Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11516.721876/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE.
No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004).
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriar-se do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, faz-se necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini - OAB 197.072 - SP.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriar-se do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, faz-se necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.721876/2011-61
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700504
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.605
nome_arquivo_s : Decisao_11516721876201161.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LENISA RODRIGUES PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 11516721876201161_5700504.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini - OAB 197.072 - SP. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6688763
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950561308672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 51; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.642 1 1.641 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721876/201161 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.605 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2017 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente BRF S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 76 /2 01 1- 61 Fl. 1642DF CARF MF 2 PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriarse do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, fazse necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.643 3 glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini OAB 197.072 SP. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório A questão submetida a este Colegiado tem início em pedido eletrônico de ressarcimento (PER), transmitido em 25/08/2009, de créditos de contribuições para o PIS/Pasep e COFINS de incidência nãocumulativa, vinculados à receita de exportação, apurados no período entre 2006 a 2008. O pedido de ressarcimento foi indeferido pela fiscalização que, após averiguar a situação dos créditos informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), concluiu pela inexistência de quaisquer créditos. Além das glosas efetuadas, a autoridade fiscal recalculou os valores dos créditos a descontar do PIS/Pasep e da COFINS do período, com o ajuste na base de cálculo da contribuição. A autoridade fiscal relata que, como não houve exportação direta registrada no SISCOMEX e as vendas com fim específico de exportação não cumpriram os requisitos legais, não houve a venda para o mercado externo que pudessem ser exoneradas das Contribuições ao PIS e a COFINS. Fl. 1644DF CARF MF 4 Assim, foram consideradas como receitas auferidas no mercado interno as receitas registradas pela recorrente como decorrentes das vendas de mercadorias com fim específico de exportação (Notas Fiscais com CFOP 5501/6501). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, oportunidade na qual alega que a Receita Federal exigiu, indevidamente, os valores decorrentes das contribuições de PIS e da COFINS sobre as operações de vendas com fim específico de exportação. Isso porque o Fisco não admitiu as vendas com a finalidade específica de exportação para a Perdigão Agroindustrial S.A. (habilitada no Siscomex), pelo fato que as mercadorias destinadas a essa adquirente ficaram armazenadas em locais que não seriam entrepostos aduaneiros (foram transportadas para os armazéns Arfrio e Refribras). Ademais não foram reconhecidos créditos vinculados ao regime não cumulativo de PIS e COFINS, relacionados a bens e serviços utilizados como insumos, despesas com armazenagem e frete na operação de venda, bem como o crédito presumido da atividade agroindustrial. Os argumentos defendidos pela contribuinte foram rechaçados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Florianópolis, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.644 5 prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes ao reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da COFINS, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede de contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Ano calendário: 2008 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano Fl. 1646DF CARF MF 6 ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva a atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu crédito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei n. 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada contra a decisão acima detalhada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, oportunidade na qual repisa os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. Em 22/07/2014 a 1ª Turma da 1ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, por constatar que a ausência de provas inviabilizaria a devida análise do caso. Naquela oportunidade determinouse que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte para que: a) Apresentasse laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase de produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.645 7 b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu , apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. Em resposta a diligência ordenada, o contribuinte trouxe aos autos os seguintes documentos: (i) laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde está retratado o processo de produção e a utilização de diversos insumos; (ii) fluxograma do processo produtivo com a respectiva descrição deste por meio de seu engenheiro responsável; (iii) fluxograma de processo produtivo com ilustrações; (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos; (v) atos regulatórios pertinentes (portarias, resoluções, etc); (vi) planilha descritiva de diversos bens utilizados como insumos. Cumpridas as determinações insertas na resolução, os autos retornaram a este Conselho para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Lenisa Prado A contribuinte foi intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade e, tempestivamente interpôs o recurso voluntário em sob julgamento. Por esse motivo, é de rigor o seu conhecimento. Serão apreciados, a seguir, os principais argumentos apresentados no recurso voluntário sob julgamento1. 1. PRELIMINARES. 1 Insta registrar que "não há omissão quando o Tribunal de origem se manifesta fundamentadamente a respeito de todas as questões postas à sua apreciação,(...) o Magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pela parte" (RESP 1.146.772/DF, Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 24/02/2010, publicado em 04/03/2010. Fl. 1648DF CARF MF 8 1.1. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO CLARA E EXPLÍCITA PARA INDEFERIR OS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E AO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO. A recorrente sustenta que o despacho decisório violou o Princípio da Motivação (art. 2º da Lei n. 9.784/1999), já que não apresentou as razões de fato e de direito que embasaram o indeferimento do pedido de ressarcimento dos créditos das contribuições. Em suas palavras: "O termo de verificação fiscal vinculado ao lançamento de ofício NÃO TRAZ qualquer fundamentação jurídica e fática sobre os créditos glosados, valores e as razões de direito e de fato que permitiriam esta conduta em desfavor do contribuinte (...) Não é possível remeter aos eventuais processos de ressarcimento e compensação. Isto não é motivação! O descumprimento fica ainda mais evidente a partir do fato de que o lançamento de ofício e o termo de verificação é o elemento principal no caso concreto. Equivale dizer: quando os créditos não são suficientes no regime nãocumulativo, primeiro se faz o lançamento de ofício, depois se indefere o ressarcimento/ compensação. O movimento não é inverso. (...) Vale ainda ressaltar que juntamente com a entrega do lançamento de ofício ou mesmo do indeferimento dos pedidos de ressarcimento/compensação, NÃO houve a entrega de uma planilha com os bens, os serviços e itens glosados e as justificativas fáticas e jurídicas. O que se entregou para a recorrente foi o lançamento de ofício com o termo de verificação fiscal, bem como os indeferimentos dos pedidos de ressarcimento/compensação. Não houve, pois, a entrega juntamente com a notificação de qualquer relação dos itens glosados com a respectiva fundamentação fática e jurídica. Muito menos de eventual planilha e documento que dão suporte. Isto pode ser facilmente comprovado pelo TERMO DE CIÊNCIA a própria fiscalização informa que na notificação somente entregou à recorrente o termo de verificação fiscal, demonstrativo consolidado do crédito tributário e autos de infração. Nada mais. Era dever e ônus do Fisco entregar juntamente com o auto de infração, do termo de verificação fiscal e eventual planilha e documentos que davam suporte ao lançamento e glosa, sob pena de nulidade, principalmente, quando inexiste adequada fundamentação e justificativa dos itens e a razão da glosa". Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.646 9 A recorrente alega que a ausência de fundamentação na decisão que indeferiu seu pedido, a par de ensejar violação direta ao art. 9º do Decreto n. 70.235/19722, também acarreta, por conseqüência, o cerceamento ao direito a ampla defesa. Os documentos que constam nos autos não respaldam a objeção do recorrente. Ao contrário. Como restará demonstrado ao longo deste voto, o documento intitulado Informação Fiscal, acostado às folhas eletrônicas 962 a 993 aponta, de forma suficiente, os motivos que ensejaram as glosas objeto do recurso voluntário sob análise. 1.2. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DA PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S.A. EXPORTAÇÃO. A recorrente defende que o lançamento é nulo, já que a fiscalização desconsiderou as exportações realizadas e, por esse motivo, lavrou a exigência das contribuições de PIS e COFINS. A recorrente BRF Foods S.A., na qualidade de vendedora dos produtos exportados sustenta ser parte ilegítima para figurar no pólo passivo da ação onde deveria ser alocada a empresa compradora, Perdigão Agroindustrial S.A. de acordo com a lógica retratada nos art. 7º da Lei n.10.637/2002 e 9º da Lei n. 10.833/2003, os quais reproduzo: Lei n. 10.637/2002 Art. 7. A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão de nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Lei n. 10.833/2003 Art. 9. A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. No entanto, percebese que não existem empresas vendedoras e consumidoras, mas sim sucessão empresarial, de acordo com o que atesta o documento intitulado Informação Fiscal, onde está esclarecido que: 2 Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação da penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 1650DF CARF MF 10 "A pesquisa no sistema CNPJ comprova a incorporação da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso pela Perdigão S.A., CNPJ 01.838.723/000127 (...) Ainda de acordo com o cadastro do CNPJ , a Perdigão S.A. mudou seu nome empresarial para Brasil Foods S.A. e estabeleceu seu domicílio tributário em Itajaí/ SC. Em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante o art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional, e, por esse motivo, a BRF Brasil Foods S.A. foi intimada de todos os atos de ofício". A ora recorrente não se insurge sobre a alegada sucessão empresarial informada e a conseqüente transmissão de responsabilidades tributárias (artigos 129 e 132 do CTN). Deste modo, devem ser considerados verídicos e incontestes os fatos sobre a sucessão empresarial. 2. MÉRITO 2.1. SOBRE A EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. DOS FATOS INCONTROVERSOS QUE COMPROVAM QUE OS PRODUTOS FORAM EXPORTADOS. A recorrente inicia seus argumentos esclarecendo que às operações de exportação, a Constituição Federal lhes confere imunidade tributária objetiva, destinada à desonerar os custos de exportação (§ 2º do art. 149 da Constituição Federal de 1988), e não isenção. Nessa mesma linha, é o conteúdo dos art. 5º da Lei n. 10.637/20023 e art. 6º da Lei n. 10.833/20034, bem como os artigos 44 e 45 do Decreto n. 4.524/20025, que desoneram as exportações das Contribuições PIS e COFINS. Deste modo, conclui que não poderia a fiscalização simplesmente desconsiderar as operações de exportação pelo fato que as mercadorias vendidas à exportadora foram alocadas nos armazéns Arfrio e Refribras, e não em entrepostos aduaneiros. 3 Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 4 Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 5 Art. 44. O PIS/Pasep nãocumulativo não incide sobre as receitas decorrentes das operações de I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível, e; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto lei n. 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. §1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.647 11 Sustenta que existem nos autos "diversos fatos relevantes e incontroversos capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que a recorrente realizou a exportação, mesmo que indireta, por meio da venda com fim específico". São os fatos apontados pela recorrente que corroboram a comprovação da exportação: 1. Não há no relatório fiscal uma afirmação ou um dado sequer que sustente a assertiva que os produtos não foram exportados pela Perdigão Agroindustrial S.A; 2. As exportações ocorreram dentro do prazo de 180 dias previsto nas normas de regência; 3. Como a recorrente comercializou as mercadorias com o fim específico de exportação, essa receita não gera créditos no regime não cumulativo das Contribuições de PIS e COFINS; 4. As notas fiscais e a escrituração contábil da recorrente demonstram que as vendas realizadas para a Perdigão Agroindustrial S.A. tinham a finalidade específica de exportação. Diante desses fatos, a contribuinte concluiu que a questão dos autos é, ao que tudo consta, a apuração de mera irregularidade perpetrada pela empresa Perdigão Agroindustrial S.A., já que foi a responsável pelo depósito das mercadorias por ela adquiridas. Por ser essencial ao deslinde da questão submetida a julgamento, reproduzo os fundamentos adotado pela autoridade fiscal na decisão que indeferiu o pedido do ora recorrente: "Segundo os DACON, a contribuinte teria auferido em 2008 receitas de exportação ou de vendas, com fim específico de exportação, que foram incluídas das bases de cálculo de PIS e COFINS. No entanto, durante o procedimento de verificação, constatamos que não houve qualquer exportação direta para o exterior registrada no SISCOMEX no período em tela e que quase todas as vendas de mercadorias com fim específico de exportação destinaramse à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S.A., situada na rua Jorge Tzachel, 475, Itajaí/SC. (...) Tendo em vista que a unidade 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. não é armazém alfandegado, foram tomadas duas providências: primeiro, foi intimada a Perdigão Agroindustrial S.A., por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 004/01109 a explicar o funcionamento da filial 108; depois, foi intimada a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda., por meio do Termo de Intimação 003/01111, a prestar esclarecimentos e juntar documentos acerca das vendas com fim específico de exportação. Novamente, é preciso lembrar que as duas intimações foram entregues à BRF Brasil Foods S.A., que é sucessora de ambas. Sinteticamente, a BRF Brasil Foods informou (..) que: (a) a Perdigão Agroindustrial depositava em oito armazéns as mercadorias recebidas de terceiros com fim específico de exportação e que, destes, três eram alfandegados (Brasfrigo, Fl. 1652DF CARF MF 12 Martini e Ponta do Felix) e cinco não eram alfandegados (Arfrio dois, Refribrás, Safrio e Itazem); (b) que a exportação era efetuada após o contêiner ser 'estufado'; e (c) que estava autorizada por atos administrativos a proceder ao embarque antecipado da mercadoria destinada à exportação. (...) Regularmente intimada, a BRF Brasil Foods informou, em relação à Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda que: (a) as vendas eram feitas para as filiais 107 e 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. e que ambas eram 'trading companies'; (b) relacionou os mesmos recintos onde eram depositadas as mercadorias; (c) que os depósitos eram de uso público e não de uso privativo da Perdigão Agroindustrial S.A. Apresentou, também, planilha detalhando as vendas com fim específico de exportação".(grifos nosso). Percebese que a conclusão adotada pela autoridade fiscal e rechaçada pela recorrente está amparada, essencialmente, nas seguintes premissas: 1. Não existem registros no SISCOMEX sobre as supostas exportações diretas para o exterior realizada pela recorrente para o período sob fiscalização, e; 2. Todas as mercadorias destinadas à exportação foram remetidas à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. É importante considerar que o SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior) é o procedimento regulamentar disponibilizado pela administração pública para obtenção das autorizações, certificações e licenças para exportar produtos brasileiros. O fato de terem sido exportadas as mercadorias, ainda que sem o registro no SISCOMEX, não convalida a conclusão da autoridade fiscal, já que tratarseiam, em tese, de vendas promovidas pela recorrente para trading company. A fiscalização desconsiderou essa peculiaridade e considerou, apenas, o fato que as mercadorias foram entregues a recintos não alfandegados. Transcrevo a conclusão do fiscal : "Ao apreciar a planilha que detalha as vendas com fim específico de exportação (doc. 857 a 961), constatamos que a maior parte das operações não cumpriu os requisitos minuciosamente estudos acima porque as mercadorias eram entregues em recintos não alfandegados de uso público. Concluímos, a partir das informações prestadas e dos documentos apresentados pela contribuinte e obtidos junto à Perdigão Agroindustrial S.A. que , na maior parte das vendas com CFOP 5501/6501, não se configurou o 'fim específico de exportação', de acordo com as normas detalhadas acima". Sobre a remessa dos produtos à filial 108 da Perdigão Agroindustrial (suposta trading company), a recorrente afirma que estava autorizada por atos administrativos a proceder o embarque antecipado das mercadorias destinadas à exportação, remetendoos aos recintos não alfandegados (Arfrio, Refribrás, Sagrio e Itazem) e que esses entrepostos eram de uso público, o que lhes conferia a característica própria de recinto alfandegado. Importa esclarecer que a recorrente apresentou os documentos que atestam a autorização administrativa conferida e, sobre tais documentos, o fiscal autuante não teceu considerações. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.648 13 Não se questiona, diante de uma interpretação sistêmica e ajustada do §2º do art.39 da Lei n. 9.532/1997 que as vendas às empresas comerciais exportadoras podem ser incluídas no cálculo de crédito presumido, e não apenas as vendas as empresas favorecidas pelo tratamento tributário conferido pelo DecretoLei n. 1.248/1972. Isso porque o artigo 39 da Lei n. 9.532/1997 prevê a suspensão do IPI não apenas quando da aquisição por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, como também quando o produto for remetido à recintos alfandegados ou outros locais onde se processo o despacho aduaneiro da exportação. A propósito: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processo o despacho aduaneiro de exportação. § 1º. Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 3º. A empresa comercial exportadora fica obrigada ao pagamento do IPI que deixou de ser pago na saída dos produtos do estabelecimento industrial, nas seguintes hipóteses: a) transcorridos 180 dias da data da emissão da nota fiscal de venda pelo estabelecimento industrial, não houver sido efetivada a exportação; b) os produtos forem revendidos no mercado interno; c) ocorrer a destruição, o furto ou roubo dos produtos. Importa ressaltar que vendido o produto para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, passa a ser dela a responsabilidade pela exportação no prazo de 180 dias. De modo que a empresa exportadora tem, portanto, 180 dias para demonstrar a exportação dos produtos, caso contrário deverá arcar com o tributo suspenso quando da sua aquisição. Recintos alfandegados são áreas demarcadas pela autoridade aduaneira competente, na zona primária dos portos organizados ou na zona secundária a estes vinculada, a fim de que nelas possam ocorrer, sob controle aduaneiro pela Receita Federal, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior, a para lá destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial. Fl. 1654DF CARF MF 14 A questão é regulamentada pelo Decreto n. 6.759/09, artigo 9º, Incisos I a III, que assim dispõe: Art. 9º. Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possam ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de: I – mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial; II – bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados, e; III – remessas postais internacionais. Parágrafo único. Poderão ainda ser alfandegados, em zona primária, recintos destinados à instalação de lojas francas. Sobre o tema, importa conhecer os termos do Decreto Lei n. 1.455, de 7 de abril de 1976, que traz a seguinte exceção: Art. 10. O regime de entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário e permite a armazenagem da mercadoria destinada a exportação, em local alfandegado I – de uso público, com suspensão do pagamento de impostos, no caso da modalidade de regime comum; II – de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior, quando se tratar de modalidade de regime extraordinário. §1º. O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista pelo DecretoLei n. 1.248, de 29 de novembro de 1972, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal § 2º Na hipótese de que trata o § 1º, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecimento em regulamento, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado Aqui evidenciase o equívoco na interpretação conferida pelo fiscal, já que o parágrafo segundo do art. 10 do Decreto lei 1.455/19766 expressamente dispõe sobre a entrega 6 Sobre a exceção prevista no Decreto Lei acima transcrito, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, ao responder a processo de consulta, reconhece que na hipótese de venda a comercial exportadora é possível a remessa dos produtos ao recinto não alfandegado: "Considerase fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercia exportadora. Se a venda for feita a comercial exportadora constituída nos termos do Decreto lei n. 1.248, de 1972, também se considera fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos ao recinto de uso privativo de que trata o art. 14 da Instrução Normativa SRF 241, de 20026". (Processo de Consulta n. 40/12, Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 6ª RF). Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.649 15 das mercadorias nesses locais, em operação por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Ou seja, o parágrafo segundo admite a possibilidade, na hipótese de venda com fim específico de exportação, que a empresa comercial exportadora que adquire o produto, mas, por sua conta e ordem, manda entregálo diretamente para exportação ou para recinto alfandegado. Mas, naturalmente, essa regra não significa que a empresa comercial exportadora não pode adquirir diretamente e contar com a entrega do produto em seu estabelecimento, pois, como o próprio artigo 39 estabelece que ela dispõe de 180 dias para efetivar a exportação da venda realizada pela industrializadora, que, no presente caso, é a Recorrente. Desta forma, resta evidente que o dispositivo estabelece obrigação não para a Recorrente, na qualidade de industrial, mas sim para a comercial exportadora, porém em hipótese específica, quando, por sua conta e ordem, determinar a entrega do produto por ela adquirido para embarque de exportação ou recinto alfandegado. No presente caso, a recorrente tomou o cuidado não apenas de comprovar a venda por ela realizada, mas também comprovou que a exportação foi efetivamente realizada dentro do prazo legalmente determinado. Dai porque assiste razão a recorrente, de tal forma que as receitas de tais operações devem ser incluídas no cálculo presumido, pois demonstrada a venda para comercial exportadora com fim específico de exportação7. Ademais, o próprio auditor não contesta a alegação que os produtos foram efetivamente exportados dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias, sequer a afirmação que a filial 108 da Perdigão Agroindustrial é uma trading company. Diante da precariedade de fundamentos que ensejaram a resposta da autoridade, é de rigor reconhecer o acerto nos argumentos da recorrente e a validade para fins de apuração de crédito das vendas realizadas sob o CFOP 5501/6501, já que amparado pelas provas e normas pertinentes. 2.2. SOBRE AS GLOSAS. CRÉDITOS DE INSUMOS. PIS E COFINS. A recorrente apresenta a cronologia das normas e leis sobre o aproveitamento de créditos no regime não cumulativo, bem como robusta doutrina e recentes precedentes deste Conselho. Mais especificamente sobre cada glosa, a recorrente aponta os desacertos das autuação e motivos pelos quais não devem prevalecer: Ficha 6A Linha 02 Bens utilizados como insumos * foram glosados os valores empenhados na aquisição de bens porque que não se enquadrariam na definição restritiva de insumos adotada na legislação de regência do IPI. Esta glosa também padece da ausência de descrição dos produtos rechaçados; 7 Nesse mesmo sentido é o voto proferido pelo Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista no julgamento do recurso voluntário objeto do Processo Administrativo n. 10840.901468/200841 pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção em 10/12/2014, que resultou na publicação do Acórdão n. 3403003.440 Fl. 1656DF CARF MF 16 * a fiscalização não descreve no termo de autuação qualquer item, mesmo que exemplificativamente, que demonstrem que os bens utilizados como insumos foram adquiridos à alíquota zero de PIS/COFINS; * não estão descritas nos termos de autuação quais foram os itens glosados sob a justificativa que as notas fiscais apresentam códigos de operação que não concedem os créditos reclamados. Ficha 6A Linha 03 Serviços utilizados como insumos * foram glosados os valores empenhados na contratação de serviços porque que não se enquadrariam na definição restritiva de insumos adotada na legislação de regência do IPI. Esta glosa também padece da ausência de descrição dos serviços contratados; * não estão descritas nos termos de autuação quais foram os itens glosados sob a justificativa que as notas fiscais apresentam códigos de operação que não concedem os créditos reclamados. Ficha 6A Linha 04 Despesas com energia elétrica * Foram glosados o valor das notas fiscais em valor inferior ao lançado em DACON. A recorrente alega que os valores foram lançados em livros fiscais e se presumem verdadeiros. Requer diligência ou perícia para comprovar a diferença Ficha 6A Linha 07 Despesas com armazenagem e frete na operação de venda *A fiscalização desconsiderou os créditos devidos pelos serviços portuários de carga e descarga (transbordo) e outros não identificados nas operações de venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002). Ficha 16A Linhas 25 e 26 Crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8º da Lei n.10.925/2004) * A recorrente informa que os motivos que ensejaram as glosas sobre os créditos oriundos da atividade agroindustrial foram: (i) aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8º, § 3º, I da Lei n. 10.925/2004); (ii) inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumos (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudo técnicos, lenha, retentores, e; (iii) inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero (pinto de 1 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas sim à alíquota zero). A recorrente considera que tais glosas refletem a interpretação incongruente e desconexa da lei (Lei n. 10.925/2004, artigo 8º) com a realidade, isto porque: "dentro da cadeia produtiva deste setor, os produtos dos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que permitem a alíquota de 60% para apuração do crédito presumido, são os produzidos por esta e não adquiridos". A Relação das Notas Fiscais Glosadas (folhas 489 a 505) apresenta, de forma detalhada, os itens que não foram admitidos para fins de contabilização do pedido de ressarcimento feito pelo ora recorrente. Naquele documento, a fiscalização apresenta os códigos que informam o motivo de cada um das glosas8. Por ser demasiadamente repetitiva a 8 NI Não é insumo,serviço, frete ou armazenagem com direito a crédito CFOP O Código fiscal de operação indica operação sem direito a crédito Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.650 17 relação, para melhor compreender o que foi indeferido pela fiscalização e quais os motivos, podemos organizar os itens em 6 grupos: a) pallets, b) peças de reposição, conserto e equipamentos, c) combustíveis em geral e energia elétrica. d) produtos químicos vinculados à desinfecção e limpeza, e) serviços, e f) crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8º da Lei n.10.925/2004). *SOBRE O CONCEITO DE INSUMO: A recorrente aponta que a divergência entre seu posicionamento e o das autoridades fiscais e julgadoras repousa, unicamente, no conceito de insumos para fins de apuração de créditos de PIS e COFINS. Sustenta que o seu pedido de ressarcimento foi indevidamente negado, pois adotado pelos fiscais o conceito restritivo de insumo, equivalente àquele adotado na legislação que rege o IPI. Sobre a questão, é pacífico o entendimento deste Conselho9 no sentido que não se aplica, para apuração do insumo de PIS ou COFINS não cumulativos (previsto no art. 3º da Lei n. 10.833/2003) o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico do imposto de renda que define custo e despesas necessárias. Isso porque os sistema da não cumulatividade do IPI se diferencia do sistema do PIS/COFINS, na medida em que no IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (inciso II, do § 3º do art. 153 da CF/88), enquanto no PIS/COFINS a técnica é de base contra base (§ 12, do art. 195 da CF/88 c/c com o § 1º dos arts. 2º e 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003). É no mesmo sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que confirma que a "a conceituação de insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva" (RESP n. 1.246.317/MG, relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 29/06/2015). O Parecer Normativo CST n. 65/79 consigna a interpretação adotada pela Fazenda Nacional que, para que sejam gerados créditos de IPI, o produto intermediário deve assemelharse à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. A NT Mercadoria sujeita a alíquota zero de PIS/PASEP e COFINS. Dentro do grupo de notas glosadas pela justificativa NT, a fiscalização apresentou a subdivisão dos motivos determinantes: CAPT78 e 0407ovos Lei n. 10.865/04, art. 28, inciso III CORR25 Lei n. 10.925/04, art. 1, inciso IV Defensivo Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso II FARMilho Lei n. 10.925/04, art.1º, inciso IX Inc V Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso V LEITE Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso XI (Lei n. 11.196/05) NA Não é armazenagem 9 Sobre o tema adoto os fundamentos contidos no Acórdão n. 3302002.260, este proferido no julgamento do recurso voluntário interposto pela Sucocítrico Cutrale Ltda, nos autos do Processo Administrativo n. 12893.000208/200785, sob a relatoria da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas. Fl. 1658DF CARF MF 18 partir dessa premissa é certo afirmar que para se apropriar de créditos oriundos dos produtos intermediários, esse que não se incorpora ao produto final, é imprescindível que este sofra desgaste ou alteração em suas propriedades químicas ou físicas quando em contato direto com o produto em sua fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, os eventos que dão direito à apuração do crédito estão citados no art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, onde se percebe que houve uma ampliação das hipóteses que conferem créditos em relação àquelas previstas na legislação do IPI. Concluise, da leitura dos dispositivos mencionados, que a diferença entre os regimes jurídicos do IPI e das contribuições PIS/COFINS não cumulativas está que no IPI o direito a crédito vinculase ao produto industrializado, já no âmbito nas contribuições está relacionados ao processo produtivo. Contudo, tal ampliação do conceito de insumo não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Ou seja, para o regime não cumulativo das contribuições PIS/COFINS, adotase o conteúdo semântico de insumos mais amplo do que aquele previsto na legislação que rege o IPI, porém mais restrito do que aquele previsto nas normas do Imposto de Renda, abrangendo os bens e serviços que não sendo expressamente vedados em lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o produto ou serviço desejado. Como visto, o conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS e da COFINS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude dessas especificidades, os créditos oriundos dos insumos postulados no recurso voluntário devem ser analisados individualmente. Para análise, item a item, dos produtos e serviços que foram glosados pela fiscalização, é oportuno lembrar que a recorrente é (em sua própria definição): "tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social as atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral, principalmente, derivados de proteína animal e produtos alimentícios que utilizem a cadeia de frio como suporte e distribuição, industrialização, e comercialização de ração, prestação de serviços de alimentação em geral, industrialização e refino de óleos vegetais, exploração, conservação, armazenamento, ensilagem e comercialização de grãos, entre outras atividades". A. PALLETS A fiscalização considerou que os pallets de madeira não são insumos da atividade econômica praticada pela recorrente. Por sua vez, a recorrente afirma (amparada no laudo técnico apresentado em resposta à diligência ordenada), que: Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.651 19 "os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerenda, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizados no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado, e; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização". Está esclarecido no laudo técnico apresentado em resposta à diligência que: "No sistema de movimentação de cargas de pequenas dimensões, na maioria aquelas que possam ser empilhadas manualmente, empregase uma espécie de estrado com geometria plana que facilita e aumenta a velocidade de transporte de arrumação dos produtos sobre ele empilhados. Tratase de dispositivo denominado pallet que foi normalizado nacional e internacionalmente com o objetivo de garantir segurança na carga em movimentação, mecanização para levantamento e deslocamento da massa transportada, entre outros, e principalmente, buscar a unitização de todo um quantitativo de produtos ou até mesmo de matériasprimas entre fornecedor e cliente, entre setores produtivos internos a uma mesma unidade industrial e, ainda, com a possibilidade do pallet ser retornável ou não". "Em suma, os pallets são relevantes para toda a indústria, especialmente a alimentícia, pois, participa do processo produtivo, uma vez que são utilizados na própria industrialização para movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização a serem utilizados, evitando que estes fiquem em contato direto com o solo (diminuindo o risco de contaminação)". E a utilização dos pallets é indispensável para atender aos requisitos das normas de vigilância sanitária, a qual a recorrente deve obediência. A propósito e a título ilustrativo, trago a conhecimento o conteúdo da Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) n. 