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Numero do processo: 10670.720873/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105/01
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatorio da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Numero da decisão: 2401-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105/01 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputase válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatorio da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 08 73 /2 01 2- 45 Fl. 293DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório VALDIR MAXIMINO DA CRUZ, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0369.469/2015, às fls. 238/251, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação aos exercícios 2009 e 2010, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/11, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 31/05/2012 (AR efl. 217), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente dos seguintes fatos geradores: a) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. b) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens e direitos de qualquer natureza adquiridos em reais. Quanto a primeira infração, depósitos bancários de origem na comprovada, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal às fls. 17/18, o contribuinte não atendeu satisfatoriamente à intimação e portanto não identificou nem comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, embora devidamente intimado. Tais valores constam em demonstrativos anexos, e também fazem parte integrante deste Termo, em conformidade com art. 42 da Lei n° 9.430, com as alterações da Lei n° 9.841/1997 e Lei n° 10.637/2002. Para fins de tributação foram considerados apenas os valores cujo histórico não trazem nenhuma dúvida quanto ao seu enunciado, tratandose exclusivamente de depósitos inequívocos, feitos nas contas correntes do contribuinte, quais sejam depósito em dinheiro, depósito online, depósito em cheque, desbloqueio de depósito, depósito de cheque liquidado, depósito de cheque liberado, etc. Por outro lado foram excluídos das planilhas e conseqüentemente não tributados todos os outros valores de transferências, TED, transferências entre contas, empréstimos, financiamentos, descontos de cheques e outros créditos. Os valores dos créditos cuja origem não foi comprovada constam dos demonstrativos anexos, denominados "Depósitos Não Comprovados na Conta Corrente n° 11.4065, Banco do Brasil"; "Depósitos Não Comprovados na Conta Corrente n° 000089, BNB";"Depósitos Não Comprovados na Conta Corrente nº 00100803, do Banco Bradesco", e "Depósitos Não Fl. 295DF CARF MF 4 Comprovados na Conta Corrente n° 234.0011, da Cooperativa de Crédito Credigerais" que fazem parte deste termo e do Auto de Infração. Para o anocalendário 2009 não houve tributação a este título uma vez que os valores dos depósitos não comprovados foram inferiores aos valores das Receitas da Atividade Rural mais Rendimentos declarados na DIRPF. No entanto em relação ao anocalendário 2008 os valores dos depósitos não comprovados excederam aos valores das Receitas da Atividade Rural mais Rendimentos declarados em R$ 235.448,29. Tais valores constam de demonstrativo anexo denominado "CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS X RECEITAS E RENDIMENTOS DECLARADOS”, que também faz parte integrante deste termo e do Auto de Infração. Já em relação ao ganho de capital, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal às fls. 18/19, o contribuinte fiscalizado era legítimo proprietário de dois imóveis urbanos localizados na cidade de JanaúbaMG. Um com área de 6.000 metros quadrados que constava da declaração de IRPF do anocalendário 2008 pelo valor de R$ 12.000,00 e outro com área de 2.392 metros quadrados que também constava da mencionada declaração pelo valor de R$ 38.800,00. Em 28.09.2009 com a primeira alteração contratual da sociedade empresária Superjan Supermercado Ltda, ambos os imóveis foram transferidos do patrimônio do Sr. Valdir para o patrimônio da sociedade empresária acima referenciada. Para fins de alienação os imóveis foram avaliados, sendo o de 6.000 metros quadrados pelo valor de R$ 330.000,00 e o de 2.392 metros quadrados pelo valor de R$ 908.960,00. No anocalendário de 2009 não foram apurados os ganhos de capital e conseqüentemente não foi recolhido o valor do imposto de renda incidente sobre essas operações. Depois de submetido à Fiscalização, estando portanto sem espontaneidade, o contribuinte apurou o ganho de capital e contrariando a legislação, tentou parcelar o débito vencido em 30.10.2009. Através de Auto de Infração foi efetuado o lançamento de oficio do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, acrescidos de juros de mora e multa de oficio conforme determina a legislação em vigor. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 256/286, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, aduzindo que os depósitos por si só, não representam disponibilidade financeira, conforme o art. 43 do CTN e Súmula 182 do extinto TFR. Afirma restar comprovada a origem do montante referente aos depósitos bancários questionados, sendo totalmente ignorada a documentação apresentada pelo contribuinte. Alega que os valores depositados em suas contas pessoais eram decorrentes das duas únicas atividades profissionais exercidas por ele, quais sejam, empresarial e da atividade rural. Explícita que as movimentações econômicas e financeiras são compatíveis com suas atividades empresariais, sendo que o mesmo não está obrigado a conciliar suas contas bancárias pessoais e não lhe é vedado movimentar numerários dessas atividades em suas contas correntes, reiterando a inversão do ônus da prova, pois quem tem que provar é o Sr. Auditor. Aduz que a fundamentação do Auto na mera movimentação bancária contraria o entendimento da doutrina pátria que sustenta que o regramento do artigo 42 da Lei Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 4 5 nº 9.430/96 não autoriza o lançamento do imposto no caso de existência de meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, sem a devida demonstração de existência de renda consumida pelo contribuinte, ou seja, é absolutamente equivocado pretender o Fisco retirar do artigo supracitado uma suposta presunção juris tantum em favor do mesmo, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros depósitos bancários, sem aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou à demonstração de outros elementos fáticos vinculados a movimentação de renda. Insurgese quanto a aplicação da multa de ofício, por afronta direta ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade, sendo de caráter confiscatorio, além da quebra da quebra do sigilo bancário. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Conforme depreendese do relato acima, o recorrente insurgese apenas quanto a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, motivo pelo qual iremos nos ater apenas a este tema. SIGILO BANCÁRIO Assevera ser claro o caráter sigiloso da movimentação bancária. Pois bem, com relação à utilização das informações bancárias do Autuado para a constituição do crédito tributário, devese notar que, na espécie, não houve quebra do sigilo bancário, no momento em que as informações foram fornecidas pelo próprio sujeito passivo, voluntariamente, ainda que em atendimento à intimação fiscal, e estão cobertas pelo sigilo fiscal. Requerer, posteriormente, a nulidade de tal prova seria venire contra factum proprium, o que não se admite. Ademais, a Lei Complementar no 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, já previa, desde janeiro/2001, a possibilidade de a autoridade fiscal examinar as informações referentes a contas de depósito em instituições financeiras. Vejamos: Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Vale salientar ainda que, em recente assentada (24/02/2016), o Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral, constitucionais os dispositivos da LC n° 105/2001 que permitem à Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial1. Prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. DEPÓSITO BANCÁRIO O contribuinte aduz que os depósitos por si só, não representam disponibilidade financeira, conforme o art. 43 do CTN e Súmula 182 do extinto TFR. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 5 7 Afirma restar comprovada a origem do montante referente aos depósitos bancários questionados, sendo totalmente ignorada a documentação apresentada pelo contribuinte. Alega que os valores depositados em suas contas pessoais eram decorrentes das duas únicas atividades profissionais exercidas por ele, quais sejam, empresarial e da atividade rural. Explícita que as movimentações econômicas e financeiras são compatíveis com suas atividades empresariais, sendo que o mesmo não está obrigado a conciliar suas contas bancárias pessoais e não lhe é vedado movimentar numerários dessas atividades em suas contas correntes, reiterando a inversão do ônus da prova, pois quem tem que provar é o Sr. Auditor. Aduz que a fundamentação do Auto na mera movimentação bancária contraria o entendimento da doutrina pátria que sustenta que o regramento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza o lançamento do imposto no caso de existência de meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, sem a devida demonstração de existência de renda consumida pelo contribuinte, ou seja, é absolutamente equivocado pretender o Fisco retirar do artigo supracitado uma suposta presunção juris tantum em favor do mesmo, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros depósitos bancários, sem aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou à demonstração de outros elementos fáticos vinculados a movimentação de renda. Em que pesem as razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos: Primeiramente é importante salientar que o contribuinte não discute nenhum valor ou depósito específico considerado pela autoridade fiscal, apenas questionando legislação e documentação, não sendo o bastante para reformular a decisão de piso. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: "Art. 42, Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 299DF CARF MF 8 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002)." O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário, conforme demasiadamente tratado em diversos outros votos deste Relator. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10670.720873/201245 Acórdão n.º 2401005.191 S2C4T1 Fl. 6 9 sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, existe a Súmula CARF n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Mais uma vez, repiso, o contribuinte nada se esforça ou argumenta sobre a comprovação dos numerários, apenas demonstrando descontentamento com a legislação e mencionando entendimento judicial, ou seja, em relação aos depósitos efetuados na conta bancária não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a origem de cada depósito bancário. Fl. 301DF CARF MF 10 MULTA DE OFÍCIO Insurgese quanto a aplicação da multa de ofício, por afronta direta ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade, sendo de caráter confiscatorio. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001497/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte
