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Numero do processo: 13811.001682/00-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1995 a 30/09/1995
ÔNUS DA PROVA. PROCESSO DE RECONHECIMENTO CREDITÓRIO.
O artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF, aplicase aos processos de reconhecimento do direito creditório, sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
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PROCESSO DE RECONHECIMENTO CREDITÓRIO. O artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF, aplicase aos processos de reconhecimento do direito creditório, sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 16 82 /0 0- 30 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela contribuinte DOUGLAS INDÚSTRIA ELETRONICA LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de pedido de crédito presumido de IPI, para ressarcimento dos valores referente ao PIS/PASEP E COFINS, com base na Medida Provisória nº 948, de 23/03/1995, relativo ao 3º trimestre de 1995. A Delegacia da Receita emitiu Despacho Decisório indeferindo o pleito, ementado nos termos abaixo transcritos (fls. 240/252): “DESPACHO DECISÓRIO DRF/MNS/Seort, no 382 em 04 de dezembro de 2009. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 1° da Lei n° 9.363/1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. CRÉDITOS DO IPI. DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto n° 20.910/32). PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO.” O acórdão da decisão de primeira instância, que julgou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa (fls. 308/312): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1995 a 30/09/1995 DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GUARDA. RESSARCIMENTO. CONTRIBUINTEAUTOR. ÔNUS DA PROVA. No processo sobre ressarcimento de tributo, o contribuinte é o autor e, como tal, possui o encargo probatório quanto ao fato constitutivo de seu direito. Para tanto, terá que manter e apresentar os livros contábeis e fiscais devidamente acompanhado de documentos que respaldem sua pretensão. Se o sujeito passivo optar por não apresentar tais provas, ficará em situação jurídica desfavorável no processo correspondente. DIREITO CREDITORIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NOTAS FISCAIS. NORMAS DE SEGURANÇA. ELEIÇÃO DA METODOLOGIA DE Fl. 710DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13811.001682/0030 Acórdão n.º 3401002.545 S3C4T1 Fl. 710 3 FISCALIZAÇÃO. RELATIVA DISCRICIONARIEDADE. DEVERES DO ADMINISTRADO. Somente é ressarcivel o crédito com liquidez e certeza. As notas fiscais são regidas por normas de segurança e, portanto, apresentam dados com maior confiabilidade que os livros contábeis que as consolidam. A autoridade fazendária possui relativa discricionariedade para escolher a metodologia mais adequada à tarefa fiscalizatória, só encontrando limites nos direitos e garantias individuais prescritos no artigo 5° do diploma constitucional. Por fim, o administrado tem o dever, perante a Administração, de não agir de modo temerário e de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/07/1995 a 30/09/1995 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PORTARIA MF 129/1995. No âmbito de aplicação da Portaria MF n° 129/1995, que determinava a apuração de crédito presumido com periodicidade anual, o termo inicial de prescrição ocorre em 31 de dezembro do ano em que ocorreram os fatos originadores do mencionado crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Intimado da decisão da instância a quo, em 01/04/2010, conforme faz Aviso de Recebimento da ECT de fls. 313, o Recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 314/324. Em seu recurso, o contribuinte sustenta que de acordo com a legislação, o crédito em questão pode ser compensado com débitos de IPI devidos pelo produtorexportador nas operações de venda no mercado interno. Porém, não sendo possível tal compensação, faz jus o detentor do crédito ao seu ressarcimento em moeda corrente. Foi justamente o que fez a Recorrente com relação ao seu crédito apurado no 3° trimestre do anocalendário de 1995, o qual, contudo, foi indeferido pela primeira instância. Argumenta que não se pode, portanto, sob pena de incorrer em ilegalidade, desconsiderar os livros corretamente escriturados, afirmando que valem menos, como meio de prova, do que notas fiscais, sob a alegação de certa discricionariedade do Fisco para escolha do método probatório. Estarseia, ainda e em verdade, admitindo hipótese de inconstitucionalidade, uma vez que flagrante o desrespeito aos Princípios da Segurança Jurídica e Moralidade Administrativa. No tocante a falta do estorno do crédito presumido pleiteado, alega que este também não pode ser condição impeditiva para o reconhecimento do direito da Recorrente, posto que, à época em que a apresentou seu pedido de ressarcimento de IPI ora em exame, a legislação não exigia a realização do estorno como condição para o reconhecimento dos créditos de IPI. Sustenta que à época do protocolo do pedido de ressarcimento, vigorava a Instrução Normativa SRF nº. 21, de 10 de março de 1997, que dispunha sobre a restituição, o Fl. 711DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Informa que a não homologação do pedido de ressarcimento acarretará o enriquecimento sem causa da Administração Pública, que manterá em seus cofres quantia a que não fazia direito, retendo indevidamente riqueza pertencente Recorrente. Por fim, requer que seja integralmente provido seu recurso, deferindo seu pedido de ressarcimento do crédito de IPI apurado no 3° trimestre do anocalendário de 1995. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos, razão pela qual dele eu conheço. DA NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Protesta a recorrente que a autoridade tributária teria incorrido em nulidade por recusar pedido de diligência, que comprovaria a liquidez e certeza do crédito pleiteado, e que não teria a DRJ analisado as provas acostadas aos autos sob argumento de que a contribuinte já teria sido intimada anteriormente a apresentar documentação probatória e como não o fez, teria ocorrido preclusão temporal. Não assiste razão á defesa. A princípio, cumpre observar o disposto no art. 35, do Decreto n° 7574, de 2011, que regulamenta o Decreto no 70.235, de 1972 (PAF): Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de oficio ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pelaLei n°8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1). Registrese que, em momento processual anterior à análise da DRJ, propôsse a realização de diligência, razão pela qual foi a recorrente intimada a apresentar documentação probatória apta a comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário, mas na ocasião optou em Fl. 712DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13811.001682/0030 Acórdão n.º 3401002.545 S3C4T1 Fl. 711 5 apresentar resposta no qual requer pelo reconhecimento da homologação tácita das compensações. Não há dúvidas, portanto, de que a recorrente, no decorrer de todo o procedimento administrativo, foi alertada em diversas oportunidades sobre a necessidade de produzir prova hábil para comprovar a origem do crédito. Há que se destacar que no processo de reconhecimento creditório o ônus da prova é da contribuinte. Os documentos acostados aos autos pela recorrente foram devidamente analisados. Não cabe pedido de diligência no presente momento processual, para pedir que a contribuinte produza provas que ela poderia e deveria ter produzido no decorrer de todo o processo. Não obstante os esclarecimentos apresentados, no recurso voluntário mais uma vez é apresentada relação de retenções na fonte sem nenhuma explicação de sua utilização, nenhum demonstrativo de apuração para constatar se tais retenções foram efetivamente aproveitadas ou não, se as receitas advindas das retenções foram oferecidas ou não á tributação, além da necessária apresentação da escrituração contábil correspondente. Nesse sentido, não restou comprovada a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. Também indefiro o pedido de diligência, por não se mostrar necessário para a análise do mérito, além de ter sido formulado em desacordo com o previsto no art. 36 do Decreto no 7574, de 2011 (A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito Assim, razão não assiste à recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 713DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004041/2002-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
TEMPLOS DE QUALQUER CULTO - ISENÇÃO. MP N. 2.158.35/01.
A isenção da COFINS prevista no art. 14, inciso X c/c com o art 13, abrange as receitas relativas às atividades próprias da recorrente.
Numero da decisão: 3401-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Robson Jose Bayerl.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 TEMPLOS DE QUALQUER CULTO - ISENÇÃO. MP N. 2.158.35/01. A isenção da COFINS prevista no art. 14, inciso X c/c com o art 13, abrange as receitas relativas às atividades próprias da recorrente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.004041/200226 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.624 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria COFINS Recorrente Associação do Senhor Jesus Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 TEMPLOS DE QUALQUER CULTO ISENÇÃO. MP N. 2.158.35/01. A isenção da COFINS prevista no art. 14, inciso X c/c com o art 13, abrange as receitas relativas às atividades próprias da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Robson Jose Bayerl. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 40 41 /2 00 2- 26 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O contribuinte Associação do Senhor Jesus apresentou Pedido de Restituição protocolizado em 07 de maio de 2002, referente a COFINS do período de 10/03/1999 a 15/02/2002, no importe de R$ 225.681,06, sob alegação de que referidos valores teriam sido pagos indevidamente, já que o interessado se enquadrava no termo TEMPLO DE QUALQUER CULTO, gozando portanto, de isenção. Cumulado com os pedidos de restituição, o contribuinte apresentou pedido de compensação com débitos cadastrados nos processos 10830.004041/200226 e 10830.006462/200372. A o pedido, a Receita Federal do Brasil intimou a associação para esclarecer quais teriam sido os bens vendidos e os serviços prestados pela associação, cuja receita integrou os recursos informados em sua DIPJ. A associação prontamente respondeu à solicitação da fiscalização, informando trataremse que CD`s, DVD`s, Livros, Bíblias, todos relacionados à evangelização, com conteúdo religioso de culto católico. Quanto aos serviços, afirmou trataremse de patrocínios, anúncios na televisão, bem como na revista mensal editada pela entidade. Por fim, destacou que as receitas auferidas são aplicadas integralmente nas atividades fins da entidade. A partir destas informações, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas prolatou o Despacho Decisório – SEORT DRF/CPS, fls. 410 e seguintes, afirmando que a associação não possuiria direito creditório, conforme ementa que segue abaixo transcrita: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO – ISENÇÃO. MP N. 2.158.35/01 – A isenção da COFINS prevista no art. 14, inciso X c/c com o art 13, abrange tão somente as receitas relativas às atividades próprias dos contribuinte ali discriminados. Pedido de Restituição – Declarações de Compensação não homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. Ausência de Direito Creditório – As Declarações de Compensação não devem ser homologadas quando comprovada a AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO a eles correspondentes. A partir do acórdão acima, o contribuinte interpôs Manifestação de inconformidade, fls. 442 e seguintes, alegando, que é possuidora da isenção da COFINS e que os produtos os quais foram por ela vendidos são sim, receita de atividade própria. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.004041/200226 Acórdão n.º 3401002.624 S3C4T1 Fl. 6 3 Em análise à Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, prolatou o acórdão 0522.112, 1a Turma, mantendo o indeferimento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/12/2002 ISENÇÃO. MP n. 2.15835/2001. A isenção da Cofins prevista no art. 13, inciso X, c/c com o art. 13, ambos da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 abrange tãosomente as receitas relativas às atividades próprias dos contribuintes ali discriminados. COFINS. INCIDÊNCIA. A Cofins incide sobre as receitas da pessoa jurídica de caráter contraprestacional, decorrentes das operações de aquisição e venda de livros, artigos e artesanatos, ainda que religiosos. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada. Não satisfeito o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 473 e seguintes, reiterando os argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade, reiterando que possui os requisitos para o gozo da imunidade/isenção da COFINS, nos termos do Código Tributário Nacional. O processo foi distribuído a esta Terceira Seção de Julgamento, que prolatou a resolução 3401000.569, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em 26 de setembro de 2012, resolvendo converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto vencedor do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. O processo foi remetido à origem, tendo a DRF se manifestado nos autos, afirmando que não há registro de qualquer pedido de isenção na Secretaria da Receita Federal, nem mesmo constatouse a existência de Ato Declaratório de Isenção. Intimada a se manifestar, a empresa afirmou que a análise deveria se dar com relação ao Código Tributário Nacional e não quanto ao art. 55 da Lei 8.212/91 e que, apesar de não possuir o CEBAS, ela se enquadrava no termo Templo de Qualquer Culto, razão pela qual seria imune à contribuição. É o breve relato do necessário. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheira Ângela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A isenção pleiteada no caso é a constante no art. 13 e 14 da MP 2.15835/01, in verbis: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 638DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.004041/200226 Acórdão n.º 3401002.624 S3C4T1 Fl. 7 5 III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Das leituras acima, percebese que o art. 14, ‘X’, da MP, positiva que os templos de qualquer culto e as entidades de sem fins lucrativos, são isentas da Cofins. A Recorrente é um TEMPLO que faz jus ao benefício previsto no art. 14, inciso X, c/c o art. 13, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001. De acordo tais dispositivos, "A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto;" e, "em relação aos fatos geradores a partir de I o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Ora, a Associação do Senhor Jesus, conforme comprova seu CNAE, sua única e exclusiva atividade é a de Organização Religiosa, que por si só lhe garante o direito à isenção sob comento. E ainda, pelos próprios termos de seu Estatuto, a Recorrente é uma associação civil de Direito Privado, sem fins econômicos, de natureza católica, comunitária, (...), dedicada a obras de promoção humana e social, educacional e cultural...Tem por objetivo dedicarse a obras de promoção humana e social, educacional e cultural, (...) editoração e vendas de livros, dentre outros. Além disso, dentre as finalidades e objetivos da Recorrente temse como precípuos o desenvolvimento e a difusão do ensino religioso aculturado, cívico, ético, moral, Fl. 639DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 filantrópico e a promoção de ações beneficentes e assistenciais. Nesta qualidade, nos termos do art. 14, inciso X, c/c o art. 13, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, suas receitas, por serem todas afins aos seus objetivos, ou seja, às atividades próprias da entidade, são isentas da COFINS. No entanto, o Acórdão da DRJ, entendeu que a expressão "atividades próprias" deve seguir os termos do parágrafo 2° do art. 47 da IN SRF n° 247/2002, o qual não alcançaria todas as receitas da ora Recorrente. Tratase de interpretação restritiva da norma legal, o que não se pode conceber! Não cabe ao intérprete, em razão de estar interessado em obter mais receitas, amputar o alcance da norma. Toda a regulação administrativa de lei não pode, à evidência, modificar, alterar, reduzir ou elevar o espectro legislativo. Não podem as autoridades, introduzirem elementos modificatorios no texto, objetivando alterar seu sentido ou expor as preferências de quem não tem poder de legislar. Nesse sentido, atividades próprias são aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades (insertas em seu Estatuto Social), alcançando normalmente, não só os recursos provenientes de doações, contribuições, mensalidades, mas todos aqueles destinados ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários, auferidas sem o intuito de lucro e unicamente para fazer frente aos seus gastos. Na hipótese em comento, gastos com a manutenção da Recorrente e, se assim não o fosse, esta estaria fadada ao perecimento. Destaquese novamente o Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CST n° 162 de 11/09/1974, publicado no DOU de 17/10/1974, que definiu com clareza os exatos termos da abrangência da expressão atividades próprias, e, se aplica perfeitamente ao caso em tela, já que nenhum outro instituto cuidou de fazêlo, senão vejase: EMENTA As isenções do art. 25 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 58.400/66) referemse a eventual lucro em atividades que se integrem nos objetivos ou finalidades da entidade, estritamente consideradas. (...) 7. Sociedade religiosa que mantém anexo ao Templo, livraria para venda de livros religiosos, didáticos, discos com temas religiosos e artigos de papelaria, visando a divulgação do Evangelho, não terá o eventual lucro tributário. Da mesma forma o resultado da venda de dádivas ou donativos que os fiéis depositam nos altares e cofres dos Santuários, por ser esta uma forma de que se servem os ofertantes, para reverenciarem o alvo de sua crença. 8. O mesmo não ocorre, porém, se a associação religiosa exercer atividade de compra e venda de bens não relacionados à sua finalidade, quando então deixará de fazer jus à isenção, devendo efetuar a escrituração do modo usual como Fl. 640DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.004041/200226 Acórdão n.º 3401002.624 S3C4T1 Fl. 8 7 procedem os comerciantes, cumpridas as disposições do Decreto n° 64.567 de 22/05/69. (...) Da inteligência do referido Parecer Normativo, constatase que restou definido com clareza o sentido da expressão atividades próprias, que deve prevalecer para o caso em testilha, sobretudo o seu item 7.Por seu turno, a Solução de Consulta n° 217 da 9o Região Fiscal (DOU 04/08/2006) traz a seguinte ementa: A receita auferida por instituição de assistência social, oriunda de aluguel de imóvel, não será tributada pelo IRPJ, CSLL, PIS e COF1NS, em face da imunidade que gozam estas entidades, uma vez que esse rendimento relacionase com suas finalidades essenciais, não caracterizando ato de natureza econômico financeira, e desde que a renda assim auferida, seja integralmente aplicada nas suas atividades fins. Ora, se sobre os aluguéis de imóveis não incidem os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para a instituição de assistência social, por que então exigir a COFINS sobre a venda de produtos religiosos de um templo religioso. Ainda que referidas decisões estejam relacionadas à imunidade em relação aos impostos, igual entendimento deve ser adotado para a isenção de que trata a Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001 relativa à COFINS, ou seja, ainda que os recursos financeiros da Associação não sejam em sua totalidade oriundas de doações de seus associados, desde que sejam revertidas para suas finalidades essenciais, isto não lhe retira o direito à mencionada isenção. Especificamente no caso da Recorrente, a partir da realização de diligências junto às suas dependências, bem como da análise de seus livros, a d. Auditora concluiu que a "entidade se enquadra como 'TEMPLO DE QUALQUER CULTO', com objetivos de cunho religioso, mantendo estrutura para a prática e a difusão de culto à religião católica, bem como a produção de conteúdos informativos e religiosos, vinculados através de meios de comunicação. (TVSéculo 21, revista Brasil Cristão, site www.asj.org.br)". Ou seja, confirmou tratarse de um TEMPLO DE QUALQUER CULTO, cujas atividades em sua totalidade são revertidas à manutenção de seus objetivos de cunho religioso. Nesta linha de pensamento a referida Medida Provisória n° 2.15835, §2°, art. 14, foi expressa quanto às receitas que não estariam isentas da COFINS. Desta forma, as receitas oriundas das atividades próprias da Recorrente, como ficou comprovado em linhas precedentes, não foram alvo de exclusão pela Medida Provisória, devendo ser consideradas em sua totalidade como isentas. No entendimento exarado no Acórdão recorrido somente as doações estariam isentas da COFINS. Da mesma forma, concluiu o ilustre Relator do presente Recurso que "ainda que de cunho religioso, considero que as receitas auferidas com a venda de "CD", "DVD", camisetas, livros, bíblias etc, bem como a prestação de serviços descrita acima [veicidação de patrocínio, anúncios na televisão e na revista mensal editada], não estão contempladas pela isenção, porquanto, ao contrário do que alega a Recorrente, caracterizam, sim, atividade típica de comércio de forma a Fl. 641DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 estabelecer a concorrência junto aos demais comerciantes, estes, na sua maioria, não protegidos por qualquer regra de isenção quanto à Cofms. A meu ver, a isenção alcança apenas as receitas escrituradas a título de dízimo, doações, ou de contribuições, dentre outras com essas características, as quais, todavia, não constam do rol identificado pela fiscalização e que motivou a glosa do crédito ora postulado. " Ora, é evidente que as doações seriam isentas, mas o termo "receitas" empregado no caput do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.15835 deve ser entendido de forma ampla. O que deve ser interpretado de forma restrita é o seu inciso X, posto que, referidas receitas têm, necessariamente, que ser provenientes de atividades próprias, isto é, sem desvirtuamento do objetivo a que se propõe a entidade. Desta forma, a Recorrente, enquanto organização religiosa que é, atende todos os requisitos para o gozo da isenção prevista na Medida Provisória 2.15835/2001 devendo haver a restituição do saldo dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título de COFINS, consoante planilha já acostada aos autos, os quais deverão ser atualizados até a data do pagamento, bem como sejam homologadas as compensações realizadas utilizando este crédito para quitação do PIS Folha de Salário. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar provimento. Ângela Sartori Fl. 642DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 16561.720096/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este Conselho Administrativo para examinar aventada onerosidade ou constitucionalidade destes consectários.
