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Numero do processo: 13822.000054/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ
A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp n. 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte provar que o crédito presumido por ele apurado decorre do uso de produto intermediário de fato empregado no seu processo de industrialização, nos termos do art. 373, inciso I do novo CPC, aqui aplicado de forma subsidiária.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DO IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM NA CONFORMAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
O valor de IPI destacado na nota fiscal de aquisição de MP, PI e ME deve ser incluído na apuração do crédito presumido previsto pela lei n. 9.363/96, haja vista o disposto no seu art. 2o, §1o que prevê que a base de cálculo do crédito presumido será conformado pelo valor de aquisição e não de produção de tais bens. Admitir a exclusão do IPI destacado na NF de aquisição de tais bens implicaria a criação de uma indevida restrição ao citado benefício fiscal, já que carente de previsão legal. Tal sistemática, todavia, só deve incidir na hipótese da aquisição do MP, PI e ME para qual haja prova da sua efetiva utilização no processo de industrialização.
CORREÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N. 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para (i) reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, bem como para (ii) a conformação do crédito presumido levar em consideração o IPI destacado em nota fiscal decorrente da aquisição de MP, PI e ME desde que se trate de um crédito válido, nos termos em que já reconhecido pela própria fiscalização e/ou pelo teor do presente voto.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp n. 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte provar que o crédito presumido por ele apurado decorre do uso de produto intermediário de fato empregado no seu processo de industrialização, nos termos do art. 373, inciso I do novo CPC, aqui aplicado de forma subsidiária. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DO IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM NA CONFORMAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 54 /2 00 3- 02 Fl. 433DF CARF MF 2 O valor de IPI destacado na nota fiscal de aquisição de MP, PI e ME deve ser incluído na apuração do crédito presumido previsto pela lei n. 9.363/96, haja vista o disposto no seu art. 2o, §1o que prevê que a base de cálculo do crédito presumido será conformado pelo valor de aquisição e não de produção de tais bens. Admitir a exclusão do IPI destacado na NF de aquisição de tais bens implicaria a criação de uma indevida restrição ao citado benefício fiscal, já que carente de previsão legal. Tal sistemática, todavia, só deve incidir na hipótese da aquisição do MP, PI e ME para qual haja prova da sua efetiva utilização no processo de industrialização. CORREÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N. 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para (i) reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, bem como para (ii) a conformação do crédito presumido levar em consideração o IPI destacado em nota fiscal decorrente da aquisição de MP, PI e ME desde que se trate de um crédito válido, nos termos em que já reconhecido pela própria fiscalização e/ou pelo teor do presente voto. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar a demanda em apreço, adoto como meu parte do relatório desenvolvido pelo então Relator do caso, Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, o que passo a fazer nos seguintes termos: Em 15.4.2003, a contribuinte Clealco Açúcar e Álcool S/A (CNPJ 45.483.450/000110) protocolou Pedido de Compensação de créditos de IPI no valor de R$ 1.051.780,02, referente ao terceiro trimestre de 2002. Em Parecer da Seção de Análise e Orientação Tributária – Saort da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba – SP foi parcialmente deferido o Pedido de Ressarcimento. Segundo o Parecer: Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 188 3 a) se não há incidência de PIS e COFINS sobre as aquisições feitas de pessoas físicas, nada há de ser ressarcido ao adquirente. Esse é o entendimento confirmado pelo Parecer PGFN/CAT nº 3.092/2002; b) quanto à glosa dos valores relativos às despesas de telefonia e aos demais produtos (calcário, fertilizantes, herbicidas e material intermediário), a glosa está correta, uma vez que tais produtos não foram aplicados no processo de fabricação e, por não integrarem direta ou indiretamente o produto final, não podem ser considerados insumos; c) foi correto o cálculo do percentual de energia elétrica utilizado no processo produtivo feito pelo Auditorfiscal responsável pela diligência. Quanto à cal virgem e aos demais produtos químicos comprovadamente consumidos no processo de produção, também é acertado o ajuste que considerou os estoques iniciais e finais, para chegar ao valor dos insumos efetivamente empregados; d) o IPI destacado nas notas fiscais de aquisição e registrado separadamente na escrituração fiscal não pode fazer parte da base de cálculo do crédito presumido. A contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) não deve prosperar o entendimento do Agente fiscal, que transferiu para o presente os valores correspondentes aos insumos glosados no processo administrativo nº 13822.000149/200156, que se referiam a insumos utilizados em produtos inacabados ou acabados e não vendidos. É necessário que o fisco considere os valores reais e integrais dos custos informados, uma vez que os mesmos foram efetivamente utilizados e consumidos no processo produtivo da contribuinte; b) quanto aos insumos adquiridos de pessoa física, o Superior Tribunal de Justiça se manifestou da seguinte forma: “A IN/SRF extrapolou a regra prevista no art, 1º, da Lei nº 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas que naturalmente não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS.” Transcreve jurisprudência sobre o assunto; c) são indevidas as glosas dos valores relativos à energia elétrica, óleo diesel e telefonia sob o argumento de que não se enquadram no conceito de insumos. O Parecer Normativo CST 65/79, ao criar um requisito inexistente no texto do regulamento, ingressou em uma seara, o que lhe é vedada, pois não é um veículo introdutor de normas no sistema jurídico, não podendo inoválo; Fl. 435DF CARF MF 4 d) o entendimento da Secretaria da Receita Federal é no sentido de que o IPI contido na nota fiscal/fatura deve ser considerado como custo da produção e deve compor a base de cálculo para a constituição do crédito presumido para ressarcimento do PIS/COFINS; e) quanto à glosa dos valores de calcário, fertilizantes, herbicidas e materiais intermediários (engrenagens de moenda, bombas centrifugas, tubos de aço e outros, como parafusos e ferramentas, rolamentos, materiais elétricos), estes constituem, efetivamente, produtos intermediários, haja vista que se desgastam no decorrer do processo produtivo e que possuem contato direto com a canadeaçúcar, embora não integrem o produto final; f) já efetuou a compensação dos créditos com outros débitos de sua escrituração e de competência da União, razão pela qual, com a glosa dos créditos, restariam débitos em aberto e passiveis de serem cobrados. As compensações foram feitas ao tempo oportuno e os débitos que ficaram descobertos foram declarados espontaneamente e no respectivo prazo legal, sendo, portanto, impossível a cobrança da multa de mora caso prossiga a glosa; g) a Taxa SELIC não deve ser usada para a correção monetária dos débitos em aberto que seriam passíveis de cobrança, uma vez que esta taxa tem natureza remuneratória. (...). 2. Uma vez processada, a Impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela DRJRibeirão Preto (acórdão n. 1419.311 fls. 377/389), nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IP1. IPI SOBRE 1NSUMOS. O valor do IPI destacado nas notas fiscais relativas às aquisições de insumos deve ser excluído da apuração do incentivo, porque o IPI não compõe a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATIVIDADE AGRÍCOLA. A legislação referente ao crédito presumido somente admite a inclusão dos insumos aplicados na produção industrial, não contemplando os materiais aplicados na produção da canade açúcar, por se tratar de atividade agrícola. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 189 5 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. 1NSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, bem como, não incluem os materiais destinados ao ativo permanente e os serviços de telefonia. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos à multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A espontaneidade exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, resultantes da responsabilidade quanto a crime, contravenção ou delito tributário, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída, que não possuem vinculo direto com o fato gerador do tributo. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Solicitação Indeferida. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 379/403, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em Impugnação. 4. Uma vez pautado para julgamento, o caso foi convertido em diligência (Resolução n. 3401000.658 fls. 425/429) nos termos do §2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF vigente à época, ou seja, para que o presente caso ficasse suspenso até final julgamento no STF do Recurso Extraordinário n. 593.544, afetado por repercussão geral e onde se debate se o crédito presumido de IPI deve ou não ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. 5. Ocorre que, com a alteração do RICARF e supressão da referida norma regimental, o sobrestamento foi afastado, nos termos do despacho de fls. 430. Não obstante, com a saída do antigo Relator do caso dos quadros deste Tribunal, o caso foi redistribuído eletronicamente e a mim submetido para relatório e julgamento. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 437DF CARF MF 6 7. O Recurso Voluntário interposto preenche os requisitos formais para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Do ressarcimento de IPI e do crédito oriundo de pessoas físicas 8. No presente tópico o que se discute aqui é se o contribuinte Recorrente possui ou não direito a crédito presumido do IPI na hipótese de aquisições de pessoas físicas, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no seu processo produtivo. 9. A sobredita discussão decorre do disposto no §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/971 vis a vis do que prevê o art. 1º. da lei n. 9.363/96. Isso porque a referida Instrução Normativa, ao pretexto de regulamentar a citada lei, criou uma restrição ao crédito em comento, o qual estaria limitado à hipótese de aquisição de insumos de pessoas jurídicas sujeitas à incidência de PIS e COFINS. 10. Acontece que, ao proceder dessa forma, a Receita Federal do Brasil não se limitou a regulamentar a aludida lei, mas implicou verdadeira restrição ao uso do crédito conformado legalmente, extrapolando, portanto, suas funções2. Registrese, por oportuno, que essa discussão já foi travada no âmbito do contencioso judicial, sendo objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recursos repetitivos, oportunidade em que o referido Tribunal assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode 1 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 2 Isso porque "a Administração possui função executiva e não legislativa, o que proíbe que os funcionários públicos coloquem em dúvida a validade da lei.". (ÁVILA, Humberto. 'Sistema constitucional tributário'. 3ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 123.). Em outros termos, não compete ao Poder Executivo qualquer modificação no conteúdo da lei, seja ampliando ou reduzindo seu teor. Compete a ele apenas dispor sobre a operacionalização e a perfeita execução dos mandamentos previstos na lei. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 190 7 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade Fl. 439DF CARF MF 8 rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 191 9 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (g.n.). 9. Referido precedente redundou na súmula 494 do STJ, in verbis: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." 11. O sobredito julgado tido como precedente é análogo ao caso aqui tratado, uma vez que lá também se discutiu a possibilidade de empresa exportadora se valer de crédito presumido de IPI (art. 1º. da lei n. 9.363/96) na hipótese de adquirir insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas, afastando, por conseguinte, a restrição indevidamente imposta pelo §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/97, exatamente como ocorre no caso em tela. Fl. 441DF CARF MF 10 12. Nesse esteio, referido precedente pretoriano tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2° do Regimento Interno do CARF, razão pela qual mister se faz dar provimento ao recurso voluntário no tópico em análise. II. Do direito ao crédito presumido quanto às aquisições de produtos empregados na fase agrícola 13. Um dos fundamentos desenvolvidos pela Recorrente é no sentido de que ela teria direito ao crédito referente à aquisição de produtos empregados na fase agrícola do seu processo produtivo (produção da canadeaçúcar), ulteriormente empregada na fase industrial de produção de açúcar e álcool. 14. Essa questão não é nova neste colegiado que, em sessão de 26 de janeiro do corrente ano, em caso de Relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim (acórdão n. 3402 002.863), assim se manifestou de forma unânime3: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. (...). Recurso Provido em Parte. (grifos nosso). 15. No transcorrer do aludido voto o Relator do caso, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, assim prescreveu: (...). A verificação da existência ou da inexistência do direito à apuração do crédito presumido em relação à fase agrícola do processo produtivo do açúcar e do álcool deve ser buscado nas leis que instituíram o incentivo. A defesa entende que tem direito de apurar o crédito presumido sobre todos os insumos aplicados na fase agrícola porque o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não estabelece nenhuma limitação, referindose ao "total das aquisições". O referido dispositivo legal estabelece o seguinte: Art.2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual 3 Neste julgado não esteve presente a então Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 192 11 correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...)" Já o art. 3º da referida Lei estabelece que: Art.3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme se pode verificar, ao mesmo tempo em que o art. 2º se refere ao "total das aquisições", o art. 3º, parágrafo único, estabelece que o conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem deve ser fixado com base no que estabelece a legislação do IPI. A legislação do IPI não dispõe expressamente sobre o conceito de produção, mas estabelece os conceitos de “estabelecimento produtor” (art. 3º da Lei nº 4.502/64), de “operação de industrialização” (art. 4º do RIPI/2002) e de “produto industrializado” (art. 3º do RIPI/2002). Segundo o art. 3º da Lei nº 4.502/64, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (leia se: que estão no campo de incidência do imposto). Segundo o art. 4º do RIPI/2002, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou que o aperfeiçoe para consumo (como a transformação, o beneficiamento, a montagem, o acondicionamento e o recondicionamento). Segundo o art. 3º do RIPI/2002, produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. Desses enunciados legais inferese que o conceito de produção aplicável no âmbito do IPI se identifica com uma “operação”, ou seja, uma atividade que consista em transformar, beneficiar, montar, acondicionar ou recondicionar. Embora a recorrente tenha alegado que seu processo produtivo é integrado, ou seja, que possui uma fase agrícola na qual produz sua própria matériaprima, e uma fase industrial propriamente dita, é de clareza vítrea que o cultivo da canade açúcar é um processo biológico, que não se enquadra no Fl. 443DF CARF MF 12 conceito legal de operação industrial previsto no art. 4º do RIPI/2002. Não se tratando o cultivo da canadeaçúcar de uma operação de industrialização, não há direito de aproveitar o crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase, estando corretas as glosas efetuadas pela fiscalização (...), incluídas aqui as glosas relativas à canadeaçúcar de produção própria, pois o cultivo próprio dessa matériaprima não configura aquisição de um bem, uma vez que ninguém adquire algo de si mesmo. (...) (g.n.). 16. Com razão o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, sendo a fundamentação acima passível de ser convocada como ratio decidendi para a realização do presente caso, haja vista que se está diante de problemas análogos, i.e., pedido de ressarcimento decorrente de crédito presumido de IPI referente aos gastos efetuados com aquisições de produtos empregados na fase agrícola. 17. Dessa feita, me valho do fundamento alhures desenvolvido no acórdão n. 3402002.863 para resolver este tópico do presente Recurso Voluntário, o que faço com fundamento no disposto no art. 50, § 1o da lei 9.784/994. III. Da glosa dos demais créditos indicados na planilha 6 (fls. 156/177) 18. Não obstante, outro ponto reclamado pelo contribuinte diz respeito a glosa dos demais itens listados na planilha 6 dos autos e que, segundo o contribuinte, não estariam atrelados à fase agrícola da produção, mas sim à fase industrial, configurando produtos intermediários que se desgastariam no processo produtivo. É o que se depreende do seguinte trecho do Recurso Voluntário (fl. 413): (...). No caso em tela podemos mencionar, exemplificativamente, a Corrente da Mesa alimentadora, os tubos e as válvulas de controle de calor, como materiais intermediários efetivamente integrados no processo produtivo e se constituem peças fundamentais da indústria de fabricação de açúcar e álcool, e todos se desgastam no processo de extração do caldo e elaboração do álcool e do açúcar. (...). 19. Acontece que em relação a tais produtos intermediários a Recorrente se limitou a desenvolver as linhas transcritas acima. Não há uma única linha a respeito da função de tais bens, supostamente intermediários, no processo de produção do açúcar e do álcool. 20. Ademais, ao se analisar os demais itens da citada planilha, é possível observar que ali se encontram apenas as seguintes informações referentes aos bens adquiridos 4 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)" Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 193 13 que redundaram no crédito pleiteado : (i) número da Nota Fiscal, (ii) data da entrada da NF; (iii) emitente; (iv) valor contábil; e (v) tipo de insumo. Em relação ao tipo de insumo este é sempre registrado como produto intermediário. 21. Todavia, ao se analisar as notas fiscais correlatas, não é possível se verificar se de fato tais bens são ou não produtos intermediários empregados na fase industrial da produção do açúcar e álcool. Isso porque tais notas não descrevem os produtos adquiridos, mas códigos ou abreviações que tornam impossível saber a natureza de tais bens. É o que se observa, v.g., na NF n. 027385 (fl. 180), cuja descrição do produto é a seguinte: FOOLFRO 5A9854. É possível ainda encontrar notas com as seguintes descrições de produtos: OPTISPERSE A29360 (fl. 181), NITROFOS M (fl. 182), CORRENTE WH 132 P/ MESA ALIMENTADORA P8" (fl. 198), CURVA RAIO LONGO 90 GRAUS 10" SCH. 20 X FABR. (fl. 201). 22. Não há, portanto, nos termos do que prevê o art. 373, inciso I do CPC/2015 (aqui aplicado de forma subsidiária), prova apta a demonstrar o fato constitutivo do direito do contribuinte, i.e,, de que tais bens de fato são produtos intermediários empregados na fase industrial da produção de açúcar e álcool, razão pela a glosa efetuada pela fiscalização deve ser mantida. IV. Do direito ao crédito presumido em relação às aquisições de energia elétrica, combustíveis e telefonia 23. Em relação ao direito de crédito presumido sobre energia elétrica e combustíveis, a questão já se encontra sumulada no âmbito deste Tribunal Administrativo, conforme se observa do da Súmula CARF nº 19, in verbis: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. 24. Logo, não há como se esquivar da incidência da referida Súmula, sob pena, inclusive, de configurar hipótese de perda do mandato deste Conselheiro, conforme previsto no art. 45, inciso. VI do RICARF5. 25. Não obstante, no mesmo sentido da citada súmula CARF é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 5 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: (...). VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; (...)." Fl. 445DF CARF MF 14 1. Esta Corte já decidiu que não se pode computar os valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, pois tais substâncias não sofrem ou provocam ação direta mediante contato físico com o produto, de sorte que não integram o conceito de "matériasprimas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI. Precedentes: AgRg no REsp 1222847/PR, Ministro Herman Benajmin, Segunda Turma, DJe 01/04/2011; REsp 1049305/PR, Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31/03/2011; AgRg no REsp 1000848/SC, Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 20/10/2010. 2. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 3. Agravo regimental não provido. (STJ; AgRg no REsp 1240435/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011) (grifos nosso). 26. Em relação aos gastos com telefonia, também não há que se falar em direito a crédito, haja vista os mesmíssimos fundamentos que conformam o sobredito enunciado sumular e nos termos do que já fora exposto no item "II" do presente voto. Referido dispêndio não se consome no processo produtivo de industrialização do Recorrente, o que impede a sua integração na base de cálculo do crédito presumido aqui debatido. V. Da inclusão do IPI na base de cálculo do incentivo 27. Outro ponto debatido pelo contribuinte no presente Recurso Voluntário diz respeito à possibilidade do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ser ou não incluído na composição do crédito presumido de IPI. 28. Nesse sentido, insta destacar que o sobrestamento do presente feito em razão da discussão travada no Recuso Extraordinário n. 593.544 (Resolução n. 3401000.658 fls. 425/429) foi, s.m.j, equivocado, pois no citado leading case o que se discute é a possibilidade de se incluir ou não o crédito presumido de IPI (já apurado) na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por sua vez, a discussão aqui travada está um passo atrás, ou seja, na conformação do próprio crédito presumido de IPI (apuração do crédito). 29. Dito isso, convém destacar que o art. 2o, §1o, da lei n. 9.363/96 define a base de cálculo do benefício nos seguintes termos: Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 194 15 § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (...). 30. Ao se analisar o sobredito dispositivo, é possível concluir que o crédito presumido do IPI deverá ser calculado com base no valor total das aquisições de MP, PI e ME, ou seja, exatamente o valor da aquisição de tais bens, o que é sinônimo do valor indicado em nota, incluindose aí o valor destacado de IPI incidente na operação. 31. Se o legislador quisesse afastar o IPI destacado em nota fiscal de aquisição do cômputo do crédito presumido de IPI deveria ter prescrito que tal benefício levaria em consideração o valor de produção da MP, PI e ME e não o seu custo de aquisição, o qual abrange outros dispêndios além do seu custo nominal de produção. 32. Assim, a interpretação fiscal dada em concreto ao art. 2o, §1o, da lei n. 9.363/96 cria uma restrição à conformação do crédito presumido de IPI que não apresenta previsão legal, motivo pelo qual deve ser afastada. 33. Ressaltese, todavia, que para que haja uma coerência sistêmica do referido entendimento com o voto até então lavrado, é indispensável registrar que, na conformação do crédito presumido em concreto deverá ser considerado o IPI destacado em nota fiscal apenas para aquelas aquisições que de fato dão ensejo ao benefício. 34. Em outros termos, tal sistemática de apuração do crédito presumido só será válida para aqueles créditos espontaneamente reconhecidos pela própria fiscalização, mas não incidindo para aqueles créditos glosados e cuja glosa foi mantida pelo presente voto. E o motivo para isso é um só: se inexiste o próprio direito ao crédito (por falta de previsão legal ou por carência probatória) a discussão quanto à sua conformação fica obviamente prejudicada. VI. Da ilegalidade da SELIC como juros moratórios no âmbito tributário 35. No que diz respeito à incidência da SELIC como juros moratórios sobre débitos tributários é caso de aplicação da Súmula n. 4 deste Tribunal Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 36. Logo, não há como se esquivar da incidência da referida Súmula, sob pena, inclusive, de configurar hipótese de perda do mandato deste Conselheiro, conforme previsto no art. 45, inciso. VI do RICARF6. 6 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: (...). VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; (...)." Fl. 447DF CARF MF 16 37. Ademais, a questão é mais do que pacificada também no âmbito dos Tribunais judiciais em sentido desfavorável à pretensão do contribuinte, razão pela qual nego provimento ao presente recurso neste tópico. Dispositivo 38. Ante o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para (i) reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, bem como para (ii) a conformação do crédito presumido levar em consideração o IPI destacado em nota fiscal decorrente da aquisição de MP, PI e ME, desde que se trate de um crédito válido, nos termos em que já reconhecido pela própria fiscalização e/ou pelo teor do presente voto. 39. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 448DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002621/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
Numero da decisão: 3401-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar provimento ao recurso voluntário interposto, por maioria de votos, vencido o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia novamente em diligência.
ROBSON BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar provimento ao recurso voluntário interposto, por maioria de votos, vencido o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia novamente em diligência. ROBSON BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 21 /2 00 7- 19 Fl. 148DF CARF MF 2 Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi. Relatório 1. Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 26450.12660.120506.1.3.04651, transmitido em 14/12/2001, com a finalidade de compensar créditos tributários de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) devidos do período de apuração de abril de 2006 com valores do mesmo tributo pagos a maior no período de apuração de setembro de 2001, no valor histórico de R$ 270.949,22. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC proferiu Despacho Decisório, situado às fls. 17 a 19, ao compulsar o valor devido e aquele efetivamente recolhido a título de Cofins para o período de apuração de setembro de 2001, vislumbrou apenas parte do crédito declarado pela contribuinte, da ordem de R$ 64.438,70, e decidiu pela homologação parcial da compensação, com fundamento na insuficiência de crédito para compensar a totalidade dos débitos. 3. A tabela a seguir, situada à fl. 19, demonstra o resultado da alocação de créditos e débitos elaborada pela unidade local que procedeu à análise da DCOMP, selecionada para tratamento manual: 4. Em 05/09/2007, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, situada às fls. 25 a 45, na qual explicou que não se tratava de mero recolhimento a maior sobre base de cálculo incontroversa, mas de discordância com relação à inclusão de valores correspondentes a "outras receitas" (receitas financeiras e receitas não operacionais) não integrantes do conceito de faturamento na composição da base da Cofins, insurgindose contra a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005 no Recurso Extraordinário nº 390.840, de relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, tendo juntado, ainda, planilha situada à fl. 47 com os efeitos da inclusão ou não dos valores correspondentes às receitas financeiras e não operacionais. 5. A 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis/SC proferiu o Acórdão nº 0716.507, em sessão de 05/06/2009, por meio do qual entendeu serem incompetentes as instâncias administrativas para se manifestarem a respeito de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11516.002621/200719 Acórdão n.º 3401003.239 S3C4T1 Fl. 149 3 ilegalidades e de inconstitucionalidades de atos legais regularmente editados, mantendo, na íntegra, o despacho decisório. 6. Em Recurso Voluntário, protocolado em 14/08/2009, situado às fls. 105 a 116, a contribuinte repetiu os argumentos de defesa e afirmou que o pleito não tratava de declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, mas sobre a impossibilidade de órgão da Administração aplicar norma declarada inconstitucional. 7. A 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou, por meio da Resolução CARF nº 340100.056, em sessão de 30/09/2010, a conversão do feito em diligência nos seguintes termos: "Notese que o valor pleiteado nada mais é do que aquele obtido pela aplicação da alíquota de Cofins, de 3% sobre R$ 9.031.640,78, correspondente à soma das rubricas 'receitas financeiras' e 'receitas não operacionais' (fl 47), ou seja, os R$ 270.949,22 indicados como pagamento a maior. E essa matéria alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins embora venha recebendo por parte deste Colegiado o mesmo tratamento reclamado pela ora recorrente, não pode ser ainda julgada haja vista que, no presente caso, não foram carreados ao processo elementos capazes de elidir quaisquer dúvidas quanto à formação dos valores daquelas receitas,ou seja, não se tem a certeza de que nelas não estejam outros valores que não apenas os decorrentes do faturamento da empresa. Assim, em face dessa incerteza, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem traga a este Colegiado a informação precisa quanto aos valores que integram as referidas rubricas 'receitas financeiras' e 'receitas nãooperacionais', isto é, se nelas estão mesmo contidos valores que nada têm a ver com o faturamento da empresa". 8. Em cumprimento à determinação deste Conselho, em 31/05/2011 a autoridade fiscal se manifestou às fls. 141 e 142 no sentido de que os valores declarados pela contribuinte estariam corretos e que não havia indícios de que teria lançado nas contas de receitas financeiras e não operacionais valore relativos ao faturamento da empresa. Ressaltou, ainda, que "(...) a decisão a respeito da incidência ou não da Cofins sobre estes valores está a cargo do CARF" e que a manifestação se limita "(...) a confirmar os valores (...) do mês de setembro de 2001". É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 150DF CARF MF 4 9. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 10. Cingese a discussão à possibilidade ou não da inclusão de receitas financeiras e nãooperacionais na base de cálculo da Cofins apurada pela contribuinte em setembro de 2001 e recolhido em 14/12/2001. 11. A base de cálculo consistente em "venda de bens, de serviços ou de bens e serviços" prevista pelo art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991 foi ampliada com a edição da Lei nº 9.718/1998 que equiparou faturamento a receita bruta, assim entendida "(...) a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". 12. A alteração, não obstante, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento conjunto dos Recursos Extraordinários nº 346.084/PR, nº 357.950/RS, nº 358.273/RS e nº 390.840/MG. 13. Posteriormente, no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (art. 543B do C), o Supremo Tribunal Federal reafirmou a sua jurisprudência: "EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (...). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008". 14. Não obstante, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016 e pela Portaria MF nº 152, de 2016, prevê que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal pela sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11516.002621/200719 Acórdão n.º 3401003.239 S3C4T1 Fl. 150 5 RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 15. Diante da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da Cofins apurada no regime cumulativo compreende o faturamento mensal da pessoa jurídica nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, correspondendo este a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza e, logo, como as receitas não operacionais ou financeiras (para empresas nãofinanceiras) não compõem a base de cálculo do tributo, os valores recolhidos a título Cofins sobre receitas nãooperacionais e financeiras recolhidos pela recorrente no período de apuração de setembro de 2001, no valor histórico de R$ 270.949,22, devem ser reconhecidos como recolhimento indevido ou a maior. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório pleiteado pela recorrente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 152DF CARF MF 6 Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.721251/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2011
ITR. POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedades rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível equipará-las ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram.
