, correto o lançamento na parte excedente ao que estipulado previamente em contrato. Não vejo problemas em serem realizados pagamentos a título de aluguel e ou arrendamento vinculados ao faturamento da instituição ou da atividade exercida no referido imóvel, todavia, tais disposições devem ser claramente dispostas em contratos, com cláusulas claras e práticas a nível normal das práticas de mercado. Não sendo essa a situação verificada nestes autos, entendo que deve ser considerado procedente o lançamento quanto aos valores pagos referente aos alugueis/arrendamentos dos imóveis de Campus 1 e 7. 5. Da remuneração indireta de dirigente por serviços prestados à ABEU pela TCA Tonelli Segundo a acusação fiscal, serviços prestados pela referida empresa, especificamente "avaliações de imóvel", seriam na verdade em benefício do presidente da instituição, Sr. Valdir Vilela, ao passo que as avaliações realizadas foram em face de imóveis de propriedade deste. As avaliações realizadas, conforme apontadas, para identificar o valor de mercado para compra e venda dos respectivos imóveis, necessariamente não significam que se dão em benefício do seu proprietário. Ora, avaliação de imóvel pode ser solicitada por um proprietário de um imóvel, por um terceiro interessado, ou por um terceiro que, ainda que não interessado no imóvel analisado, pode estar em busca de informações do valor de imóveis situados na região específica. Por se tratar, no caso, da instituição de ensino, que aluga imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela, os quais possuem relações diretas e, também, valor de aluguel/arrendamento vinculados ao faturamento da empresa, não há nada de ilegal ou Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.972 29 inapropriado em se realizar a avaliação desses imóveis, que podem servir como prévias a uma futura compra, bem como um pedido de revisão de valor de aluguel/arrendamento. Nesse caso, ante a ausência de comprovação cabal de que tais serviços prestados se deram para interesse e benefício única e exclusivamente do Sr. Valdir Vilela, entendo que deve ser afastado o lançamento a esse título. 6. Dos valores pagos a cooperativas de trabalho Ainda, o AFRFB também realizou o lançamento decorrente da contratação de serviços de cooperativas de trabalho contratados pela recorrente, nas modalidades de nos termos do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91. Todavia, como de conhecimento público, o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº. 595.838, julgado em 23/04/2014, julgou inconstitucional a cobrança da referida contribuição, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, Fl. 1986DF CARF MF 30 com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei nº. 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Isto posto, aplico o entendimento do acórdão acima mencionado e, via de consequência, deve ser afastado o lançamento com base na contratação de serviços de cooperativas nos termos do art. 22, IV da Lei nº. 8.212/91. 7. Da utilização de interposta pessoa jurídica para remuneração de diretores Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Os fatos específicos, muito bem detalhados, foram esposados no relatório fiscal, bem como a defesa da recorrente, que alega terem sido prestados serviços de promoção educacional, marketing etc. Sem se adentrar na análise das questões específicas, valores, comprovação da comprovação dos serviços, etc., entendo que a discussão no presente caso passa, necessariamente, pelo que dispõe a Lei nº. 11.196/2005, em seu artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Nesse caso, temos que, se simplesmente os sócios da pessoa jurídica Pac estivessem prestando serviços a entidade, tal fato, por si só, não configuraria infração, posto Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.973 31 que albergados pela disposição do art. 129 acima que, permitira àqueles, utilizaremse do manto da pessoa jurídica para a prestação dos serviços educacionais (os quais são, sem dúvida, de natureza intelectual). Ainda, faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente. Portanto, para que se realize o lançamento, ainda que com base na primazia da verdade material basta a demonstração, individualizada, das características da prestação de serviço de cada uma das pessoas jurídicas acima mencionadas e o seu enquadramento como pessoa física empregada da recorrente. Todavia, o AFRFB deixou de realizar o elo entre os fundamentos teóricos por ele trazidos ao Relatório Fiscal e a realidade fática INDIVIDUALIZADA da pessoa jurídica descaracterizada e, em especial, aos seus sócios. Assim, entendo que o lançamento, por ausência de fundamentação legal adequada da fiscalização, em especial a indicação da ocorrência do fato gerador, fere o lançamento tributário, por ausência de cumprimento de requisito intrínseco ao lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, entendo não presente a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas apontadas pela fiscalização e a empresa recorrente, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material. Nesse sentido, este Conselho e esta colenda turma: QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. (CARF, Acórdão nº. 2301 003.427,1ª T.O., 3ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 14/03/2013. Red. Designado Mauro José Silva) CARACTERIZAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS DA TOMADORA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. DEMONSTRAÇÃO Fl. 1988DF CARF MF 32 ESPECÍFICA E PORMENORIZADA DOS FATOS E CARACTERÍSTICAS DE CADA UMA DAS PESSOAS JURÍDICAS À PESSOA JURÍDICA APONTADA COMO EMPREGADORA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. Deixando o AFRFB de comprovar, pormenorizadamente, a caracterização de cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviço como empregados da tomadora, implicase na improcedência do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, ante a ausência de comprovação do fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. (CARF, Acórdão nº. 2401004.063, 1ª T.O., 4ª Câm. 2ª Seção. Sessão de 28/01/2016. Rel. Carlos Alexandre Tortato) Assim, ante a insuficiência de fundamentação do AFRFB, que permita a subsunção dos fatos (relação de emprego) à norma (incidência de contribuições sociais previdenciária a cargo da pessoa jurídica), deve ser cancelado o lançamento de obrigação principal, por vício material, e a multa de ofício aplicada. Via de consequência, o Auto de Infração de obrigação acessória deve também ser alterado quanto à parte correspondente a este fato, ante a ausência de infração do recorrente no preenchimento das GFIPs. 8. Da bolsa capacitação Alega a fiscalização que o pagamento de bolsa capacitação realizado pela entidade, aos seus professores, não faria jus a isenção disposta no art. 28, § 9º, t), refere a concessão de bolsas de estudos para cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Embora não entenda que referido dispositivo deva restringirse a somente cursos de capacitação profissional, mas sim estendido a cursos de graduação, pósgraduação e todos "relacionados" as atividades empresariais, no presente caso, não assiste razão à recorrente. Conforme apresentado nas próprias razões de impugnação e recurso voluntário, tratase de remuneração vinculado à projetos de bolsas de estudo fornecidos pela universidade em parceria com o Ministério da Educação. Nesse caso, não se trata de investimento da entidade para qualificar os seus empregados, mas sim, de remuneração vinculada à horas trabalhadas desses profissionais ao assumirem novos projetos/funções dentro da entidade. Procedente o lançamento neste ponto específico. 9. Do saláriofamília A fiscalização apresenta valores referentes à glosa de saláriofamília, conforme planilha de fls. 173/183, que teriam sido pagos a maior. As razões apresentadas pelo contribuinte, especificamente de que os valores pagos foram de acordo com o máximo legal daquela unidade onde realizado o pagamento, não Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.974 33 são suficientes para contrastar a conclusão fiscal, que apresentou pormenorizadamente os beneficiários e os valores pagos a maior. Nesse passo, entendo que deve ser mantida a glosa a título de saláriofamília. 10. Da omissão de fatos geradores e contribuições devidas em GFIP No lançamento de multa por descumprimento das obrigações acessórias, entendeu a fiscalização que a infração foi cometida pela recorrente por ter omitido fatos geradores das contribuições previdenciárias e ter se declarado como entidade isenta (informando Código FPAS 639). Quanto ao cálculo da multa aplicada, o AFRFB já aplicou os benefícios contidos nas reduções de multa previstas na Lei nº. 11.941/2009, aplicandose assim a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no relatório fiscal, razão pela qual mantenho parcialmente o presente lançamento, que deverá repercutir eventuais exclusões de valores da base de cálculo nos termos das razões de mérito do decidido acima. 11. Das imputações mantidas e excluídas Assim, para melhor elucidação, em contraponto ao quadro elaborado pela fiscalização (fls. 103/104) e reproduzido no relatório acima, com as infrações imputadas ao contribuinte em cada um dos períodos analisados sob a vigência dos respectivos consectários legais, apresento o mesmo quadro de acordo com as conclusões apresentadas no presente voto: Fato Período com suspensão de isenção Fundamento Legal do requisito infringido 1 Não apresentação de requerimento de isenção junto à RFB / não comprovação de eventual situação de direito adquirido 2 Existência de débito em todo o período / não apresentar CND ou CPDEN em relação às contribuições administradas pela RFB 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, § 6º; MP 446/2008, art. 28, VI; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, III. 3 Valor de arrendamento do Campus 1 a maior, configurando remuneração do Sr. Presidente 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV; MP 446/2008, art. 28, II; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, I. 4 Valor de arrendamento do Campus 7 indevido, configurando remuneração do Sr. Presidente 02/2008, 04/2008 a 07/2008, 09/2008 e 10/2008 Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV 5 Pagamento a Cooperativas de Trabalho Não Informação em GFIP Descumprimento de Obrigação Fl. 1990DF CARF MF 34 Acessória 6 Utilização de serviços prestados pela empresa TCA Tonelli à ABEU para atender interesses pessoais, configurando remuneração do Sr. Presidente 7 Utilização de veículo da ABEU para uso particular, pelo seu Presidente 8 Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração Assim, por entender infringidos os dispositivos acima indicados, nos períodos também delimitados, referentes aos fatos "2", "3" e "4", deve ser mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, nos seguintes termos: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4403, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4411, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.4390, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2 (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.975 35 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora Designada AUSÊNCIA DE ISENÇÃO Quanto à isenção, votei pelas conclusões com o relator, pois a autuada descumpriu vários requisitos legais, não fazendo jus ao benefício legal. Entretanto, discordo do entendimento do relator de que "não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração." A Constituição da República estabeleceu no § 7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Por sua vez, a Lei 8.212/91, no art. 55, vigente à época de parte dos fatos geradores, assim dispõe: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 1992DF CARF MF 36 Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei 8.212/91. Assim, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS (ou SRFB, conforme a época), o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Não há que se falar em retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, pois o auto de infração foi lavrado na vigência da Lei 12.101/09, que dispõe que basta tão somente a entidade certificada atender aos requisitos previstos no art. 29 do mesmo diploma legal para gozar da isenção prevista na CR/88, art. 195, § 7º. Não é possível retroagir a Lei 12.101/2009, que suprimiu a exigência de Ato Declaratório específico. Não se vislumbra nesse novo regramento qualquer das hipóteses previstas na legislação pátria capazes de ensejar a sua aplicação a fatos geradores pretéritos. No tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de lei mais branda quanto a infrações ou penalidades. Assim dispõe o art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da simples leitura do dispositivo, vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa. Também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão. Ressaltese que o art. 106 do CTN é direito excepcional e, como se sabe, é regra elementar de hermenêutica que as exceções sejam interpretadas restritivamente. Não há como estender a retroatividade benigna a assuntos alheios às sanções tributárias. Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.976 37 Portanto, como não houve expressa disposição da lei, nem lei interpretativa, nem regulação de sanções, não há se falar em retroatividade no caso em exame. Na verdade, aplicase à hipótese o art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ressaltese que a exceção prevista no § 1º do citado art. 144 do CTN não encontra aplicação ao caso, pois a Lei 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processo de fiscalização, não ampliou poderes de investigação, nem outorgou ao crédito maiores garantias ou privilégios. Sendo assim, aplicase a norma vigente à época dos fatos geradores para verificação dos requisitos necessários ao gozo da isenção, inclusive o § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91. FATOS GERADORES Quanto aos fatos geradores do crédito tributário em análise, a única discordância do voto do relator se refere aos levantamentos DP e DP2, relativos à utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração. Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Entendeu o relator que "faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente.", devendo os levantamentos DP e DP2 serem excluídos. Contudo, por voto de qualidade, mantevese o lançamento efetuado nos levantamentos DP e DP2. Consta no Relatório Fiscal, fls. 120/133, todos os elementos avaliados que levou a fiscalização a concluir: · Considerando o princípio da verdade material, concluise que o contrato firmado entre a PARC e a ABEU buscou apenas caracterizar uma situação formal, que não existia na prática. As situações fáticas evidenciaram a existência de vínculo empregatício entre as pessoas físicas e o contribuinte autuado, pois constatouse que os sócios da PARC prestaram pessoalmente os serviços em caráter não eventual, mediante remuneração e sob subordinação da fiscalizada. · Na prática os sócios da PARC exerceram funções inerentes a cargos estratégicos da ABEU. · Nãoeventualidade/habitualidade os serviços executados são diretamente ligados aos empreendimentos do contribuinte. Verificou se que os sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, Fl. 1994DF CARF MF 38 validaram documentos de despesas da ABEU, identificandose como gestores/diretores. As notas fiscais emitidas pela PARC são sequenciais e com exclusividade para a ABEU. · Pessoalidade os serviços foram prestados pelos próprios sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, pois atuavam assinando despesas e sendo identificados no organograma da empresa como gestores. Constatouse também o uso de email institucional. · Onerosidade verificada pelo pagamento face aos serviços prestados. Constatouse um provável décimo terceiro embutido nas notas fiscais referentes aos meses 11/08, 12/08 e 12/09. · Subordinação em razão das funções exercidas pelos segurados, não há dúvida de que lavoravam sujeitos ao poder de direção e a hierarquia, comandando também seus inferiores.Os prestadores não assumem o risco da atividade econômica, sendo ressarcidos pelas despesas despendidas. O serviço é executado nas dependências da ABEU. Esses trabalhadores, ocupam na estrutura empresarial do contribuinte cargos de confiança em atividade estritamente ligado aos objetivos sociais da empresa, quais sejam: gestores/diretores e pró reitor de relações institucionais. Sobre a caracterização de segurados como empregados, é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas físicas que lhe prestam serviço independentemente da forma como foram contratadas. É aplicável também à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. Em qualquer hipótese, os fatos devem prevalecer sobre o contido nos documentos. Na verificação fática durante a ação fiscal, a fiscalização constatou que estão presentes os pressupostos característicos da relação empregatícia, constantes do artigo 12, inciso I, alínea ‘a’ da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Se uma pessoa presta serviços nas condições definidas no artigo 3º da CLT, ainda que sem qualquer registro, a fiscalização tem o poder e o dever de considerála como empregado para fins de exigir contribuições previdenciárias devidas pelo empregador. No presente caso, conforme apurado pela fiscalização, estão presentes os pressupostos básicos da relação de emprego: pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade. Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.977 39 O contrato de trabalho é um contrato realidade. A qualificação jurídica que as partes venham a dar para a relação do trabalho é irrelevante. Constatada a relação de emprego: não eventualidade dos serviços, subordinação, salário e pessoalidade, estabelecese o vínculo do segurado com a previdência social na categoria empregado, sendo devidas as contribuições previdenciárias. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, acompanhando o voto do relator, exceto quanto ao lançamento efetuado nos levantamentos DP e DP2, que deve ser mantido. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 1996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000878/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.915
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 08 78 /2 00 8- 68 Fl. 156DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 157 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurado empregado, assim caracterizado pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego, fls. 38 e s.. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACATERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 37/41, o levantamento tem origem na caracterização como empregado do segurado CASSIANO RICARDO RITTER FONTOURA considerado pela notificada como microempresário, por verificados os requisitos da relaçäo de emprego, definidos no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8212/91 c/c art. 3° da CLT. Acrescenta o autor do lançamento que o segurado é sócio gerente da empresa BITSITES INFORMÁTICA LTDA, passando, a partir de 02/2004, a emitir mensalmente e em ordem seqüencial notas fiscais de prestação de serviços em informática, caracterizando o trabalho exclusivo e habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada à atividade fim da empresa. Ressalta, ainda, a autoridade lançadora que o vínculo foi reconhecido pela empresa p o fato de o segurado ter recebido parcela de remuneração pertinente apenas aos segura empregados (premium card), além de que em 26/06/06 (fora do período do Mandado de Procedimento Fiscal), o segurado foi registrado como funcionário da empresa na função de Analista de Desenvolvimento de Projetos. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Fl. 158DF CARF MF 4 O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente Fl. 159DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 158 5 às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; A própria pessoa física a quem o fisco atribuiu vinculo empregatício com a impugnante vem declarar, sob as penas da lei, que essa não é a verdade fática, conforme declaração anexa; Durante todo o procedimento fiscal em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a adoção do método de aferição indireta, com fundamento neo art. 33, §§3° e 6° da Lei nº 8.212/91 reproduzido na defesa; Deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação. É o Relatório. Fl. 160DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 159 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 331/12/2005 Fl. 162DF CARF MF 8 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIR/ZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os Fl. 163DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 160 9 fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar a presença das características da relação de emprego. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos, fls. 38 e s.: a) formalmente, o segurado era sócio gerente de uma interposta empresa prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) o segurado, antes da constituição de sua suposta empresa, já prestara serviços ao recorrente e se remunerava da mesma forma, ou seja, através da emissão de notas fiscais de serviços por uma empresa, sendo que em relação a essa não mantinha qualquer vínculo, seja como empregado ou sócio; d) a suposta empresa prestadora de serviços não possui empregados; e) em 26/06/2006 o recorrente admitiu o segurado como empregado formalmente registrado; e f) o segurado percebeu do recorrente valores a título de participação nos lucros pagos a empregados. A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: o segurado é empregado da recorrente e prestava serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Art. 15. Considerase: Fl. 164DF CARF MF 10 I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal, sem dispor de um quadro de empregados próprios. Outro fato, descrito ainda no relatório, demonstra a pessoalidade e subordinação. Antes da constituição da suposta pessoa jurídica o segurado já prestava os mesmos serviços ao recorrente. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Por fim, o vínculo foi reconhecido pela empresa quando em 26/06/06, ainda que em período posterior ao coberto pela fiscalização, o segurado foi registrado como funcionário da empresa na função de Analista de Desenvolvimento de Projetos. Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.721904/2013-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB).
