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Numero do processo: 13851.000060/92-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração:01/08/1989 a 31/12/1990
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-005.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para anular o acórdão recorrido, mantendo, na íntegra, a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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(antiga USINA ZANIN AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/08/1989 a 31/12/1990 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, para anular o acórdão recorrido, mantendo, na íntegra, a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 00 60 /9 2- 17 Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.145 2 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade à lei, tempestivo, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 7°, I do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, e recepcionado conforme o disposto no art. 4° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), em face do Acórdão nº 30331.956, que possui a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOBRE O AÇÚCAR E O ÁLCOOL — CAA. Inexistência de publicação dos atos do Conselho Monetário Nacional, pelo BACEN, resulta na ineficácia dos mesmos, por inexistência de obrigatoriedade de seu cumprimento — Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A matéria de fundo trazida nos autos referese a auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, para a exigência da contribuição e o adicional sobre o açúcar e o álcool, não declarado e não recolhido, referente aos meses de agosto de 1989 a dezembro de 1990. A turma julgadora a quo, por maioria de votos, entendeu pela improcedência do lançamento efetuado, pela ineficácia dos atos do Conselho Monetário Nacional, pelo BACEN, relativos à Contribuição sobre o açúcar e o álcool, pela inexistência de sua publicação, bem como pela impossibilidade de majoração da Contribuição após o advento da Constituição Federal de 1988. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por contrariedade à lei (cópia com o protocolo atestando sua tempestividade às fls. 1.121 a 1.128), que foi admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 562 a 563. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 1.010 a 1.082. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo: os autos foram recebidos na Procuradoria da Fazenda Nacional no dia 31/03/2006, conforme ciência pessoal no Termo de Intimação (fl. 490), e devolvidos no dia 06/04/2006, conforme protocolo atestando seu recebimento à fl. 1.121. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.146 3 Insurgese a Fazenda Nacional contra a decisão proferida por meio do Acórdão 30331.956, em que, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário para considerar insubsistente o lançamento da contribuição e do adicional sobre o açúcar e o álcool, no período de agosto 1989 a dezembro de 1990. A Procuradoria pede a reforma da decisão e a restauração do inteiro teor da decisão de 1ª instância. Afirma a Fazenda Nacional que a decisão a quo contrariou o disposto nos seguintes dispositivos legais e regulamentares: “Concluindo, ao ter derrubado o auto de infração, o v. acórdão ora recorrido acabou por ofender o art. 3° do Decretolei no. 308, de 28 de fevereiro de 1967, com as alterações introduzidas pelo DecretoLei no. 1.712, de 14 de novembro de 1979, artigos 1° e 2° e Decretolei no. 1.952, de 15 de julho de 1982, arts. 1° e 3°; Decretolei no. 2.471, de 1° de setembro de 1988, art. 3° e Decreto no. 96.022, de 9 de maio de 1988. Ademais, ao ter excluído as multas, o v. acórdão ora embargado acabou por malferir o Decretolei no. 2.471, de 1° de setembro de 1988, art. 2° c/c Decretolei no. 308, de 28 de fevereiro de 1967, art. 6° , par. 2° e Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto no. 87.981, de 23 de dezembro de 1982, art. 364, inciso II.” Conforme consta do despacho de admissibilidade, estão satisfeitos os pressupostos regimentais, pois o acórdão recorrido foi proferido na vigência do antigo Regimento Interno; a decisão não foi unânime; o recurso foi interposto com a guarda do prazo regimental e foi demonstrada fundamentadamente a contrariedade à lei. Desse modo, considerando que restaram preenchidos os requisitos regimentais, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da incidência da Contribuição sobre o açúcar e o álcool para fatos posteriores ao advento da Constituição Federal de 1988. A turma julgadora a quo, entendeu pela improcedência do lançamento efetuado por dois fundamentos: (i) ineficácia dos atos do Conselho Monetário Nacional, pelo BACEN, relativos à Contribuição sobre o açúcar e o álcool, pela inexistência de sua publicação; (ii) impossibilidade de majoração da Contribuição, após o advento da Constituição Federal de 1988. Alega a recorrente ter havido violação ao disposto nos atos legais e infralegais acerca da Contribuição sobre o açúcar e o álcool. Por outro lado, o acórdão recorrido afastou a aplicação das normas por entender que lhes faltavam um requisito essencial: a publicidade. Aponta o sujeito passivo em suas contrarrazões a violação ao artigo 81, inciso III, da Constituição Federal de 1967, e ao artigo 37 da Constituição Federal de 1988. Também consta como fundamento da decisão recorrida a impossibilidade de majoração da Contribuição para fatos posteriores à CF/88. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.147 4 Em que se pese as alegações trazidas no acórdão a quo, o fundamento para a inaplicabilidade das normas pela ausência de publicidade, bem como pela impossibilidade de majoração da Contribuição para fatos posteriores à CF/88, é a violação de preceitos constitucionais, o que impede a este órgão julgador de apreciála em sua plenitude. Assim dispõe a Súmula CARF 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Tanto a violação ao princípio da publicidade, quanto a violação à estrita legalidade para majoração da contribuição pressupõe a manifestação desta turma julgadora acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Destacase, também, que somente são de observância obrigatória por este Conselho, à luz do art. 62 do RICARF, as decisões proferidas pelo STF sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), o que não é o caso da matéria em litígio. Portanto, por lhe faltar competência, não é possível o afastamento de norma tributária não declarada inconstitucional pelo STF por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido, mantendo, na íntegra, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre conselheiro relator e presidente em exercício, Rodrigo da Costa Pôssas, para manifestar meu entendimento. A priori, quanto ao conhecimento, apenas trago que concordo com as colocações feitas pelo relator que se inclinou pelo conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, eis que foram satisfeitos os requisitos para tanto. Quanto ao cerne da lide, é de se recordar que se trata de auto de infração que imputou a exigência da Contribuição ao Instituto do Açúcar e do Álcool e seu respectivo adicional relativamente ao período de agosto/89 a dezembro/90. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.148 5 Ressurgindo à lide, temse que o DecretoLei 308/67 dispôs sobre a receita do Instituto do Açúcar e do Álcool – IAA, estabelecendo, entre outros, que para custeio da intervenção da União, através do Instituto do Açúcar e do Álcool, na economia canavieira nacional, ficam criadas, na forma prevista no art. 157, § 9º, da Constituição Federal/67 as r. contribuições ora em discussão. Nos termos do DecretoLei 1.712/79, tais contribuições incidirão exclusivamente sobre a saída do açúcar ou álcool da unidade produtora, sendo que fica o Conselho Monetário Nacional responsável por estabelecer os percentuais das contribuições de que trata este Decretolei, observados o limite máximo de 20% do valor dos preços oficiais do açúcar e álcool, considerando os tipos destes produtos ou sua destinação final. Importante apenas trazer que o Pleno do STF – ao apreciar o RE 214.206, considerou que os diplomas legais que instituíram tais contribuições foram recepcionados pela CF/88. E, no que tange à variação da alíquota, vêse que, analisando os autos do processo, tal matéria não seria objeto da lide (questão de inconstitucionalidade da norma). Sendo assim, apenas clarifico que a discussão da lide trazida em recurso especial não se refere a constitucionalidade ou não da norma. A lide trazida em recurso traz discussão apenas da força normativa que deve ser considerada ou não quando não foi dada devidamente publicidade a norma do CMN – essencial, nos termos do decretolei, para a fixação dos percentuais das contribuições ora em discussão. Em relação a essa matéria, temse que, nos termos do art. 2º da Lei 9.784/99 – que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal manda a administração observar os princípios basilares do direito administrativo: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.149 6 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Nesse ínterim, da leitura do acórdão recorrido, antecipo minha manifestação concordando com o voto proferido pela nobre exconselheira Nanci Gama – que peço vênia para reproduzilo (Grifos meus): “Cumpreme analisar o quanto foi devolvido à esta segunda instância, através do recurso interposto. O Contribuinte, em sede recursal, não suscitou nenhuma preliminar tal como o fez nas outras peças constantes dos autos, limitandose às questões de mérito concernentes A possibilidade de modificação das alíquotas da referida contribuição, após o advento da Constituição Federal de 1988, bem como a ausência de publicidade dos votos CMN, responsáveis pela majoração das alíquotas da CIDE em questão. Como se sabe, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no ano de 1996, manifestouse pela constitucionalidade das referidas exigências, consoante se infere da seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. CONTRIBUIÇÃO E ADICIONAL DEVIDOS A AUTARQUIA FEDERAL. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTAS. DELEGAÇÃO AO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. CONSTITUCIONALIDADE. I. Contribuição para o Instituto do Açúcar e do Álcool e seu respectivo adicional. Decretosleis n°s 308/67 e 1.712/79. Fixação de alíquotas pelo Conselho Monetário Nacional, observados os limites e as condições previstos na legislação pertinente. Legitimidade da delegação de atribuições em face da Emenda Constitucional n° 01/69 e do Código Tributário Nacional. 2. Contribuição para o IAA. Arrecadação recolhida ao Tesouro Nacional e não ao Fundo de Exportação. Inconstitucionalidade do Decretolei n° 1.952/82, por haver transmudado a contribuição em imposto ao alterar a destinação dos recursos. Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.150 7 Improcedência. A natureza jurídica especifica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, Tribunal Pleno, RE 158.208/RN, Relator, Ministro Marco Aurélio, DJ de 24/08/2001). Contudo, em referido julgamento, o Pleno do STF não apreciou, ou melhor, não foi levado â. sua apreciado o argumento de que o ato administrativo que fixou as alíquotas da já extinta CIDE carecia de requisito essencial de validade, qual seja, publicidade. Com efeito, observouse que a publicação das alíquotas da CIDE se dava de maneira bastante imprópria, uma vez que vinham divulgadas na composição do preço da canadeaçúcar. Quando os preços da cana eram publicados, na composição dos mesmos, faziase referência ao percentual que se deveria recolher a título de referida contribuição. Como se sabe, a publicidade é um dos princípios que deve nortear todo e qualquer ato administrativo, tendo sido positivado no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, pelo que, se lhe falta esse requisito, o ato não é capaz de vincular terceiros, impondo o seu cumprimento. Sobre a importância e necessidade de se observar esse principio vale transcrever a lição de Jose Santos Carvalho Filho, para quem1: "(..) os atos da Administração devem merecer a mais ampla divulgação possível entre os administrados, e isso porque constitui fundamento do princípio propiciarlhes a possibilidade de controlar a legitimidade da conduta dos agentes administrativos. Só com a transparência dessa conduta é que poderão os indivíduos aquilatar a legalidade ou não dos atos e o grau de eficiência de que se revestem". Ademais, vale destacar ainda que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou pela ineficácia dos atos do Conselho Monetário Nacional não publicados no Diário Oficial da União (CSRF/020.647 e CSRF/0201.036). Cumpre ressaltar também que, analisando a recente jurisprudência de nossos Tribunais Federais, identificamos que o entendimento que vem sendo adotado pela esfera judicial corrobora o que ora se afirma: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PELO CM. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE PUBLICAÇÃO DO RESPECTIVO ATO. NÃO ATENDIMENTO. 1. Muito embora se houvesse reconhecido que o Conselho Monetário Nacional (CMN) estivesse autorizado a fixar alíquotas para a contribuição devida ao extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) (Cf. Pleno do STF. RE 178.144/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU de 28.09.2001), tornase indispensável a publicação do ato de majoração para que se possa exigir, validamente. 2. Hipótese em que essa prova não foi feita nos autos, ainda que oferecida à União Federal, nesta Corte, oportunidade para fazêlo. (grifouse) 1 in Manual de Direito Administrativo. 1999. Lumen Juris: Rio de Janeiro, p. 14. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.151 8 Por fim, é de ressaltar que, em consonância com o decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a CIDE em questão, de fato, não poderia ter sido majorada após o advento da Constituição Federal de 1988. Nesses termos, dado que o período a que se refere o lançamento compreende os meses de agosto de 1989 a dezembro de 1990, concluise, também por esta razão, que o mesmo deve ser julgado insubsistente. Assim, pelas razões acima expostas, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2005” Sendo assim, vêse que a decisão dada pelo colegiado a quo nada mais fez que observar o art. 2º, parágrafo único, inciso V, da Lei 9.784/99 – que, por sua vez, regula o processo administrativo fiscal, ao tratar do dever de divulgação dos atos administrativos para que produzam efeitos no ordenamento jurídico. Ademais, cabe recordar que, nos termos do art. 62 do RICARF/2015 fica essa conselheira obrigada a observar dispositivo de lei e decreto que não tenham sidos afastados sob o fundamento de inconstitucionalidade. O que, por conseguinte, cabe observar os termos do DecretoLei 1.712/79, que traz que o Conselho Monetário Nacional deve estabelecer os percentuais das contribuições incidentes sobre a saída do açúcar ou álcool da unidade produtora e o art. 2º, parágrafo único, inciso V, da Lei 9.784/99, que traz que somente os atos administrativos divulgados produziriam efeitos no mundo jurídico. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11557.000807/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN.
Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I.
Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99.
PRESCRIÇÃO.
Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa.