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA.
Se o objeto social da companhia alcança outras várias atividades para além da prestação de serviço público essencial, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. Artigo 173 da Constituição Federal de 1988.
VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. LEGALIDADE.
Quando a Autoridade fiscal considera que o VTN declarado está subavaliado e regularmente intima o contribuinte, faz-se necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, nos termos das normas técnicas da ABNT, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, corroborando sua declaração. Na ausência de tal documentação, o lançamento de ofício pode considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
ITR. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO USINAS HIDROELÉTRICAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Precedentes da CSRF Acórdão 9202-002.892.
ÁREA APROVEITÁVEL. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS.
Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á área aproveitável a que for passível de exploração, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias. Grau de Utilização - GU, é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da área tributável 14.690,0 ha, alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, e para considerar na apuração da área aproveitável 410,1 ha, ocupada com benfeitorias. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Declarações de impedimento: Júnia Roberta Gouveia Sampaio.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Diogo Neves Pereira, OAB/MG nº 131.027.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2011 ITR. POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedades rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível equipará-las ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras várias atividades para além da prestação de serviço público essencial, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. Artigo 173 da Constituição Federal de 1988. VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. LEGALIDADE. Quando a Autoridade fiscal considera que o VTN declarado está subavaliado e regularmente intima o contribuinte, faz-se necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, nos termos das normas técnicas da ABNT, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, corroborando sua declaração. Na ausência de tal documentação, o lançamento de ofício pode considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. ITR. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO USINAS HIDROELÉTRICAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Precedentes da CSRF Acórdão 9202-002.892. ÁREA APROVEITÁVEL. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á área aproveitável a que for passível de exploração, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias. Grau de Utilização - GU, é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedades rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível equiparálas ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras várias atividades para além da prestação de serviço público essencial, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. Artigo 173 da Constituição Federal de 1988. VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. LEGALIDADE. Quando a Autoridade fiscal considera que o VTN declarado está subavaliado e regularmente intima o contribuinte, fazse necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, nos termos das normas técnicas da ABNT, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, corroborando sua declaração. Na ausência de tal documentação, o lançamento de ofício pode considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 12 51 /2 01 4- 34 Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.096 2 das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. ITR. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO USINAS HIDROELÉTRICAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Precedentes da CSRF Acórdão 9202002.892. ÁREA APROVEITÁVEL. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá área aproveitável a que for passível de exploração, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias. Grau de Utilização GU, é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da área tributável 14.690,0 ha, alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, e para considerar na apuração da área aproveitável 410,1 ha, ocupada com benfeitorias. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Declarações de impedimento: Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Diogo Neves Pereira, OAB/MG nº 131.027. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, do exercício de 2011, do imóvel denominado Usina Volta Grande, localizado no Município de Conceição das Alagoas/MG, com área total declarada de 15.648,8 hectares. Após a revisão da DITR Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.097 3 apresentada, a Administração Tributária municipal, com base em convênio firmado com a União, nos termos do previsto no inciso III, § 4º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988, efetuou lançamento de ofício no montante de R$ 14.243.577,54 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos (fl. 04), narra a Autoridade competente que: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT], o valor da terra nua foi alterado, tendo como base os valores informados pelo sujeito passivo no atendimento à intimação. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1 o , inciso I e art. 14 da Lei n° 9.393/96. SUJEITO PASSIVO DECLAROU VTN MENOR QUE O CONSTANTE NO SIPT E DECRETO N° 2 1 6 / 2 0 09 Previamente ao lançamento, existiram o Termo de Constatação Fiscal de folha 09, onde a Autoridade fiscal descreve a autuação baseada apenas na alteração do VTN declarado e não comprovado e o Termo de Intimação Fiscal de folha 13, onde o sujeito passivo foi intimado a: Com finalidade de comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural [DITR]relativa ao imóvel acima identificado, fica o proprietário/detentor da posse do imóvel INTIMADO a apresentar no prazo de 20 [vinte] dias a contar da ciência desta, cópias autenticadas ou cópias simples acompanhadas dos originais dos documentos enumerados abaixo. Identificação do sujeito passivo; Matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; Certificado de Cadastro de Imóvel Rural [CCIR] do Incra. Documentos para a análise da DITR [ 2011 ]: Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou f l o r e s t a l , conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, contendo todos os elementos de pesquisa Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.098 4 identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1 o de janeiro de 2011, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei n° 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1 o de janeiro de 2011 no valor de R$: CULTURA/LAVOURA R$ 9.000,00 CAMPOS R$ 7.000,00 PASTAGEM/PECUÁRIA R$ 8.500,00 MATAS R$ 7.000,00 CAMPOS R$ 4.545,45 CERRADO R$ 5.578,51 CULTURA/LAVOURA R$ 6.611,57 O não atendimento no prazo fixado ensejará lançamento de ofício, nos termos dos arts. 50, 51 e 52 do Decreto n° 4 . 3 8 2 , de 19 de setembro de 2002 R e g u l a m e n t o do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (RITR/2002). Verificase, no demonstrativo de apuração do imposto, de folha 11, que foram alteradas, no lançamento, as seguintes informações: área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizadas pelo poder público; valor das benfeitorias; valor da terra nua. A DITR em questão está na folha 1985 e seguintes e a tela do sistema SIPT está na folha 1998/99. O contribuinte apresentou extensa impugnação, nas folhas 16 a 40. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ buscou resumir as alegações apresentadas, dentre as quais destacamos as seguintes: 1 – a empresa é uma sociedade por ações, subsidiária integral da Sociedade de Economia Mista Companhia Energética de Minas Gerais, prestadora de serviços públicos de geração e transmissão de energia elétrica, , com subordinação ao poder estatal e executora de serviço público essencial. Diz que o imóvel em questão é objeto de afetação, imprescindível á prestação dos serviços sob o regime de concessão. Entende ser inaplicável à espécie a previsão do art. 29 do CTN e, portanto, inexigível o ITR quanto ao imóvel, eis que se trata de bem público afetado, utilizado pela concessionária em caráter precário, enquanto prestadora dos serviços públicos já referidos. Diz que a titularidade do bem é formalizada Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.099 5 para que se possa viabilizar a prestação do serviço. entende que não havendo animus domini ou a possibilidade do efetivo exercício dos poderes inerentes à propriedade, mas simples detenção física de imóvel público de uso especial para a consecução de sua finalidade, não é lícito admitir a incidência do ITR. 2 – pelo princípio da eventualidade, ainda que seja o caso de não se reconhecer a impossibilidade de incidência do ITR sobre o imóvel em razão da afetação, outro argumento há de ser considerado para tal finalidade, qual seja, a aplicação extensiva da imunidade tributária recíproca em razão da prestação de serviço público essencial realizada. registra, no caso, a ocorrência de imunidade tributária recíproca, prevista para aplicação entre os entes federativos, sendo imunes quanto aos tributos de competência uns dos outros relativos à renda, patrimônio e serviços, nos termos do art. 150, VI, “a”, da CR. entende que faz jus à concessão da imunidade tributária sem ferir a livre concorrência, tendo em vista que não há disputa com outras empresas privadas para exploração da energia elétrica, em razão das particularidades do mercado regulado de energia, com destaque para a geração de energia (monopólio natural). 3 – considera que há o impedimento legal para a tributação de áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, das áreas de preservação permanente e interesse ambiental e das áreas com benfeitorias e, portanto, fora do campo de incidência do ITR, nos termos dos arts. 10 e 11 da Lei nº 9.393/96; informa que, observando a legislação, apresentou a distribuição da área do imóvel, com a sua área utilizada, o GU, a discriminação das áreas alagadas, as não utilizadas em atividades rurais ou necessárias à efetiva prestação do serviço de geração, transmissão de energia elétrica, com indicação das áreas de benfeitorias (doc. 06). ressalta que a matéria já se encontra pacificada por meio da Súmula CARF nº 45, segundo a qual “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Entende que verificase descabido o lançamento, uma vez que desconsidera a área alagada de reservatório da Usina Hidrelétrica construída mediante autorização do Poder Público, incluindo tal área no cálculo de terra nua. enfatiza que, tal como as áreas alagadas, não são tributáveis as áreas de preservação permanentes, não podendo compor o cálculo do VTN, devendo ser excluídas da base de cálculo do tributo, situação não observada pelo Fisco. 4 na DITR foram discriminados 410,0 ha correspondentes às benfeitorias realizadas no imóvel para o regular funcionamento da Usina Hidrelétrica e descreve as benfeitorias e que objetivandose a confirmação das informações declaradas e corroborando com as informações declaradas à ANEEL, verificase cabível a realização de perícia para a apuração das benfeitorias realizadas. 5 enfatiza que, conforme o Demonstrativo de Apuração de Imposto, depreendese a inadequação da forma de cálculo do VTN, em razão da desconsideração das benfeitorias do imóvel, implicando aumento indevido da base de cálculo por hectare. Em seu voto, que conduziu ao indeferimento da impugnação, também em resumo, disse o Julgamento recorrido que: a) Estão sujeitos à incidência do ITR os imóveis rurais de pessoas físicas ou jurídicas, concessionárias de serviços públicos de energia elétrica, inclusive os adquiridos por desapropriação para essas atividades. Essas sociedades empresárias concessionárias submetem se, quanto à apuração do ITR, às mesmas regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.100 6 b) Às concessionárias de serviços públicos constituídas como pessoas jurídicas de direito privado deve ser dado o mesmo tratamento tributário dispensado às demais sociedades que exploram atividades econômicas, não se cogitando, em relação a elas, do benefício da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. c) As áreas alagadas de reservatório de usinas hidrelétricas autorizadas pelo poder público, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da apresentação do Ato específico do órgão competente federal ou estadual reconhecendo as áreas do imóvel declaradas como de interesse ecológico (comprovadamente imprestáveis). d) Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. e) Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. f) A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Cientificado dessa decisão em 18 de março de 2015 (AR na folha 2.028), o contribuinte, mediante seus procuradores constituídos (Procuração na folha 2.040/2.050) apresentou recurso voluntário em 17 de abril de 2015, conforme protocolo na folha 2.031. Em sede de recurso, alega o seguinte: a) o Recorrente não exerce todos os elementos da propriedade, destacando o artigo 29 do CTN (fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse), razão pela qual dever ser afastada a exação; b) ocorrência a imunidade intergovernamental, no caso, e inaplicabilidade do artigo 173 da Constituição, para seu afastamento, em entendimento já sedimentado pelo STF. Equiparação da Recorrente (Sociedade de Economia Mista) às Autarquias e Fundações instituídas pelo Poder Público, na prestação de serviço público e não em atividade econômica. O serviço de energia elétrica, por sua essencialidade e por ser de titularidade e monopólio da União, conforme artigo 21, XII, “b” da CF/88 se subsume claramente à hipótese normativa contida no artigo 175 da CF/88; c) existe ainda a imunidade para o bem imóvel, uma vez que conforme o contrato de concessão ele pode ser revertido ao poder concedente; d) não incidência do ITR sobre áreas alagadas, conforme a Súmula CARF nº 45; Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.101 7 e) não bastasse a tributação das áreas alagadas, também está errado o lançamento porque desconsidera as benfeitorias existentes no imóvel e deixa de excluir seu valor quando da aferição do valor da terra nua; PEDE a não incidência do tributo pela inocorrência do fato gerador; alternativamente, o reconhecimento da imunidade recíproca prevista na CF/88, em razão da prestação de serviço público essencial; a observância da Súmula CARF nº 45, em relação às áreas alagadas para fins de constituição de reservatório para Usinas Hidrelétricas, bem como das áreas de preservação permanente ao seu redor; consideração das áreas ocupadas com benfeitorias. Pede ainda a publicação de intimações em nome dos patronos, sob pena de nulidade. Ao analisar a questão, esta Turma resolveu pela conversão do julgamento em Diligência, na Resolução 2202000.685, de 10 de maio de 2016, nos seguintes termos (destaco): Existe dúvida sobre a área tributável do imóvel. A Autoridade fiscal, sem justificativa expressa nem intimação prévia do sujeito passivo, desconsiderou uma área de 14.690,0 hectares, declarada como sendo de "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo Poder Público". O Recorrente defende a existência da área e a jurisprudência consolidada e de observância obrigatória neste CARF, aliás com respaldo legal (artigo 40, da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que alterou o artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996), diz que as mesmas devem ser excluídas da tributação. Dessa feita, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que: a) A autoridade fiscal autuante esclareça e motive a desconsideração de 14.690,0 hectares de "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo Poder Público", observando a Notificação de Lançamento (fls. 09 e 10), o demonstrativo de apuração do imposto (fl. 11) e a DITR/2011 (fl. 1988); b) O contribuinte seja intimado dos termos desta resolução e do resultado da diligência, conforme item "a" acima para, querendo, manifestarse no prazo de trinta dias. Cumprida a diligência, veio aos autos a manifestação de fls. 2090, de responsabilidade do Departamento de Arrecadação Tributária e Fiscalização, no Município de Conceição das Alagoas/MG. O sujeito passivo, regularmente intimado com Aviso de Recebimento (fl. 2092), não se manifestou. É o relatório. Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.102 8 Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). Primeiro, as causas de nulidade do processo administrativo de exigência fiscal são aquelas previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), norma específica na qual não se encontra determinação para que as intimações sejam encaminhadas aos patronos, mas ao contribuinte, no seu domicílio tributário de eleição, dentro das regras estabelecidas no artigo 127 do CTN. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. CONTRIBUINTE A primeira alegação da Recorrente é que não seria contribuinte do ITR uma vez que não enquadrada nas regras do artigo 29 do CTN: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Regra que é repetida, aliás, na Lei nº 9.393, de 1996, em seu artigo 1º: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Alega que não se enquadra na condição de “proprietária, detentora de domínio útil ou possuidora”, sob o argumento de explorar naquela área serviço público essencial, de competência da União, mediante regime de concessão. A esse argumento, trazemos à colação o Acórdão de nº 2201002.476 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, já julgado neste CARF, a cujo entendimento me filio: ITR. POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedades rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.103 9 equiparálas ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram. O Voto vencedor de tal Acórdão traz a seguinte sustentação: De acordo com a Contribuinte, deveria haver o reconhecimento da imunidade recíproca, pois o imóvel seria um bem público da União por definição constitucional e por afetação, nos termos do art. 20, VIII, da Constituição da Federal, que estabelece ser “bens da União” “os potenciais de energia elétrica”. Por isso, a sua tributação seria contrária a imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, também da Carta Magna, uma vez que o imóvel seria revertido ao poder concedente ao fim da concessão. Na decisão de primeira instância o entendimento foi de que a empresa recorrente seria a legitima proprietária dos imóveis incorporados ao seu patrimônio, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União (serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica) e, neste caso, seria o sujeito passivo de fato da obrigação tributária, seja por ser proprietário do imóvel rural, seja por ser seu possuidor a qualquer título, como já reproduzido pela Conselheira Relatora. Inicialmente, cabe observar que o inciso VIII do art. 20 da Constituição Federal trata de potencial de energia elétrica e não dos imóveis onde se encontram estes potenciais, e que uma coisa não implica a outra, já que são distintas, como disposto no art. 176 da CF. Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. Conforme texto publicado no sítio da Agencia Nacional de Águas1, nos aproveitamentos hidrelétricos dois bens públicos são objeto de concessão, quais sejam: o potencial de energia hidráulica e a água. Nos aproveitamentos hidrelétricos dois bens públicos são objeto de concessão pelo poder público: o potencial de energia hidráulica e a água. Anteriormente à licitação da concessão ou à autorização do uso do potencial de energia hidráulica, a autoridade competente do setor elétrico deve obter a Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica DRDH junto ao órgão gestor de recursos hídricos. Posteriormente, a DRDH é convertida em outorga em nome da entidade que receber, da autoridade competente do setor elétrico, a concessão ou autorização para uso do potencial de energia hidráulica, conforme disposições dos Arts. 7º e 26º, da Lei 9.984, de 2000, Art. 23º do Decreto nº 3.692, de 2000, e Art. 9º da Resolução CNRH nº 37, de 2004. No caso de corpos de água de domínio da União, a ANA emite a DRDH e a converte em outorga conforme Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.104 10 os procedimentos estabelecidos na Resolução da ANA nº 131/2003. (grifos nossos) Os imóveis, no caso as propriedade rurais, não estão inseridos no objeto da concessão. Também, não é possível equiparar potencial de energia hidráulica ao imóvel no qual tal potencial se encontra. Logo, o imóvel em questão não é bem da União. Quanto à argumentação utilizada pela recorrente de que ao fim da concessão o imóvel seria revertido ao poder concedente, em razão da afetação ao serviço público, afirmando assim que não seria proprietária do imóvel, destacamse na jurisprudência as lições de Carvalho Filho: A reversão é a transferência dos bens do concessionário para o patrimônio do poder concedente em virtude da extinção do contrato. O termo em si não traduz a fisionomia do instituto. De fato, reversão é substantivo que deriva de reverter, isto é, retornar, dando a falsa impressão que os bens da concessão vão retornar à propriedade do concedente. Na verdade, os bens nunca foram de propriedade do concedente; apenas passa a sê lo quando se encerra a concessão. Antes, integravam o patrimônio do concessionário. O sentido melhor do termo, portanto, não tem conotação como os bens, mas sim com o serviço delegado. Com efeito, o que reverte para o concedente não são os bens do concessionário, mas sim o serviço público que constitui objeto de anterior delegação pelo instituto da concessão. O ingresso dos bens no acervo do concedente, quando ocorre, é mero corolário da retomada do serviço.” Os apontamentos do ilustre jurista demonstram que o poder concedente não é, e nem nunca foi proprietário dos bens integrantes da concessão. Logo, se o ao fim desta o imóvel no qual se encontra o potencial de energia hidráulica tiver que ser incorporado à União, isto não significa que o referido bem já tenha integrado ou integre o patrimônio da União. Reforça o presente ponto com fato de que a reversão dos bens pode ser onerosa ou gratuita. No primeiro caso, o concedente tem o dever de indenizar o concessionário, porque os bens foram adquiridos com seu exclusivo capital (art. 36 da Lei nº. 8.987/95). Na reversão gratuita, a fixação da tarifa já levou em conta o ressarcimento do concessionário pelos recursos que empregou na aquisição dos bens, de forma que ao final tem o concedente o direito à propriedade desses bens sem qualquer ônus. Notase que o poder público irá adquirir os bens ao fim da concessão, seja pelo pagamento parcelado diluído no preço da concessão ou pela indenização ao fim da mesma, in verbis: “Art. 36. A reversão no advento do termo contratual farseá com a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido.” Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.105 11 Como destacou a decisão recorrida, o CTN (arts. 29 e 31) e a Lei 9.393/1996 (arts. 1º, caput, e 4º) “não faz distinção entre o proprietário e o possuidor da terra, nem indica a prioridade que poderia ocorrer em relação à responsabilidade pelo pagamento do imposto”, estando correto o “o lançamento do imposto em nome daquela que tem a propriedade ou a posse do imóvel, com base nas informações cadastrais prestadas por ela própria à Receita Federal”. Neste contexto, uma vez que as diversas certidões de RGI apontam a recorrente como proprietária do imóvel, reconhecese esta como legítima contribuinte. Aqui também as Certidões acostadas aos autos, nas folhas 96 e seguintes, dão como adquirente ou expropriante dos imóveis, que vieram a constituir este em comento, a Recorrente. Ademais, no recurso o Recorrente tenta fazer crer que para que para ser contribuinte do ITR seria necessário reunir todos os elementos do conceito de propriedade, à luz do direito civil, quando a lei tributária, na realidade, usa o conectivo "ou". IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA. FINALIDADES As empresas públicas, em regra, não gozam do benefício da chamada "imunidade recíproca", prevista na CF/88, porque não referidas expressamente e porque exercem atividade econômica, sendolhes vedada extensão de privilégios fiscais não extensíveis às empresas privadas (vide artigo 150, VI, "a" e § 2º e artigo 173 § 2º ambos da CF/88). O STF vem construindo entendimento no sentido de que tais empresas, entretanto, quando prestadoras de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, em regime de monopólio, são alcançadas pela imunidade. Primeiro por ser a atividade típica do Estado e segundo por ser prestada em regime de monopólio, o que afastaria a "concorrência privilegiada" com o setor privado. São exemplos clássicos os casos da ECT Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e da Infraero. Tais entendimentos não passaram ao largo do conhecimento da Recorrente, que os traz pormenorizadamente em seu recurso. Mas transcrevo da peça recursal, fl. 2.034: Desta forma, eventual submissão da recorrente (Sociedade de Economia Mista) ao regime jurídico aplicável às empresas da iniciativa privada, que exercem atividades econômicas strictu sensu, somente se justificaria como consectário natural do princípio da livre concorrência prevista no art. 170, IV, da CF/88, o que não é o caso dos autos. Mas tal questão também já foi discutida neste CARF, no Acórdão nº 1101 001.241 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em Sessão de 04 de fevereiro de 2015, portanto já considerando as construções do STF sobre a matéria. Naquela ocasião, tendo como recorrente a Companhia Estadual de Águas e Esgotos CEDAE, do Rio de Janeiro, assim dispôs, por unanimidade de votos, a ementa: Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.106 12 SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras atividades para além da prestação de serviço público, e pessoas físicas e pessoas jurídicas privadas podem participar de seu capital, com direito a dividendos, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado.(destaquei) No bem fundamentado voto, assim explicou a particularidade da situação, a ilustre Relatora: A recorrente demonstra que o Supremo Tribunal Federal reconheceu imunidade à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, empresa pública prestadora de serviço público de execução obrigatória e exclusiva do Estado, nos termos do art. 21, inciso X da Constituição Federal. (...) A incidência tributária em debate somente foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral no que tange às atividades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e de hospital vinculado ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul. No primeiro caso, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.392/PR, o Supremo Tribunal Federal declarou relevantes as peculiaridades do serviço postal, conforme consignado na ementa do arresto: Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. (negrejouse) No segundo caso, em razão do Recurso Extraordinário nº 580.264/RS, a decisão do Supremo Tribunal Federal frisou ser importante que a empresa estatal não tenha por fim a obtenção de lucro: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SERVIÇOS DE SAÚDE. 1. A saúde é direito fundamental de todos e dever do Estado (arts. 6º e 196 da Constituição Federal). Dever que é cumprido por meio de ações e serviços que, em face de sua prestação pelo Estado mesmo, se definem como de natureza pública (art. 197 da Lei das leis). 2 . A prestação de ações e serviços de saúde por sociedades de economia mista corresponde à própria atuação do Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.107 13 Estado, desde que a empresa estatal não tenha por finalidade a obtenção de lucro. 3. As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea “a” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com repercussão geral. (negrejouse) A Relatora, lembrandose que este Conselho já se manifestou a favor e contra a imunidade pretendida pela Recorrente, citou o Acórdão nº 330100.856 que analisou das atividades da Companhia de Urbanização de Goiânia – COMURG e resultou no afastamento da pretendida imunidade recíproca não apenas por se referir a exigência a COFINS, como também em razão dos serviços por ela prestados, nos seguintes termos do voto condutor: No presente caso, conforme demonstrados nos autos e prova os estatutos sociais, art. 1º, cópia às fls. 09/30, a recorrente é uma sociedade de economia mista por ações de direito privado cujo objetivo econômico é a prestação de serviços elencados no art. 2º, in verbis: “Art. 2° A Companhia tem como objetivo: (...) Conforme se verifica deste dispositivo, a recorrente realiza atividades econômicas de prestação de serviços que são também realizadas por outras empresas do setor privado, sociedades limitadas e/ ou por ações, abertas ou fechadas, concorrendo em igualdades de condições. Assim, tendo optado em explorar “atividades públicas” no regime empresarial, constituindo uma sociedade de economia mista por ações, optou também pelo regime privado, devendo, portanto, se submeter a ele, inclusive no que se refere às obrigações tributárias. Pois bem. Observo o estatuto social da companhia, que se encontra acostado nas folhas 43 e seguintes: Artigo Io A Cemig Geração e Transmissão S.A. é uma sociedade por ações, constituída como subsidiária integral da sociedade de economia mista Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG, que será regida pelo presente Estatuto e pela legislação aplicável. Artigo 2 o A Companhia tem por objeto: a) estudar, planejar, projetar, construir, operar e explorar sistemas de geração, transmissão e comercialização de energia elétrica e serviços correlatos que lhe tenham sido ou venham a ser concedidos, por qualquer título de direito, ou a empresas das quais mantenha o controle acionário; Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.108 14 b) desenvolver atividades nos diferentes campos de energia, em qualquer de suas fontes, com vistas à exploração econômica e comercial; c) prestar serviço de consultoria, dentro de sua área de atuação, a empresas no Brasil e no exterior; d) exercer atividades direta ou indiretamente relacionadas ao seu objeto social. Parágrafo Único As atividades previstas neste artigo poderão ser exercidas diretamente pela Companhia ou por intermédio de sociedades por ela constituídas, ou de que venha a participar, majoritária ou minoritariamente, mediante deliberação do Conselho de Administração do Acionista Único CEMIG,(...)