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
"DRAWBACK-ISENÇÃO" BRASILEIRO. ETAPAS PRESSUPOSTAS.
O "drawback-isenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: (1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); (2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e (3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento.
Numero da decisão: 3401-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, em relação às alegações apresentadas da tribuna, constantes de requerimento avulso anexado ao processo, mas não de recurso voluntário, acerca da ocorrência de decadência do direito de lançar e exclusão de multa e juros (art. 100 do CTN), por maioria de votos, pelo conhecimento apenas em relação à decadência, e pela preclusão do tema remanescente, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que conhecia as duas questões. Relativamente à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, negou-se provimento. Concernente ao mérito, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB). O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. "DRAWBACK-ISENÇÃO" BRASILEIRO. ETAPAS PRESSUPOSTAS. O "drawback-isenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: (1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); (2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e (3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, em relação às alegações apresentadas da tribuna, constantes de requerimento avulso anexado ao processo, mas não de recurso voluntário, acerca da ocorrência de decadência do direito de lançar e exclusão de multa e juros (art. 100 do CTN), por maioria de votos, pelo conhecimento apenas em relação à decadência, e pela preclusão do tema remanescente, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que conhecia as duas questões. Relativamente à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, negou-se provimento. Concernente ao mérito, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB). O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. "DRAWBACKISENÇÃO" BRASILEIRO. ETAPAS PRESSUPOSTAS. O "drawbackisenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: (1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); (2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e (3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, em relação às alegações apresentadas da tribuna, constantes de requerimento avulso anexado ao processo, mas não de recurso voluntário, acerca da ocorrência de decadência do direito de lançar e exclusão de multa e juros (art. 100 do CTN), por maioria de votos, pelo conhecimento apenas em relação à decadência, e pela preclusão do tema remanescente, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que conhecia as duas questões. Relativamente à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, negouse provimento. Concernente ao mérito, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 19 04 /2 01 3- 05 Fl. 971DF CARF MF 2 maioria de votos, negouse provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Autos de Infração de fls. 2 a 2431, lavrados em 03/10/2013, para exigência de imposto de importação (no valor original de R$ 3.397.910,84), de imposto sobre produtos industrializados vinculado à importação (no valor original de R$ 1.383.434,81), de contribuição para o PIS/PASEPimportação (no valor original de R$ 549.476,93), e de COFINSimportação (no valor original de R$ 2.530.924,34), totalizando, com acréscimos de juros de mora e de multa de ofício, R$ 16.713.886,10. No Relatório de Fiscalização de fls. 211 a 243, que compõe a autuação, narra a fiscalização que: (a) o procedimento objetivou a verificação do cumprimento das condições estabelecidas em três Atos Concessórios (no 169008/0000052, concedido em 29/01/2008, e com validade até 29/01/2010, sendo prorrogado até 04/01/2013; no 169008/0000230, concedido em 13/08/2008, e válido até 13/08/2009; e no 169011/0000012, concedido em 05/01/2011, e com validade até 04/01/2012, sendo prorrogado até 04/01/2013) relativos ao regime de drawback, na modalidade isenção; (b) conforme as Portarias SECEX no 36/2007, no 25/2008, no 10/2010 e no 23/2011, vigentes durante o período de validade dos atos concessórios, são condições básicas para fruição do benefício: (b1) utilização somente de declaração de importação (DI) ou nota fiscal (NF) não anterior a 2 anos da data do pedido; (b2) (embarque para) importações dentro da validade de um ano do ato concessório correspondente, respeitadas as alterações do ato solicitadas dentro do prazo de validade; e (b3) preenchimento de Relatório Unificado de Drawback RUD, identificando os registros efetuados no SISCOMEX relativos a importações e exportações, e as NF de venda e aquisições no mercado interno vinculadas ao regime, se for o caso; (c) a fiscalização teve início em 05/07/2013, em diligência realizada na sede da empresa, tendo sido, na ocasião, retidas folhas de "consumo de matériaprima e perda de material", e intimada a empresa a apresentar laudos técnicos sobre o processo produtivo; (d) as infrações detectadas foram, basicamente, importação de mercadorias sob o regime não amparadas em importações anteriores e não amparadas em exportações ocorridas; (e) no Ato Concessório no 169008/0000052, detectouse que: (e1) há incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (tabela 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 972 3 à fl. 217) e as importadas, posteriormente, com isenção (tabela à fl. 218); e (e2) a partir dos laudos técnicos e das respostas a intimações feitas pela fiscalização, foi possível identificar a quantidade de mercadoria necessária à fabricação de cada produto exportado (Anexo VII da autuação e tabela à fl. 220), e comparar a quantidade importada com isenção e a anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados, segundo o método PEPS ("o primeiro que entra é o primeiro que sai"), visualizando claramente as quantidades não utilizadas (tabela às fls. 221/223); (f) no Ato Concessório no 169008/0000230, detectouse que: (f1) há incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (tabela às fls. 225/226) e as importadas, posteriormente, com isenção (tabela às fls. 226/227); e (f2) a partir dos laudos técnicos e das respostas a intimações feitas pela fiscalização, foi possível identificar a quantidade de mercadoria necessária à fabricação de cada produto exportado (Anexo X da autuação e tabela à fl. 228), e comparar a quantidade importada com isenção e a anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados, segundo o método PEPS, visualizando claramente as quantidades não utilizadas (tabela à fl. 230); (g) no Ato Concessório no 1690 11/0000012, detectouse que: (g1) há incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (tabela à fl. 233) e as importadas, posteriormente, com isenção (tabela à fl. 234); e (g2) a partir dos laudos técnicos e das respostas a intimações feitas pela fiscalização, foi possível identificar a quantidade de mercadoria necessária à fabricação de cada produto exportado (Anexo XIII da autuação e tabela à fl. 236), e comparar a quantidade importada com isenção e a anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados, segundo o método PEPS, visualizando claramente as quantidades não utilizadas (tabela às fls. 237/238); e (h) diante das irregularidades verificadas, foram exigidos, na autuação, os tributos incidentes sobre a importação das mercadorias importadas indevidamente com isenção alegando como fundamento o regime. Cientificada da autuação em 11/10/2013 (fl. 655), a empresa apresentou Impugnação em 08/11/2013 (fls. 658 a 665), argumentando, em síntese, que: (a) os Atos Concessórios emitidos pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) detalharam as mercadorias a serem importadas e os produtos a serem exportados (fl. 661); e (b) o regime foi integralmente cumprido, e as diferenças encontradas se devem ao fato de que a fiscalização não considerou determinadas adições das DI, sendo que: (b1) no caso do Ato Concessório no 169008/000005 2, foram desconsideradas a adição 03 da DI no 09/14157676, a adição 01 da DI no 08/15761893, e a adição 04 da DI no 09/08731234; (b2) em relação ao Ato Concessório no 169008/0000230, foram desconsideradas a adição 03 da DI no 09/09251333 e a adição 02 da DI no 08/15761893; e (b3) no que se refere ao Ato Concessório no 160111/0000012, foram desconsideradas as adições 01, 03 e 04 da DI no 11/13304091. Em 26/03/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 834 a 841), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, visto que as DI às quais se refere a interessada como não consideradas pela fiscalização são correspondentes a importações com isenção, e não com pagamento de tributos, destacando ainda que a análise feita pela defesa foi apenas quantitativa, e que não houve demonstração dos insumos importados com pagamento nos produtos exportados, e somente demonstrando tal utilização teria a empresa direito a isenção na reposição de seus estoques. Cientificada da decisão da DRJ em 09/04/2014 (fl. 842), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 09/05/2014 (fls. 845 a 854), reafirmando que comprovou documentalmente em sua impugnação o cumprimento integral do regime, tendo importado mercadoria em quantidade e qualidade equivalente, destinada à reposição de insumos Fl. 973DF CARF MF 4 importados anteriormente, com pagamento de tributos, e utilizada na fabricação de produto exportado, reiterando a justificativa constante na impugnação sobre as diferenças apuradas pela fiscalização. Colaciona ainda ementa do Acórdão no 310100.323, que dispõe que é de competência exclusiva da SECEX a análise do cumprimento dos requisitos necessários à obtenção e ao deferimento do drawback, não cabendo à fiscalização aduaneira da RFB declarar a nulidade do ato vigente por vício formal ou material na concessão. Acrescenta, por fim, que os bens são fungíveis, não havendo necessidade de vinculação física, como já entendeu o Conselho de Contribuintes, e na linha da alteração trazida pelo Decreto no 8.010/2013 ao artigo 402A, § 1o do Regulamento Aduaneiro. Em 09/12/2015 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio (fl. 880). O processo foi pautado para as sessões de maio, de junho e de julho de 2016, sendo retirado de pauta, em todas as ocasiões, por motivo de falta de tempo para julgamento. Em agosto de 2016, o processo foi retirado de pauta a pedido da recorrente. Em setembro de 2016, pediu vista o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Em outubro de 2016, o processo foi indicado para pauta, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. Em 16/01/2017 a empresa apresenta peça que denomina de “razões finais” (fls. 897 a 906), na qual repisa a argumentação externada em sede recursal e sustenta ter havido decurso do prazo decadencial para a revisão do ato administrativo atinente à expedição do ato concessório exarado por órgão independente da RFB (a SECEX). Acrescenta ainda documentos que alega comprovarem que a SECEX analisava detidamente a quantidade de insumos importados em cotejo com os utilizados nas exportações, e “opinião técnica”, que afirma atestarem que os cálculos da RFB estariam incorretos. Na sustentação oral regimentalmente admitida, o patrono da recorrente sustentou ainda, além das disposições referentes a competência da SECEX e decadência, que deveria haver exclusão de multa e juros (art. 100 do Código Tributário Nacional), pedindo ao colegiado que, em nome da verdade material, analisasse o argumento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Aspectos preliminares Do "drawback brasileiro" e do "drawback isenção" No Brasil, a expressão "drawback" é equivocadamente utilizada. Assim, é preciso logo de início esclarecer que ao tratar de um “drawback” brasileiro, estáse a analisar um regime que tem pouca relação com o que se entende no restante do planeta como “drawback”. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 973 5 Internacionalmente, o “drawback” é, como sugere a própria formação da palavra, em inglês (“drawback”), uma devolução ou restituição de direitos de importação (ou mesmo de impostos sobre o consumo). Drawback, assim, é “o montante de direitos e taxas na importação restituídos por aplicação do regime de drawback”.2 E o regime de drawback, por sua vez, é internacionalmente definido como: o regime aduaneiro que permite, por ocasião da exportação de mercadorias, obter a restituição (total ou parcial) dos direitos e taxas que incidiram sobre a importação dessas mercadorias ou dos materiais nelas contidos ou consumidos na sua produção.3 Foi exatamente com esse sentido que o regime foi inicialmente tratado na legislação brasileira, no Decreto no 994, de 28/7/1936: como uma restituição, ou, na terminologia usada no decreto, uma devolução dos direitos pagos (integralmente) na importação (a norma usa ainda o termo “remissão”).4 A Lei no 3.244, de 14/8/1957 manteve o drawback como “remissão”, em seu art. 37, dispondo que seria concedida “remissão total ou parcial do imposto relativo a produto utilizado na composição de outro a exportar (‘drawback’), nos termos do Regulamento a ser baixado por proposta do Conselho de Política Aduaneira”. E o regulamento (Decreto no 50.485, de 25/4/1961) dispôs, em seu art. 6o, que “o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas com aplicação do ‘drawback’ será autorizado com suspensão do recolhimento dos tributos devidos”. Estava “criado” pela norma infralegal o drawbacksuspensão, distante de toda a terminologia internacionalmente adotada, nascendo ainda a expressa determinação de vinculação física, no texto do art. 18: “nenhuma mercadoria objeto de ‘drawback’ poderá ser utilizada fora da finalidade prevista sem o prévio recolhimento dos tributos devidos”. 2 Definição extraída do Anexo Especifico “F” da Convenção Internacional para Simplificação e Harmonização de Regimes/Procedimentos Aduaneiros” (Convenção de Quioto Revisada). A Convenção de Quioto foi adotada em 1973 (nos idiomas oficiais da Organização Mundial das Aduanas OMA, inglês e francês, respectivamente, “International Convention on the Simplification and Harmonization of Customs Procedures” e “Convention Internationale pour la Simplification et L’harmonisation des Regimes Douaniers”), e entrou em vigor em 25/09/1974, tendo passado por um processo de revisão no período de 1995 a 1999, resultando na chamada “Convenção de Quioto Revisada”, ou "Revista", que entrou em vigor em 03/02/2006, e hoje é aplicada em países que representam mais de 80% do comércio mundial (o Brasil, que é o único dos doze maiores países do mundo que ainda não aderiu à Convenção, manifestou expressamente interesse na adesão em novembro de 2011, em conferência da Organização Mundial de Aduanas realizada em São Paulo/2011, e já foram iniciados os trâmites para incorporação do texto da Convenção a nosso ordenamento jurídico). O texto da definição corresponde a tradução livre das versões em francês ("drawback: le montant des droits et taxes à l’ importation remboursé en application du régime du drawback”), e em inglês (“drawback: means the amount of import duties and taxes repaid under the drawback procedure”). O texto da convenção revisada, em ambos os idiomas, está disponível em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 29.nov.2014. Sobre a Convenção de Quioto Revisada, ver ainda: MORINI, Cristiano. A Convenção de Quioto Revisada e a Modernização da Administração Aduaneira. In: TREVISAN, Rosaldo. Temas Atuais de Direito Aduaneiro II. São Paulo: Lex, 2015, p. 163198. 3 Idem. Tradução livre da versão em francês ("régime du drawback: le régime douanier qui permet, lors de l’ exportation de marchandises, d’ obtenir le remboursement total ou partiel des droits et taxes à l’ importation qui ont frappé, soit ces marchandises, soit les produits contenus dans les marchandises exportées ou consommées au cours de leur production”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“drawback procedure: means the Customs procedure which, when goods are exported, provides for a repayment total or partial to be made in respect of the import duties and taxes charged on the goods, or on materials contained in them or consumed in their production”), do Anexo F da Convenção de Kyoto Revisada. 