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Numero do processo: 10480.730851/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PIS/PASEP E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.525
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS/PASEP E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Negado
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BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS/PASEP E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 08 51 /2 01 4- 92 Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.787 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1154.571, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de Impugnação, fls. 1.680/1.994, 5.879/15.920, interposta aos 13/11/2014 em face dos Autos de Infração relativos à COFINS e à contribuição para o PIS/PASEP, devidas pela sistemática nãocumulativa (fls. 03/11 e 12/21), cientificados à autuada aos 14/10/2014 (fls. 27/29), atinentes aos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2011, nos seguintes valores: [...] 2. No que interessa às contribuições aqui tratadas, o Relatório Fiscal de fls. 15/25 diz que o sujeito passivo não efetuara, relativamente ao ano de 2011, qualquer pagamento dos tributos examinados, tendo alegado, no curso do procedimento fiscal, que “não realizou recolhimento referente às Contribuições de PIS e COFINS devida pelos comerciantes varejistas onde deveria ter realizado através da substituição tributária”– explicação que a Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.788 3 autoridade fiscal não acatou, pois a contribuinte exerce a atividade de comércio atacadista de motocicletas e “a substituição tributária alcança, exclusivamente, as vendas feitas a comerciantes varejistas, não sendo aplicável às vendas efetuadas a comerciantes atacadistas, hipótese em que a contribuição é devida em cada uma das sucessivas operações de venda do produto, em conformidade como o disposto no Decreto nº 4.524/2002, art. 5º, § 2º e na IN SRF nº 247/2002, art. 5º, parágrafo único, inciso II”. 3. Em face do exposto, a autoridade fiscal procedeu ao levantamento das contribuições devidas, que foram exigidas de ofício. 4. Na impugnação, após dizer ser tempestiva a Impugnação, a contribuinte levanta nulidade, pois “o processo de fiscalização do qual resultou o Auto de Infração ora combatido está eivado de nulidade insanável; e além disso, a própria autuação fiscal também é manifestamente nula, por ter sido deficientemente motivada e instruída, prejudicando o direito de defesa da Impugnante”. 5. Diz que ação fiscal, iniciada aos 02/12/2013 e encerrada aos 14/10/2014, não foi concluída no prazo de 120 dias da ciência do início da fiscalização, no que desatendeu o art. 11, I, da Portaria RFB n° 1.687, de 17/09/2014, e ressalva que in casu seria indefensável a alegação de que o referido prazo poderia ser prorrogado, pois o Termo de Ciência de Continuidade da Ação Fiscal apenas fora emitido aos 14/06/2014, ou seja, “a prorrogação só foi formalizada e cientificada ao contribuinte quando o processo de fiscalização já havia sido inquinado de nulidade”. 6. No mérito, faz referência à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições em testilha, matéria bastante conhecida, e, por isto, este Relator reputa dispensável alongamento. 7. Em seguida, passa a questionar a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições autuadas, que reputa ofensiva à disposição no art. 110, do CTN, e, após remeterse ao julgamento sobre a questão no RE nº 240.785/MG, assevera que “No caso sob exame do STF, discutese a ofensa perpetrada pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 ao art. 195, I, da CF/88 que, ao permitir a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, violou norma de hierarquia superior; ou seja, transmudou teratologicamente o conceito constitucionalizado de faturamento, tolhendo a supremacia que lhe é própria. O fato de o contribuinte da COFINS não faturar o ICMS, na medida em que este tributo não se traduz em qualquer acréscimo patrimonial, implica o falecimento da pretensão de se exigir sua inclusão na base de cálculo da contribuição em comento”. 8. Pondera que “o conceito de receita, assim como o de faturamento, pressupõe a agregação de direitos ou dinheiro ao patrimônio do contribuinte em caráter definitivo” e que, sob pena de se amesquinhar o princípio da tipicidade cerrada, “o ingresso de valores em caráter transitório e não destinados a acrescer o patrimônio não pode ser qualificado como faturamento e nem mesmo receita, afastandose, consequentemente, da base de cálculo do PIS e da COFINS. É o caso, e.g., do ICMS pago em operações Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.789 4 de produção e circulação de mercadorias, entre eles os produtos alimentícios. É que, seja receita bruta ou faturamento a base de cálculo eleita pelo legislador, o ICMS não representa qualquer acréscimo patrimonial para o contribuinte, configurando, em verdade, receita dos Estados”. 9. Acrescenta que a inclusão do ICMS na base de cálculos das contribuições altercadas representa superposição de incidências sobre o mesmo substrato econômico, o que, na visão da defendente, representa bitributação, que ocorre quando “duas pessoas políticas, à míngua de permissivo constitucional, instituem tributos distintos sobre idêntica base de cálculo, a refletir ‘efeito cascata’ decorrente da sobreposição de incidências sobre uma mesma base econômica”. 10. Fala que a CF/88 conferiu aos Estados e ao Distrito federal a competência para instituir o ICMS (art. 155, II, da CF/88), tomandose o valor da operação (preço da mercadoria) como base de cálculo, bem como atribuiu à União competência para exigir contribuições destinadas à Seguridade Social incidentes sobre o faturamento ou a receita das empresas (art. 195,1, "b", da CF/88). 11. Diz que “os conceitos de preço da mercadoria e faturamento, embora semelhantes, não se confundem”, pois “o valor da operação compreende, além de remuneração pelas mercadorias vendidas (preço), o valor do próprio ICMS11, cujo custo é repassado ao consumidor final. Faturamento, por sua vez, é o conjunto de direitos e valores que se incorporam ao patrimônio do contribuinte em contraprestação por operações de venda de mercadorias e prestação de serviços, não incluindo o ICMS destacado na fatura. Logo, a base de cálculo do ICMS, ao contrário da do PIS/COFINS, pode ser composta por valores que não se integram ao patrimônio do contribuinte, sendo repassados ao consumidor final”. 12. Articula que “a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS reflete a indevida equiparação entre suas bases imponíveis; denotando a sobreposição de incidências tributárias sobre o valor da operação de venda, materialidade esta mais abrangente que as noções de receita e faturamento”, e, assim, “admitir a pretensa equiparação das bases de cálculo do PIS/COFINS e do ICMS importa em tributação inconstitucional, por estar expressamente afastada dos limites de competência tributária privativa da União Federal”. 13. Complementa que “a malsinada desvirtuação da base de cálculo do ICMS afronta o princípio da capacidade contributiva, inserto no artigo 145, §1°, da Carta Magna”, pois “Por força do princípio da capacidade contributiva, o legislador só pode fazer incidir a tributação onde haja efetiva sinalização de riqueza pelo contribuinte. No caso vertente, a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS significa, indubitavelmente, 1 A base de cálculo do ICMS é o valor da operação final e não o importe da mercadoria, daí porque o imposto incide sobre o seu próprio montante." STJ, REsp 782136/SP, Relator: Min. Humberto Martins, Órgão Julgador: Segunda Turma, Julgado em 12/09/2006, DJ 22.09.2006 p. 253. Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.790 5 tributar riqueza inexistente, eis que o ICMS destacado na nota fiscal não é vantagem para o contribuinte, que terá de recolhêlo aos cofres públicos. Por essa razão, o valor destacado a título de ICMS (receita de terceiro) há de ser deduzido da base de cálculo da COFINS e do PIS, sob pena de se ter uma base de cálculo mais ampla do que o fato jurídico tributário”. 14. Em face das razões alinhadas acima, requereu a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. 15. Na sequência, articula que a multa de 75% aplicada teria caráter confiscatório, fazendo remissão ao julgamento do STF nos RE 582.461/SP e 560.865/SP, que tratam de multa moratória. 16. Em face do exposto, requereu: (i) o reconhecimento da nulidade dos Autos de Infração, “seja porque é resultante de processo de fiscalização totalmente viciado desde a sua origem, seja porque foi deficientemente motivado e instruído, em nítido prejuízo ao direito de defesa da Impugnante”; (ii) a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (iii) a redução da multa exigida para 20%. Pugnou, ainda, por produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a juntada de novos documentos. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. DESCABIMENTO. Ressalvado o caso de imposto devido por substituição tributária, é descabida a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da cobrança da contribuição cobrada pelo regime nãocumulativo não padece da inconstitucionalidade atinente ao alargamento declarada pelo Supremo Tribunal Federal em relação à contribuição devida pelo regime cumulativo disciplinado pela Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. DESCABIMENTO. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.791 6 Ressalvado o caso de imposto devido por substituição tributária, é descabida a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da cobrança da contribuição cobrada pelo regime nãocumulativo não padece da inconstitucionalidade atinente ao alargamento declarada pelo Supremo Tribunal Federal em relação à contribuição devida pelo regime cumulativo disciplinado pela Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DECRETO. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA PELOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado, ressalvadas exceções não configuradas nos autos, afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a preliminar de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante sequer indica claramente em que ponto a autuação teria cerceado seu direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. A eventual falha na prorrogação do MPF, não caracterizada nos autos, não implica a nulidade do procedimento e não tem a força para retirar do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil a competência para efetuar o lançamento tributário ou para inutilizar o ato por ele validamente efetivado. Inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese: preliminarmente, defende a nulidade da fiscalização e da própria autuação por deficiência na motivação e instrução, além de terse vencido o prazo daquela sem a devida prorrogação; e, no mérito; opõemse à inclusão do ICMS na base de Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.792 7 cálculo das contribuições autuadas, além de afirmar o caráter confiscatório da multa de ofício. Ao final, pede a reforma do acórdão recorrido. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.793 8 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade2. Preliminar Alega a recorrente, em sede de preliminar, que a nulidade da fiscalização e da própria autuação, "por ter sido deficientemente motivada e instruída, prejudicando seu direito de defesa. Afirma então que: "A nulidade do processo de fiscalização, e de todos os atos dele derivados, decorre do fato de ter não sido concluído no prazo de 120 (cento e vinte) dias contados da intimação do Termo de Início da Ação Fiscal (“TIAF”), " previsto no artigo 11, I, da Portaria RFB nº. 1.687/04. Acrescenta que "nem se argumente, a fim de descaracterizar a nulidade do processo de fiscalização, que o prazo de 120 (cento e vinte)", deforma que "a prorrogação só foi formalizada e cientificada ao contribuinte quando o processo de fiscalização já havia sido inquinado de nulidade". Não assiste razão à recorrente. O acórdão de piso esclarece que a ação fiscal estava coberto por Mandado de Procedimento Fiscal emitido antes da entrada em vigor da dita Portaria e que, ainda assim, há jurisprudência a afastar a nulidade em caso de eventual irregularidade em sua prorrogação: 19. Primeiramente, devese salientar que, no caso vertente, sequer houve necessidade de emissão de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização –TDPFF, criado pela Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014, em substituição ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. 20. É que, de acordo com o documento cuja cópia foi acostada à fl. 1.727, emitido por este Relator no sítio da RFB, o Mandado de Procedimento Fiscal inicialmente emitido foi prorrogado, sucessivamente, até 11/07/2014 e 07/11/2014 e, antes que encerrasse o prazo desta última prorrogação, a ação fiscal foi, de como incontroverso, encerrada aos 14/10/2014. 21. Ora, o art. 15, da Portaria RFB nº 1.687/2014, preceitua que “O controle administrativo dos procedimentos fiscais em andamento, efetuados com base em Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de que trata a 2 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.794 9 Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, será efetuado por TDPF, que será emitido apenas se houver alteração, nos termos do art. 9º desta Portaria” – e a última alteração ocorrida datou de 03/09/2014 e consistiu na inclusão, no procedimento fiscal, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (vide documento de fl. 1.727), que se deu antes da criação do TDPF. 23. Mas, mesmo que assim não fosse, é remansosa a jurisprudência administrativa de que o MPF é documento de controle interno da ação fiscal, sendo que eventual irregularidade em sua prorrogação não é causa de nulidade do lançamento. Neste sentido, apenas para ilustrar, reproduzo ementa de Acórdão proferido pela 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF no processo administrativo nº 10580.012585/200331: “PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO.O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, configurandose objeto meramente informativo para os contribuintes, não implicando nulidade do lançamento eventuais falhas ou omissões relacionadas à sua emissão e trâmite, mormente quando devidamente cientificados e quando as prorrogações de prazo foram disponibilizadas na internet”. Quanto a alegada falta de motivação e instrução da autuação, a recorrente não detalha sua afirmação, desatendento o art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, com bem asseverou o julgador de primeiro grau, o qual também identificou no auto de infração elementos a constestarem a alegação da contribuinte: 25. De todo modo, constato que, no item “6 – FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS” a autoridade fiscal expõe, claramente, como procedeu à apuração das contribuições devidas: “levantou com base nos registros contábeis da BCI os valores mensais devidos das aludidas contribuições, para tanto, considerou no cálculo da contribuição mensal a pagar e na apuração dos respectivos créditos os seguintes registros contábeis: 31101001MOTOCICLETAS; 31102001 RECEITA DE SERVICOS; 31201001DEVOLUCOES DE VENDAS; 31202002ICMS SUBSTITUTO; 11301001MOTOCICLETAS; 11301003 VEICULOS e 41102002 ARMAZENAGEM”. Além disto, no mesmo item 6, a autoridade fiscal apresenta tabela onde exibe, com meridiana clareza, como procedeu à definição das contribuições autuadas. Assim, nessas questões nego provimento ao recurso voluntário. Mérito Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.795 10 A recorrente não se manifesta sobre o cabimento ou não do argumento que apresentara em sede de fiscalização, de que “não realizou recolhimento referente às Contribuições de PIS e COFINS devida pelos comerciantes varejistas onde deveria ter realizado através da substituição tributária”, quando seria atacadista. Apenas, como o fêz na impugnação, questiona a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições autuadas, alegando que " ditas contribuições devem incidir sobre o faturamento da empresa, conceito que não engloba as rubricas de ICMS". Trabalha com o disposto no art. 195, I, da Constituição Federal, com as Leis Complementares 7/70 e 70/91, passa pela Lei 9.718, Emenda Constitucional 20/98, até chegar às Leis 10.637/02 e 10.833/03, estas última, das quais trata a autuação em foco. Chama então em seu socorro o o Recurso Extraordinário (RE) 390.840/MG, no qual o STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9. 718/98; assim como o RE 240.785/MG – no qual se decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Sobre a questão, o acórdão de piso faz acertadas considerações, distinguindo o que se aplica ao regime cumulativo, da Lei 9.718/98, da não cumulativo, das Leis 10.637/02 e 10.833/03: 28. Passando ao mérito, a contribuinte alega inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, que apenas afetam estas contribuições quando, com fundamento na Lei nº 9.718/98, são exigidas sob o regime cumulativo, não tendo sentido a discussão no tangente às contribuições cobradas pelo regime nãocumulativo com fundamento nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, editadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998. Para exemplificar, neste talvegue decidiu o STF no acórdão unanimemente proferido aos 09/05/2006 no RE nº 379.243 1/PR, de cuja ementa extraio o seguinte fragmento: “Embargos declaratórios. Efeito Infringente. Conhecimento dos embargos como agravo regimental. 2. COFINS. Lei 9.718/98. RREE 336.134 e 357.950. 3. Aplicação, no tempo, dos efeitos da proclamação de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Leis 10.637/02 e 10.833/03. Identidade de fundamentos. Inexistência. Legislação posterior à EC 20/98. 4. Embargo regimental a que se nega provimento”. Acrescentese que o Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, hoje, transitado em julgado sob a ementa exposta a seguir, não tramitou sob a sistemática da repercussão geral. Pois bem, sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário em repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.796 11 Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. (>: Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa). A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.797 12 serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. Ainda sobre a questão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo, defende a recorrente configura bitributação, ("quando duas pessoas políticas, à míngua de permissivo constitucional, instituem tributos distintos sobre idêntica base de cálculo, a refletir “efeito cascata” decorrente da sobreposição de incidências sobre uma mesma base econômica"); além de violar o princípio da capacidade contributiva, inserto no art. 145, §1º, da Constituição Federal A citada decisão do STJ bem se posiciona sobre a não violação do tema capacidade contributiva e lança luz quanto a não ocorrência de bitributação: 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.798 13 ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva (grifos do original). Ademais, bem se vê que todos os argumento de mérito trazidos pela recorrente tratam de matéria constitucional, a qual foge à competência desta CARF. Ao final, alega a recorrente, o caráter confiscatório da multa de ofício que lhe foi aplicada. Tem decidido este CARF que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos termos da legislação. Assim, por todo o exposto, voto dar negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.799 14 Declaração de Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A despeito do excelente voto do Relator, ouso divergir na matéria referente à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Entendo que assiste razão à Recorrente, uma vez que o RE n° 574.706PR – RG deve obrigatoriamente ser aplicado ao caso em questão. Explico. Sobre essa matéria, já tive a oportunidade de me manifestar em publicação acadêmica, na Revista de Direito Tributário Contemporâneo, Ano 3, nº 11, MarAbr/2018, Editora Thomson Reuters (ISSN 25254626). No RE n° 574.706PR RG, discutiuse a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, por ser faturamento o somatório da receita obtida com a venda de mercadorias ou a prestação de serviços. Com isso, o ICMS não se coaduna com esse conceito. É sabido que o STF reconheceu a repercussão geral da matéria em 16/05/2008. Foi dado provimento ao recurso extraordinário, cujo acórdão foi publicado em 02/10/2017. A repercussão geral fixou a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”. Transcrevese a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.800 15 não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. No acórdão, não houve modulação de efeitos. Por isso, em seguida, foram interpostos os embargos de declaração pela Fazenda Nacional, em 19/10/2017. Entretanto, até a data do julgamento deste processo, não houve qualquer manifestação do STF quanto à modulação. Ressalto que, segundo o art. 14 do Novo CPC/15, a norma processual se aplica imediatamente aos processos em curso: Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Por outro lado, os Embargos de Declaração não têm efeito suspensivo: Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.801 16 Observase que o Poder Judiciário tem aplicado imediatamente o entendimento do STF, como se observa nos julgados abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B DO CPC/1973. RE 574.796/PR. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS. APELAÇÃO PROVIDA. 1. Instado o incidente de retratação em face do v. acórdão recorrido, em observância ao entendimento consolidado pelo C. Supremo Tribunal Federal no julgamento do mérito do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida RE n° 574.796/PR. 2. O Plenário do E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.796/PR, publicado em 02.10.2017, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, firmou entendimento no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". 3. Efetuado o juízo de retratação, nos termos do artigo 543B, § 3º, do CPC/1973, para dar provimento à apelação da impetrante. (TRF 3, Apel. 002047195.1993.4.03.6100, DJ 21/12/2017) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LITISPENDÊNCIA NÃO COFIGURADA. SENTENÇA ANULADA. JULGAMENTO DO MÉRITO. ART. 1013, § 3º, DO NCPC. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO INDEVIDA. REPERCUSSÃO GERAL. STF. (1). 1. Verificase a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada, existindo entre elas identidade de partes, causa de pedir e pedido. Não identificada a tríplice identidade, porque diferentes os pedidos, a litispendência não pode ser invocada como justa causa para extinção do feito sem resolução do mérito. 2. Anulada a sentença e encontrandose a relação processual devidamente formada, inexistindo necessidade de produção de outras provas e não vislumbrando qualquer prejuízo ou cerceamento de defesa de qualquer das partes, Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.802 17 é possível a apreciação do mérito, nesta instância recursal, nos termos do disposto no art. 1013, § 3º, do CPC/2015. 3. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 574.706 pela sistemática da repercussão geral, firmou a tese de "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS". (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 15/03/2017). 4. Especificamente em relação à Lei 12.973/2014 se encontra consolidado o entendimento no sentido de a ampliação do conceito do faturamento não alterou o conceito de base de cálculo sobre a qual incide o PIS e a COFINS, tanto mais diante da consolidada a jurisprudência da Suprema Corte, a quem cabe o exame definitivo da matéria constitucional, no sentido da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes. 5. Apelação provida, para anular a sentença e, prosseguindo no julgamento, nos termos do art. 1013, § 3º, do CPC/2015, julgar procedente o pedido. (TRF 1, Apel. 001138906.2017.4.01.3400/DF, DJ 01/12/2017). Quanto à aplicação dessa decisão em sede de processo administrativo, dispõe o § 2º, do art. 62 do RICARF, o seguinte: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.803 18 É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.355.713 – SC, DJ 24/08/2017 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. ICMS. INTEGRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II – O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 674.706/PR, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, concluiu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. III – Esta Corte realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS. IV – A Agravante não apresenta argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V – Agravo Interno improvido. AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 – SP, DJ 07/11/2017 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.804 19 base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, DJ 24/08/2017 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. O ICMS INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. MANUTENÇÃO DAS SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. RESP 1.144.469/PR, REL. MIN. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, REL. P/ ACÓRDÃO O MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE 2.12.2016, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR) EM SENTIDO CONTRÁRIO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA PROVIDO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora a Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. 3. O REsp. 1.144.469/PR tratou, ainda, da incidência do ICMS no PIS/COFINS repassados a terceiro, verificase que neste ponto não há divergência quanto à matéria (item 12 da ementa REsp. 1.144.469/PR, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, 1a. Seção, DJe 2.12.2016). Assim, não assiste razão à parte agravante quanto a este ponto. 4. Agravo Interno da Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.805 20 empresa provido para dar parcial provimento ao Agravo e reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS/COFINS. (AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 19/04/2017). Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF. Por fim, aponto que, recentemente, o STJ se manifestou no sentido da obrigatoriedade da aplicação do decisum, independentemente do trânsito em julgado (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº 282.685 – CE, DJ 27/02/2018): TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. Em suma, entendo que a aplicação do RE n° 574.706 é obrigatória, motivo pelo qual entendo que o recurso voluntário deve ser provido. (assinado digitalmente) Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10480.730851/201492 Acórdão n.º 3301004.525 S3C3T1 Fl. 1.806 21 Semíramis de Oliveira Duro Fl. 1806DF CARF MF
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Numero do processo: 12963.000809/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2008
AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS.
Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeita-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros.
COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL.
Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2008 AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS. Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeitase ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL. Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 08 09 /2 00 9- 89 Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.553 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.554 3 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.086.2341, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI), apuradas no levantamento FER FÉRIAS. Os valores pagos pela empresa não constariam das GFIP, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração com CFL 68, que compõe outro PAF. Foi efetuado o comparativo da multa mais benéfica, considerandose a entrada em vigência da Lei 11941/09. Por fim, o agente fiscal relata que o sujeito passivo, muito embora fosse uma autarquia, estaria sujeito ao regime jurídico das empresas privadas para o cálculo das contribuições. A alíquota aplicada foi de 5,8%. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, na qual a inexigibilidade das contribuições por razões de mérito, questionando, ainda, o percentual da multa aplicada neste lançamento. Em razão da conexão existente entre o presente processo e o processo nº 12963.000815/200936, AI 37.262.0183, relativo ao mesmo levantamento e ao mesmo período, mas a contribuições devidas pelos segurados e pela empresa, o qual foi baixado em diligência, os autos foram também baixados em diligência para acompanhamento. Em 25/06/2014, foi emitida Informação Fiscal e juntados documentos aos autos, referentes às contribuições incidentes sobre a remuneração de férias, apuradas nos processos nº 12963.000817/200925 e nº 12963.000815/200935, relativos à contribuição dos segurados e da empresa, dos períodos 04/2004 a 11/2004 e 12/2004 a 09/2008, respectivamente, e nos processos nº 12963.000812/200901 e nº 12963.000809/2009 89, relativos à contribuição destinada a outras entidades e fundos, dos períodos 04/2004 a 11/2004 e 12/2004 a 09/2008, respectivamente. Ao fim da Informação Fiscal, a autoridade lançadora sugere a manutenção do lançamento. Em 05/08/2014, foi emitido o Termo de Apensação do presente processo ao processo nº 12963.000815/200936. Em 06/08/2014, os autos foram devolvidos para ciência do contribuinte, a qual se deu em 18/08/2014, conforme AR. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.555 4 O contribuinte não se manifestou novamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: NATUREZA JURÍDICA. ATIVIDADE ECONÔMICA. CÓDIGO FPAS. O enquadramento do contribuinte no código FPAS está relacionado à atividade econômica que exerce e não à sua natureza jurídica. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação. Intimada da decisão em 02/12/2014, através de aviso de recebimento (fl. 1537), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 15/12/2015, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, sustentou o seguinte: Mérito Da natureza jurídica do autuado (a) o recorrente foi constituído como entidade autárquica para a prestação de serviço público exploração do serviço essencial de energia elétrica em favor dos munícipes de Poços de Caldas; (b) quem está fazendo a exploração é o próprio Ente Público através de sua administração indireta; (c) o recorrente tem caráter não lucrativo; Das contribuições (d) por ser uma autarquia legalmente constituída, o recorrente enquadrase no código FPAS 582, que não está sujeito ao pagamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos; (e) cita decisões da justiça do trabalho em processos de que é parte e parecer da Procuradoria do INSS; (f) cita decisão do TJMG, que lhe concedeu a imunidade tributária recíproca em processo relativo ao IPVA; Da multa aplicada (g) questiona a multa de 24%, sob o argumento de que a Lei 11941/09 teria revogado os incs. I a III do art. 35 da Lei 8212/91, de forma que a multa aplicável seria de no máximo 20%, conforme o art. 61 da Lei 9430/96. É o relatório. Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.556 5 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da inexigibilidade das contribuições de terceiros Nesse ponto, o contribuinte basicamente alega que, por ser uma autarquia, enquadrase no código FPAS 582, que não está sujeito ao pagamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. É que o relatório fiscal e a decisão recorrida partiram da premissa de que o sujeito passivo, por exercer atividade econômica, condição inerente ao fato de ser empresa do setor elétrico, estaria sujeito ao regime jurídico próprio das empresas privadas. Num primeiro momento, portanto, deve ser analisado se a prestação do serviço de energia elétrica é uma atividade econômica (atividade econômica em seu sentido estrito) ou, como alega o recorrente, um serviço público. Pois bem. A Constituição Federal não define serviço público e nem atividade econômica. Em seu art. 170, entretanto, a Lei Maior traz um traço característico da atividade econômica: a livre iniciativa, em que é expressamente livre o exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Vejase: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.557 6 prestação;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. (destacouse) Do texto constitucional, ainda se depreende que a atividade econômica está fundamentada em inúmeros princípios igualmente expressos, entre os quais o da propriedade privada e o da livre concorrência. Assim, as pessoas têm ampla liberdade para explorar as atividades econômicas e nem mesmo necessitam de autorização dos órgãos públicos para fazêlo, salvo nos casos previstos em lei. Como regra, ademais, as atividades econômicas apenas podem ser exploradas pelos particulares, somente sendo permitidas ao Estado quando necessárias aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. Vejase: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. Em contraponto, os serviços públicos são de prestação pelo Poder Público, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação. Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II os direitos dos usuários; III política tarifária; IV a obrigação de manter serviço adequado. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.558 7 Ao contrário das atividades econômicas, fundadas primordialmente na livre iniciativa, os serviços públicos têm como traços característicos a obrigatoriedade, a continuidade, a regularidade, a universalidade, a modicidade, a eficiência, o controle, etc. O art. 175 retro transcrito determina, de forma clara, que a lei disporá sobre a obrigação de manutenção de um serviço adequado, o que se distingue totalmente da atividade econômica, a qual está alicerçada quase que apenas na livre iniciativa, dentro de uma economia de mercado livre, individualista e fortemente concorrencial. O jurista e exministro do Supremo, Eros Grau, faz interessante constatação que merece ser transcrita: A Carta Substancial de 1988 projeta um Estado desenvolto e forte, sob as balizas dos seus fundamentos constantes no art. 1° e objetivos, no art. 3°, para que este venha a ser concretizado. Assim, todas as parcelas da atividade econômica que sejam indispensáveis à realização e ao desenvolvimento da coesão e da interdependência social devem ser prestadas como serviço público; e não como atividade econômica em sentido estrito, que privilegia a perspectiva individualista do mercado e confronta a Constituição1. É que a Constituição adotou um estado predominantemente social, a quem incumbiu a prestação dos serviços públicos como forma de garantir a cidadania, a dignidade, a construção de uma sociedade justa e solidária, etc. A perspectiva não individualista dos serviços públicos é facilmente notada na conceituação do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello: [...]toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral, mas fruível singularmente pelos administrados, que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes, sob um regime de Direito Público – portanto, consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais – instituído em favor dos interesses definidos como públicos no sistema normativo2. Nesse contexto, não há dúvidas de que os serviços de energia elétrica são serviços públicos. A sua exploração é de competência estatal, como determina o art. 21, inc. XII, alínea b, da Constituição, e, diferentemente da atividade econômica em sentido estrito, os particulares necessitam de autorização, concessão ou permissão do ente competente para explorálo. Acrescentese que se trata de comodidade material destinada à coletividade, conforme lição retro mencionada, e que a sua exploração não pode se dar dentro de uma 1 Citado por Ricardo Duarte Jr, em http://www.ambito juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6746, acesso em 09/01/2018. 2 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 25 ª Ed., 2 ª tiragem, São Paulo: Malheiros, 2008. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.559 8 perspectiva individualista, mas sim de acordo com os princípios do regime jurídico administrativo. Se os serviços de energia elétrica não fossem de competência do estado, mas sim uma atividade econômica pautada pelo princípio da livre iniciativa, é evidente e inegável que os municípios menores e menos abastados ficariam privados da sua prestação, o que explica o fato de a Constituição Federal, de caráter notadamente social, têlos colocado como serviços públicos obrigatórios e de competência da administração pública. Vejase: Art. 21. Compete à União: XII explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos; Não é por outra razão que a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização de energia elétrica é regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), autarquia em regime especial vinculada ao Ministério de Minas e Energia, conforme determina a Lei 9427/96 e o Decreto 2335/97. A citada lei, de forma expressa e já em seu preâmbulo, determina que os serviços de energia elétrica são serviços públicos, o que se alinha com a Constituição Federal, conforme antes demonstrado. Vejase: LEI Nº 9.427, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica e dá outras providências. (destacouse) Por outro lado, e no caso em particular, a pessoa jurídica encarregada da prestação do serviço de energia elétrica para o Município de Poços de Caldas integra a administração pública indireta, na qualidade de órgão autárquico. O sujeito passivo foi assim criado pela Lei Municipal 420/1954 (criou o Departamento Municipal de Eletricidade), com as alterações da Lei 2547/77, o que é confirmado pelo seu Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral CNPJ. Vejase o teor da art. 1º da Lei 2547: Art. 1º O Departamento Municipal de Eletricidade é um órgão autárquico da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas, com autonomia financeira, econômica e administrativa. E a legitimidade do recorrente para a execução dos serviços de energia elétrica naquele Município está comprovada no Contrato de Concessão 49/99 ANEEL, no qual a União, enquanto poder concedente, e por intermédio da citada agência reguladora, concedeulhe o direito de exploração do serviço público de distribuição de energia elétrica. Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.560 9 Do citado contrato, ainda se depreende que o sujeito passivo, enquanto concessionário da exploração de serviço público dotado de utilidade pública, está obrigado a garantir a modicidade das tarifas, consoante previsão expressa de sua "CLÁUSULA PRIMEIRA", "Subcláusula Quinta", o que se coaduna com o regime jurídico administrativo próprio dos serviços públicos, diferentemente do regime privado das atividades econômicas em sentido estrito. Nesse mesmo contrato, observamse outras cláusulas próprias do regime jurídico administrativo, pois visam a garantir a obrigatoriedade, a continuidade, a regularidade, a universalidade, a eficiência e o controle dos serviços objeto da concessão. Daí se conclui que o sujeito passivo, entidade autárquica sem fins lucrativos, e obviamente integrante da administração pública indireta, presta os serviços públicos de energia elétrica mediante concessão da União, fazendolhe às vezes, sob um regime jurídico administrativo, e não sob um regime privado. Traçando um paralelo com a imunidade tributária recíproca de que trata o art. 150, inc. VI, alínea a, da Constituição Federal, lembrese que ela é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Vejase: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Nessa toada, o recorrente não está sujeito ao recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos, cujo recolhimento é próprio das empresas privadas, devendo ser provido o seu recurso, para que seja cancelado o lançamento. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.561 10 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à inexigibilidade das contribuições destinadas aos Terceiros. Da natureza jurídica do Recorrente e das contribuições destinadas aos Terceiros Tendo em vista a natureza jurídica do Recorrente, ou seja, de entidade autárquica e prestadora de serviço público, o Relator acompanhou as razões recursais, invocando a imunidade tributária recíproca, prevista no art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal, e afastou a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições destinadas aos Terceiros, afirmando, ainda, que tal obrigação seria própria das empresas privadas. Primeiramente, gostaríamos de apontar que o Recorrente deixou de ser uma entidade autárquica, em 2010, para ser uma empresa pública, segundo dispõe a Lei Complementar nº 111, de 27/3/10, do Município de Poços de Caldas: De qualquer forma, o lançamento diz respeito ao período de 12/2004 a 09/2008, quanto o Recorrente ainda era uma entidade autárquica. Todavia, em que pese o Recorrente ter sido uma autarquia no período abrangido pelo lançamento e a Carta Republicana abrigar as autarquias na imunidade constitucional recíproca, tal imunidade diz respeito apenas a impostos, senão, vejamos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; [...] § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.562 11 § 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. (Grifo nosso) Portanto, como as contribuições em análise não estão abarcadas pelo art. 150, inciso VI, da Constituição Federal, não cabe serem afastadas com base na imunidade recíproca. Além do mais, o § 3º deixa claro que tal imunidade não se aplica em relação à exploração de atividade econômica regida pelas “normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário”, que é o que ocorre no caso da DME DISTRIBUIÇÃO S.A. Ademais, corroborando tal entendimento, trazemos à baila a ementa do Acórdão n° 10708.768, de 18/10/2006, citada na decisão a quo e que trata exatamente da questão em foco, pois o Recorrente é concessionário3 de serviço público de competência da União: IRPJ/CSLL/PIS E COFINS – PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR, POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO – NATUREZA JURÍDICA DE FATO – SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados não está abrigado pela imunidade constitucional. Dessa forma, superada a questão quanto à imunidade, vamos tratar da natureza jurídica do Recorrente. Pois bem, independente da sua natureza jurídica, por ser uma concessionária de serviço público, o Recorrente deve e teve que se submeter à Lei 8.987, de 13/2/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, previsto no art. 175 da Constituição Federal. A Lei 8.987/95 estabelece que a concessão será objeto de licitação prévia e tratamento isonômico dos concorrentes, nos seguintes termos: Art. 14. Toda concessão de serviço público, precedida ou não da execução de obra pública, será objeto de prévia licitação, nos termos da legislação própria e com observância dos princípios da legalidade, moralidade, publicidade, igualdade, do julgamento por critérios objetivos e da vinculação ao instrumento convocatório. [...] 3 Contrato de Concessão nº 49, de 1999 – fls. 81 a 97. Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.563 12 Art. 17. Considerarseá desclassificada a proposta que, para sua viabilização, necessite de vantagens ou subsídios que não estejam previamente autorizados em lei e à disposição de todos os concorrentes. § 1º Considerarseá, também, desclassificada a proposta de entidade estatal alheia à esfera políticoadministrativa do poder concedente que, para sua viabilização, necessite de vantagens ou subsídios do poder público controlador da referida entidade. (Renumerado do parágrafo único pela Lei n° 9.648. de 1998) § 2º Incluise nas vantagens ou subsídios de que trata este artigo, qualquer tipo de tratamento tributário diferenciado, ainda que em conseqüência da natureza jurídica do licitante, que comprometa a isonomia fiscal que deve prevalecer entre todos os concorrentes. (Incluido pela Lei n° 9.648, de 1998) Sendo assim, em que pese a natureza jurídica de autarquia, ao prestar serviço público de competência da União (distribuição de energia elétrica), por meio de concessão e com cobrança de tarifas, o Recorrente deve estar em par de igualdade com os demais concorrentes, o que o torna sujeito ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. Da multa aplicada Segundo o Recorrente, como a multa aplicada de 24% estaria prevista nos incisos do art. 35 da Lei 8.212/91, e como tais incisos foram revogados pela Medida Provisória 449, de 3/12/08, a qual foi convertida na Lei 11.941, de 27/5/09, pela nova sistemática, deveria ser aplicada a multa 20%, prevista no art. 61 da Lei 9430/96. Antes de considerações outras, devemos observar que a lei tributária é aplicável ao ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a lei vigente ao tempo do respectivo ato ou fato, nos termos art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN) 4. Dessa forma, devemos examinar o que dispõe a legislação de regência das multas aplicáveis ao caso, antes e depois da entrada em vigor da MP 449/08. Antes da MP 449/08 Lei 8.212/91 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; 4 Lei 5.172, de 25/10/66. Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.564 13 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Após a MP 449/08 Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, independente do nomen iuris dado a cada multa (ofício ou mora), em essência, todas são multas de mora, sendo aplicadas em razão da mora do contribuinte. A diferença é que a multa do art. 35, inciso I, alínea “c”, da Lei 8.212/91, e a multa do art. 61, da Lei 9.430/91, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso as contribuições, porém, espontaneamente, ou seja, sem que a fiscalização seja acionada. Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.565 14 Por sua vez, a multa prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, e a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso, porém, de forma não espontânea, ou seja, após as contribuições serem lançadas de ofício pela fiscalização. Tal situação explica o porquê da Lei 8.212/91 incluir em seu art. 35, que trata da multa de mora, a multa de ofício prevista no inciso II, alínea “a”. Portanto, diante desse quadro, somente é possível compararmos recolhimento espontâneo com recolhimento espontâneo e recolhimento não espontâneo com recolhimento não espontâneo, da seguinte forma: Nessa linha de raciocínio é o Acórdão 9202005.667, da Câmara Superior de Recurso Fiscais do CARF, proferido em 26/7/17, o qual apresenta a seguinte ementa: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Sendo assim, como a multa aplicável (de ofício) na sistemática anterior à MP 449/08, era a multa de 24%, prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, a multa correspondente, na nova sistemática, é a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Além do mais, para que não paire qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade menos severa, devemos lembrar que na sistemática anterior, para o caso em análise, seria aplicada a multa de 24% mais a multa do CFL5 68, prevista no art. 32, § 5º, da Lei 5 Código de Fundamentação Legal. Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 12963.000809/200989 Acórdão n.º 2402006.172 S2C4T2 Fl. 1.566 15 8.212/91, em razão do contribuinte ter apresentado GFIP6 com omissão ou incorreção de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Na nova sistemática, porém, para o caso em análise, seria aplicável apenas a multa de 75%, pois esta já engloba o não recolhimento e a pena por apresentação de GFIP como omissão ou incorreção. Pois bem, compulsando a Planilha de fls. 24 a 26, constatase que a fiscalização realizou a comparação das multas, concluindo pela aplicação, em todo o período, da multa do 24% (mais a multa do CFL 68), por ser menos severa ao contribuinte. Portanto, improcedem as alegações recursais quanto à multa a ser aplicada. De qualquer forma, lembramos que no momento do pagamento do presente crédito ou no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) será verificada a multa mais benéfica a ser mantida, nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 4/12/09. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 6 Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 1566DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000221/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 21 /2 00 5- 29 Fl. 214DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 16/18, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao 2° trimestre de 2002 e 3° trimestre de 2002, atingiu o montante de R$285.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02); arts. 10, ll e 12 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71/2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.90.002004 026526 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação às entregas das DIFs Papel Imune ou apresentar os comprovantes de entrega das declarações relativas ao período acima mencionado (fl. 03). Em atenção à intimação fiscal, a intimada apresentou cópias dos recibos de entrega das declarações que se encontravam omissas (fls. 04/05), datados de 29/01/2005 e 30/01/2005, bem como cópia da decisão que deferiu o pedido de liminar ajuizado no Mandado de Segurança Coletivo na 17ª Vara Federal do Distrito Federal sob o n° 2002.34.00.0000718, cuja impetrante foi a Câmara Brasileira do Livro. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19515.000221/200529 Acórdão n.º 3201003.629 S3C2T1 Fl. 3 3 E como as declarações foram entregues após o prazo regulamentar, “e o Mandado de Segurança Coletivo em julgamento diz respeito a exigência do registro que a empresa obteve através dos Atos Declaratórios Executivos n° 445 e 484 publicados em 30/04/2002”, a autoridade fiscal lançou as multas pelo atraso na entrega, computadas por mês de atraso. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 24/02/2005 (fl. 17), na pessoa de um de seus sócios, tendo protocolado sua impugnação em 24/03/2005, conforme peça de fls. 36/65 (firmada por procurador regularmente estabelecido, fls. 66/83), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: a) “é pessoa jurídica de direito privado dedicada ao ramo da editoração, compra, venda e circulação de livros e obras intelectuais ou artísticas”, estando sujeita à imunidade tributária prevista no art. 150, inc. VI, alínea 'd', da Constituição Federal; b) à guisa de preliminar, a autuação deve ser imediatamente cancelada “posto que encontrase eivada de vício de nulidade insanável. Isto porque o auto de infração versa exatamente sobre matéria objeto de discussão judicial em curso no qual se discute a ilegalidade e inconstitucionalidade das exigências contidas na Instrução Normativa n° 71 de 24/08/2001”. A ação judicial, impetrada pela Câmara Brasileira do Livro, da qual é associada, visou “afastar as exigências e limitações contidas na referida IN SRF 71/01, especialmente no que concerne às exigências relativas aos antecedentes fiscais exigidos em seu art. 4°, inciso III e à apresentação de Declaração Especial de Informações Fiscais relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), prevista nos artigos 10, 11 e 12 da comentada Instrução Normativa”; c) conforme dispositivo que deferiu o pedido liminar, observase “que as obrigações acessórias instituídas pela Instrução Normativa 71/01, ficaram sem efeito a partir da concessão da referida medida liminar, razão pela qual a Impugnante não pode ser constrangida pelo período que deixou de apresentar as DIFs sobre o respaldo da referida decisão judicial”; d) com a alteração da IN SRF n° 71/01 pela IN SRF n° 101/2001, foi revogada a exigência relativa aos antecedentes fiscais, o que fez com que a sentença prolatada naquela ação decidisse, equivocadamente, pela extinção do processo por perda de objeto da ação. Entretanto, como a referida ação também combateu a exigência das reportadas declarações, a impetrante ingressou com embargos declaratórios em face da sentença, “visando a sanar tal equívoco do MM. Juízo Federal”; e) foi também interposto recurso de apelação contra a sentença, “de sorte a garantir ainda o prosseguimento da ação e manutenção dos efeitos da liminar inicialmente concedida”. E para garantir o recebimento do recurso com efeito suspensivo, ingressou com Medida Cautelar, “a qual ainda pende de julgamento”; Fl. 216DF CARF MF 4 f) diante disto tudo, “a lavratura do auto de infração acerca de matéria pendente de apreciação definitiva pelo poder judiciário nos autos do referido Mandado de Segurança e respectiva Medida Cautelar consubstancia inequívoca lesão ao princípio do devido processo legal”, como se depreende da doutrina; g) no mérito, não se aplica a seu caso a penalidade prescrita no art. 57 da Medida Provisória (MP) n° 2.15834, conforme remissão do artigo 12 da IN SRF 71/2001. Isto porque atendeu ao solicitado na intimação fiscal, no prazo que lhe fora concedido, não tendo, assim, deixado de apresentar “informações ou esclarecimentos SOLICITADOS pelo Fisco”. E, sendo assim, “importa respeitosamente aduzir que o I. Fiscal Autuante atribui ao artigo 505, do Decreto n° 4.544/2002 (e, por conseguinte, ao artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15834) interpretação diversa de sua literal redação”; h) é absurda a forma de cálculo da multa. Isto porque, “apesar do suposto atraso no cumprimento de obrigação acessória ser um ato uno, ou seja, tratase apenas de um ato de atraso no cumprimento de obrigação acessória, POR ABSURDO a multa isolada de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) foi aplicada repetidas vezes, de sorte que a presente atuação remonta no ABSURDO VALOR de R$ 285.000,00 (duzentos e oitenta e cinco mil reais) . O que vale dizer que, a mesma multa ISOLADA foi aplicada 57 vezes sobre um único ato de atraso no cumprimento de obrigação acessória que, destaquese, prejuízo algum causou ao Fisco”; i) a multa é “arbitrária e totalmente desproporcional em relação ao dano causado ao erário, que no caso foi nenhum”, contrariando a intenção do legislador constituinte de “minimizar o ônus público que recai sobre as empresas do ramo editorial”. E, ademais, “o valor cobrado a título de multa por mero atraso no cumprimento de obrigação acessória (R$ 285.000,00), representa boa parte do faturamento anual da Impugnante, bem como parcela significativa de seu patrimônio, razão pela qual sua absurda cobrança pode conduzir, de fato, à destruição da contribuinte”; j) a multa deve ser relevada, a teor do art. 112, II, do CTN, uma vez que não agiu de forma dolosa, fraudulenta ou simulada e não causou prejuízos ao Fisco pela falta de pagamento de impostos. E “no caso em questão não há sequer dúvida quanto à natureza e a circunstância em que se deu a autuação, tratase de pessoa jurídica imune, a qual tem a obrigação acessória de apresentação de DIF Papel Imune, sendo certo que o atraso no cumprimento deste dever instrumental não revela prejuízo algum ao FISCO”; k) a multa aplicada viola a vedação constitucional ao confisco, conforme já assentado na melhor doutrina, assim como na jurisprudência judicial. E, por ser confiscatória, também viola o princípio da moralidade, estatuído no art. 37 da Constituição Federal; l) “a imposição de multa deve atender aos critérios de individualização da pena, prescrito no art. 5°, XLVI, “c” da Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19515.000221/200529 Acórdão n.º 3201003.629 S3C2T1 Fl. 4 5 Carta Magna”, como também já se posicionou a melhor doutrina e a jurisprudência judicial. Isto porque a imposição tributária “não indica de forma precisa qual a pena base, quais as causas de aumento ou diminuição de pena, limitandose apenas a fixar o valor da multa pelo descumprimento da obrigação”; m) devese atentar para a graduação da pena, os limites que esta pode alcançar. Se o comando legal que instituiu a penalidade não for claro, “quanto a quaisquer de seus requisitos, tais como, a pena base e as causas de seu aumento ou diminuição, devese atentar para a razoabilidade e aplicar o que determina o já citado artigo 112 do CTN, interpretandose a lei de maneira mais favorável ao contribuinte”. Neste caso, “a aplicação de pena exacerbada, não prevista em lei, ataca diretamente 0 artigo 112 do CTN, sendo mais um motivo para a desconsideração de sanção tão absurda”; Concluiu a impugnante requerendo a decretação da nulidade do auto de infração ou o reconhecimento da sua improcedência. Sucessivamente, requer que a multa seja reduzida para o valor máximo de R$ 5.000,00 por DIFPapel Imune entregue em atraso. Importa relatar que o sujeito passivo posteriormente requereu a juntada de instrumentos de subestabelecimento e que “as intimações relativas a este procedimento passem a serem feitas nas pessoas dos advogados substabelecidos, no endereço do escritório dos mesmos” (fls. 157/159)." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. MÉRITO. Rejeitase preliminar de nulidade que, em verdade, ataca o mérito do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002 DIF PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. MEDIDA LIMINAR. Fl. 218DF CARF MF 6 A decisão liminar argüida, tacitamente revogada pela sentença, não afastou a obrigatoriedade de entrega das DIFsPapel Imune. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835, devida por mêscalendário de atraso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Lançamento procedente." O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a instituição da obrigatoriedade de apresentação da DIF veiculada por meio de Instrução Normativa 71/2001 fere o inciso II do art. 5° da CF/88; fere o disposto no artigo 113, §§ 2° e 3° do Código Tributário Nacional e, no tocante à pena, agride a regra imposta pelo inciso V do art. 97 do mesmo CTN que repisa a imperativa observância do princípio da reserva legal; (ii) Nem o fato de a referência penal da IN ser a Medida Provisória 2.15835 em termos de gradação da pena “salva” o vício de origem; (iii) O texto relativo à pena imposta, conforme fixa a IN 71/2001 remete ao disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e faz evidência de duas circunstâncias: a) a existência de uma pena imposta “por mêscalendário” de atraso na apresentação das informações e b) que a transgressão deve referir dever instrumental cuja satisfação se revele mensal; (iv) admitindose fosse exigível a conduta apenada, a exigência somente poderia recair por trimestre e nunca por mês de atraso, já que a obrigação dita descumprida tem periodicidade trimestral; (v) quando o auto de infração foi lavrado, sequer podia o lançamento se consumar, pelo fato de a questão estar sob apreciação judicial, em Mandado de Segurança Coletivo que contesta o teor da IN 71/2001; (vi) a IN 71/2001 é inconstitucional, pois (i) ofende o postulado da “reserva legal”, inciso II, do art. 5° da CF/88; (ii) afronta o princípio do nãoconfisco; e (vii) o auto é ilegal, pois aplica pena sem fundamento em lei. Pede preliminarmente, como primeiro requerimento, o cancelamento do Auto de Infração em virtude da ausência de fundamento jurídico válido à sua lavratura, porque Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19515.000221/200529 Acórdão n.º 3201003.629 S3C2T1 Fl. 5 7 advindo da aplicação de regra jurídica inconstitucional e ilegal, malferindo (art. 142 do CTN, c.c., no caso, com os artigos 97 e §§ c.c. 113 e §§ do mesmo dispositivo. Caso superada a preliminar, pede o provimento em seu mérito e, alternativamente, a redução da multa imposta. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Preliminarmente, em relação as alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, assiste parcial razão a recorrente conforme será demonstrado adiante. Antes, devem ser analisados pontos suscitados na peça recursal e que não socorrem a recorrente. Com relação a tese de que o auto de infração não poderia ter sido lavrado pelo fato de a questão estar sob apreciação judicial, em Mandado de Segurança Coletivo que contesta o teor da IN 71/2001, o argumento é improcedente. A decisão liminar proferida no Mandado de Segurança Coletivo n° 2003.34.00.0000718, em 27 de dezembro de 2001, impetrado pela Câmara Brasileira do Livro, cujo trâmite se deu perante a Seção Judiciária do Distrito Federal fora nos seguintes termos: "Pelo exposto e transcrito, DEFIRO O PEDIDO DE LIMINAR para, apenas e tãosomente, determinar à autoridade impetrada que se abstenha "de praticar qualquer ato emergente da Instrução Normativa n° 71/2001, susceptível de embaraçar ou de impedir a livre fruição, pelos associados da Impetrante, da imunidade tributária assegurada pelo art. 150, inciso VI, letrada "d", da Constituição Federal, nas operações que vierem a realizar com papel destinado à impressão de livros, jornais e Fl. 220DF CARF MF 8 periódicos, especialmente o previsto no artigo 1° da assinalada Instrução Normativa", tal como posto no item "b" do pedido." Como visto, a decisão não garante nenhum direito à recorrente em relação a não obrigatoriedade de entrega da DIF Papel imune. Importante transcrever a correta análise feita por ocasião do julgamento de 1ª instância: "Pois bem. A impugnante carreou ao processo cópia do inteiro teor da petição inicial da reportada ação mandamental de natureza coletiva, com pedido de concessão de liminar, impetrada pela CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO (fls. 91/117), assim como da decisão interlocutória que deferiu o pedido liminar (fls. 118/120), do recurso de apelação (fls.121/135) e também da Medida Cautelar Inominada, incidental à apelação interposta, em face da decisão que recebeu a apelação apenas no efeito devolutivo, “a fim de conceder ao apelo o efeito SUSPENSIVO” (fls. 136/148), que estaria pendente de julgamento à época do protocolo da peça impugnatória. Não acostou aos autos cópia da sentença exarada na ação mandamental que, segundo a própria impugnante, decidiu pela extinção do processo sem julgamento de mérito, em face da perda de objeto. Verificase que a impugnante não fez prova de que efetivamente seja associada da impetrante da ação judicial, o que lhe garantiria o abrigo dos efeitos das decisões nela proferidas. Entretanto, pelo que será argumentado, não vislumbro a necessidade de que aquela prova seja eventualmente trazida aos autos. Cabe, portanto, transcrever o objeto da ação judicial referida pela impugnante, tal como contido no pedido que conclui a petição inicial (fls. 116/117): 'REQUER a concessão de MEDIDA LIMINAR INAUDITA ALTERA PARTS para o fim e efeito de determinar: a) o acolhimento pela autoridade coatora ou por quem lhe faça às vezes, da inscrição no registro especial instituído pelo artigo 1° do DecretoLei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, de todos os associados da Impetrante, independentemente da existência ou não dos antecedentes fiscais federais, previstos no art. 4°, inciso III, da Instrução Normativa SRF n° 71/2001, em seus nomes e/ou em nome dos seus sócios, diretores, gerentes, administradores e procuradores; b) que a autoridade coatora se abstenha de praticar qualquer ato emergente da Instrução Normativa n° 71/2001, suscetível de embaraçar ou de impedir a livre fruição, pelos associados da Impetrante, da imunidade tributária assegurada pelo artigo 150, inciso VI, letra “d da Constituição Federal, nas operações que vierem a realizar com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, especialmente o previsto o artigo 1” da assinalada Instrução Normativa.' (ressaltei) Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19515.000221/200529 Acórdão n.º 3201003.629 S3C2T1 Fl. 6 9 Observase, assim, que a ação mandamental não visou expressamente combater a obrigatoriedade de entrega das DIFs Papel Imune. O objeto da ação centrouse, inequivocamente, nas questões relativas à própria inscrição no registro especial (“especialmente o previsto no artigo 1°” da IN SRF n° 71/2001). E, assim penso, pouco importa que o recurso de apelação tenha trazido questionamentos específicos contra a obrigatoriedade de entrega das DIFsPapel Imune, que não foram objetos da petição inicial. Vejase, ademais, que, como referenciado pela própria impugnante, a sentença (que, como veremos, não foi revertida pelos recursos da parte interessada) determinou a extinção do feito justamente por perda de objeto. Assim sendo, entendo que não há que se reconhecer, no caso em análise, a renúncia à instância administrativa, porquanto não restou caracterizada a identidade de objeto entre a ação judicial e a matéria impugnada. Neste caso, decido por tomar conhecimento da impugnação apresentada, que atende os requisitos de admissibilidade. Como visto, a impugnante não contesta a situação fática que deu azo ao lançamento impugnado: o atraso na entrega das declarações. Protesta ela pela nulidade do lançamento porquanto estava amparada por medida liminar que lhe garantia a desobrigação de entrega das declarações. No mérito, combate a exorbitância da multa aplicada, pretendendo vêla reduzida para o valor máximo de RS 5.000,00 por declaração entregue em atraso." Ademais, mesmo que a recorrente estivesse albergada por decisão judicial, há que se levar em consideração o contido no art. 151 do Código Tributário Nacional CTN, o qual consigna a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com liminar ou depósito judicial, entretanto, não há óbice de que o Fisco efetue o lançamento fiscal. A suspensão encartada no art. 151 do CTN e a medida judicial obtida pela Recorrente impede a Fazenda Pública de adotar medidas coercitivas para exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, o que não impede o lançamento para constituição do crédito tributário. Assim, ao caso, teria, ainda, a aplicação do contido na Súmula CARF n° 48: "Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração." Portanto, o Auto de Infração é o instrumento adequado para a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício de que trata o artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Não acolho tal argumento da recorrente. Tratase no caso, a DIF Papel Imune de uma declaração instituída com fundamento na Lei 9.779/99, de caráter acessório e geral, cujo descumprimento sujeita ao Fl. 222DF CARF MF 10 contribuinte ao disposto no art. 505 do RIPI/2002, de acordo com o previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Constatase, então, que possui previsão legal. O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado com a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFRAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita ao infrator à pena cominada no 505 no RIPI/2002 (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27 de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, inciso II e parágrafo único da IN SRF 976/2009. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte" (Processo 10830.001378/200613; Acórdão 9303001.456; Relatora Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011) O Superior Tribunal de Justiça assim entende: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DIF PAPEL IMUNE. NÃO APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001. 1. A Fundação Universidade de Passo Fundo ajuizou ação ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes ao pagamento de multa imposta com base no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15834/2001, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). (...) 4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação recorrente estava obrigada à apresentação da "DIFPapel Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da Receita Federal, sob pena de sujeitarse à aplicação da penalidade pecuniária. Assim, ao descumprir a referida obrigação acessória, a recorrente ficou à mercê das sanções dispostas no art. 57 da MP 2.15834/2001. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19515.000221/200529 Acórdão n.º 3201003.629 S3C2T1 Fl. 7 11 5. O art. 57, I, da MP 2.15834/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário. 6. Na hipótese dos autos, tem aplicação a Instrução Normativa da SRF 71/2007, que instituiu obrigação tributária acessória consistente na apresentação da DIFPapel Imune à Secretaria da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores. (...) (REsp 1222143/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011) Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: Fl. 224DF CARF MF 12 I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 285.000,00, de multa pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 2° trimestre de 2002 e 3° trimestre de 2002. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 19515.000221/200529 Acórdão n.º 3201003.629 S3C2T1 Fl. 8 13 No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 5.000,00, resultando no valor de R$ 285.000,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 5.000,00, para empresas não enquadradas como micro e pequenas, deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 2 (dois) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais 2 trimestres x R$ 5.000,00). Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 226DF CARF MF 14 Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.731264/2013-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE SENTENÇA OU ACORDO JUDICIAL HOMOLOGADO.
RECURSO CONHECIDO. NEGADO PROVIMENTO.
O contribuinte deve provar a origem de sua dedução a título de pensão alimentícia, especialmente se determinada através de decisão judicial.