(negritei) Vejamos que o objetivo social da companhia não cingese à prestação de serviço público essencial. Ele inclui "serviços correlatos que tenham sido ou venham a ser concedidos", diretamente ou a empresas das quais a companhia participe, majoritária ou minoritariamente; atividades "nos diferentes campos de energia", o que inclui não só a energia elétrica como "qualquer de suas fontes" e, destaco, com vistas não à prestação de serviço público de competência da União, mas "à exploração comercial e econômica". Além disso, se propõe a prestar serviço de consultoria a empresas no Brasil e no exterior, o que não é serviço público essencial e ainda existe a previsão do exercício de atividades indiretamente relacionadas a seu objeto social. O contexto aqui exposto evidencia que a atividade da contribuinte não pode ser favorecida pela imunidade constitucional invocada porque a amplitude de seu objeto social impõe a aplicação do disposto no art. 173 da Constituição Federal. Imaginemos que um jovem engenheiro monte uma empresa de consultoria na área de eletrificação. Terá imunidade tributária? Vai enfrentar a concorrência da recorrente na forma da alínea "c", artigo 2º de seu Estatuto? Chamo a atenção ainda que o artigo 21, XII, alínea 'b' da Constituição Federal referese apenas à "instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético de curso d'água" mas não a quaisquer fontes no campo de energia, como prevê a alínea "b" do artigo 2º do Estatuto Social supracitado. Caso superadas as preliminares de não incidência e imunidade tributárias, passemos às demais questões suscitadas. VALOR DAS BENFEITORIAS. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Nestes autos, conforme DITR/2011, acostada nas folhas 1986 e seguintes, o contribuinte declarou uma área total do imóvel de 15.684,8 hectares, que não foi alterada pela Autoridade fiscal, no lançamento. Na apuração do imposto, levase em conta a área total e excluise uma série de áreas, como por exemplo a de preservação permanente, a reserva legal e as "áreas alagadas de reservatório de usinas hidrelétricas autorizadas pelo poder público", para se chegar à "área tributável", sobre a qual recairá o imposto. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.109 15 Na revisão da declaração, conforme demonstrativo de folha 11, além de alterar a "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas" para zero, a Autoridade autuante também passou o "valor das benfeitorias", que fora declarado no importe de R$ 39.852.578,55 para zero. O valor das benfeitorias influencia, normalmente, no cálculo do valor da terra nua, uma vez que este é calculado a partir de valor total do imóvel menos valor das benfeitorias. Mas ocorre que quando efetua o arbitramento do valor da terra nua, como aconteceu no caso, a partir de valores de preços de terras estabelecidos pelas Secretarias Municipais e Estaduais competentes, a Autoridade fiscal não parte do valor total para chegar ao valor da terra nua. Nesse caso, é irrelevante considerar ou não o valor das benfeitorias, porque o imposto é calculado a partir do valor da "terra nua tributável" e não a partir do valor total do imóvel (terra nua mais benfeitorias). Basta seguir o demonstrativo de apuração, na folha 11. Quanto à área ocupada com benfeitorias, diz o Recorrente que (fl. 2046): Em atenção à Instrução Normativa 60/2001 da SRF e à Lei 9.393/96, quando da declaração de ITR do imóvel Usina Volta Grande, foram discriminados 410 ha correspondentes às benfeitorias realizadas no imóvel para o regular funcionamento da Usina hidrelétrica construída. De fato, foram declarados 410,1 ha como "área com demais benfeitorias", como se pode observar na fl. 1988, área essa que não foi considerada na apuração realizada pela Autoridade Fiscal, sem que se encontre qualquer motivação para tal, no Auto de Infração (fl. 04). O Recorrente cita ainda jurisprudência e legislação para defender que também sejam excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente existentes nas margens dos reservatórios. Mas também registro que na DITR/2011 apresentada (fl. 1.988) e no demonstrativo de apuração de folha 11 não consta a declaração/glosa de um único hectare de área de preservação permanente. Assim, entendo que a eventual inclusão de áreas de preservação permanente que não foram informadas em DITR e, obviamente, não foram objeto de glosa pela Autoridade fiscal revisora, estão fora deste litígio e, sua inclusão seria cabível somente em procedimento de revisão de ofício, nos termos do artigo 149, do CTN. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. Tanto na impugnação, quanto no recurso não verifico que o contribuinte questione o arbitramento efetuado tampouco o valor arbitrado. Concentrouse em extensa argumentação acerca da não incidência e imunidade, mesmo tendo apresentado declaração de ITR, identificandose como contribuinte do imposto, conforme já citado. Concorda ser contribuinte, quando se exclui grande parte da área, como não tributável e se atribui à terra nua o valor de R$ 1.207.988,32, o que representa R$ 77,02 por hectare, considerando a área total do imóvel de 15.648,8 ha. Entretanto, quando o valor da terra nua foi alterado para R$ 4.545,45 por hectare, para terra de "campos", conforme a tela do sistema SIPT cuja cópia está na folha 1999, irresignouse com a condição de contribuinte ou com a tributação. Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.110 16 Na folha 13/14 consta o termo de intimação fiscal onde o contribuinte foi previamente intimado a comprovar o valor da terra nua declarado, mediante a apresentação de laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos da NBR 14.653, da ABNT, sob a advertência de ser o valor declarado alterado conforme informações constantes do sistema de preços de terra da RFB, com parâmetros estabelecidos com base no artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. A Autoridade Fiscal afirma que não atendida a intimação para a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel e que procedeu ao arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT (sistema de preços de terra, instituído pela RFB), conforme Termo de constatação e intimação, nas folhas 10 e 11. De fato, não se localiza nestes autos qualquer laudo de avaliação do imóvel. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2011, foi então alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB). Na tela informadora do sistema SIPT, que encontrase anexada na fl. 1998/9, observase que constam informações sobre preços de terras, para o município de Conceição das Alagoas, tendo como fonte de informação a Secretaria Estadual de Agricultura e a Prefeitura Municipal, estabelecidos discriminadamente pelos diversos tipos de terra e aptidão agrícola, existentes na localidade. Foi utilizado o menor valor do VTN/ha dentre os disponíveis. Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a possibilidade de utilização do VTN baseado nesse tipo de informação, quando o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta o laudo técnico com o escopo de demonstrar que seu imóvel destoa do padrão de preços de terra, naquele determinado município. Vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.111 17 informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.(gifei) Acórdão n° 2801000.741, de 27/07/10 VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, o qual corrobore sua declaração. Não sendo hábeis os documentos apresentados, cabível a autuação que considerou o VTN, constante do SIPT, considerandose o município de localização do imóvel, a aptidão de uso do solo e as extensões de áreas declaradas pelo contribuinte. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.112 18 III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Dessa feita, regular o arbitramento, efetuado como foi nestes autos. Aliás, sequer existe questionamento expresso, neste sentido, sobre o valor da terra nua empregado. SÚMULA CARF Nº 45 Diz a Súmula CARF nº 45 que: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.(grifei) Nas duas intimações que precederam a autuação, conforme já citado, não verifico que o contribuinte tenha sido intimado a comprovar a existência e a extensão das áreas alagadas para formação de reservatório da usina hidrelétrica. A DRJ disse que não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental ADA nem comprovação de autorização/reconhecimento do órgão competente, no caso o Ibama. A possibilidade de exclusão dessas áreas na apuração do ITR, especificamente, veio contemplada com o artigo 40, da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que alterou o artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Tenho sempre defendido a necessidade de apresentação tempestiva do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal. Entretanto, pareceme que tanto a Súmula CARF quanto a jurisprudência da Câmara Superior deste Conselho, no caso das Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.113 19 áreas alagadas de reservatórios, não vinculam a sua exclusão da área tributada à entrega prévia de ADA. Observo o julgado da CSRF: Acórdão 9202002.892– 2ª Turma ITR. TERRAS SUBMERSAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. MARGENS DE REPRESA DE USINA HIDRELÉTRICA. INEXISTÊNCIA DE ADA. RECONHECIMENTO DAS ÁREAS SUBMERSAS. DECORRÊNCIA POR DEFINIÇÃO LEGAL. Uma vez reconhecida à existência e a não incidência de ITR sobre as áreas submersas por represa de Usina Hidrelétrica, por decorrência lógica/legal impõese admitir as suas margens como área de preservação permanente, por definição da própria legislação de regência, especialmente artigo 2o, alíneas “a” e “b”, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), independentemente de apresentação de ADA.(grifei) ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE CONSTITUIÇÃO DE RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS Na ocasião da apreciação anterior, verificouse que o contribuinte havia declarado a maior parte de seu imóvel como "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público" (fl. 1988). Na apuração de ofício, a Autoridade lançadora incluiu essa área, controvertida. No relatório de diligência (fl. 2090), a Prefeitura de Conceição das Alagoas/MG, que foi responsável pelo lançamento tributário, mediante seu Departamento de Finanças, diz que: ...devo informar que houve uma falha técnica e equivocada de lançamento tributário por parte do servidor responsável pelo serviço de cobrança, lançamento e fiscalização do ITR, vez que o imóvel...tratase realmente de área alagada de reservatório de usina hidrelétrica autorizada pelo poder público, perfazendo uma área total alagada de 14.690,00 hectares. (...) considerando que se trata de área alagada de reservatório de usina hidrelétrica autorizada pelo poder público, devendo essa área de 14.690,00 hectares ser excluída do processo de tributação, conforme disposto na... Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.114 20 Portanto, o próprio Agente lançador reconhece que houve um erro na tributação e que de fato existe uma área de 14.690,0 ha que não deve ser tributada. CONCLUSÃO Nos termos deste Voto, considero que o imóvel seja passível de incidência do ITR, identificado corretamente o sujeito passivo que não está imune do tributo, no caso. Também considero que foi regular o arbitramento efetuado, uma vez que, regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou a documentação comprobatória que pudesse ilidir o arbitramento do valor da terra nua com base nas informações de sistema informativo da RFB, baseado no artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Contudo, na apuração da área tributável deve ser excluída a área de 14.690,0 alagada para a formação de reservatório, conforme a jurisprudência consolidada e de observância obrigatória neste CARF, aliás com respaldo legal (artigo 40, da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que alterou o artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996), e na apuração da área aproveitável deve ser considerada a área ocupada com benfeitorias, que foi glosada sem nenhuma justificativa, no Auto de Infração, na extensão de 410,1 ha. Dessa feita, VOTO por dar parcial provimento ao recurso para excluir da área tributável a área de 14.690,0, alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, e para considerar na apuração da área aproveitável a área de 410,1 ha, ocupada com benfeitorias (vide demonstrativo de fl. 11). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2114DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.006649/98-01
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1988
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS.
Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp nº 1.110.578-SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Quanto aos prazos prescricionais do CTN, há súmula do CARF, embasada em decisão do STF sob a sistemática de repercussão geral (RE nº 566.621), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC. Como o pedido de restituição/compensação foi apresentado em 17/11/1998, estão prescritos os direitos creditórios referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988.
Numero da decisão: 9900-001.001
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1988 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp nº 1.110.578-SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Quanto aos prazos prescricionais do CTN, há súmula do CARF, embasada em decisão do STF sob a sistemática de repercussão geral (RE nº 566.621), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC. Como o pedido de restituição/compensação foi apresentado em 17/11/1998, estão prescritos os direitos creditórios referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Relatório Trata-se de recurso extraordinário apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, com fulcro no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c artigo 3º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em que se alega divergência entre turmas da CSRF quanto ao que se decidiu sobre prescrição de direito creditório reivindicado pela contribuinte em pedido de restituição/compensação. A PGFN insurgi-se contra o Acórdão nº 02-03.656, de 26/11/2008, por meio do qual a 2 a Turma da CSRF, entre outras questões, deu provimento a recurso especial da contribuinte para, por unanimidade de votos, afastar a prescrição de direito creditório reivindicado em decorrência de pagamentos indevidos ou a maior de PIS/PASEP realizados com base nos Decretos- Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 PIS. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 4 3 relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Como regra geral, a declaração de inconstitucionalidade de um certo ato normativo tem efeito "ex tunc", não cabendo buscar a preservação visando a interesses momentâneos e isolados. Precedentes jurisprudenciais. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RECONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA SEM RESPALDO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeçam aos expressos ditames legais ou não tenham sido reconhecidos judicialmente. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto à matéria "expurgos inflacionários". Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez López (Relatora), Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho que davam provimento ao recurso; 2) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial quanto ao prazo para reconhecimento do direito creditório. Designado para redigir o voto vencedor quanto à matéria "expurgos inflacionários", o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. A PGFN afirma que o acórdão recorrido, exarado pela 2 a Turma da CSRF, deu à lei tributária interpretação divergente da que foi dada por outra turma da CSRF, especificamente quanto ao que se decidiu sobre prescrição de direito creditório reivindicado pela contribuinte em pedido de restituição/compensação. Para o processamento de seu recurso extraordinário, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS OCORRIDOS E DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - trata-se do Pedido de Compensação de fl. 01, protocolizado em 17/11/1998, relativo a créditos por recolhimentos a maior da Contribuição para o PIS Faturamento, base de cálculo apurada nos meses de 07/88 a 09/95, efetuados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Segundo a planilha de fls. 140/141 e os DARF (originais) anexados às fls. 30/139, os pagamentos que originaram os créditos foram realizados entre 20/10/88 e 06/11/97; - o v. acórdão ora recorrido proferido pela Colenda 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assentou o entendimento de que na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução senatorial, o prazo de cinco anos para a apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se apenas na data da publicação da resolução; - divergindo frontalmente desse entendimento, temos o seguinte paradigma oriundo da Colenda 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que assentou o entendimento que para os pedidos formulados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/95 (hipótese dos autos), o prazo é de dez ano para a compensação, verbis: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 5 4 Acórdão nº 9101-002.133 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Conforme Súmula CARF n. 91, “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. DAS RAZÕES QUE JUSTIFICAM A REFORMA DO V. ACÓRDÃO ORA RECORRIDO - foi publicado no dia 11/10/2011 o inteiro teor da decisão do STF envolvendo o prazo que os contribuintes possuem para exercer o direito a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior; - o caso (RE 566.621) que teve repercussão geral e efeito vinculante aos demais Juízos e Tribunais nacionais, teve origem em 2005, quando foi publicada Lei com regra denominada interpretativa do Código Tributário Nacional; - a regra nova determinou que o início do prazo de 5 (cinco) anos para restituição começa a partir do pagamento antecipado, no caso de tributos onde é dever do contribuinte a declaração do débito e, ao mesmo tempo, realizar o respectivo pagamento; - antes, a interpretação dominante compreendia que o início do prazo se dava somente a partir do pagamento definitivo, ou seja, apenas após o final do prazo de 5 (cinco) anos que a Fazenda tem para concordar ou não com a adequação do pagamento; - somado o prazo da Fazenda, cinco anos para homologar, ao prazo de cinco anos para a restituição, chega-se à conhecida 'regra dos cinco mais cinco', que nada mais é do que uma decorrência lógica da compreensão adequada de duas regras existentes e interpretadas de forma harmônica; - a partir da nova lei, a Fazenda pretendia a aplicação do 'novo prazo' inclusive aos pagamentos já realizados anteriormente à lei, sob argumento central de que, sendo uma norma de interpretação, não criando ou restringindo direitos, poderia ser aplicada ao passado, ou seja, retroagir; - a matéria foi altamente judicializada, até a definição do Supremo, que, conforme resultado amplamente divulgado, ao desprover o recurso da União, termina por evitar esta retroatividade; - quanto à transição dos prazos, definiu o Supremo que a nova regra deve ser aplicada a todos os casos ajuizados após o vigor da nova lei, ou seja, 9/6/05; - no ponto, não acolheu a pretensão dos contribuintes da aplicação de regra de transição de prazos que tornaria possível o pleito pela regra dos 10 (dez) anos até 9/6/10; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 6 5 - assim sendo, a teor do artigo 62-A do Regimento Interno, a CSRF deve adotar o entendimento acima, uma vez oriundo de decisão emanada do Plenário do Supremo Tribunal Federal, conforme também prevê a Súmula nº 91 do CARF; - como o pedido administrativo da compensação só foi formulado pelo contribuinte em 17 de novembro de 1998, todas as parcelas anteriores a 17 de novembro de 1988 pleiteadas estão decaídas; DO PEDIDO - diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Extraordinário, a fim de reformando o v. acórdão ora recorrido, ser reconhecido que todas as parcelas anteriores a 17 de novembro de 1988 pleiteadas estão decaídas. Quando do exame de admissibilidade do recurso extraordinário da PGFN, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do despacho exarado em 03/12/2015, reconheceu a existência da divergência suscitada e deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] No confronto entre os acórdãos mencionados, constata-se que os julgamentos realmente apresentam decisões divergentes. No julgado recorrido, o prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN para se pedir a repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação inicia-se com a retirada do mundo jurídico da legislação que instituía sua cobrança, pela declaração de sua inconstitucionalidade, enquanto que os acórdãos divergentes consignam que esse prazo é de dez anos e se inicia com o fato gerador, ou seja, do pagamento indevido. Ademais, cabe ressaltar que a matéria recorrida encontra-se sumulada com o entendimento seguinte, verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Por fim, seguindo tal entendimento, verifica-se que o presente processo trata de pedido de restituição protocolizado em 17/11/1998, em que se busca a repetição de valores pagos a título de PIS referentes aos períodos de 07/1988 a 09/1995 (recolhimento indevido - fatos geradores), sendo imprescindível o reconhecimento da decadência de parte do pedido da empresa interessada, de acordo com a Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, verificando presentes todos os pressupostos de admissibilidade, DOU seguimento ao recurso extraordinário da PGFN. Em 14/12/2015, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 02-03.656, do recurso extraordinário da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Ela não recorreu da parte da decisão que lhe foi desfavorável e nem apresentou contrarrazões ao recurso da PGFN. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 7 6 É o relatório. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto pedido de restituição/compensação de direito creditório referente à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, apresentado em 17 de novembro de 1998, referente ao período de apuração de julho de 1988 a setembro de 1995, no valor de R$ 1.596.157,28. O direito creditório que a contribuinte reivindica é decorrente de recolhimentos indevidos ou a maior efetuados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A controvérsia que chega a essa fase de recurso extraordinário diz respeito à divergência jurisprudencial em relação à prescrição do direito creditório. O acórdão recorrido deu provimento a recurso especial da contribuinte, para fins de afastar a prescrição de direito creditório reivindicado em decorrência de pagamentos indevidos ou a maior de PIS/PASEP realizados com base nos referidos decretos-leis. De acordo com o acórdão recorrido, o prazo de cinco anos para apresentação de pedido de restituição/compensação, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da norma tida como inconstitucional no controle difuso, inicia-se na data da publicação da resolução do Senado Federal que deu efeitos erga omnes ao pronunciamento do STF (Resolução nº 49 do Senado Federal, de 10/10/1995). Além disso, a declaração de inconstitucionalidade teria efeitos "ex-tunc", de modo que a contribuinte poderia, em relação ao passado, repetir todos os valores pagos indevidamente ou em excesso. Com seu recurso extraordinário, a PGFN pretende reverter essa decisão, invocando o entendimento manifestado pelo STF em julgamento de matéria de repercussão geral (RE 566.621), e sumulado pelo CARF (Súmula nº 93), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". De acordo com a PGFN, como o pedido administrativo de restituição/ compensação foi formulado pelo contribuinte em 17/11/1998, as parcelas anteriores a 17/11/1988 estariam decaídas (prescritas). A linha de interpretação adotada pelo acórdão recorrido não traz questões apenas em relação à simples definição do marco temporal para o início da contagem da prescrição. O que essa interpretação também faz é tornar sem efeito os prazos de prescrição previstos no CTN, para que a possibilidade de repetição de indébito se estenda indefinidamente em relação ao passado. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 9 8 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por algum tempo, editou decisões que, examinando indébito decorrente de pagamento feito com base em norma declarada inconstitucional, afastavam os prazos para repetição de indébito previstos no Código Tributário Nacional (p/ ex., REsp nº 534.986-SC, de 04/11/2003), o que reforçava a tese sustentada pelo acórdão recorrido, no sentido de que a possibilidade de repetição de indébito, nesses casos, não tem nenhum limite em relação ao passado. Contudo, o STJ revisou a sua jurisprudência, e passou a entender que, nesse mesmo tipo de situação, os prazos para repetição de indébito previstos no Código Tributário Nacional devem ser aplicados, tanto no caso de a inconstitucionalidade ser decretada no controle concentrado, quanto no caso de ser decretada no controle difuso. É importante transcrever a ementa e o voto do julgamento do REsp nº 1.110.578-SP, exarado em 12/05/2010 na sistemática do art. 543-C do CPC: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 10 9 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. [...] VOTO O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, preenchidos os requisitos de admissibilidade do presente apelo, impõe-se o seu conhecimento. Versa a controvérsia acerca do termo inicial de contagem do prazo prescricional para ajuizamento da ação de repetição de indébito relativo a tributo instituído por lei municipal declarada inconstitucional, in casu, a lei instituidora da Taxa de Iluminação Pública referente aos exercícios de 1990 a 1994, cuja declaração de inconstitucionalidade, em sede de Ação Civil Pública, transitou em julgado em 09/04/96 (fls. 825). O Tribunal a quo entendeu que não seria hipótese de ocorrência da prescrição em relação aos créditos tributários em tela, porquanto não decorrera mais de um lustro entre o trânsito em julgado da decisão da ACP e a propositura da demanda. Deveras, o presente tema - termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento da ação de repetição de indébito relativa a tributo declarado inconstitucional - sofreu alterações ao longo do tempo, tendo a jurisprudência desta Corte Superior adotado o entendimento de que o prazo prescricional somente se iniciaria a partir do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (controle concentrado) ou da publicação da Resolução do Senado Federal (controle difuso). À guisa de exemplo, os seguintes precedentes: [...] Não obstante, a egrégia Primeira Seção deste colendo Superior Tribunal de Justiça, houve por bem afastar, por maioria, a tese acima esposada, para adotar o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos lançados por homologação declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição se dá após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, sendo despiciendo o fato de haver ou não declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora pelo Supremo Tribunal Federal, nem a suspensão da execução da lei por Resolução expedida pelo Senado Federal (cf. Informativo de Jurisprudência do STJ nº. 203, de 22 a 26 de março de 2004). Confira-se a ementa do julgado: [...] Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 11 10 Destarte, a partir de então, aplica-se a mesma ratio essendi em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, considerando-se como início do prazo prescricional a data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. Nesse sentido inúmeros julgados: [...] Ex positis, DOU PROVIMENTO ao recurso especial. Porquanto tratar-se de recurso representativo da controvérsia, sujeito ao procedimento do art. 543-C do Código de Processo Civil, determino, após a publicação do acórdão, a comunicação à Presidência do STJ, aos Ministros dessa Colenda Primeira Seção, aos Tribunais Regionais Federais, bem como aos Tribunais de Justiça dos Estados, com fins de cumprimento do disposto no parágrafo 7º do artigo 543-C do Código de Processo Civil (arts. 5º, II, e 6º, da Resolução 08/2008). (grifos acrescidos) Vê-se que o STJ, examinando situação semelhante à destes autos, decidiu pela prescrição do direito creditório, em razão do lapso temporal transcorrido entre os pagamentos e o pedido de restituição. O que é importante perceber é que para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito. A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC. Desse modo, a inconstitucionalidade dos Decretos-leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 declarada pelo STF, acompanhada da Resolução nº 49 do Senado Federal, de 10/10/1995, são aspectos que não devem influenciar a contagem do prazo prescricional em questão. Os prazos a serem aplicados para a contagem da prescrição são mesmo os previstos no CTN, conforme a referida decisão do STJ, exarada na sistemática do art. 543-C do CPC. E quanto aos prazos prescricionais do CTN, já há súmula do CARF, embasada em decisão do STF sob a sistemática de repercussão geral (RE 566.621), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 12 11 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". Assim, estão mesmo prescritos os direitos creditórios referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988. Desse modo, voto o sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso extraordinário da PGFN para fins de reconhecer a prescrição dos indébitos referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do pretenso direito creditório. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 669DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720033/2013-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. COMPROVADA APENAS A OMISSÃO. CONHECIMENTO PARCIAL. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO MERITÓRIA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO SEM EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE.