4 Sobre o histórico do drawback, no Brasil, e em experiências comparadas, remetese ainda a: MACHADO, Luiz Henrique Travassos. Curso de Drawback. São Paulo: Aduaneiras, 2015, p. 117162. Fl. 975DF CARF MF 6 Três anos depois, estava revogado o decreto regulamentar pelo Decreto no 53.967, de 16/6/1964, que, em seu art. 3o, deu ao drawback a configuração tripartida (suspensão, isenção e restituição) que persiste nas normas até os dias atuais, mantendose a necessidade de que as mercadorias importadas não fossem desviadas das finalidades para as quais foram admitidas no regime (art. 8o).5 Depois de cerca de uma década de disciplina infralegal, o DecretoLei no 37, de 18/11/1966, em seu art. 78, incisos I a III, passa a dispor (sem utilizar a expressão drawback)6 sobre restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportadaque; sobre suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; e sobre isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Apesar de a base legal (corretamente7) não se referir a drawback, o Decreto no 68.904, de 12/7/1971, entretanto, afirma em sua ementa estar regulamentando “o instituto do drawback previsto no art. 78 do DecretoLei no 37, de 18/11/1966”, reiterando a linha tripartida (suspensão, isenção e restituição), sendo tal postura mantida pelos Regulamentos Aduaneiros de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985, art. 314), de 2002 (Decreto no 4.543, de 26/12/2002, art. 335) e de 2009 (Decreto no 6.759, de 05/02/2009, art. 383). Concordamos com LOPES FILHO, quando este afirma que, apesar de a regulamentação do art. 78 da Lei Aduaneira denominar as três modalidades ali previstas como drawback, devese entender que o drawback corresponde tãosomente à “restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada” (inciso I do art. 78), caracterizandose as modalidades previstas nos incisos II e III do artigo, respectivamente, como beneficiamento ativo e reposição de estoques.8 Contudo, preferimos a designação aperfeiçoamento ativo, que veio a se consagrar depois da obra do ex Secretário da Receita Federal, para a modalidade prevista no inciso II. Temos, assim, que: a) o ‘drawbackisenção’ constitui, como o próprio nome sugere, uma hipótese de isenção (conhecida como reposição de estoques)9 como tantas outras 5 Dispunha o artigo: “A aplicação do regime do ‘drawback’ farseá mediante: a) suspensão do pagamento do imposto devido, condicionada a plano de importação e exportação previamente aprovado, até a comprovação da exportação; b) franquia do imposto sobre importação posterior de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à de origem estrangeira utilizada no produto exportado; e c) restituição do imposto pago. 6 Não obstante tenha sido alguns meses antes publicada a Lei no 5.025, de 10/06/1966, tratando em dois artigos de “drawback” (um deles, o art. 55, especificamente referindose a isenção). 7 Visto que internacionalmente a expressão drawback designava exclusivamente a restituição, e o Decretolei, em sua Exposição de Motivos (no 867, de 18/11/1966), expressamente afirmava espelharse em “Códigos Aduaneiros modernos” na disciplina da temática aduaneira. 8 LOPES FILHO, Osíris de Azevedo. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983, p. 9192. 9 A título ilustrativo, citese que o Glossário de Termos Aduaneiros e Comércio Exterior da ALADI define como ‘reposição de matériasprimas’ o “regime aduaneiro que permite importar, com isenção dos gravames respectivos, mercadorias equivalentes a outras que, havendo pago anteriormente esses gravames, foram utilizadas na produção de artigos exportados previamente a título definitivo” (Disponível em: <http://www.aladi.org/nsfaladi/glosario.nsf>. Acesso em: 09.jul.2014). MEIRA denomina esta ‘modalidade’ de Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 974 7 decorrentes de lei ou acordo internacional, compiladas no art. 136 do atual Regulamento Aduaneiro10; b) o ‘drawbackrestituição’, ou simplesmente ‘drawback’, nome pelo qual é conhecido no restante do mundo, é uma hipótese de restituição que busca incentivar as exportações11; e c) o ‘drawbacksuspensão’ (único que constitui propriamente um regime aduaneiro) é, em realidade, um aperfeiçoamento ativo.12 Reparese que a inadequação terminológica não macula, hoje, a aplicação de nenhuma das três ‘modalidades de drawback’ no Brasil, pois, relevandose os nomes, todas possuem supedâneo legal.13 Mas a confusão infralegal acabou por contaminar leis, como as de no 8.402/1992 (art. 3o, § 2o), no 11.945/2009 (arts. 13 e 14) e no 12.350/2010 (que passou a ter um Capítulo intitulado “Do Drawback” arts. 31 a 33, que nada trata sobre restituição), deixando o Brasil cada vez mais distante daquilo que o restante do mundo denomina “drawback”. No presente processo se discute aquilo que no Brasil foi denominado de "drawbackisenção", com disciplina legal estabelecida no art. 78 do Decretolei no 37/1966: "Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. drawbacksubstituição (MEIRA, Liziane Angelotti. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: IOB, 2002, p. 219). 10 Aliás, tal isenção está relacionada no art. 136 (inciso II, alínea ‘g’). A disciplina da isenção, contudo, foi deslocada da Seção de Isenções para o Livro referente a Regimes Aduaneiros Especiais, pela adoção da nomenclatura inadequada, que remonta à década de 60. Fossem as isenções regimes aduaneiros especiais, todas deveriam estar disciplinadas no Livro IV do Regulamento Aduaneiro. Fosse o drawbackisenção um regime aduaneiro especial, e não uma isenção concedida no regime comum de importação, não haveria necessidade de tê lo expressamente mantido na Lei no 8.032, de 12/4/1990 (arts. 2o, II, ‘g’, e 3o, I). 11 Assim como defendemos o posicionamento da disciplina do drawbackisenção na Seção referente a isenções do Regulamento Aduaneiro, o drawbackrestituição melhor ficaria posicionado ao lado das restituições, em decorrência do regime comum de importação, no art. 110 do mesmo regulamento. 12 No Capítulo 1 do Anexo Específico ‘F’ da Convenção de Kyoto revisada encontramos a definição de aperfeiçoamento ativo: “regime aduaneiro que permite receber em um território aduaneiro, com suspensão dos tributos incidentes na importação, certas mercadorias destinadas a sofrer uma transformação, processamento ou reparo e a serem posteriormente exportadas”. O texto corresponde à tradução livre da versão em francês ("perfectionnement actif: le régime douanier qui permet de recevoir dans un territoire douanier, en suspension des droits et taxes à l’ importation, certaines marchandises destinées à subir une transformation, une ouvraison ou une réparation et à être ultérieurement exportées”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“inward processing: means the Customs procedure under which certain goods can be brought into a Customs territory conditionally relieved from payment of import duties and taxes, on the basis that such goods are intended for manufacturing, processing or repair and subsequent exportation”), e está disponível, em ambos os idiomas, em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 13 A situação, em verdade, é ainda pior, dado que normas de hierarquia inferior a decreto acabaram por criar ainda verdadeiras submodalidades de drawback (v.g. Portaria SECEX no 23, de 14/07/2011 que trata de drawback intermediário art. 88, drawback embarcação art. 69, I, e drawback para fornecimento no mercado interno art. 69, II). Fl. 977DF CARF MF 8 A filosofia da isenção é a seguinte: (a) uma empresa importa matériaprima para fabricação de determinado produto, com incidência normal de tributos; (b) após a industrialização, acaba por exportar o produto que fabricou com a matériaprima importada anteriormente; e (c) com a comprovação da exportação, utilizando a matériaprima importada com incidência normal de tributos, adquire o direito de importar novamente a matériaprima (em quantidade/qualidade equivalente), agora com isenção, e sem a necessidade de que haja exportação. Daí o nome comumente empregado de "reposição de estoques". E, reparese, que ao invés de repor seu estoque, a empresa que realizou os procedimentos descritos nas letras "a" e "b" deste parágrafo poderia, com a comprovação da exportação, utilizando a matériaprima importada com incidência normal de tributos, simplesmente pedir restituição dos tributos pagos (aquilo que no Brasil é conhecido como "drawbackrestituição", e, no resto do mundo, simplesmente como "drawback"). E, no Brasil, o chamado "drawbackisenção" é concedido pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), por meio de Ato Concessório, e fiscalizado pela RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda). Essa afirmação já é suficiente para que se esclareça que as documentações emitidas pela SECEX não atestam conclusivamente a regularidade do regime, que pode ser objeto de fiscalização pela RFB. Vejase que a SECEX não detém competência para atestar a regularidade do regime, por manusear apenas documentos, sequer verificando mercadoria ou processo produtivo, competências que são exclusivas da RFB, por meio de seus auditoresfiscais (AFRFB). A matéria já é, inclusive, sumulada no âmbito deste CARF, no que se refere ao "drawback suspensão": Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. E nada muda em relação ao drawback isenção, pois, de forma idêntica, é concedido pela SECEX (apenas com base em documentos, o que resta óbvio, até pela impossibilidade de a SECEX fiscalizar nos portos, aeroportos e pontos de fronteira, diante de sua estrutura centralizada) e fiscalizado efetivamente pela RFB, por meio de seus auditores fiscais (AFRFB). Assim, seguese a análise do "drawbackisenção" já sob a premissa de que a autoridade competente para fiscalizar e atestar a regularidade do regime não é a SECEX (encarregada exclusivamente da concessão do regime), mas da RFB. Com isso se afasta a argumentação da recorrente de que suas operações estariam regulares em virtude haver concessão ou reconhecimento pela SECEX. Ademais, a situação aqui em análise guarda pouca relação com a referida no acórdão colacionado pela recorrente (não versando estes autos sobre nulidade de ato concessório, mas sobre fiscalização de cumprimento de ato concessório), que foi objeto de recurso, e ainda tramita neste CARF. O "drawbackisenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: 1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 975 9 2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e 3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento. Percebese, pelo exposto, que todas as operações realizadas nas diferentes fases são documentadas. Basta à fiscalização, assim, verificar se o teor dos documentos é condizente com a realidade da operação. E, para tanto, deve o fisco analisar as entradas e saídas de mercadorias, e a movimentação do estoque, para saber se houve efetivo cumprimento de cada fase. E foi esse o objetivo do procedimento fiscal iniciado em 05/07/2013, que trata do caso em análise. Do procedimento de fiscalização no caso em análise No procedimento de fiscalização, foram estabelecidas premissas compatíveis com as três etapas acima, mas já com os prazos constantes das Portarias SECEX de regência, e comparandose, a cada Ato Concessório, as mercadorias importadas e exportadas, chegandose a tabelas onde foram verificadas incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (etapa 1), e as importadas, posteriormente, com isenção (etapa 3), e importações (etapa 3) não amparadas em exportações ocorridas (etapa 2). A recorrente, em sua defesa, justifica as diferenças apuradas no fato de ter a fiscalização desconsiderado algumas adições de declarações de importação, que aqui organizamos em ordem cronológica, apondo, entre parênteses, as páginas correspondentes no presente processo (numeração eletrônica): DI no 08/15761893/adições 01 e 02 (fls. 752 a 757); DI no 09/08731234/adição 04 (fls. 758 a 765); DI no 09/09251333/adição 03 (fls. 778 a 784); DI no 09/14157676/adição 03 (fls. 744 a 751); e DI no 11/13304091/adições 01, 03 e 04 (fls. 791 a 798). Como bem percebeu a DRJ, todas as importações, nas adições citadas, foram efetuadas com isenção (etapa 3), não se prestando a comprovar a etapa 1: importações normais com pagamento de tributos. Estaria, assim, a empresa, "repondo estoques" de mercadorias que já importou com isenção, o que é absolutamente incompatível com o regime. Não atentou a recorrente para o próprio critério claramente informado pela fiscalização (fls. 213/214): "6. Com base nessas condições, na fiscalização dos atos concessórios de drawback isenção, emitidos para a sociedade empresária POLO, verificamos os seguintes pontos: (...) (iii) Se a quantidade de mercadorias importadas com isenção, posteriormente à emissão dos atos concessórios, era compatível em quantidade e qualidade às importadas originalmente com pagamento de tributos; Fl. 979DF CARF MF 10 (iv) Se, após a análise iii, a quantidade de mercadorias importadas com isenção, posteriormente à emissão dos atos concessórios, era compatível com a quantidade utilizada em produtos exportados previamente à emissão do ato concessório, considerandose, conforme a legislação de regência, as perdas no processo produtivo." (grifo nosso) Parece entender a recorrente que pode justificar a importação posterior com isenção mediante uma declaração de importação antecedente que também foi efetuada com isenção. Em outras palavras, que uma importação efetuada com isenção poderia ser usada como antecedente (etapa 1) de um processo de "drawback isenção". E isso é absolutamente avesso ao comando do artigo 78 do Decretolei no 37/1966, aqui reproduzido. E avesso também ao que dispõem os Regulamentos Aduaneiros (RA) de 2002 e 2009, ao disciplinar a matéria, em suas redações originais. E, no RA de 2009, o artigo 402A, mencionado pela recorrente, foi inserido para disciplinar o artigo 17 da Lei no 11.774/2008, permitindo a utilização de mercadoria equivalente apenas a partir da edição de ato normativo específico conjunto entre SECEX e RFB. Tal ato foi emitido em 17/12/2010 (Portaria Conjunta RFB/SECEX no 3, vigente a partir de 21/02/2011), mas sua aplicação ao caso demandaria providência explícita por parte da recorrente (v.g., conforme artigos 5o e 10), ainda assim, somente em relação ao Ato Concessório no 169011/0000012, providência que não se detecta nas cópias do Ato Concessório carreadas aos autos (fls. 727/728). No que se refere à necessidade de vinculação física, expressamente referida pela DRJ, temos que é incabível tal discussão nestes autos, tendo em vista que a autuação não usa a expressão e a impugnação não discute especificamente o tema, limitandose a afirmar que as operações estariam comprovadas pelas DI registradas com isenção. Assim, a defesa não alega que as diferenças se devem a utilização de produtos equivalentes, mas a importações de mercadorias isentas, com benefício, restando, então, uma "etapa" em aberto no drawback, pois tais mercadorias são resultantes (etapa 3), e não pressupostos (etapa 1) da isenção. Improcedentes, portanto, as alegações de defesa. Considerações Finais Cabe ainda, derradeiramente, analisar argumento suscitado pela recorrente após o prazo para interposição de recurso voluntário, referente a decadência, como matéria de ordem pública, visto que o colegiado deliberou majoritariamente por sequer conhecer a respeito da outra preliminar intempestivamente suscitada, referente à aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional, ao caso. Na hipótese de drawbackisenção brasileiro, o prazo regular para lavratura da autuação, segundo o Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009 artigo 752, § 3o, II), que acolheu o entendimento majoritário do CARF sobre a matéria, é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual foi registrada a declaração de importação com isenção. No caso em análise, que trata de declarações de importação registradas a partir de 2008, tal prazo seria 01/01/2014. Como a ciência da lavratura do auto de infração se Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 976 11 deu em 11/10/2013 (fl. 655), é forçoso concluir que não há vestígio da ocorrência de decadência, no presente processo. A recorrente parece ainda fazer certa confusão, com vínculo indevido entre o prazo decadencial e a emissão do ato concessório, que, repitase, é ato formal da SECEX, órgão sem competência fiscalizatória do regime, competência esta que é restrita à RFB. Não há revisão de ato, no caso, mas fiscalização de ato pelo órgão competente, dentro dos prazos permitidos na legislação aduaneira. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 981DF CARF MF 12 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Peço permissão para declarar meu voto, e justificar, assim, minha proposição de nulidade da autuação, face ao extremamente fundamentado voto do relator, o ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan. Creio que deveríamos decretar a nulidade do Auto por cerceamento de defesa e falta de fundamentação lógica (erro na descrição do fato e na subsunção à hipótese legal artigos 10 e 59 do Decreto no 70.235, de 1972). Nas próximas linhas explico essa minha convicção. Peço a paciência de todos para trazer a essa declaração parte do Termo Fiscal, trecho em que a autoridade fiscal procura demonstrar as evidências para a sua conclusão (selecionei apenas o referente a um dos atos concessórios, como ilustração, mas o modelo de análise se reproduz aos outros atos). Percorramos com vagar o texto do auto de infração: 3.1. ATO CONCESSÓRIO N° 169008/000052 [...] 16. A terceira tarefa realizada (análise 3) foi determinar a quantidade de produtos importados com pagamento de tributos (DIs relacionadas no RUD) e comparar com a quantidade de produtos importados com isenção de tributos (DIs obtidas no Siscomex a partir das informações prestadas pelo contribuinte quando do registro das mesmas, em especial o no do AC). 17. A partir do RUD obtemos os números das DIs que foram registradas com pagamentos de tributos. Com esses números, esta fiscalização extraiuas do Siscomex e classificou as mercadorias importadas (conforme laudo técnico) e as respectivas quantidades, em kg, conforme Anexo V. 18. A partir dos dados do Anexo V, é possível separar, por mercadoria, a quantidade, em KG, de mercadoria importada com pagamento de tributos, conforme tabela 1 abaixo: Tabela 1 Mercadoria | Quantidade (KG) COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 1.608.750 PROPILCO 03H77MAB 267.500 RESINA MATE CONSTAB MAT 2440 / AMPACET MATIF 97 8.675 Schilman Polybatch FASPS 2950 / Schulman Polybatch FASPS 2950 W Constab ATG 4509 PP / Ampacet Anslip 75 / Ampacet Anslip 12 429.750 SCHULMAN MASTERBATCH PF 42 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 52 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 61 V / CONSTAB FK 80103 PP / MULTIBASE MP 52720 / AMPACET WHOP 2P 460.000 SCHULMAN POLYBATCH ASPA 2485 1.500 Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 18.750 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 359 / ELTEX PKS 357 / BASELL ADSYL 5C 30F 2.139.750 Fl. 982DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 977 13 19. Seguindo a análise, resta obter a quantidade de mercadorias importadas com isenção de tributos utilizando o benefício do ato concessório de drawback n° 169008/0000052. Tais DIs foram extraídas do Siscomex, a partir das informações prestadas pelo contribuinte quando do registro no sistema, e classificadas por mercadoria e quantidade, em kg, conforme Anexo VI: 20. A partir dos dados do Anexo VI, é possível separar, por mercadoria, a quantidade, em KG, de mercadoria importada com isenção de tributos, conforme tabela 2 abaixo: Tabela 2 Mercadoria | Quantidade (KG) COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 1.563.550 COPOLIMEROS DE PROPILENO ADSYL 7416 XCP 1.375 COPOLIMEROS DE PROPILENO ADSYL 7434 1.375 PROPILCO 03H77MAB 229.500 Schilman Polybatch FASPS 2950 / Schulman Polybatch FASPS 2950 W Constab ATG 4509 PP / Ampacet Anslip 75 / Ampacet Anslip 12 295.625 SCHULMAN MASTERBATCH PF 42 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 52 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 61 V / CONSTAB FK 80103 PP / MULTIBASE MP 52720 / AMPACET WHOP 2P 621.373 SCHULMAN POLYBATCH ABPP 05 5.375 SCHULMAN POLYBATCH ABVT 34 SC / AMPACET TASC 25 2.750 SCHULMAN POLYBATCH ASPA 2485 70.000 Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 123.750 Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 123.750 TERPOLIMERO DE PROPILENO ADSYL 7410 XCP 27.500 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 359 / ELTEX PKS 357 / BASELL ADSYL 5C 30F 2.096.724 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 399 / TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 689 49.500 21. Analisando preliminarmente as tabelas 1 e 2, observamos que há uma divergência considerável entre as mercadorias e quantidades importadas com pagamento de tributos e as importadas com isenção tributária, evidenciando que o benefício de drawback não está sendo utilizado da maneira correta pelo interessado. 22. A quarta tarefa realizada (análise 4) foi determinar a quantidade teoricamente necessária de mercadoria importada para produzir o produto que foi exportado, segundo o RUD e laudos técnicos fornecidos pela própria POLO (anexo II e III), com suas quantidades e relações insumo importado x produto exportado, bem como as perdas inerentes aos processos produtivos desses produtos exportados. Fl. 983DF CARF MF 14 23. Importante ressaltar que os laudos técnicos com a composição dos produtos exportados, apresentados pelo interessado, possuem 3 períodos de referência (Julho de 2006 a Setembro de 2007, Junho de 2008 e Dezembro de 2009) para os mesmos produtos, conforme anexo III. 24. Os períodos de referência de julho de 2006 a Setembro de 2007 e de Junho de 2008 são exatamente iguais, ou seja, possuem as mesmas relações de insumo importado x produto exportado. Já os laudos de dezembro de 2009 possuem relações de insumo importado x produto exportados diferentes dos anteriores. Como as exportações do ato concessório n° 1690 08/0000052 ocorreram nos anos de 2006 e 2007, foram considerados os laudos técnicos do período de referência de julho de 2006 a setembro de 2007 para efeitos de análise. 25. A partir do RUD, dos laudos apresentados e de respostas a intimações feitas por esta fiscalização (anexo II, III e IV), é possível identificar a que laudo técnico pertence cada produto exportado. Tais informações encontramse no Anexo VII. 26. A partir dos dados do Anexo VII, é possível identificar, por laudo técnico, a quantidade, em KG, de mercadoria necessária à fabricação dos produtos exportados, conforme tabela 3 abaixo: Tabela 3 Mercadoria Quantidade (KG) TSY 8.293.474,64 TSB 685.460,80 TMS 933.223,45 TPY 338.828,36 TBP TOB 407.786,28 MB400 162.454,2 TFA 98.774,5 THB 78.247,2 MF503 20.625 PKS 359 7.500 27. A simples multiplicação da relação insumo x produto pela quantidade de produto exportado, adicionado do percentual de perdas do processo produtivo, nos fornecerá, sem quaisquer outras considerações de datas de importação, de quantidades importadas anteriormente e posteriormente às exportações etc, a quantidade teórica de produtos utilizados para fabricação das mercadorias exportadas. Tais valores encontramse na tabela 4 abaixo: Tabela 4 (Produtos exportados sem perdas no processo produtivo) Mercadoria NCM Produto Exportado Quantidade (KG) Quantidade (KG) + perdas (5%) Homopolímero Braskem e Ipiranga H 504 XP / Homopolimero Ineos H03G01 / Homopolimero Braskem H 520 HS 39202019 9.922.300,86 10.418.415,9 0 PROPILCO 03H77MAB 39202019 72.300,41 75.915,43 Schilman Polybatch FASPS 2950 / Schulman Polybatch FASPS 2950 W Constab ATG 4509 PP / Ampacet Anslip 75 / Ampacet Anslip 12 39202019 127.878,93 134.272,88 SCHULMAN POLYBATCH ABPP 05 39202019 11.759,91 12.347,90 SCHULMAN POLYBATCH ASPA 2485 39202019 8.097,99 8.502,89 SCHULMAN MASTERBATCH PF 42 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 52 N / 39202019 59.292,12 62.256,73 Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 978 15 SCHULMAN MASTERBATCH PF 61 V / CONSTAB FK 80103 PP / MULTIBASE MP 52720 / AMPACET WHOP 2P Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 39202019 30.962,21 32.510,32 COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 39202019 670.474,37 703.998,09 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 359 / ELTEX PKS 357 / BASELL ADSYL 5C 30F 39202019 645.095,05 677.349,81 SCHULMAN POLYBATCH ABVT 34 SC / AMPACET TASC 25 39202019 0,00 0,00 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 399 / TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 689 39202019 0,00 0,00 RESINA HIDROGENADA CONSTAB MA0929 CPP / RESINA HIDROGENADA CONSTAB MA0937 CPP 39202019 0,00 0,00 RESINA MATE CONSTAB MAT 2440 / AMPACET MATIF 97 39202019 0,00 0,00 MF503* 39023000 7.500 7.500,00 PKS 359* 39029000 20.625 20.625,00 28. Recordando, o regime especial de drawback isenção é aquele que permite importar mercadoria, com isenção dos tributos incidentes na importação, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto anteriormente exportado. A quantidade e qualidade dos produtos exportados estão relacionadas na tabela 4 acima. Já as importações com isenção estão relacionadas na tabela 2 acima. Dessa forma, partindo dos dados da tabela 2, comparandoos com os da tabela 4, obtemos a tabela 5 abaixo: Tabela 5 Mercadoria Quantidade importada com isenção de Tributos (KG) Quantidade anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados (KG) Quantidade NÃO utilizada para fabricação dos produtos exportados (KG) COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 1.563.550,00 703.998,09 859.551,91 29. Conforme tabela 5 acima, concluise que uma grande quantidade de mercadorias importadas com isenção de tributos não foi utilizada na fabricação de produtos exportados. Dessa forma, tais mercadorias foram glosadas por esta fiscalização, cabendo a cobrança dos tributos incidentes devidos, mas não recolhidos na data de registro das respectivas DI. Ao fazermos essa cobrança, utilizamos o método "PEPS" (o primeiro a entrar é o primeiro a sair), exigindo os tributos não recolhidos das DIs mais recentes, o que tem por conseqüência a imposição de um valor menor a título de juros. 30. Na análise dos dois atos concessórios restantes usaremos as mesmas considerações essenciais e o mesmo método e sistema de cálculos utilizados na análise deste ato concessório. Fl. 985DF CARF MF 16 Esse foi um trecho do termo fiscal, por meio do qual a autoridade demonstra como identificou e quantificou os bens em que não se pagou os tributos devidos. Fica evidente o domínio técnico da autoridade de lançamento sobre o seu modelo de análise. Não é esse meu questionamento. Foco nas condições de compreensão da contribuinte a respeito do modelo de análise e de suas implicações para a determinação do fato considerado infração. Segundo o relator do julgamento a quo, a acusação seria de inadimplemento do regime drawback isenção, pois teria sido constatado que a contribuinte não faria jus à isenção por que ela não comprovara que os bens importados antes do ato concessório ter sido emitido haviam sido aproveitados nos exportados. Reproduzo a seguir o trecho do acórdão da DRJ onde há o relatório do procedimento fiscal e da sua conclusão: Em uma primeira análise foi verificada a compatibilidade das datas de registro das Declarações de Importação pertencentes ao regime de drawback isenção com a data de validade do ato concessório. Consultando o Siscomex, observase que as importações sob o regime estavam dentro do prazo autorizado pela Secex. Em uma segunda análise foi verificada a compatibilidade das datas de registro das Declarações de Importação originais (importações anteriores às exportações) com a data do pedido do ato concessório. Foram consideradas válidas todas as Declarações de Importação informadas no RUD. A quarta análise realizada foi para determinar a quantidade teoricamente necessária de mercadoria importada para produzir o produto que foi exportado, segundo o RUD e laudos técnicos fornecidos pela própria POLO, com suas quantidades e relações insumo importado X produto exportado, bem como as perdas inerentes aos processos produtivos desses produtos exportados. Desta análise, concluiuse que uma grande quantidade de mercadorias importadas com isenção de tributos não foi utilizada na fabricação de produtos exportados. Dessa forma, tais mercadorias foram glosadas por esta fiscalização, cabendo a cobrança dos tributos incidentes devidos, mas não recolhidos na data de registro das respectivas Declarações de Importação. Segundo a Fiscalização, as infrações ao regime aduaneiro especial de drawback cometidas pela empresa Pólo são as seguintes: I) Importações de mercadorias sob o regime de drawback isenção não amparadas em importações ocorridas com pagamento de tributos; II) Importações de mercadorias sob o regime de drawback isenção não amparadas em exportações ocorridas. A Fiscalização cita o artigo 120 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759, de 05 de fevereiro de 2009) e aduz que a desconsideração das quantidades informadas para efeito da comprovação do compromisso maior da POLO, o qual era a reposição de mercadoria anteriormente importada com recolhimento dos tributos incidentes, utilizada na produção de produto exportado, tem como resultado a exigência dos tributos incidentes no momento das importações sob o regime, mas não recolhidos. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 979 17 Ou seja, a sociedade empresária POLO não fazia jus ao benefício pleiteado, no caso a isenção dos tributos devidos na importação, no momento do registro das importações das quantidades de mercadorias que restaram glosadas, pois tais quantidades não possuíam correspondência com mercadorias anteriormente importadas e utilizadas em produto exportados. (GRIFOS ACRESCIDOS) Notemos, senhores Conselheiros, que a autoridade fiscal descreve seu procedimento como passando por quatro análises. Em sua 3ª análise compara a quantidade da 1ª importação (antes da exportação e do respectivo ato concessório) com a quantidade da 2ª importação (depois do ato concessório) e conclui que o contribuinte usa o regime de forma incorreta por que a quantidade importada com isenção diverge substancialmente com a quantidade importada com pagamento de tributo. Mas prossigamos em nossa ponderação a respeito da autuação. Notemos que na 4ª análise a autoridade fiscal revê os parâmetros que embasaram as quantidades autorizadas no ato concessório. E ela conclui que a contribuinte teria direito a menos bens importados com isenção do que havia sido autorizado no ato concessório e menos do que havia sido importado com isenção. O Ilustre Julgador da DRJ, ao desenvolver o argumento, em seu voto, para concluir pela manutenção da exigência, desconsidera a 3ª análise e sua conclusão e concentra se na 4ª análise. Vejamos: A fiscalização, utilizando os RUD, extrações do Siscomex e laudos técnicos fornecidos pelo contribuinte, elaborou as planilhas constantes no relatório de Fiscalização. Nestas planilhas, a quantidade de cada um dos insumos importados, em cada ato concessório, é comparada com aquelas exportadas nos REs que foram utilizados para adimplemento do compromisso de exportar. A análise das referidas planilhas indica que, de modo geral, o contribuinte não conseguiu adimplir, na totalidade, o compromisso de exportação assumido nos referidos atos concessórios. Nesses atos houve, à época do vencimento do prazo de vigência do regime, sobra de insumo importado com isenção de tributos. Ou seja, a quantidade de insumo total exportado é inferior àquela que foi importada ao amparo do regime. (GRIFOS ACRESCIDOS) Os julgadores a quo apreciam os argumentos de defesa da contribuinte e manifestam que eles não parecem ser assertivos com relação ao fato imputado. E manifestam ainda que o contribuinte pecou por falta de provas para sustentar suas alegações e seu direito. Vejamos: Frente às argumentações da Fiscalização, as alegações da impugnante não têm fundamento. Ao defender que determinadas adições não foram consideradas, não houve clareza suficiente sobre qual impacto teria nas análises realizadas pela Fiscalização. A interessada ao dizer que há falta de inclusão de determinada adição de uma Declaração de Fl. 987DF CARF MF 18 Importação, baseada em análise somente quantitativa, não justifica o uso dos insumos corretamente. Ressaltase que as Declarações de Importação às quais a interessada se refere como não consideradas pela Fiscalização são as Declarações de Importação com isenção tributária. Sem contar que, por exemplo, a impugnante se engana ao dizer que a Fiscalização não considerou a adição 03 da Declaração de Importação n° 09/14157676. Esta adição faz parte das planilhas relacionadas às folhas 431 e 644. Além do mais, se determinada adição de uma Declaração de Importação não foi considerada, esta deveria ser adicionada ao valor total das Declarações