Numero da decisão: 2002-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez- Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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score : 1.0
Numero do processo: 15504.726515/2011-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta informe se a diferença entre a multa de ofício qualificada (150%) e a proporcional (75%), tanto em relação ao IRPJ, quanto em relação à CSLL, foi incluída no parcelamento, conforme afirma a contribuinte. Após ciência, reabrir prazo para manifestação de ambas as partes.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta informe se a diferença entre a multa de ofício qualificada (150%) e a proporcional (75%), tanto em relação ao IRPJ, quanto em relação à CSLL, foi incluída no parcelamento, conforme afirma a contribuinte. Após ciência, reabrir prazo para manifestação de ambas as partes. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 3.490, contra o acórdão nº 1401001.536, de 03 de fevereiro de 2016 (efls. 3.475), que, no mérito e por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para "cancelar as multas isoladas referentes ao anocalendário de 2005 e desqualificar a multa de 150%". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 26 51 5/ 20 11 -0 9 Fl. 3927DF CARF MF Processo nº 15504.726515/201109 Resolução nº 9101000.051 CSRFT1 Fl. 3.928 2 O recurso da Fazenda foi admitido por meio do Despacho de efls. 3.528. A Contribuinte apresentou os Embargos de Declaração de efls. 3.543, que foram rejeitados pelo Despacho de efls. 3.574/3.576. Observese que, após as providências decorrentes dos despachos de saneamento de efls. 3.591 e 3.739, a Contribuinte foi intimada do teor do despacho que rejeitou os embargos de declaração por ela opostos em 08/08/2017. Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 (...) ÁGIO INTERNO SEM COMPROVAÇÃO DE PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. CUSTO DE INVESTIMENTO INFLADO. RECÁLCULO DO GANHO DE CAPITAL. Gerouse o ágio em decorrência de operações havidas dentro de um mesmo grupo econômico, com utilização de empresa veículo de existência efêmera e sem comprovação de propósito negocial. A empresa veículo investidora, que gerou o ágio para si, foi incorporada algum pouco tempo depois da operação. (...) OPERAÇÕES FORMALMENTE LEGAIS. JURISPRUDÊNCIA NÃO CONSOLIDADA. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA. Do ponto de vista formal, as operações realizadas estão dentro da lei. Elas foram todas registradas, não tendo havido má fé. A jurisprudência do CARF sobre operações que geram ágio ainda não está consolidada, de modo que os contribuintes tentam realizar planejamentos sob a premissa de que eles poderão ser aceitos. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 1101000.899: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. MULTA QUALIFICADA. Sujeitase a multa qualificada a exigência tributária decorrente da prática de negócio jurídico fictício, que se Fl. 3928DF CARF MF Processo nº 15504.726515/201109 Resolução nº 9101000.051 CSRFT1 Fl. 3.929 3 presta, apenas, a construir um cenário semelhante à hipótese legal que autoriza a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos. Acórdão nº 1301001.220: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 (...)MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tão somente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios. As alegações de mérito da Fazenda, são, em síntese, as seguintes: a) que é inegável que o contribuinte se utilizou de uma série de instrumentos com o intuito de criar uma roupagem legal capaz de dar uma aparência legítima às operações de reorganização societária cujo único fundamento era o aproveitamento do ágio como despesa dedutível; b) que a multa mais gravosa de 150% de que trata o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007) toma como referência os comportamentos descritos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais têm aplicação sempre que em ação fiscal constatase a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, sendo que para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo; c) que no presente caso, a multa de 150% deve ser mantida, eis que as operações foram realizadas sem fundamentação econômica e propósito negocial, de modo fraudulento, com o único objetivo de gerar um benefício fiscal indevido, o qual foi alcançado por intermédio de um ágio inexistente (artificial), gerado dentro de empresas ligadas (ágio interno), se enquadrando nas situações elencadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. O conjunto dos atos levados a efeito pela autuada corresponde a uma prática deliberada, consciente dos riscos envolvidos, com o objetivo de alcançar, por meio da criação fictícia de ágio e de uma estrutura societária artificial, vantagem fiscal indevida; d) que o fato de que tais operações seguiram formalmente os trâmites legais não retira de seu conjunto o intuito de tão somente criar artificialmente uma despesa que seria dedutível. Por sinal, a obediência aos requisitos formais é imprescindível para as pretensões da autuada, sem o que todo o conjunto de operações societárias seria inválido e, portanto, incapaz de criar a situação desejada. O conjunto dos fatos verificados no caso sob exame colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a mascarar, Fl. 3929DF CARF MF Processo nº 15504.726515/201109 Resolução nº 9101000.051 CSRFT1 Fl. 3.930 4 senão a ocultar, o que de fato se pretendia, o que de fato se buscava. É dizer, todas as ações envolvidas tinham por fim único a criação de um ágio fictício a ser transformado em benefício fiscal por força de um arranjo societário artificial. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, para "reformar o acórdão atacado e restabelecer a qualificação da multa de ofício, conforme decidido pela DRJ". A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 3.723) em 21/06/2017 (efls. 3.721). Alega, preliminarmente, que o recurso fazendário não deve ser admitido "por não atender ao requisito da comprovação do dissídio jurisprudencial". Quanto ao mérito, as alegações da Contribuinte são, em síntese, as que seguem: a) aduz que "não há dúvida de que a legislação permitia o incremento do custo de aquisição das quotas detidas pela Recorrente sem quaisquer das restrições informadas no lançamento fiscal (participação de terceiro nas operações que originaram o ágio e efetivo desembolso)" e que "a Lei nº 10.637/02 (art. 36) estabelecia o diferimento da tributação incidente sobre o correlato ganho de capital". Refere a contribuinte aqui a "revogação do art. 36, da Lei nº 10.637/02, base legal para a subscrição de capital a valores de mercado e diferimento do ganho de capital correspondente", trazendo a baila a exposição de motivos da legislação que revogou o artigo em questão e aduzindo que "ao anunciar a revogação pelos motivos confessados, admitiuse que as operações efetuadas durante a vigência do art. 36, da Lei nº 10.637/02, surtem os efeitos esperados, ainda que com o propósito específico de planejamento tributário"; b) afirma que "como muito bem trazido pelo I. Relator no voto vencedor do acórdão aqui tratado, a problemática envolvendo o ágio interno e a delineação dos limites ao planejamento tributário estão longe de serem pacificadas nos tribunais em pleno 2017", sendo que "argumentar que houve má fé da Recorrida ao implementar uma operação inteiramente legal e fomentada, em 2006, é, no mínimo, uma tentativa insensata de distorcer a interpretação dos fatos"; c) aduz que "conquanto não haja dúvida sobre a não ocorrência de ilícito tributário, também não há que se falar em ocorrência de dolo específico, mediante conduta fraudulenta exigido para a qualificação da exação", e que "a descrição dos fatos não permite afirmar, sequer minimamente, que a operação tenha sido fraudulenta, fruto de simulação ou falsidade, com o 'evidente objetivo de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador'", sendo que "o que teria havido, no máximo, seria interpretação equivocada da legislação tributária"; d) refere que no presente caso "a inexistência de dolo se demonstra pelo fato de que todas as operações societárias, o ágio e o correlato ganho de capital, tudo sempre foi informado ao Fisco", sendo que "a Fiscalização reconheceu que obteve todas as informações nos arquivos digitais da contabilidade". Questiona aqui "como então seria possível a acusação de que teriam sido apresentadas informações falsas com o fito de fraudar a fiscalização?", acrescentando que "todas as operações foram refletidas nas obrigações acessórias das empresas (DIPJs), bem como todas as alterações societárias foram devidamente registradas na Junta Comercial"; Fl. 3930DF CARF MF Processo nº 15504.726515/201109 Resolução nº 9101000.051 CSRFT1 Fl. 3.931 5 e) argumenta que a Fazenda Nacional incorre em contradição uma vez que "em um momento aduz que 'as operações foram realizadas sem fundamentação econômica e propósito negocial, de modo fraudulento (...)', e no parágrafo seguinte aduz que 'tais operações seguiram formalmente os trâmites legais (...)'”. Ao final requer preliminarmente que "não seja conhecido o presente Recurso Especial, pela não comprovação da divergência jurisprudencial". No mérito requer "a manutenção do acórdão que determinou o afastamento da multa qualificada de 150%, de modo a ser julgado improcedente o Recurso Especial da PGFN". Observese que a Contribuinte também apresentou Recurso Especial (constam no eprocesso dois recursos, as efls. 3.596 e 3.751), tendo, no entanto, requerido desistência (efls. 3.877) "para efeito do que dispõe o artigo 5º da Medida Provisória n.º 783, de 31 de maio de 2017, e do artigo 8º da Instrução Normativa RFB n.º 1.711, de 16 de junho de 2017" (adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT). Em memoriais juntados aos autos às efls. 3.910 a 3.926, a Contribuinte aduz que o recurso da Fazenda Nacional não deve ser conhecido porque fora incluído no PERT a totalidade do débito lançado, inclusive o montante correspondente às multas qualificadas de IRPJ e de CSLL, objeto do recurso fazendário. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Compulsandose os autos, verificase que a Unidade de Origem da RFB apartou os autos e consignou que resta mantida em discussão a diferença entre multa qualificada e multa de ofício básica. Cumpre transcrever os extratos que constam às efls. 3.899 e 3.901, por meio dos quais, junto à indicação das multas de ofício referente ao IRPJ e à CSLL verificase que consta "Suspenso Julgamento Do Recurso Especial do Procurador": Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 15504.726515/201109 Resolução nº 9101000.051 CSRFT1 Fl. 3.932 6 Nesse contexto e à vista do Demonstrativo da composição do débito incluído no PERT e do Demonstrativo da dívida consolidado, trazidos pela Contribuinte à fl. 4 do memorial que apresentou, remanesce dúvida se, de fato, a diferença entre a multa qualificada e a multa básica fora incluída no parcelamento especial ou não. Vale transcrever os demonstrativos em questão: Em face ao exposto, proponho converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem informe se as diferenças entre a multas de ofício qualificada e a básica referentes ao IRPJ e à CSLL, foram incluídas no parcelamento especial, conforme afirma a Contribuinte. Após a diligência, deve ser reaberto prazo para manifestação de ambas as partes. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 3932DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002132/2006-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando estão em confronto incidências tributárias diversas, cada qual regida por legislação própria, com suas nuances e especificidades. Ademais, ainda que os julgados em confronto tratem da mesma modalidade de incidência tributária, orientada pela mesma lei, a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando há similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando estão em confronto incidências tributárias diversas, cada qual regida por legislação própria, com suas nuances e especificidades. Ademais, ainda que os julgados em confronto tratem da mesma modalidade de incidência tributária, orientada pela mesma lei, a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando há similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 32 /2 00 6- 06 Fl. 704DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, bem como de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no exercício de 2005. Em sessão plenária de 12/03/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2102002.489 (fls. 571 a 579), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. DEPÓSITOS COMPROVADOS. NECESSIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA FORMA ESPECÍFICA, COMO EXIGIDO PELO ART. 42, § 2º, DA LEI Nº 9.430/96. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Entretanto, comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, quando a origem dos créditos bancários é desnudada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE TRIBUTÁRIA. A mera indicação do nome do depositante em um extrato bancário não autoriza a fiscalização a imputar uma omissão de rendimentos ao fiscalizado, quando não se sabe a causa, a motivação do crédito (rendimento do trabalho, da alienação de bens, ganhos de renda fixa ou variável, da atividade rural etc.). Apenas a presença do nome do depositante não é suficiente para demonstrar a materialidade tributária, já que se precisa demonstrar a que título tal pagamento foi efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00. SOMATÓRIO ANUAL QUE NÃO ULTRAPASSA R$ 80.000,00. DESCONSIDERAÇÃO. Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00, cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00, devem ser desconsiderados na presunção de omissão de rendimentos, na forma do art. 42, §3º, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.481/97. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 705 3 Entendimento jurisprudencial cristalizado na Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Recurso provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.” O processo foi recebido na PGFN em 11/04/2013 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 582) e, em 21/05/2013, a Procuradora da Fazenda Nacional deuse por intimada (Termo de Ciência de fls. 580). Em 22/05/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 584 a 591 (Relação de Movimentação de fls. 583). O Recurso Especial está fundamentado nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a necessidade de comprovação da origem dos depósitos, com coincidência de datas e valores. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 22/03/2017 (efls. 663 a 667). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: concluiuse no acórdão recorrido que a mera indicação da origem dos recursos pelo autuado seria suficiente para afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, pois caberia à fiscalização aprofundar a investigação da causa dos rendimentos, o que, como será deduzido, não pode persistir, pois incorreu em contrariedade ao ônus probatório do contribuinte disposto no art. 42, Lei n° 9.430, de 1996; o citado diploma atribui ao particular o ônus da prova quanto à origem dos valores que circulam, em seu nome, em instituições bancárias; como se trata de hipótese em que a própria lei define que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, cabe ao sujeito passivo, para que tais valores não sejam objeto de exação fiscal, a apresentação dos esclarecimentos necessários à identificação da origem dos recursos depositados na conta corrcntc bancária; em tal hipótese, observase a inversão do ônus da prova no direito tributário, que se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, sendo que a inversão sempre se origina de existência em lei; além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3º do art. 42 da Lei n" 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias; Fl. 706DF CARF MF 4 o comando legal, quanto a esse ponto, é expresso, ainda, no sentido de que a comprovação da origem, quando houver, deverá ser feita mediante documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores; o posicionamento exarado no voto condutor do acórdão recorrido não tem como ser mantido, posto não encontrar amparo na legislação de regência, circunstância aliada à constatação da absoluta fragilidade de mera (pura e simples) indicação da origem dos recursos, sem nenhuma submissão a qualquer tipo de comprovação documental dos dados fornecidos (quanto mais, comprovação por documentação "hábil e idônea"); cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta, portanto, consoante consignado no acórdão paradigma nº 10421.546, "não é lícito obrigarse a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia"; o entendimento adotado pelo colegiado a quo, no sentido de considerar comprovada a origem das receitas mediante a simples indicação da origem pelo Contribuinte, destituída de prova, além de configurar ofensa à literal e expressa disposição do art. 42 da Lei n.° 9.430, de 1996, viola o princípio da verdade material, critério balizador da instância administrativa, pela contrariedade evidente ao conjunto probatório, em favorecimento de uma indicação meramente formal. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 08/05/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 677), o Contribuinte ofereceu, em 22/05/2017, as Contrarrazões de efls. 680 a 700 (carimbo de efls. 680), contendo os seguintes argumentos: Ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas no acórdão recorrido, a situação fática é diferente das analisadas nos acórdãos paradigmas apresentados, eis que, no presente caso, o Recurso Voluntário foi provido, não por estar embasado em meras alegações do Recorrente, mas sim por meio de esclarecimentos pormenorizados e detalhados do Contribuinte com documentação idônea; quanto aos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas nos meses de março a abril do anocalendário de 2004, o Contribuinte justificou a origem dos créditos bancários tomados como rendimentos omitidos como pagamento de pro labore feito pela Global Capitalização S/A; ademais, como a fonte pagadora equivocouse no preenchimento da DIRF, por certo que não haveria coincidência entre o quanto estava depositado e o quanto foi informado na obrigação acessória; para demonstrar esse aspecto, indicou de forma detalhada a composição da movimentação financeira elaborada pela própria Fiscalização e juntada aos presentes autos como fundamento da autuação; verseá ali, por meio de documento preparado pela própria Fiscalização, que não há seis depósitos no valor de R$ 3.000,00 cada um, a perfazer o total de R$ 18.000,00, como informado na DIRF, havendo única e tãosomente o valor de R$ 3.000,00, isolado, no mês de janeiro de 2004, que de qualquer forma não foi objeto de autuação; Fl. 707DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 706 5 é curial perceber que a obrigação acessória não se adequou à realidade; há uma declaração de terem sido efetuados seis pagamentos de R$ 3.000,00 mensais entre janeiro e junho de 2004, mas tais depósitos não constam das contas bancárias, conforme quadro elaborado pela própria Fiscalização; diante desses esclarecimentos ao longo da impugnação/recurso voluntário e documentos trazidos, o acórdão recorrido afastou a acusação de omissão de rendimentos; como se vê de todo o arcabouço probatório e fundamentação legal apresentados pelo Contribuinte, assim como das razões constantes do próprio acórdão recorrido, a acusação fiscal não restou afastada com base em meras alegações, motivo pelo qual inaplicáveis ao presente caso o entendimento esposado nos acórdãos paradigmas, devendo o Recurso Especial interposto ser julgado integralmente improcedente; quanto aos valores recebidos pela venda de participações diretas e indiretas na empresa Interbrazil S.A., tais valores eram decorrentes de alienação societária, assim divididos: R$ 1.000.000,00 pagos ao Contribuinte no dia da assinatura do contrato, em 15/07/2004; três parcelas de R$ 80.000,00, pagas nos seus respectivos vencimentos, e um resquício de R$ 15.000,00, que o Contribuinte não reconheceu como parte do preço. neste contexto, cumpre ressaltar que os valores discriminados no contrato são precisamente os depositados na conta bancária; basta para tanto trazer à colação a cláusula segunda (do preço e condições de pagamento), que a propósito traz a conta bancária do Contribuinte como aquela em que deveriam ter sido depositadas como foram as parcelas adimplidas as parcelas do preço; neste contexto, veja a conclusão unânime da 1a Câmara / 2a Turma Ordinária: Na verdade, toda a documentação que o contribuinte trouxe, na fase que precedeu a autuação e na impugnação, é harmônica com sua argumentação de que alienou as participações acionárias e cotas sociais em julho de 2004, e recebeu os valores aqui em discussão em decorrência de tal transação.(grifos do Contribuinte) portanto, inequívoco que o acórdão recorrido não se baseou em meras alegações, motivo pelo qual inaplicável a admissão do Recurso Especial com base nos acórdãos paradigmas indicados, eis que não guardam relação com a situação fática aqui discutida, devendo ser o acórdão mantido em sua integralidade também para este tópico; quantos aos depósitos bancários relativos à alienação de automóvel, o Contribuinte indicou de forma pormenorizada que os valore recebidos decorrem da alienação do automóvel Mercedes ML 320 Placa DAY 5665 (fls. 114 e 118), alienado ao Sr. Teucle Manarelli Filho, conforme recibo datado de 15/08/2004 (fl. 195) e registro em cartório comprovando o reconhecimento da firma, ocorrida em 23/11/2004; com base nos documentos e esclarecimentos apresentados pelo Contribuinte, o acórdão assim concluiu: Fl. 708DF CARF MF 6 "Ademais, no momento em que o contribuinte, na fase que precedeu a autuação, informou a origem dos depósitos bancários acima, associado à venda do veículo, para desconstituir tal versão caberia a autoridade fiscal ter intimado o comprador Sr. Teucle, pois efetivamente a argumentação do contribuinte era plausível, pela identidade do valor da alienação com os créditos bancários, bem como pelo fato de haver a informação de tal transação na declaração de ajuste anual entregue tempestivamente. Aí, quedandose inerte a autoridade lançadora, que sequer motivou a rejeição das argumentações do contribuinte, devese dar fé a argumentação do fiscalizado. (...) Chamoume a atenção a absoluta identidade dos créditos com o valor da alienação. Vejase que, no dia 26/07/2004 (fl. 272), houve somente os créditos de R$ 750,00, R$ 9.250,00, R$ 4.000,00, R$ 4.000,00, R$ 12.000,00, R$ 8.000,00, R$ 10.000,00 e R$ 47.000,00, que perfazem exatamente R$ 95.000,00. Efetivamente seria muita coincidência se tais valores não estivessem vinculados à alienação do veiculo" portanto, não há como refutar os fatos, eis que comprovados por documentos válidos, à saciedade, sendo imperiosa a necessidade de manutenção do acórdão nesse particular também. Inadmissibilidade do recurso ante a necessidade do reexame de provas decorrência lógica do demonstrado e comprovado no item anterior, o que o Recurso Especial busca é a reanálise das provas apresentadas pelo Contribuinte durante o processo administrativo; sabendose que a Câmara Superior de Recursos Fiscais possui entendimento consolidado no sentido da impossibilidade de reanálise de provas, já tendo inclusive analisado, em outro momento, o tema objeto do presente processo, não resta dúvida de que o recurso interposto pela Fazenda Nacional deve ter o seguimento negado, com a consequente manutenção integral do acórdão. Ao final, o Contribuinte pede que não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, bem como de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, no exercício de 2005. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 707 7 No acórdão recorrido deuse provimento ao Recurso Voluntário, considerandose que: quanto à omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, dita omissão não teria sido comprovada pelo Fisco, uma vez que alguns desses rendimentos teriam sido oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, outros constituiriam ganho de capital, cuja alienação fora informada na mesma declaração; no que tange aos depósitos bancários, o conjunto probatório conduziria à identificação da respectiva origem como sendo na alienação de bens, o que resultaria na apuração de ganho de capital; tendo a DRJ excluído um depósito de R$ 50.000,00, só restaram valores abaixo de R$ 12.000,00, cujo total não excedeu a R$ 80.000,00. A Fazenda Nacional, por sua vez, partindo da premissa de que o acórdão recorrido trataria apenas de depósitos bancários sem comprovação de origem, pede a sua reforma, aduzindo que os depósitos teriam sido considerados comprovados de forma genérica, sem coincidência de datas e valores. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, alegando a inexistência de similitude fática entre os acórdãos em confronto, bem como a impossibilidade de reanálise de provas. De plano, constatase que o objeto do Recurso Especial comprovação da origem dos depósitos bancários diz respeito efetivamente a matéria de prova, o que, a princípio, não se coaduna com a modalidade recursal de que se trata, a menos que se queira discutir o critério de comprovação adotado, à luz da legislação tributária que orientou o acórdão recorrido, no que tange ao objeto do apelo. Assim, é imprescindível a verificação acerca dos critérios de comprovação da origem dos depósitos bancários, adotados nos julgados em confronto, bem como a situação fática de cada um deles. Nessa senda, constatase que, a despeito de centrar seu recurso na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem identificação de origem (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), a Fazenda Nacional se insurge contra todas as exonerações levadas a cabo no acórdão recorrido, inclusive aquelas relativas a omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, tanto assim que colaciona os cinco itens do voto condutor do acórdão recorrido, em que foram analisadas as duas infrações e, ao final, pede a sua reforma. Com efeito, o Auto de Infração teve dois itens, sendo o primeiro deles "Omissão de rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas" e o segundo "Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". No que tange à primeira infração Omissão de rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas uma parte da exigência foi parcelada pelo Contribuinte, restando em litígio os seguintes valores de rendimentos: R$ 6.492,62, R$ 8.246,31, R$ 80.000,00, R$ 80.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 15.000,00. Quanto ao acórdão recorrido, no voto vencedor analisouse cada um desses valores objeto da autuação, à luz dos argumentos e provas colacionados pelo Contribuinte, e formouse convicção, conforme a seguir: Fl. 710DF CARF MF 8 Autuação "Em relação ao anexo 3, não há coincidência entre o valor líquido, isto é, total de rendimentos menos imposto de renda retido, constante no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte pagos pela empresa Global Capitalização S/A, com os valores indicados como pró labore, R$ 6.492,62 e R$ 8.246,31, recebidos respectivamente em 22/03 e 20/04, e assim serão considerados como recebidos de Pessoa Jurídica Interbrazil Seguradora, título que aparece como sendo do depositante." Justificativa do acórdão para exoneração dos valores "No item II da defesa, o recorrente se insurge contra a omissão de rendimentos recebidos de Global Capitalização, nos importes de R$ 6.492,62 e R$ 8.246,31, ao argumento de que já teria ofertado à tributação os rendimentos recebidos dessa fonte, no montante de R$ 18.000,00, com IRRF de R$ 2.236,62 (fl. 07). De acordo com a DIRF, a fonte pagadora teria feito 06 pagamentos de R$ 3.000,00, de janeiro a junho de 2004 (fl. 17). No curso da ação fiscal, o contribuinte justificou a origem dos créditos bancários tomados como rendimentos omitidos como pagamento de pro labore feito pela Global Capitalização S/A (fl. 118), buscando comprovar sua argumentação com o comprovante de rendimentos (fl. 123). Entendo que a autoridade fiscal não poderia ter rejeitado a argumentação do contribuinte simplesmente se fiando na discrepância entre os valores recebidos e aquele constante no comprovante de rendimentos, pois, além de haver uma proximidade entre os montantes (vide os montantes recebidos em face do valor que constou no comprovante de rendimentos menos o IRRF), não se vê nos extratos bancários auditados valores mensais próximos de R$ 3.000,00, exceto por um único depósito em janeiro de 2004 (vide planilhas feitas pela fiscalização de fls. 106 a 109 e 272 a 275), como deduzido pelo recorrente. Assim, há robustez na argumentação do recorrente de que houve um equívoco na informação da DIRF por parte da fonte pagadora. Em uma situação da espécie, para imputar uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, quando se é necessário identificar o fato gerador da exação omitida, explicitando a motivação e causa da percepção dos rendimentos (observese que não se trata de uma presunção de omissão de rendimentos, quando a prova da ocorrência do fato gerador é indiciária, presumida), necessariamente a autoridade fiscal deveria ter intimado a fonte, para informar a causa dos pagamentos de R$ 6.492,62 e R$ 8.246,31. Não o fazendo, somente temos a argumentação nos autos do contribuinte, que detém razoável plausibilidade, pelos motivos do parágrafo precedente. Assim, entendo que não restou demonstrado a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, com determinação da matéria tributável, devendo ser acatada a argumentação recursal de que os valores de R$ 6.492,62 e R$ 8.246,31 seriam Fl. 711DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 708 9 pro labores recebidos da Global Capitalização S/A, já submetidos à tributação. Devese, pois, cancelar a presente omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Autuação "Quanto ao anexo 6, apontado como venda de participação societária, não existe documentação conclusiva da efetiva operação, como por exemplo, contratos sociais e suas alterações, apuração de ganho de capital e outros, levandonos a considerar como rendimentos recebidos da Pessoa Jurídica Interbrazil Prestadora de Serviços, os valores de R$ 80.000,00, nos meses de agosto, setembro e outubro e R$ 15.000,00, no mês de dezembro e como depósito sem origem comprovada a valor de R$ 1.000.000,00, recebido em 15/07. (...) Assim, os valores citados acima, como rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica e os demais descritos nos extratos bancários como recebidos de PJ totalizaram R$ 561.528,97 e os demais itens apontados pelo contribuinte que não foram comprovados por documentação hábil, resultaram no valor tributável de R$ 1.178.022,88, conforme DEMONSTRATIVOS anexos." Justificativa do acórdão para exoneração dos valores "Agora se passa a debater a defesa trazida nos itens III e IV, nos quais o recorrente combate as omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, nos importes de R$ 80.000,00, R$ 80.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 15.000,00, em 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 e 31/12/2004, respectivamente, e a omissão de rendimentos caracterizada pelo depósito bancário de origem não comprovada no importe de R$ 1.000.000,00, em 15/07/2004. Para comprovar suas argumentações, no curso do procedimento fiscal, o então fiscalizado informou que tais valores eram decorrentes de alienação societária (fl. 118), juntando cópia do contrato de compra e venda de cotas de sociedades limitadas e participações acionárias, registrado no 1ª Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de São Paulo (fls. 130 a 136), cópia de certidões da Jucesp das empresas Global Capitalização S/A, BP Participações Societárias Ltda. e AM Participações Societárias Ltda., constando os adquirentes no quadro societário (fls. 137 a 140, 143 e 144), certidão específica da Jucesp da Interbrazil Seguradora S/A, constando a renúncia do administrador Sr. Bruno Prada, de 15/07/2004 (fls. 141 e 142), bem como cópias das notas promissórias em aberto de tal negócio jurídico (fls. 219 a 264). A declaração de ajuste anual do recorrente, do exercício 2005, noticia tais alienações (fl. 08). Fl. 712DF CARF MF 10 A autoridade lançadora rejeitou as explicações acima asseverando que “... não existe documentação conclusiva da efetiva operação, como por exemplo, contratos sociais e suas alterações, apuração de ganho de capital e outros, levandonos a considerar como rendimentos recebidos da Pessoa Jurídica Interbrazil Prestadora de Serviços, os valores de R$ 80.000,00, nos meses de agosto, setembro e outubro e R$ 15.000,00, no mês de dezembro e como depósito sem origem comprovada a valor de R$ 1.000.000,00, recebido em 15/07. (...) Em apertada síntese, a decisão recorrida rejeitou o acervo probatório acima em decorrência de os pagamentos terem origem em uma das empresas alienadas (Interbrazil Seguradora S/A) e não dos adquirentes (“O contrato de compra e venda da participação societária só justificaria os depósitos bancários se o depositante fosse o próprio comprador. Não sendo assim, deve prevalecer a presunção de que tais valores sejam rendimentos tributáveis”), na parcela que foi imputada como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, utilizando a mesma linha argumentativa para manter o depósito de R$ 1.000.000,00, este considerado como de origem não comprovada, por ausência de identificação do depositante. Entendo que a decisão acima merece reparos. Antes tudo, observese, na parte referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$ 80.000,00, R$ 80.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 15.000,00, em 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 e 31/12/2004, respectivamente), não se pode presumir tais valores como rendimentos omitidos, como asseverado na decisão recorrida. Ora, se se trata de rendimentos omitidos, não pode haver qualquer dúvida sobre a materialidade tributária, ou seja, precisamos saber a que título tais pagamentos ocorreram, pois aqui não se está utilizando a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso, por si só, já colocaria em xeque a motivação da decisão recorrida, acima transcrita. Indo mais além, no momento em que o contribuinte, na fase que precedeu a autuação, informou a origem dos depósitos bancários à autoridade lançadora, a partir do contrato particular de compra e venda das cotas de sociedades limitadas e participações societárias, informação ratificada pelas registros constantes na declaração de ajuste anual apresentada tempestivamente (fl. 08), jamais a autoridade fiscal poderia ter rejeitado tal esclarecimento, simplesmente imputando uma omissão de rendimentos, a partir do nome do depositante que constou no extrato bancário, bem como rejeitando a origem para o depósito de R$ 1.000.000,00, em 15/07/2004, exigindo contratos sociais e eventual apuração de ganho de capital por parte do fiscalizado. Ora, considerando que o contribuinte apresentou o contrato de compra e venda de participação societária registrado em cartório, com valores idênticos aos depósitos bancários investigados, aliado de certidões da junta comercial (que Fl. 713DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 709 11 poderia, em princípio, suprir os contratos sociais) e notas promissórias em aberto de tal negócio jurídico, obrigatoriamente a autoridade fiscal deveria ter investigado tais informações, dentro da vetusta máxima de que “Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, § 1º , até porque as alienações constaram na declaração de ajuste anual apresentada tempestivamente. Daí, confirmando as assertivas do fiscalizado, caberia à fiscalização apurar eventual ganho de capital, porém jamais imputar a apuração do ganho de capital por parte do fiscalizado como uma condição para reconhecer a natureza da operação. Se o contribuinte não apurou o ganho de capital, acaso devido, caberia à fiscalização fazêlo. Na verdade, toda a documentação que o contribuinte trouxe, na fase que precedeu a autuação e na impugnação, é harmônica com sua argumentação de que alienou as participações acionárias e cotas sociais em julho de 2004, e recebeu os valores aqui em discussão em decorrência de tal transação. Nessa linha, primeiramente observese que o contrato e aditivo da alienação foram registrados em cartório, no curso do ano de 2005 (22/06/2005, como se vê, por exemplo, na fl. 398 destes autos), muito antes do início desta ação fiscal (28/12/2005 – fl. 4). Além disso, vêse que antes do início desta ação fiscal o contribuinte já impetrara na Justiça Federal um mandado de segurança para liberar seus bens do gravame determinado pelo liquidante extrajudicial da Interbrazil (fl. 411 e seguintes) e já propusera, desde 22/06/2005, uma ação de cobrança no foro de São Paulo para perseguir as parcelas não pagas da transação (fls. 455 e seguintes). Analisando o contrato de alienação das participações societárias, vêse que lá consta, na clásula segunda (fl. 131), que os alienantes (Bruno Prada e Outro) receberiam de início, em 15/07/2004, R$ 2.000.000,00, sendo metade para cada um. A parcela do recorrente deveria ser creditada no Banco Itaú, na ag. 3742, conta corrente nº 23.8764. Compulsando os extratos bancários, na dita conta, com identidade de data e valor, vêse o crédito de R$ 1.000.000,00 (vide fls. 62 e 106). Nessa toada, na mesma cláusula segunda, vêse que se pactou que o saldo restante da operação (R$ 8.000.000,00) seria pago em 50 parcelas mensais de R$ 160.000,00, pagas no dia vinte de cada mês, a partir de 20/08/2004, em prol dos dois sócios, sendo uma das contas bancárias, repositório dos valores, a acima discriminada. E de fato se vêem créditos bancários de R$ 80.000,00, em 20/08/2004 (fl. 64), R$ 80.000,00, em 20/09/2004 (fl. 65) e R$ 80.000,00, em 21/10/2004 (fl. 67), na conta referida, além de cópias das notas promissórias do ano de 2005 em diante (fls. 219 a 264). Todas as provas são harmônicas Fl. 714DF CARF MF 12 para indicar a concretização da operação de alienação das empresas, com recebimento parcial do preço. Há ainda uma questão final. Vêse que a decisão recorrida rejeitou todas as evidências acima descritas pelo fato de os pagamentos terem origem na Interbrazil Seguradora S/A (uma das empresas alienadas) e não dos adquirentes, pois o então impugnante havia reconhecido que os compradores saldaram dívida própria com reservas destinadas à cobertura de sinistros, o que se comprovaria com a decretação da liquidação extrajudicial da Interbrazil. Por seu turno, o recorrente argumenta que a Interbrazil seria parte no negócio e não terceiro, como poderia se ver no contrato, a justificar os pagamentos feitos diretamente pela Interbrazil. Inicialmente, a questão deduzida pela autoridade julgadora de piso somente seria relevante se a autoridade lançadora tivesse investigado a operação e concluído que houve um conluio (ou fraude) entre os alienantes e adquirentes para se assenhorearem das reservas da Seguradora. Porém isso não foi comprovado nestes autos. Assim, no momento em que os alienantes venderam suas participações societárias, não se poderia impedir aos novos adquirentes, com plenos poderes na sociedade adquirida, que fizessem os pagamentos diretamente a partir de uma delas. Se o fizeram violando as normas securitárias, não é algo que se pudesse imputar aos alienantes, quando nos autos não há qualquer prova de que a alienação foi fraudulenta ou em conluio. Ademais, observese, jamais se poderia manter a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de R$ 1.000.000,00, em 15/07/2004, porque tal depósito tem origem comprovada, como se viu pela documentação juntada aos autos na fase que precedeu a autuação (e ratificada na impugnação, como antes se debateu), sendo inviável que a autoridade lançadora se valesse da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois inegavelmente o contribuinte comprovou a origem do depósito, versão que deveria ser desconstituída pela autoridade lançadora, a partir de um aprofundamento investigativo, para daí tributar na forma correta, como exigido pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Por tudo, entendo que o simples fato de os pagamentos terem origem na Interbrazil não pode deconstituir a realidade que emerge dos autos, de que houve de fato uma alienação de cotas e ações, quando a autoridade fiscal não aprofundou as investigações, para descaracterizar a argumentação e provas produzidas pelo contribuinte. Concluindo, remanesceria para discussão um depósito de R$ 15.000,00, feito em 22/12/2004, que também veio da Interbrazil. Esse também o contribuinte arrolou como proveniente da transação de alienação das cotas e ações. Analisando o aditivo contratural, vêse que em 20/12/2004, os alienantes pagaram apenas R$ 90.000,00 e não R$ 160.000,00 (ressaltese que o contribuinte sempre recebia metade dessas importâncias). Apesar de não haver identidade dos valores (o contribuinte Fl. 715DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 710 13 deveria ter recebido R$ 45.000,00), como ocorreu até outubro de 2004, parece plausível imputar à operação de alienação também esse crédito bancário de R$ 15.000,00, considerado como rendimento omitido de pessoa jurídica pela fiscalização, pois o recorrente já não tinha vínculo com a Interbrazil, e o crédito vindo dela presumese associado a tal operação (aqui, mais uma vez, como se trata de omissão de rendimentos, caberia a autoridade lançadora ter aprofundado as investigações, para saber a causa de tal pagamento, e não simplesmente reclassificar do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para uma omissão ordinária). Se o crédito de R$ 15.000,00, de 22/12/2004, tem origem na alienação de bens e direitos, não poderia ser tributado como omissão de rendimentos, mas, eventualmente, como omissão de ganho de capital. Devese, pois, cancelar a presente omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e caracterizada pelo depósito bancário de origem não comprovada." Assim, constatase que os valores de R$ 6.492,62, R$ 8.246,31, R$ 80.000,00, R$ 80.