Se alegado contradição e omissão no acórdão embargado e comprovada apenas a omissão, mas demonstrada a improcedência da pretensão meritória suscitada pela embargante, acolhe-se parcialmente os aclaratórios apenas para suprir a omissão e, sem efeito infringente, rerratificar o acórdão embargado.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e a Conselheira Maria do Socorro votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. COMPROVADA APENAS A OMISSÃO. CONHECIMENTO PARCIAL. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO MERITÓRIA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO SEM EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. Se alegado contradição e omissão no acórdão embargado e comprovada apenas a omissão, mas demonstrada a improcedência da pretensão meritória suscitada pela embargante, acolhese parcialmente os aclaratórios apenas para suprir a omissão e, sem efeito infringente, rerratificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e a Conselheira Maria do Socorro votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 33 /2 01 3- 70 Fl. 3391DF CARF MF 2 Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 3353/3363), tempestivamente, opostos pela autuada, com o objetivo suprir supostos vícios de contradição e omissão contidos no acórdão nº 3101001.704, de 17 de setembro de 2014 (fls. 3315/3326), em que, por unanimidade de votos, decidiram os membros da extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, 3º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no valor equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas nos arts. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003. A embargante alegou que houve contradição no julgado embargado, sob o argumento de que ao se insurgir contra a autuação, alegara que o agente fiscal, ao recompor os créditos e débitos existentes no período, incorrera em erro de fato, pois considerara créditos de algumas filiais e débitos de outras, enquanto que a Turma de Julgamento limitarase a afirmar que a contribuinte devia demonstrar pontualmente porque os créditos glosados eram legítimos. No tocante ao vício de omissão, a embargante alegou que, em seu recurso voluntário, teria demonstrado sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da presente autuação e a responsabilidade exclusiva dos administradores à época dos fatos, segundo prescreve o art. 135 do CTN, porém, esta questão não fora examinada pelo referido Colegiado de julgamento. Por meio do despacho de fls. 3387/3389, com amparo no disposto no art. 4º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 29, de 23 de junho de 2015, o presidente a da 1ª Câmara desta 3ª Seção, reconheceu a procedência parcial dos embargos, para: a) rejeitar a alegada contradição, porque a embargante limitarase a apontar a ocorrência de erro de fato na apuração efetuada pelo Fisco, porém, em nenhum momento demonstrara, objetivamente, a contradição porventura existente entre a decisão e seus fundamentos; b) acatar a alegada omissão, porque fora demonstrada, objetivamente, que o Colegiado julgador não apreciara a questão atinente à responsabilidade exclusiva dos administradores. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento parcial dos presentes embargos de declaração, para análise apenas do vício de omissão alegado pela recorrente. No recurso voluntário e nos presentes embargos, a embargante alegou que era parte ilegítima para compor o pólo passivo das presentes autuações, porque, nos termos Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3302003.745 S3C3T2 Fl. 3.392 3 prescritos pelo art. 135, III, do CTN, estavam caracterizados os pressupostos para responsabilização exclusiva dos então administradores da pessoa jurídica incorporada, Bertim S/A., pelos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, cujos fatos geradores ocorreram até a data da incorporação da citada pessoa jurídica pela embargante, haja vista que eles agiram com clara infração à lei e ao estatuto social, ao não terem declarado e recolhido os créditos tributários lançados, aliado à declaração de que havia crédito a ser ressarcido. A pretensão da recorrente foi baseado no disposto no art. 135, III, do CTN, que, para melhor análise da questão, segue transcrito: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos não originais) Da interpretação do referido preceito legal, em especial da expressão em destaque (“obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei”), extraise que o ato ilícito que dá ensejo a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica é aquele praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, que resulta na correspondente obrigação tributária. Assim, a condição necessária para que administrador seja incluído no polo passivo da respectiva obrigação tributária é que o ato ilícito societário (excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto) por ele praticado tenha resultado, simultaneamente, na prática do fato que resultou na obrigação tributária objeto da autuação. Porém, embora necessária, essa condição não é suficiente para configuração da responsabilidade do administrador. No caso, além da prática do ilícito societário, com o consequente surgimento de obrigação tributária, exigese ainda que o ato societário tenha sido praticado em detrimento da pessoa jurídica administrada. Dito de outra forma, se o ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto foi praticado em benefício da sociedade, obviamente, não há razão para incluir o administrador no polo passivo da respectiva obrigação. Em suma, para que o administrador integre polo passivo da obrigação tributária, além da comprovação da prática do ilícito societário, resultante da correspondente obrigação tributária, também deve ser comprovado que ele atuou com desvio finalidade, no que concerne aos interesses e fins da sociedade por ele administrada, e tenha causado prejuízo à sociedade. Assim, a configuração da responsabilidade do administrador depende da comprovação da violação dos poderes definidos na lei, no contrato social ou no estatuto, bem como da comprovação de que ilícito societário foi cometido com desvio de finalidade, ou seja, contra os fins e interesses da sociedade empresária e tenha lhe causado efetivo prejuízo. Alguns exemplos contribuirá para a compreensão da explicação aqui apresentada: a) no caso de subfaturamento de vendas, quando a diferença não contabilizada e Fl. 3393DF CARF MF 4 tributada é embolsada pelo administrador; e b) a escrituração de despesas fictícias, quando o valor excluído da base cálculo dos tributos é apropriado pelo administrador. Nos dois exemplos, é evidente a prática de ato com infração de lei, contrato social ou estatuto, assim como desvio de finalidade, ou contrário aos interesses e fins da pessoa jurídica, e que resulta no surgimento de obrigação tributária. Logo, nos dois hipotéticos casos, diante do ilícito societário praticado pelo administrador contra a sociedade empresária, há inequívoco surgimento de obrigação tributária e, nesta condição, ele deve compor o polo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável. No caso em tela, nenhuma das situações ficou configurada, ou seja, nem há provas da prática do ilícito societário, de que decorra surgimento de obrigação tributária, nem desvio de finalidade e tampouco prejuízo à sociedade empresária. Com efeito, o fato de os administradores da sociedade incorporada não terem declarado e recolhido os créditos tributários lançados foi baseado no entendimento de que fazia jus a parcela dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins que foram glosados pela fiscalização, no curso do procedimento fiscal, conforme se infere dos relatos da fiscalização colacionados aos autos. Em relação a declaração de que havia crédito a ser ressarcido, além de não provada, por certo, tal declaração não configura ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, que tenha resultado surgimento de obrigação tributária e causado prejuízo a sociedade, o que não ocorreu no caso em apreço. E como o bem jurídico protegido pelo art. 135, III, do CTN, não foi conspurcado, logo, não fundamento legal nem jurídico para inclusão dos administradores no polo passivo da autuação como responsável pelo crédito tributário. No caso, como o procedimento fiscal em questão teve início antes da incorporação da companhia fiscalizada (Bertin S/A.) pela ora embargante, cabialhe o dever de diligência, com vista ao conhecimento da existência de eventual passivo tributário. Ao assim não proceder, a recorrente deve assumir as consequências da sua negligência. Entretanto, ainda que configurasse ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, inequivocamente, no entendimento deste Conselheiro, os atos praticados pelos administradores não resultaram em obrigação tributária, como exige o caput do art. 135 do CTN. Em decorrência da prática dos referidos atos também não é possível vislumbrar desvio de finalidade em relação aos interesses e fins da sociedade empresária incorporada, haja vista que não há provas nos autos de que os administradores tenham se apropriado dos recursos financeiros não destinados ao pagamento dos valores dos créditos tributários lançados. E na ausência dessa comprovação, não há como ser imputado aos referidos administradores qualquer responsabilidade pelo crédito tributário lançado em desfavor da recorrente. Enfim, cabe consignar que, na mesma linha do entendimento aqui esposado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial (REsp) 1.101.728/SP, submetido ao rito do art. 543C do CPC, decidiu que o simples inadimplemento do pagamento do crédito tributário não caracteriza ilícito societário, para fins de responsabilização do sócio gerente, sendo necessária a comprovação da prática de excesso de poder ou de infração à lei, contrato social ou estatuto, conforme dispõe o art. 135, III, do CTN. Para melhor compreensão Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3302003.745 S3C3T2 Fl. 3.393 5 do teor do entendimento esposado pela referida Corte, segue reproduzido o enunciado da ementa do referido julgado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/081. (Grifos não originais). Esse entendimento foi ratificado pela Súmula 430/STJ, que tem os seguintes dizeres: “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente”. Assim, além de manifestar o entendimento de que o mero inadimplemento do pagamento do tributo não constitui motivo suficiente para a inclusão do administrador no polo passivo da obrigação tributária, a referida jurisprudência também definiu que a responsabilidade do administrador era solidária ou subsidiária, mas não exclusiva, como defendeu a embargante. Logo, na condição de sucessora da contribuinte, há sim legitimidade passiva da recorrente para compor o polo passivo das autuações. E como a referida jurisprudência é de adoção obrigatório pelos integrantes deste Conselho, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015), adotase neste julgado os referidos entendimentos. 1 BRASIL. STJ. PRIMEIRA SEÇÃO. REsp 1101728/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 11/03/2009, DJe 23/03/2009. Fl. 3395DF CARF MF 6 Por todo o exposto, votase por acolher parcialmente os embargos, para, sem efeitos infringentes, rerratificar a decisão consignada no acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 3396DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000064/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.
As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de Ajustes Positivos de Créditos e de Ajustes Negativos de Créditos, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração.
Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF.
Numero da decisão: 9303-004.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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PIS. COFINS. EXTEMPORÂNEO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 64 /2 00 9- 11 Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.171 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3202001.456, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de apuração de créditos extemporâneos, anular o despacho decisório e o acórdão recorrido e determina que a DRF de origem examinasse a procedência ou não dos referidos créditos, alusivos aos valores não pertinentes ao 4ª trimestre/2007, e emitisse novo despacho decisório. Os fundamentos da referida decisão encontramse resumidos no enunciado da ementa que segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4o, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.172 3 Tendo a DRF e a DRJ se recusado a apreciar o mérito dos créditos extemporâneos, devem ser anuladas ambas as decisões para evitar supressão de instância e permitir que seja proferido novo despacho decisório. Recurso voluntário provido em parte. O objeto deste processo e os fundamentos da decisão integrante do Despacho Decisório, que deu origem ao presente litígio, foram resumidos no relatório do citado acórdão, com os seguintes dizeres, in verbis: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (fls. 08/10 a numeração indicada neste ato se refere a do processo digital) e de Declarações de Compensação (fls. 11/204, 207/403, 406/605 e 608/666), em que a interessada pretende compensar débitos tributários com crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Mercado Interno, referente ao 4º trimestre/2007. Analisando o pedido da contribuinte, foi proferido Despacho Decisório (fls. 716 e ss.), por meio do qual foi negada a maior parte do direito postulado, sob os seguintes argumentos: a) Impossibilidade de formulação de um único PER para ressarcimento de créditos decorrentes de outros trimestres calendários; b) Vedação ao desconto de créditos sobre insumos, ativos e frete sobre compra para a atividade comercial; c) Proibição à apropriação de créditos sobre armazenagem e frete de venda, para pessoas jurídicas sujeitas à sistemática monofásica de incidência das contribuições; e d) Negativa de crédito em relação à contraprestação de aluguéis de imóveis pagos a pessoas físicas. A contribuinte interpôs Embargos de Declaração (fls. 1136 e ss.), que alegou existência no acórdão embargado de suposta obscuridade, pela falta de clareza, e de omissão, pela inexistência de expressa manifestação acerca da espécie de nulidade (formal ou material), que supostamente estaria eivado o presentes processo administrativo. Os referidos embargos foram rejeitados por meio do Despacho de fls. 1161/1163, sob o fundamento de que, por não haver as alegadas obscuridade e omissão, o que a embargante pretendia era rediscutir a matéria, em razão de não concordar com os fundamentos completos e consistentes apresentados no voto condutor do julgado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial (fls. 1104 e ss.), em que, ao contrário do entendimento esposado no acórdão recorrido, alegou que não havia possibilidade de apuração de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins quando o contribuinte não tivesse (i) apresentado único pedido de ressarcimento, para cada trimestrecalendário, e (ii) retificado previamente os correspondentes DACONs. Para a recorrente, em que pese o § 4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 assegurar ao contribuinte “o aproveitamento do crédito em meses Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.173 4 subsequentes, esse aproveitamento não prescinde da devida apuração, na forma do § 1º do mesmo artigo”. (grifo do original) Para comprovar o dissenso, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3401002.547 e 380100.537. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial para ambas as matérias, por meio do Despacho de fls. 1122/1126, foi dado o seguimento total ao recurso. As razões relevantes para admissibilidade integral do recurso foram as seguir extraídas do citado despacho: "As matérias foram prequestinadas e a divergência suscitada pela FAZENDA NACIONAL, originouse por conta da Decisão no Acórdão recorrido que decidiu que reconhece a possibilidade de apuração de créditos extemporâneos da COFINS, em que pese o contribuinte não tenha apresentado um pedido de ressarcimento único para cada trimestre calendário, nem tenha retificado previamente as DACONs, apesar de intimado para tanto. Em resumo o Acórdão recorrido indica: i) ser possível a apuração de créditos extemporâneos do PIS/COFINS mesmo quando o contribuinte não tenha apresentado um pedido de ressarcimento único para cada trimestrecalendário, como determina o art. 22, § 3º, I, da IN/SRF nº 600/2005, e ii) acata a possibilidade de aproveitamento de créditos extemporâneos, sem a prévia retificação das DACONs. Nestes pontos, transcrevese a fundamentação do acórdão recorrido. Vide trechos do voto recorrido (destaque nosso): i) “(...) Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. ii) “(...) Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória.O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas”. Visando comprovar o dissenso, foi apontado pela PGFN, como paradigmas, os Acórdãos a seguir mencionados relativo a cada matéria: i) DA (IM)POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DO PIS/COFINS QUANDO O CONTRIBUINTE NÃO TENHA APRESENTADO UM PEDIDO DE RESSARCIMENTO ÚNICO PARA CADA TRIMESTRECALENDÁRIO: Acórdãos paradigmas nºs 3401002.547 e 380100.537. Transcrevese abaixo parte da ementa, que interessa a presente lide, dos Acórdãos paradigmas nºs 3401002.547 e 380100.537, cujas ementas, nos Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.174 5 termos do § 9º do art. 67, do RICARF, se encontram reproduzidas no corpo do recurso, em sua integralidade. 1) ACÓRDÃO Nº 3401002.547, de 27/03/2014 (4ªC/1ªT). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 “(...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DE VALORES CORRESPONDENTES A OUTRO TRIMESTRECALEDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Cada pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestre calendário, de modo que devem ser excluídos os valores estranhos ao trimestre de que se quer o ressarcimento. 2) ACÓRDÃO Nº 380100.537, de 29/09/2010 (1ª TE) Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 “(...) PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. O pedido de ressarcimento deve se ater a um único trimestrecalendário, sendo incabível a apreciação de matéria relacionada a trimestre diverso daquele tratado no processo. Vide trecho dos votos dos acórdãos paradigmas 1 e 2 (destaque nosso): 1) “(...) Como visto, a norma é bem clara, ao dispor que cada pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestrecalendário, de modo que os pedidos de ressarcimento que apontam um determinado trimestre, mas nele estão incluídos valores de outro período, estão em desacordo com a norma. Portanto, agiu bem a autoridade fiscal ao excluir do crédito pleiteado os valores que não compõem o segundo trimestrecalendário de 2005, ao qual se refere o pedido de ressarcimento. 2) “(...) Conforme legislação acima transcrita, o pedido de ressarcimento deve se ater a um único trimestrecalendário. Assim, questões relativas a apuração de trimestre que não seja o segundo de 2003, não serão aqui consideradas”. No Recurso Especial, entende a FAZENDA NACIONAL que enquanto a decisão recorrida o Colegiado a quo considerou viável a apuração de créditos extemporâneos do PIS/COFINS mesmo quando o contribuinte não tenha apresentado um pedido de ressarcimento único para cada trimestre calendário. Diversamente, a Primeira Turma da Quarta Câmara e a Primeira Turma Especial, ambas da Terceira Seção do CARF, entenderam Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.175 6 que cada pedido de ressarcimento deve se ater a um único trimestre calendário, conforme preceitua o art. 22, § 3º, I, da IN/SRF nº 600/2005. Nesse esteio, as turmas prolatoras dos paradigmas (tal como feito pela decisão de piso do presente processo) concluíram não ser possível analisar questões relativas a outros trimestres. Com essas considerações, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial para essa matéria. II) (IM)POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DO PIS/COFINS QUANDO O CONTRIBUINTE NÃO TENHA RETIFICADO PREVIAMENTE AS DACONS: Acórdão paradigma nº 3301001.999. Transcrevese abaixo parte da ementa, que interessa a presente lide, do Acórdão paradigma nº 3301001.999, de 21/08/2013, cuja ementa, nos termos do § 9º do art. 67, do RICARF, se encontra reproduzida no corpo do recurso, em sua integralidade. ACÓRDÃO Nº 3301001.999, de 21/08/2013 (3ªC/1ªTO) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de Cofins não cumulativa está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. Vide abaixo, trecho do voto do acórdão paradigma (destaque nosso): “(...) Assim, provado que a recorrente não apresentou os Dacon originais e os retificadores demonstrando os créditos extemporâneos e os saldos credores trimestrais apurados, assim como não apresentou as respectivas DCTF retificadoras, a glosa de tais créditos deve ser mantida Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.176 7 Proferindose o cotejo entre o acórdão recorrido e o paradigma, verificase claramente a divergência sobre a matéria em discussão. Observese que diversamente do acórdão recorrido, o acórdão paradigma exige a prévia apresentação de Dacon´s retificadores para o efeito de aproveitamento de créditos extemporâneos". Cientificada do “Acórdão de Recurso Voluntário” e do “Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial da Procuradoria” (fl. 1134), recorrente apresentou os embargos de declaração anteriormente mencionados e, a título de contrarrazões, apresentou a mesma petição dos referidos embargos (fls. 1149/1154). Em 22/10/2015, a recorrente foi cientificada do despacho de inadmissibilidade dos referidos embargos. Enfim, no dia 12/11/2015, os autos retornaram a este Conselho, para julgamento do citado Recurso Especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O dissenso jurisprudencial submetido ao crivo deste Colegiado cingese a possibilidade ou não de apuração de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, nos casos em que o contribuinte (i) apresentou único pedido de ressarcimento para créditos de referentes a vários trimestrescalendários, e (ii) não retificou, previamente, os correspondentes Dacon. Porém, antes de analisar as duas questões, cabe apresentar algumas considerações relevantes para compreensão do correto deslinde da controvérsia. Inicialmente, cabe esclarecer que, no despacho decisório e no acórdão de primeiro grau, foram analisadas várias questões de mérito, porém, o acórdão recorrido limitou se em analisar apenas a questão atinente à impossibilidade da formulação do pedido de ressarcimento (PER) de créditos da Cofins referente a trimestre calendário diferente do trimestre do pedido colacionado aos autos, ou seja, o 4º trimestre de 2007. E em relação a esse ponto, com a devida vênia, o nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido confundiu (im)possibilidade de utilização de créditos extemporâneo da Cofins com (im)possibilidade de apuração do crédito extemporânea da referida contribuição, que, sabidamente, são situações distintas, inclusive, disciplinadas em preceitos legais e atos normativos diferentes. Com efeito, a apuração dos créditos da Cofins, incluindo os créditos extemporâneos, encontrase estabelecida no art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003, e o documento Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.177 8 que formaliza a referida apuração é o Dacon, do respectivo período de apuração dos créditos, que, no citado período, encontravase disciplinado na Instrução Normativa SRF 387/2004, com alterações feitas pela Instrução Normativa SRF 437/2004. Aliás, no Dacon deve demonstrado não apenas apuração do crédito como a sua utilização e, se for o caso, o saldo credor remanescente no final do trimestre calendário. Assim, se em consonância com o disposto no art. 113, § 2º, do CTN, a legislação estabeleceu critérios específicos de apuração dos créditos da Cofins, bem como os instrumentos formais obrigatórios, para fim de demonstração dos valores dos créditos apurados, obviamente, tal regramento deve ser cumprido pelo contribuinte. Nesse sentido, o Dacon do período de apuração constituise no único documento hábil e idôneo, para fim de demonstração da apuração dos créditos da Cofins, pois é ele que contém o demonstrativo pormenorizado do valor do crédito. Portanto, tratase de documento indispensável para o conhecimento e o controle, por parte da Administração tributária, dos valores dos créditos apurados e utilizados pelo contribuinte, de modo a evitar eventual utilização indevida ou em duplicidades dos referidos créditos. Dessa forma, embora o § 4º do art. 3º, § 4º, da 10.833/2003 assegure ao contribuinte o aproveitamento dos créditos da Cofins de um determinado mês ou trimestre calendário, nos meses seguintes ou trimestres seguintes, certamente, tal aproveitamento não significa que o contribuinte esteja dispensado da apuração, demonstração e declaração dos referidos créditos na forma estabelecida nos citados preceitos normativos. E de apresentar a documentação contábil e fiscal necessária a comprovação dos valores dos créditos apurados, se assim exigir a autoridade fiscal. No caso em tela, embora alertada pela autoridade fiscal, a contribuinte não só não retificou os Dacon dos correspondentes períodos de apuração, o que era necessário para demonstrar a apuração dos valores dos créditos pleiteados, como não informou no Dacon do 4º trimestre de 2007, os alegados créditos extemporâneos. A propósito, o único demonstrativo apresentado pela recorrente foi uma mera planilha, com os valores dos créditos, que se encontra colacionada aos autos do processo 12585.000063/200968 (fls. 58/60), que trata do pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep, desacompanhada de qualquer outro elemento probatório adequado. Diante destas constatações, revelase desprovido de sentido e de qualquer respaldo fático os argumentos suscitados pelo nobre Relator do acórdão recorrido de que há previsão no Dacon para o registro de créditos extemporâneos. Tal argumento só teria algum sentido para o deslinde da presente controvérsia, se a recorrente tivesse informado tais créditos, ainda que de forma extemporânea, no Dacon relativo ao 4º trimestre de 2007, o que não ocorreu. Logo, não tem qualquer relevância a existência da referida previsão do registro extemporâneo do crédito no Dacon, se a contribuinte não utilizou dessa possibilidade para demonstrar e declarar os créditos extemporâneos pleiteados. Também não ampara o argumento do nobre Relator, a jurisprudência administrativa citada no voto condutor do julgado, pois, o que se extrai da leitura dos referidos julgados, é que referemse a questão sobre a utilização extemporânea do crédito da Contribuiçã para o PIS/Pasep e Cofins, já devidamente apurado e comprovado. Em outras palavras, nos referidos julgados não havia dúvida acerca a certeza e liquidez do direito creditório informado, mas apenas quanto a utilização extemporânea do crédito, situação que, evidentemente, não se amolda nem serve de parâmetro para o caso em tela, pelas razões anteriormente aduzidas. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.178 9 Enfim, cabe ainda consignar que, no âmbito do processo de pedido de ressarcimento ou de compensação de crédito, o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado/compensado cabe ao contribuinte e não a autoridade fiscal, como equivocadamente asseverou o nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido. Tratase de regra elementar de direito processual, que se encontra positivada no art. 28 do Decreto 7.574/2011 e no art. 373, I, da Lei 13.105/2015 (CPC/2015), e que, portanto, são de adoção obrigatória pelos integrantes deste Conselho. Por sua vez, a utilização dos créditos da Cofins, incluindo os créditos extemporâneos, encontrase estabelecida no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003 e no art. art. 16 da Lei 11.116/2005, a seguir transcritos, respectivamente: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Segundo os referidos preceitos legais, além da utilização para deduzir os débitos da própria contribuição do mês ou dos meses seguintes, se remanescer saldo de créditos ao final do trimestre calendário, ele poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte ou objeto de pedido de ressarcimento em dinheiro. No que tange à utilização mediante compensação e ressarcimento, em conformidade com os referidos preceitos legais, na data da apresentação do citado pedido de ressarcimento (PER) do saldo de crédito da Cofins do 4º trimestre de 2007, a legislação específica que estabelecia a forma de apresentação do citado pedido de ressarcimento era o art. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.179 10 22, combinado com o disposto no art. 21, I e II, e § 4º, ambos da Instrução Normativa SRF 600/2005, a seguir transcritos: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3ºe 4ºdo art. 51 da Lei nº10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 4º O disposto no inciso II aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº10.865, de 30 de abril de 2004. [...] § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4ºdo art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.180 11 primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. (grifos não originais) Com base na análise dos fundamentos do Despacho Decisório (fls. 719/721) e do acórdão de primeiro grau (fls. 1017/1022), verificase que os créditos glosados da Cofins dos meses/trimestres anteriores ao 4º trimestre de 2007, que não foram conhecidos em ambos os julgados, referemse a créditos apropriados com fundamento no art. 17 da Lei 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em ambos os julgados declarados nulos pela decisão recorrida, o art. art. 16 da Lei 11.116/2005 e o art. 22, combinado com o disposto no art. 21, I e II, e § 4º, ambos da Instrução Normativa SRF 600/2005, foram citados como sendo o fundamento legal para o não conhecimento e, em decorrência, não reconhecimento dos citados créditos. E as razões fáticas apresentadas no citado despacho decisório, para não tomar conhecimento dos referidos créditos, dentre outras, as principais foram as seguintes, in verbis: 2. Confrontandose as informações trazidas nas Fichas 6A e 16A do DACON do 4º trimestre/2007 e planilhas apresentadas em 05/janeiro/2010 (fls. 56/58 do processo n° 12585.000063/2009 68 ), verificamos que: a. o valor informado em dezembro/2007 se refere na realidade a valores acumulados desde 2004. b. Embora o contribuinte tenha sido informado sobre a necessidade de retificar o DACON e PERDCOMP's para alocar os valores aos respectivos períodos, optou por manter seus valores acumulados. c. Tendo em vista que o crédito pleiteado pelo contribuinte se refere a valores vinculados a "Receita Não Tributada no Mercado Interno", fica claro que as fichas 6A e 16A foram preenchidas incorretamente, já que vinculou todas os custos, despesas e encargos à coluna "Receita Tributada no Mercado Interno". 3. Em razão das constatações descritas no item anterior, intimamos o contribuinte a apresentar demonstrativo mensal da Base de Cálculo das Contribuições (fl. 77 do processo n° 12585.000063/200968 ), a fim de apurar os percentuais de proporcionalidade e proceder à correta distribuição dos créditos Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.181 12 na coluna "Receita Tributada no mercado interno" e "Receita não tributada no mercado interno". (grifos não originais) Enquanto que, as razões fáticas apresentadas no voto condutor do acórdão de primeiro grau, para não tomar conhecimento dos referidos créditos, dentre outras, foram as seguintes, in verbis: 35. O DACON, por sua vez, destinou uma ficha específica para a apuração dos créditos relativos à COFINS apurados no mês (Ficha 16A), os quais devem ser informados de acordo com as determinações acima, não ficando a critério do contribuinte determinar quando será dado ao fisco conhecimento da existência desses créditos. 36. O correto preenchimento do DACON, portanto, é de suma importância, pois, como a lei permite que o crédito não aproveitado em determinado mês seja utilizado para desconto da contribuição apurada nos meses subsequentes, é necessário que o contribuinte informe em cada mês qual é o exato montante do crédito acumulado. 37. Ressaltese que nos casos de ocorrência de erros no preenchimento ou de insuficiência de informações apresentadas à administração tributária, o ônus de corrigilos cabe exclusivamente ao contribuinte, mediante a apresentação de provas inequívocas das alterações pretendidas. Não o fazendo, o próprio contribuinte assume que os dados originalmente processados constituem expressão de verdade dos fatos escriturados na contabilidade da empresa e que, portanto, devem ser adotados como válidos. 38. No caso vertente, o DACON relativo aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007, trimestrecalendário em análise (fls. 675/701), revela que não havia créditos acumulados; e que aqueles apurados no próprio mês foram integralmente utilizados para descontar a contribuição apurada no mês. 39. Cumpre assinalar que, conforme consta do Despacho Decisório (fl. 718), a empresa foi alertada a retificar o DACON, para anunciar os valores que eventualmente não tenham sido corretamente informados, porém esta não tomou providência alguma. 40. Assim sendo, mesmo que houvesse norma a amparar o entendimento da contribuinte, não se justificaria a sua pretensão em compensar supostos créditos relativos a períodos precedentes, tendo por base apenas os dados relacionados em uma mera planilha (fls. 58/60 do Processo 12585.000063/200968). 41. Destarte, não é possível reconhecer o crédito além daquele que a própria empresa afirma ter apurado no trimestre calendário objeto do pedido. (grifos não originais) Com base nos trechos transcritos, fica demonstrado que, em ambos julgados, a questão concernente à apuração dos referidos créditos não reconhecidos foram abordadas Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.182 13 com minúcia, inclusive, a contribuinte foi cientificada da ausência de provas e da necessidade de proceder a apuração dos créditos, em conformidade com o disposto na legislação, ou seja, mediante a apresentação dos correspondentes Dacon retificadores, porém, nada fez a respeito, ignorando por completo as recomendações sugeridas pela autoridade fiscal. No caso, enfatizase novamente, a recorrente limitouse em apresentar uma mera planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório idôneo que corroborasse os valores dos créditos informados. Aliás, a recorrente sequer apresentou pedido de diligência, em conformidade com o disposto no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, para fim de apuração e comprovação dos referidos créditos. Dessa forma, fica demonstrado que, seja sob o aspecto fático, seja sob o aspecto jurídico, as referidas decisões foram devidamente fundamentadas, o que afasta a existência de qualquer mácula que possa conspurcar a legitimidade de ambos os julgados, especialmente, tendo em conta, que, além de vinculada, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972, as respectivas autoridades julgadoras estavam obrigadas a dar cumprimento ao disposto no art. art. 16 da Lei 11.116/2005 e no art. 22, combinado com o disposto no art. 21, I e II, e § 4º, ambos da Instrução Normativa SRF 600/2005. Alem disso, se não ocorreu nenhuma das hipóteses de nulidade estabelecida no art. 59 do Decreto 70.235/1972, certamente, sem amparo legal, não podia a autoridade julgadora, com base em meras conjecturas, declarar a nulidade de decisões administrativas, embasadas em sólidos argumentos fáticos e jurídicos. Já o acórdão recorrido, diferentemente, além de não apresentar embasamento jurídico algum, que justificasse a declaração de nulidade das citadas decisões, ainda se baseou em premissa fática equivocada, ou seja, a impossibilidade de apuração dos créditos extemporâneos da Cofins em vez da impossibilidade de utilização dos créditos extemporâneos da referida contribuição, que foi o real motivo e fundamento para o não conhecimento e, por conseguinte, não reconhecimento dos créditos da Cofins dos trimestres anteriores ao 4º trimestre de 2007. Em face do exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso especial, para (i) restabelecer a licitude e validade do despacho decisório e do acórdão de primeiro grau e (ii) determinar o retorno dos autos ao Colegiado julgador a quo, para que seja apreciado as demais questões de mérito suscitadas no recurso voluntário. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.183 14 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia, discordamos do il. Relator. Já defendíamos na Câmara baixa, nada obsta que o contribuinte possa, em determinado trimestrecalendário, aproveitarse de crédito de PIS/Cofins não aproveitado em trimestrescalendários anteriores. Como as razões do nosso convencimento coincidem com o adotado no Acórdão nº 3202001.617, de 19/03/2014, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em julgamento do qual participamos, passamos a transcrever o voto do seu relator, o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, adotandoo como o fundamento da nossa divergência: "Para a DRJ, o entendimento da fiscalização foi correto, pois na sua ótica era inadmissível apurar créditos extemporâneos sem retificar os DACONs e DCTFs anteriores. Eis suas palavras: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. No entanto, em janeiro de 2015, nossa Turma julgou que é possível, sim, o desconto de créditos extemporâneos de PIS/COFINS nãocumulativos, no julgamento do PAF nº 12585.000064/200911 (somente ficou vencida a douta ConselheiraPresidente, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira). Com efeito, as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Igualmente, no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observese: 2.5 BLOCOS DO ARQUIVO Entre o registro inicial e o registro final, o arquivo digital é constituído de blocos, referindose cada um deles a um agrupamento de documentos e outras informações. 2.5.1 Tabela de Blocos Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.184 15 BlocoDescrição 0Abertura, Identificação e Referências ADocumentos Fiscais Serviços (ISS) CDocumentos Fiscais I – Mercadorias (ICMS/IPI) DDocumentos Fiscais II – Serviços (ICMS) FDemais Documentos e Operações MApuração da Contribuição e Crédito de PIS/PASEP e da COFINS 1Complemento da Escrituração – Controle de Saldos de Créditos e de Retenções, Operações Extemporâneas e Outras Informações 9Controle e Encerramento do Arquivo Digital [...] 2.6.1.7. Bloco 1 bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – PIS/PASEP 1101 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1100 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – PIS/PASEP 1102 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1101 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) [...] bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – COFINS 1501 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1500 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – COFINS 1502 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1501 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º Lei nº 10.426/2002. Confirase: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.185 16 Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.186 17 § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo." Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em caso de incorreções no DACON e a intimação do contribuinte para corrigilas, de modo a reduzir tais sanções. Não há, por conseguinte, previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade por eventuais equívocos no DACON. Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. Acrescentese, ainda, que o referido crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica. Eis os seus termos: (Lei n° 11.033/2004) Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei n° 11.116/2005) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.187 18 de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em tais créditos, colhase os seguintes precedentes do CARF julgados à unanimidade: Processo nº 16349.000033/200814 Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Sessão de 24/07/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido da COFINS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS nãocumulativos se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)]. *** Processo 15586.001201/201048 Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.188 19 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.] Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos nãocumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos nãocumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Acolho, nessa linha, o mesmo entendimento firmado sobre a matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 01/09/2011, no PAF. nº 13981.000184/200495, cujo Voto da lavra do Ilmo. Conselheiro EMANUEL ASSIS transcrevo abaixo, integrandoo a minha fundamentação: Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.189 20 Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão." Forte nessas razões, entendo que ao recurso especial interposto pela Procuradoria devese negar provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002518/2004-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1990 a 31/03/1995
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO. APURAÇÃO.