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições HigiênicosSanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10Os insumos, matériasprimas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local” “8.8Armazenamento e transporte de matériasprimas e produtos acabados; 8.8.1 – As matériasprimas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microrganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o Fl. 1660DF CARF MF 20 armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam”. A utilização de pallets, portanto, atende a exigência de acondicionamento e transportes previstas pelo Ministério da Saúde, e tem por finalidade impedir a contaminação do produto final, o que lhe garante a característica de insumo para as atividades da recorrente. B. PEÇAS DE REPOSIÇÃO, CONSERTO E EQUIPAMENTOS Algumas peças de reposição, conserto e equipamentos foram excluídas do cálculo pela fiscalização, a fiscalização considerou que os códigos CFOP registrados nas Notas Fiscais indicavam produtos que não conferiam direito ao crédito reclamado, por que não condiziam com operações de aquisição de insumos. O laudo técnico acostado aos autos descreve da seguinte forma a finalidade de alguns produtos descartados pela fiscalização: *Rolamentos Utilizado na produção de mortadela, steaks, frango, bacon. Também é utilizado na caldeira. *Esteira Utilizada na produção de steak e presunto. *Correias São utilizadas nas linhas de corte de frango, de suínos, e na produção de bacon. *Respirador São utilizados nas granjas. *Mangueiras são peças de reposição de empilhadeiras e também existem as que são utilizadas nas produção de mortadela, bacon. *Mangote é utilizado em toda indústria. *Chapas São utilizadas na produção de lingüiças. *Parafusos e porcas São utilizados nas produções de mortadelas, bacon, steak. *Bucha É utilizada na produção de mortadela . *Suporte Bronze Mordaça São utilizados no processo de abate do frango. *Lateral Mordaça É utilizada no processo de abate do frango. *Bucha Bronze É utilizada no processo de abate do frango. *Pinto de 1 dia (macho e fêmea) São utilizados na integração das aves no primeiro dia de granja. *Faca Inox São utilizadas nos cortes dos frangos *Peneira Moinho É utilizada na fabricação da ração moinho da fábrica e moinho de milho. *Filtro de ar é utilizado no abate de frango, na sala de cortes e na fabricação de ração e farinhas. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.652 21 *Filtro de óleo é utilizado no abate de frango, na sala de cortes e na fabricação de ração e farinhas. Considerando as informações contidas no laudo técnico e a simples descrição dos produtos feita pelo próprio fiscal, considero que os produtos efetivamente são insumos (em conformidade com a definição adotada e já esclarecida), já que evidentemente indispensáveis para a industrialização dos produtos comercializados pela recorrente. C. COMBUSTÍVEIS EM GERAL E ENERGIA ELÉTRICA Dentro dessa categoria, foram glosados os seguintes itens: GAS GLP 13 Óleo diesel combustível Gasolina Comum Álcool etílico. Por sua vez, conta no laudo técnico que tais produtos têm finalidades diversas além da típica (abastecer veículos automotores) como, por exemplo, manter em funcionamento o equipamento que serve para manter a temperatura de frigoríficos. Trago a conhecimento as utilidades: *Óleo Diesel É utilizado para geração de energia do frigorífico, da incubadora e das caldeiras. *Álcool combustível É utilizado nos túneis de congelamento. *Gasolina combustível É utilizada nos veículos da empresa. Vêse, portanto, que os combustíveis, diante do que esclarece o laudo técnico, é integrado ao próprio processo produtivo da recorrente, já que sem ele não seria possível obter o produto final comercializado. Como já esclarecido, é coerente afirmar que os insumos que propiciam ao contribuinte a obtenção de créditos estão relacionados à prestação de serviços ou industrialização. Seguindo tal raciocínio, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar recurso interposto por indústria de alimentos considerou que é possível o creditamento de PIS e COFINS dos custos incorridos pela aquisição de combustíveis. Transcrevo a ementa do julgamento: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E PEÇAS UTILIZADAS COMO INSUMOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENTREGA DE Fl. 1662DF CARF MF 22 MERCADORIAS VENDIDAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. ARTS. 3º, II, DAS LEIS N. 10.647/2002 E 10.833/2003. 1. O creditamento pelos insumos previsto nos arts. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 e 10;637/2002 abrange os custos com peças, combustíveis e lubrificantes utilizados por empresa que, conjugada com a venda de mercadorias, exerce também a atividade de prestação de serviços de transporte da própria mercadoria que revende. 2. Recurso especial provido. (Recurso Especial n. 1.235.979/RS, julgado em , sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin pela Primeira Seção). Nesse mesmo sentido assim decidiu a 3ª Turma da 4ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção MATÉRIA: COFINS RESSARCIMENTO ACÓRDÃO: 3403002.915 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos de passeio, motocicletas, e kombis que eventualmente transportam funcionários. Considerando que além das finalidades atípicas, os combustíveis são necessários para o transporte dos insumos vivos (frangos, suínos, bovinos) das granjas para o abatedouro, entendo que devem ser considerados como insumos para fins de creditamento, diante da evidente essencialidade e indispensabilidade dos produtos para a recorrente. Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.653 23 No que concerne os gastos com energia elétrica, entendo que concluiu mal o auditor fiscal ao glosar tal insumo. Isso porque o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.637/200210 e o inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/200311 expressamente permitem o desconto de créditos das contribuições do PIS e da COFINS correspondente aos valores gastos pelos custos de energia elétrica utilizadas pelas pessoas jurídicas. Assim, por estar em evidente desalinho com a previsão legal, entendo que é de rigor o cancelamento da glosa sobre os gastos com energia elétrica. D. PRODUTOS QUÍMICOS VINCULADOS À DESINFECÇÃO E LIMPEZA Sobre as glosas determinadas pela fiscalização sobre os produtos químicos utilizados para limpeza e desinfecção, a recorrente esclarece que são indispensáveis para atender as determinações dos órgãos reguladores e fiscalizadores aos quais está submetida por ser frigorífico e produtor de alimentos para consumo humano (Anvisa, Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde, dentre outros). Cita, como exemplo, a regulamentação prevista na Resolução n.10, de 31/07/1984 emitida pelo Ministério da Agricultura, que determina a forma de conservação dos produtos industrializados perecíveis até a chegada ao consumidor final. Além dos motivos já apresentados no item a pallets, entendo que os produtos químicos glosados são essenciais para a desinfecção e limpeza dos abatedouros e locais de processamento dos produtos da recorrente. Adoto como fundamentos específicos aqueles apresentados pelo Ministro Mauro Campbell Marques ao julgar recurso que trata sobre matéria similar a que aqui está submetida a julgamento: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. (...) 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art.3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de 10 Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a: IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. 11 Art. 3º.Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a: III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Fl. 1664DF CARF MF 24 "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015 grifos nossos) Diante do exposto, considero que conferem direito a crédito os valores despendido para aquisição dos produtos químicos destinados à limpeza e desinfecção do estabelecimento industrial da recorrente. E. SERVIÇOS Os serviços não reconhecidos como insumos para fins de apuração de crédito foram aqueles elencados na linha 03, da ficha 06A dos DACONS12. A recorrente defende que os serviços são insumos, por constituírem custos essenciais no processo produtivo. Os serviços não reconhecidos pelo auditor fiscal são: Serviço de mãodeobra Serviço de expedição e armazenagem de cereais Serviço técnico mecânicos Serviços gerais Serviço de transporte de funcionários Serviço imobilizado geral Serviço apanhe de animais Serviço de carga e descarga Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.654 25 Serviço de sangria. Transbordo Armazenagem e frete Consta no parecer técnico oportunamente acostado aos autos as seguintes definições: *Serviços de Expedição e Armazéns São necessários na produção de rações. *Serviços de Transporte de Aves São utilizados nas granjas de matrizes e transferem as aves das granjas de recria para as granjas de produção. *Serviços de Carga e Descarga São necessárias para realizar o recebimento de cereais que serão utilizados na composição das rações. É de fácil conclusão que os serviços acima listados e descritos são empregados na atividade precípua da recorrente fabricação de alimentos para consumo humano. São essenciais para as etapas descritas no laudo técnico e, percebese ainda, que não são passíveis de substituição pelas máquinas, o que reforça a essencialidade e indiscutível característica de insumo. Mais especificamente sobre o serviço de sangria, o laudo técnico informa que: "A unidade industrial do interessado em Carambei/PR produz frangos que são exportados para o Oriente Médio e, por isso, contratualmente por exigência dos clientes as aves são abatidas conforme os preceitos da religião islâmica. As exigências contratuais incluem a forma em que é feita a sangria que inclui a impossibilidade de automação da linha de corte e, mais ainda, que seja feita por pessoas com formação espiritual islâmica e nunca por funcionários da própria BRF S.A. Para viabilizar este requisito do contrato de exportação existe pessoal que atende a estes princípios e que são organizados para prestarem seus serviços nesta etapa de produção industrial". Percebese que a essencialidade do serviço de sangria decorre da atuação da recorrente no mercado internacional, o que torna indiscutível o seu reconhecimento como insumo para fins do creditamento reclamado. A Secretaria da Receita Federal do Brasil adota a conceituação de transbordo13 como sendo a transferência direta de mercadoria de um para outro veículo. No caso da agroindústria, admitese o creditamento não só dos bens e serviços qualificados, com insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede14. Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º das 13 Disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/transito aduaneiro/topicos/controledoregime/transbordoebaldeacao 14 Nesse mesmo sentido está o Acórdão n. 3402003.041, lavrado no julgamento do recurso voluntário apresentado pela Usina Moema Açúcar e Álcool objeto do Processo Administrativo n. 16004.720550/201371, julgado pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamentos em 27 de abril de 2016. Fl. 1666DF CARF MF 26 Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram essa atividade. Há de se ter em mente o laudo técnico que esclarece que os animais vivos são transportados em caminhões, dentro de caixas com controle de temperatura. Assim que chegam ao local do abate, não são desembarcados um a um. A caixa em que chegam é transbordada para o caminhão que percorre os vários locais dentro da planta industrial (alimentação, limpeza e abate dos animais). São custos com serviços indispensáveis para o transporte dos insumos dentro da indústria da recorrente, já que existem peculiaridades técnicas que exigem a manutenção da temperatura e a diminuição dos fatores que possam estressar os animais antes do momento do abate. O transbordo é, ao meu ver, essencial para o processo produtivo, já que sem a prestação desse serviço não é possível obter o produto final. No que concerne os créditos oriundos dos serviços de frete e armazenagem considero que tais são devidos, sem sobra de dúvidas. Isso porque o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 permite expressamente que a contribuinte desconte créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, no caso dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". F. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL (ART. 8º DA LEI N. 10.925/2004). De forma sucinta, os motivos que ensejaram as glosas sobre os créditos oriundos da atividade agroindustrial foram: (i) aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8º, § 3º, I da Lei n. 10.925/2004); (ii) inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumos (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudo técnicos, lenha, retentores, e; (iii) inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero (pinto de 1 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas sim à alíquota zero). Sobre as aquisições se enquadrarem ou não no conceito de insumos, não houve qualquer esclarecimento mais específico no laudo técnico apresentado. Assim, por ausência de fundamentos aptos a ensejar a reforma da decisão recorrida, esta deve ser mantida (apenas no que concerne esses insumos: animais reprodutores, para lactação, para recria, lenha, laudos técnicos e retentores). Já no que concerne a interpretação do inciso I, do § 3º do artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, passo a tecer as seguintes considerações. Ao julgar o Recurso Especial n. 993.164/MG, este submetido a sistemática dos recursos repetitivos e apontado como paradigma da tese, o Superior Tribunal de Justiça definiu que é ilegal ato que exclui da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matériaprima e insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e COFINS. E trouxe o seguinte esclarecimento: “É que (i) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produtor rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; (ii) o Decreto n. 2.367/98 – Regulamento do IPI , posterior à Lei n. 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais, e; (iii) a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.655 27 insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes”. Estabelecida a premissa inicial que é ilegal a exclusão da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matériaprima e insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e COFINS passo ao seguinte ponto, que é definir o percentual a que a recorrente tem direito. Da leitura sistemática da Lei n. 10.925/2004 é possível concluir que o critério de definição dos percentuais de crédito é a natureza dos produtos a que dá saída. Sendo os produtos de origem animal, configura devido os 60% defendidos pela recorrente. E tal conclusão é robustecida pelo texto da Lei n. 12. 865/2013 que em seu artigo 33 acrescentou o § 10 ao artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, que passou a constar nos seguintes termos: §10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. Esse dispositivo é nitidamente interpretativo, de modo que deve prestar os seus efeitos benéficos ao contribuinte ora recorrente, nos moldes do que determina o inciso I do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto por dar provimento integral nessa parte. Lenisa Prado Relatora Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Na Sessão do dia 26 de janeiro de 2017, este Conselheiro pediu vistas deste processo, para melhor análise do litígio. Após minuciosa análise dos autos, não se vislumbra qualquer dissenso quanto os fundamentos do voto da i. Relatora sobre às questões preliminares suscitadas pela recorrente. Já no que tange às questões de mérito, este Relator, com a devida vênia, discorda parcialmente do entendimento da nobre Relatora, pelas razões a seguir aduzidas. Do lote processos que este integra Inicialmente, cabe esclarecer que, o presente processo, faz parte de um lote composto de 9 (nove) processos, sendo um relativo a auto de infração (processo n° 11516.721009/201214) e os demais relativos a pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos 1º ao 4º trimestres de 2008, a seguir relacionados: TRIMESTRE PROCESSO DO PIS PROCESSO DA COFINS 1º TRI/2008 10183.905478/201141 11516.721881/201173 Fl. 1668DF CARF MF 28 2º TRI/2008 11516.721876/201161 11516.721884/201115 3º TRI/2008 11516.721875/201116 11516.721882/201118 4º TRI/2008 11516.721877/201113 11516.721883/201162 Os processos de n°s 11516.721009/201214 (autos de infração) e 10183.905478/201141 (PIS 1º trimestre de 2008), na Sessão de 9/12/2015, foram distribuídos para o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, integrante da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção. Na Sessão de 11/7/2016, com respaldo no art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015, por meio da Resolução nº 3402000.799, o processo de n° 11516.721009/2012 14 (autos de infração) foi convertido em diligência perante a DRF Florianópolis (SC), para fim de aguardar a conclusão do julgamento dos demais (oito) processos acima referenciados e, que após concluído o dito julgamento, retornasse ao CARF, com os respectivos julgados anexados (a este PAF), com vistas ao prosseguimento do julgamento do recurso voluntário colacionados aos presentes autos. Por sua vez, na Sessão de 20/7/2016, o processo de n°10183.905478/201141 (PIS 1º trimestre de 2008) foi submetido a julgamento, formalizado por meio do Acórdão nº 3402003.153, em que, por maioria, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas quanto “aos itens ‘peças de reposição de máquinas e equipamentos’, discriminados no item 8.1.3 do voto; óleo diesel e álcool combustível, conforme item 8.1.4 do voto; e crédito presumido das atividades agroindustriais.” Em 13/9/2016, o Fazenda Nacional interpôs recurso especial perante a 3ª Turma da CSRF, o qual encontrase em fase de triagem no âmbito deste Conselho, conforme informação extraída do sítio do CARF no dia 6/2/201715 Os demais processos do lote (sete), incluindo este, foram distribuídos para a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, integrante deste Colegiado, na Sessão de 22/7/2016. Com exceção do processo nº 11516.721882/201118 (Cofins 3º trimestre de 2008), os restantes foram colocados na pauta de julgamento do dia 26 de janeiro de 2017, quando, após leitura parcial do voto pela Relatora, este Conselheiro pediu vistas, para melhor análise do litígio. Com base nesses breves esclarecimentos, fica evidenciado que os 8 (oito) processos que tratam dos pedidos de ressarcimento estão vinculados por conexão, conforme definido no art. 6º, § 1º, I, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015). Logo, por força dessa condição, antes de prolatada a decisão, todos os processos conexos poderiam ter sido distribuídos ao conselheiro prevento, ou seja, aquele que primeiro recebeu um ou parte dos processos conexos. Entretanto, no caso em tela, essa providência não revelase impossibilitada, haja vista que, os dois processos distribuídos ao Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, integrante da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, já foram julgados, o que afasta a possibilidade de remessa dos demais processos conexos, ainda pendentes de julgamento, ao citado Conselheiro, por expressa disposição do art. 6º16, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015. 15 Disponível em: <https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/ exibirProcesso.jsf> 16 "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.656 29 Dessa forma, passase analisar as questões de mérito em relação as quais não há concordância com as razões de decidir apresentadas pela nobre Relatora. A) DAS QUESTÕES DE MÉRITO Nos presentes autos, o mérito da controvérsia cingese às razões que motivaram o indeferimento integral do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência não cumulativa do 3º trimestrecalendário de 2008, vinculados à receita de exportação do respectivo período de apuração. Portanto, aqui não serão analisadas as questões atinentes ao auto de infração integrante do processo nº 11516.721009/201214, por ser matéria estranha. De acordo com a Informação Fiscal colacionada aos autos, o motivo do indeferimento foi (i) a glosa parcial dos valores de determinados itens integrantes da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins e (ii) reclassificação de parte do valor da receita de exportação (isenta/imune) para receita de venda no mercado interno (tributada). I DA GLOSA DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. As glosas recaíram sobre os valores, totais ou parciais, dos seguintes itens informados no Dacon e memória de cálculo pela recorrente: a) bens utilizados como insumos; b) serviços utilizados como insumos; c) despesas com energia elétrica; d) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda; e e) crédito presumido agroindustrial. 1 Da glosa dos Bens Utilizados Como Insumos (Ficha 16A Linha 02) Em relação aos bens utilizados como insumos, as glosas foram realizadas sobre os valores das (i) aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, (ii) aquisição de bens sujeitos à alíquota zero, (iii) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito e (iv) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, elaborada pela autoridade fiscal, estão identificadas todas as notas fiscais, valores glosados e a indicação clara e precisa dos respectivos motivo e fundamentação legal da glosa, o que é suficiente para demonstrar a improcedência da alegação de nulidade do procedimento fiscal, bem como a desnecessidade da produção da requerida prova pericial. 1.1 Da aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo (Grupo NI) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. [...]" Fl. 1670DF CARF MF 30 De acordo com a referida Informação Fiscal, a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições dos bens que não se enquadravam no conceito insumo, veiculado pelo art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 404/2004. De outra parte, a recorrente alegou a improcedência das referidas glosas, baseada no entendimento de que de todos os dispêndios ocorridos que contribuíram, direta ou indiretamente, para a obtenção da receita auferida e submetida à tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Assim, fica evidenciado que o cerne da controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, das Leis 10.637/2002 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) grifos não originais O entendimento deste Relator é um pouco mais amplo do que aquele apresentado pela autoridade fiscal (extraído da legislação do IPI), porém, um pouco mais restrito do que o utilizado pela recorrente (veiculado pela legislação do Imposto sobre Renda da Pessoa Jurídica). Cabe ainda consignar que, no âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando também entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem aos custos indiretos de produção ou fabricação. Com a ressalva de que insumo e custo são termos que representam a mesma realidade de forma dista. O insumo representa a coisa, o bem material ou imaterial (ou serviço), enquanto que o custo representa o valor financeiro despendido na aquisição do respectivo bem. Em outros termos, o insumo representa o fluxo físico, enquanto o custo representa o fluxo financeiro da mesma realidade. E, no âmbito da pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. Com base nessa breve digressão, entende este Relator, com a devida vênia aos que entendem diferente, essa é a definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, veiculado pelos citados preceitos legais. Assim, respaldado nesse entendimento, podese asseverar que, no âmbito do regime não cumulativo da referida contribuição, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção. Também são considerados insumos os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.657 31 Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os bens e serviços não aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação. Em outras palavras, todos os bens ou serviços utilizados antes do início ou após a conclusão do processo de produção ou fabricação, que incluem os bens e serviços utilizados (i) na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas préindustriais, ou (ii) na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica (as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.). Com base nesse entendimento, aqui será analisada as glosas dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente. Inicialmente, rejeitase a alegação da recorrente de que os itens glosados a título “de bens que não se enquadram no conceito de insumo” não foram identificados pela fiscalização. Diferentemente do alegado, na referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” consta, além do número da nota fiscal, o grupo e motivo da glosa e a correspondente descrição do bem adquirido. E se da simples leitura da referida descrição foi possível a este Relator identificar o tipo de bens descritos, certamente, não se revela crível que a recorrente, que dispõe de todos os dados sobre os bens adquiridos, conforme se verifica na memória de cálculo por ela elaborada, não tenha identificado os itens glosados. Pela mesma razão, afastase o alegado cerceamento do direito de defesa, por falta de motivação. Ainda em relação a presente glosa, a recorrente afirmou que os itens glosados, a exemplo do barbante e pallets, davam direito a crédito por serem produtos utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo. Esclareceu que o barbante era utilizado dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. Acerca dos pallets acrescentou: O pallet e demais produtos glosados e não identificados em relatório são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. [...]Portanto, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA e MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (SIF). As alegações genéricas dispensam qualquer análise e rejeitase de plano, por se revelarem improcedentes. No que tange ao barbante, compulsando a coluna da “Descrição do Material” da referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, não foi encontrada menção à glosa do custo de aquisição desse tipo de produto, o que dispensa qualquer consideração a respeito. Fl. 1672DF CARF MF 32 Em relação aos pallets, cabe trazer a lume os esclarecimentos apresentados no Relatório Técnico nº 000.903/13, da lavra do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), anexado pela recorrente em atendimento ao pedido de diligência deste Conselho, que se encontra colacionado aos autos. Especialmente, a partir do item 13, em que apresentadas a descrição e forma de utilização, no estabelecimento da interessada, dos vários tipos pallets. De todos, merece destaque especial o item 15, que segue transcrito: No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibra de vidro (sic). Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibra de vidro [...] (sic). destaques não originais. Com base no texto transcrito, fica esclarecido que a recorrente utiliza três tipos pallets: um de fibra de vidro e os outros dois de madeira. E conforme explicitado, apenas os pallets de fibra de vidro são utilizados nas linhas de produção, logo, os custos de aquisição, se não ativados, são considerados insumo de produção. E assim entendeu a autoridade fiscal, uma vez que não houve glosa desse tipo de pallet, conforme se infere da leitura da citada “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”. No que concerne aos pallets de madeira há um tipo que é retornável e o outro descartável. E conforme explicitado no texto transcrito, ambos são utilizados nas “movimentações externas às linhas de produção”. Logo, inferese que tais pallets não são utilizados no processo produtivo, portanto, não são considerados insumos de produção, incluindo os descartáveis. E dada essa forma de utilização, chegase a conclusão de que, no âmbito da atividade da recorrente, os pallets de madeira são considerados meros equipamentos de transporte dos produtos acabados. Aliás, sabidamente, os pallets são considerados unidades de carga destinadas a viabilizar a otimização do transporte dos produtos acabados, por meio do uso de paleteiras e empilhadeiras. Logo, em face dessa condição e forma utilização, os referidos pallets de madeira, em hipótese alguma, podem ser considerados insumos de produção, porque utilizados exclusivamente no transporte dos produtos acabados, e tampouco despesas de armazenagem ou de frete, conforme alegado, alternativamente, pela recorrente, especialmente, aqueles retornáveis, que, dependendo do prazo de vida útil, devem ser registrados no ativo permanente e não contabilizados como despesas. E como não se trata de insumo nem despesa de armazenagem ou de frete, obviamente, não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia o fato de a utilização dos referidos pallets atender ou não exigências referentes à higiene e limpeza determinada em normas da Anvisa e do Ministério da Agricultura. Por todas essas considerações e tendo em conta que os custos de aquisição dos pallets de madeira não são considerados insumos de produção nem despesa de armazenagem ou frete, conforme definido no art. 3º, II e IX, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, por falta de previsão legal, não integram a base de cálculo dos créditos da Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.658 33 Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, portanto, deve ser mantida, integralmente, a glosa realizada pela fiscalização. 1.2 Da aquisição de bens sujeitos à alíquota zero Com base nos dados da memória de cálculo apresentada pela recorrente, a autoridade fiscal procedeu a glosa das aquisições dos bens sujeitos à alíquota zero, para os quais há expressa vedação à apropriação de créditos das referidas contribuições, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) grifos não originais Na manifestação de inconformidade e no recurso em apreço, a recorrente alegou cerceamento do direito de defesa, por falta de identificação dos itens glosados e da motivação da glosa. No entanto, contraria o alegado, a afirmação da própria recorrente de que “diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas” e cita o manjericão como “provável” item glosado indevidamente. No mesmo sentido, a simples leitura da referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” evidencia a improcedência da referida alegação. No referido documento, verificase que, para cada nota fiscal glosada, além da descrição e valor de aquisição do bem, há expressa indicação do motivo da glosa, acompanhado da menção ao respectivo dispositivo legal, que reduziu a zero a alíquota das citadas contribuições. E ao perceber o equívoco de tal alegação, ao se manifestar sobre o resultado da diligência, a recorrente alegou que: Temos ainda produtos químicos, desinfetantes e afins que são bens utilizados especialmente no processo produtivo da recorrente, inclusive, em razão de normas que regulam a atividade e emitidas por órgãos reguladores e fiscalizadores, tais como ANVISA, MAPA, SIF, entre outros. Neste sentido foram glosados: Calc. Calcit. Pá 38% Cálcilo, Desinfetante Hipoclorito Sódio, DL Metionina Pà 99%, Desinfetante Enilconazole, Desinfetante Glut 40%, Desinfetante TEK, Ceftiofur, Treonina 98,5%, Antibiótico Amoxicilina 50%, Sulfato de Beomicina 50%. Fl. 1674DF CARF MF 34 Na seqüência, a recorrente concluiu que: [...] não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. A noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. No caso, inexiste controvérsia de que o motivo da glosa foi o fato de os referidos produtos terem sido adquiridos sem a tributação das referidas contribuições (produtos sujeitos à alíquota zero). Por conseguinte, a condição deles serem insumos de produção ou não, induvidosamente, não tem qualquer relevância para infirmar o motivo da glosa, já que a natureza produto não teve qualquer influência em ralação ao motivo da glosa. Também não procede a alegação da recorrente de que era totalmente viável a manutenção do crédito em relação aos produtos “vinculados à noção de insumos”, tais como “vacinas, antibióticos, treonina, ivermectina, entre outros”, pinto de 1 dia (macho e fêmea) etc. A razão, segundo a recorrente, era evidente: se não houve cobrança das referidas contribuições na aquisição desses produtos, logo, era vedado o direito de apropriação de crédito, por expressa determinação no citado preceito legal. Enfim, por expressa proibição, determinada no art. 26A do Decreto 70.235/1972, no âmbito deste Conselho, não cabe a análise da alegação no sentido de que a glosa de créditos, na hipótese de aquisição sem tributação, se sujeita à tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, bem como implica efeito confiscatório. Aliás, em conformidade com essa proibição, exisnte o entendimento manifestado no enunciado da Súmula CARF nº 02, de acatamento obrigatório por todos os integrante deste Conselho, por força do disposto no art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Em relação à aquisição dos produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, entre outros), relacionados no art. 8º da Lei 10.925/2004, em caráter alternativo, a recorrente pleiteou a manutenção, pelo menos, do crédito presumido, “pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925”. Assiste razão à recorrente apenas no que tange às aquisições dos pintos de 1 dia, desde que, adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, nos termos do art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004, uma vez que, inequivocamente, tais animais integram o processo produtivo dos produtos de origem animal da posição 02.07 “carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05”, produzidos pela recorrente e destinados à alimentação humana. Assim, ainda que tais bens tenham sido adquiridos com alíquota zero das referidas pessoas jurídicas, sobre tais aquisições a recorrente faz jus a apropriação do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. Por todas essas razões, restabelecese apenas o direito de a recorrente apropriar, parcialmente, do crédito presumido agroindustrial, calculados mediante a aplicação do percentual de 60% das alíquotas normais das contribuições, previsto no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, sobre o valor das aquisições dos pintos de 1 dia. 1.3 Notas fiscais com CFOP de operação sem direito a crédito Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.659 35 De acordo com a citada Informação Fiscal, foram glosados os valores das notas fiscais, listadas na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, cujo CFOP não representava operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. Da leitura da referida listagem, constatase que as notas fiscais glosadas em razão de o CFOP “indicar operação sem direito de crédito” estão identificadas na coluna "Motivo glosa" com a informação “CFOP”, que significa “Código Fiscal da operação indica operação sem direito a crédito”. As referidas glosas foram integralmente mantidas pela decisão recorrida, com base nos seguintes argumentos, in verbis: [...] os CFOP de tais notas não representam operações que consistam de aquisição de bens ou outra operação que dê direito a crédito, tais como as representadas pelas notas com os seguintes: os CFOP 2.556 Compra de material para uso ou consumo e 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. De outro turno, tendo em conta a "Descrição do Material", verificase que os bens claramente não consistem de insumo ou não há como afirmar que o sejam, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso em apreço, a recorrente limitouse em alegar a legitimidade dos créditos, por serem bens “caracterizados pela utilidade, inerência e relevância no processo produtivo”. Evidentemente, tratase de alegação genérica, desprovida de qualquer respaldo probatório. Já na manifestação sobre o resultado da diligência, a recorrente apresentou novas alegações, a seguir analisadas. 