Numero da decisão: 2401-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e dar-lhe provimento parcial para excluir todos os lançamentos até a competência 05/99, em razão da decadência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Recorrente SERVICO SOCIAL DA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extinguese com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. PRESCRIÇÃO. Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 08 07 /2 00 8- 38 Fl. 330DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento parcial para excluir todos os lançamentos até a competência 05/99, em razão da decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11557.000807/200838 Acórdão n.º 2401005.103 S2C4T1 Fl. 331 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 35.732.5818) lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição social correspondente à diferença de contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, no período de 05/96 a 12/03, conforme Relatório Fiscal (fls. 57/59). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: decadência, cerceamento de defesa e que foram incluídos na base de cálculo valores que não foram pagos a autônomos. Foi proferida a DecisãoNotificação (DN) 07.401/0356/2004, fls. 99/105, que julgou procedente o lançamento. Cientificado da DN em 6/10/04 (Aviso de Recebimento AR de fl. 108), o contribuinte não apresentou recurso e, após o prazo para cobrança amigável, o processo foi encaminhado para a Procuradoria. O crédito foi inscrito em dívida ativa e ajuizada a execução fiscal. O Sesi informou que obteve decisão favorável no Mandado de Segurança 2005.50.01.0008499, reconhecendo o direito de interpor recurso administrativo sem garantia de instância (depósito de 30%, à época exigível). Assim, a execução fiscal foi extinta. Na decisão do mandato de segurança, fls. 241/246, determinouse que se admitisse o recurso administrativo do sujeito passivo, independentemente do oferecimento de garantia. Após processamento no qual se discutia se o contribuinte teria perdido o prazo para interposição do recurso administrativo, fls. 247/267, reabriuse o prazo para apresentação de recurso e o contribuinte foi cientificado em 25/11/13 (Aviso de Recebimento AR de fl. 273). Em 23/12/13, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 275/278, no qual alega que ocorreu a prescrição do direito de cobrança do crédito tributário. Cita o CTN, art. 174. Entende que o processo de execução foi extinto sem julgamento do mérito em 2007, iniciandose o prazo de cinco anos para propositura de nova execução. Assim, não há que se falar em abertura de prazo para "defesa", já que o crédito perdeu sua eficácia, não podendo mais ser inscrito em dívida ativa, devendo ser reconhecido de ofício a ilegalidade da cobrança, em decorrência da prescrição. Requer seja reconhecida a prescrição. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A prescrição referese ao direito de ação de cobrança do crédito tributário. Este prazo começa a fluir após a constituição do crédito pelo lançamento e extinguese pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que o lançamento se tornar definitivo. Tal comando normativo está previsto no art. 174 do CTN. Assim, durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. Tendo sido concedido ao sujeito passivo, conforme pleiteado por ele, em sede de Mandado de Segurança, o direito de apresentar recurso administrativo, não há que se falar em prescrição, visto que o instituto da prescrição não se aplica aos créditos na atual fase de litígio administrativo. Não há que se falar em prescrição, pois referido prazo sequer começou a fluir. Sendo assim, descabidos os argumentos no sentido que ocorreu a prescrição e que a cobrança é ilegal. DECADÊNCIA Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida de ofício. Para verificar se houve decadência, quando se tratar de crédito tributário o qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11557.000807/200838 Acórdão n.º 2401005.103 S2C4T1 Fl. 332 5 Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No presente caso, houve princípio de recolhimento, pois o lançamento foi de diferenças de contribuições, portanto, devese excluir deste lançamento, ocorrido em 29/06/04, o período até 05/99, aplicandose o disposto na Súmula CARF nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifo nosso) Sendo assim, deve ser excluído o levantamento PA (que compreende competências até 12/98), e excluídas as competências até 05/99 do levantamento PA1. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento parcial para excluir todos os lançamentos até a competência 05/99, em razão da decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721916/2012-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
DESISTÊNCIA
A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1001-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, no valor original de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), e que após a decisão de primeira instância foi reduzida para R$ 3.000,00 (três mil e quinhentos reais), referente a Multa por Atraso na Entrega da Escrituração FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição (anocalendário 2010). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 19 16 /2 01 2- 00 Fl. 124DF CARF MF 2 Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação em 27/04/2012 (efls. 02/13). As razões da impugnação foram assim resumidas no acórdão recorrido: Preliminar de Nulidade – os dispositivos legais citados no enquadramento legal (art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso I, Art. 2º da IN RFB 967/2009 e inciso I do artigo 54 da Medida Provisória 2.15835/01), transcritos, não servem como suporte à descrição dos fatos, pois são, em parte, inaplicáveis e, em parte, insuficientes para fundamentar a presente imposição descrita nos fatos, sendo, portanto, flagrante a ausência de enquadramento legal na notificação ora combatida; – o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999 (transcrito), estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem ser, obrigatoriamente, motivados. Além disso, o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que são nulos: (...) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, temse que a capitulação legal é requisito essencial para a fundamentação de todo e qualquer ato administrativo, e sua ausência, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, é fator de absoluta nulidade; – logo, diante da ausência dos elementos identificadores do objeto da obrigação tributária, violando garantia constitucional prevista no inciso LV do art. 5º, não restam dúvidas quanto à nulidade da presente Notificação de Lançamento, haja vista manifesto vício insanável; Do Direito – de acordo com a descrição dos fatos contida na notificação do presente lançamento: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mês calendário ou fração de atraso. – como a Escrituração FCONT do exercício de 2009, com prazo de entrega de 29/11/2011, foi entregue em 30/03/2012, a autoridade fiscal entendeu pela aplicação da penalidade de R$5.000,00 por “4 meses de atraso”, num total de R$20.000,00 (vinte mil reais); – o entendimento da autoridade fiscal foi no sentido de que a pena pecuniária deveria ser aplicada por “mês de atraso”, a partir da data em que a escrituração deveria ter sido entregue; – tal entendimento não merece prosperar tendo em vista que a presente discussão trata, na sua essência, a respeito da aplicação do correto conceito de “mês calendário” ; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10183.721916/201200 Acórdão n.º 1001000.095 S1C0T1 Fl. 125 3 – uma vez que a referencia é “mês calendário” e não “mês de atraso”, a aplicação da multa de R$5.000,00 deve incidir uma única vez a cada obrigação acessória descumprida; – caso a multa incidisse repetidamente, em todos os meses do período de atraso do cumprimento da obrigação, a referência seria expressa por mês de atraso e não por mês calendário; – ao entender que “mês calendário” abrange todos os meses durante o atraso no cumprimento da obrigação, a autoridade incorre em interpretação extensiva e, além de prejudicar o contribuinte, contraria totalmente a orientação trazida pelo art. 112 do CTN; – assim sendo, a cada vez que o contribuinte deixar de entregar escrituração, na data determinada, ele só pode ser penalizado uma única vez. Além do mais, a fixação da multa de forma cumulativa configurase totalmente desproporcional, pois se estaria transformando a multa que é punitiva em moratória; – isso se justifica ainda, pelo fato de que nem toda obrigação acessória tem periodicidade mensal. Assim, mesmo que a periodicidade seja trimestral ou anual, o termo “mês calendário” deve ser interpretado conforme essa peculiaridade, de modo que cada escrituração que deixe de ser apresentada gerará uma única multa. Se a obrigação é mensal, a multa incide por mês; se trimestral, a multa será para cada trimestre, e assim por diante (cita ementa do Ac 523020074013801 do TRF1, em julgamento de multa pelo atraso na entrega de Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune, conhecida como “DIFPapel Imune”. cujo título é “ATRASO NA ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. NÃO CUMULATIVIDADE”); – no presente caso, como a periodicidade é anual, o termo “por mês calendário” significa a cada ano em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta de aplicar a multa de R$5.000,00 é apenas a cada ano, até que a escrituração seja entregue; – dessa forma, o termo “mês calendário”, que é uma previsão genérica, estará sendo interpretado, corretamente, em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos; – portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, Fl. 126DF CARF MF 4 sob pena de a multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; Dos Pedidos – por todo o exposto, requer que se acate integralmente a impugnação, julgandoa procedente, seja pela preliminar, seja pelas demais razões, no sentido de cancelar o lançamento na sua totalidade. Do contrário, que seja aplicada a penalidade na forma exposta. A decisão de primeira instância (efls. 54/61) manteve em parte o crédito tributário, exonerando em parte o crédito por constatar a superveniência de lei nova (Lei nº 12.766/2012) que prevê, para a mesma infração, a aplicação de penalidade menos severa do que a lei vigente na data da prática da infração, o que autorizaria a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/09/2013 (efl. 65) a Interessada interpôs recurso voluntário em 16/10/2013 (efls. 67/98), em que repete os argumentos da impugnação e aduz, em resumo, julgados do CARF e do STJ (CARF Acórdão n° 340200.754 e STJ REsp n° 252.095PE) em que se teria decidido a favor da tese do recorrente, de que seria indevida a multiplicação do valor da multa (prevista para cada infração à obrigação formal falta de declaração) pelo número de meses que durou o atraso: (...) Com relação a este julgado, o r. Acórdão recorrido afirmou que "não cabe ao agente do Fisco deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais sem efeito erga omnes, ou decisões judiciais em que o sujeito passivo não foi parte do processo, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Data vénia, ainda que o Fisco tenha que cumprir a atividade vinculada e obrigatória de lançar, não pode, de forma desarrazoada, impor penalidades ao contribuinte, extrapolando o que determina a legislação tributária, sob pena de violação de princípios constitucionais já citados, tais como razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Ademais, ainda que os julgados não tenham efeito erga omnes, não se pode ignorar atuais entendimentos acerca do tema, sendo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em caso análogo, se manifestou também no seguinte sentido: (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Processo n° 19515001106/200571, Recurso Voluntário n° 25.3366, Acórdão n° 340200.754 — 4° Câmara/2° Turma Ordinária, Sessão: 26/08/2010). Ora, se a própria lei prevê a aplicação das referidas multas até o limite máximo de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) ao mês Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10183.721916/201200 Acórdão n.º 1001000.095 S1C0T1 Fl. 126 5 calendário da inadimplência de informação, não parece razoável que esse limite legal possa ser extrapolado pela Fiscalização, mediante a simples multiplicação de seu valor pelo número de meses em que a Recorrente permaneceu inadimplente, mormente considerandose que os referidos limites se encontram sob expressa previsão no CTN em seu artigo 97, V, instituído exatamente para refrear os abusos, a irrazoabilidade ou a desproporcionalidade na sua aplicação. No presente caso, como a periodicidade de entrega é anual, o termo "por mêscalendário" significa "a cada ano" em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta seria aplicar a multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) apenas uma vez a cada ano, até que a escrituração seja entregue, havendo ainda no caso da Contribuinte a redução de 50% acima mencionada. Ainda que a lei não tivesse limitado a aplicação da referida multa, sendo pressuposto de sua aplicação o fato de que as infrações sejam continuadas e persistentes, parece evidente que esse fato por si só, já desautoriza cogitar de aplicação mensal cumulada em razão do número de meses em que a Impugnante permaneceu inadimplente, pois como já assentou a Jurisprudência: "o STJ firmou o entendimento de que a sequência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa fixada de acordo com a gravidade da transgressão cometida" (STJ REsp n° 252.095PE, Reg. n° 2000/00264008, 06/12/2005, Rei. Min, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJU de 13/03/06, p. 235). Dessa forma, o termo "mêscalendário", que é uma previsão genérica, deve ser interpretado em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos. Portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, sob pena da multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Conforme Termo de Anexação de 26/10/2017 (efl. 104), o contribuinte solicitou, previamente ao julgamento, desistência (efl. 105) do presente recurso por ter requerido adesão ao parcelamento do Programa de Regularização Tributária (PRT), instituído pela MP n. 766/2017. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Desta forma, voto por não conhecer do recurso Fl. 128DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 13910.720322/2013-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1001-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente J. L. DE CARVALHO PINTO TRANSPORTES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 72 03 22 /2 01 3- 81 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13910.720322/201381 Acórdão n.º 1001000.006 S1C0T1 Fl. 57 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0945.812, de 22/08/2013 (efls. 20/22), objetivando a reforma do referido julgado. O crédito tributário lançado se refere à exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao período de março de 2010, conforme Notificação de Lançamento (efl. 17). A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Não encontro no processo o Aviso de Recebimento, mas no despacho de encaminhamento (efl. 49) a Unidade de controle do crédito tributário afirma que o recurso voluntário, apresentado em 18/10/2013 (carimbo de recepção à efl. 39), é tempestivo. No recurso interposto (efls. 39/48), a recorrente reitera o argumento trazido em sede de impugnação, ou seja, que descabe a multa punitiva por ter agido de forma espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN, pois a DCTF foi entregue antes de qualquer procedimento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. O argumento da recorrente foi fundamentadamente afastado em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13910.720322/201381 Acórdão n.º 1001000.006 S1C0T1 Fl. 58 3 recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: A interpretação do art. 113 do CTN mostra que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores distintos e independentes, sendo que o simples fato de não observar a obrigação acessória constitui o fato gerador da obrigação principal de pagar a respectiva penalidade pecuniária. A penalidade em discussão está expressamente prevista em lei, conforme enquadramento legal constante do lançamento, vinculando toda a Administração Pública, em face do princípio constitucional da legalidade. O lançamento da multa, dentro do prazo decadencial de cinco anos (art. 173, I, do CTN), é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, a exigência da multa independe de culpa ou dolo do sujeito passivo. O atraso na entrega da(o) DCTF é ostensivo, evidente por si só, sendo desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. O instituto da denúncia espontânea, versado no artigo 138 do CTN, não se aplica às multas por atraso na entrega de Declaração, Demonstrativo e Escrituração Digital, consoante entendimento pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Essa matéria encontrase também pacificada no âmbito do Poder Judiciário. A título exemplificativo, cito manifestação do Superior Tribunal de Justiça, em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional nº 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União – DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais – DCTF. 1. A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13910.720322/201381 Acórdão n.º 1001000.006 S1C0T1 Fl. 59 4 Edgar Bragança Bazhuni Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000975/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001, 2002
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
Descaracterizada a sociedade em conta de participação, as respectivas receitas sujeitam-se à tributação pelo IRPJ e contribuições sociais, em nome do sócio que se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais.