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Angela Sartori, Raquel Motta Brandão Minatel e Claudio Monroe, que davam provimento quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este Conselho Administrativo para examinar aventada onerosidade ou constitucionalidade destes consectários. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas legais válidas e vigentes, havendo expressa vedação legal neste sentido conforme art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este Conselho Administrativo para examinar aventada onerosidade ou constitucionalidade destes consectários. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 96 /2 01 1- 71Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 o tributo devido, constituise em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Angela Sartori, Raquel Motta Brandão Minatel e Claudio Monroe, que davam provimento quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Cuidase, na espécie, de auto de infração de CIDE – Remessas ao Exterior, englobando fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007. Considerando as especificidades do processo, sirvome de parte do relatório da decisão de primeiro grau administrativo para composição deste aresto: “2. No decorrer do procedimento fiscal [...], verificamos que parte do crédito tributário apurado foi depositado integralmente pela fiscalizada, suspendendo a exigibilidade do respectivo crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal nº 01. 3. Dessa forma, separamos o crédito tributário apurado em dois Termos de Verificação Fiscal e dois Processos Administrativos Fiscais distintos, sendo um com exigibilidade suspensa (PAF nº 16561.720066/201165) e o outro sem exigibilidade suspensa (PAF nº 16561.720096/201171). 4. O presente Termo trata do crédito tributário SEM depósito integral. Portanto, não está com sua exigibilidade suspensa. [...] 4. Verificamos que há diversos Mandados de Segurança impetrados pelo contribuinte que estão sendo julgados, dos quais destacamos o seguinte: a. 2009.61.00.0232110: Neste processo o contribuinte busca a inexigibilidade da CIDE sobre os pagamentos realizados ao exterior nas hipóteses fáticas descritas nos contratos de prestação de serviços junto a diversas subsidiárias do grupo SAP. Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16561.720096/201171 Acórdão n.º 3401002.705 S3C4T1 Fl. 11 3 b. No certidão de objeto e pé, lêse na sentença o seguinte (folhas 380/385) ‘Face ao exposto, DEFIRO EM PARTE A LIMINAR postulada, para depositar em juízo a CIDE incidente sobre as remessas efetuadas pela impetrante às subsidiárias do grupo SAP como contraprestação pelos serviços objeto dos contratos anexados aos autos, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no artigo 151, II, CTN, desde que o limite do depósito levado a efeito nos autos seja no montante integral do crédito tributário exigido...’ c. Posteriormente, na sentença às folhas 440/446: ‘... Face a todo o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido e em conseqüência DENEGO a segurança...’ d. O julgamento deste processo ainda continua com a apelação do contribuinte. e. No processo judicial (Mandado de Segurança) 2010.00.0075961 consta a seguinte informação: Certifica constar às fls.471/475 decisão deferindo a liminar requerida para assegurar à impetrante o direito de recolher o IRRF incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando nos autos do MS nº 2009.61.00.023211.0 o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10% sobre os valores dos contratos, bem como para lhe assegurar, após o trânsito em julgado daquele mandado de segurança, a regularização de seus recolhimentos à título de CIDE e IRF, mediante o procedimento de emissão de ‘redarf’, de conformidade com o que restar decidido. Certifica constar às fls.534/540 sentença julgando procedente o pedido, extinguindo o processo com resolução do mérito nos termos do art.269, inciso I do CPC, confirmando a liminar anteriormente concedida, para o fim de assegurar à impetrante o direito de recolher o IRF incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando nos autos do MS nº 2009.61.00.023211.0 o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10% sobre os valores dos contratos, bem como para lhe assegurar, após o trânsito em julgado daquele mandado de segurança, a regularização de seus recolhimentos à título de CIDE e IRF, mediante o procedimento de emissão de ‘redarf’, de conformidade com o que restar decidido, ou seja: caso não tenha que recolher a CIDE, estará sujeita ao IRF de 25%, previsto no art.685, inciso II , ‘a’ do RIR (Dec.3000/99) e, caso tenha que recolher a CIDE de 10%, estará, então, sujeita ao IRF de 15%, em razão da redução prevista no art. 2ºA da Lei 10.168/2000 (artigo incluído pela Lei 10332/2001)... 5. Portanto, no processo judicial nº 2010.00.0075961 o juiz sentencia o pagamento do IRRF de 15% enquanto "estiver efetuando nos autos do MS nº 2009.61.00.023211.0 o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10%. Caso necessário, após o trânsito em julgado regularizar o recolhimento do CIDE e IRF, mediante o procedimento de emissão de ‘redarf’de conformidade com o que restar decidido.’ 6. No caso em pauta, o contribuinte deve depositar em juízo a CIDE de 10% e em conjunto o IRF de 15% sobre as remessas ao exterior para as suas subsidiárias. 7. Ocorre que o contribuinte recolheu o IRF á alíquota de 25% e o declarou em DCTF. Porém, não efetuou o depósito judicial da CIDERE. 8. Verificamos também que o contribuinte não declarou o valor da CIDE na DCTF Declaração de Créditos Tributários Federais. Portanto, o crédito tributário Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 não foi crnstitu. » até o início deste procedimento fiscal, o que será feito de ofício por esta fiscalização. [...] 14. [...] os serviços administrativos contratados entre as partes (SAP Brasil e outras filiais da SAP no exterior) referemse à auditoria, marketing, administração de recursos humanos entre outros. Estes serviços listados são considerados como assistência administrativa, e sofrem a incidência do CIDERE. (...)” (destaques no original) A impugnação, após historiar a legislação da CIDERE, principalmente as alterações promovidas, sustentou sua inconstitucionalidade e descabimento em relação às suas atividades, ao passo que os serviços prestados não se subsumiriam à hipótese de incidência da contribuição. Em relação às ações judiciais mencionadas pela fiscalização, mais uma vez socorrome do relatório da decisão a quo, que bem sintetiza a manifestação do contribuinte: “13. [...] a CIDE não deve ser exigida sobre os pagamentos pela prestação dos serviços objeto da presente autuação. E por entender dessa forma, desde 1.1.2005 (data de início das relações de prestação de serviços objeto dos contratos mencionados no item 8 acima) a Requerente vinha efetuando a retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (‘IRF’) à alíquota de 25% sobre os pagamentos ao exterior pela prestação dos serviços que ora se discute, em consonância com o disposto no artigo 685, inciso II, alínea ‘a’ do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR) em relação aos denominados serviços "puros", conforme demonstram as DARFs anexas (doc nº 11), relativas às remessas realizadas pela Requerente no ano de 2007. 14. [...] [foi ajuizado] o Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0232110, posteriormente renumerado para 002321164.2009.403.6100 [...], por meio do qual pretende ver reconhecida a inexigibilidade da CIDE sobre as remessas feitas ao exterior com base nos [referidos] contratos de prestação de serviços [...]. 15. [...] o entendimento expresso na r. sentença é no sentido de que apenas uma dentre as hipóteses de incidência da CIDE previstas na Lei nº 10.168/00 apresenta a transferência de tecnologia como aspecto material indispensável à incidência da referida contribuição, e que a hipótese tratada naqueles autos não estaria sujeita a tal tratamento legal. 16. [...] em face do teor da mencionada sentença, a Requerente passou a realizar nos autos do Mandado de Segurança nº 002321164.2009.403.6100 os depósitos judiciais de CIDE, à alíquota de 10%, sobre os pagamentos vincendos relativos aos contratos em discussão, de modo a suspender a sua exigibilidade e evitar a imposição de penalidades (doc nº 14). [...] a Requerente passou então a efetuar a retenção e recolhimento do IRF sobre tais remessas à alíquota de 15%. Contudo, a realização de tais depósitos poderia implicar risco de a Requerente vir a ser futuramente autuada e demandada pela autoridades fiscais, em razão da conseqüente redução da alíquota de 25% para 15% na retenção do IRF incidente sobre as mesmas remessas que a Requerente passou a adotar a partir da realização de referidos depósitos judiciais a título de CIDE. 17. [...] a Requerente também estava diante do iminente risco de ser autuada e demandada pelas autoridades fiscais para realizar o pagamento da CIDE à Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16561.720096/201171 Acórdão n.º 3401002.705 S3C4T1 Fl. 12 5 alíquota de 10% supostamente incidente sobre as remessas efetuadas no passado ao exterior, o que a colocaria diante da excessiva e ilegal carga tributária de 35% sobre a remuneração dos serviços mencionados acima. 18. [...] [por isso, foi impetrado] o Mandado de Segurança que foi distribuído à 22ª Vara Federal de São Paulo/SP sob o n° 000759697.2010.403.6100 [...], para o fim de que fosse determinado em sede de liminar: (i) que as autoridades fiscais se abstenham de impor à Requerente quaisquer penalidades relativas à cobrança da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Requerente ao exterior desde 1.1.2005 até o momento em que iniciou a realização de depósitos judiciais no Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, posto que a carga tributária máxima (25%) sobre os pagamentos decorrentes dos contratos foi recolhida à União Federal (IRF à alíquota de 25%) e, por outro lado, caso a Autoridade Administrativa constitua o crédito tributário relativo à CIDE, que o faça sem a imposição de penalidade tendo em vista o recolhimento máximo da carga tributária sobre os fatos em questão; bem como (ii) a suspensão da exigibilidade da diferença entre as alíquotas de 15% (que então passou a ser aplicada pela Requerente nas retenções subsequentes de IRF) e 25% de IRF sobre as futuras remessas ao exterior para pagamento dos serviços objeto dos referidos contratos, até a prolação de decisão final a respeito da exigibilidade da CIDE sobre tais serviços nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100. 19. A Requerente também requereu em sua inicial que, após a apreciação do pedido liminar relatado acima, (i) seja o Mandado de Segurança n° 000759697.2010.403.6100 suspenso até o julgamento final do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, nos termos do artigo 265, IV, "a", do CPC, (ii) bem como a concessão integral da segurança para que, na hipótese de ser reconhecida nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100 a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos realizados ao exterior relativos aos referidos contratos de prestação de serviços, seja expedida ordem judicial determinandose às autoridades administrativas competentes a retificação dos DARFs relativos aos recolhimentos de IRF à alíquota de 25% realizados antes da propositura do Mandado de Segurança n° 000759697.2010.403.6100 para que reste consignado que dos 25% recolhidos sob a rubrica de IRF, 10% sejam reconhecidos como tendo sido recolhidos a título de CIDE e os restantes 15% a título de IRF. 20. Regularmente processado o feito, foi deferida a medida liminar pleiteada pela ora Requerente (doc n° 16), o que foi posteriormente confirmado com a prolação da sentença favorável à Requerente (doc n° 17). Em outras palavras, a referida decisão judicial, conforme se verá melhor ao longo da presente impugnação, reconheceu, de forma implícita, que a CIDE exigida no Auto ora combatido já está recolhida. (...) 100. [...] a sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000759697.2010.403.6100 garantiu à Requerente, de forma expressa, o ‘direito de recolher o Imposto de Renda na fonte incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0232110 [correspondente ao nº 002321164.2009.403.6100] o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10% sobre os valores dos contratos, bem como para lhe assegurar, após o trânsito em julgado daquele mandado de segurança, a regularização de seus recolhimentos a título de CIDE e IRF, Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 mediante o procedimento de emissão de ‘redarf’, de conformidade com o que restar decidido, ou seja: caso não tenha que recolher a CIDE, estará sujeita ao IRF de 25% previsto no artigo 685, inciso II, ‘a’ do RIR (Dec. 3000/99). Caso tenha que recolher a CIDE de 10%, estará então sujeita ao IRF de 15%, em razão da redução prevista no artigo 2°A da Lei 10.168/2000 (artigo incluído pela Lei 10.332/2001)." (sem destaque no original). 101. Portanto, se já não bastasse a existência de duas ações judiciais (complementares) que tratam da exigência da CIDE objeto da autuação fiscal ora impugnada, a sentença acima citada também garantiu à Requerente o direito à regularização dos recolhimentos de CIDE e IRF por meio de "redarfs" a serem processados de acordo com o que vier a ser decidido nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100 com relação à exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos ao exterior pela prestação dos serviços em questão. Resta claro, então, que houve o reconhecimento, pelo Poder Judiciário, em sede de liminar, de que a carga tributária máxima aplicável às remessas em questão é de 25%. 102. [...] ao garantir à Requerente tanto em sede de liminar como na própria sentença judicial o direito à regularização dos recolhimentos de CIDE e IRF (conforme visto acima), o Poder Judiciário reconheceu que os valores eventualmente devidos pela Requerente a título de CIDE (a depender do que vier a ser decidido nos autos do Mandado de Segurança n° 0023211¬64.2009.403.6100) já foram recolhidos aos cofres públicos e encontramse extintos, a teor do artigo 156, inciso I, do CTN. Na pior das hipóteses caberá apenas a emissão de "redarfs", eis que o tributo (seja a CIDE ou a complementação de IRF) já foi recolhido pela Requerente.” (destaques no original) Prossegue o contribuinte em sua contestação alegando a excessividade da multa de ofício aplicada, o que configuraria verdadeiro caráter confiscatório; que seria incabível a fluência de juros de mora porque agiu amparado por decisões judiciais, além da existência de depósitos judiciais; que é inadmissível a adoção da SELIC como juros moratórios; e , que é inconcebível a incidência de tal consectário (juros de mora) sobre a multa de ofício. A DRJ São Paulo I/SP não conheceu em parte da matéria, por opção pela via judicial, e, na parte conhecida, reputou a impugnação improcedente em decisão assim ementada: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. As matérias já suscitadas perante o Poder Judiciário não podem ser apreciadas na via administrativa. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. LEGALIDADE. Nos termos da Lei n.º 9.430, de 1996, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, acumulada mensalmente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora.” Em recurso voluntário o contribuinte reconheceu a concomitância da discussão acerca da CIDERE, inclusive a aplicação da súmula CARF nº 1, no entanto, defendeu a improcedência do lançamento e da renúncia ao direito de recorrer, pois os mandados de segurança são anteriores àquele e os recolhimentos já foram efetuados pela sua alíquota máxima (25%), a título de IRF, e, acaso venham a ser julgados improcedentes, bastaria Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16561.720096/201171 Acórdão n.