de Importação com isenção. Logicamente, com mais essas adições, se constataria que teriam sido importados mais insumos do que deveria, ou seja, haveria sobra de insumos importados com isenção. Assim, esta alegação somente vem prejudicar a posição do contribuinte. Sem contar que o contribuinte somente fez analise quantitativa, e não qualitativa, ao comparar somente valores totais das Declarações de Importação originais com pagamentos de tributos e Declarações de Importação com isenção. Pela análise qualitativa, a empresa beneficiária do regime deveria comprovar a utilização dos insumos importados (1a importação) na elaboração dos produtos exportados. Pois, somente demonstrando esta utilização é que a impugnante teria direito à isenção dos impostos na reposição de seus estoques (2a importação). Como visto, da leitura dos autos verifica que a impugnante não se esforçou minimamente para demonstrar, efetivamente, a utilização dos insumos importados nos produtos exportados. Cabe às partes em litígio ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as embasam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos e auxiliar na formação de seu convencimento. Ante a tudo o que foi exposto, fica evidenciado que a Impugnante não demonstrou que os insumos importados foram utilizados na elaboração de produtos exportados. (GRIFOS ACRESCIDOS) A meu ver, fica claro que a contribuinte, à luz o que constava no termo fiscal, havia chegado a entendimento do fato infracional diferente do entendimento esposado pelos Julgadores a quo. Se esse entendimento da contribuinte foi equivocado, ao perquirir o que ela argumentou em sua impugnação e ao cotejálo com o termo fiscal, podemos inferir que esse equívoco se deve em parte à descrição apresentada pela autoridade de lançamento. Por isso fui ao Termo Fiscal, e constatei que a minha leitura dele ganha clareza quando apoiome na interpretação e resumo da decisão de 1º piso, e adquiro ainda maior compreensão após ler o relatório e voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Por isso, deduzo que a leitura exclusiva do termo fiscal não é suficiente para se compreender o fato imputado. Os julgadores a quo não aventaram a hipótese de que a contribuinte não estava apresentando argumentos eficientes ou eficazes por que lhe faltara provas, mas por que Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 980 19 haviam chegado a entendimento do fato apurado que seria revelado distinto do entendimento elaborado pelos próprios julgadores de seu recurso. Notemos que a contribuinte não percebera que a autoridade fiscal estava revisando as bases do próprio ato concessório emitido pela SECEX. A contribuinte não questionara esse procedimento da Receita Federal em sua impugnação. A recorrente não conseguira entender isso somente com o texto do Termo Fiscal. Ela somente compreendeu esse procedimento, parte do fato apurado, depois da decisão proferida pela DRJ. Ela incluiu então em seu recurso voluntário o questionamento da Receita Federal estar revisando o ato administrativo de outro órgão (no caso a SECEX, emissor do ato concessório em drawback isenção). A meu ver, houve cerceamento ao amplo exercício do direito de defesa, pois insuficiente a descrição do fato imputado e sua subsunção à hipótese dada pela lei para definir a infração, de modo a permitir ao acusado entender a acusação e poder dela se defender tempestiva e amplamente. Essa situação se enquadra na hipótese prevista na combinação do artigo 10 com o artigo 59 do Decreto no 70.235, de 1972. Adiciono ainda uma consideração. De plano, reafirmo que o voto do mui ilustre relator Conselheiro Rosaldo Trevisan é claro e didático quanto a apresentar e explicar o regime drawback isenção. Entretanto, respeitosamente, peço escusas para apontar que em seu relatório, voto e argumentação em sessão sugere que o contribuinte havia usado de importação isenta (e não somente de importações com pagamento) para obter o ato concessório. Essa interpretação argumentativa e analítica, em minha visão, vem ao encontro do diagnóstico que fiz. O Termo Fiscal não traz uma descrição dos fatos que seja compreensível, em primeira leitura, para a contribuinte. E essa descrição fiscal suscitou leituras diferentes entre os especialistas da matéria, cujas divergências foram sendo decantadas e revisadas ao longo do contraditório, principalmente nas peças de defesa da contribuinte. Faço notar que não há nos autos qualquer dado ou prova incluída pela autoridade fiscal de que o Ato Concessório teria sido emitido aproveitando DI originária que tinham já aproveitado isenção, como desejou sugerir o relator. Por essas razões é que propus a nulidade da autuação. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907777/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/1999
PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF
A base de cálculo da contribuição para a PIS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE
Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a PIS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 77 /2 01 1- 19 Fl. 169DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto (SP) no Acórdão nº 1443.825, de 20/08/2013, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração Maio de 1999, no valor de R$ 33,30. O Pedido de Restituição, de autoria do contribuinte Green Veículos Comércio e Importação Ltda, CNPJ nº 68.947.738/000102, foi transmitido em 15/04/2004, através do PER nº 00320.78872.150404.1.2.046191, fls. 2/4. Em 30/07/2005, o contribuinte foi incorporado pela empresa Pará Automóveis Ltda., CNPJ nº 74.386.137/000162. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência da empresa incorporadora, o que ocorreu em 21/12/2011, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10850.907777/201119 Acórdão n.º 3403003.993 S3C4T3 Fl. 170 3 pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos constantes à fl. 8, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa incorporada, Green Veículos (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 171DF CARF MF 4 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 19/09/2013, a Recorrente foi intimada da decisão (fl. 73). Inconformada, em 12/10/2013, se socorre a este Conselho, reproduzindo em seu Recurso Voluntário (fls. 75/94), na essência, as mesmas razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando mais documentação comprobatória. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/03/2014, os membros da extinta 1ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.695, nos seguintes termos (fls. 139/145): "(...) Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em São José do Rio Preto (SP), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização, após a conclusão dos trabalhos, prolatou a Informação Fiscal de fls. 159/161. Concluído os trabalhos, a Recorrente foi intimado para ciência de Resolução CARF neste processo, bem como da Informação Fiscal dela decorrente elaborada pelo Fisco (fls. 165/166). Decorrido o prazo constante na intimação, não houve manifestação. Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3801 000.695, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10850.907777/201119 Acórdão n.º 3403003.993 S3C4T3 Fl. 171 5 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. Ressalto que no presente processo deve ser alterada a identificação da Recorrente, passando a constar os dados da pessoa jurídica descrita no cabeçalho deste acórdão, sucessora por incorporação daquela que apresentou o PER. 1. Do direito A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3801000.695, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos Fl. 173DF CARF MF 6 apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da PIS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3801000.695, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem "(...) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS, com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98". O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 159/161 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Ao final dos trabalhos, desta forma concluiu a fiscalização: "(...) Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado à titulo de PIS para a competência maio de 1999 foi R$ 4.122,83, enquanto que o valor recolhido, considerando os dois pagamentos supracitados, foi de R$ 4.155,80, pelo que, apuramos um recolhimento a maior de R$ 32,97. Desta forma, proponho que do valor pleiteado de R$33,30 seja reconhecido o valor parcial de R$ 32,97 do direito creditório pleiteado no PER nº 00320.78872.150404.1.2.04 6191, transmitido em 15/04/2004 (fls. 02/04)". Após a conclusão da diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado, no entanto não protocolou sua manifestação. Portanto, quando intimado (fls. 148), a Recorrente apresentou os respectivos Livros Diário e Razão do mês de maio de 1999, que conforme Balancete e Contas do Razão (fls. 150/158), apurouse o valor da base de cálculo e da contribuição do PIS para o mês de maio de 1999. Do valor pleiteado neste processo (R$ 33,30), concluiuse que seja reconhecido o valor parcial de R$ 32,97, do direito creditório pleiteado no PER nº 00320.78872.150404.1.2.04 6191(fls. 02/04). 3. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 32,97, requeridos nos Pedidos de Restituição (fls. 02/04), nos exatos termos como restou consignado na Informação Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10850.907777/201119 Acórdão n.º 3403003.993 S3C4T3 Fl. 172 7 Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910483/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.660
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 83 /2 01 2- 01 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10480.910483/201201 Acórdão n.º 3302003.660 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.538. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10480.910483/201201 Acórdão n.º 3302003.660 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10480.910483/201201 Acórdão n.º 3302003.660 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000333/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2006
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/03/2006 OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados.
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 03 33 /2 00 6- 39Fl. 643DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 06/03254718, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, conforme demonstra o teor da defesa apresentada. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3401003.506 S3C4T1 Fl. 11 3 O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.293, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, Fl. 645DF CARF MF 4 iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3401003.506 S3C4T1 Fl. 12 5 matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a Fl. 647DF CARF MF 6 correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 648DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000373/2002-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA, PRESCENDIBILIDADE, INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido,
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
TAXA DE JUROS SELIC,
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
ARBITRAMENTO DE LUCROS. DESCABIMENTO.
Não tendo ficado claramente evidenciada nos autos a inexistência do livro Caixa ou a recusa de sua apresentação, descabe o arbitramento de lucros sem nova intimação à empresa,
LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Conforme dispõe a legislação de regência, devem ser tributados a alíqtrota de 8% os serviços decorrentes de serviços hospitalares, sendo improcedente o lançamento que não observa a distinção das receitas em função das diversas alíquotas aplicáveis às atividades desenvolvidas pelo estabelecimento.
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS.
No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado.
Numero da decisão: 1803-000.521
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos cancelar a exigência relativa ao ano-calendário de 2000, nos termos do voto do Relator; b) por maioria de votos cancelar a exigência relativa à diferença de percentual utilizado para apuração do lucro presumido, calculada sobre as receitas declaradas, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch,
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA, PRESCENDIBILIDADE, INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido, ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n" 2). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 TAXA DE JUROS SELIC, A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n" 4). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 ARBITRAMENTO DE LUCROS. DESCABIMENTO. 01 :L02(110 per V..,P,I.:FER LI por SEI_ENE FErárI,EIRR L.3E: qi9i20 10 por SERGIO í:OUR Aulentwuciu iligd»irr s erite em O 1:I0O2 Iá 10 r.R. ..q MARESCIii OO/OW20 10pr.J.Iri DF CARI : Nill" H. (74 Não tendo ficado claramente evidenciada nos autos a inexistência do livro Caixa ou a recusa de sua apresentação, descabe o arbitramento de lucros sem nova intimação à empresa, LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES, Conforme dispõe a legislação de regência, devem ser tributados a alíqtrota de 8% os serviços decorrentes de serviços hospitalares, sendo improcedente o lançamento que não observa a distinção das receitas em função das diversas alíquotas aplicáveis às atividades desenvolvidas pelo estabelecimento. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos cancelar a exigência relativa ao ano-calendário de 2000, nos termos do voto do Relator; b) por maioria de votos cancelar a exigência relativa à diferença de percentual utilizado para apuração do lucro presumido, calculada sobre as receitas declaradas, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Selene Ferreira de Moraes - Presidente Sérgio Rodrigues Mendes - Relatar Walter Adolfo Maresch - Redator Designado 30 SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocência dos Santas, digiIalrfmnte. fM1 rOr VvALTER ADOISO MI\RESCI-1 29i0W20 1:1')[".:.1."-ELENE FERP,EPA DE MOR AIE (31.0!.:1 20 I o pc,r SERGIO RODRIGI)E•S MENDES Auur:nticÉlo I) ,DI:h20 I D pc! \NAL:VER KIARESCH EmIli(fo ru :::0!0'),2U I r) 2 DE CARI' NU Processo n" 13433.000373/2002-i St-TE03 Acórdão n " 1803-00321 ri. 333 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls.. 249 a 257): Contra a interessada supra-identificada, foi lavrado o Auto de Infração que se encontra nas fls. 04 a 15, para Ibrmalizar exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), referente aos anos-calendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, e dos acréscimos legais sobre ele incidentes, perfazendo um crédito tributário no total de R$ 528.380,80, assim discriminado (valores em R$). [ Consta na fl 5, que a autuação fbi motivada pelos fatos assim descritos.. 001 — DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO E PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS): • valores apurados conforme demonstrativo e relatório de fls. 198 a 202, 203 a 208; • os valores tributáveis arrolados foram atribuídos a ..fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001; • como enquadramento legal, citam-se: art. 889, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Dec. n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR, de 1994); art. 15 da Lei n°9.249, 26 de dezembro de 1995, art. 25 da Lei n°9.430, 27 de dezembro de 1996; arts 224, 518, 519 e 841 do Decreto no 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda, RIR, de 1999). 