JOGOS DE BINGO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO.
A partir da publicação da MP n° 1.926/99, se a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, esta última deve assumir a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas
ao jogo.
EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA.
Equipara-se a pessoa jurídica a pessoa física que, em nome individual, explora, habitual e profissionalmente, as atividades de bingo permanente, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário:2001, 2002
PIS FOLHA DE SALÁRIO.
A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica as entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9532/97, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva enquadrada
na citada lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3659/00.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2001, 2002
Lançamento Decorrente. CSLL. PIS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ), tendo em vista a íntima relação de causa e efeito existente entre eles.
Numero da decisão: 1401-000.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado: a) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência; b) pelo voto de qualidade, afastar as preliminares de ilegitimidade por descaracterização da sociedade em conta de participação e equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; c) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado: a) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência; b) pelo voto de qualidade, afastar as preliminares de ilegitimidade por descaracterização da sociedade em conta de participação e equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; c) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso
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DESCARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Descaracterizada a sociedade em conta de participação, as respectivas receitas sujeitamse à tributação pelo IRPJ e contribuições sociais, em nome do sócio que se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais. JOGOS DE BINGO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. A partir da publicação da MP n° 1.926/99, se a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, esta última deve assumir a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas ao jogo. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. Equiparase a pessoa jurídica a pessoa fisica que, em nome individual, explora, habitual e profissionalmente, as atividades de bingo permanente, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 PIS FOLHA DE SALÁRIO. A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica as entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9532/97, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva enquadrada na citada lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3659/00. Fl. 407DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 Lançamento Decorrente. CSLL. PIS. Aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ), tendo em vista a íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado: a) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência; b) pelo voto de qualidade, afastar as preliminares de ilegitimidade por descaracterização da sociedade em conta de participação e equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; c) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 408DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 455 3 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 402405): A DRF UBERABA/MG lavrou Autos de Infração, fls. 05/25, para exigir o IRPJ no valor de R$ 37.970,17, a CSLL no valor de R$ 8.543,25 e a Contribuição para o PIS no valor de R$ 5.141,71, com a multa de oficio de 150% conforme enquadramento legal constante nos autos, e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 26/33 que: a) a auditoria fiscal descaracterizou a Sociedade em Conta de Participação (SCP) formada entre o NACIONAL FUTEBOL CLUBE como sócio ostensivo e MILTON CARLINI como sócio oculto para a exploração de BINGO PERMANENTE E BINGO EVENTUAL E SIMILARES, com o nome de fantasia de "Bingo Uberaba Palace", com atividades de lazer, sendo o lançamento para o período de 04/2001 a 09/2002; b) relata a fiscalização que "ficou evidenciado que as figuras do SÓCIO OSTENSIVO e do SÓCIO OCULTO estão totalmente invertidas, conforme demonstrado nos autos, sendo a gerência e a administração da sociedade feita exclusivamente pelo SÓCIO OCULTO, ferindo assim toda a legislação pertinente o que descaracteriza a sociedade em Conta de Participação entre as duas pessoas mencionadas; c) acrescenta que a exploração indireta de jogos de bingo implica responsabilidade exclusiva da entidade desportiva autorizada, mesmo que a administração da sala seja entregue a empresa comercial idônea, que seria responsável apenas pelo pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social, conforme disposição do artigo 4 0 da lei 9.981/2000; d) ocorrendo a entrega da administração do bingo a pessoa fisica de Milton Carlini houve a infringência ao parágrafo único do artigo 61 da lei 9.615/98, com a redação dada pela MP 1.926/1999 e uma vez constituída indevidamente a sociedade em conta de participação entre o Nacional Futebol Clube e Milton Carlini, pois a referida SCP contraria o disposto nos artigos 325 a 328 do Código Comercial, vigentes A. época. Na SCP, a reunião de duas ou mais pessoas, sendo ao menos uma comerciante, que, sem firma social, realizam, para lucro comum, uma ou mais operações de comércio determinadas. Como a lei determina que o sócio ostensivo é o único que se obriga com terceiros, aquele deverá ser comerciante em nome individual ou sociedade e, no caso, a natureza jurídica do Nacional Futebol Fl. 409DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Clube é em forma de associação e, portanto, não exerce atividade comercial; e) no contrato da SCP consta que caberá ao sócio oculto Milton Carlini o resultado liquido apurado na exploração dos serviços de bar e/ou restaurante, venda de bebidas, refeições e outros, caracterizando tipicamente uma atividade comercial; f) as pessoas fisicas se equiparam à pessoa jurídica, por força da legislação, quando em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, que se encontrem regularmente inscritas ou não junto ao órgão do Registro de Comércio ou Registro Civil, ficando ainda, pela referida equiparação, como empresas individuais e deverão adotar todos os procedimentos contábeis e fiscais aplicáveis As pessoas jurídicas, tudo de conformidade com o pontuado nas alíneas "a" a "e" (fls. 29); g) é vedado à pessoa fisica, equiparada por força da legislação à empresa individual, o arquivamento de mais de uma firma individual para a mesma pessoa fisica e que, no caso, já há uma inscrição como empresário (individual) de MILTON CARLINI, desde 09/1999, com o CNPJ 03.417.202/000121 e, por conseqüência, essa empresa é o sujeito passivo da obrigação tributária nos termos do CTN, art. 121I, transcrito; h) por força de disposição legal expressa, na hipótese de a administração do jogo do bingo ser entregue a empresa comercial, esta responde por todos os tributos incidentes sobre a atividade; i) a base de cálculo (englobando o período de abril de 2001 até setembro de 2002) foi apurada considerandose como receita própria da empresa 28% da arrecadação bruta. Sobre esse valor é que foram apurados os tributos (IRPJ, CSLL e PIS). A COFINS (do mês de 10/2001 até 09/2002) constam da DCTF da entidade beneficente (promotora), ou seja, Nacional Futebol Clube — Bingo Uberaba Palace — CNPJ n° 17.777.624/000112 (fls. 47 a 144), cujos valores também foram recolhidos em nome da entidade desportiva; j) as declarações do autuado relativamente aos anoscalendário de 2001 e 2002 foram apresentadas com opção pela forma de tributação pelo Lucro Presumido; 1) é inequívoco que esta contribuinte praticou operações que implicaram a ocorrência de fatos geradores tributários em montantes significativos nos anoscalendário de 2001 e 2002. Abstevese de denunciar, por meio de DCTF, seus débitos tributários (IRPJ, CSLL e PISFATURAMENTO), do mês de abril de 2001 até o mês de setembro de 2002, relativamente As receitas provenientes da administração do Bingo Permanente. Para tornar mais evidente seu propósito de ocultar da Administração tributária a existência de débitos tributários, foram apresentadas as DCTF alusivas aos trimestres do ano calendário de 2001 e 2002, em nome NACIONAL FUTEBOL CLUBE SPC BINGO UBERABA PALACE, CNPJ n° Fl. 410DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 456 5 017.777.624/000112, com ausência de débitos (fls. 93 a 96) relativamente a esses tributos; m) pela sistemática omissão de receitas já aludidas, uma vez que não consta nenhum valor em DCTF relativamente a receitas auferidas em bingo permanente, observando o mesmo quanto As DIPJ dos exercícios de 2002 e 2003, a fiscalização aplicou a multa de oficio qualificada de 150% prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em face do que considerou configuração de intuito de fraude. Intimada em 30/06/2006, AR de fl. 255, o interessado apresentou a impugnação de fls. 259/287, em 31/07/2006, onde alegou, em síntese, o seguinte: que o autuado não pode ser comparado à pessoa jurídica em virtude de Lei, interpretada pela própria Receita Federal do Brasil, conforme o previsto no Manual de Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica, do PIR12006; a sociedade em conta de participação foi constituída entre o Nacional Futebol Clube e a pessoa fisica de Milton Carlini e que a Microempresa MILTON CARLINI funcionava na Avenida Leopoldino n° 3814 e tinha somente atividade de bar, enquanto o Bingo Uberaba Palace fica no n° 3806 da mesma avenida, funcionando em nome do Nacional Futebol Clube que é o sócio ostensivo e responsável pela sociedade de conta de participação e que tinha justamente autorização da CEF para isso; os tributos devidos pela administração do bingo foram pagos e que a responsabilidade total pelo Bingo Uberaba Palace é do Nacional Futebol Clube, que é o sujeito passivo das obrigações tributárias, de acordo como os extratos bancários juntados aos autos que provam que todo o dinheiro do lucro com as atividades do bingo vão sempre diretamente para a conta do Nacional Futebol Clube, mas nunca para o Sr. Milton. E como o Nacional Futebol Clube é isento de IR e CSLL, então este pagou realmente tudo que devia de PIS (folha de salários) e COFINS; a constituição da sociedade de conta de participação entre o Sr. Milton e o Nacional Futebol Clube não foi feita indevidamente, muito menos infringindo os artigos 325 a 328 do Código Comercial, já que nem sequer existe mais o Código Comercial. 0 que existe, na realidade, é o que preconiza o Código Civil de 2002, nos artigos 991 a 993 (transcritos), que não foram infringidos para a constituição dessa sociedade entre o Nacional Futebol Clube e o Sr. Milton Carlini; traz doutrina e jurisprudência a respeito da SCP, transcrevendoos, para concluir que na sociedade em conta de participação, a responsabilidade é exclusiva do sócio ostensivo. a legislação favorece ao autuado frente à possibilidade da interpretação mais benigna das cláusulas contratuais; Fl. 411DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 a pessoa participante da SCP foi a pessoa física de Milton Carlini e que o fisco tenta equiparar a situação da pessoa física à jurídica, de forma absurda; ilustra com orientações contidas no manual de perguntas e respostas do órgão lançador (PIR2006), e com base, especificamente na resposta à pergunta n° 34, conclui que o autuado não pode ser comparado à pessoa jurídica, pois a sua condição é de sócio oculto que não se relaciona com o seu estabelecimento comercial (firma individual) ao lado do Bingo Uberaba Palace, salientando que o administrador do mesmo bingo é o Nacional Futebol Clube, na conformidade do contrato de constituição da sociedade; esclarece que ao tempo da feitura do contrato que deu origem à Sociedade em Conta de Participação, não vigia o artigo 4° da Lei n° 9.981/00, mas sim o artigo 61 da Lei n° 9.615/1998, que estabelecia que "os bingos funcionarão sob responsabilidade exclusiva das entidades desportivas, mesmo que a administração da sala seja entregue a empresa comercial idônea". Aduz que a lei nova terá sempre que respeitar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, com fulcro na Constituição Federal, art. 5°, XXXVI. Além disso, dentro do crédito tributário, a lei aplicável é aquela da data da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, a Lei n° 9.615/1998 isenta totalmente o Sr. Milton Carlini de qualquer responsabilidade perante o bingo. relativamente à figura do sujeito passivo da obrigação principal a responsabilidade compete ao Nacional Futebol Clube e transcreve o artigo 121 e seu parágrafo único (CTN), enfatizando que quem sempre teve a relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador foi o Nacional Futebol Clube, tanto em virtude da atividade de bingo, quanto devido à sociedade em conta de participação, já que ele era o sócio ostensivo, responsável pela sociedade; é preciso que também se atente para a Lei n° 9.981/2000, cujo artigo 2° (transcrito) diz que o artigo 61 foi revogado a partir de 31 de dezembro de 2001, porém deveria a fiscalização respeitar o prazo de vigência da autorização concedida, que foi de 26/03/2001 a 25/03/2002. A autorização concedida determinava que a entidade do NACIONAL FUTEBOL CLUBE, ficaria encarregado da administração e promoção do Bingo Permanente e, quando foi dada a respectiva autorização, a Caixa sabia que era uma entidade esportiva e não foi exigido que a mesma tivesse atividade comercial, como quer impor a autoridade fiscal; a fiscalização emitiu um auto de infração de COFINS, referente aos fatos geradores ocorridos entre 04 a 09/2001, sendo que o Nacional Futebol Clube já teria recolhido os outros períodos e fizeram o auto de infração em nome de Milton Carlini, sendo que, conforme consulta a pagamentos efetuados pelo Nacional Futebol Clube, na Receita Federal do Brasil, podemos comprovar mais um equivoco cometido pela fiscalização, conforme documentos em anexo; Fl. 412DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 457 7 o PISFOLHA DE SALÁRIO também foi recolhido, porém a fiscalização cobrou da firma MILTON CARLINI o PIS FATURAMENTO, sendo que além de não ser o sujeito passivo da obrigação, não consideraram o valor já pago através do PIS FOLHA DE SALÁRIO, efetuado pelo sócio ostensivo NACIONAL FUTEBOL CLUBE. A 1ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por unanimidade de votos, julgou os lançamentos procedentes, por meio do Acórdão nº 0922.863, assim ementado (fls. 400401): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Sociedade em Conta de Participação. Descaracterização. Tributação das Receitas. Descaracterizada a sociedade em conta de participação, as receitas então percebidas por aquele que se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência de sociedade, são passíveis de tributação pelo IRPJ e contribuições sociais, mormente quando aqueles não foram declarados e nem tributados na DIPJ do outro sócio participante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 PIS FOLHA DE SALÁRIO. A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica as entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9532/1997, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva que se enquadre no rol previsto na referida lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3659/2000. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2001, 2002 JOGOS DE BINGO. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA. Na hipótese de a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas ao jogo é, desde a publicação da MP n° 1.926, de 1999, da empresa comercial. Fl. 413DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. A pessoa fisica que, em nome individual, explorar, habitual e profissionalmente, as atividades de bingo permanente, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços, estará equiparada a pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 Lançamento Decorrente. CSLL. PIS/PASEP. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito especificas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Lançamento Procedente Intimada desse Acórdão em 15/04/2009 (fls. 420), a contribunte apresentou em 14/05/2010 o Recurso Voluntário de fls. 421452. Em sede de preliminar, a recorrente arguiu sua ilegitimidade passiva, sustentando que a administração do Bingo Uberaba Palace nunca foi exercida pelo autuado, mas sim pelo Nacional Futebol Clube, sócio ostensivo da sociedade, que detinha autorização da CEF para explorar o aludido bingo. Caso esta preliminar não seja acatada, a recorrente formulou outra preliminar de ilegitimidade passiva, desta vez argumentando que a pessoa participante da SCP foi a pessoa fisica de Milton Carlini e que a Fiscalização tenta equiparar à situação da pessoa fisica jurídica, de forma “absurda”. Ainda em sede de preliminar, arguiu a ocorrência da decadência referente aos fatos geradores ocorridos ao longo do anos de 2001 e 2002, com fundamento na Súmula Vinculante nº 8. No mérito, a recorrente basicamente reprisou os argumentos utilizados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 458 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Decadência Sobre o tema, assim se pronunciou a recorremte, fls. 450: Também podemos constatar que o relator não aplicou a SUMULA VINCULANTE 8, no PIS/FATURAMENTO EM 2001 E 2002, INCLUSIVE, POR TER HAVIDO RECOLHIMENTO DE 1% SOBRE A FORMA DE PIS — FOLHA DE SALARIO , NO COFINS E NA CSLL POIS OS MESMOS FORAM ATINGIDOS PELA DECADENCIA. Não merece prosperar a alegação da recorrente. Ab initio, esclareçase que os presentes lançamentos foram cientificados ao interessado em 30/06/2006 (fls. 225) e os créditos tributários lançados correspondem a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 30/06/2001 e 30/09/2002 (fls. 0607). Assim sendo, por qualquer critério de contagem do prazo decadencial que seja utilizado (art. 150, IV ou 173 do CTN), é forçoso reconhecer que os presentes lançamentos foram realizados dentro do quinquênio legal. Apenas a título de esclarecimento, convém destacar que no presente caso o prazo decadencial deve seguir a regra geral de contagem, estabelecida no art. 173 do CTN, tendo em vista que o autuado (contribuinte) não efetuou qualquer recolhimento de tributos referente à operação do Bingo Uberaba Palace, conforme resultará claramente demonstrado na análise do tópico subsequente. Ilegitimidade passiva Descaracterização da sociedade em conta de participação Conforme relatado, os autuantes descaracterizaram a constituição da sociedade em conta de participação entre o autuado e o Nacional Futebol Clube (entidade desportiva), por total inobservância das regras que devem reger este tipo de sociedade. Segundo o Fisco, o contrato de fls. 57 a 63, firmado entre o autuado e a sociedade esportiva, indica como sócio ostensivo o Nacional Futebol Clube e como sócio oculto o fiscalizado como o Sócio Oculto afronta diversas regras aplicáveis a este tipo de sociedade, em especial as constantes dos artigos 325 a 328 do Código Comercial (v. fls. 28/29). O recorrente alegou que os aludidos dispositivos do Código Comercial seriam inaplicáveis ao presente caso, uma vez que o aludido Código não mais existe, tendo Fl. 415DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 10 sido substituído pelos arts. 991 a 993 do Código Civil de 2002. Tais artigos não foram teriam sido infringidos pela constituição da sociedade em conta de participação entre o Nacional Futebol Clube e o autuado. Não assiste razão à Recorrente. Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente os argumentos constantes do acórdão recorrido, fls. 406: Vejamos os dispositivos do Código Comercial, que se aplica ao CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (SCP) que foi firmado e concluído antes da vigência das regras dispostas no novo Código Civil: Art. 325. Quando duas ou mais pessoas, sendo ao menos uma comerciante, se refinem, sem firma social, para lucro comum, em uma ou mais operações de comércio determinadas, trabalhando um, alguns ou todos, em seu nome individual para o fim social, a associação toma o nome de sociedade em conta de participação, acidental, momentânea ou anônima; esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades, e pode provarse por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. Art.326. Na sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; o s outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações empreendidas nos termos precisos do contrato. [grifei] Oportuno mencionar que no contrato firmado entre o Nacional Futebol Clube, Milton Carlini assume exclusivamente a integral responsabilidade e todos os ônus decorrentes da realização dos jogos, equipamentos, móveis e utensílios, pagamento de salários, encargos e demais obrigações dai decorrentes, inclusive de eventuais reclamações trabalhistas e todos os tributos incidentes sobre as arrecadações dos eventos, bem como a aquisição e pagamento dos prêmios (cláusula oitava, fl.58). Tais atribuições e responsabilidades do fiscalizado, contratualmente denominado como sócio oculto/participante da SCP fulminam, digamos assim, a "marca registrada" desse instituto, que reside no fato de que somente o sócio ostensivo pratica as operações comerciais e sob sua exclusiva responsabilidade. Na sociedade em conta de participação (SCP) o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. [...] Contrariamente ao alegado, o Novo Código Civil (CC), no trato da matéria em questão, regulamentou o instituto da sociedade em conta de participação praticamente nos mesmos moldes do que já estabelecia o Código Comercial. Em Comentários ao Novo Código Civil — Direito das Sociedades, de Attila de Souza Andrade Jr., temse (pg.42): Fl. 416DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 459 11 2.3. Da sociedade em conta de participação 0 art. 991 do novo Código estabelece que na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. 0 novo Código Civil revigora e revitaliza este interessante instituto já previsto no nosso Código Comercial em seus arts. 325 a 328. Os contornos conceituais são os mesmos que os apregoados pelo nosso Código Comercial Imperial. [..]. Assim, tanto pelas disposições contidas no Código Comercial quanto pelo regramento atual, o novo Código Civil, os pressupostos inerentes As sociedades em conta de participação continuaram os mesmos: apenas o sócio ostensivo pratica as operações comerciais e sob sua exclusiva responsabilidade. Nester termos, concluo que em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Ilegitimidade passiva – Equiparação da pessoa física à pessoa jurídica A recorrente alegou que a pessoa participante da SCP foi a pessoa fisica de Milton Carlini e que a Fiscalização tenta equiparálo a pessoa jurídica, sem amparo legal. Para justificar seu entendimento, fez referência a orientações contidas no manual de perguntas e respostas do órgão lançador (PIR2006), mais especificamente a resposta à pergunta n° 34. Não assiste razão ao recorrente. A pessoa fisica de Milton Carlini foi equiparada a pessoa jurídica com base no art. 4° da Lei 9981/2000, uma vez provado que o recorrente efetivamente administrava o jogo de bingo. A administração de bingo, por força de lei, necessariamente deve ser realizada por empresa comercial. Sobre o suposto conflito entre este entendimento e a pergunta constante do Manual do PIR 2006, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 412413: [...] Ao contrário do que alega o interessado, não há conflito com o "Perguntas e Respostas do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2006", que na pergunta 232, página 140, define as hipóteses em que a pessoa fisica equiparase a pessoa jurídica, verbis: A pessoa fisica equiparase a pessoa jurídica quando: a) em nome individual, explore, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, quer se encontrem, ou não, regularmente inscritas no órgão do Registro de Comércio ou Registro Civil, exceto quanto às profissões de que trata o art. 150, §2°, do RIR/1999. (Grifamos). Fl. 417DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 12 b) Promova a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos. (RIR/1999, art.150, II e III) Já o art. 966 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Novo Código Civil Brasileiro), assim está posto: "Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza cientifica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa." Em primeiro lugar, impõese a observação de que o superveniente art. 966 do Novo Código Civil em nada interfere nas condições de há muito estipuladas pela legislação tributária para a equiparação das empresas individuais as pessoas jurídicas; antes, com elas se coaduna. Em segundo lugar, evidenciase, em relação as atividades exercidas pelo interessado, que ele estará equiparado a pessoa jurídica, nos termos do art. 150, § 1º, inciso II, do RIR 1999, se, em nome individual, explorar, habitual e profissionalmente, as atividades de exploração de BINGO PERMANENTE e BINGO EVENTUAL E SIMILARES, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços. As exceções da pergunta 233, páginas 140 e 141, do "Perguntas e Respostas do IRPF 2006", "Quais as atividades exercidas por pessoas físicas que não a equiparam a empresa individual?", especificamente as alíneas "a" e "c", citadas em sua defesa, não se aplicam ao impugnante. Isso porque o interessado não explora as atividades sem vinculo empregaticio mencionadas no artigo 150, § 2°, inciso I, do RIR/1999, ou seja, de médico, engenheiro, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas e não funciona como casa lotérica (ADN COSIT n° 24, de 1999). Diante do exposto, rejeito a presente preliminar de ilegitimidade passiva. Mérito Alegação de pagamento dos tributos, pela entidade esportiva, dos tributos exigidos no presente processo A recorrente alegou que os tributos e contribuições ora exigidos já teriam sido pagos pelo Nacional Futebol Clube, de acordo com os extratos bancários juntados aos autos. Sob a alegação de que o Nacional Futebol Clube é isento de IR e CSLL, então a referida entidade esportiva teria pago tudo o que deva a título de PIS (folha de salários). Vale dizer que o Fisco apurou que, na realidade, o Nacional Futebol Clube nada recolheu ao Fisco relativamente às receitas provenientes da administração do bingo permanente. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 460 13 Sobre o tema, assim se manifestaram as autoridades autuantes, em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 33): Ora, é inequívoco que esta contribuinte praticou operações que implicaram a ocorrência de fatos geradores tributários em montantes significativos nos anoscalendário de 2001 e 2002. Abstevese de denunciar, por meio de DCTF, seus débitos tributários (IRPJ, CSLL e PISFATURAMENTO), do mês de abril/2001 até o mês de setembro de 2002, relativamente as receitas provenientes da administração do Bingo Permanente. Para tornar mais evidente seu propósito de ocultar da Administração Tributária a existência de débitos tributários, foram apresentadas as DCTF's alusivas aos trimestres do ano calendário de 2001 e 2002, em nome NACIONAL FUTEBOL CLUBE SPC BINGO UBERABA PALACE, CNPJ 017.777.624/000112, com ausência de débitos (fls. 93 a 96), relativamente a esses tributos.. PISFOLHA DE SALÁRIO — A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica lis entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9.532/1997, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva que se enquadre no rol previsto na referida lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3.659/2000. E no caso não consta nenhum valor em DCTF relativamente a receita auferidas em bingo permanente, observando o mesmo quanto às DIPJ's dos exercícios de 2002 e 2003, anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. Pela análise das DIPJ/2002 e 2003 (fls. 97 a 144), a interessada não apurou IRPJ e CSLL, por se considerar isenta em relação a tais exações. Conseqüentemente, esses dois tributos não foram declarados pela interessada, conforme se observa nas DCTFs correspondentes a estes períodos (fls. 93 a 96). Quanto aos extratos bancários trazidos aos autos (fls. 315383), em nome do Nacional Futebol Clube SCP Bingo, relativos ao período de 03/2001 a 12/2002, observase que os valores creditados na conta corrente do Nacional Futebol Clube não contemplam as receitas provenientes da atividade do jogo do Bingo escrituradas no Livro Razão do NFC SCP BINGO UBERABA PALACE (fls. 145/178). Para cpomprovar este fato, é suficiente observar que os valores creditado são bem inferiores, além do que não há correspondência em datas e valores com a receita do bingo. Registrese, por oportuno, que os aludidos extratos também não demonstram o pagamento dos tributos exigidos nos autos de infração objeto do presente processo. Quanto às alegações da recorrente relativas ao PIS, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 408409: No que tange a alegação da impugnante no sentido de que a Fiscalização não considerou os valores de PIS sobre sua folha de salários à aliquota de 1%, já pagos pelo sócio ostensivo (Nacional Futebol Clube), não verifico qualquer procedência. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 14 Baseia a defendente todo seu raciocínio na falsa proposição de que o sujeito passivo da obrigação seria o Nacional Futebol Clube, entidade sem fim lucrativo, beneficiandose, portanto, do disposto no artigo 13 da Medida Provisória n° 1.8586/99 e suas sucessivas reedições, [...] Ora, a exegese dos artigos acima transcritos impõe que da apuração do PIS sobre a folha de salário só se podem valer, além das demais hipóteses previstas pela Medida Provisória n° 1.8586/1999, as instituições contempladas no art. 15 da Lei n° 9532/1997 que não possuam qualquer finalidade lucrativa, situação esta que não se coaduna com a da ora impugnante. Com efeito, a Lei n° 9615/1998, regulamentada pelo Decreto n° 3659/2000, permitiu os jogos de bingos em todo território nacional, desde que fossem cumpridas certas exigências, dentre elas, a necessidade de filiação a entidade de administração de qualquer sistema do desporto olímpico. Ou seja, facultouse a exploração do bingo por empresa comercial, desde que houvesse sua filiação a entidade ligada ao esporte, podendo esta ser de natureza filantrópica e sem finalidade lucrativa. Assim, ainda que a filiação da impugnante tenha se efetivado junto à entidade esportiva sem fim lucrativo, o beneficio estabelecido pelo artigo 13 da Medida Provisória n° 1858 6/1999 não se estende à impugnante, verdadeira contribuinte, de finalidade puramente lucrativa. Ademais, cumpre salientar que a não aplicação do disposto no artigo 13 da Medida Provisória n° 18586/1999 não traz qualquer prejuízo à entidade esportiva. Isto porque, os recursos arrecadados pelos bingos e transferidos a estas entidades não sofrem qualquer tipo de tributação, sendo repassados aos favorecidos integralmente. É que o Decreto n° 3659/2000, determina, em seu artigo 14°, a destinação dos recursos arrecadados pela administração da sala do bingo, estabelecendo o percentual de 28% as empresas administradoras dos jogos, e 7% as entidades desportivas. Assim, a contribuição ao PIS deve incidir apenas sobre o montante resultante da aplicação do coeficiente de 28% sobre o total dos recursos arrecadados (cota da administradora), não se tributando, portanto, a parcela destinada a entidade esportiva filiada, metodologia esta seguida A. risca pela autoridade fiscal ao efetuar o lançamento em questão. Diante disto, mostrase descabida a inconformidade demonstrada pela impugnante quanto ao lançamento referente ao PIS. Questionamento acerca da vigência do art. 4º da Lei nº 9.981/2000 O recorrente alegou que, na data da formalização do contrato da Sociedade em Conta de Participação, não estava em vigor o art. 4° da Lei n° 9.981/2000, mas sim o artigo 61 da Lei n° 9.615/1998, o qual determinava que os bingos deveriam funcionar sob a Fl. 420DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 461 15 responsabilidade exclusiva das entidades desportivas, mesmo que a administra çao da sala fosse entregue a empresa comercial idônea. O recorrente afirmou, outrossim, que a lei aplicável é aquela da data da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, a Lei n° 9.615/1998 isentaria totalmente o autuado de qualquer responsabilidade tributária decorrente de operação do bingo. Alegações totalmente desprovidas de sentido. Mais uma vez lanço mãos dos argumentos constantes do acórdão recorrido, que adoto, transcrevo e grifo parcialmente (fls. 409412): Mais uma vez enganase o impugnante. A Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DISIT n° 38, de 14 de maio de 2002, esclarece, com base nos fundamentos a seguir transcritos que, na hipótese de a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas ao jogo 6, desde 25/10/1999, da empresa comercial que o administra. 2. A exploração do jogo de bingo por entidades desportivas foi inicialmente prevista pela Lei n° 8.672, de 6 de julho de 1993, com regulamentação dada pelo Decreto n°981, de 11 de novembro de 1993. Embora esses diplomas não tenham sido objeto da consulta, esclareçase que, à época, toda a responsabilidade pela atividade, inclusive a tributária, recaiu sobre as entidades de prática desportiva, únicas autorizadas a realizar os sorteios de bingo, cabendo eis sociedades comerciais, eventualmente contratadas pelas entidades desportivas que assim o desejassem, somente a administração da realização dos sorteios. 3. A revogação dos referidos diplomas pela Lei n° 9.615, de 24 de março de 1998, e pelo Decreto n° 2.574, de 29 de abril de 1998, que passaram a tratar da matéria, em nada alterou a responsabilidade das entidades desportivas e o papel reservado às sociedades comerciais, conforme se verifica do disposto nos arts. 60 e 61 da Lei n° 9.615, de 1998: [...] 4. Entretanto, com o advento da Medida Provisória n° 1.926, de 22 de outubro de 1999 (DOU 25/10/1999), que acrescentou ao art. 61 da Lei n° 9.615, de 1998, o parágrafo único, abaixo transcrito, a responsabilidade tributária foi transferida da entidade desportiva para a sociedade comercial. (grifousei "Parágrafo único. Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e Fl. 421DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 16 encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade." 5. Cumpre salientar, conforme suscitado pela consulente, que esse dispositivo foi convertido no art. 4° da Lei n° 9.981, de 2000, a qual também convalidou os atos praticados com base na MP n° 2.0118, de 26 de maio de 2000 (reedição da citada MP n°1.926, de 1999). 6. Registrese ainda que os dispositivos constantes do Decreto n° 2.574, de 1998, que tratavam da exploração do bingo foram revogados pelo Decreto n° 3.659, de 14 de novembro de 2000, o qual passou a regulamentar a matéria, não tendo ocorrido, entretanto, qualquer alteração quanto à responsabilidade tributária. 7. Diante de todo o exposto, concluise que, a partir da publicação, em 25/10/1999, da MP n° 1.926, de 1999, por força do parágrafo único acrescentado ao art. 61 da Lei n° 9.615, de 1998 (posteriormente, art. 4° da Lei n° 9.981, de 2000), o pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas a exploração do jogo de bingo passou a ser de responsabilidade da empresa comercial que administra a atividade. Assim sendo, não procede a reclamação do autuado, uma vez que, desde a celebração do "Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação (S.C.P.)", entre o NACIONAL FUTEBOL CLUBE e o autuado, MILTON CARLINI, em 14 de fevereiro de 2000, já vigia o dispositivo de que "na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade". A outra alegação do impugnante é no sentido de que a Fiscalização deveria obedecer ao art. 2° da Lei n° 9.981/2000, que revogou o artigo 61 desta Lei somente a partir de 31 de dezembro de 2001 e respeitar as autorizações que estavam em vigor até a data de sua expiração, uma vez que o prazo da autorização concedida pela Caixa Econômica Federal para que o NACIONAL FUTEBOL CLUBE explorasse o Bingo Permanente expirava em 25/03/2002. Além disso, dispara a recorrente, a Caixa tinha conhecimento de que o NACIONAL FUTEBOL CLUBE era uma entidade esportiva e não foi exigido que esta tivesse atividade comercial, como quer impor a autoridade fiscal. [...] Entretanto,, o artigo 4° da Lei 9.981/2000 responsabiliza a empresa comercial que administra o jogo de bingo tãosomente quanto ao pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade, conforme já dispunha a MP n° 1926/1999. Ademais, segundo a legislação pertinente A exploração de jogos de bingo no Brasil, não há previsão legal Fl. 422DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 462 17 para que a CEF autorize para execução indireta do jogo do bingo uma empresa comercial que apenas administre o jogo. Assim, não procedem as alegações do impugnante de que a Fiscalização não obedeceu ao dispositivo do art. 2° da Lei n° 9.981/2000 e de que a concessão do jogo deveria ser dada a uma empresa comercial após a edição da Lei 9.981/2000. Alegação de erro na forma de tributação das receitas decorrentes da administração do bingo O recorrente questiona a correção da forma de tributação aplicada às receitas decorrrentes da administração do bingo (lucro presumido). Devese ter em conta que a pessoa física do recorrente, à época dos fatos, já se encontrava equiparada a empresa individual, em face da exploração de outra atividade, no caso "serviços de bar e restaurante", conforme "Declaração de Firma Mercantil Individual" (fls. 37/40). Por esta razão , as receitas provenientes da atividade de administração de bingo foram tributadas naquela empresa individual, de acordo com as regras do lucro presumido, pois esta foi a opção da empresa para os anoscalendário de 2001 e 2002 (conforme respectivas DIPJs, fls. 196248). Sobre o tema, é suficientemente clara a orientação constante do parágrafo único do art. 160 do RIR/99, verbis: Art. 160. As pessoas fisicas consideradas empresas individuais são obrigadas a: Parágrafo único. Quando já estiver equiparada à empresa individual em face da exploração de outra atividade, a pessoa fisica poderá efetuar uma só escrituração para ambas as atividades, desde que haja individualização nos registros contábeis, de modo a permitir a verificação dos resultados em separado, atendidas as normas dos arts. 161a 165. Concluise, portanto, que foi inteiramente correta a forma de tributação das receitas provenientes da prestação de serviços de administração e exploração do jogo de bingo na empresa individual Milton Carlini. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 423DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 18 Fl. 424DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902173/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 73 /2 00 9- 31 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910550/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 02/08/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.468
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 50 /2 01 1- 57 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.576, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/08/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000035/2007-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RECURSO ESPECIAL, DIVERGÊNCIA. MATERIALIDADE.
O reconhecimento do dissídio jurisprudencial requer que uma norma jurídica incidente sobre fatos semelhantes seja interpretada de forma diversa da que lhe tenha dado outro colegiado, a reclamar a uniformização da jurisprudência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o acórdão autoriza a interposição de embargos de declaração, mas não permite o conhecimento do recurso de divergência.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.561
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RECURSO ESPECIAL, DIVERGÊNCIA. MATERIALIDADE. O reconhecimento do dissídio jurisprudencial requer que uma norma jurídica incidente sobre fatos semelhantes seja interpretada de forma diversa da que lhe tenha dado outro colegiado, a reclamar a uniformização da jurisprudência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o acórdão autoriza a interposição de embargos de declaração, mas não permite o conhecimento do recurso de divergência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 35 /2 00 7- 22 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 16349.000035/200722 Acórdão n.º 9303005.561 CSRFT3 Fl. 1.673 2 Relatório Tratase de recurso especial (fls. 1.439 a 1.4451) interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3102001.722, de 30 de janeiro de 2013, fls. 1.423 a 1.437, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDÚSTRIAS COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. O contribuinte que apura Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial nos termos da Lei 10.925/04, não tem direito à correção dos valores correspondentes, por ausência de previsão legal. Inaplicável ao caso o precedente veiculado no Recurso Repetitivo n°. 1035847 decidido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à possibilidade de se proferir decisão extra petita em sede de julgamento de recurso voluntário. Em síntese, a decisão recorrida entendeu que o crédito presumido da atividade agroindustrial pode ser aproveitado em ressarcimento ou compensação, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho S/Nº 1ª Câmara, de 17/07/2015, fls.1.447 a 1.451. 1 A numeração das folhas referese à atribuída eletronicamente. Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 16349.000035/200722 Acórdão n.º 9303005.561 CSRFT3 Fl. 1.674 3 O interessado apresentou contrarrazões às fls. 1.644 a 1.670, por meio das quais, em preliminar, suscita a inadmissibilidade do apelo e, no mérito, insiste na correção da decisão recorrida na medida em que o aproveitamento do crédito está autorizado pela Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009, de aplicação obrigatória por força do REsp nº 1.137.738, decidido sob a sistemática do art. 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade Conforme relatado, a divergência suscitada pela PGFN diz respeito à possibilidade de o colegiado recursal analisar e decidir matéria que não lhe foi devolvida, em decisão extra petita. O recurso fazendário foi formulado tempestivamente e o instrumento foi bem formado. No entanto, sob o ponto de vista material, há óbice intransponível para o conhecimento do apelo, no que diz respeito à divergência quanto à possibilidade de proferição de decisão extra petita. Observese que, enquanto o Acórdão nº 930301.705, de 5 de outubro de 2011, indicado como paradigma, debruçase sobre decisões (recorrida e paradigma) que se pronunciaram expressamente sobre a possibilidade de reconhecimento ex officio da necessidade de prévia lavratura de auto de infração para acréscimo de débitos na apuração do saldo credor passível de ressarcimento da contribuição nãocumulativa, a decisão ora recorrida nada referiu quanto à possibilidade de enfrentar matérias não ventiladas no recurso voluntário. Abordou a inovação legislativa introduzida pela Lei nº 12.058, de 2009, limitandose a reconhecer que a matéria não havia sido referida no corpo do Recurso Voluntário, mas apenas arguida pelo Patrono da Recorrente, diretamente da tribuna. Fêlo, no entanto, sem emitir juízo valorativo quanto a essa possibilidade. Digno de nota, a decisão recorrida não foi embargada, quanto a essa omissão de fundamentação. O prequestionamento é um requisito de admissibilidade específico dos recursos do gênero extraordinário, que se destinam à tutela do direito objetivo, ou seja, a uniformização do entendimento, em território brasileiro, de como devem ser aplicadas as normas federais infraconstitucionais. Tal pressuposto exige que a violação legal apontada conste na decisão recorrida, caso contrário o órgão ad quem não terá como verificar a correta aplicação à causa. O prequestionamento deve ser expresso, de molde a exigir que a decisão impugnada verse a respeito da questão infraconstitucional controvertida de modo inequívoco ou, ao menos, fazer referência ao dispositivo que regula a matéria impugnada na análise do recurso. É nesse sentido a lição do Min. Marco Aurélio, in verbis (sublinhei): Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 16349.000035/200722 Acórdão n.º 9303005.561 CSRFT3 Fl. 1.675 4 Dizse prequestionada determinada matéria quando o órgão julgador haja adotado entendimento explícito a respeito, incumbindo à parte sequiosa de ver a controvérsia guindada à sede extraordinária instálo a fazêlo. (Ag. 1432420SP, STF, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU. 3.8.1.993, p. 14.445, sublinhei) A propósito, remeto a recorrente ao julgado pelo Acórdão CSRF/0105.720 no recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 10514.037: RECURSO DE DIVERGÊNCIA. O reconhecimento do dissídio jurisprudencial requer que uma norma jurídica incidente sobre fatos semelhantes seja interpretada de forma diversa da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, a reclamar a uniformização da jurisprudência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o acórdão autoriza a interposição de embargos de declaração, não podendo o recurso de divergência ser acolhido como embargos, se interposto fora do prazo de 5 (cinco) dias previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. A possibilidade de apreciação de arguição de decisão extra petita não foi prequestionada, o que inviabiliza a sua discussão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que não é uma Terceira Instância de Julgamento, mas sim uma Instância Especial, cuja atribuição é a uniformização da jurisprudência do CARF. Com efeito, não há que se falar em "reexame" pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, se a matéria sequer foi examinada no acórdão recorrido, tampouco fora suscitada em sede de embargos de declaração. Cabe registrar, por fim, que o efeito devolutivo profundo não tem aplicação em sede de juízo especial, haja vista a competência exclusiva de harmonização da divergência da CSRF. Conclusão Com essas considerações, meu voto é por que não se conheça do recurso especial fazendário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1675DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727891/2012-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa.