Numero da decisão: 9202-005.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir apenas os rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual, vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir apenas os rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual, vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 14 97 /2 00 7- 46 Fl. 285DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280100.316, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2005, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora no valor de R$ 105.269,01. O Contribuinte, às fls. 122/154, apresentou a impugnação alegando, em síntese, inaplicabilidade ao caso a presunção de que trata o art. 42 da Lei 49.430/1996, por inexistirem documentos fornecidos pelas instituições financeiras que possibilitasse a regular comprovação da movimentação que transitou em suas contas bancárias, o que contraria os artigos 43, 114, 139 do CTN e os princípios constitucionais da pessoalidade, da capacidade contributiva, etc. A DRJ/POA, às fls. 164/180, julgou procedente o lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 185/213, alegando, dentre outras, que o auto de infração não poderia estar assoalhando na movimentação financeira, mas sim na variação patrimonial, que reconhece que ante a ausência de rígidos controles contábeis, infelizmente inexistentes, mesmo porque a lei não exige tais controles, os depósitos não puderam ser rigorosamente justificados. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 234/246, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir da base de cálculo o valor de R$ 38.400,00. Às fls. 255/269, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que Colegiado a quo presumiu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. De outro modo, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11020.001497/200746 Acórdão n.º 9202005.632 CSRFT2 Fl. 286 3 alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobando entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 272/275, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois, os paradigmas, à semelhança do acórdão recorrido, tratam de lançamento de imposto de renda de pessoa física, baseado na presunção legal disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No recorrido, a turma decidiu excluir os rendimentos declarados (tributáveis, isentos ou não tributáveis) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Já os paradigmas consideraram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Resta, portanto, patente a divergência jurisprudencial alegada. Cientificado à fl. 282, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2005, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora no valor de R$ 105.269,01. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão de depósito bancário, tendo em vista que, diferente do entendimento do acórdão recorrido, os paradigmas consideram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). Fl. 287DF CARF MF 4 No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Podemos, deste dispositivo, destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. No caso em tela, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11020.001497/200746 Acórdão n.º 9202005.632 CSRFT2 Fl. 287 5 A alegação do Contribuinte de que os rendimentos declarados na DIRPF devem ser excluídos dos valores objeto de tributação tem fundamento, caso contrário, estaríamos tributando novamente algo que foi declarado e tributado, ou apenas declarado nos casos de rendimentos isentos e não tributáveis. Desta forma, devemos excluir da base de cálculo dos valores informados nas Declarações de Rendimentos a título de rendimento tributável, isento e não tributáveis no ano no importe de R$ 38.400,00. Neste ponto, entendo, inclusive, de modo mais abrangente, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF pode ser considerado como prova de origem, independentemente de sua natureza (tributável, não tributável ou isento), pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa sobre ele ser provada a identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's deveriam ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 289DF CARF MF 6 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a máxima vênia ao entendimento da nobre relatora, alinhome ao posicionamento majoritário deste CARF acerca do tema de exclusão de valores declarados dos montantes tributáveis a título de omissão de rendimentos oriunda de depósitos não comprovados. Reproduzo, a propósito, excerto do brilhante voto de lavra do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no âmbito do Acórdão no 10617.117, exarado pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes e que, assim, adoto como razões de decidir, verbis: “(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231) (...)” Ainda, rejeito a necessidade de extensão de tal posicionamento aos rendimentos isentos e não tributáveis também declarados, pelo fato de que, notese, o que se está a presumir, com fulcro no permissivo legal estabelecido pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, é que todos os depósitos bancários, quando não comprovados através de documentação hábil e idônea pelo contribuinte, passam a se constituir em omissão de rendimentos tributáveis (daí sua tributação quando da utilização da presunção), não havendo qualquer consequência, assim, que se possa associar diretamente aos rendimentos isentos e não tributáveis declarados, que destarte, restaram aceitos na forma que declarados pelo contribuinte. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11020.001497/200746 Acórdão n.º 9202005.632 CSRFT2 Fl. 288 7 Assim, entendo que devam ser excluídos dos montantes tributados a título de omissão de receita tão somente os montantes declarados como tributáveis pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, totalizando R$ 37.700,00 (consoante efl. 10). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional de forma a que a exclusão se limite aos rendimentos tributáveis constantes da declaração anual do contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.912287/2006-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECOLHIMENTO DE IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, os pagamentos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente comprovados. PESSOAS JURÍDICAS CONSORCIADAS. SUJEITO PASSIVO. Todas as pessoas jurídicas consorciadas mantém sua personalidade jurídica distinta das demais e por esta razão são os sujeitos passivos das obrigações tributárias em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente evidenciados. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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RECOLHIMENTO DE IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, os pagamentos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente comprovados. PESSOAS JURÍDICAS CONSORCIADAS. SUJEITO PASSIVO. Todas as pessoas jurídicas consorciadas mantém sua personalidade jurídica distinta das demais e por esta razão são os sujeitos passivos das obrigações tributárias em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO DO IRPJ APURADO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor de IRPJ apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, desde que os dados estejam inequivocamente evidenciados. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 22 87 /2 00 6- 10 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 278 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente, CNPJ 57.059.4201000160, formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) no período de 06.08.2003 e 14.01.2005, fls. 0208 e 150158, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$193.309,75 referente ao anocalendário de 2000. Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente, fls. 0911, foi informado o valor total de R$273.581,19 originário do somatório de R$111.392,20 de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada e de R$162.188,09 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 97102, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou ementado Assunto: Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação —Per/Dcomp’s Anocalendário: 2000 Ementa: Saldo Negativo de IRPJ. Recolhimento por estimativa IRPJ e IRRF. Dedução. Os recolhimentos efetuados por estimativa de IRPJ e o imposto de renda retido na fonte são considerados antecipações, não são indébitos ou recolhimentos a maior, mas podem ser deduzidos do imposto devido apurado ao final do ano calendário. Se o resultado apurado for um saldo negativo, poderá ser restituído à pessoa jurídica. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 279 3 Crédito líquido e certo. Compensação. A autoridade administrativa somente autorizará a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos. Cientificada em 03.07.2008, fl. 103, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.08.2008, fl. 104116, argumentando que discorda do indeferimento do pleito. Atinente ao valor de R$111.392,20 de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, suscita que apurou os valores de IRPJ nos meses de fevereiro e abril, nos valores de R$85.281,60 e R$26.137,37, respectivamente, os quais foram compensados com os saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário 1999 e 1998. Esclarece que esta quantia, entretanto, não foi considerada de ofício para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no período, porque nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999 não havia créditos. Lembra que não utilizou qualquer valor do anocalendário de 1997. Em relação aos anoscalendário de 1998 e 1999 incorreu em erro no preenchimento das DIPJ ao deixar de informar, respectivamente, os montantes de R$90.692,24 e R$192.395,37 a título de IRRF. No que se refere ao valor de R$162.188,09 de IRRF, diz que foi reconhecido como correto de ofício o valor de R$87.212,77. Menciona que deve ser considerado também como induvidoso o valor de R$75.792,80 de IRRF da Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus, CNPJ 74.638.933/000145, do qual tem participação de 42,5%. Apresenta como fundamento o fato de que os consórcios não detêm autonomia jurídico tributária, nem personalidade jurídica própria e por esta razão cada consorciada é que responde pelos tributos incidentes sobre os resultados auferidos, na proporção de sua participação. Neste sentido, aduz que tem direito ao referido montante que decorre do cálculo de 42,5% do total de R$178.336,21 correspondente ao IRRF de aplicações financeiras efetuados pela Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus no Banco do Brasil S/A, Banespa S/A e Banespa S/A Corretora. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Concluise, assim, pela existência da totalidade do crédito utilizado pela Peticionária nas compensações efetuadas (R$193.309,75), razão pela qual todas as PER/DCOMPs apresentadas devem ser homologadas, com a conseqüente extinção dos débitos de IRRF, PIS e COFINS compensados. [...] Em face do quanto exposto, aguardase seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de (i) reconhecer o direito creditório da Peticionária, assim como (ü) homologar as compensações efetuadas por meio das PER/DCOMPS ii's 04965.56800.060803.1.3.020753. 00538.56404.290304.1.3.02 0506, 38)72.38376.190504.1.3.020870, 14329.94902.260504.1.3.02 0370, 3299f>.95932.080704.1.3.02 4144, 27637.79062.090904.1.3.027424 e 0426ti.76883.140105.1.3.02930, por tratarse de medida de direito. Requerse, outrossim, que as intimações referentes ao processo administrativo em questão sejam encaminhadas para os advogados da empresa, cujo endereço consta do timbre. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 280 4 Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1626.834, de 23.09.2010, fls. 166177:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor Resumidamente a DERAT relatou o seguinte: (i) foram apresentados PER/DCOMP's, de 08/2003 a 01/2005, para compensação de débitos com saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000, no valor de R$273.581,19; (ii) parte deste valor, R$162.188,99, se referia a IRRF, tendo sido confirmada a existência da quantia de R$87.212,77; (iii) a outra parte, do saldo negativo, R$111.392,20, a DERAT não reconheceu, pois se referiam às estimativas de fevereiro e abril de 2000 compensadas com saldos credores do IRPJ de 1997 a 1999 inexistentes, pois, não figuravam nas DIPJ's; (iv) foi apurado também, que o contribuinte realizou em 2001 compensações sem processo de: estimativa de fevereiro/2001 e IRRF sobre juros de capital próprio, também, com o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000; (v) que a DERAT com o saldo negativo de 2000 reconhecido, no valor de R$87.212,77, procedeu à compensação, através do sistema NEO SAPO, destes débitos de 2001 e que ficou ainda em aberto débitos no valor de R$93.200,18 e (vi) em conseqüência do apurado o despacho decisório foi de não reconhecer o direito creditório de IRPJ pleiteado e não homologar os PER/DCOMP's apresentados eletronicamente. [...] Esclareçase, por oportuno, que compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170, do CTN. Em relação ao IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, ficou assim esclarecido Porém, além de não ter realizado a retificação das suas DIPJ's procedimento necessário, pois, para Receita Federal do Brasil estas informações são utilizadas para efeito de acompanhamento e planejamento de trabalhos de fiscalização, além de representar para o contribuinte o documento que espelha o crédito que tem direito , não apresentou como deveria os documentos para comprovar que as receitas financeiras relativas aos valores do IRRF foram efetivamente consideradas na apuração do lucro real. No que se refere ao IRRF, consta que também, a Impugnante não comprova o direito líquido e certo do crédito do IRPJ, apurado com estas retenções, pois, não apresenta os documentos acima mencionados para comprovar que efetivamente os rendimentos foram oferecidos à tributação na DIPJ/2001. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 281 5 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Não tendo sido informado na DIPJ o IRRF que comporia o saldo negativo do IRPJ, sua retificação tem que ser realizada, visto que ela deve espelhar a realidade dos fatos. COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA Á TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE. Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) prove que as receitas correspondentes integram a base de cálculo do imposto devido. Notificada em 27.10.2010, fl. 178 e 204, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.11.2010, fls. 179, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 282 6 de tributo pago a maior1. Vale esclarecer que cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações2 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. I) Recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada Atinente ao valor de R$111.392,20 de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) 4. A Recorrente alega que apurou os valores de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada nos meses de fevereiro e abril, nos valores de R$85.281,60 e R$26.137,37, respectivamente, os quais foram deduzidos do IRPJ apurado do anocalendário de 2000. Para tanto utilizou os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999. Mas à época incorreu em lapso manifesto ao preencher as DIPJ destes anoscalendário, já que deixou de indicar a dedução de IRPJ nos valores respectivos de R$90.692,24 e R$192.395,37 de IRRF. Entretanto, de acordo com as normas que regem as obrigações tributárias deveria ter procedido à retificação da DIPJ, que independe de autorização pela autoridade administrativa e tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 283 7 substituindoa integralmente5. Esta por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Sobre esta questão, os autos estão instruídos com as DIRF e as DIPJ originais, fls. 2860, que, por si sós, não evidenciam suas alegações. Ademais, não foram entregues as DIPJ retificadoras, tampouco todos os registros contábeis e documentos correspondentes. Diante destes fatos não se pode inferir a congruência de todos estes dados e assim a afirmação suscitada pela defendente não pode ser demonstrada inequivocamente. II) IRRF No que se refere ao valor de R$ R$75.792,80 de IRRF, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente6. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o IRRF somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do anocalendário 7. No caso de consórcio de pessoas jurídicas, sob o mesmo controle ou não, consiste na integração de sociedades empresárias com a finalidade de execução de um determinado empreendimento de grande vulto, exigindo para sua execução conhecimentos técnico e instrumental especializados formalizado por um contrato previamente aprovado pelo Conselho de Administração, ou pela Assembleia Geral ou pelos sócios, por deliberação majoritária, conforme o tipo societário. Neste sentido, o objeto comum pode ser um acordo exploratório a execução prestação de serviço de transporte, que é administrado por um das pessoas jurídicas integrantes designada como a “líder” no contrato respectivo. Esta fica responsável pela escrituração contábil e fiscal próprios e guarda dos livros e documentos comprobatórios das operações do consórcio, conforme os prazos legais. O consórcio não tem personalidade jurídica tributária, embora esteja obrigada à inscrição Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e ao arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do lugar da sua sede. Todas as pessoas jurídicas consorciadas mantém sua personalidade jurídica distinta das demais e por esta razão são os sujeitos passivos das obrigações tributárias em 5 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional e Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. 6 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 284 8 relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, sem presunção de solidariedade. O faturamento correspondente às operações do consórcio é efetuado pelas pessoas jurídicas consorciadas, mediante a emissão de nota fiscal ou de fatura próprias com informação esclarecendo tratarse de operações vinculadas ao consórcio, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento, e devem remeter as cópias destes documentos à pessoa jurídica “líder”. Ademais, os pagamentos decorrentes das operações do consórcio sujeitos à IRRF na forma da legislação em vigor, a retenção, o recolhimento e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, devem ser efetuados em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Somente a partir de 29.10.2010 há possibilidade de que a retenção de tributos, o respectivo recolhimento e o cumprimento das obrigações acessórias sejam realizadas pela figura do consórcio, ficando as empresas que o integram como responsáveis solidárias8. A Recorrente suscita que tem direito ao valor de R$75.792,80 de IRRF, decorrente das aplicações financeiras efetivadas em 2000 pela Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus. Os autos estão instruídos, além de planilhas, de DIPJ e de DIRF, com os seguintes documentos: (a) Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus, CNPJ 74.638.933/000145 Livro Razão de 1998 e 1999, fls. 207219 e 237241; Informes de Rendimento do Banco do Brasil S/A de 1999, fls. 220 e 223; e Informe de Rendimento do Banespa S/A de 1999, fl. 222. (b) Recorrente, W Washington Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ 57.059.4201000160 Instrumento Particular de Consolidação do Contrato de Consórcio, fls. 133 136; Informe de Rendimento do Unibanco S/A de 1998 e 1999, fls. 225226, 251; Informe de Rendimento do Bank Boston S/A de 2000, fl. 224; Informes de Rendimento do Banco do Brasil S/A de 1998 e 1999, fls. 227, 252253; Informes de Rendimento do Banco do Safra S/A de 1998, fl. 254; Livro Razão de 2000, fls. 257266. 8 Fundamentação legal: art. 278 e art. 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 1º da Lei nº 12.402, de 2 de maio de 2011, Instrução Normativa DNRC nº 74, de 28 de dezembro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 834 de 26 de março de 2008 e Instrução Normativa RFB nº 1.199, de 14 de outubro de 2011. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 285 9 No Instrumento Particular de Consolidação do Contrato de Consórcio está explícito, fls. 133136 7 Os resultados líquidos (após deduzidos os eventuais prejuízos e a provisão para imposto sobre a renda) obtidos pelo Consórcio serão partilhados proporcionalmente à participação de cada consorciada. 8. O Consórcio manterá uma escrituração contábil e fiscal e será executada de acordo com a legislação aplicável, de forma a permitir a transferência dos resultados econômicos elou financeiros às consorciadas. 9. O Consórcio levantará balancetes mensais, balanço anual e conta de resultado ao final de cada exercício , nos termos da legislação aplicável. A liberdade de contratar é exercida em razão e nos limites da função social do contrato e os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boafé9. Analisando os ajustes pactuados entre as partes verificase que a pessoa jurídica Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus ficou responsável por toda escrituração contábil e fiscal, guarda dos documentos e os pagamentos decorrentes das operações do consórcio, inclusive em relação à retenção, ao recolhimento e ao cumprimento das respectivas obrigações principais e acessórias em nome próprio, somente distribuindo os resultados às consorciadas no encerramento do ano calendário. Não restou comprovado nos autos que a Recorrente tenha cumprido estas obrigações tributárias em nome próprio. Assim, em conformidade com a legislação de regência, a autoridade preparadora corretamente reconheceu o montante de R$87.212,77 a título de IRRF recolhido pelas fontes pagadoras em nome da Recorrente efetivamente comprovados no anocalendário de 2000 e homologou as compensações com débitos constantes nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 7585. Não resta, assim, qualquer valor de IRRF a ser reconhecido relativamente às aplicações financeiras efetivadas pela pessoa jurídica Eletrobus Consórcio Paulista de Transportes por Ônibus em nome próprio. A tese protetora exposta pela defendente, assim sendo, não está demonstrada. III) Demais matérias No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de 9 Fundamentação legal: art. 421 e 422 do Código Civil. 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.912287/200610 Acórdão n.º 1801001.247 S1TE01 Fl. 286 10 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000041/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS: Os dados que servem de base para elaboração do demonstrativo de fluxo financeiro de origens e aplicações hão de estar lastreados em livros e documentos contábeis. Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano calendário:2002
Ementa:
PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se aos
lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 1401-000.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS: Os dados que servem de base para elaboração do demonstrativo de fluxo financeiro de origens e aplicações hão de estar lastreados em livros e documentos contábeis. Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário:2002 Ementa: PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Recurso de Ofício negado.