001 — DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO E PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS): • foi feito o arbitramento dos lucros referentes aos quatro trimestres do ano-calendário de 2000; • valores apurados conforme demonstrativo e relatório de fls. 202 a 208; • como enquadramento legal foram citados: art. 16 da Lei n" 9.249, 26 de dezembro de 1995; art. 27, inciso I, da Lei n° 9,430, de 1996; art. 530, inciso III, art. 531 e art. 841 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda, RIR, de 1999); W )2UjL ALTER ADOLFO N-1,,,-,R#ELCH 2:109i2010 1;o' SELL1' ,fE FEFWEIRA DE M01---; /:=ES Olff,)W2f.) :1) imr . RCDRIGUES MtE.NDE:. {r)-1 O 1U pur ,Aixi n LF0 r,..:AEEscH EmUido $0,,(P-.),20 10 p4::: L:Ait-,É1,;,Fir,di 17.,-:.17E1),J,:; (:ARI; 1'1 676 No "Relatório da Auditoria", Il. 203 a 208, constam os esclarecimentos a seguir resumidos. • o período fiscalizado vai do segundo trimestre de 1997 ao quarto trimestre de 2001; • a contribuinte apresentou o livro de Registro de Apuração de ISS, contendo a relação das notas fiscais emitidas no período fiscalizado; • para os anos de 1997 a 1999, foi apresentado o livro Razão; • para o ano de 2000, o contribuinte informou não possuir o livro Caixa (11 122), apresentando demonstrativo com as receitas auferidas; • para o período de janeiro de 2001 a fevereiro de 2002, foi apresentado livro Caixa, bem como a receita auferida por serviços prestados ao DETRAN, e os respectivos extratos bancários com os depósitos efetuados; • foram apresentados 5 talonários de notas fiscais, observando-se que: o não havia nenhuma via de 37 das notas fiscais; o 44 notas estavam canceladas; o 12 não foram preenchidas; o 157 foram emitidas, constando a 4" via, pouco legível; o a relação das notas está no demonstrativo de fl 187; • o contribuinte não emite nota fiscal para todo serviço realizado: o a maior parte das receitas vem de convênios na área de saúde; o não são emitidas notas .fiscais para os serviços realizados para o SUS e para a Sul América; o esse fato não permitiu que fosse utilizado o livro Registro de Apuração do ISS para a correta determinação da base de cálculo, que foi utilizado apenas de maneira auxiliar; • para o período de 05/1997 a 12/1999, as receitas foram apuradas da seguinte forma: o inicialmente, utilizou-se o livro Razão, separando-se as receitas em dois grupos, conforme II, 194 e 195; o o primeiro grupo diz respeito aos serviços prestados ao SUS, por constituir a maior parte das receitas; o em relação a esse grupo, foram identificadas as retenções na fonte a título de COEINS, PIS, IRP.1 e CSLL; o o segundo grupo é constituído das demais receitas escrituradas, nelas incluídas as recebidas por serviços prestados à Sul América, HAPVIDA, etc.; A!-=simiclo cHi 1)1 /U.19,2010 •ALTE:f; ADOLFO 2:11W n20 '; Cl por SELEME. FERP,[5.1P,A 01;() . 1:20-i pc:i . mtENDi:::s Auft:litiçarik) r.) por Emitido I 4 152:7 • St-TE03 Fl 334 1.)1 ( AR1 M1 Processo n" 13433,000373/2002-11 Acórdão n° 18034J0.521 o em relação ao segundo grupo, foram identificadas as retenções na fonte do IRP.I; o foram levantados, ainda, os valores existentes no livro Registro de Prestação de Serviços (coluna "LIVRO ISS"); o compararam-se, mês a mês, os valores extraídos dos dois livros, verificando-se, para cada nota fiscal escriturada no livro de apuração do ISS, se foi devidamente contabilizada no Razão (coluna EXCL. ISS); • o as receitas das notas não contabilizadas no Razão, listadas na coluna "RESUL ISS", foram adicionadas às receitas nele escrituradas, chegando-se à receita de serviços utilizada mensalmente (coluna RECEITA UTILIZADA); o para o ano de 1999, foram informadas receitas financeiras no livro Razão; o as cópias do livro Razão e das notas fiscais não contabilizadas mensalmente estão nas fls. 19 a 80; o várias notas escrituradas no livro de apuração do ISS não constam nos talonários existentes; o por exemplo, não foi apresentada nenhuma nota fiscal do ano de 1997; o as cópias do livro de apuração do ISS constam nas folhas 81 a 121; • para o período de 01/2000 a 12/2000, as receitas foram apuradas da seguinte forma: o foram utilizadas, como receitas conhecidas, as informadas pelo contribuinte na planilha de fis. 123 e 124, conforme demonstrativo de tis, 196, tendo em vista que o contribuinte informou não possuir o livro Caixa; • para o período de 01/2001 a 02/2002, as receitas foram apuradas da seguinte forma: o foram utilizadas as receitas registradas no livro Caixa (fis, 125 a 148), conforme demonstrativo de fls. 197; o foram destacadas as receitas provenientes do contrato de prestação de serviços com o DETRAN (Os. 149 a 155), conforme demonstrativos e extratos bancários (fis. 156 a 192); • para a apuração do lucro presumido, a fiscalização utilizou o percentual de 32 %, diferentemente do contribuinte, que usou o percentual de 8 %; o o art. 15 da Lei if 9.249, de 1995, no seu capta, fixa, como regra geral, o percentual de 8 %, mas seu § 1" estabelece exceções à regra, fixando o percentual de 32 % para as atividades 1 ,'.1 pt» Al.2»1.F.,) 111.., 111=1. 20 SE-_-.LENE FERRE11-0.1, IJE MOR AiTS 01.01:C010 po[ Roi-e,u?,Lirs um 0 1 :1 0P21110 í„, or 1E11; f,11)1121 MAK E.1.-.1C1-1 1 1) 1,1u1lsV,no 5 1.")F CARI N..11' 67{; de prestação de serviços em geral, exceto de serviços hospitalares, para os quais aplica-se o percentual de 8 %; o a atividade da contribuinte não se classifica como prestação de serviços hospitalares; o na obra "Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços", editora dos Tribunais, são Paulo, 1978, na pág. 181, Bernardo Ribeiro de Moraes define que: "Serviços de hospitais são os prestados por estabelecimentos devidamente aparelhados, destinados a recolher os enfermas ou acidentados, para diagnóstico, assistência, tratamento e internação de pessoas, mediante paga Os hospitais, também conhecidos como nosocômios, prestam serviços de assistência médica às pessoas naturais, através de profissionais e técnicos especializados Tratam da vigilância, alimentação e higiene dos doentes internados, além de ministrarem curativos e medicamentos." o a Portaria if .30 BSB do Ministério da Saúde, de 11 de fevereiro de 1997, que aprova conceitos e definições de que trata o inciso 1 do art. 20 do Decreto 76.973, de 31 de dezembro de 1975, no item 1 — Terminologia Geral — subitem 7, indica que hospital: "É parte integrante de uma organização médica e social, cuja )(Unção básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisas, em saúde, bem como de encaminhamentos de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente." o o Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar, 2" edição, 1999, editado pela Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, nas páginas 8 e 9, apresenta o conceito de hospital sugerido pela Organização Pan-Americana na Saúde (OPAS): "São todos os estabelecimentos com pelo menos 5 leitos, para internação de pacientes, que garantem UM atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clinica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos Além disso, considera-se a existência de serviço de enfermagem e de atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviço de cirurgia Wou parto, bem como registras médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos", o o Parecer Normativo CST ri° 36, de 30 de maio de 1997, esclarece: " . podendo ser considerados como despesas de hospitalização todas aquelas diretamente relacionadas com o tratamento e recuperação de paciente durante o período de internação em hospital ou casa de saúde. Portanto, são admitidas não somente as despesas eletzfadas com médicos de qualquer. especialidade 1,;(.192,,11.,.} ADULEU 2.:..!/1..Wif2. nEnnr SLInHE -1.:.1-:k,z.11-;A DE rr OVOWaD O p.);' SERGIO •EM)ES digilnitfientc: em friii0P/2n10 pin WALTER ADOLECY MARESCH Eludido r-11 p-)ir) MiniStrin EnZerda 6 DI C,Al21 Processo n" 13433,000373/2002-11 SI4E03 Acórdão n." 1803-00.521 Fl 335 como também com profissiOnaá devidamente habilitados e oficialmente reconhecidos como seus colaboradores e auxiliares no tratamento e recuperação proporcionados ao paciente, desde que incluidas na conta do estabelecimento hospitalar. Neste caso, estão, também, as despesas efetuadas com eidermeiros, massagistas e demais profissionais cujos serviços, em razão do estado físico ou mental do paciente, se manifestam necessários. E ainda, de acordo com a mesma linha de raciocínio, são admitidas as despesas de medicamentos, aplicações, exames, etc quando, igualmente incluídas na conta do hospital", o o estabelecimento hospitalar necessita de uma estrutura organizada com instalações físicas, equipamentos e recursos humanos, com condições apropriadas para assistência e internação de pacientes, visando a garantir-lhes um atendimento básico de diagnóstico e tratamento de saúde, com equipes de profissionais qualificados nas mais diversas áreas e que funcione de forma ininterrupta, durante vinte e quatro horas por dia, com acompanhamento de enfermeiros e médicos; o em visita ao estabelecimento do contribuinte verificou-se que ele é composto de dois andares, estando o segundo desativado e ainda não completamente terminado, devendo, conforme informações do Dr, Francisco Vanderlandio Carolina, sócio da empresa, servir para futuro convênio com a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, quando da implantação de uma faculdade de medicina; o no andar de baixo, existem salas administrativas, consultórios médicos, uma sala de internação, salas de cirurgia, pequena lavanderia e refeitório, não havendo, no dia visitado, nenhum paciente internado; o o prédio -funciona no horário comercial, ou seja, não funciona ininterruptamente, somente extrapolando o horário excepcionalmente, quando de uma cirurgia mais delicada, em razão da qual o paciente necessite permanecer internado por um ou dois dias, tudo informado pelo sócio; o a contribuinte não atende alguns dos requisitos para que sua atividade seja considerada serviço hospitalar, tais como funcionamento ininterrupto, número mínimo de leitos disponíveis, remoção dos clientes; o a contribuinte, quando muito, exerce a atividade excepcionalmente; o nesse caso, havendo documentação comprobatória, poder- se-ia aplicar o disposto no § 2" do art. 15 da Lei IV 9,249, de 1995, que determina que, no caso de atividades diversificadas, se aplica o percentual correspondente a cada atividade; o o contribuinte se enquadra como prestador de serviços em geral, tendo como atividade principal clínica médica, com consultas médicas e pequenas cirurgias ambulatoriais; n1 0 pc:r. ALT AUCU-C) M/' P';E:'..4H 2U.- 2C' FER{",',E1RA 1)E AC.:::3 ja{.)/20 1::,0DRIGun Auienticic ,:r?1 1 ,0) . .2.0 10 pot ADOIA,n Emitido c. ; nI/OW2U 0 wdo Faze,nd;:.; 7 RI' N1 I' ()0 o nas notas fiscais constam, basicamente, consultas oftalmológicas e cirurgias ambulatoriais, não estando discriminada nenhuma internação, com as respectivas despesas decorrentes, como de praxe existente em notas fiscais de hospitais; o a partir de 2000, houve prestação de serviços ao DETRAN, conforme contrato de fls. 149 a 155, e tais serviços não caracterizam serviços hospitalares; • para a apuração do imposto exigido, foram realizadas os seguintes procedimentos de verificações obrigatórias, segundo demonstrativo de fis. 198 a 202: o somaram-se as receitas trimestralmente, para apuração do lucro presumido; o para os anos de 1997 a / 999 e 2001, o lucro presumido resulta da aplicação do percentual de 32 % sobre as receitas trimestrais; o para o ano de 2000, o lucro foi arbitrado, pois o contribuinte não apresentou o livro Caixa, aplicando-se o percentual de 38,4 % sobre as receitas de serviços; o o IRPI foi calculado aplicando-se a aliquota de 15 %; o o adicional do IRP,1 foi calculado com a aliquota de 10 %, incidente sobre a parcela do lucro que excedeu RS 60.000,00; o os valores de IRRF foram somados aos pagamentos realizados (coluna "TOTAL"); o foram considerados, na apuração do valor exigido, os débitos declarados na Dl:RR/ 1998, DIPJ 1999 e DCTF do primeiro trimestre de 1999 em diante; o do imposto apurado, subtraiu-se o valor da coluna "TOTAL" ou o da coluna "DÉBITO DECLARADO", dos dois o maior. A ciência pessoal do lançamento se deu em 28/05/2002 (11 04). Em 27/06/2002, foi apresentada a impugnação de lls. 211 a .22.5. Nela são apresentados os argumentos a seguir resumidos; • a multa é conliscatárid. o a multa contraria o inciso IV do art. 150 da C,F, o o STF, nos julgados invocados, afasta a multa confiscatória; • o a multa não pode ser usada com ofim de arrecadação, como tributo disfarçado,. o o atraso no pagamento de tributo não legitima a multa etacerbada de 75 % ou 150 %, quando a inflação gira em tomo de 12 %,- por ',/,,,,,,,I_TEEP,/,,DOLFC}1,11'.. 201,.).i2 : 1.. . 1 por !..=.;;ILFi..!E. FEW",EIRA DE. R101,..! çy . i F09/21) () pr.A. Aulerincric) 01 poi 1E2 Al:)01..FC) 8 Dl GARI . Mt Processo o" L3433.000373/2002-11 Acórdão o." 1803-00.521 o a sonegação, mesmo sendo uni crime, não .justifica expropriação de parcela do patrimônio, desproporcional à infração cometida; o a multa não pode ser maior do que o imposto ou a contribuição, pois não é o principal que acompanha o acessório, mas- o contrário; • a SELIC é ilegal o a SELIC tem caráter reinuneratório, e não moratório, razão pela qual sua aplicação, como encargo da União, fere o § 1' do art. 161 do CTN e o § 3" do art 192 da CF,. o o impugnou/e não sabe se a SELIC foi usada como correção monetária, como juros de mora ou como juros remunerou:irias; o a SELIC não serve como atualização monetária, porque vem sendo superior ao 1NPC, à UF1R, ao 1GPM e demais indexadores; o o Pretória Excelso, quando do exame da conslitucionalidade da Lei n° 8_177, de 1991, já havia consagrado o entendimento de que a IR não constitui índice que reflita a variação do poder aquisitivo da moeda, e o mesmo raciocínio deve ser aplicado para a SEL1C; o a SELIC não pode ser usada como juros rennineratórios, como se o contribuinte tivesse tomado emprestado uma importância de uma instituição financeira; o o § .3" do art. 192 da CF, que tem eficácia plena e não precisa de regulamentação, limita os juros a 12 %; • na apuração do lucro presumido, a contribuinte tem o direito de usar o percentual de 8 %, e não de 32 %, porque ela presta serviço hospitalar; o no cartão do CNRI, a atividade da impugnante é "atendimento hospitalar"; o a cláusula 4" do Aditivo n° 02 do contrato social é assim redigida: A sociedade tem por objeto social a prestação de serviços relacionados com o atendimento médico hospitalar com internação. o o Alvará paia Instalação e Funcionamento, expedido pela Prefeitura Municipal de Mossoró, Diretoria de Vigilância à Saúde, indica, no item atividade comerciar "Hospital de Oftalmologia"; o o fiscal verificou, ia loco, que há três leitos para internação; o o hospital está ein fase de ampliação, tendo, em seu pavimento superior, um projeto para mais de 15 leitos; A;iíIodiiritorro Ul I : 0'..):20 1 1:.1 por VV,ALTEE: AL 4,")LF0 ::::V.P,2e Ll por SELENE FERREIRA DE kle)r, AES . 0-1.i0 c)/20 O po; 1OrnIGUES ME,NDE.S Auleritinade...1 digitWmerlie c.4il 01;M: 1 ;21.10 ricy V•t.. ft:.R ADOLFO mim'IESCH Emitido ni:W,.."