Na apuração do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior deve ser considerado o valor efetivamente recolhido.
CRÉDITO. APURAÇÃO E ATUALIZAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
No caso de pagamento indevido ou a maior, apura-se o crédito na data na qual o pagamento foi efetuado, devendo a sua va1oração ocorrer a partir dessa data, se efetuado até 31/12/1997, e a partir do mês subseqüente ao do pagamento se efetuado após 31/12/1997.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1990 a 31/03/1995 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO. APURAÇÃO. Na apuração do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior deve ser considerado o valor efetivamente recolhido. CRÉDITO. APURAÇÃO E ATUALIZAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. No caso de pagamento indevido ou a maior, apura-se o crédito na data na qual o pagamento foi efetuado, devendo a sua va1oração ocorrer a partir dessa data, se efetuado até 31/12/1997, e a partir do mês subseqüente ao do pagamento se efetuado após 31/12/1997. Recurso Voluntário negado.
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INDUSTRIAL E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1990 a 31/03/1995 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO. APURAÇÃO. Na apuração do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior deve ser considerado o valor efetivamente recolhido. CRÉDITO. APURAÇÃO E ATUALIZAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. No caso de pagamento indevido ou a maior, apurase o crédito na data na qual o pagamento foi efetuado, devendo a sua va1oração ocorrer a partir dessa data, se efetuado até 31/12/1997, e a partir do mês subseqüente ao do pagamento se efetuado após 31/12/1997. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 25 18 /2 00 4- 41 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10925.002518/200441 Acórdão n.º 3402003.962 S3C4T2 Fl. 213 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos PERDCOMP de nº 39765.70921.300704.1.3.575177 (fls. 10/13), por meio da qual o contribuinte compensouse do valor de R$ 646.617,15 relativamente a crédito oriundo da ação judicial 2000.72.03.0010580, na qual o contribuinte teve seu direito reconhecido para ser ressarcido dos valores pagos com base nos Decretoslei 2.445 e 2.449, determinandose que os valores pagos fossem confrontados com os débitos que deveriam ser calculados com base na LC 07/70, tendo como base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador sem atualização monetária. Foi feita a opção pela execução administrativa do julgado. Referido valor de crédito, calculado pelo contribuinte, foi compensado com débito de IRPJ referente ao 2º trimestre de 2004. Em 26/11/2004, foi exarada informação fiscal pela DRF Joaçaba/SC (fls. 16/17), a qual entendeu que o crédito correto, nos termos do decisum judicial, seria R$ 452.219,60 e não o valor declarado. Afirma o órgão local da RFB que a diferença se deu porque o contribuinte atualizou monetariamente o crédito "a partir do mês referente ao período de apuração, e não a partir da data em que ocorreu o efetivo pagamento". O Despacho Decisório 536/2004 (fls. 28/29), de 13/12/2004, acatou a informação fiscal e homologou parcialmente a compensação no limite do valor reconhecido. Não resignada, a empresa manifestou sua inconformidade (fls. 34/39) postulando a reforma daquele despacho. A DRJ/RJ II, em 29/06/2009, julgou parcialmente procedente o pleito da empresa, reconhecendo um crédito do contribuinte, corrigido monetariamente até a data do envio da PERDCOMP (30/07/2004), no montante de R$ 518.807,51. Constatou a r. decisão erro na planilha de apuração de crédito feita com a informação fiscal que embasou o despacho decisório, pois não teria o auditor utilizado nos cálculos os valores "efetivamente recolhidos por meio dos DARF de fls.", tendo tal erro importado em apuração de crédito em valor menor que o existente. Igualmente entendeu estarem errados os cálculos efetuados pelo contribuinte (fls. 8/9). Asseverou, ainda: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10925.002518/200441 Acórdão n.º 3402003.962 S3C4T2 Fl. 214 3 Diante dessa constatação, foram refeitos os cálculos e corrigidos monetariamente os créditos de acordo com o mandamento judicial, até 31/12/1995 (fls. 173/178) e, posteriormente (fl. 178), atualizados pela SELIC até 30/07/2004, data do envio da PERDCOMP. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário (fls. 195/201), no qual a empresa alega, em síntese, o seguinte: 1 que a decisão recorrida não atendeu os termos do dispositivo da sentença que transitou em julgado, a qual transcreve (fl. 198), quanto à atualização monetária, refazendo os cálculos com base no que entende correto, e apontando que somente em relação a alguns períodos de apuração houve coincidência dos seus cálculos com os da decisão vergastada 2 alega que não consta da planilha de recálculos da r. decisão "o crédito da empresa relativo ao período de apuração 11/90. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Sem reparos à decisão recorrida. Diferentemente do que alega a recorrente, somente em sede recursal gizese, não foi utilizada a Norma de Execução RFB/COSIT/COSAR 08/97 para a atualização monetária. Os cálculos foram refeitos exatamente nos termos judiciais, até porque o teor daquela simplesmente repete o que veio a se consolidar quer judicial, quer administrativamente. A planilha da r. decisão é muito explícita quanto aos índices de atualização monetária, que não contrariaram o dispositivo judicial, mas sim o aplicam corretamente. Aliás, também não se reportou a ela a recorrente em sua peça impugnatória. E, por fim, ao contrário do que alega a recorrente, o crédito relativamente ao período de apuração 11/90 foi devidamente computado para fins de cálculo, conforme se constata na primeira linha da tabela à fl. 177, conforme imagem abaixo copiada; Portanto, sem razão a recorrente. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10925.002518/200441 Acórdão n.º 3402003.962 S3C4T2 Fl. 215 4 assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000285/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo.
Numero da decisão: 3401-003.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, relativamente à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, em negar provimento. Quanto ao mérito, deu-se parcial provimento da seguinte forma: a) Aquisições para revenda que foram objeto de consumo - por unanimidade de votos, negou-se provimento; b) Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições - por unanimidade de votos, negou-se provimento; c) Bens que não se enquadram no conceito de insumos - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir o creditamento sobre pallets, big bags e luvas látex para coleta de sêmen, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que negavam provimento, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que admitiam crédito em maior extensão, sendo que os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Eloy Eros da Silva Nogueira manifestaram intenção de apresentar declaração de voto sobre a matéria; d) Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa - por voto de qualidade, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e) Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições - por maioria de votos, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Rodolfo Tsuboi, que divergiam quanto à impossibilidade de se acatar o pedido alternativo; f) Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito - por maioria de votos, negou-se provimento, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; g) Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão - por unanimidade de votos, negou-se provimento; h) Serviços utilizados como insumos (Ficha 6A-Linha 3) - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir crédito sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht - pallet, serviço de 'strechamento', serviço de repaletização e serviço de incineração, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; i) Despesas de Energia Elétrica (Ficha 6A-Linha 4) - por unanimidade de votos, negou-se provimento; j) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6A-Linha 7) - pelo voto de qualidade, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e, l) Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6A-Linhas 25/26) - por unanimidade de votos, deu-se provimento. Designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge DOliveira para redigir o voto vencedor.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, relativamente à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, em negar provimento. Quanto ao mérito, deu-se parcial provimento da seguinte forma: a) Aquisições para revenda que foram objeto de consumo - por unanimidade de votos, negou-se provimento; b) Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições - por unanimidade de votos, negou-se provimento; c) Bens que não se enquadram no conceito de insumos - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir o creditamento sobre pallets, big bags e luvas látex para coleta de sêmen, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que negavam provimento, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que admitiam crédito em maior extensão, sendo que os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Eloy Eros da Silva Nogueira manifestaram intenção de apresentar declaração de voto sobre a matéria; d) Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa - por voto de qualidade, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e) Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições - por maioria de votos, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Rodolfo Tsuboi, que divergiam quanto à impossibilidade de se acatar o pedido alternativo; f) Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito - por maioria de votos, negou-se provimento, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; g) Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão - por unanimidade de votos, negou-se provimento; h) Serviços utilizados como insumos (Ficha 6A-Linha 3) - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir crédito sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht - pallet, serviço de 'strechamento', serviço de repaletização e serviço de incineração, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; i) Despesas de Energia Elétrica (Ficha 6A-Linha 4) - por unanimidade de votos, negou-se provimento; j) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6A-Linha 7) - pelo voto de qualidade, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e, l) Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6A-Linhas 25/26) - por unanimidade de votos, deu-se provimento. Designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge DOliveira para redigir o voto vencedor. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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(incorporada por BRF BRASIL FOODS S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 85 /2 00 9- 24 Fl. 3008DF CARF MF 2 O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, relativamente à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, em negar provimento. Quanto ao mérito, deuse parcial provimento da seguinte forma: a) Aquisições para revenda que foram objeto de consumo por unanimidade de votos, negouse provimento; b) Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições por unanimidade de votos, negouse provimento; c) Bens que não se enquadram no conceito de insumos por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir o creditamento sobre pallets, big bags e luvas látex para coleta de sêmen, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que negavam provimento, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que admitiam crédito em maior extensão, sendo que os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Eloy Eros da Silva Nogueira manifestaram intenção de apresentar declaração de voto sobre a matéria; d) Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa por voto de qualidade, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e) Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições por maioria de votos, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Rodolfo Tsuboi, que divergiam quanto à impossibilidade de se acatar o pedido alternativo; f) Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito por maioria de votos, negouse provimento, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; g) Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão por unanimidade de votos, negouse provimento; h) Serviços utilizados como insumos (Ficha 6ALinha 3) por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir crédito sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de 'strechamento', serviço de repaletização e serviço de incineração, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; i) Despesas de Energia Elétrica (Ficha 6ALinha 4) por unanimidade de votos, negouse provimento; j) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6A Linha 7) pelo voto de qualidade, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e, l) Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6ALinhas 25/26) por unanimidade de votos, deuse provimento. Designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira para redigir o voto vencedor. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.009 3 AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento (PER) no 23481.75548.100608.1.1.080165 (fls. 3 a 5)1, transmitido em 10/06/2008, demandando créditos da Contribuição para o PIS/PASEP (com fundamento no art. 5o, § 1o da Lei no 10.637/2002), na sistemática não cumulativa, referentes ao 1o trimestre de 2008, no valor original de R$ 3.639.572.53. Há ainda diversas Declarações de Compensação (DCOMP), relacionadas à fl. 6, vinculadas ao crédito. Por meio do Despacho Decisório de fls. 2756/2758, emitido em 16/05/2012, o PER foi indeferido, e a compensação não homologada, por não ter sido confirmada a existência de qualquer crédito a ressarcir no período em tela, com fundamento na Informação Fiscal de fl. 2713 a 2752, na qual narra a fiscalização que: (a) a empresa, inicialmente denominada Perdigão Agroindustrial S.A., foi incorporada pela Perdigão S.A., que teve o nome alterado para BRF Brasil Foods S.A., com endereço e sede social em Itajaí/SC; (b) a empresa foi intimada a apresentar arquivos e documentos necessários à comprovação do crédito pleiteado, tendo sido a intimação parcialmente cumprida, solicitandose prorrogação de prazo para complemento, concedida em reintimação; (c) com o objetivo de esclarecer dúvidas relativas ao recebimento de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, e sobre descontos incondicionais concedidos, foi lavrada nova intimação fiscal, parcialmente atendida; (d) a partir dos DACON, e das memórias de cálculo, cotejadas com notas fiscais, a fiscalização elaborou "matriz de glosas", a ser aplicada às notas fiscais, identificando os créditos a que faz jus a empresa, e as glosas (que são a diferença entre o valor declarado em DACON e o reconhecido), detalhadas no quadro a seguir, em conjunto com as razões de defesa; (e) após as glosas, foi apurado o crédito com base em rateio proporcional (mercado interno e externo), conforme tabelas de fls. 2741/2751, tendo restado, depois das glosas, saldo a pagar, não declarado em DCTF, foi efetuada exigência fiscal por meio de auto de infração (no processo administrativo no 11516.721199/201261); e (f) tendo em vista autuações anteriores (relacionadas à fl. 2747) os saldos de créditos de meses anteriores são equivalentes a zero. Cientificada do despacho decisório em 25/05/2012 (fl. 2764), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 19/06/2012 (fls. 2772 a 2862) argumentando, em síntese, que: (a) o despacho decisório é nulo, por ausência de motivação clara, explícita e congruente, individualizando as razões das glosas para cada item; (b) há ainda nulidade por 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3010DF CARF MF 4 cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, por ausência de detalhamento acerca do não reconhecimento "de inúmeros créditos", relativos aos itens glosados; (c) há também nulidade por violação ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972; (d) a não cumulatividade das contribuições, hoje constitucionalizada, restringiu a liberdade do legislador e do intérprete, vinculandose à receita e não ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS), possuindo maior amplitude, relacionada a custos, despesas e insumos de sua atividade, que contribuam direta ou indiretamente para obtenção de receita, sendo ilegais as Instruções Normativas da RFB que restrinjam tal amplitude; (e) as razões para as glosas, com fundamento na legislação do IPI, são ilegais; e (f) é improcedente a aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora, e a aplicação de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada (fls. 2860/2861). Demanda a empresa, por fim, prova pericial para avaliação da adequação ao conceito de insumo. Em relação às glosas, em espécie, as razões de defesa estão resumidas na tabela a seguir, na coluna da direita, ao lado das respectivas razões de glosa. GLOSAS DEFESA FICHA 6A LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 2721/2722) a) aquisições que bens para revenda que, na verdade, foram consumidos pela empresa, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; b) aquisições que bens utilizados como insumos, sujeitos à alíquota zero das contribuições (crédito vedado pelo art. 3o, § 2o da Lei n o 10.833/2003), cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero; FICHA 6A LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 2810/2811) a) e b) Diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa, assim como nas aquisições de insumos com alíquota zero. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.010 5 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 6A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2722/2727) c) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; d) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, cf. listagem 04NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados; e) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero para as contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003), cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero; f) notas fiscais cujo CFOP (Código Fiscal de Operação) não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, cf. listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; e g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições (em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006), cf. listagem 11NF Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória; FICHA 6A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2811/2835) c) a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos, efetuando glosas em relação a bens que são essenciais ao processo produtivo (v.g., fita sanitária, luvas, faca, suporte de faca, trava faca, encosto de faca, cabo de bisturi), e já há precedentes do CARF afastando glosas em relação a itens como peças de reposição e serviços gerais, materiais de segurança, material para conservação e limpeza, material de embalagem e etiquetas; e os pallets são utilizados na industrialização, para movimentar matériasprimas, e na armazenagem de matériasprimas e de produtos industrializados. Houve ainda glosa de combustível, em específico, a gasolina, empregada no processo industrial de fabricação de alimentos, e com previsão expressa de geração de crédito na lei de regência; d) a fiscalização presumiu que o transporte entre unidades da empresa se referia a produtos acabados, sem provas, e tais fretes são feitos dentro de regras e determinações da ANVISA; e) diversos produtos para os quais se imputa alíquota zero na Lei no 10.925/2004 não se tipificam nas classificações fiscais descritas, são insumos, e deveria, ao menos, ser outorgado o crédito presumido de que trata o art. 8o da mesma Lei no 10.925/2004; f) a alegação fiscal trata de itens diversos conjuntamente, quando deveriam estar segregados para que fosse justificado de modo adequado a glosa, que, de qualquer forma, deve ser afastada em função do conceito de insumos adotado e da utilidade, inerência e relevância no processo produtivo (v.g., de faca, navalha, mola, martelo, rolamento e extrato de tomate, além de embalagens e serviços de industrialização de ração por encomenda); g) a interpretação da fiscalização sobre o dispositivo legal é improcedente, não sendo obrigatória a suspensão até o advento da Instrução Normativa RFB no 977/2009, e, sendo tributada a operação anterior, assegurado é o crédito; Fl. 3012DF CARF MF 6 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 6A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fl. 2728) h) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; FICHA 6A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 2835/2841) h) a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos, e os serviços glosados são essenciais e inerentes ao processo produtivo, especialmente os relacionados a limpeza, higiene e desinfecção; FICHA 6A LINHA 04 Despesas de Energia Elétrica (fl. 2729) i) o total de notas fiscais inseridas na memória de cálculo é menor do que o valor informado na linha 4 do DACON nos meses de janeiro e fevereiro de 2008; FICHA 6A LINHA 04 Despesas de Energia Elétrica (fl. 2844) i) há previsão legal expressa para o crédito de energia elétrica, e a planilha está equivocada, devendo prevalecer o DACON; FICHA 6A LINHA 07 Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda (fls. 2729/2730) j) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, e pagamentos relativos a serviço portuário e outros, que não se enquadram no art. 3o, § 2o, IX da Lei no 10.833/2003, cf. listagens 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP e 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; FICHA 6A LINHA 07 Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda (fls. 2844/2848) j) os pagamentos a pessoas físicas não podem ser glosados, em função da noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; e os serviços portuários e despesas aduaneiras foram incorretamente glosados, porque estão incluídos nas despesas de frete na venda e armazenagem; FICHA 6A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 2730/2740) k) crédito solicitado com base no inciso incorreto do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos; e notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda, cf. listagem 05Crédito Presumido detalhe. FICHA 6A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 2848/2859) k) o crédito presumido se aplica também a operações de revenda, e com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004; e o cômputo da alíquota deve ser feito em função do produto fabricado, e não da aquisição; FICHA 6B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2740/2641) l) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (cruzamento importações x inventário), cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (ficha 6B linha 2); m) importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito nesta linha (v.g., compra de bem para ativo imobilizado, compra de material para uso e consumo, e outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), cf. listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; e n) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero das contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003), cf. listagem 03 NF Glosadas Alíquota zero. FICHA 6B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2841/2843) l) e m) as glosas são improcedentes porque há previsão expressa para o crédito no art. 15 da Lei no 10.865/2004; n) Diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa, assim como nas aquisições de insumos com alíquota zero (argumentado em tópico diverso). Em 19/04/2013 (fls. 2881 a 2929), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) não há nulidade no despacho decisório; (b) o conceito de insumo é o estabelecido nas Instruções Normativas no 247/2002 e no Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.011 7 404/2004, que apenas esclareceram o conteúdo das leis de regência; (c) nos processos administrativos relativos a ressarcimento/compensação, o ônus probatório é do postulante, não tendo se desincumbido de tal ônus a empresa, em relação a diversos itens; (d) para reconhecimento correto do crédito, a empresa deve registrar os itens também corretamente em DACON (ou efetuar a retificação correspondente), não cabendo a acolhida de pedidos alternativos no curso do contencioso, em desacordo com a informação prestada em DACON; (e) somente geram crédito os bens utilizados como insumo, se houver pagamento das contribuições nas aquisições, conforme art. 3o, § 2o, II das leis de regência, e não há que se falar em manutenção de crédito, com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004, se o crédito sequer existe; (f) não houve glosas de bens impugnados, como fita sanitária, bolsa térmica, caixas de papelão e etiquetas, material de segurança, e material para conservação e limpeza; (g) não se demonstrou ser o combustível aplicado no processo produtivo; (h) a legislação permite a tomada de créditos em relação a fretes contratados junto a pessoas jurídicas como insumo e na operação de venda, não havendo previsão para fretes entre unidades da empresa, e não tendo havido presunção, pela fiscalização, mas mera utilização de registros da própria empresa; (i) não demonstrou a empresa por qual motivo produtos enquadrados na alíquota zero estariam incorretamente classificados; (j) a suspensão prevista na Lei no 10.925/2004 é obrigatória, mesmo antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009; (k) não constam na listagem de serviços glosados o despacho aduaneiro e o processamento de resíduos e análise de água; (l) no caso de crédito presumido, a alíquota é estabelecida em função das aquisições, e não do produto fabricado; (m) o presente processo não trata de lançamento, não havendo que se falar em exclusão de juros lançados, sobre principal ou multa de ofício; e (n) a perícia é desnecessária. Cientificada do acórdão da DRJ em 28/06/2013 (AR à fl. 2931), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 11/07/2013 (fls. 2932 a 3005), basicamente reiterando as alegações expostas em sua manifestação de inconformidade, agregando que a decisão de piso é nula por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa (fls. 2937/2939); e suprimindo a menção a serem indevidos juros de mora sobre o principal e sobre multa. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido incluído em pauta em setembro de 2016 (e retirado de pauta durante a sessão), e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 3014DF CARF MF 8 1. Do tratamento de processos albergados no mesmo despacho decisório No Despacho Decisório (fls. 2756/2758), afirmase que os seguintes processos deveriam ser analisados em conjunto, por trimestre: Foi, assim, lavrada autuação em relação aos períodos abrangidos por quatro processos administrativos de compensação. Nesta sessão de julgamento estáse a analisar três deles (o presente e os processos de no 16349.000286/200979 e no 16349.000278/200922), tendo o quarto processo sido analisado pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção deste CARF, em 25/03/2014, por meio do Acórdão no 3402002.361, no qual se deu parcial provimento ao recurso, para: (a) por unanimidade de votos, para (a1) reconhecer os créditos relativos a cabo bisturi e pallets de madeira; a situações em que o CFOP supostamente não seria de aquisição; e a serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres; (a2) acolher a alíquota postulada para cálculo dos créditos presumidos nas atividades agroindustriais; e (a3) admitir parcialmente, nos termos do voto do relator, os créditos dos serviços de despachante aduaneiro na importação, das despesas com pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, aquisições de partes e peças e aquisição de insumos de pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, para reconhecer os créditos relativos a aquisição de bens utilizados como insumo ou para revenda sujeitos à alíquota zero; e (c) por voto de qualidade, para negar provimento em relação aos créditos relativos a fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Cumpre ainda informar que, por meio da Resolução no 3101000.402, de 10/12/2014, foi convertido em diligência o julgamento do processo administrativo no 11516.721199/201261 (auto de infração), por unanimidade de votos, para que se aguardasse a decisão administrativa definitiva nos quatro processos relativos a pedido de ressarcimento. É de se informar, por fim, que nenhum dos relatores dos processos acima referidos permanece, atualmente, como conselheiro, neste tribunal administrativo. Passase a analisar, assim, o direito de crédito, no caso em análise (Contribuição para o PIS/PASEP, no 1o trimestre de 2008), cabendo tecer, preliminarmente, algumas considerações iniciais sobre processos nos quais se discute direito de crédito referente a insumos, na legislação que rege as contribuições. 