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Numero do processo: 13877.000039/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
A atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI merece indeferimento, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Assim é que cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco se der em relação ao valor do crédito principal, e não quando houver oposição ao valor referente à atualização monetária.
Numero da decisão: 3101-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI merece indeferimento, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Assim é que cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco se der em relação ao valor do crédito principal, e não quando houver oposição ao valor referente à atualização monetária.
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI merece indeferimento, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Assim é que cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco se der em relação ao valor do crédito principal, e não quando houver oposição ao valor referente à atualização monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 26/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 00 00 39 /2 00 5- 82 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição de valores que o contribuinte calculou a título de correção monetária incidente sobre ressarcimentos já concedidos, por falta de previsão legal. A manifestante defende seu suposto direito com base em sua interpretação da legislação, a qual seria respaldada pelos princípios constitucionais e julgados que cita. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta que o ressarcimento tem a mesma natureza da compensação e da restituição, aponta decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que teria uniformizado a jurisprudência, acórdão publicado em 1998, e ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido seu direito creditório. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13877.000039/200582 Acórdão n.º 3101001.340 S3C1T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Por várias vezes este Colegiado enfrentou essa discussão atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI com resultados diversos, dependendo da formação. Bem por isso deixo de analisar as duas teses trazidas (Fisco e contribuinte), por considerálas ambas bastante razoáveis, e estou por buscar a solução no último pronunciamento de que tenho notícia na mais alta instância deste Tribunal administrativo a Câmara Superior de Recursos Fiscais. A 3ª Turma da CSRF, em 18 de outubro de 2012, na apreciação do Processo nº 10935.002594/200276, da 9ªRF/DRF/Cascavel, por maioria dos votos, deu provimento ao recurso especial do Fazenda Nacional, decisão nº 9303002.172, contra o Acórdão nº 203 11.632 da 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Tratase de processo por meio do qual se discutia a atualização pela Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) de valores a serem ressarcidos pela Fazenda Pública. Naquela oportunidade, a CSRF, acompanhando jurisprudência do STJ, decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Acrescentou ainda que só era cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco fosse em relação ao valor do crédito principal e não quando houvesse oposição ao valor referente à atualização monetária. Assim, o recurso especial da Fazenda Nacional foi provido, por maioria dos votos, vencidos os Conselheiros: Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López. Ante o exposto, voto por DESPROVER do recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008850/00-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA.
A Primeira Sessão do CARF não é competente para apreciar Pedido de Restituição de IRRF decorrente de benefício fiscal.
Numero da decisão: 1302-000.665
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência em favor da 2ª Seção de Julgamento.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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NORMAS PROCESSUAIS. IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA. A Primeira Sessão do CARF não é competente para apreciar Pedido de Restituição de IRRF decorrente de benefício fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência em favor da 2ª Seção de Julgamento. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.008850/0033 Acórdão n.º 130200.665 S1C3T2 Fl. 186 2 INDUSTRIA GESSY LEVER LTDA, devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Tratam os autos de Pedido de Restituição de 50% do IRRF sobre remessa de royalties a beneficiário domiciliado no exterior, tendo por base a Lei nº 8.661/1993 e a Portaria MCT nº 139, de 18 de abril de 1997. Mediante o Despacho Decisório de fls. 53/56, o pedido foi deferido parcialmente, tendo em vista que o art. 2º da Lei nº 9.532/1997, determinou que o percentual a ser restituído fosse reduzido para 30%. Inconformada com os termos do aludido despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 146/151, inaugurando o contencioso administrativo. A Primeira Turma Julgadora da DRJ em São Paulo(SP) indeferiu a solicitação, nos termos do Acórdão nº 1615.043 (fls. 166/170). Cientificada da decisão (fls. 172), a interessada, tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 173/177, tornando a suscitar os argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI Como se vê do relatório, tratam os autos de Pedido de Restituição de IRRF sobre royalties remetidos ao exterior. Referido direito creditório foi criado pela Lei nº 8.661, de 1993 como um benefício fiscal para capacitação tecnológica. Em tais condições, a análise do pedido foge da competência da Primeira Seção, a qual só se pronuncia sobre o IRRF nos casos expresamente previstos (RICARF, art. 2º, Inc. III e IV). De outra parte, o mesmo diploma legal estabelece: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.008850/0033 Acórdão n.º 130200.665 S1C3T2 Fl. 187 3 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. É exatamente o caso tratados nos presentes autos. DIANTE DO EXPOSTO, oriento meu voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA para uma das Turmas da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Sala das Sessões, em 3 de agosto de 2011. 3 de agosto de 2011 IRINEU BIANCHI “documento assinado digitalmente” Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.013599/2002-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 136 1 135 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.013599/200250 Recurso nº 264.379Voluntário Resolução nº 3101000.159 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de outubro de 2011 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente IPIRANGA COMERCIAL QUÍMICA S/A Recorrida DRJSÃO PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário conta decisão de primeira instância que manteve o lançamento, em virtude de o Fisco não ter reconhecido as compensações declaradas por meio de DCTF entre o FINSOCIAL (apurado ao longo do ano de 1991) e a COFINS (3º e 4º Trimestres de 1997). Consta nos autos a informação de decisão judicial, proferida nos autos do processo nº 92.00004946, parcialmente procedente para reconhecer a inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do FINSOCIAL e para indeferir a pretensão à repetição do indébito, sob o fundamento da ausência de prova que demonstrasse efetivo recolhimento. A Fiscalização, por sua vez, não reconheceu a compensação declarada por meio da DCTF, sob o fundamento de que os tributos referidos têm natureza diversa e, assim, não estão amparados pela compensação em conta gráfica, prevista pelo referido art. 66 da Lei nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 13 59 9/ 20 02 -5 0 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.159 S3C1T1 Fl. 137 2 8.383/91, concluindo pela insuficiência do recolhimento da COFINS, dando causa ao lançamento em tela. Salientase a presença, nos autos, das DCTF´s referentes aos períodos acima, que relacionam os valores compensados entre o FINSOCIAL e a COFINS, bem como dos comprovantes de Recolhimento da COFINS que excedeu ao valor compensado (fls. 28/39). Nos autos constam os comprovantes de recolhimento do FINSOCIAL apurado ao longo de 1991 (fls. 40/47). As compensações declaradas no 3º Trimestre de 1997 (DTCF´s fls. 28/33) relacionamse com o processo judicial 92.00004946 e as compensações declaradas no 4º Trimestre de 1997 (DCTF´s 34/39), com outro processo judicial nº 92.00.004938. Inconformada com a autuação, a Recorrente manejou Impugnação, julgada parcialmente procedente pela DRJSão Paulo/SP, para excluir a penalidade imposta com base no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em razão de sua superveniente atipicidade, segundo as alterações trazidas pelo art. 18 da Lei nº 11.488/2007, aplicada retroativamente por ser mais favorável à Recorrente. Os fundamentos da decisão de primeira instância adota os argumentos exarados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. INAPLICABILIDADE DA AÇÃO JUDICIAL INVOCADA. É manifesta a impossibilidade jurídica de efetuar compensação entre tributos de espécies distintas nos moldes da lei no 8.383/91 em virtude de vedação expressa contida nesse diploma legal. Por outro lado, não se presta a amparar tal procedimento a ação judicial invocada pelo sujeito passivo, uma vez que, ao julgála, o Poder Judiciário se limitou a reconhecer a inconstitucionalidade das majorações da aliquota do Finsocial, sem afastar a limitação legal mencionada. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em homenagem ao principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio imposta, em virtude de o art. 18 da lei 10.833/2003, na redação dada pelo art. 18 da lei 11.488/2007, não prever sua aplicação no caso em exame. Lançamento Procedente em Parte Intimada dessa decisão em 11/12/2008, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/01/2009, aduzindo, em síntese que o FINSOCIAL e a COFINS têm a mesma natureza, dada a coincidência de suas finalidades, afirmando ainda que a COFINS veio em substituição ao FINSOCIAL, com a alteração legislativa perpetrada pela vigência da Lei Complementar nº 70/91 (que criou a COFINS), revogadora do DecretoLei nº 1.940/82, que instituía o FINSOCIAL. A Recorrente aduz em seu recurso que a compensação se deu sob a regência da Lei 8.383/91, que vige ainda após a Lei 9430/96 e que esse entendimento encontra precedentes nas esferas administrativas de julgamento e nos tribunais superiores. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.159 S3C1T1 Fl. 138 3 Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Quanto à compensação entre o FINSOCIAL e a COFINS, em conta gráfica por meio de DCTF, relembro que já se trata de matéria pacificada pelo CARF e também pelo STJ, no sentido de que é expediente perfeitamente possível, por serem considerados tributos de mesma espécie, não havendo afronta ao disposto pelo art. 66, §1º da Lei nº 8.383/911. Em 1997, ano em que a Recorrente apresentou as referidas DCTF´s, a regra vigente dispensava a apresentação de pedido de compensação para tributos da mesma espécie, também conforme pacifica jurisprudência administrativa, a compensação se dava no âmbito do lançamento por homologação. A Instrução Normativa n° 21/97, com as alterações trazidas pela Instruções Normativas n°s 73/97 e 34/98, trazia disposições específicas apenas para Compensação entre Tributos e Contribuições de Diferentes Espécies, uma vez que as compensações entre tributos 1 Superior Tribunal de Justiça: Ementa TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE DIFERENTES ESPÉCIES. INVIABILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A competência atribuída pelo art. 105, III, da Constituição Federal ao STJ restringese à uniformização da interpretação da legislação infraconstitucional, sendo inviável a apreciação, por esta Corte, de matéria constitucional, ainda que para efeitos de prequestionamento. 2. Admitese a compensação dos indébitos recolhidos a título de FINSOCIAL, com os valores devidos referentes à COFINS, em razão de possuírem a mesma natureza jurídicotributária e destinaremse ambas ao custeio da Previdência Social, pelo que não há violação ao § 1º, do art. 66, da Lei n.º 8.383/91. Precedentes: EREsp 78301/BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 28.04.1997; EREsp 89.038/BA, Rel. Min. Adhemar Maciel, DJ de 30.06.1997. 3. Está assentada nesta Corte a orientação segundo a qual são os seguintes os índices a serem utilizados na repetição ou compensação de indébito tributário: (a) IPC, de março/1990 a janeiro/1991; (b) INPC, de fevereiro a dezembro/1991; (c) UFIR, a partir de janeiro/1992; (d) taxa SELIC, exclusivamente, a partir de janeiro/1996. 4. Recurso especial a que se dá parcial provimento. (Processo REsp 737396 / SP RECURSO ESPECIAL 2005/00485701 Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 03/05/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 16/05/2005 p. 271) [grifamos e destacamos] Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: EmentaPROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXCLUSÃO DE DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÃ VIDA. PROCEDIMENTO DE COBRANÇA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Nos casos de débitos efetivamente declarados em DCTF, não pagos no devido prazo legal, cabe à autoridade tributária encaminhálos à PFN para imediata inscrição em dívida ativa e conseqüente cobrança executiva, não cabendo a instauração de processo fiscal, de natureza contenciosa, para a exigência dos mesmos, por ferir o arcabouço legal, normativo e jurisprudencial vigente e aplicável à sistemática ínsita à DCTF. COFINS, COMPENSAÇÃO. É legítima a compensação da Contribuição para o FINSOCIAL recolhida a maior em virtude de aplicação à alíquota superior a 0,5% a partir de 1989, corrigida monetáriamente, com a COFINS, instituída pela Lei Complementar nº. 70/91. Recurso provido. (Localidade Brasil Autoridade Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20308042 do Processo 103840000029916 Data 19/03/2002) [grifamos e destacamos] Ementa COFINS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE FINSOCIAL COM DÉBITOS DE COFINS. VALIDADE DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. Os créditos decorrentes de pagamentos indevidos de Finsocial podem ser compensados com débitos de COFINS mediante declaração em DCTF. Recurso provido em parte. (Localidade Brasil Autoridade Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20400817 do Processo 10510001642200208 Data 05/12/2005) [grifamos e destacamos] É certo, ainda, que a compensação deve ser apreciada segundo as normas vigentes à data do ingresso do pedido de compensação. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.159 S3C1T1 Fl. 139 4 da mesma espécie eram processadas independentemente de requerimento, bastando a informação em DCTF. Com isso, entendo assistir razão à Recorrente quando aduz pela possibilidade de compensação de seu crédito de FINSOCIAL com crédito de COFINS, através de DCTF, inclusive porque, como já reconhecido pelo Poder Judiciário, o FINSOCIAL e a COFINS são tributos da mesma espécie e, portanto, a compensação entre ambos por meio de DCTF não afronta a determinação do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Vencida esta etapa, passo a analisar a materialidade do mérito, ou seja, se os autos trazem elementos necessários e suficientes para garantir a compensação pretendida pela Recorrente. Nesse ponto, fiquei vencido por entender que havia nos autos elementos convincentes para julgamento da lide, momento em que cedi ao entendimento de meus pares para conversão do julgamento em diligência para que, em atendimento ao contraditório, a Repartição de origem pudesse averiguar as provas juntadas aos autos que comprovem o direito creditório, a utilização do crédito unicamente para compensação da COFINS em apreço e a devida escrituração contábil da compensação. Diante do exposto, converto o julgamento em diligência à repartição de origem a fim de que a fiscalização tome as seguintes providências: a) com base nos DARFs de FINSOCIAL acostados aos autos e as informações relativas à receita da Recorrente verifique se há direito creditório em favor da Recorrente e em que montante; b) certifique se os créditos de FINSOCIAL foram utilizados apenas para compensação da COFINS, conforme as provas juntadas nos autos e os registros de que dispõe a fiscalização; c) verifique a regularidade e legitimidade dos documentos contábeis juntados aos autos e a exata compensação dos créditos de FINSOCIAL com a COFINS, registrada na contabilidade; e d) intime a Recorrente a trazer aos autos informações atualizadas dos processos judiciais nºs 92.00004946 e 92.00.004938, o que poderá ser feito espontaneamente pela Recorrente. Concluída a diligência, intimese a Recorrente de seu resultado, para que se manifeste, querendo, em 30 dias, sendo que após, deverá o processo retornar para julgamento deste Colegiado Luiz Roberto Domingo – Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 18239.000793/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Eivanice Canário da Silva.