()!,_1./2) [0 l',Uo S1- T E03 FL. 336 9 Dr cARy E1 682 o houve diversas cirurgias no período fiscalizado, conforme cópias de documentos anexos, por amostragem, que indicam internação, pois não há, em lugar nenhum do mundo, cirurgia atnbulatorial ; o depreende-se da doutrina mencionada pelo autuante - "Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços" - que a prestação de serviço hospitalar não implica, necessariamente, as fases diagnóstico, assistência e tratamento, bastando, para o uso da ai/quota de 8 %, que haja internação; o com ou sem internação, enquadrando-se a entidade como empresa hospitalar, as etapas do atendimento (diagnóstico, assistência, tratamento e internação de pessoas), isolada ou conjuntamente, dão direito ao usufruto da ai/quota reduzida de 8 o o entendimento defendido também é respaldado pela Portaria n° 30 BSB, do Ministério da Saúde, de 11 de fevereiro de 1997, pelo Manual Brasileiro de Acredita ção Hospitalar, 2" Edição, 1999, citados pelo Fiscal em seu relatório; o o Parecer Normativo CST n° 36, de 1997, tia Coordenação- Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal também dá respaldo legal à linha de raciocínio defendida, pois a condição para dedução é que a devesa conste da conta hospitalar, mesmo que o tratamento seja an?bulatorial,' • a falta de emissão de nota fiscal não invalida os controles probatórios, pois a fiscalização aceitou as receitas escrituradas e comprovadas pelos documentos de que se vale a empresa; • o arbitramento do lucro do ano-calendário de 2000 foi motivado pela falta de apresentação do livro Caixa, e não pela falta de comprovação da origem da receita auferida; o o livro caixa não . foi apresentado porque, na época, não foi encontrado; não foi encontrado, porque o contador era outro, o como prova da existência do referido livro caixa, a impugnante infOrma, nesta oportunidade, que ele se encontra à disposição da fiscalização, na sede da empresa; • o motivo do arbitramento não foi a falta de escrituração, mas, unicamente, de apresentação do livro Caixa; o 110S autos de infração de CSLL e COFINS, consta que foi tributada A DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO CSLL, — COFINS, o que demonstra ter o agente do fisco entrado em contradição, o não é cabível o arbitramento, tendo em vista entendimento esposado em acórdãos do Conselho e do STF, transcritos; • não está explicado porque as bases de cálculo do PIS e COFINS estão diferentes; o se o cerne da tributação é a diferenças entre ai/quotas de 8 % para 32 %, não se pode falar em tributações reflexas de CSLL, .:11 O : ;09/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH 2)/091201 ri por SELE NE FERREnA DE MOR AES 011W/ 2_0 o pw sERGio RoD•,IGuEs Autwllicario çH JILI ü 10v2{1 o pr,.;r j3,[xA FrT OIIh 10 01 W:09i2o ri à) 1',..1110;trii; 1"-i 10 1)1 C.AR1T N,11' Processo n" 13433.000373/2002-1 Acórdão ri" 1803-011.521 PIS e COFINS, pois os percentuais de bases de cálculo afetam tão somente o IRRI; • fbi ferido o principio do devido processo legal, porque a autoridade administrativa não considerou o dever de trilhar a legalidade, observando as normas jurídico-processuais, que impedem a autuação arrimada em ilícito sem materialidade; Tendo em vistas as razões expostas, o impugnante requer. • que o auto de inflação seja declarado nulo; • que seja realizada diligência fiscal, coinfidcro no inciso IV do art. 16 da Lei n° 8.748, de 1993, para que seja provado o alegado, documental e tecnicamente: o a prova documental se relaciona com livro que deixou de ser verificado; o a diligência técnica se destina a constatar a estrutura tecnológica de que se caracteriza a entidade hospitalar da impugnante A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 248 e 249): Assunto IMPOSTO SOBRE Á RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 LUCRO PRESUMIDO COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. CLINICA MÉDICA. Na apuração do lucro presumido, aplica-se o percentual de 32 % sobre as receitas da prestação de serviço, no caso de pessoas juridicas dedicadas a atividades da área médica, quando não satisfeitos os requisitos para se enquadrarem como prestadoras de serviços hospitalares. LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Justifica o arbitramento do lucro a falta de apresentação, à .fiscalização, dos livros e documentos comerciais e fiscais a que está obrigada a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro presumido. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de oficio, havendo falta de pagamento ou recolhimento, não caracterizado o evidente intuito de fraude, aplica-se a multa de 75 % sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição JUROS DE MORA - SELIC Sobre os débitos de tributos com fatos geradores ocorridos a parti rrde /0.1?(0,La g9Z.J.).1.0 dein :1.1U1Q.YçeviowiLegyivalentesiMaxa por vVil. I ER po A.ES (11 :1'.1:):20 10p.r.,r Atak:ritic:;:.]dc:r I) S!-1E03 Ft. 337 1 Dr C:ARI NI Fl 684 relèrencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC Lançamento Procedente Cientificada da referida decisão em 29/05/2008 (AR. de fis. 274), a tempo, em 30/06/2008 (segunda-feira), apresenta a interessada Recurso de lis. 275 a 295, instruído com os documentos de lis. 296 a 329, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e acrescentando mais os seguintes: a) que o indeferimento da juntada do livro Caixa referente ao ano-calendário de 2000 representa malferição do princípio constitucional da ampla defesa; b) que há a necessidade de realização de perícia contábil; c) que o livro Caixa existe e quer a Recorrente apresentá-lo para fins de utilização no cálculo final do tributo devido, caso haja; d) que o arbitramento é medida extrema, só podendo ser aplicado quando não houver condição de, por qualquer meio, ser apurado o resultado da empresa; e) que é necessário que seja feito levantamento contábil dos valores referentes ao ativo e ao passivo da empresa, para fins de confrontamento com os valores alcançados pelo Fisco Federal; f) que o art, 15, § 1°, inciso 111, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 1995, foi alterado recentemente pela Lei n° 1 L727, de 2008, aplicando-se ao caso presente, nos termos do art. 106 do CTN, haja vista o seu cunho interpretativo; e que a Imagenologia Diagnostica é área utilizada à exaustão nesse tipo de especialidade médica (oftalmologia), no qual, atualmente, a grande maioria dos procedimentos cirúrgicos são realizados, por meio da utilização de aparelhos a laser capazes de captar imagem de alta precisão, necessários para a correção de defeitos na córnea ou no cristalino, colocação de lentes definitivas, realização de cirurgias de glaucoma, dentre outros procedimentos. Em mesa para julgamento. g) e = i ) '4.1 ') . 20 ADOLFO ivIARESC:1-1 2 g.}920 1 1) por .:...,FELEA ,JEE 1: E PREIRA DE , 092-21.) I rir R(:)nnic,;iirT.S t•1TN.10E.; rligii.nlifiu:nk:: em o 1 r,,or i.A./ALJE::1; ADOL.F.C) E t r¡ij,-io r :0..0/2{.: p: ,,, fe k4irist.5nr) 12 1)1; (ARE N1.1:" Processo n" 13433,000373/2002-11 Acórdão n " 189341G.,521 S1-1E03 Fl 338 FERF.:EiRin DE 13 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do auto de infração Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do auto de infração ao argumento de que teria sido ferido o principio do devido processo legal, porque a autoridade administrativa não considerou o dever de trilhar a legalidade, observando as normas jurídico- processuais, que impedem a autuação arrimada em ilícito sem materialidade. Quanto à arguição de nulidade, cabe aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do art. 59 do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972 — Processo Administrativo Fiscal (PM), e refere-se ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. Se, como sustenta a Recorrente a autuação está "arrimada em ilícito sem materialidade", deve, essa autuação, ser declarada improcedente, e não nula. Rçjeito a preliminar arguida de nulidade do auto de infração.. Arbitramento do lucro No que se refere ao ano-calendário de 2000, foi procedido, pela -fiscalização, o arbitramento dos lucros referentes aos quatro trimestres, ao argumento de que "para o ano de 2000, o contribuinte informou não possuir o livro Caixa (fi, 122), apresentando demonstrativo com as receitas auferidas". Contudo, quando se examina a resposta de fls. 122, não foi, ali, informado pelo contribuinte "não possuir o livro Caixa". Confira-se: Messerá .EN . 13de maio Je 212 1 11rIrlr, NA-C..81Y. r rs"..11t?1,1x--2 de. rn2 'á I . VYcV et"2' wi KniE• (0X)S84) 31& la112 fAX — 311, 2313-5 moi! !mirre yr.:deld cetcn":-.01.corn por VVAI.:1" ADCLEC, EEEc' I C1 AtitUlticdcfc) eMü rio:i:j I o por ''IVALT ER ivIARE.S.;(:11 Fazendu Orlar/eia Pernades Mannha AFRF tas3 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO ContrIbuição Social Lucro Presumido MINISTÉRIO DA FAZENDA Secretaria da Receita Federal Folho: Dl CARI" - M.F El 1186 Em atenção á Intimação Fiscal em eOgrafe, anexamos os documentos sacitados codorme segue: i. Livras Caixa: o Puja:to do Janeiro do 200 a fcrveroira 2002 (anuxo ao presunto); ia Pari orlo de Jaceiro a dezt-nbio de 2000 lemos a Informar a V Sa , gut: o rosnonsávelpa non!abilidade chure podosfo era o cardador Elias inácic Ilezerra, inscrito no CRCIRN sob o° 779, efF 004 430 03445; á Re:0z CowndLI P4b1c4 adiastroih Posso45, FiN;tts cPF ,GVF OrA,410 W445 Nome ELAS INACOBWERRA SituaçàoColtoiral REGULAR Em Erazi:-3 1R.21...11 1:3105t).X.2 • NN) foi repassado para nGsso escritório o livro caixa com os dados do ano ardi:meado do 2000, motivo pelo qual deixarnos de anexar c livm caixa citado. Mo erilanlo anexamos uma planilha confrencle as valores dos [acoitas, a o livro de togistru de ISS do mesmo pulado; Dessa forma, houve, no entender deste Relator, uma precipitação por parte da fiscalização, ao arbitrar os lucros da Recorrente com base, unicamente, na resposta acima, sem nova intimação à empresa, não tendo ficado claramente evidenciada nos autos a inexistência do livro Caixa ou a recusa de sua apresentação. Ressalte-se, por oportuno, que, relativamente à CRI, para o mesmo período (ano-calendário de 2000), procedeu-se à tributação pelo resultado presumido, e não pelo arbitrado (fls. 9 do processo n° 1343.3000374/2002-57): Contribuinte — _ críp"i ' — Nhodbangr O1.O12.201/O0O1-T1 2000 Utiin Sodat INSTITUTO DE OFTAINDLOGLN DE MOSSORD SiC LIDA Voto por cancelar esta parte da exigência (ano-calendário de 2000). Serviços hospitalares Em discussão, o enquadramento, ou não, da Recorrente como prestadora de serviços hospitalares, como previsto no art. 15, § 1°, inciso 111, alínea "a", da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (grifou-se): Art. 15 A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n" 8_981, de 20 de janeiro de 1995 § I" Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este g0g9i4L FER ADOLFO MARESCH 29f0920 I (.1 por SELENE FE RREIPA DE i'vlOR ADi 01/0") n 20 O por- PODRIGUES MENDES A utu'aiado r:::nr, O por v,,,7\LfER ADoiso N.,,onEscH Errfflido dn F:uenda 14 CARI . N'11: Processo n" t343.3.000373/2002-1 I Acórdão n " 1803-00,521 ir SI-4E03 1; 339 [.. III - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Para bem distinguir o alcance dos termos do art. 15, § 1 0, inciso 111, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 1995, notadamente no que se refere à expressão "serviços hospitalares", considero importante transcrever o contido no art. 29 da Lei o' 1 1.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação àquelas disposições, corno segue (destacou-se): Art 29 A alínea "a" do inciso III do § I" do art. 15 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "AH' 15 1 fl ... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patolocias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa; Corno se verifica, os serviços de "auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, itnagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas" estão legalmente excluídos do conceito de "serviços hospitalares".. É que não iria o legislador excetuar essas atividades da aplicação da aliquota de trinta e dois por cento se já estivessem, elas, enquadradas naquela expressão ("serviços hospitalares"), o que permite considerar referido dispositivo legal corno um verdadeiro preceito interpretativo.. Porém, ao contrário do que entende a Recorrente, referido dispositivo inovador não retroage, na forma do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei n9 5.172, de 25 de outubro de 1966), urna vez que se objetivou, com a sua edição, não aclarar aquela expressão, mas ampliar o rol das atividades beneficiadas com a alíquota reduzida de oito por cento. Veja-se, nesse sentido, o que constou do Parecer proferido no Plenário da Câmara dos Deputados pelo Relator, Dep. Odair Cunha (PT-MG), pela Comissão Mista, que "conclui pelo atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência; pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa desta MPV e das Emendas de n's 1 a 3, 5 a 8, 10, 11, 14, 16 a 40,48 a 51, 54, 55, 57 a 66, 71, 73, 78, 93 a 95, 97, 108, 110, 115, 116, 119, 121, 127, 130, 132, 143 a 146, 152, 155, 160, 164, 171, 177, 178, 180 e 185; pela inconstitueionalidade das Emendas de n's 83, 105, 112, 113, 158, 159, 167, 168 e 169; pela p()I'WAL:f pe.q. FERRERA (-)E ALS:, Ol iuop;:-,;. ;;;;::-E.;;K:} J5 cri: O WAI..1 [", A DC.)1i .. 0 rvv., Emnielú c=31i nla 1)f C A RI \fl. Fl 688 injuridicklade das Emendas de n's 112, 120 e 158; pela má técnica legislativa das Emendas de ifs 4, 9, 12, 13, 15, 41 a 47, 52, 53, 56, 67 a 70, 72, 74 a 77, 79 a 92, 96, 98 a 107, 109, 111 a 114, 117, 118, 120, 122a 126, 128, 129, 131, 133 a 142, 148a 151, 153, 154, 156a 159, 161 a 163, 165 a 170, 172 a 176, 179, 181 e 184; pela adequação financeira e orçamentária desta MPV e das Emendas de ifs 1 a 3, 7, 8, 10, 11, 12, 14, 16 a 24, 26 a 40, 48, 49, 53 a 55, 57 a 66, 71 a 73, 78, 80, 83, 86,92 a 95, 97, 108, 110, 113, 115, 116, 119, 121, 127, 1.30, 132, 135, 1.36, 138 a 147, 152, 160, 164, 167 a 169, 171, 174, 177, 180, 18.3 e 185; pela não implicação da matéria com aumento ou diminuição da receita ou da despesa públicas, não cabendo pronunciamento quanto à adequação financeira e orçamentária das Emendas de n's 50, 51, 67 a 70, 74, 106 e 154; pela inadequação financeira e orçamentária das Emendas de n's 4, 9, 13, 15, 25, 41 a 47, 52, 56, 75 a 77, 79, 81, 82, 84, 85, 87 a 91, 96, 98 a 105, 107, 109, 111, 112, 114, 117, 118, 120, 122 a 126, 128, 129, 131, 13.3, 134, 137, 148 a 151, 153, 155 a 159, 161 a 163, 165, 166, 170, 172, 173, 175, 176, 178, 179, 181, 182 e 184; e, no mérito, pela aprovação desta MPV e pela aprovação parcial ou total das Emendas de n's .3, 7, 8, 11, 12, 14, 55, 64 a 66, 71, 78, 108, 115, 121, 132 e 147, na forma do Projeto de Lei de Conversão apresentado; e pela rejeição das demais emendas apresentadas" (negritos do original, sublinhados da transcrição): A Emenda n" 147, também do Deputado Luiz Carlos Hauly, mereceu também acatamento parcial, com alterações técnicas de redação para ampliar-lhe o alcance e permitir ao Fisco um controle mais eficaz sobre a regularidade da sua aplicação prática. O dispositivo contempla a mudança da base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido, no caso de serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, quando prestados por sociedade empresária e atendidas as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, que passa a ser calculada com base no percentual de 8 % do faturamento, à semelhança dos serviços hospitalares, em lugar dos 32 % atualmente em vigor ., aplicáveis à prestação de serviços em geral Da mesma forma, constou do Parecer n° 479, de 2008, "de Plenário, sobre o Projeto de Lei de Conversão n° 14, de 2008, relativo à Medida Provisória n° 413, de .3 de janeiro de 2008, que dispõe sobre medidas tributárias destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, a reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro, a estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o P1S/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COF1NS na produção e comercialização de álcool, altera o art. 30 da Lei n° 7,689, de 15 de dezembro de 1988, e dá outras providências" (Relator-Revisor: Senador César Borges) (grifou-se): O art 29 estende aos serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clh7ica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, a farina de tributação do IR atualmente aplicável aos serviços hospitalares Assim, a base de cálculo do imposto passa a ser determinada pela aplicação do percentual de oito por cento - em vez de ti inta e dois por cento - sobre a receita bruta aqfèrida niensalmente Assim, a correta interpretação a ser data à expressão "serviços hospitalares" é a de que se aplica, unicamente, a serviços prestados por hospitais, de conformidade, aliás, com o que se extrai do Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 7 de dezembro de 2007, As:;inado dii1riv. , m-Aci? 131/0W2010 pnr WALTER ADOLFO tvl.A.RESCH 25: 1 /09,20 1.1. por F .', F.1.12 N[F FERREIRO. DE MOR ES 01 /09/20 Autenticado digilnim ,:dite O 09/2.:310p.r -.;»,+ALT v ,,m)01 .. F0 ry,AkEscH Ei. ruido ti) Kljn¡st.,..rjr..., 1 9;...,z,-,rvi1 16 C ARF Processo n" 13433.000373/2002-11 Acérchlo n." 1803-00.521 S1-1' E03 Fl 340 que "Dispõe sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda": [ .7 os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clinica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada par médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, _serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos No presente caso, sendo a Recorrente urna Clínica Oftalmológica, e não um Hospital, não cabe o percentual de presunção do lucro presumido de oito por cento, previsto originariamente apenas para estes últimos estabelecimentos. Quanto à peremptória afirmação da Recorrente de que "não há, em lugar nenhum do mundo, cirurgia tipo ambulatorial!" (fls. 22), transcreve-se o seguinte trecho extraído da Internet (http://www.clinieascirurgia.combrionline-cirurgia-ambulatorial.html ): A cirurgia ambulawrial é uma das mais comuns categorias de cirurgia na medicina, e também uma das mais importantes, já que os procedimentos ambulatoriais são comuns e ocorrem diariamente em qualquer hospital Ela pode ser definida como qualquer procedimento cirúrgico relativamente simples, que não exige que o paciente permaneça internado no hospital ou instituição médica. [J. Dessa fbrina, o sistema de cirurgia ambulatorial economiza recursos e