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Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 Ementa: PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Recurso de Ofício negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (Assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias (VicePresidente). Relatório Trata o presente caso de recurso de ofício interposto em razão de acórdão da DRJ/RJ que acolheu a impugnação apresentada pelo contribuinte e exonerou o crédito tributário exigido. Por bem relatar a situação ora analisada, adoto o relatório elaborado pela DRJ/RJ, em textual: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada ao interessado acima identificado, por meio do auto de infração de imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, de fls. 51/56, no valor de R$615.294,57 de imposto e R$461.470,91 de multa; e os dele decorrentes, relativos à contribuição para o programa de integração social — PIS, de fls. 57/61, no valor de R$51.455,17 de contribuição e R$38.591,37 de multa; à contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, de fls. 62/67, no valor de R$85.494,75 de contribuição e R$64.121,04 de multa, todos acrescidos de juros de mora; à contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS, de fls. 68/72, no valor de R$237.485,46 de contribuição e R$178.114,09 de multa. 2.0 procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela DEFIC/Rio de Janeiro, a partir da qual se constatou que o interessado omitiu receitas nos 1°, 2° e 3° trimestres do ano calendário de 2002, em desacordo com o artigo 528 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26/03/1999 (RIR199). 3.Na folha de continuação do AI, fl. 53, o autuante esclarece que a interessada, no período sub exame, apresentou opção pela tributação sob a sistemática do lucro presumido e que, de acordo com o Demonstrativo de Fluxo Financeiro, aponta insuficiência de recursos aplicados nos valores de R$ 767.161,06, R$ 6.284.153,21 e R$ 864.868,27 configurando omissão de receitas da atividade. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 3 3 4.0s lançamentos decorrentes se fundamentaram nos seguintes diplomas legais: a) PIS: arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/1970, c/c art. 24, §2° da Lei n° 9.249/95, art. 2°, inc. I, 8°, inciso I e 9° da Lei 9.715/98, e art 2° e 3° da Lei 9.718/98; b) CSLL: art. 2° e §§, da Lei 7.689/ 1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/95, art 29 da Lei n° 9.430/96 e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e re edições; c) COFINS : artigo 1° da Lei Complementar n° 70/1991, ART. 24, § 2°, da Lei 9.249/95, artigos 2°, 3° e 8°, da Lei 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas alterações. 5.Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas se fez incidir a multa de oficio no percentual de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. 6.Inconformado com a exigência, o interessado interpôs, relativamente ao lançamento principal, a petição de fls. 93 a 104, na qual pede o cancelamento do auto de infração do IRPJ e a exoneração da exigência efetuada, por falta de tipicidade, alegando, em síntese, o seguinte: Que a impugnação é tempestiva, e, 6.1 Preliminarmente, que: 6.1.1 por ser o lançamento uma atividade vinculada à lei, não pode ser feita de qualquer maneira, não tendo o fiscal autuante se preocupado em reunir os elementos probante e esclarecer suficientemente a verdade real do contribuinte antes de lavrar o auto de infração, o que caracteriza o excesso de exação do fiscal, que se sujeita à responsabilidade pessoal e funcional pelo fato; 6.1.2 houve inversão do ônus da prova, pois transferiu ao sujeito passivo a incumbência de provar que não infringiu a lei, quando o fisco devia dar provas irrefutáveis da infração cometida pelo contribuinte; cita Acórdão da Câmara do 1° Conselho de Contribuinte que dispõe que "o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo, tratandose de atividade plenamente vinculada"; 6.1.3 o impugnante suscita, em preliminar, a nulidade do procedimento fiscal, porquanto levado a feito ao arrepio da legislação de regência 6.2 No mérito, que: 6.2.1 a suplicante possui escrituração contábil completa, com todos os livros comerciais e fiscais, devidamente escriturados, com termo de abertura e de encerramento, Fl. 267DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 4 4 inclusive o Diário, que contém as operações do ano objeto de fiscalização; 6.2.2 foram entregues ao fiscal balancetes e demonstrativos dos meses do ano de 2002, demonstração das origens e aplicações de recursos, disquetes com informações dos tributos pagos em 2000 a 2004 para a SRF; 6.2.3 na correspondência datada de 6/10/2005 a impugnante ressaltou que em virtude da falta de esclarecimento e de clareza dos dados solicitados no mapa do fluxo financeiro o mesmo tinha sido preenchido com incorreções; 6.2.4 foi encaminhado, a pedido do fiscal, livro diário n° 40 de 2002, razões e balancetes de 2002 e novas planilhas do fluxo financeiro referentes aos 1° a 4 trimestres de 2002, possibilitando ao mesmo verificar que o fluxo financeiro utilizado como base para o lançamento estava incorreto; 6.2.5 não há insuficiência de recursos para comprovar as aplicações que foram efetuadas pela empresa; 6.2.6 se houve omissão de receita tal fato se refletiria em saldo credor de caixa e/ou suprimentos fictícios de numerários ou manutenção de obrigações já pagas no balanço e que nada disso ocorreu, sendo que o fiscal não examinou a escrituração contábil para comprovar o alegado. 7 O interessado também se insurge contra os lançamentos decorrentes mediante a apresentação das petições de fls. 104/5, tratando, respectivamente, do PIS, da Cofins e da CSL. Em todas petições alega que o mérito da autuação foi discutido na impugnação do lançamento do IRPJ, do qual os demais são decorrentes. 8 Após considerar demonstrada e comprovada a ilicitude do procedimento fiscal, requer que seja cancelado o lançamento, por falta de tipicidade e, também, a exoneração da exigência consubstanciada no AI e a realização de perícia/diligência. Analisando a questão entendeu por bem o órgão julgador a quo por acolher a impugnação apresentada, exonerando o crédito tributário constituído, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 268DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 5 5 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS: Os dados que servem de base para elaboração do demonstrativo de fluxo financeiro de origens e aplicações hão de estar lastreados em livros e documentos contábeis. Não constituem dados confiáveis aqueles extraídos simplesmente de planilhas preenchidas à distância pelo contribuinte, sem qualquer exame, por parte do Fisco, da veracidade e consistência das infrações porventura suscitadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 Ementa: PIS, COFINS, IRRF e CSLL – LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Lançamento Improcedente Em face do referido acórdão recorreu de oficio o Presidente da DRJ/RJ. É o relatório. Voto Da análise dos elementos dos autos, constatase que os Levantamentos do Fluxo Financeiro (fls. 73 a 84), considerados pela Fiscalização como prova de omissão de receitas, foram elaborados a partir de dados de formulários preenchidos pelo interessado, em cumprimento à intimação de fl. 49 e da declaração de rendimentos (fls. 6 e 7). Tais demonstrativos, convém saber, são um instrumento de auditoria que tomam por base as origens e aplicações de recursos e têm por objetivo evidenciar as variações ocorridas no caixa da empresa. Através deste instrumento, é possível identificar as origens de recursos financeiros (receitas de vendas, recebimentos de clientes, empréstimos, integralização de capital, etc.) e as aplicações que lhes foram dadas (pagamentos a fornecedores, distribuição de lucros, amortização de empréstimos, aquisição de bens do imobilizado, pagamentos de despesas, etc.). Estando corretos os registros contábeis da empresa, o somatório das origens de recursos, num dado período, deve ser igual ao somatório das aplicações no mesmo período. Sendo um instrumento de fácil manuseio, o demonstrativo de fluxo de origens e aplicações de recursos mostrase bastante útil no trabalho de fiscalização. Para que, no entanto, forneça resultados confiáveis, há de estar calcado em dados igualmente confiáveis, necessariamente lastreados nos livros e documentos contábeis do contribuinte. No caso presente, os dados que serviram de base para a elaboração dos demonstrativos foram extraídos de planilhas preenchidas pelo interessado (fls. 73/84), sem um exame minucioso, por parte da fiscalização, de sua veracidade ou consistência. Também não Fl. 269DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 6 6 consta dos autos que o autuante tenha dado qualquer orientação ao interessado quanto à finalidade dos formulários e quanto aos critérios de preenchimento. Avançando na análise do procedimento apuratório em questão, o contribuinte informou na impugnação que os demonstrativos do fluxo financeiro apresentados, como resposta à intimação de 02/09/205, foram preenchidos com incorreções, em virtude de 'falta de esclarecimento e de clareza dos dados solicitados" pelo fiscal. Em regra, esses itens têm origem em contas patrimoniais representativas de dispêndios de períodos anteriores que contribuem para a formação de resultado de mais de um período, sendo sua contabilização mero ato de apropriação de encargos pelo regime de competência, razão por que não se prestam ao propósito de apurar omissão de receita por diferença. A comparação de saldos iniciais e finais de Conta Fornecedores revelase igualmente inútil, pela falta de informação acerca das variações ocorridas na conta ao longo do período, raciocínio que também se estende à comparação entre saldos iniciais e finais da conta Caixa e da conta Bancos. Essas falhas contaminam irremediavelmente o "Levantamento do Fluxo Financeiro" de fls. 73 a 84, no qual, contraditoriamente, foi utilizada informação sobre receita total extraída da declaração de rendimentos do interessado, que a fiscalização não considerou confiável como expressão das receitas totais por ela efetivamente auferidas. Em face de tais circunstâncias, a constatação de um eventual excesso/de