1.3.1 Das Peças, equipamentos e ferramentas em geral Na referida manifestação, com base nos fluxogramas integrantes do Laudo Técnico do INT, a recorrente informou que, na relação de bens glosados, havia peças e diversos itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas utilizados no processo produtivo, tais como: Suporte Bronze Mordaça, Lateral Mordaça, Bucha Bronze, Anel vedante, Anel trava, Rolamento, Fuso, Gancho, Engrenagem, Mola, Bucha, Placa Sincronizadora, Retentor, Pistão Hidráulico, Arruela Lisa, Correias do carro, Espátula, Bloco alumínio, Bucha Inox, Módulo completo, Acoplamento, Mangueira, Chave bloco, chave segurança, Bloco Bronze, Anel elástico, Cilindro bomba, Reparo de Pistão, Conectores, Faca Inox, Esteira placa quente, Peneira Moinho, Filtro Ar, Filtro óleo, Frezas Sep. vísceras PM 300, Navalha CW System e Filtro de óleo. E, em seguida, alegou que tais itens: São peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo. A mais disso, o próprio Laudo técnico deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente, Fl. 1676DF CARF MF 36 especialmente, diante de sua atividade e plantas industriais juntadas. Ora, se a própria recorrente afirmou que tais bens eram “peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo”, certamente, eles não eram insumos de produção. E pelas características e aplicação, informadas na “planilha complementar referente aos insumos utilizados na produção”, colacionada aos autos, apresentada após a referida manifestação, inferese que, se efetivamente utilizados na produção, o custo de aquisição de tais bens era passível de apropriação como créditos, mas sob forma de encargo de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, e § 1º, III, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) grifos não originais. Assim, em vez da apropriação como crédito de insumo de produção, como equivocadamente fez a recorrente, com suporte nos citados preceitos legais, se aplicados na produção, a apropriação correta e permitida do crédito sobre o valor do custo de aquisição dos referidos bens era sob forma de encargo mensal de depreciação, segundo os procedimento determinados por legislação específica, o que não foi feito pela recorrente. Por essas razões, fica demonstrado que os referidos bens eram insumo produção, portanto, não merece reparo a glosa dos créditos calculados sobre o valor do custo de aquisição dos mencionados bens. 1.3.2 Dos combustíveis em geral Sobre a glosa dos combustíveis, na referida manifestação, a recorrente alegou o seguinte: Temos ainda, os combustíveis (Óleo Diesel), Álcool Combustível, Gasolina Combustível, etc), que além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado. Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.660 37 Na referida planilha complementar, a recorrente informou que o Óleo Diesel fora utilizado no gerador de energia do Frigorífico, no gerador do Incubatório e nas Caldeiras 1 e 2, enquanto que o Álcool Combustível fora utilizado no setor de Embalagem final e nos Túneis de congelamento (diminuição do gelo acumulado no frigorífico). Como tais itens foram utilizados na área fabril, eles são considerados insumos de produção e como tal o valor do custo de aquisição foram corretamente apropriado como créditos das referidas contribuições. Consta da referida planilha a Gasolina Comum Combustível fora utilizada nos veículos da empresa, o que desqualifica tal produto como insumo de produção, logo, deve ser mantida a glosa. Dessa forma, fica restabelecido o direito de a recorrente apropriarse apenas do valor do crédito calculado sobre o valor de aquisição do Óleo Diesel e do Álcool Etílico Combustível. Em relação aos demais combustíveis, fica mantida a glosa dos créditos apurada pela fiscalização. 1.4 Das aquisições de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão obrigatória da cobrança da contribuição De acordo com a referida Informação Fiscal, o que motivou a glosa dos créditos normais apurados sobre os valores das aquisições de pessoas jurídicas de frangos vivos (Posição 0105) e demais produtos agropecuários, utilizados como insumos de produção pela recorrente, foi o fato de tais aquisições não estarem sujeitas à cobrança, mas à obrigatória suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei 10.925/2004. Segundo a autoridade fiscal, as operações de venda de produtos agropecuários, para a pessoa jurídica Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda, preenchiam todos os requisitos fixados no art. 4º da Instrução Normativa SRF 660/2006, logo, por força do disposto nos referidos arts. 8º e 9º, tais aquisições não estavam sujeitas a cobrança das referidas contribuições. Porém, asseverou a autoridade fiscal, caso o vendedor tivesse apurado e recolhido as ditas contribuições sobre as vendas dos citados produtos, tal recolhido era indevido. E, sabidamente, o pagamento indevido não assegurava o direito ao crédito ao comprador, mas repetição de indébito ao contribuinte, no caso o vendedor, conforme preceituava o art. 165, I, do CTN. Por sua vez, a recorrente defendeu a manutenção integral do crédito, sob o argumento de que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + Contribuição para o PIS/Pasep) e que a Lei 10.925/2005 somente era aplicável, nas condições estipuladas, quando houvesse venda com suspensão das referidas contribuições; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicavase o art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Alegou ainda que se podia concluir, da redação descrita pela IN SRF 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB 977/2009, que antes desta última IN a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Alternativamente, a interessada pleiteou que se reconhecesse a procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido agroindustrial, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. A partir da vigência da Lei 10.925/2005, foi permitido às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos mencionados no caput do art. 8º da referida lei, Fl. 1678DF CARF MF 38 deduzirem da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado mediante a aplicação de alíquota diferenciada sobre o montante dos insumos adquiridos de pessoa jurídica com atividade agropecuária ou de cooperativa de produção agropecuária. Em decorrência, suspendeu a cobrança das referidas contribuição nas vendas dos referidos insumos, realizadas pelas pessoa jurídicas que exerçam atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, nos termos do art. 9º da citada Lei que segue transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) grifos não originais Da simples leitura do referido preceito legal, inferese que, uma vez existentes as condições nele estabelecidas, a pessoa jurídica vendedora, obrigatoriamente, adotará o regime suspensão da cobrança das referidas contribuições. Se a assim não procedeu, a citada pessoa jurídica agiu descompasso com a lei e se cobrança houve das referidas contribuições, elas foram indevidas e assim devem ser tratadas. Em consonância com o disposto no transcrito art. 9º, § 2º, o assunto foi regulamentado, inicialmente, por meio da Instrução Normativa SRF 636/2006, depois revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006, com as alterações da Instrução Normativa SRF 977/2009. Como a recorrente alegou que antes das alterações da Instrução Normativa SRF 977/2009 a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração), reveste de todo oportuno, para melhor análise, transcrever os seguintes trechos relevantes da redação originária da Instrução Normativa SRF 660/2006: Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.661 39 Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...] III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...] III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...] II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...] Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; Fl. 1680DF CARF MF 40 II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. § 2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. [...] Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (grifos não originais) Dos referidos comandos regulamentares, extraise que, se atendidas as condições estabelecidas nos incisos I a III do art. 4º, acima transcrito, obrigatoriamente, a receita de venda auferida pelas referidas pessoas jurídicas fica sujeita a suspensão da cobrança das referidas contribuições e, em decorrência dessa situação, a pessoa jurídica vendedora obrigase a exigir e a compradora obrigase a fornecer as declarações mencionadas nos incisos I e II do § 1º do citado artigo. Logo, temse que as condições estabelecidas nos incisos do art. 4º são necessárias e suficientes para a adoção obrigatório do regime de suspensão em comento, enquanto que os incisos do § 1º do art 4º apenas estabelecem obrigações acessórias a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.662 41 Diferentemente do alegado pela recorrente, antes da edição da Instrução Normativa SRF 977/2009, que deu nova redação ao art. 4º em comento, deixou expressa a obrigatoriedade da referida suspensão e revogou o § 1º, que previa a exigência de apresentação da referida obrigação, com vigência desde 4 de abril de 2006, conforme explicitado na nova redação, que segue transcrita: Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) §2º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) [...] Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; (grifos não originais) Portanto, não foi a edição da Instrução Normativa SRF 660/2006 e tampouco a referida alteração que tornaram obrigatória a suspensão da cobrança das contribuições em apreço. Tal obrigatoriedade, certamente, já existia desde a vigência dos arts. 8º e 9º da Lei 10.925/2004. As referidas normas regulamentares apenas explicitaram tal obrigatoriedade, bem como os requisitos implícitos nos referidos preceitos legais. Assim, resta demonstrado que a venda com suspensão constitui direito do vendedor, quando presente as condições estabelecidas implicitamente no referido preceito legal e expressamente no referido preceito regulamentar. Assim, se tal operação de venda foi indevidamente tributada pelo vendedor, essa condição não permite que o adquirente se aproprie do crédito normal (integral) das contribuições, por se tratar de procedimento contrário ao prescrito nos mencionados comandos normativos. No caso, se houve pagamento de contribuição indevida, em tese, o direito de repetir o indébito pertencente à pessoa jurídica vendedora. Entretanto, por falta de amparo legal, essa circunstância não assegura à pessoa jurídica compradora o direito de apropriarse do crédito normal (integral) das contribuições. Fl. 1682DF CARF MF 42 Enfim, em caráter alternativo, a recorrente solicitou o restabelecimento parcial do crédito glosado, “mediante aplicação do percentual do crédito presumido”, instituído no art. 8º do da Lei 10.925/2004. O referido pedido alternativo merece acolhida, porque as referidas aquisições de insumos aplicados na produção de mercadoria de origem animal foram feitas de pessoa jurídica que exercem atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, portanto, em conformidade com disposto no art. 8º, § 1º, III, combinado com o disposto no art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, tais operações asseguram ao estabelecimento agroindustrial adquirente o direito de deduzir crédito presumido em destaque, calculado mediante aplicação do percentual de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos agropecuários aplicados na produção dos produtos de origem animal destinados à alimentação humana ou animal. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido, parcialmente, o direito de a recorrente apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, calculado mediante aplicação do percentual de 60% das alíquotas normais das contribuições sobre o valor dos insumos agropecuários adquiridos de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão, mas indevidamente tributadas. 2 Da glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos (Ficha 06A, Linha 03) De acordo com a Informação Fiscal, a autoridade fiscal glosou as aquisições de serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, § 4º, I, “b” da Instrução Normativa SRF 404/2004. A glosa compreende os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. A recorrente contestou essa glosa remetendo “a todos os fundamentos ventilados até o momento” acerca da “noção de insumo no sistema não cumulativo de PIS e COFINS” e aduziu que o termo de verificação fiscal não mencionava expressamente um item sequer glosado e a razão fática e jurídica. Diferentemente do alegado, embora não tenha sido mencionado na informação fiscal, há na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” identificação das notas fiscais glosadas, descrição e valor do serviço, bem como o motivo da glosa, procedido da informação “NI” que indica que o serviço “Não é insumo”. E da leitura da descrição das operações glosadas, não é possível saber se os serviços são ou não insumos de produção e não há elementos suficientes para essa confirmação, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa. Para ratificar o afirmado, a título de exemplo, apresentase a descrição das seguintes operações: SERVIÇOS GERAIS, SERVICO MÃODEOBRA, SERVICO IMOBILIZADO GERAL. Na manifestação sobre a diligência, a recorrente informou que “com clareza meridiana são considerados insumos, em especial: Serviços de Expedição e Armazéns, Serviço Técnico Mecânico, Serviço de transporte de aves, Serviço de carga e descarga, entre outros.” Na referida planilha complementar, nos itens 53 a 56, foi informado o local onde era prestado o serviço e a sua descrição. Com base nessas informações e tendo em conta o conceito de insumo aqui adotado, são considerados insumos apenas os seguintes serviços: “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves” e “Serviço de Carga e Descarga”. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.663 43 Em relação aos demais serviços glosados, a recorrente não dignou apresentar elementos suficientes, com vistas a demonstrar que eram insumos de produção, portanto, deve ser mantida a glosa. Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. 3 Das Despesas com Energia Elétrica (Ficha 06A Linha 04) De acordo com a “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, verificase que foram glosados os valores informados na Ficha 06A Linha 04 do Dacon, que não representavam despesas com energia elétrica consumida. As operações glosadas, por exemplo, tinha a seguinte descrição: PALLET MAD 120X100X14CM EXPORT PL7 REFO, CALC. CALCIT. Pà 38% CALCIO BAG 1300KG, PINTO 01 DIA MATRIZ COBB FEMEA, ANTIB AMOXICILINA 50% BALDE 5KG SC 200G. Com base apenas na descrição, já fica demonstrados que tais operações não são despesas com energia elétrica. Entretanto, diante tão evidente equívoco, a recorrente teve a coragem de alegar que os valores das despesas com energia foram lançados em livros fiscais, que se presumia verdadeiros, pelo que requereu a realização diligência ou perícia com o objetivo de comprovar a diferença mediante ofício à concessionária de energia. Inacreditável! Em vez de apresentar as provas do que alegara, invertendo as regras sobre ônus da prova, sem qualquer justificativa plausível, a recorrente alegou que era autoridade fiscal que deveria provar que aquisição de pallet de madeira era despesa de energia elétrica consuma. Assim, na ausência de provas de que os valores registrados não eram despesas com energia elétrica ou térmica, mantém a glosa integral determinada pela fiscalização. 4 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16A Linha 07) De acordo com a planilha que integra a Informação Fiscal, foram excluídos da base de cálculo (glosados) as diferenças entre os valores informados no Dacon e os informados na memória de cálculo, apresentada pela recorrente. Segundo a autoridade fiscal, a referida glosa diz respeito aos custos com “SERVICO CARGA E DESCARGA ( TRANSBORDO) e outros, que não se enquadravam no prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003”. Cabe informa ainda que não há na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” a indicação de notas fiscais para Linha 07 da Ficha 16A do Dacon, porque as glosas referemse às diferenças apuradas entre os valores informados no Dacon e os informados na memória de cálculo, para cada mês do trimestre. Fl. 1684DF CARF MF 44 A recorrente alegou que o frete na venda e armazenagem “inclui o procedimento a fim de realizar a exportação do transbordo” por tratarse de “serviço natural e essencial ligado ao frete para a exportação do bem”. Sem razão à recorrente. O teor do art. 3º, IX, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não comporta sentido e alcance tão amplo, de modo a incluir os demais serviços relacionados ao transporte do bem. Além disso, a recorrente não apresentou qualquer documento que comprovasse a realização da parcela das despesas glosadas. Por todas essas razões, deve mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal. 5 Créditos Presumidos das Atividades Agroindustriais (Ficha 06A Linhas 25 e 26) Da referida Informação Fiscal, extraise que, em relação aos insumos não pertencentes ao inciso I do § 3º do art. 8º da Lei 10.925/2004, no cálculo do crédito a alíquota aplicada foi reduzida de 60% da alíquota normal da contribuição, percentual utilizada pela interessada, para 35% da alíquota normal, nos termos do inciso III do mesmo parágrafo. No corpo do relatório fiscal, encontrase uma listagem contendo os insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês, e na planilha “Crédito Presumido – Detalhe”, colacionada aos autos, encontram se individualizadas as notas fiscais correspondentes. A recorrente, por seu turno, alegou que o art. 8º da Lei 10.925/2004, ao definir os percentuais (60% ou 35% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido a ser apropriados pelas pessoas jurídicas que produzissem mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é fabricado com o bem adquirido. Com base nesse entendimento, a recorrente defendeu a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota normal da contribuição, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Do cotejo entre os dois posicionamentos, fica evidenciado que a controvérsia cingese ao parâmetro de definição do percentual de apuração do crédito presumido agroindustrial. Para a recorrente, seria a natureza do bem produzido pela pessoa jurídica que desenvolvesse a atividade agroindustrial, ao passo que, para autoridade fiscal, seria a natureza do insumo adquirido pelo referido estabelecimento agroindustrial. Para melhor compreensão da controvérsia, veja o teor do caput e do § 3º, I e III, do art. 8º da Lei 10.925/2004, na época vigentes, que seguem transcritos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.664 45 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) No âmbito deste Conselho, até a vigência do art. 33 da Lei 12.865/2013, que acrescentou o § 12 ao art. 8º da Lei 10.925/2004, havia amplo dissenso sobre a questão. A partir de então, em face da natureza interpretativa do novel preceito legal, por força do disposto no art. 106, I, do CTN, passou a ser aplicada o entendimento em que o percentual de presunção seria definido em função da natureza do produto industrializado e não dos insumos nele aplicado. Senão, veja como ficou a redação do citado § 10: Art. 8º [...] [...] § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) grifos não originais Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o direito de a recorrente apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, mediante a utilização do percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, respectivamente, definidas no art. 2o das Leis 10.637/2002 e10.833/2003, a ser aplicado sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, independente do tipo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa agropecuária, na forma do art. 8º, § 1º, da Lei 10.925/2004. II DA GLOSA DAS RECEITAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Fl. 1686DF CARF MF 46 De acordo com referida Informação Fiscal, a autoridade fiscal apurou que a recorrente não havia registrado operação de exportação no Siscomex o ano de 2008 e que grande parte das vendas com fim específico de exportação, realizadas com CFOP 5501/6501, não cumpriram os requisitos da legislação de regência, porque as mercadorias eram entregues em recintos não alfandegados de uso público. A autoridade fiscal ainda informou que: Em verdade, era a Perdigão Agroindustrial S/A, em seu próprio nome, que “estufava” os contêineres e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda para a Perdigão agroindustrial S/A eram vendas normais no mercado interno. Em decorrência dessa constatação, a autoridade procedeu a reclassificação das referidas vendas do grupo das receitas de exportação para o das receitas de vendas tributadas no mercado interno, bem como procedeu o recálculo das proporções entre os valores das receitas de vendas no mercado interno (tributadas e não tributadas) e das receitas de exportação, para fim de determinação do novo percentual de rateio dos créditos das referidas contribuições, passíveis de ressarcimento e compensação, nos termos da legislação vigente. A relação das notas fiscais glosadas, emitidas pela recorrente em nome da exportadora Perdigão Agroindustrial S/A., encontramse discriminadas na Planilha denominada “Listagem de locais de entrega das vendas com fim específico de exportação fornecida pelo contribuinte e formatada pela fiscalização”, colacionada aos autos, em que, além de outras, consta a informação do local onde foram armazenados os produtos remetidos pela recorrente. Assim, fica demonstrado que o motivo da glosa em apreço foi a descaracterização da receita de venda com fim específico de exportação em razão do descumprimento dos requisitos estabelecido para o referido regime de isenção. No recurso em apreço, a recorrente alegou que a não incidência (desonerações) das referidas contribuições sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, estabelecida nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se tratava de hipótese de isenção, mas de imunidade tributária objetiva, prevista no art. 149, § 2, I, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), que objetivava “desonerar receitas vinculadas (direta ou indiretamente) à exportação”. Além de ser matéria estranha ao motivo da glosa em apreço, para a recorrente não existe diferença entre a imunidade tributária da operação de exportação, estabelecida no art. 149, § 2, I, da CF/1988, a isenção das operações de “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, previstas no art. 5º17, III, da Lei 10.637/2002 e no art. 6º18, III, da Lei 10.833/2002, respectivamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do regime de incidência não cumulativa. No caso, diferentemente do regime de imunidade tributária das operações de exportação, o regime de isenção em comento está condicionado a que a venda seja feita (i) a empresa comercial exportadora e (ii) para o fim específico de exportação. Logo, tratase 17 “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.” 18 “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.” Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.665 47 matéria regulada por lei, cuja análise de compatibilidade com a CF/1988 é expressamente vedada aos integrantes deste Conselho pelo art. 26A do Decreto 70.235/1972. Assim, uma vez demonstrada a possibilidade de afastamento, passase a analisar o significa e alcance dos preceitos legais que disciplinam o assunto. No ordenamento jurídico do País, existem duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora comum, constituída de acordo com a legislação comum (Código Civil e legislação esparsa) e registrada como exportadora no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da Secex e (ii) a trading company (ou ECE), constituída na forma do art. 2º19 do Decretolei 1.248/1972. Enquanto que as vendas com o fim específico de exportação devem os requisitos estabelecidos no parágrafo único do art. 1º Decretolei 1.248/1972, a seguir transcrito: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. (grifos não originais) Na exportação, o regime de entreposto aduaneiro, que compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário, encontrase definido no art 10 do Decretolei nº 1.455/1976, a seguir reproduzido: Art. 10. O regime de entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário e permite a armazenagem de mercadoria 19 "Art. 2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. § 1º O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. § 2º Do ato que determinar o cancelamento a que se refere o parágrafo anterior caberá recurso ao Conselho Monetário Nacional, sem efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação. § 3º O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas relativas à estrutura do capital das empresas de que trata este artigo, tendo em vista o interesse nacional e, especialmente, prevenir práticas monopolísticas no comércio exterior." Fl. 1688DF CARF MF 48 destinada a exportação, em local alfandegado: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I de uso público, com suspensão do pagamento de impostos, no caso da modalidade de regime comum; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior, quando se tratar da modalidade de regime extraordinário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista peloDecretoLei no1.248, de 29 de novembro de 1972, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Na hipótese de que trata o § 1o, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido em regulamento, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) O entreposto aduaneiro na exportação encontrase regulamentado nos arts. 410 a 415 do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), dos quais, pela pertinência, transcrevese os arts. 410 e 411 a seguir: Art. 410. O regime especial de entreposto aduaneiro na exportação é o que permite a armazenagem de mercadoria destinada a exportação (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, caput, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). Art. 411. O entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regime comum e extraordinário (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, caput, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 1º Na modalidade de regime comum, permitese a armazenagem de mercadorias em recinto de uso público, com suspensão do pagamento dos impostos federais (DecretoLei nº1.455, de 1976, art. 10, caput, inciso I,com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º Na modalidade de regime extraordinário, permitese a armazenagem de mercadorias em recinto de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, inciso II,com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 3º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista no art. 229, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.666 49 do Brasil (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, §1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 4º Na hipótese de que trata o § 3o, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido pela autoridade aduaneira, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, § 2º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). Com base nos referidos comandos normativos, inferese que as vendas com fim específico de exportação, para serem beneficiadas com a isenção das referidas contribuições e integrarem a receita de exportação, para fim rateio do crédito apropriado, depende do cumprimento dos seguintes requisitos: a) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum ou extraordinário, nas vendas para trading companies; e b) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum, nas vendas para demais comerciais exportadoras comum. Assim, quer os produtos sejam vendidos a trading companies, quer o sejam vendidos a empresas exportadoras comuns, para usufruir os benefícios fiscais de incentivo à exportação, o produtorvendedor de remetêlos diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa adquirente, ou para depósito alfandegado de uso público ou privativo (neste último caso, se a venda foi para trading company). A única exceção a exigência de armazenamento em local não alfandegado, encontrase prevista no art. 411, § 4º, do RA/2009. Porém, ela se aplica apenas às vendas realizadas à trading company e para “as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido pela autoridade aduaneira”, situação que não se vislumbra no caso em apreço, em que a adquirente dos produtos fora uma empresa comercial exportadora comum. Dessa forma, para que as vendas fossem consideradas com fim específico de exportação, a remessa das mercadorias deveriam ter sido realizadas sob a forma de (i) embarque direto para o exterior ou (ii) armazenagem das mercadorias em recinto alfandegado de uso público sob regime de entreposto aduaneiro comum. Nos presentes autos, inexiste controvérsia quanto ao fato de que a recorrente não cumpriu nenhum dos dois requisitos. De fato, a própria recorrente reconheceu que, o caso concreto envolvia a venda com fim específico de exportação da recorrente (Perdigão Agroindustrial Mato Grosso S/A.) para a Perdigão Agroindustrial S/A., “a qual, após estufar contêineres, realiza a exportação dentro do prazo de 180 dias do recebimento dos produtos.” Para a recorrente, a fiscalização se apegou a formalismo desnecessário (desproporcional), ao descaracterizar as vendas com fim específico exportação e reenquadrá las como vendas normais no mercado interno, “na medida em que os fatos confirmam claramente que houve uma exportação, atingindo claramente a finalidade normativa, desde a Constituição Federal até as demais legislações”. Com a devida vênia, diferentemente da recorrente, entendese que as formalidades estabelecidas na referida legislação não são desnecessárias e tampouco Fl. 1690DF CARF MF 50 desproporcional. Deveras, tais requisitos visam assegurar o controle da utilização do regime de isenção e dos benefícios fiscais de incentivo à exportação, especificamente, para evitar que haja utilização da isenção e utilização em duplicidade dos correspondentes benefícios fiscais. Também não procede a alegação da recorrente de que o suposto descumprimento da exigência do depósito da mercadoria em armazém alfandegado não se dera por mera liberalidade sua, mas em razão da falta de estrutura do próprio Estado, uma vez que, diante da quantidade de produtos exportados pela recorrente, a Receita Federal não tinha locais suficientes. A uma, porque não há provas do alegado. A duas, porque parte das mercadorias foram depositadas em depósito alfandegado, o que não justifica que as demais não o tenham. A recorrente alegou ainda que a responsabilidade e a culpa por esta “mera irregularidade” não podia serlhe imputada, mas a pessoa jurídica adquirente dos produtos. Sem razão a recorrente. Ora, se cabia a recorrente o cumprimento da exigência legal, para que a venda por ela realizada fosse caracterizada com fim específico de exportação, logo somente se a operação tivesse sido feita de acordo com os requisitos legais, certamente, ela deixaria de ser a responsável por quaisquer créditos tributários decorrentes de tais operações, mesmo que a exportação eventualmente não fosse efetivada pela adquirente/exportadora. Porém, no caso em tela, não foi o que aconteceu, conforme anteriormente demonstrado. Por todas essas razões, deve ser mantida integralmente a glosa do valor da receita das vendas com fim específico de exportação. B) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, no mérito, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer: a) o direito ao crédito da contribuição a ser calculado sobre (i) o custo de aquisição do Óleo Diesel e do Álcool Etílico Combustível e (ii) custo de prestação dos seguintes serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga, nos trimestres em que adquiridos tais insumos; e b) o direito de apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, mediante a utilização do percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o valor do custo de aquisição de todos os insumos aplicados na fabricação dos produtos de origem animal utilizados na alimentação humana e animal, discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, incluindo o valor (i) das aquisições dos pintos de 1 dia, adquiridos com alíquota zero de pessoa jurídica com atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e (ii) das aquisições de pessoa jurídica com atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sujeitas a obrigatória suspensão, mas indevidamente tributadas pelas contribuições. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 11516.721876/201161 Acórdão n.º 3302003.605 S3C3T2 Fl. 1.667 51 Fl. 1692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000646/2010-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/01/2005, 14/01/2005, 18/01/2005, 30/01/2005, 31/01/2005, 16/03/2005, 22/03/2005, 01/04/2005, 08/04/2005
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733:
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.
1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).
3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001.
6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.