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 15.000,00, exonerados pelo acórdão recorrido, não dizem respeito à infração representada por depósitos bancários sem identificação de origem e sim foram considerados como omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. Nesse passo, a exoneração nada teve a ver com "falta de coincidência entre datas e valores de depósitos bancários", como equivocadamente concluiu a Fazenda Nacional. Isso porque, tratandose de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, que é uma modalidade de incidência tributária específica, não mais caberia ao Contribuinte comprovar a origem dos de depósitos bancários, já que não mais aplicarseia a presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Isso resta patente nos trechos destacados acima. Destarte, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência, no que tange aos valores até aqui analisados, seria representado por julgado em que, tratandose da incidência específica de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, a conclusão fosse no sentido de que o ônus da prova seria do Contribuinte e não da Fiscalização. Entretanto, os dois paradigmas indicados pela Fazenda Nacional tratam exclusivamente da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão em confronto incidências diversas, cada qual regida por legislação própria, com suas nuances e especificidades, de sorte que não restou demonstrada a alegada divergência, relativamente à infração "omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. Relativamente à segunda infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada pelo que já foi antecipado quando da análise da primeira infração, a premissa da qual partiu a Fazenda Nacional em seu recurso comprovação genérica de depósitos bancários, sem coincidência de datas ou valores revelase no mínimo questionável, já que foram considerados comprovados depósitos específicos e não um valor genérico, ou por médias efetuados em datas e valores compatíveis com todo um conjunto probatório colacionado pelo Contribuinte. Confirase a parte do acórdão recorrido em que se tratou do depósito bancário no valor de R$ 1.000.000,00, cuja comprovação está Fl. 716DF CARF MF 14 atrelada à omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, tudo isso relacionado à alienação de uma participação societária: "Agora se passa a debater a defesa trazida nos itens III e IV, nos quais o recorrente combate as omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, nos importes de R$ 80.000,00, R$ 80.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 15.000,00, em 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 e 31/12/2004, respectivamente, e a omissão de rendimentos caracterizada pelo depósito bancário de origem não comprovada no importe de R$ 1.000.000,00, em 15/07/2004. Para comprovar suas argumentações, no curso do procedimento fiscal, o então fiscalizado informou que tais valores eram decorrentes de alienação societária (fl. 118), juntando cópia do contrato de compra e venda de cotas de sociedades limitadas e participações acionárias, registrado no 1ª Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de São Paulo (fls. 130 a 136), cópia de certidões da Jucesp das empresas Global Capitalização S/A, BP Participações Societárias Ltda. e AM Participações Societárias Ltda., constando os adquirentes no quadro societário (fls. 137 a 140, 143 e 144), certidão específica da Jucesp da Interbrazil Seguradora S/A, constando a renúncia do administrador Sr. Bruno Prada, de 15/07/2004 (fls. 141 e 142), bem como cópias das notas promissórias em aberto de tal negócio jurídico (fls. 219 a 264). A declaração de ajuste anual do recorrente, do exercício 2005, noticia tais alienações (fl. 08). A autoridade lançadora rejeitou as explicações acima asseverando que “... não existe documentação conclusiva da efetiva operação, como por exemplo, contratos sociais e suas alterações, apuração de ganho de capital e outros, levando nos a considerar como rendimentos recebidos da Pessoa Jurídica Interbrazil Prestadora de Serviços, os valores de R$ 80.000,00, nos meses de agosto, setembro e outubro e R$ 15.000,00, no mês de dezembro e como depósito sem origem comprovada a valor de R$ 1.000.000,00, recebido em 15/07. (...) Em apertada síntese, a decisão recorrida rejeitou o acervo probatório acima em decorrência de os pagamentos terem origem em uma das empresas alienadas (Interbrazil Seguradora S/A) e não dos adquirentes (“O contrato de compra e venda da participação societária só justificaria os depósitos bancários se o depositante fosse o próprio comprador. Não sendo assim, deve prevalecer a presunção de que tais valores sejam rendimentos tributáveis”), na parcela que foi imputada como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, utilizando a mesma linha argumentativa para manter o depósito de R$ 1.000.000,00, este considerado como de origem não comprovada, por ausência de identificação do depositante. Entendo que a decisão acima merece reparos. Antes tudo, observese, na parte referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$ 80.000,00, R$ Fl. 717DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 711 15 80.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 15.000,00, em 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 e 31/12/2004, respectivamente), não se pode presumir tais valores como rendimentos omitidos, como asseverado na decisão recorrida. Ora, se se trata de rendimentos omitidos, não pode haver qualquer dúvida sobre a materialidade tributária, ou seja, precisamos saber a que título tais pagamentos ocorreram, pois aqui não se está utilizando a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso, por si só, já colocaria em xeque a motivação da decisão recorrida, acima transcrita. Indo mais além, no momento em que o contribuinte, na fase que precedeu a autuação, informou a origem dos depósitos bancários à autoridade lançadora, a partir do contrato particular de compra e venda das cotas de sociedades limitadas e participações societárias, informação ratificada pelas registros constantes na declaração de ajuste anual apresentada tempestivamente (fl. 08), jamais a autoridade fiscal poderia ter rejeitado tal esclarecimento, simplesmente imputando uma omissão de rendimentos, a partir do nome do depositante que constou no extrato bancário, bem como rejeitando a origem para o depósito de R$ 1.000.000,00, em 15/07/2004, exigindo contratos sociais e eventual apuração de ganho de capital por parte do fiscalizado. Ora, considerando que o contribuinte apresentou o contrato de compra e venda de participação societária registrado em cartório, com valores idênticos aos depósitos bancários investigados, aliado de certidões da junta comercial (que poderia, em princípio, suprir os contratos sociais) e notas promissórias em aberto de tal negócio jurídico, obrigatoriamente a autoridade fiscal deveria ter investigado tais informações, dentro da vetusta máxima de que “Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, § 1º , até porque as alienações constaram na declaração de ajuste anual apresentada tempestivamente. Daí, confirmando as assertivas do fiscalizado, caberia à fiscalização apurar eventual ganho de capital, porém jamais imputar a apuração do ganho de capital por parte do fiscalizado como uma condição para reconhecer a natureza da operação. Se o contribuinte não apurou o ganho de capital, acaso devido, caberia à fiscalização fazêlo. Na verdade, toda a documentação que o contribuinte trouxe, na fase que precedeu a autuação e na impugnação, é harmônica com sua argumentação de que alienou as participações acionárias e cotas sociais em julho de 2004, e recebeu os valores aqui em discussão em decorrência de tal transação. Nessa linha, primeiramente observese que o contrato e aditivo da alienação foram registrados em cartório, no curso do ano de 2005 (22/06/2005, como se vê, por exemplo, na fl. 398 destes autos), muito antes do início desta ação fiscal (28/12/2005 – fl. Fl. 718DF CARF MF 16 4). Além disso, vêse que antes do início desta ação fiscal o contribuinte já impetrara na Justiça Federal um mandado de segurança para liberar seus bens do gravame determinado pelo liquidante extrajudicial da Interbrazil (fl. 411 e seguintes) e já propusera, desde 22/06/2005, uma ação de cobrança no foro de São Paulo para perseguir as parcelas não pagas da transação (fls. 455 e seguintes). Analisando o contrato de alienação das participações societárias, vêse que lá consta, na clásula segunda (fl. 131), que os alienantes (Bruno Prada e Outro) receberiam de início, em 15/07/2004, R$ 2.000.000,00, sendo metade para cada um. A parcela do recorrente deveria ser creditada no Banco Itaú, na ag. 3742, conta corrente nº 23.8764. Compulsando os extratos bancários, na dita conta, com identidade de data e valor, vêse o crédito de R$ 1.000.000,00 (vide fls. 62 e 106). Nessa toada, na mesma cláusula segunda, vêse que se pactou que o saldo restante da operação (R$ 8.000.000,00) seria pago em 50 parcelas mensais de R$ 160.000,00, pagas no dia vinte de cada mês, a partir de 20/08/2004, em prol dos dois sócios, sendo uma das contas bancárias, repositório dos valores, a acima discriminada. E de fato se vêem créditos bancários de R$ 80.000,00, em 20/08/2004 (fl. 64), R$ 80.000,00, em 20/09/2004 (fl. 65) e R$ 80.000,00, em 21/10/2004 (fl. 67), na conta referida, além de cópias das notas promissórias do ano de 2005 em diante (fls. 219 a 264). Todas as provas são harmônicas para indicar a concretização da operação de alienação das empresas, com recebimento parcial do preço. Há ainda uma questão final. Vêse que a decisão recorrida rejeitou todas as evidências acima descritas pelo fato de os pagamentos terem origem na Interbrazil Seguradora S/A (uma das empresas alienadas) e não dos adquirentes, pois o então impugnante havia reconhecido que os compradores saldaram dívida própria com reservas destinadas à cobertura de sinistros, o que se comprovaria com a decretação da liquidação extrajudicial da Interbrazil. Por seu turno, o recorrente argumenta que a Interbrazil seria parte no negócio e não terceiro, como poderia se ver no contrato, a justificar os pagamentos feitos diretamente pela Interbrazil. Inicialmente, a questão deduzida pela autoridade julgadora de piso somente seria relevante se a autoridade lançadora tivesse investigado a operação e concluído que houve um conluio (ou fraude) entre os alienantes e adquirentes para se assenhorearem das reservas da Seguradora. Porém isso não foi comprovado nestes autos. Assim, no momento em que os alienantes venderam suas participações societárias, não se poderia impedir aos novos adquirentes, com plenos poderes na sociedade adquirida, que fizessem os pagamentos diretamente a partir de uma delas. Se o fizeram violando as normas securitárias, não é algo que se pudesse imputar aos alienantes, quando nos autos não há qualquer prova de que a alienação foi fraudulenta ou em conluio. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 712 17 Ademais, observese, jamais se poderia manter a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de R$ 1.000.000,00, em 15/07/2004, porque tal depósito tem origem comprovada, como se viu pela documentação juntada aos autos na fase que precedeu a autuação (e ratificada na impugnação, como antes se debateu), sendo inviável que a autoridade lançadora se valesse da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois inegavelmente o contribuinte comprovou a origem do depósito, versão que deveria ser desconstituída pela autoridade lançadora, a partir de um aprofundamento investigativo, para daí tributar na forma correta, como exigido pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Por tudo, entendo que o simples fato de os pagamentos terem origem na Interbrazil não pode desconstituir a realidade que emerge dos autos, de que houve de fato uma alienação de cotas e ações, quando a autoridade fiscal não aprofundou as investigações, para descaracterizar a argumentação e provas produzidas pelo contribuinte. Concluindo, remanesceria para discussão um depósito de R$ 15.000,00, feito em 22/12/2004, que também veio da Interbrazil. Esse também o contribuinte arrolou como proveniente da transação de alienação das cotas e ações. Analisando o aditivo contratural, vêse que em 20/12/2004, os alienantes pagaram apenas R$ 90.000,00 e não R$ 160.000,00 (ressaltese que o contribuinte sempre recebia metade dessas importâncias). Apesar de não haver identidade dos valores (o contribuinte deveria ter recebido R$ 45.000,00), como ocorreu até outubro de 2004, parece plausível imputar à operação de alienação também esse crédito bancário de R$ 15.000,00, considerado como rendimento omitido de pessoa jurídica pela fiscalização, pois o recorrente já não tinha vínculo com a Interbrazil, e o crédito vindo dela presumese associado a tal operação (aqui, mais uma vez, como se trata de omissão de rendimentos, caberia a autoridade lançadora ter aprofundado as investigações, para saber a causa de tal pagamento, e não simplesmente reclassificar do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para uma omissão ordinária). Se o crédito de R$ 15.000,00, de 22/12/2004, tem origem na alienação de bens e direitos, não poderia ser tributado como omissão de rendimentos, mas, eventualmente, como omissão de ganho de capital. Devese, pois, cancelar a presente omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e caracterizada pelo depósito bancário de origem não comprovada. E quanto aos depósitos bancários no total de R$ 95.000,00, cuja origem atribuída foi a alienação de um veículo, o acórdão recorrido assim se pronunciou: "Passase agora à defesa do item V, que versa sobre a comprovação da origem de depósitos bancários a partir da alienação de um automóvel. Fl. 720DF CARF MF 18 Os créditos bancários em debate perfazem um total R$ 95.000,00, considerados como depósitos de origem não comprovada, em 26/07/2004. O contribuinte informou à autoridade fiscal que se tratava de uma alienação do automóvel Mercedes ML 320 Placa DAY 5665 (fls. 114 e 118), alienado ao Sr. Teucle Manarelli Filho, conforme recibo datado de 15/08/2004 (fl. 195). Posteriormente, na impugnação, trouxe o registro em cartório comprovando o reconhecimento da firma, ocorrida em 23/11/2004 (fl. 494). Neste ponto, no termo de encerramento da ação fiscal (fl. 270), não encontrei justificativa da autoridade lançadora para afastar a argumentação do contribuinte. Já na declaração de ajuste anual apresentada tempestivamente, consta que o bem foi alienado ao Sr. Teucle, por R$ 95.000,00 (fl. 07). Apesar de haver uma discordância das datas do recibo e do reconhecimento da firma com a data do recebimento dos valores (o que pode ser justificado pelo fato de o recibo poder ter sido feito após o recebimento dos valores, e já o reconhecimento da firma, com alguma frequência, é feito posteriormente, mormente quando o vendedor não coloca a data da venda, desobrigando o comprador de fazer a transferência nos 30 dias previstos na legislação de trânsito), chamoume a atenção a absoluta identidade dos créditos com o valor da alienação. Vejase que, no dia 26/07/2004 (fl. 272), houve somente os créditos de R$ 750,00, R$ 9.250,00, R$ 4.000,00, R$ 4.000,00, R$ 12.000,00, R$ 8.000,00, R$ 10.000,00 e R$ 47.000,00, que perfazem exatamente R$ 95.000,00. Efetivamente seria muita coincidência se tais valores não estivessem vinculado à alienação do veículo. Ademais, no momento em que o contribuinte, na fase que precedeu a autuação, informou a origem dos depósitos bancários acima, associado à venda do veículo, para desconstituir tal versão caberia a autoridade fiscal ter intimado o comprador Sr. Teucle, pois efetivamente a argumentação do contribuinte era plausível, pela identidade do valor da alienação com os créditos bancários, bem como pelo fato de haver a informação de tal transação na declaração de ajuste anual entregue tempestivamente. Aí, quedandose inerte a autoridade lançadora, que sequer motivou a rejeição das argumentações do contribuinte, devese dar fé a argumentação do fiscalizado. Com o fundamento acima, considero comprovado a origem dos depósitos bancários feitos no dia 26/07/2004, no importe total de R$ 95.000,00." Nesse contexto, a discussão acerca do conjunto probatório trazido pelo Contribuinte se é efetivamente hábil e idôneo, inclusive com coincidência de datas e valores, como entendeu o Colegiado caracterizaria a revaloração das provas, o que não é possível na fase em que se encontra o processo. A menos que o Recurso Especial fosse sustentado em paradigma em que, examinandose conjunto probatório semelhante ao detalhado na decisão recorrida, o Colegiado concluísse que a documentação não seria hábil e idônea, ou que não haveria coincidência de datas e valores. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 713 19 Entretanto, os paradigmas indicados Acórdãos nºs 220100.424 e 104 21.546 não tratam de situação semelhante à da decisão recorrida, conforme será explicitado na sequência. Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 220100.424 confirase a situação fática nele retratada: "Pelo que se extrai dos autos, o núcleo da controvérsia cingese, basicamente, na origem dos recursos omitidos; se pertencente à pessoa física, estaria o lançamento correto, todavia, se proveniente da pessoa jurídica, darseia a improcedência de praticamente todo o feito fiscal. Para o deslinde da questão, impende analisar, inicialmente, as informações coligidas por conta do retomo da diligência proposta em 07 de dezembro de 2005, pelos membros da antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Pelo que se depreende da análise das informações obtidas por ocasião do retomo da diligência, entendo, pois que não foram conclusivas. Senão vejamos: Em relação aos cheques nominais à empresa Audio Phone, constante da tabela II (fl. 219), o Banco ABN AMRO Real S/A (sucessor do Banco América do Sul S/A) informou que não foi localizado ativos financeiros (conta corrente, poupança e fundos de investimentos) em nome da referida empresa, razão pela qual não há como verificar se os cheques foram depositados em conta mantida pela empresa Audio Phone. Relativamente aos cheques não juntados no processo, constantes da Tabela I (fl. 217), informa o recorrente que em face das sucessivas incorporações (Banco Meridional S/A foi incorporado pelo Banco Sudarneris, posteriormente incorporado pelo ABN ANRO Real e atualmente pelo Banco Santander) aliado ao lapso temporal de quase 8 anos, tornase inviável a apresentação das cópias solicitadas (f1.234). No que diz respeito aos cheques constantes da Tabela II, nominais a Audio Phone, o Banco Santander esclarece que os referidos cheques foram depositados (compensados) junto ao Banco Comercial de Investimentos Sudameris, agência 0102, de Foz do Iguaçu (fls. 256). Em relação às operações de desconto de titulo que deram origem aos créditos relacionados na tabela III, no valor de R$ 24.000,00 em 28/08/2001; R$ 21.800,00 em 09/01/2001 e RS 9.000,00 em 10/10/2001, afirma o recorrente que são relativos às vendas de mercadorias pela empresa Audio Phone (fls. 234/235), entretanto, não colaciona qualquer documentação comprobatória da referida alegação. Referentemente ao crédito efetuado em 20/06/2001, no valor de R$ 1.150,00, alega o recorrente que se refere à venda de Fl. 722DF CARF MF 20 mercadorias pela Audio Phone e que a identificação do remetente é praticamente impossível (fl. 234). Em relação aos depósitos identificados, efetuados na conta do recorrente (fls. 220/222) a fiscalização efetuou por amostragem as intimações e obteve as seguintes respostas: Bruno de Ferrante, por meio de sua procuradora informa que o valor de R$ 3.600,00, depositado no dia 24/12/2001, na conta de Ali Abdul Hussein Fahs, no Banco Bradesco, referese à compra de uma câmara fotográfica, entretanto, não foi enviado pelo vendedor qualquer documento relacionado à venda, além do manual (fl. 261). Vicente Domelles Souza declara que o valor de R$ 2.250,00, depositado no dia 23/02/2001, referese à compra de um Desktop e que não possui qualquer documento fiscal em função do tempo decorrido (fl. 267). Renata Rossana Grangeiro Costa, por meio de seu procurador declara que os depósitos no valor de R$ 676,00 e de RS 99,00, efetuados nos dias 01/08/2001 e 03/08/2001 respectivamente na conta corrente de Ali Bdul Husseim Fahs, referese à compra de materiais fotográficos enviados via correios (Sedex), todavia, não possui os documentos fiscais haja vista expurgo que a intimada faz em seus arquivos a cada 5 anos (fl. 272). Pelo que se vê, as informações obtidas em respostas as intimações pouco esclarece, essencialmente porque não vieram acompanhadas de documentação probatória. Noutra frente, quando se analisa a documentação trazida a colação pelo recorrente, durante todo o procedimento fiscal, bem como em sede de Impugnação, verificase que não é possível estabelecer correspondência segura entre os depósitos bancários e as planilhas e/ou documentos apresentados. Tomemos como exemplo a venda efetuada, conforme Factura Contado n° 060002, no dia 04/01/2000, cujo valor é de 1.716.667 guaranis (f1.233). Conforme planilha de "Apuração da Variação Cambial" a referida venda foi efetivamente recebida em 07/01/2000, acrescida da variação cambial de 60.083 guaranis, perfazendo o montante de 1.776.750 guaranis (fl. 1658). Ressaltese que o referido valor foi registrado no dia 07/01/2000, no "Diário General" (código B005), fl. 1706. Em seguida, conforme a planilha "Conversão dos Créditos Bancários — Real para Guarani" (fl. 1915), apresentada pelo contribuinte (código B005), o valor expresso em guarani foi convertido utilizando a cotação do Real e a cotação do guarani (câmbio nãooficial), dando origem ao depósito de R$ 1.030,00, no dia 07/01/2000, no Banco Santander Meridional (f1.99). Assim, conforme prega o recorrente, a venda efetuada em 04/01/2000, no valor de 1.716.667 guaranis, representa o depósito de R$ 1.030,00, realizado no dia 07/01/2000. Da análise dos fatos acima, depreendese que o contribuinte utilizou a data do recebimento, a cotação e a conversão, de acordo com sua conveniência, para justificar os depósitos efetuados em sua conta bancária. Todavia, deveria, pois, o Fl. 723DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 714 21 recorrente ter apresentado, além da Factura Contado (emitida pelo próprio contribuinte), provas incontestes no sentido de demonstrar a veracidade de toda engenharia financeira elaborada para explicar a entrada de numerário ocorrida em sua conta bancária. Destarte, o recorrente não consegue comprovar, objetivamente, sequer a origem de um depósito. (...) O contribuinte em nenhum momento apresentou documentos que comprovem a vinculação entre as receitas da empresa no Paraguai e os créditos nas contas bancárias no Brasil. Mesmo as notas apresentadas, em seqüência numérica, não foram relacionadas com os valores dos depósitos nas contas bancárias do contribuinte. O contribuinte não informou, em nenhum momento, quem seriam os depositantes dos recursos em suas contas, alegando não conhecer os adquirentes das mercadorias, o que causa muita estranheza, pois o mínimo de controle dos recebimentos relativos a vendas efetuadas a prazo a empresa deveria possuir. Com relação às notas fiscais, ainda paira a dúvida quanto à questão da emissão de uma nota para cada dia, ao invés de várias vendas por dia, o que seria normal. Segundo a alegação do contribuinte os valores das notas fiscais seriam relativos ao global dos créditos bancários, porém fica a questão da não localização, nos documentos apresentado, de vendas a vista por parte da empresa. O contribuinte tentou demonstrar que os débitos nas contas bancárias do mesmo seriam decorrentes de operações da empresa no Paraguai. Além de não haver anexado nenhum documento comprobatório, baseia suas informações em planilhas que possuem diversas informações não corroboradas por documentos. Vários cheques emitidos contra pessoas físicas e que não identificam o motivo dos pagamentos, além de vários cheques em que o próprio contribuinte alega ser o nome beneficiário ilegível, e sem indicação do motivo do desembolso. Alem disso, considera débitos relativos a títulos de capitalização como gastos da empresa, quando na verdade tais gastos são relativos a pessoas físicas. O contribuinte não informou à fiscalização, através da DIRPF, a participação societária na empresa no exterior, e não informou quaisquer outros bens ou rendas que teria auferido no período fiscalizado, no exterior. Apenas no ano calendário de 2003 o contribuinte incluiu participação em empresa no exterior, e informou um valor de capital sem informar a origem do mesmo, incluindo este nas duas colunas de sua declaração de bens e direitos. Fl. 724DF CARF MF 22 Dessa forma, fica demonstrado que o contribuinte tentou, porém não conseguiu, efetuar distinção ente os valores que transitaram em suas contas bancárias, ficando claro para a fiscalização que os valores movimentados nas contas bancárias são decorrentes de operação suas como pessoa física no Brasil." Como se pode constatar, esse primeiro paradigma trata de comerciante no Paraguai com conta corrente no Brasil, que não logrou comprovar sequer um depósito, sendo que a documentação apresentada não mereceu fé, conforme fartamente justificado nos trechos acima colacionados, o que nada tem a ver com a realidade tratada no acórdão recorrido. Ademais, ao contrário do que se verificou no recorrido, nesse paradigma não houve registro a contento, nas Declarações de Ajuste Anual, dos rendimentos e demais informações inerentes à atividade comercial do Contribuinte. Destarte, esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência, por absoluta falta de similitude fática. Quanto ao segundo paradigma Acórdão nº 10421.546 tratase do seguinte contexto: "Da análise dos autos do processo se verifica, que a motivação inicial para instaurar o procedimento fiscal foi à movimentação financeira de porte elevado, conclusão extraída a partir da análise da arrecadação pertinente a CPMF. Posteriormente, em razão do não atendimento, por parte do suplicante, das intimações emitidas pela fiscalização para que apresentasse os extratos bancários, a autoridade administrativa da DRF em Novo Hamburgo RS emitiu a competente requisição de Informações sobre Movimentação Financeira requisitando os documentos bancários necessários e através da análise destes documentos a autoridade fiscal apurou a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. O suplicante solicita o provimento ao seu recurso, tanto nas razões preliminares como nas razões de mérito, para tanto apresenta preliminares de nulidades do lançamento baseada nas seguintes teses: quebra de sigilo bancário de forma irregular; ilegalidade da fiscalização por vício de origem; da impossibilidade da aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001 e da Lei Complementar nº 105, de 2001 e por fim razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende as preliminares de nulidade do lançamento sob o entendimento de que houve ilegalidade na origem do procedimento fiscal (instauração do procedimento fiscal com base em dados da CPMF), bem como houve irregularidades na quebra do sigilo bancário (aplicação de forma retroativa da Lei nº 10.174 e da Lei Complementar nº 105, ambas de 2001) e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 19515.002132/200606 Acórdão n.º 9202006.891 CSRFT2 Fl. 715 23 (...) Muito embora o impugnante tenha argumentado que a origem dos créditos/depósitos em sua conta corrente tratase de valores pertencentes a empresa LC Factoring Ltda., não há comprovação nos autos, de que os depósitos efetuados que constituíram a base tributável da presente autuação tiveram origem comprovada, como pretende o suplicante, uma vez que os documentos anexados aos autos não comprovam, de forma inequívoca, a origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados em sua conta corrente. Para que a tese do suplicante pudesse vingar deveria lastrear de provas convincentes que as operações tributadas tinham origem nestas operações, o que não fez. Fica na situação cômoda de que todos os créditos lançados em suas contas bancárias provem destas operações. Fazse necessário consignar, que o interessado foi devidamente intimado a comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados em sua conta corrente, o que não o fez, permitindo, assim, ao Fisco, lançar o crédito tributário aqui discutido, valendose de uma presunção legal de omissão de receitas. Nesse sentido, compete ao interessado não só alegar, mas também provar, por meio de documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. Portanto, sem respaldo as alegações do autuado, que devidamente intimado a comprovar a origem dos recursos dos créditos/depósitos listados no anexo à intimação não produziu provas no sentido de elidi la. Como se vê, teve o suplicante, seja na fase fiscalizatória, fase impugnatória ou na fase recursal, oportunidade de exibir documentos que comprovem as alegações apresentadas. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do processo, a presunção "júris tantum" acima referida, necessariamente, transmudase em presunção "jure et de jure", suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Em resumo, na hipótese em litígio, a Fazenda Pública tem a possibilidade de exigir o imposto de renda com base na presunção legal e a prova para infirmar tal presunção há de ser produzida pelo contribuinte que é a pessoa interessada para tanto. Caberia, sim, ao suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, ficar argumentando que a prova é do fisco para não cooperar no ato de fiscalização, sem a demonstração do vínculo existente, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já Fl. 726DF CARF MF 24 que o dever da guarda dos contratos e documentário das operações, juntamente com a informação dos valores pagos/recebidos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus." Assim, constatase que, no caso desse segundo paradigma, o autuado limitou se a argumentar questões de direito e, sem colacionar provas que dessem suporte aos seus argumentos, intentou transferir ao Fisco a obrigação de comprovar que os recursos depositados em conta bancária seriam oriundos de empresa de factoring. Contexto muito diferente da situação fática do acórdão recorrido, em que foi colacionado conjunto probatório considerado consistente, sendo que as pontuações acerca da obrigação do Fisco de comprovar a omissão de rendimentos estavam ligadas à omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, que constitui presunção, ou, quando associadas aos depósitos bancários, tiveram como premissa a coerência da documentação apresentada, em face inclusive dos registros na Declaração de Ajuste Anual. Destarte, não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando se constata que as soluções diversas a que chegaram os Colegiados não foram ancoradas em interpretação da lei mas sim na absoluta falta de similitude fática entre as situações postas em confronto. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 727DF CARF MF
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Numero do processo: 13973.000952/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009
Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal.
PROVA. JUNTADA POSTERIOR.
A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções da lei.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO PESSOA JURÍDICA. INTERPOSTAS PESSOAS.
A constituição de várias empresas individuais, que ocupam um mesmo espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e pulverizar receitas, caracteriza constituição de grupo econômico familiar.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA EFEITOS RETROATIVOS.
Não poderá optar pelo Simples Nacional, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. A exclusão é obrigatória com efeitos a partir do mês subseqüente aquele em que ocorreu a situação impeditiva.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO.
As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar-se-ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
A denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, desde que realizado antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA.
A falta de recolhimento ou de pagamento da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita o contribuinte à aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic, por força de expressa previsão legal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002.
CRÉDITO. INSUMO. FRETES.
A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos.
CRÉDITO. INSUMO. ALUGUÉIS.
A escrituração contábil desacompanhada da documentação comprobatória não é suficiente para comprovar o direito a crédito de não-cumulatividade.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Cofins em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITO. INSUMO. FRETES.
A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
LUCRO REAL. PERÍODO DE APURAÇÃO TRIMESTRAL.
O imposto será determinado por períodos de apuração trimestrais. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, poderá pagar o imposto, em cada mês, cuja opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Não se aplica o regime de competência quanto à dedução dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a V do art. 151 do Código Tributário Nacional.
ADICIONAL DO IRPJ. ERRO DE CÁLCULO.
O adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento incide sobre a parcela do lucro real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração. Verificado erro de cálculo, o lançamento deve ser reformado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula..
Numero da decisão: 1402-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008, 2009 Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções da lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO PESSOA JURÍDICA. INTERPOSTAS PESSOAS. A constituição de várias empresas individuais, que ocupam um mesmo espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e pulverizar receitas, caracteriza constituição de grupo econômico familiar. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA EFEITOS RETROATIVOS. Não poderá optar pelo Simples Nacional, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. A exclusão é obrigatória com efeitos a partir do mês subseqüente aquele em que ocorreu a situação impeditiva. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar-se-ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, desde que realizado antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A falta de recolhimento ou de pagamento da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita o contribuinte à aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic, por força de expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO. INSUMO. FRETES. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos. CRÉDITO. INSUMO. ALUGUÉIS. A escrituração contábil desacompanhada da documentação comprobatória não é suficiente para comprovar o direito a crédito de não-cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Cofins em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITO. INSUMO. FRETES. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ LUCRO REAL. PERÍODO DE APURAÇÃO TRIMESTRAL. O imposto será determinado por períodos de apuração trimestrais. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, poderá pagar o imposto, em cada mês, cuja opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Não se aplica o regime de competência quanto à dedução dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a V do art. 151 do Código Tributário Nacional. ADICIONAL DO IRPJ. ERRO DE CÁLCULO. O adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento incide sobre a parcela do lucro real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração. Verificado erro de cálculo, o lançamento deve ser reformado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula..