dispêndios em relação às origens de recursos não deve conduzir à apressada conclusão de omissão de receitas. Sinaliza, possivelmente, alguma irregularidade nos registros contábeis da empresa. Irregularidade que, todavia, pode ser fruto tanto da movimentação espúria de recursos, quanto de simples erros de escrituração. Ou até mesmo de um equívoco no preenchimento das próprias planilhas. De qualquer modo, o diagnóstico preciso reclamaria o aprofundamento da investigação, ou antes, o início de um efetivo trabalho de auditoria, que nunca chegou a ocorrer. O demonstrativo de origens e aplicações de recursos, ou fluxo financeiro, deve ser o início dos trabalhos de auditoria e não seu fim. Não bastasse a imprecisão dessa metodologia para aferir omissão de receita, os referidos levantamentos configuram forma de presunção que não se inclui entre aquelas previstas em lei (passivo fictício, saldo credor de caixa, etc.) e, por isso, não pode servir de fundamento único à constituição de crédito tributário. Diferentemente da presunção legal, pela qual se inverte o ônus da prova dos fatos alegados pela fiscalização, baseado em indícios previstos na lei, a presunção simples, não prevista pelo legislador, "é o resultado de um trabalho mental de exercício lógico, eis que a conclusão decorre da análise crítica de fatos conhecidos, na tentativa de estabelecer a verdade existente em outros fatos desconhecidos." (RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA; "Presunções no Direito Tributário"; in "Cadernos de Pesquisas Tributárias", Ives Gandra da Silva Martins (coord.), vol. 9, S. Paulo: Ed. Resenha Tributária, 1984, p. 277). Cuidado especial deve ser tomado pela fiscalização, no campo das provas, ao presumir a ocorrência do fato gerador, tendo como base a existência de indícios não previstos na lei (planilhas de fluxos financeiros em que as origens não coincidem com as aplicações). Há Fl. 270DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 18471.000041/200619 Acórdão n.º 140100.436 S1C4T1 Fl. 7 7 que se demonstrar a relação de causalidade entre os indícios e o fato gerador presumido, no caso a omissão de receitas. Assim, para que se desminta a relação de causalidade entre o indício e o fato (prova abstrata, lógica) como, simplesmente, demonstrar que a ocorrência do indício permitiria não só a ocorrência do fato alegado como também de outro diverso. Noutras palavras, a prova da relação de causalidade implica exclusividade. O indício somente serve para a prova indireta se a ocorrência do primeiro não permitir senão a hipótese de ocorrência do fato a ser provado (ainda que haja toda a probabilidade de que ele de fato tenha acontecido), então não se estará diante de uma prova indireta, mas de uma presunção." A opção do Fiscal foi por efetuar o lançamento com base no levantamento originalmente efetuado e sem se debruçar detalhadamente na contabilidade regular da interessada, que poderia ter trazido a verdade real e inquestionável, mas preferiu "tipificar" o que entendeu como infração em legislação aplicável à espécie. Dessa forma, considerando que os Levantamentos do Fluxo Financeiro não são hábeis para apurar excesso de dispêndios e de pronto deduzir a omissão de receitas, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 271DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 13401.000483/2006-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 9303-005.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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SUBVENÇÕES ESTADUAIS. Recorrente TERPHANE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 04 83 /2 00 6- 75 Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3403003.396, de 12/11/2014, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004 COFINS. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA No 1 DO CARF. Não se conhece do Recurso Voluntário em relação às matérias e períodos levados pela Recorrente ao Poder Judiciário, em razão de sua renúncia à discussão administrativa. COFINS. SUBVENÇÕES. BENEFÍCIOS ESTADUAISICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”). A Turma julgadora, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso na parte em que existe concomitância com as ações judiciais e, na parte conhecida (incidência da Cofins sobre as receitas provenientes de subvenções estaduais, para o período de fevereiro a dezembro de 2004), pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo apresentou Recurso Especial (fls. 1467/ss) questionando exclusivamente a “inclusão ou não de valores correspondentes a benefícios fiscais de ICMS (PRODEPE) na base de cálculo da COFINS, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833/2003”. O Recurso Especial foi admitido, conforme Despacho s/n, de 25/09/2015 (fls. 1552/ss). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 1558/ss) sustentando que os próprios enunciados dos arts. 10 e 22 do Decreto nº 4.524, de 2002 (Regulamento do PIS e da Cofins), prescrevem que a receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, incluem todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, da qual podem ser excluídos somente os valores legalmente autorizados, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Assim, conclui que a base de cálculo da Cofins e do PIS para o tipo de empresa ora em análise é a totalidade da receita bruta mensal por ela auferida, ou seja, não somente pelas receitas de vendas, mas também pelas receitas financeiras e por outras receitas operacionais, podendo as operações efetivadas pela contribuinte serem enquadradas na última modalidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Como relatado, a questão a ser analisada está delimitada à inclusão ou não na base de cálculo da Cofins dos valores correspondentes a benefícios fiscais do ICMS, objeto do programa denominado “PRODEPE”. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 5 4 Restou claramente demonstrado nos autos que a Recorrente é beneficiária de subvenção fiscal concedida pelo Governo do Estado de Pernambuco (“PRODEPE”). A Recorrente sustenta que tais subvenções deveriam ser enquadradas como “subvenções para investimento” (e não “subvenções para custeio ou operação”) e, por esse motivo, não estariam sujeitas à incidência da Cofins, sob o argumento que o art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) estabelece que não seriam computadas na determinação do lucro real, desde que registradas como reserva de capital. Contudo, como bem destacado pelo relator do voto vencedor do acórdão recorrido, a discussão relacionada à espécie de subvenção utilizada pelo sujeito passivo (“subvenções para investimento” ou “subvenções para custeio ou operação”) só é relevante para fins de incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas. Isto porque, conforme prevê o § 12 do art. 195 da CF/88, com a redação dada pela EC nº 42, de 2003, o regime da não cumulatividade previsto para a cobrança das contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento, onde se enquadra a Cofins, deve ser instituido nos termos de lei específica. Assim, coube à Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à sistemática da não cumulatividade, definir o fato gerador, fixar a alíquota e também a base de cálculo da contribuição. Não se pode aplicar aos casos autorizados de dedutibilidade previstos na legislação do imposto de renda para fins de apuração da base de cálculo da Cofins, posto que há regramento específico que disciplina a matéria, o qual deve necessariamente ser observado. Nesse sentido, a Cofins sob a égide do sistema da não cumulatividade, regida pela Lei nº 10.833, de 2003, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sejam elas operacionais ou não operacionais, independentemente de sua denominação ou classificação fiscal, conforme depreendese do art. 1º da citada Lei, verbis: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 6 5 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Destarte, é irrelevante classificar as subvenções, para efeito de tributação pelas contribuições não cumulativas, com bem decidiu a Turma do acórdão recorrido. Por outro lado, as únicas espécies de receita possíveis de serem excluídas da base de cálculo são aquelas expressamente listadas no §3º do citado artigo 1º. As receitas decorrentes de subvenções, de qualquer espécie, não estão entre aquelas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins. Somente a partir da edição da Lei nº 12.973/2014 é que passou a estar expresso, na Lei nº 10.833/2003, a exclusão das receitas com subvenções para investimento. Abaixo a transcrição do dispositivo: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) A forma como está redigido o dispositivo legal acima transcrito deixa evidente que a própria Lei configura as subvenções de investimento como receitas, afastando a sua tributação, a partir da vigência do comando legal, ou seja a partir de 2014. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 7 6 A título de esclarecimento é importante registrar que não incide PIS e Cofins sobre as receitas auferidas com subvenções para investimento desde a vigência do art. 21 da Lei 11.941/2009 a qual estabelece certas condições para tanto. Porém, para os fatos geradores constantes do presente recurso especial, 02/2004 a 12/2004, não havia qualquer previsão legal para exclusão das subvenções de investimento da base de cálculo da Cofins, impondo sua tributação neste período. Em suma, considerando que a matéria posta nos autos referese à Cofins, apurada pela sistemática da nãocumulatividade, e que as receitas operacionais e não operacionais devem ser incluídas na base de cálculo do tributo, em atendimento ao comando legal prescrito no art. 1º da Lei nº 10.833/2003, os valores recebidos à título de benefício fiscal concedido pelo Governo do Estado de Pernambuco, no âmbito do “PRODEPE”, devem ser enquadrados como receita e, por conseguinte, estão sujeitos à incidência da contribuição social. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Discordamos do il. Relator. Está mais do que pacificada na jurisprudência a tese de que o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados às pessoas jurídicas que neles se instalem ou aumentem a produção já instalada não integra a base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativos, por constituirse, segundo este entendimento, apenas mera recuperação de custos. Exemplificativamente, confiramse as seguintes ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a quem cabe, como se sabe, a tarefa de uniformizar a interpretação de lei federal: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 20/04/2016, contra decisão publicada em 29/03/2016. II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.402.204/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/06/2015. III. Consoante a jurisprudência desta Corte, "a questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Tribunal" (STJ, AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 843051 / SP, Rel. Min. Assussete Magalhães, DJe 02/06/2016). Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 9 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ ACERCA DA MATÉRIA. SÚMULA 83/STJ. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ de que os créditos presumidos de ICMS, por se tratarem de mero ressarcimento, não representam ingresso de valores nos caixas da empresa e, portanto, não são tributáveis. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1573339 / SC, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 24/05/2016). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26/11/2015). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LEIS 10.637/02 E 10.833/03: O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS CONFIGURA INCENTIVO VOLTADO À REDUÇÃO DE CUSTOS, COM VISTAS A PROPORCIONAR MAIOR COMPETITIVIDADE NO MERCADO PARA AS EMPRESAS DE UM DETERMINADO ESTADOMEMBRO, NÃO ASSUMINDO NATUREZA DE RECEITA OU Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 10 9 FATURAMENTO, PELO QUE NÃO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ENTENDIMENTO APLICÁVEL AO IRPJ E À CSLL. PRECEDENTE: AGRG NO RESP. 1.227.519/RS, REL. MIN. BENEDITO GONÇALVES, DJE 7.4.2015. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 2. A Primeira Turma desta Corte assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Não há dúvida alguma que a aplicação desse sistema de incentivo aos exportadores amplia os lucros das empresas exportadoras. Se não ampliasse, não haveria interesse nem em conceder, nem em utilizar. O interesse é que move ambas as partes, o Fisco e o contribuinte; neste caso, o Fisco tem o interesse de dinamizar as exportações, por isso concede o benefício, e os exportadores têm o interesse de auferir maiores lucros na atividade exportadora, por isso correm reivindicam o benefício. Isso é absolutamente básico e dispensável de qualquer demonstração. 3. Nesse sentido, deve o legislador haver ponderado que, no propósito de menor tributação, a satisfação do interesse público primário representado pelo desenvolvimento econômico, pela geração de emprego e de renda, pelo aumento de capacidade produtiva, etc. preponderaria sobre a pretensão fiscal irrestrita, exemplo clássico de interesse público secundário. 4. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no REsp 1461415 / SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 26/10/2015). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Recurso especial em que se discute a inclusão do crédito presumido de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo de: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS) e Constribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 2. "O crédito presumido de ICMS configura "benefício fiscal" que ao ser lançado na escrita contábil da empresa promove, indiretamente, a majoração de seu lucro e impacta, consequentemente, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Nesse sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.458.772/RS, Rel. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 11 10 Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 13/10/2014; AgRg no REsp 1.461.032/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 27/11/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.465.870/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 31/3/2015. 3. "Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, NÃO integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS". Nesse sentido: AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 18/02/2014; AgRg no REsp 1.463.364/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, julgado em 24/3/2015, DJe 30/3/2015. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1402204 / SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02/06/2015). O fundamento de tais decisões judiciais reside no disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, 29 de dezembro de 2003, que assim determinam: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: (...) b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (g.n.) Esse entendimento também foi compartilhado pelo ProcuradorGeral da República, como se vê do parecer que exarou nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 13401.000483/200675 Acórdão n.º 9303005.783 CSRFT3 Fl. 12 11 835818/PR, no qual reconhecida a repercussão geral da matéria levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal: PARECER Nº 117184/2016 – ASJCIV/SAJ/PGR Recurso Extraordinário 835818 – PR Relator: Ministro Marco Aurélio Recorrente: União Recorrida: O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda. DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 843. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA ISONOMIA E DA PROPORCIONALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. DESPROVIMENTO. 1 – Proposta de Tese de Repercussão Geral (Tema 843): Devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, sob pena de ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da proporcionalidade. 2 – Parecer pelo não provimento do recurso extraordinário. Brasília (DF), 30 de maio de 2016. Rodrigo Janot Monteiro de Barros ProcuradorGeral da República Portanto, na esteira de remansosa jurisprudência do STJ, o crédito presumido de ICMS conferido pelos estados não integra a base de cálculo do PIS/Cofins, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1588DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.903025/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 25 /2 00 9- 24 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.720, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.903067/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 03 06 7/ 20 08 -2 5 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.903067/200825 Resolução nº 1201000.309 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11065.903067/200825 Resolução nº 1201000.309 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910624/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 11/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.512
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 24 /2 01 1- 55 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.757, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.906713/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 67 13 /2 01 2- 12 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.906713/201212 Acórdão n.º 3201003.178 S3C2T1 Fl. 3 2 RENASCER CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação em litígio neste processo, em virtude de o pagamento correspondente ter sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou, laconicamente, que o "indeferimento parcial não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período". Nos termos do Acórdão nº 02051.150, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação da existência e da suficiência do crédito pleiteado. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega que não atentara para o fato de que o seu departamento fiscal não procedera às retificações necessárias à confirmação das alegações por ele apresentadas, em razão do quê solicita a concessão de novo prazo para realizar a apuração efetiva do seu direito creditório, tendo em vista os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.176, de 28/09/2017, proferido no julgamento do processo 10865.906711/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.176): O recurso voluntário, por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Nos termos do relatório fiscal, a lide do processo cingese à falta de comprovação pela Recorrente do seu direito creditório, nos termos constantes do despacho decisório, parte dos créditos declarados pelo contribuinte na DCOMP estavam vinculados ao pagamento de outros tributos, razão pela qual, as declarações de compensação foram homologadas parcialmente. Nas alegações do Recurso a Recorrente confirma que não realizou as apuração do seu direito creditório e não providenciou as alterações necessárias para confirmar o direito creditório alegado e pede uma prorrogação de prazo para realizar tais procedimentos. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.906713/201212 Acórdão n.º 3201003.178 S3C2T1 Fl. 4 3 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar as provas necessárias para comprovar as suas alegações. O pedido para prorrogação de prazo não é matéria afeita a este processo, pois, os documentos e informações comprobatórios precisam acompanhar o recurso interposto, caso a Recorrente, junto com o seu recurso voluntário, tivesse apresentado informações ou documentos que pudessem comprovar o seu direito creditório, seria possível considerar a realização de diligências para averiguar tais informações. Entretanto, a Recorrente apenas confirma os fatos já apresentados no despacho decisório e posteriormente na decisão da primeira instância, que os créditos não aceitos pela fiscalização estão vinculados a outros pagamentos, não existindo nenhuma informação que possa contradizer estes fatos, não pode prosperar o pedido da Recorrente. Quanto à alegação de ofensa a princípios constitucionais, este Conselho não é competente para aprecia a matéria, conforme assentado na súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação respectiva. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000928/2002-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE.
A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
Mantém-se a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula Carf nº 26)
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência.