7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Numero da decisão: 9303-004.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran, que não conheceu e, no mérito, acordam, em dar-lhe provimento com retornos dos autos à turma a quo, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 23/02/2017
Participaram da sessão de julgamento as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/01/2005, 14/01/2005, 18/01/2005, 30/01/2005, 31/01/2005, 16/03/2005, 22/03/2005, 01/04/2005, 08/04/2005 NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10111.000646/2010-73
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700575
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.586
nome_arquivo_s : Decisao_10111000646201073.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10111000646201073_5700575.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran, que não conheceu e, no mérito, acordam, em dar-lhe provimento com retornos dos autos à turma a quo, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Júlio César Alves Ramos - Relator. EDITADO EM: 23/02/2017 Participaram da sessão de julgamento as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6689124
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950583328768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10111.000646/201073 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.586 – 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CENTER TRADING IND. COM. S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/01/2005, 14/01/2005, 18/01/2005, 30/01/2005, 31/01/2005, 16/03/2005, 22/03/2005, 01/04/2005, 08/04/2005 NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 06 46 /2 01 0- 73 Fl. 1214DF CARF MF 2 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran, que não conheceu e, no mérito, acordam, em darlhe provimento com retornos dos autos à turma a quo, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Júlio César Alves Ramos Relator. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 9303004.586 CSRFT3 Fl. 3 3 EDITADO EM: 23/02/2017 Participaram da sessão de julgamento as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Discutese nestes autos exigência de multa prevista no artigo 83, inciso II da Lei 4.502/64, devida em razão da emissão de nota fiscal que não corresponda a uma efetiva saída da mercadoria nela descrita do estabelecimento emitente. A autuação foi repelida pela unidade julgadora de primeiro grau sob o argumento de que restara provada a ocorrência do negócio jurídico que originou a emissão do documento fiscal, não havendo razão para o lançamento perpetrado. O recurso de ofício a ela atinente foi julgado pela Terceira Turma da Segunda Câmara, que lhe negou provimento, no entanto, por outro motivo: o de que teria havido a decadência do direito da Fazenda ao lançamento, visto que, no entender da câmara recorrida, tal instituto estaria disciplinado no art. 78 da mesma Lei. Nesses termos, o início do prazo para tal lançamento se dá com a ocorrência da infração e já se teria esgotado quando o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo. É essa a matéria do recurso especial da Fazenda Nacional, que entende não aplicável o citado art. 78, e traz como paradigmas acórdãos que entenderam que é o art. 173 do CTN que disciplina a matéria. Embora a Fazenda Nacional tenha mencionado em seu recurso dois acórdãos, não os transcreveu na íntegra, fazendoo apenas quanto a passagens que mencionam somente a multa prevista no inciso I do dispositivo legal aqui discutido. Com efeito, do primeiro (acórdão 30332359): "Trata o presente feito de autuação onde o recorrente figura no sistema Renavan como proprietário de um veículo automotor usado, de procedência estrangeira, ingressado no país sob o amparo de medida judicial. O veículo ingressou no mercado nacional pelo importador Nordeste Importação e Exportação de Veículos Ltda., por meio da Declaração de Importação n° 3.674 de 31/03/95, cuja guia de importação fora emitida em face do mandado de segurança n°93.313916. Foi então lavrado o auto de infração, objeto do presente processo, para infligir a multa regulamentar do art. 463, I, do Regulamento do IPI de 1998, no valor de R$ 20.000,00. ... Ademais, a multa aplicada está prevista no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (art. 463, I), objetivando penalizar aqueles que procedam irregularmente à Fl. 1216DF CARF MF 4 entrada de mercadorias importadas no país. Logo, é indiscutível a sua natureza tributária. Já do segundo (acórdão 210200.085), apenas transcreveu a PFN: “Em relação à decadência, o relator deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para considerar decaído o lançamento em relação ao período de 26 de julho de 2001. Entretanto, não se aplica o art. 150, § 4°, do CTN, por se tratar de multa regulamentar, que só pode ser lançada de oficio, não havendo que se falar em lançamento por homologação. Dessa forma, a regra a ser aplicada ao caso é a do art. 173, I, do CTN, não tendo ocorrido decadência. Portanto, voto por negar provimento ao recurso da Interessada.” Foi, mesmo assim, admitido o recurso. Consigno, ademais, que a decisão recorrida baseouse em voto vencedor, que aduziu: (...) Em torno da questão existe ampla controvérsia no âmbito da doutrina e da jurisprudência judicial e administrativa, inclusive no âmbito da jurisprudência administrativa há decisões divergentes no âmbito da primeira instância de julgamento e no âmbito deste Conselho, conforme noticia os excertos da Solução Consulta Interna (SCI) da Cosit 32/2013, a seguir transcritos: (...) Para dirimir a controvérsia interna, a referida SCI apresentou, a título de conclusão, o seguinte entendimento sobre a matéria, ipsis litteris: 28.1 o prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração, por força do art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964, e do art. 139 do DecretoLei nº 37, de 1966. Da leitura do excerto transcrito, extraise que a própria Administração tributária reconheceu que o art. 78 da Lei 4.502/1964 encontrase vigente, logo, a regra de contagem do prazo decadencial, nele estabelecido, deve ser aplicada, porém, restrita às penalidade de natureza híbrida, ou seja, às penalidades de natureza administrativa e tributária, a exemplo das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações, conforme explicitado nos relevantes excertos extraídos da referida SCI, que seguem transcritos: 18. A natureza administrativa da multa aplicada pela importação irregular condiz com sua finalidade de reprimir ações prejudiciais ao controle das importações, mas não afasta o interesse tributário nessas importações, pois, do controle destas, depende a Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 9303004.586 CSRFT3 Fl. 4 5 arrecadação tributária do setor. Dizse, portanto, com mais precisão, tratarse de natureza híbrida a das multas relacionadas ao controle das importações. 19. O controle aduaneiro envolve diversas atividadesmeio cuja realização interessa à Administração Tributária. Se não realizadas, afeta tanto o controle aduaneiro quanto a arrecadação tributária (essa também com um objetivo de controle aduaneiro), e faz incidir a multa prevista no art. 83 da Lei nº 4.502.As atividadesmeio e a atividade principal (de controle aduaneiro) têm a mesma natureza administrativa e, portanto, confundemse. O interesse tributário no controle aduaneiro atribui àquela multa uma natureza híbrida (administrativotributária). Portanto, a conclusão exarada na referida SCI deixa claro que a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial estabelecido no referido preceito legal aplicase apenas às multas de natureza híbrida (administrativotributária, a exemplo da multa do controle aduaneiro das importações prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/1964. Noutro giro, no que tange às penalidades de natureza estritamente tributária, caracterizadas por descumprimento de obrigação acessória, definida no art. 113 do CTN, a referida SCI deixa claro que a regra de contagem do prazo decadencial é a que se encontra definida no art. 173, I, do CTN, em que o termo a quo é definido a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. (...) Esse também é o entendimento deste Redator. E com base nesse entendimento, a título de exemplo, podem ser citadas como sujeitas as regras de contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, dentre outras, as multas instituídas no art. 44 da Lei 9.430/1996 e no art. 80 da Lei 4.502/1964. Entretanto, no caso em tela, a multa aplicada encontrase tipificada no art. 83, II, da Lei 4.502/1964, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) [...] II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) [...] Fl. 1218DF CARF MF 6 No entendimento deste Relator, assim como a infração tipificada no art. 83, I, da Lei 4.502/1964, a infração descrita no transcrito inciso II, induvidosamente, também ostenta a citada natureza híbrida, ou seja, ela também tem natureza administrativa e tributária. Com efeito, a obrigação acessória estabelecida na legislação do IPI, que obriga de emissão de nota fiscal tem por objetivo a proteção do interesse da arrecadação ou da fiscalização do IPI, conforme estabelecido no art. 113, § 2º, do CTN. Por conseguinte, o descumprimento deste tipo de obrigação, os preceitos da Lei 4.502/1964 impõem as respectivas penalidades de natureza tributária, que estão sujeitas a regra de contagem do prazo decadencial, fixadas no art. 173, I, do CTN. De outro modo, diferentemente das obrigações natureza acessória, a conduta infracional, definida no art. 83, II, da Lei 4.502/1964, certamente, não tem por finalidade a proteção do interesse da arrecadação ou da fiscalização do IPI, ao contrário, tratase de conduta de natureza fraudulenta, que uma vez cometida acarreta graves prejuízos e efeitos nocivos à arrecadação e fiscalização do referido imposto, razão pela qual ela é sancionada com elevada penalidade de 100% (cem por cento) do valor da operação. Dessa forma, pelos mesmos fundamentos aduzidos em relação à imposição da penalidade destinada a sancionar a infração do art. 83, I, da Lei 4.502/1964, a regra de contagem do prazo decadencial estabelecido no caput do art. 78 da Lei 4.502/1964 também se aplica à exigência da penalidade decorrente do cometimento da infração tipificada no art. 83, II, da Lei 4.502/1964. Assim, como as infrações objeto da autuação em apreço foram cometidas no período compreendido entre 10 de janeiro a 8 de abril de 2005, logo, em 5 de julho de 2010, data em que a autuada foi cientificada da conclusão do questionado auto de infração, já havia se consumado o prazo decadencial extintivo do direito de exigir a penalidade em questão. Por fim, importa frisar que em seu voto vencido o relator, após rejeitar ter ocorrido a decadência, examinou o mérito da aplicação da multa e deu provimento ao recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator Alongueime no relatório para que ficasse clara minha posição pelo conhecimento do recurso. É que partilho, integralmente, a distinção apontada pelo redator da decisão recorrida entre as penalidades de natureza estritamente tributária e aquelas que têm uma Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 9303004.586 CSRFT3 Fl. 5 7 natureza híbrida, administrativa e tributária, que permite reconhecer a decadência em relação a uma e não a outras. Desse modo, houvessem os acórdãos apontados pela Fazenda também reconhecido essa distinção, impossível seria aceitálos como paradigma, dado que nada disseram quanto à específica multa aqui discutida. A leitura dos trechos transcritos, no entanto, deixa claro que para aqueles colegiados não há tal distinção e o prazo decadencial sempre é contado na forma prevista no artigo 173 do CTN. Conheço, pois, do recurso. E como adiantei, reconheço a necessidade da distinção ressaltada pelo dr. José Fernandes, quando se trate de infração à legislação aduaneira. Sobre o ponto, assim me pronunciei em recente julgado neste colegiado: A matéria submetida a este colegiado não é simples, o que é demonstrado pela existência de posições antagônicas bem fundamentadas. Seu enfrentamento, a meu sentir, passa pela aceitação de alguns pressupostos. O primeiro deles consiste na constatação de que o dispositivo legal adotado na decisão recorrida consta do decreto regulamentar aduaneiro editado após até mesmo a edição da Súmula Vinculante nº 08 do STF1. Isso, a meu sentir, implica reconhecer que o Poder Executivo entendeo aplicável ainda assim. O segundo pressuposto é o de vinculação dos julgadores integrantes do CARF às disposições desses atos regulamentares. Assim comanda o art. 62 do RICARF atual2, em linha com todos os anteriores. Embora aí se faça menção às Súmulas Vinculantes, entendo que ele esteja a autorizar o afastamento do ato que tenha sido objeto da súmula se este fundamentar o crédito tributário sob julgamento. Para melhor esclarecer, ele autoriza que seja desconsiderado ato legal ou normativo editado 1 Refirome ao decreto 6.759, de 2009, ao passo que a Súmula é de 2008. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1220DF CARF MF 8 antes de Súmula Vinculante que o venha a considerar inconstitucional. Não é este o caso: o Regulamento aduaneiro foi editado depois da Súmula. A conjunção dessas premissas, pareceme, nos obriga a concluir que a disposição legal está mesmo, ao menos no entender do Poder Executivo, em consonância com a Constituição, ainda que, saibamos todos, exija ela a disciplina da Lei Complementar para o trato da figura da decadência em matéria tributária3 . E para tanto não vejo outra possibilidade que não a da ênfase na expressão acima. Explicome. Por trás da tese que reconhece a decadência sem observância das disposições do CTN está o entendimento de que há penalidades que não decorrem do descumprimento de obrigações tributárias acessórias, estas que estariam àquele subsumidas. Com efeito, para os defensores dessa corrente, cabendo ao Direito Aduaneiro, precipuamente, a regulação do comércio exterior, nele haveria normas que não ostentariam a natureza tributária. Elas consistem naquelas disposições que apenas tenham por objeto tal regulação, sem qualquer vinculação aos tributos exigíveis nas operações de comércio exterior. A melhor exposição do tema, que conheço, é a do eminente especialista e exmembro desta Casa, dr. Rodrigo Mineiro Fernandes4, que peço vênia para transcrever: (...) 2. DIREITO ADUANEIRO E DIREITO TRIBUTÁRIO: DISTINÇÕES BÁSICAS Inicialmente, importanos diferenciar o regime jurídico aduaneiro do regime jurídico tributário. Podemos considerar o Direito Aduaneiro como um conjunto de normas que regulam o tráfego internacional de mercadorias, segundo a definição do professor argentino Ricardo Basaldúa (2011, p.503), ou na definição de Rosaldo Trevisan (2008, p.40 41), como um conjunto de proposições jurídiconormativas que disciplinam as relações entre a Aduana e os intervenientes nas operações de comércio exterior. Seu caráter é multidisciplinar e intervencionista, tendo como objeto de estudo o Comércio Internacional e suas relações derivadas. Para denominarmos uma matéria como aduaneira é indispensável encontrar seus pressupostos básicos: (i) existência de um território aduaneiro; 3 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 4 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. A denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.25. São Paulo: IOB, 2015, p.925. Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 9303004.586 CSRFT3 Fl. 6 9 (ii) existência de uma mercadoria, dentro de um conceito amplo (de tudo aquilo suscetível de ser importado ou exportado); e (iii) sua introdução ou saída, denominada de importação e exportação. Segundo Ricardo Xavier Basaldúa (2007, p.41), a função essencial da Aduana, cuja ausência a descaracterizaria, é o controle que deve exercer sobre as mercadorias objeto do tráfego internacional, ou seja, sobre as importações ou exportações. Tratase do princípio da universalidade do controle aduaneiro, sem o qual não existiria função aduaneira, corolário da soberania do território. Podemos considerar o Controle Aduaneiro como o bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro, representando o poder soberano do Estado e seu poder de polícia. Seu objetivo é a proteção da sociedade, por meio do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas, como instrumento de combate ao tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro, e ainda, como proteção à sociedade no que diz respeito à saúde pública e proteção do meio ambiente, além da proteção à economia nacional. Reflete também outra característica do Direito Aduaneiro: a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados. O controle aduaneiro atua como um instrumento de defesa dos interesses da sociedade e da economia nacional, independentemente da simples arrecadação tributária. A tributação aduaneira é considerada como a outra clássica função aduaneira e foi, durante muito tempo, a mais relevante, mediante a arrecadação e fiscalização dos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior. Ricardo Basaldúa (1988, p.206) não a considera como uma função essencial do Direito Aduaneiro, sendo perfeitamente possível a existência de Aduana sem a imposição tributária. As medidas tarifárias incidentes nas operações de importação e exportação representam a atuação estatal regulatória por indução, seja mediante a criação de incentivos fiscais com aplicação de regimes aduaneiros especiais, ou mediante a majoração da alíquota incidente sobre impostos de importação sobre determinados produtos. O Direito Aduaneiro é integrado por uma pluralidade de normas que podem ser classificadas, de acordo com o objetivo proposto, como tributárias, penais, administrativas, comerciais, processuais e constitucionais. De forma resumida, considerando as funções principais da Aduana, a regulação do tráfego internacional de mercadorias pode ser classificada de diferentes maneiras: (i) quando a regulação se dá por meio do controle aduaneiro, estaremos no campo do Direito Aduaneiro Administrativo; (ii) quando a regulação ocorre por meio da aplicação de restrições, também Fl. 1222DF CARF MF 10 estaremos no campo do Direito Aduaneiro Econômico; (iii) quando a regulação ocorre por meio da tributação, estaremos no campo do Direito Aduaneiro Tributário, ou do Direito Tributário Aduaneiro, dependendo da perspectiva adotada. (...) A ela aderi por não encontrar outra forma de realizar a necessária e já mencionada compatibilização. A conclusão disso tudo é que, penso, devamos examinar em cada caso o direito tutelado pela norma infringida de modo a identificar a sua natureza e sua consequente disciplina. Em outras palavras, para cada penalidade administrativa na área aduaneira há de se perquirir se está ela ou não afeta ao CTN. Naquela assentada, examinávamos a pena de perdimento prevista no art. 23, V, e seu § 1º, do Decretolei n° 1.455/1976, decorrente da ocultação dolosa do real importador. Concluí, então: (...) Claro está, a meu sentir, que a infração imputada ao sujeito passivo não se limita a descumprimento de obrigação acessória exclusivamente aduaneira, isto é, que nenhuma vinculação guarde com a obrigação tributária principal relativa aos impostos devidos pela importação. De fato, deixase de cumprir a obrigação de informar corretamente o responsável pela importação, com o objetivo de sonegar os tributos devidos nesta ou na seguinte operação. Não vejo, por isso, como atribuirlhe natureza nãotributária. O que ela busca coibir é precisamente uma conduta que pode levar ao recolhimento a menor de tributos, e no mais das vezes, esse é precisamente o objetivo. É claro que se pode ponderar que para coibila talvez bastasse a exigência desses tributos sonegados com uma penalidade a eles proporcional. Assim, porém, não entendeu o legislador. Nessa linha, entendo que a obrigação acessória malferida tem, sim, natureza tributária e, como tal, se submete ao regramento do CTN, especialmente os seus arts. 113 e 139. Logo, na linha do que dispôs o e. STF na Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial a ela afeto é aquele disposto no art.173, I do codex, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade administrativa poderia proceder ao seu lançamento, nada havendo decaído no presente caso. Voto, pois, pelo integral provimento do recurso da Fazenda Nacional. Como espero ter deixado claro com aquele voto, mesmo para as penalidades que têm matriz legal na legislação aduaneira, entendo imprescindível investigar se tem ela natureza estritamente aduaneira ou não. Caso não o tenha, vejoa disciplinada inteiramente pelo CTN no que concerne à decadência. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 9303004.586 CSRFT3 Fl. 7 11 Nada disso, no entanto, é necessário quando a infração sequer decorre de descumprimento de obrigação aduaneira. É que a matriz na área aduaneira é posterior ao CTN (decretolei 37/66) e foi expressamente recepcionada pelos diversos decretos regulamentares aduaneiros, mesmo aqueles editados após a Súmula Vinculante nº 08 do STF. Dada a nossa vinculação a eles, há que se fazer uma interpretação que leve isso em conta. Diferentemente, o dispositivo aqui em discussão artigo 78 da Lei 4.502/64 sequer foi recepcionado pelo Regulamento do IPI vigente quando do cometimento das infrações, assim como naquele vigente em 2010, quando efetuado o lançamento. Destarte, corroborando a interpretação do relator da decisão, em seu voto vencido, mesmo o poder executivo não reconhece que ele se aplique, porquanto em flagrante antinomia com o CTN, como reconheceu o STF, em situação similar, quando da edição da Súmula Vinculante. Partilho, por isso, as conclusões do voto do dr. Ricardo Rosa, com as quais voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Quanto à necessidade de retorno à câmara recorrida, por ter sido reconhecida a decadência, a discussão se complica na medida em que, como já relatei, o dr. Ricardo enfrentou o mérito e mostrou o desacerto da decisão de primeiro grau. Apesar disso, pareceme, a decisão se baseou exclusivamente na prejudicial de mérito, não se podendo afirmar com certeza que o colegiado acompanharia aquelas considerações quanto ao mérito se houvesse ultrapassado a prejudicial. Voto, pois, pelo retorno à câmara recorrida para que se pronuncie expressamente quanto ao mérito. É o voto. Júlio César Alves Ramos Fl. 1224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725753/2009-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/10/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.725753/2009-48
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5676617
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.824
nome_arquivo_s : Decisao_10580725753200948.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10580725753200948_5676617.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6642636
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950588571648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.725753/200948 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.824 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DUTOBRAS CONSTRUCOES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 53 /2 00 9- 48 Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10580.725753/200948 Acórdão n.º 9202004.824 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 697DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.910571/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 29/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.910571/2009-01
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5720380
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.609
nome_arquivo_s : Decisao_10855910571200901.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 10855910571200901_5720380.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 29/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6750851
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950608494592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.910571/200901 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.609 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2017 Matéria IRPJ Recorrente LAPONIA SUDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 29/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 05 71 /2 00 9- 01 Fl. 523DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o presente processo da não homologação de compensação cujo crédito se origina de suposto pagamento indevido/a maior do IRPJ recolhido em 29/02/2008, no valor de R$ 356.930,63 e cujo débito é de IRPJ relativo ao 2° Trimestre de 2008, vencido em 31/07/2008. Reiterase a reprodução elucidativa do relatório proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 1435.120, constante às fls.70: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 0220) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 0220). Por intermédio do despacho decisório de fl. 02, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação, de inconformidade de fls. 05/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/41, na qual alega, em síntese, que: a) no Doc 1, DIPJ/2008, consta IRPJ a pagar no valor de R$ 887.451,81 referente ao 4° trimestre de 2007, que foi dividido em três cotas no valor de R$ 295.817,27; b) no Doc 2, DCTF de dezembro.de 2007, consta débito de IRPJ do 4° trimestre de 2007, no valor de R$ 887.451,81, onde o mesmo foi dividido em três quotas a ser demonstrado na DCTF do próximo trimestre; c) no Doc 3, DCTF de março de 2008, consta débito de IRPJ do trimestre anterior, no valor de R$ 887.451,81, onde o mesmo foi dividido em três cotas no valor de R$ 295.817,27; d) apresenta cópia do DARF, referente ao recolhimento, do IRPJ do 4° trimestre de 2007; 2a quota, no valor de R$ 356.930,63, recolhido em 29/02/2608; e) o PER/Dcomp referese à compensação do saldo de R$ 11.418,10 (originário da PER/Dcomp n° 24865.65992.300608.1.3.049203 — R$ 10.918,05 do crédito original acrescentado de R$ 500,05, referente à taxa Selic acumulada de 4,58%), decorrente da diferença apurada de R$ Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10855.910571/200901 Acórdão n.º 1201001.609 S1C2T1 Fl. 3 3 57.579,40 entre o valor apurado para a 2a cota do IRPJ do 4° trimestre de 2007; no montante de R$ 295.817,27, e o valor efetivamente pago na cifra de R$ 353.396,67. Ao final, requer a homologação do crédito., É o relatório.” Na oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme representado pela seguinte ementa (fls. 71): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2008 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Entendeuse que, apesar das informações contidas em DIPJ/2008, DCTF e DARF apontarem para o pagamento a maior do tributo, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar plenamente seu direito creditório, pois“ Tal fato, todavia, resumese à seara do indicio, vez que tanto as declarações, como o pagamento, são manifestações da própria contribuinte e, no caso, desacompanhadas da escrita contábil e fiscal, não surtem o efeito desejado.”. Complementouse que “os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado”. Frisouse que a ora recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com este escopo. Votouse, então, pela improcedência da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Fl. 525DF CARF MF 4 Em suma, o ora recorrente pugna pela prevalência do princípio da verdade material e pede vênia para a juntada de documentos contábeis que, “embora declarados necessários para comprovação da existência do crédito tributário em litígio, não foram requisitados pelo julgador de 1ª Instância, a despeito do que determina a legislação de regência”. Disto, conclui demonstrando o entendimento jurisprudencial do CARF afirmando a possibilidade de apresentação a qualquer tempo dos documentos como prova. Requer a procedência do recurso para que se proceda o cancelamento do lançamento fiscal resultante da negativa de provimento à impugnação apresentada. Resolução nº 1802000.257 – 2ª Turma Especial Houvese por bem converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: “ (...) para fins de vinculação ao despacho decisório, os débitos declarados em DCTF retificadora não têm força probatória suficiente a sustentar o direito creditório alegado. Deste fato, surge a necessidade da identificação de outros elementos para atestar a liquidez e certeza do crédito pretendido, que não só na DIPJ. Isto porque, o extrato constante às fls 63 denota que somente a DCTF original havia sido entregue antes da DCOMP apresentada e constava como saldo devedor para o IRPJ (0220) o montante de R$ 1.060.190,01, resultando em três cotas no montante de R$ 353.396,67, o que importaria na não existência do crédito pretendido, na forma do Despacho Decisório emitido. Ora, da insuficiência de provas pela manifestação de inconformidade apresentada, deveria a autoridade julgadora a quo, converter em diligência o julgamento a fim de apurar a verdadeira condição do crédito pleiteado. Contudo, aplicando com supremacia o art. 333 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), julgou improcedente a manifestação por ausência de provas. (...) Ao que consta na própria DIPJ, a diferença do valor inicialmente declarado em DCTF como devido para o tributo IRPJ (0220), de R$ 1.060.190,01 para o retificado de R$ 887.451,81 referemse ao Imposto de Renda Retido na Fonte relativos ao 4° Trimestre, no valor de R$ 172.738,69 (Comprovantes de Rendimento fls 110/116), tendo sido a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 9.160,40 já computada no cálculo desde o princípio, não havendo o que se contestar a respeito. (...) Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência a fim de que sejam apurados o montante de imposto de renda Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10855.910571/200901 Acórdão n.º 1201001.609 S1C2T1 Fl. 4 5 retido na fonte na forma em que declarados em DIPJ, da seguinte forma: A recorrente deverá trazer aos autos cópias das notas fiscais emitidas que contém os impostos retidos que perfazem o montante de R$ 172.738,69 e os comprovantes de rendimento das pessoas jurídicas que retiveram esse montante no 4° Trimestre de 2008, devidamente identificados, comprovantes estes que devem ser objeto de validação pela autoridade fiscal; (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Mérito Neste momento processual, a resolução da lide limitase a análise dos documentos presentes nos autos. Veja, a DRJ/RPO reputou a ausência de robustez do conjunto probatório como a causa principal para o não reconhecimento do crédito alvo da compensação, diante da total insegurança quanto a determinação de sua liquidez e certeza. O recorrente alega, em suma, que não fora provocado a apresentar sua documentação contábil de modo pormenorizado, mas o fez oportunamente quando da apresentação de seu recurso voluntário. Quanto ao oferecimento das provas neste momento processual, de fato, assiste razão o recorrente, sob a égide do princípio da verdade material. Afinal, o que se busca aqui, é a verdade dos autos, que será muito mais refinada conforme o maior número de evidências, indícios e provas forem colhidas. Devese percorrer, até o último instante Fl. 527DF CARF MF 6 processual, novos elementos capazes de formar a convicção do julgador, para que o atingimento da justiça seja pleno. Ademais, a Resolução nº 1802000.257 – 2ª Turma Especial do CARF determina a conversão do julgamento em diligência a fim de provocar uma análise aprofundada da documentação trazida aos autos, de modo inédito, e ainda instiga o contribuinte a trazer, especificamente, as notas fiscais que comprovem as retenções de IRRF. Sem mais delongas, a fiscalização (SEORT), em atendimento ao pedido de diligência, intimou o contribuinte a apresentar os documentos e concluiu, após análise minuciosa, o seguinte: “(...) Requereu prorrogação de prazo para atendimento. Foi deferida. Atendeu parcialmente à intimação, apresentando “comprovantes de rendimentoss do 1º Trimestre de 2006”. Requereu novo prazo para apresentação de notas fiscais, pois seria “um grande montante de notas fiscais de todas as filiais e nosso arquivo morto fica em cada filial”. Foi mais uma vez atendido. Em nova manifestação, atendendo conjuntamente às intimações de nos. 27 e 28, o contribuinte apresentou Notas Fiscais de saída, justificandose, nos seguintes termos: “[...]não conseguimos levantar todos os documentos, pois alguns já foram descartados por já ter se passado o período de 5 anos.” Por um lapso, o contribuinte foi intimado a apresentar notas fiscais emitidas pelas fontes pagadoras. Com razão, não atendeu à intimação. Para atender plenamente à demanda do julgador, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo correlacionando as notas fiscais emitidas com os valores de retenção na fonte. Quanto aos comprovantes de retenção apresentados, estes foram confrontados com as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) transmitidas pelas fontes pagadoras. Como resultado, temos que o valor total das retenções no quarto trimestre de 2007, período sob análise, atingiu R$ 98.200,08. A diferença para o montante que se pretendia ser comprovado (R$ 172.738,69) devese, na sua maior parte, ao fato de que a recorrente apropriou no quarto trimestre de 2007 as retenções de todo o anocalendário promovidas pela fonte pagadora VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA, CNPJ 43.999.424/000114 (R$ 109.061,17, quando as retenções para o quarto trimestre somente totalizaram R$ 34.812,04). Adotou o mesmo procedimento com relação à fonte pagadora UNIBANCO – UNIAO DE BANCOS BRASILEIROS SA, CNPJ 33.700.394/000140 (R$ 5.770,67, quando as retenções para o quarto trimestre somente totalizaram R$ 5.481,19). Em resposta à última intimação lavrada, o contribuinte relacionou as retenções ao número de notas fiscais emitidas. Para a fonte pagadora VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA, CNPJ 43.999.424/000114, conforme relatado no parágrafo Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10855.910571/200901 Acórdão n.º 1201001.609 S1C2T1 Fl. 5 7 anterior, vinculou às retenções notas emitidas durante todo o anocalendário 2007. Ainda, na documentação anteriormente apresentada havia notas fiscais ilegíveis. Outras não foram encaminhadas. Em decorrência, as informações prestadas foram confrontadas com as notas fiscais disponibilizadas, restritas àquelas emitidas no quarto trimestre no anocalendário em foco. Como resultado, temos que, dos R$ 98.200,08 informados em DIRF, foram passíveis de verificação R$ 69.073,14 (neste valor estão relacionados os destaques em Notas Fiscais e as operações que não necessitam de emissão de tal documento, como rendimentos de aplicações financeiras). Retrocedendo ao cerne da discussão levantada pela DRJ/RPO, de fato deve se ter como premissa que as documentações fiscais trazidas pelo recorrente são dotadas de presunção relativa de veracidade, ou seja, invertem o ônus probante para a fiscalização, mas, ressaltese, são passiveis de serem ilididas a qualquer tempo. O fisco demonstrou a inconsistência/insuficiência das informações e requereu o suporte contábil e comercial que atribuísse veracidade absoluta às informações ali declaradas pelo contribuinte. O contribuinte, por sua vez, teve a oportunidade de fazêlo e de fato o fez, em relação a uma parte significativa de seu direito creditório. Dito isto, peço vênia para adotar o racional norteado pela SEORT em sua análise como razão para decidir. Especificamente quanto ao IRRF, a SEORT, primeiramente confrontou os valores contidos nos comprovantes de rendimentos com as DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras e, assim, apurouse a existência de crédito no montante de R$ 69.073,14. Resta patente que o crédito apurado é insuficiente para a compensação do total do débito objeto do presente processo constante em PER/DCOMP. Conquanto forçoso reconhecer o direito creditório no total de R$ 69.073,14, capaz de compensar apenas o débito objeto do processo n. 10855.909850/200914 e nada mais. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 529DF CARF MF 8 Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.916035/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.084
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.916035/2011-21
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5688966
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-001.084
nome_arquivo_s : Decisao_10480916035201121.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10480916035201121_5688966.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6665907
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950612688896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.916035/201121 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.084 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 16 03 5/ 20 11 -2 1 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.916035/201121 Resolução nº 3401001.084 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.078. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10480.916035/201121 Resolução nº 3401001.084 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10480.916035/201121 Resolução nº 3401001.084 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001870/2008-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. Recurso Especial do Procurador Provido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15586.001870/2008-03
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700073
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.573
nome_arquivo_s : Decisao_15586001870200803.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 15586001870200803_5700073.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6688332
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950614786048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15586.001870/200803 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.573 – 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria Crédito Presumido de IPI Produto NT Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADM DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 70 /2 00 8- 03 Fl. 725DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Fl. 726DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, antigo Regimento do CARF, contra o Acórdão nº 310100941, de 11/11/2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 727DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 5 4 O recurso especial versa somente sobre a parte destacada da ementa acima transcrita e diz respeito à possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI na exportação de produtos classificados na TIPI Tabela do IPI como NT (Não Tributados). A DRF/VitóriaES, por meio do Despacho Decisório, fl. 468, deferiu parcialmente pedido de ressarcimento decorrente de crédito presumido de IPI formulado pelo contribuinte, em relação ao 3º trimestre/2003, com base na Lei nº 9.363/96. Entre os valores glosados encontrase os referentes à exportação de produtos NT (fertilizante código TIPI 3103.10.30 e 3105.20.00), por estarem fora do conceito de industrialiação. Os demais valores glosados não interessam à discussão por não estarem submetidos ao presente julgamento. A DRJ/Juiz de ForaMG decidiu referida matéria confirmando o entendimento da fiscalização quanto à impossibilidade de tal creditamento. Transcrevese parte da ementa quanto ao assunto em pauta: (...) 4. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos nãotributados (NT). (...) Porém, como vimos, o acórdão recorrido afastou este entendimento, admitindo a possibilidade do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, nos casos de exportação de produtos notados como NT na TIPI. Em seu recurso especial, fls. 638/648, a Fazenda Nacional combate os argumentos da decisão recorrida. Afirma em síntese que não há previsão legal para a concessão de crédito presumido para os produtos NT e que a Lei nº 9.363/96 somente permitiu referido crédito aos estabelecimentos industriais no conceito restrito estabelecido pela legislação do IPI. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, por meio do despacho de fls. 650/652. Devidamente cientificado do acórdão recorrido, do recurso especial e despacho de admissibilidade, o contribuinte apresentou embargos de declaração ao acórdão recorrido, fls. 658/668. Porém os embargos foram rejeitados pelo Acórdão nº 3402003.054, de 28/04/2016, fls. 699/704, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2003 A 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO INEXISTÊNCIA. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 6 5 A OMISSÃO DO COLEGIADO SOBRE DETERMINADO ASPECTO DO LITÍGIO DÁ AZO A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PORÉM, QUANDO A OMISSÃO NÃO EXISTE, HÁ DE SER REJEITADO OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Concomitante à apresentação de referidos embargos, o contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 675/692, ao recurso especial da Fazenda Nacional. Defende a manutenção da decisão recorrida nesta matéria e aborda as questões legais pelas quais entende que o crédito presumido do IPI não é restrito aos produtos que constam com alíquota positiva ou zero na TIPI. Afirma que a Lei nº 9.363/96 "vinculou o benefício do crédito presumido do IPI às exportações de mercadorias, e não apenas a produto industrializado, espécie do gênero 'mercadoria'". O contribuinte, após tomar ciência do acórdão que rejeitou os seus embargos de declaração e após o presente processo ter sido distribuído a esse relator para julgamento do recurso especial, apresentou a petição de fls. 716/720, em que afirma que antes do julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, o processo deveria retornar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme foi determinado pelo acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Os acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional representam bem a divergência de interpretação e, portanto, deve ser conhecido, ressaltando que em suas contrarrazões, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. Inicialmente é necessário destacar que o contribuinte está equivocado em relação ao seu entendimento manifestado na petição de fls. 716/720, na qual defende que, antes do julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, o processo deveria retornar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nos termos em que foi determinado pelo acórdão recorrido. Cumpre esclarecer que para um acórdão ser cumprido é necessário o seu trânsito em julgado. Com a apresentação do recurso especial pela Fazenda Nacional, inclusive em matéria que prejudica o cumprimento dos seus termos, torna obrigatório a sua apreciação por esse colegiado. Mérito Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos Fl. 730DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 8 7 conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Como é sabido, a lei que trata de concessão de benefícios fiscais deve ter sua aplicação restritiva, com interpretação literal, para atingir somente os casos expressamente permitidos. É o que se extrai, por exemplo, do disposto da leitura do art. 111 do CTN. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 10 da Lei n° 9.363/1996, Fl. 731DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 9 8 instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 732DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Ressaltese que não há matéria de direito pendente de julgamento no presente processo, fato que não justifica o retorno dos autos à instância julgadora de primeira instância. O presente processo deve retornar à unidade de origem para liquidação dos valores remanescentes favoráveis ao contribuinte no julgamento do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 733DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720310/2008-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB-SP 210198, escritório Minatel Advogados.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10865.720310/2008-93
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716187
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.654
nome_arquivo_s : Decisao_10865720310200893.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10865720310200893_5716187.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB-SP 210198, escritório Minatel Advogados. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6739723
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950652534784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.720310/200893 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.654 – 1ª Turma Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INTERNATIONAL PAPER DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gustavo Froner Minatel, OABSP 210198, escritório Minatel Advogados. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 03 10 /2 00 8- 93 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10865.720310/200893 Acórdão n.º 9101002.654 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120100.412, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10865.720310/200893 Acórdão n.º 9101002.654 CSRFT1 Fl. 4 3 O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10865.720310/200893 Acórdão n.º 9101002.654 CSRFT1 Fl. 5 4 Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000356/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/04/2007
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/04/2007 OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10111.000356/2007-24
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5718865
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.507
nome_arquivo_s : Decisao_10111000356200724.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10111000356200724_5718865.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6744663
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950711255040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.000356/200724 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.507 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Embargante AUTOTRAC COMÉRCIO E TELMUNICAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/04/2007 OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 03 56 /2 00 7- 24Fl. 772DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 07/05128428, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, conforme demonstra o teor da defesa apresentada. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10111.000356/200724 Acórdão n.º 3401003.507 S3C4T1 Fl. 11 3 O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.294, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, Fl. 774DF CARF MF 4 iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10111.000356/200724 Acórdão n.º 3401003.507 S3C4T1 Fl. 12 5 matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a Fl. 776DF CARF MF 6 correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 777DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002977/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabíveis Embargos de Declaração para sanar omissão apontada no Recurso Voluntário.
INEXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE.
Não se confundem o objeto do presente processo administrativo (Ressarcimento de Cofins) com ação judicial que tem por objeto o Ressarcimento de Créditos de IPI.