2. Precedentes administrativos gerais e específicos Os precedentes administrativos cumprem papel de contribuir para o debate, no seio deste colegiado, buscando visão mais consistente e harmônica sobre o conteúdo da legislação, e não vinculam, salvo disposição normativa expressa, o entendimento por parte dos julgadores. Cabe, no entanto, destacar que atuei como relator em diversos processos administrativos com conteúdo semelhante ao do presente, da mesma empresa incorporadora, em relação a períodos de apuração próximos, regidos pela mesma legislação. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.012 9 Atuei como relator, na sessão de 24/09/2013, da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção deste CARF, em nove processos da empresa, referentes aos períodos abaixo: Período Processos Acórdãos 1o trimestre de 2007 10925.720046/201212 (auto de infração); 10925.905351/201100 (DCOMPPIS); e 10925.905352/201146 (DCOMPCOFINS) 3403002.469, 3403002.472 e 3403002.473, respectivamente 2o trimestre de 2007 10925.720686/201222 (auto de infração); 10925.905353/201191 (DCOMPPIS); e 10925.905355/201180 (DCOMPCOFINS) 3403002.470, 3403002.474 e 3403002.476, respectivamente 3o trimestre de 2007 10925.721257/201272 (auto de infração); 10925.905354/201135 (DCOMPPIS); e 10925.905356/201124 (DCOMPCOFINS) 3403002.471, 3403002.475 e 3403002.477, respectivamente E, mais recentemente, atuei como relator, na sessão de 24/02/2015, ainda na Terceira Turma, em outros dois processos administrativos da empresa, referentes ao período abaixo: Período Processos Acórdãos 3o trimestre de 2008 10925.907013/201102 (DCOMPPIS); e 10925.907012/201150 (DCOMPCOFINS) 3403003.551, e 3403003.550, respectivamente Tais informações são relevantes e pertinentes, pois as matérias analisadas nestes autos são majoritariamente as mesmas, e sob os mesmos fundamentos, resguardadas algumas especificidades que serão anotadas ao longo deste voto. E, de um para outro julgamento, alteramos nosso posicionamento somente em relação a um tópico, justificadamente. Recordese que o presente processo trata de direito de crédito referente à Contribuição para o PIS/PASEP, e relativo ao 1o trimestre de 2008. Passase, a seguir, a analisar tal direito, tecendose, inicialmente considerações sobre as alegações de nulidade levantadas na peça recursal (tópico 4). Nos tópicos seguintes (5, 6 e 7), é externado o posicionamento que foi sustentando neste tribunal administrativo em todos os citados processos, da mesma empresa, e que permanece norteando a convicção deste julgador. Por fim, no tópico 8, são analisadas as glosas em espécie. 4. Das alegações preliminares de nulidade Aos argumentos pela nulidade do despacho decisório, externados na manifestação de inconformidade, com fundamento (a) na ausência de motivação clara, explícita e congruente, individualizando as razões das glosas para cada item; (b) na existência de cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, por ausência de detalhamento acerca do não reconhecimento "de inúmeros créditos", relativos aos itens Fl. 3016DF CARF MF 10 glosados; e (c) em violação ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972; a empresa agrega em seu recurso voluntário demanda (d) pela nulidade da decisão de piso, por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa. Ao analisarmos a Informação Fiscal de fls. 2713 a 2752, que dá origem às glosas, e supedaneia o despacho decisório, percebemos, no entanto, que ali estão relacionadas todas as razões de glosa, e as motivações para o indeferimento do direito de crédito. O fato de estarem as glosas agrupadas por tema, e não por item, ao invés de dificultar ou obstaculizar, facilita o trabalho de defesa. Bastaria a empresa, em sua defesa, contrapor de forma consistente as razões de glosa referentes a determinado tema (v.g., aquisições com alíquota zero) que todas as glosas agrupadas em tal tema pereceriam. Caso a empresa discordasse, ainda, do agrupamento, bastaria questionar o que entendeu mal, ou inadequadamente agrupado. Se as glosas abrangem elevado número de itens, e diversidade de situações, é porque a atividade da empresa contempla tais atributos, bastando à defesa adotar o mesmo método da autuação, discutindo as rubricas glosadas, por grupo, e eventuais incorreções no agrupamento. E é isso que se vê, na defesa, agrupada por tópico glosado. Não há, assim, ausência de motivação clara, explícita e congruente, pois as razões das glosas são especificadas. A especificação desejada pela empresa, item a item, explicando, v.g., porque cada parafuso não faz parte do processo produtivo, ao invés de simplesmente externar o critério utilizado para delimitação do que seja um insumo gerador de crédito, não se coaduna com as disposições que externaremos, neste voto (tópico 5), sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação. Parece, assim, a recorrente, ao argumentar pela nulidade, no caso, não compreender seu encargo, em processos do gênero. Não há, pelas mesmas razões, cerceamento de defesa ou violação ao contraditório, nem afronta ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, pois o processo está instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação e à compreensão das razões que fundamentam as glosas. Pelo exposto, não se vê nulidade no despacho decisório. Quanto à alegação de nulidade da decisão de piso, por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa, vêse igual improcedência, porque, como aqui exporemos, no tópico 5, a seguir, a diligência ou a perícia não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. Ademais, o critério utilizado pela DRJ para delimitar o conceito de insumos na legislação que rege as contribuições endossou a desnecessidade da diligência/perícia, que se destinava a comprovar a utilização de bens no processo produtivo. Portanto, não incorreu em nulidade a decisão de piso ao negar a demanda por diligência/perícia. 5. Considerações sobre ônus probatório nos processos referentes a ressarcimento/compensação As presentes considerações iniciais sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação são necessárias à análise da demanda por diligência/perícia, e de alguns itens para os quais a empresa não tratou de carrear aos autos documentos que amparariam seu direito a crédito. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.013 11 Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, inclusive, no caso de insumos, a forma de vinculação dos bens ao processo produtivo. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador, cabível seria a demanda pericial. No entanto, não se pode acolher pedido de perícia para produzir no processo elementos probatórios a cargo de uma das partes (no caso, a postulante do crédito), elementos esses que já deveriam figurar nos autos, e cuja ausência tem por implicação a negativa de reconhecimento dos créditos correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive nos citados processos da mesma recorrente: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) Desse modo, incabível acolher o pleito de realização de diligência/perícia, pois restam claras nos autos as motivações das glosas, que foram compreendidas a contento pela recorrente, que, por sua vez, ao invés de trazer ao processo elementos probatórios de seu Fl. 3018DF CARF MF 12 direito, inclusive no que se refere ao processo produtivo, posterga a discussão para eventual diligência/perícia. Assim, tendo em conta as considerações iniciais sobre o ônus probatório em processos do gênero, indeferese a realização de diligência/perícia. 6. Aspectos constitucionais da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS Também a título de considerações preliminares, incumbe esclarecer que a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.014 13 tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 7. Do conceito de insumos na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Fl. 3020DF CARF MF 14 Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) "NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...)." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos, adotando a ordem da tabela confeccionada em nosso relatório, agrupandose os itens da ficha 6A e da ficha 6B que versam sobre conteúdo idêntico. 8. Das glosas em espécie As glosas em espécie, como relatado de início, foram subdivididas, de acordo com as fichas do DACON, em seis grupos: (1) bens adquiridos para revenda (a) que foram 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.015 15 consumidos, ou (b) que estavam sujeitos à alíquota zero; (2) bens utilizados como insumos que (c) não se enquadram no conceito de insumos, (d) representam pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, (e) estão sujeitos à alíquota zero, (f) constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, ou (g) representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão; (3) serviços utilizados como insumos, que (h) não se enquadram no conceito de insumos; (4) despesas de energia elétrica, em função (i) de divergência entre notas fiscais/memória de cálculo e DACON; (5) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, que (j) constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; ou se referem a pagamentos relativos a serviços portuários e outros, não enquadrados nas normas de regência; e (6) crédito presumido de atividade agroindustrial, que (k) foi solicitado com base em inciso incorreto da lei de regência, e com aquisições registradas em notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda. Há, ainda, glosas referentes a bens importados utilizados como insumos que (l) não se enquadram no respectivo conceito, (m) representam importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito, e (n) estão sujeitos à alíquota zero das contribuições (ficha 6B linha2). Tais itens, como exposto, serão agrupados aos relativos ao mesmo tema, nos seis grupos acima, no presente voto. 8.1. Bens adquiridos para revenda (Ficha 6ALinha 1) As glosas efetuadas, como relatado, são motivadas, pela fiscalização, por duas razões: (a) terem sido os bens consumidos pela empresa; e (b) estarem as mercadorias adquiridas sujeitas à alíquota zero das contribuições. 8.1.1. Aquisições para revenda que foram objeto de consumo A fiscalização efetuou glosas em relação a bens adquiridos para revenda, mas que se referem, em verdade, a bens consumidos na empresa, como GUARANÁ ZERO e PEPSI TWIST LIGHT. As notas fiscais glosadas estão relacionadas cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 444 a 474). Em tal listagem, as glosas referentes à Ficha 6ALinha 1 do DACON trataram (à exceção de uma, que versa sobre "quadro comando em PVC") de café expresso, cerveja e refrigerante, sendo patente que a empresa não contempla, em sua atividade, a comercialização de tais produtos: Fl. 3022DF CARF MF 16 Em sua defesa, alega a empresa que diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa. Não refuta, assim, terem sido os bens consumidos, o que se assume, por decorrência, como incontroverso. Como assinalamos neste voto, a não cumulatividade constitucionalmente consagrada não é irrestrita, e o conceito de insumos não é tão alargado quanto deseja a recorrente, nem tão estreito quanto propugna o fisco. No entanto, tal discussão é pouco relevante no que se refere a aquisições para revenda, pois aí não se está a tratar propriamente de insumos, necessários à obtenção do produto fabricado. E também o teor do artigo 17 da Lei no 11.033/2004 tem escassa relação com o tema em análise, pois versa somente sobre manutenção de crédito em relação a operações vinculadas a venda com suspensão, isenção ou alíquota zero. Não há, assim, qualquer alegação de defesa que afaste as razões da glosa, que deve, por consequência, ser mantida. 8.1.2. Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições A fiscalização efetuou glosas em relação a bens adquiridos para revenda por estarem determinados bens adquiridos sujeitos à alíquota zero das contribuições, incidindo a Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.016 17 vedação estabelecida no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003, cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero. Em tal listagem (fls. 477 a 508), percebese que há 11 motivações de glosa diferentes, agrupadas de acordo com a lei que estabelece a alíquota zero: Das 11 motivações, percebese, verificando a listagem, que três ("CAP78", "LEITE" e "QUEIJO") ensejaram glosa na Linha 1 da Ficha 6A, e serão analisadas no presente tópico. Em sua defesa, a empresa alega que, diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições de insumos com alíquota zero. Já tratamos de tais alegações no tópico anterior, aparando as pretensões da recorrente, que não se defende objetivamente do que lhe é imputado, remetendo a disposições genéricas que não lhe socorrem. E alega ainda a recorrente, em relação às aquisições com alíquota zero, constantes em outros tópicos de glosa, que diversos produtos não seriam tipificados nas classificações fiscais descritas. A alegação de erro, no entanto, não se faz acompanhar de qualquer explicação adicional, que possibilite saber as razões pelas quais a empresa discorda da classificação por ela própria adotada. No caso, todos os enquadramentos se referem a normas legais vigentes que estabelecem a alíquota zero para as mercadorias adquiridas. E, sobre as aquisições com alíquota zero, é de se remeter à vedação constante no art. 3o, § 2o, tanto da Lei no 10.637/2002, quanto da Lei no 10.833/2003, em ambos os casos com a redação dada pela Lei no 10.865/2004: § 2o Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3024DF CARF MF 18 O art. 17 da Lei no 11.033/2004, por sua vez, não confere direito a crédito, mas tão somente à manutenção de crédito já existente, e assegurado por outra norma vigente, vinculado às operações, como se percebe de seu texto: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Assim, inexistente o direito ao crédito, por expressa disposição legal, devendo ser mantidas as glosas. 8.2. Bens utilizados como insumos (Fichas 6A e 6BLinha 2) A fiscalização efetuou glosas em relação a bens utilizados como insumos que não se enquadram no conceito de insumos, que representam pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, que estão sujeitos à alíquota zero, que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, e que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão. No que se refere a importações (Ficha 6B), as glosas se referem a aquisições que não se enquadram no conceito de insumos, que representam importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito, e que estão sujeitos à alíquota zero das contribuições. 8.2.1. Bens que não se enquadram no conceito de insumos No que se refere a bens adquiridos que entendeu a fiscalização não estarem enquadrados no conceito de insumos, cabe recordar que o conceito de insumos adotado neste voto não é nem o defendido pela fiscalização e pela DRJ (afeto à legislação do IPI) nem o pretendido pela recorrente (relacionado à legislação do IRPJ). Para que se categorize o bem adquirido como insumo, na legislação que rege as contribuições em análise, este deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. É com base em tal conceito que apreciaremos as glosas da Linha 2 das Fichas 6A e 6B, constantes da listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 444 a 474). Em tal listagem, podemos encontrar os seguintes bens: pallets de madeira (o item mais frequentemente visualizado); gasolina combustível de veículos; lodo de efluentes; saco plástico de lixo; kit condensadora; diafragma; "big bags"; estator; rotor; potenciômetro; câmara de ar; fusível e porta fusível; lamínula; kit reconstrução; solvente; martelo; óleo hidráulico, óleo compressor e óleo isolante; colher transparente; motoredutor; fio de algodão; pinhão; gaxeta; luva látex para coleta de sêmen; flanela; elementos de filtro e filtros; cilindro; contatos; conector; válvulas; lâmpadas; corrente; guia; conjunto recond.; alojamento lâmina; polia; emenda redução; emenda corrente; suporte; refeição; desjejum; escovas; eixo; painel display; desengraxante; desengripante; pistão; marcador; protetor; redutor; camisas; caracol; berço; roda; peso padrão; rosca; esteira; tubo; chave; contator; correia; corrente; módulo pistola; flange; alojamento; mancal; tampas; bomba; mangueira; locking plugs; placa espaçadora; placa atrito; café com leite; suco; café puro; guaraná normal; refrigerante; peças para conserto/manutenção; pistão; cabo bisturi; registro; reator; grelha; conjunto selo mecânico; pneus; chicotequadro; junção; bateria; matrizes; trava faca; encosto faca; motores; e produtos descritos com códigos que não permitem saber exatamente do que se tratam (v.g., Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.017 19 "FLM STRE USO MÁQUINA 500MMx1200MTPDG"; "CORTROL I8 1075GE"; "MÁQUINA"; "ALOJAMENTO 183352B BETCHER" e "CARRO INDUSTRIAL"). A listagem, ao contrário do que pareceu entender a recorrente, possui bem menos de uma centena de espécies de bens. Houvesse a recorrente efetuado, em sua defesa, a leitura que ora empreendemos em nome da verdade material, poderia ela ter justificado o emprego de tais bens no processo produtivo, desincumbindose de seu ônus probatório. Há, na listagem, produtos para os quais não se tem dúvidas sobre a ausência de emprego no processo produtivo (v.g., refeição, desjejum, café com leite e suco). Mas há outros (v.g., óleo hidráulico, óleo isolante, desengraxante e combustíveis de veículos) para os quais bastaria a recorrente ter informado especificamente de que forma são utilizados no processo produtivo, para que se pudesse formar convicção a respeito da adequação ao conceito de insumos adotado. No entanto, a recorrente pouco se esforça nesse sentido, limitandose a repisar o que entende como insumo e citar precedentes que nem sempre tratam dos itens glosados. Não se desincumbe, assim, a recorrente, do ônus probatório outorgado em processos de ressarcimento/compensação. E, no que se refere a importações, igualmente se limita a recorrente a afirmar que o direito de crédito decorre diretamente do art. 15 da Lei no 10.865/2004. No entanto, tal artigo tem conteúdo semelhante aos dispositivos que regem o crédito nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, não ensejando tratamento diferenciado, salvo disposição expressa. De todos os itens, o único especificamente questionado, de forma detalhada, pela recorrente, é o pallet, que figura na peça de defesa (fls. 2967 do recurso voluntário), ao lado de itens sequer glosados (bolsa térmica e caixa de proteção). Sustenta a empresa que: Alternativamente, a empresa demanda,em caso de não reconhecimento do crédito integral, que se acolha o crédito com fundamento no art. 3o, IX das leis de regência, que permitem o crédito na hipótese de armazenagem de mercadoria, porque tais produtos "têm por finalidade a armazenagem de matériasprimas ou as mercadorias produzidas e destinadas a comercialização". Sobre os pallets (e outros bens que, em verdade, constituem aquisições destinadas ao ativo imobilizado), mantemos o posicionamento externado no julgamento dos Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551, e que mencionam ainda os outros nove processos da mesma recorrente: Fl. 3026DF CARF MF 20 Há que se destacar, contudo, nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que os pallets são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, da mesma forma em que decidido unanimemente por este colegiado nos nove processos citados, mantémse a glosa em relação aos pallets. E o raciocínio externado em relação a pallets se aplica ainda aos demais bens considerados como insumos pela recorrente e que constituem, na verdade, aquisições destinadas ao ativo imobilizado. Não se pode admitir o crédito integral em relação a tais bens, por absoluta carência de amparo normativo. E avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso). Nesse sentido a decisão unânime da turma nos multicitados nove processos da mesma empresa julgados em 2013: (...) Pelo exposto, são também mantidas as glosas em relação a bens indicados, escriturados e declarados ao fisco como insumos (inciso II do art. 3o das leis de regência) que na verdade se tratavam de aquisições destinadas ao ativo imobilizado." Assim, da mesma forma em que nos outros processos administrativos, entendo que não se pode admitir o crédito integral em relação os pallets, por absoluta carência de amparo normativo, tanto com fundamento no inciso II quanto no inciso IX do art. 3o das leis de regência, também demandado pela recorrente (e que trata de despesas de armazenagem, não de ativo imobilizado). A ausência de previsão normativa de crédito, como insumo, se estende a partes e peças, ou ferramentas, no que também mantenho o posicionamento externado nos nove acórdãos referentes aos processos relativos a 2007, da mesma recorrente, cabendo aqui transcrever excerto de sua ementa, específico sobre o tema: Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.018 21 CONTRIBUIÇÂO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, (...) não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; (...). Devem, assim, ser mantidas as glosas efetuadas em relação a tais itens, cabendo, derradeiramente, verificar as alegações da recorrente em relação a combustíveis, em específico, a gasolina. Não temos dúvidas de que os combustíveis, assim como os lubrificantes, estão enquadrados no inciso II do art. 3o das leis de regência, aliás, expressamente: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...); (grifo nosso) No entanto, não basta que se comprove a aquisição de combustíveis, devendo também se provar que tais combustíveis foram utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. E nisso peca a recorrente. Deveria ao menos ter demonstrado que a gasolina para veículos se presta não ao transporte de pessoas, ou a veículos de uso de funcionários, mas a transporte de mercadoria ou utilização nas instalações da empresa, no processo produtivo. No entanto, a peça recursal apenas sustenta genericamente o direito de crédito. Nos processos anteriormente analisados, da mesma recorrente (Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551), detectei que havia glosas de combustíveis de veículos, e cheguei a presumir, pela plausibilidade, que o hexano, o óleo de xisto, o GLP e o óleo diesel fossem usados no processo produtivo: Em relação às glosas de combustíveis, sustenta a empresa que as aquisições de combustíveis como GLP e lenha para combustão são ensejadores de créditos, conforme disposição expressa da lei de regência das contribuições A DRJ mantém as glosas diante da impossibilidade de se saber se os combustíveis foram efetivamente utilizados no processo produtivo. No recurso voluntário, a empresa revela que não é crível sustentar que alguns combustíveis (como hexano, óleo de xisto, diesel e GLP) sejam utilizados veículos para transporte de pessoas. Fl. 3028DF CARF MF 22 Há, aqui, que se acordar com a empresa em relação ao hexano, ao óleo de xisto e a GLP, seja pela dificuldade em imaginar utilizações outras para tais bens que não no processo produtivo, seja pela descrição de como se utiliza cada bem na peça recursal (fl. 4942). No mesmo sentido nosso raciocínio sobre a lenha. E, em relação ao diesel, parece pouco crível também que seja utilizado em veículos de transporte de pessoas. Nesse sentido, essa Terceira Turma já decidiu unanimemente, em caso no qual havia dúvidas sobre a utilização de combustíveis em veículos de propriedade de empresa: (...) Mas, no presente processo, as glosas são todas referentes a gasolina. E não justifica a empresa se a gasolina se prestaria a veículo de transporte movido a tal combustível empregado no processo produtivo. Mantenho, também nesse tema, o posicionamento externado anteriormente, no sentido de que incumbe à postulante ao crédito a comprovação do emprego do combustível na produção, podendose até presumir tal emprego pelas características do combustível, exclusivamente para máquinas ou caminhões de transporte. Mas, como dito, tal presunção é insustentável no que se refere à gasolina. Devem, assim, ser mantidas as glosas efetuadas neste item. 8.2.2. Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, cf. listagem 04NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados (fls. 509 a 639). Ainda na informação fiscal (fls. 2722/2723), alertou a fiscalização que as glosas eram sobre produtos acabados, conforme a própria escrituração da recorrente: Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.019 23 Apesar de tal informação, a empresa, em sua manifestação de inconformidade, alegou que a fiscalização presumiu que o transporte entre unidades da empresa se referia a produtos acabados, sem provas, e tais fretes são feitos dentro de regras e determinações da ANVISA. Sobre o tema,a DRJ aclarou que a menção a ser o frete de produtos acabados era derivada das próprias declarações da empresa, não havendo presunção. Esperavase, assim, que no recurso voluntário a empresa justificasse detalhadamente eventual equívoco cometido por ela, no registro das informações, e que teria induzido a erro a fiscalização e a DRJ. No entanto, a peça recursal limitase a reproduzir a argumentação externada na manifestação de inconformidade, sem qualquer amparo probatório para a alegação de que fretes entre unidades fariam efetivamente parte do processo produtivo, apesar de terem sido registrados pela empresa como fretes de produtos acabados. Novamente, por não se desincumbir a empresa de comprovar o direito de crédito, devem ser mantidas as glosas. E foi isso, exatamente, que ocorreu também nos multicitados Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551: São glosados os fretes de transferência de produtos entre unidades da empresa (em conta relacionada a produtos acabados). E narra o fisco que oportunizou à empresa detalhara se se tratavam de fretes de matériasprimas, produtos intermediários ou produtos acabados. E a empresa não logrou comprovar que os fretes glosados se tratavam de operações com direito a crédito. Assim, a glosa é por carência probatória. Em sua defesa, a empresa alega que os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em Fl. 3030DF CARF MF 24 relação a custos com armazenagem. Contudo, não detalha nem comprova a quais vendas se referem os fretes. Persiste, assim, a carência probatória ensejadora da glosa, que deve ser mantida. Procedentes, então, também as glosas efetuadas pela fiscalização em relação a este item. 8.2.3. Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero para as contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), havendo também glosa congênere na Ficha 6B (Linha 2), referente a importações, reunidas todas as glosas na listagem 03NF Glosadas Alíquota zero (fls. 477 a 508). Sobre o tema, já tratamos no item 8.1.2 deste voto, embora se referindo a bens para revenda, mas o raciocínio a ser empregado é o mesmo. A alegação, asbolutamente desprovida de amparo probatório ou mesmo argumentativo, de que estariam incorretas as classificações, não guarda consonância com o ônus incumbido à postulante ao crédito, e o art. 17 da Lei no 11.033/2004, como aqui já se explicou, não confere direito a crédito, mas tão somente à manutenção de crédito já existente, e assegurado por outra norma vigente, vinculado às operações. Deve, assim, ser mantida a glosa correspondente, por expressa vedação, legalmente estabelecida. Em relação ao pedido alternativo da empresa, de que fosse ao menos reconhecido o crédito presumido da agroindústria, para os insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições (em raciocínio que não é extensível às aquisições para simples revenda, incompatíveis com o crédito presumido, como se tratará no item 8.6 deste voto), entendese que deve ser negado, pois, além de contradizer a escrituração e a declaração da empresa prestada ao fisco, e o pedido de ressarcimento que motiva o despacho decisório (peça cuja ciência inaugura este contencioso), demandaria análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecido no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação. Tal raciocínio se estende aos outros pedidos alternativos, no mesmo sentido, na peça de defesa. 8.2.4. Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a aquisições constantes de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, havendo também glosa congênere na Ficha 6B (Linha 2), referente a importações, reunidas todas as glosas na listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP (fls. 475 e 476). Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.020 25 A empresa, em sua defesa, afirma que a alegação fiscal trata de itens diversos conjuntamente, quando deveriam estar segregados para que fosse justificado de modo adequado a glosa, que, de qualquer forma, deve ser afastada em função do conceito de insumos adotado e da utilidade, inerência e relevância no processo produtivo (v.g., de faca, navalha, mola, martelo, rolamento e extrato de tomate, além de embalagens e serviços de industrialização de ração por encomenda). E, no que se refere a importações, endossa que o direito de crédito decorre diretamente do art. 15 da Lei no 10.865/2004 (pelo que remetemos ao item 8.1.3, no qual informamos que tal artigo tem conteúdo semelhante aos dispositivos que regem o crédito nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, não ensejando tratamento diferenciado, salvo disposição expressa). Na listagem de fls. 475 e 476, percebemos que os CFOP informados nas notas fiscais glosadas em relação à Linha 2 das Fichas 6A e 6B são: 1551, 1556, 1949, 2407, 2556, 2902, 2910, 2913, 2949 e 3949. A recorrente, ao invés de questionar especificamente a glosa, informando que o CFOP estava registrado de forma incorreta, tratandose a operação de aquisição de insumos, simplesmente alega, de forma genérica, ter direito ao crédito, e que a alegação fiscal não deveria ter juntado os itens sob uma única glosa. Vejase, no entanto, que todas estas glosas possuem uma razão única: o CFOP informado na nota fiscal não revela operação de aquisição, que dê ensejo ao crédito, no caso de insumos. E disso não se defende a recorrente, novamente olvidandose de seu ônus, nos processos de ressarcimento/compensação. Deve, assim, ser mantida a glosa. 