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PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções da lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO PESSOA JURÍDICA. INTERPOSTAS PESSOAS. A constituição de várias empresas individuais, que ocupam um mesmo espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e pulverizar receitas, caracteriza constituição de grupo econômico familiar. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA EFEITOS RETROATIVOS. Não poderá optar pelo Simples Nacional, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. A exclusão é obrigatória com efeitos a partir do mês subseqüente aquele em que ocorreu a situação impeditiva. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 09 52 /2 00 9- 14 Fl. 715DF CARF MF 2 As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, desde que realizado antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A falta de recolhimento ou de pagamento da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita o contribuinte à aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic, por força de expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO. INSUMO. FRETES. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos. CRÉDITO. INSUMO. ALUGUÉIS. A escrituração contábil desacompanhada da documentação comprobatória não é suficiente para comprovar o direito a crédito de nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Cofins em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITO. INSUMO. FRETES. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCRO REAL. PERÍODO DE APURAÇÃO TRIMESTRAL. O imposto será determinado por períodos de apuração trimestrais. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, poderá pagar o imposto, em cada mês, cuja opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Não se aplica o regime de competência quanto à dedução dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a V do art. 151 do Código Tributário Nacional. ADICIONAL DO IRPJ. ERRO DE CÁLCULO. O adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento incide sobre a parcela do lucro real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração. Verificado erro de cálculo, o lançamento deve ser reformado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Relatório Fl. 717DF CARF MF 4 Tratase de Recurso Voluntário interposto por EUROKITCHEN MÓVEIS LTDA ME com vistas a ver anulado Ato Declaratório de Exclusão (ADE) do SIMPLES e, subsidiariamente, promover revisão do lançamento tributário ante a desconsideração do regime especial e impostos recolhidos nesse. Tendo em conta o minucioso relatório empreendido pela DRJ procedo à sua transcrição: 1. Este processo foi inaugurado com a Representação Fiscal para exclusão do Simples Nacional do interessado (fls. 2/57). 2 Por meio do Despacho Decisório Sacat nº 540/2009 (fls. 59/62), a autoridade administrativa conclui pela ocorrência de infração à legislação, em razão de o interessado possuir em seu quadro sócio que participa com mais de 10% do capital de outra empresa e cuja receita global ultrapassa o limite legal para permanência como optante do Simples Nacional, o que enseja a sua exclusão do sistema. 3 Inicialmente, a autoridade administrativa proferiu o Ato Declaratório de Executivo (ADE) nº 272, de 07 de dezembro de 2009, fundamentando a exclusão do interessado no inciso XII do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006 (fl. 63). 4 Contra esse ADE, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 15/01/2010 (fls. 65/93). 5 Posteriormente, com fulcro no inciso IV, do § 4º, do artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, a autoridade administrativa emitiu o ADE nº 93, de 08 de março de 2010, declarando a exclusão do interessado do Simples Nacional, com efeito desde 1o. de julho de 2007 (fl. 180). 6 Insurgindose contra esse último ADE, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 29/06/2010 (fls. 182/211), alegando como preliminar, em síntese, que: 7 – desconhece os fatos noticiados no relatório segundo o qual o interessado integra um grupo familiar (família Feder) de empresas (Cozinhas Berlim Ltda, Beluno Indústria e Comércio de Móveis Ltdas, Eurokitchen Móveis Ltda e Vave Indústria e Comércio de Móveis Ltda) constituído com o fito de não pagar as parcelas do Refis da empresa Cozinhas Berlim Ltda, cuja receita bruta foi reduzida em mais de 99%; 8 – possui como sócios o Sr. Irene Haneman e a Sra. Vanessa Marucelli Feder que possuem, respectivamente, 99% e 1% das cotas sociais; 9 – mesmo que os sócios proprietários do interessado fossem parentes da família Feder, não seria motivo para caracterizar como grupo econômico, por faltar os requisitos essenciais para a sua caracterização, ou seja, participação societária, ingerência na administração; 10 – não se pode concluir que uma empresa integre um grupo econômico, pelo fato de estar localizada próxima de outra; 11 – apresentou a fiscalização sua opção pelo Simples Nacional, bem como todos os pagamentos efetuados de forma digital; 12 – desde a sua fundação em 1999 fez a opção pelo modelo simplificado de tributação (Simples Federal: de 1999 até 30/06/2007 e Simples Nacional: desde 01/07/2007); Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.113 5 13 – os despachos mencionam documentos não apresentados pelo interessado e que se referem a outras empresas e que não teve conhecimento de que estava sendo fiscalizada sob a argumentação de grupo econômico, razão por que foi cerceada a defesa. 14 O interessado também cita decisão sobre grupo econômico e o entendimento do STJ sobre responsabilidade tributária de grupo econômico e ainda esclarece o que é interesse comum no caso da solidariedade disposta no art. 124, inciso I, do CTN (fls. 188/191). 15 No mérito, discorre o interessado sobre a legislação do Simples (fls. 192/196) e alega, em resumo, que: 16 – “os despachos impugnados não apresentam motivação e fundamentação para declaração de Exclusão da impugnante do Programa do Simples Federal”; 17 – a autoridade administrativa não considera os recolhimentos que sempre foram efetuados pelo interessado, o que se comprova com planilha e cópias de Darf que serão apresentadas em tempo, conforme requerimento final; 18 – não é verdadeira a imputação de que o interessado possui sócios com participação superior a 10% de capital em outra empresa e cuja soma da receita bruta ultrapassa o limite legal, conforme se comprova com documentos em anexo; 19 – não foram demonstrados quais os sócios que compõem o quadro societário, nem qual o valor que teria extrapolado o limite legal de faturamento; 20 – a autoridade administrativa tem que demonstrar a irregularidade sob pena de nulidade do ato; 21 – é necessário que a acusação imputada venha devidamente orientada e que contenha embasamento legal, para que se possa oferecer a ampla defesa; 22 – é necessário buscar a verdade material dos pagamentos efetuados pelo interessado como optante pelo Simples; 23 – a soma dos valores já recolhidos pelo interessado “aplicados sob as exigências impostas na decisão, ou seja, num procedimento de compensação, chegamos a conclusão de que fora recolhido valores a mais daquele exigido e ora impugnado”; 24 – a exigência referida no auto de infração vem revestida de capitulação legal, que não atinge o interessado, pois no período fiscalizado estava sob o regime do Simples; 25 – requereu em 01/07/2007 a ratificação de seu enquadramento no regime de tributação Simples, obtendo resposta positiva, razão por que atuou, assumindo obrigação principal e acessória, como enquadrada no Simples, donde não pode agora ser prejudicada; 26 – houve abuso do direito por parte da autoridade administrativa ao exceder seu limite no exercício do poder discricionário. “Assim, impõese a descontituição total do Auto de infração ora combatido, face a ilegalidade do ato que lhe deu origem” (fls. 204/207); 27 – deve ser aplicado o “Princípio In Dúbio Contra Fiscum”, ante a falta de comprovação da suposição indicada pela autoridade administrativa (fls. 207/210); Fl. 719DF CARF MF 6 28 O interessado transcreve excertos doutrinários (fls. 198/203), acosta aos autos documentação trazida com a manifestação de inconformidade (fls. 94/175 e 212/220) e, por fim, requer: 29 a) o cancelamento/anulação do ADE nº 272, de 07/12/2009, do Despacho Decisório nº 540/2009 e do ADE nº 93, de 08/03/2010, para reconhecer os recolhimentos já efetuados e seu direito em permanecer como optante pelo Simples desde 01/01/2007; 30 b) caso assim não se entenda, que seja autorizado a recolher o imposto referente aos meses realmente apurados, aplicando apenas a correção; 31 c) se indeferido o item “a”, que seja autorizada a conversão de todos os impostos pagos a partir de 01 de julho de 2007, para tributação pelo lucro presumido, compensandose os pagamentos no Simples, inclusive as obrigações acessórias (DIPJ e DCTF); 32 d) 20 dias para a juntada de cópias de documentos; 33 e) que seja comunicado ao interessado o inteiro teor da decisão por meio de seu procurador no endereço indicado na manifestação de inconformidade (fl. 210). 34 O processo retornou à Seção de Fiscalização (fl. 221), onde foi acostado o auto de infração para exigência de tributo(s) com os respectivos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), referente ao período de apuração de 01/07/2007 a 31/12/2008, relacionado(s) no quadro 1 (fl. 226). 35 A autoridade lançadora registra em seu termo de verificação fiscal (fls. 345/350) que: 36 – o lançamento, referente ao período de apuração de 01/01/2006 a 30/06/2007, foi formalizado no processo administrativo fiscal nº 13973.000951/200970; 37 – ante a emissão do ADE nº 93, de 08/03/2010, com efeitos desde 01/07/2007, o interessado foi intimado a apresentar sua escrituração e a se manifestar sobre a forma de apuração do IRPJ. Em resposta, apresentou os arquivos magnéticos com a escrituração e optou pela apuração do IRPJ pelo lucro real de janeiro de 2006 a dezembro de 2008; 38 – os pagamentos efetuados no Simples Nacional, referentes ao período de julho de 2007 a dezembro de 2008, encontramse nos extratos acostados aos autos (fls. 289/324), de onde se extraíram os valores de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis que foram compensados na autuação, conforme tabela abaixo: Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.114 7 39 – o interessado apurou o lucro real mensalmente, quando o correto seria apurar trimestralmente, conforme disciplina os artigos 220 e 222 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR); 40 – no entanto, foi possível chegar aos resultados trimestrais do lucro real a partir da apuração mensal efetuada pelo interessado; 41 – aos resultados trimestrais foram adicionados os valores de Simples e Simples Nacional, que foram deduzidos da receita (fl. 325), pois não se pode deduzir como despesa impostos apurados em outra forma de tributação e que foram compensados com os tributos devidos apurados pelo Lucro Real; 42 – partindo dos resultados trimestrais ajustados, foram apurados o IRPJ e a CSLL, bem como as compensações dos pagamentos efetuados no Simples e Simples Nacional, conforme demonstrativos acostados aos autos (fls. 326/329). 43 Cientificado do auto de infração, em 28/01/2011, o interessado apresentou impugnação em 24/02/2011, onde apresenta argumentos, que constaram na manifestação de inconformidade (fls. 182/211), anteriormente sintetizados, acrescentando, em suma, que: Fl. 721DF CARF MF 8 44 – não houve julgamento do ADE nº 93, o que impede o interessado de ser compelido a pagar um tributo que não deve; 45 – requereu em 1999 a ratificação de seu enquadramento no regime de tributação Simples; 46 – os cálculos apresentados pela autoridade administrativa para apuração do Imposto de Renda e seus reflexos estão errados; 47 – mesmo sendo optante pelo Simples Nacional, apresentou todos os documentos contábeis (demonstrações contábeis, Lalur, Livros Diário e Razão) e, como não foram desconsiderados pela autoridade administrativa, devem prevalecer os valores neles apurados; 48 – ao realizar os cálculos, a autoridade administrativa não observou a legislação vigente (transcrita nas fls. 405/425), pois a apuração do IRPJ e da CSLL pode e deve ser feita no período anual, como foi apresentado no Lalur e que foi desconsiderado; 49 – além disso, a autoridade administrativa não considerou as deduções de Pis e Cofins da base de cálculo para apuração dos impostos, por isso devem prevalecer os cálculos apresentados na impugnação (fls. 429/444); 50 – não se pode cobrar multa na falta de ato ilícito tributário, por aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), como ocorre no caso em exame, em que houve pagamento de impostos no regime do Simples (LC nº 123, de 2006) e reanálise do enquadramento nesse sistema. 51 O interessado acosta aos autos documentação trazida com a impugnação (fls. 448/523) e encerra requerendo: 52 a) seja suspenso o julgamento até a análise do processo administrativo nº 13973.000951/2009 70, determinando sua ineficácia ante os vícios demonstrados no procedimento de fiscalização, para reconhecer os recolhimentos já efetuados e seu direito de permanecer na sistemática do Simples, desde 01.07.2007 até 31.12.2008, bem como sejam desconsiderados os cálculos apresentados pelo fiscal. Em caso de se manter a exclusão do Simples Federal, devem prevalecer os cálculos apresentados nesta impugnação, sem aplicação de multa e juros, uma vez que não houve ilícito tributário, devendo ocorrer a compensação dos tributos já recolhidos. 53 b) “caso assim não entenda Vossa Senhoria, requer seja autorizado a recolher o imposto referente aos meses realmente apurado, aplicado apenas a correção”; 54 c) se indeferido o item “a”, seja autorizado a conversão de todos os impostos pagos desde 01/07/2007 até 31/12/2008, “para tributação pelo lucro real, compensandose os impostos pagos ao SIMPLES, inclusive com apresentação das declarações de IRPJ com regime escolhido, bem como, todas as DCTF’s dos 4 trimestres”; 55 d) prazo de 20 dias para juntada de cópias de documentos; 56 e) que seja comunicado ao interessado o inteiro teor da decisão por meio de seu procurador no endereço indicado na manifestação de inconformidade (fl. 447). 57 A localização nos autos das principais peças do processo está identificada no quadro 2. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.115 9 58 Por fim, é importante frisar que o interessado também foi excluído do Simples, por meio do ADE nº 269, de 07 de dezembro de 2009, que deu ensejo ao lançamento de tributos relativo ao período de apuração compreendido entre janeiro de 2006 a junho de 2007. Esses procedimentos fiscais constam do processo administrativo fiscal nº 13973.000951/200970. A partir do contido nos autos a DRJ manteve o auto de infração lavrado restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 SOBRESTAMENTO. FALTA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções da lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO PESSOA JURÍDICA. INTERPOSTAS PESSOAS. A constituição de várias empresas individuais, que ocupam um mesmo espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e pulverizar receitas, caracteriza constituição de grupo econômico familiar. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA EFEITOS RETROATIVOS. Não poderá optar pelo Simples Nacional, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. A exclusão é obrigatória com efeitos a partir do mês subsequente aquele em que ocorreu a situação impeditiva. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO. Fl. 723DF CARF MF 10 As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, desde que realizado antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A falta de recolhimento ou de pagamento da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita o contribuinte à aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic, por força de expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008 CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO. INSUMO. FRETES. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos. CRÉDITO. INSUMO. ALUGUÉIS. A escrituração contábil desacompanhada da documentação comprobatória não é suficiente para comprovar o direito a crédito de nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A pessoa jurídica encomendante pode descontar créditos da Cofins em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITO. INSUMO. FRETES. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação ao valor de frete que integrou o custo de aquisição de bens e mercadorias sobre os quais já foram descontados créditos. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.116 11 CRÉDITO. INSUMO. ALUGUÉIS. A escrituração contábil desacompanhada da documentação comprobatória não é suficiente para comprovar o direito a crédito de nãocumulatividade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 LUCRO REAL. PERÍODO DE APURAÇÃO TRIMESTRAL. O imposto será determinado por períodos de apuração trimestrais. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, poderá pagar o imposto, em cada mês, cuja opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Não se aplica o regime de competência quanto à dedução dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a V do art. 151 do Código Tributário Nacional. ADICIONAL DO IRPJ. ERRO DE CÁLCULO. O adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento incide sobre a parcela do lucro real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração. Verificado erro de cálculo, o lançamento deve ser reformado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Irresignada com a decisão a EUROKITCHEN interpõe o presente recurso com vistas a anular/reformar a decisão da DRJ alegando em suma que houve cerceamento de defesa no ato de exclusão do SIMPLES e, subsidiariamente, pretende em suma rever o lançamento realizado com a consideração da escrituração mensal e impostos pagos, respectivamente. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: A recorrente interpõe "Recurso Especial", instruído com anexo de decisão paradigma com vistas a demonstrar suposta divergência da decisão quanto ao entendimento fixado por este eg. CARF acerca da configuração de Grupo Econômico. Fl. 725DF CARF MF 12 Muito embora a atecnia do recurso interposto temse que em homenagem ao princípio da fungibilidade recursal, presente no NCPC de aplicação subsidiária ao PAT, deve ser recebido e processado o recurso interposto como Recurso Voluntário. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2. PRELIMINAR EVENTUAL CERCEAMENTO DE DEFESA: A Recorrente alega que a decisão que determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional não descreveu adequadamente os fatos que a motivaram levando ao cerceamento de defesa e, consequentemente, sua nulidade. A mesma argumentação já havia sido apontada na impugnação e afastada na DRJ. Ocorre que, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal e, posteriormente, transcritos no relatório da DRJ e neste relatório, foram devidamente apresentadas as circunstâncias que deram azo ao entendimento de que haveria participação além de 10% no quadro societário de outras sociedades empresárias e/ou ultrapassasse o faturamento legal como causa suficiente para exclusão do regime SIMPLES; o que confunde se com o próprio mérito da decisão. 3. DO MÉRITO: 3.1 MOTIVAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES: Versa a matéria constante dos autos sobre a exclusão da recorrente da sistemática do Simples em função da configuração de grupo econômico familiar através das sociedades empresárias Eurokitchen Móveis, Cozinhas Berlim, Beluno Móveis e Vave; o que tipificado no art.3º, IV, §4º, da LC123: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.117 13 Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) IV cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; De se ressaltar, de início, que a EUROKITCHEN, em sua peça recursal, simplesmente reafirma os argumentos trazidos em sua impugnação no sentido de entender que não configurado grupo econômico familiar pelo fato das sociedades empresárias terem em algum momento coincidência de composição no quadro societário e localizaremse em uma mesma localidade. Ocorre que conforme descrito minuciosamente em sede do TVF as sociedades empresárias conceberam interessante estrutura com vistas a promover o esvaziamento das atividades empresariais dada adesão ao REFIS pulverizandoas nas demais sociedades do grupo familiar: Cozinha Berlim, Beluno, Eurokitchen e Vave; que constituídas em nome de funcionários passaram a ser administradas por procurações pelo núcleo familiar original. Tal fato é constatado em função dos locais de funcionamento das mesmas, que embora em lotes/galpões diversos operavam na mesma localidade servindose de uma mesma instalação fabril conforme descrito no TVF, portanto, a unidade de produção era a mesma. Senão o bastante, temse que compartilhavam, também, do mesmo nome comercial. Oportuna se faz a transcrição do TVF nesse ponto: A fundamentação da exclusão (pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa) foi apurada em ação fiscal na qual ficou demonstrada a existência de um grupo econômico entre as empresas: Cozinhas Berlim Ltda, Beluno Indústria de Móveis Ltda, Eurokitchen Moveis Ltda e Vave Ind. e Com. de Móveis Ltda. A interessada alega que a relação de amizade ou convivência entre os sócios das empresas ou mesmo o fato de estarem localizadas próximas umas das outras não geram presunção de grupo econômico. Fl. 727DF CARF MF 14 Ocorre que não foram esses fatos isolados que determinaram a configuração de grupo e sim uma série de fatos e indícios apurados no decorrer da ação fiscal, conforme se verifica da representação fiscal (fl. 02/56). Inicialmente apurouse que a partir do ingresso no REFIS (1999) da empresa Berlim, seu faturamento foi sendo reduzido, o que consequentemente reduzia o valor das parcelas de pagamento do parcelamento do REFIS. Nesta mesma época foram constituídas as empresas Beluno, Eurokitchen e Vave. Verificouse ue o quadro societário das empresas era composto por ex funcionários das empresas citadas e sócios de uma empresa possuíam procuração para administrar outra das empresas, conforme informação retirada da representação fiscal, resumidas abaixo: A Beluno foi constituída em 1999. Em 2002 a sociedade foi adquirida por Elvecio e Elisabeth Campigotto que foram empregados da Eurokitchen. Elisabeth voltou a ser empregada da Eurokitchen a partir de 02/08/2004, com funções de balconista e vendedora. Foram outorgadas procurações para administrar a Beluno às pessoas citadas no item 4.1.1.1 da representação fiscal. Dentre essas pessoas constam: a) Aldino 1 Feder, sócio da Berlim; 1 Na transcrição, onde está “Aldino” leiase “Aclino” b) Vanessa Marucelli Feder, filha de Aldino e sócia da Berlim no período de 12/02/1987 a 04/12/1998; c) Venanda Daiane Feder, filha de Aldino e sócia da Berlim no período de 12/02/1987 a 10/01/1997; A Eurokitchen foi constituída em 1999 por Irene Hanemann (empregada da Berlim de 22/07/1991 a 01/11/1999) e Gislaine Reinert. Em 04/04/2007 Gislanine Renert retirase da sociedade e ingressa Vanessa Feder, que se retira no mesmo ano e ingressa sua mãe Ruth Feder. Foram outorgadas procurações para administrar a Eurokitchen às pessoas citadas no item 4.1.2.1 da representação fiscal. Dentre essas pessoas consta Aldino Feder, sócio da Berlim que tem procuração desde 16/12/2003. A Vave foi constituída em 1999 e também teve como sócios empregados da Berlim, Beluno e Eurokitchen. Em 2003 foi outorgada procuração à Aldino Feder para administrar a Vave. Em 2007, Vanessa Maruceli Feder ingressa na sociedade. As quatro empresas estão localizadas em Guaramirim, conforme se verifica no item 4.2 da representação fiscal. Ou seja, as empresas eram administradas pelo mesmo grupo de pessoas que embora não constassem no quadro societário possuíam procuração com amplos poderes. Verificouse também que além de estarem próximas umas das outras, todas em Guaramirim, a edificação da VAVE constituíase em um simples galpão, ainda em construção, servindo apenas de depósito para chapas de madeira e laminados plásticos adquiridos pela Beluno e Eurokitchen. A edificação informada como sendo da Berlim constituíase de galpão totalmente vazio. A Berlim, a Beluno e a Vave utilizam as mesmas instalações industriais, localizadas na Rua Athanasio Rosa, 1475, Centro de Guaramirim, próximo ao estabelecimento comercial da Eurokitchen, informação corroborada pelos documentos listados no item 4.2.1.2. Apurouse que até mesmo as instalações físicas se confundem. No item 6 da representação fiscal a fiscalização cita notas de prestadores de serviços que são atestados por funcionários de empresa do grupo diferente da contratante dos serviços, o que demonstra que as atividades das empresas do grupo são exercidas pelo mesmo grupo de funcionários. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.118 15 No item 7 a fiscalização trata dos Laudos Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho que são elaborados pela empresa Ambietec, foram efetuados no mesmo dia, acompanhados pelo mesmo funcionário da Vave. A Berlim, a Beluno e a Vave exercem a mesma atividade fabricação de móveis com predominância de madeira. Apurouse também que as máquinas e equipamentos da Berlim são alugadas para a Vave no período compreendido entre janeiro de 2003 a março de 2004 e para a Beluno a partir de abril 2004 até dezembro de 2008. A Eurokitchen, a partir de 2003, inicia processo de remessas para industrialização, na condição de encomendante, na Vave e na Beluno, sendo que não houve cobrança pelos serviços de industrialização realizados pela Vave para Eurokitchen em 2003. A Eurokitchen utiliza o nome fantasia Berlim Ambientes, conforme clausula 1ª do contrato social. Ou seja, todos estes fatos e indícios e os demais relatados na representação fiscal demonstram que as empresas formam um grupo econômico. A constituição de várias empresas individuais, que ocupam um mesmo espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e pulverizar receitas, caracteriza constituição de grupo econômico familiar e impede a opção pelo Simples. A interessada alega ainda que não foi informado quais sócios que compõem o quadro de sócios para extrapolar o limite legal de faturamento, nem qual o limite ultrapassado. O despacho (fl. 59/62) informa que: (...) foi constatado que as empresas constituem grupo econômico de propriedade do mesmo núcleo familiar (Família FEDER) constituído por Aldino Feder, Ruth Spezzia Feder, exesposa do Sr. Aldino, Vanessa Maruceli Feder e Venanda Daiane Feder, filhas daquele casal. Quanto ao limite ultrapassado é aquele previsto no art. 2º da Lei nº 9.317/96 que era de R$ 1.200.000,00 para empresa de pequeno porte, até 12/2005, conforme informado no despacho ( fl. 61 do processo). Do descrito no TVF não há dúvida de tratarse de situação vedatória da adesão/permanência no SIMPLES, não tendo a recorrente desincumbindose de demonstrar o contrário, encontrandose, portanto, devidamente motivada a decisão. 3.2 DO LANÇAMENTO: Ao proceder a exclusão da recorrente do SIMPLES a autoridade fiscal empreendeu lançamento nos termos em que respaldado pelo art.32, da LC 123, o que não merece reparos a decisão da DRJ não merecendo, assim, prosperar os argumentos veiculados em sede de Recuso Voluntário. Fl. 729DF CARF MF 16 Quanto aos reflexos do lançamento IRPJ temse que a matéria foi devidamente enfrentada na decisão da DRJ, que não merece reparos, ao que adotoas como razões de decidir: Pis e Cofins 88 No mérito, sustenta o interessado que a autoridade lançadora não considerou as deduções de Pis e Cofins na base de cálculo, por isso pede que prevaleçam os cálculos apresentados na impugnação (fls. 429/444). 89 Analisando as planilhas que integram a impugnação, verificase que os demonstrativos de apuração do Pis e da Cofins (planilhas de crédito, de débito e de valor devido) estão acostados nas folhas 432/442 (as de números pares correspondem ao período de apuração deste auto de infração). 90 A divergência, entre o valor apurado pela autoridade lançadora e aquele que o interessado diz ser o correto, está na planilha de apuração de crédito de Pis e de Cofins na sistemática da nãocumulatividade. Por consequência, também surgem diferenças na planilha do valor devido de Pis e de Cofins (resultante da diferente entre débitos e créditos). 91 A autoridade lançadora, na apuração do crédito de Pis e de Cofins, considerou os seguintes itens: (i) valor de compras deduzido de suas devoluções; (ii) valor de energia elétrica e (iii) pagamentos efetuados no Simples Nacional (fls. 339 e 342). 92 Além desses itens, o interessado considerou na formação do crédito de Pis e de Cofins na sistemática da nãocumulatividade, os valores relacionados a: (i) fretes sobre compras, (ii) aluguel pago e (iii) industrialização de terceiros (fls. 432, 436, 438, 442, 516, 518, 519, 521). 93 Essa questão já foi decidida no processo administrativo nº 13973.000951/200970. Aqui, mais uma vez, valhome dos fundamentos da Decisão proferida no referido processo (Acórdão nº 1274.706, de 08 de abril de 2015), por compartilhar da mesma opinião da ilustre Relatora, conforme abaixo se transcreve: Quanto à apuração dos valores devidos a título de PIS e COFINS, a interessada apura valor de crédito de não cumulatividade superior ao apurado pela fiscalização, contudo, não junta documentação e escrituração para comprovar suas alegações. A diferença devese a inclusão de crédito de aluguel, frete na compra e industrialização de terceiros. O art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002 dispõe que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)( Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008 ) Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.119 17 a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) O art. 289 do Decreto 3000/99 dispõe que Fl. 731DF CARF MF 18 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Considerando que a interessada não juntou documentação comprovando os créditos alegados, o processo foi baixado em diligência, e em resposta a fiscalização emitiu a informação fiscal, na qual relata que: Intimado, fls. 972/973, o contribuinte informou quantos aos quesitos: 1. Valores mensais dos créditos de PIS e Cofins relativos à alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa: A empresa informou que os documentos comprobatórios das despesas referentes à aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídicas referentes aos anos calendário 2006, 2007 e 2008, não estão mais em poder da empresa e, que por este motivo foram encaminhados apenas os registros contábeis, conforme declarado no item 1, folha 977, deste processo. 2. O valor do frete integrou o custo de aquisição para fins de apuração do crédito de nãocumulatividade apurado pela fiscalização nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008: A empresa informou que os conhecimentos de transporte encaminhados integraram o valor do custo de aquisição de bens e mercadorias, conforme declarado no item 2, folha 977, deste processo. Os documentos comprobatórios encaminhados, referentes às despesas com fretes foram planilhados e juntados a este processo, folhas 1010/1018. 3. Informar mensalmente, os créditos de PIS e Cofins relativos à industrialização por terceiros, referentes aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008: A empresa apresentou cópias de diversas notas fiscais que foram planilhadas e seus respectivos valores somados, resultando montantes mensais conforme discriminados na tabela fl. 1.040. Em relação ao valor de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos a interessada informou que não possui mais a documentação, diante disso, não será apurado crédito em relação a tal item. Apenas a escrituração desacompanhada da documentação comprobatória não é suficiente para comprovar o direito a crédito de nãocumulatividade. Em relação ao frete a interessada informou que os conhecimentos de transporte encaminhados integraram o custo de aquisição para fins de apuração do crédito Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13973.000952/200914 Acórdão n.º 1402002.916 S1C4T2 Fl. 1.120 19 de não cumulatividade apurado pela fiscalização, portanto, não há qualquer ajuste a ser efetuado já que a fiscalização já considerou o custo de aquisição de bens e mercadorias para fins de apuração de crédito conforme planilha de fl. 293 e 296. Quanto ao serviço de industrialização de terceiros, estes são considerados insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, gerando, por conseguinte créditos na sistemática nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com base no art. 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A fiscalização apurou os valores constantes na planilha de fls. 1.038. Serão considerados os valores apurados com base nos comprovantes apresentados. (...) 94 A planilha de fls. 1.038, que consolida os valores apurados em diligência pela autoridade lançadora, mencionada na decisão retro transcrita, foi acostada nestes autos (fl. 531). 95 A partir dos valores apurados na diligência, foram calculados os créditos de Pis e de Cofins relativos aos valores de industrialização de terceiros (quadros 3 e 5). Nos meses em que houve lançamento, esses créditos foram deduzidos do montante exigido pela autoridade lançadora a título de Pis e de Cofins, dando origem aos valores mantidos em julgamento, conforme se observa nos quadros 4 e 6 a seguir. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. (Assinado Digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 733DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.900369/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/10/2003 a 03/12/2003
LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL.
Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
Numero da decisão: 1302-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 03 69 /2 01 1- 15 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10746.900369/201115 Acórdão n.º 1302002.761 S1C3T2 Fl. 139 2 Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.425, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 67 a 74), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação." O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 01043.78409.011107.1.7.049469 (fls. 24 a 28), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de julho de 2007, no valor de R$ 689,23, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 449,27, originarseia de pagamento efetuado em 27/01/2004, no montante de R$ 1.086,43; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 22, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 16, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2003, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10746.900369/201115 Acórdão n.º 1302002.761 S1C3T2 Fl. 140 3 Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2003, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 65 e 66, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 4º trimestre de 2003, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 67 a 74) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 75/76, foi interposto o Recurso de fls. 78 a 89, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10746.900369/201115 Acórdão n.º 1302002.761 S1C3T2 Fl. 141 4 Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 26 de abril de 2013 (fls. 75/76), tendo apresentado seu Recurso em 21 de maio de 2013 (fl. 78), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído à fl. 90. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso II, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 27/01/2004, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 4ª trimestre do anocalendário de 2003. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 22, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10746.900369/201115 Acórdão n.º 1302002.761 S1C3T2 Fl. 142 5 ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2003, aplicase, portanto, o entendimento que admite o fornecimento de qualquer quantidade de material, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Na opinião deste julgador, as notas fiscais de serviço apresentadas pela Recorrente junto com a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 57 e 58), conjugada com os contratos juntados com o Recurso ao CARF (fls. 117/125 e 127/134) são, sim, elementos hábeis para a satisfatória comprovação de que as referidas receitas estão sujeitas à aplicação do percentual de 12% para a determinação do Lucro Presumido do período. Tal fato é especialmente comprovado a partir das seguintes cláusulas, extraídas dos contratos em questão: Contrato nº 256/2002 assinado pela Secretaria de InfraEstrutura do Governo do Estado do Tocantins (fls. 117/125) "1.1 O objeto do presente contrato é a execução dos serviços de reforma da feira coberta, adaptandoa para centro de lazer do município de Aparecida do Rio Negro TO. (...) 5,2 Fica expressamente estabelecido que os preços contratados incluem todos os custos diretos e indiretos para a completa execução dos serviços." Contrato Particular com a Fundação ASSEFAZ (fls. 127/134): "1 Constitui objeto do presente contrato o fornecimento de material, mão de obra especializada e equipamentos necessários à execução das obras de reforma e ampliação do prédio da ASSEFAZ...." Cabe o registro que, in casu, devese deferir a juntada dos citados contratos após a manifestação de inconformidade, posto que se prestam a rebater as razões somente Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10746.900369/201115 Acórdão n.º 1302002.761 S1C3T2 Fl. 143 6 trazidas pelo julgador administrativo de primeira instância, de modo que plenamente amparada pelo art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972. A par disso, os Livros contábeis e fiscais de fls. 41 a 55 revelam a base de cálculo da CSLL no período em questão, a apuração realizada pelo sujeito passivo com base no Lucro Presumido determinado por meio da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, de modo a amparar a existência do direito creditório no qual se embasou a apresentação da DComp sob análise. A partir dos elementos constantes dos autos, segue o detalhamento do referido direito creditório: DESCRIÇÃO VALOR (R$) RECEITAS AUFERIDAS: 52.723,25 Nota Fiscal nº 00381 37.723,25 Nota Fiscal nº 00382 15.000,00 LUCRO PRESUMIDO CALCULADO (32%): 16.871,44 CSLL APURADA E RECOLHIDA: 1.518,43 LUCRO PRESUMIDO APLICÁVEL (12%): 6.326,79 CSLL DEVIDA: 569,41 PAGAMENTO A MAIOR: 949,02 Também não pode ser óbice ao reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, a apresentação por este de DCTF com confissão de débito no montante apurado a partir da base de cálculo obtida por meio do percentual de 32%, uma vez que, como dito, resta configurado o erro de fato no preenchimento de tal declaração, o qual não foi retificado pela Recorrente antes do transcurso do prazo decadencial. Nesta mesma linha, os seguintes Acórdãos do CARF: "TRIBUTO PAGO A MAIOR PELO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO MEDIANTE DILIGÊNCIA FISCAL. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (DÉBITO DO CONTRIBUINTE). Restando evidente que houve erro no preenchimento da DCTF, relativamente a informação acerca de crédito, e comprovada (por meio de diligência fiscal) a efetiva existência do crédito do contribuinte, é evidente o direito creditório do contribuinte, exatamente conforme alegado em suas DCOMPs." (Acórdão nº 2201003.519 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, de 16 de março de 2017, Relator Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10746.900369/201115 Acórdão n.º 1302002.761 S1C3T2 Fl. 144 7 contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência." (Acórdão nº 1301002.410 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, de 15 de maio de 2017, Relator Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza) De todo modo, esta Turma, no julgamento de idêntico Recurso interposto pelo sujeito passivo nos autos do processo administrativo nº 10746.900368/201171, reconheceu, por meio do Acórdão nº 1302002.653, de 15 de março de 2018, o indébito invocado pela Recorrente, no montante de R$ 949,02 (novecentos e quarenta e nove reais e dois centavos), em relação ao 4º trimestre de 2003, o qual foi parcialmente utilizado em compensação realizada por meio da DComp nº 21596.00680.200807.1.3.049005, constante daqueles autos. Como discriminado naquele Acórdão, o sujeito passivo recolheu a CSLL relativa ao trimestre em questão por meio de dois Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), conforme a seguir detalhado: DATA DA ARRECADAÇÃO BANCO AGÊNCIA VALOR PAGO VALOR DEVIDO APROVEITADO SALDO PAGO A MAIOR 30/01/2004 399/1598 R$432,00 R$432,00 30/01/2004 399/1598 R$1.086,43 R$137,41 R$949,02 TOTAL R$1.518,43 R$569,41 R$949,02 As DComp tratadas naquele processo administrativo e neste se utilizam do indébito referente ao pagamento realizado no montante de R$ 1.086,43, sendo que, na DComp nº 21596.00680.200807.1.3.049005, foi compensado o valor de R$ 499,75, e na DComp nº 01043.78409.011107.1.7.049469 (fls. 24 a 28), o saldo de R$ 449,27. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a consequente homologação da compensação por ele declarada, até o limite do crédito reconhecido, deduzido da compensação já realizada no autos do processo administrativo nº 10746.900368/201171. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10746.900369/201115 Acórdão n.º 1302002.761 S1C3T2 Fl. 145 8 Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000608/2005-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 08 /2 00 5- 19 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11065.000608/200519 Acórdão n.º 9303005.312 CSRFT3 Fl. 350 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 330100.609, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO O saldo credor trimestral da contribuição para o PIS não cumulativa deve ser apurado levandose em conta que as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros integram a base de cálculo mensal dessa contribuição. O saldo credor apurado exclusivamente pela nãoinclusão de tais receitas na sua base de cálculo não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento e/ ou de compensação. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte requer a reforma do acórdão no que tange à cessão à terceiros do crédito do ICMS, advindos da compra de insumos utilizados em mercadorias exportadas, ao argumento de que “...a recorrente alienou com deságio todos os valores referentes aos créditos de ICMS, não auferindo receita alguma, não podendo subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS”. Alega, ainda, que “...tratase de titulo representantivo de parte patrimonial, mas que é anulada pelo encontro de contas. O que a empresa paga primeiramente, a titulo de 1CMS, tem o direito de creditarse posteriormente, em função de suas exportações. Se a empresa realiza cessão deste crédito, não há tributar a suposta capitalização, porque deixou de levar o suposto débito, quando o pagou.”. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11065.000608/200519 Acórdão n.º 9303005.312 CSRFT3 Fl. 351 3 Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11065.000608/200519 Acórdão n.º 9303005.312 CSRFT3 Fl. 352 4 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11065.000608/200519 Acórdão n.º 9303005.312 CSRFT3 Fl. 353 5 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720700/2016-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
Decadência
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
Despesas com Comissões. Correspondentes Bancários. Despesas Diferidas. Dedutibilidade.
São dedutíveis as despesas com comissões tidas com correspondentes bancários, desde que se demonstre a efetiva prestação do serviço. O diferimento é procedimento previsto nas normas do BACEN, conforme o prazo do contrato de crédito. Análise global da carteira de empréstimos reflete o reconhecimento das despesas com comissões de forma emparelhada com o reconhecimento das receitas de juros. Diferimento apresentado se mostrou consistente com a realização do contrato de empréstimo.
Despesas com "TI". Despesas com Empresas do Mesmo Grupo Econômico. Dedutibilidade. Inocorrência de Planejamento Tributário.
Desde que efetivamente comprovadas, as despesas administrativas havidas com outras empresas do grupo, demonstram-se totalmente dedutíveis. Não se demonstrou planejamento tributário e sim ineficiência fiscal para o grupo econômico. As empresas demonstraram ser ativas e operacionais.
Ágio Interno. Falta de Substância Econômica. Indedutibilidade.
O ágio nascido de operações entre empresas integrantes do mesmo grupo econômico é indedutível da base de cálculo do IRPJ, dada a ausência de substância econômica.
Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade.
No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2.
Juros de Mora. Emprego da Taxa Selic. Validade.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Juros Moratórios. Incidência sobre Multa. Cabimento.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando os lançamentos relativos a IRPJ e a CSLL tiverem origem nos mesmos fatos, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência. No mérito: (i) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas com comissões de correspondentes bancários e com serviços de tecnologia da informação ("TI") e administrativos; (ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à amortização de ágio. Vencidos os Conselheiros Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação: (i) por unanimidade de votos, negar provimento quanto à aplicação da taxa selic como índice de juros moratórios e quanto ao aproveitamento indevido de prejuízos fiscais; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 Decadência Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. Despesas com Comissões. Correspondentes Bancários. Despesas Diferidas. Dedutibilidade. São dedutíveis as despesas com comissões tidas com correspondentes bancários, desde que se demonstre a efetiva prestação do serviço. O diferimento é procedimento previsto nas normas do BACEN, conforme o prazo do contrato de crédito. Análise global da carteira de empréstimos reflete o reconhecimento das despesas com comissões de forma emparelhada com o reconhecimento das receitas de juros. Diferimento apresentado se mostrou consistente com a realização do contrato de empréstimo. Despesas com "TI". Despesas com Empresas do Mesmo Grupo Econômico. Dedutibilidade. Inocorrência de Planejamento Tributário. Desde que efetivamente comprovadas, as despesas administrativas havidas com outras empresas do grupo, demonstram-se totalmente dedutíveis. Não se demonstrou planejamento tributário e sim ineficiência fiscal para o grupo econômico. As empresas demonstraram ser ativas e operacionais. Ágio Interno. Falta de Substância Econômica. Indedutibilidade. O ágio nascido de operações entre empresas integrantes do mesmo grupo econômico é indedutível da base de cálculo do IRPJ, dada a ausência de substância econômica. Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2. Juros de Mora. Emprego da Taxa Selic. Validade. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Juros Moratórios. Incidência sobre Multa. Cabimento. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando os lançamentos relativos a IRPJ e a CSLL tiverem origem nos mesmos fatos, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência. No mérito: (i) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas com comissões de correspondentes bancários e com serviços de tecnologia da informação ("TI") e administrativos; (ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à amortização de ágio. Vencidos os Conselheiros Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação: (i) por unanimidade de votos, negar provimento quanto à aplicação da taxa selic como índice de juros moratórios e quanto ao aproveitamento indevido de prejuízos fiscais; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. DESPESAS COM COMISSÕES. CORRESPONDENTES BANCÁRIOS. DESPESAS DIFERIDAS. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas com comissões tidas com correspondentes bancários, desde que se demonstre a efetiva prestação do serviço. O diferimento é procedimento previsto nas normas do BACEN, conforme o prazo do contrato de crédito. Análise global da carteira de empréstimos reflete o reconhecimento das despesas com comissões de forma emparelhada com o reconhecimento das receitas de juros. Diferimento apresentado se mostrou consistente com a realização do contrato de empréstimo. DESPESAS COM "TI". DESPESAS COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. DEDUTIBILIDADE. INOCORRÊNCIA DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. Desde que efetivamente comprovadas, as despesas administrativas havidas com outras empresas do grupo, demonstramse totalmente dedutíveis. Não se demonstrou planejamento tributário e sim ineficiência fiscal para o grupo econômico. As empresas demonstraram ser ativas e operacionais. ÁGIO INTERNO. FALTA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. INDEDUTIBILIDADE. O ágio nascido de operações entre empresas integrantes do mesmo grupo econômico é indedutível da base de cálculo do IRPJ, dada a ausência de substância econômica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 00 /2 01 6- 47 Fl. 5457DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.458 2 MULTA. EFEITO DE CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. EMPREGO DA TAXA SELIC. VALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos relativos a IRPJ e a CSLL tiverem origem nos mesmos fatos, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência. No mérito: (i) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas com comissões de correspondentes bancários e com serviços de tecnologia da informação ("TI") e administrativos; (ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à amortização de ágio. Vencidos os Conselheiros Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação: (i) por unanimidade de votos, negar provimento quanto à aplicação da taxa selic como índice de juros moratórios e quanto ao aproveitamento indevido de prejuízos fiscais; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator designado. Fl. 5458DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.459 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 5459DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.460 4 Relatório BANCO CETELEM S.A., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário de IRPJ e CSLL no valor total de R$241.547.880,56, relativos aos anoscalendários de 2011 e 2012 e compensação indevida de prejuízo operacional nos anos de 2012, 2013, 2014 e 2015. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ e CSLL, cumulados de juros e multa de ofício, em razão da exclusão indevida e da falta de adições na base de cálculo do lucro real e da CSLL, tudo isso com base nos art. 3º da Lei 9.249/95, art. 2º da Lei 7.689/88, e alterações, art. 1º da Lei 9.316/96, art. 28 da Lei 9.430/96, art. 37 da Lei 10.637/02 e arts. 219, 247, 250 e 276 do RIR/99. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, (fls. 4.382/4.503), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: I GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Lêse no referido Termo: Este Termo de Verificação Fiscal trata da análise das incorporações reversas realizadas, no dia 22/02/2010, pelo Banco Cetelem das empresas BGN Holding Financeira Ltda. (doravante BGN Holding), CNPJ nº 09.219.020/000122, e Cetelem Holding Participações S/A (doravante Cetelem Holding), CNPJ nº 09.081.006/000105. Estas incorporações resultaram na contabilização pelo Banco Cetelem de um ágio no valor de R$ 813.812.625,41 que está sendo amortizado em uma razão de 1/120 desde março de 2010. 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS O ágio de R$ 813.812.625,41 estava contabilizado na empresa Cetelem Holding desde o dia 19/12/2008, e a sua origem era devido à aquisição e posterior incorporação realizadas, em 11/12/2008 e 19/12/2008, pela Cetelem Holding da empresa BGN Participações S/A (doravante BGN Participações), CNPJ Nº 02.538.761/000127, cujo principal ativo era o Banco BGN, atual Banco Cetelem. Fl. 5460DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.461 5 Porém, em momento anterior, no dia 26/11/2008, baseado em Contrato de Permuta de Ações assinado em 18/07/2007, o BNP Paribas, instituição com sede na França, procedeu a aquisição da BGN Participações, através de permuta de ações com torna em dinheiro. No dia 11/12/2008 as empresas Cetelem Holding e BGN Participações faziam parte do Grupo BNP Paribas, logo o ágio de R$ 813.812.625,41 foi gerado em uma operação econômica entre empresas do mesmo grupo. […] Para a fruição do benefício da dedutibilidade da amortização do ágio pago deveria ocorrer uma confusão patrimonial entre a empresa investidora e a investida, porém tal fato não ocorreu, pois, a confusão patrimonial foi realizada com uma terceira empresa que não era de fato a real investidora. O Autor do feito informa que, até 18 de julho de 2007, o GRUPO BGN (representado pelas pessoas físicas de ANTÔNIO DE QUEIROZ GALVÃO e outros) era detentor da totalidade das ações representativas do capital social de BGN PARTICIPAÇÕES S.A., a qual, a seu turno detinha ou comprometiase a deter, em futuro próximo, todas as ações do BANCO BGN S.A. (antiga denominação da interessada), de BGN LEASING S.A. – ARRENDAMENTO MERCANTIL, de BGN MERCANTIL E SERVIÇOS LTDA. e de 50,80% de NETCREDIT PROMOÇÃO DE CRÉDITO S.A. Naquela mesma data, foi avençada entre este GRUPO e BNP PARIBAS, sediado na República Francesa, a permuta de todas as ações de BGN Participações por 2.524.366 ações de BNP PARIBAS (avaliadas em R$ 542.409.533,07), além de torna em dinheiro ao GRUPO BGN no valor de R$ 185 milhões. Tal acerto estipulava uma data limite para se aperfeiçoar, dita “data de fechamento”. Excedido este limite, celebrouse, em 3 de abril de 2008, aquele que foi denominado “primeiro aditivo”, que alterou para 3.646.292 o total de ações de BNP PARIBAS a serem permutadas. Em 24 de outubro de 2007, atendendose a exigência do BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN, fundouse a sociedade empresária BGN HOLDING, destinada exclusivamente a ser a detentora das ações do BANCO BGN. Em 26 de novembro de 2008, foi publicado no DOU a aprovação pelo Banco Central do Brasil da transferência do controle societário do Banco BGN para o BNP PARIBAS S.A., conforme avençado em 18 de julho de 2007. Prossegue o Termo de Verificação: 1.2 AQUISIÇÃO DA BGN PARTICIPAÇÕES PELA CETELEM HOLDINGS Em 01/12/2008 foi elaborado, pela Ernst & Young, a pedido da Cetelem Brasil CFI S/A, laudo de avaliação econômicofinanceira de 100% do capital da empresa BGN Participações, baseado na metodologia do Fluxo de Caixa Descontado na database de 30/06/2008. Na avaliação da BGN foi utilizado o padrão de valor “valor justo”, com ressalvas sobre as limitações da metodologia do fluxo de caixa descontado e que se baseou em informações fornecidas pelo controlador, sem realização de auditorias, e que não testou a possibilidade de venda no mercado pelo valor apurado. Fl. 5461DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.462 6 O valor justo da BGN Participações foi estimado entre R$ 986 milhões e R$ 1.107 milhões, portanto o valor médio de R$ 1.047 milhões representaria o valor justo da empresa em 30/06/2008. […] Em 11 de dezembro de 2008, CETELEM HOLDING PARTICIPAÇÕES LTDA. promoveu a sua 3ª Alteração do Contrato social, quando se retiraram os antigos sócios (a pessoa física de MARC CAMPI e a pessoa jurídica de BNP PARIBAS PERSONAL FINANCE, com sede na República Francesa), sendo admitida a empresa CETELEM AMÉRICA LTDA. (também controlada pela sobredita BNP PARIBAS PERSONAL FINANCE). O capital de CETELEM HOLDING passou de R$ 1.000,00 para R$ 1.035.049.754,00, valor integralizado na mesma data por via de transferência bancária. Ainda na mesma data, o banco BNP PARIBAS vendeu a CETELEM HOLDING a totalidade de suas ações de BGN PARTICIPAÇÕES S.A, pelo preço de € 315.003.852, equivalentes a R$ 981.236.998,98, considerandose a taxa de conversão em 12 de dezembro de 2008. Ademais, CETELEM HOLDING teve sua natureza alterada, passando de sociedade limitada a sociedade anônima. Observa o Autor do feito: Ressaltamos que tanto a Cetelem Holding como a BGN Participações, nesta data, já pertenciam ao Grupo BNP Paribas, tanto que o Sr. Marc Campi assina o respectivo Contrato como representante das duas empresas. A real investidora era o BNP Paribas e não a Cetelem Holdings, o Grupo Paribas tenta apenas transferir um direito, a dedutibilidade da amortização do ágio, que seria originalmente do BNP Paribas para a Cetelem Holdings. Entendemos que as empresas têm autonomia para realizar operações intragrupos e contabilizálas da forma que lhes aprouver, porém os impactos tributários destas operações são controlados pelo fisco. A amortização do ágio, fundamentado em rentabilidade futura, só seria dedutível caso ocorresse uma confusão patrimonial entre a BGN Participações e o BNP Paribas, a real investidora que suportou o ônus financeiro do pagamento do ágio e alterou o patrimônio do Grupo. Não cabe a transferência deste direito entre empresas do mesmo grupo, pois já não existe qualquer esforço econômico que altere o patrimônio do grupo. Em 12 de dezembro de 2008, PRYOR CONSULTING SERVICES LTDA., a pedido da CETELEM HOLDING, avaliou o patrimônio líquido de BGN PARTICIPAÇÕES em R$ 167.425.000,00, na database de 30 de setembro de 2008. Três dias depois, foi firmado o Protocolo de Incorporação e Justificação entre CETELEM HOLDING e BGN PARTICIPAÇÕES, adotandose esta avaliação. Descreve o Autor do feito: Em 19/12/2008 foi elaborada ata da AGE da empresa Cetelem Holding que decidiu: (i) Pela aprovação do Protocolo de Incorporação e Justificação firmado em 15/12/2008 que tratava da incorporação da BGN Participações; (ii) Aprovar a nomeação da empresa Pryor Consulting Services Ltda para proceder a avaliação do PL da incorporada (correção feita pela AGE do dia 09/02/2008); (iii) Aprovar o valor do PL da incorporada apurado no laudo em R$ 167.425.000,00; (iv) Aprovar a incorporação pelo valor apurado no laudo. Fl. 5462DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.463 7 A incorporação da BGN Participações foi registrada na contabilidade da Cetelem Holdings, no dia 20/12/2008 [e] levou à contabilização na Cetelem Holding de um ágio, fundamentado em uma expectativa de rentabilidade de futura, na conta 2.1.2.10.15.800035 – Ágio Rentabilidade Futura – BGN Holding Financeira pelo valor de R$ 813.812.625,41, este ágio ficou estático nesta conta até a data da incorporação reversa da Cetelem Holding pelo Banco Cetelem (omissis). Em 22 de fevereiro de 2010, com vistas à segregação das atividades financeiras e não financeiras do GRUPO CETELEM no Brasil, foram assinados Protocolos de Incorporação e Justificação, prevendo a incorporação reversa de BGN HOLDING e de CETELEM HOLDING pelo BANCO BGN (atual Banco CETELEM), nos seguintes moldes: os patrimônios líquidos das incorporadas foram estimados em R$ 190.801.940,98 e R$ 1.240.589.579,20, respectivamente, com base em balanços datados de 31 de janeiro de 2010. Estes Protocolos foram ratificados e aprovados pelos sócios das respectivas incorporadas em 26 de fevereiro de 2010. Após relacionar as contas do Livro Razão nas quais se registraram o ágio e sua amortização referente à incorporação reversa de Cetelem Holding, o Autor do feito tece as seguintes considerações: 2. DA ANÁLISE DOS FATOS E DO DIREITO Para podermos analisar a amortização do ágio e a sua dedutibilidade da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, devemos entender a sua fundamentação econômica. Conforme visto […] desde 18/07/2007 com a assinatura do Contrato de Permuta de Ações o BNP Paribas se comprometeu em adquirir o Banco BGN (Atual Banco Cetelem) através da permuta de ações com os controladores da BGN Participações, fato que foi consumado em 26/11/2008 através da publicação no DOU da aprovação pelo Banco Central do Brasil da transferência do controle societário do Banco BGN para o BNP Paribas. A amortização do ágio, fundamentado em rentabilidade futura, só seria dedutível caso ocorresse uma confusão patrimonial entre a BGN Participações e o BNP Paribas, a real investidora que suportou o ônus financeiro do pagamento do ágio e alterou o patrimônio do Grupo Paribas. No dia 11/12/2008 a Cetelem Holdings celebrou com o BNP Paribas o Contrato de Compra e Venda de Ações por meio do qual adquiriu a totalidade das ações da BGN Participações, nesta data, tanto a Cetelem Holdings, como a BGN Participações pertenciam ao Grupo Paribas. A real investidora era o BNP Paribas e não a Cetelem Holdings, o Grupo Paribas tenta apenas transferir um direito, a dedutibilidade da amortização do ágio, que seria originalmente do BNP Paribas para a Cetelem Holdings. Repisamos que as empresas têm autonomia para realizar operações intragrupos e contabilizálas da forma que lhes aprouver, porém os impactos tributários destas operações são controlados pelo fisco. A amortização do ágio, fundamentado em rentabilidade futura, e gerado em operações intragrupos carece de fundamentação econômica para a sua dedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSLL, pois se assim fosse permitido qualquer grupo empresarial poderia criar ativos tributários, materializados pela amortização de ágios, criados apenas em operações de reorganizações societárias internas, sem intervenção de terceiros, e sem ônus Fl. 5463DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.464 8 financeiro, pois o dinheiro de aquisição permaneceria dentro do grupo empresarial, apenas circulando entre as empresas do próprio grupo. Apesar do contribuinte ter contabilizado o ágio fundamentado em uma expectativa de rentabilidade futura, os efeitos tributários deste ágio não podem colidir com a realidade dos fatos e com a verdadeira fundamentação econômica dos contratos assinados. [...] VALORES TRIBUTÁVEIS O valor de R$ 81.381.262,56 indevidamente excluído da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário de 2011 e 2012. II GLOSAS DE DESPESAS POR SERVIÇOS DE TERCEIROS À fl. 4.392 encontrase o Termo de Verificação Fiscal nº 2, cujo preâmbulo reza: Este Termo de Verificação Fiscal versa sobre a análise dos efeitos, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, das despesas com serviços prestados por terceiros no anocalendário de 2011 para o Banco BGN S/A, antiga denominação do Banco Cetelem S/A. De fls. 4.394 a 4.428, a Autoridade Fazendária explana detalhadamente as diligências levadas a efeito para verificar a efetividade das despesas registradas pela interessada a título de pagamentos a terceiros prestadores de serviço, os quais, para análise, devem ser divididos em: (a) sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico de que faz parte a interessada; e (b) demais sociedades. Feitas todas estas averiguações, apresenta, de fls. 4.428, infra, a 4.434, sua análise destas despesas, como segue. Este resumo será dividido entre empresas que eram ligadas ao contribuinte e demais empresas. EMPRESAS LIGADAS As seguintes empresas do Grupo Cetelem, antigo Grupo BGN, receberam pagamentos, no anocalendário de 2011, do Banco Cetelem, antigo Banco BGN, no valor total de R$ 86.073.537,89: a) Cetelem Serviços Ltda – R$ 13.080.962,61; b) Cetelem Promotora de Negócios Ltda – R$ 7.320.679,20; c) BGN Mercantil e Serviços Ltda – R$ 65.671.896,08. Os contratos apresentados pelo contribuinte, que se encontravam vigentes no ano calendário de 2011, informam, de maneira geral, que em contrapartida por estes pagamentos as empresas iriam prestar os seguintes serviços: a) Cetelem Servicos Ltda – Gestão de TI; b) Cetelem Promotora de Negócios Ltda – Assessoria jurídica, contábil e administrativa; c) BGN Mercantil e Serviços Ltda – Correspondente não bancário. Repisamos que a prestação de serviços entre empresas ligadas deve ser feita com transparência e provida de farta documentação probatória do serviço prestado, pois caso contrário pode sugerir a ocorrência de planejamento tributário e redução do pagamento de tributos pelo grupo econômico. As documentações apresentadas demonstram uma total falta de transparência na comprovação da efetividade da prestação destes serviços [...]. Fl. 5464DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.465 9 Notas fiscais com descrição genérica do serviço prestado, aditivos contratuais que tentam modificar fatos pretéritos, cláusulas contratuais definindo a remuneração que não são cumpridas, pagamentos realizados sem a identificação e a quantificação de qual foi a contrapartida prestada pelo beneficiário do pagamento. As notas fiscais apresentadas descrevem os serviços prestados pela Cetelem Serviços e a Cetelem Promotora como “Gerenciamento de Serviço de Informática” e “Assessoria em Serviços Administrativos”, respectivamente. A comprovação da prestação de serviços de gestão e assessoria normalmente é realizada através da apresentação de relatórios, planilhas e outros documentos que demonstrem o que está sendo gerido e qual assessoria está sendo prestada. Nenhum relatório de gestão ou de assessoria foi apresentado, os contratos originais previam pagamentos fixos mensais que não encontravam respaldo nos pagamentos que foram realizados, o contribuinte apresentou aditivos contratuais que alteravam estes pagamentos, somente após a indagação da incoerência pela fiscalização. Estes aditivos são um verdadeiro acinte às práticas comerciais, pois estabelece que a remuneração só é determinada após o pagamento do serviço prestado, sem qualquer especificação de qual foi a contrapartida prestada e a inexistência de demonstrativos de cálculo que permitam vincular o valor pago ao serviço prestado. Em relação ao BGN Mercantil o contribuinte apresentou diversos recibos que causam estranheza, pois o correto seria a emissão de notas fiscais de prestação de serviços. Os recibos e as notas apresentadas descrevem dois tipos de serviços prestados: “Serviços Prestados Conforme Contrato” e “Comissão sobre Serviços de Assessoria”, descrição mais genérica impossível. Pelos contratos vigentes no anocalendário de 2011, o contribuinte deveria prestar serviços de correspondente não bancário, logo as notas fiscais e os recibos apresentados parecem não se referir aos contratos que foram apresentados. A essência dos serviços de correspondentes bancários está na captação de clientes e oferecimento de crédito aos mesmos tendo uma instituição financeira como cedente deste crédito. A remuneração destas empresas está atrelada à quantidade e tipo de créditos que estes representantes oferecem, bem como pela manutenção do pagamento destes créditos pelos clientes captados. Normalmente para receber a sua remuneração os correspondentes são obrigados a apresentar uma lista contendo os clientes captados e os valores e tipos dos créditos concedidos. Portanto é de suma importância saber qual a forma de remuneração dos correspondentes, pois através dela a fiscalização obtém informações sobre a carteira de crédito captada para a instituição financeira e, por conseguinte, das suas receitas de crédito. No anocalendário de 2011 teve um contrato vigente até junho e outro após esta data, o primeiro estabeleceu que seria devido um percentual sobre a produção, porém não especificou qual seria este percentual, o segundo apresentou uma tabela Fl. 5465DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.466 10 de remuneração que era idêntica à praticada por todos os demais correspondentes não bancários do Banco Cetelem. Os valores pagos para as notas fiscais e recibos cuja descrição era “Serviços Prestados Conforme Contrato” não encontram respaldo em nenhum dos dois contratos vigentes em 2011, aparentemente estes valores poderiam se referir à manutenção das filiais do BGN Mercantil previsto em um contrato que foi expressamente revogado em 2010, mas ainda assim se tratavam de um pagamento atípico que não era realizado para nenhum outro correspondente não bancário. Os valores pagos para as notas fiscais e recibos cuja descrição era “Comissão sobre Serviços de Assessoria” também não encontram respaldo em nenhum dos dois contratos vigentes em 2011. O contribuinte afirma que eles seriam referente a uma comissão de 13% calculada sobre a produção de cada filial do BGN Mercantil, porém o contribuinte não apresentou qualquer documentação probatória desta produção, como identificação dos valores, prazos e beneficiários dos créditos concedidos. Cabe ressaltar que as despesas de comissões que foram pagas aos demais correspondentes não bancários eram diferidas ao longo do contrato de crédito as quais elas se referiam, acarretando um descasamento entre o pagamento e a apropriação da despesa. Porém no caso do BGN Mercantil estas despesas foram integralmente deduzidas no ato do pagamento da comissão, ou seja, caso estes pagamentos efetivamente se refiram a despesas de comissão de correspondente não bancário, o contribuinte estaria adotando dois critérios totalmente incompatíveis de contabilização destas despesas. Pelo que foi acima exposto combinado com o que foi descrito nas alíneas 1, 2 e 3 do item 1.2 deste Termo de Verificação, o valor pago de R$ 86.073.537,89 será considerado como despesa sem prova do serviço prestado, e, portanto, adicionado para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. [...] DEMAIS EMPRESAS Conforme informado pelo contribuinte, as seguintes empresas receberam pagamentos, no anocalendário de 2011, do Banco Cetelem, antigo Banco BGN, no valor total de R$ 73.296.006,00, porém apenas o valor de R$ 24.014.768,26 foi contabilizado como despesa na conta 817630000016 DESP.SERV.TEC.ESPCOMISSOES em 2011. [...] Conforme visto nas alíneas 4 a 18 do item 1.2 deste Termo, o contribuinte apresentou para cada empresa um contrato de prestação de serviços de correspondentes não bancários, a remuneração pelos serviços prestados era igual para todos os contratos e estava prevista no Anexo I, Tabela de Comissionamento/Financiamento. O contribuinte informou também que realizava o diferimento das despesas de comissão pelo prazo de cada contrato de crédito concedido, ou seja, apenas o valor de R$ 9.301.819,29 do valor total da comissão paga em 2011, R$ 73.296.006,00, foi apropriada como despesa neste ano, o restante, R$ 14.712.948,97, veio do Fl. 5466DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.467 11 diferimento de comissões que foram pagas em anoscalendário anteriores, de 2006 até 2010. O contribuinte deixou de apresentar a maior parte das notas fiscais de prestação de serviços e diversas notas descreviam que a comissão paga se referia a “Bônus” e outras descrições que não constavam da remuneração pactuada entre as partes. O próprio contribuinte afirmou que os correspondentes poderiam ser remunerados de forma diferente da que foi estabelecida no contrato, porém não informou qual seria a remuneração praticada e não apresentou qualquer documentação que suportasse a sua afirmação. [...] Também não foi apresentada qualquer documentação que permitisse calcular tanto as comissões que foram pagas em 2011, quanto as comissões que foram apropriadas como despesas em 2011. A essência dos serviços de correspondentes bancários está na captação de clientes e oferecimento de crédito aos mesmos tendo uma instituição financeira como cedente deste crédito. A remuneração destas empresas está atrelada à quantidade e tipo de créditos que estes representantes oferecem, bem como pela manutenção do pagamento destes créditos pelos clientes captados. Normalmente para receber a sua remuneração os correspondentes são obrigados a apresentar uma lista contendo os clientes captados e os valores e tipos dos créditos concedidos. Portanto é de suma importância saber qual a forma de remuneração dos correspondentes, pois através dela a fiscalização obtém informações sobre a carteira de crédito captada para a instituição financeira e, por conseguinte, das suas receitas de crédito. Pelo que foi acima exposto combinado com o que foi descrito nas alíneas 4 a 18 do item 1.2 deste Termo de Verificação, o valor de R$ 24.014.768,26, que foi contabilizado como despesa na conta 817630000016 DESP.SERV.TEC.ESP COMISSOES no anocalendário de 2011, será considerado como despesa sem prova do serviço prestado, e, portanto, adicionado para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. [...] Consoante o art. 264 do RIR/1999, a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. O contribuinte é quem deve provar, por meio da documentação atinente à sua atividade quais os serviços que efetivamente teriam sido prestados por terceiros. A ausência da apresentação de tais documentos autoriza que o Fisco conclua pela “não realização” do serviço contratado e pago. Fl. 5467DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.468 12 A conclusão pela nãoprestação do serviço (prova negativa) poderia ser elidida pela apresentação de que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que possa ser mensurado. O demonstrativo do cálculo do valor pago é de vital importância para mensurar o valor do serviço e identificar qual foi a contrapartida recebida pela contratante. Como exemplo podemos citar que no caso de correspondente não bancário, o demonstrativo evidencia qual foi o montante do crédito captado, pois é baseada nesta captação de crédito, ou seja, nesta contrapartida, que o Banco Cetelem deveria remunerar os correspondentes bancários. Ressaltamos que este demonstrativo estava previsto nos contratos assinados entre o Banco Cetelem e os correspondentes bancários, e era essencial para que o Banco Cetelem realizasse os pagamentos devidos, ou seja, o correspondente bancário deveria comprovar os serviços prestados para receber o seu pagamento. Entendemos que, seguindo o mesmo raciocínio, o Banco Cetelem deve apresentar estes mesmos demonstrativos para que estes pagamentos sejam considerados uma despesa dedutível, ou seja, são eles que provam que o Banco Cetelem recebeu algo em troca por um pagamento realizado. III – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL Tratase do consectário da alteração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário de 2010 a 2012, reajustados após os procedimentos de ofício entranhados nos presentes autos e naqueles do processo nº 16327.721155/201525. Em assim sucedendo, operaramse os seguintes ajustes nos prejuízos fiscais e nas bases de cálculo negativas de CSLL de 2010 até 2015: Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 4.551/4.639: I DECADÊNCIA Inicialmente, alega decadência do direito de a Fazenda da União realizar os presentes lançamentos de ofício, ao argumento de que Fl. 5468DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.469 13 4. [...] As operações que geraram o ágio foram realizadas em 2008 e parte significativa das deduções de comissões referemse a pagamentos realizados em períodos anteriores a 13.10.2011, não sendo passíveis de contestação pelas Autoridades Fiscais em 2016. 