Numero da decisão: 3201-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhaes, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabíveis Embargos de Declaração para sanar omissão apontada no Recurso Voluntário. INEXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. Não se confundem o objeto do presente processo administrativo (Ressarcimento de Cofins) com ação judicial que tem por objeto o Ressarcimento de Créditos de IPI.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10925.002977/2007-78
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5717504
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.630
nome_arquivo_s : Decisao_10925002977200778.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10925002977200778_5717504.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto (assinado digitalmente) TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhaes, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6744296
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950714400768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 830 1 829 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.002977/200778 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201002.630 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria COFINS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado RENAR MAÇÃS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabíveis Embargos de Declaração para sanar omissão apontada no Recurso Voluntário. INEXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. Não se confundem o objeto do presente processo administrativo (Ressarcimento de Cofins) com ação judicial que tem por objeto o Ressarcimento de Créditos de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhaes, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 77 /2 00 7- 78 Fl. 830DF CARF MF 2 Relatório Consoante acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, é o relatório do feito: Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) duplicidades: foram glosados valores referentes a despesas com empilhadeiras, informados como insumos no DACON, por já terem sido declarados em linha própria Linha 06 – Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei nº 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 831 3 acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637 e ao Art. 66 na IN/SRF 247/2002 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8.a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4º) e como embalagem de transporte (art. 6º); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Fl. 832DF CARF MF 4 Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa dos créditos vinculados a aquisição de palanques de eucalipto e pote p/mel implável, defendendo que aqueles são empregados no concerto de bins, utilizados no transporte das frutas dos produtos, e estes no acondicionamento do mel produzido em seus pomares, consistindo, portanto, de insumos consumidos no processo produtivo. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e “packinghouse”. Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d’agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no “packinghouse”: também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de “prateleira gigante” (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 832 5 Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No “packinghouse” ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso “na Lei n.o 10.833/2003, no seu art. 3º, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa”. A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta nº 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo os valores contestados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC manteve o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/FNS nº 20.145, de 04/06/2010, fls. 359/373, assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. Fl. 834DF CARF MF 6 CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Às fls. 374 o contribuinte é intimado, apresentado recurso voluntário de fls. 392/404. Com a apresentação do recurso, é dado seguimento ao processo. Iniciado o julgamento, o processo foi convertido em diligência e, após realizado e intimadas as partes, retorna para julgamento. Em sessão de julgamento ocorrida em 25 de março de 2014, esse Turma Julgadora, à unanimidade, julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 833 7 Anocalendário: 2006 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo a fiscalização comprovado que os bens que determinados bens estão ligados diretamente á produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. NÃO COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. O entendimento exposto pela fiscalização em relação a estes itens não condiz com a previsão legal, motivo pelo qual o crédito deve ser deferido. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. NÃO COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração de fls. 821 e seguintes, aduzindo omissão quanto a "questão prejudicial de concomitância arguida pela Embargante em sede de manifestação acerca da diligência." Os referidos Embargos foram admitidos por despacho de fls. 827/829 e a mim distribuídos por sorteio, vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o Relatório. Fl. 836DF CARF MF 8 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Conforme se depreende do Relatório supra, tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, e admitidos, para que seja saneada omissão constante do acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, assim sintetizada: A Recorrente impetrou mandado de segurança, cuja segurança foi denegada e mantido o provimento tanto pelo Tribunal Regional Federal, quanto pelo e. STJ, seja em sede de recurso especial e de embargos de divergência. Ocorre que o referido processo judicial não transitou em julgado e seu objeto é prejudicial ao processo administrativo em epígrafe. Assim, smj, entendemos que o processo administrativo em epígrafe deve ser sobrestado até o trânsito em julgado da referida ação judicial, sob pena de ofensa ao enunciado nº 1 de Súmula do CARF Os referidos Embargos de Declaração foram opostos pela Fazenda Nacional em 28/08/2014, portanto, já transcorridos mais de 2 anos de sua oposição. Não obstante o prazo transcorrido, em consulta ao sítio eletrônico do Superior Tribunal de Justiça, verificase que não houve qualquer alteração no andamento processual do feito judicial para o qual se examina a prejudicialidade indicada. Pois bem. Para a análise suscitada, necessário observar o objeto do referido Mandado de Segurança que, de acordo com a Fazenda Nacional, seria prejudicial ao presente feito. Conforme se verifica pelas decisões judiciais anexadas aos autos pela Fazenda Nacional para justificar a existência de questão prejudicial (EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.135.561 fls. 785/786 e EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.135.561 fs. 787/794), tal demanda judicial o seguinte objeto: 1. Na origem, tratase de mandado de segurança impetrado com o objetivo de determinar que a autoridade coatora analisasse e julgasse os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, anteriormente formulados, no prazo de trinta dias, com inclusão de juros da taxa Selic a partir da apuração até o efetivo pagamento/aproveitamento. (fl. 788 grifos nossos) O presente processo Administrativo tem por objeto: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 834 9 trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Ou seja, ao contrário do que restou afirmado pela Embargante, não há qualquer relação de prejudicialidade entre o objeto do presente Processo Administrativo (COFINS não cumulativa) e a demanda judicial indicada pela Fazenda Nacional (de acordo com a Fazenda Nacional, Embargos de Divergência em Resp nº 1.135.561 e EDcl no Recurso Especial nº 1.135.561), que discute ressarcimento de IPI. Pelo exposto, voto por CONHECER e, no mérito, REJEITAR os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 838DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720684/2015-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
LUCRO ARBITRADO. Não subsiste o auto de infração na parte em que demonstrados erros de transcrição (dados do auto de infração incompatíveis com os documentos acostados aos autos) e duplicidade de valores na base de cálculo da autuação (reversão de provisões), bem como na parte em que inclui receitas financeiras na base de cálculo de PIS e COFINS cumulativo (lucro arbitrado), matéria esta já julgada pelo pleno do Supremo Tribunal Federal.
RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar - ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal.
LUCRO ARBITRADO. Justifica o arbitramento a falta de entrega de documentação idônea que sirva de base aos registros contábeis, assim como a falta de entrega da documentação contábil. É correto o arbitramento no qual a receita bruta conhecida é obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada, sendo tais valores acrescidos de receitas não declaradas apuradas pela fiscalização em diligências.
BASE DE CÁLCULO. ADMINISTRADORA DE PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE OU OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez provado que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabe a argumentação de que a base de cálculo seria aquela aplicável às administradoras de programas de saúde ou operadoras de planos de assistência à saúde.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação contábil/fiscal solicitada.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade das leis. Sumula CARF n. 2.
RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é requisito de admissibilidade do recurso, sem o qual não pode ele ser conhecido.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais.
Numero da decisão: 1401-001.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos NÃO CONHECER dos recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., porque intempestivos; e (ii) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e CONHECER e NEGAR provimento aos recursos voluntários de Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. - ME, e José Carlos dos Santos.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 06/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13896.720684/2015-69
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700253
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.786
nome_arquivo_s : Decisao_13896720684201569.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 13896720684201569_5700253.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos NÃO CONHECER dos recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., porque intempestivos; e (ii) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e CONHECER e NEGAR provimento aos recursos voluntários de Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. - ME, e José Carlos dos Santos. ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 06/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
id : 6688512
ano_sessao_s : 2017
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 LUCRO ARBITRADO. Não subsiste o auto de infração na parte em que demonstrados erros de transcrição (dados do auto de infração incompatíveis com os documentos acostados aos autos) e duplicidade de valores na base de cálculo da autuação (reversão de provisões), bem como na parte em que inclui receitas financeiras na base de cálculo de PIS e COFINS cumulativo (lucro arbitrado), matéria esta já julgada pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar - ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. LUCRO ARBITRADO. Justifica o arbitramento a falta de entrega de documentação idônea que sirva de base aos registros contábeis, assim como a falta de entrega da documentação contábil. É correto o arbitramento no qual a receita bruta conhecida é obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada, sendo tais valores acrescidos de receitas não declaradas apuradas pela fiscalização em diligências. BASE DE CÁLCULO. ADMINISTRADORA DE PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE OU OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez provado que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabe a argumentação de que a base de cálculo seria aquela aplicável às administradoras de programas de saúde ou operadoras de planos de assistência à saúde. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação contábil/fiscal solicitada. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade das leis. Sumula CARF n. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é requisito de admissibilidade do recurso, sem o qual não pode ele ser conhecido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950729080832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 53; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 11.409 1 11.408 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.720684/201569 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401001.786 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2017 Matéria Lucro arbitrado Recorrentes Italica Saúde Ltda. em liquidação extrajudicial e Fazenda Nacional Italica Saúde Ltda. em liquidação extrajudicial e Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 LUCRO ARBITRADO. Não subsiste o auto de infração na parte em que demonstrados erros de transcrição (dados do auto de infração incompatíveis com os documentos acostados aos autos) e duplicidade de valores na base de cálculo da autuação (reversão de provisões), bem como na parte em que inclui receitas financeiras na base de cálculo de PIS e COFINS cumulativo (lucro arbitrado), matéria esta já julgada pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. LUCRO ARBITRADO. Justifica o arbitramento a falta de entrega de documentação idônea que sirva de base aos registros contábeis, assim como a falta de entrega da documentação contábil. É correto o arbitramento no qual a receita bruta conhecida é obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada, sendo tais valores acrescidos de receitas não declaradas apuradas pela fiscalização em diligências. BASE DE CÁLCULO. ADMINISTRADORA DE PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE OU OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez provado que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabe a argumentação de que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 06 84 /2 01 5- 69 Fl. 11409DF CARF MF 2 a base de cálculo seria aquela aplicável às administradoras de programas de saúde ou operadoras de planos de assistência à saúde. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação contábil/fiscal solicitada. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade das leis. Sumula CARF n. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é requisito de admissibilidade do recurso, sem o qual não pode ele ser conhecido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal “interesse comum” deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos NÃO CONHECER dos recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., porque intempestivos; e (ii) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e CONHECER e NEGAR provimento aos recursos voluntários de Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME, e José Carlos dos Santos. Fl. 11410DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.410 3 ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 06/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de autos de infração relativos aos anoscalendário 2010 e 2011 para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS na sistemática do lucro arbitrado com base no artigo 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/1999), porque a contribuinte, notificada a apresentar os documentos em que baseou a escrituração, deixou de fazêlo. A base de cálculo utilizada foi a receita bruta conhecida, obtida na contabilidade (Escrituração Contábil Digital – ECD, transmitida via SPED), acrescida de valores receitas não declaradas. Conforme o TVF, págs. 9.325/9.328, “a base de cálculo utilizada nos autos de infração foi obtida a partir dos lançamentos contábeis relacionados no anexo “Receita Itálica Saúde 2010 e 2011”. Adicionalmente, foram computadas receitas não consideradas em épocas próprias, receitas não contabilizadas do Ministério do Trabalho Espanhol e receitas provenientes de contratos de permuta de serviços, com base em descrição e documentação do relatório da Direção Fiscal da ANS, sendo que este também forneceu subsídios, descritos no TVF, para caracterizar responsabilidade solidária de pessoas físicas e jurídicas. A multa aplicada foi de 225% eis que, desde 19/03/2013 até a data em que foi decretada a liquidação extrajudicial da Italica Saúde e nomeado liquidante, em 10/09/2013, a empresa e seus sócios receberam intimações para apresentar documentação e livros e não os entregaram. Sob o argumento de que a autuada e os demais operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, foram lavrados Termos de Responsabilidade Solidária para as pessoas físicas e jurídicas a seguir: a. Ital Saúde Serviços Medicos Especializados Ltda – EPP, CNPJ 04.169.684/000100, com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172/1966 b. Biovida Saúde Ltda, CNPJ 04.299.138/000194, com base no art. 124, I do CTN Fl. 11411DF CARF MF 4 c. Italtac Tecnologia na Area de Cobranças Ltda. – EPP, CNPJ 04.674.217/000138, com base no art. 124, I do CTN d. Hospital e Maternidade Jardins Ltda. CNPJ 69.106.904/000100, com base no art. 124, I do CTN e. R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 07.034.932/000102, com base no art. 124, I do CTN f. MAR JULL Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 07.074.955/000132, com base no art. 124, I do CTN g. EFRA Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Empresarial Ltda – ME, CNPJ 07.688.547/000170, com base no art. 124, I do CTN h. RENTALCAP Locação De Bens Moveis Ltda. – ME, CNPJ 08.335.406/0001 37, com base no art. 124, I do CTN i. CONSULTEC Consultoria Em Saúde Ltda. – ME, CNPJ 08.369.066/000165, com base no art. 124, I do CTN j. Guilhermina Ester Baya, CPF 002.468.94830, com base no art. 124, I e II do CTN k. Roseli Aparecida de Brito, CPF 084.067.86817, com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN l. Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, CPF 093.109.68800, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III do CTN m. Sofia Cristiane Baya Schaetzer, CPF 144.123.28856, com base no art. 124, I e II do CTN n. Carlos Martin Lora Garcia, CPF 899.689.48853, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III do CTN o. CROSSVILLE Overseas Group Inc, CNPJ 17.849.945/000185, com base no art. 124, I do CTN p. Jose Carlos dos Santos, CPF 008.019.79811, com base nos arts. 124, I e II e 135, II do CTN q. Bruno Sergio Damaceno, CPF 385.268.02801, com base no art. 124, I do CTN r. Pedro Gruber Franchini, CPF 304.216.58843, com base no art. 276 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002) e art. 131, II, do CTN s. Márcia Gruber Franchini, CPF 220.066.41840, com base no art. 276 do Código Civil e art. 131, II, do CTN O TVF assim resume os fatos apurados: "Foi verificado durante o procedimento fiscal que a Itálica Saúde Ltda, atualmente em liquidação extrajudicial, era a peça central de um grupo de empresas, cujo mentor era o médico Carlos Martin Lora Garcia, que operava a Itálica Saúde de modo a favorecer a sonegação de impostos e Fl. 11412DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.411 5 contribuições e desviar recursos em benefício dos envolvidos, assim como ocultar ativos, dificultando a cobrança de dívidas, inclusive trabalhistas e previdenciárias. O grupo formava uma rede complexa envolvendo muitas pessoas jurídicas. A base do sistema era composta pelas seguintes empresas: (...). A intervenção da ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar na Itálica Saúde Ltda, com a instalação de Direção Fiscal na Operadora em 01/09/2011 (Resolução Operacional nº 1073) até, posteriormente, a decretação da liquidação extrajudicial, em 09/09/2013 (Resolução Operacional nº1514) obrigou os envolvidos a abandonar este sistema, cujas peças principais eram a Itálica Saúde Ltda e a Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda EPP. O Termo de Verificação detalhará o funcionamento deste esquema de sonegação fiscal liderado por Carlos Martin Lora Garcia, de que participavam diversas pessoas físicas e jurídicas, cada uma com uma função específica e cujas peças prinicipais eram: a Itálica Saúde, que gerava riquezas com a venda de planos de saúde; a Italtac, a empresabanco, em nome da qual eram abertas as contas correntes por onde circulavam os valores correspondentes à receita da Itálica; a Mar Jull (em 2013 substituída pela R&D Empreendimentos Imobiliários), a empresa patrimonial, em nome da qual eram registrados os bens imóveis e que também recebia parte dos recursos desviados da Itálica por meio das contas aberta em nome da Italtac; e os hospitais (Santo Expedito, São Carlos, Jardins, e em 2011, o Santos Dumont), que tinham suas despesas e custos pagos pela Itálica. O Termo de Verificação também descreverá os fatos geradores dos tributos e contribuições lançados nos autos de infração lavrados." Todos apresentaram impugnações. Em 29 de janeiro de 2016 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou parcialmente procedente a impugnação da Itálica Saúde, reduzindo o crédito tributário exigido em razão de erros de transcrição do auto de infração, exclusão de reversão de provisão para perdas e, no caso de PIS e COFINS, também em virtude da exclusão de receitas financeiras da base de cálculo. Além disso, considerou procedentes os Termos de Responsabilidade Solidária das pessoas mencionadas em "a" a "i", "k", "l", e "n" a "p" acima: Ital Saúde Serviços Medicos Especializados Ltda – EPP, Biovida Saúde Ltda., Italtac Tecnologia na Area de Cobranças Ltda. – EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda., MAR JULL Empreendimentos Imobiliários Ltda., EFRA Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Empresarial Ltda – ME, RENTALCAP Locação De Bens Moveis Ltda. – ME, CONSULTEC Consultoria Em Saúde Ltda. – ME, Roseli Aparecida de Brito, Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, Carlos Martin Lora Garcia, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III do CTN, CROSSVILLE Overseas Group Inc, Jose Carlos dos Santos. Os Termos de Responsabilidade Solidária de Guilhermina Ester Baya, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, Bruno Sergio Damaceno, Pedro Gruber Franchini, Márcia Gruber Franchini foram julgados improcedentes. O acórdão 0654.059 recebeu a seguinte ementa: Fl. 11413DF CARF MF 6 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES PARCELADOS. Cabe ao impugnante suprir os dados dos impostos e contribuições que alega terem sido parcelados, que reivindica que deveriam ser excluídos dos exigidos na autuação. DILIGÊNCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. PRESCINDÍVEL. Considerase não formulado o pedido de diligência que deixa de atender aos requisitos do do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, pedido que também foi considerado prescindível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O fornecimento de informações sobre o sujeito passivo, pelas instituições financeiras, na forma da Lei Complementar nº 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo; é medida que prescinde de autorização judicial se promovida nos termos da lei, durante procedimento fiscal no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ACUSAÇÃO INAPLICÁVEL. Sequer se aplica a acusação de quebra de sigilo bancário à autuação por arbitramento do lucro e da base de cálculo da CSLL sobre receita bruta conhecida, obtida de informações contábeis transmitidas ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital, pelo contribuinte. RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. O processo administrativo tributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive prova emprestada, indícios e presunções. PIS. COFINS. Aplicamse os percentuais de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins, sobre a receita bruta, à pessoa jurídica cuja apuração é pelo lucro arbitrado. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação de que foi intimada. Fl. 11414DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.412 7 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE O percentual de multa de ofício qualificada é o determinado expressamente em lei. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O percentual de agravamento da multa de ofício é o determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO COMPROVADO. Descabe a responsabilização tributária solidária, pelo art. 124, I do CTN, de pessoa em relação à qual, mesmo tendo participado de simulação de aquisição de imóvel da empresa, em 2012, não há elementos nos autos que demonstrem sua participação na tomada de decisões ou gerenciamento dos fatos que levaram às autuações fiscais, nos anos 2010 e 2011. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. SÓCIAS INTERPOSTAS. Descabe a responsabilização solidária, com base no art. 124, I do CTN, de pessoas físicas, sócias nominais da empresa, interpostas pessoas do sócio de fato, considerandose que não há evidências de que participaram na criação da situação que constitui o fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Se comprovada a atuação conjunta na transferência de recursos entre empresas do mesmo grupo econômico informal e atuação conjunta na realização da situação que constitui o fato gerador, cabe a responsabilização tributária solidária, nos termos do art. 124, I do CTN, das pessoas e empresas envolvidas, que atuam como grupo econômico de fato, informal. RESPONSABILIDADE. ART. 135, III DO CTN. Cabe a responsabilização pessoal, segundo o art. 135, III do CTN, de sócios, dirigentes de fato e de representantes das pessoas jurídicas, uma vez confirmados atos de sonegação, fraude e conluio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 LUCRO. ARBITRAMENTO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado pelo lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os documentos que deram base aos lançamentos da escrituração comercial e fiscal. CONTABILIDADE. FALTA DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS. É inaceitável a apuração do lucro em contabilidade desacompanhada dos documentos que comprovem os lançamentos e não há elementos para que a fiscalização aceite ou glose custos ou despesas e refaça a apuração do imposto e contribuições sobre o lucro assim revisado; por isso, descabe a reivindicação de que, em vez de Fl. 11415DF CARF MF 8 arbitramento, deveria ter sido refeita a apuração de resultados, se a fiscalizada, seja antes, seja depois do processo de liquidação extrajudicial, não apresentou documentos que apoiassem os dados contábeis. SIGILO MÉDICO. DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Em vista do sigilo fiscal, que impede aos agentes do fisco divulgar qualquer informação de que tenham conhecimento em função de suas atividades, não há quebra de sigilo médico por entrega de informações comprobatórias de serviços médicohospitalares de contratadas. FALTA DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS. RESPONSABILIDADE. Desacabe a alegação de que Direção Fiscal nomeada pela ANS foi responsável pela não entrega de documentos fiscais da autuada, se as intimações foram dirigidas à empresa, quando a Direção Fiscal não tinha poderes de gestão e posteriormente, iniciada a liquidação extrajudicial, o liquidante notificou os sócios da autuada sobre a necessidade de apresentação desses documentos e também não foi atendido. LUCRO, ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O arbitramento do lucro foi sobre a receita bruta conhecida, obtida das informações contábeis transmitidas ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, fornecidos pelo contribuinte, e glosados e receitas não declaradas, obtidas em diligências, não havendo contradição em não ter sido aceita a contabilidade desacompanhada de documentos. ARBITRAMENTO. PERCENTUAL. Cabe aplicar o percentual mais elevado se a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica, por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie a partir dos valores levantados a partir da ECD, para aplicar percentuais diferenciados de arbitramento. ARBITRAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. IRPJ. CSLL. Ao valor apurado pela aplicação de percentuais de arbitramento sobre a receita bruta conhecida (de empresa que não seja instituição financeira), devem ser adicionados, entre outros, as receitas financeiras. LUCRO ABRITRADO. IMPOSTOS CONTRIBUIÇÕES FORNECEDORES. Inexiste previsão legal para a dedução dos impostos/contribuições pagos por fornecedores e/ou prestadores de serviços da empresa autuada mediante arbitramento do lucro. RECEITA BRUTA. VARIAÇÕES PROVISÕES TÉCNICAS. As Variações de Provisões Técnicas não foram computadas na Receita Bruta. REVERSÃO PROVISÃO PERDAS SOBRE CRÉDITOS. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA. Na apuração do lucro real, a provisão para créditos de liquidação duvidosa deixou de ser dedutível para fins fiscais e na hipótese de sua constituição e dedução como despesa, seu valor deverá ser adicionado no Lucro Líquido do exercício para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo (BC) da CSLL, porém, sendo o lançamento fiscal por arbitramento, descabe adicionar à Receita Bruta (nem ao lucro) os valores de Reversões de Provisões de Perdas sobre Créditos, pois não reduziram o lucro no período autuado, que foi arbitrado. Fl. 11416DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.413 9 PROVISÃO PARA EVENTOS OCORRIDOS E NÃO AVISADOS. Registros contábeis com os históricos “crédito cobrança n/mês”, “crédito rendimento multiconta n/mês”, “crédito desbloqueio judicial” não se tratam de Provisões para Eventos Ocorridos e Não avisados. IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES CONFESSADOS, PAGOS OU PARCELADOS. O autuante deduziu, dos valores exigidos de ofício, os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins confessados em DCTF ou pagos e/ou parcelados, descabendo a argumentação de que as receitas teriam sido duplamente tributadas. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 ART. 3º, § 9 DA LEI Nº 9.718, DE 1998, COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CORESPONSABILIDADES CEDIDAS. CONSTITUIÇÕES DE PROVISÕES TÉCNICAS INDENIZAÇÕES DE EVENTOS OCORRIDOS Os dispositivos legais invocados pelos contribuintes se aplicam às empresas que atuam como intermediadoras, não representando receita própria; se a autuada funcionou como grupo empresarial, sendo operadora de planos de saúde e a própria prestadora dos serviços, não cabe a aplicação. LEI 9.718, de 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da PIS e Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 ART. 3º, § 9 DA LEI Nº 9.718, DE 1998, COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CORESPONSABILIDADES CEDIDAS. CONSTITUIÇÕES DE PROVISÕES TÉCNICAS INDENIZAÇÕES DE EVENTOS OCORRIDOS Os dispositivos legais invocados pelos contribuintes se aplicam às empresas que atuam como intermediadoras, não representando receita própria; se a autuada funcionou como grupo empresarial, sendo operadora de planos de saúde e a própria prestadora dos serviços, não cabe a aplicação. LEI 9.718, de 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da PIS e Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. Fl. 11417DF CARF MF 10 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na parte exonerada houve recurso de ofício. A planilha abaixo detalha a ciência do resultado do julgamento e a apresentação dos recursos voluntários pela contribuinte e os responsáveis: Recurso Voluntário de Itálica Saúde Ltda. A peça recursal, assinada por Guilhermina Ester Baya, solicita a reforma da decisão recorrida a fim de se reconhecer: Fl. 11418DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.414 11 Recurso Voluntário de Biovida Saúde Ltda. (Hospital Santo Expedito), anteriormente Somel – Sociedade para Medicina Leste Ltda. Pleiteia inicialmente pela tempestividade do recurso. Alega que a intimação postal da decisão recorrida teria ocorrido no dia 22/02/2016, conforme doc. 2 da peça recursal, Fl. 11419DF CARF MF 12 afirmando que o prazo teria expirado em 23/03/2016. A peça é datada de 14/03/2016 no entanto foi apresentada em 24/03/2016 (fl. 11.153). O doc. 2 do recurso não foi juntado aos autos, conforme atestou o Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fl. 11.177: "A ciência do resultado de julgamento da DRJ foi dada à Biovida Saúde em 16/02/2016 por meio eletrônico (fls. 11054). O Recurso Voluntário da Biovida Saúde foi apresentado intempestivamente em 24/03/2016. Os doc. 1 e 2 não foram juntados ao recurso." A fl. 11.054 consta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, com o seguinte teor: "O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 16/02/2016 09:30:19, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 16/02/2016 09:26:43 Intimações Outros Intimação nº 0026/2016/ARF/MCS/SP Acórdão de Impugnação" Recurso Voluntário de R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e de Crossville Overseas Group Inc. Pleiteia inicialmente pela tempestividade do recurso. Alega que a intimação postal da decisão recorrida teria ocorrido no dia 22/02/2016, afirmando que o prazo teria expirado em 23/03/2016. A peça é datada de 21/03/2016 no entanto foi postada em 29/03/2016 (fl. 11.310). Recurso Voluntário de Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. A MAR Jull foi responsabilizada com base no art. 124, I do CTN, sob a motivação: Empresa patrimonial associada à Itálica e a Carlos Martin Lora Garcia, recebeu transferências de recursos desviados da Itálica Saúde, por meio de contas bancárias da Italtac Tecnologia em Cobranças. Em maio e junho de 2012, durante a Direção Fiscal da ANS e pouco antes da alienação da carteira de clientes da Itálica Saúde, alienou todos os seus imóveis a terceiros, também ligados à Operadora e a Carlos Martin Lora Garcia, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Afirma que a Mar Jull é empresa de administração de imóveis próprios, fundada em 2004, que possui a mesma composição societária até hoje e que está em plena atividade. Alega que a Itálica Saúde era locatária de alguns imóveis da Mar Jull, conforme contratos de locação juntados aos autos, sendo este o único vínculo que as empresas mantinham. Fl. 11420DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.415 13 Contesta a imputação do fiscal autuante de que faz parte de grupo econômico com a Itálica Saúde, imputação esta baseada em indícios tais como o fato de a Mar Jull possuir como endereço registrado oficialmente o de um dos imóveis locados a terceiros ou, ainda, de que a empresa Itálica Saúde seria devedora de aluguéis de anos anteriores (antes de 2009). Contesta também a conclusão do acórdão recorrido de que é devida a responsabilização tributária porque a Mar Jull cedia imóveis a empresas de forma gratuita e tinha as despesas pagas pela empresa Italtac, afirmando que a Mar Jull alugava, e não cedia gratuitamente seus imóveis, bem como que a Italtac não custeava suas despesas, mas intermediava o pagamento dos respectivos alugueres, como empresa de cobrança que é. Aduz que mesmo que assim não o fosse, o que admite apenas por argumentar, tais fatos não poderiam ensejar a conclusão de que a Mar Jull teve participação nos fatos geradores a justificar a responsabilização pelo art. 124, I, do CTN. Isso porque as operações de venda de imóveis realizadas pela Mar Jull foram legítimas e pertinentes à realização de seu objeto social, de modo que os indícios que supostamente levariam à conclusão de que a Mar Jull, de fato, confundirseia com a empresa Itálica Saúde são suficientes a, quando muito, caracterizar relação comercial entre as empresas. Recurso Voluntário de Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito Orlando e Roseli foram responsabilizados com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN, sob as motivações: "Roseli Aparecida de Brito Motivação: Sócia da Italtac. Conforme se descreve no Termo de Verificação em anexo, praticava atos de gestão da Itálica e de outras empresas ligadas, das quais tinha procurações, assinando cheques e autorizando pagamentos, em conjunto com Orlando Márcio de Melo Campos. Recebia ordens de Carlos Martin Lora Garcia." "Orlando Márcio de Melo Campos Júnior Motivação: Conforme se descreve no Termo de Verificação em anexo, praticava atos de gestão da Itálica e de outras empresas ligadas, das quais tinha procurações, assinando cheques e autorizando pagamentos, em conjunto com Roseli Aparecida de Brito. Recebia ordens de Carlos Martin Lora Garcia." No recurso, afirmam que Roseli era sócia da Italtac Tecnologia na área de cobranças Ltda. EPP e que Orlando era sócio de Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria. Tais empresas são destinadas à prestação de serviços de cobrança, locação de equipamentos médicos e prestação de serviços de informática e contabilidade, respectivamente. Alegam que a Italica Saude era mera cliente de tais empresas, tendo contrato de prestação de serviços hospitalares com Hospital e Maternidade Jardins Ltda. e Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP e de serviços de locação, contabilidade e informática com as demais, não exercendo qualquer papel de gestão umas às outras. Fl. 11421DF CARF MF 14 Afirma que a Italtac é empresa de cobrança que, dentre outras, possui as ora autuadas/responsaveis como clientes, o que justifica que os pagamentos de umas às outras sejam feitos através dela, haja vista ser sua atividadefim. Contesta o indício de fraude e de formação de grupo econômico fundado em que os pagamentos feitos ao Hospital e Maternidade Jardins e à Ital Saúde Serviços Médicos por sua cliente Itálica Saúde foram realizados em forma de antecipações ao longo do mês e não ao seu final, afirmando que "como grande parte de suas receitas (e também despesas) advinha de tal cliente ("Itálica"), que possuia forte atuação junto à população menos favorecida, exatamente a atendida pelas Recorrentes, faziamse necessários adiantamentos ao longo do mês para viabilizar a manutenção das atividades, muitas vezes, o que não quer dizer que ao final o mês tais Recorrentes não prestavam contas dos serviços prestados". Afirma que ainda que as empresas recorrentes pertencessem a tal suposto grupo econômico esse fato não lhes retiraria sua autonomia e tampouco as tornaria responsáveis tributárias umas pelos débitos das outras. Continua, dizendo que a relação entre as recorrentes e a Itálica Saúde sempre foi meramente negocial, por meio de contratos de prestação de serviços e aluguel, revestidos de todas as formalidades legais, em que a Itálica Saúde remunerava as Recorrentes em contraprestação, sem que houvesse qualquer participação gerencial de umas às outras. Alega, ademais, que Orlando e Roseli sequer eram sócios ou diretores da Itálica Saúde, mas prestadores de serviços sem poder de gerência. Recurso Voluntário de Carlos Martin Lora Garcia e de Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME Consultec foi responsabilizada com base no artigo 124, I, do CTN e Carlos foi responsabilizado com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN, sob a motivação: Real administrador da Itálica Saúde, era procurador da fiscalizada e das demais empresas ligadas, com amplos poderes de administração, inclusive com poder de venda da sociedade. Era quem tomava as decisões e também o real beneficiário dos recursos da Itálica desviados por meio de contas da Italtac, por retiradas em espécie e planos de previdência privada, dentre outras formas, conforme se detalha no Termo de Verificação Fiscal. A autuação do conjunto das empresas citadas, como se fosse uma só empresa: recebimentos centralizados em contas da Italtac, pagamentos das despesas de todas com estes recursos, procurações, concedendo poderes ilimitados a Carlos Martin Lora Garcia, apontam para um grupo empresarial de fato informal, sob comando deste, justificam sua responsabilização segundo o art. 124, I do CTN. (...) Identificadas fraudes pela interposição de pessoas e sonegação de imposto, confusão patrimonial, justificase a responsabilizacão pelo art. 135,Ill do CTN de Carlos Martin Lora Garcia. (...) Págs∙9.300: (...). Roseli Aparecida de Brito é Sócia da Italtac desde 20/12/2006, e é também sócia da Rentalcap desde 15/02/07 e da Consultec entre 09/10/06 e 21/02/07. Fl. 11422DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.416 15 Tanto Roseli Aparecida de Brito como o outro sócio Luiz Marconi Filho, concederam as Carlos Martin Lora Garcia procurações com poderes ilimitados, págs 304/306. Enquanto que este, págs. 298/303, outorgou procuração a Orlando Márcio de Melo Camps junior e Roseli Aparecida de Brito, para exercerem em conjunto e não com poderes ilimitados. À pág. 9.271/9.271, adiantamentos da Itálica à Consultec: em 2010, R$152.279,48; em 2011, R$283.825,s7; à pág. 9.275, DIPJ ac 2010, totalidade da receita declarada de R$540.000,00 proveniente da Itálica; págs. 8.887/9.237, Conta Razão, adiantamento à Consultec. Seu endereço é o mesmo que o da Italtac, pág. 9.279. Em síntese, não comprovou a prestação de serviços alegada mente contratados pela Itálica, enquanto que suas despesas foram pagar por aquela, com recursos gerados pela Itálica, que forma operados pela Italtac, sob comando de Carlos Martin Lora Garcia; tais elementos justificam a responsabilização da Consultec com base no art. 124, Ido CTN, por ter participado das decisões que conduziram à autuação, e de seus sócio,Carlos Martin Lora Garcia, dirigente de fato do grupo empresarial informal, por ter infringido a legislação tributária, art. 135, III, do CTN"." O recurso está baseado na alegação de que a Consultec é mera prestadora de serviços, devidamente contratada pela Itálica Saúde para a prestação de serviços de consultoria em gestão administrativa e operacional na área de saúde, não tendo com esta qualquer relação gerencial ou financeira. Já Carlos é ser mero administrador da Consultec, não restando presentes os requisitos para a responsabilização solidária de que tratam os art. 124 e 135 do CTN. Afirma que não há ilegalidade em se constituir uma pessoa jurídica sem estrutura física, e que "a existência de um estabelecimento sem dependências físicas ou ausência de funcionários para o desenvolvimento de suas atividades não implica na ilegalidade como o relatório fiscal insinua". Contesta a existência de grupo econômico, afirmando que "Como em toda e qualquer empresa de consultoria, os Recorrentes não exerceram qualquer poder de controle ou poder dominante em relação à Itálica Saúde Ltda., mas somente seu aconselhamento, que poderia ser seguido ou não". Aduz, ademais, que mesmo que considerado um grupo econômico, não é possível se alcançar a solidariedade passiva, citando jurisprudência sobre a necessidade de realização conjunta da situação que enseja o fat gerador para a responsabilização baseada no art. 124 do CTN. Sobre Carlos, afirma que o fato de ele ser sócio administrador de empresa da consultoria ou, ainda, procurador de algumas pessoas físicas e jurídicas que detém alguma ligação com a Itálica não é suficiente para que detivesse um puder de controle ou decisão sobre as atividades delas, aduzindo que isso ocorreu pelas credenciais do Dr. Carlos Lora, as quais Fl. 11423DF CARF MF 16 atestam sua expertise para tentar dar cumprimento efetivo ao objeto do contrato de prestação de serviços profissionais de consultoria. Defende que, nos termos do artigo 135 do CTN, caberia averiguar o que seria o ato lesivo por parte da Consultec capaz de transferir a responsabilidade tributária ao diretor, gerente ou administrador. Além disso, a sua responsabilização com base no art. 124, I, do CTN, também não se sustenta, na medida em que não houve comprovação de que tenha praticado, em conjunto com a devedora principal, os fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, requisito esse fundamental para a responsabilização pretendida. Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos José foi responsabilizado com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN, sob a motivação: "Participou em 2012 de aquisição de imóveis da Mar Jull Empreendimentos Imobiliários, empresa patrimonial associada à Itálica, sendo que existem evidências de que estas transações não ocorreram de fato, mas destinaramse a ocultar o patrimônio da outra empresa, como está descrito detalhadamente no Termo de Verificação Fiscal. Os imóveis foram transferidos para a R&D Empreendimentos em janeiro de 2013." Alega que as empresas recorrentes são empresas saudáveis, idôneas, autônomas e cumpridoras de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes que não guardam qualquer relação com a Itálica Saúde. A peça recursal faz poucas menções específicas a José, imitandose a afirmar que este apenas intermediou a compra e venda de imóveis, sem deter nenhuma parte ou propriedade destes, na qualidade de representante no Brasil das sociedades investidoras R&D e Crossville. Afirma ainda que a R&D é terceiro adquirente de imóveis que, um dia pertenceram à Mar Jull, sendo que não há base legal para, por isso, serlhe imputada responsabilidade solidária em relação ao crédito em causa. Nega a formação de grupo econômico, afirmando que ainda que fosse este o caso o STJ já pacificou o entendimento de que tal situação não enseja solidariedade passiva pelo artigo 124, I, do CTN (ERESP 834.044/RS, julgado em 8.09.2010). É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Recurso de ofício Primeiramente, cumpre ressaltar que é matéria do recurso de ofício tanto a exclusão de responsáveis quanto a exoneração de valores de tributo, nos termos do artigo 34, I, do DecretoLei 70.235/1972 e art. 70 de seu decreto regulamentador (Decreto 7.574/2011): Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Fl. 11424DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.417 17 Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 70. O recurso de ofício deve ser interposto, pela autoridade competente de primeira instância, sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, bem como quando deixar de aplicar a pena de perdimento de mercadoria com base na legislação do IPI (Decreto no 70.235, de 1972, art. 34, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1o O recurso será interposto mediante formalização na própria decisão. § 2o Sendo o caso de interposição de recurso de ofício e não tendo este sido formalizado, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. § 3º O disposto no caput aplicase sempre que, na hipótese prevista no § 3º do art. 56, a decisão excluir da lide o sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Quanto aos responsáveis, a DRJ excluiu do polo passivo Guilhermina Ester Baya, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, Bruno Sergio Damaceno, Pedro Gruber Franchini, Márcia Gruber Franchini em razão da não comprovação do pressuposto para a responsabilização, qual seja, o interesse comum, reconhecendo não haver elementos nos autos que demonstrem sua participação na tomada de decisões ou gerenciamento dos fatos que levaram às autuações fiscais nos anos 2010 e 2011. Com razão a decisão recorrida. Quanto aos valores exigidos, o Acórdão recorrido os reduziu nos seguintes termos: Tributo Valor lançado Valor mantido pela DRJ IRPJ R$19.448.276,72 R$18.240.216,81 CSLL R$5.803.075,64 R$5.440.657,67 PIS R$994.607,75 R$908.526,28 COFINS R$4.590.464,94 R$4.193.165,88 A redução ocorreu em virtude de (i) erros de transcrição do auto de infração, (ii) exclusão de reversão de provisão para perdas e, (iii) no caso de PIS e COFINS, também em virtude da exclusão de receitas financeiras da base de cálculo. (i) erros de transcrição do auto de infração A DRJ reconheceu erro de soma dos valores, mês a mês, na formação da receita anual, no total de R$3.808.565,02, conforme demonstrado na planilha de pág. 22 da impugnação e fl. 9.645 dos autos: Fl. 11425DF CARF MF 18 Não merece reforma a decisão da DRJ, que concluiu assistir razão à Itálica Saúde ao comparar o item Base de Cálculo do TVF à base de cálculo do auto de infração e aos dados do Anexo III, referentes a 01, 04, 10/2010 e 04 e 12/2011, conforme acima. (ii) exclusão de reversão de provisão O acórdão recorrido acolheu a alegação da Itálica Saúde de que deveriam ser excluídos da base de cálculo do arbitramento as reversões de provisão de crédito para liquidação duvidosa, que são contas cumulativas provisionadas de acordo com as normas da ANS (Planos individuais com atraso acima de 60 dias e coletivos acima de 90 dias). Segundo a contribuinte, tais créditos já teriam sido considerados receitas 60 ou 90 dias antes, de modo que a sua não exclusão geraria bis in idem. A análise da documentação acostada aos autos (em especial Anexo III.c ao TVF) comprova que foram consideradas pela fiscalização, na receita bruta, valores a crédito da conta 3399199001 – Reversão provisão Perdas sobre Créditos referentes ao período autuado, nos seguintes termos: Por assistir razão à contribuinte, também nesse ponto a decisão da DRJ deve ser mantida. (iii) exclusão de receitas financeiras da base de cálculo no caso de PIS e COFINS A decisão recorrida excluiu da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor das receitas financeiras, tendo em vista que, no lucro arbitrado, a Itálica está sujeita ao regime cumulativo dessas contribuições, nos termos da Lei 9.718/1998. Fl. 11426DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.418 19 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 585.2351, resolveu questão de ordem e reafirmou a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, que ampliava a base de cálculo desses tributos pretendendo alcançar não apenas as receitas da atividade mas também receitas não operacionais tais como as financeiras. Reproduzo a ementa do julgado citado: RECURSO Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da CiOFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O § 6o, I, do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 veda aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nos casos em que esta tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Neste sentido, correta a decisão da DRJ, que excluiu da base de cálculo do PIS e da COFINS os seguintes valores de receitas financeiras: Conclusão Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Recursos voluntários Conforme relatado, os recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc. são intempestivos, portanto não serão admitidos. Fl. 11427DF CARF MF 20 Os recursos voluntários dos seguintes sujeitos passivos preenchem os requisitos de admissibilidade e serão portanto conhecidos: Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME, e José Carlos dos Santos. Passo a tratar de cada um deles a seguir. Recurso Voluntário da contribuinte Itálica Saúde Ltda. Em seu recurso, Itálica Saúde basicamente repete os seguintes argumentos expostos na peça impugnatória: (i) o Relatório da ANS, que embasou os autos, além de ser questionável, é imprestável à constituição dos créditos tributários, por se tratar de prova emprestada. (ii) inocorrência das hipóteses de arbitramento com base nos incisos II, b e III do art. 530 do RIR, de 1999, eis que é inaplicável ao caso o inciso II, já que sua escrituração permite conhecer seu lucro real e, é igualmente inaplicável o inciso III, que determina tal medida quando o contribuinte deixar de atender à fiscalização, eis que sequer foi dada oportunidade para a Itálica Saúde de fazêlo, já que estava sob a intervenção da ANS. (iii) a base de cálculo utilizada para o arbitramento apresenta os seguintes vícios: (a) não exclui os valores que a própria fiscal autuante atestou que foram incluídos Refis da Crise em 2010 (fls. 89 do Termo de Verificação Fiscal), gerando bitributação; (b) não foram deduzidos da apuração os impostos já pagos pelas empresas que receberam os repasses apontados pela autuante, nem os pagos pela própria Itálica SAúde, em afronta ao o art. 540 do RIR/99, gerando bitributação e, por fim, (c) na apuração da base tributável, não observou o art. 519, §3° do RIR/99, que dispõe que, no caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade, alegando que, no caso, deveria ter utilizado percentuais para atividades médicohospitalares e prestação de serviços e plano de saúde. (iv) o conceito de receita bruta para as operadoras de planos de saúde é específico, já que a atividade compreende tão somente a intermediação de serviços médico hospitalares. Assim, os valores que transfere aos prestadores de serviços médicohospitalares não integram a sua receita bruta, já que se configuram meros repasses (custos da sua atividade), devendo ser excluídos de sua tributação. Além disto, afirma ainda que: (a) para tais empresas, as receitas financeiras, além de não serem tributadas pelo PIS/COFINS, são dedutíveis do Lucro Real e base de cálculo da CSLL (até o limite das provisões técnicas a que estão obrigadas), o que também deve ser levado em consideração; e (b) o auto de infração incluiu, indevidamente, reversões de provisões não dedutíveis na receita bruta autuada. (v) as Variações das Provisões Técnicas devem ser excluídas da base tributável, pois permitidas pelas Normas da ANS e não representam entrada ou saída de dinheiro ou Receita, sendo constituídas com base numa fórmula matemática atuarial de acordo com as normas sobre o valor das mensalidade ou dos gastos assistenciais que são debitadas em conta própria do grupo 4 Variação da Provisão Técnica (Despesa) e Creditada no Passivo como Provisão para Eventos Ocorridos e Não avisados; mas, quando a constituição desta provisão é menor do que a Provisão anterior, temse o crédito lançado na conta do grupo 3. (vi) ilegalidade da base de cálculo utilizada para cálculo do PIS e da COFINS, haja vista a inobservância do disposto nos §§9°, 9°A e 9°B do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, que determinam que as despesas e repasses ocorridos no período dela devem Fl. 11428DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.419 21 ser deduzidas, observando que a Lei 12.873/2013 incluiu o §9A e a Lei n.° 12.995/2014 o §9° B, dispondo acerca da forma pela qual deve interpretado o §9°. (vii) insustentabilidade das multas agravada e qualificada, quer por não ter restado comprovada a hipótese de seus cabimentos, quer porque confiscatórias. Apesar de a fiscalização trazer provas que precisariam ser infirmadas pela recorrente, bem assim a DRJ ter reforçado mais ainda os argumentos da fiscalização, em sede recursal a Itálica Saúde se contenta em repetir as mesmas justificativas que foram reportadas para o fiscal e para a DRJ. Conforme discorreu o Conselheiro Antonio Bezerra Neto, em seu voto no acórdão 1401001.640, julgado em 07.06.2016, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar de tais princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, neles estão implícitos também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo continua ilustre Conselheiro é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso que, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda porventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Assim, em vista dos argumentos da decisão da DRJ e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, que a seguir reproduzo: 2.4 PROVA EMPRESTADA. 204. Conforme o TVF, págs. 9.325/9.328, “a base de cálculo utilizada nos autos de infração foi obtida a partir dos lançamentos contábeis relacionados no anexo “Receita Itálica Saúde 2010 e 2011”. 205. Adicionalmente, conforme relatado no TVF, foram computadas receitas não consideradas em épocas próprias, receitas não contabilizadas do Ministério do Trabalho Espanhol e receitas provenientes de contratos de permuta de serviços, com base em descrição e documentação do relatório da Direção Fiscal da ANS, além de que este forneceu subsídios, descritos no TVF, para caracterizar responsabilidade solidária de pessoas físicas e jurídicas. 206. Verificamse duas questões a examinar: o relatório da Direção Fiscal da ANS tratase de prova emprestada? Prova emprestada é admissível, ou ilegal? Fl. 11429DF CARF MF 22 2.4.1 O relatório da Direção Fiscal da ANS. 207. A Agência Nacional de Saúde Complementar – ANS é uma agência reguladora, vinculada ao Ministério da Saúde, responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil, o que significa a criação de normas, o controle e a fiscalização de segmentos de mercado explorados por empresas, para assegurar o interesse público. 208. A Diretoria Colegiada da ANS editou a Resolução Operacional – RO nº 1.073 de 01 de setembro de 2011, DOU 05/09/2011 que designou Direção Fiscal na Operadora Itálica Saúde; às págs. 4.359/4.387, Relatório Final relativo a este Processo de Direção Fiscal nº 33902.649944/201136, protocolado na ANS em 05/04/2012, propondo a alienação da carteira seguida de liquidação da Operadora; em 12/09/2012, a Resolução Operacional nº 1.265, determinou a alienação de sua carteira e suspendeu a comercialização de seus planos de saúde; em 17/12/2012, a RO nº 1.312, concedeu o prazo de 60 (sessenta) dias para que os beneficiários exercerem a portabilidade de seus planos de saúde para outras operadoras; a Resolução Operacional – RO nº 1.514, de 09 de setembro de 2013, publicada no D.O U. em 10/09/2013, decretou regime de liquidação extrajudicial da Itálica Saúde Ltda. 209. O procedimento fiscal se iniciou em 19/03/2013, com o Edital Sefis DRF Barueri nº 22/2013, de pág. 2; a ciência dos autos de infração ocorreu em 07/04/2015, quando a empresa se encontrava em liquidação extrajudicial. 210. Resolução Normativa RN n° 316, de 30 de novembro 2012, dispõe sobre os regimes especiais de direção fiscal e de liquidação extrajudicial sobre as operadoras de planos de assistência à saúde e revoga a RDC nº 47, de 3 de janeiro de 2001, e a RN nº 52, de 14 de novembro de 2003. Art. 2° O regime especial de direção fiscal poderá ser instaurado, quando detectadas uma ou mais anormalidades econômicofinanceiras ou administrativas graves que coloquem em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde, conforme abaixo especificadas, sem prejuízo de outras hipóteses que venham a ser identificadas pela ANS. (...) Art. 5º A direção fiscal será conduzida por diretor fiscal, sem poderes de gestão, designado pela ANS. Art. 6º Compete ao Diretor Fiscal: I colher documentos e informações da operadora que possam instruir o processo de acompanhamento de suas atividades administrativas e de sua situação econômicofinanceira, bem como obter cópia do estatuto ou contrato social consolidado da operadora, caso necessário; II proceder à auditoria das contas da operadora, tomando por base o balanço ou balancete contábil mais atualizado; III colher informações com credores e beneficiários da operadora; IV determinar a apresentação pela operadora de Programa de Saneamento com ações e metas que visem à sua recuperação econômicofinanceira; V avaliar o Programa de Saneamento apresentado pela operadora e submetêlo Fl. 11430DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.420 23 à deliberação da ANS; VI determinar à operadora a convocação de reunião de seus órgãos estatutários de administração, podendo participar como ouvinte, quando for o caso; e VII propor à ANS, quando for o caso: a) o afastamento dos administradores que descumprirem suas determinações ou obstruírem sua atuação, observado o disposto no parágrafo único do art. 2º. b) a adoção de providências necessárias à responsabilização de quaisquer pessoas, diante de indícios de condutas ilegais; c) a adoção de medidas perante as instituições públicas ou privadas que possam contribuir para a condução do regime de direção fiscal; d) o encerramento do regime de direção fiscal, quando afastada a gravidade das anormalidades que coloquem em risco a continuidade do atendimento à saúde; e) a transformação do regime de direção fiscal em direção técnica ou a instauração concomitante deste regime, conforme o caso; f) a alienação da carteira da operadora ou a concessão de portabilidade especial a seus beneficiários, ou a decretação da liquidação extrajudicial ou o cancelamento da autorização de funcionamento ou do registro provisório, nas hipóteses previstas nesta Resolução; e g) demais medidas que julgar cabíveis para o cumprimento eficiente do regime. § 1º Os atos do diretor fiscal dirigidos à operadora serão formalizados por meio de Instrução Diretiva ID. § 2º Ao diretor fiscal deverá ser dado conhecimento prévio da realização de quaisquer atos societários ou negócios jurídicos pretendidos pela operadora. (...) Art. 17. A liquidação extrajudicial da operadora poderá ser decretada pela ANS, quando verificada ao menos uma das seguintes situações: I indícios de dissolução irregular; II não alcance dos objetivos de saneamento das anormalidades econômico financeiras ou administrativas graves; III ausência de substituição de administradores inabilitados ou afastados por determinação da ANS, sempre que o abandono ou a omissão continuada dos órgãos de deliberação importar em risco para a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde dos beneficiários; ou IV aplicação de sanção administrativa de cancelamento de sua autorização de funcionamento ou do registro provisório, na forma do art. 25, VI, da Lei nº 9.656, de 1998. Fl. 11431DF CARF MF 24 § 1º A liquidação extrajudicial da operadora poderá ser decretada independentemente de instauração do regime de direção fiscal sempre que a gravidade das anormalidades econômicofinanceiras ou administrativas impliquem risco iminente à manutenção do atendimento à saúde. § 2º A liquidação extrajudicial poderá ser decretada a requerimento dos administradores da operadora, quando autorizados pelos estatutos ou por deliberação em assembléia geral extraordinária, expostos de forma circunstanciada os motivos justificadores da medida. Art. 18. Havendo beneficiários ativos na operadora, a decretação da liquidação extrajudicial será precedida da alienação de sua carteira ou da portabilidade especial a esses beneficiários, na forma definida em resolução específica. (...) Art. 20. A decretação da liquidação extrajudicial produz os seguintes efeitos imediatos: I cancelamento da autorização de funcionamento ou do registro provisório de operadora; II perda dos poderes de todos os órgãos de administração da liquidanda; (...) (Grifouse.) 211. Conforme este dispositivo legal, a Direção Fiscal nomeada pela ANS colhe informações e documentos, analisaos e elabora recomendações, porém não tem poderes de gestão; no caso, a recomendação, acatada, foi pela liquidação extrajudicial da operadora Itálica Saúde Ltda; a partir da instauração da liquidação extrajudicial, a direção da operadora perdeu seus poderes, que passaram ao liquidante. 212. Os fatos objetos da autuação são dos anoscalendário 2010 e 2011, a intervenção da ANS iniciouse em 05/09/2011, relatada no Relatório Final, protocolado na ANS em 05/04/2012. 213. A fiscalização iniciouse em 19/03/2013, devido às irregularidades detectadas e, a partir de 10/09/2013, respondia pela empresa a liquidante Edna Maria Tonolli, CPF 642.165.43804, nomeada pela ANS, pág. 132; substituída por José Carlos Marani, CPF 387.508.56804, pág. 152, em 14/05/2014; e a partir de 15/06/2015, Wilson Roberto Rosalino CPF 107.766.97803, pág. 10.239. 214. Antes de 10/09/2013, as intimações foram dirigidas à empresa foram recebidas/ou não (mudouse, desconhecido), por seus representantes legais, págs. 2/118; relata a autuante no TVF que as intimações requerendo livros contábeis e outros documentos não foram atendidas e diligências não localizaram o domicílio da empresa e que: “As intimações anteriores à data da decretação da liquidação extrajudicial (10/09/2013 não tiveram resposta. Posteriormente a esta data, as intimações foram recebidas pelos liquidantes nomeados pela ANS. No entanto, estes também não apresentaram a documentação solicitada (com exceção dos relatórios de auditoria e a relação de bens da operadora), tendo justificado o fato pela falta de acesso aos livros e documentos da empresa.”. 215. Então, retornando à questão: tendo sido o Relatório Final, do qual informações e documentos foram utilizados pelo autuante na fiscalização, sido Fl. 11432DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.421 25 elaborado por pessoa nomeada por órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação, descabe o entendimento de que seja prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. 2.4.2 Prova emprestada é admissível, ou ilegal? 216. Quanto à denominada “prova emprestada”, devese observar que a doutrina processual usualmente utiliza tal denominação para a prova produzida num processo, seja por documento, depoimento pessoal ou exame pericial, que possa ser transladada e aproveitada em outro processo. Cabe observar que o artigo 332 do Código do Processo Civil, utilizado subsidiariamente no Processo Administrativo Fiscal, prescreve que “todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa”. Portanto, em termos gerais é perfeitamente válida a utilização de provas produzidas em outros processos, desde que, naturalmente, estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. 217. A prova emprestada deve ser admitida principalmente quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. 218. Destaquese que o uso de prova emprestada não afetaria a ampla defesa do contribuinte que teve trinta dias para contraditar a autuação e apresentar documentos comprobatórios. Não se sustenta a afirmação da interessada de que não as provas não foram validadas, basta verificar o que foi informado no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, onde as informações da Direção Fiscal da ANS são confrontadas com dados coligidos pela autuante: item 4. Os Demais procedimentos Fiscais – fiscalização n Italtac e diligências nas empresas e pessoas físicas listadas às págs. 9.242/9.243; item Da Documentação Analisada, págs. 9.243/9.246; a análise das informações contábeis da empresa, transmitidas ao SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e informações nos sistemas de RFB; as diligências relativas às sociais nominais da autuada e o sócio de fato, e representantes e procuradores, relatadas no TVF, págs. 9.246/9.254; a análise dos dados da Italtac, inclusive bancários e a movimentação financeira no grupo de empresas, págs. 9.254/9.271; interações financeiras da autuada com os hospitais e outras empresas ligadas, págs. 9.271/9.304; a identificação do real sócio Carlos Martin Lora Garcia, págs. 9.304/9.312, exame de documentos bancários da Italtac; movimentação patrimonial do grupo e pessoas jurídicas e físicas envolvidas, págs. 9.312/9.321; falhas na contabilidade, págs. 9.322/9.325. 219. Além de que, é lícita a utilização de provas emprestadas (aquela formada por outra autoridade que não a autuadora), o importante na sua utilização é que sejam respeitados os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e isto ocorreu mediante a impugnação que está sendo analisada. 2.5 ARBITRAMENTO. 220. Os litigantes afirmam que não ocorreram as hipóteses de arbitramento do lucro e da base de cálculo da CSLL, dos incisos II, b e III do art. 530 do RIR, de 1999. Fl. 11433DF CARF MF 26 221. No auto de infração consta que a capitulação legal do arbitramento, para todos os períodos autuados deveuse a: (...)o contribuinte notificado a apresentar os documentos em que se baseou a sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. 222. A base legal constante dos autos é art. 530, III do RIR de 1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; 223. No TVF, pág. 9.325, a capitulação legal consta art. 530, II, “b” e III, do RIR de 1999, sendo o inciso II, b, relativo às falhas na contabilidade descritas pela Direção Geral de ANS e confirmadas nas diligências da fiscalização da RFB. 224. O autuante relata que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie a partir dos valores levantados a partir da ECD pela fiscalização, para aplicar percentuais diferenciados de arbitramento; eis que o art. 537, parágrafo único do RIR de 1999, determina: Art. 537. (...) Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º) 2.5.1 Não apresentação dos documentos da escrituração comercial e fiscal. 225. A fiscalização iniciouse em 19/03/2013, devido às irregularidades detectadas e, a partir de 10/09/2013, respondia pela empresa a liquidante Edna Maria Tonolli, CPF 642.165.43804, nomeada pela ANS, pág. 132; substituída , em 14/05/2014, por José Carlos Marani, CPF 387.508.56804, pág. 152; e a partir de 15/06/2015, por Wilson Roberto Rosalino CPF 107.766.97803, pág. 10.239. 226. Antes de 10/09/2013, as intimações dirigidas à empresa foram recebidas, ou não (mudouse, desconhecido), por seus representantes legais, págs. 2/118; relata a autuante no TVF que as intimações requerendo livros contábeis e outros documentos não foram atendidas e diligências não localizaram o domicílio da empresa e que: “As intimações anteriores à data da decretação da liquidação extrajudicial (10/09/2013 não tiveram resposta. Posteriormente a esta data, as intimações foram recebidas pelos liquidantes nomeados pela ANS. No entanto, estes também não apresentaram a documentação solicitada (com exceção dos relatórios de auditoria e a relação de bens da operadora), tendo justificado o fato pela falta de acesso aos livros e documentos da empresa.”