º 3401002.705 S3C4T1 Fl. 13 7 a adoção do procedimento de “redarf”, com redistribuição da parcela da CIDE (10%) e do IRF (15%); em longo arrazoado, repisou que a prestação de serviço objeto da autuação não sofre a incidência da CIDE por não haver transferência de tecnologia; pugnou pela improcedência da multa e dos juros aplicados, seja pelo caráter confiscatório da multa de ofício, seja pela ausência de infração; e, por fim, contestou os juros moratórios à taxa SELIC, bem como, sua aplicação sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, ressalvada a verificação de fato extintivo do direito de recorrer em relação a parte da matéria deduzida, consistente na renúncia ao contencioso administrativo, como se passa expor. Com efeito, respeitante à incidência da CIDERE sobre os serviços prestados pelo recorrente, é inquestionável a opção pela via judicial, como aliás, reconhece o próprio interessado, não sendo descabido frisar que o recurso ao Poder Judiciário implica em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso administrativo porventura apresentado, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destacado) Não discrepa, quanto a substância, o teor do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Desta Casa Julgadora, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que trancrevo: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (grifei) Da leitura dos excertos coligidos, inferese sem maiores dificuldades que a legislação de regência afastou qualquer possibilidade de discussão paralela acerca de tema submetido tanto à esfera administrativa quanto a judicial, prevalecendo sempre este último em vista do monopólio da jurisdição, pouco importando que esta opção seja anterior ao lançamento, como alega o recorrente, uma vez que a submissão da causa ao Poder Judiciário redunda sempre na renúncia ao direito de recorrer ou na desistência do recurso interposto, como adrede referenciado. Tocante à improcedência do lançamento, como bem enfrentado pela decisão combatida, a atividade de lançamento é exclusivamente vinculada e, como tal, obrigatória, não permitindo qualquer discricionariedade ou juízo de valor por parte da autoridade administrativa acerca da conveniência ou oportunidade de sua prática, a teor das disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional. Tanto assim que mesmo nas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário é prevista a realização do lançamento, consoante art. 63 da Lei nº 9.430/96, cumprindo trazer a lume, ainda, o verbete nº 48 da Súmula CARF, verbis: “a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração.” Outrossim, considerando que as ações judiciais em comento continuam em trâmite nos respectivos tribunais, mostrarseía prematura e nada conservadora qualquer decisão tendente a reputar as autuações desnecessárias, mesmo porque, após o trânsito em julgado das decisões lá proferidas, caberá às autoridades administrativas que figuram no pólo passivo daqueles mandamus os ajustes necessários ao devido cumprimento dos provimentos exarados. Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16561.720096/201171 Acórdão n.º 3401002.705 S3C4T1 Fl. 14 9 No que tange à onerosidade da multa de ofício, temse que tal consectário encontra respaldo em lei, art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este Conselho Administrativo aquilatar aspectos atinentes à sua natureza, por força da súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Na mesma linha intelectiva, a adoção da taxa SELIC como indexador de juros está devidamente insculpida no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96 e como não há qualquer manifestação do plenário do excelso pretório a respeito de sua inconstitucionalidade, por expressa vedação legal, não há qualquer possibilidade de negar vigência ao dispositivo em comento, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Como não bastasse, a matéria hodiernamente encontrase sumulada no âmbito do CARF (Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.) Por derradeiro, relativamente à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício consubstanciada no auto de infração, também não assiste razão ao recorrente. Com efeito, consoante o já ventilado art. 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos decorrentes de tributos administrados pela RFB serão atualizados pela taxa SELIC, sendo que a utilização da expressão “débitos decorrentes”, em minha opinião, açambarca os consectários vinculados aos tributos, no caso específico, a multa de ofício aplicada, cuja constituição ocorre juntamente com a formalização do crédito tributário correspondente ao tributo, mediante lavratura do competente auto de infração ou mesmo notificação de lançamento. Cumpre anotar que, enquanto não estiver constituída através de lançamento, por ser a penalidade em questão multa de ofício decorrente de um procedimento de fiscalização, não cabe sua atualização monetária, tanto assim que no instrumento de constituição (auto de infração ou notificação de lançamento) a multa incide apenas sobre o valor histórico do tributo conjuntamente lançado, limitandose os juros moratórios à atualização desta parcela. Todavia, após a formalização do lançamento, tributo e penalidade passam a compor o crédito tributário integral, devendo tal montante submeterse à fluência dos juros de mora à taxa SELIC. Portanto, o lançamento e a decisão de piso não merecem qualquer reparo, devendo ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 10 Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 13804.001267/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de restituição de FINSOCIAL, período fevereiro/1989 e abril/1992, cujo indébito foi reconhecido nos autos do MS 93.00179470, o qual foram atreladas compensações com débitos de Cofins. O despacho decisório asseverou que houve indevida exclusão do ICMS da base de cálculo do FINSOCIAL, na apuração do indébito, bem como, desconsiderou no cômputo um documento de arrecadação (09/91) não localizado nos sistemas da RFB, conseqüentemente o crédito foi reconhecido parcialmente e, na mesma proporção, homologadas as compensações. Cientificado, o contribuinte opôs manifestação de inconformidade onde alegou a ocorrência de homologação tácita das compensações, uma vez que realizadas nos moldes do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 01 26 7/ 20 03 -6 1Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13804.001267/200361 Resolução nº 3401000.821 S3C4T1 Fl. 3 2 art. 66 da Lei nº 8.383/91; que o ajuste efetuado no direito de crédito, pela inclusão do ICMS, exigiria a constituição do crédito tributário correspondente, em face do excesso de compensação; que o direito à aludida constituição de crédito estaria colhida pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; que houve prescrição do direito de exigir a Cofins compensada, porquanto, declarada em DCTF, não foi cobrada dentro do qüinqüênio legal; que era cabível o abatimento do ICMS da base de cálculo do FINSOCIAL; que o recolhimento relativo a setembro/1991 estava devidamente comprovado nos autos; e, que houve equívoco no critério adotado na imputação dos pagamentos realizados. A DRJ São Paulo I/SP julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPROCEDÊNCIA. Não se vislumbra a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas, quando a empresa apresenta Dcomp antes do término do prazo para uma eventual cobrança dos débitos e a Administração a analisa dentro do prazo estabelecido por lei. DIREITO CREDITÓRIO. VERIFICAÇAO DA BASE DE CÁLCULO. A verificação da base de cálculo do tributo é cabível no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo. Desnecessário o lançamento de oficio se essa verificação não objetiva a constituição do crédito tributário, mas a conferência da regularidade do procedimento adotado pela pessoa jurídica. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Para ter direito à repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo apresentar provas cabais e inequívocas de que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. BASE DE CÁLCULO. ICMS SOBRE AS VENDAS. A parcela relativa ao ICMS integra o preço de venda de mercadorias e serviços e, consequentemente, o faturamento, que é a base de cálculo do FINSOCIAL. É vedada a sua exclusão da base de cálculo, por falta de previsão legal. COMPENSAÇÃO. FORMA DE IMPUTAÇÃO. A regra de imputação de pagamentos estabelecida no artigo 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária.” O recurso voluntário, com alguma variação, repisou a argumentação já deduzida. É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13804.001267/200361 Resolução nº 3401000.821 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. O caso vertente envolve compensação de indébito de FINSOCIAL, relativo ao período fevereiro/1989 a abril/1992, com débitos de Cofins, período julho/1993 a janeiro/1995, porém, através de entrega de declaração de compensação protocolada em 12/03/2003. O recorrente argumentou que a compensação já se realizara na contabilidade, no âmbito do lançamento por homologação, por ocasião da ocorrência do fato gerador, como permitia o art. 66 da Lei nº 8.383/91, correspondendo a “declaração de compensação” (fls. 01/03) apenas à formalização deste procedimento, daí porque sustentou a homologação tácita de sua realização. Para comprovar as alegações juntou cópia das DCTFs e do livro contábil com os lançamentos correspondentes aos meses de novembro/1994 a janeiro/1995, exigidos neste processo em decorrência do reconhecimento parcial do direito creditório. Pois bem, hodiernamente é pacífico na jurisprudência, tanto administrativa, como judicial, que o FINSOCIAL e a Cofins são tributos da mesma espécie e destinação constitucional (e.g. AgRg no REsp 882069/SP, REsp 1018707/SP, EDcl no REsp 887063/SP, Acórdão 20177.032, acórdão 201101.205, acórdão 3801001.802, etc.), de maneira que se aplicava à compensação entre ambos os tributos as disposições do art. 66 da Lei nº 8.383/91, cuja vigência cessou apenas com o advento da Lei nº 10.637/02. Como evidenciado alhures, os períodos de apuração objeto de compensação são anteriores à vigência da Lei nº 10.637/02, todavia, o protocolo do formulário “declaração de compensação” lhe é posterior, assim, erigese uma questão de fato que necessita ser esclarecida para que se possa prosseguir o julgamento: houve efetivamente compensação nos moldes do art. 66 da Lei nº 8.383/91? O recorrente, como dito, trouxe um acervo que, a meu juízo, equivale a um princípio de prova, e digo isto porque, isoladamente não é possível concluir que houve aludida compensação. A uma, devido à apresentação da contabilização apenas dos débitos ora exigidos; a duas, porque os valores registrados não coincidem com aqueles declarados. Por outro lado, as DCTFs colacionadas foram apresentadas na data aprazada, sendo que os valores lá informados, na condição sub judice, são idênticos àqueles indicados na “declaração de compensação” constante deste processo. Portanto, o conjunto probatório produzido nestes autos justifica a conversão do julgamento em diligência para que seja providenciado o seguinte: 1. Verificar na escrita contábil/fiscal do contribuinte a existência de lançamentos que correspondam à compensação da Cofins, período julho/1993 a janeiro/1995, com o direito creditório oriundo de FINSOCIAL; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13804.001267/200361 Resolução nº 3401000.821 S3C4T1 Fl. 5 4 2. Informar se as DCTFs anexadas pelo contribuinte, na manifestação de inconformidade, foram posteriormente retificadas e, em caso positivo, providenciar a juntada dos extratos das declarações ativas; 3. Elaborar relatório circunstanciado da situação encontrada com as observações que julgar necessárias; e, 4. Cientificar o contribuinte interessado do relatório produzido e franquearlhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Findo o procedimento e o prazo concedido, com ou sem sobredita manifestação, devolvamse os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721144/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Henrique Lemos.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
André Henrique Lemos Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em função de ter se declarado impedido o conselheiro Tiago Guerra Machado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Henrique Lemos. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator André Henrique Lemos Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em função de ter se declarado impedido o conselheiro Tiago Guerra Machado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Henrique Lemos. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator André Henrique Lemos – Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em função de ter se declarado impedido o conselheiro Tiago Guerra Machado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 21 14 4/ 20 10 -8 1Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 10480.721144/201081 Resolução nº 3401001.378 S3C4T1 Fl. 4 2 Relatório Cuidase, na espécie, de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, 3º dec.janeiro/2005 a 3º dec.março/2008, em razão da falta de lançamento e aproveitamento indevido de créditos do imposto. Por bem refletir a contenda travada nestes autos, tomo por empréstimo o relatório da decisão administrativa de piso: “De acordo com o que consta dos referidos autos de infração e do termo de informação fiscal (fls. 103/116) que pormenoriza os procedimentos e constatações que dizem respeito à autuação, o lançamento foi efetuado por ter sido verificada a ocorrência das seguintes infrações: 1) Saída de bens de produção (malte, filme contrátil liso, solvente e estabilizante) e de produtos acabados (Guaraná Antarctica Amazônia bag in Box 1) sem o lançamento do imposto. 2) Utilização indevida de crédito básico relativo a produtos sujeitos ao regime de tributação estabelecido pela Lei nº 7.798/89 – relacionados na Tabela 1 do termo de informação fiscal recebidos por transferência de filial localizada em Jundiaí/SP, com o imposto destacado nas notas fiscais, e destinados à comercialização. 3) Utilização indevida de crédito incentivado referente a aquisições de produtos destinados à industrialização, oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), efetuadas junto às empresas Arosuco Aromas e Sucos, PepsiCola Industrial da Amazônia, (e) Crown Tampas da Amazônia (...), com a isenção prevista no inciso II do art. 69 do RIPI/2002, a qual não propicia direito ao referido crédito, passivo de aproveitamento apenas quando das aquisições de produtos elaborados por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, saídos com a isenção prevista no art. 82, inciso III, do RIPI/2002, na forma preconizada pelo art. 175 do mesmo diploma legal. Regularmente cientificado do lançamento, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 1.076/1.100, apresentando, resumidamente, as seguintes razões de defesa: a) Com base no inciso III do art. 151 do CTN, ressalta a necessidade de concessão do efeito suspensivo relacionado à cobrança do crédito tributário lançado. b) Por meio de preliminar, afirma que houve ofensa ao seu direito ao contraditório e a ampla defesa e requer a nulidade da autuação, alegando descumprimento de formalidades prescritas em lei. c) A respeito do tema, sugere que teriam sido cometidas contradições pelas autoridades autuantes ao procederem à lavratura do auto de infração. Sustenta a existência de informações divergentes quanto aos valores concernentes à aplicação da multa de 75% (...) e quanto ao período em relação ao qual caberia a sua imputação. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10480.721144/201081 Resolução nº 3401001.378 S3C4T1 Fl. 5 3 d) Defende a exclusão, da base de cálculo da penalidade aplicada, dos valores correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2007 e junho de 2009, posto que tal período não estaria apontado no ‘Demonstrativo de Multa e Juros de Mora’. e) Em complemento à preliminar de nulidade formulada, aduz ainda que a fiscalização teria adotado premissas equivocadas. Quanto à questão, primeiramente argumenta que o Guaraná Antárctica Amazônia Bag in Box 1, ao contrário do que indicado pelos agentes autuantes, não é produto próprio, pois seria produzido pela Arosuco Aromas e Sumos Ltda. e, por fim, contesta a informação de que os concentrados fornecidos pela PepsiCola não possuiriam insumos de origem vegetal da Amazônia, alegando ter conhecimento de que estes seriam produzidos com extrato de cafeína natural da referida região. Cita o art. 5º, inciso LV, da CF e transcreve o art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, além de ementa de decisão judicial. f) Com fundamento no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), apresenta preliminar de decadência dos lançamentos referentes ao período compreendido entre janeiro e maio de 2005. Aduz que na hipótese ora analisada não caberia o deslocamento da regra de decadência para o comando contido no art. 173, inciso I, do CTN, em razão de não se estar a tratar de ausência de pagamento, mas sim de suposto creditamento irregular. g) No mérito, ratifica sua discordância em relação à autuação que lhe foi imposta, mas expressa a intenção de recolher os valores concernentes à primeira infração indicada, que diz respeito à saída de bens de produção e de produtos acabados sem lançamento do imposto, pleiteando o reconhecimento da extinção do crédito tributário correspondente. h) Defende o seu direito aos créditos básicos desconsiderados pela fiscalização, argumentando que teria ocorrido a opção pela suspensão prevista no art. 42, inciso X, do RIPI/2002. i) Tomando como base a nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 153, § 3º, II, da CF, alega que se credita do imposto nas entradas e, posteriormente, transfere os produtos com suspensão para o Centro de Distribuição, que por sua vez apura e recolhe o IPI nas saídas, na qualidade de estabelecimento equiparado a industrial. Com vistas a fundamentar a tese esposada, apresenta excertos de Processo de Consulta (nº 131/04 da SRRF/8ª Região Fiscal) e de entendimento doutrinário. j) Contesta a glosa dos créditos incentivados, afirmando que o princípio da nãocumulatividade, no que tange ao IPI, deve ser interpretado de forma absoluta, sem qualquer restrição. Expressa o entendimento de que, independentemente de as entradas dos insumos utilizados no processo produtivo ou as saídas dos produtos industrializados serem objeto de isenção ou não incidência, deverá ser assegurado o direito ao crédito relativamente ao tributo suportado. k) Quanto ao tema, acresce que a isenção debatida, relacionada à Zona Franca de Manaus, visa ao desenvolvimento da região amazônica, nos moldes do artigo 3º da CF, razão pela qual, a aplicação do princípio da não Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 10480.721144/201081 Resolução nº 3401001.378 S3C4T1 Fl. 6 4 cumulatividade nestes casos tornase ainda mais imperativa, sob pena de se impossibilitar tal objetivo. l) Em favor da sua tese, apresenta excerto de julgado do STF, proferido no RE 212.4842, e contesta argumentos que teriam sido utilizados pela fiscalização, com base em decisões judiciais expressas no RE 353.657/PR e no RE 590.809/RS, que não estariam condizentes com o real conteúdo das referidas decisões. m) Volta a contestar informação prestada pela PepsiCola, que negou a existência em seus concentrados de insumos de origem vegetal da Amazônia, pleiteando que seja encaminhada nova intimação a referida empresa. n) Alega que o teor das respostas a Processos de Consulta formulados junto ao fisco Federal expressariam entendimento que lhe seria favorável (Processos de Consulta nos 13/06 e 175/01). o) Utilizandose dos mesmos argumentos já apresentados em preliminar, contesta a multa de ofício aplicada.” A DRJ Recife/PE manteve integralmente o lançamento em decisão assim ementada: “FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ISENÇÃO DO IPI POR FORÇA DO ART. 69, II, DO RIPI/2002. INSUMOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO PARA O ADQUIRENTE. O adquirente de insumos isentos do IPI por força do art. 69, II, do RIPI/2002, industrializados na Zona Franca de Manaus, não tem direito a crédito do imposto, nas referidas aquisições. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. A nãocumulatividade do IPI é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos não admitidos pela legislação tem sua base legal no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento do IPI é punida com a multa de 75% do valor do imposto não recolhido. Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10480.721144/201081 Resolução nº 3401001.378 S3C4T1 Fl. 7 5 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, em nada malferido tenha sido o direito de defesa do contribuinte. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial.” O recurso voluntário insistiu na decadência parcial do lançamento, nos termos do art. 150, § 4º do CTN e no descabimento das glosas relativas aos créditos incentivados de produtos originários da Zona de Franca de Manaus, especificamente o concentrado produzido pela PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda., fabricado com matérias extrativas de origem vegetal e beneficiária da isenção do art. 6º do DL 1.435/75, bem assim, a legitimidade do crédito pela aquisição de produtos tributados na forma da Lei nº 7.798/89. Na oportunidade, o recorrente acostou consulta formulada pela PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. e respectiva resposta, à SUFRAMA, acerca do alcance da legislação atinente à Zona Franca de Manaus e seus benefícios sobre o concentrado por ela produzido (fls. 1.264 e ss.) Em 14/10/2014, por intermédio da Resolução nº 3402000.701, a 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, ante a similaridade com o PA 10120.724590/201380, converteu o julgamento em diligência para que se oficiasse a SUFRAMA para se manifestar sobre o preenchimento dos requisitos, pelos fornecedores do recorrente, para fruição da isenção do art. 6º do DL 1.435/75. Dada a amplitude e o objeto das verificações determinadas, as autoridades fiscais apontaram as diferenças entre o PA 10120.724590/201380 e estes autos, bem assim, que todos os fornecedores, devidamente intimados, responderam que as saídas isentas ocorreram ao abrigo do art. 69, II (art. 9º, DL 288/67) e não art. 82, III (art. 6º, DL 1.435/75) do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/02), o que tornaria a diligência inócua. Cientificado, o contribuinte defendeu a realização da diligência junto à SUFRAMA e ao fornecedor PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda, relativamente ao concentrado de bebidas não alcoólicas, segundo alega, produzido com matériaprima de origem agrícola e/ou extrativa vegetal de produção regional. Na sessão de 09/12/2015, tendo em vista o desligamento, do CARF, do relator original, o processo foi redistribuído por sorteio. Na sessão de 23/08/2016, o processo foi novamente convertido em diligência para esclarecimentos acerca da isenção utilizada pela PepsiCola Indl. da Amazônia S/A, tanto pela empresa quanto pela SAUFRAMA, e juntada da documentação pertinente. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 10480.721144/201081 Resolução nº 3401001.378 S3C4T1 Fl. 8 6 Cumprida a diligência e apresentada manifestação pelo recorrente, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em preliminar de julgamento o colegiado, pela maioria de seus membros, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para averiguação do aproveitamento do crédito e seus desdobramentos, em operações sujeitas à tributação exclusiva, nos moldes da Lei nº 7.798/89, consoante termos do voto vencedor, de modo que, vencido nesta matéria, excluí o voto apresentado em sessão, quanto aos demais temas, reservandome o direito de reapresentá lo quando do retorno do processo. Nessa oportunidade cumpreme apenas externar resumidamente a motivação da discordância quanto à realização da diligência, uma vez que entendo, não só desnecessária, mas incabível a providência, ante as disposições legais que expressamente impõem o regime monofásico para indigitadas operações, não sendo, nessa modalidade de incidência tributária, admitida a apropriação de créditos de IPI nas etapas subseqüentes, sob pena de completa desvirtuação do regime e sua conseqüente equiparação, à margem da lei, da não cumulatividade. Esse o angusto voto. Robson José Bayerl Voto vencedor Conselheiro André Henrique Lemos, Redator designado Como se viu, a presente discussão tem como matéria de fundo o creditamento do IPI no regime monofásico. Este processo é similar aos PAF 18470.731952/200169 e 13116.720483/2012 59, nos quais foram objeto das Resoluções 3403000.542 e 3403.000570, respectivamente. Em ambos os casos, o julgamento foi convertido em diligência, para descartar qualquer possibilidade de exigência de crédito tributário indevido. Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 10480.721144/201081 Resolução nº 3401001.378 S3C4T1 Fl. 9 7 Deste modo, a fim de subsidiar o presente julgamento, evitando a exigência indevida de crédito tributário, converto o julgamento em diligência para que a repartição de origem adote as seguintes providências: 1) intime o autuado para fazer prova cabal de sua alegação de glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e documentos que os legitima, evitando o indébito, inclusive com aplicação subsidiária do artigo 6° do CPC/2015; 2) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração, objeto do lançamento, excluindose os débitos indevidamente lançados; 3) repercutase a reconstituição da escrita no lançamento de ofício in casu, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; e 4) dêse ciência desse parecer ao autuado, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, devolvendose o processo para este Colegiado dar prosseguimento ao julgamento. É como voto. André Henrique Lemos Fl. 1694DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720540/2015-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2014
DISCUSSÃO CONCOMITANTE NAS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IDENTIDADE DA DISCUSSÃO A RESPEITO DA MATÉRIA SUBSTANTIVA, E NÃO MERAMENTE PROCESSUAL, ACESSÓRIA OU ADJETIVA. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Inteligência que deflui da Súmula CARF nº 01.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA EM MOMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 17. ARTIGO 63 DA LEI Nº 9.430/1996
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Inteligência que deflui o da Súmula CARF nº17 e do art. 63 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 3401-004.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, unicamente para afastar a multa de ofício dos lançamentos efetuados sobre créditos com exigibilidade suspensa, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, que não reconhecia a existência de concomitância.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2014 DISCUSSÃO CONCOMITANTE NAS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IDENTIDADE DA DISCUSSÃO A RESPEITO DA MATÉRIA SUBSTANTIVA, E NÃO MERAMENTE PROCESSUAL, ACESSÓRIA OU ADJETIVA. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Inteligência que deflui da Súmula CARF nº 01. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA EM MOMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 17. ARTIGO 63 DA LEI Nº 9.430/1996 Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Inteligência que deflui o da Súmula CARF nº17 e do art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, unicamente para afastar a multa de ofício dos lançamentos efetuados sobre créditos com exigibilidade suspensa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 05 40 /2 01 5- 12 Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 11516.720540/201512 Acórdão n.º 3401004.486 S3C4T1 Fl. 1.944 2 vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, que não reconhecia a existência de concomitância. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório 1. Tratase do autos de infração, situados às fls. 1365 a 1368 (PIS não cumulativo) e 1438 a 1441(Cofins nãocumulativo), em razão da falta de recolhimento de PIS e Cofins, referentes ao período de apuração compreendido entre 01/01/2010 a 31/12/2014, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 93.652.335,56. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, a contribuinte, empresa de logística multimodal, realizou recolhimento das contribuições sociais em apreço em insuficiência, em virtude de indevida caracterização de suas receitas como vinculadas a operações de exportação de serviços, o que levou a autoridade fiscal a realizar o lançamento de ofício das diferenças apuradas com a finalidade de prevenir a decadência, uma vez que a ora recorrente ingressou com a ação declaratória nº 000799940.1999.4.03.6104, distribuída no ano de 1999, e que tramitou na 2ª Vara Federal da Subseção de Justiça Federal em Santos/SP, na qual requereu não ser “(...) autuada por não efetuar o recolhimento do PIS e da Cofins sobre as receitas percebidas em decorrência da exportação de serviços à sua matriz no Chile, bem como a outras empresas situadas no exterior”, com o pedido para que, ao final, fosse declarada a "inexistência de relação jurídicotributária entre as partes que obrigue a Autora a incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS os valores correspondentes às receitas auferidas pela prestação de serviços realizados para empresas sediadas no exterior, mesmo que tais serviços sejam executados no Brasil, em razão da isenção prevista na Lei Complementar n.o 70/91, com as alterações introduzidas pela Lei Complementar n.o 85/96, regulamentada pelo Decreto 1030/93", pendente à época do lançamento de trânsito em julgado e com apelação recepcionada no duplo efeito, o que levou a autoridade fiscal a realizar o lançamento com a exigibilidade suspensa. 3. A contribuinte, intimada em 25/02/2014, apresentou, em 27/03/2015, a impugnação, situada às fls. 1521 a 1533, na qual argumentou, em síntese, que: (i) os créditos tributários objeto do lançamento de ofício discutidos no presente processo administrativo não Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 11516.720540/201512 Acórdão n.º 3401004.486 S3C4T1 Fl. 1.945 3 guardam qualquer relação com aqueles discutidos na ação declaratória, que se presta unicamente a discutir a incidência de PIS e de Cofins sobre receitas de exportação que não estejam suportadas por documentação comprobatória do ingresso de divisas, enquanto que, nos períodos de apuração das autuações em análise, os recursos financeiros decorrentes das exportações eram trazidos para o Brasil, i.e., havia ingresso de divisas; (ii) não deve ser aplicada a multa de ofício em virtude da disposição contida no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, uma vez em vigor a antecipação de tutela que dispensava o recolhimento do PIS e da Cofins sobre receitas provenientes do exterior; e (iii) não incidem contribuições sociais sobre receitas decorrentes de exportação nos termos do inciso I do § 2º do art. 149, comando que não está condicionado ao efetivo ingresso de divisas e, assim, uma vez qualificada a receita como exportação, aplicase a regra imunizante; ademais, uma vez que os lançamentos estão baseados apenas em uma presunção de não ingresso de divisas, padecem de nulidade. 4. Em 24/06/2016, a 4ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão DRJ nº 0738.607 , situado às fls. 1823 a 1837, de relatoria do AuditorFiscal Gilson Wessler Michels, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2014 DISCUSSÃO CONCOMITANTE NAS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2014 MULTA DE OFÍCIO. ARTIGO 151 DO CTN. APLICABILIDADE DIANTE DA FALTA DE MEDIDA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, só se dispensa a imposição da multa de ofício nos casos em que a exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 11516.720540/201512 Acórdão n.º 3401004.486 S3C4T1 Fl. 1.946 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte, em 27/072016, interpôs recurso voluntário, juntado aos autos em duplicidade: a primeira via se encontra situada às fls. 1848 a 1878, e a segunda via às fls. 1879 a 1909, no qual reiterou as razões de sua impugnação, acrescendo, ainda, que a decisão recorrida majorou, de maneira imotivada, os valores de PIS e Cofins, originalmente de respectivamente R$ 3.651.833,66 e R$ 17.321.035,23, incluindo principal, multa e juros de mora, para, respectivamente, R$ 16.396.959,79 e R$ 77.255.375,77, sem multa e juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Previamente à análise de fundo, deve ser analisada a afirmação da contribuinte recorrente de que a ação declaratória nº 000799940.1999.4.03.6104 tem por escopo unicamente a incidência de PIS e de Cofins sobre receitas de exportação não suportadas por documentação comprobatória do ingresso de divisas, enquanto que, no presente caso, o objeto da recalcitrância são operações com receitas de exportações que implicaram efetivo ingresso de divisas, conforme trecho do recurso interposto que abaixo se transcreve: Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 11516.720540/201512 Acórdão n.