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO.
Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
Numero da decisão: 1001-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 91 /2 01 2- 58 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 86 2 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0351.064, de 28/02/2013 (efls. 48/54), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 24) com a exigência do crédito tributário no valor de R$10.000,00 a título de multa de ofício isolada por dois meses de atraso na entrega em 28/08/2012 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 30/06/2012. O lançamento teve o seguinte enquadramento legal: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57, inciso I, da Medida Provisória 215835/01; e art. 2º da Instrução Normativa RFB 967/09. Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Inconformada com a presente exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação ao lançamento arguindo a nulidade da Notificação de Lançamento por não atender aos requisitos do art. 11 do Decreto 70.235/72, além do fato da exigência fiscal, criada a partir de março de 2011, aplicarse retroativamente a todo o ano de 2011. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 87 3 Nesse sentido, discorre: “Por outro lado, ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por vício formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso. Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do ar. 59, II, do Decreto 70.235/72.” Observa que a apresentação do FCONT era obrigatória, conforme IN RFB 967/2009 e 970/2009, apenas quando houvesse a situação da empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária em vigor no dia 31/12/2007, conforme exigência do RTTRegime Tributário de Transição. A exigência da apresentação do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.139, de 28/03/2011. Considerando o princípio da anualidade, as obrigações principal e acessória somente podem ser exigidas a partir do exercício seguinte ao de sua instituição ou alteração. No caso, com o FCONT apresenta informações para período anual, a norma editada em março de 2011 somente poderia vigorar para fatos geradores a partir de 2012. Ressalta que a multa em questão não foi criada por lei, sendo que a art. 16 da Lei nº 9.779/99 diz apenas que a Receita Federal poderá criar obrigações acessórias, entendendo ser necessária uma norma legal específica, conforme preceitua a própria Constituição federal em seu art. 5º, inciso II. Assim o ato é nulo de pleno direito, porque não atende ao que a legislação fiscal determina para sua natureza, infringindo preceitos de ordem pública (art. 37 da Constituição Federal) e princípios claros de Direto Tributário. No mérito alega, em síntese; que apresentou a Controle Fiscal Contábil de TransiçãoFCont em atraso, porém espontaneamente, conforme disciplinado no art. 138 do CTN. Nesse sentido, cita doutrinadores e vasta jurisprudência. Discorre sobre as infrações de natureza continuada, e registra que: “No caso presente, o fato gerador tributário constituise apenas um fato gerador conforme indicado na Notificação, qual seja, “a falta de apresentação no prazo do FCONT.” [...] A aplicação de várias multas como realizado neste Auto de Infração, uma para cada mês de atraso, contraria o Direito Pátrio, merecendo sua nulidade.” Destaca as dificuldades para preenchimento do FCONT, erros nas versões dos programas geradores de declaração e de validações eletrônicos disponibilizados. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 88 4 Por fim, ressalta a onerosidade excessiva do valor da multa, ante a vedação da utilização de tributo como forma de confisco, de acordo com art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerando que empresa entregou suas Declaração do Imposto de Renda da Pessoa JurídicaDIPJ pelo critério do lucro real, e que efetuou a entrega da escrituração Fcont de forma espontânea, ou seja, antes de qualquer procedimento de ofício, julgou procedente em parte o lançamento, com a redução da multa, conforme parte final do voto, a seguir transcrita: Desta forma, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra “c”, do Código Tributário NacionalCTN, a lei nova aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Como a interessada apresentou sua última Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ (fls.47) apurando lucro real, deve a multa objeto do presente processo ser ajustada para o montante de R$ 3.000,00, previsto na alínea “b”, do inciso I, do art. 57 da Medida Provisória 2158 35/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766/2012, e com a redução prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo, resultando no montante de R$ 1.500,00. Eis a ementa do Acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 89 5 normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. Ciente da decisão de primeira instância em 22/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 58, a recorrente apresentou recurso voluntário em 20/08/2013 (efls. 59/82), conforme carimbo de recepção à efl. 59. No recurso interposto, a recorrente apresenta os argumentos apresentados em sede de primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Tratase de uma repetição dos argumentos apresentados em sede de primeira instância. Estes argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 90 6 que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Preliminarmente não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/19972, foram observados na ocasião da lavratura do auto de infração, verbis: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Além disso, o art. 59 do referido decreto, que regula o Processo Administrativo Fiscal, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Registrase que a preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura da notificação de lançamento, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada, como no caso. E mais, o impugnante articulou perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. No presente caso, não foi negado ao contribuinte o direito de discordar com a autuação. De fato, com a apresentação da impugnação ao lançamento, conhecida e ora analisada, foi dado ao requerente a oportunidade de defenderse e mais, foilhe também garantido o direito de ter suas razões analisadas pelo órgão revisor. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), rejeitamse a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. No entanto, a recorrente questionou a decisão da DRJ, nos seguintes pontos: Primeiro, alega que "A impugnação apresentou algumas deficiências na Notificação do Lançamento fiscal, especialmente na capitulação legal da legislação que foi Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 91 7 aplicada na autuação, no entanto, a r. decisão a quo não levou em consideração essa situação, que sem sombras de dúvidas implica num cerceio de defesa". Este ponto foi questionado pela recorrente em relação ao mérito e será objeto de análise mais adiante. Segundo, alega que a decisão, ao afirmar que não existe o cerceio de defesa, "contraria frontalmente os princípios de Direito da Administração, com supedâneo no art. 37 da Constituição Federal e que foi regulamentado na Lei n° 9.784/99, disciplinando o Processo Administrativo Federal". E acrescenta: Portanto, cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, mas qualquer outra que tolhe do contribuinte a informação necessária à sua ampla defesa e do contraditório. São princípios do Direito. Nesse aspecto, o procedimento fiscal é deficiente e nulo de pleno direito, conforme foi fundamento na Impugnação e que será demonstrado em outros pontos do presente recurso. A recorrente não apontou, objetivamente, quais as outras questões que foram deficientes na autuação ("...cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, MAS QUALQUER OUTRA..."). Tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, alegou suposta deficiência nas exigências do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, o que foi objeto de análise da DRJ e não merece reparos. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), REJEITO A PRELIMINAR de nulidade argüida pelo interessado. Com relação à lide propriamente dita, com os mesmos os argumentos apresentados em sede primeira instância, a recorrente alega dificuldades para preenchimento do FCONT; ilegalidade e irretroatividade da norma, não obrigatoriedade de entrega da FCONT, infração continuada, espontaneidade do contribuinte e onerosidade excessiva da multa. No tocante ao instituto da denúncia espontânea, sustentando ser o mesmo plenamente aplicável à hipótese de que se trata, é de se ressaltar que, embora a contribuinte tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, verbis: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 92 8 Ou seja, a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. Por fim, a acrescentar, em relação ao instituto da denúncia espontânea, tema que versa os autos, suscitado pela recorrente, é respaldado por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. A seguir, insurgese a recorrente contra os valores das multas aplicadas, contra a onerosidade excessiva da multa, que por isto estaria ferindo os princípios da razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade e do não confisco tributário. Por sua ótica, esses montantes teriam efeito confiscatório, afrontando assim o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 93 9 constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a Súmula nº. 02 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 2 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em inconstitucionalidade de lei. Quanto aos demais questionamentos, temse que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A multa em análise encontra fundamentação legal no artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, e no art. 57, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, com a redação vigente à época, abaixo reproduzidos: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados;” Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113 do Código Tributário Nacional). As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 94 10 autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal (art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional). Sobre a matéria, a Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, estendeu às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras e ao critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, alterando a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007. O RTT terá eficácia até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Será optativo nos anoscalendário de 2008 e 2009 e obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do IRPJ apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Para fins da escrituração contábil os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em (a) livros ou registros contábeis auxiliares; ou (b) livros fiscais (art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) decorre, basicamente, do Regime Transitório de Tributação (RTT) e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real, as quais dependem de escrituração contábil e, por conseguinte, estão obrigadas à entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, instituiu o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares no art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Esse controle é uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. A Instrução Normativa RFB, nº 949, de 16 de junho de 2009, que regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, em sua redação original, determinava que: Art. 2º As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. [...]Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 95 11 Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, que aprova o programa Validador e Assinador da Entrega de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT, em seu art. 2º, assim estabelece: Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.272, de 4 de junho de 2012) § 1º Excepcionalmente para dados relativos ao anocalendário de 2008, o prazo a que se refere o caput será encerrado às Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 96 12 23h59min (vinte e três horas e cinquenta e nove minutos), horário de Brasília, do dia 30 de novembro de 2009. § 1º Excepcionalmente para dados relativos ao anocalendário de 2008, o prazo a que se refere o caput será encerrado às 23h59min (vinte e três horas e cinquenta e nove minutos), horário de Brasília, do dia 18 de dezembro de 2009.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 975, de 7 de dezembro de 2009 ) § 1º Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, o FCont deverá ser entregue pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e incorporadoras até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.272, de 4 de junho de 2012 ) § 2º Para os casos de cisão, cisão parcial, fusão, incorporação ou extinção ocorridos em 2009 e em 2010, até o mês anterior ao prazo final da apresentação da DIPJ do exercício de 2010 (DIPJ 2010, anocalendário 2009), a apresentação dos dados a que se refere o art. 1º deverá ocorrer no mesmo prazo fixado para apresentação da DIPJ 2010. § 2º Excepcionalmente para dados relativos ao anocalendário de 2009, o prazo a que se refere o caput será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia 30 de julho de 2010. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.046, de 24 de junho de 2010 ) (grifei) § 2º O prazo para entrega do FCont será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia fixado para entrega da escrituração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.272, de 4 de junho de 2012) (...) Como se observa, a legislação tributária estabelece que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999 (dentre as quais se insere a não apresentação da escrituração FCONT), até o prazo fixado para a sua entrega, gera multa de R$5.000,00 por mêscalendário de atraso ou fração (posteriormente alterada para R$1.500,00, pela Lei nº 12.766/2012). Isto significa a aplicação de uma multa de R$1.500,00 que se acumula com periodicidade mensal. A intenção do legislador é forçar a entrega da declaração o quanto antes, cominando multa que é majorada a cada mês (para cada mês de atraso somase uma nova multa). Logo, depreendese, que a multa prevista no art. 57, inciso I, da MP nº 2.158 35, de 2001, deve ser aplicada cumulativamente a cada mêscalendário que decorrer sem a entrega de declaração. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.727891/201258 Acórdão n.º 1001000.041 S1C0T1 Fl. 97 13 Assim, tendo a sido o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT previsto desde 2009 e a multa sido lançada com fulcro em bases legais e normativas vigentes à época da notificação de lançamento, portanto, não havendo que se falar em retroatividade da norma. Também não procede a alegação da não obrigatoriedade de entrega da FCONT, conforme exposto acima e transcrição de excerto da legislação, feita pela própria recorrente em sua peça postulatória (IN n° 1.139, de 28.03.2011, art. 8º, § 4º), verbis: A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.139, de 28 de março de 2011). (grifo no original) Temse, ainda, que nos estritos termos legais, o procedimento fiscal está em conformidade com o princípio da legalidade, a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Por todo o exposto acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.010099/2001-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 04/09/2000
MULTA DO ART. 45, I, DA LEI Nº 9.430/96. INAPLICABILIDADE À IMPORTAÇÃO.