8.2.5. Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão A fiscalização efetuou glosas em relação a notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições (em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006), cf. listagem 11NF Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória. Em tal listagem (fls. 1807/1808), podemos encontrar notas de aquisições de milho, de suínos (a maioria das notas se refere a "leitão" ou a "suínos vivos"), de frango, de peru, e de boi/vaca. A recorrente, em sua defesa, sustenta que a interpretação da fiscalização sobre o dispositivo legal é improcedente, não sendo obrigatória a suspensão até o advento da Instrução Normativa RFB no 977/2009, e que, sendo tributada a operação anterior, assegurado é o crédito. Tanto o apontamento do fisco quanto as razões de defesa são idênticos aos presentes nos citados onze processos da mesma empresa já apreciados sob minha relatoria, aos quais remetemos, endossando suas conclusões: Fl. 3032DF CARF MF 26 “Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadramse nas situações previstas no art. 9o da Lei no 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF no 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa.” Em adição, é de se informar que em diversos julgados posteriores, nos quais também atuei como relator, restou unanimemente decidido que a suspensão é aplicada bem antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009: “SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada.” (Acórdão no 3403003.507, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2015) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403003.337, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 15.out.2014) Assim, devem ser mantidas as glosas, em função da obrigatoriedade da suspensão, não havendo direito de aproveitamento do crédito em relação a tais operações, diante das disposições normativas aplicáveis. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.021 27 8.3. Serviços utilizados como insumos (Ficha 6ALinha 3) A fiscalização efetuou glosas em relação a serviços utilizados como insumos que não se enquadram efetivamente no conceito de insumos presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos. A recorrente, por sua vez, sustenta que a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos. Na referida listagem (fls. 444 a 474), percebese que as glosas de serviços se referem a: "serviço movimentação saída"; "serviço construção civil"; "serviço monitoramento"; "serviço limpeza geral em instalações"; "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco"; "serviço imobilizado geral"; "serviço técnico mecânico" e em eletricidade; "pesagem caminhão"; "serviço administrativo"; "serviços de recuperação"; "serviço reforma pallets PBR"; "serviço de aplicação de strecht pallet"; "serviço de 'strechamento'"; "serviço de repaletização"; "serviço manutenção equip. informática"; "serviço consultoria informática"; "serviço instalação elétrica e aterramento"; "serviço caminhão munck"; "movimentação saída 100%"; "serviço de copiadora (xerox)"; "desjejum"; "refeição"; "café puro"; "suco"; "café com leite"; "serviço mãodeobra"; "serviço extraordinário"; "serviço de carga e descarga"; "serviço diária"; "serviço inspeção em vazios de pressão"; "serviço consultoria técnica"; "serviço dedetização"; "outros serviços"; "serviço Km rodado"; "serviço montagem/desmontagem", e montagem de kits; "serviço transporte aéreo"; "serviço transporte de veículos em balsa"; "serviço técnico funilaria/chaparia"; "serviço de retirada de caçamba; "serviço transporte de funcionários"; "serviço inspeção sanitária"; "serviços de vigilância"; "serviços gerais"; serviços de instalação; e "serviço de incineração". De início, cabe mencionar que são perfeitamente aplicáveis ao presente item as considerações externadas nos tópicos 7 e 8.2.1 deste voto. Por decorrência, são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A recorrente, em sua peça de defesa, traz lista de serviços glosados que não guarda muita relação com a constante do presente processo (talvez por imaginar que as glosas seriam idênticas a outros processos para os quais houve defesa). E, sobre a maior parte dos serviços, limitase a dizer que são "totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica" da empresa. Os poucos serviços aos quais a recorrente dedica algumas linhas a mais (ainda que sem demonstração específica da utilidade no processo produtivo) sequer foram glosados pela fiscalização, à exceção dos relacionados a higiene e limpeza das instalações. Apesar de a empresa não apresentar comprovação de que os serviços registrados como "serviço limpeza geral em instalações", "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco" foram efetivamente na linha de produção, de modo a dissociar tais serviços da faxina em escritórios, dependências comerciais, etc., entendese plausível, em uma empresa agroindustrial produtora de alimentos, que sejam, atendidas as normas legais aplicáveis a higienização e limpeza, e que tais cuidados são necessários à obtenção do produto final. O mesmo raciocínio é válido para "serviço dedetização" e "serviço inspeção sanitária", e seria ainda alastrado a outros, como "serviço de incineração", se a recorrente houvesse se desincumbido do ônus de provar que tal atividade tem relação direta com seu processo produtivo, pois não é possível alcançar dedutivamente tal relação, como nos demais itens. Fl. 3034DF CARF MF 28 Tal entendimento foi adotado também nos Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551, em revisão a posicionamento anterior: 4.1.2. Materiais de limpeza, desinfecção e higienização (...) E, em relação às despesas com higienização, matéria na qual fui vencido nos processos anteriormente julgados por esta Terceira Turma, revejo meu posicionamento, acordando com o colegiado que efetivamente sem a higienização também dificilmente se chegaria ao produto final fabricado pela empresa. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza, desinfecção e higienização. Devem, assim, ser afastadas, neste item, as glosas referentes a "serviço limpeza geral em instalações"; "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco"; "serviço dedetização" e "serviço inspeção sanitária". 8.4. Despesas de Energia Elétrica (Ficha 6ALinha 4) A fiscalização efetuou glosas em relação a despesas de energia elétrica em função de ser o total de notas fiscais inseridas na memória de cálculo menor do que o valor informado na linha 4 do DACON, nos meses de janeiro e fevereiro de 2008. A empresa se defende de forma tão sintética e genérica, em relação ao tema, que cabe aqui a transcrição integral do tópico correspondente do recurso voluntário: Apresentada a íntegra da defesa, em relação ao tema, novamente se percebe que a empresa não demonstra o mínimo esforço em apontar sequer qual teria sido o erro dela própria, agora reconhecido, que teria ensejado a glosa fiscal. Assim, por absoluta carência de demonstração do direito de crédito, por parte da postulante, deve ser mantida a glosa. 8.5. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6ALinha 7) Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.022 29 A fiscalização efetuou glosas em relação a despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, e pagamentos relativos a serviço portuário e outros, que não se enquadram no art. 3o, § 2o, IX da Lei no 10.833/2003, cf. listagens 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; e 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP. Na listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP (fls. 475 e 476) , percebese que não houve nenhuma glosa na Linha 7 da Ficha 6A. equivocada, assim, a informação fiscal de que houve glosa por tal razão. Na listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 444 a 474) , verificase que houve quatro glosas referentes apenas a "serviços portuários", uma no mês de janeiro de 2008 (relativa a nota fiscal no valor de R$ 190.708,96), uma no mês de fevereiro de 2008 (relativa a nota fiscal no valor de R$ 60.785,84); e duas no mês de março de 2008 (totalizando notas fiscais no valor de R$ 3.182,40). Em sua defesa, a recorrente afirma que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias, e que há nulidade do despacho decisório diante do não detalhamento das glosas. Entendemos não assistir razão à recorrente, pois a motivação da glosa é flagrante: "serviços portuários" (rubrica registrada pela própria empresa) não se enquadram nos ditames do inciso IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003, aplicado à Contribuição para o PIS/PASEP por força do art.15 da mesma lei: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; Serviços portuários, ao contrário do que sustenta a recorrente, não constituem nem frete nem armazenagem para venda. Também em relação a tal tema já nos manifestamos anteriormente, no Acórdão no 3403003.378, de 11/11/2014: No que se refere aos serviços portuários (como capatazia, movimentação portuária, despesas aduaneiras, atracação e desatracação de navios), e traslado de minério de ferro das minas para pátios de carga e descarga, a motivação para a glosa é a de que são operações realizadas já com o produto acabado, ou transporte interno para escoamento. (...) é incontroverso que tais despesas não são de armazenagem nem de frete na operação de venda, daí pleitearse o crédito como “insumos” (inciso II). Tal posicionamento da recorrente, contudo, não encontra guarida nas normas vigentes, tendo em vista que as operações não são realizadas “durante” o processo produtivo, mas após este, envolvendo o produto já acabado. Assim vem entendendo esta Turma unanimemente, inclusive com a composição atual: “COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE Fl. 3036DF CARF MF 30 CAPATAZIA E ESTIVA. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, o artigo 3o da Lei no 10.833/03 contenha hipótese permissiva para o creditamento da COFINS, apurada segundo o regime não cumulativo. (...) É o que se dá com os serviços de capatazia e estiva, incorridos pela ora recorrente nas operações portuárias associadas à exportação de seus produtos. Não importa que os serviços sejam prestados por pessoas jurídicas com sede no País. O relevante, a meu ver, é que as atividades cogitadas não constituem insumo para a fabricação, no sentido de que não compõem o respectivo custo de produção. Mais apropriado seria entendêlas como espécies de despesas com as vendas, entre as quais habitualmente se inserem “os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda, constando dessa categoria despesas como: com o pessoal da área de vendas, marketing, distribuição, pessoal administrativo interno de vendas, comissões sobre vendas (...)” (Manual de contabilidade das sociedade por ações (aplicável às demais sociedades). Ob. cit., p. 383). E se não caracterizam insumo da atividade produtiva da recorrente, os serviços de capatazia e estiva igualmente não se identificam com as espécies de despesas com vendas cuja realização autoriza o creditamento. Embora envolvam o manuseio da carga, capatazia e estiva não constituem serviço de transporte e, portanto, o preço que a ora recorrente paga por eles não se define como “frete”. Daí a inaplicabilidade à hipótese do inciso IX, do já referido artigo 3o.” (Acórdão no 3403002.139, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2013) (grifo nosso) “NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.023 31 venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição.” (Acórdão no 3403003.097, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 22.jul.2014) Incabíveis, assim, o desconto de créditos em relação a serviços portuários diversos, já com o produto acabado. Além do acima exposto, que endossamos, há que se destacar que, no presente processo, a recorrente sequer detalha em que consistiriam, especificamente, os tais “serviços portuários”. Na peça recursal, os vestígios de detalhamento remontam aos serviços de despachante aduaneiro (fl. 2991), que, certamente, não correspondem nem a armazenagem nem a frete, e estão distantes do conceito de insumos neste voto albergado: A carência de comprovação do crédito, a cargo da postulante, assim, vem a somarse com o entendimento externado de que serviços portuários (bem assim serviços de despachante aduaneiro, apesar de não haver glosa em tal rubrica) não constituem nem armazenagem nem fretes na operação de venda, e não se enquadram no conceito de insumos aqui adotado. Deve, portanto, ser mantida a glosa. 8.6. Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6ALinhas 25/26) A fiscalização efetuou glosas em relação a crédito presumido de atividade agroindustrial, que foi solicitado com base em inciso incorreto da lei de regência, e com aquisições registradas em notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda, cf. listagem 05Crédito Presumido detalhe. Em sua defesa, a recorrente alega que o crédito presumido se aplica também a operações de revenda, e com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004; e que o cômputo da alíquota deve ser feito em função do produto fabricado, e não da aquisição. No que se refere a revenda, a recorrente interpreta mal o art. 17 da Lei no 11.033/2004, como já exposto neste voto, e confunde a créditos básicos (nos quais incidem diversas vedações, como em relação a aquisições de pessoas físicas, etc) com créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004. Se houvesse demandado créditos básicos, e comprovado que cumpre os requisitos para obtêlos, cabível seria a tomada em Fl. 3038DF CARF MF 32 relação a revenda, por força do inciso I do art. 3o das leis de regência. Mas não é o que consta no presente processo, em que a empresa demanda crédito presumido com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004 (sequer cogitando de comprovar que não incide nas vedações para a obtenção de créditos básicos). Assim, corretas as glosas de notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados. No que se refere ao argumento do fisco de que teria a recorrente demandado o crédito com fundamento no inciso incorreto do § 3o do art. 8o, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos, a questão merece melhor detalhamento. Tanto o fisco quanto a recorrente reproduzem o mesmo dispositivo legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), cada um afirmando que sua própria interpretação é a correta. A fiscalização defende que a alíquota aplicável (ou o inciso com a alíquota aplicável) varia em função dos insumos, enquanto que a recorrente defende que é em função dos produtos elaborados/fabricados. Vêse que aqui a discussão não envolve aspectos probatórios, sendo a matéria exclusivamente ligada à interpretação do art. 8o da Lei no 10.925/2004. O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei, na redação vigente à época: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.024 33 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (grifos nossos) A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi empreendida em junho de 2013, chegandose, no CARF, unanimemente, à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido Fl. 3040DF CARF MF 34 que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. (...) Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através (sic) do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.025 35 como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” E nos nove processos da mesma recorrente julgados em setembro de 2013, e nos dois julgados em fevereiro de 2015, chegouse à mesma conclusão: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo.” (Acórdãos no 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 24.set.2013) "CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) A endossar o entendimento da turma a Lei no 12.865, de 09/10/2013, que acrescentou (art. 33) o seguinte § 10 ao art. 8o da Lei no 10.925/2004: “§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Contudo, desnecessário cogitar de interpretação benigna retroativa da Lei no 12.865/2013, pois já se entendia, antes do avento da referida Lei, que as alíquotas são aplicadas em função do produto fabricado, e não do insumo adquirido. Concluise, então, neste tópico, que deve ser reconhecido o crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004 com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Fl. 3042DF CARF MF 36 Das conclusões Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar as glosas em relação a "serviço limpeza geral em instalações"; "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco"; "serviço dedetização" e "serviço inspeção sanitária", e para reconhecer, no que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, que a alíquota deve ser determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Rosaldo Trevisan Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.026 37 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Apresento, nas linhas a seguir, os motivos pelos quais a maioria do Colegiado divergiu do posicionamento do ilustre Conselheiro Relator, no enfrentamento de duas matérias: (i) bens que não se enquadram no conceito de insumos (item 8.2.1 do voto do Conselheiro Relator); e (ii) serviços utilizados como insumos (Ficha 16ALinha 3) (item 8.3 do voto do Conselheiro Relator). Impende destacar, de início, que o Colegiado não diverge a respeito do conceito de insumo para fins de desconto de crédito na sistemática de apuração da Contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("PIS/COFINS"), seguindo, de forma unânime, a interpretação adotada pelo i. Conselheiro Relator dos artigos 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, para quem: “o conceito de insumos adotado neste voto não é nem o defendido pela fiscalização e pela DRJ (afeto à legislação do IPI) nem o pretendido pela recorrente (relacionado à legislação do IRPJ). Para que se categorize o bem adquirido como insumo, na legislação que rege as contribuições em análise, este deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final”. Na mesma linha, “são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final”. A controvérsia surge na aplicação desse conceito jurídico aos fatos específicos envolvidos em cada caso concreto, o que passa pelo exame da atividade empresarial do contribuinte e do papel de cada bem e serviço no processo produtivo/fabril, ganhando relevo, nesse contexto, questões relacionadas ao ônus probatório do direito de desconto de créditos. Nesse sentido, considerando a atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente, “atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras”, os bens e serviços glosados pela Fiscalização, e as razões expostas pela Recorrente em sua defesa, o i. Relator entendeu, em relação aos itens cuja glosa foi por ele mantida, que tais itens, por estarem em uma zona de penumbra, demandavam uma vinculação expressa entre o seu papel e a linha de produção da Recorrente, não tendo o Recorrente se desincumbido do ônus de provar o seu direito de crédito. Apesar da inexistência de um laudo com o detalhamento do processo produtivo/fabril e do papel desempenhado por cada insumo em tal processo, a maioria do Colegiado, com base em um juízo de plausibilidade, entendeu que determinados bens e serviços, pelas suas próprias características e utilidade frente processo produtivo/fabril da Recorrente, não estavam em uma zona de penumbra, mas sim em uma zona de certeza positiva quanto ao conceito de insumo, utilizando a terminologia empregada pelo i. Relator (item 7 do Voto), e, assim, deveriam se enquadrar como insumo. Fl. 3044DF CARF MF 38 Assim, a maioria do Colegiado entendeu que pallets, big bags e luvas látex para coleta de sêmen, são inequivocamente necessários ao processo produtivo/fabril de uma empresa agroindustrial de abate de animais para a obtenção de alimentos, e, consequentemente, à obtenção do produto final dessa atividade, devendo ser considerados insumos. Quanto aos serviços, além dos serviços admitidos pelo i. Conselheiro Relator (serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária e serviço dedetização), na mesma linha de raciocínio, a maioria do Colegiado entendeu que serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de 'strechamento', serviço de repaletização e serviço de incineração são necessários ao processo produtivo/fabril de uma empresa agroindustrial de abate de animais para a obtenção de alimentos, e, consequentemente, à obtenção do produto final dessa atividade, devendo ser considerados insumos. Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.027 39 Declaração de Voto Declaração de Voto 1 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Respeitosamente, com relação ao bem fundamentado voto do ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, aproveitamos essa declaração para expor, com brevidade, nossa divergência quanto à manutenção das glosas (a) dos gastos com serviços de frete para o transporte dos seus produtos entre os estabelecimentos da própria contribuinte, (b) dos gastos com os seguintes insumos (esteiras, correias, balanças, ferramentas de manutenção, filme streching, filtros e seus acessórios, lâminas e seus acessórios e meios de alojamento ou armazenamento), e (c) dos gastos com os seguintes serviços (de pesagem de veículos de transporte, de controle de entrada e saída de veículos, cargas e produtos; de manutenção, recuperação, restauro, ou reforma de equipamentos, de recursos de embalagem e armazenagem ou de veículos de uso industrial; de elevação e movimentação de carga nos estabelecimentos da contribuinte). A reversão das glosas indicadas nas letras acima se justifica, a nosso ver, pelas peculiaridades do tipo de atividade da contribuinte e dos tipos de produtos que ela prepara, industrializa e oferece á comercialização. Como bem resumiu o relator: A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ3), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. Concordamos com a contribuinte quando aponta que se trata de uma empresa dedicada a produção principalmente de bens perecíveis, e ainda mais destinados à alimentação e nutrição, sob estrita obediência à legislação e vigilância sanitárias e agro pecuárias. Antes de repassar o produto para a posse de outra pessoa, a meu ver, em uma visão não restrita à noção de indústria dada pelo IPI, fazem parte do processo de produção as providências por parte da contribuinte para manutenção, preservação e proteção do produto alimentício, em condições de ser comercializado e ser consumido. Sem essas providências, o bem gerado nas máquinas e na linha de montagem industrial se perderia rapidamente. Notemos que não estamos falando de um bem isento de 3 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 3046DF CARF MF 40 umidade, tal como os alimentos desidratados, ou os quimicamente modificados, mas de peças e partes de seres animais mortos nesse processo de produção, facilmente deterioráveis. Nesse tópico, sublinho que a autoridade fiscal reconhece que os transportes se deram entre os estabelecimentos da contribuinte (favor ver notas fiscais indicadas). O transporte entre estabelecimentos da contribuinte deve ser visto sob a mesma ótica, na articulação entre processo industrial, processos de conservação e armazenagem e processos logísticos para levar o produto aos centros de distribuição. Esse transporte é parte do processo de produção, nesse caso visto como o processo não só de gerar o produto, mas de manter sua condição de ser oferecido para destinação. Malgrado a falta, nos autos, de um laudo, ou de uma perícia, o conhecimento de senso comum a respeito de linhas de produção representativas das atividades da contribuinte permitenos concluir que ela deve exigir o uso de lâminas, de filtros e processos de filtragens, de pesagens, de movimentações, pesagens e armazenamentos na entrada, durante e na saída dessas linhas de produção, de higienização, de tratamento e remoção de resíduos e restos, etc., daí a nossa sugestão de bens e serviços indicados acima, mais ampla do que a proposta pelo relator e do que a admitida pelo Colegiado. Espero, com essas breves linhas, ter tornado claro aos Conselheiros as razões das posições e votos defendidos nessa sessão. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.028 41 Declaração de Voto 2 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Registro, com relação ao como de costume bem fundamentado voto do relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, posição divergente quanto à possibilidade de creditamento naquilo que respeita ao item 8.2.1, sobre pallets4, ou estrados, sem prejuízo das demais divergências externadas durante a sessão de julgamento e consignadas em ata. A contribuinte consigna que, em que pese serem objetos da glosa por parte da autoridade fiscal, participam do processo produtivo e são utilizados em diferentes momentos: na industrialização, quando empregados para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de processamento, e na armazenagem, como item essencial para manter as condições de higiene e limpeza não apenas necessárias a seu processo fabril como também ao cumprimento das exigências regulamentares enunciadas, entre outras, pelas determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde conforme Portaria SVS/MS nº 326/1997, ou, ainda, pela Circular nº 175/2005 da Coordenação Geral de Programas Especiais (CGPE) do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) da Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Expressa o conselheiro relator, ao apreciar as razões trazidas a conhecimento pela recorrente, que, devido ao tempo de sua vida útil, tais bens não podem ser reconhecidos como despesa operacional, mas, em conformidade com o art. 301 do RIR/1999, contabilizados no ativo não circulante. Aponta, mais especificamente, que "não se pode admitir o crédito integral em relação os pallets, por absoluta carência de amparo normativo", por impossibilidade de fundamentar o creditamento no inciso II ou no inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2001 e 10.833/2002. Observese que as glosas foram efetuadas pela autoridade fiscal devido ao fato de o produto não se enquadrar na noção estrita de insumo prevista nas Instruções Normativas nº 247/02,5 358/036 e 404/04,7 que adotaram, conforme se sabe, como referencial mais explícito, o crédito físico para a determinação do sentido de “insumo”8 como o material 4 "Palllet", corruptela do francês "palette", passível de tradução ao português como palete, conforme reconhecido pelo Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (VOLP), ou, ainda, estrado. 5 A Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, determinou a possibilidade de se descontar o crédito, mediante aplicação das mesmas alíquotas, sobre as aquisições efetuadas no mês de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes (art. 66, inciso I, alínea ‘b’). 6 A Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003 alterou a redação da alínea ‘b’ do inciso I do art. 66 da IN 247/02 e adicionou o § 5º: “Art. 66 (...) I. (...) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: na fabricação de produtos destinados à venda; ou na prestação de serviços (...). § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I. utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não (...) incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados (...) aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. 7 A Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, voltouse a explicitar a forma do pagamento da Cofins, repetindo, em seu artigo 8º, o entendimento instituído para a contribuição ao PIS. 8 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Créditos de PIS e Cofins sobre insumos. São Paulo: Prognose Editora, 2010, p. 21: “A simples leitura do texto legal e dos textos dos atos normativos subalternos à Lei revela, de plano, que o direito de crédito – em grande medida – está ancorado no critério físico e referido aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou serviços. Excetuando as regras que tratam dos insumos para os quais a Lei outorga o direito de crédito fora da produção (o critério utilizado pela lei é a vinculação à atividade da empresa), todas as demais normas adotam a legislação do IPI como referencial”. Fl. 3048DF CARF MF 42 utilizado na fabricação9 ou produção10 de bens ou na prestação de serviços,11 de acordo com Ato Declaratório Interpretativo nº 02/0312 e, por decorrência, na definição própria do imposto sobre produtos industrializados,13 com repetidas referências, em diversas soluções de consultas realizadas nos anos seguintes à edição das leis, pela Receita Federal do Brasil,14 ao Parecer Normativo CST nº 65/79.15 Os estrados ("pallets"), segundo se depreende, em parte da leitura dos documentos trazidos pela contribuinte, mas, sobretudo, da sustentação oral realizada pelo seu patrono, acompanhada de memoriais, têm por finalidade ora o armazenamento das matérias primas e produtos finais, ora o acondicionamento da mercadoria para fins de comercialização. Em quaisquer das hipóteses acima delineadas, cumprem papel de garantir as condições de higiene e limpeza ínsitas à produção, de maneira a evitar o contato com as superfícies em que se apóiam fisicamente, o que, caso ocorresse, poderia ocasionar risco de contaminação. Esclareceu, ademais, o patrono, que, no caso de mercadorias destinadas à exportação, os pallets são embalados conjuntamente com a mercadoria, consubstanciandose em material de embalagem, passível de apropriação como insumo. 