dinheiro importantes com medicamentos, anestesia e deixando mais camas vazias para serem usadas por pacientes mais críticos e graves 1- Felizmente, todos os problemas que esse sistema poderia enfrentar tem sido resolvidos e hoje em dia encontramos uma taxa de cerca de 20 % de todos os procedimentos cirúrgicos sendo tratados pelo sistema de cirurgia ambulatorial Como o sistema tem se desenvolvido de maneira progressiva e constante, é esperado que, num Muro próximo, a maioria dos pacientes irá encontrar um tratamento rápido e de qualidade mesmo em procedimentos mais complexos, graças ao projeto de cirurgia ainbulatorial Assim, por se não tratar de prestadora de "serviços hospitalares", já que não apresenta a diversidade de serviços e custos inerentes aos hospitais, resta à Recorrente a rubrica de serviços gerais, cujo percentual de determinação da base de cálculo para a apuração do lucro presumido é de trinta e dois por cento. Menciona-se, no mesmo sentido do aqui exposto, o seguinte precedente administrativo: 1; 1 . i1 pc”r.PLT (11 Ë.i :20 EL.E1JE FEF"REIV:A ()E ,IíJt2O 10po; Rc".;le"3 Aut(sitiç:a ,111. RJ( '1 E: Eiri4kJc n 30:0) riifliStrrifl c.Ja 17 ( ...',ARY •l 61)0 SERVIÇOS HOSPITALARES - CARACTERIZAÇÃO - A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n°9249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mão-de-obra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e .1brnecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, • não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindo-se meramente em um exercício de profissão regulamentada. Recurso de oficio parcialmente provido. (1° Conselho de Contribuintes / 3". Câmara / ACÓRDÃO 103- 23 236 em 18.10.2007. Publicado no DOU em 30 11.2007) Pedido de diligência e perícia Requer a Recorrente seja realizada diligência fiscal, com fulcro no inciso IV do art. 16 da Lei n° 8.748, de 1993, para que seja provado o alegado, documental e tecnicamente, sendo a prova documental o livro que deixou de ser verificado, e a técnica, a estrutura tecnológica de que se caracteriza a entidade hospitalar da Recorrente. Requer, ainda, seja realizada perícia contábil, para o fins de ser feito levantamento contábil dos valores referentes ao ativo e ao passivo da empresa, para confrontamento com os valores alcançados pelo Fisco Federal. A diligência documental e a perícia contábil requeridas pela Recorrente encontram-se prejudicadas, em face de ter sido excluída de tributação a parte relativa ao arbitramento de lucros (quatro trimestres do ano-calendário de 2000). Já a diligência técnica pleiteada, revela-se desnecessária, por isso que, em face da posterior edição da Lei n" 11.727, de 2008, ficou claro para este Relator que a expressão "serviços hospitalares", a que se refere o art. art. 15, § 1°, inciso 111, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 1995, somente alcança os hospitais, o que não é o caso da Recorrente. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefiro, por prescindível, o pedido da interessada, nos termos do art. 18 do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF), com a redação dada pelo art. 1 2 da Lei n2 8.748, de 9 de dezembro de 1993. Alegações de inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada No que se refere à alegada inconstitucionalidade da multa de oficio aplicada (supostamente confiscatória), incide na espécie a Súmula Carf n° 2, de seguinte teor: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Taxa de juros Selic Com relação à suposta ilegalidade e inconstitucionalidade da adoção da taxa de juros Selic, defendida pela Recorrente, incidem na espécie as Súmulas CARF n"s 2 e 4, de seguinte teor: Súmula CARF n" 2.• O CARF não é competente para se Piel5C)12 0-9:Rffit i ni.,61i,..fir!:,,1?..111Érrig---EF;REIRA DF ryle2 01/09/2010 p)r ROI:MIGUES MENDES AUter It¡carjo íj iíiio.:Jril 01:1111 ,70 H) pol. ,A...É AL. I ÉR ADOLFO MARESCH EinitIdt)•dr 1B [M . LAR 1.M1 Processo n" 13433.000373/2002-11 Acórdão n " 1803-00.521 Sl-T E03 Fl 341 Súmula CARF n" 4.. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SEL1C para títulos federais. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de REJEITAR a preliminar arguida de nulidade do auto de inflação, INDEFERIR os pedidos de diligência documental e técnica e de perícia contábil, por prescindíveis ao deslinde do presente litígio, e, no mérito, DAR PROVIMENTO, EM PARTE, AO RECURSO, para EXCLUIR de tributação os quatro trimestres do ano-calendário de 2000. É corno voto. Sérgio Rodrigues Mendes pDr vVi",,LTER ADOLFC) M i\ RE5Cil 2;}/(3::?!2.01U SELENE FERREIRA LIE. IvIC/R 01 0J2i1í i0(I()PODFIGI,JES ME.IsIDES 01 .1Y.E2010 ci 'NAL. ADOLE-0 MARESCH Emitido :000 1 10 1))l, MInimèriG 19 DF CARI NIF I'l 692 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado Em que pese o brilhantismo do ilustre conselheiro relator, seu voto não foi integralmente acompanhado pela maioria desta 3" Turma Especial do CARF. Com efeito, a matéria é polêmica e suscita indagações e interpretações de toda ordem, fato que mereceu a atenção do legislador ordinário e que redundou na edição da citada Lei ri 11.727/2008, que deverá em parte pacificar os litígios entre o Fisco e Contribuintes. No entanto, cabe ao julgador administrativo decidir acerca do litígio apresentado para julgamento, verificando as peculiaridades que envolvem cada caso. No caso presente, acolheu a turma por unanimidade, manter hígido o lançamento de oficio em relação à omissão de receitas, já que não havendo identificação de sua real natureza, deve ser aplicada a maior aliquota das atividades praticadas pela contribuinte, conforme determina o art, 23 da Lei n° 9..249/95: (verbis) Art. 24, Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. § I" No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta ser á adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. grifbit-se Considerando que a própria recorrente concorda que exerce isoladamente também a atividade de simples consultas médicas (oftalmológicas), paralelamente às atividades que poderiam ser enquadradas como "serviço hospitalar", aplica-se neste caso a aliquota de 32% (trinta e dois por cento), regra geral vigente para as demais prestações de serviços Já com relação as receitas declaradas, acolheu a turma por maioria o recurso voluntário considerando a falta da segregação por parte da fiscalização das receitas que compõe a receita bruta de cada atividade exercida, impedindo destarte a correta aplicação dos preceitos que regem a matéria (§ 2' do art. 15 da Lei n° 9 249/95). Constata-se evidente conflito entre as afirmações relatadas pela fiscalização e a conclusão geral a que chegou, negando a todas atividades realizadas pela contribuinte, o direito ao percentual favorecido de 8%, previsto para os serviços hospitalares, conforme dicção do art. 15, inciso III, alínea "a" da Lei n°9249/95. Com efeito, conforme relata a própria autoridade fiscal, foram constatadas tanto condições físicas e materiais para o exercício de atividades passíveis de enquadramento no conceito de "serviço hospitalar" a exemplo de internação ambulatorial e sala cirúrgica, como também a apuração de receitas decorrentes de cirurgias e intervenções que redundariam na aplicação do percentual favorecido de 8%. en: pnr V,INLTER ADOLFO Klf,..P,E.-.".SC...1-1 2::.if(P....1,2111. FER1').EIRT...11/1: ai Q Auvffiticadu LIL,();:11(:: vVAI. I Er niti ric) e.ja Fmrr,c,nrir:i 20 [g. CARI . 11/11 Processo n" 13433.000373/2002-11 Acórdão n.° 1803-00321 S1-TE03 El 342 A total desqualificação das atividades exercidas pela contribuinte como serviço hospitalar, sem considerar em qualquer hipótese a existência de receitas que efetivamente comporiam o rol das atividades que integram ou já integraram o conceito de receitas sujeitas ao tratamento tributário mais favorecido, impedem a manutenção do lançamento realizado.. Não é possível, no entanto simplesmente adequar o lançamento, pois os fundamentos eleitos pela fiscalização impedem a modificação do lançamento por necessária modificação do critério jurídico adotado. Com relação à matéria de fundo — serviços hospitalares, é irretorquível reconhecer que os sucessivos atos emanados pela Administração Tributária, criaram um inequívoco tumulto nas relações com os administrados, trazendo sério abalo na crença da segurança jurídica que deve reger este tipo de relação jurídica, Com efeito, veja-se no caso a recorrente, se for pelos termos do art 23 da Instrução Normativa SRF 306/2003, posterior inclusive aos fatos geradores objeto do lançamento de oficio, a quase totalidade das atividades exercidas pela recorrente, se enquadram perfeitamente no conceito de serviço hospitalar. Já com a edição da Instrução Normativa SRF 480/2004 e suas alterações, a situação se altera dramaticamente, permitindo antever que ora algumas atividades se enquadrariam no rol de serviços hospitalares ora não. Tal situação compromete por demais a necessária segurança jurídica assegurada constitucionalmente, devendo ser rejeitada pela sua evidente não conformação com os princípios contidos na Carta Magna, vedando-se sua aplicação retroativa por evidente modificação do critério jurídico adotado pela Administração Tributária, Por outro lado, embora se possa reconhecer o entendimento retroativo dos atos declaratórios emanados da Administração Tributária, tal efeito não pode retroagir a situações consolidadas a mais de 05 anos de sua edição, não sendo aplicável, portanto o Ato Declaratório Interpretativo Rf13 n° 19, de 07 de dezembro de 2007, citado pelo ilustre conselheiro relator como fundamento em seu voto. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, cancelando-se a exigência em relação às receitas declaradas, mantendo-se integralmente o lançamento de oficio em relação à omissão de receitas, Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado 4..)9 g2(!1 por VVALTER 22U 10 puí'ELENE FLERREff- ?..A,DE EIOE O 1 4...g».,-20 Opc,r RODRIGUES 0 • 1'0120 10 por ADUU-U 1. 0H11 Erndid o i'4"1 .1 Fa2,end3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO— QUARTA CÂMARA Processo n° : 13433000373/2002-11 Interessado : INSTITUTO DE OFTALMOLOGIA MOSSORÓ LIDA Acórdão n° : 1803-00321 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se uni dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARI'', aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, Brasilia, 3 / / eo.se aristeta de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento tia PFN: [ 1 apenas com ciência; [ 1 com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 10073.720356/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, diante da apresentação de documentos que comprovaram a efetividade da dedução, devem ser afastadas as glosas realizadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-09T20:14:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-03-09T20:14:06Z; Last-Modified: 2017-03-09T20:14:06Z; dcterms:modified: 2017-03-09T20:14:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4fbea944-fd42-4831-b702-2172afef99ad; Last-Save-Date: 2017-03-09T20:14:06Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-03-09T20:14:06Z; meta:save-date: 2017-03-09T20:14:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-03-09T20:14:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-03-09T20:14:06Z; created: 2017-03-09T20:14:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-03-09T20:14:06Z; pdf:charsPerPage: 977; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-09T20:14:06Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 115 1 114 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720356/201558 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.583 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente UBIRACY VINHOSA RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, diante da apresentação de documentos que comprovaram a efetividade da dedução, devem ser afastadas as glosas realizadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 56 /2 01 5- 58 Fl. 122DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10073.720356/201558 Acórdão n.º 2401004.583 S2C4T1 Fl. 116 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n°. 0653.298, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA (fls. 41/48), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL A isenção para portadores de moléstia grave deve ser reconhecida quando o contribuinte comprova atender os dois requisitos cumulativos indispensáveis: que os valores recebidos possuam natureza de rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e que o contribuinte seja portador de moléstia grave tipificada no texto legal e reconhecida por meio de Laudo Médico Oficial. Tratase de Notificação de Lançamento de débitos tributários referentes ao ano calendário de 2011, por ter o contribuinte se declarado indevidamente como isento, tendo sido autuado no valor total de R$ 2.312,53 em 09/02/2015, pelo seguinte fato descrito no lançamento fiscal: Fl. 124DF CARF MF 4 O contribuinte foi cientificado das autuações em 20/02/2015, sextafeira (AR f. 22) e apresentou impugnação ao lançamento (fls. 2/3). No julgamento da peça impugnatória do contribuinte, foi mantido integralmente o lançamento, sendo proferido o Acórdão n°. Acórdão n°. 0653.298 (fls. 41/48), cuja ementa está reproduzida acima. O lançamento quanto à omissão de rendimentos recebios em ação trabalhista não foi impugnado. Intimado do acórdão da DRJ/CTA em 18/09/2015, sextafeira (AR fl. 113), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 51/58 em 28/09/2015, alegando, em síntese: a) Que é pessoa idosa e requer a prioridade no trâmite do recurso; b) Que é portador de moléstia grave, conforme comprovado por laudo médico, devendo ser isento dos recolhimentos pleiteados. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10073.720356/201558 Acórdão n.º 2401004.583 S2C4T1 Fl. 117 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Juízo de admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O recorrente alega ser isento do Imposto de Renda Pessoa Física por atender aos dois requisitos cumulativos necessários, quais sejam ter como rendimento aposentadoria e ser portador de moléstia grave. Conforme extraise do art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713, os proventos recebidos de aposentadoria por portadores de moléstia grave devem ser isentos do tributo ora discutido, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos: a) Cópia de atestado médico (fl. 4), emitido, em 18/03/2015, pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Barra Mansa/RJ e assinado pelo médico urologista Orlandino Klotz de Almeida; b) Cópia de Laudo Pericial da rede privada (fl. 8), emitido e assinado, em 30/10/2014, pelo médico urologista Luiz Cezar Lopes Atan; c) Cópia do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (fl. 31), do dia 31/05/2012, com a informação do despacho do Secretário de Estado de Fazenda deferindo o Processo nº E01/136.034/2012, tendo como interessado o Sr. Ubiracy Vinhosa Rodrigues; Fl. 126DF CARF MF 6 d) Cópia de atestado médico (fl. 36), emitido pelo Hospital Unimed e assinado, em 09/04/2015, pelo médico oncologista Rodrigo de Oliveira Almeida e pelo médico urologista Orlandino Klotz de Almeida; e) Cópia de Laudo Pericial da rede privada (fls. 37/38), emitido e assinado, em 31/05/2015, pelos médicos urologistas Luiz Cezar Lopes Atan e Orlandino Klotz de Almeida; f) Cópia de Comprovantes de Pagamento de aposentadoria (fls. 87/88), emitido pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro, referentes ao meses de fevereiro e setembro de 2015. Portanto, verificase que o contribuinte é portador neoplasia maligna desde o anocalendário de 2009, tendo sido atestado pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Barra Mansa/RJ e por profissionais especializados, da rede particular, cumprindo incontestavelmente o requisito relativo a ser portador moléstia grave. Ainda, foram juntados Comprovantes de Pagamento que demonstram de forma cabal a auferição de proventos de aposentadoria pelo recorrente, conforme os extratos de fls. 83/84, que atestam ser o ora recorrente aposentado desde o anocalendário de 1990. Assim, estando comprovados o cumprimento dos requisitos cumulativos para a obtenção da isenção dos proventos de aposentadoria, deve ser dado provimento ao recurso voluntário do recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 127DF CARF MF
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