5. Assim, embora os questionamentos feitos pela Autoridade Fiscal no presente caso versem sobre deduções registradas no período de 2011 e 2012, não se pode deixar de apontar a ocorrência de preclusão temporal, haja vista essas despesas decorrerem de fatos ocorridos em períodos anteriores a 13.10.2011, ou seja, em períodos já alcançados pela decadência. II – DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO No que diz respeito a este tópico, aduz a impugnante que “o ágio teve origem em operação realizada com terceiros não relacionados, com efetivo pagamento do preço de aquisição e substância econômica e negocial”. Esclarece que o “Grupo Cetelem é uma subdivisão mundial do Grupo francês BNP Paribas (‘Grupo BNPP’)” e que, tendo em vista o “rápido desenvolvimento do crédito consignado” na economia do País, optou por “adquirir uma instituição financeira já consolidada no setor”. Recorda a avença, ocorrida no “segundo semestre de 2007”, para a “venda das ações da holding controladora do Banco BGN para o Grupo Cetelem”, por meio de permuta “para o Grupo BNPP, com pagamento do preço de aquisição em benefício dos antigos acionistas, através da entrega de ações do BNPP”. E opina: “Tratase de transação realizada entre partes não relacionadas, com o objetivo de expandir as atividades do Grupo Cetelem na área de crédito consignado”. Prossegue: 18. Posteriormente, no contexto da transação e com o objetivo de reorganizar as suas atividades no Brasil, era necessário que o investimento detido no Banco BGN (Requerente) fosse transferido para o Grupo Cetelem no Brasil. Isso porque a atividade de crédito consignado às pessoas físicas é atividade restrita ao Grupo Cetelem ao longo de outros países, tendo sido o Grupo Cetelem que capitaneou a referida aquisição. 19. Assim foi que, no final do anocalendário de 2008, a Cetelem Participações adquiriu a participação societária na BGN Participações pelo mesmo custo de aquisição anteriormente pago pelo Grupo BNPP, com o pagamento do preço em dinheiro. [...] 21. A Cetelem Participações era a efetiva adquirente da BGN Participações e tinha a intenção original de adquirir as ações em dinheiro. A aquisição apenas foi efetuada pelo BNPP francês em decorrência de uma exigência dos vendedores, que queriam receber como pagamento ações do próprio BNPP francês. Tanto isso é verdade que, logo em seguida, o caixa detido pelo Grupo Cetelem no Brasil foi utilizado para adquirir a referida participação societária do BNPP francês. 22. Após a aquisição [...] a Cetelem Participações passou a ser legalmente obrigada [...] a avaliar seu investimento nessas sociedades segundo o método da equivalência patrimonial, desdobrando seu custo de aquisição em: (i) valor de patrimônio líquido; e (ii) ágio. Fl. 5469DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.470 14 Faz referência à “incorporação da BGN Participações na Cetelem Participações” e à subsequente incorporação desta “no Banco BGN (Requerente)” e resume: 24. As operações para a aquisição do Banco BGN podem ser segregadas em três passos principais: (a) Passo 1: Aquisição das ações da BGN Participações pelo BNPP; (b) Passo 2: Aquisição das ações da BGN Participações pela Cetelem Participações; e (c) Passo 3: Incorporação da BGN Participações pela Cetelem Participações, seguida da incorporação da BGN Holding e Cetelem Participações pela Requerente [...]. [...] 34. A determinação do preço se deu em observância às regras de preço de transferência e foi justificado por Laudo de Avaliação EconómicoFinanceira elaborado pela Ernst&Young (Doc. n° 12). O método utilizado para determinação do preço de aquisição foi o de Preços Independentes Comparados ("PIC"), com o pagamento do mesmo preço pago pelo BNPP na transação com partes não relacionadas (Passo 1). [...] 43. Posteriormente, com o objetivo de integrar as atividades de crédito consignado desenvolvidas pelo Grupo BGN às suas operações no Brasil, o Grupo Cetelem no Brasil adquiriu as ações da BGN Participações, pelo seu valor de mercado. A transação foi legítima e atendeu a todos os pressupostos legais para o reconhecimento e amortização do ágio no Brasil: o ágio foi originalmente gerado em operação entre partes não relacionadas, o preço praticado atendeu às regras de Distribuição Disfarçada de Lucros ("DDL") e de preços de transferência, além de o preço pago estar amparado em laudo de avaliação especificamente elaborado para este fim. [...] Expõe a seguir sua tática defensiva, que alicerça em [...] quatro argumentos principais que impõem o imediato cancelamento deste Auto de Infração: (a) todos os pressupostos legais para a amortização fiscal do ágio foram atendidos; (b) os conceitos de "confusão patrimonial" do "investidor originário" não encontram respaldo na legislação; (c) não há qualquer vedação legal à venda de investimento mantido pelo acionista estrangeiro (BNPP) pelo seu valor de mercado a uma parte relacionada; e (d) ainda que se considere que o ágio foi gerado dentro do mesmo grupo econômico, o que se admite apenas para argumentar, não existia qualquer vedação legal ao seu reconhecimento e amortização à época dos fatos discutidos neste Auto de Infração (2007 a 2010). [...] No tocante ao primeiro destes argumentos, afirma que, de acordo com os artigos 385 e 386 do RIR/99, a dedutibilidade dessas despesas estaria condicionada à observância exclusiva de quatro requisitos: (i) [...] Aquisição de participação societária com pagamento de ágio; (ii) [...] Avaliação do investimento com base MEP, nos termos do artigo 248 da Lei das S.A.; Fl. 5470DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.471 15 (iii) [...] Fundamentação do pagamento do ágio na expectativa de rentabilidade futura da sociedade adquirida; e (iv) [...] Incorporação, cisão ou fusão entre a sociedade adquirente e a sociedade adquirida (ou viceversa). Diz que o “primeiro requisito” se encontraria implementado porque teria havido, primeiramente, a “aquisição das ações da BGN Participações pelo BNPP”, seguida pela “aquisição das ações da BGN Participações pela Cetelem Participações”, cujo custo teria sido “incorrido e pago pelo Grupo BNPP em transação com partes independentes”. E completa: Não se trata de riqueza artificial [...], mas sim da transferência do custo incorrido pelo BNPP para a Cetelem Participações. Diz que o “segundo requisito” também estaria satisfeito, dado que o investimento estaria avaliado conforme o método da equivalência patrimonial (MEP). Considera igualmente cumprido o “terceiro requisito” pelo desdobramento do registro do investimento em “(a) valor de patrimônio líquido na época da aquisição; e (b) ágio (ou deságio) apurado na operação, com indicação de sua fundamentação econômica”, em conformidade com o artigo 385 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – RIR/1999). E conclui: 51. Por fim, o quarto requisito (incorporação entre a sociedade adquirida e adquirente, ou vice versa) foi atendido após a incorporação da BGN Participações na Cetelem Participações; seguida da incorporação da Cetelem Participações na Requerente. Em razão de expressa autorização legal, o ágio pago e fundamentado na expectativa de rentabilidade passou a ser amortizado para fins fiscais. Desenvolve seu “Segundo Argumento” afirmando que “a suposta confusão patrimonial do ‘real adquirente’” mencionada pela Autoridade Fazendária constituiria “requisito vago e não previsto em Lei” e que, a partir do “ponto de vista jurídico e para todos os fins legais”, seria Cetelem Participações […] a real adquirente da participação societária”. Supõe que a desconsideração dos “efeitos fiscais da aquisição das ações da BGN Participações pela Cetelem Participações” exigiria a ocorrência de “algum vício que macule estes negócios jurídicos perfeitos e acabados”, acrescentando: Para todos os fins de direito, a participação societária possui apenas um adquirente: a empresa que paga o preço de aquisição e que se torna titular das ações adquiridas. Nega a ocorrência de [...] situação simulada, dolosa ou fraudulenta, na qual uma pessoa jurídica é interposta com o propósito exclusivo de ocultar o real adquirente da participação societária. Inexistindo qualquer vício de vontade que impõe a desconsideração de determinado ato jurídico, os efeitos tributários que devem prevalecer são aqueles expressamente previstos na legislação. Recorda o teor do artigo 109 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional (CTN) e aduz: 61. Ora, se a LEI tributária não pode alterar a definição, conteúdo e alcance das formas de direito privado, é evidente que as autoridades fiscais também não Fl. 5471DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.472 16 possuem essa prerrogativa. Se o direito privado determina que o adquirente de determinada participação societária é a Cetelem Participações, não podem as autoridades fiscais arbitrariamente deslocar a condição de adquirente a uma terceira empresa. 67. Sendo assim, quando da incorporação da BGN Participações pela Cetelem Participações (Passo 3), ocorreu a perfeita subsunção da norma prevista no artigo 7.° da Lei n° 9.532/97: "A pessoa jurídica [Cetelem Participações] que absorver patrimônio de outra [BGN Participações], em virtude de incorporação, fusão ou cisão [Passo 3], na qual detenha participação societária adquirida [Cetelem Participações era efetiva adquirente] com ágio [a melhor prática contábil obrigava o reconhecimento do ágio] [...] poderá amortizar o ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura". Menciona e transcreve jurisprudência administrativa, inclusive Acórdão prolatado no curso do processo 16327.721155/201525 pela 10ª Turma desta DRJ. Passando a seu “Terceiro Argumento”, relembra que a aquisição em tela recebeu autorização legal e se deu [...] em observância a todos os requisitos formais para a amortização fiscal do ágio, bem como a todas as normas que regulamentam os preços/custos reconhecidos fiscalmente em transações com partes relacionadas. Aduz que [...] o ágio discutido neste caso decorre, em sua substância, de uma operação legítima (i) entre partes nãorelacionadas; (ii) com efetivo desembolso de caixa para pagamento de preço; (iii) com apuração de ganhos de capital tributáveis no Brasil pelos vendedores; (iv) fundamentada por laudos de avaliação anteriores à aquisição; e (v) revestida de razões negociais verdadeiras. Essas características, por si só, bastariam para cancelar a exigência ora tratada. […] 80. Tampouco se poderia questionar essa alocação do custo legítimo e efetivamente incorrido pelo BNPP para a Cetelem Participações, sobretudo quando esse procedimento ocorreu através de operação de compra e venda, com o efetivo fluxo de recursos e recolhimento do IOF e do IRF. Mais adiante, assinala: 84. Existem dois conjuntos de regras que regulamentam os preços válidos para fins fiscais em transações entre partes relacionadas: as regras de DDL e as regras de preços de transferência. Menciona os artigos 464 e 465 do RIR/1999, segundo os quais “se presume a DDL no negócio no qual a pessoa jurídica ‘adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada’”, considerandose “valor de mercado a importância em dinheiro que o vendedor poderia obter mediante negociação do bem no mercado” e coloca: 86. A legislação fiscal estabelece que, no caso de aquisição de um bem do ativo de pessoa ligada, a diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado não constituirá despesa dedutível. Em outras palavras, o custo não será válido para fins fiscais, devendo o seu excesso ser glosado. Fl. 5472DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.473 17 87. Sendo assim, trazendo a aplicação das regras de DDL para o caso em análise (o que não seria o caso, uma vez que as transações são realizadas com sócios estrangeiros), temse que se o preço de aquisição incorrido pela BGN Participações com o BNPP for notoriamente superior ao de mercado, o seu excesso seria glosado, sem que fosse admitida a dedutibilidade desta parcela excedente para fins fiscais. Entende que o “valor de mercado” para fins de aplicação das regras de DDL (distribuição disfarçada de lucros) seria o da “transação […] entre o BNPP e os acionistas da BGN Participações (partes independentes)” e, portanto, se [...] o preço praticado equivale ao valor de mercado do ativo adquirido da pessoa ligada, não existe qualquer fundamento legal para glosa do custo incorrido pela Cetelem Participações na transação com parte relacionada. Relembra que o artigo 18 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, proíbe a dedução de “os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos […] até o valor que não exceda o preço determinado por um dos métodos previstos na legislação, à escolha do contribuinte”, dentre os quais se acha “o dos Preços Independentes Comparados (PIC)”, adotado por ela, conforme “laudo de avaliação elaborado especificamente para este fim”. Diz que se “o ágio tivesse sido gerado entre partes relacionadas […] esse fato não pode implicar a indedutibilidade do ativo diferido subjacente”, dado que (i) decorre de operações inseridas num contexto negocial verdadeiro, efetuada com partes independentes; (ii) decorre de um custo efetivamente incorrido mediante desembolso de caixa e transferência de numerário; (iii) se justifica por laudos de avaliação preparados por empresa independente e especializada; e (iv) todos os demais requisitos previstos na legislação estão presentes. Entende que o legislador só cuidou da matéria ao converter na Lei 12.973, de 13 de maio de 2014, a Medida Provisória (MP) 627, de 2013 e que, in casu, haveria “tentativa clara de aplicação retroativa da MP 627/13 e da Lei 12.973/14”. Conclui este segmento afirmando que 100. A amortização do ágio deve ser admitida no presente caso sob qualquer perspectiva que se examine o Auto de Infração: em uma perspectiva jurídico tributária, porque atende aos critérios específicos previstos na legislação vigente, tanto no que diz respeito às normas de amortização do ágio, quanto no que se relaciona às regras que regulam os efeitos tributários de operações entre partes não relacionadas. Em uma perspectiva econômicocontábil, porque a transação não representou a criação de riqueza artificial, mas sim a aquisição de ativo pelo seu valor de mercado, de terceiros não relacionados. III – DESPESAS DE COMISSÃO DE CORRESPONDENTES (...) foram efetivamente pagas em benefício dos correspondentes bancários” e que “as autoridades fiscais poderiam questionar a Requerente exclusivamente por eventual descumprimento do regime de competência”, à luz do artigo 273 do RIR/1999. Argumenta que, se alguns “valores pagos aos correspondentes não estavam previstos em contrato”, bem como “documentos internos descrevem parte do valor pago como ‘Bônus’” igualmente extracontratual, isto se deveria ao fato de que 181. [...] os valores previstos em Fl. 5473DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.474 18 contrato constituíam uma simples baliza para fins de determinação dos valores efetivamente pagos em benefício dos correspondentes. Dentro da dinâmica do mercado e da necessidade de conceder frequentes benefícios para fomentar a oferta dos seus produtos junto aos correspondentes, os gestores tinham legitimidade para negociar novas tarifas de correspondente bancário. 182. Os pagamentos de bônus localizados em documentos internos consistem em mera denominação dada por funcionários do departamento contábil aos pagamentos regularmente efetuados aos correspondentes bancários [...]. IIIA – DESPESAS ENTRE SOCIEDADES DO MESMO GRUPO ECONÔMICO A interessada afirma que “praticamente todas as atividades administrativas do Banco Cetelem ou da Cetelem Brasil” estariam atribuídas a três pessoas jurídicas distintas: (a) CETELEM SERVIÇOS LTDA., prestadora de serviços de Tecnologia da Informação (TI); (b) CETELEM PROMOTORA DE NEGÓCIOS LTDA., encarregada da assessoria jurídica, contábil, fiscal, marketing, compras dentre outras; e (c) BGN MERCANTIL E SERVIÇOS LTDA., que desempenhava serviços de correspondente bancário, de cobrança extrajudicial de clientes inadimplentes e call center. Diz que tal estrutura haveria resultado em “carga tributária majorada do grupo econômico, em razão da incidência de PIS, COFINS e ISS nas receitas auferidas pelas prestadoras de serviços”. Justifica “o fato de os contratos de prestação de serviços terem sido modificados para refletir o preço dos serviços após a sua execução” não os invalida e/ou torna a sua dedutibilidade questionável”, com a alegação de que 291. [...] os aditamentos aos contratos tiveram o objetivo de precificar os serviços prestados pelas empresas relacionadas com base em parâmetros de mercado, evitando que as empresas operassem sob contínuos prejuízos (o que ocorreria caso os valores fixos determinados inicialmente fossem mantidos). Alega também que “a própria legislação fiscal determina situações em que a precificação (e o valor válido para fins fiscais) é determinado após a efetiva execução do serviço”, mencionando novamente as “regras de preços de transferência”. III – PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL Neste ponto, a interessada opõese a que “os prejuízos fiscais / bases negativas” sejam 302 [...] reduzidos em decorrência da glosa de despesas discutidas na presente Impugnação e pela lavratura do Auto de Infração que deu origem ao Processo Administrativo n° 163.27.721155/201525, ainda não definitivamente julgado. 303. O equívoco das DD. Autoridades Fiscais está no fato de que ainda não foi proferida decisão final na esfera administrativa que seja constitutiva (em definitivo) de saldo devedor de obrigação tributária que invalidaria as compensações discutidas nestes autos, não podendo, desse modo, serem desconsideradas. Afirma que “não se enquadrou em nenhuma [das] hipóteses impeditivas” dos artigos 509, 513 e 514 do RIR/1999 e que 313. [...] o entendimento adotado pelas DD. Autoridades Fiscais cria uma terceira vedação ao aproveitamento de prejuízos fiscais, pelo fato de que a D. Fiscalização Fl. 5474DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.475 19 desconsiderou a pendência de julgamento definitivo do processo administrativo que potencialmente impactam o saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSL. Afirma também que “o crédito tributário só é efetivamente constituído após o termino da discussão administrativa, gozando de presunção de liquidez e certeza até esse momento”. IV – MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA A contribuinte “considera que há exagero cometido na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito em questão, devendo ser reduzida para um valor proporcional e adequado”. Considera incabível “incidência de juros sobre a multa de ofício” e por fim 345. [...] no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários, de forma que a Requerente requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal, tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário. Em julgamento realizado em 23 de fevereiro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/BHE, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 02 72.028, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 DECADÊNCIA O prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato gerador e não de eventos anteriores que não tenham tal natureza. DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado ou contabilizado internamente é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado, sob pena de glosa das respectivas despesas. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS A dedutibilidade de despesas no cômputo do lucro real está condicionada à precisa comprovação de sua ocorrência. PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL Imperativa a redução do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL em razão de lançamentos de ofício. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO Vedado o sobrestamento de processo em sede de julgamento de primeira instância, por ausência de permissivo legal neste sentido. MULTA DE OFÍCIO Fl. 5475DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.476 20 A redução da multa lançada de ofício em estrito cumprimento da Lei é totalmente incabível, em face da absoluta falta de discricionariedade que norteia as atividades da Autoridade Fazendária. JUROS DE MORA A cobrança de juros moratórios no mesmo patamar da taxa SELIC é inescapável imperativo legal. JURISPRUDÊNCIA E DOUTRINA Com as ressalvas da Lei, a jurisprudência e a doutrina não vinculam a autoridade tributária judicante de primeira instância. LANÇAMENTOS CONEXOS Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 5.236/5.341), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, principalmente nos seguintes tópicos: (I) Preliminar de Decadência ágio formado em 2008; (II) Da despesa de amortização de ágio (II.a) Da correta contabilização do ágio; (II.b) Da legitimidade do ágio pago, passível de amortização fiscal; (II.c) Da confusão patrimonial do investidor originário não é requisito previsto em lei; (II.d) Da autorização legal das vendas das ações da BGN Participações para outra sociedade do Grupo, com transferência do custo legitimamente incorrido para o Brasil; (II.e) Da nãovedação a negociações entre partes relacionadas; (III) Das despesas de comissão pagas a correspondentes bancários; (IV) Das despesas entre empresas do mesmo grupo econômico; (V) Das compensações de ofício realizadas pela Fiscalização; (VI) Do Descabimento da multa de ofício de 75%; Fl. 5476DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.477 21 (VII) Da incidência de juros sobre a multa de ofício; (VIII) Da impossibilidade de incidência de juros SELIC; Recebi os presentes autos, por sorteio, em 04/07/2017. É o relatório. Fl. 5477DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.478 22 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BHE e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e de CSLL em 03/04/2017 (ciência abertura do documento à fl. 5.233), e apresentou em 02/05/2017, recurso voluntário, juntados às fls. 5.236/5.341, tempestivamente, portanto dele conheço. PRELIMINAR 1 Decadência da exigência fiscal: ágio formado no anocalendário de 2008. Em sede de preliminar, a Recorrente pugna pela impossibilidade do Fisco efetuar lançamentos sobre fatos pretéritos, já consumados em razão do decurso do prazo decadencial, uma vez que o ágio, como elemento contábil e societário, surgiu em operações ocorridas no anocalendário de 2008. No seu entender, numa fiscalização levada a efeito em 2016, 13/10/2016, a Autoridade Fiscal não poderia questionar os atos societários que deram origem ao ágio, na medida em que esse direito já teria decaído, somente a fatos geradores ocorridos a partir de 13/10/2011, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Quando da análise da decadência envolvendo fatos pretéritos com repercussão futura, devemos observar o fato que está repercutindo, a fim de avaliar se o lançamento que está sendo efetuado implica alteração de resultado fiscal alcançado pela decadência. No presente caso, o fato pretérito que está repercutindo no lançamento não é o resultado fiscal de período anterior, mas reorganização societária que a fiscalização imputou artificiosa e simulada, para produzir uma despesa dedutível. E o que está sendo objeto de lançamento não são os atos societários, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por seus agentes, não valida ou invalida atos societários, mas analisa sua repercussão frente à legislação tributária e exige os tributos porventura deles decorrentes. Segue trecho do recente Acórdão nº 9101.002.387, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Luís Flávio Neto, publicado em 14/09/2106: Ocorre que o prazo de decadência em questão apenas começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte realiza a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco: a partir da dedução das despesas de ágio da base de cálculo do tributo, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva amortização ter sido levada a termo pelo contribuinte. Fl. 5478DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.479 23 Dessa forma, tendo em conta que o ágio apurado em 2008 só foi amortizado em 2011 e 2012, no presente caso, quando fez valerse de sua condição de direito creditório, alterando a base de cálculo dos tributos e, assim, sendo passível de glosa pelo Fisco, entendo adequada a formalização da exigência em tela. Por conseguinte, REJEITO a preliminar de decadência arguida. Outro ponto levantado, também trata da decadência de parte da glosa das deduções de despesas de comissão, referentes a pagamentos realizados em períodos anteriores a 13/10/2011. Em sendo integrante do lucro real, base de cálculo do IRPJ, o seu fato gerador, conforme doutrina e jurisprudência pacíficas, se dá no dia 31/12 do ano calendário correspondente. Assim, o direito de a Fazenda Pública efetuar o respectivo lançamento referente ao anocalendário de 2011 decairia somente após 31/12/2016, nos moldes do lançamento por homologação. Dessa forma, em 13/10/2011, data do lançamento, não havia ainda se dado o decurso do prazo decadencial. Assim, meu voto é no sentido de rejeitar esta preliminar suscitada. MÉRITO O auto de infração trata das glosas das seguintes despesas: (i) Amortização do Ágio: Amortização fiscal do ágio pago a terceiros não relacionados e deduzidas pela Recorrente nos períodos de 2011 e 2012; (ii) Comissões de Correspondentes Bancários: pagamento de comissões pela Recorrente a correspondentes bancários em períodos anteriores e amortizadas (deduzidas) no anocalendário de 2011; (iii) Serviços de tecnologia da informação (“TI”) e administrativos: dedução de despesas incorridas com serviços efetivamente prestados por empresas do mesmo grupo econômico; e (iv) Aproveitamento Indevido de Prejuízos Fiscais: suposto aproveitamento indevido de prejuízos fiscais nos anoscalendário de 2012 a 2015. 