(Súmula Carf nº 35)
Numero da decisão: 2401-005.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Mantém-se a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35)
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ATIVIDADE RURAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente JOSÉ CÂNDIDO MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Mantémse a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 28 /2 00 2- 48 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 239 2 CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplicase a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 240 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (DRJ/SPOII), cujo dispositivo julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1726.637 (fls. 196/211): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 ATIVIDADE RURAL. Ano calendário de 1998. Fica mantido: a) glosa de despesas, a título de “Proposta para Prorrogação de Dívida”; b) glosa de despesas a título de “pagamento parcial de Financiamento Rural”, c) a “correção do valor da receita de Atividade Rural”, considerado no auto de infração lavrado. Ano calendário de 1999. Fica mantido: a) glosa de “prejuízo de Atividade Rural, do exercício anterior”; b) a “correção do valor da receita de Atividade Rural”, considerado no auto de infração lavrado. CPMF COMO SUBSÍDIO PARA VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. As informações, da CPMF, foram obtidas das Instituições financeiras, com base no § 2° do art. 11 da Lei n° 9311/96, respaldadas pelo inciso III, § 3° do art. 1° da Lei Complementar n° 105/2001 Os dados das arrecadações da CPMF, concernentes aos anos calendário de 1998, 1999 e 2000, serviram como subsídio para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias do impugnantecontribuinte, com respaldo nos artigos 195 e inciso II do 197 da 1, Lei n° 5172/72 (CTN): Dessa forma não há que se falar em lesão aos w princípios da irretroatividade, e da segurança jurídica. PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO. A contribuinte Sra. MARIA DE LOURDES NELLI MACHADO, foi declarada como sua dependente, na DIRPF Ex.99/Ac.98 e DIRPF Ex.2000/Ac.99, na condição de cônjuge. E, neste caso a verificação do cumprimento das obrigações tributárias da Sra. Maria de Lourdes Nelli Machado, deve ser Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 241 4 efetuado em nome do contribuinte declarante, que no caso é o próprio fiscalizado. DO DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO JUSTIFICADO OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Conforme relatado pelo próprio impugnante, O fornecimento dos extratos bancários, de sua movimentação financeira do ano calendário de 1998, foi efetuado pelo mesmo, em atendimento aos termos de intimações lavrados durante a fiscalização, sem a necessidade da quebra de sigilo bancário. DO DEPÓSITO BANCÁRIO NO VALOR DE R$ 164.165,50, CONSIDERADO COMO NÃO JUSTIFICADO PELO FISCO. Pagamento de empréstimo como justificativa da origem do depósito. A alegação do impugnante de que a origem do depósito contestado, foi em função de presumido empréstimo ao seu filho, face à divergência de valores, não foi aceito. A cessão de crédito. A cessão de crédito como justificativa do depósito em conta corrente, não foi aceito porque O favorecido se trata do Sr. José Candido Machado Filho, e, não em favor do impugnante, e, os cheques apresentados, não são de emissão do Sr. Hélio Maróstica, conforme deveria ser em função dos termos do “COMUNICADO” da cessão de crédito. O recibo de pagamento. O recibo de pagamento apresentado, não foi aceito porque O produto tipificado nele, não coincide com a produção rural do impugnante, conforme se nota pelos vários comprovantes de venda da sua fazenda, e, também não consta em sua Declaração de Rendimentos Ex.l999/Ac.l998, a venda de nenhum imóvel rural. DA PRESUNÇÃO DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO JUSTIFICADO CLASSIFICADO COMO OMISSÃO DE RENDIMENTOS PELO FISCO A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O ônus legal desta comprovação cabe ao contribuinte, que detêm o conhecimento das operações financeiras, que deram origem aos créditos porventura ocorrido na sua contabancária. Lançamento Procedente Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 242 5 2. Extraise do Termo de Constatação Fiscal, acostado às fls. 17/21, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, nestes termos: (i) omissão de rendimentos da atividade rural, relativamente aos anoscalendário 1998 e 1999; e (ii) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada, relativo ao anocalendário 1998. 2.1 O Auto de Infração encontrase juntado aos autos às fls. 10/16. 3. A ciência da autuação se deu em 16/05/2002, conforme fls. 21, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 166/179). 4. Intimado da decisão de piso por via postal, em 10/09/2008, segundo fls. 215/217, o recorrente apresentou recurso voluntário em 10/10/2008, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve a pretensão fiscal (fls. 218/235): (i) o procedimento fiscal teve início na contribuinte Maria de Lourdes Nelli Machado, esposa do recorrente, para fins de verificação da movimentação bancária com base em dados da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). Posteriormente, devido a entrega de declarações de rendimentos em conjunto, o recorrente foi incluído na fiscalização. Contudo, se o objeto decorria da CPMF, referente à movimentação financeira efetuada em conta bancária da sua esposa, uma vez que as origens dos recursos foram justificadas, o procedimento deveria ter sido encerrado, e não iniciado ação fiscal para verificação da tributação da atividade rural do recorrente; (ii) no anocalendário 1998, o valor declarado como receita da atividade rural foi identificado como equivocado, devendo considerar o montante de R$ 245.612,74, e não R$ 334.270,89, e adotar como resultado do período a quantia de R$ 49.122,65; (iii) no anocalendário 1999, o recorrente aproveitou o prejuízo em sua atividade rural no exercício anterior de R$ 136.451,15, o que entende correto. Tendo em conta a opção pelo arbitramento da receita bruta de R$ 313.667,32, com aplicação da alíquota de 20%, resulta um valor tributável de R$ 62.733,46; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 243 6 (iv) a obtenção de dados de movimentação bancária a partir do recolhimento da CPMF não ampara o lançamento fiscal de fatos pretéritos ao ano de 2001, concernentes aos anos calendário de 1998 e 1999, por desrespeitar os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito; (v) não há previsão legal para a exigência de apresentação ou verificação de extratos bancários de titularidade do contribuinte, pois imprestáveis para, isoladamente, fundamentar a imposição tributária; (vi) a fiscalização não demonstrou aumento patrimonial e/ou sinais exteriores de riqueza do contribuinte incompatíveis com os valores creditados em contacorrente, os quais pudessem levar à caracterização da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários; e (vii) o único depósito bancário considerado pela autoridade tributária como de origem não justificada no curso do procedimento fiscal, no montante de R$ 164.165,50, efetuado no dia 09/09/1998, é correspondente à devolução de empréstimo do seu filho, José Cândido Machado Filho, envolvendo a cessão de crédito em contrato de compra e venda de soja em grãos. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 244 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 6. Em síntese, o recorrente defende a inadequação do direcionamento da ação fiscal, inicialmente levada a efeito na Srª Maria de Lourdes Nelli Machado, para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias em seu nome. 7. Não lhe assiste razão. Como explicado pela decisão de piso, a Srª Maria de Lourdes Nelli Machado é casada com o recorrente, declarada como dependente pelo Sr. José Cândido Machado nas Declarações de Ajuste Anual, relativas ao exercícios de 1999 e 2000 (fls. 23/24 e 148/159). 8. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural (art. 8º do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). 8.1 Vale dizer que a investigação do cumprimento das obrigações tributárias pelo agente fiscal deve ser realizada em nome do cônjuge declarante, com base no conjunto dos bens, direitos e das obrigações de casal, de maneira a identificar os rendimentos tributáveis, o patrimônio e as atividades econômicas desenvolvidas pelas pessoas físicas e, se for o caso, proceder ao lançamento de ofício. 9. De mais a mais, o procedimento fiscal efetivado em face da pessoa do recorrente observou as formalidades previstas nos atos normativos vigentes à época, como a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, com prazo razoável para atendimento (fls. 3/9, 47/48, 117/118 e 133/134). Mérito a) Atividade Rural 10. Assim como na fase de impugnação, o recorrente não trás qualquer elemento de fato e/ou direito para infirmar a acusação fiscal de omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural, nos anoscalendário de 1998 e 1999. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 245 8 11. Justificase a manutenção do lançamento sobre as receitas auferidas com o exercício da atividade rural, conforme efetuado no auto de infração, pela própria descrição das infrações pelo agente fazendário, em que identificados: (i) com relação ao anocalendário de 1998, a inclusão indevida de despesas da atividade rural, a título de "Proposta para Prorrogação de Dívida" e "Pagamento Parcial de Financiamento Rural", e a incorreção do montante da receita da atividade rural; e (ii) relativamente ao anocalendário de 1999, a má utilização de valor a título de "Prejuízo da Atividade Rural", do ano anterior, e o equívoco do montante da receita da atividade rural. 12. Reproduzo a seguir excertos do Termo de Constatação Fiscal, que acresço às minhas razões de decidir (fls. 17/20): 1 1 ATIVIDADE RURAL 1.1 ANOCALENDÁRIO DE 1998 DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL (...) Dentre os comprovantes de despesas apresentados, em atendimento ao nosso termo, verificamos que dois deles foram indevidamente incluídos como despesas da atividade rural, conforme esclarecimentos a seguir: a PROPOSTA PARA PRORROGAÇÃO DE DÍVIDA (fls.42/43) o contribuinte considerou o valor de R$ 227.729,48 como despesa da atividade rural, quando na verdade este documento comprova apenas a prorrogação de um empréstimo para custeio de entressafra (algodão herbáceo). ` b PAGAMENTO PARCIAL DE FINANCIAMENTO RURAL (fls.44) o contribuinte apresentou como comprovante de despesa, um extrato bancário onde constam os pagamentos de dois financiamentos rurais, efetuados em 31/08/98, no valor de R$ 43.843,49 e R$ 43.140,97, totalizando R$ 86.984,46. Dessa forma, os empréstimos efetuados na atividade rural não podem ser considerados como despesas de custeio/investimento, os quais devem ser informados na Declaração de Rendimentos no campo apropriado, ou seja, “Dívidas Vinculadas à Atividade Rural”. (...) O documento “Proposta para Prorrogação de Dívida” (fls.43) apresentado pelo contribuinte como despesa da atividade rural, 1 As páginas a que se refere o agente fiscal no Termo de Constatação Fiscal dizem respeito à numeração em papel, antes da digitalização do processo administrativo. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 246 9 nada mais é que um parecer técnico do banco financiador efetuado em 06/08/98, que justifica a prorrogação da data de pagamento em virtude de problemas ocorridos durante a safra de algodão, não dispondo portanto, de recursos financeiros para liquidar o empréstimo na data aprazada. (...) O contribuinte esclarece em sua resposta de 20/03/2002 (fls.135/138), que efetuou a liquidação concernente ao aditivo de prorrogação do referido empréstimo em 01/09/98, o que ainda assim, não justifica o lançamento deste como despesa da atividade rural, pois para tanto, deveriam ser apresentados os documentos comprobatórios das despesas efetivamente incorridas. O mesmo se aplica aos pagamentos parciais de financiamento rural conforme descrito no item b) acima, uma vez que os mesmos devem ter as despesas correspondentes comprovadas através de documentos hábeis e idôneos. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL O contribuinte, em sua resposta de 25/10/2001 (fls.48/52), esclareceu que o valor declarado de R$ 334.270,89 como receita da atividade rural, foi indevidamente informado em sua declaração de rendimentos (fls.150) apresentando os respectivos Informes de Rendimentos da empresas Dedini S. A. Agro Indústria (fls.84)e Citrosuco Paulista S.A (fls.85), bem como notas fiscais de produtor, para comprovar a receita efetivamente recebida de R$ 245.612,74 (fIs.86/98). APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL Uma vez que o contribuinte não comprovou a efetividade das despesas da atividade rural de agosto/98, referentes aos valores de R$ 227.729,48 e de R$ 86.984,46 os mesmos foram glosados por esta fiscalização. E ainda, levandose em conta a redução da receita comprovada pelo contribuinte, de R$ 334.270,29 para R$ 245.612,74, o mesmo incorreu num lucro da atividade rural de R$ 89.604,64. Na apuração do valor tributável, considerandose a opção pelo arbitramento sobre a receita bruta feita pelo contribuinte,ou seja, 20% da receita bruta total, este será de R$ 49.122,55. Dessa forma, tendo o contribuinte optado pelo arbitramento sobre a receita bruta, e sendo este menor que o lucro apurado, o resultado tributável do período será de R$ 49.122,55. 1.2 ANOCALENDÁRIO DE 1999 No anocalendário de 1999, o contribuinte se aproveitou indevidamente do prejuízo da atividade rural do exercício Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 247 10 anterior, de R$ 136.451,15, o qual efetivamente não existiu, conforme esclarecimentos apresentados no item acima. O contribuinte, em sua resposta de 25/10/2001(fls.71/75), esclareceu que o valor declarado de R$ 365.954,76 como receita da atividade rural, foi indevidamente informado em sua declaração de rendimentos (fls.155), apresentando os respectivos Informes de Rendimentos da empresas Dedini S. A. Agro Indústria (fls.107)e Citrosuco Paulista S.A (fls.108), bem como notas fiscais de produtor (fls.109/114), para comprovar a receita efetivamente recebida de R$ 313.667,32. APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL Levandose em conta a redução da receita comprovada pelo contribuinte, de R$ 365.954,76 para R$ 313.667,32, o mesmo incorreu num lucro da atividade rural de R$ 90.507,89. Na apuração do valor tributável, considerandose a opção pelo arbitramento sobre a receita bruta feita pelo contribuinte,ou seja, 20% da receita bruta total, este será de R$ 62.733,46. Dessa forma, tendo o contribuinte optado pelo arbitramento sobre a receita bruta, e sendo.este menor que o lucro apurado, o resultado tributável do período será de R$ 62. 733,46. O valor do prejuízo de exercício anterior, no valor de R$ 136.451,15 informado pelo contribuinte na apuração do resultado tributável da atividade rural, foi desconsiderado, uma vez que, conforme mencionado, o mesmo efetivamente não ocorreu. b) Depósito Bancário 13. No que tange à utilização de informações da CPMF para a finalidade de subsidiar o lançamento de ofício relativo a outros tributos, ao amparo do prescrito no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a súmula nº 35, assim vazada: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 13.1 De observância obrigatória pelos Conselheiros, o enunciado representa o entendimento reiterado e uniforme no âmbito da segunda instância do contencioso administrativo tributário quanto à possibilidade de aplicação retroativa do dispositivo de lei ordinária, para alcançar os fatos geradores anteriores à vigência da nova redação, por tratarse de norma de cunho procedimental, que apenas concedeu poderes adicionais de investigação ao Fisco (art. 144, §1º, do Código Tributário Nacional CTN). Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 248 11 14. É verdade que o afastamento ou não aplicação de lei no âmbito administrativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, é medida possível na hipótese de que já tenha havido a sua declaração por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) e obrigatória quando houver decisão definitiva em sede de julgamento realizado na sistemática da repercussão geral (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas modificações). 15. Acontece que a linha argumentativa exposta pela recorrente, em sua essência jurídica, foi objeto de recente apreciação pelo Tribunal Constitucional, na sessão do dia 24/02/2016, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. 15.1 Restou consignado pela maioria dos Ministros do STF que a modificação promovida pela Lei nº 10.174, de 2001, no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, não teve o condão de induzir a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma jurídica, consoante o § 1º do art. 144 do CTN. 15.2 Para melhor visualização do decidido pelo STF, reproduzo na sequência parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. (...) 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) 16. Afirma também o recorrente que os depósitos bancários, por si só, não configuram rendimentos tributáveis, eis que não representam sinais exteriores de riqueza. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 249 12 Cuidase de alegações, entretanto, que não se sustentam em face do conteúdo explícito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 17. Consiste a autuação fiscal na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados. 17.1 Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. 18. Quando da edição da Lei nº 9.430, de 1996, houve a revogação do § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 18.1 Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico, exigiase a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. 18.2 As decisões judiciais colacionadas pelo recorrente referemse a períodos anteriores à Lei nº 9.430, de 1996, com base em dispositivos já revogados, o mesmo contexto dos precedentes que fundamentaram o entendimento da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. 19. A partir do ano de 1997, com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário está dispensado de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 250 13 19.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 20. Especificamente quanto à omissão de rendimentos não justificada pela pessoa física, referese a um único depósito efetuado em cheque, em 09/09/1998, no valor de R$ 165.164,50. 20.1 Devidamente intimado e reintimado no curso do procedimento fiscal, o contribuinte justificou a origem do crédito em conta bancária como proveniente da sua atividade rural, explicação, conforme realçado no Termo de Constatação Fiscal, que se mostrou não só inconsistente com os dados disponíveis, como também desprovida de lastro em documentação hábil e idônea dos fatos alegados (fls. 20/21). 21. Na peça de impugnação, com idêntica manifestação no recurso voluntário, a explicação do contribuinte para o depósito em conta andou em outra direção, com motivo na concessão anterior de empréstimo ao seu filho. Copio as suas palavras, para melhor apreciação das razões de defesa (fls. 229/230): a) Em data de 18/ 05/ 98, o Impugnante e a Contribuinte Maria de Lourdes Nelli Machado, emprestaram ao seu filho José Candido Machado Filho, através do cheque n° 1186 222871 do Banco Banespa SA. conta corrente n° 0026920006700, no valor de R$ 112.538,00, conforme extrato respectivo, documento acostado às fls. do processo. b) Também é certo que, durante o anocalendário de 1998, outros valores menores foram emprestados em dinheiro pelo Recorrente ao seu filho José Candido Machado Filho. c) Que o filho do Impugnante em data de 03/08/98, através de COMUNICADO, do Sr. Gilberto Bruza, que de acordo com a Cláusula Terceira do Contrato Particular de Compra e Venda de Soja em Grãos, celebrado com o Sr. Hélio Maróstica, cedeu e transferiu por Cessão de Crédito ao Sr. José Candido Machado Filho, cujo documento foi firmado em 03/08/98, com firma reconhecida do Cedente SR. Gilberto Bruza, conforme prova o documento anexado aos autos em questão. d) Que em data de 09/09/98 o Sr. Gilberto Bruza e Outros, conforme Recibo em anexo, documento n° 3, efetuou o pagamento da quantia de 19.300 sacas de soja pelo preço médio, cujo valor que será convertido em reais, consoante consta na Cláusula Quinta do referido contrato, será pago ao Sr. José Candido Machado, conforme Cessão de Crédito. e) Que em data de 09/09/98, foram efetuados dois depósitos na Conta 10150234160 do Sr. José Candido Machado, ora Impugnante nos valores de R$90.436,50 e R$74.728,00, que perfazem a citada importância de R$165.164,50, consoante Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 251 14 provam os documentos anexados aos autos, fornecidos pelo Banco HSBC Brasil SA. de Itumbiara, onde reside o filho do Recorrente. f) Dessa maneira, resultou provada a origem do depósito efetuado em data de 09/09/98, no HSBC Bamerindus conta corrente n° 023416, Agência 1015 Pirassununga, do Sr. José Candido Machado ora Impugnante, portanto improcede a presunção da Fiscalização como rendimento omitido, devendo ser extraído da base de calculo na apuração do presente crédito tributário. 22. A despeito das razões alinhavadas pelo recorrente, que incluem uma explanação sobre a realização de operação de cessão de crédito e conversão de sacas de sojas em moeda corrente, não estou convencido da origem alegada para o depósito de R$ 165.164,50, em 09/09/2008, vinculado a uma devolução de empréstimo pelo filho. 22.1 É que a quantia efetivamente depositada em 09/09/1998, equivalente a R$ 165.164,50, considerada como rendimentos de origem não comprovada, está bem aquém do cheque datado em 18/05/1998, no montante de R$ 112.538,00, declarado como emprestado ao filho, José Cândido Machado Filho. 22.2 Apesar de o recorrente dizer que, durante o anocalendário de 1998, outros valores menores foram emprestados em dinheiro ao seu filho, não há sequer uma evidência de quantias, datas ou quaisquer indícios sérios e convergentes para respaldar os fatos que pretende o autuado fazer prevalecer, impossibilitando, desse modo, a adequada correlação do numerário movimentado entre pais e filho. 23. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos, é necessário a comprovação inequívoca de que o crédito bancário mencionado teve origem em fatos não tributáveis, tal como a devolução de empréstimo, o que não restou, em minha avaliação, demonstrado nos autos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 251DF CARF MF
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