. Fl. 11434DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.422 27 227. De fato, o Termo de Início de Procedimento Fiscal, requerendo Livro Diário, Livro Razão, informações contábeis, entre outros, foi cientificado via Edital, porque o domicílio do contribuinte não havia sido localizado, págs. 7/8 (número inexistente); as sócias intimadas a comparecer, págs. 9/11 enviaram representante legal que tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal, em 19/03/2013, págs. 12/16; às págs. 17/19, Termo de Reintimação, dando conta que, mesmo cientificado o representante, a documentação não foi entregue e intimando a fazelo, novamente via Edital, pelo mesmo motivo anterior; às págs. 20/21, Termo de Intimação Fiscal nº 2, requerendo contratos e notas fiscais do ano 2010; à pág. 22, Edital declarando Inapta a Itálica Saúde Ltda, devido não ter sido localizada no domicílio tributário (posteriormente revertido, depois de a interessada ter corrigido seu cadastro); págs. 23/35, Termo de Intimação e Reintimação Fiscal, para apresentar os contratos requeridos e os documentos que embasaram os lançamentos contábeis que relaciona, cientificado em 29/07/2013; págs. 36/117, Termo de Intimação Fiscal requerendo contratos de prestadoras de serviços, descrição dos serviços por Nota Fiscal, explicar a relação com os mesmos e apresentar os documentos que embasaram os lançamentos contábeis que relaciona e reintima a apresentar os documentos anteriormente requeridos e não entregues, uma vez que até o momento, nenhum documento ou esclarecimento foi apresentado à fiscalização (o AR de págs. 38/39 retorna com a indicação “desconhecido”), posteriormente cientificado ao representante legal em 04/09/2013. 228. O relatado evidencia que desde 19/03/2013 até a data em que foi decretada a liquidação extrajudicial e nomeado liquidante, em 10/09/2013, ou seja, durante meio ano, a empresa e seus sócios receberam intimações para apresentar documentação e livros e não os entregaram. 229. O que remete à reclamação da litigante contra o agravamento em 50%, da multa de ofício, alegando que não teve oportunidade de atender a fiscalização, pois as intimações foram dirigidas à(aos) Diretora(es) Fiscal(is) nomeada(os) pela ANS e est(es) nenhum esforço fizeram para atendêlas. 230. Como se evidencia, durante o meio ano antes da intervenção, a litigante não entregou a documentação solicitada, sendo que neste período a Direção Fiscal não tinha poderes de gestão. 231. Somente a partir da intervenção, o liquidante nomeado pela ANS passou representar a autuada e ao receber a intimação, informou que não tinha acesso aos mesmos, págs. 140/144, em 16/04/2014: 3 Pois bem. Em que pese o requisitado no Termo de Intimação Fiscal, a Liquidante, em representação à exOperadora, informa que, por ocasião alheia à sua vontade não tem meios suficientes para cumprir o exarado na Intimação. 4 Isso porque, a Liquidante assumiu a função para a qual foi designada em 10 de setembro de 2013, com a publicação no Diário Oficial da União DOU. Na ocasião, a exOperadora encontravase em desmobilização operacional, em que todas as suas filiais estavam com as atividades encerradas e não havia em sua sede quaisquer documentos, livros ou outros apontamentos que pudessem ser usados como subsídios para prestar as informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil RFB. 5 Como é possível verificar pelo Termo de Arrecadação de Bens, datado de 11 de setembro de 2013 (anexo), os objetos encontrados na sede e na filial Fl. 11435DF CARF MF 28 localizada na Rua Barão de Itapetininga, n° 151, 5o andar, conjunto 52/53, Praça de República, São PauloSP, CEP 06404000 são em número limitado e se restringem a bens tangíveis, assim, de antemão, informase que eles não têm o condão para que se possam extrair as informações pedidas. 232. Destaquese às págs. 155/165, que a liquidante nomeada Edna Maria Tonolli, encaminhou em 11/09/2013, correspondências a dr. Carlos Martin Lora Garcia, a Guilhermina Ester Baya, a Sofia Cristiane Baya Schatzer e a Orlando Marcio de Melo Campos Junior (procurador), recebidas por estes, requerendo entre outros “a indicação do acervo documental da exoperadora (livros contábeis, fiscais, trabalhistas, etc.)” e alertando sobre a obrigatoriedade da prestação dessas informações. 233. Também em 12/11/2014, o liquidante nomeado José Varlos Maran, respondeu: Referimonos ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, lavrado em 30/10/2014, para informar V.Sa. que, até a presente data, ainda não conseguimos contatar os exadministradores da então ITÁLICA SAÚDE LTDA, que se encontra sob o regime de LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, desde 09/09/2013, decretado pela AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTARANS, por força da Resolução OperacionalRO, n° 1.514. 2. Sem este contato, que foi objeto de Comunicação ao Ministério Público Federal, conforme Ofício LE n° 861/2013, de 18/09/2013, desconhecemos o paradeiro dos documentos fiscocontábeis da exoperadora, razão pela qual restou prejudicado o atendimento ao solicitado neste TERMO, relativamente à empresa MANAGER NETWORK INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS S/C LTDA. (Grifouse.) 234. Confirmada, portanto a falta de entrega de documentação contábil, o que justifica o arbitramento com base no art. 530, III do RIR de 1999. 235. Argumentou adicionalmente que o sigilo de dados médicos impediria os impugnantes que apresentar comprovantes de prestação de serviços médico hospitalares pelas prestadoras, no entanto, não há quebra de sigilo, em relação a informações prestadas ao fisco, em vista do sigilo fiscal, que impede aos agentes do fisco divulgar qualquer informação de que tenham conhecimento em função de suas atividades. 2.5.2 Imprestabilidade da Contabilidade. 236. O arbitramento tomou como base legal o art. 530, II, b e III do RIR de 1999. 237. Conforme o art. 923 do RIR de 1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais (art. 923 do RIR/99). (Grifouse.) 238. A fiscalização obteve os dados das informações contábeis transmitidas ao SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (pág. 9.246), ou seja, a Receita Bruta conhecida foi obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada e tais valores foram acrescidos de receitas não declaradas, conforme relatado no TVF e analisado adiante neste voto, no item referente a erros de apuração da Receita Bruta reclamados pelo litigante. Fl. 11436DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.423 29 Estas receitas não contabilizadas foram descritas no Relatório Final da Direção Fiscal da ANS, datado de 30/03/2012, cuja cópia faz parte do processo digital, juntamente com os documentos comprobatórios. São dois diferentes tipos de verbas. O primeiro são receitas obtidas da venda de planos de saúde ao Ministério do Trabalho Espanhol, (pág. 4.377) que era pago por meio de depósitos efetuados numa conta da Itálica do Bradesco, agência 0138, conta 1599437. Seguese a descrição destas verbas no Relatório citado: b.2 )Conta bancária não reconhecida pela Contabilidade b.2.1) Ministério do Trabalho Espanhol Esta Direção Fiscal emitiu a ID n°. 66, em 13 de fevetelro de 2011, solicitando extrato da conta corrente n°. 159.9437 junto ao Bradesco agencia 138 c solicitando cópias das ordens de transferência de numerários realizada nessa conta, razão da conta "Banco Conta Movimento Bradesco 159.9437 e as notas fiscais emitidas pela itálica. Os depósitos foram efetuados pelo Ministério do Trabalho Espanhol e referemse aos pagamentos dos serviços de prestação de serviço de saúde aos seus funcionários, esta receita de R$ 7.305.783,01, não foi registrada na contabilidade da Itálica, conforme extrato da conta e cópia do razão ajustado pela OPS (fls. 313 a 323) A outra receita não contabilizada corresponde à venda de planos de saúde a diversas agências de publicidade, por permuta, e foi descrita desta forma no mesmo Relatório (pág. 4.378): b.2.2 Contratos tipo permuta – prestação de serviço x publicidade (pág. 9.328) Os valores e os períodos das receitas provenientes do Ministério da Espanha e das empresas de publicidade, que foram somados à receita bruta para o cálculo do lucro arbitrado, foram os seguintes: Comp Valor Cliente abr/10 820.600,44 MINISTÉRIO ESPANHA out/10 50.438,40 MINISTÉRIO ESPANHA out/10 896.479,00 MINISTÉRIO ESPANHA abr/11 865.375,50 MINISTÉRIO ESPANHA dez/11 1.100.000,00 MINISTÉRIO ESPANHA dez/11 19.451,52 NIGHT AND DAY PROMOÇÕES LTDA dez/11 12.783,84 MODEL'S ACTION PROMOÇÕES ARTÍSTICAS LTDA dez/11 20.110,80 JORNAIS DE BARROS ASSOCIADOS LTDA 239. Às págs. 9.322/9.324, o autuante transcreveu no TVF, o relatado pela Diretora Fiscal nomeada pela ANS sobre a contabilidade da autuada, bem como as conclusões desta sobre a situação da empresa e sua contabilidade e que a gravidade dos problemas na contabilidade da Itálica foi um dos motivos da intervenção. 2.5.3 Contabilidade em Perfeita Ordem. Glosa de custos e despesas. Fl. 11437DF CARF MF 30 240. A argumentação de que a contabilidade está em perfeita ordem não se sustenta, na medida em que a contabilidade só faz prova a favor do contribuinte, se apoiada por documentação idônea – na falta dos documentos, não faz prova. 241. Tampouco há elementos para que a fiscalização glose custos ou despesas e apure imposto e contribuições sobre o lucro assim revisto – na falta de documentos, resta prejudicada tal análise. 242. Confirmase a correção de se apurar lucro e base de cálculo da CSLL, mediante arbitramento. 243. E, reiterese, a fiscalizada, seja antes, seja depois do processo de liquidação extrajudicial, não apresentou documentos que apoiassem os dados contábeis, o que invalida sua reclamação de que a apuração de resultados deveria ter sido refeita pela fiscalização e glosados eventuais custos e despesas; na falta de documentação, todos seriam glosados!! 2.5.4 Arbitramento. Erros apontados na apuração do Lucro e da Base de Cálculo da CSLL. 244. Reclamam os litigantes que sequer foram excluídos os valores que a própria fiscal autuante atestou que foram incluídos no Refis da Crise em 2010 (fls. 89 do Termo de Verificação Fiscal), gerando bitributação pois foram objeto de novo lançamento acrescido de multas de 225%; a. Consta do TVF, pág. 9326, no item “Receitas não contabilizadas nas épocas próprias”: Sob as ordens da direção fiscal da ANS foram efetuados parcelamentos de impostos e contribuições que não estavam registrados no passivo da empresa e também foram feitos ajustes na contabilidade relativos a valores não contabilizados ou contabilizados incorretamente em exercícios anteriores, em decorrência das instruções Diretivas n° 49 e 66, que foram anexadas ao processo digital, assim como o razão da conta 2563190001 Ajustes de Exercícios Anteriores. Alguns destes ajustes referiamse a receitas de exercícios anteriores, não contabilizadas em épocas próprias, que relaciono a seguir: (...) b. Não há informação a que períodos de apuração e que impostos e contribuições foram parcelados; o fiscal autuante, meramente relata sobre passivos relativos a tributos que não estavam contabilizados e que foram parcelados. c. Na impugnação nada consta acerca de a que períodos de apuração se referiam tais impostos e contribuições parcelados; cabe ao impugnante suprir os dados dos tributos que alega que deveriam ser excluídos dos exigidos na autuação. d. Destaquese que os impostos e contribuições declarados foram subtraídos do imposto/contribuição apurados na autuação, sendo exigida apenas a diferença entre os dois valores: págs. 9.406, 9.408, 9.438, 9.440, 9.469, 9.487/9.489. (...) 246. Reclamam que não foram deduzidos, da apuração, os impostos já pagos pelas empresas que receberam os repasses apontados pela autuante e sequer aqueles pagos pela própria Impugnante, afrontando o o art. 540 do RIR, de 1999, e gerando bitributação i. Quanto aos impostos/contribuições pagos por fornecedores e/ou prestadores de serviços da autuada, não há previsão legal para a dedução destes, de Fl. 11438DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.424 31 imposto/contribuição devido pela autuada; no caso do PIS e Cofins, há previsão de dedução dos créditos sobre as compras somente no regime da não cumulatividade, que não se aplica à empresa no regime de lucro arbitrado. ii. Quanto aos impostos declarados/pagos pela autuada, verificase que foram deduzidos da autuação, págs. 9.406, 9.408, 9.438, 9.440, 9.469, 9.487/9.489. 247. Reclama que, na apuração da base tributável, não se observou o art. 519, §3° do RIR, de 1999, de que, no caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade, e requerem a aplicação dos percentuais para atividades médicohospitalares e prestação de serviços e plano de saúde: i. O código de atividade declarado pelo contribuinte em 2010 e 2011 foi 65.50 2/00 – Planos de Saúde; ii. O objeto social é “Operação de planos privados de Assistência à saúde” iii. Na impugnação, declarase “empresa operadora de planos de saúde” iv. Ocorre no presente caso caracterizouse um grupo empresarial em que a Itálica Saúde Ltda recebia valores referentes a plano de saúde, valores estes cobrados/recebidos em contas bancárias e utilizados em pagamentos, por outra empresa, a Italtac; esta, por sua vez, efetuava os pagamentos das despesas da Itálica Saúde Ltda e de clínicas e hospitais, que simulava serem empresas contratadas, mas que, na realidade, eram ramificações operacionais da Itálica Saúde Ltda, e ainda de empresa titular dos imóveis do grupo e outras que atuavam como prestadoras de serviços, porém com interpostas pessoas, simulando empresas independentes – dessa forma, a legislação aplicável às operadoras de planos de saúde não se aplica, porque, além de não se ter caracterizado como tal a forma de operação do grupo, não foram apresentados os documentos contábeis requeridos. v. À pág. 9.328, no item Coeficiente e Alíquotas, o autuante apenas especificou que o percentual de arbitramento é 32% acrescido de 20%, ou seja, 38,4%, e o art. 519, § 1º, III, “a” do RIR de 1999; se a autuada exerceu exclusivamente a atividade de operadora de plano de saúde, por se enquadrar no conceito de prestação de serviços, enseja a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, tanto para o cálculo do lucro presumido quanto para o da base de cálculo da CSLL; a atividade não é médico hospitalar, conforme fica claro na Lei nº 9.249, de 1995, base legal do artigo invocado e as IN SRF a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, Fl. 11439DF CARF MF 32 desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) vi. Instrução Normativa RFB nº 791, de 10 de dezembro de 2007 (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida." (NR) vii. IN SRF nº 1.234, de 2012: Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. viii. E, tendo sido arbitrado o lucro, o percentual é acrescido de 20%; (Grifou se.) 248. Reclamam que se descontou da receita bruta os pagamentos efetuados pela Impugnante a título de reembolso mas, ao mesmo tempo, não se descontou os demais lançamentos a débito realizados nas contas de receita, como "valor pro rata mensalidades canceladas" e "valor prorata faturas canceladas": a. O autuante explicou no TVF que não foram considerados os débitos nas contas de receita, com históricos de "Valor prorata mensalidades canceladas" ou "Valor prorata faturas canceladas" por falta de apresentação de documentação comprobatória. (...) b. Também reclamam que as Variações das Provisões Técnicas devem ser excluídas da base tributável, já que tais variações são permitidas pelas Normas da ANS e não representam entrada ou saída de dinheiro ou Receita, sendo Fl. 11440DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.425 33 constituídas com base numa fórmula matemática atuarial de acordo com as normas sobre o valor das mensalidade ou dos gastos assistenciais que são debitadas em conta própria do grupo 4 Variação da Provisão Técnica (Despesa) e Creditada no Passivo como Provisão para Eventos Ocorridos e Não avisados; afirma que, quando a constituição desta provisão é menor do que a Provisão anterior, temse o crédito lançado na conta do grupo 3. (Neste caso o valor apropriado erroneamente pelo auto de infração e que deverá ser excluído é de R$141.446,09, conforme conta contábil 3121999001): i. também neste caso, tais exclusões impactariam no lucro e base de cálculo da CSLL, contudo, sendo o lançamento por arbitramento, tal exclusão é incabível na sistemática; ii. O registro das provisões técnicas no passivo (balanço patrimonial) representa o cálculo dos riscos esperados inerentes às operações de assistência à saúde, regulamentados pela Resolução Normativa – RN, nº 209, de 22 de dezembro de 2009, da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS; iii. No Anexo III, págs. 9.358/9.390, foram consideradas pela fiscalização, na Receita Bruta, valores a crédito da conta 3121999001 – Outras provisões (Históricos: Crédito Cobrança n/mês, Crédito rendimento multiconta n/mês, crédito desbloqueio judicial), págs. 9.368/9.370; iv. Os históricos evidenciam que os valores considerados pela fiscalização tratamse de recebimentos de cobranças e de rendimentos de aplicações, ao contrário do argumento do litigante; v. Por isso, não se vislumbra motivo para excluílos da receita bruta, já que recebimentos de cobranças integram as receitas e os rendimentos de aplicações financeiras deveriam ser somados ao lucro. c. Reclamam que as Receitas Financeiras, por se tratarem de Receitas não Operacionais e a Impugnante ser sujeita ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, devem ser igualmente excluídas da base tributável do IRPJ e da CSLL (art. 30 da Lei n.° 9.718/98) – i. O RIR de 1999, determina que: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro nas operações de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, (...) quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e parágrafos, acrescidos de vinte por cento. ii. Às págs. 9.358/9.390, Anexo III, estão listados os valores computados na apuração da Receita Bruta, onde estão incluídos Juros s/Cobranças, Aplicação Fl. 11441DF CARF MF 34 renda Fixa CDB DI, ou seja, valores de receitas financeiras, que o art. 373 determina serem incluídos no lucro operacional; iii. Tais valores não devem compor a Receita Bruta, sobre a qual se aplicam os coeficientes de arbitramento do lucro real e da Base de Cálculo da CSLL; iv. Eis que quando conhecida a receita bruta, a base de cálculo do lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: 1. o valor resultante da aplicação de percentuais variáveis, conforme o tipo de atividade operacional exercida pela pessoa jurídica, sobre a receita bruta auferida nos respectivos trimestres; 2. ao resultado obtido na forma do item 1 deverão ser acrescidos os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras (renda fixa e variável), as variações monetárias ativas, as demais receitas e todos os resultados positivos obtidos pela pessoa jurídica, inclusive os juros recebidos como remuneração do capital próprio, os descontos financeiros obtidos, os juros ativos não decorrentes de aplicações e os demais resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas no item anterior. v. O procedimento correto da autuação era: apurar a receita bruta; aplicar os percentuais de arbitramento; ao lucro apurado, somar as receitas financeiras; vi. O autuante aplicou os percentuais de arbitramento sobre a receita bruta, o que é correto; e sobre as receitas financeiras, que deveriam ter sido consideradas na íntegra; conseqüentemente, só considerou uma fração das mesmas... vii. Não se vislumbra motivo para excluir a fração das receitas financeiras que foi considerada pela autuação. 250. Diz que tendo a contabilidade considerada imprestável, foi utilizado como base de cálculo para a apuração de todos os tributos lançados pela sistemática do lucro arbitrado, o total das receitas auferidas, o que afronta o princípio da verdade material e o art. 3º, §9°A da Lei n.° 9.718, de 1998; que se fundamentou o coeficiente e as alíquotas utilizadas no lançamento por arbitramento, no art. 532 do RIR, de 1999, mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 do RIR/99 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento, sobre a receita bruta conhecida; ou seja: a fundamentação do arbitramento é pela imprestabilidade da contabilidade para a determinação do lucro real, enquanto que a fundamentação de sua forma de cálculo é em dispositivo aplicável a quando se conhece a receita bruta que foi extraída, no caso, dessa mesma contabilidade imprestável! a. Repitase explicação já apresentada neste voto: A fiscalização obteve os dados das informações contábeis transmitidas ao SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (pág. 9.246), ou seja, a Receita Bruta conhecida foi obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada e tais valores foram acrescidos de receitas não declaradas, conforme relatado no TVF e analisado adiante neste voto, no item referente a erros de apuração da Receita Bruta reclamados pelo litigante. b. Não estando custos e despesas apoiados por documentação hábil, restou o arbitramento para apurar o lucro real e a base de cálculo da CSLL. c. O fato de o contribuinte ter informado a Receita Bruta considerada na autuação na DIPJ, não significa que o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que ofereceu à Fl. 11442DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.426 35 tributação sejam os devidos, uma vez que a a autuação apurou valor maiores que os declarados. d. Tampouco significa que as receitas tenham sido duplamente tributadas, uma vez que, após apuração do IRPJ e das contribuições, foram subtraídos das exigências os valores que o contribuinte pagou/confessou como dívida. 2.5.5 Receita Bruta. Operadora de Planos de Saúde. 251. Dizem que o conceito de Receita Bruta para as operadoras de planos de saúde é específico, já que a atividade compreende tão somente a intermediação de serviços médicohospitalares, o que vem sendo reconhecida nos tribunais e pelos entes tributantes e cita a Municipalidade de São Paulo, onde desde 07/2013 vigora a IN SF/SUREM 1, regulamentando a emissão e entrega da DPS Declaração do Plano de Saúde, permitindolhes uma diminuição no recolhimento do ISSQN, mediante a exclusão, da base de cálculo, dos repasses aos prestadores de serviço na área de saúde, desde que declarados; diz que outros municípios seguiram o exemplo; cita julgados do STF. 252. Ocorre no presente caso que se caracterizou um grupo empresarial em que a Itálica Saúde Ltda recebia valores referentes a plano de saúde, valores estes cobrados/recebidos em contas bancárias e utilizados em pagamentos, por outra empresa, a Italtac; esta, por sua vez, efetuava os pagamentos das despesas da Itálica Saúde Ltda e de clínicas e hospitais, que simulava serem empresas contratadas, mas que, na realidade, eram ramificações operacionais da Itálica Saúde Ltda, e ainda de empresa titular dos imóveis do grupo e outras que atuavam como prestadoras de serviços, porém com interpostas pessoas, simulando empresas independentes – dessa forma, a legislação aplicável às operadoras de planos de saúde não se aplica, porque, além de não se ter caracterizado como tal a forma de operação do grupo, não foram apresentados os documentos contábeis requeridos. 253. Cabe destacar que, no julgamento do processo nº 13896.721377/201503, relativo a autos de infração lavrados na empresa Italtac – Tecnologia na Área de Cobrança Ltda, esta justificou parte dos créditos/depósitos que recebeu em contas bancárias de sua titularidade, como receitas do Hospital e Maternidade Jardins Ltda recebidas de terceiros e não da Itálica; também alegou recebimentos de receitas em nome das demais hospitais: Ital, Somel, embora não tenha comprovado a alegação; e os valores que a Italtac recebeu, provenientes de cobranças de clientes da Itálica, não foram por ela declarados, nem sofreram lançamento de ofício no seu nome, sendo exigidos na presente autuação. 254. Citemse trechos do Termo de Verificação Fiscal, págs. 9.271/9.274: 9. HOSPITAIS Analisando a escrituração digital da Itálica Saúde de 2010 e 2011, foi verificada a existência, dentro do grupo de contas 1261196 Adiantamentos, contas de adiantamentos específicas para algumas empresas, cujo movimento anual está resumido nos quadros abaixo: (...) Os adiantamentos para os hospitais São Carlos (Ital), Santo Expedito (Somel/Biovida) e Jardins eram feitos diariamente, no valor necessário para cobrir as despesas diárias. Mensalmente, cada hospital emitia uma Nota Fiscal de valor igual aos adiantamentos feitos naquele mês. A fiscalizada (SOMEL) foi Fl. 11443DF CARF MF 36 intimada a apresentar a descrição dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, com a indicação do nome do paciente atendido e a especificação do atendimento médico prestado, mas não houve resposta. Os três hospitais também foram intimados a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica e as Notas Fiscais relativas aos serviços prestados a esta, acompanhadas da relação detalhada dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal. Os hospitais foram intimados ainda a apresentar os Livros "Diário" e "Razão" de 2010. Apenas a Somel respondeu, mas o fez de forma inadequada: apresentou os livros contábeis em arquivo "pdf" e não em formato aceito pela RFB. Quanto à relação dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, apresentou os "resumos de serviços prestados", onde constava apenas o número de atendimentos ambulatoriais e de internações. Reintimado a apresentar a documentação, não respondeu. (...) Os Hospitais da Rede Aberta acima, assim como os fornecedores de serviços: Italtac Tecnologia na Área de Cobrança Ltda., Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda., Aweti Com. Serv. e Treinamento, Consultec Consultoria em Saúde Ltda., recebem adiantamentos durante o mês e no final do mês é feito encontro de conta e emitido Nota Fiscal de serviços no valor total dos adiantamentos feita, em desacordo com art. 21 da Lei n°. 9656, de 02/06/98. " (...) Notese que, conforme mostra a contabilidade, a partir do final de 2011, além dos três hospitais e das demais empresas ligadas já citadas neste Termo, recebeu adiantamentos da Itálica ao Hospital Santos Dumont, à Rua Natal., 61 em Santo André/SP. (...) 10. EMPRESAS LIGADAS Além da ITALTAC e dos hospitais, estavam ligadas à Itálica Saúde as empresas RENTALCAP, MARJULL, CONSULTEC e AWETI(ATUAL EFRA), que mantinham contratos formais com a operadora referentes aos seguintes objetos: Rentalcap aluguel de móveis e equipamentos Mar Jull aluguéis de imóveis Consultec serviços de consultoria Aweti serviços de informática A tabela abaixo mostra a receita de cada empresa do grupo (conforme as informações declaradas em DIPJ) e o valor recebido da Itálica no ano de 2010: (¹) (...) Verificase, portanto, que a receita obtida junto à Itálica representa, de acordo com as informações declaradas em DIPJ, a única receita das empresas associadas na maior parte dos casos. Apenas a Somel e o Hospital Jardins declararam receitas obtidas de outras fontes (23% e 5% respectivamente). No caso da Somel, que apresentou a contabilidade, embora de forma inadequada, foi Fl. 11444DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.427 37 possível apurar que 100% da receita declarada veio da Itálica Saúde, como demonstraremos na seção "Receita Somel". Não foi comprovada a real prestação de serviços entre a Itálica e as empresas Aweti, Consultec, Rentalcap e Mar Jull. A Aweti e a Consultec não atenderam às intimações fiscais para apresentar documentação comprobatória da prestação de serviços, mas consta do depoimento de Orlando Campos em 10/01/2014 a afirmação de que recebia parte da sua remuneração por intermédio da Aweti: (...) Quanto a Rentlcap, também localizada no endereço de um escritório virtual, como a Italtac e a Consultec, possui um capital de apenas R$ 8.000,00 e não teve movimentação financeira anterior a 04/2010, não tendo, portanto capacidade financeira para adquirir os bens que teria locado para a Itálica Saúde. 11. Receita – SOMEL (...) Os lançamentos na conta 1261297 não mostram a existência de outras fontes de receita, mas apenas outras transferências de recursos provenientes da Itálica (lançamentos 7 e 9) e o pagamento de despesas com cooperativas de trabalho (lançamentos 1,3,5,10,14,16,19,21,23) por uma fonte externa não identificada na contabilidade. No entanto, os extratos bancários das contas da Italtac mostram que em todos os meses as despesas com cooperativas contabilizadas pela Somel foram pagas por esta empresa, com cobertura do saldo no dia do pagamento pela Itálica Saúde. Por exemplo, em 6 de abril de 2010, a conta 218219102 Fornecedores a Pagar Somel) mostra o pagamento de R$ 136.026,72 à cooperativa de trabalho, com contrapartida na conta 1213195 Bradesco ag 0138 conta 159844 Italtac: (…) O extrato bancário da referida conta confirma o pagamento de R$ 136.026,72 à cooperativa em 06/04, sendo que na mesma data há uma transferência de R$162.000,00 da conta Bradesco, agêncial381 149796, contabilizada pela Itálica Saúde como adiantamento à Somel. (...) O extrato da conta bancária Bradesco 0138/159844 (Italtac) mostra que o valor foi pago à cooperativa por meio de transferência eletrônica em 05/08. Na mesma data, a Italtac transferiu R$180.000,00 da conta Bradesco, agêncial381 149796, tendo sido o valor registrado na contabilidade da Itálica como adiantamento à Somel. Os registros contábeis das transferências na contabilidade da Itálica são mostrados abaixo: (...) Concluise, portanto, que a despeito dos artifícios contábeis utilizados para ocultar este fato, toda a receita conhecida (entendase como declarada em DIPJ e/ou contabilizada) da Somel em 2010 veio da Itálica Saúde. (...) Fl. 11445DF CARF MF 38 255. Das empresas que o autuante menciona, apenas a Somel apresentou a documentação de que foi intimada e concluiu o autuante no TVF que toda a receita que esta declarou foi proveniente da Itálica; explicou também que a Itálica pagava as despesas das empresas ligadas durante o mês e estas emitiam notas fiscais no total desses valores (contabilizados pela Itálica como adiantamentos). 256. A litigante reivindica que esses valores sejam deduzidos da receita bruta para apurar o lucro real e apurar a base de cálculo da CSLL. 257. No entanto, repasses aos hospitais e às demais empresas não são os únicos custos/despesas de uma operadora de planos de saúde. 258. O arbitramento de que a autuada foi alvo, foi em conseqüência de não ter apresentado a documentação contábil a comprovar, entre outros, custos e despesas. 259. Então, a autuada não forneceu elementos para que o autuante apurasse lucro real e não cabe acatar, no julgamento da impugnação, a dedução de valores que supostamente configurariam despesas e cancelar o arbitramento. 260. É pertinente o Parecer Cosit nº 42, de 29 de novembro de 2001: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: RECEITA BRUTA. DEFINIÇÃO. EMPRESAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para fins de determinação da base de cálculo do imposto, os valores recebidos por empresa administradora de programa de saúde, a titulo de repasse, para pagamento dos prestadores dos serviços médicohospitalares. não integram sua receita ou faturamento, sendo esta composta somente pela taxa de administração pactuada, constante da nota fiscal do serviço de administração prestado. No caso de empresa operadora de plano de saúde, que ofereça serviços médicos ou que receba dos contratantes pelos serviços médicos prestados, a receita bruta de serviços compreende os valores pactuados, constantes da nota fiscal, não importando a denominação das parcelas que compõem o preço dos serviços contratados. Dispositivos Legais: Lei n° 9.718/1998, art. 3º; Lei nº 9.430/1996, art. 48, § 5º; Decreto n° 3.000/1999, art. 279; IN SRF n* 2/1997, art. 12. 261. Em resumo, a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie, dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabendo a argumentação de que se trata de administradora de programa de saúde e sua base de cálculo do IRPJ seria a diferença entre sua Receita Bruta e os valores repassados a terceiras empresas prestadoras de serviços. 2.6 PIS/COFINS. Inconstitucionalidades das modificações de base de cálculo pela Lei 9.718/98 Fl. 11446DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.428 39 262. Pugnam pela ilegalidade da base de cálculo utilizada para cálculo do PIS e da Cofins, haja vista a inobservância do disposto nos §§9°, 9°A e 9°B do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, que determinam que as despesas e repasses ocorridos no período devem ser deduzidos: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) 263. A pessoa jurídica cuja apuração é pelo lucro presumido ou arbitrado, permanece recolhendo os percentuais de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins, sobre a receita bruta, conforme art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 10 da Lei 10.833, de 2003. 264. Assim, a autuada é tributada no PIS e Cofins, no regime cumulativo; porém advoga a dedução, da base de cálculo, as "coresponsabilidades cedidas" entre operadoras e hospitais no atendimento aos pacientes, e "constituições de provisões técnicas", que nada mais são que fundos de reserva para o pagamento dos prestadores de serviço filiados aos convênios, e as "indenizações de eventos ocorridos", conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. 265. Os dispositivos legais invocados pelos contribuintes se aplicam às empresas que atuam como intermediadoras, não representando receita própria; concluiu a fiscalização, entretanto, o que se confirma neste voto, que a autuada funcionou Fl. 11447DF CARF MF 40 como grupo empresarial, sendo operadora de planos de saúde e a própria prestadora dos serviços, não cabendo a aplicação dos dispositivos invocados. 266. Além de que, não apresentou a documentação contábil pertinente, mesmo intimada. 2.7 MULTA AGRAVADA. 274. Os impugnantes consideram o agravamento da multa de ofício em 50%, inaplicável, argumentando que a autuada não teve oportunidade de atender a fiscalização, pois as intimações foram dirigidas à(aos) Diretora(es) Fiscal(is) nomeada(os) pela ANS e estes nenhum esforço fizeram para atendêlas, e a autuada estava afastada do controle de suas atividades. 275. Neste mesmo voto, no item “Não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal”, relatouse que as intimações e datas de intervenção pela ANS na autuada evidenciaram que, desde 19/03/2013 até a data em que foi decretada a liquidação extrajudicial e nomeado liquidante, em 10/09/2013, ou seja, durante meio ano, a empresa e seus sócios receberam intimações para apresentar documentação e livros e não os entregaram. 276. Como se evidencia, durante o meio ano antes da intervenção, a litigante não entregou a documentação solicitada, sendo que neste meio ano a Direção Fiscal não tinha poderes de gestão, conforme legislação transcrita. 277. Somente a partir da intervenção o liquidante nomeado pela ANS passou representar a autuada e ao receber a intimação, e informou que não tinha acesso aos mesmos, págs. 140/144, em 16/04/2014: 278. E a liquidante nomeada Edna Maria Tonolli, encaminhou em 11/09/2013, correspondências a dr. Carlos Martin Lora Garcia, a Guilhermina Ester Baya, a Sofia Cristiane Baya Schatzer e a Orlando Marcio de Melo Campos Junior (procurador), recebidas por estes, requerendo entre outros “a indicação do acervo documental da exoperadora (livros contábeis, fiscais, trabalhistas, etc.)”e alertando sobre a obrigatoriedade da prestação dessas informações. 