9 Idem, pp. 3142. Edmar Andrade enumera insumos necessários à fabricação de um bem, como oriundos: (a) da produção do produto fabricado: integram fisicamente o produto (eg. matéria prima, embalagem e materiais intermediários); (b) de infraestrutura produtiva do processo fabril: bens duráveis (eg. máquinas ou equipamentos, inclusive de transporte, imprescindíveis à produção); (c) de controle de qualidade e conformidade: mecanismos de controle e auditoria com normas estatais ou contratuais; (d) de trabalho: pessoas físicas ou jurídicas que prestem serviços sob qualquer revestimento jurídico, do “chão de fábrica” à “cúpula diretiva”, instrumentos de trabalho e equipamentos de segurança, bem como utilidades (fringe benefits) e todos os gastos incorridos durante e depois do término do contrato; (e) da inovação e melhoria da qualidade: investimentos em inovação de produtos e processos de produção e distribuição; (f) de segurança: gastos com vigilância e controle, seguros e proteção dos bens em geral e do bemestar entre as pessoas; (g) de capital financeiro: dinheiro ou crédito, recursos originários da contribuição de sócios ou acionistas, empréstimos e resultados gerados pela operação; e (h) intangíveis: direitos sobre patentes, marcas, desenhos industriais, fórmulas, processo de fabricação. 10 Idem, pp. 4244. Edmar Andrade compreende produção como “processo de extração de bens da natureza para serem utilizados como matériasprimas ou como mercadorias vendidas in natura”. Assim, os insumos da produção seriam aqueles necessários à extração ou colheita de produtos, ou produção de produtos intermediários. A “produção requer a existência de insumos de infraestrutura produtiva: trabalho, dinheiro e segurança (...) formada basicamente por máquinas e equipamentos e pelos recursos naturais” a serem utilizados. 11 Idem, p. 45. “As leis 10.633 e 10.833 não contêm regras claras acerca dos créditos sobre insumos utilizados na exploração de outras atividades que não as que envolvem fabricação, produção, revenda e prestação de serviços”. 12 Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal nº 2 de 14/03/2003 Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e II prestação de serviços (grifos nossos). 13 BOTALLO, Eduardo Domingos. O imposto sobre produtos industrializados na Constituição e no CTN. In: SANTI, Eurico de (coord.). Direito tributário e finanças públicas do fato à norma, da realidade ao conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 940941. Ainda que a lei possa determinar que situações específicas gerem créditos de IPI, o critério do sistema de compensação é a entrada de insumos, assim entendidos como matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Neste sentido, o artigo 226 do Decreto 7.212 de 15/06/2010 (RIPI), que revoga o artigo 164 do Decreto 4.544, de 26/12/2002: "Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". A leitura da Instrução Normativa nº 247/02, art. 66, inciso I, alínea 'b' e § 5º, com as alterações da Instrução Normativa nº 358/03, torna evidente o mimetismo. 14 A Receita Federal veio mantendo, nos últimos anos, o seu posicionamento, com amparo na legislação do IPI, o que a levou a negar o direito à tomada de créditos, para fins de PIS e Cofins nãocumulativos, entre outros, referentes a: gastos com pneus, peças e partes de veículos realizados para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa (Solução de Consulta nº 443/06, 9ª Região Fiscal); despesas com frete contratado para transporte de mercadorias (Solução de Consulta nº 64/05, 8ª Região Fiscal); gastos com combustíveis e lubrificantes (Soluções de Consulta nº 23/07 e 24/07 da 2ª Região Fiscal); fornecimento benefícios ao empregado, tais como vale transporte, vale alimentação/refeição ou plano de saúde (Ato Declaratório Interpretativo nº 04/07); aquisição de equipamentos de proteção individual, ou “EPI” (Solução de Consulta nº 24/08, 6ª Região Fiscal); diárias pagas a funcionários em virtude de prestação de serviços em localidade diversa da que residem ou trabalham (Soluções de Divergência nº 15/08 e 24/08 COSIT); gastos de passagens de funcionários na prestação dos serviços (Solução de Divergência nº 25/08 COSIT); gastos de transporte de produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (Soluções de Divergência nº 11/08, 12/08 e 26/08 COSIT). 15 O Parecer Normativo Coordenador do Sistema de Tributação (CST) nº 65/79 conceitua insumo para fins de IPI como “matériaprima, produto intermediário e material de embalagem consumido ou não no processo de industrialização”. Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.029 43 Entendese que a contabilização do bem deve ser um importante norte magnético para a decisão e, assim, no caso de estrados descartáveis, ou daqueles que compõem o acondicionamento do produto acabado, pronto a ser comercializado, a contribuinte, ao realizar o seu reconhecimento em conta de despesa operacional, fornece todos os indícios necessários ensejadores do creditamento na condição de insumos voltados à consecução do objeto social da empresa. Por outro lado, como se sabe, o bem de ativação obrigatória, ou seja, aquele, de acordo com o Pronunciamento CPC nº 27, "(...) mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias (...) e que se espera utilizar por mais de um período" merece reconhecimento, na condição de bem durável voltado à obtenção da receita, como "não circulante" (ANC), devendo ser depreciado para fins de distribuição da despesa com a aquisição pelo período estimado de uso. No caso presente, contrariamente à decisão objurgada, conforme se aferiu, trata se o estrado de produto indispensável: seja para a manutenção dos padrões mínimos de higiene e limpeza, seja para a movimentação e acondicionamento das cargas. A sua participação no processo produtivo e a alegação fundamentada da contribuinte de que tal produto se desgasta em tempo inferior a um ano, não o tornando suscetível à ativação, é bastante para o reconhecimento do crédito pleiteado na condição de insumos da produção, critérios estes, ademais, que chegam a permitir que se dispense o recurso ao igualmente aberto parâmetro da "essencialidade", a se supor que todos os gastos, do ponto de vista do administrador da empresa, sejam fiéis a tal preceito. Cumpre aquiescer, por diversa perspectiva, conforme se depreende dos documentos e imagens trazidos a estes autos administrativos e competentemente repisados durante a sustentação oral do patrono da contribuinte, que os pallets são utilizados para referida movimentação ainda no interior das dependências da empresa, ou seja, antes de concluído o processo produtivo, merecendo, portanto, tratamento de produto intermediário. Assim, entendo que mesmo diante da interpretação do Parecer Normativo CST nº 65/79, e ainda que considerados os critérios de apropriação de créditos ínsitos ao IPI, seria perfeitamente possível o reconhecimento do crédito e, neste sentido, façome acompanhar das razões do Conselheiro Júlio César Alves Ramos em seu substancioso voto vencedor, que integra do Acórdão CSRF nº 9303003.478, proferido em sessão de 25/02/2016, de relatoria do Conselheiro Henrique Torres. Isto porque o pallet, embora não se integre ao produto, é utilizado no processo produtivo na condição de um produto secundário ou intermediário, i.e., algo que se distingue da matéria prima porque já pronto para o uso. Neste sentido, há de se adicionar um aspecto histórico do Parecer Normativo CST nº 65/79, cuja redação decorreu da recusa do Supremo Tribunal Federal em reconhecer constitucional o requisito inserto pelo Decreto nº 70.163/1972 de que o produto intermediário fosse consumido "imediata e integralmente". Reportamonos a trecho do voto do Ministro Aliomar Baleeiro no freqüentemente citado pelos estudiosos e aplicadores da matéria Recurso Extraordinário nº 79.601RS, proferido em sessão de 26 de novembro de 1974 pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, elaborado com base em pareceres de lavra de Rubens Gomes de Sousa e Ruy Barbosa Nogueira: Fl. 3050DF CARF MF 44 Assim, dois pontos de vista convergem para o posicionamento expresso por este voto: (i) caso se refira ao "insumo" no sentido da legislação atinente à nãocumulatividade das contribuições sociais, há de se buscar a participação no processo produtivo que não se espera utilizar por mais de um período; (ii) ao nos voltarmos à quimera de uma unidade conceitual em torno da definição de "insumos", com a qual registramos, desde já, não comungar, ainda assim deverá ser reconhecido o creditamento, pois deve o pallet ser compreendido na condição de produto intermediário, espécie do gênero "insumo", afigurandose, digase, desnecessário o contato físico direto com o produto. De toda sorte, entendemos desnecessário tal exercício, vez que, sem o estrado, não se encontrariam satisfeitas as condições mínimas para a continuidade do processo produtivo, de modo que o presente voto filia o seu reconhecimento à primeira hipótese. Com base nas razões acima expostas, e sem prejuízo das demais divergências com relação ao bem fundamentado voto do Conselheiro Relator, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste particular. Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 3051DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721510/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição.
VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS.
Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador.
Numero da decisão: 2202-003.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaraçao para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.393, de 13/08/2013, manter a decisão original, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que rejeitaram os embargos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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OMISSÃO. Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição. VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS. Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaraçao para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.393, de 13/08/2013, manter a decisão original, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que rejeitaram os embargos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 10 /2 00 9- 58 Fl. 287DF CARF MF 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado). Relatório Tratase, em breve síntese, de notificação de lançamento emitida em desfavor da Embargada para constituir ITR em função de subavaliação do VTN e da não comprovação da área de benfeitorias. Tendo o Contribuinte apresentado impugnação, a DRJ deu provimento parcial ao pleito. Houve recurso de ofício. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, ao qual este e.CARF deu provimento. A Fazenda Nacional, por sua vez, entendeu por bem opor Embargos de Declaração, que foi acolhido. Tendo feito o resumo dos autos, passo ao relato pormenorizado da lide. O acórdão CARF nº 2202002.393 desta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, julgado na sessão de 13 de agosto de 2013, por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso Voluntário na forma da ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. COMPROVAÇÃO DE BENFEITORIAS. Prevalece a Declaração do Contribuinte quanto à existência de benfeitorias, exceto se a Fiscalização provar o contrário. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Acontece que, intimada, a Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios para sanar a omissão assim descrita: "Contudo, ao afastar o VTN determinado no auto de infração, [o colegiado] entendeu pertinente acolher o VTN declarado pelo contribuinte na DITR sem observar que o laudo apresentado Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202003.722 S2C2T2 Fl. 288 3 no decorrer do presente processo administrativo fiscal apontou valor superior àquele declarado. (...) O acórdão em análise acolheu o laudo para comprovação da existência de benfeitorias, por considerálo instrumento apto à indicação precisa destas. Porém, no momento em que afastou o VTN informado pela fiscalização, deixou de utilizar o valor definido no mesmo documento." fl. 278 (grifos no original). Os embargos foram acolhidos por presidente de Turma com base em informação prestada pelo relator designado anterior. Vez que este não mais se encontra no CARF, os autos foram novamente sorteados, caindo em minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. A lide se resume, portanto, no fato de que a decisão recorrida não se pronunciou sobre a possibilidade ou não de aceitar o VTN apurado no laudo apresentado pelo contribuinte, ao invés do valor por ele declarado em sua DITR. Efetivamente, repisando a decisão embargada, percebese que no tópico destinado à análise do VTN não há uma única linha versando sobre o valor apurado no laudo de avaliação; pelo contrário, o acórdão discorre exclusivamente sobre a impossibilidade de arbitrar o VTN com base no SIPT, vez que este não observa a aptidão agrícola do imóvel. Ainda que não tenha se pronunciado sobre a questão, a verdade é que não se pode dar a esses Embargos o efeito infringente pleiteado pela Fazenda Nacional. Em primeiro lugar, o laudo aceito pela decisão embargada para comprovar a existência de Benfeitorias é aquele de fl. 33. Esse laudo, composto de uma única folha, versa exclusivamente sobre o levantamento topográfico para fins de identificação das áreas de Benfeitorias. Não trata do VTN do imóvel. Em segundo lugar, a verdade é que esse laudo não foi considerado prova cabal para o afastamento da glosa. Pelo contrário, serviu como mero indício, o que foi suficiente para o convencimento do colegiado apenas porque a fiscalização não trouxe nenhum elemento que pusesse em dúvida a existência das referidas benfeitorias em 2005: "Ao analisar o Laudo Técnico, acostado à fl. 33 e apresentando ainda durante a fase fiscalizatória, verifico que há o devido detalhamento da área de Benfeitoria (inclusive informando Fl. 289DF CARF MF 4 metragem um pouco superior à declara; 104,8 ha declarado pelo contribuinte X 107,1018 ha apurada pelo laudo) (...) Sendo assim, considerandose que, para fins de ITR, a declaração do contribuinte é presumidamente verdadeira, cabendo à Fiscalização, em caso de dúvida, demonstrar a sua inexatidão (...)" fl. 269; Em terceiro lugar, o laudo a que se refere a Fazenda Nacional, em seus Embargos Declaratórios, é de folhas 130/138 do eprocesso, este sim dedicado à avaliação do imóvel rural. Acontece que esse Laudo, além de ter sido elaborado em 2009 quatro anos após o exercício tributado não traz elementos suficientes para convencer o julgador em relação ao VTN do imóvel em 2005. Efetivamente, a própria autoridade lançadora identificou uma série de elementos que impedem a utilização desse laudo como referência para o VTN, tanto assim que o afastou e arbitrou o VTN com base no SIPT: "(...) Portanto, verificamos que as transações imobiliárias apresentadas não são contemporâneas a data da ocorrência do fato gerador, no presente caso 01/2005. (...)" fl. 4; "Ademais, a avaliadora em seu laudo não demonstra ter realizado vistoria nas amostras apresentadas, nem que estas possuem características semelhantes ao imóvel avaliado, muito menos elaborou demonstrativo que permita entender como chegou aos valores utilizados para cálculo da média. Assim, o Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte para comprovação do valor da terra nua declarada não atende ao solicitado no Termo de Intimação nº 01201/00033/2009. O lado deveria ser apresentado conforme estabelecido na NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT" fl. 5; Igualmente, a decisão de 1º grau (acórdão DRJ/BSB nº 0336.071, de 24/03/2010 fls. 235/242): "DO VALOR DA TERRA NUA VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridade desfavoráveis, que justificassem o valor pretendido." fl. 235; "No presente caso, em atendimento à intimação inicial (fls. 09), o impugnante apresentou laudo técnico de avaliação de fls. 79/87 [eprocesso fls. 130/138] para o exercício de 2005, elaborado por engenheira agrônoma e com ART/CREA (fls. 88), atribuindo ao imóvel rural avaliado um VTN de R$ 5.711.233,00 ou R$ 498,38/ha (R$5.711.2230,00 : 11.459,5 ha). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202003.722 S2C2T2 Fl. 289 5 No entando, esse laudo já foi desconsiderado pela autoridade fiscal (...) De fato, o item 7.4.3.3 dispõe sobre a necessidade de investigação do mercado, coleta de dados e informações confiáveis sobre negócios realizados e ofertas que sejam contemporâneos à data de referência e que as fontes devem ser diversificadas. (...) Assim, deveria o requerente apresentar um laudo de avaliação complementar ou mesmo um novo laudo de avaliação, que demonstrasse, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de 1º de janeiro de 2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT." fl. 240. Enfim, tendo em vista tudo isso, o laudo não pode ser aceito como referência para estabelecer o VTN do imóvel, ante a incerteza do valor apurado. Razão pela qual, concordo com a posição do acórdão embargado de que deve prevalecer o valor declarado pelo Contribuinte em sua DITR. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios do acórdão 2202002.393, de 13 de agosto de 2013, manter decisão original. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.720750/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001
A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente.
No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998.
INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 07 50 /2 01 3- 83 Fl. 254DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo nº 10140.720750201383, em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (DRJ/RPO), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1448.657 (fls. 201/204): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2011 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. A empresa tomadora de serviços é responsável pela contribuição no valor de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra os serviços de secretaria, expediente e desempenho de rotinas administrativas, entre outros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo teve sua origem em dois autos de infração distintos, em face de ZANIN AGROPECUÁRIA LTDA., referente ao lançamento de crédito tributário de Contribuição Social Previdenciária incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural auferida por produtor pessoa jurídica, tendo como período de apuração 01/2009 a 12/2011 e período do débito 01/2009 a 10/2011. São eles: 1. AI – Auto de Infração DEBCAD nº 51.030.9488 (fls. 6/20), no valor de R$ 1.587.268,91, referente às contribuições sociais previdenciária a cargo da empresa (INSS e SAT/RAT), não declarados em GFIP; 2. AI – Auto de Infração DEBCAD nº 51.030.9496 (fls. 21/29), no valor de R$ 150.744,67, referente às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, não declarados em GFIP. Fl. 256DF CARF MF 4 De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 30/36): 1. Foram examinados os seguintes documentos: a. Escritura Contábil Digital; b. Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); c. Notas Fiscais Eletrônicas (NFe); d. Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência (GFIP); e. Guia da Previdência Social (GPS); f. Contrato Social e Alterações; 2. Foi verificado que o contribuinte não estava protegido por mandado judicial que lhe eximisse da obrigação tributária incidente sobre a Receita Bruta da Comercialização da Produção Rural; 3. A receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, base de cálculo das contribuições objeto dos Autos de Infração, encontrase detalhada na Planilha Receita da Comercialização da Produção (fls. 104/135) juntada ao processo. Em 13/06/2013 o Recorrente tomou ciência do lançamento (fl. 143) e, em 12/07/2013, tempestivamente, apresentou impugnações individuais para cada Auto de Infração. Para o DEBCAD nº 51.0309496 impugnação folhas 150 a 170 e para o DEBCAD nº 51.030.9488 impugnação folhas 172 a 192, onde argumenta que: 1. Os lançamentos são nulos pelo fato de já ter sido auditada no período de 01/2009 a 10/2009 e, portanto, não poderia ter sido autuada no período de 01/2009 a 10/2011; 2. As notificações de lançamento são nulas por ausência dos requisitos do artigo 11, inciso IV, do Decreto 70.235/1972, que diz ser obrigatório que na notificação contenha a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo, ou função e o número de matrícula; 3. Inexiste relação jurídica que justifique os lançamentos por falta de previsão legal do fato gerador. Afirma que as autuações se fundamentaram no art. 22A, inciso I, com redação dada pela Lei 10.256/2001, que não define o fato gerador, mas tão somente a base de cálculo e a alíquota. Completa seu argumento dizendo que o fato gerador está previsto nos artigos 166 a 169 da Instrução Normativa RBF nº 971/2009, que por ser ato administrativo do Poder Executivo não é competente para tal, segundo se aduz dos artigos 97 e 114, ambos do CTN; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 4 5 4. O dispositivo que fundamenta a exação só poderia ser criado por Lei Complementar e, portanto, é inconstitucional (RE 363.852/MG e RE 596.188/RS); 5. Sabe não caber arguição de inconstitucionalidade em defesa administrativa, mas, por força do inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, entende que pode ser afastada a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo pleno do STF; 6. O dispositivo que fundamenta a exação tem a mesma base de cálculo da COFINS, violando o disposto no §4, do art. 195, combinado com o inciso I, do art. 154, ambos da Constituição Federal de 1988; 7. Na hipótese de ser mantido o auto de infração deve ser deduzido do seu valor os recolhimentos que não foram levados em conta quando da lavratura. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 9ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sendo este notificado do Acórdão de nº 1448.657 em 08/04/2014 (fl. 222). Em 07/05/2014 apresentou Recurso Voluntário (fls. 229/243), onde repete os mesmos argumentos da impugnação e, por fim, requer a revisão e cancelamento dos Autos de Infração lavrados. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar · Da nulidade em virtude do período da fiscalização A Recorrente pleiteia a nulidade dos lançamentos pelo fato de já ter sido auditada no período de 01/2009 a 10/2009, razão porque não poderia ter sido autuada no período de 01/2009 a 10/2011. Entendo que não merece prosperar o argumento aduzido pela recorrente, na medida em que não restou comprovado que os valores exigidos no Processo Administrativo em apreço foram objeto de lançamento anterior. · Da nulidade por ausência de assinatura do chefe do setor Argumenta ainda que as notificações de lançamento são nulas por ausência dos requisitos do artigo 11, inciso IV, do Decreto 70.235/1972, no que tange à obrigatoriedade da assinatura do chefe do órgão expedidor. Sem razão o pleito recursal. O lançamento encontrase devidamente assinado por servidor autorizado, com a indicação da função e o número de matrícula (fls. 12 e 21), portanto, cumprida a exigência do art. 10, VI, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, concernente à lavratura de auto de infração. Assim, rejeito as preliminares suscitadas pelo contribuinte. Mérito Cuidase de recurso voluntário contra exigência de Contribuição Social Previdenciária incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural auferida por produtor pessoa jurídica. Aduz a Recorrente que não há fundamento jurídico para respaldar os lançamentos por falta de previsão legal do fato gerador, e que permanece o vício de inconstitucionalidade no art. 22A, inciso I, com redação dada pela Lei 10.256/2001. Afirma que o dispositivo que fundamenta a exação é inconstitucional e justifica sua alegação nos julgados do STF (RE 363.852/MG e RE 596.188/RS). De fato, é cediço que, por ocasião do julgamento do RE nº 363.852/MG, ratificado pelo acórdão exarado em sede de repercussão geral no RE nº 596.177/RS, o Supremo Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 5 7 Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/1992, a qual respaldava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, no que tange à contribuição social exigida do empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. No entanto, a inconstitucionalidade reconhecida não atinge o diploma no qual se amparou o lançamento, motivo porque não há que se falar em aplicação do inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF. De outro lado, é sabido que há existência de repercussão geral reconhecida no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento, no que diz respeito à redação conferida ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, conforme ementa a seguir transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. I A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, ultrapassa os interesses subjetivos da causa. II Repercussão geral reconhecida. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a questão. O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. De acordo com a decisão exarada pelo Relator, Ministro Ricardo Lewandowski: Neste RE, fundado no art. 102, III, b, da Constituição Federal, pleiteiase o reconhecimento da constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre o resultado de sua produção a partir do advento da Lei 10.256/2001. [...] A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. A circunstância de terse a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10.256/2001, na parte que modifica o caput do Fl. 260DF CARF MF 8 artigo 25 da Lei 8.212/1991, pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na forma prevista no art. 97 da Lei Maior, já é suficiente para demonstrar a existência de questão que extrapola o mero interesse subjetivo das partes envolvidas neste processo. Além disso, a repercussão geral do tema referente à constitucionalidade da exigência de contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre o resultado da comercialização de sua produção, foi reconhecida no RE 596.177/RS, de minha relatoria. Contudo, não houve nessa oportunidade tampouco no julgamento do RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, o exame da matéria sob o enfoque presente neste recurso, a saber: a exigência do tributo com fundamento em lei editada após a Emenda Constitucional 20/1998. Isso posto, manifestome pela existência de repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do art. 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º, do RISTF. Todavia, tendo em vista que o recurso ainda encontrase pendente de julgamento, não produz quaisquer efeitos perante os órgãos da administração pública federal, permanecendo inalterada a vigência da Lei nº 10.256/2001. Para a autuada, de um modo ou de outro, permanecem vícios de inconstitucionalidade na matriz legal sob a qual se fundamenta o lançamento, o que não pode ser analisado por este egrégio Conselho, em razão da Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória, in verbis: Súmula CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, requer a autuada, no caso de manutenção dos autos de infração, a dedução do valor relativo aos recolhimentos que não foram levados em conta quando da lavratura dos Autos de Infração, e para tanto anexa depósito judicial de fl. 264, sem indicação de número de processo, além da publicação relativa ao processo nº 00016245.2010.4.03.6007, que não faz referência à empresa ora Recorrente, conforme adiante se vê: APELAÇÃO CÍVEL Nº 000016245.2010.4.03.6007/MS 2010.60.07.0001629/MS RELATORA : Desembargadora Federal CECILIA MELLO REL. ACÓRDÃO : Desembargador Federal Peixoto Junior APELANTE : ALCEU ZANCHIN ADVOGADO : CASSIUS MARCELUS DA CRUZ BANDEIRA e outro Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 6 9 APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO No. ORIG. : 00001624520104036007 1 Vr COXIM/MS EMENTA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE COMERCIALIZAÇÃO RURAL. LEIS Nº 8.540/92 E Nº 9.528/97. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO A PARTIR DA LEI 10.256/2001. INTELIGÊNCIA DA EC Nº 20/98. I Superveniência da Lei nº 10.256, de 09.07.2001, que alterando a Lei nº 8.212/91, deu nova redação ao art. 25, restando devida a contribuição ao FUNRURAL a partir da nova lei, arrimada na EC nº 20/98. II Recurso desprovido. Não procede, assim, o pleito de dedução de valor depositado sem qualquer relação com o lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 262DF CARF MF
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