1) Amortização de Ágio Tratase da glosa de despesas de amortizações de ágio, na apuração da base de cálculo do lucro real e da CSLL. A Fiscalização entendeu que a real adquirente do investimento seria a sociedade estrangeira BNP Paribas, e que, portanto, as reorganizações societárias subsequentes não resultaram na efetiva confusão do investimento em participação societária adquirente/investidora com o patrimônio da sociedade adquirida/investida, tornado a dedução da amortização indedutível. Que o Grupo tentou apenas transferir um direito, que seria originalmente do BNP Paribas para a Cetelem Holdings. E que ao fim, a amortização peita pela Cetelem seria Fl. 5479DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.480 24 oriunda de reorganização interna, sem a intervenção de terceiro, e sem ônus financeiro, já que o dinheiro de aquisição permaneceria dentro do grupo empresarial, apenas circulando entre as empresas do próprio grupo. A decisão recorrida, a seu turno, manteve o lançamento, entendendo que houve a ocorrência de uma sucessão de transferências de titularidade e reestruturações empresarias ditadas pela racionalidade administrativa das pessoas envolvidas sem que existisse semelhante tensão, pois tudo transcorreu não entre oponentes, mas entre parceiros, cujos objetivos são coincidentes e não opostos, por serem os mesmos de seu grupo econômico, dentro de um mesmo organismo empresarial. Assim, passo ao relato de como ocorreram as operações societárias, que gerou o ágio objeto de análise da Fiscalização: Grupo Cetelem no Brasil é uma subdivisão mundial do Grupo Francês BNP Paribas (Grupo BNPP), que atua no segmento de crédito ao consumidor, e iniciou tratativas para aquisição do Banco BGN S.A. (Banco BGN), instituição financeira Pernambucana com sólida carteira de crédito consignado, pertencente ao Grupo Queiroz Galvão, objetivando o rápido desenvolvimento e crescimento do mercado de consignados, sendo que no segundo semestre de 2007, as partes chegaram a um acordo comercial para a venda das ações da holding controladora do Banco BGN ao Grupo Cetelem. Por termo assinado em 18/07/2007, o BNPP comprometeuse em adquirir o Banco BGN (atual Banco Cetelem), através da permuta de ações da BNPP negociadas na bolsa de valores de Paris, com os controladores da BGN Participações, o que se consumou em 26/11/2008, através da aprovação dada pelo Banco Central, transferindose o controle societário do Banco BGN para o BNPP. Ressaltese aqui, que o fato de o BNPP ter pago o preço através de permuta com suas ações ocorreu de exigência negocial dos vendedores, que exigiram que o pagamento envolvesse ações do BNPP francês, para em seguida ser transferida para o Brasil, especificamente para o Grupo Cetelem, que dentro das atividades globais, tem como atividade restrita o crédito consignado. Assim, em fins de 2008, a Cetelem Holding adquiriu a participação societária na BGN Participações, pelo mesmo custo de aquisição anteriormente pago pelo Grupo BNPP, com o pagamento do preço em dinheiro. Frisese, aqui, que a Cetelem Holding era a efetiva adquirente da BGN Participações e tinha a intenção original de adquirir as ações em dinheiro, ela somente foi efetuada pelo BNPP francês em decorrência da exigência feita pelos vendedores, o que se confirma com o fato de logo em seguida, o caixa detido pelo Grupo Cetelem no Brasil foi utilizado para adquirir a referida participação societária do BNPP francês. Após a aquisição, do BGN Participações, a Cetelem Holding passou a ser a controladora e a avaliar o investimento conforme o método de equivalência patrimonial. Posteriormente, ocorreu a incorporação da BGN Participações na Cetelem Holding e incorporação da Cetelem Holding no Banco BGN (ora Recorrente), que passou a amortizar o ágio fiscalmente. Tudo isso ocorreu, conforme gráficos abaixo: Fl. 5480DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.481 25 Estrutura anterior: 1) Aquisição das ações da BGN Participações pelo BNPP; 2) Aquisição das ações da BGN Participações pela Cetelem Holding; Fl. 5481DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.482 26 3) Incorporação da BGN Participações pela Cetelem Holding e demais incorporações. Segundo o TVF, as incorporações reversas realizadas no dia 22/02/2010 pelo Banco Cetelem das empresas BGN Holding e Cetelem Holding e que resultaram na contabilização pela Recorrente de uma ágio o valor de R$813.812.625,41 e amortizado a 1/120 desde março de 2010 não seriam dedutíveis, no presente caso, nos anos de 2011 e 2012. O TVF reconhece a origem do ágio, em razão da aquisição e incorporação pela Cetelem Holding da empresa BGN Participações, bem como que o alvo era o principal ativo dela, o Banco BGN, atual Banco Cetelem. Entretanto, em razão do Contrato de Permuta de Ações assinado entre BNPP e os proprietários da BGN Participações, que realizou a permuta de ações com torna em Fl. 5482DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.483 27 dinheiro, entendeu a Fiscalização, que as empresas Cetelem Holding e BGB Participações faziam parte do Grupo BNPP, logo o ágio foi gerado em operação econômica do mesmo grupo. E que dessa forma, o BNPP foi a real investidora, e que para fruição do benefício da dedutibilidade da amortização do ágio a confusão patrimonial entre a empresa patrimonial da investida e investidora não ocorreu, e sim que a confusão patrimonial foi realizada com uma terceira empresa que não era de fato a real investidora. O TVF descreve as contabilizações ocorridas em cada uma das empresas. O impacto no lucro real e na base de cálculo da CSLL foi uma redução de R$ 81.381.262,56 nos anoscalendário de 2011 e 2012, fruto da exclusão realizada pela conta extracontábil (Lalur) 562.005 Reversão Provisão Amortização de Ágio, que encontra correspondência na conta contábil de receita 719909900014 Reversão do Ágio de Incorporação. Nos termos do art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, a amortização do ágio é um benefício fiscal, expressamente previsto na legislação, que de início possuía foco nas privatizações, porém aplicável a qualquer pessoa jurídica que preencha as condições determinadas pela norma. Bem como art. 385 do RIR/99, cuja base legal era o art. 20 DecretoLei 1.598/77: “Artigo 385 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Assim, passemos aos requisitos necessários para fruição de tal benefício. a) efetivo pagamento do valor da compra; Fl. 5483DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.484 28 b) operação realizada entre partes independentes e não relacionadas; c) baseado em documento que comprove a rentabilidade futura, no qual se baseou o ágio. Da análise dos fatos, verificase que quando da originação do ágio, as partes eram independentes, de um lado o Grupo BNPP, de origem francesa, da qual faz parte a Celetem, e de outra parte sócios do Grupo BGN (Grupo Queiroz Galvão), de origem brasileira. De tal forma, que em razão da verificação de sociedade estrangeira investindo diretamente em instituição financeira brasileira, houve a declaração de interesse nacional dessa participação. Bem como, foi apresentado ao Banco Central o requerimento para transferência do controle acionário. A aprovação do Bacen era condição para o fechamento da compra. Ressaltese, também, que foi condição imposta pelo Bacen a implementação de reorganização societária do Grupo BGN, de tal forma que as instituições financeiras (recorrente e BGN Leasing)passariam a ter seus respectivos controles acionários transferidos para sociedade nacional, cujo objeto social deveria ser exclusivamente o de deter esses investimentos (holding financeira). Fato que efetivamente ocorreu em final de 2008 (26/11/2008). Dessa forma, as ações passaram para a sociedade nacional, através do Contrato de Compra e Venda com preço pago através de remessa de recursos financeiros e recolhimento de IOF (Doc 11 da Impugnação), em 11/12/2008, com Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira elaborado pela Ernst&Young, que justificou o valor pago utilizandose do método de Preços Independentes Comparados ("PIC"), com o pagamento do mesmo preço pago pelo BNPP, de 01/12/2008. Bem como forneceu estimativa de valor justo de 100% do capital da BGN Participações, baseado na metodologia do Fluxo de Caixa Descontado. A aquisição do investimento se deu em duas partes, uma pelo BNPP e depois pela Cetelem Participações, com valor efetivamente pago. Ou seja, a operação aqui tratada versou de operação realizada entre partes independentes e não relacionadas, de uma lado Grupo Francês, que objetivou a aquisição do Grupo BGN. Fl. 5484DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.485 29 A autuação pinçou uma parte do todo e entendeu num primeiro momento que as partes eram relacionadas, já que no momento em que ocorre a transferência do controle para sociedade nacional todas elas já pertenceriam ao mesmo grupo, agora Grupo BNPP. E num segundo momento, quando diante disso, aduz como elemento essencial à dedução da amortização do ágio para fins fiscais seria necessária a confusão patrimonial entre a investida e o investidor original, afirmando que no caso deveria ocorrer a confusão entre BNPP e Banco BGN, quando na realidade, o que se viu foi a efetiva confusão patrimonial. A confusão patrimonial que ocorreu no presente caso foi aquela que juntou o patrimônio da real adquirente com o patrimônio da investida, ou seja daquela que teve o sacrifício econômico e dispendeu valores para a aquisição. E a decisão recorrida que também se baseou num aspecto do todo, ao entender que a aquisição foi entre partes dependentes: No caso em discussão, há que se ver o todo, houve o pagamento efetivo de um ágio fundado em rentabilidade futura e celebrado entre partes independentes, assim, legítimo o ágio e sua dedução por aquela que investiu. O que ocorreu de fato foi a transferência do investimento adquirido por entidade no exterior, para aquele que efetivamente tem o interesse na aquisição, que pagou o preço efetivamente pago originariamente. O objeto sempre foi o Banco BGN, com o BGN Leasing, que foi momentaneamente do Grupo BNPP de 26/11/2008 a 11/12/2008, em razão dos proprietários do BGN almejassem as ações do BNPP, e posteriormente, em razão das exigência regulatórias do BACEN. Ressaltese aqui, que meu entendimento, assim como desta Turma é de que ágio gerados internamente, dentro de mesmos grupos econômicos, não são passíveis de se beneficiarem da dedução fiscal de sua amortização. Não é o caso que aqui se verifica. Fl. 5485DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.486 30 Mais uma vez, os requisitos que a lei determina, bem como aqueles trazidos pela Jurisprudência desse E. CARF foram atendidos. A decisão recorrida menciona ainda legislações da CVM, que impedem o reconhecimento do ágio interno, porém, novamente, não é este o caso aqui discutido. O Recorrente trouxe partes da decisão da DRJ no outro PA que a recorrente discute os mesmos fatos, porém relacionado ao anocalendário de 2010, que entendi interessante destacar: 4.2 – PARTES INDEPENDENTES. PROPÓSITO NEGOCIAL. CPC 15. INTERPRETAÇÃO RETROATIVA. Como já abundantemente relatado, as operações aqui em voga foram realizadas essencialmente em função da aquisição do Banco BGN S.A pelo Grupo Cetelem no Brasil (representado pela Cetelem América), o qual é uma subdivisão mundial do Grupo francês BNP Paribas (Grupo BNPP). Tais operações se deram em duas etapas; a primeira, foi a aquisição das ações da BGN Participações pelo Grupo BNPP (contrato de 18.07.2007, sob condição suspensiva, cujo implemento se deu em 26.11.2008); a outra, aquisição das ações da BGN Participações pelo Grupo Cetelem no Brasil (Cetelem América), por meio da Cetelem Holding Participações (contrato de permuta de ações de 11.12.2008 e aditivo de 19.12.2008). Efetivamente não se pode negar que as partes envolvidas nas referidas operações eram independentes, cujas tratativas comerciais ocorreram num verdadeiro ambiente concorrencial. O fato de que na exata data da segunda operação, conforme contrato de compra e venda de ações pactuado entre Cetelem Holding Participações Ltda e BNP Paribas S.A, datado de 11.12.2008 (documentos de fls. 655 a 670 – Doc. nº 10 e sua tradução juramentada, Doc. 11), as duas empresas envolvidas pertenciam ao mesmo Grupo BNPP, não torna a operação, em si, como realizada intragrupo, como quer a Fiscalização. (...) 4.4 – CONCLUSÃO Em suma, no caso vertente, acerca dos requisitos legais necessários para amortização fiscal do ágio, evidenciase: (a) existiu um investimento realizado pela investidora (Cetelem Participações Holding) na investida (BGN Participações, holding do Banco BGN); com ágio devidamente contabilizado nos termos da lei; (b) o negócio foi pactuado entre partes não relacionadas e houve o efetivo pagamento; (c) o fundamento econômico do ágio foi o da rentabilidade futura da investida; (d) houve a confusão patrimonial entre a investidora e investida, uma vez que, no final das reorganizações societárias acontecidas, a investidora (Cetelem Holding Participações) foi incorporada pela investida (Banco BGN, atual Banco Cetelem); (e) todavia, não houve a necessária confusão patrimonial entre a investidora originária (Cetelem América) e investida (Banco BGN, atual Banco Cetelem). Fl. 5486DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.487 31 Enfim, no caso concreto restou ausente uma das condições legais necessária para a amortização fiscal do ágio, notadamente, a confusão patrimonial entre a investidora originária e a investida. Ou seja, nesse outro PA, a DRJ reconhece todos os requisitos, inclusive a confusão patrimonial, no entanto, não reconhece a confusão patrimonial entre a investidora originária, em que pese reconhecer que tal aquisição foi momentânea e para atender condição contratual. Ou seja, verificouse que a sociedade incorporadora, o lucro futuro (da rentabilidade futura) e o investimento objeto, gerador do ágio se misturam e se confundem, gerando a possibilidade de dedução da amortização daquele ágio. Ressaltese aqui, o que diz a norma nesse tópico, arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 que trata da confusão patrimonial: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Assim, de se cancelar as autuações deste tópico. 2) Despesas de Comissões de Correspondentes Bancários Fl. 5487DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.488 32 Conforme o TVF, o contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de prestação de serviços celebrados com algumas empresas e seus respectivos documentos e pagamentos, no entanto, não logrou comprovar todas as despesas incorridas. O TVF elencou algumas das despesas que foram contabilizadas pela Recorrente, porém, em seu entender não estavam suficientemente comprovadas, não sendo portanto dedutíveis, e as glosou totalmente. Uma parte delas trata das despesas de comissão com correspondentes bancários e não bancários ("Corbans"). Explica a Recorrente que após a aquisição do Banco BGN pelo Grupo Cetelem, teve intuito de alavancarse no mercado de crédito consignado, onde sabese que o mercado é muito pulverizado, uma vez que tais créditos são limitados a 30% da renda do trabalhador, e dessa forma, o valor médio dos créditos concedidos são baixos, e com alto volume de empréstimos. E dessa forma, para melhor oferecer o serviço em todo o Brasil, e com autorização do BACEN, passaram a se utilizar de correspondentes bancários para a intermediação na realização de operações de crédito, independendo, assim de agências bancárias ou escritórios de representação. Dessa feita, verificase que o pagamento de comissão a correspondentes bancários está intimamente relacionado com a geração das receitas da recorrente, já que são justamente esses correspondentes quem oferecem os produtos e angariam os clientes. Da análise dos contratos efetuados entre eles verificase como objeto a prestação de serviços de correspondente, especificamente, ainda, através de convênios com órgãos públicos: E como remuneração por essa prestação, o contrato prevê, dentre outras: Fl. 5488DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.489 33 A remuneração somente seria devida aos correspondentes quando as operações por eles intermediadas resultassem na efetiva contratação e liberação de recursos pelo recorrente, em prol dos clientes. Ressaltese, aqui, que a Fiscalização não questionou a dedutibilidade por entender que a despesa não seria necessária à empresa e sim porque em seu entendimento os documentos juntados não comprovariam a despesa. Importante aqui frisar o procedimento utilizado pelo recorrente. Essas despesas de comissão eram diferidas pelo prazo de cada contrato de crédito concedido. Ou seja, na maioria dos casos, das despesas contabilizadas no ano de 2011, apenas uma parte se referia ao pagamento daquele ano, uma outra parte, conforme o ano em que o contrato foi realizado, poderia se referir a despesas reconhecidas naquele ano, porém já pagas em anos anteriores. Explica a Recorrente, que uma análise global da carteira de empréstimos melhor se entende a dinâmica, como dispõe o CPC 00 Estrutura Conceitual, optou por demonstrar a regularidade da apropriação da despesa de comissões através de um controle global da curva de amortização dos empréstimos concedidos no mês, o que reflete de forma fidedigna o reconhecimento das despesas de comissões de forma emparelhada ao reconhecimento das receitas de juros, em estrita observância ao regime de competência. Juntou, assim, um conjunto de informações com as seguintes linhas, total de empréstimos concedidos de agosto de 2008 a Setembro de 2016, com a evolução da sua carteira, percentual remanescente da carteira, percentual efetivamente amortizado e diferido de comissões. E dessa forma, o valor de dedução a que teria direito em 2011 seria de R$70.744.726,55, entretanto, foi deduzido o montante de R$59.147.247,68. A norma do Banco Central prevê esse tratamento no registro de tais despesas, conforme Circular 1273/87 Cosif: Ademais, o fiscal entendeu que os contratos apresentados não explicavam como ocorriam tais diferimentos, nem quaisquer valores e percentuais incidentes de comissão, dessa forma, glosou a totalidade da despesa. A decisão recorrida, por sua vez, entendeu de igual forma, já que diante da falta de efetividade das despesas de se manter o lançamento. Talvez a questão do diferimento tenha dificultado o entendimento por parte da fiscalização, já que em muitos casos justificou a glosa pelo fato de justamente parte do que estava sendo deduzido se referia a pagamentos de anos anteriores: Fl. 5489DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.490 34 De forma a embasar o já explicado anteriormente, trouxe desta feita o Recorrente, documento elaborado por empresa de auditoria, que novamente descreve como ocorrem os lançamento contábeis desse tipo de despesa com comissões com correspondentes, e seu diferimento, bem como análise de verificação dos pagamentos e notas fiscais respectivas de todo o ano de 2011. Relatou, o TVF, ainda, que o contribuinte deixou de apresentar a maior parte das notas fiscais, e algumas notas se referiam a bônus. Outro ponto trazido pela Fiscalização foi também de que algumas das empresas não apresentaram declaração de imposto de renda e uma delas a Aerocred Intermediação Financeira Ltda, que recebeu R$10.858.426,29 em 2011 foi considerada inapta por não ter sido localizada. Porém em verificação no site da RFB a data dessa situação cadastral é 26/11/2013. A questão da empresa prestadora do serviço não apresentar DIPJ não serve para infirmar a dedutibilidade, nesse caso, deverseia fiscalizála, e não apenar o tomador do serviço, que o contratou de boafé. Fl. 5490DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.491 35 Em alguns casos, a justificativa da Fiscalização foi que a descrição da nota fiscal ou documento apresentado para o pagamento ou registro era "bônus", e já que o contrato não previa nenhum pagamento de bônus, não se referia àquele contrato. Nesse ponto, explica o recorrente que internamente tais comissões são conhecidas como "bônus", ou seja, quaisquer valores pagos aos terceiros, dentro do contexto de correspondente bancário, podendo variar conforme a produção de cada um e metas atingidas. Entendo que da forma como foi apresentada, as despesas de comissão com correspondentes bancários são dedutíveis, e sua efetiva prestação é comprovada, pois caso o serviço não fosse prestado, não haveria a consignação do empréstimo e consequentemente não haveria receitas para a empresa. Preenche todo os requisitos do art. 299 do RIR. É certo que a Fiscalização poderia ter glosado parte das despesas, daquelas que a partir do procedimento adotado entendesse que não possuía notas fiscais, por exemplo, mas não a sua totalidade. O diferimento de tais despesas também é consistente, gerando a despesa conforme a realização do contrato de empréstimo. Dessa forma, voto no sentido de se afastar esse lançamento. 3) Despesas com serviços prestados por empresas do mesmo grupo econômico: Outro item do lançamento se refere à glosa de despesas que a Recorrente possuía com serviços prestados por empresas do mesmo grupo, conforme abaixo: No entendimento da Fiscalização, em que pese possuírem contratos e notas fiscais, não houve farta documentação probatória do serviço prestado, sugerindo a ocorrência de planejamento tributário e redução de pagamento de tributos pelo grupo econômico. Explica a Recorrente que naquele ano fiscalizado, as operações no Brasil eram operacionalizadas pela Recorrente e pela Cetelem Brasil que concedia créditos por meio da emissão de cartões de crédito. Entretanto toda a estrutura administrativa era desenvolvida por outras três pessoas jurídicas: a) Cetelem Serviços Ltda prestava serviços de TI; Fl. 5491DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.492 36 b) Cetelem Promotora de Negócios Ltda prestava assessoria jurídica contábil, fiscal, marketing, compras e outros; c) BGN Mercantil e Serviços Ltda prestava serviços de correspondente bancário, cobrança extrajudicial de clientes inadimplentes e "call center". Dessa forma, essas três empresas prestavam praticamente todos os serviços para as 2 empresas. A recorrente por sua vez, no ano de 2011 possuía apenas 78 funcionários. Posteriormente, essa estrutura começou a ser alterada, de tal forma que os funcionários da Celetem Serviços e Promotora foram transferidos para a Cetelem Brasil, com incorporação da Promotora na Serviços em setembro de 2011, que passou a prestar os serviços de cobrança extrajudicial, e a Cetelem Brasil foi incorporada pela Recorrente, que também passou a ter o controle da BGN Mercantil. Argumenta a Recorrente, ainda, que essa estrutura toda existia para servir as duas empresas, sem maiores formalismos relacionados a relatórios, mas fornece como exemplo o serviço administrativo de controladoria, que era efetivamente prestado, já que as demonstrações financeiras e declarações foram todas entregues, o que mostra a efetivação do serviço. Os serviços de TI, prestados pela Cetelem Serviços, no caso em tela, eram praticamente exclusivos para o grupo econômico, e as receitas eram compostas, principalmente pelo faturamento dos serviços prestados, que correspondiam aos custos administrativos acrescidos dos respectivos impostos e encargos (relatório auditoria), conforme : Contrapondo a questão levantada pela Fiscalização de que houve o ensejo de planejamento tributário, a recorrente indica que pelo contrário, verificouse significativa ineficiência fiscal para o grupo econômico, pois no caso, as empresas eram tributadas pelo lucro real e não pelo lucro presumido, caso houvesse planejamento, já que a instituição financeira poderia deduzir a 40% enquanto a receita seria tributada numa alíquota menor. Fl. 5492DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.493 37 Ademais, a segregação das atividades ainda gerou o recolhimento de PIS e Cofins nãocumulativos e ISS, sobre uma receita bruta superior a R$152 milhões. Da mesma forma com a Promotora, que empregava na época mais de 800 funcionários (RAIS), com quatro filiais, trabalhando quase que exclusivamente para o grupo: Assim como os relatórios da auditoria demonstram que o faturamento da empresa provinha de empresas ligadas e o valor dos serviços era determinado com base nos custos administrativos, acrescidos dos respectivos impostos e encargos. Demonstra, ainda, que a empresa arcou com despesa de pessoal de mais de R$32,7 milhões e administrativas de R$24,5 milhões. Juntou, ainda, outros documentos relacionados, por exemplo, ao Departamento Jurídico, que atuava nas ações da Recorrente, o que também comprova a efetiva prestação do serviço. No que tange à BGN Mercantil, prestava serviços de call center e cobrança, com sede própria e distinta da Recorrente, também possuía quase 800 funcionários (conforme RAIS), e que trabalhavam quase que exclusivamente para o grupo, fato que a própria fiscalização constatou. Fl. 5493DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.494 38 De igual maneira, o relatório da auditoria confirma as despesas com pessoal de R$52,3 milhões e mais R$4,5 milhões com despesas administrativas. A Fiscalização, a seu turno, entendeu, da mesma forma que as despesas com terceiros, de que não estavam devidamente formalizadas com a prova da prestação efetiva dos serviços e glosou a totalidade das despesas. Não houve questionamento acerca da necessidade de tais despesas, mas de falta de comprovação de que o serviço foi efetivamente prestado. Esse tipo de organização societária já foi comum, em que segregavam algumas atividades em outras empresas do mesmo grupo, que lhe prestavam serviços, sem o intuito de planejamento tributário. Cobrandose os custos e os impostos e encargos. A recorrente apresentou os contratos de prestação de serviços e seus aditamentos, as notas fiscais, com a sua correta contabilização, o relatório de auditoria das três empresas demonstram que o serviço era prestado para empresas do grupo, com pessoas contratadas para tal. Ou seja, estamos tratando de empresas ativas e operacionais, que prestavam serviços necessários e usuais para a recorrente. Assim, no meu entendimento, a prova da efetiva prestação do serviço ocorreu, devendo as exigências serem canceladas. Ademais, da mesma forma que as despesas do item acima, caso algum item especificamente fosse não dedutível por tal razão poderia ter feito, mas não glosar a integralidade da despesa, subentendendo que havia planejamento tributário. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência parcial e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Fl. 5494DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.495 39 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior Redator designado Malgrado o laborioso voto da ilustre Conselheira relatora, peço licença para divergir. O ponto central da divergência diz respeito à natureza e à dedutibilidade do ágio que a recorrente logrou deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação que deu origem ao ágio foi assim descrita pela recorrente: 18. O rápido desenvolvimento do crédito consignado chamou a atenção da administração do Grupo BNPP, que notou a oportunidade de investir nesse segmento, evitando uma redução na sua base de clientes e permitindo a expansão das atividades no Brasil. Nesse contexto, a decisão estratégica adotada pela administração para inserção do Grupo BNPP nesse novo mercado de financiamento foi através da aquisição de instituição financeira já consolidada no setor. 19. Foi com esse objetivo que o Grupo Cetelem no Brasil iniciou tratativas para aquisição do Banco BGN S.A. ("Banco BGN" antiga denominação da Recorrente), instituição financeira Pernambucana com sólida carteira de crédito consignado, pertencente ao Grupo Queiroz Galvão. No segundo semestre de 2007, as partes chegaram a um acordo comercial para a venda das ações da holding controladora do Banco BGN para o Grupo Cetelem. 20. Apos a assinatura do contrato e obtenção das aprovações das autoridades competentes, a participação societária na BGN Participações S.A. ("BGN Participações"), holding controladora do Banco BGN (Recorrente), foi transferida em permuta para o Grupo BNPP, com pagamento do preço de aquisição em benefício dos antigos acionistas através da entrega de ações do BNPP negociadas na bolsa de valores de Paris. Tratase de transação realizada entre partes não relacionadas, com o objetivo de expandir as atividades do Grupo Cetelem na área de crédito consignado. 21. Importante esclarecer que a operação de permuta com o preço de aquisição tendo sido inicialmente pago pelo BNPP francês decorre, única e exclusivamente, de exigência negocial dos vendedores que exigiram que a mecânica de pagamento do preço envolvesse ações do BNPP francês. Dessa forma, apenas com o intuito de viabilizar a aquisição pretendida, a operação teve que ser formalizada inicialmente a partir do BNPP francês, para em seguida ser transferida para o Brasil. 22. A respeito dessa questão especifica, vale ressaltar que a atividade de crédito consignado às pessoas físicas, setor financeiro que o Grupo BNPP pretendia aumentar sua relevância com a aquisição do Banco BGN (Recorrente), é atividade restrita ao Grupo Cetelem em outros países, tendo sido o Grupo Cetelem que capitaneou a referida aquisição. Assim, as operações societárias que sucederam a aquisição tiveram como real motivação a transferência do novo setor financeiro então adquirido para o Grupo Cetelem no Brasil, bem como o custo econômico financeiro para a sua aquisição. 23. Assim foi que, no final do anocalendário de 2008, a Cetelem Participações adquiriu a participação societária na BGN Participações pelo Fl. 5495DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.496 40 mesmo custo de aquisição anteriormente pago pelo Grupo BNPP, com o pagamento do preço em dinheiro. (fls. 5.243 e 5.244) O trecho reproduzido dá notícia da existência de duas operações. A primeira é a aquisição do Banco BGN pelo Grupo Cetelem, negócio jurídico praticado entre partes independentes. A segunda operação, entretanto, ocorreu um ano depois e envolvia empresas do mesmo grupo, sujeitas, por conseguinte, à orientações emanadas do mesmo centro decisório. Tratase da aquisição do BGN Participações pelo Grupo Cetelem. É nesta última operação (e não na primeira) que teve origem o ágio cuja dedutibilidade se discute no presente processo. Tendo nascido de negócio jurídico celebrado entre empresas integrantes do mesmo grupo econômico, esse ágio é o que se convencionou chamar de ágio interno. O ágio interno, não dedutível para fins de IRPJ e CSLL, decorre de negócio jurídico celebrado entre partes relacionadas. Existe vínculo entre as partes quando elas estejam submetidas a controle comum, ou quando uma delas se ache submissa à vontade da outra. Nessa hipótese, estarão ausentes as condições de mercado necessárias à livre formação do preço de alienação e de aquisição do investimento. Portanto, mesmo que não haja fraude, simulação ou conluio; mesmo que haja laudo indicando a expectativa de rentabilidade, o ágio não será suscetível de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A não dedutibilidade do ágio interno é ponto acerca do qual existe jurisprudência no CARF; jurisprudência que se consolida a cada dia pela reiteração sistemática de decisões no mesmo sentido, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Ágio é a diferença entre preço de aquisição de ações ou quotas de uma determinada empresa e o valor patrimonial desse ativo. Dessa definição sobressaem dois elementos: preço e valor patrimonial. O valor patrimonial decorre objetivamente de uma relação entre ações ou quotas de capital e o valor do patrimônio líquido. Já o preço é fixado pelas partes. É na fixação do preço que reside a distinção mais visível entre as operações realizadas por partes independentes, e as realizadas por entidades empresariais que se encontram sob controle comum, ou quando uma delas se acha submissa à vontade da outra. Em operações envolvendo partes independentes, comprador e vendedor têm posições antagônicas em relação ao preço. Enquanto o primeiro busca o menor preço possível, o segundo quer leválo a patamar mais alto. No que tange à fixação do preço, podese afirmar que as posições de vendedor e comprador são antagônicas. O ponto de equilíbrio entre essas duas forças é dado pelo mercado. As condições do mercado, ao final, é que fazem com que as partes se componham quanto ao preço. Tal situação, entretanto, não ocorre quando o negócio é firmado entre partes vinculadas. A disputa em torno do preço desaparece, cedendo o passo a propósitos que transcendem o interesse das partes, para contemplar o interesse superior do grupo econômico. Prevalecerá o que convier ao grupo. Uma operação de compra e venda envolvendo empresas do mesmo grupo não gera riqueza nova. Não há ganho, nem perda. Eventual ganho de uma parte é perda para outra e, dentro do grupo econômico, elas se anulam. Nesse sentido, a fixação de preço passa a ser um dado de menor relevância sob o aspecto econômico. Porém, do ponto de vista fiscal, a fixação Fl. 5496DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.497 41 de preço da participação societária em montante superior ao patrimônio líquido tornarse conveniente na medida em que o ágio daí resultante possa ser deduzido das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nos negócios jurídicos de aquisição de quotas ou de ações envolvendo entidades vinculadas, a conveniência das partes se confunde com o objetivo do próprio grupo. Se o ágio, nos negócios jurídicos envolvendo partes independentes, é uma consequência, é um elemento periférico, embora relevante; nas operações com partes vinculadas, ele muitas vezes é a própria razão de ser do negócio. A teoria contábil repudia o ágio interno por falta de substância econômica. Seja para garantir a confiabilidade das demonstrações contábeis ou para proteger acionistas minoritários; seja para assegurar informações confiáveis ao investidor ou por qualquer outra razão, o fato é que a Comissão de Valores Mobiliários CVM, o Conselho Federal de Contabilidade CFC, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC rejeitam o ágio interno. Se o ágio interno carece de substância econômica, pois criado arbitrariamente entre partes vinculadas, não pode esse mesmo ágio ser utilizado como dedução de IRPJ e CSLL. Nesse sentido, o CARF vem decidindo reiteradamente, como demonstram as ementas abaixo transcritas, na parte que diz respeito ao ponto aqui examinado: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão nº 9101002.388 da 1ª Turma da CSRF) ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. (Acórdão nº 9101002.487 da 1ª Turma da CSRF) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão nº 9101002.389 da 1ª Turma da CSRF) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão nº 9101002.390 da 1ª Turma da CSRF) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem dispêndio de recursos, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão nº 9101002.392 da 1ª Turma da CSRF) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Fl. 5497DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.498 42 Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão nº 9101002.550 da 1ª Turma da CSRF) ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte. (Acórdão nº 9101002.449 da 1ª Turma da CSRF) ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AMORTIZAÇÃO. ALCANCE. Não é dedutível o pretenso ágio na aquisição de participação societária apurado no estrangeiro, em operação envolvendo pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, mesmo que sem qualquer vinculação entre si, ainda mais quando, tanto o laudo de avaliação apresentado, quanto o lançamento fiscal se baseiam em ágio contabilizado mais de dois anos depois, oriundo de operações envolvendo empresas já pertencentes ao mesmo grupo econômico, domiciliadas no Brasil, caracterizando ágio interno. É correta, portanto, a glosa das exclusões não previstas na legislação da CSLL, e da redução do lucro tributável por despesa atribuída a ágio, mas que não se reveste das características necessárias para ser assim classificada. (Acórdão nº 9101002.183 da 1ª Turma da CSRF) ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar. (Acórdão nº 9101002.427 da 1ª Turma da CSRF) Fl. 5498DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.499 43 Ainda sobre o ágio interno, cumpre ressaltar que as orientações emanadas da CVM e do CFC, bem como os pronunciamentos técnicos do CPC que cuidam da matéria não conferiram ao ágio interno uma natureza que antes ele já não tivesse. A falta de substância econômica e todas as características desse tipo de ágio antecedem a tais orientações, bem como à própria legislação que instituiu as regras de convergência internacional. Nessa linha de raciocínio, é possível concluir que a vedação à dedutibilidade do ágio interno, presente no caput do art. 22 da Lei nº 12.973/2014, vem apenas reforçar o entendimento de que esse ágio carece, e sempre careceu, de substância econômica. A ausência de substância econômica implica a ausência do próprio fundamento econômico. Quando o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532/1997 autoriza a amortização do ágio fundado em rentabilidade futura, o dispositivo legal está a exigir um requisito (fundamento econômico) que o ágio interno não possui. A falta de substância econômica faz o ágio interno indedutível tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL. Em suma, por essas razões, é de ser mantido o lançamento na parte relativa à amortização do ágio. Compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL A compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL é decorrência do lançamento de ofício, sendo favorável à recorrente porquanto reduziu o valor do crédito tributário exigido. Ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade No que tange à alegação de que a multa ultrapassaria os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, a matéria não é passível de exame pelo CARF, pois implica, por vias transversas, o controle de constitucionalidade, o que é vedado de forma expressa a este órgão. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O mesmo entendimento está consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Emprego da taxa Selic Relativamente ao emprego da taxa Selic, a questão já está pacificada no âmbito do CARF, como se constata pelo enunciado da Súmula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 5499DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.500 44 O Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ também considera legítimo o emprego da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, desde que haja previsão legal nesse sentido. Esse entendimento está consagrado na Súmula 523, abaixo reproduzida. Súmula 523. A taxa de juros de mora incidente na repetição de indébito de tributos estaduais deve corresponder à utilizada para cobrança do tributo pago em atraso, sendo legítima a incidência da taxa Selic, em ambas as hipóteses, quando prevista na legislação local, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. Juros de mora sobre a multa No que concerne à incidência de juros de mora sobre a multa aplicada em lançamento de ofício, peço licença para divergir do ilustre Conselheiro relator, malgrado seu brilhante voto. A matéria já foi diversas vezes trazida à apreciação desta turma ordinária, que sistematicamente vem decidindo pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a chamada multa de ofício. Para tanto, o fundamento legal estaria no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de forma a abarcar nessa categoria tanto o tributo propriamente dito, quanto a multa. Também esse é o entendimento que tem prevalecido na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, do qual é exemplo o Acórdão nº 9101003.369, cuja ementa, na parte relativa aos juros de mora, foi assim redigida: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Sobressaem, no voto condutor da decisão, os seguintes fundamentos: Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: (...) A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de Fl. 5500DF CARF MF Processo nº 16327.720700/201647 Acórdão n.º 1301002.812 S1C3T1 Fl. 5.501 45 entregar ao Estado credor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. (...) Do preceito acima invocado (art. 61 da Lei nº 9.430), destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” (grifo do original) Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Com esses fundamentos, indeferese a pretensão da recorrente de impedir a exigência de juros de mora calculados sobre a multa de ofício. CSLL Os fundamentos de fato e de direito que levaram à glosa da amortização de ágio, deduzida da base de cálculo da CSLL, são os mesmos declinados pela autoridade fiscal para o IRPJ. Portanto, a solução a ser dada aqui é, em tudo, semelhante à adotada para aquele imposto. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 5501DF CARF MF
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