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Eivanice Canário da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 82 39 .0 00 79 3/ 20 07 -1 3 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 48 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 36 digital) interposto em 18 de abril de 2011 contra o acórdão de fls. 30/33, do qual o Recorrente teve ciência em 11 de abril de 2011 (fl. 35), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação apresentada em face da notificação de lançamento de fls. 14/18, lavrada em 19 de novembro de 2007, em virtude de (i) omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoa jurídica e (ii) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificadas no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. A concomitância verificada entre o processo adrninistrativo e judicial impede que a Autoridade Julgadora tome conhecimento da impugnação, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Impugnação não conhecida. Crédito Tributário Mantido” (fl. 30). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fl. 36, pedindo a reforma do acórdão recorrido unicamente em relação à glosa do IRRF, haja vista que o valor foi depositado judicialmente pela fonte pagadora. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Considerando que houve reconhecimento de equívoco, pelo próprio contribuinte, com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, matéria que Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18239.000793/200713 Resolução nº 2101000.097 S2C1T1 Fl. 49 3 sequer foi impugnada, a questão controvertida remanescente diz respeito apenas à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 19.897,42, correspondente ao rendimento declarado de R$ 102.836,07, percebido pelo Recorrente da Fundação Petrobrás de Seguridade Social (PETROS), no anocalendário de 2003. Pois bem. Compulsando os autos, constatouse que o Recorrente, no mister de comprovar a retidão da sua declaração, apresentou o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de IRRF, emitido pela fonte pagadora (fl. 02), de acordo com o qual o valor contestado foi depositado judicialmente pela PETROS no bojo da Ação n.º 2002.51.01.0076305, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, após liminar concedida em 21/06/2002. A Recorrida, analisando as alegações contidas na impugnação, entendeu tratar se da mesma matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, eis que a ação judicial precede a lavratura do presente auto de infração, motivo pelo qual reconheceu a concomitância entre os processos administrativo e judicial, o que significa, nos termos da Súmula CARF n.º 01, inspirada no art. 38 da Lei n.º 6.830/80, a renúncia à defesa na esfera administrativa: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” O instituto da concomitância decorre da adoção, pelo Brasil, do sistema uno de jurisdição, segundo o qual cabe ao Judiciário decidir, definitivamente, os conflitos de interesses, motivo pelo qual no nosso sistema não é justificável a concomitância entre um processo administrativo e um judicial que tenham o mesmo objeto, sendo que o ajuizamento de demanda perante o Estadojuiz retira o interesse da decisão de mérito que venha a ser proferida pela Administração, que jamais poderá ser oposta ou ainda prevalecer diante da decisão emanada do Judiciário. Ocorre, porém, que a simples leitura da súmula, assim como em consonância com os termos fixados na própria decisão recorrida, a concomitância só é reconhecida quando o objeto do processo administrativo seja o mesmo daquele discutido na via judicial. A nosso ver, e de acordo com a reiterada jurisprudência deste Conselho, exigese a tríplice identidade entre as demandas (mesmas partes, causa de pedir e pedido) para que seja reconhecida a concomitância: “Processo administrativo fiscal. Concomitância. Tratando o processo judicial de período distinto e posterior ao relacionado no processo administrativo de restituição não há que se falar em concomitância por ausência de identidade de objeto”. (CARF, 3.ª Seção, 2.ª Turma da 3.ª Câmara, Acórdão n.º 330200.140, Relator Conselheiro JOSÉ ANTÔNIO FRANCISCO, DJ 22/07/2011) “Normas processuais. Preliminar de conhecimento. Matéria diferenciada – Estando nitidamente demonstrado serem diversas as causas de pedir da ação judicial e do processo administrativo, impõese o conhecimento da matéria diferenciada pelos órgãos administrativos”. (CSRF, 1ª Turma, Recurso Especial do Procurador n.º 302 127.178, Relator Conselheiro ANTONIO PRAGA, DJ 16/06/2008) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18239.000793/200713 Resolução nº 2101000.097 S2C1T1 Fl. 50 4 “Processo administrativo fiscal – Parcial renúncia à via administrativa – Decisão que não apreciou a matéria diferenciada – Não havendo identidade absoluta entre as matérias tratadas nas esferas administrativa e judicial, a matéria diferenciada deve ser analisada pelo julgador administrativo”. (CSRF, 2ª Turma, Recurso n.º 105139354, Relator Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, DJ 10/09/2007) Tal conclusão se coaduna, inclusive, com o seguinte trecho da exposição de motivos da citada Lei n.º 6.830/1980: “94. O parágrafo único deste artigo, consagrando o entendimento firmado no contencioso administrativo, elimina dúvidas e divergências. De fato, nenhum princípio legal ou dispositivo processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior ou autônoma. Superior, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo. Autônoma, porque a parte não está obrigada a recorrer, antes, as instâncias administrativas, para ingressar em Juízo. Pode fazêlo diretamente. 95. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injurídica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objetivo e para o mesmo fim. 96. Portanto, desde que a parte ingressa em Juízo contra o mérito da decisão administrativa – contra o título materializado da obrigação – essa opção pela via superior e autônoma importa em desistência de qualquer eventual recurso porventura interposto na instância inferior” (grifouse). Isto posto, considerando a inexistência, nos presentes autos, da cópia da petição inicial do processo judicial que permita aferir se é verificada, de fato, a tríplice identidade em face do vertente processo administrativo, que levaria ao reconhecimento da concomitância, tudo recomenda a conversão do julgamento em diligência, para que o órgão preparador intime o Recorrente a apresentar a referida cópia, bem como das principais peças e decisões do processo, acompanhadas da respectiva certidão de objeto e pé atualizada. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13956.001274/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO,
MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA.
Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes.
Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.620
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.001274/200834 Acórdão n.º 210101.620 S2C1T1 Fl. 66 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 45/49) interposto em 19 de agosto de 2010 contra o acórdão de fls. 40/41, do qual o Recorrente teve ciência em 26 de julho de 2010 (fl. 44), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 12/15, lavrado em 07 de abril de 2008, em decorrência de compensação indevida de IRRF, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRRF. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Devese manter a glosa do imposto de renda retido na fonte sobre verbas recebidas em reclamatória trabalhista quando não restar demonstrado nos autos o efetivo desconto e recolhimento do valor declarado. Impugnação Improcedente. Crédito tributário mantido” (fl. 40). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 45/49, repisando os argumentos ventilados por ocasião da impugnação, bem como acostando aos autos DARF recolhido no ano de 2005, no qual, supostamente, estariam englobados os valores de IRRF compensados no anocalendário de 2004. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.001274/200834 Acórdão n.º 210101.620 S2C1T1 Fl. 67 3 Consoante se infere dos documentos trazidos aos autos, bem como dos termos do próprio lançamento, a presente controvérsia encontrase adstrita à verificação da retenção, no anocalendário de 2004, do valor de R$ 71.034,93, compensado pelo contribuinte com o imposto devido referente ao exercício de 2005. Em relação ao referido ponto, aduz o contribuinte que, muito embora não tenham, de fato, sido recolhidos os valores aos cofres públicos, o levantamento do montante de R$ 397.158,67 no anocalendário de 2004 teria sido realizado já com os competentes descontos de IRRF pela fonte pagadora. Nesse esteio, afirma que, tendo havido a retenção do valor, a omissão no repasse das verbas ao ente público não poderia ser a ele atribuível, mas, de outra sorte, à própria fonte pagadora. De fato, conforme se infere da conta de execução de fl. 53, das guias de retirada de fls. 52 e 17 e do DARF de fl. 51, este último no valor de R$ 104.540,84, o imposto de renda devido sobre o montante pago ao Recorrente foi retido pela fonte no exercício de 2005, em meados do anocalendário de 2004, e recolhido no exercício de 2006, em meados do anocalendário de 2005. Concluise, portanto, que o contribuinte adotou o procedimento correto ao declarar ter recebido o valor bruto do Tribunal trabalhista com a respectiva retenção na fonte, configurandose direito do contribuinte compensar o valor do imposto retido ainda que não recolhido. Ora, conforme autoriza a legislação de regência, mais precisamente o art. 12, V, da Lei n.º 9.250/95, são dedutíveis da base de cálculo de apuração do imposto de renda devido “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo”. As hipóteses de responsabilidade tributária vêm previstas nos arts. 128 e seguintes do CTN, e conforme bem assevera o referido art. 128, “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”, o que se amolda à hipótese vertente, porquanto a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte é da fonte pagadora, consoante o Parecer Normativo n.º 01, de 2002, da Receita Federal do Brasil. A partir da leitura do mencionado parecer, depreendese que, em situações como a ora em análise, em que há a retenção do imposto, mas não há o recolhimento, afigura se a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, in verbis: “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.” Sendo efetivamente comprovada a retenção dos valores pelo Tribunal, bem como considerando que eles constaram da declaração do contribuinte, a responsabilidade pelo recolhimento é exclusiva da fonte. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.001274/200834 Acórdão n.º 210101.620 S2C1T1 Fl. 68 4 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003434/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL.
Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
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Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 34 34 /2 00 6- 43 Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1709/1723) interposto em 01 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), (fls. 1694/1704), do qual a Recorrente teve ciência em 04 de março de 2011 (fls.1708), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 1647/1660, lavrado em 07 de novembro de 2006, em decorrência da apuração de dedução indevida de despesas de livro Caixa e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, formalizandose a exigência de crédito tributário no montante de R$ 173.536,73, nele compreendido imposto, multa proporcional, multa exigida isoladamente e juros de mora. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AnoCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA (CARNÊLEÃO). A multa de lançamento de ofício é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Não há impedimento na aplicação da multa de ofício e da multa isolada por se referirem a diferentes infrações cometidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1709/1723), onde alega, em síntese, que “se aplicada a multa de ofício ao tributo apurado em lançamento de ofício, a ausência de anterior recolhimento mensal (via carnêleão) do referido imposto não deve ocasionar a aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente é aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penalização sobre a mesma base de incidência.” Por fim, requer seja decidido pela inexigibilidade da multa isolada, excluindoa do Auto de Infração objeto da irresignação. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 1725, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.003434/200643 Acórdão n.º 2101002.062 S2C1T1 Fl. 1.727 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à aplicação da multa isolada sobre a diferença do imposto que deixou de ser recolhido, oriunda do pagamento de carnêleão e o apurado pela autoridade autuante. Para melhor entendimento, transcrevo abaixo os dispositivos legais que tratam da aplicação das multas, veiculados pela Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Com base nos dispositivos legais citados a fiscalização imputou à contribuinte duas multas – a punitiva pelo não recolhimento de tributo (multa normal – art. 44, I) e a isolada pelo não recolhimento de imposto na sistemática do carnêleão (multa isolada – art. 44, II, “a”). Reiteradas decisões deste E. Colegiado tem concluído pela impossibilidade de cobrança concomitantemente da multa normal e da multa isolada. O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença do imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, deve ser lançada a multa isolada, e somente ela. Assim, incabível a hipótese de incidência de multa pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual. Nestes termos, voto no sentido de afastar a aplicação da multa isolada, cobrada concomitantemente com a multa de ofício, vez que a primeira apresenta a mesma base de cálculo da segunda, já exigida com o tributo. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.003434/200643 Acórdão n.º 2101002.062 S2C1T1 Fl. 1.728 5 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.000711/2003-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
MATÉRIA SUMULADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos
depósitos.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2102-001.245
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para serem excluídos do lançamento apenas os depósitos da corrente nº 51809-5 do Banco Itaú, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1998 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 295 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para serem excluídos do lançamento apenas os depósitos da corrente nº 518095 do Banco Itaú, nos termos do voto do relator. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 15/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 272 a 286, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 256 a 260, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 227 a 230 dos autos, lavrado em 22/04/2003, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 23/04/2003 (fl. 227). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 169.254,42, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 228, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fato Gerador 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 21.905,61 Multa(%) 75,00 Enquadramento legal: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 296 3 Arts. 1º, 2º e 3º. E §§, da Lei nº 7.713/88; Art. 1º ao 3º, da Lei nº 8.134/90; Art. 21 da Lei nº 9.532/97. 002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fato Gerador 31/01/1998 28/02/1998 31/03/1998 30/04/1998 31/05/1998 30/06/1998 31/07/1998 31/08/1998 30/09/1998 31/10/1998 30/11/1998 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 7.586,56 R$ 6.073,54 R$ 2.281,50 R$ 12.007,28 R$ 57.072,40 R$ 29.112,70 R$ 2.538,90 R$ 17.730,10 R$ 73.428,90 R$ 36.395,90 R$ 1.326,70 R$ 1.227,20 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 4º da Lei nº 9.481/97; Art. 21 da Lei nº 9.532/97. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 219 e 224, a fiscalização foi instaurada com base nas informações de retenção da CPMF prestadas pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2º, da Lei nº 9.311/96, conforme Termo de Início de Fiscalização à fl. 17. No decorrer da ação, a autoridade fiscal verificou que o RECORRENTE encontravase omisso com a obrigação acessória da entrega da declaração de rendimentos do anocalendário 1998 (fl. 21). É parte do Termo de Verificação Fiscal: “O Relatório de Movimentação Financeira Base CPMF que originou a presente ação fiscal, indicavanos o total de movimentação financeira da pessoa física em R$ 19.591.746,82, sendo R$ 466.570,16 no Bradesco, R$ 19.125.176,55 no Itaú e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 297 4 R$ 0,11 no Banco Santander Noroeste, assim como, a situação da Declaração como omisso para o EX/99 AC/98. O Dossiê de Contribuinte SIGA PF extraído em 10/10/2001 mostranos uma movimentação financeira, já atualizada para o Banco Itaú, de R$ 4.576.622,95 com o valor da CPMF em R$ 9.145,79, não havendo modificações dos valores das movimentações financeiras do Bradesco e Santander Noroeste. Através do Sistema de Grande Porte da Secretaria da Receita Federal Consulta Base CPF constatamos que o contribuinte, em atendimento a Intimação de 26/09/2001, entregou sua Declaração de Ajuste Anual do EX/99 AC/98 em 16/01/2002. Ainda, no cotejamento dos valores da CPMF base extratos de todas contas correntes versus os valores apresentados no relatório SIGA PF constatamos que os valores acumulados anuais do relatório SIGA para o Banco Itaú é maior em R$ 59,99; enquanto para o Bradesco o relatório SIGA é maior em R$ 35,65 em relação aos valores da CPMF levantadas através dos extratos. A mesma comparação feita para o Banco Santander Noroeste não apresentou diferenças. Com base nas análises realizadas nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, constatamos que no: a) Bradesco agência 22209 conta corrente 7.0009 depósitos no valor total anual de R$ 448.643,18, sendo que, R$ 405.045,60 foi justificado e R$ 43.597,58 não justificado; b) Banco Itaú agência 0734 todas contas correntes depósitos no valor total anual de R$ 3.129.695,00, sendo que, R$ 2.911.428,90 foi justificado e R$ 218.266,10 não justificado através de documentos hábeis e idôneos. A base de cálculo para efeito da apuração do crédito tributário já leva em consideração os cheques devolvidos e posteriormente reapresentados. Todos os dados dos depósitos justificados e não justificados e cheques devolvidos levantados através dos extratos bancários, conforme planilhas anexas, fazem parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal. (...) Em função da não comprovação através de documentos hábeis e idôneos, dos depósitos em contas correntes de movimentação financeira dos bancos Itaú e Bradesco conforme já relatado anteriormente, exigimos o crédito tributário proveniente desses depósitos, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora (...) Tendo em vista a entrega da Declaração de Ajuste Anual do EX/99 AC/98 durante a ação fiscal, estamos considerando o valor declarado como base de cálculo R$ 21.905,61 como omissão de Rendimentos Tributáveis Recebido de Pessoa Jurídica.” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 298 5 Em suma, conforme planilha de fl. 218, a base de cálculo do crédito tributário, em relação aos depósitos não justificados, foi de R$ 246.781,68 (após desconto dos cheques devolvidos), que somado ao valor de R$ 21.905,61 (declarado em DIRPF entregue durante a ação fiscal), perfaz o total de R$ 268.687,29, que é a base de cálculo do lançamento. Os extratos bancários acostados aos autos são os seguintes: conta nº 010.602949.54 do Banco Santander Noroeste (fl. 85); conta 7.0009 do Banco Bradesco (fls. 87 a 94); e contas nºs 585177, 477797 e 518095, todas do Banco Itaú (fls. 105 a 191). A relação dos depósitos não justificados foi acostada às fls. 50 a 54 e fl. 57, enquanto que a relação dos depósitos justificados encontrase às fls. 192 a 206 e fl. 209. DA IMPUGNAÇÃO Em 20/05/2003, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 232 a 242, através de procurador devidamente habilitado à fl. 243. O RECORRENTE não concorda com o lançamento por presunção de omissão de receita com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, e defende o seguinte: A disponibilidade econômica de rendas e/ou proventos em seu beneficio (do Impugnante), dos valores depositados em suas contas bancárias, não restou provada nos autos como sendo capaz de justificar a pretensão de ocorrência de fato gerador do IRPF. (...) O Fisco teve contrariada a sua suposição de rendimentos ocultados à tributação. Tendo em vista que a prova desse "rendimento tributável" é necessária e obrigatória à constituição do fato gerador do imposto de renda, sendo do Fisco o ônus (art. 333 do CPC), a conseqüência é a de que ilegítima se apresenta a pretensão. O método presuntivo utilizado pelo Fisco Federal para apuração do suposto crédito tributário constante do lançamento, como resultado do confronto de dados relativos aos depósitos não contabilizados e os valores tomados a título de imposto de renda, não tem sido admitido como suficiente para a manutenção de acusações como as lançadas. Valores em trânsito por contas bancárias não significam omissão de receita, não correspondem a lucro tributável. Não se justifica ainda o critério de soma de depósitos lançados, já que é lógico, normal e natural que em operações como as narradas, montantes sejam creditados e debitados numa operação circular e não linear. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 299 6 (...) Pelo que foi relatado e demonstrado os depósitos e saques realizados nas contas bancárias do Impugnante, sem sequer conciliação, o que está sendo feito agora por ela, não podem ser tomados como renda ou proventos. A uma, porque não resultado de trabalho ou capital ou ainda resultado da combinação de ambos. A duas, porque o seu acréscimo patrimonial foi nenhum. Assim, não basta o artigo 42 da referida Lei 9430/96 estabelecer constituir omissão de receita valores creditados em conta bancária, sem sequer dar importância a seus saldos, causas e circunstâncias específicas. Por tal razão, afirmou que seria nulo o lançamento, já que embasado em simples indícios. Ademais, demonstrou a sua discordância em relação à aplicação da taxa SELIC ao alegar que: Por outro lado, tendo em vista a utilização da SELIC, ainda que algo fosse devido o que se admite apenas e tão somente para argumentar e, "ad cautelam", em razão do princípio da eventualidade restaria ilegítimo o valor ao fmal reclamado, na exata medida em que inconcebível a utilização de tal "indexador", criado e utilizado para a remuneração de títulos privados, na atualização de relações de direito público tributos federais. Portanto, o RECORRENTE requereu fosse declarada a insubsistência do lançamento. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 121 a 137 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade e ou legalidade das leis em vigor. Sujeitase ao imposto a omissão de rendimentos caracterizada pelos valores creditados em contas de depósito, não tendo o Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 300 7 contribuinte comprovado a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora esclareceu que o RECORRENTE não apresentou defesa em relação à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. Assim, determinou a imediata cobrança do crédito tributário relacionado à mencionada infração. No mérito, rebateu as alegações do RECORRENTE ao afirmar que as presunções (prova indiciária) são meios de prova admitidos no ordenamento jurídico brasileiro. No caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 criou presunção legal de que os valores depositados configuram rendimentos tributáveis. Com relação à taxa SELIC, afirmou a autoridade julgadora que, em sede administrativa, não cabe a discussão da constitucionalidade ou legalidade de lei, consoante estabelecem o Parecer Normativo CST/SRF n° 329/1970, o Parecer PGFN/CRF n° 439/1996 e Parecer PGFN/CAT n° 1.649/2003.Citou também a Súmula n° 2 do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual estabelece que “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Ademais, citou também a Súmula n° 4 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que prevê: “A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Portanto, julgou procedente o presente lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 03/11/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 265v, apresentou em 03/12/2008 o recurso voluntário de fls. 272 a 286, através de procurador habilitado à fl. 243. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE não concorda com o entendimento da DRJ, de que o mesmo não se insurgiu quanto à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. No que diz respeito aos depósitos bancários, o RECORRENTE afirmou, com base na planilha de fl. 218, que: “(...) 18. Para um total de depósitos bancários de R$ 3.578.338,18 (três milhões quinhentos e setenta e oito mil trezentos e trinta e oito reais e dezoito centavos), conseguiu o Recorrente Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 301 8 comprovar os depósitos de R$ 3.316.474,50 (três milhões trezentos e dezesseis mil quatrocentos e setenta e quatro reais e cinqüenta centavos), como sendo de terceiros. Dessa situação resultou uma exigência sobre R$ 261.863,68 (duzentos e sessenta e um mil oitocentos e sessenta e três reais e sessenta e oito centavos). 19. Tal equivale a uma diferença de 7% (sete por cento) como não justificado. Equivale ainda a um salário mensal, para cobrança de duplicatas, de mais de R$ 21.000,00 (vinte e um mil reais), o que jamais em tempo algum ganhou o Recorrente. (...)” Mais adiante, cita o esclarecimento por ele apresentado durante a ação fiscal (fl. 74), informando, em suma: “(...) c) que tinha dificuldade em arranjar emprego, restandolhe aceitar a fazer cobranças para a "Ipal", uma empresa do Estado do Mato Grosso; d) que como remuneração tinha acertado 1,5% do que conseguisse receber, passando os valores por sua conta, após entregues à "Ipal"; e) que foram várias as vezes que esteve no MS em busca de comprovação de suas afirmações, tendo a "Ipal" encerrado falência as suas atividades (doc.2), não tendo sido possível completar a documentação necessária (7%), à prova devida. (...)” E continuou sua defesa, expondo os argumentos transcritos a seguir: “(...) 21. Às fls. 81, se encontra mais um contrato envolvendo o Recorrente e outra empresa: "MAFROL MADEIREIRA FRONTEIRA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA", para cobranças (cláusula segunda), enquanto que a remuneração se encontra cuidada na cláusula sexta, num percentual de 1,5%. 22. Assim, cabendo ao Fisco fazer a prova em sentido contrário à prova realizada pelo Recorrente, o possível seria então, quando muito, reclamar o valor correspondente a 1,5% sobre o valor de 3.578.338,18, o que equivale a R$ 53.675,07, contra os R$ 268.687,29, considerados pelo Fisco como base de cálculo. 23. Daí que o procedimento adotado pelo Fisco vulnera o artigo 142 do Código Tributário Nacional, eis que a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda não foi cabalmente comprovada: (...) 24. Notese, que o Recorrente levou ao conhecimento do Fisco a prova de que a movimentação em suas contas bancárias estava Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 302 9 relacionada, também, ao contrato de prestação de serviços firmado com a Madeireira Fronteira Comércio e Importação Ltda. Mafrol, consoante o "Termo de Verificação Fiscal" (página 4), in verbis: (...) 25. Se os documentos não eram suficientes para esclarecer as origens dos numerários que transitaram pelas contas correntes do Recorrente (100%), inclusive declarações das empresas em anexo, cabia ao Fisco dar continuidade às diligências para demonstrar a ocorrência do fato gerador. Vedado lhe era, por presunção, depois de toda a prova realizada 93% concluir por sonegação, mesmo quando ausente acréscimo patrimonial. (...)” Assim, requereu a reforma da decisão recorrida. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fl. 228/229 e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 219 a 224 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de o RECORRENTE (i) ter omitido rendimentos, no valor de R$ 21.905,61, recebidos de pessoa jurídica no anocalendário 1998; e (ii) não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias mantidas no Banco Itaú S/A e no Banco Bradesco, no valor total de R$ 246.781,68, durante o anocalendário 1998. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que deveria ser realizada a cobrança definitiva da infração constante do item “i” acima, visto que não foi apresentada impugnação sobre essa parcela do lançamento. Em suas razões de apelo, o RECORRENTE afirmou ter questionado ambas as acusações, e se defende arguindo que o lançamento referese tãosomente a não comprovação da origem dos depósitos bancários. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 303 10 Porém, entendo que assiste razão à DRJ. Ao contrário do que afirma o RECORRENTE, a autoridade lançadora expressamente acusao de haver omitido rendimentos recebidos de pessoa jurídica, apurado com base nas informações prestadas em declaração de ajuste anual apresentada no curso da ação fiscal, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal: Tendo em vista a entrega da Declaração de Ajuste Anual do EX/99 AC/98 durante a ação fiscal, estamos considerando o valor declarado como base de cálculo R$ 21.905,61 como omissão de Rendimentos Tributáveis Recebido de Pessoa Jurídica. Assim, caberia ao RECORRENTE defenderse de tal acusação de forma expressa em sua impugnação, sendo certo que a falta de contestação implica na revelia da parte do lançamento, conforme prevê o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Notese que foi procedida a cobrança do imposto referente ao valor tributável informado pelo próprio RECORRENTE na DIRPF entregue de forma extemporânea (fl. 60). Portanto, pelo fato de o RECORRENTE não ter se manifestado a respeito da omissão de rendimentos, deve ser decretada a revelia sobre a matéria não impugnada, a qual fica sujeita a cobrança definitiva. Acerca da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, também é procedente o lançamento tributário. Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 304 11 Desta forma, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. O RECORRENTE apenas alega que conseguiu comprovar, durante a ação fiscal, a origem de 93% dos depósitos bancários, e que o restante dos valores não comprovados foram recebidos por serviços de cobranças prestados para as empresas “Ipal” e “Mafrol Madeireira Fronteira Comércio e Importação Ltda.”. Sobre esta última, afirmou que o contrato de fls. 81 a 84 comprovaria tal alegação. Ocorre que a origem dos recursos depositados em contas bancárias deve ser comprovada através de documentação hábil e idônea. Desse modo, o contrato de fls. 81 a 84 não é bastante para comprovar a origem dos depósitos efetuados nas contas correntes do RECORRENTE. Quando da apresentação de sua impugnação de fls. 232 a 242, o RECORRENTE teve a oportunidade de comprovar a origem dos recursos que ocasionaram o presente lançamento através de documentação hábil e idônea. Ocorre que o RECORRENTE limitouse a declarar, dentre outras coisas, que o presente lançamento seria nulo e que não poderia prosperar por ter sido efetuado com base em presunções. Revelese que o RECORRENTE não declarou ao Fisco nem mesmo as comissões que, agora, reconhece como devidas, no percentual médio de 1,5% dos créditos recuperados. A declaração de ajuste anual do anocalendário, inclusive, somente foi apresentada após o início da ação em fiscal, já em 2002. Quando da apresentação de seu recurso voluntário, também não trouxe aos autos qualquer documentação capaz de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Nas razões de apelo, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação e inovou ao apontar suposto desrespeito ao principio da não retroatividade da lei. Desta forma, o RECORRENTE deveria ter comprovado a origem dos recursos depositados na suas contas bancárias, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 305 12 IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 306 13 Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento visto que existe previsão legal que autoriza ao Fisco tributar os depósitos de origem não comprovada. Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 102 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No entanto, compulsando os autos, verifico que a conta corrente nº 518095 do Banco Itaú, na realidade, pertence a Wagner Monteiro Mohr, e não ao RECORRENTE, conforme indica o documento do fl. 100 e o extrato de fls. 159 a 191 dos autos. De acordo com a planilha de fl. 218, a referida conta representou, no lançamento, o montante tributável de R$ 4.954,90. Desta forma, pelo fato de a conta bancária não ser de titularidade do RECORRENTE, o valor de R$ 4.954,90 deve ser excluído da tributação. Nos demais aspectos, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo o lançamento ser mantido. Da aplicação da taxa SELIC O RECORRENTE afirma em sua impugnação que o índice do SELIC não poderia ser utilizada como taxa de juros moratórios. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da arguição de inconstitucionalidade Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 307 14 Quanto às alegações genéricas de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência: SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para serem excluídos do lançamento apenas os depósitos da corrente nº 518095 do Banco Itaú, mantendo o lançamento em relação às demais acusações. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10730.006394/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS
Uma vez comprovadas as despesas médicas pleiteadas, mediante a apresentação de documentos capazes de preencherem os requisitos necessários ao acolhimento pleiteado, não há óbice a dedução.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 10/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Noaoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. EDITADO EM: 10/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Noaoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 56 1 55 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.006394/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.774 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria IRPF Recorrente LIDCE MARIA POIAVA FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS Uma vez comprovadas as despesas médicas pleiteadas, mediante a apresentação de documentos capazes de preencherem os requisitos necessários ao acolhimento pleiteado, não há óbice a dedução. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 10/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Noaoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 63 94 /2 00 8- 84 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 38/39) interposto em 31 de janeiro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), (fls. 28/31), do qual a Recorrente teve ciência em 06 de janeiro de 2011 (fls.37), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 03/05, lavrado em 19 de maio de 2008, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS Para que o contribuinte comprove que as despesas médicas são dedutíveis deve demonstrar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente do tratamento para que se subsuma à norma que prevê a dedução. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Nos termos do art. 17º, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 33/39), aonde apensou recibos emitidos por três profissionais; cópia de declarações emitidas pelos profissionais Leísa P. Carvalheira e Monique Gasparello Gaudard, bem como cópia de laudos em nome de Lidce Maria Poiava Fonseca e Juliana Poiava Fonseca. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA Processo nº 10730.006394/200884 Acórdão n.º 2101001.774 S2C1T1 Fl. 57 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste do anocalendário de 2005 e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. O julgador a quo manteve a glosa relativa às referidas despesas, no valor de R$ 20.000,00 (Vinte mil reais). Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 4 Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração da contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário a declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Sobre a questão vejamse as ementas dos seguintes acórdãos exarados por este Conselho: Acórdão nº : 10248789 DESPESAS MÉDICAS RECIBOS REQUISITOS ESSENCIAIS Quanto aos requisitos essenciais que devem constar do recibo, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, o valor, a natureza da prestação dos serviços, o nome de quem pagou e a assinatura identificando quem recebeu são pressupostos essenciais à sua validade. O endereço, o CPF do profissional e a identificação do beneficiário dos serviços, caso ausentes, podem ser completados, posteriormente, pelo tomador dos serviços, adotandose procedimento semelhante ao do pagamento com cheque nominal. Acórdão nº : 10616.890 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS ACOSTADOS AOS AUTOS FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU INFORMAR A HIGIDEZ DOS RECIBOS CABIMENTO DA DEDUÇÃO O único óbice aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas médicas foi a ausência do número de inscrição do profissional emitente no seu órgão de classe. Na via recursal, o recorrente trouxe recibo emitido em ano precedente com o número de inscrição referido. Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas nas Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2006, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA Processo nº 10730.006394/200884 Acórdão n.º 2101001.774 S2C1T1 Fl. 58 5 Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Restame agora demonstrar o efetivo atendimento aos preceitos estabelecidos na legislação aplicável, onde, no quadro abaixo, sintetizase os dados constantes nos recibos e declarações apresentados pela Recorrente: BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO CONSELHO/Nº Valor R$ Natureza da Prestação Nome do paciente Nome de Quem Pagou CPF de quem Recebeu pelo tratamento Leisa Maria Poiava Carvalheira CRP 11.460 7.200,00 Psicologia Lidce Maria Poiava Fonseca e Juliana Poiava Fonseca Lidce Maria Poiava Fonseca 284.891.01787 Monique Gasparello Gaudard CREFITO 2 50416F 8.000,00 Fisioterapia Juliana Poiava Fonseca Lidce Maria Poiava Fonseca 083.633.25716 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA 6 Márcia de Oliveira Sodré CREFITO 2 48739F 4.800,00 Fisioterapia Lidce Maria Poiava Fonseca Lidce Maria Poiava Fonseca 053.604.42794 TOTAL 20.000,00 Documentos de folhas: 4154 No voluntário, foram apresentados os documentos de fls. 41 a 54, onde os prestadores confirmam que houve a prestação de serviços médicos à recorrente bem como ao dependente; estando incluso, na documentação citada, exame radiológico. Assim, o contribuinte carreou aos autos os documentos comprobatórios (Recibos/Declarações/Exames) capazes de preencherem os requisitos necessários ao acolhimento pleiteado, não havendo, portanto, óbice à dedução. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.000,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Numero do processo: 13884.001855/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a notificação de lançamento que, preenchendo os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, contém os fatos claramente descritos, suficientemente caracterizados e acompanhados da fundamentação legal, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar a realização dos serviços.
PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS DA VEDAÇÃO AO CONFISCO E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2101-002.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a notificação de lançamento que, preenchendo os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, contém os fatos claramente descritos, suficientemente caracterizados e acompanhados da fundamentação legal, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar a realização dos serviços. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS DA VEDAÇÃO AO CONFISCO E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 18 55 /2 00 9- 48 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, na qual foi feita glosa de deduções com despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. O contribuinte impugnou parcialmente lançamento (fls. 1 a 15), alegando, em síntese, que todas as despesas médicas estão comprovadas conforme solicitado e inexiste fundamentação para as glosas perpetradas; além disso, a multa aplicada é confiscatória. A 11.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo 2 (SP) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1751.356, de 7 de junho de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Só poderá ser aceita a dedução de despesa efetivamente comprovada. DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. NULIDADE. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13884.001855/200948 Acórdão n.º 2101002.119 S2C1T1 Fl. 3 3 Não estando especificada nenhuma das hipóteses que propiciem a nulidade do lançamento, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa as razões de impugnação, complementando que a decisão a quo contraria decisões administrativas recentes, cujas ementas transcreve. Pede seja cancelado o lançamento. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da nulidade do lançamento O recorrente afirma, em alguns postos de sua defesa, que a Fiscalização não fundamentou as glosas das deduções de despesas médicas que deram origem ao lançamento discutido neste processo. O lançamento decorreu de revisão de declaração, que ensejou a Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 24 a 26verso. Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Conforme se verifica da leitura do texto da lei, a indicação da fundamentação legal do lançamento é primordial para a validade da Notificação de Lançamento, e sua ausência é causa de nulidade, eis que enseja o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Não é, todavia, o que se observa no presente caso. A Notificação de Lançamento às fls. 24 a 26verso, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Sendo assim, do exame dos autos, não se verificou nem a apontada ausência de fundamentação legal nem qualquer irregularidade que pudesse dar causa a uma declaração de nulidade do lançamento. 2. Das deduções com despesas médicas Na presente hipótese, foram glosadas pela Fiscalização as seguintes deduções pleiteadas, declaradas com despesas médicas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrante da Notificação de Lançamento: a) Alexandre Dantas Vieira (cirurgião dentista): R$ 8.950,00 É filho do declarante, e a planilha dos pagamentos e extratos bancários apresentada não justifica os desembolsos, eis que não há nenhuma coincidência de datas entre saques e pagamento; b) Sheila Cristina Dantas Vieira (cirurgiã dentista): R$ 3.000,00 É filha do declarante, e a planilha dos pagamentos e extratos bancários apresentada não justifica os desembolsos, eis que não há nenhuma coincidência de datas entre saques e pagamento; c) Sul América Aetna Companhia de Seguros e Previdência: R$ 6.171,10 O valor de R$. 6.171,10 referese aos planos cujos integrantes são seu filho Alexandre e a cônjuge, que apresentou DIRPF em separado no modelo simplificado; d) Denise Esteves Cardoso (fonoaudióloga): R$ 1.100,00 A despesa declarada não ficou comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores que pudessem ensejar a efetividade dos pagamentos; e) Irmandade Sta Casa de Misericórdia de S. José dos Campos: R$ 1.350,00 Não foi apresentado recibo do pagamento; f) Sthefanie da Silva Lara Ramalho (fisioterapeuta): R$ 2.960,00 Não há observações da Fiscalização. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13884.001855/200948 Acórdão n.º 2101002.119 S2C1T1 Fl. 4 5 Em sua impugnação, o interessado manifestou sua inconformidade argumentando o seguinte: a) Sheila Cristina Dantas Vieira e Alexandre Dantas Vieira: não foram solicitados documentos hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores que pudessem ensejar a efetividade dos pagamentos, mas apenas os comprovantes originais e cópias das despesas médicas, o que foi efetivamente apresentado. Ademais, não há qualquer restrição na legislação quanto à dedução de despesas médicas incorridas com médicos parentes do contribuinte, e inexiste qualquer fundamentação legal para as glosas efetivada. b) Sul América Aetna Seguros e Previdência S/A: não impugna o lançamento correspondente. c) Denise Esteves Cardoso: não foi solicitada pela Fiscalização a apresentação de documentos hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores que pudessem ensejar a efetividade dos pagamentos, mas apenas os comprovantes originais e cópias das despesas médicas, o que foi efetivamente apresentado. Além disso, inexiste qualquer fundamentação legal para a glosa efetivada. d) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de S. José dos Campos: alega ter perdido o recibo e, por essa razão, não contesta a glosa. e) Stephanie da Silva Lara Ramalho: a Fiscalização não fundamentou a glosa das deduções pleiteadas e, na descrição dos fatos e enquadramento legal constante da notificação de lançamento, a citada glosa não é sequer é mencionada. Além disso, apresentou documentos comprovando as despesas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 2 (SP), ao apreciar a impugnação, não acolheu os argumentos suscitados e manteve as glosas. O relator do voto condutor da decisão a quo justificou seu posicionamento esclarecendo que os documentos apresentados, com o intuito de comprovar as deduções, não cumpriam os requisitos legais, eis que, neles, não consta o beneficiário dos serviços médicos e, especificamente no recibo emitido por Sthefanie da Silva Lara Ramalho, não consta o endereço do prestador do serviço. Em sede recursal, o interessado reitera todos os argumentos da impugnação e rebate os fundamentos da decisão recorrida, afirmando que os recibos contêm expressamente o seu nome como beneficiário dos serviços e, no caso específico da fisioterapeuta Stephanie da Silva Lara Ramalho, o endereço é desnecessário, haja vista que se trata de prestação de serviços em seu domicílio. Diz que não há restrição legal à prestação de serviços médicos por parentes e que não foi solicitada a apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que pudessem ensejar a efetividade dos pagamentos feitos a Denise Esteves Cardoso e Sheila Cristina Dantas Vieira. Sobre as alegações feitas pelo recorrente impende ressaltar, primeiramente, que as glosas perpetradas neste processo originaramse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). A legislação que rege o imposto sobre a renda de pessoas físicas admite deduções com despesas médicas, desde que observadas algumas exigências e condições. Vejamos o que prescreve o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] (g. n.) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13884.001855/200948 Acórdão n.º 2101002.119 S2C1T1 Fl. 5 7 Conforme se depreende, a despesa com tratamento médico só pode ser deduzida da base de cálculo do imposto sobre a renda do contribuinte nos casos em que é feita em seu próprio benefício ou em benefício de seus dependentes. Por essa razão, é imprescindível que os documentos comprobatórios das despesas não deixem dúvida quanto ao beneficiário dos serviços. Na presente hipótese, examinando os autos, constatase que o conjunto probatório é composto somente de recibos emitidos pelos prestadores (dois cirurgiões dentistas, uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga), nos quais não foi indicada a pessoa beneficiária dos serviços de saúde. Por outro lado, não foi apresentado qualquer outro documento que viesse suprir essa deficiência, de modo a deixar evidente que os serviços de odontologia, fisioterapia e fonoaudiologia foram prestados ao próprio contribuinte ou a seu dependente, a fim de justificar sua dedução da base de cálculo do imposto. Assim como manifestado nos Acórdãos n.º 1336390, de 1.8.2011, e n.º 13 34676, de 12.5.2011 (não há identificação dos órgãos julgadores), colacionados pelo recorrente em sua peça de defesa, é mesmo possível relevar a ausência da identificação do beneficiário dos serviços médicos no recibo. Todavia, para isso, deve haver, nos autos, outros elementos de prova, de modo que, em seu conjunto, sejam suficientes para convencer o julgador que os serviços foram efetivamente prestados tal como declarado. No caso vertente, além dos mencionados recibos, não existem outras provas da prestação dos serviços médicos. O recorrente alega, em seu favor, que a Fiscalização não solicitou complementação da prova anteriormente apresentada. Todavia, salientamos que, uma vez questionadas as despesas médicas que deram origem à dedução pleiteada, o contribuinte é o interessado em fazer prova da veracidade de sua declaração. Desse modo, a partir do lançamento, poderia ter apresentado, na impugnação, documentos que viessem reforçar as provas apresentadas durante a ação fiscal (tais como fichas médicas e odontológicas, que são fornecidas pelos profissionais sob solicitação do paciente ou resultados de exames ou pedidos médicos, por exemplo). Ademais, à vista da decisão a quo, a qual, ao fundamentar o não acolhimento dos argumentos suscitados, especificou até mesmo as informações faltantes nos recibos, o contribuinte poderia ter trazido, em sede de recurso, novos documentos, aptos a suprilas; no entanto, não o fez. Sendo assim, independentemente de a Fiscalização, em procedimento prévio ao lançamento, ter ou não especificamente solicitado documentos complementares aos recibos, como alegado, o recorrente teve a oportunidade de carrear aos autos provas dos seus argumentos, em sede de impugnação, e até mesmo de recurso, tendo em vista que o julgador a quo identificou quais as informações que faltavam ser prestadas. No entanto, o defendente entendeu por bem omitirse, limitandose a formular alegações sem suporte em provas convincentes. Por outro lado, apresentou demonstrativos e extratos bancários alegando que, neles, se evidencia sua capacidade de promover os pagamentos, em dinheiro, pelos serviços médicos declarados. Observase, porém, da análise dos mencionados documentos, que os saques efetivados nas contascorrentes bancárias, conforme extratos anexados aos autos, são totalmente desvinculados das despesas declaradas. Esse descompasso poderia até ser superado, caso as provas da efetiva prestação dos serviços médicos fossem robustas, mas, conforme externado anteriormente, não é esse o caso dos autos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Não é possível, portanto, acolher o recurso interposto, no tocante à glosa das deduções feitas a título de despesas médicas, haja vista não ter ficado comprovada nos autos a efetiva prestação dos serviços ao próprio contribuinte ou a seu dependente. Não há, destarte, reparos a fazer na decisão recorrida, eis que o contribuinte não logrou comprovar seus argumentos. 