A penalidade prevista no art. 45, inciso I, da Lei nº 9.430/96 não é aplicável aos casos de importação de mercadorias, como é o caso dos autos, mas tão somente para operações internas com incidência de IPI.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA.
A reclassificação fiscal de mercadoria importada, por si só, não enseja a aplicação da multa por importação sem guia de importação ou documento equivalente (a licença de importação, no caso dos autos). Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeterem-se ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrando-se as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de guia de importação ou documento equivalente - licença de importação - decorrente de erro na classificação fiscal.
Numero da decisão: 9303-006.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/09/2000 MULTA DO ART. 45, I, DA LEI Nº 9.430/96. INAPLICABILIDADE À IMPORTAÇÃO. A penalidade prevista no art. 45, inciso I, da Lei nº 9.430/96 não é aplicável aos casos de importação de mercadorias, como é o caso dos autos, mas tão somente para operações internas com incidência de IPI. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA. A reclassificação fiscal de mercadoria importada, por si só, não enseja a aplicação da multa por importação sem guia de importação ou documento equivalente (a licença de importação, no caso dos autos). Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeteremse ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrandose as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de guia de importação ou documento equivalente licença de importação decorrente de erro na classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 00 99 /2 00 1- 18 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 342 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 236 a 259), com fulcro no art. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 310100.330, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 04/02/2010 (fls. 222 a 233), que deu provimento parcial ao recurso voluntário, com fundamentos sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/09/2000 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Consoante posição consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça, a alegação de prescrição intercorrente não merece prosperar, porquanto o respectivo prazo só tem inicio a partir da constituição definitiva do crédito tributário, nos exatos termos do art. 174 do Código Tributário Nacional, e isso somente ocorrerá com a definitividade da decisão administrativa deste contencioso. IPI VINCULADO A IMPORTAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. O erro de classificação tarifária de mercadoria submetida a despacho aduaneiro ou na importação submetida à revisão aduaneira não constitui infração punível com multa de oficio do IPI, quando a mercadoria estiver corretamente descrita, corn todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 343 3 MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Incabível a exigência da penalidade prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, uma vez que a descrição da mercadoria efetuada pelo importador apresentou todos os elementos necessários para a sua perfeita identificação e classificação tarifária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, 1) por unanimidade de votos, em negar provimento a preliminar de prescrição intercorrente; 2) no mérito, por maioria de votos, em afastar a multa de IPI. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Relator) e Henrique Pinheiro Torres; e 3) por unanimidade de votos, cm afastar a multa administrativa de controle de importação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Por bem retratar os fatos que deram origem ao presente processo administrativo, adotase o relatório da decisão recorrida, em parte citando o relatório da decisão proferida pela DRJ, com os devidos acréscimos, in verbis: [...] Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo dos lançamentos consubstanciados nos autos de infração às fls. 01 a 12 e 13 a 16, por meio dos quais foram formalizadas as seguintes exigências: a) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado à importação no valor de RS 586.717,95, acrescido dos juros de mora no valor de R$ 90.823,93 (calculados. até 28/09/2001) e da multa de lançamento de oficio no percentual de 112,5% (cento e doze e meio por cento) do IPI devido, nos termos do art. 80, I da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, com a redação dada pelo art. 45 c/c o art. 46 da Lei n" 9.430, de 27/12/1996, no valor de R$ 660.057,69; b) multa por infração administratira ao controle das importações —fura de Licença de Importação (LI) no valor de R$ 3.520.307,71, nos termos capitulados no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto nº 91.030 de 05/03/1985, tendo por base legal o art. 169, I, alínea "b", do Decretolei n°37 de 18/11/1966, alterado pelo art. 2º da Lei nº 6.562 de 18/09/1978. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 344 4 Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 02 a 10 e 15 a 16) o motivo da autuação deveuse ao fato de a fiscalização, em ato de revisão aduaneira do despacho de importação inerente à DI nº 00/08147455, de 29/08/2000, haver entendido que o bem importado descrito pela autuada corno: "AERONAVE BEECHJET, MODELO 400A, S/N: RK 258, PREFIXO N40215, EQUIPADO", na verdade, face as suas características, deve ser classificado na NCM 8802.30.31, e não no código NCM 8802.30.90, classificação fiscal esta declarada pela importadora por ocasião do registro da referida DI (o ingresso do bem no Pais se deu sob o regime especial de admissão temporária). Discorrendo acerca dos fatos que nortearam a ação fiscal, as autoridades lançadoras destacaram ainda que: tratase de uma aeronave BEECHJET, Modelo 400 A, SN RK 258, ano de fabricação 1999, equipada, pesando 4.730 Kg quando vazia, provida de motor turbojato em cujo interior se integra unia ventoinha ou 'fan"; as aeronaves encontramse posicionadas na Tarifa Externa Comum de acordo com seu peso e seu modo de propulsão, sendo que a força motriz de uma aeronave pode ser obtida através de diversos sistemas de propulsão (a hélice, a turboélice, a turbojato, a turboeixo, a estatoreator, a pulsoreator, entre outros), não existindo um sistema de propulsão denominado 'fan'; 'fan" ou "ventoinha" consiste em um incremento técnico utilizado para otimizar o funcionamento de alguns sistemas de propulsão, apresentando se sempre acompanhando estes sistemas, auxiliandoos através da ampliação da admissão de ar; a aeronave objeto dos autos é popularmente conhecida como "turbofan", onde o 'fan" apresentase acompanhando um "turborreator", otimizando seu funcionamento através da economia de combustível proporcionada, juntamente com a diminuição do ruído do motor, bem como pelo incremento de sua força motriz; o modo de propulsão de um aeronave provida de um aeronave provida de "turborreator" é denominado "propulsão turborreator" ou "a turbojato", sendo tais expressões sinônimas; a definição de "turborreator/turbojato" dada pela NESH faz menção a "ventoinha" como um incremento do conjunto, podendo, portanto, o "turborreator/turbojato" apresentarse provido ou não de qualquer característica adicionada; todavia, se desprovido, é conhecido como jato puro; por outro lado, quando o "turborreator/turbojato" vem acompanhado, por exemplo, de um "fan" ou "ventoinha", é denominado como de fluxo duplo, também conhecido, popular e comercialmente como "turbofan"; as Notas Explicativas do sistema Harmonizado NESH, adotadas internacionalmente através da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, a qual o Brasil é signatário, define "turborreator" como sendo um sistema propulsor composto de um conjunto compressorturbina, uni sistema de combustão e uma tubeira, salientando que esse mesmo conjunto pode apresentarse Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 345 5 provido de um "fan" ou "ventoinha", dotada da capacidade de otimizar seu funcionamento, proporcionando ao conjunto economia de combustivel, diminuição de ruído e aumento da força motriz, sendo que o mesmo entendimento se pode ter da leitura da versão inglesa das NESH reproduzida nos autos; temse, em conclusão, que uma aeronave provida de um "turborreator", ainda que com um "fan" adicionado, caracterizase como de propulsão "a turborreator ou turbojato"; para a classificação fiscal da mercadoria importada fazse necessária a sua perfeita identificação; isto feito, partese para a localização da descrição que lhe é. mais adequada dentro da Nomenclatura Comum do Mercosul (ACM), que é baseada no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadoria (SH), e assim, atribuindolhe um código numérico através do qual ela será posicionada na Tarifa Externa Comum — TEC, para, ao final, serem aplicadas as alíquotas do II e do IPI correspondentes; a aeronave em questão tem seu peso entre 2.000 e 15.000 Kg, encontrandose, por conseguinte, abrangida pela subposição 8802.30 — "AVIÕES E OUTROS VEÍCULOS AÉREOS, DE PESO SUPERIOR A 2.000 Kg, MAS NÃO SUPERIOR A 15.000 kg, VAZIOS "; a aeronave cujo motor esteja dotado de "fan", popularmente denominada "turbofan", não pode ser classificada na NCM 8802.30.90 — "Outros", pois referida classificação é reservada a aeronaves com "outros" modos de propulsão, tais como: o estatoreator, o pulsoreator, o turboeixo; por se tratar de aeronave a "turbojato" ou "turborTeator", qual existe um enquadramento específico, e pelo fato de seu peso não exceder 7.000 kg quando vazia, o bem importado deve ser classificado na NCAI 8802.30.31. Em seguida, após transcrever trecho do Parecer Normativo COSIT nº 03, de 13/03/1992, e citar ementas de decisões e/ou acórdãos proferidos no âmbito da Receita Federal do Brasil e do Terceiro Conselho de Contribuintes, cujos conteúdos referendariam o entendimento adotado na autuação, a fiscalização conclui pela exigência da diferença de alíquota de IPI que deixou de ser recolhida por ocasião do registro c/a respectiva DI c/c admissão temporária do bem importado, sendo considerado no calculo do valor devido a proporcionalidade entre a vida útil do bem e o tempo de permanência deste no Pais. Quanto à multa por falta de Licença de Importação (LI), assevera a fiscalização que a autuada classificou erroneamente o bem importado, e deste erro decorre também a infração prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. Segundo os autuantes a Licença de Importação obtida pela importadora, e vinculada à DI objeto da autuação, "corresponde a unia mercadoria cujo NCM é 8802.30.90, quando na realidade foi apurado, em ato de revisão aduaneira, tratarse de outra mercadoria, cujo NCM é 8802.30.31". Ainda a respeito, destacam ser inaplicável ao caso o disposto no Ato Declaratório Normativo nº 12, de 21/01/1997, visto que a descrição da mercadoria na DI carece de elementos imprescindíveis a sua correta identificação e Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 346 6 enquadramento tarifário, na medida em que não faz referencia ao modo de propulsão e ao peso da aeronave. Da impugnação Cientificada dos lançamentos em 22/10/2001 (Aviso de Recebimento AR à fl. 116), a autuada apresentou peças de impugnação em 21/11/2001, conforme documentação às fls. 117/133 e 144/160, com idêntico teor, onde, após breve exposição dos fatos que nortearam as exigências do Fisco, expõe suas alegações de defesa, conforme a seguir resumidas: com base em acórdão do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, assevera que não restou cabalmente comprovada pela fiscalização, no auto de infração, a classificação errônea da aeronave objeto da lide, pois o simples cotejo das Regras para Interpretação do Sistema Harmonizado não é suficiente para descaracterizar a mercadoria importada; a mercadoria em questão foi submetida ao canal vermelho, ou seja, submetida ao exame documental e físico, e posteriormente liberada, o que demonstra sua correta classificação; incabível a multa de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) exigida no lançamento, visto que todas as intimações emitidas pelo Fisco foram respondidas, por escrito, conforme se depreende das cópias destes documentos e das respectivas respostas, todas protocolizadas junto à repartição fiscal competente; nos termos do art. 80, inciso I da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 c/c art. 46 da Lei n" 9.430/96, a multa de oficio é devida pela falta de recolhimento ou recolhimento com atraso do 1PI lançado na nota fiscal, situação esta totalmente diversa da tratada no auto de infração em questão, relativamente ao IPI não recolhido; em ato de revisão aduaneira, ao dar outra classificação fiscal à mercadoria importada, a fiscalização modificou a decisão da autoridade que efetuou o despacho e o desembaraço aduaneiros do bem, não sendo procedente, nessas circunstâncias, penalizar o importador, em decorrência da mudança de entendimento anteriormente acolhido e ratificado; o ADN COSIT nº 10/97 retira, por definitivo, qualquer dúvida porventura existente acerca da ilegalidade do agravamento da multa para 112,5%; a afirmação da fiscalização de que teria sido importada mercadoria diversa daquela objeto da LI em destaque não encontra respaldo na legislação de regência, mesmo porque, no presente caso, a importação atendeu rigorosamente a todas as exigências de controle administrativo, não ensejando qualquer dúvida de que a mercadoria submetida a despacho aduaneiro é a mesma constante da LI e dos demais documentos que a instruíram; o ADN' COSIT nº 12/97 não se presta a amparar a penalidade imposta pela fiscalização, visto tratar o referido ato de importação em que se exige novo licenciamento, situação diversa da ocorrida nos autos; Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 347 7 os atos normativos citados pelas autoridades .fiscais (ADN COS1T 17" 05/97 e 12/97) são considerados normas complementares da legislação e ten: como escopo interpretar a lei, devendo, desta forma, obedecer aos limites nela estipulados, e jamais, ultrapassálos, sendo, portanto, inadmissível a imposição de penalidade sob a mera alegação de que referidos atos disciplinam a infração e não são aplicáveis ao caso em discussão, não podendo, ainda, ser ignorada a determinação do art. 97, inciso V do CTN; foram atendidos todos os requisitos para obtenção da Licença de Importação não automática, bem como foram obtidas as anuências da COTAC e do DECEX, que dizem respeito importação de ulna aeronave, de modelo específico, identificada por número de série exclusivo e com prefixo único, individual, elementos que tornam impossível tal aeronave ser confundida com qualquer outra; a especificação do produto importado está elaborada com riqueza de detalhes suficientes para o seu enquadramento na TEC/TIPI, pois o peso da aeronave está indicado em campos próprios da LI e da DI, e o modelo da aeronave identifica o modo de propulsão, por "turbofan", excluindoa da categoria de aviões a hélice ou turboélice e mesmo, turbojato, sendo descabida a afirmação das autoridades fiscais de que a indicação destes elementos (peso e modo de propulsão) deveria constar da descrição do produto; os procedimentos de importação realizaramse sob os controles administrativo e .fiscal, sendo que em nenhum momento os diferentes órgãos envolvidos efetuassem qualquer observação, por menor que fosse, à identificação do produto importado em confronto com a descrição contida nos documentos pertinentes importação. Ao final, a impugnante requer que sejam considerados seus argumentos de defesa, para anulação dos referidos autos de infração, ou senão for este o entendimento do órgão julgador, que sejam então excluídas da exação .fiscal as multas aplicadas (30% e 112,5%). A DRJ em FORTALEZA/CE julgou procedente em parte o lançamento, lançando a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 04/09/2000 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 146 do CTN, não constitui mudança de critério jurídico a alteração de oficio procedida pela autoridade fiscal, em ato de revisão aduaneira, no código NCM declarado pela importadora. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do Fato Gerador: 04/09/2000 REVISÃO ADUANEIRA APÓS O DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 348 8 O desembaraço aduaneiro da mercadoria não implica homologação dos atos praticados pelo importador. Configurada a divergência na classificação fiscal das mercadorias importadas, é cabível a revisão aduaneira e o correspondente lançamento de oficio, desde que não tenha decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AERONAVE DE PESO SUPERIOR A 2.000KG E NÃO EXCEDENTE A 7.000KG PROVIDA DE MOTOR TURBOJATO. Classificamse no código 8802.30.31 as aeronaves que utilizam turborreatores (turbojatos), incluídos os "turbofan", e cujo peso seja superior a 2.000Kg, mas não excedente a 7.000Kg, por força das Regras Gerais de Interpretação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/09/2000 MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Cabível a exigência da penalidade prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, vez que a descrição da mercadoria efetuada pelo importador não apresentou todos os elementos necessários e imprescindíveis para sua perfeita identificação e classificação tarifária. Na hipótese dos autos, o enquadramento tarifário envolve, além da indicação do peso da aeronave, seu sistema de propulsão ("turbofan'). MULTA DE OFICIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A falta do pagamento do imposto no prazo legal enseja a aplicação objetiva da multa no percentual de 75%. MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO EM 50%. INAPLICABILIDADE Incabível o agravamento da multa de oficio quando não configurada a situação definida em lei para sua imposição. Lançamento Procedente em Parte. Discordando da decisão de primeira instancia, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 203 e seguintes, onde até concorda com a exigência da diferença do IPI, em virtude da reclassificação fiscal, entretanto, alega prescrição intercorrente, carência de base legal para exigência da multa do IPI e falta de base fática para a multa do controle administrativo das importações. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado cio Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 212. [....] Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 349 9 Sobreveio decisão de parcial provimento do recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 310100.330, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 04/02/2010 (fls. 222 a 233), ora recorrido, para afastar a multa de ofício do IPI vinculado à importação e afastar a multa administrativa de controle de importação. O Colegiado a quo entendeu estar a mercadoria importada corretamente descrita, não havendo a descaracterização das operações originais e não havendo necessidade de novo licenciamento, por isso afastou as penalidades. Não resignada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 236 a 259) suscitando divergência jurisprudencial com relação ao afastamento da multa de ofício do IPI e da multa do controle das importações. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 30330.795, 30238.062 e 30238.915, este último para ambas as divergências. Embora tenha tratado como uma única matéria, a análise restou devidamente segmentada no despacho de admissibilidade do apelo especial. Foi admitido parcialmente o recurso especial, nos termos do Despacho nº 3100151, de 12 de abril de 2012 (fls. 303 a 309), pois comprovada a divergência jurisprudencial tão somente em relação ao tópico da multa de ofício do IPI vinculado à importação, por declaração inexata da mercadoria. Nas razões recursais, quanto ao tópico que teve seguimento na análise da admissibilidade multa de ofício do IPI vinculado à importação , aduz a Fazenda Nacional, em síntese, que: (a) O Contribuinte informou na DI a importação de “Aeronave Beechjet, modelo 400A, SN: RK258, Prefixo N40215, Equipado” e classificoua na posição NCM 8802.30.90. Em sua descrição deixou de mencionar duas características, no seu entender, essenciais para identificação e classificação da mercadoria importada: peso e modo de propulsão; (b) Não pode prevalecer o cancelamento da multa de ofício, pois a mercadoria não foi descrita corretamente, conforme exige o Ato Declaratório Cosit nº 10, para o afastamento da penalidade prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96; (c) Somente com o procedimento de revisão aduaneira foi possível comprovar que a descrição nas declarações de importação das mercadorias não correspondiam àquelas efetivamente importadas, não tendo sido declarado corretamente, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário; (d) Por fim, requer seja provido o recurso especial e restabelecida a multa de ofício. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 324 a 333) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, a sua negativa de provimento. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 350 10 Na data de 27/06/2012, o crédito tributário relativo ao IPI vinculado à importação lançamento de ofício (principal) foi transferido para o processo administrativo nº 10680723.783/201297, remanescendo nestes autos a discussão quanto à multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, a insurgência da Recorrente dáse face ao afastamento da multa de ofício do IPI não declarado em nota fiscal, aplicada no auto de infração com fulcro no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com redação dada pelos artigos 45 combinado com 46, ambos da Lei nº 9.430/96, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, in verbis: Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. Art. 46. As multas de que trata o art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 351 11 (grifouse) No acórdão de julgamento de impugnação, a qualificação da referida multa para 112,5% foi afastada, e reduzida a penalidade ao montante de 75% (setenta e cinco por cento), pois não se verificou nos autos a situação definida em lei para sua aplicação. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte sustenta o afastamento da referida multa pois a mesma seria aplicável somente nas operações internas, não se aplicando às importações pois exige a emissão de notas fiscais. No voto vencedor do acórdão de julgamento de recurso voluntário, o Conselheiro Relator decidiu por afastar a penalidade sob o fundamento de que a mercadoria teria sido descrita de forma correta na declaração de importação, ensejando a aplicação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10/1997, que trata de penalidades diversas daquela fixada nos presentes autos, quais sejam, das multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218/91 e no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A premissa adotada no voto vencedor – de que a multa de ofício do IPI vinculado à importação por conta de erro na classificação fiscal do produto – está em descompasso com a fundamentação legal dos autos. Verificase, portanto, estarse diante de decisão que decide a lide fora dos seus limites, a qual fica eivada do vício de nulidade por se caracterizar o erro in procedendo. No entanto, tendo em vista que a matéria foi exaustivamente debatida nos autos e em razão dos princípios da economia processual e da celeridade processual, no julgamento do recurso especial adentrarseá ao mérito. A penalidade prevista no art. 45, inciso I, da Lei nº 9.430/96 não é aplicável aos casos de importação de mercadorias, como é o caso dos autos, mas tão somente para operações internas com incidência de IPI, consoante já decidido pelo outrora 3ª Conselho de Contribuintes nos termos do acórdão nº 30237.197, cuja ementa foi redigida nos seguintes termos: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA DE MERCADORIA. A melhor classificação tarifária para o produto identificado comercialmente como “switching hub” é no código NCM 8471.80.19, conforme indicado pelo Fisco. MULTA DO ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/96. Incabível a sua aplicação quando a infração limitase á indicação errônea da classificação tarifária aplicandose, por analogia, o disposto no Ato Declaratório Interpretativo (ADI), SRF nº 13, de 10/09/2002 MULTA DO ART. 45, DA LEI Nº 9.430/96 Não se cogita, no caso do IPI – vinculado, com fato gerador ocorrendo na data do desembaraço aduaneiro da mercadoria importada, da emissão de nota fiscal, inexistindo determinação legal que ampare a sua equiparação à declaração de importação.Incabível a penalidade estabelecida na Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45, da Lei nº 9.430/96.Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. JUROS PELA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora calculados com a Taxa SELIC tem previsão legal na Lei nº 9.430/96. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 352 12 No caso em apreço, portanto, há de ser mantido o afastamento da multa por falta de licença de importação pois, embora tenha sido autuada, a Contribuinte atendeu a todos os requisitos para a licença nãoautomática da importação, exigida quando há mudança de classificação fiscal que dê ensejo a um novo procedimento de licenciamento. Assim, há de ser mantido o resultado da decisão recorrida no sentido de afastar a penalidade, pois a reclassificação fiscal da mercadoria não ocasionou prejuízo ao controle das importações, uma vez cumpridos os requisitos pela importadora. Nesse sentido, decidiu esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme argumentos lançados no Acórdão nº 9303005.873, e que passam a integrar o presente julgado, in verbis: [...] Em decorrência da reclassificação fiscal dos equipamentos importados, foi considerada a mercadoria como importada sem licenciamento, motivando a cominação da multa do art. 169, inciso II do Decreto nº 37/66, com redação da Lei nº 6562/78, e regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto nº 91.030/85), cujo fato típico é a falta de guia de importação ou documento equivalente. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para afastar a penalidade cominada, sob o fundamento de que a guia e a licença de importação têm naturezas diversas, sendo equivocada a aplicação da penalidade em referência no caso concreto, pois a conduta de importação de mercadoria desamparada da licença de importação não se subsume ao comando normativo que estabelece a multa. Delimitada a discussão de mérito a ser enfrentada no presente recurso especial, a fundamentação a ser explicitada demonstrará não assistir razão à Recorrente, devendo ser mantida a decisão proferida pelo Colegiado a quo ainda que por fundamentos diversos que houve por bem afastar a multa do art. 169, inciso I, alínea "b" do Decreto nº 37/66, regulamentado à época pelo art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto nº 91.030/85), cuja redação é a seguinte: Decretolei n.º 37/66 Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 353 13 [...] b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Regulamento Aduaneiro de 1985 Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6.562/78, art. 2º): [...] II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; [...] Importa registrar o entendimento majoritário desta 3ª Turma da CSRF no sentido de que a guia e a licença de importação são documentos equivalentes, razão pela qual se mantém a decisão recorrida, no entanto, por fundamento diverso. No caso em apreço, a reclassificação fiscal da mercadoria não implicou em mudança na forma de licenciamento da mercadoria importada, não se caracterizando a ocorrência de infração administrativa. Isso porque a Fiscalização não demonstrou ser necessária, sob o novo código de classificação fiscal, a apresentação de licença/guia de importação ou documento equivalente, razão pela qual não se pode punir o Contribuinte por uma exigência inexistente. Nessa esteira, por meio da classificação fiscal da mercadoria determinase a necessidade ou não de licenciamento de importação e, caso positivo, os procedimentos a serem adotados visando a sua obtenção. Ocorrendo erro na classificação tarifária originalmente indicada e se aquela apontada como correta estiver sujeito à controle administrativo não previsto para a anterior, não há dúvidas de que a mercadoria não passou pelos controles próprios do licenciamento, violando o bem jurídico pretendido tutelar pelo Regulamento Aduaneiro: o controle administrativo das importações. Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeterem se ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrandose as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de licença de importação decorrente de erro na classificação fiscal. Esta segunda assertiva é que reflete perfeitamente o caso ora em exame. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 354 14 Nos presentes autos, portanto, incabível a aplicação da multa administrativa prevista no art. 526, inciso II, do RA/85, por infração ao controle das importações, pois embora tenha sido adotada classificação fiscal pela Autoridade Fiscal diversa da originalmente indicada pela Recorrida, os equipamentos foram importados ao amparo de guia de importação ou documento equivalente, estando corretamente descritos nos documentos de importação. Tanto é assim que foi aplicada, igualmente, a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, a qual tem por pressuposto a existência do documento de importação. Pela inaplicabilidade da penalidade em tela, também é a manifestação da própria Administração Tributária no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997, in verbis: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12, DE 21 DE JANEIRO DE 1997. "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. PAULO BALTAZAR CARNEIRO Assim, não restou demonstrado nos autos o prejuízo ao controle administrativo produzido pelo erro de classificação fiscal, e por isso é afastada a tipicidade da conduta apta a ensejar a aplicação da multa administrativa do art. 526, inciso II do RA/85. [...] Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10831.010099/200118 Acórdão n.º 9303006.003 CSRFT3 Fl. 355 15 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 355DF CARF MF
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