º 3401004.486 S3C4T1 Fl. 1.947 5 8. Contudo, ao se cotejar o argumento da recorrente com o pedido da ação judicial em referência, o que se percebe não é disparidade, mas vera identidade de matérias: 9. À mesma conclusão se chega a partir da leitura da sentença de primeira instância da 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Santos/SP que rejeitou o pedido formulado pela autora da ação: Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 11516.720540/201512 Acórdão n.º 3401004.486 S3C4T1 Fl. 1.948 6 10. Assim, de fato não se busca apenas a nãoincidência de PIS e Cofins diante da falta de comprovação do ingresso de divisas, espraiandose o mérito para a análise da natureza dos serviços prestados a residente ou sediado no exterior e, também, a própria descaracterização dos serviços como "exportados". A natureza da ação, recordese, não é meramente declaratória, mas especificamente de inexistência de relação jurídicotributária, visando, portanto, a própria desconstituição de atos já praticados, em que se busca construir a natureza jurídica de seus negócios. Neste específico sentido, correta a decisão a quo ao dispor da seguinte forma: "(...) o procedimento fiscal de que aqui se trata, efetuado em relação aos períodosbase incluídos nos anos de 2010 a 2014, tem sim relação com a matéria discutida naquela ação judicial, posto que destinado a efetuar os lançamentos referentes à não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas referentes a serviços que, de acordo com os provimentos judiciais até agora prolatados, não são juridicamente tidos como “exportados”. De tal sorte, não há que se ter como nulos os lançamentos objeto do presente processo, na medida em que se destinam eles, sim, a formalizar créditos tributários que possuem estrita relação com Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 11516.720540/201512 Acórdão n.º 3401004.486 S3C4T1 Fl. 1.949 7 o deslinde do litígio discutido na ação judicial. Em face do provimento de natureza declaratória, a decisão que ao final vier a ser dada, por se referir à própria natureza dos serviços prestados pela impugnante, estenderá seus efeitos inclusive sobre os créditos tributários aqui em questão. Se a decisão transitada em julgado confirmar as decisões contrárias à contribuinte até agora prolatadas, o resultado que se terá é o de que as receitas obtidas no Brasil, referentes a serviços prestados no Brasil, mesmo que vinculadas a tomadores estrangeiros, não serão tidas como associadas a serviços exportados (independentemente do ingresso ou não de divisas). Firmado este ponto inicial, é de se dizer que todas as considerações tecidas pela contribuinte e relacionadas à tentativa de evidenciação do efetivo ingresso de divisas, são aqui irrelevantes". 11. Ocorre que, uma vez que se decida pela identidade de matérias substantivas, em não meros procedimentos adjetivos, processuais ou acessórios à vexata quaestio, devese ter em conta que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, em conformidade com a Súmula CARF nº 1, que se aplica ao presente caso. 12. Neste sentido, não cabe a discussão proposta pela recorrente acerca da irrelevância da questão relativa ao ingresso de divisas e a caracterização das receitas como decorrentes de exportações, em estrita conformidade, ademais, com o Parecer Normativo Cosit nº 07, de 22/08/2014: "(...) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência". 13. Assim, a única questão passível de conhecimento é aquela distinta daquela tratada no processo judicial, i.e., a alegação da recorrente a respeito da inaplicabilidade da multa de ofício. Neste caso, assiste razão à contribuinte, pois não há de se falar em multa de ofício em lançamento efetuado para prevenir a decadência, pois a suspensão da exigibilidade, na forma do inciso V do art. 151 do CTN, ocorreu antes do lançamento. Neste sentido, farta jurisprudência deste conselho: Acórdão nº 20174351, de 21/03/2001 Acórdão nº 20307480, de 11/07/2001 Acórdão nº 20215710, de 10/08/2004 Acórdão nº 20215782, de 15/09/2004 Acórdão nº 20216437, de 06/07/2005. Aplicase, assim, ao caso, a Súmula CARF nº 17, em consonância com o art. 63 da Lei nº 9.430/1996: Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 11516.720540/201512 Acórdão n.º 3401004.486 S3C4T1 Fl. 1.950 8 Súmula CARF n° 17. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Lei nº 9.430/1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. 14. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, unicamente para afastar a multa de ofício dos lançamentos efetuados sobre créditos com exigibilidade suspensa, devendo a unidade verificar os valores efetivamente lançados. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 1950DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.005929/2003-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que se cumpra a providência anteriormente determinada
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que se cumpra a providência anteriormente determinada ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 328 e seguintes), protocolado em 04.06. 2004 contra Acordão 8.612, exarado pela 4ª Turma, da DRJ Brasília, com ciência pela Contribuinte em 14.05.2004, (fl 767), que considerou improcedente as razões da Recorrente para reformar o auto de infração relativo à contribuição para o programa de integração social (PIS), apurada nos meses de junho a dezembro de 1999, janeiro, fevereiro, março e abril de 2000 e agosto de 2002. Informação Fiscal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 05 92 9/ 20 03 -7 3 Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 775 2 Conforme Informação Fiscal nº 2002.35.00.0012187 (Fls 728 e seguintes), prestada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Goiânia, Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, de 28/3/2014, nos autos do Processo Administrativo 10120.005978/9941: 1. A identificada pessoa jurídica formalizara o processo administrativo nº 10120.005978/9941, requerendo a restituição de valores do Pasep que teriam sido indevidamente pagos, segundo as razões descritas em seu pedido original. Requereu, ademais, que esses supostos direitos creditórios fossem compensados com débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que teriam sido apurados entre os períodos de julho de 1999 a janeiro de 2000 (fls. 5 e 130). Por meio do Despacho Decisório DRF/GOI/Saort nº 39, de 5/2/2002, (fls. 190 a 197), concluiuse que não se comprovara a existência do alegado direito creditório, porque os pagamentos indevidos haviam sido efetuados antes de 11/11/1994, isto é, mais de cinco anos antes da data de formalização do pedido de restituição. Deste Despacho Decisório a Impetrante, por intermédio de seu procurador legal (o Sr. Orloski de Castro, fls. 197 a 209), fora intimada pessoalmente, em 6/2/2002. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a Impetrante protocolizou, dentro do prazo legal, sua Manifestação de Inconformidade (fls. 210 a 221). Esta Manifestação de Inconformidade foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, indeferiua, conforme Acórdão DRJ/BSA/Nº 02.429, de 8/8/2002 (fls. 227 a 229). Neste ponto, verificase que, apesar de haver determinação expressa da 1ª Instância de Julgamento Administrativo (fl. 227), a Delegacia da Receita Federal em Goiânia não providenciou, por qualquer dos meios previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, a intimação do sujeito passivo (da Impetrante) acerca dos termos daquele Acórdão da DRJ/BSA. Consta, contudo, que, depois da emissão daquele Acórdão da DRJ, a Impetrante protocolizara, em 5/9/2002, pedido de Certidão Negativa de Débitos de Tributos e de Contribuições Federais (fl. 231). Embora tenha havido análise sumária do pedido de certidão, considerando inclusive o fato de que a DRJ/BSA havia indeferido a manifestação de inconformidade da Impetrante (fl. 233), mais uma vez, não se intimou a Impetrante daquele Acórdão, conforme os meios indicados no referido Decreto nº 70.235, de 1972. (...) Ocorre que a Impetrante, não tendo conseguido Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa – CPDEN, e alegando que ainda discutia administrativamente aquele pedido de compensação, ajuizou o Mandado de Segurança nº 2002.35.00.0012187 contra ato do Delegado da Receita Federal em Goiânia, com pedido de liminar, para que fosse suspensa a exigibilidade do crédito tributário (Cofins dos períodos de 07/1999 a 01/2000) e para que fosse expedida a Certidão Negativa ou a CPDEN. Obteve, em 14/2/2002, a Liminar (fls. 69 a 73 do processo judicial nº 2002.35.00.0012187), nos seguintes termos: “ ISSO POSTO, defiro a medida liminar para que os débitos de COFINS da IMPETRANTE, levados à compensação no processo fiscal 10120.005978/9941, não Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 776 3 seja óbice para a expedição de certidão positiva com efeito de negativa (art. 206 do CTN) enquanto a decisão administrativa ali proferida pender de trânsito em julgado na via administrativa. (...) Depois, em 13/12/2002, a Impetrante, alegando que houve descumprimento da medida liminar, obteve nova decisão judicial (fls. 133 a 134 do processo judicial nº 2002.35.00.0012187), confirmando a decisão liminar de fls. 69 a 73, lavrada, nos seguintes termos: O IMPETRANTE alegou descumprimento da decisão liminar de fls. 6973 e pediu fosse oficiada a autoridade impetrada para que a mesma se abstivesse de praticar atos concernentes à exigência do crédito tributário objeto do processo administrativo 10120.005978/9941, bem comode inscrever a IMPETRANTE no CADIN no próximo dia 16/12/2002. Pediu também fosse oficiado o MPF para apuração de eventual crime por inobservância de ordem judicial. A medida liminar reconheceu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido no processo fiscal 10120.005978/9941 até o trânsito em julgado da decisão final a ser nele proferida. A decisão prolatada no processo fiscal ainda se encontra pendente de trânsito em julgado (fl. 123). Os créditos de exigibilidade suspensa não estão sujeitos à inscrição no CADIN (art. 7º, II, da Lei 10.522/2002). ISSO POSTO, confirmo a decisão liminar de fls. 6973, inclusive em relação à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em relação ao CADIN, enquanto a solução da controvérsia pender de trânsito em julgado na via administrativa (art. 151, III, do CTN c/c art. 7º, II da Lei 10.522/2002). Intimese a Autoridade Impetrada para que, enquanto pendente de trânsito em julgado a decisão final prolatada ou a ser prolatada no processo fiscal 10120.005978/9941, expeça certidão positiva com efeito de negativa e não inscreva os créditos respectivos no CADIN.” Desta nova decisão judicial, a autoridade impetrada tomou conhecimento em 13/12/2002. 2. Ainda que no processo administrativo 10120.005978/9941 já houvesse prova suficiente de que a Saneago vinha alegando judicialmente que não teria sido notificada (tomado ciência) do Acórdão DRJ/BSA/Nº 02.429, prolatado em 8/8/2002, não se providenciou, por quaisquer dos meios previstos no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, a intimação regular do sujeito passivo. 3. De qualquer modo, ainda que sem fundamentação legal, considerouse que, depois de cientificado do Acórdão por meio do recebimento de cópia do processo em 13/11/2002, a Saneago não teria apresentado recurso voluntário no prazo legal, precluindo o seu direito de fazêlo, então (Anexo III desta Informação Fiscal). Neste contexto, considerando que os alegados direitos creditórios não tinham sido comprovados, constituíramse os créditos tributários da Cofins, para os fatos geradores ocorridos entre 07/1999 a 01/2000, formalizandose o PAF nº 10120.005927/200384. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 777 4 Formalizouse também, com base nas mesmas premissas, o PAF nº 10120.005929/200373, para constituir créditos do PIS. A Saneago apresentou impugnações administrativas contra os dois lançamentos mencionados. Na DRJ/BSA os lançamentos foram mantidos. Dentro do prazo legal, apresentou recursos voluntários, mas, o Conselho de Contribuintes deles não tomou conhecimento, porque considerouos preclusos devido ao fato de que a Saneago não teria apresentado recurso voluntário naquele processo nº 10120.005978/9941. Irresignada com os desfechos de seus recursos voluntários, a Saneago, impetrou dois outros mandados de seguranças (o de nº 2007.34.00.0195730/DF, contra a cobrança da Cofins; e o de nº 2007.34.00.0356130/DF, contra a cobrança do PIS). No Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0195730/DF, obteve Liminar, em 11 e em 13/6/2007 (fls. 851 a 853 e 862 a 863 do processo judicial; Anexo IV desta Informação Fiscal), lavrada nos seguintes termos (extrato): (...)Ante o exposto, CONCEDO A LIMINAR E DETERMINO à autoridade impetrada que emita a Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União – CPEN, desde que os únicos débitos tributários sejam os constantes dos Processos Administrativos Fiscais PAF Nºs. 10120.005978/9941 e 10120.005927/200384.” (...) Já, no Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0356130/DF, obteve, primeiro, Liminar e, depois, Sentença confirmando a Liminar, em 10/3/2009 (fls. 906 a 910 do processo judicial; Anexo V desta Informação Fiscal), lavrada nos seguintes termos (extrato): (...) “Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, PARA DETERMINAR À PRIMEIRA AUTORIDADE IMPETRADA QUE RETOME O PROCESSAMENTO DO PAF Nº 10120.005929/200373, COM O RECEBIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NELE INTERPOSTO, BEM COMO PARA DETERMINAR À SEGUNDA AUTORIDADE IMPETRADA QUE SE ABSTENHA DE INSCREVER EM DÍVIDA ATIVA E/OU DAR INÍCIO AO PROCESSO DE COBRANÇA EXECUTIVA DO SUPOSTO DÉBITO TRIBUTÁRIO APURADO NOS AUTOS DO PAF 10120.005929/200373, DEVENDO AINDA SE ABSTER (...) 8. Indico, portanto, o envio desta Informação Fiscal à PFN/GO, para que se manifeste, com urgência, sobre os argumentos, as questões e as conclusões expostas, observandose que todos os processos administrativos aqui referidos tramitam atualmente no sistema eProcesso. Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário no valor de R$3.609.759,09 (três milhões, seiscentos e nove mil, setecentos e cinquenta e nove reais e nove centavos), em 23/09/2003, com ciência do Contribuinte em 26.09.2003. Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 778 5 O contribuinte compensouemDCTF (f4s 144 a 165) valores do PIS nos itens "Compensação de pagamentoindevido. ou a maior" e "Compensação com DARF" citando a origem do crédito o Pasep código 3084, porém sem apontar processo administrativo ou judicial para tal compensação. Com a finalidade de esclarecer tais operações o contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal n. 003 (fls 90) a justificar essas compensações e a demonstrar a origem dos créditos compensados em DCTF no período de 06/99 a 04/00. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n.003(fls 91) o contribuinte informou que as compensações foram feitas no processo administrativo 10120.005978/99 41(cópias das principais peças fls 92 a 143 deste processo). 4)Consta no processo 10120.005978/9941 que o contribuinteSaneamento de Goiás S/A pleiteou a restituição de valores do PASEP (fls 93) correspondente à diferença entre o devido através da Lei Complementar n. 08/70 e o recolhido com base nos Decretoslei nos 2445 e 2449 e posteriormente solicitou a compensação desses créditos do PASEP com débitos da COFINS(fls 94 e 99). 