2. Da multa lançada Em sua peça recursal, o interessado, com base em doutrina e jurisprudência, sustenta que a multa de ofício de 75% é abusiva, violando os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Pugna pela sua exclusão ou, ao menos, a sua redução a 2% da obrigação. A multa lançada de ofício, de 75% sobre a diferença do imposto apurada, está prevista no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, inciso I. Essa multa é lançada nos casos em que a Fiscalização não constata a existência de dolo, fraude ou sonegação. Foi o que ocorreu na hipótese. Vejamos o texto legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Conforme se observa, a multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício está prevista em lei e deve ser assim aplicada pelo agente da fiscalização sempre que verificadas as condições previstas. Nesse sentido, cumpre ressaltar que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo a autoridade autuante proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13884.001855/200948 Acórdão n.º 2101002.119 S2C1T1 Fl. 6 9 Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, tal como ocorreu na hipótese (dedução indevida de despesas médicas), o crédito tributário apurado deve vir acompanhado da multa de lançamento de oficio nos percentuais previstos. Determinar os percentuais de multa a serem aplicados no caso de infração à legislação tributária é atribuição do legislador, e não do agente da Fiscalização. Não cabe à autoridade fiscal analisar se os percentuais de multa que a lei estipula são ou não são confiscatórios, ou se a lei em vigor está de acordo com o princípio da capacidade contributiva, afastando a sua aplicação quando entender pertinente. Os órgãos administrativos de julgamento, por sua vez, também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos aos princípios da vedação ao confisco e da capacidade contributiva, por envolverem necessariamente a análise da constitucionalidade da lei. Nesse ponto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou a respeito do assunto, tendo firmado o posicionamento no sentido que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo ficado assim decidido no âmbito deste Conselho, é de se aplicar, na hipótese, a Súmula CARF n.° 2. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 167DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13888.002140/2004-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DEDUÇÕES. DESPESAS COM DEPENDENTES, INSTRUÇÃO, MÉDICAS E DO LIVRO CAIXA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que a legislação fiscal não alberga
as despesas como dedutíveis do imposto de renda.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Por se
tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade e os juros moratórios nela previstos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DESPESAS COM DEPENDENTES, INSTRUÇÃO, MÉDICAS E DO LIVRO CAIXA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que a legislação fiscal não alberga as despesas como dedutíveis do imposto de renda. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade e os juros moratórios nela previstos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Jose Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva e Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1748.559, proferido pela 5ª Turma da DRJ/SP2 (fl. 264) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao Auto de Infração às fls. 229/236. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração, foram apuradas as seguintes infrações: deduções indevidas com dependentes e despesas médicas e instrução a eles referentes, devido ao fato de seus três filhos terem apresentado declaração de ajuste anual em separado e com rendimentos próprios de pensão alimentícia; deduções indevidas com o livro caixa, que não se enquadram no conceito de despesa de custeio necessária à percepção de receita e à manutenção da fonte produtora. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação às fls. 240/244, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 GLOSA DA DEDUÇÃO COM LIVRO CAIXA Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido. GLOSA DE DEDUÇÃO COM DEPENDENTES Não caracterizada a relação de dependência conforme a lei tributária, mantida a glosa de sua dedução da base de cálculo do imposto. GLOSA DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS Na declaração de ajuste anual poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados, no Anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; relativamente ao contribuinte e seus dependentes. GLOSA DEDUÇÃO COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2ºo e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Impugnação Improcedente Fl. 316DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13888.002140/200468 Acórdão n.º 2101001.577 S2C1T1 Fl. 2 3 Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF a contribuinte reitera as questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo e acresce pedido pela decadência do direito da fazenda pública constituir o crédito tributário, sob o seguinte argumento, verbis: Aplicandose as normas acima ao caso concreto, temos que o fisco poderia ter cientificado a impugnante acerca do lançamento do débito em 2004 relativo aos débitos de 1999, não podendo, portanto lançar débitos anteriores a este período. Porém, não foi o que ocorreu. O fisco incluiu no auto de infração períodos decaídos de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, conquanto o julgamento da impugnação deuse apenas no ano de 2011, cobrandose, pois, débitos já decaídos. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verificase que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Com efeito, as Declarações de Ajuste Anual às fls. 159/189, relativo aos anoscalendários de 1999 a 2002 – período em que a contribuinte detinha a guarda judicial dos filhos Fernanda Garcia cordeiro, Silvio Luiz Cordeiro Filho e Renata Garcia Cordeiro – comprovam a opção da responsável em apresentar DIRPF para cada dependente, tributando em separado os rendimentos auferidos por estes a título de pensão judicial alimentícia. Desta forma, indevida a dedução com referidos dependentes e das despesas médicas e de instrução a eles referentes. Segundo consta na Sentença à fl. 258/261, caberia à contribuinte arcar com 30% das despesas dos alimentandos. Tal situação poderia ensejar o entendimento de que a autuada teria o direito à dedução a título de pensão alimentícia. Contudo, verificase que nas DIRPF’s dos alimentandos foi tributada somente a parte da pensão cujo ônus ficou com o pai. De fato, no dispositivo da sentença restou consignada a condenação do genitor ao pagamento mensal de R$3.360,00, durante o ano de 1998, cabendo a cada filho o montante anual de R$13.440,00. Esse valor seria reajustado pelo IGPM, para os pagamentos a serem efetuados no ano de 1999. Verificase, portanto, que o pequeno acréscimo no montante tributado nas DIRPF’s do anocalendário de 1999 (fls. 159, 170 e 181 – R$13.580,00), decorre apenas desse reajuste. Ou seja, o que é despesa dedutível para quem paga é rendimento tributável para quem recebe, sendo certo que nenhum pagamento efetuado pela mãe foi adicionado ao montante tributado pelos alimentados sob a sua guarda. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 As glosas efetuadas nas deduções indevidas com o livro caixa, conforme fundamentado na descrição dos fatos do Auto de Infração, não se enquadram no conceito de despesa de custeio necessária à percepção de receita e à manutenção da fonte produtora. Com efeito, o artigo 8º da Lei n° 9.250, 1995, dispõe que: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: (...); g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 6a da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho não assalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro. Assim determina o RIR/99, sobre as despesas escrituradas em livro caixa passíveis de dedução: Art. 75 O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei n8.134, de 1990, art. 6°, e Lei n 9.250, de 1995, art. 4º. inciso 1): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. São despesas de custeio aquelas indispensáveis à atividade profissional, como aluguel da sala comercial, gastos com água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo, contratação de pessoal, e tributos relacionados à atividade. Do exame das peças processuais, verificase que procedem as glosas efetuadas pela fiscalização, pois as despesas se referem a material escolar dos filhos (que em nada se relaciona com a atividade médica em consultório e que nem mesmo é dedutível como despesas com instrução), aparelhos com vida útil superior a um ano (scanner HP Scanjet 3200) e benfeitorias realizadas no consultório são aplicações de capital, indedutíveis como despesa de livro caixa. Como bem assentado na decisão recorrida, são dedutíveis as despesas escrituradas em livro caixa, necessárias à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil não ultrapasse o período de um exercício. Os valores despendidos na instalação do consultório, na aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos, mobiliários etc. devem ser informados na declaração de bens pelo preço de aquisição. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13888.002140/200468 Acórdão n.º 2101001.577 S2C1T1 Fl. 3 5 Rejeitase também argüição do recorrente quando a decadência para o ano calendário de 1999. Para os fatos submetidos ao ajuste anual e, portanto, com fato gerador em 31/12/1999, o termo final do prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente ocorreu em 31/12/2004. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 08/10/2004 (fl. 229), e mesmo com o início da contagem do prazo decadencial determinado pelo artigo 150 do CTN, tendo em vista o imposto antecipado (fl. 223), não se operou a decadência. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (artigo 136 do CTN). O artigo138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo devido e que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Nenhuma dessas condições se verifica no caso em exame. A redução indevida do recolhimento e a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dão suporte à aplicação da multa de ofício em seu percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento), e não há previsão na legislação tributária para o lançamento da multa de ofício no percentual de 10%. Se a fiscalização entendesse ter havido intuito de fraude, a multa de ofício aplicada seria de 150%: Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Enfim, por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade e os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários nela previstos. Com efeito, o legislador ao elaborar as leis tributárias deve fazer com que estas dêem vigor aos princípios constitucionais da vedação confisco, capacidade contributiva, razoabilidade e proporcionalidade. Portanto, falece competência ao Órgão administrativo para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido é a Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, após inúmeros debates a respeito de sua legalidade e constitucionalidade, e consoante pacífica jurisprudência que se firmou a respeito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou as seguintes Súmulas: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, não há bis in idem na exigência da multa de ofício e dos juros de mora, tendo em vista a natureza indenizatória deste e a natureza punitiva daquela. De fato, o artigo 161 do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Em face ao exposto, afasto a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 320DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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