279. Também em 12/11/2014, o liquidante nomeado José Varlos Maran, respondeu: “até a presente data, ainda não conseguimos contatar os exadministradores da então ITÁLICA SAÚDE LTDA, (...) 2. Sem este contato, que foi objeto de Comunicação ao Ministério Público Federal, conforme Ofício LE n° 861/2013, de 18/09/2013, desconhecemos o paradeiro dos documentos fisco contábeis da exoperadora, (...) 280. Confirmada, portanto a falta de entrega de documentação requerida pela autoridade fiscal, pela autuada e seus representantes e não por culpa da Direção Fiscal nomeada pela ANS, o que justifica a aplicação do agravamento da multa de ofício. 2.8 MULTA QUALIFICADA. 281. Os litigantes desafiam a provar a existência de intenção dolosa e de sonegação, sem o que descabe a multa de ofício qualificada. 282. Na verdade, há abundantes elementos nos autos a confirmar a justeza de se aplicar a multa qualificada. Fl. 11448DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.429 41 283. A leitura do TVF, págs. 9.330/9.332, é esclarecedora: “DA OCORRÊNCIA DE CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL, FALSIDADE IDEOLÓGICA, FRAUDE E CONLUIO Até a data do início da direção fiscal da ANS junto à Itálica Saúde, em 06/09/2011, o valor declarado em DCTF, pela fiscalizada, como devido em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS não cumulativo do ano de 2010 foi de R$ 332.277,54. Considerando que a receita bruta obtida no ano de 2010 foi de R$ 88.629.461,92, o percentual do imposto declarado até então foi de apenas 0,37% da receita bruta. Por outro lado, os desvios efetuados por meio de contas não contabilizadas, para planos de VGBL, para a Mar Jull, retiradas em espécie, dentre outras formas, como descrito anteriormente neste Termo de Verificação, chegaram a cerca de R$21.000.00,00 durante o mesmo ano, ou seja, 24% das receitas obtidas pela Itálica. Para ocultar das autoridades fazendárias a ocorrência dos fatos gerador dos tributos lançados nos presentes autos de infração, o sujeito passivo utilizouse de um esquema engenhoso, que incluía a movimentação financeira de todos os seus recursos em contas da Italtac e a simulação de despesas fictícias geradas pelas empresas ligadas (serviços de cobrança pela Italtac, aluguel de imóveis pela Mar Jull, aluguel de equipamentos pela Rentalcap, serviços de consultoria pela Consultec, serviços de informática pela Aweti), bem como o pagamento das despesas integrais dos hospitais (Jardins, São Carlos e Santo Expedito). A movimentação financeira em contas de terceiros e a elaboração de contabilidade, transmitida pelo SPED, sem o respeito aos princípios contábeis de competência e entidade, dentre outras irregularidades graves, conforme os fatos descritos anteriormente, demonstram a intenção clara do contribuinte em retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados ao IRPJ/CSLL/COFINS/PIS e caracterizam, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, cujo teor transcrevese na sequência. (...) Todos os fatos descritos na seção II¹ deste Relatório fiscal evidenciam a ocorrência de fraude, conforme o artigo 72 da Lei 4.502/64: (...) O artigo 73 da Lei 4.502/64 define o crime de conluio: (...) O funcionamento de esquema descrito minuciosamente neste Termo de Verificação Fiscal foi colocado em prática com a colaboração de todas as seguintes pessoas físicas e jurídicas, configurando crime de conluio: ITÁLICA SAÚDE LTDA, HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA, ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA, BIOVIDA SAÚDE LTDA, SANTO ANDRÉ SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA, ITALTAC TECNOLOGIA NA AREA DE COBRANÇAS LTDA EPP, MAR JULL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, CONTABILIDADE E AUDITORIA, RENTALCAP LOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA. ME, CONSULTEC CONSULTORIA EM SAÚDE LTDA, CROSSVILLE OVERSEAS GROUP INC e R&D EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CARLOS MARTIN LORA GARCIA, ORLANDO MÁRCIO DE MELO CAMPOS JR, ROSELI APARECIDA DE BRITO, GUILHERMINA ESTER BAYA e SOFIA CRISTIANE BAYA SCHAETZER. A utilização de pessoas interpostas (Guilhermina Ester Baya e Sofia Cristiane Baya Schaetzer; Roseli Aparecida de Brito e Romilda Ardilia de Brito) para figurar como sócias no contrato social, com o fim de ocultar a verdadeira identidade do responsável pela Fl. 11449DF CARF MF 42 Itálica Saúde e pela Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda (Carlos Martin Lora Garcia), conforme descrito neste Termo de Verificação, configura crime de falsidade ideológica, conforme o artigo 299 do Código Penal (Decreto Lei No 2.848, de 7 de Dezembro de 1940): (...) Também se enquadram no mesmo crime as pessoas que informaram ser adquirentes de imóveis nos registros das operações simuladas de compra e venda de imóveis (José Carlos dos Santos, Ana Maria Noronha Gruber Franchini e Bruno Sergio Damasceno), como foi descrito anteriormente.” 284. A Seção II do TVF, págs. 9.238/9.325, descreve, entre outros, os contratos sociais, com sócios interpostos, objetos sociais não condizentes com a realidade, notas fiscais em valores correspondentes às despesas dos prestadores pagas pela Italtac, simulando valor de serviços, contratos de aluguel simulados. 285. De fato, tratamse de fatos que justificam a qualificação da multa, de fato e não “em tese”. 286. Verificase que a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 287. As conclusões deste voto são de que houve sonegação, fraude e conluio. 288. Correto o lançamento da multa qualificada de 150%. 2.9 MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA. CONFISCO. 289. Os litigantes acusam de confiscatório o percentual de 225% resultante das multas qualificada e do agravamento e invocam os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. 290. Com descrito, constam dos autos elementos que justificam ambas as exações e a a DRJ, autoridade administrativa julgadora, está obrigada à observância da legislação que rege a tributação e os procedimentos de lançamento fiscal, conforme o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, parágrafo único, e Portaria do Ministério da Fazenda MF nº 58 de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ, art. 7º: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. 291. A Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, determina: Art. 116. São deveres do servidor: (...) III observar as normas legais e regulamentares; Fl. 11450DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.430 43 292. As decisões e ações dos componentes da estrutura administrativatributária estão sujeitas à obediência da legislação e normas legais e administrativas; não há poder discricionário; o presente lançamento de ofício obedeceu à legislação de regência e que consta da base legal da autuação, portanto, se a possibilidade de reduzir o percentual de multa qualificada e de agravamento, não têm previsão legal, não há como atender o pleito do contribuinte. 293. E no que tange a acusações de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Recursos voluntários dos responsáveis: o alcance dos artigos 124, I, e 135, III, do CTN Antes de passar à análise das impugnações apresentadas pelos imputados responsáveis, convém tecer considerações preliminares sobre o alcance da solidariedade e da responsabilidade tributária previstas no Código Tributário Nacional. Inserido no Título III ("Da obrigação tributária") temos o Capítulo IV, dedicado ao "Sujeito Passivo". Este capítulo tem início com o artigo 121 do CTN, o qual define o sujeito passivo da obrigação principal como pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e, em seu parágrafo único, esclarece que existem dois tipos de sujeito passivo: Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifamos) Como assenta a doutrina, "Qualquer pessoa colocada por lei na qualidade de devedora da prestação tributária, será sujeito passivo, pouco importando o nome que lhe seja atribuído ou a sua situação de contribuinte ou responsável" (Bernardo Ribeiro de Moraes, in "Compêndio de Direito Tributário", 2º Volume, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2002, pág. 279). Assim, o contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN). Já no caso do responsável tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto), não necessariamente há tal liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN). Fl. 11451DF CARF MF 44 Ainda no Capítulo IV, portanto tratando do sujeito passivo (que como vimos pode ser contribuinte ou responsável) temos a previsão constante do artigo 124, I, que prevê como solidariamente obrigadas “as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” e o artigo 124, II, estabelecendo solidariedade entre "as pessoas expressamente designadas por lei". Mais adiante, o Capítulo V vai tratar especificamente da "Responsabilidade Tributária", iniciando com a previsão do artigo 128: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Seguemse então disposições legais específicas tratando da Responsabilidade de Sucessores (Seção II) e da Responsabilidade de Terceiros (Seção III), estando o artigo 135 nesta última. Pois bem. Quanto ao artigo 124, I, tratase de solidariedade que pode atingir seja o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) seja o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Existe um certo consenso de que o “interesse comum” referido no dispositivo deve ser jurídico e não meramente econômico. O alcance de tal interesse jurídico é que causa maiores discussões. É amplamente aceito que o artigo 124, I, do CTN se aplica a situações em que as pessoas compõem o mesmo pólo da relação jurídica. Assim, Sacha Calmon Navarro Coelho observa: “... o inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso de dois irmãos que são coproprietários pro indiviso de um trato de terra. Todos são, naturalmente, codevedores solidários do imposto territorial rural (ITR).” (“Curso de Direito Tributário Brasileiro”. 5 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 594). No mesmo sentido, Paulo de Barros Carvalho: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." ("Curso de Direito Tributário", 8ª ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 220). Nesse passo, o STJ tem decidido que tal interesse comum pode ocorrer "no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador" (AgRg no Ag 1.288.247∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 03∕11∕2010; AgRg no Ag 1.055.860∕RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 26∕03∕2009; REsp 884.845∕SC, Rel. Ministro Fl. 11452DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.431 45 Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 05∕02∕2009, DJe 18∕02∕2009, REsp 1.001.450∕RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 27.3.2008). Também se reconhece que o mero fato de pessoas integrarem o mesmo grupo econômico não é suficiente para a responsabilização solidária "1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, EREsp 834.044∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8.9.2010, DJe 29.9.2010.) É que integrar o grupo pode significar interesse (econômico) meramente indireto na realização do fato gerador (ou seja, interesse na participação nos respectivos resultados), mas não necessariamente interesse direto ou realização conjunta de tal situação. Assim, para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Esta participação comum na realização da hipótese de incidência ocorre seja de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, seja indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Nesses termos, Kiyoshi Harada, fazendo referência a trecho de obra de Carlos Jorge Sampaio Costa: "Ensina Carlos Jorge Sampaio Costa: ... a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e∕ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência. Por exemplo, a afixação de cartazes de propaganda de empresa distribuidora de derivados de petróleo em postos de gasolina é, geralmente, um fato gerador de taxa municipal cuja ocorrência interessa não somente à empresa distribuidora, beneficiária direta da propaganda, como também ao posto de gasolina, que é solidário com aquela no pagamento da taxa. (...) Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. (...) (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, Revista de Direito Tributário, Ano II, nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304)" (Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador, Disponível em http://www.investidura.com.br/ufsc/109 direitotributario/3454responsabilidadetributariasolidariaporinteressecomum nasituacaoqueconstituaofatogerador.html, acesso em 20.10.2016) Por sua vez, o artigo 135, III, do CTN, responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes Fl. 11453DF CARF MF 46 ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assim, tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Visto isso, passamos a analisar os recursos voluntários apresentados pelas pessoas (físicas e jurídicas) apontadas como responsáveis pelos tributos ora lançados. Recurso Voluntário de Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. O acórdão recorrido entendeu que ser aplicável a responsabilização da Mar Jull com base no art. 124, I do CTN, na medida em que a empresa teve participação nos fatos geradores da autuação, tendo participado das operações do grupo econômico de fato, informal, sendo, observando, ainda: "A Mar Jull, sucedida pela R&D cedia seus imóveis para uso da Itálica e outras empresas do grupo como os hospitais Jardins e Santo Expedito, graciosamente, numa verdadeira confusão patrimonial; suas despesas eram pagas pela Italtac, com recursos de receitas da Itálica; iniciado o processo de acompanhamento pela ANS, os imóveis que compunham a Mar Jull, foram “vendidos” a terceiros e o “comprador pela R&D, os adquiriu deste terceiros, todos na mesma data de 01/2013, conforme já relatado neste voto as aquisições foram pelos mesmos valores da venda (num caso, a valor menor), numa nítida operação de sucessão do patrimônio." Em seu recurso, a empresa nega tal participação, afirmando que o único vínculo que a empresa mantinha com a Itálica Saúde era o de locação de alguns de seus imóveis, conforme contratos de locação juntados aos autos. Apesar de alegar que cobrava pelos alugueis, todavia, não traz qualquer prova neste sentido, e também não traz qualquer argumento capaz de fazer com que, da análise dos indícios apontados pelo TVF, se chegue a uma conclusão diversa da extraída pela autoridade autuante, de que "As evidências relacionadas apontam para a ocorrência de simulação nos contratos de aluguel apresentados pela Mar Jull, que não apresentou nenhuma evidência datada da época dos fatos geradores, como a contabilidade registrada, que pudesse comprovar suas alegações." Dentre os indícios apontados pelo TVF estão: (i) os aluguéis devidos pela Itálica Saúde nunca teriam sido pagos, do início do contrato em 2004 até 2010 (coincidentemente o ano fiscalizado); (ii) a Mar Jull não apresentou a contabilidade ou extratos bancários, mas uma planilha que demonstraria os valores devidos e pagos; (iii) os valores que teriam sido recebidos da Itálica Saúde pela Mar Jull não estão registrados na contabilidade da Itálica, transmitida pelo SPED nas épocas próprias, na conta 463119101 – Aluguel; (iv) os valores atrasados também não constam da contabilidade da Itálica Saúde; (v) não foram localizados nos extratos bancários das contas da Italtac os valores que teriam sido pagos pela Itálica à Mar Jull; (vi) não coincidem os valores informados pela Mar Jull com os valores pagos em 2010 registrados na contabilidade da Itálica Saúde; (vii) a contabilidade da Itálica Saúde registrou alguns pagamentos a partir de setembro de 2011 relacionados aos aluguéis reivindicados pela Mar Jull, sendo que o histórico dos lançamentos deixa claro que o ambulatório é usado pelo Hospital Jardins e não pela Itálica Saúde. A Mar Jull alega que o fato de possuir como endereço registrado oficialmente o de um dos imóveis locados ao Hospital e Maternidade Jardins também não seria indício de confusão patrimonial entre as empresas, limitandose a contraargumentar que sua atividade independe de espaço físico para ser executada diretamente por seus sócios. Fl. 11454DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.432 47 Também contesta genericamente a afirmação de que a Italtac (empresa que, segundo o TVF, concentrava as movimentações bancárias da Itálica Saúde e com ela se confunde patrimonialmente) custeava suas despesas, sem invalidar especificamente os fatos trazidos no TVF que levaram a tal conclusão. Tais alegações meramente repetem o quanto já argumentado na impugnação, sem que tenha sido trazido qualquer fato ou argumento novo capaz de invalidar as conclusões do acórdão da DRJ. Diante disso, não vejo razões para reforma da decisão recorrida. Cumpre destacar que não se trata de lançamento com base em presunção, mas em fatos que caracterizam a confusão patrimonial entre as empresas, capaz de revelar o interesse comum objeto do artigo 124, I, do CTN, conforme se discorreu em tópico próprio acima. Recurso Voluntário de Roseli Aparecida de Brito e de Orlando Marcio de Melo Campos Junior A decisão recorrida considera que, conforme descrito no TVF, Roseli e Orlando praticaram atos de gestão, tais como: Roseli Roseli figura como sócia da Italtac e praticou atos de gestão como: a. Pág. 9.250: A Italtac emite os cheques e/ou TEDs para realizar os pagamentos e conforme reza em contrato tem que ser assinados pela sóciaproprietária da Italtac, Sra. Rosely Aparecida de Brito, e pela Itálica, atualmente é o gestor de atendimento financeiro, Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Júnior. b. Pág. 9.250, Diretora Fiscal ANS Edna Tonolli: (...) Todos os atos de gestão realizados pela Itálica são assinados pela sócia quotista Italtac, Sra. Rosely e pelo Sr. Orlando funcionário da Itálica, porém a decisão final é do Dr. Carlos Lora. c. Págs. 9.255: De acordo com o Contrato Social da Italtac, cujo capital social em 2010/2011 era de R$7.000,00, as sócias da empresa são Roseli Aparecida de Brito (99% do capital desde 20/12/2006) e sua mãe, Romilda Ardilia de Brito (1% do capital desde 29/06/2009). A primeira, Roseli Aparecida de Brito, conforme as informações registradas nos sistemas CNIS e GFIPWEB, trabalhou para a Itálica Saúde Ltda até 12/2007, ou seja, quando já era sócia da Italtac, por meio da cooperativa Ettica Coop. Serv. de Apoio Adm. Operacional (CNPJ 08.194.377/000130), tendo como último saláriodecontribuição R$ 1.085,10 em 12/2007 e com CBO Código Brasileiro de Ocupações 4110 (auxiliares administrativos). A segunda, Romilda Ardilia de Brito, nascida em 01/11/1942, de acordo com a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de 2007, referente a 2006, não teve nenhum rendimento durante o exercício, mas tornouse sócia da Rentalcap Locação de Bens Moveis Ltda, com participação societária de R$7.200,00 a integralizar, o que teria acontecido no ano seguinte, com a utilização de valores de remuneração recebidos da própria Rentalcap. Romilda Brito não declarou a participação societária na Italtac nas DIRPF. Fl. 11455DF CARF MF 48 d. Págs. 9.262: O credito de R$226.000,00 na conta 159844 do Bradesco, Agencia 1381, foi contabilizado pela Itálica como adiantamento para a Italtac, mas a documentação de suporte ao lançamento no extrato bancário, assinada por Roseli Brito e Orlando Campos, mostra outro histórico, ou seja, "transferência para cobertura de saldo SOMEL". e. Págs. 9.268: Os cheques para pagamentos a fornecedores da Itálica Saúde eram assinados conjuntamente por Roseli Aparecida de Brito, pela Italtac e por Orlando Campos Jr, pela Itálica. A assinatura de Roseli Aparecida de Brito aparece na procuração conferida a Carlos Lora em 20/05/2010 para administração da Italtac, registrada no Livro 22, pg 154, do Cartório de Pedro de Toledo, e subscrita pelo Oficial Designado Cecílio Fernandes Sant'Anna. f. Págs. 9.270: Reproduzo abaixo a imagem de alguns cheques assinados pela sócia Roseli e pelo procurador Orlando, como exemplo: (...) Orlando sócio da EFRA: a. Pág. 9.250: Tanto Orlando Márcio de Melo Campos Júnior quanto Carlos Martin Lora Garcia receberam poderes de administração da sociedade conferidos pelas sócias por meio de procurações. Foram lavradas diversas procurações conferindo amplos poderes de administração da Itálica a Orlando Campos, agindo isoladamente, todas com prazo de validade de um ano. (...) Voltou a trabalhar na Itálica Saúde de março/2009 a janeiro/2013, sendo que até outubro/2009 não tinha uma função definida e, a partir daí, como Diretor Financeiro. b. Pág. 9.250, Diretora Fiscal ANS Edna Tonolli: Os gestores de fato da Operadora Itálica são: Dr. Carlos Martin Lora Gardia e o Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Júnior, por força de procuração com plenos poderes. A procuração do Dr. Carlos inclui também o poder de venda da Operadora. Todos os atos de gestão realizados pela Itálica são assinados pela sócia quotista Italtac, Sra. Rosely e pelo Sr. Orlando funcionário da Itálica, porém a decisão final é do Dr. Carlos Lora. c. Págs. 9.262: O credito de R$226.000,00 na conta 159844 do Bradesco, Agencia 1381, foi contabilizado pela Itálica como adiantamento para a Italtac, mas a documentação de suporte ao lançamento no extrato bancário, assinada por Roseli Brito e Orlando Campos, mostra outro histórico, ou seja, "transferência para cobertura de saldo SOMEL". d. Págs. 9.268: Os cheques para pagamentos a fornecedores da Itálica Saúde eram assinados conjuntamente por Roseli Aparecida de Brito, pela Italtac e por Orlando Campos Jr, pela Itálica. e. Págs. 9.270: Reproduzo abaixo a imagem de alguns cheques assinados pela sócia Roseli e pelo procurador Orlando , como exemplo: (...) f. Pág. 9.249, Diretora Fiscal ANS Edna Tonolli: Fui recebida e empossada pelo Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Júnior, responsável Administrativo Financeiro e Contábil do Plano de Saúde. Conforme Procuração outorgada pelas sócias da Itálica, Guilhermina Ester Baya e Cristiane Baya Schaetzer, ele tem poderes representálas na ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, conforme fl 05. Fl. 11456DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.433 49 No recurso, Roseli e Orlando reiteram que a Italica Saude era mera cliente de tais empresas, "não exercendo qualquer papel de gestão umas às outras", afirmando ainda que não exerciam qualquer poder de gerência na Italica Saúde. Não obstante tal afirmação, não é trazido qualquer fato ou argumento capaz de desqualificar os atos acima transcritos, ou seja, não se explica o que seriam tais atos ou porque não se trataria de atos de gestão. Uma vez que não foram invalidados os argumentos que levam à conclusão de que Orlando e Roseli participaram ativamente da gestão das empresas consideradas em confusão patrimonial e, uma vez confirmada sonegação, fraude e conluio, caracterizase a sua responsabilização tributária. Mantenho, portanto, a decisão recorrida nesse ponto. Recurso Voluntário de Carlos Martin Lora Garcia e de Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME O TVF relata e apresenta documentos de que Carlos era a pessoa que comandava não somente a Itálica Saúde, mas todas as empresas apontadas como em confusão patrimonial, tendo recebido procurações por prazo indeterminado, e que permitiam agir isoladamente, conferindolhe, além de amplos poderes de administração, poderes especiais para transferência de cotas sociais. Especificamente, a decisão recorrida aponta os seguintes fatos: a. Págs. 9.304: 18. REAL BENEFICIARIO CARLOS MARTIN LORA GARCIA (...) b. Págs. 9.246/9.249: As sócias da Itálica, Guilhermina Éster Baya (995) e Sofia Cristiane Baya Schetzer (1%) são duas pessoas que não apresentam situação econômica compatível, conforme suas DIRPF apresntadas, registros CNIS, padrão das suas residências; e testemunhas relataram que não compareciam à empresa; c. Págs. 248/255, 284/294, 9.251, 9.301/9.302: estas sócias da Itálica forneceram procurações para Carlos Martin Lora Garcia, com o seguinte teor, em 25/05/2010 (revogadas em 18/03/2013): "os mais amplos, gerais e ilimitados poderes de ADMINISTRAÇÃO junto à ITÁLICA SAÚDE LIMITADA, (...) representála perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, podendo alterar o contrato social da referida empresa, transferir suas cotas, em parte ou na totalidade; e, transferir a quem de direito, pelas condições que lhe convier; receber, passar recibos e dar quitação; concordar com cláusulas e suas alterações" d. Às págs. 9.301/9.302: pessoas sócias ou representantes das demais empresas apontadas, outorgaram procurações a Carlos Martin Lora Garcia; enquanto que as procurações para Orlando Márcio de Melo Campos Junior, continham restrições, págs. 281/283; e. Págs. 263/280, procurações de sócios de empresas do grupo, concedendo procurações a Carlos Martin Lora Garcia em 2010, vigorando até 03/2013, e nos mesmos moldes; f. Págs. 9.249/9.254: no relatório da Diretora Fiscal, que, como já relatado, não possuía poder de gestão, mas acompanhava e orientava para a elaboração de plano de reestruturação da Fl. 11457DF CARF MF 50 empresa, esta relata sobre a atuação e o poder de decisão de Carlos Martin Lora Garcia na Itálica; publicações reproduzidas no TVF citamno como “presidente da Itálica” g. Págs. 9.254/9.279, 9.294/9.299: a Italtac, cujas sócias igualmente não demonstravam situação compatível com o cargo, recebia as receitas da Itálica, em contas correntes de titularidade da Italtac e efetuava os pagamentos das despesas das empresas (Somel/Sto.Expedito/Biovida Saúde, Italtac, Itálica, H. Mat. Jardins, Consultec, Rentalcap, Mar Jull, São Carlos/Ital, Aweti/Efra, Hosp Santos Dumont, Clínica Adolfo Pinheiro, CAGI...), sendo Carlos Martin Lora Garcia a pessoa que decidia sobre tais pagamentos e assinava cheques e outros documentos financeiros, individualmente; h. Págs. 9.304/9.310; documentos financeiros (cheques, autorizações de transferências) assinados somente por Carlos Martin Lora Garcia, da conta Bradesco ag. 1381, nº 161201, em nome da Italtac, que o beneficiam como pagamento de plano de previdência e retiradas de recursos em espécie (em 2010 – R$8.500.000,00 aproximadamente), e ainda outras contas: Os lançamentos nesta conta compunhamse principalmente de retiradas em espécie e de transferência de valores para planos de previdência privada (Bradesco Vida e Previdência diversos tipos de contrato). A conta 161201 movimentou em 2010 cerca de R$8.500.000,00. Os recursos movimentados nesta conta provinham principalmente da conta 1497960, agência 1381, de titularidade da Italtac. As autorizações das transferências entre estas duas contas eram assinadas por Carlos Lora, como no exemplo abaixo: Foram também identificadas várias transferências, com a autorização assinada isoladamente por Carlos Lora, feitas da conta 149796 da Italtac (mantida com recursos vindos da Itálica) para a conta 1699644, também da agência 0138 do Bradesco, de titularidade da Mar Jull Empreendimentos, como mostra o exemplo abaixo: i. Págs. 9.311/9.312: sua residência e padrão de vida são compatíveis com a posição de presidente do grupo e incompatível com suas DIRPF; Carlos Lora, embora fosse identificado publicamente como dono da Itálica Saúde, uma empresa com movimento anual de cerca de R$100.000.000,00, não tem contas bancárias, nem imóveis ou automóveis em seu nome. Declara como endereço um dos imóveis ocupados pelo Hospital Jardins (Rua Artur Azevedo, 1659). Foi intimado duas vezes neste endereço a comparecer à DRF Barueri, mas somente uma das intimações foi recebida. Ainda assim, não compareceu, nem procurou a fiscalização. (...) Apesar de informar em suas DIRPF de 2011 a 2014, como endereço pessoal, o endereço de um imóvel ocupado por uma das empresas do grupo, conforme mencionado no parágrafo anterior, foi apurado que, em compras de material de construção, feitas durante o ano de 2014, no Estado de São Paulo, forneceu outro endereço ao vendedor das mercadorias, à Rua Tomé Portes, 941, no bairro do Brooklin Paulista, em São Paulo, Suegue abaixo relação de Notas Fiscais com o endereço de Carlos Lora: (...) A imagem do imóvel, obtida pelo "Google maps" (data da imagem: maio de 2014), mostrada abaixo, corresponde a uma casa ampla, localizada em bairro nobre, junto a outras residências de alto padrão: j. À pág. 9.312, do TVF, informase: Fl. 11458DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.434 51 A única empresa em seu nome (isto é, de Carlos Martin Lora Garcia) é a Consultec, mas na DIRPF de 2011 e 2012 (ele) declarou ter obtido sua renda junto a pessoas físicas (em 2010, R$ 56.700,00). Por outro lado, tinha procurações para agir em nome de todas as empresas do grupo e era a pessoa que comandava, não somente a Itálica Saúde, mas todas elas. Em seu recurso, Carlos afirma que o fato de ser sócio administrador de empresa da consultoria ou, ainda, procurador de algumas pessoas físicas e jurídicas que detêm alguma ligação com a Itálica não é suficiente para que detivesse um poder de controle ou decisão sobre as atividades delas, alegando que isso ocorreu pelas suas credenciais e sua expertise, para dar cumprimento ao contrato de prestação de serviços de consultoria pela Consultec. Limitase porém, a alegações genéricas, sem trazer quaisquer subsídios materiais, nem mesmo a título de exemplo, capazes de trazer dúvida quanto às conclusões extraídas pelo TVF dos fatos acima expostos. O que se verifica dos fatos narrados pelo TVF não é uma situação de simples outorga de procurações ou de atuação de Carlos no âmbito de sua expertise (medicina), mas sim que Carlos era o dirigente de fato do grupo empresarial informal, que atuava em flagrante confusão patrimonial, sendo tal infração caso de responsabilização tributária conforme se discorreu em tópico próprio acima. Neste sentido, sem razão ao Recorrente quando este afirma que, nos termos do artigo 135 do CTN, caberia averiguar o que seria o ato lesivo por parte da Consultec capaz de transferir a responsabilidade tributária ao seu administrador, bem como quando sustenta que não pode ser responsabilizado com base no art. 124, I, do CTN, na medida em que não houve comprovação de que tenha praticado, em conjunto com a devedora principal, os fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Isso porque os fatos narrados pelo TVF alguns deles transcritos acima demonstram exatamente o contrário. Quanto à Consultec, a decisão recorrida aponta que esta mantinha um contrato de consultoria com a Itálica, mas não houve comprovação da real prestação de serviços, não obstante tenha sido intimada a fazêlo. Além disso, recebia pagamentos mensais e tinha suas despesas pagas pela Itálica, com recursos operados pela Italac, sob comando de Carlos Martin Lora Garcia, além de seu endereço ser o mesmo da Italtac (empresa que teve como sócia Roseli Aparecida de Brito, também sócia da Rentalcap e da Consultec). Tais fatos, além de outros indícios apontados ao longo do TVF e sobre os quais já se discorreu acima, levou a decisão recorrida a concluir que tais elementos justificam a responsabilização da Consultec com base no art. 124, I do CTN, por ter participado das decisões que conduziram à autuação. Com razão a decisão recorrida, na medida em que provada a confusão patrimonial. De fato, não há ilegalidade em se constituir uma pessoa jurídica sem estrutura física, desde que tal pessoa jurídica exista materialmente, efetivamente exerça atividades e comprove a prestação dos serviços que alega prestar, o que não ocorreu no caso em questão. Também não se pretende aqui conferir responsabilidade tributária pelo mero exercício de atividade de consultoria. A uma porque sequer foi comprovado que a Consultec prestava tal atividade, como já se observou acima. Que fique claro: a responsabilização aqui Fl. 11459DF CARF MF 52 ocorre em razão da confusão patrimonial entre as ditas pessoas jurídicas, que formavam na verdade uma só "empresa" no sentido de "atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços" (art. 966 do Código Civil). Neste sentido, não há razão para reforma do acórdão recorrido. Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos A decisão recorrida aponta que José era representante e gerente da R&D e representante da Crossville, bem como que os imóveis da Mar Jull foram “vendidos” (via intermediários, dentre eles José) e “comprados” pelo mesmo valor, confirmando a transferência do imobilizado da Mar Jull para a R&D. Aponta, ainda, que José é médico, responsável técnico do Hospital e Maternidade Jardins, tendo recebido pagamentos da Itálica com o histórico de “plantões”. José não entregou nenhuma Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física entre 2012 e 2014, e movimentou em suas contas bancárias cerca de R$350.000,00 em 2012 e menos de R$20.000,00 em 2013, conforme as Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) informadas pelos Bancos Itaú e Santander, embora tenha participado de operações de compra de quatro imóveis que pertenciam à Mar Jull em maio e junho de 2012 pelo valor total de R$2.450.000,00. Sua movimentação financeira também não reflete a venda dos mesmos imóveis à R&D Empreendimentos em janeiro de 2013, pelos mesmos preços pelos quais teriam sido comprados. Não foram localizados outros bens em seu nome. Tais indícios levaram a autoridade autuante a concluir que as operações de compra e venda de imóveis teriam sido simuladas, revelando o interesse comum na ocultação do patrimônio e dos fatos geradores dos impostos e contribuições cobrados no auto de infração ora contestado. Em seu recurso, José não contesta nenhuma dessas afirmações, nem traz explicações que levem a questionar as conclusões extraídas pela autoridade autuante dos fatos por ela narrados. Limitase a afirmar que "apenas intermediou a compra e venda de imóveis". De fato, não há base legal para imputar responsabilidade solidária pelo simples fato de se atar como intermediário na compra e venda de imóveis, todavia a acusação fiscal não é esta, como parece crer o recorrente. O TVF aponta indícios suficientes de que as pessoas jurídicas (no sentido formal do termo, já que eram meras "cascas") atuavam em conjunto havendo uma só "atividade econômica organizada", tendo José atuado diretamente, seja em nome próprio, seja na qualidade de representante da R&D e da Crossville, nas operações que visaram a ocultar os fatos geradores dos tributos ora cobrados. Assim, nesse ponto a decisão recorrida merece igualmente ser mantida. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto para (i) não conhecer os recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., porque intempestivos; (ii) negar provimento ao recurso de ofício; e (iii) conhecer e negar provimento aos recursos voluntários de Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME, e José Carlos dos Santos. Fl. 11460DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.435 53 Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 11461DF CARF MF
score : 1.0