0 pedido de compensação de crédito do Pasep com débitos da Cofins foi negado pelo Delegado da DRF/GoiâniaGO (fls 108 a 115) e o contribuinte manifestou inconformidade (fls 117a 127) à Delegacia da Receita Federal de Julgamento/BrasíliaDF, qual foi indeferida (fls 133 a 135). Decorrido o prazo hábil o contribuinte não interpôs recurso voluntário contra a decisão da DRF/Julgamento/BrasíliaDF (fls 143). Analisando o processo citado pelo contribuinte verificamos que nele não há pedido de compensação do PIS e que mesmo se houvesse o contribuinte perdeu o prazo de recurso na esfera administrativa. Com a finalidade de se verificaras bases de cálculo do PIS a empresa foi intimada em 20/03/2003 , através do Termo de Inicio de Fiscalização (fia 07), do Termo de Intimação Fiscal n. 001 (fls 31) e Termo de Intimação Fiscal n.002 (fls 34) a apresentar seus livros fiscais e outros documentos. Em resposta o contribuinte apresentou cópias de suas Demonstrações de Resultado e cópias de seus balancetes sintéticos (fls 35 a 83) constantes em seus livros Diário. Com base nos balancetes analíticos, demonstrações de resultado do exercício planilha de informações à SRF (fia 84 a 89) , DCTF(fls 144 a 165) e pagamentos efetuados(fls 164 e 165) foram elaboradas planilhas demonstrativas das bases de cálculo da PIS constantes às folhas 166 a 173. Nas planilhas demonstrativas (fls 166 a 172) no item Recuperação de Tributos Federais foram excluídas as receitas da COFINS e do PIS por não mais constituírem recuperações de tributos e que foram objeto de cobrança neste auto de infração. Na planilha às fls 173 a base de cálculo original do PIS referente a agosto de 2002 no valor de R$ 31.096.716,67 foi dividida em dois valores: a)0 primeiro no valor de R$ 28.307.692,31 correspondente a um crédito tributário no valor de R$ 184.000,00 que está com exigibilidade suspensa por força de Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 779 6 mandado de segurança e que foi objeto de lançamento sem multa de ofício no processo 10120.005928/200329; b) O segundo no valor de R$ 2789.024,38 correspondente a base de cálculo utilizada para o PIS no mes de agosto de 20102 neste auto de infração. (...) O mencionado Auto de Infração foi exarado nos autos do Processo Administrativo 10120.005929/200373 que tratou da homologação da compensação requerida no Processo Administrativo 10120.005978/9941. Impugnação Em 23.10.2003, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls 193 e seguintes) em face do Auto de Infração exarado, da qual destacamos os seguintes enxertos: Da Autuação A Impugnante foi autuada com base em procedimento fiscal, conforme mandado em tela, sob a alegação de falta de pagamento relativo ao PIS/PASEP, decorrente da compensação efetuada em DCTF com crédito gerado por esta contribuição. O presente auto de infração tem como enquadramento legal o art. 1° da LC 07/70; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98; arts.2° e 3°, da Lei 9.718/98; MPV 2.15835/01, art. 90 e Lei 9430/96, art. 63 e alberga a cifra de R$ 3.609.759,09(três milhões, seiscentos e nove mil, setecentos e cinquenta e nove reais e nove centavos). Dos Fatos A decretação de inconstitucionalidade dos Decreto Lei 2.445/88 e 2449/88, pelo Supremo Tribunal Federal e sua suspensão do ordenamento jurídico pátrio promovida pelo Senado Federal, por intermédio da Resolução 049/95, geraram para os contribuintes o direito de reaver o quantum indevidamente pago, posto que tais dispositivos alteraram os prazos e base de cálculo do PIS/PASEP. O recolhimento a maior identificado foi compensado com débito do próprio PIS/PASEP e da COFINS, relativo aos períodos de junho/99 a abril/00 e de julho/99 a janeiro/00, respectivamente, adotandose a compensação com DARF para o PASEP e a COFINS foi compensada através do processo administrativo 10120.005978/9941, cujo procedimento foi informado nas DCTF. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 780 7 DO ENQUADRAMENTO LEGAL Ressaltese que a Impugnante calculou a aludida contribuição observando todos os dispositivos regentes, destarte, não houve infringência aos dispositivos elencados no enquadramento legal precitado, • esclarecendo que o artigo 63 da Lei 9.430/96 não se aplica ao caso sub examine, vez que o crédito não se encontra com a exigibilidade suspensa. O ilustre Auditor Fiscal da Autuante, ora Impugnada, na folha de continuação do auto de infração, no campo sumário, descreve: "Compensação indevida de PIS em DCTF" , entretanto, não indicou o dispositivo legal infringido, o que dificulta a promoção da defesa, vez que os dispositivos elencados não guardam relação com a referida descrição. DO RECOLHIMENTO A MAIOR Como dito alhures, os mencionados dispositivos legais (DecretosLei 2.445 e 2449 de 1988,) foram considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e suspensos do mundo jurídico pelo Senado Federal, através de sua Resolução 049/95. Isto significa que no interregno de vigência desses decretoslei, devido a perda de suas eficácias, os recolhimentos devem ser feitos com • base na Lei Complementar 08/70, vez que a Impugnante efetuou o recolhimento como PASEP. O levantamento efetuado objetivando identificar os recolhimentos indevidos sob a égide dos DecretosLei 2.445 e 2.449/88, compreendeu o período de apuração de agosto/89 a outubro/95. Nesse período, o valor devido a título de PIS/PASEP, tendo como base a LC — 08/70, em quantidade de UFIR importou 1.512.259,5711, enquanto que o recolhido foi de 4.442.547,3344, que acrescido de juros e expurgos, até junho de 1999, totalizou 7.355.678,9483 UFIR, gerando um indébito tributário da ordem de 5.843.419,3772 de UF1R e de 5.709.020,38, em reais, conforme planilha e DARF anexos (doc.01), esclarecendo que os DARF referentes aos pagamentos do PIS/PASEP compensações com a COFINS estão anexos à Impugnação do auto de infração desta contribuição. Destarte, os recolhimentos efetuados a maior, gerou um crédito, na importância acima, para a Impugnante, que com base na legislação regente efetuou a sua compensação. DA DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO No presente caso, a Impugnante, como mencionado alhures, procedeu levantamento do indébito considerando o recolhimento efetuado a partir de agosto de 1989, por se tratar de lançamento por homologação, que acrescido do prazo prescricional de cinco anos para pleitear o indébito tributário, que ocorreu com a Resolução 4911995, do Senado Brasileiro, a qual foi publicada em 09 de outubro de 1995, temse que a prescrição do pleito se consumou em 08 de outubro de 2000. Desse modo, a compensação realizada não esta alcançada pela prescrição, visto que foi efetuada no interstício de junho de 1999 a abril de 2000. Portanto, indevida é a exação albergada no auto ora atacado. DA COMPENSAÇÃO A compensação do crédito oriundo do PIS/PASEP em face da inconstitucionalidade dos DecretosLei 2.445/88 e 2449/88, se deu com débitos vincendos da COFINS, através do processo administrativo n° 10120.005978/9941 e débitos vincendos do próprio PIS/PASEP em DCTF, informe informação prestada à Impugnada em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 003 (doc.02). Salientase que na compensação de contribuições e tributos da mesma espécie (DCTF) não é necessário requerimento ( processo administrativo), conforme se infere do precitado artigo in fine, como alegado pelo Auditor Fiscal na descrição dos fatos, item 1, do auto de infração. O montante do indébito levantado pela Impugnante, constante do tópico do recolhimento a maior, foi atualizado pelo mesmo critério para pagamento de tributos e Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 781 8 contribuições federais em atraso, de acordo legislação pertinente, conforme se verifica das planilhas anexas (doc.03). O valor do aludido indébito (PIS/PASEP), utilizado para compensar débito vincendo do próprio PIS/PASEP, referente ao período de junho de 1999 a abril de 2000, foi de R$ 1.430.794,20, conforme se constata das DCTF apresentadas, constantes do presente processo. PAGAMENTOS NÃO CONSIDERADOS A Impugnante, em face de não conseguir emitir seu faturamento em tempo hábil para proceder os recolhimentos dos tributos e contribuições federais, o faz com base em estimativa e posteriormente ajusta ditos recolhimentos. Antes do início do procedimento fiscal havia sido feito o confronto entre o valor real dos tributos e contribuições devidos e o efetivamente recolhido, sendo que para as diferenças apuradas a recolher foram emitidos os respectivos DARF, os quais foram enviados à Gerência de Tesouraria, cujo pagamento ocorreu em 30 de setembro de 2003 (doc.04). Destarte, na hipótese de manutenção do auto de infração atacado, o que se admite apenas para efeito de raciocínio, o seu valor está incorreto porquanto alberga quantia já paga conforme demonstrado, o que o torna eivado de vício, não merecendo prosperar. DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA (...)auto de infração em comento, representa ofensa a Ordem Jurídica Pátria, posto que representa enriquecimento sem causa por parte da Impugnada, em face dos recolhimentos feitos que se tornaram indevidos em virtude da inconstitucionalidade dos precitados decretoslei (...) Decisão de 1ª Instância Ato contínuo, sobreveio Acórdão 08.612 (fls 310 e seguintes), exarado pela 4ª Turma, da DRJ/ BrasíliaDF, em 17.12.2003, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 14.05.2004 (fl 324), através do qual a Impugnação foi considerada improcedente, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2002 Ementa: Falta de Recolhimento. Constatada falta de recolhimento da contribuição, no período da autuação, é de se manter o lançamento, ex vi legis. Repetição de Indébito Prazo Decadencial O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido extingue se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância aos princípios da estrita legalidade tributária e da segurança jurídica. Compensação As dívidas fiscais não podem ser objeto de compensação, exceto nos casos de encontro entre a administração e o devedor autorizados nas leis e regulamentos da Fazenda. Lançamento Procedente Desta decisão destacamos os seguintes excertos: Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 782 9 VOTO A impugnação apresentada em 23/10/2003, dentro do prazo legal previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72, é tempestiva e contém os demais requisitos de admissibilidade, motivos pelos quais dela se toma conhecimento para exame das razões de defesa trazidas pela contribuinte. Falta de Recolhimento A obrigação tributária da empresa surgiu com a ocorrência do fato gerador, cuja situação está definida em lei como necessária e suficiente (arts. 113 e 114 do CTN), tendo em vista que a Lei n.° 9.718/98, aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS. Na espécie, trata o presente processo de lançamento da contribuição para o Pis decorrente da glosa de compensação de suposto crédito tributário de contribuição para o Pasep, relativo à diferença apurada entre o valor devido pela LC n.° 8/70 e recolhido com base nos Decretoslei n.'s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos da referida contribuição apurados nos meses de junho a dezembro de 1999, janeiro a abril de 2000 e agosto de 2002, em face do indeferimento do pedido de compensação formulado no processo 10120.005978/9941, pelo Delegado da DRF/Goiânia e confirmado por esta Turma de Julgamento no Acórdão n.° 02.429, de 08/08/2002. Nos termos do art. 90 da Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (destaque não original) Desse modo, a compensação indevida que resultou na falta de recolhimento da contribuição exigida no auto de infração de que trata o presente processo, constitui infração ao disposto na Lei n.° 9.718/1998, cuja, ocorrência sujeita o infrator ao lançamento de oficio, conforme determina o art. 90 da Medida Provisória acima citada, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art.142, parágrafo único). Então, como os fatos descritos se subsumem às disposições legais pertinentes à espécie, a alegação da defesa é despicienda e sem objeto, tornandose inócua e inepta para desdizer o levantado pela ação fiscal, ou seja, compensação indevida de crédito tributário de contribuição para o Pasep, com débitos da contribuição para o Pis apurados nos meses de junho a dezembro de 1999, janeiro a abril de 2000 e agosto de 2002. Da decadência Em que pese os argumentos da interessada, entendo que não pode prosperar a compensação efetuada, porquanto se encontra decaído o seu direito de pleitear a restituição e/ou compensação dos valores, relativos à contribuição para o Pasep referentes aos pagamentos efetuados antes de 11/11/94, o que representa a maioria dos seus pagamentos, porque o pedido foi protocolado em novembro/1999 (fls. 92/94). Da conjunção dos artigos 165, inciso I, e 168, caput e inciso I, ambos do Código Tributário NacionalCTN (Lei n° 5.172/1966), temse que, conquanto à cobrança de tributo indevido confira ao contribuinte direito a sua restituição, esse direito extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Ademais, essa questão já havia sido apreciada tanto no despacho decisório (fls. 108/115) e no Acórdão DRJ/BSA n." 02.429, de 08/08/2002 (fls. 133/135). Todavia, a empresa autuada sequer questionou a decisão proferida no Acórdão citado, que indeferiu a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da autoridade a quo, manifestando assim total falta de interesse no deslinde da questão (fls. 133/135 e Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 783 10 143). Então, a compensação não pode ser efetuada, tendo em vista que a lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, "in verbis": (...) A respeito do art. 63 da Lei 9.430/1996, também não procede o argumento da impugnante, uma vez que o Fiscal autuante somente citou tal dispositivo para explicar que da base tributável, relativa à contribuição apurada no auto de infração, no mês de agosto/2002, foi excluído do valor de R$ 28.307.692,31, por ser objeto de lançamento com exigibilidade suspensa no processo 10120. 005928/200329 (fls. 173 e 177, item 11). Pagamentos não Considerados Quanto ao argumento de que não foram considerados os pagamentos efetuados mediante os DARFs de folha 299, realmente não foram, pois, como se observa naquele documento os recolhimentos foram efetuados após a ciência do auto de infração, portanto, na ocasião do lançamento de oficio não poderiam ser deduzidos do valor apurado. Contudo, podem ser imputados dos valores lançados pela Delegacia juridiscionante, sem o beneficio da denúncia espontânea Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, com os seguintes argumentos: Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, com os seguintes argumentos: A Recorrente efetuou levantamento dos recolhimentos efetivados nos últimos dez anos e constatou recolhimento de PIS/PASEP a maior ao Erário da União, este foi compensado com débito do próprio PIS/PASEP e da COFINS, relativo ao período de junho/99 a abril/00 e de julho/99 a janeiro/00, respectivamente, adotandose a compensação com DARF para o PASEP e a COFINS foi compensada através do processo administrativo 10120.005978/9941, cujo procedimento foi informado nas DCTF. A compensação do crédito oriundo do PIS/PASEP devido a inconstitucionalidade dos DecretosLei 2.445/88 e 2.449/88, se deu m débitos vincendos da COFINS, através do processo administrativo n° 10120.005978/9941 e débitos vincendos do próprio PIS/PASEP em DCTF, conforme informação prestada a Recorrida em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 003. Ressaltase que na compensação de contribuições e tributos da mesma espécie (DCTF) não é necessário requerimento (processo administrativo), conforme se infere do precitado artigo in fine. A persistir o entendimento albergado na decisão de primeira instância, temse flagrante ofensa ao precitado princípio. Em relação a prescrição e decadência, salienta se que no lançamento por homologação, como in casu, o prazo decadencial para repetição de indébito tributário é de dez anos, ou seja, 5 anos para exercer o direito de restituição, mais 5 anos da homologação tácita, conforme se abstrai do artigo 150, § 40, c/c o artigo 168, do Código Tributário Nacional, que assim estabelecem: (...) Os atos emanados da Secretaria da Receita Federal não podem ser contrários à Lei, o órgão tem que se ater as normas editadas. O STJ e o próprio Conselho de Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 784 11 Contribuintes possuem entendimento de que o prazo decadencial para repetição de indébito tributário é de 10 anos, como será amplamente demonstrado. Outrossim, é argumentado na decisão atacada: Ainda sobre o tema, o Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CAT/N°1538, de 1999,editou o Ato Declaratório n° 96, de 1999, esclarecendo que o prazo para pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após transcurso de prazo de 5 anos, contado da data da extinção do crédito tributário..." Então pergunta se: Quando se dá essa extinção do crédito tributário? De acordo com o art. 150 § 4°, c/c art.168 do CTN, essa extinção ocorre após a homologação tácita e o prazo para esta, no caso em questão, é de 5 anos para exercer o direito de restituição e mais 5 anos da homologação tácita, ou seja, 10 anos. No caso em questão, a legislação tributária não estabelece prazo para a homologação, destarte, aplicase o insculpido no § 4°, do precitado artigo. Data Vênia, o entendimento dos nobres julgadores a quo, de que não é possível rever situações jurídicas plenamente consolidadas pela aplicação inadequada da lei ou ato normativo inconstitucional, mesmo após decorridos prazos decadenciais ou • prescricionais é equivocado, porquanto não se encontra decaído o direito da Recorrente, como explicitado em linhas pretéritas. O entendimento desse egrégio Conselho de 411 Contribuintes quanto ao prazo prescricional do indébito tributário decorrente de inconstitucionalidade de dispositivo legal, como no presente caso, é de cinco anos, contado da publicação da resolução do Senado Federal que suspendeu do ordenamento jurídico o dispositivo inquinado de inconstitucionalidade, conforme de verifica dos seguintes julgados extraídos de seu site: (...) Enfim, ressaltase que no presente caso, a Recorrente, como mencionado alhures, procedeu levantamento do indébito considerando o recolhimento efetuado a partir de agosto de 1989, por se tratar de lançamento por homologação, que acrescido do prazo prescricional de cinco anos para pleitear o indébito tributário, que ocorreu com a Resolução 49/1995, do Senado Brasileiro, a qual foi publicada em 09 de outubro de 1995, temse que a prescrição do pleito se consumou em 08 de outubro de 2000. Desse modo, a compensação realizada não esta alcançada pela prescrição, visto que foi efetuada no interstício de junho de 1999 a abril de 2000. Portanto, indevida é a exação albergada no auto ora atacado. Verificase que antes do início do procedimento fiscal havia sido feito o confronto entre o valor real dos tributos e contribuições devidos e o efetivamente recolhido, sendo que para as diferenças apuradas a recolher foram emitidos os respectivos DARF, os quais foram enviados à Gerência de tesouraria, cujo pagamento ocorreu em 30 de setembro de 2003. Assim, na hipótese de manutenção da decisão guerreada, o que se admite apenas para efeito de raciocínio, o seu valor está incorreto porquanto alberga quantia já paga como demonstrado, o que o torna eivado de vício, • não merecendo prosperar. Ante o exposto, requer a esse Colendo Conselho,. que seja o presente RECURSO VOLUNTARIO, conhecido e provido para proceder a reforma do julgado a quo de n° 8612/2003 e de conseqüência o cancelamento do Auto de Infração em comento, determinando o arquivamento definitivo do processo decorrente, por ser de inteira justiça. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 785 12 Julgamento do Recurso Voluntário convertido em Diligência Em 14.06.2005, a Quarta Turma, do Segundo Conselho do CARF, converteu o julgamento em diligência (fls 378), através da Resolução 20400.023, nos seguintes termos: RELATÓRIO Tratase de lançamento de ofício de PIS relativo aos períodos de apuração junho de 1999 a abril de 2000 e agosto de 2002, por entender o Fisco que houve compensação indevida do PIS em DCTF. Informa a fiscalização que o contribuinte pleiteou a compensação com débitos da Cofins, no Processo 10120.005978/9941 (cópia de peças desse processo às fls. 92/143 destes autos), com eventuais créditos de Pasep decorrentes da diferença entre o devido pela LC 08/70 e o pago com base nos DecretosLeis n's 2.445 e 2.449. Tal pedido foi denegado, tendo a DRJ em Brasília DF mantido tal indeferimento, não tendo sido interposto recurso voluntário contra essa decisão. Como no referido processo não houve pedido de compensação de PIS, a fiscalização levou a cabo o lançamento desta contribuição com base nos demonstrativos de fls. 166/173, vez que o contribuinte informara à administração, em suas DCTF (fls. 144/163), "compensação de pagamento indevida ou a maior", sendo imputando os efetivos pagamentos (164/165). Assim, considerou o Fisco indevida a referida compensação. Impugnado (fls. 191/204) o lançamento, foi o mesmo mantido em sua integralidade pela DRJ em Brasflia DF (fls. 301/310). Não resignado com a r. decisão, a empresa interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, alega que pagou Pasep em excesso com base nos malsinados DecretosLeis n's 2.445 e 2.449, nos períodos ago/89 a out/95, gerando crédito a seu favor (conforme planilha anexa a sua impugnação — fls. 243/244) que foi compensado com a contribuição vincenda, e que, em se tratando de contribuição da mesma espécie, basta informar a compensação na DCTF, prescindindo de requerimento à SRF, conforme previsto no artigo 14 da IN SRF 21/97. Demais disso, aduz que o prazo para o pedido de restituição de pagamentos indevidos, tratandose de tributo com lançamento por homologação, é de 10 anos VOTO CONSELHEIRORELATOR JORGE FREIRE Na análise deste processo constatamos que a recorrente pediu administrativamente a homologação dos créditos de Pasep que foram compensados com débitos de PIS e Cofins. A jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que se o contribuinte pleiteou administrativamente a homologação de certa compensação, a análise da insurgência do contribuinte contra eventual lançamento com fulcro na glosa de compensação ainda pendente de decisão administrativa final, deve restar sobrestada até que a via administrativa onde se discute o crédito objeto da compensação esteja finda. Nestes autos a hipótese é inversa, eis que temos informações que o processo do pedido de homologação de compensação tornouse definitivo, uma vez que o contribuinte não teria recorrido da decisão da DRJ em Brasília DF que teria mantido o despacho denegatório do pedido de restituição/compensação de eventuais valores de Pasep recolhido a maior, o que tornaria ilegítima nova discussão sobre o mesmo mérito. Contudo, para que se possa julgar em definitivo a matéria, imprescindível o exame acurado do processo de homologação de compensação. CONCLUSÃO Forte no exposto, Voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência PARA QUE O ÓRGÃO LOCAL ANEXE A ESTES AUTOS Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 786 13 CÓPIA DO INTEIRO TEOR DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 10120.005978/9941, OBJETO DO PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ALEGADOS CRÉDITOS DE PASEP. Acórdão 20401.859, exarado pelo CARF após volta da Diligência (fls 613 e seguintes) Em 19.10.2006, foi proferido acórdão pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, assim ementado NORMAS PROCESSUAIS. A controvérsia acerca do mérito do crédito em que se anima à compensação se dá no processo em que se pede a homologação desta. Se, posteriormente, houver lançamento calcado em homologação negada em processo definitavamente julgado, a discussão de mérito não deve e nem pode ser reaberta, uma vez preclusa sua discussão no processo de homologação de compensação. Recurso não conhecido. Desta decisão destacamos os seguintes trechos: Retomam os autos após a diligência que anexou cópia do processo do pedido de restituição/compensação n° 10120.005978/9941 (fls. 371 a 593), ao qual o presente é conexo. Analisando aquele processo, constatei que o despacho local entendeu que a partir da Lei n° 7.691/88 estaria revogada, implicitamente, a semestralidade da base de cálculo do Pasep, a que se referia o artigo 14 do Decreto n° 71.618, de 03.12.70. Demais disso, entendeu estar decaído o pedido em relação aos pagamentos havidos há mais de cinco anos do protocolo daquele pedido (até 11.11.94), aplicando o AD SRF 96/99. Ante a inexistência de débito, foi indeferido o pedido, tendo o contribuinte tomado ciência no próprio despacho administrativo e contra ele apresentado manifestação de inconformidade, em 07/02/2002, na qual sustentou a semestralidade com arrimo no julgado no REsp 144.708, da Primeira Seção do STJ, e, quanto à decadência ao direito de repetir, defendeu á tese dos. cinco mais cinco, a contar da ocorrência do fato gerador. A DRJ em BrasíliaDF, em 08/08/2002, manteve o indeferimento, mas apenas articulou a questão da semestralidade,. afastandoa. A partir daí, na seqüência daqueles autos, não identifico por qual matéria a contribuinte tomado ciência dessa decisão, em que pese o encaminhamento à SAORT da DRF em Goiânia GO, "para os devidos fins". Em 13.03.2003, despacho determinando a exclusão dos débitos no sistema Profisc para encaminhamento à Seção de Fiscalização "para constituição do crédito tributário", e, em 17/03/2003, despacho afirmando que "decorrido o prazo de trinta dias da ciência, o interessado não interpôs recurso voluntário contra decisão" da DRJ, propondo o encaminhamento do processo ao setor de fiscalização para que verificasse se houve compensação indevida passível de cobrança nos termos do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835. A motivação do lançamento versado nestes autos (fl. 176) referese a esse despacho, cuja cópia foi anexada à fl. 143. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 787 14 Esse são os fatos referentes ao processo de pedido de homologação de compensação. O objetivo da diligência foi no sentido de verificar se efetivamente a decisão administrativa naqueles autos teria se tomado definitiva, o que impediria a análise da articulação recursal. E, de fato, compulsando os autos constato, conforme cópia apensada a estes autos, que ao solicitar cópia daqueles autos a empresa tomou ciência, isso em 13.11.2002, da decisão daquela decisão da DRJ em Brasília DF através de pessoa autorizada pelo representante legal da empresa. Dessa forma, a questão a que me levou ao pedido de diligência resta esclarecido, ou seja, a empresa tomou ciência do decisum da DRJ em Brasília DF e dele não recorreu. Meu entendimento sempre foi no sentido de que a controvérsia acerca do mérito do crédito em que se arrima a compensação se dá no processo em que se pede a homologação desta. Se, posteriormente, houver lançamento calcado em homologação negada em processo definitivamente julgado, a discussão de mérito não deve e nem pode ser reaberta, uma vez preclusa sua discussão ante a definitivadade da discussão no processo de homologação de compensação. Em face de tal, impedida a reabertura da discussão, não pode o mérito ser revolvido no processo de lançamento, como in casu, pelo que as autoridades administrativas julgadoras não podem conhecer da matéria definitivamente julgado. Mandado De Segurança – Sentença Judicial Irresignado, a Contribuinte impetrou Mandado de Segurança, no qual obteve liminar e sentença para que o processo administrativo 10120.005929/200373 fosse encaminhado à "Segunda Seção (sic) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que se conheça do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, afastandose o reconhecimento da ocorrência de preclusão." Conforme despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia (fls 671 e seguintes), em 03.04.2009: Por meio do Acórdão 204.01.859, os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes acordaram em não conhecer do recurso por preclusão, fls. 597 a 600. Mais uma vez inconformado, o contribuinte impetrou um mandado de segurança, com pedido de liminar, autos n° 2007.34.00.0356130, 3a Vara Federal Seção Judiciária do Distrito Federal, contra atos do Presidente do 2° Conselho de Contribuintes (1ª autoridade impetrada) e do Delegado da Receita Federal do Brasil em Goiânia (2ª autoridade impetrada), com o objetivo de que fosse afastado o julgamento do 2° Conselho de Contribuintes que não conheceu de seu recurso voluntário por preclusão e que a 2ª autoridade impetrada se abstivesse de inscrever em dívida ativa o crédito tributário ou desse início ao processo de cobrança deste processo. Consta às fls. 623 a 632 as informações prestadas pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Goiânia. A liminar foi deferida em 09/10/2007, determinandose à segunda autoridade impetrada que se abstivesse de inscrever em dívida ativa e/ou desse início ao processo de cobrança executiva do suposto débito tributário apurado nos autos do .PAF 10120.005929/200373, bem como de incluir seu nome em cadastro de Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 788 15 inadimplentes e negar expedição de Certidão Negativa de Débito (CND) ou de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (CPEN) que tenha por objeto débitos oriundos dos PAF's n os. 10120.005978/9941 e 10120.005929/200373, fls. 636 a 638. Julgamento pelo CARF convertido em Diligência Em 02.03.2011, Resolução 3402000.198 (fls 677 e seguintes), proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, da Terceira Seção de Julgamento, referente ao recurso 700.000, resolvem converter o julgamento em diligência, pelas seguintes razões: Veicula o presente processo recurso voluntário contra auto de infração lavrado para exigência da contribuição PIS que a empresa pretendeu compensar com suposto indébito de PASEP. O presente lançamento decorre, pois, de ter sido não homologada a compensação pretendida. Ele já foi julgado pela Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes. Na ocasião, com base em voto do d. Conselheiro Jorge Freire, o recurso não foi conhecido por preclusão. A razão para tanto foi que a compensação, proposta em outro processo administrativo (de nº 10120005978/9941), já fora denegada pela DRF Goiânia, que entendera inexistente o direito creditório alegado. Mantida tal decisão pela DRJ Brasília, a instância preparadora destes autos considerou que o contribuinte tivera ciência daquela decisão e dela não recorrera, o que a tornara definitiva. Vindo tal informação aos presentes autos, por solicitação feita pelo dr. Jorge, concluiu o n. relator ter precluído o direito à rediscussão da materialidade do indébito e não conheceu do recurso do contribuinte que intentava tal rediscussão. Cientificada desta decisão do Conselho de Contribuintes, ingressou a empresa com mandado de segurança questionando a conclusão da unidade preparadora de que fora cientificada da decisão proferida pela DRJ no processo de compensação. Segundo tal argumento, não se poderia ter considerado encerrado aquele processo, e definitiva a decisão proferida, porque não ocorrera sua ciência formal. Isso se daria porque a “ciência” considerada corresponderia, em verdade, a “mera” obtenção de cópia integral dos autos na DRF de origem. Esse argumento foi acolhido pelo Poder Judiciário que, em decisão proferida no mandado de segurança, determinou que o Presidente do então Segundo Conselho de Contribuintes “retome o julgamento do PAF nº 10120005929/200353 com o recebimento do recurso nele interposto”. Determinou, ademais, que a unidade preparadora se abstivesse de tomar providências relativas à cobrança dos débitos que se pretendeu compensar. Em decorrência, remeteu a unidade preparadora o recurso a esta unidade, sendo o recurso a mim distribuído. Registro que, pelas peças constantes dos autos, não se sabe se a decisão judicial transitou em julgado. Como já indicado pelo dr. Jorge Freire, o recurso, neste processo, foi apresentado tempestivamente. Sendo também da competência desta Seção do CARF a análise da matéria nele posta, cabe darlhe seguimento. Aliás, registrese de logo que assim fora feito pelo n. Conselheiro Jorge Freire. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 789 16 De fato, não houve em nenhum momento negativa de seguimento do recurso, o que, a propósito, somente poderia ser feito pela unidade preparadora. O que houve foi, como já dito, DECISÃO de que não se podia mais reexaminar a matéria relativa ao direito creditório. E foi por isso que o recurso não foi conhecido. Quanto a essa interpretação de que se processara a preclusão, desde que definitiva a decisão proferida no outro processo não houve, a meu sentir, discordância do Poder Judiciário. Do que aquele e. Poder discordou foi de que a decisão administrativa anterior era mesmo definitiva. Para isso seria necessário aceitar que a obtenção de cópias dos autos corresponderia à ciência de que cuida o art. 23 do PAF. Assim entenderam a unidade preparadora, o dr. Jorge e todos os demais membros da então Quarta Câmara, entre os quais me incluo. É contra essa interpretação que se posiciona o i. Magistrado que concedeu a segurança. Para ele, a ciência deve ser formal, não bastando mera presença física na unidade preparadora, ainda que atestada nos autos e ainda que em conseqüência dela a empresa tenha acesso a todas as peças dos autos. Por esse motivo, entendo que a conseqüência do julgado não é direcionada propriamente a esta Casa. Seu cumprimento apenas requer que se afaste aquela interpretação e NÃO SE CONSIDERE DEFINITIVA A DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO Nº 10120.005978/9941. E não sendo ela definitiva, não se pode entender que tenha ocorrido a preclusão. Mas não decorre daí que a matéria relativa ao direito de crédito de PASEP possa e deva ser analisada nestes autos, que se referem exclusivamente ao lançamento de ofício. Ou seja, aqui só o que tem de ser julgado é se, definitiva a nãohomologação da compensação pretendida, deveria haver o lançamento de ofício, nada mais. Assim entendeu a Quarta Câmara do Segundo Conselho, por unanimidade, e não há nenhuma razão para rever esse entendimento. Em conseqüência, proponho o retorno destes autos à unidade preparadora para que, uma vez transitada em julgado a decisão no mandado de segurança impetrado, dê ciência formal à empresa da decisão administrativa proferida nos autos do processo nº 10120.005978/9941, facultandolhe o prazo de trinta dias para apresentação de recurso ao CARF daquela decisão. Os presentes autos somente devem retornar a esta instância com a cópia da decisão administrativa final naquele processo, seja a já proferida, seja a que venha o CARF a proferir em cumprimento da decisão judicial caso esta se torne definitiva. Na primeira hipótese, se a decisão judicial vier a ser modificada em grau de recurso. Ato contínuo, a Delegacia da Receita Federal exarou diversos despachos que, em resumo, tem o seguinte sentido (fls 181 e seguintes): tendo em vista o disposto na Resolução nº 3402000.198 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls.674/676), proponho pelo envio dos autos ao Subjudice/DRF/GOI para acompanhar o andamento do mandado de segurança constante nos autos de nº 2007.34.00.0356130, 3ª Vara Federal Seção Judiciária do Distrito Federal. Conforme Despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (Fl 722), referente ao PIS, processo administrativo 10120.005929/200373: Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 790 17 1. É objeto deste processo a cobrança/controle de créditos tributários do PIS, constituídos por Auto de Infração. Contudo, irresignado com o procedimento administrativo, o sujeito passivo impetrou Mandado de Segurança, porque pretende usar direitos creditórios decaídos provenientes de supostos pagamentos a maior a título de PIS/Pasep, feitos antes de novembro de 1994, nos autos do processo administrativo nº 10120.005978/9941. Alega que não fora regularmente intimado do Acórdão da DRJ, no qual foi mantida a não homologação das compensações ali efetuadas. Obteve sentença favorável à sua tese nos autos do Processo Judicial nº 2007.34.00.0356130 e, com base neste provimento jurisdicional, suspenderamse as exigibilidades dos créditos tributários controlados por este processo. Foi oposta Apelação pela Fazenda Nacional, ainda não julgada pelo TRF1, até esta data (fls. 717 a 178). 2. Assim, mantiveramse as suspensões das exigibilidades dos créditos tributários controlados por este processo, atualizandose, no Sief, a data de análise da medida judicial. 3. O processo deverá permanecer nesta Equipe Subjúdice até o trânsito em julgado da decisão que dirimir a controvérsia judicial. Em 25.02.2015 (fl 766), foi emitido mais um Despacho de Encaminhamento: Senhor Chefe, este processo foi baixado em diligência, conforme fls. 677 a 679. Ele está vinculado ao processo nº 10120.005978/9941, cuja localização atual é o Carf. Assim, para atender determinação de fl. 679, este processo, depois de ter sua situação alterada para julgamento do recurso (suspendendo administrativamente os CT), deverá ser movimentado para aquela instância, visando a ser julgado em conjunto com o de nº 10120.005978/9941. Por fim, o processo foi redistribuído a mim para elaboração de novo relatório e para submissão de voto ao crivo dessa Turma. Conforme denotase acima, pareceme que o processo fora distribuído para julgamento sem haver efetivamente o trânsito em julgado do processo judicial até a data da presente sessão de julgamento. Dito isso, minha proposta é de reenviar os autos para a unidade de origem, em diligência, para seu efetivo cumprimento, qual seja, aguardar o efetivo transito em julgado da ação judicial que resta prejudicial ao julgamento desse processo administrativo. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 790DF CARF MF Processo nº 10120.005929/200373 Resolução nº 3401001.342 S3C4T1 Fl. 791 18 Fl. 791DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900090/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
ROSALDO TREVISAN - Presidente
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente TIAGO GUERRA MACHADO Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). Tratase de Recurso Voluntário (fls. 82 e seguintes), contra decisão da DRJ/Belém, referente a lançamento de ofício da COFINS devida pela Recorrente durante o ano calendário de 2003. Da Compensação e do Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .9 00 09 0/ 20 06 -2 1 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13227.900090/200621 Resolução nº 3401001.346 S3C4T1 Fl. 103 2 Tratase de declaração de compensação transmitida em 28/10/2003 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2172, do período de apuração de 31/12/1996, com arrecadação em 14/04/2003, no valor originário de R$ 54.833,66. Em despacho decisório, a fiscalização não homologou o pedido de compensação em vista de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade (fls. 26 e seguintes) Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alega: É do pleno conhecimento da DRF/JPR que a Contribuinte Obteve pleno ganho de causa em processo judicial que lhe reconheceu créditos por pagamento a maior do antigo FINSOCIAL, bem como o direito de proceder à compensação dos mesmos (Processo nº 96.00013861 Apelação Cível nº 1997.01.00.0232788/RO). Esses créditos foram utilizados nos exatos termos da r. decisão judicial. Alguns chegaram, inclusive, a ser objeto de lançamento por parte do Fisco, mas foram devidamente impugnados para fins de ratificação. Ocorre que, em meados de abril de 2003, a Contribuinte necessitava obter CND e, equivocadamente, constavam em aberto na SRFB algumas compensações desses créditos. Para ser mais exato, ao tirar um extrato da ContaCorrente, apareciam como inadimplidos os valores dos créditos utilizados para pagamento da COFINS no ano de 1996. Como havia extrema urgência para a obtenção da certidão e a baixa dos débitos através da homologação das compensações demandaria muito tempo, a Contribuinte fez a seguinte opção: quitou a suposta divida através do recolhimento de uma guia DARF no valor de R$ 54.833,66 (em 14/04/2003), tirou a CND e logo depois procedeu a uma nova compensação desse valor que era totalmente indevido, já que representava apenas a utilização de um crédito reconhecido na via judicial com tributos administrados pela SRFB (COFINS, CSLL e P15) através do sistema PER/DCOMP. Ou seja, a Contribuinte tinha um crédito que foi utilizado mediante compensação. Essa compensação, em total descumprimento à ordem judicial, ainda não havia sido reconhecida no ente fiscal; razão pela qual apareciam débitos na ContaCorrente da empresa. Para fins exclusivos de obtenção de CND a Contribuinte efetuou o pagamento dos valores em aberto, tornandose novamente credora do Fisco. Então, usou esse crédito para pagamento de tributos. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13227.900090/200621 Resolução nº 3401001.346 S3C4T1 Fl. 104 3 Por fim, apresentou os DARF´s que perfizeram o suposto pagamento a maior. Acórdão da Manifestação da Inconformidade (fls 70 e seguintes) Sobreveio o Acórdão elaborado pela DRJ, que manteve os termos do despacho decisório: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Abaixo seguem as principais razões da decisão de primeiro grau: Cumpre referir, pois, que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário opera efeitos desde o pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Logo, a extinção do crédito pelo pagamento independe do implemento de qualquer condição para adquirir eficácia'. Pelo contrário, somente o implemento de condição futura, incerta e no prazo estabelecido no artigo 150, §4°, do CTN, qual sej a, a nãohomologação, poderá alterar o que foi previamente apurado pelo sujeito passivo e, dessa forma, cravar outra data de extinção do crédito tributário. Assim, como a constituição do crédito tributário decorreu do próprio pagamento, mediante a modalidade de lançamento dita por homologação, sua desconstituição dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento a maior ou indevido. (...) Em frontal antagonismo para com os princípios acima declinados, a contribuinte peticiona no sentido de que, em sendo "necessária a juntada de algum documento adicional para comprovação dos fatos alegados (...), seja intimada especificamente para este fim". (...) Na espécie, o contribuinte optou por não apresentar as provas que teria em seu favor, ficando, assim, em situação jurídica desfavorável neste processo. Por outro lado, assinalese que mesmo a argumentação do sujeito passivo não milita em seu favor. E que, conforme se extrai de seu relato, o crédito tributário de código 2172, referente ao período de apuração de 31/12/1996, no total de R$ 54.833,66, era de fato devido. Apenas a sua forma de extinção é que se pretendia diversa. Expliquese: O contribuinte, ao que alega (embora não prove), pleiteava a compensação deste débito tributário com crédito oriundo de decisão judicial. Logo, reconhece o quantum do débito como devido e, em assim sendo, ao efetuar o seu pagamento, extinguiu, de forma cabível, a obrigação tributária respectiva. Exclusivamente na hipótese não comprovada pelo contribuinte e nem registrada nos sistemas da Receita Federal do Brasil — de o crédito tributário já se encontrar extinto por ocasião do Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13227.900090/200621 Resolução nº 3401001.346 S3C4T1 Fl. 105 4 pagamento é que este (o pagamento) revelarseia indevido. Do contrário, o pagamento 6 devido e o indébito inexistente, bem como o direito à repetição. Do Recurso Voluntário (fls. 82 e seguintes) Diante da decisão desfavorável, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reprisando os argumentos apresentados na Impugnação, resumindo: Em resumo, a comprovação dos fatos ocorreu da seguinte forma: 1) A Fazenda Nacional fez parte dos feitos na esfera judicial que reconheceram integralmente os créditos e seu correspondente direito de compensação; 2) Os débitos inexistentes que impediam o fornecimento de CND (os quais, como se disse e era incontroverso, não constituíam débitos verdadeiros, mas apenas pagamentos feitos mediante compensação autorizada e ratificada através de decisão judicial transitada em julgado) foram evidenciados pela juntada do extrato da Conta Corrente da empresa naquele período; 3) O DARF que quitou esses débitos inexistentes e que, por consequência, gerou novo crédito para a Recorrente, também foi juntado na Manifestação de Inconformidade; e 4) A CND que vinha sendo negada e, logo após o pagamento desse DARF, foi expedida, também compôs o conjunto probatório. Perguntase, então: de que onus probandi a Recorrente não se desincumbiu? Que dúvida a DRF e a DRJ têm acerca dos fatos? Que provas deveriam ter sido juntadas e não foram? É o relatório. Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da sugestão para conversão do presente em diligência Creio que o cerne principal da questão reside no fato de a Recorrente, para obter certidão negativa de débitos federais, quitou, mediante pagamento de DARF, débito de Cofins cujo adimplemento originalmente tinha sido feito através de compensação tributária dos indébitos de FINSOCIAL indevidamente pagos em um passado mais remoto. No momento do pagamento em DARF, os débitos de COFINS ainda eram litigiosos e não haviam sido tacitamente homologado pelas autoridades fiscais; pelo contrário, como atesta a contribuinte, fora por elas questionados, nos processos administrativos 13227 000.413/200251, 13227000.412/200215, 13227000.174/200230, 13227000.175/200284, 13227000.176/200229, 13227000.177/200273. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13227.900090/200621 Resolução nº 3401001.346 S3C4T1 Fl. 106 5 Em verdade, uma das compensações está sob julgamento dessa mesma Turma, sob minha relatoria. Alega a Recorrente que, sendo débito extinto, um novo pagamento do mesmo débito supostamente extinto, teria havido um pagamento em duplicidade, razão pela qual já restaria comprovado o direito ao crédito. Contudo, lembramos que a quitação da obrigação tributária mediante a compensação com créditos fiscais não se dá de maneira absoluta. Esse é a máxima exprimida pelo artigo 150, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Ora, se a condição resolutória é a homologação e essa não houve, em razão do despacho decisório supracitado, a extinção do crédito tributário deixa de existir, sendo substituída pela mera suspensão da exigibilidade conquanto haja litígio, nos termos do artigo 151, III do CTN. Nesse sentido, enquanto não houver a homologação definitiva da compensação que mirou extinguir o crédito tributário de COFINS do ano calendário de 1997 com os supostos créditos originários de FINSOCIAL, não há como afirmar que o ulterior pagamento mediante DARF foi, de fato, recolhimento em duplicidade. Diante desse cenário, negar o direito à presente compensação sem o deslinde da compensação originária, poderá representar (i) um irreversível dano ao contribuinte, por gerar um pagamento em duplicidade sem a possibilidade de ressarcimento, caso a compensação originária seja admitida; (ii) um irreversível dano ao Fisco, caso a compensação originária seja inadmitida, eis que se estaria reconhecendo a existência de um pagamento em duplicidade quando só teria havido um único pagamento mediante DARF. Portanto, proponho a essa Turma é que se baixe o presente à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, em diligência, para que: (a) A autoridade preparadora identifique qual(is) processos administrativos de compensação estão vinculados à cobrança administrativa quitada via DARF pelo contribuinte; e promova sua vinculação dos processos e/ou a anexação ao presente processo de todos os documentos gerados; em especial, Despacho Decisório e respectiva ciência ao interessado, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13227.900090/200621 Resolução nº 3401001.346 S3C4T1 Fl. 107 6 anexando, cópia integral da declaração de compensação e do histórico de retificações e processamento, (b) Elaborar relatório que ateste o tratamento e o desfecho dado à referida compensação. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901919/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.969
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 19 /2 00 8- 21 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13884.901919/200821 Acórdão n.º 3401004.969 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.651, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13884.901919/200821 Acórdão n.º 3401004.969 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13884.901919/200821 Acórdão n.º 3401004.969 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13884.901919/200821 Acórdão n.º 3401004.969 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.901919/200821 Acórdão n.º 3401004.969 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901587/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 15 87 /2 00 8- 85 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13884.901587/200885 Acórdão n.º 3401004.946 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.616, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13884.901587/200885 Acórdão n.º 3401004.946 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13884.901587/200885 Acórdão n.º 3401004.946 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13884.901587/200885 Acórdão n.º 3401004.946 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13884.901587/200885 Acórdão n.º 3401004.946 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 88DF CARF MF
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